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O segredo constitucional de Nelson


Jobim e Gastone Righi
Por Congresso em Foco
3-4 minutes

Eduardo Militão

Apesar de já ter atingido a maioridade, a Constituição


Federal, promulgada em 1988, ainda desperta polêmica. Um
estudo de dois professores da Universidade de Brasília (UnB)
afirma que parte de um artigo foi incluído na Carta
Magna sem passar pelo Plenário. O dispositivo inserido,
segundo eles, beneficiou credores internacionais da dívida
externa. As alíneas “a”, “b” e “c” do artigo 166 (172, na versão
original) tratam de privilégios para o pagamento da dívida, de
pessoal e de transferências aos estados e municípios (veja
aqui).

Os autores do trabalho responsabilizam pela inserção


do texto o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF)
Nelson Jobim, então deputado constituinte pelo PMDB
gaúcho e líder do partido, e o ex-deputado Gastone Righi

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(SP), que liderava a bancada do PTB. Os dois negam a


acusação (leia mais).

Há quatro anos, Jobim admitiu ao jornal O Globo ter inserido,


sem submeter ao Plenário, dois artigos na Constituição. Um
deles, revelou, era sobre a independência dos poderes – o
artigo 2º. Sobre o outro artigo, ele nada explicou. O ex-líder
do PMDB prometeu escrever um livro para explicar tudo, mas
até hoje não deu início à obra.

Com essa dúvida em mente, o professor de Segurança da


Informação Pedro Antônio Dourado de Rezende e o
advogado e consultor legislativo do Senado Adriano Benayon
começaram a pesquisar para saber qual foi o outro dispositivo
inserido sem a necessária aprovação dos deputados e
senadores.

No ano passado, os dois publicaram o artigo acadêmico


Anatomia de uma fraude à Constituição (veja a íntegra), no
qual apontam Jobim e Righi como os responsáveis por inserir
um texto não votado pelos constituintes. “Isso aqui foi
enxertado. Os dois deixaram rastros”, afirmou Rezende, ao
exibir uma folha dos Arquivos da Assembléia Nacional
Constituinte (ANC), que comprovaria as alíneas “alienígenas”.

Segundo o estudo de Benayon e Rezende, o fato ocorreu no


momento em que os constituintes cuidavam da discussão do
texto final da Constituição. Naquela fase, nada de novo
poderia ser acrescentado, eram admitidas apenas emendas
para corrigir o texto, melhorando sua redação, ou suprimir

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dispositivos.

Entretanto, de acordo com os autores do estudo, um


requerimento de três páginas para fundir os artigos 171, 172 e
173 incluiu uma folha estranha à matéria. Isso aconteceu em
27 de agosto de 1988, um sábado. A página continha a alínea
“b” do artigo 172 (atual 166), pela qual não era mais
necessário indicar fontes de receita nas emendas destinadas
ao pagamento do “serviço da dívida”. Para Rezende, a folha
deveria ter a rubrica de todos os 14 líderes partidários. Mas
continha apenas as dos líderes do PMDB e do PTB, Jobim e
Righi (veja aqui

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