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Eram os incas astronautas?

Ruínas descobertas em 1905 revelam a cidade mais antiga das Américas, com 4.600 anos.

A maior das pirâmides de Caral, de 2627 a C., tem 18 m de altura e 150 m de base.
PETER MOON
Em 2627 antes de Cristo, enquanto os faraós egípcios construíam suas pirâmides, há mais de 10 mil
km de distância, um povo ainda pouco conhecido que vivia no litoral desértico do Peru também
colocava pedra sobre pedra na tentativa de chegar mais perto dos céus. Eram seis pirâmides, a maior
com 18 metros de altura e 150 m de base, revelaram na última-sexta-feira nas páginas revista
americana Science arqueólogos da Universidade Northern Illinois e do Museu Field de Chicago. A
construção fica no meio de um complexo de pirâmides, canais de irrigação e apartamentos em ruínas,
descobertos em Caral, localidade situada 200 km ao norte de Lima e 22 km distante da linha costeira
de hoje.

Vista aérea das pirâmides de Caral, carcomidas pela ação dos elementos.

Ainda não se sabe qual foi o povo que lá viveu. Mas sabe-se que vivia da pesca e do plantio de
vegetais como feijão e plantas como o algodão, mas não de grãos, como o milho. Também não
dominavam a produção de cerâmica. "O que estamos aprendendo em Caral irá reescrever o modo
como entendemos o desenvolvimento das primeiras civilizações andinas", diz Jonathan Hass, do
museu de Chicago. "Este pode ter sido o berço da civilização andina", sugere Winifred Creamer,
pesquisadora da Northern Illinois. Além de co-autores da descoberta, Haas e Creamer são casados.

Para a arqueóloga Winifred Creamer, o povo de Caral pode ser o ancestral direto de toda a civilização inca.
Descoberto em 1905, Caral é apenas um dos 18 grandes sítios arqueológicos do vale Supe, mas o
melhor estudado até o momento. Segundo Creamer, Caral foi subestimado por quase um século pelos
pesquisadores porque existem tantos sítios arqueológicos no Peru com relíquias em ouro e fantásticas
construções em pedra, que ninguém se interessou em estudar um sítio cujos habitantes nem ao
menos dominavam a cerâmica.. Não se base como e porque a civilização de Caral se extinguiu, mas o
fato é que 600 anos depois da construção das pirâmides, em cerca de 2000 a C,deixou-se de construir
na região. Esse povo esquecido pelo tempo pode, no entanto, ser ancestral direto dos incas que
criariam 3 mil anos depois um império que se estendeu por 2 mil km ao longo da cordilheira dos Andes
e desapareceu apenas no século XVI com a chegada dos conquistadores espanhóis.

O sítio de Caral é repleto por ruínas de casas com paredes de adobe.