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CÓPIA DO PROCESSO DE AFASTAMENTO DO PREFEITO DO MUNICÍPIO DE TERESÓPOLIS E DECISÃO QUE AFASTOU O PREFEITO DO MUNICÍPIO DE NOVA FRIBURGO

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CÓDIGO DE BARRAS .

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ESTADO DO RIO DE JANEIRO

PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA

DO RIO DE JANEIRO PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA -- ---- -- ETIQUETA DE LEITURA ÓTICA

--

----

--

ETIQUETA DE LEITURA ÓTICA

COLE AQUI

0024146-34.2011.9.19.0061

C.rtórlo d.1' V.ra C/."

Procedimento Ordlnárto • Umnor

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1211212011· 14:16

DIslrlbuldor

Solt.

Autor.

JORGE MARIO 9EOlACEK luiz Paulo de Barros Correia Viveiros de Cestro (R)073146)

Adv:

Réu:

MUNICfpIO DE TEReSOPOUs CAMARA De VeReADOReS De TeReSOPOus

Adv:

CAf<TCIRIO

DA

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VARA CIVEL

DA

COMARCA

DE

TERESOf'OLIS·

JUIZ

TITULAR:

CARLO ARTUR

BASILICO

 

Exp.::

AI'[iELA F'A'mlCIA DE AlJ'IEIDA FERI'!I\Z

Etiquela PESSOAIOOSA

COLE AQUI

AUTUAÇÃO

DATA DA AUTUAÇÃO: -J-~/4- / ,ãl "

REG DE SENT.: LIVRO

JUSTiÇA GFlATUITA:

FLS

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SIM LJ

NÃO D

DA AUTUAÇÃO: -J-~ / 4- / ,ãl " REG DE SENT.: LIVRO JUSTiÇA GFlATUITA: FLS .

7535-651·1501

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Viveiros de Castro - Advogados

EXCELENTÍSSIMO DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA CÍVEL DA COMARCA DE TERESÓPOLlSIRJ

JUIZ DE DIREITO DA CÍVEL DA COMARCA DE TERESÓPOLlSIRJ GRERJ Eletrônica nO 21804711633-03 JORGE MARIO SEDLACEK,

GRERJ Eletrônica nO

21804711633-03

JORGE MARIO SEDLACEK, brasileiro, casado, médico, portador da carteira de identidade nO 81.365.238-5, expedida pelo DETRAN-RJ, inscrito no CPF sob o nO 445.480.017-00, com domicilio na Rua Juruena, 123/501, Agriões, Teresópolis, vem à presença de Vossa Excelência propor apresente

AÇÃO PELO RITO ORDINÁRIO

com pedido de antecipação de tutela,

em face do MUNICÍPIO DE TERESÓPOLlS e cÂMARA DE VEREADORES DE TERESÓPOLlS,ambas situadas na Av. Feliciano ~ Sodré, 645, Várzea, Teresópolis-RJ, pelos fatos e fundamentos a seguir ;;;

expostos. C",-rp'3. ""-~I,Ht:('YlO ~ Tt~~)óWS.

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Dos fatos e do Direito

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Em meados de 2011 foi inaugurada uma Comissão Processante instaurada pela segunda ré com a missão de investigar e provar quatro acusações formalizadas contra o autor:

(I) fraude ao Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro; (/l) contratação de advogado para defender o Município de Teresópolis contra um seqüestro de verbas de R$ 11.000.000,00 (onze milhões de reais); (/lI) não comparecimento pessoal à sessão de CP/ em andamento; e (IV) deixar de enviar documentos à CP/ em andamento, essa última com arrimo no inc. /5, do artigo ]O do De.ereto Lei nO 20//67.

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Av. Beira Mar, 200/6' andar - Rio de Janeiro - RJ - 20.021-060 - TellFax: 25103276125103278 E-mail: advogados@viveiros.adv.br

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O aludido Decreto Lei nO 201/67 tem redação clara e não prescinde'çfé C/ ,~ maiores esclarecimentos quanto aos procedimentos que a ComissiÍ~> ,::J'! Processante deve tomar no iter processual, ou seja: pautar-se com o'~1Qii}'i §},/ cuidado necessário em garantir ao acusado o direito constitucional da ampla defesa e do devido processo legal.

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Em todas as uuidades da fedemção e em todas as câmaras legislativas, isso tem sido observado, à exceção do que se viu em Teresópolis, cidade serrana deste Estado do Rio de Janeiro. E quando essas exceções se fazem presente, invariavelmente o Poder Judiciário é soberano e firme em determinar a correção do rumo, sempre no intuito de fazer prevalecer as garantias constitucionais asseguradas aos litigantes em geral.

Por isso, e para isso, o rito processual previsto pelo Decreto Lei nO 201/67, em seu artigo 5°, determina uma séria de medidas rígidas e inflexiveis que nunca foram tomadas pela Comissão Processante formada no âmbito da segunda ré. Senão, vejamos:

Art. 5° O processo de cassação do mandato do Prefeito pela Câmara, por infrações definidas no artigo anterior, obedecerá ao seguinte rito, se outro nãofor estabelecido pela legislação do Estado respectivo:

IV - O denunciado deverá ser intimado de todos os atos do processo, pessoalmente, ou na pessoa de seu procurador, com a antecedência, pelo menos, de vinte e quatro horas, sendo lhe permitido assistir as diligências e audiênetas:bem como formular perguntas e reperguntas às testemlmhas e requerer o quefoI' de interesse do defesa.

v - concluído a instrução, será aberta vista do processo ao denunciado, para razões escritas, no prazo de 5 (cinco) dias, e, após, a Comissão processante emitirá parecer final, pela procedência ou improcedência da acusação, e solicitará ao Presidente da Câmara a convocação de sessão para julgamento. Na sessão de julgamento, serão /idas as peças requeridas por qualquer dos Vereadores e pelos demmciados, e, a seguir, os que desejarem poderão manifestar-se verbalmente, pelo tempo máximo de 15 (quinze) minutos cada um, e, ao final, o demmciado, ou seu procurador, terá o prazo máximo de 2 (duas) horas para produzir sua defesa oral;

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Vi - Concluído a defesa, proceder-se-á a tantas votações nominais, quantas forem as iTifrações articuladas na demíncia. Conviderar-se-á afastado, definitivamente, do cargo, o demmciado que for declarado pelo voto de dois terços, pelo menos, dos membros da Câmara, em curso de qualquer das Ílifrações especificados na denúncia. Concluído o julgamento, o Presidente da Câmara proclamará imedia.tamente o resultado e fará lavrar a.ta que comigne a votação nominal sobre cada irifração, e, se houver condenação,

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expedirá o competente decreto legislativo de cassação do manelato qe

Se

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re~11ltado ela

votação

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absolutório,

Em

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Prefeito.

determinará o arquivamento do processo.

Presidente ela Câmara comunicará à Justiça Eleitoral o re~/ltado. ····Z'<'" ,

Presidente

qualquer dos casos,

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Como antes referido, o artigo suso é de clareza solar e de fácil interpretação, até mesmo para os não versados na ciência jurídica.

A segunda ré iniciou sua sequência de ilegalidades quando, sem maiores explicações, não submeteu cópia da denúncia dentro do prazo legal de cinco dias ao autor, preferindo a notificação do autor mediante publicação em Diário Oficial, por certo, para não importuna-lo na residência que mantém há anos na cidade de Teresópolis, já, desde o início, buscando todos os holofotes que para si foram franciscanamente voltados.

Ademais, a publicação em Diário Oficial teve a intenção de fazer com que o autor não oferecesse resposta às acusações que lhe eram imputadas, dificultando propositadamente o acesso à intimação que deveria ter sido feita pelos modos e meios convencionais, conforme regido pelo Decreto- Lei nO 201167.

Mesmo assim, com muitas dificuldades, foi possível obter a denúncia e apresentar sua Defesa Prévia esclarecendo todas as nefastas e irresponsáveis acusações.

Assim, seja no âmbito judiciário, seja no âmbito administrativo, apresentada a acusação e formulada a defesa, fecha-se o sistema pelo qual a

) matéria deve ser debatida, provada e decidida, sendo vedado a uma das

(;;) partes modificar seu pedido (ou as acusações) sem o prévio conhecimento e

consentimento da parte ex adversa.

Inusitadamente a segunda ré, por intermédio da Comissão processante, resolveu por desistir da primeira acusação, fraude ao diário oficial, sem nenhuma fundamentação adequada, pertinente ou legal, revelando desde

aquele momento su~ real intenção: afastar definitivamente o autor do cargo

eleito.

.

Ora, neste ponto do processo de cassação, não poderia mais a Comissão Processante ter determinado que fossem desconsiderados esse ou aquele fato da denúncia, posto que todos os fatos haviam sido alvo de deliberação e referendo pelo Plenário da Câmara!

Isso mesmo.

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4.

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Ao referendar o prosseguimento dos trabalhos da Comissão processante,~:>,.~ Plenário da Câmara de Vareadores tomou ciência oficial das denúncias e ·'<L dos fatos e fundamentos da defesa, cabendo a este órgão, o Plenário, a decisão de rejeitar ou acatar a investigação acerca das denúncias apresentadas.

Em outras palavras, não poderia a segunda ré:

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"Deixar de apreciar a demíncia relativa a possível fraude no Diário Oficial, tendo em vista a complexidade do procedimento a ser realizado

para perícia técnica, o exiguo prazo e a falta de dotação orçamentária para tal fim, diante da possibilidade de não concluir a fase instnJtória dentro do prazo compatível para a conclusão do rito previsto no Decreto Lei n° 201167. "

Ademais, é notório que a acusação de fraude ao Diário Oficial foi uma das mais batalhadas pelos edis para formar a opinião pública em sentido negativo à administração municipal da época, iniciando a campanha difamatória ecoada na imprensa estadual e nacional. Também é notório que os vereadores que aceitaram a denúncia da forma e do teor como ofertada sabiam, desde o início, que deveria haver a garantia da produção de todos os elementos de prova em favor do ora autor, de modo que dolosamente decidiram por acatar a denúncia in totum, laborando em formidável descuido em relação às garantias constitucionais antes mencionadas.

relação às garantias constitucionais antes mencionadas. Ademais, para corroborar o aqui sustentado, basta a leitura

Ademais, para corroborar o aqui sustentado, basta a leitura dos votos proferidos pelo plenário onde não apenas um, mas vários edis mencionaram a suposta fraude ao diário como motivação suficiente para acatar o pedido de afastamento do autor do cargo para o qual havia sido soberanamente eleito.

A solércia e torpeza da Comissão Processante instituída pela segunda ré se manifestam e são indelevelmente registradas quando ficam totalmente paralisados os trabalhos da referida comissão durante dois terços de sua existência, deliberando somente a perícia requerida após provocação do autor para dar o resultado acima combatido.

Não há melhor exemplo de cerceamento de direito de defesa, violação ao devido processo legal e vedação do contraditório.

Aliás, sim.

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Noutra oportunidade, a Comissão Processante instituída pela segunda ré:' OÔ conteve como integrante o Vereador Habib Someson Tauk, membro.::' ~ integrante de uma Comissão Parlamentar de Inquérito instituída para apurar os mesmos fatos apontados na denúncia que originou a Comissão '" Processante.

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Ora, trata de vício insanável aos trabalhos da Comissão Processante, pois foi retirado do aludido vereador a isenção e a imparcialidade exigida para o cumprimento das suas tarefas regimentais.

Veda a Constituição Federal a criação qe juízos ou tribunais de exceção (art. 5°, XXXVII), considerados com estas qualidades aqueles tribunais criados para julgar determinados casos, configurando violada a norma constitucional quando designado Magistrado para atuar em designação específica, casuística em determinado feito.

Mutatis mutandi, é o caso dos autos: Houve instauração de tribunal de exceção para que um dos investigantes também fosse um dos julgadores!

Houve prova documental produzida nos autos das ações de mandado de segurança impetrado pelo ora autor que, em seu legítimo direito, desistiu da apreciação diante da perda de objeto da ação mandamental, provando a atuação do vereador Habib como membro efetivo, tanto da Comissão' Parlamentar de Inquérito quanto da Comissão Processante, sendo que nesta última ainda, em flagrante bazófia, na qualidade de relator.

De acordo com o posicionamento assento na melhor e mais abalizada doutrina, a participação de vereador na comissão especial de inquérito. (natureza inquisitiva) e na comissão processante (natureza decisória) macula a garantia constitucional do devido processo legal, porquanto retira a imparcialidade, a neutralidade e a isenção do julgamento do processo que pode resultar, como resultou, na cassação do mandato de Prefeito pela Câmara Municipal.

Bem se sabe que não se confunde a natureza das comissões temporárias instauradas. As comissões parlamentares ou especiais de inquérito têm apenas natureza inquisitiva. Consoante Hely Lopes Meirelles:

"em qualquer caso, as conclusões do inquérito terão valor meramente iriformativo para o processo político-administrativo, penal, civil ou administrativo que se instaurar em forma legal, perante o órgão 011 autoridade competente para a responsabilização do infrator". Direito Municipal Brasileiro", Malheiras Editores, 6" ed., p. 477.

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Já a comissão processante, ao final, poderá emitir parecer acolhendo ou nãp a acusação, consoante o art. 5° do Decreto-Lei n° 201/67, daí a sua naturez~~:'. decisória, razão pela qual deverá pautar-se pelo princípio do due process of /aw, devendo os componentes ser imparciais e isentos de ânimo.

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Assevere-se que o sistema adotado pelo Decreto-Lei nO 201/67, para a constituição da comissão processante por sorteio, denota clara preocupação em assegurar uma salutar isenção na composição da comissão, valorizando, pois, o espírito de imparcialidade e justiça de que se deve revestir o parecer por ela emitido.

Destarte, ao se permitir que o participante da CPI venha, igualmente, a integrar a comissão processante, instaurada a partir dos elementos apurados por ela (CP!), retirou-se do autor a possibilidade de obter um justo julgamento político administrativo, comprometido pela absoluta falta de isenção de seus membros.

A esse propósito, decidiu o Egrégio Tribunal de Justiça de Minas Gerais, verbis:

CONSnTUCIONAL - ADMINISTRAllVO - CASSAÇÃO DO MANDATO

DE PREFEITO PELOS VEREADORES. 01. Inexistência de den6nciaformal, mas de mera "notitia", com pedido de

providências, firmada por pessoa física,

restou incomprovada. Encampação da "denúncia" informal pela Câmara. Instalação de C.E.I (Comissão Especial de Inquérito), com poderes inquisitoriais. Simultaneidade de átuação .dos três integrantes daquela comissão investigativa na ulterior sessão de julgamento. Impossibilidade de os mesmos Vereadores serem, a um só tempo, inquisidores e julgadores. Nulidade decretável por evidente interesse, parcialidade e suspeição, com influência na formação do 'quorum' e no resultado do julgamento; 02. Presidente do Câmara suspeito de parcialidade., pela pretensão, ainda que oblíqua, na vacância do cargo de Prefeito, que veio a ocupar, por renúncia do Vice-Prefeito; 03. Além do eventual interesse na cassação, o Presidente da Edilidade, votando em primeiro lugar, teria inteiferido, ainda que involuntariamente, mas a toda evidência, no resultado final; 04. Cabimento e concessão do segurança, para anulação do viciado processo, com reentrollização do Prefeita-impetrante em seu cargo, revogada a liminar. MS I.0000.07.458511-8/000. Rei. Des. ROlley Oliveira, 2 a Câmara Cível. Julgado em 15/04/2008, publicado DJ13/05/2008

cuja qualidade de cidadão - eleitor,

Mas não é só!

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A pantomima criada pela Comissão Processante, que nestas alturas apenas:-

se prestava a dar eco aos escritos malfeitos nos jornais de ampla circulação>-:( , .

ainda foi além em seu desiderato: Simplesmente deixou de notificar o autor

ou seus advogados dos demais atos praticados, como, por exemplo, o mais importante deles: aquele contido expressamente no inciso IV do art. 5° do Decreto-Lei nO 201167:

IV - O denunciado deverá ser intimado de todos os aios do processo, pessoalmente, ou na pessoa de seu procurador, com a antecedência, pelo

menos, de vinte e quatro horas, sendo lhe permitido assistir as diligências e audiências, bem como formular perguntas e reperguntas às testemunhas e

requerer o que for de

interesse da defesa.

. Ora, todos os atos engloba também a possibilidade de estar presente na

~ sessão plenária realizada na Câmara, com a possibilidade de manifestação oral do autor ou de seus procuradores.

Isso não foi feito!

o autor não foi intimado para estar presente em seu próprio julgamento!

Assim agindo, por óbvio que os edis esqueceram, talvez ofuscados pelos holofotes~ dos comezinhos princípios processuais que regem e dão sustentação ao sistema democrático neste país.

Esqueceram que no pais mna Constituição Federal vigente que garante o contraditório, a ampla defesa e o devido processo legal. No caso em apreço, não houve contraditório na sessão de julgamento; não houve oportunidade de defesa no momento do julgamento e não houve processo legal algum observado na ocasião do julgamento.

Houve isso sim, um simulacro de julgamento, mn teatro de horrores especialmente construído para as câmaras de televisão e folhas de jornais, uma verdadeira peça teatral de segunda categoria encenada pela soberba dos componentes das comissões, embasbacados de ansiedade em estar cmnprindo apenas seus anseios próprios. Apopulação, ora, a população é um mero detalhe

Substitua "população" por "constituição" e nenhuma modificação o texto acima terá!

É inegável o cerceamento do direito de defesa!

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descumpridos por aqueles que, em tese, deveriam ter a missão de defendê- los.

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Ora, talvez nem soubessem de sua existência! Na Constituição Federal, por exemplo, encontramos o princípio da legalidade expresso como detenninação legal, de observação obrigatória, em dois momentos. Encontra-se expresso no artigo 5°, inciso 11, garantindo a liberdade dos cidadãos, quando prevê que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer algo que não seja previsto em lei.

Aqui, temos uma disposição que é considerada uma das bases de nosso ordenamento jurídico, com duas finalidades: uma, de regular o comportamento dos cidadãos e dos órgãos do governo, visando a manutenção da paz social e da segurança jurídica, o que é considerado como fundamental para o Estado de Direito moderno l .

E no artigo 37, capul, CF, como o princípio que deverá ser obedecido por toda a Administração Pública, em todos os níveis. Já neste momento, vemos que a Administração Pública possui limites, que não está livre para fazer ou deixar de fazer algo de acordo com a vontade do governante somente, mas que deverá obedecer a lei em toda a sua atuação 2 .

J Celso Ribeiro Bastos explica muito bem esta ~o dúplice do Principio da Legalidade: De um lado representa o marco avançado do Estado de Direito, que procnra jugnIar os comportamentos, quer individuais, quer dos órgãos e<tatais, às normas jruidicas das quais as leis são a suprema expressão. Nesse sentido, o principio da Legalidade é de transcendental inljlOrtância para vincar as distinções entre o Estado constitucional e o absolntista, este último de antes da Revolução Francesa. Aqui havia lugar para o arbitrio. Com o primado da lei cessa o privilégio da vontade caprichosa do detentor do poder em beneficio da lei, que se presume ser a expressão da vontade coletiva.

2 O Prof. Luis Roberto Barroso explica claramente a aplicação diferenciada do principio da Legalidade para os individuos particulares e para a Admiuistração Pública: "Também por tributo às suas origens liberais, o principio da legalidade flui por vertentes distintas em sua 3Jllicação ao Poder Público e aos particulares. De fato, para os indivíduos e pessoas privadas, o principio da legalidade constitui-se em garantia do direito de liberdade, e materializa-se na proposição tradicional do direito brasileiro, gravada no inciso II do art 5° da Constituição da República: 'Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fuzer alguma coisa senão em virtude de lei. - Reverencia-se, assim, a autonomia da vontade individual, cuja atuação somente deverá ceder ante os limites ÍDljlOStos pela lei. De tal formulação se extrai a ilação óbvia de que tudo aquilo que não está proibido por lei é juridicamente permitido. Para o Poder Público, todavia, O principio da legalidade, referido sem maior explicitação no caput do art. 37 da Constituição, assume feição diversa. Ao contrário dos particulares, que se movem por vontade própria, aos agentes públicos someute é facultado agir por ÍDljlOsição ou autorização legal. Inexistindo lei, não haverá atuação administrativa legitima A simetria é patente. Os indivíduos e pessoas privadas podem fuzer tudo o que a lei não veda; os Poderes Públicos somente podem praticar os atos determinados pela lei. Como

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O Princípio da Legalidade, no âmbito exclusivo da Administração Pública, '-.:::!y.5.- significa que esta, ao contrário do particular, que pode fazer tudo que não seja proibido em lei, só poderá agir segundo as determinações legais. Celso Antônio Bandeira de Mello 3 diz que:

suma: a consagração.da idéia

de que a Administração Pública pode ser exercida na conformidade da lei e que, de conseguinte, a atividade administrativa é atividade sublegal, injralegal, consistente na expedição de comandos complementares à lei. "

o fruto da submissão do Estado à lei. É em

A doutrina é unânime em afirmar que, em nosso Estado de Direito, a Administração Pública está submetida à lei. Contudo, discute-se a forma pela qual ocorrerá esta subordinação, seus limites e aplicações. três concepções:

a) concepção restritiva - afirma que a finalidade da Administração Pública

é a realização do interesse público, e não o cumprimento da lei, e para atingir sua fmalidade, só não poderia irrfringir a lei - aqui, igualando-se a atuação estatal a do individuo particular;

b) concepção ampliativa - ao contrário da concepção restritiva, este prevê

que a Administração Pública pode atuar como e no que a lei permitir;

c) concepção eclética - diz que a Administração Pública não atua de forma

homogênea, em alguns casos está completamente submetida à lei, em outros margens para um atuar livre do administrador, conseqüência do poder

discricionário.

do administrador, conseqüência do poder discricionário. O Professor Luis Roberto Barroso 4 ressalta que o

O Professor Luis Roberto Barroso 4 ressalta que o principio da legalidade, na prática, apresenta-se de duas maneiras, as quais acabam por serem dois principios autônomos:

"a) princípio da preeminência da lei, significando que todo e qualquer ato

injralegal que não esteja de acordo com a lei será considerado inválido,

por ser a lei afonte suprema do direito;

b) princípio da reserva da lei: aqui, significa que determinadas matérias .somente podem ser reguladas por lei, ajastando-se quaisquer regulamentações por Ol/tras espécies de atos normativos. "

decorrência, tudo aquilo que não resulta de prescrição legal é vedado ao adminislIador.· BARROSO, ob. citada.

3 Celso Antonio Bandeira de Mello, Curso de direito administrativo, cit, p. 45. 4 Principio da Legalidade. Boletim de Direito Administrativo, Editom NDJ, São Paulo, Ano XIII, v. 01, p.

15-28.

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Viveiros de Castro - Advogados \:'. cv::.' :" 1 i Carmem Lúcia Antunes Rocha 5 já

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Carmem Lúcia Antunes Rocha 5 já nos fala do princípio da juridicidade,·'<~~~L;:.;~:

muito mais abrangente que a legalidade. No artigo 5°, inciso lI, consubstancia-se em um direito, com base na liberdade dos indivíduos. No caput do artigo 37, temos um dever, com fundamento na ausência de liberdade da Administração Pública.

Ensina também que o Princípio da Juridicidade significa que a Administração Pública "é o próprio Direito tomada movimento realizador de seus efeitos para intervir e modificar a realidade social sobre a qual incide", e que na realidade, quem está submetido à lei, ao Direito, é o administrador público.

Com efeito, os princípios jurídicos podem estar expressamente enunciados em normas explícitas ou podem ser descobertos no ordenamento jurídico, sendo que, neste último caso, eles continuam possuindo força normativa. Ou seja, não é por não ser expresso que o princípio deixará de ser norma jurídica. Reconhece-se, destarte, normatividade não só aos princípios que são, expressa e explicitamente, contemplados no âmago da ordem jurídica, mas também aos que, resultantes de seu sistema, são anunciados pela doutrina e descobertos no ato de aplicar o Direit0 6 . Como observa Luís Roberto Barroso:

"os grandes principios de um sistemajuridico são normalmente enunciados em algum texto de direito positivo. Não obstante, e sem pretender enveredar por discussão filosófica acerca do positivismo e jusnaturalismo,tem':'se,' . aqui, como fora de dúvida que estes bens sociais supremos existem forá e acima das regras legais, e nelas não se esgotam, até porque não tem caráter absoluto e se encontram em permanente mutação. No comentário de Jorge Miranda, 'o Direito nunca poderia esgotar-se nos diplomas e preceitos constantemente publicados e revogados pelos órgãos do poder ,,7.

De outra banda, a absoluta ausência de notificação para comparecimento do autor na sessão de julgamento, ou a ausência da notificação formal de seus procuradores, afrontou o princípio da publicidade dos atos processuais, imposto pela Constituição da República no art. 5°, LX: a lei só poderá

5 Princípios Constitucionais da Administração Pública.!. Ed. Belo Horizonte: Editora Del Rey, 1994, p.

23.

6 ESPÍNDOLA, Ruy Samuel. Conceito de Princlpios Constitucionois. Revista dos Tribunais, São Paulo, 1999, p. 55.

7 Ob. cit., p.288.

Av. Beira Mar, 200/6" andar- Rio de .Janeiro - R.J - 2(),(.21-660- Tel/Fn: 25103276/25103278

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restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa intimidade ou o interesse social o exigirem.

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a defesa intimidade ou o interesse social o exigirem. , , Não é o caso experimentado

Não é o caso experimentado pelo autor. Muito embora a Comissão Processante tenha esbanjado em publicidade não oficial, a realidade demonstra o esquecimento laborado pelos edis no momento de promover a publicidade oficial de seus atos. Ora, como visto pela leitura ao inciso LX acima, apenas a lei, e em circunstâncias excepcionais, tem o poder de suprimir a publicação oficial dos atos processuais; tal prerrogativa não se estende nem mesmo para nossa já famosa Comissão Processante.

A arbitrariedade contida no processamento do pedido de afastamento do autor representa não só violação aos princípios fundamentais insculpidos na Constituição da República, como aponta para acadêmicos reconhecimentos do cerceamento do direito de defesa.

Ora, constitui observância ao princípio do devido processo legal o justo processar da conduta do autor na seara administrativa. Este princípio é considerado uma garantia constitucional segundo a qual ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal (art. 5°, LIV, CF).

Porém, muito mais do' que nina garantia, o devido processo legal é um superprincípio norteador do ordenamento jurídico, tendo entre seus objetivos ensejar a qualquer. pessoa, litigante ou acusada, em processo judicial ou administrativo, o contraditório e a ampla defesa, bem como os meios e recursos a ela inerentes (art. 5°, LV, CF).

o devido processo legal não está consubstanciado apenas em um princípio constitucional, mas sim, num princípio que rege todo o sistema jurídico pátrio, informando a maneira como se realizarão todos os procedimentos processuais, assim como os adrilinistrativos.

Nelson

Constituição Federal 8 leciona, com a perfeição de sempre:

Nery

Júnior,

na

clássica

obra

Princípios

do

Processo

na

o direito processual está subordinado aôs principios constitucionais gerais, entre os quais ressaltamos o principio da dignidade da pessoa Immana, que se apresenta como fundamento da República Federativa da Brasil (CF, 1", /lI), tal a sua importância e magnitude no direito constitucional brasileiro. Respeito e proteção da dignidade Immana como dever (jurídico) fimdamental do Estado Constitucional (Vesfassingsstaat) constitui a

8 Ob. cit, ed. RT, 100000, 2010, p. 78.

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Dignidade humana cOflStitui-se a norma jimdamental do Estado, porém e~.,.kV mais do que isso: ela fundamenta também a sociedade constituída e ~,~,: '

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eventualmente a ser constituída. Ela gera uma força protetiva pluridimensional, de acordo com a situação de perigo que ameaça os bens jurídicos da estrutura constitucional.

Discorrendo sobre esse fabuloso princípio, Nery Jr. ainda afirma que o conceito do devido processo foi se modificando com o passar dos tempos, alargando o âmbito da abrangência no sentido de prover, da forma mais ampla possível, os direitos fundamentais do cidadão.

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Assim, por exemplo, o fato de impor ã administração a atuação apenas dentro dos limites delineados pela lei é a indicação clara da incidência da cláusula do due process no direito administrativo; cujo descumprimento viabiliza a atuação do poder judiciário no controle dos atos administrativos.

Ainda, sobre o devido processo legal, agora no âmbito processual, o direito norte-americano é lembrado por Nelson Nery Jr. para esclarecer que a cláusula (procedural due process) significa o dever de propiciar ao litigante:

a)

governamental;

comunicação adequada sobre a recomendação ou base da ação

b)

umjuiz imparcial; a oportunidade de produzir defesa oral perante o juiz; a oportunidade de apresentar provas ao juiz; a chance de reperguntar às testemllflhas e de contrariar as provas que

c)

d)

e)

serão produzidas;

f) o direito de ter um defensor no processo perante o juiz ou tribunal;

g) lona decisãojimdamentado, com base no que cOflSta nos autos.

Tendo em vista a ligação intrínseca do devido processo legal e do Estado Democrático de Direito, o Estado não pode ser de direito e muito menos democrático se não confere ao cidadão as garantias necessárias ao exercício dos mais diversos direitos, sejam eles coletivos ou individuais, que a Lei Fundamental consagra.

José Miguel Garcia Medina e Teresa Arruda Alvim Wambier 9 apontam que, sendo o processo método de solução de conflitos, deve oferecer aos jurisdicionados os instrumentos de proteção necessários a defesa de seus

9 Processo Civil Moderno, EdRT, 2' Edição, 2011, 1° volume, p. 46 Av. Beira Mar, 200/6 0 andar - Rio de Janeiro - RJ - 20.021-1160 - TellFa:c 25103276/25103278 E-mail: advogados@viveiros.adv.br

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interesses. Assim, buscando suporte na teoria das relações de status de Georg Jellinek, os autores assestam que:

o status activus processualis tem importante papel, no Estado Democrático de Direito, já que através deste se assegura a plenitude das outras formas de status. Não se pode cifirmar ser "Democrático de Direito" o Estado, caso o processo seja avesso à participação ativa das partes. Devem, pois, todos os atos e fases do processo propiciar a participação procedimental destas, a fim de que estas tenham condições de, ao pleitearem a proteção jurídica adequada a um determinado direito material, poderem influir no processo de formação da soluçãojurídica apropriada ao caso.

de formação da soluçãojurídica apropriada ao caso. É de palmar clareza que a ausência de notificação

É de palmar clareza que a ausência de notificação do autor para comparecer e defender-se na sessão plenária não observou a lição acima.

A esse propósito, o Eg. Supremo Tribunal Federal deu provimento à medida cautelar no mandado de segurança n° 26.358-DF, em decisão proferida pelo Ministro Celso de Mello, sob o seguinte argmnento:

EMENTA. 1RIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO. PROCEDIMENTO DE cARÁ.lER ADMINISTRA11VO. S/TUAÇÃO DE CONFUTUOSIDADE EXISTENTE ENTRE OS fN1ERESSES DO ESTADO E OS DO PARTICULAR. NECESsARIA OBSERVÂNCIA, PELO PODER púBuco, DA FÓRMULA CONSTITUC/ONAL DO "DUE PROCESS OF LAW". PRERROGA11VAS QUE COMPÕEM A GARAN11A CONS11TUC/ONAL DO DEVIDO PROCESSO. O D/REITO À PROVA COMO UMA DAS PROJEÇÕES CONCRE11ZADORAS DESSA GARAN11A CONS11TUC/ONAL. MEDIDA CAULTELAR DEFERIDA. - A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal tem reafirmado a essencialidade do princípio que consagra o "due process of law", nele reconhecendo uma insuprimível garantia, que, instituída em favor de qualquer pessoa ou entidade, rege e condiciona o exercicio, pelo Poder Público, de sua atividade, ainda que em sede materialmente administrativa, sob pena de nulidade do próprio ato punitivo ou da medida restritiva de direitos. - Assiste, ao interessado, mesmo em procedimento de índole administrativa, como direta emanação da própria garantia constitucional do "due process of law" (CF, art. 5~ llV) - independentemente portanto, de haver previsão normativa'nos estatutos que regem a atuação dos órgãos do Estado -, a prerrogativa indisponível do contraditório e da plenitude de defesa, com os meios e recursos a ela inerentes (CF, art. 5~ LV), inclusive o direito à prova. -Abrangência da cláusula constitucional do "due process oflaw".

Ademais, não há como esquecer que o devido processo legal está inserido no capítulo dos Direitos e Garantias Fundamentais, condição que o toma

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imune a qualquer alteração constitucional, além de ter imediata a todos do Estado.

Com a ampla defesa não é diferente!

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Inerente ao direito de ação, que é o direito à tutela jurídica, está o direito de defesa, que tem por objeto também a mesma tutela, embora o seu titular seja aquele cujo interesse se contrapõe ao demandante. Garantido pela Constituição da República (art. 5°, LV), o princípio da ampla defesa é uma consequência do contraditório, porém, com características próprias.

Qualquer país que se proclame como democrático, deve assegurar à parte, em litígio judicial ou administrativo, o direito e a garantia da ampla defesa, conferindo ao cidadão o direito de alegar e provar o que alega, bem como, em situações excepcionais, ter o direito de não defender-se. Optando pela defesa, que o faça com ampla liberdade, ocupando-se de todos os meios e recursos disponibilizados.

E a inobservância destes direitos fundamentais garantidos pela Constituição

da República constitui-se em nulidades de ordem absoluta, maculando o

resultado da malsinada Comissão Processante.

A esse respeito, assim manifestou-se a 9" Câmara Cível do TJRJ, na

Apelação Cível nO 0012050-89.2008.8.19.0061, Relator o Des. Roberto de

Abreu e Silva:

Demais, a Constituição da República Federativa do Brasil, em seu art.· 5~

inc.

aos acusados em geral são assegurados o contraditório e a ampla defesa,

com os meios e recursos a ela inerentes. Confira-se a doutrina de Alexandre de Moraes a respeito do tema:

LV, dispõe que aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e

O devido processo legal configura dupla proteção ao indivíduo, atuando tanto no âmbito material de proteção ao direito de liberdade, quanto no âmbito forma, ao assegurar-lhe paridade total de condições com o Estado persecutor e plenitude de defesa (direito a defesa técnica, à publicidade do processo, à citação, de produção ampla de prova, de ser processado e julgado pelo juiz competente, aos recursos, à decisão imutável, à revisão criminal). O devido processo legal tem como corolários a ampla defesa e o contraditório, que deverão ser assegurados aos litigmltes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral, conforme texto constitucional expresso (art. 5~ LV).

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Por outro lado, o exercício do amplo direito de defesa é corolário dJ;". n/ 16 "

princípios da segurança jurídica e do devido processo legal, ass~~ entendido pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Mandado de ~, ," Segurança n° 24.268-MG, com nossos grifos:

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EMENTA. Mandado de Segurança. 2. Cancelamento de pensão especial pelo Tribunal de Contas da União. Ausência de comprovação da adoção por instrumento jurídico adequado. Pensão concedida vinte 'anos. 3. Direito de defesa ampliado com a Constituição de 1988. Âmbito de proteção que contempla todos os processos judiciais ou administrativos e não se resume a um simples direito de manifestação no processo. 4. Direito constitucional comparado. Pretensão à tutelajuridica que envolve não só o direito de manifestação e de informação, mos tIlmbém o direito de ver seIlS argumentos contemplados pelo órgão julgador. 5. Os princípios do contraditório e da ampla defesa, assegurados pela Constituição, aplicam- se a todos os procedimentos administrativos. 6. O exercicio pleno do contraditório não se Umitll à garantia de alegação oportuna e eficaz a

respeito dos fatos, matéria juridica. (omissis).

mas implica a possibilidade de ser ouvido também em

o ministro Gilmar Mendes esclarece o alcance do direito de defesa:

Assinale-se, por outro lado, que muito vem a doutrina constitucional enfatizando que o direito de defesa não se resume a um simples direito de manifestação no processo. Efetivamente, o que o constituinte pretende assegurar - como bem aliota Pontes de Miranda - é uma pretensão à tutela jurídica (Comentários à Constituição de 1967/69, tomo V. p. 234).

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Não é dificil constatar que ()' comportamento adotado pela Comissão Processante, ao negar ao autor o direito de ser regularmente notificado para comparecer na sessão de julgamento atendeu a dois propósitos: (I) não ouvir os argumentos de defesa, por certo consistentes e que reporiam a verdade dos fatos tal como acontecidos e não historiados, e (11) manter os holofotes da imprensa nos exemplares e comportados edis para cumprir com o desiderato detalhado desde o início: afastar definitivamente o prefeito do cargo democraticamente eleito.

No entanto, extasiados com os holofotes, os membros da inquisição esqueceram-se de observar o rígido iter criado pelo Decreto-Lei nO 201-67 sob pena de nulidade dos atos da Comissão Processante; nulidade esta que a lei prevê e, por isso, o autor requer seja decretada por este digno juízo, descompromissado que é com a falsa opinião sedimentada nos diários vespertinos.

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De volta à lei: O art. 5° do Decreto-Lei nO 201/67 dispõe:

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IV - O delmnciado deverá ser intimado de todos os atos do processo.

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Não um único elemento que possa ser alegado como matéria de prova pelos réus que infirmem a ausência de intimação, e, por certo, vedada a produção da prova diabólica, deverão os réus demonstrar, de forma inequívoca e robusta, que procederam no correto iter processual descrito pelo Decreto-Lei nO 201-67.

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Após a contestação, e por certo ausente esta prova, haverá de ser confirmada a antecipação de tutela abaixo pretendida para anular definitivamente a pantomima que se transformou a sessão plenária da Câmara de Vereadores de Teresópolis e que culminou com a vexatória aprovação do relatório final de cassação do mandato do autor sem que fossem observados os mais básicos princípios constitucionais acima denunciados.

Diante disso, além da cristalina prova do descumprimento do iter processual descrito pelo art. 5° do Decreto-Lei n° 201-67, a procedência do pedido também se justifica pela farta prova da desídia dos réus em submeterem-se aos ditames da Constituição Federal.

Não basta apenas a encenação muito bem ensaiada, o texto finamente Ó decorado e o nem sempre sincero aplauso da plateia. É necessário talento, muito talento.

Porém, os réus não foram agraciados com o óleo divino que lhes ungiria do necessário talento para conduzir e decidir um processo com a envergadura que uma cassação de mandato exige.

A antecipação da tutela

Não se pode perder de vista a segurança do processo, ou nas palavras de

Eurico Tulio Liebman, o objetivo de '

assegurar que o processo possa

conseguir um resultado útil' (Manuale di Diritto Processuale, 1968, Vol.

I, nO 36, p.92).

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Evidentemente não se assegura um resultado útil à lide qUando'\),~)JaC!:~'"f demora do processo na solução do litígio, perpetua-se uma situação dano 1/31 que tende a agredir a necessária igualdade entre as partes litigantes.

Objetivando exatamente o suprimento desta lacuna processual, o legislador, através da Lei 8.952/94, dispôs no art. 273, incisos I e lI, c. c. art. 461, §3°, do Código de Processo Civil, 'verbís ':

Art. 273. O juiz poderá, a requerimento da parte, antecipar, total ou parcialmente, os efeitos da tutela pretendida no pedido inicial, desde que, existindo prova ineguivoca. se convellfa da verossimilhança da alegací10

~:

1- haja (undodo receio de dano irreparável ou de dJflcil reparação: ou

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II - fique caracterizado o abuso de propósito protelatório do réu.

direito

de defesa ou o manifesto

Art. 461. Na ação que tenha por objeto o cumprimento de obrigação de fazer ou não fazer, o juiz concederá a tutela específica da obrigação ou, se procedente o pedJdD, determinará provitlPncias que assegurem o resultado prático equivalente ao do adimplemento.

§ 3" - Sendo relevante o fundamento da demanda e havendo iustificado receio de ineficácia do provimento final. é «cito ao juiz conceder a tutela liminarmente ou mediante justifiCilCão prévia, citado o ré". A medida liminar poderá ser revogada ou modificada, a qualquer tempo, em decisão fundamentada.

Nesta linha e segundo os mestres de processo, o exame para a tutela jurisdicional antecipatória prende-se à averiguação da presença da verossimilhança do direito alegado, conjuntamente com a possibilidade da ocorrência de dano de difícil ou incerta reparação, tudo a ser aferido em cognição sumária.

Luiz Guilherme Marinoni, em sua esclarecedora obra sobre a antecipação da tutela, assim assesta:

A antecipação fundada no art. 273, inciso I, pode ser concedida antes de produzidas todas as provas tendentes à demonstração dos fatos constitutivos do direito, o que não acontece no caso do mandado de segurança. A illltecipacão é fundada na probabilidade de que o direito afirmado, mas ainda não provado. será demonstrado e declarado.

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A tutela fundada em cognição sumária, como já foi dito,

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Luiz Guilherme Marinoni.

.A Antecipação da Tutela na Reforma do

Processo Civil', Malheiros Editores, 1.995, págs. 24 e 67,

o art. 273, inciso I, do Código de Processo Civil, exige a prova ineqlÚvoca, capaz de convencer o juiz da verossimilhança da alegação; todavia, esta prova somente pode ser entendida como a 'prova suficiente' para o surgimento do verossímil, entendido como o não suficiente para a declaração da existência ou da inexistência do direito (Marinoni, ob. cit.,

pág.67).

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Para Carlo Fumo (in Teoria de la Prueba Legal, pags. 48 e ss.) é necessária uma noção de verdade suficiente. Ou seja, no caso, no qual "não se exige

um convencimento pleno, pois a certeza é apanágio da verdade real, nilo

de mera probabilidade" (paulo Monso Brum Vazo 'Antecipação da Tutela em Matéria Previdenciária'. Revista Jurídica da Unísul. N" 1.1995. p. 20).

No caso em concreto, necessidade e estão presentes os requisitos e pressupostos para antecipação de tutela, nos termos do art. 273, inc. I e lI, cumulados com o art. 461, §3°, do Código de Processo Civil, para anular a sessão plenária que decidiu pela cassação do mandado do autor, diante da insofismável ausência de observação aos rígidos caminhos descritos pelo Decreto-Lei n° 201-67 e flagrante violação a quase todos princípios constitucionais que garantem o minimo de legitimidade diante da especificidade da matéria debatida.

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A verossímilhança da alegação e a relevância da fundamentação estão

presentes através da narração fática e da demonstração do direito aplicável à espécie; importante observar que este direito encontra suporte em normas legais e na jurisprudência mansa e pacífica, sobre todos os temas, inclusive

no Eg. Superior Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Federal.

A prova inequívoca ou noção de verdade está mais do que evidenciada

através dos relevantes fundamentos jurídicos acima apontados, os quais

estão fundados, inclusive, em fatos notórios.

o fundado receio de dano irreparável ou de difícil reparação resulta da iminente manutenção no ordenamento jurídico dos efeitos do ilegítimo e ilegal ato de edição do decreto municipal de cassação do mandato, com o afastamento engendrado mediante violação à lei e à Constituição Federal.

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E mais: diante da possibilidade contida no Decreto-Lei nO 20l-67J~,há r 'fi)

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fundado receio de que os vereadores municipais instaurem nova comi~ V .f~-; processante para deliberação, investigação e julgamento dos mesmos faiõ~t''-:.J.:.:<!;';Y· contidos na denúncia que gerou a sessão plenária nula sob todos os aspectos, de modo que requer o autor seja lhe deferida medida acautelatória para que não seja afastado do cargo em caso de nova instauração de comissão processante acerca dos mesmos fatos já esclarecidos.

Por fim, enfatiza o autor as palavras do professor Galeno Lacerda (Comentários ao Código de Processo Civil, Forense, 1980. p. 136): "A

prud2ncia aconselha, portanto, a que o Magistrado tenha em conta, quanto possivel, as condiçiJes morais e econiJmicas das partes, sem descurar, também, da neeessária rapidez no decidir, pois a razllo pode

~tar:fuetivamendd~omo :1or. ~ :::"'.or~na concessllo da providência

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'zacllotura

reito .

De qualquer forma, presentes os requisitos ensejadores da tutela cautelar, e não entendendo Vossa Excelência pela presença dos elementos necessários para deferir a tutela antecipada, requer o autor seja lhe deferido o beneficio da fungibilidade prevista pelo § 7° do art. 273 e concedida a medida cautelar para sustar os efeitos do decreto municipal originado de vícios insanáveis na sua origem.

Muito embora os fatos e fundamentos sejam os mesmos, é pacífico ua doutrina que a concessão da tutela cautelar não exige a comprovação inequívoca do dano contido no inciso I do art. 273, confortando-se com o periculum in mora previsto peloart. 798.

Ora, o atual sistema processual consagra através do art. 798 do Código de Processo Civil, o instituto que a doutrina denomina amplo poder de cautela, conferido ao juiz para determinar as medidas provisórias que julgar adequadas, quando houver fundado receio de que uma parte, antes do julgamento da lide, perpetue, ao direito da outra, lesão grave e de dificil reparação, 'verbis':

Art. 798 - Além dos procedimentos cautelares especificos, que este Código regula no CapÍtulo II deste Livro, poderá o juiz determinar as medidas provisórias que julgar adequadas, quando houver fundado receio de que uma parte, antes do julgamento da lide, cause ao direito da outra lesão grave e de difícil reparação.

Logo se percebe que, ao instituir tal procedimento, o legislador ressaltou a natureza acessória da medida cautelar que, pela conjugação com o previsto

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conseguir um resultado útil' (Manuale di Diritto Processuale, 1968, VoI.

I,

nO 36, p.92).

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apenas será conseguido um resultado útil e efetivo com a procedência da

ação.

Pedido

Diante disso, requer:

a) seja antecipada a tutela e sustado os efeitos do Decreto Legislativo n000212011 que determinou o afastamento do autor do cargo de prefeito municipal de Teresópolis diante das nulidades e violações à lei de regência aos principios constitucionais acima alinhados;

b) alternativamente, seja deferida tutela cautelar para sustar os efeitos do Decreto Legislativo nO 00212011 e determinar o retomo do autor às _atividades na Prefeitura Municipal de Teresópolis;

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c) em qualquer das hipóteses, requer seja lhe tutela cautelar inibitória para . que as rés abstenham-se de deliberar, em nova comissão processante, sobre o afilstamento do cargo sem autorização prévia deste MM. Juizo;

Requer também:

d) seja determinada a citação das rés para que tomem conhecimento dos termos presentes, e querendo, ofereçam resposta no prazo legal, sob pena de revelia e confissão;

e) seja ao final julgado procedente o pedido para reconhecer a violação à lei e aos princípios constitucionais, anulando-se a sessão plenária que decidiu pelo afastamento do autor do cargo de prefeito municipal;

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f) a aplicação do princípio da sucumbência, condenando-se a rés '{io ;- '/ i pagamento de honorários advocatícios que Vossa Excelência entend~. V,.~ justos e condizentes com o trabalho realizado, as custas processuais, e~ demais verbas consectárias;

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g) produção de todos os meios de prova em direito admitidos, principalmente documental, inclusive a juntada de novos documentos, realização de perícias, inclusive contábil, vistorias, oitiva de testemunhas em audiência a ser designada, e depoimento pessoal da ré, sob pena de confissão, sem renunciar a qualquer outro, que especificará no momento oportuno.

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Atribui ã causa o valor de R$ 50.000,00.

Pede deferimento.

Rio de Janeiro, 08 de dezembro de 2011.

Luiz Paulo Viveiros de Castro üABIRJ 73.146

Glória Regina Félix Dutra üABIRJ 81.959

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Viveiros de Castro - AdvogaJos

PROCURAÇAo

i Viveiros de Castro - AdvogaJos PROCURAÇAo JORGE MARIO SEDLACEK, brasileiro, casado, médico, no momento em

JORGE MARIO SEDLACEK, brasileiro, casado, médico, no momento em exercício do cargo de prefeito municipal do Município de Teresópolis, portador da carteira de identidade n° 81.365.238-5, expedida pelo DETRAN-RJ, inscrito no CPF sob o nO 445.480.017-0, residente e domiciliado na Rua Juruena, 123 /501, Teresópolis, RJ, nomeia e constitui seus bastantes procuradores LUIZ PAULO DE BARROS CORREIA VIVEmOS DE CASTRO, brasileiro, divorciado, advogado, inscrito na üABIRJ sob o n° 73.146, e GLÓRIA REGINA FÉLIX DUTRA, brasileira, solteira, advogada, inscrita na üABIRJ sob o n° 81.959, com escritório nesta cidade na Av. Beira Mar, nO 200/6° andar, para o:fim de, em conjunto ou separadalIlente, representá-la em juízo ou fora dele, em qualquer instância ou tribunal, em qualquer ação ou processo em que for autora, ré, opoente, assistente ou, de qualquer forma, participante de procedimentos, quaisquer que sejam, podendo requerer as medidas necessárias, preparatórias, preventivas ou incidentes, variar de ações e intentar outras, agravar, recorrer, usando dos poderes conferidos pela cláusula adjudiem, mais os de acordar, desistir, transigir, receber quantias, dar e aceitar quitação, firmar compromissos, acompanhando o feito em todas as suas fases processuais, inclusive adotar as medidas necessárias ao cancelamento e baixa de ações nos cartórios e serviços de dismbuição, enfim, requerer o que for preciso para o fiel desempenho das obrigações decorrentes deste mandato.

Rio de Janeiro, 22 de novembro de 2011.

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Av. Beira Mar, 200/6° andar - Rio de Janeiro - RJ - 20021-{)60 - Tel: 2510-32761 Fax: 2510-3278 E-mail: advogados@viveiros.adv.br

Viveiros de Cos/ro - Advogados

SUBSTABELECIMENTO

Substabeleço, com reservas, na pessoa de Miguel Jorge Zandonadi Junior, brasileiro, advogado inscrito na OABIRJ sob o n° 106.486, os poderes que me foram outorgados por JORGE MARIO SEDLACEK, nos autos da Ação pelo Rito Ordinário com Pedido de Antecipação de Tutela promovida junto ao cartório judicial de Teresópolis, RJ.

11.

Glória Regina Félix Dutra OABIRJ 81.959

Av. Beira Mar, 200/6° andar - Rio de Janeiro - RJ -20.021

()60

- TeUFax: 25103276/25103278

E-mail: advogados@viveiros.adv.br

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DOS

VEREADORES

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C.M.T.

JOSÉ MARCOS LACK, brasileiro, casado, empresano, portador da carteira de identidade nO 06416600-2 expedido pelo IFP, inscrito no CPF sob o n 563.012.607-59, Título de Eleitor n036729940396, Zona 038, seção 0033,residente e domiciliado a rua Oscar José da Silva, nO 596, Pimenteiras, nessa cidade, vem, respeitosamente à sua presença, com base nos Arts 4° e 5° do Decreto-Lei 201/67, sem prejuízo dos demais permissivos legais pertinentes, apresentur

DENÚNCIA COM PEDIDO DE AFASTAMENTO DO CARGO

Em face do prefeito municipal, senhor JORGE MÁRIO SEDLACEK, o que efetivamente o faz com base nos seguintes fatos e fundamentos de direito:

1.

O

denunciado

é

prefeito

do

município

e

Teresópolis, sujeitando-se ao regime jurídico definido pelo Decreto-Lei 20 I, de 1967.

~

t.

)

2. Tal diploma legal, em seu Ali. 4°, assim prevê:

Art. 4° São in/rações político-administrativas dos Prefeitos Municipais sujeitas ao julgamento pela Câmara dos Vereadores e sancionadas COlll a

cassação do mandato:

III - Desatender, sem motivo justo, as convocações ou os pedidos de informações da Câmara, quando feitos a tempo e em forma regular VII - Praticar contra expressa disposição de Le, ato de sua competência. ou . omitir na sua prática. VIII - Omitir-se ou negligenciar na defesa de bens, rcndas, direitos ou interesses do Município sujeito à administração da Prefeitura:

X - Proceder de modo incompatível com a dignidade e o decoro do cargo

3. Em slla conduta como chefe do Executivo Municipal, o denunciado infTing:u todos os incisos acima discriminados. Passa o denunciante, agora a detalhar as condutas do denunciado feitas ao anepio da lei, as quais autorizam a instauração de nma comissão processante, nos moldes do decreto-lei

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201/67. Tais condutas autorizam, ainda, seu afastamento liminar, bem como, ao final4.-<>~\c.ípa/~~'"

processo, sua cassação. Vejamos.

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4.

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Apesar de regularmente convocado, por ~a

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Com issão Parlamentar de Inqnérito, para prestar

simplesmente ignorou essa convocação. Na carta enviada a Câmara, há uma explicação. Mas esta está longe de ser uma justificativa. O que ficou claro é o desprezo do prefeito pelo Legislativo, por seus integrantes, por sua função, por sua representatividade. No dia OI de junho de 2011 foi protocolado junto ao município o Ofício do Gabinete da Presidência da Câmara nO 67/11, convocando o prefeito Jorge Mário Sedlacek para prestar esclarecimentos àquela comissão. No entanto, o prefeito encaminhou uma explicaçãO, assinada por seu advogado, dizendo que aquela comissão não teria poderes para convocá-lo. Invoca, de forma equivocada, a separação dos poderes. Na verdade, o que invoca em sua defesa é justamente o que firma sua necessidade de prestar esclarecimentos à Câmara. Cada Poder possui sua atribuição especifica. E é dever do Legislativo fiscalizar os atos do Executivo. O prefeito, na verdade, sente-se acima do bem e do mal. Eleito prefeito, imagina ter sido empossado Imperador. Imagina-se ÍlTesponsável pelos seus atos, não sujeito a qualquer tipo de fiscalização. Prestar depoimento no Legislativo significa esclarecer aos representantes do povo. Quem, em última instância, foi desrespeitado com essa atitude do prefeito, foi todo o povo de Teresópolis.

depoimento na Câmara, o prefeito

~

Essa atitude configura infringência ao Art. 5°, inciso III do Dec. Lei 201/67.

Dentro da mesma Comissão Parlamentar de Inqnérito, insta chamar a atenção para o ·depoimento da Procuradora Geral do Município, quando inquirida pelo vereador Ademir Enfermeiro. No dia 05 de maio de 2011, as 16h45min, o vereador disse não haver dúvidas quanto a existência de fraude na confecção de nm diário oficial. O silencio da Procuradora, diànte de tal afirmativa, parece-nos uma confissão. Tal fato, qual seja, a adnlteração de um diário oficial, deve também ser considerado por esta comissão processante com totalmente incompativel com a dignidade e decoro que o honroso cargo de prefeito exige. E configura, também,

infração ao previsto no Art.

'.

4°, VII do Dec. Lei 201/67.

Tal adulteração foi confirmada pelo ex-Procurador geral do Município, conforme depoimento à CPI. Transcrevemos, em caráter ilustrativo, um trecho desse depoimento:

)jiquei surpreso que afotocópia não batia com a do si/e. por a alegação

"(

desse recorrente era verdadeira,

esta questão aconteceu em um dia.

eu

soube atra 'ves da rádio corredor. de que haveria outra fi·uade. constatado isso imediatamente jiz contato com o prefeito. ao jinal do expediente. e o

Prefeito disse que iria resolver) afirmo que houve uma fraude, e que o prefeito tontou conhecimento através da minha pessoa. até o momento que eu estava na Procuradoria não houve providência"

Não apuratária sequer tomada até hoje pelo

temos

conhecimento

Município.

notícia,

medida

no entanto, de um

de

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inquérito civi I em andamento no Ministério Público Estadual, assim procedimento investigatório penal, no mesmo órgão, apurando tal denúncia.

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Houve, ainda, outro pedido de infoanações nfo atendido pelo Prefeito. Este, no entanto, sem qualquer justificativa. A Coniissão Parlamentar de inquérito apura o enriquecimento ilícito do Prefeito. E apura, também, se houve uso do cargo para se beneficiar no caso de aquisição de um imóvel situado rua '

. No dia 20 de maio de 20 li, a CPI enviou, à prefeitura, pedido deinfõriilações sobre'a's avaliações de todos os imóveis situados no mesmo prédio que o prefeito adquiriu seu apartamento. O intuito era comparar o valor dos apartamentos, saber se houve beneficiamento do prefeito no momento .de avaliar o imóvel para fins de imposto de transmissão, e saber se o prefeito, efetivamente, dispunha de numerários para comprar um imóvel em tal prédio.

JUllJena, 123, Agriões, Teresópolis-RJ.

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Tal pedido, até hole, ainda não foi respondido.

Além de tipificar a conduta descrita no Art 4°, m, do Dec. Lei 201167, a recusa em fomecer documentos, quando solicitado, dificulta a apuração dos fatos, e justifica a necessidade de afastamento do prefeito. Mostra que se permanecer no ex:ercício do cargo, o acesso a provas fundamentais para a apuração do alegado contra o prefeito estará comprometida.

5, Da mesma forma vem o chefe .do Ex:ecutivo Municipal negligenciando acerca do gerenciamento e correta aplicação das verbas públicas do município. Há casos emblemáticos, como obras inacabadas, contratações' reiteradas de empreiteiras que já se revelaram inidôneas para realização de tarefas. anterioanente contratadas, e tentativa de contratação de pessoas jurídicas, sem licitação, em flagrante tentativa de burla à lei.

6.

Vamos

nos

ater

em

um

fato

c(lncreto,

ex:austivamente provado durante a Comissão Parlamentar de Inquérito instaurada por.' essa Casa Legislativa, e que agora teve o reconhecimento, pelo Tribunal de Contas do .

Estado do Rio de Janeiro, de sua ilegalidade.

7. No InICIO de 2009, através do ato de

inex:igibilidade de licitação nO 00212009, o Município contratou os serviços do senhor ANDRÉ JOSÉ KüSLüWSKI. Advogado e· ex:-desembargador federal, o contratado teria como missão impedir que as receitas municipais fossem comprometidas em virtude do pagamento de precatórios judiciais.

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8. Tal contratação, em sua gênese, começou equivocada. Primeiro, foi publicado um contrato com um valor de R$ 50.000,00 (cinqücnta mil reais). Tal extrato foi publicado no dia 14 de fevereiro de 2009. Pouco tempo depois, foi publicada uma cooeção, majorando esse contrato, agora sem citar as palies envolvidas, ou o objeto do mesmo, para R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais). A forma ardilosa como foi confeccionado, adiantava o que viria pela frente.

referido contrato passou pela apreciação do

Tribunal de Constas do Estado do Rio de Janeiro. Nos processos TCE_ RJ 211.804-7/09

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204.922-4/09, relatado pelo Conselheiro Julio Rabello, julgado na sessão de 12 de ~ abril de 2011, foi reconhecida a ILEGALIDADE DO ATO, e detenninada a aplicação~

e

de multa, ao Denunciado, no valor de 2.500 (duas mil e quinhentas) UFIRs, o equivalente, hoje, a R$ 5.338,00 (cinco mil, trezentos e trinta e oito reais).

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10. Multa extremamente modesta ante o prejuízo

sofrido pelo erário.

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11. Tal ato configura o desprezo que o Denunciado tem pelos recursos públicos. E tipifica a infração prevista no Art. 4°, VII do decreto-lei

201/67.

12. Contrata-se, de forma ilegal, um escritório de advocacia pagando o valor de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais).

13. Note bem: a contratação, por si só, já é ilegal

- conforme reconheceu o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro.

r

Os

contratos administrativos, para seu pagamento, obedecem uma ordem prevista em lei. Primeiro, o empenho, depois a liquidação, e finalmente o pagamento. Tal ordem não foi

observada.

14.

No

entanto,

o

Denunciado

foi

além.

Foi feito o pagamento sem que o serviço tivesse sido efetivamente realizado. O contrato administrativo não pennite pagamento antecipado. Não há sinal em contratos administrativos, nem nenhuma previsão legal para que o recebimento possa ocorrer antes da efetivação do serviço.

15 Salta aos olhos, ainda, a forma como o pagamento foi efetuado. No momento da contmtação, foi pago o valor de R$ 250.000,00 (duzentos e cinqüenta mil reais), e o restante em doas parcelas iguais, no período de 15 dias e a segunda em 45 dias ",pós a éoritratação. Tais valores foram pagos, confonne o expresso reconhecimento do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, sem que a ordem seqüencial dos pagamentos fosse respeitada - ou seja: houve a preferência imotivada desta pagamento, imoral ilegal e vergonhoso, em detrimento de outras despesas regularmelltl' previstas e empenhadas.

Não era um produto, ou um s.erviço, que necessitasse sua aquisição ou prestação de forma imediata. Não era uma situação de necessidade pública. Nem de interesse público. Sequer utilidade pública seria. Mas foi contratado, sem licitação, e pago sem que o serviço tivesse sido prestado.

Se tais atitudes não caracterizam negligência na defesa de bens, rendas direitos e interesses do lllunicípio, teremos mnita dificuldade para encontrar outro ato que possa exemplificar tal conduta.

16. Está perfeitamente tipificada a conduta prevista no Art. 4°, VIII da decreto-lei 20 I/67. Deve o prefeito ser cassado por tal conduta.

tipificada a conduta prevista no Art. 4°, VIII da decreto-lei 20 I/67. Deve o prefeito ser

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17. Não fossem suficientes os delitos anterionnen~~,}l;::,:.:;;:~"

descritos, o prefeito vem, por sua postura, mantendo comportamento incompatível cof. Fi. ~ / '~

a dignidade e decoro inerentes ao cargo.

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18. Eleito com uma expressiva votação, vencendo

dois candidatos tradicionais na política teresopolitana, Jorge Mário significava a

esperança e a mudança. No entanto, as práticas de governo mostraram que ele representava um sistema conhecido - e repudiado - em todo Brasil.

19. Começou com a tentativa de contratar, sem

licitação, empresas de lixo. Passou para a importação de pessoas sem qualquer ligação com a cidade para gerir cargos chaves na administração. E culminou com o nome da

cidade ligado a denúncias de corrupção justamente no momento da maior tragédia natural do país. E o maior desastre de nosso município.

20. Por duas semanas consecutivas o jornal O

Globo trouxe ao conhecimento do país as práticas desenvolvidas na administração Jorge Mário. Propinas na escolha das empresas, na realização de obras e na liberação de recursos. Contratação de empresas fantasmas, utilização de notas frias, superfaturamentos. Denuncias feitas por empreiteiros que se disseram achacados, relatórios do TeU que apontam irregularidades, e investigações da Controladoria Geral da União que indicam fraudes.

21. Uma conclusão: efetivamente os recursos destinados ao município não estão sendo bem empregados, A própria administração municipal confessa isso, quando prorroga, por mais 90 dias, o estado de calamidade em nosso município. Uma administração que não consegue, por si só, livrar o município do Estado de calamidade, é uma administração que não pode ficar à frente do município.

E uma conseqüência trágica de todas as

irregularidades denunciadas, apontadas e investigadas: '0 risco de o nosso municlplo, em virtude de todos esses escândalos e fraudes, ficar sem o repasse das verbas federais destinadas à recuperação.

No momento da tragédia, o país se uniu para Socorrer Teresópolis. Não'é.força de expressão. E todo o país significa o Poder Público, nas três esferas da federação, e a sociedade civil organizada, em todos os estados do Brasil. Alimentos, água, roupas, barracas de emergência, remédios, dinheiro. Tudo foi enviado a Teresópolis, tudo foi disponibilizado para socorrer as vítimas da tragédia.

No entanto, boa vontade individual tem um limite. Há um pOl)to_ onde quem tem quc comandar a aplicação desses recursos, bem corno coordenar o planejamento para recuperação da cidade tem que ser o Poder Público local. O Governo Municipal. A ele cabe o gerenciamento das verbas oficiais. Ele que deve alocar os recursos recebidos. Ele deve planejar o assentamento das pessoas.

No entanto, no lugar de se preocupar com vidas, as

investigações revelam que o Governo local estava preocupado com verbas. Empreiteiros confessaram, junto ao Ministério Público Federal um esquema para desviar os recursos que chegariam para auxiliar na reconstrução. O TCU indicou, de forma idêntica, que

para desviar os recursos que chegariam para auxiliar na reconstrução. O TCU indicou, de forma idêntica,

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recursos foram aplicados irregularmente. E a Controladoria Geral da União recomendou a devolução do dinheiro já destinado.

Se há recomendação para devolver o que já foi enviado, porque mal gasto, qual a esperança que sejam destinados mais recursos, enquanto as mesmas pessoas que geriram de forma equivocada os recursos já 'enviados permanecerem à frente do governo?

já 'enviados permanecerem à frente do governo? o afastamento cautelar do prefeito encontra amparo legal

o afastamento cautelar do prefeito encontra amparo legal não apenas na possibilidade de dificultar o acesso às provas, mas também para garantir a ordem pública e O clamor social.

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22. A apuração de todas as fraudes, bem como a

possibilidade de reerguimento do município não pode se concretizar enquanto o Denunciado estiver a frente do Executivo municipal. Sua presença como prefeito prejudica tanto a elucidação; por completo, de todas as denúncias, bem como impede o município de se reerguer.

23. o afastamento imediato do prefeito, desta forma, está plenamente justificado. Não pode ficar à frente do Governo porque sua presença impediria a análise total dos documentos necessários a apuração de irregularidades e fraudes na administração de Teresópolis.

E também porque hoje a atual administração se

mostra incapaz de tirar o municipio do estado de calamidade que se encontra - seja porque as medidas tomadas até hoje se revelaram ineficazes, seja porque as irregularidades e fraudes detectadas pelos órgãos oficiais ameaçam deixar os munícipes, destinatários finais de todo esforço oficial - sem os recursos indispensáveis para o

reerguimento de suas vidas.

24. Desta forma, o Denunêiante se faz valer da

presente para pedir a instauração de uma comissão processante, nos exatos moldes

do Decreto-Lei 201167 para cassar o mandato do prefeito Jorge Mário Sedlacek, determinando seu imediato afastamento do cargo.

DO AFASTAMENTO CAUTELAR

A presente comissão processante tem sua previsão

nO Dec. Lei 201/67. Em seu Art. 5°, ao definir qual o trâmite a ser seguido, o referido diploma legal assim prevê:

"A"rl. 5" O processo de Cassação do mandalo do Prefeito pela Câmara, por infrações definidas no arligo anterior, obedecerá ao seguinte rilo, se outro não for estabelecido pela legislação do Estado respectivo":

Ou seja: o dec. Lei 201167 prevê as hipóteses de infrações político-administrativas as quais o prefeito estaria sujeito, bem como

Lei 201167 prevê as hipóteses de infrações político-administrativas as quais o prefeito estaria sujeito, bem como

;

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.

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estabelece o rito a ser seguido para esse processamento, SALVO SE Estado respectivo não dispuser de forma distinta.

SE Estado respectivo não dispuser de forma distinta. a legislação do A Constituição do Estado do

a legislação do

A Constituição do Estado do Rio de Janeiro, por

sua vez, é expressa em prever a possibilidade de afastamento cautelar do chefe do Executivo, tão logo seja a denúncia recebida pela Assembléia Legislativa.

"Art. 147 - O Govemador do Estado. admitida a acusação pelo voto de dois terços dos Deputados, será submetido a julgamento perante o Superior Tribunal de Justiça, nas infrações penais comuns, ou perante a Assembléia Legislativa, nos crimes de responsabilidade.

§ r -o Governador ficará suspenso de suasfunções:

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I - nas infrações penais comuns, se recebida a denúncia ou queixa-crime pelo Superior Tribunal de Justiça; II - nos crimes de responsabilidade, após a instauração do processo pela Assembléia Legislativa.

§ - Se, decorrido o prazo de cento e oitenta dias, ojulgamento não estiver concluído. cessará o afastamento do Governador, sem prejuízo do regular prosseguimento do processo".

É

possível

o

afastamento

cautelar

do

prefeito

municipal, desde que deliberado pelo quorum qualificado de 2/3 dos vereadores.

É

oportuno

lembrar,

ainda,

que

a

mesma

Constituição do Estado do Rio de Janeiro, ao dispor da autonomia municipal, traz o

balisamento desta autonomia, em sen Art. 345.

Art. 345 - O Município será regido por Lei Orgânica, votada em dois tumos, com O intervalo mínimo de dez dias. e aprovada por dois terços dos membros da Câmara Municipal, que a promulgará, atendidos os princípios estabelecidos na Constituição da República, nesra Constituição e os seguintes preceitos:

VIIJ - similaridade das atribuições da Câmara Municipal. de suas Comissões Permanentes e de Inquérito. 110 que couber. ao disposto nesta Constituição para o âmbito estadual.

~

Desta fonna, o Município tem autouomia, mas

precisa seguir princípios detenninados na Constituição Federal e na Constituição Estadual. Há princípios implicitos, e explicitos. A detenninação que a Câmara Municipal guarde simetria, tanto em atribuições gerais, como legislar e fiscalizar o executivo, como nas próprias atribuições especificas de suas comissões - dentre elas a que julga o chefe do Executivo por suas infrações politico-administrativas - é princípio eXplicito aser segnido pela Lei Orgânica do MunicípIO

A Lei orgânica do Município, no entanto, é silente

quanto ao procedimento. Afirma, apenas, em seu Art. 65:

"Art. 65 - São inFações político-administrativas do Prefeito as previstas em Lei Federal. Parágrafo único: O prefeito será julgado pela prática das infrações citadas nesse artigo pela Câmara Municipal"

único: O prefeito será julgado pela prática das infrações citadas nesse artigo pela Câmara Municipal"

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Acerca do direito materia I, a Lei Orgânica remete à legislação federal afeita ao tema; e a única regra de procedimento mencionada na Lei Orgânica é a fixaçâo da competência pela Câmara Municipal.

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o presente requerimento, consoante a norma invocada, é dirigido à autoridade competente; e deve seguir o rito previsto na Constituição do Estado do Rio de Janeiro, complementado pelo rito descrito no próprio

Decreto-lei 201/67.

Dessa forma, pedimos, assim que recebida a presente denúncia, e criada a comissão processante pertinente, seja determinado o afastamento cautelar o prefeito municipal Jorge Mário Sedlaceck.

Não obstante a Constituição do Estado do Rio de Janeiro afirme ser imediato o afastamento - uma conseqüêncÚ direta do recebimento a denúncia e instauração da Comissão processante -, prescindindo inclusive de fundamentação, parece-nos coerente seja explicitado à sociedade a necessidade desta medida cautelar.

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{ É oportuno lembrar que a Constituição da república, ao tratar do processo do Presidente da República por crimes de responsabilidade, de responsabilidade do Senado Federal, determina que tão logo seja instaurada a comissão processante pelo Senado, o Presidente fica suspenso de suas funções.

Os documentos acostados aos autos mostram, de forma inequívoca, a negligência com recursos públicos. Mostram, áinda, que a presença do prefeito frente o Executivo municipal prejudicará não apenas o andamento da presente comissão processante - dificuldade em 'acesso a documentos, bem como desprezo com as convocações feitas pela Câmara - como dificulta o reerguimento do próprio município. Órgãos de Estado - e não ligádos ao Governo - como o TCU e CGU recomendam a devolução de recursos já entregues ao municipio,

,

,

o afastamento do chefe do exccntivo de seu cargo atende ao bom andamento do processo, como medida cantelar, e também ao clamor público, protegendo a ordem' social.

C Por derradeiro, é conveniente lembrar que a Constituição Federal também prevê o afastamento cautelar do chefe do Executivo, de forma automática, assim qne recebida a denúncia pela Câmara, autorizando o Senado a processar o presidente por infrações político-administrativas. Ou seja: nenhuma- legislação considera conveniente a pennanência do chefe do Executivo enquanto durar o processo apuratório.

legislação considera conveniente a pennanência do chefe do Executivo enquanto durar o processo apuratório. I \

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DO PEDIDO

Ante o exposto, é a presente para requerer:

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a) seja instaurada. na fonna do Decreto-Lei 201/67, uma comissão processante para

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apurar a responsabilidade do prefeito municipal de Teresópolis, senhor JORGE

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MÁRIO SEDLACEK, nos fatos descritos na inicial aqui apresentada,

notadamente o não atendimento da convocação feita pela Comissão Parlamentar de Inquérito para que ele prestasse esclarecimentos; o não atendimento do pedido de fornecimento de documentos encaminhado pela CPI e não respondida pelo MUlúcipio; a falsificação de diário oficial noticiada na CPI, afinnada pelo vereador Ademir Enfenneiro quando da inquirição de Procuradora Geral do Munic!pio, e não desmentida por esta; a contratação e pagamento irregular do senhor André José Koslowski; e as denúncias de pagamento de propina feitas por empresários, as irregularidades apontadas pelo TCU, e as suspeitas de fraudes indicadas pelo CGU no relatório que apura a aplicação de verbas federais na reconstrução do muniç:ípio após a tragédia de 12 de janeiro de 2011. Essa comissão processante será instaurada mediante o voto favorável de 2/3 dos membros da Câmara.

b) Seja detenuinado o afastamento liminar do prefeito municipal de Teresópolis, SENHOR JORGE MÁRIO SEDLACEK, ficando o mesmo suspenso de suas funções de chefe do Executivo pelo praw máximo de 90 dias, por analogia aos Artigos 147, § 1°, li da Constituição do Estado do Rio de Janeiro, e Art. 86, § 1°, li da Constituição da República, eis que sua penuanência no cargo interfere na apuração das denúncias aqui fonnuladas, bem como pode comprometer a recuperação do município após as chuvas de 12 de janeiro de 2011. Frise-se que a administração não conseguiu, 180 dias após a tragédia, tirar o munic!pio do Estado de Calamidade Pública, e que a Controladoria Geral da União recomendou o não repasse de verbas ao município, confonne noticiado pelo jornal O Globo, o que pode comprometer ainda mais a recuperação. Esse Afastamento deve ser aprovado pelo quomm de 2/3 dos membros da Cãmara.

c) Seja o presente feito processado na fonua do Art. 5° e seguintes do Decreto-lei 201/67, combinado com a Constituição do Estado do Rio de Janeiro, e ao final, seja julgado procedente o pedido para cassar o prefeito JORGE MÁRIO SEDLACEK.

Indica como provas do alegado os documentos ora acostados, e requer seja requerido ao Tribunal de Contas da União e à Controladoria Geral da União os relatórios referentes a atuação daqueles órgãos na aplicação de verbas públicas no município de Teresópolis no periodo compreendido de julho de 2010 até junho de 2011, notadamente as investigações referentes ao período pós tragédia de 12 de janeiro de 2011, bem como ao . Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro no mesmo perí()d()" ., Requer~ ainda, seJa'oficiado ao'Ministério púbjicoFederal para que envie cópia do procedimento que apura as denúncias de pagamento de propina feito por empresários a membros do govemo, confonne também noticiado pelo jomal O Globo. Requer sejam as provas aqui indicadas e acostadas complementadas por lanlas outras que a comissão processante regularnlente inslauradajulgue necessário.

N estes termos, p.deferimento

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DEPOIMENTO DE: Or". ANA CRISTINA DA COSTA ARAUJO, brasileira, divorciada, 43, anos, pOl1adora da carteira de Identidade n° 84723 OAB/RJ e CPF nO

A 977731077-34, residente e domiciliada Rua Papa Pio XII 50 - Jardim Cascata, - Teresópolis - RJ CEP, depoente na instauração da Comissão Parlamentar de Inquérito.

DEPOIMENTO

PERGUNTA AO DEPOENTE:

Vossa Senhoria d~dara'sob palavra de honra a promessa de dizer a verdade,

somente a verdade, nada mais a verdade do que souber ou lhe for perguntado?

A depoente respondeu:

Sim.

Qual o seu nome?

A depoente respondeu:

O.", ANA CRISTINA DA COSTA ARAÚJO,

Qu'al sua idade?

A depoente respondeu:

43 anos,

A onde a Sl~. reside?

A depoente respondeu:

Rua Papa Pio XII'!iQ .- Jardim Cascata, - Teresópolis.

Qual a sua profissão?

A depoente respondeu:

Advogada.

A senhora tem parente ou relação com algumas das partes envolvidas?

A depoente respondeu:

Não que tenha conhecimcnto.

A Senhora, por favor, só responda o que lhe for perguntado.

A senhora fica advertida que incolTera em crime de falso testemunho, previsto

no Código Penal no art. 342. se fizer afu'Il1ação talsa, não falando a verdade. ficando

obrigada a falar a esta comissão todos os fatos existentes ainda que impol1e em incriminar outras pessoas.

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Sr". tem qualquer receio de prestar qualquer informação a esta CPI?

A depoente respondeu:

Não.

informação a esta CPI? A depoente respondeu: Não. Não tendo qualquer receio de prestar qualquer informação

Não tendo qualquer receio de prestar qualquer informação a esta CPI, a Sr". abre mão espontaneamente do sigilo bancário, sigilo teletOnico, sigilo do cartão de crédito.

A depoente respondeu:

Sim.

Dr". Ana Cristina partindo do pressuposto que a senhora é advogada desde

quando a senhora atua na Procuradoria do posslvel descreva os seus cargos que ocupou ou ocupa.·

Municlpio de Teres6polis, e se

A depoente respondeu:

Eu entreina Procuradoria em agosto de 2003, como asscssora Jurídica, depois passei 11 Sub-ProcurIldorll Judicial, posteriormente passei 11 subprocuradora ,geral, e hoje sou a procuradora desde novembro de 2010.

Ora. Procuradora', a se'nhora foi subprocuradora no periodo que o DI'. Antonio Geraldo, era Procurador?

A depoente respondeu.

Era subpi'ocuradol'a judicial.

Nessa época chegou ao seu conhecimento que o DI'. Antonio Geraldo, havia

sido informado.de uma fraude ou possivel fraude no diário oficial do Município?