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Direito Civil 1

Indicação bibliográfica
Manual de civil do Tartuce + curso completo do Tartuce.
Curso completo do Cristiano chaves
Guilherme Couto - editora ímpetos - conceitos principais, apostilado, muito bom,
pequeno
Carlos Roberto Gonçalves – mas com pouca jurisprudência.
Código civil interpretado a luz da CRFB – Gustavo tepedino.
Banca de processo penal é garantista, portanto buscar uma bibliografia

Professor faz atualizações dos informativos via periscope - @bouret


aureliobouret@yahoo.com.br
Facebook Aurélio Bouret Instagram: professor_aureliobouret

Jurisprudência

STF

Informativo 864
União Estável

Informativo 857
Alimentos

Informativo 853
Autonomia das Entidades Desportivas

Informativo 845
Direitos autorais

Informativo 840
Filiação
Direito Civil 2

STJ

Informativo X

Introdução ao Direito Civil

Direito Civil
Nasce com a necessidade de adequar o ordenamento jurídico privado, vez que lei
posterior não revoga somente a lei anterior.

1. Origem e Evolução do Constitucionalismo


A) Primeira fase - absolutista  não existiam limitações às condutas dos soberanos.
Eram absolutos sem qualquer lei que limitassem seus poderes e não se submetiam a suas
regras.

B) Segunda fase - fase liberal  movimentos sociais de insatisfação - busca pelas


garantias individuais e poder político formalmente limitado - constituições liberais
(positivação das liberdades e direitos) - indício do constitucionalismo moderno
(constituição dos EUA e França - primeira geração de direitos fundamentais - o estado deve
se abster e garantir tais direitos). Essa igualdade que foi tanto almejada foi meramente
formal. A partir disto começou-se a ter uma tirania de um grupo em particular, mais
especificamente da burguesia. Aqui o juiz decide de acordo com a lei. Fase extremamente
positivista.

C) Terceira fase - fase social  estado deixa de ser passivo - estado ativo e
promocional atuando nas relações privadas para o bem estar social - ex.: dirigismo
contratual - discriminações positivas. Traz os primórdios do positivismo jurídico. O estado
pode agir de acordo com a lei e o cidadão pode fazer tudo que não seja vedado em lei - é o
princípio da segurança jurídica. Aqui buscou-se uma igualdade material, buscava-se
direitos sociais, de segunda geração. Tratar as pessoas iguais de forma igual e os desiguais
de forma desigual, princípio de Rui Barbosa. Ficou conhecida por seu sucesso a
constituição alemã que positivou um estado ativo. No contexto brasileiro um exemplo claro
é o ECA e o CDC. No Brasil na década de 1930 tivemos a CLT, a primeira lei do
inquilinato, o código de menores, a lei da terra, estatuo do índio também, com intuito de
espalhar a igualdade material; a constituição de 1946 como um todo. Aqui também o juiz
vai decidir com base nas legislações sociais. Fase extremamente positivista.
Direito Civil 3

O estado não pode ser um estado abstencionistas, deve ser ativo, promocional,
buscando garantir direitos, direitos sociais (a saúde, direito ao trabalho), precisam ser
estimulados pelo estado e principalmente uma igualdade material.
Assumimos aqui a igualdade aristotélica de forma que deve-se tratar os iguais de
forma igual e os desiguais de forma desiguais – igualdade material. Não podemos dizer
que o fornecedor de produtos e serviços está no mesmo patamar do consumidor. Não se
trata o idoso ou as crianças como se estivessem na fase madura.
O estado começa a fazer ações afirmativas que visam garantir uma igualdade material
por meio de uma ação estatal.
Vai desigualar formalmente, para igualar materialmente. O CDC é parcial, visando
proteger o consumidor. Assim como a CLT o faz com o trabalhador. Pode uma lei ser
desproporcional para que desiguale formalmente com intuito de igualar materialmente.
Aurelio afirma que o papel aceita tudo. Podem haver atos extremamente desumanos
que são legais, a exemplo disto ocorreu a segunda guerra mundial.
Em 1917, quando o CC de 1916 entrou em vigor, tínhamos leis esparsas que
contemplavam interesses diferentes.
Nesse momento nasce a crise do direito civil que decorre da era dos estatutos com
várias leis esparsas, pois o Código Civil que devia ser o centro do ordenamento jurídico
perde sua importância. Perdeu um pouco da sua identidade a partir do momento em que
perdeu o seu protagonismo no meio jurídico.

D) Quarta fase - pós-positivismo  sistema de cláusulas gerais espelhando valores


como: dignidade da pessoa humana, solidariedade, isonomia material. Fase em que nos
encontramos agora. Normas que espelham o direito natural, resgatada pelo pós-
positivismo. Temos valores, direitos e princípios que estão acima de qualquer norma
escrita.

2. Crise do Direito Civil


Transição da fase absolutista para a fase liberal - opressão estatal para opressão do
particular.
Existência de dicotomia do direito público com o privado.
Transição do modelo constitucional liberal (autonomia da vontade) para o modelo
constitucional social (crise).
Era dos Estatutos - era da descodificação. Ex.: Estatuto do Deficiente que não
integra o Código Civil.
A crise do direito civil é uma crise de identidade:
Antes - análise conjunta e sistêmica. O Código Civil por si só resolvia todos os
casos.
Depois - universos legislativos isolados - formados por diversos setores da
economia - princípios e valores díspares e contraditórios. Ex.: locação, incorporação
imobiliária. Temos bancadas no Congresso Nacional defendendo vários interesses, o que
se traduz em leis que vão de encontro umas com as outras. Isto acaba por impedir a
resolução das lides de forma simples. A título de exemplo: quando você pega um ônibus,
qual a relação que se opera? É um contrato de transporte com uma característica de relação
consumerista por fornecedor de serviço. Faz-se necessário um diálogo das fontes –
Direito Civil 4

Contrato de Transporte, previsto no Código Civil, e CDC. Logo buscamos a solução na


seara constitucional. O Direito Civil Constitucional é uma solução para esta crise no Direito
Civil.

2.1. Solução através do direito civil constitucional


Sistema fragmentado - precisa de diálogo - constituição torna-se vetor
hermenêutico
Modelo pós-positivista - cláusulas abertas + modalidade para alcançar os valores e
fins constitucionais.

2.2. Direito Civil Constitucional - Definição:

Movimento de releitura de todo direito civil a partir da Constituição que não é mais
apenas um mero limite a legislação ordinária (fundamento de validade). A Constituição
contém princípios éticos que impõem uma adequação axiológica do sistema - passando a
ser vetor axiológico de todo o sistema e vetor hermenêutico, devendo as normas serem
aplicadas de acordo com os valores e princípios constitucionais. Essa é uma visão do
neoconstitucionalismo onde há uma unidade no sistema em que a CRFB é a carta magna
que rege todo o sistema.
Deixa a CRFB de se um mero fundamento de validade, pois isso ela sempre foi, ela
é o ápice do ordenamento jurídico.
Segundo Tartuce, o Direito Civil Constitucional é um novo caminho metodológico
que procura analisar os institutos privados a partir da Constituição e, eventualmente, os
mecanismos constitucionais a partir do CC e da legislação infraconstitucional em uma
análise de mão dupla.
Segundo Gustavo Tepedino, são três os princípios básicos do Direito Civil
Constitucional:

1. Proteção à dignidade da pessoa humana – este princípio é um dos


corolários da República Federativa do Brasil, positivado como um dos
objetivos da Nação no art. 1º, III da CRFB. Significa, segundo Kirste: “o
direito ao reconhecimento como uma pessoa de direito”.
2. Solidariedade Social – também é um dos objetivos da República, conforme
art. 3º, I da CRFB. Absorve o objetivo social da erradicação da pobreza.
3. Isonomia ou Igualdade – presente no caput do art. 5º da CRFB. Segundo
Aristóteles e Ruy Barbosa: “A lei deve tratar de maneira igual os iguais e de
maneira desigual os desiguais. ”

Exemplo no caso concreto: A lei 8.009 de 1990 que dispõe sobre a impenhorabilidade
do bem de família no seu art. 1º1 previa que o imóvel residencial próprio do casal ou da
entidade familiar é impenhorável.

1“Art. 1º O imóvel residencial próprio do casal, ou da entidade familiar, é impenhorável e não


responderá por qualquer tipo de dívida civil, comercial, fiscal, previdenciária ou de outra natureza, contraída
Direito Civil 5

Percebe-se que aqui o legislador não abarcou os solteiros, viúvos e divorciados.


Levando isto em consideração, o STJ editou a Súmula 364 2 em que passou a prever a
proteção do bem de família, ou seja, a impenhorabilidade do único imóvel, a estas outras
pessoas, baseando-se para isto no princípio constitucional da isonomia. Aqui houve uma
releitura do Direito Civil a luz da CRFB. É importante salientar que o STJ não estendeu os
conceitos de família para as pessoas solteiras, etc., o que foi estendido foi a proteção do
bem de família para tais pessoas. É uma interpretação a luz do direito civil constitucional.
A lei 8.009/90, tem o intuito de proteger o direito social de moradia – cláusula pétrea.
Usando a isonomia do caput do art. 5º da CRFB. As normas de direito civil não podem
afrontar o dispositivo constitucional, isso não é direito civil constitucional, mas apenas uma
interpretação a luz do direito constitucional. Verificando a legalidade ou não. O direito
civil constitucional já preconiza que a norma é constitucional. Ele busca uma nova
interpretação conforme a CRFB.

Ex.: Art. 5, LIV – ninguém será privado de seus bens sem o devido processo legal.
Se houver uma apreensão de veículo sem que haja um procedimento, será inconstitucional
essa norma que o faça.

Exemplos no caso concreto: Casamentos de pessoas do mesmo sexo - o STF não


permitiu tal coisa, permitiu a união estável. O CNJ que estendeu uma conversão da união
estável para casamento e casamento diretamente. Há também uma ação em curso no STF
questionando a competência do CNJ para tal. Precisamos reconhecer que aqui houve uma
mutação constitucional, com uma alteração do contexto da norma sem o seu texto. O texto
constitucional prevê casamento entre homem em mulher, mas em nenhum momento diz
que só deverá ocorrer nestes casos.

Direito
Existem várias acepções da palavra direito.

Direito adquirido X expectativa de direito


O primeiro é aquele que já foi incorporado ao patrimônio subjetivo do indivíduo.
O segundo há direito em formação, que depende ainda da ocorrência de algum fato
para se aperfeiçoar.

Ex.: questão previdenciária – ao ingressar na carreira de acordo com o regime dela


(público ou privado) será possível saber quando vai poder se aposentar. Se muda a
legislação previdenciária no decorrer desse tempo, tem de se submeter a nova lei. Vez que
não existirá direito que só estaria aperfeiçoado se cumprisse os requisitos como idade, entre

pelos cônjuges ou pelos pais ou filhos que sejam seus proprietários e nele residam, salvo nas hipóteses
previstas nesta lei.
Parágrafo único. A impenhorabilidade compreende o imóvel sobre o qual se assentam a construção,
as plantações, as benfeitorias de qualquer natureza e todos os equipamentos, inclusive os de uso profissional,
ou móveis que guarnecem a casa, desde que quitados. ”
2 “Súmula 364: O conceito de impenhorabilidade de bem de família abrange também o imóvel

pertencente a pessoas solteiras, separadas e viúvas. ”


Direito Civil 6

outros. Se já possuía todos os requisitos, mas apenas não tinha feito o requerimento, há sim
direito adquirido.

Direito potestativo X Direito subjetivo


Direito subjetivo é aquele direito que atribui ao seu titular uma prerrogativa de exigir
de alguém um determinado comportamento. Nasce a pretensão de exigir o comportamento
de outrem.
Ex.: OUVIR 33 min.
Tem que obedecer aos prazos prescricionais previstos em Lei. Em regra tem prazos,
quando se submete a esses tratamos de prazo prescricional, mas nem todos eles possuem
prazos como o direito da personalidade, não se perde pelo seu não exercício, mas para
pleitear o aspecto patrimonial tem-se prazo.

Ex.: os direitos da personalidade são absolutos. Quando há conflito de interesses


todas são relativos, mas quando pergunto se o direito da personalidade e absoluto, pretendo
saber uma classificação:
Patrimoniais ou extrapatrimoniais – 1º) é direito absoluto; 2º) todos os direitos à
personalidade são extrapatrimoniais, não há conteúdo econômico.
Relativos ou absolutos – 1º) é aquele que tem um sujeito passivo determinado; 2º) já
nesse há um sujeito passivo indeterminado. Oponibilidade erga omnes, vez que são
absolutos.

Ex.: patrimonial e absoluto – direito à propriedade.


OUVIR 40 min a 42 min.

O direito potestativo é aquele que atribui ao seu titular o poder em produzir efeitos
jurídicos (criar, modificar ou extinguir) tão somente com a sua manifestação de vontade.

Ex.: revogação do mandato, pode ser renunciado também.

Por vezes essa manifestação de vontade tem de ser confirmada em juízo. Ex.: todos
os defeitos do negócio jurídico que geram a anulabilidade do negócio jurídico. Precisa que
o juiz declare a invalidade. Basta Produzir a vontade em juiz o para ser anulado.

Alguns possuem prazo e outros não – art. 178 CC, prazo de 4 anos.
O prazo aqui é Prazo decadencial.

Faculdade jurídica

Elemento do direito subjetivo. Há faculdade de exercê-lo ou não.


Não exige o comportamento de alguém, mas somente a faculdade de exercer um
direito seu. Não impõe a ninguém determinado comportamento.

Dever jurídico
Direito Civil 7

Outro lado do direito subjetivo.


Se há possibilidade de exigir de alguém um determinado comportamento, essa pessoa
tem um dever jurídico d cumprir o que a lei comina ou da vontade das partes.
Nasce da lei ou da vontade das partes, é o dever de cumprir uma prestação.

Direitos fundamentais
Podem ser subjetivos ou potestativos.

OUVIR 49 min

Dever fundamental

Para cada direito fundamental tem-se um dever fundamental. Se temos um direito à


propriedade, aleguem tem de respeitá-la. Ex.: art. 5º, XXII e XXIII da CRFB. O último é
um dever, o direito da propriedade deve ser exercido com a observâncias disso.

Ônus jurídicos
É um comportamento não obrigatório. Que se for praticado ou não só vai beneficiar
ou prejudicar o próprio titular.
O eu que tem o dever de provar as excludentes de ilicitude, arcando com sua omissão.

Poder jurídico

Nesse falamos no exercício de um comportamento para beneficiar terceiro.


No direito subjetivo, beneficia o próprio sujeito.

Aqui é um poder-dever. Ex.: poder familiar, implica a criação, cuidados. Tutores e


curadores, cuidar do patrimônio dos incapazes e da própria pessoa também.

LINDB
Direito e Moral impõem regras de conduta. A diferença entre eles é que o direito tem
uma sanção pelo descumprimento dessas regras der conduta, mas só o direito pode impor
sanção através do Estado pelo descumprimento dessas regras. Logo, a moral é mais ampla
que o direito, vez que nem toda regra de conduta em sociedade tem previsão de sanção pelo
direito. Ex.: regras religiosas.

Direito Intertemporal

1. Vigência e Vigor das Normas Jurídicas


Direito Civil 8

Vigência (critério temporal): o momento em que a lei existe formalmente, desde


sua publicação até sua revogação.

Vigor (critério material): é a capacidade de produzir efeitos.

Uma norma pode ser vigente, mas não estar em vigor, não teria capacidade de
produzir efeitos.

Art. 1º da LINDB:
“Art. 1o Salvo disposição contrária, a lei começa a vigorar em todo o país quarenta
e cinco dias depois de oficialmente publicada.”

O CC entrou em vigor no dia 11.01.2003. Publicado 1 ano antes.


Ele era vigente em 10.01.2002 quando foi publicado.

Vacatio legis

A lei vai disciplinar quando entra em vigor.


LC 95/98 – trata também disso, como a LINDB.
O legislador costuma desrespeitar a norma. Na sua omissão, a LINDB resolve, entra
em vigor 45 dias após publicada. No territorial estrangeiro entra em vigor em 3 meses após
a sua publicação – art. 1º da LINDB.

Utilizamos o art. 8º, §1º da LC 95/98 para contagem de prazo:

2. Forma de contagem do prazo

A contagem do prazo de 45 dias deve incluir o dia de início e incluir o dia final,
pondo em vigor no dia subsequente de acordo com a Lei Complementar 95/98 no art. 8º,
§1ª:

“Art. 8º A vigência da lei será indicada de forma expressa e de modo a contemplar


prazo razoável para que dela se tenha amplo conhecimento, reservada a cláusula "entra em
vigor na data de sua publicação" para as leis de pequena repercussão.
§ 1º A contagem do prazo para entrada em vigor das leis que estabeleçam período de
vacância far-se-á com a inclusão da data da publicação e do último dia do prazo, entrando
em vigor no dia subsequente à sua consumação integral. ”

Quando a lei da o prazo em anos, meses, precisamos

Código Civil de 2002


Sancionado e promulgado em 10.01.2002
Publicação em 11.01.2002 - o dies a quo de contagem do prazo.
Direito Civil 9

O art. 2.044 3 do CC prevê que o CC entrará em vigor 1 ano depois após sua
publicação. Isto já vem contradizendo a Lei Complementar 95/98, posto que esta prevê que
a contagem do prazo deve ser feita em dias4.
1ª Corrente (STJ) um ano é até o mesmo dia correspondente do ano seguinte -
Segundo o artigo 132, § 3°5, do próprio CC – caindo no dia 11/01/2003 – dia em que
começa a vigorar. Se cair no dia 29 de fevereiro, conta-se como em vigor no dia útil
subsequente que seria dia 01 de março. Ainda que represente ter mais ou menos de 365
dias de fato.
2ª Corrente (Mario Luiz Delgado) – 25/02/02 – O código teria desrespeitado a L.C.
95/98, que prevê, no seu art. 8 §2º, que a fixação da vacatio deve ser em dias. Pela idéia de
que a LC 95/98 é hierarquicamente superior não seria aplicado o art. 2.044 do CC, devendo
ser aplicado o art. 1º da LICC diante da ausência de vacatio expressa – seria aplicado o
prazo de 45 dias da publicação.
3ª Corrente (Leoni, Fábio Azevedo) – 12/01/13 – Aplica-se o prazo de um ano
contado na forma do art. 132 §3º do CC, utilizando-se a regra do art. 8º da LC 95/98 – 1
ano da publicação cairia em 11/01/2003, entrando em vigor no dia subsequente,
12/01/2003.
Dessa forma o art. 8 da LC 95/98 pode ser compatibilizado com o art. 2.044 do CC,
posto que, contando-se 365 a partir do dia 11/01/12, o término se dá no dia 10/01/13,
entrando em vigor o novo código em 11/01/2003, no dia subsequente.

OBS.: Não confundir com dias úteis dos prazos processuais.

No direito sucessório a lei que regula é a que estava em vigor no tempo do óbito.
Podendo ser atingido pelo Código de 1916. *Copiar alguns prazos importantes aqui*

Repristinação
Conceito: ocorre quando há a retomada de vigência de uma norma em razão da
revogação da lei revogadora. Uma norma pode perder o seu vigor, mas só perde sua
vigência quando revogada por outra.
Pressupõe sempre 3 leis.
É um fenômeno eminentemente legislativo.
Em regra, não é possível no Brasil.

Art. 2ª da LINDB – em regra não pode, exceto se a lei revogadora expressamente o


disser.
Não é automático. + § 1º da LINDB.

3 “Art. 2.044. Este Código entrará em vigor 1 (um) ano após a sua publicação. ”
4 Art. 8º, §2º da LC 95/98: “As leis que estabeleçam período de vacância deverão utilizar a cláusula
‘esta lei entra em vigor após decorridos (o número de) dias de sua publicação oficial’. ”
5 “Art. 132. Salvo disposição legal ou convencional em contrário, computam-se os prazos, excluído o

dia do começo, e incluído o do vencimento.


[...]
§ 3o Os prazos de meses e anos expiram no dia de igual número do de início, ou no imediato, se faltar
exata correspondência. ”
Direito Civil 10

Efeito repristinatório
Ocorre quando há retomada de vigência de uma norma em razão da declaração de
inconstitucionalidade da lei revogadora (em controle concentrado de constitucionalidade).

Art. 11 da lei 9868/98

Ex.:
O efeito repristinatório de uma lei é a repristinação.

Retroatividade das Normas

Art. 6º da LINDB6 e art. 5º, XXXVI7 da CRFB - regra da irretroatividade da lei nova
para atingir ato jurídico perfeito, a coisa julgada e o direito adquirido.
O direito brasileiro aderiu à situação subjetivista. Verificar se a lei nova atinge ou
não essas situações jurídicas consolidadas.
O que acontece é aplicar a lei hoje atingindo situações anteriores. No direito civil não
tem isso de lei mais benéfica, pois é relação entre particulares. Não vai ser mais benéfica
para um e igualmente para outro.

 Coisa julgada é uma decisão jurídica definitiva da qual não cabe mais qualquer
recurso. Coisa julgada é proveniente ao trânsito em julgado da ação. Coisa julgada
definitiva. É imutável.

 Ato jurídico perfeito é aquele ato jurídico, comportamento humano voluntário que
cria efeitos jurídicos. Contudo é um ato que já criou seus efeitos que já foi
consumado, já aperfeiçoado totalmente. Produziu seus efeitos e se extinguiu ou
ainda produz alguns de seus efeitos mesmo extinto.

 Direito adquirido é aquele que já está incorporado ao patrimônio subjetivo do seu


titular. Isto significa dizer que não é uma mera expectativa do direito. O indivíduo
já é titular daquele direito. Ex.: indivíduo quando atinge a idade limite para se
aposentar.

Caso concreto 2
Resposta oficial: a lei pode retroagir desde que não macule o ato jurídico perfeito, a
coisa julgada e o direito adquirido. No direito penal ou tributário a lei não pode retroagir

6 “Art. 6º A Lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito, o direito
adquirido e a coisa julgada.
§ 1º Reputa-se ato jurídico perfeito o já consumado segundo a lei vigente ao tempo em que se efetuou.
§ 2º Consideram-se adquiridos assim os direitos que o seu titular, ou alguém por ele, possa exercer,
como aqueles cujo começo do exercício tenha termo pré-fixo, ou condição pré-estabelecida inalterável, a
arbítrio de outrem.
§ 3º Chama-se coisa julgada ou caso julgado a decisão judicial de que já não caiba recurso. ”
7 “XXXVI - a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada; ”
Direito Civil 11

de forma a prejudicar o indivíduo. Contudo algumas decisões judicial trabalham com a


retroatividade da norma mais benéficas do direito civil. EX.: AC 34181/2009. Retroagindo
a lei do dpvat para incluir aqueles que estavam em julgamento durante o vigor na nova lei
prevendo a reparação integral mesmo quando não souber quem é o causador do dano, visto
que a seguradora não poderia ingressão com ação de regresso.

Graus de retroatividade
ADI 493 –LER

TODOS OS GRAUS A PRINCÍPIO SÃO VEDADOS.


Isto pois, no Direito Civil não é permitido a retroatividade de leis que podem ter três
graus:

 Grau máximo: Aplicar a Lei Nova de maneira a atingir os efeitos produzidos e


consumados sob a vigência de uma Lei Anterior. É vedada no Direito Civil.
Quando a Lei Nova é aplicada de maneira a atingir uma situação judicia já constituída
e consolidada pela evidência da Lei Anterior.
Ex.: Observando o art. 52, §1º8 do CDC podemos fazer a seguinte comparação: Antes
da lei que de 1996 a multa era de 10%. Não poderá lei nova que cobra 2% de juros retroagir
para atingir um contrato firmado em 1995. OUVIR 1:23:00 até

 Grau médio: Aplicar a Lei Nova de maneira a atingir apenas os efeitos (ex.:
pagamento de uma parcela do contrato) ainda não consumados (efeitos pendentes)
de um ato jurídico perfeito (ex.: contrato) celebrado sob a égide de uma Lei
Anterior. Também vedada no CC.

 Grau mínimo: também é vedada. Aplicar a Lei Nova de maneira a atingir apenas
os efeitos futuros de um ato jurídico constituído sob a égide de uma Lei Anterior.
Quando se fala em futuro é porque já estava em vigor a lei nova.

Ex.1: Bancos podiam cobrar antes a multa por atraso no pagamento de 10%. Após o
CC de 2002 instaurou o valor máximo de 2%. Isto gera muita confusão, pois, a Lei Nova
não retroage em nenhuma hipótese no Direito Civil, mesmo que seja mais benéfica.
Na questão dos bancos (com contratos - atos jurídicos perfeitos) do primeiro exemplo
veio o STJ decidiu pela não da aplicabilidade do CDC que não possui qualquer norma
intertemporal.

Caso concreto 1? Cota condominial


Resposta oficial: OUVIR 1:30:00 em diante

8 “Art. 52. No fornecimento de produtos ou serviços que envolva outorga de crédito ou concessão de

financiamento ao consumidor, o fornecedor deverá, entre outros requisitos, informá-lo prévia e


adequadamente sobre:
[...]
§ 1° As multas de mora decorrentes do inadimplemento de obrigações no seu termo não poderão ser
superiores a dois por cento do valor da prestação. ”
Direito Civil 12

Ex.2: A lei 4.591/64 é a lei de incorporação imobiliária que no seu art. 12, §3º permite
que seja aplicada multa na cota condominial em até 20% no caso de atraso. No art. 1.336,
§1º do CC reduziu-se o valor para 2%. É a mesma questão abordada anteriormente, não é
possível a retroatividade em qualquer grau.
Já no segundo exemplo, das multas das cotas condominiais o STJ teve um
posicionamento diferente pois o CC possui o art. 2.035 que prevê esta regra temporal. Não
há diálogo das fontes em direito do consumidor se houver dúvida, o que não havia naquele
caso era a previsão expressa.
O STJ chama de aplicabilidade imediata de acordo com o art. 2.035 do CC – tem
repercussão do dirieto empresarial também.

HÁ UMA CRÍTICA A ESTE ARTIGO. Exceção ao dispositivo constitucional: o


art. 5º, XXXVI CRFB diz o oposto ao art. 2.035 o que gera posicionamentos a favor da
inconstitucionalidade do art. do CC, pois a lei nova estaria retroagindo atingido os atos
judiaríamos perfeitos ainda que para os efeitos futuros. Barroso, Sérgio campinho, Fábio
Azevedo dizem isto.
Vide slides 18 a 27 do tema 01.

Existem situações que ainda que esbarrem nas situações jurídicas consolidadas,
estará a lei nova retroagindo. Isto ocorre em situações existenciais, como Estatutos
Jurídicos (alterou toda a regulamentação do plano jurídico sobre aquela matéria), plano de
carreira. Cuidado com o direito privado! A exemplo do estatuto do deficiente, instituição
do casamento que incluiu a possibilidade de divórcio. Lei áurea também alterou o sistema
patrimonial da época quando aboliu a escravidão. – não existe direito adquirido a
estatutos jurídicos da categoria a que faz parte, por exemplo.

Por isso pode alterar o estatuto jurídico sem que se fale em direito adquirido.

Métodos de interpretação e Meios de Integração

Os segundos visam suprir lacunas no ordenemos (analogia, art. 4º LINDB). Esses


métodos de integração devem ser aplicados nessa ordem obrigatoriamente.

Cuidado com os costumes – devem ser provados. O juiz só é obrigado a conhecer a


lei e não o costume. A parte tem de provar a existência do mesmo.

Princípios gerais de direito não são os princípios normativos (liberdade, igualdade).


São princípios de integração não há regra nem princípio, há uma lacuna dai se vale de um
princípio geral do direito. São ideias universalmente aceitas (ninguém pode se beneficiar
da própria torpeza, vedação ao enriquecimento sem causa, a má-fé não se presume, entre
outros).

Caso concreto 3
Resposta: o art. 7º, IV diz que o salário mínimo não poder ser atrelado ao
cumprimento de obrigações, contudo não pode ser utilizado como valor de indexação, valor
que deve ser cumprido. Nada impede que haja uma obrigação de pagar 20 salários
Direito Civil 13

mínimos, utiliza-se para o cálculo, mas não como critério de indexação. Vai ser no tempo
do dano ou no tempo do pagamento? A lei dizia que o salário mínimo era aquele vigente
na data do pagamento. Não pode a lei nova atingir o direito adquirido. Os salários mínimo
seriam apurados na data do pagamento, ele já havia cumprido todos os requisitos.

PARTE GERAL

Livro I – Das Pessoas

Das Pessoas Naturais


Pessoa física em si, mas essencialmente fala-se em pessoa. Isto significa dizer que é
um sujeito de direitos e obrigações. Logo, pessoa é um gênero que comporta duas especiais:
pessoa jurídica e pessoa natural.
Pessoa natural não é sinônimo de ser humano. Pessoa natural é um conceito jurídico
que possui direitos e deveres, conceito jurídicos de direito privado, é o sujeito da relação
jurídica, o sujeito de direito.
Um embrião de um ser humano não é pessoa, mas seria um ser humano, ser for feito
um exame de DNA é pessoa. Um morto é coisa (tanto que há furto de cadáver), não é
pessoa, mas é um ser humano.
O ser humano é regulado pela constituição. No art. 1º, III com dignidade da pessoa
humana.
Personalidade jurídica é uma aptidão genérica para se contrair direitos e obrigações.
Uma criança de 1 ano pode ser compradora de um imóvel.
Existem certos entes que são despersonalizados que não são nem pessoa natural nem
pessoa jurídica, mas que a lei atribui algumas características. Ex.: Condomínio, massa
falida, espólio, entre outros.
OBS.: CNJ não é sinônimo de poder ser pessoa jurídica. É só um cadastro para
impostos e contrair algumas obrigações

Ex.: Se o examinador não deixar claro que ele quer especificar algo assim não falar.
Se ele mencionar a diferença entre institutos com visão constitucional, devo discorrer
sobre. Gustavo Tepedino diz que o conceito de personalidade jurídica deveria estar
intrinsicamente ligado á pessoa humana, pois está sempre ligada à um indivíduo. A seus
levemente psíquicos sem qualquer aptidão para contrair deveres e obrigações. Não seria a
aptidão genérica para contrair direitos e obrigações, para ele isto seria uma subjetividade e
não personalidade. Seria aquilo que permite o indivíduo (pessoa jurídica ou natural) de ser
sujeito de direitos e deveres. A questão dos entes despersonalizados fica resolvidas com
esta teoria, pois as pessoas e os entes teriam subjetividade, mas personalidade só o ser
humano a atributos inerentes à personalidade humana. Numa visão jurídica civil-
constitucional o termo personalidade jurídica deve ficar restrito apenas a atributos ligados
Direito Civil 14

a pessoa humana, a atributos ligados a própria dignidade da pessoa humana. Enquanto que
a aptidão genérica para contrária direitos e obrigações que é o conceito tradicional seria
chamada de subjetividade.

Personalidade Jurídica
Teoria Natalista - adquire-se personalidade jurídica com o nascimento com vida.
Nascitura antes do nascimento não é pessoa. VISÃO SÓ STF. Ele possui só expectativa de
direito. Nascimento com vida é com o primeiro ingresso de ar nos pulmões. O STF entende
que o CC adotou esta teoria.

Teoria Concepcionista - posição do STJ. A personalidade jurídica se inicia desde a


concepção. Assim esse a concepção ele já é pessoa, portanto já teria direitos. FAZER
CORRELAÇÃO COM O ABORTO. Essa teoria vai respeitar o código, posto que os
direitos patrimoniais ficam ligados ao nascimento com vida, contudo defendem-se aqui que
os direitos de personalidade se adquire, com vida. Traz esta ideia não só pelo art. 2º, mas
por toda as garantias ao longo do código, pois é herdeiro, donatário, tem proteção no ECA,
alimentos gravídicos. A concepção se dá na nidação do embrião no útero materno. A
fecundação pode se dar até em laboratório.

Embora adote uma teoria ou outra, o nascituro já possui proteção constitucional.

Lei de biossegurança trazia um dispositivo para usar embriões acidentais para


pesquisas de células tronco. Os embriões que sobram seriam utilizados para estudo, pois
existe um prazo para utilizar o embrião para reprodução assistida para garantir a segurança.
Neste caso houve uma ponderação no STF cuja decisão foi favorável às pesquisas.

Capacidade jurídica
É a medida da personalidade jurídica e a maior ou menor extensão dos direitos de
uma pessoa.
A capacidade jurídica de direito é chamada de aquisição. Em regra é adquirida com
o nascimento, que seria um sinônimo de personalidade jurídica.
A capacidade jurídica é fato é chamada de exercício.
O professor Francisco Amaral faz a diferenciação entre capacidade de direito e
personalidade jurídica.
Representação (ex.: bebê) é diferente de assistencia (deficiente mental) e autorização
(casamento de um adolescente de 16 anos - idade núbil, nesta situação a capacidade de
direito só vem aos 16 anos e não ao nascimento). O primeiro o representado não precisa
estar junto; nesta supre a incapacidade absoluta. No segundo o assistido precisa estar
presente no ato que o juiz ouvira a opinião do relativamente incapaz. Aqui suprese a
incapacidade relativa. No terceiro só há uma autorização que pode ser por escrito, o
magistrado pode suprimir a autorização.
Direito Civil 15

Capacidade núbil e capacidade eleitoral são de 16 anos são capacidades de direito


que são por lei adquiridas somente nesta idade. Antes disto não cabe nem representação,
pois não há capacidade de direito para tal.
Legitimação: aptidão para a pratica de determinados atos jurídicos que exigiam
ausência de uma limitação constitucional. Ex.: uma pessoa de 18 anos pode se casar em
regra com qualquer pessoa, mas por limitação legal não pode se casar com mãe, irmão, pai.
É uma capacidade expecífica a legitimação. Não pode o indivíduo tendo dois filhos, vender
um imóvel para só um deles sem a autorização do outro filho.

Teoria das Incapacidades


O que falta para o incapaz é a capacidade de fato.

Antes a questão da deficiência era questão de discernimento para os atos da vida


civil.

Lei 13.146/2015 rerformulou as incapacidades. Estatuto da pessoa com deficiência.


Alterou os arts. 3º e 4º do CC.
É necessário saber que deficiente não necessariamente tem a ver com incapacidade,
mas o estatuto do deficiente mudou o rol dos incapazes.

Absolutamente incapaz só o menor de 16 anos.

Os relativamentes incapazes - art. 4º - fazer leitura.


Art. 2º do estatuto dos deficientes traz quem eles são.

O art. 6º do Estatuto diz que os deficientes são plenamente capazes. A ideia é dar
dignidade ao deficiente. Não é simplesmente a deficiência que faz o deficiente incapaz. O
que o torna incapaz é aquilo que faz qualquer pessoa ser incapaz.
A lei vai trazer outra proteção, mas não o tornar incapaz.

Se o negócio jurídico for feito com um absolutamente incapaz o negócio é nulo.


Combinar art. 3º, com o 166, I.

Relativamente incapazes - Art. 4º com o art. 161, I - negócio jurídico e anulável

Se ele for deficiente mental e faz um negócio jurídico o ato foi válido. O que o tornará
relativamente incapaz é a mesma coisa que qualquer pessoa faria.

Qualquer negócio praticado depois da interdição é anulável.

O pródigo sempre existiu. Ele aquele que dilapida compulsivamente seu patrimônio
sem deixa reservas suficientes para sua própria subsistência. O pródigo precisa estar
assistido para que seus negócios jurídicos sejam válidos. A interdicao do pródigo deve ser
feita. Ele necessita de um curador, se submetendo a um processo de interdicao. A interdicao
é parcial, pois o problema dele é a dilapidação do patrimônio, portanto não para praticar
Direito Civil 16

atos de disposição patrimonial, que serão assistidos pelo curador para tornar os negócios
jurídicos válidos. Essa interdicao recai somente sobre atos der disposição patrimonial. O
pródigo põe livremente casar mesmo sem assistência. O que o pródigo não pode fazer é
celebrar um pacto antenupcial, para escolha e regime de bens. O pródigo não pode escolher
o regime. Deve ser o regime previsto em lei, o regime de comunhão parcial de bens. Não
pode o assistente ou o pai escolher o regime, muito menos o juiz. A curadoria do pródigo
e para proteção, a lei já protege. Art. 1.782 CC.
O testamento só produz efeitos depois da morte, portanto o pródigo pode celebrar
testamento de maneira válida, pois ainda que seja um negócio jurídico seus efeitos só
depois de sua morte.

Relativamente incapazes estão no art. 4º. Ainda existe curatela e tutela. A curatela
não é mais total, agora será parcial, pois o juiz no momento de interditar alguém terá de
verificar para quais atos aquele pessoa não tem capacidade de praticar. O juiz vai
determinar a extensão da curatela. Será um corpo de médicos de especialidades adequadas
que vão verificar essa extensão. Verificará no caso concreto. O interessado pode pedir que
haja uma revisão na sua interdicao permitindo mais atos.

Art. 171, I CC. Se já estiver interdidato o negócio é anulável.

Incapacidade natural

A incapacidade natural ocorre quando o indivíduo já é incapaz, mas não foi


interditado. 1. Se o negociante estava de má fé ou não teve a cautela necessária para se
apresentar necessária. Mesmo que não esteja interditado, mas seja visível sua incapacidade,
é anulável o negócio.

Ainda que seja imperceptível, mesmo que esteja de boa fé o terceiro e o negócio
jurídico não se tornar em proveito para o incapaz, ele é anulável.

O STJ entende que é inválido, pois a lei diz de forma clara no art. 171. Os efeitos da
interdicao são retroativos a data que se pode verificar a incapacidade. Para prestigiar o
terceiro de boa fé haverá direito de retenção do imóvel até receber o valor de volta.

OBS.: a maioria da doutrina entende que no confronto entre a proteção do incapaz é


a do terceiro de boa fé deveria se prestigiar a proteção do terceiro de boa fé.

Índios que praticarem atos sem a resenha de um membro da Funai é nulo. Isto para
o índio que não está integrado na nossa sociedade é considerado relativamente incapaz.

Extinção da personalidade jurídica


Extingue-se com morte todos os direitos. O morto é coisa.
Direito Civil 17

Temos morte real e morte presumida. A morte real pode ser constatada por meios
físicos (o médico pode constatar isso). A morte ocorre com a paralisação da atividade
encefálica - art. 3º da lei 9.434/97.
A morte presumida pode ser com declaração de ausência ou sem declaração de
ausência - art. 22 a 39.

Ausente é aquele que desaparece sem deixar noticiais.

A única forma de se transferir os bens sem a vontade das pessoas é com a morte.

Morte presumida sem declaração de ausência - acidente de avião, desabamento de


prédio. Não tem prazo, é só entrar com a petiçao de declaração presumida. Com efeito
retroativo.

No caso da Elisa samudio que não havia corpo, a morte presumida sem declaração
foi pedida pelos familiares dela sem que haja interferências da vara penal nisto. A ação
penal além de independer não interfere nesse pedido.

Se por um acaso a Elisa samudio retornar, o retorno do morto presumido, aplica-se


por analogia o art. 39 do CC. Regressando o ausente nos 10 anos seguintes à abarrotara
definitiva pode requerer os bens ainda existentes ou sub rogados.

Principalmente no ausente, mas também no morto presumido - a declaração de morte


presumida do ausente extingue o casamento -art. 1.571 CC. + §1º. Quando o ausente
retorna ele não estava mort, portanto não poderia extinguir o casamento. Não tem
problema, até chegar nessa fase, já há uma separação de fato que viabilizaria o divórcio.
Vai ter que fazer o pedido de divórcio. Não se invalida o segundo casamento celebrado
após a declaração de morte presumida. Prevalece o segundo casamento que observou os
impedimentos matrimoniais. Nesse caso não precisaria entrar com o divórcio. Examinador
do mpe-rj entende está forma, mas acrescenta que se deve dar uma opção para a pessoa
decidir com quem quer ficar.

O que é a emancipação? É a antecipação da capacidade civil plena e não da


maioridade. Previsto no art. 5º, § único, do CC. No inciso I tem emancipação voluntária e
emancipação judicial - quando há tutor.

A constituição não equiparou a união estável ao casamento. O que foi feito foi o
reconhecimento da união estável como entidade familiar.

Se um dos pais não quiser emancipar, o entendimento é que não pode o juiz suprimir
a vontade. Só pode fazê-lo quando o menor estiver celebrando casamento.

A emancipação não é um direito é um instrumento para auxiliar na vida do menor.

Os pais respondem subjetivamente pelos atos dos filhos. STJ: Na emancipação


voluntário não exime os pais das das responsabilidades civis pelos atos dos filhos. Seria
Direito Civil 18

caso de responsabilidade solidária. Nas outras modalidades de emancipação não cabem


isso. Além disto, caberia ação de regresso nesses casos.

O STF previu ano passado que os pais são responsáveis pelos atos dos filhos
incapazes que são deficientes também. Estendeu a norma do art. 973 e 932
responsabilizando os pais objetivamente.

Direitos da personalidade
Direitos da personalidade visam tutelar os aspectos físicos psíquicos e morais do ser
humano. Em última análise a própria dignidade da pessoa humana. Atributos físicos:
direito a vida, saúde, integridade física do corpo vivo e do corpo morto (vilependio ao
cadáver, a própria sepultura em que se encontrava); as partes destacadas do corpo (fios de
cabelo, sangue, órgãos, saliva - porque são aspectos do ser humano).

Enunciado 1 do CJF - diz que ao natimorto merece direito aos direitos da


personalidade, inclusive quanto ao nome, imagem e sepultura. O livro de registro de óbito
é o C. A lei 6.015/73 deveria prever a possibilidade de colocar o nome na certidão de óbito
do natimorto. Quando o direito da personalidade é violado cabe dano moral. Art. 138
calúnia contra os mortos é punível. O sujeito passível são os parentes e não o morto que é
coisa e não pessoa (que é o título do capítulo).

Exemplos de direito a personalidade: Direto a honra, imagens, intimidade,


privacidade, nome, as liberdades (de ir e vir,mãe pensamento, de crença, religiosa, de
imprensa, artística). Independente disso, qualquer momento que visualize violações a
dignidade da pessoa humana, isto quando o indivíduo não é tratado como ser humano,
quando o tratam como coisa.

A reitificação do homem - isto significa dizer que é a coisificação do homem.

No plano internacional fala-se em direitos humano, no âmbito do direito público fala-


se em direitos fundamentais e no âmbito do direito privado fala-se em direito da
personalidade. Estão todos interligados.

Características:
São direitos absolutos. - classificação da capaciadade de produção de
efeitos. Pois são oponíveis erga omnes. Só podem se relativizados quando
estiverem um contra o outro.
São inatos. Desde o nascimento tem direitos da personalidade.
São vitalícios. Com o nascimento tem-se os direitos e só se perde com a
morte.
São intransmissíveis. Seja por ato inter vivos seja por causa mortis. Não
existe cessão do direito de imagem, mas sim a cessão do exercício do direito e
imagem, alguém pode receber o benefício econômico dos seus direitos.
Direito Civil 19

Indisponíveis ou irrenunciáveis. Art. 11 CC - transplante de órgãos para


irmão com exceção prevista na lei 9.434.

“Não se pode pôr em risco seus direitos voluntários. ” - Pode sofrer limitação
voluntária desd que atenda três requisitos: essa expressão deve ser lida na forma do
enunciado 4 e 139 do CJF. Essa limitação não pode ser permanente, desde que não seja
genérica, não pode atingir a dignidade do titular nem os bons costumes. Ex.: realista show.
Nem filmar em outro lugar e trazer para cá.

Lesão relativa - algo que cause dor.

São direitos extrapatrimoniais, ou seja, não são suscetíveis de apreciação


econômica, pecuniária. Quando viola um direito da personalidade gera dano moral,
e não é indenização por dano moral, mas sim compensação por dano moral.
Indenizar seria voltar ao estado anterior, o que não é possível, mas é cabível uma
compensação pecuniária em função do dano sofrido a personalidade.

Dano moral é lesão à direito da personalidade, em última análise e lesão à


direitos da própria dignidade. Está errado afirmar que dano moral é dor,
sofrimento, magoa, angústia. A questão do abandono efetivo tem a ver com o dever
de cuidado do pai que não esteve presente, a ajuda material não é por si só
suficiente. Questão do dever de cuidar

Direito a Honra: Objetiva # subjetiva

Subjetivo é o sentimento individual do indivíduo.


Objetivo é a boa fama do indivíduo na sociedade.

Ex.1: pessoa com nome inscrito no SPC/SERASA indevidamente. Violou-se a honra


objetiva.
Ex. 2: Pessoa que vai a uma concessionária comprar um carro. O gerente sabendo
que o nome da pessoa em questão está negativado, aos gritos expulsa ela com sua família.
O direito da personalidade violado foi a honra de forma subjetiva e objetiva.

O dano moral decorre in re ipsa, decorre do próprio fato. Não se comprova o dano
moral, mas sim o fato ocorrido, a lesão ao direito de personalidade.
A agressão precisa ser sempre relevante. Verificar:
 Relevância quanto ao direito de imagem;
 Ver a exploração econômica da imagem e agressão.

Pessoas famosas: Corrente Minoritária: podem ter seus direitos de imagem


relatividade pois calçou esse ônus. Corrente Majoritária: Tecnicamente não é uma
relativização, é a questão da relevância. Não é questão de relativizar, mas sim de
relevância para todo mundo. De um lado temos a liberdade de imprensa do público
(que já é do público, vida da esposa do presidente interino) que não é a mesma coisa
que informação para o público (caso dos famosos).
Direito Civil 20

Embargos infringentes 50/99. Vinculação errada de que só há lesão quando houver


lesão à honra.

Art. 20 CC a sublinhar se atingir a honra que está errado tem que ler na forma do art.
5º, X a honra e imagem são invioláveis. É independente um do outro.

Os direitos da personalidade são imprescritíveis. Os exercícios dos direitos


da personalidade não são obstados pelo seu não uso. O direito de pleitear a
reparação em razão do direito de personalidades prescreve em 3 anos em relação
não consumerista - art. 206§3º, V CC; se for relação de consumo, prescreve em 5
anos - art. 27 do cdc.

A lei de anistia traz previsão indicando que aquele que foi vítima de tortura desde
1945 até 1988 tem direito a indenização por danos morais. Decorre in re ipsa, provando o
fato, por peitear a qualquer tempo (posicionamento do STJ). O nascituro no ventre materno
que sofreu tortura no ventre da mãe também tem direito a indenização. Aplicação da teoria
confeccionista.

Tutela dos direitos da personalidade para depois da morte


Exs.: 1) João saiu de casa para trabalhar e foi atropelado a caminho do trabalho, o
motorista estava numa condução imprudente. João ingressou com ação de danos morais
contra o caminhoneiro, mas no curso do processo vem a falecer.

Podem os herdeiros pleitear o direito do pai, chama-se de sucessão processual. O


CPC prevê isto (CPC/73 previa no art. 43).

2) João foi trabalhar e foi atropelado por um caminhoneiro. João foi para o hospital,
melhorou. Passou 1 ano e faleceu.

Podem os herdeiros pleitearem o dano moral.


De acordo com o art. 943 do CC o direito de pleitear a reparação se transmite com a
heranca. Esse direito lesionado gerou um crédito e foi transmitido junto com a herança para
os herdeiros.

3) João morreu há 10 anos. Um desafeto dele escreve uma reportagem caluniosa que
não é verdade.

Pelo dano reflexo sim, art. 12 do CC no parágrafo único diz ascendente, descendente
e cônjuge. Para todos os direitos aplica-se esse artigo. Exceção do direito de imagem tem
os herdeiros direito com base no art. 20. A diferença entre eles é que não vai até os
colaterais este último.

Essa legitimação das partes é autônoma (qualquer um dos legitimados poder


ingressar sozinho, independentemente de outro, não precisa seguir a ordem de vocação
Direito Civil 21

hereditária) e ordinária (vai em juízo em nome próprio, tutelar direito próprio, é direito seu
tutelar a memória do morto).

Nesse caso onde se lê cônjuge pode interpretar companheiro - união estável.

Se tiver um tom crítico - alguns autores entendem que não há motivo para o artigo
20 ser diferente do art. 12. Daí o rol do art. 12 e 20 seriam um rol exemplificativo. Qualquer
um que comprove a afetividade deveria ter direito de pleitear. Banca do mpe-rj.

Ausência
Diferença entre decidir com equidade (com justiça) e decidir por equidade (depende
de previsão legal em que o magistrado está autorizado a fugir da legalidade estrita).

Ex.: nem sempre observara a ordem do curador previsto no CC. Pode ser que os pais
sejam curadores, mesmo que exista um cônjuge, pois pode o magistrado no caso se furtar
da legalidade e decidir por equidade.

No CC de 16 o ausente era um absolutamente incapaz. Bevilaqua afirma que o fez


pois queria forçar uma curatela não do ausente, mas dos bens. No âmbito e vigência do CC
de 16 pergunta-se se é válido o ato praticado por ausente fora de seu domicílio? Se estava
no rol de absolutamente incapazes, seria nulo, contudo para Bevilaqua, o espírito era forçar
uma curatela dos bens que o ato praticado por ele era inválido.

Já se entendia no CC de 1916 que o ausente então era incapaz apesar de inserido no


rol do art. 3º do CC de 16 com o específico propósito de forçar uma curatela de seus bens.
Localização topográfica não influenciava no espírito da lei.

O CC de 2002 tirou a ausência do direito de família e trouxe para a parte geral.


Deveria estar na parte de direito sucessório.

Silvio Capanema perguntava se era o curador era do ausente ou não em banca de


prova oral.

OBs.: existe ou não curatela no CPC de 2015? Existe incapacidade absoluta ainda?
No CC de 2002 com o estatuto do deficiente só temos o absolutamente incapaz, mas difere
com o espírito do estatuto do deficiente que visa diminuir esse rol. VERIFICAR ISSO NA
DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA.

O legislador presume a morte agora fins sucessórios e para casamento (do ponto é
vista jurisprudencial).

Conceito
Direito Civil 22

Caso concreto 1 tema 04: MARIA, diante do desaparecimento do seu cônjuge,


CARLOS, ajuíza demanda requerendo a declaração de ausência ao argumento de que
CARLOS desapareceu desde 10/07/2002.
O Ministério Público ao se manifestar sobre o pedido inicial, solicitou que a
requerente esclarecesse se pretendia dar prosseguimento na ação declaratória de ausência.
Isso porque, o que se verifica, in casu, é que a pretensão da autora consiste, na verdade, em
obter benefício previdenciário, e, além disso, o ausente não deixou bens.
Nada obstante o alerta do parquet, a autora solicitou e insistiu no prosseguimento da
demanda, quando então o juiz de primeiro grau, após o regular procedimento, prolatou
sentença, julgando o pedido procedente, para declarar CARLOS ausente, a partir da
sentença.
Irresignada, a autora recorre postulando a retroação da data da declaração de ausência
para a mesma data do desaparecimento (10/07/2002). Analise a pretensão deduzida por
MARIA e diga se a tese recursal merece acolhida. Fundamente.
Resposta que dei: Resposta: Se o caso em questão não se trata de morte de quem
estava em perigo de vida ou desaparecido em campanha ou feito prisioneiro (art. 7º CC)
deve-se estabelecer o processo para decretação de ausência. Além disso, a sentença in casu
decretou a ausência estabelecendo a sucessão provisória. Procedimento esse que deve ser
respeitado e não pode estabelecer data anterior pela mera alegação da parte autora.
Portanto, não merece acolhimento a pretensão deduzida por Maria, vez que inclusive o
membro do MP sinalizou que o único objetivo da autora, ora recorrente é o de perceber
benefícios previdenciários em nome de Carlos.
Resposta Oficial: o termo inicial da presunção de ausência é da sentença. Que possui
natureza constitutiva e não declaratória. Portanto vai produzir efeitos após sua decisão.
Portanto, não é possível que só se tenha ausência no caso de existência de bens.
Contudo o STJ discorda disso, como também a doutrina contemporânea, pois violaria o
princípio da dignidade da pessoa humana no art. 1º, III da CRFB. Admitem a curadoria das
pessoas sem bens, pois o instituo e afeto a pessoa humana e não ao patrimônio, promovendo
o a centralidade e a primazia axiológica da pessoa humana em decorrência do art. 1º, III da
CRFB.
Nenhuma categoria jurídica é um instrumento de proteção do patrimônio. Esse
pensamento é típico do pensamento burguês do CC de 1916. No CC de 2002 o instrumento
jurídico e sempre um mecanismo de proteção da pessoa humana. Apesar de existir imissão
na posse dos bens isso não descaracteriza a tutela da pessoa humana. Essa é uma
interpretação constitucional numa seara do direito civil constitucional. Sendo afeto a
hermenêutica constitucional.
Não seria possível no caso em questão a declaração de morte presumida, pois não se
respeita os requisitos do art. 7º do CC.

OUVIR 44 min até 47 min.


Morte presumida Presunção de morte
Sem declaração de ausência Com declaração de ausência

Além disso o CC distingue a morte presumida da presunção de morte. É uma opção


legislativa. Já no art. 6º só há morte presumida com declaração de ausência é uma atecnia.
Direito Civil 23

Se o ausente voltar 10 anos após a sucessão defintiva ele não receberá seus bens. O
legislador não trabalha com a morte dele, ele prevê a possibilidade de que ainda esteja vivo.
Na AC 0000480-85.2007.8.19.0211, decidiu-se que falta interesse processual na
pretensão de declaração de ausência de pessoa sem bens, além de entender que os efeitos
da sentença são produzidos a partir da sentença judicial, extraindo que possui efeitos
constitutivos.

Requisitos:
1. Não presença – não confundir com ausente. Além desse requisito é preciso que
não esteja presente no seu domicílio.
2. Noticia do paradeiro – ex.: se alguém faz um ano sabático e deixa notícias, é
não presente, mas há notícias.
3. Inexistência de representante - legal ou convencional que queria, possa é tenha
poderes para administrar os bens do ausente. Aqui não há necessidade de se
indicar um curador, pois o próprio indivíduo o fez sendo desnecessário que o juiz
o faça.
4. Decisão judicial – antes da decisão judicial existe apenas uma não presença, mas
não um ausente em seu sentido técnico. A sentença na fase declaratória, também
chamada de curadoria, constitui uma nova qualidade jurídica para o não presente
que será publicizada pelo registro civil de pessoas naturais. Embora a sentença
não crie a não uma não presença, constitui a condição subjetiva de ausente que
até então não subsistia.

Curatela

1ª Fase

Ausência de Tempo mínimo para requerer a ausência. Dependerá do caso concreto.


O interesse processual vai depender do caso

Legitimados

Qualquer interessado ou o MP – se não houve sucessores quem vai herdar será a


Fazenda. Há uma lógica transindividual que legitima o MP nessa ação.

Art. 25 do CC – CONTROVÉRSIA - será o curador o cônjuge que não estiver


separado de fato por 2 anos ou separado judicialmente. CJF diz que a separação judicial
ainda existe, mas não é mais uma etapa obrigatória, é uma faculdade. Maria Berenice diz
que caiu em desuso.Existirá sim interesse processual, pois não houve revogação expressa
da norma pela EC ??
Enunciado 97 do CJF estende a curadoria ao companheiro, o professor estenderia a
qualquer núcleo familiar.
Ex.: poliamor – alimentos em razão de um casal. OUVIR 58 min. Até 1:00 – afeto a
definidas da pessoa humana art. 1º, III da CRFB. Exercendo a autonomia no âmbito do
Direito Civil 24

núcleo familiar que é um dos tipos de exercício da dignidade; estendo para o núcleo em
que haja o poliamor também.

Se não houver cônjuge não serão os ascendentes, mas os pais, vez que a redação do
art. 25, §1º do CC fala em pais expressamente.

Curatela legítima - § 1º e § 2º do art. 25 do CC.

Curatela dativa – indicada pelo juiz. No CPC diz-se que cabe ao curador cuidar dos
bens publicar a cada dois meses até o ausente retornar.

Não há trânsito em jugulado, isso não ocorre de fato, pois se trata de justiça
voluntária.

Sucessão Provisória
Há prazo de 1 ou 3 anos nas circunstâncias do ausente não deixar representante, o
prazo é de 1 ano, o termo inicial do prazo é a arrecadação dos bens. Art. 26 do CC.
Se deixou representante que tenha poderes, queria e possa administrar os bens do
ausente, não cabe declaração de ausência possível a ensejar a sucessão provisória por outra
pessoa que não seja ele. Terá essa pessoa 3 anos para administrar os bens e passado esse
prazo, abrirá a sucessão provisória. Nesse caos o procedimento já começa na sucessão
provisória. Não precisa nomear curador para os bens.

Art. 26 – “que se declare a ausência” – essa expressão não significa dizer curadoria.
O juiz declara a ausência na sucessão provisória que não significa iniciar a fase da
curadoria, um procedimento não está estritamente vinculado ao outro. Aqui é somente no
caso do indivíduo ter desaparecido e existir um representante com poderes, com intuito é
possibilidade de administrar os bens. Ficará o representante por 3 anos, a partir do
desaparecimento. A partir disso o interessado requer a sucessão provisória que terá imissão
na posse dos herdeiros.
O representante não poderá continuar na administração dos bens, vez que abrirá a a
sucessão provisória quando ocorre a imissão na posse dos bens para os herdeiros – art. 30
do CC.
No caso de inexistência de representante, há pedido de curadoria de bens, no qual
precisará ficar 1 ano na administração dos bens existindo declaração de ausência na
primeira etapa e na sucessão provisória para imissão na posse dos bens art. 30 CC.

Se o indivíduo deixa um representante com procuração para apenas 2 anos, o


interessado não pode requerer a sucessão provisória de pronto (aqui se trata de um não
presente sem representante). No ano em que não estiver abarcado por representante, deverá
o interessado requerer a curadoria então esperar 1 ano para sucessão provisória.

Regra X Norma X
OUVIR 1:21:00
Direito Civil 25

Legitimados

Pessoas do art. 27 do CC.


Se nenhum dos legitimados requer a sucessão provisória, o art. 28, § 1º do CC
legitima o MP para requerer sucessão provisória. Isso pois, se ninguém requer a sucessão,
presume-se que não há herdeiros, logo os bens iriam para a Fazenda.

DEBATE constitucionalistas acerca da reforma da previdência.


Discussão âmbito internacional convergindo no direito interno - Princípio da
confiança aplicado no direito público decorrendo da autolimitando dos estados de direito,
usado na legislação alemã. Art. 6º do CPC.

O benefício previdenciário para ser requerido necessita que cumpra-se os elementos


essenciais. A doutrina e jurisprudência vem no sentido a só concedê-lo após a decretação
de ausência com declaração e morte presumida.

É possível a incidência de ITCMD nessa fase?

A propriedade temporária pode ser resolúvel ou ad tempus. A primeira é uma espécie


de resolúvel. A doutrina majoritária afirma que a propriedade nessa fase é resolúvel.

Há cobrança de tributo duas vezes, OUVIR 1:37

Adquire-se a propriedade de bem imóvel com o registro nos casos inter vivos.
Contudo, o evento causa Mortis também torna proprietário, o registro imobiliária traz
presunção relativa apenas. A sentença na sucessão definitiva vai afastar essa presunção.
Por isso recomenda-se que a sentença seja levada ao RGI.

Sucessão Definitiva
Prazo de 10 anos do trânsito em julgado da sentença concedida no sucessão
provisória.
Ausente possui 80 anos e há 5 anos não se tem notícias do seu paradeiro.

A ausência é mais uma causa aquisitiva da propriedade, imobiliária, inclusive. O


registro será somente declaratório.

Retornando o ausente OUVIR 1:30:00 – se ele regressar até terminar o rapto de 10


anos após a sucessão definitiva, poderá haver os bens no estado em que se acharem.
Contudo se passar dos 10 anos após a sucessão definitiva não poderá reaver seus bens.

Nessa fase adquire-se a propriedade definitiva, mas a condição ou a termo do ausente


não voltar até 10 anos seguir-nos a abertura da sucessão definitiva conforme o art. 39, caput
do CC.
Direito Civil 26

OBS.: nos 10 anos seguintes a aquisição da propriedade pelos herdeiros do ausente


surge uma propriedade temporária na modalidade resolúvel para a doutrina majoritária,
uma vez que subordinado a uma condicao que seria o retorno do ausente em 10 anos.
Porém, em caso de alienação a terceiro, não poderá o ausente que regressar reivindicar o
bem, ou seja, não se aplica o art. 1.359, mas o art. 39 do CC (efeitos ex nunc e não ex tunc).

OUVIR 1:49 parte 1 até 1:52

Caso concreto 3ª – Tema 4: Maria, cônjuge e curadora dos bens de Caio,


desaparecido há mais de 15 anos, tendo sido declarada sua ausência e já aberta a sucessão
definitiva deste, pretende casar-se com Carlos, divorciado.
Pergunta-se: Como você a orientaria? A sentença que declara a ausência presumida
transita em julgado? Na hipótese de se realizar o segundo casamento, qual prevalecerá se
o desaparecido reaparecer?
Resposta Oficial: parte o art. 1.571, §1º do CC extingue o casamento pela ausência
na sucessão definitiva, por uma interpretação sistemática com o art. 6º do CC. Se o ausente
regressar, não haverá qualquer consequência no Brasil. Já que o primeiro casamento foi
extinto. A sentença não transita em jugulado, pois não há decisão de mérito no assunto. Na
prática, o cônjuge que não o ausente tem de levar a sentença que declara a sucessão
definitiva para o registro de seu casamento.

Caso concreto 2 – tema 04


Resposta Oficial: no CPC não poderia, nem tratando-se de relação de consumo
poderia. Ag 0016991-66.2011.8.19.0000, entendeu que não seria possível, pois precisa da
aplicação do art. 53, II, b do CPC/15. Pelo art. 100, § ún. Do CPC/73a ação poderia ser
ajuizada em Campos (domicílio do autor) ou Macaé (local do fato), art. 53, V CPC/2015.
Portanto ocorreu declínio de competência. O domicílio da pessoa jurídica é o local onde
fica sua sede. Em havendo filiais cada uma delas também poderá ser considerada como
domicílio da empresa”.

Caso concreto 4 – tema 04


Resposta oficial: em regra a residência é fixada com ânimo definitivo, sendo comum
a residência. Domicílio múltiplo ocorre quando há pluralidade de residências. Domicílio
legal ou necessário está previsto no art. 76 do CC. Caio Mario diferencia o necessário do
legal – o primeiro é o do incapaz, já o do CC é legal. Voluntário é aquele que é eleito onde
se estabelece o ânimo definitivo.

Do Domicílio
Domicílio exige a residência (requisito objetivo) mais o ânimo definitivo (requisitos
subjetivo)

Residência Domicilio Morada


Direito Civil 27

Aqui há alguma Requer a estabilidade Há uma


estabilidade, algum vínculo. anímica, mesmo que só passagem
permaneça durante uma semana. efêmera. Não há
vínculo algum.
É possível ter mais de uma
residência com ânimo definitivo

Da Pessoa jurídica
Decorre da união de pessoas naturais ou da afetação de um patrimônio destinados a
uma finalidade específica. OBS.: a pessoa jurídica pode derivar de outras pessoas jurídicas
que terão pessoas naturais em seu âmbito ou da pura e simples afetação de um patrimônio
para determinada atividade.
É também um sujeito de direitos obrigações.
No CC pode dividir as pessoas jurídicas em pessoas jurídicas de direito público e de
direito privado - art. 44. Que trabalharemos aqui.
As pessoas jurídicas de direito público interno são trabalhadas pelo direito
administrativo. As pessoas jurídicas da pessoa jurídica de direito externo são trabalhadas
pelo direito internacional.
A constitucionalização do direito civil também se aplica aqui. A pessoa jurídica em
última análise visa atender às necessidades do homem. Analisar sempre os princípios da
dignidade da pessoa humana, da boa-fé.
Numa visão civil-constitucional, “a pessoa jurídica deve curvar-se ao princípio da
dignidade da pessoa humana – desempenhar e atender a função social no cumprimento
das atividades para as quais foi criada, dentro dos limites da razoabilidade sob pena de
abuso do direito – art. 187 do CC. ”

Enunciado 53 do CJF: “deve-se levar em consideração o princípio da função social


do contrato na interpretação das normas relativas à empresa, a despeito da falta de
referência expressa”.

Caso das Associações que são torcidas organizadas que foram extintas pelo
cometimento de inúmeros ilícitos.

Desconsideração da Personalidade Jurídica


OUVIR ATÉ 15 min.

O abuso não é permitido tanto que o CC prevê a desconsideração da personalidade.


No CDC está no art. 28 no § 5º. Foi a lei precursora da desconsideração da personalidade
jurídica.
A regra geral continua a ser a separação de patrimônio entre o particular e a empresa.
Surgiram dois entendimentos que era a teoria maior é a teoria menor. Para a
desconvidavam a situação dos sócios deveríamos enquadrarem em uma dessas hipóteses.
Direito Civil 28

Exemplos em que o ordenamento impõe o cumprimento da função social:


Desconsideração da personalidade jurídica no CC (art. 50 do CC e art. 28 do CC) –
quando os sócios utilizam abusivamente da empresa, desatendendo sua função social.
Na prática o que ocorre é uma confusão patrimonial.
O CC se limitou a trazer a tese da desconsideração e não tratou do procedimento para
fazer isso em se tratando de um código com direto material. Coube aos juízes fazerem isso.
Gerou muitas dúvidas: a desconsideração tem é ser arguida na inicia, ou na audiência ou
na sentença? Deveria o pedido suspender o processo? Como se comprovariam os fatos da
desconsideração?
Essas dúvidas se resolveram com o advento do CPC de 2015 que disciplinou o tema
através do incidente de desconsideração da personalidade jurídica. Art. 133 em diante do
CPC.
Requisitos são aqueles previstos em lei (art. 50 do CC) como a confusão.
Trouxe a desconsideração inversa ou invertida – o sócio passava para a pessoa
jurídica seus bens pessoais. Era percebido no direito de família, para evitar a partilha do
divórcio. Não prevista no direito positivo.
Desconsideração expansiva ou extensiva em que se responsabiliza o terceiro que
não era sócio. Ocorria na qualidade do laranja a que se presta a esses mecanismo
fraudulentos. Também não há previsão no direito positivo, sendo usada amplamente na
jurisprudência.
Momento de arguição conforme o art. 134 do CPC é cabível em todas as fases do
processo.
Arguindo-se um incidente de desconsideração, suspende-se o processo, apartando-se
os autos - §3º do art. 134.
Os sócios são citados conforme o art. 134,§2º e art. 135 para que possam se defender
do incidente. Terão a mais ampla defesa requerendo ou produzindo provas.
Após a instrução o juiz decidirá conforme art. 136 CPC. No segundo grau, a decisão
caberá ao relator que será passível de agravo interno ou agravinho.
Se julgado procedente o pedido, serão considerados OUVIR 24 min até 25 min.

O CDC foi o primeiro a prever a desconsideração quando houver pessoas jurídicas


com mesmo sócio – art. 28,§2ª CDC – responsabilizando outra pessoa jurídica desde que
do mesmo grupo econômico.
Art. 28,§ 5º do CDC – prevê a desconsideração quando de alguma forma for
prejudicial aos consumidores. O parágrafo §1º foi vetado – um erro material, pois a
doutrina percebeu que deveria ter sido vetado ao invés do §5º, pois as razões do veterano
inerente a esse último. O §1º dizia que quem respondia prioritariamente era o sócio gerente.
O erro material não foi corrigido. Na jurisprudência não se aplica o §5º a não se na justiça
trabalhista. Resort morta a redação do §5º devido sua amplitude. Dava ampla
discricionariedade aos juízes para a desconsideração desmotivando a criação de
personalidade jurídica.

Concorrência desleal (art. 174 da CRFB e Lei 8884/94) – Quando grandes complexos
empresariais podem aniquilar a micro e pequena empresa.
Direito Civil 29

Proteção da pessoa com deficiência (Leis 10.048/00 e 10.098/00) – impõe a toda e


qualquer pessoa jurídica, de direito público e privado, adaptar as suas instalações físicas à
garantia de acessibilidade. (sem subsídios).

Características da Pessoa Jurídica:


Personalidade jurídica própria e autônoma - ou seja não se confunde com
seus membros e instituidores. Distinta dos seus instituidores, adquirida a partir do
registro de seus estatutos.

Patrimônio - Essa autonomia conduz a uma autonomia patrimonial. - O


patrimônio da pessoa jurídica que responde antes do patrimônio dos sócios. No
direto do consumidor tem a teoria da regra menor (vide empresarial). Art. 47 do
CC.

Existência jurídica - diversa dos seus integrantes (é presentada por eles,


não se confundindo com a personalidade de cada um).

Não podem exercer atos privativos de pessoas naturais - apesar de ser


sujeito de direitos e obrigações não pode fazer alguns atos privativo do ser humano
como: casar, adotar uma criança. Atos que demandam uma estrutura
biopsicologica. Pode herdar um bem. Não pode reconhecer a paternidade de
alguém. Pessoa jurídica pode sofrer dano moral - Súmula 227 do STJ.
Tecnicamente a pessoa jurídica não tem direitos da personalidade em si, mas
merece a proteção dos direitos da personalidade como bem positiva o art. 52 do
CC. "No que couber". Não há vida na pessoa jurídica. Mas tem um elemento de
fama, honra objetiva a boa fama que o indivíduo tem na sociedade. Quando está é
atingida merece a mesma proteção que as pessoas naturais. Proteção também dos
direitos de imagem, da privacidade (segredos industriais, documentos), proteção ao
nome. Esse é o pensamento majoritário. STJ prolator decisão que pessoa jurídica
de direito público não sofre dano moral. O fundamento volta a evolução do direito
civil e constitucional. Direitos de personalidades são de primeira geração.
Informativo recente que tratou desse assunto. Os próprios direitos de personalidade
são direitos de abstenção que sustentam a não intervenção do estado, dai não
poderia o estado ter através de suas pessoas jurídicas de direito público que não
poderiam ter dano moral contra terceiros.

Enunciado 286 CJF - encampado por Gustavo Tepedino diz que a pessoa jurídica
não é titular de direito da personalidade. O que a pessoa jurídica possui é uma
subjetividade. Pessoa jurídica pode sofrer dano moral?
1ª corrente: Sim, Súmula 227 STJ, na medida em que goza da proteção dos direitos
da personalidade, que uma vez violados ela tem proteção mediante dano moral.
2ª corrente de Tepedino: ela só tem a subjetividade, que é a aptidão genérica de
contrair direitos e obrigações. Tepedino diz que a pessoa jurídica não tem direito a dano
moral e sim a danos materiais, pois o primeiro apesar de estar na esfera dos direitos da
personalidade tem consequência patrimonial.
Direito Civil 30

Para Tepedino qualquer violação a direitos de imagem, privacidade honra de uma


pessoa jurídica tem reflexo patrimonial. Se há um abalo na honra subjetiva de uma
empresa, ela pode perder clientes, assim é possível apurar patrimonialmente o dano sofrido.
Então, o dano não é moral e sim patrimonial.

E as pessoas jurídicas sem fins lucrativos? Para Tepedino, neste caso, essas pessoas
sofrem dano institucional. Não tem prejuízo pois não tem lucro. No fundo há questões não
podem ser ligadas a questão de pecúnia. Como o caso do fluminense que deveria ser
rebaixado e não foi por questões técnicas e sua honra foi abalada frente aos outros clubes.

Natureza Jurídica:
 Teoria da Ficção: A pessoa jurídica constitui uma criação artificial da lei, pois
somente a pessoa natural pode ser sujeito da relação jurídica e titular de direitos
objetivos.

 Teoria da realidade técnica: a personificação de grupos sociais é expediente de


ordem técnica, a forma encontrada pelo direito para reconhecer a existência de
grupos de indivíduos, que se unem na busca de fins determinados, permitindo que
eles participem da vida jurídica nas mesmas condições das pessoas naturais.

Começo da existência da pessoa jurídica


Adquire-se com o registro dos atos constitutivos no órgão competente. Art. 45 CC
A pessoa jurídica de empresa individual é no RCPJ - Registro Civil de Pessoas
Jurídicas.
Natureza jurídica do Registro: Constitutiva – A partir do Registro a PJ disporá de
personalidade e estrutura patrimonial própria, autônoma e distinta de seus instituidores
Sem registro a responsabilidade é ilimitada.
Não confundir com direito empresarial. Aqui no CC noa é necessário registo, basta
praticar a atividade empresarial que é irregular ou de fato (art. 986 a 990 CC), pode se
submeter à falência, mas não recuperação judicial.
Registros Específicos:
CVM – Sociedades anônimas que pretendem lançar ações no mercado.
TSE – Partidos Políticos – art. 7º L. 9096/95.
OAB – Sociedade simples de advogados só adquirem personalidade após registro na
Ordem – art. 15 e 16 §3º da L. 8906/94.

Associação – art. 53 CC

Conceito: União de pessoas naturais, organizada para atender a fins não econômicos,
que encontram limites no art. 5º, XVII da CRFB, que afirma plena liberdade associativa
para fins lícitos, vedada a de caráter para militar.
Direito Civil 31

Como na sociedade são formadas pela união de pessoas naturais. Nesta não há
finalidade lucrativa. Pode auferir o lucro, mas não ferir o lucro para seus membros, só para
o seu próprio serviço prestado pela associação. Ex.: associação do clube de regatas do
Flamengo.

Liberdade associativa – art. 5 XX c/c XVII da CRFB: A CRFB consagrou a


liberdade associativa – ninguém pode ser compelido à se associar ou a se manter associado
– Havendo previsão de crime no CP – art. 199: ninguém pode ser compelido a se associar
ou não (se desassociar).
A liberdade associativa é um direito fundamental, mas não um direito da
personalidade:
 Livre direito de criação e manutenção – independente de autorização.
 Direito de se associar – não podendo ninguém ser obrigado.
 Direito de desassociação.

É lícito que a associação recuse novos associados, de que não seja desarrazoada.
Negativa de um novo sócio por identidade de gênero, pode ser razoável se o fim se reverte
somente para aquele gênero caso contrário não poderia negar.

Exclusão e associado segundo o art. 57 do CC. Desde que haja previsão ou justa
causa garantido o direito de defesa do indivíduo nos termos do Estatuto. Prestigiando o
devido processo legal com prazo razoável da pessoa aparecer munida de sua defesa. Tem
direito a comparecer do advogado, o que não é um requisito.

A justa causa tem que restar cabalmente demonstrada no processo administrativo


para ocorrer a exclusão. É requisito necessário – na dúvida não exclui.
Deve ser convocada assembleia especificadamente para esse fim, e diante das provas
colhidas no procedimento, decidir sobre a exclusão através do quórum indicado no
Estatuto.

Impugnação judicial – Da decisão de exclusão caberá impugnação judicial pelo


amplo acesso à justiça – art. 5º XXXV da CRFB. Pode o indivíduo procurar o judiciário
após o procedimento interno segundo princípio da inafastabilidade de jurisdição.

Os moradores de uma rua que não participaram de uma reunião para instalar uma
cancela são obrigados a contribuir para o custeio do meio? É enriquecimento sem causa?
Não, pois teve uma causa, mas não é obrigação dele contribuir, pois ninguém deve ser
compelido a se associar.

Diferente do Condomínio de fato - porque não é um condomínio - condomínio e é


quando duas ou mais pessoas são donas da mesma coisa. Ex.: um terreno onde construíram-
se várias casas.

Exemplo transverso são os condomínios de Búzios. Cada casa é uma propriedade


individual, as vias que as cercam são vias públicas. Cada casa é um terreno. As áreas com
Direito Civil 32

quadras e praças, são de uso comum. A natureza jurídica é de associação de moradores,


pois ninguém é obrigado a se associar e se manter associado. Portanto, não aplica às regras
de Condominio.

Prédios Santa Mônica. Diferença entre a taxa de administração da Associação # da


cota condominial. Não é obrigado a morar lá, portanto não poderia dizer que ele foi
obrigado a tal, ele foi morar no local porque quis, logo se associou.

Sociedades
Tem finalidade lucrativa. Seus lucros são auferidos para seus membros. Ex.:
petrobras, recebe os lucros equivalente as ações.
A diferença entre sociedade empresária e não empresaria é que a primeira exerce
atividade de empresa, atividade organizada de bens e serviços, com a organização dos
fatores. Já a segunda não exerce atividade empresarial.
A OAB veda a atividade empresarial - art. 16 do Estatuto da OAB.
Cooperativa também nunca serão empresa.
Regulamentada a partir do art. 981 do CC.

Fundações
Conceito: Entidades criadas com bens livres que são afetados, por ato de vontade de
seu titular, instituição através de escritura pública ou de testamento, para atender a uma
finalidade específica, que poderá ser religiosa, moral, cultural ou assistencial de acordo
com o art. 62 § único do CC. (Redação anterior Lei 13151/15).
A criação é um ato complexo.
Instituição da fundação depende da aprovação de atos constitutivos, registro,
alteração.
Art. 62-69 do CC.
Enunciado 8 do CJF – permitindo que as fundações busquem finalidades outras,
desde que afastado o caráter lucrativo como educacional e ambiental. A fundação não
pode ter finalidade lucrativas no Brasil. Portanto o rol do parágrafo único do art. 62 era
meramente exemplificativo. A lei 13.151/2015 alterou esse parágrafo único e acrescentou
um rol maior. Continuaria a ser um rol explicativo desde que não tenha fins lucrativos,
apesar do rol ter sido alargado.
Quem elabora os atos é o próprio instituidor, no entanto ele pode indicar um terceiro
para realizar isso, chamado de fiduciário. Esse último pode ou não ter prazo para criação
do atos constitutivo da fundação.
Caso o fiduciário não o faça no prazo a contento, passa a ser do MP a atribuição dos
atos constitutivos. São aprovados em regra pelo MP, porém quando o MP for o responsável
por instituir os atos, caberá ao juiz fiscalizar. Observar arts. 62-69 e 764 e 765 do CPC.

O registro dos atos constitutivos é o evento em que se inicia a personalidade da


Fundação. Apesar da criação ser um ato complexo.

Atribuição do registro – lei 6.015/73


Direito Civil 33

É do registro civil de pessoas jurídicas conforme o art. 114 da lei.

Alteração
Art. 67/68 do CC
Depende do quorum de 2/3 dos administradores, do respeito a finalidade da fundação.
A manifestação do MP em 45 dias é objeto de uma alteração recente na lei 13.151/15,
estabeleceu esse prazo.

OBS: Podem assumir a natureza pública ou privada – vamos estudar as privadas e


deixar as públicas para o Direito Administrativo.

Fundação Associação Sociedade


Não há membros. Há apenas um Reuniões de Reunião de
instituidor. Uma pessoa destaca parte pessoas para pessoas para
de seus bens, do seu patrimônio, para determinada finalidade. determinada
afetá-lo a uma determinada finalidade O lucro não pode ser sociedade, cujo lucro
determinada pelo seu instituidor. auferido aos membros será auferido a elas.

Fiscalização:
É atribuição do ministério público fiscalizar a finalidade da fundação. Atribuição do
ministério público do estado em que estiver o ministério público. Se estiver em vários
estados, os MPs de cada estado vão fiscalizar, que podem atuar em litisconsórcio, mesmo
que esteja presente nos 27 estados. No Distrito Federal tem um ministério público próprio,
o MP DFT. art, 66, §1º. Redação antiga alterada pela ADI 9278 que declarou
inconstitucional. É materialmente inconstitucional o art. 66, § 1º do CC na ADI 2794/8.
Porém a lei 13.151/15, expressamente corrigiu a distorção ao criar atribuição para o MPDF
e territórios. A atribuição do ministério público e fixada pela CRFB que defino no art. 128,
§5º que lei complementar fixará as atribuições (LC 75/93) o CC de 2002 dispõe de maneira
diversa da lei de 93. Há reserva de lei, essa matéria só pode ser tratada por lei
complementar, lei ordinária não poderia versar sobre isso, só a lei complementar mesmo
sendo anterior prevalece por questão da reserva da matéria. REMISSAO ART. 128, §5º e
ADI 9278. Enunciado 10 CJF.

Extinção da fundação

Quando for alcançado o termo, se for fundação temporária ou se tornar ilícita,


impossível ou inútil a sua prática conforme o art. 69 do CC.
O patrimônio da fundação deve respeitar em 1º lugar a vontade do instituidor. Não
havendo previsão cabe ao juiz destina-la a outra fundação que desenvolva a mesma ou
semelhante atividade. Para Caio Mario aplica-se por analogia o art. 61,§2º do CC sendo a
fazenda do estado a destinatária do patrimônio da pessoa jurídica.

Ex.: quando a finalidade da fundação se extingue, a fundação é extinta - art. 69 CC.


Não podem os herdeiros do instituidor, noa podem pedir os bens da pessoa jurídica extinta
da fundação, pois foi destacado do instituidor. O juiz vai colocar em outra fundação com
Direito Civil 34

fim igual ou semelhante àquela extinta. Se não tiver para uma finalidade semelhante como
erradicação ao vírus zika, poderia ir para um assunto no ramo maior, como saúde e se
destinar para fundações com fins de salvar gestantes.

Finalidades da fundação

Enunciado 8 e 9 do CJF.
O CC tinha um rol menor que foi ampliado por alteração legislativa. O CJF disse que
o rol era meramente exemplificativo.
A lei 13.151/15 ampliou detalhadamente as atividades que a fundação pode
desempenhar embora continue a ser exemplificativo par ao CJF.

Teoria da aparência

Organização Religiosa e Partidos Políticos


Organizações religiosas e partidos políticos na verdade são associações. A
organização religiosa não tem atividade lucrativa. Pode auferir lucro, mas é revertido a
própria igreja. Previsão no art. 44, §1º do CC.
Conceito de Organizações Religiosas: Livre a sua criação, organização,
estruturação interna e funcionamento. Essa liberdade não afasta o controle de legalidade e
legitimidade constitucional do seu registro, nem a possibilidade de reexame pelo judiciário
da compatibilidade dos seus atos com a lei e com seus estatutos. (E. 143 do CJF). Não tem
disciplina jurídica. O CC de 1916 dizia que se tratava de uma sociedade sem fim lucrativo
(que seria a Associação que não tinha disciplina jurídica própria). Logo se estruturavam
como sociedade associativa e regia-se portanto. Aprovou-se a lei 10.825/2003 concedeu
as organizações religiosas uma autonomia estrutural em relação a associação para não
submetê-las a disciplina dessa última. Assim, não há disciplina, mas isso não significa
dizer que não há limites, vez que há possibilidade de controle.
Embora não haja disciplina no CC, para prestigiar a liberdade religiosa, é possível o
controle de merecimento de tutela na criação da organização religiosa a partir da CRFB.
Posição do CJF significa dizer que é uma posição doutrinária sem ser majoritário ou
minoritário, mas vanguardistas.
Partido Político tem previsão no art. 8º da Lei 9.096/95 – sua constituição é um ato
complexo.
Apesar de estarem destacados eles possuem uma natureza associativa. Aplicando a
lei de associações a eles. No partido político aplica-se a lei 9.096/95.

Entes Formais ou despersonalizados:


 Massa falida
 Herança vacante
 Espólio
 Condomínio.
Direito Civil 35

Os entes formais são uma realidade fática e jurídica:


Apesar de não tem personalidade jurídica – podem ser sujeitos de direitos – podem
titularizar relações diversas.
Ex.: Contratantes, Contribuintes, Consumidores. Etc.
Tem capacidade processual (art. 12 do CPC) – Capacidade Judiciária (Pontes de
Miranda) - Podem impetrar M.S. – STF (MS 21.239/DF).

Empresas individuais de responsabilidade limitada - EIRELI

São pessoas jurídicas por determinação legal. Evitar que haja confusão patrimonial
entre o patrimônio de uma pessoa que sozinha realiza atividade empresária.
Previsão no art. 980-A do CC.

Livro II - Dos Bens Jurídicos

Conceito
Bem é tudo que pode proporcionar satisfação às necessidades do ser humano. É todo
valor, material ou imaterial que pode ser objeto de uma relação jurídica.

Criticam que deveria estar dentro do Direito das Coisas – induz o lei a erro, pois trata
de direito real.

O livro acerca dos bens serve para classificar um bem, definir a sua espécie para
então aplicar-lhe as regras jurídicas concernentes.
Já no dirieto das coisas trata dos bens sob propriedade de alguém como os direitos
reais. Não é classificar um bem, mas disciplinar como os bens se subsumem as pessoas.
Outra posição afirma que não há pessoa sem patrimônio.
O patrimônio faz parte da pessoa assim como a personalidade.

Distinção entre bens e coisas.


1ª Corrente: Coisa é o gênero, e bem é a espécie, pois coisa englobaria aquilo que
não está relacionado a satisfazer as necessidades do homem.
2ª Corrente: Bem é o gênero, e coisa é espécie do gênero - apenas aquele bem
corpóreo, que pode ser percebido pelos sentidos. (Majoritária)
 Bem - compreende tudo o que pode ser objeto de direito, independentemente
do valor econômico – inclusive direitos – ex: direitos autorais, da
personalidade, etc.
 Coisa - abrange apenas as utilidades patrimoniais, corpóreas.
Direito Civil 36

Coisa é tudo aquilo que não seja o ser humano. Ex.: ar que respiramos que não se
pode apropriar-se
Bem seriam as coisas que admitem apropriação pelo ser humano. Ex.: mesa que é
possível apropriar-se.
Atualmente coisa é bem podem ser utilizado no mesmo sentido.

Coisa ≠ patrimônio
Patrimônio é o complexo de relações jurídicas economicamente apreciáveis de uma
determinada pessoa.
Patrimônio global são Todas as relações jurídicas de uma pessoa de cunho
patrimonial. Ex.: os créditos, débitos, os bens, etc. Quando a pessoa falece pelo princípio
da saisine, no momento da morte abre-se a sucessão em que transferisse o todo o patrimônio
do de cujus aos herdeiros art. 1.784 do CC.

Alguns autores trabalham o patrimônio pessoal, os direitos da personalidade


compõem o patrimônio pessoal do indivíduo, apesar ser um pensamento minoritário, é
necessário salientar.

Sob o patrimônio recai o princípio da unidade patrimonial - uma pessoa só tem um


patrimônio seja pessoa jurídica ou pessoa física. O patrimônio é único no tempo e no
espaço. Não importa o que teve no passado ou terá no futuro, tudo será somente um
patrimônio. Apesar de existir um patrimônio, pode ser que não haja bens. O direito
processual civil diz que o devedor responde com o seu patrimônio presente e futuro.
No caso do casamento os bens do casal são divididos. A pessoa possui um patrimônio
com bens antes do casamento e quando se casa passa a possuir em seu patrimônio também
metade dos bens que adquiriu com seu cônjuge.

Patrimônio Mínimo: (Luiz Edson Fachin) > Exemplos de proteção:


Apesar da unicidade patrimonial, hoje ganha força o patrimônio mínimo, como se
pudesse reconhecer nesse complexo um núcleo patrimonial reservado para preservação da
dignidade da pessoa humana (ligado ao mínimo existencial).

 Bem de família – art. 1711-1722 do CC e lei 8009/90.


 Óbice da prodigalidade – vedação da doação da totalidade do patrimônio – art. 548
do CC.
 Impenhorabilidade de determinados bens – art. 648 e 649 do CPC

O patrimônio não poder ser um fim em si mesmo, passa a ser um meio para a
persecução da dignidade humana.
O código civil abandonou uma visão patrimonialista e adotou uma visão humanista
preocupado com a dignidade da pessoa humana, isonomia, boa fé, é chamado de
despatrimonialização do direito civil. Isso não significa dizer que o direito civil deixou de
ser patrimonial, pelo contrário, continuamos a regular isto no direito sucessório, direitos
Direito Civil 37

reais. O direito civil continua a ser um ramo eminentemente patrimonial, mas o patrimonial
a passa a ser um meio para a persecução do mínimo existencial. Por isto temos a proteção
do bem de família reservando um mínimo de bens que não podem ser penhorados ainda
que seja para satisfazer um crédito de terceiro. Além de bens inerentes para sua
subsistência.
Isso seria também o óbice da prodigalidade positivado no art. 548 do CC. É nulo a
doação de todos os seus bens desde que não interfira na sua subsistência.
Além do bem de família slide 3 e impenhorabilidade dos bens slide 3 também.
Preocupados com a Boa fé, função social.

Classificação de bens
Em prova discursiva quando se tratar de bem ou obrigação, é necessário discorrer
sobre o que é bem e o que é obrigação além de suas classificações.

Bens materiais e imateriais


Chamados também de corpóreos ou incorpóreos

Materiais ou corpóreos
aqueles que podem ser percebermos pelo sentido humano.
Gases e eletricidade podem ser considerados semicondutores, mas a doutrina
majoritária não faz essa distinção.

Imateriais ou incorpóreos
Aqueles que não poder ser sentidos ou percebido. Ex.: direitos autorais, da
personalidade como um todo.

Bens móveis e bens imóveis


Necessário entender, pois o regime jurídicos são diferentes sendo antagônicas em
alguns casos.

Bens móveis

Ar. 82 – 84 do CC

A propriedade se transfere pela simples tradição do bem. Sem que haja necessidade
de um registro público, a não ser para efeitos frente a terceiros.
Somente nos bens de valor superior a 30 salários mínimos deve ser feito o registor
sob pena de nulidade.
Direito Civil 38

Prazo para usucapir é menor em relação aos imóveis (só 3 anos).


O cônjuge não depende da autorização do outro para venda do bem.
Assim como os imóveis se subdividem em espécies.

Pela própria natureza

Ex.: um copo é móvel por própria natureza, pois pode ser deslocado no espaço sem
fratura ou quebra, não sendo uma cessão.

Direitos reais que recaem sobre bem móvel

Ex.: penhor de um automóvel; exceção penhor de máquinas agrícolas

Por força de lei

Os gases, energias são bens móveis e tem um regime jurídico diverso.


Semoventes - movem-se por força própria.

Bens fungíveis

Admitem substituição por outro mesmo que da mesma espécies, qualidade. Como o
dinheiro que é o mais fungível de todos os bens. Os líquidos, os grãos. Precisam ser
substituídos por outros da mesma espécies, qualidade.

Alimentos são fungíveis também, mas se for questão de obra de arte elaborada com
legumes ou frutas. OUVIR 00 parte 3 até 8 min. Dia 10.03

Bens infungíveis

As máquinas, o solo. A fungibilidade ou infungibilidade não desdém da natureza dos


bens, mas dependendo também das partes.

Bens imóveis

Regime mais solene que o dos bens móveis. Advém da idade média onde dos barões
feudais eram mais poderemos que os reis, pois detinham as terras e das riquezas produzidas
por elas.
Só se consideram adquiridos os bens imóveis quando do registro.
Prazo de vício redibitório ou estimatório é de 1ano, já para móvel pode variar de 30
a 90 dias (CC e CDC, ordem ao contrário).
O cônjuge tem de ter a anuência do cônjuge para a venda do bem.
(TABELA – diferenças entre os tratamentos)
Direito Civil 39

Da própria natureza (acessão natural)

São ligados ao solo é dele não podem ser separados sob pena de perda ou
desvalorização. Ex.: vegetais, solo (o mais imóvel de todos), minerais que se encontram no
subsolo.

Acessão física

Decorre da ação humana. São artificiais. Construções feita sob ou sobre o solo. Os
materiais utilizados também são considerados como acessão quando passam integrá-la
(tijolo antes da construção é bem móvel; depois que integra a construção passa a ser bem
imóvel). Isso serve para unificar o sistema jurídico. Se o dono da casa for vender os bens
que a integravam, passam a ser bens móveis novamente.

Por Disposição legal

Ocorre na sucessão aberta. A herança é um imóvel, pois é uma universalidade da qual


a lei atribui como imóvel. Qualquer que seja a natureza dos bens que a integrem.
Se fosse uma herança de bens móveis e imóveis, não poderia haver a partilha, pois
seriam regimes drenos diferentes. Atribui-se o regime de bem imóvel, pois assim seria
possível partilhá-los num mesmo regime tendo em vista que são uma universalidade e bens,
unificando o regime de herança.
A partilha também é considerada de bens imóveis. Os bens só se consideram bens
móveis novamente após a homologação da partilha.
A cessão de direitos hereditários só pode ocorrer mediante escritura pública em
função disso.
Direitos reais que recaem sobre imóvel consideram-se como bem imóvel. Por isso
uma hipoteca tem de ser celebrada por escritura pública. Ja o penhor que recai sobre o bem
móvel é um bem considerado móvel. No caso da alienação fiduciária de imóvel, hipoteca,
anticrese.
Apólice cravados com a cláusula de inalienabilidade eram considerados bens
imóveis, mas isso foi revogado com CC de 2002.
Hoje, por disposição legal, somente os direitos das reais e a herança.

O CC de 2002 dispõe que é possível converter um contrato de imóvel que é um


instrumento particular em promessa de compra e venda pois pode ser celebrado através de
instrumento público, em função do princípio da boa fé. Art. 170 do CC – conversão do ato
nulo ou aproveitamento desse.

O CC aboliu os imóveis por acessão intelectual e os transformou em pertenças.

Bens consumíveis e inconsumíveis


Direito Civil 40

Consumível – bem que se destina a alienação se consideram consumíveis. Quando o


seu titular vender, extinguiu-se para ele na primeira venda saiu do patrimônio do vendedor.
OUVIR 8 min até 9:50 parte 3. Pode ser que seja inconsumível para o alienante.

Bens divisíveis e indivisíveis


Divisível – admite parcelamento sem que lhe importe na sua natureza.

Indivisível – o que não admitem parcelamento. Os semoventes, por exemplo, se ele


for divido, como na compra de um pedaço de carne de boi, perde a natureza de semovente,
para ser móvel pela própria natureza. Uma obra de arte ou pintura, se cortar uma tela em
dois pedaços perde a natureza indivisível e continua a ser um bem móvel. Quando divididos
perde a natureza jurídica ou o valor econômico.

Bens singulares ou coletivo


Bens singulares – considerados individualmente, mesmo que haja outros próximo a
ele.
Coletivo – livros em conjunto em várias paredes se tornam uma biblioteca, um
recanto no caso de bois.

A importância dessa classificação é para que discrimine o tipo de bem ao vendê-lo.


É possível vender uma grande quantidade de bens d forma conjunta e não isoladamente.

Bens reciprocamente considerados


Disposto no art. 92 CC, se divide em bens principais e acessórios. Importante
subclassificação de bens acessórios.

Bem Principal:
O bem que existe por si só, abstrata ou concretamente.

Bem Acessório:

Cuja a existência supõe a do principal, podendo ter existência autônoma, mas tem
ligação de dependência com o principal. E por isso segue sua sorte. (Princípio da gravitação
jurídica). Art. 92 do CC. Espécies:
 Acessões (naturais e industriais);
 Frutos (naturais, industriais e civis);
 Produtos;
 Benfeitorias (necessárias, úteis e voluptuárias);
 Pertenças.
Direito Civil 41

Benfeitorias

São acessórios por si só. Piscina é um bem por si só. Conceito: melhoria ou dispensa
realizada no bem móvel ou imóvel para conservar, dar nova utilidade ou aformosear uma
coisa. A despesa passa a ser um bem imaterial que passa a ser um bem acessório. Caso de
contrato de comodato a despesa pelo uso da coisa não é reembolsável, mas há casos em
que é. Contrato de depósito - o depositante é obrigado a pagar ao depositário as despesas
tidas com a coisa que em seu bem estava. Há direito de retenção. Art. 643 e 644 do CC. É
possível retirar essa possibilidade de forma contratual. Só há relevância se essa coisa não
é de fato sua, pois se a coisa é sua, a benfeitoria não possui qualquer relevância. Espécies
(art. 96 CC):
Necessária - art. 1.219 CC.
Caso de obra no banheiro com infiltração num aluguel. Não há necessidade de
autorização.
Na prática não devolve ao proprietário sem a devida indenização.
Na lei de locação tem direito e forma expressa.

Útil - art. 1.219 CC.


Transformar o quarto de empregada num outro quarto, traz uma nova utilidade ao
apartamento. Tem de ter autorização para fazer tal mudança.
Na prática não devolve ao proprietário sem a devida indenização.
Na leis de locação só tem direito a indenização se houve autorização expressa.
Sumula STJ.

Voluptuária
Mudar o aquecedor do banheiro para a área de serviço. Não pode levar o aquecedor
junto.
Não são indenizáveis, mas podem ser destacadas (pelo possuidor de boa-fé, o de má-
fé não pode) se não ofender o bem principal.

Acessão
É diferente da benfeitoria. É a incorporação de um bem pelo outro. Slide 11. Em si é
um bem acessório.
Natural - decorre de eventos da natureza sem intervenção humana. Ex.: aluvião,
mineral, entre outros.
Acessão artificial - decorre da atuação, do engenho humano. Ex.: plantações e
construções.

A relevância de saber se um bem é acessório ou principal. Dizer que o bem acessório


segue a sorte do bem acessório. Isto significa dizer que o titular do bem principal será o
titular do bem acessório. É o princípio da gravitação aplicado.

Frutos
Direito Civil 42

Utilidades econômicas que são produzidas pela coisa periodicamente que podem ser
retirados do bem principal sem desfalcar sua substância. Dividem se em frutos naturais,
industrial e civil - vide SLIDE 14. Dividem-se em percebidos, consumidos, estanques e
percipienda.

Naturais chamados de frutas pelo popular. Dividem-se em Pendentes – preso a coisa


principal; percebidos – já foram destacados da coisa principal; Consumidos – aos quais já
deu-se destinação econômica extinguindo para quem a detinha; Estantes – já foram
percebidos, mas aguardam a consumação; Percipiendo - esperava-se colher, mas qualquer
circunstância não foram colhidos.
Se por ventura o fruto cair em terreno alheio será desse ultimo. Se os frutos caírem
na calçada, pertence ao dono do bem principal, pois não invade propriedade alheia se p
dono da obrigação principal não colher os frutos da calcada, presume-se que foram
abandonados que podem ser apropriadas por qualquer um.
Precisa devolver os pendentes, mas não os percebidos durante o tempo da posse de
boa fé. Já na posse de boa fé, tem de devolver os frutos pendentes e os percebidos
(indenização).

Naturais – provenientes da natureza, característica principal é que se renovam


ciclicamente, sem que a percepção extinguia eles.

Industriais – produzidos pelo engenho humano. A máquina produz ciclicamente.

Civis – representados por dinheiro que se renova ciclicamente extraídos de uma coisa
que não é dinheiro. Ex.: aluguel, foro – produzido por algo que não é dinheiro, no caso do
aluguel origina-se do bem imóvel utilizado. Ex.: salário é um fruto civil produzido pelo
trabalho que não é dinheiro. Aqui é uma coisa produzindo dinheiro.
Juros e rendimentos não são frutos civis, pois são produzidos a partir do dinheiro.
Significa dinheiro produzindo dinheiro.

Produto

Utilidade econômica retirados da coisa que interfere na real totalidade da coisa, não
se renovam automaticamente. Ex.: mina de outro ou carvão, que uma hora acabarão.
A percepção dos produtos leva à extinção da coisa principal. Ex.: petróleo também é
um produto. OUVIR 57 min ate1:00 parte 3 dia 10.03
Ex.: João é filho de Maria, esta doa sua fazenda para seu filho, mas o contrato de
doação tem reserva de usufruto (ao transferir a propriedade constituiu direito real sobre
coisa alheia). No caso de João descobrindo metais preciosos na fazenda, quem terá direito
de perceber estes produtos? A união, mas o proprietário da fazenda tem direito a perceber
royalties. Quem terá direito a isto? Duas correntes respondem isto (sem consenso):
1ª – interpretando o art. 1.394 do CC sustenta que o usufrutuário teria direito os
produtos também (dá uma interpretação extensiva), isto pois o usufrutuário tem o benefício
econômico da coisa, daí teria direito aos frutos e produtos.
Direito Civil 43

2ª – a interpretação do art. 1.394 CC deve ser restritiva. Tanto no direito real de


usufruto, quanto no de uso, só há direito de percepção dos frutos por parte do possuidor
direto. Para esta corrente é uma restrição em favor do proprietário.

As divergências no direito civil estão se tornando diferença entre correntes clássicas


e modernas.

Pertenças - art. 93 e 94 CC

Considerados no CC de 1916 como bens imóveis pois integravam o bem imóvel


(chamados de acessão intelectual)
São todos os bens que aderem, gravitam ao bem principal e servem para aformosear
o principal.
Embora não incorporado à coisa, servem, se modo duradouro, ao serviço,
aformoseamento do outro.
Bens que mesmo sem não constituindo partes integrantes, se destinam, de modo
duradouro, ao uso, ao serviço, ou ao aformoseamento de outro. Ex.: elevador, coisas que
o bem principal depende dele. Aqui não se aplica a regra de gravitação. O bem acessório
não segue o principal. Não é parte integrante do bem, ar condicionado, geladeira, fogão.
Uma obra de arte também se encaixa aqui.

Bens públicos e bens privados


Bens públicos – são inalienáveis (não quer dizer que o poder público não possa se
desfazer, mas tem de ser desafetado quando o Executivo pede ao legislativo que o desafeto
para alienar), para privatizar uma empresa que tenha capital público, tem de ter aprovação
em lei; são impenhoraveis – criou-se a figura do precatório para garantir ao credor do poder
público uma garantia de pagamento, incluindo na lei orçamentária a pedido do executivo;
imprescritibilidade – imprescritível aquisitiva, ou seja, não podem ser usucapidos, ainda
que o particular tenha posse, mansa pacífica não pode usucapir.

Bens privados - são o oposto, salvo o dos incapazes e de cláusula de inalienabilidade;


são penhoráveis; são prescritíveis.

Bem de família (Previsão na lei 8.009/90)


Conceito: manifestação de proteção ao patrimônio mínimo. Art. 1º da lei

Decorre da proteção ao patrimônio mínimo – corolário do principio da dignidade da


pessoa humana.
Sacrifica-se a proteção ao crédito em prol da proteção da família e do direito social
à moradia – art. 1º III da CRFB.
Classifica-se como bem de família legal (L.8009/90) ou bem de família
convencional – art. 1711 do CC.
Direito Civil 44

A lei 8.009/09 – diz que é impenhorável o bem imóvel do devedor. O único bem
imóvel residencial. Essa lei deu efetividade à proteção de bem de família.
Súmula 364 do STJ. Estende a noção de bem de família a outras pessoas. Protege
também o bem dos solteiros, viúvos, união estável, homoafetiva também, etc.
A impenhorabilidade do bem de família compreende os móveis que o guarnecem:
“A impenhorabilidade do bem de família compreende os móveis que o guarnecem,
excluindo-se apenas os veículos de transporte, obras de arte e adornos suntuosos, de acordo
com os arts. 1º, parágrafo único, e 2º, caput, da Lei nº 8.009/90. Desta feita, são
impenhoráveis aparelho de som, televisão, forno micro-ondas, computador, impressora e
"bar em mogno com revestimento em vidro", bens que usualmente são encontrados em
uma residência e que não possuem natureza suntuosa” (REsp 589849)

O STJ, por meio do REsp 1024394, entendeu que o imóvel de pessoa jurídica em que
reside entidade familiar é impenhorável.

“REsp. 439.920, Min. Castro Filho, 11.11.2003. O fato de o único imóvel residencial
vir a ser alugado não o desnatura como bem de família, quando comprovado que a renda
auferida destina-se à subsistência da família”. - Impenhorabilidade do imóvel alugado -
Súmula 486 - STJ REMISSÃO.

Bens móveis suscetíveis de penhora:


Art. 3º da lei 8.009/90 prevê as exceções a impenhorabilidade de bem de família..

É penhoráveis a vaga de carro na escritura, desde que haja previsão para venda de
vaga em convenção para terceiro. Ainda que seja a mesma matrícula. Escrita na escritura.

Art. 3º da lei 8.009/90 exceções à impenhorabilidade - É penhorável o bem de família


pertencente à fiador de contrato de locação (Súmula 549 STJ); tributos relativos ao imóvel,
débito condominial

Inciso VII fala em imóvel do fiador - qual o fundamento? A impenhorabilidade tutela


em última análise a moradia. Direito social a moradia é um direito prestacional de 2º
geração – que depende da atividade mediadora do Estado.
Castrar essa técnica legislativa romperia o equilíbrio do mercado – despertando
exigência mais custosas para as locações residências – dificultando ou inviabilizando o
acesso ao próprio direito de moradia.
No RE 407688/SP, o STF, julgou isto, alegando a constitucionalidade garantia maior
para o locador incentivando o aluguel para dar acesso ao direito fundamental à moradia. É
uma política afirmativa legislativa dando maior segurança ao mercado imobiliário.
A renúncia ao benéfico de ordem é cláusula abusiva.
Direito Civil 45

Livro III – Dos Fatos Jurídicos

Título I – Do Negócio Jurídico


Conceito tradicional: Fato jurídico é todo acontecimento, natural ou humano que
cria, modifica ou extingue relações jurídicas. OUVIR 00 min até 9 min da parte 1 do dia
13.03

É todo fato relevante para o direito (Agostinho Alvim).

Fato jurídico lato sensu – todo acontecimento natural ou humano que determina a
extinção ou ação no mundo do direito. Admite tanto fatos da natureza com intervenção do
homem ou não. Ex é fato natural: nascimento, aniversário de 18 anos, a morte. Divide-se
em fato jurídico stricto sensu é fato humano.

Obs.: Crítica: Nem sempre decorrerão efeitos do fato jurídico.

Conceito revisto (Pontes de Miranda/Pietro Perlingieri): aquele acontecimento


capaz de produzir efeitos (criar, modificar, extinguir situações jurídicas concretas).

Fato meramente material X fato jurídico: A diferença está na aptidão de produção


de efeitos jurídicos e não na origem.

É o acontecimento capaz de modificar. Ex.: testamento ele não mexeu na ordem


jurídica, mas produziu seus efeitos.

O fato meramente social não produz efeitos jurídicos.

Conceito: O fato jurídico em sentido estrito é todo acontecimento natural, sem


intervenção humana, relevante para o direito. > São fatos da natureza, independem da
vontade do homem.
Direito Civil 46

Fato Natural ordinário é aquele fato jurídico que percebemos no dia a dia. Ex.: o
nascimento, morte natural, decurso do tempo (prescrição- de usucapião, por exemplo - e
decadência). Não decorre da intervenção humana, decorre da natureza. Mesmo que haja
um assassinato, a ação humana produz efeito, mas o efeito mortis só ocorre pois é um ser
vivo que por natureza é capaz de se exaurir. Se um tiro fosse dado na pedra, ela não
morreria.

Fatos Naturais Extraordinário são aqueles dotas de uma imprevisibilidade, incerteza,


inevitabilidade. Ex.: caso fortuito e força maior. Surtem efeitos jurídicos, pois pode gerar
direito de indenizar ou não dependendo da situação.

Fato humano é o ato. Podem ser a favor ou contra o direito (atos lícitos ou atos
ilícitos). A doutrina majoritária recusa incluir o ato ilícito na classificação dos fatos
humanos de forma a separar o campo da licitude e ilicitude. Para a doutrina preponderante
se divide em ato jurídico jurídico como o lícito e o ato ilícito que viola o ordenamento
positivo.
Fatos humanos decorrem das ações humanas também são fatos jurídicos que se
subdivide em:
 Ato jurídico em sentido amplo - espécie de fato jurídico em sentido amplo é toda ação
humana voluntária lícita que produz efeitos na órbita jurídica. Divide-se em:
o Ato Jurídico em Sentido Estrito - aquele comportamento
humano, voluntário, cujos efeitos decorrem da lei. Os efeitos não
decorrem das vontades das partes. Caio Mario: “conduta humana
meramente obediente a ordem legal constituída que produz
efeitos jurídicos ex lege”.
Resumo: Conduta obediente a lei E Efeitos determinados pela lei
Ex.: Quando o pai reconhece seu filho, é voluntário. Contudo questão de prova: por
atividade cartorária reconhece a paternidade da criança, mas diz que não irá arcar com
alimentos. Não é possível se eximir do dever de alimentos, pois quando se é pai assume-se
um vínculo de parentesco. Esse ato de reconhecer a paternidade tem a natureza jurídica de
um ato jurídico humano na modalidade ato jurídico. Esse ato jurídico tem os efeitos
determinado pela lei e não pelas partes, portanto não pode reconhecer a paternidade e se
eximir dos demais efeitos regulados pela lei.
Reconhecimento de paternidade por ação ainda há voluntariedade, mas não
de forma real, pois há uma substituição da vontade do pai, pela autoridade
judiciária. Art. 185 CC

o Negócio Jurídico - art. 104 a 184 CC - é um comportamento


humano, voluntário cujos efeitos decorrem das vontades das
partes.
É uma conduta humana na autonomia privada que produz efeitos que a pessoa
interessada desejava.
Trabalhamos aqui o princípio da autonomia da vontade privada que pode ser limitada
pelo ordenamento jurídico e pelos princípios gerais do direito. Ex.: contrato é tipicamente
Direito Civil 47

um negócio jurídico, pois é um acordo de vontades, quando há um consenso das partes para
uma determinada finalidade.

Ato Jurídico em Sentido Estrito Negócio Jurídico


Declaração de vontade emitida
Comportamento humano segundo o princípio da autonomia privada,
voluntário e consciente, cujos efeitos pela qual o agente disciplina efeitos jurídicos
estão previamente determinados em lei. possíveis escolhidos segundo a sua própria
liberdade negocial.
Características: comportamento
Características: autonomia privada e
humano voluntário com efeitos
efeitos decorrentes da vontade das partes.
predeterminados na lei.
Não há autonomia negocial ou O negócio jurídico é dotado da
livre iniciativa. liberdade na escolha de seus efeitos.
Não há autonomia para a escolha É fruto da autonomia privada porque
dos efeitos do ato realizado. São permite que as partes possam perceber os
previsto em lei efeitos que elas mesmas escolheram.
Ex.: Contrato.
Ex.: Reconhecimento de Casamento, ninguém é obrigado a se
paternidade e fixação de domicílio. casar, alguns efeitos decorrem da lei, mas
principalmente da vontade das partes.

Classificam-se em:
Bilaterais - aqui duas ou mais pessoas manifestam suas vontades. A doação
não é um negócio jurídico unilateral. Ele é bilateral, mas na classificação de
contratos ele é unilateral.
Unilaterais - uma só pessoa manifesta sua vontade. Ex.: testamento,
promessa de recompensa. Pela manifestação de uma só pessoa já se vincula a
vontade de 1 delas. O testamento não precisa da aceitação dos herdeiros para se
constituir, só é requisito para a transferência do patrimônio.

Ato fato jurídico – conduta do menor absolutamente incapaz, conduta


cotidiana. Corrente criada por Pontes de Miranda. É um comportamento humano,
não é voluntário, cujos efeitos decorrem da lei. Sendo desnecessária a análise da
voluntariedade. Isto não quer dizer que não haja vontade. Não tem previsão como
categoria autônoma. Ex.: art. 1.263 CC é a ocupação, aquele que se assenhorar de
coisa sem dono.
Ex.: Criança de 08 anos de idade se dirige à uma loja de doces e compra um pacote
de balas. Classifique o fato jurídico e responda justificadamente se o mesmo é válido ou
inválido?
Respondendo ao exemplo - art. 3º C/C art. 166, I CC

1ª Corrente – (Leoni e Guilherme Couto) Há uma presunção de que o menor está


sendo representado pelo seus pais para os negócios pequenos, advém também do direito
alemão.
Direito Civil 48

2ª Corrente – (Pablo Stolze) Ato fato jurídico, dispensa análise da capacidade e


consciência da pessoa que exterioriza uma vontade, bastando apenas que exista a
capacidade natural. O problema é que vários autores como Tepedino dizem que o CC não
acolheu o ato-fato jurídico.
3ª Corrente – (Zeno Veloso e Humberto Teodoro Jr) Trata-se de um ato socialmente
aceitável, que não se enquadra no conceito de negócio jurídico. Não ingressaria no campo
jurídico, haja vista que não põe em risco a harmonia da vida social. Na corrente 3 não entra
sequer na seara do fato jurídico, pois não há relevância para o direito. Não há Lesividade
nesse ato social.
Não há consenso. É necessário saber as três.
Contrato de namoro não possui qualquer validada, pois a união estável e uma situação
fática.

 Ato ilícito - continua sendo jurídico, apesar de ser ilícito. Ê contrário ao ordenamento
jurídico. Aparece no art. 186 do CC. Lembrar da posição do examinador da banca de
penal que defende isso na teoria do crime.

Caso concreto 1 tema 08


Resposta oficial: os atos praticados por Alberto são negócios jurídicos que exigem
como requisito de validade: capacidade do agente, objeto lícito, possível ou eterna de que
se observe a forma rescrita em lei. Esbarrasse no art. 104, I do CC, o menor deve ser
representado para praticar tais atos. A consequência seria a nulidade dos negócios jurídicos
praticados por menores não representados de acordo com o art. 104,I do CC. A resposta no
caso concreto se resume a uma questão doutrinária do ato fato jurídico. OUVIR 33 min até

Da representação – art. 115 a 121 do CC


Conceito: agir em nome de outro. Ocorre quando uma pessoa é investida de poderes
para agir em nome de outrem. Quem confere os poderes é o representante e que, age é o
representado.
Essa investidura pode se dar por vontade do representado ou por vontade da lei, ou
seja, voluntária e legal respectivamente.
Art. 115 do CC

Os incapazes são representados pelos pais, tutores e curadores. Aqui incide a


representação legal.

As pessoas jurídicas não possuem representantes, mas órgãos, pois prevalece a teoria
orgânica.
As pessoas jurídicas, poderem, contudo estabelecer representação voluntária,
conferindo poderes para que outras pessoas exerçam a representação.
A representação voluntária surge da iniciativa, manifestação, do representado.

A procuração é o instrumento por meio do qual outorga-se os poderes na


representação voluntária. Não há procuração para a representação legal, uma vez que essa
decorre da própria lei.
Direito Civil 49

A doutrina utiliza dois significados para a representação:


 Negócio jurídico de outorga da representação voluntária (INSTITUTO)
 Instrumento por meio do qual se faz a outorga (INSTRUMENTO)

A representação aparece no bojo da teoria do negócio jurídico.


Art. 120 do CC - a representação voluntária é regida na parte de contratos do código,
quando tratamos também do mandato, mas não somente exclusivamente nele.
Ainda no âmbito dos contratos, existe mandato com representação no art. 653 do CC
e existe o mandato sem representação no art. 663 do CC. Na primeira situação se dá quando
o mandatários, é investido pelo mandante com poderes para representá-lo. Na segunda
situação, o mandatário é encarregado de um ato em prol do mandante sem ter poderes para
representar, para agir em nome de outrem, para declarar vontade do mandante. Para
algumas situações, contudo, exige-se o mandato, ex.: compra e venda de imóvel por
vontade do mandante.

Mandato e representação são instituídos diferentes. A representação voluntária não é


exclusiva do contrato de mandato. A representação voluntária pode aparecer em outros
contratos e não apenas no mandato. Ex.: contratos de agência e distribuição art. 710,§ ún.
do CC – o proponente pode conferir poderes para outrem agir. Também há no âmbito de
autarquias, fundações.

A representação é um instituto da teoria geral do direito civil, ao passo que o mandato


é um contrato em espécie.

A representação voluntária se estabelece sem a necessidade de um contrato. Só quem


assina é quem confere os poderes, quem recebe não precisa assinar. É um ato unilateral do
representado e não se confunde com o contrato de mandato ou qualquer outro por essa
razão.

Caso concreto 2 – Tema 08


Resposta Oficial: negócio jurídico viciado por dolo. Tem um defeito grave que leva
à perda total ou parcial significativa do bem. O procurador do vendedor age com dolo,
prejudicando assim o vendedor, quando o comprador pede a anulação do jurídico no
fundamento do dolo. Esse dolo do representante são suficiente para a anulação do negócio
perante a outra parte. Se não houvesse o representante o negócio seria anulável, mas
havendo representação, o dolo do representante contamina o do representado? Art. 149 CC
– como houve dolo voluntário do representante, ele responde solidariamente com o
representado por perdas e danos. Pedia-se alegar vicio redibitório também. O dolo do
representante legal tem responsabilidade é total, pois a lei protege o incapaz. Contudo, no
representante voluntário, como houve manifestação de vontade sem vício, o representando
também responde solidariamente.

O efeito da representação vinculam o representado na atuação do representante


conforme no art. 116 do CC. A atuação do representante provoca efeitos na esfera jurídica
do representado.
Direito Civil 50

A única ressalva é quando o representante extrapola os poderes conferidos pelo


representado, ultra vires. A sanção se dá no plano da validade ou da eficácia? É considerada
ineficaz e permite ao representado se julga conveniente ratificar a conduta, pode aproveitá-
la.
Quando o represente age em benefício próprio, com atuação com conflito de
interesses, o CC determina a anulabilidade - art. 119 do CC. Só é anulável se a outra parte
sabia ou poderia saber.

Negócio consigo mesmo ou contrato consigo mesmo – art. 117 do CC – mesma


sanção do conflito de interesses. Ex.: compra e venda de imóvel mediante atribuição de
poderes para outrem o faça; o representante, ele mesmo compra. Uma pessoa aparece nos
dois polos. Num deles atua em seu próprio nome, no outro, atua com poderes
representativos. Prima facie, cabe anulação, mas pode-se pensar num controle funcional,
de forma a afastar a anulabilidade, num conflito meramente aparente que não é a solução
imediata da lei, mas pode o interessado arguir isso é requerer tal controle ao magistrado.

Negócio jurídico

Critérios de interpretação

Teoria subjetiva – savigny – prioriza a manifestação da vontade na gênese do


negócio jurídico. O papel do intérprete vai ser buscar a vontade da parte.

Teoria objetiva – o negócio jurídico estrutura a norma jurídica individualizada. É


um instrumento da autonomia privada. Pelo negócio jurídico cada um de nós atua ao
celebrar os negócios como um legislador dos seus próprios interesses criando direitos e
deveres para ambas as partes. O papel do intérprete aqui é fazer cumprir a declaração
mesmo quando não espelhe a vontade.

Ambas as teorias são antinormativistas, se colocam longe do fenômeno da incidência


do ordenamento jurídico nas relações privadas. Supondo uma não intromissão do
ordenamento.

No direito brasileiro nos situamos a favor da teoria da confiança.

Teoria da Confiança - art. 113 c/c art. 112 do CC e art. 138 do CC, mas o
fundamento maior é o princípio da boa-fé – A declaração de vontade irá prevalecer sobre
a efetiva vontade na medida em que tenha suscitado legitima expectativa no destinatário
(verificada a boa-fé objetiva). Antônio Junqueira de Azevedo aborda o assunto.

O CC de 1916 prestigiava-se tanto a vontade do declarante que se tivesse em erro,


anulava-se o negócio ainda que a outra parte sequer pudesse perceber, desconfiar do erro.
Direito Civil 51

Obs.: Porque o destinatário não tinha como conhecer a disparidade, mas se tinha
condições de discernir entre o querido e o declarado, ou se podia descobrir com inteligência
ou diligência mínima, então sofre os prejuízos da anulação porque conhecia os riscos.
Ex.: Erro.

Deslocou-se para esse entendimento, pois o negócio jurídico é muito mais do que a
mera expressão da vontade, que ocupa uma posição secundaria.

2. Reserva mental - art. 110 do CC se a pessoa destinaria não tem conhecimento da


reserva mental, subsiste o negócio jurídico. Na prática não existe de forma concreta, é mais
uma abstração. Isto é trabalhado em outros institutos como dolo, erro, coação.

Sem o conhecimento do destinatário – o negócio subsiste sendo irrelevante a


reserva mental desconhecida da outra parte.
Com o conhecimento do destinatário – com o conhecimento, e sabendo que não
irá cumprir o conteúdo negocial o negócio será inexistente dada a ausência do conteúdo
negocial.

Se no momento da pratica do Negócio Jurídico o destinatário já possui conhecimento


da reserva mental é uma hipótese de simulação (pois há um conluio) se a informação vier
do declarante. Caso a informação advenha de terceiro, a situação é de inexistência – “não
subsiste o ato” no art. 110 CC.

3. Silêncio – Em regra, o silêncio é o nada, ausência de manifestação da vontade –


Exceção – Não é manifestação de vontade expressa ou tácita, mas admite que o silêncio
possa gerar efeitos em alguns casos - art. 111, do Código Civil. A manifestação tácita
decorre de atos e gestos inequívocos.

Art. 139 do CC - silêncio do donatário.

Art. 539 do CC é uma exceção do silêncio representar uma manifestação legal em


decorrência da previsão legal. Aceitação presumida e não aceitação tácita, ocorre também
na sucessão testamentária.

Planos do Negócio Jurídico


Direito Civil 52

Escada Ponteana

Plano da existência

É necessário que se preencha os elementos da existência.

Elementos de existência - pode a manifestação de vontade ganhar diversas formas


que recairá sobre um objeto (Direito, bem). O agente precisa ser pessoa - jurídica ou
natural. Por vezes a lei exige agentes específicos. Casamento entre pessoas do mesmo sexo
foi considerado inexistente, postou eu a alei exigia uma gente do sexo feminino e do sexo
masculino. Se fossem do mesmo sexo, o negócio jurídico era inexistente.

Algo existe ou não existe pois assim é percebido pelas pessoas, mas não que o
ordenamento jurídico assim o vincule.

Não se discute se o objeto é licito ou não.


Direito Civil 53

Plano da Validade

Plano de validade tem requisitos. – art.104 CC (c/c/ 112). Faltou só a manifestação


de vontade que precisa ser livre (caso contrário estaria em erro - os defeitos do negócio
jurídico estão no plano da validade) e de boa fé (caso contrário pode ser um ato ilícito).

Nulidade virtual X nulidade OUVIR 38 min até 42 min parte 2 dia 13.03

São requisitos verificados a partir dos elementos de existência. Quando os requisitos


de validade não são respeitados vigora a invalidade em graus diferentes (nulidade a
anulabilidade).
Vigora o interesse privado do favorecido.

Os efeitos da nulidade são ex tunc e na anulabilidade são ex nunc para terceiros, mas
ex tunc entre as partes (art. 182 do CC). A nulidade opera efeitos ex tunc para as partes e
para terceiros. Exceção da simulação no art. 167 do CC.

Agente capaz: Se a parte for incapaz deve estar devidamente assistida ou


representada, caso contrário o ato é inválido – nulo ou anulável.
Legitimado: pode o pai vender o único imóvel para alguém sem consulta aos filhos?
Pode, sim se for capaz. Não poderia vender a um dos filhos, sem autorização dos outros,
pois careceria de legitimação pelos outros herdeiros – art. 496 CC.
Objeto - art. 166, II CC combinar com o art. 104 CC.
Direito Civil 54

A invalidade do negócio jurídico pode ser nulidade absoluta (nulo) ou nulidade


relativa (anulável).
A forma pode ser livre ou aquela prevista em lei.

A regra não negócio anulável é produção de efeitos, somente não o fará se a


anulabilidade erro pedida e anulada. Só deixa de se eficaz se for decertada a sua anulação.

Caso concreto
Resposta oficial: parte da doutrina rechaça a posição. Negócio jurídico inexistente,
pois o que não existe não pode sequer ser considerado negócio,

Plano da eficácia

O negócio existente é válido em regra é eficaz, mas pode não ser quando ocorrer:

 Ineficácia relativa – para proteção de terceiros. Ex.: fraude a execução, venda


non domino. É uma técnica de proteção de alguém que é alvo da tutela do
ordenamento,
 Ineficácia pendente – ocorre na presença de condição suspensiva e termo
inicial.

Negócio existente é nulo em regra é ineficaz. Contudo, o plano de edição é um plano


de aptidão teórica para produção de efeitos. São raras as hipóteses em que há a eficácia de
ato inválido e inexistente. Ex.: adoção a brasileira. contrato de trabalho nulo, produz todos
os efeitos apesar da nulidades. Contrato administrativo nulo que não observou os
procedimentos licitatórios, obrigando a administração pública a certas ações.

O plano da eficácia é necessário ser lido em doutrina.

Teoria da Invalidade do Negócio Jurídico

1. Introdução: A invalidade é o gênero do qual decorrem as duas espécies de


invalidade: a nulidade absoluta e a nulidade relativa, também conhecida como
anulabilidade.
Nulidade absoluta - viola norma de ordem pública, cogente – art. 166 e 167 do CC.
Nulidade relativa (anulabilidade) - viola norma meramente dispositiva, que fere
interesse particular, negócio, portanto, anulável. Art. 171, 172, 496 CC

2. Princípio da conservação - Sempre que o juiz puder, ele deve, na medida do


possível, tentar conservar o negócio inválido, ainda que eivado de alguma invalidade.

Obs.: Princípio também aplicável quando cabível aos atos jurídicos – art. 185 do CC.

Ex.: art. 547 – Doação com cláusula de reversão - a doutrina chama de nulidade
virtual.
Direito Civil 55

Segundo o parágrafo único – não existe reversão em favor de terceiro. Ao invés do


bem ir para o donatário, vai para terceiro. É nulidade ou anulabilidade? É nulidade, pois
toda vez que a lei proíbe uma conduta sem cominar sanção por força do art. 166, VII do
CC.
Diante de uma invalidade, o juiz pode preservar o negócio jurídico. Existe o princípio
da conservação dos negócios jurídicos, sempre que o juiz puder ele deve tentar preservar o
negócio jurídico, ainda que inválido.
Isto deve ser feito de acordo com os institutos que o permitem:

Ex.: união estável em comunhão parcial de bens. Se dissolver a união estável não
precisa dividir o bem adquirido antes da união, pois é bem particular. Se por ventura quiser
vender o bem durante a relação, deve conseguir a outorga do cônjuge.

Isto aplicado ao cenário do casamento, é necessária a autorização de acordo com o


art. 1.647 CC outorga conjugal ou uxória.
Art. 1.660, V – frutos dos bens comuns e particulares se comunicam

Se não houver outorga e vender o bem, o ato é anulável no prazo de 2 anos a partir
do termino da sociedade conjugal. Contudo, pode ser confirmado de maneira expressa ou
tácita pelas partes (Ex. de tácita: vende-se o bem e deposita na conta conjunta na qual a
parte que não concordou expressamente utiliza dos valores provenientes da venda).
Direito Civil 56

Redução do ato jurídico.


Art. 184
Uma parte do negócio jurídica é válida e outra parte é inválida.
Poderia ser uma cláusula abusiva dentro de um contrato (é nula) que poderia ser
desconsiderada pelo juiz para preservar o resto do negócio, reduzindo-o.

Conversão do negócio jurídico.


Ex.: alienação de bem imóvel acima de 30 salários mínimos deve obedecer a escritura
pública – art. 108 CC (forma prescrita em lei – art. 166, IV). Se for feito por instrumento
particular, e o vendedor falece, os herdeiros entra com uma ação para que se declare a
nulidade do negócio e transfira o bem para eles. O juiz deve declarar a nulidade? O ato é
nulo, não há como ratifica-lo.
Contudo, o juiz pode converter o negócio em válido, de acordo com a vontade das
partes. O juiz pode desconsiderar a compra e venda e transformá-lo em promessa de
compra e venda, pois não exige a mesma forma do negócio definitivo (art. 462 CC) – art.
170 CC.
Pode converter em promessa de compra e venda, segundo o art. 462 do CC. O
contrato preliminar precisa ter todos os requisitos do contrato definitivo, menos a forma.
O juiz converte para contrato preliminar para não ser necessária a nulidade do ato.
SE CAIR NA PROVA SERÁ ESSE EXEMPLO DE COMPRA E VENDA OU
DOAÇÃO (poderia ser promessa de doação).
Direito Civil 57

Também pode ser aplicado na área de empresarial – Títulos de Crédito - requisitos


de nota promissória – senão respeitar a forma do endosso irá dizer que tem uma cessão de
credito.
O juiz converte a relação cambial em cessão de credito, negócio jurídico civil, pois
houve de fato uma cessão de crédito entre as partes.

Defeitos do negócio jurídico


Conceito: o que torna o negócio jurídico um ato perfeito são os requisitos dele:
agente capaz, objeto lícito e forma prescrita em lei. O defeito incide sobre um dos
requisitos. A manifestação da vontade não está expresso no art. 104 do CC, mas é o
primeiro requisito. O que diferencia o negócio jurídico dos demais atos que produzem
efeitos é a qualidade atribuída a manifestação da vontade, que é a autonomia privada.

O art. 421 traz à disposição acerca da liberdade de contratar será exercida nos limites
em razão da função social do contrato, que é matéria de ordem pública e não é mera
interpretação doutrinária, está expresso no art. 2.035,§ún.
A funcionalização do direito subjetivo é uma matéria de ordem pública.
No direito inter partes o que limita a autonomia é a boa fé no art. 113,187,422 do CC,
na perspectiva do outro, internamente. Diferentemente da função social do contrato que é
perante o outro.

Boa fé subjetiva Boa fé objetiva


Intenção do agente Com base no comportamento
propriamente dito.
Será boa fé tudo aquilo que não foi A violação da boa fé independe de má
má fé. fé.
Admite-se o comportamento neutro, O comportamento neutro quebra a
como boa fé. legitimidade a expectativa. Não se admite a
neutralidade, viola deveres anexos e a boa
fé.

Miguel Reale diz que a definição da não fé objetiva é como a minha atitude vai
impactar no outro.

O que faria uma vontade perfeita? Uma vontade idônea, que constrói o próprio direto
conferido pelo direito para que seja livre. Também precisa ser consciente, quando a
divergência real e interna é um defeito. Quando há essa divergência chamamos de reserva
mental de outro lado temos a reserva declarada (ex.: países signatários podem fazer
reservas expressas de não aderir à determinado tratado; ex.: usa a palavra ressalva ao invés
de reserva: nos contratos de adesão quando não se concorda com determinado item quando
é permitido num contexto negocial. Quando a ressalvo é expressa não viola a boa fé);
quando a reserva é mental é um problema, pois permito que o outro confie numa atitude
questão é a vontade real. A reserva é tratada como? O art. 110 do CC estabeleceu duas
Direito Civil 58

possibilidades: 1. A reserva só conhecida do agente, mas declara sem querer de forma


consciente, sabe que o que está dizendo não é verdade; só que o outro não sabe. Não pode
fazer estabelecer como defeito essa reserva, pois estaria a proteger a torpeza do outro em
função da própria reserva. Ela não altera a validade do negócio jurídico. 2. A vontade foi
expressa sede alguma forma, verbalmente, escrito, por algum meio. A outra parte não tem
legítima expectativa, pois ele sabia que não ocorreria. Uma corrente diz que isso é uma
simulação, quando duas pessoas concordam que não é aquilo verdadeiro, pois vão declarar
assim mesmo pois pretendem obter algo diferente daquilo. Simulação bilateral gera
nulidade. A outra corrente diz que diz que algo é verdadeiro e o outro não sabe, essa
verdade não existe. O negócio jurídico nunca existiu, não é negócio nem cabe nulidade.

A divergência entre a vontade declarada pode ser um defeito ou não. Terá de ser
verificado a luz dos requisitos se há essa configuração ou não.

Manifestação da vontade perfeita:


 Livre;
 Consciente;
 De boa fé;
 Em razão e nos limites da função social do contrato.

Divergência entre a vontade real e a vontade declarada. Não era o direito que
objetivava adquirir ou o dever que pretendia suportar.

Art. 171, II – traz as causas de anulabilidade, são causas de nulidade relativa.

Os defeitos do negócio jurídico invalidam o negócio, pois atinge a manifestação de


vontade que não seria livre ou não será legítima. Nem sempre o comportamento é ilícito.
Direito Civil 59

Simulação não é um defeito do negócio jurídico, é causa de nulidade.

Podem ser divididos em vícios do consentimento e vícios sociais.

Vício do consentimento
Há uma divergência entre a vontade declarada e a real intenção.

Erro
erro sozinho - art. 138 CC - é a falsa representação da realidade. A pessoa
interpretou de forma errada a realidade.
Na ignorância não houve contato com o fato relevante, não houve nem uma
formação de falsa representação. Há um desconhecimento.
O legislador no plano das consequências trata o erro e a ignorância da
mesma forma.
A pessoa manifesta uma vontade que diverge da sua real intenção, pois ela
está enganada. Requisitos para que seja um erro e não um mero engano:
O engano deve recair sobre circunstâncias e aspectos relevantes do negócio jurídico.
ERRO SUBSTANCIAL, ESSENCIAL. Se houve um engano no tamanho do objeto
comprado não é erro do ponto de vista do direito. Se o impacto for na esfera jurídica, há
erro, mas se não for relevante não há que se falar em erro. Hipóteses do art. 139 do CC.
 Erro quanto a natureza do negócio;
 Erro quanto a identidade ou qualidade da pessoa;
Direito Civil 60

 Erro de direito quando for em relação ao motivo único ou principal do


negócio. Exceção ao art. 3º da LINDB, não quer deixar de cumprir a lei,
mas o negócio que só foi praticado em razão de uma interpretação errônea
da lei. Ex.: norma que legitima um negócio e depois é declarada
inconstitucional. O separado convencional por total de bens tem direito aos
bens em função a morte, mas não em vida. Mudou a interpretação da norma.
OUVIR 1:08:00 parte 1 dia 15.03.2017 art. 849 CC cai com frequência em
provas objetivas
 Art. 140 – falso motivo – as razões que levam alguma celebra um negócio
podem ser dívidas em causas e motivos. A diferença é que as duas serão
determinantes para alguém, mas será notoriamente ou internamente
determinante? O falso motivo é um problema interno de cada um, a não ser
conforme o art. 140 que tenha sido expresso como a razão determinante do
negócio. Assim, as duas partes passam a ter aquilo como elemento essencial
do negócio. Transforma o motivo em causa determinante.
O erro precisa ser COGNOSCÍVEL. É o conhecimento do erro pelo destinatário. Ele
ser possível para o destinatário perceber que o a outra pessoa está em erro. Busca-se
preservar a confiança.

Requisitos ou são espécies? Verificar isso.


 Substancial – anulável
 Natureza
 Pessoa
 Direto
 Falso motivo
 Cognoscível.
 Escusáveis

Princípio da Cognoscibilidade na Jurisprudência TJ/RJ, Ap. 2005.001.44423 –


“O código civil de 2002 afastou o critério da escusabilidade, cujo exame se dava sobre o
próprio emissor da vontade, trazendo para a disciplina o princípio da confiança, cujo
Direito Civil 61

critério aferidor passou a ser o destinatário da manifestação da vontade que, mesmo


percebendo que a autora estava em erro, silenciou ao invés de adverti-la.

Falso Motivo: Art. 140 do CC - em regra não gera anulabilidade salvo quando a
razão do negócio estiver expressa e for determinante.

Princípio da conservação do negócio jurídico: Art. 144 do CC > A pessoa para


quem é dirigida a vontade eivada de erro pode se oferecer para executá-la na conformidade
da vontade real.

O erro não precisa ser mais ESCUSÁVEL - Enunciado 12 CJF – o dispositivo adota
o princípio da confiança. É necessário saber se o destinatário tem ou não possibilidade de
conhecer o erro. Ainda pode aparecer na jurisprudência, mas não prevalece mais.

Ex.: o pai entrou com uma ação pedindo a restituição dos valores pagos em dois jogos
de vídeo games. Narrava na inicial que ao separar de sua esposa, ficou por culpa própria
do filho, queria recuperar o amor dele de volta. Num determinado ano deixou que o filho
escolhesse um presente de natal. A criança escolheu um destinado para determinada
plataforma.

Teorias interpretativas – solução entre os conflitos entre a vontade interna e a vontade


declarada
Teoria da vontade de savigny – qualquer divergência macularia o negócio é ele seria
impugnado. Se adotar essa teoria não precisa do segundo requisito, só do primeiro. NÃO
É ADOTADA. Pode ser usada na interpretação dos negócios jurídicos quando ficar
manifestados que as vontades das partes não foi respeitadas. Art. 112 CC.
Teoria da declaração – se houver divergência entre a interna e adelgaçada, prevalece
a última, pois da segurança jurídica,a certeza. Problema: se toda vez prevalece a declaração
tutela-se situações injustas. Aqui não poderia alegar o erro, pois teria de vigorar a
declaração.
Teoria da responsabilidade – o indivíduo é responsável por seus atos, respondendo
pro seus erros. É um dever e diligência consigo mesmo. Haverá responsabilidade quando
errar por falta de diligência. Utiliza o requisito do erro substancial e escusável, foi diligente,
mas agiu como qualquer outro agiria (homem médio). Responsabilidade toda do
declarante.
Tutela da confiança – art. 138 – há uma corrente que defende que houve um erro de
redação. Se há um ‘não’ aqui a teoria da responsabilidade encaixa perfeitamente. Uma
segunda corrente diz que a razão do ‘não’ não existir no caput do art. 138, é que o declarante
não poderia comprovar, mas a outra pessoa. Não há dolo, mas falta de colaboração. Joga
em responsabilidade em parte no outro, se ele tivesse agido de forma mais diligente na
prestação de informações.
A escusabildiade passa a ser um elemento acidental e a confiança passa a ser
relevante, item essencial.
Direito Civil 62

Dolo
alguém me ajuda a errar - O artifício ardiloso empregado para enganar
alguém com intuito de benefício próprio é necessário a intenção de enganar o
negociante. Pode se a outra parte negociante ou até um terceiro. Pode ser omissivo
e comissivo.
É um erro qualificado pela má-fé.

Requisitos (ver foto no iPad sobre as espécies de dolo):


Prejuízo – tem que causar prejuízo da parte da vítima de dolo.
Essencial – não é requisito para dolo acidental – art. 146 CC, mas é
requisito para anular o negócio jurídico - recair sobre as circunstâncias relevantes
do negócio.
Dolo Acidental - é aquele que se a pessoa soubesse que estivesse sendo
enganada teria celebrado o negócio jurídico. Esse dolo acidental não anula o
negócio jurídico, mas enseja perdas e danos.
Dolo Substancial – anulabilidade – se o dolo não recaiu sobre elemento
essencial do negócio não caberá a anulação. É necessária a má-fé do seu
declaratório, do seu representante ou de terceiro. Se não for sobre elemento
essencial do negócio gera apenas perdas e danos.
Dolo comissivo – induz alguém ao erro, de forma intencional.
Dolo omissivo – percebendo o erro do outro (não é negligente e não
elevem), mas deliberadamente resolve não esclarecê-lo.
Dolo de terceiro - divide-se em dolo de terceiro stricto sensu ou dolo de
representante:

OUVIR 8 min até 19 min parte 2 dia 15.03.2017


O negócio é válido, mas o terceiro é responsável sozinho, pois a conduta é
exclusivamente dele. O negócio subsistindo ao ato do terceiro, responde ele por perdas e
danos à quem ludibriou.
Direito Civil 63

 Dolo recíproco – fundamento no tu quoque – não posso agir de uma forma


é querer que o outro aja de outra forma. Se agiu com dolo, não pode esperar
do outro boa-fé. A consequência é a permanência de sua validade, sem
anulabilidade. Sem pretensão indenizatória também. Art. 150 do CC.

Caso concreto 1
Resposta: sem anulação. Assessorado por advogado, informação pública, etc.
Não adota a teoria da responsabilidade. Não era escusável.
Na teoria da confiança, essa é uma informação importante.

Caso concreto 2
Resposta: falar das teorias.

OUVIR até 9 min. Parte 2 dia 15.03.2017

Coação
A vontade foi forçada para tal - é a pressão física ou moral exercida sobre o
negociante para obrigá-lo a assumir uma obrigação que não é defensiva vontade.
Se a pressão física for irresistível passa a ser hipótese de inexistência do negócio
jurídico, pois não houve manifestação de vontade.
Toda ação que leve um indivíduo a realizar um negócio jurídico que sem
essa coação não o teria feito.
Diverge de lesão e estado de perigo. Aqui não são levados em conta a
questão econômica.

Requisito:

o Relevante
o Dano iminente - a pessoa do negociante, sua família e bens. Poderá estender isto a
pessoa que não seja da família, dependendo das circunstâncias - art. 151, parágrafo
único.
o Pode ser exercida por terceiro - art. 154 CC9.
o Grave e capaz de gerar fundando temor;
o Atual e iminente;
o Recair sobre a própria pessoa ou família ou bens.

Leva-se em consideração além da questão patrimonial, a pessoa também envolvida.


Aqui é possível e provável que aconteça.
Analisar as circunstâncias individuais da pessoa. Ela possui capacidade de suportar
a coação conforme o art. 152 do CC.
9
Se o negociante beneficiado tinha ou devesse ter conhecimento da coação - O NJ é anulado e ele
responde solidariamente perante o prejudicado por perdas e danos.
Se o negociante não tinha conhecimento - O NJ é válido - Princípio da conservação dos negócios
jurídicos. O que não afasta o dever do coator de indenizar o prejudicado por perdas e danos.
Direito Civil 64

Espécies:

 Absoluta (vis absoluta) – Aqui não há vontade, há violência física atual de


modo a suprimir a vontades. Inexistência MAJ ou Nulidade absoluta MIN
(tem autor que entende que o plano de existência está embutido no plano de
validade, na verdade o que é inexistente seria nulo).
 Relativa ou moral – Defeito do negócio jurídico. É anulável. Vira
instrumento da vontade alheia.
 Coação praticada por terceiro -

Caso concreto 3
Resposta: a dívida é lícita ou ilícita? Se for lícita, o inadimplemento existe. Diante
disso é exercício regular de direito, com possibilidade de negativação do nome dela. Se
ameaçar negativar com base em dívida ilícita, não poderia negativar o nome.

Estado de perigo
Rejeita-se, com o princípio do equilibro contratual ou comutatividade, os contratos
quando são demasiados oneroso para uma das partes. Combate-se a onerosidade excessiva
anormal.

Uma real necessidade - art. 156 CC conceito - requisitos é o dolo de aproveitamento.


Quando a outra parte sabe e pretender lucrar com a situação de risco.

 Requisitos:

o Onerosidade excessiva (elemento objetivo) – ocorre na origem do negócio e


não no execrares do contrato. O efeito da onerosidade excessiva aqui é a
anulabilidade ou modificação (ex tunc) das condições. Art. 156 CC.
No segundo tipo de onerosidade excessiva advém de um fato superveniente revisão
ou redução (ex nunc) das condições. Art. 478-450 do CC.

o Conhecimento da Situação de risco (elemento subjetivo). – há uma


vulnerabilidade.
o Premente necessidade de evitar dano a pessoa;
Direito Civil 65

o Dolo de aproveitamento – necessidade premerem é conhecida previamente


pela parte que teve o dolo. A vantagem pode se aceitar ou exigir.

Aqui falamos do princípio da conservação dos negócios jurídicos também.

OBS.: O juiz deve interpretar tais requisitos a luz da boa-fé objetiva - art. 113 e 422
do CC.

Fazer diferenciação do estado de perigo para estado de necessidade.

Estado de perigo # lesão - todos os dois são vícios de formação da vontade, essa
necessidade está presente na data em que foi celebrado do negócio jurídico, não pode ser
auferido depois.

Buscar primeiro se era pra evitar dano a pessoa e se houve dolo de aproveitamento é
estado de perigo. Caso contrário é lesão.

O art. 157, §2º permite a revisão do negócio jurídico – instituto que visa preservar o
negócio jurídico. Pode ser aplicada ao estado de perigo também.
Direito Civil 66

Lesão
art. 157 - também tem uma pessoa em premente necessidade, que por inexperiência
se obriga a uma prestação desproporcional. Aqui não tem dolo de aproveitamento, ou
seja, não é necessário que a outra parte saiba da inexperiência. Aqui visa acabar com a
irrazoável desproporção.

Também temos a onerosidade excessiva na origem aqui. §1º do art. 157 do CC.
OUVIR 51 min parte 3 15.03.2017

Caso concreto 3 tema 11: Maria adquiriu de João, em janeiro de 2006, imóvel no
bairro da Tijuca, pelo qual pagou a importância de R$ 150.000,00. Não foi a escritura de
compra e venda registrada no Registro Imobiliário. José, credor de João, ingressa com
execução em face deste, em janeiro de 2007, por dívidas decorrentes de contrato de locação
do qual João é fiador, obtendo a penhora do imóvel vendido à Maria. Esta, assim, ingressa
com ação de embargos de terceiro, argumentando que cabe a defesa de seu bem, mesmo
que não tenha sido registrada a escritura de compra e venda. Em impugnação aos embargos,
assevera José que, não obstante a execução seja posterior à alienação, quando desta João
já estava a dever alugueres desde 2005, tendo sido a venda feita mediante fraude contra
credores, tendo tido Maria ciência da situação de João, que não ficou com qualquer outro
bem para fazer frente à dívida. Pede, assim, o reconhecimento da fraude, com a anulação
do negócio. Indaga-se: é possível a pretensão de José? Porque?
OUVIR 54 min parte 3 dia 15.03.2017

Art. 157,§2º - interpreta-o não literal, não pode ser somente submetido a revisão por
oferecimento do réu, mas também a pedido do autor. Enunciado 149, 150, 290 e 291 do
CJF.

Fraude contra credores


Art. 158-165 do CC.
Direito Civil 67

é um vício social - a conduta desleal de um devedor que, sabendo que não terá meios
para satisfazer os seus credores, resolve dilapidar intencionalmente o seu patrimônio.
Previsão no art. 158 e seguintes. Não é um vício de consentimento, mas um vício social.
Pode se dar em negócios gratuitos ou onerosos.

Prejuízo que ocorre pelo esvaziamento do patrimônio do devedor, levando a


insolvência ou agravamento do estado de insolvência.

EX: Marcelo credor de Gustavo da quantia de R$1.000.000,00. Sabendo que não


pode pagar vende um de seus imóveis no valor de R$1.300.000,00 para Sérgio e fica com
outro utilizado como sua única moradia.

Credor Prestação Devedor


Credito 100.000 reais Débito
Violação Inadimplemento
Pretenção – art. 189 Responsabilidade –
CC art. 391

Se for quirografários
o crédito cabe penhora
sobre todos os bens.
Se for crédito
hipotecário, OUVIR 1:00
até o final parte 3 dia
15.03.2017

Hipóteses do art. 158, 159, 162 e 163

Requisitos:

1) Insolvência do devedor (eventos damni) – quando já está insolvente, o ato do


devedor agrava a sua situação. O próprio estado de insolvência já caracteriza a
fraude, irrelevante a má fé.
2) Conhecimento por parte do beneficiário ou adquirente (consilium fraudis) – para
o beneficiário é acidental para o adquirente é essencial
3) Crédito pre existente a celebração do negócio jurídico fraudulento -
4) Crédito quirografários. – só hipotecários ou pignoratício se exceder a garantia.
Direito Civil 68

Não precisa ter ação de cobrança, de forma judicial, ela acontece independente disso.
Basta que exista o credito, independentemente dele ter sido cobrado ou não.

Caso concreto tema 11 questão 5:


Resposta: para os negócios gratuitos não precisa da má fé para fraude, mas para os
negócios onerosos há necessidade de má-fé. O art. 158 exige o consilium fraudis.

Ação cabível é a ação pauleana, revogatório. Legitimidade ativa é do credor, passiva


do devedor ou adquirente.
Qual a natureza dessa ação?

Se for causa de anulabilidade, a ação será desconstitutiva, anulatória do negócio, o


bem alvo do negócio retorna ao patrimônio do devedor e pode ser alvo de penhora. Art.
165 do CC.
A natureza do texto legal do CC é desconstitutiva, logo é anulatória.
Ação Pauliana para trazer de volta ao patrimônio o que foi onerado por fraude.
O efeito da ação Pauliana e da fraude contra credores é a anulabilidade do negócio
jurídico – de acordo com o art. 171, II.
Sumula 195 do STJ. Embargos de terceiro não se anula ato jurídico de fraude contra
credores.

A segunda corrente diz que o efeito é a ineficácia relativa do ato em face daquele que
promoveu a ação Pauliana e não conseguiria que outros credores que não fizeram nada
atingissem esse bem antes (gera um direito preferencial), cuja natureza é declaratória.
Direito Civil 69

É necessário comprovar que a pessoa que adquiriu, sabia ou tinha possibilidade de


saber da insolvência. Não precisa que estejam em conluio.

Simulação
Princípio da conservação dos atos negociais esta presentes na redação do art. 167 do
CC.

É uma declaração enganosa de vontade visando produzir efeito diverso do indicado.


Negócio de aparência norma, mas que não pretende atingir seu resultado jurídico.

A própria legislação elenca as hipóteses de simulação:


 Negócio aparentar conferir ou transmitir direitos a terceira pessoa, causando-
lhe prejuízos;
 Apresentarem questões não verdadeiras;
 Instrumentos antenados ou pôs datados;
 No CC atual esses atos são nulos, no CC antigo eram anuláveis.

A invalidade pode ser total ou parcial. Pode ser possível salvar o negócio.

A simulação não prevê a figura de terceiro.


Ex.: cheque pôs datado.

Simulação absoluta:
 Formada a partir de uma declaração de vontade voltada para não gerar efeitos
jurídicos, é lesiva a direito de terceiro.
Direito Civil 70

 Ex.: transferência patrimonial a uma amigo para prejudicar o cônjuge na


partilha de bens, mas o patrimônio continua sob domínio do alienante – nada
muda.
 Fulmina-se de invalidade todo o ato.

Simulação relativa:
 Também denominada dissimulação a resguardam-se os efeitos, se o ato for
válido na substância e na forma.
 Objetiva – quando a declaração falsa de vontade visa encobrir negócio de
natureza diversa.
 Ex.: simula-se uma compra e venda para o amante para fugir a proibição de
doação. Ou antedatam ou pôs datam um documento para fugir de algum dever
ou proibição legal.
 Subjetiva a quando a declaração falsa de vontade visa conferir direitos a uma
determinada pessoa, mas na verdade beneficia terceiro fora da relação
jurídica – figura do laranja.

Simulação inocente:
 Ocorre quando não visa prejudicar a terceiros ou fraudar a lei;
 No código civil anterior este tipo era validado perdendo essa figura no atual
código.
 No código anterior o elemento lesivo integrava o tipo.

Considerações:
 A simulação causa nulidade do negócio jurídico
 Na simulação relativa, pode-se permitir os efeitos do ato dissimulado – se
valido na substância e forma.
 Os efeitos da simulação inocente não tem proteção – são nulos, pois a
intenção não integra os elementos da simulação no CC atual.
 Admite-se a alegação dos próprios simuladores em juízo – resguardando o
terceiro de boa-fé.
 A reserva mental (verdadeira intenção) quando de conhecimento do outro
contraente, converte-se em simulação.

Nulidade e convalidacao
 Simulação – negócio jurídico nulo – não cabe confirmação de negócio
jurídico nulo a vila,cão de preceito der ordem pública.
 Negócio anulável – pode convalescer por duas razões: tempo (ratificação
presumida) ou confirmação tácita ou expressa.

Simulação e fraude contra credores:


 Na fraude contra credores não há um necessário disfarce como na simulação
 Na fraude o simples ato já é lesivo ao direito do credor – pouco importando
se simulado ou não.
Direito Civil 71

 Na fraude, o prejudicado será serelo o credor e o fraudadores deverá


apresentar estado de insolvência.

ATO INEXISTENTE
Verificar-se existe como um negócio jurídico. No plano da existência da escada
ponteana.
Plano da existência – plano do ser, falta elementos essenciais fundamentais.
A inexistência é o não fato
Plano da validade – ajuste ao estabelecido por lei. Fato inválido pode decorrer d
nulidade o anulabilidade (inválido – nulo ou anulável).
Plano da eficácia – cria, extingue, modifica ou substitui relações jurídicas.

Princípio da liberdade contratual – para se ter um contrato é necessário um


consensualismo, um encontro das vontades.

Alguns atos, a lei preconiza uma essenciabilidade. Na compra e venda é necessário


o registro no RGI para que seja existente e se é uma regra essencial, é referente a existência.

Ato inválido, influi na qualidade dos agentes.

Nulidade dos negócios jurídicos


Vicio que retira todo ou parte do valor de um ato jurídico, ou o torna ineficaz apenas
para certas pessoas (Carvalho dos Santos); - O vício retira todo o valor do negócio
(inexistência) ou parte dele (invalidação, caso de anulabilidade).

 Sanção imposta pelo ordenamento jurídico, privando a eficácia do negócio


praticado, quando não cumpre a exterminação legal; – sanção do poder
público. Algo que é inexistente não produz eficácia, pois nem pelo plano da
validade perpassou. A sanção é um motivo de preservação ou das partes
(questões privadas) ou do ordenamento jurídico como um todo (preservação
das questões públicas).

 Sanção é a nulidade que poder absoluta ou relativa.


 Relativa – há possibilidade de salvar. Verificar no interesse das partes se é possível
salvar. O ato aqui é anulável, é um vicio menos graves que atinge interesses
privados.
 Absoluta – o ato aqui é nulo. É um vicio grave que atinge norma de ordem pública

 A nulidade pode ser total ou parcial.


Direito Civil 72

 Total –
 Parcial -

Slide com esquema de ato inexistente e ato inválido.

Que tipo de sentença se profere quando há ato inexistente? É uma sentença de


natureza declaratória, pois não se cria um direito, já adveio inexistente. Só há o
reconhecimento dele. Efeito ex tunc.
Sentença ato inválido – natureza anulatória. Quando há possibilidade de resolver a
nulidade. Efeito ex nunc. Aqui constitui uma nova situação.
Sentença ato nulo – natureza declaratória, nulo de pleno direito pois fere a ordem
pública. Efeito ex tunc.

Teoria da nulidade. Um ato inválido pode ser nulo ou anulável. Se for nulo a natureza
da sentença é declaratória também. Se for anulável a sentença tem natureza anulatória, pela
nulidade relativa do ato inválido.

Elementos do ato inexistente

 Apenas aparente – ver primeira aula de normas. É apenas aparente para


aqueles que estão envolvidos. A sentença apenas surte efeitos para declarar
sua inexistência.
 O reconhecimento da inexistência de um ato, não está sujeito à prescrição ou
decadência
 Não se anula ato inexistente, apenas se declara
 Falta absoluta de discernimento (falta da vontade) no momento de celebração
do contrato, por exemplo, obsta a própria formação do negócio jurídico;
 O ato inexistente nem precisa ser desconstituída;
 Excepcionalmente precisa da declaração judicial de inexistência em razão dos
vários efeitos indiretos gerados. – em tese não precisaria levar ao judiciário.
Só se leva para evitar que produza efeitos, pois não deveria visto que o ato
não existe por ausência de um dos eleitos essenciais do negócio jurídico.
 OUVIR 1:07 até 1:15 parte 1 dia 16.03.2017

Anulatória e declaratória de nulidade


 Princípio da conservação – medida sangria dos altos, ressalvadas a boa fé.

 Declaratória: imprescritível. Sentença com efeitos ex tunc. Arguida pelo MP


ou qualquer interessado de ofício pelo juiz.

 Anulatória - prazo decadencial. Sentença com efeitos ex nunca. Arguida


somente pelo prejudicado, não pode ser declarada de ofício.
Direito Civil 73

Falta de vontade – nulidade absoluta * boa parte da doutrina entende que está coação
física não está no campo da validade, mas da existência.
Falta de consentimento – nulidade relativa

Coação física – vis absoluta a torna nulo o ato para essa doutrina existe vontade, mas
vai se analisar a qualidade dela // *boa parte da doutrina entende que esta coação física não
está no campo da validade, mas da existência, pois não houve vontade.
Coação moral – vis compulsiva – torna anulável o ato – prazo de 4 anos a contar da
celebração do ato (art. 1.560, IV do CC). Se a coação moral for comprovada durante certo
decurso do tempo, pode ser anulado o negócio segundo uma decisão.

A invalidade do instrumento não induz a invalidade do negócio, quando este não


exigir forma especial e puder ser provado por outro meio (art. 183 do CC).

Título III – Dos Atos Ilícitos


Sempre combinar o art. 186 e 927 do CC.

Aquele que por ato ilícito causar dano a outrem tem o dever de reparar.
O dano do art. 927 é diferente do art. 186 que tem natureza. Lesão ao bem jurídico
tutelado.

Qual é o ressudaste da indenização? É o prejuízo efetivo, material, moral que mereça


uma reparação pecuniária.
O ato ilícito pode ocorrer sem que haja responsabilidade civil o dever de reaparição.
Isso é algo raro. Como regra geral quando há reparação civil há ato ilícito, mas nem sempre
quando há ato ilícito há dever de indenizar.

A responsabilidade subjetiva é q própria culpa.

Pressuposto da culpa – é necessário que a pessoa tenha discernimento do ocorrido.


Se não há imutabilidade não há culpa. Existem responsabilidade civil do incapaz? Sim,
mas se ele não é imputável, não há como valorar a culpa a ponto de analisar a
responsabilidade subjetiva, somente do ponto objetivo.
Do ponto de vista da responsabilidade civil sempre tem de valorar a culpa, mas
quanto ao incapaz não há como fazê-lo, pois não há discernimento, que é um pressuposto
de culpa.
Ideia da imutabilidade é o pressuposto da valoração da conduta, que ser acalorada
de acordo com os critérios subjetivos e objetivos.
Boa parte da responsabilidade civil não precisa ser analisada pelos critérios
subjetivos, pois há uma cláusula geral no art, 927 que traz a responsabilidade objetivo.

A consequência do ilícito é o dever de indenizar.


A reparação deve ser integral do dano que lhe foi causado. É uma ideia com natureza
constitucional. O CDC preconiza a integralidade da indenização também.
Existem expões a isso em que se autoriza uma indenização parcial e até tarifada:
Direito Civil 74

 quando a lei dispõe qual seria a indenização a ser recebida. Ex.:


 seguro DPVAT;
 também tinha o código da aeronáutica relacionada ao extravio de
bagagem;
 Convenção de Montreal.
 Qual prevaleceria o CDC ou essas normas? A convenção também tem
natureza constitucional por força do art. 5º,§3º da CRFB; a
jurisprudência postula pela prevalência do CDC, pode ser que mude,
em função do tratado internacional).

 Art. 944 do CC. §1º traz uma deferência aí. Exceção a restituição integral. A
culpa pode ser muito grave e o dano muito pequeno. Pela lei o juiz não pode
aumentar a indenização para além do prejuízo valorando a conduta. Na
prática o dano moral punitivo é exatamente isso. No momento da indenização
olha-se para o dano, para o tamanho do prejuízo. Contudo, no dano moral
punitivo, valora-se a conduta para aumentar a indenização. Há quem defenda
portanto que não há previsão para essa indenização punitiva, somente para
diminuir no caso do §1º do art, 944 do CC.
O STJ perpassou pelo tema e reconheceu a existência do dano moral punitivo,
mesmo sem previsão no texto legal.

 Art. 928 do CC para proteger o incapaz.

 Questão dos honorários advocatícios contratuais não são restituídos quando


do dano. Não há restituição integral. O STJ decidiu decidiu que tem de se
inserir além da indenização os honorários que foram gastos para se intentará
com a demanda. O dano não pode ser valorado por uma das partes. É
incompatível o dano do ponto de vista da indenização e a conduta de quem
contrata um advogado. A jurisprudência entende que a restituição deve ser
integral. Restitui-se até o valor disposto na tabela da OAB, o que exceder
isso, é da livre escolha da parte – jurisprudência entende assim. Na doutrina
entendem que poderia ser o valor do mercado. Se a improcedência decorre de
um favor não verdadeiro, litigando adesão má-fé, prevê indenização ao réu
que deve postular no bojo da própria ação a indenização sobre isso. Se for
improcedente a demanda sem litigância de má-fé, não cabe restituição
integral, pois é um direito subjetivo da parte de exercer seu direito de ação e
não cabe nesse caso indenização.

O que mede a indenização é o dano. Tem natureza de contraprestação e não de


indenização do art. 946 do CC.

Abuso do Direito
Se o abuso de direito vier causar dano a alguém pode gerar direito de indenizar,
conforme art. 187 do CC – quem comete ato ilícito advindo de um exercício de direito,
Direito Civil 75

desrespeitando os limites impostos pelo fim econômico ou social, pela boa-fé, ou pelos
bons costumes. c/c art. 927.
Natureza jurídica da palavra manifestamente (art. 187 CC) – advérbio intensidade.

Conceito
O abuso do direito é um desvio no exercício de um direito que ocorre quando o titular
excede manifestamente os limites impostos pela boa-fé, pelos bons costumes, pela função
social de dum direito.
O direito pode ser exercido de forma ética ou não, mas há um direito o que difere do
ato ilícito quando não há direito (TABELINHA).
Há quem defenda que esta topograficamente no local errado, vez que abuso d direito
e ato ilícito não são a mesma coisa. Esses afirmam que o ato ilícito como elemento geral
tem um elemento subjetivo na valoração. Já no abuso de direito não há necessidade de
valorar a conduta de quem age de forma antiética, é uma análise essencialmente objetiva.
Enunciado 37 CJF – se o art. 187 diz para exercer de forma principiológica através
da boa-fé, entre outros, como isso se dá do ponto de vista objetivo? Vai avaliar a conduta
reputada como correta em comparação com a prática. Se estava diferente há violação da
boa-fé objetiva e não entra na seara da boa-fé subjetiva.
É exatamente assim que ocorre no abuso de direito.
Ex.: direito de vizinhança – aumentar o muro, exercício do direito, mas não agiu com
um fim específico, somente prejudicou o vizinho e há uma violação do direito de outro,
gerando um dever de indenizar.
Ex.: banco (REsp 250523) não pode se autopagar quando há um crédito com o
correntista, ao menos que haja previsão em contrato.
Ex.: abuso de jornalista que revela informações sigilosas.
Ex.: Acórdão do RS 70002257715 – considerou abuso de direito negativação de
dívida OUVRI 1:02:00 parte 1 dia 17.03.2017.
Ex.: A cobrança de um cheque prescrito é um abuso de direito. O protesto ocorre
para constituir em mora, interrompe a prescrição da dívida e não do título. É ato abusivo
pois tem o aspecto de coação. Há quem critica que isso demoniza o credor.
Ex.: atraso dos alugueres. Purga-se a mora, mas se isso for sucessivo, há um abuso
do direito. A reforma da lei de locações estabeleceu o prazo para purgação da mora, 1 vez
a cada 24 meses. Art. 63 lei 8.245/91.

Qualquer direito está sujeito ao exercício antiético.

É possível que haja o dever de indenizar sem um ato ilícito, há portanto uma
responsabilidade civil quando de um ato lícito também. Há um aspecto moral aqui. Isso
só ocorre quando a lei prever, coisa que não existe na legislação. Art. 188 do CC.

A definição do instituo está no CP e não no CC. Arts. 23, 22 do CP: legítima defesa,
estado de necessidade e estrito cumprimento do dever legal.
Art. 167, CC aquele que tem menos relação com o fato OUVIR 1:25:00 até 1:30:00
parte 1 do dia 17.03.2017 combinar o art. 188 com 929 do CC.
Direito Civil 76

O dano sozinho não significa nada do ponto de vista da responsabilidade, por isso o
ponto de partida é o ato ilícito.
Art. 930 do CC – terá ação regressiva quanto a terceiro. OUVIR 1:36:00 até o final
parte 1 dia 17.03.2017.

Caso concreto 1
Resposta: exercício antiético do direto que não é uma licitude, mas permite os direitos
da responsabilidade.

Caso concreto 2
Resposta: responsabilidade civil por ato lícito, gerando dever de indenizar e ação de
regresso.

Caso concreto 3
Resposta: a conduta objetiva é inexistente. Não se discute culpa, pois sequer houve
conduta objetiva. Há uma não responsabilidade.

OBS.: locadora de imóveis OUVIR 1:44:00 até o final parte 1 dia 17.03.2017.sumula
492 do STF que atribui resposnabilidade a locadora, mas é criticada, pois não há nexo
causal e nem conduta relevante para o resultado de forma que pudesse incorrer em culpa
pelo evento danoso a locadora.
Temos de identificar a conduta relevante para o dano caso contrário será imputável
a querer um o evento danoso, porque dano é praticado sempre.

Consequências

1. Tutela Reparatória – quando ao exercer o direito, excedendo os limites, nasce


uma tutela reparatória. A vítima pode buscar essa indenização.

2. Tutela Inibitória - para que o indivíduo pare de efetuar aquilo, uma obrigação de
não fazer, para o sujeito não praticar mais aquela conduta abusiva.

3. Resolução contratual – o abuso do direito pode gerar uma forma de


inadimplemento. Uma violação positiva do contrato. Cumpre a obrigação sem
observar os deveres da boa-fé, informação, etc.

A violação pode ferir os bons costumes também, mesmo que pareça algo incomum.
Ex.: um condomínio pode entrar com uma tutela inibitória contra um condômino que nade
pelado constantemente na piscina da área comum.
Direito Civil 77

I - Novos paradigmas - Tripé principiológico – Miguel Reale:


O CC deveria ter uma coesão principiológica posto que cada livro foi criado por um
doutrinador diferente que pode ter visões contraditórias sobre o assunto.

1. Operabilidade
As normas devem ser elaboradas de modo que possam ser aplicadas no caso concreto,
sem gerar dúvidas, incertezas, pacificando as relações sociais, que é o escopo primário do
direito civil.

Direito é para ser executado – direito que não se executa é como a chama que não
aquece (Ihering).

Ex.: CC 16 – prescrição e decadência – critério cientifico de Agnelo Amorim. No


CC02 – art. 205 e 206 trazem os prazos prescricionais, todos os demais são de decadência.

2. Socialidade

O direito deve se preocupar não apenas com seu titular. O titular não deve se
preocupar apenas com seus interesses. O titular do direito ao exercê-lo deve otimizar a
função daqueles direitos.

Todo direito, pelo paradigma da Socialidade, é funcional. Isto significa dizer que tem
uma função a cumprir na sociedade.

Eticidade está ligada a boa-fé objetiva, a socialidade está ligada a função social. Seja
função social dos contratos, seja função social da propriedade.

Função social passa a ser atributo das situações jurídicas (contratos e propriedade).
Direito Civil 78

Passa a limitar o exercício dos direitos subjetivos (ao lado da boa-fé), uma vez que
se exercidos manifestamente contrário a função socioeconômica constitui abuso de direito
– art. 187 do CC.

3. Eticidade
A ética deixa de ser um valor moral ou filosófico e passa a ser um valor jurídico.

A ética e a socialidade estão positivados no art. 3º, I da CRFB que é o valor da


solidariedade. É um objetivo da república uma sociedade justa e solidária.

Estar de boa-fé objetiva é estar num comportamento ético. Ser ético é fazer o certo
ainda que isso lhe prejudique.

Boa fé objetiva – regra de comportamento ético a ser observada por todos nas
relações jurídicas (Judith Martins Costa). Não importa se houve má fé ou não. Importa se
houve ausência de boa-fé. É o comportamento ético padrão.

Boa-fé subjetiva – ausência de intenção de comportar-se deslealmente – contrário de


atuar de má fé. Deve-se investigar a intenção do a gente, o ânimo. Ex.: Posse – vícios
subjetivos – art. 1201 do CC “ignora”.

Na má-fé há a clara intenção de prejudicar o terceiro. Importante para perdas e danos


na responsabilidade civil.

3.1. Funções da Boa-fé Objetiva:

 Interpretativa ou Integrativa – art. 113 CC - conseguimos visualizar nos


negócios jurídicos. Permite ir na CRFB procurar princípios para solucionar
problemas do caso concreto que possuem normas contraditórias entre si.
Regra de interpretação dos negócios jurídicos
Função integrativa das lacunas contratuais.
Na dúvida ou lacuna o juiz deve escolher a opção que prestigie a boa-fé, o
comportamento ético.

 Criadora de deveres anexos – art. 422 CC – cumulado com os enunciados


do CJF 24 e 25, aliados com a confiança, informação, cooperação, lealdade,
entre outros – devem ser verificados tanto na fase pré-contratual quanto após
resolvido o contrato.
Cláusula contratual implícita, criadora de deveres jurídicos inclusive na fase pré e
pós contratuais.
Na interpretação ou integração – mesmo que não esteja no contrato o juiz vai atentar
para os deveres anexos das prestações.
O descumprimento dos deveres anexos da boa-fé gera a violação positiva do contrato
– é a terceira forma de inadimplemento. Permite a resolução do contrato e se gerar prejuízos
Direito Civil 79

pode ser resolvido por perdas e danos. O que são esses deveres anexos, secundários ou
laterais?
Prestação é o dever principal da obrigação, enquanto que da boa-fé surgem deveres
anexos, que podem gerar a chamada violação positiva do contrato.
Deveres anexos – Cooperação, confiança, legitimidade, informação e proteção, entre
outros.
Espécies de Inadimplemento:
Inadimplemento absoluto (a prestação não pode ser realizada ou é inútil (bolo de
noiva)
Mora/Inadimplemento Parcial – cumprida fora do prazo (mas ainda realizável e
útil)
Violação positiva do contrato – cumprimento defeituoso da obrigação (violando
um dos deveres anexos).

Exemplo de Violação positiva do contrato:


Hotel H contratou com a fábrica F a compra de novos carpetes para serem instalados
em todo hotel. Apesar da fábrica F vender os carpetes ela não faz a instalação, mas como
um ato de gentileza, indicou empresa E para instalar os carpetes. Ocorre que, a fábrica F
deixou de informar tanto ao hotel H como a empresa E que os novos carpetes comprados
necessitavam de uma cola especial para serem instalados. Sem tal informação, a empresa
E instalou o carpete com uma cola convencional o que acabou provocando a deterioração
dos carpetes. Instada sobre o ocorrido a Fábrica F se eximiu de qualquer responsabilidade,
uma vez que desde o início avisou que não faria a instalação do carpete.

Responsabilidade civil pré e pós contratual


Boa-fé objetiva nas fases pré e pós contratuais – dever de lealdade existe a partir das
negociações preliminares ou tratativas. OBS: Contrato só se inicia com a proposta – art.
427 do CC.

a) Exemplos de responsabilidade pré-contratual pela violação da boa-fé objetiva:

Caso CICA – TJ RS Emb. Infringentes 591083357. Concessionária de veículos do


RJ que gerou expectativa para compra e venda de veículo e fez um casal de gaúchos viajar
para o RJ. O carro foi apresentado como seminovo perfeito, mas se tratava de veículo
batido. RC 71000531376 TJRS.

b) Exemplos de responsabilidade pós-contratual pela violação da boa-fé objetiva:


(Antônio Junqueira de Azevedo).

O proprietário de um imóvel vendeu-o e o comprador que o adquiriu, por ter o terreno


uma bela vista sobre um vale muito grande, construiu ali uma ótima residência, que valia
seis vezes o preço do solo. A verdade é que o vendedor gabou a vista, e, então, fez a
transferência do imóvel para o comprador – negócio acabado. Depois, o ex-proprietário, o
vendedor, que sabia da proibição da prefeitura municipal de construção elevada no imóvel,
em seguida, conseguiu na prefeitura a alteração do plano da cidade, para que fosse
permitido ali fazer uma construção. Quer dizer, ele construiu um prédio que tapava a vista
Direito Civil 80

do próprio terreno que havia vendido ao outro - esse ato não era literalmente ato ilícito.
Ele, primeiramente, cumpriu a sua parte; depois, comprou outro terreno, foi à prefeitura,
mudou o plano, e, aí, construiu. A única solução para o caso é aplicar a regra de boa-fé.
Ele faltou com lealdade no contrato que já estava executado. Perturbou a satisfação do
comprador, resultante do contrato já cumprido.

 Limitadora – art. 187 CC – Teoria do abuso de direito – origem – Justiniano


– o exercício de um direito não deve trazer prejuízos a outrem.
Difere do ato emulativo – direito praticado com exclusivo intuito de causar dano a
outrem – espírito de porco.
Evolução para a teoria do abuso do direito – o exercício abusivo está na violação dos
limites impostos pela boa-fé, fim social e econômico.

Exemplo Atual de abuso de direito:

Ex. 1: financiamento de veículo – 36 parcelas – inadimplemento da última – pode


entrar com busca e apreensão – viola o dever de lealdade, cooperação – houve
adimplemento substancial – deve ingressar com ação de cobrança. STJ Resp. 272739.

Ex2: Cobrança de cartão de crédito na conta corrente – clausula contratual abusiva.


ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA. Busca e apreensão. Falta da última prestação.
Adimplemento substancial. O cumprimento do contrato de financiamento, com a
falta apenas da última prestação, não autoriza o credor a lançar mão da ação de busca e
apreensão, em lugar da cobrança da parcela faltante. O adimplemento substancial do
contrato pelo devedor não autoriza ao credor a propositura de ação para a extinção do
contrato, salvo se demonstrada a perda do interesse na continuidade da execução, que não
é o caso. Na espécie, ainda houve a consignação judicial do valor da última parcela. Não
atende à exigência da boa-fé objetiva a atitude do credor que desconhece esses fatos e
promove a busca e apreensão, com pedido liminar de reintegração de posse. Recurso não
conhecido.
“Conta-corrente. Apropriação do saldo pelo banco credor. Numerário destinado ao
pagamento de salários. Abuso de direito. Boa fé. Age com abuso de direito e viola a boa fé
o banco que, invocando cláusula contratual constante do contrato de financiamento, cobra-
se lançando mão do numerário depositado pela correntista em conta destinada ao
pagamento de salários de seus empregados, cujo numerário teria sido obtido junto ao
BNDES. A cláusula que permite esse procedimento é mais abusiva do que a cláusula
mandato, pois, enquanto esta autoriza apenas a constituição do título, aquela permite a
cobrança pelos próprios meios do credor, nos valores e no momento por ele escolhidos. ”
(STJ, Ac., 4ª., T., REsp. 25. 052-3/SP, rel. Min. Ruy Rosado de guiar Jr., v.u., j. 19.10.2000.
DJU 18.12.2000, p.203).
Direito Civil 81

Abuso do direito na função Limitadora de Direitos Subjetivos

Venire contra factum proprium


Conceito – vedação ao exercício de um direito em contradição com comportamento
anterior – são duas condutas lícitas, mas que somadas se tornam ilícitas por ferir os limites
impostos pela boa-fé. Art. 187 do CC.

Há o abuso do direito quando é frustrado uma legítima expectativa de um


comportamento anterior.

É um gênero de comportamento contraditório enquanto supressio e surrectio seriam


espécies.

Exemplo - (REsp 95539/SP) – Casal vende uma casa – Só o homem assina a


promessa. A prefeitura embarga a obra do comprador mas aciona os antigos donos na
justiça (Marido e mulher) que se defendem dizendo que venderam a casa – posteriormente
a mulher ingressa com ação anulatória dizendo que não deu outorga – contradição com o
outro processo.

Objetivo: proteção da confiança.

Exemplos de positivação – art. 476, 172, 491 e 619 do CC.

OBS: Diferença de Venire para o princípio de que ninguém pode alegar a própria
torpeza. Nos dois existe conduta posterior contraditória com a conduta anteriormente
pratica. Mas no segundo há o elemento anímico – torpeza, dolo, malícia de quem praticou.
Existe uma má fé subjetiva.

Supressio
Direito Civil 82

Conceito: quando o não exercício reiterado de um direito por certo lapso de tempo
gera a expectativa legitima de que não será mais exercido, sem que com isso fira a boa-fé
objetiva.

Sanção – Paralisação de um direito pelo não exercício abusivo (inatividade abusiva),


e exercício desleal.

É supressio, pois suprime o direito, se o exercê-lo será configurado o abuso de direito.

Exemplos no STJ: Condomínio – área comum. Não poderia ter alegado usucapião
pois não há usucapião de área comum.

“Área comum. Prescrição. Boa-fé. Área destinada a corredor, que perdeu sua
finalidade com a alteração do projeto e veio a ser ocupada com exclusividade por alguns
condôminos, com a concordância dos demais. Consolidada a situação há mais de vinte anos
sobre área não indispensável à existência do condomínio, é de ser mantido o status quo.
Aplicação do princípio da boa-fé (suppressio). Recurso conhecido e provido. ” Resp
214680

“PROCESSUAL. CIVIL. CONDOMÍNIO. ÁREA COMUM. UTILIZAÇÃO


EXCLUSIVA. USOPROLONGADO. AUTORIZAÇÃO DA ASSEMBLÉIA
CONDOMINIAL. PRINCÍPIO DABOA-FÉ OBJETIVA. RAZÃO PONDERÁVEL.
INOCORRÊNCIA.
- Detenção concedida pelo condomínio para que determinado condômino anexe à
respectiva unidade, um fundo de corredor inútil para uso coletivo. Decorrido longo tempo
e constatada a boa-fé, o condomínio, sem demonstrar fato novo, não pode retomar a área
objeto da permissão. ” Resp 325870

Pode ocorrer supressio muito antes da prescrição de um prazo prescricional.

OBS: Subespécie de venire – comportamento inicial (comportamento omissivo) –


contradição (exercício do direito).

Questão: José Ribamar é cliente da Administradora de Cartões de Crédito


CREDIFACIL há mais de 5 anos. Durante todo esse tempo, por diversas vezes, Ribamar
se viu em dificuldades financeiras sem poder pagar as faturas do cartão de crédito na data
do vencimento, pagando sempre em momento posterior com os juros e multa devidos.
Ocorre que, em agosto de 2010, após Ribamar atrasar um novo pagamento, a
CREDIFACIL rescindiu unilateralmente o contrato, alegando cláusula contratual (em
destaque no corpo do contrato e em todas as faturas de cobrança do cartão) que dispõe que
o inadimplemento dá azo à rescisão do contrato.

Surrectio
Conceito: o exercício reiterado de um comportamento ao arrepio do convencionado
ou do ordenamento jurídico, gera a expectativa de que assim continuará a ser exercido,
Direito Civil 83

implicando em nova fonte de direito subjetivo, estabilizando tal situação para o futuro, sob
pena de ferir a confiança e a boa-fé.

Dois lados da mesma moeda: Supressio e Surrectio.

Ex: Contrato – acordado que o pagamento será feito em dinheiro e pessoalmente no


dia 10 de cada mês. Durante 10 anos é feito em cheque, pelo correio e no dia 15.

No caso do condomínio cuja posição consolidada do STJ está acima, a surrectio é


aquele direito errado que passou a ser do condômino.

Tu Quoque
Tu quoque, Brutus, tu quoque, fili mili? – Até tu Brutus, filho meu?
Aquele que descumpre reiteradamente uma norma legal/contratual/convencional não
pode em momento posterior se valer/exigir a mesma norma sob pena de lesar a legítima
expectativa gerada em terceiros no momento do descumprimento da norma.

O que não é razoável é que se cobre a multa de uma hora para outra, quando nunca
foi antes cobrada.

Comportamentos contraditórios como no venire, mas em vez de dois


comportamentos lícitos que na confrontação tornam-se ilícitos – aqui os dois
comportamentos já são ilícitos.

Ex.: No condomínio Barroso, o morador do apartamento 502 é detentor de 05


cachorros, porte grande, e apesar das sucessivas reclamações dos demais condômino nunca
sofreu qualquer sanção por parte do sindico. No entanto, quando o morador do apartamento
303, desafeto pessoal do síndico, adquiriu um cachorro de porte pequeno, imediatamente
sofreu sanções.

Título IV – Da Prescrição e da Decadência


São institutos que são fatos jurídicos extintivos que decorrem de uma inércia de um
titular de um direito, operam-se em decorrência do passar do tempo.

Direito e o Tempo

Tempo como elemento de produção de efeitos jurídicos – Fato Jurídico Natural


Ordinário.

Fenômeno Extintivo e Aquisitivo:


Direito Civil 84

Na usucapião temos o decurso de tempo (fato jurídico natural ordinário) com o


fenômeno aquisitivo, pois aquele que possui o bem com animus domine por um tempo, etc
adquire a propriedade. Ex.: art. 1.238 CC – usucapião extraordinário.

Usucapião–Aplicação das regras de suspensão e interrupção – art.1244 do CC.

Ex.: Não corre prescrição nem usucapião contra o absolutamente incapaz–


Possuidor há 10 anos – Morre o proprietário que deixa um filho de 10 anos. Só vai correr
a prescrição depois dos 16anos–11 anos total para usucapir.

Exceção: Corre usucapião apesar de não correr prescrição – art.198, I (não corre
prescrição contra o absolutamente incapaz) c/c 1240-A – Usucapião familiar.

Critério Científico para distinguir prescrição e decadência


Método de Agnelo Amorim Filho

Direito ao
Crédito

Direito da
Personalidade

Prescrição
Direito Civil 85

É a perda de uma pretensão de exigir de alguém (pessoa certa e determinada – direito


relativo) um determinado comportamento (patrimonial).
É um fato jurídico extintivo.
A origem da prescrição é a violação de um direito subjetivo, poder que a lei confere
para exigir de outrem uma prestação.
Tem por objeto (controvérsia doutrinária, pode ser o próprio direito subjetivo.
Tempos depois dizia-se que ação para reclamação é que prescrevia, mesmo essa sendo
direito subjetivo público. O que prescreve não é ação, nem o próprio direito, mas a
pretensão. Art. 189 do CC o direito positivo afirma que se extingue a prescrição nos prazos
do art. 205 e 206 do CC.
A prescrição se divide em exintiva (tratada como prescrição prescritiva disposta no
art. 167 do CC) e aquisitiva (extingue a pretensão é no mesmo momento faz nascer um
direito. Ex.: A usucapião. Fica na parte do direito das coisas e não na parte geral. É o
mesmo instituto.

OUVIR 5 até 15 min parte 2 dia 17.03.2017

Favorece, a prescrição, ao devedor.

 Ligada a direitos relativos e patrimoniais


Nem todo direito subjetivo prescreve – absolutos e não patrimoniais. Ex.:
Personalidade e reinvindicação de propriedade não prescreve.

 Interesse Meramente Particular


OBS.: Não é a perda do direito de ação – que é direito público e abstrato – art. 882
CC – quem paga dívida prescrita não pode repetir (cobrar novamente). Perde-se a pretensão
e não o direito em si.

O direito subjetivo se divide em: Patrimonial (Ex.: direito ao crédito) e


Extrapatrimonial (direitos da personalidade).

O direito de credito é patrimonial, subjetivo e relativo.


O direito de propriedade é patrimonial, subjetivo e absoluto.

Início do Prazo Prescricional

De acordo com o art. 189 CC, o prazo começaria a fluir do momento em que a
pretensão nasce para o titular da pretensão. Com a violação do direito.

Se ocorrer uma causa suspensiva antes do início do prazo, ela será na verdade
impeditiva que irá esperar a situação cessar para começar a prescrição.

Teoria da Actio Nata

A tese da actio nata significa que o termo inicial do prazo prescricional não é,
necessariamente, a violação do direito, mas o conhecimento dessa violação.
Direito Civil 86

O STJ vem temperando a dureza do art. 189 partindo da premissa de que o prazo
prescricional somente pode ter início quando o titular toma conhecimento da violação do
seu direito.

Súmula 278 do STJ: O termo inicial do prazo prescricional, na ação de indenização,


é a data em que o segurado teve ciência inequívoca da incapacidade laboral.

Súmula 225 do STJ

OBS: No art. 27, do CDC, existe acolhimento expresso da tese da actio nata. Traz o
prazo prescricional de 5 anos para reparar o fato do produto.

Características da Prescrição

1. Questão de Interesse Privado – Prescrição é perda da pretensão-Direitos


subjetivos patrimoniais privados.

2. Admite renúncia (Expressa ou Tácita) – do direito de alegar a renúncia, o


devedor. A renúncia tem limites – art. 191 CC:

 Capacidade Plena – se a pessoa é incapaz, não pode dispor de patrimônio,


logo não pode renunciar.

 Inexistência de prejuízo de credores – Se a renúncia da prescrição acarretar


prejuízo aos credores pode caracterizar fraude.

 Só é possível renunciar à prescrição depois de efetivamente consumada


– é nula toda e qualquer cláusula de renúncia antecipada de prescrição.
Ninguém pode ainda dispor de um patrimônio que ainda não tem.

Não se admite a renúncia previa à prescrição. Se isso fosse possível, o instituto já


teria desaparecido, pois os credores exigiriam que os devedores renunciassem a esse
direito.
Pode ser renunciada após a prescrição, mas não antes. Pode pagar uma divida
prescrita. Logo a prescrição não fulmina o próprio direito. Logo, o devedor poderá pagará
após a prescrição já ter ocorrido.
Pode se dar de forma expressa. Na prática ocorre a renúncia tácita no momento em
que o devedor voluntariamente procura o credor e lhe oferece o pagamento depois da
prescrição, está renunciando ao pagamento.
O devedor não renúncia a prescrição, mas o prazo que correu.

OBS.: NCPC – contagem de prazos processuais em dias úteis. Não se aplica aos
prazos de prescrição e decadência, pois são prazos de direito material, continuam a ser
contados em dias corridos.
Direito Civil 87

3. Reconhecida de ofício – não é natural, mas expressamente a lei autoriza ao juiz


a reconhecer de ofício – art. 487 NCPC.

Apesar da literalidade da lei, o juiz somente pode conhecer de ofício a prescrição


depois de intimadas as partes – depois de formalizado o devido processo legal.

o É preciso verificar se houve ou não renúncia da prescrição.


o Se houve ou não suspensão ou interrupção do prazo.

Para maioria da doutrina não é possível o juiz reconhecer prescrição de oficio na


sentença prima facie. Para a doutrina é necessário ter o contraditório das partes envolvidas.

OBS.: O réu pode ter interesse que ao invés de ser reconhecida a prescrição, seja
reconhecida que está sendo cobrada uma dívida que já foi paga ou indevida, e pedir a
improcedência da ação, com repetição de indébito em pedido contraposto.

Renúncia da prescrição X conhecimento ex oficio

Enunciado 295 da Jornada de Direito Civil – Art. 191. A revogação do art. 194 do
Código Civil pela Lei n. 11.280/2006, que determina ao juízo reconhecimento de ofício da
prescrição, não retira do devedor a possibilidade de renúncia admitida no art. 191 do texto
codificado.

OBS.: Apesar de ser de interesse privado –Os prazos prescricionais não podem ser
modificados pela vontade das partes. Art. 192 do CC.
Pois isso acabaria sendo uma hipótese de renúncia antecipada.

4. Pode ser alegada em qualquer tempo e grau de jurisdição – art. 193 – pode
ser alegada em qualquer grau de jurisdição.

A prescrição pode ser alegada a qualquer tempo ou grau de jurisdição nas instancias
ordinárias (primeiro grau e segundo grau).

OBS: Somente é possível discutir prescrição nas instâncias excepcionais quando


houver prequestionamento (debater e obter uma decisão judicial). STF e STJ

o Efeito Translativo (expansivo) Minoritário – Toda vez que um recurso atende aos
pressupostos recursais de admissibilidade, a instancia é aberta - todas as questões
de mérito são devolvidas ao julgador – mesmo aquelas ainda não decididas. AgRG
no Resp 773655.

o Majoritário – Tem que prequestionar a Prescrição – AgRg no EREsp 995342.

5. Admite Suspensão e Interrupção.


Direito Civil 88

A lei vai trazer os fatos que obstam o curso do prazo prescricional, dependendo do
momento da lesão do direito subjetivo do caso poderá ser uma causa impeditiva ou
suspensiva ou interruptiva.

o Causas Impeditivas – o prazo não sai do zero, ele não se inicia. Art.
197 do CC. Não corre em função de um relacionamento entre os
envolvidos.
 No momento em que o casal se separa, começa a correr a prescrição.
Entre companheiros corre? Problema em como comprovar a união
estável.
 1ª corrente: A regra não protege os companheiros, pois a lei só fala
sobre cônjuge.
 2ª corrente: art. 226 da CRFB estende a família da união estável os
efeitos da família do casamento. Portanto, impede a prescrição a união
estável também para os companheiros.

 Entre ascendentes e descendentes.


 Tutores e curadores durante a tutela e curatela.

Sem relação jurídica entre os envolvidos que se recomenda que não haja prescrição
por uma situação de fato.
 Incapazes – art. 3º - absolutamente incapazes.
 Ausentes do país serviço da união e servindo as forças armadas em
tempo de guerra.

o Causas Suspensivas – o prazo começa a correr e por algum fato é


suspenso/paralisado - durante a pendência desse fato não transcorre o
prazo prescricional. Como se pausasse um filme. Art. 199 CC. Não há
relação jurídica entre os envolvidos e nem situação de fato que
impede, mas um evento futuro que suspende a prescrição.
o Pendendo ação de evicção –

o Causas Interruptivas – O prazo começa a correr e por algum motivo


previsto na lei esse para e quando recomeça, começa do início, você
ganha o prazo de volta. Como se fosse o Stop do filme.

Diferenciação entre causas Impeditivas/Suspensivas X Interruptivas

Diferenciação entre as causas impeditivas e suspensivas é o momento em que ocorre


a prescrição.

Causas Suspensivas/Impeditivas – aspectos subjetivos (quando está ligado a algo


subjetivo das partes). Se o prazo já começou a correr–suspensão; senão impeditivas - arts.
197, 198 e 199 do CC. Rol exemplificativo.
Todas as causas suspensivas são extrajudiciais.
Direito Civil 89

Retoma-se a contagem quando cessada a causa que a originou

Causas Interruptivas – Aspectos objetivos – art. 202 do CC (algum ato que foi
praticado). Rol exemplificativo.
Retoma-se a contagem com o trânsito em julgado (regra, pois a maioria das causas
são judiciais). Apenas duas são extrajudiciais: confissão de dívida e protesto cambiário
(prazo volta a correr no dia seguinte à prática do ato).

A prescrição pode ser interrompida por despacho do juiz, mesmo incompetente, que
ordenar a citação, se o interessado a promover no prazo e na forma da lei processual (art.
202, I do CC):

Art. 240 §1º do NCPC–causa interruptiva da prescrição é o despacho do juiz, cujo os


efeitos retroagem à data da propositura da ação.

OBS.: Mesmo que o processo seja extinto sem resolução do mérito. Súmula 106 do
STJ e Súmula 268 do TST.

Contra non valentem agere non currit praescriptio (Nenhuma prescrição corre
contra quem não pode agir). Caio Mario
Possibilidade de o juiz admitir hipóteses não previstas em lei.
Pessoas em coma ou AVC.
Pessoas com deficiência mental que não possa exprimir sua vontade.
Enquadradas no art. 4, III do CC
Correr a prescrição o contra os relativamente incapazes.
Juiz poderia determinar o impedimento/suspensão neste caso.

Questões Polêmicas:
Direito Civil 90

Prazos ordinários
No CC de 2002 passaram a ser de 3 anos e não mais de 20 anos como no CC de 1916.

Prazos extraordinários do art. 206 do CC.


São menores, pois repercutem na vida social e permitem que o credor aja mais
rapidamente.
O CC de 2002 reduziu os prazos. No art. 206 do CC.

EXCEÇÃO: Art. 924, V NCPC – Extingue-se a execução quando ocorrer a


prescrição intercorrente. O exequente busca seu direito, mas o executado não tem bens em
seu patrimônio que possam ser penhorados. Levando isto em consideração o magistrado
irá suspender a execução por 1 ano. Durante este tempo também fica suspensa a prescrição,
pois depois que tem a coisa julgada volta a correr o prazo prescricional e pretensão
executória extingue-se no mesmo prazo da ação de conhecimento.

Obs.: questão prova de magistratura RJ 1ª fase 2014


João nasceu em 14 de setembro de 1990, tendo sido atropelado por um ônibus da
empresa Aliança Transportes, em 12 de agosto de 1995. Na ocasião, seus pais não se
interessaram em reclamar indenização da empresa, entretanto, ao completar 18 anos, João
constituiu um advogado que propôs a ação de reparação de danos em 15 de março de 2011.
O juiz, ao apreciar a causa, entendeu que esta se encontrava prescrita. Em razão desse fato,
assinale a alternativa correta.

(A) A ação prescreveu em 12 de agosto de 1998.


(B) A ação prescreveu em 14 de setembro de 2009.
(C) Não houve prescrição, o que ocorreria em 14 de setembro de 2011.
(D) Não houve prescrição, o que ocorreria em 12 de agosto de 2015.
Direito Civil 91

Comentários: 1º passo - verifica-se que a relação jurídica é de responsabilidade civil.


Art. 206 CC (lá no §3º, V estabelece o prazo de 3 anos).
2º passo – prazo de 3 anos que se inicia da lesão (12.08.1995) que ele era menor.
3º passo - Contudo, começa a contar da data do aniversário de 16 anos (14.09.2006).
Logo a ação prescreveu em 14.08.2009 que é exatamente 3 anos após a o aniversário de 16
anos.

Prescrição CC 1916

O prazo era de 20 anos e foi reduzido para 3 anos.


Isso trouxe um conflito intertemporal. Regra de transição do art, 2.028 do CC.

“Art. 2.028 CC 2002 - Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este
Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do
tempo estabelecido na lei revogada. ”

Aplica-se o prazo da lei anterior quando na entrada em vigor do CC 2002 já houver


transcorrido mais da metade dos 20 anos. Valerá os 20 anos.
Se for menos da metade de 20 anos (menos de 10 anos), valerá o prazo da nova lei a
partir de 2003 (vigência do novo código).
11.01.2003

Decadência
É a perda de um direito potestativo que não foi exercido no tempo previsto em lei.
Direito potestativo – direito de exigir algo de alguém sem possibilidade de
contestação.

É a perda de um direito que não foi exercido pelo seu titular no prazo previsto em lei
(decadência legal), ou no prazo previsto pelas partes (decadência convencional).

Prazos decadenciais legais não podem ser alterado pelas partes.

Prazo decadencial convencional ou contratual quando estabelecido pelas partes.

CDC permite a suspensão da decadência – exceção a regra de não suspensão.

 Interesse público – Manifestação de vontade do titular acaba afetando toda


a coletividade. Prazo anulatório.
Direito Civil 92

Primeiro deixa transcorrer o prazo da decadência convencional (da garantia) para


depois contar o prazo da decadência legal.
Direito Civil 93

Título V – Da Prova

PARTE ESPECIAL

Livro I - Do Direito das Obrigações

Conceito de obrigações:
Segundo Clóvis Beviláqua, obrigação é a limitação do direito fundamental da
liberdade por meio do exercício da autonomia da vontade.
Direito Civil 94

Obrigação é uma relação jurídica transitória que vai se estabelecer entre dois ou mais
sujeitos de modo que um ou alguns deles deverão satisfazer uma prestação em benefício
do outro. A prestação será sempre fato do devedor ser uma prestação positiva (dar e fazer)
ou negativa (não fazer).

Donizzete critica o fato de parte da doutrina incluir nesse conceito a garantia do


cumprimento da obrigação seria um dos elementos da obrigação como o sujeito, o objeto
e o vínculo. Contudo, o autor encaixa isso como elemento extrínseco. Isto ocorre pois o
autor afirma ser a garantia do cumprimento da obrigação referente a eficácia do vínculo
jurídico acerca do crédito (elemento imaterial, virtual ou espiritual).

Relação Jurídica Obrigacional X Relação Jurídica real


Direitos reais (absolutos) X Direitos obrigacionais (relativos)

A todo um direito corresponde um dever (vale para os dois).

Direito absoluto = relação jurídica entre um sujeito determinado (direito) e toda


coletividade (dever). É oponível erga omnes. Objeto é um bem. O dever aqui é sempre
negativo, é uma inação (abstenção de qualquer ato que possa estorvar o direito, que não
implique na privação de um direito de quem dispõe desse dever). Não afetaria qualquer
direito daquele que detém o dever de se abster, pois essa abstenção sugere não exercer atos
de propriedade sobre o mesmo imóvel, por exemplo. Tem como limite ao seu exercício o
respeito a boa-fé objetiva, sua finalidade econômica e social. (art. 187 do CC).

Direito relativo = manifesta-se numa relação jurídica polarizada, sujeitos certos e


determinados. Objeto é um fato, uma conduta do devedor. Efeitos somente entre as partes
envolvidas na relação direta (oponível intra partes). O sujeito de dever (devedor) se priva
de um direito anterior voluntariamente em favor do sujeito de direito (credor).

Direito Absoluto X Direito Potestativo = o primeiro é a relação jurídica entre o titular


e toda a coletividade que recai sobre um bem. Já o segundo é um direito de um sujeito cujo
exercício recai na esfera jurídica de outrem que com o titular do direito não travou relação
jurídica, mas que não pode se opor àquele exercício.

Direito Relativo X Direito Subjetivo = O primeiro é a relação jurídica entre sujeitos


determinados que recai sobre um fato e importa na privação na esfera do titular do dever
correspondente. Já o direito subjetivoé a faculdade de realizar uma conduta ou de exigi-la
de alguém incorporada à esfera jurídica de um sujeito por previsão do ordenamento
jurídico.

Existem, contudo, obrigações que geram efeitos reais – ex.: obrigação propter rem
ou própria da coisa; também denominada obrigação ambulatória, pois segue onde quer que
se encontre. Ex.: obrigações tributárias que recaiam sobre o imóvel (IPTU) e obrigação do
proprietário em pagas as despesas do condomínio.
Direito Civil 95

Elementos da Relação Obrigacional:


São os elementos essenciais da obrigação: Vínculo jurídico, sujeitos e objeto.

Não confundir com os elementos essenciais do ato jurídico (sujeito, objeto e


vontade), pois são institutos diferentes. A vontade não integra os elementos essenciais da
obrigação.

Ideal, Imaterial ou Espiritual


É o liame que vincula o credor e o devedor.
É o vínculo jurídico da relação obrigacional.
Está expresso no art. 391 do CC: princípio da responsabilidade patrimonial do
devedor.

Da leitura do art. 391 do CC podemos entender que todos os bens do devedor


respondem pelo inadimplemento da obrigação. Contudo os bens impenhoráveis não
respondem, segundo o art. 789 e 833 do CPC.

O vínculo pode ser simples os sinalagmático (veremos no próximo elemento).

Subjetivo
São os elementos pessoais, as pessoas envolvidas na relação jurídica obrigacional:
Direito Civil 96

 Sujeito ativo – é o beneficiário da obrigação (pessoa natural ou jurídica ou


ente despersonalizado). É o credor. Quem tem o direito de exigir o
cumprimento da obrigação.

 Sujeito passivo – é aquele quem assume um dever de cumprir o conteúdo da


obrigação, sob pena de responder com seu patrimônio. É o devedor.

Obs.: Na maioria das vezes as partes assumem ao mesmo tempo a posição de credora
e devedora. É a relação sinalagmática ou relação jurídica obrigacional complexa.

Direito Direito

Parte 1 Parte 2

Dever Dever

Sinalagma
O sinalagma, como aponta o gráfico e Tartuce, conduz a um ponto de equilíbrio. A
quebra do sinalagma gera a onerosidade excessiva (desequilíbrio negocial, como um efeito
gangorra).

No plano da existência a obrigação existirá se as pessoas naturais ou jurídicas ou


entes despersonalizados existirem.
No plano da validade, a obrigação será válida se os sujeitos tiverem capacidade de
fato. Logo a capacidade é um requisito de validade e não de existência da obrigação.

Objetivo
É a prestação, cujo conteúdo pode ser: entregar, fazer ou não fazer.
A prestação é a atividade do devedor que satisfazer o interesse do credor.
O objeto da prestação necessariamente irá consistir em uma:

o Entrega – obrigação de dar;


o Atividade ou serviço – obrigação de fazer;
o Abstenção – obrigação de não fazer – negativa.

O objeto mediato da obrigação ou objeto imediato da prestação é o bem jurídico


tutelado. A entrega da coisa, a atividade ou serviço, a abstenção.
Direito Civil 97

Para a obrigação ser válida deve respeitar os requisitos de validade do objeto lícito,
possível, determinado ou determinável e forma prescrita ou não defesa em lei (art. 104
CC).

Teorias acerca do Vínculo Jurídico/Essência da


Obrigação
Pode ser subdivida em débito (Shuld) e responsabilidade (Haftung). Em regra,
quem tem o débito tem o dever de cumprir a obrigação, um dever originário. Esse débito
gera também uma responsabilidade que só é gerada (PRESSUPOSTO) quando a obrigação
não é cumprida, ou seja, não é automática. A responsabilidade será sempre patrimonial e
não pessoal, é o patrimônio que vai responder pela obrigação (art. 391 CC).

Não aplicar o art. 186 e 927 do CC para responsabilizar nesses casos, pois estes
dispositivos tratam da responsabilidade extracontratual. Questão da Teoria Dualista.

Teoria Monista Objetiva


Para esta teoria, o débito diz respeito a pessoa do devedor, apenas a responsabilidade
que diz respeito ao patrimônio do devedor.

Teoria Dualista
Sustenta que existem obrigações perfeitas e imperfeitas.

Obrigação perfeita = Aquela em que estão presentes o débito e a responsabilidade,


sendo que tais elementos recaem sobre o mesmo sujeito.

Obrigação imperfeita = Haverá a presença de um elemento sem que haja a presença


do outro, ou ainda, se ambos elementos estiverem presentes (débito e responsabilidade) os
mesmos irão recair sobre sujeitos diversos.

Exemplos de Débito sem responsabilidade:


 Obrigações Naturais: se o dever de cumprir a obrigação não for adimplido não
enseja responsabilidade. Ex.: dívida prescrita, dívida de jogo ou aposta (art. 814 c/c
882 CC).
 Empréstimo para aposta (≠concurso prognóstico – Telesena, raspadinha) – art.
815 CC.
 Fiança no contrato de jogo e aposta – art. 814, §1º do CC.

Neste caso, a dívida se torna inexigível.

Exemplos de Responsabilidade sem Débito


Direito Civil 98

Na obrigação imperfeita quando alguém mesmo sem descumprir o débito é cobrado


para cumpri-la. Responsabilidade patrimonial secundária – caso clássico do fiador.

Ex.: Fiança – ele é responsável pelo cumprimento mesmo que não tenha constituído
o débito. O fiador só se torna devedor primário se assumir expressamente a condição de
devedor solidário ou abdicar do benefício de ordem (art. 827 do CC).

A renúncia do fiador não pode ser inserida nos contratos de adesão – art. 424 c/c 828
do CC.

Obs.: Contrato de Adesão - É o contrato em que uma das partes não discute as
cláusulas dele, ou aceita ou não.

Hoje a Responsabilidade é patrimonial. O único resquício de responsabilidade pela


pessoa é a de Prisão Civil pelo devedor de alimentos.

Prisão Civil do Depositário Infiel


Conceito de depósito: Quando instado, não devolve o bem que lhe fora conferido
em confiança para guarda e conservação, quer seja por um contrato, ou por uma decisão
judicial.

Dec. Lei 911/69 c/c dec. 592/62 – art. 11 e art. 5º LXVII da CRFB.
Em 2008 o STF – RE 466 343 – Controle de Convencionalidade – a partir do
momento que um tratado de direitos humanos ingressa no nosso ordenamento jurídico
todas as normas infraconstitucionais devem se adequar a ele – porque tem status de supra-
legalidade. Não sendo possível a prisão civil baseada em deposito civil ou depósito judicial
– S.V. 25 STF.

O Pacto São Jose da Costa Rica não extinguiu a prisão civil do depositário infiel. Ele
é posterior a CRFB. A CF prevê a prisão civil do depositário infiel. Pode um pacto revogar
a constituição, ainda mais uma cláusula pétrea? Não, mas por decreto legislativo o Pacto
que versa sobre direitos humanos ganha um caráter supralegal.

O CC também prevê a prisão civil, mas ele como é lei ordinária com certeza sofrerá
impacto do Pacto. – Fica o CC paralisado pelo Pacto, mesmo com a CRFB permitindo.

CRFB (permite) – Pacto (proíbe) – CC (permite).

Teoria Eclética - Francesco Ferrara


Defende que não podemos nos prender a ideia estática de obrigação polarizada em
polo ativo e passivo quando a obrigação passa a ter uma dinâmica própria.
Direito Civil 99

OBS.: Obrigação X Dever X Ônus X Direito Potestativo – O dever jurídico engloba


além das relações obrigacionais de direito pessoal, aquelas de natureza real (direito das
coisas). Na obrigação o dever jurídico do devedor é de prestar enquanto o credor tem
direitos subjetivo à prestação que se inadimplido poderá interferir na esfera patrimonial do
devedor. O dever jurídico ao contrário do direito subjetivo relaciona-se aos prazos
prescrição do art. 205 e 206 do CC.
Ônus jurídico é a necessidade de agir de certo modo para a tutela de interesses
próprios. O ônus gera consequência para a parte que o depende, já o dever gera
consequência para as partes envolvidas e daí surge a responsabilidade.
Direito potestativo é aquele que se contrapõe a um estado de sujeição; é o poder de
influir na esfera de outrem, sem que esta tenha algum dever a cumprir. Relaciona-se com
os prazos decadenciais.

Fontes das Obrigações


 Lei – existem autores que requerem a presença da autonomia da vontade.
 Contratos – fonte principal do direito obrigacional. Contrato e obrigação não
se confundem – aquele é o negócio jurídico bilateral ou plurilateral que visa
à criação, modificação e extinção de direitos e deveres com conteúdo
patrimonial. O professor diz que é a manifestação de vontade (bilateral) e não
o contrato em si.
 Atos ilícitos e abuso de direito – geram o dever de indenizar (art. 187 do CC).
 Atos unilaterais – são as declarações unilaterais de vontade:
o Promessa de recompensa - arts. 854 a 860 do CC – quando alguém se
compromete a recompensar ou gratificar outrem que preencha
determinada condição ou desempenhe certo serviço. Princípio da boa-
fé e da eticidade. Pode ser revogada desde que com a mesma
publicidade, mas quem tiver despesas para realizar a condição terá
direito a reembolso (art. 856 CC). Quem realizar a condição sem saber
que a promessa foi revogada terá direito a recompensa (Tartuce) pelo
principio da boa-fé e eticidade (art. 855 CC). Na execução plúrima,
tem direito aquele que a executou primeiro (art. 857 CC), mas se
simultânea, cada um receberá um quinhão, caso indivisível, a
recompensa será por sorteio e quem tiver a coisa dará ao outro o valor
de seu quinhão (art. 858 CC). Restante na letra da lei.
o Gestão de negócios – art. 861-875 CC – indivíduo que age sem
autorização do interessado na gestão do negócio (não tem natureza de
contrato pela falta de prévio acordo de vontade). É negócio jurídico
informal e pode ser provada de qualquer forma – art. 107 CC. Restante
na letra da lei.
o Pagamento indevido – arts. 876-883 do CC – Divide a doutrina em
pagamento objetivo (quando a dívida não existe ou é injusta) e em
subjetivo (quando pago a pessoa errada). No pagamento indevido ao
contrário da cobrança indevida não há a restituição em dobro.
Restante na letra da lei.
Direito Civil 100

o Enriquecimento sem causa – art. 884-886 do CC - gênero do


pagamento indevido – baseia-se no princípio da eticidade, quem
enriquece sem causa a custa de outrem deve restituir a este último com
atualização monetária. Não se confunde com o enriquecimento ilícito
(é também sem causa, mas se funda num ato ilícito).

 Títulos de Crédito - somente se aplica aos títulos de crédito atípicos, aqueles


sem previsão legal específica (art. 903 do CC).

Obrigação como um processo (Karl Larenz/ Clóvis do


Couto e Silva):

Histórico

Processo de colaboração continua e efetiva entre as partes (Couto e Silva):

A obrigação é dinâmica, deve ser vista como um processo (serie de atos relacionados
entre si) que desde o início caminha com uma finalidade: a satisfação da prestação.
Não mais deve prevalecer a ideia formal de ví nculo jurídico que subordina o devedor
ao credor, mas sim a noção de relação jurídica voltada para o adimplemento de forma mais
satisfativa para o credor, e menos onerosa para o devedor – parceiros de um bem comum.
Solidariedade mediante cooperação dos indivíduos através do respeito da boa-fé
objetiva, função social do contrato e da dignidade de credor e devedor.
O ato ilícito também é fonte das obrigações. Caso ocorra, vai gerar responsabilidade.

Duty to mitigate the loss (Dever de mitigar as próprias perdas)

Traz uma ideia clara de cooperação.


À luz do princípio da boa-fé objetiva, na relação obrigacional até mesmo o credor,
em cooperação com o devedor, deve atuar para mitigar a extensão do débito, para evitar a
crise de cooperação.
Direito Civil 101

Quando o credor exerce seu direito creditório, tem um dever imposto pela boa-fé de
não cometer qualquer conduta comissiva ou omissiva que possa gerar prejuízo para si
mesmo e indiretamente acabe agravando a situação do devedor.
Enunciado 169 da Jornada de Direito Civil – Art. 422: O princípio da boa-fé objetiva
deve levar o credor a evitar o agravamento do próprio prejuízo.
Aqui se encaixa a tese do super-endividamento – Claudia Lima Marques. O credor
tem de ter boa-fé para facilitar o devedor ao adimplemento. Alargando prazos, diminuindo
juros; ao invés de conceder mais crédito.

Tese do Adimplemento Substancial ou Substanciam Performance ou


Inadimplemento Mínimo

Em função dos deveres anexos de boa-fé (lealdade, confiança, cooperação e


informação), não é justo tratar um devedor que vem cumprindo corretamente sua obrigação
ao longo do tempo, que praticamente cumpriu toda a obrigação, adimpliu substancialmente
o contrato ou ficou devendo de maneira mínima; não é justo tratá-lo igualmente ao devedor
que não pagou nada.
É comum nas obrigações de trato sucessivo.
Pode-se aplicar esta ideia para evitar um meio gravoso de cobrança.
Visa coibir o abuso do direito do credor, pois extrapola os limites da boa-fé, mesmo
que tenha direito.

Ex. de questão: Conceituar Adimplemento Substancial e dar uma disposição


expressa contemplando essa tese no CC.
R.: Compra e Venda Ad Mensura (imóvel sob medida, tem de ter autorização do
município) e Compra e Venda Ad Corporis. Art. 500, §1º CC.

Classificação das obrigações


As obrigações podem envolver uma prestação positiva ou negativa.
Positiva quando houver uma ação ou comissão e negativa quando houver uma
abstenção ou omissão.
Direito Civil 102

Obrigação de dar
Ela pode significar transferência da posse, propriedade, ou restituição de uma posse
que foi transferida.
Num contrato de compra e venda quem tem de cumprir uma obrigação de dar é o
vendedor e o comprador tem a obrigação de dar uma quantia certa.
A tradição é voluntaria. Só com ela haverá transferência de propriedade, seja tradição
real ou ficta.

Ex.:

Obrigação de Dar Coisa Certa ou Obrigação Específica


Representa uma prestação certa, determinada e individualizada.
Coisa móvel ou coisa imóvel, cujas características foram acertadas pelas partes.

Art. 233 CC: “A obrigação de dar coisa certa abrange os acessórios dela embora não
mencionados, salvo se o contrário resultar do título ou das circunstâncias do caso. ” –
Abrange também os acessórios, porque aplica a regra do princípio da gravitação
jurídica mesmo que não conste no título. O acessório sempre irá acompanhar o principal.
Por acessórios entende-se os frutos, os produtos, as benfeitorias e as pertenças (art.
94 CC) que tenham natureza essencial.

Ex.:

Remissão art. 313 do CC: o credor não é obrigado a receber outra coisa ainda que
mais valiosa, quando a obrigação for de dar coisa certa.

Art. 241 CC – Se sobrevier melhoramento ou acréscimo à coisa, sem despesa ou


trabalho do devedor, o credor lucará, sem ter de indenizar o devedor. É a aplicação do res
perit domino para quando houver acréscimo.

Art. 242 do CC - De outro lado, aplica-se as regras das benfeitorias quando o devedor
tiver empregado trabalho para alcançar o resultado – art. 1.219 ao 1.222 do CC. Possuidor
Direito Civil 103

de boa-fé tem direito a indenização pelas benfeitorias, necessárias, úteis, voluptuárias (se
não pagas e puder levantá-las). Se de má-fé, somente será indenizado pelas necessárias e
não tem direito de retenção.
§único – mesmo tratamento no que tange aos frutos (arts. 1.214 ao 1.216 do CC).
Logo, se for o devedor um possuidor de boa-fé terá direito aos frutos. Se, com má-fé, não
tem direito e deve responder pelos frutos colhidos e percebidos e aqueles que por culpa
deixou perecer.

Art. 498 do CPC – fala sobre a ação que tutela a entrega de coisa e que caso
desrespeitada a multa diária (astreintes), poderá recorrer ao mandado de busca e apreensão
– art. 538 e 806 (execução de título extrajudicial para dar coisa certa) do CPC.

Responsabilidade pela perda do objeto ou deterioração da coisa

Art. 237 CC - Até o momento da tradição pertence ao devedor a coisa com os seus
melhoramentos (cômodos obrigacionais) e acrescidos, pelos quais poderá exigir aumento
no preço; se o credor não anuir, poderá o devedor resolver a obrigação.
§ún. – os frutos percebidos são do devedor; os pendentes do credor, aos quais cabem.

Perda (gênero) perecimento é a perda total do objeto ou perda parcial que é a


deterioração.

Verificar se houve culpa do possuidor:


 Com culpa – Paga perdas e danos.
 Sem culpa – Não paga perdas e danos e resolve-se a obrigação.
Direito Civil 104

Deterioração antes da tradição

 No dia 10/09/12 B informa que o objeto se deteriorou por caso fortuito.


 Deterioração – sem culpa – O credor decide se resolve o contrato ou fica com o
bem pedindo abatimento do preço (direito potestativo) – art. 235 do CC. Isto pois
ele não pode ser obrigado a receber prestação pior do que foi pactuada.
 Não tem perdas e danos.

Perda ou deterioração com culpa antes da tradição:

 Perda total – com culpa – O contrato vai se resolver – art. 234 do CC. Pode
pedir perdas e danos.

 Deterioração – com culpa – O credor decide se resolve a obrigação ou fica


com o bem – em ambos os casos tem direito à perdas e danos (art. 236 do
CC).

Obs.: ATENTAR PARA O MOMENTO DA PERDA OU DETERIORAÇÃO.


ANTES OU DEPOIS DA TRADIÇÃO.

Depois da tradição:

Segue a regra do res perit domino.


 Depois da tradição não pode o credor se voltar contra o devedor pela perda
ou deterioração da coisa.

 Exceções ao res perit domino


 Vícios redibitórios;
 Evicção.

Obrigação de Restituição

Nas obrigações de restituir ocorre apenas a transferência a posse, não havendo


transmissão de propriedade.

Ex: Comodato; Locação; Arrendamento; Depósito.

Não importa se o foi antes ou depois da restituição quem sofre a perda é o proprietário
que é o credor (dono) – Res perit domino antes ou depois – art. 238 do CC (quando fala
tradição leia-se restituição).

A obrigação de restituir se resolve sem perdas e danos caso não haja culpa. Se houver
culpa, o devedor é responsável ao equivalente que mais perdas e danos (art. 239) –
desembolsar o valor para cobrir o bem que se perdeu.
Direito Civil 105

Obrigação de Dar Coisa Incerta (art. 243 a 246 CC) ou obrigação


genérica
Indica que a obrigação tem por objeto uma coisa indeterminada, pelo menos
inicialmente, sendo ela somente indicada pelo gênero e pela quantidade, restando uma
indicação posterior quanto à sua qualidade que, em regra, cabe ao devedor.
É coisa incerta, mas plenamente determinável, por força do art. 104, II do CC.
Há o momento da concentração da obrigação (ato jurídico unilateral), vai concretizar
aquilo que está abstrato, incerto, numa coisa certa. Pois apenas neste momento é possível
definir o que será entregue. Art. 243 CC.
Comum em contrato de licitação.

Art. 244 CC: “Nas coisas determinadas pelo gênero e pela quantidade, a escolha
pertence ao devedor, se o contrário não resultar do título da obrigação; mas não poderá dar
a coisa pior, nem será obrigado a prestar a melhor. ”
Levando em consideração uma prestação média sem que escolha o pior nem que
esteja o devedor obrigado a entregar o melhor.
Aplica-se o princípio da equivalência das prestações, além da vedação ao
enriquecimento sem causa (art. 884 ao 886 CC), com a função social obrigacional e com a
boa-fé objetiva.

Ex.:

A coisa se torna específica após a notificação do credor (art. 245 do CC) aplicando
as regras de dar coisa certa.

Obs.: antes da concentração, não é possível ocorrer o inadimplemento da obrigação.


Nesse sentido dispõe também o art. 246 do CC

Art. 246 do CC – regra de que o genérico nunca perece. Logo, não pode alegar perda
ou deterioração da coisa (ainda com caso fortuito ou força maior), pois em tese existem
outros.

Não é possível aplicar a tutela específica do art. 498 do CPC enquanto ainda não
houve a concetração. A individualização pode ocorrer na petição incial ou se for de escolha
do réu, o juiz fixará prazo para a entrega da coisa individualizada (§ único do art. 498 do
CC).
Direito Civil 106

Obrigação de Fazer – art. 247 ao 249 CC


É a obrigação positiva cuja prestação consiste no cumprimento de uma tarefa ou
atribuição por parte do devedor.

Classificação

 Obrigação de fazer fungível – pode ser cumprida por outra pessoa a custa do
devedor originário, seja por sua natureza ou previsão no contrato.
o Inadimplemento do devedor com culpa, o credor pode exigir:
 Cumprimento forçado por meio de tutela específica com
possibilidade de fixação de astreintes (art. 497 CC e 84 do
Judicial CDC J – se relação de consumo).
 Cumprimento por terceiro a custa do devedor originário (art.
817 e 249, caput do CC).
 Converter em perdas e danos (art. 248 CC).
Extra-Judicial  art. 249, § único – executar ou mandar executar o fato, quando
em casos de urgência. Pode pleitear perdas e danos depois.

 Obrigação de fazer não-fungível – tem natureza intuitu personae ou


personalíssima.
o Inadimplemento do devedor com culpa:
 Cumprimento forçado por meio da tutela específica com a
possibilidade de fixação de astreintes (art. 497 CC e 84 do
CDC - se relação de consumo).
 Perdas e danos se não interessar mais a obrigação de fazer (art.
247 CC).

Art. 248 CC – Caso obrigação de fazer (fungível e não-fungível) se torne impossível


sem a culpa do devedor, resolve-se a obrigação sem a necessidade de pagamento de perdas
e danos.

Obrigação de Não-Fazer
É a única obrigação negativa admitida, tendo como objeto a abstenção de uma
conduta.
Torna-se inadimplente desde o dia em que executou o ato de que devia se abster (art.
390 do CC).
O comum é que este tipo de obrigação seja personalíssimo e indivisível.

 Inadimplemento com culpa do devedor:


o Cumprimento forçado por meio de tutela específica com a
possibilidade de fixação de multa (art. 497 CC ou 84 CDC – quando
houver relação de consumo).
Direito Civil 107

o Não interessando mais a obrigação de fazer, o credor poderá exigir


perdas e danos (art. 251 CC).

 Inadimplemento sem culpa do devedor


o Art. 250 CC – Resolve a obrigação.

Quanto a complexidade do Objeto

Obrigação Simples
Quando só há uma prestação. Sem complexidade do objeto. Ex.: compra e venda de
um bem determinado.

Obrigação Composta

Há pluralidade de objetos ou prestações. Divide-se em:

Obrigação Composta Objetiva Cumulativa ou Conjuntiva

O sujeito passivo deve adimplir com todas as obrigações avençadas sob pena de
inadimplemento total ou parcial.
A inexecução de uma só obrigação já possui esse condão.
Cararcterizada pela conjunção e, aditiva.

Ex.: contrato de locação – o locador é obrigado a entregar o imóvel, garantir o uso


pacífico, responder pelos vícios da coisa locada, etc. O locatário é obrigado a pagar o
aluguel e os encargos, usar o imóvel conforme convencionado e a não modificar a forma
externa do mesmo, etc.

Obrigação Composta Objetiva Alternativa ou Disjuntiva

Obrigação com mais de uma prestação, sendo certo que apenas uma delas deve ser
cumprida pelo devedor, se desonerando da obrigação.
Identificada pela conjunção ou que tem natureza disjuntiva.
Ex.: como na obrigação de dar coisa incerta, o objeto da obrigação alternativa é
determinável. Cabe uma escolha, denominada também como concentração – art. 252, caput
do CC. Elas não se confundem:

Obrigação Alternativa Obrigação de Dar Coisa Incerta


Obrigação com duas ou mais prestações. Apenas uma prestação e objeto
determinável.
As prestações podem ter natureza diversas Conteúdo é uma coisa determinável
(dar, fazer e não fazer). (obrigação de dar).
Direito Civil 108

Nas obrigações alternativas, as pretações possuem identidade física e material, isto


significa dizer que o devedor não pode obrigar o credor receber parte fragmentada das
prestações – art. 252, § 1º do CC.

Obrigações alternativas de trato sucessivo, ou execução continuada, a opção poderá


ser exercida em cada período – art. 252, §2º do CC. Aplicada a favor do credor ou devedor
desde que não gere enriquecimento ilícito (art. 884-886 do CC).

Princípio da operabilidade no sentido de efetividade – o juiz decidirá qual será a


prestação quando não houver consenso no caso de pluralidade de optantes (art. 252, §3º do
CC). – Tartuce critíca, diz que não é mais a técnica que usamos. O mesmo ocorre quando
terceiro que tiver o poder de escolha não o fizer (art. 252, § 4º do CC).

Conversão da obrigação composta alternativa em obrigação simples – art. 253 do CC


– quando uma das prestações se tornar inexequível ou não puder ser objeto da obrigação.
Prevalecerá a outra (concentração).

O art. 254 do CC dispõe que se o devedor não puder cumprir com a obrigação por
sua culpa, deverá pagar o valor da prestação (a que tenha sido objeto de concentração) mais
perdas e danos. -> culpa do devedor + impossibilidade de todas as pretações + escolha não
cabe ao credor = valor da prestação que por último se impossibilitou + perdas e danos.

Art. 255 do CC -> Culpa do devedor + Impossibilidade das prestações + escolha cabe
ao CREDOR = Prestação subsistente OU valor da prestação + perdas e danos

|-> Culpa do devedor + Impossibilidade de ambas as prestações + escolha do


CREDOR = Valor de qualquer das prestações + perdas e danos.

Art. 256 do CC – todas as obrigações tornarem-se impossíveis sem culpa do devedor


= extinção da obrigação.

Obs.: A obrigação alternativa e cumulativa não se confunde com a obrigação facultativa.


Nesta última temos uma obrigação simples. O credor não pode exigir essa faculdade,
não há um dever.

Obrigações Solidárias – art. 264 ao 285 do CC


Art. 264 CC – A Solidariedade ocorre quando na mesma obrigação concorrer mais
de um credor ou mais de um devedor, cada um com direito ou obrigado a dívida toda.

Art. 265 do CC - A solidariedade não se presume. Decorre de lei ou vontade das


partes (solidariedade convencional).

Não se confunde com a solidariedade da responsabilidade civil extracontratual do


art. 942, § único c/c art. 932 do CC.
Direito Civil 109

No art. 7º do CDC, A solidariedade de natureza obrigacional é a regra ≠ do CC em


que não se presume.

Tartuce p; 255-304

Classificação das Obrigações quanto ao objeto II. Obrigações de fazer e não fazer. Execução genérica e
específica. Obrigações de meio, de resultado e consumerista. Obrigação condicional e a termo. Obrigação
principal e acessória.

Classificação das Obrigações quanto ao sujeito. Indivisibilidade e solidariedade. Conceito de


indivisibilidade. Efeitos da indivisibilidade. Pluralidade de devedores e de credores. Perda da
indivisibilidade. Solidariedade. Conceito. Solidariedade ativa. Solidariedade passiva. Extinção da
solidariedade.

Transmissão das Obrigações. Cessão de crédito. Conceito e natureza. Validade da cessão de crédito entre
as partes e em relação a terceiros. Responsabilidade do cedente. Efeitos da cessão. Assunção de dívida.
Conseqüências.

Extinção das Obrigações I. Pagamento. Natureza jurídica. Elementos. Solvens e accipiens. Pagamento
por terceiro interessado e não interessado. Prova, lugar e tempo do pagamento. Pagamento antecipado.
Pagamento indevido. Pagamento feito a credor putativo e incapaz.

Caderno Carol – p. 36-61

Cessão de crédito
Correlacionar com títulos de crédito.

Conceito - negócio jurídico bilateral pela qual o credor transfere a outrem seus
direitos na relação obrigacional que pode ser tanto oneroso quanto gratuito e independe da
concordância do devedor. Aquele que transfere o crédito é o cedente, o terceiro que recebe
o crédito é o cessionário e o devedor é o cedido. É uma manifestação de vontades que pode
ser parcial ou total. Não há solidariedade é só cobrar a cota parte de cada um. As partes são
livres para ceder qualquer tipo de crédito. Exceção: natureza dos créditos que podem ser
cedidos (alimentar - direito indisponível); impossibilidade legal (ex.: crédito penhorado -
art. 298 CC.

Ficar atentos ao art. 104 CC.

O cedente deve ser titular desse crédito. Ex.: tutor não pode transferir o crédito de
seu pupilo sem autorização judicial para a prática do ato. Cônjuges no art. 1647
Direito Civil 110

Classificação

1. Convencional - decorre da manifestação de vontade das partes. O cedente garante


a titularidade e a existência do crédito, mas não garante a solvência do devedor.

1.1. Pro soluto - só garante a titularidade.

1.2. Pro solvendo - Pode ser que as partes imponham a garantia da solvência do
devedor. Se o devedor for insolvente o cedente responde perante o cessionário. Art. 297
CC.

2. Legal - art. 287 CC.

3. Judicial - quando a transferência é feita pelo magistrado no âmbito de um processo


judicial.

Deve-se observar as peculiaridades no tocante às formalidade. - art. 288 CC Quem


seria esse terceiro? OUVIR 13 min.

Não é necessária a anuência do devedor, mas ele deve ter ciência da cessão de crédito,
para justamente saber a quem deve pagar. - art. 290 CC.

É razoável que o cedente faça a notificação, mas não há qualquer obrigação legal.

Art. 294 - exçecoes pessoais e do próprio crédito. As pessoais devem se aduzidas


nonmoemento em que for notificado. Ex.: vício na manifestação de vontade

Se a obrigação já tiver sido paga, com o instrumento de quitação e tudo, o cessionário


OUVIR 21 min.

A cessão de crédito tem o fim especulativo. É proporcional ao que foi pago.

Assunção de dívida

Não era previsto no CC de 1916

Conceito do CC: negócio jurídico bilateral pela qual o devedor com a anuência
expressa do devedor ... terceiro .. os encargos obrigacionistas de modo que este assume
sua posição na relação obrigacional responsabilizando-se pela dívida que subsiste com seus
acessórios. OUVIR 28 min.

A anuência do credor pode ser expressa (art. 299, §único) ou tácita - art. 303 CC -
Houve uma transferência tácita. O imóvel vai ser levado a hasta pública sendo o devedor
ou o adquirente no polo passivo.
Direito Civil 111

Outro exemplo leva em consideração os interesses em jogo.

Modalidades:

1. Cumulativa - ministração de vontades não presente no CC. O terceiro assume a


dívida sem excluir o devedor, figuram aqui o devedor quanto o assunto no polo passivo,
ou seja amplia-se a possibilidade de recebimento do credor que pode exigir o todo de
qualquer um deles. Não há uma solidariedade aqui. Ela não se presume, só decorre da lei e
não houve um paço neste sentido. Ex.: OUVIR 05 min parte 2

Não se confunde também com a fiança. OUVIR 7 min parte 2.


Não há regresso de dívida para o devedor originário

2. Liberatória - art. 299 e seguintes - ocorre a transmissão da obrigação restando


liberado o devedor originário desde da data da transmissão. Aqui os dois não ficam no polo
passivo, ocorreu uma transmissão da dívida, só o assuntor fica no polo passiva da dívida.

Modo de implementação

1. Expromissao ou assunção externa - relação entre o credor e o assuntor. Sem a


participação do devedor originário ou vai ser liberatória ou cumulativa.

2. Delegação - há um negócio jurídico trilateral na opinião da doutrina. Inicialmente


há um acordo de vontades entre o devedor e o assuntor e que posteriormente vai a crivo do
credor. Pode ser cumulativa ou liberatória de novo.

Só vai ter assunção de dívida se aquele que assumir o polo passivo for solvente, caso
contrário cai por terra a assunção de dívida (a validade) desde que houve ignorância do
credor.

Art. 300 - fala em garantia especiais - garantias pessoas (fidejussórias - fiador) e reais
(um imóvel) passa pelo crivo do credor as garantias, isso é razoável? Enunciado 352 e 422
do CJF. Art. 166 do CC.

Art. 301 - OUVIR 21 min

Art. 302

Do adimplemento das obrigações

O pagamento é a única hipotese onde encontramos o ato voluntário do devedor.


Temos o gênero extinção das obrigações que pode ocorrer através do adimplemento das
obrigações manifestado através do pagamento.

O devedor é quem deve efetuar o pagamento, pois se colocou voluntariamente no


polo passivo pela contraprestação, sinalagma.nao nós remete a figura estática do credor,
Direito Civil 112

mas ele também participa no processo, posto ambos pretendem o adimplemento da


obrigação.

O principal interessado no pagamento é o credor, mas pode haver um terceiro


interessado (aquele que pode a vir sofrer as consequencias do inaplemento obrigacional
pelo simples fato de ter se colocado como garante no vínculo jurídico). É ainda terceiro
interessado, aquele que indiretamente pode vir a sofrer as consequencias da inexecução da
obrigação. Há vínculo jurídico quanto vínculo econômico - ex.: sublocatários, terceiro
adquirente do imóvel hipotecado.

O terceiro interessado se subroga nos direitos e ações para poder executar o devedor.
Art. 346

Terceiro não interessado - para tepedino é o intruso na elação obrigacional, pois não
possui qualquer interesse jurídico ou econômico na extinção do vínculo obrigacional e que
efetua o pagamento a princípio por questões morais. Pode ser em seu próprio nome
(segundo a lei teria direito a reembolso pela quantia que pagou, não se subroga).
Caso não haja reembolso, não há relação jurídica entre o terceiro não interessado e o
devedor, por isto terá de usar a ação reversiva do art. 884, não podendo fazer uso da ação
de cobrança. Exceção a regra que confere direito de subrogacao e não reembolso: 1.
Quando o credor expressamente transfere os direitos e ações que possuía - há um acordo
de vontades, a subrogacao foi convencional conforme art. 347 do CC - se aproxima a cessão
de crédito observar o art. 348 do CC também; 2. Art. 1.368 do CC - o terceiro OUVIR 54
min.

Pode o terceiro interessado perder o direito de reembolso - art. 305 e 306 CC. - não
basta a anuência do devedor, ele deve comprovar que tinha meios de cumprir com o
pagamento.

Terceiro interessado que efetua pagamento em nome do devedor, se ele efetuar o


pagamento em nome do devedor, não há direito de se subrogar e nem de reembolso. Se ele
faz em nome do devedor é uma liberalidade, portanto não tem porque se subrogar nem
porque pedir reembolso - art. 304, § ún. REMISSAO para o 334

Parte final do § único do art. 304 - as partes já sinalizam no contrato se aceitam ou


não pagamento por terceiro não interessado.

Quem recebe é o credor, mas nada impede que se faça representar por um terçeiro
por meio de um contrato de mandato. Cabe ao devedor avaliar se o documento está
cumprindo todos os requisitos, caso em contrário, terá de pagar novamente ao credor.
Exceção: 1. quando o credor ratificar o pagamento quanto ao terceiro que não estava
autorizado ou de forma tácita; 2. Quando o devedor provar que o pagamento reverteu-se
em proveito do credor; 3. Art. 309 - credor putativo - aquele que se apresenta sob uma
cortina de fumaça, faz crer que é o legitimado para encenar o instrumento da quitação,
trabalhar com a teoria da aparência. Erro escusável que qualquer conseguiria elidir. Ex.:
OUVIR 17 min.
Direito Civil 113

Art. 310 CC - incapaz receber o pagamento. Pode ser o relativamente ou o


absolutamente, a lei não especifica. Podemos linkar com o art. 309 também, o incapaz estar
numa situação em que aparenta ser o credor.

Objeto do pagamento

O credor não é obrigado a aceitar pagamento diverso do pactuado ainda que mais
valioso.

Objeto deteriorado - art. 235 - se deteriorado, põe o credor resolver a obrigação ou


aceitar a coisa abatido o preço. Questão da literalidade OUVIR 24 min até 45 min.

Art. 307 CC - trabalha no campo da eficácia


O credor de má fé - temos de coordenar as responsabilidades respondendo cada um
na medida de seus atos. OUVIR áudio 40 min.
Art. 942 CC.

Da quitação do pagamento

Praticada pelo credor que reconhece o cumprimento da tutela específica. O


instrumento é o recibo. - art. 320 CC.

quando munido do recibo, o devedor possui presunção de pagamento efetuado. art.


212 CC.

Art. 321 - sem exibo ou título perdido, o devedor deverá requisitar ao credor uma
exaltação para inutilizar o título sumido. Caso o título continue a circular fazemos uma
consignação em pagamento, quando há dúvida sobre que, é o credor - art. 335, IV.

ART. 322 - presume-se que se aceitou a última prestação, as outras prestações estão
OUVIR 51 min.
REMISSAO art. 354 e 355 - aquela que corram juros mais altos por exemplo.

Art. 325, frete cabe ao devedor, caso das compras pela internet

Art. 324 -

Do lugar e tempo do pagamento

Art. 331 c/C art. 134 - pela natureza do objeto, é necessário tempo para cumprir com
a obrigação.

Pagamento antecipado - art. 333 até para poder habilitar o crédito num concurso de
credores ou falência.
Direito Civil 114

Parágrafo único - se houver solidariedade, não há que se falar em pagamento


antecipado, pois se um pode ficar insolvente, é só executar o outro.

Art. 327 - dívida quesível, no domicílio do devedor em regra.

Dois tipos de mora - ex RE - a data é clara, a mora é automática, o futuro é certo.


Exceção é
Mora ex persona -

Dívida portavel ou portable - se eu portões levo ao lugar.

Consignação em pagamento.

Se faz necessária nas hipóteses do art. 335 CC.


Verificar o que prepondera o dar ou o fazer. O que prepondera e o serviço, a
atividade.

Quem pode consignar - art. 304

Art. 345 CC

OUVIR DE 24 até o final da parte 3.

Não pode envolver prova pericial porque neçessita entrar em juízo efetivamente.

Quando houver mora do devedor pode ele consignar em juízo? Depende se ele tem
interesse ainda.
Dação em pagamento

Novação

Forma de extinção da obrigação indireta, uma vez que a tutela de satisfação do credor
primária não foi atendida, mas por sua faculdade jurídica consente na realização. Um novo
vínculo obrigacional que extingue o originário.

E a obrigação natural? Dívida prescrita. Podemos falar em novação? Sim, apesar


dadívida não ser exigível, as partes podem convencionar de tal modo.

Pode ser expressa ou tácita quando a nova obrigação for totalmente incompatível
com a anterior.
Direito Civil 115

Inadimplemento das obrigações

Essa tutela não está plenamente satisfeita pois não está na ordem natural das coisas.
Estamos no campo da mora.

Inadimplemento absoluto

É o descumprimento da obrigação a partir do momento em que não se vislumbra mais


o interesse do credor no objeto previamente pactuado, sendo certo que a solução indireta
se encontra na via das perdas e danos. Desde que comprovado o prejuízo por parte daquele
que sofreu.

A exceção a perdas e danos é que mesmo não comprovado o prejuízo, o devedor


deverá arcar quando prevista no contrato a cláusula penal compensatória que é o
substitutivo da perdas e danos - art. 408 CC

O inadimplemento absoluto pode ser parcial ou total. Será total quando todas as
parcelas oriundas daquele contrato estão inadimplidas. Será parcial quando algumas
daquelas etapas previstas no contrato não forem satisfeitas. Art. 389 c/C art. 389

Perdas e danos exclui a responsabilidade do devedor.

As perdas e danos não estão adstritas a intensidade da culpa, mas pela extensão do
dano. Art 389 c/C art. 402

Inadimplemento substancial - ouvir a gravação. OUVIR 12 min. muitas destas


parcelas já foram adimplidas pelo devedor. Não resolvendo a obrigação. RESP 272.739

Pode ser que esse atuar do devedor não tenha correspondido as expectativas do
credor.

Teoria da violacao positiva do contrato

O devedor atuou mas não realizou todas as vontade do credor.


Teve um adimplemento ruim e não cumpriu com expectativas, gerando uma
satisfação em perdas e danos.

Os juros do art. 389 não são compensatórios. Incidem no inadimplemento.

Mora

Ocorre quando o devedor deixa de satisfazer a obrigação, ou seja, ocorre o injusto


retardamento quer por parte do devedor, quer ir parte do credor, quando aquele não satisfaz
e quando este não recebe a prestação oferecida no tempo, lugar e forma convencionada.
Art. 394 CC.
OUVIR 32 min.
Direito Civil 116

Mora do devedor ou solvendi

Ocorre quando ele não cumprir a obrigação conforme o art. 394 do CC. Só falamos
em mora do devedor quando este agir com culpa para ingresso na mora.

Há uma presunção de culpa, mas esta é relativa e cadê a ele, devedor, provar que não
agiu com culpa no ingresso da mora, art. 396 CC.

O segundo requisito é a exigibilidade imediata da prestação de ainda não houve


vencimento ou a dívida e ilíquida, não tem como constituir o devedor em mora. Art. 397.

Terceiro requisito é a interpelação - quando estivermos diante da mora ex persona


que é aquela em que não se define um prazo ou um termo é nas obrigações sujeitas a
condição. Na mora ex re, onde o termo é conhecido, não há necessidade em regra de
notificacao, de interpretação do evadir, pois já é automática. Exceção na venda sob reserva
de domínio. Art. 525

Efeitos da mora

1. Indenização dos prejuízos experimentados pelo credor. Devem ser comprovados


por aquele que alegam. Englobam as perdas e danos, juros, atualização monetária e
honorários do advogado. Art. 395 CC. Ex.: cota condominial. Se não existir mais o
interesse do credor, vamos trabalhar com perdas e danos.

2. Perpetuação da obrigação - perdendo-se o objeto, sem culpa as partes voltam a


status quo; caso haja culpa resolve-se em perdas e danos. Também pode ocorrer caso
fortuito ou força maior, ocorrerá uma perpetuação da obrigação. Ex.: quando não ingressou
voluntariamente na mora art. 399.

3. Constituição da mora - mora ex re, mora ex persona.


OBs.: na primeira cabe ao credor notificar o devedor para que cumpra a obrigação, o
prazo deve se razoável. Se for uma obrigação pecuniária e nela constar um valor que o
devedor não concorda, isto não macula os efeitos da notificação.

Art. 398 - ouvir 1:07:00

Purgação da mora

Dever do devedor de remediar a situação a que se deu causa. Não confunde com a
cessação da mora - os efeitos são pretéritos e futuros. Ex.: uma novação. Os efeitos da
purgação da mora são futuros, afasta-se os efeitos pretéritos e o único dever que restou foi
o objeto da obrigação.
Direito Civil 117

Art. 405 - contam-se os juros da mora desde a citação inicial. Qual mora? Os juros
flui do termo, da mora, da mora ex re. Na mora ex persona contam-se os juros desde a
notificado. O artigo fala então da mora ex persona.

Os juros do art. 389 incidem pela demora do pagamento das perdas e danos.

Juros

Aquilo que efetivamente se perdeu com o Inadimplemento.


Lucros cessantes é um dano emergente com consequencias futuras.

Conceito: são os rendimentos decorrentes do capital emprestado sendo uma forma


de compensar o credor pelo tempo em que ficou sem a disponibilização daquele montante.
Pode se falar em juros como uma penalidade em razão da descumprimento voluntário da
obrigação. OUVIR 1:20:00

Classificação
Nos juros compensatórios existem para promover a remuneração do credor pela
privação do seu capital ou ainda compensá-lo pelo risco da não restituição desse capital. É
um aluguel do dinheiro.

Juros moratorios são uma sanção pelo retardamento do pagamento da dívida. Podem
se OUVIR 1:23:00

Por mais que as partes possam convencionar sobre eles, não podem ultrapassar os
percentuais previstos em lei, posto que pessoas físicas devem seguir o dispositivo legal.

mútuo feneratício - art. 591 CC - art. 406 CC -

Juros legal moratório - art. 1.336, §1º CC -

Juros compensatórios ou remuneratórios - como se trata de um empréstimo do


dinheiro, trabalhamos com o contrato de empréstimo. Decreto 22.626/33 estabeleceu um
patamar de juros no montante de 12% ao ano para os juros contratuais. Taxou como crime
a prática do anatocismo - juros sobre juros. Já que é uma norma abstrata, as instituições
financeiras conseguiram com a sumula 596 serem afastados da lei da usura. Em 1988, no
art. 192 §3º (revogado) voltava a estabelecer um patamar de juros. O STF disse que essa
norma precisava de uma lei para regulamentaram. O congresso nacional excluiu em 2003
com a EC 40 esse §3º, valendo novamente a sumula 596. No art. 591 do CC de 2002 trouxe
o patamar de 2% para juros. OUVIR 1:33:00

Prevalece a lei do banco central 4595/64

As instituições financeiras estão adstritas ao CDC, segundo a ADIN 2595-1 e sumula


397 STJ. Atentar também pela 283
O art.
Direito Civil 118

ADIN 2316 DF - suspendeu os efeitos do art. 5º dessa MP.

DIA 04.02.2015 o STF se manifestou sobre essa ADIN não julgando o mérito se a
instituição pode capitalizar ou não.

Juros moratorios - penalidade pela morosidade do adimplemento, aplica-se o art. 406


- qual é a taxa? Selic ou CTN art. 161, §1º
Enunciado 20 CJF entende que se aplica o CTN.
Art. 39,§4º da lei 9.250/95.
STJ aplica a SELIC, a doutrina por segurança aplica o CTN.

OUVIR 1:40 min.

Extinção das Obrigações


P. 57 CAROL

Se tivermos uma obrigação descumprida, teremos um dever de indenizar.

Formas indiretas
Ocorrem quando a obrigação não é extinta de forma natural. Por isso chamamos de
forma indireta, pois cumpre-se a obrigação de uma forma não natural, que não pelo
adimplimento direto ao credor.

O pagamento continua a ser a forma principal e natural de extinção da obrigação,


mas não é a única. Existem o pagamento em consignação, sub-rogação, entre outros.

Nessas extinções das obrigações, temos a necessidade de uma manifestação de


vontade, logo um negócio jurídico, devendo obedecer às regras de validade e eficácia deles.

Pagamento em Consignação – art. 334 do CC


p. 283 em diante do Tartuce

Açaõ de Natureza híbrida – elementos de direito material no código civil e elementos


de direito processual.

Pares interessadas são o credor e o devedor – importante observar isto, para verficar
se cumpre os requisitos de legitimidade, de interesse processual. O sujeito ativo da
consignação em pagamento é o autor, que na obrigação traduz como o devedor.

Art. 335 do CC – possibilidades legais para o cabimento das ações consignatórias.


Rol taxativo (ou em outra norma legal). Não pode ter previsão em outro local que não em
lei.
Direito Civil 119

“Art. 335. A consignação tem lugar:


I - se o credor não puder, ou, sem justa causa, recusar receber o pagamento, ou
dar quitação (ver os requistos) na devida forma;
II - se o credor não for, nem mandar receber a coisa no lugar, tempo e condição
devidos;
III - se o credor for incapaz de receber, for desconhecido, declarado ausente, ou
residir em lugar incerto ou de acesso perigoso ou difícil;
IV - se ocorrer dúvida sobre quem deva legitimamente receber o objeto do
pagamento;
V - se pender litígio sobre o objeto do pagamento. ”

O principal objetivo da ação de consignação em pagamento é evitar a constituição


em mora sob a qual incide uma série de penalidades decorrentes do descumprimento da
obrigação (cláusula penal, juros, entre outros). Além disso, a partir do momento em que
consigna o pagamento, cessa a fluência de juros (o dinheiro depositado irá render de acordo
com a poupança).

O depósito na consignação deve ser integral. O credor não é obrigado a receber em


partes ou coisa diversa da que tenha sido convencionada entre as partes.

Quando o devedor só consigna em pagamento no meio do processo, que acarreta a


improcedência do pedido de consignação, gerando para o devedor a constituição em mora
(intercorrente). A outra consequência da mora, é a rescisão do contrato, ainda que haja a
insuficiência do pagamento.

Não pode a consignação de obrigação pura.

O credor não tem de autorizar o levantamento. O dinheiro é um ou outro. Sentença


de natureza dúplice que poderá julgar procedente (dinheiro vai para o credor) ou
improcedente (dinheiro vai para o devedor). O juiz irá determinar o levantamento para
aquele que tiver de faze-lo.

A mora só vai incidir sobre a parcela eu não tiver sido depositada e desde o dia do
vencimento.

Espécies

Extrajudicial (Banco) - Art. 336 do CC e art. 539 do CPC

Não existe uma lide, não existe uma contenciosidade. O devedor deposita em um
banco credenciado e notifica o credor para receber a prestação.
O credor pode não receber ou não comparecer. Motivos que serão expressos na
contestação em lide que vier a ser composta.

Judicial
Direito Civil 120

A partir do não comparecimento ou recusa em receber o pagamento, forma-se a lide.

Sentença

Improcedência

Gera a mora, que retroage a data de vencimento da obrigação.

Procedência

A única espécie de obrigação passível de onsignacao é a obrigação pura de dar. Mas


a jurisprudência admite a consignação das obrigações que derivam da obrigação de fazer
para culminar em uma entrega, obrigação de dar. As puras de fazer e não fazer de fato não
podem ser objeto de consignação.

Deferido o depósito, é fixado prazo para o cumprimento da obrigação, caso não


cumprido o processo se extingue sem resolução do mérito, o depósito é um pressuposto
processual de validade do processo, sua não ocorrência extingue o processo sem resolução,
sem que sequer se tenha a citação do réu.

Requisitos
Objetivos – dizem respeito ao objeto. Obrigatoriamente a coisa devida (o credor não
é obrigado a receber coisa diversa da convencionada). A obrigação deve ser liquida e certa.
O objeto pode ser indeterminado (obrigações alternativas – há vários objetos
obrigacionados, mas o devedor só tem de entregar um (a escolha depende de quem?) e
facultativas – há mais de uma, mas o objeto já esta previsto) – nesta não tem óbice, pois
ainda que indeterminado, o objeto já foi previsto no contrato, ou seja, é plenamente
determinável. Se na alternativa a escolha depender do devedor, não precisa consignar tudo,
notifica o credor para escolher, caso não o faça, inverte a opção. Tempo – até o vencimento
da obrigação, salvo nas obrigações de trato sucessivo em que o deposito pode ser feito mês
a mês (art. 541 do CPC). O tempo é relativo, o fato de estar ultrapassado o prazo para o
cumprimento não obsta a consignação, basta consignar com todos os consectários da mora.
A exceção das obrigações que prevejam o inadimplemento absoluto (quando não puder ser
mais cumprida pelo devedor). Ex.: fotografo que não comparece ao casamento, resolve
somente em perdas e danos. O lugar deve ser aquele previamente pactuado pelas partes em
contrato - dívidas quesíveis e portables.
Subjetivo – dizem respeito às partes

Sub-Rogação – art. 346 do CC


É a substituição de uma pessoa por outra num dos polos da relação obrigacional.
Direito Civil 121

Tipos:
 Subjetiva – substituição nos polos da relação obrigacional. Essa que
estudamos em obrigação.
 Objetiva – quando substitui o objeto.

Não é uma forma de extinção de obrigação, mas uma liberação de uma das partes
(credor ou devedor).
A sub-rogação pode ocorrer com todos os direitos, privilégios e garantias. Tudo que
dizer respeito a obrigação entre as partes anteriores.

Súmula 188 do STF – mistura a sub-rogação legal e convencional.

A sub-rogação só pode ocorrer se houver a anuência expressa do devedor.

O credor pode se negar a receber o pagamento de terceiro não interessado (mas não
é o que ocorre na prática).

Sub-rogação legal – ope legis – o terceiro que se sub-rogou nos direitos do credor,
transfere todos os direitos, acoes, privilégios, garantias do credor primitivo (art. 349 do
CC). Só pode buscar o ressarcimento dos valores que efetivamente foram despendidos.

Sub-rogação convencional – voluntariamente (requisitos essenciais do negócio


jurídico) assume os riscos da insolvência do devedor. Pode receber a integralidade da
divida, ainda que tenha pago a menor.

Caso Concreto Tema 07, número 1: Empresa de seguros ajuizou ação indenizatória
para obter de Fabrício o valor da quantia que desembolsou na reparação dos danos de
veículo de segurado, oriundos de acidente por ele provocado. Alegou que, pagando os
referidos danos, sub-rogou-se em todos os direitos, ações e privilégios de seu segurado.
Em defesa, Fabrício exibiu recibo oriundo de acordo extrajudicial firmado com o segurado,
no qual este dava plena e geral quitação por danos sofridos em decorrência do sinistro.
Assim, quitados os danos, não haveria crédito a ser sub-rogado. Pergunta-se: diante desse
acordo extrajudicial, ocorre a sub-rogação? Justifique.
Resposta: Houve uma transação entre segurado e devedor. O devedor só precisaria
pagar ao sub-rogado, caso o credor, houvesse dado quitação na transação sob o valor da
franquia. Nesse caso, a seguradora poderia pleitear o valor excedente.

Obs.: Mesmo o credor sendo um menor, não se aplica a causa suspensiva do prazo
prescricional, pois passa a valer o prazo para o sub-rogado.

O sub-rogador não responde pela solvabilidade do devedor, logo o sub-rogado


assume o risco de receber ou não a prestação. Contudo, as partes podem convencionar que
além da transmissão da obrigação, os suejtiso ficam responsáveis também pela solvência
do devedor, isto quer dizer, que podem pactuar que o sub-rogador cumprira com a
obrigação se dispuser assim em contrato. Não há disposição legal que o obrigue a fazê-lo
de pronto, mas podem convencionar.
Direito Civil 122

Diferentemente ocorre quando o credor sub-rogado descobrir que a obrigação já foi


extinta. Quando o credor originário transfere um crédito que não lhe pertence, há
inexistência dessa transferência. Poderá, portanto, o sub-rogado requerer frente ao sub-
rogador.

Imputação ao pagamento – art. 352 a 355 do CC


É o apontamento, a indicação.
Ocorre quando o devedor cumpre a obrigação num determinado valor, que seja
suficiente para extinguir uma dívida, mas não todas elas.

Requisitos
Pluralidade de débitos
Identidade de sujeitos (mesmo credor e mesmo devedor em diversas realcoes
obrigacionais)
Natureza das dívidas – devem ser líquidas, vencidas e fungíveis (bens substituíveis
por outro de mesma espécie ou qualidade sem prejuízo algum para o credor).
Resgate tem de ser suficiente para adimplir mais de uma dívida, mas não todas as
dívidas.

Opção
O devedor quando faz pagamento tem a opção de escolher sob qual dívida estará
pagando. Caso o devedor não o faça, será o credor quem terá de escolher. Se nenhum dos
dois o fizer, a lei o faz no art. 355 do CC:
 Dívidas Líquidas e vencidas em primeiro lugar;
 A mais onerosa se todas forem líquidas e vencidas ao mesmo tempo. Ex.: a
que tenha os juros mais altos, uma que tenha garantias (hipotecas, etc.).

Caso concreto Tema 07, número 2: Paulo possui três dívidas líquidas e vencidas,
da mesma natureza e valor, em face do mesmo credor e que venceram no mesmo dia e
hora. Quando do pagamento de uma delas, Paulo não indicou sobre qual das dívidas quitou
e o credor, por sua vez, omitiu essa informação ao dar a quitação. Pergunta-se: Sobre qual
(ais) dívida (s) poderá o credor promover a cobrança? Responda fundamentadamente a
questão.
Resposta: No caso em questão, pode-se solucionar a celeuma com um pagamento
proporcional. Busca um tratamento equitativo.

Pagou 50

Dívida A Dívida B Dívida B


= = =
40 30 30
Direito Civil 123

Obrigação condicional ainda não é exigível, logo não pode ser imputada.

Dação em pagamento – art. 356 a 359 CC


Cumprimento da obrigação pela entrega de um objeto diverso do previamente
convencionado.

Capacidade e legitimidade do credor e do devedor (que pode dar quitação e propor a


extinção da obrigação).

Só ocorre quando há a substituição do objeto. Quando há a transferência imediata do


do domínio do objeto quando da propositura da dação em pagamento. Quando da uma nota
promissória no lugar do objeto há uma cessão de crédito e não dação em pagamento

É necessária a manifestação de vontade clara com o animus da dação em pagamento.

Obrigação facultativa – se houver a previsão de entrega de outro objeto, ainda que


incerto, não há dação em pagamento.

Obrigação alternativa – se entregue um dos objetos já estava previsto do contrato,


não é uma dação em pagamento.

Logo, nesses casos, não há dação em pagamento, mas cumprimento do contrato de


forma diversa.

Ex.: sujeito sofre evicção, art. 359, a relação se restabelece, pois houve uma prestação
entregando um objeto não disponível no patrimônio. Os terceiros (garantidores, avalistas)
não voltam para esta obrigação. Uma vez liberados pela dação em pagamento, não
retornam a dação em pagamento. Se não houver manifestação de vontade desses terceiros,
a relação se restabelce, mas sem as garantias dos terceiros, pois necessitam de prévia
anuência.

Novação

Forma de extinção das obrigações em que é extinta a obrigação primitiva com a


criação de uma nova obrigação. Só que essa criação pode se dar de duas formas:
 Com a troca dos sujeitos processuais (processo obrigacional);
 Com a troca do objeto obrigacional (prestação pactuada – dar, fazer ou não
fazer).

Tem a intenção de extinguir a primeira obrigação que tem de ser válida para constituir
uma nova obrigação.

Requisitos – art. 367 CC


Direito Civil 124

 Existência de uma dívida anterior (obrigação anterior válida). Ex.: Menor que
tenha 16 anos (relativamente incapaz) - Art. 3º CC c/c art. 166 CC – negócio
poderá ser novado, substituindo as partes. A obrigação nula não pode ser
novada. Seria uma falsificação.
STJ – novação de obrigações com cláusulas abusivas é inválida. Logo, a parte
pode discutir o que já poderia na obrigação anterior.
 A nova obrigação deve gerar OBRIGATORIAMENTE a substituição das
partes ou do objeto. Não pode só mudar o nome do contrato ou um novo
termo. Tem de existir uma nova relação jurídica.
 Ânimus novandi – intenção de novar – intenção de criar uma nova obrigação
querendo extinguir uma anterior. É uma intenção dupla.
o Art. 361 do CC – Expresso ou tácito.
o Caso não tenha, poderia ser uma simples renegociação da dívida.
Novação Renegociação
Intenção de extinguir Não há intenção de novar, de extinguir
uma obrigação e criar algo que está em curso, mas intenção de
uma nova facilitar o cumprimento, pagamento,
prazos.
Ex.: entregar nota promissória ou outro título de crédito para novar
uma dívida

Espécies

 Subjetiva – com substituição das partes


o Passiva – troca do devedor
 Expromissão – há a substituição do devedor sem o consentimento
do antigo devedor. Art. 362 CC
 Delegação – o devedor indica quem vai substituí-lo. Vai indicar o
terceiro.
Art. 263 – se o novo devedor for insolvente não cabe ao primeiro devedor adimplir
com a obrigação. O credor concordou com essa substituição. Salvo se essa substituição foi
feita de má-fé (ficando provado). Isso é exceção, pois a novação extingue a primeira
obrigação. Diferença da Assunção de Dívida – art. 299 CC – há uma responsabilidade
maior do devedor primitivo, não analisa se houve má-fé dele como na novação.

o Ativa
Novação Subjetiva Ativa Cessão de Crédito
Forma de extinção da obrigação Transmissão da obrigação
Sempre gratuita Pode ter natureza onerosa ou gratuita

 Objetiva

Efeitos da Novação
Direito Civil 125

Extinção da obrigação primitiva. Como consequência, extingue todos os acessórios


e garantias da obrigação primitva. Salvo se houver estipulação em contrario – art. 364 do
CC.
Excussão do bem – direito real de garantia – nem sempre é o devedor que dá o bem
em garantia.

Caso Concreto Tema 08, número 3: Paulo propõe demanda de cobrança em face
de Jonas e Alexandre. Aduz, em síntese, que era, juntamente com os demais, réus devedor
solidário de Henrique. Ocorre que, na data do pagamento, como o autor é responsável pelo
todo (artigo 275 c/c 283 do Código Civil), resolveu novar a dívida com Henrique, o que
foi aceito por este. Pela nova obrigação a dívida de natureza pecuniária passou a ser a de
dar coisa certa (um cavalo de raça) que foi entregue na data aprazada na nova pactuação.
Afirma o demandante que a prestação antiga se equivalia monetariamente ao cavalo e, em
assim sendo, tem direito de cobrar de cada um dos devedores solidários, réus na demanda,
1/3 do valor do cavalo. Em defesa, sustentam os réus que não anuíram com a novação e,
em razão desse fato, estão liberados de qualquer pagamento. Decida fundamentadamente
a questão.
Resposta: Assiste razão a Jonas e Alexandre, segundo a interpretação do ART. 365
e 391 do cc. A novação é ato pessoal, e, ainda que subsista solidariedade passiva, não pode
um dos devedores realizá-la sem a anuência dos demais e cobrá-la destes últimos. Dessa
forma, Paulo não pode cobrar 1/3 do valor equivalente ao cavalo entregue para adimplir a
dívida dos demais, pois estes foram exonerados da divida, uma vez que não abriram com a
novação dela perante ao credor.

O art. 365 do CC exonera os credores solidários que não tenham anuído com a
novação.
Observar se há expressamente no enunciado informação acerca da solidariedade,
caso conrtário não podemos presumi-la.

Compensação
Ocorre quando duas ou mais pessoas forem ao mesmo tempo credores e devedores
delas mesmas.
A obrigação é extinta até o valor em que elas se equivalerem – art. 368 CC.

Requisitos - Art. 369 CC

 Dívidas líquidas – valor apurado da dívida. Saber exatamente quanto o


devedor deve. Ainda que o condômino arque com uma despesa num conserto,
deve-se apurar se era tudo devido pelo condomínio.
 Dívidas Vencidas ou Atuais (não podem ser prescritas) – a exceção prescreve
no mesmo prazo em que a pretensão – art. 191 CC. Não pode alegar
compensação de dívida já prescrita.
 Dívidas de coisas fungíveis
Direito Civil 126

Art. 376 CC – regra da reciprocidade – o devedor só pode compensar com o credor


aquilo que este ultimo lhe deve.

Art. 371 CC – o fiador pode compensar sua divida com a do credor afiançado.
Interpretar que o fiador pode compensar sua própria dívida do afiançado com o credor e o
credor pode compensar a dívida que tenha com o credor, quando este vier a lhe cobrar por
dívida do afiançado (doutrina).

Art. 372 CC – os prazos de favor são uma combinação entre credor e devedor para
facilitar o pagamento. É uma benesse. Os prazos de favornao obstam a compensação. Logo,
observa-se a data do primeiro vencimento. Não sendo só possível compensar dívidas que
já estejam vencidas.
Obs.: cheque pré-datado não é um prazo de favor, pois já tem a data de pagamento
desde o início, é uma forma de pagamento a prazo. Há uma data para desconto em
determinada data. Quem desconta antes, responde pela ausência de boa-fé objetiva, pois
convencionou que só faria isto na data pactuada. É um comportamento contraditório que
configura abuso de direito, violando o art. 187 do CC.

Art. 373 do CC – não interessa a princípio a origem das dívidas, exceções no art. O
salário é impenhorável.

Caso concreto tema 08, número 2: Fabio, devedor, firmou obrigação de entregar
50 cavalos a Daniel, tendo Pedro como fiador. Como o devedor não honrou com o
pagamento, Daniel notificou o fiador a cumprir com a prestação. Ocorre que o fiador é
credor de 50 cavalos de Daniel e pretende compensar a dívida que assumiu com o crédito
que possui perante o credor (Daniel). Notificado sobre tal possibilidade, Daniel entende
inviável essa compensação, uma vez que ao fiador somente é possível requerer a
compensação de eventual crédito do afiançado e não crédito próprio - conclusão que,
segundo Daniel, se extrai do disposto no artigo 371 do Código Civil. Assiste razão a
Daniel? Responda fundamentadamente a questão.
Resposta: A doutrina majoritária (integrada por Tepedino) entende que pela leitura
do art. 371 do CC seria possível sim, que o fiador pudesse compensar crédito próprio em
face do credor. Essa interpretação permite um alívio ao fiador com intuito de eximi-lo a
pagar a dívida do devedor, quando aquele possuir um crédito frente ao credor. Com base
nessa interpretação, não assiste razão a Daniel. Isto significa atuar de acordo com a boa-
fé objetiva.

“Art. 371. O devedor somente pode compensar com o credor o que este lhe
dever; mas o fiador pode compensar sua dívida com a de seu credor ao afiançado.

Confunsão – art. 381 a 384 do CC

Ocorre quando há um concurso, na mesma pessoa, nas qualidades de credor e


devedor.
Pode ocorrer por atos intervivos ou causa mortis.
Ex.1: fusão entre sociedades em que uma é credora da outra.
Direito Civil 127

Ex.2: pai era credor do filho.

A confusão não é causa de extinção da solidariedade, só extingue o quinhão daquele


devedor em que se operou a dívida.

Não gera uma extinção absoluta da obrigação, pois ela pode ressurgir, se a situação
a que lhe deu causa forem obstadas. Ex.: sociedades que operam uma fusão e tem essa
situação desconstituída pelo CADE.
Ex.2: pode ressurgir no ato causa mortis – quando o ausente retorna.

Art. 384 CC – a obrigação que é restabelecida, vem com todos os acessórios. As


garantias prestadas por terceiro não pode se restabelecer, pois o terceiro já tinha a segurança
jurídica de que não seria mais responsabilizado por aquela obrigação.

Remissão
É o perdão da dívida.

Requisitos

É um negócio jurídico entre credor e devedor – é necessário a capacidade jurídica


para o ato. Precisam estar representados ou assistidos na ausência dessa. O credor pode,
por meio de um alvará, dar a terceiro a possibilidade de remir a dívida.

O devedor deve aceitar a remissão.

A natureza do crédito. Nem todo crédito pode ser objeto de remissão. Somente os de
caráter patrimonial e de interesse privado, a contrario senso não pode de créditos
alimentares e questões de direito público (administrativo, incapazes).

Não pode causar prejuízo para terceiros. A fraude contra credores em negócios
gratuitos é presumida (art. 158) não precisa comprovar o conluio.

Art. 388 CC – a remissão feita numa obrigação solidaria faz excluir a cota do devedor
que foi perdoado. Entao não extingue a solidariedade em relação aos demais, mas só pode
cobrar dos restantes, a cota ou quinhão, daquele que foi perdoado.

Remissão na solidariedade Renúncia ou Exclusão na solidariedade


Há o efetivo perdão do devedor, sendo Não perdoa ninguém. Só tira a pessoa da
retirado da solidariedade. solidariedade, mas continua a dever.

Caso concreto tema 08, número 01: João ajuizou embargos à execução de nota
promissória que lhe move Banco do Brasil S/A, alegando a iliquidez do título pois
decorrente de empréstimo para cobrir saldo devedor de conta corrente, com presença de
cláusulas abusivas de juros remuneratórios acima do limite legal de 12% a.a, capitalização
mensal e cobrança de multa de 10%. Em admitindo a vinculação da nota promissória
Direito Civil 128

quando da celebração do contrato de conta corrente, pode o devedor ou avalista discutir em


juízo o débito em cobrança? Após a apuração do saldo devedor, assinada uma nota
promissória em realização de uma novação da dívida, tem o estabelecimento bancário título
hábil para promover sua execução? A novação impede o exame da abusividade dos
critérios de apuração do saldo devedor? Se vinculada a contrato de abertura de crédito,
perde a nota promissória as atribuições de autonomia e literalidade?
Resposta: É possível vincular uma nota promissória a abertura de uma conta
corrente. O problema é que essa nota promissória fica vinculada com o contrato, perde a
abstralidade do título. Logo, sempre será possível discutir abusividades, como os juros do
caso concreto. O cliente pode arguir isso em embargos a execução quando a instituição
financeira for executar a nota promissória. Se for celebrada uma novação, não seria
possível pois não é permitido novar quando houver cláusulas abusivas ou nulas. A nota em
si é válida, ela pode ficar vinculada com a conta corrente.

Caso Concreto tema 08, número 03: Paulo propõe demanda de cobrança em face
de Jonas e Alexandre. Aduz, em síntese, que era, juntamente com os demais, réus devedor
solidário de Henrique. Ocorre que, na data do pagamento, como o autor é responsável pelo
todo (artigo 275 c/c 283 do Código Civil), resolveu novar a dívida com Henrique, o que
foi aceito por este. Pela nova obrigação a dívida de natureza pecuniária passou a ser a de
dar coisa certa (um cavalo de raça) que foi entregue na data aprazada na nova pactuação.
Afirma o demandante que a prestação antiga se equivalia monetariamente ao cavalo e, em
assim sendo, tem direito de cobrar de cada um dos devedores solidários, réus na demanda,
1/3 do valor do cavalo. Em defesa, sustentam os réus que não anuíram com a novação e,
em razão desse fato, estão liberados de qualquer pagamento. Decida fundamentadamente
a questão.
Resposta: Não é possível, pois a novação celebrada gera a extinção da obrigação
solidária dos devedores. Art. 365 do CC.

Teoria do inadimplemento
Pagamento substancial – é um inadimplemento também, pois o credor não recebe
tudo aquilo que lhe é devido.

A regra geral é que se o devedor deixar de pagar na forma, local e tempo


convencionados, deverá responde por isso. Devolvendo ao credor tudo o que seu
inadimplemento retirou do credor. Princípio romano da restitutio ...

Diante de um inadimplemento absoluto, temos de observar se ele decorreu de um


fato imputável ao devedor ou de um caso fortuito, de força maior, que retire do devedor
qualquer grau é culpa. Portanto, quando o devedor não tem culpa do inadimplemento, não
há que se falar em perdas e danos, não há ilícito civil. A consequência inevitável do
inadimplemento sem culpa é a resolução da obrigação, voltando as partes ao status quo
ante.

As sanções só serão aplicadas ao devedor quando esse inadimplemento, absoluto


decorrer de culpa sua em qualquer grau (leve, levíssima ou dolo) – Art. 389 cc. Dizem que
Direito Civil 129

a condenação em mora e correção monetária estão implícitos nesse artigo quando. Falamos
em honorários. O juiz ao conceder os consectário do inadimplentes não estaria concedendo
pedido extra petita, pois estaria implícito quando do inadimplemento por culpa do devedor.

Art. 390 – inadimplente obrigação de não fazer. Considera inadimplente a partir do


momento que praticou ato em que devia se abster. Caso não pague imediatamente a
indenização, estará em mora.

Art. 391 cc - Pelo inadimplente respondem todos os bens do devedor. Exceção único
imóvel residencial, instrumentos de trabalho, salário, joias de família, fotos de família.

Art, 392 cc – ver no tartuce. Nos contratos benéficos, esconde por simples culpa o
contratante a quem o contrato aproveite. Por dolo aquele que não favoreça.

Pagamento incompleto ou defeituoso


- é a entrega de uma prestação a menor, insuficiente ou com defeito. Entrega a
prestação avençada, no local, no dia pactuado, mas a qualidade não é a pactuada. O credor
não é obrigado a receber coisa diversa da pactuada e a menor.
- se a insuficiência foi por culpa do devedor, o credor poderá resolver exigindo perdas
e danos ou aceitar a coisa, mais perdas e danos.
- sem culpa, poderá o credor aceitar a coisa com reducao do preço mais perdas e
danos ou rejeitar a coisa com perdas e danos.

Adimplemento substancial
- não deixa de ser um inadimplemento.
- o credor não recebe tudo a que tinha direito, mas o devedor já pagou a maior parte
da prestação.(antes entrava-se com ação de resolução do contrato, com uma cláusula de
perdimento, o cdc revogou isso, permitindo que o promitente comprador tenha de volta a
maior parte do que foi pago; mas a teoria do adimplemento substancial superou isto tudo).
- ao invés do juiz rescindir o contrato pago a proprocao de 90%. Por esta teoria não
se rescindira o contrato, pelo qual já pagou a maior parte. Isto não se traduz em impunidade
do devedor ou que o credor tenha perdido o restante deste crédito. Permite-se ao credor
cobrar o restante das parcelas sem a perda do bem, por meio de ações próprias de cobrança.
- comum em promessa de compra e venda de imóvel.
- tambem é subjetivo o que seria pagamento substancial.

Inadimplemento absoluto
- com culpa perdas e danos. Sem culpa resolve

Inadimplemento relativo ou mora

Mora não se confunde com o atraso. Só há mora quando houver um atraso, mas nem
todo atraso se traduz em mora.

Requisitos da mora
- culpa. Não há mora sem culpa. Qualquer modalidade ou grau. Atraso culposo.
Direito Civil 130

- A prestação ainda deve interessar ao credor. Caso contrário seria inadimplemento


absoluto, pois como nos casamentos, se há atraso no serviço de buffet não há mais interesse
na prestação do serviço que não no dia do casamento.

Modalidades de mora
- mora ex re – ocorre independentemente e notificação do devedor. Dies interpela
pro homine. O próprio termo da obrigação que é exterminado já interpela o devedor pelo
credor.

XX

- mora solvendi – do solvens, do devedor – quando ele está atrasado do pagamento


por culpa sua.

- mora accipiendi – do credor – ex.: obrigação querable. O credor não aparece no dia
determinado para receber o pagamento. O devedor por aguardar a vinda do credor ou
consignar a obrigação para se livrar desta. Credor sem justa razão, dificulta o pagamento
já o constitui em mora.

- mora recíproca – credor e devedor estão em mora. Ex.: obrigação querable – o credo
não aparece para receber a coisa. Aparece depois de 10 dias e após este tempo o devedor
também está em mora.

Consequência da mora
- mora do devedor – por culpa (a mora só há por culpa) o devedor responde
automaticamente pelo prejuízo decorrente da mora. Os consectários da mora. Não precisa
pedi-los. Estão implícitos. Basta pedir a indenização pela mora, que eles serão deferidos.
- tem dever de indenizar, mesmo sem culpa, se estiver em mora. Regra para
incentivar o evadir para cumprir a obrigação mesmo não estando no prazo.
- o devedor não terá de indenizar se conseguir provar que a prestação se perderia
mesmo que tivesse sido entregue ao devedor. Ex.: quando há uma avalanche que soterra a
casa do credor que é alugada para o credor.
- na mora recíproca o primeiro que cumprir a obrigação, extingue a situação de mora
recíproca (a do outro também embora possa perder perdas e danos).
- mora do credor – o devedor tem direito a ser indenizado por todos os gastos e custos
que tenha para preservar a prestação, a coisa. Quando o devedor, por culpa sua perde a
prestação ou a coisa, após a mora do credor, mas este no pode pedir o equivalente em
perdas e danos. Se o credor estive em mora, o devedor não responde mesmo que a perda
da coisa ocorra por culpa sua, isto pois a perda ocorreu no período em que credor estava
em mora. Se ainda com a mora do credor, o devedor age com dolo, responde pelo prejuízo,
converte-se em perdas e danos após a resolução. Isso tudo depende de prova.

Purgação da mora
- é entregar a prestação ao credor, com o consectários da mora (o credor não é
obrigado a aceitar sem os consectários)
- expressão que vem de tratar.
Direito Civil 131

- só pode ocorrer se o credor permitir. Isto significa dizer, que se ainda houver
interesse do credor em receber a prestação. Não poderá o credor ser compelido a aceitar a
prestação.
- exceções – obrigações em que é direito do devedor purgar a mora. Ex.: lei do
inquilinato permite o devedor a depositar em juízo os alugueres, a evitar o despejo. O juiz
extingue o processo pela perda de objeto. Art. Diz que o locatário só pode se valer desse
direito a cada 24 meses. Ex.2: promitente comprador tem o direito de purgar a mora. Por
isso o promitente vendedor tem de notificar aquele último para purga-lá em 15 dias. Ex.3:
alienação fiduciária, só pode executar a garantia notificando o devedor para pagar em 15
dias. Dá-se uma última oportunidade de purgar a mora. Essas exceções tem de estar
prevista em lei
- mora presumida é a mora ex re que se presume apenas com o vencimento do prazo,
com a simples ocorrência do termo final

Juros de mora
- consectários da mora. Decorre simplesmente do fato do devedor estar em mora.
Não se confunde com pena, multa
- por isso é possível cumular com pena ou multa. Não há violação ao princípio do bis
in idem.
- nada impede que no contrato se estabeleça a multa moratória. Não se confunde com
a multa compensatória que compensa o credor pelo inadimplemento absoluto da obrigação.
- juros de mora tem a natureza remuneratória pelo atraso, pelo cumprimento natural
da obrigação. É uma compensação pelo tempo que reteve a prestação pecuniária.
- juros de 1%
Primeiro corrente – silente o código não teria problema em fixar os juros em 2%l não
poderia dobrar.
Segunda corrente – poderia diminuir, mas não aumentar após 1%.

Art. 406 – o cc fala nos juros da fazenda nacional. Mas seria a taxa Selic que já
engloba os juros e mais a taxa. Teria um bis in idem. Utiliza o parâmetro do art. 161 do
CTN. AgRg no REsp 727842/SP.

Casos concretos.

Cláusula penal
- também tem a lógica de ser cláusula penal moratória ou compensatória seguindo o
inadimplemento absoluto é relativo (classificação segundo o critério da utilidade).
- a cláusula penal para o caso de mora (inadimplemento relativo) ela é cumulada,
acrescida e não substituitivo do resultado. A função da cláusula penal moratória é a punição
do atraso. Reforçando a pontualidade no cumprimento da obrigação. Mecanismo coercitivo
para evitar que isso ocorra de novo. Função punitiva, elemento inibidor do atraso.
- a cláusula penal moratória não substitui as perdas e danos, pois ela não exerce o
papel de indenização pelos danos que possam acontecer entre a data original e o tempo de
adimplemento da obrigação. Logo, não impede que se cumule com o pagamento da
prestação, clausula penal moratória (sanção) e as perdas e danos.
Direito Civil 132

- quando a prestação é em dinheiro, normalmente essas perdas e danos, o juros de


mora, vão funcionar como um mecanismo de compensação. Se os juros de mora foram
insuficiente para cobrir os prejuízos, será lícito requisitar perdas e danos. Cabe comprovar
que isto ocorreu, contudo.
- a cláusula penal moratória incide se houver convenção nesse sentido.

- cláusula penal Compensatória. Antevendo o inadimplemento absoluto, as partes


convencionam uma cláusula, logo o fim não é reforço de pontualidade, mas de pre-fixar,
dar liquidez, sem que tenha de comprovar o exato prejuízo. Sem trazer prova robusta do
dano suportado para trazer um valor líquido. Proporcionar a execução de pronto, ganhando
velocidade e desonerando da prova do prejuízo.
- art. 416, caput cc – não precisa alegar e comprovar o dano, mas alegar e comprovar
o inadimplemento, para ter o valor pre fixado.
-é vantagem parar ao credor
- não é obrigação, mas advém de um consenso.
- para o devedor. Pode ser demonstrar idoneidade, mas ordinariamente a lógica é
saber quando terá de contingenciar para honrar eventual dano causado pelo
inadimplemento. Limitar a responsabilidade dentro do contrato.
- via de regra, sem essa cláusula penal compensatória, o devedor responde por todos
os danos que pode, ser muito maiores que o os convencionados. Art. 416,§ un cc. Ainda
que maior o dano, se convencionada essa cláusula, o credor não pode pedir o excedente.
Isso numa relação paritária.
- contudo, numa relação de desigualdade, estipula-se uma cláusula penal
compensatória no contrato de adesão na relação de consumo. Não seria válida no tocante à
limitação da responsabilidade, pois viola o art. 51, I do cdc. A cláusula passa a ser um
Mínimo indenizatório, que pode ser contestado em juízo. Retira-se a vantagem
mercadológica da cláusula em razão da desigualdade da relação consumeirista. Para o
consumidor há vantagem, uma vez que pode ter um mínimo.
- chegamos a promessa de compra e venda, que permite a prova para aumentar o
mínimo indenizatório. Só em hipóteses em que haja ...

- o mínimo indenizatório valeria para as duas partes. A primeira corrente entendeu


que não era imposição legal, mas exercício de liberdade e não foi prevista em favor do
consumidor. Logo, não poderia preencher essa lacuna em fase judicial, somente as apartes
poderiam fazê-lo na estipulação contratual. Isso não afasta o exercício do direito o do
consumidor, mas apenas torna necessário que o consumidor tenhas de provar o efetivo
prejuízo. A segunda corrente diz que se for uso exclusivo da liberdade, ela raramente
existirá pela falta de estímulo ao fornecedor colocá-la. Usando os principios da boa fé e da
função social do contrato. Parte da jurisprudência passou a dar a inversão da cláusula e
aplicar ela em favor do consumidor também. Seria uma aplicação recíproca da cláusula
penal. Ainda em discussão no STJ.

- não é incompatível cláusula penal compensatória que visam indenizar pelo tempo
do atraso. Exercendo uma dupla função, sanção pelo atraso e compensação pelo atraso.
Não é presumível, basta que seja definida como tal no contrato. Pode até chamar ela de
cláusula penal compensatória dos danos da mora. Não há vedação legal nesse sentido.
Direito Civil 133

Ainda em discussão no STJ por afetação de recurso repetitivo (art. 112 do cc tende a
intenção ou a literalidade?) se for intenção, a cláusula penal será compensatória. Se for
pelo art. 47 do cdc, interpretação favorável ao consumidor, dando caráter moratório,
permitindo cumular com mais compensação.
...

- decreto lei 62323(?) lei da usura prevê que a cláusula penal moratória será de até
10%.

- se o uso do art. 412 do cc for extremamente abusivo, tem de usá-lo art. 413 do cc
exercendo a função de controle. CUIDADO PROVA OBJETIVA. TORCAR O DEVE
PELO PODE DO ART. 413 cc não é uma escolha, mas um dever. No cc de 1916 era
poderia, mas agora é DEVE. Vale para as duas cláusulas quando abusivas. Mesmo que haja
renúncia antecipada se a cláusula penal se mostrar desproporcional.

Arras ou sinal
- as parte convencionam que aquele negócio foi aperfeiçoado, que o contrato existe.
- As arras são e natureza real. Entrega uma coisa como um SINAL DE QUE O
NEGÓCIO ESTÁ CONCLUÍDO.
- se esse sinal for da mesma natureza da prestação já vale como uma parte do
pagamento (vem escrito sinal e princípio de pagamento). Contudo, se não tem a mesma
natureza, ele não é princípio de pagamento.

- a cláusula penal não precisa ser depositada antes. Logo, tem de estar prevista. Com
natureza consensual. Existe desde que consinta e não dede que entregar como nas arras.

- no silêncio do contrato as arras serão entendidas como confirmatórias. REGRA –


não admite arrependimento. Art. 417-419 cc
Se não há arrependimento do que foi o contrato e não cumpre o acordo, temos o
inadimplemento que pode ser relativo ou absoluto. Se for relativo cabe execução forçada
da obrigação. Ao promover isso, as arras viram mínimo indenizatório pelo atraso (vai para
o credor). Ganham um contorno de compensação, um caráter compensatório das perdas e
danos. Se o prejuízo for maior pode cobrar o excedente ou se for dentro das arras se dá por
satisfeito com ela. Qualquer uma das partes pode inadimplir. A que o fizer, poderá cobrar
as arras. Não tem função punitiva, mas de perdas e danos. Aqui compensa o
inadimplemento relativo
No caso de inadimplemento absoluto poderá reter as arras que vão equivaler a
mínimo indenizatorio pela rescisão. Devolve o valor já pago de arras e o valor equivalente
ao sinal dado. Aqui recompensa a rescisão.

- as outras arras são as penitenciais que só existirão se forem convencionadas.


EXCEÇÃO – admitem arrependimento. Se disser que cabe direito de arrependimento
significa que as arras são penitenciais e vice versa (isso se aplica a regra também). Art. 420
cc. Com o exército do arrependimento, as arras compensam o fim do negócio e como tinha
sido pre fixado o direito de arrependimento, não falamos em inadimplemento, mas um
Direito Civil 134

direito. Se traduz numa obrigação facultativa por exercer o direito de arrependimento que
seria exercer o contrato ou perder as arras. O valor perdido das arras exaure a obrigação,
não cabe indenização suplementar. Pode não comporta a indenização forçada. Aqui
recompensa pela desistência.

OBs.: se o arras for muito alto - aplica-se por analogia o art. 413 cc nesse caso quando
forme manifestamente desproporcionais. O juiz tem o poder dever de reduzir o sinal,
devolvendo o valor a maior pago.

VER FOTOS DO SEGUNDO TEMPO NO CELULAR

REsp 1513259-MS.

Inexecução das obrigações


Art. 402 do cc – elemento subjetivo de acordo com o art. 927. A culpa só terá de ser
provada se a responsabilidade for de cunho subjetivo, mas a culpando interfere no quantum
da reparação. A culpa é o dolo são irrelevantes para o critério da reparação.

As perdas e danos servem para a reparação do patrimônio da vítima (credor ou


devedor).

Perdas e danos sempre no plural, pois, no plural é sinômino de indenização. Dano ou


perda no singular é o que a vítima sofre. Aplica-se a responsabilidade contratual e
extracontratual.

Punitiva damages – EUA – indenização sancionatória.

Indenização é estritamente patrimonial. Por isso alguns doutrinadores são contra ao


termo dano moral. O dano moral é uma violacao a um direito da personalidade. A expressão
indenização é inadequada, é própria do dano material. A função da indenização, da
reparação do dano patrimonial é de ressarcimento, de deposição, de devolver o que a vítima
perdeu ou deixou de ganhar. Já a reparação do dano moral, caráter compensatório. Auxiliar
a pagar a dor, o sofrimento que a vítima despendeu. A doutrina e jurisprudência
majoritárias são a favor do caráter punitivo (alguns dizem caráter pedagógico para
desestimular a reincidência).
Enriquecimento sem causa é aquele sem a causa que o legitime. Pode ser a causa
remota, o ilícito que gera o dano. Existe um enriquecimento sem uma causa legítima sem
a ilicitude. Isso não ocorre quando uma sentença determina a fixação de danos morais.

Hipótese do art. 944,§un cc – Quando houver desproprocao entre a indenização e o


dano.
Direito Civil 135

A indenização do dano patrimônio se mede pela extensão do dano. Como o dano


moral não pode ser medido, é fixado por arbitramento. A única previsão legal é para
redução da indenização. Não temos a autorização legal para o aumento a título de pena.

A indenização abrange duas vertentes. Danos emergentes e lucros cessantes. Os


primeiro são a diminuição patrimonial sofridos pela vítima. Já o segundo seria o que o
credor deixou razoavelmente de ganhar. Não seria o ganho inesperado, extraordinário, mas
o normal que viria, mas em razão do ato ilícito deixou de ocorrer. Seria qualquer ganho.
Não só louvor da empresa, qualquer vantagem patrimonial que a vítima esperava, mas
deixou de acontecer.

Perda de uma chance – supressao de uma oportunidade. Não é a reparação do ganho


que seria obtido normalmente. Não se confunde com lucro cessante, mas é um dano
emergente. Se fosse lucro cessante, se a vítima fosse exitosa, ganharia. Leva-se em conta,
por outro lado, a probabilidade que a vítima tivesse êxito.

Art. 403 cc – mesmo que haja dolo. Ainda que haja descumprimento da obrigação,
que seja intencional, o elemento subjetivo não releva para a delimitação das perdas e danos.
Estas só incluem os prejuízos, os lucros cessastes por efeito da inexecução. Por efeito direto
e imediato.
Esse artigo é importante para o nexo causal. Agostinho Alvim sugeriu tratar-se da
causalidade necessária divergindo de outros estudiosos. Debate entre causalidade
necessária e causalidade adequada. A teoria da causalidade adequada afirma que a conduta
do agente deve ser apta a produzir o dano. Relação entre causa e efeito. Conduta positiva
do responsável e o dano sofrido pela vítima. A maior crítica é que ela propõe um Julio
hipotético, teórico, não bastaria somente isso, mas algo efetivo de ligação entre a causa e
efeito, do nexo causal (teoria da causalidade necessária). Aponta que a conduta tenha
mesmo causado o dano. A regra é de causalidade necessária do art. 403, que tenha sido
causado um dano.
Temos uma divergência terminológica, na qual os autores trocam os nomes das
teorias, a explicação não condiz com o nome da teoria.

Art.393 cc – caso fortuito e força maior são excludentes de responsabilidade civil.


Rompem o nexo causal. Por isso se diz inexecução da obrigação sem indenização.
§ún. – fato necessário seria não voluntário. Seria então o fato involuntário,
imprevisível, acima das forças. A doutrina preponderante faz esforço para separar os
institutos de caso fortuito e força maior. O primeiro seria o fato humano e o segundo o fato
da natureza, ou vice versa. Parece que a lei adota a posição de que seriam sinônimos, usa
a conjunção disjuntiva OU.

Jurisprudência – distinção entre fortuito interno e externo. Na doutrina clássica o


fortuito é excludente de responsabilidade. O externo seria o único a excluir a
responsabilidade. O interno que integra a atividade, inerente a ela, esperado como um fato
normal no campo da atividade a que interesse não afastaria a responsabilidade. Fator
climático é fortuito externo.
Direito Civil 136

Cláusula de não indenizar – significa a exoneração voluntária da responsabilidade


civil. É uma disposição contratual. Mesmo que não constatado um dano. É lícita nos
contratos paritários, mas não nos contratos de adesão. Art. 424 do cc – diz que não se pode
renunciar antecipadamente à um direito da natureza do negócio nos contratos de adesão.
Art. 51, I do cdc – trata da cláusula abusiva e da responsabilidade do fornecedor.

Nos contratos paritários é possível questionar essa disparidade? Precisa ser cruzada,
precisa ser benéfica para ambas as partes. Não se pode abrir mão do equilíbrio contratual.

Obrigação pecuniárias – solver em dinheiro. São espécie do gênero obrigação de dar.


Afinal dinheiro é coisa. Logo, a natureza é de dar coisa certa. Art. 315-318 cc. Dividem-se
em: Dívidas de dinheiro e dívidas de valor. Ambas as espécies são para pagamento em
dinheiro. Não se permite oscilação nas dívidas de dinheiro, mas nas dívidas de valor podem
coma. Finalidade de acompanhar o porte econômico da operação. A situação financeira é
ajustada para corresponder ao valor efetivo da prestação.

Ex.: alimentos – estabelecer mil reais por mês (dívida de dinheiro) e estabelecer 20%
só salário do pai (dívida de valor), nesta última temos a característica de uma oscilação.

Nas dívidas de dinheiro prevalece o nominalismo. A moeda no seu valor nominal.


Não o que vale, mas o que é, a emissão da moeda em razão da soberania estatal. O poder
liberatório do dinheiro decorre do fato de ser uma moeda nacional. Corresponde ao valor
de face.
Consagrado no Art. 315 cc.

Já nas dívidas de valor é estabelecida uma variação na prestação. Esse efeito prático
e obtido através da cláusula de escala móvel. A dívida é de valor diante da pactuação ou
disposição legal, por meio de um escalonamento. Essa cláusula vincula a prestação a
variação de preços, salários ou índices. Exs.: preço (royalties do petróleo, variam de acordo
com o preço do petróleo no mercado), a salário (pensão alimentícia), índice (ipca, igpn,
etc.).
A previsão de tais cláusulas influem na variação da prestação. EFEITO.

A função do dinheiro na dívida de dinheiro é o meio de pagamento, da dívida de


valor além de pagamento serve para medir de prestação (acompanhando o conteúdo da
obrigação).

Nas dívidas de dinheiro as formas prevalecem em detrimento do conteúdo, ou seja,


o valor é o mesmo. Nas dívidas de valor e o conteúdo que é prestigiado em detrimento da
forma, por isso a quantia é ajustada para acompanhar o substrato econômico da prestação.

Nem toda cláusula de escala móvel é possível. Nem todas são lícitas. A cf proíbe a
violação do salário mínimo a qualquer fim – art. 7º, IV da crfb. De outro lado, o próprio
legislador indexa de acordo com o salário mínimo, ex.: competência do JEC (40 salários
mínimos) JEF (60 salários mínimos), honorários da advocacia.
Direito Civil 137

Ideia é que o salário mínimo seja apenas o mínimo, eventuais vinculações irão gerar
pressão dos agentes econômicos.

Sendo técnico a crfb não permite a indexação. O STF da provimento a REs que
discutam isso.

Art. 318 veda duas cláusulas – cláusula ouro e cláusula dólar que vincula a prestação
em reais a moeda estrangeira. A proibição de vincular a moeda brasileira ao outro, continua
vigente, mas as pessoas não contratam em ouro. Já no tocante à moeda estrangeira, é muito
comum. O objetivo é proteger a moeda nacional. Atua em dois sentidos: vedado pagar na
espécie ouro ou moeda estrangeiras, quanto que o apimento seja em reais apta refletir a
moeda estrangeira.
Exceção – DL857/1969 – traz inúmeras exceções.

Se alguém convencione em dólar, o contrato é nulo? Não, o contrato como um todo


não é contaminado, converte-se a prestação que está contaminada para reais com a cotação
do dia da celebração do contrato.

Art. 316 – permissão para previsão da cláusula de escalonamento ou escala móvel. É


lícito convencionar a variação e não apenas o aumento. Convenciona a oscilação, que pode
ser aumento ou redução. Adotando um índice de correção como o IGPM ele pode variar
para cima ou para baixo, regulando de acordo com os aspectos econômicos.

Correção monetária – remediar o efeito negativo da inflação. Repor o que o credor


perde com a inflação. Existe uma tese de que a correção monetária seria um
enriquecimento sem causa. Quem mais ganha é o banco.

Teoria geral dos contratos


Conceito de contrato: contrato é uma espécie de negócio jurídico. Contrato não é
sinônimo de negócio jurídico. Os negócios jurídicos se dividem em bilaterais, unilaterais e
plurilaterais, essa divisão parte do número de vontades emitidas. Negócio jurídico
unilateral se aperfeiçoa com uma única vontade e parte, como o testamento, a promessa de
recompensa, a gestão de negócios. Negócio jurídico bilateral tem duas vontades, José
vende seu imóvel a João. Se manifestam duas vontades. O negócio jurídico plurilateral, se
forma com mais de duas vontades, exemplo: 5 amigos se reúnem e celebram contrato de
sociedade. Contudo, o contrato é um negócio jurídico plurilateral ou bilateral. Não é
possível que ele tenha só uma vontade, uma só parte, portanto nunca seria unilateral. NÃO
CONFUNDIR negócio jurídico bilateral ou plurilateral com contrato unilateral - aqui fala-
se em divisão de obrigações entre as partes. Neste somente uma das partes suporta
obrigações, uma parte é credora da outra, como na doação pura. Contrato bilateral é aquele
em que ambas as partes suportam obrigações.

Obs.: todo contrato exige no mínimo duas vontades. Contudo, temos o contrato consigo
mesmo ou auto contrato, só teria uma parte, você mesmo. É tudo menos contrato.
Direito Civil 138

Celebrado através de mandato em causa própria. Só aparece uma pessoa, mas de fato
existem duas partes. OUVIR EXEMPLO 10 min.

OBs.: não confundir parte com pessoa contratante, ex.: parte é um dos polos do contrato.
No contrato de compra e venda há uma parte vendedora é uma parte compradora. São dois
polos do contrato. Uma parte pode ser ocupada por várias pessoas, ex.: OUVIR.

Todo contrato sem exceção tem pelo menos 2 partes, com cada uma delas emitindo vontade
própria.

Ato jurídico não é sinônimo de negócio jurídico. Ambos são fatos jurídicos humanos. A
natureza é incapaz de produzir atos jurídicos. Os primeiros que não são contratos,
produzem efeitos já previstos em lei e que não podem ser modificados. Ex.:
reconhecimento de um filho. É um ato de vontade humana. A citação do réu e um ato
jurídico, pois possui efeitos na lei imutáveis, previne a prescrição, torna litigiosa a coisa.
Já o negócio jurídico é o território da liberdade de vontade, mesmo que não seja absoluta
no direito. Os agentes podem autodisciplinar seus interesses.

No contrato as partes perseguem um objetivo gozando da liberdade para autodeterminacao


seus interesses. Segundo Savigny os contratantes autodeterminam seus interesses no
contrato. Ess autonomia, portando, não é absoluta, mas há o mínimo de vontade. Até no
contrato de adesão há liberdade de contratar ou não.

São regidos por princípios gerais ou princípios fundamentais dos contratos que são as
regras básicas dos contratos.

Princípios Contratuais:

1. Princípio da autonomia da vontade ou liberdade de contratar - as vontades emitidas


tem de ser livres para que o contrato seja válido. Na época da revolução francesa essa
vontade era quase absoluta, deixando as partes livres, com exceções raríssimas. Tudo que
é contratual era justo, contanto que fosse lícito. Imaginava-se que se as partes eram livres,
e os interesses de ambas as partes eram realizados, era livre o contrato. Ainda existe essa
máxima, mas não de forma quase absoluta. Não é a liberdade das partes que garante a
justiça e o equilíbrio do contrato. O que garante o equilíbrio do contrato é a igualdade entre
as partes. A experiência mostrou que as partes podem ser livres, mas o contrato pode ser
inteiramente injusto. O Estado Moderno implementou portanto o dirigismo contratual,
para proteger o mais fraco. As pessoas são livres para dizer em que condições, sobre que
lei, forma contratarão. A autonomia da vontade só é limitada pelo estado quando há mais
relevância social e vulnerabilidade que gerou a mitigação da autonomia da vontade de
forma quase absoluta. O limite da liberdade de contratar é a função social do contrato.

1.1. Princípio da Função Social do Contrato - como limitadora da liberdade contratual -


art. 421 CC. Não serve mais apenas aos contratantes. Não pode o contrato prejudicar a
sociedade e nem produzir efeitos negativos na sociedade. Deve o contrato ser um polo
gerador de riqueza. Também é para proteger o mais fraco, mas o objetivo único é proteger
Direito Civil 139

a sociedade como um todo. O CC e o primeiro que expressamentepreve a função social do


contrato.
A única crítica é que o início dizem liberdade de contratar, que segundo a doutrina é
diferente de liberdade contratual. A primeira é decidir se quer ou não contratar. Já a
segunda é a liberdade de estabelecer as condições do contrato. É uma crítica procedente. A
intenção do legislador e falar de forma genérica. Seria melhor redigido se tivesse
autonomia da vontade no lugar.

2. Força obrigatória dos contratos ou imutabilidade dos contratos - vem desde Roma
com o pacta sunt servanda, ou seja, o contrato deve ser cumprido. Gera um vínculo jurídico,
um liame que os obriga a cumprir. A lei que garante a paz social.
O juiz do estado liberal não poderia interferir no contrato, somente poderia ser alterado por
força das partes.

Todos os contratos repousam nesses dois pilares.

2.1. Mitigado pelas teoria revisionistas do contrato - pode ser por pelo menos a vontade
de uma das partes e até mesmo do juiz. Também conhecida como teoria da imprevisão.
O nosso código fala em onerosidade excessiva (art. 478). No texto alemão tem-se a teoria
da pressuposição. Pode ser chamada de teoria da quebra da base econômica do contrato
por Lahrens - todo contrato repousa sobre uma base econômica ou equação econômica. A
economicidade é um princípio dos contratos. Sempre haverá um benefício econômico. Pelo
princípio da boa fé deve ser razoavelmente em cheque para que não haja desequilíbrio. Não
há contato cujas prestações são absolutamente certas. Não há previsão específica do que é
uma onerosidade excessiva. Cabe ao juiz verificar no caso concreto se aquela situação
causou onerosidade excessiva a uma das partes, se não é mais possível suportar.

O cdc no art. 6ª diz que é um direito básico do consumidor pedir a revisão das cláusulas
que se tornarem excessivamente onerosas.

Obviamente só pode ser admitido após a a celebração do contrato.

No art. 478 - fala em fatos imprevisíveis e supervenientes, mas a doutrina fala somente em
fatos supervenientes, não precisa mais que ele seja imprevisíveis. Só precisa ser
superveniente a celebração do contrato.

O cdc que é de 1998 no art. 6º já prevê já os fatos superveniente sem a questão da


imprevisão, e o CC de 2002 vem trazendo esse requisito arcaico. A explicação advém de
que o projeto do CC durou 27 para ser terminado, já o cdc foi para o congresso em 1989 e
foi promulgado em 1998.

3. Princípio da Consensualidade - deve haver um consenso, aceitar a proposta de alguém.


Neste momento já nasce o contrato, com a consensualidade. O pagamento é a tradição são
apenas a execução e não fazem parte da formação do contrato. A regra geral é que sejam
consensuais - compra e venda, locação. Contudo, há contratos reais que se formam com a
tradição.
Direito Civil 140

3.1. Exceção: Os contratos reais são: comodato (só nasce com a tradição), mútuo,
depósito, estimatório (só surgiu com o código de 2002 - ex.: costureira que vende ao lojista
para revenda, que deve pagá-lo com base na estima dela) OUVIR 1:10:00 - nasce quando
a costureira entrega a coisa.

4. Princípio da Relatividade - os contratos são relativos aos contratantes - só obrigam aos


contratantes. A diferença entre os direitos reais é que estes são oponíveis erga omnes,
enquanto aqueles só se aplicam aos contratantes. O direito real é ambulante, segue a coisa,
é dotado de sequela, pois adere a coisa. Já o contrato não adere. É pode opor o contato a
quém o contratou.

4.1. Exceção: Estipulação em favor de terceiro - seguro de vida por exemplo, o


beneficiário e o terceiro. Pode ser reclamado por quem não é parte do contrato. Não precisa
nem saber que é beneficiário. Contrato com pessoa a declarar - aquele em que o
contratante se reserva ao direito de indicar alguém para substituí-lo no contrato. Não se
confunde com a cessão que precisa de anuência da outra parte.

O princípio da relatividade também está mitigado. Esses princípios perduram desde Roma,
mas foram temperados a nossa realidade atual.

5. Princípio da boa-fé - no passado era subjetiva - tinha de estar no âmago da pessoa, a


intenção de ser honesto de não causar dano à terceiro, era mais uma regra ética do que
jurídica. Transformou-se em boa-fé objetiva - não basta a intenção de não causar dano. É
um dever jurídico e não apenas ético, tornou-se uma regra obrigatório em que as partes
devem observá-las no cumprimento e formação dos contratos. Presente no art. 422 do CC.
Por isso o juiz pode resolver um contrato modificado se verificar que uma parte está agindo
e má-fé. A boa fé passou a ser uma cláusula geral dos contratos. Originou a outros
princípios que podem ser chamadas de figuras parcelares:

5.1. Princípio da lealdade: pode se arrepender de ter emprestado o apartamento, mas não
deve, pois deve tratar com lealdade.

5.2. Princípio da informação - informar a outra parte o seu real querer. Ex.: os riscos do
produto, como se proteger contra eles.

5.3. Princípio da preservação - as partes devem fazer tudo o que for possível para
preservar o contrato, para fazer com que ele chegue ao fim e produza seus efeitos.

5.4. Princípio da cooperação - as partes devem cooperar para que o contrato produzam
seus efeitos.

5.5 Princípio da Confiança - não pode embutir na mente do outro uma certeza e depois
traí-la. Deve demonstrar sua intençao e depois cumpri-la. Aqui aplicamos o venire contra
Direito Civil 141

factum proprium, surrectio, supressio, tu quoque. Elas nascem da violacao do princípio da


confiança que deriva da boa-fé.

Trativas - hoje não pode mais interrompê-la de pronto. Deve-se ter uma responsabilidade
contratual. Nas tratativas, age-se de maneira convincente e forma a levar a entender a outra
parte a crer que irá fechar o contrato e com isto em mente teve prejuízos, isto geraria perdas
e danos.

Responsabilidade pôs contratual - mesmo após concluído o contrato. Não deve-se revelar
segredos que foram revelados durante o negócio jurídico.

A responsabilidade civil nos contratos é pré-contratual, contratual e pós-contratual.

Classificação dos contratos

Enquanto não houver certeza da classificação do contrato, não responder. Classificá-lo


primeiro.

Além disto existem vários critérios de classificação.

1. Unilaterais ou bilaterais

- contratos unilaterais - só uma das partes assumem obrigações. Uma é credora e a outra é
devedora. Ex.: doação pura, só o doador assume a obrigação. Comodato puro. Mandato
puro, depósito.

- contrato bilateral - ambas as partes assumem obrigações. Há reciprocidade. Cada parte é


credora e devedora. Há uma prestação e contraprestação. Os romanos chamavam de
contratos sinalagmaticos. Ex.:.: compra e venda, locação, prestação de serviço, empreitada,
permuta, entre outros.

Essa classificaçao é importante, pois há regras que só se aplicam a contratos bilaterais.


Exceção de contato não cumprido - nenhuma das partes pode exigir obrigação da outra sem
que esteja quite com sua obrigação. A teoria dos vícios redibitorios, a evicção.

Entre os bilaterais e unilaterais há uma zona cinzenta. Contratos bilaterais imperfeitos


(doutrina majoritária) ou Unilateral imperfeito (doutrina minoritária)- ex.: contrato de
mandato remunerado, por natureza é unilateral, pois só o mandatários tem obrigação, mas
nada impede que se reajuste uma remuneração ao mandatários. Dai vira bilaterais, pois o
contratante tem obrigação de pagar a remuneração é o mandatários de cumprir o contrato.
Contrato de depósito remunerado, por natureza e unilateral, mas nada impede que as partes
conviencionem uma remuneração ao depositario contrariando a natureza do contrato, vira
bilateral. Comodato remunerado com encargo.

2. Contratos onerosos e gratuitos


Direito Civil 142

Critério quanto ao benéfico economico perseguido pelas partes. Não tem nada a ver com a
obrigação das partes.

- Contrato Oneroso - Se amanhã as partes tiram um benefício econômico do contrato, ele


é oneroso. Ex.: compra e venda, locação. Há sempre um binômio característico: equação
de prestacao X contraprestacao - uma parte tem uma prestação para com a outra parte é em
troca tem uma contraprestacao. Chamado também de custo benefício. Ex.: compra e venda
- o comprador tem de entregar a coisa é como contraprestacao tem o preço por ela. Na
locação - o proprietário tem de entregar a coisa para posse, e como prestação tem o preço.

Há também regras próprias nos contratos onerosos: evicção, vícios redibitorios.

Os contratos onerosos se dividem em:

- Contratos Comutativos - o valor da prestação e da contraprestacao devem se equivaler


razoavelmente. Além disto as partes devem ter certeza do objeto da prestação e conhece o
valor da contraprestação. Ex.: compra e venda de coisa já existente; permuta; locação.

- Contratos Aleatórios - a prestação não precisa equivaler economicamente a


contraprestacao. Ex.: jogo ou aposta. A alea é fundamental. Todo contrato, a rigor, tem
uma dose ele alea. Só que neste tipo de contrato a alea é a essência desse contrato. Jogo
não é sinônimo de aposta, são tratados juntos porque as regras são as mesmas. No contrato
de aposta o contratante não participa de maneira alguma no resultado do contrato. Ex.:
mega sena, loteria. Já no jogo também depende da sorte ou azar, mas o jogador pode influir
no resultado com sua técnica ou intuição. Ex.: pôquer. A compra e venda de coisa futura -
a coisa ainda não existe quando o contrato foi celebrado. Ex.: comprar a safra de laranja
antes de ser colhida.

Nos contratos onerosos comutativos aplica-se a teoria da onerosidade excessiva. Já nos


onerosos Aleatórios não é cabível, não há necessidade do equilíbrio.

Apartamento na planta é comutativo, pois compra-se uma fração do terreno, mas a


construção é futura.

- Gratuitos ou benéficos - se só uma das partes aufere benefício. Fruto de liberalidades ou


generosidades. Só uma das partes têm a prestação e a outra não recebe nada.

Podemos perceber uma correspondência a partir dessa classificação: Todo contrato


bilateral é oneroso. Assim como a maioria dos contratos unilaterais são gratuitos a exceção
do mútuo feneratício - que é unilateral oneroso - empréstimo de dinheiro com juros. Sem
juros é unilateral gratuito. O mutuante recebe os juros e o mutuário o dinheiro emprestado.
Se não houver menção de empréstimo com juros, considera-se mútuo puro - empréstimo
sem juros.

Feneratício vem de fenus - juros no direito romano.


Direito Civil 143

A correção monetária não é um pois é um minus, tenta-se diminuir o prejuízo. Já juros é a


remuneração pelo uso do dinheiro.

3. Contratos consensuais e reais

Regra geral e que os contratos sejam consensuais.

- contratos consensuais - Nascem quando se alcança o consenso de vontades, quando o


oblato aceita inteiramente a proposta. O oblato é aquele a quem se dirige a proposta ou
policitação. Quem faz a proposta é o proponente ou policitante. Quem recebe a proposta é
o proposto ou oblato. O contrato só nasce quando ela foi aceita integralmente, se ele
oferecer uma contraproposta ele não nasce.

- contratos reais - depende da entrega do objeto do contrato ao outro contratante para existir.
A entrega da coisa é ato de nascimento do negócio jurídico. Ex.: mútuo, depósito
estimatório, comodato, ??? OUVIR 42 min.

4. Quanto à forma

- regra - Não solenes ou informais - são aqueles contratos em que as partes podem escolher
a forma que quiserem para resistir seu contrato. Forma escrita, escrita pública, escrita
particular, oral, gestual. Ex.: locação (forma é livre, não influi na validade do contrato, é
mais difícil de comprovar, mas a eficácia é a mesma); contrato de transporte OUVIR 44
min.
Princípio da liberdade de forma, decorre do princípio da liberdade de contratar.

- exceção - contratos solenes ou formais - tem previsão legal que se descumprida torna o
contrato nulo por vício. Ex.: compra e venda de imóvel com valor acima a 30 salários
mínimos tem de ser por escritura pública. Doação de imóvel. Qualquer contrato que
importe a permuta de imóvel acima de 30 salários mínimos é necessário escritur6. a pública
sob pena de nulidade. Bens móveis qualquer que seja o valor pode ser por instrumento
particular ou verbal.

5. Contratos típicos e atípicos

- contratos típicos - existe lei o disciplinando. Todo contrato do CC é típico.

- contratos atípicos - contratos não regulados em lei que vão surgindo ao longo do tempo.
Leasing, entre outros. Como se dará um julgamento de tal contrato? Pelos princípios gerais
de direito, contratos, analogia, doutrina, equidade. Quando não há nada em que se basear é
caso de lege ferenda - o juiz agindo como legislador para julgar, aplicando-se somente no
caso concreto. Desde que não fira a lei pública ou moral, é possível criar um contrato novo.

6. Contratos de duração/trato sucessivo/execução continuada e instantaneo.


Direito Civil 144

- contrato instantaneo - nasce e se exaure quase que ao mesmo tempo. Aquele que se exaure
num único ato para exauri-lo. Dividem-se em:

- execução instantaneo imediata - bastou um ato é exauriu o contrato na mesma hora,


imediatamente.

- execução instantaneo diferida - diferido significa protrair no tempo, no futuro. Não é


imediata, mas a tradição é na mesma hora, falta o pagamento num exemplo dado.
- contrato de duração/trato sucessivo/execuçã continuada - aquele que se projeta no tempo,
mas em atos sucessivos. Cada dia da execução é um ato.

Ex.: contrato de prestação de serviços na academia. Contrato de prestação de serviços das


aulas da emerj. Contrato de locação.

Onerosidade excessiva só pode ser aplicado a este último tipo de contrato e nos de execução
imediata diferida, para que seja possível celebrar o contrato de forma que possa haver um
fato superveniente ao contrato. No contrato de execução instantaneo imediato se exaure
logo que imediatamente, não há como ter um fato superveniente.

Rebus sic standibus - exceção ao pacta sunt servanta. É a onerosidade excessiva.

7. Contratos paritário e de adesão

- contratos partidários - as partes gozam da mesma liberdade para fazer proposta é


contraposta. Há possibilidade de negociar de forma igual.

- contratos de adesão - não há a mesma liberdade. Não é que não há liberdade, ela existe,
ninguém obrigado a aceitar. Ao oblato só é possível aceitar a proposta. Não há
possibilidade de contrapostas. Existem alguns que digam que a liberdade é tão pequena
que o contrato seria coativo ou obrigacional - pois não há como imaginar em pleno século
21 viver sem energia elétrica ou água encanada.

Os contratos de adesão são um reflexo da massificação, do consumo em massa, da


sociedade em massa. Para isto, surgiram as produção em massa e com isto contratos de
adesão para suprir a necessidade do grande quantitativo de contratantes.

Ele deve ser igual para todos. Não há como controlar caso contrário.

Por isto surgiu as ações coletivas, os direitos homogeneos, os institutos de de demandas


repetitivas.

São encontrados de forma mais fácil na sociedade de consumo.

8. Contratos civis e comerciais

Hoje caiu por terra, pois o CC traz conceitos assim.


Direito Civil 145

Os contratos marítimos ainda soa comerciais, posto que o código comercial ainda os prevê.
Direito Civil 146

Dia 25.07.2016 – Aula 10

Indicação de bibliografia
Nelson rosenvald e Cristiano chaves
Paulo stolze e Rodrigo Pamplona

Princípio do relativismo

Diz que o contrato em regra tem efeito apenas ente os contratantes.

Possui três Exceções:

Das estipulações contratuais em relação a terceiros

Estipulação contratual que o contratado terá de fazer em prol de alguém que não faz parte
da relação jurídica.

ART. 436, 437 e 438 do CC.

Partes: estipulante; promitente/devedor; terceiro ou beneficiário.

É possível trocar o terceiro desde que esteja previsto na relação contratual.

É possível solicitar algo em troca do favor para terceiro? A doutrina diz que estes tipos de
contratos podem ser onerosos ou gratuitos, já o CC não é tão claro assim.

OUVIR PERGUNTA ALUNO 16 min.

O terceiro estranho ao contrato é afetado. Sendo esta uma exceção ao princípio do


relativismo.

O terceiro pode cobrar tanto do estipulante quanto do devedor, caso previsto no contrato.

Como ele poderia ser oneroso? Oneroso em relação à queima? Pode ser oneroso ou gratuito
em relação com o estipulante e o terçeiro.

Promessa de fato de terceiro

Promete-se que quem irá cumprir o contrato será o terceiro.

A doutrina critica isto, diz que o terceiro é um ser humano.

Natureza jurídica - Negócio jurídico com elemento acidental.

Em regra o contrato não vincula o terceiro (art.439 CC), exceto se ele anuir, se compromete
com o vínculo sem que faça parte do contrato, necessariamente.
Direito Civil 147

Não podemos falar de fiança aqui, pois o terceiro se compromete caso o devedor não
cumpra sua obrigação. Já aqui ele se compromete diretamente, sem que o devedor tenha
de cumprir.

Só pode falar em responsabilidade solidária se houver estipulação em contrário. Art. 265


CC,

Esta anuência tem de estar prevista no contrato.

Contrato com pessoa a declarar

Art. 467 - o terceiro

O terceiro vai sera

Não é igual a cessão contratual.

Aqui desde o início a pessoa deveria entrar na relação contratual, entrando no lugar do
devedor. Os efeitos são ex tunc. O devedor sai sem vestígio, portanto não há que se falar
em responsabilidade solidária em qualquer momento.

Como o terceiro aceita? Depende de como contrato o contrato aconteceu (expresso,


aceitação expressa, verbal, aceitação verbal.

O nome da cláusula que prevê a escolha de um terceiro para aquiete os direitos e assumir
os deveres.

PrAzo para avisar quem ficará no lugar do devedor. Art, 468 se não tiver outro estipulado.
prazo decadencial, que se houver passado, não há que se falar em terceiro na relação. Art.
470.

Cláusula pro amigo eligendo

Vícios redibitórios

Algum vício oculto que diminui o valor ou prejudica a utilização da coisa recebida por
meio do contrato oneroso.

Contrato comutativo - ligado a posse ou propriedade (translativo de posse /propriedade

Vício oculto desde a tradição

Vício que diminui o valor.


Direito Civil 148

Vício redibitório X erro - no segundo adquiriuse uma coisa pensando em ser outra. No
segundo foi um erro interno. Já no primeiro compra-se o que se objetiva, mas houve. Um
vício que diminui o valor.

O art. 442 nos dá duas opções.

Em direito do consumidor não precisa de vício aparente.

Evicção

Quando um adquirente de boa fé da posse ou propriedade da coisa que foi transferida por
força de uma sentada judicial ou ato administrativo que concebeu direito anterior de
terceiro , denominada o evictor.

O adquirente volta-se contra o alienante.

Personagens: alienante; adquirente/evicto; terceiro/evictor (para gravar é o Victor que


pegou o bem de volta e se deu bem).

Fundamentos:

A função social dos contratos não foi observada. A boa-fé não foi observada. Princípio da
dignidade de da pessoa humana. Princípio da vedação ao enriquecimento sem causa.

Duas exceções a evicção art. 457 CC

Requisitos:

1.Aquisição de um bem (contrato oneroso ou hasta pública) - não aplico a contrato:

- contrato gratuito? Doação ou comodato. Poderia gerar responsabilidade vivil, no máximo


perdas e danos
- contrato? Não necessariamente, pode ser verbal também.

2. Perda da posse ou propriedade

3. Sentença judicial ou ato administrativo

- sentença não é necessária ou ato administrativo (ex.: blitz)


- deve ser uma perda e não limitação do uso do bem ou coisa. Ex.: tombamento, não perde
a posse. Desapropriação momentânea também não cabe aqui, pois não cumpriu-se o
primeiro requisito, não houve aquisição, foi algo momentâneo.

Direitos do evicto:
Direito Civil 149

1. Pretensão indenizatória contrato o alienante.


2. Além do que já pagou - art. 450 CC:

- frutos que foi obrigado a restituir


- despesas dos contratos e pelos prejuízos que diretamente resultarem evicção
- custas judiciais e aos honorários do advogado por ele consituido

Se a coisa estiver destruída? Art, 451 CC


Sim, não tinha como o adquirente saber que a coisa não era dele. Deve o alimentarem
indenizar integralmente. Salvo má-fé.

Espécies:

1. Total - tudo o que havíamos falado.


2. Parcial:

Pode ocorrer dissoluçao do contrato


Restituindo a parte desfalcada - fica com parte do contratado e indeniza pelo que faltou

Prazo

A lei não diz expressamente.

Corrente minoritária usa por analogia o art. 445 o prazo do vício.


Corrente Majoritaria: prazo decadencial é sério e portanto não poderia ser. Precisa-se
reparar o prejuízo. Afirma que seria o prazo do art. 206,§3º, V fala no prazo de três anos.
Sustenta que se tem aqui uma pretensão para execução, logo o prazo seria prescricional.

É possível convencionar a respeito da limitação da evicção.


Vigora o princípio da autonomia. A evicção é uma garantia, um remédio. Portanto, por ser
o direito privado é possível convidar sobre tal.
Se houver má-fé, a luz do direito civil consituticonal, poderíamos arguir um defeito do
negócio jurídico.

Mesmo com tal cláusula é possível buscar pelo menos o que foi pago pelo bem. Art. 449
CC - sob pena de enriquecimento indevido.

Independentemente de cláusula, não é possível arguir evicção quando já sabia que a coisa
era alheia ou quando havia litígio. Recebe pelo menos o que pagou. Art. 457 CC.

Evicção nas benfeitorias

Benfeitoria - obra na coisa principal, a fim de melhorá-la (útil), conservá-la (necessário)


ou embelezá-lá (volupatuaria).
Direito Civil 150

Nas benfeitorias necessárias e úteis - o terceiro ou alienante devem pagar por elas. art. 453
c/C art. 1.219 CC

Nas benfeitorias volupatuaria - omissão legal - levanta a benfeitoria (tira a benfeitoria da


coisa) caso o terceiro noa quiser pagar,

Exceção do levantamento: prejuízo da coisa. O terceiro não seria obrigado a pagar por elas,
pois não pediu por tal coisa.

OUVIR possibilidades 1:46:00 até acabar.

Exceção de contrato não cumprido

Art. 476 e 477

Meio de defesa pela qual a parte demandada pela execução de um contrato pode arguir que
deixou de cumpri-lo pelo fato da outra ainda não ter satisfeito a prestação correspondente.

Só pode acontecer em contrato bilateral - quando há duas ou mais obrigações.

Não se discute o conteúdo do contrato. O objetivo também não é extinguir o contrato. A


sua exigibilidade não é razoável.

Pretende suspender a pretensao do autor.

Não se nega a existência do contrato, não se deseja extingui-la.

Esse argumento não pode ser de ofício, cabe às partes arguir isto. Deve ser alegado na
contestação sob pena de preclusão.

A alegação pode ser com base na recusa de cumprimento pelo devedor ou por motivo de
caso fortuito e força maior.

Contrato parcialmente cumprido - pode alegar a exçecao? OUVIR 5 min parte 2

Requisitos:

1. Contrato bilateral - as duas partes possuem obrigações.


2. Existência de uma demanda para o cumprimento pactuado - por este mecanismo é uma
defesa, há que se ter uma demanda para que haja o cumprimento da obrigação.
3. Descumprimento total ou parcialmente do demandante

É possível que haja uma cláusula que impeça essa defesa?


Lembrar que aqui é o direito privado. É possível tal cláusula. Princípio da autonomia
privada. Apesar de ser incomum na prática.
Direito Civil 151

Cumprimento mesmo diante do inadimplemento da parte contrária.

No cdc não pode. Isto não pode acontecer, pois já há uma situação de desequilíbrio e
haveria a destruição total do vulnerável consumidor. Sua uma cláusula leonina.

Garantia de cumprimento é possível exigir no meio do contrato?


Protege aquele que tem que cumprir sua parte antes da outra.

Ocorre quando há risco para outra parte.

Art. 477 CC.

Exemplo: recuperação judicial também é um bom exemplo.

Exceção de contrato não cumprido e a ADM PÚBLICA - OUVIR 15 min

Pela administração? A princípio essa defesa cabe apenas para a ADM.

Pelo particular? Não pode, pois não é apenas um contratante, é um colaborador social, que
se inadimplidir causará um dano prejudicial ao interesse público. Há controvérsia na
doutrina.

Rescisão unilateral é prerrogativa da Adminsitracao.

Só caberia uma suspensão com uma decisão judicial/administrativa.

Caso não haja mais condições, deve-se analisar a razoabilidade e situações inviáveis para
o particular. É muito difícil abandonar a prestação, deve-se vislumbrar uma situação ímpar.

Teoria da imprevisão/imprevisibilidade e resolução por onerosidade excessiva

Conceito: ocorrência de acontecimentos novos, imprevisíveis pelas partes e a elas não


imputáveis, com o impacto sobre a base econômica ou a execução, admitiria a resolução
ou revisão, ajustando-as as causas supervenientes.

Inútil aos contratos de execução imediata. Só cabe nós de execução continuada.

Flexibilização do pacta sunt servanda

Requisitos:

1. A circunstância deve ser imprevisível e superveniente que ocorreu no decorrer do


contrato. Portanto não há como ser prevista no contrato.

2. Alteração da base econômica. Esse evento impôs a uma ou ambas as partes condições
diferentes das antes pactuadas.
Direito Civil 152

3. Onerosidade excessiva. Ficou caro demais para uma ou para as duas. Não há que se falar
em enriquecimento de uma das partes. Nem sempre uma das partes tirou proveito disto,
por muitas vezes pode ter gerado para as duas.

Copiar tabela - foto

Na teoria da imprevisão pretende-se revisar o contrato que nasceu saudável. Já na lesão o


contrato não nasceu saudável, houve alguém se beneficiando da outra parte, de uma
urgência, deficiência/inexperiência, entre outros. A lesão nasceu com o contrato. Nesta
também pretende-se dissolver o contrato e não revisá-lo.

Teoria da imprevisão X caso fortuito, força maior

No caso fortuito não há cumprimento, pois não era possível. Aqui não há indenização.
Deixa de cumprir o contrato e pronto.

Na imprevisão, pode surgir uma indenização. O cumprimento é possível, mas é deveras


oneroso.

Teoria da Imprevisão no CDC

O cdc não fala em revisão do contrato, pode ser dissolvido ou revisado. Não precisa que
tenha sido imprevisível o fato, art. 6°, V.

Não se pode falar aqui de teoria da imprevisão e sim em teoria da onerosidade excessiva.

Como é tratada no CC?

Apesar do nome ser o mesmo do CDC, há que se ter a imprevisibilidade.

No art. 478 diz que a onerosidade ser a uma das partes. Isso é um erro na visão da doutrina,
pois pode ser para as duas partes.

O art. 478 fala em poderá pedir a resolução do contrato, mas o 479 fala que pode pedir a
revisão do contrato. Opção do demandado.

O CC diz que a pessoa pode pedir o fim do contrato. O juiz poderia ponderar e ao invés de
resolver o contrato, poderia revisar o contrato, mesmo que não seja esse o pedido? Segundo
a doutrina poderia, pois quem pode mais pode menos. Não estaria julgando fora do pedido,
estaria reequilibrando a situação. Utiliza a função social do contrato. Enunciado 367 CJF.

Aplicação da teoria nos contratos unilaterais - art. 489 CC.

OUVIR 50 min parte 2


Direito Civil 153

Perspectiva socializadora do contrato

Possibilidade de cláusula que impera a alegação da Teoria?

Extinção dos contratos

FOTO 2
Foto 3

Fator eficacial pode ser o vencimento de um termo; condição resolutivo; frustração da


considero suspensiva.

Vencimento de um termo - evento certo de acontecer, previsto no contrato.

Condicao resolutiva - é um evento futuro e incerto.

Frustração da condição suspensiva - o contrato só terá eficácia para depois extingui-lo com
o advento do evento futuro.

O contrato pode ser extinto posteriormente/estranha/imprópria. - o contrato pode acabar


com coisas que não foram previstas no contrato. Pode ser antes, durante se depois.

Subdivisão de antes e durante - foto 1 celular.

Foto 2 celular.

Diferenças entre resilição, resolução e rescisão.


Direito Civil 154

Dia 27.07.2016 – Aula 11

Contratos em espécie

Contrato de compra e venda

Conceito

Características: 1) bilateral ou sinalagmaticos; 2) consensual, sem formalidades; 3)


oneroso; 4) comutativo ou aleatório. Se for comutativo, há equivalência entre as prestações
e contraprestações. Não cabe alegar estado de perigo, segundo o art. 157 ou lesão, art. 156.
Nesta última a desproporção entre o preço e coisa é analisado de forma subjetiva. Podendo
anular caso haja desproporção. Se não houve dolo e aproveitamento a coisa considera-se
como pronta e acabada. Pode ser aleatório. Nada impede que as partes insiram uma alea no
contrato de compra e venda. Não haverá certeza quanto ao objeto do contrato. Divide-se
em compra da esperança e compra da coisa esperada. Ler o tartuce página 734.

Art. 503 - segundo tepedino quando a coisa for indivisível, poderá o comprador rejeitar a
coisa em sua totalidade.

Emptio spei - a pessoa se obriga pela existência do objeto. ex.: o bem está sujeito ao acaso.
Emptio rei speratae - A pessoa se obriga pela quantidade.

Efeitos da compra e venda

Contrato de compra e venda o de as partes consignam a obrigadacao de dar coisa certa. Ato
posterior que é a entrega da coisa que se dá com a tradição (bem móvel) ou registro (bem
imóvel). Somente com isto o adquirente se torna proprietário da coisa. Antes disso só se
tem uma promessa de entrega da coisa. Res periti dominus - art. 502.

Se o alienante antes da tradição ou registro vende o bem para um terceiro. Não há que se
falar em restituição da coisa. Isto anda mais é do que uma obrigação de coisa certa que se
resolve em perdas e danos.

Consensual - as partes devem ser legitimadas. "consentimento emitido pelas partes, que
deve ser livre e espontâneo, deve ainda recair sobre os demais elementos do contrato de
compra e venda, quais sejam a coisa e o preço. Em havendo um dos vícios do
consentimento (erro, dolo, coação moral, estado de perigo e lesão), o contrato de compra e
venda é anulável, conforme as regras que constam da Parte Geral do CC (art. 171, II)."
(tartuce p. 735).

Venda de ascendente a descendente


"A questão está superada, pois o caso é de anula- bilidade ou nulidade relativa. Saliente-se
que as hipóteses de nulidade absoluta ou relativa são fixadas por opçaõ legislativa, não
podendo ser contrariadas." (tartuce p. 742)
Art. 496 - as partes não podem correr para a doação.
Direito Civil 155

Aplicaria a união estável aqui também, pelo fundamento do amparo constitucional.

Prazo de 2 anos, decadencial para pedir o desfazimento do ato. Segundo art. 179 CC.

É necessário contudo que haja prejuízo, não pode somente alegar ausência do
consentimento para anular o negócio - art. 182 e 172 CC.

Compra e venda entre cônjuges.

É lícita a venda entre cônjuges desde que estejam, os bens, excluídos da comunhão.
Art. 499 cc.

Pode ser aplicado por analogia a união estável.

Caso haja um dos cônjuges um filho fora de seu casamento. Há que se verificar se não há
fraude: "Contudo, deve ser feito o alerta de que a compra e venda entre cônjuges não poderá
ser celebrada com fraude contra credores, fraude à execuçaõ ou simulação. No primeiro
caso será anulável (art. 1 7 1 do CC), no segundo será ineficaz (art. 792 do CPC/2015, que
corresponde" (tartuce, p. 746, 747)

OUVIR 42 min até 45

Elemento essencial da compra e venda

Coisa - bem corpóreo ou incorpóreo que detenha cunho econômico e que possa ser vendido.

Art. 484 CC - amostra é uma pequena porção daquilo que se deseja alienar.
Protótipo- unidade do bem que se encontra em exposição. Ex.: tá em exposição na loja da
fast, ponto frio.
Modelo - demonstração do objeto em dimensões reduzidas. Ex.: maquete.

Princípio da simetri adequada. O produto em exposição deve manter as mesmas qualidades


do produto que será entregue. Não se verificando simetria estaremos diante e
inadimplemento, apto a gerar devolução, substituição ou indenização.

Cabe ao alienante a informação dentro da boa fé objetiva. Deixando claro que em razão do
próprio produto as qualidades podem se variáveis.

Essa simetria não cabe nos contratos de adesão.

Venda as corpus e venda ad mensura

Art 500
Direito Civil 156

Na segunda o que vale é a metragem. O alienante específica a medidas e extensão do bem


a ser comprado. O interesse do comprador é na extensão.
Se a área for menor, poderá o comprador pleitear a complementação da área, caso não seja
possível, poderá exigir a resolução do contrato ou abatimento no preço. Se essa diferença
não ultrapassar 1/20 (5%) da metragem não poderá pleitear a resolução do contrato, mas
tão somente o abatimento do preço. Mesmo não ultrapassando, poderia o comprador
resolver o contrato, somente provando que aquela quantidade era determinante para sua
intenção.
Se houver excesso, afim de se evitar o enriquecimento sem causa. Abre-se uma alternativa
ao comprador: ou complementa o peço ou devolve a área maior, trabalhando com boa fé.

Já na segunda o que prepondera é a coisa em si, por ela mesma. Ex.: a fazenda três garças,
o apartamento 203. A metragem é enunciativa e não definitiva para a conclusão do
negócio.
Não há que se discutir a metragem aqui, pois não foi predominante para comprá-lo.

Direito de preferência

O alienante pode reservar para si o direito de exercer uma preferência caso o adquirente
queira vendê-lo a terceiro. Cláusula de natureza obrigacional. Art. 518

Art. 513, §único - gera uma expectativa por ser 2 anos. OUVIR 1:10:00

Direito obrigacional, voltado ao comprado, uma vez que não OUVIR 1:15:00

Cláusula de retrovenda

O alienante em até 3 anos pode exercer o direito de recomprar o imóvel. Se for exercido,
submete o adquiretente a sua vontade. É dotado de eficácia real. É uma propriedade
resolúvel, é uma cláusula resolutiva.

Se alienado para terceiro, os efeitos são ex tunc. Cláusula de eficácia real, efeito erga
omnes. Estará gravada no imóvel.

Beneficia o alienante no prazo máximo de 3 anos. Direito potestativo. O preço deve ser
atualizado segundo a doutrina.

Venda a contento

Art. 509 - só houve transferência de posse. A maioria da doutrina trabalha com moralidade
e boa fé e moralidade.

O agrado, não é somente por aceitação a qualquer coisa.

Venda sujeita a prova


Direito Civil 157

Doacao

Negocio jurídico na qual uma pessoa, o doador transfere gratuitamente do seu patrimônio
para de outra pessoa (donatário) bens ou vantagens em caráter, a princípio (art. 547)
definitivo.

Características:

1) unilateral - obrigações somente para o doador que ele transferir o bem ao donatário. O
encargo a foicinho tem natureza de ônus e não de preço. Pode ser em proveito de terceiros.

2) gratuito - não há contrapartida para o donatário. Não há diminuição do seu patrimônio.

3) formal - por ser uma liberalidade, exige a lei que seja feita por escritura pública ou
instrumento particular, a exceção ao formalismo está no § ún do art. 541

4) consensual - se aperfeiçoa com a manifestação e vontade das pessoas e não com a entrega
do bem. Deve passar pelo crivo do donatário: 1. forma expressa; 2. Tácita (comportamento
favorável, ex.: art. 546); 3. Presumida - art. 539; 4. Ficto - ocorre quando é feita em prol
de um absolutamente incapaz. Ex.: doação ao nascituro. Art. 543

Pode-se falar em promessa de doação? CORRENTES: majo- por ser uma liberalidade, uma
ato gratuito não caberá ao donatário exigir o objeto da doação. Não pode ser entendido
como um contrato preliminar, pois estaria obrigando o contrato principal. Sustentada por
tepedino. 2º corrente) quando previsto encargo ou quando fizer parte em acordo de
divórcio. STF e caio Mario na parte de divórcio. 3) resolve-se em perdas e danos prof.
Venosa. 4) além de ser eficaz e executável, dotada de sequela através da demanda
cominatoria. Paulo lobo e Arnaldo rizzardo - natureza contratual. A liberalidade é aferida
na promessa e não na conclusão.

Elemento objetivo - Animus donandi - vontade manifestada em vida. Entre vivos. Algo
após a vida deve ser feito por testamento.

Elemento subjetivo - A desproporção entre o patrimônio do doador e do donatário. Caso


não exista não é doação, poderá ser outro ato como a remissao de dívida.

Modalidades de doação

Meritória - doa-se o bem ao donatário em razão de algum mérito que está pessoa possua.
Alguma virtude. A ausência do mérito não descaracteriza a doação, não é suficiente para
revogá-la.

Remuneratória - art. 540 - alguma coisa que o donatário fez ao doador, que por sua vez
resolve doar. Ela não se revoga, pois em tese houve uma prestação. Não se revoga com
Direito Civil 158

ingratidão. Aquilo que exceder é doação pura e nesta faixa pode ser revogada. No que for
remuneratório se submete aos vícios redibitorios. Portanto não há que se falar em colação
feita ao descendente ou ascendente art. 2.001 CC.

A pessoa é tida como proprietária da coisa, mesmo que não tenha realizado o encargo. O
ato é pleno e acabado desde sua configuração. Se por ventura o donatário vender o bem, já
é proprietário e tem poder de dispor. O doador se contentará com perdas e danos - art. 1.360
e art. 160.

Doação do ascendente para o descendente ou de um cônjuge para outro


Art. 544
Importa adiantamento da legítima.por ter saído da legítima é necessário levará a colação
sob pena de ser considerado sonegado. É levado a herança para igualar a Legítima e
verificar se não houve violacao da mesma art. 1.845 art. 2.002.

Pode doar sim, mas só da parte disponível.

Doação conjuntiva

Art. 551 - As cotas são iguais, contudo o condomínio no nosso CC é voluntário, portanto
passa por aceitação do donatário. Se por ventura há recusa, não afetará a parte do outro; ele
ficará em condomínio com o doador.

§ún - se aceitado o condomínio e um deles falece, a parte do condomínio dele, acresce a


dos filhos. SALVO quando se tratar de condomínio entre cônjuges que acrescera, SIM, o
patrimônio do outro. Opção legislativa de deixar os filhos de fora, befeciando a sociedade
conjugal para não ficar desfalcada após a morte de um deles.

Art. 547 - não se transfere aos herdeiros. Nem a transferência a um terceiro eleito. Não
pode fideicomisso entre vivos. Art. 951. VER O QUE É PERMITIDO. Nada impede que
aliene a terceir, contudo a periciadas é resolúvel. Aqui o tartuce pondera, pois passa o
conhecimento da cláusula ou não do terceiro.

Doação universal
Art. 548 - é nula. Intervenção do legislador na autonomia privada.
Dignidade da pessoa humana X autonomia privada. Prevalece o primeiro.

Ação declaratória de nulidade onde havia intervenção do MP.

Informativo 433 STJ - esse posicionamento no divórcio é nulo, uma vez que motivado por
razões intempestivas.
Renda suficiente ou reserva de parte pode ser através de usufruto para não infringir a
norma.

Aqueles que defendem ser possível doar tudo ficando somente com o salário, é o fato de
que o emprego não é absoluto. Pode ser demitido.
Direito Civil 159

Doação do cônjuge adúltero


Legitimidade do cônjuge traído, se falecido passa para os herdeiros.

Não precisa esperar a dissolução da sociedade conjugal. Da lesão e que começa a correr o
prazo

Se houver já separação de fato, entra o prazo de 2 anos.

RESP 408.296

Doação inoficiosa
Art. 549

Tartuce diz que se o titular do patrimônio possui um absolutamente incapaz, é até razoável
a limitação do patrimônio. Se ele possui só filhos maiores, defende que não há que se falar
em reservar para o filho.

Para se verificar se houve burla a legítima fica-se de olho no momento da liberalidade.

RESP 112.254

Não há solução ano jurisprudência a princípio. Está no campo doutrinário. A legitimidade


a princípio e dos herdeiros.

Uma vez anulada, retorna o bem ao monte é beneficiária os credores ou os herdeiros?


CORRENTES: 1) tepedino, não deve se afastar os credores, pois a herança e um todo e por
boa fé. 2) rosenvald - deve ser direcionada para os herdeiros necessários.

Contrato de empréstimo

Pode se de coisa infungivel (comodato) ou de coisa fungível e ainda consumível que seria
o mútuo.

Comodato- contrato pelo qual o comandante entrega ao comandatário determinado bem


infungivel móvel ou imóvel para que dele se utilize e forma gratuita por um determinado
período de tempo restituindo o bem quando cumprida a sua finalidade (prazo indeterminar)
ou quando da extinção do contrato.

Aqui há tão somente a transferência da posse e não propriedade. O comandatário assume a


posse direto pode gozar e usufruir da coisa. Já o comandante, possuidor indireto pode
dispor e reaver. Art. 1.197 trata do desmembramento possessório. Ambos podem ingressar
contar terceiros ebsulhadores e entre eles próprios (em função do tempo podem ingressar
com ação possessória.).

Característica:
Direito Civil 160

1) gratuito - somente o comandatário obtém vantagens. Não há contraprestacao ao


comandante. Não há como estabelecer um encargo, mas não se traduz a contraprestacao
que poderia ser até em favor de terceiro.

2) tradição do bem - na compra e venda a manifestação d e vontade encerra o contrato,


gerando direitos e obrigações. Já no comodato o contrato é real e passa a ter existência,
produzindo efeitos coma tradição da coisa. Caso contrário o contrato não existe e o que
houve foi uma promessa de comodato. Segundo alguns doutrinadores pode se resolver em
perdas e danos em função do descumprimento da promessa. Contudo, segundo rosenvald
se houver cláusula falando em emissão na posse em determinado dia, poderia se falar em
emissão na posse.

3) infungibilidade - se o bem tem de ser restituído ao seu titular, necessariamente ele é


infungivel. Art. 85cc decorre da manifestação de vontade.

4) temporariedade - o contrato nasce agora ser extinto, caso contrato seria uma doação.
Pode ser por prazo determinado (mora ex re) ou indeterminado (mora ex persona).
Teremos o aluguel pena segundo o art. 582. O valor da coisa que for arbitrado pelo
comandante, também não está adstrito ao valor de mercado. Ver CORRENTES.

Por analogia art. 575, §ún CC.

RESP 1.1758.848

Perpetuação da obrigação do art. 399 - Mesmo em mora não precisa restituir

Contrato real

Contrato unilateral - somente o comandatário contrário obrigacoes e aufere vantagens. A


doutrina fala em contrato bilateral imperfeito quando no curso da relação obrigacional
surge um direito de crédito para o comandatário, como as despesas para benfeitorias
necessários.

Contrato personalissimo - tem de ter confiança para celebrar o contrato. Art. 1.208 CC a
tolerância não gera posse, somente.

Pode ser por via verbal ou escritura pública, instrumento particular também. Só para o tutor
há que se ter

Mútuo

Empréstimo de coisas infungiveis e consumíveis.

Pode ser gratuito ou oneroso, conhecido como mútuo feneratício - art. 591
Direito Civil 161

Conceito: é o contrato por meio do qual uma pessoa mutuante transfere a outra (mutuário)
a propriedade de determinado bem fungível e consumível. Sendo obrigação do mutuário
restituir a coisa no mesmo gênero, qualidade e quantidade.
Regra da res periti dominus.

Natureza real do contrato, só existe com a tradição. Celina Bodin diz que no mútuo
feneratício há um acordo de vontades e estas por si só gerariam o vínculo.

Restituição do bem emprestado

Âmbito do should - esperado pelo comandatário que tenha a coisa restituída.


Caso não devolvida à coisa, ação de cobrança para se ver restituído na especie ou pecúnia
mais perdas e danos.

Não ser solene - art. 212 não é possível prova meramente testemunhal nos casos acima de
10 salários mínimos.

Espécies: gratuitos e feneratício.

Contrato de Mandato

Vem a representar outra pessoa na prática de um ato jurídico ou não. Para assegurar o
interesse alheio, como se aquela pessoa o fosse.

Conceito: negócio jurídico por meio do qual uma pessoa recebe poderes de outra, para em
nome desta praticar um ato, ou um conjunto dele,s ou ainda administrar um interesse.
Art. 653 CC

A lei não impede a prática de atos materiais.

Pode ser oneroso ou gratuito - art. 658 - presume-se gratuito.

Formalidade - art.656 adestraria ao princípio da simetria das formas. Se o ao do mandato é


para comprar um imóvel acima de 30 salários mínimos, a forma do contrato deverá ser a
escritura pública acompanhando o objeto.

atos do mandato

Mandato, representação, procuração, substabelecimento

Existe mandato sem representacao? A representação sem mandato ocorre quando os pais
representam os filhos, inventariante representado o espólio. CORRENTES: 1) majo - não
há mandato sem representação, art. 653 - o próprio caput diz que ele age em nome de
outrem, portanto representa alguém, ficando vinculado; 2) Orlando Gomes - art. 663 - pode
praticar o ato sem a respeitarão, pois ficaria pessoalmente obrigado. O que foi sinalizado
foi a responsabilidade direta do mandatários caso haja em excesso aos poderes conferidos
Direito Civil 162

na representação. Rosenvald há mandato sem representação no mandarão em causa


próprias - art. 685 - é revogável, pois não rotativa o ato em benefício de outrem, mas em
seu próprio benefício.

Poderes - por meio da procuração tem-se o instrumento do mandato. Ato jurídico autônomo
e unilateral onde estarão os odores do mandatário, que acaba por assegurar o terceiro
também.

Art. 679 CC

Procuração - é o meio pelo qual se confere poderes de representação. A quem o


substabelecimento beneficia? O STJ acredita que retorna proveito ao mandatários, pois
consegue ajuda com a contratação de pessoal para assisti-lo. Art. 655

OBs.: princípio da simetria da s formas. Art. 657, 655. Também para o substabelecimento.

OBs.2: se o contrato de mandato e intuito persona. Como conceber o substabelecimento?


Existe me benefício do mandatários no intuito de desenvolver os interesses envolvidos.

OBs.3: previsibilidade, se a procuração é omissa, se isso é voltados para o mandatários,


não há impedimento para substabelecer.

OBs.4: responsabilidade: Como fica essa relação? É necessário saber se o


substabelecimento foi com reservas ou sem reservar. No primeiro o mandatários ainda se
reserva no direito de praticar o ato. No segundo ele sai de cena. Se for sem reserva, cabe
analisar quem indicou o substabelecido, se foi do mandatante, o mandatários nada tem a
ver com essa indicação é seguirá com sua vida. Art. 45 NCPC. Se o mandato é sem reserva,
mas foi mandatários que indicou ou quando presente o substabelecimento com reserva -
art. 667, §2º. - o mandatários só responde se indicou pessoa inabilitada para prática do ato
ou quando passou as instruções de forma equivocada, errônea.

Se a procuração for omissa com relação ao substabelecimento solução no art. 667,§4º

Se houver proibição para substabelecer, e o mandatários o fizer mesmo assim, art. 667,§1º
não obriga o mandante salvo se vier a ratificar o ato. Isso não o impõe a pagar pelos
prejuízos.

Introdução ao Direito das Coisas


O direito patrimonial se divide em direitos pessoais e direitos reais. Os direitos
patrimoniais pessoais são os Direitos das Obrigações. Direito Contratual, Direito da
Empresa, parte do Direito de Família e do Direito das Sucessões.
Direito Civil 163

Direito das Coisas ≠ Direitos Reais?


Tartuce faz a diferenciação frente a divergência doutrinária:

Direitos das Coisas é o ramo do Direito Civil que tem como conteúdo relações
jurídicas estabelecidas entre pessoas e coisas determinadas ou determináveis (tudo aquilo
que não é humano).
Há uma relação de domínio exercida pela pessoa (sujeito ativo) sobre a coisa. Não
há sujeito passivo determinado, sendo esse toda a coletividade.

Direitos Reais é o conjunto de categorias jurídicas relacionadas à propriedade,


descritas inicialmente no art. 1.225 do CC. Os Direitos Reais formam o conteúdo principal
do Direito das Coisas, mas não exclusivamente, eis que existem institutos que compõem a
matéria e que não são Direitos Reais.

Pág. 936

Teorias justificadoras dos Direitos Reais


Teoria Personalista  Segundo Orlando Gomes: “a diferença está no sujeito passivo.
Enquanto no direito pessoa, esse sujeito passivo - o devedor - é pessoa certa e determinada,
no direito real seria indeterminada, havendo nesse caso uma obrigação passiva universal,
a de respeitar o direito – obrigação que se concretiza toda vez que alguém a viola”

Teoria Realista ou Clássica  o direito real constitui um direito real imediato que a
pessoa exerce sobre a coisa, com eficácia contra todas (erga omnes). No direito pessoal há
uma relação pessoa-pessoa o que diferencia do direito real.

Para Tartuce prevalece a Teoria Realista ou Clássica atualmente.

Apesar disto, afirma ainda o autor que há uma forte tendência (ainda não confirmada)
à Contratualização do Direito Privado pela forte influência do princípio da autonomia
privada. Institutos como: o penhor, a hipoteca e o compromisso de compra e venda
registrado na matrícula do imóvel deixam de ser direitos reais e passam a ser considerados
contratos.

Características dos Direitos Reais


Segundo Maria Helena Diniz são:

 Oponibilidade erga omnes – são absolutos (princípio do absolutismo), mas


possuem certos limites, se submetendo a uma ponderação de valores

 Existencia de um direito de sequela que segue a coisa


 Previsão de um direito de preferência a favor do titular de um direito real
Direito Civil 164

 Possibildiade de abandono dos direitos reais, de renúncia a tais direitos


 Viabilidade de incorporação da coisa por meio da posse
 Previsão da usucapião como um dos meios de aquisição
 Obediência a um rol taxativo de institutos previsto em lei – princípio da
tipicidade dos direitos reais – art. 1.225 CC
Posição Minoritária:
A lei pode criar novos direitos reais, como exemplo dos incisos XI, XII e XIII.
Portanto há uma tipicidade legal dos direitos reais e não uma taxatividade propriamente
dita.
Além disto, o Prof. Tartuce afirma que o CC adotou um sistema de cláusulas gerais,
portanto, como o princípio da autonomia privada praticamente rege todo o Código, pode-
se dizer que o rol seria exemplificativo e não taxativo.
O surgimento dos novos direitos reais encontra limites em normas cogentes, caso
daquelas que consagram a função social da propriedade (art. 5º, XXII e XXIII, da CRFB e
art. 1 .228, § 1º, do CC).

 Regência do princípio da publicidade dos atos, através da tradição (bens


móveis) e pelo registro (bens imóveis).

Diferenças entre Direitos Reais e Direitos Pessoais


Patrimoniais

Direitos Reais Direitos Pessoais Patrimoniais


Relações Jurídicas entre pessoas Relações jurídicas estabelecidas entre
e coisas. duas ou mais pessoas.
Objeto: é a coisa em si Objeto: prestação da obrigação.
Só o Sujeito Ativo é Sujeito Ativo quem tem um direito –
determinado. credor.
Sujeito Passivo é a coletividade. Sujeito Passivo – quem tem um dever
obrigacional – devedor.
Incidência do Princípio da Incidência do Princípio da Autonomia
Publicidade (tradição e registro) Privada
Eficácia erga omnes – exceção: Eficácia inter partes – exceção: art.
Súmula 308 STJ – a boa-fé objetiva, 608 CC – teoria do terceiro cúmplice que
caracterizada pela pontualidade atribui responsabilidade civil ao aliciador
contratual, vence a hipoteca, que contratual.
somente gera efeitos entre a construtora
e o agente financeiro.
Rol Taxativo do art. 1.225 CC – Rol Exemplificativo do art. 425 CC –
entendimento majoritário é lícito a criação de contratos atípicos.
A coisa responde (direito de Os bens do devedor respondem pelo
sequela) – respondendo a coisa onde inadimplemento da obrigação – art. 391 CC
quer que ela esteja. – princípio da responsabilidade patrimonial
Direito Civil 165

Caráter permanente Caráter transitório, pois tem cunho


patrimonial – exceção: contratos cativos de
longa duração (seguro-saúde, seguro de
vida, etc.)
Instituto típico: propriedade. Instituto típico: contrato.

Posse

Conceito
Existe uma controvérsia doutrinária acerca de sua natureza jurídica se é um fato ou
um direito.
A segunda corrente é a que prevalece, sendo a posse um direito. Sobre o assunto,
podemos relacionar com a teoria tridimensional do direito de Miguel Reale, na qual a posse
é o direito que nada mais é do que o fato, valor e norma.

A posse é um direito real?


Teoria Subjetivista ou Subjetiva  a posse seria um direito que a pessoa tem de
dispor fisicamente de um bem com a intenção de tê-lo para si e de defendê-lo contra
agressão ou intervenção. Para esta teoria a posse possui 2 elementos:

 Corpus – elemento material ou objetivo da posse constituído pelo poder


físico ou de disponibilidade sobre a coisa
 Animus Domini – elemento subjetivo caracterizado pela intenção de ter a
coisa para si, de exercer sobre ela o direito de propriedade.

Para esta teoria o locatário, comodatário, depositário, etc, não são possuidores, pois
não possuem a intenção de ter a coisa para si.
Não foi adotada pelo CC.

Teoria Objetiva ou Objetivista  basta que a pessoa disponha fisicamente da coisa


ou que tenha mera possibilidade de exercer contato.

Só tem o elemento Corpus, como elemento material ou objetivo que seria formado
pela atitude externa do possuidor em relação à coisa, agindo este com o intuito de explorá-
la economicamente.

O CC adotou parcialemente a segunda corrente, conforme a redação do art. 1.196:

Art. 1.196. Considera-se possuidor todo aquele que tem de fato o exercício,
pleno ou não, de algum dos poderes inerentes à propriedade.
Direito Civil 166

Desta forma, o locatário, o usufrutuário, o depositário e o comodatário são


possuidores, podendo fazer uso das Ações Possessórias.
Conforme o Enunciado 236:

Arts. 1.196, 1.205 e 1.212: Considera-se possuidor, para todos os efeitos legais,
também a coletividade desprovida de personalidade jurídica.

Logo, a massa falida, o espólio, a sociedade de fato e o condomínio poderiam ser


possuidores também.

A posse pode ser desdobrada em posse direta e indireta.

Critica o professor Tartuce a ausência da função social da posse na redação do art.


1.1196 CC. Neste sentido, temos o Enunciado 492:

A posse constitui direito autônomo em relação à propriedade e deve expressar


o aproveitamento dos bens para o alcance de interesses existenciais,
econômicos e sociais merecedores de tutela.

Diz ainda, o professor que o princípio social da posse está implícito nos seguintes
arts. :

 Art. 1.238, parágrafo único, do CC - Reduz o prazo de usucapião extraordinária de


quinze para dez anos se o possuidor tiver estabelecido sua moradia habitual, ou nele
realizado obras ou serviços de caráter produtivo.

 Art. 1.242, parágrafo único, do CC - O prazo para a usucapião é reduzido de dez


para cinco anos, se os possuidores tiverem estabelecido no imóvel sua moradia ou
nele realizado i nvestimentos de interesse social e econômico.

 Art. 1.228, §4º e 5º, do CC - Consagra a desapropriação judicial privada por posse-
trabalho.

Conclui-se que a o CC adota a tese da posse-social tal como adota a Carta Magna a
função social da propriedade, como reconhecido também pela jurisprudência.

Detenção
O detentor tem a coisa apenas em virtude de uma situação de depedencia economcia
ou de um vinculo de subordinação.
Não pode invocar em nome próprio as Ações Possessórias, só por meio da
AUTOTUTELA, agindo no interesse do possuidor – Enunciado 493 (art; 1210, §1º).
Exs: manobrista, ocupação irregular de área pública (jurisprudência), dono de
empresa revendedora de veículos, motorista – exceto quando houver comodato ou locação
da coisa (jurisprudência), empregados em geral, diretores de empresa, bibliotecários,
Direito Civil 167

viajantes em relação aos monstruários, soldado, detento e os menores quando usam coisas
próprias.
A detenção pode se converter em Posse segundo o Enunciado 301:

“É possível a conversão da detenção em posse, desde que rompida a


subordinação, na hipótese de exercício em nome próprio dos atos possessórios.

A tença é "uma mera situação material de apreensão física do bem, sem qualquer
consequência j urídica protetiva".

Classificações da Posse

Quanto à relação pessoa-coisa ou desdobramento da posse


Leva-se em consideração o seu paralelismo – art. 1.197 CC.

1. Posse direta ou imediata – exercida por quem tem a coisa materialmente. Ex.:
locatário, depositário, comodatário e usufrutuário.

2. Posse indireta ou mediata – exercida por meio de outra pessoa, havendo


exercício de direito, geralmente decorrente da propriedade. Ex.: locador,
depositante, comodante e nu-proprietário.

Art. 1.197, caput – remissão – Enunciado 76 CJF: “O possuidor direto tem direito de
defender a sua posse contra o indireto, e este contra aquele. ” Alude o professor Tartuce
que também pode invocar proteção possessória contra terceiros também.

Quanto à presença de vícios objetivos


1. Posse Justa – sem vícios e considerada uma posse limpa.

2. Posse Injusta – apresenta os vícios de violência, clandestinidade ou


precariedade. A presença de um só vício já caracteriza a posse injusta. Pode
ser defendida por Ações do juízo Possessório em face de terceiros e não do
esbulhado (efeito inter partes).

 Posse Violenta – obtida por meio de esbulho, força física ou violência moral.
Associada também ao crime de roubo pela doutrina.

 Posse Clandestina - obtida de forma oculta, na calada da noite. Se assemelha


ao crime de furto.
Direito Civil 168

 Posse Precária – obtida com abuso de confiança ou de direito. Assemelha-se


ao crime de estelionato ou apropriação indébita, podendo ser conhecida como
esbulho pacífico.

Obs.: A posse injusta violenta e a clandestina podem ser convalidadas dentro


de 1 ano e 1 dia do esbulho. Quebrando assim o princípio da continuidade do caráter
da posse positivado no art. 1.203 CC

Obs.: Os frutos, benfeitoria e responsabilidades não são afetados por tais


vícios, somente por aqueles de natureza subjetiva (má-fé).

Quanto à boa-fé subjetiva ou intencional


1. Posse de boa-fé – ignora os vícios ou obstáculos que lhe impedem a aquisação
da coisa ou quando tem um justo título que fundamente a sua posse.

2. Posse de má-fé – alguém sabe do vício que acomete a coisa, mas mesmo
assim pretende exercer o domínio fático sobre esta.
Nunca possui um justo título.
Não perde o direito de ajuizar a ação possessória.
Exemplo de justo título: contrato de locação ou de comodato. – Enunciado 302.

A função social da posse é fator fundamental para a determinação da posse de boa-


fé e da caracterização do justo título.

OBS.: A boa-fé não se confunde com os vícios da posse. O primeiro está no plano da
intenção, subjetivo, enquanto o segundo é um critério objetivo. Portanto, é possível que um
possuidor de boa-fé possua uma posse injusta, se a adquiriu de quem a obteve pela
violência. Ex.: compra de um bem roubado sem que se saiba que fora retirado de outrem
com violência.

Quanto à presença de título


1. Posse com Título – há uma causa representativa da transmissão da posse, caso de
um documento escrito.

2. Posse sem Título – não há uma causa representativa, pelo menos aparente. A
posse é qualificada como um ato-fato jurídico, pois não há uma vontade
juridicamente relevante para que exista um ato jurídico.

Ius Possidendi – direito à posse que decorre da propriedade. Neste há uma posse com
título estribada na propriedade.

Ius Possessionis – direito que decorre exclusivamente da posse. Já neste há uma posse
sem título (de propriedade) que existe por si só.
Direito Civil 169

Quanto ao tempo
1. Posse Nova – conta com até 1 ano.

2. Posse Velha – conta com pelo menos 1 ano e 1 dia ou mais.

Classificação importante para Ações Possessórias – art. 558 NCPC:

Art. 558. Regem o procedimento de manutenção e de reintegração de posse as


normas da Seção II deste Capítulo quando a ação for proposta dentro de ano e
dia da turbação ou do esbulho afirmado na petição inicial.

Quanto aos Efeitos


1. Posse ad interdicta – é a posse que pode ser defendida pelas ações possessórias
diretas ou interditos possessórios. Essa posse não conduz à usucapião.

2. Posse ad usucapionem – exceção quando admite-se a aquisição da propriedade


pela usucapião – é aquela posse com olhos à usucapião, deve ser mansa, pacífica,
duradoura por lapso temporal previsto em lei, ininterrupta e com intenção de
dono. Deve ter os requisitos do justo título e da boa-fé.

Efeitos Materiais

Efeitos da posse quanto aos frutos


Os Frutos são bens acessórios que saem do principal sem diminuir a sua quantidade.

Art. 95. Apesar de ainda não separados do bem principal, os frutos e produtos
podem ser objeto de negócio jurídico.

Conforme art. 95 do CC, os frutos e produtos não se confundem, posto que os frutos
não geram a diminuição do principal, o que ocorre com os produtos.

Para saber se há direito aos frutos, deve-se verificar primeiro se a posse é de boa-fé
ou má-fé.

Art. 1.214. O possuidor de boa-fé tem direito, enquanto ela durar, aos frutos
percebidos.
Parágrafo único. Os frutos pendentes ao tempo em que cessar a boa-fé devem
ser restituídos, depois de deduzidas as despesas da produção e custeio; devem
ser também restituídos os frutos colhidos com antecipação.
Direito Civil 170

Ex.: um locatário está em um imóvel urbano e, no fundo deste, há uma mangueira.


Enquanto vigente o contrato, o locatário, possuidor de boa-fé amparado pelo justo título,
terá direito às mangas colhidas, ou sej a, percebidas. Se o contrato for extinto quando as
mangas ainda estiverem verdes (frutos pendentes), não poderão ser colhidas, pois são do
locador proprietário. Se colhidas ainda verdes, devem ser devolvidas ao último, sem
prejuízo de eventuais perdas e danos que couberem por este mau colhimento.

No caso do possuidor de má-fé: art. 1.216 do CC.

Frutos Produtos

Bens acessórios que saem do Bens acessórios que saem do
principal sem diminuir a sua principal desfalcando
quantidade. sua essência

Efeitos da posse quanto aos produtos


É controvertida a doutrina quanto a este assunto.

Para Orlando Gomes, há um dever de restituição do possuidor pelos produtos


retirados mesmo que esteja de boa-fé.
Mesmo que a restituição tenha se tornado impossível, deve o possuidor indenizar a
outra parte por perdas e danos, já que quando retirados eles desfalcam a substância do
principal.

Desta forma, os problemas envolvendo os produtos devem ser resolvidos com as


regras que vedam o enriquecimento sem causa – arts. 884 e 886 do CC.

Efeitos da posse em relação às benfeitorias


As benfeitorias são bens acessórios introduzidos em um bem móvel ou imóvel,
visando a sua conservação ou melhora da sua utilidade.

Benfeitorias Frutos

São introduzidas na coisa Decorrem da Coisa

As benfeitorias se dividem em necessárias, úteis e voluptuárias:

Necessárias – as essenciais pois visam a conservação da coisa principal.

Úteis – aumentam ou facilitam o uso da coisa principal.

Voluptuárias – de mero luco ou deleite.


Direito Civil 171

Benfeitorias Acessões

Incorporações introduzidas em outro bem,
imóvel, sem a intervenção (sem a transmissão do
São introduzidas na coisa
bem, por meio de contrato ou outro negócio
jurídico) do proprietário, possuidor e detentor.

Enunciado 81 do CJF aplica o direito de retenção também às Acessões conforme o


art. 1.219 CC.

No que tange às benfeitorias do possuidor de má-fé, aplicamos o art. 1.220 – não tem
qualquer direito a retenção. Portanto há uma justaposição da boa-fé objetiva em relação à
má-fé subjetiva.

Responsabilidade na Posse
Segundo o art. 1.217, o possuidor de boa-fé não responde pela perda ou deterioração
da coisa, a que não der causa. Portanto possui uma responsabilidade subjetiva.

Já no art. 1.218 do CC a responsabilidade do possuidor de má-fé é objetiva, a não ser


que prove que a coisa se perderia mesmo se estivesse com o reinvindicante. É
responsabilizado em caso fortuito ou força maior.

Segundo o art. 1.221, as benfeitorias se compensam com os danos, mas se não mais
existia quando a coisa se perdeu, não há compensação e nem indenização. Norma lastreada
na vedação ao enriquecimento sem causa.
Direito Civil 172

Dia 30.08.2016 – Aula 13

Propriedade
Conceito: é um direito subjetivo, na qual o titular exercita poderes de dominação
sobre um objeto sendo que a satisfação de seu interesse demanda um comportamento
negativo da coletividade garantido pela constituição federal.

Tartuce: "pode-se definir a propriedade como o direito que alguém possui em


relação a um bem determinado. Trata-se de um direito fundamental, protegido no art. 5.0,
inc. XXII, da Constituiçaõ Federal, mas que deve sempre atender a urna função social, em
prol de toda a coletividade. A propriedade é preenchida a partir dos atributos que constam
do Código Civil de 2002 (art. 1.228), sem perder de vista outros direitos, sobretudo aqueles
com substrato constitucional."

Propriedade X Dominio
O direito de propriedade é o elemento formal, direito subjetivo conferido a pessoa.
Já o domínio, seria o elemento material, são os podres que se extraem do poder subjetivo
(usar, gozar, dispor e reaver).

Atributos da propriedade

Tartuce: "a propriedade está relacio- nada a quatro atributos, previstos no caput do
art. 1 .228 do CC/2002, cuja redação é a seguinte: "O proprietário tem a faculdade de usar,
gozar e dispor da coisa, e o direito de reavê-la do poder de quem quer que injustamente a
possua ou detenha"."

Faculdades inerentes ao domínio.

Conceito: trata-se do poder de agir consubstanciado no direito subjetivo. Os poderes


de usar, gozar e dispor, integram a estrutura do dominio e consequentemente, a princípio,
não são vistos de forma autônoma, pois estão atrelados ao direito e propriedade. Art. 1.204
CC.

A partir deste conceito podemos trabalhar coma propriedade plena e propriedade


limitada (transferência de parte dos poderes).

Tartuce: "Se tiver pelo menos um dos atributos, haverá posse. Obviamente, os
referidos atributos podem ser distribuídos entre pessoas distintas, ha- vendo a propriedade
restrita. Justamente por isso, a propriedade admite a seguinte classificação:
Direito Civil 173

Propriedade Plena ou A /odiai - o proprietário tem consigo os atributos de gozar,


usar, reaver e dispor da coisa. Todos esses caracteres estão em suas mãos de forma unitária,
sem que terceiros tenham qualquer direito sobre a coisa.
Propriedade Limitada ou Restrita - recai sobre a propriedade algum ônus, caso da
hipoteca, da servidão ou usufruto; ou quando a pro- priedade for resolúvel, dependente de
condição ou termo (art. 1.359 do CC). Alguns dos atributos da propriedade passam a ser
de outrem, constituindo-se em direito real sobre coisa alheia. No último caso, havendo a
divisão entre os referidos atributos, o direito de propriedade é composto de duas partes
destacáveis:
a) Nua propriedade - corresponde à titularidade do domiń io, ao fato de ser
proprietário e de ter o bem em seu nome. Costuma-se dizer que a nua propriedade é aquela
despida dos atributos do uso e da fruição (atributos diretos ou imediatos);
b) Domínio útil - corresponde aos atributos de usar, gozar e dispor da coisa.
Dependendo dos atributos que possui, a pessoa que o detém recebe uma denominação
diferente: superficiário, usufrutuário, usuário, habitante, promitente comprador etc. Por tal
divisão, uma pessoa pode ser o titular (o proprietário) tendo o bem registrado em seu nome
ao mesmo tempo em que outra pessoa possui os atributos de usar, gozar e até dispor daquele
bem em virtude de um negócio jurídico, como ocorre no usufruto, na superficie, na
servidão, no uso, no direito real de habitação, no direito do promitente comprador, no
penhor, na hipoteca e na anticrese. Ilustrando de forma mais profunda, no usufruto percebe-
se uma divisão proporcional dos atributos da propriedade: o nu-proprietário mantém os
atributos de dispor e reaver a coisa; enquanto que o usufrutuário tem os atributos de usar e
fruir (gozar) da coisa.".

Direito de usar a coisa - o proprietário pode usar a coisa de forma facultada, não há
prescrição pelo não uso. Não é tão ilimitado. Defende-se a propriedade conforme a função
social, boa fé objetiva e dependendo da orientação do plano diretor da região, o proprietário
pode ser compelido a construir ou edificar, sob pena do estatuto da cidade e planos diretos
a quem está vinculado, sofrer punições, iptu progressivo no tempo, entre outras. Se
nenhuma suprir efeito, a mais gravosa se dará como a desapropriação por interesse público.
Art. 1.276 CC - após três anos pode arrecadar o município ou Distrito Federal, caso o
proprietário tenha o interesse de abandonar (elemento subjetivo) o imóvel urbano e não
esteja em posse de outrem. Essa presunção pode ser absoluta caso não haja pagamento de
taxas eferentes ao imóvel e não se de destinação específica a ele.

Direito de gozar - além do uso, mas de explorar economicamente, de forma a


perceber os frutos (natural, industrial ou civil) inerentemente a ela.

Direito de dispor - Na disposição material pode o proprietário abandonar, destruir e


se desfazer da coisa. Postos eu tem esta faculdade. A disposição pode ser também jurídica
- total ou parcial. A primeira pode ser exemplificado através da compra e venda. A
disposição parcial pode ser em locação, usufrutuo, hipoteca, penhor (#penhora).

Direito de reinvindicar - ou elemento externo da propriedade (único elemento


externo). Quando alguém age de forma injusta, surge ao proprietário o direito de
reinvindidcar. Art. 1.228 CC, parte final: "quem a injustamente a possua ou detenha".
Direito Civil 174

Direito à ampla defesa e contraditório. Na parte a detenha é recuperar do detentor, que pode
estar sob ordens do possuidor. No polo passivo pode figurar o possuidor ou detentor. A
detenção pode ser subordinada (vínculo jurídico ou econômico entre o detentor e o
possuidor) ou autônoma (sem vínculo jurídico ou econômico. Exemplo da ocupação de
bem público, posto que não cabe usucapião de bem público, logo posse não há. Será o
indivíduo mero detentor).
Para recuperar a posse, basta que comprove a titularidade da coisa, já que o possuidor
não possui justo título, só lhe restando alegar usucapião se comprovados os requisitos,
tendo direito a retenção se não lhe forem pagas as benfeitoria úteis ou necessárias.
Suspensão ou interrupção da usucapião art. 1.244 CC.

Principais atributos da properidade

Exclusividade - art. 1.231 CC - a coisa não pode pertence com exclusividade e


simultaneidade a duas ou mais pessoas. O direito de um exclui o do outro. No caso do
condomínio a exclusividade não está mitigada. Há uma exclusividade na fração ideal que
representa a qualidade do direito perante a coisa. Essa fração permite que faça o uso da
coisa em seu todo.
Tartuce: "a propriedade presume-se plena e exclusiva, salvo prova ou previsão em
contrário (presunção relativa ou iuris tantum). E coffeto afirmar que, apesar de ser um
direito exclusivo, a propriedade envolve interesses indiretos de outras pessoas, e até de toda
a sociedade, que almejam o atendimento à sua funçaõ social.".
Com relação ao condomínio voluntário, as pessoas não têm condições de manter o
bem sozinha
Prof. Marco Aurelio: "no condomínio, o direito dos condôminos e qualitativamente
igual (todos tem exclusividade do uso), mas pode ser quantitativamente diferentes
(limitado pela fração ideial de cada um)."

Perpetuidade - podemos ter copropriedade sem ter composse. A propriedade tem


duração ilimitada, indeferida. Não se extingue em tese pelo não uso. Se é perpétua, no
âmbito do patrimônio privado, não pode haver vácuos de titularidade daquela coisa. Art.
1.784 - princípio da saisine, para não tere vacancia de bens.
Tartuce: "o direito de propriedade permanece independente- mente do seu exercício,
enquanto não houver causa modificativa ou extintiva, sejam elas de origem legal ou
convencional.".

Elasticidade - vinculado a característica da plenitude da propriedade ou não.


Tartuce: "a propriedade pode ser distendida ou contraída quanto ao seu exercício,
conforme sejam adicionados ou retirados os atributos que são destacáveis. Na propriedade
plena, o direito se encontra no grau máximo de elasticidade, havendo uma redução nos
direitos reais de gozo ou fruição e nos direitos reais de garantia.". Se contrai quando se
extingue o contrato. Se estende quando estiva para um terceiro através da locação, por
exemplo.
Direito Civil 175

Absoluta - pois gera um efeito erga omnes, pois o rol do art. 1.225 seria taxativo na
visão dele. Tartuce: "Porém, existem claras limitações dispostas no interesse do coletivo,
caso da função social e socioambiental da pro- priedade (art. 1 .228, § l .o, do CC).".

Limitada - essa limitação com base na função social da propriedade não é no sentido
de não fazer, mas de corrigir o uso. É uma limitação positiva segundo rosenvald. Pode ser
Convencional - no caso do condomínio, há um regimento interno entre as partes e no direito
de vizinhança - art. 1.301 CC.

Complexo - Tartuce: "por tudo o que está sendo exposto, a propriedade é um direito
por demais complexo, paiiicularmente pela relação com os quatro atributos constantes do
caput do art. 1 .228 do CC.".
Função social da propriedade

Conceito: é um princípio constitucional que se insere na estrutura de qualquer direito


subjetivo, ou seja, tal direito somente receberá respaldo do ordenamento se além de tutelar
o direito individual for compatível com o que a sociedade dele o espera.

Tartuce: "A norma civil codificada passa a consagrar expressamente a função social,
em um sentido de finalidade, como princípio orientador da propriedade; além de
representar a principal limitação a esse direito.".

Art. 1.277 CC

Teoria dos atos emulativos - conceito? OUVIR 2 min parte 2. Para tepedino, se na
análise da função social, avalia-se que o o uso está de acordo, não é mais necessário a
utilização da teoria dos atos emulativos. Exemplo art. 1.278 CC. A própria teoria do abuso
do direito consegue afastar está teoria, posto que se está transcendendo aquilo que é uso e
gozo, é abuso do direito. Esta consubstanciada no art. 1.228, §2º, CC.

A função social da propriedade é vista como uma cláusula aberta. Art. 1.228, §1º CC.
Isto facilita o magistrado a ter maior liberdade interpretativa. Nada mais é do que uma
técnica legislativa que aumenta a liberdade do magistrado.

Tartuce: "função social é componente naõ só da propriedade rural ou agrária, mas


também da propriedade urbana. Em ambos os casos, deve-se compreender a funçaõ social
da propriedade com dupla intervenção: limitadora e impulsionadora".

Segundo Tartuce, os parâmetros são: 1) aproveitamento adequado e racional da


propriedade; 2) utilização adequada dos recursos naturais disponiveis e preservação do
meio ambiente. 3) observâncias das disposições das relações de trabalho. 4) exploração que
favoreça o o bem estar dos proprietários e dos trabalhadores.

"O art. 1 .228, § 1 .0, do CC, acabou por especializar na lei civil o que consta do art.
225 da Constituiçaõ Federal, dispositivo este que protege o meio ambiente como um bem
difuso e que visa à sadia qua- lidade de vida das presentes e futuras gerações. Esse é o
Direito Civil 176

conceito de Bem Ambiental, que assegura a proteçaõ de direitos transgeracionais ou


intergeracionais, particularmente para os fins de responsabilidade civil, tratada na Lei
6.938/1981.".

"Insta verificar que alguns acórdãos mais recentes consideram a obrigaçaõ de


recuperaçaõ ambiental uma obrigaçaõ propter rem ou ambulatória, que segue a coisa onde
quer que ela esteja (STJ, REsp 1109778/SC,2.aTurma, Rel. Min. Herman Benjamin,j.
10.11.2009,DJe 04.05.20 11 ; e STJ, REsp 1 090968/SP, 1 .a Turma, Rei. Min. Luiz Fux,
j . 15.06.2010, DJe 03.08.2010). ".

"Concluiu-se que quem não cumpre com essa função social não tem o domínio, não
havendo sequer legitimidade ativa para a ação reivindicatória. A função social ganha um
sentido positivo, pois deve ser dada uma utilidade coletiva à coisa.".

Natureza jurídica complexa entre os proprietário e não proprietários.

Modo de aquisição de propriedade

Descoberta - art. 1.233 CC - não se trata a princípio de um mode der aquisição da


propriedade, mas sim em uma obrigação de fazer que surge do fato de encontrar uma coisa
que foi perdida por seu titular. Art. 169,§ ún, II CP apropriação de coisa achada.
Essa pessoa que achou a coisa e reteve o bem terá direito a indenização de até 5% do
valor do bem. Art. 1.234 CC.
Se o dono preferir abandoná-la pode se transformar num direito de propriedade pelo
titular do bem. Convola em propriedade a descoberta. Outra hipótese ocorre no curso do
procedimento judicial, uma vez não achando o titular, será o bem levado a hasta pública e
será levado a terceiro. 5% será levado ao descobridor e o restante ao município. sendo
diminuto o valor poderá o município abandonar o bem e deixar a coisa em favor do
descobridor. Coisa diversa seria o titular do bem ir até o achados e perdidos do prédio, não
houve procura do descobridor pelo titular, portanto não há que se falar em recompensa.

Propriedade resolúvel - Art. 1.359 CC - as propriedades que se resolvem em razão


de um evento futuro certo ou incerto, ou seja, a propriedade está sujeita a uma condição
suspensiva ou resolutiva ou a um termo também suspensivo ou resolutivo. O bem regressa
ao titular anterior mesmo que tenha sido vendido por aquele que o dispunha naquele tempo,
posto que o o bens estava gravado pela propriedade resolúvel. Ex.: direito de superfície -
art. 1.369 CC. Outro exemplo é a retrovenda. Efeito ex tunc.
No art. 1.360 temos a propriedade ad tempus. Não há manifestação de vontade, ela
se resolve em função da lei. Ocorre quando a propriedade é transferida de forma gratuita.
Os efeitos aqui passam a ser ex nunc. Ex.: art. 555, 557, 1.817 CC. Revogação da doação
por ingratidão do donatário. Ou quando o donatário não cumpre o encargo. Cabe ação
revocatória pelo doador. Vê o terceiro exemplo em sucessões. Resolve-se em perdas e
danos, pois o terceiro de boa-fé não é atingido. Como o bem é gravado no RGI, para bem
imóvel e para bem móvel no cartório de títulos e documentos.
Direito Civil 177

Modo de aquisição da propriedade imóvel

Registro - art. 1.245 CC - o acesso da propriedade de forma corriqueira se dá pelo


cunho econômico. É uma tradição prevista no art. 1.245 e na LRP 6.015/73. É necessário
na aquisição de bem imóvel. Art. 108 CC, imóveis acima de 30 salários deve ser levado a
registro para transferência.
Gera efeitos constitutivos e ex nunc. Além de publicizar o ato.
Exceções a regra: na sentença de usucapião, há apenas uma declaração, declarando
uma situação preexistente. O proprietário havido como titular da coisa desde o primeiro
dia da posse. Também pode-se dizer o mesmo do formal de partilha, declara uma situação
pre existente, a sentença tem efeitos de mera publicidade e não constitutivos. A
reinvindicatoria é considerada improcedente.

Nosso sistema também é complexo, comportando dois atos: obrigacional entre as


partes (dar coisa certa) e praticado entre o oficial de registro e a parte. Nosso registro goza
de presunção relativa, pois não temos segurança irrestrita quanto está titularidade. Cabendo
ao lesado entrar com uma demanda para desconstituir aquele registro e romper o direito
subjetivo.

Exemplos: 1) não houve registro da primeira venda e o titular do bem de má-fé vende
novamente o imóvel. Então, resta apenas ao primeiro adquirente resolver em perdas e danos
com o titular do bem, pois não houve obrigação de dar coisa certa.

2) OUVIR 43 min parte 3

3) OUVIR TBM

Art. 1.245 §2º a presunção é relativa, natureza

Art. 1.246 - Entende-se que o registro é efetuado na data do protocolo - chamado de


prenotação.

Aquisição por acessão - art. 1.248 CC - modo originário de aquisição da propriedade


que decorre da união material é uma coisa a outra, ou seja, surge do exterior da coisa
passando a integrá-la física ou juridicamente em caráter definitivo. Quando essa união
ocorre por fatores humanos é chamada de acessão artificial, já quando oriunda de forças da
natureza é chamada de acessão natural.
Não se confundem com os frutos que surgem de força interna da coisa.
Tem sempre caráter de novidade, introduzida em uma coisa já existente. A
construção de uma casa não é benfeitoria, mas acessão.

Acessão por ilhas - que águas são essas? Se o rio for navegavel, as águas são
públicas, portanto a ilha seria pública. Trabalhamos com uma ilha que surge no curso do
rio. Se o rio e não navegavel, interpreta-se de acordo com a disposição do código.

OUVIR DE 50 min parte 3 em diante.


Direito Civil 178

Art. 24 decreto 24643, se as águas forem navegais, poderia entrar para o domínio
publico, mediante prévia indenização. Fica a cargo da conveniencia e oportunidade da
administração pública.

Acessão por aluvião - art. 1.250 CC - acréscimo paulatino de terras que o rio deixa
naturalmente nos terrenos ribeirinhos (aluvião própria), ou então pelo desvio da água destes
(aluvião impróprio). Desprendimento de recursos naturais vão sendo levados ao longo do
rio, não se sabe quanto prejudica um e favorece outro. Não há enriquecimentos me causa,
pois é evento da mureta e não se sabe quantificar quanto que cada um perdeu. Aqui não se
fala em perdas e danos, indenização.
Art. 16 e 17 código de águas OUVIR 1:15:00 parte 3

Se for em água navegavel é de domínio do poder público.

Acessão por avulsão - art. 1.251 CC - de forma abrupta, violenta de parcela visível
de terras que pode identificar desde do primeiro momento quem perdeu e quem recebeu
essa terra. É por força natural. Neste caso fala-se em direito indenizatório que somente
poderá ser exercido no prazo de 1 ano em que a pessoa deverá se manifestar nesse prazo
decadencial para recuperar monetariamente essas terras. Por mais que haja uma demanda,
há uma faculdade para aquele que recebeu a terra. Temos de trabalhar com boa-fé.

Caso não haja condições para se indenizar, há como coordenar para que as partes
fiquem em copropriedade e quando for vendido, ou tiver condições de comprá-lo o fará.
Assim não se perde o prazo decadencial.

Acessão por álveo abandonado - art. 1.252 CC, art. 9º código de águas - álveo é a
superfície que as águas cobrem sem transbordar para o solo natural e ordinariamente
enxuto. Quando se fala em álveo é a margem do rio, a famosa beirinha.

Aqui ocorre a mudança no curso do rio, a parte que não há mais rio, pertencerá aos
ribeirinhos das duas margens, respeitando-se obviamente a linha média do rio para dividir.
Sem indenização do proprietário da terra que o rio passou a cursar.

Art. 26, 27 do código de águas. Se for da própria iniciativa humana, do poder público,
a parte que virou terra será domínio do poder público e a parte em que o rio passar a cursar
ocupando as terras de outros, caberá a eles indenização.

Acessão Artificial - art. 1.253 CC -


Direito Civil 179

Dia 01.09.2016 – Aula 14

Usucapião

1. Introdução

1.1. Natureza jurídica

Natureza de prescrição aquisitiva, pois regula os efeitos do tempo sobre os dirietos


do proprietário.

Apesar de nas provas cobram bens imóveis, pode se dar acerca de bens móveis
também.

1.2. Fundamento da usucapião

Conceito: modalidade de aquisição originária da propriedade ou de outro direito real


sobre a coisa alheia que consiste no exercício da posse ininterrupta, sem oposição e com a
intenção de dono, durante o tempo previsto em lei.

Pode recair sobre outros direitos reais, como servidão, direito de superfície.

2. Requisitos genéricos - art. 1.238 CC

Posse ininterrupta e contínua -


Posse sem oposição - por parte do proprietário
Com animus domini - com a intenção de ser proprietário daquela coisa.
No prazo previsto em lei a - depender da modalidade de usucapião.
Coisa hábil de ser usucapida -

O caseiro (detentor) tem legitimidade para interpor usucapião, mas em seguida o polo
ativo será corrigido.

2.1. Posse ininterrupta ou continua - sem intervalos, mas não quer dizer que não possa
deixar o imóvel fechado e estar morando em outro local. Possuir não é morar no bem, mas
externar um dos poderes da propriedade.

2.1.1. Causas que interrompem a usucapião - art. 1.244 c/c art. 202 CC

Mesmas causas que interrompem a prescrição

2.1.2. Soma das posses

A) acessão das posses (inter vivos) - art. 1.243 CC - quando acrescenta as posses aos
antecessores, sucede-se alguém na posse. É um sucessor a título singular ou universal? A
título singular recebe títulos especificados. Titular universal recebe todos os direitos. Nessa
Direito Civil 180

acessão de posses, o titular é a nível singular, posto que não há como vender algo que não
é propriedade sua, mas cede-se direitos.

Quando recebe uma cessão, pode-se acordar se quer continuar com a posse para
efeitos de contagem. Caso seja injusta e de má fé, pode o adquirente não continuá-la,
passando a continuar a partir da sua cessão de direitos.

B) sucessão de posses (causas mortis) - art. 1.207 com ou sem vícios. É possível, se
o possuidor vier a falecer, os seus herdeiros herdam a sua posse e continua a contar o prazo.

Quando se hoerda a posse, o sucessor recebe a posse a título universal, integralmente,


com todos os seus vícios (sem uma posse injusta e de má-fé ou não)

2.2. Posse sem oposição "posse mansa e pacífica"

Oposição

2.3. Posse com animus domini

Vai excluir de plano: possuidores diretos, detentores e não possuidora por ter a coisa
por violência ou clandestinidade (art. 1.197 CC). Ex.: locação não tem animus - AP
2007.001.17903). O comodatário.

Esse animus domini deve ser viável. A intenção d ser dono é jurídica e não apenas o
desejo.

O contrato de empréstimo e locação são incapazes de gerar a usucapião.

OBS.: ressalvada a intervenção do caráter da posse - art. 1.198 e 1.208 CC.

2.4. Bem hábil a ser usucapido

A) bens públicos não podem ser usucapidos

Art. 183§3º e §ún do art. 191 da CRFB e sumula 340 do STF. Art. 102 CC.

OBS.: não consittuem bens públicos aqueles pertencentes às sociedade de economia


mista e empresas soublucas, pessoas juradas de direito privado (AP 28878/2001)

Bens dominicais - bem que não está destinado ao uso público em geral ou a
determinada administrativa - pode incidir tutela possessória - pode gerar concessão de uso
como direito real resolúvel para fins de moradia. MP 2.220/201. Contudo, não gera a posse
da propriedade.
Direito Civil 181

Bens públicos - são aqueles pertencentes às pessoas jurídicas de direito público.


Entes federativos, autarquias e fundações. Exclui-se as empresas públicas e sociedades de
economia mista.

Com pensamento minoritário temos Cristiano chaves, Nelson rosenvald, Marco


Aurélio. Para estes autores, os bens públicos dominicais, como não estão destinados ao
interesse público, não cumprem a função social da propriedade. Por isto, poderia se valer
do art. 5º, XXIII da CRFB para prestigiar quem da melhor função social para o bem
público.

Bens públicos podem ser de uso comum do povo, de uso especial e dominicais.

Bem de uma pessoa jurídica de direito público externo pode ser usucapido, desde que
não esteja afeto ao interesse público. Comprovar que o imóvel não cumpria sua destinação
pública.

B) natureza jurídica das terras devolutas - possível usucapião (majoritário)

Conceito: aquela que não é possível identificar o legítimo proprietário. No Brasil não
existe propriedade imobiliário que não tenha dono.

Espécie de bem dominical que pertenciam à união (art. 20, II) ou aos estados (art. 26,
IV).

História fundiária do Brasil - lei federal 601/1850

A terra devoluta pertencerá ao poder público após decisão judicial ou administrativa


em processo de discriminação previsto na lei 6.383/76. Temos de delimitar, demarcar as
terras devolutas é só depois desse procedimento o bem será considerado bem público.

Fundamento para usucapião - enquanto não for discriminada é bem público.


Art. 99 CC
Art. 108 CC

2.5. Tempo

A lei irá discriminar. Quanto maior o número de requisitos, menor o prazo.

Prazo máximo de 15 anos.

COPIAR SLIDE

3. Sentença - art. 1241 CC

COPIAR SLIDE
Direito Civil 182

A propriedade é adquirida por uma questão fatica, mesmo que ainda não esteja
registrado.

A sentença possui natureza declaratória, pois só declara que ele cumpriu todos os
requisitos.

A sentença é um título para poder registrar no RGI o imóvel.

Não possui prazo para reinvindicar a propriedade. Ações reinvidincatorias não estão
sujeitas a prazo nem prescrição nem decadencial. Só é necessário que seja proprietário.
Caso haja um usucapião, não há que se falar em reinvindicar de propriedade.

A sentença de improcedencia da ação possessória não serve para registro.


Salvo no caso de usucapião especial urbano e usucapião especial rural quando isto
for alegado em defesa.

Não há como um proprietário que possui o imóvel há mais de 30 anos, por exemplo,
não pode ajuizar sua reivindicação através de ação possessória porque não possui o título.
Caso seja esbulhado ele entrar com uma ação publicitada.

Conceito ação publiciana

Modalidades de usucapião de imóveis

Copiar slide

Usucapião extraordinário - art. 1.238 CC - 15 anos

Exceção do usucapião com função social do art. 1.238, §único CC

Usucapião ordinário - art. 1.242 CC (moradia, trabalho + 10 anos)


§único - hipótese de fraude registral.

Justo título e algum instrumento seu de uma legitimidade, indique a boa fé do


possuidor. O justo título e a boa fé estão ligados, pois quem tem o justo título tem a
presunção de boa-fé.

Usucapião constitucional urbano - art. 183 da CRFB, art. 1.240 CC; art. 9 e 13 da lei
10.257/01 (10 anos)

Usucapião por abandono de lar

Direito intertemporal

OUVIR1:24:00 parte 1
Direito Civil 183

1º exemplo Corrigir slide exemplo comparação CC 1916 - art. 2.028 CC

Teoria objetiva foi adotada no art. 1.198 e excepcionalmente a subjetiva em relação


ao usucapião.

Direito de vizinhança

COPIAR SLIDE 2

Regula principalmente o direito de prédio vizinho.

O objetivo (finalidade) é preservar a função social da propriedade que só será


preservada se driver em harmonia com seus vizinhos, quando isto ocorre? Quando não há
interferências nocivas. São perturbações ao suspeito, segurança e saúde (3 S's).

A natureza jurídica do direito de vizinhança - tem natureza de obrigação propter rem


que se vinculam ao prédio. Recaem sobre o titular da coisa.

Vizinho para o direito são aplicados somente a pessoas de prédios vizinhos, titulares
de prédios vizinhos. Pode-se alegar que uma construção próxima que é irregular, pode-se
embargar a obra pois afeta a segurança do direto de vizinhança.

Não são apenas os prédio contíguos, a vizinhança vai até aonde a interferência causar.

2. Do uso anormal da propriedade - art. 1.277 CC

Podemos fazer uma relação com atos abusivos, como a teoria dos atos emulativos do
art. 1.228, §2º CC.

Podese pedir também uma indenização caso gere dano do ato ilícito acerca do direito
de vizinhança.

COPIAR SLID 3 e 4

2.2. Critérios afidores do uso anormal da propriedade: §único do art. 1.277 CC

No direito de sossego, devemos aplicar a razoabilidade, pois fala-se de barulhos


excessivos. A interferências não gera o direito de desarrazoar no barulho excessivo. Não
só porque é de dia pode-se fazer o que quiser.

Nas convenções condôminas aplica-se a diretriz da concretude. Art. 1.277 do direito


de vizinhança. Usa como parâmetro, dando concretude a razoabilidade.

COPIAR SLIDE
Direito Civil 184

Cabe aplicar a tolerância nestes casos de obras envolvendo o interesse público, onde
cabe até indenização caso haja algum dano.

3. Árvores limítrofes

Copiar slide

Hipótese de condomínio necessário, do art. 1.282 CC. Isto importa dizer que ambos
concorrem para manutenção da árvore.

Leitura art. 1.283 CC. Se cortar uma árvore, responderá sobre os danos que disto
decorrer.

4. Passagem forçada

Conceito: direito de proprietários de prédios encravados, não tem acesso a via


pública, nascente, etc. Há se pagar uma indenização do dono do terreno vizinho , pois será
constrangido a permitir a passagem. Basta que o acesso seja a pé, ao menos que se
comprove a necessidade do veículo.

Fundamento: função social da propriedade

Alarmantes do conceito de imóvel encravado: o acesso que possui é insuficiente ou


inadequado. Entendimento jurisprudencial.

Verificar-se a pesarem menos onerosa no contexto em que o imóvel está encravado


com mais de uma possibilidade de passagem forçada.

Estamos diante de uma desapropriação. Neste caso a desapropriação se dá pelo


estado através do judiciário, mas não é inerente ao interesse público.

Pode fazer um contrato, caso já possua a passagem, de servidão de passagem. Se for


registrado em cartório irá gerar um direito real com todas as suas obrigações. Neste
constitui-se direito real sobre coisa alheia. É um conceito mais específico de passagem
predial.

Passagem forçada é um direito de vizinhança, o proprietário pode constranger alguém


a deixar passar pelo local. Além dispor a servidão é um direito real sobre coisa alheia, não
é obrigatório.

Antes do registro da servidão de passagem só tem efeito inter partes, só com o


registro gera efeitos erga omnes e acompanha a coisa.

4.1.
Direito Civil 185

Dia 06.09.2016 – Aula 15

Pontos:
Condominio voluntario e necessário. Do Condominio edilício.
Direito Reais Limitados: direitos reais de gozo ou de fruição.

Do Condomínio (p. 1085)

Conceito:
Quando mais de uma pessoa tem o exercício de propriedade sobre determinado bem,
com natureza indivisível (pro indiviso).
Na situação condominial vários são os sujeitos ativos em relação ao direito de
propriedade que é único, o que justifica a utilização dos termos copropriedade e
compropriedade.

Teoria da Propriedade Integral ou Total quanto a estrutura: “sobre toda a coisa,


delimitada naturalmente pelos iguais direitos dos demais consortes; entre todos se
distribui a utilidade econômica da coisa; o direito de cada condômino, em face de
terceiros, abrange a totalidade dos poderes imanentes ao direito de propriedade; mas,
entre os próprios condôminos, o direito de cada um é autolimitado pelo de outro, na
medida de suas quotas, para que possível se torne sua coexistência” (Washington de
Barros).

Tem natureza de direito real devido a um conjunto de coisas e não de pessoas.

Se enquandra no art. 1.225, I CC quando se fala em propriedade.

Classificações:

Quanto à Origem:
1. Condominio Voluntário ou Convencional - decorre do acordo de vontade dos
condôminos, nasce de um negócio jurídico bilateral ou plurilateral, como
exercício da autonomia privada. Ex.: Alguns amigos compram um imóvel para
investimentos em comum. No silêncio do instrumento de sua instituição,
presume-se que a propriedade estará dividida em partes iguais (concursu partes
fiunt). Destaque-se que o condomínio edilício, via de regra, tem essa origem, mas
com estudo e tratamento em separado.
Direito Civil 186

2. Condominio Incidente ou Eventual – se origina com motivos estranhos à vontade


dos condôminos. Ex.: duas pessoas que recebem um bem como herança.

3. Condomínio Necessário ou Forçado – depende da determinação legal, como


consequência do estado indivisível da coisa. Art. 1.327 nas hipóteses de muro,
paredes, cercas e valas.

Quanto ao Objeto ou Conteúdo


1. Condomínio Universal – compreende a totalidade do bem inclusive os seus
acessórios, caso de frutos e benfeitorias. Condomínio em regra.
2. Condomínio Particular – é delimitado no ato de instituição. Só parte de
determinadas coisas ou efeitos.

Quanto à forma ou divisão


1. Condominio pro diviso – é possível determinar a fração real de cada um. Ex.:
parte autônoma em um condomínio edilício.
2. Condominio pro indiviso – não é possível determinar a fração ideal de cada
coproprietário. Ex.: parte comum no condomínio edilício.

Do Condomínio Voluntário ou Convencional


Aqui não se enquandra o condomínio edilício.

Leitura art. 1.314 CC: “cada condômino tem a propriedade plena e total sobre a coisa,
o que é limitado pelos direitos dos demais. Sendo assim, não cabe reintegração de posse
por um dos condôminos contra os demais, havendo composse. ” (Tartuce)

Há presunção relativa ou iuris tantum de igualdade das partes ideias dos codôminos
– art. 1.315 CC.

Se os demais condôminos assumirem as despesas e as dividas, a reununcia lhes


aproveita adquirindo a parte ideal de quem renunciou na proporção dos pagamentos que
fizeram. Caso ninguém faça os pagamentos, a coisa será dividida de forma igual. – art.
1.316 CC.

Presente dívida contraída por todos os condôminos, sem se discriminar a parte de


cada um na obrigação, nem se estipular solidariedade, entende-se que cada qual se obrigou
proporcionalmente ao seu quinhão na coisa comum (art. 1.317 do CC).

Além disso, as dívidas contraídas por um dos condôminos em proveito da comunhão,


e durante e la, obrigam o contratante. Porém, este tem ação regressiva contra os demais
(art. 1.318 do CC).
Direito Civil 187

Cada condômino responde aos outros pelos frutos que percebeu da coisa e pelo dano
que lhe causou. Art. 1.319 CC.

A todo tempo será lícito ao condômino exigir a divisão da coisa comum, respondendo
o quinhão de cada um pela sua parte nas despesas da divisão (art. 1.320 do CC). Não sendo
atendido esse direito de forma amigável, caberá ação de divisão, que é imprescritível, como
consagra a própria norma, pelo uso do termo "a todo tempo". Aplicam-se à divisão do
condomínio, no que couber, as regras de partilha de herança (art. 1.321). Não sendo
possível a divisão, cabe a alienação judicial da coisa, dividindo-se o valor recebido na
proporção das quotas de cada uma.
Eventualmente, podem os condôminos acordar que fique indivisa a coisa comum por
prazo não maior de cinco anos, suscetível de prorrogação ulterior (§1º). Essa indivisão
convencional não pode exceder o prazo de cinco anos nas hipóteses de doação e testamento
(§2º). Havendo requerimento de qualquer interessado e sendo graves as razões - o que
constitui uma cláusula geral a ser preenchida caso a caso -, pode o juiz determinar a divisão
da coisa comum antes do prazo (§3º).

Leitura art. 1.322 CC

Da Administração do Condomínio
Leitura arts. 1.323 até 1.326 CC.

Art. 1.323 - O administrador age com mandato legal – art. 653 CC.

Art. 1.325 CC - As deliberações dos condôminos têm força vinculativa obrigatória.

Do Condomínio Necessário
Envolve o direito de vizinhança.
Leitura dos arts. 1.327 a 1.330 CC.

A ação de fixação do preço da obra divisória pode ser proposta por qualquer um dos
proprietários.

A vedação do art. 1.330 CC mantém correlação direta com a vedação ao


enriquecimento sem causa.

Do Condomínio Edilício

Regras básicas
Direito Civil 188

Utiliza-se ainda os termos condomínio em edificações e condomínio horizontal (as


unidades estão horizontalmente umas paras as outras).

O STF concluiu pela não incidência das regras relativas ao condomínio edilício no
tocante à cobrança de taxas de administração para os condomínios fechados de casas,
tratados como associações de moradores. (RE 432 1 06, l.ª Tunna, Rel . Min. Marco
Aurélio, j. 20.09.2011).
O STJ segue o mesmo entendimento - REsp 1.280.871/SP e REsp 1.439.163/SP, 2.ª
Seção, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, Rel. para acórdão Min. Marco Buzzi, j.
11.03.2015, DJe 22.05.2015, publicado no seu Informativo n. 562.

As edificações podem ocorrer de duas modalidades de partes – art. 1.331 CC:

1. Propriedade Exclusiva – art. 1.331, §1º CC – podem ser áreas autônomas ou


exclusivas – podem ser livremente alienadas e gravadas por seus
proprietários, não havendo direito de preferencia a favor dos outros
condôminos (desde que não seja abrigo para veículos em que não haja
autorização expressa na convenção de condomínio – preconizando a
segurança e funcionalidade). Mesmo que haja previsão na convenção, deve
ser feita a ressalva do direito de preferencia para locação da vaga de garagem.
2. Propriedade Comum – art. 1.331, §2º, 3º, 4º e 5º CC - chamada também de
área comum – “segundo a doutrina, no condomínio edilício é possível a
utilização exclusiva de área "com um" que, pelas próprias características da
edificação, não se preste ao "uso com u m" dos demais condôminos
(Enunciado n. 247 do CJ F/STJ). ”

Segundo entendimento do STJ (pacificado) não há que se falar em relação de


consumo entre os condôminos, posto que a relação é entre coisas e não pessoas. Como os
condôminos são componentes da relação entre as coisas, falta a alteridade própria das
relações de consumo.

O Condomínio se estrutura através da instituição (art. 1.332 do CC) e da constituição


(art. 1.333 do CC).

A instituição é o meio pelo qual o condomínio surge no mundo jurídico, através de


um negócio jurídico de incorporação seguindo o previsto no art. 1.332 do CC.

A constituição é um negócio jurídico decorrente do exercício da autonomia privada,


através da convenção de condomínio que constitui o estatuto coletivo, conforme o art.
1.333 do CC.

Para ser oponível contra terceiros deve convenção ser registrada no RGI (art. 1.333,
§ ún. CC). Contudo, mesmo sem o devido registro, ela é eficaz para regular as relações
entre os condôminos.
Direito Civil 189

A jurisprudência e doutrina afasta as convenções quando estas impõem limites a


quesitos que não influenciam no sossego, insalubridade e nem periculosidade (Cesar Calo
Peghini) conforme o Enunciado 566 do CJF.

Art. 1.334, §1º - compactua com o princípio da operabilidade no sentido da


simplicidade.
Art. 1.332, §2º - “Em relação aos promitentes compradores, a equiparação abrange
tanto o compromisso de compra e venda registrado como o não registrado na matrícula.
Em relação aos cessionários, a norma é aplicada ao gaveteiro, parte do popular contrato de
gaveta. “

Natureza Jurídica
A doutrina majoritária entende o condomínio edilício como um ente
despersonalizado ou despersonificado. DÚVIDA: Se é um ente despersonalizado, como
consegue contratar empregados, pagar conta de luz e agir como pessoa jurídica?
De outro lado tem-se quem defenda que é uma pessao jurídica, nesta esteira temos o
Enunciado 90, 246 do CJF; para esta vertente o rol do art. 44 do CC seria exemplificativo
(numerus apertus).
Esta segunda corrente aponta três vantagens para tal reconhecimento que não vou
elencar (vide página 1101 do manual).
Direito Civil 190

Dia 08.09.2016 – Aula 16


Casamento. Definição. Classifcacao dos impedimentos. Casamento nulo e anulável.
Inexistência. Direitos reais de garantia.

Art.1420 – combinar com art.1691, CC + art.1750 + art. 103 lei 11.101/05


Mandataria para vender – poderes especiais – art.661, §1, CC

Art. 496, CC – Pai só pode dar um bem em garantia de divida de filho se o cônjuge
e os demais concordarem. Principio da igualdade da legitima dos herdeiros necessários.
Compra e venda – herdeiros tem que autorizar !!!
// - doação -554, CC – adiantamento de herança. / não tem autorização, mas depois
irmão pode brigar !

Condômino pode dar o bem na sua integralidade, com o consentimento dos demais.
Pode agravar apenas sua cota-parte. Art.1420, pg.2 do CC.
Pessoas casadas necessitam de vênia conjugal – salvo na separação absoluta –
art.1647 I c/c art. 1649, CC.

Requisitos objetivos: Somente os bens alienáveis podem ser objeto de direito real
de garantia – art.1420 caput seunga parte. Ineficacia do contrato.
Bens que não podem ser objeto de garantia:
1. Bens públicos afetados (uso comum do povo e de uso especial) art.100, CC
2. Bem deixado em testamento ou doação com clausula de inalienabilidade- art.1911,
CC.

(são clausulas vitalícias – não comunica em vida – depois da morte ela é herdeira
se há bem particular)
3. Bem decorrente de venda a non domino – ex: principio da pos-eficacização (Pontes
de Miranda) – Bem que não é do devedor ou do dador torna ineficaz a garantia – se
adquirir posteriormente convalida o negocio – art. 14020, pg. 1 CC.
4. Bens absolutamente impenhoráveis – art. 649, CPC e bens de família - art. 1 da lei
8009/90.

(Problema: será que posso dar único imóvel residencial como forma de garantia?
Não deveria. Mas se eu que sou a própria devedora faço isso! STJ – o bem
impenhorável não pode ser dado em garantia, mas se devedor deu ele na garantia
não pode reclamar).

Requisitos formais:
1. Especializacao – art.1424, CC – descrever minuciosamente os elementos da
obrigação principal –
2. Registro do contrato:
Direito Civil 191

- bem imóvel – RGI

- bem móvel – Cartório de títulos e documentos

OBS; veiculo automotor – Cartorio de títulos e documentos e anotação junto ao


certificado de propriedade do veicula no DERAN – art. 1462, CC e 1361 pg1 do
CC.

Consequência da ausência dos requisitos formais – não há invalidade da garantia,


mas ela não será real, e sim garantia pessoal – produzindo efeitos inter partes.

Inconstitucional art. 1790, CC

No casamento – 1829.

Joao – Maria

F 1 – F2

Os 3 são herdeiros do bem anterior ao casamento.

Durante o casamento só F1 e F2 é herdeira. Mulher é meeira.


Ressalvado o direito de meação de Maria (inclusive nem paga ITB – já é dela – não
é herdeira – é meeira).
Se for UNIAO ESTAVEL
- comunica o bem durante a união estável porque se não há nada disposto – é regime
comunhão parcial – art.1725.
Bem anterior a casamento – F1 e F2 - não tem direito aqui.
Bem posterior a casamento – Maria é herdeira e meeira –1/3 da herança do bem
comum ressalvados os direitos de meação.
1790 – companheiro tem direito a bens adquiridos onerosamente na união estável.
E STF est´para decidir que art.1790 é INCONSTITUCIONAL e vai aplicar mesmo
artigo de casado – 1829 !
Cuidado: art.1647, I, CC – na União Estável não precisa de consentimento para
vender !!! ação em face de Joao – ação de locupletamento ilícito – busca indenização para
buscar sua meação ! se Bruna tinha ciência da união estável entra com acao anulatória – se
não tinha ciência não pode !

Direito de família
Casamento
Evolução história (slide)
Antes de 1988 – só era reconhecida família fundada no casamento. Filhos fora do
casamento não eram legítimos.
Até 77 o casamento era indissolúvel. O divorcio só surgiu em 77..
Art.226, CRFB/99 – espécies de entidade familiar. Casamento/união estável/família
monoparental.
Direito Civil 192

Princípio da solidariedade:
Solidariedade é um primado ético, é se preocupar com o próximo.
Afeto como valor constitucional.
É com base no princípio da solidariedade que existe o direito a alimentos. Binômio:
necessidade e possibilidade. Art. 229, CRFB. É solidariedade tanto dos ascendentes em
relação aos descendentes quanto ao contrário.
STJ – RESP 102819 – Lei 8971/94 – A norma prevê alimentos aos companheiros é
de ordem publica, o que justifica a sua retroatividade.

Principio da igualdade entre os filhos – art.227, p.6 da CRFB


Todos os filhos tem direitos iguais.
Antes da CRFB/88 havia distinção entre filhos adulterinos, incestuoso, bastardo,
adotivos. Mas atualmente a CRB não permite essa diferenciação entre os filhos. Filho é
filho não pode haver diferenciação (art.5 CRFB).
Irmãos bilaterais recebem o dobro dos unilaterais. Não fere igualdade.

Principio de igualdade entre cônjuges e companheiros


Não exise mais diferenciação na lei entre homem e mulher.
No CC de 1916 a mulher era incapaz, o marido era representante da mulher.
É a ideia de igualdade substancial. Antes a igualdade sequer era formal.
Isso não impede que a lei traga algumas diferenças – art.100, I CPC – domicilio da
esposa para pleitear ação de divórcio. E a lei maria da penha - lei protetiva a mulher –
tenta trazer isonomia material.

Princípio de não intervenção – art.226, p.7 da CRFB


Não intervenção do Estado nas relações familiares.
Você pode incentivar o controle de natalidade e o planejamento familiar, mas é
vedado qualquer forma de intervenção.

Principio do melhor interesse da criança


Qualquer interesse ligado à criança, a prioridade é dela.
É por isso se justifica a prisão civil do devedor de alimentos.
Quem tem direito a guarda? Ninguém ! é direito da criança estar na guarda de alguém.

Formação de família
A formação básica da família é por meio do casamento.
Características do casamento:
1. Caráter personalíssimo e de livre escolha
2. Solenidade de celebração
3. Diversidade de sexos
4. Inadmissibilidade de submissão a termo ou condição
5. Estabelecimento de uma comunhão de vida
6. Natureza cogente das normas que o regulamentam
7. Estrutura monogâmica
Direito Civil 193

8. Dissolubilidade de acordo com a vontade dos interessados.

Casamento do mesmo sexo é permitido? STF não decidiu a questão de casamento


de pessoas do mesmo sexo, mas CNJ autoriza conversão de união estável para
casamento. Fundamento: Princípio da isonomia.

Casamento direto entre pessoas do mesmo sexo? CNJ autorizou. Polemica: CNJ
tem atribuição para isso? Mas é permitido! tem juiz que não faz!

Casamento é um contrato de família – contrato especial porque a lei impõe as


regras.

É possível pedir responsabilidade civil , indenização em razão da traição ?


depende. Tem que provar que a traição ofendeu direitos da personalidade: honra,
imagem, privacidade.

Deveres matrimoniais

Existe dever de fidelidade? Sim ! está na lei ! art.1566, I, CC

Natureza jurídica

1ª Corrente majoritária: natureza negocial ou contratual

2ª Corrente – natureza institucional

3ª Corrente – natureza mista ou eclética !!! é essa. Contrato especial de direito


de família.

Capacidade matrimonial

Maiores de 16 anos. – autorização dos pais, mesmo que só tenha guarda. 1517, CC

Emancipacao – antecipação da capacidade civil (não é da maioridade civil, continua


sendo menor e só é agora plenamente capaz).

Art.1518, CC

Art.1520, CC

Impedimentos – art. 1521 – não podem casar

E casar, o casamento é nulo ! combinar com art.1548, CC

Art.1548, VI c/c Art.1723, § 1 , CC


Direito Civil 194

Nao confundir impedimento com causa suspensive do casamento

Causas suspensivas – art.1523, CC – não devem casar

Combinar art. 11523 com 1641, CC.

Causa suspensiva não gera nada – nem nulidade nem anulabilidade – gera apenas
regime da separação obrigatória de bens.

Separação obrigatória para > de 70 - atenção !

Sumula 377 -> bem se comunica se compra na constância do casamento mesmo na


separação obrigatória ! mas comunica no casamento ! na união estável não
comunica (o professor acha que isso vai mudar).

Entrar no STJ – coletânea de síntese jurídica ! nº 50 só de união estável.


Direito Civil 195

Dia 13.08.2016 - aula 17

Casamento

Eficácia do casamento

1. Pessoais

> Deveres conjugais - previstos no art. 1.566 CC - se descumpridos, gera a culpa.


Está bem sendo muito criticada pela doutrina que está em lado oposto da jurisprudência.
1ªCorrente) Para a doutrina, quando há um término do relacionamento e a culpa vem
em função disso. Isso estaria expondo a vida íntima do casal, mesmo colocando sobre
sigilo, terá de trazer provas testemunhais, que irá mitigar o segredo de justiça. Para a
doutrina a alegação de culpa é inconstitucional, pois fere o direito à intimidade e
privacidade no art. 5ª, X, além da dignidade da pessoa humana.
Tal tese ganhou força com a Emenda Constitucional 66 que trouxe o divórcio, que é
um direito potestativo. Você assume o seu direto e o outro somente terá de se submeter a
ele.
2ª Corrente) não é inconstitucional. O segredo de justiça seria suficiente. Há
questões importantes que admitem a culpa.
I - efeito ao nome - seria o menos relevante. Quando há reconhecimento da culpa,
abre possiblidade que o cônjuge culpado perca o sobrenome. Logo, o inocente deve fazer
um pedido ao juiz de que este cônjuge culpado não utilize mais o nome do inocente. É
mitigado, pois o nome é um direito da personalize. E, toda vez, que o seu direito venha a
ser violado, há um direito a uma tutela. Leitura do art. 1.578 OUVIR 10 min até 12 parte
1.
II - alimentos - mais aceito na jurisprudência. Existem dois tipos de alimentos em
relação ao cônjuge: civis ou côngruos (art. 1.694, caput CC) e os alimentos naturais ou
necessários (art. 1.694,§2º CC). O primeiro serve para manter o padrão de vida do
alimentar-te. Já os naturais são necessários para sua sobrevivência. Logo, este último é o
mais relevante. Os primeiros alimentos são dados para os inocentes e os segundos o
cônjuge culpado só poderá ter acesso a este. Art. 1.704, § ún. Dependendo do valor, não
será diferente. Essa culpa vai ser diferente. Se um pedido de divórcio vier cumulado com
o de alimentos, pode-se discutir a culpa. Visando um valor menor esses alimentos.
A doutrina que discute a inconstitucionalidade da culpa, sustenta que os alimentos
não tem correlação com culpa, mas a ideia de ter tido um relacionamento com uma pessoa
em que houve um projeto em comum que sustentará o pedido de alimentos. Para tal
doutrina, seria comemore os alimentos civis sem qualquer diferenciação.

Art. 1.566, I - fidelidade recíproca - não pode acarretar danos morais. O dano
moral, como previsão na CRFB, deve ser reparado integralmente, não importa que seja na
relação patrimonial ou familiar. Para tal, tem de ir além, expor sua dignidade, expondo sua
honra de forma grave. A simples violação da fidelidade recíproca não enseja danos morais.
II - vida em comum no domicílio conjugal - esse inciso é interpretado de forma
restrita, não caracterizando necessidade para a adentrar a esfera conjugal. Não é obrigado
a viver sob o mesmo teto, seria uma ingerência do estado na esfera privada de cada um.
Direito Civil 196

Quando o STF tratou da união estável, sumulou o entendimento que para a união estável
não é necessário viver sob o mesmo teto. Sumula 382 - " a vida em comum sob o mesmo
teto, more uxorio, não é indispensável à caracterização do concubinato".
III - mútua assistência - pode ser tanto material quanto moral.
IV - o dever de paternidade não oriunda do casamento, mas pelo fato de ser pai ou
mãe.
V - respeito e consideração mútuos - respeito é bom comportamento no casamento.
Esses ínscios podem ensejar os efeitos da culpa.

PACÍFICO - para o divórcio não vale mais isso. Basta dizer que não quer mais estar
junto.

> Fixação de Domicílio - art. 1.569 CC - com o casamento o casal passa a ter um
domicílio conjugal. Este será do casal, mesmo que não residam sob o mesmo teto.

> Uso do Nome - quando faz a habilitação de casamento, responde uma ficha dizendo
se quer alterar o nome ou não. Art. 1.565,§1º CC - antes era possível suprimir, mesmo que
o parágrafo fale me acrescentar. Entendimento Pacífico na doutrina e jurisprudência que
pode suprimir também. STJ - RESP 662.799.
É possível alterar o nome após a celebração do casamentos? O STJ exige apenas que
seja feito através da via judicial, indo até uma vara de registros públicos para tal. RESP
910.004 OUVIR 39 min parte 1 - completar o RESP.
Para Rosenvald diz que não há problema em mudar o nome mesmo estando casada.

2. Sociais

> Constituição de uma Família - você é seu cônjuge são uma nova entidade
familiar. O estado não pode interferir na sua forma de comunhão de vida, de como é
constituída não, de morar separado ou não ter filhos. Art. 1.513 CC, art. 226 CRFB, pode
campanha sócio educativa,

> Emancipação - art. 5º, § ún CC - o casamento gera a plena capacidade civil

> Início de um Parentesco por Afinidade - art. 1.595 CC - não tem limites na linha
ascendente ou descendente. Só há na linha colateral. Ele se extingue em relação aos irmãos,
mas quanto aos ascendentes e descendentes nunca se extinguirá, o que influirá nos
Impedimentos ao Casamento.

> Mudança do Estado Civil - na união estável não há essa mudança.

> Presunção de Paternidade - art. 1.597 CC - mesmo que seja relativa.

3. Patrimoniais

> Regime de Bens -


Direito Civil 197

> Direito aos Alimentos - decorre da mútua assistência, mas

> Direitos Sucessórios - o cônjuge é considerado herdeiro necessário. Art. 1.845 CC

Divórcio

Divórcio # Separação de Fato

É diferente da separação de fato.


Separação de fato é o rompimento da sociedade conjugal, a plena comunhão de vida
é extinta. Isso tudo é construção jurisprudencial e de fato
Efeitos da separação de fato:
> estado civil permanece apesar da separação de fato. O casamento só se extingue
com a morte ou divórcio. Contudo, não está impedido de constituir uma união estável que
irá gerar uma nova entidade família - art. 1.703,§1º CC.
> em relação ao casamento não há dissoluçao dele, mas se extingue alguns dos
dirietos conjugais. A assistência material continua.
> rompe-se a comunicabilidade de bens - não há mais projeto em comum, portanto
não há que se falar mais em divisão de bens. Rompendo com comunicabilidade que o
regime de bens da.
>efeitos sucessórios - com a separação de fato há o rompimento desses efeitos? Ainda
não é pacifico na doutrina.

O divórcio põe fim ao casamento.

Divórcio # Separacao de corpos

Antes no CC de 2002 era uma medida cautelar prevista no art. 888, VI do CC de


1916 que visava afastar um cônjuge do domicílio conjugal. A finalidade era separar aqueles
corpos.
Por ser medida cautelar tinha de se demonstrar o fumus boni iuris e o periculum in
mora.
Não há essa previsão de forma nominal no CC de 2002.
É possível entrar com esse pedido hoje? Na lei maria da pena 11.340 ainda há
previsão para separação de corpos em função da violência doméstica.
E no caso de estarem separado de fato, mas não de corpos? OUVIR 1:00:00 parte 1.

É possível fazê-la de forma incidental ou como preliminar? Pode ser incidentalmente


num processo de separação ou de um divórcio. Pode ser de forma antecedente art. 305
NCPC visando o divórcio depois. Não pode ser chamada de um procedido autônomo. Será
chamada de medida cautelar inominada.

Efeitos da ação cautelar de separação de corpos:


> prova - há uma prova de quando houve a separação de fato. É um marco judicial
para a separação de fato.
> mesmos efeitos da separação de fato.
Direito Civil 198

Divórcio # Separação Judicial?

A EC 66 alterou a CRFB para trazer o divórcio como direito pós-gestação. O art.


226, §6º foi alterado por ela. Logo o casamento civil pode ser dissolvido pelo divórcio.
Portanto, não será mais nos termos da lei.
Antes da emenda havia o divórcio direto., que ocorria 2 anos antes da separação de
fato. Havia o divórcio por conversão, antecedido por 1 ano após a separação judicial.
A separação judicial poderia ser consensual ou litigiosa.
Há um consenso de que a EC terminou com os requisitos temporais tanto para a
separação judicial quanto para o divórcio - Enunciado 515 do CJF.
Enunciado 517 - a emenda extinguiu os prazos do art. 1.580 do divórcio pro
conversão.
Com relação aos prazos não há que se obedecer mais nenhum.

Existe ainda separação judicial?

Houve um esvaziamento do instituto, posto que o divórcio passou a ser postestativo,


conjuntamente com os Enunciados do CJF.

1ª Corrente) abolicionista - não existe mais esse instituto. Houve um esvaziamento


total do instituto que pode ser obtido por outros meios mais eficientes. Não há que motivar
o divórcio. Fundamentos:

I - falta de interesse - falta interesse utilidade. Não há mais utilidade prática para a
separação judicial. Poderia utilizar a separação de fato para tentar se separar e
possivelmente voltar depois. Também tem como recorrer à separação de corpos.
II - não há mais discussão de culpa - o que não afasta os danos morais. Na constância
ou fora do casamento.

Melhor adotar está, apesar do NCPC e dos enunciados.

2ª Corrente) não-abolicionista - acabou a emenda com os prazos e com a ideia da


discussão de culpa. Contudo, o instituto continua a existir.
É necessário que venha uma alteração legislativa para retirar esses mecanismos do
ordenamento. Enquanto não advir tal alteração, eles são compatíveis com a EC e com a
CRFB. Portanto, há uma opção da parte de se separar judicialmente ou utilizar outros
mecanismos.
Apesar de NÃO SER MAJORITÁRIA, Enunciado 514 - não extinguiu a separação
judicial nem a extrajudicial. Enunciado 516 - por mútuo consentimento o juiz só pode
intervir no limite dos interesses dos incapazes ou dos cônjuges aplicando esses
entendimentos tanto ao divórcio quanto a separação. COPIAR ENUNCIADO.
Art. 693 NCPC - só existe por simplesmente ainda ter no CC.

Há divórcio # separação judicial contenciosa?


Direito Civil 199

Não existe divórcio contencioso. Ele é um direito postestativo. O que ocorrerá é um


litígio quanto aos bens, guarda dos filhos, entre outros fatores.
STJ já disse que é dispensável a audiência de conciliação no caso de divórcio. Se o
pedido for só de divórcio.

Na separação é a mesma coisa.

Art. 693 NCPC precisa de uma releitura com base nessas abstrações acima, posto
que não há litígio quanto ao divórcio.

OUVIR 1:30:00 parte 1 - jurisprudência acerca do tema.

Fundo o divórcio, finda-se o vínculo do casamento.

Regime de bens (eficácia patrimonial do casamento)

Princípios

1. Liberdade de Escolha

Em estabelecer qual regime e também a regra. É possível misturar as regras.


É um direito disponível. Pode adotar o regime parcial, mesmo que se afete um bem
para ser comunicável entre os cônjuges.

2. Princípio da Variabilidade de Regimes

Existe uma variedade de regimes para os nubentes. Não há um só regime.

3. Princípio da Mutabilidade do Regime de Bens

No CC de 16 era o oposto. Não havia como mudar o regime após o casamento. Neste
surgiu o princípio da uicidade do regime de bens. O casamento só podia ter aquele regime
de bens que não poderia ser mudado, para tal teria que se separar e casar novamente

Hoje é possível mudar o regime de bens na constância desse casamento. Art. 734
NCPC.
Art. 1.639 CC - requisitos:

I - Pedido Judicial - tem que haver tal pedido, não pode ocorrer de forma
extrajudicial. Só por sentença.
II - Pedido de Ambos os Cônjuges - não é possível suprimento judicial. São pessoas
capazes e os direitos são disponível. Procedimento de jurisdição voluntária, sem litígio.
III - Pedido Motivado - deve haver justa causa para ocorrer a mudança do regime de
bens. Posição do STJ. O que é justa causa? Ex.: Art. 977 CC - sociedade empresarial entre
os cônjuges. Cessada a causa que ensejava a adoção da separação obrigatória, torna
Direito Civil 200

possível a mudança de regime. STJ já indeferiu mudança por não entender vantagem na
mudança de regime.
IV - Ressalvo o direito de Terceiros - não é bem um requeridos, mas um efeito. Se
houver um terceiro envolvido, ele não será afetado pela mudança. Ex.: mudança para
constituir empresa. O credor pessoal de uma deles pode ignorar a alteração, pois não irá
gerar vantagem a ele, já que tinha um direito decorrente do regime de bens. Jurisprudência:
qual o efeito, ex tunc ou ex nunc? STJ entende que a sentença tem efeitos ex nunc. Na
visão do STJ não há quaisquer problemas em ter dois regimes num mesmo casamento. Isto
significa dizer, ter um regime do início do casamento até certo momento é outro regime
desse marco em diante. RESP 1300036, RESP 1533179 - neste poderia ter uma partilha na
mudança do regime de bens. Contudo, a Doutrina (Rosenvald e Berencie) diz que esses
efeitos podem ser retroativos a depender das vontades dos cônjuges, ou seja, os cônjuges
podem não só alterar o regime, mas poderiam modular seus efeitos. Alem do que o direito
de terceiros já estará assegurado por lei. Os efeitos modulados aqui e inter partes. A ideia
do STJ é dar uma segurança jurídica no regime de bens.

Pacto AnteNupcial

Regimes que exigem pacto:

Regime da comunhão universal


Regime da separação total ou convencional
Regime da participação final dos aquestos

Natureza jurídica de negócio jurídico e portanto tem manifestação de vontades de


ambos os nubentes. É um negócio jurídico solene, pois a lei exige a escritura pública - art.
1.653.
Alem de solene e condicional, pois depende de um negócio jurídico futuro é incerto
que é o casamento é que torna eficaz o pacto.

Vedação a violação à norma imperativa de ordem pública art. 1.655. STJ disse que
não pode afastar o cônjuge do casamento. Mesmo que no advento do pacto ele não era
herdeiro necessário pois ainda não estavam casados.
Só poderia pelo procedimento próprio que é a deserdação.
Também não pode abrir de pronto aos alimentos. Art. 1.707 CC
Pode-se estabelecer uma cláusula de pré-fixação dos danos, como uma cláusula penal
prevista no pacto antenupcial. Não se trata de danos morais, mas de cumprimento da
cláusula.
Há possibilidade de alterar as cláusulas do pacto durante o pacto? Não há vedação
legal expressa. Desde que observado a escritura pública por questão de paralelismo das
formas.

Regimes em Espécie

Comunhão parcial - art. 1.658 a 1.666


Direito Civil 201

A presentinho é absoluta que houve um esforço na aquisição do regime de bens.


A colaboração será através da assistência moral.

Regras da incomunicabilidade - art. 1.659

Leitura do artigo.

Inciso V - Instrumentos de trabalho podem ser mitigados se for de um valor


exorbitante.

Inciso VI - relativizado, pois o provento do trabalho é o que leva ao sustento da


família. O salário é impenhorável, enquanto salário, mas a partir do momento eu dispõe do
valor Pra se sustentar passa a ser comunicável. STJ disse que o cônjuge tem direito ao que
é recebido de um processo trabalhista que envolve horas extras, posto que a família sofreu
pela ausência do cônjuge naquele tempo e não recebeu em troca o equivalente. Logo os
créditos trabalhistas, frutos do trabalho podem ser afetados. Dano moral, indenizações não
são atingidas, pois são inerentes ao trabalhador. FGTS é direito social do trabalhador,
portanto não é tangível, só se ele for utilizado para outra coisa. RESP 421.801; RESP
810.708 tem o pensamento mais para bem comum.

Imóvel financiado antes do casamento? Parte paga antes do casamento e parte depois
- art. 1.661 CC. Não está atrelado à alienação fiduciária. Somente ao financiado. Como
interpretar? STJ: há comunicabilidade, Apesar da causa ser anterior, há um esforço durante
a sociedade conjugal. Verificar-se-a a porcentagem paga durante o casamento. Ex.: carro
que foi comprado antes e a entrega ocorre após o casamento. Apesar da tradição ser a
transferência da propriedade, a causa dade aquisição foi antes do casamento, portanto não
é comunicável.

É comunicável - art. 1.660.

Aquisição a título oneroso da comunicabilidade, sem importar a quem esteja


registrado o bem. Os frutos do bem adquirido ou herdado antes do casamento. Se for
aluguel, que é fruto civil se comunicam. Pode ser vedada, a comunicabilidade, por meio de
pacto antenupcial os frutos.
A benfeitoria também se comunica, quando faz uma obra num imóvel velho,
reformando-o.

Fato eventual se comunica - sorteio, mega sena. Art. 1660, II.

Regime da comunhão universal

Este já foi o regime legal. Até 1977. Com a lei do divórcio foi estabelecida tal regra.
Tudo se comunica - antes e depois.

O que não se comunica?


Direito Civil 202

Art. 1.668.
III - aprestos são os gastos feitos com a celebração do casamento.

os proventos de uso pessoal enquanto proventos são incomunicáveis, mas quando


passa a se utilizar passa a ser comunicável.

Montepios são as gratificações e remunerações recebidas pelo servidor público.

Regime da Separação convencional de bens

A doutrina não chama dessa forma. A ideia é um pacto para que os bens não se
comuniquem. Na lei é regime da separação absoluta.
OUBIR 1:00:00 parte 2

Regime da separação legal ou obrigatória

A lei não estabelece como se dará, só as hipóteses art. 1.641 CC.

Os bens anteriores e posteriores ao casamento são considerados particulares. Sumula


377 do STF.
Aquestos - são os bens adquiridos onerosametne na constância do casamento. É
acordo com a sumula eles se comunicam.
STJ e doutrina dizem que se aplica está sumula o fundamento é a plena comunhaod
é vida, apesar de não terem a opção de comunhão de bens, existe uma plena comunhão de
vida, é justo que se divida o patrimônio já que dividem uma vida.
É preciso comprovar a colaboração ou é presumido? DIVERGÊNCIA. 2ª seção (3ª e
4ª turma do STJ) para unificar o entendimento. Aplica-se a sumula RESP 1090722 há uma
presunção de esforço comum. Apesar disto, há um julgado mais recente dizendo esforço
comum. ERESP 1171820 mesmo que o órgão colegiado superior tenha entendido de outra
forma.
O entendimento majoritário é que não precisa comprovar, mas há quem divirja.
Quanto a aplicação da sumula não há quaisquer dúvida, o problema só fica inerente a
presunção ou não ded esforço comum.

Frutos civis, fato eventual também não se comunicam.

Inciso I - A intenção do código é evitar uma confusão patrimonial ou confusão


sanguínea. Leitura do art. 1.523 e 1.524 CC.

II - a doutrina fica inpolvorosa. Maria berenice critica pois o CC extrai violando a


livre escolha. Após 18 anos há a plena capacidade e só se perde ela através de um processo
de interdição. O fundamento é a proteção do patrimônio dos futuros herdeiros. Pois a
chance de após 70 anos da pessoa estar no final de sua vida e quer casar. É controverso,
pois pode doação universal desde que garantido o mínimo existencial e não pode casar.
Direito Civil 203

Viola o princípio da dignidade, intimidade e igualdade (pessoa de 69 para 70 anos) CRFB;


discriminação ao idoso previsto no Estatuto do Idoso.
Aqui no RJ e no STJ não houve reconhecimento de inconstitucionalidade deste
inciso.

III - idade inferior a 16 ou em idade nubil e sem o consentimento dos pais.

Regime da Participação Final dos Aquestos

Art. 1.672 até 1.686

Consideram-se os bens anteriores como particulares.


Os posteriores, a princípio são particulares, mas em razão do término do casamento,
há uma conta de chegada com relação aos aquestos. OUVIR EXEMPLO 1:24:00
Divide-se aquilo que o outro adquiridos que excede a conta de aquestos.
Diferença com comunhão parcial - OUVIR

Contabiliza até os bens que entraram ao patrimônio e saiu.

Se aproxima ao regime da comunhão parcial, mas não se equipara.

OUTORGA UXÓRIA ou Conjugal

Marital - era do marido e uxória - da mulher.


Melhor conjugal para os casos de homoafetivos.

Para determinados atos é necessário a autorização do cônjuge como requisito de


validade. Caso ele não de a outrora, cabe o suprimento da vontade por suprimento judicial.
Art. 1648
Sem o consentimento ou suprimento judicial, o ato será invalidado. A rt. 1649 CC -
anulabilidade - admite confirmação do cônjuge que não houvera autorizado que terá efeitos
retroativos a data do ato. Há um prazo para alegar a anulabilidade, em até 2 anos. Caso não
o faço dentro do prazo estabelecido em lei, será convalidado. Prazo decadencial, cujo início
se dácom o fim da sociedades conjugal que não se confunde com o casamento. Decorre da
separação de fato.
Essa ação de anulabilidade só poder ser demandada pelo cônjuge a quem cabia
concedê-la ou por seus herdeiros, é uma ação personalíssima.

Hipóteses que ensejam a anulabilidade - art. 1.647

Todos os regimes exigem a outorga:


Com exceção da separação convencional de bens. Art. 1.687 CC - exclusiva de cada
um dos cônjuges.
Na separação legal precisa de consentimento, sumula 377, pois há comunicabilidade
dos bens em regra.
Direito Civil 204

Na Participação final dos aquestos tem-se precisa de autorização fica dispensado


desde que tenha acordado no pacto

É necessário outorga mesmo que o bem seja particular incomunicável, comunhão


parcial de bens. Há interesse nos frutos.

Inciso I - alienar a título gratuito ou oneroso. Gravar de ônus reais : hipotecar, por
exemplo
Na doação de bem imóvel de um ascendente para descendente não precisa da
autorização do cônjuge se o regime for de separação total.

Inciso II- nas ações reais precisa. Não se sabe se nas ações possessórias precisa
também. Talvez sim, para pleitear as ações. Não precisa de litisconsórcio.

Usucapião precisa de autorização, por ser direito de propriedade.

Inciso III - a novidade é o aval. A fiança é comum na jurisprudência.


STJ diz que ela é anulável, portanto é ineficaz em sentido amplo (deveria estar escrito
como invalidade) até aquele que se obrigou pela fiança.

Aval - obrigação cambiaria - gozam de autonomia que permite que a invalidade em


relação a um não atinja o outro. Quem se obriga no aval é quem está assinando e não o
outro ao que não outorgou. Pode atingir pela autonomia e literalidade segundo a doutrina
comercialista, DOUTIRNA DIVERGENTE do entendimento do STJ. Enunciado 114 CJF.

Inciso IV - sem discussão. A doação é uma alienação a título gratuito.


Direito Civil 205

Dia 15.09.2016 – Aula 18


Antes da CRFB/88
Sociedade de fato – Uniao Cível
Concubinato – puro – união estável
- impuro – concubinato

Com a CRFB/88 -> EU como entidade familiar


Art.226, CR – rol exemplificativo
L.8971/94. Requisitos: 5 anos ou prole (art.1º).
Meação: prova do esforço comum (art.3º)
Art.2 – sucessivo
L.9278/96 Requisitos: art.1723, CC
Art.1
Art.2: Alimentos
Art.5 Presunção do esforço = meação – enunciado 115, CJF. – prova é
presumida pela lei, não tem que provar.
Art.7 , p.ú. direito real da habitação
CC –
Enunciado 346, CJF –

Qual momento se inicia a união estável?


Ela se caracteriza no mundo dos fatos, ela se forma quando tem tais requisitos:
Art.1723, CC
- a diversidade de sexo é necessária para reconhecer união estável ? Não. ADI 4277
julgada com ADPF/RJ 132. STF equiparou os direitos da união estável heterossexual com
a união estável das pessoas do mesmo sexo.
Art.1723, CC – vinculo: convivência publica, continua e duradoura.
Publicidade ao vinculo é necessária, não pode ser vinculo oculto. (é diferente a
exigência no caso homoafeitvo tem que ver com cuidado, as vezes não será tão público).
Continua – tem que ter continuidade – que não tenha separação de fato.
Duradouro – aqui está ideia de tempo. Não tem requisito temporal desde 1996. Tem
que analisar caso a caso – pode ter UE de semanas.
Vinculo objetivo de constituir família
Morar sob mesmo tempo tem forte vinculo de união estável, mas não é absoluto.
Exemplo STJ – casal estudou fora.
As pessoas impedidas de casar também não pode constituir união estável. (com
exceção – pessoas casadas e separadas de fato).
Não aceita união estável paralela - §1 – não se admite para STJ.
0007289020078100115 – TJ Maranhão – reconheceu união estável paralela
ARE 656298 – está julgando ainda.
Posso fazer contrato de namoro? Sim, para fazer UE> mas pode ser feito para fraude
– o contrato de namoro traz presunção relativa de que aquele casal não quer constituir
família.

Regras UE:
Efeitos sociais
Direito Civil 206

1- Voce tem uma família.


2- UE emancipa? UE não tem nenhum documento para provar.
2 entendimentos:
a) Se voce tem UE reconhecida em cartório, esse documento por escrito servirá
como emancipação. (prevalece essa corrente).
Não servirá como emancipação se não tiver documento escrito.
b) Não! Não faz sentido exigir documento para dar a UE para caracterizar UE.
3- Parentesco com afinidade
Tenho sim. Art.1595, CC.
4- Mudança de estado civil –
Não tem !
5- Presunção de paternidade
Tem discussão.
STJ – já reconheceu a presunção de paternidade em favor do companheiro e da
companheira.
RESP – 1194059 – informativo 508 – STJ.
Presunção de lealdade se aplica na UE – logo, os filhos da UE – presunção – dever
inerente fidelidade e lealdade – presunção de paternidade.
Qual data voce começa a contar o prazo de 300 dias (art.1597, CC)? 180 dias antes
do início do vínculo.
Como você vai contar o prazo se você não sabe a data certa?

Efeitos pessoais:
1- Fixação de domicilio
CC não estabelece fixação de domicilio para os companheiros, só para os cônjuges.
Mas nada impede que exista sim –
2- Uso do nome
Na escritura pública pode. Informativo 506 //RESP 1206656
3- Deveres conjugais
Art.1724, CC
Lealdade/ assistência / respeito / guarda e educação de filhos (independe de vinculo
de UE e casamento).

Efeitos patrimoniais
1- Alimentos
Companheiros tem direito – art.1694, CC.
2- Regime de bens
Enunciado 115 – presunção absoluta aquisição onerosa constância UE.
Qual é o regime de bens? Regime da comunhão parcial -1725,CC –
Não preciso provar esforço comum.
Mas, se for decido outro regime de bens. Exceção: aplica-se o regime da separação
legal obrigatória para o companheirismo? Causas suspensivas art.1723, CC.
Mesmo que exista causa suspensiva – consequência – separação legal obrigatória.
Pratica – julgados em relação a idade (+70 anos) –
a) não teria como aplicar por ausência de previsão de legal -
b) Aplica – STJ – majoritário STJ
Direito Civil 207

Enunciado 261, CJF

1725,CC – (o que quer dizer no que couber?) –


Diferença está na outorga conjugal –
Outorga conjugal existe em todos os casos.
Não se exige outorga na UE.
Exceção: Quando o reconhecimento da EU consta na matricula de RGI do imóvel aí
sim se existe outorga da UE. Informativo 554 STJ – RESP 1424275 e informativo 535 STJ
– RESP 12999866

3- UE pode ser convertida em casamento


Art.1725 e 1726
Registro civil – mas e o §3, art.226 – seria inconstitucional pq a lei estaria
dificultando requisitos – na pratica não tem grandes discussões.

2008 --------------2009-----------------------2010---------------------------2015
UE bem escritura pub. Sep.bens

STJ – retroage, mas não pode ter efeito retroativo do regime de bens – segurança
jurídica. Não esta na esfera de disponibilidade das partes retroagir o regime de bens.
Criticado pela doutrina – porque a lei resguarda efeito de terceiros.
Regime parcial de 2008 a 2009
Regime separação absoluta de 2010 para frente.

Parentesco
Art.1594, CC
1- Linha reta
a) Descendetes
b) Ascendentes
Avo – 2ª geração
P – 1º geração
X
F1 – 1ª geração
N – 2ª geração
B – 3ª geração

2- Linha colateral/transversal

Encontra ascendente comum e faz linha transversal

Pai
1º 2º
X Irmao
Sobrinho (3)
Direito Civil 208

2º grau: irmão
3º grau: sobrinhos, tios
4º grau: tios-avos, primos, sobrinho-neto
Voce não tem qualquer grau de parentesco com o filho do seu primo.

Irmão é irmão independente – a) unilateral / b) bilateral/germano


Espécies de parentesco:
1593, CC
Pode ser:
a) Natural
O que decorre da consanguinidade
b) Civil
O que decorre de outra origem
1- Adoção (formal
2- Reprodução assistida heteróloga (Enunciado 103, CJF)
3- Socioafetividade (vinculo informal) (Enunciado 103, CJF)
É vinculo de parentesco, normalmente vinculo de filiação quando voce tem 3
requisitos o trato, o nome, fama.
O tratamento como filho sem distinção de filho biológico nem natural.
Fama – reconhecimento na sociedade como vinculo de parentesco.
Nome – registra filho que não é seu como se fosse seu. (é adoção ilícita mas não tem
como negar o vinculo e o reconhecimento jurídico).
Posse de estado de filho.
4- Afinidade
Só tem por finalidade impedir casamento entre parentes de mesma afinidade.
Art.1522 – 1595
Na linha reta não tem limite de graus – impedida de casar com todas essas pessoas.
(enteado entra tb) (vinculo não se extingue).
Na linha colateral – só se restringe ao 2º grau – cunhado/a (quando rompe casamento
– eles deixam de ser cunhado e cunhada – o vinculo se extingue)
Art.1521, II – 1595, §2

Poder familiar
Decorre da relação de parentesco pela filiação.
Poder familiar mais que poder é DEVER.
Primazia do direito de criança e adolescente em detrimento do poder familiar.

Poder-dever - familiar
Autoridade parental (melhor nomenclatura - + moderna)
Art.6, VII, L.12318/10
Qual é conjunto de deveres e obrigações do poder familiar?
Art.227, CRFB/88
Princípio paternidade/maternidade

Art.229, CRFB – Princípio paternidade/maternidade responsável.


Direito Civil 209

Posso receber danos morais de abandono afetivo?


Entendimento majoritário – compensação danos morais abandono afetivo.
a) SIM - Informativo 496, STJ – resp 1159242.
Quando você tem filiação estabelecida – a CRFB/88 diz que voce tem dever de
assistir, criar, educar filhos menores – só presente voce consegue dar assistência moral +
227 – colocar a salvo toda forma de negligencia.
Existe um dever jurídico que é dever de cuidado que decorre dessa maternidade.
Art. 1634,I, CC e ar.22 do ECA
b) NÃO - (resp 757411 – informativo 392, STJ –
Não haveria ilícito civil que fosse praticado – não haveria responsabilização por
danos morais. Ninguém é obrigada a amar alguém.

Art.1534, CC
1- Pais quem exercem poder familiar
2- Conceder ou não autorização para casamento.
Consentir casamento decorre do poder familiar e não da guarda (exemplo prova pai
separado).
3- Conceder ou não autorização para viajar para exterior.
- não aplica – se: art.83, do ECA>
a) se mora e quer ir para comarca contigua da residência
não precisa de autorização dos pais.
b)Criança acompanhada – ascendente ou colateral >.
c) pessoa maior
4- Representante legal
art.1634, VI, CC
Caso: ficou com vizinha.
Qual ação? Antigamente era busca e apreensão (839, CPC)
Novo CPC - Medida cautelar inominada – finalidade será essa.

Poder familiar é dos pais – independente da situação entre si !


A separação judicial / divorcio não altera relação entre pais e filhos – art.1631,CC.
Os filhos que estão no poder familiar do filho – 1632

Pais podem ter o poder familiar suspenso ou destituído.


Art.1635 – extinção poder familiar
- morte dos pais ou filhos
- emancipação
- maioridade
- adoção (extinção do poder familiar em relação dos pais biológicos).
-destituição
(não se extingue relação de parentesco)>

Suspensão
Art.1637, CC
E temporária.
Direito Civil 210

Depende de ampla defesa e contraditório, tem que ser feito por sentença.
Remissão art.1555 a 163 do ECA
Art.23 do ECA – falta e carência de recursos não constitui a perda do poder familiar.

1- Abuso do exercício do poder familiar


2- Administração do patrimônio
Art.1691, CC – autorização de bem imóvel depende de autorização judicial.
3- Condenado por sentença (qualquer crime) pena que exceda a 4 anos
1637, CC combinar com art.23 do ECA.
4- Em razão da pratica de atos de alienação parental
Art.6, VII, l.12318/70

O rol é taxativo!

Destituição
É muito comum quando se quer dar a criança em adoção.
Art.1638, CC
Sanção / ampla defesa e contraditório
1- Castigar imoderamente o filho
Art.18-A e 18-B do ECA – que foi incluído pela lei da palmada é o castigo
imoderado.
2- Abandono
STJ – não deve reconhecer como destituição como primeiro passo. Abandono afetivo
não deve por si só ensejar destituição familiar.
3- Violar Moral e bons costumes, que afetem o exercício do poder familiar.
Cuidado: prostituta – mas ela é boa mae e ai não enseja.

É permanente, depende de sentença judicial.


Direito Civil 211

Dia 20.09.2016 - Aula 19

Guarda
Art. 1.583 - inserido dentro do capítulo da proteção dos filhos, é uma das espécies.
Guarda.
Essa guarda vai justificar durante o tempo que fica com os pais. Já que eles estão
exercendo a titularidade do peões familiar em conjunto. Se essa sociedade conjugal
termina, os filhos precisam ter acesso a ele - art. 227 CRFB que garante ao jovem o direito
a convivência familiar.
Vinculada à proteção dos filhos. O poder familiar quando os pais estão separados,
continua com eles, ainda que não estejam mais juntos.
Eles exercem a guarda sem que tenham um pronunciamento judicial afirmando o
poder familiar, não há que ter uma decisão judicial neste sentido. Não precisa falar que ela
é compartilhada, eles têm uma guarda inerente ao poder familiar. Possui todos os direitos
em relação aos filhos, caso não haja quaisquer pronunciamento do poder judiciário, onde
não houve conflito no momento do divórcio.
Numa outra situação, quando os pais estão em conflito, a lei estabelece algumas
formas.
OBS.: Guarda Jurídica que dependem de uma decisão judicial para serem
estabelecidas. Sempre que houver conflito no exercício do poder familiar, ele será
resolvido pelo poder judiciário - art. 1.791, §ún. Art. 1.692 - sempre que houver
divergência em falcão ao exercício do poder familiar, o juiz irá nomear um curador
especial. Costuma ser exercido pela Defensoria pública, o que não afasta a intervenção do
MP. As espécies prevista pela doutrina não são aplicadas na prática.
OBS.: Guarda Fática - momento maior que a criança passa com um dos pais, ainda
que juridicamente a guarda seja exercida de forma compartilhada com os pais.
OBS.: Guarda a Terceiros - proteção aos terceiros. As formas são a guarda, tutela e
adoção. A guarda é uma forma de regularizar uma situação fatica de quem está com a
criança, mas não é pai ou mãe. Isto ocorre em situações em que os pais não estão presentes
ou precisam ser substituídos. A proteção será melhor dada ao menor, se ela for dada a um
terceiro e não ao família, na colocação de uma família substituta. A guarda de terceiro está
presente no ECA. Tem uma forma provisória.

Espécies de guarda jurídica:


Guarda unilateral - legal - deferida a apenas um dos genitores. Não
interrompe o exercício do poder familiar. Somente possui a guarda, mas não exclui
o outro. art. 1.583,§1º, a segunda parte é a colocação em família substituta.
Guarda alternada - não legal - criticada na doutrina e jurisprudência.
Raramente é aplicada. Intercala períodos no exercício da guarda. Durante esse
exercício, haverá uma guarda unilateral, no período de tempo que o menor ficará
Direito Civil 212

com quem exerce a guarda. Pode acarretar diversos conflitos. OUVIR EXEMPLO
20 min.
Guarda de Nidacao ou Aninhamento - tem de se ter pelo menos 3
residências. Ideia de que a criança tenha uma residência fixa. Isto funcionaria como
um ninho. Quem se alternam no convívio é os pais. A vantagem é que a criança não
perde o seu ponto de convívio. Os pais que se alternarão para ir ao encontro essa
criança. Primeiro há a questão financeira (3 casas - cada pai tem sua casa e a criança
tem mais uma). Segundo, os pais seriam o visitante e a criança que seria a dona da
casa em si, perdendo os pais um pouco de sua autoridade.
Guarda Compartilhada - art. 1.583, §1º na segunda parte - nela tem-se um
exercício conjunto pelos pais. É uma corresponsabilizacao conjunta pelos pais.
Titulares do poder familiar.

Exercício da Guarda unilateral


Um dos genitores fica com a guarda. O outro perde a guarda ainda que no exercício
do poder familiar.
O pai que não tem a guarda, tem o dever de fiscalizar o exercício dessa guarda - §5º
do art. 1.583. A escola não pode arguir que só entregará o boletim ao responsável
financeiro, posto que se ele é o pai e está na certidão de nascimento, possui esse direito.
Art. 1.584,§6º - o valor dessa multa é revertido ao pai que está sendo privado de seu
direito/dever familiar.
Prestação de contas do §5 art. 1.583 - a doutrina sempre disse que no que tange aos
alimentos não há que se falar em prestação de contas. A mãe estaria administrando os
alimentos que são dos filhos. Os pais exercem esse poder familiar conjuntamente. Logo, se
isto ocorresse a mãe estaria numa situação inferior ao pai que paga os alimentos. Poucos
doutrinadores atentaram para esse dever legal de prestação de contas. Então seria possível
a prestação de contas de alimentos. Cuidado para esse dever de prestação de contas, ser um
mecanismo de fiscalizar e tornar um conflito naquele ex-casal.

Exercício da Guarda Compartilhada


Art. 1.583,§3º CC - abre possiblidade para residências distintas.
Quando o juiz estabelece esse tipo de guarda, ele estabelece uma guarda fatica,
mesmo que seja compartilhada. Para dizer onde vai ficar na maior parte do tempo aquela
criança.
Se as residências dos pais forem muito longe, será difícil definir isto é o juiz terá de
ficar uma residência física.
Mesmo na guarda compartilhada, há como regular o direito de visitação de quem não
possui a guarda fatica. Enunciado 605 CJF - IMPRIMIR JORNADA VII CJF. En. 607 CJF
- nada impede que haja alimentos a quem possua a guarda fatica. Pode se falar em prestação
de contas.
Cuidado com a interpretação do art. 1.589 que dar a entender que o direito de
visitação só poderia ser estabelecido no caso de guarda unilateral. Contudo, guarda aqui se
refere a guarda fatica. OLHAR UM CC comentado.
Direito Civil 213

A guarda compartilhada representa um convívio entre o pai e a mãe.


Essa fixação de exercício de direito de convivência pode aparentar uma guarda
compartilhada, mas períodos alternados de convivência não há um compartilhamento da
guarda. Não se confundem, Enunciado 603 e 604 CJF. Não significa que unilateralmente
possui a guarda no momento em que convive com o filho.
A guarda compartilhada não quer dizer que o sujeito tem livre acesso à residência de
quem possui a guarda fatica.
Também não representa uma divisão igualitária matematicamente. Essa divisão irá
atender os interesses da criança e do adolescente.

A fixação da guarda terá de ser feita por intermédio do poder judiciário. Ainda que
tenha uma forma de estabelecer sem que haja uma sentença, por meio das formas de
autocomposicao, como a conciliação e mediação. Art, 693 NCPC. A mediação.
Recomendada quando há um vínculo anterior. O papel do mediador é apresentar as diversas
soluções possíveis para o caso concreto. Ele fornece esse instrumento. Já o conciliador
propõe acordos. A mediação. Necessária em todas ações de família. Art. 1.584,§1º CC.
A ideia do código é prever a guarda compartilhada como regra. Ainda assim a
unilateral é mais utilizada. Doutrina e a jurisprudência afirmam que com o tempo, a
convivência entre o ex casal se torna mais consensual. Decisão do STJ de 13.07.2106 diz
que a guarda compartilha é negada se não houver consenso entre os pais, quando há um
desentendimento absurdo entre eles. Para evitar que um deles pratique atos de alienação
parental, por exemplo.
Se o direito de visitação não for respeitados, aplica-se a multa em situações extremas
- art. 249 ECA, na esfera administrativa. Exemplo de impecilhos criados pelo outro para
impedir a visitação do pai. A posição do juiz é ampliar o direito de visitação de quem está
perdendo. O eca fixa uma medida protetiva de acompanhamento psicológico de quem está
restringindo esse direito. Se caracterizar atos de alienação partenalm tem-se as sanções
previstas na lei 12.318/2010 - art. 2º é necessária que seja reconhecida se houver um laudo
médico reconhecendo isto, posto que é uma síndrome. Art. 6º prevê sanções.

Filiação
Vinculam país a seus filhos e está inserida entro da relação de parentesco.
Verifica-se tanto em relação ao pai quanto a mãe.
A jurisprudência analisa tais questões mais em relação ao pai, mas também é aplicada
em relação às mães.

A paternidade passou por transformações ao longo do tempo:

1. Legal a art. 1.597 CC - filhos concebidos na constância do casamento ou união


estável. O fato de advir o exame de DNA não afasta a presunção legal. Aqui a presunção é
relativa, salvo do inciso V, cabe prova em contrário, que pode se rum exame de DNA ou
sócio afetividade. Inciso I e II aborda aspectos temporais. No inciso II conta-se a partir da
separação de fato, posto que é o fim da sociedade conjugal.
Inciso III, IV, V tratam da reprodução assistida. Inciso III fala da inseminação
homologa de material genético de ambos os cônjuges. Previsão legal para uma paternidade
Direito Civil 214

pos mortem. Alguns afirmam ser inconstitucional, por violar o princípio da paternidade
responsável. Claro que deve ter uma autorização expressa do marido falecido para a
procriação pos mortem. Apesar da crítica não há decisão alegando sua
inconstitucionalidade. E os direitos sucessórios? Não haveria problema para autorizar, mas
não tem direitos sucessórios, que nascem com o óbito. Por força do art. 1.798 CC
Inciso IV - trata dos embriões acidentaríei. A reprodução se deu de forma difente.
Armazenou-se o óvulo fecundado. Logo teria direitos sucessórios. Mesmo que seja inserido
no útero materno só apos o evento morte. Aqui há uma possiblidade de vida. Vinculado ao
prazo de peticao de herança. Até 10 anos. Nascituro#Concepturo. O primeiro foi fecundado
e está no ventre materno. O segundo, foi fecundado, mas não está no ventre materno.
Interpretação ampliaria do art. 1.798 CC.
Inciso V - a presunção é absoluta. Com prévia autorização do marido para que use
material genético de terceiros. Questionaria-se eventual vício de consentimento, mas não a
paternidade, por ter que ser expressamente autorizado.

A contestação da paternidade se dá pela negatoria de paternidade. Art. 1.604 CC.


Após o registro deve-se alegar erro ou falsidade do registro. É uma ação personalíssima -
art. 1.601 CC, somente se ele for falecido que os herdeiros poderiam continuar numa
sucessão processual na ação. O STJ admite a contestação pelos filhos em casos
excepcionais. Em regra é personalíssima.
A ideia do erro é a falsa percepção da realidade. Não pode ele se valer da própria
torpeza.
STJ exige também que não haja sócio afetividade. Ainda que saiba que o filho não
era seu, ainda que esteja em erro, a ação pode ser negada, já que acreditava que era pai.
A ressunção não será afastada ainda que haja confissão de traição da mãe.

2. Biológica ou Científica - o exame de DNA traz uma certeza quase absoluta. Afirma
quem é o genitor. O fato de um exame de DNA não afasta uma paternidade sócio-afetiva.

O teste vai afirmar quem é o genitor, mas pode não afirmar quem é o pai. OUVIR
exemplo 2 min parte 2 IMPRIMIR A LEI 8.560/92

Averiguação inoficiosa - Não pode só amas arguir a paternidade do filho no


momento de registro. Isto irá suscitará dúvida que será devidamente registrada na certidão.
O juiz irá intimar o fulano para se pronunciar. Se ele reconhecer, constará seu nome na
certidão. Caso contrário, o MP receberá isto através de uma averiguação inoficiosa, com
legitimação extraordinária para adentrar com a ação de investigação de paternidade, entre
elas o exame de DNA. A defensoria pública já tem uma foram de exame de DNA sem
ajuizamento de ação. O STF disse que o sujeito é livre para aceitar ou não o teste de DNA.
Há um conflito entre o interesse da dignidade e integridade física com o direito a identidade
física do filho. Para isto o ônus probatório será invertido, tendo que o sujeito provar que
não é pai da criança. Art. 2-A,§ún da Lei 8.560/92. Há uma presunção de paternidade do
sujeito que se recusa a realizar o exame de DNA.

A paternidade pode ser identificada somente com ascendência biologica. É um direito


imprescritível do menor, reconhecido no art. 27 do ECA. A finalidade não é romper um
Direito Civil 215

vínculo filiar, nem estabelecer um novo vínculo com o genitor, mas simplesmente saber
quem é o seu pai biológico. Art. 48 ECA. Forma de reconhecimento da ascendência
genética.

3. Socio-Afetiva - decorre da posse do estado de filho. Tem ded haver certo tempo
decorrido. Onde há um tratamento de filho, fama de filho e nome do filho às vezes. Na
mesma situação incorre quem registra e reconhece como seu filho sabidamente não ser seu,
como na adoção a brasileira. Não pode ser desconstituída mesmo que queira. O afeto, o
tempo passando, reconhecimento a situação de filiação que gera essa filiação que pode até
prevalecer sobre a verdade biologica.
Negatoria de paternidade pode ser desconstruída pelo pai? Não.
Já o filho pode desconstituir, posto que é um direito imprescritível, ainda que haja
uma discordância. Neste caso prevalece a verdade biologica em estriamento da verdade
sócio afetiva. Isto depende-se da vontade do filho. Pode ser feito simultaneamente no
mesmo processo.

Multi-parentalidade.
Não está no código.
Conceito: possibilidade d estabelecer um vínculo de filiação com mais de duas
pessoas.
Não confundir com parentalidade homoafetiva. Quando há um casal homoafetivo
porque dependem daquela condição de casal homoafetivo. É uma filiação homoafetiva
normal.
Exemplo do reconhecimento de paternidade biologica, quando já há a paternidade
sócio afetiva. A solução pode ser diversa também. Podem exercer a paternidade
conjuntamente. Podem estabelecer uma multiparentalidade.
Novidade insurgindo nos tribunais, aceita gradativamente na jurisprudência e na
doutrina também.
JULGADOS neste sentido 035278941.2013.8.19.0001 RJ, 642226.2011.8.26.0286
SP, 3895854.2012.8.16.0021 PR (caso apelido com a moça que faleceu e o filho foi criado
pela tia).
É uma exceção e deve ser bem especificado isto.
Alimentos: Tem direito a todos eles.
Sucessões: o filho terá direito a todos os direitos sucessórios.
Previdenciário: teria direito a tudo.

Ainda ano há regulamentação neste sentido. Só há poucas decisões autorizando a


multiparentalidade.

art. 1.607 - pode ser havido ou não fora do casamento. Não há mais a questão dos
filhos legítimos ou ilegítimos. É considerada inconstitucional.

Nos casos de maternidade em que há a subtração das crianças. Nos casos de tráficos
de crianças há uma prevalência do reconhecimento da mãe socio afetiva. É uma opção da
pessoa maior de idade ter sua filiação reconhecida ou não.
Direito Civil 216

Reconhecimento voluntário
Art. 1.609 CC - é irrevogável. Ler hipóteses.
O testemunho é um ato de última vontade e pode ser revogável caso haja mudança
de ideia no que tange o reconhecimento de patrimônio.
Art. 1.610 CC. Reconhecimento de filho, não há que ser revogado.
Art. 1.614 CC - o filho maior não pode ser reconhecido sem seu concedido. Prazo de
4 anos do menor não prevalece, e sim o art. 27 ECA é que prevalece.
Art. 1.609, parágrafo único do CC - a lei permite que possa reconhecer o filho mesmo
após a morte dele. Não é cabível se aquele que está reconhecendo for beneficiado a herança.
Art. 1.615 CC - outros interessados na filiação. Ingressam na ação na qualidade de
assistiremos seja do autor, seja do réu.
Na inversão do ônus probatório só poderá ter 1 suposto pai no caso de haver mais de
um pai possível. Durante a ação de investigação de paternidade.
Exceção a regra de não ajuizar ação de paternidade em relação aos avós é quando o
filho faleceu. A ascendência biologica é para todos os graus, claro que é necessário
estabelecer primeiro o vínculo. Há um interesse no reconhecimento da identidade genética
(direito da personalidade) e também patrimonial.

Formas de colocação em família substituta


ECA - art. 25 - a regra é primeiro procurar a família natural, depois disto a família
ampliada (procurando entre os parentes).
Exemplos do STJ: Nada impede que se defira uma guarda ao tio e avó paternos.
Caso não seja possível uma família extensa ou ampliada, será então o menor colocado
na família substituta. Art. 28, independentemente de ter pais exercendo ou não seu poder
familiar (guarda, tutela ou adoção, nesta ordem). A guarda é a mais branda.
OUVIR EXEMPLO 32 min. parte 3 até 39 min.

O sujeito que é O guardiao, se ele é vinculado ao inss pode colocar o menor como
seu dependentes? Sim, segundo a lei ele pode ser incluso. A guarda confere o caráter de
dependente, inclusive em relação à previdência. É uma questão controvertida no próprio
STJ: costuma ser julgado pela 5a e 6a turma do inss , se for regime estatutário é outra
turma. Para a 3a sessão deve roevalecer o art. 16,§2º da 8.213/91. Havia essa previsão do
direito seu foi retirada do parágrafo. Foi excluído na condição de dependente. Através de
uma MP de 97. - ERESP 859277 3a sessão do STJ de 2013
No regime dos servidores públicos, é diferente. Apesar de muitos institutos serem
parecidos. Prevalece o ECA dando O caráter de dependente a quem está sujeito a guarda -
RMS 36034.

Os civilistas defendem a prevalências do ECA sobre a lei previdenciária. Art. 33,§3º


Direito Civil 217

Adoção
STF - qualquer distinção entre filho adotivo e não adotivo e entre o filho legítimo e
não legítimo.
Antes da CRFB de 88 existia tal preconceito entre a adoção plena e adoção revogável
(pessoas maiores de 18 anos poderia ser feita pro escritura pública, estabelecia um vincula
inter partes sem gerar parentesco com a família do adotande, sem romper com os vínculos
da família biologia, é revogável). Neste caso, quanto à sucessão, dizia a lei que os parente
biológicos tem preferência em detrimento dos adotivos.

OUVIR CASO 45 min parte 3

Esse vínculo seria precário, prevalecendo a forma como a filiação foi estabelecida,
concordando ou não. Foi uma decisão por maioria.

Hoje a adoção dos maiores é sempre plena e irrevogável, somente pode ser feita
mediante procedimento judicial. Art. 1.619 CC. Permite aplicar o ECA no que couber.
Também precisa consentir com a adoça, já que precisa consentir com o reconhecimento
também. Na adoção comum de menor, Apesar dele ser o maior interessado, ele não integra
como parte. Já do amor ele vigora como parte do procedimento.

STJ: não é possível deferir a adoção do maior sem o seu consentimento. Em regra os
pais não se insurgem, pois como maior de idade, não há mais que se falar em poder familiar.
Informativo 558 da 3a turma. RESP 1444747. De 2015

STJ negou a adoção quando o pai biológico e sócio afetivo se insurgiu no processo
através de uma oposição. Fugindo a regra RESP 73362.
O TJRJ também decidiu já nesta esteira quando houve uma relativização da regra.
AP 016481186.2011.8.19.0001.

Adoção dos menores de 18 anos


Aplica-se no que couber aos maiores.
Ela é plena e irrevogável. Há rompimento dos vínculos biológicos que exige uma
setenta judicial em caráter irrevogável.
Estão nesta regra, os menores, que não estejam sob o poder familiar. Ex.: uma criança
em situação de risco de desamparo moral e legal. Poder haver a destituição do poder
familiar cumulativamente da adoção.
Ele precisa consentir com a adoção caso seja maior de 12 anos, ainda que seja menor
de 18 anos. Independentemente dos pais. Art. 28,§2º ECA.

Quem pode adotar? Qualquer pessoa maior de 18 anos pode adotar.


Independentemente do seu estado civil. Uma pessoa emancipada não pode adotar, posto
que a lei exige o requisito idade no art. 42 do ECA.
Direito Civil 218

A orientação sexual não enseja a improcedencia do pedido de adoção. Informativo


432, 4ª turma STJ. RESP 889852 antes do STF se pronunciar sobre a união estável das
pessoas homoafetivas. Pode adotar sozinho ou como casal.

Antes o procedimento nos casos de reprodução artificial de casal homoafetivo era


feito através de uma adoção daquele que não tem parentesco. Hoje há um esforço do CNJ
de se registrar direto em cartório isto.
Há também uma cautela dos pais na clínica de inseminação para evitar uma adoção
brasileira.
A adoção conjunta prevista no art. 42,§2ª ECA, é necessário que o casal esteja em
união estável ou casamento. Se no curso da adoção, houve um divórcio ou separação, não
obsta a adoção, ela já sairá com a questão de guarda definida - art. 42,§4º eca.
Os ascendentes e os irmãos do adotando, pois já existe um vínculo de apreensão
suficiente para resguardar os direitos do menor. Se necessário será feita uma guarda ou
tutela. Sem que haja um rompimento do vínculo com os pais. Evitando-se assim que haja
uma confusão entre os parentescos.
Exemplo: adoção STJ criança adotada de 9 anos que estava grávida por ter sido
violentada pelo pai, deferiu a corte que a criança nascida desse estupro fosse adotada pelos
pais adotivos de forma que fosse criada com a mãe como irmãos. Só colocar adoção STJ
no Google.

Família anaparental
Entidade familiar que se constitui sem a presença de um ancestral em comum. Entre
tio e sobrinha, entre irmãos.
Estabelecida como uma unidade familiar.
Uma familia anaparental postulando uma adoção foi concedida no RESP 1217415
informativo 500, 3ª turma.

Consentimento dos pais


Os pais é que devem consentir a adoção - art. 45
É retratava-o até a sentença. Art. 166,§5º
O consentimento advém do poder familiar.
Desconhecidos é quando não tem eles registrados na certidão de nascimento.
Se o pai está na certidão de nascimento, mas não se sabe seu paradeiro, o correto e
citá-lo por edital. Mesmo que ficta, se o pai não aparecer, não há que se levar o seu
consentindo em conta.

Há suprimento do consentimento? Não, deve-se destituí-lo do poder familiar e depois


proceder a adoção.
Art. 45 REMISSAO art. 166 eca. Hoje a exigência é que o constringente seja feita
em audiência pela autoridades judiciais.
Direito Civil 219

Pode-se dar em adoção uma criança que está para nascer. Contudo, a validade só
ocorrerá com o nascimento da criança. Deve ser ratificado após o nascimento. Art. 166,§6º.
Não se admite a adoção intuito persona - a mãe não pode escolher, vai para o cadastro.

Efeitos da adoção
Caráter irrevogável art. 39,§1º do ECA.
Não pode restabelecer vínculos.

Da todos os efeitos inerentes a filiação - art. 41 ECA

Sentença constitutiva - art. 47 ECA. Posto que constitui um novo vínculo. Efeito ex
nunc, pois é estabelecido da sentença para frente. Exceção: adoção póstuma - art. 42, §6º
ECA - um dos postulantes falece no curso do procedimento, art. 47,§7º - isto serve para
dar legitimidade para suceder ao filho adotivo.
O STJ permite uma adoção póstuma mesmo que não esteja em procedimento. Exige-
se somente a manifestação inequívoca. Caso de família anaparental. RESP 1217415
informativo 500, 3ª turma.
STJ reconhece Mesmo que não haja procedimento algum. Era para ser um pedido de
adoção pela socioafetividade, mas como isto é algo novo, utilizou-se o mecanismo da
adoção póstuma para adotar a criança - RESP 457635, 4ª turma.

Estágio de convivência
Existe danos morais por uma legítima expectativa quebrada por um dos adotandes.

Dispensa do estágio de convivência - Art. 50§13º

Dispensa-se as vezes o provou-o cadastro junto com o estágio de convivência do art.


50,§13º
Inciso I - adoção unilateral - rompe somente um dos vínculos de parentesco ou do
pai ou da mãe.
Inciso II - questão da família extensa ou ampliada.
Inciso III - STJ a respeito do cadastro - RESP
Direito Civil 220

Dia 22.09.2016 - Aula 20

STF decide pela multiparentalidade - RE 898060


Argumento de que por ter um pai socio-afetivo, não exime a responsabilidade do pai
biológico. Decidiu-se que nesse registro devem constar os dois pais.

O fato de ter um pai socio-afetivo que não afasta a obrigação do pai biológico de
fornecer alimentos, direitos sucessórios, direito previdenciário. A tese que será julgada hoje
será: não prevalece uma tese nem outra. Há uma possiblidade de se ter as duas.

É necessário que a paternidade socio-afetiva esteja registrada em certidão. Como fica


a situação quando o pai abandona ou faz alienação parental? OUVIR até 6 min.

ALIMENTOS
Se insurge na questão do patrimônio mínimo para garantir a dignidade da pessoa
humana. Os alimentos servem para garantir o direito à vida, saúde, direito à moradia (art.
6º CRFB) e outro direitos fundamentais.

Calçados na base da solidariedade familiar, ou seja, em primeiro lugar quem deve


presta-los são parentes: os cônjuges ou companheiros, é a família.

Quanto aos alimentos dos menores: é dever da família, da sociedade (colocação em


família substituta) e do estado.

Solidariedade familiar - art. 3º, I CRFB que determina construir uma sociedade justa
e igualitária. Art. 227, caput CRFB quando se trata do menor. Art. 226, caput - a família e
a base da sociedade e merece uma proteção constitucional. Se dará também através dos
alimentos.

A palavra alimentos pode ter mais de um significado:


Do direito aos alimentos (naturais jurídica de direito da personalidade invertendo a
essa condição digna do ser humano), são imprescritíveis, pois decorre da personalidade. O
direito não prescreve como direito da personalidade, desde que preenchido a questão da
idade limite que é 24 anos. Se já existe uma prestação alimentícia já fixada que também se
chama corriqueiramente de alimentos. A prestação alimentícia prescreve, segundo o art.
206, § 2º CC em 2 anos. Art. 197, II CC, não corre a prescrição quanto aos pais enquanto
o filho está sob seu poder familiar, podendo exigir durante todo o tempo em que ano foi
pago.
Atentar para a pegadinha envolvendo o nome alimentos.
A relação jurídica entre alimentante e alimentado tem por objeto uma prestação
pecuniária que também pode ser chamada de alimentos.
Direito Civil 221

Espécies de alimentos:

Quanto a fonte:
1. Do direito de família - direitos legais. Casamento, parentesco, união estável.

2.Da resoonsabildaide civil - Do ato ilícito - alguém causa um ato ilícito e causa uma
incapacidade a quem sofreu, dentre os danos à quem será condenado, deverá pagar
alimentos que possuem natureza indenizatória.

3. Voluntários - decorre da manifestação de vontade - são uma liberalidade, podem


decorrer de um ato inter vivos como causa mortis. Podem ser previstos em um contrato ou
testamento. Como testamento pode-se deixar como legados art. 1.920 CC.

Quanto a extensão:
1. Legais ou legítimos:
1.1. civis ou côngruos - garantem ao alimentando seu padrão social de vida. O status
que está acostumado a viver. Art. 1.694 CC.

1.2. Necessários ou naturais - garantem tão somente a subsistência do alimentando.


Art. 1.694,§2º CC. Lembrar da questão da culpa - art. 1.566 CC.

1.3. Processual - de acordo com o momento em que são fixados em um processo.


1.3.1. No início do processo, liminarmente - são os provisórios ou ... - são aqueles
que alguém tem de prestar inequivocamente comprovada nos autos. Art. 2º da Lei 5.478/68
- já deve juntar, o credor, a fonte da obrigação alimentar já está caracterizada e comprovada
nos autores através de uma certidão de nascimento, por exemplo. Discute-se não mais a
obrigação dos alimentos, e sim o quanto será pago. Possuem natureza jurídica de uma tutela
antecipada.
1.3.2. Provisionais - decidido liminarmente - o pedido de reconhecimento dos
alimentos está sendo discutidos também. A ideia é prover o sustento da pessoa até que se
comprove se tem o direito ou não a eles. O objetivo é prover a garantia da tutela
jurisdicional. Natureza jurídica de uma tutela cautelar ou medida cautelar.
1.3.3. Definitivos - fixados em sentença, fruto de uma cognição exauriente de uma
instauração probatória com todos os elementos colhidos.

OBS.: alimentos transitórios - a prazo ou a certa condição. A vantagem é a


exoneração automatica. Decorrido o prazo ou a condição cumprida, a exoneração.
Automatica. O que não ocorre com os alimentos. Os casos no caso concreto são: cônjuges
novos, determina-se que os alimentos sejam dados por um período de tempo por prazo
certo. Onde os cônjuges possuem possibilidade de estar produtiva no mercado de trabalho.
Normalmente o prazo é de 2 a 3 anos. Com relação a filhos pensa-se uma condição:
alimentos transitórios dos filhos, como condição suspensiva um concurso público. Isto é
uma construção doutrinária e tem posição no STJ: RESP 1025769.
Direito Civil 222

Características dos alimentos:


1. Direitos da personalidade - são personalíssimos. São considerados a necessidade,
proporcionalidade e possiblidade. False em trinomio agora - art. 1.694,§1º critério da
proporcionalidade do obrigado também. As necessidades do alimentando e a possiblidade
é do obrigado. De acordo com suas condições pessoais. Quem vê fazê-lo são somente essas
duas figuras.

2. Transmissibilidade - no CC de 1916 eram instransmissivies, por serem


personalíssimos. Com aporte do devedor, a obrigação ficava extinta. O CC de 2002 na
forma do art. 1.700 prevê que a obrigação se transmite aos herdeiros do devedor na forma
do art. 1.694. Esses alimentos de que falamos são os legais, legítimos. Em relação aos
indenizatórios, não são transmitidos, passam a ser uma dívida do de cujos aue deve ser
paga até o evento causa mortis. Quanto aos legais interpretamos o art. 1.700 da seguirem
forma: 1) baseada na característica da personalidade, transmite-se a obrigação é devida não
paga até a data do óbito. É uma dívida que ter crédito privilegiado em relação aos demais.
2) transmite-se não o direito dos alimentos, mas a prestação alimentícia. O direito da
personalidade tem a característica de ser personalíssimo, OUVIR 57 min. parte 2. A
obrigação prefixada se transmite, estabelecendo o limite das forças da herança combinando
com o art. 1.792. O juiz pode estabelecer uma forma da banda render frutos de forma a
pagar-se os aliemtnos ao alimentante. A ação de alimentos já deveria ter sido prefixada, só
pode ser alvo o espólio como réu numa ação de execução. Eles não podem ser réus numa
ação de alimentos. Até que momento isto seria feito? Até a partilha. Chamado de benefício
de inventário. 3a corrente) transmissibilidade irrestrita - tanto o direito aos alimentos
quanto a prestação alimentícia, o espólio pode ser réu numa ação de alimentos, quanto na
execução deles. Mesmo nessa corrente, será limitado nas forças da herança e até a partilha,
até a existência do espólio.
A DOUTRINA SE DIVIDE ENTRE a segunda e a terceira corrente.

O STJ tem dois julgados no sentido das correntes 2 e 1. Informativo 420, 4a turma -
RESP 775780 (2a corrente), herdeiro necessário e alimentos já prefixados.
enunciado 343 CJF;
1ª corrente - RESP 1354693 informativo 455 da 2ª sessão os alimentos do cônjuge
mesmo já fixados de uma união estável, os alimentos não se transmitem, posto que são
personalíssimos. Aplica-se também na seara do casamento.

Ainda não há garantia qual corrente ele adota. Posto que na adotou a 1a corrente
numa situação que não envolvia parentesco. Só se pode dizer que esse posicionamento é
devido a ex cônjuge ou ex companheiro.

Com a morte dos avós a obrigação da prestação alimentícias não é automaticamente


direcionada aos avós. Há que se propor uma ação de alimentos contra eles (posto que é
uma ação personalíssima), onde os avós irão demonstrar sua possiblidade e
proporcionalidade.
Direito Civil 223

3. Imprescritibilidade como direito da personalidade - titular como direito de


alimentos, pode não ser exercido, mas é uma possiblidade de ser feito a qualquer tempo.
Os alimentos não prescrevem, mas a prestação alimentícia prescreve. Art. 206,§2º CC.
Lembrando das causas interruptivas e suspensivas da prescrição. Art. 197, I e II CC.

4. Irrenunciabilidade - art. 1.707 CC 1ª parte - até para seu próprio titular, não pode
dispor dessa própria vida. Não há sanção para isto. CONTROVERSIA CC de 1916, os
direitos aos alimentos estavam em legislação esparsa. Tratando-se de alimentos devidos
em razão de cônjuge e companheiros, estes podem ser renunciados e podem se alvos de
cláusulas contratuais sobre este assunto. 1ª corrente) Pela interpretação literal do texto
legal, seriam irrenunciáveis. 2ª corrente) MAJORITARIA - em relação aos cônjuges,
companheiros, por serem pessoas maiores, podem ser disponíveis, pois há condição de
avaliar se há necessidade sou não de tais alimentos. RESP 701902 3ª turma. Enunciado 263
III jornada CJF. Essa renúncia só é possível no momento em que se quebra o vínculo, como
já dito não pode ser disposto num pacto antenupciais, posto que ainda subsiste o vínculo.
Sumula 336 STJ - decorar isto. Nas relações de parentescos não se discute isso.

5. Impossibilidade de cessão, penhora e compensação do crédito alimentar - em razão


da natureza do crédito alimentar. É consumido imediatamente e não há que se falta e,
devolução caso não seja o verdadeiro pai, este terá direito de regresso contra o verdadeiro
pai. Servem os alimentos para garantir os direitos fundamentais. Logo, possuem uma
natureza privilegiada quanto aos demais. Isto violaria a característica da personalidade,
passando par outrem o crédito que é necessário para sua subsistência. Também não se
compensa o crédito alimentar de forma alguma. Poderá ser ponderado contudo. Em se
tratando de um aposentado, o crédito alimentar prepondera a aposentadoria, posto que em
tese o aposentado teria ainda como se prover, enquanto que o alimentando não poderia ter
seu sustento por conta própria. O salário pode ser penhorado em até 30% de seu salário. Se
houver atraso, poderá chegar até 50%.

6. Irrepetibilidade dos alimentos - OUVIR 13 min parte 2 - Sumula

7. Divisibilidade dos alimentos - mais de um obrigado a presta-los, irão pagar de


acordo com sua possiblidade. Art. 1.698 CC. Os alimentos em regra não são solidários,
posto que cada um concorre na possibilidade de seus recursos.
Exceção: alimentos devidos ao idoso. Art. 12 Estatuto do Idoso (10.641/2003). A
obrigação alimentar e solidária, podendo o alimentando executar me favor dos dois.
CRITICA DOUTRINÁRIA: o menor não possui essa garantia. Ele não pode
trabalhar sendo menor de 16 anos. Para a doutrina, em razão da isonomia a solidariedade
deveria ser estendida aos menores. Não é estendida, pois ela não se presume. Ela decorre
da vontade da lei ou disposição das partes. Viola a isonomia material, posto que ambos são
hipossuficientes.
JURISPRUDÊNCIA: não possui tal crítica.

O recurso terá efeito devolutivo e suspensivo. Tendo duplo efeito. A exceção a isto
ocorre quando a decisão for favorável ao alimentando. Retroagindo a sentença a data da
citação, respeitando a regra da Irrepetibilidade. Art. 13,§2º da lei 5.478/68.
Direito Civil 224

É possível cobrar a diferença entre a sentença e o valor determinado na liminar que


rá menor que na sentença. Art. 1.012,§1º,II NCPC.

OUVIR EXEMPLO CONTRÁRIO 12:40 parte 3

Seria então uma execução provisória do valor determinado em liminar. Isto não é
pacifico. É muito controvertido.

Obrigados a pagar os alimentos


Art. 1.694 - parentes, cônjuges ou companheiros. Esses "uns aos outros" tem caráter
de reciprocidade. Se hoje sou o credor dos alimentos, nada impede que a relação se inverta.
Também seguindo a questão da solidariedade familiar.

Parente - REMISSAO art. 1.696 e 1.697 delimitam os parentes que devem prestar os
alimentos. Na linha reta não há qualquer limitação de grau, tanto para os ascendentes
quanto para os descendentes. Primeiro recorre-se aos ascendentes e depois para os
descendentes. Nos colaterais só os irmãos (não importa se é unilateral ou bilateral- de um
dos pais ou dos dois pais). Entendendo minoritário da Maria Berenice diz que se os aportes
do quarto grau tem o bônus da herança, e serem chamados a receber a herança, eles podem
participar contribuindo com os alimentos.

O parentesco por afinidade não gera a obrigação de apagar alimentos. Exceção do


parentesco pela socioafetividade e pela adoção, se o vínculo pro atendidas se tornou pro
parentesco, passa a ter obrigação. Enunciado 341 CJF. Fazer REMISSAO no código.

Doação de semen não gera obrigação alimentar e nem qualquer vínculo de


parentesco.

Filhos menores tem a necessidade presumida. Até os 18 anos que deixa de ser
presumida. A partir desta idade, é necessário comprovar a necessidade para tal. Até os 24
anos é a idade limite para se pagar obrigatoriamente os alimentos. Sumula 358 STJ portanto
não há exoneração automatica da pensão no momento em que se atinge a maioridade.
Aqui o alimentando devem comprovar sua necessidade.

Alimentos gravidicos
Lei 11.804/08

Imprimir as razões de veto para estudar.

Titular dos alimentos: 1) nascituro - titular porque a finalidade dos alimentos


gravidicos é garantir o direito à vida do nascituro, para que possa nascer de forma saudável,
em razão da gestação. Art. 2º da lei. - avalia-se a necessidade do nascituro. Com o
nascimento em vida dele, esses alimentos gravidicos se convertem em pensão alimentícia
Direito Civil 225

- art. 6º, parágrafo único. A gestante passa a ter uma legitimação extraordinária para
pleitear direito alheio em nome próprio, posto que a titularidade seria a do nascituro.
Criticaria-se também pela redação do art. 2º, parágrafo único; 2) gestante - na prática passa
a ser mais da mulher gestante, pois a mulher grávida tem com e registro para pode vigorar
como parte processual. O nascituro não possui personalize jurídica, ele possui um reflexo
da natureza através da gestante. Art. 1º da Lei afirma que é um direito da gestante.

Também podemos aplicar a estas correntes, as teorias natalista E concepcionista.

Quem vai constar no polo passivo da demanda será o suposto pai. Nada impede que
tenha o reconhecimento ded paternidade antes do nascimento de acordo com o art. 1.609,
parágrafo único.

Natureza de alimentos provisionais.


São uma exceção ao entendimento de que não poderia ter prisão nestes casos. Logo,
cabe prisão civil do devedor - Enunciado 522 CJF. Seria uma forma de garantir o
pagamento, posto que são extremamente urgentes.

Por conta da urgência os alimentos são devidos do ajuizamento da ação. Ler as razões
de veto.

Revogação do art. 9º.

Precisa de indícios de paternidade e não prova disto. A prova concreta acarreta riscos
à vida do nascituro.

Veto do art.5º que vedou a audiência preliminar de justificação antes da liminar.


Veto do art. 10º.

Vínculo da prestação alimentícia dos avós


É um dever dos pais, na ausência deles, cabe aos avós.

Enunciado 342 CJF - art. 1.698 CC.

Características:
1. A ação cabe em relação a cada um dos avós em separado

2. Em caráter sucessivo - os avós não são os responsáveis principais. Primeiro há que


se verificar que os pais não possuem condições de fazê-lo.
Direito Civil 226

3. Complementar - ela complementa aquilo que os pais não podem prover sozinhos.
Verifica-se a possibilidade dos pais e do que eles pedem pagar. Não se entra em discussão
se os avós podem pagar mais.

Quando se fala em avós, verifica-se os ascendentes em 2º grau do alimentando, conta-


se os avós paternos e maternos. São chamados aos processo. É uma nova intervenção de
terceiros não estando presente no NCPC e nem no CC. Enunciado 523 CJF. Só quem pode
chamá-los a integrar a lide são as partes do processo. O juiz não pode fazê-lo de ofício.
Aqui não há um litisconsórcio passivo necessário. O juiz vai julgar com os avós presentes.

É possível a prisão civil nesses alimentos? Enunciado 599 CJF - como se tratam de
idosos na maior parte das vezes, terá que ocorrer uma ponderação do meio coercitivo.

Cônjuges e companheiros
Não há qualquer empecilho para alimentos em casal homoafetivo.

Esse dever decorre da mútua assistência.

É possível cobrar alimentos e ex cônjuge, ex companheiro? Se for há pouco tempo,


pode ser que o fim do relacionamento seja a principal causa disto. É possível. Não pode
deixar passar muito tempo. Entendimento da jurisprudência. Principalmente se ainda não
houve a partilha dos bens.

Alimentos compensatórias
Depende do doutrinador e do julgador.

Está sendo utilizada para duas funções distintas.

1) Art. 4º, § ún. Lei de alimentos - aqui não houve a partilha e pode-se auferir a renda
pelos frutos que os bens dão por serem administrados por somente um dele, antes de
terminar a partilha. Representam uma ausência de um bem que pertence a ele. A
jurisprudência fala disto, pois não cabe prisão civil para tal hipótese.

2) doutrina - STJ - quando há uma queda abrupta no padrão de vida. Não será
periódica. Também não tem caráter de alimentos a ideia é compensar aquele cônjuge que
ficou em extrema desvantagem. Chama-se compensatório pois tem o caráter de indenizar.

Arts. Revogado pelos NCPC 1.072 revogou arts. 16, 17 e 18

A sentença que fica os alimentos não transita em jugulada, poder ser revista a
qualquer tempo em razão da condição financeira do devedor. Art. 15 da lei - CRÍTICA DO
EXAMINADOR - ela transita em julgado sim, pois há execução definitiva de alimentos.
Ela não faz coisa julgada material? Faz sim! Art. 1.699 CC. Toda decisão de alimentos tem
Direito Civil 227

uma cláusula rebus sic standibus - a decisão vale enquanto a situação fatica permanecer a
mesma. Fazendo então uma coisa julgada. Isto também é criticado pelo examinador da
banca. Ele diz que é uma nova demanda, pois segundo as condições da ação, são causada
de pedir diferentes.

NÃO CONFUNDIR O DIREITO DE AÇÃO COM A PRESTAÇÃO DE


ALIMENTOS.

Execução dos alimentos


Definitiva - diferencia-se o título que está sendo executado.

OUVIR 1:27:00 até o final parte 3

Art. 528 a 533 NCPC

A prisão não é uma forma de cumprimento de sentença, é no regime fechado. Fica


em uma ala fechada.

Título executivo extrajudicial


Nada impede que haja a prisão para uma execução e alimentos de título extrajudicial.
Art
911, parágrafo único NCPC. REMISSAO.

Não manda intimar, mas citar. Cita para pagar em 3 dias.


Não tem um limite expresso dos 50% para desconto em folha. Mas haverá uma
analogia

Crime de Desobediência art. 912,§1º NCPC.


Direito Civil 228

Dia 27.09.2016 – Aula 21

Tutela

Conceito:
Representa o pode conferido a uma pessao capaz para cuidar dos interesses de um
menor e administrar os seus bens.
É um sucedâneo do direito familiar. Só advém quando o poder familiar não está
presente. Fala-se na colocação de uma família substituta. Apesar de não se equiparar ao
poder familiar, se aproxima a ele.

Natureza Jurídica
É um poder jurídico, se assemelha a um múnus publico, uma vez nomeada deve ser
exercida e não necessariamente mediante uma remuneração.
Um exemplo fora da área é o do mesário.

Objeto da Tutela
Art. 1.734 CC: “As crianças e os adolescentes cujos pais forem desconhecidos,
falecidos ou que tiverem sido suspensos ou destituídos do poder familiar terão tutores
nomeados pelo Juiz ou serão incluídos em programa de colocação familiar, na forma
prevista pela Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990 - Estatuto da Criança e do Adolescente.

São os menores, as crianças sob risco também são colocadas sob sua proteção, como
no art. 98 do ECA.

Espécies
1. Tutela Testamentária – art. 1.729 CC – os pais nomeiam conjuntamente um tutor
na hipótese em que vierem a faltar. Decorre do poder familiar (art. 1.634, VI CC).

Obs.: O CC veda o testamento conjuntivo – art. 1.863 CC – a doutrina afirma que


somente para a finalidade para nomeação de um tutor é que poderiam fazer um testamento
conjuntivo. É uma exceção a regra do art. 1.863 CC.

Deve constar em um documento escrito – escritura pública ou documento particular


assinado por pelo menos duas testemunhas.
Direito Civil 229

O testamento vital produz efeitos atnes do óbito e pode ser interessante para a
nomeação de tutor. Enunciado 528 CJF – possui uma natureza jurídica de uma diretiva de
antecipação de vontade – verifica-se uma situação em que poderá a pessoa não conseguir
mais manifestar sua vontade no futuro (devido a uma doença degenerativa, entre outros),
tomando providencias para quando advir o evento futuro. Essa diretiva produz efeitos antes
do óbito.
Para tal finalidade poderia ser possível fazer um testamento vital? Não possui
previsão legal, além de ser possível fazer através de escritura pública. Com isto em mente,
não é vedado utilizar deste mecanismo para nomear tutor ao menor.
Mesmo que não esteja regulamentado, não quer dizer que está proibido.

2. Tutela Legítima – art. 1.731 CC – prevista na lei. Ideia de preferencia na ausência


dos pais e de uma nomeação.

Crítica – ao falar em parentes consanguíneos, exerce-se uma discriminação perante


aos outros tipos de parentes. Conforme o disposto no art. 1.593 CC.

DICA: colocar entre aspas algo que esteja errado no código

Inciso II – até terceiro grau são os sobrinhos e os tios – é uma ordem preferencial,
mas o juiz irá analisar quem exercerá melhor essa tutela.

O parágrafo único do art. 37 do ECA – pode ser afastado em favor do art. 1.731 do
CC em função do caso concreto, em que a pessoa não possuía condições de exercer sua
vontade.
Essa nomeação do tutor deve seguir as regras do art. 28 e 29 do ECA de colocação
em família substituta, lembrando que deverá o maior de 12 anos deverá expressar seu
consentimento, colhido em audiência (§2º do art. 28 do ECA).

3. Tutela Dativa - art. 1.732 do CC – é uma pessoa de confiança do juízo. Se houver


irmãos, a ideia é conferir o mesmo tutor para ambos (art. 1.733 CC).

Impedimento
Não pode exercer a tutela ainda que não queira. – art. 1.735 CC no inciso II há um
claro conflito de interesses do tutelado e do tutor (conflito e presumido). Não é toda e
qualquer hipótese de conflito que ira afastar. Remissão ao art. 1.751 CC c/c art. 197, III
não corre prescrição entre tutelados e tutor enquanto houver a tutela.
Pode ocorrer por ocasião da nomeação ou no curso da nomeação – o juiz irá nomear
outro curador.

Escusas de Tutela

O tutor pode se escusar dela somente nas hipóteses previstas em lei – art. 1.736 CC.
Direito Civil 230

Inciso I – ou o homem casado também pode se escusar ou afastar essa hipótese


(doutrina) de escusa pelo fato de só ser casada, não afasta a possiblidade de ser tutora em
função do art. 5º, I (isonomia) e Enunciado 136 CJF.
Inciso II – maiores de 60 anos, muitas vezes tem uma saúde debilitadade e precisa de
maiores cuidados
Inciso V – manter o tutelado o mais próximo de sua residência.
É um direito potestativo que pode ser alegado, na qual o juiz irá nomear outra pessoa
e afastara essa nomeação.
Deve se escusar no prazo decadencial e 10 dias – art. 1.738 CC. – art. 760 NCPC.

Exercício da Tutela
Tutela Poder Familiar
Só tem a administração Administracao e Usufruto dos bens
Figura do protutor de modo a
Um pai fiscaliza o poder familiar do
fiscalizar o tutor. É uma pessoa de
outro e em caso de divergência vai-se ao
confiança do juiz que ira fiscalizar essa
poder judiciário.
tutela – art. 1.742 CC
Eventualmente, pode receber se não
comprometer o sustento do tutelado – art. Não recebem qualquer remuneração
1.752. §1º - o protutor também poderá pelo seu exercício
receber.
Art. 1.691 - os pais não podem
Art. 1.750 – podem alienar bens alienar ou gravar os bens imóveis dos
móveis cumprindo mesmos requisitos. filhos. A contrario senso os bens móveis
podem ser alineados ou gravados. Salvo
previsão na redação do art.
Art. 1.748 CC – precisa de Os pais não precisam de tal
autorização do juiz para praticar estes atos. autorização.
Art. 1.749 CC nem com autorização
do juiz pode realizar tais atos.
Pagar alimentos, sustentar, criar, educar
1.743 CC – pode delegar alguém
para exercer uma função administrativa do
tutor (tutela parcial deste que passa a
vigorar).
Art. 1.756 - Deve baçanço do
exercício de sua tutela.
Art. 1.757 – de 2 em 2 anos
apresentará a prestação contas.
Poderá pleitear alimentos em nome
do tutelado em função dos pais que deverão
prestar alimentos antes mesmo do tutor.
Direito Civil 231

Art. 1.759 – a obrigação de prestar


contas se transmite aos seus herdeiros.

Extinção da Tutela
Art. 1.763 CC – são automáticas.

Pode emancipar só com autorização judicial e após completados os 16 anos


(emancipação judicial) – art. 5, § único, I CC.

Art. 1.764 CC – não são automáticos:


Inciso I – mitigado o prazo de 2 anos conforme o paragrafo único do art. 1.795 CC.
Inciso II – é necessário que o tutot demonstre uma escusa.
Inciso III – depende de ampla defesa e contraditório para remover o tutor. Art. 1.766
CC.

Curatela
Tange aquele que não tem condições de praticar atos da vida civil.

Estatuto do Deficiente – Lei 13.146.2015

Antes do Estatuto do Deficiente Após o Estatuto do Deficiente


Art. 3º, I do CC - previa menor de 16 Art. 3º - Menor de 16 anos
anos
II – Ausência de discricionariedade
III – Causa transitória
Art. 4º, I – maior de 16 anos e menor Art. 4º, I – maior de 16 anos e menor
de 18 anos; de 18 anos;
II – Ébrios, viciados, deficientes; II – Ébrios, viciados, entre outros.
III – Excepcionalmente sem III – Causas transitórias
desenvolvimento mental IV – Pródigos
IV – Pródigos Parágrado único - índios
Parágrado único - índios

Afasta a capacidade de quem não possui condicoes e coloca sob curatela.

Antes o curador era um assistente ou curador.


Hoje não pode mais ser representante (só ficou os menores de 16 anos).

O papel do curador para o menor de 16 anos será o mesmo do tutor, portanto somente
o último o exercerá.
Direito Civil 232

A curatela tornou-se uma assitência e não mais uma representação.

Sujeitam-se a curatela
Art. 1.767 CC – remissão do art. 6º da Lei, c/c art. 84 e 85 da Lei:
Inciso I – casos de coma, como a orto-eutanásia (criticam-se isto OUVIR 1:16:00)
Inciso II – revogado que deveria ser os excepcionalmente sem desenvolvimento
mental
Inciso III – permaneceram na redação.
Inciso IV -

O curador segundo o caput do art. 85 se aproxima ao curador do pródigo. Afentando


a curatela tao somente os atos relacionados aos direitos de natureza patrimonial e negocial.

§1º do art. 85 – tem direito a voto (a votar e ser votado) poderão ter
representatividade.

Ação de Interdição
Meio pelo qual afasta-se a presunção legal de capacidade.

A decisão judicial constitui a incapacidade e não mais a lei, tendo caráter constitutivo
e não declaratório.

O NCPC quando entrou em vigor revogou artigos que foram recentemente criados
pelo Estatuto do Deficiente.

O art. 1.768 foi revogado pelo art. 1.072 NCPC – passa a vigorar o art. 747 do NCPC
com os legitimados ativos – impossibilitanto a possibilidade da própria pessoa pedir sua
curatela (AutoCuratela). Tanto Jurisprudencialmente quanto doutrinariamente poderá ser
admitido tal possibilidade, de forma a trazer benesses a vida do deficiente.

É possível a AutoCuratela?
Resposta: A Autocuratela foi prevista no artigo 1.768, IV CC acrescentado pela Lei
13.146/2015 fundamentado na capacidade que o deficiente tem para os atos existenciais e
nos limites do exercício dessa curatela (art. 6º, 84, 85 Estatuto do Deficiente). Ocorre que
o art. 1.768 veio a ser expressamente revogado pelo NCPC (art. 1.072).
Portanto, não possuímos mais uma autorização legal expressa em tal sentido. Poder-
se-ia afirmar, no entanto, que o legislador ao revogar tal dispositivo não teve por intenção
revogar a Autocuratela, já que esta previsão foi posterior ao NCPC.
O Estatuto é o diploma mais recente, a diferença é que o NCPC possuiu uma vacatio
legis maior que acabou revogando tal possibilidade.
Direito Civil 233

Assim a mens legislatoris é pela possibilidade da Autocuratela, posto ter sido esta a
ultima manifestação de vontade do legislador.
Fazer uma análise com diferença entre existência e entrada em vigor.

Legitimados
Art. 747 NCPC – pode ser promovida (não é mais uma obrigação).

O MP, apesar de ter legitimidade, deve ser exercida na forma do art. 1.748 CC -
É subsidiaria, só na ausência dos outros legitimados é que poderá agir.

O rol do art. 747 é uma ordem preferencial, se o juiz entender que alguém pode fazê-
lo ele irá permitir.

Art. 750 NCPC – o requerente já junta o laudo médico comprovando a enfermidade.

É possível a curatela provisória com base no art. 749, § único.

Art. 751 NCPC – Haverá uma audiência de impressão pessoal ou audiência de


justificação - é para passar para o juiz que a pessoa não possui condições.

Art. 752 NCPC – a intervenção do MP é obrigatória, leitura do art.

Art. 753 NCPC – antes o laudo apontava o grau da incapacidade (relativa ou


absoluta) agora só há incapacidade relativa. Determinará agora o grau de discernimento e
em que momento em que houve essa falta.

Art. 754 NCPC – qual a natureza jurídica dessa sentença?


1ª Corrente) MINORITÁRIA – possui natureza declaratória e retroage ao momento
fixado pelo laudo como momento de início da incapacidade.
2ª Corrente) MAJORITÁRIA - Possui natureza constitutiva, afastando a presunção
da capacidade e constitui o estado de interditado e consitui a pessoa do curador.

Art. 755 NCPC – não mais declara, mas decreta a interdição, cujos efeitos são ex
nunc.
§3º - Deve ser registrada esta curatela.

Os negócios celebrados antes a senteça, poderão ser questionados, embora os efeitos


daquela sendo ex nunc. A capacidade ainda pode ser questionada. Eles vão obedecer ao
prazo decadencial decorrente da anulabilidade.

Arts. 1.768 – 1.772 CC – foram revogados

Art. 1.775-A CC – possibilidade de uma curatela compartilhada. Já era previsto


jurisprudencialemente, mas agora está expresso em lei.
Direito Civil 234

Art. 1.780 CC – trazia a hipótese da curatela mandato – revogada pelo próprio


estatuto de deficiente.

Exercício da Curatela
Aplica-se analogicamente os limites para a Tutela.

Curatela do Nascituro
Art. 1.779 – quando o pai estiver falecido e a mulher grávida curatelada sem poder
exercer o poder familiar. A curatela da mãe gestante sera estendida ao nascituro.
Art. 747 NCPC é aplicado no caso da gestante perder o marido que era seu curador,
obedecer-se-á a ordem deste artigo, de forma que será nomeado novo curador para a
gestante e o magistrado irá estender seus efeitos ao nascituro e após seu nascimento para
ele como menor.

Levantamento da Curatela
Art. 1.756 CC – só por determinação judicial.

Tomada de Decisão Apoiada


Art. 1.783-A – o deficiente não possui sua capacidade afetada. Continua a ser
plenamente capaz. Prestando-a com o apoio de outra pessoa.

Cuidado com o contrato de Mandato – o advogado, por exemplo não pratica o ato
pela pessoa, ele somente auxilia (ideia emprestada por este instituto).

No termo eles irão estabelecer os limites dessa tomada de decisão – §1º do art. 1.783-
A.
O prazo de vigência pode ser indeterminado ou não? Na Itália é possível que seja
indeterminado. Na França só pode ser por 1 ano, prorrogável por mais 1 ano por cada
instrumento. Na ausência de clausula expressa o juiz poderia expressar que o fosse por 2
anos.

Os apoiadores são pessoas de confiança, não necessariamente os parentes.

Este termo tem de ser levado a jurisdição voluntaria.

Quem indica o apoiador é a pessoa com deficiência, não pode o juiz suprimir este ato
de vontade.
Direito Civil 235

§3º - mais uma audiência de informação, onde o juiz vai avaliar, com a presença do
MP e equipe multidisciplinar. Os apoiadores serão ouvidos também e precisam concordar
com isto.

A presença da assinatura dos apoiadores dependerá dos limites estabelecidos pelo


Termo.

A tomada de decisão apoiada será para apenas alguns atos da vida civil, podendo
exercer os atos que não estejam no Termo, pois ele goza de presunção de capacidade plena
sem a tomada de decisão.

Não possui previsão legal, mas será necessário o registro para que possa dar
publicidade. Os limites da eficácia e validade do termo será estabelecido no próprio
instrumento, não é como no casamento em que é necessário a outorga do cônjuge.

§5º - pode e não que ele deve requerer essa contra-assinatura dos apoiadores. Para
tal, faz-se necessário que ele tenha conhecimento desse termo de Tomada de Decisão
Apoiada. Na Lei de Registros Públicos não há essa previsão de que seja registrado.

Precisa ser homologado judicialmente.

Em caso de Conflito entre o apoiador e o apoiado, aplica-se o art. 1.783-A, §6º CC –


o juiz decidirá após ouvir o MP.

Responsabilidade Civil dos Apoiadores – é subjetiva, precisa ser demonstrado a


negligência ou uma pressão indeveida ou não adimplir as obrigações assumidas.
Legitimidade para tal do MP extraordinariamente, o Deficiente. Qualquer pessoa pode
apresentar tal denúncia ao MP ou ao juiz (que não poderá decidir de pronto e devera remeter
ao MP para que se pronuncie).

Rescisão – o apoiado pode a qualquer tempo por fim ao termo, dando ciência aos
apoiadores sem a necessária intervenção do juiz (§9º), o apoiador precisa da autorização
do juiz para tal (§10º).

Caso destituído 1 pessoa, é necessário que haja no mínimo 2 e nesta esteira, de o


quórum for abaixo, deverá o juiz nomear outro apoiador após ouvir a pessoa apoiada.

Exige a prestação de contas, como na curatela (§11).

Bioética e Biodireito
A Bioética estabelece limites aos exercícios dos avanços tecnológicos.
O Biodireito é o reflexo deste estudo com relação a normatização destes limites (a
necessitade de fazê-los).
Direito Civil 236

Princípios:
1. Princípio da Beneficência – esses avanços tecnológicos, científicos devem ser
sempre feitos em beneficio do ser humano.

2. Princípio da Maleficência – só se admite se for algo bom para o ser humano. Não
pode prejudica-lo quando estabelece uma pesquisa científica.

3. Princípio da Autonomia – no sentido de respeito a liberdade sobre o próprio


corpo. Discute-se aqui a questão do transexual. Ele é quem deve decidir se
pretende ou não realizar a cirurgia.

4. Princípio da Justica – difícil de conceituar em função do conceito de justiça variar


de acordo com o caso concreto.

Casos a serem analisados

Fetos Anencéfalos
Há crime de aborto quando se interrompe de gravidez um feto anecéfalo – ADPF 54,
informativo 661 STF.
Resolução 1889.2012 do Conselho Federal de Medicina. – Traz o diagnóstico, o
momento em que pode ser feita a interrupção de gravidez.
Não é necessário um salvo-conduto para o médico realizar uma interrupção da
gravidez.
Para a Suprema Corte tem-se uma antecipação terapêutica do parto.
Anencefalia não é a ausência de cérebro, mas a ausência de uma película que reveste
o órgão em que ele estará espalhado pelo corpo.
Desta forma, esse feto não terá condições de passar as informações para o corpo para
que possa se sustentar (respirar, bombear o sangue, entre outras funções).
É uma completa inviabilidade de vida.
O STF adota a teoria natalista, tendo o feto, o nascituro direitos de personalidade
reflexos do direito de personalidade da mãe.
Viola-se os seguintes direitos da mãe: I) Dignidade da Pessoa Humana – art. 1º; II)
Liberdade – art. 5º, caput, II, III, X e art. 6º; III) Integridade Física – e psicológica também;
IV) Privacidade – é exposta a fatores externos que não se desenrolarão pela condição física
do feto; V) Autonomia.
Além disto, estabelece a atividade cerebral para elaborar um atestado de óbito, com
isto utilizou-se também este critério para o aborto do feto anencéfalo. Não se aplicando o
art. 6º e 23 da Convenção sobre direitos da criança e do adolescente.
O Direito a vida não é absoluto – art. 84, XIX CRFB.
Aborto humanitário – aborto em caso de estupro, sem que haja necessariamente um
risco a vida de um dos dois. Prevalecendo os direitos da mãe.
Direito Civil 237

Em sentido contrário:
Questão da legalidade, da separação dos poderes.
Sem que haja uma lei que autorize isto. Não podendo haver ingerência do Poder
Judiciário.

Lei da Biossegurança
Constitucionalidade da Lei 11.105/2005 na ADI 3510 no informativo 508 do STF
Pode-se utilizar os materiais embrionários – células-tronco? Deve-se ter respeito a
eles?
Art. 5º da Lei.
Mesmo para quem defende a teoria concepcionista, que depende da concepção, por
conta disto que o STF adotou a teoria natalista.
Utiliza-se o material genético que não é vida em si, pois fora do útero materno não
há como se desenvolver.

Técnicas de Reprodução Assistida


Resolução 2121/2015 do Conselho Federal De Medicina – veio para admitir barriga
solidária em favor dos casais homoafetivos.
Aqui se tem uma doação temporária de útero. Isso viola a característica da
inviolabilidade dos direitos da personalidade? Não, é temporário, somente para a gestação.
A criança não será filha de quem a gerir. O grau de parentesco será de acordo com
os genes. Não é necessário que seja parente para gerar a criança.

Transsexual
Pode hoje um homem gestacionar um feto. Para os olhos da sociedade e no registro
civil será homem, mas biologicamente será uma mulher.

É possível realizar uma cirurgia para alteração de gênero?


Não se condena o médico por esta lesão de natureza grave. Art. 13 CC – a integridade
relatada é física e psicológica. Deve-se ter uma indicação médica. Mantém-se a integridade
psicológica em função da física. Não respondendo por lesão corporal.
Pode-se alterar o nome com a cirurgia.

Discute-se se é possível alterar o nome sem a cirurgia. O nome deve refletir a


identidade social da pessoa (principio da veracidade dos registros públicos). Sem a cirurgia
falta o fundamento. Começa a surgir a desnecessidade da cirurgia para o exercício da
autonomia e liberdade para alterar o nome e a designição do gênero sem qualquer
discriminação.
A discriminação não pode ser no tocante a realização ou não da cirurgia.
Direito Civil 238

E o casamento entre o transexual?


Dependendo do sexo do psicológico do transgênero. Tem-se casamento entre sexos
opostos, mesmo que não haja uma transexualidade.
Pode ensejar uma anulabilidade do casamento quando impossível saber que há um
transgênero.

Doador de Sêmen e Doador de Óvulos


Não há ato de manifestação de vontade para gerar vinculo da filiação.
Nem que seja uma avó gerando um neto.

Segredo do Doador
A lei disse que esse segredo deve ser mantido como forma de proteger a intimidade
e privacidade do doador.
Vai de encontro com a ascendência genética – art. 27 ECA.

Ponderando prevalece a ideia de justa causa para mitigar o anonimato do doador.


Como justa causa entende-se quando há necessidade de uma doença como um transplante
de medula.
A simples curiosidade não enseja a mitigação da intimidade e privacidade do doador.

Testamento Vital
Enunciado 528 – é valido conforme uma disposição – art. 25 CC
Aplica-se também a ortoeutanásia, direito de ter uma morte digna. Isto não quer dizer
causar a morte, deixa-se morrer.

Aborto do Feto MicroEncefálico


Talvez não seja permitido, posto que na ADPF 54, não se pretendia autorizar o aborto
eugênico – apesar da deficiência há a probalidade de ter uma vida neste caso.
Esse aborto eugênico foi vedado.
Direito Civil 239

Aula XX

Direito das Sucessões

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