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A RELAÇÃO ENTRE CRISTIANISMO E EDUCAÇÃO NO BRASIL

SILVA1, Paulo André Barbosa da


SCHIER2, Dirlei Afonso

RESUMO

O presente artigo analisa a relação entre o cristianismo e a educação, tendo em


vista os valores culturais do cristianismo no Brasil bem como suas contribuições
à sociedade brasileira. O trabalho é constituído de pesquisa bibliográfica com o
objetivo de propiciar uma discussão sobre um tema não muito abordado.
Considerando que a religião tem grande influência sobre a identidade e a cultura
de um povo, e que o cristianismo é a cosmovisão majoritária sobre o país é
importante perceber sua influência sobre a identidade cultural do povo brasileiro.
Dada a limitação do espaço o trabalho irá limitar-se considerar a contribuição
protestante a educação no Brasil.

Palavras chave: Educação – Protestantismo - História

INTRODUÇÃO
Os primeiros esforços para introduzir a fé protestante no Brasil remontam
a 1557 na “invasão francesa”, mais adiante em 1630 por ocasião da “invasão
holandesa” A presença protestante no país foi permitida, com muitas restrições
com a chegada da família real portuguesa em 1808.
As restrições ao trabalho missionário protestante perduraram mesmo
após a independência do Brasil, ainda que a Constituição de 1824 garantisse
alguma liberdade religiosa. Entretanto, foi com a Proclamação da República
(1889) que propunha um estado laico, segundo a Constituição de 1891 que
começaram a surgir as chamadas “escolas confessionais protestantes”.

1. A REFORMA PROTESTANTE E A EDUCAÇÃO


A Reforma Protestante foi um movimento religioso, intelectual e político
iniciado na Europa no século XVI, movimento que desencadeou transformações
na sociedade e no pensamento europeu. Os reformadores contestavam a

1 SILVA, Paulo André Barbosa Bacharel em Teologia pela Universidade Luterana do Brasil (ULBRA), especialista em
Teologia e Ministério Pastoral pela ULBRA. Professor de Teologia no Instituto Bíblico Esperança (IBE) em Porto Alegre
RS.
2 Graduado em História (Universidade do Oeste Paulista), Especialista em Magistério Superior (IBPEX), orientador de

TCC do Grupo UNINTER.


supremacia papal propondo o retorno às origens pelo livre exame das Escrituras
Sagradas sem a intermediação do magistério da igreja.
A importância da Reforma do Século XVI para a educação é inegável.
Borges (2002 p. 45) diz que a Reforma “renovou o interesse pela educação dos
povos, alterando a história da educação e da própria civilização”. A Reforma
Protestante resgatou os fundamentos do cristianismo apostólico priorizando a
educação destacando-se as contribuições de Martinho Lutero3, João Calvino4 e
Philip Melanchton5.
A idéia que se tem dos reformadores apenas como teólogos e pastores
tende a obscurecer seu valor como educadores e sua influência na educação
cristã, entretanto, a Reforma levou as pessoas a pensarem e a investigar e desta
maneira, foi possível retornar aos ensinos da igreja primitiva e redescobrir as
verdades bíblicas que haviam sido ofuscadas pelas trevas da ignorância e
superstição medievais.

a) Lutero
O reformador alemão estava convencido que a educação estatal sob a
tutela da igreja de Roma estava arruinando a juventude da época por estar
permeada de escolasticismo6 que procurava interpretar as Escrituras sob a ótica
da filosofia grega. Lutero também não acreditava que o clero pudesse oferecer
instrução de qualidade para as crianças.
Entendia que a base da educação encontra-se no lar como ensina o AT,
também, não desconhecia que o lar não dispunha dos meios para cumprir
plenamente sua missão, assim, cabe ao Estado assumir a responsabilidade pelo
ensino das crianças, porém, os pais são responsáveis em propiciar no lar um
ambiente que favoreça o aprendizado.

3 A influência de Martinho Lutero no processo educacional dura até hoje, como, por exemplo, a ideia de organização
da escola em três ciclos de ensino (fundamental, médio e superior) e o princípio de ensino útil, bem como, o anseio
por um ensino universal e público, sob a responsabilidade do Estado.
4
João Calvino (1509-1564) fundou a Universidade de Genebra, a qual possuía em seu currículo as disciplinas de
teologia, hebraico, grego, filosofia, matemática e retórica, assim como eram estudados textos de autores gregos e
latinos, dentre eles Heródoto, Xenofonte, Homero, Demóstenes, Plutarco, Platão, Cícero, Virgílio e Ovídio.
5 Felipe Melanchton (1497- 1560) Chamado de “Preceptor da Alemanha” Trabalhou com Lutero na implantação da

escola primária para todos, elaborou códigos escolares.


6 O Escolasticismo ou Filosofia Escolástica, é um método ocidental de pensamento crítico e de aprendizagem, oriundo

das escolas monásticas cristãs, que procura conciliar a fé cristã com um sistema de pensamento racional,
especialmente o da filosofia grega. Enfatizando a dialética para ampliar o conhecimento por inferência e resolver
contradições.
Na mente de Lutero a educação deveria ser obrigatória para todos, para
que todas as pessoas possam ler as Escrituras. O currículo que propunha inclui
Bíblia, línguas, gramática, história, matemática, poesia, literatura, música e
estudos da natureza.
Lutero enfatizava a arte de ensinar mas também destacou a importância
do mestre. Um aspecto fundamental no processo ensino-aprendizagem é a
disciplina e a obediência combinadas com o amor e a moderação.

b) Calvino
O reformador de Genebra deu grandes contribuições a educação cristã.
Escritor das Institutas7 e de comentários exegéticos de quase todos os livros da
Bíblia, Calvino convocou a igreja a voltar a ensinar as crianças. Foi o fundador
da Academia de Genebra que ensinava crianças e adultos. Asseverava que o
propósito do conhecimento e da aprendizagem não é meramente satisfazer a
curiosidade, mas sim poder ensinar a outros.

c) Zwinglio
O reformador suíço foi um educador treinado na tradição humanista de
Erasmo de Roterdã, sua maior contribuição a educação cristã foi a fundação de
um instituto teológico o “Prophezei” onde professores e alunos estudavam juntos
as Escrituras e a teologia a fim de buscarem a verdade de Deus.

d) John Knox
Reformador escocês influenciado por Calvino ensinava que os objetivos
da educação eram ensinar o povo a ler para conhecer as Escrituras e treinar os
jovens nas virtudes cristãs para assim iluminar a sociedade glorificando a Cristo.
Estabeleceu um sistema nacional de educação, no qual a Palavra de Deus era
o tema principal nos três níveis: primário, secundário e superior.

e) João Amós Comênio (1592-1670)


Após a Reforma muitos educadores cristãos e não cristãos se destacaram
como Descartes, Locke e Spinoza, porém, o que mais influenciou a educação

7A Instituição da Religião Cristã, em latim Christianae religionis institutio, ou simplesmente “As Institutas” é a obra
principal da teologia de João Calvino. Escrita em 1536 foi a primeira exposição realmente sistemática da teologia
protestante.
cristã foi o pastor protestante João Comênio que é chamado por muitos de
“primeiro educador moderno8”, pois, foi o primeiro que levou o ofício de ensinar
como uma ciência.
Comênio entendia a educação como um processo de integração, ou seja,
via o ensino de todas as matérias como parte da verdade total de Deus. Em
termos filosóficos, Comênio era essencialista, pois, interessava-se em ensinar o
fundamental, enfatizando as idéias e princípios cristãos. Esta é a filosofia da
maioria das escolas mantidas por igrejas protestantes ou grupos para-
eclesiásticos.
A visão de Comênio era que a educação essencialista poderia transformar
a sociedade, a sua perspectiva educacional chamava-se “pansofismo” que quer
dizer “ensinar tudo a todos”. Sua filosofia educacional defendia:
 A escola deve ser para todos;
 Deve-se ensinar tudo o que pode tornar uma pessoa sabia, piedosa
e virtuosa;
 A pessoa deve receber uma educação de qualidade até sua
maturidade;
 O ambiente de aprendizado deve ser agradável e sem castigo;
 Deve-se proporcionar ao indivíduo uma educação completa sem
superficialidade;
 A educação deve ser acessível;
Comênio concebia a filosofia da educação em três idéias principais:
 Toda a raça humana deve ser educada;
 Todos devem ser educados em todas as coisas: harmonia,
prudência, provisões para o futuro;
 Todos devem ser educados em todos os aspectos.

A educação cristã protestante fora da Europa


A Reforma Protestante, portanto, foi fundamental para o avanço da
educação no Ocidente, pois, eram estimulados não somente os estudos das
Escrituras, mas também o estudo das línguas bíblicas (grego, hebraico e
aramaico), matemática, astronomia, botânica, filosofia, história e medicina. Nos

8 Foi autor de Didática Magna


Estados Unidos, os colonos calvinistas fundaram escolas e universidades entre
elas: Princeton, Yale, Harvard e outras.
Diante de tamanha ênfase na educação dada pelos reformadores surgiu
uma plêiade de notáveis educadores entre eles: João Amós Comenius, August
Herman Francke, Joseph Lancaster, J.H. Pestalozzi, Fiedrich Froebel deste
modo pode-se dizer que a sistematização do ensino proposta por estes
educadores cristãos exercera grande influência para o desenvolvimento da
ciência da educação.

2. A EDUCAÇÃO CRISTÃ PROTESTANTE NO BRASIL


Os primeiros educadores do Brasil foram os jesuítas9 cuja influência se
perpetuou por mais de duzentos anos. Os jesuítas promoveram a catequização
dos indígenas, a educação dos filhos dos colonos. A Companhia de Jesus foi
expulsa do Brasil em 1759 pelo Marquês do Pombal10.
A primeira escola protestante no Brasil foi fundada em 1869 em Campinas
o Colégio Internacional11 pelo missionário presbiteriano Nash Morton, mais tarde
em 1870 o missionário presbiteriano George Whitehill Chamberlain fundou a
chamada “Escola Americana”, mais tarde “Mackenzie College” e atualmente
Universidade Mackenzie.
A missionária metodista Martha Hite Watts fundou o Colégio
Piracicabano12 em 1881 com o intuito de alfabetizar crianças para que estas
pudessem ler o texto bíblico, mais tarde os metodistas fundaram o Colégio
Americano em 189513 e em 1894 o Colégio Izabela Hendrix em Belo Horizonte.
Por volta de 1824 chegaram os primeiros colonos alemães luteranos no
sul do Brasil, que se alojaram no interior formando novas e pequenas vilas. Com
o objetivo de manter a cultura, o idioma e as tradições religiosas criaram as
primeiras escolas confessionais na região. Estas escolas ocupavam-se com a
alfabetização dos filhos dos colonos, ensinar o alemão e os rudimentos da fé
luterana.

9 A Companhia de Jesus fundada em 1534, e aprovada pelo Papa Paulo III em 1540, chegou ao Brasil em 1549.
10 Sebastião José de Carvalho e Melo, Marquês de Pombal (1699–1782) estadista português. Secretário de Estado
do Reino no reinado de D. José I (1750-1777).
11 Mais tarde transferido para Lavras MG, o atual Instituto Gammom.
12 A atual Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP).
13
O atual Instituto Bennet.
Após a Guerra de Secessão (1861-1865), colonos batistas se transferiram
para o estado de São Paulo fundando escolas com a finalidade de expandir o
trabalho missionário e para dar aos filhos dos colonos oportunidades
educacionais, bem como atrair a simpatia dos não protestantes e romper
resistências e preconceitos.

2.1 – As escolas confessionais14 protestantes


Com a proclamação da República em 1889, com a ideia de um estado
laico segundo a Constituição de 1891 foram crescendo exponencialmente as
escolas confessionais protestantes no Brasil mantidas por grupos presbiterianos,
metodistas, batistas e luteranos entre outros.
A pedagogia confessional protestante trouxe uma inovação ao admitir
classes mistas de meninos e meninas, na inovação curricular, enfatizando o
aspecto científico em detrimento de um currículo essencialmente clássico,
popularizaram o princípio de liberdade de religião e de pensamento, assim como
foram responsáveis pela introdução do “jardim da infância15”.
Foram feitos diversos estudos sobre a história da formação dos colégios
confessionais e o relacionamento que estabeleceram com as elites republicanas,
dessa forma torna desnecessário aqui um aprofundamento maior desse quadro.
Entretanto, vale ressaltar que só se pode compreender o relacionamento dos
protestantes no campo educacional se levarmos em conta tanto a conjuntura de
transformação do final do século XIX, como a imagem simbólica que o
protestantismo representava na mentalidade da nação.

3. A EDUCAÇÃO TEOLÓGICA PROTESTANTE NO BRASIL


A educação teológica no Brasil existe no Brasil desde a inserção do
protestantismo das diversas denominações por conta da necessidade de
preparar teologicamente os ministros e líderes das igrejas. O pioneiro
presbiteriano Ashbel Simonton (1833-1867) fundou no Rio de Janeiro o

14 A escola confessional caracteriza-se por seguir a “confissão” religiosa de uma determinada ordem religiosa ou
congregação. Uma escola confessional pode ser católica, presbiteriana, evangélica, etc.
15 Jardim de infância é um termo criado pelo alemão Friedrich Froebel (1782-1852), que parte do princípio de que as

crianças devem ser cultivadas e cuidadas assim como os jardineiros participam no processo de desenvolvimento das
plantas.
Seminário Presbiteriano que após um período de dificuldades transferiu-se para
Campinas16.
Em 1907 foi fundado o Seminário Batista do Sul. Em 1903 na localidade
de Bom Jesus (município de São Lourenço do Sul/RS) foi fundado pelos
luteranos o Seminário Concórdia, e em 1946 em São Leopoldo/RS foi fundada a
Escola Superior de Teologia (EST).
Assembleia de Deus fundada pelos missionários suecos Daniel Berg e
Gunnar Vingren, que como outros missionários eram resistentes a formação
teológica. Alguns líderes chamavam os institutos bíblicos e seminários de
“fabricas de pastores”. A proposta da criação de seminários e institutos bíblicos
para formação de pastores foi apresentada por missionários pentecostais norte-
americanos que vieram na década de 1940. Em 1959 o pastor João Kolenda
Lemos e sua esposa Ruth Dorris Lemos fundaram em Pindamonhangaba/SP o
Instituto Bíblico das Assembleia de Deus (IBAD), mais tarde em 1961 no Rio de
Janeiro, o missionário N. Lawrence Olson fundou o Instituto Bíblico Pentecostal
(IBP) e o missionário Nils Taranger fundou em 1966 na cidade de Porto Alegre
o Instituto Bíblico Esperança (IBE)

4. VISÃO CRISTÃ PROTESTANTE DA EDUCAÇÃO


Diferentemente da educação secularizada, a educação cristã protestante
pensa no homem como criatura de Deus, sem, no entanto, ignorar as
descobertas da ciência, mas procurando integrar estes saberes ao enunciado
bíblico. Pensa no homem não como um ser animal, mas um ser criado com um
propósito e com responsabilidade.
Desta maneira, o protestantismo entende que todo o conhecimento é
válido, e a educação cristã pode ser desenvolvida em ambientes distintos: na
igreja, em casa, na escola, nas devoções cristãs.
Para Borges (2002, p. 176) a educação cristã é constituída de “toda e
qualquer prática educativa que considera o ser humano do ponto de vista do
Evangelho”. Deste modo, a filosofia protestante da educação compreende que
não há diferença entre a educação cristã e a vida cristã
Em termos gerais, a educação cristã não rejeita os alvos comumente
defendidos pela perspectiva secular sobre educação. Ela aceita aqueles valores

16 Em 1899 foi fundado em Pernambuco o Seminário Presbiteriano do Norte


que refletem a nobreza da atividade educacional e acrescenta a eles uma
perspectiva mais holística do ser humano e do universo ao seu redor, pois busca
interpretá-los à luz dos princípios do Criador, revelados nas Escrituras Sagradas.
Neste sentido, a educação cristã parece combinar com as dimensões descritivas
da educação secular e com as dimensões normativas fundamentais a uma
cosmovisão cristã. O caráter distinto da educação cristã é que, em seu espectro,
ela se compromete com a realização dos objetivos educacionais por meio de um
currículo que integra as variadas áreas do conhecimento com a epistemologia
bíblica e dispensa uma atenção integral ao ser humano sempre partindo de uma
cosmovisão bíblica (SANTOS, 2008, p. 158).

5. O EFEITO DA COSMOVISÃO17 PROTESTANTE NA EDUCAÇÃO


A educação cristã deve ser considerada como um processo de
desenvolvimento do ser humano. Por “processo” se pensa em uma ação
progressiva que acontece em virtude de uma série de atos e eventos que
produzem mudanças, e não importando se são rápidas ou lentas18, desde que
conduzam o aluno a um progresso, a uma melhora.
José Abraham também vê a educação cristã como um processo. Diz ele
que a educação é: “O processo através do qual a comunidade de fé se
conscientiza e se transforma, à luz de sua relação com Deus em Jesus como o
Cristo, que o chama a viver em amor, paz e justiça consigo mesmo, com seu
próximo e com o mundo, em obediência ao Reino de Deus”19.
A educação protestante não esquece que este processo é altamente
pessoal e individualizado. A razão disto é porque, cada pessoa recebeu uma
educação ou formação diferente da dos outros, e cada um também se encontra
numa fase de desenvolvimento espiritual. Assim, a educação cristã é um
processo, e este não é igual para todos.
Outra preocupação é com relação aos educadores cristãos. Meier (2006)
traz uma abordagem sobre a busca da identidade do educador cristão, desfiados
pelo pós-modernismo, e pelos valores capitalistas da sociedade. Para ele, a

17 Cosmovisão Cristã ou Visão Cristã do mundo diz respeito ao conjunto das distinções filosóficas e religiosas que
caracterizam o Cristianismo em relação a questões como a natureza da verdade, a existência do homem, o sentido
do universo e da vida, os problemas da sociedade, dentre outros.
18 Reis , Gildásio. Apostila Fundamentos Teológicos e Filosóficos da Educação Cristã. JMC. 2004
19 Jesús, José Abraham. En Busca de una Definición de educación Cristiana, in:
http://www.receduc.com/educacioncristiana/defincn.html (capturado em 12/08/04)
educação religiosa é aquela que deve assim “religar” todas as coisas, religar a
humanidade, dividida e fragmentada, da mesma forma o conhecimento também
se apresenta fragmentado, cabe ao educador cristão a transversalidade e a
defesa da ética.
Na discussão acerca do impacto do cristianismo protestante na educação
brasileira, pode ser percebida influência sobre a sociedade, uma vez que a
expressão cristã permanece forte. É bem verdade que a preocupação
protestante com a educação não está somente no passado, contudo, a relação
do protestantismo com a educação vem arrefecendo nos últimos tempos. A
influência do protestantismo é ainda perceptível na educação informal e formal
que continua presente nas escolas confessionais protestantes.
Permanece a tensão resultante da laicidade do Estado de um lado e do
desafio de manter o diálogo inter-religioso, mas sem “tomar partido” de outro
lado, bem como a necessidade de combater a intolerância especialmente dentro
das escolas e das universidades, sempre que se faz qualquer debate acerca da
religião.
A expressão popular “religião não se discute”, é produto de um
pensamento secularizado e relativista, entretanto, o elemento religioso é
perceptível influenciando a sociedade e seus atores, na defesa de princípios e
valores que balizam suas atitudes e que consequentemente influenciam as
práticas educativas no que diz respeito aos princípios de delineiam a educação,
pois, a mesma preconiza a formação integral do ser humano segundo os
princípios da sociedade e naturalmente as igrejas fazem parte da comunidade
escolar.

METODOLOGIA
A pesquisa bibliográfica foi procedida através de leitura exploratória
seletiva, analítica e interpretativa de materiais em livros, artigos e dissertações
com o objetivo de responder perguntas norteadoras da pesquisa: como as
práticas educativas do cristianismo e especialmente o protestantismo tem
contribuído com a educação em nossa prátria.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente artigo tem o objetivo de apontar o cristianismo não apenas
como uma religião que possui relação com a educação, mas como um processo
educativo em si, uma vez que possui uma concepção de ser humano, uma
filosofia de vida, uma cosmovisão, e anseia pela transformação desse ser
humano segundo os seus princípios, através dos seus “métodos” próprios. Uma
vez que a concepção de educação se modifica de acordo com o tipo de homem
ou mulher que se quer formar.
A educação, enquanto pública e laica, não necessita ser antirreligiosa ou
anticristã, como também o respeito à minoria ou à maioria não deve significar a
deterioração do outro, assim com disposto na lei, a escola, neste sentido, deve
garantir a liberdade de expressão e de escolha de cada indivíduo, sem que isso
signifique uma ofensa à pessoa humana, onde discordar não signifique
desrespeitar. Podendo o cristianismo fazer parte do cotidiano dos alunos, não
pode ser ignorado, visto que o ensino deve considerar a cultura e a realidade do
educando, o que não significa que a escola pública deva ser proselitista.
A tradição e a história do cristianismo tem legado a educação grandes
contribuições que com o passar do tempo foram aperfeiçoados, portanto, a
sociedade não precisa ver no cristianismo um inimigo, mas um aliado ao
processo educativo, pois no interior das instituições religiosas existem políticas
sociais, que favorecem a formação do indivíduo e seu engajamento social e não
destoa dos objetivos educacionais, mas acrescenta à formação integral,
assegurada na LDB, uma visão ainda mais holística onde o transcendente está
inserido. Não é o cristianismo inimigo do conhecimento, ou mesmo da ciência,
uma vez que reconhece seu valor, embora não a considere suficiente para
apreensão da realidade.
Quanto ao debate religioso fica o desafio próprio do jogo democrático da
sociedade: a busca pelo diálogo e pelo respeito sem hipocrisia, uma vez que não
deve ser pautado na imposição de opiniões ou de visões de mundo, mas que
sendo o sujeito um ser autônomo, seja ele mesmo capaz de escolher sua filosofia
de vida, incluindo, a concepção sobre a transcendência, embora não se
reduzindo a esta.

REFERÊNCIAS
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histórica da educação cristã. São Paulo: Mackenzie, 2002.
JESÚS, José Abraham. En Busca de una Definición de educación Cristiana,
in: http://www.receduc.com/educacioncristiana/defincn.html
LIBÂNEO, José Carlos. Pedagogia e Pedagogos, para quê? 12ª. ed. São
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MEIER, Celito. A educação a luz da pedagogia de Jesus de Nazaré. São
Paulo: Paulinas, 2006.
NÉRICI, Imídeo. Giuseppe. Metodologia do Ensino: uma introdução. 4ª. ed.
São Paulo: Atlas, 1992.
REIS , Gildásio. Apostila Fundamentos Teológicos e Filosóficos da
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Conceição. 2004
SANTOS, Valdeci da Silva. Educação Cristã: Conceituação Teórica E
Implicações Práticas. Fides Reformata, São Paulo, v. XIII, n. Especial, p. 155-
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http://www.mackenzie.br/fileadmin/Mantenedora/CPAJ/revista/VOLUME_XIII__
2008__2/Educacao_Crista_-