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Pe João Batista Lehmann

SANTO ESTEVÃO, Leigo e Rei da Hungria (+ 1038)


Santo Estevão foi o primeiro rei cristão da Hungria. Filho de Geisa, duque da Hungria, nasceu em 975, na cidade de
Gran. Os pais do Santo, ouvindo em certa ocasião prisioneiros falarem da religão de Cristo, quiseram conhecê-la e
nela se instruíram. Tanto por ela se entusiasmaram que, largando as superstições pagãs, se tornaram cristãos e
receberam o batismo das mãos de Santo Adalberto, Bispo de Praga.

Santo Estevão foi educado cristamente para que um dai pudesse ser servidor de Cristo em verdade e príncipe
modelar. Dotado de boa inteligência e possuindo vontade de instruir-se em tudo que era útil, natural era que fizesse
grandes e rápidos progressos nos estudos. Sempre na companhia do bispo Adalberto, tendo diante de si o exemplo e
as instruções deste santo homem, adquiriu a santidade que tanto o elevou acima dos colegas. Tendo apenas quinze
anos, o pai convidou-o para tomar parte ativa no governo da nação.

Pela morte do pai, Santo Estevão tratou da conversão da conversão dos súditos ao cristianismo. Neste nobre
intento encontrou tenaz resistência de uma grande parte dos húngaros, que se opuzeram à mudança de religião, do
paganismo para o cristianismo. Estevão recorreu à oração. Não podendo, porém, quebrar a resistência dos rebeldes,
pegou em armas*. Por muito tempo ficou indecisa a vitória.

Neste estado de coisas, Estevão invocou os Santos - Jorge e Martinho, ambos de origem húngara, e fez a Deus o
voto de fundar em todo o reino muitos conventos, e edificar igrejas, querendo com o dízimo sustentar os sacerdotes
do Senhor. O inimigo foi vencido e o cristianismo nao mais encontrou resistência em sua entrada triunfal na
Hungria.

Fiel ao que prometera, Estevão encetou logo a fundação de conventos, dos quais o mais célebre foi o de São
Martinho, nas proximidades de Raab, convento esse cuja pedra fundamental fora lançada ainda por seu pai Geisa.
Foram fundadas dez dioceses, cuja administração confiou a homens instruídos e virtuosos da Itália e da Alemanha. O
Papa Silvestre II não só aprovou as nobres iniciativas do jovem monarca, mas, reconheceu-o oficialmente rei da
Hungria e enviou-lhe uma coroa riquíssima e uma cruz de alto valor, com o privilégio de ser levada diante da pessoa
do rei, em solene procissão.

Além dessas extraordinárias dádivas, o Papa distinguiu Estevão com o título de Apóstolo da Hungria. Desde aquele
tempo os reis da Hungria convervaram o título de "majestada apostólica". A "santa coroa" de Estêvão é considerada
o símbolo do poder monárquico na Hungria. Destruído o reino da Hungria (no advento do comunismo à região), a
coroa, como preciosa relíquia, para não cair em mãos profanadoras, se acha guardada noutro lugar (estava guardada
no Vaticano. Recentemente, voltou para a Hungria).

O ano de 1001 viu a solene unção de Estevão, pelo bispo portador da coroa mandada pelo Papa. No dia da
coroação, Estevão colocou todo o reino debaixo da proteção da Santíssima Virgem Maria.

Terna devoção tinha o Santo à Mãe de Deus, à qual dedicou duas catedrais - a de Gran e a de Stuhl-Weissenburg, nas
quais os reis da Hungria eram coroados e sepultados.

Com louvável energia, Estevão atacou e aboliu os costumes supersticiosos de seu tempo e deu aos súditos leis
sábias e severas. Um cuidado especial dispensava aos órfãto os e viúvas. Aos pobres, o santo rei, em pessoa, levava
esmola e sustento. No seu apostolado civilizador e evangelizador, Estevão encontrou forte apoio na cooperação fiel
e dedicada da esposa Gisela, princesa bávara e irmão de Santo Henrique, Imperador da Alemanha.

Estevão cultivava, de um modo extraordinário, o espírito de penitência. Avarento com o tempo, não perdia hora,
ocupando-se sempre de coisas úteis no cumprimento do dever.

Dedicação especial da parte do rei experimentaram os próprios filhos, dos quais o mais velho, Emérico, mais
tarde, com o santo pai, recebeu as honras da canonização.

Nos três últimos anos de vida, Estevão foi visitado por muita doença. Sentindo a proximidade da morte, para ela
se preparou com toda a piedade. Tendo em redor os representantes da corte e da alta nobreza do país, muito lhes
recomendou a obediência aos representantes de Cristo sobre a terra e a prática das virtudes cristãs.

Munido dos Santos Sacramentos, morreu santamente, não sem ter novamente consagrado a Nossa Senhora sua
amada pátria. Estevão entregou a alma ao Criador no dia 15 de agosto de 1038. A mão direita conservou-se
incorrupta e é guardada com grandes honras.

Fonte:
Padre João Batista Lehmann, "Na Luz Perpétua", Tomo II, páginas 241 a 242

SÃO TIAGO, o mutilado, mártir (+ 411 d.C) - 27 de novembro.


São Tiago, dito: "o mutilado", pertence ao rol dos santos e santas que tiveram os nomes retirados da liturgia
santoral no pós-Vaticano II. Não deixaram, é claro, de serem santos (as): apenas não tem mais suas memórias
festejadas na reforma litúrgica.

No caso do presente santo, achei sua história belíssima e de forte testemunho de conversão, coragem, fé e
perseverança.

Espero que a leitura de sua vida e morte motive a todos nós à fidelidade no "martírio branco" que todos os
cristãos que desejam ser fiéis a Deus sofrem diariamente. Nos tempos que vivemos, de tantas facilidades e
tentações: relativismo, secularismo, egocentrismo, luxúria, hedonismo, idolatria ao dinheiro e ao poder, culto à
saciedade e ao conforto, etc, não é nada fácil se manter fiel à vontade de Deus.

De origem persa, Tiago nasceu em Bethlapeta. Alta linhagem, grandes e fulgurantes talentos, avultada fortuna,
posição saliente, distinções honrosíssimas, que lhe vinham do monarca persa, fizeram com que o nome de Tiago
fosse por todos muito honrado, mas também o levaram à beira do abismo.

Quando o Rei da Pérsia anunciou uma perseguição ao cristianismo, Tiago teve a fraqueza de negar a fé, o que grande
tristeza causou à esposa e à mãe. Morto o Rei Isdegerts, escreveram a Tiago esta carta: “Sabemos que abandonaste
o amor e a fidelidade de Deus imortal, para ganhar o agrado do Rei, os bens e as glórias deste mundo. Qual foi o fim
daquele, por amor do qual perdeste um tesouro tão grande? O miserável teve a sorte de todos os mortais... Dele
nada mais podes esperar, nem tão pouco te libertará das penas eternas. Sabe que a divina justiça te condenará às
penas do inferno, si continuares na tua infidelidade. Quanto a nós, não desejamos mais ter comunicação contigo”. A
leitura dessas palavras impressionou-o profundamente. Caindo em si, abandonou a vida na corte e renunciou a
todas as vantagens que as relações com a aristocracia lhe tinham conferido. Ao novo rei declarou francamente, que
era cristão e como tal desejava viver.

O monarca abalou-se com esta declaração e, indignado, acusou-o de ingratidão, apontando para os grandes
benefícios que do pai tinha recebido. "Onde está aquele príncipe?" perguntou Tiago. "Que foi feito dele?" Estas
palavras ainda mais irritaram o Rei, que respondeu com ameaças de morte lenta e cruel. Tiago replicou: "Qualquer
feição que a morte tome, é apenas um sono... Oxalá possas ter a morte de justo." O Rei: "Não, a morte não é um
sono; para todos, grandes e pequenos, é um objeto de horror". Tiago: "Não há dúvida; horrorosa é para os reis e
todos os que desprezam a divindade, porque vã é a esperança dos ímpios." O Rei: "Chamas-me de ímpio, miserável,
tu, que não adoras o sol, a lua, o fogo e a água, as emanações mais sublimes da divindade?" Tiago: “Não intenciono
ofender-te; o que digo e censuro é dares a criatura o nome de “Deus”, o que não deve ser”.

O Rei, ouvindo isto, não mais se conteve. Convocou os ministros, conselheiros e juízes, para que com ele
determinassem de que modo deveria morrer aquele, que tão afrontosamente tinha ofendido e ultrajado as
divindades do reino.

Tiago foi posto na prisão e condenado à morte de mutilação. Si não quisesse prestar homenagem às divindades,
deveriam ser-lhe amputados os membros do corpo um por um. Profunda foi a impressão que esta sentença causou
entre o povo. Todos afluíram ao lugar do suplício, para serem testemunhas da cruel execução. Os cristãos, por sua
vez, pediram a Deus a graça da perseverança para o seu servo.

Antes de ser executado, Tiago, com o rosto virado para o oriente, de joelhos e os olhos fitos no céu, fez uma oração.
Depois se lhe aproximaram os algozes que, de acordo com a sentença, lhe amputaram dedo por dedo, depois as
mãos, os braços, os pés e as pernas. Tiago sofreu horrivelmente, mas não vacilou. No meio das cruéis operações
disse: "Esta morte, que vos parece tão pavorosa, é preciosíssima, por produzir a vida eterna".

Quando lhe cortaram o polegar da mão direita, o mártir disse: "Salvador dos cristãos, aceita este pequeno 'galho de
árvore'. Esta árvore entrará em decomposição; mas reviverá, cobrir-se-á de folhagem e receberá a coroa da glória
eterna." Os próprios juízes, assistindo ao horrível martírio de Tiago, ficaram movidos de compaixão e pediram-lhe
que tivesse pena do corpo e salvasse a vida, a que o servo de Deus respondeu: "Não sabeis que não é digno de Deus
aquele que, tendo posto a mão no arado, olha para traz?" Cada articulação que perdia, era oferecida a Deus com
estas palavras: "Aceitai mais este galho."

Não havendo mais nada para cortar, Tiago disse aos algozes: "Abatei agora o tronco. Não vos deixeis mover por
compaixão de mim, estou satisfeito, e minha alma se alegra no Senhor e inclina-se para aquele que ama os
pequeninos e humildes." Horrivelmente mutilado, o mártir ainda estava com vida, louvando a Deus. Por último foi-
lhe decepada a cabeça. Da maneira porque lhe foi praticado o martírio, Tiago recebeu o cognome de mutilado.

A data da morte do mártir foi o dia 27 de novembro de 421. Os cristãos juntaram as preciosas e imploraram sua
intercessão junto a Deus. Apesar de seu nome e culto terem sido praticamente esquecidos na Igreja Católica do
Ocidente, ainda é lembrado nas Igrejas Orientais ligadas à Sé de Roma. Existem alguns mosteiros no Oriente erigidos
em sua honra.

Fonte:

Livro "Na Luz Perpétua", II Tomo (ano 1950)

SANTA CATARINA DE ALEXANDRIA, Virgem e Mártir - século IV (25 de novembro).


De nobre origem, nasceu Catarina em Alexandria, no Egito, no final do século III. Bem pequena ainda, começou a
instruir-se nas verdades da santa religião e, dotada de uma inteligência superior, mais tarde, não só se aprofundou
na ciência teológica, como também se dedicou dum modo particular ao estudo das ciências profanas.

Tendo apenas dezoito anos, em discussões públicas confundiu os maiores filósofos da cidade natal. O imperador
Maximino tinha decretado uma perseguição aos cristãos e sua doutrina. Tendo conhecimento do grande preparo de
Catarina, prometeu um prêmio ao filósofo que conseguisse afastar a jovem da religião cristã.

Numa discussão pública, para a qual Catarina foi convidada, puseram em ação todo o aparato de argumentações
sofísticas, para desorientar a donzela. Catarina, porém, iluminada pelo Espírito Santo, respondeu com tanta clareza e
sabedoria, que abandonaram os erros e pediram admissão entre o número dos catecúmenos. Todos morreram pela
fé, à qual se tinham convertido.

O Imperador, surpreendido pelo êxito inesperado da discussão, procurou pessoalmente ganhar as simpatias de
Catarina, para destarte fazê-la abandonar o Cristianismo. Entre outras muitas promessas que lhe fez, foi a principal a
de elevá-la à dignidade de Imperatriz. Catarina, porém, rejeitou todas as pretensões do tirano, não querendo
reconhecer por esposo do coração senão o divino Salvador. Maximino mudou então de tática e em vez do amor, que
não lhe possuía, revelou o ódio sem limites contra a religião de Cristo e contra a nobre donzela. Durante onze dias
Catarina foi sujeita a toda sorte de sofrimentos. Duras flagelações revezavam com desumanas privações. O resultado
foi que muitas pessoas, que visitaram a pobre vítima das iras imperiais, se converteram ao Cristianismo.

Esta circunstância provocou mais ainda o furor do déspota, que baixou uma ordem, segundo a qual Catarina devia
ser colocada sobre uma roda com lâminas cortantes e ferros pontiagudos. Catarina fez o sinal da cruz sobre o
instrumento do martírio e este se desconjuntou imediatamente, fato que causou máxima admiração e determinou a
conversão de outros pagãos. Maximino não mais ousou aplicar outras medidas, com receio de tornar-se
propagandista do Cristianismo. Por isto deu ordem para que Catarina fosse decapitada. A jovem crista recebeu
jubilosa esta sentença e saudou o dia que lhe ia proporcionar a maior das venturas: a união com o celestial esposo.

Diz a história da vida de Santa Catarina que o corpo da Santa foi pelos Anjos levado ao monte Sinai. Falcônio,
arcebispo de San Severino, referindo-se a esta lenda, diz: "Os 'anjos', isto é, os religiosos do convento de Sinai,
levaram o corpo da mártir ao monte santo, onde o sepultaram com todas as honras".
A maior parte das relíquias de Santa Catarina se acha de fato no Mosteiro de Sinai.

Santa Catarina, tanto pela Igreja Oriental como pela Ocidental é considerada grande mártir e figura entre os 14
Santos Auxiliadores.

O Matrimônio Místico de Santa Catarina.

O pai, diz a lenda, era Costes, rei de Alexandria. Ela própria era, aos 17 anos, a mais bonita e a mais sábia das jovens
de todo o império; esta sabedoria levou-a a ser muitas vezes invocada pelos estudantes. Anunciou que desejava
casar-se, contanto que fosse com um príncipe tão belo e tão sábio como ela. Esta segunda condição embargou que
se apresentasse qualquer pretendente.

“Será a Virgem Maria que te procurará o noivo sonhado”, disse-lhe o ermitão Ananias, que tinha revelações. Maria
aparece, de fato, a Catarina na noite seguinte, trazendo o Menino Jesus pela mão. “Gostas tu d’Ele?”, perguntou
Maria. -“Oh, sim”. -“E tu, Jesus, gostas dela?” -“Não gosto, é muito feia”. Ao ouvir isso, acordou do sonho.

Catarina foi logo ter com Ananias: “Ele acha que sou feia”, disse chorando. -“Não é o teu corpo, é a tua alma
orgulhosa que Lhe desagrada”, respondeu o eremita. Este instruiu-a sobre as verdades da fé, batizou-a e tornou-a
humilde; depois disto, em linda aparição de Maria e do Menino Jesus, tendo-a o divino Infante a encontrado bela, a
Virgem Santíssima meteu aos dois o anel no dedo; foi isto que se ficou chamando desde então o “casamento místico
de Santa Catarina”.

Fonte:
Na Luz Perpétua, Tomo II (publicação de 1950)

Antônio Maria Zacarias


Antônio Maria Zacarias nasceu de nobre família de Cremona, na Alta Itália. Dotado de grande inteligência, dedicou-
se bem cedo ao estudo das humanidades e, mais tarde, adquiriu os graus de doutor em medicina, em Pádua. Desde
a infância, revelou um grande amor à Santíssima Virgem, Mãe de Deus, e invulgar caridade aos pobres e
necessitados.

Bem cedo Deus o fez perceber que a sua missão na terra era ser não tanto médico dos que sofriam fisicamente, mas
do que necessitavam de assistência e medicação espirituais. Como médico de profissão e de alma, visitava os
enfermos; aos meninos, ensinava a doutrina cristã; ao seu redor, reunia a juventude para incutir-lhe mais piedade; e
adultos, não deixava de falar uma palavra de conforto ou um conselho útil para a emenda de vida.

Não lhe era fácil, católico fervoroso que era, passar incólume por entre uma sociedade frívola, desrespeitadora e
fortemente contagiada pelo paganismo e doutrinas heterodoxas. Na pessoa do grande Apóstolo dos gentios,
reconheceu seu ideal a seguir e imitar. A leitura e o estudo das grandiosas epístolas de São Paulo constituíam seu
prazer, sua alegria, seu alimento espiritual. Com este grande arauto da fé, aprendeu o amor a Jesus, que lhe chegou
ao grau de com seu mestre e Apóstolo poder dizer: "Nem morte, nem vida, nem anjos, nem principados, nem coisas
presentes, nem futuras, nem poderes, nada me poderá separar do amor de Cristo" (Rom 8,35).

Respeito humano era-lhe coisa de todo desconhecida. Com o crucifixo na mão, pregava pelas ruas da cidade a
penitência e o amor de Deus, manifestado na Sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo.

Com 26 anos de idade, tomou o hábito talar e ordenou-se sacerdote. Nesta nova fase de sua vida, redobrou o seu
zelo pela causa de Cristo e pela salvação das almas. Era uma alma de fogo. Em Milão, associaram-se-lhe Bartolomeu
Farrário e Jaime Morígia, dois jovens nobres, de virtude exemplar e animados igualmente pelo zelo apostólico, e com
eles lançou os alicerces da Sociedade dos Clérigos Regulares de São Paulo. A grande devoção que os ligava ao
Apóstolo das gentes, fê-los dar o nome de São Paulo à sua fundação. Reconhecida e aprovada pelos Papas Clemente
VII e Paulo III, a Congregação tomou incremento e propagou-se em diversas regiões da Itália. Pela circunstância de os
fundadores se terem instalado nas proximidades da Igreja de São Barnabé, receberam o nome de Barnabistas.
Antônio Maria fundou também uma Congregação religiosa feminina, à qual deu o nome de Angélicas de São Paulo.

Com ânimo forte, enfrentou as dificuldades que se lhe opuseram na execução dos planos, que soube a Divina
Providência ter lhe traçado: tempestades formidolosas que contra si e suas instituições se levantaram, com
paciência, firmeza e caridade soube amainar. Muitos sacerdotes, que à sua direção se confiaram, resolveram viver
de perfeito acordo com as exigências do seu santo estado e, segundo o exemplo do seu diretor, se dedicar a
trabalhos apostólicos do seu ministério. Em muitas famílias conseguiu despertar o espírito de piedade e levá-las,
pelo caminho do amor e temor a Deus. Com suas férvidas orações, incessantes penitências e a insistência de sua
palavra convencedora, obteve a conversão de muitos pecadores e, com isto, sua volta a uma vida reta e edificante.

Modelando-se por São Paulo, mestre por excelência no amor de Jesus crucificado, de corpo e alma Antônio Maria se
entregou ao apostolado deste amor, documentado e realizado no Santíssimo Sacramento. Promoveu a adoração
pública e solene de Jesus na Hóstia consagrada, e introduziu a prece permanente das "Quarenta Horas" diante do
Santíssimo Sacramento, exercício comemorativo das quarenta horas que o Corpo do Salvador esteve no túmulo.

Após vida curta, mas riquíssima de extenuantes trabalhos e imperecíveis merecimentos, Antônio Zacarias faleceu em
05 de julho de 1539. Rodeado da sua família religiosa, tendo ao seu lado sua própria mãe, à qual predisse morte
próxima, consolado com a assistência visível dos Apóstolos, que lhe prenunciaram forte incremento das suas
fundações, entregou a sua alma a Deus.

Este glorificou o túmulo do seu fiel servo com muitos milagres e, em 1897, o Papa Leão XII inseriu o nome de
Antônio Maria Zacarias no catálogo dos Santos.

(Texto extraído de “Na Luz Perpétua”, por Pe. J. B. Lehmann, e disponível na Página Oriente, alterações a/c blog)

SANTO ATANÁSIO DE ALEXANDRIA


Quando se realizou o concílio de Nicéia, Atanásio, sendo apenas Diácono, acompanhou o Prelado para aquela
eminente demonstração de fé Católica. Os erros arianos foram por ele refutados com tanto brilho e clareza, que
causou admiração de todos os assistentes. Seu discurso foi um triunfo para a causa católica, conquistou-se-lhe
também o ódio dos arianos, que lhe declararam implacável guerra, a começar daquele momento, até o dia de sua
morte.

Prevendo o próximo desenlace fatal do Patriarca Alexandre, Atanásio esquivou-se da mais que provável eleição e
fugiu para Alexandria. Santo Alexandre, conhecendo o plano do amigo, declarou-lhe que de nada adiantava
prosseguir na sua humilde trama, pois que não se livraria do cargo de futuro patriarca.

Efetivamente foi eleito Atanásio sucessor de Alexandre e só seis meses depois da eleição, lograram os fiéis descobrir
o esconderijo do novo Pastor. De nada lhe valeram as desculpas inspiradas pela humildade, pois que o povo
conduziu-o como que em triunfo à capital, e Atanásio, se bem que em lágrimas, tomou posse do cargo.

O governo sapientíssimo, enérgico e resoluto que teve a diocese, é prova patente de sua administração, elevando-o
à sede patriarcal de Alexandria.

Os arianos não viram de bons olhos este estado de coisas e, como se lhes não fosse possível reverter a eleição de
Atanásio, recorreram à vil calúnia, para desta maneira lhe destruir o prestígio junto do Imperador. Este convocou um
concílio na cidade de Tiro para que Atanásio respondesse às acusações levantadas. A Assembléia compunha-se na
maioria de bispos arianos, portanto de inimigos de Atanásio que, ainda assim, compareceu à audiência.

A primeira acusação foi feita por uma mulher paga pelos inimigos do patriarca, a qual , em plena assembléia, dirigiu-
se erroneamente em acusações para o Secretário Timóteo , pensando ser este Atanásio, já que não o conhecia
pessoalmente. Timóteo, após receber as acusações em rosto disse: "Como eu teria entrado em tua casa? Teria te
feito propostas indignas?" Ela, mediante juramento, corroborou suas palavras. Diante desta cena, e bem que
contrafeita, a assembléia toda declarou a inocência de Atanásio.

Recorreram os inimigos a uma outra astúcia que, segundo lhes parecia, não havia de falhar. Espalharam o boato de
ter Atanásio assassinado um bispo de nome Arsênio, cuja mão direita levava consigo para fazer obras de feitiçaria,
chegando mesmo a apresentar uma caixa com a tal suposta mão, que diziam ser do bispo assassinado. Atanásio,
tendo absoluta certeza de que o tal bispo Arsênio estava vivo, localizou-o e pô-lo a par do que se tratava,
convidando-o a vir até Tiro.
Em uma das sessões que tratava da questão de Arsênio, Atanásio perguntou aos bispos arianos presentes, um por
um, se conheciam Arsênio, quando alguns deles responderam afirmativamente. Era o momento escolhido por
Atanásio para desmascarar e humilhar os seus inimigos. A um sinal, abriu-se a porta da sala e entrou Arsênio, dando
com sua presença, testemunho da inocência de Atanásio.

Mesmo assim, enfurecidos contra o Patriarca, tanto insistiram ao Imperador Constantino, que este determinou o
exílio de Atanásio para Treves. Lá foi recebido pelo Bispo (São Maximiliano) com todas as honras e, as notícias
recebidas por Atanásio de Alexandria, davam conta de que os fiéis cada vez mais rejeitavam toda e qualquer
comunicação com a igreja ariana. Diversos pedidos foram feitos ao Imperador para a reabilitação do Patriarca, que
não foram atendidos, sob a alegação de que não poderia interferir numa decisão do concílio.

O Imperador Constantino morreu em 12 de Maio de 337. No leito de morte, depois de ter recebido o santo Batismo,
reconheceu a inocência de Atanásio e decretou-lhe a volta para Alexandria. Só em 388 foi executada esta ordem.

O império foi dividido entre os três filhos de Constantino: Constantino, Constâncio e Constante. O primeiro,
Constantino, a quem coube a parte da Gália, deu liberdade a Atanásio, o qual em triunfo foi recebido na sua
metrópole, Alexandria.

Os arianos, não descansaram, e armaram novas perseguições a Atanásio. Alegando que as decisões de um concílio só
poderiam ser alteradas por outro, com consentimento do Imperador do Oriente, recorreram à Constâncio e,
convocando um novo concílio, fizeram eleição de um novo bispo de Alexandria. . O eleito era o sacerdote ariano,
Gregório.

Diante disso, Atanásio dirigiu-se à Roma e invocou a autoridade do Papa Júlio, o qual pessoalmente presidiu o
concílio de Sárdica, bem como um sínodo convocado pelos imperadores católicos Constantino e Constante, que
reconheceram e confirmaram Atanásio como legítimo Patriarca de Alexandria. Uma carta de Constante dirigida a
Constâncio, em tom ameaçador, fez com que este respeitasse as deliberações dos concílios católicos e
restabelecesse Atanásio no uso dos seus direitos.

Morreu Constante, e desencadeou-se nova tempestade contra Atanásio. Constâncio, cedendo às exigências dos
Arianos, acabou cedendo, tendo sido convocado o concílio de Milão pelos arianos, que novamente condenou
Atanásio e exigiu da Igreja de Alexandria a agremiação à seita ariana. Foram cometidas tantas atrocidades e
crueldades que Atanásio fugiu, e permaneceu exilado por cinco anos numa cisterna seca, ao abrigo de um amigo,
período em que escreveu as obras mais importantes contra a seita ariana. Somente por ocasião da morte de
Constantino, foi-lhe permitido voltar à Diocese por um decreto de Juliano, o Apóstata, que deu liberdade a todos os
bispos católicos exilados. Não tardou , porém, nova perseguição , e Atanásio, para não cair nas mãos dos inimigos
que lhe queriam a morte, procurou salvação na fuga navegando o Santo para o exílio. Só durante o governo de
Joviano foi concedida paz e prosperidade para a fé católica, por um período de três anos.

O Sucessor de Joviano, Valente, empregou novamente medidas extremas contra os bispos católicos, mandando-os
para o exílio. Atanásio, escondeu-se no túmulo do pai, por um período de quatro meses. Foi esta a última
perseguição sofrida pelo grande Bispo. As autoridades, receando uma revolução em Alexandria caso não fosse
reconduzido, chamaram de volta Atanásio, que dirigiu a diocese até à morte. Em 373 foi o grande propugnador da
Igreja Católica, receber a recompensa na eternidade. São Gregório Nazianzeno, diz: "Atanásio, foi uma coluna da
Igreja e o modelo dos Bispos". Ortodoxo era aquele que confessava a doutrina de Atanásio.

A vida toda de Santo Atanásio consumiu-se na luta contra os hereges. Hereges houve sempre, ainda existem e
sempre os haverá. Quem observa bem o movimento das heresias, na história da Igreja, facilmente chega a descobrir
os seguintes característicos, que estigmatizam os hereges e suas obras:

- Vestem-se sempre da capa da virtude e santidade para enganar os incautos. São Bernardo caracteriza os
maniqueus do seu tempo com as seguintes palavras: "Tem costumes ilibados: não oprimem a ninguém; a ninguém
fazem mal; o rosto denuncia-lhes mortificação e jejum; não são ociosos e ganham honestamente a subsistência".

- São inimigos da autoridade da Igreja e tudo fazem para subminá-la. Dizem ser a Igreja retrógrada, inimiga da
ciência, do Progresso, obscurantista. Segundo eles, o Papa, é 'conservador', ultrapassado, e não adapta a Igreja à
nova realidade do mundo".
- "A seu bel prazer interpretam as palavras da Sagrada Escritura - diz Santo Ambrósio - para, sob a capa de santas
citações com mais facilidade poderem inocular o veneno dos erros". Também o demônio sabe citar lugares bíblicos.

2. Para justificar sua conduta, proferem mil acusações e queixas contra a Igreja Católica: dizendo que é ambiciosa,
despótica, os bispos são amigos do luxo, ninguém há mais orgulhoso que os Cardeais; hipócritas são os sacerdotes e
os religiosos. Não há heresia que não toque nesta tecla batidíssima.

Referencias bibliográficas:

*Na Luz Perpétua - pelo Padre João Batista Lehmann, V Ed. - I Vol. - Editora Lar Católico, 1959.

São Brás, Bispo e Mártir


SÃO BRÁS

Bispo e Mártir

Escassos são os conhecimentos que temos acerca de São Brás, Bispo de Sebaste, na Armênia, que sofreu o martírio
em 316, por ordem do governador Agricoláo, no império de Licínio ou Diocleciano.

Depois de ter sido flagelado, foi pendurado num andaime e com pentes de ferro descarnaram-lhe os ossos. Os
verdugos tentaram ainda afogá-lo e, por fim, degolaram-no com mais dois jovens companheiros.

Nas atas do martírio de Santo Eustáquio, se lê que São Brás, juntou com muita reverência os ossos deste Santo, bem
como os de Santo Orestes, vítimas da cruel perseguição de Diocleciano.

Antes de sua elevação ao episcopado, exercera a medicina e dela se servia para o bem das almas. Muitas curas
maravilhosas são atribuídas à sua fé e santidade. Entre os muitos milagres por ele operados, figura este: pelo sinal e
sua oração salvou da morte um menino que engoliu uma espinha de peixe. Donde surgiu o costume de recorrer a
São Brás nestas ocasiões. Infelizmente, pela incultura do povo, "São Brás" tornou-se "sombrais"... É preciso corrigir
os ignorantes, é um dever de caridade e uma obra de misericórdia!

A devoção a São Brás tomou incremento pela transladação das relíquias do Santo para o Ocidente, no tempo das
Cruzadas.

São Brás, como grande taumaturgo, pertence ao grupo dos 14 Santos Auxiliares.

Referência bibliográfica: Na luz Perpétua, 5ª. ed., Pe. João Batista Lehmann, Editora Lar Católico - Juiz de Fora -
Minas Gerais, 1959. Visto em:http://www.paginaoriente.com/santosdaigreja/fev/braz0302.htm.

São Romualdo
SÃO ROMUALDO

Abade e Fundador da Ordem dos Camaldulenses

Ravenna é a cidade, onde, em 956, descendente de nobre família dos duques de Onesti, nasceu Romualdo. Pais sem
religião, como foram os de Romualdo, nenhuma educação deram ao filho que, entregue à própria vontade, pode
gozar de toda a liberdade, até a idade de 20 anos. Vivendo segundo os princípios do mundo, faltavam-lhe aspirações
superiores, e os dias corriam-lhe alegres, entre os exercícios de esportes. Oração, audição da palavra de Deus, leitura
de bons livros, exercícios espirituais não eram de seu gosto; antes pelo contrário, o aborreciam. Deus, porém, abriu-
lhe os olhos, por um fato que muito o impressionou.

O pai, Sérgio, em duelo, na presença de Romualdo, matou um dos melhores amigos; cena a que Romualdo teve que
assistir. O resultado foi Romualdo retirar-se para o convento beneditino em Classis, com a intenção de, no sossego
do claustro, achar a tranquilidade do espírito.
Foi a primeira vez na vida que fez exercícios de piedade. Um dos religiosos que mais se interessava pela salvação do
jovem conde sugeriu a ideia de abandonar o mundo e tomar o hábito da Ordem. Romualdo, porém, não se mostrou
disposto a seguir este conselho. Só depois de uma aparição que teve - de Santo Apolinário, padroeiro do convento -
resolveu dedicar-se ao serviço de Deus, na Ordem de São Bento.

Tal foi o seu zelo e dedicação que em pouco tempo chegou a ser um religioso modelo. O rigor e a pontualidade com
que observava a regra da Ordem, no meio dos próprios religiosos, provocaram indisposição e animosidade tão fortes
contra Romualdo que este achou indicado, como medida de prudência, sair do convento. Com licença do Superior,
procurou o eremita Marinho, em cuja companhia continuou as práticas da vida religiosa.

Este exemplo abriu também a alguns amigos o caminho para a vida monástica. O próprio pai de Romualdo fez-se
religioso e entrou num Convento. Se bem que lutasse com muitas dificuldades e mais de uma vez estivesse a ponto
de voltar para o século, a palavra e a oração do filho fizeram com que perseverasse no serviço de Deus.

Romualdo voltou para o convento de Classis, onde tinha feito o noviciado. Deus permitiu que fosse provado pelas
mais fortes tentações contra a virtude da pureza, contra a vida religiosa e contra a fé. Parecia-lhe quase impossível
continuar na vocação. O remédio e a salvação em tão duro transe foi a oração. No meio da sua atribuição se dirigiu a
Jesus Cristo, e com a alma angustiada, perguntou ao Salvador: “Jesus, por que me abandonastes? Entregaste-me
inteiramente ao poder do inimigo?”
Como o Patriarca Jacó, viu ele em sonho uma misteriosa escada, que se apoiava na terra e cuja extremidade tocava
no céu. Religiosos de hábito branco subiam e desciam por ela.

A grande obra para a qual Deus tinha chamado seu servo, e que este, apesar de muitas dificuldades interiores e
exteriores, com ótimo resultado realizou, foi a reforma da disciplina monástica.

O convento mais célebre fundado por Romualdo foi o de Camaldoli, em Toscana, que deu à ordem toda o nome
de Ordem dos Camaldulenses.

Extraordinário era em Romualdo o espírito de penitência, sendo-lhe a vida um constante jejum, uma mortificação
ininterrupta.

“Como me confunde a vida dos Santos! Contemplando-a, queria morrer de vergonha”, ouviu-se o Santo muitas vezes
dizer. Já no fim da vida, disse a um religioso de sua confiança: “Vai para vinte anos que estou me preparando para a
morte; quanto mais faço, tanto mais me convenço de que não sou digno de comparecer na presença de
Deus”. (Palavras fortes e que devem tocar nossa alma!!! Somos dignos nós que vivemos no mundo e pouca ou
nenhuma penitência fazemos?)

Romualdo morreu em 1027. O túmulo tornou-se-lhe glorioso pela multidão de milagres que Deus obrou pela
intercessão do Santo. Quando, cinco anos depois do seu trânsito, abriram o túmulo de Romualdo, o corpo foi
encontrado intacto, sem sinal algum de decomposição. O mesmo se repetiu 440 anos depois. Romualdo foi
canonizado por Clemente VIII, em 1569.

Referência bibliográfica: Na luz Perpétua, 5ª. ed., Pe. João Batista Lehmann, Editora Lar Católico - Juiz de Fora -
Minas Gerais, 1959. Visto em: http://www.paginaoriente.com/santosdaigreja/jun/romualdo1906cr.htm.

Santa Doroteia
SANTA DOROTEIA

Virgem e Mártir

A Igreja festeja hoje o dia de uma das mais gloriosas esposas de Jesus Cristo: A vida e ainda mais a morte desta Santa
é uma prova da verdade que vemos estampada na História da Igreja: que Deus se serve de preferência da fraqueza,
para confundir os fortes.
É a mulher cristã que, destinada a esmagar a cabeça de Satanás, dá provas de um heroísmo que dificilmente
encontramos entre os homens. Daí o ódio que Satanás vota à mulher cristã, ódio este fundado no medo e na
convicção da impotência dos seus esforços.

Doroteia, filha de um senador romano, nasceu em Cesaréia, na Capadócia. De educação distintíssima, Doroteia
aliava, à riqueza, dotes invejáveis, naturais e sobrenaturais.

Tinha o governador Fabrício recebido ordens imperiais para exterminar a Religião Cristã. Uma das primeiras vítimas
foi Doroteia. Embora pouco aparecesse em público, era uma verdadeira apóstola (latu senso, uma vez que Nosso
Senhor não chamou nenhuma mulher para ser apóstola dEle) de Cristo, pela atividade que desenvolvia entre os
cristãos, animando-os à constância na luta contra os perseguidores. Denunciada ao governador, este sem delongas
exigiu que sacrificasse aos deuses. Pronta lhe veio a resposta: “Sendo cristã, só servirei a Deus, Rei do Céu e da Terra,
para os deuses não tenho senão desprezo”.

Na discussão que seguiu a estas palavras, Fabrício, cativo da formosura de Doroteia, fingiu querer sujeitá-la à
tortura, para torná-la mais condescendente. Doroteia, porém, disse aos algozes: “Que esperais? Fazei o que é vosso
dever. Sofrer pelo amado do meu coração é delícia!”

Vendo que não conseguia o intento, Fabrício entregou a Mártir a duas irmãs, Cresta e Calixta, que há pouco haviam
negado a fé. O resultado foi que as duas mulheres, movidas pela argumentação e pela oração da Santa, se
arrependeram da falta e apresentaram-se a Fabrício, declarando fidelidade a Cristo até à morte. Amarradas uma a
outra, foram ambas queimadas vivas e metidas em enxofre fervente.

Doroteia, longe de lastimar a sorte das companheiras, felicitou-as pela palma do martírio que ganharam. Ela mesma
foi estendida sobre o instrumento da tortura, barbaramente açoitada e de mil modos atormentada. Como sinal de
desprezo pelas dores, Doroteia louvava a Deus em altas vozes e demonstrava grande satisfação.

Perguntada por Fabrício porque tanto se alegrava, respondeu-lhe: “Hoje é o dia mais belo da minha vida; pois
arrebatei duas irmãs das garras do demônio e ganhei-as para Cristo; regozijo-me por isto com os Anjos e Santos.
Meu coração arde de desejo de estar com meu Esposo divino. Ah, Fabrício!, és tão inepto como teus deuses!”.

Fabrício, diante desta ofensa, condenou a santa Mártir à morte pela espada. A donzela, ouvindo a sentença,
exclamou jubilosa: “Graças a meu Deus, que me chama às núpcias eternas!”.

Era inverno e fazia muito frio. A natureza apresentava um aspecto triste e as árvores ostentavam os galhos
desfolhados e secos. Em caminho para o lugar do suplício, Doroteia disse às amigas que a acompanhavam: “Como é
triste a Terra e sem vida: feliz de mim que vou para uma terra onde sopram ares mais suaves, onde é mais claro o
brilho do sol, onde verdejam os campos, brotam fontes cristalinas, onde, no jardim de meu Esposo, vicejam as flores,
desabrocham os lírios em toda formosura, abrem-se as rosas em todo o fulgor e amadurecem os frutos do Paraíso”.
Apanhou estas palavras Teófilo, jovem advogado, espírito folgazão, que não deixava passar ocasião sem dizer uma
sensaboria sobre a “superstição” dos cristãos. Disse à Doroteia:“Escuta, esposa de Cristo, manda-me algumas
daquelas rosas e maçãs dos jardins e pomares de teu Esposo, de quem estás a falar tanto”.
Doroteia respondeu-lhe, embora lacônica, mas resolutamente: “O que desejas, hoje mesmo o terás; não duvides, que
t’o mandarei”.

Chegada ao lugar do suplício, Doroteia ajoelhou-se e recomendou a alma ao divino Esposo. Enquanto estava
rezando, apareceu-lhe um Anjo, em figura de um jovem formoso, que lhe ofereceu três maçãs belíssimas e outras
tantas rosas de um aroma delicioso. Vendo o presente, Doroteia disse ao Anjo: “Peço-te o favor de levares isto a
Teófilo e dizer-lhe que são as frutas e flores, que Doroteia lhe prometeu mandar do jardim do divino Esposo”. Dito
isto, entregou-se ao algoz que, com um único golpe, pôs termo à existência terrestre da Santa.

Teófilo recebeu o presente de Doroteia na hora em que, rodeado de amigos, contava a grotesca pilhéria. Qual foi a
admiração e espanto, ao ter nas mãos o penhor da promessa da santa Mártir: maçãs maduras e rosas em tempo de
inverno! De mofador, tornou-se admirador do Cristianismo e esclarecido por uma luz divina, exclamou: “Não existe
realmente outro Deus a não ser o dos cristãos. De hoje em diante só a Ele adorarei”. De fato, converteu-se.

Tendo Fabrício notícia desta conversão, mandou chamar Teófilo à sua presença, para em pessoa ter confirmação do
ocorrido. Teófilo, de fato, declarou ser sua decisão absoluta seguir o exemplo de Doroteia e abandonar o culto dos
deuses, ainda que lhe custasse a vida. Custou-lhe a vida, pois Fabrício o condenou à morte pela espada. A pena foi
executada imediatamente, e um martírio de pouca duração levou Teófilo à bem-aventurança eterna. Pouco antes da
execução, Fabrício lhe disse: “Poupa, desgraçado, a tua vida!”, ao que Teófilo respondeu: “E tu, mais desgraçado
que eu, tem pena de tua alma. Pouco importa o corpo, contanto que salve a minha alma e entre no gozo de meu
Deus”.

As relíquias de Doroteia e Teófilo acham-se em Roma, na Igreja consagrada à memória dos dois mártires.

Referência bibliográfica: Na luz Perpétua, 5ª. ed., Pe. João Batista Lehmann, Editora Lar Católico - Juiz de Fora -
Minas Gerais, 1959. Visto em:http://www.paginaoriente.com/santosdaigreja/fev/dorotea0602.htm.

Solemnidad de la Ascensión del Señor - Ciclo A

R.P. Juan Lehmann

Entrada triunfal de Jesús en el cielo.

No hay, ni hubo, ni podrá haber en el mundo festividad que pueda compararse en esplendor y grandiosidad con la
entrada triunfal de Jesucristo en el cielo. Lo más bello, lo más imponente, lo más glorioso que puede darse en la
tierra ¿qué es, sino una insignificancia, comparado con la Ascensión de Nuestro Señor? Imponente sobremanera, en
día de fiesta excepcional, es la entrada solemne del Obispo en su Catedral, o del Papa en la Basílica de San Pedro. Los
que han tenido la dicha de asistir a la solemnidad de una canonización, y han visto a los peregrinos entrar por la
"Puerta Santa", juzgan que han presenciado el mayor espectáculo que en el mundo puede haber.

A personas que estuvieron en Buenos Aires, cuando se celebró el Congreso Eucarístico Internacional, oímos decir
que sólo en el cielo podrá haber mayor esplendor, y que la procesión de clausura fue de una grandiosidad
insuperable e inimaginable. Pues mucho más solemne y esplendorosa fue la entrada de Jesús en el cielo. La lengua
humana carece de expresiones adecuadas para describirla. No obstante nos atreveremos a balbucear que Jesucristo
hizo su entrada triunfal: 1º, Como Rey victorioso; 2º, acompañado de las almas redimidas y libertadas; 3°, aclamado
por los ángeles, y º, recibido con el mayor agrado por su Eterno Padre.

Jesús, Rey victorioso.

"Qui victor in coelum redis". "Tú, que a la gloria vencedor regresas". Así canta la estrofa final de todos los himnos
litúrgicos durante el tiempo pascual. Y en efecto: a) Jesús venció al pecado:"Cancelada la cédula del decreto firmado
contra nosotros, que nos era contrario, quitóle de en medio, enclavándola en la cruz" (Col., 2, 14). b) Jesús venció a
la muerte y al infierno. "¿Dónde está? ¡Oh muerte! tu victoria ¿Do está? ¡Oh muerte! tu aguijón" (1 Cor., 15, 55)...,
"¡Oh muerte! yo he de ser la muerte tuya: seré tu destrucción, ¡oh infierno!" (Os., 13, 14).

La entrada de Jesús en el cielo fue la de un Rey vencedor. "Levantad, ¡oh príncipes! vuestras puertas, y elevaos
vosotras, ¡oh puertas de la eternidad! y entrará el rey de la gloria" (Salmo 23, 7). Así cantaba ya el Salmista,
arrebatado ante la sublime y gloriosa visión.

Jesús, acompañado de las almas redimidas.

Jesús entró en el cielo acompañado de miles y miles de almas que hasta entonces se hallaban en el limbo detenidas.
¡Con qué ansias aquellos justos estarían esperando esta hora! ¡Por fin llegó! ¡Qué júbilo tan grande, qué contento!
Eran las almas santas del Antiguo Testamento, Adán, Eva, Abel, Noé, Abrahán, Isaac, Jacob, José de Egipto, San José,
su padre nutricio, San Juan Bautista..., una multitud innumerable de hombres y mujeres santos, desde nuestros
primeros padres, creados en el paraíso, hasta el Buen Ladrón, muerto en la cruz. ¡Entrada triunfal, sin par y sin
precedentes! ¡Triunfo jamás igualado, en parte alguna del orbe, por ninguna Majestad del Universo!

Jesús, aclamado por los ángeles.

Eran aquellos mismos ángeles que trajeron al mundo la buena nueva del nacimiento del Salvador; los mismos que en
las montañas de Belén cantaron:"Gloria a Dios en lo más alto de los cielos, y paz en la tierra a los hombres de buena
voluntad" (Luc., 2, 14); los mismos que le adoraron recién nacido, en el pesebre. Entonces lo veían en mísera figura
humana, en condiciones de extrema pobreza y humildad. Mucho más humillado todavía lo habían contemplado en
el huerto de las Olivas, donde uno de ellos tuvo que venir a confortarlo; y después, en la vía dolorosa..., ¡clavado en
el Calvario! Ahora pueden ya entonar cánticos de júbilo, cual nunca en las celestes bóvedas sonaron. Ahora,
reverentes caen de rodillas ante Cristo adorando su divinidad sacrosanta y su gloriosa humanidad. El "Aleluya", en
himnos jubilosos, resuena en las alturas del empíreo: "Amén. Bendición, y gloria, y sabiduría, y acción de gracias,
honra, y poder, y fortaleza a nuestro Dios por los siglos de los siglos". ¡Oh cánticos sagrados, que en la tierra jamás
fuisteis oídos!

Jesús con sumo agrado es recibido por el Padre Eterno.

Entra el Salvador en el reino celestial donde su Padre lo recibe con todo cariño: "Hijo mío, —le dice—. ¡Hijo mío
queridísimo! ¡Cuántos dolores no ha sufrido tu cuerpo por obedecer mis mandatos! Mas ahora, por haber sufrido
cual ningún mortal, te honro y glorifico como a ningún otro santo o ángel de mi reino. "Siéntate a mi diestra,
mientras que yo pongo a tus enemigos por escabel de tus pies. De Sión hará salir el Señor el cetro de tu poder;
domina tú en medio de tus enemigos. Contigo está el principado en el día de tu poderío, en medio de los
resplandores de la santidad" (Salmo, 109, 1-3). "Al nombre tuyo se doblará toda rodilla en el cielo, en la tierra y en el
infierno" (Filip., 2, 10), y "todos los ángeles te servirán".

Jesús tomó posesión de su trono real en la gloria, sentándose a la diestra de Dios Padre, es decir, ocupando el lugar
más honroso del cielo, por toda la eternidad. Cristo es Rey eterno de cielos y tierra, Juez de vivos y muertos, que ha
de venir al fin de los siglos con gran poder y majestad.

¿Quieres tú también entrar algún día en el cielo? Pero no es sólo cuestión de querer: debes entrar. No puede haber
para ti otro destino: o cielo, o infierno; o salvación, o condenación. Y advierte lo que dice Jesús: "¡Oh qué angosta es
la puerta y cuán estrecha la senda que conduce a la vida! ¡Y qué pocos son los que atinan con ella!" (Mat., 7, 14).

Vive como buen cristiano; sé fiel discípulo de Jesús; imita a Cristo en la tierra, para que puedas seguir al "Cordero" en
la eternidad, y llegar algún día a la patria celestial como "vencedor". Escuchad finalmente estas consideraciones de
San Agustín: "Nuestro Salvador, queridos hermanos, subió a los cielos; ¡nada, pues, nos perturbe acá en la tierra!
¡Tengamos allí nuestro corazón, para gozar aquí de sosiego! Elevemos al cielo con Cristo nuestro espíritu, para que,
cuando amaneciere el día tan ansiado, podamos también seguirle con el cuerpo. Entre tanto, no olvidemos,
hermanos, que la soberbia, la avaricia y la lujuria no subirán jamás con Cristo al cielo. Cristo, médico celestial, no
puede tolerar en su reino ninguna enfermedad espiritual. Si queremos seguir a nuestro médico celeste, hemos de
librarnos de nuestros vicios y pecados, puesto que son los grillos que nos atan a la tierra".

(R.P. Lehmann, Juan, Salió el Sembrador, Ed. Guadalupe, 1947, Pag. 604-613)

EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ


FESTA DA EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ

A IGREJA Católica ocidental conhece a festa da Invenção da Santa Cruz, celebrada no quinto e sexto século, em
memória da célebre aparição do sinal da Cruz, na batalha da ponte Mílvia, que deu a vitória ao imperador
Constantino sobre seu competidor Maxêncio, e a festa da Invenção do Santo Lenho, pela Imperatriz Santa Helena. A
liturgia dos nossos dias, porém, reserva o dia 3 de Maio à celebração da Invenção da Santa Cruz e à Aparição
maravilhosa na batalha acima referida, dando-lhe o título: Festa da Invenção da Santa Cruz. O dia 14 de Setembro,
dia da Festa da Exaltação da Santa Cruz, comemora o glorioso fato da reconquista da Santa Cruz das mãos dos
Persas.
Chosroes II, rei da Pérsia, pegara em armas contra o império oriental romano (610), sob o pretexto de querer vingar
as crueldades que o imperador Phocas tinha praticado contra o imperador Maurício. Phocas desapareceu e teve por
sucessor Heráclio, governador da África. Este fez proposta de paz a Chosroes, que este rejeitou. Uma cidade após
outra caiu em poder dos Persas, sem que Heráclio lhes pudesse tolher os passos. Senhor de Jerusalém, Chosroes
praticou as maiores atrocidades contra sacerdotes e religiosos, reduziu à cinza as igrejas, e entre outras
preciosidades, levou também a parte do Santo Lenho, que Santa Helena tinha deixado na cidade Santa.

Heráclio pela segunda vez pediu a paz. O rei bárbaro respondeu-lhe com arrogância e orgulho: "Os Romanos não
terão paz, enquanto não adorarem o sol, em vez de um homem crucificado". Vendo assim frustrados todos os
esforços, Heráclio pôs toda confiança em Deus e em 622 marchou contra a Pérsia. Vitorioso no primeiro encontro,
na Armênia, no ano seguinte o exército cristão conquistou Gaza, queimou o templo, junto com a estátua de
Chosroes, que nele se achava. Chosroes mesmo foi assassinado pelo próprio filho, com o qual Heráclio celebrou a
paz. Uma das primeiras condições desta paz foi a restituição do Santo Lenho, o qual Heráclio levou em triunfo para
Constantinopla.

Uma vez livre do jugo dos Persas, Heráclio resolveu a solene trasladação do Santo Lenho para Jerusalém. Na
primavera do ano de 629, com grande comitiva, foi a Cidade Santa, levando consigo a preciosa relíquia. Festas
extraordinárias prepararam-se na Palestina. Em procissão soleníssima foi levada a Santa Cruz, para ser depositada na
igreja do Santo Sepulcro, no monte Calvário. O Imperador tinha reservado para si a honra de a carregar. Chegada a
procissão à porta da cidade que conduz ao Gólgota, Heráclio, como retido por forças invisíveis, não pôde dar mais
um passo adiante. O patriarca Zacarias, que se achava ao lado do Imperador, levantou os olhos ao céu e como por
inspiração divina, disse-lhe: "Senhor! Lembrai-vos de que Jesus Cristo era pobre, quando vós andais vestido de
púrpura; Jesus Cristo levava uma coroa de espinhos, quando na vossa cabeça vejo brilhar uma coroa preciosíssima;
Jesus Cristo andava descalço, quando vós usais calçado finíssimo". Heráclio com humildade aceitou o aviso do
patriarca. Sem demora tirou a coroa, trocou o manto imperial por uma túnica pobre, substituindo o rico calçado por
sandálias e, tomando de novo o Santo Lenho, sem dificuldade alguma o levou até a última estação. Lá chegado, todo
o povo se acercou da grande relíquia, venerando-a com muita fé. Muitos doentes recuperaram a saúde.

Para todos, o dia 14 de Setembro de 629 foi um dia de triunfo e da mais pura alegria. Deus ainda o glorificou por
milagres, dando a saúde a muitos enfermos.

Fonte: Na Luz Perpétua, Pe. João Batista Lehmann, Editora Lar Católico, 1950.

Visto em: http://angueth.blogspot.com.br/2013/09/festa-da-exaltacao-da-santa-cruz.html.

O ÓDIO PROTESTANTE E OS SANTOS MÁRTIRES DE GORKUM


Quando no século XVI as heresias de Lutero e Calvino conseguiram insinuar-se na Holanda, lá, como na Alemanha
e na Suíça, foram causadores de graves distúrbios. Os calvinistas rebelaram-se contra o governo do rei Filipe II e,
chefiados pelo príncipe de Orange, tomaram à força armada algumas cidades, entre estas a de Gorkum.
O governador retirou-se para o castelo em companhia de alguns católicos, dois párocos, onde frades franciscanos e
alguns sacerdotes seculares. Os calvinistas, senhores que se fizeram da cidade, forçaram o
castelo à rendição. Esta se efetuou sob a condição, porém, de ser garantido livre egresso a todos. Os calvinistas,
desprezando esta combinação, aprisionaram o comandante, todos os clérigos e dois cidadãos, dos quais um foi
enforcado imediatamente.

Os sacerdotes eram de preferência alvo do furor calvinista. Maus tratos revezavam com ameaças de morte
e finalmente foram todos metidos num calabouço subterrâneo. No dia de sexta-feira, lhes deram carne a comer.
Querendo eles, porém, observar a abstinência, tiveram de suportar toda a sorte de sofrimentos e injúrias.

Ergueram em sua presença uma força ameaçando-os com a morte, se não quisessem negar a fé no
Santíssimo Sacramento. Ao vigário, padre Nicolau Van Poppel um dos bandidos pôs a arma na testa
e berrou aos ouvidos: “Anda, padre! Como é? Tantas vezes declaraste no púlpito que estavas pronto a dar a
vida pela fé. Pois então, dize! Estás mesmo disposto?” O padre respondeu: “Dou a minha vida com muito prazer,
se é em testemunho da minha fé e principalmente do artigo por vós rejeitado, o da
presença real de Jesus no Santíssimo Sacramento”. Perguntado pelos tesouros, que supunham estarem
escondidos no castelo, padre Nicolau não soube dar informações a respeito. O calvinista lançou-lhe então uma
corda ao pescoço, puxou-o de um lado para o outro, até que caiu como morto.

Chegara a vez dos franciscanos. Ao frei Nicásio Pick puseram o mesmo cordão ao pescoço, arrastaram-no à porta do
cárcere. Lá chegando, meteram a corda por cima da porta e puxando com força, suspenderam a vítima a altura
considerável, para imediatamente deixarem cair. Isto praticaram com diabólico prazer. Afinal a corda rebentou
e o pobre padre caiu pesadamente ao chão, sem mais dar sinal de vida. Para verificar se estava vivo ou morto, os
soldados trouxeram velas, queimaram-lhe a testa, o nariz, as pálpebras, as orelhas, a boca e finalmente a língua.

Como o padre não desse mais sinal de vida, deram-lhe pontapés e disseram com ar de desprezo: ” É um frade, que
importa?” Mas o padre não estava morto, tanto que no dia seguinte os bandidos tiveram sua satisfação de poder
continuar as crueldades.

Durante toda a noite os padres estiveram entregues à sanha daqueles demônios em figura humana. Não havia
nada que abrandasse o furor dos endiabrados hereges. Davam bofetadas nos religiosos, com tanta força e
brutalidade, que lhes corria o sangue pelo nariz e pela boca. O padre Willehad, um venerável ancião de noventa
anos, repetia a cada bofetada que recebia, a jaculatória: “Deus seja louvado!” Os algozes, sentindo-se fatigados
de tanto bater, ajoelhavam-se diante dos padres e entre risos de escárnio, arremedavam a confissão, proferindo
nesta ocasião obscenidades e blasfêmias horríveis e asquerosas.

Em outra ocasião, amarraram os religiosos dois a dois e obrigaram-nos a andarem em fila, imitando a procissão
e a cantar o “Te Deum” e tudo isto sob a algazarra satânica da soldadesca desenfreada. Depois puseram dados
nas mãos das vítimas para assim. à guisa do jogo, tirar a sorte quem deles primeiro havia de subir à forca. O
padre Guardião exclamou: “Não se faz mister de jogo, estou pronto, porque já passei por esta delícia”

Os católicos de Gorkum envidaram todos os esforços para libertar os prisioneiros. Para este fim, dirigiram uma
petição ao príncipe de Orange. Os calvinistas suspeitando qualquer reação, tiraram aos franciscanos o hábito
e despacharam-nos, com outros sacerdotes, na noite de 5 a 6 de julho, para Briel, à residência do clerofobo
conde Lumam von Marc.

A pena se nega a fazer a descrição de tudo que aqueles religiosos tiveram de sofrer, dos verdugos e do populacho
fanático. Em Dordrecht estava à espera um navio, que devia levá-los até Briel. Antes do embarque, um bando de
calvinistas arrastou os mártires a um lugar perto do rio, onde estava aparelhada uma forca. Como cães raivosos,
atiraram-se sobre as pobres vítimas e o ar encheu-se de insultos e vitupérios como estes: “Eis aí a vossa Igreja!
Ide, rezai a vossa Missa”. Em seguida, obrigaram-nos a passarem três vezes em volta da força, sendo a última vez
com os joelhos no chão, sob o canto da “Salve Rainha”. Enquanto os religiosos se puseram a obedecer esta ordem
ridícula e estapafúrdia, choviam-lhes bengaladas e pedradas às costas. O padre vigário
Jerônimo de Weert, vendo estas indignidades, não mais se conteve e disse: “Que estou presenciando?
Estive entre turcos e infiéis, mas coisa igual a esta eu nunca vi!”

Finalmente o triste cortejo chegou a Briel. Lá o esperava o conde Lumm, com dois pregadores da seita e alguns
magistrados. Todos se empenharam para conseguir dos prisioneiros a renúncia à fé, em particular ao dogma da
real presença de Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento. Foram baldados os esforços. Os mártires unanimemente
rejeitaram as propostas feitas e preferiram continuar na prisão. O cárcere que os recebeu, era uma pocilga
imundíssima.

Uma ordem do príncipe de Orange, de por em liberdade os prisioneiros, não foi cumprida. O conde Lumm,
embriagado de ódio e vinho, mandou-os levar, alta noite, às ruínas do convento Rugem, que pouco antes tinha
sido incendiado pelos calvinistas.

Restara ainda o celeiro. O padre Guardião foi lá mesmo enforcado, depois de ter animado os
irmãos à constância. Depois deles, foram estrangulados todos os companheiros. O fanatismo dos calvinistas nem
respeitou os cadáveres dos mártires. Cortaram-lhes o nariz, as orelhas e levaram-nos como troféus de vitória nos
capacetes e chapéus. Os católicos resgataram por muito dinheiro os corpos dos santos irmãos e transportaram-nos
para Bruxelas.

Clemente X beatificou-os em 1674 e Pio IX elevou-os à categoria de Santos, no ano de 1867.

Eis os nomes dos gloriosos mártires de Gorkum:

v São Leonardo van Vecchel

v São Nicolau Poppel

v Santo Adriano van Hilvarenbeek

v São Godofredo van Duynen

v São João van Oosterwyck

v São João de Colônia

v Santo André Vouters

v São Jacó Lakops

v São Jerônimo van Weert

v São Teodoro van Emden

v São Willehad

v São Nicásio Pick

v São Godofredo Maverllan

v Santo Antônio de Wurt

v Santo Antônio de Hornar

v São Francisco Rodes

v São Pedro de Asca

Reflexões:

Os santos mártires preferem morrer a negar um artigo sequer da fé. Não podia ser outra sua atitude. Quem nega
só um artigo da fé e voluntariamente se entrega a dúvidas a respeito, já perdeu a fé e em conseqüência deixa de
ser católico. Católico é aquele que é batizado e crê tudo que Deus revelou e pela Santa Igreja ajuda a crer. Por
isso, devemos crer em tudo o que a Igreja nos propõe como artigo de fé. Cristo chama incrédulo a Tomé, que se
negava a crer na Ressurreição do Divino Mestre. Incrédulo é, pois, todo aquele que rejeita ou põe em dúvida um
artigo da fé. Perante Deus, não é católico quem nega a confissão e deste sacramento não se aproxima, alegando ser
o mesmo invenção dos padres. Católico não é em consciência, quem nega a infalibilidade do Papa ou a existência
de fogo eterno, etc. Sujeitemos o nosso intelecto aos ditames da verdadeira religião e renovemos muitas vezes
as nossas promessas do batismo, que são a declaração formal da nossa santa fé.

Referência bibliográfica: Na luz Perpétua, 5ª. ed., Pe. João Batista Lehmann, Editora Lar Católico – Juiz de Fora –
Minas Gerais, 1959

Fonte: http://www.paginaoriente.com/santosdaigreja/jul/gork0907.htm

Nossa Senhora de Fátima - 13 de Maio


Em todo o Portugal e em todos os países do mundo, particularmente no Brasil, tem-se criado, no decorrer da
história, fortes raízes à devoção a Nossa Senhora de Fátima.
O início e características desta devoção muito de semelhante tem à de Nossa Senhora de Lourdes. Como em
Lourdes, Nossa Senhora que se dignou comunicar à menina Bernadete de Soubirous, hoje santa canonizada pela
Igreja, Maria Santíssima em Fátima apareceu, (no ano de 1917) por diversas vezes às três crianças: Lúcia de Jesus dos
Santos e seus primos Francisco e Jacinta Marto.

Entre Lúcia e a Aparição estabeleceu-se diálogo da duração de dez minutos. Jacinta via a Aparição e ouvia-lhe as
palavras dirigidas a Lúcia; Francisco via apenas a Aparição, sem, porém, ouvir coisa alguma, apesar de se achar na
mesma distância e possuir ótimo ouvido.

Primeira Aparição

Quando Nossa Senhora apareceu pela primeira vez em Fátima, no dia 13 de maio de 1917, Lúcia acabara de
completar 10 anos; Francisco estava para completar 9; e Jacinta, a menor, tinha pouco mais de 7 anos.

A aparição era de uma donzela formosíssima, que parecia ter dezoito anos de idade, e vinha rodeada de claridade
fulgurante, tanto que as crianças na primeira vez se assustaram e pensaram em fugir.

A aparição, porém, de voz dulcíssima, as tranquilizou, e assim ficaram. O folheto publicado pelo Visconde de
Montelo sobre as aparições diz o seguinte: "O vestido da Senhora era de uma alvura puríssima de neve, assim como
o manto, orlado de ouro que lhe cobria a cabeça e a maior parte do corpo.

O rosto, de uma riqueza de linhas irrepreensíveis e que tinha um não sei que de sobrenatural e divino, apresentava-se
sereno e grave e como que toldado de uma leve sombra de tristeza. Das mãos, juntas à altura do peito, pendia-lhe
rematado por uma cruz de ouro, um lindo rosário, cujas contas brancas brancas de arminho, pareciam pérolas.

De todo o seu vulto, circundado de um esplendor mais brilhante que o sol, irradiavam feixes de luz, especialmente do
rosto, de uma formosura impossível de descrever, incomparavelmente superior a qualquer beleza humana."

As crianças, surpreendidas, pararam bem perto da Senhora, dentro da luz que a envolvia. Nossa Senhora então deu
início a seguinte conversação com Lúcia:

- Não tenhais medo. Eu não vos faço mal.

- De onde é Vossemecê?

- Sou do Céu.

- E que é que Vossemecê quer?

- Vim para vos pedir que venhais aqui seis meses seguidos, no dia 13, a esta mesma hora. Depois vos direi quem sou e
o que quero. Depois, voltarei ainda aqui uma sétima vez.

- E eu vou para o Céu?

- Sim, vais.

- E a Jacinta?

- Também.

- E o Francisco?

- Também; mas tem que rezar muitos Terços.

Lucia lembrou-se então de perguntar por duas jovens suas amigas que haviam falecido pouco tempo antes:

- A Maria das Neves já está no Céu?

- Sim, está.

- E a Amélia?

- Estará no Purgatório até o fim do mundo.


Nossa Senhora fez então um convite explícito aos pastorinhos:

- Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-vos, em ato de reparação
pelos pecados com que Ele é ofendido, e de súplica pela conversão dos pecadores?

- Sim, queremos.

- Ides, pois, ter muito que sofrer, mas a graça de Deus será o vosso conforto.

Nossa Senhora ainda acrescentou: "Rezem o Terço todos os dias, para alcançarem a paz para o mundo e o fim da
guerra". Depois, começou a Se elevar majestosamente pelos ares na direção do nascente, até que desapareceu.

A aparição convidou as criaturas a voltarem todos os meses no dia treze, durante seis meses no dia treze, durante
seis meses consecutivos àquele local, popularmente conhecido pelo nome deCova da Iria, situado a pouco mais de
dois quilômetros da igreja paroquial de Fátima.

A princípio ninguém prestava crédito às afirmações das crianças, que eram apodadas de mentirosas por toda a
gente, mesmo pelas pessoas de suas famílias.

A 13 de junho (dia da 2ª aparição) umas 50 pessoas acompanharam os videntes, na esperança de presenciarem o


que quer que fosse de extraordinário. Nos meses seguintes o concurso de curiosos e devotos aumentou
consideravelmente, reunindo-se talvez 5.000 pessoas em julho, 18.000 em agosto e 30.000 em setembro, junto a
azinheira sagrada.

No momento em que se verificava a aparição, inúmeros sinais misteriosos de que muitas pessoas fidedignas dão
testemunho, se sucederam uns após outros na atmosfera e no firmamento.

A aparição recomendou insistentemente que todos fizessem penitência e rezassem o terço do Rosário. Comunicou
às crianças um segredo, que não podiam revelar a ninguém, e prometeu-lhes o céu.

Segunda Aparição

A 13 de junho, os videntes não estavam sós, mais 50 pessoas haviam comparecido ao local.

A pequena Jacinta não conseguira guardar o segredo que os três haviam combinado, e se espalhara a notícia da
aparição.

Desta vez, foi Lúcia que principiou a falar:

- Vossemecê que me quer?

- Quero que venhais aqui no dia 13 do mês que vem, que rezeis o terço todos os dias, e que aprendais a ler. Depois
direi o que quero.

Lúcia pediu a Nossa Senhora a cura de um doente.

- Se se converter, curar-se-á durante o ano.

- Queria pedir-lhe para nos levar para o Céu.

- Sim, a Jacinta e o Francisco, levo-os em breve. Mas tu ficas cá mais algum tempo. Jesus quer Servir-se de ti para Me
fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração. A quem a abraçar,
prometo a salvação; e serão queridas de Deus estas almas, como flores postas por Mim a adornar o seu trono.

- Fico cá sozinha?

- Não, filha. E tu sofres muito? Não desanimes. Eu nunca te deixarei. O meu Imaculado Coração será o teu refúgio, e o
caminho que te conduzirá até Deus.

Nossa Senhora, como da primeira vez, elevou-se com majestosa serenidade e foi-se distanciando, rumo ao nascente.

Terceira Aparição
A 13 de julho, mais de 2 mil pessoas haviam comparecido à Cova da Iria.

As pessoas presentes notaram uma nuvenzinha de cor acinzentada pairando sobre a azinheira; notaram também
que o sol se ofuscou e um vento fresco soprou, aliviando o calor daquele auge de verão.

Novamente foi Lúcia que iniciou a conversação:

- Vossemecê que me quer?

- Quero que venham aqui no dia 13 do mês que vem, que continuem a rezar o Terço todos os dias, em honra de Nossa
Senhora do Rosário, para obter a paz do mundo e o fim da guerra, porque só Ela lhes poderá valer.

- Queria pedir-lhe para nos dizer Quem é; para fazer um milagre com que todos acreditem que Vossemecê nos
aparece.

- Continuem a vir aqui, todos os meses. Em outubro direi Quem sou, o que quero, e farei um milagre que todos hão de
ver para acreditar.

Lucia fez então alguns pedidos de graças e curas. Nossa Senhora respondeu que deviam rezar o Terço para
alcançarem as graças durante o ano. Depois, prosseguiu:

- Sacrificai-vos pelos pecadores, e dizei muitas vezes, em especial sempre que fizerdes algum sacrifício: Ó Jesus, é por
vosso amor, pela conversão dos pecadores, e em reparação pelos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de
Maria.

Deu-se então a visão do Inferno, descrita, anos depois, pela Irmã Lúcia. Esta visão constitui a primeira parte do
Segredo de Fátima, revelada apenas em 1941, assim como a segunda parte a seguir:

Após a terrível visão do inferno, os três pastorinhos levantaram os olhos para Nossa Senhora, como que para pedir
socorro, e Ela, com bondade e tristeza, prosseguiu:

- Vistes o inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores. Para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a
devoção ao meu Imaculado Coração. Se fizerem o que Eu vos disser, salvar-se-ão muitas almas e terão paz. A guerra
vai acabar. Mas se não deixarem de ofender a Deus, no reinado de Pio XI começará outra pior.

- Quando virdes uma noite alumiada por uma luz desconhecida, sabei que é o grande sinal de Deus vos dá, de que vai
punir o mundo de seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre.

Para a impedir, virei pedir consagração da Rússia ao meu Imaculado Coração e a comunhão reparadora nos
primeiros sábados.

Se atenderem aos meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz; se não, espalhará seus erros pelo mundo,
promovendo guerras e perseguições à Igreja.

Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas. Por fim, o meu
Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-Me-á, a Rússia se converterá, e será concedido ao mundo
algum tempo de paz. Em Portugal, se conservará sempre o Dogma de Fé...

(Aqui se insere a terceira parte do Segredo de Fátima, revelada pelo Papa em 13 de maio de 2000.)

- Isso não digais a ninguém. Ao Francisco sim, podes dizê-lo.

Após uma pausa prosseguiram:

- Quando rezardes o terço, dizei depois de cada mistério: Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno,
levai as almas todas para o Céu, principalmente aquelas que mais precisarem.

- Vossemecê não me quer mais nada?

- Não. Hoje não te quero mais nada.


E como das outras vezes, começou a se elevar com majestade na direção do nascente, até desaparecer por
completo.

Quarta Aparição

Os três pastorinhos foram sequestrados, na manhã do dia 13 de agosto, pelo administrador de Ourém, a cuja
jurisdição pertencia Fátima.

Ele achava que os segredos de Nossa Senhora se referiam a um acontecimento político que abalaria com a
República, recém instalada em Portugal.

Como eles nada revelaram do segredo - mesmo tendo sido deixados sem comida, presos juntamente com
criminosos comuns e sofrido forte pressão - o truculento administrador acabou por desistir do intento e devolveu os
videntes a suas famílias. Mas com isso, eles tinham perdido a visita da Bela Senhora, que descera à cova de Iria, mas
não os encontrara.

Dois dias depois, entretanto, a Virgem novamente lhes apareceu, em um local chamado Valinhos.

Como das outras vezes, seguiu-se o diálogo:

- Que é que Vossemecê me quer?

- Quero que continueis a ir à Cova da Iria no dia 13; que continueis a rezar o Terço todos os dias. No último mês, farei
o milagre para que todos acreditem.

- Que é que Vossemecê quer que se faça ao dinheiro que o povo deixa na Cova da Iria?

- Façam dois andores.

- Um, leva-o tu com a Jacinta e mais duas meninas, vestidas de branco; o outro, que leve o Francisco com mais três
meninos.

- O dinheiro dos andores é para a festa de Nossa Senhora do Rosário; e o que sobrar é para a ajuda de uma capela,
que hão de mandar fazer.

- Queria pedir-Lhe a cura de alguns doentes.

- Sim, alguns curarei durante o ano. Rezai, rezai muito; e o que fazei sacrifícios pelos pecadores, que vão muitas
almas para o inferno, por não haver quem se sacrifique e peça por elas.

Em seguida, como de costume, começou a se elevar e desapareceu na direção do nascente.

Pediu que naquele local se erigisse uma capela em sua honra e declarou que no dia 13 de outubro havia de fazer um
milagre para que todo o povo acreditasse que Ela realmente tinha ali aparecido. Em 13 de agosto, momentos antes
da hora da aparição, as crianças foram ardilosamente raptadas pelo administrador do Conselho, que as reteve em
sua casa durante dois dias, ameaçando-as de morte se não se desdissessem ou pelo menos não revelassem o
segredo que a aparição lhes tinha confiado.

Quinta Aparição

A 13 de setembro, já eram 15 ou 20 mil as pessoas presentes no local das aparições. A Virgem assim falou:

- Continuem a rezar o Terço, para alcançarem o fim da guerra.

- Em outubro virá também Nosso Senhor, Nossa Senhora das Dores e do Carmo, São José com o Menino Jesus, para
abençoarem o mundo. Deus está contente com os vossos sacrifícios, mas não quer que durmais com a corda.(que
usavam cingida aos rins) Trazei-a só durante o dia.

- Têm-me pedido para Lhe pedir muitas coisas: a cura de alguns doentes, de um surdo-mudo.

- Sim, alguns curarei. Outros, não, Em outubro farei o milagre para que todos acreditem.
Em seguida, começou a se elevar e desapareceu no firmamento.

Sexta Aparição (Milagre do Sol)

A 13 de outubro, era imensa a multidão que acorrera à Cova da Iria: 50 a 70 mil pessoas. A maior parte chegara na
véspera e ali passara a noite. Chovia torrencialmente e o solo se transformara num imenso lodaçal.

A multidão rezava o terço quando, à hora habitual, Nossa Senhora apareceu sobre a azinheira:

- Que é que Vossemecê me quer?

- Quero dizer-te que façam aqui uma capela em minha honra; que sou a Senhora do Rosário; que continuem sempre
a sempre rezar o Terço todos os dias. A guerra vai acabar, e os militares voltarão em breve para suas casas.

- Eu tinha muitas coisas para lhe pedir: se curava uns doentes e se convertia uns pecadores, etc. ...

- Uns sim, outros não. É preciso que se emendem; que peçam perdão dos seus pecados. Não ofendam mais a Deus
Nosso Senhor, que já está muito ofendido.

Nesse momento, abriu as mãos e fez com que elas se refletissem no Sol, e começou a Se elevar, desaparecendo no
firmamento. Enquanto Se elevava, o reflexo de sua própria luz se projetava no Sol.

Os pastorinhos então viram, ao lado do Sol, o Menino Jesus com São José e Nossa Senhora. São José e o Menino
traçavam com a mão gestos em forma de cruz, parecendo abençoar o mundo.

Desaparecida esta visão, Lúcia viu Nosso Senhor a caminho do Calvário e Nossa Senhora das Dores. Ainda uma vez
Nosso Senhor traçou com a mão um sinal da Cruz, abençoando a multidão.

Por fim aos olhos de Lúcia apareceu Nossa Senhora do Carmo com o Menino Jesus ao colo, com aspecto soberano e
glorioso.

As três visões recordaram, assim, os Mistérios Gozosos, os Dolorosos e os Gloriosos do Santo Rosário.

Enquanto se passavam essas cenas, a multidão espantada assistiu ao grande milagre prometido pela Virgem para
que todos cressem.

No momento em que Ela se elevava da azinheira e rumava para o nascente, o Sol apareceu por entre as nuvens,
como um grande disco prateado, brilhando com fulgor fora do comum, mas sem cegar a vista.

E logo começou a girar rapidamente, de modo vertiginoso. Depois parou algum tempo e recomeçou a girar
velozmente sobre si mesmo, à maneira de uma imensa bola de fogo. Seus bordos tornaram-se, a certa altura,
avermelhados e o Astro-Rei espalhou pelo céu chamas de fogo num redemoinho espantoso.

A luz dessas chamas se refletia nos rostos dos assistentes, nas árvores, nos objetos todos, os quais tomavam cores e
tons muito diversos, esverdeados, azulados avermelhados, alaranjados etc.

Três vezes o Sol, girando loucamente diante dos olhos de todos, se precipitou em zigue-zague sobre a terra, para
pavor da multidão que, aterrorizada, pedia a Deus perdão por seus pecados e misericórdia.

O fenômeno durou cerca de 10 minutos . Todos o viram, ninguém ousou pô-lo em duvida, nem mesmo livre-
pensadores e agnósticos que ali haviam acorrido por curiosidade ou para zombar da credulidade popular.

Não se tratou, como mais tarde imaginaram pessoas sem fé, de um fenômeno de sugestão ou excitação coletiva,
porque foi visto a até 40 km de distância, por muitas pessoas que estavam fora do local da aparições e portanto fora
da área de influência de uma pretensa sugestão ou excitação.

Mais um pormenor espantoso notado por muitos: as roupas, que se encontravam encharcadas pela chuva no início
do fenômeno, haviam secado prodigiosamente minutos depois.

Toda imprensa, inclusive a de grande circulação se referiu, em termos respeitosos e com bastante desenvolvimento
de Fátima.
As apreciações destes fatos, mesmo no campo católico, não foram unânimes.

As afirmações das crianças relativas ao próximo fim da grande guerra européia, contribuiram para essa divergência
de opiniões. Mas apesar disso, de ano para ano, a devoção a Nossa Senhora do Rosário de Fátima aumenta e
propaga-se por toda a parte.

O concurso de peregrinos é enorme e verifica-se especialmente no dia 13 de cada mês, nos domingos, nos dias
consagrados à Santíssima Virgem e, mais do que nunca, no dia 13 de maio e no dia 13 de outubro de cada ano.

A história e o tempo deixaram registradas ocorrências de inúmeras graças, curas prodigiosas e milagres atribuídos à
intervenção de Nossa Senhora de Fátima.

Diante dos acontecimentos de Fátima, a Igreja deixou-se ficar na maior reserva e teve muita cautela, investigando e
analisando o fatos por não curto espaço de tempo.

O Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. Antônio Mendes Belo (falecido em 04 de agosto de 1929, na idade de 87 anos), só
em 26 de junho de 1927, isto é, 10 anos depois das aparições, foi a Fátima, onde benzeu a via sacra colocada junto a
estrada de Leiria a Fátima, muito depois de outros bispos e prelados terem visitado Fátima, por exemplo, o
Arcebispo de Évora, o Primaz D. Manoel Vieira de Maos, o Núncio Apostólico de Lisboa e o Bispo de Funchal.

Em 1931 o Episcopado Português fez a solene consagração do país a Nossa Senhora do Rosário de Fátima.

Lúcia, viveu até os 97 anos de idade, e morreu santamente no dia 13/02/2005 no mosteiro Carmelita de Coimbra,
onde estava reclusa desde 1948.

* Referências bibliográficas:

- Na luz Perpétua, 5ª. ed., Pe. João Batista Lehmann, Editora Lar Católico - Juiz de Fora - Minas Gerais, 1959.

www.paginaoriente.com

30 de Novembro: Dia de Santo André Apóstolo


Santo André Apóstolo e a Santa Missa

Quando começou o julgamento, Egeas (governador romano) tinha dito: "Es tu aquele André que derruba os templos
de nossos deuses, e mete tolices na cabeça dos simples, para que abracem essa religião supersticiosa, contra a qual
os imperadores deram ordens as mais severas?"

André: "Estas ordens foram dadas por imperadores que desconhecem a verdade; desconhecem a Jesus Christo, o
Filho de Deus, que veio a este mundo para salvar os homens; são deuses, mas abjetos demonios."

Egeas: "Os judeus crucificaram Jesus Christo justamente por causa desta doutrina"

André: "Ah! Se conhecesses o mysterio da Cruz e comprendesses quem é Ele, que, Creador de todos os homens, por
amor de nós tomou livremente a Cruz sobre si, para nos salvar!"

Egeas: "Livremente não, porque foi processado, preso, condenado e crucificado."

André: "Quem como ele, predisse a morte; quem como ele, predisse o modo por que havia de morrer; quem como
ele, depois de morto, resuscita glorioso do sepulcro; quem como ele, disse: "Eu tenho o poder de entregar minha
vida e de rehave-la e confirma esta doutrina por fatos inegáveis, morreu porque quis, morreu livremente e a
salvação é um fato que se impõe a crença de todos"

Egeas: "É um absurdo ser discipulo de um crucificado"

André: "Se me quiseres ouvir, eu te explicarei este mistério."

Egeas: “A desconhecem ainda os deuses, que morte na cruz não é mistério nenhum, antes vergonha e castigo.”
André: “Uma coisa e outra: um castigo porque pela morte de cruz foi tirada a culpa do peccado; mysterio, porque
tornou fato a graça substituiu o castigo e aos fieis é garantida a vida eterna.”

Egeas: “Com estas fatuidades divertirás a quem quizeres; eu, porem te digo: Se não abandonares está religião, se
não renderes honra aos deuses, eu te mandarei a flagelação e mesmo a cruz, visto lhe teres tanta veneração.”

André: “O sacrifício que eu dia por dia offereço, não é incenso, não são holocaustos de bois e carneiros, mas é o
Cordeiro immaculado, offerecido a Deus vivo e verdadeiro. Os fieis bebem o sangue e comem a carne deste
Cordeiro, que não morre e a todos dá vida.”

Egeas: “Como é possível isso ?”

André: “Si quizeres tornar-te meu discípulo, eu t'o explicarei.”

A este convite de graça, Egeas respondeu com ordem de prisão. André foi encarcerado.
No dia seguinte sendo reiteradas as ameaças de morte e prestar culto aos Deuses romanos.
André respondeu ao Governador Egeas: “Meu martyrio tornar-me-á mais agradável a Deus; meu sofrimento pouco
tempo durará, ao passo que teu tormento não terá fim”
Pregado na cruz, ficou dois dias nesta posição, edificando a todos os assistentes com os conselhos e orações.
Aparecendo ainda com vida no terceiro dia, os fieis quizeram a força liberta-lo do tormento, mas quando puzeram
mãos a obra, uma luz intensíssima desceu do céu envolveu o apostolo e depois de meia hora já tinha entregue a
alma a Deus. Egeas sabendo de que o tinham sepultado o corpo do Apóstolo, enfureceu-se e pediu a exumação do
cadáver. Deus porém castigou-o horrivelmente. Egeas ficou possesso do demônio e morreu em pleno
desespero."Salve, santa Cruz, tão amada, tão desejada! Tira-me do meio dos homens, e entrega-me ao meu Mestre
e Senhor, para que eu de ti receba o que por ti me salvou" (Santo André).

Fonte: Na luz Perpétua, Pe. João Batista Lehmann, 2ª. ed., Editora Lar Católico - Juiz de Fora - Minas Gerais, 1935

Texto disponível em:


http://www.sinaisdostempos.org/missa/santo_andre_missa.htm

*É conservada quase a mesma ortografia do livro original, repare na descrição da Missa.

HAGIOGRAFIA - 12 de Abril, São Sabas, o Godo - Mártir (+ 372)


Da nação dos Godos, Sabas era filho de pais católicos, que se esmeraram em proporcionar-lhe uma educação
rigorosamente católica. Vivendo no meio de arianos, com o máximo cuidado afastaram do menino todas as
influências da heresia. Tiveram, pois, a satisfação de verem o filho desenvolver-se física e moralmente, sendo desde
pequeno amigo da oração e das coisas divinas. Não descuidando o estudo das ciências e artes, era mestre na ciência
dos Santos.

Jovem ainda, muito trabalhou pela conversão de idólatras e hereges. Mortos os pais, destinou grande parte da
fortuna aos católicos pobres, que sofriam cruel perseguição da parte dos Godos. Corajosamente os defendia, sempre
que as circunstâncias o aconselhavam, e seu desejo era um dia alcançar a coroa do martírio.

As autoridades e pessoas de influência, entre os Godos, eram pagãos e tudo faziam para prejudicar a religião cristã.
A perseguição começou com a ordem dada aos católicos, de comerem a carne dos animais mortos no culto dos
deuses. Pagãos havia que, para salvar a vida de parentes católicos, faziam clandestinamente substituir a carne
sagrada por outra comum, enganando habilmente a vigilância dos guardas. Sabas declarou-se francamente contrário
a esta praxe e disse não poder reconhecer como cristãos aqueles, que desta maneira pretendiam iludir pagãos e ca-
tólicos. Este enérgico protesto salvou a muitos da queda. Outros, porém, achando que era excessivo esse rigor,
fizeram-lhe guerra e obrigaram-no a sair daquela localidade; mas chamaram-no novamente pouco tempo depois,
quando irrompeu uma perseguição mais rude ainda contra o catolicismo. Um emissário do governo apareceu no
lugar onde estava Sabas, para descobrir os cristãos. Fora então combinado entre os habitantes declarar, sob
juramento, que ali não existia católico nenhum. Sabas opôs-se a este plano e declarou àqueles que estavam prontos
a prestar juramento: “Quanto a mim, ninguém jure, pois sou cristão”. O emissário, sabendo do incidente, citou a
Sabas perante a sua presença e intimou-o a fazer declarações sobre os bens de fortuna. Descobrindo, porém, que
Sabas era pobre, que nada possuía além da roupa do corpo, o magistrado tratou-o com desprezo e despediu-o.
Pela Páscoa de 372, a perseguição recrudesceu. Sabas cuidava de festejar do melhor modo possível a Páscoa. Para
este fim, pretendia procurar o sacerdote Gutica, que residia em lugar distante. No meio do caminho, porém, devido
a um aviso do céu, resolveu voltar e celebrar a Páscoa com o sacerdote Sansala.

Três dias depois da festa, um bando, chefiado por Atarido, filho de um príncipe daquela região, assaltou a casa do
sacerdote, apoderou-se da pessoa deste e de Sabas, e levou ambos, maltratando-os de maneira bárbara. Os
ferimentos, porém, infligidos a Sabas não deixaram o menor vestígio, o que grande admiração causou aos
perseguidores.

Atarido, porém, em vez de reconhecer nisto a proteção divina, que Sabas visivelmente experimentava, redobrou de
crueldde. Mandou que a este e a Sansala fosse servida carne dos altares pagãos. Ambos se negaram a tomá-la, e
Sabas declarou: “Esta carne é impura e profana; como impuro e profano é aquele, que nô-la mandou”. Sabas estava
ainda falando, quando um dos soldados, com toda força lhe arremessou a lança contra o peito. Os circunstantes
julgavam já morto o santo homem, quando este sem o menor sinal de perturbação, continuou: “Pensas talvez que
assim me podes matar? o golpe de lança, que contra meu peito dirigiste, não me fez maior mal, que se me tivesses
atirado um floco de lã”. Atarido, ainda mais excitado, deu ordem de entregar Sabas à morte.

Os soldados, movidos por sentimentos humanos, ofereceram-lhe ocasião de evadir-se. Sabas, porém foi conduzido à
margem do rio Mussovo, afluente do Danúbio, para ser afogado. Longe de sentir tristeza, manifestou a maior
satisfação, por ter sido achado digno de morrer pela fé. Os soldados, movidos por sentimentos humanos,
ofereceram-lhe ocasião de evadir-se. Sabas, porém, disse-lhes: “Fazei o que vos for ordenado. Vejo na outra banda o
que não vedes. Vejo ali os mensageiros de Deus, que vieram buscar minha alma e conduzi-la à glória eterna”. Os
soldados então o amarraram e atiraram à água. Este acontecimento teve lugar aos 12 de abril de 372, quando eram
imperadores Valentiniano e Valente.

Martírio de São Sabas

Os soldados tiraram da água o corpo do mártir, deixando-o insepulto na areia. Júnio Sorano, duque da Scítia e
grande servidor de Deus, mandou buscá-lo e decentemente enterrar na Capadócia.

Retirado e adaptado do livro: Lehmann, Pe. João Batista , S.V.D., Na Luz Perpétua, Lar Católico, Juiz de Fora, 1956

SANTO ANICETO, Rogai por nós !!!


Papa e Mártir

(+ 165)

NATURAL da Síria era Aniceto o sucessor de São Pio I na cadeira de S. Pedro. O governo deste Pontífice coincide com
o tempo do imperador romano Antônio. Não é certo se morreu mártir pela fé; é, porém, fora de dúvida, que tanto
lhe foram os sofrimentos e aflições pela causa de Cristo, que a Igreja lhe conferiu o título honroso de mártir. Além
das perseguições oficiais da parte do governo romano, existiam perigosas heresias, que faziam periclitar a existência
da Igreja. Embora fosse ela edificada sobre rochedo, contra o qual o inferno em vão dirige os ataques, grande
número dos fiéis abandonou a fé, correndo atrás do fogo fatuo de seitas errôneas. Grandes foram os estragos que o
herege Valetim causou ao rebanho de Cristo.

A essa obra perniciosa associou-se uma adepta da seita imoralíssima dos Carpocratitas, Marcelina, a qual levou
muitas pessoas à apostasia. Ainda um tal Marcion, herege e propagandista temível, propalou o veneno da heresia
entre os cristãos.

O Papa Aniceto envidou todos os esforços para impedir o progresso da obra de satanás e reconduzir ao seio da Igreja
os pobres transviados.

Deus lhe enviou um auxiliar de grande valor, na pessoa de S. Policarpo.

Este discípulo de S. João Evangelista, veio a Roma, e em demonstrações públicas, provou que a Igreja de Roma, na
doutrina, era idêntica a de Jerusalém. Esta declaração causou a conversão de muitos hereges.
Num ponto, aliás, de ordem secundária, houve divergência entre Policarpo e Aniceto; quanto ao tempo da
celebração da Páscoa. Os cristãos do Oriente comemoravam a Páscoa com os Judeus, quando na Igreja Romana não
existia este uso. Policarpo, desejoso de ver Roma adotar o uso da Igreja asiática, não conseguiu esta uniformização.
Aniceto opinava e com razão, que não devia abolir um costume introduzido e aprovado pelo príncipe dos Apóstolos.
Entretanto deixou aos cristãos orientais toda a liberdade na celebração da Festa da Páscoa, como eram acostumados
desde os dias de S. João Evangelista.

Santo Hegesipo era outro auxiliar estimável, que eficazmente dirigiu forte campanha contra as heresias. Num livro
que escreveu, sobre a tradição, provou que a doutrina passou pura e inalterada, dos Apóstolos ao Papa Aniceto e
demonstrou que a mesma doutrina era conservada e ensinada, sem a mínima alteração.

Aniceto governou a Igreja durante oito anos e nove meses e morreu no ano de 165.

Retirado e adaptado do livro: Lehmann, Pe. João Batista , S.V.D., Na Luz Perpétua, Lar Católico, Juiz de Fora, 1956.

O SANTO ROSÁRIO
Pe. João B. Lehmann. S.V.D. - Livro: "NA LUZ PERPÉTUA".

1. O Rosário é uma devoção sumamente meritória:

Uma oração é tanto mais meritória, quanto mais cara é a Deus. Ora, o Rosário compõe-se justamente das duas
orações mais caras a Deus, o Pai-Nosso, ensinado pelo próprio Deus feito homem, e da Ave-Maria, como nô-la
ensinaram o Arcanjo São Gabriel e, por inspiração de Deus, Santa Isabel e a Santa Igreja. Se os Santos do Paraíso
pudessem voltar à terra e aumentar seus méritos, de preferência a qualquer outra oração, se serviriam do Pai-Nosso
e da Ave-Maria para honrar e louvar a Deus.

Uma oração é tanto mais meritória, quanto mais a invocação material for vivificada pela intenção espiritual e pelo
afeto do coração. Pouco ou nenhum valor teria a recitação vocal, se não partisse da devoção interna da alma.

Pois bem, o Rosário une perfeita e graciosamente a oração vocal com a mental, apresentando à nossa meditação
os Mistérios da nossa Redenção.

Recitando o Rosário, dirigimos o nosso pensamento a Deus, ao Filho de Deus e à Mãe de Deus. Estes afetos são
outros tantos raios de luz sobrenatural, que nos iluminam, nos inflamam, deixando-nos o mérito de uma
contemplação, se bem que breve, mas altíssima e proveitosa.

Uma oração, como qualquer outra obra boa, é tanto mais meritória, quanto mais a nossa vontade se identificar
com a de Deus; quanto mais é feita por obediência à legítima autoridade, que é representante de Deus. Pois bem,
recitando o Terço, satisfazemos a um dos desejos mais ardentes da Igreja, a qual embora não o tendo como oração
propriamente litúrgica, o apregoou sua oração por excelência, distinguindo-a com festa solene e dedicando-lhe o
mês inteiro de outubro. "Desejamos ver sempre mais largamente propagada esta piedosa prática (do Rosário) e
tornar-se devoção verdadeiramente popular de todos os lugares, de todos os dias". ( Leão XIII).

Desta maneira, assim como por razão de obediência, o Divino Ofício (breviário) para o clero é a oração mais
meritória, assim a recitação do Rosário , recomendada a todos os fiéis, é de um valor inestimável para o povo.

2. É uma devoção sumamente impetratória:

A oração tira sua maior eficácia de duas qualidades principais: a perseverança assídua e a união de muitos
corações pela mesma oração. Estas duas qualidades vemos admiravelmente ligadas ao Rosário. Com ardente e
reiterada súplica se pede, se procura, se bate, faz-se doce violência aos Sagrados Corações de Jesus e de Maria. (No
Evangelho diz-se que Jesus, no Horto das Oliveiras, voltou a rezar por três vezes repetindo sempre as mesmas
palavras; e Jesus mesmo nos ensinou a fazermos esta doce violência). Recitado em comum, terá o cumprimento da
divina promessa: "Se dois de vós se unirem entre si sobre a terra, qualquer coisa que pedirem, ser-lhes-á concedida
por meu Pai, que está nos Céus. Porque onde estão dois ou três congregados em meu nome, aí estou no meio deles"
(Mt. XVIII, 19).
Eficacíssima é a oração do Rosário, porque dispõe em nosso favor o Coração de Maria, "Que doce alegria não deve
ser para ela ver-nos piamente empenhados em lançar-lhe coroas de súplicas e de louvores belíssimos! Se de fato
com estas preces rendemos a Deus, como é nosso desejo, a devida honra; se fazemos o protesto de nunca mais
procurar outra coisa senão cumprir em tudo sua santíssima vontade; se exaltamos sua bondade e magnifecência,
invocando o Pai, e pedindo nos conceda, embora imerecidamente, os mais estimáveis bens; de tudo isto, oh! quanto
não se alegrará Maria, e como não enaltecerá ao Senhor! Certamente não pode haver linguagem mais digna para
nos dirigirmos à divina majestade, que a da oração dominical. Tudo que no Pai-Nosso pedimos, é muito reto, muito
bem ordenado e conforme à fé, à esperança e à caridade cristã, e já por isto tem o especial agrado da Santíssima
Virgem. Além disto, ouvindo-nos rezar, ela reconhece em nossa voz o timbre da voz de seu Filho, que nos deu e nos
ensinou à viva voz esta oração e nô-la impôs, dizendo: assim deveis rezar. Maria Santíssima, vendo-nos assim com o
Rosário, cumprindo fielmente a ordem recebida, com tanto mais amor e solicitude nos atenderá. As místicas coroas
que lhe oferecemos, são-lhe sumamente agradáveis e penhores de graça par nós". (Leão XIII).

A própria Rainha do Céu fez-se fiadora da eficácia desta excelente oração. Por seu impulso e inspiração foi que São
Domingos fez do Rosário a arma poderosa para combater a heresia dos Albigenses.

À recitação do Rosário é que a Igreja atribui os seus maiores triunfos, e grata atesta, pela boca dos Sumos
Pontífices, que "pelo Rosário todos os dias desce uma chuva de bênçãos sobre o povo cristão". (Urbano IV); "que é a
oração oportuna para honrar a Deus e a Virgem, como afastar bem longe os iminentes perigos do mundo" (Sixto IV);
"propagando-se esta devoção, os cristãos entregues à meditação dos mistérios, começarão a transformar-se em
outros homens, as trevas das heresias dissipar-se-ão e difundir-se-á a luz da fé católica". (São Pio V).

3. O Rosário é um verdadeiro alimento espiritual:

Uma oração feita com atenção produz, juntamente com o mérito e com sua eficácia impetratória, o efeito de
refeição espiritual; e é precisamente esta atenção que nos falta muitas vezes, pelas distrações a que somos sujeitos,
quando estamos a rezar. O Rosário tem em si a virtude de excitar e nutrir em nós o recolhimento, pondo-nos em
contato com os mistérios da nossa religião. É a oração do sábio e do analfabeto, pois, como nenhuma outra, se
adapta à capacidade de todos.

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O SANTO ROSÁRIO - (continuação).


4. Na recitação do Têrço se aumenta em nós a fé, quando contemplamos a vida oculta, pública e gloriosa de Jesus
Cristo, que é o "autor e consumador de nossa fé" (Hebr. XII, 2), e exteriormente por meio de orações vocais
manifestamos que cremos em Deus nosso Pai providentíssimo; que cremos na vida eterna, na remissão dos pecados
e nos mistérios da augustíssima Trindade, da Encarnação, da maternidade divina de Nossa Senhora e de outros; "de
modo que, ao recitarmos bem o Rosário, sentimos em nossa alma uma unção suavíssima, como se ouvíssemos a
própria voz da Mãe celestial, que amavelmente nos ensina os divinos mistérios e nos indica o caminho da salvação".
(Leão XIII).

5. Pela recitação do Rosário aumenta-nos a esperança de por Maria Santíssima obtermos a abundância da divina
misericórdia: pois são justamente os mais importantes mistérios da Redenção, em que Maria apresenta no seu papel
de Corredentora: assim na Encarnação, na santificação do Batista, Precursor do Nascimento de Jesus, na
apresentação do Menino Jesus no Templo e no encontro do jovem Jesus entre os doutores. Enquanto recitamos o
Têrço, mentalmente acompanhamos a Mãe do Redentor no acerbo caminho da cruz, vemo-la, no altar do monte
Calvário, unir ao sacrifício de seu Filho; no têrço glorioso a nossa mente se prende à pessoa de Nossa Senhora e
medita a fase de sua vida depois da Ressurreição, até sua gloriosa Assunção e Coroação no céu.

6. Pela recitação do Terço acende-se em nosso coração a caridade, o amor, a gratidão a Jesus e Maria, que tanto
fizeram pela nossa salvação. Ao mesmo tempo desperta em nossa alma o desejo de seguir-lhes as pegadas e
pertencer-lhes inteiramente. O nosso espírito enleva-se na contemplação dos grandiosos exemplos que se nos
deparam nas pessoas de Jesus e Maria. Ele, ansioso por fazer o vontade de seu Pai; ela, fazendo sua consagração
perpétua de serva do Senhor.
7. Três males afligem a sociedade moderna: a aversão a uma vida modesta e laboriosa, a repugnância pelo
sofrimento, o esquecimento dos bens futuros. No Rosário encontramos um remédio salutar contra estes três
males gravíssimos (Leão XIII). Osmistérios gozosos apresentam-nos na Sagrada Família o modelo perfeitíssimo da
vida doméstica: pureza e simplicidade de costumes, perfeita e perpétua harmonia dos ânimos, ordem jamais
perturbada, respeito e amor recíprocos, amor e dedicação ao trabalho para poder fazer algum bem ao próximo,
tranqüilidade do espírito e alegria da alma, companheiros inseparáveis da consciência reta e bem formada.

Nos mistérios dolorosos vemos Jesus Cristo entregue a uma tamanha tristeza, que o corpo se lhe cobriu de suor de
sangue; vemo-lo preso a modo dos malfeitores, submetido a um julgamento de celerados, maldito, ultrajado,
caluniado; vemo-lo preso à coluna da flagelação, coroado de espinhos, pregado na cruz, julgado indigno de ter vida;
sua morte é impetuosa e sacrilegamente exigida pelo povo. Com os sofrimentos do Filho unem-se os sofrimentos de
sua Mãe Santíssima. O Coração de Maria, apesar de não ser ferido, é transpassado por uma espada de dor, e o título
de Mãe dolorosa é a expressão da verdade. Assim o Têrço nos ensina que indigno de usar o nome de cristão é todo
aquele que se nega a levar a cruz de sua vida.

Nos mistérios gloriosos se nos revelam os altos ideais do céu, infinitamente superiores aos bens transitórios e
falazes deste mundo. O Têrço glorioso nos faz compreender que a morte não é o cutelo que tudo corta e destrói,
mas a passagem desta vida à outra. Ensina-nos que o caminho para o céu é estreito para todos, e diante de nós
vemos Nosso Senhor, que nos conforta com a promessa deixada aqui na terra: "Eu vou, para vos preparar um lugar".
- Vemos mais, que tempo virá em que Deus enxugará as lágrimas dos nossos olhos e não haverá mais luto, nem
lamento, nem dor, mas viveremos em Deus Nosso Senhor, feitos semelhantes a Ele, pois o veremos como é,
inebriados pela torrente das suas delícias, concidadãos dos Santos, na companhia felicíssima de nossa Rainha, nossa
Mãe Maria, Uma alma que se eleva a tais sentimentos, inflama-se de tal maneira no amor de Deus, que com Santo
Inácio de Loiola chega a exclamar: "Oh! como é desprezível a terra, se a comparo com o céu!" e consola-se com a
palavra do Apóstolo: "um sofrimento leve e instantâneo importa-nos glória eterna".

Com efeito, o Rosário mostra-nos a único meio de unirmos o tempo à eternidade, a cidade terrena à cidade de
Deus. É o único meio de formar caracteres generosos e magnânimos.

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20 de janeiro: São Sebastião - Mártir (+ 287)


Extraído do Livro "NA LUZ PERPÉTUA", autor: Pe. João Batista Lehmann, S. V. D.

Nascido em Narbone, na Gália, recebeu Sebastião a educação em Milão, terra natal de sua mãe. Cristão, nunca se
envergonhou de sua religião. Vendo as grandes tribulações que os cristãos sofriam, as perseguições atrozes de que
eram vítimas, alistou-se nas legiões do imperador, com a intenção de mitigar os sofrimentos dos seus irmãos em
Cristo. A figura imponente, a prudência e bravura do jovem tanto agradaram ao imperador, que o nomeou
comandante da guarda imperial. Nesta posição elevada, Sebastião se tornou o grande benfeitor dos cristãos
encarcerados. Tendo entrada franca em todas as prisões, lá ia visitar as pobres vítimas do rancor e ódio pagão, e
com palavras e dádivas consolava e animava os candidatos ao martírio. Dois irmãos, Marco e Marceliano, não se
acharam com coragem de afrontar os horrores da tortura e, aconselhados pelos pais e parentes, resolveram-se a
sacrificar aos deuses. Mal teve ciência disto, Sebastião procurou-os e com sua palavra cheia de fé, reanimou os
desfalecidos e vacilantes, levando-os a perseverar na religião e antes sacrificar tudo que negar a fé. Profunda
comoção apoderou-se de todos que assistiram a esta cena. Marco e Marcelino cobraram ânimo e prometeram a
Sebastião fidelidade na fé até à morte. Uma das pessoas presentes era Zoé, esposa do funcionário imperial
Nicostrato. Esta pobre mulher estava muda há seis anos. Impressionada pelo que presenciara, prostrou-se aos pés
de Sebastião, procurando por sinais interpretar o que lhe desejava dizer. Sebastião fez o sinal da Cruz sobre ela e
imediatamente Zoé recuperou o uso da língua. Ela e o marido converteram-se ao Cristianismo. Este exemplo foi
imitado pelos pais de Marco e Marceliano, pelo carcereiro Cláudio e mais dezesseis pessoas. Todos receberam o
santo Batismo das mãos do sacerdote Policarpo, na casa de Nicostrato.

A conversão destas pessoas, em circunstâncias tão extraordinárias, chamou a atenção do prefeito de Roma,
Cromâncio. Sofrendo horrivelmente de reumatismo, e sabendo que o pai de Marco e Marceliano pelo Batismo tinha
ficado curado do mesmo mal, manifestou o desejo de conhecer a religião cristã. Sebastião deu-lhe as instruções
necessárias, batizou-o, com seu filho, Tibúrcio e curou-o da doença. Tão grato ficou Cromâncio, que pôs em
liberdade os cristãos encarcerados seus escravos, e renunciou ao cargo de prefeito. Retiraram-se da cidade para sua
casa de campo, deu agasalho aos cristãos, acossados pela perseguição.

Esta recrudesceu de uma maneira assustadora. O santo Papa Caio aconselhou os cristãos que se sentiam com
pouco ânimo de sofrer o martírio, que se retirassem da cidade antes da tempestade se desencadear. O mesmo
conselho deu a Sebastião. Este, porém, nada disto quis saber e declarou preferir ficar em Roma, para animar e
defender os irmãos nas grandes aflições. "Pois bem, meu filho - disse-lhe o Papa - fica na arena da luta,
representando o defensor da Igreja de Cristo, sob o título de capitão imperial".

Muito tempo não levou, e Diocleciano soube, por uns cristãos apóstatas, que Sebastião era cristão, e grandes
serviços prestava aos outros cristãos encarcerados. Diocleciano repreendeu-o, e apelou para os sentimentos de
honra de capitão, pois que tão mal agradecia os benefícios e distinções recebidas. Sebastião com respeito, mas
também com franqueza se defendeu, apresentando os motivos que o determinaram a seguir a religião cristã e a
socorrer os pobres perseguidos. O imperador, porém, insistiu na exigência, recorrendo a promessas, elogios e
ameaças, para conseguir de Sebastião que abandonasse a religião de Cristo. Todas as argumentações e tentativas de
Diocleciano esbarraram de encontro à vontade inflexível do militar. Sem mais delongas, deu ordem aos soldados que
amarrassem os chefe a uma árvore e o asseteassem. A ordem foi cumprida imediatamente. Os soldados despiram-
no, ataram-no a uma árvore e atiraram-lhe setas em tanta quantidade quanto acharam necessárias, para matar um
homem e deixaram a vítima neste mísero estado, supondo-o morto.

Alta noite chegou-se Irene, mulher do mártir Castulo, ao lugar da execução, para tirar o corpo de Sebastião e dar-
lhe sepultura. Com grande admiração, encontrou-o ainda com vida. Sem demora deu providências para que o mártir
fosse levado para sua casa, onde o tratou com todo o desvelo.

Apenas restabelecido, o herói procurou o imperador e, sem pedir audiência, apresentou-se-lhe, acusando-o de
grande injustiça, por condenar inocentes, como eram os cristãos, a sofrer e morrer. Diocleciano, a princípio, não
sabia o que pensar e dizer pois tinha por certo que Sebastião não mais existia entre os vivos. Perguntando-lhe quem
era, Sebastião disse-lhe: "Sou Sebastião e do fato de eu estar vivo, devias concluir que é poderoso o Deus, a quem
adoro, e que não fazes bem em perseguir-lhe os servos". Diocleciano enfureceu-se com esta resposta e ordenou aos
soldados que levassem a Sebastião ao foro e lá, na presença de todo o povo, o matassem com paus e bolas de
chumbo. Os algozes cumpriram também esta ordem e, para subtrair o cadáver à veneração dos cristãos, atiraram-no
à cloaca máxima. Uma piedosa mulher, Santa Luciana, porém, achou-o, tirou-o da imundície, e sepultou-o aos pés de
São Pedro e São Paulo. Assim aconteceu em 287. Mais tarde, no ano de 680, as relíquias foram solenemente
transportadas para uma basílica, construída por Constantino. Naquela ocasião grassava em Roma a peste, que
vitimou muita gente. A terrível epidemia desapareceu na hora daquela transladação, e esta é a razão por que os
cristãos veneram em São Sebastião o grande padroeiro contra peste. Em outras ocasiões se verificou o mesmo fato;
assim no ano de 1575 em Milão, e 1599 em Lisboa, ficando estas duas cidades livres da peste pela intercessão do
glorioso mártir São Sebastião.

REFLEXÕES

São Sebastião vivia no meio de pagãos. Soldados e oficiais do exército romano eram sua companhia cotidiana.
Inabalável na fé, não se deixava influir pelas opiniões, sarcasmos, críticas e calúnias daqueles que não eram cristãos.
O mundo contemporâneo tem muitos sinais característicos do paganismo. Difícil é para um católico que pela posição
social deve estar em contato contínuo com os pagãos modernos, conservar-se firme na fé e nos bons costumes.
Muitos transigem, não achando força bastante para resistir às tentações perturbadoras, ou para enfrentar opiniões e
ataques contra a religião. Preferem curvar-se, intimidados pelo respeito humano. Não imites este exemplo. Se todos
forem adorar os bezerros de ouro, deves ir a Jerusalém, para adorar teu Deus, como fez o piedoso Tobias, que
forçosamente havia de viver entre os infiéis. Se os outros querem trilhar o caminho do pecado, fica firme na prática
da virtude, ou dize com o virtuoso Matatias: "Ainda que todas as gente obedeçam ao rei Antíoco, de tal sorte que
cada um se aparte do jugo da lei do país e consinta nos mandamentos do rei: eu e meus filhos e meus irmãos
obedeceremos à lei do nosso país. Deus de tal sorte nos defenda: nenhuma conveniência temos em deixar a lei, e as
ordenanças de Deus". (1Macabeus, II, 19).

http://jesusviaveritasetvita.blogspot.com.br/2013/01/20-de-janeiro-sao-sebastiao-martir-287.html
SÃO FILIPE NERI.
São Filipe Néri

Comemoração litúrgica: 26 de maio.

Poucos são os santos da Igreja privilegiados como São Filipe Néri. Filho de pai nobres e piedosos, Filipe nasceu em
1515, na cidade de Florença. De boa índole, de modos afáveis e inclinação à oração mereceram ao menino de 5 anos
o apelido de "o bom Filipe". Um incêndio destruiu grande parte da fortuna dos pais, e Filipe passou a morar com um
primo que era negociante riquíssimo em São Germano. Este primo prometeu-lhe estabelecê-lo como herdeiro de
todos os seus bens, se quisesse tomar-lhe a gerência dos negócios. O bom Filipe, porém, pouca inclinação sentia
para ser negociante; o que queria, era ser santo, e apesar das repetidas insistências do primo, resolveu dedicar-se ao
serviço de Deus. Fez os estudos de Filosofia e Teologia em Roma, e começou desde logo a observar a regra de vida
austeríssima, que o acompanhou até o fm da vida. Alimentava-se de pão, água e legumes; para o sono reservava
poucas horas, para a adoração, porém, muitas.

No grande desejo de dedicar-se à vida contemplativa, vendeu a biblioteca, deu os bens aos pobres e aprofundou o
espírito na meditação da Sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo. Todo o tempo disponível passava-o nas igrejas ou
de preferência catacumbas. A graça de Deus tocou-lhe o coração com tanta violência que, prostrado por terra,
exclamou muitas vezes: "Basta, Senhor, basta! Suspendei a torrente de vossas consolações, porque não tenho forças
para receber tantas delícias. Ó meu Deus tão amável, por que não me destes um coração capaz de amar-Vos
condignamente?" Foi nas catacumbas de São Sebastião, no ano de 1545, que recebeu o Espírito Santo, em forma de
bola de fogo. Naquela ocasião sentia em si um ardor tão forte do amor de Deus que, devido às palpitações
fortíssimas do coração, foram deslocadas a segunda e a quarta costelas.

Com o amor de Deus, grande era-lhe também o amor do próximo. Filipe, possuía o dom de atrair todos a si,
circunstância para a qual concorriam muito sua afabilidade, cortesia e modéstia. Recorria a mil estratagemas, para
ganhar os jovens das ruas e nas oficinas de Roma. Era amigo de todos e, uma vez adquirida a confiança preparava-os
para a recepção dos Sacramentos e encaminhava-os para o bem. As noites passava-as nos hospitais, tratando os
doentes como uma mãe. O monumento mais belo de sua caridade é a Irmandade da Santíssima Trindade, cujo fim
principal era receber os romeiros e tratar dos doentes. No início de cada mês convidava o povo para adoração ao SS.
Sacramento e, nesta ocasiões, embora leigo, fazia admiráveis alocuções aos fiéis. A piedosa idéia achou eco entre o
povo que, abundantes esmolas deitavam para a nova instituição. Cardeais, bispos, reis, ministros, generais e
princesas, viam grande honra em poderem pertencer a esta irmandade.

Seguindo o conselho do seu confessor, Filipe recebeu o santo Sacramento da Ordem , tendo a idade de 36 anos.
Tinha a vontade de trabalhar nas índias e de morrer mártir pela religião de Cristo. Pela vontade de Deus, porém, sua
Índia havia de ser Roma, e lá ficou.

Deixando-se guiar pela Providência Divina, tornou-se Apóstolo da capital da cristandade, sendo sua obra principal a
fundação da Congregação da Oração para a qual chamou homens igualmente distintos pelo saber e piedade. As
conferências espirituais tinham grande concorrência entre cardeais, bispos, sacerdotes e leigos, os quais confiavam-
se à direção de São Filipe, a quem veneravam como um pai.

Grande Parte do dia passava no confessionário, e só Deus sabe o número das almas que a seus pés acharam a paz,o
perdão e a salvação. Todos nele depositavam uma confiança ilimitada. Ilimitada também era a inveja e o ódio de
Sanatás e seus sequazes. Os confrades tiveram que saborear muitas vezes o escárnio, a calúnia e perseguição. O ódio
dos inimigos chegou a tal ponto, que levaram uma acusação falsa à autoridade eclesiástica, de que resultou para
Filipe a suspensão de ordens. Privado da celebração da Santa Missa, da pregação e da administração do SS.
Sacramento, o Santo não perdeu a calma e só dizia: " Como Deus é bom, que me humilha!" A suspensão foi retirada,
e o inimigo principal do Santo, caindo em si, fez reparação pública e tornou-se-lhe discípulo.

Pelo fim da vida já não lhe era possível dizer a santa Missa em público, tanta era a comoção que lhe sobrevinha, na
celebração dos santos mistérios. Estando no púlpito, as lágrimas lhe embargavam a voz quando falava do amor de
Deus e da Paixão de Cristo. Quando celebrava a Missa, chegando à santa Comunhão, pelo espaço de duas a três
horas ficava arrebatado em êxtase enquanto o corpo se lhe elevava à altura de dois palmos. Não é para admirar que
o Papa o consultasse nos negócios mais importantes e quisesse beijar-lhe as mãos e a batina.

À sua prudência e clarividência deve a França a felicidade de ter permanecido país católico. Henrique IV, calvinista,
tinha abjurado a heresia e entrado na Religião Católica. No ardor das guerras civis, tornou a voltar ao calvinismo,
para depois outra vez se agregar à Igreja. O Papa Clemente VIII com o apoio dos cardeais, negou ao rei a absolvição e
opôs-se-lhe à reconciliação. Filipe, prevendo a apostasia da França, no caso de o Papa persistir nesta resolução, fez
jejuns e orações extraordinárias e pediu a Barônio, que era confessor do Papa, que o acompanhasse nestes
exercícios, para alcançar a luz do Divino Espírito Santo. Posteriormente, Henrique IV obteve a absolvição do Papa e
foi solenemente recebido no seio da Igreja.

Fatigado e exausto de trabalhos e alquebrado pela idade, Filipe foi acometido de grave doença, tendo os médicos o
examinado e, saindo do quarto desanimados, ouviram o doente exclamar: "Ó minha Senhora, ó dulcíssima e bendita
Virgem!". Voltaram para ver o que tinha acontecido e encontraram o Santo elevado sobre o leito e, em êxtase,
exclamou: "Não sou digno, não sou digno de vós, ó dulcíssima Senhora, que venhais visitar-me!". Os médicos,
respeitosos, indagaram ao doente o que sentia. Este, voltando a si e tomando a posição costumeira no leito,
perguntou: "Não a vistes, a Santíssima Virgem, que me livrou das dores? " De fato se levantou completamente
curado, e viveu mais um ano. Tendo predito a hora da morte, Filipe fechou os olhos para este mundo no dia 02 de
maio de 1595. O túmulo tornou-se glorioso e poucos anos depois da morte, Filipe foi beatificado pelo Papa Paulo V,
em 1622, e canonizado por Gregório XV.

Reflexões:

São Filipe deu o seguinte conselho a uma pessoa que se queixava da sua cruz: "Meu filho, a grandeza do amor que se
tem a Deus, é medida pela grandeza do desejo de sofrer muito por amor de Deus; quem se impacienta com a cruz,
achará uma outra mais pesada"; convém fazer da necessidade uma virtude. Os sofrimentos deste mundo são a
melhor escola do desprezo do mundo; quem não se matricular nesta escola, merece dó, porque é um infeliz.

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Referência bibliográfica: Na luz Perpétua, 5ª. ed., Pe. João Batista Lehmann, Editora Lar Católico - Juiz de Fora -
Minas Gerais, 1959.

Anunciação do Arcanjo Gabriel a Nossa Senhora: 25 de março (festa).


Festa da Anunciação de Nossa Senhora

Antiquíssima é a festa que a Igreja celebra hoje, e tem o nome de Anunciação de Nossa Senhora pelo seguinte
motivo: estava no plano de Deus que a segunda Pessoa da Santíssima Trindade salvasse o gênero humano, e para
este fim tomasse a natureza humana. Tendo chegado o momento escolhido desde a eternidade, para a realização
deste grande mistério, o Arcanjo São Gabriel foi incumbido da missão de comunicá-lo a Maria, santa donzela, que
residia em Nazaré, e era descende de Davi. Foi o mesmo Arcanjo que, havia 400 anos, tinha anunciado a vinda e a
morte de Messias ao profeta Daniel e, poucos meses atrás, comunicado ao sacerdote Zacarias o nascimento do
Precursor.

Maria, casada com José, homem justo, também da casa de Davi, em virtude de um voto que havia feito a Deus, vivia
com ele em perfeita e virginal castidade. Entre todas as mulheres do mundo, a SS. Trindade tinha escolhido esta para
mãe do Messias prometido, e por este motivo, não resta dúvida, foi que a enriqueceu de tantos privilégios e graças,
que em santidade a elevara acima de toda criatura humana. A virgem, por Deus tão privilegiada, achava-se em
oração, quando o Arcanjo entrou no aposento. Não é destituída de razão a opinião de Santos Padres, que supõem
que o objeto da oração de Maria tivesse sido o que interessava vivamente a nação inteira: a vinda do Messias. O
arcanjo saudou-a com estas palavras: “Ave, Maria, cheia sois de graças, o Senhor é convosco; bendita sois entre as
mulheres.” Maria, ao ouvir esta saudação, assustou-se. O Arcanjo, porém, prosseguiu: “Nada temais, Maria!
Achastes graça diante de Deus. Eis que concebereis e dareis à luz um filho, e por-lhe-eis o nome de Jesus. Este será
grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai, Davi, e reinará eternamente
na casa de Davi, e seu reinado não terá fim.” (Lc 1,30.)

O que se passou na alma da Santíssima Virgem, ao ouvir estas palavras, das quais cada uma encerra um mistério
insondável, é mais fácil imaginar-se do que exprimir em palavras. Maria, tendo ouvido estas coisas, turbou-se e
perguntou ao Arcanjo: “Como se fará isto, pois eu não conheço homem?” Estas palavras não eram a expressão de
uma dúvida, que a Santíssima Virgem tivesse acerca do que o Arcanjo dissera: eram antes a linguagem da
humildade, que não podia supor que Deus a tivesse escolhido para tão alta dignidade; eram ainda o reflexo da
perplexidade, por não saber como havia de conciliar a maternidade com a virgindade a Deus votada. São Gabriel
esclareceu-a imediatamente sobre este ponto, mostrando-lhe que, ser mãe não lhe comprometeria o estado de
virgem e disse: “O Espírito Santo virá sobre vós e a virtude do Altíssimo vos obumbrará. E por isso mesmo o Santo
que há de nascer de vós, será chamado Filho de Deus. Eis que também Isabel, vossa parenta concebeu um filho na
sua velhice; e este é o sexto mês da que se diz estéril; porque a Deus nada é impossível.” (Lc 1, 35.)

Ao ouvir esta declaração, Maria Santíssima, com toda humildade, se sujeitou à vontade divina e disse: “Eis aqui a
serva do Senhor, faça-se me mim segundo vossa palavra”. No mesmo momento, se realizou o grande mistério da
Encarnação. O Verbo de Deus fez-se carne, o verdadeiro Filho de Deus tomou a natureza humana. A palavra de
Maria significava para Deus a maior humilhação; para ela, porém, a elevação à mais alta dignidade. O Filho Unigênito
de Deus fez-se homem; Maria Santíssima veio a ser Mãe de Deus, sem com isto perder a virgindade.

Os Santos Padres são unânimes em afirmar que a Encarnação do Verbo de Deus é de todos os mistérios o maior, e
nele todos os demais se encerram; é um mistério que transcende nossa compreensão, um mistério em que se
refletem as mais altas perfeições de Deus, como sejam a sabedoria, caridade e misericórdia. Na Encarnação se revela
a sabedoria divina, pois inteligência nenhuma, a não ser a divina, poderia ter descoberto meio mais maravilhoso de
estabelecer a paz entre Deus e a criatura; a Encarnação é a revelação da caridade e misericórdia divinas, porque
outro princípio não teve, senão a infinita bondade de Deus para com os homens. O Padre Divino manda seu Filho
Unigênito ao mundo, para que este tenha a salvação por amor. O Filho de Deus desce do céu, para salvar o mundo
pelo amor. O Espírito Santo, o eterno amor, prepara aquele santo corpo, que será dado como vítima da salvação,
“Tanto Deus amou o mundo”.

No grande dia da Anunciação se realizaram os desejos, suspiros e profecias dos patriarcas e profetas do Antigo
Testamento. “Céus, enviai o rocio do alto e vós, nuvens, o justo como chuva salutar; abra-se a terra e apareça o
Senhor”. (Is 45,8.) “Vinde, Senhor, não tardeis mais. Levantai-vos, Senhor, no vosso poder e vinde para nos salvar”.
(Sl. 17.) Nestas e outras preces exprimiram os antigos o ardente desejo de ver o Messias. Hoje comemoramos a data
em que o Filho de Deus desceu ao seio da Virgem Mãe; daqui a poucos meses o veremos reclinado na manjedoura e
mais tarde o acharemos no altar da cruz para, com o preço de seu sangue, resgatar o gênero humano.

Que gratidão não devemos à infinita bondade de Deus e à misericórdia divina! Os Anjos, segundo o testemunho de
São Paulo (Hb 1,6), no dia de hoje adoram o grandioso mistério da Encarnação, realizado nas puríssimas entranhas
da Santíssima Virgem. Muito mais razão temos nós para fazer o mesmo, hoje e todos os dias da nossa existência.
Esta homenagem, tão digna quão justa, podemos prestá-la na santa Missa e no toque do Angelus. Pronunciando as
palavras: “e o Verbo se fez carne”, o sacerdote dobra o joelho, em profunda adoração ao augusto mistério. O mesmo
faz, quando recita as palavras do Credo: “E encarnou-se por obra do Espírito Santo, no seio da Virgem Maria.” Com
este cerimonial, a Igreja nos quer lembrar o grande mistério, que merece todo o nosso amor. O toque do Angelus
não tem outro fim, a não ser o de incutir-nos na memória o mistério fundamental da nossa santa religião, para que
dele nunca nos esqueçamos e o veneremos todos os dias, com muito acatamento. Só os hereges, ímpios e maus
católicos têm sorriso e escárnio para estas piedosas práticas, tão caras ao coração do fiel e tão agradáveis a Deus e a
sua Mãe.

Maria, tão privilegiada por Deus, escolhida entre as demais mulheres, merece toda a veneração. É opinião de Santo
Anselmo e de outros Santos Padres, que criatura alguma, em tempo algum, alcançou tão alta dignidade, como Maria
Santíssima, tendo ela chegado a ser Mãe do Altíssimo. Como Mãe de Jesus Cristo, está acima de todos os Anjos e
Santos do céu, que nela reconhecem e veneram sua gloriosa Rainha. Podemos negar nossa homenagem, respeito e
amor a quem foi honrada, enaltecida e amada por Deus como Maria Santíssima? Como são ingratas, injustas e
desapiedadas as seitas que nos querem negar este direito e colocar a augusta Mãe de Deus ao nível de simples
criatura, cheia de miséria e pecado!

Como bons católicos, devemos ser filhos gratos e devotos de Maria Santíssima. No momento em que ela foi elevada
à dignidade de Mãe de Deus, ficou sendo também nossa Mãe, porque, pela Encarnação, Jesus Cristo se dignou ser
nosso irmão. Fazendo esta consideração, Santo Agostinho escreve: “Se Jesus Cristo é irmão dos fiéis, há algum
motivo para que sua Mãe não possa ser também nossa Mãe?” A ela pois devemos dirigir-nos, como filhos à Mãe,
com amor, confiança e gratidão. Nunca se ouviu dizer que Maria tivesse abandonado aqueles que, confiantes, a
invocaram nas necessidades.

In “Na Luz Perpétua”, Pe. João Batista Lehmann, Vol I, 1950, Livraria Editora Lar Católico

FONTE: http://angueth.blogspot.com.br/2012/03/festa-da-anunciacao-de-nossa-senhora.html#mor

Mortos pelos calvinistas por não negarem a fé na Presença real de Jesus no


Santíssimo Sacramento
N. do E.: Mantivemos a grafia da fonte original, cujo português obedece as regras do ano vigente (1937)

Os Martyres de Gorkum (sec. XVI)

Quando, no século XVI, as heresias de Luthero e Calvino conseguiram entrada na Hollanda, lá, como na Allemanha e
na Suissa, foram causadoras de graves disturbios. Os Calvinistas rebellaram-se contra o governo do rei Philippe II e,
chefiados pelo príncipe de Orange, tomaram à força armada algumas cidades, entra estas a cidade de Gorkum.

O governador retirou-se para o castello, em companhia de alguns catholicos, dois parochos, onze frades franciscanos
e mais sacerdotes seculares. Os calvinistas tomaram posse da cidade e forçaram o castello à rendição. Esta se
effectuou, sob a condição de garantir a todos livre egresso. Os Calvinistas, porém, desprezaram esta combinação e
aprisionaram o commandante, todos os clérigos e dois cidadãos, dos quaes um foi enforcado immediatamente.

Os sacerdotes eram de preferência alvo do furor calvinista. Máos tratos revezavam com ameaças de morte, e
finalmente foram todos mettidos num calabouço subterraneo. No dia de sexta-feira, lhes deram carne a comer.
Querendo elles, porém, observar a abstinencia, tiveram de supportar toda a sorte de injurias e soffrimentos.
Empurravam-nos, puxavam-lhes as orelhas, davam-lhes pontadas com a lança, ultrajavam-nos e lançavam-lhes em
rosto as maiores infamias. Ergueram em sua presença uma forca, ameaçando-os com a morte, si não quizessem
negar a fé no Santíssimo Sacramento. Ao Vigario Pe. Nicoláo van Poppel um dos bandidos pôz a arma na testa e
berrou aos ouvidos: “Anda, Padre! Como é? Tantas vezes declarastes no pulpito, que estavas prompto a dar a vida
pela fé. Pois então, dize! Estás mesmo disposto?” O Padre respondeu: “ Dou a minha vida com muito prazer, si é em
testemunho da minha fé e principalmente do artigo por vós rejeitado, o da presença real de Jesus no Santíssimo
Sacramento”. Perguntado pelos thesouros, que suppunham estarem escondidos no Castello, Padre Nicoláo não
soube dar informações a respeito. O calvinista lançou-lhe então uma corda ao pescoço, puxou-o de um lado para o
outro, até que cahiu como morto.

Chegára a vez dos franciscanos. Ao frei Nicasio Pick puzeram o proprio cordão ao pescoço, arrastaram-no á porta do
carcere. Lá chegado, metteram a corda por cima da porta e puxando com força, suspenderam a victima a altura
consideravel, para immediatamente a deixarem cahir. Isto praticamente com um prazer infame. Afinal a corda
rebentou e o pobre padre cahiu pesadamente ao chão, sem dar signal de vida. Para verificar si estava vivo ou morto,
os soldados trouxeram velas, queimaram-lhe a testa, o nariz, as palpebras, as orelhas, a boca e finalmente a língua.

Como o Padre não désse mais signal de vida, deram-lhe ponta-pés e disseram com ar de desprezo: “É um frade, que
importa?” Mas o Padre não estava morto, tanto que no dia seguinte os bandidos tiveram a satisfação de poder
continuar as crueldades.
Durante toda a noite os Padres estiveram entregues à sanha d’aquelles demonios em figura humana. Não havia
nada, que abrandasse o furor dos endiabrados hereges. Davam bofetadas nos religiosos, com tanta força e
brutalidade, que lhes corria o sangue do nariz e da boca. O Padre Willehad, um veneravel ancião de noventa annos,
repetia a cada bofetada que recebia, a jaculatória: ”Deus seja louvado!” Os algozes, sentindo-se fatigados de tanto
bater, ajoelharam-se deante dos Padres e entre risos de escarneo, arremedavam a confissão, proferindo nesta
occasião obscenidades e blasphemias horríveis e asqueirosissimas.

Em outra occasião, amarraram os religiosos dois a dois e obrigaram-nos a andarem em fila, imitando procissão e a
cantar o “Te Deum” e tudo isto sob a algazarra satanica da soldadesca desenfreada. Depois puzeram dados nas mãos
da victimas para assim, à guiza de jogo, tirar a sorte quem delles primeiro havia de subir à forca. O Padre Guardião
exclamou: “Não se faz mistér de jogo, estou prompto, porque já passei por esta delicia”.

Os catholicos de Gorkum envidaram todos os esforços para libertar os prisioneiros. Para este fim, dirigiram uma
petição ao príncipe Orange. Os calvinistas, suspeitando qualquer reacção, tiraram aos franciscanos o habito e
despacharam-nos, com os outros sacerdotes, na noite de 5 a 6 de julho, para Briel, à residencia do clerophobo conde
Lumm Von Marc.

A penna nega-se a fazer a descripção de tudo que aqulles religiosos tiveram de soffrer, dos verdugos e do populacho
fanatico. Em Dordrecht estava à espera do navio, que devia levá-los até Briel. Antes do embarque, um bando de
calvinistas arrastou os martyres a um lugar perto do rio, onde estava apparelhada uma forca. Como cães raivosos,
atiraram-se sobre as pobres victimas e o ar encheu-se de insultos e vituperios como estes: “Eis, ahi vossa Egreja! Ide,
rezae a vossa Missa”. Em seguida obrigaram-nos a passarem três vezes em volta da forca, sendo a ultima vez com os
joelhos no chão, sob o canto da “Salve Rainha”. Enquanto os religiosos se puzeram a obedecer a esta ordem ridicula
e estapafurdia, choviam-lhes bengaladas e pedradas às costas. O Padre Vigario Jeronymo de Weert, vendo estas
indignidades, não mais se conteve e disse: “Que estou presenciando? Estive entre turcos e infiéis, mas coisa egual a
esta nunca vi!”

Finalmente o triste cortejo chegou a Briel. Lá o esperava o conde Lumm, com dois pregadores da seita e alguns
magistrados. Todos se empenharam para conseguir dos prisioneiros a renuncia à fé, em particular ao dogma da real
presença de Jesus Christo no Santissimo Sacramento. Foram baldados os esforços. Os martyres unanimemente
rejeitaram as propostas feitas e preferiram continuar na prisão. O carcere que os recebeu, era uma pocilga
immundissima.

Uma ordem do príncipe de Orange, de pôr em liberdade os prisioneiros, não foi cumprida. O conde Lumm,
embriagado de odio e vinho, mandou-os levar, alta noite, às ruínas do convento Rugen, que pouco antes tinha sido
incendiado pelos calvinistas.

Restára ainda o celleiro. O Padre Guardião foi lá mesmo enforcado, depois de ter animado os irmãos à
constancia.Depois d’elle, foram estrangulados todos os companheiros. O fanatismo calvinista nem respeitou os
cadaveres dos martyres. Cortaram-lhes o nariz, as orelhas e levaram-nos como trophéos de victoria nos capacetes e
chaphéos. Os catholicos resgataram por muito dinheiro os corpos dos santos irmãos e transportaram-nos para
Bruxellas.

Clemente X beatificou-os em 1674 e Pio IX elevou-os à categoria de Santos, no anno de 1867. A memória é celebrada
na Egreja no dia 9 de julho.

Eis os nomes dos gloriosos martyres de Gorkum:

Leonardo van Vecchel, Nicoláo Poppel, vigario de Gorkum; Godofredo van Duynen e João van Oosterwych
(agostiniano); João de Colonia (O.P), vigario de Hoornaer; Adriano van Hilvarenbeek e Jacob Lakops (O. Praem);
André Vouters, vigario de Heynoert; Frei Jeronymo van Weert; Frei Theodoro van Emden; Frei Willehad; Frei Nicasio;
Frei Godofredo Mervellan; Frei Antonio de Weert; Frei Antonio de Honar; Frei Francisco Rodes; Frei Pedro de Asca.

Fonte: livro “Na Luz perpétua”, 1937, vol. II, Pe. João Baptista Lehmann, p. 29-31.
Festa de Cristo-Rei
Ó Deus onipotente e eterno, que tudo quisestes incorporar em vosso amado Filho, o Rei de todas as coisas,
concedei, propício, que todas as famílias das nações desagregadas pela chaga do pecado, se submetam ao seu
suavíssimo poder, Ele que, sendo Deus, convosco vive e reina.

Oratio, Missa da Festa de Cristo-Rei

Ato de Consagração ao Sagrado Coração de Jesus

Dulcíssimo Jesus, Redentor do gênero humano, lançai os vossos olhares sobre nós, humildemente prostrados diante
de vosso altar. Nós somos e queremos ser vossos; e para que possamos viver mais intimamente unidos a Vós, cada
um de nós neste dia se consagra espontaneamente ao vosso Sacratíssimo Coração.

Muitos nunca Vos conheceram; muitos desprezaram os vossos mandamentos e Vos renegaram. Benigníssimo Jesus,
tende piedade de uns e de outros e trazei-os todos ao vosso Sagrado Coração.

Senhor, sede o Rei não somente dos fiéis que nunca de Vós se afastaram, mas também dos filhos pródigos que Vos
abandonaram; fazei que eles tornem, quanto antes, à casa paterna, para que não pereçam de miséria e de fome.

Sede o Rei dos que vivem iludidos no erro, ou separados de Vós pela discórdia; trazei-os ao porto da verdade e à
unidade da fé, a fim de que em breve haja um só rebanho e um só pastor.

Sede o Rei de todos aqueles que estão sepultados nas trevas da idolatria e do islamismo, e não recuseis conduzi-los
todos à luz e ao Reino de Deus.

Volvei, enfim, um olhar de misericórdia aos filhos do que foi outrora vosso povo escolhido; desça também sobre
eles, num batismo de redenção e vida, aquele sangue que um dia sobre si invocaram.

Senhor, conservai incólume a vossa Igreja, e dai-lhe uma liberdade segura e sem peias; concedei ordem e paz a
todos os povos; fazei que de um a outro pólo do mundo, ressoe uma só voz: Louvado seja o Coração divino, que nos
trouxe a salvação! A Ele, honra e glória por todos os séculos dos séculos. Amém.

S.S. Pio XI, 11 de dezembro de 1925

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ADOREMOS a Cristo, Rei dos séculos!

Pe. João Batista Lehmann

Na Luz Perpétua

ADOREMOS a Cristo, Rei dos séculos! Cristo entrou no mundo como Rei. Como rei do mundo, sacrificou-se na Cruz.
Como rei de todos os homens, deles e de todas as gerações espera que lhe rendam as homenagens que lhe são
devidas.

1. Em primeiro lugar é a homenagem da união com Ele, que lhe devemos. “Eu sou a luz do mundo” – com estas
palavras se nos apresenta; -- quem não segue esta luz, anda, nas trevas. “Eu sou o caminho” – é outra palavra do
mesmo Cristo. Quem não anda neste caminho, cairá no abismo. “Eu sou a Vida”. Quem não tem parte nesta Vida,
fica morto. “Eu sou a porta única, que abre para o rebanho de Deus. Quem não entra por esta porta, não verá o Pai.”
“Eu sou a verdadeira vide. O ramo, uma vez separado da vide, será cortado e atirado ao fogo”. Ele é o único Rei de
Sião, o único Salvador, o único Juiz. “Só nele há salvação. Do céu abaixo, nenhum outro nome foi dado aos homens
pelo qual nos cumpra fazer a nossa salvação”. (At. 4. 12). Quem deliberadamente se separa de Cristo, será
condenado eternamente. Ou com Cristo ou contra Cristo, eis o dilema, em face do qual devemos tomar nossa
decisão.

2. A fé é que Cristo Rei exige dos seus súditos. Não é possível ser de Cristo, sem convictamente n’Ele reconhecer
Deus verdadeiro. Desta fé deste reconhecimento de Jesus cumpre fazer depender tudo. Aos judeus que
perguntaram que obras deviam praticar, para ter o agrado de Deus, responde Jesus: “A obra de Deus é esta, que
acrediteis naquele a quem enviou”. (Jo. 6. 29). Não muitas obras são portanto exigidas; mas uma só, a obra da fé em
Jesus Cristo. Esta fé é que santifica. “É esta a vontade daquele que me enviou: que de tudo quando ele me deu, nada
eu perca, mas ressuscite-o no último dia”. (Jo. 6. 39). Negar esta fé é a desgraça eterna, como se depreende das
palavras do Evangelho: “O Pai ama o Filho, e tudo tem posto na sua mão. Aquele que crê no Filho, tem a vida eterna;
o que, porém, não crê no Filho, não verá a vida, mas sobre ele permanecerá a ira de Deus”. (Jo. 3. 35). “Quem não
crê, será condenado. (Mc. 16. 16).

3. Cristo exige dos seus súditos uma vida inteiramente ligada à graça. “Em verdade te digo, quem não renascer da
água e do Espírito Santo, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne, é carne; e o que é nascido do
espírito, é espírito. Não te admires de te haver dito: precisais nascer outra vez”. (Jo. 3, 5-7). “Em verdade, vos digo:
se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós”. (Jo. 6. 53).
“Aquele que crer e for batizado, será salvo.” (Mc. 16. 16). Sem a vida da graça não há salvação, sem a união com
Cristo não é possível uma vida na graça. “Eu sou a videira, vós sois as varas. O que permanece em mim e eu nele,
esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. Se alguém não permanecer em mim, será lançado fora,
como a vara, e secará; e o enfeixarão e meterão no fogo para arder”. (Jo. 15. 5).

4. Cristo quer de nós confiança e amor. “Confiai, sou eu, não temais”. (Mc. 6. 50). “Tem confiança, meu filho, teus
pecados te são perdoados”. (Mt. 9. 2). “Tem confiança, filha, tua fé te salvou”. (Mt. 9. 22). “Tende confiança, eu
venci o mundo”. (Jo. 16). “Tudo que pedirdes em meu nome, eu o farei”. (Jo. 14. 14). “Em verdade, em verdade vos
digo: se vós pedirdes a meu Pai alguma cousa em meu nome , ele vo-la dará. Vós até agora não pedistes nada em
meu nome. Pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja completa”. (Jo. 6. 23). “Como meu Pai me amou, assim
vos amei também. Permanecei no meu amor”. (Jo. 15. 9).

5. Cristo exige de nós a observação dos seus mandamentos. “Se guardardes os meus preceitos, permanecereis em
meu amor: assim como também eu guardei os preceitos de meu Pai e permaneço no seu amor. Eu vos tenho dito
estas cousas, para que a minha alegria esteja em vós, para que a vossa alegria seja completa”. (Jo. 15. 10). “Se me
amais, guardai os meus mandamentos”. (Jo. 14. 15). “Quem observa os meus mandamentos, permanece em Deus e
Deus nele” (I. Jo. 3. 24).

6. Cristo exige a união com sua Igreja. Ela é o seu reino e, unida a Ele, é verdadeira vide. Nela depositou sua
doutrina e sua graça. Por isso: “Quem não prestar ouvido à Igreja, tem-no por um gentio e um publicano”. (Mt. 18.
17). “Permanecei em mim e eu ficarei em vós. Assim como a vara não pode dar fruto de si mesma, se não
permanecer na videira, do mesmo modo também vós, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira e vós as
varas. O que permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto, porque sem mim nada podeis fazer. Se alguém não
permanecer em mim será lançado fora, como a vara e secará e o enfeixarão e meterão no fogo, para arder”. (Jo. 15.
4-6).

7. Cristo exige definição clara diante do mundo e coragem no combate contra o mundo. “Todo aquele que me
confessar diante dos homens, também eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus. E o que me negar
diante dos homens eu o negarei diante de meu Pai, que está nos céus”. (Mt. 10. 32). “Se o mundo vos aborrece,
sabei que, primeiro do que a vós, me aborreceu ele a mim. Se vós fosseis do mundo, o mundo amaria o que era seu;
mas porque vós não sois do mundo, por isso é que o mundo vos aborrece”. (Jo. 15. 18) “Estas cousas vos tenho dito,
para que não vos escandalizeis. Lançar-vos-ão fora das sinagogas; e vem a hora, em que qualquer que vos mate,
julgará prestar serviço a Deus. Eles vos farão isto porque não conhecem o Pai, nem a mim. Mas estas cousas vos
tenho dito para que, quando chegar a hora, vos lembreis que eu vo-las disse”. (Jo. 16. 1-4).

8. Cristo exige completo afastamento dos erros do mundo. “Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós cm a
capa de ovelhas e por dentro são lobos rapaces. Pelos seus frutos os conhecereis”. (Mt. 7. 15). “Caríssimos, não
creiais em todo espírito; mas experimentai os espíritos, se são de Deus; porque muitos falsos profetas têm saído no
mundo. Nisto se conhece o espírito de Deus. Todo o espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne, é de Deus.
E todo espírito que divide Jesus, não é de Deus; e este é o anti-cristo, do qual ouvistes que vem e agora já está no
mundo. Vós, filhinhos, sois de Deus e vencestes a esses, porque maior é o que está em vós, do que o que está no
mundo. Eles são do mundo; por isso falam do mundo e o mundo os ouve. Nós somos de Deus. Aquele que conhece a
Deus, nos ouve; quem não é de Deus, não nos ouve; é nisto que conhecemos o espírito da verdade e o espírito do
erro.” (I Jo. 4. 1-6).
9. Cristo exige o estabelecimento do seu Reino em todo o mundo. “O que vos digo às escuras, dizei-o às claras; e o
que vos digo aos ouvidos, publicai-o sobre os telhados”. (Mt. 10. 27). “Por isto, ensinai a todas as gentes, batizando-
as em nome do Padre e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a observar todas as cousas que vos tenho
mandado. E estais certos de que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos”. (Mt. 28. 19).
Sendo, pois, tão fundados os direitos de Cristo, tão elevadas suas atribuições, tão nobres seus idéias, tão justas suas
exigências, seu Reino tão necessário e salutar ao mundo inteiro, não é então dever nosso cooperar com ele? Não é
dever nosso trabalhar pela realização do seu Reino em toda a parte, -- em nossos corações? – na família, na
sociedade, no mundo inteiro?
Como isto se fará? Pela nossa sujeição a Cristo pela fé, pela confiança e pelo amor! Adoremo-lo no Santíssimo
Sacramento. Recebamo-lo muitas vezes na santa Comunhão. Conformemos a nossa vida em seus mandamentos!
Façamos o que estiver ao nosso alcance, para que chegue a reinar sobre as nações!

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Festa de Todos os Santos


Pe. João Batista Lehmann

Na Luz Perpétua

A Festa de Todos os Santos é uma das mais importantes do ano eclesiástico. É por assim dizer a festa da família da
Igreja. Ela, a mãe dos fiéis, veste gala e entoa cânticos de alegria: “regozijemo-nos no Senhor, hoje, por causa da
festa de Todos os Santos”, é o convite que faz no Introito da Missa. O ofício desta festa principia com as palavras:
“Adoremos ao Rei, ao Senhor dos senhores, que é a coroa de Todos os Santos”. O dia de Todos os Santos convida-
nos para lançarmos um olhar às magníficas habitações celestes e contemplarmos as multidões dos Santos, aqueles
benditos do Pai, que se acham no reino que lhes foi preparado desde o princípio dos tempos. (Mt. 25,334). “Tédio
tenho da terra, quando olho para o céu”, dizia Santo Inácio de Loiola. Não há espetáculo aqui na terra, por mais belo,
por mais atraente que seja, que se possa comparar com a magnificência do céu, que hoje se abre à nossa vista. Um
dia nos tabernáculos do Senhor, vale mais que mil dias nas tendas dos pecadores. Os nossos olhos encantados vêm
os anciãos levantar-se dos tronos e depositar as coroas aos pés do Cordeiro. Exércitos intérminos de Anjos e
Arcanjos rodeiam o trono do Altíssimo e entoam cânticos de louvor e de adoração, de uma beleza tal, como os
nossos ouvidos jamais perceberam iguais aqui na terra. Milhares e milhares de Santos de todos os povos, de todas as
nações, aparecem em vestes imaculadas, com palmas nas mãos e, dobrando os joelhos diante do trono do Altíssimo,
em profunda adoração, exclamam: “Assim seja! Louvor e glória, sabedoria e ação de graças, honra e poder... ao
nosso Deus em todos os séculos.”

É o grande banquete que o Filho do Rei preparou para os eleitos. Hoje o vemos rodeado dos filhos. Pois todos são
filhos, regatados pelo preço do seu sangue. Todos são herdeiros, chamados para com ele reinarem eternamente.

Hoje os vemos na glória, fulgurantes como as estrelas do céu.

A pátria orgulha-se dos seus filhos, dos grandes políticos, dos gloriosos generais, dos imortais cientistas, poetas e
artistas. Com justo entusiasmo lhe declina os nomes, e ergue monumentos de granito e bronze à sua memória. À
mocidade são apresentados como modelos, dignos de imitação. A Igreja, com muito mais razão que a pátria, se
orgulha dos seus filhos, não porque foram grandes só na vida, mas porque receberam o prêmio da vitória, não de
mãos humanas, mas das próprias mãos de Deus, e gozam de uma felicidade, que poder nenhum lhes pode arrebatar.

São João Evangelista, a quem foi dado ver a glória do céu, disse: “Eu vi uma grande multidão de todos os povos.”
Não compartilharmos da felicidade invejável de S. João, mas com os olhos da fé podemos ver muita coisa que nos
encanta, que nos consola e anima. As multidões, que se nos apresentam, quem são? São as almas glorificadas de
homens, que, como nós, aqui lutaram e sofreram. A fé apresenta-nos os Santos todos como nossos irmãos, como
membros da mesma família, à qual todos nós pertencemos. Como membros desta família, devemo-nos encher de
alegria e congratular-nos como os nossos irmãos, que já venceram o mundo, a carne e o demônio, e se acham no
lugar onde não há mais lágrimas, tristezas e dor.

Não é só a alegria de que se enche nossa alma: a lembrança do doce mistério da comunhão dos Santos dá-nos
coragem e ânimo, para continuar sem desfalecimento na luta, que nos acompanha até a morte. Se a nossa
consciência nos dá o consolo de uma vida pura, felizes de nós, porque o lugar nos fica reservado, entre as gloriosas
virgens, para cantar a glória do Cordeiro. Se, porém, penosamente nos arrastamos pelo caminho da dor, do
arrependimento e da penitência, Santos há, nossos irmãos, que nos acenam animadamente e vem-nos à memória a
bela palavra de Santo Agostinho: o que ele conseguiram, será para mim coisa impossível? Os Santos e justos
regojizam-se ao verem seus modelos e protótipos como seja: S. João Evangelista, as Santas Inês, Cecília, Catarina, S.
Luiz Gonzaga, S. João Berchmans e outros, ao passo que os pobres pecadores se animam e se consolam, vendo as
figuras dos grandes penitentes: S. Davi, Santa Maria Madalena, O Bom Ladrão, Santo Agostinho e milhares de outros.

Os Santos orientam-nos na penosa viagem ao céu. Não desdizendo a palavra de Jesus Cristo: “o reino dos céus
padece força”, indicam-nos os meios que devemos aplicar para chegar ao porto da salvação. São os mesmos que eles
usaram, a saber: a observação dos mandamentos da lei de Deus, a observação da lei da caridade para com o
próximo, os mandamentos da lei da Igreja, trabalho, oração, sofrimentos e mortificação. “Tende coragem!” – assim
os ouvimos dizer – “o céu é vosso, o céu está perto, vos está garantido.”

Desta maneira, a festa de Todos os Santos é para nós um dia de alegria, de consolo e de animação. Os Santos foram
o que somos: lutadores e muitos entre eles, pecadores. Seremos o que eles são: “Benditos do Pai.” Guardemos a
esperança dos céus. “Quem tem esta esperança, santifica-se.” (Jo. 3,3) “Creio na vida eterna.” Na luta, na dor, no
desanimo e na tribulação, lembremo-nos da glória que nos espera. Daqui há pouco tudo está acabado e poderemos
praticamente, em nós mesmos, experimentar a verdade da palavra de São Paulo, quando disse: “olho algum viu,
ouvido algum ouviu, nem jamais veio à mente do homem o que Deus preparou para aqueles que o amam.” (1Cor.
2,9)

Festa da Anunciação de Nossa Senhora


Antiquíssima é a festa que a Igreja celebra hoje, e tem o nome de Anunciação de Nossa Senhora pelo seguinte
motivo: estava no plano de Deus que a segunda Pessoa da Santíssima Trindade salvasse o gênero humano, e para
este fim tomasse a natureza humana. Tendo chegado o momento escolhido desde a eternidade, para a realização
deste grande mistério, o Arcanjo São Gabriel foi incumbido da missão de comunicá-lo a Maria, santa donzela, que
residia em Nazaré, e era descende de Davi. Foi o mesmo Arcanjo que, havia 400 anos, tinha anunciado a vinda e a
morte de Messias ao profeta Daniel e, poucos meses atrás, comunicado ao sacerdote Zacarias o nascimento do
Precursor.

Maria, casada com José, homem justo, também da casa de Davi, em virtude de um voto que havia feito a Deus, vivia
com ele em perfeita e virginal castidade. Entre todas as mulheres do mundo, a SS. Trindade tinha escolhido esta para
mãe do Messias prometido, e por este motivo, não resta dúvida, foi que a enriqueceu de tantos privilégios e graças,
que em santidade a elevara acima de toda criatura humana. A virgem, por Deus tão privilegiada, achava-se em
oração, quando o Arcanjo entrou no aposento. Não é destituída de razão a opinião de Santos Padres, que supõem
que o objeto da oração de Maria tivesse sido o que interessava vivamente a nação inteira: a vinda do Messias. O
arcanjo saudou-a com estas palavras: “Ave, Maria, cheia sois de graças, o Senhor é convosco; bendita sois entre as
mulheres.” Maria, ao ouvir esta saudação, assustou-se. O Arcanjo, porém, prosseguiu: “Nada temais, Maria!
Achastes graça diante de Deus. Eis que concebereis e dareis à luz um filho, e por-lhe-eis o nome de Jesus. Este será
grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai, Davi, e reinará eternamente
na casa de Davi, e seu reinado não terá fim.” (Lc 1,30.)

O que se passou na alma da Santíssima Virgem, ao ouvir estas palavras, das quais cada uma encerra um mistério
insondável, é mais fácil imaginar-se do que exprimir em palavras. Maria, tendo ouvido estas coisas, turbou-se e
perguntou ao Arcanjo: “Como se fará isto, pois eu não conheço homem?” Estas palavras não eram a expressão de
uma dúvida, que a Santíssima Virgem tivesse acerca do que o Arcanjo dissera: eram antes a linguagem da
humildade, que não podia supor que Deus a tivesse escolhido para tão alta dignidade; eram ainda o reflexo da
perplexidade, por não saber como havia de conciliar a maternidade com a virgindade a Deus votada. São Gabriel
esclareceu-a imediatamente sobre este ponto, mostrando-lhe que, ser mãe não lhe comprometeria o estado de
virgem e disse: “O Espírito Santo virá sobre vós e a virtude do Altíssimo vos obumbrará. E por isso mesmo o Santo
que há de nascer de vós, será chamado Filho de Deus. Eis que também Isabel, vossa parenta concebeu um filho na
sua velhice; e este é o sexto mês da que se diz estéril; porque a Deus nada é impossível.” (Lc 1, 35.)
Ao ouvir esta declaração, Maria Santíssima, com toda humildade, se sujeitou à vontade divina e disse: “Eis aqui a
serva do Senhor, faça-se me mim segundo vossa palavra”. No mesmo momento, se realizou o grande mistério da
Encarnação. O Verbo de Deus fez-se carne, o verdadeiro Filho de Deus tomou a natureza humana. A palavra de
Maria significava para Deus a maior humilhação; para ela, porém, a elevação à mais alta dignidade. O Filho Unigênito
de Deus fez-se homem; Maria Santíssima veio a ser Mãe de Deus, sem com isto perder a virgindade.

Os Santos Padres são unânimes em afirmar que a Encarnação do Verbo de Deus é de todos os mistérios o maior, e
nele todos os demais se encerram; é um mistério que transcende nossa compreensão, um mistério em que se
refletem as mais altas perfeições de Deus, como sejam a sabedoria, caridade e misericórdia. Na Encarnação se revela
a sabedoria divina, pois inteligência nenhuma, a não ser a divina, poderia ter descoberto meio mais maravilhoso de
estabelecer a paz entre Deus e a criatura; a Encarnação é a revelação da caridade e misericórdia divinas, porque
outro princípio não teve, senão a infinita bondade de Deus para com os homens. O Padre Divino manda seu Filho
Unigênito ao mundo, para que este tenha a salvação por amor. O Filho de Deus desce do céu, para salvar o mundo
pelo amor. O Espírito Santo, o eterno amor, prepara aquele santo corpo, que será dado como vítima da salvação,
“Tanto Deus amou o mundo”.

No grande dia da Anunciação se realizaram os desejos, suspiros e profecias dos patriarcas e profetas do Antigo
Testamento. “Céus, enviai o rocio do alto e vós, nuvens, o justo como chuva salutar; abra-se a terra e apareça o
Senhor”. (Is 45,8.) “Vinde, Senhor, não tardeis mais. Levantai-vos, Senhor, no vosso poder e vinde para nos salvar”.
(Sl. 17.) Nestas e outras preces exprimiram os antigos o ardente desejo de ver o Messias. Hoje comemoramos a data
em que o Filho de Deus desceu ao seio da Virgem Mãe; daqui a poucos meses o veremos reclinado na manjedoura e
mais tarde o acharemos no altar da cruz para, com o preço de seu sangue, resgatar o gênero humano.

Que gratidão não devemos à infinita bondade de Deus e à misericórdia divina! Os Anjos, segundo o testemunho de
São Paulo (Hb 1,6), no dia de hoje adoram o grandioso mistério da Encarnação, realizado nas puríssimas entranhas
da Santíssima Virgem. Muito mais razão temos nós para fazer o mesmo, hoje e todos os dias da nossa existência.
Esta homenagem, tão digna quão justa, podemos prestá-la na santa Missa e no toque do Angelus. Pronunciando as
palavras: “e o Verbo se fez carne”, o sacerdote dobra o joelho, em profunda adoração ao augusto mistério. O mesmo
faz, quando recita as palavras do Credo: “E encarnou-se por obra do Espírito Santo, no seio da Virgem Maria.” Com
este cerimonial, a Igreja nos quer lembrar o grande mistério, que merece todo o nosso amor. O toque
do Angelus não tem outro fim, a não ser o de incutir-nos na memória o mistério fundamental da nossa santa religião,
para que dele nunca nos esqueçamos e o veneremos todos os dias, com muito acatamento. Só os hereges, ímpios e
maus católicos têm sorriso e escárnio para estas piedosas práticas, tão caras ao coração do fiel e tão agradáveis a
Deus e a sua Mãe.

Maria, tão privilegiada por Deus, escolhida entre as demais mulheres, merece toda a veneração. É opinião de Santo
Anselmo e de outros Santos Padres, que criatura alguma, em tempo algum, alcançou tão alta dignidade, como Maria
Santíssima, tendo ela chegado a ser Mãe do Altíssimo. Como Mãe de Jesus Cristo, está acima de todos os Anjos e
Santos do céu, que nela reconhecem e veneram sua gloriosa Rainha. Podemos negar nossa homenagem, respeito e
amor a quem foi honrada, enaltecida e amada por Deus como Maria Santíssima? Como são ingratas, injustas e
desapiedadas as seitas que nos querem negar este direito e colocar a augusta Mãe de Deus ao nível de simples
criatura, cheia de miséria e pecado!

Como bons católicos, devemos ser filhos gratos e devotos de Maria Santíssima. No momento em que ela foi elevada
à dignidade de Mãe de Deus, ficou sendo também nossa Mãe, porque, pela Encarnação, Jesus Cristo se dignou ser
nosso irmão. Fazendo esta consideração, Santo Agostinho escreve: “Se Jesus Cristo é irmão dos fiéis, há algum
motivo para que sua Mãe não possa ser também nossa Mãe?” A ela pois devemos dirigir-nos, como filhos à Mãe,
com amor, confiança e gratidão. Nunca se ouviu dizer que Maria tivesse abandonado aqueles que, confiantes, a
invocaram nas necessidades.

In “Na Luz Perpétua”, Pe. João Batista Lehmann, Vol I, 1950, Livraria Editora Lar Católico

Festa de Santa Joana D’Arc.


Pe. João Batista Lehmann

Na Luz Perpétua
Figura singularíssima entre os Santos é Joana d’Arc, a humilde camponesa de Domremy, que, chamada por Deus,
libertou sua terra, a França, do jugo dos estrangeiros, para, como mártir dessa missão, terminar a vida numa
fogueira.

Filha de pobres camponeses de Domremy, na Lorena, nasceu Joana em janeiro de 1412. Longe dos grandes centros
de civilização e da política, recebeu Joana a educação que os bons e piedosos camponeses tem por costume dar aos
filhos, e assim a menina cresceu em simplicidade, piedade e temor de Deus, em nada se distinguindo das
companheiras, a não ser por uma piedade mais acentuada e acendrada, como também por uma compaixão
extraordinária para com os pobres. Entrando na idade de 13 anos, começou para Joana uma nova época da vida. Por
diversasa vezes a menina ouviu vozes celestiais e apareceram-lhe o Arcanjo S. Miguel e outros Anjos, que a
prepararam para a grande e extraordinária missão, para a qual Deus a tinha destinado.

Tristíssima ou antes, desesperada era a situação da França, cujo governo estava nas mãos de Carlos VII. O norte dos
ingleses, tendo ficado Carlos VII senhor apenas dos Estados ao sul do Loire. Com o sítio de Orléans, os ingleses
ameaçavam apoderar-se também do resto da França. O chamado de Joana coincide com este período humilhante da
monarquia francesa. O que as vozes angélicas exigiam da jovem, não era nada menos que salvar a França, libertar
Orléans e conduzir o rei a Reims, para ser solenemente coroado. Tarefa aparentemente impossível para uma pobre e
fraca donzela, além de tudo inexperiente e tímida! Mas as vozes tornaram-se cada vez mais insistentes e exigiram de
Joana o mais pronto cumprimento da vontade de Deus. Visões que teve também de Santa Catarina e Santa
Margarida, animaram-na a não se opor aos planos divinos.

Enormes, quase insuperáveis dificuldades se levantaram diante de Joana quando esta revelou sua resolução à
família. Dificuldades de outra espécie surgiram, quando Joana, em nome de Deus, exigiu ser em audiência recebida
pelo rei. Este só se convenceu da missão sobrenatural da donzela, quando esta lhe revelou um segredo, só por ele e
por Deus conhecido. Ainda assim o monarca providenciou para que se fizesse a mais severa observação, mas todos:
homens e mulheres, foram unânimes em declarar e depor que em Joana não havia nada de exagero ou fraude.
Joana designou um altar da Igreja de Santa Catarina de Fierbois, debaixo do qual acharia uma espada, de que se
deveria servir, na campanha contra os ingleses. A espada doi de fato encontrada. Profecias por ela enunciadas
cumpriram-se ao pé da letra, principalmente a que lhe predizia os ferimentos que receberia no assédio de Orléans.
Os ingleses foram rechaçados, Orléans foi libertada e Joana levou o rei em triunfo a Reims, onde se realizou a
coroação do monarca. Desde o princípio de sua atividade, tinha Joana declarado positivamente que, realizada a
coroação do rei em Reims, consideraria terminada sua missão. Desejava voltar para o seio da família. O rei, porém,
no posto de comandar as tropas. Se Joana tinha preparado para o rei a solene coroação, outra coroa a ela esperava,
a do martírio. Na batalha de Compiège caiu nas mãos dos ingleses, que a encarceraram no forte de Beaurevoir, perto
de Cambrai. Infeliz numa tentativa de fuga, foi encontrada desacordada e novamente levada à prisão. Instalou-se
então o processo contra a heroína. Rodeada só de inimigos, abandonada pelo próprio rei, que tanto lhe devia, foi
Joana julgada por um tribunal iníquo, presidido pelo bispo Pedro Cauchon, de Beauvais, que outro interesse não
tinha, senão de ser agradável aos ingleses. Sem ter um advogado, que lhe defendesse a causa; sem que lhe fossem
ouvidos os protestos e solene apelação para a Santa Sé, Joana foi condenada à morte, a ser queimada viva. Na hora
solene da execução (30 de maio de 1431) Joana se houve com toda a grandeza e dignidade. Heroína fora na vida,
como heroína morreu, invocando o nome de Jesus.

“Estamos perdidos nós todos”, exclamou um oficial inglês, que assistira àquela cena, “pois ela é uma santa”. Os
soldados, habituados à vida rude de guerreiro, enxergavam em Joana “um ser angélico, em cuja presença ninguém
se atrevia a dizer ou praticar incoveniências”. Joana não permitia a blasfêmias entre os soldados, e mantinha entre
eles a mais rigorosa disciplina. Confessava-se quase diariamente e, além dos sacrifícios e privações, que a vida no
acampamento lhe impunha, praticava o jejum e a abstinência com muito rigor. A família requereu revisão do
processo junto a Santa Sé, para que fosse reabilitada a inocência de grande heroína. A Santa Sé anuiu a este justo
pedido, e o Papa Calixto III não só anulou o processo de Rouen, como também declarou solenemente a inocência de
Joana. Pio X beatificou-a em 10 de abril de 1909. Em 1924 foi Joana canonizada por S.S Pio XI na presença de
milhares de cristãos, e sob o entusiasmo mais justo de todos os católicos da França e do mundo.

Reflexões
Incompreensíveis são os juízos de Deus e inescrutáveis seus caminhos. De um modo admirável Deus se
interessa pelos destinos de uma nação. Para defender os direitos de um rei, de rei indigno, recorre à intervenção de
uma pobre donzela e esta morreu vítima de um processo iníquo. “Quem já conheceu a mente do Senhor? Ou quem
foi seu conselheiro?” (Rom. 11.34)