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UNIVERSIDADE DE PASSO FUNDO

Instituto de Ciências Exatas e Geociências


Curso de Química Licenciatura
Campus I – Bairro São José – Fone/Fax (054) 3316-8347
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e-mail: quimica@upf.br

Professor: Anny Karolyne Cecato de Carvalho


Componente Curricular: Química
Data: 19/09/2019

LIGAÇÕES QUÍMICAS

Figura 1. Imagem de satélite mostra a Terra


vista do espaço — Foto: Nasa/NOAA

O planeta Terra é lindo...

Lindo e complexo!

Há milênios uma infinidade de formas vivas nos encantam e estimulam a nossa curiosidade, além
das montanhas, mares, lagos, rios, planícies, desertos...
Em algum momento você já observou a Tabela Periódica e pensou que o número de elementos
químicos, ou seja, de tipos diferentes de átomos existentes na natureza, não é tão grande assim? E
que toda complexidade do mundo que nos cerca é construída a partir desses elementos? E não é
mais espantoso ainda que materiais tão distintos como a gasolina que movimenta nossos carros, a
naftalina que preserva nossas roupas das apavorantes traças e o gás do fogão no qual cozinhamos
os alimentos sejam compostos por átomos de apenas dois tipos, carbono e hidrogênio?
Figura 2. Gasolina, Naftalina e Gás Natural são feitos unicamente de átomos de
carbono e hidrogênio. Esses compostos pertencem à classe dos hidrocarbonetos.
COMO ISSO É POSSÍVEL?

A resposta está na união entre os átomos. Isso mesmo! Os átomos podem se ligar uns aos outros
de inúmeras maneiras para, como se fosse um “Lego” microscópico, “montar” tudo o que está a
nossa volta. Por isso, o estudo da maneira em que os átomos se ligam, ou seja, das ligações
químicas, é indispensável para entendermos as propriedades da matéria e como ela se comporta.
As ligações químicas podem ser formadas por dois modos principais: em um deles, a ligação
iônica, as partes envolvidas (“blocos construtores”) encontram-se na forma de íons (possuem
carga elétrica, decorrente do ganho ou perda de elétrons). É o tipo de ligação presentem num
cristal de sal de cozinha. (Já estudado)
Já na ligação covalente, há o compartilhamento de elétrons entre dois átomos neutros. Um bom
exemplo é diamante, formado apenas por átomos de carbono ligados covalentemente.
Figura 3. Sal de Cozinha - Cloreto de Sódio (esq.); Diamante (dir.)

LIGAÇÕES COVALENTES
Ocorre entre átomos com tendência de receber elétrons. Nesse tipo de ligação, ocorre o
compartilhamento ou emparelhamento de elétrons (note bem que na ligação iônica ocorria a
doação ou transferência de elétrons), ou seja, quando dois átomos precisam ganhar elétrons
para adquirir a configuração eletrônica de um gás nobre (adquirir estabilidade), eles compartilham
seus elétrons mais externos, de modo que um átomo possa “utilizar” os elétrons do outro. Esse
compartilhamento de elétrons é a base da LIGAÇÃO COVALENTE. Na ligação covalente, ao
contrário da ligação iônica, nenhum dos participantes deseja doar elétrons. Assim, as ligações
covalentes são encontradas nos seguintes casos:

Vamos ver mais de perto o caso mais simples da ligação entre dois átomos de hidrogênio,
lembrando que cada átomo de hidrogênio possui apenas um próton no seu núcleo e um elétron, na
sua eletrosfera. Como estarão os seus elétrons? Você deve lembrar que, nos átomos de hidrogênio
não ligados, os elétrons estão em torno do núcleo, em orbitais atômicos. No caso do hidrogênio,
seu elétron está em um orbital 1s, que é esférico. É importante notar que, então, os dois elétrons
se tornam indiferenciáveis, ou seja, cada um deles interage igualmente com os dois núcleos ou, se
quisermos, eles “pertencem” aos dois núcleos ou, ainda, eles são compartilhados pelos dois
núcleos. Este é o sentido real do conceito de compartilhamento. Veja que em nosso exemplo da
molécula de hidrogênio os dois átomos que estão se ligando são iguais. Daí, o par de elétrons é
igualmente compartilhado pelos dois núcleos, ou seja, ele não tende, em média, nem para um
núcleo nem para outro.
Figura 4. Atrações e repulsões entre dois átomos em aproximação

Eletronegatividade

Determinados elementos possuem tendência a perder elétrons (como os metais) ou a ganhar


elétrons (como os ametais). Isso pode ser verificado experimentalmente em função das substâncias
compostas que eles formam. Linus Pauling procurou quantificar essa tendência, estabelecendo uma
escala de eletronegatividade. Eletronegatividade é a tendência que um átomo possui de atrair
elétrons para perto de si, quando se encontra “ligado” a outro átomo de elemento químico
diferente, numa substância composta. Assim, dois átomos com alta eletronegatividade estabelecem
uma ligação química compartilhando seus elétrons mais externos (de valência). Abaixo, esquema da
ligação Covalente apresentado no livro ‘Química’ de Martha Reis.
Quando dois átomos estabelecem entre si duas ligações covalentes comuns, forma-se uma ligação
dupla. A molécula de CO2(g) possui duas ligações duplas. Os pares de elétrons que não estão sendo
compartilhados não precisam ser necessariamente representados na fórmula estrutural, logo a
fórmula O = C = O também é válida.

Quando dois átomos estabelecem entre si três ligações covalentes comuns, forma-se uma ligação
tripla, como ocorre na molécula de N2(g).

Compostos Covalentes e Moleculares


Ao contrário do que acontece com a ligação iônica, que só pode dar origem a compostos iônicos, a
ligação covalente é capaz de gerar dois tipos de compostos bem diferentes: os covalentes e os
moleculares. Apesar de não possuírem íons em sua estrutura, podemos comparar os compostos
covalentes aos compostos iônicos, pois eles também formam redes cristalinas “infinitas”, só
que de átomos. Este é o caso do diamante, uma das formas alotrópicas do elemento carbono, em
que cada átomo está unido por ligações covalentes a outros quatro, formando um retículo
tridimensional. Outro exemplo de composto covalente seria o quartzo (dióxido de silício). Nem
todos nós vimos diamantes “ao vivo” alguma vez em nossas vidas, mas dióxido de silício,
provavelmente já: ele é o principal constituinte da areia. Então, quando estiver “pegando uma
praia”, feche os olhos por um instante e se imagine pisando sobre uma imensa rede de ligações
covalentes. Parece fantasia, mas é o maravilhoso mundo da Química.

Os Figura 5.Estrutura do diamante, um composto covalente. A separação entre quaisquer dois átomos de
carbono é de 0,15 nm, ou seja, 0,15 milionésimos de milímetro.

compostos moleculares são muito diferentes, pois, neles, um número finito de átomos se une
covalentemente para produzir um conjunto eletricamente neutro, de estrutura bem definida,
chamado molécula. A água é um composto molecular. Para formar uma molécula de água, H 2O,
dois átomos de hidrogênio se ligam a um átomo de oxigênio. Num copo cheio d’água, temos uma
quantidade enorme, mas muito grande mesmo, de moléculas.
Chamamos o número de ligações covalentes que um certo átomo faz de valência e esse número
depende da estrutura eletrônica do átomo. Como foi discutido anteriormente, cada ligação
covalente corresponde a um par de elétrons compartilhado e cada átomo, pela teoria dos octetos,
deve ter oito elétrons na sua camada mais externa. A exceção fica por conta do hidrogênio que,
com apenas dois elétrons, atinge a mesma configuração eletrônica do gás nobre hélio (1s 2).

Estrutura da Lewis

O brilhante químico americano Gilbert N. Lewis (18751946), autor da teoria dos octetos, inventou
uma forma bem simples de representar os elétrons externos de átomos e moléculas, que facilita
muito o trabalho de contá-los. Trata-se dos famosos símbolos e estruturas de Lewis.
Nas moléculas e sólidos covalentes, podemos distinguir dois tipos diferentes de elétrons: os pares
compartilhados (ligantes) e os pares não-compartilhados ou isolados (não-ligantes). Lewis propôs
que cada elétron não-ligante fosse representado por um pontinho (•) em volta do símbolo do
elemento. Dois pontinhos (••) seriam, então, um par não-ligante, ocupando o mesmo orbital.
Lewis representa a ligação covalente entre dois átomos por um traço (–), o que significa um par
ligante ou compartilhado. Assim, cada vez que olharmos para o símbolo –, devemos “enxergar” dois
elétrons numa ligação covalente. Dois átomos podem, a princípio, compartilhar mais que um par de
elétrons.
Diferentes representações de uma substância covalente, o dióxido de silício, comumento utilizado
na produção de vidro.

As possíveis ligações dos elementos dos grupos 14, 15, 16 e 17.

Agora, sim, podemos entender o motivo pelo qual, por exemplo, o hidrogênio só faz uma ligação
simples, ou seja, compartilha apenas um par de elétrons. Cada átomo de hidrogênio possui um
único elétron e, como sabemos, são necessários dois para que ele possa completar a sua camada.
Ao fazer uma ligação simples, o hidrogênio “empresta” o seu elétron para outro átomo e, em
contrapartida, dele recebe um elétron. Assim, passa a ter um par ligante (ou seja, dois elétrons) à
sua volta, adquirindo configuração eletrônica de gás nobre. Representamos o hidrogênio ligado
como H–.

LIGAÇÃO COVALENTE COORDENADA OU DATIVA

A ligação covalente coordenada dativa, conhecida também como apenas ligação dativa, é a que une
dois átomos através de um ou mais pares de elétrons provenientes de apenas um desses átomos.
Nesse tipo de ligação, apenas um desses átomos já apresentava anteriormente o octeto completo.
Exemplo:
1- Dióxido de enxofre, um poluente atmosférico comum nas grandes cidades.
a) Fórmula Molecular:
b) Fórmula Eletrônica:
c) Fórmula Estrutural:

2- Monóxido de carbono, um componente letal quando em excesso em ambientes pouco


ventilados.
a) Fórmula Molecular:
b) Fórmula Eletrônica:

c) Fórmula Estrutural:

OBSERVAÇÃO:
Até há pouco tempo, era muito comum o ensino de um caso particular de ligação covalente
chamada de “ligação covalente coordenada” ou “dativa”. Dizia-se que quando um átomo
completasse o octeto, ele ainda poderia doar (sem compartilhar, por isso o nome de “dativa”) um
ou mais pares de elétrons para outro átomo ou íon. Mas, realmente, não há nenhuma diferença
entre a natureza de uma ligação covalente “normal” e a de uma ligação “dativa”. Elas
são exatamente iguais, ou seja, ambas envolvem compartilhamento de elétrons. Logo, não há
motivo para diferenciá-las e chamá-las de nomes distintos.
Ocorrência:

REFERÊNCIAS

BROWN, L. T., LEMAY, H. E., BURSTEN, B. E., BURDGE, J. R. Química - a ciência central, São
Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005.

DE BONI, L. A. B., GOLDANI, E. Introdução Clássica à Química Geral, Porto Alegre, Ed. Tchê
Química Consc. Educ. LTDA, 2007.
FERNANDEZ, C., MARCONDES, M. E. R. Concepções dos estudantes sobre ligação química.
Química Nova na Escola, n. 24(2). p. 20-24, 2006.

LISBOA, J. C. F. Química, 1º ano: ser protagonista. 1. Ed. São Paulo: Edições SM, 2010.

REIS, M. R. M. Química: ensino médio. 1 ed. São Paulo: Ática, 2013.

RUSSELL, John B. Química Geral. 2ª edição. Makron Books,1994.

SANTOS, W. L P. Mol, G. Química cidadã: ensino médio : 1º série. 2. ed. São Paulo: Editora AJS,
2013.
Exercícios de fixação:

1. Ao formar ligações covalentes com o hidrogênio, a eletrosfera do carbono adquire


configuração eletrônica de gás nobre. Com isto, é de esperar a formação da molécula:
a. CH
b. CH2
c. CH3
d. CH4
e. CH5
Mostre sua fórmula eletrônica e estrutural.

2. (UESPI) O fosfogênio (COCl2), um gás incolor, tóxico, de cheiro penetrante, utilizado na


Primeira Guerra Mundial como gás asfixiante, é produzido a partir da reação:

Sobre a molécula do fosfogênio, podemos afirmar que ela apresenta:


a. Duas ligações duplas e duas ligações simples
b. Uma ligação dupla e duas ligações simples
c. Duas ligações duplas e uma ligação simples
d. Uma ligação tripla e uma ligação dupla
e. Uma ligação tripla e uma simples

3. (FEI-SP) A fórmula N≡N indica que os átomos de nitrogênio estão compartilhando três:
a. Prótons
b. Elétrons
c. Pares de prótons
d. Pares de neutrôns
e. Pares de elétrons

4. O gás carbônico (CO2) é o principal responsável pelo efeito estufa, enquanto o dióxido de
enxofre (SO2) é um dos principais poluentes atmosféricos. Se considerarmos uma molécula
do CO2 e uma molécula do SO2, podemos afirmar que o número total de elétrons
compartilhados em cada molécula é, respectivamente, igual a:
Dados: C (Z = 6); O (Z = 8); S (Z = 16).
a. 4 e 3
b. 2 e 4
c. 4 e 4
d. 8 e 4
e. 8 e 6

5. (UFCE) No envenenamento por monóxido de carbono (CO), as moléculas desse gás se ligam
aos átomos de ferro da hemoglobina, deslocando o oxigênio e causando, rapidamente, a
asfixia. Quantos pares de elétrons disponíveis do oxigênio existem na molécula do CO
para se ligarem ao ferro da hemoglobina por meio de ligação covalente “dativa”?
a. 1
b. 2
c. 3
d. 4
e. 6

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