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Departamento de História

História do Brasil 4
Profª Teresa Marques
Luís Alves Porto 16/0034965
Thalita Alves Sant’Ana de Oliveira 16/0018820

O problema do trabalho feminino


Esse texto, escrito por Eugênia da Costa Cerqueira, foi publicado durante a semana de
ação católica, em 1934. Trata-se de uma reflexão acerca dos problemas que assombravam o
dinamismo social, causados pela saída das mulheres da vida familiar e do lar, para o trabalho
nas indústrias.
Apoiada nos ideais morais e religiosos do período, Cerqueira pondera sobre as
condições de vida da mulher na sociedade moderna e apresenta uma questão-problema: essas
condições de vida favorecem ou atrapalham a mulher no cumprimento de sua missão natural
que é ser o alicerce da vida familiar?
Para tanto, a autora apresenta quatro diferentes esferas do dinamismo dessa sociedade
e o impacto do trabalho feminino em cada uma delas. Primeiro, é apontada a resposta da
questão a partir do ponto de vista moral. Aqui, segundo ela, a promiscuidade e a falta de
moralidade de alguns ambientes de trabalho é fator de risco para as mulheres.
Em seguida, Eugênia apresenta o ponto de vista econômico. Neste, a autora afirma que
o trabalho feminino é uma questão de economia às avessas, já que as mulheres aceitam
desempenhar funções por salários muito baixos em relação a remuneração masculina.
Por fim, são pontuados os pontos de vista intelectuais e de higiene. No primeiro, é
admitido que o trabalho fora do lar exerce influência sobre a inteligência feminina. Entretanto,
rouba delas o tempo que poderia ser aproveitado para a instrução das mesmas. No segundo, o
ambiente fabril é tido como um perigo para a saúde física da mulher, dado sua baixa resistência.
Logo, as mulheres que levam a vida moderna são responsabilizadas pelo descuidado
com o marido e seus filhos, descuidado com a higiene da casa e até mesmo pelo afastamento
da vida espiritual e religiosa.
Portanto, a resposta para a questão que moveu a autora é que o trabalho industrial das
mulheres atrapalha o seu desempenho na vida familiar e espiritual. O que é claro, logo mais
gerará problemas para toda a sociedade.
O segundo passo foi pensar o que seria capaz de tirar as mulheres dos seus empregos e
levá-las de volta ao lar. As principais mudanças apontadas como aliadas nesse processo foram
o aumento do salário masculino, já que acreditavam que a insuficiência da remuneração dos
maridos, levavam às mulheres ao trabalho fora do lar; e depois, uma realocação do trabalho
desempenhado pelas mulheres para a unidade domiciliar.
Além disso, foi levada a cabo uma campanha contra o salário dispensável e
desnecessário que lembraria a mulher da importância e grandiosidade do seu papel na vida
familiar e foram oferecidos auxílios profissionais, morais, educativos e religiosos para estas.

Ação Católica: Pequeno Catecismo – Princípios e Disposições Gerais


A capa de “Pequenos Catecismo: Princípios e Disposições Gerais” estampa “Acção
Catholica” em seu topo. A Ação Católica (AC) era uma instituição de apostolado leigo (mas
vinculado à Igreja) “cuja tarefa seria evangelizar as nações, como uma ‘extensão do braço da
hierarquia eclesiástica’” (KORNIS, 2010, s. p.). Apesar de o documento não atribuir um autor
à organização ou escrita da obra, consta “Fides Brasiliae” ao rodapé da capa. Esse era o nome
de uma revista católica editada pelo Rio de Janeiro1, que também figura como editora em
catalogações de bibliotecas e livrarias atuais.
O texto, por um esquema de perguntas e respostas, explica os programas da Ação
Católica para homens, mulheres e jovens, bem como a relação da AC com a política e razões
pelas quais seria obrigatório para os católicos participar da Ação.
Antes de partir para os programas, o autor passa por três valores que os católicos devem
seguir – a palavra, o bom exemplo e o zelo. O primeiro se refere à disseminação da religião –
sendo “obrigação dos catholicos favorecer e proteger a Imprensa e o Radio Catholicos” –;
enquanto o segundo afirma que o católico deve ser um exemplo vivo de como é ser um bom
cristão, pai de família etc.; e o terceiro é o valor que “impelle os membros da Acção Catholica
a praticar em relação ao próximo não somente os deveres de justiça e de equidade”, mas
também a caridade de Cristo. É baseado nesses que vão surgir os programas das divisões da
Ação Católica.
O programa específico dos homens da AC visam a um respeito e cuidado para com a
família, além do interesse pelas iniciativas de “verdadeira educação do indivíduo e a
restauração christã da sociedade”. Para tanto, o objeto de sua ação contempla, entre outros

1
De acordo com o jornal A Ordem (RN), 12/4/1939.
pontos, a ação cultural “em defesa das verdades catholicas” e contra outras religiões e difusão
da “Boa Imprensa”.
Enquanto o programa masculino busca mudanças profundas na sociedade como um
todo, tendo como alvo homens e mulheres, o feminino é muito mais voltado para mulheres. A
grande maioria do programa e do objeto de ação da Liga Feminina de Ação Católica se volta
ao cumprimento dos “deveres individuaes familiares, socieaes em correspondencia com sua
missão christã e materna”, zelando pela moralidade dos costumes. O objeto também confere
especial atenção às mulheres pobres – essas não retratadas como agentes, mas sim como
receptoras do programa da Liga Feminina por meio de donativos e “opportunas iniciativas de
valor benefico e moralizador”.
Nas juventudes, a distribuição é parecida. Os jovens homens devem “promover,
sustentar e diffundir a cultura católica” e “preparar para uma convicção profunda o catholico
praticante e o cidadão consciente de seus deveres em prol do bem e da grandeza da Pátria”. Às
jovens mulheres, caberia preparar-se para a vida familiar, participando da “cruzada contra as
modas indecentes” e atuar nas iniciativas dos apostolados nas paróquias, como “escolas de
trabalho (cortar, coser, bordar), de economia doméstica, de orientação profissional, de
assistência moral às jovens operárias conforme as circunstâncias o exigirem”.
Embora a AC não pretendesse fundar um partido, essa acreditava na importância de
participar da política por meio da preparação política das “consciências dos cidadãos, e formá-
las, também nesta matéria, cristãmente, catolicamente”. O autor também cita que, segundo Pio
XI, a participação na Ação Católica era obrigatória para os católicos – sendo, para os pastores,
um ofício necessário, e, para os fiéis, uma obrigação da vida cristã.

Relacionando as duas fontes


Enquanto Eugênia da Gama Cerqueira argumenta contra o trabalho feminino, o
programa da Juventude Feminina de Ação Católica Brasileira prega a participação ativa das
jovens na preparação para o trabalho. Embora tais diferenças possam se dar devido a
particularidades da Ação Católica em São Paulo (na fonte de Eugênia) e Rio de Janeiro (na
fonte da Fides Brasiliae), cabe notar outras possibilidades.
Enquanto o primeiro trabalho foi apresentado na Semana de Ação Católica, em janeiro
de 1934 – portanto, durante a Assembleia Nacional Constituinte que instituiria a Constituição
de 1934 e anteriormente ao estabelecimento da Ação Católica Brasileira (ACB) por dom
Sebastião Leme da Silveira Cintra, em 1935 –, o segundo não possui data, mas apresenta a
ACB de maneira mais consolidada.
Esse fator indica que talvez o texto seja posterior à Constituição de 1934, em que os
sindicatos, antes livres, foram subordinados ao Estado e reduzidos por categoria. Agora,
poderia haver mais interesse por parte da Igreja em não somente atingir mulheres trabalhadoras,
mas formar mulheres trabalhadoras que participassem dos sindicatos.