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Características Básicas dos Solos Constituintes do Subsolo da

Cidade de Maringá: Locais de Alta a Média Vertente


Nelcí Helena Maia Gutierrez
Universidade Estadual de Maringá, Paraná, Brasil.

Antonio Belincanta
Universidade Estadual de Maringá, Paraná, Brasil.

RESUMO: O presente trabalho apresenta e discute as características básicas dos solos constituintes
do subsolo da cidade de Maringá-PR, no que se refere aos locais de alta a média vertente. Para isto
são apresentados, na forma de tabelas e de perfis, parâmetros físicos e de comportamento destes
solos de interesse da geotecnia em geral.

PALAVRAS-CHAVES: Parâmetros geotécnicos, Solos de Maringá, Solos do Norte do Paraná.

1 INTRODUÇÃO (anteriormente designado de Terra Roxa


Estruturada) e a outra, subjacente a esta
A elaboração de um projeto geotécnico requer o superficial, constituída de solo de alteração de
conhecimento de determinadas características e basalto.
propriedades do solo, entre as quais se incluem
o perfil do subsolo e os parâmetros relacionados
à resistência, permeabilidade e deformabilidade 2 SUBSOLO DA CIDADE DE
(NBR 8044/83). MARINGÁ, NOS LOCAIS DE ALTA A
É importante que o engenheiro projetista MÉDIA VERTENTE
tenha, previamente, conhecimento da ordem de
grandeza de valores dos parâmetros geotécnicos O subsolo da cidade de Maringá, em locais de
para a região ou local em que irá construir, não alta a média vertente, tem sua camada
só no sentido da elaboração do anteprojeto, mas superficial de solo evoluído (Latossolo
também naquele do estabelecimento de uma Vermelho férrico), originariamente proveniente
programação de investigação de campo e de da alteração de basalto, constituída de argila
laboratório eficiente à obtenção de parâmetros siltosa porosa, de cor marrom avermelhado,
necessários à elaboração do projeto final de com espessura variável, chegando em alguns
engenharia. Assim, visando uma contribuição, locais até a profundidade máxima de 12m, o
este trabalho se propõe a apresentar e discutir as que ocorre, por exemplo, nas proximidades do
características básicas dos solos constituintes do centro de Maringá. A camada de solo de
subsolo da cidade de Maringá, de interesse da alteração de basalto, que se encontra abaixo da
geotecnia em geral. A cidade de Maringá, cuja camada superficial de solo evoluído, é
região central se encontra sobre o espigão constituída de argila siltosa e silte argilo-
divisor de águas dos rios Pirapó ao norte e Ivaí arenoso, de cor variegada, com matriz na
ao sul, assenta-se sobre solos argilosos tropicais tonalidade marrom, roxo ou cinza amarelado,
resultantes do intemperismo do basalto, apresentando também constantemente diáclases
perfazendo duas camadas distintas: uma salientadas por oxidações de cor preta ou
superficial de solo evoluído, classificado pela amarela. Esta camada de solo de alteração de
pedologia nos locais de alta a média vertente basalto, dependendo principalmente de sua
como Latossolo Vermelho Férrico posição no relevo do terreno, pode se estender
(anteriormente designado como Latossolo até aproximadamente 31 m de profundidade,
Roxo) e em locais predominantemente de baixa como acontece em certos pontos da região
vertente como Nitossolo Vermelho férrico central de Maringá. Abaixo das duas camadas
de solo encontra-se a rocha basáltica, podendo As Figuras 1 e 2 apresentam dois perfis
ser maciça, vesicular e/ou amigdaloidal, de típicos de sondagens realizadas, sendo um
variado grau de sanidade (grau de alteração). O proveniente do Campus sede da UEM e outro
nível d’água do subsolo, observado em das proximidades do centro de Maringá. A
sondagens de simples reconhecimento, Tabela 1 mostra numa forma geral as faixas de
encontra-se geralmente na camada de solo de variações dos valores dos índices físicos e
alteração de rocha, podendo estar ou não limites de consistência típicos de solos de
próximo do topo rochoso. interesse da cidade de Maringá, enquanto que
na tabela 2 são apresentados parâmetros de
comportamento dos mesmos solos.
3 APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO Apresentam-se também resultados de dois
DOS RESULTADOS ensaios de compressão axial com confinamento
lateral (ensaios edométricos da NBR 12007/90),
As informações discutidas nesse trabalho são executados com amostras de solo evoluído
provenientes do banco de dados do Laboratório (Figura 3 e 4), os quais evidenciam a influência
de Mecânica dos Solos da Universidade do umedecimento no seu comportamento. Por
Estadual de Maringá (UEM), limitam-se a fim, com intenção de ilustrar são apresentados
resultados de ensaios de laboratório e de campo, na Figura 5, na forma de perfis, os valores de
de interesse à caracterização dos solos índice de resistência à penetração (NSPT) e dos
constituintes do subsolo dos locais de alta a índices físicos, provenientes de resultados de
média vertente da cidade de Maringá, sendo as ensaios realizados com amostras retiradas em
mesmas apresentadas na forma de tabelas e dois poços de inspeção e em três sondagens
figuras, na devida seqüência. Estas informações executadas no Campus sede da UEM.
já foram parcialmente discutidas em Belincanta
et al. (2000) e Gutierrez et al. (2003).

Tabela 1 – Índices físicos e limites de consistência típicos dos solos constituintes do subsolo da
cidade de Maringá, para locais de alta a média vertente.
Símbolo e Solo evoluído Solo de alteração
Discriminação
unidade (Latossolo Vermelho férrico) de basalto (1)*

Peso específico natural γn (kN/m3) 12,5 -16,5 15,5 - 18,0


Peso específico dos grãos γs (kN/m3) 29,7– 30,7 28,0 - 30,5
Umidade natural W (%) 29 – 35 43 – 55
Grau de saturação Sr (%) 37 – 70 60 – 100
Índice de vazios e 1,50 - 2,30 1,25 – 2,00
Porosidade η (%) 60 - 70 55 - 67
Fração argila % 52 - 78 48 - 60
Fração silte % 15 - 38 26 - 32
Fração areia % 5 - 10 13 - 17
Limite de liquidez LL (%) 53 – 61 60 – 95
Limite de plasticidade LP (%) 39 – 45 41 – 66
Índice de plasticidade IP (%) 14 – 22 19 – 40
Atividade Coloidal AC 0,20 – 0,35 0,34 – 0,75
Obs. (1)* Estes dados referem-se aos solos do Campus sede da UEM e não contemplam os solos próximos
da região do topo rochoso ou abaixo do nível de água natural.
RESULTADOS DOS ENSAIOS SPT 3 e TORQUE
no de golpes

Profundidade N.A. (m)


Nspt

Cotas em relação

Prof das camadas


tor máx /N spt
descrição do subsolo

corrigido p/45cm
ao R.N. ( m )

torque máx

corrigido p/45cm
torque res

Amostras
Avanço do furo

NSPT
pela

kgf.m

kgf.m

(m)
Torque máx
penetração em

cm número de golpes ( N ) Análise Visual - Tátil


100 0 5 10 15 20

rev 1m
0

1 =

1 1 1 2,34 1,57 0,52 0,67 1


17,0 13,0 13,0
2 =

1 1 1 2,01 1,44 0,47 0,72 2


18,0 16,0 13,0
3 =

1 1 1 2,31 1,61 1,07 0,70 3


16,0 14,0 12,0
4 = Argila Siltosa
2 2 2 4,33 2,93 1,96 0,68 4 mole à média
19,0 17,5 11,0
95 5 = marrom avermelhado
2 2 3 4,75 2,78 1,86 0,59 5 ( solo pedològicamente evoluído )

N.A.= 15.70m de profundidade (cota 84,30m), em 17/07/96


18,0 13,0 17,5
6 =

2 2 3 4,62 4,69 2,81 1,02 6


18,0 12,5 17,5
Nspt = porosa
7

2 1 3 4,18 4,79 2,87 1,15 7


TH trado Helicoidal c/ água

20,0 8,0 19,0


8 = 8,00

2 3 3 5,85 5,81 5,87 0,99 8


16,5 16,5 13,5
9 =

1 3 4 6,52 6,92 4,95 1,06 9 9,50


13,0 17,0 15,5
90 10 =

3 5 7 11,88 19,8 18,80 1,66 10


15,5 13,5 16,5
11 = Argila Siltosa
2 4 6 9,86 15,8 12,9 1,60 11 (solo residual de basalto vesic/amig)
15,5 15,0 15,0
12 =

2 5 6 10,93 20,2 18,2 1,85 12 média à rija


14,0 17,0 13,5
torque máx = variegado ( roxo e marrom amarelado )
13

3 5 8 12,67 28,0 25,0 2,21 13 c/ diáclases salientadas por oxidações


13,5 15,0 16,0
14 = de cor preta e amarela

3 6 7 13,24 24,3 22,3 1,83 14 =


15,0 15,0 14,5
85 15 =
N.A.

2 4 5 8,63 14,0 12,0 1,62 15 = 15,70


13,5 16,5 15,0
16 =

3 6 12 18,43 20,0 17,0 1,09 16 = rija à dura


17,5 13,0 14,5
17 = variegado ( marrom amarelado )
82,55 5 11 25 35,65 17 17,45
14,5 15,5 15,0
18

19 m final da sondagem

80 20 0 5 10 15 20

torque ( kgf.m )

Legenda Observações UEM Perfil individual de sondagem


sondagem SPT 3
TH*=trado diâm . 76 mm 1 - sondagem executada com martelo com pino guia, acionamento Interessado: Pesquisa
TH=trado helicoidal com corda manual, cabeça normal com coxim Local: Campus da UEM - Estação Meteorológica
CA=Circulação d'água 2 - perfuração com trado helicoidal Revestimento: di=67.0mm R.N.: 100m data in:29/7/96

N.A.=após estabilização Amostrador Raymond cota furo:100m data tér:31/7/96

de=50,8mm di=34,9mm visto

Figura 1. Resultado típico de uma Sondagem de Simples Reconhecimento com SPT e torque,
realizada no Campus sede da Universidade Estadual de Maringá, local de alta a média vertente.
profundidade(m)
tipo de perfuração
N0 de golpes

cotas em relação

amostra-prof.(m)
Nspt Descrição do Subsolo

Nspt
prof. NA(m)
ao RN (m)
p/ penetração
Análise Visual Tátil
(cm)
número de golpes (Nspt)
0 5 10 15 20 25 30 35

99,0 1m
1 1 1 1,9 1

98,0 19,0 16,0 14,0 2m


1 1 1,5 2

97,0 30,0 15,0 3m


1 1 2 3,1 3

96,0 16,0 10,0 19,0 4m


1 1 1 2,4 4

95,0 19,0 13,0 10,5 5m


1 1 2 3,1 5

94,0 16,0 10,0 19,0 Nspt 6m


Argila siltosa, porosa, solo
trado helicoidal

1 2 2 3,4 6 evoluído, de muito mole a média


93,0 15,0 19,0 16,0 7m
Nnível d'água a 29,6m de profundidade

1 2 3 5,0 7

92,0 12,0 15,0 16,0 8m


marrom avermelhado
1 2 3 5,0 8

91,0 12,0 15,0 16,0 9m


1 2 2 4,0 9

90,0 15,0 17,0 13,0 10m


2 3 4 6,4 10
10

89,0 13,0 16,0 17,0 11m


2 4 4 7,9 11

88,0 17,0 15,0 14,0 12m 11,8m


2 4 5 8,7 12

87,0 15,0 16,0 15,0 13m


3 5 7 12,4 13

86,0 17,0 13,0 15,0 14m


3 5 6 11,8 14

85,0 17,0 14,0 13,0 15m


2 4 7 10,7 15

84,0 16,0 14,0 16,0 16m


Argila siltosa, solo de alteração
2 5 7 11,4 16 de basalto vesicular- amigdaloidal, de
83,0 13,0 16,0 16,0 17m média à dura
2 3 6 8,5 17

82,0 16,0 13,0 18,0 18m


3 6 8 14,5 18
Variegada
81,0 15,0 14,0 15,0 19m
4 6 8 14,0 19
Marrom e roxo, com diáclases
80,0 15,0 15,0 15,0 20m
2 4 5 9,0 20

79,0 15,0 16,0 14,0 21m salientadas por cores preta e amarela
circulação d'água

3 5 7 12,2 21

78,0 16,0 14,0 15,0 22m


2 3 6 8,5 22

77,0 14,0 14,0 18,0 23m


2 5 7 11,6 23 23,7m
76,0 15,0 15,0 16,0 Nspt 24m
2 4 7 10,7 24

75,0 14,0 15,0 16,0 25m


Argila siltosa a Silte argilo-
3 6 6 12,1 25

74,0 14,0 17,0 13,0 26m arenoso, solo de alteração de


3 7 8 14,1 26
basalto vesicular- amigdaloidal, de
73,0 14,0 17,0 15,0 27m
média à dura, com partes de
3 5 6 11,6 27

72,0 16,0 15,0 13,0 28m


rocha menos intemperizadas a
4 6 8 14,2 28 partir de 26,5m de profundidade
71,0 14,0 16,0 14,0 29m
9 19 17 48,0 29 Variegado ( marrom, roxo e cinza
70,0 15,0 15,0 9,0 30m amarelado)
7 11 14 25,4 30

69,0 16,0 14,0 15,0 31m


5 10 15 25,0 31

68,0 15,0 15,0 15,0 32m


67,6 14 10 6 >60 32 32,4m
15,0 7,0 1,5 0 5 10 15 20 25 30 35
NSPT final da sondagem (cota 67,60m)
legenda SP 01 Perfil Individual de Sondagem SPT
TH* trado helicoidal de 76mm Interessado: Universidade Estadual de maringá
TH trado helicoidal de 58mm Local :Novo Centro Método de execução NBR 6484/80
CA circulação d'água revestimento: di=67mm data ini.:13/07/94 data tér.:18/07/94
NA nível d'água após a estabização
Amostrador Raymond di=34,9mm de= 50,8mm RN : 100,0m cota furo:100,0m

Figura 2. Resultado típico de uma sondagem de simples reconhecimento com SPT,


realizada nas proximidades do centro da cidade de Maringá, local de alta a média vertente.
3.1 Características Básicas dos Solos de ensaio SPT, executadas no Campus da UEM e
Maringá, dos Locais de Alta a Média Vertente no Novo Centro.
A relação, entre o torque medido em kgf.m e
O Latossolo Vermelho férrico (camada N do SPT, tem apresentado valores abaixo de
superficial de solo evoluído), em conformidade 1,0 (um) na camada de solo evoluído, e valores
com os dados da Tabela 1, possui peso superiores a 1,0 (um) na camada de solo de
específico variando de 12,5 a 16,5kN/m3 (1,25 a alteração de basalto. Estas tendências carecem
1,65tf/m3), peso específico dos sólidos no de confirmação, já que a experiência regional
intervalo de 29,7 a 30,7kN/m3 (2,97 a 3,07 aponta flutuações nas tendências, indicativas da
gf/cm3), teor de umidade em torno de 29 a 35%, existência de variáveis ainda não entendidas e
fração argila de 52 a 78%, fração silte de 15 a consideradas.
38%, fração areia de 5 a 10%, limite de liquidez
variável de 53 a 61 e, índice de plasticidade de 3.2 Características Básicas de Comportamento
14 a 22. Estes índices conferem a este solo dos Solos de Maringá, dos Locais de Alta a
evoluído uma porosidade dentro da faixa de 60 Média Vertente
a 70%, grau de saturação na faixa de 37 a 70%
e atividade coloidal na faixa de 0,20 a 0,35. Os A camada de solo evoluído se apresenta com
índices de resistência à penetração N, obtidos índice de vazios variando aproximadamente de
em sondagens de simples reconhecimento com 1,50 a 2,30, o que lhe confere uma porosidade
ensaio SPT, têm variado de 1 a 4 na região de até 70%. Em função também de seu teor de
superior da camada de solo evoluído e de 4 a 8, umidade, que é da ordem de 32%, e de seu grau
na região inferior desta camada, portanto com a de saturação inferior a 70%, este solo
consistência variando de muito mole a média, geralmente é metaestável (Gutierrez et al.
segundo a NBR 6484/01 (N do SPT de 1 a 8). 2003), apresentando-se com tendência ao
O solo de alteração de basalto (solo colapso quando do aumento de umidade.
residual), em conformidade com dados contidos A Figura 3 mostra o colapso para o solo
na Tabela 1, a qual se refere a solos do Campus evoluído, coletado na profundidade de 1,5m,
sede da UEM e ainda assim exclui os solos nas enquanto que a Figura 4 se refere ao colapso do
proximidades do topo rochoso ou abaixo do solo da interface solo evoluído com o solo de
nível d’água, possui peso específico natural na alteração, isto é, aquele coletado a 9m de
faixa de 15,5 a 18,0kN/m3(1,55 a 1,80tf/m3), profundidade.
peso específico dos sólidos na ordem de 28,0 a
30,5kN/m3 (2,80 a 3,05gf/cm3), teor de umidade
em torno de 43 a 55%, fração argila de 48 a 2,2
Condições iniciais
60%, fração silte de 26 a 32%, fração areia de do ensaio
2,0
13 a 17%, limite de liquidez variável de 60 a w = 32%
e = 1,983
95, índice de plasticidade de 19 a 40. Estes
Índice de vazios - e

1,8
índices conferem a este solo de alteração de
basalto uma porosidade dentro da faixa de 55 a 1,6
I = 6,4%
67%, grau de saturação na faixa de 60 a 100% e 1,4
atividade coloidal na faixa de 0,35 a 0,65.
Esta camada de solo residual tem-se 1,2
apresentado com N do SPT variável (de 8 a
valores superiores a 30), portanto com 1,0
consistência variando de média a dura. 0,8
É interessante observar que o índice de 1 10 100 1000 10000
resistência à penetração N do SPT, não é
necessariamente crescente com a profundidade, Tensão vertical - σ v (kPa)
conforme se pode observar através das Figuras
1 e 2, que ilustram resultados típicos de Figura 3.Ensaio edométrico com inundação.
sondagens de simples reconhecimento com Solo evoluído do Campus sede da UEM,
coletado a 1,5m de profundidade.
Para a amostra de 1,5 m de profundidade, o
índice de vazios do solo passou de 1,983 para 2,2
Condições iniciais
1,605 na condição de umidade natural, quando do ensaio
2,0
o mesmo foi carregado sob tensão de 200kPa. w = 36%
e = 1,673
Ao ser inundado, o índice de vazios caiu para

Índice de vazios - e
1,8
1,438. Observa-se, para este caso, que as
deformações foram bastante pronunciadas 1,6
I =2,2%
quando o solo foi inundado na tensão de 1,4
200kPa, o que resultou num coeficiente de
colapso (I) de 6,4%. Faz-se importante notar 1,2
que a tensão de 200 kPa é de valor superior ao
1,0
da pressão de pré-adensamento, que neste caso
específico é de 80kPa. 0,8
No caso da Figura 4, o solo apresenta índice 1 10 100 1000 10000
de vazios natural de 1,673 que, quando
carregado na tensão de 400kPa, passa a 1,506. Tensão vertical - σ v (kPa)
Ao ser inundado sob esta tensão, o seu índice de
vazios se reduziu para 1,451, resultando um Figura 4. Ensaio edométrico com inundação em
coeficiente de colapso de 2,2%. A tensão de solo evoluído da profundidade de 9,0m do
pré-adensamento determinada para este solo, na Campus sede da UEM.
condição de umidade natural é de 260 kPa.
Estes exemplos mostram que as fundações Na Tabela 2 são apresentados parâmetros
diretas ou mesmo profundas, assentes neste tipo que caracterizam o comportamento do solo de
de solo evoluído, não devem se apresentar com alteração de basalto. Estes resultados foram
bom desempenho, quando do seu obtidos com solos do Campus sede da UEM e
umedecimento. não contemplam aqueles nas proximidades do
topo rochoso ou abaixo do nível d’água natural.

Tabela 2 – Parâmetros geotécnicos típicos dos solos constituintes do subsolo da cidade de Maringá,
referentes a locais de alta e média vertente.
Símbolo e Solo evoluído Solo de alteração
Discriminação
unidade (Latossolo Vermelho férrico) de basalto (1)*

Tensão de pré-adensamento pa (kN/m2) (NSPT)/(0,020 a 0,035) (2)*

Índice de compressão natural Cc ou Ic 0,500 - 0,750 0,700 - 1,100


Ângulo de atrito interno (efetivo) ϕ’ ( grau ) 27 – 32 22 – 26
Intercepto de coesão c’ (kN/m2) 10 – 30 30-100
Envoltória característica (efetiva) τr (kN/m2) 10 + σ’tg30º 30 + σ’tg24º
Coeficiente de permeabilidade K (cm/s) 10-3 --
Peso esp. ap.seco máximo (E.N.) γ dmáx. (kN/m3) 14,0 – 15,5 12,5 – 13,5
Umidade ótima (E.N.) Wót. (%) 28 - 34 37 - 42
CBR (E.N.) CBR (%) 7 - 25 5 - 16
Expansão % 0,1 – 0,3 0,4 – 4,2

(1)*
Obs: Estes dados referem-se aos solos do Campus sede da UEM, não contemplam os solos próximos da
região do topo rochoso ou abaixo do nível de água natural;
(2)*
NSPT - índice de resistência à penetração no ensaio SPT.
Os resultados obtidos em ensaios de expansão, para o ponto de peso específico
compressão com confinamento lateral em aparente seco máximo e umidade ótima,
laboratório, quando correlacionados com o variando de 7 a 25% e de 0,1 a 0,3%,
índice de resistência à penetração, N do SPT, respectivamente. Estes valores para o solo de
tem apontado no sentido da seguinte relação alteração de basalto são: teor de umidade ótima
para a tensão de pré-adensamento em kN/m2, de 37 a 42%, peso específico aparente seco
pa= NSPT/(0,020 a 0,035). Estes mesmos máximo de 12,5 a 13,5kN/m3 (1,25 a
resultados de laboratório têm indicado para 13,5tf/m3), CBR e expansão de 5 a 16 e de 0,4 a
índice de compressão valores variando de 0,500 4,2%, respectivamente.
a 0,750, na camada de solo evoluído, e 0,700 a Ensaios de permeabilidade executados no
1,100, na camada de solo de alteração. campo, na camada de solo evoluído, têm
Ensaios de laboratório de cisalhamento conduzido a valores de k na ordem de 10-3cm/s.
direto indicam, para envoltória de resistência ao Com o intuito de ilustração, na Figura 5, são
cisalhamento em kN/m2 e em termos de tensões apresentados os resultados de NSPT provenientes
efetivas, τ = 10 + σ’tg30º e τ = 30 + σ’tg24º, de três sondagens, executadas em posição de
respectivamente para o solo evoluído e para o alta a média vertente no Campus sede da UEM,
solo residual. e os valores médios obtidos nos ensaios de
Os ensaios de compactação e CBR caracterização dos solos, realizados em
(Califórnia Bearing Ratio), realizados com os laboratório com amostras retiradas em dois
respectivos métodos propostos pelas normas poços de inspeção. Esses resultados salientam a
brasileiras vigentes (NBR 7182/86 e NBR existência das duas camadas básicas de solo,
9895/87 e com o nível de energia normal de principalmente pela mudança de valores dos
600kJ/m3, apontam no sentido dos seguintes limites de consistência, teor de umidade natural
resultados para o solo evoluído: teor de e dos índices de resistência à penetração (NSPT),
umidade ótimo variando na faixa de 28 a 34%, que ocorrem na profundidade aproximada de
peso específico aparente seco máximo na faixa 9m, neste caso.
de 14,0 a 15,5kN/m3 (1,40 a 1,55tf/m3), CBR e
pe so específico
NSPT Granulometria Limite s de consistência (%) (kN/m 3 )
0 10 20 30 40 0 20 40 60 80 100 0 20 40 60 80 100 20 40 60 80 5 10 15 20
0
S P 01
S P 02
2 S P 03

4
a
6 r
g
Profundidade (m)

i
8 l
a s
i
10 l
t
12 e

14

16 LL um ida de úmido
LP
IP po ro s ida de s eco
18

Figura 5. Índices físicos, Limites de consistência e NSPT em função da profundidade, obtidos no Campus sede
da UEM.
3 CONCLUSÕES Associação Brasileira de Normas Técnicas
(1980) Execução de sondagens de simples
Procurou-se nesse trabalho, de forma bem reconhecimento, NBR 6484, Rio de
resumida, colocar algumas informações sobre o Janeiro.
solo e a ordem de grandeza de alguns Belincanta, A.; Ferraz, R.L.; Gutierrez, N.H.M
parâmetros geotécnicos, úteis aos engenheiros, (2000) Algumas características dos solos
na fase preliminar de projeto, onde se pretende constituintes do subsolo da cidade de
tão e somente a estimativa preliminar do Maringá, de interesse à geotecnia em geral,
comportamento do solo frente a carregamentos Enteca, Maringá, Vol.1, p.182-190.
em geral, oriundos de estruturas como, por Gutierrez, N.H.M.; Belincanta, A. (2003)
exemplo, fundações, escavações e aterros, Características físicas e geotécnicas de
dentre outras. Essas informações também são perfis de solos da cidade de Maringá,
bastante úteis para a programação e execução Engeopar, Maringá, CD-ROM, p.216-225.
de ensaios e de sondagens, conduzindo à
economia e à eficiência.
Cumpre, no entanto, salientar que os dados
apresentados e discutidos neste trabalho servem
apenas como informações preliminares, embora
sejam de grande utilidade, uma vez que os
valores a serem empregados nos projetos devem
ser obtidos a partir de ensaios e sondagens,
realizadas para cada obra e local específico.

4 REFERÊNCIAS

Associação Brasileira de Normas Técnicas


(2001) Sondagens de Simples
Reconhecimento com SPT, NBR 6484, Rio
de Janeiro.
Associação Brasileira de Normas Técnicas
(1990) Ensaio de adensamento
unidimensional, NBR 12007, Rio de
Janeiro.
Associação Brasileira de Normas Técnicas
(1986) Ensaio de compactação, NBR 7182,
Rio de Janeiro.
Associação Brasileira de Normas Técnicas
(1987) Índice de Suporte Califórnia, NBR
9895, Rio de Janeiro.
Associação Brasileira de Normas Técnicas
(1984) Determinação do limite de liquidez,
NBR 6459, Rio de Janeiro.
Associação Brasileira de Normas Técnicas
(1984) Determinação do limite de
plasticidade, NBR 7180, Rio de Janeiro.
Associação Brasileira de Normas Técnicas
(1983) Projeto Geotécnico, NBR 8044, Rio
de Janeiro.

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