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PRINCÍPIOS E ATRIBUIÇÕES INSTITUCIONAIS DA DPE

1. ORIGEM E EVOLUÇÃO DA IDEIA DE ASSISTÊNCIA JURÍDICA .................................... 4


1.1. IDADE ANTIGA ...................................................................................................... 4
1.1.1. Código de Hamurabi ........................................................................................ 4
1.1.2. Atenas.............................................................................................................. 4
1.1.3. Roma ............................................................................................................... 4
1.1.4. Era Cristã ......................................................................................................... 5
1.2. SÉCULOS XVII E XVIII .......................................................................................... 5
1.2.1. Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão – França, 1789 .................. 5
1.2.2. Holanda (1814), seguida por Áustria e Bélgica ................................................ 5
1.2.3. Code de L’Assistance Judiciaire – França 1851 ............................................... 5
1.3. SÉCULO XX – PÓS SEGUNDA GUERRA MUNDIAL ............................................ 5
1.3.1. Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão – ONU – 1948 .... 6
1.3.2. Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos – ONU – 1966. ...................... 6
1.3.3. Convenção Americana de Direitos Humanos – Pacto de San Jose da Costa Rica
– OEA – 1969. 6
2. MODELOS DE ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA................................................... 6
2.1. MODELO CARITATIVO (OU HONORÍFICO) ......................................................... 7
2.2. MODELO JUDICARE ............................................................................................. 7
2.2.1. Vantagens ........................................................................................................ 7
2.2.2. Desvantagens .................................................................................................. 7
2.3. MODELO PÚBLICO (STAFF MODEL OU SALARIED STAFF) .............................. 8
2.3.1. Vantagens ........................................................................................................ 8
2.3.2. Desvantagens .................................................................................................. 8
2.4. MODELO HÍBRIDO (OU MISTO) ........................................................................... 8
3. OBSTÁCULOS AO ACESSO À JUSTIÇA E ONDAS RENOVATÓRIAS ........................... 9
3.1. 1º OBSTÁCULO: ECONÔMICO E EDUCACIONAL ............................................... 9
3.1.1. Primeira Onda renovatória ............................................................................... 9
3.2. 2º OBSTÁCULO: DISTRIBUIÇÃO DE JUSTIÇA .................................................... 9
3.2.1. Segunda Onda renovatória ............................................................................ 10
3.3. 3º OBSTÁCULO: PROCESSUAL/JURISDICIONAL/ESTRUTURAL .................... 10
3.3.1. Terceira Onda renovatória ............................................................................. 10
3.4. OUTROS OBSTÁCULOS DE ACESSO À JUSTIÇA ............................................ 10
3.4.1. Geográfico ..................................................................................................... 10
3.4.2. Linguístico ...................................................................................................... 11
3.4.3. Cultural .......................................................................................................... 11
1
3.5. QUADRO RESUMO DOS OBSTÁCULOS E ONDAS RENOVATÓRIAS ............. 11
4. EVOLUÇÃO DO ACESSO À JUSTIÇA NO BRASIL ....................................................... 11
4.1. ORDENAÇÕES FILIPINAS (1603) ....................................................................... 11
4.2. IAB e OAB............................................................................................................ 12
4.3. CONSTITUIÇÕES E NA LEGISLAÇÃO BRASILEIRA ......................................... 12
4.3.1. CF de 1934 .................................................................................................... 12
4.3.2. CF de 1937 .................................................................................................... 13
4.3.3. Código de Processo Civil de 1939 ................................................................. 13
4.3.4. CF de 1946 .................................................................................................... 13
4.3.5. Lei nº 1.060/50 ............................................................................................... 13
4.3.6. CF de 1967 .................................................................................................... 14
4.3.7. CF de 1969 .................................................................................................... 14
4.3.8. CPC de 1973 ................................................................................................. 14
4.3.9. CF de 1988 .................................................................................................... 14
4.3.10. Lei Complementar 80/94 .............................................................................. 14
4.3.11. Alteração da Lei de Ação Civil Pública ......................................................... 14
4.3.12. Lei Complementar 132/2009 ........................................................................ 15
4.3.13. Novo Código de Processo Civil .................................................................... 15
5. A DEFENSORIA PÚBLICA NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 ............................ 15
5.1. EC 45/04 (REFORMA DO JUDICIÁRIO) .............................................................. 16
5.2. EC 74/13 (INCORPOROU A EC 69/12) ............................................................... 16
5.3. EC 80/14 (PEC DAS COMARCAS) ...................................................................... 16
5.4. PRESCRIÇÕES CONSTITUCIONAIS IMPORTANTES ....................................... 17
5.4.1. Competência concorrente .............................................................................. 17
5.4.2. Concurso público ........................................................................................... 17
5.4.3. Grantia da inamovibilidade ............................................................................. 17
5.4.4. Exercício da advocacia .................................................................................. 17
5.4.5. Norma de extensão – aplicação de dispositivos da Magistratura ................... 18
5.4.6. Remuneração (art. 135 da CF)....................................................................... 19
5.5. ADCT ................................................................................................................... 20
6. AMPLITUDE DA ASSISTÊNCIA JURÍDICA GRATUITA ................................................. 20
6.1. ATUAÇÃO TÍPICA E ATÍPICA ............................................................................. 20
6.1.1. Funções típicas .............................................................................................. 20
6.1.2. Funções atípicas ............................................................................................ 20
6.2. DEFINIÇÃO DE NECESSITADO ......................................................................... 21
7. CONCEITOS IMPORTANTES ........................................................................................ 21
7.1. JUSTIÇA GRATUITA ........................................................................................... 21
2
7.2. ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA ................................................................................. 22
7.3. ASSISTÊNCIA JURÍDICA .................................................................................... 22
8. AUTONOMIAS INSTITUCIONAIS ................................................................................... 22
8.1. AUTONOMIA FUNCIONAL .................................................................................. 23
8.2. AUTONOMIA ADMINISTRATIVA ......................................................................... 23
8.3. AUTONOMIA PARA INICIATIVA DA PROPOSTA ORÇAMENTÁRIA .................. 23
9. PRINCÍPIOS INSTITUCIONAIS ...................................................................................... 26
10. LEI 80/94: PRINCIPAIS ASPECTOS............................................................................... 26
10.1. CONCEITO E FUNÇÃO ................................................................................... 26
10.2. OBJETIVOS DA DEFENSORIA PÚBLICA........................................................ 27
10.3. PRINCÍPIOS INSTITUCIONAIS........................................................................ 27
10.3.1. Unidade........................................................................................................ 27
10.3.2. Indivisibilidade .............................................................................................. 28
10.3.3. Independência funcional .............................................................................. 28
10.4. ATRIBUIÇÕES/FUNÇÕES INSTITUCIONAIS .................................................. 29
10.5. DIREITOS DOS USUÁRIOS............................................................................. 30
10.6. GARANTIAS E PRERROGATIVAS FUNCIONAIS ........................................... 33
10.6.1. Garantias ..................................................................................................... 33
10.6.2. Prerrogativas ................................................................................................ 35
10.7. ORGANIZAÇÃO E ESTRUTURA ..................................................................... 38
10.7.1. Administração Superior ................................................................................ 38
10.7.2. Órgãos de atuação....................................................................................... 42
10.7.3. Órgão de execução ...................................................................................... 42
10.7.4. Órgão auxiliar ............................................................................................... 43
10.8. INGRESSO NA CARREIRA ............................................................................. 44
10.9. PROMOÇÃO .................................................................................................... 44
10.10. REMOÇÃO ....................................................................................................... 45
10.11. FÉRIAS E AFASTAMENTOS ........................................................................... 45
10.12. DEVERES DO DEFENSOR PÚBLICO ............................................................. 46
10.13. PROIBIÇÕES DO DEFENSOR PÚBLICO ........................................................ 46
10.14. IMPEDIMENTOS DO DEFENSOR PÚBLICO................................................... 46
10.15. RESPONSABILIDADE FUNCIONAL ................................................................ 47
11. GRATUIDADE DA JUSTIÇA ........................................................................................... 47
11.1. SOBRE O QUE TRATAVA A LEI? .................................................................... 47
11.2. O QUE É JUSTIÇA GRATUITA? ...................................................................... 48
11.3. QUAL É A NATUREZA DO BENEFÍCIO? ......................................................... 48
11.4. É NECESSÁRIA A COMPROVAÇÃO DE POBREZA PARA OBTÊ-LA? .......... 48
3
11.5. A GRATUIDADE ABRANGE O QUE? .............................................................. 48
11.6. O BENEFÍCIO PODE SER CONCEDIDO PARCIALMENTE? .......................... 49
11.7. EM QUAL MOMENTO PODE SER CONCEDIDO? .......................................... 49
11.8. É POSSÍVEL SUA REVOGAÇÃO?................................................................... 50
11.9. QUEM SÃO OS BENEFICIÁRIOS DA JUSTIÇA GRATUITA?.......................... 50
11.10. A PESSOA JURÍDICA PODE SER BENEFICIÁRIA? ....................................... 51
11.11. CASO O BENEFICIÁRIO SEJA VENCIDO NO PROCESSO, ELE DEVERÁ SER
CONDENADO AO PAGAMENTO DAS CUSTAS? .................................................................... 51
11.12. RECURSO CABÍVEL ........................................................................................ 51
11.13. QUADRO COMPARATIVO ............................................................................... 52
12. DEFENSORIA PÚBLICA NO SISTEMA INTERNACIONAL ............................................ 53
12.1. RESOLUÇÃO 2656/11-OEA ............................................................................. 53
12.2. RESOLUÇÃO 2714/12 DA OEA ....................................................................... 56
12.3. RESOLUÇÃO 2801/13 DA OEA ....................................................................... 56

Obs.: O caderno não substitui uma leitura atenta da LC 80/94, bem como a leitura da legislação do
Estado. Recomenda-se fazer um comparativo entre a LC 80/94 e a LC estadual (do local em que
será realizado o concurso).

Como forma de complementar e aprofundar, recomenda-se a leitura da coluna Tribuna da


Defensoria, os temas são sempre atuais e interessantes, disponível em www.conjur.com.br

1. ORIGEM E EVOLUÇÃO DA IDEIA DE ASSISTÊNCIA JURÍDICA

A ideia de acesso à justiça é de combater a desigualdade entre os indivíduos, especialmente


de ordem econômica. A desigualdade de renda, formação educacional e cultural impede o acesso
e a reivindicação de direitos.

1.1. IDADE ANTIGA

Tal ideia, vem de vários séculos atrás – surge nos primórdios da humanidade.

1.1.1. Código de Hamurabi

Previa o amparo aos pobres.

1.1.2. Atenas

“Todo o direito ofendido deve encontrar defensor e meios de defesa”.

1.1.3. Roma

Séculos II-V – expressa previsão de fornecimento de advogado aos vulneráveis.

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É importante destacar que, nesse período, os escravos não eram sujeitos de direitos. Ou
seja, havia uma seletividade prévia. Mas, mesmo assim, já existia desigualdade social e havia uma
preocupação tímida com o acesso à justiça.

1.1.4. Era Cristã

Dever de caridade dos advogados e dos juízes. Não se enxerga no direito de acesso à justiça
uma ideia de dever do Estado. O Estado tem que garantir os direitos, mas não compete ao Estado
garantir os instrumentos. Por isso, acesso à justiça era visto como caridade.

Todas as pessoas deviam ser iguais, mas na prática havia uma desigualdade material,
especialmente, no que tange ao acesso ao Judiciário: havia uma seletividade de quem podia
acessá-lo, já que advogados e o processo em si custavam.

1.2. SÉCULOS XVII E XVIII

1.2.1. Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão – França, 1789

TODOS SÃO IGUAIS PERANTE A LEI (a igualdade é um direito natural de todos os seres
humanos) – é aí que começa a mudar a visão de acesso à justiça, que deixa de ser caridade e
passa a ser um direito.

A mera previsão de direitos era insuficiente: era necessário garantir instrumentos para que
eles pudessem ser efetivados.

A ótica da igualdade de todos perante a lei, passa a converter em DIREITO o que era
CARITATIVO – igualdade das partes no processo judicial.

Contudo, essa declaração de intenções, não se converte em realidade e, apesar de alguns


esboços, a assistência judiciária demora a se efetivar, substituída pelo trabalho honorífico e
obrigatório dos advogados.

1.2.2. Holanda (1814), seguida por Áustria e Bélgica

Surge a expressão “pro Deo” (seria a versão original da ideia de pro bono) – dever
caritativo.

Surge após as declarações de direito, trazendo de volta a ideia de caridade, que já havia
sido superada.

1.2.3. Code de L’Assistance Judiciaire – França 1851

Primeira lei a introduzir uma nova expressão: assistência judiciária.

Não é mais caridade, cria-se uma norma conferindo o direito/dever de prestação de


assistência judiciária aos pobres, sem o exclusivo caráter caritativo.

1.3. SÉCULO XX – PÓS SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

5
1.3.1. Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão – ONU – 1948

Fruto do espanto diante das atrocidades ocorridas durante a II Guerra Mundial.

Art. 1º. Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em


direitos.

Essa Declaração, traz a ideia de um Estado que pratica políticas públicas para efetivar
direitos. Além de enumerar direitos, traz os instrumentos.

1.3.2. Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos – ONU – 1966.

Igualdade na fruição dos direitos civis e políticos.

Art. 14 - 3. Toda pessoa acusada de um delito terá direito, em plena


igualmente, a, pelo menos, as seguintes garantias:
d) De estar presente no julgamento e de defender-se pessoalmente ou por
intermédio de defensor de sua escolha; de ser informado, caso não tenha
defensor, do direito que lhe assiste de tê-lo e, sempre que o interesse da
justiça assim exija, de ter um defensor designado ex-
offício gratuitamente, se não tiver meios para remunerá-lo;

Direito à assistência de um “defensor oficioso” (defensor oficial) junto ao processo, quando


o indivíduo não tiver condições de remunerar um. Nesse momento, a ideia de defensor oficial era
muito ligada ao processo penal – e essa vinculação é vista até hoje.

1.3.3. Convenção Americana de Direitos Humanos – Pacto de San Jose da Costa Rica –
OEA – 1969.

Prevê expressamente diversas disposições no sentido de caminhar para uma igualdade


material entre as pessoas.

Art. 8º. 2. e) direito irrenunciável de ser assistido por um defensor


proporcionado pelo Estado, remunerado ou não, segundo a legislação
interna, se o acusado não se defender ele próprio, nem nomear defensor
dentro do prazo estabelecido pela lei;

Direito a um defensor proporcionado pelo Estado caso não nomeie um – preocupação da


assistência judiciária na esfera criminal (de novo, a preocupação é voltada muito mais para a esfera
criminal).

# E por que há essa preocupação com a área criminal?

Porque, na maioria dos países, não há restrição da capacidade postulatória para a esfera
civil, como no Brasil. Então é possível, nesses países, que uma pessoa possa acionar a Justiça
sem advogado e, por isso, a assistência judiciária é voltada para a área criminal, em que se exige
capacidade postulatória.

Como exemplo, temos os EUA. Contudo, importante frisar que mesmo lá já se discute muito
essa questão de não precisar de advogado na área cível e que há uma tendência para mudar esse
cenário.

2. MODELOS DE ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA

6
Para a efetivação do direito à igualdade, especialmente em relação ao processo judicial, tem
o Estado o dever de assegurar assistência judiciária gratuita aos pobres.

ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA: ASSISTÊNCIA NO PROCESSO JUDICIAL.

Com base nas diversas experiências, vivenciadas ao longo do tempo, três modelos de
prestação de assistência judiciária gratuita são vislumbrados.

2.1. MODELO CARITATIVO (OU HONORÍFICO)

Pro Bono: ideia de que a prestação de assistência judiciária é caridade, demonstração de


solidariedade, amor ao próximo.

O Estatuto da OAB, de 1963 que durou até 1994, previa a obrigação do advogado atuar
gratuitamente em prol de pessoas carentes.

Obviamente, esse modelo tem vários problemas, quais sejam:

a) Dificuldade de engajar as pessoas a prestarem esse serviço;

b) Depende da iniciativa dos particulares;

c) O Estado fica fora.

Embora esse modelo tenha durado muito tempo, é um fracasso, porque ele não é um
modelo, é um antimodelo, já que o Estado não se responsabiliza por eles.

2.2. MODELO JUDICARE

Modelo anglo-saxão. EUA, Alemanha e Inglaterra.

Modelo privado remunerado pelo Estado.

Aqui, o Estado reconhece que tem que fazer alguma coisa: advogados privados,
remunerados pelo Estado, atuam para pessoas pobres.

É o modelo do convênio com a OAB, aqui no Brasil: há um cadastro de advogados que


atuam em prol de pessoas carentes e recebem por atuação em cada caso. Esses advogados têm
seus casos próprios, seus escritórios etc., mas atuam em casos pontuais.

É adotado em muitos países, até hoje.

2.2.1. Vantagens

 Possibilidade de um maior número de profissionais atuantes;

 Possibilidade de escolha do profissional pelo assistido – embora, na prática, isso seja


difícil;

 Menor custo – porque eles atuam por causa e não são funcionários do Estado – não
há custos previdenciários, de estrutura física etc.

2.2.2. Desvantagens

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 Profissionais no início de carreira (o que pode comprometer a qualidade do trabalho)
ou desmotivados para essa atividade (como o profissional tem uma atividade privada
paralela, ele se dedicará muito mais aos casos privados do que aos casos que foram
indicados pelo Poder Público);

 Dificuldade de controle de qualidade e padrão de atuação – como são muitos


profissionais cadastrados, não há padrão e nem atuação coordenada;

 Atuação exclusivamente processual e estímulo à litigiosidade – esse modelo só


condiz com a assistência judiciária, com a atuação no processo.

2.3. MODELO PÚBLICO (STAFF MODEL OU SALARIED STAFF)

Há quem sustente que a terminologia “modelo público” é equivocada, porque modelo público
incluiria o judicare, já que é o Estado quem remunera os advogados.

É o modelo de Defensoria Pública: o Estado cria uma estrutura com dedicação exclusiva de
servidores públicos.

2.3.1. Vantagens

 Capacidade de melhor planejamento da atuação – a ação pode ser coordenada e


organizada;

 Profissionais com dedicação exclusiva – a atividade única daquele profissional é


prestar aquela função, não há divisão do tempo profissional com casos privados;

 Atuação extraprocessual e tutela de interesses difusos e coletivos – o modelo público


é defendido por Cappelletti e Garth por esse motivo, porque o modelo judicare não
permite esse tipo de atuação. Quando a DPE propõe uma ACP ela pode fazer isso,
mesmo que a demanda não tenha sido apresentada à Defensoria.

2.3.2. Desvantagens

 Maior custo;

 Impossibilidade de escolha do profissional pelo assistido;

 Necessidade de maior estrutura.

Para a defensoria: defender sempre o modelo público.

2.4. MODELO HÍBRIDO (OU MISTO)

Ideia de existência, ao mesmo tempo, do modelo judicare com o modelo público.

# Qual o modelo adotado para o Brasil?

A concepção constitucional de acesso à justiça é o modelo PÚBLICO. Mas, na prática, o que


se adota é o modelo híbrido.

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De acordo com o STF, não há obrigatoriedade de convênios com instituições privadas ou
com a OAB para essa prestação em sistema misto, mas esses convênios não são vedados, pois as
Defensorias Públicas ainda gozam de estrutura insuficiente e precisam dessa complementação
(ADI 4164).

3. OBSTÁCULOS AO ACESSO À JUSTIÇA E ONDAS RENOVATÓRIAS

Surgiu no Projeto Florença, na década de 1970.

O acesso à justiça é o mais básico dentre os direitos humanos. A não concretização


desse direito inviabiliza todos os demais direitos, pois, uma vez negado o acesso, os outros não
poderão ser apreciados pelo Poder Judiciário. Não é um direito previsto expressamente, mas
decorre da interpretação de todo o sistema legal.

Segundo CAPPELLETTTI E GARTH, a expressão ‘’acesso à justiça’’ serve para


determinar duas finalidades básicas do sistema jurídico: Primeiro, o sistema deve ser acessível a
todos, e segundo, deve produzir efeitos que sejam individual e socialmente justos.

Ana Paula Barcelos encara o direito de Acesso à Justiça como um mínimo existencial,
capaz de otimizar a concretização dos direitos. Assim, o argumento da reserva do possível não é
cabível para prejudicar a boa estrutura e desempenho da Defensoria Pública.

3.1. 1º OBSTÁCULO: ECONÔMICO E EDUCACIONAL

Econômico: o acesso ao Judiciário possuía um custo elevado

Educacional: as pessoas não tinham conhecimento dos seus direitos e de que poderiam
ingressar no judiciário;

3.1.1. Primeira Onda renovatória

Isenção de custas e emolumentos para acesso ao Judiciário e serviço público de


assistência, com dedicação exclusiva, além da educação em direitos, prevista no art. 4º, III, LC
80/94.

Art. 4º São funções institucionais da Defensoria Pública, dentre outras:


III – promover a difusão e a conscientização dos direitos humanos, da
cidadania e do ordenamento jurídico;

3.2. 2º OBSTÁCULO: DISTRIBUIÇÃO DE JUSTIÇA

Organizacional/Distribuição da justiça: Necessidade de atingir um maior número de


pessoas com maior eficácia, diante da massificação das relações;
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3.2.1. Segunda Onda renovatória

Tutela dos direitos difusos e coletivos, prevista no artigo 4º, VII, da LC 80/94.

Art. 4º São funções institucionais da Defensoria Pública, dentre outras:


VII – promover ação civil pública e todas as espécies de ações capazes de
propiciar a adequada tutela dos direitos difusos, coletivos ou individuais
homogêneos quando o resultado da demanda puder beneficiar grupo de
pessoas hipossuficientes;

3.3. 3º OBSTÁCULO: PROCESSUAL/JURISDICIONAL/ESTRUTURAL

Relacionado à morosidade do Judiciário.

3.3.1. Terceira Onda renovatória

Efetividade do processo através de tutelas de urgência, além dos Meios Alternativos de


Resolução de Conflitos – MARC.

Busca levar ao conhecimento do judiciário apenas o necessário, tais como conciliação,


mediação, transação, desjudicialização dos conflitos, atendimento multidisciplinar (assistentes
sociais e psicólogos ajudando os defensores a encontrar possíveis soluções para casos de extrema
dificuldade).

Previsto no art. 4º, II, da LC 80/94.

Art. 4º São funções institucionais da Defensoria Pública, dentre outras:


II – promover, prioritariamente, a solução extrajudicial dos litígios, visando à
composição entre as pessoas em conflito de interesses, por meio de
mediação, conciliação, arbitragem e demais técnicas de composição e
administração de conflitos;

Arbitragem: conflitos a serem resolvidos por um árbitro, as partes escolhem.

Conciliação: as partes tentando resolver o conflito com auxílio do conciliador ou o próprio


juiz, que tenta induzir a conciliação, através de uma postura proativa;

Mediação: fomenta-se nos litigantes a ideia de pacificação do conflito e aos poucos as


partes vão resolvendo o conflito, através de um mediador, que as aproxima, facilitando o diálogo.
Ressalte-se que a diferença em relação à conciliação reside no fato de que o mediador não possui
a mesma postura proativa do conciliador.

3.4. OUTROS OBSTÁCULOS DE ACESSO À JUSTIÇA

3.4.1. Geográfico

Muitas vezes, o problema do acesso à justiça não consiste simplesmente em “abrir as


portas”, mas sim ir até onde os hipossuficientes se encontram. Tome-se, como exemplo, os
moradores de rua, que são “os oprimidos dos oprimidos” (até os mais pobres não desejam conviver
com eles), jamais pensarão em procurar seus direitos. Assim, a defensoria itinerante surgiu para
mitigar tal obstáculo.
10
ATENÇÃO! Procurar na Lei Complementar do Estado se há ou não a previsão de defensoria
itinerante.

3.4.2. Linguístico

Processo deverá ser acessível ao estrangeiro (tradução) e ao deficiente visual (braile);

3.4.3. Cultural

Temor reverencial que as pessoas possuem das “autoridades”. Ex.: juízes, promotores,
defensores.

Por fim, cabe mencionar que a luta pelo efetivo acesso à justiça extrapola, e muito, o âmbito
do jurídico. Somente uma ação conjunta e progressiva, pautada pela pluralidade e pela dialética,
poderá enfrentar, e quem sabe vencer, os desafios cada vez maiores e mais complexos que se
colocam ao exercício da cidadania na ‘pós-modernidade’.

3.5. QUADRO RESUMO DOS OBSTÁCULOS E ONDAS RENOVATÓRIAS

OBSTÁCULOS ONDAS RENOVATÓRIAS

ECONÔMICO – quem é pobre, não tem Assistência judiciária gratuita aos pobres
condições de arcar com as custas do processo
e nem com honorários advogados. Esse
aspecto também influencia na compreensão
dos direitos das pessoas – muitas vezes a
pessoa nem sabe que tem direito

REPRESENTATIVIDADE JURÍDICA – direitos Instrumentos de tutela coletiva que


coletivos lato sensu (difusos, coletivos e transcendem o indivíduo
individuais homogêneos)
EUA: class actions

Brasil: ação popular e ACP

PROCEDIMENTAL (ou burocrático) – o Criação de métodos alternativos de solução


Judiciário não funciona bem: é muito moroso e de conflitos
não consegue atender a todas as demandas.
Quantos mais direitos são enumerados, menos Conciliação, transação, arbitragem, mediação,
o Estado consegue atender as demandas. os próprios juizados especiais que facilitam o
acesso à justiça e simplificam os
procedimentos

4. EVOLUÇÃO DO ACESSO À JUSTIÇA NO BRASIL

4.1. ORDENAÇÕES FILIPINAS (1603)

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A legislação portuguesa é composta por ordenações manuelinas, afonsinas e, por fim,
Filipinas, estas vieram para o Brasil. .

A influência da normativa portuguesa perdurou, inclusive, após o período imperial

Assistência judiciária gratuita – favor real - “Em sendo o agravante tão pobre que jure não
ter bens móveis, nem de raiz, nem por onde pague o aggravo, e dizendo na audiência uma vez o
Pater Noster pela alma del Rey Don Diniz, ser-lhe-á havido como que pagasse os novencentos réis,
contanto em que tire de tudo certidão no tempo em que havia de pagar o aggravo”

Ou seja, a pessoa tinha que tirar certidão de tudo e rezar o pai nosso pela alma do rei Dom
Diniz.

Aspecto caritativo do acesso à justiça.

Isso perdurou durante muito tempo.

4.2. IAB e OAB

Dever caritativo (honorífico) dos advogados de prestar esse serviço.

IAB (1870) – O IAB (Instituto dos Advogados Brasileiros) surge dessa ideia de assistência
judiciária.

OAB (1930 e 1963) – dever legal do advogado atuar de maneira gratuita.

4.3. CONSTITUIÇÕES E NA LEGISLAÇÃO BRASILEIRA

4.3.1. CF de 1934

Até hoje é considerada uma das constituições mais garantistas.

Foi a primeira no Brasil a prever o dever do Estado de prestar assistência judiciária gratuita
aos pobres.

CESPE DPE/RN 2015: A determinação dirigida à União e aos estados para a concessão de
assistência judiciária aos necessitados surgiu pela primeira vez na Constituição de 1934. Correto!

Direito do indivíduo e dever estatal de prestação de assistência judiciária gratuita aos pobres
– assegurar advogado para atuar gratuitamente no processo judicial e isenção das custas.

Art. 113, n. 32: “A União e os Estados concederão aos necessitados


assistência judiciária, criando, para esse efeito, órgãos especiais,
assegurando a isenção de emolumentos, custas, taxas e selos.

Traz “necessitados” e foco na assistência judiciária.

Exemplos esparsos:

 SP (1935 – advogados assalariados);

 SP (1947 – PAJ);

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 RJ (1948 – cargo inicial da carreira do MP).

4.3.2. CF de 1937

Getúlio Vargas.

Era uma constituição outorgada e ditatorial – suprimiu a previsão de assistência judiciária.

4.3.3. Código de Processo Civil de 1939

Entre os artigos 68 e 79, o Código de Processo Civil de 1939 inaugurou o instituto da justiça
gratuita aos necessitados, representando uma evolução no acesso à justiça. O art. 68, V e parágrafo
único dispunha sobre a gratuidade quanto aos honorários do advogado, que poderia ser indicado
pela parte necessitada, indicado pela “assistência judiciária” ou nomeado pelo juiz. Não dispunha,
entretanto, quem deveria arcar com esse ônus.

4.3.4. CF de 1946

Voltou a prever o dever estatal, mas delegando à lei a sua regulamentação

Art. 141, § 35: “O Poder Público, na forma que a lei estabelecer, concederá
assistência judiciária aos necessitados”

Sob a égide de CF de 1946 surge a Lei 1.060/50 (Lei de Assistência Judiciária ou Lei da
Justiça Gratuita).

4.3.5. Lei nº 1.060/50

Revogou as disposições do CPC de 39 acerca da justiça gratuita (art. 68-79).

Assegura à pessoa NECESSITADA (novamente, o termo pessoa necessitada – a CF de


1934 já usava essa expressão – esse destaque é importante, porque vai permitir a discussão sobre
quem é a pessoa necessitada) a isenção de custas processuais (em geral) e o patrocínio de um
advogado integrante de serviço de assistência judiciária (defensor público ou equivalente) ou
advogado indicado pela OAB e nomeado pelo juiz.

Necessitado – redação original – quem não pode pagar as custas processuais e honorários
de advogado sem prejuízo do sustento próprio ou da família – o necessitado para a Lei 1.060/50 é
um necessitado do ponto de vista financeiro.

Comprovação – redação de 1986 – mera declaração do assistido – presunção juris tantum


– possibilidade de impugnação de ofício pelo juiz ou pela parte contrária – sanção: até o décuplo
das custas.

Direito personalíssimo (não se transmite aos herdeiros), precário (temporário – naquele


momento a pessoa não possui condições financeiras, mas, se durante o processo, ou até 5 anos
depois do trânsito em julgado, a pessoa voltar a possuir condições financeiras ela é obrigada a
pagar custas do processo e dos honorários da parte contrária) e sujeito ao deferimento judicial,
podendo ser integral ou parcial.

13
Obs.: o juiz não tem que deferir o patrocínio dos advogados, mas ele tem que deferir a isenção de
custas processuais (justiça gratuita).

A lei trata da assistência judiciária gratuita (honorários de advogado) e da justiça gratuita


(Poder Judiciário abrindo mão das custas do processo). A justiça gratuita não implica
necessariamente na assistência judiciária gratuita. Apesar de mais raro, a pessoa pode pedir justiça
gratuita no processo e pagar o seu advogado.

A lei 1.060/50 abrange pessoas nacionais e estrangeiras residentes no país. Não fala em
pessoa jurídica, mas o entendimento jurisprudencial é que ela se aplica sim às pessoas jurídicas,
com a condição de comprovação de ser necessitada.

E ela se aplica a todas as esferas do Poder Judiciário.

Foi, praticamente, revogada pelo NCPC.

4.3.6. CF de 1967

Não houve mudanças significativas.

4.3.7. CF de 1969

Não houve mudanças significativas.

4.3.8. CPC de 1973

Em virtude de haver a Lei 1060/50, que de modo bastante eficiente previu a gratuidade da
justiça, não previu este instituto, apenas fazendo uma referência a ele no art. 19.

4.3.9. CF de 1988

Foi um importantíssimo instrumento na consecução da assistência jurídica, pois:

○ Alterou o conceito de “assistência judiciária” para “assistência jurídica”. Assim, a


assistência passa a ser integral, englobando assessoria extrajudicial;
○ Criou as Defensorias Públicas, como órgão público independente, com agentes
especializados e com fim institucional exclusivo de prestar essa assistência jurídica
integral aos necessitados (art. 134).

4.3.10. Lei Complementar 80/94

Primeira lei orgânica nacional da DP.

A lei teve o condão de arrolar as atribuições institucionais com vistas ao mandamento


constitucional de uma assistência integral e gratuita.

4.3.11. Alteração da Lei de Ação Civil Pública

Conferiu expressamente a legitimidade à DP para a propositura de ACP.

14
4.3.12. Lei Complementar 132/2009

Ampliou o rol de atribuições institucionais, consolidou a DP como um órgão jurídico


incumbido de contribuir para a articulação social, seja quando de sua atuação judicial ou não,
inseriu, ao menos no bojo das DPE’s, mecanismos de participação social, como a previsão de uma
Ouvidoria externa, dentre outras coisas.

4.3.13. Novo Código de Processo Civil

Praticamente, derrogou a Lei de assistência, passado a disciplinar a matéria. Igualmente,


deu amplo destaque à DP.

5. A DEFENSORIA PÚBLICA NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988

Art. 134. A Defensoria Pública é instituição permanente (novidade!


Similitude com o MP), essencial à função jurisdicional do Estado,
incumbindo-lhe, como expressão e instrumento do regime democrático
(novidade!), fundamentalmente, a orientação jurídica, a promoção dos
direitos humanos (novidade! Não havia nenhuma instituição com essa
incumbência até então – o que dá margem a essa visão ampliada de
necessitado) e a defesa, em todos os graus, judicial e extrajudicial
(novidade!), dos direitos individuais e coletivos (novidade! Previsão
expressa da atuação em tutela coletiva), de forma integral e gratuita
(novidade!), aos necessitados, na forma do inciso LXXIV do art. 5º desta
Constituição Federal. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 80,
de 2014)
Parágrafo único. Lei complementar organizará a Defensoria Pública da União
e do Distrito Federal e dos Territórios e prescreverá normas gerais para sua
organização nos Estados, em cargos de carreira, providos, na classe inicial,
mediante concurso público de provas e títulos, assegurada a seus integrantes
a garantia da inamovibilidade e vedado o exercício da advocacia fora das
atribuições institucionais.
§ 1º Lei complementar organizará a Defensoria Pública da União e do Distrito
Federal e dos Territórios e prescreverá normas gerais para sua organização
nos Estados, em cargos de carreira, providos, na classe inicial, mediante
concurso público de provas e títulos, assegurada a seus integrantes a
garantia da inamovibilidade e vedado o exercício da advocacia fora das
atribuições institucionais. (Renumerado pela Emenda Constitucional nº 45, de
2004)
§ 2º Às Defensorias Públicas Estaduais são asseguradas autonomia
funcional e administrativa e a iniciativa de sua proposta orçamentária dentro
dos limites estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias e subordinação
ao disposto no art. 99, § 2º . (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de
2004)
§ 3º Aplica-se o disposto no § 2º às Defensorias Públicas da União e do
Distrito Federal. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 74, de 2013)
§ 4º São princípios institucionais da Defensoria Pública a unidade, a
indivisibilidade e a independência funcional, aplicando-se também, no que
couber, o disposto no art. 93 e no inciso II do art. 96 desta Constituição
Federal. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 80, de 2014)

Embora a Defensoria Pública já existisse, enquanto instituição, em diversos Estados


brasileiros, a CF/88 assumiu esse modelo e unificou-o, instituindo-a como função essencial à justiça
– Artigo 134 CF.

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Três emendas constitucionais trouxeram mudanças significativas ao texto original,
remodelando o perfil da Defensoria Pública:

5.1. EC 45/04 (REFORMA DO JUDICIÁRIO)

Trouxe para a CF:

a) As autonomias institucionais das DPEs estaduais (funcional, administrativa e


financeira) – mas as autonomias da DPU e da DPDF só vieram com a EC 69/12 e
EC 74/13;

b) Garantia da inamovibilidade do defensor;

5.2. EC 74/13 (INCORPOROU A EC 69/12)

Autonomia da DPU e da DPDF.

ADI 5296 – questiona a autonomia da DPU trazia pela EC 74/13 – não questiona o mérito,
mas a forma de aprovação da PEC, porque diz que a iniciativa da PEC foi parlamentar e deveria ter
sido do Poder Executivo. ADI ainda não foi julgada.

Parecer PGR: improcedência da ADI porque não há essa restrição temática de legitimidade
para a mudança da Constituição – não é legitimidade para propor lei e sim para propor emenda –
regramentos diferentes).

5.3. EC 80/14 (PEC DAS COMARCAS)

Trouxe um grande avanço para a Defensoria Pública.

Alterou o caput do art. 134, da CF, tornando a redação idêntica ao art. 1º da LC 80/94, com
redação dada pela LC 132/2009.

Além disso, inclui o §4º ao art. 134 da CF, segundo o qual são princípios institucionais da
DP a unidade, a independência funcional e a indivisibilidade, aplicando-se, no que couber o art. 93
da CF, que trata dos magistrados, bem como o disposto no art. 96, II da CF, garantindo a DP a
iniciativa legislativa da criação e extinção de seus cargos.

Por fim, acrescentou ao ADCT o art. 98, que determina que o número de Defensores em
cada unidade jurisdicional será proporcional à efetiva demanda. Assim, nos próximos 08 anos a
União, o DF e os Estados deverão contar com um DP em cada Comarca do país. Durante o prazo,
a alocação dos defensores deverá ser garantia nos locais de maior densidade populacional.

Maior amplitude do conceito e das funções institucionais; princípios institucionais; iniciativa


de lei; equivalência de princípios estruturais da magistratura (art. 93); ampliação programada da
instituição:

a) A Defensoria está numa sessão própria, separada da Advocacia;

b) Estabelece expressamente os princípios institucionais;

c) Puxa a estrutura da magistratura para a Defensoria.

16
A Defensoria Pública ganhou, com a EC 80/2014, um novo perfil constitucional, o qual
projetou a instituição para um patamar normativo inédito, trazendo, além da já citada obrigação do
Poder Público de universalizar o acesso à Justiça e garantir a existência de defensores públicos em
todas as unidades jurisdicionais no prazo máximo de oito anos, as seguintes inovações: 1) inserção
da Defensoria Pública em sessão exclusiva no rol das funções essenciais à Justiça, separada,
agora, da advocacia; 2) explicitação ampla do conceito e da missão da Defensoria Pública; 3)
inclusão dos princípios institucionais da Defensoria Pública no texto constitucional; e 4) aplicação
de parte do regramento jurídico do Poder Judiciário, no que couber, à Defensoria Pública,
principalmente a iniciativa de lei

5.4. PRESCRIÇÕES CONSTITUCIONAIS IMPORTANTES

5.4.1. Competência concorrente

A competência para legislar sobre Defensoria Pública é concorrente entre a União (normas
gerais) e os Estados.

Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar


concorrentemente sobre:
XIII - assistência jurídica e Defensoria pública;

Ademais, a regulamentação da DP será feita por lei complementar.

Por isso, medida provisória não pode tratar de matérias sobre DP, eis que é vedado tratar
de matéria reservada a lei complementar.

5.4.2. Concurso público

Os cargos de carreira são providos por concurso público, com participação da OAB prevista
pela LC 80/94.

5.4.3. Grantia da inamovibilidade

O defensor não pode ser retirado das suas funções de maneira arbitrária – para evitar
ingerências contra si.

Nesse dispositivo não há a ressalva do interesse público (como há para o MP e para a


Magistratura) – parece que a inamovibilidade é absoluta. Alguns doutrinadores defendiam que essa
garantia era absoluta. Mas isso é insustentável. Agora com a EC 80/94, aplica-se os institutos da
magistratura à defensoria, quando cabível. Aplica-se então o previsto para a magistratura: remoção
compulsória e por motivo interesse público – art. 93, VIII, CF.

5.4.4. Exercício da advocacia

Vedado o exercício da advocacia fora das atribuições institucionais (o defensor não pode
advogar nem em causa própria).

17
STF vai julgar ADI (4636) da OAB contra o dispositivo da LC 80 que prevê que a capacidade
postulatória do defensor decorre da nomeação e posse ao cargo (art. 4º, § 6º) – tema muito
polêmico.

Art. 4º, § 6º A capacidade postulatória do Defensor Público decorre


exclusivamente de sua nomeação e posse no cargo público.

Um dos argumentos da OAB é esse dispositivo constitucional: o defensor público estaria


advogando quando atuasse nos casos de atribuição institucional, já que é vedada a advocacia fora
das atribuições institucionais. Argumentos da Defensoria para sustentar a desvinculação do
defensor em relação à OAB:

a) A carreira é regulada por lei complementar por expressa disposição constitucional.


Enquanto o Estatuto da OAB é uma lei ordinária – questão da hierarquia entre lei
complementar, que exige quórum qualificado, e lei ordinária, que não exige;
b) O defensor público estaria sujeito, então, a dois regimes de correição: subordinação
do defensor público ao Tribunal de Ética da OAB e à Corregedoria da DPE – bis in
idem inaceitável. E mais: qual a consequência da aplicação de penalidade perante
do TED da OAB? Se ele for expulso dos quadros da OAB ele está fora da Defensoria?
É exatamente, por isso, que a LC 132/09 alterou a LC 80/94;
c) Problema: se a capacidade postulatória decorre apenas da nomeação e da posse, o
defensor nem precisaria ser advogado.

5.4.5. Norma de extensão – aplicação de dispositivos da Magistratura

Art. 134, § 4º São princípios institucionais da Defensoria Pública a unidade, a


indivisibilidade e a independência funcional, aplicando-se também, no que
couber, o disposto no art. 93 e no inciso II do art. 96 desta Constituição
Federal. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 80, de 2014)

Aplica-se o art. 93 (Estatuto da Magistratura), no que couber, à Defensoria.

Esse “no que couber” é um problema, porque é genérico. A dúvida que existe na Defensoria
é se esse “no que couber” exige regulamentação infraconstitucional. Ex.: questão da exigência dos
3 anos.

Aplica-se o seguinte:

a) Exigência do bacharel em direito de 3 anos de atividade jurídica para o concurso;


b) Promoção por antiguidade e merecimento, alternadamente, com os seguintes critérios:
 Obrigatória a promoção do defensor que figure 3x consecutivas ou 5x alternadas
na lista de merecimento;
 Condições para a promoção por merecimento: 2 anos na classe e ocupar a
primeira quinta parte da lista de antiguidade;
 Aferição do merecimento: produtividade e presteza, frequência a cursos;

c) Curso de ingresso, após aprovação no concurso, como requisito da estabilidade (não


vitaliciedade – art. 95 da CF não estendido para a Defensoria – ADI 230/RJ);
 Vitaliciedade: o membro da instituição só pode ser exonerado após um processo
judicial;
 Estabilidade: o membro da instituição pode ser exonerado por processo
administrativo ou judicial.
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d) Prestação ininterrupta do serviço, funcionando em sistema de plantão quando
necessário;
e) Residência do defensor na comarca, salvo autorização do DPG;
f) Remoção, disponibilidade ou aposentadoria compulsórias dos defensores, por interesse
público, exige maioria absoluta do Conselho Superior, assegurada ampla defesa

Em relação ao art. 96 da CF, importante destacar:

Art. 96. Compete privativamente: II - ao Supremo Tribunal Federal, aos


Tribunais Superiores e aos Tribunais de Justiça propor ao Poder Legislativo
respectivo, observado o disposto no art. 169:
a) a alteração do número de membros dos tribunais inferiores;
b) a criação e a extinção de cargos e a remuneração dos seus serviços
auxiliares e dos juízos que lhes forem vinculados, bem como a fixação do
subsídio de seus membros e dos juízes, inclusive dos tribunais inferiores,
onde houver;
c) a criação ou extinção dos tribunais inferiores;
d) a alteração da organização e da divisão judiciárias;

a) A alteração do número de membros dos tribunais inferiores – não se encaixa muito para
a Defensoria;
b) A criação e a extinção de cargos e a remuneração dos seus serviços auxiliares e dos
juízos que lhes forem vinculados, bem como a fixação do subsídio de seus membros e
dos juízes, inclusive dos tribunais inferiores, onde houver;
c) A criação ou extinção dos tribunais inferiores – não se encaixa muito para a Defensoria.
A criação de unidades internas pela Defensoria já decorria da sua autonomia
administrativa;
d) A alteração da organização e da divisão judiciárias – iniciativa de alteração da LC
Estadual compete ao DPG? Não há bibliografia sobre esse assunto ainda e ele é bem
discutível. O professor entende que não, porque esse dispositivo não revoga outros
dispositivos constitucionais que preveem a competência privativa do chefe do Poder
Executivo.

Pode-se dizer que a Defensoria tem uma nova autonomia: AUTONOMIA LEGISLATIVA. O
DPG encaminha ao Poder Legislativo. Mas depende de sanção do Poder Executivo.

A remuneração dos defensores é por meio de subsídio (assim como o MP e o Poder


Judiciário).

5.4.6. Remuneração (art. 135 da CF)

É por meio de subsídio.

A CF prevê que alguns servidores são remunerados por subsídio. Parcela única que engloba
todos os vencimentos do servidor. Na prática, isso foi sendo modificado. Além de a CF prever o
subsídio, ela previu tetos.

Teto fixado pelo art. 37, XI (por força de remissão do art. 135 e do art. 39, §4º, da CF) –
90,25% de Min. do STF (para o TJ, MPE, PGE e Defensoria Estadual)

Problema: ADI 3854/DF ajuizada por magistrados estaduais sustentando a quebra da


isonomia federativa (juiz federal ganhava mais que juiz estadual, porque juiz federal não estaria

19
sujeito ao teto, e o juiz estadual sim) – interpretação conforme: STF decidiu que não há
diferenciação. Portanto, o teto da Magistratura Estadual é de 100% do salário do STF, assim como
da Magistratura Federal. Total desvirtuamento da previsão constitucional do teto.

MP estadual aproveitou o embalo e foi no mesmo sentido: editou resolução com previsão de
teto de 100% do salário dos ministros do STF para os membros do MP – mas sem decisão do STF
nesse sentido (a decisão do STF é para os magistrados).

Algumas defensorias no país, por meio de regulamentação interna (assim como fez o MP),
já consideram o teto de 100%.

5.5. ADCT

Mudanças efetuadas pela EC 80/14 no art. 98 do ADCT (por isso a PEC foi chamada de
“PEC das Comarcas”):

Art. 98. O número de defensores públicos na unidade jurisdicional será


proporcional à efetiva demanda pelo serviço da Defensoria Pública e à
respectiva população.
§ 1º No prazo de 8 (oito) anos, a União, os Estados e o Distrito Federal
deverão contar com defensores públicos em todas as unidades jurisdicionais,
observado o disposto no caput deste artigo.
§ 2º Durante o decurso do prazo previsto no § 1º deste artigo, a lotação dos
defensores públicos ocorrerá, prioritariamente, atendendo as regiões com
maiores índices de exclusão social e adensamento populacional.

É uma norma de eficácia limitada.

6. AMPLITUDE DA ASSISTÊNCIA JURÍDICA GRATUITA

INTEGRAL – em juízo e fora dele, direitos individuais e coletivos, com atividades de


mediação, educativas e preventivas, envolvendo inclusive interdisciplinariedade e participação na
formatação de políticas públicas

AOS NECESSITADOS – conceito não necessariamente ligado à hipossuficiência econômica


– noção de vulnerabilidade

Não é benefício – direito público subjetivo do indivíduo.

6.1. ATUAÇÃO TÍPICA E ATÍPICA

Distinção ultrapassada diante do novo contexto de necessitado, mas mesmo assim é


importante destacá-las:

6.1.1. Funções típicas

São exercidas em virtude da incapacidade econômica da parte assistida. Leva-se em conta


precisamente a carência de recursos financeiros, isto é, a impossibilidade de fazer frente aos custos
que são exigidos para que se obtenha assistência jurídica.

6.1.2. Funções atípicas

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Não demandam análise da situação financeira.

Ex.: curadoria especial; defesa criminal – mas se a pessoa tem condições financeira, é
possível pedir o arbitramento de honorários em prol da DPE ao juiz; tutela coletiva; educação em
direitos; participação em conselhos comunitários e em políticas públicas.

Percebe-se que essa divisão clássica tem mais funções atípicas do que típicas, por isso
muitos entendem que ela está ultrapassada.

Proposta de nova classificação: todas as funções são típicas e devem ser classificadas de
acordo com a sua finalidade.

6.2. DEFINIÇÃO DE NECESSITADO

100 Regras de Brasília sobre Acesso à justiça das Pessoas em Condição de Vulnerabilidade
- 14ª Conferência Judicial Ibero-Americana 2008.

Define “pessoas em condição de vulnerabilidade”: “pessoas que em razão da sua idade,


gênero, estado físico ou mental, ou por circunstâncias sociais, econômicas, étnicas e/ou culturais,
encontram especiais dificuldades em exercitar com plenitude perante o sistema de justiça os direitos
reconhecidos pelo ordenamento jurídico”

Ada Pellegrini Grinover fala em necessitados organizacionais (parecer que a professora


fez para a Defensoria no âmbito da ADI ajuizada pela CONAMP) – todo aquele que se encontra em
posição de inferioridade em relação ao violador do direito

Ademais, o conceito de necessitado deve ser lido à luz da Constituição, que fala em
“insuficiência de recursos” e não “insuficiência de recursos financeiros”. Deve-se ir além do critério
financeiro.

ADI 3943 (CONAMP): questionamento do art. 5º da Lei da ACP que previa a legitimidade da
DP em ação civil pública. STF decidiu que o dispositivo é constitucional (unanimidade) e não fez o
recorte de que as pessoas atingidas por essa ação têm que ser necessariamente necessitadas,
porque a ação civil pública pode vir a atingir não só hipossuficientes econômicos.

A Defensoria tem um papel primordial de atender o hipossuficiente econômico, mas isso não
impede que a Defensoria atenda outros vulneráveis.

ATENÇÃO! Defensoria pode atender pessoas físicas e jurídicas.

7. CONCEITOS IMPORTANTES

7.1. JUSTIÇA GRATUITA

Conformo lição de Franklin Roger (livro pág. 127/128).

A gratuidade de justiça (ou justiça gratuita) é a dispensa provisória da antecipação do


pagamento das despesas judiciais ou extrajudiciais, necessárias ao pleno exercício dos direitos do
hipossuficiente, em juízo ou fora dele

A gratuidade de justiça deve abranger toda e qualquer despesa necessária ao pleno


exercício dos direitos do hipossuficiente econômico, em juízo ou fora dele. Qualquer obstáculo

21
monetário que impeça ou dificulte o acesso do hipossuficiente à justiça deverá ser removido pela
gratuidade, garantindo-se a plena e constante marcha em busca da ordem jurídica justa.

Sendo assim, todas as despesas judiciais necessárias ao regular desenvolvimento do


processo e à efetiva participação do hipossuficiente na relação jurídico--processual deverão ser
abarcadas pela gratuidade (ex: custas em sentido estrito, taxa judiciária, honorários periciais, etc.).
Do mesmo modo, todos os atos extrajudiciais necessários à defesa ou ao pleno exercício de direitos
do necessitado econômico também deverão ser abrangidos pela justiça gratuita (ex.: emolumentos
relativos à autenticação de documento, à averbação de divórcio, ao registro de imóvel etc.).

7.2. ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA

Prestação de serviço voltado à defesa judicial/processual dos necessitados.

De acordo com Franklin Roger, a expressão assistência judiciária, que historicamente


remonta às primeiras ações estatais de acessibilidade à justiça, envolve fundamentalmente os
recursos e instrumentos indispensáveis à defesa dos direitos do necessitado em juízo. Consiste no
auxílio, na ajuda ou no amparo prestado estritamente no campo judicial. Como bem sintetiza o
professor FREDERICO RODRIGUES VIANA DE LIMA, “toda ação que exprima a atividade de
amparar alguém em uma relação jurídico-processual expressa uma ação de assistência judiciária

7.3. ASSISTÊNCIA JURÍDICA

Serviço público mais amplo, que envolve informação, conscientização, educação em direitos
e construção de cidadania + assistência judiciária.

De acordo com Franklin Roger, a expressão assistência jurídica, por outro lado, possui
conotação bem mais ampla, abrangendo toda e qualquer atividade assistencial concernente ou
relacionada ao universo do Direito. Consiste no auxílio, na ajuda ou no amparo prestado no campo
jurídico – dentro ou fora de uma relação jurídico-processual.

Assim, enquanto a assistência judiciária é prestada estritamente na esfera judicial, a


assistência jurídica é prestada extensivamente onde estiver o direito. Por essa razão, o conceito de
assistência jurídica, além de englobar a própria noção de assistência judiciária, abrange também a
atividade assistencial pré-judicial ou pré-judiciária e a extrajudicial ou extrajudiciária

8. AUTONOMIAS INSTITUCIONAIS

Asseguram à Defensoria liberdade de atuação, protegendo-a contra ingerências políticas e


represálias administrativas e financeiras

Qual a natureza jurídica da instituição? A autonomia enseja a independência?

A doutrina não tem uma posição clara.

Alguns autores entendem que a Defensoria não integra o Poder Executivo e não está
vinculada a nenhum outro poder. A natureza jurídica seria de um “para-poder”.

Outros autores, inclusive o professor, entendem que a Defensoria está vinculada ao Poder
Executivo, assim como o Ministério Público. Tanto a DP quanto o MP estão ligados a políticas
públicas, ou seja, ligados à função executiva do poder estatal. Mas isso não significa que não há
autonomia. Professor refere-se à própria nomeação do DPG pelo governador mostra essa relação.
22
8.1. AUTONOMIA FUNCIONAL

Para cumprir a sua função, a Defensoria não se submete à vontade de outras esferas de
poder. Ela age de maneira independente em relação ao cumprimento de sua função.

Ex.: cracolândia em 2012 – Defensoria manteve a atuação mesmo com o governo estadual
“batendo” na Defensoria. Isso não seria possível se não houvesse essa previsão.

Essa autonomia é típica do sistema de freios e contrapesos.

Não confundir com independência funcional (que é prevista como garantia do defensor e
princípio institucional).

8.2. AUTONOMIA ADMINISTRATIVA

É a auto-gestão da Defensoria. É ela quem celebra contratos, convênios, elabora folha de


pagamentos, responde ao Tribunal de Contas do Estado.

Ela não depende do Poder Executivo.

Com a EC nº 80/14, passa a competir privativamente à Defensoria Pública propor ao Poder


Legislativo alteração de número de membros, bem como a criação e extinção de carreiras de apoio
(art. 96, II, “a” e “b”)

Quem dá posse ao defensor público? É o DPG – que é o chefe da instituição.

Quem exonera o defensor público? É o DPG.

8.3. AUTONOMIA PARA INICIATIVA DA PROPOSTA ORÇAMENTÁRIA

Trata-se da iniciativa de proposta orçamentária – o orçamento é proposto ao Poder


Legislativo, por intermédio do Poder Executivo, pela própria Defensoria.

Essa proposta será ponderada pelo Poder Legislativo. Isso significa que a proposta da
Defensoria não será necessariamente acatada.

Mas atenção! O Poder Executivo não pode mexer na proposta da Defensoria (jurisprudência do
STF) – só o Poder Legislativo pode alterar quando a aprovar a lei orçamentária.

Informativo 733 STF (explicação Dizer o Direito) – Já caiu tanto na primeira, quanto na
segunda fase e até na fase oral.

A Defensoria Pública pode enviar sua proposta orçamentária diretamente para a Assembleia
Legislativa ou Congresso Nacional?

NÃO. A CF/88 não assegura essa possibilidade à Instituição. O que a CF/88 prevê é que a
Defensoria Pública irá aprovar a sua proposta orçamentária e encaminhá-la ao chefe do Poder
Executivo. Este irá consolidar, ou seja, reunir em um único projeto de Lei Orçamentária, as
propostas orçamentárias do Executivo, do Judiciário, do MP e da Defensoria, encaminhando o
projeto para ser apreciado pelo Poder Legislativo.
23
Feitos esses esclarecimentos prévios, vejamos um caso julgado pelo STF no final de 2013
envolvendo a autonomia financeira da Defensoria Pública.

Proposta orçamentária elaborada pela Defensoria Pública da Paraíba

A Defensoria Pública do Estado da Paraíba elaborou sua proposta orçamentária e a


encaminhou ao Governador. Na proposta, era previsto que seriam destinados 71 milhões para as
despesas da Defensoria Pública. Ressalte-se que esse valor foi calculado com base na Lei de
Diretrizes Orçamentárias (LDO), que dizia que o limite para a elaboração da proposta orçamentária
da Defensoria Pública seria o montante fixado na Lei Orçamentária do ano anterior, acrescido da
variação do IPCA.

Redução dos valores por parte do Governador do Estado

O Governador do Estado, ao receber a proposta orçamentária da Defensoria Pública,


promoveu três mudanças:

1) A previsão dos recursos para a Defensoria foi reduzida de 71 para 55 milhões;

2) A proposta orçamentária da Defensoria Pública foi inserida dentro do orçamento do Poder


Executivo na seção que trata sobre as Secretarias de Estado;

3) A Defensoria Pública foi prevista no projeto de lei como se fosse uma Secretária de Estado
vinculada ao Governador.

ADPF proposta pela ANADEP

A Associação Nacional dos Defensores Públicos (ANADEP) ajuizou ação de


descumprimento de preceito fundamental contra esse ato do Governador do Estado, afirmando que
as mudanças representaram uma violação à autonomia orçamentária da Defensoria, garantida pelo
art. 134, § 2º, da CF/88.

A ANADEP defendeu na ação que a proposta orçamentária da Defensoria deveria ter sido
encaminhada à Assembleia Legislativa pelo Governador do Estado como sendo um orçamento
autônomo (não integrante do orçamento do Poder Executivo), já que a Defensoria é um órgão
autônomo, que não pode ser equiparado a uma Secretaria de Estado.

O STF conheceu da ação?

SIM. Segundo o Min. Relator, cabe a arguição de descumprimento de preceito fundamental


à hipótese, visto que preenchidos seus dois requisitos básicos:

a) a inexistência de outro meio eficaz de sanar a lesividade arguida pela autora; e

b) a efetiva demonstração de violação, em tese, a preceito fundamental resultante de ato do


Poder Público.

Segundo a jurisprudência do STF, o cabimento de ADPF pressupõe a “inexistência de outro


meio eficaz de sanar a lesão, compreendido no contexto da ordem constitucional global, como
aquele apto a solver a controvérsia constitucional relevante de forma ampla, geral e imediata”
(ADPF nº 33/PA, Relator o Ministro Gilmar Mendes, DJ de 7/12/05).

Sendo o ato em questão dotado de efeitos concretos e oriundo de autoridade pública, poder-
se-ia cogitar da impetração de mandado de segurança coletivo para impugná-lo. No entanto, a

24
ANADEP não teria legitimidade ativa para propor o MS no presente caso. Isso porque o que está
sendo discutido é o direito que a Defensoria Pública possui de que a sua proposta orçamentária
para o ano de 2014 seja encaminhada à Assembleia sem a redução perpetrada pelo Governador
do Estado (art. 134, § 2º, da CF/88). Logo, o direito que está sendo defendido é da Defensoria
Pública (e não diretamente dos Defensores Públicos).

Sendo um direito da própria Instituição (e não dos associados), a associação não poderia
propor MS como substituto processual. Enfim, o único instrumento processual por meio do qual a
ANADEP poderia atacar o ato concreto do Governador do Estado seria realmente a ADPF.

O pedido da ADPF foi acolhido?

SIM. O Plenário do STF referendou medida liminar concedida pelo Relator, determinando
que o Governador do Estado da Paraíba e o Secretário de Planejamento façam a imediata
complementação do Projeto de Lei Orçamentária para nele incluir a Proposta Orçamentária da
Defensoria Pública como Órgão Autônomo e nos valores por ela aprovados. STF. Plenário. ADPF
307 Referendo-MC/DF, rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 19/12/2013.

Em outras palavras, o STF determinou que a proposta orçamentária da Defensoria Pública


seja submetida à Assembleia Legislativa na forma como foi aprovada pela Instituição, ou seja, sem
as alterações promovidas pelo Governador do Estado.

Vale ressaltar que, apesar de o julgamento ainda não ter sido concluído, a liminar concedida
é, na prática, irreversível, de forma que podemos considerar que o entendimento do STF sobre o
tema é esse.

A redução proporcionada pelo Governador do Estado implicou violação à autonomia da


Defensoria Pública?

SIM. A proposta orçamentária elaborada pela Defensoria e encaminhada ao Governador do


Estado estava de acordo com a LDO. No entanto, ao consolidar o projeto de Lei Orçamentária Anual
2014, enviando-o à Assembleia Legislativa, o Governador reduziu a proposta formulada pela
Defensoria.

O corte representou drástica redução da proposta de orçamento da Instituição, inclusive para


valor inferior ao montante do exercício de 2013.

Estando a proposta orçamentária da Defensoria compatível com os limites estabelecidos na


Lei de Diretrizes Orçamentárias, nos termos do art. 134, § 2º, da CF/88, não era dado ao Chefe do
Poder Executivo, de forma unilateral, reduzi-la, ao consolidar o projeto de lei orçamentária anual.

Segundo apontou o Min. Dias Toffoli, tal conduta constitui inegável desrespeito à autonomia
administrativa da instituição, além de ingerência indevida no estabelecimento de sua programação
administrativa e financeira.

Ademais, para o Ministro, representa lamentável ranço, no âmbito do Poder Executivo, da


concepção anterior à EC nº 45/2004, de uma Defensoria Pública como se vinculada fosse aos
ditames daquele Poder.

Trata-se, enfim, de ato que atenta contra o desenvolvimento e a consolidação de instituição


tão fundamental para a democracia e, ao mesmo tempo, ainda tão pouco estruturada em alguns
Estados da Federação.

25
A Defensoria Pública poderia ter sido classificada, no projeto da Lei Orçamentária enviado
pelo Governador à ALE, como se fosse uma Secretaria de Estado?

NÃO. O STF possui entendimento pacífico no sentido de que são inconstitucionais leis ou
outros atos que subordinem a Defensoria Pública ao Poder Executivo, por implicar violação à
autonomia funcional e administrativa da instituição. Vale ressaltar que o art. 134, § 2º da CF/88
possui eficácia plena e aplicabilidade imediata. Nesse sentido, confira-se os seguintes julgados:

(...) A Defensoria Pública dos Estados tem autonomia funcional e


administrativa, incabível relação de subordinação a qualquer Secretaria de
Estado. Precedente. (...) STF. Plenário. ADI 3965, Rel. Min. Cármen Lúcia,
julgado em 07/03/2012.

(...) A EC 45/04 reforçou a autonomia funcional e administrativa às


defensorias públicas estaduais, ao assegurar-lhes a iniciativa para a
propositura de seus orçamentos (art. 134, § 2º). II – Qualquer medida
normativa que suprima essa autonomia da Defensoria Pública, vinculando-a
a outros Poderes, em especial ao Executivo, implicará violação à Constituição
Federal. Precedentes. (...) STF. Plenário. ADI 4056, Rel. Min. Ricardo
Lewandowski, julgado em 07/03/2012.

(...) A EC 45/04 outorgou expressamente autonomia funcional e


administrativa às defensorias públicas estaduais, além da iniciativa para a
propositura de seus orçamentos (art. 134, § 2º): donde, ser inconstitucional a
norma local que estabelece a vinculação da Defensoria Pública a Secretaria
de Estado. (...) STF. Plenário. ADI 3569, Rel. Min. Sepúlveda Pertence,
julgado em 02/04/2007.

Ao receber a proposta orçamentária da Defensoria, caso o Governador entendesse que as


despesas ali previstas estavam muito elevadas, ele poderia tomar alguma providência?

SIM, mas essa providência não era a redução unilateral dos valores, como foi feito.

Caso o Governador entendesse que o orçamento da Defensoria estava com números


incompatíveis com as capacidades atuais do Estado, ele deveria encaminhar o projeto de Lei
Orçamentária Anual à Assembleia Legislativa, com a proposta orçamentária da Defensoria na
íntegra (como órgão autônomo e nos valores por ela aprovados) e, a partir daí, pleitear, de forma
democrática e plural, junto ao Poder Legislativo que promovesse as reduções orçamentárias na
proposição da Instituição. No Parlamento, após as discussões pertinentes, poderiam (ou não) ser
aprovadas as reduções sugeridas.

9. PRINCÍPIOS INSTITUCIONAIS

10. LEI 80/94: PRINCIPAIS ASPECTOS

10.1. CONCEITO E FUNÇÃO

Está previsto no art. 1º da LC 80/94, que foi constitucionalizado pela EC 80/94.

Art. 1º A Defensoria Pública é instituição permanente, essencial à função


jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe, como expressão e instrumento do
regime democrático, fundamentalmente, a orientação jurídica, a promoção
dos direitos humanos e a defesa, em todos os graus, judicial e extrajudicial,
dos direitos individuais e coletivos, de forma integral e gratuita, aos
necessitados, assim considerados na forma do inciso LXXIV do art. 5º da
Constituição Federal. (Redação dada pela Lei Complementar nº 132, de
2009).
26
Assim, a Defensoria Pública é instituição permanente, essencial à função jurisdicional do
Estado.

Cabe à DP:

a) Orientação jurídica;
b) Promoção dos direitos humanos;
c) Defesa, em todos os graus judicial e extrajudicial, dos direitos difusos e coletivos.

10.2. OBJETIVOS DA DEFENSORIA PÚBLICA

Estão previstos no art. 3º-A da LC 80/94, foram incluídos pela LC 132/2009.

Art. 3º-A. São objetivos da Defensoria Pública:


I – a primazia da dignidade da pessoa humana e a redução das
desigualdades sociais;
II – a afirmação do Estado Democrático de Direito;
III – a prevalência e efetividade dos direitos humanos; e
IV – a garantia dos princípios constitucionais da ampla defesa e do
contraditório.

Os incisos II e III foram incluídos na CF através da EC 80/2014.

10.3. PRINCÍPIOS INSTITUCIONAIS

Primeiramente, estavam previstos só na Lei Complementar (tanto na federal quanto nas


estaduais).

A EC 80/14 trouxe a previsão constitucional desses princípios. São eles:

a) Unidade;

b) Indivisibilidade;

c) Independência funcional

10.3.1. Unidade

A unidade consiste em entender a Defensoria Pública (englobadas aqui a DPU, Defensorias


dos Estados e Distrito Federal), como “um todo orgânico, sob a mesma direção, os mesmos
fundamentos e a as mesmas finalidades.

Aplicação prática desse princípio pode ser verificada no seguinte julgado do STJ.

Ementa HABEAS CORPUS. APELAÇÃO. JULGAMENTO. INTIMAÇÃO


PESSOAL DA DEFENSORIA PÚBLICA. ATO REALIZADO NA PESSOA DO
CORREGEDOR-GERAL DO ÓRGÃO. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIOS
INSTITUCIONAIS DA UNIDADE E INDIVISIBILIDADE. LC 80/94. AUSÊNCIA
DE VIOLAÇÃO ÀS PRERROGATIVAS DA DEFENSORIA PÚBLICA.
PRECEDENTES. NULIDADE. INCOMPETÊNCIA DO ÓRGÃO JULGADOR.
NÃO OCORRÊNCIA. ORDEM DENEGADA. 1. Houve a intimação pessoal do
Corregedor-Geral da Defensoria Pública Estadual da data de julgamento dos
apelos, sem que fosse feita a intimação do Defensor que efetivamente atuava
27
no feito. 2. Nos termos da legislação de regência editada pela União (LC
80/94), são princípios institucionais da Defensoria Pública a unidade, a
indivisibilidade e a independência funcional. Em face de tais determinações,
a Defensoria Pública, seja estadual ou da União, não pode ser subdividida
internamente em várias outras instituições autônomas e desvinculadas entre
si, pois, tal como sói acontecer aos integrantes do Ministério Público, seus
membros não se vinculam aos processos nos quais oficiam, podendo ser
substituídos uns pelos outros. 3. Ainda que não tenha sido feita a intimação
diretamente ao ilustre Defensor atuante no caso, mas ao próprio Corregedor-
Geral da instituição, não há falar em nulidade, por ausência de intimação
pessoal, porquanto devidamente respeitadas as prerrogativas inerentes à
função exercida pelo impetrante. Precedentes do STJ.Acórdão Origem: STJ
- SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Classe: HC - HABEAS CORPUS –
88743 Processo: 200701888967 UF: RO Órgão Julgador: QUINTA TURMA
Data da decisão: 05/06/2008 Relator(a) NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO

Quando o defensor se manifesta, não age em nome próprio, age em nome da instituição.

Ex.: impetração de habeas corpus, ajuizamento de ação etc.: a nomenclatura utilizada é “por meio
da DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO X”, e não “por meio do Defensor Público Fulano de tal”.

10.3.2. Indivisibilidade

Significa que a Defensoria Pública consiste em “um todo orgânico, não estando sujeita a
rupturas ou fracionamentos”. Esse princípio permite que seus membros se substituam uns aos
outros, a fim de que a prestação da assistência jurídica aconteça sem solução de continuidade, de
forma a não deixar os necessitados sem a devida assistência.

Neste sentido: “A Defensoria Pública pertence aos Defensores Públicos e aos assistidos, e
a sua razão de ser consiste no fato de que as suas normas fundamentais e o funcionamento de
seus órgãos não podem sofrer qualquer solução de continuidade. Uma vez deflagrada a atuação
do Defensor Público, deve a assistência jurídica ser prestada até atingir o seu objetivo, mesmo nos
casos de impedimento, férias, afastamento ou licenças, pois nesses casos, a lei prevê a
possibilidade de substituição ou designação de outro Defensor Público”

10.3.3. Independência funcional

Enquanto princípio institucional, consiste em dotar a Defensoria Pública de “autonomia


perante os demais órgãos estatais”, na medida em que as suas funções institucionais podem ser
exercidas inclusive contra as pessoas jurídicas de direito público das quais fazem parte. Tal princípio
institucional “elimina qualquer possibilidade de hierarquia diante dos demais agentes políticos do
Estado, incluindo os magistrados, promotores de justiça, parlamentares, secretários de estado e
delegados de polícia”. Essa independência da Instituição em relação a outros órgãos estatais pode
ser encarada como aspecto externo da independência funcional (princípio institucional), ou no seu
aspecto interno, como garantia conferida aos membros da Instituição.

Independência funcional significa, portanto, assegurar “plena liberdade de ação do defensor


público perante todos os órgãos da administração pública, especialmente o judiciário”. Trata-se de
princípio indisponível, inarredável diante de qualquer situação ou pretexto.

28
10.4. ATRIBUIÇÕES/FUNÇÕES INSTITUCIONAIS

Atenção! Algumas leis estaduais, a exemplo da DPE/SP traz como atribuições. A LC 80/94,
em seu art. 4º, refere-se a funções institucionais.

Art. 4º São funções institucionais da Defensoria Pública, dentre outras:


I – prestar orientação jurídica e exercer a defesa dos necessitados, em todos
os graus;
II – promover, prioritariamente, a solução extrajudicial dos litígios, visando à
composição entre as pessoas em conflito de interesses, por meio de
mediação, conciliação, arbitragem e demais técnicas de composição e
administração de conflitos;
III – promover a difusão e a conscientização dos direitos humanos, da
cidadania e do ordenamento jurídico;
IV – prestar atendimento interdisciplinar, por meio de órgãos ou de servidores
de suas Carreiras de apoio para o exercício de suas atribuições;
V – exercer, mediante o recebimento dos autos com vista, a ampla defesa e
o contraditório em favor de pessoas naturais e jurídicas, em processos
administrativos e judiciais, perante todos os órgãos e em todas as instâncias,
ordinárias ou extraordinárias, utilizando todas as medidas capazes de
propiciar a adequada e efetiva defesa de seus interesses;
VI – representar aos sistemas internacionais de proteção dos direitos
humanos, postulando perante seus órgãos;
VII – promover ação civil pública e todas as espécies de ações capazes de
propiciar a adequada tutela dos direitos difusos, coletivos ou individuais
homogêneos quando o resultado da demanda puder beneficiar grupo de
pessoas hipossuficientes;
VIII – exercer a defesa dos direitos e interesses individuais, difusos, coletivos
e individuais homogêneos e dos direitos do consumidor, na forma do inciso
LXXIV do art. 5º da Constituição Federal;
IX – impetrar habeas corpus, mandado de injunção, habeas data e
mandado de segurança ou qualquer outra ação em defesa das funções
institucionais e prerrogativas de seus órgãos de execução;
X – promover a mais ampla defesa dos direitos fundamentais dos
necessitados, abrangendo seus direitos individuais, coletivos, sociais,
econômicos, culturais e ambientais, sendo admissíveis todas as espécies de
ações capazes de propiciar sua adequada e efetiva tutela;
XI – exercer a defesa dos interesses individuais e coletivos da criança e do
adolescente, do idoso, da pessoa portadora de necessidades especiais, da
mulher vítima de violência doméstica e familiar e de outros grupos sociais
vulneráveis que mereçam proteção especial do Estado;
XIV – acompanhar inquérito policial, inclusive com a comunicação imediata
da prisão em flagrante pela autoridade policial, quando o preso não constituir
advogado;
XV – patrocinar ação penal privada e a subsidiária da pública;
XVI – exercer a curadoria especial nos casos previstos em lei;
XVII – atuar nos estabelecimentos policiais, penitenciários e de internação de
adolescentes, visando a assegurar às pessoas, sob quaisquer circunstâncias,
o exercício pleno de seus direitos e garantias fundamentais;
XVIII – atuar na preservação e reparação dos direitos de pessoas vítimas de
tortura, abusos sexuais, discriminação ou qualquer outra forma de opressão
ou violência, propiciando o acompanhamento e o atendimento interdisciplinar
das vítimas;
XIX – atuar nos Juizados Especiais;
XX – participar, quando tiver assento, dos conselhos federais, estaduais e
municipais afetos às funções institucionais da Defensoria Pública,
respeitadas as atribuições de seus ramos;
XXI – executar e receber as verbas sucumbenciais decorrentes de sua
atuação, inclusive quando devidas por quaisquer entes públicos, destinando-
as a fundos geridos pela Defensoria Pública e destinados, exclusivamente,
ao aparelhamento da Defensoria Pública e à capacitação profissional de seus
membros e servidores;
29
XXII – convocar audiências públicas para discutir matérias relacionadas às
suas funções institucionais.
§ 2º As funções institucionais da Defensoria Pública serão exercidas inclusive
contra as Pessoas Jurídicas de Direito Público.
§ 4º O instrumento de transação, mediação ou conciliação referendado pelo
Defensor Público valerá como título executivo extrajudicial, inclusive quando
celebrado com a pessoa jurídica de direito público.
§ 5º A assistência jurídica integral e gratuita custeada ou fornecida pelo
Estado será exercida pela Defensoria Pública.
§ 6º A capacidade postulatória do Defensor Público decorre exclusivamente
de sua nomeação e posse no cargo público.
§ 7º Aos membros da Defensoria Pública é garantido sentar-se no mesmo
plano do Ministério Público.
§ 8º Se o Defensor Público entender inexistir hipótese de atuação
institucional, dará imediata ciência ao Defensor Público-Geral, que decidirá a
controvérsia, indicando, se for o caso, outro Defensor Público para atuar.
§ 9º O exercício do cargo de Defensor Público é comprovado mediante
apresentação de carteira funcional expedida pela respectiva Defensoria
Pública, conforme modelo previsto nesta Lei Complementar, a qual valerá
como documento de identidade e terá fé pública em todo o território nacional.
§ 10. O exercício do cargo de Defensor Público é indelegável e privativo de
membro da Carreira.
§ 11. Os estabelecimentos a que se refere o inciso XVII do caput reservarão
instalações adequadas ao atendimento jurídico dos presos e internos por
parte dos Defensores Públicos, bem como a esses fornecerão apoio
administrativo, prestarão as informações solicitadas e assegurarão acesso à
documentação dos presos e internos, aos quais é assegurado o direito de
entrevista com os Defensores Públicos.

Lembrar dos conceitos de funções típicas e atípicas trabalhados acima.

Destaque para a possibilidade de a Defensoria agir sem provocação – ex.: defensor vai a
um estabelecimento penal mesmo que ninguém denuncie nada, ele vai para fiscalizar.

10.5. DIREITOS DOS USUÁRIOS

Previsto no art. 4º-A da LC 80/94, aqui faremos algumas observações.

Art. 4º-A. São direitos dos assistidos da Defensoria Pública, além daqueles
previstos na legislação estadual ou em atos normativos internos:
I – a informação sobre:
a) localização e horário de funcionamento dos órgãos da Defensoria Pública;
b) a tramitação dos processos e os procedimentos para a realização de
exames, perícias e outras providências necessárias à defesa de seus
interesses;
II – a qualidade e a eficiência do atendimento;
III – o direito de ter sua pretensão revista no caso de recusa de atuação pelo
Defensor Público;
IV – o patrocínio de seus direitos e interesses pelo defensor natural;
V – a atuação de Defensores Públicos distintos, quando verificada a
existência de interesses antagônicos ou colidentes entre destinatários de
suas funções.

O primeiro direito é do de informação, tendo em vista que o assistido deve ser informado dos
horários de atendimento, dos locais em que o atendimento será feito, bem como do processo e
procedimento referente ao seu atendimento, tais como perícias.

Ademais, possui o direito de ter um atendimento de qualidade e eficiente.

30
O Defensor Público poderá deixar de patrocinar ação, quando ela for manifestamente
incabível ou inconveniente aos interesses da parte sob seu patrocínio, comunicando o fato ao
Defensor Público Geral, com as razões de seu proceder. Nestes casos, assistido possui o direito
de sua pretensão ser revista.

A LC 80/94 trouxe a figura do Defensor Público Natural, a seguir os ensinamentos de Caio


Paiva sobre o assunto.

No âmbito da Defensoria Pública, a doutrina institucional já admitia a existência do


princípio do defensor público natural mesmo antes da sua positivação na LC 80 pela
LC 132/2009, considerando-o, conforme veremos a seguir, uma decorrência das
garantias da inamovibilidade e da independência funcional.

Quer o princípio do defensor natural designar que, da mesma forma que a ordem
jurídica repele o juiz e o acusador de exceção, também a defesa pública deve ser
desempenhada por um profissional com atribuição previamente fixada em lei ou em
regramento interno da instituição, proibindo-se, desta forma, designações arbitrárias
ou discricionárias, assim como a remoção do defensor público do processo ou caso
que esteja atuando sem que tenha havido justa causa.

O princípio do defensor natural traz consigo tanto uma garantia para o próprio
defensor público quanto para o assistido da Defensoria Pública, possuindo,
portanto, uma dupla destinação subjetiva.

Para o defensor público, o princípio do defensor natural, conforme já dito


anteriormente, o protege contra ingerências indevidas no seu trabalho pela
Administração Superior da Defensoria Pública, estando a salvo, portanto, de
remoções arbitrárias decorrentes do seu modo de atuar, razão pela qual o
princípio em estudo protege diretamente duas garantias dos defensores públicos: a
inamovibilidade e a independência funcional.

Sobre a proteção da inamovibilidade, importante ressaltar que o princípio do


defensor natural impede não apenas remoções territoriais arbitrárias, isto é, a retirada
do defensor público da comarca X para a comarca Y, mas também remoções
funcionais descabidas, que ocorreriam com a retirada do defensor público do seu
ofício ou núcleo, p. ex., de execução penal, para lotá-lo num ofício
ou núcleo de atuação na área de família. Veja-se, portanto, que a inamovibilidade
não se dá apenas na localidade, estendendo-se também para o órgão funcional
ocupado pelo defensor público.

Para o assistido, o princípio do defensor natural age e o protege em dois momentos:


no primeiro, garante que o defensor público responsável por acompanhar o seu caso
foi escolhido por critérios objetivos previamente fixados, eliminando, portanto,
qualquer chance de ser defendido por alguém cuja designação para atuar tenha
decorrido de perseguição ou tenha natureza política; e no segundo momento, garante
que o defensor público com o qual já confidenciou os fatos e eventuais segredos
sobre o caso, e com o qual já criou uma relação de confiança, não será
arbitrariamente removido do processo.

Com estas considerações, concluo que não há qualquer conflito ou incompatibilidade


entre os princípios da indivisibilidade e do defensor natural. Na verdade, o princípio
do defensor natural limita e condiciona o princípio da indivisibilidade, admitindo que
31
as substituições dos membros ocorram, desde que observados os critérios legais ou
de normatização interna.

Antes de caminharmos para o fim deste tópico, uma pergunta: o assistido tem direito
a ser ouvido e a se manifestar previamente à substituição (legal) do defensor público
que acompanha o seu caso? Um exemplo pode facilitar a compreensão.
Consideremos a hipótese de que o processo de João é acompanhado desde o início
por X, o seu defensor natural. Ocorre que o defensor público X, por algum motivo
temporário (férias, afastamento, licença etc.) ou definitivo (aposentadoria, remoção,
promoção etc.), não poderá prosseguir atuando no processo. Diante deste contexto,
o assistido tem direito a ser ouvido e a se manifestar sobre a substituição temporária
ou definitiva ou seu defensor natural? Coerente com o que sustentei anteriormente,
entendo que não há esse direito, já que o princípio do defensor natural limita e
condiciona o princípio da indivisibilidade, proibindo somente as substituições
arbitrárias do defensor natural. Neste sentido, já se posicionou o STF:

“A Defensoria Pública é regida pelos princípios da unidade e indivisibilidade,


os quais autorizam aos seus membros substituir uns aos outros no exercício
de determinado processo, sendo desnecessária prévia concordância do
assistido, porque a atuação da Instituição está preservada, cabendo-lhe
organizar a atividade de seus integrantes” (HC 111114, Rel. Min. Cármen
Lúcia, 2a Turma, julgado em 24/09/2013).

Entendimento contrário a este, além de forçar uma compreensão equivocada do


princípio do defensor natural, pessoalizando de forma excessiva a relação entre
defensor e assistido, ainda colocaria em risco o direito fundamental à razoável
duração do processo (art. 5o, LXXVIII, da CF), já que qualquer afastamento do
defensor natural demandaria um imenso esforço da Defensoria Pública para notificar
os respectivos assistidos e lhes conferir o direito de manifestação, algo
definitivamente irrealizável com a estrutura precária da grande maioria das
Defensorias Públicas.

Finalmente, da mesma forma que o princípio do defensor natural limita e condiciona


o princípio da indivisibilidade, a recíproca também ocorre, pois o caráter indivisível
da Defensoria Pública fundamenta a estruturação da carreira em categorias ou níveis
de atuação dos seus membros, implicando em divisão de atribuições que, em regra,
acompanham o critério de competência do órgão jurisdicional a que está vinculado19.
Assim sendo, pode ocorrer de o assistido ter mais de um defensor natural na
tramitação do seu processo.

Um exemplo extraído da prática penal: o assistido terá o seu defensor natural que irá
atuar no caso em primeira instância e, havendo a interposição de recurso de
apelação contra a sentença penal condenatória, o assistido terá outro defensor
natural, conforme regras prévias de distribuição, que atuará perante o Tribunal, sendo
que, mantida a condenação e interposto eventual recurso extraordinário ou recurso
especial, o assistido poderá ter um terceiro defensor natural, responsável pela
atuação perante Tribunais Superiores, nada impedindo, ainda, que, transitada em
julgado a condenação, o assistido tenha um quarto defensor natural, com atribuição
para atuar na fase de execução da pena.

Por fim, havendo colidência ou direitos antagônicos, é direito do assistido atuação de


defensores distintos.

32
10.6. GARANTIAS E PRERROGATIVAS FUNCIONAIS

Garantias: asseguram a liberdade e autonomia do defensor contra influências e pressões


externas (garantem a independência – plano mais subjetivo: é um instrumento de proteção do
defensor) – é como se fosse um “escudo”.

Prerrogativas: faculdades especiais conferidas aos órgãos, na condição de agentes


políticos, para dar plenas condições de consecução das atribuições institucionais (garantem o
desempenho das atribuições do cargo – plano mais objetivo: é um instrumento do cargo) – é como
se fossem as “armas” do defensor.

10.6.1. Garantias

Estão previstas no art. 127 da LC 80/94.

Art. 127. São garantias dos membros da Defensoria Pública do Estado, sem
prejuízo de outras que a lei estadual estabelecer:
I - a independência funcional no desempenho de suas atribuições;
II - a inamovibilidade;
III - a irredutibilidade de vencimentos;
IV - a estabilidade.

1) Inamovibilidade

Também prevista na CF (introduzida pela EC 45/04) – relaciona-se com o princípio do


defensor natural. O defensor tem suas funções designadas para atuar em um determinado lugar e
ele está protegido contra remoções arbitrárias. Exceções:

a) Remoção compulsória (mediante devido processo legal) – é uma sanção disciplinar.


Quando o defensor pratica uma falta funcional e a sua permanência, naquele local,
não é mais possível. Ex.: desentendimento do defensor com um servidor, com um
colega etc. Tem como objetivo resguardar a harmonia do local de trabalho;
b) Remoção por interesse público (é uma remoção decidida pelo Conselho Superior) –
ex.: defensor atua junto a uma vara que é extinta;

2) Irredutibilidade dos vencimentos

Os vencimentos dos DP não podem ser reduzidos.

3) Estabilidade

O defensor só pode ser obrigado a deixar o cargo após um processo administrativo ou


mediante decisão judicial.

4) Independência funcional

Nos dizeres de Caio Paiva:

A independência funcional assume um caráter dúplice no regramento jurídico


da Defensoria Pública, sendo prevista, juntamente com a indivisibilidade e a
unidade, como um princípio institucional (artigo 3º da LC 80/94; artigo 134,
33
parágrafo 4º, da CF[1]), e também, ao lado da inamovibilidade, da
irredutibilidade de vencimentos e da estabilidade, como uma garantia dos
defensores públicos (artigo 4º, inciso I, DPU; artigo 88, inciso I, DPDF; e artigo
127, inciso I, DPEs; todos da LC 80/94).

Importante ressaltar que, como princípio, a independência funcional não se


confunde com a autonomia funciona. Conforme a lição de José Afonso da
Silva, “a autonomia é institucional, refere-se à instituição, à Defensoria; a
independência funcional é do titular da função, é pertinente ao titular do cargo
ou função do Defensor Público”. Os conceitos, porém, devem caminhar
juntos: a independência funcional do defensor público melhor se concretiza
num ambiente de autonomia institucional.

Também relevante afirmar que, como garantia dos membros da Defensoria


Pública, a independência funcional, conforme a redação prevista na LC 80/94,
se relaciona apenas com o “desempenho de suas atribuições”, ou seja, para
o exercício da atividade-fim: a prestação de assistência jurídica integral e
gratuita. Logo, não há que se confundir independência funcional com
independência administrativa. Os defensores públicos estão vinculados à
uma estrutura hierárquica administrativa, sujeitos, portanto, à uma divisão de
tarefas, fixação de atribuições, expedientes organizacionais internos, dever
de prestar informações aos órgãos de administração superior da instituição
etc.

O fato de a independência funcional ser tratada — ao mesmo tempo — como


princípio institucional e como prerrogativa dos defensores públicos é um
indicativo da importância da atuação livre da Defensoria Pública e dos seus
membros, que devem atuar em conformidade com os objetivos incumbidos à
instituição (artigo 3º-A da LC 80/94), sem qualquer receio de retaliação política
(interna ou externa).

Merece atenção o art. 128, XII, da LC 80/94 – é prerrogativa do Defensor Público deixar de
patrocinar ação, quando manifestamente incabível ou inconveniente aos interesses da parte sob
seu patrocínio, comunicando ao DPG as razões do seu proceder, podendo este, se discordar
fundamentadamente das razões apresentadas, propor a ação ou designar outro Defensor Público
para que o faça.

É uma prerrogativa, mas, ao mesmo tempo, é um reflexo da independência funcional.

Não confundir VIABILIDADE com POSSIBILIDADE/PROBABILIDADE. O defensor pode


recusar a demanda se for juridicamente inviável.

Ex.: Um assistido procura a DP dizendo que ganhou na loteria, mas não recebeu o valor. Ao
ser perguntado sobre o bilhete, afirma que perdeu, mas que havia notado os números em uma
papel. Nota-se que é uma demanda juridicamente inviável. Outra situação: a pessoa chega na
Defensoria e diz “meu nome é Ernesto e quero mudá-lo” e o defensor acha que a pessoa não tinha
que mudar o nome, porque não tem nada demais nesse nome. O defensor não pode recusar. É
provável que o juiz indefira o pedido, mas não é certeza, e o defensor tem que atuar.

Inconveniência: para os interesses da parte. A demanda que a pessoa quer, ao invés de


ajudá-la, irá prejudicá-la. Ex.: a pessoa quer entrar com uma revisão de alimentos, mas a renda
dela aumentou. Se ajuizar a demanda, o juiz pode até aumentar a demanda.
34
Se o DPG achar que o defensor usou da independência funcional por “preguiça”, ele pode
representá-lo na Corregedoria, mas não pode obrigar o defensor a atuar. Outro defensor tem que
ser designado, que age como um longa manus do DPG (como o art. 28 do CPP) – há autores
(Franklin Roger) que defendem que esse novo defensor designado pode se negar a atuar.

Outra possibilidade de negação de atendimento: quebra de confiança.

10.6.2. Prerrogativas

As prerrogativas estão previstas no art. 128 da LC 80/94.

Art. 128. São prerrogativas dos membros da Defensoria Pública do Estado,


dentre outras que a lei local estabelecer:
I – receber, inclusive quando necessário, mediante entrega dos autos com
vista, intimação pessoal em qualquer processo e grau de jurisdição ou
instância administrativa, contando-se-lhes em dobro todos os prazos;
II - não ser preso, senão por ordem judicial escrita, salvo em flagrante, caso
em que a autoridade fará imediata comunicação ao Defensor Publico-Geral;
III - ser recolhido à prisão especial ou à sala especial de EstadoMaior, com
direito a privacidade e, após sentença condenatória transitada em julgado,
ser recolhido em dependência separada, no estabelecimento em que tiver de
ser cumprida a pena;
IV - usar vestes talares e as insígnias privativas da Defensoria Pública;
VI – comunicar-se, pessoal e reservadamente, com seus assistidos, ainda
quando estes se acharem presos ou detidos, mesmo incomunicáveis, tendo
livre ingresso em estabelecimentos policiais, prisionais e de internação
coletiva, independentemente de prévio agendamento;
VII - ter vista pessoal dos processos fora dos cartórios e secretarias,
ressalvadas as vedações legais;
VIII – examinar, em qualquer repartição pública, autos de flagrantes,
inquéritos e processos, assegurada a obtenção de cópias e podendo tomar
apontamentos;
IX - manifestar-se em autos administrativos ou judiciais por meio de cota;
X - requisitar de autoridade pública ou de seus agentes exames, certidões,
perícias, vistorias, diligências, processos, documentos, informações,
esclarecimentos e providências necessárias ao exercício de suas atribuições;
XI - representar a parte, em feito administrativo ou judicial,
independentemente de mandato, ressalvados os casos para os quais a lei
exija poderes especiais;
XII - deixar de patrocinar ação, quando ela for manifestamente incabível ou
inconveniente aos interesses da parte sob seu patrocínio, comunicando o fato
ao Defensor Publico-Geral, com as razões de seu proceder;
XIII - ter o mesmo tratamento reservado aos Magistrados e demais titulares
dos cargos das funções essenciais à justiça;
XIV - ser ouvido como testemunha, em qualquer processo ou procedimento,
em dia, hora e local previamente ajustados com a autoridade competente;
Parágrafo único. Quando, no curso de investigação policial, houver indício de
prática de infração penal por membro da Defensoria Pública do Estado, a
autoridade policial, civil ou militar, comunicará imediatamente o fato ao
Defensor Publico-Geral, que designará membro da Defensoria Pública para
acompanhar a apuração.

1) Prerrogativas relacionadas à ampla defesa

a) Intimação pessoal em todos os graus de jurisdição e inclusive na instância


administrativa.

35
b) Receber os autos com vista (é um carimbo que possibilita que o defensor se
manifeste por meio de cota) – isso só vale para o processo físico.

c) Prazo em dobro

Ressalta-se que o prazo em dobro não se aplica aos juizados especiais.

d) Manifestar-se por meio de cota (manifestação escrita no processo) – também só vale


para o processo físico.

e) Atuar independentemente de mandato, salvo hipóteses legais de poderes especiais (ex.:


queixa-crime).

Ressalta-se que para apresentar exceção de suspeição, o DP precisará de mandato, tendo


em vista que a previsão do art. 98 do CPP.

36
2) Prerrogativas relacionadas à questão prisional

a) Ingressar livremente em estabelecimentos policiais, prisionais e de internação,


independentemente de prévio agendamento.
b) Situação de vulnerabilidade de pessoas com restrição de liberdade, independentemente
da hipossuficiência econômica.
c) Atribuição de promoção dos direitos humanos que abrange atividade fiscalizatória de
inspeção, independentemente de notícias concretas de violações.
d) Entrevistar-se reservadamente com os presos, mesmo incomunicáveis.
e) Dispor de instalações adequadas para o atendimento nestes estabelecimentos, com
fornecimento de apoio administrativo e acesso a todas as informações e documentos
dos presos

3) Prerrogativas relacionadas à igualdade de tratamento com os demais membros do


sistema de justiça

a) Usar vestes talares e insígnias privativas da Defensoria


b) Ter o mesmo tratamento reservado aos Magistrados e demais integrantes do sistema
de justiça.
c) Sentar no mesmo plano do Ministério Público (está na parte de funções institucionais
– art. 4º, §7º, LC 80/94)
d) Certificar a autenticidade de cópias de documentos quando lhes forem apresentados
os originais (relacionado como atribuição – art. 108, III, da LC 80/94)

4) Poder de requisição

a) Requisitar de autoridade pública ou de seus agentes - independentemente da esfera


federativa - (abrange particulares no exercício de atividade delegada do poder público – ex. diretor
de faculdades privadas) exames, certidões, perícias, vistorias, diligências, processos, documentos,
informações, esclarecimentos e providências necessárias ao exercício de suas atribuições,
podendo acompanhar as diligências requeridas.

Ressalta-se que a requisição de particular, que não esteja no exercício de atividade


delegada, não é permitida.

37
ADI 230/RJ (2010) – previsão na legislação do RJ de requisição em face de particular. STF
entendeu que é inconstitucional, porque fere a paridade de armas (o defensor não pode requisitar
documentos de outros advogados, por exemplo). Só que o STF julgou inconstitucional o artigo
inteiro, inclusive a requisição contra órgão público. Só que o acórdão não foi publicado até agora.

5) Prerrogativas relacionadas à proteção ao cargo

a) Comunicação imediata ao DPG no caso de prisão em flagrante do defensor


b) Prisão especial ou sala especial de Estado Maior (na prisão cautelar) e recolhimento em
sala separada do presídio (na prisão-pena).
c) Comunicação ao DPG de investigação em curso, designando-se membro da Defensoria
para acompanhar a apuração – há, de fato, casos em que defensores são perseguidos.
d) Ser ouvido como testemunha em dia, horário e local previamente ajustados com a
autoridade
e) Prerrogativa de não propor medida judicial manifestamente incabível.

10.7. ORGANIZAÇÃO E ESTRUTURA

Está prevista no art. 98 da LC 80/94.

Obs.: Fazer comparativo com a lei do Estado, pois aqui aparecem diferenças.

Art. 98. A Defensoria Pública dos Estados compreende:


I - órgãos de administração superior:
a) a Defensoria Pública-Geral do Estado;
b) a Subdefensoria Pública-Geral do Estado;
c) o Conselho Superior da Defensoria Pública do Estado;
d) a Corregedoria-Geral da Defensoria Pública do Estado;
II - órgãos de atuação:
a) as Defensorias Públicas do Estado;
b) os Núcleos da Defensoria Pública do Estado;
III - órgãos de execução:
a) os Defensores Públicos do Estado.
IV – órgão auxiliar: Ouvidoria-Geral da Defensoria Pública do Estado.

10.7.1. Administração Superior

1) Defensor Público-Geral

Quem pode ser elegível (art. 99):

 Membros estáveis;

 Com 35 anos de idade;

Art. 99. A Defensoria Pública do Estado tem por chefe o Defensor Público-
Geral, nomeado pelo Governador do Estado, dentre membros estáveis da
Carreira e maiores de 35 (trinta e cinco) anos, escolhidos em lista tríplice
formada pelo voto direto, secreto, plurinominal e obrigatório de seus
membros, para mandato de 2 (dois) anos, permitida uma recondução.

Eleição: todos os defensores votam e os eleitos compõem uma lista tríplice. O voto é:

 Obrigatório,

38
 Direto,

 Secreto,

 Plurinominal – o eleitor vota em até 3 nomes. Mas é possível votar só 1;

 Vedado o voto por procuração.

Nomeação: Governador (também exonera o DPG nos casos previstos em lei), que tem a
prerrogativa de escolher livremente entre os integrantes da lista tríplice

O prazo de nomeação é de 15 dias, sob pena de investidura automática do mais votado.

Art. 99, § 4º Caso o Chefe do Poder Executivo não efetive a nomeação do


Defensor Público-Geral nos 15 (quinze) dias que se seguirem ao recebimento
da lista tríplice, será investido automaticamente no cargo o Defensor Público
mais votado para exercício do mandato.

Particularidade da DPU: DPG é escolhido pela Presidente e é sabatinado pelo Senado


Federal.

Destituição do cargo: pelo Governador:

 Em caso de abuso de poder;

 Conduta incompatível;

 Grave omissão nos deveres do cargo.

Atribuições: dirigir, superintender e coordenar as atividades da DPE, orientando a sua


atuação e representando-a judicial e extrajudicialmente (art. 100 da LC 80/94).

Art. 100. Ao Defensor Publico-Geral do Estado compete dirigir a Defensoria


Pública do Estado, superintender e coordenar suas atividades, orientando
sua atuação, e representando-a judicial e extrajudicialmente.

Mandato: 2 anos, uma recondução.

b) Subdefensor

Nomeação: DPG (livre nomeação e exoneração, não tem mandato, nem limite ou cláusula
de barreira) – tratamento diverso da DPU e DPDF (escolha pelo Conselho).

Art. 99, § 1º O Defensor Público-Geral será substituído em suas faltas,


licenças, férias e impedimentos pelo Subdefensor Público-Geral, por ele
nomeado dentre integrantes estáveis da Carreira, na forma da legislação
estadual.

Requisito: membro estável da carreira.

Função: auxilia e substitui o Defensor Público Geral em suas ausências (membro nato
obrigatório do Conselho).

Os Estados podem criar mais de um Subdefensor Público Geral – art. 99, § 2º da LC 80/94.

39
Art. 99, § 2º Os Estados, segundo suas necessidades, poderão ter mais de
um Subdefensor Publico-Geral.

3) Conselho Superior

É o órgão normativo da carreira, previsto no art. 101 da LC 80/94.

Art. 101. A composição do Conselho Superior da Defensoria Pública do


Estado deve incluir obrigatoriamente o Defensor Público-Geral, o
Subdefensor Público-Geral, o Corregedor-Geral e o Ouvidor-Geral, como
membros natos, e, em sua maioria, representantes estáveis da Carreira,
eleitos pelo voto direto, plurinominal, obrigatório e secreto de seus membros,
em número e forma a serem fixados em lei estadual.
§ 1º O Conselho Superior é presidido pelo Defensor Público-Geral, que terá
voto de qualidade, exceto em matéria disciplinar.
§ 2º As eleições serão realizadas em conformidade com as instruções
baixadas pelo Conselho Superior da Defensoria Pública do Estado.
§ 3º Os membros do Conselho Superior são eleitos para mandato de 2 (dois)
anos, permitida uma reeleição.
§ 4º São elegíveis os membros estáveis da Defensoria Pública que não
estejam afastados da Carreira.
§ 5º O presidente da entidade de classe de maior representatividade dos
membros da Defensoria Pública do Estado terá assento e voz nas reuniões
do Conselho Superior.

Componentes: art. 101 da LC 80/94 – membros natos (DPG, Sub, Corregedor-Geral e


Ouvidor) e eleitos (devem ser maioria em relação aos natos).

Elegíveis: todos os membros estáveis da carreira, não afastados (em exercício) – art. 101,
§4º da LC 80/94.

Eleição: todos votam

Voto: obrigatório, direto, secreto, plurinominal.

Funções: consultivas, normativas e decisórias previstas na lei estadual.

Presidido pelo Defensor Público Geral, que tem voto de qualidade (é mais do que voto de
desempate – se há empate, ele vota como membro nato e vota de novo o desempate), exceto em
matéria disciplinar.

Presidente da entidade de classe com maior representatividade – tem assento e voz no


Conselho Superior – é membro nato? NÃO. Não é conselheiro. Não pode votar.

Atenção! A Ouvidoria-Geral também não tem direito a voto. É membro nato, mas não pode votar. É
o único membro que não pode votar.

Algumas atribuições do Conselho Superior:

Art. 102. Ao Conselho Superior compete exercer as atividades consultivas,


normativas e decisórias a serem previstas na lei estadual.
§ 1º Caberá ao Conselho Superior decidir sobre a fixação ou a alteração de
atribuições dos órgãos de atuação da Defensoria Pública e, em grau de
recurso, sobre matéria disciplinar e os conflitos de atribuições entre membros
da Defensoria Pública, sem prejuízo de outras atribuições.
§ 2º Caberá ao Conselho Superior aprovar o plano de atuação da Defensoria
Pública do Estado, cujo projeto será precedido de ampla divulgação.
§ 3º As decisões do Conselho Superior serão motivadas e publicadas, e suas
sessões deverão ser públicas, salvo nas hipóteses legais de sigilo, e
40
realizadas, no mínimo, bimestralmente, podendo ser convocada por qualquer
conselheiro, caso não realizada dentro desse prazo.

a) Exercício do poder normativo no âmbito interno;


b) Fixar e alterar as atribuições dos defensores públicos– atribuições administrativas gerais
e específicas;
c) Julgar processos disciplinares (obs.: o julgamento tem natureza opinativa – quem decide
DPG. No entanto, recurso é julgado pelo Conselho. Instauração: DPG);
d) Aprovar o plano anual de atuação (precedido de ampla divulgação)

4) Corregedor-Geral

É um órgão de fiscalização.

Art. 103. A Corregedoria-Geral é órgão de fiscalização da atividade funcional


e da conduta dos membros e dos servidores da Instituição.

Requisitos: Defensores integrantes da classe mais elevada da carreira – é o único cargo que
tem esse requisito.

Indicação: lista tríplice formada pelo Conselho Superior.

Escolha e nomeação: Defensor Público Geral (ato discricionário).

Destituição: 2/3 do Conselho, mediante proposta do Defensor Público Geral.

Art. 104. A Corregedoria-Geral é exercida pelo Corregedor-Geral indicado


dentre os integrantes da classe mais elevada da Carreira, em lista tríplice
formada pelo Conselho Superior, e nomeado pelo Defensor Público-Geral
para mandato de 2 (dois) anos, permitida 1 (uma) recondução.
§ 1º O Corregedor-Geral poderá ser destituído por proposta do Defensor
Publico-Geral, pelo voto de dois terços do Conselho Superior, antes do
término do mandato.
§ 2º A lei estadual poderá criar um ou mais cargos de Subcorregedor, fixando
as atribuições e especificando a forma de designação.
Atribuições:

Art. 105. À Corregedoria-Geral da Defensoria Pública do Estado compete:


I - realizar correições e inspeções funcionais;
II - sugerir ao Defensor Publico-Geral o afastamento de Defensor Público que
esteja sendo submetido a correição, sindicância ou processo administrativo
disciplinar, quando cabível;
III - propor, fundamentadamente, ao Conselho Superior a suspensão do
estágio probatório de membro da Defensoria Pública do Estado;
IV - apresentar ao Defensor Publico-Geral, em janeiro de cada ano, relatório
das atividades desenvolvidas no ano anterior;
V - receber e processar as representações contra os membros da Defensoria
Pública do Estado, encaminhado-as, com parecer, ao Conselho Superior;
VI - propor a instauração de processo disciplinar contra membros da
Defensoria Pública do Estado e seus servidores;
VII - acompanhar o estágio probatório dos membros da Defensoria Pública
do Estado;
VIII - propor a exoneração de membros da Defensoria Pública do Estado que
não cumprirem as condições do estágio probatório.
IX – baixar normas, no limite de suas atribuições, visando à regularidade e ao
aperfeiçoamento das atividades da Defensoria Pública, resguardada a
independência funcional de seus membros;

41
X – manter atualizados os assentamentos funcionais e os dados estatísticos
de atuação dos membros da Defensoria Pública, para efeito de aferição de
merecimento;
XI – expedir recomendações aos membros da Defensoria Pública sobre
matéria afeta à competência da Corregedoria-Geral da Defensoria Pública;
XII – desempenhar outras atribuições previstas em lei ou no regulamento
interno da Defensoria Pública.

10.7.2. Órgãos de atuação

1) As Defensorias Públicas do Estado

Art. 106. A Defensoria Pública do Estado prestará assistência jurídica aos


necessitados, em todos os graus de jurisdição e instâncias administrativas do
Estado.
Parágrafo único. À Defensoria Pública do Estado caberá interpor recursos
aos Tribunais Superiores, quando cabíveis.

Art. 106-A. A organização da Defensoria Pública do Estado deve primar pela


descentralização, e sua atuação deve incluir atendimento interdisciplinar,
bem como a tutela dos interesses individuais, difusos, coletivos e individuais
homogêneos.

2) Núcleos das Defensorias Públicas do Estado

Atuação dúplice: órgãos de suporte e auxílio do Defensor Público.

Art. 107. A Defensoria Pública do Estado poderá atuar por intermédio de


núcleos ou núcleos especializados, dando-se prioridade, de todo modo, às
regiões com maiores índices de exclusão social e adensamento populacional.

10.7.3. Órgão de execução

1) Defensores Públicos.

Art. 108. Aos membros da Defensoria Pública do Estado incumbe, sem


prejuízo de outras atribuições estabelecidas pelas Constituições Federal e
Estadual, pela Lei Orgânica e por demais diplomas legais, a orientação
jurídica e a defesa dos seus assistidos, no âmbito judicial, extrajudicial e
administrativo.
Parágrafo único. São, ainda, atribuições dos Defensores Públicos Estaduais:
I – atender às partes e aos interessados;
II – participar, com direito a voz e voto, dos Conselhos Penitenciários;
III – certificar a autenticidade de cópias de documentos necessários à
instrução de processo administrativo ou judicial, à vista da apresentação dos
originais;
IV – atuar nos estabelecimentos prisionais, policiais, de internação e naqueles
reservados a adolescentes, visando ao atendimento jurídico permanente dos
presos provisórios, sentenciados, internados e adolescentes, competindo à
administração estadual reservar instalações seguras e adequadas aos seus
trabalhos, franquear acesso a todas as dependências do estabelecimento
independentemente de prévio agendamento, fornecer apoio administrativo,
prestar todas as informações solicitadas e assegurar o acesso à
documentação dos assistidos, aos quais não poderá, sob fundamento algum,
negar o direito de entrevista com os membros da Defensoria Pública do
Estado.

42
10.7.4. Órgão auxiliar

1) Ouvidoria

Art. 105-A. A Ouvidoria-Geral é órgão auxiliar da Defensoria Pública do


Estado, de promoção da qualidade dos serviços prestados pela Instituição.
Parágrafo único. A Ouvidoria-Geral contará com servidores da Defensoria
Pública do Estado e com a estrutura definida pelo Conselho Superior após
proposta do Ouvidor-Geral.

Natureza jurídica: órgão de comunicação entre a população e a administração da


Defensoria; órgão de participação popular no âmbito da administração da Defensoria.

Requisitos para o cargo: cidadão de reputação ilibada não integrante da carreira – qualquer
formação.

Indicação: lista tríplice formada pela sociedade civil.

Escolha: Conselho Superior.

Nomeação: Defensor Público Geral (ato vinculado à escolha do Defensor)

Art. 105-B. O Ouvidor-Geral será escolhido pelo Conselho Superior, dentre


cidadãos de reputação ilibada, não integrante da Carreira, indicados em lista
tríplice formada pela sociedade civil, para mandato de 2 (dois) anos, permitida
1 (uma) recondução.
§ 1º O Conselho Superior editará normas regulamentando a forma de
elaboração da lista tríplice.
§ 2º O Ouvidor-Geral será nomeado pelo Defensor Público-Geral do Estado.
§ 3º O cargo de Ouvidor-Geral será exercido em regime de dedicação
exclusiva.

Atribuições:

Art. 105-C. À Ouvidoria-Geral compete:


I – receber e encaminhar ao Corregedor-Geral representação contra
membros e servidores da Defensoria Pública do Estado, assegurada a defesa
preliminar;
II – propor aos órgãos de administração superior da Defensoria Pública do
Estado medidas e ações que visem à consecução dos princípios institucionais
e ao aperfeiçoamento dos serviços prestados;
III – elaborar e divulgar relatório semestral de suas atividades, que conterá
também as medidas propostas aos órgãos competentes e a descrição dos
resultados obtidos;
IV – participar, com direito a voz, do Conselho Superior da Defensoria Pública
do Estado;
V – promover atividades de intercâmbio com a sociedade civil;
VI – estabelecer meios de comunicação direta entre a Defensoria Pública e a
sociedade, para receber sugestões e reclamações, adotando as providências
pertinentes e informando o resultado aos interessados; )
VII – contribuir para a disseminação das formas de participação popular no
acompanhamento e na fiscalização da prestação dos serviços realizados pela
Defensoria Pública;
VIII – manter contato permanente com os vários órgãos da Defensoria Pública
do Estado, estimulando-os a atuar em permanente sintonia com os direitos
dos usuários;
IX – coordenar a realização de pesquisas periódicas e produzir estatísticas
referentes ao índice de satisfação dos usuários, divulgando os resultados.

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Parágrafo único. As representações podem ser apresentadas por qualquer
pessoa, inclusive pelos próprios membros e servidores da Defensoria Pública
do Estado, entidade ou órgão público.

2) Outros órgãos

As leis estaduais podem instituir outros órgãos como auxiliares.

Art. 109. Cabe à lei estadual disciplinar os órgãos e serviços auxiliares de


apoio administrativo, organizando-o em quadro próprio, com cargos que
atendam às peculiaridades e às necessidades da administração e das
atividades funcionais da Instituição.

10.8. INGRESSO NA CARREIRA

É através de concurso público de provas e títulos.

Art. 112. O ingresso nos cargos iniciais da carreira far-se-á mediante


aprovação prévia em concurso público de provas e títulos, com a participação
da Ordem dos Advogados do Brasil.
§ 1º Do regulamento do concurso constarão os programas das disciplinas
sobre as quais versarão as provas, bem como outras disposições pertinentes
à sua organização e realização.
§ 2º O edital de abertura de inscrições no concurso indicará,
obrigatoriamente, o número de cargos vagos na categoria inicial da carreira.

10.9. PROMOÇÃO

Leitura dos artigos é suficiente.

Art. 115. A promoção consiste no acesso imediato dos membros efetivos da


Defensoria Pública do Estado de uma categoria para outra da carreira.

Art. 116. As promoções serão efetivadas por ato do Defensor Publico-Geral


do Estado, obedecidos, alternadamente, os critérios de antiguidade e
merecimento.
§ 1º É facultada a recusa à promoção, sem prejuízo do critério do
preenchimento da vaga recusada.
§ 2º A antiguidade será apurada na categoria e determinada pelo tempo de
efetivo exercício na mesma.
§ 3º A promoção por merecimento dependerá de lista tríplice para cada vaga,
elaborada pelo Conselho Superior, em sessão secreta, com ocupantes do
primeiro terço da lista de antiguidade.
§ 4º Os membros da Defensoria Pública do Estado somente poderão ser
promovidos após dois anos de efetivo exercício na categoria, dispensado o
interstício se não houver quem preencha tal requisito, ou se quem o
preencher recusar a promoção.
§ 5º É obrigatória a promoção do Defensor Público que figurar por três vezes
consecutivas ou cinco alternadas em lista de merecimento, ressalvada a
hipótese do art. 117, § 2º.

Art. 117. O Conselho Superior fixará os critérios de ordem objetiva para a


aferição de merecimento dos membros da Instituição, considerando-se, entre
outros, a eficiência e a presteza demonstradas no desempenho da função e
a aprovação em cursos de aperfeiçoamento, de natureza jurídica, promovidos
pela Instituição, ou por estabelecimentos de ensino superior, oficialmente
reconhecidos.
44
§ 1º Os cursos de aperfeiçoamento de que trata este artigo compreenderão,
necessariamente, as seguintes atividades:
a) apresentação de trabalho escrito sobre assunto de relevância jurídica;
b) defesa oral do trabalho que tenha sido aceito por banca examinadora.
§ 2º A lei estadual estabelecerá os prazos durante os quais estará impedido
de concorrer à promoção por merecimento o membro da instituição que tiver
sofrido imposição de penalidade em processo administrativo disciplinar.

10.10. REMOÇÃO

A remoção poderá ser:

a) Compulsória (art. 120) – é considerada uma pena;

Art. 118. Os membros da Defensoria Pública do Estado são inamovíveis,


salvo se apenados com remoção compulsória, na forma da lei estadual.

Art. 120. A remoção compulsória somente será aplicada com prévio parecer
do Conselho Superior, assegurada ampla defesa em processo administrativo
disciplinar.

b) Por permuta (art. 123)

Art. 123. Quando por permuta, a remoção será concedida mediante


requerimento dos interessados, respeitada a antiguidade dos demais, na
forma da lei estadual.
Parágrafo único. O Defensor Público-Geral dará ampla divulgação aos
pedidos de permuta.

c) A pedido (art.121).

Art. 121. A remoção a pedido far-se-á mediante requerimento ao Defensor


Publico-Geral, nos quinze dias seguintes à publicação, no Diário Oficial, do
aviso de existência de vaga.
Parágrafo único. Findo o prazo fixado neste artigo e, havendo mais de um
candidato à remoção, será removido o mais antigo na categoria e, ocorrendo
empate, sucessivamente, o mais antigo na carreira, no serviço público do
Estado, no serviço público em geral, o mais idoso e o mais bem classificado
no concurso para ingresso na Defensoria Pública.

10.11. FÉRIAS E AFASTAMENTOS

Basta a leitura dos artigos.

Art. 125. As férias dos membros da Defensoria Pública do Estado serão


concedidas de acordo com a lei estadual.

Art. 126. O afastamento para estudo ou missão, no interesse da Defensoria


Pública do Estado, será autorizado pelo Defensor Publico-Geral.
§ 1º O afastamento de que trata este artigo somente será concedido pelo
Defensor Publico-Geral, após estágio probatório e pelo prazo máximo de dois
anos.
§ 2º Quando o interesse público o exigir, o afastamento poderá ser
interrompido a juízo do Defensor Publico-Geral.

Art. 126-A. É assegurado o direito de afastamento para exercício de mandato


em entidade de classe de âmbito estadual ou nacional, de maior

45
representatividade, sem prejuízo dos vencimentos, vantagens ou qualquer
direito inerente ao cargo.
§ 1º O afastamento será concedido ao presidente da entidade de classe e
terá duração igual à do mandato, devendo ser prorrogado no caso de
reeleição.
§ 2º O afastamento para exercício de mandato será contado como tempo de
serviço para todos os efeitos legais.
§ 3º Lei estadual poderá estender o afastamento a outros membros da
diretoria eleita da entidade.

10.12. DEVERES DO DEFENSOR PÚBLICO

Basta a leitura dos artigos.

Art. 129. São deveres dos membros da Defensoria Pública dos Estados:
I - residir na localidade onde exercem suas funções, na forma do que dispuser
a lei estadual;
II - desempenhar com zelo e presteza, dentro dos prazos, os serviços a seu
cargo e os que, na forma da lei, lhes sejam atribuídos pelo Defensor Publico-
Geral;
III - representar ao Defensor Publico-Geral sobre as irregularidades de que
tiver ciência, em razão do cargo;
IV - prestar informações aos órgãos de administração superior da Defensoria
Pública do Estado, quando solicitadas;
V - atender ao expediente forense e participar dos atos judiciais, quando for
obrigatória a sua presença;
VI - declararse suspeito ou impedido, nos termos da lei;
VII - interpor os recursos cabíveis para qualquer instância ou Tribunal e
promover revisão criminal, sempre que encontrar fundamentos na lei,
jurisprudência ou prova dos autos, remetendo cópia à Corregedoria-Geral.

10.13. PROIBIÇÕES DO DEFENSOR PÚBLICO

Basta a leitura dos artigos.

Art. 130. Além das proibições decorrentes do exercício de cargo público, aos
membros da Defensoria Pública dos Estados é vedado:
I - exercer a advocacia fora das atribuições institucionais;
II - requerer, advogar, ou praticar em Juízo ou fora dele, atos que de qualquer
forma colidam com as funções inerentes ao seu cargo, ou com os preceitos
éticos de sua profissão;
III - receber, a qualquer título e sob qualquer pretexto, honorários,
percentagens ou custas processuais, em razão de suas atribuições;
IV - exercer o comércio ou participar de sociedade comercial, exceto como
cotista ou acionista;
V - exercer atividade político-partidária, enquanto atuar junto à Justiça
Eleitoral.

10.14. IMPEDIMENTOS DO DEFENSOR PÚBLICO

Basta a leitura dos artigos.

Art. 131. É defeso ao membro da Defensoria Pública do Estado exercer suas


funções em processo ou procedimento:
I - em que seja parte ou, de qualquer forma, interessado;
II - em que haja atuado como representante da parte, perito, Juiz, membro do
Ministério Público, Autoridade Policial, Escrivão de Polícia, Auxiliar de Justiça
ou prestado depoimento como testemunha;
III - em que for interessado cônjuge ou companheiro, parente consanguíneo
ou afim em linha reta ou colateral, até o terceiro grau;
46
IV - no qual haja postulado como advogado de qualquer das pessoas
mencionadas no inciso anterior;
V - em que qualquer das pessoas mencionadas no inciso III funcione ou haja
funcionado como Magistrado, membro do Ministério Público, Autoridade
Policial, Escrivão de Polícia ou Auxiliar de Justiça;
VI - em que houver dado à parte contrária parecer verbal ou escrito sobre o
objeto da demanda;
VII - em outras hipóteses previstas em lei.

Art. 132. Os membros da Defensoria Pública do Estado não podem participar


de comissão, banca de concurso, ou de qualquer decisão, quando o
julgamento ou votação disser respeito a seu cônjuge ou companheiro, ou
parente consanguíneo ou afim em linha reta ou colateral, até o terceiro grau.

10.15. RESPONSABILIDADE FUNCIONAL

A responsabilidade funcional diz respeito à responsabilidade administrativo-disciplinar do


defensor público: que não exclui outras como a civil e penal. A Lei Orgânica divide o tema em três:
1) correições; 2) infrações disciplinares; e 3) revisão do processo.

Art. 133. A atividade funcional dos membros da Defensoria Pública dos


Estados está sujeita a:
I - correição ordinária, realizada anualmente pelo Corregedor-Geral e por
seus auxiliares, para verificar a regularidade e eficiência dos serviços;
II - correição extraordinária, realizada pelo Corregedor-Geral e por seus
auxiliares, para verificar a regularidade e eficiência dos serviços.
§ 1º Cabe ao Corregedor-Geral, concluída a correição, apresentar ao
Defensor Publico-Geral relatório dos fatos apurados e das providências a
serem adotadas.
§ 2º Qualquer pessoa pode representar ao Corregedor-Geral sobre os
abusos, erros ou omissões dos membros da Defensoria Pública dos Estados.

Art. 134. A lei estadual estabelecerá as infrações disciplinares, com as


respectivas sanções, procedimentos cabíveis e prazos prescricionais.
§ 1º A lei estadual preverá a pena de remoção compulsória nas hipóteses que
estabelecer, e sempre que a falta praticada, pela sua gravidade e
repercussão, tornar incompatível a permanência do faltoso no órgão de
atuação de sua lotação.
§ 2º Caberá ao Defensor Publico-Geral aplicar as penalidades previstas em
lei, exceto no caso de demissão e cassação de aposentadoria, em que será
competente para aplica-las o Governador do Estado.
§ 3º Nenhuma penalidade será aplicada sem que se garanta ampla defesa,
sendo obrigatório o inquérito administrativo nos casos de aplicação de
remoção compulsória.

Art. 135. A lei estadual preverá a revisão disciplinar, estabelecendo as


hipóteses de cabimento e as pessoas habilitadas a requerê-la.
Parágrafo único. Procedente a revisão, será tornado sem efeito o ato punitivo
ou aplicada a penalidade adequada, restabelecendo-se os direitos atingidos
pela punição, na sua plenitude.

11. GRATUIDADE DA JUSTIÇA

O CPC/2015, praticamente, derrogou esta Lei 1.060/50. Mas é importante fazer uma análise.
Ao final, far-se-á um quadro comparativo.

11.1. SOBRE O QUE TRATAVA A LEI?

47
A lei tratava a concessão da JUSTIÇA GRATUITA, apesar de utilizar erroneamente a
expressão assistência judiciária.

Atualmente, o CPC/2015 regulamenta a matéria (arts. 98 ao 102)

11.2. O QUE É JUSTIÇA GRATUITA?

Pela Lei 1.065/50 era a dispensa do pagamento adiantado das despesas processuais em
favor de quem não dispõe de recursos para custeá-las sem prejuízo do sustento próprio ou do de
sua família (art. 2º, parágrafo único, Lei n. 1.060/50).

De acordo com o NCPC, caberá quando a pessoa natural ou jurídica, brasileira ou


estrangeira, tenha insuficiência de recursos para pagar as custas, as despesas processuais e os
honorários advocatícios (art. 98).

CPC/2015 Art. 98. A pessoa natural ou jurídica, brasileira ou estrangeira,


com insuficiência de recursos para pagar as custas, as despesas processuais
e os honorários advocatícios tem direito à gratuidade da justiça, na forma da
lei.

11.3. QUAL É A NATUREZA DO BENEFÍCIO?

É instituto tipicamente processual, pois inerente ao processo judicial.

Caberá ao juiz conceder ou não, a negativa em nada interfere na atuação da DPE (já foi
questão de prova)

11.4. É NECESSÁRIA A COMPROVAÇÃO DE POBREZA PARA OBTÊ-LA?

NÃO. É suficiente que se alegue na petição inicial (ou contestação) que não se dispõe de
meios para arcar com as despesas do processo (art. 4º), competindo ao juiz deferi-la [há presunção
relativa de veracidade]. Se houver DÚVIDA FUNDADA, é possível que o magistrado determine a
produção de provas do estado de carência.

CPC/2015 Art. 99, § 3o Presume-se verdadeira a alegação de insuficiência


deduzida exclusivamente por pessoa natural.

11.5. A GRATUIDADE ABRANGE O QUE?

CPC/2015 tratou do assunto.

CPC 2015 – art. 99, § 1o A gratuidade da justiça compreende:


I - as taxas ou as custas judiciais;
II - os selos postais;
III - as despesas com publicação na imprensa oficial, dispensando-se a
publicação em outros meios;
IV - a indenização devida à testemunha que, quando empregada, receberá
do empregador salário integral, como se em serviço estivesse;
V - as despesas com a realização de exame de código genético - DNA e de
outros exames considerados essenciais;
VI - os honorários do advogado e do perito e a remuneração do intérprete ou
do tradutor nomeado para apresentação de versão em português de
documento redigido em língua estrangeira;
VII - o custo com a elaboração de memória de cálculo, quando exigida para
instauração da execução;
48
VIII - os depósitos previstos em lei para interposição de recurso, para
propositura de ação e para a prática de outros atos processuais inerentes ao
exercício da ampla defesa e do contraditório;
IX - os emolumentos devidos a notários ou registradores em decorrência da
prática de registro, averbação ou qualquer outro ato notarial necessário à
efetivação de decisão judicial ou à continuidade de processo judicial no qual
o benefício tenha sido concedido.

EXCEÇÃO: a isenção NÃO abrange multas (punitivas e coercitivas). Motivo: a gratuidade


judiciária visa a assegurar o acesso à justiça, não servindo, portanto, como proteção para o abuso
e para a própria negação desse direito.

CPC/2015 Art.98
§ 2o A concessão de gratuidade não afasta a responsabilidade do
beneficiário pelas despesas processuais e pelos honorários
advocatícios decorrentes de sua sucumbência.
§ 3o Vencido o beneficiário, as obrigações decorrentes de sua sucumbência
ficarão sob condição suspensiva de exigibilidade e somente poderão ser
executadas se, nos 5 (cinco) anos subsequentes ao trânsito em julgado da
decisão que as certificou, o credor demonstrar que deixou de existir a situação
de insuficiência de recursos que justificou a concessão de gratuidade,
extinguindo-se, passado esse prazo, tais obrigações do beneficiário.
§ 4o A concessão de gratuidade não afasta o dever de o
beneficiário pagar, ao final, as multas processuais que lhe sejam
impostas.
§ 7o Aplica-se o disposto no art. 95, §§ 3o a 5o, ao custeio dos emolumentos
previstos no § 1o, inciso IX, do presente artigo, observada a tabela e as
condições da lei estadual ou distrital respectiva.
§ 8o Na hipótese do § 1o, inciso IX, havendo dúvida fundada quanto ao
preenchimento atual dos pressupostos para a concessão de gratuidade, o
notário ou registrador, após praticar o ato, pode requerer, ao juízo competente
para decidir questões notariais ou registrais, a revogação total ou parcial do
benefício ou a sua substituição pelo parcelamento de que trata o § 6 o deste
artigo, caso em que o beneficiário será citado para, em 15 (quinze) dias,

11.6. O BENEFÍCIO PODE SER CONCEDIDO PARCIALMENTE?

SIM.

CPC/2015 Art.98
§ 5o A gratuidade poderá ser concedida em relação a algum ou a todos os
atos processuais, ou consistir na redução percentual de despesas
processuais que o beneficiário tiver de adiantar no curso do procedimento.
§ 6o Conforme o caso, o juiz poderá conceder direito ao parcelamento de
despesas processuais que o beneficiário tiver de adiantar no curso do
procedimento.

“A depender do caso concreto, poderá o juiz, não convencido da absoluta miserabilidade


do requerente da justiça gratuita, deferir-lhe apenas parcialmente o benefício. A possibilidade
decorre da divisibilidade do seu objeto (dispensa de adiantar pagamento em dinheiro) e do fato de
que, ao magistrado, nada obstante a presunção legal de que trata o art. 4º, caput e par. 1º, da LAJ,
cabe proceder a fiscalização, no caso concreto, do preenchimento, ou não, dos requisitos exigidos
pela legislação para a concessão do benefício” (Didier Jr.).

11.7. EM QUAL MOMENTO PODE SER CONCEDIDO?

49
Pode ser pleiteado e, ato contínuo, concedido em QUALQUER fase do processo. Em
regra, o mais comum é que seja pedido logo no primeiro momento em que a parte se pronuncia nos
autos.

CPC/2015 Art. 99. O pedido de gratuidade da justiça pode ser formulado na


petição inicial, na contestação, na petição para ingresso de terceiro no
processo ou em recurso.

1.9. A gratuidade judiciária pode ser analisada nas instâncias especiais (STF e STJ)?

DEPENDE.

1º caso: Em uma demanda, rico empresário obtém resultado desfavorável em ambas as


instâncias ordinárias. Maneja recurso especial, com o objetivo de que seja aplicado corretamente
direito (infra) constitucional. Na instância extraordinária, o empresário vem a falir. Em razão da nova
condição financeira, enquadra-se na definição de necessitado nos termos da lei.

R: Nesse caso, pode pedir a concessão do benefício da gratuidade da justiça, que será
analisado incidentalmente ao recurso interposto.

2º caso: Um conceituado médico ingressa com ação visando à reparação de danos morais.
Alega que é pobre e requer o benefício da justiça gratuita. O juízo de 1º grau indefere por haver
provas de que o requerente não é hipossuficiente. Recorre para o TJ, que confirma o provimento
monocrático. Recorre ao STJ, alegando que houve ofensa à Lei 1.060/50.

R: Nesse caso a justiça gratuita não é meramente incidental, trata-se de objeto principal do
recurso. Aqui é inviável o reconhecimento do recurso, uma vez que o foco do exame feito pelas
instâncias ordinárias se debruçou sobre a matéria de fato. Para o STJ dar provimento ao recurso,
ele teria que reanalisar essas provas, o que não é permitido (sum. n. 7: “a pretensão de simples
reexame de prova não enseja recurso especial”).

Atenção!

§ 7o Requerida a concessão de gratuidade da justiça em recurso, o recorrente


estará dispensado de comprovar o recolhimento do preparo, incumbindo ao
relator, neste caso, apreciar o requerimento e, se indeferi-lo, fixar prazo para
realização do recolhimento.

11.8. É POSSÍVEL SUA REVOGAÇÃO?

SIM, pois a justiça gratuita submete-se a cláusula rebus sic stantibus, ou seja, se a parte
não é mais hipossuficiente, a alteração do panorama gerará a revogação do benefício.

CPC/2015 Art. 100, Parágrafo único. Revogado o benefício, a parte arcará


com as despesas processuais que tiver deixado de adiantar e pagará, em
caso de má-fé, até o décuplo de seu valor a título de multa, que será revertida
em benefício da Fazenda Pública estadual ou federal e poderá ser inscrita
em dívida ativa.

11.9. QUEM SÃO OS BENEFICIÁRIOS DA JUSTIÇA GRATUITA?

O benefício será concedido aos nacionais e aos estrangeiros (o CPC/2015, não mais exige
que seja residente no país), bem como as pessoas jurídicas ou naturais.

50
CPC/2015 Art. 98. A pessoa natural ou jurídica, brasileira ou estrangeira,
com insuficiência de recursos para pagar as custas, as despesas processuais
e os honorários advocatícios têm direito à gratuidade da justiça, na forma da
lei.

11.10. A PESSOA JURÍDICA PODE SER BENEFICIÁRIA?

Súmula 481 do STJ: Faz jus ao benefício da justiça gratuita a pessoa jurídica
com ou sem fins lucrativos que demonstrar sua impossibilidade de arcar com
os encargos processuais.

11.11. CASO O BENEFICIÁRIO SEJA VENCIDO NO PROCESSO, ELE DEVERÁ SER


CONDENADO AO PAGAMENTO DAS CUSTAS?

SIM. A gratuidade isenta o hipossuficiente apenas do pagamento antecipado das custas e


dos honorários sucumbenciais. Nessa hipótese, a decisão condenatória é suspensa pelo prazo
máximo de 5 anos, condicionando-se o pagamento a posterior aquisição de renda pelo beneficiário.
Passados os 5 anos, ficará prescrita a obrigação.

CPC/2015 – Art. 98, § 3o Vencido o beneficiário, as obrigações decorrentes


de sua sucumbência ficarão sob condição suspensiva de exigibilidade e
somente poderão ser executadas se, nos 5 (cinco) anos subsequentes ao
trânsito em julgado da decisão que as certificou, o credor demonstrar que
deixou de existir a situação de insuficiência de recursos que justificou a
concessão de gratuidade, extinguindo-se, passado esse prazo, tais
obrigações do beneficiário.

11.12. RECURSO CABÍVEL

Contra a decisão que indeferir ou revogar, cabe agravo de instrumento. Salvo se a decisão
for proferida na sentença, hipótese que caberá apelação.

Art. 101. Contra a decisão que indeferir a gratuidade ou a que acolher pedido
de sua revogação caberá agravo de instrumento, exceto quando a questão
for resolvida na sentença, contra a qual caberá apelação.
§ 1o O recorrente estará dispensado do recolhimento de custas até decisão
do relator sobre a questão, preliminarmente ao julgamento do recurso.
§ 2o Confirmada a denegação ou a revogação da gratuidade, o relator ou o
órgão colegiado determinará ao recorrente o recolhimento das custas
processuais, no prazo de 5 (cinco) dias, sob pena de não conhecimento do
recurso.

Atenção! Não é necessário prévio preparo do recurso contra a decisão que indeferiu a justiça
gratuita (art. 101, §1º).

51
11.13. QUADRO COMPARATIVO

Lei 1.060/50 Novo CPC


Confusão conceitual entre gratuidade da Terminologia correta: gratuidade da justiça
justiça e assistência judiciária significa isenções de custas e despesas
processuais
Requerimento: previsão na petição inicial Requerimento: diversos momentos
processuais (inicial, contestação, réplica,
razões recursais etc.) – mudança que já
ocorria na prática
Impugnação: peça própria e atuação em Impugnação: em qualquer petição e
apartado processada nos autos principais
Indeferimento judicial de ofício e não previa a O juiz ainda pode indeferir de ofício, mas tem
oitiva da parte beneficiada antes que ouvir a parte contrária antes (na prática,
isso já se aplicava)
Recurso de apelação contra o Recursos cabíveis:
deferimento/indeferimento do benefício Decisão que concede a gratuidade – só
pode ser impugnada em sede de
APELAÇÃO.
Decisão que não concede a gratuidade –
AGRAVO DE INSTRUMENTO;
Decisão que revoga a gratuidade –
AGRAVO DE INSTRUMENTO;
Decisão que não revoga a gratuidade – só
pode ser impugnada em sede de
APELAÇÃO.
Poder ser apelação se a decisão do juiz for
na sentença final

52
Rol mais extenso de isenções: outros
exames, despesas de cartórios extrajudiciais
etc.
Há expressa previsão de concessão do
benefício quando a parte foi assistida por
advogado particular (concretização do que já
ocorre na prática)
Expressa previsão de concessão parcial do
benefício
Possibilidade de parcelamento das custas
em alguns casos
Presunção de hipossuficiência econômica só
vale para pessoas físicas

12. DEFENSORIA PÚBLICA NO SISTEMA INTERNACIONAL

12.1. RESOLUÇÃO 2656/11-OEA

Exercendo, o poder normativo que lhe corresponde, a Assembleia Geral da OEA, campo de
representação democrática dos Estamos Membros, aprovou em sessão plenária realizada em 07
de junho de 2011 a Resolução n. 2656, intitulada “Garantias de acesso à justiça: o papel dos
defensores públicos oficiais”.

Tal Resolução constitui importante passo na concretização do acesso à justiça no sistema


interamericano de proteção aos direitos humanos, eis que reconhece a importância da figura do
defensor público oficial para tal direito, e destaca, desde seu preâmbulo, a importância desse
acesso, como se verifica pelos seguintes trechos:

CONSIDERANDO que o acesso à justiça, como direito humano fundamental é,


também, o meio que possibilita restabelecer o exercício dos direitos que tenham
sido ignorados ou violados, e salienta, ao mesmo tempo, que o acesso à justiça não
se esgota com o ingresso das pessoas na instância judicial, mas que se estende ao
longo de todo o processo, o qual deve ser instruído segundo os princípios que
sustentam o Estado de Direito, como o julgamento justo, e se prolonga até a
execução da sentença;

AFIRMANDO TAMBÉM que os Estados membros têm a obrigação de respeitar e


garantir o exercício dos direitos reconhecidos nos tratados internacionais em que
são partes e em suas legislações internas, eliminando os obstáculos que afetem
ou limitem o acesso à defensoria pública, de maneira que se assegure o livre
e pleno acesso à justiça.

DESTACANDO o trabalho realizado pelos defensores públicos oficiais, em diversos


países do Hemisfério, na defesa dos direitos fundamentais dos indivíduos,
especificamente os serviços de assistência jurídica gratuita que possibilitam o fácil
e oportuno acesso de todas as pessoas à justiça, sobretudo daquelas que se
encontram em situação especial de vulnerabilidade;

53
TOMANDO NOTA com suma satisfação da implementação da figura do
“Defensor Público Interamericano” e do Acordo de Entendimento, firmado entre
a Corte Interamericana de Direitos Humanos e a Associação Interamericana de
Defensorias Públicas (AIDEF), para a designação oficiosa de um defensor público
e para buscar o direito de assistência gratuita a todas as supostas vítimas de
violações de direitos humanos, na tramitação dos casos contenciosos que o
requeiram,

A Resolução faz referência tanto ao PIDCP quanto a CADH, referindo que as duas preveem
a hipótese de o Estado garantir um defensor público aos acusados em processo penal, quando
estes não constituírem ou não tiverem condições financeiras de o fazerem.

O já citado documento internacional, cuja legitimidade repousa na representatividade e


competência normativa da Assembleia Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA),
reconhece os esforços dos Estados americanos que já implementaram suas respectivas
Defensorias Públicas e incentiva os membros que não o fizeram a fazê-lo, consagrando assim o
sistema público de assistência jurídica e demonstrando o desejo de que este seja um caractere
universal dentro do sistema de proteção aos direitos humanos interamericano, proporcionando
efetivo acesso à justiça àqueles em situação de vulnerabilidade.

Outro aspecto que vale ressaltar no texto da Resolução é o reconhecimento a figura do


defensor público interamericano, criada através de convênio com a Associação Interamericana de
Defensores Públicos (AIDEF), visando proporcionar dentro do sistema regional, perante os órgãos
internacionais da OEA, assistência jurídica gratuita às vítimas de violações de direitos humanos,
através de um defensor público, objetivando a adequada tutela destes interesses.

Ressalte-se que, até então, tal serviço era prestado por advogados particulares, numa
espécie de sistema pro bono, onde a aceitação de participação na demanda estava na maior parte
das vezes diretamente relacionada à exposição midiática que o caso pudesse trazer ao profissional,
já que na maioria dos casos as vítimas de graves violações a direitos humanos não possuem
recursos financeiros suficientes à contratação deste serviço. Resolve-se, assim, um problema típico
da relação de direito internacional, tendo em conta a valorização do indivíduo enquanto sujeito de
direito internacional e a possibilidade de postulação perante essa espécie de organismos.

Ou seja, agora não só a OEA exorta seus Estados membros a adotarem o sistema público
de assistência jurídica como ainda apoia, que o acesso a seus órgãos internos, como a Comissão
Interamericana de Direitos Humanos e a Corte Interamericana de Direitos Humanos, seja viabilizado
mediante a figura de um defensor público oficial, visando facilitar o acesso do cidadão necessitado
à justiça, interna e internacionalmente, almejando a mais completa e adequada tutela dos direitos
mais elementares do ser humano, que o acesso à justiça destina-se a instrumentalizar.

O Brasil possui um DP interamericano atuando na Corte. Abaixo notícia sobre o assunto:

Defensor Interamericano de Direitos Humanos, o mato-grossense Roberto Tadeu Vaz


Curvo conseguiu decisão favorável em caso inédito no país referente à família de
refugiados políticos do caso do ex-presidente peruano Alberto Fujimori. Escolhido entre
vários Defensores, Roberto e o Defensor Público paraguaio Gustavo Zapata Baez fizeram
um trabalho que agora passa a orientar todas as defesas da Corte Interamericana, bem
como demais Tribunais Nacionais sobre refugiados políticos.

A família peruana entrou na Bolívia de forma irregular, entretanto, logo em seguida se


apresentou a repartição de imigração para pedir asilo por ser refugiada. Mesmo assim,

54
contudo, acabou expulsa sumariamente, conforme explica trecho da sentença. Ao chegar
ao Peru, o casal e os três filhos, inclusive crianças, acabaram presos.

“Eles foram expulsos sem o devido processo legal, não tiveram direito a defesa, não foram
notificados e sequer puderam interpor recurso, devido ao tempo extremamente curto”,
explicou Roberto.

Após ser presa, a família foi julgada e absolvida e, então, denunciou o caso à Comissão
Interamericana de Direitos Humanos e como não houve entendimento entre as partes, o
caso foi encaminhado à Corte Interamericana e assumido pelos Defensores Roberto e
Gustavo.

Os argumentos apresentados por ambos foram acolhidos e o Peru condenado a pagar


indenização por danos materiais e imateriais, bem como a implementar programas de
capacitação permanente para os funcionários da Direção Nacional de Imigração, da
Comissão de Refugiados e qualquer outro que tenha contato com imigrantes ou pessoas
que pedem asilo.

A Justiça também ordenou a publicação do resumo oficial da sentença elaborado pela


Corte no Diário Oficial e em um veículo de comunicação de grande circulação, bem como
disponibilização da sentença na íntegra, por um ano, em um site oficial e ainda a reparação
de gastos do Fundo de Assistência Legal das vítimas da Corte Interamericana de Direitos
Humanos.

A família hoje reside no Chile, que inclusive, os acolheu como refugiados. No período em
que faziam a defensa do caso, Roberto e Gustavo chegaram a ir ao Chile e conversaram
com a família na sede da Defensoria Pública daquele país. A decisão saiu na segunda
quinzena de dezembro.

Abaixo os nove artigos que compõem a Resolução:

RESOLVE:

1. Afirmar que o acesso à justiça, como direito humano fundamental, é, ao mesmo tempo,
o meio que possibilita que se restabeleça o exercício dos direitos que tenham sido ignorados ou
violados.

2. Apoiar o trabalho que vêm desenvolvendo os defensores públicos oficiais dos Estados
do Hemisfério, que constitui um aspecto essencial para o fortalecimento do acesso à justiça e à
consolidação da democracia.

3. Afirmar a importância fundamental do serviço de assistência jurídica gratuita para a


promoção e a proteção do direito ao acesso à justiça de todas as pessoas, em especial daquelas
que se encontram em situação especial de vulnerabilidade.

4. Recomendar aos Estados membros que já disponham do serviço de assistência


jurídica gratuita que adotem medidas que garantam que os defensores públicos oficiais gozem
de independência e autonomia funcional.

5. Incentivar os Estados membros que ainda não disponham da instituição da defensoria


pública que considerem a possibilidade de criá-la em seus ordenamentos jurídicos.

6. Instar os Estados a que promovam oportunidades de cooperação internacional para o


intercâmbio de experiências e boas práticas na matéria.

55
7. Incentivar os Estados e os órgãos do Sistema Interamericano a que promovam a
celebração de convênios para a oferta de capacitação e formação dos defensores públicos oficiais.

8 Apoiar o trabalho da Associação Interamericana de Defensorias Públicas (AIDEF), no


fortalecimento da defesa pública nos Estados membros.

9. Solicitar ao Conselho Permanente que informe o Quadragésimo Segundo Período


Ordinário de Sessões da Assembleia Geral sobre a implementação desta resolução, cuja execução
estará sujeita à disponibilidade de recursos financeiros no orçamento-programa da
Organização e de outros recursos.

12.2. RESOLUÇÃO 2714/12 DA OEA

Trata da Defensoria Pública Oficial como garantia de acesso à justiça e das pessoas em
condições de vulnerabilidade.

Foi aprovada na 2ª Seção Plenária, celebrada em 04 de junho de 2012.

Reafirma a necessidade de que todos os estados membros assegurem o livre e pleno


acesso à Justiça. Também destacou a importância da implementação de iniciativas para garantir a
independência e autonomia funcional da Defensoria Pública. A OEA cobrará, a partir de agora, mais
empenho dos países membros no cumprimento, inclusive, da resolução anterior (2.656/11) que
também abordava a questão da independência e autonomia da Defensoria Pública: sem
independência e autonomia os interesses e direitos das pessoas em condição de vulnerabilidade
não podem ser eficazmente enfrentados, entende a entidade.

Entre os compromissos assumidos pela Organização também está o de acompanhar de


perto a adoção das determinações da resolução pelos países do continente americano e a
elaboração de uma compilação de boas práticas sobre o acesso à Justiça e à Defensoria Pública.

O único artigo diferente é o 10, os demais estão presentes na Resolução 2613/11 e


2801/2013

RESOLVE

10. PARABENIZAR a iniciativa do V Congresso da Associação Americana de Defensorias


Públicas, nos dias 15, 16 e 17 de agosto do ano de 2012, realizado na cidade de Fortaleza, em que
os especialistas internacionais e nacionais falarão sobre o papel da DP na proteção e promoção
dos direitos humanos, dando um tratamento especial para a os avanços e desafios da região na
implementação das disposições da Resolução 2656/11, que trata das "Garantias para o acesso à
justiça. O papel dos defensores públicos oficiais”

12.3. RESOLUÇÃO 2801/13 DA OEA

A Resolução trata do fortalecimento da Defensoria Pública no continente.

Junto com as Resoluções 2696/11 e 2714/12, é o terceiro documento internacional consagra


a Defensoria como a Instituição capaz de promover o efetivo acesso à justiça, direito fundamental.

Entre as principais diretrizes da Resolução, estão: a obrigação de respeitar e garantir o


exercício dos direitos reconhecidos nos tratados internacionais de que fazem parte e as leis
56
nacionais, removendo os obstáculos que afetam ou limitam o acesso à Defensoria Pública para
garantir o livre e pleno acesso à justiça; o incentivo aos Estados que ainda não possuem a Instituição
de defesa pública; a defesa de independência e autonomia funcional dos Defensores Públicos; a
promoção de oportunidades de cooperação internacional para o intercâmbio de experiências e boas
práticas nesta área; a realização de uma segunda sessão especial da Comissão de Assuntos
Jurídicos e Políticos da OEA sobre a troca de boas práticas e experiências geradas a partir da
implementação das resoluções AG / RES 2656 (XLI-O/11 ) e AG / RES. 2714 (XLII-O/12) no primeiro
trimestre de 2014, com a presença dos Estados-Membros e as suas respectivas agências oficiais
de assistência jurídica, de membros da AIDEF, de especialistas, da sociedade civil e de
organizações internacionais; entre outros.

Mais uma vez, ressalta que o acesso à justiça não acaba com a entrada do processo no
Poder Judiciário, mas se estende ao longo do processo.

RESOLVE:

1. AFIRMAR que o acesso à justiça é tanto um direito fundamental, bem como um meio
para assegurar os direitos que foram desrespeitados ou que são desconhecidos;
2. APOIAR o trabalho que os Defensores Públicos estão realizando no Hemisférico, que é
essencial para o fortalecimento do acesso à justiça e para consolidação da democracia.
3. AFIRMAR a importância da prestação de serviço de assistência judiciária gratuita pelos
DP oficiais, que significa a promoção e a proteção do direito de acesso à justiça,
principalmente às pessoas que se encontram em situações especiais de vulnerabilidade,
em todas as fases do processo;
4. REITERAR aos Estados que já possuem o serviço de assistência jurídica gratuita
prestada pela DP, que tomem providencias para garantir aos Defensores Públicos
oficiais a plena autonomia funcional, financeira, orçamental e técnica;
5. DESTACAR, Apesar da diversidade dos sistemas jurídicos de cada país, a importância
da independência funcional, da autonomia financeira, da defesa do funcionário público
como parte dos esforços dos Estados-Membros, para assegurar um serviço público
eficiente, livre de interferência indevida e de controles obrigatórios, por outros ramos do
governo, que podem afetar sua autonomia funcional e os interesses de seus assistidos;
6. INCENTIVAR os Estados que não possuem Defensoria Pública, a cria-las em seu
ordenamento jurídico;
7. INCENTIVAR, quando necessário, que os Estados promovam a participação dos
Defensores Públicos no sistema interamericano de direitos humanos, a fim de que o
direito de defesa técnica seja exercido e garantido, desde a primeira atuação no
processo, dirigida contra uma pessoa em nível nacional, até quando da emissão de uma
sentença por parte da Corte Interamericana.
8. INSTAR os Estados a promover oportunidades de cooperação internacional, para o
intercâmbio de experiência e boas práticas na matéria.
9. INCENTIVAR os Estados e os órgãos do sistema interamericano a celebrar convênios
para a realização de capacitação e formação dos defensores públicos oficiais.
10. SOLICITAR, ao conselho permanente, a realização de uma segunda seção especial pela
Comissão de Assuntos Jurídicos e Políticos da OEA, sobre o intercâmbio de
experiências e boas práticas geradas a partir da implementação das Resoluções 2696/11
e 2714/12, no primeiro trimestre de 2014, com a presença dos Estados e suas
instituições públicas oficiais de assistência jurídica gratuita, de integrantes da Associação
Interamericana de Defensorias Públicas, especialistas do setor acadêmico e da
sociedade civil, assim como outras organizações internacionais.

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11. INCENTIVAR que o Departamento de Direito Internacional da Secretaria de Assuntos
Jurídicos elabore uma compilação de boas práticas e acesso à justiça da defesa pública
na região, em complemento ao art. 6ª da Resolução 2696/11 e ao art. 9º da Resolução
2714/12, com as recomendações que considere adequadas no processo gradual de
implementação da defesa pública autônoma e independente no continente.
12. SOLICITAR ao Conselho Permanente que informe a Assembleia Geral, em sua
quadragésima quarta sessão, sobre o cumprimento desta resolução, que estará sujeita
à disponibilidade de recursos financeiros no orçamento-programa da Organização e
outros recursos.

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