Você está na página 1de 43

PROGRAMA DARCY RIBEIRO

UNIVERSIDADE ESTADUAL DO MARANHÃO – UEMA


CENTRO DE ESTUDOS SUPERIORES DE BARRA DO CORDA – CESBAC
CURSO DE LICENCIATURA PLENA EM LETRAS

JANES ANDRADE DA SILVA

A IMPORTÂNCIA DO CONHECIMENTO DA GRAMÁTICA NO CONTEXTO


ESCOLAR E SOCIAL

Barra do Corda – MA
2014
JANES ANDRADE DA SILVA

A IMPORTÂNCIA DO CONHECIMENTO DA GRAMÁTICA NO CONTEXTO


ESCOLAR E SOCIAL

Monografia apresentada ao Curso de Licenciatura


em Letras do programa Darcy Ribeiro da
Universidade Estadual do Maranhão - UEMA, como
parte do requisito para obtenção do título de
Licenciatura em Letras com Habilitação em Língua
Portuguesa, Língua Inglesa e Literaturas.

Orientadora: Profª. Esp. Elane da Silva Plácido.

Barra do Corda – MA
2014
JANES ANDRADE DA SILVA

A IMPORTÂNCIA DO CONHECIMENTO DA GRAMÁTICA NO CONTEXTO


ESCOLAR E SOCIAL

Monografia apresentada ao Curso de Licenciatura


em Letras do programa Darcy Ribeiro da
Universidade Estadual do Maranhão - UEMA, como
parte do requisito para obtenção do título de
Licenciatura em Letras com Habilitação em Língua
Portuguesa, Língua Inglesa e Literaturas.

Orientadora: Profª. Esp. Elane da Silva Plácido.

Data: ____/____/_______
Nota: ________________

________________________________________
Profª. Esp. Elane da Silva Plácido (Orientadora)
Esp. Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa e Literaturas
Universidade Estadual do Maranhão - UEMA

________________________________________
2º EXAMINADOR (A)

________________________________________
3º EXAMINADOR (A)
AGRADECIMENTOS

Agradeço à minha família, que fez de meus objetivos sua própria luta.

Aos meus amigos (a) por compartilharem momentos tão importantes da minha vida e
compreenderem meus dias de ausência.

Aos professores que durante todos esses anos me passaram conhecimento, em especial a
minha orientadora Elane da Silva Plácido, por ter estado sempre disponível a me ajudar.

Aos meus companheiros (a) de sala de aula, que tornaram meus dias na faculdade mais
agradáveis. E agradeço a Deus, pois os conhecimentos adquiridos e desafios superados só
foram possíveis porque Ele esteve sempre comigo.
“Dedique à disciplina o seu coração, e os seus
ouvidos às palavras que dão conhecimento.”

(Provérbios 23: 12)


RESUMO

A presente pesquisa busca mostrar que o estudo de gramática é importante para o contexto
escolar e social, afim de que haja facilidade no uso da linguagem em todas as situações de
comunicação com segurança, podendo exercer diversas funções no meio social, não sofrendo
consequências negativas. Explorando a importância do conhecimento da gramática;
descrevendo consequências de não saber gramática e explicando os tipos de gramática
normativa, descritiva e internalizada. Tentando responder a seguinte indagação: Por que o
conhecimento da gramática é importante no contexto escolar e social? Para responder a
problemática foram realizados estudos em teses, dissertações, artigos, livros, buscando
explorar a importância do conhecimento da gramática para o contexto escolar e social e
examinar o uso de gramática nas diferentes situações de interação comunicativa. Notáveis
autores foram examinados com atenção, entre eles estão, Possanti (1996), Neves (2011),
Travaglia (2009) e Bagno (1999). A pesquisa realizada foi do tipo bibliográfica, com a qual
se observou que a gramática é vista como um conjunto de regras a serem seguidas pelo
homem as quais o ensino ainda incomoda os alunos e, estes já iniciam a escola com um
conhecimento de gramática que precisa ser valorizado e ampliado pela escola. Este
conhecimento mostra o grupo social que o indivíduo pertence, sua cultura, seu status social, o
qual tem sido alvo de discriminação social. Porém, a escola tem sido um dos principais
facilitadores para a compreensão e desenvolvimento da gramática, mas a família e o meio
social também têm suas contribuições, pois é no meio familiar e social que o homem inicia a
aquisição da gramática. Foi possível concluir que não existe possibilidade de alguém falar ou
escrever sem usar as regras da gramática, porém é preciso ter um bom conhecimento de
gramática no contexto escolar e social para estar de acordo com as exigências da nossa
sociedade e não se limitar a pequenas contribuições, e participação no meio social.

Palavras-chave: Aluno; Estudo; Sociedade.


ABSTRACT

This research presented here has the objective to show how the study of grammar is important
to the school and social context, aiming to favor the use of language on any condition of
communication with self-confidence, so it is possible to perform different functions at the
social context and not suffering negative consequences. And as specific objectives: to explore
the relevance of grammatical knowledge; to describe the consequences of grammar ignorance
and to explain the types of grammar: normative, descriptive and internalized. The main
problematic is the following question: why is the grammar knowledge important at the social
and school context? To respond the problematic, studies based on thesis, dissertations, articles
and books have been made, trying to explore the importance of grammar knowledge to the
social and school context and verify the use of grammar at different conditions of
communicative interaction. Notable authors as Possanti (1996), Neves (2011), Travaglia
(2009) e Bagno (1999) were checked carefully. This paper is a bibliographic research, which
has helped to see that grammar is seen as a rule set that must be obeyed by men, which still
bothers the students, who have been inserted in school with a grammar knowledge that must
be valued and magnified by the school. This knowledge shows what social group, culture and
social status someone belongs to, and, as result, a target of social discrimination. But school
has been one of the main facilitators for the understanding and development of grammar, and
the family, such as the social environment has also shown some participation, because the
man initiates his grammar acquisition at the family environment. It was concluded that it’s no
possible that somebody speaks or writes without using rules of grammar, but it needs to have
a certain knowledge of grammar at the school and social context to comply with the
exigencies of our society, not limiting to a few contributions, also having participation at the
social environment.

Keywords: Pupil; Study; Society.


SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 08
2 A GRAMÁTICA: diferentes concepções .............................................................................. 10
2.1 Os tipos de gramática ........................................................................................................... 12
2.1.1 Gramática normativa ......................................................................................................... 12
2.1.2 Gramática descritiva .......................................................................................................... 14
2.1.3 Gramática Internalizada ou Implícita ................................................................................ 15
3 A GRAMÁTICA SEGUNDO OS PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS .. 17
3.1 Aprendendo as regras: o desenvolvimento da gramática ..................................................... 19
3.2 O professor de língua portuguesa e o ensino da gramática .................................................. 21
4 CONHECIMENTO DA GRAMÁTICA NO CONTEXTO ESCOLAR E SOCIAL ...... 27
4.1 O ensino da gramática no contexto escolar .......................................................................... 27
4.2 A contribuição da família e do meio social para a aquisição da gramática .......................... 32
4.3 A Importância do conhecimento da gramática ..................................................................... 35
4.4 Consequências de não conhecer a gramática ........................................................................ 36
5 CONSIDERAÇÕESFINAIS ................................................................................................. 39
REFERÊNCIAS
8

1 INTRODUÇÃO

Atualmente a gramática ainda é um conteúdo que muitas pessoas não gostam e


também é de difícil compreensão para muitos. Consequentemente há insegurança em assuntos
gramaticais. O sentimento de recusa por parte dos alunos e o aumento da dificuldade pela
maioria quanto à gramática são problemas que persistem durante anos. Contudo, sabe-se que
o estudo da gramática e a compreensão das regras gramaticais são importantes, pois a mesma
não só contribui para o domínio da norma padrão, mas também facilita o uso da linguagem de
acordo com as exigências das diversas interações sociais, atraindo de forma significativa
benefícios para uma boa vida profissional.
Certamente, o indivíduo que tem um bom conhecimento de gramatica normativa tem
seu vocabulário amplo e não está limitado a exercer apenas tarefas básicas no meio social. No
entanto, há uma grande maioria que tem baixo conhecimento de gramática e estão sofrendo
muitas consequências, como preconceito linguístico, limitação nas oportunidades de emprego,
entre outras. No entanto, as escolas estão preocupando-se com este conteúdo e priorizando o
ensino do mesmo, logo, é na escola que há a organização do conhecimento da gramática que
foi e está sendo construído socialmente.
O ensino de gramática normativa no contexto escolar é importante, pois possibilita ao
homem desenvolver melhor a assimilação linguística, facilitar o uso da linguagem, enriquecer
seu vocabulário e exercer no meio social diversas funções, além de outros benefícios. Já a
assimilação da gramática internalizada é indispensável, visto que a comunicação no meio
familiar, a cultura de um grupo social e a identidade de um povo estão presentes na aquisição
desta gramática. Não podendo esquecer da gramática descritiva que possibilita ao homem
estudar o conjunto das estruturas pelo qual uma língua exerce sua função em um determinado
momento pelos seus falantes.
Sabe-se que atualmente existem pessoas sofrendo sérias consequências por não
conhecê-las; por não ter conhecimento de uma delas, principalmente por não saber a
gramática normativa, e é por isso que se trabalha o tema: A importância do conhecimento da
gramática no contexto escolar e social. Tendo como problema de pesquisa bibliográfica: Por
que o conhecimento da gramática é importante no contexto escolar e social?
O objetivo é mostrar que o estudo de gramática é importante para o contexto escolar e
social, a fim de que haja facilidade no uso da linguagem em todas as situações de
comunicação com segurança, podendo exercer diversas funções no meio social e não sofrendo
consequências negativas.
9

Por meio dos estudos produzidos nesta pesquisa sobre o tema explorou-se a
importância do conhecimento da gramática nos diversos meios informativos publicados e as
consequências que as pessoas sofrem por não conhecê-la. Também buscou-se informações
sobre a gramática normativa, descritiva e internalizada, almejando explicar cada uma delas de
forma compreensiva, além de examinar as contribuições que a família e o meio social
costumam favorecer para a aquisição da gramática.
Por fim, observou-se cuidadosamente as informações encontradas que contribuíram
para a formação do trabalho e possibilitaram as conclusões e as recomendações finais. Os
resultados obtidos foram apresentados de forma descritiva, adotando como fonte de
referências para o levantamento bibliográfico: livros, periódicos, dissertações, artigos e outros
informativos.
10

2 A GRAMÁTICA: diferentes concepções

A concepção de gramática é diversificada, porque os gramáticos, linguísticos, alunos e


a sociedade, cada um de certa forma veem a gramática de forma diferente. Mas muitas
pessoas, principalmente os alunos a conceituam como um conjunto de regras difíceis de
aprender, além de muito cansativa. Vários alunos não querem nem mesmo ouvir falar na
disciplina de gramática, o que torna a assimilação de tal conteúdo ainda mais complicado.
Há vários anos, nota-se que os alunos enfrentam dificuldades em aprender sobre a
gramática e estas dificuldades persistem em nosso dia a dia atualmente, sendo que ainda em
várias escolas o ensino é desenvolvido com a ausência de dinâmica e criatividade, tornando o
ensino cansativo, sem atração alguma, apenas mais uma obrigação de decorar uma porção de
definições com pouco entendimento.

Acontece que a noção de gramática é controvertida: nem todos os que se dedicam ao


estudo desse aspecto das línguas a definem da mesma maneira. No que segue,
proponho que se aceite, para efeito de argumentação, que a palavra gramática
significa “conjunto de regras”. Não é uma definição muito precisa, mas não é
equivocada. Serve bem como guarda-chuva. Mas, acrescente-se logo que a
expressão “conjunto de regras” também pode ser entendida de várias maneiras.
(POSSENTI, 1996, p. 63).

Certamente existem vários fatores que sustentam a controvérsia sobre a noção de


gramática, e apesar do estudo sobre esta ser algo bastante exercido, os propósitos a serem
alcançados também não são os mesmos, pois alguns estudam por ser mais uma disciplina
exigida na escola, outros por necessidade de falar a forma culta e serem visto de maneira
diferente pela sociedade, outros porque querem falar bonito e assim por diante. Cada um
segue na busca de suas finalidades, porém independente do que almeja o ser humano a
gramática internalizada está presente no dia a dia de todo homem.
Para Clairis (1999 apud NEVES, 2011, p.153), qualquer indivíduo, se perguntado, terá
algo a dizer sobre o que entende por gramática, Trata-se, pois, de elemento da cultura geral,
um produto que diz respeito a um público vasto. E se pararmos para ouvir o que alguns
indivíduos têm a dizer sobre gramática, poderemos nos surpreender, afinal mesmo ela sendo
usado por todos é algo que ainda desperta certo receio nos indivíduos, visto que muitos
entendem por gramática, apenas como um simples meio de correção na escrita e na fala do
indivíduo.
No entanto, é possível ir além deste entendimento de gramática, pois ela também é
vista como um mero conjunto de regras a serem seguidas que incomoda e causa revolta até os
11

dias atuais em uma grande parte dos estudantes, enquanto que na vida de outras pessoas,
fazem parte da busca do homem como algo necessário de ser conhecido e utilizado, mas é
importante ressaltar que este conjunto de regras não se limita apenas em serem seguidas.
Segundo Possenti (1996, p. 63) a expressão “o conjunto de regras” pode ser entendida
como: conjunto de regras que devem ser seguidas; conjunto de regras que são seguidas; ou
conjunto de regras que o falante da língua domina. Então tanto o conjunto de regras que
devem ser seguidos quanto o conjunto de regras que são seguidas, estão relacionadas ao modo
em que um determinado grupo social atua oralmente.
Logo, deste grupo fazem parte, consequentemente, os membros de uma comunidade, e
nela existe uma série de fatores comum entre eles, sendo que as regras são necessárias para
manter a organização das expressões que são utilizadas por eles no que se refere à fala. É por
meio da fala que se conhece o grupo social no qual o indivíduo está inserido.
No entanto, apenas porque há a presença destas regras em determinado grupo social
não significa que não há a presença de erros gramaticais segundo os padrões exigidos pela
sociedade, mas sim que há entendimento entre ambos. Quando há entendimento, há também o
desenvolvimento de uma conversa e, consequentemente, a existência de comunicação entre
eles o que possibilita a interação com outros grupos sociais.
Para Travaglia (2009, p.24), A gramática é concebida como um manual com regras de
bom uso da língua a serem seguidas por aqueles que querem se expressar adequadamente. O
mundo está cheio de pessoas que querem ser bem vistas pela sociedade, que, aliás, querem ser
aceitos pela sociedade, e no que se trata da gramática, logo vem uma sequência de regras e
exigências do que se diz falar certo e tudo aquilo que está fora do padrão é considerado
“errado”. Isto é o que chamamos de norma culta.
Por meio do uso da norma culta, o indivíduo inclui em sua oralidade e também na
escrita elegância e uma expressividade de harmonia, mas a mesma medida que inclui tais
critérios exclui tudo o que soa como feio e errado como: cacofonia e o pleonasmo vicioso. Ou
seja, na norma culta existe um padrão a ser seguido e poucas pessoas sentem-se animados
para buscar conhecimento adequado e desenvolvê-la, entretanto sabe-se que em várias
situações do nosso cotidiano é necessário o uso da norma culta.
Alguns grupos sociais, principalmente os classificados pela própria sociedade como os
de baixa renda e de pouca escolaridade, usam a linguagem de forma diferente da norma culta.
Tanto na escrita quanto na oralidade utilizam as palavras de forma que soam estridentes para
alguns e, muitas vezes, até mesmo engraçado, o que possibilita aguçar o preconceito
linguístico.
12

Palavras como “fumu” ao invés de fomos; “muié” ao invés de mulher; “trabaio” ao


invés de trabalho são usadas frequentemente pelo povo de uma mesma sociedade, porém em
oposição às que utilizam a norma culta, ocasionando uma desigualdade no meio social devido
quase sempre à diferença econômica, política ou cultural. Entretanto, sabe se que a maior
preocupação que se deve ter, relacionado ao uso da gramática, é se houve comunicação, ou
seja, facilitar a comunicação.
Afinal, o saber gramática não envolve somente o que é ensinado na escola, mas faz
parte de um aprendizado progressivo que exige do homem participação ativa em diversos
situações de comunicação. Por isso o ser humano deve se adequar ao exigido pela situação de
interação em que o falante esteja inserido àquele momento, para que, assim busque facilitar a
comunicação com diferentes grupos sociais.

2.1 Os tipos de gramática

Através da gramática, o homem busca estabelecer padrões tanto na escrita quanto na


fala, para que os falantes de uma determinada língua mantenham preservados a sua essência,
aquilo que realmente pertence a ela. Entretanto sabe-se que a língua geralmente se modifica
com o passar do tempo, palavras novas surgem e outras deixam de ser usadas pelas pessoas e
rapidamente são substituídas por outras. Bofé foi uma palavra bastante usada antigamente, era
um advérbio, e a utilizavam quando queriam dizer: em verdade, francamente, já hoje,
praticamente nem se ouve falar nesta palavra.
Logo, há diferentes objetivos a serem alcançados com uso da gramática. Decerto há
diferentes tipos de gramática e todas elas têm seu valor para a sociedade. O emprego de
qualquer uma possibilita a competência comunicativa, desde que a mesma esteja sendo
aplicada de acordo com a situação proposta no ato da interação. É necessário ter consciência
de que a observação de cada uma delas nos levará a situações diversas, mas é considerável
ressaltarmos que todas elas são importantes para a vida do ser humano como ser social.
É possível notar atualmente a existência de três tipos de gramática que serão
apresentadas a seguir:
• Gramática Normativa;
• Gramática Descritiva;
• Gramática Internalizada ou implícita.
13

2.1.1 Gramática normativa

As crianças antes mesmo de iniciar na escola já são capazes de se comunicar fazendo


o uso da língua de acordo com o adquirido no decorrer dos poucos anos de vida que têm.
Certamente, o falar é obtido de forma natural, não há necessidade de sujeitá-las às regras e
termos técnicos dos quais fazem parte a gramática normativa. Entretanto os falantes de maior
prestígio utilizam a gramática normativa visando falar e escrever bem, o que para a maioria
soa como falar e escrever correto.

[...] a gramática normativa apresenta e dita normas de bem falar e escrever, normas
para a correta utilização oral e escrita do idioma, prescreve o que se deve e o que
não se deve usar na língua. Essa gramática considera apenas uma variedade da
língua como sendo a língua verdadeira. (TRAVAGLIA, 2009, p.30-31).

A gramática normativa é um manual de regras usado por aqueles que querem se


expressar de maneira excelente, por meio dela o homem tem acesso às regras do falar e do
escrever conforme a norma presente no ideal que exprime o sentido correto. É a gramática
normalmente usada pelas pessoas de classes sociais com mais prestígio econômico e politico,
e pelos que têm um conhecimento mais ampliado quanto à língua portuguesa como os
palestrantes, professores, mestres e doutores.
É um dos principais conteúdos mais trabalhados pelo professor de língua portuguesa
em sala de aula. Afinal, ela é adotada nos livros didáticos de toda escola, estando presente em
todas as séries do Ensino da Educação Básica, e usada também com frequência por autores
renomados em suas obras. No entanto é preciso ter cuidado quanto ao seu ensino, pois pode
levar ao aluno ter comportamentos e atitudes que não se deve admitir.

[...] os manuais de gramática normativa contêm normas de bom uso da língua, para
falar e escrever bem, entendido o bom uso aqui mais em sentido de utilizar a língua
apenas em sua variedade culta, padrão. Os critérios de bom uso no sentido de
adequação à situação de interação comunicativa não são muito levados em conta.
Tais normas são baseadas no uso consagrado pelos bons escritores, e portanto
ignoram as características próprias da língua oral. (TRAVAGLIA, 2009, p. 226)

Este ensino é bastante polêmico e discutido por linguistas, pois o seu aprendizado
pode levar o homem a não dar valor a outras variedades da língua, desenvolvendo o
preconceito linguístico, ignorando até mesmo a fala de pessoas que não usam e também não
conhecem a norma padrão. Contudo o cuidado deve ser tido na realização do ensino, pois a
14

norma padrão tem sua necessidade de uso, porém a questão é saber qual forma de fala usar,
pois em algumas situações o ouvinte pode não compreender a língua empregada.
De qualquer maneira, entende-se que quanto aos fatores sociais, culturais e históricos
aos quais o indivíduo está submetido consequentemente por ser falante da língua, a gramática
normativa desconsidera tudo aquilo que está fora do manual de regras da norma padrão a ser
seguido. Desta forma mostra-se o que está fora como errado e o que está de acordo com a
norma como correto, esta análise e também aprendizado é possível por intermédio dos estudos
da: Fonologia, Morfologia e Sintaxe.
Através do estudo da fonologia, pode-se descrever e classificar os sons produzidos e
usados na fala, compreendendo e empregando corretamente a pronúncia das palavras. Quanto
à Morfologia, o indivíduo, por meio dela, estuda a estrutura e classes das palavras procurando
conhecer a forma dos vocábulos e classes gramaticais. Entretanto por intermédio da sintaxe
compreende-se a relação que uma palavra tem com outras na construção de frases, de uma
oração ou até mesmo um período.
Então apesar desta gramática ser bastante discutida quanto ao seu uso, ensino e
aprendizado, entende-se que para que o homem enriqueça seu vocabulário, tenha uma
pronuncia compreensiva e aceita no mercado de trabalho, adquira mais oportunidades de
emprego, precisa saber dela. Para isto é necessário ir além do que é ensinado na escola, é
preciso muita leitura, estudos frequentes, e estar sempre atualizado quanto às adaptações da
língua portuguesa.

2.1.2 Gramática descritiva

A gramática descritiva também conhecida como gramática sincrônica por está


relacionada aos fatos que aconteceram ao mesmo tempo. Por intermédio dela, estuda-se o
conjunto das estruturas pelo qual uma língua exerce sua função em um determinado momento
pelos seus falantes. Esta gramática faz descrição das regras da língua falada às quais não
dependem do que a gramática normativa apresenta como certa, visto que explica a língua
exatamente como ela é falada pelos seus falantes.

[...] o gramático descritivista não está preocupado em apontar erros, mas pode ir
além da constatação de que essas formas existem, verificando, por exemplo, que elas
são utilizadas por pessoas de diferentes grupos sociais ou, eventualmente, pelas
mesmas pessoas em situações diferentes; (POSSENTI, 1996, p. 67).
15

A gramática descritiva não pretende mostrar erros no falar ou no escrever, mas


identificar qualquer maneira de expressão que existe e examinar por quais indivíduos são
produzidos. Nesse caso nota-se que diversas expressões são utilizadas por grupos sociais
variados, isto possibilita conhecer a maneira de falar de diferentes grupos sociais, contudo é
necessário que cada fala seja respeitada e valorizada, pois nem sempre uma expressão soa
como agradável aos ouvidos dos que conhecem e utilizam a norma culta.
De acordo com Bagno (1999, p.09) temos de fazer um grande esforço para não
incorrer no erro milenar dos gramáticos tradicionalistas de estudar a língua como uma coisa
morta, sem levar em consideração as pessoas vivas que a falam. Então, através da gramática
descritiva é possível ter a descrição e conhecimento de diferentes variedades da língua e seus
grupos sociais. Afinal, só existe língua se houver pessoas que a fale, e a essas pessoas deve
ser dada grande importância, a fim de que sua cultura, modo de viver e suas características
próprias que as distinguem de outros sejam conhecidas e preservadas.

2.1.3 Gramática internalizada ou implícita

Antes de a criança frequentar a escola já tem conhecimento sobre esta gramática, e em


alguns meses de vida já consegue usá-la, porém é importante que o indivíduo esteja inserido
no meio social e tenha contínua interação comunicativa. Para Travaglia (2005, p.28) a
Gramática internalizada ou implícita: “corresponde ao saber linguístico que o falante de uma
língua desenvolve dentro de certos limites impostos pela a sua própria dotação genética
humana, em condições apropriadas de natureza social e antropológica”.
A própria dotação genética humana vai impor limites ao desenvolvimento do saber
desta gramática de acordo com as condições oferecidas no meio social que o sujeito esteja
inserido. Certo de que se o indivíduo estiver inserido em um ambiente onde lhe favoreça
pouca interação comunicativa, logo a assimilação para este desenvolvimento não será de boa
qualidade, pois para que este saber aconteça com qualidade diversos fatores contribuem, entre
eles estão à participação principalmente da família.
Segundo Possenti (1996, p. 69) esta gramática é conjunto de regras que o falante
domina – refere-se a hipóteses sobre os conhecimentos que habilitam o falante a produzir
frases ou sequências de palavras de maneira tal que essas frases e sequências são
compreensíveis e reconhecidas como pertencendo a uma língua. O individuo a adquire de
acordo com o grupo social que ele faz parte e a usa segundo as exigências de situações de
16

interação que lhes são propostas naquele meio social, sendo que o mesmo levará consigo as
características da língua daquele grupo.
O ser humano, quando nasce, precisa deste conhecimento que o habilita a comunicar-
se no meio em que ele vive, sendo que ele passa a dominar as regras da língua presente
naquele grupo. Isto faz parte de um processo também, pois com a convivência e a interação
comunicativa, ele vai assimilando gradativamente e, em seguida, passa a produzir palavras,
frases em sequências que pertencem àquela língua de forma compreensiva e que o caracteriza
ser um integrante daquele meio social.
Para Cagliari, (2009, p.70) através do modo de falar de cada um, revela-se o status
social dos indivíduos e grupos sociais, ficando definido o lugar de cada um na sociedade. É
com o uso desta gramática que o individuo mostra a que grupo social pertence, estando
consigo a sua identidade como integrante de uma comunidade ou grupo social, permitindo-lhe
enquanto ser social e comunicativo mostrar a sua história, a sua identidade a sua cultura.
Entretanto, o aluno, ao iniciar na escola, precisa ter consciência do saber da gramática
internalizada que ele já conhece e é útil para sua comunicação, pois a partir desta gramática
seu conhecimento poderá ser ampliado. Visto que, quando chegam à escola são levados
muitas vezes a entender que o que já sabem da gramática é errado e precisam desaprender a
língua para aprender o certo.

Além de ser anacrônica como teoria linguística, a gramática tradicional também se


constitui com base em preconceitos sociais que revelam o tipo de sociedade em que
ela surgiu – preconceitos que vêm sendo sistematicamente denunciados e
combatidos desde o da era moderna e mais enfaticamente nos últimos cem anos.
Não causa nenhum espanto que esses preconceitos estejam embutidos num aparato
intelectual surgido no século III a.C. – o espantoso é que existam pessoas que
queiram usar esse aparatos em submetê-lo a currículo, numa sociedade como a
brasileira do século XXI, como se estivéssemos vivendo na Alexandria do Egito sob
o reinado dos Ptolomeus! (BAGNO, 2007, p. 62)

Infelizmente a sociedade ainda está cheia de preconceito, e a gramática internalizada é


o alvo de uma série de preconceitos sociais, sendo que a gramática tradicional conhecida hoje
como normativa quando empregada sem objetivo, leva o homem a desvalorizar o
conhecimento já adquirido. Já as línguas adquiridas na gramática internalizadas passam a são
vista muitas vezes pela sociedade como língua sem prestigio.
No entanto, o conhecimento desta gramática é importante e precisa ser valorizada. É
por meio do estudo dela que a gramática descritiva descreve e pode conhecer a diversidade de
regras internalizadas e dominada por diferentes povos presentes no Brasil com o uso da língua
portuguesa.
17

3 A GRAMÁTICA SEGUNDO OS PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS

Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) funcionam como um guia prático que


deve ser utilizado por todos os profissionais da Educação brasileira. Tem-se como objetivo
fixar uma integração social, ou seja, tornar acessível a qualquer individuo os contextos sócias
com referencias conforme as regras estabelecidas de forma geral, para que assim o nível de
harmonia entre o ser humano seja melhor, isto para que todos sigam o mesmo padrão e
normas gerais.
No entanto, é do nosso conhecimento que o Brasil tem uma grande diversidade
cultural no que se refere às diferentes regiões brasileiras e seus aspectos culturais. Apesar de
todos falarem o Português, cada região tem suas características próprias no falar, por isso é
necessário que haja uma relação entre todos os profissionais da Educação, e esta relação é
possível por meio dos PCNs, tornando viável o estudo da gramática com um modelo a ser
seguido em todo o Brasil.
Mas é importante ressaltar que não é algo que acontece com facilidade, o processo é
árduo e nem sempre pode acontecer de maneira satisfatória em todas as regiões. Há um
modelo a ser seguido, mas seus resultados dependem da participação de todos os envolvidos,
inclusive do Estado. Este é quem determina a relação e a prática entre os profissionais da
educação, estando certo de que a elaboração de um currículo para atender a adversidade
cultural é complexa e nem sempre é possível atingir os objetivos dos PCNs em todas as
regiões.
Segundo Brasil, (2000, p.89) é no interior da situação de texto, enquanto o escritor
monitora a própria escrita para assegurar sua adequação, coerência, coesão e correção, que
ganham utilidade os conhecimentos sobre os aspectos gramaticais. Nesse caso entende-se que
é na produção de textos que o sujeito adquire vantagem no saber relacionados aos assuntos
gramaticais e com momentos oportunos para aprimorar e adequar seus conhecimentos na
prática.

Saber o que é substantivo, adjetivo, verbo, artigo, preposição, sujeito, predicado, etc.
não significa ser capaz de construir bons textos, empregando bem esses
conhecimentos. Quando se enfatiza a importância das atividades de revisão é por
esta razão: trata-se de uma oportunidade privilegiada de ensinar o aluno a utilizar os
conhecimentos que possui, ao mesmo tempo que é fonte de conteúdos a serem
trabalhados. Isso porque os aspectos gramaticais – e outros discursivos como a
pontuação – devem ser selecionados a partir dos das produções escritas dos alunos.
(BRASIL, 2000, p.90).
18

Logo no ato de produzir o texto, o aluno usa sua experiência gramatical para dar
sentido ao conjunto de palavras empregadas por ele. Porém, nem sempre tal experiência é o
suficiente para a construção de bons textos, o que exige dele dedicação e muita prática,
acompanhada de uma boa orientação. O mesmo revisará vários conteúdos e aprenderá outros,
buscando sempre adequar-se a dadas situações, para que consiga alcançar o conhecimento e
desenvolvimento necessário à compreensão de seu texto pelos leitores e a sua própria
compreensão.

[...] Não se deve sobrecarregar os alunos com um palavreado sem função, justificado
exclusivamente pela tradição de ensiná-lo. O critério do que deve ser ou não
ensinado é muito simples: apenas os termos que tenham utilidade para abordar os
conteúdos e facilitar a comunicação nas atividades de reflexão sobre a língua
excluindo-se tudo o que for desnecessário e costuma apenas confundir os alunos.
(BRASIL, 2000, p.90)

Muitas vezes a escola descreve uma meta a ser cumprida pelos professores todos os
anos, o objetivo é que sejam ensinados os conteúdos do livro didático sem excluir nenhum
assunto. O aluno tem que ter conhecimento do livro por completo. Entretanto, alguns termos
abordados naquele livro adotado pela escola pode não ter tanta utilidade para o aluno e
mesmo assim ele tem que buscar assimilar tais assuntos deixando-o confuso, enquanto o
corpo docente deveria buscar em outras fontes que fossem necessárias para suprir a
necessidade e que fosse de sua utilidade.
Decerto, tudo o que é ensinado para o aluno hoje em algum momento em sua vida será
de utilidade. Porém, sobrecarregá-lo, enquanto poderia-se estar facilitando o aprendizado é
algo que deve ser evitado para não confundir o discente e ceder espaço para lacunas no
desenvolvimento da aprendizagem. O critério a ser seguido pelos PCNs é excluir qualquer
termo inútil e que tem por costume confundir o aprendiz, visando tornar fácil a comunicação
nas atividades de reflexão sobre a língua.
Contudo isto não quer dizer que não é para ensinar aos alunos alguns conteúdos,
excluindo-os completamente do ensino, mas que eles devem ser apresentados no decorrer do
tempo que lhes forem parecendo necessário, e mesmo que alguns conteúdos sejam
necessários, o momento adequado para desenvolvê-los pode não ser aquele. Através de
algumas análises feitas pelo próprio professor em sala de aula é possível detectar o que é
essencial a ser ensinado em determinados momentos e o que deve esperar a ocasião oportuna,
pensando sempre no que é melhor para a vida e aprendizado do aluno.
19

O principio didático básico das atividades não apenas deste bloco, mas de todos os
outros, é sempre o mesmo: partir do que os alunos já sabem sobre o que se pretende
ensinar e focar o trabalho nas questões que representam dificuldades para que
adquiram conhecimentos que possam melhorar sua capacidade de uso da linguagem.
Nesse sentido, pretende-se que o aluno evolua não só como usuário, mas que possa
assumir, progressivamente, o monitoramento da própria atividade linguística.
(BRASIL, 2000, p.91)

Sempre que o aluno inicia um ano letivo, ele já ingressa com alguns conhecimentos
prévios relacionados à fonética, morfologia e sintaxe que devem ser reconhecidos pelo
professor. Quanto ao professor, é certo que ele também já tenha consciência do que pretende
ensinar. Neste caso é importante focar o ensino naquilo que o aluno mostra ter dificuldade, e
assim, os conhecimentos que serão obtidos poderão contribuir de forma significativa para o
seu crescimento intelectual melhorando a capacidade de compreensão e expressão, dando a
ele ferramentas e oportunidade de assumir de modo progressivo o próprio monitoramento das
atividades orais e escritas.

3.1 APRENDENDO AS REGRAS: o desenvolvimento da gramática

O desenvolvimento da gramatica no ser humano inicia-se na maior parte dos casos por
volta dos 18 e 24 meses de idade da criança, momento em que ela começa a falar suas
primeiras frases, formadas a principio por apenas duas palavras, não ainda compreensíveis, e
desordenadas. Mas é o inicio de muitos passos a serem dados em direção ao progresso da
gramática, visto que no decorrer do tempo algumas regras lhes serão apresentadas
aumentando suas possibilidades de ser compreendida e compreender os outros também.

Após as primeiras palavras, o próximo grande passo que a criança dá é começar a


enfileirar palavras para formar frases. As crianças começam combinando palavras
isoladas, gestos e entonações vocais. Em seguida, elas juntam duas palavras, então
três, quatro e mais. As primeiras geralmente são formadas entre as idades de 18 e 24
meses. (BEE, 2011, p.235)

Desta maneira os anos vão se passando e o desenvolvimento da gramática evolui


progressivamente, o entendimento e a quantidade de palavras nas frases aumentam,
modificações começam a ser feitas, estabelecendo novas ligações em ritmo mais acelerado do
que no inicio das primeiras frases. Então as falas já seguem regras gramaticais, incluindo-se
de forma ordenada os substantivos, adjetivos, verbos, preposições e muitos outros presentes
nas classes gramaticais. Dando inicio ao uso da sintaxe, relacionando uma palavra com outras
na construção de frases, orações e até mesmo de períodos.
20

Entretanto, para que isto aconteça, depende essencialmente do que o ambiente


proporciona no uso da linguagem para a criança, tudo o que ouve é considerável para ela e o
exercício da interação social é muito importante, aliás, é fundamental. A família, os amigos, o
rádio, a televisão e outros meios de comunicação, todos são fontes influentes que
proporcionam o desenvolvimento da gramática e a sua compreensão.

Embora a maioria das crianças seja razoavelmente fluente em sua primeira língua
(ou línguas) aos 3 ou 4 anos, ainda há muitos refinamentos a serem feitos. Esses
refinamentos aparecem de maneira gradual na linguagem das crianças no decorrer da
pré-escola, ensino fundamental e mesmo no início da adolescência. (BEE, 2011,
p.238)

Provavelmente a maioria das crianças com 3 ou 4 anos de idade já conseguem


comunicar-se fluentemente em sua língua materna, mas isto não significa que ele já conhece
todas as regras e que fala cada palavras de forma correta. Algumas regras já são conhecidas e
praticadas por eles, mas estas mesmas regras nem sempre podem ser aplicada a outras
situações diferentes, como no caso dos verbos. Apesar de eles saberem que a terminação do
tempo passado e o “i”, sabe-se que não se pode usar o “i” para terminação de todos os verbos”
“eu comi”, “eu fazi”.
Entretanto, segundo Bagno (1999, p.35), está provado e comprovado que uma criança
entre os 3 e 4 anos de idade já domina perfeitamente as regras gramaticais de sua língua. O
que ela não conhece são sutilezas, sofisticações e irregularidades no uso dessas regras, coisas
que só a leitura e o estudo podem lhe dar. Este estudo será realizado gradualmente na escola
com inicio no processo de aprendizagem da leitura e escrita.

Apesar de apresentadas como dois sub-blocos, é necessário que se compreenda que


leitura e escrita são praticas complementares, fortemente relacionadas, que se
modificam mutuamente no processo de letramento – escritatransforma a fala (a
constituição da “fala letrada”) e a fala influencia a escrita (o aparecimento de “traços
da oralidade” nos textos escritos). São práticas que permitem ao aluno construir seu
conhecimento sobre os diferentes gêneros, sobre os procedimentos mais adequados
para lê-los e escrevê-los e sobre as circunstâncias de uso da escrita. (BRASIL, 2000,
p.52)

É neste processo de aquisição da leitura e escrita que continuará o aprendizado das


regras e o desenvolvimento da gramática. É o momento de desafios, pois enquanto a
linguagem oral foi adquirida de forma fácil e natural, a leitura e a escrita exige uma orientação
mais formal e planejada, mas não se deve esquecer que ambos necessitam da participação do
adulto, do meio social e agora em especial o da escola.
21

A leitura e a escrita aparecem como objetivos prioritários da Educação Fundamental.


Espera-se que, no final dessa etapa, os alunos possam ler textos adequados para a
sua idade de forma autônoma e utilizar os recursos ao seu alcance para referir as
dificuldades dessa área – estabelecer interferências, conjeturas; reler o texto;
perguntar ao professor ou a outra pessoa mais capacitada, fundamentalmente –;
também se espera que tenham preferências na leitura e que possam exprimir
opiniões próprias sobre o que leram. Um objetivo importante nesse período de
escolaridade é que as crianças aprendam progressivamente a utilizar a leitura com
fins de informação e aprendizagem. (SOLÉ, 1998, p.34)

Durante este período, os alunos descobrem muitas coisas, principalmente relacionado


à língua portuguesa e à sociedade, as interrogações são muitas. É uma fase onde eles mais
perguntam, e é importante saber que todas as respostas dadas são relevantes para o
aprendizado. Etapa em que começam a aprender as regras que uma pessoa deve conhecer para
falar e escrever corretamente a língua portuguesa é o momento de começar a ter intimidade
com a gramática normativa.
O aluno também aprenderá as classes de palavras, sintaxe, morfologia, semântica,
acentuação, silabação, texto, redação, fonética e fonologia, ortografia, níveis de linguagem e
muitos outros conteúdos que contribuirão para o progresso da aprendizagem gramatical.
Progresso que continuará com a participação do meio social, da família, escola e agora
também do próprio aluno, pois estes acontecidos já requerem a participação do ser humano
como aluno ativo dentro e fora da sala de aula.

3.2 O professor de língua portuguesa e o ensino da gramática

Atualmente, o professor de língua portuguesa sofre muitas cobranças quanto a este


ensino, particularmente por ser um ensino que contribui fortemente para o domínio da norma
padrão e seus aspectos gramaticais. Há pessoas que simplesmente sintetizam o ensino de
língua portuguesa em simplesmente ensino de gramática. Só que na verdade não é só isto,
pois professor de língua portuguesa amplia por meio do ensino a capacidade do aluno quanto
ao uso da língua e possibilita ao mesmo a conhecer melhor o funcionamento de sua própria
língua.
O professor de língua Portuguesa tem a responsabilidade além de ampliar o
conhecimento gramatical do aluno, incentivar o desempenho de outras habilidades
relacionadas à sua vida pessoal, social e politica que irão aperfeiçoar suas potencialidades
comunicativas. Todavia vale lembrar que é importante oferecer a eles sempre modelos que
tenham uma boa escrita e uma boa oralidade de maneira a não reprimir o discente, mas sim
propiciar o ensino da língua Portuguesa de forma satisfatória.
22

Entretanto, a formação do professor e o conhecimento dele quanto às exigências da


sociedade nas diversas situações interativas de comunicação são fundamentais para que ele
possa habilitar o aluno a diferentes possibilidades. Visto que as cobranças ao professor são
diversas e refere-se a sua formação, metodologia de ensino e o que ele realmente tem
ensinado em sala de aula.

Pode-se considerar o ensino e a aprendizagem e Língua portuguesa na escola como


resultante da articulação de três variáveis: o aluno, a língua e o ensino. O primeiro
elemento dessa tríade, o aluno, é o sujeito da ação de aprender, aquele que age sobre
o objeto de conhecimento. O segundo elemento, o objeto de conhecimento, é a
Língua Portuguesa, tal como se fala e se escreve fora da escola, a língua que se fala
em instâncias públicas e a que existe nos textos escritos que circulam socialmente. E
o terceiro elemento da tríade, o ensino, é, neste enfoque teórico, concebido como
prática educacional que organiza a mediação entre sujeito do conhecimento. Para
que essa mediação aconteça, o professor deverá planejar, implementar e dirigir as
atividades didáticas, com o objetivo de desencadear, apoiar e orientar o esforço de
ação e reflexão do aluno. (BRASIL, 2000, p.29).

A ação do professor é importante para que o aluno se desenvolva em sua


aprendizagem da Língua Portuguesa. O professor precisa estar preparado para promover tais
acontecimentos, pois ao longo dos anos escolares espera-se que o aluno desenvolva e adquira
uma série de competências. Segundo Brasil (2000, p.41), ao longo dos oito anos do ensino
fundamental, espera-se que os alunos adquiram progressivamente uma competência em
relação à linguagem que lhes possibilite resolver problemas da vida cotidiana, ter acesso aos
bens culturais e alcançar a participação plena no mundo letrado.
Contudo, de acordo com Travaglia (2009, p.19) a preocupação frequente dos
professores de língua portuguesa é levar o aluno a dominar a norma culta ou língua padrão e
ensinar a variedade escrita da língua. Estes são objetivos importantes a serem alcançados pelo
Ensino Fundamental e Médio. Mas o professor não deve se prender só a este ensino, ele
precisa ir muito além, com ensinos adequados às situações vivenciadas pelos alunos.
É visível que muitos professores têm buscado formação continuada, buscando sempre
se qualificar, melhorando cada vez mais a sua prática no ensino de língua portuguesa além de
aperfeiçoar também o seu conhecimento profissional, visando desenvolver um melhor cenário
ao aluno.
Porém, facilmente percebe-se que ainda há uma boa parte de alunos que não gostam
da disciplina de português e geralmente mostram uma concepção negativa em relação à
gramática e os mesmos apresentam dificuldades em assimilar este conteúdo.
Então é necessário buscar medidas cabíveis para reverter à situação quanto ao
conhecimento da gramática, porque hoje entende-se que o ensino e a aprendizagem da
23

gramática na língua portuguesa é importante, pois favorece possibilidades de diferentes usos


de interação comunicativa que são utilizadas e valorizada na sociedade.

Gramática é uma palavra marcada (e negativamente) tanto na visão dos profissionais


da palavra como na visão do público em geral: alunos, pais, enfim, toda a
comunidade linguística. Tenho repetido que, toda vez que digo a alguém que minha
especialidade é gramática, preciso fazer um parêntese ( geralmente inútil, porque
incompreensível),para dizer que não gasto meus dias buscando sujeito, objeto direto,
oração subjetiva, nem verificando “erros de concordância “ ou “vícios de
linguagem”, mas que, basicamente, reflito (e falo) sobre o funcionamento da
linguagem, e especificamente da nossa língua portuguesa do Brasil. ( NEVES, 2011,
p.79)

Não se pode negar que atualmente a gramática continua sendo vista como a vilã da
língua portuguesa, o sentimento de recusa por parte dos alunos, insegurança quanto aos
assuntos gramaticais e o aumento da dificuldade pela maioria são problemas que
permanecem. Certamente o professor é um dos que tem a responsabilidade de buscar e criar
meios para tornar a gramática um aprendizado prazeroso, apesar disto, alguns ainda estão
habituados afazerem apenas o que está no livro didático, não procuram renovar, não criam
nada.

Com enormes dificuldades de leitura, o aluno se vê frustrado no seu esforço de


estudar outras disciplinas e, quase sempre, “deixa” a escola com quase inabalável
certeza deque é incapaz, de que é linguisticamente deficiente, inferior, não podendo,
portanto, tomar a palavra ou ter voz para fazer valer seus direitos, para participar
ativa e criticamente daquilo que acontece à sua volta. Naturalmente, como tantos
outros, vai ficará margem do entendimento e das decisões de construção da
sociedade. (ANTUNES, 2003, p.20)

É lamentável saber que muitos alunos desistiram tão cedo de ampliar os seus
conhecimentos. Tais observações mostram a necessidade de tornar a língua portuguesa em
especial a gramática um conhecimento de fácil assimilação e com outro olhar. Conforme
Brasil (LDB, 1996, Art. 26º § 1º) Os currículos a que se refere o caput devem abranger,
obrigatoriamente, o estudo da língua portuguesa, sendo assim, estudar português não é uma
simples opção, mas uma obrigação e também uma necessidade a ser atendida durante a
Educação Básica e a gramática é uma exclusividade do Ensino de Língua Portuguesa.
Antunes (2003, p.113-114) propõe que para o desenvolvimento da competência de
escrever, o professor poderia providenciar oportunidades para os alunos produzirem:

• Listas (de materiais, de livros, de assuntos estudados, de eventos realizados etc.);


• Pequenas informações aos pais e a outras pessoas da comunidade escolar;
24

• Programações de atividades curriculares e extracurriculares;


• Convites;
• Avisos;
• Cartas: uns aos outros, aos professores, às pessoas da escola, do bairro, da cidade,
a um jornal, a alguém que veio à escola prestar algum serviço, a autoridades locais
e nacionais, etc. (cartas que eventualmente, até deveriam chegar, de fato, às mãos
de seus destinatários);
• Anotações de ideias básicas de textos informativos(a este propósito, vale lembrar
a vinculação que o professor deve estabelecer entre o português e outras
disciplinas);
• Conclusões de debates;
• Informações sobre a cidade, o bairro, a escola, lugares visitados, eventos;
• Cartazes (com motivos diversos, inclusive motivos publicitários);
• Instruções diversas (por exemplo, aqueles que indicam como se deve usar um
determinado instrumento ou aparelho);
• Projetos de pesquisa;
• Resultados de consultas bibliográficas, de pesquisas de campo;
• Esquemas, resumos, sínteses, resenhas (de tanta utilidade na vida acadêmica!);
• Relatórios de experiências ou de atividades realizadas;
• Solicitações, requerimentos;
• Saudações;
• Atas;
• Poemas;
• Mensagens eletrônicas;
• E outros textos em uso no momento.

De modo provável, o professor só aplicará, entre todas essas sugestões, aquelas que
estiverem de acordo com a realidade do seu aluno, ou seja, a proporção segundo as
habilidades que já têm de escrever, afinal não se deve pedir ao aluno que está sendo
alfabetizado escrever um projeto de pesquisa, enquanto o seu conhecimento ainda não
corresponde a tal pedido.
Neste caso o professor precisa favorecer ao aluno sugestões que melhor lhe parecem
adequada, acompanhado de revisões textuais que possibilite ao discente entendimento e
aprendizado.
25

Agora quanto à leitura Antunes (2003, p.117-118) sugere que o professor poderia
abranger todos os textos produzidos pelos alunos, além de:

• Historias, com ou sem gravuras e em quadrinhos;


• Fábulas;
• Contos;
• Crônicas;
• Editoriais;
• Comentários ou artigos de opinião;
• Noticias de jornal;
• Poemas;
• Avisos;
• Folhetos;
• Cartazes;
• Adivinhas;
• Anedotas;
• Provérbios populares;
• Charadas;
• Mapas, tabelas e gráficos;
• Anúncios e mensagens publicitárias (ricos no uso de metáforas, metonímias,
homonímias, polissemias etc., pelo que se prestam a analises muito interessantes);
• Instruções;
• Esquemas;
• Resumos;
• Lições de outras disciplinas etc.

Com essas sugestões o professor poderá incentivar de várias formas o aluno a praticar
a leitura, ao mesmo tempo em que tenha a faculdade de trabalhar elementos presentes em
cada texto, principalmente os que estão relacionados ao ensino da gramática e o seu
desenvolvimento. Devido a esta e outras propostas de ensino, compreende-se que a gramática
pode ser ensinada de forma natural, dinâmica e interessante, no entanto, isto depende
especialmente do professor.
26

Nenhum linguista terá, nunca, grande popularidade, mas aquele “professor de


Português” que se expuser como quem sabe indicar tudo o que se deve e o que não
se deve dizer despertará admiração popular e obterá a aura de sabedoria que nenhum
teórico ou analista da linguagem jamais conseguirá. (NEVES,2011, p.36)

O professor de língua portuguesa tem um desafio: o de ensinar a língua portuguesa. É


preciso bastante dedicação e muito estudo, pois ele primeiro tem que saber para depois
ensinar ao aluno tudo àquilo que ele deve e não deve usar na língua portuguesa nas diferentes
situações de comunicação. E o professor que orienta o homem ao uso adequado da língua
portuguesa, contribui de forma significativa para um futuro melhor do discente e também da
sociedade. Por isso ele precisa ser um profissional ativo, responsável, atualizado quanto aos
acontecimentos da língua portuguesa e consciente da importância o seu papel na escola apara
assim realizar sua função cada vez melhor.
27

4 CONHECIMENTO DA GRAMÁTICA NO CONTEXTO ESCOLAR E SOCIAL

De acordo com Antunes (2003, p.119) a gramática, como vimos, não entra em nossa
atividade verbal dependendo de nosso querer: ela está lá, em cada coisa que falamos em
qualquer língua. Não existe possibilidade de alguém falar ou escrever sem usar as regras da
gramática de sua língua. Esta gramática chamada de gramática internalizada, o seu
conhecimento está presente tanto no contexto escolar como no social e não é somente a
metodologia de ensino da escola que afeta o aprendizado, entre eles estão também à família, e
o meio social em que ele está inserido, visto que o indivíduo certamente tem contato direto
com o meio que o cerca sofrendo influências do mesmo.

Portanto, não ensinamos a língua à maioria de nossos alunos, posto que esses alunos
já adquiriram intuitiva e inconscientemente as regras da língua dominando uma
gramática implícita, ou seja, eles já a usam efetivamente. O que fazemos ou
deveríamos fazer é dar a eles condições de usá-la em todas as situações de interação
comunicativa com uma segurança linguística tal que ele não se sinta discriminado
em nenhuma comunidade linguística em que esteja inserido. (RIBEIRO, 2001,
p.149).

Quando o aluno inicia na escola ele já tem um conhecimento gramatical adquirido.


Aliás, eles já usam a gramática no meio social principalmente no ambiente familiar, pois o
seio familiar é o principal lugar no qual se inicia o conhecimento da gramática. Na escola, de
certa forma, é o ambiente no qual ele conhece exceções e normas importantes para uma boa
comunicação na língua portuguesa, assim terá um maior e melhor conhecimento, obtendo
condições para usar a gramática em todas as situações de interação comunicativa com
segurança.
Este conhecimento aprimorado na escola possibilita o homem a desenvolver melhor a
assimilação linguística, tendo mais facilidade no uso da linguagem, permitindo enriquecer seu
vocabulário e exercer no meio social diversas funções. Pois, sabe se que, nem sempre o meio
que o cerca tem condições que favoreçam a ele a ajuda necessária para um bom aprendizado,
então, certamente este acesso de forma satisfatória e de qualidade só será possível
inicialmente por meio do que lhes for ensinada na escola.

4.1 O ensino da gramática no contexto escolar

Algumas vezes não é tão fácil entender o que a escola quer constituir com o ensino de
gramática, e em outros momentos ela deixa transparecer simplesmente um meio usado para
28

correção e aplicação das regras gramaticais, apresentando o certo segundo a gramática


normativa e eliminando o errado, ou seja, aquilo que não está de acordo com a norma padrão.
Na verdade, este ensino tem deixado interrogações na mente do ser humano.

O primeiro ponto que se oferece a comentário, quando se examina a gramática


trabalhada nas escolas, tem relação com o fato de que não corresponde,
absolutamente, à verdade dizer-se que ela é normativa. Haveria pelo menos uma
ação social a ser destacada, se assim fosse. Mas não há. Os esquemas oferecidos são
moldes, sim, mas apenas no sentido de “esquemas” que mapeiam as entidades
abstraídas nas categorizações a que levam as reflexões sobre a linguagem que um
dia os gloriosos filósofos da Grécia antiga fizeram, preparando o edifício da “arte da
gramática” (téchnegrammatiké) que ai está. Compreender que lá, naquele momento
histórico e naquela situação, o que se preparou como disciplina gramatical era justo
e oportuno é possível a muito poucos. À força de virmos repetindo lições
gramaticais em que apenas se busca que os alunos saibam os nomes das categorias e
das funções, e a subclassificação delas, vamos tendo como certo que aprender tais
noções é aprender gramática, o que leva à conclusão límpida e irrefutável, de toda a
comunidade, de que estudar gramática é desnecessário, pois tal estudo não leva a
nada, e, mais que isso, é prejudicial, já que cria falsas noções e falsos pressupostos.
(NEVES, 2011, p.81)

Realmente, a escola muitas vezes tem passado esta concepção de gramática para seus
alunos, tem agido exatamente como se a gramática fosse apenas uma grande quantidade de
regras que deve ser decorada por eles. É o desprender de uma língua, e o aprender de muitas
normas, é a tensão entre o certo e o errado. Então a comunidade é motivada a concluir que
este ensino não é necessário, e que é falso por levar o aluno a decorar uma serie de definições,
as quais em pouco tempo sofrerá mudanças e outras normas surgirão e deverão ser decoradas
novamente.
Contudo, como já foi visto, aprender gramática não se limita em apenas saber nomes
das categorias e regras, mas sim desenvolver a capacidade de falar e escrever bem, ter
habilidade para exercer o domínio da norma padrão, é saber agir e interagir nas diferentes
situações comunicativas expostas pela sociedade, é está preparado para se adequar diante de
mudanças da língua Portuguesa, é entender e valorizar a existência, a cultura e a historia dos
vários grupos sociais.

Por isso para as pessoas que a todo momento nos perguntam: “É ou não é para
ensinar gramática?”, a resposta é: Se for para ensinar gramática como mera repetição
da doutrina tradicional, anacrônica e encharcada de preconceitos sociais,
definitivamente não é para ensinar gramática “ se ensinar gramática” for entendido
como decoreba de nomenclatura sem nenhum objetivo claro e relevante, análise
sintática de frases descontextualizadas e as vezes até ridículas, definitivamente não é
para ensinar gramática. (BAGNO, 2007, p.64-65)
29

Esta pergunta tem sido feita com frequência, e encontrado respostas diversas, porém o
que se compreende é que o ensino da gramática é necessário e que seu conhecimento trás
benefícios relevantes a vida do homem. No entanto, ter consciência a quem se ensina e como
desenvolver tais ensinos são essenciais, para assim serem alcançados objetivos claros e
específicos, não sendo apenas uma mera repetição tradicional.

Mas se por gramática entendermos o estudo sem preconceitos do funcionamento da


língua, do modo como todo ser humano é capaz de produzir linguagem e interagir
socialmente através dela, por meio de textos falados e escritos, portadores de um
discurso, então, definitivamente é para ensinar gramática, sim. Na verdade, mais do
que ensinar, é nossa tarefa construir o conhecimento gramatical dos nossos alunos,
fazer com que eles descubram o quanto já sabem da gramática da língua e como é
importante se conscientizar desse saber para a produção de textos falados e escritos
coesos, coerentes, criativos relevantes etc. (BAGNO, 2007, p. 65).

Alunos já iniciam na escola com um bom conhecimento gramatical adquirido de


acordo com o grupo social que fazem parte, e assim como a escola os próprios alunos
precisam ter consciência deste saber e, a partir daí, amplia-lo. Pois apesar de já conhecerem
um pouco a gramática não é o suficiente para terem acesso ao que a sociedade lhe propõe ou
lhe beneficia, logo é necessário que a escola crie condições para que todos venham a conhecer
o que não conhecem, mas que é essencial para viver como cidadão digno em uma sociedade
tão exigente.
Para Possenti (1996, p.82), é um direito elementar do aluno ter acesso aos bens
culturais da sociedade, e é bom não esquecer que, para muitos, esse acesso só é possível
através do que lhes for ensinado nos poucos anos de escola. Por esta razão, a escola precisa
estar preparada e cumprir a sua função com qualidade e eficiência, pois o seu papel é
fundamental para o desenvolvimento social e intelectual do ser humano.

O problema do preconceito disseminado na sociedade em relação às falas dialetais


deve ser enfrentado, na escola, como parte do objetivo educacional mais amplo de
educação para o respeito à diferença. Para isso, e também para poder ensinar Língua
Portuguesa, a escola precisa livrar-se de alguns mitos: o de que existe uma única
forma “certa” de falar – aque se parece com a escrita – e o de que a escrita é o
espelho da fala – e, sendo assim, seria preciso “concertar” a fala do aluno para evitar
que ele escreva errado. Essas duas crenças produziram uma prática de mutilação
cultural que, além de desvalorizar a forma de falar do aluno, tratando sua
comunidade como se fosse formada de incapazes, denota desconhecimento de que a
escrita de uma língua não corresponde inteiramente a nenhum de seus dialetos, por
mais prestigio que um deles tenha em um dado momento histórico. (BRASIL, 2006,
p.31)

Este preconceito deve ser enfrentado na escola, principalmente porque os alunos que a
frequentam fazem parte de diferentes grupos sociais e trazem consigo características daquele
30

meio em sua fala. E a escola como uma facilitadora do desenvolvimento da aprendizagem da


gramática deve respeitar este conhecimento prévio dos alunos, valorizar a sua forma de falar e
promover ampliação deste conhecimento, de maneira gradativa respeitando as diferenças.
Contudo serão aplicadas regras de maneiras generalizadas, com a organização gramatical que
favorecerão ao sujeito usá-la em todas as situações de interação comunicativa com segurança
e sem ser exposto a preconceitos e exclusões no meio social.

Cabe à escola ensinar o aluno a utilizar a linguagem oral nas diversas situações
comunicativas, especialmente nas mais formais: planejamento e realização de
entrevistas, debates, seminários, diálogos com autoridades, dramatizações, etc.
Trata-se de propor situações didáticas nas quais essas atividades façam sentido de
fato, pois seria descabido “treinar” o uso mais formal da fala. A aprendizagem de
procedimentos eficazes tanto na fala como de escuta, em contextos mais formais,
dificilmente ocorrerá se a escola não tomar para si a tarefa de promovê-la. (BRASIL,
2000, p.32).

Entretanto, sabe se que algumas vezes a escola não realiza sua função de forma
satisfatória, o que consequentemente leva os alunos a não terem um bom desempenho na
aprendizagem. Para ensinar aos alunos nas diferentes situações comunicativas faz-se
necessário oferecer-lhes procedimentos eficazes, e o que se espera é que, no mínimo, os
profissionais pela aplicação da metodologia deste ensino que também é gramatical estejam
aptos a buscarem atualizações e aperfeiçoamento para promover este ensino.
Além de buscar atualizações, a escola também precisar desenvolver metodologias que
chamem a atenção do aluno, pois quando se fala em gramatica na escola ainda se despertam
reações de desinteresse nos alunos, a maioria não tem facilidade de entender o conteúdo e
estão presos a frustrações, reprovações, recriminações que sofrem por parte da sociedade e
que eles próprios criam em suas mentes e em suas atitudes.
A escola tem se esforçado e buscado renovar sua metodologia de ensino, mas mesmo
assim, o ensino da gramatica ainda não é visto como um ensino harmonioso e interessante. A
forma arcaica de decorar significados e regras, com a única intenção de tirarem nota na prova
e passar para o próximo ano letivo até agora se faz presente.

Ainda quanto ao que se deve ensinar Soares (1979: capítulo 9) afirma que não há
consenso a respeito do ensino de gramática: há escolas e professores que
sistematicamente não ensinam gramatica com justificativa de que o papel do
professor de Português é ensinar o uso da língua e escolas e professores cujos
programas contêm basicamente “atividades”, mas contém também tópicos
gramaticais (normalmente os que aparecem no livro didático adotado). (SOARES
19, apud, TRAVAGLIA, 2009, p. 103).
31

Na verdade, há muitos anos ouve-se falar de concepções diferentes de ensino de


gramática que desperta no aluno o interesse de aprender, mas o que se ver na realidade é que
pouca coisa mudou. Usam-se textos diversificados em sala de aula e outros recursos de
ensino, porém acabam voltando para o decoreba das regras e tópicos gramaticais que são
repetidos anos após anos no decorrer do ensino Fundamental e Médio porque estão presas
muitas vezes as influências do livro didático.
Consequentemente não é só a metodologia que deve mudar mais também a mente do
ser humano quanto profissional que ensina a gramática, quanto ao ambiente que oferece este
aprendizado e também quanto ao aluno que precisa ter consciência que este aprendizado é
indispensável para sua atuação na sociedade. Enfim, cada um tem que fazer sua parte, só
assim às mudanças virão e os resultados serão satisfatório para ambos.
Acredita-se que a escola é um dos fatores importantes para promover tais mudanças,
suas ações e renovações no ensino podem ser a primeira a dar passos importantes para o
ensino de gramática no contexto escolar dando condições para modificar o pensamento e
atitudes dos profissionais da Educação, dos alunos e do contexto social, principalmente
familiar.

Portanto a primeira tarefa da escola, do ponto de vista do Ensino da Gramática, é


aumentar o domínio de recursos linguísticos por parte do aluno. Isso se faz expondo
o aluno consistentemente a formas linguísticas que ele não conhece, mas deve
conhecer para ser um usuário competente da língua escrita. Se tais formas não são
faladas, só um bom programa de leitura pode produzir a exposição necessária ao
aprendizado ativo. (POSSENTI, 1996, p.87)

Se escola expuser o aluno a situações linguísticas que ele ainda não conhece, mas
precisa conhecer de forma consistente, certamente poderá conscientizá-lo da necessidade de
seu aprendizado, como também poderá estar desenvolvendo meios para o seu aprendizado.
Pois quando o ser humano nasce e é exposto consistentemente a um ambiente social que ele
precisa ouvir e falar, com o passar do tempo ele começa a entender o que ouve e também a
falar. Isto porque ele se adapta e se desenvolve de acordo com suas necessidades e o que o
meio lhe oferece.
Então, se de certa forma, consciente ou inconscientemente, o meio social está
expondo o individuo a situações problemas que o estimula a aprender, de certo modo a escola
também precisa produzir exposições necessárias ao aprendizado ativo do aluno e promover
saberes essenciais para o exercício da cidadania.
32

4.2. A contribuição da família e do meio social para a aquisição da gramática

É no meio social e da família que o ser humano inicia sua aquisição gramatical, nelas
o homem se comunica, tem acesso a informações, expressa e defende suas opiniões, partilha
ou constrói visões de mundo, produz conhecimento. E estas atitudes de comunicação
influenciam o ser humano quando criança a ter os primeiros contatos com a gramática, mas
para que isto aconteça é necessário que o mesmo esteja inserido no meio social,
principalmente no ambiente familiar, pois, a interação familiar contribui de forma
significativa para aquisição da gramática.
Segundo Bee (2011, p.240) Skinner afirmava que além do papel que desempenham na
imitação, os pais moldam a linguagem de reforços sistemático, gradualmente recompensando
aproximações cada vez melhores da fala adulta. Nota-se que a criança aprende várias
habilidades rapidamente com sua interação com um adulto, e a fala dele dita à criança tem
grande influencia, pois esta interação entre os dois pode alterar fortemente o desenvolvimento
linguístico não permitido que a mesma tenha uma boa aquisição da gramática.
Consequentemente, esta afirmação de Skinner trás para o adulto uma grande
responsabilidade, ainda mais porque a sua fala quando direcionado a alguém com frequência,
leva a criança a imitar aquilo que ouve, moldando sua fala e a aproximando cada vez mais da
do adulto de forma gradativa e sem danos na comunicação.
Portanto, parece que os pais que falam mais, que leem mais para seus filhos que
induzem mais a linguagem deles e que respondem adequadamente à sua linguagem podem ter
filhos que desenvolvam a linguagem mais rapidamente (BEE, 2011, p.244). A falta de
interação dos pais em relação à criança é prejudicial a ela, é importante que a família, o meio
social onde ela esteja inserida mantenham o dialogo com frequência, porque é neste processo
que serão exposta situações que estimulará a pratica e o aprendizado da criança. Efetivamente
a interação social é um fator muito importante para o desenvolvimento do ser humano e torna-
se consequentemente, necessária para progresso e desempenho da linguagem e da gramática.

A família não é somente o berço da cultura e a base da sociedade futura, mas é


também o centro da vida social... A educação bem- sucedida da criança na família é
que vai servir da apoio à sua criatividade e ao seu comportamento produtivo quando
for adulto... A família tem sido, é e será a influência mais poderosa para o
desenvolvimento da personalidade e do caráter das pessoas. (GOKHALE, 1980,
apud BASTOS, 2011, p. 73)
33

A família exerce um papel importante na vida do ser humano, é no espaço familiar que
praticamente os mais importantes fatores relacionados à educação como linguagem,
personalidade, aquisição da gramática e muitas outras se iniciam servindo de base para toda
sua vida adulta. O que ela aprende no meio familiar ou começa a desenvolver ali,
provavelmente estará enraizado por toda sua vida e isto fará diferença em sua prática como
aluno, como cidadão, como homem presente na sociedade.

Por isso, crianças com alguns anos de idade utilizam o tempo todo formas que
sequer imaginamos, mas que veríamos claramente que conhecem, se examinássemos
sua fala com cuidado. Perguntam, afirmam, exclamam, negam, produzem períodos
complexos e consideram significativamente o contexto sempre que lhes parecer
relevante ou tiverem oportunidade. Como aprenderam? Ouvindo, dizendo e sendo
corrigidas quando utilizam formas que os adultos não aceitam. Sendo corrigidas: isto
é importante. No processo de aquisição fora da escola existe correção. Mas não
existe reprovação, humilhação, castigo, exercícios de fixação e de recuperação etc.
(POSSENTI, 1996, p. 47-48)

É possível observar que a criança antes de ir a escola já sabe gramática e a usa, apesar
de não ter conhecimento mais profundo que só adquirirão na escola, entretanto não é só a
interação na família e do meio social que contribui para a aquisição da gramática, mas a
qualidade da interação. Quando ela ouve uma palavra ou até mesmo frases repetidas vezes,
certamente passará a compreender o modo pelos quais as pessoas do seu meio social
entendem e a usam, passando a usá-las também.
Entretanto, há necessidade do adulto falar claro e correto ao se direcionar a uma
criança e sempre corrigi-la quando usarem formas erradas ou incompletas. A correção é
importante e necessária para que a criança comece a ter intimidade desde cedo com as regras
gramaticais. Esta pode ser feita naturalmente com a repetição das palavras ou frases de
maneira correta, mostrando a ela a maneira certa de se falar sem reprimi-la.
Segundo Brasil (1996, Art. 2º), a educação, dever da família e do Estado, inspirada nos
princípios de liberdades e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno
desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação
para o trabalho.
Tendo em vista isto, é um dever da família a educação e isto envolve o exercício de
um papel importante na aquisição da gramática e apesar de nem sempre terem condições
necessárias para contribuir com qualidade desta aquisição, ainda assim, desempenham
funções que podem ser decisivas na vida do individuo. Esta contribuição não é suficiente só
no período em que a criança ainda não frequenta a escola, mas é indispensável sua
participação na vida escolar do aluno.
34

De acordo com Brasil, no artigo 226:

§ 3º Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem


e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conservação em
casamento.
§ 4ºEntende-se, também como entidade familiar a comunidade formada por qualquer
dos pais e seus descendentes. (BRASIL, 1988, p.126)

Estando certo de quem é a família, cabe a ela quando a criança iniciar a vida escolar e
durante todo o progresso permanecer cumprindo sua função, pois na escola, novas regras
gramaticais lhes serão apresentadas e o apoio da família neste momento é fundamental para
que ela tenha um melhor desempenho na aprendizagem. Nota-se que quando há o
envolvimento da família com a escola as condições de uma melhor aquisição tanto gramatical
como nas outras áreas que envolvem o desenvolvimento de aprendizagem são melhores.
Todavia, igualmente tem-se o meio social que contribui de forma significativa para a
aquisição da gramática e geralmente o que se utiliza no meio social é imitada por uma boa
parte das pessoas. Esta imitação tem, de certa forma, trazido benefícios, mas também danos
para o desenvolvimento da gramática, entre esses danos estão o internetês usado cada vez
mais em comunicação por meio da internet.
A internet é usada frequentemente pelo meio social para adquirir informações,
conhecimento, como também para conversas formais e informais. Segundo Othero (2002,
p.23) uma nova forma de escrita características dos tempos digitais foi criada. Frases curtas e
expressivas, palavras abreviadas ou modificadas para que sejam escritas no menor tempo
possível – afinal, é preciso ser rápido na internet. Essa nova forma é conhecida como
internetês usado em conversas através de mensagens de texto com palavras abreviadas
utilizada com bastante frequência na internet.

Aparecem muitas abreviações, mas boa parte delas é artificial, localmente, decidida
e não vinga. Essas abreviaturas são passageiras e servem apenas para aquele
momento. Mas outras se firmam e vão formando um cânone mínimo que vai sendo
reconhecido como próprio do meio. (MARCUSCHI, 2004, p.63)

O internetês não é tão passageiro e já é reconhecido em nosso meio, usado a cada dia
com mais frequência nas redes sociais, e como são conversas de textos as abreviações
garantem a rapidez nas escritas das mensagens e possibilita conversas com várias pessoas ao
mesmo tempo. Entretanto, é algo que vem prejudicando o desenvolvimento da gramática, pois
as pessoas que estão habituadas a usar o internetês têm possibilidade de se acostumarem com
esta escrita passando a escrever muito mal.
35

Algumas palavras que são usadas frequentemente com o internetês são:

Você =vc
Nada = nd
Casa = ksa
Também = tb
Por que = pq

No entanto se essas mesmas mensagens forem enviadas escritas sem adaptação de


palavras, ou seja, sem uso de abreviações certamente outras pessoas irão imitá-los no meio
social também, criando hábitos de escreverem bem as palavras e cooperar para o
desenvolvimento da gramática de todos que tenham o acesso a este meio de comunicação. Do
mesmo modo, os outros meios de comunicação como rádio, televisão, celular e muito outros
têm uma grande influência na aquisição da gramática.

4.3 A importância do conhecimento da gramática

O homem, por ser um ser social, está sempre exposto a situações diversificada de
comunicação e quando tem-se um bom conhecimento de gramática, logo saberá se sobressair
diante dessas adversidades. Afinal este cidadão certamente é alguém que por seu
conhecimento sabe comportar-se de maneira crítica, responsável e construtiva nas diferentes
circunstancias, interagindo de forma adequada para até mesmo intervir acerca de problemas
no meio social.
O conhecimento de gramática, tanto no contexto escolar como no social, proporciona
ao homem adaptar-se às exigências da nossa sociedade, e não está limitado ao exercício de
pequenas contribuições ou participação no meio social. Este conhecimento promove ao
indivíduo usar a linguagem em diversas situações interativas, sejam elas na escola, no
trabalho, faculdade, igreja, no meio familiar, com amigos e outros, ou seja, dá lugar à
comunicação e à informação, facilita o entendimento e produz ainda mais conhecimento.
A gramática tem sua importância desde o início da vida do ser humano, quando ainda
criança, já necessita conhecê-la, tendo em vista que a partir deste conhecimento inicial poderá
adquirir novas formas gramaticais, ampliando o seu conhecimento e aprendendo a usar com
consciência suas habilidades. Conhecimento que nunca é suficiente, pois tem sempre algo
36

novo a aprender e alguma necessidade a ser suprida, e a sociedade está em todo tempo pronta
para exigir do homem o melhor do seu saber.
Atualmente a sociedade exige um bom conhecimento de gramática normativa para que
o cidadão possa exercer funções diferenciadas no meio social, e apesar de ainda ser conhecida
como um conteúdo que incomoda os alunos nas escolas, o mesmo tem sido de maneira ávida
perseguida pelo homem como algo necessário de se ter conhecimento. Este conhecimento
favorece ao sujeito condições de estar apto a desenvolver competências com as quais será
capaz de utilizar adequadamente a variedade padrão da língua culta com segurança, sem ser
exposto a preconceitos e exclusões sociais.

A questão não é falar certo ou errado, mas saber qual forma de fala utilizar,
considerando as características do contexto de comunicação, ou seja, saber adequar
o registro às diferentes situações comunicativas. É saber coordenar satisfatoriamente
o que falar e como fazê-lo, considerando a quem e por que se diz determinada coisa.
É saber, portanto, quais variedades e registros da língua oral são pertinentes em
função da intenção comunicativa, do contexto e dos interlocutores a quem o texto se
dirige. A questão não é de correção da forma, mas de sua adequação às
circunstâncias de uso, ou seja, de utilização eficaz da linguagem: falar bem é falar
adequadamente, é produzir o efeito pretendido. (BRASIL, 2000 p.31-32)

Diante destas afirmações, percebe-se que o conhecimento da gramática é muito


importante, logo torna possível o domínio da norma padrão, assim como proporciona ao ser
humano usar a linguagem de acordo com a condição imposta nas diversas interações sociais.
Facilita o acesso e o exercício a diferentes funções na sociedade, auxiliando de forma
significativa na produção da escrita e acrescentando novas habilidades linguísticas ao aluno.
Em vista disto, é necessário tornar a gramática de fácil assimilação, afim de que haja
facilidade no uso da linguagem em todas as situações de interação de comunicação com
segurança, podendo exercer várias funções no meio social não sofrendo consequências
negativas.

4.4 Consequências de não conhecer a gramática

Atualmente o próprio brasileiro tem sofrido sérias consequências por não conhecer a
gramática. No entanto, a possibilidade de cobranças são maiores quando o homem não tem
noção de gramática normativa, ainda hoje infelizmente existe pessoas que não podem
frequentar uma escola, e seu vocabulário é restrito podendo está limitado a exercer tarefas
básicas no meio social, estando exposto a dificuldades por lhe faltar o conhecimento
necessário.
37

As regras de uma gramática normativa se assemelham às regras de etiqueta,


expressando uma obrigação e uma avaliação do certo e do errado. Seguindo-as, os
falantes são avaliados positivamente (na vida social na escola). Violando-as, os
falantes tornam-se objeto de reprovação (são considerados ignorantes e não dignos
de passar à série seguinte na escola, por exemplo). (POSSENTE, 1996, p.73)

É possível notar que em alguns casos pessoas são reprovadas em entrevistas de


empregos; alunos são retidos em séries na escola; as chances de aprovação em concursos
públicos são bem menores; oportunidades de promoção em empresas são mais difíceis e
assim são muitas as impossibilidades que se pode notar por não conhecer a gramática.
De acordo com Bagno (2007, p.17). Muitas vezes, os falantes das variedades
desprestigiadas deixam de usufruir diversos serviços a que têm direito simplesmente por não
compreenderem a linguagem empregada pelos órgãos públicos. Na verdade, somos obrigados
a admitir que o conhecer a gramática é algo amplo e necessita da interferência da família, da
escola e do meio social, e quando o sujeito limita-se apenas ao conhecer internalizado não
buscando ou não podendo ampliar seus conhecimentos sofrem drasticamente as
consequências do não conhecer a gramatica, visto que o que já conhecem não é o suficiente
para se adequar as circunstancias de uso.
Todavia muitos que têm o conhecimento da gramática normativa devem evitar a
formação de preconceito linguístico, devido os mesmos olharem para os falantes que não a
conhecem de forma desprestigiada. Mas entende-se que a gramática presente nas variedades
linguísticas mostram a identidade, a cultura, a historia de um grupo, de um povo, de uma
nação e que precisa ser reconhecida e valorizada. Além do mais, é necessário reconhecer
também que uma boa educação não é privilegio de todos em nosso país e é o principal fator
que contribui de forma significativa para um melhor conhecimento da gramática.
De fato muitos brasileiros permanecem à margem do conhecimento da gramática, uns
por não gostarem do conteúdo, outros por falta de interesse ou motivação, já outros
infelizmente por não terem boas oportunidades e ainda estão na luta para adquirirem tal
conhecimento. De qualquer maneira a sociedade nem sempre é compreensiva quanto à falta
de conhecimento gramatical, o que são tidos por ela como erros gramaticais são bastante
visíveis ao seu olhar e suas exigências são constantes.
O falar e escrever bem são condições impostas pela sociedade e o ser humano apesar
das dificuldades ou das escolhas, de modo real precisam mudar de atitude e de pensamento
quanto à gramática. É de responsabilidade nossa, de cada homem, ser humano, aluno e escola
está atualizado e habilitado para responder a tais exigências. Está adequado as circunstancias
em diferentes comunicações de uso da gramática é uma necessidade, e o mundo não vai parar
38

para o individuo se habilite, é preciso está atento e sempre atualizado para não sofrer
consequências.
39

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

É possível notar que nas diferentes concepções relacionadas à gramática, o homem no


meio da sociedade tem buscado diversas finalidades quanto ao seu uso e conhecimento. No
entanto essas diferentes finalidades têm destacado alguns tipos de gramática, com mais
concentração na gramática normativa, descritiva e a internalizada. Todas têm regras que
precisam ser obedecidas, afinal o homem tem necessidade de seguir regras para viver melhor.
Como Possenti descreve na citação abaixo:

As regras de uma gramática se assemelham às regras de etiqueta...As regas de uma


gramática descritiva se assemelham as leis da natureza, na medida em que
organizam observações sobre fatos, sem qualquer conotação valorativa... A
internalizada as regras expressam, no caso, sem qualquer conotação valorativa,
aspectos dos conhecimentos linguísticos dos falantes que têm propriedades
sistemáticas. (POSSENTI, 1996, p.73 e 74)

A escola tem sido um dos principais facilitadores para a compreensão e


desenvolvimento de algumas dessas regras, entretanto existe uma série de regras que sua
aquisição antecede a escola, esta tem apenas a função de ampliar tal conhecimento. Neste
caso, a ação do professor de Língua Portuguesa é fundamental para possibilitar ao aluno
ampliação das capacidades de uso, conhecimento e funcionamento de sua própria língua.
Contudo, o ensino da gramática no contexto escolar tem sido um desafio constante,
visto que a discriminação social persiste e a escola deve enfrentar tal desafio objetivando uma
educação mais ampla e com respeito às diferenças. De qualquer maneira são muitas as
interrogações quanto ao ensino de gramática na escola, mas cabe a ela facilitar o
desenvolvimento da gramática e promover a ampliação de seu conhecimento. Sendo que a
família e o meio social também têm suas contribuições, pois é no meio familiar e social que o
homem inicia o ato de adquirir o conhecimento.
Portanto, foi possível mostrar que o estudo da gramática é importante no contexto
escolar e social, e para que haja facilidade no uso da linguagem em todas as situações de
interação comunicativa com segurança é necessária à participação ativa da escola, família e
do meio social. Afinal, Este conhecimento gramatical permite ao homem dominar a norma
padrão, comunicar-se em diferentes situações interativas, além de exercer funções diversas na
sociedade sem sofrer discriminação social. Porém notou-se também que é necessário
mudanças e adaptações na escola, na família e no meio social a fim de facilitar a assimilação
da gramática.
40

REFERÊNCIAS

ANTUNES, Irandé. Aula de português: encontro & interação. São Paulo: Parábola Editorial,
2003. (Série Aula; 1).

BAGNO, Marcos. Nada na Língua é por acaso: por uma pedagogia da variação linguística.
São Paulo: Parábola Editorial, 2007.

______________. Português ou brasileiro?: um convite à pesquisa. São Paulo: Parábola


Editorial, 2001 184p.

______________. Preconceito Linguístico: o que é, como se faz. 48 e 49. ed. São Paulo:
Loyola, 1999.

BASTO, Maria Clotilde Pires. Pedagogia. Valinhos: Anhanguera Publicações, 2011.


(Educação sem Fronteiras; 6).

BEE, Helen. A criança em Desenvolvimento. 12. ed. Porto Alegre : Artmed, 2011.

BRASIL, Constituição Federal. Texto Constitucional de 5 de outubro de 1988, com


alterações

_______, Parâmetros Curriculares Nacionais. Língua Portuguesa/ Secretaria de Educação


Fundamental. 2. ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2000.

CAGLIARI, Luís Carlos. Alfabetização e Linguística. São Paulo: Scipione, 2009 (Coleção
Pensamento e ação na sala de aula).

MARCUSCHI, Luiz Antônio e XAVIER, Antônio Carlos. Hipertexto e gêneros digitais:


novas formas de construção do sentido. Rio de Janeiro: Lucerna, 2004.

NEVES, Maria Helena de Moura. Que gramática estudar? 4. ed. São Paulo: Contexto,
2011.

OTHERO, Gabriel de Ávila. A língua portuguesa nas salas de bate-papo: uma linguística
de nosso idioma na era digital. Novo Hamburgo: Edição do Autor, 2002.

POSSENTI, Sírio. Por que (não) ensinar gramática na escola. Campinas, SP: Mercado de
letras: Associação de leitura do Brasil, 1996. (Coleção Leitura no Brasil)

RIBEIRO, Ormezinda Maria. Ensinar ou não a gramática na escola. Linguagem & Ensino,
Vol. 4, No. 1, 2001 (141-157).

SOLÉ, Helén. Estratégias de leitura. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 1998.

TRAVAGLIA, Luiz Carlos. Gramática e interação: uma proposta para o ensino de


gramática. 10.ed. São Paulo: Cortez, 2005.
41

____________, Luiz Carlos. Gramática e interação: uma proposta para o ensino de


gramática. 14.ed. São Paulo: Cortez, 2009.

Você também pode gostar