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A ASSISTÊNC|A SOCIAL NA PRATICA PROFISSIONAL: HISïORIA E

PERSPEGTIVAS.

Maria Carmelita Yazbek

RESUMO: Este texto trata da histórica relação entre Serviço Social e


Assietência Social. Situa a ernergênpia da profissão no contexto de avanço da
profissionalidade no tratamento da questão social e no crescimento da
rcsponsabilidade do Estado na tarefa de asseguraÍ políticas no campo
social.Mostra como as velhas formas de atender às seqüelas da questão
gocial modificam-se até os anos mais rccentes, quando com a Constituição
Federal de {988 e a implantação da Seguridade Social brasileira, a Aseistência
Social alcança o patamar de política pública. Finalmente çploca em evidência
o protagonismo dos assistentes sociais na construção de uma nova matriz
analÍtiòa para a Assistência Social no país e para a implementação do atual
Sistema Único de Assistência Sociat - SUAS.

Palavras Chave: Serviço Social, Assistência Social, SUAS

Gostaria de iniciar minhas reflexões apresentando como ponto de partida uma


'forma de apreender a prática profissional do assistente social, situada no
movimento histórico da sociedade. Entendo que o surgimento do Serviço
$ocial como profissão na sociedade brasileira, seu assalariamento e a
ocupação de um espaço na dÍvisão social e técnica do trabatho, bem como a
estruturação'de seu mercado de trabalho particular é resultante de relações
históricas, $ociais, políticas e econômicas que moldam sua neçessidade
sociale definem os seus usuários.
"Portanto, buscamos ultrapassar a análise do Serviço social em si mesmo
para situá-lo no contexto de relações sociaisl mais 4.mplas qìre o condicionam
e lhe atribuem características particulares. Seu significado social, suas
demandas, tarefas e atribuições devem ser identificados dentro da trama de
relações que constituem a vida social e particularmente nas respostas que a
sociedade e o Estado constroem frente às necessidades sociais dos homens
Cf. Iamamdq Ìúüildq 1995 (Itr
"diçaot
em suas múltiplas dimensões {materiais, espirituais, culturais, subietivas etc}.
Estas dimensões, constituem a sociabilidade humana e estão presentes no
çotidiano da prática ds assistente social." {Yazbek, 2004: 13}
O Serviço Social interfere nos processos relacionados com a reprodução
social da vida, desenvolvendo sua ação profissional em situações sociais
que afetam a qualidade de vida da população em geral e sobretudo dos .
setores mais empobrecidos da sociedade, objetivando melhorar essas
condições sob múltiplos aspectos, o'A intervenção profissional leva em
consideração relaçÕes de classe, genêro, etnia, aspirações sociais, polÍticas,
religiosas, culturais, além de componentes de ordem afetiva e emocional. O
trabalho do assistente social pode produzir resultados concretos nas
condiçÕes materiais, sociais e culturais da vida de seus usuários, em seu
acesso e usufruto de políticas sociais, programas, serviços, recursos e bens,
em seus comportamento$, valores, seu mods de viver e de pensar, suas
formas de luta e organização, suas práticas de resistência." {yazbek, za04:r4l
Âs polÍticas sociais são a rnediação para este exercicio. E, entre as políticas
sociais é fundamental destacar a Assistência Social.
A trajetória da profissão com diferentes
conotações, acompanha a
Assistência Social brasileira desde os anos 39 quando o Estado assumê uma
intervenção reguladora frente à emergente questão sociar2 no paÍs.
Com o desenvolvimento da urbanização e com a ernergência da classe
operária e de euas reivindicações e mobilizaçõês, quê se expandem a partir
desses anos, particularmente no$ espaços das cidades, a .,questão social,,,
considerada legÍtima pelo Estado, passa a ser o fator impulsionador de
medidas estatais de proteção ao trabalhador e sua familia.
Nesse período, a regulação das tensões entre as classes sociais se efetiva
Estado novo
mediante a consolidaçâo das Leis do Trabalho (CLT|, o Satário MÍhimo e
outras medidas de cunho controtador, assistencial e paternalista, É também
nessê contexto que emergê como profissão o Serviçà'Social brasileiro
marcado pelo proieto politico da lgreja Católica expresso "pela doutrina e pela
ação social católica". Nêste momento histórico a prafissão prioriza a Ação
9ocial {intervenção direcionada para mudanças sociais sob a ótica do ideário

?o questiio social entendennos a dispúa pela riquaa social na sociedde capitalista pelas classes
sociais.
católico) em relação à Assistência Social.3 Ainda assim, a Assistência Social
era considerada um avanço em relação às práiicas fiiantrópicas prevalecentes
até então.
Em 1942 o governo brasileiro çria a LBA com a finalidade de prestar às
familias dos expedicionários brasileiros. Terminada a Guerra a LBA se volta
para â Assistência à maternidade e à infãncia e já nessê momento se inicia a
politica de convênios com as entidades socials. Tratava-se de um "modelo de
regufação pela benemerência" {Sposati, 1994; 8} e que está na raiz da relação
AS e Benemerência
sirnbiótica que a emergente Assistência $ocial brasileira vai estabelecer com a
Filantropia e com a benemerência {cf. Mestriner,200í }4. Caracterizada por
ações paternatistas e de prestação de auxilios emergeneiais e paliativos à
Paliativo!
miséria vai interferir junto aos segmentos mais pobres da sociedade,
mobilizando a sociedade civil, o trabalho feminino e a profissionalização dos
assistentes sociais. Essa modalidade de intervenção está na raiz da relação
simbiótica que a emergente Assistência Social brasileira vai estabelecercom a
Filantropia e com a benemerência {cf. Mestriner,200í}u.O caráter dessa
relaçâo nunca foi claro e a históriça inexistência de fronteiras entre o público
e o privado na constituição da sociedade bnasileira vai compor a tessitura
básica dessa relaçâo que çontinuamente repõe tradições clientelistas e
assistencialistas seculares.
portanto, o que se observa é que, historicamente a Assistência Social
brasileira e juntamente com ela, o Serviço Social profissional, se estruturam
vinculados:
í l ao conjunto de iniciativas benemerentes e filantrópicas da sociedade civil e
2l aa avanço da profissionalização no tratamento da questão social e ao
crescimento da centralidade do Estado na tarefa de assegurar o bern estar da

@hcirÉraFeÍeira Reüsa serviço social e sociedadeno 12, sâopauto,


CorIez- agostode 1983.
Partilho com Netto (20O1) s enátisp segundo a qual a pofissionalização do Serviço Social não se explica
4p€nas como cmtinuidde da filmtropia qr da caridade (desenvotvidas desde a da sociedade
burguesa) mas vincúa-se à dinâmica da oçdem rumpólican0 camiotto da profissionalaafio do Serviço
Social é, na verdadq o prooesso pelo qual sets ag€mtes - atúa qn ãesenvdwrdo rerra arÍorepresentação e um
discurso centradas ra autaania dw sus rla/,çvls ç & sts twtde - s insereÍn cm atiüddes interventivas
cuja dinâmica, orgmizaçâo, rcursm e oliaivos são Mcrmir:dos para além do seu controle.n (Netto, 2001 ; ?l )
..Asi$focia Fikoda e Ferrsssàciô tenn
3 - Para a autcra S€ci4 si& tratdas no [kasil como irrnãs
siamesas, *6r1ilutas irrnas da outrm" (lvMim:- M):14).
3 - Para a autora '?ssistêmia Sociaf filmtrqlia e Benrqqrfub *m si& tratdas no Brasil como irmãs
siamesas, subsührtas umas da ou8as" {}v{estriner: 2001:14)
sociedade. Trata-se de um çontexto no qual o Estado passa a operacionalizar
suas responsabilidades a paÉir do reconhecimento das competências
profissionais e do trabalho baseado no saber técnico para a prestação de
serviços sociais.
$em dúvida a profissionalidade e a intervenção especializada como "modêlo
de ação competentê" se tornaram componentes fundamentais das polÍticas de
bem estar no Welfare contemporâneo.
Gom o tempo as velhas formas de socorrer os pobres gestadas na filantropia
e na. benemerência evoluem {p. ex. Na LBA}, passando desde 'oa arïêGadação
de fundos para a manutenção de instituições carentes, auxílio econômico,
amparo e apoio à família, orientação maternal, campanhas de higiene,
fornecimento de filtros, assistência médico odontológica, manutenção de
creches e orfanatos, lactários, concessão de instrumentos de trabalho etc"
{Falcão e Sposati, 1989:Í9} até políticas, programas e projetos explicitamente
anunciados como de combate à pobreza. Esse processo, çontou sempre com
a interuenção dos assistentes sociais brasileiros. Eu diria mais: os assistentes
sociais fomm operadores centrais nesse processo.
O pobre, trabalhador eventual e destituído, é o usuário dessas polÍticas pelas
quais é visto como "indivíduo necessitado", I muitas vezes como pessoa
açomodada, passiva em relação à sua própria condição, dependente de ajuda,
não cidadão enfim. Sua figura é desenhada em negativo. {Cf Telles, í999}
No contexto desenvolvimentista as instituições soçiais direcionam seus
programas para uma polÍtica de integração participativa dos mais pobres no
processo de desenvolvimento nacional. E,nos anos que se seguiram ao golpe
militar de 1964 as politicas sociais vão combinar assistència à pobreza com
repressão.
eom a ampliação da desigualdade na distribuição de renda que Gresce
Anos 80 sobretudo nos ano$ 80 {a década perdida para a CEPAL} a pobreza vai se
Pobreza converter em tema central na agenda social, quer por sua crescente
aumentada e
pressões pela visibilidade, pois a década deixou um aumento considerável do número
democracia: caldo
para uma abeoluto de pobres, quer pelas pressões de democratização que
assistência
enquanto política çaracterizaram a transição. Tratava-se de uma conjuntura econômica
publica
dramática, dominada pela distância entre minorias abastadas e massas
miseráveis. Permanecerir as antinomias entre pobreza e cidadania.
a presença dos
A situação de endividamento {que cresce 61% no$ anos 80},
de Washington'
organismos de Washington {Fffil,Banco Mundial}, o consenso
as reforrnas neoliberais e a redução da autonomia nacional, a
adoção de
dos
medidas econômicas e o aiuste fiscal vão se expressar no crescimento
que' nos anos
indices de pobreza e indigência. "É sempre oportuno lembrar
90 a somatória de extorsões que configurou um novo
perfil para a questão

social brasileira, particularmente pela via da vulnerabilização do


trabalho'

conviveu com a erosão do sistema público de proteção social, caraeterizada


por uma perspectiva de retração dos investimentos públicos no campo social'
geu reordenamento e pela crescente subordinação das politicas saciais às
públicos e
politicas de aiuete da econornia, com suas restrições aos gastos
Questões da sua perspectiva privatizadora." {Cf. Yazbek, 2004} É nesse contexto,
e na
Elizabeth Mota
,,contra mão'o das tranSformações que OGOffem na Ordern eConÕmiCa
internacional mundializada que o Brasil vai instituir constitucionalmente
em

1988, seu sistema de seguridade social no qual vâmos de*tacar


a

de uma nova
Assistência Social. Com esse sistema tem inicio a construção
concepção para a Assistência social brasileira, que é regulamentada em í993,
como política social púbtica, e inicia seu transito para um Gampo novo:
o
Direitos!
Não favor,
não ajuda, campo dos direitoso da universalização dos açessos e da responsabilidade
da
estatal. O protagonismo dos assistentes sociais brasileiros na elaboração
não
bondade.

LOAS foi fundamental.


É nesse sentido, que tantas vezes aÍirmamos que a LOAS estabelece uma
que
nova matriz para a Assistência Social brasileirao inieiando um processo
que
tem como perspectiva tomá-la visível como politica pública e direits dos
dela necessitarem. A inserção na Seguridade aponta também para seu caráter
de politica de proteção $ocial6 articulada a outras políticas do campo soçial
voltadas à garantia de direitos e de condições dignas de vida. Desse modo, a
assistência social configura-se como possibilidade de reconhecimento

@ as formas 'à,s nezes mais, as vezes flrenos instihrcionalizadas qÌre as


sociedades ccmstihrem para protÊg€r parte ou o @rnto de seus mernlrc- Tais sistemas decmrem de certas
" -"iìriúao da .d'da *, r*t"t, tais como a velbice, a dffiFs o inforírmiq as privações- Úncluo neste
".t*"1
conceito, tarnbémtmto as formasseletivasdedistribüiçãoeredisrih(Sodeb€nsÍÍd6iais(mmoa
comida e o
permitirm a sotrevivàrcia e a integraçâo, sob várias
dinheiro), qÌrmto os bens cútgrais (corno os saberes), furc
ainda,os pimipios regúladAÍes € as IXtrïìas que,com o intuito de prcteção, fazem
formas na vida social.Incluo ,
parte daüda das coletiüdades" (Di Giovami, 1998:lO)
público da tegitimidade das demandas de seus usuários e e$paço de
ampliação de seu Protagonismo.
,,Como lei, a LOAS inova ao afirmar paÍa a Assistência Social seu caráter de

direito não contributivo, {independentemente de contribuição à Seguridade e


para além dos interesses do mercadolo ao apontar a necessária integração
entre o econômico e o social e ao apresentar novo desenho institucional para
a assistência social. Inova também ao prçpor a participação da população e o
êxercicio do controle da sociedade na gestão e execução das políticas de
assistência social." {Yazbek, 2004:13} Tendência ambigua, de inspiração
neoliberal, mas que contraditoriamente pode direcionar-se para os interesses
de seus usuários.
$em dúvida, uma mudança substantiva na concepção da assistência social,
um avanço que permite sua passagem do assistenciqlismo e de sua tradição
de não política para o carnpo da politica pública.Como política de Estado
passa a ser um espaço para a defesa e atenção dos interesses e necessidades
sociais dos segmentos mais empobrecidos da sociedade, configurando-se
tambémn como estratégia fundamental no combate à pobreza, à discriminação
e à subalternidade econÕrnica, cultural e politica em que vive grande parte da
população brasileira. Assim, cabem à Assistência Social ações de prevenção
e provimento de um conjunto de garantias ou seguranças que cubram,
reduzam ou previnam exelusões, riscos e vulnerabilidadès sociais, {Sposati,
,lgg5l bem como atendam às necessidades emergentes ou permanentes
decorrcntes de problemas pessoais ou sociais de seus usuários. {Cf Yazbek,
20041

Essas garantias se efetivam pela construção do que Mishra denomina de


"rede de segurança da rede de Segurança" ou seia um coniunto de
programas, projetes, serviços e benefícios voltados â proteção social e ao
atendimento de necessidades da população usuária dessa política.

Em geral caracterizada por sua heterogeneidade essa rede de segurança


{constituída pelos órgãos governamentais e por entidades da sociedade civil}
opera serviços vottadea ao atendimento de um vastíssimo conjunto de
necessidades particularmente dos segmentos mais pobres da sociedade:
atende à familias, idosQs, crs. e adolescentes, desempregados, portadores de
deficiência, migrantes, portadores do HlV, dependentes de drogas, etc
Arrecada e doa alimentos, alfabetiza adultos, protege testemunhas, defende
direitos humanos e a cidadania, atende suicidas, adolescentes grávidas,
órfãos, combate a violência, cria empreendimentos auto gestionados, cuida de
çreches, de atendimento módico domiciliar e de outras iniciativas que
compõem o complexo e divergificado campo da Assistência SocialT à'
população. Biretamente envolvido tanto na gestão e implementação desses
serviços e politicas, como na "execução terminal" {José Paulo Netto}, estão
os á$sitentes sociais brasileiros. Dessa forrna a Assistência Social como
campo de efetivação de direitos é, {ou deveria ser} polÍtica estratégica, não
contributiva, voltada para a construção e provimento de mínimos ssciais de
inclusão8 e para a universalização de direitoso buscando romper com a
tradição clientelista e assistencialista que historicamente permeia a área onde
semprê foi vista como prática secundária, em geral adstrita às atividades do
plantão social, de atenções êm emergências e distribuição de auxílios
financeiros.

Nesses últimos anos tornaram-se evidentes as caracteristicas neoliberais da


politica social brasileira, face às necessidades sociais da população. Quais
são essas características? {muitas das quais nós assistentes sociais
operacionalizamosl

{ - Uma retomada analÍtica dessas políticas sociaiso revela sua direção


compensatória e seletiva, centrada em situações limites em termos de
sobrevivência e seu direcionamento aos mais pobres dos pobres, incapazes
de competir no mercado. Nesse sentido as politicas acabam sendo o lugar do
não direito e da não cidadania...n'lugar a que o indivíduo tem acesso, não por

t .
Em São Paulo es{es servirps es{ão agrupados êÍn seguÍaÍças wiais a serern garart*las: Segurança de Âcolhida: opera
corÍì a pro\risão de necessidadas humanas qüê começam com os direüos a coÍner, vest'r, dormk e abr[ar-se, píópdos à üda
humana êrn soclêdadê. lntegram esta segnlÍançâ 6 sërviçoÉ al€ aHt|o, fnord}â píoìrlsóÍ-la, albeÍguês operando com a
provisão dê ná;êssidadês básbas; Segurança de Corwívio: sêwiçaç voüa& ao dêsênvolviÍne{rto da sociabilidade como
crectes, casas dê convivênci4 o€Íiros dê servÇos, proieacs socirêducdivo$ Fa*a sbnças e adobscentes e outros;
Seguranp de Êencficias/Rendinrer*w: inctri f6gffin€s e pc|*e d,e rans#eÍêôciâ de renda. bolsas e au<ílios vincuhdos
a fabalho soctal d€ ÍÌdü€sa sácb e*,rc#n. &Ìcfti aiÍxlr, Fograrr$ de dendinento emergencial, ÍestauÍarúes populares
erúre orüos-; Suança de Trave**eÍ&*on*úa: fudd ser'*ps wlad6 à prwisão de apoios e denções paÍa quê o
cidadão seja alcarçável pe*ae pomim sodais pc rn€b 4É srla iÍs€ngão íÉ ÍEde só€ieas8**cncíd, lrípnFa íìthoriâ da
condição de üda e pÍovisão de mebs p6ra â can*t@ de at*ornr*t de soürevir€rria- lrcfui ryniro a proie*o* de geraçáo de
rênda, foÍmação de cooperdivx ek.
I Paa Sf,osài (1997:f0, grilos dâ ad*rr) *Fúopor rnír#noe saciab ê eslabdeÇsÌ o
@raÍ de cobertura de riscos e de
garartiras qrÉ irm socêdadê çrer gorarÉfr psrâ todc G sêüs ctdadãç. Trata-s de definir o patamar de dignidade
abaixo do qual nenlnm cidadão dweria esta'
que dela está excluÍdo"{Telles'
sua condição de çidadania, mas peta prova de
200Í:95)

2.Aherançadosú|timosl0anos,olegadoquetemosqueenfrentaréeste:o
legado da subordinação do soclal ao
econômico' o social constrangido pelo

econÕmico. o social refilantropizado e


despolitizado e despublicizado.

3 - Outra constatação nesta análise ievela-se


no o'deslocaÍnento"' no cenário
"Gomo questão e como figuração
brasileiro recente, da questão da pobreza
construído - lugar
pública de prohlemas nacicnais, de um lugar pcliticamente
e do dissenso - para o lugar
da ação, da intervenção, da crítica, da polêmica
ser administrado teçnicamente
da não politica, onde é figurada como dado a
í998:15}
ou gerido pelas práticas da Filantropia.''{Telles'
Cabe|embrarqueestedeslocamento,quetemcomoexpressãomaioro
nos processoS de reestruturação
crescimento do Terceiro Setor, vai inserir-se
em geral, proce$sos quer
dos sistemas de proteção social e da política social
dos mecanismos de
por sua vez se explicam nos marcos da reestruturação
acumulação do capitalismo glcbalizado e
que vem sendo implementados'
polÍtica neoliberal
particularmente em sua periferia, por meio de uma reversão
caracterizada,entreoutrascoisas,peladestituiçãodedireitostrabalhistase
eociais e pela erosão das condições politicas
que conferiam um caráter
púb|icoàdemandapordireitossocials.{Cf.Yazbek,2002}
brasileira atual, prover um
É nesse contexto que cabe à Assistência Social
conjuntodesegurançasquecubram,reduzamouprevinamriscose
necessidades ernergentes
vulnerabilidades sociais, {Sposati, 1995} bem como
de seus
ou perrnanentes decorrentes de problemas pessoais ou sociais
Nesse sentido o seu conteúdo e diretrizes são reveladores
da
usuários.
pelo Estado e
gxtensão e das paÉicularidades da Proteção Social adotada
expressa pela Politica de Assistência Social'
da lV
Em setembro de 2004, atendendo ao çumprimento das deliberações
em dezembra de
Conferência Nacional dé Assistêncian realizada em Brasilia
após amplo
2003, o CNAS - consetho Nacional de Assistênçia socialaprovou'
em vigor' na qual
debate no pais, a Política Nacional de Assistência Social
polÍtica, na per$pectiva de
bcupa um lugar de destaque o (re) desenho desta
A construção
implementação do suAs - sistema unico de Assistência social'
e implementação do Sistema Único da Assistência Social - SUAS,
requisito
social como politica
essençiat da LoAS para dar efetividade à assistência
pública, vem se caracterizando como uma das prioridades da Secretaria
sscial e
Nacional de Assistência social do Ministério do Desenvolvimento
contingente de
combate à Fome. Nesse processo está envolvido significativo
assistentes sociais brasileiros.
*A gestão proposta por esta Política se pauta no pacto federativo' no qual
devem ser detalhadas as atribuições e competências dos
três níveis de
cem o
governo na provisão das ações socioassistenciaiso em conformidade
preconizado na LOAS e NOBsn a paÉir das indicações e deliberações
das

Conferências, dos Conselhos e das Gomissões de Gestão


Compartilhada

{comissões Intergestoras Tripartite


e Ëipartites - clT e clB's}, as quais se
constituem em espaços de discussão, negociação e pactuação dos
instrumentos de gestão e formas de operacionalização da PolÍtica de

Assistência $ocial." {PNAS, 2004:1 0}

Nesse sentido, o sistema unico de Assistência $ocial - suAs


estâ voltado à
vinculos e
articulação em todo o território nacional das responsabilidades,
de assistência soçial'
hierarquia, do sistema de serviços, benefÍcios e ações
de earáter permanente ou eventual, executados e pfovidos por
pessoas

juridicas de direito público sob critério de universalidade e de ação em rede


hierarquizada e em artiçulação com iniciativas da sociedade civil'

o suAS é constituído pelo conjunto de serviços, progrãmas, proietos e

beneficios no âmbito da assistência social prestados diretamente -


ou através

de convênios com organizações sem fins lucrativos -, por órgãos e


direta
instituiçÕes públicas federais, estaduais e municipais da administração
gestão
e indireta e das fundações mantidas peto poder público' É modo de
compartilhada gue divide responsabilidades para instalar, regular, manter
e

€xpandir as ações de Assistência $ocial. -

Énquanto sistema cabem ao SUAS:


1 - Ações de Proteção Básica:

ffianoanode1999,oombasenaentãoPolíticaNaciona|.Apartirda
PctÍtica far-s+á imprescindível sua rerrisão, para que atenda às
J".tã n*"
puorct" ãe
"pr"*ção instituídas.
preüsões
- de situações de risco por meio do desenvolvimento de
prevenção
potencialidades e aquisições, e o fortaiecimento de vinculos familiares e
comunitários. A população alvo: sãs familias e indivíduos que vivem em
situação de vulnerabilidade social decorrente da pobreza, privação {ausência
de renda, precário ou nulo ãce$so aos serviços públicos, dentre outros) ê, ou
fragilização de vinculos afetivos-relacionais ê de pertencimento soçial
{discriminações etárias, étnicasu de gênero ou Boí deficiênclas, dentre outras}.
Os serviços de proteção social básica serão executados de forma direta nos
CRAS Centros de Referència da A. S. ou de forma indireta nas entidades e
organizaçÕes de A. S. da área de abrangência dos CRAS.
2 - AçÕes de Proteção EsPecial:
- atenção assistencial destinada a individuos que se encontram em situação
de alta vulnerabilidade pessoal e social. $âo vulnerabilidades decorrentes do
abandono, privação, perda de vinculos, exploração, violência, etc.
Essas açÕee destinam-se ao enfrentamento de situaçÕes de risço em famílias
e individuos cujos direitos tenham sido violados e, ou, em situações nas
quais já tenha ocorrido o rompirnento dos laços famillares e comunitários.
Podem ser:
- de média complexidade: familias e indivíduos coffi seus direitos violados,
nnas cujos vínculos familiares e comunitários não foram rompidos.
- de alta cornplexidade: famÍlias e individuos com seus direitos violados, que
se encontram sem referênria, e, ou, em situação de ameâça, necessitando ser
retirados de seu núcleç familiar e, olt, comunitário.
$ão os assistentes sociais que estão implementando o SUAS, apoiados pela
NOB 2005, enfrentando inúmeros desafios entre os quais destacamos a
gonsolidação e a democratização dos Conselhos e dos mecanismos de
participação e controle social;
a organização e apoio à representação dos usuários; a participação nos
debates sobre o $UAS, a NOB, os CRAS e o$ CREA$; a elaboração de
diagnósticos de vuinerabilidade dos municipios; o monitoramento e a
avaliação da politica; CI estabeleçimento de indicadorcs e padrões de
qualidade e de custeio dos serviços; contribuindo para a construção de uma
cultura democrática, do direito e da cidadania.

10
quando fazemos (ainda?) a
Estas questões nos interpelam "diretamente
a figura do
aposta emuÍna cidadania ampliada,o' e quando buscamoS rcverter
perversa de
pobre como não cidadão. Tarefa difiçil, que esbarra na herança
cada vez mais
uma pobreza persistente e naturalizada, em uma sociedade
pobreza, "não instaura o
desigual, que mesmo Gom o aumento visivel da
debate público sobre a iustiça e a igualdade,
pondo em foco as iniqüidades

inscritas na trama social." {Telles,200í}


na sociedade brasileira é
Romper com essa herança e instaurar esse debate
parte de nosso proieto' É esse no$so sonho"'

Bibliografia

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t!
12