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UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA

CIÊNCIAS SOCIAIS

DANIEL JUVENAL AMORIM RODRIGUES JUNIOR

PROVA 01 – UNIDADE 01
Karl Marx

JOÃO PESSOA - PB
2019
UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA
CIÊNCIAS SOCIAIS

DANIEL JUVENAL AMORIM RODRIGUES JUNIOR

PROVA 01 – UNIDADE 01
Karl Marx

Questões referente a Prova da Unidade 01 –


Karl Marx, para a disciplina Teoria Sociologia
Clássica, pelo Curso de Ciências Sociais –
Noturno - da Universidade Federal da
Paraíba – UFPB

Professor: Aécio da Silva Amaral Junior

JOÃO PESSOA - PB
2019
1) Disserte sobre a importância do esquema base/superestrutura na teoria de Karl
Marx sobre a sociedade. Qual é, segundo Marx, o papel deste esquema na
estruturação da
sociedade?
As linhas mestres do pensamento de Marx consistem em: os seres humanos entram em
relações sociais de produção determinadas e necessárias, estas são apropriadas a
determinado estágio de desenvolvimento das forças de produção. Esta correlação,
constituída por indivíduos reais, a sua atividade, e as condições materiais em que vivem,
define a “estrutura econômica”. A infraestrutura que serve de alicerce à superestrutura
política e legal, determinando assim as formas de consciência social:
“Não é a consciência do homem que lhe determina o ser, mas, ao contrário, o seu ser
social que lhe determina a consciência.” Karl Marx
Desta forma, a infraestrutura consiste nas forças e relações de produção, ao passo que a
superestrutura comporta as instituições jurídicas e políticas, as maneiras de pensar, as
ideologias filosóficas. Marx revela uma relação dinâmica entre a infraestrutura e a
superestrutura. De maneira resumida, esta relação para Marx, sugere a alteração das
forças materiais de produção, ou seja, os próprios meios de produção: fábricas,
tecnologias, maquinaria, mão de obra e matéria prima. Assim, o sujeito, a consciência
de classe e as relações sociais de produção interagem entre si, numa dinâmica interna
que pressiona a mudança.
Concluindo, a superestrutura, no pensamento de Marx, é responsável por manter as
relações sociais existentes na infraestrutura (utilizando-se inclusive do uso da força,
como exemplo o próprio Estado), sendo que essa última possibilita a sua existência,
tendo por pressuposto que toda a riqueza indispensável para manter esta superestrutura
é produzida na infraestrutura por meio das relações de produto e troca.

2) Situe como se dá, segundo Marx, a relação entre trabalho, produção e capital.
Explique porque, ainda segundo Marx, há uma tendência geral de assimetria entre
salário e lucro em tal relação.

O trabalho é uma ação natural do homem, que tem como finalidade se apropriar da
natureza a fim de satisfazer suas necessidades básicas. Contudo, o capitalismo alterarou
esta ordem específica e, desta forma, visionou-se neste trabalho apenas uma forma de
valorização exagerada da mercadoria. Segundo Marx, estes elementos devem ser
analisados sob dois prismas: o valor de uso e o valor de troca. No sistema natural, a
mercadoria é trocada por equivalência ao tempo de trabalho necessário para a sua devida
produção. Mas no capitalismo, a mercadoria desvia-se deste escopo tornando-se fonte
de exploração dos trabalhadores. Assim a teoria natural do trabalho é modificada para
se tornar um instrumento de exploração, conceito de “mais-valia”. Isto, por
consequência, acaba gerando uma competição nada saudável entre os capitalistas, a fim
de dominar a mais-valia, que tem como seu desfecho principal, um aumento exacerbado
nas taxas de lucro e, portanto, modificando a natureza primária da mercadoria, trabalho
e valor.
Modo de produção é como funciona a produção material em um determinado
desenvolvimento social. O desenvolvimento das forças produtivas é que define este
modo de produção: força do trabalho, ferramentas, máquinas e etc e, suas interrelações
em sua forma de produção. Segundo Marx, podemos definir em quatro modos de
produção dominantes de acordo com sua época, que são:
 o comunismo primitivo;
 o escravismo na Antiguidade;
 o feudalismo na Idade Média;
 e o capitalismo na Idade Moderna.
A transição de um modo de produção a outro, ocorre quando o desenvolvimento das
forças produtivas entra em contradição com as relações socias de produção. Havendo
um estrangulamento da produção em virtude da inadequação das relações nas quais ela
se dá. Sendo que para Marx, é a classe social (proletariado) que deve neste momento,
de forma revolucionária, agir por meio de ações concretas e práticas, a fim de que essas
transformações se concretizem. Para Marx, a luta de classes é a grande responsável pela
dinâmica da história.
Com base em FUSDELD e HUNT, na tentativa de encontrar uma definição melhor de
capital, acabei por encontrar as seguintes afirmações:
 FUSFELD (2003, p. 82): Sistema gigantesco, por meio do qual o tempo de
trabalho empregado, primeiro é transformado em lucro, e de lucro, em capital.
E enquanto o tempo de trabalho pertencia ao trabalhador, o capital seria
propriedade do capitalista.
 HUNT (1986, p. 218): Diz que o capital não é uma coisa, mas uma relação de
produção social definida, relativa a uma formação histórica da sociedade e que
se manifesta em uma coisa, conferindo-lhe um carácter social específico. O
capital é o meio de produção monopolizado por certa parte da sociedade, em que
a força de trabalho humano é um produto e as condições de trabalho são
independentes desta mesma força de trabalho, e que, portanto, o capital aparece
cada vez mais como uma força social cujo agente é o capitalista.
Em resumo, creio poder afirmar que o capital para Marx, é o ato de sempre buscar a
maior-valia.
O salário é o responsável por fazer a mediação monetária entre os dois lados envolvidos
na troca. O salário enquanto valor do trabalho, enquanto mediação monetária, exprime
no trabalhador a ilusão de que o pagamento que ele recebe é a quantidade equivalente
paga pela sua jornada de trabalho. Essa utopia cria a ilusão de que o trabalho é a
mercadoria que o operário aliena no mercado. O salário entra nessa relação como a
categoria que determina o respeito à troca de equivalentes, na qual os dois valores se
defrontam e se equivalem. Portanto, o salário levanta uma ilusão na qual a troca entre
não-equivalente apareça como uma troca entre equivalente e, portanto, criando uma
falsa impressão dos princípios da igualdade entre trabalhador e capitalista.
A ilusão de que o salário regula uma troca entre equivalentes se apoia na afirmação de
que o salário é a quantidade correspondente ao valor do trabalho. Ora, o trabalho é a
medida do valor, portanto, não pode ser considerada uma mercadoria, que, por
conseguinte, pode ser levada ao mercado. Inclusive não pode ser vendido como
mercadoria. Ele é apenas a substância e à medida que determina os valores das
mercadorias, pelo tempo gasto para a produção. O trabalho não pode ser levado ao
mercado porque ele não possui um valor, não sendo mercadoria e não podendo ser
trocada. É sobre isso que Marx levanta uma importante crítica, pois esta, não foi capaz
de perceber que, no mercado, não interagem trabalho e capitalista, e sim, trabalhador e
capitalista. O trabalhador quando vai ao mercado não vende o seu trabalho, mas sim, a
sua força de trabalho. A grande questão de Marx foi compreender a produção da mais-
valia. O salário enquanto intermediador monetário da relação capital e trabalho provoca
uma mistificação e encobre para a consciência dos homens a diferença entre trabalho e
força de trabalho.
Toda essa ilusão da forma salário vela pela igualdade, de maneira a encobrir a
exploração do capitalista sobre o trabalhador. O salário esconde, burla, oculta a
dualidade da jornada de trabalho, constituindo uma aparência de que a troca entre
operário e patrão se apoia numa troca entre equivalentes. Assim sendo, essa forma
salário cria para a consciência imediata e alienada do trabalhador uma falsa impressão
de igualdade na relação com o capital. É por esta forma de se expressar o salário que a
extração de mais-valia é omitida, escondida ao trabalhador, encobrindo a apropriação
de trabalho sem equivalência (exploração).
3) Analise o seguinte trecho do texto “Fetichismo e reificação”, de Karl Marx: “O
valor não traz escrito na fronte o que ele é. Longe disso, o valor transforma cada
produto do trabalho num hieróglifo social. Mais tarde, os homens procuram
decifrar o significado do hieróglifo, descobrir o segredo de sua própria criação
social, pois a conversão dos objetos úteis em valores é (...) um produto social dos
homens” (p. 162). Em sua análise, diga como tal trecho é útil à distinção
estabelecida por Marx entre valor de uso e valor de troca, bem como à discussão
acerca do caráter fetiche da mercadoria sob o capitalismo.

4) Disserte sobre a centralidade da categoria “trabalho” e do conceito de “classe


social” na obra de Marx. Em seguida explique como se dá, no capitalismo, o
estranhamento do trabalhador em relação ao produto de seu trabalho, na
perspectiva marxiana.

Segundo Marx, o trabalho é a base fundamental para que o ser humano exista enquanto
ser social, deixando de lado a ideia de ser dominado pela natureza, para tornar-se ser
pensante, que transforma essa natureza para sua própria sobrevivência. Assim, o
trabalho exerce um caráter mediador na correlação entre homem e natureza,
transformando a própria natureza, como sendo transformado por esta. O homem age de
forma intencional e premeditada, para converter a natureza em meios de produção ou
mesmo de subsistência, executando as ações necessárias para tal, através de esforço
físico contra os próprios elementos da natureza.
Como resultado, surge um ser com características diferentes, com habilidades, passando
a desenvolver técnicas por meio dos conhecimentos e experiências obtidos através desta
necessidade de transformação da natureza.
O trabalho para Marx, é uma atividade exclusivamente humana, pois exige a existência
de uma ação pré-concebida no plano do pensamento, que desta forma dirige as ações a
fim de se alcançar um fim desejado. A grande diferença do trabalho exercido pelo
homem, com relação a qualquer outro trabalho ou atividade natural, executado por outro
ser, consiste no fato de o homem idealizar o resultado final desejado, antes mesmo de
sua objetivação, utilizando-se de sua força física. Podemos, então, compreender que não
há ser social sem o trabalho. O trabalho acaba tendo como função social transformar a
própria natureza a fim de conseguir, produzir, bens necessários para a existência do
próprio ser humano.
O trabalho se inicia na interação do ser humano com a natureza, na intenção de produzir
instrumentos necessários à sua própria sobrevivência. Com o passar do tempo este
trabalho diversificou-se, aperfeiçoou-se, abrangendo cada vez mais novas atividades. E
como o ser humano tem resultado previamente desejado, este acaba desencadeando uma
grande quantidade de mudanças sobre a própria natureza e o homem. Despertando
potencialidades, refinamento de habilidades que só são possíveis ao homem, sendo
assim, o trabalho é o ponto de partida da humanização do ser humano. Desta forma, a
categoria trabalho, para Marx, é a responsável pela “fundação” do ser social, pois pela
ação do homem sobre a natureza, este impôs sua vontade, realizando esta através do seu
próprio trabalho e afastando barreiras naturais e acabando por fundar a própria
sociedade humana.

As classes socais para o marxismo, são atores históricos e forças sociais. As relações de
produção com o capitalismo, acabam gerando uma espécie de estrutura de classe.
Assim, estas interrelações de classes acabam sendo determinadas pelas próprias relações
sociais de produção, que por sua vez consideram fundamentais as relações de
propriedade e a exploração. Marx, demonstra em seus escritos, que a existência das
classes está unicamente ligada a determinadas fases do desenvolvimento da produção.
Contudo, o que define o conceito de classe, no marxismo, é o lugar na produção,
considerando a “luta de classes”.

Marx afirma que o estranhamento por parte do trabalhador na relação com o produto do
seu trabalho significa que o trabalhador não domina mais todas as etapas de produção
do produto. Ou seja, não possuindo os bens de produção necessários para tal, este acaba
não se encontrando ou se reconhecendo no produto final produzido. Desta forma,
aparentemente não se percebe a relação homem-natureza, contudo, ao mesmo tempo em
que se transforma a natureza, transforma-se o próprio homem. Ao converter a natureza
em meios de subsistência ou de produção, o homem atua de forma consciente e
intencional, controlando e executando sua ação através de seus membros corpóreos
contra os elementos da natureza. Com efeito, surgem novas características na
constituição de um ser que passa a dominar habilidades e desenvolve técnicas através
de conhecimentos adquiridos no intercâmbio com meio natural. Conforme Marx (2013,
p. 255), “o trabalho é, antes de tudo, um processo entre homem e a natureza, processo
este em que o homem, por sua própria ação, medeia, regula e controla seu metabolismo
com a natureza”. No legado marxiano, o trabalho é uma atividade tipicamente humana,
porque implica a existência de ação previamente concebida no plano das ideias que
orientam a ação a ser efetivada para alcançar um fim estabelecido. Para Marx, o que
diferencia o trabalho de qualquer outra atividade natural desenvolvida por outros seres,
é o ato do homem idealizar o resultado final do trabalho antes de sua objetivação. Ao
converter a natureza através de sua ação, o faz por meio de sua força física e de sua
potência espiritual. Algo como se o produto tivesse ganho vida própria e surgisse sem a
interferência ou ação do próprio trabalhador.
Assim, o trabalhador se sente alienado, como se o surgimento do produto fosse oriundo
de maneira externa ao trabalhador, ou seja, as mercadorias se caracterizam, dentro do
capitalismo, por esconderem as relações sociais de exploração do trabalho.

5) Para Marx, a mercadoria oculta as relações sociais de produção que lhe tornaram
possível. Aprofunde esse aspecto da teoria marxiana do capitalismo. Em seguida,
diga como o dinheiro, ao operar como equivalente geral entre todas as coisas,
concretiza este ocultamento de relações sociais característico da mercadoria. Dê
um exemplo em que essa discussão possa ser ilustrada.

A mercadoria para Marx é produzida através da junção de alguns componentes: matéria


prima, maquinários, força de trabalho e etc. Neste caso a força de trabalho é a
mercadoria que o trabalhador troca pelo salário, ou seja, ele vende x horas para o
capitalista, que, em troca, lhe dá um salário “justo” pela quantidade de horas trabalhadas.
Esta troca é repetida por parte do operário em outras mercadorias para sua própria
subsistência, tais como: comida, aluguel, roupas e etc.
O claro e transparente objetivo do capitalista nesta “troca” é apenas engordar seu capital,
o operário nada mais é que um objeto que vende, “aliena” sua força de trabalho
(necessária pra a produção de suas mercadorias), devendo inclusive se comportar sem
subjetividade, a menos que seja por submissão ou obediência. Através de vários
mecanismos, o operário perpetua um pensamento de que este recebe seu “justo”
pagamento, pelas horas alienadas ao patrão. E este “salário” pagou seu trabalho,
mantendo assim toda uma cadeia de mistificações. Produzindo, assim, o que Marx
denomina “alienação”, ou seja, o estranhamento do trabalhador em relação ao produto
de seu trabalho, de forma que o trabalhador não se enxerga como parte integrante do
produto final por ele produzido (já explanado na questão anterior).
Desta forma, esta alienação acaba criando um valor de troca que não consegue ser
explicado pelas relações de trabalho, demostrando, assim, um segundo conceito de
Marx, denominado “Fetichismo da Mercadoria”.
O dinheiro como atributo de equivalente geral, apesar de servir como unidade de medida
no qual os valores das mercadorias são expressos, acaba como materializar exatamente
o conceito de “Fetichismo da Mercadoria” de Marx. Pois ele, melhor que qualquer outra
forma de negociação, oculta, deliberadamente, todas as relações sociais de exploração
do trabalho, das mercadorias envolvidas na negociação. O valor atribuído à mercadoria
através de um determinado numerário de dinheiro, não nos permite ter a real noção do
valor da mercadoria, pois, de acordo com Marx, a verdadeira medida de valores é a
quantidade de trabalho. Desta maneira, o dinheiro acaba se tornando uma “coisa” social
que intermedeia as “trocas” de mercadoria, mas não explicitam o seu real valor, de
acordo com os conceitos de Marx.
Como exemplo, gostaria de citar um documentário (reality show) norueguês:

https://www.aftenposten.no/norge/i/4d1nl9/Video-fra-Aftenposten?video=21032

Em síntese, o programa denuncia as péssimas condições de trabalho as quais


trabalhadores de uma fábrica no Camboja são submetidos, para fabricarem roupas que
usamos cotidianamente. Pois, ao entrarmos em um shopping e comprarmos uma dessas
peças, não levamos em consideração todas as relações sociais existentes na sua
produção. Porque através do dinheiro como “equivalente geral”, apenas nos atemos ao
valor por nós desembolsado, sem que as condições de trabalho, condições de
sobrevivência e agruras, que passam os responsáveis reais pela produção destas peças
de roupas (mercadorias) são submetidas. O que nos conforta apenas é se a referida
mercadoria esta dentro das nossas condições financeiras e se atende a nossa
“necessidade” imediata.