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Sistema de Proteção

contra Descargas
Atmosféricas – SPDA
A descarga elétrica atmosférica (raio) é um fenômeno da
natureza absolutamente imprevisível e aleatório, tanto
em relação às suas características elétricas (intensidade
de corrente, tempo de duração, etc. ), como em relação
aos efeitos destruidores decorrentes de sua incidência
sobre as edificações.

Nada em termos práticos pode ser feito para se impedir


a "queda" de uma descarga em determinada região.
Não existe "atração" a longas distâncias, sendo os
sistemas prioritariamente receptores.
Não é função do sistema de pára-raios proteger
equipamentos eletro-eletrônicos (comando de
elevadores, interfones, portões eletrônicos, centrais
telefônicas, subestações, etc. ), pois mesmo uma
descarga captada e conduzida a terra com segurança,
produz forte interferência eletromagnética, capaz de
danificar estes equipamentos.

Para sua proteção, deverá ser contratado um projeto


adicional, específico para instalação de supressores de
surto individuais (protetores de linha).
O que é um Sistema de Proteção contra Descargas
Atmosféricas (SPDA)?
é um sistema de proteção de bens e pessoas contra
os efeitos danosos de descargas elétricas de origem
atmosféricas – Raios.

A norma utilizada no Brasil com relação ao SPDA é a


NBR-5419 - “Proteção de Estruturas Contra
Descargas Atmosféricas” da ABNT.

O SPDA é parte integrante do projeto de combate a


incêndios sendo exigido pelos bombeiros para
liberação de alvarás.
O raio é um fenômeno de natureza elétrica e por
isso deve ser conduzido o mais rapidamente para o
solo, afim de minimizar seus efeitos destrutivos.

• Fatores contribuem para eventual transferência


de cargas elétricas entre nuvem e solo:
queda da temperatura e aumento da umidade
relativa do ar.

Para evitar danos materiais e baixas são utilizados


os para-raios.
Para-raios: componente metálico situado a
determinada altura e eletricamente ligado à terra,
de forma que as descargas percorram o caminho
mais fácil.
Existem três métodos de dimensionamento:

- 1) Método Franklin - com limitações em função


da altura e do Nível de proteção (ideal para
edificações de pequeno porte).
- 2) Método Gaiola de Faraday ou Malha.
- 3)Método da Esfera Rolante, Eletrogeométrico
ou Esfera Fictícia -consiste em fazer rolar uma
esfera , por toda a edificação. Esta esfera terá
um raio definido em função do Nível de
Proteção. - Os locais onde a esfera tocar a
edificação são os locais mais expostos a
descargas. .
ELEMENTOS QUE COMPÕEM UM
SISTEMA DE PROTEÇÃO: Captores,
Descidas e Malha de Aterramento.

1 – CAPTORES - destinado a interceptar e receber as


descargas atmosféricas que incidam sobre o topo da
edificação e distribuí-las pelas descidas. - É composto por
elementos metálicos, normalmente mastros.
Os captores reduzem a probabilidade da estrutura ser
atingida diretamente pelo raio.
Devem possuir resistência térmica e mecânica suficientes
para suportar o calor gerado no ponto de impacto, bem
como, os esforços eletromecânicos resultantes.
2 - CONDUTORES DE DESCIDA
- destinado a conduzir a corrente da
descarga atmosférica desde os captores
até o subsistema de aterramento.
- Para edificações com altura superior a 20
metros têm também a função de receber
descargas laterais
- No nível do solo as descidas deverão ser
interligadas com cabo de cobre nu #50
mm2.
- Devem possuir resistência térmica e
mecânica suficientes para suportar o calor
e as tensões geradas pela passagem de
correntes elétricas altíssimas.
3 - ANÉIS DE CINTAMENTO OU DE
EQUALIZAÇÃO
- Dispositivos de instalação
obrigatória, a cada 20,00 (vinte)
metros de altura, interligando
todos os condutores de descida,
com o objetivo principal de igualar
os potenciais desses condutores.
- os anéis de cintamento devem
possuir as mesmas características
das descidas.
- este tipo de dispositivo é
dispensado em instalações que
adotem condutores de descida
naturais.
4 - SUBSISTEMA DE ATERRAMENTO
- - Recebe as correntes elétricas das
descidas e as dissipam no solo.
- Tem a função de equalizar os potenciais
das descidas e os potenciais no solo,
devendo haver preocupação com locais
de frequência de pessoas , minimizando
as tensões de passo nestes locais.
- Para o dimensionamento da malha de
aterramento deve-se realizar a prévia
prospecção da resistividade de solo,
exceto no caso do sistema estrutural.
- o subsistema deve resistir aos agentes
agressivos encontrados nos diferentes
tipos de solos.
A tabela B-6 da NBR-5419 define para diversas
estruturas, níveis de proteção a serem adotados pelo
projetista do SPDA.
Dicas para realização de um bom projeto de SPDA:

1 - Os condutores de descidas e anéis intermediários podem ser fixados diretamente na


fachada das edificações ou por baixo do reboco e devem ser distribuídos ao longo do
perímetro da edificação, com preferência para as quinas principais.

Os condutores das descidas e dos anéis intermediários horizontais deverão ter a mesma
bitola dos condutores de captação, devido à presença de descargas laterais.

2 - Para minimizar os danos estéticos nas fachadas e no nível dos terraços, podem ser
usados condutores chatos de cobre.

3 - A malha de aterramento deverá ser com cabo de cobre nu #50mm² a 0,5m de


profundidade no solo, interligando todas as descidas.

4 - Os eletrodos de aterramento tipo “Copperweld” deverão ser de alta camada (254


microns).
5 - As conexões enterradas deverão ser preferencialmente com solda exotérmica, onde
deverá ser instalada uma caixa de inspeção de solo para proteção e manutenção.

6 - Todas as ferragens deverão ser galvanizadas a fogo, sendo portanto proibida a


galvanização eletrolítica.

7 - As equalizações de potenciais deverão ser no mínimo executadas no nível do solo e a


cada 20m de altura, onde deverão ser interligadas todas as malhas de aterramento, bem
como todas as prumadas metálicas da edificação e a própria estrutura da edificação.

8 - As tubulações de gás com proteção catódica não poderão ser vinculadas diretamente.
Neste caso deverá ser instalado um DPS tipo centelhador.

9 - Todos os furos realizados na instalação do SPDA devem ser bem vedados para evitar
infiltrações. Recomenda-se o uso de porcas, arruelas e parafusos em aço inox e buchas de
nylon para aumentar a vida útil do SPDA.
Captores para Proteção contra Descargas Atmosféricas

Refere-se especificamente ao elemento situado no topo, que recebe diretamente


o raio.
O captor mais usado atualmente é o tipo Franklin, que consiste de um conjunto de
algumas hastes pontiagudas para facilitar a condução, montado em um mastro
vertical.
Número de descidas para Proteção contra Descargas Atmosféricas

O número de captores deve ser dado em função da área a


proteger.
O cabo de descida é normalmente de cobre, com seção
não inferior a 35 mm2.
A descida deve ser a mais direta possível, com o mínimo
de curvas (raio mínimo de 20 cm).
Não deve haver emendas, exceto para o conector
indicado, próximo ao solo, que permite separar as partes
para medições do aterramento.
Os espaçadores devem ser usados a cada 2 m no máximo
e devem proporcionar um separação mínima de 20 cm
entre cabo e prédio ou outras partes.
Quando se tem mais de um captor, o número de descidas
deve ser dado pelo valor máximo entre as expressões
abaixo:

Onde: n: número de descidas; a: área coberta do prédio em metros quadrados; h:


altura do prédio em metros; p: perímetro do prédio em metros.
Se o valor de alguma parcela for fracionário, ele dever ser arredondado para o
inteiro imediatamente superior.
No que se refere à bitola do fio terra , ela deve ser a maior possível.
Temos abaixo uma regra prática que evita desperdícios, e garante um
bom aterramento.
Para : Sf < 35 mm² ® St = 16 mm² e Sf ³ 35 mm² ® St = 0,5 Sf
Onde : Sf = a seção transversal dos cabos (fios) de alimentação do
equipamento (fases) e St = a seção transversal do fio terra.

Para diâmetros inferiores a 35 mm² para as fases , temos o fio terra de 16


mm² .
Já para diâmetros iguais ou acima de 35 mm², o fio terra deverá ter seção
transversal igual à metade da seção dos cabos de alimentação.

Para as conexões , devemos optar pela fixação por solda do fio terra à
haste . Isso evita o aumento da resistência do terra por oxidação de
contato .

Caso isso não seja possível, poderemos utilizar anéis de fixação com
parafusos. Nesse caso porém , é conveniente que a conexão fique sobre o
solo , e dentro de uma caixa de inspeção.
Tratamento químico do solo
Um aterramento elétrico é considerado satisfatório quando sua resistência
encontra-se abaixo dos 10 Ohms.
Para conseguir esse valor faz algumas mudanças de componentes

No caso de haste, podemos mudá-la para canaleta (onde a área de contato com
o solo é maior), ou ainda agruparmos mais de uma barra para o mesmo terra.
Ou uma malha de aterramento.

O tratamento do solo tem como objetivo alterar sua constituição química,


aumentando o teor de água e sal e, consequentemente, melhorando sua
condutividade. Deve ser o último recurso, visto que sua durabilidade não é
determinada. O produto mais utilizado para esse tratamento é o Erico – gel.
Outros tipos de produtos para o tratamento químico (Bentonita , Earthron , etc.)
O projeto de um sistema de aterramento deve seguir basicamente as
seguintes etapas:

• definir o local de aterramento;


• realizar varias medições da resistividade do solo no local previsto;
• realizar a estratificação do solo com suas respectivas camadas;
• definir o tipo de sistema de aterramento necessário;
• calcular a resistividade aparente do solo e
• dimensionar o sistema de aterramento.
O cálculo do sistema de aterramento com uma haste vertical cravada verticalmente
em um solo homogêneo, tem uma resistência elétrica que pode ser determinada
pela fórmula abaixo:

Onde:
L é o comprimento da haste em metro;
a o diâmetro das hastes;
p a resistividade do solo em ohm.metro (Ω m) e o resultado é a resistência do
aterramento dado em ohms (Ω).

O valor da resistividade do solo deverá ser de preferência medido no local da


instalação.
Poderá ser estimado conforme lista seguinte:
Lama: de 5 a 100 Ω m; Argila: de 20 a 60 Ω m; Limo: de 20 a 100 Ω m; Humus: de 20 a
150 Ω m; Argila e areia: de 80 a 200 Ω m; Turfa: de 150 a 300 Ω m; Areia: de 250 a
500 Ω m e Rocha: > 1000 Ω m.
Os aterramentos mais comuns são formados por uma ou mais hastes cilíndricas
verticais, cravadas no solo e eletricamente interligadas por fios de cobre sem
isolação.
As hastes são em geral feitas de aço e revestidas com cobre.
Essa construção reduz o custo dos materiais e aumenta a resistência mecânica,
sem comprometer sensivelmente as propriedades elétricas.
Na figura temos o exemplo de um aterramento com duas hastes.
Comercialmente, os comprimentos (L) e diâmetros (D) mais comuns são 2,4 e 3,0
metros e 1/2, 3/4 e 1 polegadas, respectivamente.
Malhas de aterramento:

É indicada para locais cujo solo seja extremamente seco.


É instalado antes da montagem do contra piso do prédio, e se estende por quase
toda a área da construção.
A malha de aterramento é feita de cobre, e sua “janela” interna pode variar de
tamanho dependendo da aplicação, porém a mais comum está mostrada na figura.

Os equipamentos não devem ser ligados a


malha de aterramento, pois pode sofrer danos.

É uma prática que devemos evitar, pois nunca


podemos prever a magnitude da potência que
um raio pode atingir.
Estruturas metálicas:
Utiliza-se as ferragens da estrutura da construção como eletrodo de aterramento
elétrico.
Ela deve ter as seguintes características gerais: Ser bom condutor de eletricidade;
Ter resistência mecânica adequada ao esforço a que está submetido; Não reagir
(oxidar) quimicamente com o solo.

Medida da Resistência de Aterramento

é realizada com a utilização de Terrômetro, nele há duas hastes de onde está ligado
uma fonte de corrente controlada e outra haste onde há um circuito elétrico
(voltímetro), composto de um ponto de injeção de corrente e um ponto de retorno
dessa corrente.
Locais de implantação do SPDA
Detalhes de implantação

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