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O MEDO E A

ESPERANÇA
RESENHA: HOBBES: O medo e a esperança.

• INTRODUÇÃO

Sabemos que Hobbes é um contratualista, quer dizer um daqueles filósofos


que entre o século XVI e o XVII ( basicamente), afirmaram que a origem da
sociedade e/ ou Estado está num contrato: ao homens viveriam, naturalmente,
sem poder e sem organização – que somente surgiriam depois de um pacto
firmado por eles, estabelecendo as regras do convívio social e da subordinação
política.

o A GUERRA SE GENERALIZA

" … O homem natural de Hobbes não é um selvagem. É o mesmo


homem que vive em sociedade. Melhor dizendo, a natureza do
homem não muda conforme o tempo, ou a história, ou a vida
social."
(Pág. 54)

Pois a natureza do homem é tal que, embora sejam capazes de


reconhecer em muitos outros maior inteligência, maior eloquência
ou maior saber, dificilmente acreditam que haja, muitos tão sábios
como eles próprios; porque vêem sua sabedoria bem de perto e a
dos outros a distância.

"… todo o homem é opaco aos olhos do seu semelhante". ( Pág.


55)

A semelhança que existe entre os homens se constitui em


rivalidade, pois cada sr que parecer superior em poder,
inteligência e valor ao seu semelhante, e este por sua vez,
também deseja o mesmo. Como ambos tem um desejo em
comum, duas atitudes são de defesa e ataque, onde cada qual
espera receber o devido respeito que julga merecer, causando ao
outro dano.
Sendo assim os homens viveriam em constante perigo, pois
quem possui mais bens materiais que os outros, sente- se
ameaçado de privação das suas conquistas: bens, liberdade,
conforto, enquanto que o outro, o invasor, teme ser apanhado

Na natureza do homem, encontramos 3 causas principais de


discórdia: primeiro a competição, segundo a desconfiança ; e
terceiro a glória.

" A primeira leva o homem a atacar os outros tendo em vista o


lucro; a segunda , a segurança e a terceira, a reputação."
(Pág.56)

Portanto sem um poder comum, os homens viveriam em


constante guerra, uns contra os outros.

" Para Aristóteles, o homem naturalmente vive em sociedade, e


só desenvolve as suas potencialidades dentro do estado" ( Pág.
57)

Mas se o homem é sociável, parece estranho que ele tenha a


capacidade de atacar e destruir ao outro. Na verdade o homem
não conhece a si próprio.

Para Hobbes, um homem pode conhecer o seu semelhante lendo


as suas ações, e fará o possível para não encontrar o mesmo em
si próprio, pois julga- se melhor, mais perfeito e mais importante.
Mas se este homem, deseja governar seus semelhantes ele
deverá ler, antes de tudo, a si mesmo, para compreender as suas
atitudes.

COMENTÁRIO CRÍTICO

A teoria de Hobbes se fundamenta na realidade e na natureza do


homem. O homem não vive em sociedade sem leis e regras que
limitem seus desejos e atitudes. Sem isso, nenhum cidadão
poderia viver em segurança ou em harmonia com o seu
semelhante, porém, para Hobbes, o homem é um selvagem, mas
se realmente fosse, ele não teria a capacidade de se reunir em
assembléia em um determinados momento em que julgasse
necessário para escolher um chefe que os protegesse e
estabelecer regras que os organizasse.

COMO POR TERMO A ESSE CONFLITO


" O indivíduo hobbesiano não almeja tanto os bens ( como julga
Macpherson ), mas a honra" ( Pág. 59)

O homem hobbesiano, então produz riquezas para ter maior


valor, maior status, maior respeito. Para ele, a honra é o valor
atribuído a alguém pelas sua aparências externas.

Se os homens possuírem a liberdade de usar seu próprio poder,


ter direito a todas as coisas, até mesmo os corpos dos outros
ninguém estará em segurança, não haverá paz, e as pessoas não
viveriam o tempo necessário que a natureza lhes permite..

Para haver paz é necessário que os homens renunciem ao seu


direito.

" Que um homem concorde, quando os outros também o façam, e


na medida em que tal considere necessário para a paz e para a
defesa de si mesmo, em renunciar o seu direito a todas as coisas,
contentando-se, em relação aos outros homens, com a mesma
liberdade que aos outros homens permite em relação ao mesmo."
( Pág. 60)

mas não basta o fundamento jurídico. É preciso que exista um


Estado dotado de espada, armado, para forçar os homens ao
respeito, com plenos poderes para que possa resolver todas as
pendências e arbitrar qualquer decisão. Uma pessoa que defenda
a nação de ataques estrangeiros, que estabeleça a paz e a ordem
entre os homens.

"… Porque, se há governo, é justamente para que vivamos em


paz: sem governo, já vimos, nós nos matamos uns aos outros.
Por isso o poder governante tem que ser ilimitado." (Pág. 63.

O Estado se constitui quando os homens em assembléia entram


em um acordo, que uma determinada pessoa seja representante
de todas eles, até mesmo de quem não o elegeu.

A esta pessoa fica garantido o direito de soberania e se alguém


desobedecê-lo ou ameaçar seu poder ou sua vida e for morto,
será o autor do seu próprio castigo.

COMENTÁRIO CRÍTICO

Hobbes diz que é necessário um estado dotado de força,


autoridade, espada, armado para forçar os homens ao respeito.
Não concordo com esta colocação. O homem necessita sim, de
regras para viver harmoniosamente em sociedade, mas não de
armas, pois ele é um ser racional, com a capacidade de
compreender e assimilar regras e valores morais e não um "
monstro" rebelde e incontrolável.

o IGUALDADE E LIBERDADE

Nesse Estado em que o poder é absoluto, a igualdade e a liberdade, valores


respeitados por nós, tem segundo Hobbes, a capacidade de gerar entusiasmo,
ambição, descontentamento e guerra. A igualdade, já vimos, é fator que leva a
guerra de todos, pois dois homens podem querer a mesma coisa, e por isso
todos nós vivemos em constante competição.

Liberdade para Hobbes, significa a ausência de oposição e não se aplica


menos as criaturas irracionais e inanimadas do que as racionais.

Hobbes, começa reduzindo a liberdade a uma determinação física, aplicável a


qualquer corpo, e como princípio pelo qual os homens lutam e morrem.

Tudo e todos na natureza tem o direito de ir mais além (como o rio que, se não
tivesse os morros que o limitasse, invadiria muito mais espaços), e quando
surge algum impedimento, o desejo de liberdade se torna uma obsessão e
provoca conflitos.

"… Um homem livre é aquele que, naquelas coisas que graças a sua força de
engenho é capaz de fazer, não é impedido de fazer o que tem vontade de
fazer." ( Pág. 67)

Quando o indivíduo abre mão de seu direito de natureza ele firma o contrato
social e contribui para proteger a própria vida. Mas o indivíduo não perdeu a
liberdade, ele deve obediência ao soberano, caso ele seja ordenado, por
exemplo, para matar-se ou confessar algum crime, ele tem plena liberdade
para recusar-se.

" Ninguém tem a liberdade de resistir a espada do Estado, em defesa de


outrem, seja culpado ou inocente. Porque essa liberdade priva a soberania dos
meios para proteger-nos, sendo portanto, destrutiva a própria essência do
Estado."(Pág. 70)

O soberano não perde a soberania se não atende aos caprichos de cada


súdito. Mas se ele deixa de proteger a vida de um de seus cidadãos, este não
deve-lhe mais sujeição e obediência, porém outros não podem aliar-se a este,
pois ainda recebem proteção. Em outras palavras podemos dizer que se o
governante não cumpre a sua obrigação, o súdito recupera a sua liberdade
natural.
COMENTÁRIO CRÍTICO

Para Hobbes, a liberdade e a igualdade desempenham um papel fundamental


dentro da sociedade.

É evidente que são dois aspectos significativos, capazes de gerar muitos


conflitos entre os homens que lutam para atingir um grau elevado de poder e
conforto.

Do meu ponto de vista, os ideais de igualdade e liberdade não estão bem


claros na compreensão humana, pois desejamos ser iguais ou superiores ao
nosso semelhante em poder, inteligência, riqueza, status, e esse desejo gera
competição, insatisfação, angústia e até mesmo guerras ( Ex: Revolução
Francesa).

Já a liberdade, se for ilimitada impede que exista paz entre as pessoas de uma
sociedade. Então falta nos distinguir a diferença entre liberdade e libertinagem,
pois, para que tenhamos uma sociedade organizada precisamos respeitar a
liberdade do outro, ou seja: " minha liberdade vai até onde começa a liberdade
do outro".

O ESTADO, O MEDO E A LIBERDADE

Hobbes diz: o soberano governa pelo temor que infringe a seus súditos.

"Porque sem medo, ninguém abriria mão de toda a liberdade que tem
naturalmente; se não temesse a morte violenta, que homem renunciaria ao
direito que possui ,por natureza, a todos os bens e corpos?" ( Pág. 71)

A condição do súdito parece miserável e o terror é que controla as suas


atitudes. Mesmo que a forma de governar mude, o poder é sempre o mesmo,
seja na Monarquia, seja na Democracia.

Mas, sabemos que sem o poder controlador, nos destruiríamos a nós mesmos,
levados pela nossa ganância e ambição incontrolável.

"O Estado não é produto apenas do medo à morte – se entramos no estado é


também como uma esperança de ter vida melhor e mais confortável.

O conforto deve-se ,em grande parte, a propriedade. A sociedade burguesa


que no tempo de Hobbes, já luta para se afirmar, estabelece a autonomia do
proprietário para fazer o que bem entenda."( Pág. 72)

Para Hobbes a lei é fundamental para que exista justiça entre o que "é meu" e
o que "é teu". Seria impossível alguém deixar uma herança para seus
descendentes, pois qualquer cidadão poderia apossar-se de suas
propriedades. Portanto: todos os súditos que tenham o direito a propriedade de
suas terras ou seus bens, podem excluir os outros súditos dessas terras ou
bens. Mas não de excluir o governante.

" Compete ao soberano, a distribuição das terras do país, assim como a


decisão sobre em que lugares, e com que mercadorias, os súditos estão
autorizados a manter tráfico com o estrangeiro". ( Pág. 75)

COMENTÁRIO CRÍTICO

Não acredito que um súdito obedeça a seu soberano apenas por medo de um
castigo ou de morte violenta. Acredito sim, que ele o respeita e respeita as
suas regras para garantir sua própria segurança, de seus familiares, de suas
propriedades, terras e bens materiais.

Nenhum homem por mais rebelde, ambicioso ou egoísta que possa ser, não
colocaria sua vida em risco para ter novamente a liberdade natural que lhe
concede todos os direitos, pois esta liberdade pode permitir que ele faça tudo o
que tem vontade, mas não lhe dá proteção e paz.

UM PENSADOR MALDITO

E aqui podemos entender porque Hobbes e Maquiavél e em certas medida


Rosseau, um dos pensadores mais "malditos" da História da Filosofia Política –
pois, no século XVIII, o termo "hobbista" era quase tão ofensivo quanto "
maquiavélico", não só porque apresenta o Estado como monstruoso e o
homem como belicoso, porque subordina a religião a política, mas porque,
nega um direito natural ou sagrado do indivíduo à sua propriedade.

"Mas como só vivemos em sociedade devido ao contrato social, somos nós


autores da sociedade e do estado, e podemos conhecê-los tão bem quanto as
figuras geométricas.

O contrato produz dois resultados importantes:

• o homem é artífice de sua condição, de seu destino e não Deus ou a


natureza.
• O homem pode conhecer tanto a sua presente condição miserável
quanto os meios de alcançar a paz e a prosperidade