Você está na página 1de 3

Estudando o Livro de Apocalipse

Quando o vi, caí a seus pés como morto. Porém ele pôs sobre mim a
mão direita, dizendo: Não temas; eu sou o primeiro e o último e aquele que
vive; estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos e tenho
as chaves da morte e do inferno. Escreve, pois, as coisas que vistes, e as que
são, e as que hão de acontecer depois destas. Apocalipse 1.17-19
O livro de Apocalipse é único dentro do NT. Embora as características
de Apocalipse sejam comparáveis às de outras epístolas do NT, o livro tem,
de modo geral, um estilo muito diferente, o que exige especial reflexão e
explicação.

Um retrato surpreendente
O último livro da Bíblia assustou e causou repulsa às pessoas que o
leram por primeiro. As congregações aceitaram de forma imediata e
universal os Evangelhos como retratos genuínos de Jesus, os cristãos
precisaram de um tempo para enxergar o valor do Apocalipse. Algumas
congregações, na Igreja Primitiva, não queriam incluir Apocalipse em sua
lista de livros a serem lidos durante o culto, muito embora João tenha escrito
Apocalipse para esse propósito específico,
“Bem-Aventurados aqueles que lêem e aqueles que ouvem as palavras
da profecia e guardam as coisas nela escritas, pois o tempo está próximo.”
Ap 1.3.
No entanto, com o tempo, os cristãos adotaram este intenso e dramático
retrato – uma revelação pessoal – de nosso Senhor Jesus Cristo.

Estilo apocalíptico
Talvez

O título grego deste livro é Apokalypsis (aquilo que está sendo


descoberto ou revelado); os leitores, porém, podem sentir que não há muito
revelado.

1
O Livro do Apocalipse não parece concretizar o que seu título promete,
confundindo seus leitores com todas as imagens, figuras e números que ali se
encontram.

O que pensam acerca do Livro de Apocalipse


Os pastores geralmente só pregam a série de cartas escritas às sete
igrejas existentes na Ásia Menor, registradas nos capítulos dois e três.
As pessoas consideram o livro como sendo Escritura, porém deixam de
fazer uso dele como tal.
Para muitos leitores, Apocalipse não é revelação, mas, antes, um
mistério profético que excede o entendimento humano.
Apesar de neste último livro da Bíblia Deus nos permitir ver algo de
Cristo e da Igreja no céu e na terra – e o que vemos é deveras assustador.
No Apocalipse, o Deus Triúno está revelando sua Palavra ao leitor, isto
é, Deus mesmo está falando ao seu povo. Isso se faz evidente nas palavras
introdutórias: “Revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe deu” (1.1), e nas
cartas às sete igrejas. Ali ouvimos a voz de Jesus, que conclui cada carta com
as palavras: “o Espírito diz às igrejas” (2.7,11,17,29; 3.6,13,22). O último
capítulo registra a voz de Jesus (22.7,12,20), a voz do Espírito (22.17) e a
advertência divina para que não se acrescente ou subtraia nada deste livro
(22.18-19). Negligenciar esta mensagem seria o mesmo que tirar parte das
Escrituras. Deus nos manda respeitar Apocalipse como sua santa Palavra, e
nos instrui a lê-lo com reverência.1
A advertência que Jesus pronuncia em 22.18,19 pode ser comparada a
uma nota de Copyright na página de expediente em um livro moderno.

Testifico a todos quantos ouvem essas palavras da profecia deste livro.


Se alguém acrescentar-lhe algo, Deus lhe acrescentará as pragas
escritas neste livro. E se alguém tirar algo das palavras da profecia
deste livro, Deus tirará sua participação na árvore da vida e na cidade
santa, que se acham descritas neste livro.

1
William Milligan, The Revelation of St. John (Londres: Macmillan, 1886), p. 6.

2
Todo o Livro do Apocalipse chama a atenção para seu compositor
primário, Deus. Ele é o artista divino, o principal arquiteto. Este é um volume
divinamente construído no qual Deus exibe a obra de sua mão.

A. Padrão
1. Os Números

Uma das características primordiais do Apocalipse que salta à vista do


leitor é o uso de números e seu significado. A um grau surpreendente, o
número sete é predominante, tanto explícita quanto implicitamente. Este
número não deve ser tomado literalmente, mas deve ser entendido como uma
ideia que expressa totalidade ou completude.2 Por exemplo, Jesus manda
João escrever cartas a sete igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes,
Filadélfia e Laodicéia (1.11). Essas igrejas estavam situadas seguindo uma
rota de forma oval, no sentido oeste para o norte, e então do leste para o sul.
A igreja de Colossos, porém, localizada na vizinhança de Laodicéia, é
omitida, e o mesmo se dá com a congregação vizinha de Heliópolis (Cl 4.13).
Papias, estudioso do apóstolo João, serviu como pastor na igreja de
Heliópolis. Paulo pregou na igreja de Trôade (At 20.5-12; 2 Co 2.12), cerca
de setenta milhas ao norte de Pérgamo, porém Trôade não está inclusa na
lista. Apocalipse é dirigido somente às sete igrejas da província da Ásia
(1.4)? A resposta é não, porquanto Jesus se dirige às igrejas de todos os
tempos e todos os lugares. O número sete simboliza completude.3

2
O número sete aparece 54 vezes no Apocalipse. Veja Stephen A. Hunter, Studies in the Book of
Revelation (Pittsburgo: Pittisburgh Printing, 1921), p. 248.
3
William Hendriksen, Mais Que Vencedores (São Paulo: Editora Cultura Cristã, 1987, p. 58.