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TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO – RELATÓRIO TÉCNICO

Gestão Municipal dos Espaços Públicos: A promoção de atividades


culturais nas praças, largos e parques da cidade do Rio de Janeiro

Júlio Barros de Mesquita Tenório – juliominerva2014@gmail.com – UFF/ICHS

Resumo
A gestão do espaço público pela Prefeitura do Rio de Janeiro é uma ferramenta essencial para
proporcionar mais qualidade de vida à população do município carioca. O objetivo desse
trabalho é identificar a problemática das praças, largos e parques da cidade quanto ao seu
aproveitamento sociocultural, tendo como metodologia a análise documental e bibliográfica.
Nessa pesquisa, verificou-se que os parques, largos e praças apresentam limitadas atividades
culturais e que, frequentemente, tais atividades nem estão disponíveis. A promoção da cultura
nesses espaços é imprescindível para o desenvolvimento social, proporcionando conexões
entre os cidadãos e caracterizando um espaço de amabilidade urbana. Para expandir a cultura
nesses espaços públicos, cabe ao Estado, às organizações privadas e aos cidadãos se unirem
na implementação de projetos socioculturais e intervenções urbanas consistentes.

Palavras-chave: Gestão do Espaço Público; Prefeitura Municipal; Praças; Intervenção


Urbana; Cultura; Amabilidade Urbana.

1 - Introdução

Para o Rio de Janeiro, cidade que já foi capital do Brasil, mundialmente conhecida
pelo seu patrimônio histórico-cultural e exuberante natureza, a gestão dos seus parques, largos
e praças precisa ser instrumentalizada por ações efetivas. No entanto, o que se observa, na
maioria das vezes, é uma sucessão de ações desarticuladas, visto que esses espaços públicos
são aproveitados de forma limitada e apresentam geralmente um cenário de vazio.
Ao tratar de espaços públicos, essa pesquisa restringiu-se às praças, largos e parques
do município do Rio de Janeiro. Sendo assim, lançaram-se as seguintes questões: Esses
ambientes promovem integrações socioculturais? Intervenções urbanas através de ações
culturais são capazes de melhorar esses espaços? Existem intervenções urbanas já aplicadas
em outras cidades que podem servir de referência ao Rio de Janeiro?
Para a implementação de programas socioculturais, o Município tem empenhado
esforços como o projeto “Lonas Culturais da Prefeitura do Rio”, implantado pela Secretaria
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Municipal de Cultura em 1993 e destacado pelo comprometimento com a inclusão social,


transformação urbana, desenvolvimento cultural e revitalização dos espaços públicos. De
acordo com Ribeiro (2007), o projeto tem sido capaz de estimular a convivência comunitária,
despertando sentimentos de cidadania e pertencimento à cidade do Rio de Janeiro.
Com base nos acertos das Lonas Culturais, esse trabalho possui como objetivo geral
identificar a problemática dos espaços analisados e propor um plano de ação capaz de
implantar ou aprimorar o uso cultural desses espaços para a população, através de ações
promotoras de cultura e lazer. Seu objetivo específico é apresentar a qualidade de vida gerada
pelo impacto das intervenções urbanas aplicadas, para o alcance do objetivo geral. Sabe-se
também que, dependendo do cenário, gestões participativas como as Parcerias Público-
Privadas (PPP) e as Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) podem ser
mais efetivas do que ações exclusivamente estatais (ARANTES, 2015).
Para fundamentar a pesquisa e o plano de ação proposto, foram feitas análises
documentais e bibliográficas dos conceitos de intervenção urbana e amabilidade urbana, da
elaboração de estratégias com a matriz de Forças, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças
(FOFA) e sobre as principais iniciativas implementadas pela Prefeitura de São Paulo em
espaços públicos similares. Esta cidade serviu de referência, pois, embora tenha uma rede de
influência bem maior que a metrópole carioca, tem implementado ações inovadoras que
podem ser aplicadas ou adaptadas ao município carioca.
A pesquisa possui como foco o município do Rio de Janeiro, limitando-se ao período
compreendido entre outubro de 2015 e junho de 2017. A motivação desse trabalho reside na
necessidade de implementar e ampliar atividades culturais nas áreas de lazer cariocas, tendo
em vista que elas proporcionam mais qualidade de vida e harmonização à sociedade.

2 – Apresentação do Caso

Esse trabalho foca nas praças, parques e largos do município do Rio de Janeiro e
identifica algumas das ações culturais que a Prefeitura junto a Secretaria Municipal de Cultura
tem implementado nesses espaços.

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No âmbito dessa pesquisa, coube o estudo de ações que, aproveitando o espaço
público estabelecido, utilizaram-se de novas estruturas ou não, visando ao desenvolvimento
de atividades culturais. Assim, tal pesquisa tem como objetivo central a implantação de
programas culturais capazes de promover o aproveitamento cultural dos espaços disponíveis.
Para expor de forma abrangente os principais programas orçamentários destinados à
promoção da cultura, por meio de acesso ao site do Rio Transparente no dia 03 de maio de
2017, destacam-se as tabelas 1 e 2 abaixo:

Tabela 1- Programa municipal 0387

Fonte: Rio Transparente (2017)

Tabela 2 – Programa municipal 0154

Fonte: Rio Transparente (2017)

Os programas acima são os instrumentos iniciais de planejamento e desenvolvimento


das políticas públicas culturais, sendo cada programa subdividido em ações. Seguem-se
abaixo as tabelas 3 e 4 respectivas às ações dos programas 0387 e 0154:

Tabela 3 – Ações do programa 0387

Fonte: Rio Transparente (2017)

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Tabela 4 – Ações do Programa 0154

Fonte: Rio Transparente (2017)

Foge ao escopo do trabalho a análise da execução orçamentária dos programas e ações


culturais aprovada na Lei Orçamentária Anual (LOA). O objetivo específico da pesquisa é a
identificação das principais atividades culturais vigentes, para a elaboração de um plano de
ação capaz de potencializar e aperfeiçoar tais atividades nos espaços delimitados.
Dentre as diversas ações, ressalta-se a ação 2056, responsável pela gestão das Lonas
Culturais, que representa um exemplo sólido de projeto sociocultural almejado para os
espaços públicos delimitados nesse trabalho.
Pode-se dizer que as Lonas Culturais são equipamentos públicos que oferecem
diversas atividades lúdicas-culturais, como oficinas de música, dança, artesanato, literatura e
teatro, tendo por público-alvo principalmente a população das periferias, conforme Ribeiro
(2007).
Na maioria das vezes, o projeto reaproveita os espaços públicos existentes, no entanto
ainda o faz de maneira fechada e compacta, sem estabelecer uma ampla interação e
comunicação com a comunidade local. Desse modo, uma crítica que pode ser feita é a de que
essas Lonas são implantadas em espaços isolados com pouca ou nenhuma influência em
outras organizações, carecendo ainda da devida divulgação pelo poder público, visto que são
pouco conhecidas até pelas escolas do bairro.
Em contrapartida, com a expansão do acesso à internet, as redes sociais apresentam-se
como os principais canais de publicidade aos eventos, porém a divulgação pode ficar restrita
aos grupos específicos da rede, sendo limitado o conhecimento do projeto por aqueles que não
são membros. Ao todo, a cidade possui 10 Lonas culturais relacionadas no quadro 1 a seguir:

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Quadro 1 – Relação de Lonas Culturais
Nome Bairro
Carlos Zéfiro Anchieta
Elza Osborne Campo Grande
Gilberto Gil Realengo
Hebert Vianna Maré
Hermeto Pascoal Bangu
João Bosco Vista Alegre
Sandra de Sá Santa Cruz
Terra Guadalupe
Jacob do Bandolim Jacarepaguá
Renato Russo Ilha do Governador
Fonte: Prefeitura do Rio (2017)

Observa-se, pelo quadro acima, que o número de bairros contemplados pelas Lonas
Culturais ainda é limitado. Isso pode ser ainda mais notório, quando se verifica que as Lonas
Culturais são estabelecidas em poucas praças, parques e largos da cidade, comparado ao
número total relacionado na tabela 5.
Para estabelecer o cenário quantitativo desses espaços, foi realizada uma pesquisa no
site Armazém de Dados, que gerou a tabela 5. A partir dessas informações, pode-se concluir
que a cidade possui muitos desses espaços sem ações culturais sistemáticas.

Tabela 5 – Praças, Largos e Parques por Áreas de Planejamento


ÁREAS DE PLANEJAMENTO N° Praças Oficiais PRAÇA LARGO PARQUE
AP1 - Centro, Paquetá, Portuária, Santa
165 122 28 5
Teresa, Rio Comprido, São Cristóvão.
AP2 - Zona Sul, Tijuca e Vila Isabel. 248 159 28 31
AP3 - Ramos, Méier, Madureira, Inhaúma,
827 497 30 31
Penha, Pavuna e Ilha do Governador.
AP4 - Barra da Tijuca e Jacarepaguá 759 336 12 39
AP5 - Zona Oeste 1885 864 16 17
TOTAL 3884 1978 114 123
Fonte: Armazém de Dados (2017)

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3 – Referencial Teórico

3.1 – Intervenção Urbana

Com a expansão acelerada das cidades, as deformações econômicas e sociais acabam


impregnando a paisagem urbana com efeitos negativos que por consequência distanciam seus
habitantes. Essas cidades tendem a configurar ambientes repletos de individualismo
exacerbado, antipatia, hostilidade e insensibilidade das pessoas (FONTES, 2013; JANUZZIA
E RAZENTE, 2007).
Segundo Bonizzato (2006), os efeitos dessas deformações alcançam o comércio local,
marginalizam o ambiente social, reduzem a qualidade de vida das pessoas e atingem o setor
imobiliário. Logo, é imprescindível uma gestão responsável dos espaços públicos, nesse caso,
os parques, largos e praças, considerando que os mesmos têm como propósito a ampliação da
qualidade de vida das pessoas, corroborando também para a amenização dos conflitos nos
centros urbanos e para o senso de civilidade e solidariedade.
Um dos mecanismos da gestão dos espaços públicos é a intervenção urbana, que neste
relatório será conceituada da seguinte forma:

Intervenção Urbana é o conjunto de programas e projetos que incidem sobre os


tecidos urbanos dos aglomerados, sejam antigos ou relativamente recentes, tendo em
vista: a sua reestruturação ou revitalização funcional, a sua recuperação ou
reabilitação arquitetônica e a sua reapropriação sociocultural (PORTAS, 1998, p. 34,
apud VAZ, 2004).

A intervenção urbana também vem como uma ferramenta de modificação e adaptação


dos espaços públicos, não restrita apenas ao Estado, mas principalmente acessível à
sociedade, permitindo a inclusão social e o seu empoderamento político. Assim, tem sido
comum o uso das intervenções urbanas como plataforma de representação de interesses e
expressões de grupos minoritários da cidade (MAZETTI, 2006).
Desta forma, as intervenções urbanas podem ser implementadas por diversos agentes
da sociedade, desdobrando-se em projetos de parcerias privadas, ações espontâneas dos
cidadãos, até projetos exclusivamente estatais. Elas também não possuem duração
determinada, sendo possível o uso de intervenções permanentes ou temporárias, por exemplo:
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fomentar a participação de alunos da graduação de teatro nos parques e praças; estruturar
nesses ambientes a prática de skateboarding; organizar almoços coletivos ou subsidiar grupos
culturais e artistas de rua, promovendo a visibilidade de seus trabalhos (FONTES, 2013).

3.2 – Amabilidade Urbana

O conceito de amabilidade urbana pode ser definido como uma qualidade específica
do espaço revelada pelas intervenções urbanas nas dimensões físicas, temporais e sociais,
proporcionando conexões afetivas das pessoas com determinado lugar (FONTES, 2013, p.9).
Observa-se que a amabilidade urbana é uma consequência das intervenções urbanas
bem-sucedidas. Nesse sentido, os espaços que forem objeto de intervenções urbanas efetivas,
além de oferecem infraestruturas que propiciam atividades saudáveis, serão também capazes
de aproximar as pessoas dos espaços, harmonizando de maneira relevante as relações sociais e
o bom convívio entre os habitantes da cidade.
Assim, as intervenções urbanas funcionam como estímulos externos para o alcance da
amabilidade urbana. Esse estímulo é fundamental para a compreensão do processo de
triangulação (WHYTE, 2001, apud FONTES, 2013, p.33), no qual as intervenções urbanas
atuam sobre as pessoas e os espaços, transformando espaços pessoais e isolados em espaços
coletivos e compartilhados.
Como um resultado da amabilidade urbana, muitas fronteiras pessoais são quebradas
e, no lugar delas, criam-se sentimentos de identidade, proteção, acolhimento e pertencimento
a um grupo.

3.3 – Principais iniciativas da Prefeitura de São Paulo

Não somente com o intuito de promover a cultura, mas também para repelir o
surgimento de vazios nos parques, praças e largos, a Prefeitura de São Paulo implementou
algumas iniciativas como o projeto Bosque de Leitura e a Lei nº 16.212, de 10 de junho de
2015. Tais medidas introduziram novas perspectivas e utilidades para essas áreas de lazer,
conferindo maior participação da sociedade e potencializando a promoção da cultura.

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O projeto Bosque de Leitura é um programa cultural difundido nos espaços da cidade.


Segundo a Secretaria da Cultura da Cidade de São Paulo (2017), o projeto é “um ambiente
cultural alternativo localizado em parques da cidade que incentiva a leitura, facilita o acesso à
informação e estimula a aprendizagem contínua dos cidadãos”.
Há 13 unidades espalhadas pelos parques e praças da cidade, atendendo em média 700
usuários por unidade de todas faixas etárias. Além de promoverem o lazer cultural, divulgam
os serviços regulares das bibliotecas públicas e promovem eventos culturais como saraus,
contação de histórias, encontro com escritores, espetáculos teatrais, apresentação de
cordelistas, entre outros. Os Bosques de Leitura também contam com doações de livros,
revistas, gibis, assim como participações de artistas livres (SÃO PAULO, 2017).
Através da publicação da Lei nº 16.212, de 10 de junho de 2015, do Município de São
Paulo, a prefeitura implementou a gestão participativa das praças como uma medida em prol
de sua reestruturação e revitalização. De acordo com essa lei, a Gestão Participativa das
praças pode ser compreendida pelo seguinte:

Art. 3º Entende-se por gestão participativa das praças a participação dos cidadãos,
conjunta com o poder público, na implantação, revitalização, requalificação,
fiscalização, uso, conservação das praças públicas, visando garantir a qualidade
desses espaços públicos e fortalecer o necessário diálogo entre o poder público e a
sociedade civil. (SÃO PAULO, 2015, p.1).

Desta forma, o modelo de gestão participativa permite que o espaço público seja
construído por diversos agentes da sociedade. Tal possibilidade pode ser desdobrada, por
exemplo, nas seguintes ações:

1. A celebração de diversas parcerias com Organizações da Sociedade Civil para


descentralizar a gestão e trazer ao mesmo tempo mais benefícios aos cidadãos;

2. A instalação de zonas de Wi-Fi livre que atraem todos cidadãos para as praças; e

3. A concessão, aos particulares, de licenças para aberturas de lojas e quiosques,


oferecendo, inclusive, alguns produtos pautados pelo Marketing Verde (VARGAS,
2015; CASTILHO,2015, p. 26).

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Consequentemente, essas medidas fazem com que o parque, antes vazio e servindo
apenas para o trânsito de pedestres, fique repleto de pessoas e clientes dos serviços e produtos
ofertados. Observa-se, nesse caso, o uso do comércio como elemento orgânico capaz de
associar os atores que antes estavam difusos. Esse modelo de gestão é conhecido por modelo
participativo neoliberal e tem apresentado bons resultados no caso recente da Prefeitura de
São Paulo (ARANTES, 2013).
Alguns criticam esse modelo, pois, nessa perspectiva, o Estado, através da delegação,
estaria terceirizando atividades que ele exclusivamente deveria executar. Outros são
favoráveis à delegação e à descentralização dessas atividades do Estado, argumentando que
esse repasse é fundamental para diminuir o inchaço atual da máquina pública, a qual pouparia
recursos para outras atividades consideradas prioritárias (ARANTES, 2013).

4 – Plano de Ação

Com base na apresentação do caso e no referencial teórico, mas sem importar um


modelo desconsiderando diferenças de contextos políticos e socioeconômicos da cidade do
Rio de Janeiro, esse plano de ação constitui-se em ferramentas de planejamento estratégico.
Esse plano de ação não tem por meta definir e impor uma única metodologia de ação,
mas sim demonstrar a possibilidade de vários caminhos para solucionar a carência e limitação
de atividades culturais nos espaços específicos. Os instrumentos utilizados para elaborar o
plano foram as seguintes ferramentas de gestão: a matriz FOFA e o mapeamento de pontos-
chaves, conhecido como 5W1H (PALUDO, 2013, p. 298).
A matriz FOFA foi escolhida por ser um instrumento prático de diagnóstico da
organização, já que identifica os principais elementos do objeto pesquisado e delimita seus
ambientes. Consequentemente, ela auxilia na configuração do cenário presente, pois foca nos
elementos críticos de interação da organização em ambos ambientes: interno e externo.
Seguem abaixo os elementos que compõem a matriz FOFA:
 Elementos: pontos fortes (Forças), pontos fracos (Fraquezas), Oportunidades e
Ameaças.
 Ambiente interno: pontos fortes e fracos.
 Ambiente externo: oportunidades e ameaças.
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Para elaborar a matriz FOFA proposta, foram realizadas observações dos seus
elementos em alguns espaços do centro da cidade: Praça da Cinelândia, Passeio Público,
Campo Santana, mas também na Praça Washington Luís de Sepetiba, localizada na Zona
Oeste. Tendo em vista o objeto dessa pesquisa, a aplicação da matriz se restringirá à análise
da organização dos parques, praças e largos.

Quadro 2 – Matriz FOFA


Organização: parques, praças e largos da cidade do Rio de Janeiro

FORÇAS FRAQUEZAS OPORTUNIDADES AMEAÇAS

Espaço democrático Comércio informal Geração de empregos Abandono

Senso de comunidade Aumento do volume de lixo Criação de novos serviços Marginalização

Diversidade Moradores de rua Expansão do comércio Aumento da poluição local

Expressão artística local Difícil acesso e isolamento Ampliação do turismo Inchaço do trânsito

Desenvolvimento cultural Baixa divulgação Eventos e festivais Insegurança

AMBIENTE INTERNO AMBIENTE EXTERNO

Fonte: Elaborado pelo autor

Com os elementos identificados e delimitados pelo quadro 2, elaboram-se estratégias


de intervenção urbana através do cruzamento dos elementos nos ambientes internos e
externos. Seguem abaixo as estratégias propostas:

1. Forças/Oportunidades: essa estratégia é ofensiva. Aqui, sugere-se a implantação


de intervenções urbanas que fomentem ou revolucionem as atividades culturais,
comerciais e turísticas no local. As feiras de artesanato e as exposições de pinturas
aliadas ao seu comércio podem ser uma boa forma de divulgar os produtos locais,
ampliar a cultura e expandir o turismo local;

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2. Forças/Ameaças: essa é uma estratégia defensiva e de confronto. Nesse caso, as
ONGs e grupos da sociedade podem divulgar e promover ações, audiências e
encontros com o objetivo de esclarecer temas como o processo de gentrificação,
especulação imobiliária, aumento da desigualdade social, poluição e outros. Nessa
estratégia, o espaço público aproveita seu potencial informativo para divulgar os
tópicos que os cidadãos consideram importantes;
3. Fraquezas/Oportunidades: essa é uma estratégia de reforço e pesquisa. Com a
criação de novos serviços, o comércio informal pode ser atraído para uma atuação
inovadora e legalizada. O uso do marketing verde pode estimular o consumo e
expandir a conscientização ecológica; e
4. Fraquezas/Ameaças: Essa é uma estratégia de sobrevivência e de fuga. Ela tende a
reinventar a organização num cenário crítico. O aumento dos moradores de rua
pode marginalizar o local, proporcionando insegurança, depredação e abandono do
espaço. Contra esse cenário, não basta apenas a atividade coercitiva estatal. É
necessário explorar a capacidade inclusiva e cultural do espaço, fornecendo
oportunidades para que esses moradores de rua possam expressar-se em atividades
socioculturais. Para isso, existem as oficinas culturais abertas, incubadoras sociais e
outras políticas públicas de inserção popular.
A próxima fase do plano cabe ao 5W1H, que corresponde ao processo de
determinação das ações. Tal instrumento foi escolhido por possibilitar um horizonte lógico-
sequencial, amplo e integrativo dos componentes do plano de ação para o cenário proposto
pela matriz FOFA.
As ações são divididas e organizadas por perguntas-chaves que permitem uma
perspectiva concisa das etapas do plano. Quanto às ações propostas, foram utilizadas como
diretrizes o projeto Lonas Culturais, os tópicos abordados no referencial teórico e a técnica do
brainstorming, ou técnica de tempestade cerebral (PALUDO,2013, p. 499), conforme o
quadro 3.

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Quadro 3 - 5W1H
Meta: promover atividades culturais nos parques, praças e largos

What Who Where When Why How

(O que) (Quem) (Onde) (Quando) (Porque) (Como)

Implantar novas A Prefeitura da Nos parques, praças Fevereiro de 2018 As Lonas Culturais Elaborar projeto
unidades do projeto cidade do Rio de e largos da cidade são equipamentos básico para
Lonas Culturais Janeiro ainda não culturais efetivos aprovação no
comtemplados pelo orçamento público de
projeto 2018
Ampliar a divulgação As Secretarias de Nos espaços públicos, Contínuo Com divulgação Manter e aprimorar
das Lonas Culturais Cultura e Educação principalmente, nas sistêmica, o projeto as campanhas de
da cidade do Rio de escolas, alcançará novos publicidade
Janeiro universidades, usuários
museus e sites da
prefeitura da cidade
Fomentar oficinas de Universitários da Nos parques, praças A data de início Considerando as Implantar nas
artesanato, dança, cidade do Rio de e largos que não depende de possíveis restrições universidades
música e teatro Janeiro forem contemplados disponibilidade de orçamentárias, são programas
pelas Lonas Culturais voluntários ou necessárias curriculares para o
exigências atividades voluntárias desenvolvimento de
curriculares das atividades lúdicas nos
universidades espaços públicos
Incentivar Prefeitura da cidade Nos parques, praças Assim que forem As intervenções Iniciar parcerias com
intervenções urbanas do Rio de Janeiro e e largos autorizadas pela promovem a organizações ou com
culturais, como: sociedade civil prefeitura integração da pessoas interessadas
grafites, revitalização comunidade que
dos jardins e almoços ocupam de forma
coletivos criativa o espaço
público
Implantar o modelo Prefeitura e Câmara Nos parques, praças Quando publicada a O modelo de gestão Publicar lei específica
de gestão Municipal da cidade e largos lei participativa é um e estabelecer
participativa nos do Rio de Janeiro impulsionador e consórcios públicos,
espaços públicos facilitador das ações concessões públicas,
culturais convênios e termos
de parceria
Fonte: Elaborado pelo autor

Percebe-se que as duas primeiras ações têm por finalidade a expansão e o aumento da
divulgação das Lonas Culturais, através do estabelecimento de novas unidades e de mais
campanhas de publicidade. A terceira e a quarta ação visam fomentar a participação dos
universitários e da sociedade civil no desenvolvimento de novos projetos e intervenções
culturais. Por último, cabe implantar o modelo de gestão participativa, através de lei
específica, que proporcionará uma nova forma de gestão das praças, parques e largos da
cidade.
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Assim, todas as ações estão coordenadas para ampliar o projeto das Lonas Culturais,
desenvolver novos projetos e intervenções culturais, com a participação de toda sociedade, e
também estabelecer por marco legal o modelo de gestão participativa para esses espaços da
cidade.

5 – Conclusão

Há muitos parques, praças e largos no município carioca que, se não estiverem


abandonados e vazios, não apresentam o aproveitamento de todas suas potencialidades. Entre
essas potencialidades, destaca-se o uso desses espaços para a produção e promoção de cultura,
contribuindo para mudanças significativas nas relações sociais urbanas.
Assim, o objetivo desse trabalho foi abordar a problemática dos espaços públicos
analisados e propor um plano de ação capaz de empregar intervenções urbanas para a inserção
e ampliação da cultura nesses espaços, proporcionando maior qualidade de vida e amabilidade
urbana. Ressalta-se que as ações aqui apresentadas podem carecer de suporte, pois para
construir uma mudança sólida não serão suficientes apenas as ações elencadas nessa pesquisa.
Portanto, cabe ressaltar que, além da promoção dessas atividades, também são necessários
sistemas eficazes de mobilidade urbana, segurança pública e outros.
Porém o desenvolvimento dessas ações complementares inviabilizaria o alcance do
objeto estudado, considerando as limitações impostas pelo modelo da pesquisa. Logo, sugere-
se para estudos posteriores a análise e elaboração das ações de forma interligada, porque serão
fundamentais para a consolidação dos espaços públicos almejados pela sociedade.
O plano de ação desse relatório foi estruturado em duas etapas: análise do cenário e
planificação das ações, respectivamente pela matriz FOFA e o plano 5W1H, os quais
apresentaram suas estratégias e ações. Não foi possível realizar uma análise completa dos
recursos disponíveis e dos atores participantes da Prefeitura do Rio de Janeiro, em virtude de
sua extensa ramificação. Em relação aos custos, essa esfera apresentou diversos problemas
para a pesquisa, pois não foi possível quantificar os gastos envolvidos no processo.
Por fim, esse relatório demonstrou com clareza a necessidade de promoção de
atividades culturais nos espaços públicos cariocas, considerando seu quantitativo e a limitação
das atividades disponíveis. Ao mesmo tempo, apresentou a gestão participativa como uma
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possibilidade de ação para os gestores públicos e outros envolvidos na transformação dos


espaços públicos da cidade.

6 - Referências

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