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IFPI – Campus Teresina Central

Curso: Licenciatura em Química


Disciplina: Fundamentos de Biologia
Profa.: Keyla Christianne
Nome: __________________________________

Aula: Núcleo Celular


O núcleo celular, primeiramente descrito por Franz Bauer, em 1802, é uma estrutura presente
nas células eucariontes, que contém oADN (ou DNA) da célula. É delimitado pelo envoltório nuclear, e se comunica
com o citoplasma através dos poros nucleares. O núcleo possui duas funções básicas: regular as reações
químicas que ocorrem dentro da célula (metabolismo), e armazenar as informaçõesgenéticas da célula. O
seu diâmetro pode variar de 11 a 22.25 μm.
O pesquisador escocês Robert Brown (1773- 1858) é considerado o descobridor do núcleo celular. Embora
muitos citologistas anteriores a ele já tivessem observados núcleos, não haviam compreendido a enorme importância
dessas estruturas para a vida das células. O grande mérito de Brown foi justamente reconhecer o núcleo como
componente fundamental das células. O nome que ele escolheu expressa essa convicção: a palavra “núcleo” vem do
grego nux, que significa semente. Brown imaginou que o núcleo fosse a semente da célula, por analogia aos frutos.
Hoje, sabemos que o núcleo é o centro de controle das atividades celulares e o “arquivo” das informações
hereditárias, que a célula transmite às suas filhas ao se reproduzir.
O núcleo é o responsável pelo controle de todas as funções celulares. A maior parte das células de nosso
corpo possui um único núcleo. Contudo, há células que não possuem nenhum (glóbulos vermelhos maduros) e outras
que possuem vários, como, por exemplo, às células musculares esqueléticas.
Como nem todas as células possuem um núcleo definido, a biologia as dividiu em dois grupos: as eucariontes
(células com núcleo definido) e as procariontes (células sem núcleo definido).
Dentro destes dois grupos, é importante sabermos que mesmo as células procariontes possuem DNA. Neste
caso, ao invés de concentrar-se no núcleo, como ocorre com as células eucariontes, o DNA geralmente se encontra
no nucleóide.
O nucleóide não é um verdadeiro núcleo, uma vez que não se encontra separado do resto da célula por
membrana própria. Este consiste em uma única grande molécula de DNA com proteínas associadas.
No caso das células eucariontes, o núcleo encontra-se separado pelo envoltório nuclear, que, além de ter a
função de separar o núcleo do citoplasma, comunica-se com o citoplasma através dos poros nucleares. Estes poros,
são os responsáveis pelo controle da troca de substâncias entre o núcleo e o citoplasma.
Dentro do núcleo, encontram-se corpos em formatos esféricos denominados nucléolos, compostos
protéicos, DNA e RNA e os genes nucleares, também conhecidos como código genético. Estes genes são os
responsáveis não só pelas características hereditárias, como também, pelo controle da maioria das atividades
realizadas pelas células.

Funções básicas

De forma geral podemos dizer que o núcleo possui duas funções básicas: regular as reações químicas que
ocorrem dentro da célula e armazenar suas informações genéticas.

Os componentes do núcleo

O núcleo das célula que não estão em processo de divisão apresenta um limite bem definido, devido à
presença da carioteca ou membrana nuclear, visível apenas ao microscópio eletrônico.
A maior parte do volume nuclear é ocupada por uma massa filamentosa denominada cromatina. Existem
ainda um ou mais corpos densos (nucléolos) e um líquido viscoso (cariolinfa ou nucleoplasma).

A carioteca
A carioteca (do grego karyon, núcleo e theke, invólucro, caixa) é um envoltório formado por duas membranas
lipoprotéicas cuja organização molecular é semelhante as demais membranas celulares. Entre essas duas membranas
existe um estreito espaço, chamado cavidade perinuclear.
A face externa da carioteca, em algumas partes, se comunica com o retículo endoplasmático e, muitas vezes,
apresenta ribossomos aderidos à sua superfície. Neste caso, o espaço entre as duas membranas nucleares é uma
continuação do espaço interno do retículo endoplasmático.

Poros da carioteca
A carioteca é perfurada por milhares de poros, através das quais determinadas substâncias entram e saem
do núcleo. Os poros nucleares são mais do que simples aberturas. Em cada poro existe uma complexa estrutura
protéica que funciona como uma válvula, abrindo-se para dar passagem a determinadas moléculas e fechando-se em
seguida. Dessa forma, a carioteca pode controlar a entrada e a saída de substâncias.
A face interna da carioteca encontra-se a lâmina nuclear, uma rede de proteínas que lhe dá sustentação. A
lâmina nuclear participa da fragmentação e da reconstituição da carioteca, fenômenos que ocorrem durante a divisão
celular.

A cromatina
A cromatina (do grego chromatos, cor) é um conjunto de fios, cada um deles formado por uma longa molécula
de DNA associada a moléculas de histonas, um tipo especial de proteína. Esses fios são os cromossomos. Quando
se observam núcleos corados ao microscópio óptico, nota-se que certas regiões da cromatina se coram mais
intensamente do que outras. Os antigos citologistas já haviam observados esse fato e imaginado, acertadamente, que
as regiões mais coradas correspondiam a porções dos cromossomos mais enroladas, ou mais condensadas, do que
outras.
Para assinalar diferenças entre os tipos de cromatina, foi criado o termo heterocromatina (do gregoheteros,
diferente), que se refere à cromatina mais densamente enrolada. O restante do material cromossômico, de
consistência mais frouxa, foi denominado eucromatina (do grego eu, verdadeiro).

Os nucléolos
Na fase que a célula eucariótica não se encontra em divisão é possível visualizas vários nucléolos, associados
a algumas regiões específicas da cromatina. Cada nucléolo é um corpúsculo esférico, não membranoso, de aspecto
esponjoso quando visto ao microscópio eletrônico, rico em RNA ribossômico(a sigla RNA provém do
inglês RiboNucleic Acid). Este RNA é um ácido nucléico produzido a partir o DNA das regiões específicas da
cromatina e se constituirá um dos principais componentes dos ribossomos presentes no citoplasma.
É importante perceber que ao ocorrer a espiralação cromossômica os nucléolos vão desaparecendo
lentamente. Isso acontece durante os eventos que caracterizam a divisão celular. O reaparecimento dos nucléolos
ocorre com a desespiralação dos cromossomos, no final da divisão do núcleo.
Um núcleo pode ter um ou mais nucléolos. Esse é o local onde o RNA é sintetizado e se une a proteínas
que vêm do citoplasma e formam unidades precursoras dos ribossomos. As sub-unidades ficam no nucléolo até a
divisão celular. A maioria das células possui apenas um núcleo.
A entrada e saída de grandes moléculas do núcleo está intimamente controlada pelos complexos de poros
nucleares. Apesar de pequenas moléculas poderem entrar no núcleo sem regulação, macromoléculas como o ARN
e proteínas requerem associação com carioferinas denominadas importinas para entrar no núcleo e exportinas para
sair. Proteínas de carga que têm que ser transferidas do citoplasma para o núcleo contêm sinais de localização
nuclear ligadas pelas exportinas. A habilidade das importinas e exportinas em transportar a sua carga é regulada
por GTPases, enzimas que hidrolisam a molécula de guanosina trifosfato para libertar energia. A GTPase de maior
importância envolvida no transporte nuclear denomina-se Ran, que pode se ligar a GTP ou GDP, dependendo se
estiver localizada no núcleo ou citoplasma. Enquanto que as importinas dependem de RanGTP para se dissociarem
da sua carga, as exportinas requerem RanGTP para se poderem ligar à sua carga.
A importação nuclear depende da importina se ligar à sua carga, no citoplasma, e transportá-la através do
poro nuclear até ao núcleo. Dentro do núcleo, a RanGTP actua para separar a carga da importina, permitindo que
esta possa sair do núcleo para ser reutilizada. A exportação nuclear é similar, sendo que a exportina liga-se à carga
dentro do núcleo, num processo facilitado pela RanGTP, saindo depois através do poro nuclear, separando depois
da sua carga no citoplasma.
Proteínas de exportação, especializadas, existem para efectuar a transferência de Arnm madura e ARNt para
o citoplasma, após a modificação pós-transcripcional estar completa. Este mecanismo de controlo de qualidade é
importante devido ao papel central destas moléculas no processo de tradução das proteínas; uma expressão errada
de uma proteína devido à incompleta excisão de intrões ou a incorrecta incomporação de aminoácidos, poderão ter
efeitos negativos para a célula; o ARN modificado de maneira incompleta que chega ao citoplasma é degradado em
vez de ser utilizado na tradução em proteínas.