Você está na página 1de 178

Lições de Cálculo

de Várias Variáveis Reais


via Exemplos e Exercı́cios Resolvidos

Apenas o primeiro triângulo, da esquerda para a direita, tem sen x · sen y · sen z máximo.

José Renato Ramos Barbosa

UFPR - 2015
Universidade Federal do Paraná

Departamento de Matemática

Lições de Cálculo
de Várias Variáveis Reais
via Exemplos e Exercı́cios Resolvidos

Autor:
Professor José Renato Ramos Barbosa
Chefe do Departamento:
Professor Manuel Jesus Cruz Barreda

2015

www.ufpr.br/∼jrrb
2
Conteúdo

1 Introdução 5
1.1 Origem, Objetivos e Diretrizes das NA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
1.2 Cálculo de Funções Reais de Uma Variável Real . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10
1.3 Fundamentos de Cálculo de Uma Variável . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33

2 Definições Básicas 45
2.1 Bola Aberta de Centro P0 ∈ Rn e Raio r > 0 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49
2.1.1 Exemplos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49
2.1.2 Observação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49
2.2 Conjunto Aberto - Ponto Interior . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50
2.2.1 Exemplos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50
2.3 Ponto de Fronteira . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50
2.3.1 Exemplos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50
2.4 Conjunto Compacto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51
2.4.1 Exemplos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51
2.5 Gráficos de Funções f Reais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51
2.5.1 Exemplos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52
2.5.2 Conjunto de Nı́vel . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52
2.6 Traço (ou Trajetória) da Curva Parametrizada γ(t) . . . . . . . . . . . . . . . . 56
2.6.1 Exemplos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 56
2.6.2 Dinâmica de Uma Partı́cula Percorrendo o Traço . . . . . . . . . . . . . 57

3 Resultados - Cálculo Diferencial 59


3.1 Curvas Parametrizadas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59
3.1.1 Limite da Função Vetorial γ(t) = (x(t), y(t), z(t)) em t = t0 . . . . . . . 59
3.1.2 Continuidade de γ(t) em t = t0 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59
3.1.3 Derivada da Função Vetorial γ(t) = (x(t), y(t), z(t)) em t = t0 . . . . . . 59
3.1.4 Vetor Aceleração de γ(t) em t = t0 u.t. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 61
3.2 Continuidade e Diferenciabilidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63
3.2.1 Interpretação Geométrica da Continuidade para Funções Reais de Uma
(Duas) Variável (Variáveis) Real (Reais) . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63
3.2.2 Propriedades das Funções Contı́nuas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63
3.2.3 Derivação Parcial para Funções de Duas/Três Variáveis Reais . . . . . . 64
3.2.4 (Vetor) Gradiente de f no Ponto P0 , isto é, ∇f(P0 ) . . . . . . . . . . . . . 65
3.2.5 Derivadas Parciais de Ordens Superiores para f(x, y) = cosx y − yx3 . . . . 66
3.2.6 Diferenciabilidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 66
3.2.7 Regra da Cadeia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 69
3.2.8 Exemplo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 70

3
4 CONTEÚDO

3.2.9 Consequências da Regra da Cadeia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 70


3.3 Otimização . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 75
3.3.1 Pontos Crı́ticos; Máximos e Mı́nimos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 75
3.3.2 Teste da Derivada Segunda; Multiplicadores de Lagrange . . . . . . . . . 78
3.4 Formulário - Cálculo Diferencial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 85
3.5 Exercı́cios - Cálculo Diferencial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 86
3.5.1 Curvas Parametrizadas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 86
3.5.2 Continuidade e Diferenciabilidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 87
3.5.3 Planos Tangentes, Aproximações Lineares e Regra da Cadeia . . . . . . . 89
3.5.4 Otimização . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 96

4 Resultados - Cálculo Integral 113


4.1 Integrais Duplas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 113
4.1.1 Regiões/Domı́nios de Integração Dxy . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 114
4.1.2 Área, Volume e Massa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 118
4.1.3 Mudança de Variáveis nas Integrais Duplas . . . . . . . . . . . . . . . . . 120
4.1.4 Outros Exercı́cios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 124
4.2 Integrais Triplas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 125
4.2.1 Funções Contı́nuas f(x, y, z) sobre Regiões Dxyz do Tipo 1 . . . . . . . . 125
4.2.2 Regiões dos Tipos 2 e 3 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 126
4.2.3 Mudança de Variáveis nas Integrais Triplas . . . . . . . . . . . . . . . . . 127
4.2.4 Outros Exercı́cios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 130
4.3 Formulário - Cálculo Integral - Integrais Duplas . . . . . . . . . . . . . . . . . . 131
4.4 Formulário - Cálculo Integral - Integrais Triplas . . . . . . . . . . . . . . . . . . 132
4.5 Exercı́cios - Cálculo Integral . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 133

5 Resultados - Cálculo Vetorial 157


5.1 Integrais de Linha . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 157
5.1.1 Definição de Integral de Linha . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 158
5.1.2 Teorema Fundamental do Cálculo para Integrais de Linha . . . . . . . . 163
5.2 Teorema de Green . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 164
5.2.1 Cálculo de Áreas via Integrais de Linha . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 166
5.2.2 De Green para Stokes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 166
5.2.3 Outros Exercı́cios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 169
5.3 Formulário - Cálculo Vetorial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 170
5.4 Exercı́cios - Cálculo Vetorial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 171
Capı́tulo 1

Introdução

“No problem can be solved from


the same level of consciousness
that created it.”

Albert Einstein

“Creativity is a leap in
consciousness that brings new
meaning or new context to any
situation or problem.”

Deepak Chopra

Inicio com o pedido de que este “Prefácio” seja lido e que alguns minutinhos sejam usados para
um bom entendimento da gênese e das metas destas Notas de Aula (NA).

1.1 Origem, Objetivos e Diretrizes das NA


Entre duas pessoas, existem três pontos de vista (ou versões) sobre um mesmo assunto, tema,
fato ou acontecimento: o (ou a) de uma delas, o (ou a) da outra e o (ou a) correto(a). O que
segue é uma visão pessoal de como deveria ser um primeiro curso, não só sobre Cálculo, mas
sobre qualquer assunto.
Bom, o primeiro ‘aviso aos navegantes’ é que tenho, aqui, a intenção de atingir um público
leitor mais voltado as aplicações e não aquele com inclinações mais teóricas. O público-alvo
consiste de estudantes, profissionais e interessados das áreas de Tecnologia (Engenharias Am-
biental, Civil, de Bioprocessos e Biotecnologia, de Produção, Elétrica, Mecânica, Mecatrônica
e Quı́mica), das Ciências da Terra (Geografia, Geofı́sica, Geologia e Geomática) e afins (Enge-
nharias Florestal e Industrial Madereira, por exemplo). Também são muitı́ssimo bem vindos,
colegas, alunos e ex-alunos de Estatı́stica, Fı́sica, Informática, Quı́mica e, especialmente, Ma-
temática Industrial. Quanto aos que têm mais envolvimento com a Matemática Pura, que se
sentem mais inclinados para a abstração, preciso ressaltar que existe um grande número de
exercı́cios e aplicações neste, digamos, manual de Cálculo. (Note o uso a palavra ‘manual’ !)
Claro que o pessoal da Licenciatura e do Bacharelado em Matemática também é bem vindo.
Mas, definitivamente, existem ótimos livros onde podem ser obtidas construções axiomáticas

5
6 CAPÍTULO 1. INTRODUÇÃO

elaboradas e demonstrações engenhosas de teoremas fundamentais. Penso que o aprendizado


de qualquer assunto, não só da Matemática, é via ‘aproximação’. Estas NA tentam dar uma
perspectiva de primeira abordagem. Afinal, nos primeiros cursos de Cálculo, não é para se
aprender a calcular?
Entretanto, ainda que possa parecer contraditório, sugiro que o leitor interessado em seguir
estas NA, independente do primeiro curso de Cálculo (de Funções Reais) de uma Variável
(Real) que o mesmo tenha tido, parta para a leitura das mesmas já tendo estudado, em al-
gum momento, limites, derivadas e integrais num contexto de rigor matemático (pelo menos)
moderado.1 Assim, por completeza, para revisão/aprofundamento e para contentar, primor-
dialmente, os alunos oriundos da Matemática, a última parte desta introdução reproduz uma
lista de exercı́cios, quase sem resoluções mas com várias sugestões, que trabalhei com alunos de
um curso de Fundamentos de Cálculo de Uma Variável, por mim ministrado, há algum tempo
atrás. Tal lista visa a fundamentação do que já tenha sido estudado e, por isso mesmo, requer
uma busca rápida de demonstrações de alguns poucos resultados fundamentais. Saliento que
o nı́vel de rigor desta lista é diferente daquele adotado nos capı́tulos seguintes, como esclareço
logo a seguir.
Embora seja uma excelente oportunidade para formalizar o Cálculo de Uma Variável estudado
anteriormente, leitores com outras aptidões (ou outros gostos) devem desconsi-
derar tal lista de exercı́cios, sem perda de continuidade no conteúdo do restante destas
NA.
Para aqueles que não fundamentaram o conteúdo do Cálculo de Uma Variável Real, mas ne-
cessitam apenas ‘dar uma olhada’ mais informal no assunto, preparamos um material mais
‘light’ que antecede aquela lista super formal que, repito, deve ser dispensada por aque-
les aversos ao rigor matemático.
O conteúdo dessas NA, que abrange um curso de Cálculo (de Funções Reais) de Várias Variáveis
(Reais), cujas primeiras versões remontam há mais de quinze anos, tem sido uma ‘obra em cons-
trução’. É provável daı́ que a ordem e/ou a redação dos exercı́cios, bem como a quantidade
dos mesmos, tenham variado em muitas das visitas dos meus alunos (e demais interessados) ao
endereço

www.ufpr.br/∼jrrb,

que é minha página acadêmica, mantida pela UFPR. Observação análoga vale para os as de-
finições, os resultados e os formulários destas NA. Entretanto, só recentemente concluı́ que tal
material está numa forma adequada para publicação.2
Muitos Professores de Cálculo de Várias Variáveis reclamam que o assunto (ali tratado) é muito
extenso. Daı́ o risco de não cumprir todo o programa de tal Disciplina é real. Para tentar so-
lucionar tal dificuldade, o objetivo aqui é mais operacional do que teórico. Isto significa que
a teoria foi submetida a uma ‘lipoaspiração’ e que a ênfase está quase toda na resolução de
exercı́cios e na interpretação geométrica e/ou fı́sica dos resultados. Assim, o que se perde em
precisão e rigor se ganha em concisão e tempo. Aqui, então, a teoria é mı́nima e a prática é
máxima.
Apenas para dar alguns exemplos de estilo:
1
Não existe, na verdade, qualquer contradição, já que o tal (provável) leitor já deve ter concluı́do o seu
primeiro curso de Cálculo, tendo assim estado disponı́vel para aprofundá-lo, durante ou depois da vigência do
mesmo!
2
Acrescento ainda que uma eventual errata será mantida no endereço eletrônico citado, a medida que forem
encontradas eventuais incorreções e incorporadas sugestões ou melhorias.
1.1. ORIGEM, OBJETIVOS E DIRETRIZES DAS NA 7

• Para uma melhor aceitação dos resultados, alguns exercı́cios são resolvidos de mais de
uma maneira. Tais resoluções extras utilizam, por exemplo, o Cálculo de Uma Variável
ou a Geometria Analı́tica;

• Vários resultados são estabelecidos, pelo menos quando exibidos pelo primeira vez, via
analogias e comparações com aqueles do Cálculo de Uma Variável;3

• Alguns resultados aparecem sem todas as hipóteses e quase todos os resultados são apre-
sentados sem demonstrações (apenas alguns têm, não demonstrações, mas justificativas
razoáveis);

• Algumas definições não são apresentadas com a ênfase que mereceriam,4 embora sejam
utilizadas a exaustão, por entender que definições análogas, do Cálculo de Uma Variável,
são facilmente generalizadas ou que alguns conceitos são fisicamente e/ou geometrica-
mente intuitivos. Por outro lado, a internet (via o Google, por exemplo) está aı́ para
suprir eventuais carências pontuais num tópico ou noutro;

• Em alguns resultados e algumas definições e resoluções de exercı́cios figuram sı́mbolos da


Lógica Matemática e outros. Por exemplo:

– ∴ , usado em conclusões como ‘Daı́’;


– ⇒ , usado quando uma afirmação que o antecede ‘implica’ uma afirmação que o
sucede;
– ⇔ , usado quando uma afirmação que o antecede ‘é equivalente a’ uma afirmação
que o sucede;

• Em alguns resultados e algumas definições e resoluções de exercı́cios o texto é escrito na


forma de uma lista de itens;

• Em alguns pontos em que mais formalização se faz necessária, faço alertas destacados
dentro de caixas. Por exemplo, passamos ao largo dos Limites e ao introduzirmos infor-
malmente as Derivadas Parciais, o alerta de Limites é ativado. Depois, amarramos as
Derivadas Direcionais, daı́ as Parciais em particular, a um Limite via a Regra da Cadeia;

• Para que alguém perceba a obviedade de algo, costuma-se dizer, até com um pouco de
ironia, “Quer que eu desenhe (para você)?”. Assim, como “uma figura vale mais do que
mil palavras”, não economizei no uso de figuras e nas explicações das mesmas.5
3
Por exemplo, a “equação do plano tangente ao gráfico de f(x, y) num ponto” aparece, pela primeira vez,
como uma extensão da equação da reta tangente ao gráfico de f(x) num ponto. Outro exemplo: A Regra da
Cadeia para funções de várias variáveis é apresentada como uma generalização da mesma para funções de uma
variável. Um último exemplo: A Mudança de Variáveis para Integrais Duplas é dada como uma generalização
natural da integração por substituição do Cálculo de Uma Variável.
4
Por exemplo, Máximos e Mı́nimos no estudo de Otimização e Orientação de Curvas no estudo de Integrais
de Linha e Teorema de Green.
5
Tais figuras têm sido geradas ao longo do tempo e de maneiras distintas, de acordo com a temporalidade
delas. Algumas foram plotadas utilizando-se o octave e o gnuplot, que são programas desenvolvidos pelo
projeto GNU/Linux de ‘software’ livre. Outras foram geradas no xfig, um editor gráfico ‘open source’, e depois
modificadas nos arquivos de extensão ‘.pstex t’ para terem letras no formato do texto corrente, escrito em Latex,
este outro um programa de editoração e plotagem cientı́fica bastante utilizado nos meios cientı́fico e acadêmico.
Mais recentemente, inclusive, venho gerando/plotando as figuras diretamente nas linhas de comando dos arquivos
‘.tex’. Em particular, tenho utilizado o pacote tikz. Com este, além de estar produzindo novas figuras, mais
8 CAPÍTULO 1. INTRODUÇÃO

Convém agora ressaltar que, no terceiro capı́tulo, o estudo dos Multiplicadores de Lagrange é
escrito de forma pormenorizada:
Uma hipótese fundamental para o cálculo de maximizadores (respectivamente, minimizadores)
globais de determinadas funções sujeitas a determinadas restrições (via tais Multiplicadores) é o
requisito da existência dos mesmos, isto é, para calcularmos tais maximizadores/minimizadores
devemos antes ter a garantia de que os mesmos existem. Tal existência, muitas vezes, é difı́cil
de se verificar e está fora do escopo de livros de Cálculo. Assim, quando ocorrer tal discussão
relativa a tais Multiplicadores, o leitor que está realizando o estudo de tal assunto pela primeira
vez deverá desconsiderar tal permorização e focar apenas em aspectos operacionais daquele
assunto.
Ainda, no formulário do terceiro capı́tulo, vários itens são escritos num contexto mais geral,
estendendo resultados de duas e três variáveis ou coordenadas para o caso de um número
qualquer de variáveis ou coordenadas, e sem algumas hipóteses. Ali, o aluno deverá ter o
conhecimento, por exemplo, da notação de somatório.
O último capı́tulo, que trata do Cálculo Vetorial, propositalmente não tem um número grande
de exercı́cios, não apresenta o Teorema de Gauss e não se aprofunda no Teorema de Stokes.6
Tal tratamento se deve a abordagem mais intuitiva que adotamos nessa parte do assunto.
Recomendo uma complementação do estudo deste capı́tulo em outros livros de Cálculo.
É conveniente ressaltar que quase todos os exercı́cios aqui propostos são resolvidos logo quando
são apresentados ou nas seções dedicadas aos mesmos. Assim, nos raros momentos em que
não forem apresentados exemplos que corroborem algum resultado, logo após o mesmo ter
sido estabelecido, mas apenas constem enunciados de alguns exercı́cios, estejam certos de que
as resoluções dos mesmos serão apresentadas na seção de exercı́cios do capı́tulo que contiver
aquele resultado.
Observamos ainda que os pré-requisitos para a leitura destas NA são: um curso de Pré-Cálculo
(Matemática do Ensino Médio), um curso de Cálculo de Uma Variável, obviamente, e um
curso de Geometria Análitica.7 Falando em pré-requisitos, gostaria de expressar que vejo a
Matemática como uma linguagem tipo Português, Inglês, Francês, etc. Assim, temos também
‘Matematiquês’, ‘Fisiquês’, ‘Quimiquês’, ‘Informatiquês’, etc. Aprender uma Lı́ngua é antes,
praticamente, ser alfabetizado nela. Já nessa etapa preliminar é preciso estudá-la e praticá-la
(para não cometer equı́vocos com a mesma). Por um lado, note que não é fácil querer fazer um
estudo avançado da Lı́ngua sem ter sido alfabetizado nela. Como diz o ditado: ‘O avançado
é fazer o básico bem feito!’. Por outro lado, para se ter fluência na Lı́ngua é preciso, além do
estudo e da prática, conhecer todo um jargão da área. Apenas estudar na proximidade de cada
prova é perda de tempo para quase todos aqueles que assim procedem.
Demonstrações dos resultados destas NA, bem como exercı́cios e exemplos similares e mais
avançados, podem ser encontrados, por exemplo, nos livros:

• CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL, VOLUME 2, Paulo Boulos e Zara Issa Abud,


Makron Books, Edicão Revista e Ampliada, 2006;

claras e limpas, tenho trocado as figuras antigas geradas pelos outros meios citados aqui. Gerei uma única
figura (para ser a capa das NA e também a figura 3.6) usando o GeoGebra, um pacote gráfico desenvolvido pelo
International GeoGebra Institute, e uma única figura usando o Grapher (para ser a última figura das NA), um
pacote gráfico da Apple que vem com o ‘Mac’. Para concluir esse ‘registro histórico’ das figuras aqui produzidas,
espero que, no todo, o resultado final tenha sido, além de satisfatório, também agradável aos olhos.
6
Tais teoremas, juntamente com o Teorema de Green, são o cerne do Cálculo Vetorial.
7
Por exemplo, é fundamental ter conhecimento de como se calcula distância de ponto a reta (ou a plano)
e que as fórmulas cos ′ x = −sen x e sen ′ x = cos x são válidas apenas para x expresso em radianos. Para x
π
expresso em graus, cada uma destas fórmulas recebe o fator 180 do lado direito da igualdade.
1.1. ORIGEM, OBJETIVOS E DIRETRIZES DAS NA 9

• CÁLCULO DE FUNÇÕES DE MÚLTIPLAS VARIÁVEIS, Geraldo Ávila, LTC, Sétima


Edição, 2006;

• CÁLCULO VECTORIAL, Jerrold Marsden e Anthony Tromba, Pearson/Addison Wesley,


Quinta Edição (em Espanhol), 2004;

• FOUNDATIONS OF ANALYSIS, David Belding e Kevin Mitchell, Dover, Segunda Edição


(em Inglês), 2008.

Eventuais sugestões para o aprimoramento e/ou a clareza e/ou a correção das NA serão muito
bem vindas. Nesse contexto, desde já, agradeço de modo especial ao colega Ademir Alves
Ribeiro, pelas discussões e contribuições relativas a parte de Otimização. Agradeço ainda
aos colegas José Carlos Cifuentes Vasquez e Marcelo Muniz Silva Alves pelas valiosas
sugestões, como também aos ex-alunos Diego Wedermann Sanchez, Trenton Roncato
Juraszek, Nicolas Eugênio Martins Martinhão e Eusébio Labadie Neto.
Para concluir, dedico estas NA aos meus Pais, Amândio e Conça, e aos meus Filhos, Theo
e Ani.
10 CAPÍTULO 1. INTRODUÇÃO

1.2 Cálculo de Funções Reais de Uma Variável Real


Para a parte de Cálculo de uma Função Real de Uma Variável Real (isto é, Limites, Derivadas
e Integrais de tais funções), uma referência, digamos, mais “light”, é o livro

cálculo em quadrinhos;
autor: larry gonick;
editora: edgard blücher;
2014.

Para começar, adotamos a seguinte abordagem intuitiva para tais Limites:

• Como sabemos, não é possı́vel calcular f(x) caso x não esteja no domı́nio de f. Por
exemplo, considere
x2 − 1
f(x) = e x = 1.
x−1
Assim, por um lado, temos a indeterminação

12 − 1 1−1
=
1−1 1−1
0
= .
0
Por outro lado,
x2 − 1 = (x + 1)(x − 1).
Podemos daı́ definir
x + 1 se x 6= 1;
f(x) =
indefinido se x = 1.

y
y = f(x)
2

x
1

Note que f(x) pode ser calculado ‘arbitrariamente próximo’ de 2 para x ‘arbitrariamente
próximo’ de 1, isto é, como o módulo da diferença entre dois números mede a distância
entre eles, temos que
|f(x) − 2|
pode ser calculado ‘tão pequeno quanto se queira’ para

|x − 1|

‘suficientemente pequeno’.
Por exemplo, considere que x representa os seguintes valores aproximados, tanto à es-
querda quanto à direita, de 1:
1.2. CÁLCULO DE FUNÇÕES REAIS DE UMA VARIÁVEL REAL 11

x f(x) x f(x) |x − 1| |f(x) − 2|


0, 900000 1, 900000 1, 100000 2, 100000 0, 100000 0, 100000
0, 990000 1, 990000 1, 010000 2, 010000 0, 010000 0, 010000
0, 999000 1, 999000 1, 001000 2, 001000 0, 001000 0, 001000
0, 999900 1, 999900 1, 000100 2, 000100 0, 000100 0, 000100
0, 999990 1, 999990 1, 000010 2, 000010 0, 000010 0, 000010
0, 999999 1, 999999 1, 000001 2, 000001 0, 000001 0, 000001

A tabela anterior nos diz que a distância de f(x) até 2 (|f(x) − 2|) vai ficando desprezı́vel
a medida que a distância de x até 1 (|x − 1|) vai ficando mais próxima de zero.
Pergunta: Dado um número ε > 0 ‘arbitrariamente pequeno’, digamos
0 < ε ≤ 0, 00 . . . 01
com um número arbitrário de casas decimais, é possı́vel considerar |x − 1| suficientemente
pequeno, mas não nulo, tal que seja possı́vel calcular f(x) a uma distância de 2 menor
que ε, isto é, tal que |f(x) − 2| < ε?
Resposta: Sim! Basta considerar x 6= 1 a uma distância de 1 menor que um número δ
que não exceda ε.
(Por exemplo, seja ε = 0, 0000000010. Queremos obter x próximo de 1 tal que |f(x)−2| <
ε. Para isso, considere então, por exemplo, δ = 0, 0000000005 e |x − 1| < δ. Daı́
|f(x) − 2| = |x + 1 − 2|
= |x − 1|
< 0, 0000000005
< 0, 0000000010,
isto é, |f(x) − 2| < ε.)
Para ε arbitrário, seja 0 < |x − 1| < δ tal que δ ≤ ε. Daı́
|f(x) − 2| = |x + 1 − 2|
= |x − 1|

< ε.
Isto significa que, não importa quão pequeno seja ε, sempre podemos obter alguma en-
trada x (com 0 < |x − 1| < δ suficientemente pequeno) tal que seja possı́vel calcular a
saı́da f(x) com distância |f(x) − 2| inferior a qualquer número ε inicialmente considerado.
Para isso, basta majorar |x − 1| com um δ adequado. Neste caso, dizemos que o limite de
f(x) é 2 quando x se aproxima de 1 e denotamos
lim f(x) = 2.
x→1

(De modo análogo, no livro do gonick, verifica-se que


t2 − 3
D(t) =
t−3
é tal que
lim D(t) = 6,
t→3
isto é, o limite de D(t) é 6 quando t se aproxima de 3.)
12 CAPÍTULO 1. INTRODUÇÃO

• Para uma função f(x) arbitrária que esteja definida num intervalo aberto que contenha o
número a, mas não necessariamente no próprio a, a expressão

lim f(x) = L
x→a

significa que, independente de quão pequeno seja o intervalo

(L − ε, L + ε),

L+ε
L
L−ε

podemos obter outro intervalo


(a − δ, a + δ)

L+ε
L
a+δ L−ε
a
a−δ

suficientemente pequeno tal que

a 6= x ∈ (a − δ, a + δ) =⇒ f(x) ∈ (L − ε, L + ε),

L+ε
L
a+δ f(x)
x a L−ε

a−δ

isto é,8
0 < |x − a| < δ =⇒ |f(x) − L| < ε.
8
Dizer que o módulo da diferença de dois números é menor do que um dado r > 0 significa que um dos dois
tais números pertence ao intervalo aberto de centro no outro e raio r. No antecedente da implicação anterior,
por exemplo, os dois números são x e a enquanto que r = δ. No consequente, os dois números são f(x) e L
enquanto que r = ε.
1.2. CÁLCULO DE FUNÇÕES REAIS DE UMA VARIÁVEL REAL 13

A interpretação geométrica disso é que podemos obter um cı́rculo tão pequeno quanto se
queira de centro no ponto
(a, L)
tal que o gráfico da função neste cı́rculo se aproxima de tal ponto com, no máximo, uma
única interrupção: o próprio (a, L)!9

• Chamamos de funções elementares as funções constantes, a função módulo, as funções


potências, as funções exponenciais, as funções trigonométricas e as inversas de todas tais
funções.
Pode ser demonstrado que, se f(x) é uma função elementar e a é um ponto de seu domı́nio,
então
lim f(x) = f(a). (1.1)
x→a

Por exemplo:
√ √ 1 1
lim 5 = 5, lim x2 = (−2)2 , lim = −1 e lim cos x = cos π.
x→a x→−2 x→3−1 x 3 x→π

(Os três últimos limites são iguais a 4, 3 e −1, respectivamente.)

Pode também ser demonstrado que o limite da soma e o limite do produto de funções
são a soma e o produto dos limites de tais funções, respectivamente, desde que existam
tais limites, e que o limite do quociente de duas funções é o quociente dos limites destas
funções caso existam tais limites e o limite do denominador não seja nulo.10
Por exemplo:

ex cos(x) ea cos a
 
4 x 1 4 a 1
lim 3x + + + = 3a + + +
x→a 2 (x − 1)2 x 2 (a − 1)2 a

para cada cada real a diferente de 0 e 1.

• Além das já citadas, temos ainda muitas outras propriedades de limites. Por exemplo,
aquela conhecida como o Teorema do Sanduı́che:
Se as funções f(x), g(x) e h(x) estão definidas num intervalo aberto de centro a,

g(x) ≤ f(x) ≤ h(x)

para cada x deste intervalo e

lim g(x) = L = lim h(x),


x→a x→a

então
lim f(x) = L.
x→a

Por exemplo, seja  


2 1
f(x) = x cos
x2
9
Confira o livro do gonick para uma ilustração.
10
Confira o livro do gonick!
14 CAPÍTULO 1. INTRODUÇÃO

e a = 0. Considere que queremos calcular


 
1
2
lim f(x) = lim x cos .
x→a x→0 x

Obviamente aqui não é possı́vel simplesmente usar a equação (1.1).11 Note então que,
por um lado, as inequações  
1
−1 ≤ cos ≤1
x2
são válidas para cada x 6= 0 (e em particular para tal x suficientemente pequeno).12
Multiplique agora as inequações anteriores pelo número positivo x2 . Temos então
 
2 2 1
−x ≤ x cos 2
≤ x2
x

para cada x 6= 0. Por outro lado, para g(x) = −x2 e h(x) = x2 , a equação (1.1) nos diz
que
lim g(x) = 0 = lim h(x).
x→0 x→0

Daı́, pelo Teorema do Sanduı́che,


 
2 1
lim x cos = 0.
x→0 x

(Com o uso de algum pacote gráfico, obtenha o gráfico de f(x) para x próximo de 0 e
verifique que o mesmo encontra-se entre as parábolas da figura dada a seguir.)

h(x)

−1 1

g(x)

Um outro exemplo do uso de tal teorema ocorre no cálculo do limite


sen x
lim = 1.13
x→0 x
(Temos também uma ‘explicação’ geométrica para tal limite: ao considerarmos x cada
vez menor, os comprimentos de sen x e do arco x (no cı́rculo trigonométrico unitário) vão
ficando praticamente indistinguı́veis!)
11
Note que f(0) não está definido, isto é, a expressão
 
2 1
0 · cos
0

não tem qualquer nexo!


12
Neste caso 1/x será arbitrariamente grande!
13
Confira o gonick!
1.2. CÁLCULO DE FUNÇÕES REAIS DE UMA VARIÁVEL REAL 15

• limites infinitos e no infinito:


O infinito ∞ não se define: é um conceito abstrato como belo(a), feio(a), estranho(a),
etc.14 Na Matemática é usado para representar uma grandeza que pode assumir valores
‘tão grandes quanto se queira’. Neste caso, denotamos
grandeza → ∞.
1
Por exemplo, o que acontece com a função f(x) = x
quando x assume valores (em módulo)
tão grandes ou tão pequenos quanto se queira?
Por um lado, a tabela
x f(x) x f(x)
−10 −0.1 10 0.1
−100 −0, 01 100 0, 01
−1000 −0, 001 1000 0, 001
−10.000 −0, 0001 10.000 0, 0001
.. .. .. ..
. . . .

nos diz que f(x) vai ficando tão pequeno quanto se queira (em módulo) a medida que x
vai crescendo (em módulo). Neste caso, denotamos
lim f(x) = 0− e lim f(x) = 0+ .
x→−∞ x→+∞

Por outro lado, a tabela


x f(x) x f(x)
−0.1 −10 0.1 10
−0, 01 −100 0.01 100
−0, 001 −1000 0, 001 1000
−0, 0001 −10.000 0, 0001 10.000
.. .. .. ..
. . . .

nos diz que f(x) vai ficando tão grande quanto se queira (em módulo) a medida que x vai
decrescendo (em módulo). Neste caso, denotamos
lim f(x) = −∞ e lim f(x) = +∞.
x→0− x→0+

Daı́ o conhecido gráfico


y

14
∞ não é, por exemplo, um 8 que tropeçou e caiu de lado!
16 CAPÍTULO 1. INTRODUÇÃO

para tal função potência.15


Outro exemplo: f(x) = ex . Neste caso

lim f(x) = 0 e lim f(x) = ∞.


x→−∞ x→∞

Daı́ o conhecido gráfico

para tal função exponencial.


Embora tais exemplos de funções elementares sejam ilustrativos do comportamento de
grandezas no infinito, a dificuldade de lidar com o mesmo ocorre noutros exemplos, di-
gamos, mais sutis. Por exemplo, quando temos de analisar funções racionais, que são
divisões de polinômios.16 Outro exemplo: O teorema do sanduı́che enunciado anterior-
mente ainda é válido caso a seja trocado por ∞. Daı́, como

1 sen x 1
− ≤ ≤
x x x

para x positivo e
1
lim = 0,
x→∞ x
segue que
sen x
lim = 0.
x→∞ x

Agora, vamos prosseguir para as Derivadas das Funções Reais de Uma Variável Real:

• derivada: um tipo de limite que mede inclinação de reta tangente:


Suponha ser possı́vel obter a (reta) tangente ao gráfico de uma função f(x) no ponto
(x0 , f (x0 )) de tal gráfico. Seja y = ax + b a equação linear de tal reta. (Confira a
ilustração seguinte.)
15
Para valores positivos, é tradicional denotarmos apenas por:

lim f(x) = 0 e lim f(x) = ∞.


x→∞ x→0

16
Confira o gonick!
1.2. CÁLCULO DE FUNÇÕES REAIS DE UMA VARIÁVEL REAL 17

f(x)

f (x0 + h)

y = ax + b

f (x0 + h) − f (x0 )

f (x0 )
h

x
x0 x0 + h

Daı́, como (x0 , f (x0 )) é um ponto de tal tangente, temos

b = f (x0 ) − ax0 .

Por outro lado, como obter a inclinação a desta (reta) tangente?


Primeiramente, denotemos
a := f ′ (x0 ) .
Seja agora
(x0 + h, f (x0 + h))
um outro ponto do gráfico de f(x) com |h| suficientemente pequeno mas não nulo.17 Assim,
a inclinação da (reta) secante que passa por tal ponto e pelo ponto (x0 , f (x0 )) é dada por

f (x0 + h) − f (x0 )
.
h

(Este quociente é denominado de quociente de Newton.)

Note que, se |h| se aproxima arbitrariamente de 0, estes dois pontos do gráfico de f(x)
ficam arbitrariamente próximos um do outro e a secante considerada fica ‘arbitrariamente
próxima’ da tangente considerada.
17
Aqui, embora a figura anterior não ilustre, procedemos o nosso estudo nas ‘proximidades’ de x0 , tanto para
pontos à esquerda de x0 , isto é, para h < 0, quanto para pontos à direita de x0 , isto é, para h > 0.
18 CAPÍTULO 1. INTRODUÇÃO

(Daı́, o quociente de Newton fica arbitrariamente próximo de f ′ (x0 ).)

Define-se então
f (x0 + h) − f (x0 )
f ′ (x0 ) := lim
h→0 h
caso exista tal limite. Agora, independente da existência deste limite estar associada a
uma interpretação geométrica para a inclinação a, diremos ainda que f(x) é diferenciável
em x = x0 ou que f ′ (x0 ) é a derivada de f(x) em x = x0 .
Para fixar conceitos, considere, por exemplo, f(x) = x2 e x0 = 1 na discussão anterior.
(Confira a ilustração seguinte.)

f(x)

f(1 + h)

y = f ′ (1)x + b

f(1 + h) − f(1)

f(1)
h

x
1 1+h

A inclinação da tangente ao gráfico de tal parábola em (1, f(1)) é obtida via a derivada
de f(x) = x2 em x = 1 e calculada por

f(1 + h) − f(1)
f ′ (1) = lim
h→0 h
(1 + h)2 − 12
= lim
h→0 h
1 + 2h + h2 − 1
= lim
h→0 h
= lim (2 + h)
h→0
= 2.
1.2. CÁLCULO DE FUNÇÕES REAIS DE UMA VARIÁVEL REAL 19

Segue daı́ que o coeficiente angular de tal tangente é calculado por


b = f(1) − f ′ (1) · 1
=1−2·1
= −1
e, então, a equação desta tangente é dada por y = 2x − 1.
(No exemplo anterior, se x = x0 é arbitrário, note que f ′ (x0 ) = 2x0 .)
Para f(x) arbitrária, temos a função derivada
f(x + h) − f(x)
f ′ (x) := lim ,
h→0 h
definida onde tal limite existir.
Por exemplo,
f(x) = x2 e f ′ (x) = 2x
estão definidas para cada x ∈ R. Outro exemplo:
f(x) = x3 e f ′ (x) = 3x2
estão definidas para cada x ∈ R. De fato:
f(x + h) − f(x)
f ′ (x) = lim
h→0 h
(x + h)3 − x3
= lim
h→0 h
x + 3x2 h + 3xh2 + h3 − x3
3
= lim
h→0 h 
= lim 3x + 3xh + h2
2
h→0
2
= 3x .
Na verdade, para cada inteiro positivo n fixo, demonstra-se que
f(x) = xn e f ′ (x) = nxn−1
para cada x ∈ R.18
Agora, a derivada de uma função constante é zero. De fato, seja f(x) = c com c constante.
Segue daı́ que
f(x + h) − f(x)
f ′ (x) = lim
h→0 h
c−c
= lim
h→0 h
0
= lim
h→0 h
= lim 0
h→0
= 0.
Ainda, como a derivada da soma de funções é a soma das derivadas destas funções e a
derivada do produto de uma constante por uma função é o produto de tal constante pela
derivada de tal função,19 é fácil calcular a derivada de um polinômio. Por exemplo, se
18
Confira o gonick!
19
Idem!
20 CAPÍTULO 1. INTRODUÇÃO

f(x) = 3x4 − x3 + 4x2 + x + 2, então

f ′ (x) = 3(4x3 ) + (−1)(3x2 ) + 4(2x) + 1 + 0


= 12x3 − 3x2 + 8x + 1

para cada x ∈ R.

(A derivada de y = f(x) pode ser denotada das formas:

dy
f ′ (x) =
dx
df
=
dx
d
= (f(x)).
dx
d

Por exemplo, se c é uma constante, dx
x2 + c = 2x.)

Além das regras anteriores, existem outras importantes como, por exemplo, as regras das
derivadas do produto e do quociente de funções, bem como a regra da cadeia que calcula a
derivada de funções compostas.20 Ainda, onde as respectivas funções estiverem definidas,
demonstra-se que:21

d d d x
(sen x) = cos x, (cos x) = −sen x, (e ) = ex ,
dx dx dx
d d 1
(tan x) = sec2 x, (ln x) = ,
dx dx x
d 1 d 1
(arcsen x) = √ , (arctan x) = e
dx 1−x 2 dx 1 + x2
d r
(x ) = rxr−1 com r ∈ R fixo.
dx

• derivada mede taxa de variação instantânea:


A derivada dydx
pode ser interpretada como a taxa de variação instantânea de uma grandeza,
y, em relação a outra, x. Em outras palavras, quão rapidamente y varia em função de x.
Para exemplificar, vamos denotar a função f(x) = x2 por

s(t) = t2 ,

que aqui representa a posição de uma partı́cula no instante de tempo t u.t..22 Considere
que queremos saber a velocidade de tal partı́cula no instante t u.t., isto é, queremos
20
Idem!
21
Idem!
22
Por exemplo, desconsiderando as dimensões, uma bola de boliche lisa descendo, sem atrito, um plano
inclinado com inclinação adequada, varia a sua posição (no tempo) aproximadamente via tal s(t).
1.2. CÁLCULO DE FUNÇÕES REAIS DE UMA VARIÁVEL REAL 21

saber quão rapidamente a posição varia em relação ao tempo. Neste caso, a velocidade é
calculada pela derivada
ds
s ′ (t) =
dt
no instante t u.t.. Assim s ′ (t) = 2t u.v. é a medida de tal velocidade instantânea. Por
exemplo, caso a posição seja medida em metros e o tempo em segundos, passados t = 10
segundos, a partı́cula fica sujeita a uma velocidade (neste instante) de s ′ (t) = 20 m/s.23

• otimização (maximização-minimização):
Um ponto α de máximo (respectivamente, de mı́nimo) local de uma função f satisfaz a
condição f(α) ≥ f(x) (respectivamente, f(α) ≤ f(x) ) para cada x pertencente a algum
intervalo aberto centrado em α. Tal α é dito um extremo local de f.24
Por exemplo, na figura 1.1, considere que Pi = (xi , f (xi )) pertence ao gráfico de uma
função f, i = 0, . . . , 6. As abcissas de tais pontos são extremos locais de f.
Como este exemplo ilustra, em extremos locais similares a xi , i = 1, 2, 3, 4, 5, a função
muda de crescente para decrescente ou de decrescente para crescente.
Um ponto interior ao domı́nio de uma função pertence a algum intervalo aberto inteira-
mente contido no domı́nio de tal função.
Por exemplo, na figura 1.1, apenas x0 e x6 não são interiores ao domı́nio de f(x).
Demonstra-se que:25

Se f(x) tem extremo local num ponto α interior ao seu


domı́nio e tem derivada f ′ (α) nesse ponto, então tal
ponto é crı́tico, isto é, f ′ (α) = 0.

Por exemplo, na figura 1.1, embora as abcissas de ı́ndices pares sejam pontos de máximo
locais e as de ı́ndices ı́mpares sejam pontos de mı́nimo locais, apenas x1 , x2 e x5 são
interiores ao domı́nio de f(x) e existe f ′ (x) em cada um destes pontos. Note que, f ′ (xi ) = 0
para i = 1, 2, 5.

P6
P0
P4
11111111
00000000
00000000
11111111
00000000
11111111
00000000
11111111
00000000
P2 11111111
00000000
11111111
00000000
11111111
00000000
11111111
00000000
11111111
00000000
11111111
00000000
11111111
00000000
11111111
00000000
11111111
00000000
P5
11111111
00000000
11111111
00000000
11111111
00000000
11111111
00000000
11111111
00000000
11111111
00000000
11111111
00000000
11111111
00000000
11111111
00000000
11111111
00000000
11111111
00000000
11111111
00000000
11111111
00000000
11111111
P1 P3

Figura 1.1: O que ocorre em x0 , x3 , x4 e x6 ?

23
Confira o gonick para mais exemplos.
24
Um ponto do gráfico de uma função cuja abcissa é um ponto de máximo local representa o ‘cume de uma
montanha’, enquanto aquele cuja abcissa é um ponto de mı́nimo local representa o ‘fundo de um vale’.
25
Confira gonick.
22 CAPÍTULO 1. INTRODUÇÃO

Contudo, a recı́proca da proposição anterior não é verdadeira: Para f(x) = x3 , por


exemplo, x = 0 é um ponto interior com f ′ (0) = 3 · 02 = 0, mas não é extremo local. Um
ponto como este é dito um ponto de sela.

f(x) = x3

x
0

Isto significa que os candidatos a extremos locais interiores ao domı́nio de uma função
são aqueles nos quais a derivada de tal função seja nula. Mas derivada nula num ponto
interior não é garantia para tal ponto ser um extremo local!
A próxima proposição é conhecida como o

teste da derivada de segunda ordem.

Antes de enunciá-la, o que é uma derivada de segunda ordem?


Suponha que é possı́vel derivar a derivada de y = f(x), isto é, podemos obter a derivada
de
dy
f ′ (x) = ,
dx
isto é, existe a derivada  
′ ′ d dy
(f ) (x) = .
dx dx
Neste caso, tal derivada é dita a derivada de segunda ordem de y = f(x) e é denotada por

d2 y
f ′′ (x) = .
dx2
Por exemplo, se s(t) = t2 u.p. é a posição de uma partı́cula no instante t u.t., já vimos
que ds
dt
= 2t u.v. é a sua velocidade no mesmo instante. Aqui,

d2 s
= 2 u.a.
dt2
é a aceleração de tal partı́cula em tal instante.
Demonstra-se que:

Seja α um ponto interior de algum intervalo onde f(x)


esteja definida e seja diferenciável. Se f ′ (α) = 0, então
a tabela seguinte é válida:
f ′′ (α) α
> 0 mı́nimo local de f(x);
< 0 máximo local de f(x).

(Neste teste, está implı́cita a existência da derivada de segunda ordem!)


1.2. CÁLCULO DE FUNÇÕES REAIS DE UMA VARIÁVEL REAL 23

Por exemplo, 0 é ponto crı́tico de f(x) = x2 (que é diferenciável em cada x ∈ R) e interior


ao domı́nio de tal função. (De fato, f ′ (x) = 2x acarreta f ′ (0) = 0 e R é o domı́nio comum
de f(x) e f ′ (x).) Por outro lado, f ′′ (0) > 0. (De fato, f ′′ (x) = 2 para cada x ∈ R.) Assim,
0 é ponto de mı́nimo (global) de f(x).

f(x) = x2

x
0

Um raciocı́nio análogo nos mostra que 0 é ponto de máximo de f(x) = −x2 .

0
x

f(x) = −x2

E quanto a concavidade do gráfico de uma função f(x) a medida que x varia?


Considere a inclinação f ′ (x) da tangente a tal gráfico no ponto x, f(x) . Neste caso, o
que acontece a medida que x cresce?

(Veja, por exemplo, as funções cúbica e quadráticas dos últimos três exemplos.)

Por um lado, se x cresce e f ′ (x) cresce com x, note que o gráfico de f(x) tem concavidade
para cima. Isto ocorre precisamente onde a taxa de variação da derivada (em relação a
x), isto é, (f ′ ) ′ (x) = f ′′ (x), é positiva. Por outro lado, se f ′ (x) decresce a medida que x
cresce, tal gráfico tem concavidade para baixo. Isto ocorre onde f ′′ (x) < 0.
A abcissa de um ponto do gráfico de uma função onde a sua concavidade para cima
(respectivamente, baixo) muda para baixo (respectivamente, cima) é dito um ponto de
inflexão.

(0 é ponto de inflexão para a função cúbica anterior.)

Em tal ponto, a derivada de segunda ordem é zero.26

E quanto ao esboço do gráfico de uma função f(x) arbitrária?

Para esboçar retas, basta obter os pontos onde tais retas interceptam os eixos coordenados.
Caso o gráfico não seja uma reta, tais interseções, se existirem, são insuficientes para
esboçar o mesmo. Neste caso, o roteiro é o seguinte:

I. Caso existam, obtenha as interseções do gráfico com os eixos coordenados, isto é,
determine:
26
Confira o gonick!
24 CAPÍTULO 1. INTRODUÇÃO

f(x) para x = 0; x para f(x) = 0.


Marque tais pontos nos eixos coordenados.
II. Caso existam, determine os pontos crı́ticos da função, isto é, obtenha x para f ′ (x) = 0.
(Lembre-se que tais pontos são os possı́veis extremos locais!)

Para cada ponto crı́tico α obtido, marque o ponto α, f(α) pertencente ao gráfico
de f(x).
III. Para cada ponto crı́tico obtido, use o teste da derivada de segunda ordem.
(Daı́ saberemos o tipo de extremo que temos!)
IV. Caso existam, obtenha os pontos de inflexão. Para cada ponto de inflexão β obtido,
marque o ponto β, f(β) pertencente ao gráfico de f(x).
V. Estude a concavidade: onde é para cima ou para baixo.
VI. Estude o comportamento do gráfico no infinito via

lim f(x).
x→±∞

Agora, reunindo todas as informações anteriores, esboce o gráfico de f(x).


Por exemplo, seja f(x) = x3 − 6x2 + 11x − 6.

(Daı́ f ′ (x) = 3x2 − 12x + 11 e f ′′ (x) = 6x − 12.)

I. Para a interseção com o eixo das ordenadas, seja x = 0. Então f(x) = −6 e (0, −6)
pertence ao gráfico de f(x). Para a interseção com o eixo das abcissas, seja f(x) = 0.
Daı́, como as raı́zes de x3 − 6x2 + 11x − 6 = 0 são x = 1, 2, 3, temos que (1, 0), (2, 0)
e (3, 0) pertencem ao gráfico de f(x).

f(x)

x
1 2 3

−6

II. Se f ′ (x) = 0, como 3x2 − 12x + 11 = 0, temos que



6∓ 3 1, 42 = α1 ;
x= ≈
3 2, 58 = α2 .

Então, calculando as imagens, temos que

f (α1 ) ≈ 0, 39 e f (α2 ) ≈ −0, 39.


1.2. CÁLCULO DE FUNÇÕES REAIS DE UMA VARIÁVEL REAL 25

f(x)


α1 , f (α1 )
x

α2 , f (α2 )

(Tal figura nos indica que α1 e α2 são pontos de máximo e mı́nimo locais, respec-
tivamente. O teste do item seguinte serve apenas como confirmação analı́tica deste
fato!)
III. Como f ′′ (α1 ) = 6α1 − 12 < 0 e f ′′ (α2 ) = 6α2 − 12 > 0, temos que, de fato, α1 e α2
são pontos de máximo e mı́nimo locais, respectivamente.
IV. f ′′ (x) = 0 é equivalente a 6x − 12 = 0, isto é, x = 2, que é o ponto de inflexão e
cuja imagem por f(x) é dada por f(2) = 0. (O ponto (2, f(2)) = (2, 0) já havia sido
marcado nas figuras anteriores.)
V. Concavidade para baixo em (−∞, 2) (pois f ′′ (x) < 0 em tal intervalo) e para cima
em (2, ∞) (pois f ′′ (x) > 0 em tal intervalo).
VI. Como f(x) é um polinômio de grau ı́mpar cujo coeficiente do termo que determina
tal grau é 1, pode ser verificado que

lim f(x) = −∞ e lim f(x) = ∞.


x→−∞ x→∞

Coletando agora todas as informações anteriores, temos o seguinte gráfico para f(x):

f(x)

x
26 CAPÍTULO 1. INTRODUÇÃO

Vamos agora usar tais idéias para resolver um problema de otimização mais aplicado.
Considere que queremos construir um cercado retangular utilizando a parede de um celeiro
como um dos lados. Suponha que temos 80 metros de táboas de madeira em pedaços
cortados iguais, um a um. Pergunta-se:

Qual a maior área que pode ser delimitada por tal cercado?

parede do celeiro

A(x) = x(80 − 2x)


x x

80 − 2x

Assim, queremos obter o máximo da área

A(x) = −2x2 + 80x

para x > 0 e 80 − 2x > 0, isto é, 0 < x < 40. Logo, por um lado, como A ′ (x) = −4x + 80,
A ′ (x) = 0 nos fornece x = 20 metros como ponto crı́tico. Por outro lado, para garantir
que tal ponto crı́tico é ponto de máximo, usaremos o teste da derivada de segunda ordem.
De fato, isto segue de A ′′ (x) = −4 < 0 (e, em particular, para x = 20). Daı́, a área
máxima é dada por A(20) = 800 metros quadrados.27

Por último, vamos para as Integrais das Funções Reais de Uma Variável Real:

• integração:
Assim como a Subtração e a Divisão, quando possı́veis, são as operações inversas da
Adição e da Multiplicação, respectivamente, a Integração, quando possı́vel, é a operação
inversa da Derivação. Isto posto, sejam F(x) e f(x) funções obtidas, uma da outra, como
resultados destas duas últimas operações. A equivalência

d
 R
dx
F(x) = f(x) ⇐⇒ f(x) dx = F(x)

significa que f(x) é a derivada de F(x) se, e somente se, F(x) é uma integral (ou anti-
derivada ou primitiva) de f(x). Para ficar claro:
27
Para uma confirmação extra disto, faça o gráfico da função quadrática

A(x) = x(80 − 2x)


= −2x2 + 80x,

que é, obviamente, uma párabola com concavidade para baixo, com raı́zes x = 0 e x = 40, abcissa do vértice
xV = 20 e ordenada do vértice f (xV ) = 800.
1.2. CÁLCULO DE FUNÇÕES REAIS DE UMA VARIÁVEL REAL 27
R
f(x) dx iguala a função F(x) cuja derivada resulta em f(x).

Antes dos exemplos, considere o seguinte:


Por que F(x) é uma integral de f(x) e não a integral de f(x)?
Seja C uma constante arbitrária e considere válida a equivalência anterior. Note daı́ que
a equivalência

d
R
dx
F(x) + C) = f(x) ⇐⇒ f(x) dx = F(x) + C

também é válida. Assim:


R
F ′ = f ⇐⇒ f(x) dx = F(x) + C

para qualquer constante C. Vejamos agora alguns exemplos:


1. Seja r ∈ R, r 6= −1, fixo. Daı́
Z
xr+1
xr dx = +C
r+1
pois
xr+1
 
d 1 d
xr+1

+C =
dx r+1 r + 1 dx
1
= · (r + 1)xr
r+1
= xr .

2. Para completar o exemplo anterior, temos


Z Z
−1 1
x dx = dx
x
= ln |x| + C.

De fato, por um lado, seja x > 0. Daı́:


d  d 
ln |x| + C = ln x + C
dx dx
1
= .
x
Por outro lado, seja agora x < 0. Daı́:
d  d 
ln |x| + C = ln(−x) + C
dx dx
1
= (−1) ·
(−x)
1
=
x
via a regra da cadeia na segunda igualdade para a função interna y = −x e a função
externa z = ln y.
28 CAPÍTULO 1. INTRODUÇÃO

3. Para trigonométricas e inversas, é imediato que


Z Z Z
cos x dx = sen x + C, sen x dx = − cos x + C, sec2 x dx = tan x + C,

Z Z
1 1
√ dx = arcsen x + C e dx = arctan x + C.
1 − x2 1 + x2
De fato, temos que

d d d
tan x + C = sec2 x,
  
sen x + C = cos x, − cos x + C = sen x,
dx dx dx
d  1 d  1
arcsen x + C = √ e arctan x + C = .
dx 1 − x2 dx 1 + x2

4. É imediato que Z
ex dx = ex + C.

O caso geral, para a 6= 0 constante, é o seguinte:


Z
eax
eax dx = + C.
a
De fato,

eax
 
d 1 d ax
+C = (e )
dx a a dx
1
= · aeax
a
= eax

via a regra da cadeia.


5. Se F ′ (x) = f(x) e a é uma constante não-nula, então
Z
af(x) dx = aF(x) + C
Z
= a f(x) dx

pois

d  d 
aF(x) + C = a F(x)
dx dx
= af(x).

Por exemplo,
Z Z
2e dx = 2 e2x dx
2x

= e2x + C.
1.2. CÁLCULO DE FUNÇÕES REAIS DE UMA VARIÁVEL REAL 29
R 2
6. Queremos agora calcular a integral 2xex dx!
2
f(x) = 2xex não parece o resutado da aplicação da regra da cadeia em alguma
função F(x)?
De fato, se u(x) = x2 e v(u) = eu , então a derivada de

F(x) = v(u(x))
= eu(x)
= e2x

em relação a x é dada por


d  d
F ′ (x) =

u(x) · v(u)
dx du
= 2x · eu
2
= 2xex .

Assim, temos que Z


2 2
2xex dx = ex + C.

7. Vamos agora calcular a integral


Z
1
dx.
4 + x2
Bom, sabemos que Z
1
dx = arctan x + C
1 + x2
Façamos assim
Z Z
1 1
dx =   dx
4 + x2 2
4 1 + x4
Z
1 1
=  dx.
4 1+ x 2
2

Será que Z
1
dx = arctan(x/2) + alguma constante?
1 + (x/2)2
Não pois
d  1 1
arctan(x/2) = ·
dx 2 1 + (x/2)2
pela regra da cadeia. Aparece um incômodo fator 1/2. Logo, levando em consi-
deração tal fator, temos
Z
1 1 x
dx = · 2 · arctan +C
4 + x2 4 2
arctan x2

= + C.
2
30 CAPÍTULO 1. INTRODUÇÃO

8. Pode ser facilmente demonstrado que a integral da soma de funções é a soma das
integrais destas funções. Daı́, por exemplo,

Z  Z Z Z
4 1
−4x3 + 1 − 3
dx = (−4) x dx + x dx + (−4) 0
dx
4 + x2 4 + x2
x4 x1
= −4 · + − 4 · (integral do exemplo 7)
4 1 x
= −x4 + x − 2 arctan + C.
2

Existem técnicas que podem ser úteis no cálculo de integrais. Por exemplo, a integração
por substituição e a integração por partes.28

• integral definida: área ‘com sinal’


Seja f(x) uma função não-negativa (respectivamente, não-positiva) num intervalo [a, b].
Considere ainda que f(x) seja contı́nua neste intervalo, isto é, o gráfico de tal função não
é interrompido em (x, f(x)) para todo x em [a, b].

(x, f(x)) (b, f(b))


(a, f(a))

a x b

Uma importante consequência do teorema fundamental do cálculo (confira go-


nick) nos diz que se F(x) é uma primitiva de f(x), isto é, (F(x)+C) ′ = f(x), num intervalo
aberto que contenha [a, b], então a integral definida de f (em [a, b]) é obtida via

b
F(b) − F(a) := F(x) a
Zb
:= f(x) dx,
a

e calcula a área com sinal da região compreendida entre o gráfico de f, isto é, G(f), e o
intervalo [a, b] de acordo com os dois casos seguintes:

Rb
caso f ≥ 0: a
f representa tal área com sinal positivo;
Rb
caso f ≤ 0: a
f representa tal área com sinal negativo.

28
Veja gonick!
1.2. CÁLCULO DE FUNÇÕES REAIS DE UMA VARIÁVEL REAL 31

G(f)
caso f ≥ 0

a b

caso f ≤ 0
G(f)

Por exemplo, considere os seguintes gráficos:


y
4 y = x2

y
1 y=x 1

x x
0 1 0 1 2

A área relativa ao gráfico da esquerda é calculada por


Z1 1
x2
x dx =
0 2 0
12 02
= −
2 2
1
= u.a..
2
De fato, tal área também é calculada por
base × altura 1·1
=
2 2
1
= u.a..
2
Observe também que
Z1 Z1
(−x) dx = − x dx
0 0
1
=− ,
2
32 CAPÍTULO 1. INTRODUÇÃO

cujo módulo representa o valor da área do triângulo obtido pela reflexão do triângulo
anterior em relação ao eixo das abcissas.

0 1
x

−1 y y = −x

Agora, a área referente ao gráfico da parábola anterior é dada por


Z2 2
2 x3
x dx =
1 3 1
23 13
= −
3 3
8 1
= −
3 3
7
= u.a..
3
Para concluir, ressaltamos que, caso existam exatamente n pontos entre a e b, digamos
c1 , c2 , . . . , cn−1 , cn , onde f mude de sinal, basta considerar
Zb Z c1 Z c2 Z cn Zb
f= f+ f + ··· + f+ f,
a a c1 cn−1 cn

onde a contribuição de cada uma das n + 1 parcelas do segundo membro alterna entre os
dois casos anteriores a medida que f muda de sinal. Por exemplo:
Z 2π Zπ Z 2π
sen x dx = sen x dx + sen x dx
0 0 π
Zπ Zπ
= sen x dx − sen x dx
0 0
= 0.

a=0 c=π b = 2π
1.3. FUNDAMENTOS DE CÁLCULO DE UMA VARIÁVEL 33

1.3 Fundamentos de Cálculo de Uma Variável


Apenas leitores com viés para o rigor matemático devem tentar resolver os
exercı́cios que seguem.
Parte I

1. R ∋ a é dito um ponto de acumulação de S ⊂ R quando a condição dada na caixa que


segue é satisfeita.

Dado ε > 0 arbitrário, existe algum x ∈ S tal que 0 < |x − a| < ε.

Mostre que:

(a) 0 é um ponto de acumulação de S = {1/n | n ∈ N};


(b) Z não tem pontos de acumulação.

2. Sejam: f uma função; a um ponto de acumulação de Dom(f); L ∈ R.

lim f(x) = L
x→a

significa que, dado ε > 0 arbitrário, é possı́vel apresentar algum δ = δ(ε) > 0 tal que a
condição da caixa que segue seja válida.

x ∈ Dom(f), 0 < |x − a| < δ ⇒ |f(x) − L| < ε.

Use tal definição de limites para demonstrar cada um dos cinco itens seguintes.

(a) Se lim f(x) existe, então tal limite é único.29


x→a
(b) Se lim f(x) = L e lim g(x) = M, então:
x→a x→a
i. lim (f + g)(x) = L + M;
x→a
ii. lim (f · g)(x) = L · M;
x→a
iii. lim (f/g)(x) = L/M se M 6= 0.
x→a
iv. f(x) ≥ 0 (respectivamente, f(x) ≤ 0) para cada x ∈ Dom(f) suficientemente
próximo de a ⇒ L ≥ 0 (respectivamente, L ≤ 0).
Sugestão: Para o item anterior, considere L < 0 e ε = − L2 (respectivamente,
L > 0 e ε = L2 ). Obtenha daı́ uma contradição.

3. Seja p(x) um polinômio. Mostre que p é contı́nua em a demonstrando os itens abaixo.

(a) Pela definição de limites, lim c = c para toda constante c.


x→a
(b) Pela definição de limites, lim x = a.
x→a
(c) Pelo item anterior, pelo item ii. da questão anterior e por indução finita, lim xn = an
x→a
para cada inteiro positivo n.
29
Assuma que L 6= M são ambos limites de f em a. Considere ε = |L − M|/2 na definição anterior. Use a
desigualdade triangular para obter a contradição 2ε < 2ε.
34 CAPÍTULO 1. INTRODUÇÃO

(d) Pelo itens (a) e (c) anteriores e pelo item ii. da questão anterior, lim cxn = can para
x→a
cada constante c.
(e) Pelo item anterior, pelo item i. da questão anterior e por indução finita, lim p(x) =
x→a
p(a).30

4. Demonstre que lim+ f(x) e lim− f(x) existem e são iguais se, e somente se, lim f(x) existe.
x→a x→a x→a
Neste caso, tal limite iguala os limites laterais.31

5. Considere ε > 0 arbitrário. Use a definição de limites do exercı́cio 2 para verificar cada
um dos itens seguintes.32

(a) lim 3x − 1 = 5.33


x→2

(b) lim 2 − 4x = 6.34


x→−1

(c) Seja x ∈ − π2 , π2 , x 6= 0. Daı́:




sen x
i. 0 < cos x < x
< 1;35
30
Uma função f é dita contı́nua em a ∈ Dom(f) quando, na definição de limite dada na questão 2, L = f(a).
31
Para definir lim+ f(x) = L, basta considerar Dom(f) = (a, b) na definição de lim f(x) = L dada anterior-
x→a x→a
mente. Neste caso, escreva 0 < |x − a| < δ como 0 < x − a < δ. Analogamente, para definir lim− f(x) = L, basta
x→a
considerar Dom(f) = (c, a) na definição de lim f(x) = L dada anteriormente. Neste caso, escreva 0 < |x − a| < δ
x→a
como −δ < x − a < 0.
32
Além das definições de limites já apresentadas, considere agora as definições seguintes, para f definida no
intervalo I e ε > 0, como já estabelecido, arbitrariamente dado.
(a) lim f(x) = L quando existe algum K = K(ε) > 0 tal que:
x→+∞

x ∈ I = (a, +∞), x > K ⇒ |f(x) − L| < ε;

(b) lim f(x) = L quando existe algum K = K(ε) > 0 tal que
x→−∞

x ∈ I = (−∞, b), x < −K ⇒ |f(x) − L| < ε.

33
Sugestão: Tome δ ≤ ε/3. Justifique como tal escolha (para δ) é feita.
34
Sugestão: Tome δ ≤ ε/4. Justifique como tal escolha é feita.
35
Resolução:
tan x
sen x x

−sen x −x
− tan x
sen x
0 < |sen x| < |x| < | tan x| =⇒ 0 < | cos x| < <1

x
sen x
=⇒ 0 < cos x < < 1.
x
1.3. FUNDAMENTOS DE CÁLCULO DE UMA VARIÁVEL 35
2
ii. senx x − 1 < x2 ;36
iii. lim senx x = 1.37
x→0

(d) lim x sen x1 = 0.38



x→0

(e) Se g(x) é limitada, isto é, existe B ∈ R tal que |g(x)| ≤ B para todo x ∈ Dom(g),
então
lim xg(x) = 0.39
x→0
√ √
(f) Se a > 0, então lim x= a.40
x→a

(g) lim x2 + 1 = 5.41


x→−2
1
(h) lim 2x+1 = 15 .42
x→2

(i) lim+ x = 0.43
x→0
|x|
(j) Se f(x) = x
, então não existe lim f(x) pois lim− f(x) = −1 e lim+ f(x) = 1.
x→0 x→0 x→0

(k) lim 1 = 0.
x→±∞ x

6. Se f é uma função definida no intervalo I e y = 1/x, demonstre os dois itens abaixo.

(a) Para I = (a, +∞),


lim f(x) = L ⇔ lim+ f(1/y) = L.44
x→+∞ y→0

(b) Para I = (−∞, b),


lim f(x) = L ⇔ lim− f(1/y) = L.
x→−∞ y→0

36
Resolução: Do item anterior, temos que
sen x x
− 1 < 1 − cos x = 2 sen 2

x 2

x2
< .
2

37

Resolução: Seja 0 < δ ≤ 2ǫ. Assim, segue do item anterior que, se |x| < δ, então

sen x δ2
− 1 <

x 2

< ǫ.

38
Sugestão: Tome δ ≤ ε. Justifique como tal escolha é feita.
39
Note que, embora tenhas que resolver o item anterior pela definição, uma resolução mais simples é via este
item!
40
 √
Sugestão: Tome δ ≤ min a, ε a . Justifique como tal escolha é feita.
41
Sugestão: Tome δ ≤ min {1, ε/5} ou δ ≤ min {2, ε/6}. Justifique como tais escolhas são feitas.
42
Sugestão: Tome δ ≤ min {2, 5ε/2}. Justifique como tal escolha é feita.
43
Sugestão: Tome δ ≤ ε2 . Justifique como tal escolha é feita.
44
Para ⇒, se ε > 0, escolha K = K(ε) > 0 em relação ao limite de f quando x → +∞. Use então δ ≤ 1/K.
36 CAPÍTULO 1. INTRODUÇÃO

7. Use a questão anterior e o item (c) da questão 5 para mostrar que


sen x
lim = 0.
x→+∞ x

8. Assuma que f e g são contı́nuas em a. Demonstre então que:

(a) f + g é contı́nua em a;
(b) f · g é contı́nua em a;
(c) f/g é contı́nua em a se g(a) 6= 0.

Sugestão: Use o item (b) da questão 2 anterior.

9. Use a questão anterior pra mostrar que



8x + x + 1
h(x) =
2x2 + x + 9
é contı́nua para todo x > 0.

10. Se g é contı́nua em a e f é contı́nua em g(a), demonstre que f ◦ g é contı́nua em a.

11. Use a questão anterior para mostrar que a função


p 3
ϕ(x) = 6(x3 − 1)2 + 2 + 1

é contı́nua para todo x ∈ R.

12. f é dita contı́nua em [a, b], a < b, quando as duas condições que seguem são satisfeitas.

• f é contı́nua em (a, b);


• lim+ f(x) = f(a) e lim− f(x) = f(b).
x→a x→b


(a) Mostre que f(x) = x é contı́nua em [0, b].45
(b) Mostre que f(x) = x sen x1 não é contı́nua em [0, b].46


(c) Seja s a função definida em [0, b] por


1

x sen x
se x 6= 0;
s(x) = .
0 se x = 0.

i. Mostre que lim+ s(x) = s(0).47


x→0
ii. Mostre que s é contı́nua em [0, b].48
45
Usar: item (e) da questão 5 para verificar que f é contı́nua em (0, b); item (h) da questão 5 para verificar
que lim+ f(x) = f(0); item (e) da questão 5 e questão 4 para verificar que lim− f(x) = f(b).
x→0 x→b
46
Verifique que embora lim+ f(x) = 0 (pelo item (c) da questão 5 e pela questão 4), f(0) não está definida.
x→0
47
Use o item (c) da questão 5 e a definição de s.
48
Usar: item anterior; item (b) da questão 8, questão 10 e que sen x é contı́nua para mostrar que s(x) é
contı́nua para x 6= 0; questão 4 para mostrar que lim− = s(b).
x→b
1.3. FUNDAMENTOS DE CÁLCULO DE UMA VARIÁVEL 37

13. Demonstre o Teorema da Conservação de Sinal (TCS), isto é, se f é contı́nua em


c e f(c) 6= 0, demonstre que existe algum δ > 0 tal que f(x) · f(c) > 0, isto é, f(x) e f(c)
têm mesmo sinal, para cada x ∈ Dom(f) para o qual |x − c| < δ.
Sugestão: Considere ε = |f(c)|
2
para lim f(x) = f(c). Conclua daı́ que:
x→c

f(c)
f(x) > 2
se f(c) > 0,
f(c)
f(x) < 2
se f(c) < 0.

14. Seja S um conjunto não-vazio de números reais. S é dito limitado superiormente (res-
pectivamente, inferiormente) quando existe algum número real B cuja condição dada na
caixa que segue seja válida.

x ≤ B (respectivamente, B ≤ x) para cada x ∈ S.

Neste caso, a existência do menor (respectivamente, maior) entre todos tais números B,
denotado por sup S (respectivamente, inf S) é garantida. Por causa disso, dizemos que R
é completo.

(a) Considere o conjunto S do item (a) da questão 1. Mostre que sup S = 1 e inf S = 0.
(b) Preencha os detalhes da demonstração do Teorema do Valor Intermediário
(TVI) dada a seguir.
TVI: Se f : [a, b] → R é contı́nua e f(a) 6= f(b), então f assume em (a, b) todos
os valores entre f(a) e f(b).
Demonstração: Considere f(a) < d < f(b) e S = {x ∈ [a, b] | f(x) < d}. Daı́,
como R é completo, obtenha f(c) = d com c = sup S. De fato, suponha que
f(c)−d < 0 e use o TCS (da questão anterior) na função ϕ(x) = f(x)−d. Considere
ainda x̄ = c + δ2 . Obtenha daı́ que x̄ ∈ S, que é uma contradição. Daı́ f(c) ≥ 0.
Repita o argumento com a suposição f(c)−d > 0. Para concluir, se f(b) < d < f(a),
aplique o caso anterior para g(x) = −f(x). Obtenha daı́ c ∈ (a, b) tal que f(c) = d.
(c) Use o TVI para verificar que cada uma das equações seguintes tem uma raiz entre
os números indicados.
i. cos x = x entre 0 e 1.
ii. 2x3 − 5x2 − 10x + 5 = 0 entre: −2 e −1; 0 e 1; 3 e 4.
iii. ln x = e−x entre 1 e 2.

15. Demonstre que f é contı́nua em a se, e somente se, lim (f(a + h) − f(a)) = 0.
h→0

16. Seja f uma função cujo domı́nio contém um intervalo aberto de centro a, isto é, seja a
um ponto interior ao Dom(f).
f é dita diferenciável em a quando existe o limite do quociente de Newton dado na caixa
que segue.

f(a+h)−f(a)
f ′ (a) = lim h
.
h→0

Neste caso, f ′ (a) é dito a derivada de f em a e


38 CAPÍTULO 1. INTRODUÇÃO

y = f ′ (a)x + (f(a) − f ′ (a)a)

é dita a equação da reta tangente ao gráfico de f em (a, f(a)). (Para uma ilustração de
uma tal reta, confira a página 39.)
Use a questão anterior para provar que f é contı́nua em a se f é diferenciável em a.

17. Use a definição de derivada dada na questão anterior para mostrar que:

(a) f(x) = x2 , x ∈ R, é diferenciável e que f ′ (x) = 2x;


(b) f(x) = x3 , x ∈ R, é diferenciável e que f ′ (x) = 3x2 ;
√ 1
(c) f(x) = x = x1/2 , x > 0, é diferenciável e que f ′ (x) = √
2 x
= 21 x−1/2 .

Ainda, para cada um dos três itens anteriores, obtenha a equação da reta tangente ao
gráfico de f em (1, 1).

18. Vale a recı́proca da penúltima questão? Considere, por exemplo, f(x) = |x| e a = 0. f é
contı́nua em a? f é diferenciável em a? (Use a definição de continuidade dada na nota
de rodapé do item (d) da questão 3 e a definição de derivada dada na penúltima questão
para justificar suas respostas. Confira também o ı́tem (i) da questão 5.)

19. Sejam f e g diferenciáveis em a. Demonstre que:

(a) f + g é diferenciável em a e (f + g) ′ (a) = f ′ (a) + g ′ (a);


(b) fg é diferenciável em a e (fg) ′ (a) = f ′ (a)g(a) + f(a)g ′ (a);
f ′ (a)g(a)−f(a)g ′ (a)
(c) f/g é diferenciável em a e (f/g) ′ (a) = [g(a)]2
se g(a) 6= 0.

20. Demonstre a Regra da Cadeia, isto é, se f é diferenciável em a e g é diferenciável em


f(a), demonstre que g ◦ f é diferenciável em a e, neste caso,

(g ◦ f) ′ (a) = f ′ (a) · g ′ (f(a)).

21. Use as questões 17, 19 e 20 para derivar a função ϕ da questão 11.

22. Seja f diferenciável em a como na questão 16.49 Se a é um ponto de máximo (respectiva-


mente, mı́nimo) local de f,50 mostre então que a é um ponto crı́tico de f, isto é, f ′ (a) = 0.
Sugestão: Sem perda de generalidade, seja a um ponto (interior ao Dom(f)) de máximo
local. Considere então o quociente de Newton em a tanto para h < 0 quanto para h > 0.
Agora, via os limites laterais de tal quociente, a questão 4 e o item iv. da questão 2,
deduza que f ′ (a) é simultaneamente ≤ 0 e ≥ 0.

23. Vale a recı́proca da questão anterior? Por exemplo, considere f(x) = x3 e a = 0.

Parte II

1. Uma sequência N ∋ n 7→ xn ∈ R é denotada por (xn ) e o inteiro positivo n é o ı́ndice


do termo xn . Dizer que tal sequência é convergente para L ∈ R significa dizer que, dado
ε > 0 arbitrário, existe um ı́ndice N = N(ε) tal que
49
Daı́, em particular, a é um ponto interior ao domı́nio de f!
50
O que isto significa?
1.3. FUNDAMENTOS DE CÁLCULO DE UMA VARIÁVEL 39

n > N ⇒ |xn − L| < ε .51

Neste caso, dizemos que L é o limite de (xn ) e denotamos lim xn = L.


n→∞

(a) Mostre que uma sequência constante converge para tal constante.
(b) Verifique que lim n1 = 0.52
n→∞
(c) Demonstre a unicidade do limite de uma sequência convergente.
(d) Enuncie e demonstre as tradicionais propriedades da soma, produto e quociente de
limites para sequências convergentes.
(e) Sejam c ∈ R e k ∈ N duas constantes. Use os itens (a), (b) e (d) anteriores para
mostrar que lim nck = 0.
n→∞
(f) Demonstre o Teorema do Sanduı́che para Sequências (TSS), isto é, se N é
um inteiro positivo, xn ≤ yn ≤ zn para cada ı́ndice n > N e lim xn = lim zn = L,
n→∞ n→∞
demonstre que lim yn = L.
n→∞
(g) Use o item anterior para mostrar que
lim |xn | = 0 ⇒ lim xn = 0.
n→∞ n→∞

(h) Dada a sequência (xn ), se a função f(x) é tal que f(n) = xn para todo ı́ndice n e
lim f(x) = L, demonstre que lim xn = L.
x→∞ n→∞
(i) Seja 0 ≤ r < 1. Considere o item anterior e suponha já termos demonstrado que
lim rx = 0. Qual conclusão é obtida daı́?
x→∞
(j) Dizer que (xn ) é limitada significa dizer que existe B ∈ R tal que
|xn | ≤ B para todo ı́ndice n .
Mostre que toda sequência convergente é limitada.
(k) Sejam
x1 = 3, 1, x2 = 3, 14, . . . , xn = 3, 1415926 . . . dn
e dn o dı́gito da n-ésima casa decimal de π. Verifique que tal sequência é limitada
e convergente.53
(l) Seja xn = (−1)n para cada ı́ndice n. Verifique, pela definição, que a sequência (xn )
é limitada mas não é convergente.
2. Divida o intervalo [0, 1] em n partes iguais. Cada uma destas partes é um subintervalo
de comprimento 1/n. Tais subintervalos têm extremos
1 2 n−1 n
0,
, ,..., , = 1.
n n n n
Para a (parte da) parábola f(x) = x2 com x ∈ [0, 1], considere os retângulos cujas bases
sejam os n subintervalos e cujas alturas sejam as imagens por f dos extremos destes
subintervalos. (Para uma representação geométrica destes retângulos para n = 8, confira
a ilustração que segue.)
51
Todos os termos da sequência de indı́ces maiores que N pertencem a (L − ε, L + ε).
52
Use o item (a) da questão 1 da Parte I.
53
Para a convergência, mostre que π − xn ≤ 10−n para cada ı́ndice n. Depois use o TSS combinado com o
item (i) anterior.
40 CAPÍTULO 1. INTRODUÇÃO

Y f(x) = x2

X
0 1 1 3 1 5 3 7 1
8 4 8 2 8 4 8

Seja sn (respectivamente, Sn ) a soma das áreas destes retângulos de alturas dadas pelos
extremos inferiores (respectivamente, superiores) destes subintervalos. Por último defina
R1
f como o valor da área da região limitada pelo gráfico de f, pelo eixo das abcissas e
0
R1
pelas retas x = 0 e x = 1. Obviamente, sn ≤ f ≤ Sn .
0

(a) Calcule sn e Sn para n = 2, 4, 8, 16, 32.


(b) Mostre que lim sn = lim Sn = 13 .54
n→∞ n→∞
R1
(c) O que o item anterior te diz sobre o valor de f.55
0

3. Como na questão anterior, seja f uma função real não negativa e contı́nua sobre [a, b].
Divida tal intervalo em n subintervalos, não necessariamente de mesmo comprimento,
[xi , xi+1 ] , i = 1, 2, . . . , n,
tais que x1 = a, xn+1 = b e, sendo ∆n o maior entre os comprimentos de todos tais
subintervalos,
lim ∆n = 0.
n→∞
Por outro lado, suponha já termos demonstrado o Teorema dos Valores Máximo
e Mı́nimo (TMM), isto é, se uma função é contı́nua num intervalo fechado e limitado,
assuma já termos provado que tal função assume valores máximo e mı́nimo (globais) em
tal intervalo. Então, sendo mi e Mi os valores mı́nimo e máximo de f em [xi , xi+1 ] , i =
1, 2, . . . , n, considere a soma inferior (respectivamente, superior)
n
X n
X
sn := mi (xi+1 − xi ) (respectivamente, Sn := Mi (xi+1 − xi ) )
i=1 i=1
54
Mostre, por indução finita, que
n(n + 1)(2n + 1)
12 + 22 + 32 + · · · + n2 = , n ∈ N.
6
Depois use tal identidade no cálculo de lim Sn . Ainda, no cálculo do limite anterior, use o item (e) da questão
n→∞
1 anterior. Para concluir, utilize um raciocı́nio análogo para calcular lim sn .
n→∞
55
Use o TSS.
1.3. FUNDAMENTOS DE CÁLCULO DE UMA VARIÁVEL 41

de Riemann de f em relação a partição {x1 , x2 , . . . , xn , xn + 1} de [a, b]. Assim, devido a f


ser contı́nua, pode ser demonstrado que os limites lim sn e lim Sn existem e são iguais.
n→∞ n→∞
Neste caso, defina a área da região limitada pelo gráfico de f, pelo eixo x e pelas retas
Rb
x = a e x = b como sendo tal limite comum. Denote tal área por f. Defina ainda a
a
função I do seguinte modo: Zx
[a, b] ∋ x 7→ I(x) = f.
a
Demonstre os itens seguintes:

(a) I é diferenciável e I ′ = f, isto é, I é uma primitiva de f;


Sugestão: Inicie considerando a continuidade de f no intervalo [x, x + h] ⊂ [a, b]
para h suficientemente pequeno mas positivo. Daı́, pelo TMM, existem xm , xM ∈
[x, x + h] tais que, neste intervalo, f (xm ) é o menor e f (xM ) é o maior entre todos
os valores de f. (Por exemplo, na ilustração seguinte, xM = x e xm = x + h.)

y = f(x)

a x X
x+h b

Agora, compare as áreas dos retângulos aproximantes e da região sob a curva y =


f(x) de base [x, x + h] via
Z x+h
f (xm ) h ≤ f ≤ f (xM ) h.
x

Verifique então que a área entre as desigualdades é dada por I(x + h) − I(x). Estude,
para concluir, o quociente de Newton que surge daı́ para h → 0.
(b) (Teorema Fundamental do Cálculo (TFC) para Funções Não Negativas)
Rb x=b
F é uma primitiva de f ⇒ a f = F(b) − F(a) := F(x) x=a .
Sugestão: Use que F − I é uma função constante.

4. Considere as mesmas hipóteses da questão anterior com uma exceção: f agora pode
assumir também valores negativos em [a, b]. Escolha x̄i ∈ [xi , xi+1 ] para i = 1, 2, . . . , n.
Então, como
mi (xi+1 − xi ) ≤ f (x̄i ) (xi+1 − xi ) ≤ Mi (xi+1 − xi )
para i = 1, 2, . . . , n, segue que
n
X
sn ≤ f (x̄i ) (xi+1 − xi ) ≤ Sn .
i=1
42 CAPÍTULO 1. INTRODUÇÃO

Considere agora tais desigualdades para n tão grande quanto se queira. Como na questão
anterior, devido a f ser contı́nua e lim ∆n = 0, podem ser demonstradas a existência e a
n→∞
igualdade dos limites das sequências que figuram em tais desigualdades, bem como que
n
X
lim f (x̄i ) (xi+1 − xi )
n→∞
i=1

é independente da escolha de x̄i , i = 1, 2, . . . , n. Tal limite é dito a integral definida de


Rb
f em [a, b] e é denotado por f(x)dx. Ainda, neste caso, f é dita integrável. (Observe
a
Rb Rb Rb Ra
que, se f é não negativa, f(x)dx = f.) Para terminar, defina f(x)dx = − f(x)dx se
a a a b
a < b.
Resolva os seguintes itens:
(a) Considere a função
−x2 se x < 0,
f(x) =
x2 se x ≥ 0.
Verifique daı́ que:
i. lim S2n = 0 com S2n = S− + − +
n +Sn tal que Sn e Sn são somas superiores de Riemann
n→∞
de f restrita aos intervalos [−1, 0] e [0, 1], respectivamente.56
R1
ii. f(x)dx = 0.57
−1

(b) Use a definição de Integral anterior e propriedades de somatórios adequadas para


demonstrar que:
Rb Rc Rb
i. f(x)dx = f(x)dx + f(x)dx se c ∈ [a, b];
a a c
Sugestão: Inicie considerando 2n subintervalos de [a, b], digamos

[xi , xi+1 ], i = 1, 2, . . . , 2n,

com x1 = a, xn+1 = c e x2n+1 = b, e escolhendo x̄i pertencente ao i-ésimo


subintervalo anterior, i = 1, 2, . . . , 2n. Daı́, estude
2n
X n
X 2n
X
f (x̄i ) (xi+1 − xi ) = f (x̄i ) (xi+1 − xi ) + f (x̄i ) (xi+1 − xi )
i=1 i=1 i=n+1

para n suficientemente grande. (Note ainda que, se j = i − n, então o último


n
P
somátorio anterior é dado por f (x̄j ) (xj+1 − xj ).)
j=1
Rb Rb
ii. (constante · f(x))dx = constante · f(x)dx;
a a
Rb Rb Rb
iii. f1 e f2 são contı́nuas em [a, b] ⇒ (f1 (x) + f2 (x)) dx = f1 (x)dx + f2 (x)dx;
a a a

56
Use o item 2.(b) anterior.
57
Use o item anterior.
1.3. FUNDAMENTOS DE CÁLCULO DE UMA VARIÁVEL 43

Rb
iv. f(x)dx ≥ 0 se f é não negativa em [a, b].
a

(c) Suponha já termos demonstrado o TFC para funções não necessariamente não ne-
gativas, isto é, se f : [a, b] → R é contı́nua, assuma termos provado que
Zb
t=b
f(t)dt = F(t) t=a = F(b) − F(a).
a

Use tal fato para demonstrar as técnicas de integração enunciadas nos dois subitens
seguintes.
i. (Integração por Substituição)
u
Se [c, d] ∋ x 7→ u(x) ∈ [a, b] é uma bijeção com derivada contı́nua, não nula e
tal que u(c) = a e u(d) = b, então
Zd Zb
du
f(u(x)) dx = f(u)du.
c dx a

Sugestão: Inicie considerando uma primitiva F de f e a integração


Zd Zd
du du
f(u(x)) dx = F ′ (u(x)) dx
c dx c dx
Zd
d
= (F(u(x))) dx,
c dx

onde usamos a Regra da Cadeia (exercı́cio 20 da Parte I) na última igual-


dade. Agora use o TFC na última integral e continue daı́.
ii. (Integração por Partes)
Use a Regra da Derivada do Produto (exercı́cio 19.(b) da Parte I) para
demonstrar que, se u e v são contı́nuas em [a, b], então
Zb Zb
du x=b dv
v(x) dx = u(x)v(x) x=a − u(x) dx

a dx a dx
Rb b R b
(que costumamos denotar por a vdu = uv a − a udv).
(d) Em bons livros de Cálculo de Uma Variável, encontre e resolva integrais que utili-
zem, em tais resoluções, as duas técnicas de integração enunciadas nos dois subitens
anteriores.
44 CAPÍTULO 1. INTRODUÇÃO
Capı́tulo 2

Definições Básicas

“Suppose that you want to


teach the ‘cat’ concept to a very
young child. Do you explain
that a cat is a relatively small,
primarily carnivorous mammal
with retractible claws, a
distinctive sonic output, etc.?
I’ll bet not. You probably show
the kid a lot of different cats,
saying ‘kitty’ each time, until it
gets the idea. To put it more
generally, generalizations are
best made by abstraction from
experience.”

Ralph Philip Boas, Jr.

Como todos devem recordar, se A e B são dois conjuntos não vazios, uma função f (definida em
A a valores em B) associa a cada elemento a ∈ A um único elemento f(a) ∈ B; A é o domı́nio
de f; f(a) é a imagem de a (por f) e o subconjunto de B de todas tais imagens é a imagem de
f.
Uma analogia útil é considerar f como uma máquina ou um processador, a como uma entrada
ou um ‘input’ de f, A como o conjunto das entradas admissı́veis de f, isto é, que podem ser
processadas por f, f(a) como uma saı́da ou um ‘output’ de f e, por fim, a imagem de f como o
conjunto de todas tais saı́das.
A∋a

f(a) ∈ B

45
46 CAPÍTULO 2. DEFINIÇÕES BÁSICAS

Aqui estudaremos funções f cujos domı́nios são subconjuntos do Rn e cujas imagens são sub-
conjuntos do Rm , isto é,

A = Dom(f) ⊂ Rn e Im(f) ⊂ Rm = B.

No já estudado ‘Cálculo de Funções y = f(x) Reais de Uma Variável Real’ temos n = m = 1:
• Para todo x ∈ Dom(f) ⊂ R, existe y ∈ R tal que y = f(x).
Aqui estudaremos principalmente os casos em que:
• n = 2 e m = 1: Para todo (x, y) ∈ Dom(f) ⊂ R2 , existe z ∈ R tal que z = f(x, y);

• n = 3 e m = 1: Para todo (x, y, z) ∈ Dom(f) ⊂ R3 , existe w ∈ R tal que w = f(x, y, z);

• n = 1 e m = 2: Para todo t ∈ Dom(f) ⊂ R, existe (x, y) ∈ R2 tal que (x, y) = f(t);

• n = 1 e m = 3: Para todo t ∈ Dom(f) ⊂ R, existe (x, y, z) ∈ R3 tal que (x, y, z) = f(t).


No primeiro caso temos Funções Reais de Duas VariáveispReais. Por exemplo, a função f
que a cada vetor (x, y) associa o seu comprimento f(x, y) = x2 + y2 . Daı́, por exemplo,
p √  q√ 2
2 2
f(3, 4) = 3 + 4 = 5 u.c. e f 2, 1/2 = 2 + (1/2)2 = 3/2 u.c..

Outro exemplo, a função f(x, y) = xy que calcula a área de um retângulo cuja base mede x
u.c. e cuja altura mede y u.c.. Assim, por exemplo, f(2, 2) = 4 u.a. é a área de um quadrado
cujo lado mede duas u.c..
No segundo caso temos Funções Reais de Três Variáveis Reais. Por exemplo, a função f
que a cada ponto do espaço associa a sua distância ao plano OXY. Daı́, por exemplo,

f(7, 4, −2) = 2 u.c. e f(1, 2, 3) = 3 u.c.;

Nos dois últimos casos temos as Funções (a Valores) Vetoriais (de Uma Variável Real)
ou Curvas Parametrizadas e, em geral, seus domı́nios são intervalos da reta real. Além disso,
é conveniente ressaltar que as ‘coordenadas’ de f(t) também dependem da variável independente
t, isto é, x = x(t), y = y(t) e z = z(t). Por exemplo, a função f que a cada instante de tempo
t ∈ [0, 2π) associa a posição f(t) = (cos t, sen t) de uma partı́cula numa circunferência de centro
na origem e raio unitário. (Aqui, x(t) = cos t e y(t) = sen t.)
(Em geral, denotaremos tais funções vetoriais por letras gregas. Por exemplo, no lugar de f
usaremos γ. Além disso, por abuso de notação, funções vetoriais com imagens em R3 e com
uma das componentes nula podem ser consideradas como funções vetoriais com imagens em
R2 . Por exemplo, no lugar de γ(t) = (x(t), y(t), 0) podemos usar apenas γ(t) = (x(t), y(t)).)
Como todos devem lembrar dos estudos iniciais das funções reais de uma variável real, y =
f(x), o domı́nio e a imagem de f podem ser (e quase sempre são) intervalos (ou reunião de
intervalos) da reta real.1 Cada um desses intervalos pode ser de um dos seguintes tipos: aberto,

Por exemplo, o domı́nio e a imagem de y = x é o intervalo [0, +∞). Outro exemplo, o domı́nio de y = ex é
1

o intervalo (−∞, +∞) e a imagem é o intervalo (0, +∞), enquanto que o contrário ocorre para a função y = ln x.
O domı́nio de y = tan x é a união de intervalos

· · · ∪ (−5π/2, −3π/2) ∪ (−3π/2, −π/2) ∪ (−π/2, π/2) ∪ (π/2, 3π/2) ∪ (3π/2, 5π/2) ∪ · · · ,

enquanto que a sua imagem é o intervalo (−∞, +∞)!


47

fechado, aberto à direita e fechado à esquerda, fechado à direita e aberto à esquerda, limitado
ou ilimitado. Iniciaremos nossos estudos generalizando o conceito de intervalo da reta real
para subconjuntos do Rn que aparecem, com certa frequência, como domı́nios de funções de
várias variáveis. Terminaremos este capı́tulo estudando ‘Gráficos’ de funções de duas variáveis
e ‘Traços’ de funções vetoriais. Mas antes, vamos determinar os domı́nios e as imagens de
algumas funções z = f(x, y) e w = f(x, y, z):
1. z = x2 + y2 pode ser obtido para todo (x, y) ∈ R2 . Daı́ Dom(f) = R2 . Por outro lado,
como a soma de dois quadrados no mı́nimo é 0 e (tal soma) pode se tornar tão grande
quanto se queira (ao variarmos os pontos do domı́nio), temos que Im(f) = [0, +∞).
x+y
2. Para z = √ , note que:
1−x2 −y2

(a) O domı́nio é dado por



Dom(f) = (x, y) ∈ R2 1 − x2 − y2 > 0


= (x, y) ∈ R2 x2 + y2 < 1 ,

isto é, o domı́nio é o conjunto dos pontos do plano que pertencem ao cı́rculo de centro
(0, 0) e raio unitário, exceto aqueles que pertencem a sua circunferência x2 + y2 = 1;
(b) Em considerando pontos do domı́nio arbitrariamente próximos da circunferência
x2 + y2 = 1, temos que op numerador x + y é limitado, podendo ser negativo ou
positivo, e o denominador 1 − (x2 + y2 ) se aproxima de 0 pela direita, isto é,
1
z = (x + y) · p
1 − (x2 + y2 )
se aproxima de ±∞. Daı́
Im(f) = (−∞, +∞).

3. Para z = ln 9 − x2 − 9y2 , note que:
(a) O domı́nio é dado por

Dom(f) = (x, y) ∈ R2 9 − x2 − 9y2 > 0


= (x, y) ∈ R2 x2 + 9y2 < 9

2
2 x 2

= (x, y) ∈ R + y < 1
9
2
2 x
y2
= (x, y) ∈ R 2 + 2 < 1 ,
3 1
isto é, o domı́nio é o conjunto dos pontos do plano que pertencem a elipse de centro
(0, 0), eixo maior sobre o eixo dos x (com vértices em (±3, 0)) e eixo menor sobre
o eixo dos y (com vértices em (0, ±1)), exceto aqueles pontos que pertencem a sua
2 2
fronteira x32 + y12 = 1, isto é, 9 − x2 + 9y2 = 0;


(b) Em considerando
 pontos do domı́nio 2arbitrariamente
 próximos da fronteira da elipse
2 2 2
9 − x + 9y = 0, temos que 9 − x + 9y se aproxima  de 0 pela direita, isto é, z
se aproxima de −∞. Por outro lado, 9 − x2 + 9y2 atinge o seu maior valor quando
x2 + 9y2 alcança o seu menor valor, isto é, quando x = y = 0. Daı́
Im(f) = (−∞, ln 9).
48 CAPÍTULO 2. DEFINIÇÕES BÁSICAS
p 
4. Para w = cos 1 − x2 − y2 − z2 , note que:

(a) O domı́nio é dado por



Dom(f) = (x, y, z) ∈ R3 1 − x2 + y2 + z2 ≥ 0


= (x, y, z) ∈ R3 x2 + y2 + z2 ≤ 1 ,

isto é, o domı́nio é o conjunto dos pontos do espaço que pertencem a esfera de centro
(0, 0, 0) e raio unitário: cada um desses pontos está a uma distância da origem não
maior do que 1 u.c.;
(b) Note que, para cada ponto (x, y, z) ∈ Dom(f), como

0 ≤ x2 + y2 + z2 ≤ 1 ⇔ −1 ≤ − x2 + y2 + z2 ≤ 0


⇔ 0 ≤ 1 − x2 + y2 + z2 ≤ 1

p 
⇔ cos 1 ≤ cos 1 − (x2 + y2 + z2 ) ≤ cos 0
⇔ cos 1 ≤ w ≤ 1,

temos que
Im(f) = [cos 1, 1].
2.1. BOLA ABERTA DE CENTRO P0 ∈ RN E RAIO R > 0 49

2.1 Bola Aberta de Centro P0 ∈ Rn e Raio r > 0


• Para n = 1, é o intervalo aberto ]P0 − r, P0 + r[;

P −r
❞0
P
t0
P
❞0
+r

A figura anterior ilustra um tal intervalo aberto.

• Para n = 2, é o conjunto dos pontos de um cı́rculo de centro P0 e raio r, exceto aqueles


pertencentes a sua circunferência, isto é, aqueles cuja distância até P0 seja exatamente
igual a r;

P0

A figura anterior ilustra uma bola aberta de centro P0 e raio r em R2 .

• Para n = 3, é o conjunto de todos os pontos de uma esfera de centro P0 e raio r, exceto


aqueles que distam de P0 exatamente r.

Em geral, uma tal bola aberta é o conjunto



P ∈ Rn ||P − P0 || < r ,

onde ||P − P0 || representa a distância euclidiana entre P e P0 .

2.1.1 Exemplos
• Para n = 1, P0 = x0 e P = x, a bola aberta é dada por

x ∈ R |x − x0 | < r ;

• Para n = 2, P0 = (x0 , y0 ) e P = (x, y), a bola aberta é dada por



p
x ∈ R2 (x − x0 )2 + (y − y0 )2 < r .

2.1.2 Observação

P ∈ Rn ||P − P0 || ≤ r é a Bola Fechada de Centro P0 e raio r.
50 CAPÍTULO 2. DEFINIÇÕES BÁSICAS

2.2 Conjunto Aberto - Ponto Interior


Cada ponto P0 de um subconjunto aberto A de Rn é interior (a A), isto é, existe alguma bola
aberta de centro P0 inteiramente contida em A.

2.2.1 Exemplos
1 3
• Para n = 1, P0 = 1 é interior ao intervalo aberto A = ,
2 2
pois, por exemplo,
1 − 31 , 1 + 13 ⊂ A. Contudo, 1/2 e 3/2 não são interiores a A. Na verdade, A é aberto:
 

qualquer ponto P0 ∈ A é centro de algum intervalo aberto contido em A.

• Para n = 2, considere A ′ = Dom(f) com f(x, y) = √1xy . Daı́ A ′ é o conjunto de todos os


pontos dos quadrantes ı́mpares exceto aqueles pertencentes aos eixos coordenados.

Y
IQ
Y
IQ
X X
IIIQ
IIIQ

A ′ é aberto pois qualquer um de seus pontos é interior (a A ′ ). Nenhum ponto dos eixos

coordenados é interior a A ′ . De fato, se A ′′ = Dom(g) com g(x, y) = xy, isto é, A ′′ é a
união de A ′ com o conjunto dos pontos pertencentes aos eixos coordenados, então A ′′ não
é aberto pois, por exemplo, nenhuma bola centrada na origem está inteiramente contida
em A ′′ .

• Para n = 3, todos os pontos de um cubo são interiores ao mesmo, exceto aqueles perten-
centes as suas faces. Um cubo sem faces é aberto.

2.3 Ponto de Fronteira


P0 ∈ Rn está na fronteira de um subconjunto A de Rn quando toda bola aberta de centro em
P0 intercepta A e intercepta o complementar de A em Rn .

2.3.1 Exemplos
1
,3
1 3

• Para n = 1, 2 2
é a fronteira de A = ,
2 2
.

• Para n = 2, os conjuntos A ′ e A ′′ dados anteriormente têm a mesma fronteira,2 esta


consistindo dos pontos dos eixos coordenados.

• Para n = 3, as faces de um cubo formam a sua fronteira.


2
De fato, A ′′ é a união de A ′ com a fronteira de A ′ .
2.4. CONJUNTO COMPACTO 51

2.4 Conjunto Compacto


Um subconjunto C de Rn é compacto quando contém a sua fronteira e está contido em
alguma bola fechada. Se apenas contém a fronteira, C é dito fechado. Se apenas está contido
em alguma bola fechada, C é dito limitado.

2.4.1 Exemplos
Nos exemplos anteriores, os conjuntos A, A ′ e A ′′ não são compactos. (Contudo, note que
 
1 3 1 3
, =A∪ ,
2 2 2 2

é compacto pois além de conter a sua fronteira, está contido em, por exemplo, 1 − 21 , 1 + 12 .
 

Agora, embora A ′′ seja fechado, não é um conjunto compacto pois nenhuma bola fechada pode
conter A ′′ .) Note ainda que um cubo, incluindo as suas faces, é compacto.

2.5 Gráficos de Funções f Reais


de Uma Variável Real é o conjunto

G(f) = (x, f(x)) ∈ R2 x ∈ Dom(f) ;

de Duas Variáveis Reais é o conjunto



G(f) = (x, y, f(x, y)) ∈ R3 (x, y) ∈ Dom(f) ;

de Três Variáveis Reais é o conjunto



G(f) = (x, y, z, f(x, y, z)) ∈ R4 (x, y, z) ∈ Dom(f) .

f, no primeiro caso, tem domı́nio contido em R e gráfico contido em R2 ; no segundo, domı́nio


contido em R2 e gráfico contido em R3 ; no último, domı́nio contido em R3 e gráfico contido em
R4 .
Na ilustração seguinte, exemplos de gráficos (ou partes dos mesmos) dos dois primeiros casos são
representados(as). Note que não há possibilidade de se ilustrar tridimensionalmente o último
caso!

(x, y, f(x, y))


(x, f(x))
52 CAPÍTULO 2. DEFINIÇÕES BÁSICAS

2.5.1 Exemplos
Em alguns poucos exemplos, podemos usar algumas figuras geométricas conhecidas (planos,
esferas, parabolóides, etc) para a visualização dos gráficos.

1. Para z = f(x, y) = −x − y + 1, primeiramente note que existe z para todo (x, y) ∈ R2 ,


isto é, Dom(f) = R2 . Agora, de z = −x − y + 1 temos x + y + z − 1 = 0. Esta é a equação
do plano ax + by + cz + d = 0 para a = b = c = 1 e d = −1 (veja figura 2.1). Por fim
temos 
G(f) = (x, y, −x − y + 1) ∈ R3 (x, y) ∈ R2 .

3
2.5
2
1.5
1
z
0.5
0
-0.5
-1 1

0.5 1
0 0.5
y 0
-0.5
-0.5 x
-1-1

Figura 2.1: Gráfico da função z = f(x, y) = −x − y + 1 para x e y variando entre −1 e 1.

p
2. Para z = f(x, y) = 1 − x2 − y2 , primeiramente note que existe z (não negativo) para
(x, y) ∈ R2 tal que 1 − x2 − y2 ≥ 0, isto é, x2 + y2 ≤ 1. Daı́, Dom(f) é a bola fechada em
R2 com centro na√origem e raio 1. Agora, da equação da esfera unitária x2 + y2 + z2 = 1,
segue que z = ± 1 − x2 − z2 . Daı́, desconsiderando o sinal negativo, temos que

p
G(f) = (x, y, 1 − x2 − y2 ) ∈ R3 x2 + y2 ≤ 1

é a semiesfera unitária superior. (Veja figura 2.2 para visualizar parte de tal gráfico.)

Agora, ‘secções transversais’ de um gráfico G(f) dado acarretam curvas espaciais que, quando
projetadas no plano OXY, são ditas curvas de nı́vel da função z = f(x, y). Estas, juntamente
com intersecções de G(f) com planos verticais (paralelos ao eixo OZ), resultam num modo
qualitativo de se obter G(f) como veremos a seguir.

2.5.2 Conjunto de Nı́vel


Curva de Nı́vel c, c ∈ R fixo, no plano OXY
É a projeção no plano z = 0 (plano OXY) da interseção do gráfico de z = f(x, y) com o plano
horizontal z = c (plano paralelo ao plano OXY de altura c), isto é, é o conjunto

(x, y) ∈ R2 f(x, y) = c .

2.5. GRÁFICOS DE FUNÇÕES F REAIS 53

1
0.9
0.8
0.7
0.6
z 0.5
0.4
0.3
0.2
0.6
0.4
0.2 0.6
0.4
0 0.2
y -0.2 0
-0.4 -0.2
-0.4 x
-0.6 -0.6

p
Figura 2.2: Gráfico da função z = f(x, y) = 1 − x2 − y2 para x e y variando entre −0.7 e 0.7.

Superfı́cie de Nı́vel c, c ∈ R fixo, em R3

É o conjunto

(x, y, z) ∈ R3 f(x, y, z) = c .

Para f(x, y, z) = x2 + y2 + z2 , por exemplo, as superfı́cies de nı́vel são esferas com centro na
origem cujos raios pertencem ao conjunto [0, ∞). De fato, uma tal esfera é a representação
geométrica do conjunto


√ 2
(x, y, z) ∈ R3 x2 + y2 + z2 =

c

com c ∈ [0, ∞) fixo. Note ainda que a superfı́cie de nı́vel 0 é representada pela origem do
sistema OXYZ.

Exemplo do Uso de Curvas de Nı́vel e de Interseções de Gráficos com Planos


Verticais para Visualização do Gráfico de Uma Função

Seja z = f(x, y) = x2 + y2 . Da Geometria Analı́tica ou da Álgebra Linear (Identificação de


Quádricas) sabemos que x2 + y2 − z = 0 é um parabolóide de revolução com vértice na origem
e eixo das cotas como eixo de revolução. (Veja figura 2.3.)
Outro modo de visualizar o gráfico é observando, em√ primeiro lugar, que as curvas de nı́vel são
circunferências em R2 com centro na origem e raio c (veja a ilustração seguinte), isto é, uma
tal curva pode ser representada pelo conjunto


√ 2
(x, y) ∈ R2 x2 + y2 = c =

c

com c ∈ [0, ∞) fixo.


54 CAPÍTULO 2. DEFINIÇÕES BÁSICAS

c=0
c=1
c=4
c=9
c = 16
c = 25

Note que:

• Para constante c negativa, não existe curva de nı́vel x2 + y2 = c, isto é, nenhuma parte
do gráfico está abaixo do plano z = 0;

• Para c = 0, a curva de nı́vel x2 + y2 = 0 representa o ponto (x, y) = (0, 0);

• A medida que c cresce, cresce a altura do plano horizontal z = c, bem como o diâmetro da
circunferência x2 +y2 = c que representa a projeção da interseção do gráfico de z = x2 +y2
com o plano z = c;

• As curvas de nı́vel indicam que o gráfico pode ser o parabolóide ou o cone de vértice na
origem e eixo OZ como eixo de revolução.

Assim, para descartar a possibilidade do gráfico ser o cone, vamos interceptar z = x2 + y2 com
o plano x = 0 (ou com o y = 0), isto é, o plano OYZ (ou o OXZ). Se x = 0, então z = y2
é uma parábola em OYZ com vértice na origem e concavidade para cima (e, analogamente,
sendo y = 0, z = x2 é uma parábola em OXZ com vértice na origem e concavidade para cima),
conforme ilustrada a seguir.

Z z = y2 (ou z = x2 )

Y (ou X)
O

Em geral, a interseção do gráfico e qualquer outro plano que contenha o eixo OZ é uma parábola
em tal plano com vértice na origem e concavidade para cima. Assim, o gráfico só pode ser o
2.5. GRÁFICOS DE FUNÇÕES F REAIS 55

8
7
6
5
4
z
3
2
1
02
1.5
1 2
0.5 1.5
0 1
0.5
y -0.5 0
-1 -0.5
-1.5 -1 x
-1.5
-2-2

Figura 2.3: Gráfico da função z = f(x, y) = x2 + y2 com x e y variando entre −2 e 2.

parabolóide da figura 2.3.

Para outros exemplos e alguns exercı́cios sobre o uso de curvas de nı́vel e de interseções de
planos verticais com gráficos de funções, para uma visualização destes gráficos, confira as re-
ferências dadas na seção Introdução. Ainda, é fortemente recomendável o uso de ‘softwares’
livres para a ‘plotagem’ de gráficos de funções tais como: Winplot, Kmplot, GeoGebra, Gnu-
plot, etc. Como diz o ditado, “uma figura vale mais do que mil palavras!”. Além disso, em
geral, tal visualização só será possı́vel via algum destes programas.
56 CAPÍTULO 2. DEFINIÇÕES BÁSICAS

2.6 Traço (ou Trajetória) da Curva Parametrizada γ(t)


É a imagem da função γ, isto é, é o conjunto

Im(γ) = γ(t) t ∈ Dom(γ) .

2.6.1 Exemplos
O traço é uma reta que passa pelo ponto P0 = (1, 0, 4) na direção do vetor ~v = (2, 3, 5)
O conjunto

Im(γ) = P0 + t~v t ∈ R

= (1 + 2t, 3t, 4 + 5t) t ∈ R

pode ser representado geometricamente por tal reta (veja figura 2.4).

reta por (1,0,4) com vetor diretor (2,3,5)

20

15

z(t)

10

5
12
10 9
8 8
7
6 6
y(t)
4 5
4
2 3 x(t)
2
01

Figura 2.4: Traço de γ(t) = (1 + 2t, 3t, 4 + 5t).

O traço é uma circunferência de centro na origem e raio unitário no plano OXY


O conjunto

Im(γ) = (cos t, sen t, 0) t ∈ [0, 2π)
pode ser representado geometricamente por tal circunferência (veja figura 2.5). De fato, da
Relação Fundamental da Trigonometria, temos que x(t)2 + y(t)2 = cos2 t + sen2 t = 1 para todo
t ∈ [0, 2π). Por outro lado, para todo (x, y) ∈ R2 tal que x2 + y2 = 1, existe t ∈ [0, 2π) tal que
x = cos t e y = sen t.

A trajetória é uma Helix (ou Hélice)



O traço Im(γ)
 = (cos t, sen t, t) t ∈ [0, ∞) é um subconjunto do cilindro representado pelo

conjunto (x, y, z) ∈ R3 | x2 + y2 = 1 (veja figura 2.6).3
3
Verifique!
2.6. TRAÇO (OU TRAJETÓRIA) DA CURVA PARAMETRIZADA γ(T ) 57

circunf. em OXY

0.5

0
z(t)

-0.5

-1 1

0.5 1
0 0.5
y(t) 0
-0.5
-0.5 x(t)
-1-1

Figura 2.5: Traço de γ(t) = (cos t, sen t, 0).

helix

25

20

15

z(t)
10

01

0.5 1
0 0.5
y(t) 0
-0.5
-0.5 x(t)
-1-1

Figura 2.6: Traço de γ(t) = (cos t, sen t, t).

2.6.2 Dinâmica de Uma Partı́cula Percorrendo o Traço


γ(t0 ) é o Vetor Posição de uma partı́cula que percorre o traço da curva γ no instante de
tempo t = t0 u.t.. No exemplo da reta que passa por P0 na direção de ~v, γ(0) = P0 é o vetor
posição da partı́cula no instante t = 0 u.t..
A seguir estudaremos os vetores Velocidade e Aceleração em t = t0 u.t..
58 CAPÍTULO 2. DEFINIÇÕES BÁSICAS
Capı́tulo 3

Resultados - Cálculo Diferencial

“I will not define time, space,


place and motion, as being well
known to all.”

Isaac Newton

3.1 Curvas Parametrizadas


3.1.1 Limite da Função Vetorial γ(t) = (x(t), y(t), z(t)) em t = t0
É dado por
 
lim γ(t) = lim x(t), lim y(t), lim y(t)
t→t0 t→t0 t→t0 t→t0


(se existem tais limites). Daı́, por exemplo, para γ(t) = t, t2 , t3 ,
 
lim γ(t) = lim t, lim t2 , lim t3 = (2, 4, 8).
t→2 t→2 t→2 t→2

3.1.2 Continuidade de γ(t) em t = t0


Ocorre quando

lim γ(t) = γ(t0 ) ,


t→t0

isto é, quando lim x(t) = x(t0 ), lim y(t) = y(t0 ) e lim z(t) = z(t0 ), isto é, quando x(t), y(t) e
t→t0 t→t0 t→t0
z(t) são contı́nuas em t = t0 . Assim, no exemplo anterior, γ(t) = (t, t2 , t3 ) é contı́nua em t = 2.
Também são contı́nuas funções vetoriais como as dos exemplos dados no final do Capı́tulo 2,
isto é, funções cujos traços sejam retas, circunferências e hélices!

3.1.3 Derivada da Função Vetorial γ(t) = (x(t), y(t), z(t)) em t = t0


Em existindo, é dada por

59
60 CAPÍTULO 3. RESULTADOS - CÁLCULO DIFERENCIAL

γ(t0 +h)−γ(t0 )
γ ′ (t0 ) = lim h
.
h→0

Pelo item anterior, tal limite é igual a

 
x(t0 + h) − x(t0 ) y(t0 + h) − y(t0 ) z(t0 + h) − z(t0 )
lim , lim , lim ,
h→0 h h→0 h h→0 h

isto é, γ ′ (t0 ) = (x ′ (t0 ) , y ′ (t0 ) , z ′ (t0 )). (γ ′ (t0 ) também é chamada de Vetor Velocidade da
curva γ no instante t = t0 u.t..)

Exemplo: Reta Tangente ao Traço (a Trajetória) de γ(t) = (t, t2 ) em t = 1

Para obter o traço, considere x = t e y = t2 = x2 . Daı́ o traço é o gráfico da parábola y = x2 .


Agora, qual é a dinâmica de uma partı́cula sobre tal trajetória?
A medida que t cresce de −∞ até 0, x = t também cresce nesse intervalo, enquanto que y = t2
decresce de +∞ até 0. Quando t cresce de 0 até +∞, x = t e y = t2 também crescem em
[0, +∞). Daı́ a partı́cula ‘desce’ pela parte da parábola do segundo quadrante até atingir o
seu vértice. Depois ‘sobe’ pela parte da parábola do primeiro quadrante. Tal análise deve ser
confirmada pelo vetor velocidade. De fato, como γ ′ (t) = (1, 2t) para todo t ∈ R, seu módulo

1 + 4t2 diminui de arbitrariamente grande para 1 (quando t varia de −∞ até 0) e aumenta
de 1 até ficar tão grande quanto se queira (quando t varia de 0 até +∞).1
Por completeza, vamos agora exemplificar o que ocorre no instante t = 1 u.t.. P0 = γ(1) = (1, 1)
é a posição de uma partı́cula em t = 1 u.t.. ~v = γ ′ (1) = (1, 2) é o vetor velocidade em t = 1
u.t.. Assim, para obter a reta tangente a trajetória em t = 1, considere a reta que passa por
P0 na direção de ~v, isto é,

r(t) = P0 + t~v = (1 + t, 1 + 2t) ∀t ∈ R.

Para confirmar que esta é, de fato, a reta tangente a trajetória em t = 1, vamos obter a reta
y = ax + b tangente ao gráfico de f(x) = x2 no ponto de coordenadas x = t = 1 e y = t2 = 1,
isto é, em P0 , usando o Cálculo de Uma Variável. Por um lado sabemos que a = f ′ (1) = 2 · 1.
Daı́, y = 2x + b é a reta tangente ao gráfico de f em P0 = (1, 1). Por outro lado, como P0
pertence a tal reta tangente, isto é, suas coordenadas satisfazem a equação y = 2x + b, temos
que b = 1 − 2 · 1 = −1, isto é,

y = 2x − 1 ∀x ∈ R

é a equação da reta tangente ao gráfico de f(x) = x2 em P0 .

1
Note que o vetor velocidade tem direção e sentido compatı́veis com a dinâmica descrita anteriormente!
3.1. CURVAS PARAMETRIZADAS 61

Y
9 t=3
y = x2

t=2
y = 2x − 1

P0 t = 1
X
t=0 3

Para mostrar que y = 2x − 1 e r(t) = (1 + t, 1 + 2t) representam a mesma reta, basta eliminar a
variável t da segunda equação, obtendo assim a primeira. De fato, sendo x = 1 + t e y = 1 + 2t,
temos x − 1 = t = y−12
, isto é, y = 2x − 1.

3.1.4 Vetor Aceleração de γ(t) em t = t0 u.t.


Em existindo, é dado por

γ ′′ (t0 ) = (x ′′ (t0 ) , y ′′ (t0 ) , z ′′ (t0 )) .

Por exemplo, para γ(t) = (t, t2 ) do inı́cio deste capı́tulo, γ ′′ (t) = (0, 2) é constante para todo
t ∈ R.

Exercı́cios
1. Para a curva γ(t) = (cos t, sen t) dada no final do Capı́tulo 2, verifique que, em cada
instante de tempo t, o vetor velocidade é tangente ao movimento da partı́cula, isto é,
perpendicular ao vetor posição, e o vetor aceleração é simétrico ao vetor posição. Conside-
rando a massa da partı́cula unitária, como podemos descrever a força centrı́peta atuando
em tal partı́cula?

2. Considerando que uma partı́cula de massa unitária percorre a trajetória descrita pela
curva γ(t) = (cos t, sen t, t) (Helix) dada no final do Capı́tulo 2, como podemos des-
crever a força centrı́peta atuando em tal partı́cula?

3. Para funções vetoriais γ1 (t) = (x1 (t), y1 (t), z1 (t)) e γ2 (t) = (x2 (t), y2 (t), z2 (t)), e para a
função real f(t), todas deriváveis em t = t0 , temos que, em t = t0 :

(a) (γ1 + γ2 ) ′ = γ1′ + γ2′ ;


(b) (fγ) ′ = f ′ γ + fγ ′ , onde fγ representa a multiplicação de um escalar por um vetor.
(Em particular, vale que (constante · γ) ′ = constante · γ ′ );
(c) (γ1 · γ2 ) ′ = γ1′ · γ2 + γ1 · γ2′ , onde · representa o produto escalar de dois vetores;
(d) (γ1 × γ2 ) ′ = γ1′ × γ2 + γ1 × γ2′ , onde × representa o produto vetorial de dois vetores.
62 CAPÍTULO 3. RESULTADOS - CÁLCULO DIFERENCIAL

4. Determine os pontos em que a curva γ(t) = (t3 − 1, t2 + 1, 3t) intercepta o plano 3x −


2y − z + 7 = 0.
 3

5. A curva R ∋ t 7→ γ(t) = t, t2 , t 5−1 ∈ R3 representa o movimento de um corpo. Em
t = 1 u.t. o corpo se desprende da curva e continua seu movimento sem forças atuando
sobre ele. Determine o ponto e o instante no qual o corpo atinge o plano x + y + z = 10.

6. Suponha que uma partı́cula siga pela trajetória γ(t) = (et , e−t , cos t) até sair pela tangente
no instante t = 1 u.t.. Onde estará a partı́cula no instante t = 3 u.t.?

7. Seja γ(t) uma curva parametrizada com coordenadas diferenciáveis tal que ||γ(t)|| = c
constante para todo t pertencente a algum intervalo aberto I. Prove (usando a Regra da
Derivada do Produto Escalar) que γ(t) ⊥ γ ′ (t) para todo t ∈ I.

8. Seja γ(t) uma curva parametrizada com coordenadas diferenciáveis, definida num inter-
valo aberto, cujo traço está sobre uma esfera de centro na origem e raio r. Prove que
γ(t) ⊥ γ ′ (t) para todo t pertencente a tal intervalo.

9. Tente resolver exercı́cios sobre curvas parametrizadas em algum outro bom livro de
Cálculo. Por exemplo, confira algum dos livros referenciados no Capı́tulo 1 destas NA.

Observação
Analogamente ao caso de duas/três variáveis, se γ tem n variáveis dependentes, digamos

γ(t) = (x1 (t), . . . , xn (t)) ,

sua derivada em relação a t é dada por

γ ′ (t) = (x1′ (t), . . . , xn′ (t)) ,

cuja derivada em relação a t é obviamente dada por

γ ′′ (t) = (x1′′ (t), . . . , xn′′ (t)) .


3.2. CONTINUIDADE E DIFERENCIABILIDADE 63

3.2 Continuidade e Diferenciabilidade


3.2.1 Interpretação Geométrica da Continuidade para Funções Re-
ais de Uma (Duas) Variável (Variáveis) Real (Reais)
Formalmente, o estudo de Continuidade precisa do conceito de Limites!

y = f(x) é contı́nua se, e somente se, seu gráfico não apresenta interrupções (‘saltos’ e/ou
‘buracos’) enquanto x varia numa parte sem interrupções de Dom(f). Analogamente, z = f(x, y)
é contı́nua se, e somente se, seu gráfico não apresenta interrupções (‘saltos’ e/ou ‘buracos’)
enquanto (x, y) varia numa parte sem interrupções de Dom(f).
Daı́, por exemplo, como o gráfico da função f(x, y) = −x − y + 1 (dada na subseção Gráficos
de Funções f Reais do capı́tulo anterior) é um plano,2 z = f(x, y) é contı́nua.
Em geral, é contı́nua qualquer função cujo gráfico seja o plano ax+by+cz = d.3 Em particular,
são contı́nuas:

FUNÇÃO CONSTANTE
z = cte(x, y) = constante (c = 1, a = b = 0 e d = constante);

PROJEÇÃO NA PRIMEIRA COORDENADA


z = p1 (x, y) = x (a = 1, b = 0, c = −1 e d = 0);

PROJEÇÃO NA SEGUNDA COORDENADA


z = p2 (x, y) = y (a = 0, b = 1, c = −1 e d = 0).

3.2.2 Propriedades das Funções Contı́nuas


Somas, diferenças, produtos, quocientes adequados e composições adequadas de funções re-
ais contı́nuas de uma variável real também são contı́nuas. O mesmo vale para funções reais
contı́nuas de duas variáveis reais.

Exemplos
Utilizando as funções cte, p1 e p2 dadas anteriormente, são contı́nuas as funções:
P
• z = f(x, y) = ki=1 constantei xmi yni para os mi e ni inteiros não-nulos;
√ √
• z = 3xy2 + (log 2)x3 y3 + x2 + y + cos 2π 7
(aqui, constante 1 = 3, constante2 = log 2,
constante3 = constante4 = 1, constante5 = cos 2π 7
, m 1 = 1, m 2 = 3, m3 = 2, m4 = m5 =
0, n1 = 2, n2 = 3, n3 = n5 = 0 e n4 = 1);
√ 2π
3xy2 +(log 2)x3 y3 +x2 +y+cos
• z=e 7 .
Resultados análogos são válidos para funções reais q
de três variáveis reais que sejam contı́nuas.
3 2 5 z7 +2z6
Por exemplo, é contı́nua a função w = f(x, y, z) = πx y z+y z2 +1
.
2
Veja figura 2.1.
3
Para a função z = −x − y + 1, temos a = b = c = d = 1.
64 CAPÍTULO 3. RESULTADOS - CÁLCULO DIFERENCIAL

3.2.3 Derivação Parcial para Funções de Duas/Três Variáveis Reais


É necessário o conceito de Limites para uma definição formal!
Para calcular a derivada parcial de uma função em relação a uma de suas variáveis indepen-
dentes, digamos y, considera-se todas as suas outras variáveis independentes, digamos x e z,
como constantes e, em sendo possı́vel, deriva-se a função apenas em relação a y. Por exemplo,
se w = f(x, y, z), a derivada parcial de f em relação a y é denotada por fy e pode ser obtida
derivando-se f (como no cálculo de funções reais de UMA variável real) apenas em relação a
variável y, sendo x e z constantes em tal derivação.
∂f
Além da notação fy , podemos usar também, por exemplo, ∂y ou ∂w
∂y
.
Agora, seja f simétrica, isto é, a permutação de duas ou três de suas variáveis independentes
não modifica tal função. Para fixar idéias, suponha que tal simetria tem lugar nas variáveis x
e y (como nos exercı́cios (a), (b) e (d) de 1, (a) e (b) de 2 e (c) de 3 dados a seguir). Assim, fy
é obtida simplesmente permutando-se as váriaveis x e y da fx . Em outras palavras, o cálculo
só precisa ser feito para fx ; fy então segue via uma permutação simples.

Exercı́cios
1. Obter fx e fy para:
(a) f(x, y) = xy;
(b) f(x, y) = exy ;
(c) f(x, y) = x cos x cos y;
(d) f(x, y) = (x2 + y2 ) ln(x2 + y2 ).
2. Calcular as derivadas parciais ∂z/∂x e ∂z/∂y das funções dadas nos pontos indicados.
p
(a) z = a2 − x2 − y2 , (0, 0), (a/2, a/2);

(b) z = ln 1 + xy, (1, 2), (0, 0);
(c) z = eax cos(bx + y), (2π/b, 0).
3. Em cada um dos casos seguintes obter as derivadas parciais ∂w/∂x e ∂w/∂y.
2 +y2
(a) w = xex ;
x2 +y2
(b) w = x2 −y2
;
(c) w = exy ln(x2 + y2 );
(d) w = x/y;
(e) w = cos(yexy ) sen x.

Observação
Analogamente ao caso de duas/três variáveis, se f tem n variáveis independentes, digamos
f (x1 , . . . , xn ) ,
a derivada parcial de f em relação a i-ésima variável, isto é,
∂f
,
∂xi
3.2. CONTINUIDADE E DIFERENCIABILIDADE 65

é obtida considerando-se xi como variável e todas as outras variáveis independentes como


constantes.

3.2.4 (Vetor) Gradiente de f no Ponto P0 , isto é, ∇f(P0 )


Em existindo as derivadas seguintes, é dado por:
∇f (x0 ) = f ′ (x0 ) para P0 = x0 e y = f(x);
∇f (x0 , y0 ) = (fx (x0 , y0 ) , fy (x0 , y0 )) para P0 = (x0 , y0 ) e z = f(x, y);
∇f (x0 , y0 , z0 ) = (fx (x0 , y0 , z0 ) , fy (x0 , y0 , z0 ) , fz (x0 , y0 , z0 )) se P0 = (x0 , y0 , z0 ) e w = f(x, y, z);
Etc. (Isto é, o padrão se mantém para funções reais de mais de três variáveis reais.)

Exemplo
xzπ

Sejam f(x, y, z) = sen(ln(xy)) + cos 4
, em radianos, e P0 = (1, 1, 2). Daı́, como

cos(ln(xy)) zπ  xzπ  cos(ln(xy)) xπ  xzπ 


fx = − sen , fy = e fz = − sen ,
x 4 4 y 4 4
temos que

cos(ln 1) π π cos(ln 1) π π


fx (P0 ) = − sen , fy (P0 ) = e fz (P0 ) = − sen .
1 2 2 1 4 2
 π π
∴ ∇f (P0 ) = 1 − , 1, − .
2 4

Exemplo
p
Sendo r(x, y, z) = (x, y, z) o vetor que vai da origem ao ponto (x, y, z) e r(x, y, z) = x2 + y2 + z2
o seu módulo, o gradiente de r é dado por

∇r = (rx , ry , rz )
!
x y z
= p ,p ,p
x2 + y2 + z2 x2 + y2 + z2 x2 + y2 + z2
1
=p (x, y, z)
x + y2 + z2
2

r
= .
r

Exercı́cios
Verifique (para pontos que não sejam a origem) que:

1. ∇ 1r = − rr3 ;


2. ∇ ln r = r
r2
;

3. ∇f(r) = f (r)r
r
com f diferenciável. (Note que este exercı́cio generaliza os dois exercı́cios
anteriores.)
66 CAPÍTULO 3. RESULTADOS - CÁLCULO DIFERENCIAL

cos y
3.2.5 Derivadas Parciais de Ordens Superiores para f(x, y) = x −
yx3
y
∂f
fx = ∂x = − cos
x2
− 3yx2 e fy = ∂y ∂f
= − senx y − x3 são as derivadas parciais de primeira ordem
de f(x, y). Em sendo possı́vel derivá-las, obtemos suas derivadas parciais de segunda ordem.
Como há tal possibilidade, obtemos então:
∂2 f ∂ ∂f
 2 cos y
• fxx = ∂x 2 = ∂x ∂x
= x3 − 6yx;
∂2 f ∂ ∂f
 sen y
• fxy = ∂y∂x = ∂y ∂x
= x2 − 3x2 ;
 
∂2 f y
• fyx = ∂x∂y ∂
= ∂x ∂f
∂y
= sen
x2
− 3x2 ;
 
∂2 f
• fyy = ∂y 2 = ∂y
∂ ∂f
∂y
= − cosx y .
Analogamente, destas derivadas de segunda ordem, podemos obter as derivadas parciais de
terceira ordem e assim sucessivamente.

Observação
Não apenas para a função do exemplo dado, mas para qualquer f(x, y) definida em alguma
bola aberta de centro em (x0 , y0 ) onde fx , fy , fxy e fyx existam e sejam contı́nuas, vale que
fxy (x0 , y0 ) = fyx (x0 , y0 ) .

Exercı́cios
p
1. f(x, y) = ln( x2 + y2 ) satisfaz a equação fxx + fyy = 0?
2 √
2. Verifique que a função z = e−x /4kt / t satisfaz a zt = kzxx , dita Equação de Difusão
ou Equação do Calor, onde k é uma constante.

3.2.6 Diferenciabilidade
Aqui, o conceito de Limites é necessário!

Reta Tangente para y = f(x)


y = f(x) é diferenciável em x0 se, e somente se, existe reta tangente ao gráfico de f em
P0 = (x0 , f(x0 )) dada por
f ′ (x0 ) · (x − x0 ) + (−1) · (y(x) − f (x0 )) = 0.

(x, y(x))

(x, f(x))

(x0 , f (x0 ))
3.2. CONTINUIDADE E DIFERENCIABILIDADE 67

Temos, na figura anterior, (uma representação geométrica de) parte de uma reta y(x) = ax + b
tangente ao gráfico de f num ponto P0 (de tal gráfico) com a = f ′ (x0 ).

Para y = f(x) ser diferenciável em x0 basta que exista f ′ (x0 )!

Aproximação Linear

Podemos aproximar (localmente) o gráfico de f em P0 pela sua reta tangente em P0 , isto é,
(x, f(x)) próximo de P0 pode ser aproximado pelo ponto (x, y) da reta tangente, isto é, sendo
|x − x0 | = |∆x| ≪ 1 (arbitrariamente pequeno), temos que

f(x) ≈ f(x0 ) + f ′ (x0 ) · ∆x.

Exemplo

No inı́cio deste capı́tulo, num exemplo sobre curvas parametrizadas, vimos que para f(x) = x2
e x0 = 1, y = 2x − 1 é a reta tangente ao gráfico de f(x) no ponto P0 = (x0 , f (x0 )) = (1, 1).
(Confira páginas 60 e 61.) Vamos estimar o erro absoluto cometido quando aproximamos f(x)
linearmente no ponto x = 1, 001. (Note que ∆x = x − x0 = 0, 001.) Assim, como

f(x0 ) + f ′ (x0 ) · ∆x = f(1) + f ′ (1) · (0, 001)


= 1 + 2 · (0, 001)
= 1, 002

f(x0 ) = x20
= (1, 001)2
= 1, 002001,

temos que a aproximação linear calcula f(1) com erro da ordem de 10−6 .

Plano Tangente para z = f(x, y)

z = f(x, y) é diferenciável em (x0 , y0 ) se, e somente se, existe plano tangente ao gráfico de f em
P0 = (x0 , y0 , f (x0 , y0 )) dado por

fx (x0 , y0 ) · (x − x0 ) + fy (x0 , y0 ) · (y − y0 ) + (−1) · (z(x, y) − f (x0 , y0 )) = 0.4

4
A equação do plano tangente para z = f(x, y) é dada aqui por analogia a equação da reta tangente para
y = f(x). Contudo, será obtida via a consequência (C3 ) da Regra da Cadeia.
68 CAPÍTULO 3. RESULTADOS - CÁLCULO DIFERENCIAL

(x, y, z(x, y))

(x0 , y0 , f (x0 , y0 ))

(x, y, f(x, y))

Temos, na figura anterior, (uma representação geométrica de) parte de um plano ax + by +


cz(x, y) + d = 0 tangente ao gráfico de f num ponto P0 (de tal gráfico) com a = fx (x0 , y0 ),
b = fy (x0 , y0 ) e c = −1.

Para que z = f(x, y) seja diferenciável em (x0 , y0 ) basta


que fx e fy existam e sejam contı́nuas em alguma bola
aberta de centro (x0 , y0 )!

Aproximação Linear
Daı́ podemos aproximar (localmente) o gráfico de f em P0 pelo seu plano tangente em P0 , isto
é, (x, y, f(x, y)) próximo de P0 pode ser aproximado pelo ponto (x, y, z) do plano tangente, isto
é, sendo |x − x0 | = |∆x| ≪ 1 e |y − y0 | = |∆y| ≪ 1 (arbitrariamente pequenos), temos que

f(x, y) ≈ f (x0 , y0 ) + fx (x0 , y0 ) · ∆x + fy (x0 , y0 ) · ∆y.

Exemplo
Qual é a equação do plano tangente a esfera de centro na origem e raio unitário no ponto
√ √ √ 
P0 = 1/ 3, 1/ 3, 1/ 3 ?

Resolução:
Por um lado, como tal plano tangente tem vetor normal n ~ = (1, 1, 1),5 o mesmo pode ser
representado por x + y + z + d = 0. Daı́, como P0 satisfaz tal equação, temos que √33 + d = 0.

Assim x + y + z − 3 = 0 é a equação do plano procurado.
p
Por outro lado, a calota superior de tal esfera é o gráfico de z = f(x, y) = 1 − x2 − y2 com
5
Basta considerar a reta que que passa pela origem e pelo ponto P0 !
3.2. CONTINUIDADE E DIFERENCIABILIDADE 69

x2 + y2 ≤ 1. (Confira o Capı́tulo 2.) Logo, como fx = − √ x 2 2 e fy = − √ y2 2 existem e


 √ 1−x√−y 1−x −y

são contı́nuas em alguma bola aberta de centro em 1/ 3, 1/ 3 , temos que f é diferenciável


em tal ponto, isto é, a equação
√ √   √ √   √ √ 
   
 1 1 
fx 1/ 3, 1/ 3 · x − √ + fy 1/ 3, 1/ 3 · y − √ + (−1) · z − f 1/ 3, 1/ 3 = 0
3 3
 √ √  p
representa o plano tangente procurado. De fato, devido a f 1/ 3, 1/ 3 = 1 − (2/3) = √1
3
 √ √   √ √  √
e fx 1/ 3, 1/ 3 = fy 1/ 3, 1/ 3 = √−1/ 3 = −1, temos
1−(2/3)
  √    √    √ 
(−1) x − 1/ 3 + (−1) y − 1/ 3 + (−1) z − 1/ 3 = 0,

isto é, x − √1 +y− √1 +z− √1 = 0, isto é, x + y + z − 3=0.
3 3 3

Exercı́cios
1. Obtenha a equação do plano tangente ao gráfico de z = f(x, y) no ponto P0 para:

(a) z = 2x2 + y2 (Parabolóide) e P0 = (1, 1, 3);



(b) z = x − y e P0 = (5, 1, 2);
(c) z = ln(2x + y) e P0 = (−1, 3, 0).

2. Aproximar linearmente uma função adequada f(x, y) e a partir dela estimar:

(a) (0, 99e0,002 )8 ;


(b) (0, 99)3 + (2, 01)3 − 6(0, 99)(2, 01).

3.2.7 Regra da Cadeia


• Para x(t) diferenciável em t = t0 e f(x) diferenciável em x = x(t0 ),

d df dx
f(x(t))
= ·
dt t=t0 dx x=x(t0 ) dt t=t0
= ∇f(x(t0 )) · x ′ (t0 );

• Para x(t) e y(t) diferenciáveis em t = t0 e f(x, y) diferenciável em (x, y) = (x(t0 ), y(t0 )),

d dx dy
f(x(t), y(t)) = fx (x,y)=(x(t ),y(t )) · + f y
·
(x,y)=(x(t0 ),y(t0 )) dt

dt t=t0
0 0 dt
t=t0 t=t0
= ∇f(x(t0 ), y(t0 )) · (x ′ (t0 ), y ′ (t0 ));

• Em geral, para γ(t) com coordenadas diferenciáveis em t = t0 e f diferenciável em γ(t0 ),



d
f(γ(t)) = ∇f(γ(t0 )) · γ ′ (t0 ),
dt t=t0

onde · representa o produto escalar de vetores.


70 CAPÍTULO 3. RESULTADOS - CÁLCULO DIFERENCIAL

3.2.8 Exemplo
x(t) = et e y(t) = ln t são diferenciáveis para todo t ∈ (0, ∞) e f(x, y) = ey ln x é diferenciável
para todo (x, y) ∈ (0, ∞) × R.6 Assim, por um lado, de f(x(t), y(t)) = eln t ln et = t · t = t2 ,
temos que
d
f(x(t), y(t)) = 2t.
dt
ey(t) eln t t
Por outro lado, como x ′ (t) = et , y ′ (t) = 1/t, fx (x(t), y(t)) = x(t)
= et
= et
e fy (x(t), y(t)) =
ey(t) ln x(t) = eln t ln et = t2 , temos também que

t t 2 1
∇f(x(t), y(t)) · (x ′ (t), y ′ (t)) = · e + t ·
et t
= 2t.

3.2.9 Consequências da Regra da Cadeia


∂f(P0 )
(C1 ) Derivada de f no Ponto P0 e na Direção do Versor ~u: ∂~
u
= f~u (P0 ) = ∇f (P0 ) · ~u

Exemplo


3 ~ ~ ~
Se P0 ∈ R e ~u ∈ i, j, k , então f~u (P0 ) ∈ {fx (P0 ) , fy (P0 ) , fz (P0 )}. Por exemplo, a derivada
de f na direção de ~i é dada por f~i (P0 ) = (fx (P0 ) , fy (P0 ) , fz (P0 )) · (1, 0, 0) = fx (P0 ). Em geral,

sendo ~u = a~i + b~j + c~k tal que a2 + b2 + c2 = 1, então

∂f (P0 ) ∂f (P0 ) ∂f (P0 ) ∂f (P0 )


=a +b +c .
∂~u ∂x ∂y ∂z

Exercı́cio

Obter a derivada da função dada, no ponto dado e na direção dada. (Dica: Normalize a
direção.)

1. f(x, y, z) = ex cos(yz), P0 = (0, 0, 0), ~v = (2, 1, −2);

2. f(x, y, z) = xy + yz + zx, P0 = (1, 1, 2), ~v = (10, −1, 2).

Pergunta: Por que f~u (inclusive fx , fy e fz ) representa (de fato) uma derivada?

“Justificativa” da Fórmula para a Derivada Direcional

Para definir Derivadas Direcionais é necessário o conceito de Limites!

f~u (P0 ) pode ser obtida da regra da cadeia, considerando uma curva parametrizada γ(t) tal que
γ (t0 ) = P0 e γ ′ (t0 ) = ~v 6= ~0. (Veja Figura 3.1.) De fato, se ~u = ||~~vv|| ,

6
De fato, fx e fy existem e são contı́nuas em qualquer bola aberta contida em (0, ∞) × R.
3.2. CONTINUIDADE E DIFERENCIABILIDADE 71
1111111
0000000
0000000
1111111
0000000
1111111
0000000
1111111
0000000
1111111θ
0000000
1111111
∇f(P 0)
0000000
1111111
0000000
1111111
0000000
1111111 γ ′ (t0 )
0000000
1111111 ~
=u
0000000
1111111
000000000
111111111
||γ ′ (t0 )||
0000000
1111111
000000000
111111111
0000000
1111111
000000000
111111111
0000000
1111111
000000000
111111111
0000000
1111111
000000000
111111111
0000000
1111111
000000000
111111111
0000000
1111111
000000000
111111111
0000000
1111111
000000000
111111111
0000000
1111111
000000000
111111111
0000000
1111111
000000000
111111111
00
110000000
1111111
000000000
111111111
00
110000000
1111111
000000000
111111111
00
11

γ(t0 ) = P0

γ(t)

1
0
0
1
0
1

Figura 3.1: Como proj~v w


~ = ~ ·~v
w
||~v||2
~v ~ sobre ~v 6= ~0, o módulo da derivada
é a projeção ortogonal de w
γ ′ (t0 )
de f no ponto P0 = γ (t0 ) e na direção de ~u = é igual ao módulo da projeção ortogonal
||γ ′ (t0 )||
′ (t )

de ∇f (γ (t0 )) sobre ~v = γ ′ (t0 ), isto é, é igual a ∇f (γ (t0 )) · ||γγ ′ (t0
= ||∇f (γ (t0 )) || | cos θ|.

0 )||


d
f(γ(t)) = ∇f(P0 ) · ~v
dt t=t0
 
~v
= ||~v|| ∇f(P0 ) ·
||~v||
= ||~v|| · f~u (P0 ).

∂f(P0 ) d

Logo ∂~
u
é simplesmente um múltiplo da derivada dt
f(γ(t)) t=t .
0

A próxima consequência da Regra da Cadeia interpreta ∂f/∂~u como ‘taxa de variação’.

(C2 ) Em sendo não nulo, ∇f (P0 ) (respectivamente, −∇f (P0 )) aponta na direção na
qual f cresce (respectivamente, decresce) mais rapidamente
0)
De fato, da fórmula do produto interno, temos que ∂f(P ∂~
u
= ||∇f (P0 ) || · ||~u|| · cos θ, onde θ ∈
[0, π] é o ângulo entre os vetores envolvidos. (Confira a Figura 3.1.) Daı́, como ||~u|| = 1 e
−1 ≤ cos θ ≤ 1, temos que
−||∇f (P0 ) || ≤ ||∇f (P0 ) || cos θ ≤ ||∇f (P0 ) ||,
∂f(P0 )
isto é, ||∇f (P0 ) || é o maior valor de ∂~
u
, ocorrendo para θ = 0, e −||∇f (P0 ) || é o menor valor
0)
de ∂f(P
∂~
u
, ocorrendo para θ = π.

Exemplo
A partir do ponto (0, 1), em que direção f(x, y) = x2 − y2 cresce mais rapidamente?
De ∇f(x, y) = (2x, −2y), temos ∇f(0, 1) = (0, −2) = −2~j. Daı́ f cresce mais rapidamente a
partir de (0, 1) na direção −~j.
72 CAPÍTULO 3. RESULTADOS - CÁLCULO DIFERENCIAL

Exercı́cio
Achar a direção na qual a função z = x2 + xy cresce mais rapidamente no ponto (−1, 1). Qual
é a norma de ∇z nesse ponto e como podemos interpretar tal valor?

(C3 ) Para P0 ∈ R3 , ∇f (P0 ) é normal a superfı́cie f(x, y, z) = f (P0 ) em P0


De fato, sem perda de generalidade, considere ∇f (P0 ) 6= ~0. Agora, seja γ(t) uma curva
parametrizada sobre a superfı́cie f(x, y, z) = f (P0 ), isto é,
f(γ(t)) = f (P0 )
= constante.
Por fim, suponha que tal curva passa por P0 em t = t0 , isto é, γ(t0 ) = P0 , e que ~v = γ ′ (t0 ).
(Veja Figura 3.2.) Daı́, resulta da regra da cadeia que,

∇f(P0 )

~
w
~
v

P0

γ(t)

Figura 3.2: ∇f(P0 ) é perpendicular ao plano gerado por vetores tangentes, digamos ~v e w
~, a
curvas em P0 .

∇f (P0 ) · ~v = ∇f (γ (t0 )) · γ ′ (t0 )



d
= f(γ(t))
dt t=t0

d
= (constante)
dt t=t0
= 0,
isto é, ∇f(P0 ) é perpendicular a ~v. Analogamente, para outra curva sobre a mesma superfı́cie
e que também passa por P0 num dado instante, agora com vetor velocidade w ~ , temos que
∇f (P0 ) ⊥ w~ . Daı́, ∇f (P0 ) é normal ao plano gerado pelos vetores ~v e w ~ . Como tais vetores
são tangentes a superfı́cie em P0 , tal plano também é tangente a superfı́cie em P0 .
3.2. CONTINUIDADE E DIFERENCIABILIDADE 73

Exemplo
Qual é a√equação
√ do√plano tangente a esfera de centro na origem e raio unitário no ponto
P0 = (1/ 3, 1/ 3, 1/ 3)?

Resolução:
Vimos que tal plano é dado pela equação

x+y+z− 3 = 0.
Para confirmar isso, seja f(x, y, z) = x2 + y2 + z2 . Então, como
f(x, y, z) = 1
= f (P0 )
e ∇f = (2x, 2y, 2z) em P0 é dado por
 
2 2 2
√ ,√ ,√ ,
3 3 3
segue de (C3 ) que o plano é dado pela equação
2 2 2
√ · x + √ · y + √ · z + d = 0.
3 3 3
Agora, para determinarmos d, note que P0 é um ponto deste plano. Daı́, basta substituir
2 1
d = −3 · √ · √
3 3
= −2
na equação anterior.

Exercı́cios
1. Verificar que os vetores √normais unitários a superfı́cie x3 y3 + y − z + 2 = 0 em (0, 0, 2)
~ = ±(1/ 2)(~j − ~k).
são dados por n
Resolução:
Sejam f(x, y, z) = x3 y3 + y − z + 2 e P0 = (0, 0, 2). Então, como f (P0 ) = 0, segue de (C3 )
que
∇f (P0 ) ⊥ {(x, y, z) / f(x, y, z) = f (P0 )}
em P0 . Assim, devido a
∇f = 3x2 y3 , 3x3 y2 + 1, −1 ,


temos
∇f (P0 )
~ =±
n
||∇f (P0 )||
1
= ± √ (0, 1, −1).
2

2. Obter o vetor normal unitário a superfı́cie cos(xy) = ez − 2 em (1, π, 0).


3. Obter o plano tangente e a reta normal ao hiperbolóide x2 + y2 − z2 = 18 em (3, 5, −4).
74 CAPÍTULO 3. RESULTADOS - CÁLCULO DIFERENCIAL

Segue de (C3 ) que,


se F(x, y, z) = f(x, y)−z com f(x, y) diferenciável em (x0 , y0 ), então o plano tangente a superfı́cie
F(x, y, z) = 0 em P0 = (x0 , y0 , f (x0 , y0 )) tem vetor normal dado por
(Fx (P0 ) , Fy (P0 ) , Fz (P0 )) = (fx (x0 , y0 ) , fy (x0 , y0 ) , −1) .
Assim a equação do plano tangente a tal superfı́cie em P0 é dada por
fx (x0 , y0 ) x + fy (x0 , y0 ) y + (−1)z + d = 0.
Como P0 pertence a tal plano, basta agora substituir
d = −fx (x0 , y0 ) x0 − fy (x0 , y0 ) y0 − (−1)f (x0 , y0 )
na equação anterior para obter a equação
fx (x0 , y0 ) · (x − x0 ) + fy (x0 , y0 ) · (y − y0 ) + (−1) · (z − f (x0 , y0 )) = 0
do plano tangente ao gráfico de z = f(x, y) no ponto P0 .

(C4 ) Outra Regra da Cadeia


Se x = x(u, v) e y = y(u, v) são diferenciáveis em (u, v) = (u0 , v0 ) e z = f(x, y) é dife-
renciável em (x, y) = (x(u0 , v0 ), y(u0 , v0 )), então z = f(x(u, v), y(u, v)) é diferenciável em
(u, v) = (u0 , v0 ) e, nesse ponto,
∂z ∂z ∂x ∂z ∂y
1. ∂u
= ∂x ∂u
+ ∂y ∂u
,
∂z ∂z ∂x ∂z ∂y
2. ∂v
= ∂x ∂v
+ ∂y ∂v
.
Vamos demonstrar tal resultado apenas para ∂z/∂u, mas antes, vamos verificá-lo para z =
2 2 4
ex sen y, x = uv2 e y = u2 v. Como z = eu v sen(u2 v), temos pela regra da derivada do
produto que
2 4 2 4
zu = 2uv4 eu v sen(u2 v) + eu v 2uv cos(u2 v).
2 2 4 2 2 4
Por outro lado, como zx = 2xex sen y = 2uv2 eu v sen(u2 v), zy = ex cos y = eu v cos(u2 v),
xu = v2 e yu = 2uv, temos que zx xu + zy yu = zu .
Agora a demonstração:
Fixe v = v0 . Sejam as funções reais apenas da variável real u dadas por X(u) = x(u, v0 ) e
Y(u) = y(u, v0 ). Daı́ podemos usar a Regra da Cadeia para z = f(X(u), Y(u)) em u = u0 :

d
f(X(u), Y(u)) = ∇f (X(u0 ), Y(u0 )) · (X ′ (u0 ), Y ′ (u0 )) .
du u=u0

Isto equivale a zu = zx xu + zy yu em (u, v) = (u0 , v0 ).

Exercı́cio
Calcular ∂z/∂x e ∂z/∂y para
u2 + v2
z= , u = e−x−y e v = exy ,
u2 − v2
das seguintes maneiras:
1. Substituindo e calculando diretamente;
2. Utilizando a Regra da Cadeia.
3.3. OTIMIZAÇÃO 75

3.3 Otimização

3.3.1 Pontos Crı́ticos; Máximos e Mı́nimos


Um maximizador (respectivamente, minimizador) local da função f é um ponto P0 ∈
Dom(f) tal que, para cada ponto P pertencente a alguma bola aberta de centro P0 ,

f (P0 ) ≥ f(P) (respectivamente, f (P0 ) ≤ f(P))

e, nesse caso, f (P0 ) é um valor máximo (respectivamente, mı́nimo) local de f. Ainda,


tal maximizador (respectivamente, minimizador) também é chamado de ponto de máximo
(respectivamente, ponto de mı́nimo) ou de extremante.

(O1 ) Se f tem Extremante Local P0 Interior ao seu Domı́nio onde exista ∇f, então
P0 é Ponto Crı́tico de f, isto é, ∇f (P0 ) = ~0.

Por exemplo, na figura 3.3, considere que Pi = (xi , f (xi )) pertence ao gráfico de uma função real
f de uma variável real, i = 0, . . . , 6.7 Embora as abcissas de ı́ndices pares sejam maximizadores
locais e as de ı́ndices ı́mpares sejam minimizadores locais, apenas x1 , x2 e x5 são interiores ao
domı́nio de f com derivadas nulas: x0 e x6 não são interiores, enquanto que f ′ (x3 ) e f ′ (x4 ) não
existem.

P6
P0
P4
00000000
11111111
00000000
11111111
00000000
11111111
00000000
11111111
00000000
P2 11111111
00000000
11111111
00000000
11111111
00000000
11111111
00000000
11111111
00000000
11111111
00000000
11111111
00000000
11111111
00000000
P5
11111111
00000000
11111111
00000000
11111111
00000000
11111111
00000000
11111111
00000000
11111111
00000000
11111111
00000000
11111111
00000000
11111111
00000000
11111111
00000000
11111111
00000000
11111111
00000000
11111111
00000000
11111111
P1 P3

Figura 3.3: Somente as abcissas dos Pi ’s interiores ao Dom (f) e onde existam derivadas são
pontos crı́ticos.

A seguir, exemplificaremos a validade de tal resultado para funções reais de várias variáveis
reais. Contudo, salientamos que a recı́proca de (O1 ) não é verdadeira nem mesmo para funções
de uma variável real. Por exemplo, para f(x) = x3 , x = 0 é um ponto interior com f ′ (0) = 0,
mas não é extremante local. Um ponto como este é dito um Ponto de Sela.8

7
Este exemplo já foi apresentado no primeiro capı́tulo. Encontra-se aqui para um estudo comparado e/ou
para aqueles que dispensaram a leitura daquele capı́tulo!
8
Idem!
76 CAPÍTULO 3. RESULTADOS - CÁLCULO DIFERENCIAL

Y f(x) = x3

X
0

(O1 ′ ) ‘Candidatos’ a Extremantes Interiores Locais onde exista o Gradiente: Pontos


onde o Gradiente seja Nulo!
Por exemplo, seja a função f(x, y) = x2 + y2 . Note primeiramente que todo ponto (x, y) ∈ R2 é
interior a Dom(f) = R2 . Agora, embora possam existir pontos interiores que anulem o gradiente
de f e não sejam extremantes locais (confira exemplo anterior), nossos ‘candidatos’ a pontos
(interiores) de máximo ou mı́nimo locais existem entre aqueles que anulem o gradiente. Assim,
de ∇f = (2x, 2y) = (0, 0), temos apenas um tal ‘candidato’: (x, y) = (0, 0). E, de fato, como
f(x, y) = x2 + y2 ≥ 0 = f(0, 0) para todo (x, y) ∈ R2 , temos que (0, 0) é ponto de mı́nimo
Global de f. Ainda, como vimos no final do Capı́tulo 2, o gráfico de f é um parabolóide com
vértice na origem cujo eixo de revolução é o semi-eixo positivo das cotas.

(O2 ) Se f é Contı́nua num Domı́nio Compacto, então f assume valores Máximo e


Mı́nimo Globais neste Domı́nio.
A figura 3.4 representa dois exemplos para funções reais de uma variável real.

Figura 3.4: No primeiro gráfico, os pontos de máximo e mı́nimo globais ocorrem nos extremos
do intervalo compacto que representa o domı́nio da função. No segundo, os pontos de máximo
e mı́nimo globais são interiores ao intervalo compacto que representa o domı́nio da função.

Além dos exemplos anteriores, o resultado também é válido para funções reais de várias variáveis
reais, podendo ser aplicado para garantir a existência de maximizadores e minimizadores globais
num domı́nio fechado e limitado. Por outro lado, se o domı́nio não for compacto, f pode não
admitir ponto de máximo nem de mı́nimo globais. Por exemplo: f(x) = ln x, definida para todo
x ∈ (0, ∞), não tem máximo nem mı́nimo globais. Outro exemplo: f(x, y) = x2 + y2 , definida
para todo (x, y) ∈ R2 , tem (0, 0) como ponto de mı́nimo global (confira exemplo anterior), mas
não tem ponto de máximo global pois f(x, y) pode se tornar tão grande quanto se queira!9
9
Quando o domı́nio não for compacto, garantir a existência (ou inexistência) de valor máximo/mı́nimo global
3.3. OTIMIZAÇÃO 77

Exemplo
Considere agora que o domı́nio da função f(x, y) = x2 + y2 contı́nua está restrito ao cı́rculo de
centro na origem e raio unitário, isto é,

Dom (f) = (x, y) ∈ R2 x2 + y2 ≤ 1 .

Por um lado, acabamos de ver que (0, 0) é o mı́nimo global de f. Por outro lado, é fácil ver que
todo ponto da circunferência unitária x2 + y2 = 1 é máximo global de f.

Exemplo
p
Seja f(x, y) = 1 − x2 − y2 . f é contı́nua e está definida (apenas) no cı́rculo de centro na
origem e raio unitário, isto é,

Dom (f) = (x, y) ∈ R2 x2 + y2 ≤ 1 .

Note que o gráfico de f é a semi-esfera superior de centro na origem e raio unitário. Logo, por
uma lado, (0, 0) é o máximo global de f pois
p
f(x, y) = 1 − (x2 + y2 ) ≤ 1 = f(0, 0) para todo (x, y) ∈ Dom (f).

Por outro lado, claramente, cada ponto da circunferência unitária x2 + y2 = 1 é mı́nimo global
de f.

Exemplo
Considere a função f(x, y) = xy(3 − x − y) = 3xy − x2 y − xy2 , que é contı́nua, com

Dom(f) = (x, y) ∈ R2 | x ≥ 0, y ≥ 0, x + y ≤ 3 ,

que é compacto, representado pelo triângulo (interior e fronteira) da figura seguinte.

x=0 x+y=3

Dom(f)

X
0 y=0 3

é, em geral, um problema cujo nı́vel de dificuldade está fora do escopo de um curso de Cálculo para a graduação.
Em breve veremos um tal exemplo!
78 CAPÍTULO 3. RESULTADOS - CÁLCULO DIFERENCIAL

Daı́ (O2 ) nos diz que f admite pontos de máximo e mı́nimo globais em Dom(f). Agora, (O1 ′ )
acarreta que, para pontos interiores, os candidatos a pontos de máximo e mı́nimo são obtidos
via as seguintes equações:
fx = 3y − 2xy − y2 = 0,
fy = 3x − 2xy − x2 = 0.
Uma solução é imediata: O = (0, 0), que não é interior!
Outras duas soluções, P1 = (3, 0) e P2 = (0, 3), que não são interiores, seguem de:

• x = 0 e y 6= 0 ⇒ 3 − y = 0, isto é, y = 3;

• x 6= 0 e y = 0 ⇒ 3 − x = 0, isto é, x = 3.

Agora sendo x e y diferentes de zero, podemos dividir fx = 0 por y e fy = 0 por x, resultando


em
3 − 2x − y = 0,
3 − 2y − x = 0,
isto é,
2x + y = 3,
x + 2y = 3.
Resolvendo tal sistema, temos x = y = 1. Assim, temos um último candidato para ponto
(interior) de máximo/mı́nimo: P3 = (1, 1).
Por um lado, note agora que todos os pontos da fronteira de Dom(f) (inclusive O, P1 e P2 )
anulam a função f, isto é, satisfazem a equação f(x, y) = 0. De fato, x = 0, y = 0 e x + y = 3
anulam f(x, y) = xy(3 − x − y). (Por exemplo, f(0, 0) = f(3, 0) = f(0, 3) = 0.) Então,
como f(P3 ) = 1, nenhum ponto da fronteira pode ser ponto de máximo global. Logo tal
máximo pertence ao interior de Dom(f). Mas, por (O1 ′ ), temos que pontos de máximo (locais)
interiores a Dom(f) devem anular o gradiente. Ora, o único ponto interior que anula o gradiente
é P3 , sendo este então o máximo global. Por outro lado, não há ponto de mı́nimo interior ao
domı́nio.10 Ainda, por (O2 ), deve existir ponto de mı́nimo no domı́nio. A conclusão desses
dois fatos é que o mı́nimo global pertence a fronteira do domı́nio. Como todos os pontos da
fronteira têm a mesma imagem (nula) por f, todos eles são pontos de mı́nimo globais!

3.3.2 Teste da Derivada Segunda; Multiplicadores de Lagrange


(O3 ) Teste da Derivada Segunda para:
(O3.1 ) y = f(x)
Se a derivada de segunda ordem de f é contı́nua num intervalo aberto com centro no ponto
crı́tico x0 , então a tabela seguinte é válida.

f ′′ (x0 ) x0
>0 mı́nimo local
<0 máximo local

Note que todos os pontos de um intervalo aberto são interiores ao mesmo, inclusive seu centro
x0 .
10
De fato, eventuais pontos (interiores) de mı́nimo anulariam o gradiente e apenas quatro pontos anulam o
mesmo. Três deles, O, P1 e P2 , estão na fronteira e o que está no interior, P3 , é máximo global.
3.3. OTIMIZAÇÃO 79

(O3.2 ) z = f(x, y)
Se as derivadas parciais de segunda ordem são contı́nuas numa bola aberta de centro no ponto
crı́tico (x0 , y0 ) e H := fxx fyy − (fxy )2 , então a tabela seguinte é válida.

H (x0 , y0 ) fxx (x0 , y0 ) (x0 , y0 )


>0 >0 ponto de mı́nimo local
>0 <0 ponto de máximo local
<0 ≥ 0 ou < 0 ponto de sela
=0 ≥ 0 ou < 0 teste inconclusivo

Note que todos os pontos de uma bola aberta são interiores a mesma, inclusive seu centro
(x0 , y0 ).

Exemplo
Vimos no Exemplo anterior que (1, 1) é o único ponto interior ao Dom(f) que anula o gradiente
de f(x, y) = xy(3 − x − y), onde fx = 3y − 2xy − y2 e fy = 3x − 2xy − x2 . Agora, como
fxx = −2y, fyy = −2x e fxy = 3 − 2x − 2y, temos que fxx (1, 1) = −2 < 0 e H(1, 1) =
fxx (1, 1)fyy (1, 1) − (fxy (1, 1))2 = (−2)(−2) − (−1)2 = 3 > 0. Daı́, pela tabela apresentada em
(O3.2 ), (1, 1) é ponto de máximo local. Logo, devido a não existirem outros pontos interiores
ao Dom(f) que anulem o gradiente,11 f(1, 1) = 1 e, como visto naquele Exemplo, cada um dos
pontos pertencentes a fronteira de Dom(f) anularem f, temos que (1, 1) é o ponto de máximo
global.

(O4 ) Multiplicadores de Lagrange com:


(O4.1 ) Uma Restrição
Considerando funções f(x, y) e g(x, y) adequadas, para determinar o valor máximo (respectiva-
mente, mı́nimo) de f para (x, y) satisfazendo a restrição g(x, y) = k, supondo que esse valor
máximo (respectivamente, mı́nimo) global exista (em algum ponto não pertencente
a fronteira da região onde f e g estejam definidas) e que ∇g 6= ~0 para cada tal (x, y),
proceda do modo seguinte:

1. Determine cada (x, y) (e λ) satisfazendo:

(a) ∇f(x, y) = λ∇g(x, y);


(b) g(x, y) = k.

2. Calcule f(x, y) para cada (x, y) obtido no ı́tem anterior: o maior (respectivamente, menor)
valor de f será o seu máximo (respectivamente, mı́nimo).

Exercı́cio
Determine os valores máximo e mı́nimo de f(x, y) = x2 + x + 2y2 restrita a circunferência
unitária x2 + y2 = 1.

11
Assim, não podem existir outro ponto de máximo local nem algum ponto de mı́nimo local interiores a tal
domı́nio!
80 CAPÍTULO 3. RESULTADOS - CÁLCULO DIFERENCIAL

Resolução:
Note primeiramente que f é contı́nua e a circunferência unitária é compacta. Então, por
(O2 ), existem valores máximo e mı́nimo (globais) de f em tal compacto de R2 . Logo, de-
vido a tal existência, podemos aplicar os itens 1. e 2. anteriores para calcular tais máximo e
mı́nimo. Assim, como a função que queremos otimizar é a f sujeita a restrição g(x, y) = 1
com g(x, y) = x2 + y2 , temos, juntamente com tal restrição, as seguintes equações fx = λgx e
fy = λgy , isto é, 2x + 1 = λ2x e 4y = λ2y. Desta última equação temos 2y(2 − λ) = 0, isto é,
y = 0 ou λ = 2. Assim:
• λ = 2 implica em 2x + 1 = 4x, isto é, x = 1/2. Daı́, usando a restrição g(x, y) = 1, segue
que √
1 3
+ y2 = 1, isto é, y = ± ;
4 2
• y = 0 implica em x2 + 0 = 1 pela restrição g(x, y) = 1. Logo x = ±1.
Então os pontos crı́ticos são os seguintes:
√ !
1 3
,± e (±1, 0).
2 2

Temos então:
 √ 
• f 21 , ± 23 = 49 : valor máximo;

• f(1, 0) = 2: não é valor máximo nem mı́nimo;


• f(−1, 0) = 0: valor mı́nimo.

Observações Importantes sobre Multiplicadores de Lagrange


• (O4 ) também é válido caso sejam consideradas funções f(x, y, z) e g(x, y, z) adequadas
no lugar de f(x, y) e g(x, y), respectivamente.
• A adequação de f e g citada nas hipóteses de (O4 ) é o requisito de que tais funções sejam
continuamente diferenciáveis. Embora não seja aqui estabelecido tal conceito (pois o
mesmo está fora do escopo destas notas), adianto que, aqui, todas as funções que tenham
relação com a eventual utilização de (O4 ) satisfazem aquele requisito.
• Os itens 1. e 2. de (O4 ) determinam o valor máximo (respectivamente, mı́nimo) entre os
pontos crı́ticos da função f − λg, isto é, pontos tais que
∇(f − λg) = ~0,
desde que tal valor máximo (respectivamente, mı́nimo) exista. Assim, caso
não tenhamos determinado previamente a existência do valor máximo (respectivamente,
mı́nimo) global, a simples aplicação dos itens 1. e 2. de (O4 ) pode não resultar no cálculo
de maximizadores (respectivamente, minimizadores) globais.

Exemplo
Sejam f(x, y) = x3 , g(x, y) = y e k = 0. De 1. e 2. temos fx = λgx , fy = λgy e g(x, y) = 0.
Então 3x2 = λ · 0, 0 = λ · 1 e y = 0. (Note ainda que ∇g = (0, 1).) Mas (0, 0) não é
minimizador nem maximizador: claramente é um ponto de sela!
3.3. OTIMIZAÇÃO 81

• Como nem sempre temos o domı́nio compacto para, via (O2 ), garantirmos a existência de
máximo e mı́nimo globais, e como tal garantia sem tais compactos, em geral, é um pro-
blema difı́cil e fora do escopo de livros de Cálculo, aqui (e nos outros livros de Cálculo) o
uso de (O4 ) na verdade apenas calcula os candidatos para tais valores máximos (respecti-
vamente, mı́nimos). Assim, apenas em alguns poucos casos apresentaremos justificativas
da existência dos valores máximos (respectivamente, mı́nimos).

• Outro requisito nas hipóteses de (O4 ) é que os maximizadores (respectivamente, minimi-


zadores) globais não podem pertencer a fronteira da região onde f e g estejam definidas.
Se isso não ocorrer, mesmo que existam maximizadores (respectivamente, minimizadores)
globais, os itens 1. e 2. de (O4 ) podem não calcular o valor máximo (respectivamente,
mı́nimo) global de f sujeito a restrição g = k.

Exemplo
Sejam f(x, y) = x3 e g(x, y) = y definidas no cubo [−1, 1] × [−1, 1]. considere ainda
k = 0. Vimos no exemplo anterior que temos um único ponto crı́tico, (0, 0), que é um
ponto de sela. Contudo o maximizador e o minimizador globais estão na fronteira de tal
cubo: f(−1, 0) é o valor mı́nimo e f(1, 0) é o máximo.

• Outro problema em resoluções que utilizem (O4 ) é o seguinte: Pode ocorrer que a re-
solução do sistema resulte somente em pontos, ou mesmo apenas num ponto,12 que têm
a mesma imagem pela função f. Como saber daı́ se foi obtido o valor máximo ou o valor
mı́nimo?

O próximo exercı́cio ilustra como resolver alguns dos problemas descritos nas observações an-
teriores. Por completude, além de Multiplicadores de Lagrange, vamos também usar o Teste
da Derivada Segunda para dar uma resolução alternativa.

Exercı́cio
Em existindo, obtenha as dimensões de uma caixa retangular sem tampa, de modo que ela
tenha um dado volume V e área mı́nima.

Resolução via Teste da Derivada Segunda:


V
Sendo x, y e z positivos, de xyz = V u.v., temos que z = xy u.c.. Substituindo tal z na área
(variável) da caixa dada por xy + 2xz + 2yz, obtemos a função nas variáveis x e y dada por
f(x, y) = xy+ 2V y
+ 2V
x
. Assim, de fx = y− 2V
x2
= 0 e fy = x− 2V
y2
= 0, temos que x2 y = xy2 = 2V.

Então o ponto crı́tico (x, y) de f tem x = y = 3 2V u.c.. Agora, como fxx = 4V x3
, fyy = 4V
y3
e

3
√3

3

3
fxy
√ = 1,√temos que fxx ( 2V, 2V) = 2 > 0 e H( 2V, 2V) = 2 · 2 − 12 = 3 > 0. Logo P =
3
( 2V, 3 2V) é ponto de mı́nimo local para f. Por outro lado, como Dom(f) = (0, ∞) × (0, ∞),
isto é, tal domı́nio é representado pelo primeiro quadrante sem os semi-eixos coordenados,13 e
o único ponto do Dom(f) que anula o gradiente de f é P, caso possamos determinar, de algum
modo, a existência do valor mı́nimo global de f,14 P tem de ser o minimizador global.15 Por
12
Como no exemplo anterior!
13
Daı́ todos os pontos deste domı́nio são interiores ao mesmo.
14
Note que, até esse momento, não sabemos se tal mı́nimo global existe. Embora num nı́vel de dificuldade
fora do escopo de livros de Cálculo, tal existência será determinada após a resolução deste exercı́cio!
15
De fato, por (O1 ), não pode existir outro ponto de mı́nimo local interior ao Dom(f) que anule o gradiente
de f (pois apenas P o anula).
82 CAPÍTULO 3. RESULTADOS - CÁLCULO DIFERENCIAL

3
V 2V
fim, calcula-se o valor mı́nimo global z = √
3 2 = 2
u.c..
2V
Resolução via Multiplicadores de Lagrange:
Sendo f(x, y, z) = xy+2xz+2yz e g(x, y, z) = xyz a área e o volume da caixa, respectivamente,
onde x, y e z são positivos, devemos minimizar f(x, y, z) para g(x, y, z) = V u.v. constante. De
fx = λgx , fy = λgy e fz = λgz , obtemos y + 2z = λyz, x + 2z = λxz e 2x + 2y = λxy. Para
estas três últimas equações, multiplique a primeira por x, a segunda por y e a terceira por z,
obtendo daı́ xy + 2xz = xy + 2yz = 2xz + 2yz. Em relação a estas duas igualdades anteriores,
da primeira obtemos xz = yz e da segunda p obtemos xy = 2xz, isto é, x = y = 2z. Daı́, como
3
xyz = V, temos 4z = V, isto é, z = V/4, 3
√ que pode p
ser racionalizado
√ (multiplicando tanto
3 3
o numerador
√ quanto o denominador por 2) em z = 2V/8 = 2V/2 u.c.. Segue daı́ que
3

3
x = y = 2V u.c..
Caso tenhamosdeterminado previamente, por algum método, a existência do valor mı́nimo,16
√ √ √ 
segue que P = 3 2V, 3 2V, 3 2V/2 é o minimizador.
O leitor é convidado a considerar qualquer ponto Q (distinto de P) que satisfaça xyz = V. Daı́
comparar as imagens de P e Q por f para verificar que, de fato, f(P) ≤ f(Q). Por exemplo, se
Q = (1, 1, V), então

3
f(P) = 3 4V 2 e f(Q) = 1 + 4V.


3
Segue daı́ que 3 4V 2 < 1 + 4V pois, caso contrário,


3
 √
3
3
2
3 4V ≥ 1 + 4V ⇒ 3 4V 2 ≥ (1 + 4V)3
⇒ 33 · 4V 2 ≥ 13 + 3 · 12 · 4V + 3 · 1 · (4V)2 + (4V)3
⇒ 108V 2 ≥ 1 + 12V + 48V 2 + 64V 3
⇒ 64V 3 − 60V 2 + 12V + 1 ≤ 0,

que é algo absurdo para V > 0. De fato, se g(V) = 64V 3 − 60V 2 + 12V + 1, então

g ′ (V) = 0 ⇒ 192V 2 − 120V + 12 = 0



1 1
⇒V ∈ , .
8 2

Logo, como g ′′ (V) = 2 · 192V − 120, 1/8 é ponto de máximo local e 1/2 é ponto de mı́nimo
local de g(V) para V > 0. Ainda, como g(1/8) > 0 e g(1/2) = 0, para V > 0, g(V) é sempre
positiva (o que acarreta o absurdo anteriormente citado) exceto em V = 12 , caso em que P = Q
e assim pode ser desconsiderado. (Segue o gráfico de g(V) para V > 0.)

16
Não fizemos isto até esse ponto da resolução via Multiplicadores. De qualquer forma, aqui, isso não re-
presenta um grande problema já que o enunciado do exercı́cio começa supondo tal existência e, a partir desta
suposição, podemos dar prosseguimento aos cálculos via 1. e 2.. Por outro lado, pode ser demostrado a existência
da área mı́nima como veremos a seguir!
3.3. OTIMIZAÇÃO 83

g(V)

V
0 1
2

Existência da Área Mı́nima para o Exercı́cio Anterior


(Tal verificação requer um grau de sofisticação Matemática fora do escopo de um curso de Cálculo
e sugere-se que o aluno desconsidere/adie a leitura da mesma. É aqui apresentada apenas por
uma questão de completude.)
Para facilitar a discussão considere o caso V = 1 e denote x = x1 e y = y1 . Considere ainda
D = {(x1 , x2 ) ∈ R2 | x1 > 0, x2 > 0}
e a função f : D → R definida por
2 2
+ .
f (x1 , x2 ) = x1 x2 +
x1 x2
Agora, note que o ponto crı́tico obtido anteriormente é dado por
√ √ 
3 3
P= 2, 2

e que f(P) < 5. Vamos usar tal resultado, de modo heurı́stico, para verificar que f tem um minimizador global.
Primeiro, afirmamos que se f (x1 , x2 ) ≤ 5, então 52 ≤ xi ≤ 4, i = 1, 2. De fato, se x1 < 25 ou x2 < 25 , então
2 2
f (x1 , x2 ) = x1 x2 + +
x1 x2
2
>
xi
> 5.
Além disso, se x1 > 4 ou x2 > 4, então
2(x1 + x2 )
f (x1 , x2 ) = x1 x2 +
x1 x2
 √ 2
8 x1 x2 − 2 2 √
> x1 x2 + = +4 2
x1 x2 x1 x2
> 5.
Isto prova a afirmação. Considere agora o conjunto
L = {(x1 , x2 ) ∈ D | f (x1 , x2 ) ≤ 5}.
Tal conjunto é fechado pois se uma sequência em L converge para um ponto (x̄, ȳ), então (x̄, ȳ) ∈ D com
f (x̄, ȳ) ≤ 5. Também é limitado em virtude da afirmação provada anteriormente. Portanto, por (O2 ), existe
um minimizador P0 ∈ L para f restrita a L. Agora, caso (x1 , x2 ) ∈ D − L, temos
f (x1 , x2 ) > 5
≥ f (P0 ) ,
84 CAPÍTULO 3. RESULTADOS - CÁLCULO DIFERENCIAL

provando assim que P0 é um minimizador global de f. Na verdade, P0 só pode ser igual ao ponto crı́tico P
obtido anteriormente.
A argumentação anterior ilustra o quanto pode ser difı́cil garantir previamente a existência de
um minimizador/maximizador. Doravante, nos exercı́cios aqui resolvidos via Multiplicadores
de Lagrange, a existência de valor máximo/mı́nimo só será apresentada quando houver algum
argumento simples - por exemplo, geométrico - que justifique tal existência.

(O4.2 ) Duas Restrições


Considerando funções adequadas, para determinar o valor máximo (respectivamente, mı́nimo)
de f(x, y, z) para (x, y, z) satisfazendo as restrições g(x, y, z) = k1 e h(x, y, z) = k2 , supondo
que esse valor exista (para algum ponto não pertencente a região onde f, g e h
estejam definidas) e que ∇g e ∇h não se anulem e não sejam paralelos entre si para cada
tal (x, y, z), proceda do modo seguinte:
1. Determine cada (x, y, z) (e (λ, µ)) satisfazendo:
(a) ∇f(x, y, z) = λ∇g(x, y, z) + µ∇h(x, y, z);
(b) g(x, y, z) = k1 ;
(c) h(x, y, z) = k2 .
2. Calcule f(x, y, z) para cada (x, y, z) obtido no ı́tem anterior: o maior (respectivamente,
menor) valor de f será o seu máximo (respectivamente, mı́nimo).

Exemplo
Sendo f(x, y, z) = x + y + z, ache o máximo e o mı́nimo de f restrita à interseção do plano
x + y − z = 1 com o cilindro y2 + z2 = 4.

Resolução:
Tal interseção é uma elipse, que é um conjunto compacto, em R3 . Logo a função contı́nua f
admite máximo e mı́nimo em tal interseção por (O2 ). Daı́, considerando g(x, y, z) = x + y − z
e h(x, y, z) = y2 + z2 , temos o sistema
(1, 1, 1) = λ(1, 1, −1) + µ(0, 2y, 2z), g(x, y, z) = 1 e h(x, y, z) = 4.
Da primeira equação do sistema anterior, segue que λ = 1, λ + 2µy = 1 e −λ + 2µz = 1. Daı́
µy = 0 e µz = 1. Logo y = 0 e, como y2 + z2 = 4 e x + y − z = 1,17 temos z = ±2 e x ∈ {−1, 3}.
Assim f(−1, 0, −2) = −3 é o valor mı́nimo e f(3, 0, 2) = 5 é o valor máximo.

Exercı́cios
1. Proceda como no exemplo anterior, mas agora com f(x, y, z) = x − y − z e as funções g
e h dadas nos primeiros membros de x + y + z = 2 e x2 + y2 = 4.
2. Este é similar ao anterior mas com f(x, y, z) = 2x − y + 4z e as funções g e h obtidas a
partir de x2 + 3y2 = 84 e z = x.
3. Obter o ponto pertencente aos planos x + 2y + 3z = 8 e z = x mais próximo da origem.
17
Veja as duas últimas equações do sistema anterior.
3.4. FORMULÁRIO - CÁLCULO DIFERENCIAL 85

3.4 Formulário - Cálculo Diferencial


Fórmulas válidas no contexto anterior. Para n = 2, (x1 , . . . , xn ) = (x, y). Para n = 3, (x1 , . . . , xn ) = (x, y, z).
• Vetores:
– Posição em t: γ(t) = (x1 (t), . . . , xn (t));
– Velocidade em t: γ ′ (t) = (x1′ (t), . . . , xn′ (t));
– Aceleração em t: γ ′′ (t) = (x1′′ (t), . . . , xn′′ (t));
– Gradiente em P = (x1 , . . . , xn ): ∇f(P) = (fx1 (P), . . . , fxn (P));
Pn
• Aproximação Linear: f(x1 , . . . , xn ) ≈ f(x10 , . . . , xn0 ) + i=1 fxi (x10 , . . . , xn0 )∆xi , |xi − xi0 | = |∆xi | ≪ 1;
d

• Regra da Cadeia: dt f(γ(t)) t=t = ∇f(γ(t0 )) · γ ′ (t0 );
0

0)
• Derivada em P0 na Direção do Versor ~u: ∂f(P
∂~
u = ∇f(P0 ) · ~u = ∇f(P0 ) cos θ, θ ângulo entre ∇f(P0 ) e ~u;
 n

• ∇f(P0 ) ⊥ S em P0 com S = (x1 , . . . , xn ) ∈ R f(x1 , . . . , xn ) = f(P0 ) ;
∂z ∂z ∂x ∂z ∂y ∂z ∂z ∂x ∂z ∂y
• Regra da Cadeia para z = f(x(u, v), y(u, v)): ∂u = ∂x ∂u + ∂y ∂u , ∂v = ∂x ∂v + ∂y ∂v ;

• Se f tem máximo/mı́nimo local num ponto interior ao seu domı́nio e existe o gradiente ∇f nesse ponto, então
tal ponto é crı́tico, isto é, em tal ponto ∇f = 0;
• f é contı́nua e Dom(f) é compacto ⇒ f tem ponto de máximo e ponto de mı́nimo em Dom(f);
• Teste da Derivada de Segunda Ordem para f(x, y):

H (x0 , y0 ) fxx (x0 , y0 ) (x0 , y0 )


>0 >0 mı́nimo local
>0 <0 máximo local
<0 ≥ 0 ou < 0 sela
=0 ≥ 0 ou < 0 ?

sendo H = fxx fyy − (fxy )2 e (x0 , y0 ) ponto crı́tico interior ao Dom(f);


• Multiplicadores de Lagrange com Uma Restrição:
Para determinar o valor máximo/mı́nimo de f(x, y) para (x, y) satisfazendo a g(x, y) = k, supondo que
esse(s) valor(es) exista(m) e que ∇g 6= 0 para esses (x, y):

– determine todos os (x, y) (e λ) tais que:


∗ ∇f(x, y) = λ∇g(x, y);
∗ g(x, y) = k;
– calcule f(x, y) para todos os (x, y) obtidos no ı́tem anterior: o maior/menor valor de f será o seu
máximo/mı́nimo.
Vale um resultado análogo para funções reais de três variáveis reais (x, y, z).
• Multiplicadores de Lagrange com Duas Restrições: Para determinar o valor máximo/mı́nimo de f(x, y, z) para
(x, y, z) satisfazendo a g(x, y, z) = k1 e h(x, y, z) = k2 , supondo que esse(s) valor(es) exista(m) e que ∇g
e ∇h não se anulem e não sejam paralelos entre si para tais (x, y, z):

– determine todos os (x, y, z) (e (λ, µ)) tais que:


∗ ∇f(x, y, z) = λ∇g(x, y, z) + µ∇h(x, y, z);
∗ g(x, y, z) = k1 ;
∗ h(x, y, z) = k2 ;
– calcule f(x, y, z) para todos os (x, y, z) obtidos no ı́tem anterior: o maior/menor valor de f será o seu
máximo/mı́nimo.
86 CAPÍTULO 3. RESULTADOS - CÁLCULO DIFERENCIAL

3.5 Exercı́cios - Cálculo Diferencial


3.5.1 Curvas Parametrizadas
1. Determine os pontos em que a curva parametrizada γ(t) = (t3 − 1, t2 + 1, 3t) intercepta
o plano 3x − 2y − z + 7 = 0.

Resolução:
Para a curva interceptar o plano, temos que x(t) = t3 − 1, y(t) = t2 + 1 e z(t) = 3t
devem satisfazer 3x − 2y − z + 7 = 0. Daı́ 3t3 − 2t2 − 3t + 2 = 0, cujas raı́zes são ±1 e
2
3
. Logo os pontos de interseção são γ(−1) = (−2, 2, −3), γ(2/3) = (−19/27, 13/9, 2) e
γ(1) = (0, 2, 3).
 3

2. A curva R ∋ t 7→ γ(t) = t, t2 , t 5−1 ∈ R3 representa o movimento de um corpo. Em
t = 1 u.t. o corpo se desprende da curva e continua seu movimento sem forças atuando
sobre ele. Determine o ponto e o instante no qual o corpo atinge o plano x + y + z = 10.

Primeira Resolução:
O corpo se desprende da curva no ponto P0 = γ(1) = (1, 1, 0) (veja figura 3.5). Nesse

P
P0

Figura 3.5: Corpo ‘sai’ pela tangente a curva no ponto P0 e colide com o plano no ponto P.

instante (t = 1 u.t. para a curva γ(t)), como R ∋ t 7→ γ ′ (t) = 1, 2t, 35 t2 ∈ R3 , o seu




vetor velocidade é dado por ~v = γ ′ (1) = (1, 2, 3/5). Daı́ o corpo ‘sai’ pela (reta) tangente
(a curva) dada por R ∋ t 7→ r(t) = P0 + t~v = 1 + t, 1 + 2t, 35 t ∈ R3 . (Note que P0 é


obtido para t = 0 como ponto da reta, isto é, r(0) = P0 . Daı́ ao instante em que o corpo
atingir o plano acrescentamos uma unidade de tempo.) Sobre a reta, no instante t u.t. em
que o corpo atinge o plano, as coordenadas de r(t) satisfazem a equação x + y + z = 10,
isto é, 1 + t + 1 + 2t + 53 t = 10. Daı́ 18t = 40, isto é, t = 209 = 2, 2 u.t. é o instante em
que o corpo atinge o plano, visto como uma partı́cula que estivesse em movimento sobre
a reta durante todo tempo t. Assim, 3, 2 u.t. é o exato instante do impacto e isso ocorre
  6,6
no ponto P = r 2, 2 = 3, 2, 5, 4, 5 .

Segunda Resolução:
Considerando qualquer curva parametrizada γ(t) que seja derivável em t = t0 , a equação
3.5. EXERCÍCIOS - CÁLCULO DIFERENCIAL 87

da reta que passa pelo ponto P0 = γ(t0 ) no instante t = t0 u.t. (não no instante t = 0
u.t.) na direção do vetor ~v = γ ′ (t0 ) é dada por R ∋ t 7→ r(t) = P0 + (t − t0 )~v ∈ R3 . No
nosso exemplo, como o corpo se desprende da curva em t = t0 = 1 u.t., temos
 
3
r(t) = (1, 1, 0) + (t − 1)(1, 2, 3/5) = t, 2t − 1, (t − 1) .
5
Daı́, ao contrário da Primeira Resolução, existe uma sincronização de tempo entre a
curva e a reta, não sendo necessário acrescentar unidades de tempo ao tempo transcorrido
ao longo da reta. Assim, quando r(t) atinge o plano x + y + z = 10 temos t + 2t − 1 +
3
5
(t − 1) = 10, isto é, 18t = 58. Daı́ t = 29 = 3, 2 u.t. é o instante do impacto com o
 9
plano e isto ocorre no ponto P = r 3, 2 = 3, 2, 5, 4, 6,6 5
.

3. Suponha que uma partı́cula siga pela trajetória γ(t) = (et , e−t , cos t) até sair pela tan-
gente no instante t = 1 u.t.. Onde estará a partı́cula no instante t = 3 u.t.?

Resolução:
O vetor velocidade é γ ′ (t) = (et , −e−t , −sen t), que no instante t = 1 u.t. é o vetor
~v = (e, −1/e, −sen 1). A partı́cula está em P0 = (e, 1/e, cos 1) no instante t = 1 u.t..
 Daı́
t 2
a equação da reta tangente é r(t) = P0 +(t−1)~v = et, − e + e , cos 1 − (t − 1) sen 1 (con-
fira a Segunda Resolução do exercı́cio anterior). Daı́ no instante t = 3 u.t. a posição
sobre a reta é dada por r(3) = (3e, −1/e, cos 1 − 2 sen 1) ≈ (8, 155, −0, 368, −1, 143).
4. Seja γ(t) uma curva parametrizada com coordenadas diferenciáveis tal que ||γ(t)|| = c
constante para todo t pertencente a algum intervalo aberto I.18 Prove (usando a Regra
da Derivada do Produto Escalar) que γ(t) ⊥ γ ′ (t) para todo t ∈ I.

Resolução:
p
Basta derivar γ(t) · γ(t) = c, isto é, γ(t) · γ(t) = c2 , obtendo-se 2γ(t) · γ ′ (t) = 0.19
5. Sendo γ(t) uma curva parametrizada com coordenadas diferenciáveis, definida num in-
tervalo aberto, cujo traço está sobre uma esfera de centro na origem e raio r. Prove que
γ(t) ⊥ γ ′ (t) para todo t pertencente a tal intervalo.

Resolução:
Como ||γ(t)|| = r, basta aplicar a questão anterior com c = r.

3.5.2 Continuidade e Diferenciabilidade


√ 2π
3xy2 +(log 2)x3 y3 +x2 +y+cos
1. z = e 7 é uma função contı́nua? (Justifique a sua resposta!)

Resolução:
Funções constantes tais como
√ 2π
cte1 (x, y) = 3, cte2 (x, y) = log 2 e cte3 (x, y) = cos ,
7
18
Para curvas em R2 , tal condição nos diz que γ(t) pode ser qualquer raio vetor da origem até a circunferência
de raio c. Para curvas em R3 , a mesma condição nos diz que o traço da curva está contido na superfı́cie esférica
de centro na origem e raio c.
19
Via Geometria Analı́tica ou Álgebra Linear, temos que: ~u ⊥ w ~ ⇔ ~u · w
~ = 0.
88 CAPÍTULO 3. RESULTADOS - CÁLCULO DIFERENCIAL

bem como as funções não constantes

p1 (x, y) = x e p2 (x, y) = y,

são contı́nuas pois seus gráficos são planos e daı́ não têm ‘buracos’ ou ‘saltos’.
Como o produto de funções contı́nuas é uma função contı́nua, são contı́nuas as funções

f1 (x, y) = 3xy2 , f2 (x, y) = (log 2)x3 y3 e f3 (x, y) = x2 .

Como a soma de funções contı́nuas é uma função contı́nua, é contı́nua a função


√ 2π
f(x, y) = 3xy2 + (log 2)x3 y3 + x2 + y + cos .
7
Finalmente, devido a composição de funções contı́nuas (quando for possı́vel compor as
mesmas) ser uma função contı́nua, como g(t) = et é contı́nua para todo t ∈ R, então
√ 2π
3xy2 +(log 2)x3 y3 +x2 +y+cos
z = g(f(x, y)) = ef(x,y) = e 7

é uma função contı́nua.

2. Para funções f(x, y, z) e g(x, y, z), cujas derivadas parciais de primeira ordem existam
num dado ponto, prove que ∇(fg) = f∇g + g∇f em tal ponto.

Resolução:

 
∂ ∂ ∂
(fg), (fg), (fg) = (fx g + fgx , fy g + fgy , fz g + fgz )
∂x ∂y ∂z
= f(gx , gy , gz ) + g(fx , fy , fz ).

p
3. f(x, y) = ln( x2 + y2 ) satisfaz a equação fxx + fyy = 0?

Resolução:
Para facilitar as contas, escreva

1
f(x, y) = · ln(x2 + y2 ).
2
Logo, pela Regra da Cadeia, temos que
x y
fx = e fy = 2 .
x2 +y2 x + y2

Daı́, pela Regra da Derivada do Quociente, segue que

1 · (x2 + y2 ) − x · 2x 1 · (x2 + y2 ) − y · 2y
fxx = e f yy = ,
(x2 + y2 )2 (x2 + y2 )2

cuja soma é zero.


3.5. EXERCÍCIOS - CÁLCULO DIFERENCIAL 89

4. Seja f uma função de uma variável, diferenciável até a segunda ordem. Verifique que
z = f(x − ct) satisfaz a zxx − c12 ztt = 0, dita Equação das Ondas, onde c é uma cons-
tante.

Resolução:
Basta observar que, para y = x − ct , pela Regra da Cadeia para funções de uma variável,

df(y) df(y) dy df(y)


zx = = = ,
dx dy dx dy
df(y) df(y) dy df(y)
zt = = = −c ,
dt dy dt dy
d2 f(y)
   
d df(y) d df(y) dy
zxx = = = e
dx dy dy dy dx dy2
d2 f(y)
   
d df(y) d df(y) dy
ztt = −c = −c = c2 .
dt dy dy dy dt dy2

2 √
5. Verifique que a função z = e−x /4kt / t satisfaz a zt = kzxx , dita Equação de Difusão
ou Equação do Calor, onde k é uma constante.

Resolução:
Segue das derivadas parciais
2 √ 2
zt = ((x2 /4kt2 )e−x /4kt / t) + (e−x /4kt /(−2t3/2 ))
2
e−x /4kt
 2 
x 1
= √ − ,
t 4kt2 2t
2 √
zx = (−2x/4kt)e−x /4kt / t e
2 /4kt 2 /4kt
(−1/2kt)e−x + (−x/2kt)(−x/2kt)e−x
zxx = √
t
2
e−x /4kt 2
 
1 x
= √ − + .
t 2kt 4k2 2t2

3.5.3 Planos Tangentes, Aproximações Lineares e Regra da Cadeia


1. Onde o eixo das cotas intercepta o plano tangente ao gráfico de z = ex−y em P0 = (1, 1, 1)?

Resolução:
Sendo zx = ex−y e zy = −ex−y em (1, 1) dados, respectivamente, por 1 e −1, tal plano
tangente é dado por (x − 1) + (−1)(y − 1) + (−1)(z − 1) = 0. Este intercepta o eixo das
cotas quando x = y = 0, isto é, (−1) + (−1)(−1) + (−1)(z − 1) = 0. Daı́ (0, 0, 1) é o
ponto de interseção.

2. Ache a equação do plano tangente a superfı́cie z = 2x2 − 3xy + y2 que seja paralelo ao
plano 10x − 7y − 2z + 5 = 0.

Resolução:
Se f(x, y, z) = 2x2 −3xy+y2 −z, então ∇f = (fx , fy , −1) = (4x−3y, −3x+2y, −1) é normal
90 CAPÍTULO 3. RESULTADOS - CÁLCULO DIFERENCIAL

ao plano tangente a superfı́cie f(x, y, z) = 0 = f (P0 ) num ponto P0 = (x0 , y0 , z0 ) qualquer


desta superfı́cie. Contudo, não é dado o P0 que determina unicamente o plano a ser deter-
minado. Por outro lado, como tal plano é paralelo ao plano 10x − 7y − 2z + 5 = 0, temos
que ∇f (P0 ) = λ(10, −7, −2), isto é, (4x0 − 3y0 , −3x0 + 2y0 , −1) = (10λ, −7λ, −2λ), isto
é, 
 4x0 − 3y0 = 10λ,
−3x0 + 2y0 = −7λ,

−1 = −2λ ⇒ λ = 21 .
Daı́ ∇f (P0 ) = (10/2, −7/2, −1) e

4x0 − 3y0 = 102 ,
−3x0 + 2y0 = − 27 .

Multiplicando a primeira equação de tal sistema por 3, a segunda por 4, e somando as


duas, temos que y0 = −1, x0 = 12 e z0 = 2(1/4) − 3(1/2)(−1) + 1 = 3. Assim, a equação
do plano procurado é dada por

(10/2) x + (−7/2) y + (−1)z + d = 0.

Como P0 satisfaz tal equação, basta agora substituir


 
10 1 7
d=− · − · (−1) + (−1) · 3 = −3
2 2 2

na mesma para obter

(10/2) x + (−7/2) y + (−1)z − 3 = 0,

isto é, 10x − 7y − 2z − 6 = 0.

3. Verifique que: a curva espacial de equações paramétricas x = sen t, y = sen t e z = cos 2t


pertence a superfı́cie x2 + y2 + z = 1; a reta tangente a tal curva no ponto P0 em t = π/4
pertence ao plano tangente a tal superfı́cie neste ponto.

Resolução:

Sendo S = (x, y, z) ∈ R3 x2 + y2 + z = 1 a superfı́cie e γ(t) = (sen t, sen t, cos 2t) a
curva do enunciado, queremos verificar que γ(t) ∈ S, isto é, γ(t) satisfaz a equação
x2 + y2 + z = 1. De fato,

x(t)2 + y(t)2 + z(t) = sen2 t + sen2 t + cos 2t


= sen2 t + sen2 t + cos2 t − sen2 t
= 1.
√ √ 
Note agora que P0 = γ(π/4) = 2/2, 2/2, 0 . Daı́, sendo r(t) = P0 + ~vt a reta
tangente a curva γ(t) em P0 , como γ ′ (t) = (cos t, cos t, −2 sen 2t) e ~v = γ ′ (π/4), temos
√ √ √ √ !
2 2 2 2
r(t) = + t, + t, −2t .
2 2 2 2
3.5. EXERCÍCIOS - CÁLCULO DIFERENCIAL 91

Assim, seja Π o plano tangente a S em P0 , isto é, o plano de equação


√ ! √ !
2 2
fx (P0 ) x − + fy (P0 ) y − + (−1)(z − 0) = 0
2 2

com f(x, y) = 1 − x2 − y2 , isto é,


 √  √ !  √ !
2 √  2
− 2 x− + − 2 y− + (−1)z = 0.
2 2

Queremos verificar que r(t) ∈ Π, isto é, r(t) satisfaz a equação anterior. De fato,
 √  √2 √2 √ !
2
− 2 + t− +
2 2 2
 √  √2 √2 √ !
2
− 2 + t− +
2 2 2
(−1)(−2t) =
−t − t + 2t =
0.

4. Aproxime linearmente uma função adequada f(x, y) e a partir dela estime:


(a) (0, 99e0,002 )8 ;
(b) (0, 99)3 + (2, 01)3 − 6(0, 99)(2, 01).

Resolução:
Sendo |x − x0 | = |∆x| ≪ 1 e |y − y0 | = |∆y| ≪ 1 (arbitrariamente pequenos), temos que
f(x, y) ≈ f(x0 , y0 ) + fx (x0 , y0 ) · ∆x + fy (x0 , y0 ) · ∆y.
(a) Sendo f(x, y) = (xey )8 , fx = 8(xey )7 ey , fy = 8(xey )8 , x = 0, 99, x0 = 1, ∆x = x − x0 =
−0, 01, y = 0, 002, y0 = 0 e ∆y = y − y0 = 0, 002, temos que
(0, 99e0,002 )8 = f(0, 99, 0, 002)
≈ f(1, 0) + fx (1, 0) · ∆x + fy (1, 0) · ∆y
≈ 1 + 8(−0, 01) + 8(0, 002)
≈ 0.936.
(Numa calculadora(0, 99e0,002 )8 ≈ 0.938. Daı́, o erro é aproximadamente 0, 002.)
(b) Sendo f(x, y) = x3 + y3 − 6xy, fx = 3x2 − 6y, fy = 3y2 − 6x, x = 0, 99, x0 = 1,
∆x = x − x0 = −0, 01, y = 2, 01, y0 = 2 e ∆y = 0, 01, temos que
(0, 99)3 + (2, 01)3 − 6(0, 99)(2, 01)7 = f(0, 99, 2, 01)
≈ f(1, 2) + fx (1, 2) · ∆x + fy (1, 2) · ∆y
≈ −3 + (−9)(−0, 01) + 6(0, 01)
≈ −2, 8500.
(Numa calculadora (0, 99)3 + (2, 01)3 − 6(0, 99)(2, 01) ≈ −2.8485. Daı́ o erro é aproxima-
damente 0, 0015.)
92 CAPÍTULO 3. RESULTADOS - CÁLCULO DIFERENCIAL

5. Considere um cilindro cujo raio mede aproximadamente 2 metros e cuja altura mede
aproximadamente 3 metros. Determine a precisão das medidas do raio e da altura para
que o erro estimado do volume via aproximação linear não ultrapasse 0, 1 metros cúbicos.
Suponha ainda que o possı́vel erro cometido ao se medir o raio seja igual ao possı́vel erro
cometido ao se medir a altura.

Resolução:
V(r, h) = πr2 h é o volume do cilindro de raio r e altura h. Suas derivadas parciais são
dadas por Vr = 2πrh e Vh = πr2 . Assim, queremos usar a aproximação linear
V(r0 + ∆r, h0 + ∆h) ≈ V(r0 , h0 ) + Vr (r0 , h0 ) · ∆r + Vh (r0 , h0 ) · ∆h
sendo r0 = 2, h0 = 3 e ∆r = ∆h ≪ 1 o erro cometido nas aproximações do raio e da
altura. Logo, o erro estimado do volume é dado por
|∆V| = |V(2 + ∆r, 3 + ∆h) − V(2, 3)|
≈ |Vr (2, 3) · ∆r + Vh (2, 3) · ∆h|
≈ |(Vr (2, 3) + Vh (2, 3)) · ∆r|
≈ 16π|∆r|.
Então, para que |∆V| seja majorado por 0, 1 m3 , basta que 16π|∆r| o seja. Considere daı́
1
16π|∆r| ≤ 0, 1 ⇔ |∆r| ≤ ≈ 0, 001989.
160π
Assim, a precisão requerida é da ordem de 2 mm tanto no raio quanto na altura.
6. O interior de um tanque cilı́ndrico metálico tem altura de 1, 2 m e raio de 80 cm. Se
a espessura das paredes é de 5 mm, calcule a quantidade aproximada de metal usada
na construção do tanque via aproximação linear e o erro relativo cometido em tal apro-
ximação.

Resolução:
Como no exercı́cio anterior, V(r, h) = πr2 h é o volume do cilindro de raio r e altura
h, com derivadas parciais Vr = 2πrh e Vh = πr2 , e queremos usar a fórmula da apro-
ximação linear lá apresentada. Sejam agora r0 = 80 cm, h0 = 120 cm, ∆r = 0, 5 cm e
∆h = 2 · 0, 5 = 1 cm. Assim, como ∆V = V(r0 + ∆r, h0 + ∆h) − V(r0 , h0 ), por um lado,
via aproximação linear,
∆V ≈ 2πr0 h0 ∆r + πr20 ∆h
≈ 30159, 29 + 20106, 19 = 50265, 48 cm3 .
Por outro lado, calculando diretamente pela fórmula do volume de um cilindro, temos
que
∆V = π (r0 + ∆r)2 (h0 + ∆h) − πr20 h0
≈ 2463355, 00 − 2412743, 16 = 50611, 84 cm3 .
Então, o erro absoluto é dado por 50611, 84 − 50265, 48 = 346, 36 cm3 , enquanto que
346,36
o erro relativo é dado por 50611,84 ≈ 0.0068 < 7 · 10−3 . Note ainda que, embora o erro
relativo seja pequeno, o erro absoluto é grande pois ∆r e ∆h não são muito menores do
que 1, que é a condição para que a aproximação linear seja efetiva.
3.5. EXERCÍCIOS - CÁLCULO DIFERENCIAL 93

7. Um observador vê o topo de uma torre sob um ângulo de elevação de 30◦ com um possı́vel
erro de 1 ′ . Sua distância a torre é de 300 m com possı́vel erro de 10 cm. Via aproximação
linear, determine o possı́vel erro no cálculo da altura aproximada da torre.

Resolução:
Sendo x a distância do observador a torre, θ o ângulo de elevação e h = x tg θ a altura
da torre, temos hx = tg θ e hθ = x/ cos2 θ. Considere x0 = 300 m e θ0 = π6 rad com
∆x = 0, 1 m e ∆θ ≈ 0, 0003 rad.20 Daı́, como ∆h = h (x0 + ∆x, θ0 + ∆θ) − h (x0 , θ0 ), por
um lado, o erro aproximado da altura pela aproximação linear é dado por

x0
∆h ≈ (tg θ0 ) ∆x + ∆θ
cos2 θ0
≈ 0, 177735 m.

Por outro lado,


 π   π
∆h = h 300, 1; + 0, 0003 − h 300;
6 6
≈ 173, 382877 − 173, 205081 = 0, 177796 m.

0,177796−0,177735
Note então que o erro relativo é dado por 0,177796
≈ 3, 4 · 10−4 .

8. Se f é uma função diferenciável tal que fx (1, −1) = 2 e fy (1, −1) = 0, determine a in-
clinação da reta tangente ao gráfico da função Z(t) = f 2t2 − t, −t4 no ponto de abscissa
t0 = 1.

Resolução:
Sabemos do “Cálculo I” que a inclinação é dada por Z ′ (1). Assim, seja P0 = (t0 , Z (t0 ))
um ponto fixo do gráfico G (Z) de Z (como ilustra a figura seguinte).

(t, z(t))
G (Z)

(t, Z(t))

(t0 , Z (t0 ))

Para tal ponto, se z(t) = at + b é a reta tangente a G (Z) em P0 , tal reta tem inclinação

20 π
Via uma simples Regra de Três, 180 rad está para 1◦ que está para 60 ′ .
94 CAPÍTULO 3. RESULTADOS - CÁLCULO DIFERENCIAL

a = Z ′ (t0 ). Logo, se t0 = 1, x(t) = 2t2 − t e y(t) = −t4 , então

a = Z ′ (1)

d
= f(x(t), y(t))
dt t=1
= ∇f(x(1), y(1)) · (x ′ (1), y ′ (1))
= (fx (1, −1), fy (1, −1)) · 4 · (1) − 1, −4 · (1)3


= 2 · 3 + 0 · (−4)
= 6,

onde usamos a Regra da Cadeia na terceira igualdade anterior, de cima para baixo.

9. Determine o vetor n ~ perpendicular à curva de equação x ln y − y ln x = 0√no ponto


P0 = (1, 1), considerando que a sua primeira componente é positiva e ||~n|| = 2 2.
Observação: Analogamente ao caso de funções reais de três variáveis reais, para uma
função f(x, y) adequada, ∇f (P0 ) é ortogonal a curva f(x, y) = constante = f (P0 ) no
ponto P0 desta curva.

Resolução:
 
Como n ~ = k∇f (P0 ) e ∇f = ln y − yx , yx − ln x , temos que ∇f(1, 1) = (−1, 1) e n
~ =
(−k, k), sendo que, para −k > 0, temos k < 0. Daı́
√ √ √
||~n|| = 2 2 ⇒ 2k2 = 2 2
√ √
⇒ |k| 2 = 2 2
⇒ k = −2
⇒n ~ = (2, −2).

10. Dê os versores normais a superfı́cie de equação eyz ln x + ln z = 1, no ponto P0 dessa su-
perfı́cie de ordenada e cota iguais a 1.

Resolução:
Se P0 = (x0 , 1, 1) satisfaz a equação eyz ln x + ln z = 1, então eln x0 = 1, isto é, x0 = 1.
Por outro lado, a superfı́cie dada é representada por f(x, y, z) = eyz ln x + ln z = 1 =
f (P0 ) e tem vetor normal em P0 = (1, 1, 1) dado por múltiplos do vetor ∇f (P0 ) =
(fx (P0 ) , fy (P0 ) , fz (P0 )) com

yz yz ln x
fx = x
e , fy = z ln xeyz ln x e fz = y ln xeyz ln x + 1z .

Então ∇f (P0 ) = (1, 0, 1). Daı́ os versores normais a superfı́cie em P0 são dados por
~ = ± √12 (1, 0, 1).
n

11. Se u = f(x, y) está definida e tem derivadas parciais de primeira ordem contı́nuas num
domı́nio adequado, x = r cos θ e y = r sen θ, prove então que
 2  2  2  2
∂u ∂u ∂u 1 ∂u
+ = + 2 .
∂x ∂y ∂r r ∂θ
3.5. EXERCÍCIOS - CÁLCULO DIFERENCIAL 95

Sugestão: Regra da Cadeia no segundo membro.

Resolução:
Calculando separadamente cada parcela do segundo membro e somando os resultados
temos que

 2  2
∂u ∂u ∂x ∂u ∂y
= +
∂r ∂x ∂r ∂y ∂r
= (ux cos θ + uy sen θ)2
= u2x cos2 θ + 2ux uy cos θ sen θ + u2y sen2 θ

 2  2
1 ∂u 1 ∂u ∂x ∂u ∂y
= 2 +
r2 ∂θ r ∂x ∂θ ∂y ∂θ
1
= 2 (ux r(−sen θ) + uy r cos θ)2
r
= u2x sen2 θ − 2ux uy sen θ cos θ + u2y cos2 θ

u2x + u2y .
96 CAPÍTULO 3. RESULTADOS - CÁLCULO DIFERENCIAL

3.5.4 Otimização
1. Qual é a menor distância entre o ponto P0 = (2, 1, 4) e o plano Π dado pela equação
x + 2y + z = 5?

Resolução via Geometria Analı́tica:


Distância entre P0 = (x0 , y0 , z0 ) e Π : ax + by + cz + d = 0 é dada por
|ax0 + by0 + cz0 + d|
d(P0 , Π) = √
a2 + b2 + c2
|1 · 2 + 2 · 1 + 1 · 4 − 5|
= √
12 + 22 + 12
3
=√
6
r
3
= u.c..
2
Resolução via Teste da Derivada Segunda:
Se P = (x, y,
pz) ∈ Π, então P = (x, y, 5 − x − 2y) e d(P0 , Π) é o menor valor de d(x, y) =
d(P0 , P) = (x − 2)2 + (y − 1)2 + (1 − x − 2y)2 . Note agora que, como d é positiva, se
f(x, y) = d(x, y)2 = (x−2)2 +(y−1)2 +(1−x−2y)2 , então temos que fmı́nimo = (dmı́nimo )2 .
(Note que isso nos livra de derivar raiz quadrada!)
Determinação do(s) Ponto(s) Crı́tico(s):

fx = 2(x − 2) − 2(1 − x − 2y) = 4x + 4y − 6 = 0
⇒ y = 0, x = 3/2.
fy = 2(y − 1) − 4(1 − x − 2y) = 4x + 10y − 6 = 0
Como cada ponto do domı́nio de f é interior ao mesmo, em particular (3/2, 0) é interior
a tal domı́nio. Assim, podemos aplicar o
Teste da Derivada II para (3/2, 0):
Como H(3/2, 0) = fxx fyy − f2xy |(3/2,0) = 4 · 10 − 42 > 0 e fxx (3/2, 0) = 4 > 0, P é ponto
de mı́nimo local (e global)
√ para f e d, p sendo P = (3/2, 0, 7/2) ∈ Π o p mais próximo de P0
com distância dmı́nimo = fmı́nimo = (−1/2)2 + (−1)2 + (−1/2)2 = 3/2 u.c..
2. Caso exista, calcule a menor distância da origem a superfı́cie xyz = 8?

Resolução:
Note primeiramente que a superfı́cie xyz = 8 é um hiperbolóide de quatro folhas.21 Tal
hiperbolóide tem quatro pontos como pontos mais próximos da origem do R3 (da mesma
forma que a hipérbole xy = 8 tem dois pontos como pontos mais próximos da origem do
R2 ). Assim temos valor mı́nimo como imagem (da função distância) de quatro minimiza-
dores.
Resolução via Teste da Derivada Segunda:
Aqui, x, y e z são diferentes de 0. Considere então, como na resolução da questão anterior,
que f(x, y) = d(x, y)2 = x2 + y2 + (8/xy)2 .
Determinação do(s) Ponto(s) Crı́tico(s):

fx = 2x − x128 3 y2 = 0 ⇒ x4 y2 = 64
128 ⇒ x = ±y = ±2.
fy = 2y − x2 y3 = 0 ⇒ x2 y4 = 64
21
Digite xyz = 8 no Wolfram Alpha para obter tal superfı́cie!
3.5. EXERCÍCIOS - CÁLCULO DIFERENCIAL 97

Como pontos que não estão nos eixos cartesianos são interiores ao domı́nio de f, podemos
aplicar o
Teste da Derivada II para (2, 2), (2, −2), (−2, 2) e (−2, −2):
Como H = fxx fyy − f2xy = [2 + (3 · 128/x4 y2 )][2 + (3 · 128/x2 y4 )] − (2 · 128/x3 y3 )2 > 0 e
fxx > 0, (±2, ±2) são pontos de mı́nimo locais para f e d com distância
p
dmı́nimo = fmı́nimo
p
= (±2)2 + (±2)2 + (±2)2

= 12

= 2 3 u.c..

Note ainda que, como xyz = 8 > 0, temos que (2, 2, 2), (2, −2, −2), (−2, 2, −2) e
(−2, −2, 2) são os pontos da superfı́cie mais próximos da origem.

Resolução via Multiplicadores de Lagrange:




 fx = λgx ,

p f y = λgy ,
Sejam d(x, y, z) = x2 + y2 + z2 , f = d2 , g(x, y, z) = xyz e

 f z = λgz ,

g(x, y, z) = 8.


 2x = λyz,

2y = λxz,


 2z = λxy,

xyz = 8.

Multiplicando agora a primeira equação do sistema anterior por x, a segunda por y e a


terceira por z, obtemos 2x2 = 2y2 = 2z2 , isto é, y = ±x e z = ±x. Assim, da última
equação do sistema, temos que ±x3 = 8, isto é, x = ±2, y = ±2 e z = ±2. Por outro
lado, como xyz = 8 > 0, resulta que (2, 2, 2), (2, −2, −2), (−2, 2, −2) e (−2, −2, 2) são
os pontos da superfı́cie mais próximos da origem. Note ainda que, se P é qualquer um
destes quatro pontos, √ √
dmı́m = d(P) = 12 = 2 3 u.c..
(O leitor é convidado a comparar a imagem de qualquer outro ponto que satisfaça a
equação xyz = 8 com a imagem dos quatro minimizadores de d obtidos, isto é, considere
um ponto P ′ 6= P cujas coordenadas satisfazem
 √ a condição xyz = 8. Daı́, verifique
′ ′
√  √ √
que d (P ) > d(P). Por exemplo, se P = 2 2, 2, 2 , então 2 2 · 2 · 2 = 8 e
√ √
d (P ′ ) = 14 > 12 = d(P).)

3. Supondo que existe a caixa de maior volume cuja área total da superfı́cie seja igual a 64
cm2 , obter as dimensões de tal caixa via multiplicadores de Lagrange.

Resolução:
Para tal problema, pode ser verificada a existência de maximizador global de modo simi-
lar ao de um exemplo previamente trabalhado neste capı́tulo. Contudo, não faremos isso
aqui. A resolução terá prosseguimento com a suposição de tal existência!
Sejam f(x, y, z) = xyz e g(x, y, z) = 2(xy + yz + xz) o volume e a área, respectivamente.
98 CAPÍTULO 3. RESULTADOS - CÁLCULO DIFERENCIAL

Daı́ 

 fx = λgx ⇒ yz = 2λ(y + z),

fy = λgy ⇒ xz = 2λ(x + z),

 fz = λgz ⇒ xy = 2λ(x + y),

g(x, y, z) = 64 ⇒ xy + yz + xz = 32.
Multiplicando a primeira equação do sistema anterior por x, a segunda por y, a terceira
por z, igualando-as e notando-se que λ 6= 0,22 temos que xy + xz = xy + yz = xz + yz.
2
Daı́ x =py = z. Assim, Da última equação do sistema anterior temos que 3x = 32, isto
é, x = 32/3 cm, onde desconsideramos a raiz negativa. p 
p p
(O leitor é convidado a comparar a imagem do maximizador P = 32/3, 32/3, 32/3
de f com a de um ponto P ′ 6= P arbitrário cujas coordenadas também satisfazem a condição
xy + yz + xz = 32 (para verificar que f (P ′ ) < f(P)). Por exemplo, para x = y = 1, a
condição anterior fica 1·1+1·z+1·z = 32, isto é, z = 31/2. Considere daı́ P ′ = 1, 1, 312 .
Logo r
31 32 32
f (P ′ ) = < = f(P)
2 3 3
pois, caso contrário, temos
r  2  2
31 32 32 31 32 32
≥ ⇒ ≥ ·
2 3 3 2 3 3
2 3
31 32
⇒ ≥
4 27
⇒ 27 · 31 · 31 ≥ 4 · 32 · 32 · 32,

que é uma desigualdade inválida.)


2 2 2
4. Supondo que existe o elipsóide ax2 + yb2 + cz2 = 1 que passa por (1, 1, 2) e limita a região
de volume mı́nimo,23 determine tal elipsóide.

Resolução via Multiplicadores de Lagrange:


Para tal problema, pode ser verificada a existência de minimizador global de modo simi-
lar ao de um exemplo previamente trabalhado neste cspı́tulo. Contudo, não faremos isso
aqui. A resolução terá prosseguimento com a suposição de tal existência!
2 2 2
f(a, b, c) = 4πabc
3
e, como (1, 1, 2) satisfaz a equação ax2 + yb2 + cz2 = 1, g(a, b, c) =
1
a2
+ b12 + c42 = 1.
 4πbc

 fa = λga ⇒ 3
= − a2λ3 ,
 4πac
fb = λgb ⇒ 3
= − b2λ3 ,
∴ 4πab
 f = λgc ⇒ = − 8λ ,
 c
 1 1
3
4
c3
g(a, b, c) = 1 ⇒ a2
+ b2
+ c2
= 1.

Multiplicando a primeira equação do sistema anterior por a, a segunda por b e a terceira


por c, igualando-as e notando que λ 6= 0,24 segue que a2 = b2 e c2 = 4b2 . Substituindo
22
Se λ = 0, então, por exemplo, yz = 0 acarreta volume nulo!
23 x2 y2 z2
Em integrais triplas, mostraremos que o volume da região limitada pelo elipsóide a2
+ b2
+ c2
= 1 é dado
por 4πabc
3 u.v..
24
Se λ = 0, então, por exemplo, bc = 0 acarreta volume nulo!
3.5. EXERCÍCIOS - CÁLCULO DIFERENCIAL 99

tais quadrados na última equação do sistema anterior resulta em b2 = 3. Daı́ a2 = 3 e


2 2 2
c2 = 12. Assim, em existindo, x3 + y3 + z12 = 1 é o elipsóide de menor volume que passa
por (1, 1, 2). √ √ √ 
(Para uma sondagem de que P = 3, 3, 2 3 é ponto de mı́nimo (e não de máximo)

para f, considere um ponto P 6= P arbitrário cujas coordenadas satisfazem a condição
1
a2
+ b12 + c42 = 1. Daı́, verifique que f (P ′ ) > f(P). Por exemplo, para a = b = 2, a
√ √
condição anterior fica 41 + 41 + c42 = 1, isto é, c = 2 2. Considere daı́ P ′ = 2, 2, 2 2 .
Então √ 3
3
√ 4π2 3
4π2 2
f (P ′ ) = > = f(P)
3 3
pois, caso contrário, temos
3
√ √ 3 √ √
2 2≤2 3 ⇒4 2≤3 3
⇒ 16 · 2 ≤ 9 · 3
⇒ 32 ≤ 27,
que é uma desigualdade inválida.)
5. Supondo que existe a caixa retangular de maior volume que pode ser inscrita no elipsóide
2
x2 2
a2
+ yb2 + cz2 = 1, determine tal caixa.

Resolução via Multiplicadores de Lagrange:


Para tal problema, pode ser verificada a existência de maximizador global de modo simi-
lar ao de um exemplo previamente trabalhado neste capı́tulo. Contudo, não faremos isso
aqui. A resolução terá prosseguimento com a suposição de tal existência!
Sendo (x, y, z) o vértice da caixa no primeiro octante, f(x, y, z) = 8xyz é o volume da
2 2 2
caixa para (x, y, z) satisfazendo a equação g(x, y, z) = ax2 + yb2 + cz2 = 1.


 fx = λgx ⇒ 4yz = aλx2 ,
 f = λg ⇒ 4xz = λy ,
y y b2
∴ λz

 fz = λgz ⇒ 4xy = c2 ,
 x2 y2 2
g(x, y, z) = 1 ⇒ a2 + b2 + cz2 = 1.
Multiplicando a primeira equação do sistema anterior por x, a segunda por y, a terceira
2 2 2
por z, igualando-as e notando que λ 6= 0,25 temos que ax2 = yb2 = cz2 e, da última equação
2 2 2
do sistema anterior, 3x a2
= 3y
b2
= 3zc2 = 1. Daı́ x = √a3 , y = √b3 e z = √c3 u.c..
(Podemos proceder como nos exercı́cios anteriores para investigar que tais x, y e z são
as coordenadas do ponto P de máximo da função f restrita a condição g = 1. Contudo,
daremos agora uma explicação mais simples para isso. Assim, desconsidere a aplicação
do problema. Daı́ Dom(f) = R3 e
 
a b c
±√ , ±√ , ±√
3 3 3
são as soluções do sistema anterior - onde P é a solução com as três coordenadas positivas
- com imagens por f dadas por ± 8abc √ .26 )
3 3
25
Se λ = 0, então, por exemplo, yz = 0. Daı́ o volume seria nulo!
26
O valor positivo é o máximo e o valor negativo é o mı́nimo.
100 CAPÍTULO 3. RESULTADOS - CÁLCULO DIFERENCIAL

6. Seja f(x, y) = x2 + y2 definida em D = (x, y) ∈ R2 | x2 + 2y2 ≤ 1 . Obter os maximiza-
dores e minimizadores globais de f sobre D.

Resolução:
Como f é contı́nua e D é compacto, f tem máximo e mı́nimo globais em D por (O2 ).
Daremos agora duas resoluções distintas para esta questão.

Resolução sem Cálculo de Várias Variáveis:


Como f(0, 0) = 0 ≤ x2 + y2 = f(x, y) para todo (x, y) ∈ R2 , (0, 0) é o ponto de mı́nimo
global. Por outro lado, de y2 ≤ 2y2 temos f(x, y) = x2 + y2 ≤ x2 + 2y2 ≤ 1 para pontos
(x, y) ∈ D. Logo o valor máximo de f em D é 1 pois, devido a f(x, y) ser o quadrado da
distância de (x, y) a (0, 0), o ponto de máximo ocorre nos vértices (±1, 0) da elipse que
representa a fronteira de D.

Resolução com Cálculo de Várias Variáveis:


Devemos assim analisar
tanto o interior quanto a fronteira
de D.
2 2
(x, y) ∈ R2 x2 + √y

Interior de D = 1
<1 :
( 1/2)2
Análise do(s) Ponto(s) Crı́tico(s):
Se ∇f = (0, 0), então (x, y) = (0, 0), que é mı́nimo local via (O3.2 ). De fato, a ori-
gem é mı́nimo global de f(x, y) = x2 + y2 pois não existe ponto (x, y) ∈ R2 tal que
f(x, y) < f(0, 0)!
2
2 x2 y

Fronteira de D = (x, y) ∈ R 12 + √ 2 = 1 :
( 1/2)
Da análise no interior de D, resta obter apenas o(s) ponto(s) de máximo global(globais)
na fronteira de D. Obteremos tais pontos via duas resoluções distintas.

Resolução via Multiplicadores de Lagrange: 


 fx = λgx  2x = 2λx,
f(x, y) = x2 + y2 , g(x, y) = x2 + 2y2 ⇒ fy = λgy ⇒ 2y = 4λy,
  2 2
g(x, y) = 1 x + 2y = 1.
Multiplicando a primeira equação do sistema anterior por 2y, a segunda por x, e igua-
lando os primeiros membros das duas, temos que xy = 0. Daı́, usando a terceira equação
do sistema anterior, temos:

(a) x = 0 ⇒ y = ± 2/2;
(b) y = 0 ⇒ x = ±1.
√ √
Como f(0, ± 2/2) = 02 +(± 2/2)2 = 1/2 e f(±1, 0) = 12 +02 = 1, (±1, 0) são os pontos
de máximo globais de f em D.

Resolução em que Escrevemos f como Função Apenas de x ou Apenas de y na Fronteira


de D:

(a) Substituindo x2 = 1 − 2y2 em f(x, y) = xp 2


+ y2 ,pf passa a ser uma função apenas
2
de y, digamos, g(y) = 1 − y com y ∈ [− 1/2, 1/2]. Como g ′ (y) = −2y, y = 0
′′
é o único ponto crı́tico
p de g.pComo g (y) = −2 < 0, y = 0 é o ponto de máximo
local no intervalo (− 1/2, 1/2) com valor máximo local g(0) = 1. Por fim, na
3.5. EXERCÍCIOS - CÁLCULO DIFERENCIAL 101
p
fronteira, temos que g(± 1/2) = 1/2 < 1.

x2 = 1 − y2
| {z }
∴ y=0 =⇒ x = ±1 ⇒ (±1, 0) são pontos de máximo locais para a f

com valor máximo local f(±1, 0) = (±1)2 + 02 = 1.


(b) Substituindo y2 = (1 − x2 )/2 em f(x, y) = x2 + y2 , f passa a ser uma função apenas
de x, digamos, h(x) = (1 + x2 )/2 com x ∈ [−1, 1]. Como h ′ (x) = x, x = 0 é o
único ponto crı́tico de h. Como h ′′ (x) = 1 > 0, x = 0 é o ponto de mı́nimo local no
intervalo (−1, 1), que não nos interessa pois, da análise no interior de D, já obtemos
o ponto de mı́nimo global para f. Por fim, na fronteira, h(±1) = 1. Daı́ (±1, 0) são
pontos de máximo locais para f em D.

Então (±1, 0) são os pontos de máximo globais para f em D.

7. Para f(x, y) = x2 − xy, obtenha os valores máximo e mı́nimo globais de f na bola fechada
x2 + y2 ≤ 1.

Resolução:

f é contı́nua no compacto D = (x, y) ∈ R2 | x2 + y2 ≤ 1 . Então f admite máximo e
mı́nimo globais em D por (O2 ). Vamos assim realizar uma busca por tais pontos no
interior e na fronteira de D.

Interior de D = (x, y) ∈ R2 | x 2
+ y2 < 1 :
fx = 0 2x − y = 0
Cálculo do(s) Ponto(s) Crı́tico(s): ⇒ ⇒ x = y = 0.
fy = 0 −x = 0
Teste da Derivada Segunda: H(0, 0) = fxx fyy − f2xy |(0,0) = −1 < 0 ⇒ (0, 0) é ponto de sela.
Daı́ o máximo e o mı́nimo de f não ocorrem no interior de D. Devemos buscá-los então na

Fronteira de D = (x, y) ∈ R2 | x2 + y2 = 1 :

1a. Resolução: Multiplicadores de Lagrange:


 
 fx = λgx  2x − y = 2λx;
2 2 2
f(x, y) = x − xy, g(x, y) = x + y ⇒ fy = λgy ⇒ −x = 2λy;
  2
g(x, y) = 1 x + y2 = 1.
Multiplicando a primeira equação do sistema por y, a segunda por x, igualando os pri-
meiros membros das duas, e usando a terceira equação, temos:

2xy − y2 = −x2 = y2 − 1 ⇒ 2y2 − 1 = 2xy e x2 = 1 − y2


⇒ (2y2 − 1)2 = (2xy)2 = 4(1 − y2 )y2
⇒ 4y4 − 4y2 + 1 = 4y2 − 4y4
⇒ 8y4 − 8y2 + 1 = 0
t=y2
=⇒ 8t2 − 8t + 1 = 0

2 ± 2
⇒ y2 = t = .
4
Daı́:
102 CAPÍTULO 3. RESULTADOS - CÁLCULO DIFERENCIAL
√ √ √
2+ 2 2− 2 2
(a) y2 = 4
⇒ x2 = 1 − y2 = 4
⇒ 2xy = y2 − x2 = 2

√ √ √
2 2− 2 2 1− 2
f(x, y) = x − xy = − = ;
4 4 2
√ √ √
2− 2 2+ 2 2
(b) y2 = 4
⇒ x2 = 1 − y2 = 4
⇒ 2xy = y2 − x2 = − 2

√ √ √
2 2+ 2 2 1+ 2
f(x, y) = x − xy = + = .
4 4 2
√ √
1− 2 1+ 2
Daı́, 2
é o valor mı́nimo e 2
é o máximo.

2a. Resolução: Composição de f com Curva Parametrizada:


Sendo x(t) = cos t e y(t) = sen t, t ∈ [0, 2π], uma parametrização de x2 + y2 = 1, note
que obter o valor máximo/mı́nimo de

1 + cos(2t) − sen(2t)
z(t) = f(x(t), y(t)) = cos2 t − cos t sen t = , t ∈ [0, 2π],
2
significa obter o valor máximo/mı́nimo de f ao longo de x2 + y2 = 1. Daı́:

(a) z(t) é contı́nua no compacto [0, 2π]. Assim, por (O2 ), z(t) tem máximo e mı́nimo
globais em [0, 2π];
(b) Valores de z(t) na Fronteira de [0, 2π], isto é, {0, 2π}: z(0) = z(2π) = 1;
(c) Valores Máximo/Mı́nimo no Interior de [0, 2π], isto é, (0, 2π):
Ponto(s) Crı́tico(s) de z:
z ′ (t) = −sen(2t) − cos(2t) = 0 para 0 < t < 2π, isto é, cos(2t)

= −sen(2t) para
3π 7π 11π 15π 1± 2
0 < 2t < 4π. Daı́ 2t = 4 = 4 = 4 = 4 , sendo z(t) = 2 para tais valores.

Como f não tem valor máximo nem mı́nimo no



interior do compacto D,

tais valores devem
1− 2 1+ 2
ocorrer na fronteira de D. Segue daı́ que 2 é o valor mı́nimo e 2 é o valor máximo
de f em D.

8. Determinar o máximo e o mı́nimo globais de z = Ax2 + 2Bxy + Cy2 , para B 6= 0, na


circunferência x2 + y2 = 1.

Resolução via Multiplicadores de Lagrange:


Se z = f(x, y) e g(x, y) = x2 + y2 , então
 
 fx = λgx  2Ax + 2By = 2λx ⇒ (λ − A)x − By = 0;
fy = λgy ⇒ 2Bx + 2Cy = 2λy ⇒ −Bx + (λ − C)y = 0;
  2 2
g(x, y) = 1 x +y = 1.

Note que λ 6= A. (De fato, λ = A na primeira equação do sistema anterior implica em


y = 0. Tal valor na segunda equação acarreta x = 0. Mas (x, y) = (0, 0) não é ponto da
circunferência x2 + y2 = 1, isto é, x = y = 0 não satisfaz a terceira equação do sistema
B
anterior!) Da primeira equação temos x = λ−A y e, multiplicando a primeira equação por
(λ−C), a segunda por B, e somando as duas resultantes temos ((λ−A)(λ−C)−B2 )x = 0.
3.5. EXERCÍCIOS - CÁLCULO DIFERENCIAL 103

Daı́ x = 0 (o que acarretaria y = 0!) ou B2 = (λ − A)(λ − C) . Ainda, da condição


h 2 i
B (λ−A)2
x2 + y2 = 1 temos (λ−A) 2 2
2 + 1 y = 1, isto é, y = B2 +(λ−A)2 . Dessas obtemos

AB2 2B2
 
z= + + C y2
(λ − A)2 λ − A
(λ − A)2
 
A(λ − C)
= + 2(λ − C) + C
λ−A (λ − A)(2λ − (A + C))
A(λ − C) + 2(λ − A)(λ − C) + C(λ − A)
=
2λ − (A + C)
2
2λ − (A + C)λ
=
2λ − (A + C)
= λ,

2 2 A+C± (A+C)2 −4(AC−B2 )
que é obtido via λ − (A + C)λ + AC − B = 0, isto é, λ± = 2
. Daı́,
z = λ+ é o valor máximo global e z = λ− é o mı́nimo global.
Observação: Para a parte da √
fronteira do√ exercı́cio anterior observe que A = 1, B =
−1/2 e C = 0. Daı́ zmáx = 2 e zmı́n = 1−2 2 !
1+ 2

9. Uma fábrica produz dois tipos de lâmpadas. Sendo feitas x lâmpadas do tipo 1 e y do
tipo 2, cada uma delas poderá ser vendida por 100 − 2x e 125 − 3y u.m., respectivamente.
O custo de fabricação de x lâmpadas do tipo 1 e y do tipo 2 é de 12x + 11y + 4xy u.m..
Quantas lâmpadas de cada tipo devem ser produzidas para que a fábrica obtenha o lucro
máximo e de quanto é tal lucro?

Resolução:

f(x, y) = x(100 − 2x) + y(125 − 3y) − (12x + 11y + 4xy)


= 88x + 114y − 2x2 − 3y2 − 4xy
é a função lucro e, sendo x ≥ 0, y ≥ 0, 100 − 2x ≥ 0 e 125 − 3y ≥ 0, temos que tal f é
contı́nua no domı́nio

2 125
(x, y) ∈ R | 0 ≤ x ≤ 50 e 0 ≤ y ≤
3
fechado e limitado. Daı́ f tem máximo e mı́nimo globais em tal domı́nio.

Interior do Domı́nio: (x, y) ∈ R2 : 0 < x < 50 e 0 < y < 125 3
:
Cálculo
do(s) Ponto(s) Crı́tico(s):
fx = 88 − 4x − 4y = 0 x + y = 22 ×(−2)
⇒ ⇒ x = 9, y = 13.
fy = 114 − 6y − 4x = 0 2x + 3y = 57 ←֓ +
Teste da Derivada Segunda:
(9, 13) é ponto de máximo local com valor máximo local f(9, 13) = 1137. (Verifique!)

Fronteira do Domı́nio:
Vamos verificar que (9, 13) é, de fato, o ponto de máximo global. Para iniciar, vamos divi-
dir a fronteira em quatro partes que representam os lados de tal fronteira. Para concluir,
vamos observar que em nenhuma delas f assume um valor maior que 1137.
104 CAPÍTULO 3. RESULTADOS - CÁLCULO DIFERENCIAL

Y
III
125/3

II IV

(9, 13)

X
0 I 50

I : segmento de reta y = 0, x ∈ [0, 50]:


• Interior, isto é, (0, 50):
f1 (x) = f(x, 0) = 88x − 2x2 ⇒ f1′ (x) = 88 − 4x ⇒ f1′′ (x) = −4.
∴ f1 tem máximo local de 968 em x = 22.

• Fronteira, isto é, {0, 50}:


f1 (0) = 0 e f1 (50) < 0.
∴ f(9, 13) > f(22, 0) = 968 ⇒ máximo global de f não ocorre em I.
II : segmento de reta x = 0, y ∈ [0, 125/3]:
• Interior, isto é, (0, 125/3):
f2 (y) = f(0, y) = 114y − 3y2 ⇒ f2′ (y) = 114 − 6y ⇒ f2′′ (x) = −6.
∴ f2 tem máximo local de 1083 em y = 19.
• Fronteira, isto é, {0, 125/3}: f2 (0) = 0 e f2 (125/3) < 0.
∴ f(9, 13) > f(0, 125/3) = 1083 ⇒ máximo global de f não ocorre em II.
III : segmento de reta y = 125 3
, x ∈ [0, 50]:
f3 (x) = f(x, 125/3) = f1 (x) − 1375
3
− 500
3
x < f1 (x) ⇒ máximo global de f não ocorre
em III.
IV : segmento de reta x = 50, y ∈ [0, 125/3]:
f4 (y) = f(50, y) = f2 (y) − 600 − 200y < f2 (y) ⇒ máximo global de f não ocorre em
IV.

Conclusão: Para 9 lâmpadas do tipo 1 e 13 do tipo 2, temos lucro máximo de 1137


u.m..

10. Supondo que existe a menor distância da origem a curva y = x3 + 1, calcule tal distância.

Resolução via Multiplicadores de Lagrange:


Objetivo: Minimizar f(x, y) = d(x, y)2 = x2 + y2 restrita a g(x, y) = y − x3 − 1 = 0.
Para uma representação de parte do gráfico de y = x3 + 1, ver gráfico com concavidade
para baixo na ilustração que segue.
3.5. EXERCÍCIOS - CÁLCULO DIFERENCIAL 105

Y
h(x) = 3x4 + 3x + 1

1
y = x3 + 1

x1 x2
X
−1 0

(Nesta ilustração, o gráfico com concavidade para cima representa parte do gráfico da
função h(x) = 3x4 + 3x + 1, que iremos precisar a seguir. Ainda, são ilustradas as raı́zes
x1 e x2 com h (x1 ) = h (x2 ) = 0.)
(0, 0) não pode então ser o ponto de mı́nimo global de f pois o gráfico de y = x3 + 1 não
passa pela origem. De fato, 0 6= 03 + 1. Considere agora o sistema
 
 fx = λgx  2x = −3λx2 ,
fy = λgy ⇒ 2y = λ,
  3
g(x, y) = 0 y − x − 1 = 0,

com λ 6= 0 (caso contrário, x = y = 0!). Daı́:


(1) y 6= 0 (pela segunda equação);27
y − 03 − 1 = 0
| {z }
(2) x = 0 =⇒ y = 1;28
y = x3 + 1
| {z }
(3) x 6= 0, x(3λx + 2) = 0 e λ = 2y ⇒ 6xy + 2 = 0 =⇒ h(x) = 3x4 + 3x + 1 = 0.
Assim, tudo se resume a busca pelas raı́zes da equação h(x) = 0. Vamos aqui estabelecer
a existência de raı́zes vizualizando o gráfico de h. Depois, o cálculo destas raı́zes pode ser
feito via algum método numérico.
Gráfico de y = h(x) (Confira ilustração anterior):
(3.1) h(−1) = h(0) = 1 ⇒ gráfico passa por (−1, 1) e (0, 1), sendo que este último satisfaz
g(x, y) = 0;  √
3
 < 0 para x < −1/ 4 √ ∴ h decrescente;
(3.2) h ′ (x) = 12x3 + 3 = 0 para x = x0 =√−1/ 3 4 pto. de mı́n. loc. (h ′′ (x0 ) = 36x20 > 0);

> 0 para x > −1/ 3 4 ∴ h crescente;
(3.3) h(x0 ) < 0 e lim h(x) = ∞.
x→±∞
Daı́ o gráfico é esboçado como na figura anterior e existem x1 e x2 em [−1, 0] tais que
h(x1 ) = 0 e h(x2 ) = 0. Utilizando agora o Método de Newton, como descrito a seguir,
obtemos x1 ≈ −0, 846 e x2 ≈ −0, 348. Daı́ a distância mı́nima é o menor valor entre
27
Daı́ (−1, 0) não é ponto de mı́nimo e a distância mı́nima é menor do que 1.
28
Mas (0, 1) não pode ser ponto de mı́nimo pois a distância mı́nima é menor do que 1.
106 CAPÍTULO 3. RESULTADOS - CÁLCULO DIFERENCIAL
p p
d(x1 , y1 ) = f(x1 , y1 ) e d(x2 , y2 ) = f(x2 , y2 ) com y1,2 − x31,2 − 1 = 0, isto é, y1 ≈ 0, 395
e y2 ≈ 0, 958. Por fim, f(x √1 , y1 ) ≈ 0, 716 + 0, 156 = 0, 872 e f(x2 , y2 ) ≈ 0, 121 + 0, 918 =
1, 039, e então dmı́nima ≈ 0, 872 ≈ 0, 934.

Método de Newton: Sendo h(x) uma função adequada,


h(r) = 0, r0 um ponto inicial próximo da raiz r e rn =
n−1 )
rn−1 − hh(r
′ (r
n−1 )
bem definido (isto é, h ′ 6= 0 nos rn ’s) para
n = 0, 1, 2, 3, . . ., temos rn → r se n → ∞.
√ √
Por exemplo, para h(x) = x2 − 2, já sabemos que h(± 2) = 0, onde 2 é aproximada-
mente igual a 1, 414213562. Seja então r0 = 1. Daı́:
h(r0 ) −1
r1 = r0 − ′
=1− = 1, 5;
h (r0 ) 2
h(r1 ) 1/4
r2 = r1 − ′ = 1, 5 − = 1, 416666667;
h (r1 ) 3
h(r2 )
r3 = r2 − ′ ≈ 1, 414215686;
h (r2 )
..
.
No nosso exercı́cio, h(x) = 3x4 + 3x + 1, h ′ (x) = 12x3 + 3 e r0 = 0, 9 acarretam:
h(r0 ) 3 · (0, 9)4 + 3 · (0, 9) + 1
r1 = r0 − = 0, 9 − ≈ 0, 418
h ′ (r0 ) 12 · (0, 9)3 + 3
h(r1 )
r2 = r1 − ′ ≈ −0, 187;
h (r1 )
h(r2 )
r3 = r2 − ′ ≈ −0, 348;
h (r2 )
..
.
(As reticências verticais anteriores significam que aproximações mais precisas de rn ocor-
rem para n “suficientemente grande”.)
11. Supondo existir o triângulo cujo produto dos senos dos seus ângulos internos seja o maior
possı́vel, verifique que tal triângulo é equilátero.

Resolução:
Sejam x, y e z os ângulos de tal triângulo (veja figura 3.6). Daı́, como x + y + z = π,
temos que

sen x sen y sen z = sen x sen y sen(π − (x + y))


= sen x sen y sen(x + y)
= f(x, y),

onde usamos sen(π − (x + y)) = sen(x + y) na segunda igualdade. Por um lado, como x
e y devem ser positivos e x + y deve ser menor que π, todos os pontos de

Dom(f) = {(x, y) ∈ R | x > 0, y > 0, x + y < π}


3.5. EXERCÍCIOS - CÁLCULO DIFERENCIAL 107

Figura 3.6: Apenas o primeiro triângulo, da esquerda para a direita, tem sen x · sen y · sen z
máximo.

são interiores e existe ∇f em cada ponto deste domı́nio. Em particular, o suposto maxi-
mizador global deve ser um ponto de tal domı́nio. Por outro lado, entre tais pontos, o(s)
candidato(s) a ponto(s) de máximo/mı́nimo de f devem satisfazer, por (O1 ), o sistema

(a) fx = cos x sen y sen(x + y) + sen x sen y cos(x + y) = 0;


(b) fy = cos y sen x sen(x + y) + sen x sen y cos(x + y) = 0.

De (a)-(b) temos

(cos x sen y − cos y sen x) sen(x + y) = sen(y − x) sen(x + y) = 0.

Como 0 < x + y < π, sen(x + y) 6= 0 e então sen(y − x) = 0. Assim, como y − x = 0,


segue de (a) ou (b) que

cos x sen x sen 2x + sen x sen x cos 2x = sen x(cos x sen 2x + sen x cos 2x)
= sen x sen 3x
= 0.

Como sen x 6= 0, 3x é igual a 0 ou π. (Temos apenas 3x = π pois x não pode ser nulo.)

Conclusão: x = y = z = π3 .

Aplicando agora (O3.2 ), temos que o único ponto crı́tico (π/3, π/3, π/3) é ponto de
máximo local para f,29 daı́ global.

12. Dado um triângulo acutângulo ABC, verifique que o ponto P cuja soma das distâncias
aos vértices é mı́nima, supondo-se a existência de tal ponto, é tal que as semi-retas PA,
108 CAPÍTULO 3. RESULTADOS - CÁLCULO DIFERENCIAL

~v

β
α
P
γ

~
u ~
w
A C

Figura 3.7: Triângulo Acutângulo.

PB e PC formam entre si um ângulo de 120 graus (veja figura 3.7).

Resolução:
Sendo P = (x, y), A = (xA , yA ), B = (xB , yB ) e C = (xC , yC ), temos que
−→ −→ −→
f(x, y) = ||AP|| + ||BP|| + ||CP||
p
= (x − xA )2 + (y − yA )2
p
+ (x − xB )2 + (y − yB )2
p
+ (x − xC )2 + (y − yC )2
é a soma das distâncias de P aos vértices. Por um lado, note agora que não pedimos a
apresentação do mı́nimo global para tal f. Por outro lado, estamos supondo a existência
de tal valor mı́nimo global, isto é, é para resolver a questão a partir de tal
suposição. Assim, tal valor mı́nimo, se ocorrer em algum ponto interior ao domı́nio de
f para o qual exista o gradiente desta função, deverá anular tal gradiente por (O1 ). Logo,
como todos os pontos do R2 são interiores ao Dom(f), temos que considerar o sistema
!
x − xA x − xB x − xC y − yA y − yB y − yC
(fx , fy ) = −→ + − → + −→ , −→ + − → + −→
||AP|| ||BP|| ||CP|| ||AP|| ||BP|| ||CP||
−→ −
→ −→
AP BP CP
= −→ + − → + −→
||AP|| ||BP|| ||CP||
= (0, 0).
−→ −→ −→
Então, sendo ~u, ~v e w
~ os versores de AP, BP e CP, respectivamente, temos que

~ = ~0.
~u + ~v + w

Calculando-se o produto interno de tal equação por ~u, ~v e w


~ , respectivamente, isto é,
calculando-se

~ ) = ~u · ~0, ~v · (~u + ~v + w
~u · (~u + ~v + w ~ ) = ~v · ~0 e w
~ · (~u + ~v + w ~ · ~0,
~)=w
29
Verifique!
3.5. EXERCÍCIOS - CÁLCULO DIFERENCIAL 109

temos que

1 + cos α + cos γ = 0, cos α + 1 + cos β = 0 e cos γ + cos β + 1 = 0,

onde α é o ângulo que ~u forma com ~v, β é o ângulo que ~v forma com w
~ e γ é o ângulo que
~ forma com ~u. Subtraindo-se cada uma dessas equações por uma das outras, obtemos
w
cos α = cos β = cos γ. Estas, substituı́das nas três equações anteriores, igualam a − 12 .
Daı́, devido a α + β + γ = 360 ◦ , segue que α = β = γ = 120 ◦ .

13. Supondo existir a menor distância da parábola y = x2 + 1 a reta y = x − 2, calcule tal


distância.

Resolução:
Note primeiramente que os gráficos não se interceptam. (Para uma representação geométrica,
veja a ilustração que segue.)

−2

−4

−4 −2 0 2 4

De fato, tal interseção implicaria na existência de algum ponto x de mesma imagem rela-
tivamente as duas funções dadas. Assim x2 + 1 = x − 2, isto é, x2 − x + 3 = 0, que não
tem solução real.
Vamos agora resolver a questão via “Cálculo II”. Daremos depois outra resolução (mais
simples) via “Cálculo I”.

Resolução via Teste da Derivada Segunda:



Seja f(x, y) o quadrado da distância d(x, y) entre o ponto x, x2 + 1 da parábola e o
2
ponto (y, y − 2) da reta. Daı́ f(x, y) = (x − y)2 + x2 − y + 3 e todos os pontos de
Dom(f) = R2 são interiores. Agora, √ como d e f são positivas (pois os gráficos não se
interceptam), segue que dmı́n = fmı́n (caso exista a distância mı́nima).30 Ainda, note
que não existe dmáx .
Cálculo do(s) Ponto(s) Crı́tico(s):
(a) fx = 2(x − y) + 4x(x2 − y + 3) = 0,
(b) fy = −2(x − y) − 2(x2 − y + 3) = 0.
30
Em teoria, poderia existir um limite inferior ℓ > 0 para d (para o qual d se aproximasse) mas, por menor
que d fosse, sempre seria estritamente maior que ℓ. Contudo, como a próxima resolução ilustra, isso não pode
ocorrer e existe dmı́n = ℓ.
110 CAPÍTULO 3. RESULTADOS - CÁLCULO DIFERENCIAL

De (a)+(b) temos 2(2x − 1)(x2 − y + 3) = 0. Daı́ x = 12 ou x2 − y + 3 = 0. As-


sim, por um lado, substituindo x = 12 em (a) ou (b) temos 2 12 − y + 2 14 − y + 3 =
1 − 2y + 21 − 2y + 6 = 0. Daı́ y = 158 . Por outro lado, substituindo x2 − y + 3 = 0 em (a)
ou (b) resulta em x = y. Daı́ x2 − x + 3 = 0. Como esta não tem solução real, o único
ponto crı́tico (candidato a ponto de mı́nimo) de f é (1/2, 15/8).31
Teste da Derivada II:
De fxx = 14 + 12x2 − 4y, fyy = 4 e fxy = −2 − 4x, temos que fxx (1/2, 15/8) > 0 e
H(1/2, 15/8) > 0. Daı́ (1/2, 15/8) é ponto de mı́nimo local para f. Como não existe
outro ponto de mı́nimo local interior ao Dom(f),32 este é global. Daı́, a distância √
mı́nima
√ 11 2
ocorre entre os pontos (1/2, 5/4) e (15/8, −1/8) e é dada por dmı́n = fmı́n = 8 .

Resolução via Cálculo I:


Vamos obter o ponto da parábola f(x) = x2 + 1 cuja inclinação da reta tangente a tal
33 ′
parábola em tal ponto  é 5a mesma da reta y = x − 2. Neste caso, 2x = f (x) = 11, 5isto
1 1

é, x = 2 . Então f 2 = 4 . Para concluir, basta calcular a distância d do ponto 2 , 4 a
reta y = x − 2.34 Assim
1 5
− − 2
d = 2√ 4
1+1
11
= √4
2

11 2
= u.c..
8

14. Se f(x, y, z) = 2x − y + 4z, determine o máximo e o mı́nimo de f restrita à interseção do


plano z = x com o cilindro x2 + 3y2 = 84.

Resolução via Multiplicadores de Lagrange:


Tal interseção é uma elipse, que é um conjunto compacto em R3 . Logo a função contı́nua
f admite máximo e mı́nimo em tal interseção por (O2 ). Assim, se g(x, y, z) = x − z e
h(x, y, z) = x2 + 3y2 , considere ∇f(x, y, z) = λ∇g(x, y, z) + µ∇h(x, y, z), g(x, y, z) = 0 e
h(x, y, z) = 84. Explicitamente, considere o sistema

(2, −1, 4) = λ(1, 0, −1) + µ(2x, 6y, 0), x − z = 0 e x2 + 3y2 = 84.

Da primeira equação de tal sistema, segue que λ + 2µx = 2, 6µy = −1 e λ = −4. Destas,
temos µx = 3 e µy = − 16 . Agora, muliplicando a primeira destas duas equações por y e
a segunda por x, temos x = −18y. Daı́, de x2 + 3y2 = 84, temos 18 · 18y2 + 3y2 = 3 · 28.
Logo, de 109y2 = 28, temos que
√ √
2 7 36 7
y = ±√ e z = x = ∓√ .
109 109
31
Confira (O1 ′ ).
32
Pois este teria de anular ∇f por (O1 ).
33
Tais retas são paralelas!
34 |αx0 +βy0 +c|
Via Geometria Analı́tica, a distância do ponto (x0 , y0 ) a reta αx + βy + c = 0 é dada por d = √ .
α2 +β2
3.5. EXERCÍCIOS - CÁLCULO DIFERENCIAL 111
 √ √ √   √  √  √ √ √ 
36 7 √ 2 7 36 7 √ 7
36 2 7 36 7 2 7 36 √ 7
Então f − √ 109
, 109
, − √
109
= 6 · − 109
− √
109
< 0 e f √
109
, − √
109
, 109
= 6·
 √  √
36 7

109
+ √2 1097 > 0 são os valores mı́nimo e máximo, respectivamente.

15. Obter, via Multiplicadores de Lagrange, o ponto dos planos x + 2y + 3z = 8 e z = x mais


próximo da origem.

Resolução:
Note primeiramente que a interseção de tais planos é a reta

r : (0, 4, 0) + t(1, −2, 1) ∀t ∈ R.

(De fato, se x = t, então z = t e

1
y = (8 − x − 3z)
2
= 4 − 2t.

Logo, para cada t real, temos o seguinte ponto de tal reta: (x, y, z) = (t, 4 − 2t, t).)
Existe assim o ponto mais próximo da origem (mas não, obviamente, o mais distante).
Vamos agora minimizar a função f(x, y, z) = d(x, y, z)2 = x2 + y2 + z2 sujeita as restrições
g(x, y, z) = x − z = 0 e h(x, y, z) = x + 2y + 3z = 8. Daı́, do sistema

(2x, 2y, 2z) = λ(1, 0, −1) + µ(1, 2, 3) e z = x,

segue que λ + µ = 2x, µ = y e −λ + 3µ = 2z = 2x. Destas equações, adicionando a


primeira a última e usando a segunda, temos x = µ = y. Substituindo então z = x = y
na equação x + 2y + 3z = 8, temos que x = y = z = 34 . Logo (4/3, 4/3, 4/3) é o ponto da
interseção dos planos x + 2y +
p3z = 8 e x −4√z3 = 0 mais próximo da origem (com distância
dada por d(4/3, 4/3, 4/3) = 3(4/3)2 = 3 u.c.).
Tendo resolvido a questão, vamos usar Geometria Analı́tica para confirmar a solução
encontrada. Assim, na equação da reta r obtida no inı́cio da resolução anterior, note que
P0 = (0, 4, 0) e ~v = (1, −2, 1) são, respectivamente, um ponto e um vetor diretor de r.
Para obtermos a distância da origem O = (0, 0, 0) a r, sendo ~u o vetor cujas extremidades
são os pontos P0 e O, basta calcularmos a norma do vetor

~u − proj~v ~u.

(Veja figura 3.8.) Calculando primeiramente a projeção ortogonal


 
~u · ~v 8 4 8 4
proj~v ~u = ~v = ~v = ,− ,
||~v||2 6 3 3 3

de ~u sobre ~v, segue que a distância de O a r é dada por



||(−4/3, −4/3, −4/3)|| = 4 3/3 u.c..
112 CAPÍTULO 3. RESULTADOS - CÁLCULO DIFERENCIAL

~
u
~
u − proj~v ~
u

11
00
00
11
00
11
P0 ~v

proj~v ~
u

Figura 3.8: ~u − proj~v ~u é perpendicular a ~v.


Capı́tulo 4

Resultados - Cálculo Integral

“Eudoxus developed a system


for calculating areas enclosed by
general curves, such as a circle,
by removing the areas within
them, such as rectangles or
other shapes whose areas are
simple to calculate, until the
total area to be calculated is
“exhausted”. Thus the area can
be calculated by a close
approximation.”

Zvi Artstein

De certa forma, integrar uma função de várias variáveis é proceder de maneira análoga, mas
inversa, daquela estabelecida na derivação parcial mista. Assim, por exemplo, para calcular
a derivada parcial de uma função f(x, y) em relação a x, desde que seja possı́vel calcular fx ,
derive f em relação a variável x como no Cálculo de Uma Variável Real (Cálculo I), partindo da
premissa de que y é uma constante. Depois, para calcular fxy , supondo que exista tal derivada,
considere x constante, y variável e derive fx em relação a y como no Cálculo I. Agora, para
integrar f(x, y), sejam x e y, respectivamente, variável e constante. Então, se for possı́vel,
integre f como função apenas de x como no Cálculo I. Para concluir, caso seja possı́vel, integre
(como no Cálculo I) o resultado da integração anterior como uma função apenas da variável y.
Simples assim.

4.1 Integrais Duplas


No Cálculo Integral de Funções y = f(x) Reais de Uma Variável Real, se f é Integrável, então
a Integral (Simples) é calculada sobre um Intervalo Fechado e Limitado Dx = [a, b], isto é,
R Rb
calculamos Dx f(x) dx = a f(x) dx.1

a
t
b
t
1
Confira Parte II da lista de exercı́cios intitulada Fundamentos de Cálculo de Uma Variável da
Introdução destas NA.

113
114 CAPÍTULO 4. RESULTADOS - CÁLCULO INTEGRAL

No Cálculo Integral de Funções z = f(x, y) Reais de Duas Variáveis Reais, se f é Integrável,


então a Integral (Dupla) é calculada
RR sobre um Domı́nio Fechado e Limitado Dxy adequado (veja
figura 4.1), isto é, calculamos Dxy f(x, y)dxdy, do modo que descreveremos a partir de agora.

Y Y

g2 (x)

h1 (y) Dxy h2 (y)


Dxy

g1 (x) c

a b X X

Figura 4.1: Tipos 1 e 2 de Regiões de Integração Dxy .

4.1.1 Regiões/Domı́nios de Integração Dxy


Embora o compacto Dxy possa ter inúmeras formas, temos duas formas básicas nas quais muitos
tais domı́nios mais gerais podem ser subdivididos.

Domı́nios dos Tipos 1 e 2



Tipo 1 Para Dxy = (x, y) ∈ R2 a ≤ x ≤ b, g1 (x) ≤ y ≤ g2 (x) com g1 (x) e g2 (x) contı́nuas,
ZZ Z Z x=b
!
y=g2 (x)
f(x, y) dxdy := f(x, y) dy dx.
Dxy x=a y=g1 (x)

Calcula-se primeiramente a integral entre parênteses com x constante e y variável.



Tipo 2 Para Dxy = (x, y) ∈ R2 h1 (y) ≤ x ≤ h2 (y), c ≤ y ≤ d com h1 (y) e h2 (y) contı́nuas,
ZZ Z Zy=d
!
x=h2 (y)
f(x, y) dxdy := f(x, y) dx dy.
Dxy y=c x=h1 (y)

Calcula-se primeiramente a integral entre parênteses com x variável e y constante.

Exemplo
Vamos integrar f(x, y) = 1 sobre a região Dxy limitada por y = x e y = x2 como ilustrada
abaixo.
4.1. INTEGRAIS DUPLAS 115

(0, 1) (1, 1)

(0, 0)

Note que (x, y) ∈ Dxy se, e somente se,



0 ≤ x ≤ 1 e x2 ≤ y ≤ x ou y ≤ x ≤ y e 0 ≤ y ≤ 1.

No primeiro caso, Dxy é do tipo 1. No segundo, do tipo 2. Então, integrando primeiro em


relação a y para Dxy do tipo 1, temos
ZZ Z x=1 Z y=x 
1 dxdy = 1 dy dx
Dxy x=0 y=x2
Z x=1
 y=x
= y y=x2 dx
x=0
Z x=1
x − x2 dx

=
x=0
2
x=1
x3

x
= −
2 3 x=0
1
= .
6

Agora, integrando primeiro em relação a x para Dxy do tipo 2, temos


ZZ Z y=1 Z x=√y !
1 dxdy = 1 dx dy
Dxy y=0 x=y
Z y=1
 x=√y
= x x=y dy
y=0
Z y=1

= ( y − y) dy
y=0
y=1
2y3/2 y2

= −
3 2 y=0
1
= .
6

Notação/Observação

Em sendo possı́vel calcular a integral dupla, podemos desconsiderar os parênteses nas fórmulas
acima. Contudo, pode não ser possı́vel calcular a intergral dupla. Como veremos nos exercı́cios
2 e 3 que seguem o próximo exemplo, pode ocorrer da integral de um dos dois tipos ou ser mais
difı́cil de resolver que a do outro tipo ou não ter solução analı́tica.
116 CAPÍTULO 4. RESULTADOS - CÁLCULO INTEGRAL

Exemplo
Integrar sobre o retângulo
Dxy = [a, b] × [c, d]

= (x, y) ∈ R2 a ≤ x ≤ b, c ≤ y ≤ d

significa calcular
ZZ Z b Z d  Z d Z b 
f(x, y) dxdy = f(x, y) dy dx = f(x, y) dx dy.
Dxy a c c a

A figura dada a seguir é uma representação geométrica de um Dxy no Primeiro Quadrante com
d − c > b − a.
Y

Dxy

a X
b

Exercı́cios
RR 
1. Se Dxy = [0, 1] × [2, 3], calcule Dxy
3x2 + 2y dxdy.

2. Se existir, calcule a integral de f(x, y) = 2x2 y sobre a região limitada pela parábola
y = 4 − x2 e pela reta y = 0. Resposta: 19, 5, aproximadamente.
2
3. Se existir, calcule a integral de f(x, y) = ey + x sobre a região limitada pelas retas x = 0,
4
y = 2 e y = x. Resposta: 56 + e2 .
4.1. INTEGRAIS DUPLAS 117

Esta é uma representação geométrica dos domı́nios de integração para os exercı́cios 1, 2 e 3,


respectivamente, e dos eixos coordenados, na mesma escala de medida. Ainda, em relação aos
dois últimos
 exercı́cios,
note que:
2
2.
 D xy =
√ (x, y) − 2 ≤ x
√ ≤ 2, 0 ≤ y ≤ 4 − x é o domı́nio do tipo 1, enquanto que Dxy =
(x, y) − 4 − y ≤ x ≤ 4 − y, 0 ≤ y ≤ 4 é o do 2. Aqui, a integração sobre o do tipo 1 é
mais fácil que a do 2.
3. Ao se tentar integrar primeiro em relação a y, isto é, integrar sobre a região do tipo 1, não
2
se obtem uma resolução analı́tica devido a ey + x não ter antiderivada elementar.

Regiões Dxy Mais Gerais


RR
Para calcular a integral dupla I = Dxy
f(x, y) dxdy, pode ser necessário dividir o seu domı́nio
de integração Dxy em n partes disjuntas dos tipos 1 ou 2, calcular a integral dupla Ii relativa
a i-ésima parte para i = 1, . . . , n e, por fim, obter a soma I = I1 + · · · + In .

Exemplo
Vamos integrar f(x, y) = 2x+y sobre a região limitada por x = y2 , y = x−2 e y = x3 , conforme
a ilustração que segue.
2

−1

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3 3.5

A primeira tarefa é obter os pontos de interseção dos gráficos das três funções. As resoluções
das equações y = y2 − 2, y = y32 e x − 2 = x3 nos fornecem os seguintes três pontos de interseção
√ √ 
3
para a região de interesse: (1, −1), (3, 1) e 32 , 3 3 .
Para integramos primeiro em y, devemos separar
 Dxy em três partes: a primeira
 subregião
 para
x ∈ [0, 1], a segunda subregião para x ∈ 1, 32/3 , e a terceira para x ∈ 32/3 , 3 . Isto porque
em cada um desses pontos a função que define ou o limite superior ou o limite inferior para y
muda. Na outra direção, é necessário separar Dxy em apenas duas partes. Logo, vamos resolver
aqui com o menor número de integrais:
ZZ
I= (2x + y) dxdy
Dxy
Z y=1 Z x=y+2  Z √ 3
y=Z 3 x=3/y
!
= (2x + y) dx dy + (2x + y) dx dy
y=−1 x=y2 y=1 x=y2

= I1 + I2 .
118 CAPÍTULO 4. RESULTADOS - CÁLCULO INTEGRAL

A primeira parcela é calculada por


Z y=1
x=y+2
x2 + xy x=y2 dy

I1 =
y=−1
Z y=1
= (y + 2)2 + y(y + 2) − y4 − y3 dy
y=−1
Z y=1
= −y4 − y3 + 2y2 + 6y + 4 dy
y=−1
= 8, 93̄.

A segunda parcela é calculada por

Z y= √
3
3 x=3/y
x2 + xy x=y2 dy

I2 =
y=1
Z y= √
3
3
9
= 2
+ 3 − y4 − y3 dy
y=1 y
y= √
3
3
9 y5 y4
= − + 3y − −
y 5 4 y=1
≈ 2, 21.

A soma das duas parcelas resulta em I ≈ 11, 14.

4.1.2 Área, Volume e Massa


Se f(x, y) = 1, então a Integral Dupla Calcula a Área da Região Dxy .

Tal fato é decorrente de outro que será logo estabelecido: A integral dupla de uma função
integrável não-negativa calcula o volume da região compreendida entre o gráfico de tal função
e Dxy .

Exemplo

Seja Dxy = (x, y) ∈ R2 x2 + y2 ≤ r2 o cı́rculo de centro na origem e raio r (como represen-
tado na ilustração seguinte).

Y
r √
y= r2 − x 2

Dxy
−r r X

−r y = − r2 − x 2
4.1. INTEGRAIS DUPLAS 119

Então a sua área é calculada por


ZZ Z x=r Z y=√r2 −x2 !
1 dxdy = √ 1 dy dx
Dxy x=−r y=− r2 −y2
Z x=r
 y=√r2 −x2
= y y=−√r2 −x2 dx
x=−r
Z x=r p
=2 r2 − x2 dx
x=−r
Z θ=0
2
= −2r sen2 θ dθ
θ=π
2
= πr u.a..

Note que, na penúltima e última igualdades acima, usamos a mudança de variáveis

x = r cos θ ⇒ dx = −r sen θ dθ

e a integral imediata
R θ sen 2θ
sen2 θ dθ = 2
− 4
,

respectivamente.

Exercı́cio
x 3x
Calcule a área da região no Primeiro Quadrante limitada pelas retas y = x, y = 2
ey= 2
− 12 .

Se f(x, y) ≥ 0, então as Integrais Duplas Calculam o Volume da Região Limitada


pelo Gráfico de f(x, y) e pelo Plano OXY, (x, y) ∈ Dxy .
Tal propriedade é análoga aquela do Cálculo de Funções Reais de Uma Variável Real:

Se f(x) ≥ 0, então as Integrais Simples Calculam a Área da Região Limitada pelo


Gráfico de f(x) e pela Reta OX, x ∈ Dx = [a, b].2
Rb
Bom, a f(x) dx pode ser interpretada como a soma de uma infinidade de parcelas “f(x)dx”. Por
sua vez, cada uma destas parcelas representa a área do retângulo de altura f(x)
R R e base infinite-
simal “dx”. Podemos ter uma interpretação análoga para integrais duplas. Dxy
f(x, y) dxdy
representa a soma de uma infinidade de parcelas “f(x, y)dxdy”. Cada uma destas parcelas
representa o volume de uma caixa retangular de altura f(x, y) e base infinitesimal “dxdy”.

Exercı́cios
1. Obter o volume do sólido limitado pelos planos 4x + 2y + z = 10, y = 3x, z = 0 e x = 0.

2. Obter o volume do sólido limitado superiormente pela superfı́cie z = 8xy + 200 e inferi-
ormente pela região do plano OXY limitada por y = x2 e y = 8 − x2 .
2
Confira Parte II da lista de exercı́cios intitulada Fundamentos de Cálculo de Uma Variável da
Introdução destas NA.
120 CAPÍTULO 4. RESULTADOS - CÁLCULO INTEGRAL

Centro de Massa
Se µ(x, y) é a densidade superficial de massa no ponto (x, y) e D = Dxy , a massa de D é dada
por ZZ
M(D) = µ(x, y) dxdy u.m.
D

e o centro de massa
(x̄, ȳ)
de D é dado por
RR RR
D
xµ(x, y) dxdy D
yµ(x, y) dxdy
x̄ = e ȳ = .
M(D) M(D)

É importante observar:

• a adimensionalidade de tais coordenadas;

• a similaridade destas coordenadas com médias ponderadas.

Para concluir, caso µ(x, y) seja uma função constante, o centro de massa (centróide) de D é
dado por
RR
µ(x, y) D x dxdy
x̄ = RR
µ(x, y) D 1 dxdy
RR
x dxdy
= D
A(D)

e, analogamente, RR
D
y dxdy
ȳ =
A(D)
sendo A(D) o valor numérico da área da região D.

Exercı́cios
1. Obtenha o centro de massa do retângulo [0, 1] × [0, 1] se a densidade de massa é:

(a) constante;
(b) dada por µ(x, y) = ex+y .

2. Verifique que (0, 0) é o centróide do triângulo equilátero inscrito na circunferência x2 +y2 =


1 e com um dos vértices em (0, 1).

4.1.3 Mudança de Variáveis nas Integrais Duplas


Integração por Substituição
No Cálculo de Uma Função Real de Uma Variável Real, para f(x) contı́nua num domı́nio Dx ,
sendo que entre Dx e um domı́nio Du adequado existe uma bijeção x = x(u) com derivada
4.1. INTEGRAIS DUPLAS 121

contı́nua e não nula em Du , temos


Z Z
dx
f(x) dx = f(x(u)) du.3
Dx Du du

Por exemplo, se f(x) = cos x e x = u2 , então


Z π/2 Z √π/2
cos u2 2u du.

cos x dx =
0 0

No Cálculo de Uma Função Real de Duas Variáveis Reais, para f(x, y) contı́nua num domı́nio
Dxy , sendo que entre Dxy e um domı́nio Duv adequado existe uma bijeção (x, y) = (x(u, v), y(u, v))
com derivadas parciais de primeira ordem contı́nuas e Jacobiano

∂(x, y) xu xv
=
∂(u, v) yu yv
= xu yv − yu xv
6= 0

em Duv , temos
ZZ ZZ
∂(x, y)
f(x, y) dxdy = f(x(u, v), y(u, v)) dudv.
Dxy Duv ∂(u, v)

Por outro lado, pode ser mais conveniente calcular o Jacobiano via
 −1
∂(u,v) ∂(x,y)
∂(x,y)
= ∂(u,v)
.

Exemplo

V
Y y=x
u=x−y
y = −x + 2 v=x+y v=2

Dxy X u=0 Duv u=2


y=x−2
U
v=0
y = −x

Figura 4.2: Mudança de Variáveis: Integral mais Fácil!

Vamos usar uma mudança de coordenadas adequada para obter o volume da região delimitada
superiormente pelo gráfico da função z = (x − y)2 e inferiormente pelo domı́nio consistindo dos
pontos do plano OXY pertencentes ao paralelogramo de vértices (0, 0), (1, 1), (2, 0) e (1, −1).
3
Confira Parte II da lista de exercı́cios intitulada Fundamentos de Cálculo de Uma Variável da
Introdução destas NA.
122 CAPÍTULO 4. RESULTADOS - CÁLCULO INTEGRAL

Assim, pela figura 4.2, como 0 ≤ x − y ≤ 2 e 0 ≤ x + y ≤ 2, se u = x − y e v = x + y, então


0 ≤ u ≤ 2 e 0 ≤ v ≤ 2. Note agora que, por um lado, x = u+v
2
e y = v−u
2
. Daı́

∂(x, y) 1/2 1/2
=
∂(u, v) −1/2 1/2
1 1
= +
4 4
1
= .
2
Por outro lado, o inverso de

∂(u, v) 1 −1
=
∂(x, y) 1 1
=1+1
=2
também nos fornece o Jacobiano
∂(x, y) 1
= .
∂(u, v) 2
Assim, o volume é dado por
ZZ ZZ
2 1
(x − y) dxdy = u2 · dudv
Dxy Duv 2
Z 2Z 2
1
= u2 dudv
2 0 0
Z
1 2  3 u=2
= u u=0 dv
6 0
8  v=2
= v v=0
6
8
= u.v..
3

Observação
Sem qualquer dúvida, a maior utilidade da fórmula de mudança de variáveis para integrais
duplas é sua aplicação quando mudamos de coordenadas cartesianas para polares. Neste caso,
em geral, a fronteira de Dxy tem partes curvilı́neas. Ao procedermos tal mudança de variáveis,
podemos obter um novo domı́nio de integração cuja fronteira tem apenas partes retilı́neas.

Coordenadas Polares: Mudança de Dxy para Drθ


t(x, y)




r ✁ y




✁ θ
x
4.1. INTEGRAIS DUPLAS 123

Sendo r a distância de (x, y) a (0, 0) e θ o ângulo que o eixo OX faz com a reta que passa por
(0, 0) e (x, y), temos:
p
1. x = r cos θ, y = r sen θ, r = x2 + y2 e θ = arctg yx ;

∂(x,y)
cos θ −r sen θ 
2. = = r cos2 θ + sen2 θ = r;
∂(r,θ) sen θ r cos θ

RR RR
3. Dxy
f(x, y) dxdy = Drθ
f(r cos θ, r sen θ) rdrdθ .

Tal integral pode ser calculada por


Z θ=θ2 Z r=r2 (θ) !
f(r cos θ, r sen θ) rdr dθ,
θ=θ1 r=r1 (θ)

caso θ ∈ [θ1 , θ2 ] e r1 (θ) ≤ r ≤ r2 (θ), ou por


Z r=r2 Z θ=θ2 (r) !
f(r cos θ, r sen θ) dθ rdr,
r=r1 θ=θ1 (r)

caso r ∈ [r1 , r2 ] e θ1 (r) ≤ θ ≤ θ2 (r).

Exemplo

Sejam f(x, y) = 2x + 3y2 e Dxy = (x, y) ∈ R2 1 ≤ x2 + y2 ≤ 4 . (Veja figura 4.3.) Então:

Y Θ

2π 1111
0000
0000
1111
0000
1111
0000
1111
111111111111111
000000000000000 0000
1111
000000000000000
111111111111111 0000
1111
000000000000000
111111111111111 0000
1111
000000000000000
111111111111111
000000000000000
111111111111111 0000
1111
000000000000000
111111111111111 0000
1111
000000000000000
111111111111111 0000
1111
0000
1111
000000000000000 2 X
111111111111111 0000
1111
000000000000000
111111111111111
000000000000000
111111111111111 0000
1111
000000000000000
111111111111111 0000
1111
000000000000000
111111111111111 0000
1111
0000
1111
000000000000000
111111111111111 0000
1111
000000000000000
111111111111111
000000000000000
111111111111111 0000
1111
0000
1111
0000
1111
x = r cos θ, y = r sen θ

0000
1111
0000
1111
0000
1111
0000
1111
1
0000
1111 2
R

Figura 4.3: Mudança de Variáveis: De Cartesianas para Polares


f(r cos θ, r sen θ) = 2r cos θ + 3r2 sen2 θ; Drθ = (r, θ) ∈ R2 1 ≤ r ≤ 2, 0 ≤ θ ≤ 2π ;

124 CAPÍTULO 4. RESULTADOS - CÁLCULO INTEGRAL
ZZ ZZ
f(x, y) dxdy = f(r cos θ, r sen θ) rdrdθ
Dxy Drθ
Z r=2 Z θ=2π 
2 2

= 2r cos θ + 3r sen θ dθ rdr
r=1 θ=0
Z r=2   θ=2π
2 3 θ sen 2θ
= 2r sen θ + 3r − dr
r=1 2 4 θ=0
Z2
= 3πr3 dr
1
45π
=
4
Z θ=2π Z r=2 
2 2

= 2r cos θ + 3r sen θ rdr dθ,
θ=0 r=1

onde a verificação da última igualdade fica como exercı́cio.

Exercı́cios
 RR 2 2
1. Para Dxy = (x, y) ∈ R2 x2 + y2 ≤ 1 , calcule Dxy ex +y dxdy.

2. Seja Dxy a região triangular do primeiro quadrante limitada pelas retas y = x, y = 0 e


base×altura
x = 1. Usando a fórmula
RR 2
(da área de um triângulo) da Geometria Plana ou
calculando a integral Dxy dxdy apenas em coordenadas cartesianas, sem mudança de
variáveis, obtemos facilmente que a área de Dxy é dada por 12 u.a. Verifique tal resultado
fazendo a mudança de variáveis para coordenadas polares na integral dupla anterior.

3. Verifique, via integrais duplas, que o volume de uma esfera de raio r0 é dado por 43 πr30 .

4. Obtenha o volume da região limitada pela esfera x2 + y2 + z2 = 9, acima do plano z = 0


e interior ao cilindro x2 + y2 = 5.

5. Se (r, θ) representa um ponto em coordenadas polares, determine a área da região interior


a r = 3 + 2 sen θ e exterior a r = 2.

6. Se (r, θ) representa um ponto em coordenadas polares, calcule a área da região limitada


pela curva r = a sen(3θ), a > 0.

4.1.4 Outros Exercı́cios


Além dos exercı́cios que fazem parte deste manual, resolva exercı́cios sobre Integrais Duplas de
outros livros de Cálculo. Por exemplo, dos livros dados como referências no capı́tulo 1 destas
NA.
4.2. INTEGRAIS TRIPLAS 125

4.2 Integrais Triplas


4.2.1 Funções Contı́nuas f(x, y, z) sobre Regiões Dxyz do Tipo 1
Em analogia as integrais duplas, para funções u1 (x, y) e u2 (x, y) contı́nuas (veja figura 4.4) e

Z
z = u2 (x, y)

1
0
0
1 1
0
0
1

1
0
1
0
1
0
0
1

1
0 z = u1 (x, y)
0
1
1
0 1
0
0
1 0
1
1
0
0
1

1
0
0
1 Y

1
0
0
1
1
0 1
0
0
1 0
1
1
0
0
1
X Dxy

Figura 4.4: Dxyz é constı́tuido dos pontos (x, y, z) tais que (x, y) ∈ Dxy e u1 (x, y) ≤ z ≤
u2 (x, y).

o domı́nio

Dxyz = (x, y, z) ∈ R3 (x, y) ∈ Dxy , u1 (x, y) ≤ z ≤ u2 (x, y)

de f, temos que f é integrável e

ZZZ ZZ Z z=u2 (x,y) !


f(x, y, z) dxdydz = f(x, y, z) dz dxdy.
Dxyz Dxy z=u1 (x,y)

O integrando da integral dupla anterior é uma integral simples, que deve ser a primeira a ser
calculada, como no Cálculo de Uma Variável, para z variável e x e y constantes. Então, o
resultado de tal integração é uma função nas (agora) variáveis x e y. Para concluir, calcule a
integral dupla de tal função como temos feito até o presente momento.

Exemplo
RRR
Vamos calcular Dxyz
2x dxdydz tal que Dxyz é a região do Primeiro Octante abaixo do plano
2x + 3y + z = 6. Então, Dxy é a região do Primeiro Quadrante abaixo da reta y = − 23 x + 2
(veja figura 4.5) e
126 CAPÍTULO 4. RESULTADOS - CÁLCULO INTEGRAL

z = 6 − 2x − 3y

2
Y

3 y = − 32 x + 2
2
X

X
3


Figura
 4.5: Dxyz = (x, y, z) (x, y) ∈ Dxy , 0 ≤ z ≤ 6 − 2x − 3y com Dxy =
(x, y) 0 ≤ x ≤ 3, 0 ≤ y ≤ − 32 x + 2 .

ZZZ ZZ Z z=6−2x−3y 
2x dxdydz = 2x dz dxdy
Dxyz Dxy z=0
ZZ
 z=6−2x−3y
= 2xz z=0 dxdy
Dxy
Z x=3 Z y=− 2 x+2 !
3
= 2x(6 − 2x − 3y) dy dx
x=0 y=0
Z x=3
y=− 2 x+2
12xy − 4x2 y − 3xy2 y=0 3 dx

=
x=0
Z x=3  
4 3 2
= x − 8x + 12x dx
x=0 3
 4 x=3
x 8x3 2
= − + 6x
3 3 x=0
= 27 − 72 + 54
= 9.

4.2.2 Regiões dos Tipos 2 e 3


Em analogia a Região do Tipo 1, temos ainda as Regiões dos seguintes Tipos:
Tipo 2: Sendo v1 (y, z) e v2 (y, z) contı́nuas e

Dxyz = (x, y, z) ∈ R3 (y, z) ∈ Dyz , v1 (y, z) ≤ x ≤ v2 (y, z) ,

f é integrável e
ZZZ ZZ Z x=v2 (y,z) !
f(x, y, z) dxdydz = f(x, y, z) dx dydz.
Dxyz Dyz x=v1 (y,z)
4.2. INTEGRAIS TRIPLAS 127

Tipo 3: Sendo w1 (x, z) e w2 (x, z) contı́nuas e



Dxyz = (x, y, z) ∈ R3 (x, z) ∈ Dxz , w1 (x, z) ≤ y ≤ w2 (x, z) ,

f é integrável e
ZZZ ZZ Z y=w2 (x,z) !
f(x, y, z) dxdydz = f(x, y, z) dy dxdz.
Dxyz Dxz y=w1 (x,z)

Exercı́cio
Sendo Dxyz limitada por y = 2x2 + 2z2 e o plano y = 8, calcule
ZZZ p
3x2 + 3z2 dxdydz.
Dxyz

Observação
Se Dxyz = [a, b] × [c, d] × [m, n] então
ZZZ Z x=b Z y=d Z z=n  
f(x, y, z) dxdydz = f(x, y, z) dz dy dx
Dxyz x=a y=c z=m

ou pode ser calculada em qualquer outra ordem.

Exercı́cio
RRR
Para Dxyz = [2, 3] × [1, 2] × [0, 1], calcule Dxyz
8xyz dxdydz

Observação
RRR
Se f(x, y, z) = 1, então Dxyz
f(x, y, z) dxdydz calcula o volume da região Dxyz .

Exercı́cios
1. Via integrais triplas, obter o volume do sólido limitado pelos planos 4x + 2y + z = 10,
y = 3x, z = 0 e x = 0.
2. Via integrais triplas, determinar o volume de uma cunha cortada do cilindro x2 + y2 = 1
pelos planos z = −y e z = 0.

4.2.3 Mudança de Variáveis nas Integrais Triplas


Integração por Substituição
Para uma função f(x, y, z) contı́nua num domı́nio Dxyz , sendo que entre Dxyz e um domı́nio Duvw
existe uma correspondência biunı́voca dada por x = x(u, v, w), y = y(u, v, w) e z = z(u, v, w),
com derivadas parciais de primeira ordem contı́nuas e Jacobiano

xu xv xw
∂(x, y, z)
= yu yv yw 6= 0
∂(u, v, w)
zu zv zw
em Duvw , temos
ZZZ ZZZ
∂(x, y, z)
f(x, y, z) dxdydz = f(x(u, v, w), y(u, v, w), z(u, v, w)) dudvdw.
Dxyz Duvw ∂(u, v, w)
128 CAPÍTULO 4. RESULTADOS - CÁLCULO INTEGRAL

Mudança para Coordenads Cilı́dricas/Esféricas: De Dxyz para Drθz /Dρφθ

Z Z

ρ
Y Y
r θ r
θ

X X

Figura 4.6: Coordenadas Cilı́ndricas e Esféricas.

Cilı́ndricas
De x = r cos θ, y = r sen θ e z = z temos

cos θ −r sen θ 0
∂(x, y, z)
= sen θ r cos θ 0 = r
∂(r, θ, z)
0 0 1
e ZZZ ZZZ
f(x, y, z) dxdydz = f(r cos θ, r sen θ, z) rdrdθdz.
Dxyz Drθz

Exercı́cios
Via integrais triplas:
πR2 h
1. Verifique que o volume do cone circular reto de raio R e altura h é 3
;

2. Calcule o volume do parabolóide z = a(x2 + y2 ) de altura h;

3. Obtenha o volume da calota esférica que representa a interseção da esfera x2 +y2 +z2 ≤ R2
com o semi-espaço z ≥ a, 0 < a < R.

Esféricas
De x = ρ sen φ cos θ, y = ρ sen φ sen θ e z = ρ cos φ, onde ρ ≥ 0, φ ∈ [0, π] e θ ∈ [0, 2π], temos

sen φ cos θ ρ cos φ cos θ −ρ sen φ sen θ
∂(x, y, z)
= sen φ sen θ ρ cos φ sen θ ρ sen φ cos θ = ρ2 sen φ

∂(ρ, φ, θ)
cos φ −ρ sen φ 0

e
ZZZ ZZZ
f(x, y, z) dxdydz = f(ρ sen φ cos θ, ρ sen φ sen θ, ρ cos φ) ρ2 sen φ dρdφdθ.
Dxyz Dρφθ
4.2. INTEGRAIS TRIPLAS 129

Exemplo
2 2 2
O volume do elipsóide ax2 + yb2 + cz2 ≤ 1 é dado por 4πabc
3
u.v.. De fato, se os pontos (x, y, z) de
x2 y2 z2
Dxyz satisfazem a equação a2 + b2 + c2 ≤ 1, a mudança de variáveis

x = au, y = bv e z = cw

acarreta um outro domı́nio Duvw dos pontos (u, v, w) que satisfazem a equação u2 +v2 +w2 ≤ 1.
∂(x,y,z)
(Tal mudança transforma o elipsóide numa esfera de raio unitário.) Daı́ ∂(u,v,w) = abc e
ZZZ
volume = dxdydz
Dxyz
ZZZ
= abc dudvdw.
Duvw

Assim, para pontos (ρ, φ, θ) de Dρφθ tais que ρ2 ≤ 1, φ ∈ [0, π] e θ ∈ [0, 2π], temos
ZZZ
volume = abc ρ2 sen φ dρdφdθ
Dρφθ
Z1 Zπ Z 2π
2
= abc ρ dρ sen φ dφ dθ
0 0 0
1
= abc · · 2 · 2π
3
4πabc
= u.v..
3

Exercı́cios
1. Calcule o volume do sólido limitado inferiormente pelo plano OXY, lateralmente pela
esfera ρ = 2 e superiormente pelo cone φ = π3 .
π
2. Obter o volume do sólido limitado inferiormente pelo cone φ ≤ 4
e superiormente pela
esfera ρ ≤ 2R cos φ.
3. Via coordenadas esféricas, obter o volume do sólido limitado superiormente pela esfera
x2 + y2 + z2 ≤ R2 e inferiormente pelo cone z2 = m2 (x2 + y2 ), z ≥ 0.

Centro de Massa
Analogamente ao caso da massa superficial, caso µ(x, y, z) seja a densidade de massa no ponto
(x, y, z) e D = Dxyz , a massa de D é dada por
ZZZ
M(D) = µ(x, y, z) dxdydz u.m.
D

e, para x1 = x, x2 = y e x3 = z, a i-ésima coordenada do centro de massa de D é dada por


RRR
x µ(x, y, z) dxdydz
D i
xi =
M(D)
para i = 1, 2, 3.
Aqui também é importante observar:
130 CAPÍTULO 4. RESULTADOS - CÁLCULO INTEGRAL

• a adimensionalidade de tais coordenadas;

• a similaridade destas coordenadas com médias ponderadas;

• o centróide de D, caso µ(x, y, z) seja uma função constante, podendo ser calculado apenas
por RRR
x dxdydz
D i
xi = ,
V(D)
para i = 1, 2, 3, onde V(D) é o valor numérico do volume da região D.

Exercı́cio
Analogamente ao exercı́cio da seção sobre massa superficial, obtenha o centro de massa do cubo
[0, 1] × [0, 1] × [0, 1] se a densidade de massa é:

1. constante;

2. dada por µ(x, y, z) = ex+y+z .

4.2.4 Outros Exercı́cios


Além dos nossos, resolva também exercı́cios sobre Integrais Triplas em outros livros de Cálculo.4

4
Por exemplo, nos livros dados como referências no Capı́tulo 1.
4.3. FORMULÁRIO - CÁLCULO INTEGRAL - INTEGRAIS DUPLAS 131

4.3 Formulário - Cálculo Integral - Integrais Duplas



2

1. Sendo g1 (x) e g2 (x) contı́nuas, D xy = (x, y) ∈ R a ≤ x ≤ b, g 1 (x) ≤ y ≤ g 2 (x) , temos
RR Rx=b Ry=g2 (x) 
Dxy
f(x, y) dxdy = x=a y=g1 (x) f(x, y) dy dx.

2. Sendo h1 (y) e h2 (y) contı́nuas,Dxy = (x, y) ∈ R2 h1 (y) ≤ x ≤ h2 (y), c ≤ y ≤ d , te-
RR Ry=d Rx=h (y)
mos Dxy f(x, y) dxdy = y=c x=h12(y) f(x, y) dx dy.

3. Para f(x, y) contı́nua num domı́nio Dxy , sendo que entre Dxy e um domı́nio Duv existe uma
correspondência biunı́voca dada por x = x(u, v) e y = y(u, v), com derivadas parciais de
primeira ordem contı́nuas e Jacobiano

∂(x, y)
= xu yv − yu xv 6= 0
∂(u, v)

em Duv , temos
ZZ ZZ
∂(x, y)
f(x, y) dxdy = f(x(u, v), y(u, v)) dudv.
Dxy Duv ∂(u, v)
 −1
∂(u,v) ∂(x,y)
Pode ser mais conveniente obter o Jacobiano via ∂(x,y)
= ∂(u,v)
.
RR RR
4. Do ı́tem anterior, Dxy
f(x, y) dxdy = Drθ
f(r cos θ, r sen θ) rdrdθ.

5. Se f(x, y) = 1 nas fórmulas acima, as integrais calculam a área de Dxy .

6. Se f(x, y) ≥ 0 nas fórmulas acima, as integrais calculam o volume da região do espaço


limitada pelo gráfico de f(x, y) e o plano OXY, para (x, y) ∈ Dxy .

7. Sendo µ(x, y) a densidade superficial


RR no ponto (x, y) e D ⊂ R2 , temos que a massa
de D é dada
RR por M(D) = D RR o centro de massa (x̄, ȳ) de D é dado
µ(x, y) dxdy,
por x̄ = D
xµ(x, y) dxdy/M(D) e ȳ = D
yµ(x, y) dxdy/M(D),
RR e, sendo µ(x, y)
constante, o centro de massa (centróide) de D é dado por x̄ = D x dxdy/A(D) e ȳ =
RR
D
y dxdy/A(D), sendo A(D) a área da região D.
132 CAPÍTULO 4. RESULTADOS - CÁLCULO INTEGRAL

4.4 Formulário - Cálculo Integral - Integrais Triplas


1. Para funções contı́nuas definidas em domı́nios Dxyz adequados, a integral
ZZZ
f(x, y, z) dxdydz
Dxyz

é igual a alguma das seguintes integrais:


ZZ Z z=u2 (x,y) !
f(x, y, z) dz dxdy;
Dxy z=u1 (x,y)

ZZ Z x=v2 (y,z) !
f(x, y, z) dx dydz;
Dyz x=v1 (y,z)

ZZ Z y=w2 (x,z) !
f(x, y, z) dy dxdz;
Dxz y=w1 (x,z)
ZZZ
f(r cos θ, r sen θ, z) rdrdθdz;
Drθz
ZZZ
f(ρ sen φ cos θ, ρ sen φ sen θ, ρ cos φ)ρ2 sen φ dρdφdθ.
Dρφθ

2. Se f(x, y, z) = 1 a integral acima calcula o volume da região Dxyz .


4.5. EXERCÍCIOS - CÁLCULO INTEGRAL 133

4.5 Exercı́cios - Cálculo Integral


1. Calcule a integral dupla de f(x, y) = e−x−y sobre a região Dxy do primeiro quadrante na
qual x + y ≤ 1.

Resolução:
Dxy é limitada pelo triângulo retângulo de base e altura unitárias, cujos vértices são os
pontos de interseção das retas x = 0, y = 0 e x + y = 1, como representada a seguir.

Y
1

x=0 x+y=1
Dxy
X
O y=0 1

Pela simetria tanto de Dxy quanto de f(x, y), em tendo resolução analı́tica, podemos
calcular a integral considerando Dxy como sendo do tipo 1 ou do tipo 2. Tanto faz! A
integral daı́ é dada por
ZZ Z x=1 Z y=1−x 
−x−y −x −y
e dydx = e e dy dx
Dxy x=0 y=0
Z x=1
y=1−x
= e−x [−e−y ]y=0 dx
x=0
Z x=1
e−x 1 − e−(1−x) dx
 
=
x=0
Z x=1
e−x − e−1 dx

=
x=0
= 1 − 2e−1 .
x
2. Calcule a área da região no Primeiro Quadrante delimitada pelas retas y = x, y = 2
e
y = 3x
2
− 12 .

Resolução:

Y
1

y=x 3x−1
y= 2

1
4
x
y= 2
X
O 1 1
2
134 CAPÍTULO 4. RESULTADOS - CÁLCULO INTEGRAL

Na ilustração anterior, vemos que a representação geométrica da região Dxy é um triângulo.


Agora, por um lado,

   
1 x 1 3x − 1
(x, y) ∈ Dxy ⇔ x ∈ 0, , ≤ y ≤ x ou x ∈ ,1 , ≤ y ≤ x.
2 2 2 2

Por outro lado, a área pode ser calculada pela integral dupla

ZZ Z x=1/2 Z y=x  Z x=1 Z y=x 


1 dxdy = 1 dy dx + 1 dy dx
Dxy x=0 y=x/2 x=1/2 y=(3x−1)/2
Z x=1/2  Z x=1  
x x 1
= x− dx + − + dx
x=0 2 x=1/2 2 2
x=1/2  2 x=1
x2 x2

x x
= − + − +
2 4 x=0 4 2 x=1/2
1 1 1 1 1 1
= − − + + −
8 16 4 2 16 4
1
= u.a..
8


De fato, tal área é igual a metade do produto da base (= 2 u.c.) pela altura (= 1/4
√ u.c.),
2
1 1

esta última calculada pela distância do ponto (x0 , y0 ) = 2 , 4 a reta ax + by + c = 0
com a = 1, b = −1 e c = 0 por

1
|ax0 + by0 + c| 1 · − 1 · 1 + 0
√ = p2 4
2
a +b 2 1 + (−1)2
2
1 1

= 2√ 4
2
1
4
= √ u.c.
2

3. Obtenha o volume do sólido limitado superiormente pela superfı́cie z = 8xy + 200 e in-
feriormente pela região Dxy do plano OXY limitada por y = x2 e y = 8 − x2 . Verifique
primeiramente que z ≥ 0 em Dxy .

Resolução:
Para começar, considere a seguinte representação geométrica de Dxy :
4.5. EXERCÍCIOS - CÁLCULO INTEGRAL 135

Y
8

y = 8 − x2
4
y = x2

X
−2 −1 0 1 2


Como região do tipo 1, temos Dxy = (x, y) − 2 ≤ x ≤ 2, x2 ≤ y ≤ 8 − x2 . De fato,
para obter os limites da variação de x, considere x2 = 8 − x2 . Logo x = ±2. Vamos
verificar agora que z ≥ 0 em Dxy .5 De fato, para pontos pertencentes a região Dxy , temos
que

−2 ≤ x ≤ 2, x2 ≤ y ≤ 8 − x2 ⇒ −2 · x2 ≤ x · y ≤ 2 · 8 − x2


⇒ −2x2 ≤ xy ≤ 16 − 2x2
⇒ 8 · −2x2 ≤ 8 · xy ≤ 8 · 16 − 2x2
 

⇒ −16x2 ≤ 8xy ≤ 128 − 16x2


⇒ −16x2 + 200 ≤ 8xy + 200 ≤ 128 − 16x2 + 200
⇒ 200 − 16x2 ≤ z ≤ 328 − 16x2 .

Então z ≥ 0 para |x| ≤ 2 pois, neste caso,

x2 ≤ 4 =⇒ −16x2 ≥ −64
=⇒ 200 − 16x2 ≥ 0.

5
RR
Condição para que Dxy
z dxdy seja o volume procurado!
136 CAPÍTULO 4. RESULTADOS - CÁLCULO INTEGRAL

Para concluir, o volume é dado por

ZZ Z x=2 Z y=8−x2 !
8xy + 200 dxdy = 8xy + 200 dy dx
Dxy x=−2 y=x2
Z x=2
y=8−x2
xy2 + 50y y=x2 dx

=4
x=−2
Z x=2
64x − 16x3 + x5 + 400 − 50x2 − x5 − 50x2 dx

=4
x=−2
x=2
100x3

2 4
= 4 32x − 4x + 400x −
3 x=−2
 
100 · 8 100 · (−8)
= 4 400 · 2 − − 400 · (−2) +
3 3
 
1600
= 4 1600 −
3
8
= 1600 · u.v..
3

4. Determine o centro de massa do retângulo D = [0, 1] × [0, 1] se a densidade de massa é:

(a) constante em D;
(b) µ(x, y) = ex+y em cada ponto (x, y) ∈ D.

Resolução:
(a) Primeiramente calculamos o denominador de x̄ e ȳ, que (nesse caso) é simplesmente
o valor numérico da área de D. Assim A(D) = 1 u.m.. Segue daı́ que:
RR
x dxdy
D
x̄ =
A(D)
Z 1Z 1
= x dxdy
0 0
1
= ;
2

RR
D
y dydx
ȳ =
A(D)
Z 1Z 1
= y dydx
0 0
1
= .
2

Na ilustração que segue, temos uma representação geométrica do centróide do quadrado.


Este coincide com o centro geométrico do quadrado.
4.5. EXERCÍCIOS - CÁLCULO INTEGRAL 137

Y
1

(x̄, ȳ)
X
0 1

(b) Primeiramente calculamos a massa total, isto é, o denominador de x̄ e ȳ:


ZZ
M(D) = ex+y dxdy
D
Z 1Z 1
= ex+y dydx
0 0
Z1
= ex [ey ]10 dx
0
Z1
= (e − 1) ex dx
0
= (e − 1)2 u.m..

Por outro lado, o numerador de x̄ é dado por


ZZ Z 1Z 1
x+y
xe dydx = xex+y dydx
D 0 0
Z1
= (e − 1) xex dx,
0

que, via integração por partes,6 resulta em


1 Z 1 !
(e − 1) xex − ex dx = (e − 1)(e − e + 1)

0 0

= e − 1 u.m..

Daı́
1
x̄ = ≈ 0, 582
e−1
e, trocando-se os papéis de x e y acima, temos que ȳ ≈ 0, 582.
Na ilustração que segue, temos uma representação geométrica do centro de massa do qua-
drado. Este tem um pequeno deslocamento em relação ao centro geométrico do quadrado.

Y
1
(x̄, ȳ)

X
0 1
6
Como possivelmente
R visto na Parte
R II da lista Fundamentos de Cálculo de Uma Variável da In-
trodução destas NA, udv = uv − vdu. Aqui, u = x e dv = ex dx, isto é, du = dx e v = ex .
138 CAPÍTULO 4. RESULTADOS - CÁLCULO INTEGRAL

5. Verifique que (0, 0) é o centróide do triângulo equilátero inscrito na circunferência unitária


e com um dos vértices em (0, 1).

Resolução:
Primeiramente vamos determinar as retas y = ax + b que interceptam a circunferência
nos vértices do triângulo equilátero. (Para uma representação geométrica destas retas,
bem como da circunferência x2 + y2 = 1, veja a ilustração seguinte.)

√ √
y = − 3x + 1 Y y= 3x + 1

X
O
y = − 21

Para as retas que passam por (0, 1), 1 = a · 0 + b acarreta b = 1. Daı́ tais retas são da
forma y = ax + 1, faltando
√ determinar as inclinações a 6= 0. Para a reta com
√ a > 0,
temos que a = tan π3 = 3. Para a reta com a < 0, temos que a = tan 2π = − 3. Então
√ 3
obtemos y = ± 3x + 1 para as duas retas com a 6= 0. Por outro lado, estas duas retas
 √ 2
interceptam x2 + y2 = 1 nos outros dois vértices. Então x2 + ± 3x + 1 = 1, isto
√ √
é, 4x2 ± 2 3x = 0. Logo x = ± 23 . Assim y = −1/2 é a reta com a = 0. Agora, os
denominadores de x̄ e ȳ são diferentes de zero pois

base · altura
A(D) =
√ 32
3· 2
=
√2
3 3
=
4
6= 0.

Para concluir, considere


y−1 y−1
D = (x, y) √ ≤ x ≤ − √ , −1/2 ≤ y ≤ 1 .

3 3

(Note que optamos aqui pela integração sobre uma região do tipo 2!)
4.5. EXERCÍCIOS - CÁLCULO INTEGRAL 139

Para tal região, obtemos as seguintes coordenadas do centróide:

RR
x dxdy
D
x̄ =
A(D)
Ry=1 Rx=−(y−1)/√3 
y=−1/2

x=(y−1)/ 3
x dx dy
=
A(D)
R
1 y=1
 
6 y=−1/2
(−(y − 1))2 − (y − 1)2 dy
=
A(D)
Ry=1
y=−1/2
0 dy
=
6A(D)
0
=
6A(D)
= 0;

RR
D
y dxdy
ȳ =
A(D)
Ry=1 R √ 
x=−(y−1)/ 3
y=−1/2
y √
x=(y−1)/ 3
dx dy
=
A(D)
Ry=1
− √23 y=−1/2
y(y − 1) dy
=
A(D)
2 y=1
h i
y3
2− y2 3
y=−1/2
=− √
3A(D)
2 3 − 12 + 241 + 81
1

=− √
3A(D)
2·0
= −√
3A(D)
= 0.

Concluı́mos assim que o centróide do triângulo equilátero está onde deveria, isto é, no
centro geométrico do mesmo.

6. Calcule a integral dupla da função f(x, y) = (x + y)2 sen2 (x − y) sobre o domı́nio de todos
os pontos (x, y) do plano tais que |x| + |y| ≤ π.

Resolução:
Da inequação modular temos x + y ≤ π, −x − y ≤ π (isto é, −π ≤ x + y), x − y ≤ π
e −x + y ≤ π (isto é, −π ≤ x − y). Daı́, via a mudança linear de variáveis u = x + y e
v = x − y, temos −π ≤ u ≤ π e −π ≤ v ≤ π. (Veja ilustração abaixo.)
140 CAPÍTULO 4. RESULTADOS - CÁLCULO INTEGRAL


u = x + y,
Y v=x−y V
v=π

−x + y = π x+y=π
u = −π u=π
Dxy X Duv U

−x − y = π x−y=π

v = −π

∂(x,y) 1 1
Daı́, como ∂(u,v)
= ∂(u,v) = 1·(−1)−1·1
= − 21 , segue que
∂(x,y)

ZZ ZZ
2 2 1
(x + y) sen (x − y) dxdy = u2 sen2 v dudv
Dxy 2 Duv
Z π Z π 
1
= u du sen2 v dv
2
2 −π −π
Z
1 π 3 u=π
= [u ]u=−π sen2 v dv
6 −π
v=π
π3

sen 2v
= v−
6 2 v=−π
π4
= ,
3

1−cos 2v
onde usamos que sen2 v = 2
na penúltima igualdade.

 RR 2 2
7. Para Dxy = (x, y) ∈ R2 x2 + y2 ≤ 1 , calcule Dxy ex +y dxdy.

Resolução:
Segue uma representação gráfica de Dxy , o cı́rculo de raio unitário e centro na origem.

Y
1

Dxy X
−1 1

−1
4.5. EXERCÍCIOS - CÁLCULO INTEGRAL 141

Temos que Drθ = (r, θ) ∈ R2 0 ≤ r ≤ 1, 0 ≤ θ ≤ 2π e

ZZ ZZ
x2 +y2 2
e dxdy = er rdrdθ
Dxy Drθ
Z θ=2π Z r=1 
r2
= e rdr dθ
θ=0 r=0
Z r=1
2
=π er 2rdr
r=0
Z u=1
=π eu du
u=0
 u=1
= π eu u=0
= π(e − 1),

onde usamos u = r2 , du = 2rdr na quarta igualdade (de cima para baixo).

8. Seja Dxy a região triangular do primeiro quadrante limitada pelas retas y = x, y = 0 e


x = 1 (veja figura 4.7). Usando a fórmula base×altura
2
(da área de um triângulo) da Geome-

θ= π
4 1
r = cos θ

r
θ

X
θ=0

r=0

Figura 4.7: Dxy é a região triangular limitada pelas retas y = x, y = 0 e x = 1

RR
tria Plana ou calculando a integral Dxy dxdy apenas em coordenadas cartesianas, sem
mudança de variáveis, obtemos facilmente que a área de Dxy é dada por 12 u.a.. Verifique
tal resultado fazendo a mudança de variáveis para coordenadas polares na integral dupla
anterior.

Resolução:
142 CAPÍTULO 4. RESULTADOS - CÁLCULO INTEGRAL

1
Como x = 1 e x = r cos θ, temos r = cos θ
. Daı́
ZZ ZZ
dxdy = rdrdθ
Dxy Drθ
Z θ= π Z r= 1
!
4 cos θ
= rdr dθ
θ=0 r=0
Z θ= π  r= cos1 θ
4 r2
= dθ
θ=0 2 r=0
Z θ= π
1 4
= sec2 θ dθ
2 θ=0
1 θ= π
= tan θ θ=04
2
1
= .
2

9. Verifique, via integrais duplas, que o volume de uma esfera de raio r0 é dado por 43 πr30 .

Resolução:
Note que a calota superior da esfera x2 + y2 + z2 = r20 é o gráfico da função z = f(x, y) =
p
r20 − (x2 + y2 ), cujo domı́nio é o cı́rculo de raio r0 e centro na origem do plano OXY,
que, em coordenadas polares, é dado por 0 ≤ θ ≤ 2π e 0 ≤ r ≤ r0 . Daı́, o volume é dado
por
ZZ q ZZ q
2
2 r0 − (x2 + y2 ) dxdy = 2 r20 − r2 rdrdθ
Dxy Drθ
Z θ=2π Z r=r0 q 
2 2
=2 r0 − r rdr dθ
θ=0 r=0
Z r=r0 q
= 2π r20 − r2 2rdr
r=0
Z r=0
!
= 2π − u1/2 du
r=r20
 
2
= 2π · (r20 )3/2
3
4πr30
= u.v..
3
(Na quarta igualdade anterior, de cima para baixo, usamos a mudança de variáveis u =
r20 − r2 , du = −2rdr.)

10. Obtenha o volume da região limitada pela esfera x2 + y2 + z2 = 9, acima do plano z = 0


e interior ao cilindro x2 + y2 = 5. (Veja figura 4.8 para uma representação de tal região.)

Resolução:


Sendo Dxy = (x, y) x2 + y2 ≤ 5 e Drθ = (r, θ) 0 ≤ r ≤ 5, 0 ≤ θ ≤ 2π , o volume
4.5. EXERCÍCIOS - CÁLCULO INTEGRAL 143

−3 √
− 5
−3 √ √ Y
− 5 5 3


5



Figura 4.8: Dxy = (x, y) x2 + y2 ≤ 5 e Drθ = (r, θ) 0 ≤ r ≤ 5, 0 ≤ θ ≤ 2π .

é dado por
ZZ p ZZ p
2 2
9 − x − y dxdy = 9 − r2 rdrdθ
Dxy Drθ
Z θ=2π Z r=√5 p !
= 9 − r2 rdr dθ
θ=0 r=0
Z r=√5 p
=π 9 − r2 2rdr
r=0
Z t=4
= −π t1/2 dt
t=9
38π
= u.v..
3
(Na quarta igualdade anterior, de cima para baixo, usamos a mudança de variáveis t =
9 − r2 , dt = −2rdr.)

11. Se (r, θ) representa um ponto em coordenadas polares, determine a área da região interior
a r = 3 + 2 sen θ e exterior a r = 2.

Resolução:
Primeiramente, considere a figura 4.9. Nesta, é representada a região Dxy (em coordena-
das cartesianas) limitada pelas curvas r = 2 e r = 3 + 2 sen θ (em coordenadas polares),
acima da primeira e abaixo da segunda. Vejamos como tal representação pode ser ob-
tida. Bom, por um lado, a interseção entre as curvas ocorre para 3 + 2 sen θ = 2, isto é,
sen θ = − 12 . Daı́, a interseção ocorre nas semiretas θ = − π6 e θ = 7π
6
. Por outro lado, se θ
cresce de − 6 a 0, então sen θ cresce de − 2 a 0, que implica que r cresce de 3 + 2 − 12 = 2
π 1

a 3 + 2 · 0 = 3. Agora, se θ cresce de 0 a π6 , então sen θ cresce de 0 a 12 , que implica que


144 CAPÍTULO 4. RESULTADOS - CÁLCULO INTEGRAL

0
-5 -4 -3 -2 -1 0 1 2 3 4 5
-1

-2

-3

-4

-5

Figura 4.9: Dxy é a região interior a cardióide r = 3 + 2 sen θ e exterior a circunferência r = 2.


r cresce de 3 a 3 + 2 · 12 = 4. Ainda, se√ θ cresce de π6 a π4 , então sen θ cresce de 12 a 22 ,

que implica que√r cresce de 4 a 3 + 2 · 22 = 3 + 2. Por fim, se θ cresce de π4 a π2 , então

sen θ cresce de 22 a 1, que implica que r cresce de 3 + 2 a 3 + 2 · 1 = 5. Obtemos daı́
a curva da figura 4.9 nos Quarto e Primeiro Quadrantes. Por simetria, obtemos a curva
nos Segundo e Terceiro Quadrantes. Assim, a área é dada (em u.a.) por
ZZ ZZ
1 dxdy = 1 rdrdθ
Dxy Drθ
Z θ=7π/6 Z r=3+2 sen θ 
= rdr dθ
θ=−π/6 r=2
Z θ=7π/6  2 r=3+2 sen θ

r
= dθ
θ=−π/6 2 r=2
Z θ=7π/6  
5 2
= + 6 sen θ + 2 sen θ dθ
θ=−π/6 2
 θ=7π/6
7θ sen 2θ
= − 6 cos θ −
2 2 θ=−π/6

14π 11 3
= + .
3 2

12. Se (r, θ) representa um ponto em coordenadas polares, calcule a área da região limitada
pela curva r = a sen(3θ), a > 0.

Resolução:
A figura 4.10 ilustra a região Dxy (em coordenadas cartesianas) interior a curva r =
a sen(3θ) (em coordenadas polares) para a = 1. Vejamos como tal curva pode ser obtida,
pétala por pétala, e como podemos calcular a área requerida.

Primeira Pétala

Note que, quando 3θ cresce de 0 a π/2, isto é, θ cresce de 0 a π/6, temos que r cresce de
0 a a; quando 3θ cresce de π/2 a π, isto é, θ cresce de π/6 a π/3, temos que r decresce
4.5. EXERCÍCIOS - CÁLCULO INTEGRAL 145

0.8

0.6

0.4

0.2

0
-1 -0.8 -0.6 -0.4 -0.2 0 0.2 0.4 0.6 0.8 1
-0.2

-0.4

-0.6

-0.8

-1

Figura 4.10: Rosácea de Três Folhas com a = 1.

de a a 0. Assim, no gráfico da figura 4.10, o contorno da primeira pétala começa em


(θ = 0, r = 0), tem a sua metade em (θ = π/6, r = a), e termina em (θ = π/3, r = 0).
Agora, quando 3θ cresce de π a 2π, isto é, θ cresce de π/3 a 2π/3, temos que r ≤ 0, isto
é, r = 0. Assim, no gráfico da figura 4.10, para θ ∈ [π/3, 2π/3] temos o contorno em
(θ, r = 0).

Segunda Pétala

Repetindo o raciocı́nio anterior, quando 3θ cresce de 2π a 2π + π/2 = 5π/2, isto é, θ


cresce de 2π/3 a 5π/6, temos que r cresce de 0 a a; quando 3θ cresce de 5π/2 a 3π, isto
é, θ cresce de 5π/6 a π, temos que r decresce de a a 0. Assim, no gráfico da figura 4.10,
o contorno da segunda pétala começa em (θ = 2π/3, r = 0), tem a sua metade em
(θ = 5π/6, r = a), e termina em (θ = π, r = 0). Agora, quando 3θ cresce de 3π a 4π, isto
é, θ cresce de π a 4π/3, temos que r ≤ 0, isto é, r = 0. Assim, no gráfico da figura 4.10,
para θ ∈ [π, 4π/3] temos o contorno em (θ, r = 0).

Terceira Pétala

Para concluir o gráfico, note que quando 3θ cresce de 4π a 4π + π/2 = 9π/2, isto é, θ
cresce de 4π/3 a 3π/2, temos que r cresce de 0 a a; quando 3θ cresce de 9π/2 a 5π,
isto é, θ cresce de 3π/2 a 5π/3, temos que r decresce de a a 0. Assim, no gráfico da
figura 4.10, o contorno da terceira pétala começa em (θ = 4π/3, r = 0), tem a sua metade
em (θ = 3π/2, r = a), e termina em (θ = 5π/3, r = 0). Agora, quando 3θ cresce de 5π a
6π, isto é, θ cresce de 5π/3 a 2π, temos que r ≤ 0, isto é, r = 0. Então, no gráfico dado,
para θ ∈ [5π/3, 2π] temos o contorno em (θ, r = 0).

Cálculo da Área

Sendo Dxy a metade da pétala do primeiro quadrante, a área total das três petálas é dada
146 CAPÍTULO 4. RESULTADOS - CÁLCULO INTEGRAL

por
ZZ ZZ
6 1 dxdy = 6 1 rdrdθ
Dxy Drθ
Z θ=π/6 Z r=a sen(3θ)
=6 rdrdθ
θ=0 r=0
Z θ=π/6
2
= 3a sen2 (3θ) dθ
θ=0
du = 3dθ} Z u=π/2
|u = 3θ, {z
= a2 sen2 u du
u=0
Z
a2 u=π/2
= (1 − cos 2u) du
2 u=0
u=π/2
a2

sen 2u
= u−
2 2 u=0
2

= u.a..
4

13. Via integrais duplas ou triplas, obtenha o volume do sólido delimitado pelos planos
4x + 2y + z = 10, y = 3x, z = 0 e x = 0.

Resolução via Integrais Duplas:


Na figura seguinte, temos uma representação geométrica da região piramidal delimitada
por tais planos, bem como de sua “planta baixa” triangular, isto é, Dxy .

Z
10

y = 3x 4x + 2y + z = 10

3 Y
5 y = −2x + 5
1
X
3
y = 3x
X
1

Note que Dxy = {(x, y) | 0 ≤ x ≤ 1, 3x ≤ y ≤ −2x + 5}. O volume é então calculado, em


4.5. EXERCÍCIOS - CÁLCULO INTEGRAL 147

u.v., por
ZZ Z x=1 Z y=−2x+5 
(10 − 4x − 2y) dxdy = (10 − 4x − 2y) dy dx
Dxy x=0 y=3x
Z x=1
y=−2x+5
10y − 4xy − y2

= y=3x
dx
x=0
Z x=1
25 − 50x + 25x2 dx

=
x=0
x=1
x3

2
= 25 x − x +
3 x=0
1
= 25 ·
3
25
=
3  
1 5×1
= × × 10 ,
3 2

coincidindo portanto com a fórmula do volume de uma pirâmide, isto é,

Um Terço do Produto da Área da Base pela Altura da Pirâmide .

Resolução via Integrais Triplas: Na figura anterior, denote a região piramidal


por Dxyz . O volume é então calculado, em u.v., por
ZZZ ZZ Z z=10−4x−2y 
1 dzdxdy = 1 dz dxdy
Dxyz Dxy z=0
ZZ
= (10 − 4x − 2y) dxdy
Dxy

= ···
25
= u.v.,
3

onde as reticências anteriores representam o cálculo que acabamos de realizar na Resolução


via Integrais Duplas.

14. Sendo Dxyz limitada por y = 2x2 + 2z2 e pelo plano y = 8, calcule
ZZZ p
3x2 + 3z2 dxdydz.
Dxyz

Resolução:
Como w1 (x, z) = 2x2 + 2z2 e w2 (x, z) = 8 (veja figura 4.11), podemos considerar a
interseção dada por 2x2 + 2z2 = 8 para obter Dxz como sendo o cı́rculo no plano OXZ
148 CAPÍTULO 4. RESULTADOS - CÁLCULO INTEGRAL

12

10

6
y 4

0
6
4
6
2 4
0 2
z -2 0
-4 -2 x
-4
-6 -6

Figura 4.11: Dxyz : 2x2 + 2z2 ≤ y ≤ 8, (x, z) ∈ Dxz ; Dxz : x2 + z2 ≤ 4.

com centro na origem e raio 2. Temos assim que


ZZZ p ZZ Z y=8 p 
3x2 + 3z2 dxdydz = 3x2 + 3z2 dy dxdz
Dxyz Dxz y=2x2 +2z2
ZZhp iy=8
= 2 2
3x + 3z y dxdz
Dxz y=2x2 +2z2
√ ZZ p
x2 + z2 8 − 2 x2 + z2 dxdz
 
= 3
Dxz
√ ZZ
r 8 − 2r2 rdrdθ

= 3
Drθ
√ Z θ=2π Z r=2
 
2 4

= 3 8r − 2r dr dθ
θ=0 r=0
r=2
√ 2r5 3

8r  θ=2π
= 3· − · θ θ=0
3 5 r=0

 
64 64
= 3· − · 2π
3 5
√ 2 · (5 · 64 − 3 · 64)
= 3· ·π
15
√ 4 · 64
= 3· ·π
√ 15
256 3π
= .
15

(Na quarta igualdade, de cima para baixo, usamos a mudança de variáveis x = r cos θ e
z = r sen θ com 0 ≤ r ≤ 2 e 0 ≤ θ ≤ 2π.)

15. Via integrais triplas, determine o volume de uma cunha cortada do cilindro x2 + y2 = 1
pelos planos z = −y e z = 0. (Veja figura 4.12 para uma representação de tal cunha.)

Resolução:
4.5. EXERCÍCIOS - CÁLCULO INTEGRAL 149

-0.2

-0.4

y -0.6

-0.8

-1 1
0.8 1
0.6 0.5
z 0.4 0
0.2 -0.5 x
0 -1

Figura 4.12: Cunha cortada do cilindro x2 + y2 = 1 pelos planos z = −y e z = 0. Observe que


Dxy é a metade inferior do cı́rculo unitário no plano OXY com centro na origem.

O volume é dado pela integral

ZZZ ZZ Z z=−y 
1 dxdydz = 1 dz dxdy
Dxyz Dxy z=0
Z x=1 Z y=0 
= √ (−y)dy dx
x=−1 y=− 1−x2
Z x=1
1  2 y=0
= −y y=−√1−x2 dx
2 x=−1
Z
1 x=1
1 − x2 dx

=
2 x=−1
x=1
x3

1
= x−
2 3 x=−1
 
1 1
= ·2 1−
2 3
2
= u.v..
3

16. Via integrais triplas, verifique que o volume de um cone circular reto de raio R e altura h
2
é πR3 h u.v..

Resolução:
p
Considere o cone z = m x2 + y2 tal que z ≥ 0 e m é a inclinação de sua geratriz (veja
figura 4.13). Daı́ m = hR e tal cone pode ser representado pelo conjunto Dxyz dos pontos
p
(x, y, z) tais que hR x2 + y2 ≤ z ≤ h e x2 + y2 ≤ R2 . Assim, em coordenadas cilı́ndricas,
tal cone pode ser representado pelo conjunto dos pontos (r, θ, z) tais que hr
R
≤ z ≤ h,
150 CAPÍTULO 4. RESULTADOS - CÁLCULO INTEGRAL

R
1
0

m= h
R

h
p
Figura 4.13: Dxyz : R
x2 + y2 ≤ z ≤ h, (x, y) ∈ Dxy , sendo Dxy o cı́rculo com centro na
origem e raio R.

0 ≤ r ≤ R e 0 ≤ θ ≤ 2π. Logo o volume procurado é dado por

ZZZ ZZZ
1 dxdydz = 1 rdrdθdz
Dxyz Drθz
ZZ Zz=h
!
= 1 dz rdrdθ
Drθ z= hr
R
Z θ=2π Z r=R   
hr
= h− rdr dθ
θ=0 r=0 R
Z θ=2π Z r=R 
r2

=h dθ r− dr
θ=0 r=0 R
 2 r=R
r r3
= 2πh −
2 3R r=0
 
2 1 1
= 2πhR −
2 3
πhR2
= u.v..
3


17. Via integrais triplas, calcule o volume do parabolóide z = a x2 + y2 de altura h.

Resolução:

Note que Dxyz é o conjunto dos pontos (x, y, z) tais que a x2 + y2 ≤ z ≤ h com (x, y)
q
pertencente ao cı́rculo Dxy de centro na origem e raio ha . (Veja figura 4.14.) Dxyz pode
ser então representado, em coordenadas cilı́ndricas,
q pelo conjunto Drθz dos pontos (r, θ, z)
h
tais que ar2 ≤ z ≤ h e (r, θ) ∈ Drθ com 0 ≤ r ≤ a
e 0 ≤ θ ≤ 2π. Daı́ o volume é dado
4.5. EXERCÍCIOS - CÁLCULO INTEGRAL 151

Z q
h
a

z = a(x2 + y2 )

X Y


Figura 4.14: Os pontos (x, y, z) de Dxyz são tais que a x2 + y2 ≤ z ≤ h e (x, y) ∈ Dxy com
q 2
x + y ≤ ha .
2 2

pela integral

ZZZ ZZZ
1 dxdydz = 1 rdrdθdz
Dxyz Drθz
ZZ Z z=h 
= 1 dz rdrdθ
Drθ z=ar2
Z θ=2π Z r=√h/a !
= [z]z=h
z=ar2 rdr dθ
θ=0 r=0
Z r=√h/a
h − ar2 rdr

= 2π
r=0
 2  √
4 r= h/a
hr ar
= 2π −
2 4 r=0
 2 2

h h
=π −
a 2a
2
πh
= u.v..
2a

18. Via integrais triplas, obtenha o volume da calota esférica que representa a interseção da
esfera x2 + y2 + z2 ≤ R2 com o semi-espaço z ≥ a, 0 < a < R.

Resolução:
Usando a figura 4.15 (cuja legenda explicita a passagem de coordenadas cartesianas para
152 CAPÍTULO 4. RESULTADOS - CÁLCULO INTEGRAL

z=a

q
z= R2 − (x2 + y2 )
−R
−R
Y
R

p
Figura 4.15: Dxyz é o conjunto dos pontos (x, y, z) tais que a ≤ z ≤ R2 − (x2 + y2 )√e (x, y) ∈
Dxy com x2 + y2 ≤ R2 − a√ 2
; Drθz é o conjunto dos pontos (r, θ, z) tais que a ≤ z ≤ R2 − r2 e
(r, θ) ∈ Drθ com 0 ≤ r ≤ R2 − a2 e 0 ≤ θ ≤ 2π.

cilı́ndricas), o volume é dado por


ZZZ ZZZ
1 dxdydz = 1 rdrdθdz
Dxyz Drθz
Z θ=2π Z r=√R2 −a2 Z z=√R2 −r2 ! !
= 1 dz rdr dθ
θ=0 r=0 z=a
Z r=√R2 −a2 p 
= 2π R2 − r2 − a rdr
r=0
Z u=a2
√ 
= −π u − a du
u=R2
u=a2
2u3/2

= −π − au
3 u=R2
 
2 3 3 2 2

=π (R − a ) − a R − a u.v..
3

(Note o uso da mudança de variáveis u = R2 − r2 , du = −2rdr no cálculo anterior.)


Uma integral como esta calcula o volume da região Dxyz correspondente. Portanto o
resultado de tal integral deve ser positivo. Contudo, a integral anterior resulta numa
expressão que pode levar alguém a questionar o sinal da mesma. Por outro lado, tal
expressão pode ser escrita como
 2
R + aR + a2 aR + a2 2R2 − aR − a2

2π(R − a) − = 2π(R − a) ·
3 2 6
π(R − a)
· 2R2 − aR − a2 .

=
3
Assim, como R − a > 0, o volume calculado nos diz que p(R) = 2R2 − aR − a2 deve ser
positivo. De fato, p(R) representa uma parábola com concavidade para cima. Ainda,
4.5. EXERCÍCIOS - CÁLCULO INTEGRAL 153

2
p(R) = 0 se, e somente se, R = a± 4 9a , isto é, R = a ou R = − a2 . (Segue agora uma
interpretação geométrica do estudo do sinal de tal parábola.)

p(R)

+ +

− a2 a R

A figura anterior nos diz que


a
p(R) > 0 ⇐⇒ ou R > a. R<−
2
Observando que apenas a condição R − a > 0 deve ser considerada, segue que p(R) é
positivo.
19. Via integrais triplas, calcule o volume do sólido limitado inferiormente pelo plano z = 0,
lateralmente pela esfera ρ = 2 e superiormente pelo cone φ = π3 .

Resolução:
Como ρ ∈ [0, 2], φ ∈ π3 , π2 e θ ∈ [0, 2π] (veja figura 4.16), o volume é dado por
 

ρ=2

φ= π
3
1
0
0
1

X Y

Figura 4.16: Esfera ρ = 2 “furada” pelo cone φ = π3 .

ZZZ ZZZ
1 dxdydz = ρ2 sen φ dρdφdθ
Dxyz Dρφθ
Z θ=2π Z φ=π/2 Z ρ=2  !
= ρ2 dρ sen φ dφ dθ
θ=0 φ=π/3 ρ=0


= u.v.,
3
154 CAPÍTULO 4. RESULTADOS - CÁLCULO INTEGRAL

como pode ser facilmente verificado.


π
20. Via integrais triplas, obtenha o volume do sólido limitado inferiormente pelo cone φ ≤ 4
e superiormente pela esfera ρ ≤ 2R cos φ.

Resolução:
Para visualizar a esfera da figura 4.17, note que
Z

2R

Y
R

2 2 2 2
Figura 4.17: União da semi-esfera superior ρ ≤ 2R cos φ, isto
√ é, x + y + (z −π R) ≤ R , com o
cone circular reto de vértice na origem, altura R e geratriz 2R, isto é, φ ≤ 4 .

ρ2 ≤ 2Rρ cos φ ⇔ x2 + y2 + z2 − 2Rz + R2 ≤ R2 ⇔ x2 + y2 + (z − R)2 ≤ R2 .


O volume é daı́ dado por
ZZZ ZZZ
dxdydz = ρ2 sen φ dρdφdθ
Dxyz Dρφθ
Z θ=2π Z φ=π/4 Z ρ=2R cos φ  !
= ρ2 dρ sen φ dφ dθ
θ=0 φ=0 ρ=0
Z φ=π/4
16πR3
= cos3 φ sen φ dφ.
3 φ=0

Via a mudança de variáveis u = cos φ, temos que du = −sen φ dφ e o volume é então


dado por
Z √
16πR3 u= 2/2 3 4πR3
 
1
− u du = 1−
3 u=1 3 4
3
= πR u.v..
Note que tal volume pode ser obtido usando fórmulas (já obtidas) para volumes de esferas
e cones. De fato,
4πR3
3 πR3
πR = 3 + .
2 3
(Na segunda parcela, usamos o fato de que o cone tem altura igual ao raio da esfera.)
4.5. EXERCÍCIOS - CÁLCULO INTEGRAL 155

21. Via integrais triplas em coordenadas esféricas, obtenha o volume do sólido limitado su-
periormente pela esfera x2 + y2 + z2 = R2 e inferiormente pelo cone z2 = m2 (x2 + y2 ) com
z ≥ 0. (Veja figura 4.18 para uma representação geométrica de tal sólido.)

x2 + y2 + z2 ≤ R2 ⇔ ρ ≤ R

φm

z2 = m2 (x2 + y2 ), z ≥ 0

Figura 4.18: Interseção da calota superior da esfera x2 + y2 + z2 ≤ R2 , isto é, ρ ≤ R, com o


cone circular reto com vértice na origem dado por z2 = m2 (x2 + y2 ), z ≥ 0.

Resolução:
Claramente 0 ≤ θ ≤ 2π e 0 ≤ ρ ≤ R. Seja agora 0 ≤ φ ≤ φm . Vamos então obter uma
equação do cone em coordenadas esféricas que escreva φm em função de m. Assim, via a
equação do cone de inclinação m, temos que

z2 = m2 ρ2 − z2 ,


isto é,
m 2 ρ2
z2 = .
1 + m2

Escrevendo tal z em coordenadas esféricas temos então

m 2 ρ2
ρ2 cos2 φm = .
1 + m2

Daı́, como o cone existe apenas para z ≥ 0, isto é, 0 < φm < π2 , temos

r
m2
cos φm = .
1 + m2
156 CAPÍTULO 4. RESULTADOS - CÁLCULO INTEGRAL

Logo o volume procurado é dado por


ZZZ ZZZ
dxdydz = ρ2 sen φ dρdφdθ
Dxyz Dρφθ
Z θ=2π Z φ=φm Z ρ=R  
2
= ρ dρ sen φ dφ dθ
θ=0 φ=0 ρ=0
3 Z φ=φm
2πR
= sen φ dφ
3 φ=0
2πR3  φ=φm
= − cos φ φ=0
3 !
r
2πR3 m2
= 1− u.v..
3 1 + m2

(Como m2 < 1 + m2 , o volume calculado é, de fato, positivo!)


Capı́tulo 5

Resultados - Cálculo Vetorial

“There is nothing in the world


except empty curved space.
Matter, charge,
electromagnetism, and other
fields are only manifestations of
the curvature of space.”

John Wheeler

Os Teoremas de Green, Gauss e Stokes do Cálculo Vetorial têm forte relação com as Equações
de Maxwell (do Eletromagnetismo),1 que, assim como as importantes Equações de Navier-
Stokes, nos fornecem informações fundamentais sobre o comportamento de fluı́dos e fluxos (tais
como, velocidade, aceleração, estabilidade, contenção, transferência, propagação, transmissão,
escoamento, vazão, etc) em meios sólidos, lı́quidos ou gasosos, com ou sem viscosidade, hete-
rogêneos ou homogêneos, porosos ou não porosos, saturados ou não saturados, fraturados ou
não fraturados, etc.
Aqui, apenas o Teorema de Stokes no plano, conhecido como o Teorema de Green, é estudado
com algum detalhe, ficando a tarefa de aprofundar (em outros livros) o caso tridimensional,
bem como a de estudar o Teorema de Gauss, a cargo do leitor.

5.1 Integrais de Linha


Denotemos o traço da curva parametrizada γ : [a, b] → R2 por Γ , isto é,

Γ := {γ(t) | t ∈ [a, b]} .

Uma tal Γ é dita uma curva. Considere agora uma função F : Γ → R2 limitada, isto é,
Dom(F) = Γ e Im(F) é um conjunto limitado em R2 . Uma tal F é chamada de um campo
vetorial. Por último, seja γ diferenciável e sejam γ ′ e F ◦ γ contı́nuas.

1
Indico o excelente livro A Student’s Guide to Maxwell’s Equations, editado pela Cambridge
University Press (em 2008) e escrito pelo fı́sico Daniel Fleisch, para aqueles interessados em tais equações.

157
158 CAPÍTULO 5. RESULTADOS - CÁLCULO VETORIAL

b Γ

F(Γ )
γ F

5.1.1 Definição de Integral de Linha


A Integral de Linha de F ao longo de Γ é definida por
Z Zb
F · dγ := F(γ(t)) · γ ′ (t) dt. (5.1)
Γ a

Exemplo
Seja F(x, y) = (−y + 1, x) e considere a semi-circunferência Γ de centro na origem e raio 2
parametrizada por γ(t) = (2 cos t, 2 sen t) para t ∈ [0, π].
t = π/2

Γ
t=π t=0
−2 0 2

Como F(γ(t)) = (−2 sen t + 1, 2 cos t) e γ ′ (t) = (−2 sen t, 2 cos t) para cada t ∈ [0, π], temos
Z Zπ
F · dγ = (−2 sen t + 1, 2 cos t) · (−2 sen t, 2 cos t)dt
Γ
Z0π
4 sen2 t − 2 sen t + 4 cos2 t dt

=
Z0π
= (4 − 2 sen t)dt
0 π
= 4t + 2 cos t 0
= 4π − 4.

Observação
Dizer que Γ tem orientação positiva (respectivamente, negativa) significa que γ(t) percorre
Γ no sentido anti-horário (respectivamente, horário) a medida que t cresce em [a, b].

Exemplo

A circunferência Γ = (x, y) x2 + y2 = 1 tem orientação positiva (respectivamente, negativa)
se parametrizada por γ(t) = (cos t, sen t) (respectivamente, γ(t) = (cos t, −sen t)) com t ∈
[0, 2π].
5.1. INTEGRAIS DE LINHA 159

Integrais de Linha: Para que servem?

As integrais de linha têm várias aplicações fı́sicas e geométricas relacionadas ao comportamento


de um vetor ao longo de uma curva. Em tais aplicações, curvas orientadas são fundamentais
para a modelagem dos problemas. Por exemplo: o trabalho realizado por uma força F ao longo
de uma curva Γ ; o fluxo do vetor velocidade de um fluı́do através de uma curva; etc. Embora
estas aplicações não sejam exaustivamente estudadas aqui, temos um exercı́cio sobre o trabalho
τ realizado por uma força F ao longo de uma curva Γ e veremos também que as integrais de
linha são úteis para calcular certos tipos de integrais duplas e áreas de regiões planas limitadas
por certas curvas.

Notação sugestiva para Integrais de Linha:

Suponha agora que F(x, y) = (f(x, y), g(x, y)) e γ(t) = (x(t), y(t)) para todos os pontos onde
tais funções estejam definidas. Daı́, devido a

Z Zb
F · dγ = [f(x(t), y(t)) · x ′ (t) + g(x(t), y(t)) · y ′ (t)] dt,
Γ a

tal integral de linha também é denotada por

Z
fdx + gdy.
Γ

Exercı́cios
R 
1. Calcule (x + y)dx + xydy para Γ = (x, y) 0 ≤ x ≤ 2, y = x2 com orientação positiva.
Γ

Resolução:
Aqui, f(x, y) = x + y, g(x, y) = xy e Γ é o arco da parábola de (0, 0) a (2, 4), parametrizada
por x(t) = t e y(t) = t2 para t ∈ [0, 2].2

(0, 4) t=2

t=0 (2, 0)

2
No próximo exercı́cio, faremos um comentário sobre a possibilidade de Γ admitir outras parametrizações.
160 CAPÍTULO 5. RESULTADOS - CÁLCULO VETORIAL

Daı́, como x ′ (t) = 1 e y ′ (t) = 2t, segue que


Z Z2
t + t2 · 1 + (t · t2 ) · 2t dt
  
(x + y)dx + xydy =
Γ 0
Z2
t + t2 + 2t4 dt

=
0
2
t2 t3 2t5

= + +
2 3 5 0
8 64
=2+ +
3 5
262
=
15
7
= 17 .
15
R −ydx+xdy 
2. Calcule x2 +y2
com Γ = (x, y) | x2 + y2 = r2 totalmente percorrida no sentido anti-
Γ
horário e uma única vez.

Resolução:
Parametrize a circunferência de raio r por γ(t) = (r cos t, r sen t) com t ∈ [0, 2π].3 Então
Z Z 2π  
−ydx + xdy r sen t r cos t
= − 2 (−r sen t) + 2 (r cos t) dt
Γ x2 + y2 0 r (cos2 t + sen2 t) r (cos2 t + sen2 t)
Z 2π  2
r sen2 t r2 cos2 t

= + dt
0 r2 r2
Z 2π
= sen2 t + cos2 t dt
0
Z 2π
= 1 dt
0
= 2π.

Exercı́cio
Se uma força é dada por
F(x, y) = (0, x), (x, y) ∈ R2 ,
calcule o trabalho realizado por tal força,
Z
τ= F · dγ,
Γ

ao longo da curva Γ representada pela parte da circunferência unitária que se encontra no


primeiro quadrante, orientada no sentido anti-horário. Ainda, como a integral anterior não
3
Pode ser demonstrado que, dada uma integral de linha arbitrária, o valor de tal integral é independente da
parametrização (que preserve a orientação) da curva, isto é, se γ1 (t) e γ2 (t) são parametrizações (que preservam
a orientação) de Γ , então Z Z
F · dγ1 = F · dγ2 .
Γ Γ
Resolva este exercı́cio usando outra parametrização de Γ . Por exemplo, γ(t) = (r cos 2πt, r sen 2πt) com t ∈ [0, 1].
5.1. INTEGRAIS DE LINHA 161

depende da parametrização de Γ , desde que seja respeitada a orientação da mesma, resolva a


questão com as seguintes parametrizações γ(t) de Γ :
1. (cos t, sen t), t ∈ 0, π2 ;
 

√ 
2. 1 − t2 , t , t ∈ [0, 1].

Observação
Sejam Γ1 e Γ2 curvas como a Γ de (5.1) da Definição de Integral de Linha. Considere que
o ponto final de Γ1 coincide com o ponto inicial de Γ2 .4 Denote Γ := Γ1 ∪ Γ2 . Seja ainda F como
na definição (5.1). Pode ser demonstrado que
Z Z Z
F · dγ = F · dγ1 + F · dγ2 .
Γ Γ1 Γ2

Exemplos
1. Vamos integrar F(x, y) = (y, x2 ) sobre o triângulo Γ = Γ1 ∪ Γ2 ∪ Γ3 , que representa a união
de três segmentos orientados positivamente, representado na ilustração dada a seguir.

Y
5

Γ3 Γ2

1 Γ1

X
O 2

Para integrar F sobre Γ , vamos precisar de três parametrizações; uma para cada segmento de
reta. Para parametrizar um segmento, obtenha primeiro a equação da reta  que o contêm. Para
1 1
Γ1 , temos y = 2 x + 1, que pode ser parametrizada por γ1 (t) = t, 2 t + 1 para cada t ∈ [0, 2].
Então
Z Z2    
t 2 1
F · dγ1 = + 1, t · 1, dt
Γ1 0 2 2
Z2  2 
t t
= + + 1 dt
0 2 2
 3 2
t t2
= + +t
6 4 0
13
= .
3
4
Isto é, se γ1 : [a, b] → R2 e γ2 : [c, d] → R2 são parametrizações de Γ1 e Γ2 , respectivamente, então
γ1 (b) = γ2 (c).
162 CAPÍTULO 5. RESULTADOS - CÁLCULO VETORIAL

Agora, como Γ2 está contido na reta x = 2, podemos parametrizá-lo por γ2 (t) = (2, t) para
cada t ∈ [2, 5]. Daı́
Z Z5
F · dγ2 = (t, 4) · (0, 1) dt
Γ2 2
Z5
= 4 dt
2
 5
=4 t 2
= 12.

Por último, para Γ3 , considere a reta y = 2x + 1. Se parametrizada por γ3 (t) = (t, 2t + 1) para
todo t ∈ [0, 2], Γ3 têm sentido horário. Então, para τ = 2 − t, temos 2t + 1 = 5 − 2τ. (Note
que, quando τ cresce de 0 a 2, t decresce de 2 a 0 e, daı́, Γ3 tem sentido anti-horário.) Assim,
parametrize Γ3 por γ3 (τ) = (2 − τ, 5 − 2τ) para cada τ ∈ [0, 2]. (Tal procedimento é dito uma
reparametrização da curva.) Daı́
Z Z2
F · dγ3 = (5 − 2τ, (2 − τ)2 ) · (−1, −2) dτ
Γ3 0
Z2
2τ2 − 10τ + 13 dτ

=−
0
2
2τ3

=− − 5τ2 + 13τ
3 0
34
=− .
3
Para concluir, temos que
Z Z Z Z
F · dγ = F · dγ1 + F · dγ2 + F · dγ3 = 5.
Γ Γ1 Γ2 Γ3

2. Seja Γ = Γ1 ∪ Γ2 ∪ Γ3 tal que Γ1 é a parte (orientada) da parábola y = x2 que vai de (0, 0) a


(1, 1), Γ2 é o segmento (orientado) de reta que vai de (1, 1) a (0, 1) e Γ3 é o segmento (orientado)
de reta que vai de (0, 1) a (0, 0). Vamos calcular a seguinte itegral de linha:
Z
x3 y2 + y dx + xdy.

I=
Γ

Γ2
1

Γ3 Γ1

Considere então as seguintes parametrizações:


5.1. INTEGRAIS DE LINHA 163

Γ1 : γ1 (t) = (t, t2 ) com t ∈ [0, 1];


Γ2 : γ2 (t) = (1 − t, 1) com t ∈ [0, 1];
Γ3 : γ2 (t) = (0, 1 − t) com t ∈ [0, 1].
Segue daı́ que
Z
x3 y2 + y dx + xdy

I=
Γ1
Z
x3 y2 + y dx + xdy

+
Z Γ2
x3 y2 + y dx + xdy

+
Γ3
Z1
t7 + t2 + 2t2 dt
  
=
0
Z1
 
− (1 − t)3 + 1 + 0 dt

+
0
Z1
+ (0 + 0)dt
0
 1 Z 0
8
t 3
u3 + 1 du + 0

= +t +
8 0 1
1 1
= +1− −1
8 4
1
=− .
8
(Este exemplo também será resolvido via o Teorema de Green.)

5.1.2 Teorema Fundamental do Cálculo para Integrais de Linha


Seja Γ uma curva como a da definição (5.1). Considere f : Γ → R diferenciável com fx e
fy contı́nuas. Sejam A, B ∈ R2 os pontos extremos de Γ , isto é, se γ : [a, b] → R2 é uma
parametrização de Γ , então A = γ(a) e B = γ(b). Daı́
Z
∇f · dγ = f(B) − f(A).
Γ

Demonstração:
Z Zb
∇f · dγ = ∇f(γ(t)) · γ ′ (t) dt
Γ a
Zb
d
= f(γ(t)) dt
a dt
= f(γ(b)) − f(γ(a))
= f(B) − f(A).
(Nas segunda e terceira igualdades, usamos, respectivamente, a Regra da Cadeia estudada
nestas NA e o Teorema Fundamental do Cálculo para funções do “Cálculo I”.)
164 CAPÍTULO 5. RESULTADOS - CÁLCULO VETORIAL

Observação
No teorema anterior, no lugar da curva Γ e de sua parametrização γ, considere uma outra curva
Λ parametrizada por λ, mas mantenha todas as outras hipóteses inalteradas. Então
Z Z
∇f · dγ = ∇f · dλ
Γ Λ

pois a integral depende apenas de f e dos pontos A e B.

Exercı́cio
Calcule a integral do teorema anterior para f(x, y) = cos(xyπ) e qualquer curva Γ cuja para-
1

metrização tenha derivada contı́nua e pontos inicial e final em 1, 2 e (2, 1), respectivamente.5

Observação
R
Segue do teorema anterior que, se F = ∇f para alguma f como a do teorema, γ F · dγ só
depende de tal f e dos pontos inicial e final (mas não da curva que ligue tais pontos).

Exercı́cio
Se F(x, y) = (y, x), existe f tal que F = ∇f e, em existindo, o que o teorema anterior nos diz
sobre isto?6

5.2 Teorema de Green


Seja Γ uma curva parametrizada no sentido anti-horário por γ : [a, b] → R2 contı́nua. Considere
ainda que Γ é:

Fechada, isto é, γ(a) = γ(b);

Simples, isto é, Γ não tem auto-interseção, isto é, γ (t1 ) 6= γ (t2 ) para t1 , t2 ∈ ]a, b] com t1 6= t2 ;

C1 por Partes, isto é, existe uma partição de [a, b] em um número finito de subintervalos
fechados tal que γ tem derivada contı́nua em cada um destes subintervalos.

Por último, considere também que f, g : Γ → R são contı́nuas com gx , fy contı́nuas num domı́nio
D = Dxy aberto cuja fronteira é a curva Γ . Demonstra-se daı́ a Equação de Green:
ZZ I
(gx − fy ) dxdy = (f, g) · dγ (5.2)
D IΓ
= fdx + gdy.
Γ

O lado direito da equação denota uma integral de linha ao longo de uma curva fechada.
Para concluir, observe que, assim como no Teorema Fundamental do Cálculo, o resultado
anterior nos diz que a integração de determinadas funções depende apenas da fronteira do
conjunto aberto sobre o qual se está integrando.
5
Resolução no final deste capı́tulo!
6
Idem!
5.2. TEOREMA DE GREEN 165

Exemplo
Vamos resolver o (já resolvido) último exemplo, mas desta vez, usando o Teorema de Green.
Podemos pensar que, naquele exemplo, calculamos o valor − 81 para o segundo membro da
Equação de Green, isto é, I
1
x3 y2 + y dx + xdy = − .

Γ 8
Vamos agora calcular o primeiro membro da Equação de Green usando apenas integração dupla.
Verificar a validade do Teorema de Green, neste exemplo, significa obter
ZZ
1
(gx − fy ) dxdy = − .
D 8

Assim, note primeiramente que, como f(x, y) = x3 y2 + y e g(x, y) = x, segue que fy (x, y) =
2x3 y + 1 e gx (x, y) = 1. Então
ZZ ZZ
(gx − fy ) dxdy = − 2x3 y dxdy
D D
Z x=1 Z y=1 
3
=− 2x y dy dx
x=0 y=x2
Z x=1
y=1
x3 y2

=− y=x2
dx
x=0
Z x=1
x3 − x7 dx

=−
x=0
4
x=1
x8

x
=− −
4 8 x=0
1
=− .
8

É conveniente ressaltar que, como visto no último exemplo, Γ satisfaz as hipóteses do Teorema
de Green, isto é, Γ tem sentido anti-horário e é simples, fechada e C1 por partes.

Exercı́cios
1. Use o Teorema de Green para calcular a integral de linha
Z
(1 + xy2 )dx − x2 ydy
Γ

onde Γ é o arco da parábola y = x2 cujos pontos inicial e final são (−1, 1) e (1, 1),
respectivamente.

2. Use o Teorema de Green para calcular


I p
1 + x3 dx + 2xydy
Γ

onde Γ é o triângulo cujos vértices são os pontos (0, 0), (1, 0) e (1, 3), orientado no sentido
anti-horário.
166 CAPÍTULO 5. RESULTADOS - CÁLCULO VETORIAL

5.2.1 Cálculo de Áreas via Integrais de Linha


Sejam g(x, y) = x
2
e f(x, y) = − y2 . Daı́, pelo Teorema de Green,
ZZ
a(D) = dxdy
Z ZD
= (gx − fy ) dxdy
D
I
= fdx + gdy
Γ
I
1
= −ydx + xdy u.a..
2 Γ

Exemplos
H
1. Vamos mostrar que o valor de Γ xy2 dx + (x2 y + 2x)dy ao longo de qualquer quadrado Γ
depende apenas do tamanho de Γ e não da localização de tal quadrado no plano. De fato, pelo
Teorema de Green,
I ZZ
2 2
xy dx + (x y + 2x)dy = (2xy + 2 − 2xy)dxdy
Γ D
ZZ
= 2 dxdy
D
= 2 a(D).

x2 y2
2. Vamos calcular a área da elipse Γ = (x, y) a2 + b2 = 1 pelo Teorema de Green. Assim,

parametrize a elipse por γ(t) = (a cos t, b sen t) com t ∈ [0, 2π]. Daı́
I
1
a(D) = −ydx + xdy
2 Γ
Z
1 2π
= −(b sen t)(−a sen t) + (a cos t)(b cos t) dt
2 0
Z
1 2π
ab sen2 t + cos2 t dt

=
2 0
Z
1 2π
= ab dt
2 0
= abπ u.a..

Exercı́cio
Use o Teorema de Green para calcular a área da elipse cuja fronteira Γ é dada pela equação
(x−1)2 2

4
+ (y−2)
9
= 1.

5.2.2 De Green para Stokes


Na Equação de Green (5.2), tanto o campo vetorial F = (f, g) quanto a região D são planares.
Queremos que sejam espaciais. Assim, por um lado, podemos reescrever tal campo e tal região,
respectivamente, por
F = (f, g, 0) e S = {(x, y, z) | (x, y) ∈ D, z = 0} .
5.2. TEOREMA DE GREEN 167

Neste caso, o rotacional de tal F é um vetor dado por

~i ~j ~k


∇ × F = ∂/∂x ∂/∂y ∂/∂z
f g 0
 
∂g ∂f ~
= − k.
∂x ∂y

Daı́, como ~k · ~k = 1, temos o produto interno

(∇ × F) · ~k = gx − fy ,

que é exatamente o integrando da integral do lado esquerdo de (5.2). Em relação a tal integral,
denote agora (a área infinitesimal) dxdy por dS. Por outro lado, na integral de linha do lado
direito de (5.2), denote a curva Γ (que representa a fronteira de S = D × {0}) por ∂S e o
diferencial dγ por ds, que aqui representa o comprimento infinitesimal da curva que delimita
a região S. A Equação de Green (5.2) pode então ser reescrita da forma
ZZ I
~
(∇ × F) · k dS = F · ds. (5.3)
S ∂S

Em outras palavras, a integral de linha do campo vetorial planar F ao longo da fronteira ∂S é


igual a integral dupla (da única coordenada não nula) do rotacional de tal F sobre a superfı́cie
planar S. Este é, de fato, o Teorema de Stokes no plano. Vamos assim fazer cinco modificações
para converter o Teorema de Green numa versão mais geral do Teorema de Stokes:

1. No lugar de F e S usadas na equação (5.3), considere agora o campo vetorial F = (f, g, h)


e seja S uma superfı́cie de R3 que tenha normal em cada um de seus pontos. Por exemplo,
é possı́vel que S seja o gráfico de uma função z = z(x, y) diferenciável adequada. Existe
ainda a possibilidade de que S seja uma superfı́cie de nı́vel c representada pela equação
w(x, y, z) = c com w diferenciável. Como sabemos, tais superfı́cies tem seus vetores
normais n ~ =n~ (x, y, z) dados por

± (−zx , −zy , 1) e ± (wx , wy , wz ) ,

respectivamente.

2. Considere que a fronteira ∂S seja uma curva contida em algum plano em R3 .7 A orientação
de tal curva é obtida via a regra da mão direita, isto é, ao fazer o sinal de positivo
(‘OK’) com a mão direita, imagine que o vetor ~n normal ao plano que contêm a curva
∂S esteja apontado na direção do polegar (da mão direita). Daı́ o sentido de percurso da
curva deve ser o mesmo dos outros dedos da mão direita quando estão se curvando para
tocar a palma da mão e concluir o sinal de OK. Assim, a curva tem sentido anti-horário
em relação ao plano que a contêm. Ainda, os vetores normais n ~ (do item 1.) devem
apontar para o mesmo semi-espaço (delimitado pelo plano que contem ∂S) para o qual ~n
aponta.8
7
Uma parametrização s de tal curva tem três componentes: s(t) = (x(t), y(t), z(t)).
8 ~ (x, y, z), para cada (x, y, z) ∈ S, quanto ~n, são iguais ao vetor ~k.
Em relação a (5.3), tanto n
168 CAPÍTULO 5. RESULTADOS - CÁLCULO VETORIAL

3. Considere agora o rotacional

~i ~j ~k


∇ × F = ∂/∂x ∂/∂y ∂/∂z
f g h
= (hy − gz )~i + (fz − hx )~j + (gx − fy ) ~k,

mais geral do que aquele usado em (5.3).

4. Troque ~k de (5.3) pelo vetor n


~ (x, y, z) normal a S (de 1.).

5. n
~ dS agora vai representar uma combinação linear adequada cujas componentes são
múltiplos escalares dos três elementos de área: dxdy, dxdz e dydz.9

Temos então a Equação de Stokes,


I ZZ
F · ds = ~ dS.
(∇ × F) · n
∂S S

Exemplo

Seja F(x, y, z) = (3y, 4z, −6x) definida no parabolóide S = (x, y, z) z = 16 − x2 − y2 ≥ 0 .
Note que ∂S é a circunferência de centro (0, 0, 0) e raio 4, percorrida no sentido anti-horário
pois ~n = ~k. Logo, por um lado, a integral de linha do lado esquerdo da Equação de Stokes é,
parametrizando ∂S por s(t) = (4 cos t, 4 sen t, 0) com t ∈ [0, 2π], dada por

I Z 2π
F · ds = F(s(t)) · s ′ (t) dt
∂S 0
Z 2π
= (12 sen t, 0, −24 cos t) · (−4 sen t, 4 cos t, 0) dt
0
Z 2π
= −48 sen2 t dt
0
= −48π.

Por outro lado, como

∇ × F = (−4, 6, −3) e n
~ = (−zx , −zy , 1) = (2x, 2y, 1),

9
Não falaremos de ‘parametrização de superfı́cie’ aqui. Como consequência os nossos problemas têm apenas
curvas ∂S contidas em planos paralelos aos planos coordenados (OXY, OXZ e OYZ) e

dS ∈ {dxdy, dxdz, dydz} .


5.2. TEOREMA DE GREEN 169

o segundo membro da Equação de Stokes é dado por


ZZ ZZ
~ dS =
(∇ × F) · n (−4, 6, −3) · (2x, 2y, 1) dxdy
S Dxy
ZZ
= (−8x + 12y − 3) dxdy
Dxy
ZZ
= (−8r cos θ + 12r sen θ − 3)rdrdθ
Drθ
Z 2π Z 4 
2 2

= −8r cos θ + 12r sen θ − 3r dr dθ
0 0
= −48π.

Exercı́cios
1. Seja Γ a curva parametrizada por x(t) = 0, y(t) = 2 + 2 cos t e z(t) = 2 + 2 sen t, t ∈ [0, 2π].
Use o Teorema de Stokes para calcular a seguinte integral de linha:
I
x2 ez dx + x sen y dy + 3y dz.
Γ

2. Sejam F(x, y, z) = (−y, x, z) e S a parte do parabolóide z = 7 − x2 − 4y2 acima do plano


3, orientada com normais apontando para cima. Use o Teorema de Stokes para calcular
z = RR
I = S (∇ × F) · n ~ dS.

5.2.3 Outros Exercı́cios


Resolva, além dos nossos, exercı́cios sobre o Teorema de Green (respectivamente, Stokes), no
nı́vel dos apresentados aqui, de outros livros de Cálculo. Por exemplo, nos livros dados como
referências no Capı́tulo 1 destas NA.
170 CAPÍTULO 5. RESULTADOS - CÁLCULO VETORIAL

5.3 Formulário - Cálculo Vetorial


As fórmulas que seguem são válidas para funções e curvas sujeitas as hipóteses estabelecidas neste
capı́tulo.

1. Integral de Linha de F = (f, g) ao longo de Γ parametrizada por γ(t) = (x(t), y(t)):


Z Z
F · dγ = fdx + gdy
Γ Γ
Zb
= F(γ(t)) · γ ′ (t) dt;
a

2. Teorema Fundamental do Cálculo para Integrais de Linha:


Z
∇f · dγ = f(γ(b)) − f(γ(a));
Γ

3. Equação de Green:
ZZ I
(gx − fy ) dxdy = (f, g) · dγ
D

= fdx + gdy,
Γ

onde D = Dxy é aberto com fronteira dada por Γ ;

4. Área de D via Integral de Linha:


ZZ
a(D) = dxdy
D
I
1
= −ydx + xdy u.a.;
2 Γ

5. Equação de Stokes: I ZZ
F · ds = ~ dS,
(∇ × F) · n
∂S S

onde a superfı́cie S tem fronteira ∂S, orientação positiva e versor normal n


~ dependendo de
seus pontos.
5.4. EXERCÍCIOS - CÁLCULO VETORIAL 171

5.4 Exercı́cios - Cálculo Vetorial


1. Se uma força é dada por
F(x, y) = (0, x), (x, y) ∈ R2 ,
calcule o trabalho realizado por tal força,
Z
τ= F · dγ,
Γ

ao longo da curva Γ representada pela parte da circunferência unitária que se encontra no


primeiro quadrante, orientada no sentido anti-horário. Ainda, como a integral anterior
não depende da parametrização de Γ , desde que seja respeitada a orientação da mesma,
resolva a questão com as seguintes parametrizações γ(t) de Γ :

(a) (cos t, sen t), t ∈ 0, π2 ;


 
√ 
(b) 1 − t2 , t , t ∈ [0, 1].

Resolução:
Considere inicialmente a seguinte ilustração do campo de forças atuando ao longo da
curva, onde representamos a direção e o sentido da força, não o seu módulo.

Y
1

X
1

Em relação a (a), como γ ′ (t) = (− sen t, cos t), t ∈ 0, π2 , temos


 


2
τ= F(γ(t)) · γ ′ (t) dt
0

2
= (0, cos t) · (− sen t, cos t) dt
0

2
= cos2 t dt
0
Zπ  
2 1
= (1 + cos 2t) dt
0 2
 π
1 sen 2t 2
= t+
2 2 0
1 π 
= −0
2 2
π
= u.t..
4
172 CAPÍTULO 5. RESULTADOS - CÁLCULO VETORIAL
 
t
Em relação a (b), como γ ′ (t) = − √1−t2
, 1 , t ∈ [0, 1], temos que

Z1
τ= F(γ(t)) · γ ′ (t) dt
0
Z1  p   
2
t
= 0, 1 − t · − √ , 1 dt
0 1 − t2
Z1 p
= 1 − t2 dt
0
Zπ p
2
= 1 − sen2 u cos u du
0
Zπ √
2
= cos2 u cos u du
0

2
= cos2 u du
0
π
= u.t..
4

(Na quarta igualdade anterior, de cima para baixo, usamos a mudança de variáveis:
t = sen u, dt = cos u du. Na última igualdade anterior, de cima para baixo, a integral é
resolvida como no item (a).)
R
2. Calcule ∇f · dγ se f(x, y) = cos(xyπ) e Γ for qualquer curva cuja parametrização tenha
Γ
derivada contı́nua e tenha pontos inicial e final em 1, 12 e (2, 1), respectivamente.


Resolução:
Note primeiramente que não explicitamos a curva Γ , que liga o ponto A = 1, 12 ao ponto


B = (2, 1), pois, com as condições enunciadas neste exercı́cio, o Teorema Fundamental
do Cálculo para Integrais de Linha nos diz que só precisamos, além de f, dos pontos
A e B. Então
Z
∇f · dγ = f(B) − f(A)
Γ
 
1
= f(2, 1) − f 1,
2
π
= cos(2π) − cos
2
=1−0
= 1.

3. Se F(x, y) = (y, x), existe f (diferenciável com fx e fy contı́nuas) tal que F = ∇f e, em


existindo, o que o Teorema Fundamental do Cálculo para Integrais de Linha nos
diz sobre isto?

Resolução:
5.4. EXERCÍCIOS - CÁLCULO VETORIAL 173

F = ∇f para f(x, y) = xy e, via tal teorema fundamental, a integral


Z
ydx + xdy
Γ

é independente da curva Γ que ligue quaisquer dois pontos (desde que tal curva tenha
parametrização com derivada contı́nua).
4. Use o Teorema de Green para calcular a integral de linha
Z
(1 + xy2 )dx − x2 ydy
Γ

onde Γ é o arco da parábola y = x2 cujos pontos inicial e final são (−1, 1) e (1, 1), res-
pectivamente.

Resolução:
Note primeiramente que tal integral de linha pode ser calculada diretamente, sem ape- 
larmos para o Teorema de Green, via a parametrização de Γ dada por γ(t) = t, t2 ,
t ∈ [−1, 1]. Entretanto, para calculá-la como requerido no enunciado da questão, deve-
mos obter uma curva Γ ′ tal que Γ ∪ Γ ′ seja fechada. O modo mais direto (e fácil) de se
conseguir isto é considerando o segmento de reta cujos pontos inicial e final sejam (1, 1)
e (−1, 1), respectivamente. (Confira a ilustração seguinte e observe que D é a região
limitada por Γ ∪ Γ ′ , que é orientada no sentido anti-horário.)

Y
Γ′ 1

D
Γ

X
−1 0 1

Assim, por um lado, considere f(x, y) = 1 + xy2 e g(x, y) = −x2 y. Logo fy = 2xy e
gx = −2xy. Aplicando daı́ o Teorema de Green a D, obtemos
I ZZ
fdx + gdy = (gx − fy ) dxdy
Γ ∪Γ ′
Z ZD
= (−4xy) dxdy
D
Z x=1 Z y=1 
= −2 2xy dy dx
x=−1 y=x2
Z x=1
y=1
xy2

= −2 y=x2
dx
x=−1
Z x=1
x − x5 dx

= −2
x=−1
= 0.
174 CAPÍTULO 5. RESULTADOS - CÁLCULO VETORIAL

Por outro lado, parametrize agora Γ ′ por (x(t), y(t)) = (−t, 1), t ∈ [−1, 1]. Segue então
que
Z Z1
2 2
(1 − t)(−1) − t2 · 0 dt
 
(1 + xy )dx − x ydy =
Γ′ −1
Z1
= (t − 1)dt
−1
1
t2

= −t
2 −1
= −2.

Para concluir, observe que


Z I Z
2 2 2 2
(1 + xy )dx − x ydy = (1 + xy )dx − x ydy − (1 + xy2 )dx − x2 ydy
Γ Γ ∪Γ ′ Γ′
= 0 − (−2)
= 2.

5. Use o Teorema de Green para calcular


I p
1 + x3 dx + 2xydy
Γ

onde Γ é o triângulo cujos vértices são os pontos (0, 0), (1, 0) e (1, 3), orientado no sentido
anti-horário.

Resolução:
Considere inicialmente a ilustração que segue, onde é representada a região D delimitada
por Γ .

Y
3

X
O 1

Γ é a união de três segmentos orientados, que podem ser facilmente parametrizados.



Contudo, o cálculo direto da integral de linha não tem sucesso pois o termo 1 + t3 dt
não pode ser (analiticamente) integrado!
5.4. EXERCÍCIOS - CÁLCULO VETORIAL 175

Por outro lado, o Teorema de Green converte a integral de linha


√ numa integral dupla
sobre D, que tem solução analı́tica. Assim, sejam f(x, y) = 1 + x3 e g(x, y) = 2xy.
Então fy = 0 e gx = 2y. Daı́
I ZZ
fdy + gdx = (gx − fy ) dxdy
Γ D
ZZ
= 2y dxdy
D
Z x=1 Z y=3x 
= 2y dy dx
x=0 y=0
Z x=1
 2 y=3x
= y y=0 dx
x=0
Z x=1
= 9x2 dx
x=0
 3 x=1
= 3x x=0
= 3.

6. Use o Teorema de Green para calcular a área da elipse cuja fronteira Γ é dada pela equação
(x−1)2 2

4
+ (y−2)
9
= 1.

Resolução:
Parametrize a elipse via x(t) = 2 cos t + 1 e y(t) = 3 sen t + 2, t ∈ [0, 2π], que acarreta
x ′ (t) = −2 sen t e y ′ (t) = 3 cos t para tais valores de t. Então tal elipse tem área dada
por
I Z
1 1 2π
xdy − ydx = [(2 cos t + 1)(3 cos t) − (3 sen t + 2)(−2 sen t)] dt
2 Γ 2 0
Z
1 2π 
6(cos2 t + sen2 t) + 3 cos t + 4 sen t dt

=
2 0
 Z 2π Z 2π Z 2π 
1
= 6 1 dt + 3 cos t dt + 4 sen t dt
2 0 0 0
1
 2π  2π  2π
= 6 t 0 + 3 sen t 0 + 4 − cos t 0
2
= 6π u.a.

7. Seja Γ a curva parametrizada por x(t) = 0, y(t) = 2 + 2 cos t e z(t) = 2 + 2 sen t,


t ∈ [0, 2π]. Use o Teorema de Stokes para calcular a seguinte integral de linha:
I
x2 ez dx + x sen y dy + 3y dz.
Γ

Resolução:
Tais equações paramétricas descrevem a circunferência de centro (2, 2) e raio 2 no plano
OYZ, como ilustrado a seguir.
176 CAPÍTULO 5. RESULTADOS - CÁLCULO VETORIAL

S
Y

Note ainda que, na ilustração anterior, consideramos S como o cı́rculo limitado por Γ = ∂S.
Então n
~ = (1, 0, 0) e, pelo Teorema de Stokes,
I ZZ
2 z
∇ × x2 ez , x sen y, 3y · (1, 0, 0) dS.
  
x e , x sen y, 3y · ds =
∂S S

Daı́, por razões óbvias, basta calcularmos apenas a primeira componente do rotacional.
Assim, hy − gz = 3 − 0.10 Logo, a última integral anterior é calculada por
ZZ
3 dS = 12π u.a.
S

(já que a última integral anterior representa a área de um cı́rculo cujo raio mede 2 u.c.).

8. Sejam F(x, y, z) = (−y, x, z) e S a parte do parabolóide z = 7 − x2 − 4y2 acima do plano


z = 3, orientada
RR com normais apontando para cima. Use o Teorema de Stokes para cal-
cular I = S (∇ × F) · n~ dS.

Resolução:
Segue primeiramente uma ilustração de S. (Confira figura 5.1.) Agora, para obtermos

Figura 5.1: S, com OZ como eixo de rotação, acima do plano z = 3, x, y ∈ [−2, 2].

Γ = ∂S, vamos considerar 7 − x2 − 4y2 = 3, isto é, a elipse x2 + 4y2 = 4, que pode
10
g(x, y, z) = x sen y e h(x, y, z) = 3y.
5.4. EXERCÍCIOS - CÁLCULO VETORIAL 177

ser parametrizada por γ(t) = (2 cos t, sen t, 3), t ∈ [0, 2π]. Tal curva é positivamente
orientada quando vista de cima. Então, pelo Teorema de Stokes, segue que
Z
I = F · dγ
Γ
Z 2π
= F(γ(t)) · γ ′ (t) dt
0
Z 2π
= (− sen t, 2 cos t, 3) · (−2 sen t, cos t, 0) dt
0
Z 2π
2 sen2 t + 2 cos2 t dt

=
0
Z 2π
= 2 dt
0
= 4π.