Você está na página 1de 17

EPÍGRAFE

Um dos maiores riscos que se pode correr no campo de Engenharia de Construções é iniciar
uma obra sem um conhecimento tão perfeito quanto possível do terreno (rocha ou solo) de
fundação (CAPUTO,1988)
DEDICATÓRIA
Dedicamos este trabalho aos nossos familiares, amigos, professores, a todos quanto nos
ajudam no percurso da nossa formação acadêmica e a nós mesmo.
AGRADECIMENTOS
RESUMO

ÍNDICE
Introdução
Um dos aspectos mais importantes em projetos e obras associados à Geotécnica é a
determinação das deformações (recalques) devidas a carregamentos verticais aplicados na
superfície do terreno ou em camadas próximas à superfície.
Conhecer as propriedades do solo é fundamental para a engenharia civil, pois praticamente
tudo que se constrói depende de uma fundação sólida, resistente e não moldável, porém,
temos algumas características do solo que são pertinentes a solidez da estrutura, como um
dos principais fatores temos o recalque. O recalque é ocasionado pelo excesso de cargas no
solo, onde ocorre o rebaixamento da estrutura seja ele uniforme ou não, levando a ocasionar
o afundamento da edificação quando uniforme, ou trincas, fissuras e rachaduras quando há
um recalque diferencial. O recalque está ligado basicamente a duas condições do solo,
quais são a compressibilidade e o adensamento, e essas duas condições trabalham juntas, a
compressibilidade é o processo onde ocorre a retirada dos vazios presentes no solo através
da compactação dando assim uma maior estabilidade ao terreno e o adensamento trabalha
com o mesmo princípio de dar estabilidade ao solo, mas com a retirada do excesso de água
entre as partículas. Com o correto tratamento dessas propriedades é possível garantir que
não haja problemas de recalque da fundação, com base na carga que será adicionada ao
solo, evitando assim custos adicionais futuros para a reparação do mesmo.
E o presente exposto vai abordar sobre alguns dos métodos utilizados para garantir que os
solos estão prontos a receber o tipo de edificação pretendida.
Particularidades sobre os minerais de argila
Os solos argilosos, ou argilas, são solos em cuja composição predominam partículas
muito finas, com dimensões da ordem de 1µm, ou um milésimo de milímetro. Estas
partículas apresentam forma laminar e consequentemente elevada superfície específica
bem como grande predominância de carga elétrica negativa. Este facto propicia a interação
destas partículas com o meio exterior nomeadamente atraindo grandes quantidades de
moléculas de água e iões positivos por forma a ficar neutralizada. Aquando do processo de
sedimentação em rios ou lagos, ou no fundo do oceano, este fenómeno explica que o solo
apresente um elevado teor em água, w, e a sua consistência seja muito reduzida. A
sucessiva deposição destas partículas e o seu peso sobre as já depositadas irá forçar uma
“rearrumação” do esqueleto sólido do solo provocando uma progressiva expulsão de água
dos poros, ou vazios, e consequentemente do teor em água e do índice de vazios, e.
Compreende-se, assim que o teor em água assuma grande importância na
classificação dos solos argilosos, nomeadamente no estudo do comportamento mecânico.
Surgem então os limites de Atterberg que permitem definir o estado físico destes solos.
Para valores muito elevados do teor em água o composto agua-solo apresenta
comportamento líquido. À medida que este teor em água reduz, a partir de certo momento
o composto passa a apresentar comportamento moldável. Se a redução continuar, a partir
de determinado ponto está começa a fragmentar-se. Aos respetivos valores do teor em água
que separam estes comportamentos atribui-se as designações de limite de liquidez, Wl,
limite de plasticidade, Wp e limite de retração, Ws. À diferença entre os dois primeiros, os
mais utilizados por fornecerem mais informações úteis sobre o comportamento do solo, dá-
se o nome de índice de plasticidade, em percentagem (Matos Fernandes, 2006).
𝐼𝑃 = Wl − Wp
Geralmente pode-se afirmar que os limites de liquidez e plasticidade, assim como
o índice de plasticidade, tendem a aumentar com o caráter mais argiloso do solo. Quando
estes valores são elevados diz-se que o solo é muito plástico. Um solo que apresente um
valor do teor em água próximo do limite de liquidez deverá ter sido formado recentemente,
apresentará muito baixa consistência e elevada compressibilidade. Pelo contrário, o teor
em água dos solos mais antigos tenderá a apresentar um valor mais reduzido do que o limite
de liquidez e a sua consistência aumenta com esta diferença.

Compressibilidade dos Solos


A Engenharia Civil se subdivide em várias áreas, e qualquer que seja ela está ligada
de uma forma ou de outra com o solo, construções civis, obras de arte, pavimentação,
barragens dentre outros.
O solo é um mineral formado pela decomposição de rochas, tendo em vista que é
constituído pelo agrupamento de partículas sólidas com vazios entre si que podem ser
completado total ou parcial por água (CAPUTO,1988).
Em qualquer que seja a obra, se faz a necessidade de uma sondagem do solo para
se determinar a característica do mesmo e assim tomar as devidas ações, tendo em vista
que em cada obra há determinado o quanto de carga o terreno deve suportar e assim tentar
minimizar as deformações do solo causada pela variação das tensões aplicadas.
A associação das tensões aplicadas com as deformações define compressibilidade,
todavia uma característica dos solos de serem passíveis a compressão.
A compressibilidade é uma das principais causas do recalque, contudo a diminuição
do volume através de cargas aplicadas; em particular, um caso de grande importância
prática é aquele que se refere à compressibilidade de uma camada de solo, saturada e
confinada lateralmente. Tal situação condiciona os chamados recalques por adensamento,
que alguns autores preferem denominar recalques por consolidação. (CAPUTO,1988).
Diversos fatores condicionam a compressibilidade dos solos, tais como: tipo de
solo, grau de saturação e estrutura do solo. Vai variar de solo para outro, sua
compressibilidade pois determinados tipos de solos, possui uma facilidade maior de
deslocar suas partículas, as estruturas dos solos se observam o índice de vazios que está
diretamente ligado a compressibilidade do solo.
O grau de saturação está ligado a quantidade de água contida nos solos, sendo
discrepante a diferença da compressibilidade dos solos com vazios preenchidos de ar e
água, todavia que a compressibilidade do ar pode interferir na magnitude das deformações.
O método para a determinação da resistência da compressão do solo, é determinado pela
NBR 12770.
Esta Norma prescreve o método para a determinação da
resistência à compressão, não confinada (ou simples), de
corpos-de-prova constituídos por solos coesivos, mediante
a aplicação de carga axial, com controle de deformação.
Tais corpos-de-prova podem ser indeformados ou obtidos
por compactação ou mesmo por remoldagem
(TÉCNICAS, Solo coesivo - Determinação da resistência
à compressão não confinada, 1992).

O solo utilizado para a realização desse método, deve possuir características


ligantes bem definidas (coesão), para que quando realizado a moldagem do corpo de prova,
após receber as cargas da compressão, não haja a expulsão da água e que ao se desenformar,
não venha a se desfazer a modelagem. Este teste é indicado para solos de granulometria
“fina”, tais como é o caso do silte e da argila.
Os equipamentos utilizados para este teste, são basicamente uma prensa hidráulica,
ou qualquer outra que atenda as exigências da norma, um paquímetro para aferimento das
dimensões do corpo de prova uma balança, com precisão de 0,1% em relação a massa total
do CP, cronometro e um extrator de amostras. Após a realização do ensaio descrito na NBR
12770 e de posse das medidas, deve ser realizado os seguintes cálculos:
Calcular a deformação axial específica, para uma dada carga
aplicada, como segue: = (∆H/H) 100
Onde:
= deformação axial específica, em %
= variação da altura do corpo-de-prova, obtida pelo indicador
de deslocamento, em mm
H = altura inicial do corpo-de-prova, em mm
Calcular a área da seção transversal média, A, para uma dada carga
aplicada, como segue: A = (100Ai) / (100 -  
Onde:
Ai = área da seção transversal média inicial, em m²; e
= deformação axial específica, correspondente a esse
carregamento, em %
Calcular a tensão de compressão, q, para uma dada carga aplicada,
como segue: q=P/A
Onde:
P = carga aplicada, em kN
Elaborar um gráfico mostrando a relação entre a tensão de
compressão (ordenadas) e a deformação axial específica
(abcissas).
Caso se tenha realizado também o ensaio sobre corpo-de-prova
remoldado, calcular a sensitividade, ST, como segue:
ST =qu (corpo-de-prova indeformado) /qu (corpo-de-prova
remoldado)
Após obtido os resultados dos cálculos deve ser o construído o gráfico da tensão x
deformação, assim como imagens do corpo de prova rompido descrevendo as
características físicas e táteis antes e depois do processo.
O solo é constituído por solo, ar e água, sendo assim a evaporação pode diminuir a
quantidade de água, e a compressão do solo pode provocar a saída de água e ar, reduzindo
o volume de vazios, alterando a resistência do solo e contribuindo para a ocorrência de
recalque (SANTOS, 2015).

Recalque
O Recalque consiste na deformação do solo quando é submetido a esforços,
provocando uma movimentação e dependendo da intensidade pode resultar em sérios danos
a estrutura (REBELLO, 2008).
Conforme a magnitude do recalque em uma obra pode acarretar na decadência,
porém umas simples trincas ou rachaduras podem ser solucionadas, se faz necessário então
o estudo dos tipos de recalques assim como formas de solucionar e prever tais problemas.
Quando um elemento de fundação se desloca verticalmente, é configurado um
recalque absoluto. A diferença entre os recalques absolutos de dois elementos da fundação
é denominada recalque diferencial. O recalque diferencial impõe distorções à estrutura que
pode acarretar em fissuras (Alonso, apud SANTOS, 2014).
O recalque é subdividido em três classificações conforme sua carga estática, sendo
eles: por deformação elástica, escoamento lateral e adensamento.
Na deformação elástica o recalque ocorre imediatamente após a aplicação de
esforços e são maiores em solos não argilosos, ou seja, coesivos. (REBELLO, 2008)
Segundo Rebello (2008) o recalque por escoamento lateral tende a ocorrer com mais
frequência em solos não coesivos, tendo em vista que seu deslocamento se dá do centro
para a lateral, com transição de solos das regiões mais solicitadas para as 55 menos
solicitadas.
A deformação por adensamento ocorre pela diminuição no volume aparente do
maciço de solo, causada pelo fechamento dos vazios deixados pela água expulsa em função
da pressão da fundação aplicada ao solo (SANTOS, 2014).
Segundo Rebello (2008), o recalque por adensamento pode ser estabilizado quando
toda a água entre os grãos de solo é expulsa, não mais havendo diminuição do volume do
solo. Se o recalque não afetou a estrutura, o problema passa a ser apenas vedar a trinca na
alvenaria.
Recalques por adensamento ocorrem em solos de grão fino, que possuem baixo
coeficiente de permeabilidade, normalmente saturados ou próximos à saturação, sendo
associados ao tempo de ocorrência e à redução permanente do índice de vazios (BRANDI,
2012).
Com intuito de se determinar a magnitude dos recalques através do estado temporal
de tensão efetivas devem ser identificadas, se for submetida a pressão superior a pressão
geostática é denominada adensada caso contrário, pré-adensada, todavia essas condições
tem uma relação direta com a quantificação do recalque (Terzaghi, Peck apud BRANDI,
2004).

Consolidação (Adensamento)
Normatizado pela ABNT NBR 12007, o ensaio de adensamento tem por objetivo
determinar as características do solo quando submetido a pressões, simulando o que ocorre
quando a fundação transfere sua carga ao solo.
Segundo Santos (2015) o ensaio consiste em comprimir em um aparelho (edômetro)
uma amostra do solo, confinada entre duas pedras porosas e lateralmente por um anel
rígido. Uma carga vertical é aplicada e gradualmente aumentada seguindo uma escala de
tempo. A cada aumento da carga é anotado o valor das deformações, e com esses valores
determinar o índice de vazios em cada estágio de carga aplicada.
Como resultado de um ensaio de adensamento, traçam-se também as curvas tempo-
recalque para cada um dos estágios de carregamento. Essas curvas permitem a
determinação do coeficiente de adensamento e permeabilidade do solo (CAPUTO, 1988).
O adensamento ocorre através do excesso de cargas no solo, fazendo com que o
mesmo venha a perder agua entre suas partículas, ou seja a poro-pressão ou pressão neutra
causando o afundamento de estruturas, também conhecidas como recalque. Para o teste de
adensamento é utilizado a NBR 12007 onde se encontra descrito o passo a passo para a
realização do mesmo, no intuito de evitar problemas futuros em relação ao mesmo.
Esta Norma prescreve o método de determinação das propriedades de adensamento
do solo, caracterizadas pela velocidade e magnitude das deformações, quando o solo é
lateralmente confinado e axialmente carregado e drenado (TÉCNICAS, MB-3336-Solo -
Ensaio de adensamento, 1990).
Para realização do ensaio são necessários materiais tais como: cronômetro, aparador
de amostras, extrator de amostras, pedra porosa, célula de adensamento e anel de
adensamento, e realizado conforme as Técnicas, MB-3336-Solo a seguir:

Aplica-se o primeiro estágio de carregamento que funciona como


uma carga de ajuste, ou pré - carga, que quase nunca fornece
resultados satisfatórios para cálculo de parâmetros. Este primeiro
carregamento pode ser de 0,0625 kgf/cm2 (para solos moles) a 0,125
kgf/cm2 (para solos médios a rijos).
Após deixar o primeiro carregamento sobre o solo por tempo
suficiente para estabilização das deformações (pode ser até menos
que 24 horas), aplica-se o primeiro incremento de carga e
simultaneamente iniciamse as leituras no extensômetro nos tempos
indicados na seguinte sequência:
0, 0.25, 0.5, 1, 2. 4, 8, 15, 30 minutos, 1, 2, 4, 8, 24 horas.
A duração dos incrementos de carga pode ser variável para mais ou
para menos de 24 horas. Incrementos que durem o tempo suficiente
para que se efetive o final do primário também são permitidos, basta
que se acompanhem as deformações pela construção gráfica de
Taylor e então realizar o próximo carregamento assim que ocorrer a
leitura correspondente ao final do primário.
Devem ser apresentados os resultados e informações, indicados a
seguir:
Curva índice de vazios, em função do logaritmo da pressão aplicada
acompanhada das seguintes indicações:
a) índice de vazios inicial;
b) pressão de pré-adensamento, processo empregado
e) índice de compressão, quando determinado;
d) condição de ensaio (sem inundação ou inundado, neste caso
indicando a pressão de inundação).
Curvas de adensamento (altura do corpo-de-prova em função do
logaritmo do tempo) para todos os estágios de pressão.
Curva do coeficiente de adensamento, em função do logaritmo da
pressão média no estágio, com indicação no eixo das ordenadas, o
valor do índice de vazios correspondente à pressão de pré-
adensamento método empregado para a determinação do coeficiente
de adensamento.
Curva logaritmo do coeficiente de permeabilidade, em função do
índice de vazios, para os ensaios em que foi feita a determinação do
coeficiente de permeabilidade (TÉCNICAS, 1992).

Teoria da Consolidação de Terzaghi


Com intuito de trabalhar com adensamento Terzaghi desenvolveu uma teoria
embasada nas seguintes hipóteses: solo isotrópico, completamente saturado; grãos minerais
e água incompressíveis; validade da lei de Darcy; o coeficiente de permeabilidade vertical
kz permanece constante durante o adensamento; há uma única relação linear entre índice
de vazios e tensão vertical efetiva que permanece constante durante o adensamento; as
deformações do solo são infinitesimais.
A teoria de Terzaghi surgiu no ano de 1943, a partir dos estudos de Prandtl (1920),
relacionado a rupturas plásticas por puncionamento dos metais. Baseado nesses estudos
Terzaghi desenvolveu uma teoria para cálculos da capacidade de cargas de fundações
superficiais e diretas.
De acordo com essa teoria, quando um solo se rompe por ser submetido à uma
tensão, sucessivamente o solo posterior a fundação forma o que chamamos de "Cunha”, é
o lugar onde a superfície a ruptura a iguala -se ao um trecho reto. Em seguida, por forma
de puncionamento, que é onde ocorrerá um deslocamento de aspecto vertical da Cunha
ligado a fundação, em função desse deslocamento da Cunha ocorrerá uma força no solo
gerando das zonas de cisalhamento: zona I, zona II. A zona I é definida pela superfície e
potencial e ruptura, tem a forma de uma espiral logarítmica, e está sujeita ao estado de
tensões passivas de Rankine.
No caso das tensões passivas Rankine, a tendência da Cunha, é resistir ao
movimento da estrutura, ao longo de toda a superfície e ruptura, por sua resistência ao
cisalhamento (M. Marangon 2009).
Na zona II é definida pela superfície potencial de ruptura que apresenta um trecho
reto. A partir dos estudos acima Terzaghi proporcionou uma fórmula para calcular a
capacidade dos solos:
r = C * NC * SC + 0,5y * B * Ny * Sy + q * Nq * Sq

Onde: r = tensão de ruptura do solo


C = coesão efetiva do solo
y = peso específico do solo
q = tensão efetiva do solo, na cota de apoio da fundação (q=y*h)
Nc, Ny e Nq = fatores de cargas obtidas e função dos ângulos de
atritos dos solos
Sc, Sy, Sq = fatores de forma

Aceleração da consolidação
Frequentemente, os prazos estipulados em projeto para as obras de engenharia civil
são incompatíveis com o tempo necessário para que os assentamentos por consolidação
ocorram naturalmente, uma vez que, como referido anteriormente, este fenómeno pode
demorar anos até estar concluído. Por outro lado, a consolidação, ao traduzir-se numa
diminuição do índice de vazios e do teor em água do solo, contribui significativamente para
que este apresente uma estrutura muito mais estável apresentando assim maior resistência
ao corte. Desta forma torna-se possível que este mesmo solo resista a carregamentos de
grandeza significativamente maior do que aqueles que poderia suportar no seu estado
inicial. Este facto justifica então o desenvolvimento de diversas técnicas que possibilitem
a aceleração do processo de consolidação. Dos quais apresentaremos três.
Pré-carga ou pré-carregamento
Assume-se como uma das técnicas mais antigas e utilizadas para melhorar as
características resistentes de um solo mole. Consiste em realizar um aterro que transmita
ao maciço uma carga superior àquela que se pretende transmitir em fase definitiva. A carga
em excesso só será retirada quando se verificaram assentamentos de grandeza semelhante
àqueles que seriam previsíveis após a construção da obra final. É ainda condição necessária
que o solo em consolidação possua resistência capaz de suportar o excesso de carga que é
aplicado (Matos Fernandes, 2006).
Através da aplicação desta técnica, consegue-se produzir o assentamento que seria
expectável no final do processo de consolidação, decorrente da aplicação da carga de
projeto da obra, num instante significativamente mais curto através da aplicação de uma
sobrecarga adicional, aqui materializada pela execução de uma altura adicional de aterro
que posteriormente deverá ser retirada. Este processo permite aumentar a resistência ao
corte, o módulo de compressibilidade e a resistência à penetração num menor espaço de
tempo do que aconteceria naturalmente.
Na prática, uma das dificuldades desta técnica reside na conjugação entre a
determinação do valor da sobrecarga temporária a aplicar e o tempo ao fim do qual se
pretende atingir o assentamento necessário. O intervalo de tempo projetado, para se atingir
o assentamento, tenderá a ser o mais curto possível na generalidade das obras mas deve ser
assegurada a capacidade resistente do solo em consolidação relativamente a esta sobrecarga
(Matos Fernandes, 2006).
Este método apresenta como principal vantagem o facto de ser económico
relativamente a outros métodos uma vez que, normalmente os materiais empregados para
a aplicação da sobrecarga temporária acabam por ser posteriormente reutilizados na obra
(sobretudo quando se trata da execução de aterros), assim como a maquinaria utilizada
normalmente é também simples e barata (uma vez que acabam por ser na maioria dos casos
os mesmos das tarefas de movimentação de terras) (Feliú, 1999). Esta técnica pode
conduzir a resultados ainda mais satisfatórios quando combinada com a seguinte.
Drenos verticais A técnica mais utilizada, quando o objetivo principal é acelerar o
processo de consolidação, consiste no uso de drenos verticais em solos de fundação. Isto
deve-se ao facto de esta técnica conduzir a reduções drásticas do tempo de consolidação
hidrodinâmica (ou primária) (Leitão Borges, 2004).
Por serem constituídos por materiais muito permeáveis, estes drenos encurtam as
distâncias de drenagem e consequentemente diminuem os tempos de consolidação. A
função de um dreno vertical consiste em recolher a água que aflui radialmente ao seu
interior e transporta-la verticalmente, na direção das fronteiras drenantes, com o mínimo
de resistência hidráulica possível. Devem apresentar, no entanto, uma granulometria
suficientemente extensa, no caso de drenos de areia, para impedir o arraste de finos. Uma
vez que o deslocamento para os drenos é horizontal, o escoamento será mais rápido pois o
coeficiente de permeabilidade horizontal é geralmente superior ao vertical, devido ao modo
como ocorre a deposição das camadas in-situ.
Para a análise de um problema com drenos verticais, admite-se simplificadamente
que cada dreno tem uma zona de influência cilíndrica de volume igual ao da zona de
influência real.
Os drenos artificiais ou sintéticos, pré-fabricados, têm vindo a ser cada vez mais
utilizados devido a sua economia e rapidez de instalação. O método consiste na cravação
de membranas plásticas através de lanças verticais, que podem atingir os 60 metros de
profundidade. Os drenos absorvem e filtram as águas dos solos possibilitando a eliminação
rápida da água do solo, ocasionando uma grande redução do tempo necessário à
consolidação de solos compressíveis.
Na prática os drenos verticais são utilizados em terrenos argilosos moles e pouco
permeáveis, permitindo também o aumento da resistência ao corte e consequentemente, da
capacidade de suportar cargas. A execução de um dreno vertical consiste basicamente na
introdução no terreno de um material com elevado coeficiente de permeabilidade e
capacidade de resistir aos esforços de cravação e aos movimentos da camada argilosa
provocados pelo adensamento e execução de aterros. Deste modo, os drenos pré-fabricados
substituem com vantagens os drenos de areia que, apesar de possuírem boa permeabilidade,
apresentam muito pouca resistência aos movimentos da camada argilosa. De entre as
vantagens da utilização de drenos pré-fabricados destacam-se: o seu baixo custo, a maior
capacidade de descarga de água, a sua rápida instalação, a utilização de equipamentos
ligeiros e simples, o seu processo mecanizado e fácil supervisão, qualidade constante e
garantida e a mínima alteração do terreno na sua colocação.
Indução de vácuo
Esta técnica consiste na expulsão de água do solo através da aplicação parcial de
vácuo, ou ar a pressão reduzida, nas camadas mais elevadas do solo. O vácuo é gerado
através da aspiração do ar que se localiza sob uma membrana colocada de forma a cobrir a
superfície do solo. Simula-se de certa forma um pré-carregamento que resulta na expulsão
da água, ou seja, a pressão da água nos poros reduz e a tensão efetiva aumenta.
A fim de melhorar a expulsão da água sob a membrana, é colocada uma camada de
areia, drenante, na qual são incorporadas condutas de drenagem horizontais.
Esta técnica é frequentemente utilizada em simultâneo com a utilização de drenos
verticais devido às vantagens que estes produzem na condução da água até à superfície. A
membrana utilizada é espalhada à superfície em bandas ligando-se, posteriormente, as
juntas a quente ou com recurso a colas especiais. As extremidades da membrana são ligadas
nas margens da área a consolidar por forma a ficarem ligadas a uma camada de reduzida
permeabilidade por exemplo através da escavação de um fosso nesta camada ou através da
construção de uma parede vertical vedante. No caso de a membrana acabar numa camada
arenosa, permeável, o nível freático no lado de fora é rebaixado e é injetado ar sob a
membrana resultando num aumento da pressão. A membrana deverá ser perfurada, por
forma a poder acomodar bombas de vácuo e piezómetros, mas devendo assegurar-se que
as pressões de vácuo não sejam anuladas devido à entrada de ar do exterior. Esta deverá
também ser flexível o suficiente por forma a assegurar que não se geram tensões
inadmissíveis na membrana. (CUR, 1996).

Conclusão
Com o trabalho desenvolvido pretendeu-se contribuir para o aprofundamento da
compreensão dos complexos fenómenos associados ao processo de consolidação dos solos
finos. Permitiu ao autor desenvolver os conhecimentos sobre as particularidades dos solos
moles, do seu processo de consolidação, e da relação entre estes e o comportamento em
situações reais, enquadradas na atividade da Engenharia Civil. Foi, também, importante
para tomar conhecimento das especificidades que caracterizam os solos moles encontrados
na Cidade do México, base para a aplicação do estudo desenvolvido, e dos desafios que
estes levantam nas diversas áreas de engenharia.
Referências bibliográficas
ABNT, NBR. 12007: ensaio de adensamento unidimensional. Rio de Janeiro, 1990. 13p.
2013.
ABNT, Associação Brasileira de Normas Técnicas. MB-3336 – Solo – Ensaio de
adensamento unidimensional. Rio de Janeiro, 1990.
BRANDI, Jose Luiz Gonçalves. Previsibilidade e controle de recalques em radiers sobre
solo mole. 2004.
CAPUTO, H. P. Mecânica dos solos e suas aplicações. 6. ed. Rio de Janeiro: LTC, v. I,
1988.
CAPUTO, H. P. Mecânica dos solos e suas aplicações. 6. ed. Rio de Janeiro: LTC, v. 2,
2012.
REBELLO, Y. C. P. Fundações: guia prático de projeto, execução e dimensionamento. 4.
ed. São Paulo: Zigurate, 2008.
SANTOS, Guilherme Veloso dos. Patologias devido ao recalque diferencial em fundações.
2015.
Fernandes, M. d. M. Mecânica dos Solos, Conceitos e Princípios Fundamentais.
FEUPedições, Porto, 2006.
Fernandes, M. d. M. Mecânica dos Solos, Introdução à Engenharia Geotécnica.
FEUPedições, Porto, 2006.
Feliú, A. B. Manual de Técnicas de Mejora del Terreno. Carlos López Jimeno. Madrid,
1999.
Borges, J. L., Three-dimensional analysis of embankments on soft soils incorporating
vertical drains by finite elemento method. Computers and Geotechnics, 31, Elsevier, 2004.

Você também pode gostar