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CONTEXTOS DE PRESTAÇÃO DE

UFCD CUIDADOS AO IDOSO – DOMICÍLIO,


8900 RESIDÊNCIAS AUTÓNOMAS E
CENTROS DE DIA
ufcd 8900 – Contextos de prestação de cuidados ao idoso - domicílio, residências autónomas e
centros de dia

Índice

Introdução............................................................................................................................................ 2
Âmbito do manual........................................................................................................................... 2
Objetivos .......................................................................................................................................... 2
Conteúdos programáticos .............................................................................................................. 2
Carga horária ................................................................................................................................... 3
1.Principais objetivos a trabalhar no idoso nos contextos ............................................................ 4
1.1.Apoio domiciliário ..................................................................................................................... 5
1.2.Centros de dia........................................................................................................................... 9
1.3.Residências autónomas ......................................................................................................... 11
2.Estratégias de intervenção e técnicas de apoio no domicílio.................................................. 15
3.Redes de apoio – Modelo ecológico de Bronfenbrenner ......................................................... 22
4.Prestadores de cuidados (resposta social informal) dos idosos ............................................. 27
4.1.Prestadores principais e secundários de cuidados ............................................................ 28
4.2.Diferenças nos apoios entre a família e os amigos ........................................................... 33
4.3.Papel do prestador de cuidados secundários..................................................................... 35
5.Resposta social formal vs resposta social informal .................................................................. 37
5.1.Idoso no seu domicílio e o idoso fora do seu domicílio.................................................... 38
5.2.Modelos de relação entre a rede social formal e informal ............................................... 43
Bibliografia ......................................................................................................................................... 50
Sites Consultados .............................................................................................................................. 51
Legislação........................................................................................................................................... 51
Termos e condições de utilização ................................................................................................... 53

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centros de dia

Introdução

Âmbito do manual

O presente manual foi concebido como instrumento de apoio à unidade de formação de


curta duração nº 8900 – Contextos de prestação de cuidados ao idoso - domicílio,
residências autónomas e centros de dia, de acordo com o Catálogo Nacional de
Qualificações.

Objetivos

 Identificar os principais objetivos, estratégias e técnicas de intervenção no apoio


domiciliário, nos centros de dia e nas residências autónomas.
 Aplicar estratégias e técnicas de intervenção no apoio domiciliário, nos centros de
dia e nas residências autónomas.
 Reconhecer quem são os prestadores de cuidados dos idosos e o seu papel.
 Diferenciar a resposta social formal, da resposta social informal.

Conteúdos programáticos

 Principais objetivos a trabalhar no idoso nos contextos


o Apoio domiciliário
o Centros de dia
o Residências autónomas
 Estratégias de intervenção e técnicas de apoio no domicílio
 Redes de apoio – Modelo ecológico de Bronfenbrenner
o Prestadores de cuidados (resposta social informal) dos idosos

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o Prestadores principais e secundários de cuidados


o Diferenças nos apoios entre a família e os amigos
 Papel do prestador de cuidados secundários
 Resposta social formal vs resposta social informal
o Idoso no seu domicílio e o idoso fora do seu domicílio
o Modelos de relação entre a rede social formal e informal

Carga horária

 50 horas

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1.Principais objetivos a trabalhar no idoso nos


contextos

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1.1.Apoio domiciliário

Definição

O Serviço de Apoio Domiciliário constitui uma Resposta Social organizada a que as pessoas
em situação de dependência podem ter acesso para satisfação de necessidades básicas e
específicas, apoio nas atividades instrumentais da vida quotidiana e atividades
sociorrecreativas.

Este conjunto de serviços é prestado no domicílio habitual de vida do cliente, contribuindo


para a promoção da sua autonomia e a prevenção de situações de dependência ou seu
agravamento.

Ao instituir-se legalmente a Resposta Social Serviço de Apoio Domiciliário, no âmbito de


medidas de política destinadas à população em situação de dependência, procurou-se que
a mesma possibilitasse uma oferta de serviços diversificada, cujo acesso correspondesse à
concretização de direitos de cidadania.

Os serviços que os clientes do Serviço de Apoio Domiciliário solicitam têm vindo a sofrer
alterações na medida em que as situações de dependência pela sua complexidade afetam,
na maioria dos casos, várias dimensões da pessoa, exigindo em muitas situações o
estabelecimento de parcerias que capacitem esta resposta social para a concretização da
sua missão.

Objetivos

 Concorrer para a melhoria da qualidade de vida das pessoas e famílias


 Contribuir para a conciliação da vida familiar e profissional do agregado familiar
 Contribuir para a permanência das pessoas no seu meio habitual de vida,
retardando ou evitando o recurso a estruturas residenciais

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 Promover estratégias de desenvolvimento da autonomia


 Prestar os cuidados e serviços adequados às necessidades dos utentes (mediante
contratualização)
 Facilitar o acesso a serviços da comunidade
 Reforçar as competências e capacidades das famílias e de outros cuidadores.

Cuidados e serviços

Para a prossecução dos seus objetivos o SAD deve proporcionar um conjunto diversificado
de cuidados e serviços, em função das necessidades dos utentes.

Os cuidados e serviços prestados pelo SAD devem ser, tendencialmente, disponibilizados


todos os dias da semana, garantindo, também, sempre que necessário o apoio aos
sábados, domingos e feriados.

O SAD deve reunir condições para prestar, pelo menos, quatro dos seguintes cuidados e
serviços:

a) Cuidados de higiene e conforto pessoal;


b) Higiene habitacional, estritamente necessária à natureza dos cuidados prestados;
c) Fornecimento e apoio nas refeições, respeitando as dietas com prescrição
médica;
d) Tratamento da roupa do uso pessoal do utente;
e) Atividades de animação e socialização, designadamente, animação, lazer, cultura,
aquisição de bens e géneros alimentícios, pagamento de serviços, deslocação a
entidades da comunidade;
f) Serviço de teleassistência.

O SAD pode, ainda, assegurar outros serviços, designadamente:

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a) Formação e sensibilização dos familiares e cuidadores informais para a prestação


de cuidados aos utentes;
b) Apoio psicossocial;
c) Confeção de alimentos no domicílio;
d) Transporte;
e) Cuidados de imagem;
f) Realização de pequenas modificações ou reparações no domicílio;
g) Realização de atividades ocupacionais.

Sem prejuízo de o SAD poder assegurar os serviços referidos nas alíneas a), b) e g) do
número anterior, deve ter-se em conta a existência na comunidade de serviços mais
apropriados à satisfação das necessidades dos utentes.

Princípios de atuação

O SAD rege-se pelos seguintes princípios de atuação:

a) Qualidade, eficiência, humanização e individualização;


b) Interdisciplinaridade;
c) Avaliação das necessidades do utente;
d) Reserva da intimidade da vida privada e familiar;
e) Inviolabilidade do domicílio e da correspondência;
f) Participação e corresponsabilização do utente ou representante legal e dos seus
familiares, na elaboração do programa de cuidados e serviços.

Legislação aplicável a Serviço de Apoio Domiciliário

Portaria n.º 38/2013, de 30 de janeiro


Estabelece as condições de instalação e funcionamento do serviço de apoio domiciliário, e
revoga o Despacho Normativo n.º 62/99, de 12 de novembro.

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1.2.Centros de dia

Definição

O Centro de Dia é uma Resposta Social, desenvolvida em equipamento, que consiste na


prestação de serviços que contribuem para a manutenção das pessoas no seu meio
habitual de vida, visando a promoção da autonomia e a prevenção de situações de
dependência ou o seu agravamento.

Ao instituir-se o Centro de Dia, no âmbito das Respostas Sociais, procurou-se que o mesmo
possibilitasse uma oferta de serviços de proximidade diversificada, permitindo que o
cidadão permanecesse, o maior tempo possível, no seu meio habitual de vida, retardando e
invertendo a lógica de integração em Lar, como a única resposta possível.

Simultaneamente, o Centro de Dia é uma resposta que possibilita às pessoas novos


relacionamentos e elos de ligação com o exterior, através do estabelecimento de contactos
com os colaboradores, voluntários, clientes e pessoas da comunidade, donde a qualidade
da intervenção dever ser uma exigência a ter em conta permanentemente na gestão desta
Resposta Social.

Objetivos

 Assegurar a prestação de cuidados e serviços adequados à satisfação das


necessidades e expectativas do utilizador
 Prevenir situações de dependência e promover a autonomia
 Promover as relações pessoais e entre as gerações
 Favorecer a permanência da pessoa idosa no seu meio habitual de vida
 Contribuir para retardar ou evitar ao máximo o internamento em instituições
 Promover estratégias de desenvolvimento da autoestima, da autonomia, da
funcionalidade e da independência pessoal e social do utilizador.

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O Centro de Dia pode organizar-se como:

a) Serviço autónomo, i. e., em espaço próprio e funcionamento independente;


b) Serviço integrado numa estrutura existente - lar, centro comunitário ou outra
estrutura polivalente.

O Centro de Dia assegura entre outros os seguintes serviços:

a) Refeições:
b) Convívio/ocupação;
c) Cuidados de higiene;
d) Tratamento de roupas;
e) Férias organizadas.

O Centro de Dia pode promover, além dos serviços referidos no número anterior, o
desenvolvimento de serviços de refeições ao domicílio, serviços de apoio domiciliário e
acolhimento temporário.

Legislação aplicável a Centro de Dia

Guião Técnico do Centro de Dia


Elaborado pela Direção-Geral de Ação Social, aprovado por Despacho do SEIS, de 29 de
novembro de 1996.

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1.3.Residências autónomas

Definição

A Estrutura Residencial constitui-se como uma Resposta Social, desenvolvida em


equipamento, destinada a alojamento coletivo, num contexto de “residência assistida”, para
pessoas com idade correspondente à idade estabelecida para a reforma, ou outras em
situação de maior risco de perda de independência e/ou de autonomia que, por opção
própria, ou por inexistência de retaguarda social, sem dependências causadas por estado
agravado de saúde do qual decorra a necessidade de cuidados médicos e paramédicos
continuados ou intensivos, pretendem integração em estrutura residencial, podendo aceder
a serviços de apoio biopsicossocial, orientados para a promoção da qualidade de vida e
para a condução de um envelhecimento sadio, autónomo, ativo e plenamente integrado.

O conceito de envelhecimento ativo e saudável, traduz a possibilidade da pessoa idosa


permanecer autónoma e capaz de cuidar de si própria, no seu meio natural de vida, ainda
que com recurso a apoios, tanto quanto possível.

A realidade mostra porém, que há um número considerável de pessoas idosas que não
encontram uma resposta adequada nesse meio.

Na ausência de resposta no seu meio natural de vida – o familiar – a pessoa idosa


necessita de especiais empenho e competência das respostas sociais para que as
dimensões física, psíquica, intelectual, espiritual, emocional, cultural e social da vida de
cada indivíduo possam por ele ser desenvolvidas sem limitações dos seus direitos
fundamentais à identidade e à autonomia.

Torna-se, por isso, frequente a necessidade do recurso a essas respostas sociais, em que
se inclui o alojamento em Estrutura Residencial, a título temporário ou permanente.

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Objetivos

 Proporcionar serviços permanentes e adequados à problemática biopsicossocial das


pessoas idosas
 Contribuir para a estimulação de um processo de envelhecimento ativo
 Criar condições que permitam preservar e incentivar a relação intrafamiliar
 Potenciar a integração social.

Princípios de atuação

A estrutura residencial rege -se pelos seguintes princípios de atuação:

a) Qualidade, eficiência, humanização e respeito pela individualidade;


b) Interdisciplinaridade;
c) Avaliação integral das necessidades do residente;
d) Promoção e manutenção da funcionalidade e da autonomia;
e) Participação e corresponsabilização do residente ou representante legal ou
familiares, na elaboração do plano individual de cuidados.

Destinatários

A estrutura residencial destina -se à habitação de pessoas com 65 ou mais anos que, por
razões familiares, dependência, isolamento, solidão ou insegurança, não podem
permanecer na sua residência.

A estrutura residencial pode, também, destinar-se a pessoas adultas de idade inferior a 65


anos, em situações de exceção devidamente justificadas.

A estrutura residencial destina -se, ainda, a proporcionar alojamento em situações


pontuais, decorrentes da ausência, impedimento ou necessidade de descanso do cuidador.

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Capacidade

A capacidade máxima da estrutura residencial é de 120 residentes, não podendo ser


inferior a 4 residentes.

A estrutura residencial organiza -se por unidades funcionais, entendendo -se por unidade
funcional o conjunto de áreas funcionais, fisicamente agrupadas e equipadas, para o
alojamento dos residentes em ambiente confortável e humanizado e para a prestação dos
serviços previstos.

A capacidade máxima de cada unidade funcional é de 60 residentes.

Quando a capacidade da estrutura residencial for até 80 residentes, é dispensada a


obrigatoriedade de existência de unidades funcionais.

Modalidades de alojamento

A estrutura residencial pode assumir um das seguintes modalidades de alojamento:


a) Tipologias habitacionais, designadamente apartamentos e ou moradias;
b) Quartos;
c) Tipologias habitacionais em conjunto com o alojamento em quartos.

Serviços

A estrutura residencial presta um conjunto de atividades e serviços, designadamente:


a) Alimentação adequada às necessidades dos residentes, respeitando as
prescrições médicas;
b) Cuidados de higiene pessoal;
c) Tratamento de roupa;
d) Higiene dos espaços;

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e) Atividades de animação sociocultural, lúdico-recreativas e ocupacionais que visem


contribuir para um clima de relacionamento saudável entre os residentes e para a
estimulação e manutenção das suas capacidades físicas e psíquicas;
f) Apoio no desempenho das atividades da vida diária;
g) Cuidados de enfermagem, bem como o acesso a cuidados de saúde;
h) Administração de fármacos, quando prescritos.

A estrutura residencial deve permitir:

a) A convivência social, através do relacionamento entre os residentes e destes com


os familiares e amigos, com os cuidadores e com a própria comunidade, de acordo
com os seus interesses;
b) A participação dos familiares ou representante legal, no apoio ao residente
sempre que possível e desde que este apoio contribua para um maior bem -estar e
equilíbrio psicoafetivo do residente.

A estrutura residencial pode, ainda, disponibilizar outro tipo de serviços, visando a melhoria
da qualidade de vida do residente, nomeadamente, fisioterapia, hidroterapia, cuidados de
imagem e transporte.

A estrutura residencial deve ainda permitir a assistência religiosa, sempre que o residente o
solicite, ou, na incapacidade deste, a pedido dos seus familiares ou representante legal.

Legislação aplicável a Estrutura Residencial para Pessoas Idosas

Portaria n.º 67/2012, de 21 de março


Define as condições de organização, funcionamento e instalação das estruturas residenciais
para pessoas.

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2. Estratégias de intervenção e técnicas de apoio no


domicílio

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O serviço de apoio domiciliário é um serviço de proximidade, uma vez que corresponde a


uma resposta social organizada a que as pessoas em situação de dependência podem ter
acesso para satisfação de necessidades básicas e específicas, tendo apoio nas atividades
instrumentais da vida quotidiana e atividades sócio recreativas.

Compreende-se por serviços de proximidade sobretudo as atividades que tradicionalmente


eram asseguradas pelas famílias, nas suas casas (tais como assistência a pessoas idosas,
crianças, deficientes) e que, com a evolução das condições de vida, passaram a ser
realizadas no exterior da família.

O desenvolvimento dos serviços de proximidade resultou essencialmente dos seguintes


fatores:

 Abandono dos campos e vinda das pessoas para as cidades, com a crescente
influência dos centros urbanos;
 Crescimento do número de mulheres a trabalhar fora de casa, provocando a
elevação dos rendimentos das famílias e consequentemente a procura de níveis de
vida e de hábitos de consumo mais exigentes;
 Alterações da estrutura familiar, com redução do número de filhos;
 Habitações pouco espaçosas;
 Aumento da esperança de vida das pessoas, logo o aumento da população idosa.

Todas estas mudanças levaram a que determinadas atividades, sobretudo as de assistência


a crianças, pessoas doentes e dependentes, antes asseguradas no seio da família,
passassem a ser confiadas a pessoas ou a instituições exteriores ao agregado familiar,
dando origem ao desenvolvimento de serviços de proximidade.

Contudo, porque se trata de serviços prestados às pessoas, na sua maioria em situação de


dependência, tais atividades mantêm a exigência de um relacionamento pessoal próximo,
afetuoso, entre quem as exerce e quem delas beneficia.

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Em Portugal alguns serviços de proximidade, designadamente os serviços de apoio social,


são prestados por instituições públicas ou por instituições de solidariedade (Centros
Regionais de Segurança Social, Instituições Particulares de Solidariedade Social,
Misericórdias, Cooperativas, Centros Sociais e Paroquiais, etc.) bem como por entidades
particulares, com ou sem fins lucrativos.

Os serviços de proximidade que respondem a necessidades mais genéricas das famílias e


das comunidades locais (serviços diversos prestados ao domicílio, serviços de segurança e
vigilância, entre outros) têm sido assegurados, principalmente, por empresas para essa
prestação.

Por vezes estes serviços são assegurados por pessoas particulares, em nome individual,
trabalhando por conta própria.

O emprego de ajudante familiar, também designado como assistente familiar ou ajudante


domiciliária, representa um emprego em crescimento porque está a sofrer uma maior
procura por parte das entidades e dessa forma está a generalizar-se, mas a este
movimento está associado um conjunto de alterações das atividades desenvolvidas,
nomeadamente pela crescente oferta de serviços de apoio ao domicílio, e das competências
exigidas para esse desenvolvimento, o que o torna também num emprego em
transformação.

Este profissional representa o emprego mais emblemático de um conjunto de atividades


crescentemente disponibilizadas ao domicílio.

Tem, essencialmente, como fim dar apoio à comunidade, mais concretamente, prestar
serviços de cuidados e apoio a públicos com algum tipo de dependência temporária ou
permanente que não têm o acompanhamento familiar necessário.

As pessoas que mais recorrem a estes profissionais são os doentes acamados e as pessoas
idosas.

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Os serviços promovidos por este profissional passam, antes de mais, pelo apoio psicológico
de base (a companhia), pelo acompanhamento relativamente aos cuidados de saúde, pela
motivação e incentivo à vida do cliente/utilizador, de modo a que este não se sinta só e
tenha uma vida com qualidade e pela elaboração dos cuidados básicos (alimentação,
tratamento da roupa e da casa).

A função deste profissional tem como principal objetivo promover a permanência do


cliente/utilizador no domicílio durante mais tempo, adiando, dessa forma, a ida para lares e
promovendo a sua qualidade de vida.

Ou seja, as entidades passaram a desenvolver um serviço personalizado junto do


cliente/utilizador, no seu próprio domicílio, com a preocupação de serem eficazes e de
prestarem um serviço de qualidade, permitindo manter o enquadramento do
cliente/utilizador no meio ambiente ao qual está ligado fisicamente e psicologicamente.

A qualidade deste tipo de serviço decorre do elemento personalização que é, digamos, o


motor do desenvolvimento deste emprego.

A personalização não é mais do que a adaptação das tarefas às características do


cliente/utilizador, o que exige do profissional alguma autonomia e capacidade de resposta e
de adaptação a situações diferenciadas, saber gerir conflitos, ter espírito otimista e
positivo, ser diplomático e saber trabalhar em equipa.

Por outro lado, o detentor deste emprego, mesmo exercendo a sua atividade fora da
instituição, i.e. ao domicílio do cliente/utilizador, trabalha integrado em equipas
pluridisciplinares, colaborando estreitamente com os técnicos de saúde, os assistentes
sociais e os psicólogos, uma vez que é a ele que cabe a sinalização de situações que
impliquem a necessidade de intervenção dos técnicos.

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Podemos então enumerar um conjunto novo de competências e de saberes que hoje em


dia são exigidos a este emprego que está numa fase de expansão em todas as entidades
estudadas e que prestam este tipo de serviço de apoio:

 Colaborar com as famílias às quais presta apoio, assegurando uma permanente


informação sobre os aspetos relevantes para a garantia das condições de saúde e
de bem-estar dos clientes/utilizadores;
 Acompanhar as alterações que se verifiquem na situação global dos
clientes/utilizadores que afetem o seu bem-estar e atuar por forma a ultrapassar
possíveis situações de isolamento e solidão;
 Desenvolver atividades de apoio que estimulem as aptidões dos
clientes/utilizadores;
 Prestar cuidados básicos ao nível da saúde relacionados com doenças próprias da
velhice, o que implica possuir conhecimentos de gerontologia e da problemática da
velhice; ou de outras doenças que afetam os seus clientes/utilizadores;
 Dar resposta em situações inesperadas de aflição;
 Gerir conflitos, ser otimista, ser diplomático e saber trabalhar em equipa.

Na realidade, a valorização da dimensão do relacionamento entre os vários intervenientes


no Serviço de Apoio Domiciliário afigura-se como um dos aspetos cruciais na qualidade dos
serviços prestados, uma vez que promove o desenvolvimento psicossocial global, mais
adequado e adaptado aos clientes que usufruem dos serviços.

O relacionamento que os colaboradores mantêm com o cliente e pessoa significativa além


de ser uma dimensão muito valorizada pelos mesmos, permite-lhes também o
desenvolvimento de sentimentos de segurança e confiança na organização prestadora de
serviços e contribui para uma maior adaptação ao contexto de mudança.

Os colaboradores devem, pois, procurar manter de forma consistente e continuada com


cada cliente um contacto de proximidade.

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A parceria entre o cliente, pessoas significativas e colaboradores (internos, externos) deve


ser caracterizada por uma partilha ativa de informação, responsabilização e implicação de
todos os intervenientes em atividades/ações conjuntas, com a finalidade de proporcionar
um maior benefício ao cliente, assim como a melhoria contínua dos serviços prestados.

A Direção do SAD deve prever estratégias de envolvimento do cliente e pessoas


significativas na gestão do SAD, como forma de desenvolver os serviços que presta na
permanente satisfação das necessidades e expectativas dos clientes, sempre numa ótica de
melhoria contínua.

No âmbito da estratégia de gestão do conjunto das atividades de implementação dos


processos de trabalho, o SAD:

 Possui um Código de Ética, onde se encontram espelhados os direitos dos clientes,


os valores fundamentais da organização, as normas de conduta dos dirigentes,
colaboradores e parceiros.
 Respeita e promove os direitos fundamentais dos indivíduos, tais como o direito à
cidadania, à autonomia, à participação, à privacidade, à confidencialidade, à
individualidade, à paz, à não discriminação, entre outros.
 Promove a igualdade de oportunidades ao nível dos serviços e atividades propostas
aos clientes.
 Respeita as diferenças de género, socioeconómicas, religiosas, culturais e sexuais
dos clientes.
 Respeita o projeto de vida definido por cada cliente, bem como os seus hábitos de
vida, interesses, necessidades e expectativas.
 Promove o desenvolvimento dos potenciais dos clientes.
 Trata com equidade os clientes.
 Promove o envolvimento dos clientes e/ou pessoas significativas na definição das
orientações estratégicas e de gestão do SAD, p.e. planificação de atividades,
definição de normas gerais de funcionamento e avaliação das mesmas.

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 Estabelece de forma continuada a comunicação e informação relativa ao cliente,


com o mesmo e/ou pessoas significativas.
 Incentiva o envolvimento de técnicos especializados, da comunidade e de
voluntários no acompanhamento dos clientes.
 Organiza sistematicamente espaços formais e informais para que os colaboradores
reflitam individualmente e entre si, sobre os seus desempenhos, com vista a ajustar
e desenvolver as suas práticas profissionais.
 Promove o compromisso dos colaboradores com o cumprimento rigoroso das suas
responsabilidades, orientando a execução dos processos de trabalho para as
necessidades do cliente, envolvendo-os ativamente em todas as fases.
 Possui um sistema de garantia do cumprimento dos direitos dos clientes e dos
princípios e valores da organização.
 Promove a permanente atualização e aperfeiçoamento das competências
profissionais de todos os que interagem com os clientes.
 Possui um sistema de gestão das reclamações e de sugestões que é divulgado a
todas as partes interessadas, fazendo-se refletir no planeamento e desenvolvimento
da prestação de serviços

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3. Redes de apoio – Modelo ecológico de


Bronfenbrenner

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O modelo ecológico, proposto por Bronfenbrenner (1979), vai salientar a importância das
trocas do binómio organismo-meio, que constitui uma rede complexa de inter-relações
através das quais o desenvolvimento se processa, não podendo, portanto, ser
compreendido independentemente dos contextos em que ocorre.

A Teoria Ecológica do Desenvolvimento Humano desenvolve, assim, um modelo de


desenvolvimento de forte inspiração sistémica, para salientar a necessidade de
compreender o comportamento do indivíduo tendo em conta o conjunto de fatores que
fazem parte do espaço em que ele se movimenta, o seu espaço de vida, e vão, a cada
momento, influenciar o seu desenvolvimento.

O estudo da ecologia do desenvolvimento humano deverá, de acordo com este modelo,


incidir na análise do processo de acomodação mútuo e progressivo, ao longo do espaço de
vida, entre o indivíduo ativo em crescimento e as propriedades em mudança dos seus
cenários de vida imediatos.

O modelo Ecológico de Bem-Estar encara como variáveis para a promoção de um


envelhecimento bem-sucedido:

 A integração pessoal, inserida no contexto de rede social do indivíduo


(competências positivas de sociabilidade e relacionamento);
 O autocuidado, para a proteção e manutenção das funções e bem-estar; e
 O bem-estar qualitativo, integrado no quotidiano com um significado pessoal em
termos emocionais e espirituais.

Neste sentido, as práticas de promoção de um envelhecimento bem-sucedido passam por


seis preceitos:

Transmissão de informação

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 Sobre competências de bem-estar e fatores de risco específicos;

Universalidade da informação

 Através de atividades em grupo, partilha de preocupações e problemas com vista à


tomada de consciência e desenvolvimento de estratégias de enfrentamento;

Construção de coesão grupal

 Pela formação de laços afetivos entre os elementos do grupo, para criação de uma
identidade grupal;

Promoção de esperança

 Desenvolvendo encorajamento, otimismo e estímulo de valores positivos,


direcionados para problemas de saúde dos elementos do grupo;

Fomento do altruísmo

 Através do fortalecimento de um sentido de responsabilidade e cuidado solidário


entre os elementos;

Aprendizagem interpessoal

 Para resolução de problemas em grupo, explorando diversas técnicas,


competências, atitudes e perspetivas.

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Para tal, deverá verificar-se:

 A existência de informação sobre aspetos e cuidados de saúde,


 A presença de um ambiente seguro e tranquilo,
 O fomento de sentimentos positivos, de laços sociais coesos com a família e amigos
e de uma vertente espiritual,
 A criação de uma rede social de ajuda e de apoio,
 A possibilidade de ouvir música e de deslocação física,
 A adoção de atividades baseadas nas escolhas pessoais, assim como de estratégias
de enfrentamento relativas à mudança e perda por parte dos indivíduos.

É necessário mudar de paradigma para com a velhice, encarando-a como uma «etapa de
vida que significa plenitude, e não declínio inevitável; marca de sucesso, e não de
fracasso»

Para que a velhice se apresente como uma realidade viva é necessário:

 Desmistificar o conceito de velhice, por se encontrar impregnado de crenças e


estereótipos que fomentam a Gerontofobia;
 Conceder oportunidades às pessoas de idade para que seja um tempo de status, de
crescimento, desenvolvimento e de afirmação;
 Redescobrir o significado da velhice, tendo consciência social de que os idosos
garantem a continuidade, a estabilidade social e a transmissão de valores;
 Reconquistar o papel do idoso na família e na comunidade, invertendo os processos
de desvalorização dos não produtivos e a exclusão social;
 Reformar as nossas mentalidades (tornando-as compatíveis com as estruturas
demográficas), reinventar completamente a velhice e remodelar as nossa
instituições, para que as idades avançadas passem a ter um valor quer económico,
quer social.

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É na procura de soluções que permitam atuar, fundamentalmente, ao nível da prevenção,


que se deve investir para que, num futuro próximo, casos de idosos a viver situações de
exclusão sejam apenas imagens do passado.

Apesar de serem múltiplos os direitos dos idosos, já consagrados na moldura legislativa,


infelizmente alguns deles não são cumpridos nem respeitados no nosso país.

Assim, é dever de todo o cidadão responsável fazer com que estes direitos sejam
implementados e respeitados, à semelhança de todos os demais direitos humanos, e agir
com justiça em relação ao idoso de hoje, por forma a garantirmos o futuro do idoso da
amanhã.

Cabe, portanto, à sociedade assumir a defesa dos concidadãos idosos, com base numa
solidariedade intergeracional consciente e sem reservas, deixando, assim, a terceira idade
de ser objeto de olhares pejorativos e passar a ser respeitada, pois, ao fazermo-lo, estamos
de certa forma a cuidar de nós próprios e de todos aqueles que um dia atingirão tal
condição.

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4. Prestadores de cuidados (resposta social informal)


dos idosos

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4.1. Prestadores principais e secundários de cuidados

A sociedade portuguesa continua a caracterizar-se pelos fortes laços de solidariedade


familiar e comunitária.

No entanto, os cuidados prestados pelas redes informais são muitas vezes resultantes de
um sentimento de obrigação: a pressão social acentua o carácter negativo da
institucionalização.

O cuidador principal é definido como sendo a pessoa que proporciona a maior parte do
cuidado ao idoso, aquele sobre quem recai a maior responsabilidade, e que não é
remunerado pelos serviços que presta.

O cuidador informal será respeitado pelas concessões que fará perante as novas exigências
do seu papel, embora raramente o assuma voluntariamente: estudos demonstraram que
mais facilmente há ajuda quando não existe a perspetiva de encargo e dependência.

A contínua perda de autonomia do sénior ou a desistência de um antecessor, a viuvez, uma


doença ou acidente inesperados, poderão despoletar a necessidade e o envolvimento
progressivo.

O papel é assumido geralmente pelas esposas ou filhas (embora o número de homens


esteja a aumentar), que vivem próximo ou em coabitação com o idoso.

A carreira de cuidador informal envolve 3 estádios:

 Preparação e aquisição do papel;


 Assunção das tarefas e responsabilidades relacionadas com os cuidados em casa e,
eventualmente, numa instituição formal;

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 Libertação da prestação de cuidados em resultado do falecimento do idoso.

Prestar apoio envolve sentimentos contraditórios, momentos de angústia, stresse e


frustração. É um processo dinâmico que evolui reestruturando as relações prévias mediante
as necessidades.

Embora todos tenham os seus contextos vivenciais, a dependência implica uma nova
perceção de si e do outro, para todos os elementos do grupo familiar, alterando-se os
poderes: para o idoso, esta é a sua incapacidade para realizar determinadas atividades
básicas enquanto que para o cuidador é o dever de o substituir nessas mesmas atividades.

Entrar no papel de cuidador informal pode ser lento e insidioso e em muitas circunstâncias,
tornar-se uma realidade antes da pessoa ter consciência disso.

Tornar-se cuidador é um processo involuntário, progressivo e envolvente. Nem todos estão


preparados para este papel que constitui uma sobrecarga física, psíquica e emocional, para
além de financeira.

Abranger vários elementos, estruturar rotinas e procedimentos ou delegar


responsabilidades permite uma maior qualidade da relação e o aumento da satisfação de
todos os membros da rede de cuidados, bem como do idoso.

Este é quem tem a última palavra relativamente a qualquer decisão a tomar, devendo ser
ouvido em todo o processo e mantido no seu meio sempre que possível, onde é mais
provável a conservação da sua autonomia e independência.

1. Diagnóstico de necessidades

Pretende-se clarificar o cenário de partida para a construção da rede. Para tal, deve-se:

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1.1. Esclarecer o motivo do apoio

 O falecimento do cônjuge, a desistência de um antecessor, acidente ou doença


súbitos ou o agravamento da condição física e/ou psíquica do idoso podem
determinar diferenças na recetividade deste e explicar algumas reações.

1.2. Analisar os níveis de autonomia e independência

 Quais as atividades de vida diária que ainda consegue assegurar?

1.3. Avaliar a sua estabilidade clínica

 Contactar o médico assistente ou iniciar o processo, marcando uma consulta de


rotina para diagnosticar o estado e confirmar o tratamento que o idoso deve fazer e
que nem sempre conhece ou transmite corretamente a quem o rodeia.

2. Decisão quanto ao apoio

É o resultado de todos os dados recolhidos, do fator financeiro, da adequação ou


adaptação do meio às necessidades do sénior e cuidador e da facilidade de acesso a
serviços profissionais.

Quando está clinicamente estável e pretende continuar em sua casa embora precise de
ajuda, é necessário recrutar e selecionar cuidadores.

As primeiras “fontes” a considerar deverão ser a família, os amigos ou algum vizinho mais
chegado, de acordo com a indicação do idoso, desde que reúnam as competências exigidas
para o apoio a prestar, e que sejam independentes e autónomos.

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Se for possível incluir mais do que uma pessoa, partilha-se a responsabilidade, mas
dividem-se as tarefas, o que torna o seu envolvimento mais fácil.

Podem criar-se categorias como higiene (pessoal e do meio), alimentação, tratamento de


roupas, serviços pessoais (compras, pequenos recados) e atividades ocupacionais e
recreativas.

A sua articulação depende obviamente número de pessoas e da sua disponibilidade


(tempo, vontade, horários, pessoal).

Se for possível financeiramente e desejado pelo idoso, as tarefas que representam maior
intrusão a nível da intimidade podem ficar a cargo de um profissional de forma a manter
maior disponibilidade para o apoio emocional e social, tão importante.

2.1. Procurar apoios formais

 Consultar a assistente social ou as organizações da comunidade que disponibilizam


serviços nesta área, pode representar uma ajuda financeira ou em géneros.
 Os processos de requisição ou candidatura são guiados por técnicos competentes e
conhecedores, que explicam as condições de acesso e benefícios possíveis.

3. Elaboração do plano de cuidados

Os membros da rede de apoio devem participar na sua estruturação. As suas necessidades


também devem ser atendidas, assegurando-se a sua responsabilização e evitando
sentimentos de imposição. O idoso tem sempre a última palavra.

Para um plano eficiente, é essencial clarificar objetivos, definir papéis e responsabilidades


de cada um, atribuir tarefas e estipular horários ou calendários de visitas.

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Os cuidadores devem ter alguma formação (nem que seja ao nível da sensibilização) para o
que está envolvido na prestação de cuidados, numa perspetiva geral e em aspetos mais
particulares como adequar a alimentação ou realizar procedimentos técnicos (a nível da
higiene ou da saúde).

Mediante a autonomia e independência do sénior, é importante reservar-se tempo para que


ele esteja sozinho ou realize as suas atividades.

4. Avaliação e reajuste

Após a implementação do plano definido, e embora os primeiros tempos impliquem sempre


ajustes, deverá ser feita uma avaliação da eficácia do mesmo, e dos níveis de satisfação de
todos os envolvidos. Mediante esta, procede-se às reformulações respetivas.

É importante que o plano estabelecido seja flexível para facilitar a adesão dos cuidadores.

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4.2. Diferenças nos apoios entre a família e os amigos

Cuidar um familiar dependente nem sempre é uma atividade consciente, dado que,
frequentemente, os cuidadores vêem na situação uma extensão das relações pessoais e
familiares, mais do que uma atividade como cuidador.

Quem cuida um familiar dependente vê a situação de ajuda como pouco importante, uma
extensão das relações pessoais e familiares, mais do que uma atividade como cuidador.

Cuidar de idosos não é distinto de outras situações de cuidados familiares, uma vez que é
frequentemente a continuação de uma relação anterior de cuidados, suporte e assistência.

Tomada de decisão acerca da responsabilização pelos cuidados aos pais idosos


funcionalmente dependentes ocorre num contexto de família alargada, e depende
fundamentalmente do tipo de necessidades dos pais em matéria de cuidados, do tamanho
e estrutura da família, do fator género entre os irmãos, e da chamada «curva de oferta»,
ou seja, cada filho tem uma curva de oferta condicional para cuidar, curva esta que varia
em função do esforço e da disponibilidade dos outros irmãos para assumir esta
responsabilidade.

A disponibilidade dos cuidadores para assumir a responsabilidade pelos cuidados é


assumida em primeiro lugar pelo cônjuge e depois pelos filhos.

Quando uma pessoa dependente é casada o cuidado é invariavelmente prestado pelo


cônjuge, em 93% dos casos, um testemunho dos vínculos afetivos e das normas de poder
que dizem respeito às obrigações familiares.

Contudo, quando está em causa o cuidado intergeracional, a seleção de quem será o


cuidador é regulada, quer pela qualidade da relação interpessoal entre pais e filhos, quer

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por regras estabelecidas que ditam em que circunstâncias uma pessoa é obrigada a prestar
cuidados e em quais pode recusar esse papel.

Para além disso, dado o cuidado informal a idosos dependentes ser um imperativo
económico e social, deve ser fundamentado, que é funcionalmente benéfico para a seleção
das pessoas que entram para o papel que esta não seja feita ao azar/fortuita nem com
base na predisposição individual, o que pressupõe que, cuidar um familiar dependente, não
é apenas uma questão de afinidade emocional ou de conveniência.

A afinidade pessoal não explica, por si só, porque motivo alguns familiares são mais
propensos a tornar-se cuidadores. A seleção para o papel depende também das histórias
pessoais e da estrutura das relações.

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4.3. Papel do prestador de cuidados secundários

Sabe-se, que cuidar um familiar não é, geralmente, uma atividade partilhada. Dentro da
família, a prestação de cuidados não se reparte equitativamente entre os seus membros,
uma vez que existe um cuidador principal.

Podem ser cuidadores primários ou secundários, trabalhar ou não a tempo inteiro e viver
junto ou separadamente da pessoa cuidada.

Na impossibilidade do cônjuge e dos filhos, o papel é assumido por outros


familiares/parente e só finalmente este papel acabará por caber aos vizinhos.

Cuidador informal e família cuidadora são termos que se reportam a indivíduos não pagos,
tais como família, amigos e vizinhos que prestam cuidados.

Os amigos e vizinhos raramente são cuidadores principais. Já os parentes e outros


significativos podem assumir esse papel, nos casos em que a família não existe, está
ausente ou não coopera.

Embora a maior parte do cuidado informal seja tipicamente prestado pelo cuidador
primário, pouca investigação dá conta do papel preponderante desempenhado pelos
cuidadores secundários.

A importância dos cuidadores secundários advém da ajuda adicional que pode aumentar o
tipo e/ou quantidade de cuidados prestados, contribuindo para que as necessidades dos
idosos sejam melhor satisfeitas, apesar de o seu grau de responsabilidade, de
envolvimento ativo e de capacidade de decisão ser significativamente menor do que nos
cuidadores primários.

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Os cuidadores secundários são, habitualmente, o cônjuge ou filho/a do cuidador primário e


prestam cuidados de uma forma mais suplementar do que complementar ao padrão de
cuidados prestados pelos cuidadores primários

A coresidência do cuidador primário e do cuidador secundário aparece como o preditor


mais importante do tipo e quantidade de ajuda prestada.

Refere-se também que os amigos têm mais probabilidade de se virem a tornar cuidadores
secundários do que cuidadores primários.

Alguns idosos tinham mais do que um cuidador secundário dentro da sua rede de suporte e
que o número de horas de cuidados e a natureza dos mesmos era independente do
tamanho, âmbito e composição da rede de cuidadores secundários.

Em geral, o número de elementos que constituíam a rede de apoio não influenciava o uso
dos serviços formais.

Desta forma, a ajuda prestada pelos cuidadores secundários é mais uma ajuda assente nos
afetos pelo idoso e pelo cuidador primário do que propriamente uma ajuda direta nos
cuidados.

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5. Resposta social formal vs resposta social informal

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5.1. Idoso no seu domicílio e o idoso fora do seu domicílio

O idoso no seu domicílio

O número crescente de pessoas mais velhas vulneráveis, o número significativo de pessoas


mais jovens em situação de dependência por diversas causas, o número restrito de
familiares que possam assegurar os cuidados necessários e a vontade de retardar a
institucionalização levam à necessidade crescente de implementação e desenvolvimento do
Serviço de Apoio Domiciliário, de forma a que a pessoa tenha, cada vez mais, a
possibilidade de selecionar esta Resposta Social, garantindo-lhe a satisfação das suas
necessidades com a qualidade devida.

Esta resposta é considerada, por muitas pessoas em situação de dependência, como uma
forma de continuarem inseridas no seu meio habitual de vida, rodeadas dos seus afetos e
pertences, com possibilidade de novos relacionamentos facultados pelos colaboradores,
incluindo voluntários que se deslocam ao domicílio, podendo constituir para muitas dessas
pessoas o único elo de ligação com o exterior, pelo que a qualidade da intervenção deve
ser uma exigência a ter em conta permanentemente na gestão desta Resposta Social.

Para que haja um aproveitamento das sinergias desenvolvidas no contexto do serviço de


apoio domiciliário, tendo em consideração as pessoas, os colaboradores, a estrutura e o
funcionamento, torna-se necessário, que resulte deste conjunto uma intervenção pautada
por critérios de qualidade, de que se destacam os seguintes:

1 Ter em consideração o superior interesse das pessoas em situação de dependência,


especialmente quando se planifica o trabalho, o que exige uma articulação muito
próxima com os clientes, pessoas próximas dos mesmos e entidades parceiras. Há
que estabelecer uma parceria forte com o cliente e pessoa próxima, a fim de
recolher a informação necessária sobre as necessidades, expectativas, capacidades
e competências, com a finalidade de se poder delinear o plano de desenvolvimento
individual.

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2 Desenvolver os cuidados ao nível da qualidade das relações que o cliente vai


estabelecer com os colaboradores do serviço de apoio domiciliário e entidades
parceiras.

3 Reconhecer que todos os clientes necessitam de se sentir incluídos, de ter um


sentimento de pertença, de se sentir valorizados e importantes para aderir ao
processo de cuidados. Este sentimento é possível de ser construído através do
respeito mútuo e através de relações afetivas calorosas e recíprocas entre o cliente,
colaborador de referência e os cuidadores.

4 Compreender a individualidade e personalidade de cada cliente, de forma a criar um


ambiente que facilite a interação, a criatividade e a resolução de problemas por
parte dos clientes. Só desta forma o cliente se pode sentir bem no âmbito dos
cuidados a prestar pelo Serviço de Apoio Domiciliário, se os mesmos tiverem em
conta a sua maneira de ser e estar. Isto implica:

4.1. Pensar o cliente como um ser afetivo e ativo que gosta de ser
respeitado na sua maneira de ser e estar;

4.2. Criar um ambiente calmo, flexível e responsável que possa ser


adaptado aos interesses e necessidades de cada cliente, promovendo
o acesso a um leque de oportunidades de escolhas e que lhe permita
continuar o seu desenvolvimento individual, de forma confiante e
com iniciativa;

4.3. Estabelecer relações que encorajem o cliente a participar de forma


ativa nas atividades selecionadas para a prestação de cuidados, de
entre as disponíveis internamente;

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4.4. Criar condições para a continuidade das ações que forem escolhidas
pelo cliente ou proporcionar oportunidade de acesso a atividades
desenvolvidas por entidades externas;

4.5. Dinamizar ações que proporcionem oportunidades para que o cliente


possa comunicar os seus sentimentos e pensamentos (p.e. através
da possibilidade de estar sozinho com o colaborador de referência).

O idoso fora do seu domicílio

A utilização de serviços referente à admissão em lares é uma necessidade para muitos


idosos.

Os motivos que levam esses idosos a serem admitidos em lares deve-se à ocorrência de
um acontecimento crítico, habitualmente após um internamento hospitalar por queda ou
por outra razão, por queda sem necessidade de recorrer ao hospital, por não querer mais
residir em casa, por doença ou morte do seu cuidador informal/formal e por súbita doença
sem admissão hospitalar.

Para muitos idosos e respetivas famílias existe a necessidade de decidir sobre que tipo de
ajuda e que instituições a poderão fornecer face às limitações de natureza funcional dos
primeiros e às limitações dos recursos sociais de ambos que se impõem.

É uma decisão que não é de fácil de tomar e por vezes sem unanimidade, por um lado
pesa a decisão dos familiares na necessidade de internar os seus idosos em lares dado a
indisponibilidade de estarem com estes a tempo inteiro.

Por outro, pesa a condição do próprio idoso em se manter autónomo e independente no


seu espaço habitacional apesar da presença de incapacidades o limitarem na realização das
suas atividades de vida diária.

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O assumir da necessidade de institucionalização deverá ser feito em conjunto com o idoso


em questão garantindo uma preocupação que se reporta a área de proximidade dessa
instituição com a dos seus membros de família mais chegados.

Outros fatores que precipitam esta admissão incluem o aumento da responsabilidade


colocada aos cuidadores à medida que as necessidades dos idosos vulneráveis aumentam,
acrescida da ausência de cuidados nas 24 horas na comunidade; as limitações dos cuidados
nos serviços intensivos, especialmente nas componentes do apoio psicológico e social aos
idosos; a propensão dos profissionais de saúde em verem os lares como o passo seguinte
na provisão de serviços para os idosos e por último a ausência de outras alternativas.

É fundamental que a estrutura residencial se constitua como um contexto humanizado,


personalizado e que tenha em conta as efetivas necessidades específicas de cada situação,
tendo sempre como horizonte que os clientes são o centro de toda a atuação e que o meio
familiar e social de um indivíduo é parte integrante das suas vivências, devendo continuar a
ser particularmente considerado no apoio às pessoas com mais idade, de acordo com os
seus desejos e interesses.

Assim o exige a perspetiva do respeito e promoção dos seus direitos humanos.

Para que haja um aproveitamento das sinergias que se desenvolvem no contexto da


Estrutura Residencial para Idosos, tendo em consideração os clientes, os colaboradores, a
estrutura e o funcionamento, torna-se necessário que resulte deste conjunto uma
intervenção pautada por critérios de qualidade, de que se destacam os seguintes:

1. Garantir o exercício da cidadania e o acesso aos direitos humanos dos clientes, p.e.
autonomia, privacidade, participação, confidencialidade, individualidade, dignidade,
oportunidades de igualdade e não discriminação;

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2. Respeitar as diferenças de género, socioeconómicas, religiosas, culturais, sexuais


dos clientes e/ou pessoas próximas;

3. Respeitar o projeto de vida definido por cada cliente, bem como os seus hábitos de
vida, interesses, necessidades e expectativas;

4. Transmitir e garantir aos clientes um clima de segurança afetiva, física e psíquica


durante a sua permanência na Estrutura Residencial;

5. Promover o envolvimento e o estabelecimento de uma parceria e articulação


estreita com o cliente e/ou significativos, a fim de recolher a informação necessária
sobre as necessidades, expectativas, capacidades e competências,
coresponsabilizando-os no desenvolvimento de atividades/ações no âmbito dos
serviços prestados;

6. Mobilizar a participação dos clientes na gestão da estrutura residencial, envolvendo-


os no planeamento, monitorização e avaliação das respetivas atividades;

7. Desenvolver todas as relações entre o cliente e os restantes intervenientes


(colaboradores internos e externos, voluntários, entre outros) com ética, respeito
pelos direitos e deveres, profissionalismo, rigor e qualidade;

8. Compreender a individualidade e personalidade de cada cliente, para criar um


ambiente que facilite a interação, a criatividade e a resolução de problemas por
parte destes.

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5.2. Modelos de relação entre a rede social formal e informal

Inicialmente, as instituições apresentavam-se como detentoras de um conhecimento não


acessível aos familiares, impondo os cuidados sem qualquer tipo de justificação.

Recentemente, houve uma viragem: são revalorizados os programas centrados nos


agregados familiares e num contexto comunitário, o que facilita o empenho geral e esbate
a autoridade simbolizada pelos contextos oficiais.

No entanto, a intervenção tende a ser pensada e dirigida a uma só pessoa, mesmo


assumindo que existem outros envolvidos: a família continua a ter de obedecer às
prescrições profissionais, o que a torna “colaborante”, sem que as suas necessidades sejam
de facto ouvidas e muito menos atendidas.

Neste sentido, estão definidos quatro modelos de articulação entre profissionais do apoio
formal e família:

1.Especialista

 Clássico, em que o técnico é a autoridade e a família tem a função de fornecer


informação para que ele decida, devendo, depois, cumprir as indicações;

2.Transplante

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 Os técnicos partilham e transferem alguns dos seus saberes para os clientes, agindo
como instrutores e consultores que guiam a vida dos outros;

3.Negociação

 Baseada na abordagem consumista, coloca o cliente no papel de consumidor,


reconhecendo-lhe direitos e exigências sobre o serviço prestado. Frequentemente
estas são depois desvalorizadas e os clientes inferiorizados. É neste âmbito que, por
exemplo, os familiares colaboram nas atividades num centro de dia;

4.Parceria

 A parceria implica uma associação de pessoas numa relação de igualdade,


reconhecendo reciprocamente conhecimentos, capacidades e partilhando as
tomadas de decisão na procura de consensos.

Vulgarmente, as expectativas de cuidadores formais e rede informal não são clarificadas,


sentindo ambos que o seu papel é óbvio e que deve ser o outro a justificar as suas ações.

Esta falta de diálogo origina frustrações, conflitos e deceções mútuas, sendo o idoso
apanhado nesta ambiguidade e sofrendo.

Neste tipo de contexto, são frequentes as seguintes dificuldades:

1. Identificar objetivamente o cliente (o idoso ou a família), atribuindo o respetivo


nível de importância (principal e secundário) nas tomadas de decisão.

2. Definir e aceitar regras: ao serem rigorosas e impostas pelo profissional,


poderão ser incompreendidas e desencorajadas pelo cuidador informal. Os

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conflitos e a confusão do idoso, as acusações mútuas de negligência ou


inflexibilidade levarão ao término da relação por incompatibilidade.

3. Estabelecer limites: a intervenção do profissional em áreas não contratadas


especificamente é sentida como intrusão sua, causando desconforto do idoso e
família.

4. Atribuir responsabilidades: culpar a instituição indiscriminadamente por falhas


no serviço prestado pode deixar o profissional posição difícil quanto à lealdade.

5. Criar alianças: as relações familiares colocadas à prova reavivam questões


antigas entre irmãos ou com os pais. As diferentes opiniões quanto ao apoio
necessário podem induzir uma ligação aos técnicos, que deverão manter-se
neutros e agir no melhor interesse do idoso, confirmando informações e
afastando-se se necessário.

6. Ter excesso de zelo: perante situações particularmente fragilizantes, os


profissionais tendem a mostrar-se altamente competentes, acabando por
substituir a família. Mas o seu afastamento será interpretado como abandono,
impelindo a um maior empenho do técnico e gerando-se um ciclo que se auto-
perpetua. O treino da família é essencial para preservar a importante autonomia
desta e o seu acompanhamento do idoso.

Em situações de institucionalização permanente, o idoso fica numa situação de dupla


pertença entre família e organização, tendo de tomar partido, frequentemente, em função
das críticas que surgem de parte a parte.

Destacam-se, pela sua vulgaridade, algumas situações:

1.Os profissionais criticam a família pela sua ausência e pouco interesse - além de
não trazer benefícios, o utente fica ressentido com ambos;

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2.Queixas infundadas do idoso - provocam o afastamento dos cuidadores formais


que se sentem indignados com a sua injustiça e ingratidão;

3.O afastamento da família - fonte de tensão para o idoso, por se sentir rejeitado, e
para a instituição que tem de tomar decisões que são da responsabilidade do núcleo
familiar.

A fim de evitar este tipo de situações, a entidade deve apostar em dois aspetos
importantes: a adequada formação da sua equipa e a adoção de uma comunicação direta
com a família, evitando o ruído adicionado por cada intermediário.

O número cada vez maior de serviços públicos e privados especializados na prestação de


cuidados apresenta-se como uma boa alternativa para as famílias.

No entanto, segundo alguns estudos, recorrer sistematicamente a este tipo de serviços


leva a uma certa desresponsabilização destas nas suas funções, o que pode substituir os
laços afetivos e conduzir a alguma segregação e afastamento das gerações com a criação
de equipamentos específicos para as faixas etárias mais avançadas.

Por este motivo, é essencial o esforço para que as famílias continuem a acompanhar os
seus idosos.

O envolvimento nas atividades dinamizadas e os contributos que possam fazer para estas,
mediante o conhecimento privilegiado que têm da pessoa, permitem diminuir a
despersonalização dos serviços e aumentar o sentimento de integração e pertença.

A conjugação das duas redes de apoio - o sistema misto - apresenta mais benefícios: se o
profissional explicar as atividades e as executar, negociando e envolvendo o cuidador
informal, são atendidas também as suas necessidades, o nível de satisfação com esta
relação aumenta consideravelmente, e é constituída uma verdadeira parceria.

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Garante-se o apoio técnico de qualidade, em espaços perfeitamente preparados, a


personalização do atendimento mediante orientação de familiares e amigos e a maior
disponibilidade destes para tarefas de carácter não instrumental.

Quando o cuidado à pessoa idosa é prestado por Cuidador Formal

A família ajuda quando:

 Auxilia no cuidado à pessoa idosa;


 Supervisiona as suas funções, sem interferir, dando-lhe condições para realizar o
seu trabalho;
 Reconhece os seus direitos e deveres;
 Trata-o como um profissional respeitando os seus direitos;
 Incentiva e dá oportunidade para o cuidador se capacitar.

A família dificulta o trabalho, quando:

 Abandona a pessoa idosa ou fica ausente às suas necessidades;


 Interfere no trabalho do cuidador, impossibilitando ou atrapalhando as suas
funções;
 Coloca-o no meio das disputas familiares;
 Quando determina que realize tarefas que não são de sua competência e nem
inerentes a sua atividade;
 Não respeita o acordo firmado.

Quando o cuidado à pessoa idosa ocorre numa Estrutura residencial para Idosos

A família ajuda quando:

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• Assina o contrato e cumpre o que está prescrito;


• Ajuda a prover as necessidades da pessoa idosa, que não são atendidas pela
instituição;
• Acompanha a pessoa idosa quando hospitalizada;
• Participa das reuniões e eventos realizados pela instituição;
• Respeita as deliberações dos profissionais da Instituição;

A família dificulta quando:

• Abandona a pessoa idosa, não mantendo contato nem realizando visitas por um
longo período;
• Não participa das reuniões e nem comparece quando chamada pelos profissionais
da instituição;
• Critica” a instituição, sem procurar participar na rotina da instituição ou mesmo
quando não valoriza e/ou incentiva a pessoa idosa a participar;
• Quando tem a conceção de que ao deixar a pessoa idosa numa instituição,
principalmente quando paga pela permanência, não tem deveres e
responsabilidades, apenas direitos, deixando a pessoa idosa numa situação de
“assistida”;
• Não respeita as regras da instituição, principalmente no que se refere às restrições
de dietas e incentiva a automedicação.

Quando o cuidado à pessoa idosa é exercido numa Unidade de Saúde

A família ajuda quando:

• Se informa sobre a rotina da unidade de saúde, conhecendo as funções e os


limites, visando a coparticipação no atendimento à pessoa idosa durante sua
permanência;

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• Toma conhecimento e respeita o regulamento da unidade, mantendo um bom


relacionamento com a equipa de saúde;
• Demonstra interesse em aprender a cuidar da pessoa idosa de acordo com as
suas possibilidades, para atender às suas necessidades dela após o regresso ao
domicílio;
• Viabiliza um acompanhante familiar, ou na impossibilidade, viabiliza a contratação
de um cuidador formal;

A família dificulta, quando;

• Se recusa a levar a pessoa idosa para o domicílio, mesmo com alta médica;
• Se recusa a deixar a pessoa idosa na unidade, com receio de que ela morra
sozinha ou deixe de ser o provedor financeiro da família;
• Não transmite à equipa médica informações sobre mudanças na pessoa idosa ou
na família, que podem afetar a saúde da pessoa idosa;
• Dá informações incorretas ou omite dados sobre morada, estrutura familiar,
situação habitacional ou financeira.

Em síntese,

A família ajuda a pessoa idosa quando:

• Mantém os laços afetivos;


• Respeita a sua vontade, opiniões e crenças;
• Tem paciência e compreensão para as suas limitações físicas e mentais;
• Apoia as suas necessidades;
• Possibilita o convívio familiar e a faz sentir-se útil e importante.

A família prejudica a pessoa idosa quando:

• A abandona ou a ignora;

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• A menospreza;
• A protege demasiado, diminuindo seu nível de autonomia e independência.

Bibliografia

AA VV., Constituição de uma rede de cuidados: interação com a família e o meio social do
idoso, manual de formação, Ed. Santa Casa de Misericórdia de Mértola

AA VV., Manual de boas práticas – um guia para o acolhimento residencial de pessoas mais
velhas, Instituto da Segurança Social, 2005

AA VV., Manual de processos-chave: centro de dia, Programa Modelos de avaliação da


qualidade nas respostas sociais, Instituto da Segurança Social, 2010 (2ª edição)

AA VV., Manual de processos-chave: estrutura residencial para idosos, Programa Modelos


de avaliação da qualidade nas respostas sociais, Instituto da Segurança Social, 2010 (2ª
edição)

AA VV., Manual de processos-chave: serviço de apoio domiciliário, Programa Modelos de


avaliação da qualidade nas respostas sociais, Instituto da Segurança Social, 2010 (2ª
edição)

Costa, Ana Maria, A Qualificação do Serviço de Apoio Domiciliário, Dissertação de Mestrado


em Política Social, Universidade de Lisboa, 2009

Ramilo, T., Manual de psicologia do idoso, Instituto Monitor, 2000

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Sites Consultados

Direcção-Geral de Saúde
http://www.dgs.pt/

Ministério da Solidariedade, Emprego e Segurança Social


http://www.msss.gov.pt

Segurança Social
http://www.seg-social.pt

Legislação

Portaria n.º 67/2012 de 21 de março


Define as condições de organização, funcionamento e instalação a que devem obedecer as
estruturas residenciais para pessoas idosas

Portaria n.º 38/2013 de 30 de janeiro


A presente portaria estabelece as condições de instalação e funcionamento do serviço de
apoio domiciliário, adiante designado SAD.

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