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UFCD 9639

1.08 – Formação Modular para Empregados e Desempregados

Formador/a: Nuno Godinho

2018
1.08 – Formação Modular para Empregados e Desempregados
UFCD 9639

MANUAL DO FORMANDO

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FICHA TÉCNICA
Tipologia de Recurso: Manual do Formando
Curso: Atividades Pedagógicas do Quotidiano da Criança
Formador: Nuno Godinho
Data: 2018

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ÍNDICE
1.INTRODUÇÃO ................................................................................................................. 5

2.OBJETIVOS ..................................................................................................................... 8

3.Relação e comunicação com as crianças ....................................................................... 9

4.Relação e comunicação com os adultos ...................................................................... 13

5.Da família à creche, ao jardim-de-infância, à escola ................................................... 18

6.Desenvolvimento do trabalho em equipa ................................................................... 21

7.Exemplos de jogos (Incentivo ao trabalho de equipa) ................................................ 24

8.Desenvolvimento de atitudes e comportamentos ...................................................... 28

9.CONCLUSÃO................................................................................................................. 30

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA .......................................................................................... 32

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Nota: Os conteúdos presentes no manual estão em conformidade com a


planificação programática do módulo, no entanto, poderão estar sujeitos à
integração da informação complementar obtida no decorrer das sessões.

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1. INTRODUÇÃO
A educação das crianças desde há muito que se tornou uma preocupação social
transversal em muitas sociedades, porém, em Portugal, a importância de um olhar e
acção sobre a educação reforçou-se no pós 25 de Abril.
Posto este período, admite-se uma mudança de mentalidades e evolução
histórica. Se atendermos à forma como a história da infância evoluiu no nosso país,
percebemos que até chegar aos dias de hoje, foi um percurso demorado e complexo, e
pelo caminho, fenómenos como o trabalho infantil e a negação de direitos como o da
educação, estiveram presentes.
Segundo Cardona (1997), durante o Estado Novo (1933-1974) observou-se um
grande retrocesso na história da educação de infância, pois em termos ideológicos neste
período é dada maior relevância à acção educativa da família em detrimento da acção
educativa da escola.
Instituindo a necessidade de descentralizar os ideais deste regime político que
ditaram a depreciação da Educação Pré-escolar, extinguindo os jardins de infância
oficiais, este nível de ensino retoma apenas a missão essencialmente assistencial, sendo
desvalorizada a sua função educativa.
A par disto, durante o Estado Novo houve uma certa negligência do sistema de
ensino, e em particular, uma desvalorização da mulher neste contexto. Sendo certo que
poucos eram aqueles que continuavam os estudos a um nível mais elevado, muitas
crianças eram de certa forma obrigados a ingressar no mercado de trabalho, sobretudo
em trabalhos mais pesados que deixavam pouco tempo e oportunidade para brincar e
desenvolver determinadas competências inerentes à condição de crianças e jovens.
No decorrer das mudanças sociais, culturais e económicas, o sistema de ensino foi
modificado no seu paradigma, sendo esta mudança realizada de forma gradual até aos
dias de hoje.
Com as suas raízes desenvolvidas a partir do meio familiar, estamos conscientes
de que a criança a partir dos três anos de idade sente a necessidade de uma orientação

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mais estimulante por parte do adulto bem como sente a necessidade de uma vida social
mais rica.
Com o desenvolvimento do sistema de educação e a adequação deste às
necessidades reais das crianças no seu desenvolvimento consideram-se os objectivos da
educação os seguintes:
• Fomentar a estabilidade e segurança afectivas da criança;

• Promover o desenvolvimento pessoal e social da criança com base em


experiências de vida democrática numa perspectiva de educação para a
cidadania;

• Fomentar a inserção da criança em grupos sociais diversos, no respeito pela


pluralidade das culturas, favorecendo uma progressiva consciência como
membro da sociedade;

• Contribuir para a igualdade de oportunidades no acesso à escola e para o sucesso


da aprendizagem;

• Estimular o desenvolvimento global da criança no respeito pelas suas


características individuais, incutindo comportamentos que favoreçam
aprendizagens significativas e diferenciadas;

• Desenvolver a expressão e a comunicação através de linguagens múltiplas como


meios de relação, de informação, de sensibilização estética e de compreensão
do mundo;

• Despertar a curiosidade e o pensamento crítico;

• Proporcionar à criança ocasiões de bem estar e de segurança, nomeadamente


no âmbito da saúde individual e colectiva;

• Proceder à despistagem de inadaptações, deficiências ou precocidades e


promover a melhor orientação e encaminhamento da criança;

• Incentivar a participação das famílias no processo educativo e estabelecer


relações de efectiva colaboração com a comunidade” (Lei n.º 5/97; ME, 1997,
p.15 – p. 16).

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• Favorecer, individual e colectivamente, as capacidades de expressão,


comunicação e criação;

• Despertar a curiosidade pelos outros e pelo meio ambiente;

• Desenvolver progressivamente a autonomia e o sentido da responsabilidade;

• Incutir hábitos de higiene e de promoção da saúde;

• Despistar inadaptações ou deficiências e proceder ao encaminhamento mais


adequado;

• Fomentar gradualmente actividades de grupo como meio de aprendizagem e


factor de desenvolvimento da sociabilidade e da solidariedade;

• Assegurar uma participação efectiva e permanente das famílias no processo


educativo, mediante as convenientes interacções de esclarecimento e
sensibilização.”

A nível legislativo, o sistema educativo passou, a fazer parte do sistema educativo


através da Lei de Bases do Sistema Educativo, Lei n.º 46/86, aprovada em 14 de Outubro
de 1986, conforme se depreende do artigo n.º 4, que veio tornar explícito que “O
sistema educativo compreende a Educação Pré-escolar, a educação escolar e a educação
extra escolar”, contribuindo para a sua afirmação. No que diz respeito aos objectivos, é
comprovada a necessidade de “estimular as capacidades das crianças e favorecer a sua
formação e o desenvolvimento equilibrado de todas as suas potencialidades” (Cardona,
1997, p. 97).

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2. OBJETIVOS

2.1. Gerais

• Planificar, desenvolver e acompanhar actividades pedagógicas relacionando-as com


o quotidiano das crianças.

2.2. Específicos

• Reconhecer a importância da relação afetiva e pedagógica na educação das criança


e jovens.

• Apoiar a Intervenção em contextos educativos.

• Colaborar no desenvolvimento e acompanhamento de atividades do quotidiano


com crianças e jovens.

• Dotar de saberes e competências profissionais que permitam contribuir para a


realização de atividades pedagógicas com a criança;
• Reconhecer e aplicar princípios fundamentais no acompanhamento pedogógico de
crianças no seu quotidiano.

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3. RELAÇÃO E COMUNICAÇÃO COM AS CRIANÇAS


As crianças gostam de estar juntas e são tolerantes umas para as outras. Podem
dizer algumas palavras, oferecer e tirar os brinquedos, mas raramente se zangam.
Mesmo que uma criança bata noutra, pouco depois começam a brincar.
Pouco depois dos 2 anos, na sua maioria, as crianças começam a interagir e a
brincar umas com as outras. Podem, por exemplo, reunir-se num canto da casa ou junto
à lareira a brincar em grupo. Além disso, as conversas são simples e, muitas vezes, as
crianças fazem exactamente a mesma coisa.
São agora menos tolerantes umas para as outras. Podem não partilhar o que lhes
pertence e, se lhes tirarem um brinquedo, protestam. Podem bater, dar pontapés e
morder umas nas outras. Deste modo, a prendem a interagir e a provocar reacções.
Quando as crianças começam a interagir, mostram poucas preferências por este
ou aquele companheiro. Gostam apenas de brincar juntas e, mais tarde, com alguém. A
pouco e pouco, criam-se amizades. Estas podem ser de pouca duração. Embora algumas
crianças pareçam inseparáveis durante semanas e até meses, na maior parte dos casos
as amizades vão e vêm rapidamente.
No infantário, as crianças entre os 2 e os 3 anos brincam muitas vezes em grupos
grandes e gostam de se juntar a outras e fazer o mesmo que elas. Mais tarde, quando
os papéis nos jogos de simulação são mais definidos, o grupo escolhe. As crianças menos
populares podem ser excluídas.

3.1. Relações entre crianças

Quanto ao desenvolvimento dos sentimentos ou relações afectivas, surgem os


sentimentos de simpatias ou antipatias, relacionadas à socialização das acções. Tais
sentimentos originam-se de juízos pautados em valores mútuos entre os indivíduos e
prevalecem mesmo na ausência do indivíduo.
Como regra geral, o sentimento de simpatia surge a partir de relações, as quais as
pessoas correspondem aos interesses da criança e a valorize e, o sentimento de
antipatia, ao contrário, surge quando as pessoas a desvalorizam.

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As crianças fazem amigos tal como os adultos. Se são eficientes, aproximam-se dos
estranhos com toda a abertura; as que são menos hábeis rondam a brincadeira até que
alguém vá ao seu encontro. Na fase em que se formam grupos de crianças em torno de
uma actividade, a entrada num grupo é relativamente simples.
Mais tarde, isto torna-se mais fácil. Quando todos estão envolvidos em
determinadas actividades, um corpo estranho perturba. Quando as crianças
desempenham vários papéis, qualquer outra que entre no jogo tem de conseguir um
papel que seja aceitável para as outras. As crianças menos populares podem ser
excluídas.
Estudos realizados neste domínio permitem concluir que as crianças populares
são:
• Amigáveis. As crianças gostam daquelas que as arrastam para uma
brincadeira.
• Extrovertidas. As crianças sociáveis são mais populares do que as tímidas;
as crianças que falam sempre e que nunca ouvem não são populares.
• Brilhantes. A inteligência ajuda a criança a compreender rapidamente
qualquer coisa e explicar os pormenores às outras.
• Hábeis. Os talentos específicos são sempre admirados.
• Atraentes. Quanto mais imponente é o físico de uma criança, mais ela é
admirada pelos seus pares.
Outros factores que importam são:
• A situação familiar. As crianças mais novas são mais populares do que as
que nasceram primeiro.
• O tamanho. Ser das mais altas é popular; ser muito alto não é. As crianças
gordas são menos populares.
• O nome. Um nome apreciado é importante, sobretudo para os rapazes.

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3.2. Cooperação e a autonomia

A independência dá confiança e auto estima às crianças. “Eu posso” soa melhor


do que “eu não posso”, sobretudo quando mais alguém pode.
Há momentos em que todas as crianças procuram a dependência que é apanágio
dos bebés, em geral quando a pessoa que cuida delas está ocupada, ou quando elas
estão aborrecidas e infelizes, mas as crianças quase sempre agarram a independência
quando esta lhes é oferecida.
Para ser independente, uma criança tem de saber cuidar de si própria nos aspectos
básicos: comer, vestir-se, servir-se da casa de banho e lavar-se. Mais importante ainda,
tem de conseguir motivar-se para a acção, seja qual for a tarefa.
Uma criança que sabe vestir as calças, mas só o faz quando lho dizem, continua a
depender de si. Se você permitir que este tipo de dependência impregne todos os actos
da criança, a vida dela longe de si será difícil. Nem os professores nem as outras crianças
têm tempo para organizar todos os actos dela.
Entrar na escola significa que uma criança tem de passar a maior parte do dia sem
as interacções a dois a que está habituada em casa. Se ela tem de se repartir
alegremente entre a casa e a escola, tem de conseguir inserir-se num grupo maior e ser
capaz de continuar uma actividade quando não é o centro das atenções. Deve ter a
competência necessária apara pedir o que precisa, confiança pessoal para tentar
qualquer coisa mesmo que seja difícil e ego para enfrentar as críticas.
A nível prático, tem de conseguir trabalhar sozinha, concentrar-se escutar,
compreender e manter-se sentada durante longos períodos. Uma criança comporta-se
melhor em todas estas frentes, sobretudo se foi encorajada a ser independente.
A independência assenta na segurança. Uma criança emocionalmente segura sabe
que os pais e os educadores estão sempre prontos a ajudá-la, mas também que voltarão
se se ausentarem. A segurança consiste essencialmente em saber que, faça a criança o
que fizer, o afecto não está em questão. Os pais amam-na por aquilo que ela é.
Faz parte da independência de uma criança que se sabe vestir, ir à casa de banho
sozinha e vestir o casaco e calçar os sapatos na escola. Se não o fizer, os amigos olharão

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para ela como se fosse um bebé. O facto de ela saber vestir-se reduz o trabalho da mãe,
da educadora e do pessoal auxiliar.
As crianças não percebem a diferença que existe entre trabalho e brincadeira; o
que lhes interessa é saber se uma tarefa é divertida. Tal como os trabalhos escolares, as
actividades de ajuda devem ter uma estrutura e um objectivo. Estimulam a criança a
fazer planos. “Ajudar” envolve uma sequência de actividades que começam pelo
princípio e se encaminham para um determinado fim.

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4. RELAÇÃO E COMUNICAÇÃO COM OS ADULTOS


Hoje, a atenção dada a crianças e jovens assume um papel social de destaque, ao
nível do seu desenvolvimento físico, psicológico e afectivo, cultural e ético, fazendo
emergir novas necessidades e um aumento de procura de serviços pessoais, colectivos
e sociais de proximidade neste domínio.
Estes serviços surgem ainda associados à premente necessidade de estruturas de
apoio à família, que facilitem a conciliação entre a vida familiar e a vida profissional, uma
exigência acrescida face a uma elevada taxa de actividade feminina como a da
população portuguesa.
Uma das condições necessárias ao desenvolvimento humano, é o estabelecer de
uma relação de vínculo entre a criança e os adultos que a acolhem e estão com outras
crianças do seu meio familiar, social e escolar.

4.1. Criança (bebé)

O desenvolvimento consiste não só numa tarefa conjunta, mas recíproca.


A criança não é a única a desenvolver-se, a família desenvolve-se desde a
gestação, a preparação do seu nascimento, o próprio nascimento e todas as etapas
futuras da vida da criança.
A criança é um projecto familiar que precisa de ser desenvolvido e em famílias
onde se foca na promoção do desenvolvimento da criança há objectos e diversas
actividades mediadoras da acção infantil, os bebés são incentivados agatinhar, a andar,
a manipular objectos, a buscar aconchego, a brincar ao esconde-esconde, a observar
com atenção e interesse outras crianças e outros bebés, a cantar e a dançar.

4.2. Crianças (a partir dos 3 anos)

As crianças um pouco mais velhas, além das acções descritas, apreciam jogos de
faz-de-conta, cantam, dançam, disputam objectos, ouvem histórias, escrevem bilhetes,
planeiam festas, envolvem-se em investigações sobre animais, plantas e,

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principalmente, em brincadeiras, fazem amigos, choram e são consoladas, entre outras


coisas.
• A criança, no seu desenvolvimento, depende da experiência:
• Na interacção com parceiros mais experientes;
• Das práticas culturais concretas, capacitando-as progressivamente a
nomear nomes e objectos
• Imitar pessoas e/ou outros elementos que observa
• Aprender a cuidar de si
• Distinguir os sons
• Desenhar
• Formular perguntas
• Elaborar respostas
Ou seja, a criança deixa-se influenciar e é influenciada. A criança apropria-se de
novas formas de acção sobre o meio e desenvolvem maneiras de sentir, agir e pensar e
vai delineando o conhecimento de si..
Os adultos são fortes mediadores das condições de desenvolvimento da criança.

4.3. Relação da criança com os adultos da família:

A família, não é apenas ³o quotidiano biológico´, mas também a forma de


funcionar, a rede de significados que faz parte de todos e na qual a criança está inserida.
Se a família possui uma cultura depressiva, violenta, ou não-violenta, apática,
entre outras formas de existência familiar existentes na sociedade marcada pela
desigualdade de acesso a bens sociais e culturais diversos, se é estruturada, integrada
no meio ou desagregada é um factor da vivência futurada criança até à idade adulta.
O desenvolvimento da criança não é avaliado apenas a partir das importantes
significações recíprocas construídas nas interacções de mãe, família e filho.
Nos diferentes contextos do quotidiano, a criança apropria-se de diversas
competências sociais, a depender das suas condições pessoais e da forma como interage
com outras as pessoas, com os objectos e as situações.

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Com estes pares, a criança aprende a ver mais longe, a fazer conquistas. Os pares
ajudam-na a realizar acções que a levam para além de si mesma, com o seu apoio para
conhecer o mundo e a si, numa relação onde há cuidado e vínculo afectivo.
Porém, com os afectos e representações, existem as práticas quotidianas que
devem ser rigorosamente observadas:
• A criança brinca? Como brinca?
• Ela vê TV? De que maneira?
• Alguém lhe dá comida? Como é que isso acontece?
• Como foi comemorado o seu aniversário?
A criança tem necessidade destes afectos e destas práticas porque a grande parte
da aprendizagem dá-se pela observação e pelo “fazer junto”.
Quem não observa as acções presentes no meio em que está inserido terá
dificuldades em aprender como esse meio se estrutura.
O papel educativo da comunidade, dos pais e dos educadores consiste, no erguer
e no apoiar da criança para que essa consiga fazer uma distinção entre o bom e o mau.
A criança deve sentir que não é apenas mais um no círculo, familiar, escolar ou
social, mas sim que compartilha o espaço; ela deve sentir-se doadora e receptora de
afectos e responsabilidades.
O adulto, para além do afecto que dá à criança deve responsabilizá-la
gradualmente, promovendo a sua inserção no meio, atendendo ao seu progresso
psicomotor, envolvendo-a, activa e atentamente, na interacção como seu ambiente em
diferentes níveis de competência.

4.4. Formas de envolvimento da criança

Persistente: envolve alguma resolução de problemas e algum desafio,


frequentemente indicados por uma primeira tentativa falhada; inclui quer mudança de
estratégias quer a utilização da mesma estratégia;
Simbólico: envolve o uso de formas convencionais de comportamento como a
linguagem, faz-de-conta, linguagem gestual, desenhos, etc.. A principal característica é
a descontextualização;

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Codificado: envolve o uso de formas convencionais de comportamento que são


dependentes do contexto e que dependem de referentes ou estímulos perceptualmente
presentes; inclui o uso de linguagem compreensível,
Construtivo: envolve a manipulação de objectos para criar, fazer, ou
construir alguma coisa; inclui juntar objectos nalgum tipo de forma espacial; exige
alguma indicação de intencionalidade;
Diferenciado: envolve coordenação e regulação do comportamento que reflecte
elaboração e progresso na direcção da convencionalização; inclui interacção activa com
o ambiente.
Atenção focalizada: inclui observar ou escutar características no ambiente
durante pelo menos 3 segundos; é caracterizada por uma expressão facial séria, e um
acalmar da actividade motora;
Indiferenciado: envolve interacção com o ambiente sem diferenciar o
comportamento; inclui comportamentos repetitivos; de nível inferior.
Atenção ocasional: envolve atenção mais descontraída e mais vasta; inclui
monitorização do ambiente.
Não envolvido: envolve falta de ocupação; exige a ausência de qualquer um dos
outros comportamentos; inclui comportamentos que não se encorajaria ou ensinaria a
criança a fazer. A criança pode exibir os comportamentos típicos acima referidos na
direcção de ou com: Criança, Adultos.

4.5. Tipos de ensino pelo adulto:

Redireccionar - parar o envolvimento actual da criança para a levar a fazer algo


diferente.
Introduzir - dar uma nova actividade a uma criança que não está envolvida no
momento.
Elaborar - fornecer informação ou materiais relacionados com as actividades
actuais da criança mas indo além do âmbito das especificidades da actividade. Construir
a partir das actividades do momento ou da linguagem das crianças fornecendo-lhes
informação e materiais adicionais e relacionados, sem solicitar uma resposta à criança.

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Seguir - desencadear uma resposta relacionada com as actividades em que a


criança está envolvida no momento.
Informar - fornecer informação sem elaborar a partir da actividade actual da
criança. A actividade é iniciada e dirigida pelo professor/educador e não é responsiva a
uma actividade iniciada pelas crianças.
Reconhecer - responder às crianças ou suas actividades sem as descrever,
desenvolver, ou seguir. O comportamento do educador revela às crianças que ouviu ou
viu o que elas fizeram mas não acrescenta à interacção ou actividade.
Elogiar - aumentar o afecto para transmitir prazer ou admiração pelas crianças,
pelo seu comportamento, ou pelos seus produtos. Caracteriza-se por uma mudança
perceptível na entoação, em relação à voz e afecto normal do professor/educador. A
aparente intenção do educador é reforçar a participação da criança numa actividade
transmitindo-lhe prazer ou admiração.

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5. DA FAMÍLIA À CRECHE, AO JARDIM-DE-INFÂNCIA, À ESCOLA


A criança convive, cresce e comunica com a família. A ela cabe, em primeiro lugar,
a função educativa (um direito e um dever). A família é um elemento activo que
desempenha funções e tem responsabilidades distintas das que competem às
instituições educativas.
Os juízos e os actos que têm lugar no seio da família não devem criar diferenças
significativas nem demarcar-se excessivamente em relação aos parâmetros sociais
vigentes; gerar-se-ia uma duplicidade e controvérsia prejudiciais nos critérios
educacionais básicos.
A influência exercida pelo núcleo familiar condiciona, facilita e pode mesmo
alterar o desenvolvimento da criança. No seio da família verifica-se a primeira
aprendizagem dos valores essenciais e travam-se relações afectivas indispensáveis no
amadurecimento global do indivíduo.
O objectivo comum da família e da instituição educativa é conseguir a formação
integral e harmoniosa da criança. Ao longo das diferentes fases do processo educativo,
estas duas formas de intervir trouxeram referências coerentes e suficiente mente
abertas à integração na cultura e na sociedade.
Ambas devem orientar-se na mesma direcção, de forma a garantir a estabilidade
e o equilíbrio, factores indispensáveis a uma formação correta. Como consequência,
pode afirmar-se que a educação compete ao mesmo tempo a pais e educadores
(escolar). Há, portanto, necessidade de uma estreita colaboração, que se reflicta em
acções conjuntas e coordenadas.
A assistência às crianças nos seus primeiros anos de vida fora do âmbito familiar
está ligada às mudanças de hábitos de vida da sociedade, como consequência da
revolução industrial. O conceito de assistência educativa intencional é mais recente. Há,
contudo, uma oposição de critérios na opinião da sociedade em relação às instituições
responsáveis pelas primeiras fases do sistema educativo.
Os centros que recebem as crianças dos 3 meses aos 5 anos satisfazem, em
primeiro lugar, as necessidades fundamentais, de forma a permitirem o correto

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desenvolvimento do indivíduo, pois parte-se do princípio que, até à fase compreendida


entre os 6 e os 12 anos, os modelos de aquisição e aprendizagem variam muito.
Este falso raciocínio deriva da diminuta importância que há já muito tempo a
sociedade atribui a esta fase da vida. Os pais devem mostrar-se sensíveis a estes
problemas, que originam diferentes pedagogias, nem sempre as mais adequadas. As
reformas dos sistemas de ensino, levadas a cabo recentemente em diversos países,
valorizam o período compreendido entre os 3 meses e os 6 anos, considerando-o parte
integrante da estrutura educativa na sua globalidade.
As reformas dos sistemas de ensino, levadas a cabo recentemente em diversos
países, valorizam o período compreendido entre os 3 meses e os 6 anos, considerando-
o parte integrante da estrutura educativa na sua globalidade.
Embora continue a ser uma fase não obrigatória, o facto de se definirem quer os
ensinamentos e as competências próprias deste período quer as características
académicas e profissionais dos educadores e dos centros implicados nesta tarefa reforça
a nível social e importância da educação durante os primeiros anos de vida da criança.
Na perspectiva da socialização é fundamental que qualquer instituição de crianças
em idade infantil seja capaz de:
• Ensinar a conviver colectivamente com crianças da mesma idade;
• Ensinar a conviver com adultos, que não sejam pais ou familiares e que
tenham autoridade sobre a criança;
• Ensinar a adaptar-se ao grupo, separando-os do ambiente familiar e
aceitando a sua própria identidade.
As propostas específicas da escola infantil apresentam formas de integrar a
criança. É indubitável que a escola prepara o homem e a mulher para a sociedade, por
isso a sua tarefa é especificamente social, sem esquecer que não é o único factor
responsável dentro da comunidade educativa.
A actuação da escola infantil tem de respeitar as necessidades fundamentais das
crianças, sem alterar a realidade quando procura formas de progredir na aquisição de
conhecimentos. Deve exercitar-se a opinião das crianças com actividades colectivas e ao
mesmo tempo desencadeando situações em que cada indivíduo tenha de agir por si.

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Nas diferentes fases de desenvolvimento verificam-se várias aquisições


simultâneas do ponto de vista orgânico, psicomotores, linguístico, conceptual, afectivo
de maneira a que cada pessoa, de acordo com o seu próprio meio, vai progredindo como
indivíduo e membro da sociedade.
Um programa adequado em termos de desenvolvimento implica interacções
positivas entre os adultos e as crianças. As interacções adequadas em termos de
desenvolvimento são baseadas no conhecimento que o adulto tem das crianças; nas
expectativas do comportamento adequado à idade; na consciência que os adultos
devem ter da existência de diferenças individuais entre as crianças.
Resumindo, os adultos são sempre responsáveis por todas as crianças a seu cargo
e planeiam a sua progressiva independência à medida que elas vão adquirindo
competências.

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6. DESENVOLVIMENTO DO TRABALHO EM EQUIPA


Ao lado da família e também na escola, as crianças desenvolvem habilidades e
constroem os valores que os acompanharão por toda a vida. Durante essa fase, algumas
actividades que futuramente farão parte do dia a dia dos alunos, como o trabalho em
equipa, assumem um papel importante na formação integral da criança. É dessa forma
de extrema importância que a criança tenha diferentes interacções em equipa ao longo
da sua vida, de forma, a que este método de trabalho e convivência seja facilitada.
Este incentivo ao trabalho em equipa deve ser estimulado por parte das
instituições de ensino onde as crianças estão inseridas ao longo do seu
desenvolvimento, mas também a nível interno, nas famílias, sendo este, por norma, o
exemplo que a criança segue ao longo da sua vida, sendo esta a sua inspiração.
Quando a instituição de ensino promove trabalhos em grupo, ela possibilita que o
estudante desenvolva e exercite habilidades como decidir, debater, respeitar e auto
avaliar, ao mesmo tempo em que aprende sobre determinada disciplina.
As actividades dinamizadas em equipa fazem com que as crianças sejam expostos
à construção colectiva do conhecimento, que possibilita a troca de experiências entre
os colegas e o contacto com percepções distintas, ou seja, é a partir da vitória e derrota
que as crianças constroem uma parte da sua identidade social e pessoal e passam a viver
de forma saudável com a sociedade na qual estão inseridas.
Além disso, as crianças desenvolvem a capacidade de ouvir e respeitar opiniões
diferentes, permitindo que os estudantes se unam a fim de alcançar um objectivo em
comum. Indo mais além as crianças através do trabalho em equipa promovem a
habilidade da escuta activa e empatia, pondo-se no lugar do outro, antevendo as
necessidades da outra criança com quem estão a interagir, e percebendo que juntos
podem fazer algo mais produtivo e usufruírem de algo a curto prazo.
É através da construção de um relacionamento mais saudável entre pares que
ocorre o desenvolvimento social e, mais tarde, a nível profissional da criança. Assim, a
socialização é algo que merece a nossa atenção enquanto educadores formais e
informais.

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É através da socialização que a criança aprende a respeitar os outros e as suas


diferenças, prevenindo comportamentos egoístas, preconceituosos, egocêntricos e
independentes.
Assim, a socialização traz para a criança e aos que estão à sua volta as seguintes
vantagens:
• Integração no meio social;

• Percepção das diferenças;

• Respeito aos demais;

• Redução da timidez e da inibição;

• Desenvolvimento da comunicação verbal;

• Melhora da adaptação emocional;

• Descoberta de sistemas de valores;

• Exploração das possibilidades em conjunto;

• Vazão ao excesso de energia;

• Aumento da capacidade de concentração.

Encarar o trabalho em equipa como uma realidade necessária às crianças é


essencial para formar pessoas mais motivadas. Esta habilidade é uma das mais
valorizadas na vida adulta por empresas de todos os segmentos, mas uma das mais
desvalorizadas enquanto processo na aprendizagem por parte de educadores formais e
informais.
Através do trabalho em equipa, é possível explorar o melhor de cada um,
fortalecendo o colectivo e ampliando as oportunidades de sucesso de determinado
projecto.
A ideia é formar crianças para serem verdadeiros colaboradores, para estarem
prontos a ajudar e para assumirem suas responsabilidades perante os outros.

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6.1. Dicas para incentivar o trabalho em equipa

Uma das formas mais simples de incentivar ao trabalho de equipa é promover a


responsabilidade da criança no seio familiar e na escola. Desta forma, a criança assume
papeis importantes nesses contextos e reconhece a sua importância no funcionamento
holístico, estimulando de igual forma a solidariedade e a cidadania.
Exemplos:
• Escolher os brinquedos que podem ser doados para crianças carentes;
• Participar de acções e campanhas de voluntariado;
• Ler histórias para as crianças mais novas;
• Separar materiais que podem ser reciclados;
• Cuidar de um animal de estimação;
• Ajudar a carregar as compras do supermercado;
• Arrumar o próprio quarto;
• Retirar ou lavar a louça do café, do almoço e jantar.
Este tipo de trabalho com as crianças é um processo complexo, que exige trabalho
e dedicação, assim, os pais e educadores devem compreender a importância de seus
papéis, em cada etapa da vida dos pequenos, nunca perdendo a postura de
“autoridade”.
Acima de tudo devemos formar as crianças para o mundo e para que façam um
mundo diferente, mais humano, honesto, ético e colectivo, em que eles sintam que
podem fazer a diferença positiva.

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7. EXEMPLOS DE JOGOS (INCENTIVO AO TRABALHO DE EQUIPA)

1º jogo – Jogo do Piolho


Pôr em prática exercícios de aquecimento divertidos antes de cada jogo, desta forma,
prepara o espírito e o corpo dos membros do grupo para a brincadeira. Para o jogo do
piolho precisa de duas equipas, cada uma com um piolho.
O campo é dividido em 4, com dois espaços para cada piolho no lado oposto ao da sua
equipa. A bola é atirada do piolho para a sua equipa, enquanto este tenta "matar" os
adversários no melhor momento.
Quem é "morto" sai do jogo e ganha quem "matar" o último adversário. Quando o piolho
é morto, é substituído por outro membro da equipa.

2º jogo – Jogo da Bandeira


Cada grupo tem o seu campo e a sua "bandeira" (que poderá ser qualquer objeto),
colocada no fundo de cada campo.
O objectivo é roubar a bandeira dos adversários e levá-la para o seu lado do campo.
Se algum jogador entrar no campo oposto, os seus adversários podem tocar-lhe e ele
tem de ficar parado até ser salvo por um colega de equipa. Ganha quem apanhar mais
vezes a bandeira dos adversários.

3º jogo – Jogo do quente e frio

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Depois de escolher um objecto e um jogador para o esconder, todos terão de tapar os


olhos. Quando o objecto estiver escondido, têm de tentar procurá-lo com a ajuda do
jogador que o escondeu que, conforme a posição dos restantes em relação ao objecto,
vai gritando "quente" (se estiverem perto) ou "frio" (se estiverem longe).
Ganha quem encontrar o objecto. Este jogo pode ser jogado de forma individual ou em
grupo.

4º jogo – Jogo do carrinho de mão


Trace duas linhas no chão, uma de partida e outra de chegada.
Os participantes dividem-se em pares e colocam-se atrás da linha de partida. Todos
contam até três e um jogador de cada par tem de se baixar, esticar as pernas para trás
e apoiar as mãos no chão.
O outro levanta as pernas do parceiro e os pares começam a correr, um com os pés e o
outro com as mãos. Quem cair volta à posição de partida. Ganha quem chegar à linha
de chegada primeiro.

5º jogo – Futebol humano


Os participantes espalham-se num campo enquanto outra tenta atravessá-lo e chegar
até o fim. Porém, as pessoas do campo devem impedir (mas não poderão mexer os
braços). Quem conseguir chegar primeiro ao fim sem ser apanhado é o vencedor.

6º Jogo – Ovos a rolar


Cozer alguns ovos e utilize-os numa corrida divertida.
Cada criança tem de empurrar, com o seu nariz, um ovo cozido desde o ponto de partida
até à meta.
Este jogo pode ser disputado no chão da sala ou no jardim e a primeira criança a
atravessar a meta com o seu ovo é a vencedora.
Para fomentar o espírito de equipa poderão formar equipas de três/quatro elementos.

7º jogo – Segura o objecto

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Em equipas de dois elementos, estes terão como objectivo principal não deixar cair o
objecto que seguram, seja com o corpo (cabeça, barriga, pernas…), ou com paus,
conforme a preferência do dinamizador. Ganha quem chegar mais rápido, e sem batota,
do ponto de início até à meta.

8º jogo – Jogo do Lenço


Um jogador faz de júri e é quem segura o lenço a meio do campo.
Os outros dividem-se em duas equipas.
As equipas, em segredo, dão um número a cada jogador.
Se as equipas não tiverem igual número de elementos, a mesma pessoa pode ficar com
dois números.
O júri fica no meio a segurar o lenço e as equipas frente a frente, separadas pela mesma
distância.
Com o lenço na mão e de braço no ar, o júri vai chamando os vários números.
Os jogadores chamados correm e tentam ficar com o lenço sem serem tocados pelo
adversário.
Se fugirem para o lado da sua equipa ganham 1 ponto, se conseguirem chegar à dos
adversários, são 2.
Quando um jogador é tocado com o lenço, o ponto vai para a equipa adversária.
Se retirar o lenço sem tocar no corpo do adversário, pontua para a sua equipa.
Se dois jogadores demorarem muito tempo para tirar o lenço, o júri pode chamar outro
número para ajudar - "ajuda ao número...".
Ganha o jogo a equipa que atingir primeiro os 20 pontos, ou podem decidir um tempo
para o jogo terminar.
Se o júri disser “Fogo”: Todos os jogadores tentam tirar o lenço;
Se disser “Água”: Ninguém se mexe.

9º jogo – Jogo dos pés atados


Atar os pés de todos os concorrentes com lenços (que não magoem e/ou apertem
demais). Atar o pé esquerdo de um, com o pé direito de outro.
Determinar um percurso, uma partida e uma meta.

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Os concorrentes são distribuídos em equipas de dois, e têm o objectivo de acabar mais


rapidamente o percurso que a equipa adversária.

10º jogo – Jogo dos sacos


Divide-se os participantes em equipas de número a definir.
Fazem-se três colunas, e em cada coluna fica uma equipa e cada uma fica com um saco.
Ao sinal o elemento que está à frente na fila veste o saco e começa a saltar do ponto de
partida até à meta, voltando para trás.
Quando chegam ao ponto inicial tiram o saco e dão-no ao companheiro, que continua
nessa sequência.
Todos os elementos devem fazer esse percurso com o saco.
Ganha a equipa que for mais rápida a terminar a sequência.

Para toda e qualquer actividade é necessário delinear uma estratégia de forma a


promover os objectivos aos quais nos propomos e que achamos benéficos para o
desenvolvimento da criança ou jovem.
Como tal há pontos que devemos ter em atenção, nomeadamente:
• Objectivos gerais e específicos

• Materiais disponíveis

• Público-alvo

• Restrições do público

• Recursos humanos, físicos e materiais

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• Condições meteorológicas

• Actividade a desenvolver.

8. DESENVOLVIMENTO DE ATITUDES E COMPORTAMENTOS


Quando falamos de educação e desenvolvimento para valores, atitudes e
comportamentos, estamos a falar da formação do indivíduo enquanto um ser social que por
causa dessa sua condição, deve seguir determinados padrões de comportamentos que lhe
fazem pertencer a uma determinada comunidade. Nós somos fruto da sociedade onde estamos
inseridos, onde somos influenciados e influenciamos todos os que nos rodeiam, e,
efectivamente, praticamos uma influência indirecta.
As comunidades humanas formam-se e funcionam tendo por base referências culturais e
sociais comuns que lhes permitem existirem como um conjunto mais ou menos harmónico. Ou
seja, uma comunidade humana tem necessidade de partilhar entre os seus membros aspectos
culturais, económicos, políticos e religiosos que lhe dão sentido como grupo social.
Nas sociedades modernas esse processo de consolidar esses valores e comportamentos
é feito pelos chamados agentes de socialização que são instituições fundamentais para o
funcionamento de uma sociedade, designadamente a família, a escola, o sistema religioso no
qual estamos inseridos, as empresas, etc. Entre esses agentes, a escola e a família desempenham
um papel crucial. É através destes que os indivíduos são preparados para viver em sociedade.
Tal como já salientado anteriormente, o papel da escola está em constante reformulação,
isto porque as sociedades têm passado por mudanças e o mundo vive numa evolução acelerada,
sendo essa evolução que dita a mudança dos sistemas educativos, quer no seio familiar, como
no seio escolar.
Para sermos humanos há implicação de estar sempre a aprender novas coisas da vida. É
na escola que de forma particular o indivíduo desperta para um novo mundo onde aprende
novas coisas através da assimilação e aquisição de conhecimentos, de forma consciente e
inconsciente, através do pensamento e do agir.
Falar de educação leva-nos obrigatoriamente a falar de valores.

Valores – Características intrínsecas do próprio processo de educar. Preocupação em


transmitir e ensinar normas sociais de uma dada comunidade, que constitui parte do seu
património social, cultural e, mesmo financeiro, de carácter ideológico

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Ninguém consegue transmitir uma educação neutra, nós, enquanto pais ou educadores,
de forma inconsciente tendemos a educar conforme os nosso valores e a comunidade tende a
influenciar, conforme os seus costumes e práticas. No entanto, é impossível definir a 100% o
futuro de uma criança, nós apenas encaminhamos, mas o seu futuro depende muito mais dele
e das suas decisões do que quem os educa.
É óbvio que todos estamos convencidos de que ensinamos o melhor aos nossos
educandos, seja de forma formal ou informal, capacitando-os para competirem com outras.
Nesse sentido, toda a educação é ideológica. Não há neutralidade. E os valores nascem em
contextos históricos. São propriedades de algumas culturas, alguma comunidade.
A interacção constante com valores, sejam eles transmitidos pela família próxima e
alargada, pela escola, etc dá alicerces ao carácter do indivíduo para se desenvolver, formando
de igual forma a sua personalidade.

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9. CONCLUSÃO
Na organização do processo pedagógico, as actividades e as estratégias que
escolhemos enquanto educadores formais e não formais ditam, em muitos casos, o
processo de desenvolvimento de uma criança, nomeadamente ao nível da relação entre
pares.
Assim, devemos apresentar à criança um ambiente seguro, propício às
aprendizagens e construtivo do ponto de vista dos valores sociais que pretendemos
transmitir.
Neste processo educativo procura-se de igual forma promover oportunidades de
cooperação, tomadas de decisões em comum e análises reflexivas, criando situações de
experimentação de situações de conflito, no confronto com opiniões diferentes das
suas, sendo esta a forma mais saudável de aprendizagem e desenvolvimento pessoal e
social.
O processo educativo só dará frutos caso haja partilha, envolvimento e
participação activa, tanto da criança como por aqueles que envolvem a mesma,
nomeadamente a família mais próxima. É através desta participação que a criança se
sente importante e incluída no seio familiar sendo este outro dos trabalhos da escola,
envolver a família nas suas actividades quotidianas e não só nos dias especiais.
Numa sociedade onde as mudanças são uma constante não certa, o apoio às
crianças, adultos do futuro é fulcral, pois é assim que cultivaremos uma sociedade mais
justa e igual.
Ao mesmo tempo é importante fomentar sentimentos positivos nas crianças,
aumentando e reforçando a positividade, nomeadamente através do elogio e da
promoção da auto crítica e iniciativa.
Em suma, para o processo de desenvolvimento de uma criança é necessário ter
bem assente que tipo de valores desejamos transmitir, sendo que para isso devemos
demonstrar à mesma que nós próprios assumimos essas atitudes perante os outros.

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Outra das formas, tal como visto anteriormente, os jogos de equipa são das formas
mais eficazes de transmitir valores de segurança e partilha entre pares, através da regra
e da confiança.
Para isso é necessário ter em atenção um conjunto de parâmetros antes de pôr
em prática qualquer tipo de prática, de forma a atingir os objectivos que se pretende
alcançar. Esses objectivos relacionam-se essencialmente com o estímulo da cooperação
e entre ajuda entre crianças, que as tornará em cidadãos e colaboradores mais
prestáveis e com mais iniciativa.

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BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
ALARCÃO, I. & TAVARES, J. (2003). Supervisão da prática pedagógica. Uma perspectiva
de desenvolvimento e aprendizagem. Coimbra: Livraria Almedina.
CARDONA, M. J. (1997). Para a História da Educação de Infância em Portugal: O discurso
oficial (1834 – 1990). Porto: Porto Editora.
LIMA CANUTO, Luisette (Coord) (2009). Educação para a cidadania. Praia. Instituto
Pedagógico.
MARQUES, J.C. Ensinar não é transmitir. Porto Alegre, Globo, 1977.

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