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MANUTENÇÃO E PATOLOGIA

CAVITAÇÃO
EM ESTRUTURAS DE CONCRETO

Allan Rodrigues Pereira


Filipe Marques de Gouvea
Maringá, 2012.
“ Pode-se afirmar que a
cavitação é a formação de
bolhas de vapor provocadas
pelo abaixamento de
pressão em regiões onde há
um aumento elevado na
velocidade de escoamento.


Ma Engª Civil Aline Christiane Morales Kormann (UFPR)
“A principal característica do fenômeno é a
instabilidade das bolhas, visto
que, quando são transportadas pelo fluxo
para regiões de pressões mais elevadas,
elas colapsam ou implodem repentinamente
e a água preenche velozmente os pequenos
vazios e pressões altíssimas são atingidas
em áreas infinitesimais e em intervalos de
tempo extremamente pequenos. Com a
repetição deste fenômeno nas mesmas
partes do concreto ou outro material,
resultam as escarificações.

(NEVILLE, 1997, p. 520)



BORSARI (1986, p. 20)

Quando as bolhas colapsam, a pressão


chega a atingir valores da ordem de 10⁸ atm.
E quanto menores as bolhas e maiores
suas quantidades, maior será o problema de
deterioração.
PRINCIPAIS ASPECTOS

→ Formação de cavidade de vapor, a partir de núcleos


microscópicos existentes no campo de escoamento, como
consequência da pressão ter atingido em certos pontos,
determinados valores críticos;

→ Crescimento das cavidades, como consequência de um


fenômeno de evaporação;

→ Colapso brusco final das cavidades, como consequência


do aumento da pressão em relação aos valores críticos.
A cavitação pode ocorrer tanto
em canais abertos como em
dutos fechados.
DUTOS FECHADOS

Neste caso, segundo MEHTA e MONTEIRO


(1994, p. 131), três causas podem ser
responsáveis pela queda de pressão, às
vezes, bem abaixo da atmosférica:

→ Sifonamento,
→ Inércia na parte interna de uma curva e
→ Irregularidades da superfície.
DUTOS FECHADOS

Nesta ocasião a cavitação pode ser prejudicial à


superfície de escoamento do fluído. Se a força
ocasionada pela implosão for superior à força
de coesão do material da superfície, este pode
ficar danificado.

Como a cavitação não ocorre uniformemente, a


aparência da superfície que sofreu erosão por
cavitação é irregular, riscada e perfurada.
TIPOS DE CAVITAÇÃO

Há dois tipos de cavitação: gasosa e vaporosa.


TIPOS DE CAVITAÇÃO

GASOSA

Ocorre a cavitação gasosa quando há uma grande quantidade de


gases suspensos na água ou o processo cavitante é lento. Este fato
permite o aumento da quantidade de ar no interior da bolha de
vapor, como conseqüência da desgaseificação do líquido. E devido
a este aumento no volume de ar, tanto o crescimento quanto o
rompimento das bolhas, acontecem mais lentamente, fazendo com
que a cavitação gasosa não seja tão agressiva.
TIPOS DE CAVITAÇÃO

VAPOROSA

A cavitação vaporosa ocorre quando há pouco ar no interior do


fluxo de água e no interior das bolhas há somente o vapor. Neste
caso, as pressões geradas pelo rompimento das bolhas são
elevadas, causando danos às estruturas hidráulicas.
O MECANISMO DA CAVITAÇÃO EM
SUPERFÍCIES HIDRÁLICAS DO CONCRETO

Parâmetros característicos

Quanto às condições da estrutura, em experiência


demonstra-se que há quatro razões básicas responsáveis
para haver danos por cavitação: (QUINTELA; RAMOS,1980)
O MECANISMO DA CAVITAÇÃO EM
SUPERFÍCIES HIDRÁLICAS DO CONCRETO

Parâmetros característicos

a) Irregularidades na superfície que limita o escoamento,


bem como a falta de qualidade do acabamento desta
superfície (restos de argamassa não retirados, exposição de
armaduras, fissuras, etc);
O MECANISMO DA CAVITAÇÃO EM
SUPERFÍCIES HIDRÁLICAS DO CONCRETO

Parâmetros característicos

b) Presença de elementos estruturais, como juntas de


dilatação, blocos de amortecimento, mudanças de seção
transversal, etc;
O MECANISMO DA CAVITAÇÃO EM
SUPERFÍCIES HIDRÁLICAS DO CONCRETO

Parâmetros característicos

c) Qualidade inadequada dos materiais das superfícies que


delimitam o escoamento;
O MECANISMO DA CAVITAÇÃO EM
SUPERFÍCIES HIDRÁLICAS DO CONCRETO

Parâmetros característicos

d) Outros fatores, como corrosões química e mecânica e


ação do gelo.
O MECANISMO DA CAVITAÇÃO EM
SUPERFÍCIES HIDRÁLICAS DO CONCRETO

Parâmetros característicos

Quanto ao fluxo, são três as condições necessárias para a


ocorrência da cavitação (TULLISVI, apud ANDRADE NETO,
1987, p. 6):

˃ existência de núcleos ou bolhas dispersos no meio


líquido;

˃ pressão, num dado ponto do escoamento, deverá atingir a


pressão de vapor ou valor próximo a esta;

˃ pressão, ao redor da bolha, deverá ser superior à de


vapor, causando seu rompimento.
O MECANISMO DA CAVITAÇÃO EM
SUPERFÍCIES HIDRÁLICAS DO CONCRETO

Cavitação por irregularidades na superfície

Irregularidades podem existir na superfície que delimita o


escoamento. Elas podem ser de alguns tipos, sendo que os
mais frequentes são ressaltos, rugosidades, mudanças na
inclinação e curvaturas, bem como saliências em juntas.
O MECANISMO DA CAVITAÇÃO EM
SUPERFÍCIES HIDRÁLICAS DO CONCRETO

Cavitação por irregularidades na superfície

TIPOS DE IRREGULARIDADES E PROVÁVEIS ZONAS DETERIORADAS PELA CAVITAÇÃO


(QUINTELA; RAMOS, 1980)
O MECANISMO DA CAVITAÇÃO EM
SUPERFÍCIES HIDRÁLICAS DO CONCRETO

Blocos dissipadores

Blocos (bafle blocks) não são recomendados quando a


velocidade é superior a 20 m/s, por causa do risco de
cavitação.
O MECANISMO DA CAVITAÇÃO EM
SUPERFÍCIES HIDRÁLICAS DO CONCRETO

Blocos dissipadores

(Chanson, 1999)
O MECANISMO DA CAVITAÇÃO EM
SUPERFÍCIES HIDRÁLICAS DO CONCRETO

Blocos dissipadores

Experiências tem demonstrado que, mesmo para


velocidades pequenas (< 12 m/s), estruturas como
blocos dissipadores de energia e blocos dispersores
de estruturas de saída podem sofrer danos por
cavitação, geralmente à jusante.
O MECANISMO DA CAVITAÇÃO EM
SUPERFÍCIES HIDRÁLICAS DO CONCRETO

Blocos dissipadores

ESCOAMENTO À JUSANTE DOS BLOCOS DE DISSIPAÇÃO


(QUINTELA; RAMOS, 1980))
O MECANISMO DA CAVITAÇÃO EM
SUPERFÍCIES HIDRÁLICAS DO CONCRETO

Blocos dissipadores

Pode-se afirmar que a cavitação é provocada pelo sucessivo


desprendimento do fluxo d'água nas paredes verticais dos
blocos, devido às variações tanto de velocidade quanto de
pressão.
Estabelece-se um processo de fadiga da estrutura.
O MECANISMO DA CAVITAÇÃO EM
SUPERFÍCIES HIDRÁLICAS DO CONCRETO

Blocos dissipadores
MEDIDAS DE PROTEÇÃO CONTRA A
OCORRÊNCIA DA CAVITAÇÃO


Têm-se como medidas de proteção quanto à degradação
por cavitação:

a) Inexistência de irregularidades;

b) Uso de concretos especiais, blindagens, ou películas


protetoras em trechos onde a probabilidade de ocorrência
de cavitação, seja maior; e

c) Arejamento do fluxo por toda superfície de escoamento.

(QUINTELA e RAMOS, 1980, p. 31)



MATERIAIS

As propriedades requeridas aos materiais para que


apresentem bom desempenho aos efeitos da
cavitação, são:

-resistência à tração;

-resistência ao impacto;

-resistência à fadiga; e

- resistência à fissuração.
MATERIAIS

Quanto aos tipos de materiais a serem empregados,


podem ser utilizados concretos de alta resistência, com
baixa relação a/c, agregados graúdos de até 20 mm,
garantindo a qualidade da cura para que a aderência
entre pasta e agregados seja otimizada.
MATERIAIS

O acabamento das superfícies com blindagem de aço é


uma opção resistente que garante a durabilidade da
estrutura, sendo eficaz nas regiões mais vulneráveis.
Porém, devido ao seu alto custo e alguns problemas
técnicos que podem surgir na sua implantação, como
corrosão e falta de aderência ao concreto provocando
vibrações e consequente fadiga, por vezes é descartada.
MATERIAIS

Foram testadas em laboratório algumas adições no


concreto para aumentar sua resistência à cavitação, e
os tipos de concretos que tiveram suas resistências
melhoradas foram o concreto impregnado com
polímeros, com fibras, com resina epóxi e
revestimentos com películas de resina epóxi.
AERAÇÃO DO FLUXO D’ÁGUA

A incorporação de ar no fluxo d'água em alta


velocidade pode reduzir os danos por cavitação. Tal
mecanismo baseia-se no fato de que, com o ar no meio
líquido, o fluxo como um todo se torna elástico e
compressível, absorvendo melhor os impactos
provocados pela implosão das bolhas geradas no
processo de cavitação.
AERAÇÃO DO FLUXO D’ÁGUA

A incorporação de ar pode ser natural ou induzida. Se


induzida, é necessário utilizar dispositivos aeradores
como defletores, degraus e ranhuras.
AERAÇÃO DO FLUXO D’ÁGUA

Os danos causados pela cavitação poderão ser


minimizados se, o fluxo próximo à superfície de
concreto for bastante aerado, com volume de bolhas
pequenas em torno de 8%, amortecendo o impacto
devido ao desmanchamento das mesmas, de acordo
com ensaios laboratoriais, feitos para fluxos de altas
velocidades, acima de 27 m/s.
Obrigado à todos por sua atenção!