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GRATUIDADE: DESAFIO DA MISSÃO DOS

SEGUIDORES DE JESUS
GRATUIDADE: DESAFIO DA MISSÃO DOS SEGUIDORES DE JESUS
Quem segue os passos de Jesus descobre que a salvação não é um sistema de
trocas: toma lá – dá cá. Deus não é um banqueiro do mundo espiritual, sempre
disposto a cobrar o que estamos devendo. Aliás, Cristo não morreu por nós
porque éramos merecedores.(leia Romanos 5,7-8). Somos todos devedores,
necessitados da misericórdia divina e convidados a sermos misericordiosos uns
para com os outros. Por isso, toda pessoa chamada por Deus tem que estar
mergulhada na espiritualidade da gratuidade do amor divino se quiser ser um
verdadeiro seguidor de Jesus, caminho, verdade e vida. O que é gratuidade?
Uma pequena história pode ajudar-nos a entende-la:

José caminhava em uma rua escura e foi abordado por um ladrão que,
apontando-lhe a arma, anunciou o assalto.

– Estou sem dinheiro, só tenho este relógio, disse assustada a vítima.

– Então me dê o relógio.

Uma terceira pessoa viu a cena e decidiu ajudar. Silenciosamente aproximou-se


e, com um golpe que atordoou o delinqüente, conseguiu tomar-lhe a arma.
Desarmado, o assaltante fugiu. Aliviado José disse um emocionado obrigado
àquele que o ajudou.

– Obrigado nada! Eu arrisquei minha vida por você e mereço uma


recompensa.

– Mas eu só tenho este relógio, disse o que fora salvo do algoz agressor.

– Então me dê o relógio que eu fico satisfeito!

E o salvador foi embora com o relógio de José e a arma do assaltante.

Gratuidade é agir desinteressadamente. É assim que Deus age por nós e foi
movido pela gratuidade do amor que seu Filho derramou o sangue na cruz para
nos salvar. Assim, toda pessoa que se dispõe a anunciar a Palavra Divina
precisa deixar de lado interesses particulares. O único objetivo é fazer com que
os ouvintes da Boa Nova descubram que o mais importante nesta vida é amar a
Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. O amor é alimentado
pela gratuidade, e a falta dela é o mal maior deste nosso tempo. Da busca
desenfreada das vantagens pessoais surge a corrupção, a falsificação de
remédios, brigas entre familiares, nações, igrejas, traições, roubos, etc.

Para viver a gratuidade, o discípulo de Jesus precisa cumprir quatro exigências:


A primeira é não esquecer que é Deus quem nos chama e dele recebemos os
dons para servir a missão que nos foi confiada. Usando uma frase conhecida:
“Deus não escolhe pessoas capacitadas, mas capacita os escolhidos”. Recebemos
este chamado através de mensageiros divinos, que nem sempre são pessoas
ligadas às Igrejas. A segunda exigência é viver a intimidade com Deus e
entregar-se a Ele em confiança, porque sem confiança não há amor, não há fé e
nem esperança. Ninguém conhece realmente a Deus sem confiar no seu amor
que é capaz de tudo, porque quer nos salvar gratuitamente.

Cumpridas estas duas exigências, o discípulo está apto a anunciar. A terceira


exigência é fazer este anúncio através da união entre a ação e a contemplação,
entre o encontro com Deus e o encontro com o próximo. A contemplação
autêntica não separa o absoluto de Deus dos apelos dos irmãos, especialmente
dos mais pobres. Jesus deu o exemplo, fazendo a síntese entre o contemplativo
e o compromisso, de modo especial, no texto do juízo final (leia Mateus 25, 33-
44). Acolher a Deus é se solidarizar com os sofredores. Vivendo a gratuidade, o
discípulo de Jesus testemunhará a alegria de servir a Deus e aos irmãos, a
quarta exigência. (Leia João 16,20; Mateus 13,44; Filipenses 4,4 e Romanos
12,6-8). O seguidor de Jesus que vive a gratuidade é também um pouco poeta e
profeta, capaz de gostar das flores, da música, da festa, mas também de
enfrentar situações difíceis para lutar contra as injustiças que se abatem sobre o
povo.

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