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PERÍCIAS JUDICIAIS

NOVO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL


Lei n. 13.105/15

Angelo Maraninchi Giannakos


Advogado – OAB/RS 16.622
O que é perícia judicial cível?

- Meio de prova, consistente em exame, vistoria e avaliação, prevista no CPC (art. 464 e seguintes)
- Supre a carência técnica do Juiz
- Contém uma declaração científica sobre os fatos
- Possui uma afirmação de juízo (opinião técnica)
- Não vincula o magistrado (art. 476 c/c art. 371 do CPC)

Art. 479. O juiz apreciará a prova pericial de acordo com o disposto no art. 371, indicando na sentença os
motivos que o levaram a considerar ou a deixar de considerar as conclusões do laudo, levando em conta
o método utilizado pelo perito.

Art. 371. O juiz apreciará a prova constante dos autos, independentemente do sujeito que a tiver
promovido, e indicará na decisão as razões da formação de seu convencimento.
Quem é o Perito?

- Auxiliar eventual do Poder Judiciário (com poderes e deveres)


- Profissional legalmente habilitado ou órgão técnico/científico (pessoa jurídica)
- Cadastrado no Tribunal que atua (Resolução n. 233/2016-CNJ)
- Com imparcialidade (impedimento e suspeição – arts. 144 e 145 do CPC)

Art. 156. O juiz será assistido por perito quando a prova do fato depender de conhecimento técnico ou
científico.
§ 1º Os peritos serão nomeados entre os profissionais legalmente habilitados e os órgãos técnicos ou
científicos devidamente inscritos em cadastro mantido pelo tribunal ao qual o juiz está vinculado.

§ 2º Para formação do cadastro, os tribunais devem realizar consulta pública, por meio de divulgação na
rede mundial de computadores ou em jornais de grande circulação, além de consulta direta a
universidades, a conselhos de classe, ao Ministério Público, à Defensoria Pública e à Ordem dos Advogados
do Brasil, para indicação de profissionais ou de órgãos técnicos interessados.
§ 3º Os tribunais realizarão avaliações e reavaliações periódicas para manutenção do cadastro, considerando
a formação profissional, a atualização do conhecimento e a experiência dos peritos interessados.

§ 4º Para verificação de eventual impedimento ou motivo de suspeição, nos termos dos arts. 148 e 467, o
órgão técnico ou científico nomeado para realização da perícia informará ao juiz os nomes e os dados de
qualificação dos profissionais que participarão da atividade.

§ 5º Na localidade onde não houver inscrito no cadastro disponibilizado pelo tribunal, a nomeação de perito
é de livre escolha pelo juiz e deverá recair sobre profissional ou órgão técnico ou científico
comprovadamente detentor do conhecimento necessário à realização da perícia.

Art. 157. O perito tem o dever de cumprir o ofício no prazo que lhe designar o juiz, empregando toda sua
diligência, podendo escusar-se do encargo alegando motivo legítimo.

§ 1º A escusa será apresentada no prazo de 15 (quinze) dias, contado da intimação, da suspeição ou do


impedimento supervenientes, sob pena de renúncia ao direito de alega-la.
§ 2º Será organizada lista de peritos na vara ou na secretaria, com disponibilização dos documentos exigidos
para habilitação à consulta de interessados, para que a nomeação seja distribuída de modo equitativo,
observadas a capacidade técnica e a área de conhecimento.

Art. 158. O perito que, por dolo ou culpa, prestar informações inverídicas responderá pelos prejuízos que
causar à parte e ficará inabilitado para atuar em outras perícias no prazo de 2 (dois) a 5 (cinco) anos,
independentemente das demais sanções previstas em lei, devendo o juiz comunicar o fato ao respectivo
órgão de classe para adoção das medidas que entender cabíveis.
Da Nomeação de Perito

- Pelo Juiz (art. 465 do CPC) ou pelas partes, em consenso (art. 471 do CPC)
- O Novo CPC prevê cadastramento perante os Tribunais
- O CNJ – Conselho Nacional de Justiça emitiu Resolução n. 233/2016, criando o Cadastro Eletrônico de
Peritos e Órgãos Técnicos ou Científicos (CPTEC)
- Os Tribunais devem publicar Edital para cadastramento (com requisitos e documentação a ser
apresentada)
- Publicidade maior (lista de profissionais nomeados, respectivos processos e remuneração fixada)
Resolução n. 233/2016 – CNJ

Art. 9º Cabe ao magistrado, nos feitos de sua competência, escolher e nomear profissional para os fins do
disposto nesta Resolução.

§ 1º A escolha se dará entre os peritos cadastrados, por nomeação direta do profissional ou por sorteio
eletrônico, a critério do magistrado.

§ 2º O juiz poderá selecionar profissionais de sua confiança, entre aqueles que estejam regularmente
cadastrados no CPTEC, para atuação em sua unidade jurisdicional, devendo, entre os selecionados, observar
o critério equitativo de nomeação em se tratando de profissionais da mesma especialidade.

§ 5º O CPTEC disponibilizará lista dos peritos/órgãos nomeados em cada unidade jurisdicional, permitindo a
identificação dos processos em que ela ocorreu, a data correspondente e o valor fixado de honorários
profissionais.
Deveres do Perito
(Art. 12 da Resolução n. 233/2016 do CNJ)

I- atuar com diligência


II- cumprir os deveres previstos em lei
III- observar o sigilo devido nos processos em segredo de justiça
IV- observar, rigorosamente, a data e os horários designados para a realização das perícias e
dos atos técnicos ou científicos
V- apresentar os laudos periciais e/ou complementares no prazo legal ou em outro fixado
pelo magistrado
VI- manter os seus dados cadastrais e informações correlatas anualmente atualizados
VII- providenciar a imediata devolução dos autos judiciais quando determinado pelo
magistrado
VIII- cumprir as determinações do magistrado quanto ao trabalho a ser desenvolvido
IX- nas perícias:

a) responder fielmente aos quesitos, bem como prestar os esclarecimentos


complementares que se fizerem necessários
b) identificar-se ao periciando ou à pessoa que acompanhará a perícia, informando os
procedimentos técnicos que serão adotados na atividade pericial
c) devolver ao periciando ou à pessoa que acompanhará a perícia toda a documentação
utilizada
Suspensão e Exclusão do Cadastro

- A Pedido do Perito

- Até 5 anos, por representação do magistrado (com direito a ampla defesa e contraditório)

- Resolução n. 233/2016-CNJ:

Art. 7º O profissional ou o órgão poderá ter seu nome suspenso ou excluído do CPTEC, por até 5 (cinco)
anos, pelo tribunal, a pedido ou por representação de magistrado, observados o direito à ampla defesa e ao
contraditório.
Poderes do Perito

- Falar no processo (através de petição e laudo pericial)


- Levar os autos (processo) em carga
- Fazer e requerer diligências
- Solicitar exibição de documentos (diretamente ou mediante intervenção do Juiz)
- Ouvir testemunhas e partes

Art. 473, § 3º, do CPC:

“Para o desempenho de sua função, o perito e os assistentes técnicos podem valer-se de todos os meios
necessários, ouvindo testemunhas, obtendo informações, solicitando documentos que estejam em poder
da parte, de terceiros ou em repartições públicas, bem como instruir o laudo em planilhas, mapas, plantas,
desenhos, fotografias ou outros elementos necessários ao esclarecimento do objeto da perícia.”
Procedimento para Elaboração da Perícia (I)

- Nomeação pelo Juiz (com fixação de prazo para elaboração do laudo) – art. 465 do CPC
- Manifestação das partes em 15 dias (indicação de Quesitos e indicação de Assistente Técnico) – as partes
podem alegar Impedimento, Suspeição ou Incapacidade Técnica do Perito nomeado
- Autos (processo) vão ao Perito para, em 5 dias:

1. Aceitar o encargo ou recusar fundamentadamente


2. Fazer proposta de honorários
3. Demonstrar sua qualificação e fornecer dados de localização

- Pronunciamento das partes sobre a proposta de honorários – em 5 dias


- Decisão sobre os honorários e determinação para pagamento (art. 95 do CPC)
Art. 465 do CPC. O juiz nomeará perito especializado no objeto da perícia e fixará de imediato o prazo para a
entrega do laudo.

§ 1º Incumbe às partes, dentro de 15 (quinze) dias contados da intimação do despacho de nomeação do


perito:
I- arguir o impedimento ou a suspeição do perito, se for o caso;
II- indicar assistente técnico;
III- apresentar quesitos.

§ 2º Ciente da nomeação, o perito apresentará em 5 (cinco) dias:


I- proposta de honorários;
II- currículo, com comprovação de especialização;
III- contatos profissionais, em especial o endereço eletrônico, para onde serão dirigidas as intimações
pessoais.

§ 3º As partes serão intimadas da proposta de honorários para, querendo, manifestar-se no prazo comum
de 5 (cinco) dias, após o que o juiz arbitrará o valor, intimando-se as partes para os fins do art. 95.
Art. 95. Cada parte adiantará a remuneração do assistente técnico que houver indicado, sendo a do perito
adiantada pela parte que houver requerido perícia ou rateada quando a perícia for determinada de ofício ou
requerida por ambas as partes.
Procedimento para Elaboração da Perícia (II)

- Perito (ou Juiz) designa data para a realização de vistoria ou exame, iniciando a produção da prova e
prazo para conclusão (art. 474 do CPC). Deve comunicar a parte e o assistente técnico (art. 466, § 2º,
CPC)
- Elaboração e entrega do Laudo em juízo (no prazo). Pode haver pedido de prorrogação de prazo (art.
476 do CPC)
- Manifestação das partes e apresentação de Parecer do Assistente Técnico – em 15 dias (art. 477, § 1º, do
CPC)
- Elaboração de Laudo Complementar (15 dias) para:
1. Esclarecer dúvidas das partes, do MP e do juízo
2. Esclarecer divergência constante do Parecer do Assistente Técnico
3. Responder Quesitos Complementares (art. 469 do CPC)
Art. 469. As partes poderão apresentar quesitos suplementares durante a diligência, que poderão ser
respondidos pelo perito previamente ou na audiência de instrução e julgamento.

Art. 477. O perito protocolará o laudo em juízo, no prazo fixado pelo juiz, pelo menos 20 (vinte) dias antes da
audiência de instrução e julgamento.

§ 1º As partes serão intimadas para, querendo, manifestar-se sobre o laudo do perito do juízo no prazo
comum de 15 (quinze) dias, podendo o assistente técnico de cada uma das partes, em igual prazo, apresentar
seu respectivo parecer.

§ 2º O perito do juízo tem o dever de, no prazo de 15 (quinze) dias, esclarecer ponto:

I- sobre o qual existe divergência ou dúvida de qualquer das partes, do juiz ou do órgão do Ministério
Público;
II- divergente apresentado no parecer do assistente técnico da parte.
Procedimento para Elaboração da Perícia (III)

- Prestação de esclarecimentos em audiência:

1. Questões ou quesitos previamente elaborados


2. Recebe as perguntas antes da audiência (10 dias)

Art. 477, §§ 3º e 4º, do CPC:

§ 3º Se ainda houver necessidade de esclarecimentos, a parte requererá ao juiz que mande intimar o perito
ou o assistente técnico a comparecer à audiência de instrução e julgamento, formulando, desde logo, as
perguntas, sob forma de quesitos.

§ 4º O perito ou o assistente técnico será intimado por meio eletrônico, com pelo menos 10 (dez) dias de
antecedência da audiência.
Assistente Técnico

- Contratado pela parte, é de confiança dela

- Deve ser intimado para acompanhar as diligências e exames

- Pode usar de todos os meios necessários para elaborar Parecer

- Se manifesta nos autos depois do Perito

- Auxilia o advogado no processo


Honorários Periciais

- O valor é requerido pelo Perito, mas fixados pelo Juiz (pode desistir se houver redução)

- Deve ser integralmente antecipado pela(s) parte(s) – repartidos, quando a prova for requerida por ambos ou
pelo Juízo

- Pode ser liberado até 50% do valor, no início dos trabalhos (alvará judicial), se houver requerimento, com o
saldo sendo entregue depois de prestados esclarecimentos complementares

- Perícia inconclusiva pode levar à redução de honorários

- Haverá restituição, em 15 dias, em caso de substituição por atraso e falta de conhecimento (art. 468 do CPC),
sob pena de impedimento por 5 anos e execução.
Honorários Periciais
(Assistência Judiciária Gratuita ou Gratuidade de Justiça)

- Pagos pela União ou Estado


- Resolução n. 232/2016-CNJ trouxe nova tabela de valores e permissão que estes fossem
excepcionalmente elevados em 5 vezes (art. 2º, § 4º)
- O Ato n. 051/2009-P do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, com suas alterações, prevê
valores superiores, bem como a possibilidade de elevação desse montante, mas com pagamento ao final
- Os Tribunais de Justiça de cada Estado da Federação têm suas tabelas

Art. 95, § 3º, do CPC:


§ 3º Quando o pagamento da perícia for de responsabilidade de beneficiário de gratuidade de justiça, ela
poderá ser:
I- custeada com recursos alocados no orçamento do ente público e realizada por servidor do Poder
Judiciário ou por órgão público conveniado;
II- paga com recursos alocados no orçamento da União, do Estado ou do Distrito Federal, no caso de ser
realizada por particular, hipótese em que o valor será fixado conforme tabela do tribunal respectivo ou, em
caso de sua omissão, do Conselho Nacional de Justiça.
- Quando a perícia for requerida por ambas as partes, determinar o adiantamento de parcela dos
honorários por quem não tem gratuidade de justiça e o resto pelo Estado (leia-se Tribunal de Justiça)

- Serve para mostrar o trabalho e “ganhar” a confiança do juízo para futuros trabalhos

- Pode ser rentável se houver bom volume de trabalho


Prazos (I)

- Fluem somente nos dias úteis (art. 219 do CPC)

- Exclui o dia do começo e inclui o dia do vencimento (art. 224 do CPC)

- Suspensos entre 20/12 e 20/01 (art. 220 do CPC)

- De 15 dias:
a) Apresentar quesitos e nomear assistente técnico (art. 465, § 1º, do CPC)
b) Responder incidente de impedimento ou suspeição (art. 148, § 2º, do CPC)
c) Restituição de honorários (art. 468, § 3º, do CPC)
d) Manifestação das partes e do assistente técnico após entrega do Laudo Pericial (art. 477, § 1º, do CPC)
e) Prestar esclarecimentos complementares (art. 477, § 2º, do CPC)
Prazos (II)

- De 10 dias: intimação para depor em audiência (art. 477, § 4º, do CPC)


- De 5 dias:

a) Dizer se aceita o encargo, propor honorários e indicar sua qualificação profissional e pessoal (art.
465, § 2º, do CPC)

b) Partes se manifestarem sobre proposta de honorários (art. 465, § 3º, do CPC)

c) Comunicar assistente técnico de diligência e exame (art. 466, § 2º, do CPC)

d) Para os atos processuais que não tiverem prazo previsto em lei (art. 218, § 3º, do CPC)
1) Do Laudo Pericial (art. 473 do CPC)

1) Deve conter:

- Exposição do objeto da perícia


- Análise técnica ou científica realizada pelo perito
- Indicação do método utilizado
- Demonstração que método é aceito e cabível no caso
- Obediência às normas técnicas existentes
- Resposta conclusiva dos quesitos
- Linguagem simples
- Coerência lógica
Não deve constar do laudo:

- Opiniões pessoais não técnicas

- Recriminações ou ofensas a qualquer das partes

- Análises que fogem do objeto da perícia

- Comentários sobre assuntos para o qual não tem capacidade técnica ou científica

- Solução jurídica ao caso do processo


Manifestações do Assistente Técnico

- Parecer, discordando, no todo ou em parte, com o laudo, pedindo esclarecimentos

- Contra o laudo, com uma nova análise técnica

- Anuência com o laudo pericial


FIM
ANGELO MARANINCHI GIANNAKOS
Advogado – OAB/RS 16.622
Av. Cristóvão Colombo, 2834/603
Bairro Higienópolis
Porto Alegre – RS – CEP 90.560-002
Fones 51-99957.7392 e 51-3321.3650
angelo@giannakos.com.br
www.giannakos.com.br

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