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Durante toda a Baixa Idade média, e até ao surto epidémico do século XIV, a população

Europeia cresceu a um ritmo sem precedentes. As estimativas apontam para um


crescimento de 35 para 80 milhões entre os anos 1000 e 1347. Têm sido identificadas
como causas prováveis a melhoria nas técnicas agrícolas, a relativa paz e ausência de
invasões, o declínio da escravatura e um extenso período de clima moderado e aumento
da temperatura média.[131] Apesar deste crescimento, cerca de 90% da população era ainda
eminentemente rural embora, de forma progressiva, as quintas isoladas tenham dado lugar
a pequenas comunidades como aldeias ou vilas, e tenha sido comum a agregação em
volta de propriedades senhoriais.[132] A população urbana, ainda muito escassa durante a
Alta Idade Média, cresce assinalavelmente durante os séculos XII e XIII, a par da
expansão urbana e da fundação de imensos centros populacionais,[133] embora ao longo de
todo o período seja provável que nunca tenha excedido os 10% da população total.[134]
A estrutura social e económica tinha por base as relações feudais. Embora não fosse
proprietária, a nobreza detinha os direitos de exploração e tributação de grande parte dos
terrenos agrícolas. Os servos obtinham o direito a cultivar e habitar as terras de
determinada família nobre mediante o pagamento de uma renda na forma de trabalho,
géneros ou moeda. Em troca, recebiam proteção económica e militar.[135] Ao longo dos
séculos XI e XII, estas terras, ou feudos, tornam-se hereditárias. Em muitas regiões, ao
contrário do que acontecia na Alta Idade Média, a dificuldade em dividi-las pelos herdeiros
faz com que passem a ser herdadas apenas pelo primogénito.[136] Dentro da própria
nobreza, verifica-se a existência de uma hierarquia de vassalagem através da suserania,
onde são concedidas terras ou estruturas de importância económica para exploração a um
nobre menor, em troca da sua vassalagem e fidelidade.[136] O domínio da nobreza durante
este período deve-se em grande parte ao controlo das terras agrícolas e dos castelos, ao
serviço militar na cavalaria pesada e às várias isenções de impostos ou obrigações de que
desfrutavam. A introdução da cavalaria pesada na Europa teve origem
nos catafractários persas dos séculos V e VI, mas será a introdução do estribo no século
VII que virá permitir fazer uso de todo o potencial de combate destas unidades. Em
resposta aos vários tumultos dos séculos IX e X, assiste-se a um surto construtivo de
castelos, local de refúgio da população em tempos de ataque.[137]
O clero dividia-se entre o secular, parte da comunidade local, e o regular, que vivia numa
comunidade fechada segundo uma ordem religiosa e era normalmente constituído
por monges.[138] A maior parte dos membros do clero regular, assim como as hierarquias de
topo do clero secular, era de origem nobre. Os párocos locais provinham na maior parte
das vezes do povo.[139]
Na Flandres e no Norte e Centro de Itália, o crescimento de cidades que eram, até certo
ponto, autónomas, proporcionou um significativo desenvolvimento económico e criou uma
situação favorável ao aparecimento de novos modelos comerciais. As potências
económicas ao longo do Báltico estabeleceram uma série de acordos que deram origem
à Liga Hanseática, e as cidades-Estado italianas como Veneza, Génova e Pisa criaram
uma imensa rede de rotas comerciais por todo o Mediterrâneo.[140] Para além do
desenvolvimento comercial, as inovações agrícolas e tecnológicas deste período vieram
permitir o aumento da produtividade das explorações agrícolas, levando à criação de
excedentes em abundância para trocas comerciais.[141] Surgem também novos processos
financeiros. Procede-se novamente à cunhagem de moeda em ouro, inicialmente em Itália
e mais tarde em França e no resto da Europa. Surgem novas formas de contratos
comerciais, permitindo a gestão de risco entre os mercadores. São aperfeiçoados os
métodos de contabilidade e introduzidas as cartas de crédito que vieram permitir a rápida
transação monetária nas redes comerciais.[142]