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Elementos característicos

Rítmica
O choro não se caracteriza por um ritmo específico, mas pela maneira de se tocar
solta e sincopada, repleta de ornamentos e improvisações. Assim, é muito vasta a
gama de ritmos nos quais se baseiam os compositores de choro. Dentre os principais
ritmos utilizados, pode-se citar o maxixe, o samba, a polca e a valsa, dando
origem, assim, ao ‘’samba-choro’’, à ‘’polca-choro’’ e à ‘’valsa-choro’’ (com
relação ao maxixe, não é utilizada a expressão “maxixe-choro”, mas apenas
‘’maxixe’’). Além disso, há choros de andamento rápido e choros mais lentos
(apelidados "varandões").

Forma
O choro tradicional é caracterizado por três partes. É comum que cada parte esteja
em uma tonalidade, geralmente com modulações para tons vizinhos como o relativo ou
o quarto grau.

A partir de meados do século XX tornou-se muito popular o choro com apenas duas
partes. Grande parte dos choros de Jacob Bittencourt apresentam apenas duas partes.
Um grande defensor do choro em duas partes foi o compositor K-Ximbinho.[9]

Além disso, observa-se uma quadratura regular em cada uma das partes. Em geral,
cada parte tem 16 ou, mais recentemente, 32 compassos (sobretudo nos choros com
apenas duas partes), subdivididas em frases de compassos, por sua vez compostas de
dois incisos de 4 compassos.

Letra
Uma das principais discussões sobre o Choro é se deve ou não ter letra. Essa
polêmica sempre foi discutida entre os chorões, que têm opiniões diversas.
Originalmente, o gênero é puramente instrumental, mas, principalmente a partir dos
anos 1930 com a influência do rádio, começou-se a colocar letras em choros. Um
exemplo famoso é o do choro "Carinhoso", de Pixinguinha, que recebeu letra de João
de Barro e foi gravado com sucesso por Orlando Silva. As interpretações de Ademilde
Fonseca a consagraram como grande intérprete do choro cantado, sendo considerada "A
Rainha do choro". Outra controvérsia levantada é a respeito da inserção de letras
em choros de compositores já falecidos, como fez, dentre outros, Hermínio Bello de
Carvalho. Isso, para muitos chorões, constitui um desrespeito à obra dos
compositores, além de resultar em parcerias fictícias, gerando brigas em torno de
direitos autorais.

Instrumentos e conjuntos típicos


Os chorões muitas vezes se reúnem em grupos, geralmente rodas de choro ou conjuntos
regionais. O nome regional provavelmente surgiu na década de 1920, a partir de
grupos que se dedicavam à música regional. O conjunto regional é geralmente formado
por um ou mais instrumentos melódicos, como flauta, bandolim e cavaquinho, que
executam a melodia; o cavaquinho tem um importante papel rítmico e também assume
parte da harmonia; um ou mais violões e o violão de 7 cordas formam a base
harmônica do conjunto e o pandeiro atua na marcação do ritmo base.

Piano - No início, era muito comum no choro, sendo instrumento de pioneiros como
Ernesto Nazareth e Chiquinha Gonzaga. Os pianistas que tocavam choro eram, por
vezes, chamados "pianeiros".
Clarinete - instrumento de sopro de madeira, originário do chalumeau francês, mais
usado atualmente com a afinação em Si bemol. No Brasil é muito utilizado como
instrumento solista nas rodas e gravações de choro. Luiz Americano, Abel Ferreira,
K-Ximbinho e Paulo Moura são alguns dos grandes clarinetistas brasileiros.
Flauta - era o instrumento de Joaquim Callado, um dos primeiros chorões. Sempre foi
muito utilizada no choro, tanto a flauta comum quanto o piccolo. Ao longo da
história do choro, sempre houve, no gênero, flautistas notáveis, como Benedito
Lacerda, Patápio Silva e Altamiro Carrilho.
Violão de 7 cordas - foi introduzido nos regionais provavelmente pelo violonista
Tute, quando procurava notas mais graves para a chamada baixaria. A princípio a
corda utilizada era uma corda C de violoncelo, afinada também em C. Depois,
surgiram as cordas específicas para esse fim no violão. As cordas específicas
possibilitaram que muitos chorões optassem por afinar a sétima corda em B (o que
era impossível com a corda de violoncelo, que ficava muito frouxa se afinada em B),
seguindo mais à risca a lógica da afinação do violão e ganhando um semitom a mais
para o grave. A partir da década de 1950, teve como seu maior expoente Dino 7
Cordas, que influenciou grandes nomes da geração seguinte de violonistas, como
Raphael Rabello e Yamandú Costa.
Pandeiro - foi introduzido no choro por João da Baiana, no início do século XX. Até
então, o instrumento era relegado ao batuque, sendo rejeitado pelos que tocavam o
choro, considerado uma música mais elaborada que o samba e o batuque.
Saxofone - deve sua importância no choro a Pixinguinha. Flautista de origem,
Pixinguinha adotou o saxofone após tomar contato com as bandas de dixieland da
época. A importância do instrumento levou compositores a mencioná-lo nos títulos de
suas músicas, como "Por que chora, Saxofone" e "Sax soprano magoado". Outro grande
chorão saxofonista foi o pernambucano K-Ximbinho.
Bandolim - tem timbre, região e digitação muito adequados ao solo, além de ser um
instrumento com boa ressonância e projeção sonora. Jacob Bittencourt tornou o
bandolim, que já era utilizado no choro desde o início do século XX, um dos
símbolos do choro. A ele se seguiram, entre outros, Joel Nascimento e Hamilton de
Holanda.
Cavaquinho - originalmente, por suas características técnicas – como a pouca
ressonância –, era considerado apenas um instrumento de “centro”, ou seja, um
instrumento harmônico-rítmico utilizado apenas na base do conjunto. Entretanto, com
a melhoria de recursos acústicos e eletrônicos (como o pedal de reverb), passou
também a solista. O cavaquinho ganhou notoriedade como instrumento melódico a
partir de Waldir Azevedo.
Trombone - é um instrumento presente no choro desde, pelo menos, o início do século
XX. O trombonista Candinho foi um dos pioneiros do instrumento no gênero. Um dos
trombonistas de choro mais conhecidos é Raul de Barros, autor do clássico Na
Glória. Outro conhecido trombonista de choro é Zé da Velha.