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MEDIDAS DE VISCOSIDADE

Heitor João Valendolf; Jhonathan Conceição; Juliane Bernich;


Lucas Garcia; Vitor Negrini

Laboratório de Práticas Integradas - ECV2BN-BVA1

1 INTRODUÇÃO

Viscosidade pode ser definida como o atrito interno em um fluido, ou seja, é a


propriedade relacionada à resistência que um fluido oferece à deformação por cisalhamento,
tensão gerada por forças aplicadas em sentidos opostos, porém, em direções semelhantes no
material analisado. Os efeitos da viscosidade são importantes para o escoamento através de
tubos, lubrificação de equipamentos e muitas outras aplicações.
A viscosidade (η) é a derivada do gráfico da força de cisalhamento pela unidade de área
entre dois planos paralelos do líquido em movimento relativo (tensão de cisalhamento, τ) versus
o grau de velocidade dv/dx (taxa de cisalhamento, γ) entre os planos, isto é, τ = η*γ, onde:
𝑑𝑣
γ=
𝑑𝑥
= (𝑣𝑒𝑙𝑜𝑐𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑑𝑖𝑓𝑒𝑟𝑒𝑛𝑐𝑖𝑎𝑙 𝑒𝑚 𝑚/𝑠)
(𝑒𝑥𝑝𝑒𝑠𝑠𝑢𝑟𝑎 𝑑𝑖𝑓𝑒𝑟𝑒𝑛𝑐𝑖𝑎𝑙 𝑒𝑚 𝑚)
- Taxa de cisalhamento
𝐹 (𝑓𝑜𝑟ç𝑎 𝑒𝑚 𝑁)
τ= = – Tensão de cisalhamento
𝐴 (á𝑟𝑒𝑎 𝑚²)

Viscosidade dinâmica
𝑁
𝑁.𝑠 τ ( 2)
V( )= 𝑚
𝑚² 𝑑𝑣/𝑑𝑥 (𝑠 −1 )

Figura 1 Força de cisalhamento aplicada sobre um fluido


Fonte: Própria (2019)

Se o gráfico de τ versus γ com temperatura e pressão constantes for linear, a viscosidade


será constante e igual ao coeficiente angular da reta, os líquidos que apresentam este

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comportamento são denominados de Líquidos Newtonianos. E os que apresentam desvio desde
comportamento são denominados Líquidos Não-Newtonianos
Os líquidos que apresentam uma tensão de cisalhamento mínima para iniciar o
escoamento são denominados plásticos, os líquidos que apresentam uma diminuição da
viscosidade aparente com o aumento da tensão de cisalhamento são denominados pseudoplástico
e os líquidos que apresentam um aumento da viscosidade aparente com o aumento da tensão de
cisalhamento são denominados dilatantes.
A viscosidade de um fluído pode ser medida de várias formas, alguns equipamentos
utilizados para este fim são, viscosímetro Copo Ford e viscosímetro rotacional (Brookfield).
Essa prática teve como objetivo determinar a viscosidade da glicerina e do detergente
através do método Copo Ford, e pelo método Brookfield analisar a viscosidade de uma tinta a
base d’água e do detergente, e após as análises, classificar os fluídos de acordo com o
comportamento da viscosidade.

2 MATERIAIS E MÉTODOS

2.1 VISCOSÍMETRO DE COPO FORD

Viscosímetro Copo Ford, é um aparelho de medição utilizada na determinação da


viscosidade de fluídos a partir é do tempo que um volume fixo de líquido gasta para escoar
através de um orifício padronizado existente no fundo de um recipiente. É composto por um
copo de alumínio usinado com excelente polimento, tripé com regulagem de nivelação, faixa de
medição para ofícios. O orifício de número 2,3 e 4 é utilizado para medir líquidos de baixa
viscosidade, na faixa 20 a 30 mm²/s; os de números 5,6,7 e 8 para líquidos de viscosidade
superior a 310 mm²/s.

Tabela 2. Parâmetros padrão para cálculo de viscosidade cinemática

Copo Diâmetro do Range de Range de tempo Equação


Ford orifício (mm) Viscosidade (s) V (mm²/s)
(cSt)
Nº 2 2,8 25 – 120 40 – 100 2,388t + 0,007t² - 57,008
Nº 3 3,4 49 – 220 30 – 100 2,314t – 15,2
Nº 4 4,1 70 – 370 30 – 100 3,846t – 17,3
Nº 5 5,8 200 – 1200 30 – 100 ---
Fonte: Própria (2019)

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Para coleta de dados do detergente e da glicerina, foi utilizado o copo de número 4, e para
o armazenamento do líquido após término do fluxo foi usado um béquer.
Equipamento já estava nivelado, logo o ponto de partida foi bloquear o orifício com o
dedo e colocar o fluído no Copo Ford até que transbordasse na canaleta, foi retirado o excesso de
amostra com uma espátula, e logo em seguida liberado orifício simultaneamente com o início da
cronometragem. Com a primeira interrupção do fluxo foi parado o cronômetro e anotado os
dados. Foi executado três vezes o mesmo procedimento e calculada a viscosidade cinemática de
acordo com a tabela 1. Para cálculo da viscosidade dinâmica foram convertidas as unidades
necessárias e multiplicado a viscosidade cinemática pela densidade da amostra conforme
fórmula:
V *𝜌 = 𝜇 V = Viscosidade cinemática (m²/s)
𝜌 = Densidade (Kg/m³)
𝜇 = Viscosidade dinâmica (Ns/m²)

Para cálculo da Viscosidade dinâmica das amostras foram utilizados os seguintes valores de
densidade:
𝜌glicerina = 1,26 g/cm³ - 1260 Kg/m³
𝜌detergente = 1, 029 g/cm³ - 1029 Kg/m³

2.2 VISCOSÍMETRO ROTACIONAL (BROOKFIELD)

O aparelho gira um eixo com um disco em sua extremidade numa velocidade constante e
uniforme, mergulhado num fluido. A viscosidade é medida através da força aplicada a uma haste
giratória (Spindle) que aplica uma taxa de cisalhamento no fluido, a taxa de cisalhamento é
proporcional à velocidade de rotação da haste.
Foi selecionado spindle adequado de tal forma que a combinação entre o modelo, a
velocidade de rotação e o rotor escolhido permitam leituras entre 20% e 80% da escala do
aparelho, nº 3 para o detergente e nº 4 para a tinta. O spindle foi mergulhado no fluido dentro de
um béquer lentamente para evitar a formação de bolhas, ajustado a posição do spindle, e
acionada a rotação do spindle conforme velocidade desejada (rpm). Após 2 voltas do spindle,
pelo menos, foi feito a leitura na escala analógica e anotado o resultado. Aumentada a rotação e
repetido o procedimento a partir do acionamento da rotação do spindle.
A sequência de rotações utilizadas foi: 5, 10, 20, 50, 100, 100, 50, 20, 10 e 5rpm.

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3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

3.1 COPO FORD

Para cálculo da viscosidade cinemática utilizou-se a mesma fórmula para ambos os


fluídos devido os dois apresentarem propriedades físicas de viscosidade parecidas:

V =3,846t – 17,3 V = Viscosidade cinemática (mm²/s)


t = tempo (s)

As tabelas abaixo mostram os resultados obtidos para o tempo de escoamento do


detergente e da glicerina no Copo Ford com orifícios nº 4 de diâmetro 4,1 mm.

Tabela 3. Detergente

Medida Tempo (s) Viscosidade cinemática (mm²/s) Viscosidade dinâmica (Ns/m²)


1 170,17 637,17 0,655
2 172,69 646,86 0,665
3 184,51 692,32 0,712
Média 175,82 658,78 0,677
Fonte: Própria (2019)

Tabela 4. Glicerina

Medida Tempo (s) Viscosidade cinemática (mm²/s) Viscosidade dinâmica (Ns/m²)


1 147,31 549,25 0,692
2 131,25 487,48 0,614
3 141,4 526,52 0,663
Média 139,98 521,08 0,656
Fonte: Própria (2019)

3.2 VISCOSÍMETRO ROTACIONAL (BROOKFIELD)

Para cálculo da viscosidade cinemática foi pego a leitura indicada na escala analógica
para as diferentes rotações e multiplicado pelo fator multiplicador (tabelado).
As tabelas abaixo mostram os resultados obtidos para as velocidades de rotação do
spindle usando como amostra o detergente e a tinta.

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Tabela 5. Detergente

Velocidade de Leitura Fator multiplicador µ (cP)


Rotação (rpm)
5 2,5 200 500
10 5 100 500
20 10 50 500
50 24,5 20 490
100 49 10 490
100 54 10 540
50 24 20 480
20 9,75 50 487,5
10 5 100 500
5 2,5 200 500
Fonte: Própria (2019)

Tabela 6. Tinta

Velocidade de Leitura Fator multiplicador µ (cP)


Rotação (rpm)
5 12,5 400 5000
10 16 200 3200
20 20 100 2000
50 27,5 40 1100
100 33,5 20 670
100 33,5 20 670
50 26,5 40 1060
20 19 100 1900
10 15 200 3000
5 11,5 400 4600
Fonte: Própria (2019)

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Leitura
60

50

40

30

20

10

0
0 20 40 60 80 100 120 rpm

Tinta Detergente

Gráfico 1. Leitura X Rotação (rpm) viscosímetro rotacional


Fonte: Própria (2019)

µ (cP)
6000

5000

4000

3000

2000

1000

0
0 20 40 60 80 100 120 rpm

Detergente Tinta

Gráfico 2. µ (cP) X Rotação (rpm) viscosímetro rotacional


Fonte: Própria (2019)

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4 CONCLUSÃO

Com base nos dados coletados no experimento foi possível classificar como newtonianos a
glicerina e o detergente, pois como é possível ver nas tabelas 2 e 3 a viscosidade do fluído não
cresce e nem decresce a medida que o mesmo vai escoando, a viscosidade mentem constante e
igual ao coeficiente angular da reta após aumento da rotação do spindle, só variando
minuciosamente devido não ter precisão na sincronia de liberar o orifício do copo e
iniciar/terminar cronometragem. Foi possível observar com mais precisão a viscosidade do
detergente após colher os dados no viscosímetro rotativo, como pode ser visto nos gráficos 1 e 2
a viscosidade manteve o comportamento dos dados obtidos no Copo Ford. A tinta por outro lado
teve um decréscimo em sua tensão de cisalhamento após aumentar rotação do spindle, e pode ser
classificada como um fluído pseudoplástico não newtoniano. Outra condição a ser ressaltada
para imprecisão foi a de o levantamento de dados ser realizado por diferentes pessoas ou também
por influências externas como a impureza do material a ser avaliado. Porém, é possível concluir
que, tais valores não influenciaram de maneira considerável, incluindo-se na faixa de erro.

5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRAGANÇA, Carlos. Estudos de uma série de desemulsificantes e seus efeitos sobre a


reologia de um tipo de óleo pesado. 2009. Disponível em:
<http://repositorio.ufes.br/bitstream/10/4642/1/tese_3097_Carlos%20Bragan%C3%A7a.pdf>.
Acesso em: 15 abr. 2019.
SOUZA, Lijohara Júlia de Sá; ANDRADE, Maria Eduarda Marinho Freire de; REIS, Mylton
Franklyn da Silva (Comp.). Instrumentação insdustrial: medição de vazão. 2016. Disponível
em: <https://www.ebah.com.br/content/ABAAAg-uoAK/medicao-vazao>. Acesso em: 15 abr.
2019.
MOSER, Glaucia (Comp.). Reologia. 2011. Disponível em:
<www.fisicadosolo.ccr.ufsm.quoos.com.br/downloads/Disciplinas/FisicaSolo/SEM_Reologia_so
lo.pdf>. Acesso em: 15 abr. 2019.

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