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LIVROS

O SANEAMENTO NO BRASIL: POLÍTICAS E INTERFACE


SONALY CRISTINA REZENDE E LÉO HELLER

A
solução
confro
primeira edição, sob o título “O sanea- um outro livro. Porém, de forma muito
e deficiênc
não poderá
mento no mundo: avanços e recuos da competente, em apenas 50 páginas, os
adotem en
plinares. N visão sanitária”, que serve para contextu- autores mostram excelente resumo da evo-
livro de So
constitui u alizar o início da história do saneamento lução recente e da situação atual do acesso
ao debate
ferramen no Brasil e também para fundamentar a aos serviços de saneamento básico no
quadros
O enfoq
clarame
evolução da consciência das relações entre Brasil, comentam os modelos de serviço
para se
saneam
saneamento e saúde em seus conceitos bem-sucedidos e as experiências inovado-
em sua
econôm
primordiais, no âmbito mundial. ras de maneira sucinta e objetiva, mas sem
constit
deter
Os capítulos se seguem mantendo se furtar à crítica analítica, e fazem uma
no Brasil avaliação das perspectivas para um novo
O saneamento a mesma estrutura metodológica da
partic
desta

erfaces quadro político-institucional, englobando


Políticas e int primeira edição. O livro foi organizado a
área
econ

2ª Edição revista
e ampliada
histó
Este partir da identificação de cinco períodos marcos legais, organização institucional e
aos
pre
dic
históricos com características marcantes regulação. Ao final do capítulo, ousam te-
Sonaly Cristina
Rezend e ca
ab
da evolução da natureza das políticas cer algumas conclusões (assumidas como
Léo Heller cia
b
afetas ao saneamento do meio e ao de- “ainda que provisórias”) que sintetizam o
c
d
senvolvimento econômico e social no quadro recente e reconhecem a dificulda-
e
Brasil: século XVI até meados do século de de prever o futuro da implementação
XIX; metade do século XIX até 1910; do novo marco legal para o saneamento
1910 até 1945; 1945 até 1969; e a partir no Brasil. Este capítulo por si justificaria
de 1970. a nova edição, se não bastasse a procura
Já no prefácio, de Marcos Helano O capítulo 2 aborda “A formação dos leitores pelo livro desde que a primeira
Fernandes Montenegro, encontra-se uma da sociedade brasileira e a realização de edição foi esgotada.
excelente análise da política recente do ações sanitárias: Brasil Colônia e primeira A história do saneamento sob a ótica
Saneamento no Brasil. Com a proprie- metade do Império”. das suas interfaces, abordada no capítulo
dade de profundo conhecedor, não só “A conscientização acerca da inter- 7 da primeira edição, compõe, revisto, o
porque ocupou cargos que lhe deram a dependência sanitária: entre o poder pú- conteúdo do capítulo 8, que mantém dois
oportunidade de espectador e ator privi- blico e o privado”, é o assunto do capítulo quadros muito interessantes: um sobre
legiado (Diretor da Autarquia de Águas seguinte, realçando as características que as “relações saneamento-saúde e predo-
e Esgotos de Santo André; Presidente marcaram o período do meado do século minância no caráter das ações presentes
da CAESB e da CEDAE; Presidente da XIX até o início do século XX. na trajetória histórica do saneamento no
ASSEMAE; Diretor da ABES; e Diretor Referente ao período de 1910 a Brasil”; e outro sobre os “principais as-
da Secretaria Nacional de Saneamento, do 1950, o capítulo 4 desenvolve-se sob o pectos econômicos, sociais, políticos e
Ministério das Cidades) mas sobretudo título “O Estado Nacional assume res- culturais presentes na trajetória histórica do
porque sempre teve enorme sensibilidade ponsabilidades: coordenação das ações e saneamento no Brasil”; também revistos.
política e visão ampla das questões sociais, da política de saneamento”. É realmente uma nova edição. O
Marcos Montenegro expõe sua percepção O capítulo 5 mostra “O progressivo texto foi cuidadosamente atualizado e em
clara e honesta de militante democrático e distanciamento da área de saúde e a busca vários trechos recebeu nova redação, e foi
socialista do Saneamento, que o vê como pela autonomia dos serviços”, de 1950 de fato ampliado, passando das originais
política pública, de cunho social, a ser a 1969. 310 para 387 páginas.
submetida a controle amplo e democrá- Em seguida, um capítulo que co- Para meus alunos de Pós Graduação
tico da sociedade. menta as novas diretrizes para a política em Engenharia Sanitária e em Gestão
Na introdução, os autores colocam nacional de saneamento do PLANASA, Ambiental Urbana, a leitura desse livro é
a hipótese central que norteou a coleta a partir de 1970. obrigatória, mas recomendo também para
de informações e a estrutura do texto: “a Ao final de cada capítulo uma in- outros alunos e para meus amigos que têm
trajetória histórica do saneamento no País teressante e prática cronologia da época interesse em conhecer os fundamentos
é inseparável dos outros aspectos do de- em foco. históricos da nossa situação econômica
senvolvimento, sobretudo os econômicos, O capítulo 7 – Evolução recente e social pela ótica do saneamento e da
sociais, políticos e culturais”. e desafios para o futuro – substituiu o saúde pública.
O capítulo 1 recebeu novo título capítulo 8 da primeira edição, que tinha Comentário de
– Saneamento em formação: do expan- apenas 11 páginas, e, logicamente, foi o Cícero Onofre de Andrade Neto,
sionismo ao capitalismo – e nova redação, que mereceu atualização e ampliação mais professor da Universidade
mas manteve o conteúdo definido na substancial. O assunto deste capítulo daria Federal do Rio Grande do Norte

COORDENADOR DA COLUNA LIVROS: PROF. CÍCERO ONOFRE DE ANDRADE NETO


A sessão “Livros Técnicos”, que a cada edição traz resumos comentados sobre livros de interesse na área, tem como principal
objetivo permitir que o leitor, de forma rápida, se atualize e conheça o que há disponível no mercado editorial. As contribuições
deverão ser encaminhadas para: esa@abes-dn.org.br

Eng. sanit. ambient. 7 Vol.13 - Nº 1 - jan/mar 2008

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