Você está na página 1de 4

SEMINÁRIO PRESBITERIANO DO NORTE

TEOLOGIA SISTEMÁTICA VII

Aluno: André Fellipe

Apontamentos

HOEKEMA, Anthony A. A Bíblia e o Futuro. São Paulo: Casa Ed Presbiteriana, 1989.

A escatologia não surgiu quando o povo começou a duvidar da veracidade do reinado de


Deus no culto, mas sim quando eles tiveram de aprender, em meio a grande sofrimento,
a confiar em Deus, pela fé somente, como o único fundamento firme da vida, e quando
esse realismo da fé esteve dirigido criticamente contra a vida do povo, de modo que a
catástrofe iminente era considerada como uma intervenção divina plenamente justa e,
ainda, de modo a ser confessado que o Deus santo permanecia inabalado em Sua
fidelidade e amor a Israel. Dessa maneira, a vida de Israel na história passou a ter um
aspecto duplo: por um lado, o juízo era considerado como próximo, tangível, e a
recriação da comunidade de Deus como algo que se avizinhava... Escatologia é uma
certeza religiosa que emana diretamente da fé israelita em Deus, conforme enraizado na
história de sua salvação. p.8.

Outro conceito da revelação bíblica no qual a perspectiva escatológica do Antigo


Testamento está incorporada é o do reino de Deus. Apesar de o termo “reino de Deus”
não ser encontrado no Antigo Testamento, o pensamento de que Deus é rei está presente
particularmente nos Salmos e nos profetas. Deus é denominado, frequentemente, de Rei,
tanto de Israel (Dt 33.5; Sl 84.3; 145.1; Is 43.15) como de toda a terra (Sl 29.10; 47.2;
96.10; 97.1;103.19; 145.11-13; Is 6.5; Jr 46.18). Porém, devido à abundância de pecado
e rebelião nos homens, o senhorio de Deus é efetuado apenas imperfeitamente na
história de Israel. Por causa disso os profetas aguardavam um dia quando o reinado de
Deus pudesse ser provado plenamente, não somente por Israel, mas pelo mundo inteiro.
p.11.

Devemos notar, portanto, que o que caracteriza especificadamente a escatologia do


Novo Testamento é uma tensão subliminar entre o “já” e o “ainda-não” - entre o que o
crente já desfruta e o que ele ainda não possui. Oscar Cullmann tem o seguinte a dizer
sobre esse ponto: “o elemento novo no Novo Testamento não é a escatologia mas o que
eu costumo chamar de tensão entre o ‘já cumprido’ decisivo e o ‘ainda-não-
completado’, entre presente e futuro. Toda a teologia do Novo Testamento... está
marcada por esta tensão”. p.19.

Concluímos, então, que a natureza da escatologia do Novo Testamento pode ser


resumida sob estas três observações: (1) o grande evento escatológico predito no Antigo
Testamento já aconteceu; (2) aquilo que para escritores do Antigo Testamento
representava um movimento é visto agora como envolvendo dois estágios: a era
presente e a era do futuro; e (3) a relação entre estes dois estágios escatológicos é que as
bênçãos da era presente são penhor e garantia de bênçãos maiores no porvir. p.27.

O cristão crê que Deus está no controle da história e que Cristo conquistou a vitória
sobre os poderes do mal. Isto significa que o resultado final das coisas com certeza será
bom e não mau, que o propósito redentor de Deus será finalmente realizado, e que
“apesar de o errado, tantas vezes, parecer tão forte, Deus ainda é o soberano”.
Infelizmente, porém, os cristãos são muitas vezes excessivamente pessimistas acerca da
era presente. Eles tendem a dar ênfase ao mal que eles, ainda, encontram no mundo, ao
invés de dar ênfase à evidência da soberania de Cristo. p.44.

O Reino de Deus é o tema central da pregação de Jesus e, por extensão, da pregação e


ensino dos apóstolos. [...] A chegada do Reino de Deus, portanto, bem como sua
permanência e consumação final, deve ser vista como um aspecto essencial da
escatologia bíblica. p.49.

Portanto, o Reino de Deus deve ser entendido como o Reinado dinamicamente ativo de
Deus na história humana através de Jesus Cristo, cujo propósito é a redenção do povo
de Deus do pecado e de poderes demoníacos, e o estabelecimento final dos novos céus e
nova terra. p.53.

Aquele que crê em Jesus Cristo, portanto, faz parte do Reino no tempo presente,
desfruta de suas bênçãos e compartilha de suas responsabilidades. Ao mesmo tempo, ele
percebe que o Reino é presente agora, apenas um estado provisório e incompleto, e por
causa disso, ele aguarda por sua consumação final no fim da era. p.59.

[...] podemos dizer que, na posse do Espírito, nós que estamos em Cristo, temos a prova
antecipada das bênçãos da era vindoura, e um penhor e garantia da ressurreição do
corpo. Dessa forma, agora, nós temos apenas as primícias. Aguardamos a consumação
final do Reino de Deus, quando então desfrutaremos dessas bênçãos em sua plenitude.
p.75.

A tensão contínua entre o já e o ainda-não implica que, para o cristão, a luta contra o
pecado continua ao longo da presente vida. Mas esta é uma luta para se engajar, não na
expectação da derrota, mas na certeza da vitória. p.81.

Foi para Cristo, mas não é para nós. Uma vez que Cristo foi nosso mediador, nosso
segundo Adão, ele teve de sofrer a morte como parte do castigo que nós merecíamos
pelo pecado; mas, para nós, a morte não é mais uma punição pelo pecado. Para Cristo, a
morte foi parte do curso de sua vida. Para nós, a morte é fonte de bênção. p.95.

Aguardamos uma existência eterna e gloriosa com Cristo após a morte, uma existência
que culminará na ressurreição. Portanto, o estado intermediário e a ressurreição devem
ser considerados como dois aspectos de uma esperança única. p.119.

Concluímos, então, que o sinal da tribulação não é restrito ao tempo do fim, mas
caracteriza a era entre as duas vindas de Cristo. Por causa da oposição continuada do
mundo ao Reino de Deus, os cristãos devem esperar sofrer tribulações e perseguição de
uma ou outra espécie durante toda esta era. p.169.

A Segunda Vinda de Cristo deve ser considerada como um evento único, que ocorre
após a grande tribulação. Quando Cristo voltar, haverá uma ressurreição geral, tanto de
crentes como de incrédulos1 Após a ressurreição, os crentes que ainda estiverem vivos
deverão ser transformados e glorificados (1 Co 15.51,52). Então acontece o
“arrebatamento” de todos os crentes13. Os crentes que forem ressuscitados, juntamente
com os crentes vivos que forem transformados, são agora elevados rapidamente para as
nuvens para encontrarem com o Senhor nos ares (1 Ts 4.16,17). Após este encontro nos
ares, a Igreja arrebatada continua junto com Cristo enquanto ele completa sua descida à
terra. p.192.

O ensino claro da Bíblia é de que, na ocasião da volta de Cristo, haverá uma


ressurreição geral tanto de crentes como de incrédulos. Após esta ressurreição geral se
seguirá o juízo. p.275.

Na ocasião da volta de Cristo, em outras palavras, tanto a ressurreição dos mortos como
a transformação dos vivos acontecerão numa sucessão rápida. p.282.
[...] os crentes não tem nada a temer acerca do juízo - embora a percepção de que eles
terão de prestar contar de tudo que fizeram, disseram e pensaram, deveria ser para eles
um incentivo constante para a luta diligente contra o pecado, para o serviço cristão
consciente e para uma vida consagrada. p.291.

A doutrina da nova terra deveria nos dar esperança, coragem e otimismo em tempos de
desespero difundido. Embora o mal seja excessivo neste mundo, é confortante saber que
Cristo conquistou a vitória final. Enquanto que os ecologistas, frequentemente, retratam
o futuro desta terra em termos sombrios, é encorajador saber que um dia Deus preparará
uma nova terra gloriosa, na qual os problemas ecológicos que agora nos assolam não
mais existirão. Isto não implica que não tenhamos de fazer nada acerca desses
problemas, mas significa sim que trabalhamos por soluções para estes problemas não
com um sentimento de desespero, mas na confiança de esperança p.322.

Você também pode gostar