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CREDENCIADA JUNTO AO MEC PELA


PORTARIA Nº 1.004 DO DIA 17/08/2017

MATERIAL DIDÁTICO

DINÂMICA DOS SERVIÇOS NOTARIAIS


E REGISTRAIS

0800 283 8380


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SUMÁRIO
UNIDADE 1 – INTRODUÇÃO ..................................................................................... 4
UNIDADE 2 – O DIREITO REGISTRAL ..................................................................... 6
2.1 ESPÉCIES E ATRIBUIÇÕES DOS SERVIÇOS ............................................................. 16
2.2 ESCRITURAÇÃO DOS LIVROS ................................................................................ 17
2.3 ORDEM DE SERVIÇO............................................................................................ 18
2.4 PUBLICIDADE...................................................................................................... 19
2.5 FORMAS, REQUISITOS E PRAZOS QUANTO À EXTRAÇÃO DAS CERTIDÕES .................. 19
2.6 CONSERVAÇÃO DE LIVROS E PAPÉIS ..................................................................... 20
UNIDADE 3 – SERVIÇOS NOTARIAIS E DE REGISTRO ....................................... 21
3.1 TITULARES ......................................................................................................... 22
3.2 COMPETÊNCIAS .................................................................................................. 22
3.2.1 Competência genérica dos notários: ......................................................... 23
3.2.2 Competência específica dos notários:....................................................... 23
3.2.3 Competência genérica dos oficiais de registro .......................................... 24
3.2.4 Competência privativa dos oficiais de registro de distribuição: ................. 24
3.2.5 Competência dos oficiais de registro de contratos marítimos (Lei nº
9.774/98): ........................................................................................................... 25
3.3 O INGRESSO NA ATIVIDADE .................................................................................. 25
3.4 RESPONSABILIDADES .......................................................................................... 27
UNIDADE 4 – REGISTRO CIVIL DE PESSOAS NATURAIS................................... 29
4.1 GENERALIDADES ................................................................................................ 29
4.2 RETIFICAÇÕES, RESTAURAÇÕES E SUPRIMENTOS DE ASSENTAMENTOS NO REGISTRO

CIVIL........................................................................................................................ 31

UNIDADE 5 – REGISTRO CIVIL DAS PESSOAS JURÍDICAS ............................... 38


5.1 ESCRITURAÇÃO E ORDEM DE SERVIÇO DOS LIVROS E ATRIBUIÇÕES ......................... 40
5.2 PARTICULARIDADES DO REGISTRO DAS PESSOAS JURÍDICAS ................................... 42
UNIDADE 6 – REGISTRO DE TÍTULOS E DOCUMENTOS .................................... 43
6.1 FASES DA ESCRITURAÇÃO DO PROTOCOLO DE UM TÍTULO....................................... 44
6.2 REGISTRO, TRANSCRIÇÃO, AVERBAÇÃO ................................................................ 47
6.3 REGISTROS ESPECIAIS, AVERBAÇÃO E CANCELAMENTO.......................................... 48
UNIDADE 7 – REGISTRO DE IMÓVEIS................................................................... 50

Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de
direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios
eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e
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7.1 NATUREZA JURÍDICA ........................................................................................... 50


7.2 A FUNÇÃO .......................................................................................................... 51
7.3 AS RESTRIÇÕES JUDICIAIS EM FACE DAS TRANSMISSÕES DA PROPRIEDADE IMOBILIÁRIA
............................................................................................................................... 53
UNIDADE 8 – RECONHECIMENTO DA UNIÃO ESTÁVEL – LEI Nº 11.441/07 ..... 55
UNIDADE 9 – CUIDADOS MEDIANTE A PRAÇA ................................................... 61
UNIDADE 10 – AVERBAÇÃO PREMONITÓRIA ..................................................... 64
REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 67

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UNIDADE 1 – INTRODUÇÃO

Ao darmos o título de “Dinâmica dos serviços notariais e registrais”,


buscamos nos aproximar do significado ampliado, lato sensu de dinâmica como
movimento e esforço, ou seja, o conjunto de atividades que permeiam esse universo
do Direito Registral e Notarial.
Portanto, veremos um pouco de teoria do Direito Registral, os titulares,
competências, ingresso na atividade e responsabilidades dos notários e
registradores, o registro de pessoas físicas, jurídicas títulos, documentos e imóveis.
Sobre os titulares, CELSO ANTÔNIO BANDEIRA DE MELLO (1997) e HELY
LOPES MEIRELLES (1997), respectivamente os classificam de maneira sucinta para
essa introdução, mas não menos esclarecedora como: “particulares em colaboração
com a Administração através de delegação de função ou ofício público” e
“Particulares que recebem a incumbência da execução de determinada atividade,
obra ou serviço público e o realizam em nome próprio, por sua conta e risco, mas
segundo as normas do Estado e sob a permanente fiscalização do delegante”.
Os serviços notariais e de registro são atividades de extrema relevância na
engrenagem do sistema jurídico, permitindo a resolução extrajudicial de uma série
de situações que contribuem para “desafogar” o Judiciário.
Nossos estudos nesse módulo serão norteados principalmente pelas leis nº
6.015/73 (Lei de Registros Públicos) e Lei nº 8.935/94 (Lei dos Notários e
Registradores), visto que disciplinam a organização técnica e administrativa dos
serviços em tela e buscam dar publicidade, autenticidade, segurança e eficácia aos
atos jurídicos.
Como diz TATIANE SANDER (2005), cada serventia tem uma organização
específica, pois o Oficial tem autonomia para gerenciar e administrar internamente a
serventia visando a melhor prestação do serviço público, sempre obedecendo aos
padrões ditados pela Lei e pela fiscalização do Poder Judiciário.
Enquanto o Tabelião dirige sua atividade essencialmente à segurança
dinâmica, o Registrador atua na segurança estática (CENEVIVA, 2010) e o notário,
ao elaborar o instrumento do contrato, aconselha as partes, expondo-lhes como o
Direito rege a relação que estão a constituir; dá forma jurídica ao negócio pretendido
(ORLANDI NETO, 2004, p. 15).
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Além de detalhes das leis citadas, optamos por acrescentar alguns tópicos
especiais que versaram sobre o reconhecimento da união estável, alguns cuidados
mediante a “praça” e ênfase à averbação premonitória.
Ressaltamos em primeiro lugar que embora a escrita acadêmica tenha como
premissa ser científica, baseada em normas e padrões da academia, fugiremos um
pouco às regras para nos aproximarmos de vocês e para que os temas abordados
cheguem de maneira clara e objetiva, mas não menos científicos. Em segundo lugar,
deixamos claro que este módulo é uma compilação das ideias de vários autores,
incluindo aqueles que consideramos clássicos, não se tratando, portanto, de uma
redação original e tendo em vista o caráter didático da obra, não serão expressas
opiniões pessoais.
Ao final do módulo, além da lista de referências básicas, encontram-se
outras que foram ora utilizadas, ora somente consultadas, mas que, de todo modo,
podem servir para sanar lacunas que por ventura venham a surgir ao longo dos
estudos.

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UNIDADE 2 – O DIREITO REGISTRAL

O direito registral imobiliário consiste num complexo de normas jurídico-


positivas e de princípios atinentes ao registro de imóveis que regulam a organização
e o funcionamento das serventias imobiliárias (DINIZ, 2003).
A função registral tem por finalidade constituir ou declarar o direito real,
através da inscrição do título respectivo, dotando as relações jurídicas de segurança,
dando publicidade registral erga omnes (ou seja, a todos indistintamente), até prova
em contrário.
A relação de títulos passíveis de registro está enumerada no Código Civil,
sendo essa enumeração taxativa, não podendo-se acrescentar ou retirar situações
de constituição de direitos reais.
NICOLAU BALBINO FILHO (2001, p. 35), ao analisar a função registral, nos
ensina ser uma pretensão constante que o Registro seja uma fiel reprodução da
realidade dos direitos imobiliários. A vida material dos direitos reais, bem como a sua
vida tabular, deveriam se desenvolver paralelamente, como se a segunda fosse
espelho da primeira. Com efeito, esta é uma ambição difícil de concretizar, mas em
se tratando de um ideal, nada é impossível; basta perseverar.
Embora já tenhamos discorrido sobre os princípios que regem as atividades
em estudo, vale a pena frisar sobre alguns deles, a começar pela fé pública que é
atribuída constitucionalmente ao Notário e Registrador, que atuam como
representantes do Estado na sua atividade profissional. A fé pública é atribuída por
lei e afirma a certeza e a verdade dos assentamentos que o notário e oficial de
registro pratiquem e das certidões que expeçam nessa condição, com as qualidades
referidas no art. 1° da Lei nº 8.935/94 (publicidade, autenticidade, segurança e
eficácia dos atos jurídicos) (CENEVIVA, 2002). A Fé Pública é considerada um dos
princípios basilares do direito notarial.
Os princípios administrativos da legalidade, impessoalidade, moralidade,
publicidade e eficiência, dispostos no art. 37 da Constituição Federal, serão
aplicados no exercício da atividade notarial e registral, pois esta constitui uma
função pública, realizada através dos notários e registradores, agentes públicos que
atuam em colaboração com o poder público através de delegação.

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Mesmo posicionamento é compartilhado pelo notário mineiro JOÃO


TEODORO DA SILVA (1999), notadamente com referência à atividade notarial e de
registro entende que:

O exercício em caráter privado significa fundamentalmente autonomia


funcional (...). A autonomia, entretanto, é de ser entendida nos limites da
obediência aos princípios constitucionais da legalidade, da impessoalidade,
da moralidade e da publicidade, do que resulta estarem os atos sujeitos à
fiscalização do Poder Judiciário.

Diante do caráter público da função notarial, de ser o notário e o registrador


agentes públicos em colaboração com a Administração mediante delegação, e
diante da autonomia funcional, ditada pelo exercício em caráter privado da função,
ficam os mesmos adstritos à obediência aos princípios basilares da administração
pública.
O princípio da legalidade é o princípio basilar do regime jurídico-
administrativo (...). É o fruto da submissão do Estado à lei. É em suma: a
consagração da ideia de que a Administração Pública só pode ser exercida na
conformidade da lei e que, de conseguinte, a atividade administrativa é atividade
sublegal, infralegal, consistente na expedição de comandos complementares à lei
(MELLO, 1997).
Para HELY LOPES MEIRELLES (1997), a eficácia de toda atividade
administrativa está condicionada ao atendimento da lei. (...) As leis administrativas
são, normalmente, de ordem pública e seus preceitos não podem ser descumpridos,
nem mesmo por acordo ou vontade conjunta de seus aplicadores e destinatários,
uma vez que contêm verdadeiros poderes-deveres, irrelegáveis pelos agentes
públicos. Por outras palavras, a natureza da função pública e a finalidade do Estado
impedem que seus agentes deixem de exercitar os poderes e de cumprir os deveres
que a lei lhes impõem.
Os notários e registradores no exercício da função pública, devem se
submeter ao princípio da legalidade, só podendo praticar os atos de seu ofício
permitidos por lei. Mesmo sendo a função pública exercida em caráter privado, este
não tem o condão de submeter a atividade ao princípio da autonomia da vontade,
que prevalece nas relações privadas. Sendo a função pública delegada pelo Estado
ao particular, devem prevalecer os princípios norteadores da Administração Pública.

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No que diz respeito a notários e registradores, o art. 3° da Lei 8.935/94 os


qualifica como profissionais do direito. Logo, têm o dever de conhecer os princípios e
normas atinentes aos seus ofícios. As suas competências são taxativamente
definidas em lei (art. 6°/13). Outrossim, o art. 31, I, considera infração sujeita a
sanção disciplinar, a inobservância das prescrições legais e normativas (LIMA,
2003).
O princípio da impessoalidade também elencado no art. 37 da Constituição
de 1988, tem recebido diversas interpretações. Segundo MARIA SYLVIA ZANELLA
DI PIETRO (2004), exigir impessoalidade da Administração tanto pode significar que
esse atributo deve ser observado em relação aos administrados como à própria
Administração.
No primeiro sentido, o princípio estaria relacionado com a finalidade pública
que deve nortear toda a atividade administrativa. Significa que a Administração não
pode atuar com vistas a prejudicar ou beneficiar pessoas determinadas, uma vez
que é sempre o interesse público que tem que nortear o seu comportamento.
No segundo sentido, o princípio significa que os atos e provimentos
administrativos são imputáveis não ao funcionário que os pratica, mas ao órgão ou
entidade administrativa da Administração Pública, de sorte que ele é o autor
institucional do ato. Ele é apenas o órgão que formalmente manifesta a vontade
estatal.
Exemplo disso está no art. 37, § 1°, da Constituição Federal, in verbis:

A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos


órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação
social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que
caracterizem promoção pessoal de autoridade ou servidores públicos.

Para CELSO ANTÔNIO BANDEIRA DE MELLO (1997), o princípio da


impessoalidade não é senão o princípio da igualdade ou isonomia.
O princípio da impessoalidade, igualmente referido na Constituição de 1988,
no mesmo artigo que elenca os anteriores, nada mais é que o clássico princípio da
finalidade, o qual impõe ao administrador público que só pratique o ato para o seu
fim legal. E o fim legal é unicamente aquele que a norma de direito indica expressa
ou virtualmente como objetivo do ato, de forma impessoal. Esse princípio também
deve ser entendido para excluir a promoção pessoal de autoridades ou servidores
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públicos sobre suas realizações administrativas (CF, art. 37, § 1°). E a finalidade terá
sempre um objetivo certo e inafastável de qualquer ato administrativo; o interesse
público. Todo ato que se apartar desse objetivo sujeitar-se-á a invalidação por
desvio de finalidade (MEIRELLES, 1997).
Na função notarial e registral, os atos praticados devem ser de modo
impessoal, no sentido de não privilegiar e não prejudicar qualquer pessoa que venha
utilizar esses serviços. Neste sentido, o tratamento dado às pessoas usuárias do
serviço é isonômico, sendo que se praticado em desconformidade com o princípio
da impessoalidade, o notário ou registrador estará sujeito às sanções administrativas
impostas pela Corregedoria de Justiça, órgão que fiscaliza os serviços.
Para ROGÉRIO MEDEIROS GARCIA DE LIMA (2003), “no que importa aos
serviços notariais e registrais, o art. 30, II, da Lei n° 8.935/94, impõe o dever de
tratar a todos, indistintamente, com urbanidade e presteza”.
O princípio da publicidade exige a ampla divulgação dos atos praticados pela
Administração Pública. Na esfera administrativa, o sigilo só se admite a teor do art.
5°, XXXIII quando imprescindível à segurança da Sociedade e do Estado. De acordo
com tal inciso, “todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu
interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo
da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas àquelas cujo sigilo seja
imprescindível à segurança da sociedade e do Estado”.
Publicidade é a divulgação oficial do ato para conhecimento público e início
de seus efeitos externos. Daí porque as leis, atos e contratos administrativos que
produzem consequências jurídicas fora dos órgãos que os emitem exigem
publicidade para adquirirem validade universal, isto é, perante as partes e terceiros.
(...) A publicidade, como princípio de administração pública, abrange toda atuação
estatal, não só pelo aspecto de divulgação oficial de seus atos como, também, de
propiciação de conhecimento da conduta interna de seus agentes (MEIRELLES,
1997).
Conforme WALTER CENEVIVA (2003), os registros públicos previstos pela
Lei n° 6.015/73 dão publicidade aos atos que lhe são submetidos.
Para o fornecimento de certidões, o oficial poderá cobrar emolumentos, que
representam a sua remuneração, e poderá recusar o seu fornecimento se não
houver clareza do objeto solicitado.
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Conforme o caput do art. 19 da Lei n° 6.015/73, in verbis:

A certidão será lavrada em inteiro teor, em resumo, ou em relatório,


conforme quesitos, e devidamente autenticada pelo oficial ou seus
substitutos legais, não podendo ser retardada por mais de 5 (cinco) dias.

O prazo para a emissão das certidões que menciona o artigo supracitado é


de 5 (cinco) dias úteis, sendo que WALTER CENEVIVA já alerta sobre a imperfeição
da redação legislativa.
O art. 20, do mesmo diploma legal, estabelece que em caso de recusa ou
retardamento na expedição da certidão, o interessado poderá reclamar à autoridade
competente, in casu, à Corregedoria de Justiça, que aplicará, se for o caso, a pena
disciplinar cabível.
Ainda, conforme WALTER CENEVIVA (2002), a publicidade legal própria da
escritura notarial registrada é, em regra, passiva, estando aberta aos interessados
em conhecê-la, mas obrigatória para todos, ante a oponibilidade afirmada em lei.
Para ROGÉRIO MEDEIROS GARCIA DE LIMA (2003), no campo das
atividades de notários e registradores, a publicidade é a razão da sua existência,
conforme dispõe o art. 1° da Lei 8.935/94 e a fé pública, definida pelo art. 3°, é o seu
“produto”.
Para CELSO ANTÔNIO BANDEIRA DE MELLO (1997), de acordo com o
princípio da moralidade administrativa, a Administração e seus agentes têm de atuar
na conformidade de princípios éticos. Violá-los implicará violação ao próprio Direito,
configurando ilicitude que sujeita a conduta viciada a invalidação, porquanto, tal
princípio assumiu foros de pauta jurídica, na conformidade do art. 37 da
Constituição. Compreendem-se em seu âmbito, como é evidente, os chamados
princípios da lealdade e boa-fé.
HELY LOPES MEIRELLES (1997) preleciona que a moralidade
administrativa tornou-se, juntamente com o princípio da legalidade e da finalidade,
pressuposto de validade de todo ato da Administração Pública.
O art. 30 da lei 8.935/94 estabelece os deveres éticos atribuídos aos
notários e registradores. O princípio da eficiência foi inserido como princípio da
Administração Pública, no art. 37, da Constituição Federal através da Emenda
Constitucional n° 19, de 04.06.1998, que tratou da reforma administrativa.

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Segundo ALEXANDRE MORAES (1999), o princípio da eficiência impõe à


administração pública direta e indireta e a seus agentes a persecução do bem
comum, por meio do exercício de suas competências de forma imparcial, neutra,
transparente, participativa, eficaz, sem burocracia e sempre em busca da qualidade,
rimando pela adoção dos critérios legais e morais necessários para melhor utilização
possível dos recursos públicos, de maneira a evitarem-se desperdícios e garantir-se
maior rentabilidade social.
Grosso modo, esse princípio deveria ser apenas uma consequência da
administração, mas infelizmente ainda precisa ser posto à sensibilização e prática
por parcela considerável dos servidores públicos.
Os serviços notariais e de registro igualmente, frisando-se, subordinam-se
aos princípios da Administração Pública, dentre eles, o da eficiência.
WALTER CENEVIVA (2002) trata dos princípios do taylorismo relacionando-
os com os serviços notariais e destaca os seguintes:

• princípio do método – em cada serventia, apesar da semelhança de muitas


das atividades que lhe são atribuídas, cabe ao titular o estudo sistemático de
cada um dos segmentos destinados ao cumprimento de suas finalidades
legais. O estudo tem o escopo de obter deles o melhor rendimento, de modo
a satisfazer os requisitos de eficácia e de adequação de cada um de tais
segmentos, estabelecendo normas de trabalho válidas para todos os
escreventes e auxiliares;
• princípio da técnica – embora haja na atividade de cada escrevente ou
auxiliar, um elemento intelectual de avaliação do ato a ser praticado, o bom
andamento do trabalho, no notariado e no registro, decorre da criação de
treinamentos e rotinas, explicitados em instruções claras, através dos quais
cada setor saiba precisamente o que deve fazer, quando fazer e como fazer,
de modo a habilitar, mesmo os menos dotados, à realização segura e pronta
da tarefa que lhes competir. A especialização é necessária nos serviços
notariais e de registro;
• princípio da definição das tarefas – cada escrevente e cada auxiliar deve
saber o trabalho que lhe é atribuído, ainda que compreenda mais de uma

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atividade específica, de modo a facilitar a execução, com maior qualidade e


em menor tempo.
Dentre os princípios específicos da atividade registral, vale relembrar que: o
princípio de inscrição significa que a constituição, transmissão, modificação ou
extinção dos direitos reais sobre imóveis só se operam entre vivos, mediante sua
inscrição no registro (CARVALHO, 2001).
A publicidade imobiliária seria o meio pelo qual se leva ao conhecimento do
público o estado jurídico dos bens imóveis. Portanto, a todos os atos submetidos a
Registro Público está assegurada a sua publicidade.
A publicidade registrária se destina ao cumprimento de tríplice função:
a) Transmite ao conhecimento de terceiros interessados ou não interessados
a informação do direito correspondente ao conteúdo do registro.
b) Sacrifica parcialmente a privacidade e a intimidade das pessoas,
informando sobre bens e direitos seus ou que lhes sejam referentes, a benefício das
garantias advindas do registro.
c) Serve para fins estatísticos, de interesse nacional ou de fiscalização
pública (CENEVIVA, 2002).
O sistema registrário brasileiro adota a presunção relativa quanto à fé
pública registral, que encontra fundamento no art. 1231, do Código Civil, in verbis:
“Art. 1231. A propriedade se presume plena e exclusiva, até prova em contrário”.

Dessa forma,

a fé pública registral se estende a todas as relações jurídicas passíveis ao


registro, respondendo positivamente à existência dos direitos reais ali
estabelecidos, ou negativamente, se houver direitos reais inscritos que
proíbam a disponibilidade (VASCONCELOS; CRUZ, 2000).

Para LUIZ ANTÔNIO GALIANI (1995), não basta ter o direito real adquirido
por um título transcrito no registro de imóveis competente, é preciso que este se
origine de título hábil, elaborado por órgão competente. Aos notários cabe, pois, a
tarefa de instrumentalizar os acordos de vontade entre as partes, que requer forma
especial, e, aos registradores, compete dar a força probante da validade e
legalidade da relação jurídica, garantindo que, por título válido, o direito real
pertence à pessoa em nome de quem está transcrito.
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Portanto, presume-se que tudo o que estiver inscrito no Registro de Imóveis


tem presunção de veracidade, até prova em contrário. Através desse princípio é que
encontra-se segurança jurídica para a realização do negócio aquisitivo imobiliário.
De acordo com o art. 182 da Lei n° 6015/73 (LRP): “Todos os títulos tomarão
no protocolo o número de ordem que lhes competir em razão da sequência rigorosa
de sua apresentação”. Esse é o princípio da prioridade.
Com base nesse princípio é que o Registrador deve observar de forma
rigorosa a ordem cronológica de apresentação dos títulos, pois o número do
protocolo é que determinará a prioridade do título e a preferência do direito real.
Havendo títulos com direitos reais contraditórios, será registrado o que
primeiro for apresentado, ocorrendo a preferência excludente, pois o segundo título
será recusado por ser incompatível com o primeiro. Se, porém, os títulos forem
compatíveis e de mesma natureza ou de natureza diversa, apresentará
superioridade o que tiver sido registrado em primeiro lugar.
O princípio da especialidade ou determinação significa que o imóvel deverá
estar precisamente descrito e caracterizado, conforme preceitua o art. 176, § 1°, da
Lei n° 6.015/73, devendo ter cada imóvel matrícula própria, constar o número de
ordem, a data, a identificação do imóvel, que será feita com indicação; se rural, do
código do imóvel, dos dados constantes do Certificado de Cadastro de Imóvel Rural
(CCIR), da denominação e de suas características, confrontações, localização e
área; se urbano, de suas características e confrontações, localização, área,
logradouro, número e de sua designação cadastral, se houver.
Além da descrição do imóvel, o nome, domicílio e nacionalidade do
proprietário, e em se tratando de pessoa física, o estado civil, a profissão, o número
de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas do Ministério da Fazenda ou do
Registro Geral da cédula de identidade, ou, à falta deste, sua filiação; em se
tratando de pessoa jurídica, a sede social e o número de inscrição no Cadastro
Geral de Contribuintes do Ministério da Fazenda.
Desta forma, há uma precisão da descrição do bem objeto do direito real
registrável, dando maior segurança jurídica para o sistema registrário que adota o do
fólio real, ou seja, que pressupõe o ordenamento por imóveis, quer seja dos títulos
ou dos direitos reais que sobre eles recaem.

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Pelo princípio da qualificação, legalidade ou legitimidade, o Registrador


deverá examinar o título apresentado e fazer uma apreciação quanto à forma,
validade e conformidade com a lei.
Ao receber o título para registro, antes mesmo de examiná-lo sob a luz dos
princípios da disponibilidade, especialidade e continuidade, mister que o analise,
primeiramente, sob o aspecto legal, e isto deverá ser feito tomando-se em conta:
a) Se o imóvel objeto da relação jurídica que lhe é apresentado está situado
em sua circunscrição imobiliária.
b) Se o título que lhe é apresentado se reveste das formalidades legais
exigidas por lei.
c) Se os impostos devidos foram recolhidos.
d) Se as partes constantes do título estão devidamente qualificadas e
representadas quando necessário, como no caso de pessoa jurídica ou dos
relativamente ou absolutamente incapazes (GALIANI, 1995).
Na verificação da legalidade dos títulos que lhe são apresentados, não
poderá o Oficial ir além dos limites estabelecidos em lei, em razão da função pública
que exerce. Deverá analisar somente os aspectos formais do título.
O princípio da continuidade é um dos alicerces do direito registral imobiliário,
e está consubstanciado no art. 195, da Lei n° 6015/73 (LRP): “Art. 195. Se o imóvel
não estiver matriculado ou registrado em nome do outorgante, o oficial exigirá a
prévia matrícula e o registro do título anterior, qualquer que seja a sua natureza,
para manter a continuidade do registro”.
Há que se fazer constar, também, por meio de averbações, todas as
ocorrências que, por qualquer modo, alterem o registro, quer em relação à coisa,
quer em relação ao titular do direito registrado. Da mesma forma, para constituir um
gravame, deverá estar previamente registrado o imóvel ou o direito real sobre o qual
ele irá recair. Para que se possa proceder ao cancelamento motivado pela extinção
de um direito, é necessário que ele esteja previamente registrado (BALBINO FILHO,
2001).
Para o mesmo autor, a história registral como encadeamento dos atos ou de
fatos jurídicos, e como sobreposição dos assentos, constitui a finalidade primordial e
um sólido critério de organização, no qual o registro deve manter uma efetiva

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direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios
eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e
recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
15

conexão entre os diferentes negócios modificativos da situação jurídico-real, por


meio de assentamentos registrários.
Pelo princípio da instância ou rogação o Oficial do Registro de Imóveis não
poderá agir de ofício, para que atue deverá haver o pedido do interessado.
A solicitação de qualquer ato registral é simples, independe de forma
especial e pode ser expressa ou tácita. É expressa quando o requerente manifesta
claramente ao registrador sua vontade de obter o lançamento registrário. A
pretensão é tácita quando o registrador, por experiência própria, detecta a vontade
do interessado. Como regra geral, entende-se que o mero fato de apresentar
documentos ao registro constitui uma solicitação para a prática dos atos registrais
inerentes a todo o seu conteúdo (BALBINO FILHO, 2001).
No direito pátrio a solicitação expressa pode ser escrita ou verbal. São
escritas todas aquelas previstas no art. 167, II, n. 4 e 5, da LRP, ou seja, da
mudança de denominação e de numeração dos prédios, da edificação, da
reconstrução, da demolição, do desmembramento e do loteamento de imóveis; e da
alteração do nome por casamento ou por desquite, ou, ainda, de outras
circunstâncias que, de qualquer modo, tenham influência no registro ou nas pessoas
nele interessadas. Essas averbações, conforme determina o parágrafo único do art.
246 da LRP, serão feitas a requerimento dos interessados, com firma reconhecida,
instruído com documento comprobatório fornecido pela autoridade competente. A
alteração do nome só poderá ser averbada quando devidamente comprovada por
certidão do registro civil.
Resumindo, a inscrição dos títulos no registro poderá ser pedida
indistintamente:
a) Pelo adquirente do direito.
b) Pelo transmitente do direito.
c) Por quem tenha interesse em assegurar o direito que deva ser inscrito.
d) Pelo representante legal de qualquer deles (BALBINO FILHO, 2001).
Há exceções ao princípio da instância, que encontram-se no art. 13, art. 167,
II, n.13, e art. 213, da Lei 6.015/73:
Art. 13. Salvo as anotações e as averbações obrigatórias, os atos do registro
serão praticados:
I – por ordem judicial; (...)
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III – a requerimento do Ministério Público, quando a lei autorizar. (...)


Art. 167. No Registro de Imóveis, além da matrícula, serão feitos: (...)
II – a averbação: (...)
(...) 13) ex officio, dos nomes dos logradouros, decretados pelo poder
público. (…)
Art. 213 - O oficial retificará o registro ou a averbação:
I - de ofício ou a requerimento do interessado nos casos de:
a) Omissão ou erro cometido na transposição de qualquer elemento do
título.
b) Indicação ou atualização de confrontação.
c) Alteração de denominação de logradouro público, comprovada por
documento oficial.
d) Retificação que vise a indicação de rumos, ângulos de deflexão ou
inserção de coordenadas georreferenciadas, em que não haja alteração das
medidas perimetrais.
e) Alteração ou inserção que resulte de mero cálculo matemático feito a
partir das medidas perimetrais constantes do registro.
f) Reprodução de descrição de linha divisória de imóvel confrontante que já
tenha sido objeto de retificação.
g) Inserção ou modificação dos dados de qualificação pessoal das partes,
comprovada por documentos oficiais, ou mediante despacho judicial quando houver
necessidade de produção de outras provas.

2.1 Espécies e atribuições dos serviços


Sendo assim, a Lei de Registros Públicos regula as seguintes espécies e
atribuições de serviços de registro, conforme o quadro abaixo, registros estes que
veremos cada um em unidade própria a seguir:
REGISTRO LOCAL DE REALIZAÇÃO
I – O registro civil de pessoas naturais Nos ofícios privativos ou nos cartórios de registro
de nascimentos, casamentos e óbitos.
II – O registro civil de pessoas jurídicas Nos ofícios privativos ou nos cartórios de títulos
e documentos.
III – O registro de títulos e documentos Nos ofícios privativos ou nos cartórios de títulos
e documentos.
IV – O registro de imóveis Nos ofícios privativos ou nos cartórios de registro
de imóveis.
Fonte: GUGLIOTTI; BARCI JUNIOR (2012, p. 7).

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Obs.: Aplicam-se a todos estes registros (I, II e III) as disposições relativas ao processo de dúvida no
registro de imóveis (IV).

2.2 Escrituração dos livros


Os requisitos formais da escrituração dos livros, ou seja, as exigências
legais referentes a sua forma física, escrituração e dimensões, estão especificados
nas normas dos artigos 32 a 72 da Lei de Registros Públicos.
Assim, por exemplo, as dimensões físicas, as formas como deve ser aberto,
numerado, autenticado e encerrado cada livro de escrituração devem observar
referidas normas, muito embora seja possível a escrituração até mesmo em folhas
soltas e, ainda, via computador, desde que obedecidos os modelos aprovados pela
autoridade judiciária competente.
A escrituração será feita em livros encadernados, sujeitos à correição da
autoridade judiciária competente, os quais serão abertos, numerados, autenticados e
encerrados pelo oficial do registro.
Já os livros notariais, em folhas fixas ou soltas, serão abertos, numerados,
autenticados e encerrados pelo tabelião, o qual determinará a respectiva quantidade
a ser utilizada, de acordo com a necessidade do serviço.
Cumpre lembrar que muito embora a própria Lei de Registros Públicos
disponha acerca da quantidade de folhas de cada livro a ser escriturado, levando-se
em conta a quantidade dos registros, o juiz poderá autorizar a redução destas até a
sua terça parte (GUGLIOTTI; BARCI JUNIOR, 2012).
Ao término de cada livro, o imediato receberá o número seguinte, acrescido
da respectiva letra, salvo no caso de registro de imóveis.
Exemplificando:
Livro 2A até 2Z, depois 3A a 3Z, e assim sucessivamente.
Já no caso do registro de imóveis, o número do livro será conservado.
Exemplificando:
Livro 2A a 2Z, depois 2AA a 2AZ, e assim sucessivamente.
Entretanto, cumpre lembrar que os números de ordem dos registros não
serão interrompidos no fim de cada livro, mas continuarão, indefinidamente, nos
seguintes da mesma espécie.

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2.3 Ordem de serviço


Na Lei de Registros Públicos, também encontram-se disciplinados os
horários e dias em que devem começar e terminar os serviços cartorários, sendo
que estes devem, obrigatoriamente, começar e terminar às mesmas horas em todos
os dias úteis.
Dentre essas disposições, cumpre ressalvar que consoante dispõe o artigo
9º da referida Lei, “é nulo o registro lavrado fora das horas regulamentares ou em
dias em que não houver expediente, sendo civil e criminalmente responsável o
oficial que der causa à nulidade” (Registradores e Notários/SP 2002 apud
GUGLIOTTI; BARCI JUNIOR, 2012).
Também há disposição expressa quanto ao Registro Civil das pessoas
naturais, no sentido de que este funcionará todos os dias sem exceção, ou seja,
úteis ou não, não podendo, no caso de não ter sido determinado ato registrado até a
hora do encerramento daquele dia, ser adiado para o dia seguinte, como é possível
ocorrer nos demais casos.
Deve-se observar e assegurar sempre a ordem de precedência na
apresentação dos títulos dos interessados, por meio de lançamento no protocolo e
respectivo número de ordem geral, se dela (precedência) decorrer prioridade de
direitos para o apresentante.
Com exceção das anotações e averbações obrigatórias, feitas ex officio pelo
oficial, os atos do registro serão praticados (art. 13 da LRP):
I - Por ordem judicial.
II - A requerimento verbal ou escrito dos interessados. E,
III - A requerimento do Ministério Público, quando a lei autorizar.
O oficial do registro civil pode exigir reconhecimento de firma nas
comunicações apresentadas.
Ademais, os oficiais terão direito, a título de remuneração, pelos atos
praticados em cumprimento da Lei de Registros Públicos, aos emolumentos, fixados
em regimentos de custas próprios para este fim, pagos pelos interessados que os
requererem (GUGLIOTTI; BARCI JUNIOR, 2012). Referido pagamento se dará no
ato do requerimento ou no da apresentação do título.

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19

E, ainda, quando o interessado no registro for o oficial encarregado de fazê-


lo, ou algum parente seu, em grau que determine impedimento, o ato incumbe ao
substituto legal do oficial (art. 15 da LRP).

2.4 Publicidade
Qualquer pessoa pode requerer certidão de registro, sem que, para tanto,
seja necessário declarar o motivo ou interesse do pedido.
Referidas certidões têm fé pública, mas a veracidade do seu conteúdo pode
vir a ser contestada, já que se trata de uma presunção relativa (juris tantum).
Os oficiais e encarregados das repartições registrárias são obrigados a
lavrar certidão do que lhes for requerido, bem como a fornecer às partes as
informações solicitadas, independentemente de despacho judicial, salvo os casos de
legitimação de filhos, alteração de nome quando esta for concedida em razão de
fundada coação ou ameaça decorrente de colaboração com a apuração de crime e
registro de sentença de legitimação adotiva, para salvaguarda de direitos.

2.5 Formas, requisitos e prazos quanto à extração das certidões


As certidões devem ser autenticadas pelo oficial ou seus substitutos legais e
serão lavradas, mediante nota de entrega autenticada no ato do recebimento do
requerimento, no prazo máximo de cinco dias, sob pena disciplinar no caso de
recusa ou retardamento destas, e fornecidas em papel, numa das seguintes formas:
a) Em inteiro teor (extraída por meio datilográfico ou reprográfico, ou seja,
cópia): em que o ato é reproduzido fielmente.
b) Em resumo: na qual o ato é reproduzido resumidamente, em que apenas
as indicações essenciais são fornecidas.
c) Em relatório: aquela em que os quesitos formulados pelo interessado são
atendidos.
No que tange às certidões do Registro Civil das Pessoas Naturais,
manuscritas ou datilografadas, estas devem sempre mencionar a data em que foi
lavrado o assento. Se tiverem sido adotados papéis impressos, as lacunas em
branco destes também devem ser preenchidas.

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eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e
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20

Quanto às certidões de nascimento, estas devem conter, além da data em


que foi feito o assento, a data, por extenso, do nascimento, bem como o local da
ocorrência deste.
Ademais, sempre que houver alteração posterior ao ato cuja certidão é
pedida, deve sempre o oficial (sob pena de ser responsabilizado civil e/ou
penalmente) anotá-la na certidão com a seguinte inscrição: “a presente certidão
envolve elementos de averbação à margem do termo”, salvo nos casos de
legitimação de filhos, não ficando, portanto, adstrito ao que foi pedido (GUGLIOTTI;
BARCI JUNIOR, 2012).

2.6 Conservação de livros e papéis


Os livros de registro e papéis pertencentes ao cartório ou referentes ao
serviço de registro devem permanecer em arquivo e somente sairão do respectivo
cartório mediante autorização judicial, devendo os oficiais mantê-las em segurança,
sendo que estes respondem pela sua ordem e conservação.
E, ainda, havendo o desmembramento do cartório pela criação de novo
cartório, até a sua instalação, os registros continuarão a ser feitos no cartório antigo,
não sendo necessário repeti-las no novo ofício, e o arquivo do antigo cartório
continuará a pertencer-lhe.
Ademais, os papéis referentes ao serviço do registro serão arquivados em
cartório mediante utilização de processos racionais que facilitem as buscas,
facultada a utilização de microfilmagem e de outros meios de reprodução
autorizados em lei.
Embora falemos adiante em detalhes, vale lembrar que os oficiais são
responsáveis civil e criminalmente por todos os prejuízos que causarem, por culpa
(negligência, imprudência e imperícia) ou dolo, aos interessados no registro, por ato
cometido pessoalmente, ou pelos prepostos ou substitutos que indicarem.

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UNIDADE 3 – SERVIÇOS NOTARIAIS E DE REGISTRO

A lei nº 8.935, de 18 de novembro de 1994, conhecida como a Lei dos


Cartórios, regulamenta o artigo 236 da Constituição Federal Brasileira, dispondo
sobre os serviços notariais e de registro.
Dispõe o artigo constitucional referido a seguir transcrito que:
Art. 236. Os serviços notariais e de registro são exercidos em caráter
privado, por delegação do Poder Público.
§1º Lei regulará as atividades, disciplinará a responsabilidade civil e criminal
dos notários, dos oficiais de registro e de seus prepostos, e definirá a fiscalização de
seus atos pelo Poder Judiciário.
§ 2º Lei federal estabelecerá normas gerais para fixação de emolumentos
relativos aos atos praticados pelos serviços notariais e de registro.
§ 3º O ingresso na atividade notarial e de registro depende de concurso
público de provas e títulos, não se permitindo que qualquer serventia fique vaga,
sem abertura de concurso de provimento ou de remoção, por mais de seis meses.
Cumpre observar inicialmente que a lei a que se refere o artigo 1º é a Lei de
Notários e Registradores, ou seja, a Lei nº 8.935/94. Já a lei federal citada no § 2º é
a Lei nº 10.169, de dezembro de 2000.
Por sua vez, a Lei nº 11.802, de 4 de novembro de 2008, dispõe sobre a
obrigatoriedade da afixação dos quadros contendo os valores atualizados das custas
e emolumentos.
Os serviços notariais e de registro consistem em atos de organização
técnica e administrativa, prestados por notários, tabeliães ou seus prepostos, que se
destinam a garantir a publicidade, a autenticidade, a segurança e a eficácia dos atos
jurídicos.
Especificamente, segundo preleciona WALTER CENEVIVA (2010, p. 40), o
serviço notarial

é a atividade de agente público, autorizado por lei, de redigir, formalizar e


autenticar, com fé pública, instrumentos que consubstanciam atos jurídicos
extrajudiciais do interesse dos solicitantes, sendo também permitido a
autoridades consulares brasileiras, na forma de legislação especial.

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eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e
recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
22

Já os serviços de registro, segundo dispõe WALTER CENEVIVA (2010, p.


42),

dedicam-se, como regra, ao assentamento de títulos de interesse privado


ou público para sua oponibilidade a todos os terceiros, com a publicidade
que lhes é inerente, garantindo, por definição legal, a segurança, a
autenticidade e a eficácia dos atos da vida civil a que se refiram.

O notário, também chamado de tabelião, assim como o oficial de registro,


conhecido como registrador, são prestadores delegados de serviço público,
remunerados pelos interessados solicitantes destes serviços, dotados de fé pública.
Segundo o artigo 4º da Lei nº 8.935/94, os serviços notariais e de registro
deverão ser prestados, de forma eficiente e adequada, em data e horário
preestabelecidos pelo juízo competente (órgão do poder judiciário), observando-se
as peculiaridades locais, em local de fácil acesso ao público e que ofereça
segurança para o arquivamento de livros e documentos.
E, consoante dispõe o primeiro parágrafo do referido artigo, tratando-se de
registro civil das pessoas naturais, deverá haver plantão para que os serviços a ele
relativos sejam também prestados aos sábados, domingos e feriados.
Já o parágrafo segundo deste mesmo artigo dispõe que o atendimento ao
público deve ser de, no mínimo, seis horas diárias.

3.1 Titulares
São titulares de serviços notariais e de registro:
SERVIÇOS NOTARIAIS SERVIÇOS DE REGISTRO
Tabeliães de notas Oficiais de registro de imóveis
Tabeliães de contratos marítimos Oficiais de registro de contratos marítimos
Tabeliães de protesto de títulos Oficiais de registro de títulos e documentos
Oficiais de registro civil de pessoas jurídicas
Oficiais de registro das pessoas naturais
Oficiais de registro civil de interdições e tutelas
Oficiais de registro de distribuição

3.2 Competências
Dentre as competências dos Notários e Registradores, devemos elencar
aquelas consideradas genéricas e específicas dos notários, a saber:

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eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e
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23

3.2.1 Competência genérica dos notários:


a) Formalizar juridicamente a vontade das partes.
b) Intervir nos atos e negócios jurídicos a que as partes devem ou queiram
dar forma legal ou autenticidade, autorizando a redação ou redigindo os
instrumentos adequados, conservando os originais e expedindo cópias fidedignas de
seu conteúdo.
c) Autenticar documentos.

3.2.2 Competência específica dos notários:


a) Competência exclusiva dos tabeliães de notas:
a.1) lavrar escrituras e procurações públicas;
a.2) lavrar testamentos públicos e aprovar os cerrados;
a.3) lavrar atas notariais;
a.4) reconhecer firmas;
a.5) autenticar cópias.

Cumpre ressalvar que a competência do tabelião de notas se restringe ao


Município para o qual recebeu delegação, sendo que a escolha deste por parte do
interessado é livre, independentemente do seu domicílio ou do lugar da situação dos
bens objeto do ato ou do negócio (GUGLIOTTI; BARCI JUNIOR, 2012).
Ademais, o tabelião de notas pode, a seu critério, realizar todas as gestões e
diligências necessárias ou convenientes ao preparo dos atos notariais, requerendo o
que couber, mas recebendo para tanto, unicamente, os emolumentos devidos pelo
ato.
b) Competência dos tabeliães de contratos marítimos (Lei nº 9.774/98):
b.1) lavrar os atos, contratos e instrumentos relativos a transações de
embarcações a que as partes devam ou queiram dar forma legal de escritura
pública;
b.2) registrar os documentos da mesma natureza;
b.3) reconhecer firmas em documentos destinados a fins de direito marítimo;
b.4) expedir traslados e certidões.
c) Competência privativa dos tabeliães de protesto de títulos (Lei nº
9.492/97):
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24

c.1) protocolar de imediato os documentos de dívida, para prova do


descumprimento da obrigação;
c.2) intimar os devedores dos títulos para aceitá-los, devolvê-los ou pagá-
los, sob pena de protesto;
c.3) receber o pagamento dos títulos protocolizados, dando quitação;
c.4) lavrar o protesto, registrando o ato em livro próprio em microfilme ou sob
outra forma de documentação;
c.5) acatar o pedido de desistência do protesto formulado pelo apresentante;
c.6) averbar: o cancelamento do protesto; as alterações necessárias para
atualização dos registros efetuados;
c.7) expedir certidões de atos e documentos que constem de seus registros
e papéis.
Obs.: Se houver em uma mesma localidade (Município ou Comarca), mais
de um ofício especializado, será obrigatória a prévia distribuição dos títulos
(GUGLIOTTI; BARCI JUNIOR, 2012).

3.2.3 Competência genérica dos oficiais de registro


Refere-se às atribuições disciplinadas na Lei de Registros Públicos, a que
são incumbidos1 os oficiais de registro:
de imóveis;
de títulos e documentos;
civil das pessoas jurídicas;
civil das pessoas naturais; e
de interdições e tutelas.

3.2.4 Competência privativa dos oficiais de registro de distribuição:


a) Quando previamente exigida, proceder à distribuição equitativa pelos serviços
da mesma natureza, registrando os atos praticados.
b) Não sendo previamente exigida a distribuição, registrar as comunicações
recebidas dos órgãos e serviços competentes.
c) Efetuar as averbações e os cancelamentos de sua competência.
1
Independem de prévia distribuição, mas os oficiais de registro de imóveis e civis das pessoas
naturais ficam sujeitos às normas que definirem as circunscrições geográficas.
Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de
direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios
eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e
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25

d) Expedir certidões de atos e documentos que constem de seus registros e


papéis.

3.2.5 Competência dos oficiais de registro de contratos marítimos (Lei nº


9.774/98):
a) Lavrar os atos, contratos e instrumentos relativos a transações de
embarcações a que as partes devam ou queiram dar forma legal de escritura
pública.
b) Registrar os documentos relativos a transações de embarcações.
c) Reconhecer firmas em documentos destinados a fins de direito marítimo.
d) Expedir traslados e certidões.

3.3 O ingresso na atividade


São requisitos para a concessão da delegação e ingresso na atividade
notarial e de registro:
a) Habilitação em concurso público de provas e títulos.
b) Nacionalidade brasileira.
c) Capacidade civil.
d) Quitação com as obrigações eleitorais e militares.
e) Diploma de bacharel e Direito (salvo se tiver completado dez anos de
exercício em serviço notarial ou de registro, até a data da primeira publicação do
edital do concurso de provas e títulos).
f) Verificação de conduta condigna para o exercício da profissão.
A Lei dos Notários e dos Registradores dispõe que os concursos para
ocupação de vaga serão abertos com a publicação de edital, dele constando as
regras essenciais do concurso, inclusive os critérios de desempate e deverão ser
realizados pelo Poder Judiciário, com a participação, em todas as suas fases, da
Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), do Ministério Público (MP), de um notário e
de um registrador.
A Lei nº 10.506, de 9 de julho de 2002, trouxe a redação atual do caput do
artigo 16 da Lei de Notários e Registradores (LNR), estabelecendo que:

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26

Art. 16. As vagas serão preenchidas alternadamente, duas terças partes por
concurso público de provas e títulos e uma terça parte por meio de
remoção, mediante concurso de títulos, não se permitindo que qualquer
serventia notarial ou de registro fique vaga, sem abertura de concurso de
provimento inicial ou de remoção, por mais de seis meses.

Dispõe ainda o parágrafo único deste mesmo artigo que: “Parágrafo único.
Para estabelecer o critério do preenchimento, tomar-se-á por base a data de
vacância da titularidade ou, quando vagas na mesma data, aquela da criação do
serviço.”

Segundo WALTER CENEVIVA (2010, p. 180),

as duas primeiras vagas serão preenchidas por concursados em concursos


de provas e títulos, esgotando a primeira parte; a terceira vaga na ordem
temporal de seu surgimento será preenchida pelo concurso de títulos, no
certame para remoção. O fato de um certo serviço ser preenchido por
remoção não significa que nele as próximas delegações serão feitas por
novos titulares removidos. Ou seja: duas partes para provas e títulos e uma
parte final para títulos, sucessivamente, a cada terceira vaga aberta.

E continua explicando que,

insistindo na solução proposta, tem-se que é compatível com o advérbio de


modo alternadamente: a primeira e a segunda vagas para o mesmo serviço
registrário, ou para outro ou outras que resultem de seu desdobramento ou
desmembramento, são preenchidas por concurso de provas e títulos. Aberta
a terceira vaga, destina-se à remoção.

Lei Estadual disporá sobre a regulamentação acerca do concurso de


remoção, no qual, frise-se, somente serão admitidos titulares que exerçam a
atividade há pelo menos dois anos. E a habilitação dos candidatos será declarada
de acordo com a ordem de classificação obtida no concurso (GUGLIOTTI; BARCI
JUNIOR, 2012).
É facultado aos notários e oficiais de registro, para o desempenho de suas
funções, contratar, pelo regime celetista e com remuneração livremente acordada,
escreventes, tantos quantos se fizerem necessários, como seus prepostos,
escolhendo dentre estes os substitutos e auxiliares, devendo, para tanto,
encaminhar o nome dos primeiros ao juízo competente.

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27

Veja o esquema abaixo:

Quanto aos escreventes, cabe a estes praticar apenas os atos que o notário
autorizar expressamente (Registradores e Notários - MG/2007 apud GUGLIOTTI;
BARCI JUNIOR, 2012).
Já dentre os substitutos, somente um deles poderá substituir o titular no
caso deste se encontrar ausente ou impedido (Registradores e Notários - RJ/2009
apud GUGLIOTTI; BARCI JUNIOR, 2012), enquanto os demais praticarão
conjuntamente todos os atos que a este competirem e que forem por ele
autorizados, salvo lavrar testamentos.
Relativamente aos auxiliares, estes também só poderão praticar os atos
autorizados pelo titular.
Cabe ao titular sob sua responsabilidade exclusiva:
o gerenciamento administrativo e financeiro dos serviços notariais, inclusive
no que se refere a: despesas de custeio; investimento e pessoal;
estabelecimento de normas, condições e obrigações relativas à atribuição de
funções e de remuneração de seus prepostos, de modo a obter a melhor
qualidade na prestação dos serviços.

3.4 Responsabilidades
Cumpre lembrar inicialmente que a responsabilidade dos notários e oficiais
de registro é tratado não só na esfera civil e penal, como também na trabalhista,
visto que seus prepostos são seus empregados pelo regime celetistas.
Dispõe o artigo 22 da LNR que: Art. 22. Os notários e oficiais de registro
responderão pelos danos que eles e seus prepostos causem a terceiros, na prática
de atos próprios da serventia, assegurado aos primeiros direito de regresso no caso
de dolo ou culpa dos prepostos.
Nesse mesmo sentido é o Código Civil ao dispor no artigo 932, III, a seguir
transcrito que:
Art. 932. São também responsáveis pela reparação civil:

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28

[...] III - o empregador ou comitente, por seus empregados, serviçais e


prepostos, no exercício do trabalho que lhes competir, ou em razão dele.
Também segundo o Código Civil, os artigos 933 e 934, dispõem
expressamente que o empregador responde mesmo sem ter agido com culpa, pelos
atos de seus empregados e prepostos, podendo, no entanto, reaver o que houver
pago daquele por quem pagou. Trata-se, portanto, de responsabilidade objetiva.
Ainda quanto à responsabilidade civil, deve-se ressalvar que esta independe
de condenação na esfera penal, contudo, de forma inversa, se esta ocorrer, restará
apenas a apuração do quantum indenizatório na esfera civil.
O artigo 24 da LNR dispõe que: Art. 24. A responsabilidade criminal será
individualizada, aplicando-se, no que couber, a legislação relativa aos crimes contra
a administração pública.
Parágrafo único. A individualização prevista no caput não exime os notários
e os oficiais de registro de sua responsabilidade civil.
Cumpre explicar que o princípio da individualização da pena exige estreita
correspondência entre a responsabilização da conduta do agente e a sanção a ser
aplicada, de maneira que a pena atinja suas finalidades de prevenção e repressão.
Assim, a imposição da pena depende do juízo individualizado da culpabilidade do
agente (censurabilidade da conduta) (MORAES, 2007), conforme os parâmetros
estampados no artigo 59 do Código Penal.
Assim, levando-se em conta que os notários e os oficiais de registro são
agentes públicos, a estes aplicam-se a legislação relativa aos crimes contra a
administração pública.
Em suma, a Lei nº 9.492/97 estabelece que os tabeliães de protesto são
civilmente responsáveis por todos os prejuízos que causarem, por culpa ou dolo,
pessoalmente, pelos substitutos que designarem ou escreventes que autorizarem,
estendendo-se esse entendimento às outras funções notariais e de registro.

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UNIDADE 4 – REGISTRO CIVIL DE PESSOAS NATURAIS

4.1 Generalidades
Cada cartório de registro civil das pessoas naturais conterá os seguintes
livros, de acordo com o artigo 33 e ss. da LRP:

Fonte: GUGLIOTTI; BARCI JUNIOR (2012, p. 12).

Sobre a ordem de serviço dos livros, vale guardar:


os assentos realizados serão assinados pelas partes, ou seus procuradores,
bem como pelas testemunhas, devendo aqueles, antes, serem a eles lidos;
neles deverão ser inseridas as declarações feitas de acordo com a lei ou
ordenadas por sentença;
se os declarantes ou as testemunhas não puderem assinar, far-se-á a
declaração no assento, assinando a rogo outra pessoa e tomando-se a
impressão dactiloscópica da que não assinar, à margem do assento;
as procurações serão arquivadas, devendo as custas para tal ato ficar a cargo
dos interessados.

Quanto às possibilidades de registro e averbação, no Registro Civil das


Pessoas Naturais serão registrados:
1. Os nascimentos.
2. Os casamentos.
3. Os óbitos.
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4. As emancipações.
5. As interdições.
6. As sentenças declaratórias de ausência.
7. As opções de nacionalidade.
8. As sentenças que deferirem a legitimação adotiva. (Registradores e
Notários/SP 2006 e MG/2007 - MG/2009 apud GUGLIOTTI; BARCI JUNIOR, 2012).
No registro Civil das Pessoas Naturais serão averbados:
1. As sentenças que decidirem a nulidade ou anulação do casamento, o
desquite (atual separação) e o restabelecimento da sociedade conjugal (no livro de
casamento).
2. As sentenças que julgarem ilegítimos os filhos concebidos na constância
do casamento e as que declarem a filiação legítima (no livro de nascimento).
3. Os casamentos de que resultar a legitimação de filhos havidos ou
concebidos anteriormente (neste caso, quando a legitimação desses filhos em
decorrência de casamento posterior constar do assento de casamento, a averbação
respectiva será feita, de ofício, diretamente quando no mesmo cartório, ou por
comunicação do oficial que registrar o casamento).
4. Os atos judiciais ou extrajudiciais de reconhecimento de filhos ilegítimos.
5. As escrituras de adoção e os atos que a dissolverem (no livro de
nascimento).
6. As alterações ou abreviaturas de nomes.
7. O reconhecimento judicial ou voluntário dos filhos ilegítimos (livro de
nascimento).
8. A perda de nacionalidade brasileira, quando comunicada pelo Ministério
da Justiça (no livro de nascimento).
9. A perda e a suspensão do poder familiar, antigo pátrio poder (no livro de
nascimento).
10. As sentenças que puserem termo à interdição, das substituições dos
curadores de interditos ou ausentes, das alterações dos limites de curatela, da
cessação ou mudança de internação, bem como da cessação da ausência pelo
aparecimento do ausente, de acordo com o disposto acerca das averbações (no livro
de emancipações, interdições e ausências).

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11. A sentença de abertura de sucessão provisória, após o trânsito em


julgado, com referência especial ao testamento do ausente se houver a indicação de
seus herdeiros habilitados (no assento de ausência).
A averbação será feita:
pelo oficial do cartório em que constar o assento à vista da carta de sentença,
de mandado ou de petição acompanhada de certidão ou documento legal e
autêntico, com audiência do Ministério Público;
à margem do assento e, quando não houver espaço, no livro corrente, com as
notas e remissões recíprocas, que facilitem a busca;
mediante a indicação minuciosa da sentença ou ato que a determinar.

4.2 Retificações, restaurações e suprimentos de assentamentos no registro


civil
Na seara do registro civil de pessoas naturais encontramos situações
relativas a retificação, restauração e suprimentos de assentamentos sobre os quais
teceremos alguns comentários.
a) Retificação do assento no próprio ato:
Havendo omissão ou erro que torne necessária a adição ou emenda no
assento, estes serão feitos antes ou em seguida da assinatura, mas sempre antes
de outro assento, devendo a ressalva ser novamente assinada por todos.
As emendas ou alterações posteriores ao ato, não ressalvadas ou não
lançadas na forma citada, reputam-se inexistentes e, consequentemente, sem
efeitos jurídicos.
Afora a retificação feita no próprio ato, qualquer outra só poderá ser efetuada
em cumprimento de sentença.
b) Procedimento do cumprimento de sentença:
Nestes casos, o requerente solicitará tal ato em petição fundamentada e
instruída com documentos ou indicação de testemunhas, que o juiz ordene, ouvidos
o órgão do Ministério Público e os interessados, no prazo de cinco dias, que correrá
em cartório (Registradores e Notários - SP/2006 apud GUGLIOTTI; BARCI JUNIOR,
2012).
Se qualquer interessado ou o órgão do Ministério Público impugnar o pedido,
o juiz determinará seja produzida a prova, em dez dias e ouvidos, sucessivamente,
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em três dias, os interessados e o órgão do Ministério Público, e decidirá em cinco


dias.
Se não houver impugnação ou necessidade da produção de mais provas, o
juiz decidirá em igual prazo. Da decisão do juiz caberá o recurso de apelação em
ambos os efeitos.
Julgado procedente o pedido, o juiz ordenará que se expeça mandado para
que seja lavrado, restaurado ou retificado o assentamento, indicando, com precisão,
os fatos ou circunstâncias que devam ser retificados, e em que sentido, ou os que
devam ser objetos do novo assentamento.
Se o mandado tiver de ser cumprido em jurisdição diversa, este será
remetido, por ofício, ao juiz sob cuja jurisdição estiver o Cartório do Registro Civil e,
uma vez que tenha exarado que seja cumprida a determinação, este deverá ser
executado.
As retificações serão feitas à margem do registro, com as indicações
necessárias ou, quando for o caso, com a trasladação do mandado, o qual ficará
arquivado.
Caso não haja espaço para tanto, far-se-á o transporte do assento, com as
remições à margem do registro original.

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Abaixo temos um fluxograma da sentença exposta acima.


Retificação, restauração ou suprimento de assentamento (sentença)

Fonte: Gugliotti; Barcia júnior (2012, p. 44).

c) Da correção de erros de grafia


Embora a correção de erros de grafia também possa depender de
procedimento jurisdicional, tal medida poderá ser processada no próprio cartório
onde se encontrar o assentamento, mediante petição assinada pelo interessado, ou
procurador, independentemente de pagamento de selos e taxas.
Recebida a petição, protocolada e autuada, o oficial a submeterá, com os
documentos que a instruírem, ao órgão do Ministério Público, e fará os autos
conclusos ao juiz togado da circunscrição, que os despachará em 48 horas.
Quando a prova depender de dados existentes no próprio cartório, poderá o
oficial certificá-lo nos autos. Deferido o pedido, o oficial averbará a retificação à

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margem do registro, mencionando o número do protocolo, a data da sentença e seu


trânsito em julgado.
Se o pedido for impugnado (pelo órgão do Ministério Público) ou se exigir
maior indagação (conforme entendimento do juiz), este mandará distribuir os autos a
um dos cartórios da circunscrição, caso em que se processará a retificação, com
assistência de advogado, observado o rito sumaríssimo. Para retificação,
restauração ou abertura de assento, nenhuma justificação será entregue à parte.
A autoridade judiciária competente ao conhecer de ações que se
relacionarem com os fatos justificados, poderá, em qualquer tempo, apreciar o valor
probante da justificação, em original ou por traslado.
As questões de filiação decorrente de casamento ou fora dele, denominadas
erroneamente de filiação legítima ou ilegítima pela Lei de Registros Públicos, serão
decididas em processo contencioso para anulação ou reforma de assento. Veja
fluxograma abaixo:
Procedimento da correção de erros de grafia

Fonte: Gugliotti; Barcia Júnior (2012, p. 45).

Resta falarmos das alterações realizadas pela Lei nº 11.441/2007,


constituída por cinco artigos que alterou, revogou expressamente e acresceu
dispositivos legais da Lei nº 5.869/73, a saber, o Código de Processo Civil, da
seguinte forma:
• alterou os artigos 982, 983 e 1.031;
• acresceu o artigo 1.124-A e seus parágrafos;
• revogou o parágrafo único do artigo 983.
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Dessa forma, tornou-se possível a realização de inventário, partilha,


separação e divórcio consensuais por via administrativa, ou seja, diretamente no
Cartório de Notas (ou Tabelião de Notas), sem que se exija prévia intervenção do
Poder Judiciário (Registradores e Notários - ES/2007 apud GUGLIOTTI; BARCIA
JUNIOR, 2012).
Observe-se que em virtude da Emenda Constitucional nº 66/2010, o divórcio
direto também pode ser realizado de forma extrajudicial, portanto perante um
Tabelião de notas como vimos em outro módulo do curso. Todavia, alguns
requisitos, a seguir descritos, se fazem necessários para a validade destes atos
realizados de forma extrajudicial (Registradores e Notários - MG/2009 apud
GUGLIOTTI; BARCIA JUNIOR, 2012):
a lavratura do procedimento por escritura pública;
a inexistência de litígio;
a capacidade de todos os envolvidos e interessados, bem como a maioridade
civil;
a assistência, de todas as partes interessadas, por advogado comum ou por
advogados separados;
a inexistência de testamento no caso de inventário e partilha.
Ademais, ressalva a referida lei que, no caso de separação e divórcio
consensuais, não havendo filhos menores ou incapazes do casal e observados os
requisitos legais quanto aos prazos estabelecidos na lei civil, poderão conter, no
instrumento constitutivo, disposições relativas à descrição e à partilha dos bens
comuns e à pensão alimentícia e, ainda, a possibilidade da retomada, pelo cônjuge
interessado, do seu nome de solteiro ou a manutenção do seu nome de casado.
Referido instrumento de separação ou divórcio não depende de posterior,
nem tampouco prévia homologação judicial para ser válido, constituindo-se em título
hábil para o registro civil e o registro de imóveis, para que, após o registro, produza
os efeitos perante terceiros (Registradores e Notários - MG/2009 apud GUGLIOTTI;
BARCIA JUNIOR, 2012).
Frise-se que, nas escrituras de separação e divórcio, os bens adquiridos na
constância do casamento devem, obrigatoriamente, ser arrolados, entretanto faculta-
se a partilha dos mesmos (Registradores e Notários - RJ/2008 apud GUGLIOTTI;
BARCIA JUNIOR, 2012).
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Outrossim, a partilha amigável será homologada de plano pelo juiz, mediante


a prova da quitação dos tributos relativos aos bens do espólio e às suas rendas,
observando-se os artigos 1.032 a 1.035 do Código Civil.
Tratando-se de inventário e partilha realizados pela via administrativa, a
escritura pública constituirá título hábil para o registro imobiliário.
A lei em questão deixa expresso que a escritura pública e demais atos
notariais serão gratuitos, como não poderiam deixar de ser, àqueles que se
declararem pobres sob as penas da lei, devendo, para tanto, observar as
disposições atinentes inseridas na Lei nº 1.060/50 (Registradores e Notários -
MG/2009 apud GUGLIOTTI; BARCIA JUNIOR, 2012).
Cumpre esclarecer que quando a referida lei diz que os atos administrativos
em questão “poderão ser realizados por escritura pública”, esta não deixou opção
para que estes pudessem ser realizados por instrumento particular, mas pela via
jurisdicional.
Alteração importante realizada pela lei se refere aos prazos do processo de
inventário e partilha, que, agora, deverão ser abertos em 60 dias a contar da
abertura da sucessão, ultimando-se nos 12 meses subsequentes, podendo o juiz
prorrogar tais prazos, de ofício ou a requerimento da parte.
Como exigência formal, a lei dispõe que o tabelião competente somente
lavrará a escritura se os envolvidos estiverem assistidos por advogado comum ou
separados, cuja qualificação e assinatura deverão constar do ato notarial.
Finalmente, cabe ressaltar que embora a lei tenha por objetivo desafogar o
Judiciário, bem como a obtenção de maior celeridade no deslinde de questões que
não envolvam litígios, de forma a agilizar soluções e facilitar a vida da sociedade em
geral, esta pode acabar por facilitar fraudes, prejudicando terceiros de boa-fé.
Portanto, tratando-se de inventários e partilhas extrajudiciais, é obrigatória a
nomeação de interessado na escritura pública respectiva, para representar o
espólio, com poderes de inventariante, no cumprimento de obrigações ativas ou
passivas pendentes (Registradores e Notários - SP/2011 apud GUGLIOTTI; BARCIA
JUNIOR, 2012).
Por fim, em relação às alterações decorrentes da Emenda Constitucional nº
66/2010, temos a possibilidade da dissolução do casamento civil pelo divórcio,

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suprimindo o requisito anteriormente exigido de prévia separação judicial por mais


de um ano ou de comprovada separação de fato por mais de dois anos.
Sem findar os conteúdos pertencentes ao registro civil de pessoas naturais,
as questões expostas são apenas algumas que encontram nos notários e
registradores possibilidades de resolver problemas que a depender do Judiciário
demandaria um tempo que aqui é acelerado sem perder suas garantias de
autenticidade e legalidade.

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UNIDADE 5 – REGISTRO CIVIL DAS PESSOAS JURÍDICAS

Além das pessoas naturais, ditas pessoas físicas, ou seja, nós seres
humanos que adquirimos personalidade quando nascemos e a perdemos em
decorrência da morte, temos também as pessoas ditas jurídicas, as quais no
entendimento de JOÃO BAPTISTA DE MELLO E SOUZA NETO (2004, p. 54), é “o
ente moral a quem o ordenamento atribui personalidade”.
Embora constituída pelo homem (pessoa natural), esta adquire
personalidade jurídica distinta de seus integrantes, com o registro no órgão
competente.
Assim determina o artigo 45 do Código Civil, o qual dispõe que:

começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a


inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida, quando
necessário, de autorização ou aprovação do Poder Executivo, averbando-se
no registro todas as alterações por que possa passar o ato constitutivo.

Assim, a partir desse registro, a pessoa jurídica deixa de ser uma sociedade
irregular ou de fato e passa a ter personalidade jurídica, não se confundindo mais
com a pessoa de seus sócios ou associados, ou ainda dos seus dirigentes, com
patrimônio e responsabilidade distintos, salvo em caso de desconsideração da
personalidade jurídica.
Cumpre lembrar que já tinha sido revogada parcialmente (derrogação) pelo
Código Comercial a Lei de Registros Públicos no que se refere ao registro das
pessoas empresárias, as quais, atualmente, são obrigadas a realizar a devida
inscrição da pessoa jurídica, antes do início de sua atividade (art. 967, CC).
Referido registro deverá ser realizado perante o Registro Público de
Empresas Mercantis na Junta Comercial da respectiva sede.

Assim, consoante os dizeres de JOÃO BAPTISTA DE MELLO E SOUZA


NETO (2004, p. 58),

é preciso, portanto, atentar para as duas fases na formação da pessoa


jurídica, a da constituição (realização do negócio jurídico que dá suporte à
futura pessoa jurídica, por escrito público ou particular - há exceção quanto
às fundações, as quais, necessariamente têm que ser constituídas por

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instrumento público ou por testamento sob pena de nulidade) e a da


personalização (quando o ato constitutivo é levado ao registro).

Cabe lembrar que, como não se sujeita à morte, como as pessoas naturais,
a pessoa jurídica termina com a sua dissolução e consequentemente há a extinção
de sua personalidade civil.
O esquema abaixo mostra os ‘tipos’ de pessoas jurídicas existentes.

Fonte: Gugliotti; Barcia Junior (2012, p. 58).

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No quadro abaixo, observe algumas diferenças essenciais tais como


formação e objetivo, finalidade de lucro, obrigações recíprocas, forma ou
instrumento e ato de constituição entre associações, sociedades e fundações.

ASSOCIAÇÃO SOCIEDADE FUNDAÇÃO


Formação / objetivos Conjunto de pessoas Conjunto de Conjunto de bens /
/ objetivos comuns. pessoas / objetivos Destinação específica.
comuns.

Finalidade de lucro Não. Sim. Não. Cultural. Religiosa.


Moral ou Assistencial.
Obrigações Não há entre os Há entre os sócios. Não há sócios ou
recíprocas associados. associados.

Forma ou Pode ser particular. Pode ser particular. Só pode ser por escritura
instrumento pública ou por testamento.

Ato de constituição Estatuto social. Contrato social. Escritura pública ou


(denominação) testamento.
Fonte: Gugliotti; Barcia Junior (2012, p. 59).

5.1 Escrituração e ordem de serviço dos livros e atribuições


Cada cartório de registro civil das pessoas jurídicas conterá os seguintes
livros, segundo os artigos 114 a 119 da LRP.
Livro “A”, com 300 folhas é destinado para inscrição de contratos, de atos
constitutivos, do estatuto ou compromisso das sociedades civis, religiosas, pias,
morais, científicas ou literárias, fundações e associações de utilidade pública. Para
inscrição das sociedades civis que revestirem as formas estabelecidas nas leis
comerciais, salvo as anônimas.
Livro “B”, contendo 150 folhas, é usado para matrícula das oficinas
impressoras, jornais periódicos, empresas de radiodifusão e agências de notícias.
No registro civil das pessoas jurídicas serão inscritos:
1) Os contratos, os atos constitutivos, o estatuto ou compromissos das
sociedades civis, religiosas, pias, morais, científicas ou literárias, bem como o
das fundações e das associações de utilidade pública.
2) As sociedades civis que revestirem as formas estabelecidas nas leis
comerciais, salvo as anônimas.
3) Os atos constitutivos e os estatutos dos partidos políticos.
Serão matriculados:
1. Os jornais e demais publicações periódicas.
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2. As oficinas impressoras de qualquer natureza, pertencentes a pessoas


naturais ou jurídicas.
3. As empresas de radiodifusão que mantenham serviços de notícias,
reportagens, comentários, debates e entrevistas.
4. As empresas que tenham por objeto o agenciamento de notícias.
Em relação ao registro das sociedades, fundações e partidos políticos, este
será feito pelo oficial do registro civil das pessoas e consistirá na declaração, feita
em livro, pelo oficial, do número de ordem, da data da apresentação e da espécie do
ato constitutivo, com as indicações constantes dos incisos I a VI do artigo 130 da Lei
de Registros Públicos.
No caso de registro dos partidos políticos, também serão obedecidos os
requisitos estabelecidos em lei específica.
Para que seja realizado o registro, deverão ser apresentadas duas vias do
estatuto, compromisso ou contrato, pelas quais far-se-á o registro mediante petição
do representante legal da sociedade, lançando o oficial, nas duas vias, a competente
certidão do registro com o respectivo número de ordem, livro e folha.
Dessa forma, uma das vias será entregue ao representante e a outra
arquivada em cartório, rubricando o oficial as folhas em que estiver impresso o
contrato, compromisso ou estatuto.
Quanto ao registro de jornais, oficinas impressoras, empresas de
radiodifusão e agências de notícias, o pedido de matrícula destes deverá conter as
informações e ser instruído com os documentos descritos nos incisos I a IV do artigo
123 da Lei de Registros Públicos.
As alterações dessas declarações ou dos documentos acostados deverão
ser averbadas na matrícula, em oito dias. E, ainda, a cada declaração a ser
averbada deverá corresponder um requerimento.
A falta de matrícula das declarações exigidas, ou da averbação da alteração,
será punida com multa que terá o valor de 1/2 (meio) a 2 salários-mínimos da região.
Assim, a sentença que impuser a multa fixará prazo, não inferior a 20 dias, para
matrícula ou alteração das declarações.
Para tanto, a multa será aplicada pela autoridade judiciária em
representação feita pelo oficial e cobrada por processo executivo, mediante ação do
órgão competente.
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Se a matrícula ou alteração não for efetivada no prazo previsto de 20 dias, o


juiz poderá impor nova multa, agravando-a de 50% toda vez que seja ultrapassado
de dez dias o prazo assinalado na sentença.
O jornal ou publicação periódica que não forem matriculados, ou de cuja
matrícula não conste os nomes e as qualificações do diretor ou redator e do
proprietário, consideram-se clandestinos.
Finalmente, cumpre lembrar que o processo de matrícula será o mesmo do
registro (GUGLIOTTI; BARCI JUNIOR, 2012).

5.2 Particularidades do registro das pessoas jurídicas


Será feito no mesmo cartório o registro dos jornais, periódicos, oficinas
impressoras, empresas de radiodifusão e agências de notícias.
Não poderão ser registrados os atos constitutivos de pessoas jurídicas,
quando o seu objeto ou circunstâncias relevantes indiquem destino ou
atividades ilícitos ou contrários, nocivos ou perigosos ao bem público, à
segurança do Estado e da coletividade, à ordem pública ou social, à moral e
aos bons costumes.
Se ocorrer qualquer dos motivos acima descritos, o oficial do registro, de
ofício ou por provocação de qualquer autoridade, sobrestará no processo de
registro e suscitará dúvida para o juiz da vara de registros públicos (o qual a
decidirá), obedecendo às normas de procedimento previstas para as dúvidas
do Registro de Imóveis (Registradores e Notários -MG/2001).
É importante lembrar que a existência legal das pessoas jurídicas
(personalidade jurídica) só começa com o registro de seus atos constitutivos.
Todavia, quando o funcionamento da sociedade depender de aprovação da
autoridade, sem esta não poderá ser feito o registro.
Também não será levado a registro instrumento constitutivo que não esteja
revestido das formalidades legais de validade, como ocorre no caso das
fundações, as quais só podem ser constituídas por escritura pública ou por
testamento, sob pena de nulidade.
Aliás, também será nulo o registro da fundação, se não for realizado no órgão
competente, ou seja, no cartório de pessoas jurídicas (OAB/SP 123º apud
GUGLIOTTI; BARCI JUNIOR, 2012).
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UNIDADE 6 – REGISTRO DE TÍTULOS E DOCUMENTOS

Segundo os artigos 132 a 141 da LRP, cada cartório de registro de títulos e


documentos conterá os seguintes livros:
Livro “A” denominado PROTOCOLO, destinado para apontamentos de todos
os títulos, documentos e papéis apresentados, diariamente, para serem registrados
ou averbados.
Livro “B”, sem denominação, será usado para trasladação integral de títulos
e documentos, sua conservação e validade contra terceiros, ainda que registrados
por extratos em outros livros.
Livro “C”, denominado LIVRO DE REGISTRO POR EXTRATO, servirá para
inscrição, por extração, de títulos e documentos, a fim de surtirem efeitos em relação
a terceiros e autenticação de data.
Livro “D” – INDICADOR PESSOAL – substituível pelo sistema de fichas, a
critério e sob responsabilidade do oficial – serve para que o mesmo forneça,
obrigatoriamente, com presteza, as certidões pedidas pelos nomes das partes que
figurem, por qualquer modo, nos livros de registros.
Todos os livros conterão obrigatoriamente 300 folhas.
Obs.: no caso de afluência (abundância) de serviço, o juiz poderá autorizar o
desmembramento dos livros de registro para escrituração das várias espécies de
atos. Estes novos livros terão as indicações E, F, G, H, etc.

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No Registro de Títulos e Documentos, serão feitos, consoante se depreende


dos artigos 127 a 131 da Lei de Registros Públicos, os seguintes atos:
TRANSCRIÇÃO REGISTRO (para surtir efeitos em relação a
terceiros)
1. Dos instrumentos particulares, para 1. Dos contratos de locação de prédios, sem prejuízo
a prova das obrigações convencionais do registro no cartório de registro de imóveis
de qualquer valor. competente, quando contiver cláusula de vigência.
2. Do penhor comum sobre coisas 2. Dos documentos decorrentes de depósitos, ou de
móveis. cauções feitos em garantia de cumprimento de
obrigações contratuais, ainda que em separado dos
respectivos instrumentos.
3. Da caução de títulos de crédito 3. Das cartas de fiança, em geral, feitas por
pessoal e da dívida pública federal, instrumento particular, seja qual for a natureza do
estadual ou municipal, ou de Bolsa ao compromisso por elas abonado.
portador.
4. Do contrato de penhor de animais, 4. Dos contratos de locação de serviços não
não compreendido nas disposições do atribuídos a outras repartições.
artigo 10 da Lei nº 492/34.
5. Do contrato de parceria agrícola ou 5. Dos contratos de compra e venda em prestações,
pecuária. com reserva de domínio ou não, qualquer que seja a
forma de que se revistam, dos de alienação ou de
promessa de venda referentes a bens móveis e dos
de alienação fiduciária.
6. Do mandado judicial de renovação 6. De todos os documentos de procedência
do contrato de arrendamento para sua estrangeira, acompanhados das respectivas
vigência, quer entre as partes traduções, para produzirem efeitos em repartições
contratantes, quer em face de terceiros. dos entes públicos ou em qualquer instância, juízo
ou tribunal.
7. Facultativa, de quaisquer 7. Das quitações, recibos e contratos de compra e
documentos, para sua conservação. venda de automóveis, bem como do penhor destes,
qualquer que seja a forma que revistam.
8. Dos atos administrativos expedidos para
cumprimento de decisões judiciais, sem trânsito em
julgado, pelas quais for determinada a entrega, pelas
alfândegas e mesas de renda, de bens e
mercadorias procedentes do exterior.
9. Dos instrumentos de cessão de direitos e de
créditos, de subrogação e de dação em pagamento

Obs.: a atribuição do Cartório de Registro de Títulos e Documentos é


também subsidiária, já que caberá a ele a realização de quaisquer registros não
atribuídos expressamente a outro ofício (GUGLIOTTI; BARCI JUNIOR, 2012).

6.1 Fases da escrituração do protocolo de um título


Da apresentação de um título até o termo de encerramento teremos:
1. Apresenta-se o título ou documento para registro ou averbação no balcão
da recepção do cartório.

Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de
direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios
eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e
recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
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2. Recebimento de comprovante, também chamado de recibo-protocolo, que


conterá o número da prenotação e elementos que identifiquem o título. Há o
recebimento após rápido exame hábil a verificar falha visível no documento
apresentado.
O registro é válido e produz todos os seus regulares efeitos a partir da data
da prenotação do título, sendo o registro regularmente consumado no prazo legal.
Obs.: ainda que haja falha visível e esta for informada, a parte apresentante
do documento pelo oficial, se ela insistir na apresentação do título e no seu
lançamento no protocolo com o respectivo número de ordem (art. 12 da LRP), desde
que dessa precedência lhe decorra prioridade de direitos, o apresentante terá direito
a realização imediata da protocolização. Isso porque o oficial deve recusar registro a
título e a documento que não se revistam das formalidades legais.
Todavia, se tiver suspeita de falsificação, poderá o oficial sobrestar no
registro, depois de protocolado o documento, até notificar o apresentante dessa
circunstância.
Se este insistir, o registro será feito com essa nota, podendo o oficial,
entretanto, submeter a dúvida ao juiz competente, obedecendo, para tanto, às
normas de procedimento previstas para as dúvidas no registro de imóveis ou
notificar o signatário para assistir ao registro, mencionando também as alegações
pelo último aduzidas.
Cumpre lembrar que o juiz competente citado é o da vara de registros
públicos se esta existir ou, na falta desta, o da 1ª vara cível da comarca.
Ademais, o oficial, salvo se agir de má-fé, só responde pelos erros ou vícios
no processo de registro.
3. Protocolizado o título ou o documento, far-se-á, em seguida, no livro
respectivo, o lançamento (registro integral ou resumido, ou averbação).
Assim, com a apresentação do título ou documento, há a realização do
lançamento no protocolo, conferindo-se um número de ordem, o qual lhe atribuirá
preferência em relação a protocolos posteriores, cuja numeração deverá seguir uma
sequência rigorosa de apresentação.
Depois de concluídos os lançamentos nos livros respectivos, será feita, nas
anotações do protocolo, referência ao número de ordem sob o qual tiver sido feito o
registro, ou a averbação, no livro respectivo.
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direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios
eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e
recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
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O apontamento do título, documento ou papel no protocolo será feito


seguida e imediatamente um depois do outro. Se a mesma pessoa apresentar
simultaneamente diversos documentos de idêntica natureza, para lançamentos da
mesma espécie, sem prejuízo da numeração individual de cada documento, serão
eles lançados no protocolo englobadamente. Assim, onde terminar cada
apontamento, será traçada uma linha horizontal, separando-o do seguinte, sendo
lavrado, no fim do expediente diário, o termo de encerramento do próprio punho do
oficial por este datado e assinado.
O lançamento dos registros e das averbações nos livros respectivos será
feito, também seguidamente, na ordem de prioridade do seu apontamento no
protocolo, quando não for obstado por ordem de autoridade judiciária competente,
ou por dúvida superveniente; neste caso, seguir-se-ão os registros ou averbações
dos imediatos, sem prejuízo da data autenticada pelo competente apontamento.
4. Faz-se o termo de encerramento diário, o qual põe fim às protocolizações
do dia e impede o ingresso de título posterior (sua apresentação) após o término do
horário regulamentar, ainda que o expediente continue para ultimação do serviço.

Veja abaixo o fluxo de fases do protocolo – escrituração

Fases da escrituração: protocolo

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eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e
recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
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6.2 Registro, transcrição, averbação


Sobre os prazos e competência territorial para registro, cumpre lembrar que
os atos a serem transcritos e os sujeitos a registro devem, no prazo de 20 dias a
contar da data da assinatura pelas partes, ser registrados no domicílio das partes
contratantes e, no caso de estas residirem em circunscrições territoriais diversas,
far-se-á o registro em todas elas.
Se os documentos forem apresentados para serem registrados após findo
referido prazo, estes registros só produzirão efeitos a partir da data da
apresentação. Finalmente, os registros citados serão feitos independentemente de
prévia distribuição.
O registro integral dos documentos consistirá na trasladação destes de
forma idêntica a que se encontre o original apresentado e com menção precisa aos
seus característicos exteriores e às formalidades legais.
No caso de transcrição de documentos mercantis, levados a registro, se o
interessado desejar, esta pode ser feita na mesma disposição gráfica em que
estiverem escritos.
Para que não fique espaço em branco, na última linha, será conferida a
trasladação e realizado o seu encerramento. Em seguida, o oficial ou quem seja
designado para o ato e autorizado pelo Juiz competente assinará o seu nome por
inteiro.
No caso de se tratar de documento impresso, idêntico a outro já
anteriormente registrado na íntegra, no mesmo livro, poderá o registro limitar-se a
consignar o nome das partes contratantes, as características do objeto e demais
dados constantes dos claros preenchidos, fazendo-se remissão, quanto ao mais,
àquele já registrado.
Melhor explicando, nesse caso, os documentos impressos, idênticos a
anteriores já registrados, permitem o lançamento tão somente dos dados
preenchidos nas lacunas existentes, desde que feita referência expressa ao anterior
(Registradores e Notários - MG/2001 apud GUGLIOTTI; BARCI JUNIOR, 2012).
Também é possível a realização de registro resumido, o qual conterá as
especificações do artigo 143 da Lei de Registros Públicos.
Apresentado para transcrição instrumento particular de compromisso de
compra e venda de imóvel loteado, o oficial deve transcrevê-lo apenas para a prova
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das obrigações convencionais nela contidas (Registradores e Notários - MG/2001


apud GUGLIOTTI; BARCI JUNIOR, 2012).
Quanto à averbação, esta se dará à margem do respectivo registro, e deverá
ser realizada quando houver qualquer ocorrência que o altere, quer em relação às
obrigações, quer em atinência às pessoas que figurarem nos atos, inclusive quanto
à prorrogação dos prazos.

6.3 Registros especiais, averbação e cancelamento


Com relação ao registro dos contratos de penhor, caução e parceria, este
será feito com declaração do nome, profissão e domicílio do credor e do devedor, do
valor da dívida, juros, penas, vencimento e especificações dos objetos apenhados,
pessoa em poder de quem ficam, espécie de título, condições do contrato, data e
número de ordem.
Para tanto, tratando-se de contrato de parceria, serão considerados
credores, o parceiro proprietário e devedor, o parceiro cultivador ou criador. E, ainda,
qualquer dos interessados poderá levar a registro os contratos de penhor ou caução.
Quanto aos títulos, documentos e papéis escritos em língua estrangeira,
uma vez adotados no seu texto os caracteres comuns, ou seja, se adotados os
caracteres de escrita ocidental (já que de outra forma os oficiais encontrarão grande
dificuldade em reproduzi-los), poderão ser registrados no original, para o efeito da
sua conservação ou perpetuidade. Neste caso, poderão ser registrados no original,
sem que se façam acompanhar de tradução juramentada.
Frise-se que, no entanto, referidos títulos, documentos e papéis não surtirão
efeitos no país nem valerão contra terceiros (Registradores e Notários - SP/2008
apud GUGLIOTTI; BARCI JUNIOR, 2012).
Assim, para produzirem efeitos legais no país e para valerem contra
terceiros, deverão ser vertidos (traduzidos) em língua vernácula (idioma de um país)
e registrada a tradução. O mesmo se observará em relação às procurações lavradas
em língua estrangeira. Ademais, para o registro resumido, os títulos, documentos ou
papéis em língua estrangeira deverão ser sempre traduzidos.
Cada registro ou averbação será separado um do outro, por uma linha
horizontal. É possível o requerimento simultâneo de registro por extrato, bem como

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integral, ou, já tendo sido registrado por extrato, a requerimento, ser levado a
registro integral.
Os títulos terão sempre um número diferente, segundo a ordem de
apresentação, ainda que se refiram à mesma pessoa.
O registro e a averbação deverão ser imediatos e, quando não o puderem
ser, por acúmulo de serviço, o lançamento será feito no prazo estritamente
necessário, sem prejuízo da ordem da prenotação.
Em qualquer desses casos, o oficial, depois de haver dado entrada no
protocolo e lançado no corpo do título as declarações prescritas, fornecerá um
recibo contendo a declaração da data da apresentação, o número de ordem desta
no protocolo e a indicação do dia em que deverá ser entregue, devidamente
legalizado.
Quando da devolução do documento ao apresentante, este deverá restituir o
recibo em seu poder. Quando o apresentante o requerer, o oficial será obrigado a
notificar do registro ou da averbação os demais interessados que figurarem no título,
documento, ou papel apresentado e a quaisquer terceiros que lhes sejam indicados,
podendo requisitar dos oficiais de registro em outros Municípios as notificações
necessárias. Por esse processo, também poderão ser feitos avisos, denúncias e
notificações, quando não for exigida a intervenção judicial.
As certidões do registro integral de títulos terão o mesmo valor probante dos
originais, ressalvado o incidente de falsidade destes, oportunamente levantado em
juízo.
Assim, o apresentante do título para registro integral poderá também deixá-
lo arquivado em cartório ou a sua fotocópia, autenticada pelo oficial, circunstâncias
que serão declaradas no registro e nas certidões.
Finalmente, cabe frisar que, obviamente, o fato da apresentação de um
título, documento ou papel, para registro ou averbação, não constituirá, para o
apresentante, direito sobre este, desde que não seja o próprio interessado
(GUGLIOTTI; BARCI JUNIOR, 2012).
O cancelamento poderá ser feito em virtude de sentença ou de documento
autêntico de quitação ou de exoneração do título registrado.
Os requerimentos de cancelamento serão arquivados com os documentos
que os instruírem.
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UNIDADE 7 – REGISTRO DE IMÓVEIS

O Registro de Imóveis é o serviço público competente para inscrever os


direitos relativos às propriedades imobiliárias nele matriculadas.
De acordo com o Código Civil, imóvel pode ser caracterizado como sendo o
solo juntamente com as suas acessões. Diante deste conceito pode-se afirmar que
qualquer espaço de terra pode ser considerado um imóvel, mas, não uma
propriedade imobiliária. Esta passa a existir a partir do instante em que um indivíduo
qualificado tem a titularidade desse bem e o registra no órgão público competente.
Desse modo, a propriedade imobiliária só existirá e terá proteção jurídica se estiver
matriculada no Registro de Imóveis de forma regular (MACHADO, 2010).
No entendimento de WASHINGTON DE BARROS MONTEIRO (2003, p.
440), o registro de imóveis vem a ser a “aparelhagem criada por lei para fixar a
situação da propriedade imobiliária e acompanhar-lhe as subsequentes mutações,
constituição de ônus reais”.
Regida pela Lei nº 6.015, de 31 de dezembro de 1973, a mesma disciplina
em detalhes, o registro imobiliário, apontando todos os atos a que estão a eles
sujeitos, já a Lei nº 6.739, de 5 de dezembro de 1979, dispõe sobre o registro e a
matrícula dos imóveis rurais.
Pelo sistema francês,

O registro imobiliário constitui mero instrumento de publicidade. Adquire-se


o domínio pela convenção das partes, mas procede-se ao registro para que
a alienação se torne pública e valha contra terceiros. No sistema germânico,
é pelo registro, e não pelo contrato, que se adquire a propriedade imóvel
(MONTEIRO, 2003, p. 441).

7.1 Natureza jurídica


Precipuamente, pode-se dizer que, a natureza jurídica da atividade
registraria advém da harmonia social, da estabilidade das relações negociais
imobiliárias, bem como dos seus incidentes. De modo que, tal função estabilizadora
de proteção é exercida em sua plenitude pelo oficial registrador (MACHADO, 2010).
No que tange a natureza do serviço registrário, cabe transcrever o
posicionamento de MÁRIO ANTÔNIO SILVEIRA (2007), in verbis:

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A natureza do serviço registrário é de direito público, quer quanto à


execução do serviço ou quanto à fiscalização da atividade. Deve-se, no
entanto, ressalvar que as relações do oficial registrador com o registrário
regem-se pelas regras do direito privado, estabelecendo-se no direito civil,
no direito consumerista e na lei regulamentadora da função registraria a
responsabilidade pelos danos que venham a ocorrer na atividade registraria.

Assim, o poder público reserva para si a titularidade, ao delegar ao oficial


registrador tão-somente a execução desse serviço. Posto que, o estado, ao manter a
titularidade, delega a executoriedade dos serviços ao particular a exegese do
disposto no caput do artigo 236 da Constituição Federal.
Enquanto o artigo 3º da Lei nº 8.934/94 regulamentou o aludido dispositivo
constitucional, ao definir que quem exerce tais atividades (notário, tabelião, oficial de
registro ou registrador), são profissionais do direito dotados de fé pública, a quem é
delegado o exercício das atividades notariais e de registro. A partir dessa premissa,
pode-se dizer que, tais atividades são públicas por excelência, pois, exercidas em
caráter privado por particulares mediante delegação (MACHADO, 2010).
Todavia, o estado delega a executoriedade dos serviços registrais e notariais
ao particular mediante preceito constitucional (artigo 236 da Constituição Federal);
regulamenta através de leis complementares (Lei nº 6.015/73 e Lei nº 8.935/94),
além de intervir na prestação e extinguir a delegação caso seja necessário.
Destarte, a atividade registraria requer do serventuário a total observância
aos preceitos legais, em consonância aos valores contidos num estado de direito,
imparcialidade, igualdade, legalidade, moralidade, publicidade, isonomia e eficiência
em razão da função delegada que este exerce, pois, somente assim a sociedade
conseguirá obter segurança jurídica nas relações imobiliárias.

7.2 A função
A função do registro de imóveis é a de definir o direito real, a partir de um
respectivo título, dando assim segurança às relações jurídicas instituídas com
relação aos imóveis.
Segundo NICOLAU BALBINO FILHO (2001, p. 35), o registro deve ser uma
fiel reprodução da realidade dos direitos imobiliários. A vida material dos direitos
reais, bem como a sua vida tabular, deveriam se desenvolver paralelamente, como
se a segunda fosse espelho da primeira. Com efeito, esta é uma ambição difícil de

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se concretizar, mas em se tratando de um ideal, nada é impossível; basta


perseverar.
Para ADEMAR FIORANELLI (2001, p. 381), a precisão do Registro
Imobiliário no mundo dos negócios é vital para que nele existam, de forma
irrepreensível, segurança e confiabilidade, verdadeiros pilares que hão de sustentá-
lo. Sem essas bases sólidas, os negócios imobiliários, via de regra vultosos,
estariam sujeitos a fraudes, prejuízos, decepções e irreparáveis danos àqueles que
dele se valessem. Assim, a segurança e a confiabilidade transmitidas pelo registro é
que proporcionam a estabilidade nas relações entre os participantes dos múltiplos
negócios realizados nessa área.
A função registral é regulada essencialmente pela Lei dos Registros Públicos
– Lei n° 6.015/73, mediante o sistema de matrícula, em que o imóvel terá o seu fólio
real, no qual são registrados ou averbados todos os atos a este inerente
(CENEVIVA, 2005).
O art. 167 da LRP discorre os atos que são praticados no Registro de
Imóveis, sob duas categorias: (1) os registros e (2) as averbações. Os registros
referem-se à criação, instituição, declaração e transferência dos direitos reais sobre
os imóveis e as averbações dizem respeito aos atos referentes às alterações de
situações jurídicas embasadas nos registros dos imóveis e ao titular deste direito
(CENEVIVA, 2005).
Uma das principais funções do registrador é a análise do título, também
chamada qualificação (MELO, 2004). Apresentado o título a registro, o Oficial
Registrador irá proceder a aplicação dos princípios registrários ao caso concreto,
surgindo a viabilidade ou não do acesso ao fólio real.
Em suma, para a obtenção da propriedade do imóvel, não basta o simples
acordo de vontades entre adquirente e o transmitente. A título exemplificativo, pode-
se mencionar o contrato de compra e venda, que por si só não basta para transmitir
o domínio. Faz-se necessário que essa transferência seja operacionalizada
mediante o registro do título no registro imobiliário. Anterior a este existirá única e
exclusivamente o direito pessoal (MACHADO, 2010).

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7.3 As restrições judiciais em face das transmissões da propriedade imobiliária


Nos dizeres de MARIA HELENA DINIZ (2005), restrição é limitação imposta
ao exercício de determinados direitos. Ressalva. Condição restritiva. Ato ou efeito de
restringir.
As restrições podem ser impostas diretamente às pessoas, restringindo o
seu direito de fazer ou não fazer, de usar, e de dispor e ainda aos bens das
pessoas, tanto físicas quanto jurídicas, bens de toda natureza, móveis e imóveis,
corpóreos e não corpóreos, como, por exemplo, a não utilização de uma marca
(SARSUR, 2013).
Já a restrição judicial no Registro Imobiliário poderá advir de ações de
naturezas diversas, desde atos acautelatórios, até decisões definitivas, vinculadas à
decisão exarada pelo magistrado, inclusive o seu cancelamento a ser levado ao
Registro de Imóveis competente.
As restrições judiciais poderão ser: genéricas, amplas, abrangentes ou
específicas para determinada pessoa, bem ou direito. Assim, no momento da prática
da ordem judicial, o registrador deverá se ater ao tipo de restrição, vez que seus
efeitos serão diferenciados, levando-se em conta a especificidade da ordem
mandamental. Em outros dizeres, o ideal é estar expresso na determinação judicial
sobre qual pessoa, bem ou direito recairá a limitação para alienação e/ou oneração.
Isto em nome do princípio registral imobiliário da especialidade, tanto a subjetiva
quanto a objetiva, que determina que o sujeito e também o objeto do direito devem
estar perfeitamente descritos.
As restrições judiciais estão vinculadas aos seguintes requisitos: decorrem
de ações de naturezas diversas; têm cunho acautelatório e estão ligadas a decisão
exarada pelo magistrado. Elas poderão ser: genéricas, amplas, abrangentes ou
específicas para determinado bem ou direito.
As medidas cautelares previstas no Código de Processo Civil são:
a) Arresto: arts. 813 e seguintes do Código de Processo Civil.
b) Conversão do arresto em penhora: art. 818do Código de Processo Civil.
c) Sequestro pela Lei Civil: art. 822 do Código de Processo Civil.
d) Sequestro pela Lei Penal: art. 121 do Código de Processo Penal.
e) Indisponibilidade de bens: art. 53, § 1º, da Lei nº 8.212/1991; art. 4º da Lei
nº 8.397/1992; art. 185-A no CTN (Lei nº 5.172/1966).
Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de
direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios
eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e
recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
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f) Arrolamento fiscal de bens: art. 64 da Lei nº 9.532/1997.


g) Arrolamento civil de bens: arts. 855 a 860 do Código de Processo Civil.
h) Caução: arts. 826 e seguintes do Código de Processo Civil.
i) Arrecadação de bens: art. 22, item f, do inciso 11,c/c os arts. 108 e 1l0,
todos da Lei nº 11.101/2005; arts. 1.276 e 1.819 do CCB.
j) Protesto contra alienação de bens: art. 867 do Código de Processo Penal.
E, por fim, depois de lançadas no Registro de Imóveis, devem ser
canceladas, quando provocadas, através da apresentação de mandado judicial
assinado pelo juiz do feito ou certidão, com referência à matrícula do imóvel em
questão (SARSUR, 2013).
Justificamos que evidentemente os conteúdos relativos ao registro de
imóveis estão longe de terem sido esgotados aqui. Optamos por discorrer sobre
alguns pontos diferenciados e aleatórios, lembrando que por se tratar de
especialização acredita-se que conceitos e aspectos básicos como hipóteses de
registro, de averbação, seu cancelamento, os procedimentos de registro, retificação
de registro sejam de conhecimento desse público, de todo modo, nas referências
encontram-se aporte para leituras de enriquecimento.

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UNIDADE 8 – RECONHECIMENTO DA UNIÃO ESTÁVEL –


LEI Nº 11.441/07

A união estável foi um instituto criado para salvaguardar o direito dos


companheiros, que não estavam protegidos pela instituição do casamento. Nasceu
para proteger os direitos sucessórios, tanto patrimoniais quanto alimentícios dos
companheiros não casados, que restariam desprotegidos em caso de uma situação
urgencial. Dependiam sempre de provocação judicial para ver seus direitos
resguardados.
A Constituição Federal, em seu artigo 226, prevê que a família funciona
como núcleo, sendo ela a base da nossa sociedade hodierna. Igualmente, o
parágrafo 3° desse mesmo artigo ressalta que a união estável deve ser reconhecida,
devendo ser facilitada sua conversão em casamento. Com a promulgação das leis nº
8.971/94 e nº 9.278/96, surgiu a possibilidade de se declarar a união estável em
Tabelionato de Notas, mediante escritura pública declaratória, autorizando-se a
estipulação de cláusulas interessantes aos declarantes.
Com o advento da lei nº 11.441/2007, permitiu-se uma celeridade ainda
maior na lavratura de inventários e garantias de direitos individuais. Possibilitou-se
também que fosse declarada a união estável na própria escritura pública de
inventário, o que representou um enorme avanço do sistema jurídico brasileiro. E,
igualmente, tem-se discutido a possibilidade de se lavrar escrituras de partilha de
bens em dissolução de união estável, com seu anterior registro no livro 3 do Registro
de Imóveis.
O mencionado tema merece, atualmente, posição destacada no cenário de
discussões a respeito da proteção jurídica da família, tratando-se, inclusive, do
significado real de tal palavra, e dirigindo-se, fundamentalmente, às situações de
incerteza características da sociedade moderna. Neste contexto de riscos, emergem
reflexões e dúvidas quanto ao significado, ao tratamento jurídico-político e à
segurança das interpretações jurídicas, e como devem ser feitas para beneficio de
toda a sociedade.
A união estável representa, para o ordenamento jurídico brasileiro, um
grande avanço no sentido de proteger entidades familiares que eram deixadas à
margem da sociedade, apenas por não se enquadrarem no termo stricto sensu de

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família. À luz da Constituição Federal, no artigo 226, previu-se que a família funciona
como núcleo, sendo ela a base de toda nossa sociedade. E, como explanado
anteriormente, o parágrafo 3° do mesmo artigo ressalta que a união estável deve ser
reconhecida, devendo ser facilitada sua conversão em casamento.
Assim, cabe referir que o instituto da união estável nasceu para atribuir
garantias àqueles que estão incluídos em situação afetiva informal, visando a
regularizar aquelas entidades que se encontravam à margem da sociedade, posto
que para ser considerada família, a entidade tinha de estar sob a égide do
casamento.
Por conta disso, o conteúdo de várias leis, promulgadas principalmente após
a Constituição de 1988, foi evoluindo, juntamente com o avanço do Direito e da
sociedade, destacando a união estável como uma simples alternativa ao casamento.
Já em relação aos aspectos legais, o artigo 1.723 do Código Civil brasileiro
define o que representa união estável: Art. 1.723 – é reconhecida como entidade
familiar a união estável entre o homem e a mulher, configurada na convivência
pública contínua, e duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição de
família.
Para maior entendimento, deve-se compreender igualmente o princípio da
dignidade da Pessoa Humana. É elencado, logo no início de nossa Constituição
Federal, no terceiro inciso de seu artigo 10, que a dignidade da pessoa deve ser
mantida acima de tudo, não podendo haver diferenças de raça, credo, cor ou opção
sexual, por exemplo, e, dessa forma, a entidade familiar pode se manifestar das
maneiras mais diversas possíveis, desde que apresente os requisitos necessários
para tanto.
Tais requisitos como durabilidade, estabilidade, convivência sob o mesmo
teto, prole, relação de dependência econômica, dentre vários outros, não precisam
estar todos obrigatoriamente presentes para a configuração da união estável, mas
servem como base estrutural para se identificá-la.
A partir da orientação do Código Civil de 1916, várias leis foram elaboradas
visando à proteção cada vez maior de toda a sorte de entidades familiares,
englobando-se um maior número de entidades que, anteriormente, não eram
consideradas famílias.

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Dessa forma, ainda que a Constituição Federal tenha reconhecido a união


estável como um modelo a mais de família, apenas a partir de 1994 foram tomadas
medidas efetivas de proteção à toda e qualquer entidade familiar.
Nesse espírito, foram promulgadas as leis nº 8.971/94 e nº 9.278/96, as
quais trouxeram vários avanços ao tema. A citada lei nº 8.971/94 foi a pioneira em
impor os requisitos intrínsecos necessários para o reconhecimento da união estável,
fixando, principalmente, um prazo mínimo de cinco anos de união, conforme
previsão do artigo primeiro e seu parágrafo único.
Por sua vez, a lei nº 9.278/96 foi mais longe, disciplinando normas
constitucionais e omitindo tal prazo, incumbindo o judiciário quanto à
responsabilidade de apreciar subjetivamente todo o conteúdo comprobatório, nos
termos do artigo primeiro. Igualmente em seus artigos 3° e 4°, permitiu que os
conviventes pudessem, pela primeira vez, por intermédio de contrato escrito, regular
seus direitos e deveres, observando os preceitos legais em geral, bem como as
normas de ordem pública atinentes ao casamento, os bons costumes e os princípios
gerais de direito.
A partir destes artigos era possível se lavrar escrituras públicas declaratórias
de união estável em sede administrativa junto a Tabelionato de Notas, em ato
contínuo levá-las a registro no Registro Civil competente, e, após, ao Registro de
Imóveis, para a devida averbação na busca de efeitos perante terceiros (erga
omnis).
Verdade que estes artigos foram vetados pelo então Presidente Fernando
Henrique Cardoso, considerando-se, à época, que a união estável não poderia ser
resumida ao reconhecido adstrito de um contrato ou ao registro deste contrato.
Entretanto, não se pode dizer que a mens lege era a de se proibir estes
contratos escritos, mas apenas proibir que tais contratos escritos fossem condição
para a existência de união estável.
Também, pelo advento da lei nº 9.278/96, referiu-se o primeiro conceito de
esforço comum do casal. Até essa lei, o esforço comum do casal tinha de ser
provado, e, a partir do mesmo diploma legal, o esforço já era presumido, podendo
haver prova em contrário.
Assim, somente no Código Civil de 2002, a partir do já referido artigo 1.723,
foi definida a união estável, mesmo ainda pecando em algumas definições pré-
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ajustadas, as quais devem, assim, ser interpretadas não como imutáveis, mas
apenas como uma caracterização do que representa a união estável, como a
constatação de que o prazo para a configuração de uma união estável depende,
exclusivamente, de prova e, principalmente, da vontade das partes, não tendo um
prazo pré-definido.
Cabe comentar que muitos Tabelionatos ainda requerem um tempo mínimo
de existência da relação para autorizar a lavratura do contrato, ou solicitam
igualmente a declaração de duas testemunhas quanto ao fato, o que não condiz com
nossa atual codificação civil. Sem adentrar no mérito, considerando que o tabelião
possui independência jurídica, e que, inclusive, várias Corregedorias estaduais
exigem o mesmo (como por exemplo, a do Distrito Federal), não se pode, porém,
limitar a existência dessas uniões estáveis à mera prova testemunhal, o que por si
só não traz plena certeza. Se assim o fosse, seria mais conveniente elaborar um
contrato particular, ou se ingressar com a ação cabível diretamente na esfera
judicial, âmbito no qual serão colhidas as devidas provas testemunhais.
Além dos aspectos primordiais elencados pelo referido artigo, como a
convivência pública, contínua, duradoura e visando à constituição de uma família,
com esforço comum, inegável também se mostra a contribuição trazida pelo § 10 do
artigo 1.723, que fala nos casos em que inclusive os companheiros casados, mas
separados de fato, podem ter sua união estável declarada, casos de concubinato
puro, ou seja, de união estável.
A seu turno, os artigos de 1.724/1727 do Código Civil de 2002 regulamentam
as relações pessoais entre os companheiros, assemelhando sua relação ao regime
da comunhão parcial de bens, falando sobre seus deveres, sobre a possibilidade de
conversão de união estável em casamento, dentre outros.
Em sequência, jurisprudencialmente, começou a se definir o esforço da
companheira como sendo direto ou indireto. O direto não depende aqui de maiores
comentários, poderia ser comprovado inclusive documentalmente. Já o indireto seria
mais difícil de se configurar, sendo demonstrado quando a companheira ou
companheiro, mesmo que não economicamente, dá seu apoio emocional no lar,
mediante cuidado e educação de filhos, comprometimento e resolução de assuntos
domésticos, dentre outros inúmeros suportes que poderão ocorrer, mas não

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obrigatoriamente financeiros. Em verdade, o que se busca é uma valorização da


dignidade da pessoa humana do companheiro.
A jurisprudência, a seu turno, entendia o esforço como presumido, e admitia
prova ao contrário. Ressalta-se que a grande evolução da definição da união estável
em relação ao casamento, a partir do Código Civil, é exatamente a questão da
igualdade entre os dois institutos.
É de crescente discussão as novidades advindas com a lei nº 11.441/2007,
aplicável aos Tabelionatos de Notas. Os diversos posicionamentos a respeito do
enfrentamento da união estável e suas consequências exigem uma uniformização
sobre o assunto.
A par de tais discussões, também surgem dificuldades e riscos que devem
ser evitados, fiscalizados e efetivamente solucionados. Estes dependem da prática e
do apelo social, devendo se perceber a relevância dos instrumentos que visem a
garantir os direitos e a segurança jurídica.
A referida lei tem como finalidade principal uma simplificação de
procedimentos, uma via alternativa ao procedimento judicial, proporcionando maior
racionalidade e celeridade. Concentrou-se, assim, o Poder Judiciário no
contencioso, desafogando-o, e, simultaneamente, facilitou-se a vida do cidadão.
Difícil verificar em algum outro momento histórico tamanha discussão em
como se adequar ao âmbito jurídico os grandes avanços sociais, tais como a
comparação da união estável com o casamento, a possibilidade de realizações de
uniões homoafetivas, as resilições e partilhas de bens ao fim desses
relacionamentos e suas possíveis consequências patrimoniais com o seu registro no
fólio real.
Como mecanismo de atualização jurídica, resta inquestionável sua
imperatividade na aplicação de vários princípios que visam a trazer tal proteção
jurídica, tais como o princípio da concentração, da especialidade e da continuidade
registral.
Nesse contexto, o princípio da concentração opera como garantia e
necessidade de que os mais diversos atos e fatos sejam trazidos à baila registral,
fazendo com que aquelas ocorrências interessantes e pertinentes às possíveis
partes contratantes e inclusive a terceiros sejam acessíveis, averbadas e presentes
em todas as matrículas do Registro de Imóveis.
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Este não é o único dilema debatido. Igualmente, o preconceito traz à baila


inúmeros casos não plenamente aceitos na esfera jurídica, como as escrituras
declaratórias de uniões homoafetivas.
Ressalta-se que qualquer extremismo demarca a necessidade da produção
de uma prova impossível, já que o nosso ordenamento jurídico fala apenas em
relações entre homens e mulheres. Não nos parece que o legislador tenha imposto à
sociedade tal limitação tão rígida, pois resta incontestavelmente comprovado que
união homoafetiva também gera laços de família.
A consciência do legislador, quando da promulgação da nossa Carta Magna,
era, como é exaustivamente escrito por toda a doutrina, de compreender todo e
qualquer direito ao qual o ser humano poderia e deveria ter acesso. Se assim o é,
por que afastaria tais casos da esfera jurídica, já que à luz do princípio da dignidade
da pessoa humana, visa reconhecer e propiciar cada vez mais proteção a todas as
relações humanas, ainda que não previstas expressamente?
Logicamente, a construção de um Direito justo exige o interesse e a
participação séria de toda a coletividade no discurso jurídico-político referente ao
conhecimento, na busca de uma sociedade mais equilibrada, destacando-se o real
sentido da cidadania e da dignidade humana. A partir de agora, a racionalidade e a
sensibilidade humana, colocadas às portas do futuro, pronunciarão o que reserva o
horizonte (WEIZENMANN; FARINA, 2011).

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UNIDADE 9 – CUIDADOS MEDIANTE A PRAÇA

A hasta pública é um gênero, cujas espécies são o leilão e a praça. De


acordo com o inciso IV do artigo 686, CPC, ‘praça’ é o termo técnico que se destina
à venda judicial de bens imóveis e ‘leilão’ se refere aos bens móveis a serem
alienados judicialmente.
Segundo HERMENEGILDO HENRIQUE LEITE VELTEN (2001), o ideal é
que todo o comprador se assessore de um profissional do ramo ou um advogado
que o acompanhe nas sindicâncias prévias perante aos órgãos públicos.
Comumente, as certidões exigíveis para a lavratura da escritura pública são
obtidas após o fechamento do negócio, principalmente quando a venda se efetiva
com um contrato particular de promessa de compra e venda, cujo pagamento seja
feito à prestação. Nesse caso, a escritura pública somente será lavrada após o
pagamento da última parcela.
O ideal é que o comprador já obtenha as certidões antes de consolidada a
transação, mesmo antes de qualquer pagamento a título de antecipação para
garantia do negócio.
As certidões a que nos referimos são as de negativa de ônus reais e ações
reipersecutórias e as negativas de débitos de tributos federais, estaduais e
municipais.
É através da certidão negativa de ônus reais e ações reipersecutórias que o
comprador terá certeza que sobre o imóvel pretendido não haja nenhum ônus como
as servidões de passagem, as servidões administrativas, hipotecas, fideicomissos,
usufrutos, aforamentos, penhoras judiciais, etc.
As certidões relativas aos tributos nos asseguram que o imóvel à venda não
esteja em débito com os órgãos públicos.
Além dessas certidões, que são exigíveis para a lavratura da escritura
pública, há outras que reforçam a segurança do comprador, como, por exemplo, a
obtida perante os cartórios distribuidores do fórum, que atestam o fato do vendedor
não ter ações judiciais que resultem na execução de seus bens para pagamento de
dívidas. Se houver alguma ação na fase de execução contra o vendedor no
momento em que se disponha a vender algum dos seus bens, pode ocorrer o que se
denomina a fraude contra credores, o que poderá ocorrer na anulação da transação.
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Para GUSTAVO FRIEDRICH TRIERWEILER e PATRICK DE DEUS


VARGAS (2011), o primeiro passo é o exame detalhado do processo que originou a
praça que em última análise significa perseguir no processo a existência de uma
matrícula atualizada do imóvel objeto, e mesmo não sendo obrigatório permite
agilidade na identificação de possíveis problemas posteriores.
Um segundo passo seria analisar os atos preparatórios da arrematação, em
específico a função do edital, pois o ato válido é uma precaução aos incidentes
processuais que por ventura o arrematante possa vir a sofrer no futuro.
Uma vez que a matrícula do imóvel representa a síntese de toda sua
história, ou seja, representa um elemento de convicção ao juiz sobre a propriedade
do imóvel pertencer ao executado, é importante requerer uma matrícula atualizada,
pois durante o lapso de desatualização da matrícula, o imóvel pode ter sido vendido,
podem ter sido averbadas outras penhoras, já ter ocorrido arrematações ou
adjudicações ou ainda haver novos ônus (hipoteca, partilhas, etc.).
Conhecer o conteúdo do edital; analisar possíveis divergências entre o
imóvel, sua matrícula e o edital, embora pareça a priori perder tempo, no final, ao
contrário, estará economizando tempo e preservando o dinheiro do arrematante.
Não podemos nos esquecer que é aconselhável verificar os cálculos do
processo com o valor das dívidas, especialmente das obrigações propter rem2, uma
vez que o edital, na maioria das vezes, silencia sobre o valor das dívidas, limitando-
se a dizer simplesmente quais ônus possui o imóvel.
Dentre estas dívidas podemos citar as dívidas condominiais, de água e
IPTU.
Uma vez que pela regra, todos os bens são passíveis de penhora, esse é
outro ponto que se deve ter cautela. Embora, a princípio, a arrematação extingue a
hipoteca, “não extinguirá a hipoteca, devidamente registrada, a arrematação ou
adjudicação, sem que tenham sido notificados judicialmente os respectivos credores
hipotecários, que não forem de qualquer modo parte na execução” (art. 1502, CPC).
Dessa forma o ato será nulo, o que traduzido significa que o arrematante assumiu a

2
A obrigação propter rem segue o bem (a coisa), passando do antigo proprietário ao novo que
adquire junto com o bem o dever de satisfazer a obrigação. A obrigação propter rem é transmitida
juntamente com a propriedade, e o seu cumprimento é da responsabilidade do titular, independente
de ter origem anterior à transmissão do domínio.
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dívida da hipoteca existente no imóvel, ou seja, perdeu o dinheiro destinado à


aquisição do imóvel.
Ter inquilinos, preço vil, arrematação em parcelas que podem aplicar taxas
de juros são outros motivos que levam a medidas de cautela quando da participação
de hasta pública – praça.
Concordamos com Trierweiler e Vargas (2011) quando inferem que a
contratação de um profissional adequado é recomendável, principalmente porque
cada ação, esfera judicial e imóvel possui particularidades, as quais somente o
profissional habilitado poderá identificar e solucionar de forma mais eficiente.

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UNIDADE 10 – AVERBAÇÃO PREMONITÓRIA

A Lei nº 11.382, de 06 de dezembro de 2006, introduziu diversas novidades


no direito processual civil objetivando dar maior celeridade e efetividade na solução
dos litígios. Entre elas, a lei em comento introduziu no Código de Processo Civil, o
artigo 615-A, ou seja, a averbação premonitória.
A averbação pode ser conceituada como o ato ou atividade de averbar, que
significa anotar à margem do assento já existente um fato ou ato jurídico que o
modifica ou cancela; sua disciplina se encontra na Lei nº 6.015/73, artigos 13, II
(regra geral), e 167, II (averbação no Registro de Imóveis):
Ainda em relação à averbação, é importante dizer que este artigo 615-A é
regra instituidora de mais uma hipótese de averbação, ao lado de inúmeras previstas
pelo inciso II do artigo 167 da Lei de Registros Públicos, que regula a prática deste
ato no registro imobiliário, o que também significa que os órgãos de registro de
veículos (os DETRANs) e de “outros bens sujeitos à penhora ou arresto” (v.g. as
Comissões de Valores Mobiliários - CVMs para as ações das sociedades anônimas
de capital aberto e debêntures) ficam, a partir da entrada em vigor da Lei nº
11.382/06, obrigados a realizar averbações com base em “certidão comprobatória do
ajuizamento de execução”.
Pois bem, concretizada que se encontre a averbação requerida pelo
exequente – tal requerimento encontra-se genericamente previsto pelo inciso II, do
artigo 13, da Lei nº 6.015/73 -, haverá a parte de comunicar ao juízo a averbação
efetivada no prazo de dez dias, o que impõe a observação no sentido de que o
desrespeito ao prazo estabelecido dá ao juiz poder para determinar o seu
cancelamento até mesmo de ofício. Caso assim não se considere, chegaremos
indubitavelmente à conclusão que o presente prazo legal não tem qualquer
significado prático e nenhum valor jurídico (MACHADO, 2010, p. 823).
Para a compreensão do processo de ingresso da averbação premonitória, é
preciso estudar os princípios que regem a atividade registral. Os princípios que
regem o sistema registral têm a finalidade de garantir a segurança aos atos
registrários, não podendo ser ignorados, sob pena de se ferir a credibilidade dos
registros e a segurança do serviço. É neste sentido que se impõe o artigo 1º da Lei
nº 8.935/94: “Serviços notariais e de registro são os de organização técnica e
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administrativa destinados a garantir a publicidade, autenticidade, segurança e


eficácia dos atos jurídicos”.
O ato de averbação da certidão tem de atender aos princípios registrais: seja
ao princípio da instância ou solicitação, da continuidade, da disponibilidade, da
especialização subjetiva e objetiva, da qualificação registral, da prioridade, da
legalidade. Por oportuno, verifica-se que a alteração legislativa valoriza
especialmente os princípios da publicidade e da segurança jurídica, ao atribuir, em
razão da averbação, a presunção de conhecimento de terceiros sobre a existência
da ação (TUTIKIAN; TIMM; PAIVA, 2008).
A averbação premonitória inovou na ordem jurídica brasileira ao permitir que
o credor possa requerer, em uma execução, na distribuição, uma certidão que
comprove a existência da ação para ingresso no cartório de registro de imóveis,
registro de veículos ou registro de outros bens sujeitos à penhora ou arresto.
[...] a averbação premonitória é o instrumento processual-registrário
adequado para outorgar maior segurança ao mercado imobiliário que há anos vem
sofrendo com a fraude de execução, também configura, sem dúvidas, a
consagração do princípio da concentração no Registro de Imóveis. Não se nega que
a alteração foi drástica e será absorvida e interpretada pela doutrina e jurisprudência
paulatinamente, mas as vantagens são extraordinárias já que confere segurança
jurídica a credores e adquirentes de boa-fé, fomentando o mercado imobiliário e
reduzindo os custos para a aquisição de imóveis, já que dispensa a apresentação de
certidões pessoais (MELO, 2007).
A averbação premonitória constitui grande avanço no processo de execução,
ao possibilitar ao exequente, no ato de distribuição, a obtenção de uma certidão
comprovando o ajuizamento da ação, com indicação das partes e do valor da causa.
Porém, a averbação não pode ser manifestamente indevida, pois ocasionaria ao
executado prejuízos, ensejando uma ação de indenização. O processo no registro
de imóveis de ingresso dessa averbação deve observar aos princípios, como, por
exemplo, o da publicidade, o da instância ou da rogação e o da concentração. A
partir da efetivação da averbação na matrícula do imóvel, o ato torna-se público e
gera oponibilidade erga omnes. Com isso, as alienações e onerações de bens
efetuadas após averbação premonitória serão presumidas fraude a execução.

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Por fim, a averbação premonitória, quando devidamente utilizada, constitui


ferramenta célere e efetiva na satisfação do crédito do credor e, ainda, garante
publicidade e segurança jurídica às transações imobiliárias e à sociedade
(PETRÚLIO; OLIVEIRA, 2012).

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REFERÊNCIAS

REFERÊNCIAS BÁSICAS

BRASIL. Lei n. 6.015 de 31 de dezembro de 1973 – Lei de Registros Públicos.


Dispõe sobre os registros públicos, e dá outras providências. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6015.htm
BRASIL. Lei n. 8.935 de 18 de novembro de 1994. Regulamenta o art. 236 da
Constituição Federal, dispondo sobre serviços notariais e de registro. (Lei dos
cartórios). Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8935.htm
BRASIL. Lei n.9.492 de 10 de setembro de 1994. Define competência, regulamenta
os serviços concernentes ao protesto de títulos e outros documentos de dívida e dá
outras providências. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9492.htm
GUGLIOTTI, Kristine Barci; BARCI JUNIOR, Francisco Luiz. Registros públicos,
Notários, Registradores e protestos. São Paulo: Atlas, 2012.
PEDROSO, Regina (Coord.) Estudos avançados de Direito Notarial e Registral. Rio
de Janeiro: Elsevier, 2013.

REFERÊNCIAS COMPLEMENTARES

AGHIARIAN, Hércules. Curso de direito Imobiliário. 2 ed. Rio de Janeiro: Lumen


Juris, 1999.
BALBINO FILHO, Nicolau. Direito Imobiliário Registral. São Paulo: Saraiva, 2001.
CARVALHO, Afrânio de. Registro de Imóveis. 4 ed. Rio de Janeiro: Forense, 2001.
CENEVIVA, Walter. Lei dos Notários e dos Registradores comentada. 8 ed. São
Paulo: Saraiva, 2002/2010.
CENEVIVA, Walter. Lei dos Registros Públicos Comentada. 20 ed. São Paulo:
Saraiva, 2003/ 2005/ 2010.
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. 17 ed. São Paulo: Atlas,
2004.
DINIZ, Maria Helena. Dicionário jurídico. 2 ed. São Paulo: Saraiva, 2005.
DINIZ, Maria Helena. Sistemas de Registros de Imóveis. 4 ed. São Paulo: Saraiva,
2003.
FIORANELLI, Ademar. Direito Registral Imobiliário. Porto Alegre: Sergio Antônio
Fabris; Instituto de Registro Imobiliário do Brasil, 2001.
GALIANI, Luiz Antônio. Os princípios basilares do fólio real. RJ n°. 212, jun/95.
LIMA, Rogério Medeiros Garcia de. Princípios da Administração Pública: reflexos
nos serviços notariais e de registro. Revista Autêntica. Belo Horizonte: Editora
Lastro. Edição 02. p.20-26. Dezembro 2003.
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por artigo, parágrafo por parágrafo. 9 ed. Barueri: Manole, 2010.
MACHADO, Eliane Teresinha de Oliveira. O registro de imóveis e os princípios da
disponibilidade e da continuidade. Porto Alegre: Escola Superior de Administração,
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MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 22 ed. São Paulo:
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WEIZENMANN, Luiz Carlos; FARINA, Rafael Caduro. O reconhecimento da União


Estável no âmbito da lei n. 111.441/2007. In: TUTIKIAN, Cláudia Fonseca (org.).
Moderno Direito Imobiliário, Notarial e Registral. São Paulo: Quartier Latin, 2011.

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