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OS QUATRO PILARES DA EDUCAÇÃO E A TEORIA DA ANÁLISE


TRANSACIONAL: UMA PROPOSTA PEDAGÓGICA APLICÁVEL NA
EDUCAÇÃO PARA O SÉCULO XXI1.

Categoria: Palestra
Eixo temático: Teorias e Metodologia de Ensino
Prof.ª. Ms. Carmem Maria Sant’Anna - PUCPR2
______________________________________________________________________

Resumo:

O presente trabalho examina a proposta de uma Educação desenvolvida em torno das


indicações da UNESCO, visando levar o aluno a aprender a conhecer, aprender a
fazer, aprender a ser e aprender a conviver, que significa construir conhecimento de
forma integrada, e que prevê a ampliação da visão do ser humano sobre si mesmo,
descobrindo e desenvolvendo novas potencialidades, exercitando os hemisférios
cerebrais na unificação do raciocínio com a intuição. Porém, construir conhecimentos e
desenvolver potencialidades ainda não basta para termos pessoas melhores e um
mundo melhor. Procedimentos baseados somente nestes dois aspectos podem ainda
gerar “genialidades” voltadas para a destruição. Sendo assim, impõe-se a necessidade
de buscar formas alternativas para incrementar os resultados no processo educativo.
Para isso, pretende-se apresentar a contribuição da Análise Transacional como um
recurso possível para sustentar nossa ação educacional em Valores Humanos básicos
e universais. A Análise Transacional (AT) é uma Teoria da Personalidade com uma
abordagem sistemática para o crescimento e a mudança pessoal. A familiarização com
essa teoria, agregada aos princípios preconizados pelos Quatro Pilares de Delors,
contribui para um “fazer” em sala de aula que promove comunicação efetiva e
autonomia entre educador e educando. Na conclusão é fornecido um quadro
comparativo de alguns tópicos das abordagens tradicional e contemporânea da
educação com os correspondentes quatro pilares indicados pela UNESCO e a inclusão
de comentários sobre a Análise Transacional como recurso pedagógico.

Palavras-chave: co-responsabilidade . inovação . autonomia . processos grupais .


atitudes . valores.

1
Trabalho apresentado no EDUCERE III Congresso Nacional da Área de Educação. Em 24 a 26 de setembro de
2003. Página 72.
2
Carmem Maria Sant’Anna é Mestre em Educação, Administradora. Especialista em Gestão de empresas e de
pessoas. Didata titulada pela SBDG. Docente universitária e consultora organizacional.
2

O momento atual pode ser caracterizado pelo rompimento das barreiras


nacionais e pela conexão de todo o sistema. Ligada a esta macrotendência, existe
outra, intra-organizacional: o modelo taylorista-fordista, que marcou a organização do
trabalho ao longo do século XX, está sendo integrado com outros sistemas flexíveis e
adaptados, quando aplicável, às instáveis condições ambientais. Nesse contexto, o
papel do educador ganha contornos distintos dos que o caracterizaram no passado. Há
cada vez mais necessidade de novas atitudes e valores. Certamente essa nova postura
exige maior compreensão dos processos grupais e suas implicações quanto à tarefa e
às relações socioemocionais.
FÁVERO (1992) e PAIVA (1993) insistem principalmente na necessidade de
“desenvolvimento de habilidades cognitivas, flexibilidade de raciocínio, resolução de
problemas, tomada de decisões, etc.” Nestes termos, tomam-se as metodologias
participativas de ensino/aprendizagem como uma forma de ampliar o compromisso com
a promoção de valores éticos, de responsabilidade social e ambiental na educação,
porque desenvolvem a capacidade de reflexão autônoma e seu potencial para
encontrar soluções criativas na área de atuação profissional e na vida pessoal e social.
Dessa forma, preparam pessoas para atuarem de modo efetivo e consciente na
construção de um novo tempo e de um novo ser humano, integrado consigo mesmo e
com os outros, com capacidade de educar, aprender e dar soluções nas várias
situações da vida. As metodologias participativas propiciam o desenvolvimento e a
integração das diversas dimensões do ser humano.

Na dimensão Conhecer: tornam realidade a aprendizagem significativa; aprimoram a capacidade de


processamento, ordenação e elaboração da informação; desenvolvem as habilidades de
comunicação; desenvolvem a capacidade crítica.
Na dimensão Fazer: facilitam a passagem da idéia para a ação; desenvolvem o hábito de prever
futuros possíveis; propiciam aprender com a própria experiência; desenvolvem a autodisciplina na
execução das tarefas.
Na dimensão Conviver: favorecem a comunicação intergrupal e o trabalho em equipe; desenvolvem
atitudes de respeito ao posicionamento dos demais; desenvolvem o sentimento de pertencer a um
grupo; desenvolvem atitudes de colaboração, convivência, solidariedade, justiça e democracia.
Na dimensão Ser: favorecem a compreensão da integridade do ser; propiciam o sentimento de auto-
estima e de realização; potencializam a flexibilidade, a fluidez, a originalidade, a espontaneidade e a
sensibilidade – condições essenciais para o pensamento criativo; potencializam a manifestação e os
posicionamentos próprios. (Práxis, SEBRAE 2001, p. 53-55).

Com esses aspectos sobre as metodologias participativas em mente, passemos


a introduzir a discusão sobre o referencial teórico da Análise Transacional e sua
3

contribuição como complemento de uma proposta pedagógica aplicável na Educação


para o Século XXI.
A Análise Transacional (AT) é uma teoria da personalidade, criada pelo Dr. Eric
Berne no final da década de 50. É também uma filosofia de vida, uma teoria da
psicologia individual e social. Possui um conjunto de estratégias de mudança positiva
que possibilita uma tomada de posição quanto ao ser humano.
A AT tem como objetivo último levar o indivíduo a alcançar a Autonomia de Vida.
Entende-se por Ser Autônomo o indivíduo que tem o controle de sua própria vida,
aceita a responsabilidade de seus próprios sentimentos, pensamentos e
comportamentos, além de abdicar-se de padrões inadequados para viver no aqui-e-
agora. Tudo isso pode ser obtido através da recuperação de três capacidades:
consciência, espontaneidade e intimidade. Segundo BERNE, (1988 p. 155-157), essas
três capacidades são inatas no ser humano; entretanto, algumas vezes elas são
limitadas por situações estressantes ou traumáticas sofridas na infância, mas podem
ser recuperadas via educação.
Além de ter-se ocupado primordialmente com o que ocorre entre os indivíduos,
Berne contribuiu ainda com excelente modelo de estudo do que ocorre no interior do
indivíduo. Ele dizia: “Todos nós nascemos príncipes e princesas, mas às vezes nossa
infância nos transforma em sapos acomodados”. In Steiner (1976, p.15).
A AT é uma filosofia positiva e de confiança no ser humano: todos nós nascemos
bem, com capacidade plena para obter sucesso e satisfação de nossas necessidades e
as de nossos semelhantes. Esse objetivo coincide com os pressupostos da Educação
para o Século XXI, conforme o relatório da UNESCO (2000, p. 99-102) quando trata do
pilar “Aprender a ser” e de acordo com o pensar de FREIRE (1996, p. 66): “O respeito à
autonomia e à dignidade de cada um é um imperativo ético e não um favor que
podemos ou não conceder uns aos outros”.
Eric Berne enfatizou a importância de pensar de forma profunda, de ouvir os
outros e falar de maneira acessível. O termo transacional deveu-se ao interesse que
Berne tinha pelo que ocorria entre as pessoas. Daí o estudo, a análise, as trocas de
estímulos e as respostas (transações) entre os indivíduos. Sua contribuição inclui
4

também muitos conceitos, dentre eles, contrato e liderança, que são úteis para os
educadores.
A AT, em sua quase totalidade, pode ser representada mediante gráficos
simples, tais como círculos, triângulos, vetores, quadrados, etc., permitindo assim o
aprendizado de conceitos abstratos mediante o canal visual.
A teoria da AT está estruturada em diversos instrumentos, que, aliados aos
sinais de comportamentos observáveis e da intuição do professor, permitem
diagnosticar, com alta probabilidade de acerto, o que está ocorrendo no aqui-e-agora
dentro da sala de aula, o que eleva a habilidade do educador de compreender o
sistema do grupo e propiciar um modelo sinérgico para ajudar o aluno a empoderar
tanto a si mesmo quanto a seus colegas a se permitirem3 aprender.
Sendo assim, uma proposta pedagógica construída em torno desses
fundamentos e princípios poderá contar com boa parcela de êxito. O educador, ao se
apropriar desse referencial teórico, terá à sua diposição um ferramental prático que o
ajudará a promover ainda mais uma educação que liberta pelo saber, e que, somada ao
estímulo para um pensar e agir cooperativamente, pode acelerar muito a construção de
indivíduos que criarão organizações mais eficazes, que assegurem vida digna a seus
integrantes e à comunidade que as cerca.
Vejamos agora descrições sucintas de alguns recursos disponíveis em AT. As
referidas abordagens apresentam uma riqueza de possibilidades de trabalho que
podem ser aplicadas na educação, e são de simples compreensão.
Estados de Ego: conforme definido por Berne,

São sub-sistemas coerentes de sentimentos e pensamentos manifestados por padrões de


comportamentos correspondentes. Cada ser humano apresente três tipos de ego. Pai,
Adulto,Criança” Estado de Ego, segundo Berne é: “Unidade básica da personalidade. (BERNE,
1988, p.25).

É uma estrutura tripartida, cujas partes são designadas de Estado de Ego Pai,
Estado de Ego Adulto e Estado de Ego Criança (P, A e C). Conforme entendido pela

3
Permissão aqui utilizada dentro do conceito da Análise Transacional:”1. Uma licença para comportamento
autônomo. 2. Uma intervenção que dá ao indivíduo uma licença para desobedecer a uma injunção parental se este
estiver preparado, disposto e capaz, ou o libera da provocação parental. Glossário do Olá (BERNE, 1988, p. 355,356)
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teoria de AT, é assim que a nossa personalidade é formada. É a nossa estrutura


interna. Portanto, trata-se do relacionamento intrapessoal.
Transações: unidades de ação social, que envolvem um estímulo e uma
resposta. É como nos comunicamos uns com os outros. Trata-se, por conseguinte, do
relacionamento interpessoal. (BERNE, 1988, p.32)
Estruturação social do tempo: o ser humano, desde o seu nascimento até a
sua morte, tem a necessidade de preencher esse vazio que existe em sua vida: o
tempo. Existem diversas maneiras pelas quais o ser humano estrutura o seu tempo.
(BERNE, 1988, p.33-36) e (KRAUSZ, 1999, p.107-112)
Reconhecimento ou Carícias (stroke)4: (KRAUSZ, 1999, p. 67-77)constitui
uma das “fomes” básicas do ser humano. A partir do conceito de Toques ouCarícias
podemos entender porque determinados alunos, por exemplo, estão sempre “se
metendo” em situações desagradáveis e difíceis. Por tratar-se de uma “fome” básica do
ser humano, todos nós necessitamos de Carícias/Reconhecimento (stroke). A questão
tem que ver com o modo como elas são buscadas em nosso dia-a-dia, e
particularmente na sala de aula, e é preciso entender o papel do professor diante dessa
realidade. Este conhecimento o habilita a não reforçar toques negativos.
Posição existencial: é a forma como percebemos a nós mesmos em relação às
outras pessoas. São juízos de valores ou conceitos a respeito de si próprio e dos
demais, adquiridos na infância através da tomada de decisões muitas vezes
inadequadas, baseadas nas condições precárias da criança para raciocinar e pensar
objetivamente diante da realidade. É a janela através da qual vemos a nós mesmos e
os demais que estão à nossa volta. É uma posição de vida que tomamos em nossa
infância, que foi importante para a nossa sobrevivência naquela época e na realidade
em que vivíamos. Hoje, é possível que a nossa realidade seja completamente diferente
daquela – entretanto, muitas vezes tanto o aluno como o professor continuam a ver o
mundo através daquela mesma janela. Existem quatro Posições Existenciais básicas,
organizando-as na seqüência descrita a seguir: (1) Eu estou OK ou (2) Eu não estou
OK (3) Você está OK ou (4) Você não está OK. (BERNE,1988, p. 81-83).

4
“A necessidade de afeto, de contato físico e psicológico é uma característica da espeécie humana e sua
importanância para o desenvolvimento bio-psicossocial das pessoas já foi enfatizada pelas ciências do
comportamento desde o aparecimento da psicanálise”. KRAUSZ, 1999 . 67
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Jogos psicológicos: é uma maneira negativa de o ser humano estruturar o seu


tempo. Os Jogos Psicológicos são constituídos por uma série de lances com uma “isca”
no meio, e um final previsível. (BERNE, 1974 p. 49) A partir do entendimento do
concecito dos Jogos Psicológicos, o indivíduo é convidado a dar-se conta de quanto
tempo está perdendo de sua vida, praticando-os. Por que jogamos? Como o professor
deve agir para não aceitar convites para Jogos Psicológicos em sala de aula? A teoria e
a prática da Análise Transacional responde a essas questões.
O aparato conceitual da AT não se resume a esses recursos, citados como
exemplo. Berne desenvolveu um corpo teórico amplo e profundo, maximizando a
compreensão da personalidade, das interações socias, do comportamento humano e
da aplicação de técnicas que poderão ser aplicadas nos processos educacionais.
Sendo assim, para finalizar, apresentamos a seguir um quadro onde se faz a
comparação de alguns itens das abordagens contemporâneas da educação com os
Quatro Pilares da Educação, preconizados por Jacques Delors no Relatório para a
Unesco, e as possilibidades de manuseio de alguns conceitos da AT como recurso
pedagógico.
O exame do referido quadro, à luz do referencial teórico da AT, dá indicações de
seu potencial como recurso pedagógico. Conhecer o conjunto de convenções criadas
por Berne, algumas citadas no texto e tantas outras que constam em sua bibliografia,
merecem consideração detida, em função de seu valor prático.
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INTEGRAÇÃO DOS PARADIGMAS CONTEMPORÂNEOS DA EDUCAÇÃO
COM OS
PILARES DA EDUCAÇÃO PARA O SÉCULO XXI*567891011
E
ABORDAGENS DA ANÁLISE TRANSACIONAL
Tradicional e Humanista Cognitivista Sociocrítica Análise Transacional
Comportamentalista
Competências Obediência, memorização, Intuição, autoconceito, Razão, lógica, operações Aplicação, pragmatismo, Consciência,
repetição de fatos e pensar criativo, síntese, mentais, pensar crítico, iniciativa, Espontaneidade,
respostas corretas, emoção, sentimentos, análise, argumentação, empreendedorismo Autenticidade
destreza manual, valores, ética. julgamento, Transparência,
resistência à fadiga. discernimento. Relacionamento
(transações)
Mecaniscista e Tecnicista Escola Nova, Renovada Desenvolvimentista, Progressista, Crítica
e não-diretiva Educação libertadora social dos conteúdos
Pilares Saber Ser e Conviver Saber Aprender Saber Fazer Intregra os quatro pilares
Gerais O aluno é levado a ter o Sujeito como o principal Investigação dos Preocupação com a Mediante a aplicação de
contato com as grandes elaborador do processos mentais do cultura popular; Indivíduo técnicas que podem ser
realizações da conhecimento humano; indivíduo. Aprendizagem sujeito de um processo utilizadas na educação,
humanidade; ênfase nos Ênfase nas relações é mais que um produto cultural; Síntese de propicia a compreensão
modelos, nos especialistas interpessoais, na vida do ambiente; tendências como do como e do porque as
e no professor; psicológica e emocional; Predominância humanismo, pessoas agem, pensam e
Pensamento analítico, Autoconceito; Conteúdos interacionista; Ênfase na existencialismo, sentem da maneira que o
linear e racional enfatizam advêm das experiências capacidade do indivíduo marxismo; Preparação do fazem. Cada pessoa é
as partes e não a relação dos alunos; Visão de integrar informações e indivíduo para o mundo um ser original e único
entre elas; Dominação, sistêmica e do processo processá-las. adulto; Aquisição e que utiliza os recursos da
controle, normas; Primazia integrando difusão dos conteúdos sua personalidade de
do objeto; Modeladora do conhecimento, concretos e forma diferenciada.
comportamento humano; autonomia, criatividade, contextualizados; O
Organiza o processo de intuição, síntese e o saber a serviço da
habilidades, atitudes e pensamento não-linear; transformação das
conhecimentos específicos; Enfatiza o aprender a se Relações de Produção.
comunicar, questionar,
observar, manter-se

5
Quadro apresentado no II Fórum de Análise Transacional. Em São Paulo em 2003. Na forma de Poster.
6
Quadro apresentado no V ANPED SUL – Seminário de Pesquisa em Educação da Região Sul em Curitiba 2004. Poster
7
Quadro apresentado no III Fórum de Análise Transacional “Lideranaça Integradora”. Junho 2005. Curitiba. Mini curso.
8
Quadro apresentado no XX CONBRAT Congresoso Brasileiro de Análise Transacional. BBento Gonçalves RS. 2005. Mini curso.
9
Quadro apresentado no XXI CONBRAT Congresso Brasileiro de Análise Transacional. Belo Horizonte-MG 2007. Workshop.
10
Quadro apresentado no XXII CONBRAT Congresso Brasileiro de Análise Transacional no Rio de Janeiro-RJ em 2009. Poster.
11
Quadro Aapresentado no Fórum de Análise Transacional em Porto Alegre. Outubro de 2010. Palestra.
8
aberto aos novos
conceitos, criar, buscar
informações de forma
contínua.
Desenvolvimento Nas dimensões Na dimensão Aprender: Na dimensão fazer: O conjunto de conceitos
e integração das ser/conviver: Favorecem Aprendizagem Facilitam a passagem da da AT alidos aos
diversas a comunicação significativa; idéia para a ação; princípios dos quatro
dimensões do intergrupal e o trabalho Desenvolvimento da Desenvolvem o hábito de pilares favorecem uma
ser humano em equipe; Desenvolvem capacidade, prever futuros possíveis; educação que conecta o
atitudes de respeito ao processamento, Propiciam aprender com educando com as
posicionamento dos ordenação e elaboração a própria experiência; diversas dimensões do
demais; Desenvolvem o da informação; Desenvolvem a ser humano, porque
sentimento de pertencer Desenvolvem as autodisciplina na examina seu
a um grupo; habilidades de execução das tarefas. funcionamento integral
Desenvolvem atitudes de comunicação e a (Praxis 2001, p. 54) mediante o verdadeiro
colaboração, capacidade crítica. contato com seu próprio
convivência, (Praxis 2001, p. 53) mundo interior por meio
solidariedade, justiça e de diálogo sincero e de
democracia. (Práxis momentos de reflexão
2001, p. 54) silenciosa. A ênfase na
autonomia de vida
imprime o senso de
responsabilidade pelas
próprias ações e as
consequencias para si e
para a sociedade onde
compartilha sua vida.
Educação Modelos pré- Centrada no indivíduo em Que o indivíduo aprenda Deve ser precedida de Celebra e faz uso
estabelecidos; Papel de processo de por si próprio a uma reflexão sobre o construtivo de pontos
ajustamento social; Ligada aprendizagem; Criar conquistar a autonomia homem e de sua análise alternativos e em
à transmissão cultural; condições que facilitem a intelectual; Processo de do meio de vida desse evolução da realidade e
Finalidade: Promover aprendizagem; Objetivo: socialização e homem; Dá-se enquanto das formas múltiplas de
mudanças nos indivíduos; Liberar a capacidade de democratização das processo em um contexto conhecer. Não são
Implica na aquisição de auto-aprendizagem para relações; Deve buscar que deve ser somente os aspectos
novos comportamentos o desenvolvimento novas soluções, criar considerado; Importância intelectuais e
e/ou modificação dos já intelectual e emocional; situações que exijam o na passagem das formas vocacionais do
existentes; Preparação Valorização da busca da máximo de exploração mais primitivas de desenvolvimento humano
para atuar numa Sociedade autonomia em oposição à por parte dos indivíduos consciência para a os que necessitam
Industrial e Tecnológica. heteronomia; Firmar a e estimular novas consciência crítica. orientação e cultivo, sim
autodescoberta e a estratégias de também os aspectos
autodeterminação. compreensão da físico, social, moral,
realidade. estético, criativo,
intuitivo... Enfatiza as
implicações de grande
significado para a
ecologia e a evolução
humana e planetária.
Objetivo Comportamentais e com Estimular o Desenvolver o Transformar a teoria em Equipar o individuo com
Pedagógico função do professor sobre conhecimento e o pensamento superior, ação, isto é, aplicação do um conjunto perceptual,
o conteúdo ministrado. desenvolvimento das reflexivo e crítico, com conhecimento em uma conceptual, afetivo e de
9
potencialidades uma atitude de prática refletida e ação global que é
individuais – cognitivas, investigação e de planejada. Trata-se de utilizado para definir o
de ser pessoa, de organização do educar para o êxito. self, outras pessoas e o
conviver e, conhecimento, ou seja, Envolve o processo de mundo tanto estrutural
principalmente, de ser aprender a conhecer e a atendimento das quanto dinamicamente.
criativo por meio do pensar. necessidades individuais (J.Schiff, 1975, p.49-50).
autoconhecimento e da e do empreendimento por
capacidade de interação meio do trabalho, como
com o grupo. fator de sobrevivência,
auto-realização e
contribuir para a melhoria
da sociedade.

Professor-aluno Relações verticais. Professor e Aluno: Professor: cria situações Relação professor e Relação professor e
Professor detém o poder responsabilizam-se pelos para provocar aluno é horizontal e não aluno baseada no
decisório quanto à objetivos referentes à desequilíbrios, trazer imposta. Consciência empenho da
metodologia, conteúdo e aprendizagem que tenha desafios, propiciando ingênua deve ser transformação pessoal. O
avaliação. Professor significado para o aluno. condições em que se superada. Cabe ao ensino é essencialmente
transmissor na forma de Professor reconhece a possam estabelecer professor: desmistificar e uma vocação que requer
verdade a ser absorvida. interdependência entre reciprocidade intelectual questionar com o uma mistura de
Disciplina imposta e os processos de e cooperação ao mesmo educando a cultura sensibilidade artística e
obediência exigida. pensamento e a tempo moral e racional. dominante, valorizando a uma prática
Instrutor determina o que construção do Indivíduo em processo de linguagem e a cultura cientificamente
deve ser aprendido, conhecimento. Explora aprendizagem. Papel deste, criando condições sustentada. Professor
planeja, prepara e repassa múltiplas perspectivas. ativo. Professor deve para que cada um deles está também aprendendo
informações, dados, Incentiva a busca de conhecer os conteúdos e analise seu conteúdo e e é transformado pelo
conteúdos e alternativas e propicia um a estrutura de sua produza cultura. relacionamento. Sabe
conhecimentos. Modela ambiente que aproxima, disciplina. que o aprendizado não
respostas apropriadas aos une e distingue. Vê se pode impor. Ajuda o
objetivos instrucionais. educação como um indivíduo a descobrir o
Conseguir um processo amplo, que lida conhecimento que tem
comportamento adequado com o ser humano de dentro de si. Libera o
pelo controle do ensino. forma global. O “eu”, abre os olhos, torna
Professor elo de ligação profissional da educação o educando consciente
com a verdade científica. também passa a ter um da opção. Aceita e
Aluno é um espectador da papel mais relevante: o trabalha as diferenças
verdade absoluta. de educador. individuais. Experiência
interior encarada como
contexto para o
aprendizado. Recebe
informações integrando-
as e usando-as. Aluno
estimulado a divergir, a
pensar de forma crítica e
independente.
Compreende o
significado do mundo.

Fonte: apontamentos realizados durante as aulas da Professora Dr.ª Marilda A. Berhens no curso de mestrado na PUCPR - 1998/2000.
10
RAYS (1990); LIBÂNEO (1984); MIZUKAMI (1986); IGNACIO SILVA (1986).
11

Conforme se pode observar, o objetivo final da AT coincide com os objetivos da


educação para o Século XXI. Um exemplo é a busca da Autonomia, que é manifestada
pela liberação ou pela recuperação de três capacidades: Consciência, Espontaneidade
e Intimidade (Autenticidade/transparência). Consciência, segundo Berne, é

a capacidade de viver de uma maneira própria, e não do modo como se foi obrigado. (...) A
pessoa consciente está viva porque sabe o que sente, onde está e o momento que vive. (...)
Espontaneidade: Significa a opção, liberdade de escolher e de exprimir sentimentos existentes na
coleção que cada indivíduo tem disponível (sentimentos do Pai, do Adulto e da Criança). Significa
estar liberto da compulsão de ter apenas sentimentos que se aprendeu a ter. (...) Intimidade: é a
sinceridade sem jogos de uma pessoa consciente, a liberdade da Criança perceptiva e incorrupta
em toda a sua ingenuidade vivendo no aqui e agora. (BERNE, 1995, p. 155-157).

O quadro também nos fornece a possibilidade de reflexão sobre um conceito


muito rico da AT, a saber, os três “P’s”: (Permissão, Proteção, Potência), que são
atributos importantes a serem cultivados pelo educador. (Permissão - BERNE, 1988, p.
355; Proteção - CROSMAN, P., 1966, p.152-154; Potência - STEINER, C., 1971, p.
139-155).
Citando CLARKE (1984) e mudando apenas a palavra “líder” para “professor”:

Potência, Proteção e Permissão são três qualidades de liderança inter-relacionadas. Professor


que é potente demonstra competência, produz e inspira os outros a cooperarem na execução das
tarefas do grupo. O professor que oferece proteção cria um ambiente no qual as pessoas se
sentem livres para realizar, crescer e criar. O professor que dá permissão aos outros interage
com as pessoas de tal forma que os encoraja a realizar, crescer e criar. Um professor potente é o
que desenvolveu todas as três qualidades e as mantém em equilíbrio.

Ainda se pode acrescentar mais dois P’s, na visão de CLARKE.


Percepção – uma combinação de conteúdo e processo. O Educador:

a) Demonstra organização cognitiva apropriada, está preparado e dispõe de conteúdos em etapas


compreensíveis, apresentadas numa seqüência que faz sentido e contribui para a compreensão
do todo;
b) Propicia materiais de apoio congruentes e úteis;
c) Cumpre contratos;
d) Tem clareza a respeito de sua área de conhecimento e não se compromete a fazer aquilo que
não sabe como fazer;
e) Compreende a teoria de aprendizagem e analisa as estratégias de aprendizagem em função de
dois ou três modelos de como as pessoas aprendem, para atender as preferências e os
diferentes estilos de aprendizagem dos alunos;
f) Compreende que existe uma grande diferença entre improvisação e esquema emergente e que
esse último exige muito mais preparo do que oferecer um modelo estabelecido;
12

“P” de Prática – a oportunidade de aprender através da experiência direta. O Educador:

a) Cria oportunidade de testar um novo comportamento ou explorar uma nova atitude num ambiente
seguro;
b) Encoraja os alunos a praticarem tanto quanto acharem necessário e de procurarem alcançar o
grau de excelência que é apropriado para cada um deles. Sem a oportunidade de praticar, os
ensinamentos apresentados poderão perder-se quando o participante reage às pressões ou
crises ficando fora da sala de aula. CLARK (1997, p.34,35)

Ao entrar em contato com a teoria, e após experimentá-la em minha prática


diária como docente, fiquei convencida de que o referencial teórico da Análise
Transacional oferece múltiplos recursos que potencializam e legitimam o papel do
educador e do aluno dentro da sala de aula.
Aqui fica um convite para que seja feito um exame da proposta teórica da AT na
educação, integrada aos paradigmas contemporâneos da educação, que, em conjunto
com os objetivos pedagógicos dos Quatro Pilares, podem contribuir para uma educação
que leva à construção do homem mais integrado.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BERNE, Eric. Os jogos da vida: análise transacional e o relacionamento entre
pessoas. São Paulo : Nobel, 1974.
-------. O que você diz depois de dizer olá? São Paulo : Nobel, 1988
CLARKE, Jean IIIsley. Utilização Sinérgica de cinco conceitos da Análise
Transacional na Educação. CONBRAT, Ano VII, n.º 1, junho 1997. Ano VIII, n.º 1,
junho 1998.
CROSMAN, P. Permission and protection. Transactional Analysis Journal 5(9), p.
152-154.
DELORS, Jacques. Educação: um tesouro a descobrir – Relatório da UNESCO da
Comissão Internacional sobre a Educação para o século XXI. São Paulo :
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FÁVERO, Ormar et. Alii. Políticas educacionais no Brasil: desafios e propostas.
Cadernos de Pesquisa. São Paulo, (83) : 3-86, nov. 1992.
FERGUSON, Marlin. Conspiração Aquariana. Rio de Janeiro : Record, 1972.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática


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IGNACIO SILVA, Sônia Aparecida. Valores em Educação – o problema da
compreensão e da operacionalização dos valores na prática educativa. Petrópolis :
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KRAUSZ, Rose R. Trabalhabilidade. São Paulo : Nobel, 1999.

LIBÂNEO, José Carlos. Democratização da Escola Pública – A pedagogia crítico-


social dos conteúdos. São Paulo. Loyola, 1984.

MIZUKAMI, Maria da Graça Niccoletti. As abordagens do processo. São Paulo. EPU,


1986.

RAYS, Oswaldo Alonso. Leituras para repensar a prática educativa. Porto Alegre.
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REFERENCIAIS PARA UMA NOVA PRÁXIS EDUCACIONAL. Série Documentos.


Edição SEBRAE, 2.a Edição – Novembro 2001.
14

SCHIFF, J.L., et al. Cathexis Reader: Transactional analysis treatment of


psychosis. Nova York : Harper&Row, (1975). In: CLARKE, Jean IIIsley. Utilização
Sinérgica de cinco conceitos da Análise Transacional na Educação.
CONBRAT, Ano VII, n.º 1, junho 1997. Ano VIII, n.º 1, junho 1998.

STEINER, Claude. Os papéis que vivemos na vida. A Análise Transacional de


nossas interpretações cotidianas. Rio de Janeiro : Artenova, 1976.