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Teste de Avaliação 1 – 10.

o Ano
Nome _____________________________________________ Ano ________ Turma __________ N.o _______

Grupo I
Este grupo é constituído por dez questões de escolha múltipla.

1. Qual das seguintes questões corresponde a um problema filosófico?


(A) O quadrado da hipotenusa é igual à soma do quadrado dos catetos?
(B) Como surgiu a vida no planeta Terra?
(C) O que torna uma ação certa ou errada?
(D) O aborto é legal em Portugal?

2. “A existência de Deus é incompatível com a existência de mal no mundo” e “A existência de mal no


mundo é incompatível com a existência de Deus” correspondem a…
(A) duas frases diferentes, mas uma e a mesma proposição.
(B) duas proposições diferentes, mas uma e a mesma frase.
(C) duas frases e duas proposições diferentes.
(D) uma e a mesma frase e uma e a mesma proposição.

3. Se duas proposições são inconsistentes entre si, então…


(A) são ambas verdadeiras.
(B) são ambas falsas.
(C) não podem ser ambas verdadeiras.
(D) não podem ser ambas falsas.

4. A proposição “Ontem fui à praia e ao cinema” é verdadeira se e só se…


(A) é verdade que “Ontem fui à praia” e é verdade que “Ontem fui ao cinema”.
(B) é verdade que “Ontem fui à praia” ou é verdade que “Ontem fui ao cinema”.
(C) é verdade que “Ontem fui à praia”, embora não seja verdade que “Ontem fui ao cinema”.
(D) é verdade que “Se ontem fui à praia, então fui ao cinema”.

5. Afirmar que “Não é verdade que Deus existe e há mal no mundo” é o mesmo que afirmar que…
(A) Deus não existe ou não há mal no mundo.
(B) Deus existe ou há mal no mundo.
(C) se Deus não existe, então há mal no mundo.
(D) se Deus não existe, então não há mal no mundo.

Filosofia 10.o ano| Domingos Faria e Luís Veríssimo 1


6. Afirmar que “Não é verdade que a guerra implica matar inocentes ou que a guerra é sempre
injusta” é o mesmo que afirmar que…
(A) a guerra não implica matar inocentes ou a guerra não é sempre injusta.
(B) a guerra implica matar inocentes e a guerra não é sempre injusta.
(C) a guerra não implica matar inocentes e a guerra é sempre injusta.
(D) a guerra não implica matar inocentes e a guerra não é sempre injusta.

7. Considera as fórmulas lógicas proposicionais que se seguem. Seleciona, depois, a alternativa que as
descreve corretamente.

1. ((P → Q) ∧ (P ∧ ¬Q))
2. (¬(P ∨ Q) → (¬P ∧ ¬Q))

(A) 1 e 2 são tautologias.


(B) 1 e 2 são contradições.
(C) 1 é tautológica, mas 2 é contraditória.
(D) 2 é tautológica, mas 1 é contraditória.

8. Considerando que P abrevia “a vida faz sentido”, Q abrevia “há eternidade” e R abrevia “Deus existe”,
a frase “A vida não faz sentido nem há eternidade caso Deus não exista” expressa uma proposição com
a seguinte forma lógica:
(A) ((¬P ∧ ¬Q) → ¬R)
(B) (¬R → (¬P ∧ ¬Q))
(C) (¬R → ¬(P ∧ Q))
(D) ((¬P ∧ ¬Q) ∧ ¬R)

9. Considera as fórmulas lógicas argumentativas que se seguem. Seleciona, depois, a alternativa que as
descreve corretamente.

1. (P ∨ ¬Q), (Q → R) ∴ (R → ¬P)
2. (P ∨ Q), P ∴ ¬Q

(A) 1 e 2 são válidas.


(B) 1 e 2 são inválidas.
(C) 1 é válida e 2 é inválida.
(D) 1 é inválida e 2 é válida.

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10. A partir de “Se Deus existe, então não há mal no mundo” e de “Há mal no mundo”, por modus tollens,
infere-se que…
(A) Não há mal no mundo.
(B) Há mal no mundo
(C) Deus não existe.
(D) Deus existe.

Grupo II
Lê com atenção o texto que se segue.

Suponha que um bandido o ataca, sem qualquer justificação, ou desculpa, e que esse ataque
inicial falhou. Com razões para acreditar que, de outra forma, o bandido vai acabar por matá-
-lo, o leitor ataca-o justificadamente, em autodefesa. Se toda a força defensiva é permissível
(admissível), o facto de o leitor passar a representar uma ameaça para o bandido faz com que
seja, agora, justificado, ou permissível, que ele ataque o leitor – ou até mesmo que o mate, se o
contra-ataque defensivo do leitor ameaçar a vida do bandido. […] Muitos acham que é
impossível aceitar que, ao atacar o leitor injustificadamente, justificando, assim, o recurso do
leitor à autodefesa, o bandido possa criar condições em que se torna permissível ele atacar o
leitor. A maioria acredita que, nestas circunstâncias, o bandido não tem qualquer direito de não
ser atacado pelo leitor, que o ataque do leitor não constituiria uma ação errada para com o
bandido e, por conseguinte, que este não tem qualquer direito de autodefesa contra o, mais do
que justificado, ataque defensivo do leitor. Mas se o bandido não tem qualquer direito de
autodefesa, então nem toda a força defensiva é permissível.
Jeff McMahan, “The ethics of killing in war”, Ethics, University of Chicago, 2004, pp. 693-733
(com supressão e adaptado)

1. Qual é o problema que está a ser discutido neste texto e por que razão é um problema filosófico?

2. Indica a tese defendida no texto como resposta ao problema filosófico em consideração.

3. Qual é o principal argumento apresentado no texto a favor da tese defendida?

4. Será que esse argumento é válido? Porquê?

FIM

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Soluções

GRUPO I

1. C 6. D
2. A 7. D
3. D 8. B
4. A 9. B
5. A 10. C

GRUPO II

1. O problema que está a ser discutido neste texto é o seguinte: “Será que a força defensiva é sempre permissível?”.
Trata-se de um problema filosófico porque não se pode resolver apenas com métodos empíricos ou a posteriori
(utilizados nas ciências), nem com métodos formais de prova (utilizados na matemática). É um problema que se
resolve fundamentalmente de forma a priori, com recurso à discussão crítica e à análise argumentativa.
2. O autor do texto responde negativamente ao problema colocado, ou seja, defende que nem toda a força defensiva
é permissível.

3. O autor do texto serve-se de um exemplo para mostrar que, por vezes, a força defensiva não é permissível.
O exemplo retrata uma situação em que um bandido, que ataca alguém injustificadamente, se encontra perante
um contra-ataque defensivo da sua vítima. Ora, se toda a força defensiva fosse legítima, o atacante poderia agora
agredir a sua vítima em legítima defesa. Mas isso seria absurdo. Portanto, conclui que nem toda a força defensiva
é permissível. Este argumento pode ser explicitamente formulado conforme se segue:
(1) Se toda a força defensiva fosse permissível, então um agressor que se encontrasse perante um contra-ataque
defensivo da sua vítima teria legitimidade para atacá-la em legítima defesa.
(2) Não é verdade que um agressor que se encontre perante um contra-ataque defensivo da sua vítima passa a ter
legitimidade para atacá-la em legítima defesa.
(3) Logo, nem toda a força defensiva é permissível.

4. Para determinar se o argumento em causa é válido, ou não, podemos usar um inspetor de circunstâncias. Para
construir um inspetor de circunstâncias temos de começar por formalizar o argumento. Para isso temos de
construir um dicionário, ou seja, atribuir uma letra ou variável proposicional a cada proposição simples ou
elementar presente no argumento.
Dicionário:
P: Toda a força defensiva é permissível.
Q: Um agressor que se encontre perante um contra-ataque defensivo da sua vítima tem legitimidade para atacá-la
em legítima defesa.
Agora já podemos representar o argumento na linguagem da lógica proposicional clássica, conforme se segue:
(1) (P → Q)
(2) ¬Q
(3) ∴ ¬ P
Por fim, temos de fazer o inspetor de circunstâncias:

P Q (P →Q) ¬ Q ∴¬ P

V V V V V F V F V

V F V F F V F F V

F V F V V F V V F

F F F V F V F V F

Como se pode constatar, o presente argumento é válido, dado que não há qualquer circunstância em que as
premissas sejam verdadeiras e a conclusão falsa.
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