Você está na página 1de 2

Direito das Obrigações

Aula Prática
2012-12-03

Casos práticos sobre contrato de promessa

Caso 2 – alínea a)
válido como contrato de promessa unilateral, logo o primeiro argumento invocado por
A não é procedente, A está vinculado à promessa.
A invoca segundo argumento, cláusula contratual no qual se afasta a execução
específica em caso de não cumprimento.
A execução específica esta prevista no artigo 830º do CC.
Nada nos diz que é um contrato de adesão.
Artigo 830º nº3 CC, ora esta promessa é uma promessa abrangida pelo nº3 do art
410º, logo a execução é imperativa nos termos do artigo 830º, logo não pode ser
afastada pelas partes.
Este segundo argumento é improcedente.

Alínea c)
A BCP
22 de maio B intentou acção de
execução específica

27 de maio A
vendeu a C
C

Em regra o contrato de promessa tem eficácia meramente obrigacional, por força


deste contrato B adquire direito de crédito, no entanto B admite a possibilidade de
atribuir eficácia real ao contrato de promessa.
Para tal têm de estar preenchidos requisitos 413: contrato de promessa relativo a bens
imoveis ou moveis sujeitos a registo; é preciso que o contrato seja celebrado por
escritura pública ou documento particular autenticado, é preciso declaração expressa
das partes no sentido de atribuição de eficacia real ao contrato de promessa; e é
preciso a inscrição do registo.
Estes requisitos são requisitos cumulativos, para q o ctt tenha eficacia real é preciso
que estejam preenchidos todos estes requisitos.
Neste caso, este contrato de promessa não tem eficácia real porque foi realizado por
escrito particular, está afastada a atribuição de eficácia real a este contrato de
promessa. Contrato de promessa meramente obrigacional.
Direito das Obrigações

Se tivesse eficácia real, B teria adquirido um direito real que não o direito de
propriedade, que lhe permitiria exercer o direto de sequela, intentado acção de
execução específica, e o seu direito acabaria por prevalecer sobre o diireito de C.
Como neste cao tem eficácia meramente obrigacional, prevalece em principio o direito
de C.
A tem legitimidade para vender a C, C adquire direito real de propriedade que
prevalece sobre o direito de crédito de B.
No entanto B antes da alienação a C intentou uma acção de execução especifica. Se
esta acção foi registada antes da alienação a C, então o direito do promitente-
adquirente B vai prevalecer, porque os efeitos da setença vão retroagir à data do
registo da acção de execução específica. Se o registo da acção for posterior à alienação
da coisa a C, então o direito de C prevaleceria, mesmo se C não tivesse registado a
aquisição.
Sendo o direito de C que prevalece, que direitos assistem a B?
B pode pedir indemnização, artigo 780ºSS. Existindo sinal, pagou 5000€, porque tem
carácter de sinal, nos termos do artigo 441º. Logo a indemnização é calculada nos
termos do artigo 442ºCC.
A indemnização corresponde à restituição do sinal em dobro, o sinal é de 5000€, logo
seria 10.000€, mas também houve tradição da coisa, ou exige a restituição do sinal em
dobro ou exige a indemnização pelo aumento do valor da coisa. Esta indemnização
calcula-se pelo valor da coisa determinado objectivamente à data do não cumprimento
do valor da promessa, sendo o valor de 52.000€ (preço pelo qual foi vendido a C) com
dedução do preço convencionado, 50.000e, devendo ser restituído o sinal, de 5000€,
dando o valor de indemnização em 7000€.
Logo B preferirá a indemnização por restituição do sinal em dobro, porque terá uma
indemnização de 10.000€.
B passou a habitar o imóvel, logo tem direito de retenção, previsto no 755º nº1 alínea
f) CC, enquanto A não pagar a B a indemnização correspondente ao dobro do sinal.
B pode recusar-se a entregar o apartamento a C.