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Kasanga

O Ngola Kiluanji kya Samba não conseguiu conquistar estas ilhas de Màzàngà nà Lundà,
aqui no Ku Luanda, mesmo depois de vencer os homens do Nkongo na margem do Ndanje. O
Mwana Kalunga, Ngola-Mbole, muito tentou, mas não conseguiu também. Já morreu de
muito idoso, mas continua a ter fama por muitas léguas, quase até na nascente do Kuanza,
onde reside minha neta. O Ngola-Mbole Mwana Kalunga uniu contra o Kongo da Ntotela
mais de duzentos jisoba que antigamente se odiavam. Para nós, mulheres da Màzàngà, o dia
a dia não mudou muito, continuamos a viver da pesca, deste búzio precioso que os homens
usam para as trocas e de mastigar no fim da manhã, como agora, os restos de peixe com
ginguba do dia de ontem. Já não tenho o fôlego que tinha antes de me levarem daqui, mas
ensinei-vos a vocês, mais novas, tudo o que sabia de como apanhar nos kofos maior número de
búzios. Vocês fimbam nas ondas tão bem que nem nós o fazíamos, com a diferença de que já
não são apenas os mwatas de Ntotela que vigia a nossa pesca, mas também estes mundele
vindos de Mbanza Kongo, como esse para quem está agora a olhar, Katumwa. Pensavas
que eu não tinha reparado, minha neta, mas eu conheço melhor esse branco do que te
conheço e sei que ele, mesmo ali no banho do mar, não tira os olhos de ti e por isso te
comprou do mfumu-a-vata da ilha, não por tu seres órfã. Não precisas olhar tanto para o corpo
despido dele porque sei que vais poder vê-lo muitas vezes até te fartar e agora é melhor te
alimentares bem do peixe com ginguba. Foi também por tua causa que ele nos deu hoje mais
peixe com ginguba do que nos outros dias, conheço-o bem. Vi-o kandengue porque fui
comprada pelo pai dele em Mbanza Kongo depois de me levarem daqui, já te contei, e tive
sorte porque o pai dele não quis sair do Kongo e por isso não me embarcou em nenhum
veleiro dos que levam escravos para outras terras. Agora o filho trouxe-me de volta para a
Mazàngà, eu que nunca imaginei tornar a ver a minha ilha do nzimbu, e só então compreendi
porque me chamaram sempre Uatunda dya Menha, a que é trazida pela água, e tu, Katumwa,
que foste comprada pelo mundele e que era órfã, passaste a ser minha neta. Já te contei isso
tudo, mas tu só não sabes ainda é porque fui levada daqui. Os bakongo estavam furiosos com
o Mwana Kalunga e, para lhe meterem medo, capturaram algumas famílias de pescadores
mbundu, como a minha, e mandaram-nos como escravos para o norte.
"Mas ainda vi o Mwana Kalunga chegar na ilha, já Ngola-Mbole. Era um homem bonito: alto
e elegante, minha neta, e tinha acabado de casar com Nadi-ia-Ngola, que foi sua segunda
esposa e era filha do Ngola Kiluanji kya Samba anterior, pai do que reina agora. O Mwana
Kalunga ameaçou o mfumu-a-vata dos invasores bakongo de atacar a Mazàngà se ele não
voltasse para a terra dele e não entregasse o poder ao Ngola e todos os pescadores o
apoiaram porque ele era nascido na ilha. Desapareceu quando muito kandengue e todos o
julgavam morto, mas era filho do velho Nzuá, aquele pescador que vivia na dibata do Mbimbi
no lugar onde hoje só restam as ossadas dos muandu que ele pescou, já te mostrei uma vez,
minha neta. Nzuá capturou dois muandu na vida dele. O primeiro foi quando desapareceu o
filho mais velho, levado do ndongo pelo kimbidji durante uma pescaria. O outro foi o que
devorou a filha Diwulu, que pescava o nzimbu como nós. Nzuá acreditou que resgataria as
almas dos filhos capturando os kimbidji e abrindo-lhes as entranhas. Mas Nzuá teve mais um
filho e este não saiu do ventre da mãe do mesmo modo que os outros, porque Ndala morreu
quando ele estava quase para nascer e foi Njitu, irmã de Nzuá, quem lhe fez um corte na
barriga para retirar o caçula. Esse filho era o Mwana Kalunga e, quando já brincava, a tia fê-
lo fugir para o Kuanza, para a ilha de Tumbu, porque quis evitar ele fosse homem do mar como
o pai e o kimbidji o levasse também como levou os irmãos. O Mwana Kalunga foi viver com o
soba Senga ya Timona e quem o educou foi a primeira esposa dele, a que se chamava
Tumbu também e cujos kakulu deram nome àquela ilha do rio. Ngana Tumbu não deu à luz
nenhum filho homem e por isso quis sempre casar o Mwana Kalunga com a sua filha
Kidima.
"O Senga ya Timona era um grande senhor do ferro e não se rendeu ao Ngola Kiluanji, que
já tinha alguns jisoba, não muitos, do lado dele. O Senga ya Timona lutou com o Ngola
Kiluanji kya Samba e morreu na batalha. Ngana Tumbu ficou a governar no Kuanza no
lugar do marido e permitiu o Ngola Kiluanji entrasse com os seus homens na ilha e assistisse
ao casamento de Kidima com o Mwana Kalunga, que ia então se realizar perto da mulemba
grande. O Ngola Kiluanji foi, mas quis falar com o Mwana Kalunga porque sabia que ele
tinha uanga lá da tia dele que o enviou do Ku Luanda e, para o grande rei, o Mwana
Kalunga tinha uanga não só por usar aquele nome, que quer dizer sobrinho do mar, mas
também e, sobretudo porque veio ao mundo de um rasgão na barriga da mãe já morta. Um
kimbanda disse ao Ngola Kiluanji só o Mwana Kalunga podia salvar a sua filha mais velha,
Nadi-ia-Ngola, que o chefe mbangala Kula Njinga encarcerara nas pedras de Maupungo-a-
Ndongo. O Ngola Kiluanji kya Samba explicou ao Mwana Kalunga quem era o Kula
Njinga”.
"O Kula Njinga era Kasanga kya Kinguri e nasceu da união da filha do soba Ngongo do
Libolo com um aventureiro lunda chamado Tchinguri kya Kondi a Lau. Este Tchinguri
atravessou o Kassai e o Kwangu e fundou o reino do Kasanji. Trazia com ele duas esposas, uma
linda filha de tubungo, outra mbangala, que era a mãe de Exi-Mbangu. Era Kasanga kya
Kinguri, filho da terceira esposa e neto do soba do Libolo, quem lhe devia suceder. Mas os
filhos do soba Ngongo tiveram maka com o marido da irmã e fizeram-no morrer de fome
dentro de uma cacimba. Contam o Tchinguri kya Kondi, que ao morrer, amaldiçoou os
irmãos da mulher e o filho que teve dela e nomeou sucessor o outro, o da mbangala, mas isto
talvez seja mentira inventada pelos homens que apoiaram o Exi-Mbangu e fizeram dele, de
verdade, o Yaka Kasanji. O Kasanga kya Kinguri bazou e só levou alguns fiéis e também o
hamba-wa-kusema, o feitiço da fertilidade das mulheres e da virilidade dos homens, e por sua
obra o Kasanga kya Kinguri se transforma em serpente sempre que ele quer. Por isso lhe
passaram chamar de Kula Njinga, que nas línguas do Kwangu quer dizer Senhor Serpente.
O Kula Njinga era um kijibanganga cruel e punha fogo no capim de toda senzala por onde
passasse. Apanhava nas lavras rapazinhos ainda não circuncidados para fazer deles guerreiros
ferozes. Esses homens, quando já eram muitos, começaram a atacar os do Ngola Kiluanji e
tomaram-lhes mesmo algumas mbanzas, como as pedras sagradas de Maupungo-a-Ndongo. Foi
lá que encarceraram a Nadi-a-Ngola.
"O Mwana Kalunga aceitou a tarefa de partir em socorro de Nadi-a-Ngola. Ngana Tumbu
deu-lhe permissão, mas não gostou porque ele ainda não tinha consumado o casamento com a
Kidima. Nem podia, minha neta, porque tinha de partir logo-logo para Maupungo-a-Ndongo. O
kimbanda conselheiro do Ngola Kiluanji ensinou segredos ao Mwana Kalunga para o ajudar
a vencer o Kula Njinga, nisso ainda demorou toda uma jornada, e lhe entregou também um
saquinho para o rapaz pôr na cintura e o saquinho tinha dentro uma massambala tratada por
ele, até parecia mesmo a massambala que a gente dá para galinhas comer, mas não era, era
uma kipa, o Mwana Kalunga comia a massambala e tinha os poderes do Kolombolo, ficava
transformado em galo tal qual o Kula Njinga em serpente e ninguém o vencia. O kimbanda
deu também ao Mwana Kalunga outro saquinho que transportava penas de galo pedrês para
ele colar no corpo com dikesu, a kipa também era isso. Até o Mwana Kalunga lhe perguntar
porquê não ia o kimbanda na vez dele. O kimbanda respondeu que era velho e perdeu com a
idade a uanga que só o rapaz mesmo tinha e lhe foi dada pela tia Njitu, e essa uanga, minha
neta, eu já perdi também, é o fôlego do nguvu para andar debaixo de água.
"O Mwana Kalunga foi então debaixo de água, com a mão segura no ndongo, para não ser
visto. O ndongo levava dez ximbicadores e o Mwana Kalunga foi todo o Kuanza acima
debaixo dele. Quando o ndongo atracou nos mangais o Mwana Kalunga disse aos homens
esperassem ele ali e foi pela floresta a dentro. Chegado às pedras de Maupungo-a-Ndongo, era
noite. Tirou a kipa de dentro do saquinho que o kimbanda lhe deu, mastigou a massambala e
se cobriu de penas de galo pedrês. Depois começou a dançar muito, a pular muito, a bater
depressa as asas, a esticar o pescoço para frente dando um bué de vez em quando e até
mesmo de cantar ekókókó tal qual kolombolo, e os guardas do Kula Njinga deixaram-no
entrar nas pedras e ver o grande senhor, uns com muito respeito porque sabiam que aquilo era
uanga, outros com muita gargalhada porque é sempre de fazer rir kolombolo defrontar
serpente”.
O Kula Njinga gostou do Kolombolo e até quis conhecer a uanga dele, mas o Mwana
Kalunga disse que só mostrava para ele se pudesse ver a princesa Nadi-a-Ngola. O Kula-
Njinga permitiu logo-logo, como foi depressa demais, o Mwana Kalunga percebeu que o
Kula-Njinga arquitetava uma traição. Mesmo assim entregou-lhe a massambala, imprudente
talvez. Mas pôde ver a princesa e falar sozinho com ela. A Nadi-a-Ngola era muito bonita e o
Mwana Kalunga gostou dela, mas achou que ela era de muita fantasia, porque ela disse a ele
que queria ser sua mulher logo ali. O Mwana Kalunga disse que ainda não, mas tinha um
projeto para a levar dali de volta ao pai. Ela disse que era boa idéia e lhe explicou como era o
melhor. O Kula Njinga ia dar uma festa e sempre que isso acontecia levava-a para fora das
muralhas porque pela lei dele os homens do kilombo só podiam ter mulheres para lá do recinto
onde acampavam e apenas durante as festas. Os homens do kilombo saíam das muralhas de
Maupungu-a-Ndongo para encontrar-se com mulheres, sempre muito bêbados de malavu, e
isso acontecia quase todas as noites porque quase todas as noites o Kula Njinga dava festas.
O Kula Njinga a levou algumas noites, mas Nadi-a-Ngola nunca chegou a ser mulher do
Kula Njinga porque ele não conseguia em todas às vezes, pois nada lhe valia o hamba-wa-
kusema. O feitiço nele só servia para o pôr a massembar que nem serpente mesmo e meter
medo aos homens do kilombo, mais nada. Nadi-a-Ngola combinou que na próxima noite o
Kula Njinga ia levá-la para fora das muralhas e, quando estivesse muito bêbado, o Mwana
Kalunga a levaria para longe.
O Mwana Kalunga foi despedir-se do Kula Njinga e encontrou o chefe mbangala muito
sorridente só de cacarejar como kolombolo porque já tinha mastigado a massambala. Não ri,
Katumwa, não é musoso de velha, é verdade mesmo, por isso não gargalha assim, minha neta.
O Mwana Kalunga despediu-se e partiu, mas ficou escondido num lugar da floresta onde
sabia que no dia seguinte à noite o Kula Njinga ia levar a Nadi-a-Ngola. E isso aconteceu.
Quando veio a noite, o Mwana Kalunga viu muitos fogos acesos no kilombo instalado nas
pedras de Maupungo-a-Ndongo e ouviu um bué de batuques vindos de lá. Os homens
começaram a sair com mulheres, já muito bêbados, até que veio o chefe deles abraçado na
filha do Ngola Kiluanji. Vinha muito pesado, a dormir de tanto malavu bebido, e ficou
estendido na clareira. Nadi-a-Ngola foi logo-logo ter com o Mwana Kalunga. Só tirou da
cintura do Kula Njinga um saquinho igual ao da kipa do kimbanda do Kuanza e disse que era
o hamba-wa-kusema que ela roubou dele. O Mwana Kalunga disse aiuê sempre pensei que o
hamba-wa-kusema era objeto sagrado feito de pau ou marfim, afinal é massambala
também. Mas quem vai levar ele sou eu. O Mwana Kalunga pensou poder ser veneno, pôs o
saquinho na cintura e arrastou a Nadi-a-Ngola atrás dele na fuga. Ainda viu alguns guerreiros
do kilombo ao redor deles, armados, foi aquela a armadilha que o Kula Njinga urdiu. Mas os
homens não lhe fizeram nada, só cacarejaram, porque tinham todos mastigados a massambala
que ele trouxe. Cacarejaram não como kolombolo, sim como galinhas poedeiras, e então o
Mwana Kalunga compreendeu o valor da uanga do kimbanda do Ngola Kiluanji.
Levou a kilumba até no ndongo onde o esperavam os ximbicadores e desceram depressa o rio.
O Mwana Kalunga achou melhor viajar debaixo de água e respirar como o nguvu tal qual na
vinda, não só para não ser visto pelos inimigos, mas também porque era aquela a sua uanga.
Mas a viagem foi longa e, quase na chegada ao Tumbu, Nadi-a-Ngola insistiu para que
parassem e o Mwana Kalunga viesse à superfície e os dois serem nas margens homem e
mulher. Os homens do ndongo obedeceram-lhe porque ela era a filha do chefe deles. O
Mwana Kalunga e Nadi-a-Ngola estiveram juntos muito tempo, muitas horas, não
souberam quantas, mas apareceram guerreiros e prenderam-no. Deixaram que ela continuasse
até à mbanza do pai com os ximbicadores do ndongo. Não eram homens do kilombo do Kula
Njinga os que o aprisionaram, esses estavam longe, o Mwana Kalunga compreendeu que
eram servidores de Ngana Tumbu. A soba do Kuanza disse ao Mwana Kalunga que tinha de
se casar com a sua filha e ficou-lhe com o saquinho do hamba-wa-kusema roubado ao Kula
Njinga.
O Ngola Kiluanji kya Samba também não ficou contente com o capricho da filha e não a
deixou tornar a ver o Mwana Kalunga. Mas o kimbanda segundo ela havia de ver ele, mas só
no dia em que a primeira esposa do Mwana Kalunga partisse para o Kalungangombe.
"Passou um bué de tempo e Kidima não dava filhos. Também o Mwana Kalunga a via
sempre como a uma irmã”.
"Lá na mbanza do Ngola Kiluanji, Nadi-a-Ngola deu à luz um kandengue e todos os kotas e
os mais avisados diziam que o pai era o Mwana Kalunga. O Ngola Kiluanji pensou falar com
Ngana Tumbu e propor-lhe que sua filha fosse segunda esposa do seu genro. Mas o
kimbanda disse-lhe que não o fizesse, insistiu que só quando Kidima partisse para
Kalungangombe”.
"Kidima não deu filhos e a Ngana Tumbu perdeu a paciência. Lembrou do hamba-wa-
kusema, era ou não era feitiço da fertilidade? Uma noite que Kidima deitou com o marido
mostrou-lhe o saquinho, a mãe tinha lhe oferecido e ela agora ia dar um filho a ele. O Mwana
Kalunga desconfiou, disse, pode ser veneno que mata, do Kula Njinga para mim, lembrou.
Mas Kidima não quis saber e mastigou mesmo a massambala. Ficou alegre, dançou,
massembou, saiu da dibata parecia até serpente. O Mwana Kalunga ainda se aliviou, é só a
uanga do animal. Mas enganou-se, não era. Kidima caiu morta ao pé da mulemba grande”.
"O Ngola Kiluanji kya Samba veio então ao Tumbu e casou a filha com o Mwana
Kalunga, que era pai do filho dela, porque Kidima já tinha partido para o Kalungangombe, tal
qual o kimbanda previu. O Ngola Kiluanji deu ao Mwana Kalunga o título de chefe dos
exércitos e o nomeou seu principal homem de confiança”.
"Foi assim, Katumwa, como o Mwana Kalunga se tornou Ngola Mbole do Ngola Kiluanji
kya Samba e depois uniu duzentos jisoba contra o Nkongo. Não ri, minha neta, não é
musoso de velha, é verdade. Mas tu só quer saber é do mundele que está a sair da água, só
olha mesmo é para ele sempre. São os filhos deles, Katumwa, os filhos dos brancos como
esse, são eles um dia vão contar lá pros filhos e pros netos deles misoso da gente como este
que eu contei. Vão mudar muito o misoso, mas vão contar. Então, minha neta, então a gente
vai rir mesmo”.

GLOSSÁRIO
Caçula - O filho mais novo.
Dikezu - (plur. Makezu) Cola.
Fimbar - Mergulhar.
Jisoba - V. Soba.
Kalungangombe - Ente espiritual que acolhe as almas dos mortos no outro mundo.
Kakulu - Reino dos mortos ou dos antepassados; também designa, só por si,
antepassado.
Kandengue - Criança, miúdo.
Kijibanganga - Assassino, destruidor (de kujiba, matar).
Kilombo - Acampamento fortificado.
Kilumba - Rapariga.
Kimbanda - (plur. Umbanda) - Adivinho, aquele que cura, ministro do culto dos
antepassados.
Kimbidji - Peixe grande.
Kipa - Magia que concede o poder da metamorfose, geralmente em animais ou árvores,
ou da transmissão de remédios ou preventivos.
Kofo - Cesto estreito e comprido usado outrora pelas mulheres da Ilha de Luanda na
pesca do nzimbu.
Malavo - Vinho de sumo de caju ou de seiva de matebeira, palmeira, palmito ou
bordão; o mesmo que malufo e maluvo.
Massambala - Milho de sorgo ou milho miúdo, que serve para fazer fubá mas também
para alimentar as galinhas.
Massembar - Corruptela portuguesa do verbo kimbundu ku semba, que significa
requebrar-se, dar umbigadas.
Mbanza - Cidade africana tradicional; capital de um Reino.
Mfumu-a-Vata - Chefe da Vata ou aldeia, entre os bakongo, que possui o poder sobre
a terra.
Muandu - Tubarão.
Mundele - Homem branco.
Musoso - (plur. Misoso) - Conto tradicional, fábula.
Mwata - Alto dignitário.
Ndongo - Canoa. Pequena embarcação estreita e comprida, feita geralmente em tronco
de mafumeira escavado, e usada na pesca ou como meio de transporte.
Nguvu - Hipopótamo.
Nzimbu - Pequeno búzio outrora pescado pelas mulheres na Ilha de Luanda, que servia
de moeda de troca ao Rei do Kongo.
Soba - (Plur. Jisoba) Chefe local.
Tubungo - Nobre da Lunda; designativo dos primeiros que chegaram à Lunda vindos do
leste.
Uanga - Feitiço, bruxaria.
Ximbicar - Remar à vara, geralmente de bordão, espetando-a no fundo da água do
mar, rio ou lagoa.

Alberto Oliveira Pinto