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UNIVERSIDADE

Núcleo de Educação a Distância


METROPOLITANA DE
SANTOS

LÍNGUA BRASILEIRA
DE SINAIS - LIBRAS

NÚCLEO COMUM
UNIVERSIDADE
Núcleo de Educação a Distância
METROPOLITANA
Créditos e Copyright
DE
SANTOS

NOGUEIRA, Thaís Faria.

Língua Brasileira de Sinais - Libras. Thaís Faria Nogueira.


Santos: Núcleo de Educação a Distância da UNIMES, 2015. p.
(Material didático. Núcleo Básico Pedagógico).

Modo de acesso: www.unimes.br


1. Ensino a distância. 2. Educação. 3. Libras.

CDD 370

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UNIVERSIDADE METROPOLITANA DE SANTOS

SANTOS
FACULDADE DE EDUCAÇÃO E CIÊNCIAS HUMANAS
PLANO DE ENSINO

CURSO: Licenciaturas
COMPONENTE CURRICULAR: Língua Brasileira de Sinais
SEMESTRE: 2º
CARGA HORÁRIA TOTAL: 80h

EMENTA:

A surdez, causas, diagnóstico e tratamento. A estimulação necessária para o


desenvolvimento da criança preparando-a para a vida escolar. O processo da
alfabetização, abordagens de ensino, o trabalho realizado na educação inclusiva sob
o ponto de vista da filosofia bilíngue. A Língua Brasileira de Sinais como meio
natural de comunicação e a estrutura da língua. A legislação que ampara alunos
com necessidades especiais, com atenção especial à surdez.

OBJETIVO GERAL:

Promover condições para que o aluno aproprie-se de conhecimentos sobre a


educação dos surdos e habilidades relacionados a utilização da Língua Brasileira de
Sinais em situações apropriadas do cotidiano escolar.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS:

Unidade I: A Surdez
- Conhecer as causas da surdez, tipos, diagnóstico e tratamento, a história da
educação dos surdos, abordagens de ensino e a conceituação da língua de sinais.

Unidade II: A alfabetização da criança surda.

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- Abordar a estimulação precoce, o papel da família, escola e do professor.

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Conhecer as políticas educacionais e métodos de alfabetização utilizados com
alunos surdos.

Unidade III: A educação dos surdos


- Perceber a diferença entre os tipos de escola, as dificuldades de aprendizagem e o
tipo de avaliação. Identificar recursos pedagógicos e tecnológicos apropriados para
os alunos surdos.

Unidade IV: LIBRAS e a educação


- Conhecer o processo de inclusão escolar dos surdos, aspectos sobre a educação
de jovens e adultos, capacitação de professores e sobre o profissional tradutor e
intérprete de Libras.

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO:

Unidade I: A Surdez
Surdez: Conceituação, causas e classificação;
Surdez: Prevenção, diagnóstico e tratamento;
História do Surdo;
História da Educação do Surdo no Brasil;
Principais abordagens ou filosofias de ensino na Educação dos Surdos;
Língua de Sinais – conceituação;
Libras I;
Alfabeto Manual de Libras.

Unidade II: A alfabetização da criança surda:


O papel da família;
Estimulação precoce;
Estimulação para aquisição da Língua Brasileira de Sinais;
O papel da escola e do professor;
Primeiros anos escolares;

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Políticas Educacionais;

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Métodos de Alfabetização;
Libras II.

Unidade III:A educação dos surdos:


O processo de leitura e escrita;
A proposta bilíngue para a educação dos surdos;
O trabalho da equipe multidisciplinar;
Desafios na educação dos surdos;
Dificuldades na aprendizagem;
Avaliação de Aprendizagem;
Recursos Pedagógicos e Tecnológicos;
Libras III.

Unidade IV: LIBRAS e a educação:


O processo de inclusão escolar;
Educação de Jovens e Adultos surdos;
Fernando Capovilla e Seu Estudo Sobre a Educação dos Surdos;
Capacitação de Professores no Ensino Fundamental;
Tradutor e Intérprete de Libras-Língua Portuguesa;
A comunidade surda;
A história de Hellen Keller e Anne Sulivan;
Projetos.

Bibliografia Básica:
FERNANDES, S. - Educação de Surdos – Intersaberes – 1. edição - 2012 –
Pearson. GOLDFELD,M. – Acriança surda – Linguagem, Cognição numa
perspectiva sociointeracionista – 6. edição – Plexus – 1997. QUADROS, R. M.,
Karnopp, L. B. – A Língua de Sinais Brasileira – estudos linguísticos- Porto Alegre,
Artmed - 2004.

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Bibliografia Complementar;

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BOTELHO, P. - Linguagem e Letramento na Educação dos Surdos – Ideologias e
Práticas Pedagógicas –Autêntica – 3. edição – 2010. DIAS, R. – Língua Brasileira de
Sinais – Libras – São Paulo – 2015 – Pearson.
LUCHESI, M. R. C. – Educação de Pessoas surdas: experiências vividas, histórias
narradas – 4. edição - Papirus – 2012 – Pearson.
PEREIRA, M. C. C. – Libras – Conhecimento além dos sinais –Pearson Education –
1. edição – 2011 - Pearson. SKLIAR, C. (org). Atualidade da Educação Bilíngue para
Surdos. Porto Alegre, Mediação, 2 volumes, 1999.

METODOLOGIA: A disciplina está dividida em unidades temáticas que serão


desenvolvidas por meio de recursos didáticos, como: material em formato de texto,
vídeoaulas, fóruns e atividades individuais. O trabalho educativo se dará por
sugestão de leitura de textos, indicação de pensadores, de sites, de atividades
diversificadas, reflexivas, envolvendo o universo da relação dos estudantes, do
professor e do processo ensino/aprendizagem.

AVALIAÇÃO: A avaliação dos alunos é contínua, considerando-se o conteúdo


desenvolvido e apoiado nos trabalhos e exercícios práticos propostos ao longo do
curso, como forma de reflexão e aquisição de conhecimento dos conceitos
trabalhados na parte teórica, prática e habilidades. Prevê ainda a realização de
atividades em momentos específicos como fóruns, chats, tarefas, avaliações à
distância e Prova Presencial, de acordo com a Portaria de Avaliação vigente.

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Sumário
DE
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Aula 01_Surdez: conceituação, causas e classificação .............................................................................8
Aula 02_Surdez: Prevenção, diagnóstico e tratamento.........................................................................13
Aula 03_História do Surdo .....................................................................................................................19
Aula 04_História da Educação do Surdo no Brasil .................................................................................24
Aula 05_Principais Abordagens ou Filosofias de Ensino na Educação dos Surdos ................................28
Aula 06_ Lingua de Sinais .......................................................................................................................33
Aula 07_Libras I ......................................................................................................................................36
Aula 08_Alfabeto Manual de Libras .......................................................................................................39
Aula 09_O Papel da Família....................................................................................................................41
Aula 10_Estimulação Precoce ................................................................................................................45
Aula 11_Estimulação para Aquisição da Língua Brasileira de Sinais ......................................................48
Aula 12_O Papel da Escola e do Professor .............................................................................................50
Aula 13_Primeiros Anos Escolares .........................................................................................................53
Aula 14_Políticas Educacionais ..............................................................................................................56
Aula 15_Métodos de Alfabetização .......................................................................................................61
Aula 16_Libras II .....................................................................................................................................65
Aula 17_O Processo de Leitura e Escrita ................................................................................................71
Aula 18_A Proposta Bilíngue para a Educação dos Surdos ....................................................................74
Aula 19_O Trabalho da Equipe Multidisciplinar.....................................................................................76
Aula 20_Desafios na Educação dos Surdos ............................................................................................78
Aula 21_Dificuldades de Aprendizagem ................................................................................................81
Aula 22_Avaliação de Aprendizagem .....................................................................................................83
Aula 23_Recursos Pedagógicos e Tecnológicos .....................................................................................86
Aula 24_Libras III ....................................................................................................................................93
Aula 25_O Processo de Inclusão ............................................................................................................97
Aula 26_Educação de jovens e adultos surdos ....................................................................................100
Aula 27_Fernando Capovilla e Seu Estudo Sobre a Educação dos Surdos...........................................103
Aula 28_Capacitação de Professores do Ensino Fundamental ............................................................106
Aula 29_Tradutor e Intérprete de Libras-Língua..................................................................................109
Aula 30_A Comunidade Surda .............................................................................................................113
Aula 31_A história de Hellen Keller e Anne Sulivan .............................................................................119
Aula 32_Projetos ..................................................................................................................................122

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Aula 01_Surdez: conceituação, causas e classificação
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SANTOS
A deficiência auditiva, trivialmente conhecida como surdez, consiste na perda
parcial ou total da capacidade de ouvir, isto é, um indivíduo que apresente um
problema auditivo. Trata-se de uma deficiência sensorial que pode acarretar sérias
dificuldades no que se refere ao processo de aquisição e ao desenvolvimento de
linguagem.

De acordo com o Decreto nº 5.626 de 22 de dezembro de 2005:

Art. 2o - Considera-se pessoa surda aquela que, por ter perda auditiva,
compreende e interage com o mundo por meio de experiências visuais,
manifestando sua cultura principalmente pelo uso da Língua Brasileira de
Sinais - Libras.
Parágrafo único. Considera-se deficiência auditiva a perda bilateral, parcial
ou total, de quarenta e um decibéis (dB) ou mais, aferida por audiograma
nas frequências de 500Hz, 1.000Hz, 2.000Hz e 3.000Hz.

É considerado surdo todo o indivíduo cuja audição não é funcional no dia a dia, e
considerado parcialmente surdo todo aquele cuja capacidade de ouvir, ainda que
deficiente, é funcional com ou sem prótese auditiva.
A deficiência auditiva é uma das deficiências contempladas e integradas nas
necessidades educativas especiais (n.e.e.); necessidades pelas quais a escola tanto
proclama.
É importante que se saiba que Disacusiasignifica a perda da capacidade
auditiva, em menor ou maior grau e que pode ter um caráter transitório ou definitivo.

As principais causas podem ser divididas em:


Pré-natais:

- Causas endógenas que são as que ocorrem no momento da concepção e são


herdadas dos pais, como, por exemplo, temos a otosclerose e algumas síndromes.
- Causas exógenas que são consequências de alterações no tecido uterino nos
primeiros três meses de gestação. Destacam-se embriopatias tendo a Rubéola

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como principal responsável, toxoplasmose, citomegalovírus, diabetes, sífilis

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congênita, irradiação, hipóxia, drogas ototóxicas, alcoolismo materno, anestesias
prolongadas eritoblastose fetal (que é a destruição das hemácias do bebê pelo soro
materno, incompatibilidade sanguínea fator Rh (-) negativo para a mãe e (+) positivo
para o bebê.

Perinatais: Ocorrências durante o trabalho de parto: a icterícia neonatal, sofrimento


fetal com contrações interinas intensas e prolongadas, estrangulamento do cordão
umbilical, traumatismo obstétrico (uso inadequado de fórceps), parto traumático,
quedas na retirada do bebê, anóxia/hipóxia que atinge diretamente a cóclea, lesando
o nervo acústico que é particularmente sensível à influência de oxigenação, parto
prematuro, drogas ototóxicas, infecção materna externa na hora do parto (Herpes).

Pós-natais: Todas as ocorrências após o nascimento e que podem ser chamadas


de surdez adquirida: Hipóxia/anóxia, infecção, drogas ototóxicas, doenças como:
sarampo, caxumba infantil, meningite encefalite, intoxicações medicamentosas,
exposição do ouvido à poluição sonora.
Tipos de perdas:

Imagem: CÉSAR & CEZAR. Biologia. São Paulo, Ed Saraiva, 2002

http://www.afh.bio.br/sentidos/Sentidos3.asp

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Quanto ao local da lesão pode-se ter:

 SANTOS
Disacusia de transmissão ou perda indutiva – determinada por algumas
patologias localizadas no ouvido externo/médio, como, por exemplo: corpo
estranho no ouvido (grãos, insetos, introduzidos no conduto auditivo),
malformações da orelha, perfuração da membrana timpânica.
 DisacusiaNeurossensorial – local da lesão é determinada na cóclea e/ou no
nervo coclear.
 Disacusia Neural se a alteração ocorrer no nervo acústico.
 Disacusia Mista – afeta ao mesmo tempo o ouvido médio e o ouvido interno.

A intensidade ou volume dos sons é medida em unidades chamadas decibéis


abreviadas para dB. Sessenta dB é a intensidade do som de uma conversa, e cento
e vinte dB a de um avião a jato. Se uma pessoa “perder” 25 dB de volume, poderá
ter dificuldades de audição. Perder 95 dB pode ensurdecer totalmente uma pessoa.

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A diminuição da audição (surdez) produz uma redução na percepção dos

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sons e dificulta a compreensão das palavras.
É difícil imaginar o que perdem aqueles que têm surdez.
Portanto, para ilustrar, examinaremos a tabela a seguir:

EXEMPLOS DE DECIBÉIS

Qualidade do Decibéis Tipo de Ruído.


som

Muito baixo 0-20 Farfalhar das folhas.

Baixo 20-40 Conversação silenciosa.

Moderado 40-60 Conversação normal.

Alto 60-80 Ruído médio de fábrica ou trânsito.

Muito alto 80-100 Apito de guarda e ruído de caminhão.

Ensurdecedor 100-120 Ruído de discoteca e de avião


decolando.

Classificação das perdas auditivas de acordo com o grau (elaboração de


Davis e Silverman):

CLASSIFICAÇÃO DA SURDEZ

Classificação Média Característica

Normal 0 a 25 dB

Leve 26 a 40 dB Não recebe os fonemas da forma como

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METROPOLITANA DE são, isto altera a compreensão das

SANTOS palavras; voz fraca e distante não é ouvida –


criança considerada “desatenta”; a
aquisição da linguagem é “normal/lenta”;
poderá apresentar dificuldade na leitura e/ou
escrita.

Moderada 41 a 70 dB Percebe a voz com certa intensidade; pode


ocorrer atraso na linguagem e alteração
articulatória; discriminação difícil em lugares
ruidosos.

Severa 71 a 90 dB Identifica ruídos familiares


(predominantemente graves); percebe voz
forte (grave); família necessita orientação
precoce para auxiliar o rendimento da
criança: compreensão verbal associada a
grande aptidão visual.

Profunda Acima de 90 dB Não percebe a voz humana sem um


estímulo adequado; não há feedback
auditivo; maior facilidade para perceber as
pistas visuais.

Devido à irregularidade das curvas, adota-se a combinação de dois termos,


por exemplo: leve a moderada ou severo-profunda.
Pode haver ainda a perda unilateral (em apenas um dos lados)
ou bilateral (nos dois ouvidos) e que ainda pode haver graus de perda diferentes em
cada um dos ouvidos.
Quando a deficiência auditiva é moderada, temos o que se
chama Hipoacusia. Se for uma perda acentuada ocorrerá a Disacusia ou surdez.

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Aula 02_Surdez: Prevenção, diagnóstico e tratamento
DE
Prevenção:
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A mulher quando jovem deve vacinar-se contra a rubéola.
Os exames pré-nupciais também são importantes, pois:

 Detectam doenças (sífilis, herpes genital, toxoplasmose, etc) que podem


provocar a surdez no bebê.
 Quando gestante o pré-natal deverá ser realizado durante todo o período de
gestação.
 Durante a gravidez não deve ingerir medicamentos sem orientação médica,
álcool ou drogas,
 Evitar contato com pessoas doentes.
 Evitar tirar radiografias nos três primeiros meses de gestação.

Qualquer bebê recém-nascido pode apresentar um problema auditivo no


nascimento ou adquiri-lo nos primeiros anos de vida. Isto pode acontecer mesmo
que não haja casos de surdez na família ou nenhum fator de risco aparente.

Teste da Orelhinha
O Teste da Orelhinha foi criado através da Lei Municipal nº 3023, de 17 de
maio de 2000. Sua finalidade é prevenir ou mesmo remediar a deficiência auditiva
(no caso de bebês que apresentam surdez congênita). Trata-se de um programa de
triagem neonatal e tem se mostrado eficaz no diagnóstico precoce de perda auditiva.
É obrigatório e gratuito.
A audição começa a partir do 5° mês de gestação e se desenvolve
intensamente nos primeiros meses de vida. Qualquer problema auditivo deve ser
detectado ao nascer, pois os bebês que têm perda auditiva diagnosticada cedo e
iniciam o tratamento até os seis meses de idade apresentam desenvolvimento muito
próximo ao de uma criança ouvinte.

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O teste da orelhinha, é um exame feito no berçário em sono natural, de

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preferência no 2° ou 3° dia de vida. Demora de 5 a 10 minutos, não tem nenhuma
contraindicação, não acorda e nem incomoda o bebê, não exige nenhum tipo de
intervenção invasiva (uso de agulha ou qualquer objeto perfurante) e é
absolutamente inócuo.
O diagnóstico após os seis meses de vida traz prejuízos inaceitáveis para o
desenvolvimento da criança e sua relação com a família.
Infelizmente no Brasil, cerca de 50% dos recém-nascidos não possuem
fatores de risco e o diagnóstico é retardado até que sejam observadas
anormalidades na fala e na linguagem.
Em 33% dos casos o diagnóstico é dado quando a criança já está por volta
dos 12 meses de idade.
A idade média de diagnóstico de surdez na infância varia de 1,74 a 4,3 anos
de idade. Contudo, alguns estudos contestam estes números e afirmam: a idade
média para diagnóstico pode ser ainda mais alta, situando-se entre 7 e 8 anos de
idade em boa parte dos casos.
É extremamente importante que a deficiência seja reconhecida o mais
precocemente possível. Para tanto, os pais ou responsáveis devem observar as
reações auditivas da criança.

Indicadores de Perda Auditiva:


Os pais são os responsáveis pela primeira suspeita de surdez em 60% das
crianças com déficit auditivo.
Observe abaixo algumas características de risco que auxiliam na avaliação da
audição do bebê:

Com zero a três meses de vida:


 Não reage a sons (vozes, batidas de portas) piscando, assustando-se ou
cessando seus movimentos.

Com quatro ou cinco meses:


 Não procura a fonte sonora, girando a cabeça ou virando seu corpo.

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Não aponta para familiares ou objetos quando pedido.


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Não balbucia ou parou de balbuciar.
Não se volta quando chamado.

A partir de doze meses:


 Ainda não compreende frases simples.
 Não imita seus familiares ou usa palavras simples para denominar coisas em
casa.
 Não utiliza a linguagem falada como outras crianças da mesma idade.
 Assiste à TV muito próxima do aparelho e pede sempre para que o volume
seja aumentado.
 Só responde quando a pessoa fala de frente para ela.
 Não reage a sons que não pode ver.
 Não apresenta grande progresso na comunicação e no uso de palavras para
se comunicar.
 Pede que repitam várias vezes o que lhe foi dito.
 Tem problemas de concentração na escola, parece desatenta.
 Tem problemas de comportamento na escola.

Diagnóstico
Na suspeita de surdez, os pais devem levar a criança a um especialista
(Otorrinolaringologista) para ser examinada. O teste de audição pode ser feito em
qualquer idade – mesmo em recém-nascidos.

Audiometria:
A audiometria ou teste de audição é um exame que avalia a audição das
pessoas, seu objetivo basicamente é medir qual a intensidade sonora (volume)
mínimo o indivíduo é capaz de ouvir para cada frequência. É realizado por um
fonoaudiólogo ou otorrinolaringologista, pois são os únicos com habilitações
necessárias para orientar todas as etapas necessárias na realização deste
processo. Quando detectada qualquer anormalidade auditiva, é possível medir o

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seu grau e tipo de alteração, assim como orientar as medidas preventivas ou

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curativas a serem tomadas, evitando assim o agravamento.
O resultado é expresso em um audiograma, que é um gráfico que revela as
capacidades auditivas do paciente.

http://otorrinobrasilia.com/perdaauditiva/

No caso de detectada a surdez em crianças, deve-se observar que há


diferentes tipos de problemas auditivos e deve-se recorrer a métodos que se
adaptem as necessidades da criança.

Cabe ao médico especialista:

 Identificar a causa da surdez.


 Encaminhar ao fonoaudiólogo (especialista na área da linguagem, fala, voz,
audição, leitura e escrita);
 Indicar aparelhos para amplificação do som (AASI);
 Orientar os pacientes e responsáveis.

Tratamento
A surdez ou perda auditiva pode ser resultante de um acúmulo de cerume na
orelha externa ou de catarro na orelha média, nesses casos, uma limpeza ou uso de

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medicamentos podem ser totalmente curativos. As infecções de ouvido constantes

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devem ser muito bem tratadas. Quando uma infecção de ouvido dura muito tempo
ou se repete várias vezes pode evoluir para uma diminuição da audição e em casos
extremos para a surdez.
Em outros casos, a perda auditiva pode ocorrer devido a uma lesão na cóclea
(orelha interna) por fatores genéticos, barulho excessivo, uso de medicamentos
tóxicos, alterações específicas no metabolismo, entres outras causas. Para tais
situações não há métodos curativos. Estes pacientes podem se beneficiar de
aparelhos auditivos ou, nos casos de surdez severa ou profunda (total), do implante
coclear.
Aparelhos auditivos podem ajudar a ouvir bem melhor, apesar de não
deixarem a audição perfeita. Eles trabalham amplificando o som do ambiente e
utilizando o resíduo auditivo que o surdo possui.
Para pessoas com surdez sensorioneural severa ou profunda o uso de
aparelhos auditivos pode ser insuficiente. Para estes casos existe o implante
coclear.
O implante coclear é também, conhecido como ouvido biônico, é um
dispositivo eletrônico transformador de energia sonora em impulsos elétricos. Sua
função é substituir parcialmente a cóclea, captando os sons ambientes por um
microfone, transformando-os em impulsos elétricos que irão estimular diretamente o
nervo auditivo, que os conduzirá até o cérebro.
Pode trazer bons resultados em crianças nascidas surdas e em adultos que
perdem a audição repentinamente, é indicado em casos de surdez severa ou
profunda, porém, esse procedimento cirúrgico é feito somente após rigorosa
avaliação feita por equipe de médicos e fonoaudiólogos especializados.

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http://canaldoouvido.blogspot.com.br/2013_03_03_archive.html

Leia mais sobre Implante Coclear:


http://www.implantecoclear.org.br/textos.asp?id=5

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Aula 03_História do Surdo
DE
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Milhares de anos após o surgimento da espécie humana, o homem já se
organizava em grandes e complexas sociedades. Começou então a dar seus
primeiros passos na moral e na ética, a filosofar e a pensar em sua existência.
A análise do homem, de suas potencialidades e limitações não poderia ser
feita tendo-se como base simplesmente aquilo que se podia ver na natureza
“concreta” visível.
As pessoas diferentes eram consideradas “não humanas”. Eram seres
desqualificados e inferiores, pessoas com defeito de nascença e, portanto, tidos
como animais que precisavam competir pela sobrevivência. Sendo inferiores,
deveriam ser eliminados.
Desse modo os considerados “diferentes” enfrentariam os mesmo problemas
porque passam todas as minorias humanas: busca pela existência/imposição de
padrões.
A padronização leva a praticas inferiorizantes e discriminatórias para aqueles
que não se adéquam aos padrões estabelecidos e impostos. Nesse caso, políticas
de assassinatos de bebês e crianças portadoras de alguma característica
considerada anormal não era objeto de escândalo, pois, era uma conduta da cultura
daquela época.
Sabe-se que o “diferente” causa certo desconforto ao homem, que pode
desejar tentar entender o porquê, entretanto, a solução mais simples e rápida era,
simplesmente, eliminar.
Tanto preconceito deu origem a regras extraoficiais até o nível religioso onde
os doentes ou diferentes eram considerados impuros e condenados por Deus, além
de ser considerado castigo o nascimento de descendentes doentes ou diferentes.
Temos ainda a concepção de Aristóteles, que entendia a educação possível
somente através da audição. Desse modo, nenhum surdo seria capaz de aprender
nada.
Os dados históricos sobre a surdez são escassos nos primórdios da
humanidade. Somente no início da era Moderna (século XVI) começamos a ter
subsídios sobre a surdez.

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Com o nascimento de Jesus, Filho de Deus para os cristãos, a teologia

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ocidental no tratamento com o diferente mudou bruscamente. Eles, que quase
sempre eram considerados minorias linguísticas e culturais, não eram mais
considerados impuros e nem carregavam mais sobre si o castigo de seus pecados.
Segundo Jesus, todos seriam filhos de Deus, amados pelo Pai, não pelo que
poderiam ter, ser ou fazer, mas pelo que eram: seres humanos.
Não se pode dizer que a partir daí o problema tenha desaparecido e nem que
o preconceito tenha sido superado, entretanto, o que se sabe é que o homem não
conseguia mais anestesiar sua consciência, pois, a religião não endossava e a moral
exigia um tratamento mais correto.
Mesmo assim as mudanças vieram gradativamente através da vivência e não
por normas impostas e sistematicamente cumpridas.

Segundo Santo Agostinho, filósofo e teólogo cristão, a fé somente seria obtida


através da “captação” do Sermão. Para ele, surdos ou deficientes mentais não
poderiam crer, porque a fé vem através do sermão, da palavra falada. Para os
defensores de Santo Agostinho a Língua de Sinais com que se comunicavam faziam
às vezes da palavra falada e dessa forma eles teriam acesso aos ensinamentos de
Jesus, tal e qual um ouvinte. Mas, seu pensamento sobre o assunto, talvez nunca
venhamos a saber.
No final da Idade Média ocorreram avanços e retrocessos, porém, as
atrocidades contra surdos e pessoas diferentes continuaram a existir.

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Até o século XV, os surdos eram considerados primitivos e sem possibilidade

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de serem educados. A partir do século XVI surgem os primeiros pedagogos para
surdos, principalmente na França, Espanha, Inglaterra e Alemanha.
Podemos citar alguns: Rudolphus Agrícola, GirolanoCardano, Pedro Ponce de
Leon, Juan Pablo Bonet e Abade Charles-Michel de l'Épée.

http://deafkrause.de/deaf-history/alphabet/pedro-ponce-de-leon-1.html

No século XVIII houve a fundação de várias escolas para surdos, a educação


evolui em qualidade e o uso da Língua de Sinais possibilita o domínio de diversos
assuntos e a profissionalização.
Segundo Oliver Sacks:

Esse período que agora parece uma espécie de época áurea na história dos
surdos, testemunhou uma rápida criação de escolas para surdos em todo o
mundo civilizado; a saída dos surdos da negligência e da obscuridade; sua
emancipação e cidadania; a rápida conquista de posições de eminência e
responsabilidade – escritores, engenheiros, filósofos e intelectuais surdos
antes inconciliáveis tornaram-se subitamente possíveis. (SACKS, 1990,
p.37).

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Em consequência do famoso Congresso de Milão ocorrido em 1880 quando

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se considerou que a melhor forma de educação do surdo seria o oralismo, as
escolas de surdos abandonaram a Língua se Sinais. Fato que gerou sérias
controvérsias, já que os maiores interessados, os próprios surdos, sequer foram
consultados.
Na filosofia oralista busca-se a integração da criança surda na comunidade
de ouvintes desenvolvendo a língua oral Desse modo a surdez passa a ser uma
deficiência que deve ser minimizada através da estimulação auditiva.
O surdo para viver em sociedade deveria “ouvir” (com o uso de aparelhos
auditivos e com o uso de técnicas de leitura labial) e “falar” através de exaustivos
exercícios, ficando a comunicação escrita por último recurso. Para que fosse aceito
pelo grupo social o surdo deveria então “superar” o defeito de nascença.
A oralização passou a ser então o principal objetivo da educação do surdo. O
ensino de outras disciplinas escolares ficou relegado a segundo plano, gerando um
período de queda no nível de escolarização dos surdos.
O oralismo dominou o mundo até a década de 60, quando Willian Stokoe
publicou o artigo “SignLanguageStructure: Na OutlineOfthe usual Communicaton
System ofthe American Deaf”, demonstrando que a língua de sinais usada pelos
americanos, é uma língua com todas as características das línguas orais.
A partir daí surgiram várias pesquisas sobre o assunto. Este fato aliado à
insatisfação de vários educadores com o oralismo trouxe a língua de sinais de volta
às salas de aula.
Em 1968, Roy Holcon dá origem à Comunicação Total. Tal método trata dos
processos comunicativos ocorridos entre surdos e surdos e entre surdos e ouvintes
e há a preocupação com a aprendizagem da língua oral. Enfatiza a necessidade de
se considerar aspectos cognitivos, emocionais e sociais que devem caminhar junto
à aprendizagem da língua oral.
Na década de 80, a filosofia do Bilinguismo surge trazendo a ideia de que o
surdo deve primeiramente adquirir a Língua de Sinais (considerada sua língua
materna e natural). Somente como segunda língua deveria ser ensinada a língua
oficial do país, mas, preponderantemente na forma escrita. A ótica do Bilinguismo é

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focar a surdez como uma diferença linguística, e não como uma deficiência a ser

SANTOS
normalizada através da reabilitação (visão oralista).

Referências:
SACKS, Oliver. Vendo Vozes - Uma jornada pelo mundo dos surdos. Rio de
Janeiro : Imago, 1990.

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Aula 04_História da Educação do Surdo no Brasil
DE
SANTOS
Teve início com a decisão de D. Pedro II de fundar um instituto para a
educação de surdos-mudos, que ocorreu em 1857. Através da Lei nº 839 de 26 de
setembro do mesmo ano foi designada uma verba para o estabelecimento assim
como uma pensão anual para cada um dos 10 alunos admitidos no instituto.
Em seguida chegou ao Brasil o surdo francês HernestHuet para iniciar o
trabalho educacional. Por ter sido aluno no Instituto Francês, acredita-se que seu
trabalho seria com sinais e escrita, sendo considerado como aquele que introduziu
a Língua de Sinais Francesa no Brasil.
Inicialmente o instituto recebeu o nome de Imperial Instituto de Surdos Mudos.
Em 1956 passou a chamar-se Instituto Nacional de Surdos e Mudos e no ano
seguinte passou a ser Instituto Nacional de Educação dos Surdos.
Na proposta curricular do instituto constavam as disciplinas: português,
aritmética, história, geografia, linguagem articulada e leitura sobre os lábios (para
aqueles que tivessem aptidão).
Em 1862, com a saída de Huet o instituto passou a ser dirigido pelo Dr.
Manuel de Magalhães Couto, que, por não ser especialista na área abandonou os
treinos de fala e leitura. Em 1868, após inspeção, o Instituto foi considerado um asilo
de surdos e o cargo de diretor passou para Tobias Leite, que restabeleceu as
disciplinar curriculares.

1897 - Sob as influências do Congresso de Milão a educação dos surdos sofria


mudanças significativas. Em 1911, o então Instituto Nacional dos Surdos (INES)
passa a seguir as tendências adotando o oralismo puro em sala de aula. Neste
congresso foi definido que educação dos surdos deveria ser oral, que a língua de
sinais afetaria os resultados de aprendizagem e, portanto não era recomendada,
mais que isso, seria abolida. Vale acrescentar que os surdos não foram consultados
e que as decisões fora tomadas por ouvintes. Porém, a língua de sinais permaneceu
até 1957, quando a proibição é oficial.
O descontentamento com o oralismo e as pesquisas sobre línguas de sinais deram
origem a novas propostas. A tendência que ganhou destaque nos anos setenta foi

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chamada Comunicação Total. Essa abordagem educacional chega ao Brasil após a

SANTOS
visita de uma professora de surdos à Universidade Gallaudet, nos Estados Unidos.
Trata-se da prática de utilizar sinais, leitura orofacial, amplificação sonora e alfabeto
manual. É permitido que os surdos utilizassem da modalidade que preferissem para
sua comunicação. O objetivo é que a criança possa desenvolver uma comunicação
real com familiares, professores e seus pares e assim permitir sua integração no
meio social.
Analisando as duas filosofias, Oralismo e Comunicação Total os resultados
apontaram para melhoria no processo educativo e na comunicação. Entretanto, os
alunos que eram instruídos pela Comunicação Total apresentaram sérios problemas
para expressar sentimentos, ideias em contextos extraescolares. Os resultados
acadêmicos foram inferiores para a faixa etária e a utilização dos sinais, embora
permitida, não era eficiente.
1980 - Na década de oitenta, são iniciadas as discussões acerca do bilinguismo no
Brasil. Em ele chega ao Brasil, porém de fato em 1990.
Lingüistas brasileiros começaram a se interessar pelo estudo da Língua de Sinais
Brasileira (LIBRAS) e da sua contribuição para a educação do surdo.
1982 - A partir das pesquisas desenvolvidas por Lucinda Ferreira Brito sobre a
Língua Brasileira de Sinais, deram início às mudanças, seguindo o padrão
internacional de abreviação das Línguas de Sinais, tendo a brasileira sida batizada
pela professora de LSCB (Língua de Sinais dos Centros Urbanos Brasileiros), para
diferencia-la da LSKB (Língua de Sinais Kapor Brasileira), utilizada pelos índios
Urubu-Kapor no Estado do Maranhão.
1983 - Criação no Brasil da Comissão de Luta pelos Direitos dos Surdos.
1986 - O Centro SUVAG (PE) faz sua opção metodológica pelo Bilinguismo,
tornando-se o primeiro lugar no Brasil em que efetivamente esta orientação passou
a ser praticada.
1987 - Criação da Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos
(FENEIS), EM 16/05/87, sob a direção de surdos.
1991 - A LIBRAS é reconhecida oficialmente pelo Governo do Estado de Minas
Gerais (lei nº 10.397 de 10/1/91).

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1994 - Começa a ser exibido na TV Educativa o programa VEJO VOZES (out/94 a

SANTOS
fev/95), usando a Língua de Sinais Brasileira.
1994 - Brito passa a utilizar a abreviação LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais), que
foi criada pela própria comunidade surda para designar a LSCB.
1995 - Criado por surdos no Rio de Janeiro o Comitê Pró-Oficialização da Língua de
Sinais.
1996 - São iniciadas, no INES, em convênio com a Universidade do Estado do Rio
de Janeiro (UERJ), pesquisas que envolvem a implantação da abordagem
educacional com Bilinguismo em turmas da pré-escola, sob a coordenação da
linguista E. Fernandes.
1998 - TELERJ - do Rio de janeiro, em parceria com a FENEIS, inauguraram a
Central de atendimento ao surdo - através do número 1402, o surdo em seu TS,
pode se comunicar com o ouvinte em telefone convencional.
1999 - Em março, começam a ser instaladas em todo Brasil telessalas com o
Telecurso 2000 legendado.
2000 - Closed Caption, oulegendaoculta. Após três anos de funcionamento no Jornal
Nacional ela é disponibilizada aos surdos também nos programas Fantástico, Bom
Dia Brasil, Jornal Hoje, Jornal da Globo e programa do JÔ.
2000 - TELERJ: Telefone celular para surdos com a opção de SMS.
Em 24 de abril de 2002, através da Lei nº 10.436 a Língua Brasileira de Sinais é
reconhecida:

Art 1º - É reconhecida como meio legal como leio legal de comunicação e


expressão a Língua Brasileira de Sinais – Libras e outros recursos de
expressão a ela associados.
Parágrafo único. Entende-se como Língua Brasileira de Sinais – Libras a
forma de comunicação e expressão, em que o sistema linguístico de
natureza visual motora, com estrutura gramatical própria, constituem um
sistema linguístico de transmissão de ideias e fatos, oriundos de
comunidades surdas do Brasil.(BRASIL. 2002).

2005 - O Decreto 5626 em 22 de dezembro veio regulamentar a lei 10436.

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2006 - Exame de Certificação Tradutor Intérprete de Libras – Prolibras, instrutor

SANTOS
de Libras e o Curso de Letras-Libras Bacharelado e Licenciatura EaD.
2010 - Curso Superior de Letras-Libras Bacharelado e Licenciatura presencial
UFSC.
2010 - Promulgada a lei 12.319 em 01 de Setembro, que regulamenta o exercício da
profissão de Tradutor e Intérprete da Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS.

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Aula 05_Principais Abordagens ou Filosofias de Ensino na
Educação dos Surdos SANTOS

No passado, os surdos eram considerados incapazes de serem ensinados,


por isso eles não frequentavam escolas. No início do século XVI começaram a
admitir a possibilidade de que procedimentos pedagógicos proporcionassem ao
surdo o aprendizado. Pedagogos que se dispuseram a trabalhar com surdos
estavam apresentando alguns resultados.
O objetivo deles era desenvolver o pensamento de seus alunos surdos para
que eles adquirissem conhecimentos e pudesse comunicar-se com o mundo ouvinte.
Utilizavam a língua falada como estratégia, em meio a outras, tentando com isso
alcançar os objetivos. Esses profissionais trabalhavam em segredo, sem trocar
experiências com outros pedagogos.
Na época, famílias nobres e influentes que tinham um filho surdo contratavam
os serviços de professores/preceptores para que ele não ficasse privado da fala e
consequentemente dos direitos legais (bens de herança, por exemplo), que eram
subtraídos daqueles que não falavam. O espanhol Pedro Ponce de Leon é
reconhecido historicamente como o primeiro professor de surdos.
Na tentativa de educar os surdos, além da atenção que davam a fala e
também a escrita, inventavam alfabetos digitais para que o aluno, que não podia
ouvir a língua falada, pudesse visualizar. O trabalho inicial era de leitura e escrita e
evoluía para leitura labial e articulação das palavras.
Os surdos que se beneficiavam desse atendimento pedagógico pertenciam a
famílias nobres, os demais em geral não tinham nenhuma atenção especial. É
possível que vivessem em grupos, sem receber nenhuma instrução e tenham
desenvolvido algum tipo de língua de sinais para se comunicarem.
Por volta desse período começaram a surgir propostas educacionais.

ORALISMO
Surgiu por volta do século XVIII e a partir das resoluções do Congresso de
Milão (1880), que trouxe uma completa mudança nos rumos da educação de surdos
Acreditava-se que o uso de sinais desviasse o surdo da aprendizagem da língua

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oral, que era a mais importante do ponto de vista social. Assim, no mundo todo, o

SANTOS
oralismo foi o referencial assumido e as práticas educacionais vinculadas a ele
foram amplamente desenvolvidas e divulgadas. A língua de sinais foi oficialmente
proibida nas escolas e a comunidade surda foi excluída da política e instituições de
ensino
Na filosofia Oralista pretendia-se que os surdos fossem reabilitados, ou
“normalizados”, pois, a surdez era considerada uma patologia, uma anormalidade.
Eles deveriam comportar-se como se ouvissem, ou seja, deveriam aprender a falar.
Sinais e alfabeto digitais são proibidos, a comunicação deveria ser feita pela via
auditiva e pela leitura orofacial
Entretanto, nem todos eram capazes de desenvolver a oralidade
satisfatoriamente, muitos eram excluídos da possibilidade educativa e do meio
social, vivendo de forma clandestina.

Escola na Grécia - Oralismo – “Espelho” para treinamento labial

http://www.notisurdo.com.br/noticias/antonio21.html

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Por quase um século essa abordagem não foi questionada, o atraso dos

SANTOS
indivíduos gerava falta de estímulo e evasão escolar. Os alunos frequentavam a
escola mais para aprender a falar do que propriamente para receber os conteúdos
escolares.
Os métodos orais sofrem uma série de críticas pelos limites que apresentam,
mesmo com o incremento do uso de próteses, pois, eram basicamente treinamentos
de fala, desvinculados de contextos dialógicos propriamente ditos.
Por volta de 1960, surgiram alguns estudos sobre a língua de sinais utilizada
pelas comunidades surdas. Algumas escolas ou instituições de surdos estariam
utilizando os sinais mesmo às margens do sistema.
O pioneiro trabalho de Wiiliam C. Stokoe (1919 – 2000) revelou que as
línguas de sinais eram verdadeiras línguas, preenchendo em grande parte os
requisitos das línguas orais.

COMUNICAÇÃO TOTAL
O fracasso e as críticas contra os resultados do Oralismo deu origem a novos
estudos e propostas para a educação dos surdos.
Em 1970 surgiu uma abordagem que foi chamada de Comunicação Total. Era
permitida então a prática de uma série de recursos: língua de sinais, leitura orofacial,
utilização de aparelhos de amplificação sonora, alfabeto digital. Os surdos poderiam
então expressar-se da maneira que achasse mais conveniente, havia liberdade para
a utilização dos recursos oferecidos. A surdez então não era entendida como
patologia, mas como um fenômeno com significações sociais.
De forma ampla a criança poderia comunicar-se com familiares, professores,
surdos e ouvintes e dessa forma não sofreria as consequências do isolamento
impostas pela surdez.
Os alunos então utilizavam os sinais em contato com outros surdos fluentes.
Nos ambientes escolares o uso dos sinais ocorria, porém, obedecendo a estrutura
da Língua Portuguesa. Eles chamavam essa estratégia de “português sinalizado”.
Mesmo com a pretensão de facilitar a aprendizagem, o português sinalizado
produzia certa confusão para o aluno surdo.

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METROPOLITANA DE
Apesar dos benefícios que aparentemente vieram com essa abertura nas

SANTOS
possibilidades educacionais verificaram-se alguns problemas em relação à
comunicação fora da escola. As dificuldades escolares continuaram a existir, pois, o
desempenho acadêmico ficou ainda abaixo do esperado.
Entre os surdos era possível desenvolver a língua de sinais propriamente
dita, e nos ambientes escolares havia um misto de sinais e língua oral, portanto, a
falta de uma língua oficial trouxe dificuldades.
Então, estudos sobre a língua de sinais foram cada vez mais apontando para
propostas que orientavam para uma educação bilíngue.

BILINGUISMO
Na abordagem bilíngue considera-se a língua de sinais a língua natural dos
surdos, uma comunicação que eles aprendem com rapidez e que é eficiente e
completa. Através do seu aprendizado precocemente, acredita-se que o
desenvolvimento cognitivo e social das crianças surdas seja semelhante com o das
crianças ouvintes de mesma faixa etária.
Na filosofia orienta-se que a criança surda aprenda a língua de sinais o mais
cedo possível, que tenha contato com pessoas da comunidade surda para que a
língua se torne fluente. A família também deverá aprender a língua para comunicar-
se em ela.
Desse modo, a língua de sinais será sua primeira língua (L1) e a língua oficial
do país será considera a segunda língua (L2) e língua de instrução, na modalidade
oral e quando possível na modalidade escrita.

Nessa abordagem identificam-se duas vertentes:

 Na primeira a criança surda deve adquirir a língua de sinais e a modalidade


oral da língua, o mais cedo possível, separadamente. Posteriormente ela
deverá ser alfabetizada na língua oficial do país.
 Na segunda vertente deve-se oferecer apenas a língua de sinais e
posteriormente somente a modalidade escrita da língua. A língua oral seria
então descartada.

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SANTOS
Segundo Quadros (1997), o Bilinguismo é uma proposta de ensino usada por
escolas que se propõem a tornar acessível às crianças duas línguas no contexto
escolar.
A proposta bilíngue entende o sujeito surdo como participante de duas
realidades, vivendo ao mesmo tempo a realidade da língua materna, na qual tem
sua visão de mundo construída e aprimorada, e a realidade de uma segunda língua,
a utilizada no cotidiano da comunidade a que pertence.
Portanto, para o surdo não seria benéfica a sua adequação à realidade
ouvinte, usuária da língua oral, mas sim assumir sua condição de surdez como parte
de suas características e identidade.

Por recomendação do MEC, o ensino de surdos no Brasil precisa ser:

"(...) efetivada em língua de sinais, independente dos espaços em que o


processo se desenvolva. Assim, paralelamente às disciplinas curriculares,
faz-se necessário o ensino de língua portuguesa como segunda língua, com
a utilização de materiais e métodos específicos no atendimento às
necessidades educacionais." (SALLES, et al; 2004 p 47)

No Brasil ainda e uma proposta recente, porém, há várias escolas que


adotam essa filosofia educacional.

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Aula 06_ Lingua de Sinais
DE
SANTOS
Trata-se de uma língua natural, desenvolvida pelos indivíduos com surdez,
que assegura uma comunicação completa e integral.
Elas são criações espontâneas, assim como as línguas orais, e foram se
aprimorando com o passar dos anos. Elas desenvolvem-se em todos os países,
porém, não são universais e sofrem alterações no vocabulário em todas as
gerações.

http://alinefenali.blogspot.com.br/2010/03/aula-dia-12032010.html

Cada país possui a sua própria língua de sinais e estas sofrem mudanças em
função das influências da cultura local. Possuem expressões regionais, gírias que
diferem de região para região.
Como todos sabem existem várias línguas faladas no mundo,
consequentemente, existem várias línguas de sinais pelo mundo. A mais conhecida
é a Língua de Sinais Americana (ASL – American SignLanguage).
Muitas línguas de sinais já receberam reconhecimento de governos em
muitos países, chamamos isso de reconhecimento oficial.
Algumas pessoas acreditam que ela deveria ser universal devido ao fato de
que as pessoas surdas são em pequeno número, porém, não é assim, pois, a língua

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de sinais não é baseada em gestos ou mímicas, trata-se de uma língua natural, com

SANTOS
léxico (léxico é todo o conjunto de palavras que as pessoas de uma determinada
língua têm à sua disposição para expressar-se, oralmente ou por escrito) e
gramática próprios.
Outro aspecto importante é que cada comunidade de surdos desenvolveu a
sua própria língua de sinais, tal como cada povo desenvolveu sua língua oral, é uma
construção que demora algum tempo, inclusive temos alguns países onde se verifica
a existência de mais de uma língua de sinais.
As línguas de sinais se diferem das línguas orais-auditivas, uma vez que elas
se realizam pelo canal visual e na utilização do espaço, por expressões faciais e até
movimentos gestuais perceptíveis pela visão, portanto, não são simplesmente gesto
e mímicas, trata-se de línguas com léxico e gramática próprios. Elas atendem
eficazmente as necessidades de comunicação, por ser um legítimo sistema
linguístico. Com elas é possível manter uma comunicação plena sobre qualquer
assunto.
São compostas pelos níveis linguísticos: o fonológico, o morfológico, o
sintático e o semântico, o que a legitimam como língua.

http://www.libras.com.br

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METROPOLITANA DE
A língua de sinais permite que crianças surdas em idade precoce se

SANTOS
comuniquem com pessoas surdas e com os pais que se disponham a aprendê-la,
plenamente, o que não ocorre com a língua oral.
Aprendendo a língua de sinais precocemente e utilizando no seu cotidiano a
criança irá apresentar um desenvolvimento cognitivo semelhante ao da criança
ouvinte utilizando a língua oral.
Estudos têm apontado ainda que quando a criança surda é exposta desde
cedo à língua de sinais ela terá maior desenvolvimento linguístico que irá melhorar
seu desempenho acadêmico, facilitando o aprendizado da língua escrita.
A língua de sinais do nosso país é a Libras, abreviação de Língua Brasileira
de Sinais, é utilizada pela comunidade de surdos no Brasil e já foi reconhecida por
Lei, ou seja, é uma língua oficial, tal como nossa língua falada.

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Aula 07_Libras I
DE
SANTOS
De acordo com nossa aula anterior, Libras, abreviação de Língua Brasileira
de Sinais, é a língua oficial das comunidades de surdos do Brasil, segundo a
Lei nº 10.436 de 24 de abril de 2002.
Ela surgiu naturalmente e é de grande importância para os surdos brasileiros.
A LIBRAS baseou-se primeiramente na Língua de Sinais Francesa, com
semelhanças entre as línguas de sinais europeias e a norte-americana.
A LIBRAS apresenta níveis linguísticos como fonologia, morfologia, sintaxe e
semântica. Nas línguas oral-auditivas existem as palavras e naLIBRAS, que é uma
língua visual e gestual, existem os sinais. Porém, não basta conhecer os sinais, é
necessário conhecer a gramática, que é diferente da que adotamos na Língua
Portuguesa. Há variações em função de regionalismo, dialetos e gírias.
Assim como as línguas de sinais de todos os países, a LIBRAS desenvolveu-
se ao longo de muitos anos e sofre alterações no vocabulário em todas as gerações,
pois, é uma língua viva.
A língua de sinais tem um caráter natural e vai sendo ensinada e modificada
de geração em geração. Por exemplo, temos variações regionais, ou seja, uma
palavra pode ter sinais diferentes dentro do Brasil. Exemplo: verde tem sinal próprio
no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Curitiba.
Existem variações sociais, que seriam alterações na configuração das mãos,
sem modificar o sinal. Exemplo disso é a palavra “conversar”, em que a mão
receptora pode estar aberta ou fechada.
Existem as mudanças históricas que ocorrem com os sinais com o passar dos
anos.
Veremos agora alguns exemplos de sinais icônicos e arbitrários. A língua de
sinais utiliza-se de gesto, visão e espaço, por causa disso, as pessoas pensam que
os sinais são a representação fiel do referente, ou seja, que são “desenhos” no ar
daquilo a que se refere. Porém, não sempre acontece dessa forma.
Sinais icônicos são aqueles que reproduzem a imagem do referente. Por
exemplo: avião, borboleta, árvore, livro, casa, telefone. Os sinais destes se
assemelham ao objeto ou ao uso atribuído.

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METROPOLITANA DE
SANTOS

Sinais arbitrários são aqueles que não mantêm nenhuma relação de


semelhança com o referente. Por exemplo: depressa, perdoar, namorar, porque, etc.
Nesses casos não existe uma relação entre significado e sinal.

Vejamos agora, um pouco da estrutura gramatical em LIBRAS:

A estrutura gramatical é organizada em cinco parâmetros principais que são:


a configuração da mão, o movimento, ponto de articulação, expressão facial e
orientação/direção.

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METROPOLITANA DE
Configuração da mão é o desenho da mão durante a realização do sinal.

SANTOS
Segundo pesquisas, existem em LIBRAS sessenta e quatro configurações diferentes
das mãos, sendo que 26 destas são as representações das letras.
Ponto de articulação é o local do corpo onde será realizado o sinal. O sinal
pode ser indicado, por exemplo: na boca, na barriga, no peito.
Durante a realização do sinal, a mão se desloca no espaço. Isso é
denominado movimento. Existem várias direções do movimento. Um movimento
pode ser unidirecional quando se movimenta em uma única direção. Pode ser
bidirecional quando se movimenta para duas direções podendo usar uma ou ambas
as mãos. E também pode ser multidirecional quando explora várias direções.
Ainda detalhando os movimentos, eles podem ser retilíneos (movimentos
retos), helicoidais (espiral), circulares, semicirculares, sinuosos (curvilíneo) ou
angulares (ziguezague).
Expressão facial e/ou corporal: São as expressões faciais e corporais,
movimentos do corpo, da face, da cabeça e dos olhos realizados no momento da
articulação do sinal. Por exemplo: expressão de alegria, medo, dor, raiva, etc.
Orientação: orientação é a direção para a qual a palma da mão aponta na
produção do sinal.
A realização dos sinais pode ser com a mão dominante ou com ambas as
mãos. A posição da palma da mão poderá ser para cima, para baixo, para o lado,
para frente. A mão poderá entrar em contato com o corpo de diversas formas, com
um toque ou um risco, por exemplo.

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Aula 08_Alfabeto Manual de Libras
DE
SANTOS
Historicamente o alfabeto manual teve origem ainda no império. Foi criado
pelo abade Charles-Michel de l’Épée, no século XVI que foi o fundador da primeira
escola para deficientes auditivos em Paris. Ele foi o precursor no uso da língua de
sinais. Este método de linguagem utilizando sinais foi desenvolvido e aperfeiçoado
pelo abade Sicard e Clerc (que era surdo). Começaram a ensinar a língua de sinais
por meio gramatical.

http://eeblmlibras.blogspot.com.br/2011/04/colocar-o-alfabeto.html

Libras e Alfabeto Manual ou Datilologia são meios de comunicação. A língua


de sinais não depende da escrita, porém, o alfabeto manual tem uma estreita ligação
com a aprendizagem, pois, ele é um sistema manual que corresponde a grafia
espacial. Assim como a língua de sinais, o alfabeto manual também não é universal,
cada país desenvolveu o seu próprio.
Ele consiste na soletração de letras e numerais com as mãos, é necessário
soletrar pausadamente, formando as palavras com nitidez. Ele é usado apenas para
soletrar nomes de pessoas, de lugares, de rótulos, endereços, e para vocábulos
inexistentes na língua de sinais. Pode ser usado também para descrever algo a que
se tem dúvida.

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Muitas palavras em LIBRAS são simbolizadas pelas letras e não por sinais, é

SANTOS
o caso de MARÇO, onde são soletradas todas as letras. Outras se usam as iniciais,
como julho onde se soletram JUL.
Assim como as letras do alfabeto, os números também são representados
manualmente.

http://eugeniafernandespedagoga.blogspot.com.br/2012_11_01_archive.html

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Aula 09_O Papel da Família
DE
SANTOS
Os pais, enquanto esperam o nascimento de seus filhos criam uma imagem
ideal de como ele será, ao nascer. A não ser que haja, durante a gestação, algum
indício de risco para saúde do bebê, a possibilidade de qualquer anormalidade é
descartada.
Falaremos aqui sobre os principais problemas enfrentados pelas famílias com
a descoberta da surdez de seus filhos.
Podemos considerar o diagnóstico da surdez como o marco inicial desse
processo.

http://lusifran.fonoaudiologa.zip.net/

A família se desorganiza emocionalmente. Por falta de conhecimento, os pais


sentem-se inseguros diante do futuro, pois, não conseguem visualizar as
capacidades e potencialidades da sua criança. De modo geral, a sociedade, e nela
incluímos os próprios pais, costumam ter preconceito contra o que não conhecem e
que foge aos padrões de normalidade a que estão habituados. Esse preconceito se
traduz em atitudes de rejeição ou até mesmo de superproteção.
Passam por estágios em que seus sentimentos estão confusos em função da
realidade: sentimentos de ódio, pena, vulnerabilidade, desespero, impotência, que
são divididos em: negação, resistência, afirmação e aceitação.

NÚCLEO COMUM
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Esse processo é intenso principalmente se a criança surda é filha de pais

SANTOS
ouvintes, pois, a comunicação não se fará do modo convencional. Nesse caso, é
necessário replanejar a vida em função da nova realidade.
Os pais ouvintes, por descobrirem a surdez precocemente esperam que a
criança não tenha comprometimentos linguísticos e cognitivos, que falem na idade
certa, que não se comuniquem através da língua de sinais. Enfim, esperam que com
os tratamentos que irão iniciar, que pode incluir a adaptação de aparelhos auditivos
e terapias, a criança se torne um “ouvinte”.
A reação dos pais nunca é a mesma. Mas em geral o que se vê é que há uma
necessidade de se buscar a “cura” para o filho e uma grande resistência de aceita-lo
como um indivíduo surdo a ser inserido na sociedade. Eles buscam meios para que
seus filhos surdos possam ouvir e assim se tornarem membros da sociedade
ouvinte.

Os amigos do surdo não o aceitam, porque ele é diferente. A sociedade não


o aceita, porque ele é incompleto. Os familiares não o aceitam, porque ele é
defeituoso. A escola não o aceita porque ele é deficiente. O surdo não se
aceita, porque os outros não o aceitam. (BERNARDINO, 2001, p. 40).

http://www.terapeutadebebes.com.br/2011/11/quase-duzentos-e-setenta-dias-dentro-da.html

Os pais devem buscar apoio em profissionais competentes de diversas áreas,


como: psicólogos, médicos, fonoaudiólogos, que poderão passar esclarecimentos
importantes ajudando-os a se sentirem preparados e seguros em relação à situação,

NÚCLEO COMUM
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assim como conhecer famílias de pessoas surdas que possam transmitir suas

SANTOS
experiências, prestar solidariedade e auxiliá-los na busca das soluções mais
adequadas para cuidar do seu filho.
Cabe aos pais com apoio dos profissionais escolherem a melhor maneira de
inserir seu filho na sociedade, sabendo que não há um “conserto” a ser feito, pois, a
surdez do seu filho deve ser aceita sem preconceitos, ela não o impossibilita de
desenvolver suas potencialidades e tornar-se um ser produtivo e competente,
porém, os pais deverão conhecer a sua forma de comunicação e seu processo de
aprendizagem.
A família é o agente modificador da realidade da criança, os pais, não
sabendo da sua surdez relacionam-se com ela como se ela ouvisse, quando
descobrem a surdez tendem a fechar-se para o mundo e para a criança em
consequência da frustração e do choque. Essa reação, que causa uma mudança
brusca no relacionamento com a criança, com certeza irá afetá-la emocionalmente,
trazendo problemas futuros. Portanto, a ligação afetiva, o estímulo através das
brincadeiras deve ser mantido e intensificado. É fundamental que os pais transmitam
segurança, demonstrem carinho, estabeleçam uma comunicação sem bloqueios
(conversando, olhando, demonstrando, facilitando a compreensão).
A família deverá preocupar-se permanentemente com a estimulação da
criança para o desenvolvimento da linguagem fazendo-a perceber as vibrações
produzidas pelos sons e encorajando-a a emitir sons. Deve estimular o olhar nos
olhos, despertar interesse pelos movimentos labiais e expressões faciais, aprender a
língua de sinais e utilizar com a criança. Enfatiza-se que os pais utilizem voz normal
quando se dirigir a crianças, com frases simples e completas.
A colocação de limites pode parecer difícil para a maioria dos pais, pois, a
situação da criança acaba gerando uma superproteção dos pais em relação àquele
filho que lhe parece mais frágil, porém, é recomendado que lhe seja dado um
tratamento normal. Isso evitará conflitos em relação aos irmãos, será positivo para
sua formação, possibilitando que ele desenvolva uma conduta social adequada e se
torne um indivíduo mais seguro em suas decisões.

NÚCLEO COMUM
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Núcleo de Educação a Distância
METROPOLITANA DE
SANTOS

http://prb10rj.org.br/o-diagnostico-psicopedagogico-na-fase-pre-escolar

O momento de encaminhar o filho para a escola pode ser um dos mais


angustiantes. Alguns pais ainda não conhecem as opções e os direitos de seus
filhos, porém, a possibilidade de verem seus filhos rejeitados por alguma instituição
de ensino é algo insuportável.
Nas escolas especiais há a possibilidade de que a criança surda possa
relacionar-se com outras iguais a ela. Nas escolas comuns ela estará inserida junto
a um grupo diferente dela.
É importante que esse processo tenha o auxílio dos profissionais envolvidos
com a criança, para que os pais possam escolher com tranquilidade uma instituição
que atenda a criança em suas necessidades.
Reuniões entre pais, professor e equipe multidisciplinar são fundamentais.Os
pais devem sentir-se seguros aos encaminhar seu filho e esse processo que deverá
ser constantemente revisto em função de melhorias ou novas perspectivas para a
criança.

Referências:
BERNARDINO, Elidéa. Absurdo ou Lógica? Os surdos e sua produção
linguística. Minas Gerais: Espaço, 2001.

NÚCLEO COMUM
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METROPOLITANA
Aula 10_Estimulação Precoce
DE
SANTOS
Estimulação precoce é um conjunto de atividades voltadas para a criança
surda com idade de zero a três anos e que devem ser realizadas com o apoio da
sua família.

http://www.kidsofertas.com/tips/index.php

Um bebê em seus primeiros meses de vida tem necessidades próprias.


Quando se trata de uma criança surda é preciso sempre levar em consideração que
a falta da audição irá influenciar sua percepção do mundo para o resto de sua vida,
pois, irá impedir aquisição da linguagem nos moldes tradicionais assim como as
experiências vivenciadas em família, principalmente sendo filho de pais ouvintes.
Algumas crianças são protetizadas nessa fase e os pais tem uma grande
expectativa. Ao adquirirem os aparelhos de amplificação sonora (AASI) eles
acreditam que seu filho terá “corrigido” o seu problema e poderá ser considerado um
ouvinte, não mais será surdo.
É preciso que os pais sejam devidamente informados sobre os benefícios do
uso das próteses auditivas, pois, eles são imprescindíveis, sua função será a de
amplificar os sons do ambiente, possibilitando que a criança "perceba" os sons, mas
isto não irá modificar sua condição de pessoa surda na sociedade.
A indicação em geral é feita pelos especialistas, porém, os pais precisam
saber exatamente o que esperar, pois, poderão experimentar sentimentos de

NÚCLEO COMUM
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METROPOLITANA DE
frustração em relação aos resultados e isso trará à criança prejuízos em seu

SANTOS
desenvolvimento emocional, cognitivo e social.
Sentindo-se rejeitada ou percebendo a decepção dos pais a criança pode
desenvolver um comportamento negativo em relação ao uso dos aparelhos
auditivos, portanto, os pais precisam ser orientados para incentivar a criança e
perceber os sons que ela começa a emitir, pois, eles tem significado e é o início de
um processo de desenvolvimento da linguagem.
A estimulação precoce busca criar situações de comunicação, que favoreçam
a expressão e interação contínua da criança com as pessoas, utilizando-se do olhar,
dos gestos, dos sinais, da linguagem oral, etc.
A partir dos 2 a 3 anos, a criança busca conhecer o mundo, se torna cada vez
mais consciente de si como pessoa no convívio com outras crianças e adultos. Ela
irá desenvolver sinais espontâneos, expressões faciais e outras manifestações
comunicativas que precisam ser valorizadas pelos pais e profissionais que estarão
atuando com ela.
No ambiente escolar que começará a frequentar (creches, escolas de
educação infantil, terapias em grupo, etc.), a criança descobrirá outras
manifestações como: partilhar brinquedos e brincadeiras, conversas, rotinas de
atividades em que deverá ter a atenção do professor para que possa desenvolver
outros aspectos da comunicação e socialização. Cabe ao professor compreender e
estimular as diversas formas de comunicação que serão desenvolvidas pela criança:
sinais, desenhos, escrita entre outros.
É dever do professor também orientar os familiares para que assumam seu
papel, conscientemente, no trabalho de estimulação da criança surda dando
continuidade ao que se faz na escola.

Estimulação Auditiva
Conforme já falamos em aulas anteriores, há graus diferentes de perda
auditiva, portanto, nem todas as crianças surdas tem a mesma capacidade auditiva,
algumas tem resíduos auditivos que devem ser aproveitados. Podemos ajudá-las a
utilizar o resíduo auditivo e aprender a ter consciência do som.

NÚCLEO COMUM
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METROPOLITANA DE
Para se iniciar esse trabalho é preciso conhecer o grau de perda auditiva da
criança.
SANTOS
Estimulação Auditiva - consiste num procedimento sistemático, destinado a
aumentar a quantidade de informações de uma pessoa através da audição,
contribuindo para sua percepção total.

Objetivos da estimulação auditiva:


 Percepção da presença/ausência de sons instrumentais e da fala pela
percepção auditiva.
 Desenvolvimento do resíduo auditivo.
 Atenção sonora – adquirindo consciência do mundo sonoro.
 Localização da fonte sonora
 Desenvolvimento da memória auditiva: lembrança e reconhecimento de sons.

A estimulação auditiva deve ser iniciada o mais cedo possível, mesmo que a
criança não esteja ainda fazendo uso de aparelhos de amplificação sonora. A função
auditiva é desenvolvida nos primeiros anos de vida, quando ocorre a maturação das
fibras nervosas do ouvido.
O aparelho para a surdez tem a finalidade de aumentar o volume do som e
dirigi-lo diretamente ao ouvido da criança. A utilização sistemática das próteses é
importante, mas não será o suficiente para que a criança passe a ouvir e discriminar
os sons. Com o trabalho de estimulação a criança poderá aprender a reconhecer os
ruídos e sons ambientais. Posteriormente, com trabalhos mais específicos poderá
reconhecer também sons da fala que irão permitir que desenvolva o diálogo.
Este é um trabalho que deve ser realizado em conjunto com a família, pois, é
no ambiente doméstico que ela poderá de forma natural atribuir significado aos sons
que irá perceber.

NÚCLEO COMUM
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METROPOLITANA DE
Aula 11_Estimulação para Aquisição da Língua Brasileira de Sinais

SANTOS
Estimular uma criança que nasce ou torna-se surda no período que vai do
nascimento até os três anos de idade é fundamental para a aquisição da linguagem,
uma vez que é considerado um período crítico, porém ideal, devido, ao que
denominam, plasticidade neuronal.

https://www.google.com.br/search?q=crian%C3%A7as+aprendendo+libras

Nem sempre isso ocorre, pois, pelo fato de ter uma família, na maioria das
vezes, de pessoas ouvintes, há um bloqueio na comunicação que a prejudica
sobremaneira. Por isso é tão importante o diagnóstico precoce e a busca de
informações com profissionais competentes na área da surdez.
Quando a surdez é congênita ou adquirida no período de zero a três anos,
geralmente, a criança utiliza o sistema motor para comunicar-se. Esse sistema
possibilita a aquisição de Língua Brasileira de Sinais, cuja estrutura é distinta
daquela apresentada pela Língua Portuguesa. No entanto é possível que a criança
desenvolva sua linguagem em Língua Portuguesa, desde que seja exposta a um
ambiente linguístico adequado, com profissionais competentes e com a família
envolvida.

NÚCLEO COMUM
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METROPOLITANA DE
O ensino da LIBRAS deve ser introduzido desde a tenra idade para as

SANTOS
crianças com surdez. Este ensino requer um ambiente adequado e que as crianças
com surdez tenham contato com adultos surdos, isso favorecerá uma aprendizagem
contextualizada e significativa da língua. Entretanto, os pais deverão aprender
também, pois, estarão possibilitando o desenvolvimento espontâneo
da LIBRAS como forma de expressão linguística, de comunicação interpessoal e
como suporte do pensamento e do desenvolvimento cognitivo de seu filho.
Desse modo, a criança surda adquire maior rapidez e naturalidade para
demonstrar seus sentimentos, desejos e necessidades, sua linguagem se
desenvolverá de forma plena, pois, utilizando sua forma de comunicação natural
será possível maior estruturação do pensamento e da cognição.
Recomenda-se que os pais estejam tranquilos para ajudar a sua criança a dar
significado aos sinais que estará aprendendo. Devem utilizar as situações do dia a
dia, passando aos poucos os conceitos, pois, a estimulação irá ajudar a desenvolver
suas potencialidades.

NÚCLEO COMUM
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METROPOLITANA
Aula 12_O Papel da Escola e do Professor
DE
12.1 – A escola
SANTOS
Crianças com surdez moderada, com adaptação de aparelhos, tem melhores
perspectivas em escolas regulares. Quando as crianças tem surdez
severa/profunda e necessitam de uma educação bilíngue é necessário observar
alguns aspectos:

 Estrutura física;
 Capacitação dos professores;
 Recursos pedagógicos e tecnológicos;
 Disposição da equipe em receber o aluno;
 Currículo adequado;
 Adaptações necessárias;
 Professor que domine a língua de sinais;
 Intérprete de Libras;

Alguns pais optam pela escola para surdos e outros acreditam no trabalho
feito na escola regular. Seja qual for a escolha, é importante que:

 A escola proporcione ao aluno um ambiente estimulante, acolhedor e


solidário;
 A equipe escolar dê assessoria ao professor para buscar os recursos e
informações necessárias ao cumprimento de seu trabalho;
 A coordenação pedagógica oriente e auxilie os pais do aluno;
 A escola receba os profissionais que atuam junto ao aluno para reuniões
periódicas;
 A escola crie cursos de Libras na escola para os pais, alunos e equipe
escolar;

Ainda há um grande número de crianças surdas, filhas de pais ouvintes,


chegando à idade escolar desconhecendo sua língua materna (LIBRAS), sem uma

NÚCLEO COMUM
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METROPOLITANA DE
comunicação eficiente estabelecida, pois a língua utilizada pelas famílias, português

SANTOS
oralizado, não lhes acrescenta nenhum significado.
É no espaço escolar que a grande maioria dos alunos surdos terá
oportunidade de encontrar um ambiente linguístico que possibilite a aquisição da sua
primeira língua, a Língua de Sinais.
Decreto nº 5.626, de 22 de dezembro de 2005, regulamenta o uso da Língua
de Sinais e da educação bilíngue para os surdos:

Art. 22. As instituições federais de ensino responsáveis pela educação


básica devem garantir a inclusão de alunos surdos ou com deficiência
auditiva, por meio da organização de:
I - escolas e classes de educação bilíngue, abertas a alunos surdos e
ouvintes, com professores bilíngues, na educação infantil e nos anos iniciais
do ensino fundamental;
II - escolas bilíngues ou escolas comuns da rede regular de ensino, abertas
a alunos surdos e ouvintes, para os anos finais do ensino fundamental,
ensino médio ou educação profissional, com docentes das diferentes áreas
do conhecimento, cientes da singularidade linguística dos alunos surdos,
bem como com a presença de tradutores e intérpretes de Libras - Língua
Portuguesa.
§ 1o São denominadas escolas ou classes de educação bilíngue aquelas
em que a Libras e a modalidade escrita da Língua Portuguesa sejam
línguas de instrução utilizadas no desenvolvimento de todo o processo
educativo.(BRASIL, 2005)

12.2 – O professor
Ao assumir o compromisso de ensinar seus alunos em sala de aula e
levando em conta suas individualidades e peculiaridades de aprendizado e
desenvolvimento, o professor muitas vezes não foi preparado para atender um
aluno surdo presente e que necessita do conteúdo em Libras além de adaptações
que viabilizem sua aprendizagem.
A interação em sala e em sociedade dá-se por meio dos processos
comunicativos estabelecidos. Como imaginar a educação do surdo sem o principal
meio de comunicação, a língua de sinais?

NÚCLEO COMUM
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METROPOLITANA DE
O professor deverá receber todo apoio necessário para que sua formação

SANTOS
contemple o aprendizado da Língua de Sinais assim como conhecimentos de
estratégias apropriadas para o atendimento do aluno surdo em sala de aula, já que
não basta apenas aceitar sua matrícula. É preciso acolhê-lo, promover a integração
com os demais colegas e assim, trabalhar em equipe: família, escola e comunidade.
A interação de todos com certeza irá favorecer a aprendizagem dos alunos,
sejam eles surdos ou ouvintes. Mas é necessário reforçar a importância da mudança
na pedagogia ao envolvermos alunos surdos. O processo não deverá ser o mesmo
utilizado no currículo ouvinte. Adequações significativas deverão ser realizadas para
a contribuição efetiva na prática.
Há de se considerar, ainda, que as pessoas surdas têm acesso ao mundo
pela visão, aspecto que deve ser respeitado no ensino de alunos surdos.

É fundamental que o professor:

 Ø Respeite seu aluno e o receba de forma humana e acolhedora;


 Ø Busque estratégias e métodos diferenciados que auxiliem no aprendizado;
 Ø Incentive atitudes de respeito, amizade e solidariedade entre todos os
alunos;
 Ø Mantenha contato constante com a família da criança;
 Ø Busque orientação com a equipe escolar e faça encaminhamentos
profissionais, se necessário;
 Ø Busque conhecimento sobre a surdez e possibilidades educacionais;
 Ø Busque aperfeiçoamento para melhor a qualidade de seu trabalho;

NÚCLEO COMUM
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METROPOLITANA
Aula 13_Primeiros Anos Escolares
DE
SANTOS
A vida escolar das crianças surdas começa muito cedo. Ainda bebês são
expostos a treinos, terapias, estimulações que visam um melhor desempenho no
futuro. Os primeiros anos de vida já constituem períodos de dificuldades: a surdez e
suas consequências, a família, a comunicação, a compreensão das coisas. Quanto
mais cedo a família buscar ajuda e orientação será melhor para a criança.
Há um período critico em que os pais, inconformados, buscam curas
milagrosas, alternativas e novos exames que possam trazer outro diagnóstico, outra
perspectiva. É uma fase em que todos à sua volta estão emocionalmente
desorganizados, inseguros e a criança fica em compasso de espera, sendo
prejudicada por não estar realizando os atendimentos necessários e direcionados
que irão beneficiá-la. Sem um ambiente propício, onde ela possa desenvolver sua
língua natural e interagir, onde a aceitem independentemente do modo como se
comunica, tudo pode ficar muito ruim.
É fundamental o enfrentamento da família em face da notícia da surdez. O
apoio dos pais será decisivo para a segurança da criança que deverá iniciar
precocemente um trabalho incessante para adaptar-se a uma sociedade ouvinte.

http://mdemulher.abril.com.br/blogs/jogo-rapido-educacao/educacao-infantil/como-escolher-a-pre-escola-para-seu-filho/

É muito comum que os pais, até por orientação médica, forçarem a


oralização como forma de normalizar a criança. Essa nem sempre é a solução ideal.

NÚCLEO COMUM
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METROPOLITANA DE
Sem a sua língua natural ela estará perdendo tempo precioso que poderia ser

SANTOS
utilizado aprendendo as coisas de forma natural e prazerosa.
A realidade ainda não é a ideal para a educação como um todo, aqui em
nosso país não é diferente. A educação dos surdos assim como a de pessoas com
qualquer tipo de deficiência ou limitação ainda atravessa graves problemas.
Um dos grandes entraves é a falta de preparo dos professores e das
instituições escolares para recebê-los, mesmo existindo uma legislação que prevê o
ingresso e a permanência de modo adequado.
Tanto para os alunos que são encaminhados para as escolas especiais
quanto os que iniciam sua escolarização no ensino regular incluídos nas salas com
os ouvintes a problemática existe, não são feitas adaptações curriculares, não há
professores que saibam a língua de sinais e os materiais e atividades não são
elaborados para esse alunado.
É certo que todas as crianças necessitam de estímulos, das interações com
outras crianças, de carinho e atenção que permita um desenvolvimento em todos os
aspectos. As crianças surdas não são diferentes, elas necessitam do convívio, das
trocas afetivas que irão beneficiar seu aprendizado e ajudá-las a conhecer sobre o
mundo.
Na escola, seja especial ou regular é fundamental um planejamento
adequado, ações pensadas para atender as suas particularidades e professores que
tenham formação adequada para estarem ali, com aquele grupo, tendo consciência
de seu papel e de suas possibilidades de realizar o trabalho.
Nas escolas de educação para surdos é desejável que o nível do aprendizado
seja condizente com a faixa etária, que a preocupação seja a qualidade do ensino,
que seja significativo e atenda às suas necessidades. É desejável que os alunos
sejam preparados gradativamente para frequentar o ensino regular e que, chegando
lá, possam receber a atenção devida.
Nas classes de inclusão deve haver uma preocupação com estratégias
adequadas para que esse aluno esteja lá: aprendendo, interagindo, crescendo em
todos os aspectos. O professor deve estar preparado para saber lidar com situações
de preconceito, promover um ambiente de solidariedade e igualdade entre os
colegas da turma, saber avaliar seus conhecimentos e sua aprendizagem com

NÚCLEO COMUM
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critérios adequados. Também deve conhecer seus direitos e os de seu aluno. Exigir

SANTOS
a presença do intérprete, de professor auxiliar que possa dividir com ele algumas
tarefas, para que o trabalho seja cada vez melhor. Enfim, deve ser um profissional
consciente e atualizado.
A escola deve estar preparada para receber o aluno e organizar sua equipe
para promover uma permanência com aprendizado e qualidade, contanto com a
parceria da família da criança. Ela deve ser um espaço de oportunidades e de
crescimento.

NÚCLEO COMUM
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METROPOLITANA
Aula 14_Políticas Educacionais
DE
SANTOS
Abordaremos neste capítulo algumas leis em vigor que regulam desde o
diagnóstico do recém-nascido até aspectos educacionais relacionados a pessoas
com surdez.
Citaremos a lei e apresentaremos uma pequena parte dela, em seguida
indicaremos um link de pesquisa para que possam acessa-lo na íntegra.

 Resolução SS - SP Nº 25, de 26 de fevereiro de 2008 – dispõe sobre o


diagnóstico da surdez.

Artigo 1º - O diagnóstico de audição em crianças recém - nascidas de Alto


Risco será realizado em todas as maternidades e hospitais de referência
para Gestação de Alto - Risco do Estado de São Paulo, integrantes ou não
do Sistema Único de Saúde – SUS. (BRASIL,2008)

Acesse: http://www.cremesp.org.br/?siteAcao=LegislacaoBusca&nota=431
(substituído)

 Lei nº 12.303, de 2 de agosto de 2010. – Teste da Orelhinha

“...Art. 1º É obrigatória a realização gratuita do exame denominado


Emissões Otoacústicas Evocadas, em todos os hospitais e maternidades,
nas crianças nascidas em suas dependências...”

Acesse: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Lei/L12303.htm

 Lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002. - Sobre o reconhecimento da Língua


Brasileira de Sinais:

Art. 1o É reconhecida como meio legal de comunicação e expressão a


Língua Brasileira de Sinais - Libras e outros recursos de expressão a ela
associados.
Parágrafo único. Entende-se como Língua Brasileira de Sinais - Libras a
forma de comunicação e expressão, em que o sistema linguístico de

NÚCLEO COMUM
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METROPOLITANA DE
natureza visual-motora, com estrutura gramatical própria, constituem um

SANTOS
sistema linguístico de transmissão de ideias e fatos, oriundos de
comunidades surdas do Brasil.(BRASIL, 2002)

Acesse: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10436.htm

 Decreto nº 5.626, de 22 de dezembro de 2005. - regulamentação da Lei


10.436:

“...Parágrafo único. Considera-se deficiência auditiva a perda bilateral,


parcial ou total, de quarenta e um decibéis (dB) ou mais, aferida por
audiograma nas frequências de 500Hz, 1.000Hz, 2.000Hz e 3.000Hz.
...Art. 3o A Libras deve ser inserida como disciplina curricular obrigatória
nos cursos de formação de professores para o exercício do magistério, em
nível médio e superior, e nos cursos de Fonoaudiologia, de instituições de
ensino, públicas e privadas, do sistema federal de ensino e dos sistemas de
ensino dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
....Art. 4o A formação de docentes para o ensino de Libras nas séries finais
do ensino fundamental, no ensino médio e na educação superior deve ser
realizada em nível superior, em curso de graduação de licenciatura plena
em Letras: Libras ou em Letras: Libras/Língua Portuguesa como segunda
língua.
“§ 1o A formação do instrutor de Libras pode ser realizada também por
organizações da sociedade civil representativa da comunidade surda, desde
que o certificado seja convalidado por pelo menos uma das instituições
referidas nos incisos II e III.”
...Art. 13. O ensino da modalidade escrita da Língua Portuguesa, como
segunda língua para pessoas surdas, deve ser incluído como disciplina
curricular nos cursos de formação de professores para a educação infantil e
para os anos iniciais do ensino fundamental, de nível médio e superior, bem
como nos cursos de licenciatura em Letras com habilitação em Língua
Portuguesa.
...Art. 14. As instituições federais de ensino devem garantir,
obrigatoriamente, às pessoas surdas acesso à comunicação, à informação
e à educação nos processos seletivos, nas atividades e nos conteúdos
curriculares desenvolvidos em todos os níveis, etapas e modalidades de
educação, desde a educação infantil até à superior.

NÚCLEO COMUM
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METROPOLITANA DE
...Art. 17. A formação do tradutor e intérprete de Libras - Língua Portuguesa

SANTOS
deve efetivar-se por meio de curso superior de Tradução e Interpretação,
com habilitação em Libras - Língua Portuguesa.” (BRASIL, 2005).

Acesse: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2005/decreto/d5626.htm

 Resolução CNE/CEB Nº 2 de 11 de setembro de 2001 - sobre a educação de


alunos com necessidades educacionais especiais

§ único. O atendimento escolar desses alunos terá início na educação


infantil, nas creches e pré-escolas, assegurando-lhes os serviços de
educação especial sempre que se evidencie, mediante avaliação e
interação com a família e a comunidade, a necessidade de atendimento
educacional especializado.(BRASIL,2001)

Acesse: http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/CEB0201.pdf

 Lei nº 9.394 de 20 de dezembro de 1996. - sobre a educação especial

Art. 58. Entende-se por educação especial, para os efeitos desta Lei, a
modalidade de educação escolar, oferecida preferencialmente na rede
regular de ensino, para educandos portadores de necessidades especiais.
§1º Haverá, quando necessário, serviços de apoio especializado, na escola
regular, para atender as peculiaridades da clientela de educação
especial.(BRASIL, 1996)

Acesse: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm(substituído).

 Lei nº 11.796, de 29 de outubro de 2008 - dispõe sobre a instituição do Dia


Nacional dos Surdos.

“Art. 1º - Fica instituído o dia 26 de setembro de cada ano como o Dia


Nacional dos Surdos”.

Acesse: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11796.htm

NÚCLEO COMUM
58
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METROPOLITANA DE
Decreto nº 3.691, de 19 de dezembro de 2000. - Lei do Passe Livre

SANTOS
Regulamenta a Lei no 8.899, de 29 de junho de 1994, que dispõe sobre o
transporte de pessoas portadoras de deficiência no sistema de transporte coletivo
interestadual.

Acesse: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D3691.htm

 Lei nº 12.319, de 1º de setembro de 2010 - regulamenta a profissão de


Tradutor e Intérprete da Língua Brasileira de Sinais.

“....Art. 2o O tradutor e intérprete terá competência para realizar


interpretação das 2 (duas) línguas de maneira simultânea ou consecutiva e
proficiência em tradução e interpretação da Libras e da Língua
Portuguesa. “

Acesse: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Lei/L12319.htm

 Lei nº 8160, de 08 de janeiro de 1.991. - regulamentação do Símbolo


Internacional de Surdez

"Art.1.- É obrigatória a colocação, de forma visível, do ‘Símbolo


Internacional de Surdez" em todos os locais que possibilitam acesso,
circulação e utilização por pessoas portadoras de deficiência auditiva, e em
todos os serviços que forem postos à sua disposição ou que possibilitem o
seu uso. (BRASIL, 1991)

Acesse: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8160.htm

NÚCLEO COMUM
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METROPOLITANA DE
SANTOS

http://www.dicionariolibras.com.br/website/portifolio_detalhar.asp?cod=124&idi=1&moe=6&id_portifolio=2519

NÚCLEO COMUM
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METROPOLITANA
Aula 15_Métodos de Alfabetização
DE
SANTOS
Uma das etapas de escolarização mais importante no percurso escolar das
crianças é a alfabetização. É uma fase complexa em que as crianças surdas
costumam sentir muitas dificuldades.
Com a proposta de inclusão em escolas regulares este processo mostra-se
ainda mais difícil quando tratamos da alfabetização de crianças surdas, pois elas
encontram barreiras de comunicação que dificultam as práticas de letramento.
A primeira dificuldade é que a maioria dos professores ainda não domina a
Libras e, com isso, dificulta a aprendizagem, pois, impedem o acesso a um ensino-
aprendizagem eficiente, e pautado em sua língua, que é garantido por lei.
As crianças surdas não dominam a língua oral naturalmente e, portanto,
apresentam dificuldade no estabelecimento da relação grafema-fonema, que seria
um pré-requisito para iniciar o processo.
Crianças ouvintes aprendem a escrever a Língua Portuguesa utilizando como
base a oralidade, relacionam o que está escrito com o que se fala e ouve. A criança
surda irá relacionar o escrito com o que ela vê: imagens, objetos, ações, expressões
e é, claro: os sinais. Portanto, devemos buscar alternativas para a criança surda
independente dessa possibilidade.
Para o desenvolvimento do processo de alfabetização com o surdo, há
também diversidade metodológica. Entre os métodos que se destacam estão: o
global e o analítico-sintético.

15.1 - Método global


Para a utilização do método global devem ser observados alguns requisitos
básicos, tendo em vista o histórico de cada criança. Este método é indicado para
alunos que iniciaram atendimento educacional e clínico assim que detectada a
surdez e, portanto, participaram de programas de estimulação precoce utilizando
aparelhos de amplificação sonora individual.

No período pré-escolar ela deverá estar desenvolvendo:

NÚCLEO COMUM
61
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METROPOLITANA DE
- A aquisição de linguagem em nível de recepção e emissão oral do Português e/ou

SANTOS
utilização da Língua Brasileira de Sinais;
- O treinamento auditivo feito por profissionais e reforçado em casa irá ajudar em
pistas auditivas que são necessárias nesse método;
- O trabalho irá estimular as funções e habilidades de coordenação viso-motora
global; a coordenação motora fina; a percepção figura-fundo; a constância
perceptual; a posição espacial;

É importante observar que esse método é eficaz quando a criança não


apresentar distúrbios perceptuais (espelhamento, problema de memória, etc.).
O professor irá ter como obstáculos nesse método o déficit de audição e de
linguagem do aluno.
Inicialmente o professor deverá criar textos com linguagem acessível, que
estejam dentro da faixa etária da criança e que tratem de forma simples de assuntos
interessantes. O objetivo é dar condições para que os alunos adquiram vocabulário
básico da vida diária.

Materiais para o trabalho com as crianças surdas no processo de alfabetização:

 Textos produzidos pelos alunos e professores que formam um todo;


 Cartazes contendo os textos em letras de imprensa e ilustração feita pelos
alunos;
 Fichas com as frases dos textos; vocabulário (do tipo dicionário visual);
 Material de Análise Silábica;

Propostas de atividades neste método:

 O trabalho com eles deve pautar na observação do concreto: cores, formatos,


tamanhos;
 Criação de personagens, maquetes, bonecos para dramatizar;
 Montagem de cartaz para leitura de texto;
 Todos os textos trabalhados devem ser vivenciados pelos alunos;

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Montagem de cartazes com texto pela turma, inclusão de ilustrações;

SANTOS
Exercícios de fixação, atividades de compreensão.

Vale ressaltar que as trocas de letras feitas pelos alunos surdos não são as
mesmas que ocorrem com os ouvintes. Suas trocas ocorreram por não conseguir
distinguir a palavra via leitura orofacial ou, por esquecimento de como é a grafia da
palavra, pois, estes alunos trabalham basicamente com a visualização e
memorização.

15.2 - Método analítico-sintético


Este método é mais indicado para alunos surdos que não tiveram estimulação
precoce, que tiveram diagnóstico tardio de surdez e ingresso tardio na escola.
Também utilizamos com alunos que apresentam dificuldade de memorização.
Caracteriza-se por explorar o todo significativo e as partes simultaneamente.

Dentro desse método, o professor poderá partir:

 Da palavra, passando para a frase, formando um texto, retirando novamente


a palavra para decompô-la em sílabas;
 Da frase, retirando a palavra para chegar à sílaba;
 Da estória, retirando a palavra-chave para depois destacar a sílaba.

Esse método confere mais autonomia para o aluno, permitindo que ele
reconheça palavras, forme novos vocábulos, formule frases e chegue a organizar
uma história.
É fundamental que o processo seja baseado na língua de sinais que é a
forma de comunicação desse aluno. Portanto, leitura e interpretação, exercícios,
dramatizações não podem ser de forma oral como é feito com alunos ouvintes.
Na escolha do melhor método de alfabetização para o surdo, devem-se levar
em conta as características do aluno, dentro de uma abordagem multissensorial, ou
seja, dar ênfase a todas as pistas: tátil-cinestésica, auditiva, visual e gráfica,
utilizando a Língua Portuguesa e a Língua Brasileira de Sinais.

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O professor deve estar ciente de que o trabalho com esse aluno é de

SANTOS
aquisição de linguagem e não se limita ao simples processo de alfabetização.
Portanto, o tempo esperado para a realização do processo de alfabetização
corresponderá ao ritmo de aprendizagem de cada aluno. Em geral será maior que o
previsto para os alunos ouvintes.

SAIBA MAIS:
Para conhecer mais sobre esse assunto tão importante, leia a reportagem da
Professora Maria Cristina da Cunha Pereira. Ela é linguista da Derdic e professora
da PUC de São Paulo.

http://acervo.novaescola.org.br/formacao/maria-cristina-pereira-fala-aprendizagem-
lingua-portuguesa-criancas-surdas-612889.shtml?page=2

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Aula 16_Libras II
DE
SANTOS
A comunicação em LIBRAS não se resume aos sinais simplesmente, também
são componentes essenciais: expressão facial e movimento do corpo.
Expressão facial: serve como um componente não manual, que auxilia e
reforça ou entona um sinal. Também serve para dar sentido de pontuação a frase,
pedidos, ordens e outros atos da fala. Além disso, está ligada às expressões de
negação/afirmação e traduzem sentimentos dando mais clareza a comunicação.

Soletração: utilizado apenas quando não há um sinal específico para


designar uma palavra. Utiliza-se o alfabeto manual e sua correspondência nas letras
da Língua Portuguesa. Exemplo: nomes de pessoas, endereços, palavras que não
tem ou não se conhece o sinal em Libras.

Estrutura Sintática:
A LIBRAS não obedece aos critérios gramaticais da Língua Portuguesa, pois
como já sabemos é uma comunicação diferenciada. A ordem dos sinais na

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elaboração das sentenças obedece a uma regra própria que reflete a forma como o

SANTOS
surdo reflete e percebe visual e espacialmente a realidade.
Em LIBRAS não se usam preposições nem contrações porque está
incorporado ao verbo.

Exemplo 1:
Eu fui viajar com ele. (LP)
Eu viajar junto ele. (LIBRAS)

Exemplo 2:
Eu dei um presente para o meu irmão. (LP)
Presente dar eu irmão. (LIBRAS)

Exemplo 3:
Qual é o seu nome? (LP)
Nome você + expressão interrogativa. (LIBRAS)

Em LIBRAS não se usam preposições, contrações, artigos e conjunções


porque estão incorporados ao sinal.É comum usar os chamados classificadores em
uma frase.

Classificadores são morfemas que existem em línguas orais e de sinais,


Os classificadores estabelecem um tipo de concordância, pois através de
recursos corporais explicam melhor uma ação, um objeto ou o ser como um todo. Se
eu quiser me referir a um objeto que caiu, eu posso gesticular o objeto caindo, ou se
quero dizer que a porta bateu, posso gesticular a porta batendo. Se quiser dizer que
a bola é grande, posso gesticular a bola e encher a boca de ar para simbolizar a
bola grande.

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SANTOS

http://renata-libras.blogspot.com.br/2013/10/lingua-brasileirad-e-sinais.html

Existem muitas palavras que não têm um sinal específico, por isso é muito
comum em LIBRAS, usar os processos de derivação e composição. A seguir, alguns
exemplos:

Palavras simples: café, pessoa, mãe, cantar.

http://amigasdaedu.blogspot.com.br/2011/04/fichas-em-libras-alimentos.html

Palavras compostas: zebra: cavalo listras (LIBRAS)


açougueiro: homem vender carne (LIBRAS)
calmante: pílula calma (LIBRAS)
pediatra: médico criança(LIBRAS)

Pode-se usar também um sinal convencional com outro indicando a forma do


objeto especificado.

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Tijolo - sinais: retângulo + construção

SANTOS
Cédula – sinais: retângulo + dinheiro

Quando quer indicar uma categoria, usa-se um sinal por categoria ou grupo e
o sinal variados.

Meios de transporte - sinais: carro + variados


Animais – sinais: leão + variados
Frutas – sinais: maçã + variados

http://librasnasescolas.blogspot.com.br/p/frutas-em-libras.html

Em LIBRAS não existe gênero do substantivo, então quando quiser identificar


quanto ao gênero, basta acrescentar o substantivo e o sinal indicativo do sexo
(homem ou mulher).

Prima – sinais: mulher + primo:


Primo - sinais: homem + primo

http://crisblogmeumundo.blogspot.com.br/2010/12/libras-familia.html

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Geralmente os adjetivos (qualidades) aparecem na frase após o substantivo
referido. Por exemplo: Menina bonita, feliz e esperta.
Há plural na LIBRAS quando se indica a quantidade ou usa-se repetidamente
os sinais. Exemplo: Muito - ano/ dois - dia/ três – semana
Quando quer intensificar uma ação, usa-se a repetição exagerada, ou os
advérbios de modo, muito ou rápido.

Por exemplo:
Comer sem parar: COMER - COMER - COMER
Beber sem parar: BEBER - BEBER – BEBER
Existem sinais que apesar de terem uma única forma, têm vários significados. Ex.:
Mergulhar/ mergulhador/ mergulho
Doce/ adocicado/ dulcificar/ adoçar/ edulcorar/ guloseima

Em LIBRAS faz-se também o uso de gírias, gestos informais para


determinadas palavras, apelidos para pessoas e lugares criados para conversas
entre jovens e pessoas íntimas.

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http://angelraid.arteblog.com.br/755837/Serie-Libras-Sinal-de-Facebook/

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Aula 17_O Processo de Leitura e Escrita
DE
SANTOS
Nós, seres humanos, nascemos com os mecanismos de linguagem
específicos da espécie que se desenvolvem normalmente, independente de
qualquer problema existente.
Entretanto, quando o indivíduo nasce em um ambiente linguístico diferente do
seu, podem ocorrer sérias dificuldades. É o caso de crianças surdas, filhos de pais
ouvintes.
A língua de sinais é a língua natural para a pessoa surda e funciona como
suporte do pensamento. Ela é o seu meio de comunicação e através dela ele pode
pensar, planejar, sentir e aprender outras línguas. As crianças surdas, filhas de pais
surdos, têm acesso a língua de sinais desde o nascimento. Quando a criança surda
é filha de pais ouvintes, o conhecimento de sua língua natural pode ocorrer
tardiamente causando atrasos de linguagem, que se reflete em seu
desenvolvimento.
Embora a língua de sinais seja sua língua natural, não é nessa língua que ela
deverá aprender a ler e escrever. A língua de sinais é visual e especial e a língua
oficial do país é auditiva e oral, o que determina que os canais de recepção e
emissão sejam diferentes.
Como consequência, o aprendizado da leitura e escrita para os surdos será
diferente das pessoas ouvintes. Sua leitura de mundo é feita através de experiências
visuais e concretizadas em sua língua natural. No aprendizado da leitura e escrita é
necessário ir do mundo para o texto, dos conhecimentos concretizados na língua de
sinais e que deverão ser traduzidos para o português.
A língua de sinais é organizada no cérebro da mesma forma que as línguas
orais, desse modo, como qualquer língua natural, tem um período ideal para
aquisição. Quando o aprendizado é tardio, ou ocorre de modo deficiente ela
enfrentará sérios problemas. Aprender a Língua Portuguesa é fundamental para
ocorrer o letramento. Para os surdos, o processo de leitura e escrita não é tarefa
fácil e exigirá do educador estratégias específicas.
A leitura e escrita é uma ponte para a sociedade ouvinte, para as informações
que estão ao seu redor e que permitirão entender os contextos, a comunicação e as

NÚCLEO COMUM
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trocas desde a idade escolar até a vida adulta. Através dessa forma de comunicação

SANTOS
o indivíduo surdo poderá de forma eficiente participar do mundo ouvinte.
Letramento é mais do que decodificar os signos escritos, é a utilização eficaz
da leitura e da escrita. Dependerá de uma escolarização real, de um trabalho
adequado e de material de leitura. O resultado positivo gera mudanças nos
indivíduos, consciência e aprimoramento pessoal.
As dificuldades enfrentadas pelos surdos vão desde a educação infantil até o
ensino médio, gerando muitas vezes desânimo, culminando com a evasão do aluno.
O professor deve realizar um trabalho, contando com a comunicação em
língua de sinais, fazendo seu aluno perceber a importância da Língua de Sinais na
modalidade escrita.
Ele deverá aprender a conhecer a diferença entre as duas modalidades
linguísticas e conscientizar-se que o domínio desse processo lhe permitirá ser
compreendido por todos.
Vale ressaltar que a criança está em processo de construção e é fundamental
ter pleno domínio da língua de sinais, para depois, aprender a Língua Portuguesa,
portanto, a família deverá aprender Libras para colaborar com seu desenvolvimento
e aprendizagem.
A leitura deve ser uma das principais preocupações no ensino da Língua
Portuguesa para os surdos, sendo também uma etapa para o aprendizado da
escrita.

No processo de leitura e escrita o professor deve observar alguns critérios


importantes:

- Enfatizar os recursos visuais presentes na produção textual: figuras, ilustrações da


capa e páginas do livro;
- Identificação de lugares, referências temporais e espaciais;
- Explorar o material, revista, livro, cartaz;
- Dar explicações prévias;
- Diversificar as estratégias, com materiais que possam auxiliar a compreensão;
- Auxiliar a criança a utilizar dicionário;

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- Dominar a língua de sinais e/ou ter um interprete de Libras atuando com esse
aluno.
SANTOS
O professor deverá considerar os conhecimentos prévios que dizem respeito
a história de vida do aluno, o que ele traz na memória e suas experiências.

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Aula 18_A Proposta Bilíngue para a Educação dos Surdos

SANTOS
Na proposta bilíngue, a LIBRAS deve ser introduzida como primeira língua e o
Português (ou língua majoritária) como a segunda. A introdução da Língua de Sinais
deve ocorrer o mais cedo possível na educação da criança surda, pois, há um
período crítico para a aquisição da linguagem, o qual se situaria nos primeiros anos
de vida. A exposição à Língua de Sinais possibilitaria a aquisição da linguagem pela
criança surda no período e ativaria a sua competência linguística.
A exposição a LIBRAS, desde o início da vida das crianças surdas garante o
direito a uma língua de fato e, em decorrência dela, um funcionamento simbólico-
cognitivo satisfatório que facilitaria o ensino da Língua Portuguesa.
Dentro da proposta, a Língua de Sinais é uma língua natural, adquirida de
forma espontânea pela pessoa surda em contato com pessoas que a usam. Por
outro lado, a língua, nas modalidades oral e escrita, é adquirida de forma
sistematizada.
Ao adquirir a sua primeira língua e de se constituir como sujeito linguístico, a
criança surda teria oportunidades semelhantes àquelas oferecidas à criança ouvinte.
Além da questão linguística é fundamental estar atento à cultura que a criança
está inserida. Tanto a comunidade surda como a ouvinte tem a sua cultura e, por
isso, uma proposta além de ser bilíngue, deve ser bicultural. Isso é, deve favorecer o
acesso natural do surdo à comunidade surda, permitir que ele se reconheça como
parte integrante dessa comunidade e participe, ainda, na comunidade ouvinte.
As crianças surdas filhas de pais ouvintes devem ser expostas à Língua de
Sinais em um ambiente que valorize essa modalidade de comunicação. Este
ambiente deverá ser favorecido proporcionando o contato da família e de
profissionais com adultos surdos fluentes nessa língua (professores, monitores ou
instrutores), pessoas que representem modelos positivos com quem a criança pode
se identificar na sua diferença. Trata-se do respeito e do reconhecimento de sua
singularidade e especificidade humana.
O surdo deixa de ser visto a partir de uma patologia, e passa a ser
considerado em sua diferença, como pertencente a uma comunidade minoritária, de

NÚCLEO COMUM
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usuários da Língua de Sinais, com a mesma capacidade e potencialidade de

SANTOS
qualquer indivíduo ouvinte.
Para que essa proposta seja implementada é necessária a presença de
monitor/instrutor surdo, visando garantir a apropriação e o ensino da LIBRAS, uma
língua viva, presente na comunidade de surdos, e uma cultura real . O instrutor
surdo é o profissional mais habilitado a atualizar profissionais da escola em LIBRAS
e prepará-los para receber alunos surdos em suas salas de aula/escola. O trabalho
deve vir integrado com um atendimento de apoio à família, visando garantir o
desenvolvimento educacional adequado aos alunos surdos.
A comunicação entre pais surdos e filhos surdos em geral é semelhante à
comunicação entre pais ouvintes e filhos ouvintes. No caso de pais ouvintes e filhos
surdos, as interações comunicativas podem ser muito deficitárias, dependendo do
tipo de informação recebida após o diagnóstico dos filhos e das perspectivas
realistas ou não dadas sobre como se desenvolverá a comunicação deles.
Nota-se que algumas famílias, por não se encontrarem preparadas para se
confrontarem com a surdez de seus filhos rejeitam a LIBRAS e buscam formas de
oralização. Impedem assim a interação da criança com outros surdos. Essa postura
gera o afastamento afetivo, desvalorização e isolamento, fatores que irão refletir em
seu desenvolvimento.
Ao aceitar, aprender e permitir a língua de sinais no dia a dia da criança, a
família reaproxima-se e melhora a interação e as expectativas de desenvolvimento.
Além disso, pensando nos aspectos emocionais da criança surda, os pais
ouvintes devem estabelecer contato com membros da comunidade surda e com os
serviços especiais a ela destinados.
A educação dessas crianças, através de uma perspectiva bilíngue se
concretiza somente com acesso à Língua de Sinais, por meio de interações sociais
com as pessoas surdas que garantam práticas comunicativas apropriadas ao
desenvolvimento pleno, cognitivo e linguístico.
Pais de crianças surdas devem interagir com outros pais e assim examinar as
questões relativas a educação de seus filhos, promovendo interações saudáveis e
que promovam o crescimento e aprimoramento de seus filhos.

NÚCLEO COMUM
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Aula 19_O Trabalho da Equipe Multidisciplinar
DE
SANTOS
O diagnóstico da surdez de uma criança é, sem dúvida, difícil de ser aceito
pela maioria das famílias. Em geral os pais experimentam sentimentos de tristeza,
medo, frustração, rejeição e negação. Apesar de estarem diante de uma realidade
atestada por médicos, sempre existem muitas dúvidas sobre o assunto.
Os pais tendem a achar um “culpado” para aquele acontecimento, tentam
“curas milagrosas” e, aos poucos começam as levantar questões a respeito de como
lidar com a situação, dentro das expectativas dadas e diante das primeiras
orientações recebidas:

 O que faremos? Há cirurgias possíveis?


 Qual será o tratamento? Meu filho vai falar?
 Quais serão as despesas? Será que teremos como pagá-las?
 Meu filho terá que falar por “sinais”?

Em geral, crianças com surdez, consequentemente apresentarão distúrbios


de fala e linguagem devem ser atendidas por uma equipe multidisciplinar, composta
de: pediatra, neuropediatra, otorrinolaringologista, fonoaudiólogo e psicólogo.
Este acompanhamento deve ser integral e iniciar-se desde o diagnóstico. A
evolução do tratamento também varia muito em função do envolvimento familiar.
Crianças bem assistidas pelos familiares que buscam acompanhar o tratamento,
participando de cada etapa com interesse e carinho, conseguem melhores
resultados e com menos tempo.
Estudos mostram que famílias que dão pouco ou nenhum suporte à suas
crianças surdas, ignorando as terapias, sem interesse pelas necessidades da
criança, produzem resultados negativos e dificultam a evolução da criança, tanto do
ponto de vista da aprendizagem quanto dos aspectos emocionais.
Sabemos que a reorganização familiar nesse caso, leva algum tempo e que
alguns pais nunca aceitam realmente o fato, porém, eles devem ser esclarecidos e
amparados por estes profissionais.

NÚCLEO COMUM
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METROPOLITANA DE
Conhecendo as reais possibilidades de sua criança, os pais poderão tomar

SANTOS
decisões que irão beneficiá-la.
Pais que se distanciam de seus filhos num momento tão complicado podem
estar prejudicando o desenvolvimento de linguagem, cognitivo e emocional. Por isso
é fundamental serem orientados por profissionais preparados para isso. Serão eles
que irão integrar as intervenções médicas e terapêuticas que serão necessárias para
a criança e seus pais.
A partir do diagnóstico feito pelo médico, deverão ser realizados os testes
para viabilizar a adaptação de próteses auditivas. O fonoaudiólogo é o profissional
que irá realizar esse trabalho, assim como as terapias visando o desenvolvimento da
linguagem, treinamento auditivo, etc.
Vale ressaltar que exames auditivos e neurológicos devem ser repetidos
periodicamente, a fim de avaliar se houve evolução no quadro, se há modificações a
serem feitas, inclusive a respeito do tipo de aparelho auditivo e seus ajustes.
O psicólogo irá atuar na orientação dos pais sobre as questões emocionais
que envolvem a situação e poderá também acompanhar a criança.
As fases e necessidades devem ser constantemente avaliadas pela equipe
em conjunto com a família e a equipe escolar. O trabalho do psicopedagogo e de
professores itinerantes será necessário para o esclarecimento de dúvidas e para que
a criança possa transpor os obstáculos. Outros profissionais podem ser solicitados
em função das necessidades da criança.
Para que o trabalho traga resultados positivos é necessário que a família
esteja presente e participativa, avaliando sempre os rumos do atendimento dado a
sua criança.

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Aula 20_Desafios na Educação dos Surdos
DE
SANTOS
“...O pensamento não é simplesmente expresso em palavras, é por meio
delas que ele passa a existir...” (Vygotsky 1989, p.108).
Com base nisso defende que a relação social e linguística tem relevância na
formação do indivíduo e destaca o meio social como responsável pelo atraso na
linguagem nas crianças:
Segundo Goldfeld, os problemas comunicativos e cognitivos da criança surda
tem origem no meio social que frequentemente não é adequado, pois, não utiliza a
língua de sinais que a criança tem condições de adquirir de forma espontânea.
(1997, p.53).
Conforme já visto em aulas anteriores, a partir da lei 5626/05 as pessoas
surdas tiveram o reconhecimento de sua língua e do direito de uso. Essa lei orienta
em seu 14º artigo que:

As instituições de ensino devem garantir, obrigatoriamente, às pessoas


surdas acesso à comunicação à informação e à educação nos processos
seletivos, nas atividades e nos conteúdos curriculares desenvolvidos em
todos os níveis, etapas e modalidades de educação, desde a educação
infantil até à superior; sendo previsto o ensino da Língua Portuguesa, como
segunda língua para pessoas surdas. (BRASIL. 2005)

Entretanto, percebe-se descompasso entre as políticas educacionais para


surdos e suas práticas pedagógicas no que se refere ao ensino de língua
portuguesa.
A língua de sinais passou a ser difundida nas instituições de ensino. Embora
possua uma estrutura gramatical diferente na Língua Portuguesa ela é, sem dúvida
importante para a inclusão dos surdos brasileiros, pois eles beneficiam-se com seu
uso e em sala de aula e ela facilita o trabalho pedagógico.
Entretanto, mais do que isso, esses alunos deveriam ser considerados na
elaboração dos currículos na educação, pois, não se trata simplesmente de aceitar a
matrícula do aluno, mas sim de proporcionar a eles uma educação de qualidade.

NÚCLEO COMUM
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METROPOLITANA DE
Percebemos diversos problemas no processo de inclusão dos alunos surdos,

SANTOS
sendo a falta de professores capacitados um deles. Outro grande entrave à uma
trabalho satisfatório é a falta de materiais e recursos, pois, em geral, os que são
oferecidos são pensados por pessoas ouvintes e para alunos ouvintes, ou seja,
desconhecem as dificuldades e o que poderia melhorar o trabalho e facilitar a
aprendizagem.
Considerando-se que a grande maioria dos alunos surdos vem de famílias
ouvintes, chegamos também à conclusão que uma grande parte deles não tem
contato com a língua de sinais em seus lares. Esse conhecimento de sua língua só
ocorrerá a partir do convívio com seus pares, muito provavelmente quando
ingressarem no ambiente escolar, o que já significa um atraso importante no
desenvolvimento cognitivo e conhecimento de mundo da criança . Portanto, a
criança já ingressa nos bancos escolares com grande defasagem em relação aos
demais.
A proposta bilíngue assim como entendemos fica extremamente prejudicada
devido a tantas dificuldades de acesso da criança à sua língua natural. É um
prejuízo difícil de mensurar.
Além disso, de acordo com as causas e tipos de surdez temos ainda uma
diversidade de situações: crianças que nascem surdas, outras que adquirem a
surdez após o nascimento o que pode ocorrer antes ou depois da aquisição da
língua oral. Verificam-se então crises de identidade dentro do próprio grupo. São os
surdos que utilizam somente a língua de sinais, os oralizados, os bilíngues e alguns
que não foram inseridos numa língua para sua comunicação, que ficaram à margem
da sociedade.
Não raro, as crises familiares devido a descoberta da deficiência, que tomam
dimensões maiores na medida em que se percebe as consequências do problema: o
diagnóstico, a falta da comunicação em família, a rejeição da língua de sinais em
família, problemas de aprendizagem, problemas comportamentais, fracasso escolar
da criança, frustração dos pais.
A representação dos membros da comunidade surda ainda é pequena e nem
sempre traduzem as reais necessidades do grupo. O que seria um trabalho de
inclusão acaba sendo um processo que exclui.

NÚCLEO COMUM
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METROPOLITANA DE
Principais dificuldades enfrentadas:


SANTOS
Professores ouvintes que desconhecem a língua de sinais e trabalham em
salas mistas (surdos e ouvintes).
 Falta de intérprete de libras.
 Profissionais que desconhecem métodos e técnicas que proporcionariam ao
aluno a proficiência em português escrito.
 Concepção de que a oralidade é condição indispensável para o ensino da
escrita.
 Escolas inclusivas, onde não há sala de recursos.
 Profissionais que desconhecem as particularidades dos alunos surdos e,
portanto não reconhecem seu potencial para aprender.

Para que haja uma mudança realmente significativa na situação atual é


preciso que todos os fatores levantados sejam considerados para uma verdadeira
transformação na educação dos surdos. Oferecer cursos de Libras é insuficiente,
afinal, estamos formando cidadãos, que apesar de suas limitações podem alcançar
um estágio de completa autonomia e produtividade. Portanto, devem ter uma
formação adequada que lhes proporcione um futuro digno e feliz.

Referências:
Goldfeld, M. A. A criança surda: linguagem e cognição numa perspectiva sócio-
interacionista. São Paulo, Plexus, 1997.
Vygotsky, L. S. Pensamento e linguagem., 2. ed. – Martins Fontes , São Paulo,
1989.

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Aula 21_Dificuldades de Aprendizagem
DE
SANTOS
O desenvolvimento acadêmico dos surdos tem sido um objeto de
preocupação dos educadores. Determinações constitucionais preveem organização
especial de currículos, desenvolvimento de métodos, técnicas e recursos
educacionais, além de professores especializados e capacitados. O problema
linguístico cognitivo é apontado como o principal agravante nas dificuldades de
aprendizagem das crianças surdas.

http://professorrobertoaires.blogspot.com.br/2011/09/escrita-do-surdo-professor-roberto.html

A criança sendo surda não recebe estímulos auditivos e não consegue


aprender a língua oral. A falta da compreensão da língua falada a impede de
desenvolver uma linguagem (em geral seus pais são ouvintes).
O tempo também é um fator importante. Já que não escuta, a criança surda
pode chegar à escola com uma deficiência de informações que crianças ouvintes
recebem muitas vezes sem perceber, ouvindo conversas, assistindo televisão e
essas informações não chegam às crianças surdas.
Os primeiros anos de vida já determinam um atraso na linguagem e na
comunicação importantes. Consequentemente seu pensamento também não se
desenvolve e ela enfrentará problemas, pois, ainda pequena ela já estará em
defasagem no seu desenvolvimento cognitivo em relação às crianças de sua faixa
etária.

NÚCLEO COMUM
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Embora a grande maioria das crianças surdas tenha seu intelecto preservado,

SANTOS
sem os estímulos iniciais comuns a todas as crianças ela terá dificuldade em
compreender as crianças de mesma idade e pode afastar-se do convívio.
Para evitar dificuldades maiores, a família deverá empenhar-se e buscar
ajuda e orientação com o professor e os profissionais que deverão atendê-la
(fonouadiólogo, psicopedagogo e psicólogo).
As dificuldades verificadas são diversas, até porque, cada criança tem seu
histórico: temos alunos oralizados, surdos profundos que nunca foram estimulados
antes de ingressar na escola, surdos filhos de pais surdos que já nascem
aprendendo Libras, etc.
A maior dificuldade enfrentada por esses alunos é que, tendo um aprendizado
através de experiências eminentemente visuais e privado dos sons, ao ingressar na
escola, é direcionado para ser instruído em uma língua que não entende, que não
houve, que tem uma estrutura diferente da sua. Não se trata apenas de aprender
outra língua, como os ouvintes. Esperam que ele aprenda e utilize com a sociedade
uma língua oral auditiva que vai contra sua condição e contra suas possibilidades.
De qualquer modo, essa dificuldade enfrentada pelas crianças surdas é
conhecida e tem se buscado equacioná-la, embora não haja ainda uma fórmula de
sucesso que atenda a todos.
Entretanto, a criança ainda poderá apresentar outras dificuldades. É
importante o professor estar atendo e verificar se são dificuldades em uma disciplina
ou em várias. Se a dificuldade está em um conteúdo somente, ou se ela é geral.
Quando se verificam dificuldades de aprendizagem em vários conteúdos é
preciso tomar medidas mais abrangentes.
O professor deverá informar a coordenação escolar e solicitar reunião com os
pais. Em alguns casos a criança poderá ser encaminhada para outros profissionais
que possam investigar melhor:
O importante é que as medidas sejam tomadas visando à solução das
dificuldades da criança.

NÚCLEO COMUM
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Aula 22_Avaliação de Aprendizagem
DE
SANTOS

http://www.tribunadabahia.com.br/2013/05/27/surdez-atinge-5-das-criancas

Avaliação é um recurso que o professor utiliza para verificar a aprendizagem


do seu aluno assim como constatar quais são as suas dificuldades. A intenção desta
avaliação deve ser a de planejar novas estratégias que possam atingir o aluno e
ajuda-lo a ultrapassar obstáculos.
Quando a avaliação é diagnóstica ela pode servir para detectar problemas
de aprendizagem, ou até mesmo testar os conhecimentos prévios de alunos recém
chegados ao ambiente escolar.
A avaliação também poderá ter a função de promoção, nesse caso ela deve
ser contínua. Isso significa que o aluno deve ser avaliado diariamente para que seus
progressos sejam percebidos. As provas periódicas não devem servir como único
objeto de avaliação e sim as observações diárias dos alunos, pois, estas é que irão
demonstrar o quanto o aluno aprendeu, suas participações e nível de produtividade.
As avaliações feitas aos alunos também servem para que o professor se auto
avalie constantemente. Deverá ter senso crítico em relação a como expõe os
conteúdos, quais as estratégias que tem utilizado, quais as dúvidas que tem
conseguido esclarecer ou não, enfim, como tem conseguido contribuir para a
aprendizagem do seu aluno e como poderá melhorar suas prática docente.
Todos os profissionais da instituição deverão estar conscientes de que o mais
importante é que os alunos consigam aplicar os conhecimentos adquiridos em seu

NÚCLEO COMUM
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dia a dia, de forma que esses conhecimentos possibilitem uma existência de

SANTOS
qualidade e o pleno exercício da cidadania.

No caso dos alunos surdos, é fundamental considerar alguns aspectos:

 Suas dificuldades de aprendizagem são muito peculiares e, portanto, devem


ser utilizados critérios de avaliação diferentes dos que são aplicados com os
demais alunos ouvintes.
 Devido à utilização de sua língua materna (Libras) na comunicação, ele terá
dificuldades com a Língua Portuguesa, que tem estruturas diferentes. Isso
deve ser considerado sempre.
 O seu desempenho muito abaixo dos demais em Língua Portuguesa, que
será percebido na leitura, escrita e interpretação de textos, não pode servir de
referência para medir se os conteúdos foram aprendidos.
 O professor deve estabelecer conceitos a serem avaliados e qual a melhor
forma de avaliar.

Para que não seja feita uma avaliação injusta é fundamental que o professor esteja
atento a alguns aspectos importantes:

 Saber que a Língua de Sinais é sua primeira língua e que a Língua


Portuguesa é considerada sua segunda língua, não sendo aprendida de
forma natural como a primeira;
 O aluno surdo deve ter assegurada sua comunicação em LIBRAS, portanto, a
presença do intérprete em todos os momentos, inclusive durante as
avaliações, e imprescindível;
 O aluno também deve ter acesso ao dicionário permanentemente;
 Nunca comparar o texto escrito pelo aluno surdo com o texto de outro,
ouvinte. Ele poderá apresentar textos com vocabulário empobrecido, frases
aparentemente sem sentido e muito semelhantes a estrutura da LIBRAS, que
é sua língua natural;

NÚCLEO COMUM
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Núcleo de Educação a Distância


METROPOLITANA DE
Não supervalorizar as habilidades do aluno em Língua Portuguesa, mas

SANTOS
preocupar-se mais com o conteúdo, priorizando a coerência, originalidade e
autoria das ideias;
 Certamente as dificuldades que ele apresenta em compreender a Língua
Portuguesa irão interferir em suas próprias produções, desse modo é
fundamental avaliar se o aluno demonstra competência para utilizar os
conhecimentos adquiridos em seu cotidiano, independente do que pode
demonstrar em seus textos.

NÚCLEO COMUM
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UNIVERSIDADE
Núcleo de Educação a Distância
METROPOLITANA
Aula 23_Recursos Pedagógicos e Tecnológicos
DE
SANTOS
Você encontrará abaixo sugestões de materiais interessantes que poderá
utilizar em sala de aula com alunos surdos (e ouvintes).

Primeiras frases em Libras

Baixe gratuitamente caderno de atividade:

http://www.editora-arara-azul.com.br/cadernoacademico/cadernodeatividades.pdf

Atividade para associar as letras do alfabeto com os sinais facilitam a


compreensão da criança.

Alfalibras

NÚCLEO COMUM
86
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METROPOLITANA DE
SANTOS

Domilibras (dominó de animais)

Pesquise no link http://www.brinquelibras.com.br/site_novo/ diversos materiais em


Língua Brasileira de Sinais.

DVD histórias infantis São seis histórias em vídeo em Libras, com áudio e legenda:
As fadas, Dona cabra e os sete cabritinhos, O príncipe sapo, A galinha ruiva, A
galinha dos ovos de ouro, O cão e o lobo.

http://rekcursos.loja2.com.br/2492754-DVD-HISTORIAS-INFANTIS-EM-LIBRAS

NÚCLEO COMUM
87
UNIVERSIDADE
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METROPOLITANA DE
Linha de jogos em Libras:

SANTOS

http://www.xalingo.com.br/

Relógio em Libras

http://oficinadelibras.blogspot.com.br/2012_08_01_archive.html

NÚCLEO COMUM
88
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METROPOLITANA DE
SANTOS
Dicionário Enciclopédico Ilustrado Trilingue (Autores: Fernando Cesar Capovilla,
Walkíria Duarte Raphael, Aline C.L.Mauricio)

http://30porcento.com.br/detalhes.php?proc=9788531411786

 Materiais diversos, fonte Libras, cartilha sobre surdez, atividades de


alfabetização, fichas divertidas => http://acessolibras.com/downloads.html

Alguns recursos tecnológicos utilizados no processo de ensino-aprendizagem e


comunicação entre pessoas com Deficiência Auditiva.

 Dicionário LIBRAS ilustrado, que correlaciona a língua portuguesa escrita e os


sinais.

http://www.dicionariolibras.com.br/website/index.asp?novoserver1&start=1&endereco_site=www.dicionariolibras.com.br&par=&

cupom=&email

 MSN Messager – Possibilita desenvolvimento da comunicação (leitura e


escrita) via internet.

NÚCLEO COMUM
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METROPOLITANA DE
SANTOS

WebLibras -é um software destinado a editores de sites capaz de traduzir todo o


conteúdo para leitores surdos. A nova ferramenta pode ser utilizada por qualquer
pessoa ou empresa que deseje tornar seu site ou blog acessível em Libras, que é o
segundo idioma oficial do Brasil.

O software está sendo disponibilizado gratuitamente, por tempo limitado, para


blogs pessoais e algumas ONGs.

http://www.pcdbrasil.com.br/site/blog.php?p=16

 Software Falibras, que transmite a palavra em português para LIBRAS,


capta a fala através do microfone e exibe no monitor a interpretação
em LIBRAS na forma gestual e animada em tempo real.

 SignWebmessage que é um protótipo de software cujo objetivo é utilizar a


escrita da língua de sinais para comunicação assíncrona na Web que utiliza
tanto LIBRAS como Língua Portuguesa.

NÚCLEO COMUM
90
UNIVERSIDADE
Núcleo de Educação a Distância


METROPOLITANA DE
Signtalk que é uma ferramenta para chat que consta da apresentação

SANTOS
da LIBRAS, da escrita da língua portuguesa e da escrita da língua de sinais.

Acesse alguns jogos interativos que podem ser aplicados com seus alunos na
sala de informática.

http://www.educajogos.com.br/jogos-educativos/alfabetizacao/nome-imagem-libras/

Hand Talk Tradutor para Libras


Eleito o melhor aplicativo social do mundo, pela ONU, o Hand Talk traduz
conteúdos para a LIBRAS, Língua Brasileira de Sinais, que facilita a comunicação
entre Surdos e Ouvintes.

Tecnologia 3D
Hugo. Esse é o nome do boneco de aparência simpática que será o
interlocutor entre o Hand Talk e os deficientes auditivos usuários da tecnologia. Os
criadores realizaram estudos de linguagem corporal e tiveram o cuidado de garantir
que Hugo fosse um personagem atrativo.

https://itunes.apple.com/pt/app/hand-talk-tradutor-para-libras/id659816995?mt=8

Uni Libras
É um dicionário com índice em LIBRAS desenvolvido especialmente para
pessoas com deficiência auditiva. Este aplicativo permite que o usuário encontre
palavras através da língua brasileira de sinais obtendo vídeos, fotos e palavras em

NÚCLEO COMUM
91
UNIVERSIDADE
Núcleo de Educação a Distância
METROPOLITANA DE
português, além de oferecer opções de busca na internet, auxiliando na sua

SANTOS
comunicação em determinados momentos.

-> Busca com índice em LIBRAS;


-> Busca com índice em Português;
-> Vídeos com intérprete de LIBRAS;
-> Download de conteúdo LIBRAS
-> Busca por mais resultados na internet (é necessário acesso a internet)

http://www.unilibras.com.br/

NÚCLEO COMUM
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METROPOLITANA
Aula 24_Libras III
DE
Pronomes Pessoais:
SANTOS
Os pronomes devem ser caracterizados como formas de localização espaço-
temporal no contexto do enunciado. O uso inadequado dos pronomes em Libras é
bastante comum, principalmente o de inverter os sinais EU e VOCÊ. Por exemplo:

LÍNGUA PORTUGUESA LIBRAS

Eu olho para você. EU-OLHAR-VOCÊ

Você olha para mim. VOCÊ-OLHAR-EU

Para criança surda, que utiliza LIBRAS, essa diferença deve ficar clara, pois,
ela indica toda uma contextualização. As pessoas do discurso (EU e VOCÊ) tem a
função de indicar papéis e ações, por isso são tão importantes.

Advérbios de tempo
Na LIBRAS não há marcação de tempo nas formas verbais, é como se os
verbos ficassem na frase quase sempre no infinitivo. O tempo é marcado
sintaticamente através de advérbios de tempo que indicam se a ação está ocorrendo
no presente: HOJE, AGORA; ocorreu no passado: ONTEM, ANTEONTEM; ou irá
ocorrer no futuro: AMANHÃ. Por isso os advérbios geralmente vêm no começo da
frase, mas podem ser usados também no final. Para um tempo verbal indefinido,
usam-se os sinais:

 HOJE, que traz a ideia de “presente”;


 PASSADO, que traz a ideia de “passado”;
 FUTURO, que traz a ideia de futuro.

NÚCLEO COMUM
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METROPOLITANA DE
Adjetivos em LIBRAS:

SANTOS
Os adjetivos são sinais que formam uma classe específica na LIBRAS e
sempre estão na forma neutra, não havendo, portanto, nem marca para gênero
(masculino e feminino), nem para número (singular e plural).
Muitos adjetivos, por serem descritivos e classificadores, apresentam
iconicamente uma qualidade do objeto, desenhando-a no ar ou mostrando-a a partir
do objeto ou do corpo do emissor.
Em relação à colocação dos adjetivos na frase, eles geralmente vêm após o
substantivo que qualifica. Exemplo da frase na estrutura de Libras:
Passado eu gordo muito-comer, agora eu magro evitar comer.

Pronomes demonstrativos e advérbios de lugar


Na LIBRAS os pronomes demonstrativos e os advérbios de lugar têm o
mesmo sinal, somente o contexto os diferencia pelo sentido da frase acompanhada
de expressão facial.
Estes tipos de pronomes e de advérbios estão relacionados às pessoas do
discurso e representam, na perspectiva do emissor, o que está bem próximo, perto e
distante.
Estes pronomes ou advérbios têm a mesma configuração de mãos dos
pronomes pessoais (mão em d), mas os pontos de articulação e as orientações do
olhar são diferentes.
Por exemplo: “está aqui” é um apontar para o lugar perto e em frente do
emissor, acompanhado de um olhar para este ponto. “Aquele lá” é um apontar para
um lugar mais distante, o lugar da terceira pessoa, mas diferentemente do pronome
pessoal, ao apontar para este ponto há um olhar direcionado.

Pronomes possessivos
Os pronomes possessivos, como os pessoais e demonstrativos, também não
possuem marca para gênero e estão relacionados às pessoas do discurso e não à
coisa possuída, como acontece em português:

 EU - meu sobrinho

NÚCLEO COMUM
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METROPOLITANA DE
VOCÊ - teu pai

SANTOS
ELE – seu filho

Para a primeira pessoa: meu (minha), pode haver duas configurações de


mão: uma é a mão aberta com os dedos juntos, que bate levemente no peito do
emissor; a outra é a configuração da mão em P com o dedo médio batendo no peito.
Para as segunda e terceira pessoas, a mão tem esta segunda configuração
em P, mas o movimento é em direção à pessoa referida: segunda ou terceira.

Pronomes Interrogativos
QUE, QUEM, ONDE

Os pronomes interrogativos QUE e QUEM geralmente são usados no início


da frase, mas o pronome interrogativo ONDE e o pronome QUEM, quando está
sendo usado com o sentido de “quem-é” ou “de quem é” são mais usados no final.
Todos os três sinais têm uma expressão facial interrogativa feita simultaneamente
com eles.
A figura abaixo diz respeito a pergunta: “O que você quer?” – em Libras:
VOCÊ QUERER O-QUE ?

http://csslibras.blogspot.com.br/2009_06_01_archive.html

QUAL, COMO, PARA-QUE e POR-QUE

NÚCLEO COMUM
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METROPOLITANA DE
Na LIBRAS, há uma tendência para a utilização, no final da frase, dos

SANTOS
pronomes interrogativos QUAL, COMO e PARA-QUE, e para a utilização, no início
da frase, do pronome interrogativo POR-QUE, mas os primeiros podem ser usados
também no início e POR-QUE pode ser utilizado também no final.

http://www.youtube.com/watch?v=ssHF2A8W9rw

NÚCLEO COMUM
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METROPOLITANA
Aula 25_O Processo de Inclusão
DE
SANTOS
De acordo com a Declaração de Salamanca sobre Princípios, Política e
Práticas na área das necessidades educativas especiais(1994):

 Toda criança tem direito fundamental à educação, e deve ser dada a


oportunidade.
 De atingir e manter o nível adequado de aprendizagem,
 Toda criança possui características, interesses, habilidades e necessidades de
aprendizagem que são únicas,
 Sistemas educacionais deveriam ser designados e programas educacionais
deveriam ser implementados no sentido de se levar em conta a vasta diversidade
de tais características e necessidades,
 Aqueles com necessidades educacionais especiais devem ter acesso à escola
regular, que deveria acomodá-los dentro de uma Pedagogia centrada na criança,
capaz de satisfazer a tais necessidades,
 Escolas regulares que possuam tal orientação inclusiva constituem os meios
mais eficazes de combater atitudes discriminatórias criando-se comunidades
acolhedoras, construindo uma sociedade inclusiva e alcançando educação para
todos; além disso, tais escolas provêm uma educação efetiva à maioria das
crianças e aprimoram a eficiência e, em última instância, o custo da eficácia de
todo o sistema educacional.

A inclusão escolar não é um modo de educar, mas uma forma de garantir que
cada um aprenda, resguardando sua singularidade, A diferença não se opõe a
igualdade e sim a padronização.
De acordo com a nova visão as pessoas com deficiência são detentoras de
direitos, são cidadãos e consumidores com autonomia. Desse modo é preciso
promover ambientes acessíveis, revisão de culturas, políticas e normas sociais.

NÚCLEO COMUM
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METROPOLITANA DE
SANTOS

http://revistaescola.abril.com.br/formacao/falar-maos-432193.shtml

A inclusão educacional ainda hoje vem acontecendo sem um planejamento,


sem a preocupação de que as escolas e instituições precisam ser repensadas e
reorganizadas. Há barreiras arquitetônicas, atitudinais, comunicacionais e
metodológicas.
No caso específico da inclusão educacional dos surdos a realidade ainda é
mais cruel, tendo em vista sua especificidade linguística. Ainda utiliza-se a língua
falada com eles ignorando sua língua de sinais, utilizam métodos e estratégias para
ouvintes e não para surdos, acreditam que é a partir da oralidade que eles poderão
aprender e ser avaliados em sua aprendizagem. Estes problemas ainda aliam-se ao
fato de serem crianças surdas, em sua maioria, filhas de pais ouvintes e que nem
sempre chegam a escola preparadas para comunicar-se em sua língua natural
(Libras), pois, seus familiares não a utilizam, portanto, já chegam em desvantagem
em relação aos demais colegas. A partir daí, recebendo uma instrução destinada
aos ouvintes, fica ainda mais difícil sua aprendizagem e permanência no ambiente
escolar.
É fundamental que o surdo seja considerado como possuidor de uma riqueza
cultural, que a sua língua de sinais seja utilizada em sua comunicação, pois, é seu
direito, e para que ele aprenda o ambiente linguístico precisa ser adequado.
De acordo com o Decreto 5626 de 22 de dezembro de 2005 os alunos surdos
têm direito escolas ou classes de educação bilíngue, professores bilíngues que
garantam a comunicação em Libras, atendimento especializado no contra turno e

NÚCLEO COMUM
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METROPOLITANA DE
utilização de equipamento e tecnologia de informação, entre outros benefícios a eles
destinados.
Não
SANTOS
podemos afirmar que todas as instituições não atendem as
determinações e as necessidades, pois, existem, felizmente, experiências de
sucesso na inclusão dos surdos, entretanto, de modo geral, ainda há muito a ser
feito. Professores e gestores devem estar atentos ao que a lei prevê e mais ainda,
rever constantemente seu trabalho, suas atitudes e seus conceitos em relação ao
trabalho inclusivo.
Recomendamos a leitura da reportagem da Revista Escola acessando o
link: http://revistaescola.abril.com.br/formacao/falar-maos-432193.shtml onde
encontrarão exemplos de trabalhos de sucesso nas salas de inclusão de nosso país.

NÚCLEO COMUM
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METROPOLITANA
Aula 26_Educação de jovens e adultos surdos
DE
SANTOS
Lei nº 9394/96 – art.37 – paragrafo 1º:
Os sistemas de ensino assegurarão gratuitamente aos jovens e aos adultos,
que não puderam efetuar os estudos na idade regular, oportunidades educacionais
apropriadas, consideradas as características do alunado, seus interesses, condições
de vida e de trabalho. Mediante cursos e exames (BRASIL, 1996)

http://surdohk.blogspot.com.br/2012_02_01_archive.html

Quando falamos em EJA para alunos surdos, deparamos com uma difícil
realidade para quem quer aprender, pois, dentro dessa modalidade de ensino é
comum encontrarmos na sala de aula indivíduos sem língua, ou seja, alunos que
não conhecem a Língua Portuguesa e nem a Língua Brasileira de Sinais.
Poderão apresentar sinais estereotipados e próprios e, como muitos não
falam, a comunicação é precária. Alguns podem escrever alguma coisa, seu nome,
endereço, letras soltas, porém, nem sempre sabem o significado do que
escreveram. São homens, mulheres, jovem, adultos e idosos, trabalhadores e
desempregados de todas as origens étnicas, socioeconômicas e culturais, que
buscam no EJA a oportunidade de realizar esse resgate social, sua identidade, sua
cidadania.

NÚCLEO COMUM
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METROPOLITANA DE
Muitos retornam a escola por necessidade, pois, nessa fase da vida

SANTOS
necessitam de algum preparo para ingressar no mundo do trabalho. Um dos
objetivos apontados em pesquisas é o desejo de estarem aptos a tirar a CNH
(Carteira Nacional de Habilitação)
É necessário termos objetivos claro a respeito dessa educação, propiciando a
construção de uma linguagem, auxiliando na organização do pensamento no espaço
e tempo, proporcionando atividades prazerosas e significativas.

A abordagem deve ser apropriada a esse alunado:

 Utilizar temas atuais relacionados à vida, ao trabalho, ao cotidiano, às emoções.


 Trabalhar com jornais, revistas, recursos eletrônicos que gerem discussões e
debates.
 Estudos de meio: passeios, visitas monitoras.
 Viabilizar a elaboração de oficinas e exposições.
 Incentivar o conhecimento sobre profissões e cursos profissionalizantes que
possam interessá-los.

O surdo adulto, quando procura a escola e começa a aprender uma língua,


começa a desenvolver um interessante processo de ampliação das possibilidades
de comunicação e de autonomia da vida social.
Os professores deverão trabalhar primeiramente a Língua de Sinais. Esse
domínio irá facilitar a comunicação e a compreensão da Língua Portuguesa.
Trata-se de uma possibilidade de superação da exclusão social, pois, através
do desenvolvimento linguístico, aprendendo sua língua natural e através do
letramento na língua padrão da comunidade, o convívio será possível e desse modo
suas habilidade sociais serão maiores.
Seja por falta de informação, situações de fracasso, exclusão, imposição de
limitações, independente do que tenha afastado essa pessoa da escola na infância,
lá está ela, almejando encontrar uma nova oportunidade de crescimento individual e
social. Ela busca um ambiente diferente daquele que deixou, em que haja meios de

NÚCLEO COMUM
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METROPOLITANA DE
socialização, uma experiência positiva que mude seu conceito de escola e lhe traga

SANTOS
ganhos significativos.

NÚCLEO COMUM
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METROPOLITANA DE
Aula 27_Fernando Capovilla e Seu Estudo Sobre a Educação dos
Surdos SANTOS
Professor da Universidade de São Paulo, Fernando César Capovilla, é
responsável pelo maior estudo já feito no mundo sobre o desenvolvimento de
cognição e linguagem de estudantes surdos, ele defende a educação bilíngue em
escolas específicas para surdos e é enfático: “Não se rouba a língua de uma
criança”.

www.ip.usp.br

Segundo sua pesquisa que teve início em 2001, na qual foram avaliados
cerca de 9.2 mil crianças e jovens surdos, com idades de 6 a 25 anos, os melhores
resultados foram dos que frequentaram escolas bilíngues, onde os alunos são
surdos e, em muitos casos, os professores também, exigindo o maior uso da Língua
Brasileira de Sinais (Libras).
Os alunos surdos foram submetidos a testes sobre compreensão de leitura,
vocabulário e memória. Capovilla defende a escola em tempo integral e a
alfabetização em Libras. O aprendizado da Língua Portuguesa seria gradativo, com
auxílio da leitura labial. Para ele, até o 7º ano do ensino fundamental as aulas devem
ser integralmente em Libras, para que o aluno adquira um bom vocabulário.

NÚCLEO COMUM
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METROPOLITANA DE
O autor demonstra não concordar com a educação para surdos ministrada

SANTOS
nas salas de inclusão do ensino regular, preconizada pelo Ministério da Educação,
pois, acredita que a cultura surda é depreciada e o trabalho dos intérpretes
educacionais não é satisfatório, devido a falta de uma formação adequada. Ele
acredita numa “inclusão programada”, na qual alunos surdos só convivem com os
demais quando já conseguem se comunicar por Libras, português escrito e leitura
labial.
Analisando os resultados de sua pesquisa e seus estudos, Capovilla não
concorda que a separação dos alunos em escolas específicas para surdos
possa prejudicá-los, porém, ao contrário, quando afirma que estando num
ambiente escolar, com colegas e professores, onde a comunicação não é
eficiente os problemas comportamentais e psicológicos são iminentes. Tais
problemas vão desde o isolamento, até distúrbios de personalidade e
sensação de inadequação social.
O Professor Capovilla concluiu que a inclusão na escola comum com
sala de apoio no contraturno é boa para crianças com deficiência auditiva.
Crianças surdas serão mais bem atendidas em escolas para surdos com
proposta bilíngue.

A linguagem talvez seja a característica mais essencialmente humana,


dentre todas aquelas de que dispomos. E ela se desenvolve naturalmente
quando somos expostos a uma comunidade linguística cuja modalidade de
comunicação é adequada à nossa. Se a modalidade da língua se adequa à
modalidade que a criança tem intacta, o desenvolvimento da linguagem se
dá de modo natural. Isso é de importância crucial, já que a linguagem é o
principal veículo de consciência, aprendizagem, memória, pensamento e
expressão. Privação de desenvolvimento de linguagem é uma das maiores
tragédias a que se pode condenar um ser humano.
(Capovilla, Estadão de 21/08/2008)

Professor Fernando César Capovilla


Professor do Instituto de Psicologia da USP.
Doutor em Psicologia Experimental e livre-docente em Neuropsicologia.

NÚCLEO COMUM
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METROPOLITANA DE
Atua na Avaliação de Desenvolvimento e Distúrbios de Cognição e

SANTOS
Linguagem com Intervenção Preventiva e Remediativa.
Autor de 50 livros e de 400 trabalhos científicos publicados, e coautor de 200
sistemas especialistas de multimídia para diagnóstico, comunicação e reabilitação
cognitiva em distúrbios neuromotores (e.g., paralisia cerebral e esclerose lateral
amiotrófica), neurolinguísticos (e.g., dislexia e afasia) e neurossensoriais (e.g.,
surdez congênita profunda).

SAIBA MAIS:
Entrevista Prof. Fernando Capovilla à Globo News: Libras e educação bilíngue de
surdos: http://www.youtube.com/watch?v=uVbzA7fpJWE

Referências:
http://cmdpdvalinhos.blogspot.com.br/2011_06_01_archive.html - acesso em
15/07/2014.
http://www.porsinal.pt/index.php?ps=destaques&idt=ent&iddest=120 - acesso em
15/07/2014.

NÚCLEO COMUM
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METROPOLITANA DE
Aula 28_Capacitação de Professores do Ensino Fundamental

SANTOS
O professor é peça fundamental para a formação da educação inclusiva, pois,
é quem irá viabilizar na sala de aula as condições necessárias para atender a todos
os alunos em suas necessidades.
O educador, buscando oferecer uma educação igualitária, deve
primeiramente pensar-se como agente inclusivo sentir-se realmente à vontade para
praticar a inclusão em sua sala de aula.
Não se pode pensar na formação de professores para alunos surdos de
maneira isolada, pois, é um trabalho que será refletido na sociedade como um todo.
O professor deve ser preparado para atender o desenvolvimento dos alunos, o ritmo
de aprendizagem de cada um e ter consciência do seu papel de educar e
desenvolver a todos.
Por muitos anos os indivíduos surdos não avançavam no processo
educacional e o pretexto apontado pelos professores era o fato de não serem
oralizados. Desse modo eram considerados incapazes e sem inteligência para
serem instruídos.
A aquisição da Libras e o seu reconhecimento como língua oficial dessa
comunidade abriu novos horizontes para a comunicação e para a educação. O
domínio da Libras por parte dos professores assegura que a educação seja uma
realidade e que esse alunado tenha suas potencialidades reconhecidas e
desenvolvidas ao longo do trabalho pedagógico.

Decreto 5.626 de 22 de dezembro de 2005:

Art. 3º - A Libras deve ser inserida como disciplina curricular obrigatória nos
cursos de formação de professores para o exercício do magistério, em nível
médio e superior, e nos cursos de Fonoaudiologia, de instituições de ensino,
públicas e privadas, do sistema federal de ensino e dos sistemas de ensino
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 2º - Todos os cursos de
licenciatura, nas diferentes áreas do conhecimento, o curso normal de nível
médio, o curso normal superior, o curso de pedagogia e o curso de

NÚCLEO COMUM
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METROPOLITANA DE
Educação Especial são considerados cursos de formação de professores

SANTOS
profissionais da educação para o exercício do magistério.(BRASIL, 2005).

Já há algum tempo, a disciplina Libras faz parte da grade curricular dos


cursos de formação de professores. Entretanto, há diversos profissionais formados
há anos que desconhecem a disciplina e não buscam uma capacitação.
Do mesmo decreto mencionado vemos algumas especificidades relacionadas
à formação dos professores de Libras e dos instrutores:

Art. 4º - A formação de docentes para o ensino de Libras nas séries finais


do ensino fundamental, no ensino médio e na educação superior deve ser
realizada em nível superior, em curso de graduação de licenciatura plena
em Letras: Libras ou em Letras: Libras/Língua Portuguesa como segunda
língua. Parágrafo único. As pessoas surdas terão prioridade nos cursos de
formação previstos no caput.
Art. 5º - A formação de docentes para o ensino de Libras na educação
infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental deve ser realizada em
curso de pedagogia ou curso normal superior, em que Libras e Língua
portuguesa escrita tenham constituído línguas de instrução, viabilizando a
formação bilíngue. (BRASIL, 2005)

Não se pode mais ignorar as mudanças, nem alegar desconhecimento das


propostas. A educação inclusiva é uma realidade. Oferecer uma educação com
oportunidades iguais para todos requer que o professor se sinta preparado para
praticar a inclusão, com uma escola que lhe dê suporte e que também esteja em
condições de realizar um bom trabalho.
A escola deve ser um ambiente transformador, desenvolver a capacidade dos
alunos com a participação dos pais. O professor deve estar preparado para receber
os alunos surdos e realizar um atendimento de qualidade. Em sua formação é
necessário conhecer a história dos surdos, a problemática social, as relações
familiares e escolares, as dificuldades enfrentadas e principalmente dominar a língua
natural desses alunos, que lhe possibilitará traçar relações com a língua de
instrução, indispensáveis a produção do conhecimento.

NÚCLEO COMUM
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Assim, o professor deve compreender a respeito das suas restrições sociais,

SANTOS
familiares e escolares as quais sempre foram submetidos, os nexos políticos com a
sociedade e as formas de constituição do saber.

REFERÊNCIAS:
Decreto nº 5.626, de 22 de dezembro de 2005. (Políticas Educacionais)
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2005/decreto/d5626.htm

NÚCLEO COMUM
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METROPOLITANA
Aula 29_Tradutor e Intérprete de Libras-Língua
DE
SANTOS
Acredita-se que a interpretação em língua de sinais é uma atividade tão
antiga quanto a própria língua e que tenha surgido dentro do meio familiar e de lá se
estendeu a professores de crianças surdas e religiosos.
As pessoas ouvintes, parentes, mestres, amigos dos surdos tentavam
melhorar as condições de vida deles e seu acesso à informação, entretanto, apesar
das boas intenções não eram capacitados para tal função.
No geral, havia uma visão paternalista sobre o sujeito surdo — o que, na
prática, fortalecia a visão do surdo como alguém incapaz de agir sozinho. Eram
comuns interpretações em que o intérprete não apenas interpretava, mas também
filtrava, modificava as informações, de modo a ficarem “mais fáceis para os surdos
entenderem” e, com isso, muito se perdia em termos de informação.
Entretanto, para que a profissão de intérprete de língua de sinais aqui no
Brasil ocorresse de modo formal foi necessário que a Língua Brasileira de Sinais
fosse oficializada.
A Legislação que dispõe sobre o reconhecimento da Língua Brasileira de
Sinais como a língua oficial das comunidades surdas do Brasil e o direito da pessoa
surda de comunicar-se em Libras foram fundamentais no processo de
reconhecimento e formação do profissional intérprete e sua inserção no mercado de
trabalho.

Vamos conhecer as atribuições desse profissional:


O intérprete de libras deve ser um profissional capacitado e/ou habilitado em
processos de interpretação de língua de sinais, deve ter titulação, certificação e
registro profissional reconhecido pelo MEC para atuar em situações formais como:
escolas (ensino básico e superior), eventos culturais, reuniões técnicas, igrejas,
fóruns judiciais, atendimento na área da saúde, mídia televisiva, interlocução
sinalizada no recrutamento e treinamentos de surdo no mercado de trabalho.

NÚCLEO COMUM
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METROPOLITANA DE
Qual a formação desse profissional?

SANTOS
A formação do intérprete de Libras esta em processo, as capacitações
técnicas para esse profissional tem sido ofertadas ao nível de pós-graduação.
Segundo o Decreto n 5.626/2005: “A formação do tradutor e intérprete de
LIBRAS – Língua Portuguesa deve efetivar-se por meio de curso superior de
Tradução e Interpretação com habilitação em LIBRAS – Língua Portuguesa”.
Além do domínio da Libras e do português, ele deve ter conhecimento das
implicações da surdez no desenvolvimento do indivíduo surdo, conhecimento sobre
comunidade surda e dos aspectos culturais próprios deste grupo social e
convivência com membros desta comunidade.
A fluência da língua de sinais é obtida através da prática, sem dispor do
aparato teórico que lhe concederia uma graduação especifica na interpretação e
tradução da Libras.
O que existe de formalizado é o Prolibras, que é aplicado para certificar
pessoas que já são fluentes em língua de sinais – concedendo a proficiência na
língua. A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e o Instituto Nacional de
Educação e Pesquisa (INEP) aplicam essas provas.
A categoria profissional possui código de ética e respaldo institucional em
associações de pessoas surdas, Federação Nacional de Educação e Integração dos
Surdos, Federação Mundial dos Surdos, entre outras.

A atuação deste profissional:


Apesar de ser uma profissão relativamente conhecida pela sociedade, as
suas atribuições ainda são desconhecidas e equivocadas. O intérprete de Libras é
tido como “facilitador”, como suporte técnico, como professor auxiliar e o pior de
todas as atribuições: como “tutor dos surdos”.
O trabalho ainda é contemplado mas, não é visto como técnica do processo
interpretativo. É comum o intérprete ser abordado por pessoas que se referem à
interpretação como um dom ou ainda, questionado quanto a viabilidade de
transmissão integral da mensagem através da Libras e em certas circunstâncias são
suspeitos de facilitarem a situação para os surdo.

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Suas funções ainda geram dúvidas até para si próprios que por vezes se

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sentem na posição de admiradores dos surdos e da língua e não como pessoas
aptas e profissionais para desempenhar as interpretações.

Quais são as atribuições para o exercício da função?


O intérprete é aquele que tem o papel de intermediar a comunicação entre o
idioma do emissor ao idioma do receptor.
Dispõe da capacidade técnica para realizar escolhas lexicais, estruturais e
semânticas apropriadas às duas línguas em tramite na interpretação.
Possibilita tanto ao emissor quanto ao receptor entender e ser entendido nas
nuances de suas respectivas línguas.
Um intérprete de Libras executa um processo mental que opera a
compreensão e a apropriação da mensagem em sua língua na modalidade oral e um
mecanismo para organização e efetuação da interpretação na língua espacial-visual.
Além do que, conta com a presteza da resposta técnica motora.
Entretanto, o profissional intérprete de língua de sinais, ainda é conotado
como apoio didático e recurso estratégico de comunicação com o surdo; em muitas
situações, ainda denominado por portador de deficiência auditiva.
Percebe-se que em muitos casos sua função se confunde com a do professor
de sala, o que não deveria ocorrer. Não compete ao intérprete de Libras a função de
educador, ainda que execute a interpretação no espaço de ensino, seja em nível
básico ou superior, compete à ele a interlocução e a busca de subsídios, referente à
língua de sinais, para desempenhar a tarefa de estabelecer a comunicação entre
surdos e ouvintes.
Não é função de um intérprete repassar conteúdos durante a interpretação,
sua preocupação deve ser a escolha acertada da estrutura e sinalização na
passagem da língua fonte para a língua alvo.
Jamais deverá dar parecer sobre o desempenho do aluno, seu
aproveitamento ou responder como tutor pelo surdo auxiliando-o na realização das
tarefas escolares.
O profissional deve seguir os critérios de neutralidade no desempenho da
função. Apesar disso, percebem-se no dia a dia do seu trabalho, situações em que

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os papéis se confundem: professores que transferem ao intérprete a função de

SANTOS
ensinar, outros professores que ficam incomodados com a presença do intérprete e
a atenção que o aluno surdo e até os demais alunos dispensam a ele e o fato do
aluno surdo confiar muito mais nele do que em seu professor.
Tais situações devem ser equacionadas em função dos benefícios que a
presença do intérprete traz para os alunos surdos.
Em resumo: o intérprete deve ser reconhecido na instituição em que atua
como tal, trabalhar em número suficiente de profissionais para a realização do
trabalho (evitando prejuízos ao desempenho e à saúde), ter o nível de graduação e
formação específica e remuneração condizente com sua função.

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Aula 30_A Comunidade Surda
DE
SANTOS

http://alekinhosurdo.blogspot.com.br/

Uma "comunidade" pode nem sequer possuir um lugar físico, mas ser
simplesmente demarcada por um grupo de pessoas que partilham um interesse
comum. Enquanto uma organização social, a comunidade é uma entidade cultural.
Cultura possui vários significados, mas podemos sintetizar dizendo que é um
conjunto de comportamentos aprendidos de um grupo de pessoas que possuem sua
própria língua, valores, regras de comportamento e tradições.
“Cultura surda” pode ser definida como o jeito de o sujeito surdo entender o
mundo e modificá-lo em função de suas percepções visuais. De acordo com dados
da FENEIS – Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos, estima-se
que entre 15% a 25% dos brasileiros sejam portadores algum grau de surdez
(adquirida ou congênita).
A língua de sinais define-se como uma língua natural dos surdos. Ela é o
símbolo da identidade e um meio de interação social.
Quando se propõe que o surdo aprenda Libras antes da Língua Portuguesa
não está se negando a ele o acesso à sociedade ouvinte, mas, ao contrário, deseja-
se que ele tenha bases sólidas para aprender o português e assim integrar-se na
sociedade como um todo.

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Sua cultura é representada principalmente pela sua língua, elemento de união

SANTOS
que permanece vivo nas comunidades.
Identidades Surdas (identidade política) são mais presentes em surdos que
pertencem à comunidade surda e apresentam características culturais: são
indivíduos que aceitam-se como surdos, usam a língua de sinais sempre, pois é sua
forma de expressão. Necessitam de intérpretes, de educação diferenciada,
assimilam pouco ou não assimilam a ordem da língua falada. A sua escrita obedece
a estrutura da língua de sinais, participam de associações e órgãos representativos
das comunidades surdas, utilizam tecnologia apropriada como legenda na TV,
telefone especial, campainha luminosa, despertador com vibração, etc.

Deficiente auditivo, surdo ou surdo-mudo?


O termo deficiente auditivo pode conferir um tom pejorativo e
preconceituoso, referindo-se à pessoa como sendo anormal ou portador de uma
patologia, uma “deficiência”. Para a comunidade surda, o deficiente auditivo não
participa de Associações e não sabe LIBRAS.
Um termo muito utilizado: surdo-mudo é, com certeza, o mais arcaico e
incorreto. O fato de uma pessoa ser surda não significa que ela seja muda. A mudez
significa que a pessoa não emite sons vocais e não precisa estar associada à falta
de audição.
O termo correto é surdo, diz respeito a quem se que se comunica através da
língua de sinais é aquele que representa a real situação desses indivíduos.
Toda a criança constrói seu mundo a partir de experiências vividas, quando
ela nasce surda, sem som, ela aprenderá de forma diferente e precisará de um
trabalho especial para desenvolver sua personalidade. Ela deverá então ter acesso,
o mais depressa possível a língua de sinais (LIBRAS), pois, é inteligente e capaz de
desenvolver-se por esta via do mesmo modo que a criança ouvinte.
As comunidades surdas estão espalhadas pelo país, possuindo diferenças em
relação a hábitos, vestuários, situação socioeconômica e claro, variações
linguísticas regionais.
A cultura surda está ligada à ouvinte: surdos convivem diariamente com
ouvintes e isso traz grande influência. Portanto, a comunidade surda de fato não é

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só de sujeitos surdos, há também sujeitos ouvintes – membros de família,

SANTOS
intérpretes, professores, amigos e outros – que participam em compartilham os
mesmos interesses comuns em uma determinada região.

Dia da Língua Brasileira de Sinais – 24 de abril.

https://librasdiaria.wordpress.com/tag/cursos-de-libras/

No dia 24 de abril de 2002, foi sancionada a Lei nº 10.436, que reconhece


a Libras e outros recursos de expressão como meio legal de comunicação.
Muito além das celebrações, essa Lei é uma conquista para a comunidade
surda em nosso país, pois reconhece a Língua Brasileira de Sinas –Libras, como
meio legal de comunicação e expressão, assegurando assim, o uso e difusão desta,
que é própria e natural da pessoa surda.

Dia Nacional dos Surdos - Lei nº 11.796, de 29 de outubro de 2008 instituiu o


dia 26 de setembro de cada ano.

http://portalgualandi.com.br/site/index.php/26-de-setembro-dia-nacional-do-surdo-2/

O dia do surdo é comemorado em diversos países, em nosso país esta data


foi um marco histórico para a comunidade surda: a fundação da primeira escola de

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surdos no Brasil. Eles comemoram a cidadania reconhecida através do movimento

SANTOS
iniciado há anos atrás pelo direito a ter sua língua e cultura reconhecidas, como um
grupo minoritário, não como um grupo de “deficientes”.

Dia mundial da Língua de Sinais - 10 de setembro

http://germanodutrajr.blogspot.com.br/2011/09/manifestacao-pelo-dia-mundial-das.html

A Associação de Surdos da Suécia teve a ideia de criar o Dia Mundial das


Línguas de Sinais 2011, em 10 de setembro de 2011. A atividade foi aceita pela
Federação Mundial de Surdos (WDF). A data foi escolhida em lembrança do
Congresso de Milão ocorrido de 6 a 11 de setembro de 1880, o qual proibiu o uso
das línguas de sinais na educação de surdos impondo o oralismo.

Símbolo: “Fita Azul” - Julho/1999

http://www.pessoacomdeficiencia.gov.br/app/noticias/secretario-da-snpd-registra-passagem-do-dia-nacional-do-surdo

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A fita na cor azul representa o “Orgulho Surdo”. Ela foi introduzida em

SANTOS
Brisbane, na Austrália, em julho de 1999, no Congresso Mundial da Federação
Mundial dos Surdos.
Ela representa a luta dos surdos e suas famílias ouvintes. Além disso, ela é
uma homenagem àqueles que morreram por serem classificados como “surdo” na
época da Alemanha nazista.

Símbolo de Identificação – instituído em 08 de janeiro de 1991, através da Lei


nº 8160.

http://notisurdo.com.br/simbolo.html

Art. 1º.-É obrigatória a colocação, de forma visível, do ‘Símbolo Internacional


de Surdez" em todos os locais que possibilitam acesso, circulação e utilização por
pessoas portadoras de deficiência auditiva, e em todos os serviços que forem postos
à sua disposição ou que possibilitem o seu uso.

Símbolo: ”Acessível em Libras”

https://www.ufmg.br/marca/libras/

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Foi criado em 2012 no Centro de Comunicação (Cedecom) da Universidade

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Federal de Minas Gerais (UFMG), pelo Núcleo de Comunicação e Acessibilidades
(NCA) – na época denominado Núcleo de Comunicação Bilíngue: Libras e
Português. O símbolo objetiva suprir a carência de um ícone que identifique,
visualmente, os conteúdos e serviços disponíveis na Língua Brasileira de Sinais
(Libras).

Dia do Intérprete de Libras – 26 de julho

https://prolu.wordpress.com/page/2/

O dia 26 de julho é denominado o dia Nacional do profissional Intérprete


de Libras (ILS). A data foi acordada e promovida pela comunidade surda para
valorizar os profissionais que propiciam a eles acessibilidade comunicacional.

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Aula 31_A história de Hellen Keller e Anne Sulivan
DE
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Helen Keller nasceu em 1880 e, por ter contraído escarlatina, antes de
completar dois anos de idade, ficou cega e surda. Foi então condenada a uma vida
solitária, para o resto de seus dias, pois, com essa idade ainda não havia aprendido
qualquer tipo de comunicação.
Segundo se conta somente a filha de uma cozinheira de sua cada arriscava
fazer contato com ela. Esta levava puxões e empurrões da menina.
Pequena, sem compreender o mundo, com quatro anos, sequer compreendia
o porquê de estar ali. Aos seis anos se mostrava muito violenta.
Apesar de poucas informações e da escassez de tratamentos para a época
em que viviam, os pais foram buscar alguma ajuda com especialistas. A menina foi
encaminhada para uma escola especializada que a colocou sob os cuidados de uma
de suas ex-alunas, que tinha apenas vinte anos, mas que era cega também. Seu
nome era Anne Sullivan.

http://bostoncommon-magazine.com/home-page/articles/cause-for-celebration-the-perkins-possibilities-gala

No primeiro encontro entre as duas, Anne percebeu que Hellen trazia uma
boneca e escreveu na palma da mão da menina a palavra B-O-N-E-C-A. Foi

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frustrante para criança, pois, não compreendia que cada coisa tinha um nome.A

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menina ficava dia a dia mais violenta, até que um dia destruiu sua boneca.
Anne então teve outra ideia: colocou as mãos de sua aluna na água e
escreveu a palavra Á-G-U-A na palma de sua mão. A reação foi outra. A partir daí
ela começou a interessar-se por todas as palavras do mundo. Questionava sua
professora para saber de tudo.
A comunicação entre as duas evoluiu muito a partir de então. Anos perdidos
eram recuperados com esforço e empenho da aluna e de sua mestra.
Colocando os dedos de Helen sobre garganta, lábios e nariz, Anne ensinou
sua aluna a “ouvir” através da associação das vibrações produzidas pelas palavras
pronunciadas.
Helen desenvolveu um tato apuradíssimo. Aprendeu a língua de sinais na
palma da mão e também ficou proficiente em braile. Chegou a aprender o inglês, o
francês e o alemão.
Helen foi a primeira surda cega a se formar em uma universidade, escreveu
uma autobiografia e tornou-se ativista política.
A história entre as duas: mestra e aluna durou cerca de 49 anos. Apesar de
não ter experiência com o ensino e tendo em vista suas próprias limitações, Anne
ajudou Hellen a libertar-se da prisão imposta por suas condições. Tornou-se depois,
assistente de sua mestra e acompanhou-a até o final de sua vida.
Helen publicou doze livros, foi condecorada pelo presidente dos Estados
Unidos com a medalha da liberdade, o maior reconhecimento que um civil pode
receber. Em 1965 entrou para o NationalWomen’s Hall ofFame.
Sua história virou uma peça de teatro em 1951 e em 1962, um filme dirigido
por Arthur Penn, que conquistou dois Óscares. Em 2000 a Disney fez um remake
para televisão.

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http://www.classicline.com.br/o-milagre-de-anna-sullivan.html

Helen morreu em 1968, aos 87 anos de idade.

Disponível no site:
http://www.updateordie.com/2013/08/19/a-incrivel-historia-de-hellen-keller-e-anne-
sulivan/

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Aula 32_Projetos
DE
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Os projetos escolares auxiliam os alunos a serem participantes no processo
de aprendizagem, e permitem que os professores realizem um trabalho
interdisciplinar abrangendo diversas áreas do conhecimento.
O projeto utiliza diversas estratégias como: pesquisa, discussões, solução de
conflitos, levantamento de hipóteses em atividades desenvolvidas em grupo que
permite maior interação e crescimento.
Utilizamos em um projeto uma série de possibilidades como: livros, material
impressos diversos, vídeos, relatos, pesquisas de internet, experimentos científicos,
estudos de meio, entre outros.
Projetos ajudam a desenvolver a autonomia nos alunos, pois, requerem
planejamento das ações e decisões. Todo projeto é dividido em etapas que são
importantes para sua realização e para garantir que num processo organizado se
chegue aos objetivos propostos. Para isso, o professor deve ter uma postura flexível
e ajudar a turma a buscar esses objetivos, percebendo os interesses dos alunos
durante a realização das etapas.
O professor deve traçar o projeto sempre tendo em vista os objetivos
propostos para aquele ano escolar e que estão previstos no planejamento.

Roteiro de um projeto:
- Objeto do Conhecimento: disciplinas a serem envolvidas no projeto;
- Conteúdos Específicos: Tema escolhido (adequado ao grupo, idade, mentalidade e
meio social);
- Objetivos específicos: o objetivo do professor com o projeto;
- Outros objetivos: mudanças de postura do grupo após o projeto (práticas) e
aprendizado (conhecimento adquirido pelo grupo);
- Justificativa: Origem e intenção do projeto, aprendizado que o projeto irá
proporcionar às crianças;
- Desenvolvimento – etapas, cronograma;
- Recursos (materiais, equipamentos, custos, etc.);

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- Avaliação – deve ser contínua e também de acordo com as etapas. Tanto o

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professor quanto o grupo de alunos devem fazer avaliações;
- Tempo de duração: pode ser de um bimestre, um semestre, dependerá do que se
planeja e do aprofundamento do tema.

Projetos realizados em classes de ouvintes e surdos necessitam do intérprete


de Libras e é desejável que o professor conheça a língua de sinais. Nas escolas
para surdos a língua natural deve ser a Libras e a Língua Portuguesa será a língua
de instrução.
Projetos devem buscar o desenvolvimento de aspectos como: solidariedade,
senso de equipe, cooperação e estar relacionado ao dia a dia dos alunos. Devem
contemplar as atribuições de tarefas, tempo de realização e permitir que se faça
análise de resultados, ou seja, deve haver uma organização de tempo (cronograma),
objetivos, culminância e conclusão.
As estratégias de avaliação devem ser diversificadas e respeitar as condições
do aluno. Existem formas diferentes de avaliar cada etapa: debates, gráficos,
painéis, relatórios, seminários, etc.
O projeto é algo que desperta o interesse e a curiosidade, portanto, deve
obedecer a prazos, mas, ao mesmo tempo ser flexível, em função de descobertas e
dificuldades que podem direcionar para maior aprofundamento ou até mudanças nos
rumos da pesquisa.

SAIBA MAIS:
Projeto: ‘Libras: Um jeito diferente de se comunicar’, professor Rodiney Nunes
(Escola Jorge Teixeira). O projeto concorreu na categoria Ensino Fundamental e
conquistou o segundo lugar entre os projetos inscritos em Rondônia (2012),

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http://www.seduc.ro.gov.br/portal/index.php/noticias-all/1109-projetos-educacionais-de-nova-londrina-em-ji-
parana-sao-premiados.html

Projeto: Alunos surdos constroem sala ecológica.

http://www.clictribuna.com.br/noticias/alunos-surdos-constroem-sala-ecologica/

Projeto Amizade - Valores sociais e convivência escolar foram temas trabalhados,


discutidos e refletidos na EMEE Helen Keller.É fundamental que se promova nas
escolas atividades voltadas para a "Cultura da Paz"

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http://surdohk.blogspot.com.br/2011/09/projeto-amizade-hk.html

Projeto: Fundação Volkswagen entrega 7.300 livros no Rio de Janeiro para


instituições do "Entre na Roda"

“O domínio da leitura é essencial para o desenvolvimento escolar, uma vez que


todas as disciplinas exigem compreensão de textos. Agora, iniciamos também na
educação em libras, com foco na inclusão”, diz a diretora da Fundação Volkswagen,
Conceição Mirandola (2012).

http://robertopcosta.blogspot.com.br/2012/08/fundacao-volkswagen-entrega-7300-livros.html

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Colégio Luiza de Marillac – projeto sobre a inclusão de alunos surdos em sala
de aula (2012).
SANTOS

http://www.youtube.com/watch?v=Q6BLQVToB4o

Projeto sobre Drogas - A morte da cantora Amy Winehouse motivou o início do


projeto sobre "DROGAS" com os alunos das 6ªA/B, nas aulas de Português da
Profa. Ana Cláudia (EMEE Helen Keller).

http://surdohk.blogspot.com.br/2011/09/projeto-sobre-drogas.html

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Projeto incentiva uso da Língua Brasileira de Sinais nas escolas do Rio

SANTOS

http://eficienteemfoco.blogspot.com.br/2013/04/projeto-incentiva-uso-da-lingua.html

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