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Programa de Especialização em Gestão

TERMO 2 - TRM220 – Fundamentos Integrados e Aplicados de Gestão


CASO PRECON
PROGRAMA DE ESPECIALIZAÇÃO EM GESTÃO
TERMO 2 - TRM220 – Fundamentos Integrados e Aplicados de Gestão
Caso PRECON

CASO PRECON
O CENÁRIO ECONÔMICO NO BRASIL E O SETOR DA CONSTRUÇÃO CIVIL

A ECONOMIA BRASILEIRA NOS ANOS 2009 E 2010

O tema habitação é daqueles que estão sempre na pauta da agenda nacional – e não
poderia ser diferente. Nos anos 1990, o debate se dava em torno do déficit habitacional,
que estava em torno de 5,4 milhões de moradias. Duas décadas depois, em 2010, o tom
da conversa mudou – consumidores, construtoras e governo federal comemoravam o
boom do mercado imobiliário, e uma grande euforia tomou conta do país devido ao
crédito fácil.

Com a estabilidade econômica e o Brasil tendo superado a crise financeira internacional


de 2007-2008, os canteiros de obras de edifícios e de casas para a festejada Classe C se
espalhavam pelos municípios brasileiros. Não à toa, já que os dados divulgados pelo IBGE
apontavam uma situação de carência de moradias bastante preocupante (veja quadro
“Carência de moradias por região”).

Quadro extraído da revista ValorInveste, encartada com o jornal Valor (“Teste de


eficiência na construção”, por Daniela D'Ambrosio e Márcio Anaya), fev. 2010,
pág. 39. Fonte: IBGE

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O estudo Déficit Habitacional Municipal no Brasil 2010, realizado pela Fundação João
Pinheiro (FJP) a pedido da Secretaria Nacional de Habitação, do Ministério das Cidades,
mostra que “o censo demográfico 2010 aponta um déficit habitacional de 6,490 milhões
de unidades, o correspondente a 12,1% dos domicílios do país. Em termos absolutos, o
déficit é menor nas áreas metropolitanas do que nas não metropolitanas”.

Ainda de acordo com a FJP, em estudos de anos anteriores, em 2009, o déficit


habitacional estimado correspondia a 5,998 milhões de domicílios, dos quais 5,089
milhões, ou 84,8%, estavam localizados nas áreas urbanas. E no ano anterior (2008), o
déficit habitacional estimado correspondia a 5,546 milhões de domicílios, dos quais 4,629
milhões, ou 83,5%, estavam localizados nas áreas urbanas.

A entrada de recursos no mercado imobiliário começou a acontecer entre 2004 e 2007,


quando o setor viu potencializada sua capacidade de atrair dinheiro por meio de ofertas
iniciais de ações (IPOs). Para ter uma ideia desse fenômeno, nesse período foram
levantados 11 bilhões de reais por 19 construtoras, incorporadoras, imobiliárias e
administradoras de shoppings – e 75% dos recursos vieram de fora do país, de acordo
com a revista Exame, especializada em economia e negócios, publicada pela Editora Abril.

O raciocínio para os investidores estrangeiros apostarem com grande entusiasmo era o


seguinte: quando a economia fica estável, a inflação dominada e os juros mais baixos a
tendência é o aumento acelerado da construção civil. Foi o que aconteceu em 2009 e
2010 no Brasil, quando a economia crescia 7,5% ao ano e o restante dos países não tinha
conseguido sair da crise.

Um sinal claro de que os estrangeiros estavam confiantes no longo prazo foi a ausência
de hedge (proteção contra oscilações inesperadas nos preços) na hora de fazer o
investimento. Recado dado: o Brasil tinha decolado. Foi o que mostrou a revista The
Economist, na edição de 14 novembro de 2009, em um especial de 14 páginas.

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Dentro desse cenário positivo, o setor imobiliário brasileiro levou esse período de euforia
a outros segmentos. Assim, toda a cadeia imobiliária começava a dar maior velocidade à
produção. A Tigre, que produz tubos e conexões, entre outros produtos, previa
crescimento de 15% em 2010. As empresas de revestimento cerâmico, por exemplo, já
sentiam o novo e forte impulso, registrando taxas de crescimento acima de dois dígitos.
“O setor imobiliário, afinal, decolou. E isso muda tudo na economia de um país”, frase do
economista e ex-ministro da Fazenda Antônio Delfim Netto citada em maio de 2007 na
revista Exame.

O PERFIL DA CLASSE C

Enquanto o Brasil vivenciava o boom imobiliário, a Secretaria de Assuntos Estratégicos


(SAE), ligada ao governo federal, divulgava estudo no qual incluiu como classe média as
famílias com renda mensal de 300 a 1.020 reais. Dentro desse parâmetro estão a baixa
classe média (300 a 440 reais), a classe média (440 a 640 reais) e a classe média alta (640
a 1.020 reais). Com isso, oficialmente, mais de 100 milhões de pessoas passaram a
pertencer a esse grupo socioeconômico na segunda década deste século, o que significa
54% da população brasileira – um crescimento de 20 pontos percentuais em relação a
2001.

De acordo com estudo Faces da Classe Média, do Serasa Experian e do Data Popular,
divulgado em 18 de fevereiro de 2014, a pirâmide de classes econômicas brasileiras
passou a ser um losango devido ao crescimento da classe média detectado no país a
partir dos anos 2000. Se a Classe C, como também é conhecida, formasse uma nação, ela
seria a 12ª em população, com mais habitantes que Alemanha, Egito e França, e a 18ª do
mundo em consumo, podendo pertencer ao G20. Em 2013, a Classe C gastou mais de
1,17 trilhão de reais e movimentou 58% do crédito no Brasil. A ascensão da Classe C
movimentou especialmente os segmentos de turismo, produtos eletrônicos e construção
civil.

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No entanto, o consumidor dessa faixa social precisa de garantias. As pessoas sonham em


comprar a casa própria, porém, temem uma construção ruim (estrutura e acabamento) e,
principalmente, que o imóvel não seja entregue, ou até mesmo que demore a pegar as
chaves, o que acarreta, para quem vive em moradia alugada, o ônus duplo de bancar as
mensalidades da habitação em construção enquanto ainda tem de desembolsar o
dinheiro do aluguel.

Além disso, existem outros fatores de relevância para o consumidor de empreendimentos


populares, como a localização do imóvel, que deve ser próxima de estações de metrô ou
linhas de ônibus, para facilitar a ida e a volta para o trabalho; a prestação, que tem de
caber no orçamento; e a taxa condominial baixa. Conseguir combinar tudo isso para
adquirir apartamento em prédio pronto, visando trocar o aluguel pela prestação, é a
situação ideal.

MINHA CASA MINHA VIDA

Lançado em 2009 pelo governo federal, o programa Minha Casa Minha Vida impulsionou
vigorosamente a construção civil brasileira. Com subsídios previstos de 34 bilhões de
reais, o programa tinha como meta aprovar e financiar 1 milhão de casas e apartamentos
em até dois anos por intermédio da Caixa Econômica Federal.

O Minha Casa Minha Vida procurava resolver o problema histórico do déficit habitacional,
definido pela Fundação João Pinheiro como o percentual total dos apartamentos e das
casas alugados, por isso a necessidade potencial de um novo imóvel para essas famílias
gerar um déficit.

As famílias com renda até 1.600 reais passaram, então, a ter condições de financiamento
e prazos especiais: até 120 meses para pagar, parcela mínima de 25 reais por mês, mas
nunca superior a 5% da renda bruta da família. No entanto, o programa também atende
famílias que estão em faixas de renda superiores a essa, no limite de até 5.000 reais por
mês.

OS NOVOS RUMOS DA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO CIVIL

O MERCADO A TODO VAPOR

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Com o programa Minha Casa Minha
Vida o setor de construção civil passava
por mais um ciclo de euforia. A MRV, de
acordo com a revista Exame de maio de
2009, teve um crescimento de quatro
vezes o número de atendimentos diários
em seu site. O motivo é claro: quem
ganhava 1.500 reais por mês conseguia
comprar um imóvel de quase 80.000
reais; antes do Minha Casa, Minha Vida,
era preciso ter salário duas vezes maior
para adquirir o mesmo imóvel.
Muitas incorporadoras que atendiam a
outros segmentos do mercado focaram
na baixa renda, esperando um forte
crescimento da participação das classes
C e D no faturamento (veja quadro “Um
degrau abaixo”).
A estratégia do governo federal era usar
o crédito para movimentar o setor
imobiliário. Seguindo essa linha, era
desnecessário que a população passasse
a ganhar muito mais. A estabilidade
monetária e os juros em queda fariam
com que mais gente cuja renda já Quadro extraído da revista Exame (“Uma aposta no popular”, por
estava classificada como de classe Giuliana Napolitano e Eduardo Salgado), 3 jun. 2009, pág. 123. Fonte:
empresas
média pudesse fazer uma dívida de
longo prazo.

Para atingir seus objetivos, as empresas tiveram de entender essa classe emergente e
mudar o modelo de negócios a fim de atender satisfatoriamente o novo cliente. À revista
Exame, Eduardo Gorayeb, presidente da Rodobens, declarou em maio de 2009: “Sem
incentivos públicos, esse mercado era inviável”. E continuou: “Mobilizei toda a empresa
para adequar nossos lançamentos a esses consumidores”.

NOVAS ESTRATÉGIAS DE NEGÓCIOS

A fim de oferecer imóveis até 52.000 reais – uma exigência do governo para famílias que
ganhavam até três salários mínimos mensais –, a Rodobens fez uma revisão em sua
estratégia: cortou o prazo de construção, fez mudanças nos projetos para reduzir custos e
chegar a um preço final de 42.000 reais.

Já a Gafisa comprou a Tenda com o objetivo de atuar nesse setor. E a expectativa para
2010 era faturar 36% mais do que em seu mercado de origem, voltado para

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consumidores com renda de 3 a 10 salários mínimos (como mostra o quadro acima). Para
a Gafisa, o intuito era ter 50% do negócio focado nessa fatia da pirâmide social.

Os resultados da construtora MRV confirmam o crescimento deste mercado. Em 2007,


abriu capital na bolsa e viu sua receita líquida aumentar quase 174% sobre o ano anterior,
chegando a 384,1 milhões de reais, de acordo com números divulgados pelo site da
revista Época Negócios, da Editora Globo. Passados dois anos, em 2009, a empresa previa
encerrar o ano com um banco de terrenos da ordem de 12 bilhões de reais, sendo que a
maior parte seria direcionada ao programa Minha Casa, Minha Vida, como afirmou
Leonardo Corrêa, diretor executivo de finanças e relações com investidores da
construtora, à Época Negócios.

A PARCERIA CRIATIVIDADE & ESTRATÉGIA

O cenário era bastante positivo, porém, a rentabilidade desse segmento ainda era cerca
de 30% menor do que a média do setor como um todo. Para aumentar os lucros era
preciso comprar terrenos baratos. De acordo com Henrique Bianco, presidente da HM,
incorporadora de baixa renda da Camargo Corrêa, o preço do terreno não podia passar de
10% do valor final. “Para conseguir locais assim, só fazendo parcerias com os municípios”,
disse aos jornalistas da revista Exame.

Dessa forma, a estratégia só poderia ser uma: se aproximar do poder público. A HM e a


Rodobens, por exemplo, fecharam convênios com as prefeituras para que levassem
infraestrutura (água, esgoto e transporte público) a terrenos localizados na periferia dos
centros urbanos porque tinham preço inferior aos dos espaços em bairros mais centrais.
Também negociavam redução de impostos municipais.

A Tenda fez papel de despachante para atrair o cliente, ajudando com os trâmites
burocráticos do financiamento – que não são poucos. Outra ferramenta de negócios
usada pela empresa foi a internet. Por meio da web, os corretores agendavam visitas com
potenciais compradores. Anúncios em TV aberta e nos jornais também atraíam as
pessoas, e a estratégia de venda era comercializar os imóveis da mesma forma como as
redes de varejo vendiam geladeiras – em lojas.

MAIS NOVIDADES NESSE SETOR

A estratégia de negócios da construtora Rossi focou em várias frentes. De acordo com


informações em sua página na web, a empresa foi pioneira na adoção do sistema de
gestão empresarial SAP. Os benefícios obtidos estão sendo colhidos, garantindo a gestão
de todo o fluxo de suas obras, incluindo planejamento, projeto, orçamento por completo
das obras, visão consolidada dos melhores terrenos em conformidade com o perfil dos
futuros empreendimentos, interligação com sistemas financeiros e de fluxo de caixa,
análises regionais de performance e acompanhamento em tempo real dos projetos.

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As técnicas construtivas também são alvo de investimentos visando ao crescimento com
lucratividade. São oito fábricas espalhadas pelo Brasil, com capacidade de produzir cada
uma de 1.000 a 3.000 unidades por ano. Além disso, a Rossi criou, em 2010, um
departamento estruturado para cuidar das questões ligadas à sustentabilidade. O
objetivo é concentrar, motivar e difundir soluções que possam ser adotadas no dia a dia
do negócio.

OS NOVOS DESAFIOS

O programa Minha Casa Minha Vida expôs a realidade da capacidade de produção das
empresas do ramo de construção civil. Como o cenário econômico era positivo, o grande
desafio não era vender, mas sim construir e entregar no prazo. Diante disso, muitas
construtoras tiveram de desacelerar as vendas a fim de garantir a entrega do imóvel para
o comprador.

Assim, o grande desafio estava na gestão operacional e financeira de cada projeto:


manter o capital de giro, ter escala e agilidade, gestão eficiente de custos, padronização,
mão de obra disponível, garantia de suprimento, capacidade de operacionalização junto à
burocracia da Caixa Econômica Federal.

Para se antecipar a um possível problema com o fornecimento e aumento de preço de


materiais básicos, como aço, cimento e concreto, a Gafisa desenvolveu parcerias
estratégicas. Dependendo da obra, a empresa chegava a montar uma usina de concreto
ou fábrica de blocos no canteiro. O problema era maior em obras em regiões mais
distante, como Norte e Nordeste, onde houve falta de produtos.

Da lista de desafios não poderia faltar a logística. O problema era o de sempre: o


transporte dos materiais e o aumento dos custos para atender regiões mais distantes
num país de dimensões como o nosso.

Mas quanto iria durar o crescimento do setor da construção civil? O que aconteceria se
houvesse alterações substanciais na macroeconomia, como a volta da alta da taxa de
juros e a redução do acesso ao crédito? Haveria lugar para mais um concorrente? Que
condições são necessárias para um novo player entrar nesse mercado?

É neste ambiente socioeconômico que a Precon Engenharia, do Grupo Precon, começou


a operar no comecinho da segunda década do século deste século.

O GRUPO PRECON

UMA HISTÓRIA CONSTRUÍDA COM ESTRATÉGIA E INOVAÇÃO

Cronologia

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1963 – A Precon é fundada pelo engenheiro Milton Vianna Dias, em Pedro Leopoldo,
cidade localizada a 38 km de Belo Horizonte (MG). No início, era uma pequena fábrica de
postes e estacas de concreto para fundações – as primeiras peças pré-fabricadas de
concreto protendido do estado de Minas Gerais.

Protensão é a introdução de um estado prévio de tensões, fazendo com que a peça de concreto
melhore sua resistência antes mesmo de ser assentada numa obra, para suportar melhor o peso
que receberá do restante da edificação. Ela ajuda na redução na incidência de fissuras, na
diminuição da dimensão das peças devido à maior resistência dos materiais empregados, a
possibilidade de vencer vãos maiores do que o concreto armado convencional. Dessa forma, eram
produzidos postes e estacas para fundações. Mas os postes eram fabricados sob encomenda.

1970 – A empresa diversifica sua linha de produção para material de construção,


passando a produzir também produtos de fibrocimento: telhas, caixas d'água e
eletrodutos.

1974 – Com o objetivo de ocupar a fábrica em momentos de ociosidade, começam a ser


fabricados galpões. Porém, essa questão não é resolvida, pois os galpões também são
produzidos sob encomenda.

1980 – Com o sucesso da nova tecnologia em concreto protendido, a Precon monta duas
novas fábricas para a industrialização de estruturas pré-fabricadas: uma de galpões,
edifícios, pontes e passarelas; e outra de dormentes para ferrovias.

1996 – De olho no futuro, o Grupo Precon inicia os estudos para o desenvolvimento de


um sistema industrializado para habitação residencial, que se tornará realidade em
2011.

1999 – Com o início da produção de argamassas industrializadas é dado mais um passo


importante rumo à diversificação do mix de produtos do grupo.

2001 – Em parceria com a Arcellor Mittal, é criada uma empresa de prestação de serviços
em aço cortado, dobrado e montado para a construção através do Sistema Belgo Pronto
Precon. Nasce a Precon Estiraço.

2002 – São lançadas no mercado as lajes alveolares de concreto protendido para ser
utilizadas em estruturas pré-fabricadas, metálicas, convencionais e em alvenaria.

Neste mesmo ano, o Grupo Precon assume a gestão de uma nova unidade fabril em Nova
Iguaçu (RJ), responsável pela fabricação de telhas de fibrocimento.

2004 – Início do desenvolvimento da Casa Pronta Precon.

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2005 – O grupo assume a gestão da maior fábrica de blocos, painéis e lajes de concreto
celular autoclavado da América Latina e coloca todo o seu conhecimento em material e
processos racionais de construção em prol de um novo produto: os Blocos Precon.

2009 – É realizada uma mudança no quadro societário da organização para aumentar a


capacidade de gestão e reforçar a governança.

2010 – A Precon Engenharia assume o desafio de oferecer construções residenciais em


um processo industrializado, mais sustentável, capaz de oferecer uma rápida entrega
das chaves do imóvel. O grupo comemora o nascimento do projeto que teve seu
desenvolvimento iniciado em 1996.

Nesse ano, são recebidos os novos sócios e executivos, que trazem para o grupo a
experiência de trabalhar com incorporação. Eles assumem a gestão da Precon
Engenharia, o braço do grupo que passa a ser responsável pelos pré-fabricados e pela
nova área de atuação: incorporação imobiliária de galpões e residências.

E mais um importante passo na expansão do grupo é dado com a inauguração da unidade


de fabricação de argamassas em Formosa (GO) pela Precon Industrial S.A.

MODELO INOVADOR – E INDUSTRIAL

“A conquista da casa própria é o grande sinalizador de estabilidade – é saber que,


aconteça o que acontecer, a família não ficará ao relento.” – Data Popular

Para avançar no mercado de imóveis pré-fabricados para a Classe C, o Grupo Precon criou
a Precon Engenharia e precisou contratar, em 2010, novos executivos, que teriam pela
frente o desafio de desenvolver e fazer crescer rapidamente o novo negócio. Mais do que
isso, era preciso criar e desenvolver soluções habitacionais para competir nesse mercado
aquecido de baixa renda.

No entanto, para a Precon Engenharia as soluções teriam de ser inovadoras e contemplar


a questão da sustentabilidade social, econômica e ambiental, mantendo a base industrial
de produção, ou seja, seu tripé estratégico: Industrialização + Inovação +
Sustentabilidade.

Veja alguns exemplos no quadro abaixo.

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TRIPÉ
ESTRATÉGICO
DA PRECON
Sustentabilidade Social
Industrialização +
Por ter um processo
Inovação + Ambiental
industrial, os
Sustentabilidade Cada apartamento
funcionários trabalham
construído pela Precon
com carteira assinada –
deixa de gerar 6
Industrialização o que é incomum para
toneladas de resíduos, o
Produção em série de um trabalhador da
que significa 6 toneladas
materiais para as obras, construção civil. Os
a menos de matéria-
como pilares, vigas, lajes índices de acidente de
prima retirada da
e painéis, como em uma trabalho a que estão
natureza, como
linha de montagem de expostos os
madeira, areia etc., e
automóveis. Benefícios: empregados são muito
diminuição na geração
rapidez na construção e baixos.
de lixo – a Precon gera
na entrega, mercado 80% menos resíduos do Econômica
aberto a empregar que a concorrência. O preço final de cada
mulheres porque o Além disso, menos unidade é inferior ao da
trabalho não é tão caçambas se concorrência. A
pesado, atração de mão movimentam pela produção industrial
de obra mais qualificada, cidade onde os projetos suporta os negócios por
entre outros. estão sendo executados. permitir uma
Primeira construtora a administração melhor,
Inovação ter um projeto com controles eficazes,
Foco e investimentos em certificado pelo Selo como o de volume de
tecnologia a fim de Azul, dado pela Caixa insumos e perdas de
aperfeiçoar processos e Econômica Federal. materiais.
racionalizar a produção.

O know how de construção popular a Precon já tinha, e seus dirigentes estavam


dispostos a se aprofundar nesse segmento com a criação de um modelo único de
construção, tendo como benchmark a indústria automotiva, cujo objetivo era
padronizar o processo, economizar custos e tempo de mão de obra a fim de entregar
os imóveis mais baratos e em um prazo menor do que a concorrência.

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Uma comissão na Precon Engenharia criou, então, após estudos técnicos e financeiros,
uma solução habitacional com tecnologia própria. Entre outros benefícios estão maior
previsibilidade de custos, garantia de mais qualidade na construção sem abrir mão da
sustentabilidade.

Assim, ficou definido que seriam construídos prédios de oito andares com
apartamentos de dois quartos, em torno de 45 metros quadrados cada um, montados
com estruturas pré-fabricadas na indústria, com uma vantagem importante em relação
aos apartamentos de alvenaria construídos de forma tradicional pela concorrência: a
possibilidade de mudar internamente o layout, modificando a posição das paredes.
Esta solução era diferente da praticada pela indústria em geral que usa paredes de
concreto, impossibilitando qualquer mudança no interior do imóvel.

O público também foi definido: pessoas com renda de 3 a 10 salários mínimos,


contempladas pelo programa Minha Casa Minha Vida, do governo federal. Entre os
benefícios mais relevantes para esta faixa de consumidor está o recebimento do
imóvel em prazo menor, deixando de pagar de forma acumulada e por muito tempo o
aluguel e as mensalidades do imóvel em construção.

ALGUNS DETALHES TÉCNICOS DAS OBRAS

Pilares, vigas, lajes e painéis prontos para o fechamento das edificações são produzidos
na fábrica com tecnologia própria e desenvolvida pelo Grupo Precon, seguindo rígidos
padrões de controle de qualidade. Essa é a primeira fase da construção. Já na segunda
fase, após a preparação do terreno e das fundações, a construtora faz a montagem da
estrutura em tempo reduzido, com soluções desenvolvidas com tecnologia própria, a
fim de ligar de forma eficiente todos os componentes da estrutura.

Na terceira fase, com o apoio da área de logística, os kits de acabamento são enviados
para as obras, fazendo com que não seja necessário um “almoxarifado” para abrigar
estoques e minimizando o processamento de materiais na obra.

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OS PROBLEMAS SURGIRAM

"A estratégia de negócio com esse segmento tem de transpor a barreira que separa o
mundo dos profissionais de marketing do cotidiano do 'Brasil de verdade'" – Data
Popular

Os problemas não demoraram a aparecer. A compra de terrenos para habitações


populares exige requisitos aos quais a Precon Engenharia não estava habituada. A área
jurídica e a de orçamento tiveram de passar por ajustes e a empresa não tinha o know
how de comercializar diretamente imóveis residenciais com o cliente final. Além disso,
havia a burocracia da Caixa Econômica Federal.

Não bastasse esse cenário, os projetos arquitetônico, hidráulico e elétrico tinham de


ser desenvolvidos de acordo com a nova solução industrial criada pela Precon
Engenharia. Como consequência, seria necessário adquirir um enorme volume de
novos produtos e suprimentos junto a diferentes fornecedores, ou até mesmo treinar
e desenvolver esses fornecedores.

AS SOLUÇÕES ENCONTRADAS

“Uma construtora parceira do consumidor deve lhe prover segurança, oferecendo


garantias de que haverá recursos, caso alguma dessas situações ocorra.” – Data
Popular

O modelo das outras incorporadoras exige que primeiro sejam vendidos os


apartamentos para depois construí-los, o que demanda mais tempo e quase sempre
leva a atrasos significativos para o início e entrega da obra. No caso da Precon
Engenharia, a empresa está operando constantemente e só é vendido o que se
consegue entregar. Conheça no quadro abaixo a política empresarial da Precon
Engenharia e saiba como a empresa uniu seus valores à solução dos negócios.

POLÍTICA EMPRESARIAL
 VISÃO
 Ser reconhecida e admirada como uma das melhores empresas do segmento
da construção.
 MISSÃO
 Facilitar a vida de quem constrói, oferecendo e disponibilizando produtos,
serviços e soluções de comprovada qualidade.
 NEGÓCIO
 Construção.

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 VALORES
 Valorização humana: Zelamos pela valorização das pessoas por meio do
incentivo ao aprimoramento profissional e promoção da qualidade de vida.
 Lucro e Reinvestimento: Foco contínuo nos resultados, de forma a remunerar
os acionistas e manter os investimentos necessários ao crescimento e
desenvolvimento da Empresa.
 Ética e Transparência: Agimos com integridade e senso de justiça,
respeitando as leis e mantendo nossos públicos informados sobre nossas
ações e objetivos.
 Ousadia com responsabilidade: Valorizamos as tomadas de decisões com
velocidade, responsabilidade e senso de viabilidade.
 Parceria e Relacionamento: Acreditamos e investimos na construção de
parcerias e relacionamentos sólidos e duradouros.
 Crescimento Sustentável: Todo o desenvolvimento da Empresa, bem como de
seus projetos e negócios, está baseado nos princípios da sustentabilidade, nas
suas diferentes dimensões.
 Compromisso e Respeito: Cultivamos a confiança como demonstração
constante do nosso compromisso e respeito por todos.

Relacionamentos Sustentáveis

A Precon acredita no desenvolvimento humano, social e sustentável. Junto a sua


equipe, estimula um ambiente de trabalho saudável e de valorização do ser humano,
através do incentivo ao aprimoramento profissional e promoção da qualidade de vida.
A empresa realiza uma série de iniciativas que refletem seu compromisso e a
responsabilidade com um mundo melhor, hoje e amanhã.

Além disso, a tecnologia inovadora (desenvolvida para a construção em prazo menor


no formato de montagem, baseada no conhecimento e na experiência acumulada
durante muitos anos de dirigentes e técnicos, testes e experimentos, a integração de
muitas e diversas atividades, a utilização de novos insumos e materiais e o
envolvimento e preparação de parceiros externos) também é considerada um entrave
aos novos concorrentes devido à dificuldade de obtenção do Documento Técnico de
Avaliação (Datec), um tipo de aprovação dos projetos dado pelo Ministério das
Cidades, pois consome muito tempo e apresenta um alto nível de exigência, o que
acaba criando gastos significativos.

A estrutura criada e aperfeiçoada ao longo do tempo pressupunha maior


horizontalidade, gestão inovadora, muita integração entre as atividades, além de uma
impactante agilidade.

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A busca permanente da redução do custo total, sem prejudicar os atributos exigidos
pelos dirigentes para a satisfação dos clientes, não ficou de fora do escopo da nova
Precon Engenharia. Optou-se por oferecer um apartamento com qualidade, com
atributos de flexibilidade, conforto, segurança estrutural, economia de luz e água –
tudo isso dentro de uma entrega mais rápida.

MAIS INOVAÇÃO – GANHOS PARA O CONSUMIDOR

A empresa fez questão de adquirir tijolos cerâmicos de terceiros, para oferecer maior
conforto térmico e acústico aos clientes. A intenção era aumentar a eficiência ano
após ano, de forma a se estabelecer como o menor custo entre os concorrentes – o
que lhe asseguraria o melhor desempenho no setor. Para isso, o planejamento das
compras passou a ser integrado, envolvendo a negociação e o treinamento de
fornecedores para atender o modo como a Precon constrói moradias.

De forma inovadora, a Precon Engenharia desenvolveu um sistema de kits que se


adequavam a cada apartamento no que se refere a material hidráulico, elétrico, metais
e outros, com o objetivo de agilizar a instalação, de eliminar sobras e de reduzir custos.
Os fornecedores tiveram de ser preparados para aceitar esse processo. Ao longo do
tempo esta iniciativa levou a um aumento do poder de barganha da empresa junto a
eles.

Para os clientes que tradicionalmente valorizam o prazo de entrega e o valor da


prestação, a Precon Engenharia ofereceu mais conforto: a inclusão de elevadores, a
flexibilidade de alterar paredes de lugar e o padrão térmico-acústico, além da
economia nas despesas com luz e água dentro de um padrão de construção com
qualidade superior.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

D'AMBROSIO, Daniela; ANAYA, Márcio. Teste de eficiência na construção. ValorInveste,


São Paulo, pág. 39, fev. 2010.

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Material desenvolvido pela Fundação Dom Cabral | 16 |

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