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Faculdade Alfredo Nasser

Professora: Ms. Sandra Maria Machado Jorge


Curso Ciências Contábeis
Disciplina: INTRODUÇÃO À CONTABILIDADE

1 - CONCEITOS

A Contabilidade é a ciência que estuda e controla o patrimônio, objetivando


representá-lo graficamente, evidenciar suas variações, estabelecer normas para sua
interpretação, análise e auditagem e servir como instrumento básico para a tomada de
decisões de todos os setores direta ou indiretamente envolvidos com a empresa.
“A Contabilidade é o instrumento que fornece o máximo de informações úteis
para tomada de decisões dentro e fora da empresa”. (José Carlos Marion, 2004, p26).
“Contabilidade – é ciência que cuida da classificação, registro e análise de
todas as transações realizadas por uma empresa ou órgão público, permitindo desta
forma uma constante avaliação da situação econômico-financeira. Tem por objeto o
patrimônio econômico das pessoas físicas ou jurídicas, comerciais ou civis, bem como
o patrimônio público e as questões financeiras do Estado. Seu objetivo é permitir o
controle administrativo e o fornecimento de informações precisas a investidores,
credores e ao público. Envolve todos os aspectos empresariais ou púbicos que podem
ser expressos em números.
A Contabilidade, como simples registro, surgiu com as trocas de bens e
serviços na Antiguidade. Na Babilônia, esses registros foram a base para a cobrança
de impostos. Em 2000 a.C, na República Romana, as contas governamentais eram
apresentadas na forma de lucros e perdas e constantemente fiscalizadas pelos
questores. Aos poucos, os dados registrados nas contas governamentais foram
aumentando, mas só no fim da idade média, com os comerciantes italianos, é que a
contabilidade se incorporou aos negócios privados, que cresciam e se diversificavam.
Foi então que se desenvolveu o sistema de contabilidade por registro duplo ou por
partidas dobradas(1), utilizado atualmente. Com a Revolução Industrial, e o
crescimento no volume de negócios levou ao aprimoramento do sistema contábil.
Nessa ocasião, começaram a ser feitas restrições à prática de contabilidade por
pessoas não qualificadas.
“O desenvolvimento do sistema capitalista no século 20, que deu origem a
grandes corporações transacionais, criou novas exigências de aperfeiçoamento da
contabilidade, atendidas basicamente pela introdução dos sistemas de computação.”
(Paulo Sandroni).
(1) O marco da Contabilidade moderna se dá com a publicação do livro Summa de
arithmetica, geométrica, proportioni et proportionalitá,escrito pelo franciscano Luca
Paccioli, em 1494.

2 - O DOMÍNIO DA ESCOLA AMERICANA


“O modelo de capitalismo que começa a tomar conta do cenário mundial no
início do século 20, grande salto no pós-guerra, é baseado em empreendimentos que
fazem o uso intensivo de capital. Para atender a esses empreendimentos, o mercado
de capitais é colocado como o principal alocador das poupanças, ansiosas por bons
investimentos, para os empreendedores que tenham projetos com boas perspectivas
de lucros.
O crescimento das grandes companhias de capital aberto, as chamadas
sociedades anônimas, em que o controle societário está diluído entre milhares, e às
vezes, milhões de pessoas – e que exigem cada vez mais e melhores informações a
cerca de seus investimentos – impulsiona o aprimoramento da qualidade das
demonstrações e da informação contábil. A Contabilidade ganha corpo e passa
fornecer instrumentos fundamentais para gestão de negócios.
Esses fatos aliados ainda ao surgimento de uma associação de contadores
públicos atuante, e um grande esforço de investimento por parte do governo e de
universidades em pesquisa contábil, são os principais fatores que explicam por que
atualmente a contabilidade norte-americana exerce papel de domínio”.(Roberto
Fernandes dos Santos e outros).

3 - A CONTABILIDADE NO BRASIL

1808 – É publicado um alvará obrigando os Contadores Gerais da Real Fazenda a


aplicarem o método das partidas dobradas na escrituração mercantil (Schimidt, 2000,
p. 205).

1850 – Código Comercial – exigência da escrituração mercantil.

1880 – Manual Mercantil de Veridiano de Carvalho – Escrituração Contábil.

1890 – Contabilidade oferecida como disciplina do direito administrativo na Escola


Politécnica do Rio de Janeiro (Pereira, et al, 2005, p.9).

1902 – Criação da primeira escola de contabilidade brasileira, a Escola de Comércio


Álvares Penteado. Grandes professores surgiram nessa escola: Francisco D’Aurea,
João Hermann Junior e Coriolano Martins, entre tantos outros.

1900-1920 – Francisco D’Aurea foi o principal estudioso, pertencente a escola italiana.


É o criador do embrião da escola brasileira..

1940 – Publicação do Decreto-lei nº 2.627, Lei das Sociedades por Ações, com grande
influência da escola italiana.

1946 – Criação do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), pelo Decreto-lei nº


9.295/46.

1946 – Criação da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São


Paulo e do curso de Ciências Contábeis e Atuariais, onde surgiu o primeiro núcleo de
pesquisa contábil no país.
1960/1970 – O grande desenvolvimento econômico pelo qual passa o país impulsiona
forte desenvolvimento da auditoria.

1971 – Edição do livro Contabilidade introdutória, por um grupo de professores e


pesquisadores da Universidade de São Paulo. O livro é um marco da mudança do
ensino da contabilidade italiana para a escola Americana.

1976 – Criação da Lei das Sociedades Anônimas (Lei nº 6.404) com fortes
características da escola americana.

1986 – A Comissão de Valores Imobiliários (CVM) reconhece a estrutura conceitual


básica da contabilidade elaborada pelo Instituto Brasileiro de Contadores (Ibracon).

2007 – Criação da Lei nº 11.638 com vigência a partir de 01 de janeiro de 2008, altera
alguns artigos da Lei das S/A (Lei 6.404/76) e mudanças na práticas contábeis e
divulgações.proporcionando a modernizar a contabilidade no Brasil, dando um cunho
internacional.

2009 – Lei nº 11.941 publicada em 27/05/2009, complemento a Lei nº11.638/07.


4 - APLICAÇÃO DA CONTABILIDADE
A Contabilidade pode ser estudada de modo geral (para todas as empresas) ou
em particular (aplicada em certo ramo de atividade ou setor da economia):

RAMO DE ATIVIDADE DENOMINAÇÃO


Comerciais Contabilidade comercial
Industriais Contabilidade industrial
Pública Contabilidade pública
Bancária Contabilidade bancária
Agropecuária Contabilidade Agropecuária ou rural
Seguros Contabilidade Securitária
Previdência Contabilidade Previdenciária, etc
O campo de aplicação da contabilidade é constituídas por pessoas, físicas ou
jurídicas, que exerçam atividades econômicas para alcançar sua finalidade, mesmo
que essas sejam meio e não fim.

5 - FINALIDADE DA CONTABILIDADE
São fins da Contabilidade: assegurar o controle do patrimônio e fornecer as
informações sobre a composição e as variações patrimoniais, bem como o resultado
das atividades econômicas desenvolvidas.
As informações contábeis devem permitir aos seus usuários nítida avaliação da
situação patrimonial (econômica e financeira) da entidade.
Assim, vemos que um dos objetivos implícitos da contabilidade é o de
apresentar demonstrativos e relatórios condizentes com os estudos que os usuários
pretendem efetuar, contendo os elementos informativos que os mesmos consideram
importantes para as suas decisões.

6 - USUÁRIOS DA CONTABILIDADE
Os usuários são as pessoas que se utilizam da Contabilidade, que se
interessam pela situação da empresa e buscam na Contabilidade suas respostas.
Evidentemente, os gerentes (administradores) não são os únicos que se
utilizam da Contabilidade. Os investidores (sócios ou acionistas), ou seja, aqueles que
aplicam dinheiro na empresa estão interessados basicamente em obter lucro, por isso
se utilizam dos relatórios contábeis, analisando se a empresa é rentável; os
fornecedores de mercadoria a prazo querem saber se a empresa tem condições de
pagar dívidas; os bancos, por sua vez, emprestam dinheiro desde que a empresa
tenha condições de pagamento; o governo quer saber quanto de impostos foi gerado
para os cofres públicos; outros interessados desejam conhecer melhor a situação da
empresa: os empregados, os sindicatos, os concorrentes etc.

7 - PATRIMÔNIO
O objeto delimita o campo de abrangência de uma ciência, tanto nas ciências
formais quanto nas factuais, das quais fazem parte as ciências sociais. Na
Contabilidade, o objeto é sempre o Patrimônio de uma Entidade, definido como um
conjunto de bens, direitos e de obrigações para com terceiros.
O essencial é que o patrimônio disponha de autonomia em relação ao
patrimônio dos sócios ou proprietários existentes, o que significa que a Entidade dele
pode dispor livremente, claro que nos limites estabelecidos pela ordem jurídica e, sob
certo aspecto, da racionalidade econômica e administrativa.
O Patrimônio também é objeto de outras ciências sociais, por exemplo, da
Economia, da Administração e do Direito, que, entretanto, o estudam sob ângulos
diversos daquele da Contabilidade, que o estuda nos seus aspectos quantitativos e
qualitativos. A Contabilidade busca apreender e entender as modificações sofridas
pelo Patrimônio, tendo uma visão prospectiva de possíveis variações. As mutações
tanto podem decorrer da ação do homem quanto dos efeitos da natureza sobre o
patrimônio.

7.1 - Aspectos Qualitativos do patrimônio consiste em qualificar os bens, direitos e


obrigações:
Patrimônio

Bens
Dinheiro
Veículos
Máquinas
Direitos
Duplicatas a receber
Obrigações
Duplicatas à pagar
Ordenados à pagar

7.2 - Aspectos Quantitativos do patrimônio consiste em dar a esses bens, direitos e


obrigações os seus respectivos valores, levando-nos a conhecer o quanto vale o
patrimônio da nossa empresa:

Patrimônio = (Bens + Direitos – Obrigações)

Bens
Dinheiro..................................1.000,00
Veículos................................20.000,00
‘ Máquinas................................6.000,00
Direitos
Duplicatas à receber...............1.200,00
Obrigações
Duplicatas à pagar.....................800,00
Ordenados à pagar..................1.200,00

8 - COMPONENTES PATRIMONIAIS

I - BENS
São coisas materiais ou imateriais capazes de produzir benefícios presentes ou
futuros, passíveis de mensuração e que possam ser objeto de uma relação jurídica.
Para a contabilidade é relevante distinguir os bens materiais ou tangíveis
(veículos, móveis, máquinas) daqueles ditos imateriais ou intangíveis (softwares,
marcas, patentes) uma vez que, posteriormente, isto interferirá na identificação do
critério de avaliação de ativos a ser adotado (depreciação, amortização ou exaustão).

II - DIREITOS
Na administração do patrimônio surgem os contratos, os quais podem definir
direitos ou obrigações para as entidades que deles sejam parte.
Direitos traduzem-se em contas representativas de recursos da empresa que
estejam na posse de terceiros, ou seja, valores a receber, a recuperar ou créditos.
Exemplos: duplicatas a receber, depósito em conta bancária, aplicações financeiras,
adiantamentos a empregados, empréstimos concedidos a terceiros, dentre outras.
III - OBRIGAÇÕES COM TERCEIROS
Dos compromissos assumidos junto a terceiros resultam dívidas ou obrigações
que podem ser definidas como valores de terceiros na posse da entidade ou
instituição. Representam-se por contas a pagar ou a recolher nas transações com
terceiros. Alguns exemplos: títulos a pagar, empréstimos bancários obtidos, provisão
para imposto de renda, ICMS a recolher.

IV - OBRIGAÇÕES COM OS SÓCIOS


Os recursos dos sócios que estejam aplicados na empresa sem previsão de
retorno ao patrimônio dos proprietários constituem obrigações não exigíveis, razão
pela qual são chamados de capital próprio. Em termos gerais, as contas
representativas de tais obrigações são capital, reservas e lucros (ou prejuízos)
acumulados.

9 - REPRESENTAÇÃO GRÁFICA DO PATRIMÔNIO

Balanço Patrimonial

ATIVO PASSIVO

BENS OBRIGAÇÕES PARA COM


TERCEIROS

PATRIMÔNIO LÍQUIDO
DIREITOS

CAPITAL PRÓPRIO DA EMPRESA

• ATIVO: Recursos controlados por uma entidade em consequência de eventos


passados e dos quais se espera que resultem fluxos de benefícios econômicos
futuros ou potencial de serviços para entidade. Pode se dizer, também que o
ativo representa, de forma estática, os bens e os direitos da entidade, ou seja,
tudo o que a empresa possui (caixa, máquinas, prédios, terrenos, estoque,
material de escritórios, etc) e tudo que lhe é devido (contas a receber)
• PASSIVO (exigível): as obrigações presentes da entidade, derivadas de
eventos já ocorridos, cujo o pagamento se espera que resulte em saída de
recursos da entidade, recursos capazes de gerar benefícios econômicos ou
potencial de serviços. Pode-se dizer, também que o passivo representa a
origem de recursos financiados por terceiros, além das obrigações assumidas
pela entidade que exigirão desembolso de recursos no futuro, ou seja, contas a
pagar, salários a pagar, impostos a pagar, entre outros. Passivo aumenta de
valor pela capacitação de um empréstimos ou financiamentos, pela compra de
um ativo a prazo ou pelo reconhecimento contábil de uma despesa ainda não
paga. Por outro lado, o passivo reduz de valor pelo efetivo pagamento ou pelo
reconhecimento contábil de uma recei8ta que havia sido recebida
antecipadamente, como adiantamentos de clientes.
• PATRIMÔNIO LÍQUIDO: também representa origem de recursos, sendo o PL
corresponde aos recursos financiados pelo sócios da entidade, na forma de
capital, e também pelos lucros retidos.

• PASSIVO + PATRIMÔNIO LÍQUIDO: indica origem dos capitais ou recursos.


• ATIVO: indica a forma de aplicação desses capitais ou recursos.
Geralmente na maioria das entidades o Ativo é maior que o Passivo, desta
forma a representação mais comum da equação patrimonial é:

10 - SITUAÇÕES LIQUIDAS PATRIMONIAIS


Em estatística patrimonial, o patrimônio liquido pode ser definido simplesmente
pela diferença entre o ativo e passivo, considerado este último como obrigações ou
dívidas com terceiros restritivamente. A partir de tais considerações podemos
representar graficamente algumas situações líquidas patrimoniais. Para compreendê-
las, utilize as convenções:
A = Ativo
P = Passivo
SL = Situação Líquida
ATIVO PASSIVO
BENS
Caixa ..........................................30,00 OBRIGAÇÕES
Móveis ........................................50,00 Duplicatas a pagar .....................35,00
Estoques ....................................20,00 Salários a pagar .........................15,00
100,00 Impostos a pagar ........................30,00
DIREITOS 80,00
Duplicatas a receber ....................40,00
Promissórias a receber ................10,00
50,00

TOTAL ......................................150,00
TOTAL .........................................80,00

SL = A – P SL = 150,00 – 80,00 SL = 70,00

A Situação Líquida apresentada acima caracteriza-se por positiva, ativa,


superavitária.
ATIVO PASSIVO
BENS
Caixa ...........................................30,00 OBRIGAÇÕES
Móveis ........................................50,00 Duplicatas a pagar ......................35,00
Estoques ....................................20,00 Salários a pagar ........................115,00
100,00 Impostos a pagar ........................30,00
DIREITOS 180,00
Duplicatas a receber ....................40,00
Promissórias a receber ................10,00
50,00

TOTAL ......................................150,00
TOTAL ........................................180,00

SL = A – P SL = 150,00 – 180,00 SL = - 30,00 ou SL = (30,00)


A Situação Líquida apresentada acima caracteriza-se por negativa, passiva,
deficitária, passivo a descoberto.
ATIVO PASSIVO

BENS OBRIGAÇÕES
Caixa ...........................................30,00 Duplicatas a pagar ......................35,00
Móveis ........................................50,00 Salários a pagar ........................100,00
Estoques ....................................20,00 Impostos a pagar ........................15,00
100,00 150,00
DIREITOS
Duplicatas a receber ....................40,00
Promissórias a receber ................10,00
50,00

TOTAL ......................................150,00 TOTAL ........................................150,00

SL = A – P SL = 150,00 – 150,00 SL = zero


A Situação Líquida apresentada acima caracteriza-se por nula.
RESUMO
>
Ativo (bens + Passivo (obrigações) Situação Líquida
direitos) POSITIVA

< Situação Líquida


Ativo (bens + Passivo (obrigações) NEGATIVA
direitos) Passivo a descoberto

=
Ativo (bens + Passivo (obrigações) Situação Líquida
direitos) NULA

11 – ALGUMAS CONCLUSÕES SOBRE O PATRIMÔNIO


Como vimos anteriormente o patrimônio de uma empresa é formado por bens,
direitos e obrigações (obrigações para com terceiros e para com os sócios). Vimos
também que o total do ativo é sempre igual a soma do total do passivo mais o total do
patrimônio líquido.

Ativo 120 Passivo 80

P. Liquido ?

Total 120 Total ?


A = P + PL
120 = 80 + PL PL = 120 – 80 PL = 40

Ativo Passivo
300 ?
P. Liquido
120
Total Total
300 ?
A = P + PL 300 = P + 120
P = 300 – 120 P = 180

Ativo ?
Passivo
125

P. Liquido
75
Total ? Total
200
A = P + PL
A = 125 + 75 A = 200

12 - EXERCÍCIOS
Abaixo transcreveremos alguns Balanços Patrimoniais com alguns elementos
patrimoniais faltantes. Calcule utilizando os conhecimentos adquiridos acima:
Passivo
Ativo
Duplic. à pagar 400
Caixa 1.200 Salários à pagar 1.000
Bancos 3.000 FGTS à recolher 80
Estoques 800
Móveis 500 Capital ?

Total 5.500 Total ?

Ativo Passivo

Caixa 1.500 Duplic. à pagar 300


Bancos 1.500 Salários à pagar 1.200
Estoques ? FGTS à recolher 96
Móveis 400
Capital 3.000

Total ? Total 4.596

Ativo Passivo

Caixa 1.300 Duplic. à pagar ?


Bancos 2.000 Salários à pagar 1.000
Estoques 1.000 FGTS à recolher 80
Móveis ?
Capital 2.000

Total 5.500 Total ?

13 - CONTAS
Contas é o nome técnico dado aos componentes patrimoniais e aos elementos
de resultado.
14 – PLANO DE CONTAS
É um catálogo onde constam todas as contas, previstas pela contabilidade,
necessárias para escrituração dos fatos contábeis.
Segundo a legislação (Lei 6.404/76) as contas devem ser dispostas segundo o
grau de disponibilidade e exigibilidade.

Observações:
As contas do Ativo são dispostas em ordem decrescente de liquidez (quanto mais
rapidamente transformada em dinheiro virá primeiro).
As contas do Passivo são dispostas em ordem crescente dos prazos de exigibilidade
(quanto mais rapidamente liquidada, virá primeiro)

PLANO DE CONTAS EMPRESA


CONTAS PATRIMONIAIS CONTAS PATRIMONIAIS

1. ATIVO 2. PASSIVO

1.1. CIRCULANTE 2.1.. CIRCULANTE


2.1.1. Financiamentos
1.1.1. Disponível 2.1.1.1 Empréstimos bancários
1.1.1.01.001 Caixa 2.1.1.2. Fornecedores
1.1.1.02.001 Bancos – Cta. movimento 2.1.1.3. Títulos a pagar
1.1.1.03.001 Aplicações de liquidez 2.1.1.4. Duplicatas a pagar
imediata 2.1.1.5 Promissórias a pagar
2.1.1.6 Duplicatas descontadas
1.1.2. Contas a Receber
1.1.2.01.001 Clientes 2.1.2. Obrigações Fiscais
1.1.2.02.001 Duplicatas a receber 2.1.2.1. ICMS a recolher
1.1.2.03.001 Notas promissórias a 2.1.2.2. IPI a recolher
receber 2.1.2.3. ISS a recolher
1.1.2.06. (-) Provisão para devedores 2.1.2.4. PIS a recolher
duvidosos 2.1.2.5. COFINS a recolher
1.1.2.07.(-)Provisão para crédito de 2.1.2.6. Imposto de Renda a recolher
liquidação 2.1.2.7. Contribuição Social Sobre o
duvidosa Lucro a recolher
1.1.2.08. Empréstimos a receber
1.1.2.09. Dividendos a receber 2.1.3. Outras Obrigações
1.1.2.10. Adiantamento a fornecedores 2.1.3.1. Adiantamento de clientes
1.1.2.11. Adiantamentos a funcionários 2.1.3.2. Adiantamentos de fornecedores
1.1.2.12. Adiantamento de viagem 2.1.3.3. Contas a pagar
1.1.2.13. Empréstimos a funcionários 2.1.3.4. Salários a pagar
1.1.2.14. Impostos a recuperar 2.1.3.5. Encargos sociais a pagar
2.1.3.6. FGTS a recolher
1.1.3. Investimentos Temporários 2.1.3.7. Comissões a pagar
1.1.3.1. Títulos e valores mobiliários 2.1.3.8. Honorários a pagar
1.1.3.2. Aplicação Financeira 2.1.3.9. Provisão para Férias
1.1.3.3. Ações da bolsa de valores 2.1.3.10. Provisão para 13º Salário
1.1.3.4. (-) Provisão para Perda em 2.1.3.11. Provisão para FGTS
Investimentos 2.1.3.12. Provisão para IR

1.1.4. Estoques 2.2. EXIGÍVEL A LONGO PRAZO


1.1.4.01. Mercadorias 2.2.1. Empréstimos a pagar
1.1.4.02. Material de consumo próprio 2.2.2. Financiamentos a pagar
1.1.4.03. Material de expediente 2.2.3. Títulos a pagar
1.1.4.04. (-) Provisão para Perdas no 2.2.4. Debêntures
Estoque
1.1.4.05. (-) Provisão para ajuste do preço
do
estoque ao de mercado

1.1.5. Despesas Antecipadas


1.1.5.01. Prêmios de seguros a apropriar
1.1.5.02. Assinaturas e Anuidades a
apropriar
1.1.5.03. Anuidades de sociedades a
apropriar
1.1.5.04.Aluguéis pagos antecipadamente
1.2. NÃO CIRCULANTE 2.4. PATRIMÔNIO LÍQUIDO

1.2.1 Contas a receber 2.4.1. Capital Social


1.2.1.2. Clientes 2.4.1.1. Capital subscrito
1.2.1.3. Títulos a receber 2.4.1.2. (-) Capital a integralizar
1.2.1.4. Duplicatas a receber
1.2.1.5. (-) Provisão p/ devedores 2.4.2. Reservas
duvidosos
1.2.1.6. Adiantamento terceiros 2.4.2.1 Reservas de Capital
1.2.1.7. Aplicações financeiras 2.4.2.1.1 Ágio na emissão de ações
1.2.1.8. Títulos e Valores mobiliários 2.4.2.1.3 Alienação de partes
1.2.1.9. (-) Provisão p/ perdas beneficiárias
investimentos 2.4.2.1.4 Produto da alienação de bônus
1.2.1.10. Empréstimos a sócios e 2.4.2.1.5 Doações
acionistas
2.4.2.2 Ajustes de Avaliação
1.2.2. Investimentos Patrimonial
1.3.2.1. Ações
1.3.2.2. Participações societárias 2.4.2.3 Reservas de Lucros
1.3.2.3. Ações de Coligadas/Controladas 2.4.2.3.1 Reserva Legal
1.3.2.4. Obras de arte 2.4.2.3.2 Reserva Estatutária
1.3.2.5. Imóveis não de uso 2.4.2.3.3 Reserva para Contingências
1.3.2.6. Terrenos não de uso 2.4.2.3.4 Reservas de Lucros a Realizar
1.3.2.7. Veículos antigos 2.4.2.3.5 Reserva Especial
1.3.2.8. Animais/Semoventes
1.3.2.9. (-) Provisão para Perdas em 2.4.3 (-) Ações em Tesouraria
Investimentos
1.3.2.10. (-) Amortização Acumulada de 2.4.4. (-) Prejuízos Acumulados
Investimentos

1.3.3. Imobilizado (Bens corpóreos)*


1.3.3.1. Terrenos
1.3.3.2. Edifícios
1.3.3.3. Instalações
1.3.3.4. Máquinas e Equipamentos
1.3.3.5. Equipamentos de processamento
de
dados
1.3.3.6. Móveis e Utensílios
1.3.3.7. Veículos
1.3.3.8. (-) Depreciação Acumulada
1.3.3.9. Recursos naturais
1.3.3.10. (-) Amortização acumulada
1.3.3.11. Florestamento
1.3.3.12. Recursos minerais
1.3.3.13. (-) Exaustão acumulada
1.3.3.14. Benfeitoria em imóveis de
terceiros
1.3.3.15. (-) Amortização acumulada
1.3.3.16. Obras em andamento

1.3.4 Ativo Intangível (incorpóreos)*


1.3.4.01 Marcas, Direitos e Patentes
1.3.4.02 Fundo de Comércio
1.3.4.03 (-) Amortizações Acumuladas
CONTAS DE RESULTADO
4. CUSTOS E DESPESAS 3. RECEITAS

4.3. Custos 3.1. Receitas Operacionais


4.3.1. Custos Vendas e Serviços
Prestados 3.1.1. Receita Bruta
4.3.1.1 Custo das mercadorias vendidas 3.1.1.1. Vendas de mercadorias
4.3.1.2. Custo dos serviços prestados 3.1.1.2. Serviços prestados

4.4. Despesas Operacionais 3.1.2. Outras Receitas Operacionais


4.4.1. Despesas de Vendas 3.1.2.1. Aluguéis
4.4.1.1 Salários 3.1.2.2. Juros recebidos
4.4.1.2. Encargos sociais 3.1.2.3. Descontos obtidos
4.4.1.3. Comissões
4.4.1.4. Propaganda e Publicidade 3.2. (-) Deduções da Receita
4.4.1.5. FGTS 3.2.1. (-) Impostos
4.4.1.6. Outras despesas 3.2.1.1. (-)ICMS sobre vendas
4.4.2. Despesas Administrativas 3.2.1.2. (-)ISS sobre faturamento de
4.4.2.1. Salários serviços
4.4.2.2. Encargos Sociais 3.2.1.3. (-)PIS s/ faturamento
4.4.2.3. Gratificações 3.2.1.4. (-)CONFINS s/ faturamento
4.4.2.4. Aluguéis
4.4.2.3. Depreciações 3.2.2. (-) Outras Deduções
4.4.2.6. Amortizações 3.2.2.1. (-)Desconto incondicional
4.4.2.7. Manutenções concedido
4.4.2.8. Energia Elétrica 3.2.2.2. (-)Cancelamento de vendas
4.4.2.9. Água e Esgoto 3.2.2.3. (-)Devolução de vendas
4.4.2.10. Seguros
4.4.2.11. Telecomunicações 3.3. Receitas Não-Operacionais
4.4.2.12. Correios 3.3.1. Ganho na venda de bem do
4.4.2.13. Fretes imobilizado
4.4.2.14. Honorário da Diretoria 3.3.2. Ganho na venda investimentos
4.4.2.15. Viagens
4.4.2.16. Impressos e Mat. Expediente
4.4.2.17. Material de Limpeza
4.4.2.18. Revistas e publicações
4.4.2.19. Copa e Cozinha
4.4.2.20. Serviços Profissionais e
Contratados
4.4.2.21. IPTU
4.4.2.22. IPVA
4.4.2.23. Taxas
4.4.2.24. FGTS
4.4.3. Despesas Financeiras
4.4.3.1. Juros pagos
4.4.3.2. Descontos Concedidos
4.4.3.3. Despesas Bancárias
4.4.3.4. Variação Monetária

4.5. Despesas Não Operacionais


4.5.1 Perdas Não Operacionais
4.5.1.1. Perda na Venda de Imobilizado
4.5.1.2. Perda na venda de Ações
15 - EXERCÍCIOS

01. Crie um conceito para a Contabilidade.

02. Qual é, ou qual deveria ser, em sua opinião, o principal objetivo da Contabilidade?

03. O que é método de Partidas Dobradas.

04. Conceitue Patrimônio.

05. Defina Bens, Direitos e Obrigações e dê exemplos.

06. O que são bens tangíveis e intangíveis?

07. De que é composto o Ativo?

08. Quais os subgrupos do Ativo?

09. De que é composto o Passivo?

10. Quais os subgrupos do Passivo?

16 – LIVROS CONTÁBEIS

16.1 – DIÁRIO

O livro Diário é obrigatório pela legislação comercial, e registra as operações da


empresa, no seu dia-a-dia, originando-se assim o seu nome.
O Diário deverá ser autenticado no órgão competente do Registro do Comércio,
e quando se tratar de Sociedade Simples ou entidades sem fins lucrativos, no Registro
Civil das Pessoas Jurídicas do local de sua sede.
No livro serão lançadas, em ordem cronológica, com individualização, clareza e
referência ao documento probante, todas as operações ocorridas, incluídas as de
natureza aleatória, e quaisquer outros fatos que provoquem variações patrimoniais.

22.2 – RAZÃO

O Livro Razão é obrigatório pela legislação comercial e tem a finalidade de


demonstrar a movimentação analítica das contas escrituradas no diário e constantes
do balanço.
As formalidades da escrituração contábil estão expressas no Decreto Lei
486/1969.
Não há necessidade de registro do Livro Razão. Entretanto, o mesmo deve
conter termo de abertura e encerramento, com a assinatura do contabilista e do
responsável pela empresa.

Caixa Código: 1.1.1.1


Saldo
Data Histórico Débito Crédito D/C Valores
26 Saldo anterior D 8.000,00
27 Depósito no Banco do Brasil 3.500,00 D 4.500,00
S.A.
28 Recebimento duplicata nº xx 1.100,00 D 5.600,00

Banco do Brasil – cta mov. Código: 1.1.1.2


Saldo
Data Histórico Débito Crédito D/C Valores

26 Saldo anterior D 7.000,00


27 Depósito 3.500,00 D 10.500,00

Duplicatas a receber Código: 1.1.2.2


Saldo
Data Histórico Débito Crédito D/C Valores

26 Saldo anterior D 10.000,00


28 Recebimento duplicata nº xx 1.100,00 D 8.900,00

Juros recebidos Código: 1.1.1.1


Saldo
Data Histórico Débito Crédito D/C Valores

26 Saldo anterior C 800,00


28 Juros sobre duplicata nº xx 100,00 C 900,00

Resultado da Conta Mercadorias – Lucro Bruto – Inventário Periódico.

Lucro Bruto é a diferença entre a receita líquida de vendas de bens ou serviços


e o custo das mercadorias vendidas ou dos serviços prestados.

Apuração extracontábil

1ª fórmula:

CMV = EI + C – EF

Onde:

CMV = Custo das mercadorias vendidas


EI = Estoque Inicial
C = Compras
EF = Estoque final

Exemplo:
Uma empresa começa o ano com R$ 5.000 de estoque de mercadorias, adquire
R$ 20.000 e após contagem física apurou estoque final de R$ 12.000, no mesmo
período vendeu R$24.000. Calcule o Resultado da conta mercadorias.

CMV = EI + C – EF --- 5.000 + 20.000 – 12.000 = 13.000