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11/08/2019 (2) EJesus Jesus

O Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova 

(1932)PERÍODO DA SEGUNDA REPÚBLICA

"Em nosso regime político, o Estado não poderá, decerto, impedir que, graças à organização de escolas

privadas de tipos diferentes, as classes mais privilegiadas assegurem a seus filhos uma educação de classe

determinada; mas está no dever indeclinável de não admitir, dentro do sistema escolar do Estado, quaisquer

classes ou escolas, a que só tenha acesso uma minoria, por um privilégio exclusivamente econômico. Afastada

a idéia de monopólio da educação pelo Estado, num país em que o Estado, pela sua situação financeira, não

está ainda em condições de assumir a sua responsabilidade exclusiva, e em que, portanto, se torna necessário

estimular, sob sua vigilância, as instituições privadas idôneas, a ‘escola única’ se entenderá entre nós, não como

uma conscrição precoce arrolando, da escola infantil à universidade, todos os brasileiros e submetendo-os

durante o maior tempo possível a uma formação idêntica, para ramificações posteriores em vista de destinos

diversos, mas antes como a escola oficial, única, em que todas as crianças, de 7 a 15 anos, todas ao menos

que, nessa idade, sejam confiadas pelos pais à escola pública, tenham uma educação comum, igual para todos."

26 nomes:

Fernando de Azevedo 

Afranio Peixoto 

A. de Sampaio Doria 

Anisio Spinola Teixeira 

M. Bergstrom Lourenço Filho 

Roquette Pinto 

J. G. Frota Pessôa 

Julio de Mesquita Filho 

Raul Briquet 

Mario Casassanta 

C. Delgado de Carvalho 

A. Ferreira de Almeida Jr. 

J. P. Fontenelle 

Roldão Lopes de Barros 

Noemy M. da Silveira 

Hermes Lima 

Attilio Vivacqua 

Francisco Venancio Filho 

Paulo Maranhão 

Cecilia Meirelles 

Edgar Sussekind de Mendonça 

Armanda Alvaro Alberto 

Garcia de Rezende 

Nobrega da Cunha 

Paschoal Lemme 

Raul Gomes.

O manifesto dos educadores "Mais uma vez convocados", reafirmação do "Manifesto dos Pioneiros da Educação

Nova", de 1932, veio à luz em 1° de julho de 1959. Redigido novamente por Fernando de Azevedo, contou com

189 assinaturas, entre as quais as de Anísio Teixeira, Florestan Fernandes, Caio Prado Júnior, Sérgio Buarque

de Holanda, Fernando Henrique Cardoso, Darci Ribeiro, Álvaro Vieira Pinto.

O "Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova", datado de 1932, consolidava a visão de um segmento da elite

intelectual que, embora com diferentes posições ideológicas, vislumbrava a possibilidade de interferir na

organização da sociedade brasileira do ponto de vista da educação. Redigido por Fernando de Azevedo, o texto

foi assinado por 26 intelectuais, entre os quais Anísio Teixeira, Afrânio Peixoto, Lourenço Filho, Roquette Pinto,

Delgado de Carvalho, Hermes Lima e Cecília Meireles. Ao ser lançado, em meio ao processo de reordenação

política resultante da Revolução de 30, o documento se tornou o marco inaugural do projeto de renovação

educacional do país. Além de constatar a desorganização do aparelho escolar, propunha que o Estado

organizasse um plano geral de educação. O movimento reformador foi alvo da crítica forte e continuada da Igreja

Católica, que naquela conjuntura era forte concorrente do Estado na expectativa de educar a população, e tinha

sob seu controle a propriedade e a orientação de parcela expressiva das escolas da rede privada.

Entre os principais destaques pelos Pioneiros da Educação Nova, podem ser destacadas algumas questões

inovadoras e de grande contribuição. O primeiro delas diz respeito à própria caracterização da educação

brasileira.

O Manifesto era a favor de uma educação mista, pública, laica, gratuita, e obrigatória. Assim o Estado deveria se

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comprometer pela obrigação de educar o povo, pois essa responsabilidade, a princípio era atribuída somente à

família. O Estado deveria se adequar tendo escolas de qualidade e gratuita, possibilitando assim a consolidação

do direito biológico dos indivíduos à educação e, tendo em vista os interesses dos indivíduos em formação e a

necessidade de progresso. Contrários ao costume de muitas escolas da época, os pioneiros pronunciaram-se

favoráveis à escola mista e, questionando os princípios da educação católica, defendia uma educação laica, o

que distanciaria a educação de pontos religiosos e traria uma proximidade das questões sociais, dando

oportunidades iguais a pessoas de ambos os sexos, e de diferentes credos e grupos sociais.

O Manifesto dos Pioneiros também priorizava pela afinidade entre diferentes níveis da educação entre si, e

destes níveis com o nível de desenvolvimento psico-biológico dos alunos, bem como uma interação entre a

escola, o trabalho e a vida: evidenciando a teoria e a prática, em favor do progresso evolutivo.

A consolidação destas relações é defendida através do desejo de sistemas de ensino, de um sistema de

organização escolar que levasse em conta as necessidades sociais daquela época, visando com isso atingir a

funcionalidade educativa de maneira mais abrangente. Uma das principais críticas a respeito da educação

brasileira naquele momento é de que se tinha a visão que o ensino era realizado de forma fragmentada, sem

conjuntura entre os diversos ensinamentos e deles com o mundo.

Outras questões mencionadas pelo Manifesto de 1932 ligam-se à pontos da unidade versus uniformidade da

educação nacional. A cobrança de um sistema de organização educacional que deveria gerar a unidade, porém

não a uniformidade educativa. Ou seja, a unidade educativa deveria contar com ao grande número presente

quando se comparam vários estados brasileiros, afim de que a educação se firmasse mais relevante e benéfica

para todos: para os estados e seus governos, de forma a abranger a sociedade como um todo e em cada região

e para os indivíduos em formação.

Portanto, para que se entendam as bases do Movimento Renovador e do Manifesto, é extremamente necessário

compreender algumas palavras e conceitos inovadores que, como já mencionado anteriormente, são inspirados

em diversas áreas do saber. Além de atingir na questão do ensino superior no Brasil, o Manifesto clamava que

toda a Educação deveria ser vista como uma constituição, em profunda interação com a vida prática e

motivadora do progresso inovador. Deveria receber adiantamento prioritário nos planos do Estado,

principalmente seus primeiros anos, que representariam o início da formação dos indivíduos. O planejamento da

educação deveria contar com o apoio da pedagogia, bem como da filosofia e outras ciências. Seria de

fundamental importância a interdisciplinaridade tornando-se subentendido no Manifesto, também através da

defesa de um ensino funcional, propondo-se ao mesmo tempo o desenvolvimento do indivíduo e da sociedade.

Graças a esse Movimento conhecido como Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, pioneiros esses DA

ELITE INTELECTUAL, mas que já pensavam no povo!

A educação no Brasil demorou a acontecer, mas veem caminhando para a formação de cidadão responsável

para sua vida em sociedade.

Hoje as escolas não se preocupam mais em encher a cabeça das crianças com informações momentâneas e

sim em relacionar os assuntos a serem trabalhados de forma a contextualizar e interdisciplinar a esses

conteúdos não só as matérias obrigatórias pelo currículo escolar, como também trabalhar temas transversais

abrangendo a realidade da criança.

Segundo David Paul Ausubel (psicólogo da aprendizagem)

"O aprendizado significativo acontece quando uma informação nova é adquirida mediante um esforço deliberado

por parte do aprendiz em ligar a informação nova com conceitos ou proposições relevantes preexistentes em

sua estrutura cognitiva. (Ausubel et al., 1978, p. 159)"

Seguindo a linha de pensamento de aprendizado significativo, ocorre como menciona o Manifesto de 1932, não

adianta ensinar de forma fragmentada e sim trazer a realidade do aluno para dentro da sala de aula,

aproveitando a base de conhecimento que o aluno já possui. Na atualidade o professor deve estar muito bem

preparado, pois as crianças acompanham noticiário e tem acesso a todo tipo de informação, principalmente com

relação à internet.

Contextualizar e interdisciplinar é preciso, vamos trabalhar para isso!!!!!

Resgatando o ideário liberal definido no "Manifesto dos Pioneiros", o "Mais uma vez convocados" se posicionava

contra o discurso da Igreja Católica sobre a "liberdade de ensino", discurso esse que se transformou em

plataforma política do deputado Carlos Lacerda, para defender a atuação da rede privada de ensino na oferta da

educação básica. O manifesto prossegue reafirmando a educação como bem público e dever do Estado. Nele

reaparece a proposta dos pioneiros da educação nova, de uma escola pública, laica, obrigatória e gratuita.

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