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QUALITY CONTROL In an analytical chemical and industrial production


approach (in portuguese); CONTROLE DE QUALIDADE Numa abordagem
analítica química e produtiva industrial

Working Paper · April 2015


DOI: 10.13140/RG.2.2.32350.64328

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1 author:

Francisco Sávio Gomes Pereira


Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco (IFPE)
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CONTROLE DE QUALIDADE
Numa abordagem analítica química e produtiva industrial

Fonte da imagem: http://www.guiadacarreira.com.br/ Acesso 29/04/2015

PROF. FRANCISCO SÁVIO GOMES PEREIRA

INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE PERNAMBUCO - IFPE


CURSO: TÉCNICO EM QUÍMICA

RECIFE- 2015
APRESENTAÇÃO

Prezado leitor,

Qualquer material didático fica sempre defasado com o tempo e evolução da ciência, mas serve como
base histórica para aprimoramento do conhecimento. É importante ter isto em mente ao ler este material
com críticas e cuidados levando em consideração o ano da edição e de utilização.

A tentativa deste material é contemplar aspectos técnicos profissionalizantes com fusão de conceitos
científicos e industriais e destina-se a atender a disciplina de CONTROLE DE QUALIDADE com
vinculação processual industrial e visão analítica química. Para alguns pode parecer impossível esta
vinculação, mas em nossa visão, é impraticável esta dissociação evitando a formação de um profissional
desconectado (analista ou operador) e fortalecendo sua responsabilidade técnica.

O primeiro capítulo contempla os fundamentos do controle de qualidade associando-os a química


analítica qualitativa, quantitativa e instrumental, sem deixar de citar a importância da estatística como
apoio. O segundo capítulo aborda a amostragem como conhecimento essencial e estruturador para todo
processo analítico de qualificação e quantificação para avaliação e tomada de decisões.

Depois dos dois capítulos básicos são apresentados alguns processos produtivos industriais mais
próximos da realidade regional nordestina para facilitar a inserção do aluno no mercado de trabalho.
Foram contemplados os capítulos: águas brutas e residuárias, açúcar e álcool, óleos e gorduras, sabões
e detergentes, cosméticos e alimentos (biscoitos e refrigerantes). Os conteúdos foram resumidos no
aspecto processual para intensificar o foco no controle de qualidade, mas podem ser complementados
usando outras apostilas disponíveis: Processos Químicos e Processos Tecnológicos de Alimentos,
do mesmo autor.

A escolha não foi fácil, pois existem infinidades de tópicos e de áreas, mas a intenção principal foi mesclar
conteúdos para que o aluno tenha mais aproveitamento e possa ter um material de consulta para aulas
regulares, entrevista técnica, seleção profissional ou concurso.

As críticas e sugestões são bem vindas, pois, por maior que seja o empenho é possível melhorar
qualquer material didático com ajuda de vários leitores.

Boa leitura e bom proveito deste material didático em estudos obrigatórios ou extensivos.

Sávio Pereira.
professor.savio@yahoo.com.br

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 2


SUMÁRIO

Conteúdo Página

1. FUNDAMENTOS DO CONTROLE DE QUALIDADE.......................................................................... 05


1.1. INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 05
1.2. ABORDAGENS DO CONTROLE DE QUALIDADE............................................................................. 07
1.3. TAREFAS DO CONTROLE DE QUALIDADE..................................................................................... 10
1.4. ESPECIFICAÇÃO DE QUALIDADE.................................................................................................... 11
1.5. TÉCNICAS DE AVALIAÇÃO DE QUALIDADE................................................................................... 12
1.6. TOLERÂNCIA EM QUALIDADE......................................................................................................... 12
1.7. CONFORMIDADE E CERTIFICAÇÃO DE PRODUTOS....................................................................... 13
1.8. FERRAMENTAS DA QUALIDADE..................................................................................................... 13
1.9. QUALIDADE EM LABORATÓRIOS..................................................................................................... 15
1.10. NOÇÕES BÁSICAS DE ESTATÍSTICA............................................................................................. 16
1.11. TEORIA DOS ERROS .................................................................................................................... 23
1.12. CONTROLE DE NA QUALIDADE PRODUÇÃO.............................................................................. 24
1.13. EXERCÍCIOS PROPOSTOS .......................................................................................................... 27

2. AMOSTRAGEM: ASPECTOS TÉCNICOS E ANALÍTICOS................................................................ 29


2.1. INTRODUÇÃO.......................................................................................................................... 29
2.2. PONTOS FUNDAMENTAIS DA AMOSTRAGEM......................................................................... 30
2.3. FATORES QUE INTERFEREM NA AMOSTRAGEM...................................................................... 31
2.4. PLANO OU PLANEJAMENTO DE AMOSTRAGEM.................................................................... 32
2.5. CLASSIFICAÇÃO DA AMOSTRAGEM....................................................................................... 32
2.6. DETERMINAÇÃO DO TAMANHO DA AMOSTRA.......................................................................... 33
2.7. TIPO DE AMOSTRAS................................................................................................................. 34
2.8. ASPECTOS DE UM PROCEDIMENTO OPERACIONAL DE AMOSTRAGEM................................... 34
2.9. AMOSTRAGEM E PREPARO DA AMOSTRA PARA ANÁLISE....................................................... 35
2.10. AMOSTRAGEM E A QUÍMICA ANALÍTICA............................................................................... 35
2.11. PRÁTICAS DE AMOSTRAGEM...................................................................................................... 42
2.12. PRÁTICA DE AMOSTRAGEM DE SOLO.................................................................................. 49
2.13. ANÁLISES QUÍMICAS DO SOLO............................................................................................ 51
2.14. EXERCÍCIOS PROPOSTOS ..................................................................................................... 54

3. CONTROLE EM ÁGUAS BRUTAS E RESIDUÁRIAS ........................................................................... 56


3.1. INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 56
3.2. PROPRIEDADES DAS ÁGUAS NATURAIS .................................................................................... 56
3.3. PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS FÍSICAS, QUÍMICAS E BIOLÓGICAS ......................................... 60
3.4. QUALIDADE TOTAL DA ÁGUA ...................................................................................................... 69
3.5. TRATAMENTOS DAS ÁGUAS BRUTAS PARA USO POTÁVEL E INDUSTRIAL .............................. 70
3.6. TRATAMENTOS DE EFLUENTES ................................................................................................... 74
3.7. MÉTODOLOGIAS ANALÍTICAS NO CONTROLE DE ÁGUAS BRUTAS E RESIDUÁRIAS .............. 77
3.8. EXERCÍCIOS PROPOSTOS ........................................................................................................... 95

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 3


4. CONTROLE NA PRODUÇÃO DE ÁÇÚCAR E ÁLCOOL ...................................................................... 98
4.1. INTRODUÇÃO ........................................................................................................................... 98
4.2. CANA-DE-AÇÚCAR ................................................................................................................. 98
4.3. AÇÚCAR ............................................................................................................................................... 99
4.4. ÁLCOOL ............................................................................................................................................... 99
4.5. PROCESSOS DE FABRICAÇÃO DO AÇÚCAR E DO ÁLCOOL ................................................ 100
4.6. CONTROLE DE QUALIDADE DO AÇÚCAR E DO ÁLCOOL ...................................................... 104
4.7. MÉTODOLOGIAS ANALÍTICAS NO CONTROLE PRODUTIVO DO AÇÚCAR E ÁLCOOL ............. 108
4.8. EXERCÍCIOS PROPOSTOS ................................................................................................................ 113

5. CONTROLE NA PRODUÇÃO DE ÓLEOS E GORDURAS............................................................. 115


5.1. INTRODUÇÃO....................................................................................................................... 115
5.2. PROPRIEDADES FÍSICAS E QUÍMICAS DOS ÓLEOS E GORDURAS..................................... 116
5.3. PRODUÇÃO DOS ÓLEOS E GORDURAS.............................................................................. 117
5.4. REFINAÇÃO DOS ÓLEOS E GORDURAS.............................................................................. 117
5.5. CONTROLE DE QUALIDADE NOS ÓLEOS E GORDURAS....................................................... 120
5.6. METODOLOGIAS ANALÍTICAS PARA CONTROLE EM ÓLEOS E GORDURAS.......................... 125
5.7. EXERCÍCIOS PROPOSTOS..................................................................................................... 138

6. CONTROLE NA PRODUÇÃO DE SABÕES E DETERGENTES...................................................... 140


6.1. INTRODUÇÃO ......................................................................................................................... 140
6.2. MATÉRIAS-PRIMAS DE SABÕES E DETERGENTES................................................................ 141
6.3. FABRICAÇÃO DE SABÕES E DETERGENTES......................................................................... 143
6.4. CONTROLE DE QUALIDADE EM SABÕES E DETERGENTES ................................................ 146
6.5. METODOLOGIAS ANALÍTICAS PARA O CONTROLE DE SABÕES E DETERGENTES .................. 147
6.6. EXERCÍCIOS PROPOSTOS .................................................................................................... 163

7. CONTROLE NA PRODUÇÃO DE COSMÉTICOS ........................................................................ 166


7.1. INTRODUÇÃO......................................................................................................................... 166
7.2. NORMAS SANITÁRIAS.............................................................................................................. 166
7.3. CLASSIFICAÇÃO E CARACTERÍSTICAS DOS PRODUTOS COSMÉTICOS..................................... 167
7.4. MATÉRIAS-PRIMAS DOS COSMÉTCOS.................................................................................. 167
7.5. FABRICAÇÃO DE COSMÉTICOS.............................................................................................. 169
7.6. ESTABILIDADE DE PRODUTOS COSMÉTICOS............................................................................... 170
7.7. CONTROLE DE QUALIDADE DOS COSMÉTICOS.................................................................... 172
7.8. METODOLOGIAS ANALÍTICAS PARA O CONTROLE DE PRODUTOS COSMÉTICOS.................... 178
7.9. EXERCÍCIOS PROPOSTOS....................................................................................................... 196

8. CONTROLE NA PRODUÇÃO DE ALIMENTOS: BISCOITOS E REFRIGERANTES....................... 197


8.1. INTRODUÇÃO......................................................................................................................... 197
8.2. MATÉRIAS-PRIMAS ALIMENTÍCIAS ........................................................................................ 197
8.3. FASES DE PROCESSAMENTO DE ALIMENTOS ...................................................................... 197
8.4. PRINCÍPIOS DE SEGURANÇA ALIMENTAR.............................................................................. 198
8.5. CONTROLE DE QUALIDADE NA PRODUÇÃO DE BISCOITOS..................................................... 200
8.6. METODOLOGIAS ANALÍTICAS PARA O CONTROLE EM BISCOITOS........................................ 203
8.7. CONTROLE DE QUALIDADE NA PRODUÇÃO DE REFRIGERANTES........................................ 215
8.8. METODOLOGIAS ANALÍTICAS PARA O CONTROLE EM REFRIGERANTES ................................. 219
8.9. EXERCÍCIOS PROPOSTOS................................................................................................................. 234

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 4


.........................................................................................................................................................

.....1..... FUNDAMENTOS DO CONTROLE DE QUALIDADE ............................

.........................................................................................................................................................

1.1. INTRODUÇÃO
O termo "qualidade" engloba tanto a qualidade do produto (conformidade com os requisitos)
quanto à qualidade do processo (grau em que o processo garante a qualidade do produto). Sua
definição e aplicação, porém, se modifica em função do domínio no qual é tratada. Por esta
razão, não é fácil tratar todas as interpretações da qualidade, mesmo se restringindo a um
domínio específico.
Para que a qualidade seja mais que um mero acaso, torna-se necessário incorporar métodos
que aumentem as chances de sucesso do produto e conceitos como "planejamento", "controle"
e "garantia" da qualidade.

O "Planejamento da Qualidade" define as atividades de avaliação da qualidade que serão


executadas ao longo do projeto, visando desenvolver produtos e processos para atender às
necessidades dos clientes. Inclui inicialmente entender essas necessidades, desenvolver
características de produto a elas alinhadas e identificar processos e padrões capazes de
produzi-las. Este planejamento inclui todas as atividades de avaliação da qualidade de um
projeto, que por sua vez devem especificar não apenas “o que” será avaliado, mas também
“quando”, “como” e “por quem”. Para concretizar o planejado, é necessário realizar atividades
de "garantia" e de "controle" da qualidade.

A "Garantia da Qualidade" visa avaliar a aderência das atividades executadas e dos produtos
de trabalho gerados a padrões, processos, procedimentos e requisitos estabelecidos e
aplicáveis. Fornece uma visão objetiva e independente, tanto para atividades de processo
quanto de produto, em relação a desvios e pontos de melhoria, de forma a assegurar que a
qualidade planejada não será comprometida. Além de verificar se o processo está adequado,
sendo seguido e trabalhando a favor da organização (evitando retrabalho, melhorando custos e
prazos), busca-se identificar desvios o quanto antes e acompanhar a sua resolução até que
sejam concluídos. Ferramentas e técnicas utilizadas pela garantia da qualidade incluem
auditorias (de produtos ou processos) e avaliações.

O "Controle da Qualidade" pode ser entendido como um método interativo de comparação do


produto em construção com os seus requisitos e tomada de ações caso existam diferenças.
Visa verificar a qualidade dos produtos de trabalho gerados durante o ciclo de vida
(intermediários e finais), determinando se estes estão dentro de níveis de tolerância aceitáveis.
Ferramentas e técnicas usadas para o controle da qualidade incluem revisões por pares
(inspeção e walkthrough = passo a passo) e diferentes níveis e tipos de teste, que são

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 5


estabelecidos pelos processos Verificação e Validação. Um conjunto bem definido de
atividades de controle da qualidade fornece consistência e força aos esforços em busca de
produtos com maior qualidade.

A distinção correta entre estes termos é importante para auxiliar as organizações na


determinação do conteúdo e direcionamento de seus programas de melhoria. Apesar de
possuírem propósitos distintos, muitas pessoas e organizações confundem e empregam
erroneamente estes conceitos – por exemplo, possuem áreas denominadas “garantia da
qualidade” que realizam basicamente testes em seus produtos. Visando elucidar estes dois
conceitos, a tabela seguinte apresenta as principais diferenças entre “garantia” e “controle” da
qualidade.

Diferenças entre Garantia da Qualidade Controle da Qualidade


“garantia” e
“controle” da
qualidade
Garantir que o projeto emprega todos Descobrir defeitos em produtos de
Foco os processos e padrões necessários trabalho gerados ao longo do
para atender aos requisitos projeto e eliminar suas causas
Auditorias de processo e de produto, Testes diversos e revisões por
Forma mais usual orientadas por check-lists pares (simples, inspeção,
walkthrough)
Utilizam métodos, procedimentos e Utilizam casos de teste, check-lists
Metodologia padrões para comparar previsto com e revisões para comparar o
realizado esperado com o obtido
Assegura que o processo empregado Assegura que os produtos de
Expectativa é definido e apropriado trabalho gerados estão consistentes
e alinhados
É orientada a processo, visando à É orientado a produto, visando à
Orientação prevenção de defeitos detecção e correção de defeitos

Cuida da monitoração e da
Monitoramento Cuida da monitoração e melhoria dos consistência dos produtos em
processos e padrões empregados relação aos requisitos e à utilização

Assegura que se faz da maneira Assegura que se fazem as coisas


Certificação correta (diz o que faz e faz o que diz) certas (faz certo o que atende a
necessidades e uso pretendido)

A garantia da qualidade fornece suporte ao controle da qualidade por meio de evidência e


confiança na habilidade do processo empregado em produzir um produto que atenda aos
requisitos especificados. Desta forma, a realização de testes é parte do processo de controle
da qualidade, enquanto a verificação da aderência ao processo documentado de teste é de
responsabilidade da garantia da qualidade.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 6


1.2. ABORDAGENS DO CONTROLE DE QUALIDADE
O controle da qualidade tem pelo menos 3 abordagens: TÉCNICA, GESTÃO e ESTATÍSTICA.

A ABORDAGEM TÉCNICA dedica-se à:


Ensaios: avaliam características e desempenho de materiais e artefatos;
• Ensaios destrutivos: duração de lâmpadas, tração de vergalhões etc.;
• Ensaios não destrutivos: ultrasom, líquidos penetrantes etc.;
Análises: Análise de falhas de artefatos em serviço.

A ABORDAGEM DE GESTÃO é coberta através de sistemas tais como:


• TQC (Total Quality Control = Controle da Qualidade Total);
• 6σ (Six Sigma);
• Lean Manufacturing (Manufatura Enxuta);
• Normas ISO 9000:2000;
• ABC: Ação Baseada na Compreensão.
A abordagem de gestão dedica-se à:
• Estruturação de ações para escolha e desenvolvimento de atividades adequadas para
alcançar os resultados desejados (TQC, 6σ, LEAN MANUFACTURING, ABC).
• Estruturação de organizações visando garantir resultados desejados (ISO 9000);
TQC (Total Quality Control)
• Baseada em princípios desenvolvidos nos Estados Unidos (Shewhart, Juran, Deming)
• Desenvolvida no Japão, no pós-guerra (JUSE, Ishikawa) e utilizada como modelo pela
Toyota.
• Focalizada no Brasil através da FCO (Fundação Christiano Ottoni), FDG (Fundação de
Desenvolvimento Gerencial) e INDG (Instituto de Desenvolvimento Gerencial), através
do Prof. V. Falconi.
Normas ISO 9000:2000
• NBR ISO 9000:2000: Sistemas de gestão da qualidade – fundamentos e vocabulário
• NBR ISO 9001:2000: Sistemas de gestão da qualidade – requisitos
• NBR ISO 9004:2000: Sistemas de gestão da qualidade – diretrizes para melhoria de
desempenho
• NBR ISO/TR 10014:2000: Diretrizes para gestão de aspectos econômicos da qualidade
• NBR ISO 10017:2000: Guias de técnicas estatísticas para NBR ISO 9001:1994
Gestão e Controle da Qualidade na ISO 9000:2000
Gestão da qualidade - Atividades coordenadas para dirigir e controlar uma organização, no que
diz respeito à qualidade
Controle da qualidade - Parte da gestão da qualidade focada no atendimento dos requisitos da
qualidade

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 7


Qualidade na ISO 9000:2000
Qualidade - Grau no qual um conjunto de características inerentes satisfaz a requisitos
(Qualidade pode ser usada com adjetivos tais como má, boa ou excelente; “Inerente”, ao
contrário de “atribuído” significa a existência de alguma coisa, especialmente como uma
característica permanente).
Características - Propriedade diferenciadora (pode ser inerente ou atribuída, qualitativa ou
quantitativa, e podem ser de vários tipos, tais como: físicas (mecânicas, elétricas, etc.),
sensoriais (odor, aspecto, tato, paladar, etc.), comportamentais (cortesia, honestidade,
veracidade, etc.), temporais (pontualidade, confiabilidade, disponibilidade, etc.), ergonômicas
(ligadas à segurança humana), funcionais (velocidade máxima de um avião, etc.)
Requisitos - Necessidade ou expectativa que é expressa, geralmente, de forma implícita ou
obrigatória. (Implícito significa que é prática costumeira ou usual para a organização, seus
clientes e outras partes interessadas).
ABC (Ação Baseada na Compreensão)
INTRODUÇÃO: A ação humana
A PRÁTICA DA ABC – AÇÃO BASEADA NA COMPREENSÃO
A seqüência de atividades
A compreensão da situação
• Resultados desejados
• Processos, produtos e organizações
• Modelos
• A escolha e o planejamento das ações
As ações, os Resultados Obtidos e sua Compreensão e a Decisão
A DIMENSÃO HUMANA DA ABC: A compreensão e a sabedoria.

A ABORDAGEM ESTATÍSTICA dedica-se à:


• Controle estatístico da qualidade (CEQ) - (Técnicas de amostragem e Tratamento de
grandes volumes de dados).
• Projeto de experimentos
• Testes de hipóteses
• Inferências estatísticas
Qualidade na abordagem estatística - Graças ao crescimento incessante do parque
industrial, à concorrência – cada vez maior de outras empresas similares, à procura e a melhor
condição do poder aquisitivo, surgiu entre os dirigentes das indústrias, a preocupação em
desenvolver novos métodos, em dividir e racionalizar o trabalho a fim de obter maior
produtividade sem, contudo afetar a qualidade do produto. O aumento da produção,
pensamento geral, iria causar problemas muito sérios à qualidade. Era preciso desenvolver
algum processo que substituísse a inspeção tradicional, até então utilizada satisfatoriamente. A
partir de 1920, procurando resolver o problema iniciou-se a revolução industrial no sentido de
aprimorar os métodos de inspeção utilizados. A mudança sobre controle de qualidade devia ser

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radical. Desenvolveram-se técnicas de prevenção de defeitos e a estatística, que passaram a
funcionar como as principais armas na detenção e prevenção de defeitos.
O controle estatístico de qualidade é tido como o melhor meio até agora encontrado para um
trabalho racional de prevenção de defeitos.
O que é Qualidade? – A definição mais moderna de Qualidade é apresentada pela
Organização Européia para Controle de Qualidade: “Qualidade de um material é a condição
necessária de aptidão para a finalidade a que se destina”.
Exigir de um produto, qualidade além da necessária, é encarecê-lo; exigir menos é prejudicar o
nome do fabricante diante do público consumidor.
Inspeção e Controle Estatístico de Qualidade – é de fundamental importância à
diferenciação de conceitos entre Inspeção e Controle Estatístico de Qualidade:
Inspeção de Qualidade – é uma operação de verificação realizada após o produto ter sido
totalmente processado, e na qual classificado em duas categorias: Aceito e Rejeitado.
É feita com o objetivo de verificar se a qualidade das partidas apresentadas atende às
especificações de fornecimento ou de recebimento, utilizando-se tábuas de amostragem.
As principais características da inspeção são:
• Cada unidade do produto deve ter suas características comparadas com padrões e
especificações.
• Deverá ser tomada uma decisão definitiva em aceitar ou rejeitar o produto, se este não
estiver de acordo com as especificações.
• A inspeção não adiciona nada ao valor do produto nem diminui o número de rejeições,
uma vez que não envolve nenhuma ação corretiva sobre as operações.
• A inspeção 100% garante ao cliente e ao fornecedor a boa qualidade do produto.
• A boa reputação do fornecedor sem um adequado sistema de Controle de Qualidade é
conseguida a custo de elevados índices de rejeições e conseqüente alto custo de
fabricação.
Controle Estatístico de Qualidade – é um sistema amplo e complexo que tem por finalidade a
inspeção, a análise e a ação corretiva aplicados a um processo produtivo. A inspeção de uma
pequena porção dos produtos leva a uma análise de sua qualidade, o que determinará a ação
a ser adotada de modo a manter o nível de qualidade.
É exercido pelo produtor durante o processo produtivo. O processo estará sob controle quando
a variação da qualidade estiver dentro dos limites de especificação do produto. Os
instrumentos principais utilizados para o controle estatístico de qualidade são os gráficos de
controle.
O diagrama seguinte esquematiza um sistema de aplicação do Controle de Qualidade:

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 9


A atividade de análise é fundamental no ciclo de controle, pois estabelece o relacionamento
entre o produto sob controle e os parâmetros de inspeção, conforme demonstrado na figura
seguinte:

As principais características do Controle Estatístico de Qualidade são:


• Divulgação rápida por utilizar apenas amostras dos resultados, permitindo uma
correção imediata.
• Os produtos produzidos em uma operação onde se aplicou a técnica correta de C.Q.
podem ser aceitos sem inspeção adicional.
• Melhoria da qualidade na própria linha de produção diminuindo as rejeições.
• Redução dos custos de fabricação, pois a qualidade é melhorada na própria operação
de manufatura.
• Aumento da moral dos supervisores de produção, pois a qualidade será produzida na
linha, eliminando-se as discussões após uma inspeção final, que não levam a nenhum
resultado.

1.3. TAREFAS DO CONTROLE DE QUALIDADE


Devido a seu necessário relacionamento com todas as fases do processo criativo de um
produto, o Controle de Qualidade tem influência em todas, sendo fator determinante na
qualidade final.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 10


Um bom produto, com elevado conceito de qualidade tem seu controle exercido
necessariamente:
• No estudo do projeto do produto e das suas especificações;
• Na análise da matéria-prima e do material auxiliar a ser utilizado na produção;
• No controle durante a execução do produto;
• Na inspeção do produto acabado;
• Na análise das falhas de campo ou de uso.

1.4. ESPECIFICAÇÃO DE QUALIDADE


Como a idéia de qualidade implica na comparação do produto com parâmetros previamente
estabelecidos ou expectativa de características, as especificações são fundamentais na análise
da qualidade. Alguns aspectos devem ser ponderados nas especificações de um produto:
Especificações Verbais – Causam confusões e erros de interpretação.
Especificações Através da Amostra do Produto – Dependem da complexidade do produto.
Especificações Numéricas
Dimensões exatas – São impraticáveis, pois para uma peça é possível mantê-las, mas para um
bom lote nunca ocorre repetitivamente.
Dimensões com tolerâncias – Permitem trabalhar com folgas permissíveis.
Características de Qualidade – São parâmetros componentes de uma especificação. Podem
ser:
• Propriedades físicas (Ex.: resistências a tração, viscosidade, densidade etc.)
• Propriedades químicas (Ex.: composição do material, pH, íons específicos etc.)
• Dimensões
• Temperatura
• Pressão etc.
Conteúdos das Especificações – São incluídas no texto das especificações somente as
características de qualidade. Estas podem ser: Especificação de materiais, Especificação de
fabricação e Especificação de produtos finais.
Especificação de Materiais: São elementos essenciais na especialização e devem conter no
mínimo as seguintes informações:
• Tipo de unidade de medida do material: Servem para caracterizar o objeto em análise.
• Identificação dos Lotes: A falta de identificação pode acarretar rejeições ou aprovações
de vários lotes por mera confusão.
• Requisitos de Qualidade do Material: Englobam todos os parâmetros que avaliam a
operabilidade do produto.
• Métodos de Ensaio do Lote: Indicam de que forma e com quais equipamentos vão se
inspecionar o lote.
• Embalagem, Manuseio, Armazenagem: Deve-se indicar como os produtos serão
fornecidos ou recebidos.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 11


Especificação de Fabricação: A especificação de fabricação e seu acompanhamento pelo
controle de qualidade reduzirão substancialmente o custo de fabricação diminuindo o número
de rejeições e as necessidades de inspeção final. Os elementos essenciais das especificações
de fabricação são:
• Lista de Materiais: Inclui todos os materiais utilizados no processo de fabricação.
• Equipamento: Descrição do equipamento: máquinas, ferramentas, etc., usados no
processo produtivo.
• Folhas de Operações: Resumem as informações necessárias para execução da
operação, tais como: Denominação da operação, Tempo de execução etc.
• Ensaios de Controle de Fabricação: Indicam as características a serem analisadas:
Medições necessárias; Tolerâncias etc.
Especificação de Produtos Finais: São especificações que fazem com que o produto final
atenda às exigências do consumidor. São os objetivos a serem atingidos pelas especificações
de fabricação.

1.5. TÉCNICAS DE AVALIAÇÃO DE QUALIDADE


Atributos e Variáveis – Em virtude de ser impraticável e desnecessário avaliar todos os
requisitos de qualidade de um produto, as especificações se restringem apenas aos mais
importantes e significativos. As características para avaliação são classificáveis em dois
grandes grupos:
Controle por Atributos – É a avaliação de características de qualidade de valores não
mensuráveis. É a forma mais comum e mais econômica para avaliarmos os requisitos de
qualidade. O julgamento sobre a qualidade de um produto por seus atributos independe do
conhecimento de suas dimensões, mas apenas dos conceitos “bom” e “ruim”.
Assim, a seleção de um lote de eixos usando um calibrador do tipo “passa não passa”, de um
lote de lâmpadas sob o critério “acende” ou “não acende” ou de um lote de óleo incolor ou
amarelado “atende” ou “não atende”, caracteriza o uso de atributos.
Controle de Variáveis – É a avaliação de características de qualidade através de valores
mensuráveis, as quais podem corresponder a leituras em escalas ou parâmetros analíticos
medidos

1.6. TOLERÂNCIA EM QUALIDADE


Definimos tolerância como a faixa de variação aceitável por um determinado requisito de
qualidade.
É impraticável em um processo de produção obter uma dimensão exata para um requisito de
qualidade, devido à variação constante das condições de trabalho. Esse caso gera a
necessidade de estipular um intervalo de variação no qual a característica de qualidade é
aceitável, ou seja, atende os objetivos do projeto. As tolerâncias podem ser: dimensional, de
forma, de partida, de faixa de variação etc.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 12


1.7. CONFORMIDADE E CERTIFICAÇÃO DE PRODUTOS
A busca por maior eficiência e produtividade tem sido uma constante nas empresas nas últimas
décadas. Em função disto, a qualidade tem recebido mais do que nunca uma atenção especial
por parte da direção das empresas, pois qualidade, em todos os níveis e setores da
organização, é o fator que vai garantir uma eficiência maior de toda a estrutura, bem como a
manutenção e aumento no número de clientes. Desta forma, a certificação de conformidade
tornou-se uma das ferramentas mais importantes dentro da nova realidade mundial.
A avaliação de conformidade é definida como sendo “uma forma sistematizada de avaliar se
um produto, serviço, processo ou profissional atende a requisitos de normas ou regulamentos
técnicos preestabelecidos pra a obtenção da certificação.” Esta avaliação pode ser feita pelo
fabricante ou fornecedor (Primeira); feita pelo comprador (Segunda); ou feita por uma
instituição independente em relação ao fornecedor e ao cliente (Terceira), que não tenha
interesse na comercialização dos produtos avaliados.
Existem cinco modalidades de avaliação de conformidade: certificação, declaração do
fornecedor, inspeção, etiquetagem, e ensaios.
Existem várias modalidades de certificação de produtos. As mais utilizadas são:
• Ensaio de tipo (o mais simples de todos);
• Ensaio de tipo seguido de verificação através de ensaio de amostras retiradas no
comércio;
• Ensaio de tipo seguido de verificação através de ensaio de amostras retiradas no
fabricante;
• Ensaio de tipo seguido de verificação através de ensaio de amostras retiradas no
comércio e no fabricante;
• Ensaio de tipo, avaliação e aprovação do sistema de qualidade do fabricante e ensaio
de amostras retiradas no comércio e no fabricante;
• Avaliação e aprovação do sistema da qualidade do fabricante;
• Ensaio do lote;
• Ensaio 100%.
A certificação é feita por Organismos de Certificação Credenciados (OCC) no Sistema
Brasileiro de Certificação.
As empresas cujos produtos são certificados oferecem benefícios aos consumidores,
auxiliando-os na identificação de produtos que atendem a normas específicas, o que
conseqüentemente estabelece parâmetros para decisão de compra. Isto, por sua vez, reverte
em benefícios para a empresa, que tem a garantia de que seus produtos terão total aceitação
no mercado, aumentando muito a sua competitividade, inclusive em mercados mundiais.

1.8. FERRAMENTAS DA QUALIDADE


As empresas cada vez mais necessitam certificar através de política e ações. Fazer qualidade
é procurar a satisfação dos clientes em primeiro lugar. A verificação deste princípio fez com
que muitas empresas de sucesso dominassem o mercado de produto e serviço nos últimos

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 13


anos. As ferramentas analisadas a seguir são as mais utilizadas no TQC, mas não são as
únicas. Essas ferramentas são usadas por todos em uma organização e são extremamente
úteis no estudo associado às etapas ao fazer rodar o ciclo. As ferramentas sempre devem ser
encaradas como um MEIO para atingir as METAS ou objetivos. Meios são as ferramentas que
podem ser usadas para identificar e melhorar a qualidade, enquanto a meta é onde queremos
chegar (fim).
A qualidade não pode estar separada das ferramentas básicas usadas no controle, melhoria e
planejamento da qualidade, visto estas fornecerem dados que ajudam a compreender a razão
dos problemas e determinam soluções para eliminá-los.
As sete ferramentas da qualidade estudadas aqui são:
• Diagrama de Pareto • Gráficos de Controle
• Histograma • Fluxogramas
• Diagrama de Causa e Efeito • Cartas de Controle
• Folha de Verificação
Cada ferramenta tem uma função, sendo que não há uma indicação adequada para saber qual
a ferramenta a utilizar em cada fase dos trabalhos estatísticos. Tudo depende do problema
envolvido, das informações adquiridas, dos dados históricos disponíveis e do conhecimento do
processo em questão.

Utilização das principais ferramentas para o controle estatístico da qualidade

FERRAMENTAS REPRESENTAÇÃO UTILIZAÇÃO

Diagrama de Pareto Diagrama de barra que ordena as Priorizar as poucas, mas vitais.
ocorrências da maior para a menor.

Verificar o comportamento de um
Diagrama de barras que representa a
processo em relação à
Histograma distribuição da ferramenta de uma
especificação.
população.

Diagrama de Causa e Efeito Método que expressa à série de causas Ampliar a quantidade de causas
de um efeito (problema). potenciais a serem analisadas.

Facilitar a colheita de dados


Folha de Verificação Planilha para colheita de dados. referente um problema.

Gráficos de Controle Gráfico com limite de controle que Verificar se o processo está sob
permite o monitoramento dos processos. controle.

Representação pictórica do processo; Esquema passo a passo do


Fluxogramas
normalização do processo. processo com análise, discussão e
comunicação; melhoria do
processo.
Processo mais usual para monitorar um
Cartas de Controle Verificar se o processo está sob
processo.
controle.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 14


1.9. QUALIDADE EM LABORATÓRIOS
Em uma escala de valores, qualidade permite avaliar e, conseqüentemente, aprovar, aceitar ou
recusar qualquer coisa. Na prática, quase sempre existe uma relação entre o preço e a
qualidade do produto. Entretanto, em química analítica esta definição deve ser expandida.
Assim, deve-se perguntar por que você quer a análise e o que você quer fazer com ela para
então decidir como você vai realizá-la.
Qualidade em laboratórios analíticos implica em resultados que:
• alcançam as necessidades específicas do cliente e para isso, deve existir uma
discussão prévia à análise e, neste momento, deve-se ver o cliente como mais um
membro do laboratório;
• atraem a confiança do cliente e de todos os que fazem uso dos resultados;
• representa valor e não custo.
Segurança da Qualidade - O principal objetivo da GLP (GOOD LABORATORY PRACTICE) é
submeter dados confiáveis/seguros às autoridades que avaliam estes dados, evitando sempre
que possíveis experimentos desnecessários com animais e recomendando metodologias
adequadas para:
• controle de pessoal e organização do laboratório;
• programa de garantia da qualidade;
• instalações, equipamentos, materiais e reagentes;
• sistemática dos experimentos (protocolos);
• registros adequados de amostras experimentais e padrões de referência;
• procedimentos de operação padronizados, incluindo precauções em relação a
segurança e saúde;
• descrição completa dos experimentos e justificativa da escolha do método;
• relatório dos resultados; e
• estocagem e manutenção de registros e materiais.
É um sistema de Boas Condutas no Laboratório, GLPs - GOOD LABORATORY PRACTICE,
projetado com diferentes planos de atividades para assegurar que o programa de controle de
qualidade seja efetivo.
Esta preocupação iniciou há várias décadas e deu origem no início dos anos 70 a publicação
pela Food and Drug Administration, FDA/USA, do texto "Principles for Good Laboratory
Practice". Na Comunidade Européia, por mais de 30 anos que se deseja expressar um padrão
uniforme para avaliar a qualidade das pesquisas, sendo que em 1981 foi publicada oficialmente
e reconhecida pelos estados membros da OECD, Organization for Economic Cooperation and
Development, o texto "OECD Principles of Good Laboratory Practice" cujas diretrizes foram
adotadas a partir de 1987.
De fato adotar o sistema de Boas Condutas no Laboratório, GLPs é o início do processo de
garantia de segurança de qualidade dos dados analíticos, e está preocupado, essencialmente,
com o processo organizacional e as condições nas quais os estudos laboratoriais são
planejados, realizados, monitorados, registrados e com relação à apresentação dos relatórios.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 15


Controle de Qualidade - É um sistema projetado para proporcionar um produto com
qualidade. Os fatores considerados mais relevantes para obterem-se resultados com qualidade
assegurada, em relação a análises e materiais específicos para o controle da qualidade do
trabalho são:
• conhecimento preciso das necessidades do cliente;
• Qual é o nível de incerteza aceitável;
• método correto de amostragem (representatividade da amostra);
• método analítico apropriado (validado anteriormente para a matriz da amostra em
estudo);
• as determinações devem estar propriamente arquivadas (evitando alguma
possibilidade de erro, ou de que as determinações sejam perdidas, ou de que a
amostra tenha sido identificada de forma incorreta);
• procedimento experimental completo deve ser arquivado (deve permitir que outra
pessoa possa repetir o trabalho no futuro);
• informe claro para o cliente (o cliente deve ser capaz de compreender a linguagem
científica).
Ainda, qualidade somente pode ser alcançada se as análises forem realizadas por um
laboratório, o qual adota uma gestão completa da qualidade, com SISTEMAS apropriados para
assegurá-la, citam-se como exemplos:
• manutenção e inspeção dos equipamentos (p.ex.: quando as balanças foram
calibradas?);
• metodologia adequada para gravar os resultados (não devem ser guardados como
notas em folhas avulsas);
• gestão profissional dos materiais de laboratório (por quanto tempo determinados
reagentes devem permanecerem estocados?);
• a equipe deve ser competente para realizar o trabalho e sempre seguir os princípios da
Boa Conduta em Laboratório (GLP - Good Laboratory Practice).
Para que o sistema de qualidade esteja completo e que os erros sistemáticos também sejam
identificados, além dos eventuais, existe a necessidade de que o laboratório seja avaliado por
verificação externa (Accreditation and Quality Assurance in Analytical Chemistry). Assim, os
resultados obtidos estariam sujeitos a comparação periódica com aqueles obtidos em outro
laboratório autorizado oficialmente.

1.10. NOÇÕES BÁSICAS DE ESTATÍSTICA


Estatística - É uma parte da matemática aplicada que fornece métodos para coleta,
organização, descrição, análise e interpretação de dados e para a utilização dos mesmos na
tomada de decisões.
A coleta, a organização, a descrição dos dados, o cálculo e a interpretação de coeficientes
pertencem à ESTATÍSTICA DESCRITIVA, enquanto a análise e a interpretação dos dados,
associado a uma margem de incerteza, ficam a cargo da ESTATÍSTICA INDUTIVA ou

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 16


INFERENCIAL, também chamada como a medida da incerteza ou métodos que se
fundamentam na teoria da probabilidade.
Alguns conceitos em estatística:
População ou Universo - É o conjunto de todos os elementos existentes ou possíveis de
existir no processo de fabricação.
Lote ou Partida - É o conjunto de todos os elementos extraídos de um processo de fabricação,
num intervalo de tempo. O Lote: Pode ser a produção horária, produção diária ou ainda a
produção programada. Tamanho do Lote: É a quantidade de elementos existentes no lote.
Amostra - É o conjunto de todos os elementos extraídos parcialmente do processo de
fabricação ou de um lote. Amostra ao Acaso (Casual): É o conjunto de todos os elementos
tirados ao acaso de uma produção. Tamanho da Amostra: É a quantidade de elementos
existentes na amostra.
Análise Exploratória de Dados - Após a coleta e a digitação de dados em um banco de
dados apropriado, o próximo passo é a análise descritiva. Esta etapa é fundamental, pois uma
análise descritiva detalhada permite ao pesquisador familiarizar-se com os dados, organizá-los
e sintetizá-los de forma a obter as informações necessárias do conjunto de dados para
responder as questões que estão sendo investigadas. Tradicionalmente, a análise descritiva
limitava-se a calcular algumas medidas de posição e variabilidade. No final da década de 70,
Tukey criou uma nova corrente de análise. Utilizando principalmente técnicas visuais,
buscando descrever quase sem utilizar cálculos, alguma forma de regularidade ou padrão nos
dados, em oposição aos resumos numéricos. Nessa etapa, são mostrados tabelas, gráficos e
medidas-resumo que descrevem a tendência dos dados, quantificam a sua variabilidade,
permitem a detecção de estruturas interessantes e valores atípicos no banco de dados.
Tipo de variáveis - Cada uma das características de interesse observadas ou medidas
durante o estudo é denominada de variável. As variáveis que assumem valores numéricos são
denominadas quantitativas, enquanto que as não numéricas, qualitativas.
Uma variável é qualitativa quando seus valores são atributos ou qualidades (por ex: sexo, raça,
classe social). Se tais variáveis possuem uma ordenação natural, indicando intensidades
crescentes de realização, são classificadas de qualitativas ordinais (por ex: classe social -
baixa, média ou alta). Se não for possível estabelecer uma ordem natural entre seus valores,
são classificadas como qualitativas nominais (por ex: Sexo - masculino ou feminino).
As variáveis quantitativas podem ser classificadas ainda em discretas ou contínuas. Variáveis
discretas podem ser vistas como resultantes de contagens, e assumem, em geral, valores
inteiros (por ex: Número de filhos). Variáveis contínuas podem assumir qualquer valor dentro
de um intervalo especificado e são, geralmente, resultados de uma mensuração (por ex: Peso,
em kg; Altura, em metros).
Descrição dos dados - É importante conhecer e saber construir os principais tipos de tabelas,
gráficos e medidas resumo para realizar uma boa análise descritiva dos dados. É preciso
entender como os dados se distribuem, onde estão centrados, quais observações são mais
freqüentes, como é a variabilidade etc., tendo em vista responder às principais questões do

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 17


estudo. Cada ferramenta fornece um tipo de informação e o seu uso depende, em geral, do tipo
de variável que está sendo investigada. De uma maneira simplificada pode-se utilizar as duas
abordagens sugeridas no quadro:

Tabela de frequências - Como o nome indica, conterá os valores da variável e suas


respectivas contagens, as quais são denominadas frequências absolutas ou simplesmente,
frequências. No caso de variáveis qualitativas ou quantitativas discretas, a tabela de frequência
consiste em listar os valores possíveis da variável, numéricos ou não, e fazer a contagem na
tabela de dados brutos do número de suas ocorrências. A frequência do valor i será
representada por ni, a frequência total por n e a frequência relativa por fi = ni/n.
Para variáveis cujos valores possuem ordenação natural (qualitativas ordinais e quantitativas
em geral), faz sentido incluir também uma coluna contendo as frequências acumuladas fac,
obtidas pela soma das frequências de todos os valores da variável, menores ou iguais ao valor
considerado.
No caso das variáveis quantitativas contínuas, que podem assumir infinitos valores diferentes,
é inviável construir a tabela de freqüência nos mesmos moldes do caso anterior, pois se obtém
praticamente os valores originais da tabela de dados brutos. Para resolver este problema,
determinam-se classes ou faixas de valores e contam-se o número de ocorrências em cada
faixa. Por ex., no caso da variável peso de adultos, poderia se adotar as seguintes faixas:
30 |— 40 kg, 40 |— 50 kg, 50 |— 60, 60 |— 70, e assim por diante. Apesar de não se adotar
nenhuma regra formal para estabelecer as faixas, procura-se utilizar, em geral, de 5 a 8 faixas
com mesma amplitude.
Eventualmente, faixas de tamanho desigual podem ser convenientes para representar valores
nas extremidades da tabela.
Exs.:

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 18


Gráfico de barras - Para construir um gráfico de barras, representam-se os valores da variável
no eixo das abscissas e suas as frequências ou porcentagens no eixo das ordenadas. Para
cada valor da variável desenha-se uma barra com altura correspondendo à sua frequência ou
porcentagem. Este tipo de gráfico é interessante para as variáveis qualitativas ordinais ou
quantitativas discretas, pois permite investigar a presença de tendência nos dados.
Ex.:

Diagrama Circular - Para construir um diagrama circular ou gráfico de pizza, reparte-se um


disco em setores circulares correspondentes às porcentagens de cada valor (calculadas
multiplicando-se a freqüência relativa por 100). Este tipo de gráfico adapta-se muito bem para
as variáveis qualitativas nominais.
Ex.:

Histograma - Consiste em retângulos contíguos com base nas faixas de valores da variável e
com área igual à freqüência relativa da respectiva faixa. Desta forma, a altura de cada
retângulo é denominada densidade de freqüência ou simplesmente densidade definida pelo
quociente da área pela amplitude da faixa. Alguns autores utilizam a freqüência absoluta ou a
porcentagem na construção do histograma, o que pode ocasionar distorções (e,
conseqüentemente, más interpretações) quando amplitudes diferentes são utilizadas nas
faixas.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 19


Ex.:

Medidas de posição (tendência central) - São medidas que visam localizar o centro de um
conjunto de dados, isto é, identificar um valor em torno do qual os dados tendem a se agrupar.
As medidas de posição ou de tendências centrais mais utilizadas são: média aritmética,
mediana e moda.
Média aritmética: é a soma de todas as observações dividida pelo número de observações.
Ex.: média aritmética de 3, 4, 7, 8 e 8.

Mediana: valor que ocupa a posição central dos dados ordenados; é o valor que deixa metade
dos dados abaixo e metade acima dele. Se o número de observações for par, a mediana será a
média aritmética dos dois valores centrais.
Ex.: mediana de
a) 3, 4, 7, 8 e 8 ? Md=7
b) 3, 4, 7, 8, 8 e 9 ?

Moda: é o valor mais freqüente no conjunto de dados. Ex.: Número de filhos por funcionário de
certa empresa:

Medidas de dispersão - As medidas de tendência central fornecem informações valiosas,


mas, em geral, não são suficientes para descrever e discriminar diferentes conjuntos de dados.
As medidas de dispersão ou variabilidade permitem visualizar a maneira como os dados
espalham-se (ou concentram-se) em torno do valor central. Para mensurarmos esta
variabilidade podemos utilizar as seguintes estatísticas: amplitude total; distância interquartílica;
desvio médio; variância; desvio padrão e coeficiente de variação.
Amplitude total: é a diferença entre o maior e o menor valor do conjunto de dados.
Ex.: dados: 3, 4, 7, 8 e 8. Amplitude total = 8 – 3 = 5
Distância interquartílica: é a diferença entre o terceiro e o primeiro quartil de um conjunto de
dados. O primeiro quartil é o valor que deixa um quarto dos valores abaixo e três quartos acima

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 20


dele. O terceiro quartil é o valor que deixa três quartos dos dados abaixo e um quarto acima
dele. O segundo quartil é a mediana. (O primeiro e o terceiro quartis fazem o mesmo que a
mediana para as duas metades demarcadas pela mediana.) Ex.: quando se discutir o boxplot.
Desvio médio: é a diferença entre o valor observado e a medida de tendência central do
conjunto de dados.
Variância: é uma medida que expressa um desvio quadrático médio do conjunto de dados, e
sua unidade é o quadrado da unidade dos dados.

Desvio Padrão: é raiz quadrada da variância e sua unidade de medida é a mesma que a do
conjunto de dados.

Coeficiente de variação: é uma medida de variabilidade relativa, definida como a razão


percentual entre o desvio padrão e a média, e assim sendo uma medida adimensional
expressa em percentual.

Boxplot - Tanto a média como o desvio padrão podem não ser medidas adequadas para
representar um conjunto de valores, uma vez que são afetados, de forma exagerada, por
valores extremos. Além disso, apenas com estas duas medidas não temos idéia da assimetria
da distribuição dos valores.
Para solucionar esses problemas, podemos utilizar o Boxplot. Para construí-lo, desenhamos
uma "caixa" com o nível superior dado pelo terceiro quartil (Q3) e o nível inferior pelo primeiro
quartil (Q1). A mediana (Q2) é representada por um traço no interior da caixa e segmentos de
reta são colocados da caixa até os valores máximo e mínimo, que não sejam observações
discrepantes. O critério para decidir se uma observação é discrepante pode variar; por ora,
chamaremos de discrepante os valores maiores do que Q3+1.5*(Q3-Q1) ou menores do que Q1-
1.5*(Q3-Q1).

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 21


O Boxplot fornece informações sobre posição, dispersão, assimetria, caudas e valores
discrepantes.

Gráfico de linha ou sequência - Adequados para apresentar observações medidas ao longo


do tempo, enfatizando sua tendência ou periodicidade.
Ex.:

Polígono de freqüências - Semelhante ao histograma, mas construído a partir dos pontos


médios das classes.
Ex.:

Gráfico de ogiva - Apresenta uma distribuição de freqüências acumuladas, utiliza uma


poligonal ascendente utilizando os pontos extremos.
Ex.:

Diagrama de dispersão - Adequado para descrever o comportamento conjunto de duas


variáveis quantitativas. Cada ponto do gráfico representa um par de valores observados.
Ex:

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 22


1.11. TEORIA DOS ERROS
A medida de uma quantidade física envolve sempre 3 elementos:
• o sistema em estudo;
• o instrumental usado na realização da medida;
• o observador.
Mesmo quando estes 3 elementos são idênticos, os resultados obtidos nas sucessivas
medidas diferirão, em maior ou menor extensão, do valor verdadeiro, de uma parte, e também
entre si, de outra parte.
• Exatidão = fidelidade = concordância entre o valor obtido e o valor verdadeiro.
• Precisão = reprodutibilidade
Exemplo:

Erros Determinados:
• Erros de método: referem-se ao método analítico propriamente dito. Ex.: uso
inadequado do indicador, precipitado parcial (solúvel), reação incompleta, co-
precipitação, reações paralelas, volatilização do precipitado numa calcinação etc.
• Erros operacionais: são relacionados com a capacidade técnica do analista. A
inexperiência e a falta de cuidado podem ocasionar vários erros como, por exemplo, o
chamado erro de preconceito.
• Erros instrumentais: são relacionados com imperfeições e limitações do equipamento.
Ex.: peso analítico mal calibrado, vidraria volumétrica mal calibrada, ataque de
reagentes sobre a vidraria etc.
• Erros aditivos: independem da quantidade do constituinte. Ex.: perda de peso de um
cadinho no qual se calcina um precipitado e erros nos pesos.
• Erros proporcionais: dependem da quantidade do constituinte. Ex.: impureza em uma
substância padrão.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 23


Erros Indeterminados ou Acidentais:
• São de causa desconhecida, não se consegue prevê-los nem eliminá-los. O resultado
pode ser alterado nos dois sentidos.

Minimização dos Erros


Minimização dos Erros Determinados - Os erros determinados podem ser minimizados por um
dos seguintes métodos:
• calibração do aparelho e aplicação de correções;
• corrida de prova em branco;
• corrida de uma determinação de controle (ex.: liga padrão);
• uso de métodos independentes de análise;
• corrida de determinações em paralelo (precisão);
• uso do método da adição de padrão;
• uso de padrões internos;
• métodos de amplificação - faz-se reagir o constituinte de modo a produzir duas ou mais
moléculas de um outro material mensurável;
• diluição isotópica - mistura-se à amostra uma quantidade conhecida do elemento a
ser determinado, contendo um isótopo radioativo, e o elemento é, depois, isolado
numa forma pura (usualmente sob a forma de um composto) que é pesada ou
determinada de alguma outra maneira. A radioatividade do elemento isolado é medida
e comparada com a do elemento adicionado.
Minimização dos Erros Indeterminados - Os erros indeterminados podem ter seus efeitos
minimizados através de um tratamento estatístico dos dados experimentais.

1.12. CONTROLE DE QUALIDADE NA PRODUÇÃO


É o setor responsável pela qualidade do que se produz. O Controle de Qualidade é
responsável por todos os outros setores e controla desde a matéria-prima até o produto final.
Fundamentalmente devido ao fator de competição no mercado, é muito grande a importância
do Controle de Qualidade daquilo que se produz. Além disso, são os pontos de vista sob os
quais devemos observar e analisar este nos dias de hoje e não devemos considerá-lo como um
fato isolado no contexto da “história” de um produto.
Num processo produtivo devemos analisar os três elementos de sua qualidade, ou seja, a
matéria-prima, o maquinário e a mão-de-obra, bem como os testes e cálculos efetuados
para determinação de parâmetros e expressão dos seus resultados.
Influência da Matéria-Prima - Para fabricação de um produto de interesse as matérias-primas
devem possuir certas características quantificadas ou qualificadas. Domínio do processo
proporcionará um melhor controle da produção.
Caberá ao Controle de Qualidade detectar a origem de problemas de qualquer natureza que
contribua negativamente para o processo produtivo.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 24


Assim, o trabalho do Controle de Qualidade se inicia pela verificação da escolha das matérias-
primas adequadas para a fabricação do produto final, tipo de equipamentos ou outros insumos
necessários.
Sob o ponto de vista da qualidade, devemos considerar que a matéria-prima possui um peso
bastante elevado no resultado final. Em nenhuma circunstância, nem mesmo com um
excelente equipamento, poderemos alcançar bons resultados, em termos de qualidade final,
usando matéria-prima de qualidade ruim.
Nem todas as empresas de fabricação têm condições de testar satisfatoriamente a qualidade
da matéria-prima que recebe de seu fornecedor. Nesse caso, o aconselhável é que o
responsável pela aquisição procure, junto ao fornecedor, obter as informações pertinentes de
interesse para o processamento minimizando problemas de qualidade no produto final de
interesse.
Essa atitude pura e simplesmente poderá provocar uma preocupação do fornecedor de fazer
bem feito, atuando sob a forma de pressão psicológica, pois ao perceber que o cliente se
preocupa os detalhes serão observados na fabricação.
Mesmo assim, o ideal é que cada empresa fabricante possa fazer seus próprios testes de
laboratório, checando a cada partida de material, pelo menos alguns parâmetros
indispensáveis.
Influência do Maquinário - Se considerarmos que a influência do maquinário sobre a
qualidade final do produto está diretamente ligada à qualidade da mão-de-obra que o manipula,
podemos ter a falsa impressão de que esse elemento não possui um peso relevante na
qualidade final. No entanto estaremos sempre na dependência de um maquinário em boas
condições de uso e com recursos suficientes para o desenvolvimento de um bom trabalho. A
limitação das máquinas tem seu aspecto negativo no que se refere à montagem de uma planta
industrial, pois a aplicação de capital será onerada na medida em que haja necessidade de se
fabricar novas estruturas e assim, novas máquinas tenham que ser adquiridas.
Muito importante, do ponto de vista da qualidade, é o estabelecimento de um bom plano de
manutenção preventiva do maquinário, deixando-o sempre em condições de executar o
trabalho de produção dentro dos níveis de qualidade exigidos. Para isso, é importante
observar, sempre com muito rigor, as determinações do fabricante ou, no caso das máquinas
mais antigas, seguir a orientação de especialistas no assunto. A manutenção pode ser:
corretiva, preventiva e preditiva.
Manutenção corretiva - É uma técnica de gerência reativa que espera pela falha da máquina ou
equipamento, antes que seja tomada qualquer ação de manutenção. Também é o método mais
caro de gerência de manutenção. Os maiores custos associados com este tipo de gerência de
manutenção são: altos custos de estoques de peças sobressalentes, altos custos de trabalho
extra, elevado tempo de paralisação da máquina e baixa disponibilidade de produção.
Manutenção preventiva - A implementação da manutenção preventiva real varia bastante.
Alguns programas são extremamente limitados e consistem de lubrificação e ajustes menores.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 25


Os programas mais abrangentes de manutenção preventiva programam reparos, lubrificação,
ajustes, e recondicionamentos de máquinas para toda a maquinaria crítica na planta industrial.
O denominador comum para todos estes programas de manutenção preventiva é o
planejamento da manutenção x tempo. Todos os programas de gerência de manutenção
preventiva assumem que as máquinas degradarão com um quadro de tempo típico de sua
classificação em particular.
Manutenção preditiva. - Um meio de se melhorar a produtividade, a qualidade do produto, o
lucro e a efetividade global das plantas industriais de manufatura e de produção. A
manutenção preditiva não é meramente monitoramento de vibração ou análise de óleo
lubrificante ou de imagens térmicas ou qualquer das outras técnicas de teste não destrutivo
que tem sido marcada como ferramentas de manutenção preditiva. A manutenção preditiva
utiliza-se de ferramentas com um menor custo para obter a condição real de sistemas críticos
da planta industrial e, baseando-se nestes dados reais, todas as atividades de manutenção são
programadas numa certa base conforme necessário. A fim de minimizar ou prevenir os
problemas deve-se fazer manutenção preventiva, ou seja, detectar os problemas antes que
eles ocorram e também para diminuir os problemas comuns. Deve-se conhecer e compreender
os problemas existentes na fábrica e não pensar que já os conhece e contar com o apoio de
alguém de dentro na prevenção ou detecção desses problemas. Precisa-se estar consciente
das técnicas especializadas do Controle Estatístico de Processos (C.E.P.), tal como a Análise
de Pareto, que pode ajudar a controlar processos de importância para a sua operação, bem
como estar ciente das verdadeiras necessidades e desejos dos clientes. Deve-se trabalhar de
comum acordo com o fornecedor da matéria-prima a fim de assegurar o recebimento das
partidas que estejam de acordo com as suas especificações. E talvez o principal deva ser
organizar, supervisionar e observar as especificações internas do produto. Devem-se envolver
todos os que lidam com o problema dentro e fora da fábrica.
Influência da Mão-de-obra - Pode-se afirmar que tão importante quanto à qualidade da
matéria-prima, é a qualidade da mão-de-obra na obtenção de um bom produto. Se uma
empresa possui recursos e estrutura suficientes, o mais indicado é que ela tenha seu próprio
departamento para treinamento desta mão-de-obra, somente colocando em funções definitivas,
elementos devidamente treinados para execução do trabalho. Assim estará a empresa se
assegurando de que além de capacitado para a obtenção de um bom nível de qualidade, o seu
colaborador estará em condições de manter o equipamento em boas condições de
funcionamento. Conscientização e treinamento são armas indispensáveis num colaborador.
Conscientização - A influência do maquinário sobre a qualidade do produto está diretamente
ligada à qualidade da mão-de-obra que o manipula, por isso a importância de uma
conscientização eficiente dos colaboradores, pois destes vai depender o bom funcionamento
da máquina não só no que se refere à boa programação, mas de eventuais paradas com
problemas ocorridos. A conscientização deve abranger não só aos operadores que estão
envolvidos na produção, mas aqueles que participam da empresa.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 26


Treinamento - É essencial que o encarregado da produção e seus colaboradores sejam
treinados periodicamente para identificar os defeitos que possam ocorrer antes, durante e após
o processo do produto.
Tendo assim enumerado os agentes que influem sobre a qualidade final do produto é definido
que um bom resultado de qualidade se consegue mediante a conjugação dos três fatores,
considerados fundamentais: uma boa matéria-prima, um maquinário em condições de uso e
uma mão-de-obra devidamente treinada.
A falha de qualquer um destes fatores impossibilitará a obtenção de resultados dos níveis
almejados.

REFERÊNCIAS

ANDRADE, Estevão et all. Ferramentas da Qualidade. Controlo de Qualidade. Universidade da Madeira. s/d.
Disponível na web. Acesso 03/02/2012.

CETLIN, Paulo. O Controle da Qualidade. Dept. de Enga. Metalúrgica e de Materiais – UFMG. Apresentação de aula.
Disponível na web. s/d. Acesso 03/02/2012.

CONCEIÇÃO, Gleice Margarete de Souza; ALENCAR, Airlane Pereira; ALENCAR, Gizelton Pereira. Noções básicas
de estatística. Curso de Capacitação em Epidemiologia Básica e Análise da Situação de Saúde. Ministério da Saúde.
Secretaria de Vigilância em Saúde. s/d. (Apostila). Disponível na web. Acesso 03/02/2012.

MAGALHÃES, Ana Liddy Cenni de Castro. A Importância do Controle da Qualidade na Melhoria de Processos de
Software. S W Quality Consultoria e Sistemas. Disponível na web. s/d. Acesso 03/02/2012.

PAGANI, Regina Negri et all. Uma análise do controle de qualidade utilizado pelas empresas do setor de Móveis
de Metal e Sistemas de Armazenagem e Logística de Ponta Grossa, PR. XXVI ENEGEP - Fortaleza, CE, Brasil, 9 a
11 de Outubro de 2006. Disponível na web. Acesso em 03/02/2012.

PEREIRA, Gislaine de Souza. Controle de Qualidade na Malharia. IFSC, Campus Araranguá, 2010. (Apostila).
Disponível na web. Acesso 03/02/2012.

1.13. EXERCÍCIOS PROPOSTOS

1. O controle de qualidade pode ser estudado sob três abordagens: técnica, gestão e
estatística. Baseando-se neste pré-requisito, exemplifique numa situação preferencialmente
envolvendo a química, estas três abordagens de forma vinculadas num produto ou processo
industrial.

2. O controle estatístico de qualidade apresenta algumas características principais com as


palavras-chaves: Divulgação, Melhoria, Redução e Aumento. Aplique-as adequadamente numa
situação produtiva. Explique e exemplifique.

3. Cite as principais tarefas do controle de qualidade. Dê um exemplo aplicado de, pelo menos,
uma dessas tarefas.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 27


4. O que são especificações de qualidade? Quais os tipos mais comuns? Comente sobre os
aspectos positivos e negativos desses tipos num exemplo aplicado.

5. Quais as técnicas mais comuns de avaliação da qualidade? Comente resumidamente cada


caso e dê um exemplo aplicado em química analítica.

6. O que são ferramentas da qualidade? Qual sua importância no cotidiano produtivo? Ilustre,
pelo menos duas, aplicadas num processo químico industrial.

7. A estatística é uma ferramenta essencial no estudo do controle da qualidade em qualquer


área. Ela possui alguns termos básicos como: lote, amostra, análise exploratória de dados,
variáveis, descrição dos dados e gráficos. Crie uma situação analítica química de controle de
qualidade de forma a aplicar estes termos. Explique resumidamente cada termo quando da sua
exemplificação.

8. Do ponto de vista estatístico, quais as principais medidas de posição central e de dispersão?


Exemplifique estas informações numa aplicação de química analítica de controle de qualidade
de um processo industrial.

9. Mesmo com todos os cuidados envolvidos num procedimento analítico de qualidade é


impossível descartar a presença de erros. Diante destes fatos surge a chamada teoria dos
erros. No foco desta teoria, responda:
(a) Quais os elementos associados aos erros?
(b) Quais os tipos desses erros?
(c) Qual a distinção entre precisão e exatidão?
Exemplifique as três letras numa situação cotidiana analítica química.

10. Comente resumidamente sobre os principais aspectos do controle de qualidade na


produção. Exemplifique numa situação produtiva de seu domínio de conhecimento.

11. O controle de qualidade é um dos critérios mais difundidos nas empresas. Sobre este tema,
responda:
(a) Quais os principais aspectos do controle de qualidade na produção? Exemplifique numa
situação produtiva de seu conhecimento.
(b) Quais as técnicas mais comuns de avaliação da qualidade? Comente cada caso e dê um
exemplo aplicado em química analítica.
(c) Comente, de forma objetiva, sobre sua aplicação em todas as situações que conseguir
elencar. Ilustre os comentários numa aplicação industrial ou cotidiana.

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.....2........... AMOSTRAGEM: ASPECTOS TÉCNICOS E ANALÍTICOS..............

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2.1. INTRODUÇÃO
A importância da amostragem é ressaltada principalmente quando envolve o controle de
processos em laboratório e indústria e a comercialização dos produtos. Portanto, uma
amostragem mal conduzida pode resultar em prejuízos vultosos ou em distorção dos
resultados, de conseqüências técnicas imprevisíveis.
Pode-se definir amostragem como sendo uma seqüência de operações com o objetivo de
retirar uma parte representativa (densidade, teor, distribuição granulométrica, constituintes
minerais etc.) de seu universo (população, substância, material ou produto) para a variável ou
variáveis analisadas. Esta parte representativa é denominada de amostra primária ou global.
Desta, pode-se retirar fração (ou frações) destinada(s) a análise ou ensaios de laboratório. Esta
fração é chamada amostra final ou reduzida, que deve ser representativa da amostra global e,
portanto, de toda a população.
Incrementos são as frações de material retiradas de um todo (universo), a fim de constituírem a
amostra global ou final. Cada incremento deve possuir, aproximadamente, a mesma massa e
ser distribuído em relação ao todo, devendo ainda ser tomado o maior número possível de
incrementos, para que se tenha uma amostra mais representativa (lei das médias).
O esquema seguinte mostra, de forma simplificada, a interligação da amostragem com a
química analítica e a estatística:

Esquema simplificado do processo de amostragem e suas vinculações

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 29


Os resultados obtidos por análise química de uma amostra são desprovidos de significado ou
mesmo inúteis se a recolha da amostra não for convenientemente efetuada.
Assim, durante a amostragem devem ser tomadas todas as precauções para assegurar que as
amostras não sofrem alterações entre a coleta e a análise.
As questões relacionadas com a coleta, acondicionamento e conservação das amostras são
muito importantes, dado que constituem os motivos mais frequentes para a falta de
representatividade da amostra submetida à análise química.
As etapas da preparação física e química das amostras são também muito importantes, no
âmbito da análise química de alguns materiais. Exemplo: materiais geológicos, pois podem
limitar drasticamente a qualidade analítica dos resultados.
Ao se executar uma amostragem, é improvável que seja obtida uma amostra com as mesmas
características do material de onde foi retirada. Isto se prende ao fato de, no decorrer das
operações, haver erros de amostragem, tais como:
• Erro de operação: Está ligado ao operador. Exemplo: falta de atenção, contaminação
etc.
• Erro de segregação: Quando a amostra é constituída por minerais com significativas
diferenças de densidade. Exemplo: os minerais pesados tendem a separar-se dos
menos densos.
• Erro de integração de incrementos: Devido à coleta de incrementos em fluxos variáveis.
Exemplo: em um incremento, comete-se erro de segregação.
• Erro fundamental: Devido à massa da amostra tomada. Teoricamente a massa ideal
seria aquela que englobasse todo o seu universo. Como é tomada apenas a parte
desse todo, decorre-se em erro.
Excetuando-se o erro fundamental, os demais erros poderão ser evitados, pelo menos
minimizados, através do uso de amostradores automáticos para a retirada de frações da
amostra primária e Homogeneizador/Divisor para reduzir a amostra primária a uma amostra
final, com o objetivo de conseguir menor quantidade de massa, mas que seja a mais
representativa do universo.

2.2. PONTOS FUNDAMENTAIS DA AMOSTRAGEM


A integridade da amostra deve ser mantida até ser analisada.
As condições de coleta, transporte e armazenamento devem garantir a não alteração da
amostra.
As propriedades do(s) parâmetro(s) a analisar devem ser levadas em conta quando se planeja
a amostragem.
Os parâmetros podem ser: biológicos, microbiológicos, orgânicos, inorgânicos ou mistos.
As amostras podem ser obtidas de matrizes como: Ar, água, sedimento, biota, minérios ou de
produtos comerciais, matérias primas etc.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 30


2.3. FATORES QUE INTERFEREM NA AMOSTRAGEM
Finalidade da inspeção: aceitação ou rejeição, avaliação da qualidade média, determinação da
uniformidade;
Natureza do lote: tamanho, divisão em sublotes, granel ou embalado;
Natureza do material em teste: homogeneidade, tamanho unitário, história prévia e custo;
Procedimentos de teste: significância, procedimento destrutivo ou não, tempo e custo da
análise.

2.4. PLANO OU PLANEJAMENTO DE AMOSTRAGEM


Deve ser um documento bem escrito, pois poderá servir para:
• Estimular sugestões e críticas;
• Evitar más interpretações e problemas se houver mudança de técnicos de
amostragem;
• Fornecer diretrizes e procedimentos para os técnicos de amostragem;
• Fornecer elementos para a Garantia da Qualidade.

OBJETIVOS DO PLANO DE AMOSTRAGEM - Para testar a validade dos objetivos há


necessidade de se responder a questões chaves como:
• O que queremos saber?
• Porque precisamos desta informação?
• Para que servirão os resultados obtidos?
• Quais as ações que se seguirão?
• Quais as decisões que serão tomadas após se concluir a amostragem e o trabalho
analítico?

ETAPAS DO PLANO DE AMOSTRAGEM - Na execução do planejamento de amostragem


deve-se estabelecer o cronograma das diferentes atividades. Para se obter o máximo de
rendimento e evitar atropelos no desenvolvimento dos trabalhos. Nesse sentido, podem-se
minimizar os custos, com levantamentos de subsídios disponíveis em outras fontes de
informação, desde que isto não influencie a qualidade dos serviços.
O planejamento ou plano é a elaboração de um roteiro para realização de determinada tarefa.
Ao coletar, deve-se realizar um planejamento para obter uma amostra representativa e com
resultados satisfatórios, dentro da realidade da amostragem. Um bom planejamento de
amostragem inclui:
• Definição de objetivos e metas;
• Seleção de parâmetros e métodos analíticos;
• Seleção dos locais (pontos de amostragem) de coleta (ações de
reconhecimento/triagem);
• Tempo de coleta;
• Equipamentos necessários;

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 31


• Coletor bem treinado;
• Número e tipo de amostras (simples ou composta);
• Método de amostragem (metodologia de coleta);
• Preparação do material (check-list/conferência/ verificação);
• Conservação (preservação) e transporte;
• Armazenamento em laboratório.

2.5. CLASSIFICAÇÃO DA AMOSTRAGEM


A escolha do tipo de amostragem, que irá selecionar unidades representativas a serem
medidas, depende, além dos objetivos do estudo, dos padrões de variabilidade da população
sobre a qual se deseja inferir e do fator custo-benefício de planos alternativos. Considerações
como conveniência, acessibilidade e disponibilidade do local de amostragem, equipamento de
amostragem, considerações políticas são critérios finais para o estabelecimento do plano de
amostragem.

QUANTO AO TIPO: DISCRETA/PONTUAL, COMPOSTA e INTEGRADA.


Amostra Pontual ou Discreta - É colhida da origem num determinado instante e é mantida
como uma entidade independente num recipiente próprio É representativa das características
da origem no instante exato da recolha. Pode ser Manual ou Automática.
Amostra Composta - É uma mistura de várias amostras simples colhidas no mesmo ponto de
amostragem durante um período de tempo pré estabelecido. É representativa das
características médias da origem amostrada durante esse período. Pode ser Manual ou
Automática
Amostra Integrada - É uma mistura de amostras simples colhidas o mais simultaneamente
possível em diferentes locais. Úteis para efetuar a avaliação da composição média de uma
massa de água cujas características variam no perfil vertical e/ou horizontal. Pode ser manual
ou com equipamento específico.

QUANTO AO MODO: COLETA MANUAL OU AUTOMÁTICA


Depende de:
• Estratificação/existência de partículas em suspensão, pH, temperatura;
• Tipo de análises;
• Disponibilidade de meios e recursos humanos;
• Dificuldade de acesso ao local;
• Duração da coleta;
• Existência de corrente elétrica;
• Condições adversas
• Etc.

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QUANTO AO MÉTODO: CASUAL, SUBJETIVA, ESTATÍSTICA E DE BUSCA
Existem fundamentalmente quatro tipos de amostragem, que o analista pode escolher:
Amostragem Casual – baseia-se no princípio de que qualquer ponto de amostragem é válido,
o que significa que qualquer localização/tempo é válida para coletar uma amostra.
Evidentemente, este tipo de amostragem conduz a estimativas distorcidas das características
da população. A amostragem casual é apropriada se a população-alvo é completamente
homogênea.
Amostragem Subjetiva – seleção subjetiva de unidades de população. Este tipo de
amostragem pode ser usado para populações, onde o analista pode ver todas as unidades de
população e selecionar aquelas que lhe parecem serem as representativas das condições
médias. A população-alvo tem de estar perfeitamente definida, homogênea e completamente
acessível.
Amostragem Estatística – refere-se ao uso de métodos específicos de seleção aleatória.
• O método mais básico é a amostragem aleatória simples, onde cada uma das “N”
unidades da população tem igual oportunidade de ser tomada como amostra e a
escolha de uma amostra não influencia na escolha de outra;
• A amostragem aleatória estratificada é usada quando a população-alvo é heterogênea
e tem de ser considerada em partes (estratos) internamente homogêneas. As amostras
são selecionadas de cada um dos estratos por amostragem aleatória simples;
• A amostragem multi-estágio pressupõe a existência de vários níveis de subamostras;
• A amostragem em “clusters” é útil quando as unidades de população formam grupos e
todas as unidades em cada grupo selecionado aleatoriamente podem ser medidas;
• A amostragem sistemática é o método mais apropriado, quando se pretende estudar
padrões de qualidade ao longo do espaço ou tempo. As amostras são obtidas de
acordo com um padrão temporal ou espacial, por exemplo, locais eqüidistantes numa
linha, ou intervalos de tempo iguais;
• A amostragem dupla é útil quando há uma forte relação linear entre a variável de
estudo e outra, cuja medição seja mais barata e mais facilmente medida.
Amostragem de Busca - é utilizada para localizar fontes de poluição ou encontrar locais de
elevada contaminação. É útil quando existe informação histórica, conhecimento do local, ou
amostras anteriores que indicam onde o objeto da busca pode ser encontrado.

2.6. DETERMINAÇÃO DO TAMANHO DA AMOSTRA


A determinação do tamanho da amostra (1<n<N) é um dos problemas cruciais em
amostragem, pois o número de indivíduos ou objetos a serem observados é mais importante do
que a porcentagem da população.
O tamanho da amostra depende de inúmeros fatores, quer impostos pelo coletor das amostras,
quer impostos pela população de estudo. Assim, fatores como os custos envolvidos na coleta e
medições das amostras, a disponibilidade e a acessibilidade que o coletor tem aos locais de

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 33


amostragem, bem como o grau de precisão e de confiança desejado, são determinantes para a
decisão sobre o tamanho da amostra.
O objetivo que se tem para o estudo bem como o conhecimento sobre a população a amostrar
e sobre o comportamento da variável que se pretende medir são igualmente fatores
determinantes para o cálculo do tamanho da amostra.

2.7. TIPO DE AMOSTRAS


AMOSTRA SELETIVA – Coleta das áreas onde é mais provável encontrar o analito pretendido
(definido com os objetivos).
AMOSTRA PROTOCOLO - Coleta de acordo com procedimento previamente acordado:
regulamentações governamentais.
AMOSTRA ALEATÓRIA – Coleta selecionada ao acaso para eliminar os erros de seleção.
AMOSTRA SISTEMÁTICA - Coleta de acordo com plano sistemático - efeitos sistemáticos
(tempo, temperatura).
AMOSTRA REPRESENTATIVA - Simula o mais possível a composição e propriedades de todo
o material. Pode ser: Individual ou Composta (dois ou mais incrementos). Esta AMOSTRA
REPRESENTATIVA deve manter intacta todas as características do sistema global.
Preferencialmente deve-se efetuar coleta direta e ter atenção a:
• Seleção do local
• Matriz/Parâmetro
• Tipo de recipiente
• Condições de Transporte
• Condições de armazenamento
• Tempo de permanência

2.8. ASPECTOS DE UM PROCEDIMENTO OPERACIONAL DE AMOSTRAGEM


• Recolher amostras QUANDO, ONDE E COMO;
• Equipamento de amostragem; incluindo a sua manutenção e calibração;
• Recipientes; incluindo limpeza, conservação e armazenamento;
• Critério para rejeição de materiais indesejáveis;
• Procedimento de tratamento de amostras como: secagem, mistura/homogeneização,
manuseamento ates das medições;
• Procedimentos de subamostragem;
• Conservação de registros das amostras como: etiquetagem, registros e informação
auxiliar;
• Requisitos de rastreabilidade.

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2.9. AMOSTRAGEM E PREPARO DA AMOSTRA PARA ANÁLISE
Podemos começar a explicar esta área traduzindo o termo “bulk system” do inglês. O termo se
refere ao “sistema total” ou “sistema completo”. Ou seja, toda a área de onde será retirada a
amostra e este sistema não deve ser confundida com matriz.
Portanto quando existe a necessidade de realizar uma análise química é impossível trabalhar
com o sistema completo e, por isso, é necessário realizar uma etapa do procedimento analítico
chamada de Amostragem. Esta etapa envolve a coleta de porções ou alíquotas denominadas
Amostras, as quais precisam representar o sistema como um todo (representativa) e
conservar todas as suas características em relação a presença e quantidade do analito em
investigação. De maneira sintética: Amostra é uma porção limitada do material tomada do
conjunto (universo) selecionada de maneira a possuir as características essenciais do conjunto.
A amostra homogênea minimiza os erros. Ex: amostra heterogênea: caminhão de laranjas;
amostra homogênea: lote de suco de laranja.
A etapa de amostragem implica na necessidade de um plano previamente traçado para não
culminar em perda de capital e tempo por parte do analista. É necessário ter em mente o que
será necessário nos processos de identificação e quantificação dos analitos no laboratório, ou
seja, uma Estratégia analítica.

2.10. AMOSTRAGEM E A QUÍMICA ANALÍTICA


A química analítica quantitativa, junto com a química analítica qualitativa, fazem parte da
análise química que está associada ao conjunto de procedimentos utilizados para a
identificação e/ou quantificação de uma substância, ou os componentes de uma solução ou
mistura.

APLICAÇÕES DA QUÍMICA ANALÍTICA:


• Determinar e controlar a qualidade e/ou nível da poluição ambiental através da análise
do ar, água e solos;
• Controlar a qualidade de matérias-primas (como óleo cru, minérios) e de produtos
(medicamentos, alimentos, materiais etc.);
• Monitorar o processo industrial;
• Desenvolver novos produtos;
• Diagnosticar doenças e controlar as condições dos pacientes através da análise
química de materiais biológicos;
• Analisar quimicamente os solos para verificar a natureza e as quantidades de
fertilizantes e nutrientes básicos (N, P, K) e traços de outros elementos necessários
para o bom desenvolvimento dos mesmos;
• Determinar a composição das rochas através de mapeamentos geológicos;
• Caracterizar a forma com que os elementos estão distribuídos na natureza (especiação
química).

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 35


ETAPAS ENVOLVIDAS NUMA ANÁLISE QUÍMICA QUANTITATIVA
De um modo geral o esquema seguinte mostra os passos mais importantes de uma análise
química quantitativa típica, a modificação desse esquema dependerá do tipo de amostra que
será analisada. Amostras líquidas de uma forma geral não apresentam problemas, algumas
etapas do esquema poderão ser excluídas. Se a concentração do analito na amostra pesada
for inferior ao limite de detecção do método escolhido será necessário acrescentar uma etapa
de pré-concentração (extração por solventes, resina de troca iônica etc.).

1. Estudo do problema: - Os principais aspectos a serem considerados são:


• a natureza da informação procurada;
• a quantidade de amostra disponível e a percentagem do constituinte a ser determinado;
• a faixa de concentração a ser medida;
• a utilização dos resultados da análise;
• a disponibilidade de instrumentos;
• o tempo analítico (controle de qualidade);
• o número de amostras a ser analisada;
• a necessidade de utilizar métodos não destrutivos para a análise;
• as condições na qual cada método é confiável;
• as possíveis interferências que podem mascarar os resultados e saber como resolvê-
las.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 36


2. Coleta e amostragem - Deverá ser realizada por pessoa experiente e a quantidade de
amostra coletada deverá verdadeiramente ser representativa de um todo. Como existe uma
série infindável de amostras, o analista precisa ter conhecimento dos processos normais de
amostragem padrão empregados para os diferentes tipos de materiais.
Esta etapa normalmente leva a erros mais expressivos na análise, principalmente se os
seguintes pontos não forem considerados:
• O tipo e a técnica da coleta de amostra necessariamente têm de ser apropriados para o
método analítico escolhido na etapa de desenvolvimento da estratégia de ensaio;
• A coleta necessariamente precisa estar livre de contaminações; é impossível perceber
no laboratório as contaminações ocasionadas na coleta. Elas podem ser a causa de
uma análise totalmente errada, embora a medição tenha sido absolutamente correta;
• A amostra tem que ser representativa para o conjunto a ser analisado. Isso quer dizer
que o técnico responsável pela coleta da amostra deve ter conhecimentos profundos
sobre o comportamento da substância teste no ambiente (em relação ao local, à hora,
ao dia, à estação, etc.);
• Se a amostra não for analisada no local, ela não deve alterar-se durante o transporte e
o armazenamento, (em relação a contaminações, perdas, reações químicas ou
biológicas, etc.). Assim, o técnico também precisa dispor de conhecimentos sobre a
preservação apropriada da amostra em relação a todo o parâmetro a ser analisado.

3. Preparação de uma amostra - De uma maneira geral esta etapa envolve a redução do
tamanho das partículas, secagem, trituração, peneiramento etc., visando à homogeneização da
amostra.
O pré-tratamento e o preparo da amostra representam mais um passo que pode causar
alterações graves da amostra. Antes de qualquer procedimento é necessário que a amostra
seja homogeneizada para que ela não sofra alterações relativas ao teor das substâncias a
serem analisadas no quarteamento, na moagem ou na redução da quantidade. Depois de
qualquer tratamento, a amostra final ainda deve ser representativa.
Os objetivos do preparo são:
• Transformar a substância teste em uma forma apropriada para a leitura;
• Tornar quantificável os teores muito baixos da substância teste através de processos
de enriquecimento;
• Separar as substâncias testes e os componentes da matriz para evitar interferências na
medição;
• Facilitar a resposta às perguntas analíticas do cliente (por exemplo, o teor de uma
substância em relação à extração ou digestão - o segundo método representa o teor
total, enquanto o primeiro exprime as informações como, por exemplo, sobre o teor
disponível às plantas).

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 37


Estes objetivos podem ser alcançados com as diferentes técnicas e métodos: solução,
extração, digestão, análise somente com pré-tratamento físico (secar, peneirar, quartear, moer)
ou até sem preparo.
No caso de amostras sólidas, estas podem ser trituradas no laboratório e depois
convenientemente estocadas para que não ocorra contaminação. A amostra de laboratório,
alíquota da amostra maior que será utilizada para a análise pode ser tratada para evitar
absorção ou adsorção e perda de água, a qual pode atrapalhar na hora da pesagem e
comprometer os resultados. Da mesma forma, amostras líquidas se deixadas em ambientes
inadequados em recipientes abertos podem perder parte do solvente e alterar a concentração
do analito.
Preparação física das amostras - Os critérios e procedimentos a serem observados para essa
preparação, em geral para amostras sólidas, são: secagem natural ou em estufa, moagem,
trituração e pulverização, peneiramento adequado, homogeneização e quarteamento.
Preparação química das amostras - A escolha de uma técnica de preparação química de
amostras envolve uma série de fatores que devem ser criteriosamente ponderados, como:
• a dissolução da amostra deve ser completa;
• a perda de elementos durante a digestão deve ser avaliada e ponderada;
• a solução final deve ser adequada ao método analítico escolhido, isto é, deve-se ter em
atenção o tipo de matriz, os sólidos dissolvidos totais e as possíveis interferências;
• a exatidão e a precisão dos resultados obtidos para os elementos analisados devem
ser adequadas ao método analítico escolhido, não devendo ser afetadas pela técnica
de preparação;
• o tempo necessário para a preparação química da amostra não deve ser longo;
• o custo financeiro do procedimento.

4. Dissolução da amostra - Através de procedimentos adequados (exemplos: tratamento ácido


ou com solventes) permite a solubilização dos analitos de interesse para sua posterior
quantificação.
A maior parte das técnicas analíticas existentes necessita de uma etapa de solubilização das
amostras para que o analito seja disponibilizado e possa ser analisado. Amostras de solo,
sedimento, frutas, vegetais e objetos metálicos necessitam desta etapa, a qual provoca a
destruição ou decomposição da matriz. O procedimento mais comum é o que envolve a
utilização de recipientes abertos, mistura ácida digestora e elevadas temperaturas. Este
procedimento é demorado e pode ocorrer perda do analito além de exigir um grande volume de
reagentes (pode ocorrer contaminação proveniente do próprio reagente). Atualmente
procedimentos mais sofisticados são aplicados para esta finalidade com a utilização de fornos
de microondas específicos, os quais fazem uso de recipientes fechados minimizando as perdas
e contaminação. Neste tipo de equipamento pouco tempo é exigido para o procedimento, pois
o recipiente fechado possibilita uma elevada pressão acelerando o processo de destruição da
matriz. Devido à variedade das matrizes existem diferentes procedimentos, utilizando ácidos
com diferentes poderes de oxidação.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 38


5. Remoção de interferentes - Propriedades químicas e físicas de importância em análises
químicas são representativas de um grupo de elementos ou compostos, por este motivo é
comum que mais de um elemento apresente reações semelhantes quando se efetua uma
análise química usando reagentes não específicos. Espécies que afetam a medida final que
não sejam o analito são chamadas interferentes e deverão ser eliminadas da solução. Os
métodos de separação como filtração, extração com solventes, cromatografia, resinas etc., ou
2+ -
agentes complexantes e outros são usados para este fim. Ex: Co reage com SCN produzindo
3+ -
uma coloração azul. O Fe também reage com o SCN produzindo coloração vermelha, ou
3-
seja, a coloração produzida pelo Fe(SCN)6 irá mascarar a observação da cor azul produzida
2- 3+ 2+
pelo Co(SCN)4 , ou seja, os íons Fe interferem na identificação do Co .

6. Quantificação das amostras (leitura/medição) - Para a quantificação de uma amostra é


importante a escolha do método adequado e dependendo do método (clássico ou instrumental)
é necessário validá-lo dento das condições do laboratório que se está efetuado as análises. A
padronização do método, a calibração instrumental, a otimização dos melhores resultados, e a
escolha da medida de resposta (por exemplo. absorbância, sinal de emissão, potencial,
corrente) são parâmetros decisivos nesta etapa do processo.
A etapa que está sendo mais desenvolvida e de maior perfeição na análise nos últimos anos é
a leitura com ajuda de aparelhos analíticos sofisticados. Vários métodos e procedimentos
foram (em parte recentemente) desenvolvidos usando-se toda a gama de instrumentação que
está à disposição do analista:
• espectrofotometria de raios X, UV-VIS e IV em absorção, emissão ou fluorescência;
• espectrofotometria atômica (em emissão e absorção);
• espectrometria de massas (átomos e moléculas);
• cromatografia gasosa e líquida;
• eletroforese capilar;
• métodos eletroquímicos;
• métodos imunoquímicos;
• quimio e biossensores;
• acoplagem de diferentes métodos para responder algumas perguntas analíticas
específicas (como por exemplo, GC-MS, CE-MS, HPLC-ICP-MS, etc.).
Atualmente não só importa conhecer o teor total de uma substância ou de um elemento, mas
especialmente a combinação de substâncias para avaliar o potencial essencial ao ser humano
ou o potencial (eco-)toxicológico - a chamada “especificação”.

7. Resultados - Para uma melhor interpretação dos resultados deve-se utilizar a análise
estatística dos dados. Se vários parâmetros foram investigados em uma determinada análise é
importante se utilizar a análise estatística multivariada. A análise multivariada refere-se a todos
os métodos analíticos que analisam simultaneamente múltiplas medidas em cada indivíduo ou
objeto sob investigação.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 39


MÉTODOS UTILIZADOS EM ANÁLISE QUANTITATIVA
Métodos clássicos ou tradicionais: baseiam-se no acompanhamento quantitativo de reações
químicas.
Exemplos:
• Gravimetria por precipitação química: a substância a ser determinada é convertida em
um precipitado insolúvel que é isolado e pesado.
• Volumetria: reage-se a substância a ser determinada com um reagente adequado e
padronizado. Exemplos: reações de neutralização, complexação, precipitação e óxido-
redução.
• Volatilização ou desprendimento: mede-se o volume de gás desprendido ou absorvido
em uma reação química.

Métodos instrumentais: são aqueles que requerem um instrumento para medir a propriedade
de interesse (exemplos: elétrica, absorção, emissão etc.).

Métodos elétricos (voltametria, coulometria e potenciometria): compreendem a medida da


variação da corrente, da voltagem ou da resistência em função da concentração de certas
espécies em solução.

Métodos espectrométricos (visível ou colorimetria, ultravioleta, infravermelho, espectrometria de


absorção e emissão atômica): dependem da quantidade de energia radiante que é absorvida
ou emitida pela amostra em determinado comprimento de onda sob determinadas condições.

MÉTODOS TRADICIONAIS X MÉTODOS INSTRUMENTAIS:


VANTAGENS E DESVANTAGENS

CLASSIFICAÇÃO DOS MÉTODOS QUANTO A QUANTIDADE DE AMOSTRA

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 40


AVALIAÇÃO DOS DADOS OBTIDOS EM UMA ANÁLISE QUÍMICA QUANTITATIVA
É de grande importância que um analista tenha conhecimento sobre as regras de utilização dos
algarismos significativos e os erros cometidos durante a execução de uma metodologia
analítica para melhor avaliar os dados obtidos em uma análise química quantitativa.

TIPOS DE ERROS
Toda medida possui certa incerteza, a qual é chamada de erro experimental. Conclusões
podem ser expressas com um alto ou baixo grau de confiança, mas nunca com completa
certeza.
A execução de uma analise química quantitativa compreende sempre uma série de operações
e medidas todas sujeitas a erros capazes de afetar ou mais ou menos seriamente os
resultados. Os erros que acompanham uma medida podem ser classificados em duas
categorias:

Erros determinados ou sistemáticos - Aparecem de uma falha no projeto de um experimento ou


em uma falha de um equipamento. Possuem causas definidas e, pelo menos em principio,
podem ser descobertos e corrigidos, e computados no resultado final. Em relação aos erros
determinados tem-se que considerar os seguintes aspectos:
• Erro do método: Quando se realiza uma analise costuma-se seguir ou adaptar um
procedimento ou método retirado da literatura. Entretanto, a realização de análise
segundo um determinado método pode induzir a erros, inerentes ao próprio método,
não importando quão cuidadosamente se trabalhe. Em volumetria, cita-se o uso
impróprio de indicadores e a aplicação do método a concentração inadequada. Por
exemplo, quando faz uma análise volumétrica usando-se um indicador inadequado
comete-se um erro. Esse erro só será corrigido trocando-se o indicador usado. Os
erros inerentes a um método são provavelmente os mais sérios dos erros
determinados, pois são os mais difíceis de serem detectados. Em gravimetria os erros
de método mais comuns são aqueles devidos à solubilidade dos precipitados, à
coprecipitação e pós-precipitação e à decomposição ou higroscopicidade da forma da
pesagem.
• Erros operacionais: São erros relacionados com as manipulações feitas durante a
realização das análises. Eles não dependem das propriedades químicas e físicas do
sistema, nem dos instrumentos utilizados, mas somente da capacidade técnica do
analista. Alguns exemplos de erros operacionais em análises gravimétricas e
volumétricas são: deixar um béquer destampado, permitindo a introdução de poeira na
solução; deixar um líquido contido em um frasco sob forte aquecimento sem cobrir com
um vidro de relógio; quando da filtração em uma análise gravimétrica, não remover o
precipitado completamente; verter inadvertidamente líquidos ou sólidos dos frascos que
os contêm; usar pipetas e buretas sujas; lavar em excesso ou insuficientemente um
precipitado; calcinar precipitados durante um tempo insuficiente, pesar cadinhos ou

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pesa-filtros antes de estarem completamente frios; deixar o cadinho ou outro material
esfriar fora do dessecador, antes de ser pesado etc.
• Erros pessoais: Esses erros provêm da inaptidão de algumas pessoas em fazer certas
observações, corretamente. Por exemplo, alguns indivíduos têm dificuldades em
observar corretamente a mudança de cor de indicadores (ex: observam a viragem do
indicador após o ponto final da titulação); aferir balões volumétricos e pipetas. Outro
erro, muito grave, classificado como erro pessoal, é o chamado erro de pré-julgamento
ou de preconceito. Este erro ocorre quando o analista, após fazer uma determinação,
força os resultados de determinações subseqüentes da mesma amostra, de modo a
obter resultados concordantes entre si.
• Erros instrumentais e de reagentes: São erros relacionados com as imperfeições dos
instrumentos, aparelhos volumétricos e reagentes. A existência de pesos e aparelhos
volumétricos, tais como buretas, pipetas e balões volumétricos, mal calibrados, é fonte
de erros em uma análise quantitativa. As impurezas presentes nos reagentes podem
também interferir em uma análise. Por exemplo, o uso de ácido clorídrico contendo
impurezas de ferro ou a existência de uma substância no hidróxido de amônio (agente
precipitado) que reagisse com Fe(III) e impedisse sua precipitação quantitativa, seriam
causas gravíssimas de erro (erro devido a impurezas nos reagentes) numa análise
gravimétrica de ferro (III)).

Erros indeterminados e aleatórios - Resultam dos efeitos de variáveis descontroladas (e


possivelmente incontroláveis) nas medidas. Não possuem valor definido, não podem ser
localizadas e, portanto, corrigidos, flutuam de um modo aleatório. Mesmo na ausência de erros
determinados, se uma mesma pessoa faz uma mesma análise, haverá pequenas variações
nos resultados. Isto é conseqüência dos chamados erros indeterminados, os quais não podem
ser localizados e corrigidos. No entanto, estes erros podem ser submetidos a um tratamento
estatístico que permite saber qual o valor mais provável e também a precisão de uma serie de
medidas.

2.11. PRÁTICAS DE AMOSTRAGEM

COLETA DE AMOSTRA DE ÁGUA DE TORNEIRA


Primeiramente, deve-se realizar a coleta de amostra para as análises bacteriológicas, como se
segue.
Para a coleta usa-se um frasco de vidro borossilicato devidamente lavado, com detergente
biodegradável que não deixa resíduo, e posteriormente esterilizado em autoclave, e vedado.
Caso a amostra a ser coletada apresente cloro residual, deve-se adicionar ao frasco três gotas
de sulfato de magnésio, para evitar tal interferência.

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Na seqüência, a tampa do frasco é protegida com papel alumínio. E no frasco inteiro é utilizado
papel comum, de espessura grossa.
Finalmente, o frasco é levado à autoclave para esterilização, por 20 minutos, e após alcançar a
temperatura ambiente, estará pronto para a coleta.
Os recipientes de coleta de amostras devem ser previamente marcados com etiquetas, ou no
próprio frasco, com os dados referentes à amostra, tais como: local, natureza da amostra, data,
hora, temperatura, condições do tempo, etc.
No caso da água de torneira, devem-se seguir os seguintes passos para a coleta:
1. Verificar se o ponto de coleta recebe água diretamente do sistema de distribuição e não de
caixas, reservatórios ou cisternas;
2. A torneira não deverá ter aeradores ou filtros, nem apresentar vazamentos de água;
3. Limpe a torneira para remover qualquer tipo de sujeira aderido a ela;
4. Inicialmente abrir a torneira e deixar escoar a água por 2 a 3 minutos, ou o tempo suficiente
para eliminar impurezas e água acumulada na canalização;
5. Caso seja necessário, utilizar uma solução de hipoclorito para eliminar qualquer tipo de
contaminação externa ou pode flambar por alguns segundos, utilizando um algodão
encharcado com álcool;
6. Remover completamente o hipoclorito antes da coleta se for utilizado;
7. Abrir à torneira a meia seção (fluxo pequeno e sem respingos) por 2 minutos;
8. Remover a tampa do frasco conjuntamente com o papel protetor, com todos os cuidados de
assepsia, evitando contaminação da amostra pelos dedos, luvas ou outro material;
9. Segurar o frasco verticalmente, próximo à base e efetuar o enchimento, deixando um espaço
vazio de aproximadamente 2,5 a 5,0 centímetros do topo, possibilitando a homogeneização;
10. Fechar o frasco imediatamente após a coleta, fixando bem o papel protetor ao redor do
gargalo e trazer ao laboratório sob refrigeração.
Após a coleta para a bacteriologia, pode ser realizada a coleta para outros parâmetros de
potabilidade, como dureza, alcalinidade, turbidez etc... Os parâmetros serão indicados pelo
instrutor da aula prática.

COLETA DE AMOSTRA EM POÇO PIEZOMÉTRICO


1. Primeiramente será realizada a escolha dos parâmetros a serem coletados de acordo com o
objetivo do monitoramento.
A coleta será em poço piezométrico com localização a ser definida pelo instrutor da aula
prática, seguindo os critérios aqui propostos. Os poços devem ser devidamente identificados
com suas coordenadas através do uso do GPS, juntamente com a identificação de todas as
amostras coletadas.
2. Antes da coleta será realizado o esgotamento do poço com o objetivo de renovar a água
antes de realizar a coleta.
O poço deve ser esgotado com um volume = 3 x volume (poço + pré-filtro), com a finalidade de
assegurar que toda a água que por ventura esteja estagnada no poço seja removida,

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possibilitando a coleta de uma amostra representativa de água. Esta purga deve ser realizada
de forma uniforme e em vazões compatíveis com a capacidade do poço em repor água. O
objetivo é que este trabalho seja realizado sem causar grande rebaixamento do nível de água
no interior do poço, evitando o efeito cascata que pode ocorrer na seção filtrante nesta situação
e, conseqüentemente, a aeração das amostras e perda de compostos orgânicos voláteis. Esta
purga também deve ser feita de forma a evitar a criação de fluxo turbulento na área de recarga
do poço (pré-filtro), evitando o arraste de sedimento para o seu interior. O bailer empregado na
coleta de amostras deve ser distinto daquele eventualmente utilizado na purga. As válvulas de
pé não devem ser empregadas na amostragem.
3. Após a renovação da água no poço será realizado a coleta utilizando o método convencional
com o amostrador bailer.
Primeiramente deve ser medido o nível de água dentro do poço.
A coleta deve ser realizada no máximo até 3 horas após o procedimento de esgotamento.
A água bombeada deve ser armazenada em tambores ou baldes para disposição final.
Deve ser utilizado se possível, um bailer descartável para cada poço.
Os equipamentos devem ser limpos entre os pontos de amostragem, evitando assim
contaminação de um poço para o outro.
Para a amostragem deve ser seguida a ordem de coleta dos poços, caso sejam mais de um:
• Deve começar a coleta dos poços de montante para os de jusante;
• A ordem deve ser dos menos contaminados para os mais contaminados;
• A ordem de coleta no poço deve ser decrescente à susceptibilidade de volatilização.

COLETA DE AMOSTRA DE ÁGUA EM LAGO


1. Primeira etapa
Definir o tipo de amostragem a ser usada e o objetivo da amostragem, determinando os
parâmetros a serem amostrados juntamente com os equipamentos necessários, como
amostradores e vidrarias.
2. Segunda etapa
Realizar o levantamento da área, para encontrar os locais de acesso. Pode ser usados mapas,
imagens de satélite ou até mesmo através dos residentes das proximidades que possam
informar ou até mesmo servir de guia até o local de acesso.
A partir das informações obtidas, será traçado o plano de amostragem, com a definição dos
pontos de coleta e a seleção dos equipamentos necessários para dar suporte à amostragem.
3. Terceira etapa
Definir o volume de amostras e a metodologia de amostragem. A amostragem será integrada
na vertical, nos locais indicados com alíquotas nas profundidades de 20% e 80% da lâmina
d’água quando a profundidade no local for superior a 2 metros. Se a profundidade for inferior a
2 metros será coletado a meia profundidade (50%).
O volume de amostras necessário será definido em laboratório conforme a orientação do
instrutor da aula de campo, quando selecionado os parâmetros de análises. Serão

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selecionados os frascos de coleta, que serão devidamente etiquetados e, quando necessário,
serão adicionados os preservantes adequados.
4. Quarta etapa
Realizar a coleta das amostras no lago. Para tanto, será necessário o manuseio do GPS, de
acordo com as recomendações do instrutor. Depois de inserido as coordenadas no GPS, o
mesmo pode indicar a direção dos pontos através da ativação do modo “NAVEGAÇÃO”,
dependendo do modelo.
Alguns cuidados devem ser seguidos na coleta:
• O uso de colete salva-vidas é importante e obrigatório, portanto, todos na embarcação
devem estar portando o colete salva-vidas;
• A profundidade pode ser medida com a própria corda da âncora da embarcação e uma
trena;
• No uso do coletor horizontal (Van Dorn), a extremidade da corda guia deve ser
amarrada à embarcação, por motivo de segurança. O mesmo deve ser feito para o
disco de Secchi;
• A mistura das alíquotas, quando coletado em mais de uma profundidade na amostra
integrada, deve ser realizada de forma a não introduzir oxigênio na amostra. O frasco
de mistura juntamente com o amostrador deve ser lavado com a água do ponto a ser
amostrado, antes de cada coleta.
• Na ficha de coleta deve ser anotada a indicação do ponto, com as coordenadas e o
horário da coleta;
• Se a embarcação for motorizada, a coleta deve ser feita com o motor desligado e se
possível do lado oposto ao do motor.

COLETA DE AMOSTRA DE EFLUENTE DOMÉSTICO EM ETE


1. Determinar os pontos de amostragem:
• Efluente bruto;
• Efluente tratado.
A amostragem será composta, por volume fixo. O volume de amostra a ser coletado depende
dos parâmetros a serem analisados.
2. Determinar os parâmetros de interesse para cada ponto de amostragem
Observação: As análises microbiológicas não podem ser amostradas de forma composta. Mas
são parâmetros importantes para este tipo de efluente.
3. Estabelecer o tempo total de amostragem desejado, ou possível de ser realizado
Tempo de amostragem de 5 horas, 8 horas, 12 horas, ou até mesmo 24 horas.
4. Estabelecer o intervalo para as coletas
Realização da coleta de amostras a cada 1hora, por exemplo.
5. Coletar dados de vazão a cada intervalo de tempo estabelecido para a coleta

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 45


Dados a serem adquiridos na ETE, e que serão utilizados no final da amostragem e análise,
para se determinar as concentrações e cargas dos poluentes. A vazão a ser adotada nos
cálculos será proveniente da média aritmética das vazões horárias, convertida em m³.dia-1.
6. Determinar o volume total de amostra a ser coletada
Os volumes estipulados para cada parâmetro devem ser adotados com margem de segurança
para a realização de triplicatas, e para o caso da necessidade de repetição de análises.
7. Determinar o volume das amostras pontuais a serem coletadas a cada intervalo
Divide-se o volume total pela quantidade de intervalos definidos para cada coleta pontual.
8. Organizar os frascos de coleta
Quando se colhem amostras compostas de pequenas frações individuais de amostras, o frasco
de coleta deve ter boca larga e capacidade mínima de 120 mL.
As amostras que devem ser preservadas precisam de frascos separados conforme o tipo de
preservante a ser utilizado.
9. Recomendações para se proceder a coleta
• As amostras compostas são coletadas sempre em mesmo lugar;
• Não esquecer do preenchimento das fichas de coleta;
• Para a maioria das coletas, pode ser utilizado um amostrador simples, como um tubo
de PVC de alguns centímetros de comprimento com um CAP em uma de suas
extremidades;
• Adotar um método específico para preservação e armazenamento de amostras, com a
finalidade de evitar contaminação e/ou perda dos constituintes a serem examinados
(manter as amostras devidamente resfriadas).
• Transportar as amostras adequadamente para o laboratório, ao final do período de
coleta o mais rápido possível.

COLETA DE AMOSTRA DE SOLO


Em qualquer implantação de culturas para produção vegetal, sejam elas com fins agrícolas
(lavouras) ou com fins forrageiros (pastagens, capineiras, campos de feno, etc.), a etapa mais
importante do processo é a amostragem do solo. Prática simples, de baixo custo, porém
ignorada por grande parte dos produtores agropecuários brasileiros, ela é, sem dúvida, a etapa
que define a produtividade de determinado sistema e sua chance de sucesso e
sustentabilidade ao longo do tempo. Além disso, é a partir dos dados gerados pela
amostragem dos solos que começamos a ter noção do montante de recursos que teremos que
investir para a instalação do empreendimento agropecuário.
Nas andanças pelos campos brasileiros, em todas as regiões do país, temos visto uma
infinidade de métodos para a coleta de amostras de solo para fins de análise química e física
que, muitas vezes, beiram a bizarrice. A coleta de poucos pontos em grandes áreas ou em
locais inadequados são os mais básicos. Presenciamos ainda a colocação em prática de
regras inventadas por amadores que acabam virando verdade absoluta e que, de fato, são
assassinatos agronômicos. O maior exemplo é a coleta em quatro pontos (normalmente nos

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 46


vértices de determinada área) que representariam a média de fertilidade daquele solo em
questão! Outra situação se refere a coleta de um único ponto como representador de uma área
enorme. Coletas perto ou mesmo em cima de área de esterco (mangueirões, mangas, etc.), de
depósitos de corretivos e fertilizantes e de áreas de cochos de sal mineral são comuns e
interferem diretamente na qualidade da análise e nos resultados obtidos.
Amostragens mal realizadas proporcionam resultados analíticos que fornecem uma falsa idéia
de como o solo está. Assim passamos a contar com uma condição que não é real e as
frustrações em termos produtivos são muito freqüentes. É bastante comum, nestes casos,
efetuar correções e fertilizações (adubações) muito aquém do que o solo e as plantas
precisariam para possibilitar boas produções, colocando todo o investimento em risco.
As ferramentas que podem ser usadas para a coleta adequada de amostras de solo são
muitas, desde pás, enxadões, cavadeiras até mesmo trados e sondas específicas fazem o
trabalho de forma profissional, limpa e organizada.
De forma geral não devemos realizar coletas de amostras de solo próximas de formigueiros,
cupinzeiros, trilha de gado, caminhos, estradas, locais onde foram depositadas substâncias
químicas, fezes (de animais domésticos, animais silvestres ou humanos), poços, fossas e
erosões. A profundidade da coleta varia em função do que se quer analisar e de qual cultura
iremos trabalhar. A maioria das amostragens se refere à profundidade de 0 a 20 centímetros,
porém em casos específicos é interessante também coletar o solo da camada de 20 a 40
centímetros, a exemplo da cultura da cana-de-açúcar, que tem raízes que exploram um perfil
mais profundo do solo.
Seqüência para uma correta amostragem de solos
Abaixo enumeramos uma seqüência para um correto trabalho de coletas de amostras de solo
para fins de implantação de projetos agropecuários que operam com produção intensiva de
pecuária de corte.
1. Dividir a área em glebas homogêneas, de mesmas características de relevo e solo e com
manejo agropecuário semelhante (tipo de vegetação, lavoura, floresta, pastagem, adubação,
etc.), não importando o tamanho;
2. Fazer uma amostra de cada gleba, considerando que cada amostra será composta de, no
mínimo, 20 sub-amostras. O número de sub-amostras pode e deve ser maior, mas nunca
inferior a 20;
3. A coleta das sub-amostras pode ser feita com enxadão, pá, cavadeira, trados ou sondas
específicas para tal (ver fotos anexas);
4. As ferramentas utilizadas devem estar limpas. Portanto, antes do uso, é interessante que
elas sejam lavadas com água corrente e secas com pano limpo;
5. A localização de cada sub-amostra é totalmente aleatória, porém é interessante tentar
abranger o mais representativamente possível toda a área que se deseja analisar;
6. Para realizar a coleta de uma sub-amostra, primeiro limpamos a superfície do chão com as
mãos ou com as próprias ferramentas, tirando folhas, mato, pedras e demais sujeiras. Depois,

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 47


com as ferramentas disponíveis, retiramos uma porção do solo na profundidade de 0 a 20
centímetros, de modo que isto pese por volta de 80 a 100 gramas;
7. Após o solo ser coletado (ainda nas sub-amostras) ele deve ser colocado em recipiente
limpo e seco, junto com as demais sub-amostras da mesma gleba que se deseja analisar.
Nunca colocar as sub-amostras em sacos de fertilizantes, sal mineral, cimento, alimentos, etc.,
que as contaminariam;
8. Depois que todas as sub-amostras daquela gleba foram retiradas, misturamos todas elas,
com o objetivo de obter uma porção de terra, que será a amostra, pesando cerca de 400 a 600
gramas. Este volume deve ser colocado em saco plástico, identificado e enviado para análise
em laboratório idôneo.
Exemplificando uma correta amostragem
Nas fotos abaixo é ilustrada como funciona uma amostragem realizada com sonda na cultura
do café. Nas demais culturas, a metodologia é a mesma. O trabalho com a sonda permite
grande velocidade operacional e é de simples execução. As amostras não entram em contato
com as mãos do operador e retiram uma porção (quantidade e peso) ideal para envio ao
laboratório.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 48


2.12. PRÁTICA DE AMOSTRAGEM DE SOLO
TREINAMENTO EM INSTRUMENTOS DE LABORATÓRIO: PEAGÂMETRO, CONDUTIVÍMETRO, TURBIDÍMETRO.

AMOSTRAGEM DE SOLO PARA ANÁLISE QUÍMICA (de fertilidade, de manejo e de


contaminação)
Introdução - É necessário avaliar a fertilidade do solo para caracterizar sua capacidade em
fornecer nutrientes para as plantas, identificar a presença de acidez e elementos tóxicos,
orientar programas de adubação e correção do solo e escolher espécies ou variedades mais
adaptadas ao cultivo em uma determinada área. Para fazê-la, podem ser utilizados métodos
químicos, biológicos, plantas nativas indicadoras, desenvolvimento das plantas, coloração do
solo etc. O método de análise química é o mais abrangente e econômico.
A análise química do solo é feita em várias etapas: coleta da amostra no campo,
encaminhamento ao laboratório, preparo, extrações e determinações analíticas. Embora
pareça simples, a amostragem é a operação mais importante, pois uma pequena quantidade
de solo recolhida deve representar as características de uma grande área. Vejamos o exemplo:
é encaminhada ao laboratório uma amostra de 500 g de terra, representando 5 ha, da qual são
tomados 10 g para análise. Ora, considerando que a camada de 0-20 cm de 1 ha pesa
aproximadamente 2.000 t (tomando-se uma densidade de 1,0 g/cm³), conclui-se que a amostra
final efetivamente analisada corresponde a 1 bilionésimo da área amostrada.
Portanto, os procedimentos para a amostragem devem ser rigorosos, pois as análises
laboratoriais — etapa mais sofisticada, do ponto de vista operacional e instrumental — não
corrigem as falhas de uma coleta deficiente no campo. Salienta-se, ainda, que uma
amostragem mal executada pode induzir a posteriores erros na interpretação do resultado da
análise, com o consequente comprometimento técnico e econômico de um programa de
adubação e correção do solo.

Materiais - Para a amostragem de solo são necessários os seguintes materiais: trado ou pá


reta ou enxadão, balde plástico e saco plástico (Figura 1). Dos trados utilizados, os tipos mais
comuns são o holandês, de rosca e tubo.

Materiais utilizados para coleta de amostras de solo:


a) trado holandês, b) trado de rosca c) trado meia-lua d) marreta e) trado tubular
f) pá reta g) enxada h) balde i) saco plástico.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 49


Seleção e identificação da área a ser amostrada - Inúmeros fatores contribuem para as
variações no nível de fertilidade do solo de uma área a ser amostrada. O princípio básico para
delimitação de uma área é a uniformidade dentro da unidade. Assim, a área a ser amostrada
deverá ser subdividida em talhões (subáreas) que apresentem a maior homogeneidade
possível quanto à topografia, vegetação, espécie cultivada, sistemas de cultivo e manejo do
solo, características físicas (textura), cor, profundidade do solo, drenagem etc.
Local e execução de amostragem - Os locais para obtenção das amostras de solo nas
glebas homogêneas não superiores a 10 ha são determinados aleatoriamente em um
caminhamento ziguezague, conforme Figura 2. Outros tipos de percurso serão detalhados para
cultivos específicos. Recomenda-se coletar amostras simples em número de 10 a 20 pontos
limpando-se em cada local a superfície do terreno, retirando-se as folhagens e outros restos de
plantas, resíduos orgânicos etc., sem, contudo raspar a terra. Deve-se evitar que esses pontos
estejam em locais erodidos, ou onde o solo tenha sido modificado por formigas ou cupins,
utilizado como depósito de corretivos, adubos, estercos, passagem de máquinas, animais etc.

Percurso em ziguezague para retirada de amostras simples em uma gleba homogênea

As amostras simples deverão ser reunidas em balde plástico limpo e bem misturadas,
formando uma amostra composta. Após homogeneização, retirar aproximadamente 500 g de
terra, transferir para saco plástico sem uso, identificar pelo número correspondente da área e
especificar informações complementares.

Profundidade de amostragem - É determinada principalmente pela camada de solo ocupada


pela maior densidade de raízes e características do perfil de solo natural ou modificado pelo
manejo.

Frequência de amostragem - É dependente da intensidade de uso da área e dos sistemas de


cultivo adotados, principalmente com relação aos critérios usados para correção da acidez e
adubação do solo. Contudo, devido as pequenas variações que ocorrem no solo decorrente do
cultivo rotineiro, as amostragens do solo podem ser realizadas em intervalos de 3 a 5 anos.

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Essa frequência pode ser reduzida quando for observado algum comportamento diferencial no
desenvolvimento da cultura ou quando forem empregados novos critérios de adubação das
culturas ou correção do solo indicados pelos órgãos de pesquisa ou assistência técnica.

Encaminhamento da amostra - As amostras, contendo aproximadamente 500 g, identificadas


e acondicionadas em sacos plásticos são encaminhadas para os laboratórios.

2.13. ANÀLISES QUÍMICAS DO SOLO


(Foram feitas algumas adaptações das referências originais para objetivos do experimento).
1. pH (H20, KCl e CaCl2)
1.1. Princípio
Medição do potencial eletronicamente por meio de eletrodo combinado imerso em suspensão
solo:líquido (água, KCl e CaCl2 ), 1:2,5
1.2. Reagentes
Solução de KCl 1 mol/L (1N) - dissolver 74,5 g de KCl em água e elevar a 1L.
Solução padrão de CaCl2 1 mol/L (1M) - pesar 147g de CaCl2.2H2O para 1L de solução. Agitar,
deixar esfriar e completar o volume.
Solução de CaCl2 0,01 mol/L (0,01 M) - diluir 10mL do padrão para cada litro de solução. Medir
a condutividade elétrica desta solução, que deve ser da ordem de 2,3 µS/cm.
Soluções padrão de pH 4,00 e pH 7,00 - diluir ampolas padrão.
1.3. Equipamento
Potenciômetro com eletrodo combinado.
1.4. Procedimento
• Colocar 10 mL de solo em três béqueres de 100 mL e numerar.
• Adicionar 25 mL de água destilada no béquer 1, 25 mL de KCl 1 mol/L no béquer 2 e
25 mL de CaCl2 0,01 mol/L no béquer 3.
• Agitar cada amostra com bastão de vidro individual e deixar em repouso durante 15
minutos.
• Agitar cada amostra com bastão de vidro, introduzir os eletrodos na suspensão
homogeneizada e proceder a leitura do pH.

Observação: Ligar o potenciômetro 30 minutos antes de começar a ser usado. Aferir o


potenciômetro com as soluções padrão pH 4,00 e pH 7,00.
Referências: EMBRAPA (1979); Fassbender (1975); Jackson (1958); Peech (1965); Schofield & Taylor (1955); Vettori
(1969).

2. SAIS SOLÚVEIS (SALINIDADE OU CONDUTIVIDADE ELÉTRICA)


2.1. Princípio
Determinação indireta dos sais solúveis nos solos pela medição da condutividade e coloidais
pela medição da turbidez. O procedimento descrito é o do extrato obtido por lixiviação. A
salinidade do solo é estimada pela condutividade elétrica do extrato.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 51


2.2. Reagente
Solução de cloreto de potássio 0,01 mol/L (0,01 N) - pesar 0,7456g do sal previamente seco
o
em estufa a 110 C, dissolver em água e completar o volume para 1 litro. A condutividade
elétrica dessa solução é de 1,4 µS/cm. (Padrão do condutivímetro).
2.3. Equipamentos
Funil buchner.
Bomba a vácuo.
Condutivímetro.
Turbidímetro.
2.4. Preparação do extrato de lixiviação - procedimento
• Pesar 50 a 100g de solo e colocar em béquer de 250 mL.
• Adicionar água com uso de proveta em quantidade mínima da quantidade da amostra
do solo pesada.
• Homogeneizar bem e, se necessário, acrescentar mais água até atingir um sistema de
massa fluida ou pastosa.
• Transferir a pasta saturada ou massa fluida para um funil de Buchner contendo papel
de filtro e adaptado a um kitassato de 500 mL.
• Aplicar a sucção e coletar o filtrado para investigações seguintes de condutividade e
turbidez.
Referências: Blakemore et al. (1981); EMBRAPA (1979); Richards (1954); Vettori (1969).

2.5. Condutividade elétrica - procedimento


• Utilizar o extrato de lixiviação obtido e um condutivímetro de leitura direta.
• Medir a temperatura do extrato e ajustar o aparelho para essa temperatura; ligar o
aparelho com certa antecedência e aferir a leitura do mesmo com solução de KCl 0,01
mol/L (condutividade de 1,4 µS/cm ).
• Lavar a célula de condutividade com água 2 a 3 vezes e encher a mesma com o
extrato de lixiviação.
• Fazer a leitura direta da amostra (lixiviado ou filtrado) em µS/cm.
Observação: Lavar bem a célula com água destilada depois de cada determinação para evitar
interferência nos resultados.

2.6. Turbidez - procedimento


• Utilizar o extrato de lixiviação obtido e um turbidímetro de leitura direta.
• Medir a temperatura do extrato e ajustar o aparelho para essa temperatura; ligar o
aparelho com certa antecedência e aferir a leitura do mesmo com água destilada.
• Lavar a cuba com água 2 a 3 vezes e encher a mesma com o extrato de lixiviação.
• Encher a cuba com o extrato de lixiviação e fazer a leitura direta.
Referências: Blakemore et al. (1981); EMBRAPA (1979); Vettori (1969); Richards (1954).

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 52


3. EQUIVALENTE DE CARBONATO DE CÁLCIO
3.1. Princípio
Ataque da amostra com excesso de solução padrão de HCl e titulação do excesso de ácido
com solução de NaOH padrão (titulação de retorno). A diferença entre os cmolc/L adicionados e
os titulados representa o percentual de CaCO3 na amostra.
3.2. Reagentes
Solução de HCl 0,5 mol/L (padronizada) - preparar a partir de solução normal do ácido.
Solução de NaOH 0,25 mol/L - preparar e padronizar com o ácido clorídrico padronizado.
Fenolftaleína 1% - dissolver 1g do indicador em 100 mL de álcool etílico 95%.
3.3. Equipamentos
Bureta e acessórios necessários para uma titulação ácido-base.
3.4. Procedimento
• Pesar 5 a 10g de solo, colocar em Erlenmeyer de 250 mL e adicionar 25 mL de
HCl 0,5 mol/L por meio de pipeta volumétrica.
• Aquecer por 5 minutos em chapa ou colocar em banho-maria durante 15
minutos, homogeneizando a mistura.
• Deixar esfriar a mistura, adicionar um pouco de água pelas paredes do
Erlenmeyer para recuperar algum material que tenha sido arrastado no
tratamento anterior.
• Adicionar 3 gotas de fenolftaleína.
• Titular com solução de NaOH 0,25 mol/L até viragem do indicador.

Observação:
A quantidade de amostra a pesar é definida em função do grau de efervescência que a
amostra apresenta quando é umedecida com HCl 30%. A reação pode ser fraca, moderada ou
forte.
Caso haja dificuldade na titulação da solução com a amostra de solo, filtrar, lavar e proceder à
titulação no total ou numa alíquota. Esta determinação inclui também outros carbonatos.

3.5. Cálculo

CaCO3 (g/kg) = ( a x 2 - b ) x 12,5


p
a = mL de HCl 0,5 mol/L; b = mL de NaOH 0,25 mol/L; p= solo em gramas

Referências: AOAC (1970); EMBRAPA (1979); Metson (1956); Richards (1954).

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 53


REFERÊNCIAS
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em março de 2012.

CARLOS NOBUYOSHI IDE. KEILA ROBERTA FERREIRA DE OLIVEIRA. LEONARDO PINHEIRO


BEZERRA. Sistema de Esgotamento Sanitário – Coleta de amostras de água e esgoto. Guia do
profissional em treinamento – Recesa. s/d. Disponível na web. Acesso em março de 2012.

EMBRAPA. Centro Nacional de Pesquisa de Solos (Rio de Janeiro, RJ). Manual de métodos de análise
de solo / Centro Nacional de Pesquisa de Solos. – 2. ed. rev. atual. – Rio de Janeiro, 1997. 212p.
(EMBRAPA-CNPS. Documentos; 1). Disponível na web. Acesso em 12/03/2013.

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Disponível em <http://www.engendrar.com.br/arquivos/boletim/amostragem_1-104.pdf> Acesso em março
de 2012.

Formas de amostragem. Referência: NETO, Pedro L. C. Estatística. Ed. Blucher Ltda, 1977. Disponível
na web. Acesso em março de 2012.

Guia para Qualidade em Química Analítica. Uma Assistência à Habilitação. Brasília, 2005. Disponível
em <Disponível em <http://www.anvisa.gov.br/divulga/public/series/laboratorio.pdf>. Acesso em março de
2012.

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direto e convencional, culturas perenes, várzeas, pastagens e capineiras. Londrina, 1996. 28p.
(IAPAR. Circular, 90). Disponível na web. Acesso em 12/03/2013.

ISABEL MOURA. Amostragem Ecoriver. Instituto do Ambiente, 2005. Disponível na web. Acesso em
março de 2012.

Livro Química Analítica Teórica Universidade Federal do Pará.. Disponível em


<http://www2.ufpa.br/quimdist/livros_bloco_5/quimica_analitica_teorica/Livro_QA_Teorica_FINAL.pdf>.
Acesso em março de 2012.

MARIA ALICE C. DE GÓES; ADÃO BENVINDO DA LUZ; MARIO VALENTE POSSA. Amostragem.
Tratamento de Minérios 4a Edição – CETEM. Disponível em
<http://www.cetem.gov.br/publicacao/CTs/CT2004-180-00.pdf>. Rio de Janeiro. Dezembro/2004. Acesso
em março de 2012.

PAULO ARARIPE. Como fazer uma correta amostragem de solo. PROJEPEC. São Paulo. s/d.
Disponível na web. Acesso em março de 2012.

TÂNIA MARIA LEITE DA SILVEIRA. Amostragem. UNI-BH. Centro Universitário. s/d. Disponível na web.
Acesso em março de 2012.

THOMAS SCHILLING. Análise de sólidos, líquidos e gases - uma visão geral da instrumentação
o
analítica. 19 Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental. ABES. s/d. Disponível na web.
Acesso em março de 2012.

2.14. EXERCÍCIOS PROPOSTOS

1. O que é amostragem sob o aspecto analítico químico de qualidade? Exemplifique numa


situação afim.

2. A figura seguinte representa um esquema simplificado do processo de amostragem com


algumas vinculações. Exemplifique cada termo associado em cada retângulo no processo
produtivo do cimento portland. Explique cada caso focando o controle de qualidade envolvido.

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Dados adicionais: Operações unitárias do cimento – Extração e Britagem / Estocagem e
Dosagem / Moagem e Homogeneização / Clinquerização / Resfriamento e Armazenamento /
Mistura e Moagem / Armazenamento e Expedição.

3. Comente resumidamente sobre os termos associados à amostragem:


(a) Erros
(b) Pontos fundamentais
(c) Fatores interferentes
d) Plano ou planejamento
e) Classificação
(f) Tamanho da amostra.

4. A química analítica está intimamente ligada ao processo de amostragem e inclui etapas


fundamentais clássicas. Cite-as, comente sucintamente cada etapa aplicando-as a uma
situação cotidiana analítica industrial.

5. Descreva o procedimento operacional de amostragem representativa laboratorial para


caracterizar o seguinte elemento amostral:
(a) rio misto de natureza navegável envolvendo trajetos urbanos e rurais servindo como adutor
para águas brutas de uso potável e industrial ou corpo receptor de efluentes.
(b) solo de terraplanagem para construção de galpão industrial. Que análises essenciais (pelo
menos duas) deveriam ser escolhidas nesta caracterização? Explique suas finalidades e
importância na aplicação que se pretende com o solo investigado

6. Como proceder para obtenção de uma amostra representativa laboratorial de um calcário


(minério rico em cálcio) para produção de cimentos comerciais para construção civil? Explique
e proponha um fluxograma das etapas.

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.........................................................................................................................................................

.....3................CONTROLE EM ÁGUAS BRUTAS E RESIDUÁRIAS .................

.........................................................................................................................................................

3.1. INTRODUÇÃO
As características físicas, químicas e biológicas da água estão associadas a uma série de
processos que ocorrem no corpo hídrico e em sua bacia de drenagem. Ao se abordar a
questão da qualidade da água é fundamental ter em mente que o meio líquido apresenta duas
características marcantes, que condicionam de maneira absoluta a conformação desta
qualidade: capacidade de dissolução e capacidade de transporte.
As substancias dissolvidas e as partículas presentes no seio da massa líquida são
transportadas pelos cursos d’água, mudando continuamente de posição e estabelecendo um
caráter fortemente dinâmico para a questão da sua qualidade. A conjunção das capacidades
de dissolução e de transporte conduz ao fato de que a qualidade de uma água é resultante dos
processos que ocorrem na massa liquida e na bacia de drenagem do corpo hídrico. Verifica-se,
assim, que o sistema aquático não é formado unicamente pelo rio ou pelo lago, mas inclui
obrigatoriamente a bacia de contribuição, exatamente onde ocorrem os fenômenos que irão,
em ultima escala, conferir a água suas características de qualidade.
Outro aspecto bastante relevante refere-se às comunidades de organismos que habitam o
ambiente aquático. Em sua atividade metabólica, alguns organismos provocam alterações
físicas e químicas na água, enquanto outros sofrem os efeitos dessas alterações.

3.2. PROPRIEDADES DAS ÁGUAS NATURAIS


MASSA ESPECÍFICA - A massa especifica ou densidade absoluta indica a relação entre a
massa e o volume de uma determinada substância. Ao contrário de todos os outros líquidos,
que apresentam a densidade máxima na temperatura de congelamento, no caso da água ela
ocorre a 4°C, quando atinge o valor unitário. Isso significa que a água nessa temperatura, por
ser mais densa, ocupa as camadas profundas de rios e lagos.

VISCOSIDADE - A viscosidade de um líquido caracteriza a sua resistência ao escoamento.


Essa grandeza é inversamente proporcional a temperatura, o que significa que uma água
quente é menos viscosa que uma água fria. Este fato traz naturalmente consequências para a
vida aquática: os pequenos organismos, que não possuem movimentação própria, tendem a ir
mais rapidamente para o fundo do corpo d’água em períodos mais quentes do ano, quando a
viscosidade é menor. O mesmo ocorre com partículas em suspensão, que se sedimentam mais
intensamente no caso de ambientes aquáticos tropicais.

TENSÃO SUPERFICIAL - Na interface que separa o meio líquido e o meio atmosférico, ou


seja, na camada superficial micrométrica de um corpo d’água, há uma forte coesão entre as
moléculas, fenômeno este denominado tensão superficial. Às vezes, essa coesão é tão forte

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que pode ser observada a olho nu em um recipiente de água, ao se tocar levemente sua
superfície com o dedo. Essa fina camada de aparência gelatinosa serve de substrato para a
vida de pequenos organismos, que podem habitar tanto a parte superior quanto a inferior da
película. A coesão molecular na superfície é afetada por alguns fatores físicos e químicos,
como, por exemplo, a temperatura e a presença de substancias orgânicas dissolvidas. Quanto
maior a temperatura, menor e a tensão superficial.
Quando há lançamento de esgotos industriais em rios e lagos, ocorre um aumento na
concentração de substâncias orgânicas dissolvidas, o que também leva a uma diminuição da
tensão superficial. Em casos extremos, como, por exemplo, quando da forte presença de
sabões e detergentes, a tensão superficial praticamente acaba trazendo prejuízos a
comunidade que vive na interface água–ar e que desempenha importante papel na cadeia
alimentar do corpo d’água.

CALOR ESPECÍFICO - Define-se calor especifico como a quantidade de energia requerida, por
unidade de massa, para elevar a temperatura de um determinado material. A energia
necessária para elevar em 1°C (de 14,5 a 15,5 °C) a temperatura de um grama de água foi
definida como sendo uma caloria (1 cal), ficando, pois, estabelecido o calor especifico da água
o
pura como igual a 1,0 cal/g C. O calor especifico da água e elevadíssimo, superado, dentre os
líquidos, apenas pelo amoníaco e pelo hidrogênio líquido.
Isso significa que são necessárias grandes quantidades de energia para promover alterações
de temperatura na água ou, de outra forma, que a água pode absorver grandes quantidades de
calor sem apresentar fortes mudanças de temperatura. Em razão do alto calor especifico da
água, ambientes aquáticos são bastante estáveis com relação à temperatura. Isso fica evidente
no caso de pequenas ilhas situadas nos oceanos, as quais apresentam temperaturas medias
uniformes durante todo o ano, em função da estabilidade térmica da água que as circunda.

CONDUTIVIDADE TÉRMICA - Ao contrário do calor específico, a condutividade térmica da


água é extremamente baixa. Se um corpo d’água permanecesse imóvel, sem turbulência, a
difusão do calor seria tão lenta que seu fundo só seria aquecido apos vários séculos. Na
prática, isso não ocorre porque o transporte de calor também se dá por convecção, ou seja, por
movimentos que ocorrem em razão de gradientes de densidade na água (circulação ou turn
over).

DISSOLUÇÃO DE GASES - A água apresenta a capacidade de dissolução de gases, alguns


dos quais bastante importantes para a ecologia do ambiente hídrico. O gás de maior relevância
para o meio aquático e, sem duvida alguma, o oxigênio, já que dele dependem todos os
organismos aeróbios que habitam o corpo d’água. Sabe-se que a biota (conjunto de seres
vivos) aquática pode ser formada por organismos aeróbios e/ou anaeróbios. Enquanto os
primeiros utilizam o oxigênio dissolvido para sua respiração, os últimos respiram utilizando o
- 2-
oxigênio contido em moléculas de diversos compostos, como nitratos (NO3 ), sulfatos (SO4 ) e
outros.

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Para o ser humano, o predomínio de uma condição aeróbia no corpo d’água e fundamental, já
que a maioria dos usos da água exige condições de qualidade só encontradas em ambientes
aeróbios. No entanto, do ponto de vista ecológico, os ambientes anaeróbios, como pântanos,
por exemplo, também apresentam relevância, muito embora não se prestem para a utilização
humana. Alem disso, muitos sistemas aquáticos anaeróbios são resultantes de antigos
sistemas aeróbios que sofreram uma forte degradação de sua qualidade, como, por exemplo,
por meio do lançamento de esgotos. Sabe-se ainda que as condições anaeróbias favorecem a
proliferação de gases com maus odores, o que naturalmente e indesejável para o ser humano.
A concentração dos gases na água depende da chamada pressão parcial do gás e da
temperatura. Sabe-se que, na atmosfera terrestre, os principais gases estão distribuídos
aproximadamente na seguinte proporção:
• Nitrogênio (N2): 78%;
• Oxigênio (O2): 21%; e
• Gás carbônico (CO2): 0,03%
A solubilidade química absoluta dos gases na água, a temperatura de 20°C, é a seguinte:
• CO2: 1.700 mg/L;
• O2: 43 mg/L;
• N2: 18 mg/L.
Multiplicando-se essas concentrações absolutas pela pressão parcial dos gases obtém a
concentração de saturação dos gases, isto e, os valores máximos de concentração que podem
ser atingidos no meio. Na água, essa concentração de saturação é diretamente proporcional a
pressão e indiretamente proporcional a temperatura e ao teor salino. Isso significa que, em
condições naturais, as águas de clima tropical são menos ricas em oxigênio que aquelas de
clima temperado; os corpos d’água situados próximos ao nível do mar (maior pressão
atmosférica) possuem mais oxigênio que os localizados nas montanhas; a água do mar (maior
teor salino) apresenta menores teores de oxigênio que a água doce. Um corpo de água doce
submetido à pressão de uma atmosfera e com a temperatura de 20°C possui aproximadamente
as seguintes concentrações de saturação para os principais gases:
• O2: 9 mg/L;
• N2: 14 mg/L;
• CO2: 0,5 mg/L
Em geral, é mais conveniente expressar as concentrações de gases em percentuais de
saturação, o que e muito mais elucidativo do que o fornecimento de concentrações absolutas.
Por exemplo, a concentração de oxigênio de 7 mg/L pode ser um valor bastante satisfatório
para rios e lagos em climas quentes, mas será um teor baixo se ela se referir a águas de
regiões frias. A ausência de oxigênio em um ambiente aquático é designada pelo termo anoxia,
enquanto o predomínio de baixas concentrações é expresso por hipoxia.
O aumento da concentração de oxigênio, em solução, no meio liquido ocorre,
fundamentalmente, por meio de dois fenômenos: aeração atmosférica e atividade fotossintética
das plantas aquáticas. Enquanto em rios a fonte principal de oxigênio e a atmosfera, mediante

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 58


a existência de turbulência em suas águas, no caso de lagos há a dominância da fotossíntese,
em decorrência do maior crescimento de microalgas e plantas aquáticas. É interessante
observar que, por meio da atividade de fotossíntese, podem ser obtidas temporariamente
concentrações de oxigênio superiores ao valor de saturação. Tal fato é designado como
supersaturação do ambiente aquático.
Torna-se importante ressaltar que a supersaturação da água apenas ocorre em decorrência da
fotossíntese e nunca da aeração atmosférica.
A diminuição da concentração de oxigênio, em solução, no meio líquido é conseqüência dos
seguintes processos: perdas para a atmosfera (desorção atmosférica), respiração dos
organismos, mineralização da matéria orgânica e oxidação de íons.
Em função das entradas e saídas de oxigênio, pode-se avaliar o balanço desse gás no
ambiente hídrico. Existe a possibilidade de utilização de modelos, mediante o emprego de
coeficientes para reaeração atmosférica, fotossíntese, respiração e mineralização da matéria
orgânica. Esses modelos são muito úteis para o estabelecimento de prognósticos relativos a
qualidade da água em decorrência da maior ou menor presença de oxigênio.
Alem do oxigênio, outros gases são também relevantes para o estudo da qualidade da água.
Dentre eles, podem ser citados o gás metano (CH4), o gás sulfídrico (H2S), ambos decorrentes
de processos de respiração anaeróbia, e o gás carbônico (CO2), matéria-prima para a
fotossíntese e produto final da respiração (na atividade fotossintética há absorção de CO2 e
liberação de O2, enquanto na respiração ocorre exatamente o contrário).

DISSOLUÇÃO DE SUBSTÂNCIAS - Além de gases, a água tem a capacidade de dissolver


outras substâncias químicas, as quais apresentam relevância na determinação de sua
qualidade. A solubilidade dessas substâncias está vinculada ao pH do meio, havendo
geralmente um acréscimo da solubilidade com a redução do pH. O aumento da temperatura
também favorece a solubilidade das diversas substancias químicas.
A influência do pH e da temperatura pode ser observada na distribuição de substâncias
dissolvidas em rios e lagos. Principalmente nestes últimos, ocorre um gradiente acentuado de
pH, com a obtenção de valores elevados na superfície como decorrência da atividade
fotossintética (absorção de acido carbônico → aumento de pH), e teores mais baixos no fundo,
em função do predomínio de processos respiratórios (liberação de gás carbônico → diminuição
de pH). Dessa forma, e frequente a ocorrência de altas concentrações de substâncias
dissolvidas em lagos e represas, fenômeno este que é reforçado pelos baixos teores de
oxigênio encontrados naquela região.
Quando acontece a circulação do corpo d’água, toda essa massa de substâncias dissolvidas,
dentre elas vários nutrientes, sobe ate a superfície, o que pode favorecer o crescimento
excessivo de algas e plantas (fenômeno da eutrofização).
Entre os compostos dissolvidos na água, merecem destaque:
• nutrientes responsáveis pela eutrofização: compostos de nitrogênio (amônia, nitrito, nitrato) e
de fósforo (fosfato);

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 59


• compostos de ferro e manganês: tais compostos podem passar pelas estações de tratamento
de água na forma dissolvida (reduzida quimicamente), vindo posteriormente a precipitar-se, por
meio de oxidação química, na rede de distribuição, provocando o surgimento de água com
coloração avermelhada ou amarronzada;
• compostos orgânicos;
• metais pesados; e
• alguns cátions (sódio, potássio, cálcio, magnésio) e ânions (carbonatos, bicarbonatos,
sulfatos, cloretos).
Estas são as principais substâncias dissolvidas utilizadas para a avaliação da qualidade de
uma amostra de água.

3.3. PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS FÍSICAS, QUÍMICAS E BIOLÓGICAS


Após a apresentação feita anteriormente, descrevendo a estrutura da água e do ambiente
aquático do ponto de vista ecológico, parte-se agora para o conhecimento das principais
características físicas, químicas e biológicas da água, as quais, em seu conjunto, permitem a
avaliação da sua qualidade. Como tais características podem ser expressas por meio de
concentrações ou outros valores numéricos, elas passarão a ser designadas como parâmetros,
alguns destes referenciados como propriedades organolépticas no padrão de potabilidade
vigente.

CARACTERÍSTICAS FÍSICAS
a) Temperatura - Expressa à energia cinética das moléculas de um corpo, sendo seu gradiente
o fenômeno responsável pela transferência de calor em um meio.
A alteração da temperatura da água pode ser causada por fontes naturais (principalmente
energia solar) ou antropogênicas (despejos industriais e águas de resfriamento de máquinas).
A temperatura exerce influencia marcante na velocidade das reações químicas, nas atividades
metabólicas dos organismos e na solubilidade de substâncias.
Os ambientes aquáticos brasileiros apresentam em geral temperaturas na faixa de 20 °C a 30
°C. Entretanto, em regiões mais frias, como no Sul do país, a temperatura da água em
períodos de inverno pode baixar a valores entre 5 °C e 15 °C, atingindo, em alguns casos, até
o ponto de congelamento.
Em relação às águas para consumo humano, temperaturas elevadas aumentam as
perspectivas de rejeição ao uso. Águas subterrâneas captadas a grandes profundidades
frequentemente necessitam de unidades de resfriamento a fim de adequá-las ao
abastecimento.
b) Sabor e odor - A conceituação de sabor envolve uma interação de gosto (salgado, doce,
azedo e amargo) com o odor. No entanto, genericamente usa-se a expressão conjunta: sabor e
odor. Sua origem esta associada tanto a presença de substâncias químicas ou gases
dissolvidos, quanto a atuação de alguns microorganismos, notadamente algas. Neste último
caso são obtidos odores que podem até mesmo ser agradáveis (odor de gerânio e de terra
molhada, etc.), alem daqueles considerados repulsivos (odor de ovo podre, por exemplo).

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Despejos industriais que contem fenol, mesmo em pequenas concentrações, apresentam
odores bem característicos. Vale destacar que substâncias altamente deletérias aos
organismos aquáticos, como metais pesados e alguns compostos organossintéticos, não
conferem nenhum sabor ou odor a água. Para consumo humano e usos mais nobres, o padrão
de potabilidade exige que a água seja completamente inodora.
c) Cor - A cor da água é produzida pela reflexão da luz em partículas minúsculas de dimensões
inferiores a 1 µm – denominadas colóides – finamente dispersas, de origem orgânica (ácidos
húmicos e fúlvicos) ou mineral (resíduos industriais, compostos de ferro e manganês). Corpos
d’água de cores naturalmente escuras são encontrados em regiões ricas em vegetação, em
decorrência da maior produção de ácidos húmicos. Um exemplo internacionalmente conhecido
e o do Rio Negro, afluente do Rio Amazonas, cujo nome faz referência a sua cor escura,
causada pela presença de produtos de decomposição da vegetação e pigmentos de origem
bacteriana (Chromobacterium violaceum).
A determinação da intensidade da cor da água é feita comparando-se a amostra com um
padrão de cobalto-platina, sendo o resultado fornecido em unidades de cor, também chamadas
uH (unidade Hazen). As águas naturais apresentam, em geral, intensidades de cor variando de
0 a 200 unidades. Valores inferiores a 10 unidades são dificilmente perceptíveis.
A cloração de águas coloridas com a finalidade de abastecimento doméstico pode gerar
produtos potencialmente cancerígenos (trihalometanos), derivados da complexarão do cloro
com a matéria orgânica em solução.
Para efeito de caracterização de águas para abastecimento, distingue-se a cor aparente, na
qual se consideram as partículas suspensas, da cor verdadeira. A determinação da segunda
realiza-se após centrifugação da amostra. Para atender ao padrão de potabilidade, a água
deve apresentar intensidade de cor aparente inferior a cinco unidades.
d) Turbidez - A turbidez pode ser definida como uma medida do grau de interferência a
passagem da luz através do liquido. A alteração a penetração da luz na água decorre da
presença de material em suspensão, sendo expressa por meio de unidades de turbidez
(também denominadas unidades de Jackson ou nefelométricas).
A turbidez dos corpos d’água é particularmente alta em regiões com solos erodíveis, onde a
precipitação pluviométrica pode carrear partículas de argila, silte, areia, fragmentos de rocha e
óxidos metálicos do solo. Grande parte das águas de rios brasileiros é naturalmente turva em
decorrência das características geológicas das bacias de drenagem, ocorrência de altos
índices pluviométricos e uso de práticas agrícolas muitas vezes inadequadas. Ao contrário da
cor, que é causada por substâncias dissolvidas, a turbidez é provocada por partículas em
suspensão, sendo, portanto, reduzida por sedimentação.
Em lagos e represas, onde a velocidade de escoamento da água é menor, a turbidez pode ser
bastante baixa. Além da ocorrência de origem natural, a turbidez da água pode também ser
causada por lançamentos de esgotos domésticos ou industriais.
A turbidez natural das águas está, geralmente, compreendida na faixa de 3 a 500 unidades.
Para fins de potabilidade, a turbidez deve ser inferior a uma unidade. Tal restrição fundamenta-

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se na influência da turbidez nos processos usuais de desinfecção, atuando como escudo aos
microorganismos patogênicos e assim minimizando a ação do desinfetante.
Outro parâmetro diretamente associado à turbidez é a transparência da água, a qual é usada
principalmente no caso de lagos e represas. A transparência é medida mergulhando-se na
água um disco de aproximadamente 20 cm de diâmetro (disco de Secchi, em homenagem a
seu inventor, um naturalista italiano) e anotando-se a profundidade de desaparecimento. Lagos
turvos apresentam transparências reduzidas, da ordem de poucos centímetros até um metro,
enquanto em lagos cristalinos a transparência pode atingir algumas dezenas de metros.
e) Sólidos - A presença de sólidos na água é comentada neste tópico relativo aos parâmetros
físicos, muito embora os sólidos possam também estar associados a características químicas
ou biológicas. Os sólidos presentes na água podem estar distribuídos da seguinte forma:

Sólidos em suspensão podem ser definidos como as partículas passiveis de retenção por
processos de filtração. Sólidos dissolvidos são constituídos por partículas de diâmetro inferior a
-3
10 µm e que permanecem em solução mesmo após a filtração.
A entrada de sólidos na água pode ocorrer de forma natural (processos erosivos, organismos e
detritos orgânicos) ou antropogênica (lançamento de lixo e esgotos).
Muito embora os parâmetros turbidez e sólidos totais estejam associados, eles não são
absolutamente equivalentes. Uma pedra, por exemplo, colocada em um copo de água limpa
confere aquele meio uma elevada concentração de sólidos totais, mas sua turbidez pode ser
praticamente nula. O padrão de potabilidade refere-se apenas aos sólidos totais dissolvidos
(limite: 1000 mg/L), já que essa parcela reflete a influência de lançamento de esgotos, além de
afetar a qualidade organoléptica da água.
f) Condutividade elétrica - A condutividade elétrica da água indica sua capacidade de transmitir
à corrente elétrica em função da presença de substâncias dissolvidas que se dissociam em
ânions e cátions. Quanto maior a concentração iônica da solução, maior é a oportunidade para
a ação eletrolítica e, portanto, maior a capacidade em conduzir corrente elétrica. Muito embora
não se possa esperar uma relação direta entre condutividade e concentração de sólidos totais
dissolvidos, já que as águas naturais não são soluções simples, tal correlação é possível para
águas de determinadas regiões onde exista a predominância bem definida de um determinado
íon em solução.
A condutividade elétrica da água deve ser expressa em unidades de resistência (mho ou S) por
unidade de comprimento (geralmente cm ou m). Até algum tempo atrás, a unidade mais usual
para expressao da resistência elétrica da água era o mho (inverso de ohm), mas atualmente é
recomendável a utilização da unidade “S” (Siemens). Enquanto as águas naturais apresentam
teores de condutividade na faixa de 10 a 100 µS/cm, em ambientes poluidos por esgotos
domésticos ou industriais os valores podem chegar ate 1.000 µS/cm.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 62


CARACTERÍSTICAS QUÍMICAS
a) pH - O potencial hidrogeniônico (pH) representa a intensidade das condições ácidas ou
+
alcalinas do meio liquido por meio da medição da presença de íons hidrogênio (H ).
É calculado em escala antilogarítmica, abrangendo a faixa de 0 a 14 (inferior a 7: condições
ácidas; superior a 7: condições alcalinas). O valor do pH influi na distribuição das formas livre e
ionizada de diversos compostos químicos, além de contribuir para um maior ou menor grau de
solubilidade das substâncias e de definir o potencial de toxicidade de vários elementos.
As alterações de pH podem ter origem natural (dissolução de rochas, fotossíntese) ou
antropogênica (despejos domésticos e industriais). Em águas de abastecimento, baixos valores
de pH podem contribuir para sua corrosividade e agressividade, enquanto valores elevados
aumentam a possibilidade de incrustações. Para a adequada manutenção da vida aquática, o
pH deve situar-se geralmente na faixa de 6 a 9. Existem, no entanto, várias exceções a essa
recomendação, provocadas por influências naturais, como é o caso de rios de cores intensas,
em decorrência da presença de ácidos húmicos provenientes da decomposição de vegetação.
Nessa situação, o pH das águas é sempre ácido (valores de 4 a 6), como pode ser observado
em alguns cursos d’água na planície amazônica. A acidificação das águas pode ser também
um fenômeno derivado da poluição atmosférica, mediante complexação de gases poluentes
com o vapor d’agua, provocando o predomínio de precipitações ácidas. Podem também existir
ambientes aquáticos naturalmente alcalinos em função da composição química de suas águas,
como é o exemplo de alguns lagos africanos nos quais o pH chega a ultrapassar o valor de 10.
O intervalo de pH para águas de abastecimento é estabelecido pela Portaria n. 2.914/2011
entre 6,5 e 9,0. Esse parâmetro objetiva minimizar os problemas de incrustação e corrosão das
redes de distribuição.
b) Alcalinidade - A alcalinidade indica a quantidade de íons na água que reagem para
neutralizar os íons hidrogênio. Constitui, portanto, uma medição da capacidade da água de
neutralizar os ácidos, servindo assim para expressar a capacidade de tamponamento da água,
isto e, sua condição de resistir a mudanças do pH. Ambientes aquáticos com altos valores de
alcalinidade podem, desta forma, manter aproximadamente os mesmos teores de pH, mesmo
com o recebimento de contribuições fortemente ácidas ou alcalinas.
- 2-
Os principais constituintes da alcalinidade são os bicarbonatos (HCO3 ), carbonatos (CO3 ) e
-
hidróxidos (OH ). Outros ânions, como cloretos, nitratos e sulfatos, não contribuem para a
alcalinidade. A distribuição entre as três formas de alcalinidade na água (bicarbonatos,
carbonatos, hidróxidos) é função do seu pH: pH > 9,4 (hidróxidos e carbonatos); pH entre 8,3 e
9,4 (carbonatos e bicarbonatos); pH entre 4,4 e 8,3 (apenas bicarbonatos). Verifica-se assim
que, na maior parte dos ambientes aquáticos, a alcalinidade deve-se exclusivamente a
presença de bicarbonatos. Valores elevados de alcalinidade estão associados a processos de
decomposição da matéria orgânica e a alta taxa respiratória de microrganismos, com liberação
e dissolução do gás carbônico (CO2) na água. A maioria das águas naturais apresenta valores
de alcalinidade na faixa de 30 a 500 mg/L de CaCO3.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 63


c) Acidez - A acidez, em contraposição a alcalinidade, mede a capacidade da água em resistir
as mudanças de pH causadas pelas bases. Ela decorre, fundamentalmente, da presença de
gás carbônico livre na água.
A origem da acidez tanto pode ser natural (CO2 absorvido da atmosfera ou resultante da
decomposição de matéria orgânica, presença de H2S – gás sulfídrico) ou antropogênica
(despejos industriais, passagem da água por minas abandonadas). De maneira semelhante à
alcalinidade, a distribuição das formas de acidez também é função do pH da água: pH > 8.2 
CO2 livre ausente; pH entre 4,5 e 8,2  acidez carbônica; pH < 4,5  acidez por ácidos
minerais fortes, geralmente resultantes de despejos industriais. Águas com acidez mineral são
desagradáveis ao paladar, sendo, portanto desaconselhadas para abastecimento doméstico.
d) Dureza - A dureza indica a concentração de cátions multivalentes em solução na água. Os
2+ 2+
cátions mais frequentemente associados à dureza são os de cálcio e magnésio (Ca , Mg ) e,
2+ 2+ 2+ 3+
em menor escala, ferro (Fe ), manganês (Mn ), estrôncio (Sr ) e alumínio (Al ).
A dureza pode ser classificada como dureza carbonato ou dureza não carbonato, dependendo
do ânion com o qual ela esta associada. A primeira corresponde a alcalinidade, estando,
portanto em condições de indicar a capacidade de tamponamento de uma amostra de água. A
dureza não carbonato refere-se a associacao com os demais ânions, a exceção do cálcio e do
magnésio. A origem da dureza das águas pode ser natural (por exemplo, dissolução de rochas
calcáreas, ricas em cálcio e magnésio) ou antropogênica (lançamento de efluentes industriais).
A dureza da água é expressa em mg/L de equivalente em carbonato de cálcio (CaCO3) e pode
ser classificada em:
• mole ou branda: < 50 mg/L de CaCO3;
• dureza moderada: entre 50 mg/L e 150 mg/L de CaCO3;
• dura: entre 150 mg/L e 300 mg/L de CaCO3; e
• muito dura: > 300 mg/L de CaCO3.
Águas de elevada dureza reduzem a formação de espuma, o que implica um maior consumo
de sabões e xampus, além de provocar incrustações nas tubulações de água quente, caldeiras
e aquecedores, em função da precipitação dos cátions em altas temperaturas. Existem
evidências de que a ingestão de águas duras contribui para uma menor incidência de doenças
cardiovasculares. Em corpos d’água de reduzida dureza, a biota é mais sensível a presença de
substâncias tóxicas, já que a toxicidade é inversamente proporcional ao grau de dureza da
água.
Para águas de abastecimento, o padrão de potabilidade estabelece o limite de 500 mg/L
CaCO3. Valores dessa magnitude usualmente não são encontrados em águas superficiais no
Brasil, podendo ocorrer, em menor escala, em aquíferos subterrâneos.
e) Oxigênio dissolvido - Trata-se de um dos parâmetros mais significativos para expressar a
qualidade de um ambiente aquático. Conforme já comentado anteriormente, a dissolução de
gases na água sofre a influência de distintos fatores ambientais (temperatura, pressão,
salinidade).

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As variações nos teores de oxigênio dissolvido estão associadas aos processos físicos,
químicos e biológicos que ocorrem nos corpos d’água. Para a manutenção da vida aquática
aeróbia são necessários teores mínimos de oxigênio dissolvido de 2 mg/L a 5 mg/L, de acordo
com o grau de exigência de cada organismo. A concentração de oxigênio disponível mínima
necessária para a sobrevivência das espécies piscícolas é de 4 mg/L para a maioria dos peixes
e de 5 mg/L para trutas. Em condições de anaerobiose (ausência de oxigênio dissolvido), os
compostos químicos são encontrados na sua forma reduzida (isto é, nao oxidada), a qual é
geralmente solúvel no meio líquido, disponibilizando portanto as substâncias para assimilação
pelos organismos que sobrevivem no ambiente. À medida que cresce a concentração de
oxigênio dissolvido, os compostos vão se precipitando, ficando armazenados no fundo dos
corpos d’água.
f) Demandas química e bioquímica de oxigênio - Os parâmetros DBO (Demanda Bioquímica de
Oxigênio) e DQO (Demanda Química de Oxigênio) são utilizados para indicar a presença de
matéria orgânica na água. Sabe-se que a matéria orgânica é responsável pelo principal
problema de poluição das águas, que é a redução na concentração de oxigênio dissolvido. Isso
ocorre como consequência da atividade respiratória das bactérias para a estabilização da
matéria orgânica. Portanto, a avaliação da presença de matéria orgânica na água pode ser
feita pela medição do consumo de oxigênio. Os referidos parâmetros DBO e DQO indicam o
consumo ou a demanda de oxigênio necessária para estabilizar a matéria orgânica contida na
amostra de água. Essa demanda é referida convencionalmente a um período de cinco dias, já
que a estabilização completa da matéria orgânica exige um tempo maior, e a uma temperatura
de 20°C.
A diferença entre DBO e DQO está no tipo de matéria orgânica estabilizada: enquanto a DBO
se refere exclusivamente a matéria orgânica mineralizada por atividade dos microrganismos, a
DQO engloba também a estabilização da matéria orgânica ocorrida por processos químicos.
Assim sendo, o valor da DQO é sempre superior ao da DBO. Além do mais, a relação entre os
valores de DQO e DBO indica a parcela de matéria orgânica que pode ser estabilizada por via
biológica. Tanto a DBO quanto a DQO são expressas em mg/L. A concentração média da DBO
– que é, entre os dois, o parâmetro normalmente mais utilizado – em esgotos domésticos é da
ordem de 300 mg/L, o que indica que são necessários 300 miligramas de oxigênio para
estabilizar, em um periodo de cinco dias e a 20 °C, a quantidade de matéria orgânica
biodegradável contida em um (1) litro da amostra.
Alguns efluentes de indústrias que processam matéria orgânica (laticínios, cervejarias,
frigoríficos) apresentam valores de DBO na ordem de grandeza de dezenas ou mesmo
centenas de gramas por litro. Em ambientes naturais não poluídos, a concentração de DBO é
baixa (1 mg/L a 10 mg/L), podendo atingir valores bem mais elevados em corpos d’água
sujeitos a poluição orgânica, esta em geral decorrente do recebimento de esgotos domésticos
ou de criatórios de animais.
g) Série nitrogenada - No meio aquático, o elemento químico nitrogênio pode ser encontrado
sob diversas formas:

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• nitrogênio molecular (N2): nessa forma, o nitrogênio está, continuamente, sujeito a perdas
para a atmosfera. Algumas espécies de algas conseguem fixar o nitrogênio atmosférico, o que
permite seu crescimento mesmo quando as outras formas de nitrogênio não estão disponíveis
na massa líquida;
• nitrogênio orgânico: constituído por nitrogênio na forma dissolvida (compostos nitrogenados
orgânicos) ou particulada (biomassa de organismos);
+
• íon amônio (NH4 ): forma reduzida do nitrogênio, sendo encontrada em condições de
anaerobiose; serve ainda como indicador do lançamento de esgotos de elevada carga
orgânica;
-
• íon nitrito (NO2 ): forma intermediária do processo de oxidação, apresentando uma forte
instabilidade no meio aquoso; e
-
• íon nitrato (NO3 ): forma oxidada de nitrogênio, encontrada em condições de aerobiose.
O ciclo do nitrogênio conta com a intensa participação de bactérias, tanto no processo de
nitrificação (oxidação bacteriana do amônio a nitrito e deste a nitrato) quanto no de
desnitrificação (redução bacteriana do nitrato ao gás nitrogênio).
O nitrogênio é um dos mais importantes nutrientes para o crescimento de algas e macrófitas
(plantas aquáticas superiores), sendo facilmente assimilável nas formas de amônio e nitrato.
Em condições fortemente alcalinas, ocorre o predomínio da amônia livre (ou não ionizável), que
é bastante tóxica a vários organismos aquáticos.
Já o nitrato, em concentrações elevadas, está associado a doença da metaemoglobinemia, que
dificulta o transporte de oxigênio na corrente sanguínea de bebês. Em adultos, a atividade
metabólica interna impede a conversão do nitrato em nitrito, que é o agente responsável por
essa enfermidade.
Além de ser fortemente encontrado na natureza, na forma de proteínas e outros compostos
orgânicos, o nitrogênio tem uma significativa origem antropogênica, principalmente em
decorrência do lançamento, em corpos d’água, de despejos domésticos, industriais e de
criatórios de animais, assim como de fertilizantes.
h) Fósforo - O fósforo é, em razão da sua baixa disponibilidade em regiões de clima tropical, o
nutriente mais importante para o crescimento de plantas aquáticas. Quando esse crescimento
ocorre em excesso, prejudicando os usos da água, caracteriza-se o fenômeno conhecido como
eutrofização. No ambiente aquático, o fósforo pode ser encontrado sob várias formas:
• orgânico: solúvel (matéria orgânica dissolvida) ou particulado (biomassa de microrganismos);
• inorgânico: solúvel (sais de fósforo) ou particulado (compostos minerais, como apatita)
A fração mais significativa no estudo do fósforo é a inorgânica solúvel, que pode ser
diretamente assimilada para o crescimento de algas e macrofitas. A presença de fósforo na
água está relacionada a processos naturais (dissolução de rochas, carreamento do solo,
decomposição de matéria orgânica, chuva) ou antropogênicos (lançamento de esgotos,
detergentes, fertilizantes, pesticidas). Em águas naturais não poluídas, as concentrações de
fósforo situam-se na faixa de 0,01 mg/L a 0,05 mg/L.

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i) Ferro e manganês - Os elementos ferro e manganês, por apresentarem comportamento
químico semelhante, podem ter seus efeitos na qualidade da água abordados conjuntamente.
Muito embora esses elementos não apresentem inconvenientes a saúde nas concentrações
normalmente encontradas nas águas naturais, eles podem provocar problemas de ordem
estética (manchas em roupas ou em vasos sanitários) ou prejudicar determinados usos
industriais da água.
Dessa forma, o padrão de potabilidade das águas determina valores máximos de 0,3 mg/L para
o ferro e 0,1 mg/L para o manganês. Deve ser destacado que as águas de muitas regiões
brasileiras, em função das características geoquímicas das bacias de drenagem, apresentam
naturalmente teores elevados de ferro e manganês, que podem até mesmo superar os limites
fixados pelo padrão de potabilidade. Altas concentrações desses elementos são também
encontradas em situações de ausência de oxigênio dissolvido, como, por exemplo, em águas
subterrâneas ou nas camadas mais profundas dos lagos.
Em condições de anaerobiose, o ferro e o manganês apresentam-se em sua forma solúvel
2+ 2+ 3+
(Fe e Mn ), voltando a precipitarem-se quando em contato com o oxigênio (oxidação a Fe e
4+
Mn ).
j) Micropoluentes - Existem determinados elementos e compostos químicos que, mesmo em
baixas concentrações, conferem a água características de toxicidade, tornando-a assim
imprópria para grande parte dos usos. Tais substâncias são denominadas micropoluentes.
O maior destaque nesse caso é dado aos metais pesados (por exemplo, arsênio, cádmio,
cromo, cobre, chumbo, mercúrio, níquel, prata, zinco), frequentemente encontrados em águas
residuárias industriais. Além de ser tóxicos, esses metais ainda se acumulam no ambiente
aquático, aumentando sua concentração na biomassa de organismos a medida que se evolui
na cadeia alimentar (fenômeno de biomagnificação). Outros micropoluentes inorgânicos que
apresentam riscos a saúde publica, conforme sua concentração são os cianetos e o flúor. Entre
os compostos orgânicos tóxicos destacam-se os defensivos agricolas, alguns detergentes e
uma ampla gama de novos produtos químicos elaborados artificialmente para uso industrial
(compostos organossintéticos). Além de sua difícil biodegradabilidade, muitos desses
compostos apresentam características carcinogênicas (geração de câncer), mutagênicas
(influências nas celulas reprodutoras) e até mesmo teratogênicas (geração de fetos com graves
deficiencias físicas).

CARACTERÍSTICAS BIOLÓGICAS
a) Microrganismos de importância sanitária - O papel dos microrganismos no ambiente
aquático está fundamentalmente vinculado a transformação da matéria dentro do ciclo dos
diversos elementos. Tais processos são realizados com o objetivo de fornecimento de energia
para a sobrevivência dos microrganismos. Um dos processos mais significativos é a
decomposição da matéria orgânica, realizada principalmente por bactérias. Esse processo é
vital para o ambiente aquático, na medida em que a matéria orgânica que ali chega e
decomposta em substâncias mais simples pela ação das bactérias. Como produto final, obtém-
se compostos minerais inorgânicos, como, por exemplo, nitratos, fosfatos e sulfatos que, por

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sua vez, são reassimilados por outros organismos aquáticos. O processo de decomposição,
também designado como estabilização ou mineralização, é um exemplo do papel benéfico
cumprido pelos microrganismos.
Ademais, existem algumas poucas espécies que são capazes de transmitir enfermidades,
gerando, portanto, preocupações de ordem sanitária.
O problema de transmissão de enfermidades é particularmente importante no caso de águas
de abastecimento, as quais devem passar por um tratamento adequado, incluindo desinfecção.
No entanto, a determinação individual da eventual presença de cada microrganismo patogênico
em uma amostra de água não pode ser feita rotineiramente, já que envolveria a preparação de
diferentes meios de cultura, tornando o procedimento complexo e financeiramente inviável. Na
prática, o que é feito é a utilização de organismos facilmente identificáveis, cuja ocorrência na
água está correlacionada a presença de organismos patogênicos, ou seja, são usados os
chamados organismos indicadores. O mais importante organismo indicador são as bactérias
coliformes, apresentadas a seguir.
b) Bactérias coliformes - As bactérias do grupo coliforme habitam normalmente o intestino de
homens e de animais, servindo, portanto como indicadoras da contaminação de uma amostra
de água por fezes. Como a maior parte das doenças associadas com a água e transmitida por
via fecal, isto e, os organismos patogênicos, ao serem eliminados pelas fezes, atingem o
ambiente aquático, podendo vir a contaminar as pessoas que se abasteçam de forma
inadequada dessa água, conclui-se que as bactérias coliformes podem ser usadas como
indicadoras dessa contaminação. Quanto maior a população de coliformes em uma amostra de
água, maior é a chance de que haja contaminação por organismos patogênicos.
Uma grande vantagem no uso de bactérias coliformes como indicadoras de contaminação fecal
é sua presença em grandes quantidades nos esgotos domésticos, já que cada pessoa elimina
bilhões dessas bactérias diariamente. Dessa forma, havendo contaminação da água por
esgotos domésticos, é muito grande a chance de se encontrar coliformes em qualquer parte e
em qualquer amostra de água, o que não acontece, por exemplo, no caso de metais pesados,
que se diluem bastante na massa líquida e muitas vezes não são detectados nas análises de
laboratório.
Além disso, a identificação de coliformes é feita facilmente, já que as bactérias pertencentes a
esse grupo fermentam a lactose do meio de cultura, produzindo gases que são observados nos
tubos de ensaio.
c) Comunidades hidrobiológicas - As principais comunidades que habitam o ambiente aquático
são:
• Plâncton: organismos sem movimentação própria, que vivem em suspensão na água,
podendo ser agrupados em fitoplâncton (algas, bactérias) e zooplâncton (protozoários,
rotíferos, crustáceos). A comunidade planctônica exerce papel fundamental na ecologia
aquática, tanto na construção da cadeia alimentar quanto na condução de processos
essenciais, como a produção de oxigênio e a decomposição da matéria orgânica.

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• Bentos: é a comunidade que habita o fundo de rios e lagos, sendo constituída principalmente
por larvas de insetos e por organismos anelídeos, semelhantes às minhocas. A atividade da
comunidade bentônica influi nos processos de solubilização dos materiais depositados no
fundo de ambientes aquáticos.
Além disso, pelo fato de serem muito sensíveis e apresentarem reduzida locomoção e fácil
visualização, os organismos bentônicos são considerados excelentes indicadores da qualidade
da água.
• Nécton: é a comunidade de organismos que apresenta movimentação própria, sendo
representada principalmente pelos peixes. Além do seu significado ecológico, situando-se no
topo da cadeia alimentar, os peixes servem como fonte de proteínas para a população e
podem atuar como indicadores da qualidade da água.

INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS


A avaliação da qualidade de uma água deve ser feita de forma integrada, considerando-se o
conjunto das informações de caráter físico, químico e biológico. Os diversos parâmetros aqui
apresentados constituem instrumentos de avaliação que podem ser agrupados para
contemplar as características mais relevantes da qualidade das águas naturais, como, por
exemplo:
• grau de mineralização: obtido por meio da análise da condutividade, alcalinidade, dureza;
• poluição orgânica: oxigênio dissolvido, DBO, DQO e amônio;
• presença de nutrientes: nitrogênio e fósforo;
• presença de poluentes significativos: metais pesados, detergentes, pesticidas e compostos
organossintéticos;
• contaminação fecal: bactérias coliformes;
• aspecto físico: série de sólidos, cor e turbidez;
• padrão de circulação do corpo d’água: temperatura e oxigênio dissolvido.

3.4. QUALIDADE TOTAL DA ÁGUA


Através do esquema seguinte, podem-se reunir as informações anteriores para melhor
compreensão.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 69


Os parâmetros de qualidade de água são: físicos, químicos, hidrobiológicos, microbiológicos e
ecotoxicológicos, considerando-se os mais representativos.
Parâmetros Físicos: temperatura da água e do ar, série de resíduos (filtrável e não filtrável),
absorbância no ultravioleta, turbidez e coloração da água.
Parâmetros Químicos: pH, oxigênio dissolvido, demanda bioquímica de oxigênio (DBO5,20)
demanda química de oxigênio (DQO), carbono orgânico dissolvido, potencial de formação de
trihalometanos, série de nitrogênio (Kjeldahl, amoniacal, nitrato e nitrito), fósforo total, orto-
fosfato solúvel, condutividade específica, surfactantes, cloreto, fenóis ferro total, manganês,
alumínio, bário, cádmio, chumbo, cobre, cromo total, níquel, mercúrio e zinco.
Parâmetros Microbiológicos: Coliformes fecais, Giardia sp, Cryptospcridium sp, Clostridium
perfringens e Estreptococos fecais.
Parâmetros Hidrobiológicos: Clorofila-a
Parâmetros Ecotoxicológicos: teste de toxicidade crônica a Ceriodaphnia dubia, teste de Ames
para a avaliação de mutagenicidade e sistema Microtox.
Índices de Qualidade da Água (IQA) - Esse índice é adaptado de um estudo realizado em 1970
pela National Sanitation Foundation dos Estados Unidos. O IQA incorpora nove parâmetros,
que são considerados relevantes para a avaliação da qualidade das águas, tendo como
determinante principal sua utilização para abastecimento público. A criação do IQA baseou-se
em pesquisa de opinião junto a especialistas em qualidade de água, que indicaram os
parâmetros a serem avaliados, seu peso relativo e a condição com que se apresenta cada
parâmetro, segundo uma escala de valores. Dos 35 parâmetros indicadores de qualidade de
água inicialmente propostos, somente nove foram selecionados.
O IQA é calculado pelo produto ponderado das qualidades da água correspondentes aos
parâmetros: temperatura, pH, oxigênio dissolvido, demanda bioquímica de oxigênio
(cinco dias, 20°C), coliforme fecal, nitrogênio total, fósforo total, resíduo total e turbidez.

Qualidade da Água Faixa do IQA


Ótima 79 < IQA≤
≤ 100
Boa 51 < IQA≤
≤ 79
Regular 36 < IQA≤
≤ 51
Ruim 19 ≤ IQA≤
≤ 36
Péssima IQA < 19

3.5. TRATAMENTOS DAS ÁGUAS BRUTAS PARA USO POTÁVEL E INDUSTRIAL


O tratamento das águas brutas consiste numa sequência de operações conjuntas (mostradas
no fluxograma da página seguinte) para melhorar suas características organolépticas, físicas,
químicas e bacteriológicas, a fim de que se torne adequada ao consumo humano ou a alguma
aplicação industrial específica. Esses tratamentos podem ser classificados em primários (água
para uso potável) ou secundários (águas para usos industriais).

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 70


FLUXOGRAMA DO TRATAMENTO DE ÁGUAS BRUTAS PARA USO POTÁVEL E INDUSTRIAL

Fonte ou Manancial

Água bruta

CAPTAÇÃO

Água bruta

GRADEAMENTO
/AERAÇÃO

PRÉ-CLORAÇÃO (OPCIONAL) Água bruta

Coadjuvantes e/ou CLARIFICAÇÃO Lodo


alcalinizantes

Água clarificada (lavagens grosseiras,


combate a incêndio,...)

Lodo
ADIÇÃO DE PRODUTOS FILTRAÇÃO
QUÍMICOS

Água filtrada

Água de refrigeração Agente desinfetante


DESINFECÇÃO (cloro ou outro)

Fluoretação (opcional)
ABRANDAMENTO E/OU
TROCA IÔNICA

ARMAZENAMENTO
/DISTRIBUIÇÃO

Água para caldeiras Água deionizada


de baixa pressão ou abrandada

DESAERAÇÃO
Água potável

Água para caldeiras de alta


pressão

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TRATAMENTOS PRIMÁRIOS - A captação, o gradeamento e a aeração são tratamentos
preliminares destinados a eliminar impurezas grosseiras presentes na água bruta, enquanto a
clarificação, filtração e desinfecção complementam para aplicação como potáveis..
CAPTAÇÃO - É a etapa de admissão da água bruta do manancial que será submetido ao
tratamento específico.
GRADEAMENTO - As grades, crivos e telas impedem a entrada de suspensões grosseiras na
ETA, reduzindo possíveis estragos em equipamentos e dificultando tratamentos posteriores.
AERAÇÃO - Para remoção de gases dissolvidos, de odor e sabor e ativação dos processos de
oxidação da matéria orgânica, particularmente porque os processos aeróbicos de oxidação são
mais rápidos e produzem gases inodoros, emprega-se a introdução de ar no meio aquoso de
modo a oxigenar o líquido.
PRÉ-CLORAÇÃO - Tratamento primário opcional que visa à inibição de materiais orgânicos
(algas, lodos – fouling ou biomassa) possíveis de crescerem nas tubulações dependendo da
qualidade da água a ser tratada.
CLARIFICAÇÃO - É a etapa mais importante do tratamento primário da água. Objetiva a
remoção dos materiais finamente divididos presentes na água e também materiais coloidais.
Envolve três etapas fundamentais: coagulação, floculação e sedimentação ou decantação.
O procedimento convencional começa pelos ensaios de turbidez, cor e pH. A turbidez ou
turvação da água é ocasionada pela presença de argilas, matéria orgânica e microrganismos.
A cor se deve à presença de tanino, oriundo dos vegetais e, em geral, varia de incolor até o
castanho intenso.
FILTRAÇÃO - Pode ser considerada como etapa complementar da clarificação. Sua finalidade
principal é a retenção dos flocos leves provenientes da clarificação. Pode ser realizada em
filtros à gravidade ou pressurizados.
DESINFECÇÃO - O objetivo principal é resguardar a água de contaminantes microbiológicos.
O principal agente utilizado é o cloro ou outros desinfetantes permitidos. Se esta água for
mantida num reservatório da ETA deve-se manter um teor relativamente alto de cloro para
garantir esta potabilidade.
TRATAMENTOS SECUNDÁRIOS - Os tratamentos utilizados principalmente em águas
industriais podem ser considerados secundários. De maneira geral, são complementares aos
primários e podem ser internos ou externos. Os externos são aplicados à água antes da
utilização; os internos são aplicados continuamente durante o ciclo de utilização dessa água.
Para consumo industrial, por exemplo, a água deve ser analisada segundo a finalidade: água
de processo, água de refrigeração e água para produção de vapor.
Águas de refrigeração - São aquelas aplicadas no campo industrial como líquido refrigerante,
na absorção de calor de um corpo quente. A presença de sais de cálcio e magnésio e de
microrganismos na água de refrigeração deve ser evitada. A formação de depósitos de silicatos
e carbonatos de cálcio e magnésio no interior de equipamentos e tubulações provoca a
redução da eficiência da troca de calor. Além da corrosão das tubulações causada pela

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 72


presença de gases dissolvidos e do tratamento inadequado da água, também o crescimento de
algas nas linhas afeta a taxa de transferência de calor e, portanto, a economia do processo.
Águas de produção de vapor - No caso de água para produção de vapor, à medida que se
evapora dois fenômenos ocorrem. A concentração de sólidos dissolvidos aumenta até que
atinjam seu limite de solubilidade, quando precipitam, formando incrustações no interior das
caldeiras e tubulações. Essas incrustações acarretarão queda de pressão, diminuição na taxa
de transferência de calor e menor vazão de vapor; em certos casos, essas incrustações se
desprendem e a variação repentina de gradiente térmico entre a superfície da incrustação e a
superfície metálica provoca a explosão da caldeira. Os sólidos que, porventura, não formarem
incrustações serão lançados na fase de vapor, mantendo sua má qualidade. O maior problema
nesse caso é a presença de sílica nas caldeiras com pressões superiores a 27 atmosferas,
pois então ela é lançada na fase de vapor, podendo causar deformações mecânicas e, até
mesmo, a explosão do equipamento.
Águas de processo - Chama-se água de processo a que participa diretamente das misturas ou
reações químicas, ou seja, participa como matéria-prima. Seu tratamento compreende a
remoção da acidez, da alcalinidade, da dureza, do ferro e de outros minerais, conforme as
exigências da aplicação.
As Tecnologias industriais mais importantes aplicados para águas industriais são:
Abrandamento: processo de remoção parcial de impurezas inorgânicas, principalmente
bicarbonatos presentes nas formas cálcica e magnesiana (íons causadores de dureza) através
de precipitação. Em outras palavras o abrandamento consiste na redução da agressividade da
água. Para isso faz-se o uso de produtos químicos dos quais os mais comuns são a cal e a
barrilha (redução da dureza). O abrandamento consiste em dois mecanismos: precipitação e
filtração.
Desmineralização, deionização ou dessalinização: processo que elimina os sais dissolvidos
na água. O objetivo desta operação é produzir água com pouco conteúdo salino para empregá-
la em diversas atividades industriais, tais como produção de vapor em caldeiras,
semicondutores, indústria farmacêutica, alimentícia, etc. Apresenta três variantes - a troca
iônica, a osmose reversa e a destilação.
Troca iônica: é um processo bastante eficiente de tratamento e purificação das águas naturais.
De natureza versátil, pois pode ser aplicada a água para uso urbano, laboratorial ou industrial,
de acordo com a necessidade. Para uso urbano não é muito recomendável por eliminar
algumas “impurezas” relativamente desejáveis para a água potável. Compreende o mecanismo
de interação resina/água.
Esse tratamento é industrialmente revolucionário, pois, permite tratar grandes volumes de
água, principalmente para uso em caldeiras, utilizando-se poucos recursos. Se conduzido
adequadamente, as resinas têm uma vida útil longa e podem ser regeneradas após cada ciclo
de operação. As resinas utilizadas são polímeros orgânicos de natureza catiônica ou aniônica
que servirão de leito para a água a ser tratada. Esse processo pode utilizar leitos separados ou
leitos mistos.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 73


Este processo baseia-se no emprego de resinas sintéticas de troca iônica. As resinas
seqüestram os sais dissolvidos na água por meio de uma reação química, acumulando-se
dentro de si mesma. Por este motivo, periodicamente, as resinas precisam ser regeneradas
com ácido e soda cáustica (reação química reversa) para remover os sais incorporados,
permitindo o emprego das resinas em um novo ciclo de produção, e assim sucessivamente por
anos.
Osmose reversa: nesse processo empregam-se membranas sintéticas porosas com tamanho
de poros tão pequenos que filtram os sais dissolvidos na água. Para que a água passe pelas
2
membranas é necessário pressurizar a água com pressões maiores de 10 kgf/cm . Os
fabricantes de membrana se esforçam com sucesso para desenvolver novos
produtos/membranas que filtrem mais sais com pressões menores, ou seja, mais eficientes.
Destilação: baseia-se na produção de vapor por aquecimento da água condensada
praticamente isenta dos mesmos. É um tratamento de custo muito elevado industrialmente,
prestando-se muito bem para uso em laboratório que não precisem de grandes volumes de
água.
Desaeração: processo de remoção de gases indesejáveis dissolvidos. É um processo
específico para águas de caldeiras devido ao fato de que os principais gases contaminantes
oxigênio e dióxido de carbono serem altamente prejudiciais para as tubulações no que se
refere à corrosão. A desaeração pode ser feita por dois processos: mecânico e químico. No
processo mecânico a água é aquecida em recipientes adequados denominados desaeradores
com a finalidade de eliminar gases por arraste com vapor gerado. O processo químico consiste
na adição de substâncias neutralizadoras ou seqüestratntes. As principais substâncias
neutralizadoras são hidróxido de sódio, outros alcalinizantes e fosfatos. Para seqüestradores
de gases temos Na2SO3 ou N2H4 (hidrazina) mais cara.

3.6. TRATAMENTOS DE EFLUENTES


De acordo com a Norma Brasileira — NBR 9800/1987, efluente líquido industrial é o despejo
líquido proveniente do estabelecimento industrial, compreendendo emanações de processo
industrial, águas de refrigeração poluídas, águas pluviais poluídas e esgoto doméstico.
Por muito tempo não existiu a preocupação de caracterizar a geração de efluentes líquidos
industriais e de avaliar seus impactos no meio ambiente. No entanto, a legislação vigente e a
conscientização ambiental fazem com que algumas indústrias desenvolvam atividades para
quantificar a vazão e determinar a composição dos resíduos líquidos industriais. A vazão dos
efluentes líquidos industriais é relacionada com o tempo de funcionamento de cada linha de
produção e com as características do processo, da matéria-prima e dos equipamentos,
podendo ser constante ou bastante variada.
As características físicas, químicas e biológicas do efluente líquido industrial são variáveis com
o tipo de indústria, com o período de operação, com a matéria-prima utilizada, com a
reutilização de água etc. Com isso, o efluente líquido pode ser solúvel ou com sólidos em
suspensão, com ou sem coloração, orgânico ou inorgânico, com temperatura baixa ou elevada.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 74


Entre as determinações mais comuns para caracterizar a massa líquida estão às
determinações físicas (temperatura, cor, turbidez, sólidos etc.), as químicas (pH, alcalinidade,
teor de matéria orgânica, metais etc.) e as biológicas (bactérias, protozoários, vírus etc.).
Uma das determinações mais realizadas é a da matéria orgânica total, que pode ser
biodegrádavel ou não. Para quantificar as concentrações de matéria orgânica total e de matéria
orgânica biodegradável são realizadas as determinações da Demanda Química de Oxigênio -
DQO e da Demanda Bioquímica de Oxigênio – DBO5, respectivamente.
O conhecimento da vazão e da composição do efluente líquido industrial possibilita a
determinação das cargas de poluição/contaminação, o que é fundamental para definir o tipo de
tratamento, avaliar o enquadramento na legislação ambiental e estimar a capacidade de
autodepuração do corpo receptor.
As cargas de poluição/contaminação são normalmente expressas em kg/dia, sendo o resultado
da multiplicação da vazão pela concentração do parâmetro de interesse. Desse modo, é
preciso quantificar e caracterizar os resíduos industriais sólidos, líquidos e gasosos, para evitar
danos ambientais, demandas legais e prejuízos para a imagem da indústria junto à sociedade.
Em qualquer local de instalação industrial, a grande atenção da comunidade faz a questão
ambiental adquirir grande importância no bom andamento do empreendimento, sendo
fundamental que a indústria atenda às exigências e recomendações da legislação ambiental
federal, estadual e municipal.

3.6.1. PRINCIPAIS PROCESSOS DE TRATAMENTO DE EFLUENTES

PROCESSOS DE TRATAMENTOS DE EFLUENTES INDUSTRIAIS

BIOLÓGICOS FÍSICOS QUÍMICOS

SEPARAÇÃO DE NEUTRALIZAÇÃO
AERÓBIOS FASES

TRANSIÇÃO DE PRECIPITAÇÃO
ANAERÓBIOS FASES

TRANSFERÊNCIA ELETROQUÍMICO
ENZIMÁTICOS DE FASES

SEPARAÇÃO PROCESSOS
MOLECULAR OXIDATIVOS
AVANÇADOS (POAs)

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Devido à complexidade da composição dos efluentes industriais, são necessárias as
associações de diversos níveis de tratamento para a obtenção de efluentes com as qualidades
requeridas pelos padrões de lançamento.
A definição do processo de tratamento deve considerar também: custos de investimentos e
custos operacionais (energia requerida, produtos químicos, mão-de-obra, manutenção, controle
analítico e geração de resíduos), área disponível para a implantação do tratamento, clima,
legislação, a classe do corpo receptor, proximidade de residências, direção de ventos,
estabilidade do terreno, assistência técnica e controle operacional.
Os processos mais indicados para efluentes da tipologia comum no parque industrial brasileiro
estão indicados no esquema apresentado na página anterior.

3.6.2. SISTEMAS OU NÍVEIS DE TRATAMENTO DE EFLUENTES LÍQUIDOS


São constituídos de etapas (operações unitárias), que objetivam a remoção dos poluentes.
Para a remoção dos sólidos grosseiros utilizamos as grades, peneiras, sedimentadores e
flotadores. Os sólidos coloidais e dissolvidos são removidos utilizando-se os tratamentos físico-
químicos. Os processos biológicos são utilizados para a remoção de matéria orgânica
dissolvida ou coloidal. A seguir são descritos os níveis de tratamento (preliminar, primário,
secundário e terciário) e suas aplicações.

Preliminar - destina-se à remoção de sólidos sedimentáveis grosseiros (areia, terra


diatomácea, carvão, pó de pedra e similares), em caixas de areia; sólidos com diâmetros
superiores a 1 mm (penas, plásticos, fios e similares), são removidos em peneiras; sólidos com
diâmetros superiores a 10 mm podem ser removidos em grades. O nível preliminar
compreende também a remoção por diferença de densidade dos óleos e graxas livres em
separadores de água e óleo.

Primário - destina-se à remoção de sólidos por sedimentação ou flotação (utilizando-se


sedimentadores ou flotadores), ou pela associação de coagulação e floculação química
(clarificação físico-química para a remoção de matéria orgânica coloidal ou óleos e gorduras
emulsionados). Nesta etapa são removidos normalmente componentes tóxicos (excesso de
detergentes, corantes, amidas etc.), matéria orgânica, gorduras e metais pesados (dissolvidos).

Secundário - destina-se à remoção de matéria orgânica biodegradável dissolvida ou coloidal.


Nesta etapa podem ser também removidos os nutrientes: nitrogênio e/ou fósforo.

Terciário - destina-se à melhoria da qualidade dos efluentes tratados pelas remoções de cor
residual; turbidez (remoção de colóides, metais pesados, nitrogênio, fósforo, compostos
orgânicos refratários aos níveis de tratamento anteriores); e desinfecção do efluente tratado.

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3.7. METODOLOGIAS ANALÍTICAS PARA ÁGUAS BRUTAS E RESIDUÁRIAS

3. 7.1. COLETA E PRESERVAÇÃO DE AMOSTRAS

3.7.1.1. Técnicas e cuidados na coleta de amostras


Uma coleta de amostras não deve ser encarada com o simples ato de se introduzir uma garrafa
na água para retirar um determinado volume desta, torna-se necessário uma “caracterização”
das condições do local da coleta. Assim sendo, ao coletar a amostra, deve-se ter o cuidado de
anotar qualquer ocorrência de relevância, tal como: cor, odor, presença de algas, óleos,
corantes, material sobrenadante, peixes ou outros animais aquáticos mortos etc.
A técnica a ser adotada para a coleta de amostras depende da matriz a ser amostrada (água
superficial, subterrânea, encanada, residuária, sedimento de fundo, biota aquática), do tipo de
amostragem (amostra simples ou composta) e, também, da natureza do exame a ser efetuado
(análises físico-químicas ou microbiológicas). Assim, de maneira geral, devem-se adotar os
seguintes cuidados no momento da coleta:
• As amostras não devem incluir folhas, partículas grandes, detritos ou outro tipo de
material acidental, salvo quando se tratar de amostra de sedimento;
• Para minimizar a contaminação da amostra convém recolhê-la com a boca do frasco de
coleta contra a corrente;
• Coletar volume suficiente de amostra para eventual necessidade de se repetir alguma
análise no laboratório;
• Fazer todas as determinações de campo em alíquotas de amostra separadas das que
serão enviadas ao laboratório;
• Empregar os frascos e as preservações adequadas a cada análise no ato da coleta;
• As amostras que exigem refrigeração devem ser acondicionadas em caixas de isopor
com gelo;
• Rotular e identificar bem o frasco com a amostra;
• Respeitar o “prazo de validade” para cada análise em questão.
O tempo demandado entre a coleta e a execução das análises laboratoriais é de extrema
importância para a validade do resultado, isso devido à impossibilidade de se preservar
completamente a amostra. As alterações químicas que podem ocorrer na estrutura dos
constituintes acontecem em função das condições físico-químicas da amostra; assim metais
podem precipitar-se como hidróxidos, ou formar complexos com outros constituintes, cátions e
ânions podem mudar o estado de oxidação, outros compostos podem dissolver-se ou
volatilizar-se com o tempo, alterações em níveis biológicos também são notados, sobretudo, na
medida indireta da matéria orgânica ou dos nutrientes fósforo e nitrogênio.
Podem ser adotados, de acordo com a análise a ser executada na amostra, as seguintes
técnicas de preservação: adição química, congelamento e refrigeração.

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3.7.1.2. Coletas rotineiras – principais parâmetros

Estação de Tratamento de Água (ETA)


De maneira geral, para mananciais pouco poluídos, os principais parâmetros de controle são
os seguintes:
• Parâmetros químicos: cloro residual, cor, turbidez, pH, alumínio (em ETAs que utilizem
o sulfato de alumínio como coagulante), oxigênio consumido, ferro, fluoreto (quando
houver fluoreto natural ou fluoretação artificial);
• Parâmetros microbiológicos: coliformes fecais e totais, contagem de bactérias
heterotróficas.

Sistema de distribuição
• Parâmetros químicos: cloro residual, cor, turbidez, alumínio, ferro, odor
• Parâmetros microbiológicos: coliformes fecais e totais, ferrobactérias.

Águas superficiais e subterrâneas


• Rios, lagos e barragens: dependem do objetivo da análise.

Efluentes de ETEs e industriais


• O ponto e o tipo de coleta dependem dos objetivos a que se destinam tais
amostragens.

3.7.1.3. Técnicas de preservação e armazenamento de amostras

Exames microbiológicos
Os frascos e as tampas devem ser de materiais resistentes às condições de esterilização e à
ação solvente da água e não devem liberar compostos tóxicos, como bactericidas ou
bacteriostáticos durante a esterilização. Podem ser de vidro neutro, de vidro borossilicato ou
plástico autoclavável, com boca larga (mais ou menos 4 cm) para facilitar a coleta e a limpeza.

Lavagem dos frascos: os frascos para análises microbiológicas devem ser submetidos à
o
descontaminação em autoclave, à temperatura de 121 C e à pressão de 1atm, durante 30
minutos. Após a autoclavagem, deve-se proceder a lavagem dos frascos observando-se a
seguinte seqüência: limpar a parte externa com uma esponja; adicionar uma gota de
detergente líquido, não tóxico, no interior de cada frasco e escovar a parte interna com auxílio
de uma escova; enxaguar 10 vezes com água corrente e, em seguida, mais 3 vezes com água
o
destilada; após a lavagem deixar os frascos emborcados numa a 80/100 C durante 1 hora para
secagem

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Frascos para coleta de amostras contendo cloro residual - Adicionar 0,1mL de uma solução de
tiossulfato de sódio 1,8% para cada 100 mL de amostra, a fim de neutralizar o cloro residual; tal
quantidade de tiossulfato de sódio é suficiente para neutralizar até 5mg/L de Cloro.
Frascos para coleta de amostras contendo metais pesados com concentração superiores a
0,01mg/L (cobre, níquel, zinco, chumbo etc...) - Adicionar 0,3 mL de uma solução de EDTA a
15% para cada 100 mL de amostra a ser coletada. Antes da esterilização, a tampa e o gargalo
dos frascos devem ser recobertos com folha de papel alumínio ou Kraft, os quais são presos
após esterilização por elástico adequado.

Esterilização dos frascos: (os reagentes para preservação devem ser adicionados previamente,
antes da esterilização.)
o
Frascos de vidro - devem ser esterilizados em estufa à temperatura de 170/180 C durante 2
horas;
o
Frascos de plástico autoclavável - serão esterilizados em autoclave a 121 C e 1atm por 30
minutos

Análises Físico-químicas
O tipo de frasco recomendado para o armazenamento de amostra para cada parâmetro bem
como sua preservação, será detalhada no próximo item.

Lavagem dos frascos: devem-se lavar os frascos e suas tampas com detergentes isentos de
fosfatos, enxaguar com água corrente e, em seguida, água destilada; escorrer para secar e
tampar o frasco antes de guardá-los. Para análise de:
• Metais - deve-se lavar o frasco com detergente e enxaguar com água destilada, colocar
ácido nítrico 1:1 até a metade do frasco, tampar e agitar vigorosamente, esvaziar o
frasco e enxaguar pelo menos 5 vezes com água destilada. Deve-se reaproveitar o
ácido nítrico usado na lavagem;
• Fosfatos - deve-se lavar com uma solução de ácido clorídrico 1:1 e enxaguar com água
destilada.

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Resumo das técnicas de preservação de amostras para exames físico-químicos
A tabela seguinte mostra as condições operacionais dos parâmetros analíticos e a validade da
o
amostra. (Abreviaturas: P (polietileno); V (vidro borossilicato – pirex); R (refrigerar a 4 C))

Validade
Parâmetro Frasco Preservação

Acidez P, V R 24 h

Alcalinidade P, V R -
NaOH 10 mol/L até pH
Carbono orgânico total (COT) P, V O mais breve possível
> 12; R
Cloreto P, V - O mais breve possível
Cloro residual P, V - O mais breve possível
Condutividade P, V R 24 h
Cor P, V R 24 h
Demanda bioquímica de oxigênio
P, V R 24 h
(DBO)
Demanda química de oxigênio (DQO) P, V H2SO4 até pH < 2; R 7 dias
Dureza P, V R 7 dias
V
Fenóis H2SO4 até pH < 2 O mais breve possível
(cor âmbar)
Fluoreto P R 7 dias
2 mL de HCl para
Ferro II P, V cada 100 mL de O mais breve possível
amostra
Fosfato P, V H2SO4 até pH < 2; R 24 h
Índice volumétrico de lodo (IVL) P, V R 7 dias
Metais P, V HNO3 até pH < 2; R 180 dias
Nitrogênio amoniacal e/ou orgânico P, V H2SO4 até pH < 2; R 24 h
Nitrato P, V H2SO4 até pH < 2; R 24 h
Nitrito P, V R 48 h
Material solúvel em n-hexano (MSH) V HCl até pH < 2; R 24 h
Oxigênio consumido P, V R 24 h
1 mL de MnSO4 e
V
Oxigênio dissolvido 1 mL de 4a8h
(frasco de DBO)
Alcali-iodeto-azida
pH P, V R 6h
Resíduos P, V R 7 dias
Sulfato P, V R 7 dias
6 gotas de acetato de
V zinco 1 mol/L e 9
Sulfeto 24 h
(frasco de DBO) gotas de NaOH 6
mol/L
Surfactantes P, V R 24 h
R
Turbidez P, V (evitar exposição à 24 h
luz)

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3.7.2. ÁNÁLISES FÍSICO-QUÍMICAS EM ÁGUAS BRUTAS E RESIDUÁRIAS

3.7.2.1. pH (ÁGUAS BRUTAS, TRATADAS E RESIDUÁRIAS)


O termo pH representa a concentração de íons hidrogênio em uma solução. Na água, este
fator é de excepcional importância, principalmente nos processos de tratamento. Na rotina dos
laboratórios das estações de tratamento ele é medido e ajustado sempre que necessário para
melhorar o processo de coagulação/floculação da água e também o controle da desinfecção. O
valor do pH varia de 0 a 14. Abaixo de 7 a água é considerada ácida e acima de 7, alcalina.
Água com pH 7 é neutra.
A Portaria nº 2914/2011 do Ministério da Saúde recomenda que o pH da água seja mantido na
faixa de 6,0 a 9,5 no sistema de distribuição. A Resolução 357/2005 do CONAMA admite a
faixa de 6,0 a 9,0 para águas doces (águas brutas – classe 1).
Para águas residuárias de descarte (Resolução 430/2011 – CONAMA) o pH deve estar na
faixa de 5 a 9 para evitar degradação ambiental nos cursos d’águas ou possíveis agressões em
mananciais que sejam lançadas.
Materiais e reagentes:
Potenciômetro (pHmetro),
Béquer de 50 mL,
Pisseta,
Papel absorvente,
Soluções tampões.
Procedimento:
1. Ligar o aparelho e esperar a sua estabilização.
2. Lavar os eletrodos com água destilada e enxugá-los com papel absorvente.
3. Calibrar o aparelho com as soluções padrão (pH 4, 7 e/ou 10).
4. Lavar novamente os eletrodos com água estilada e enxugá-los.
5. Introduzir os eletrodos na amostra a ser examinada e fazer a leitura.
6. Lavar novamente e deixá-los imersos em solução de KCl 3 mol/L.
7. Desligar o aparelho.

3.7.2.2. ALCALINIDADE TOTAL (ÁGUAS BRUTAS E TRATADAS)


A alcalinidade total de uma água é dada pelo somatório das diferentes formas de alcalinidade
existentes, ou seja, é a concentração de hidróxidos, carbonatos e bicarbonatos, expressa em
termos de Carbonato de Cálcio. Pode-se dizer que a alcalinidade mede a capacidade da água
em neutralizar ácidos.
A medida da alcalinidade é de fundamental importância durante o processo de tratamento de
água, pois, é em função do seu teor que se estabelece a dosagem dos produtos químicos
utilizados.
Normalmente as águas superficiais possuem alcalinidade natural em concentração suficiente
para reagir com o sulfato de alumínio nos processos de tratamento. Quando a alcalinidade é

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 81


muito baixa ou inexistente há a necessidade de se provocar uma alcalinidade artificial com
aplicação de substâncias alcalinas tal como cal hidratada ou Barrilha (carbonato de sódio) para
que o objetivo seja alcançado.
Quando a alcalinidade é muito elevada, procede-se ao contrário, acidificando-se a água até
que se obtenha um teor de alcalinidade suficiente para reagir com o sulfato de alumínio ou
outro produto utilizado no tratamento da água.
Se a amostra exibir pH entre 4,5 e 8,3 ela apresenta alcalinidade devido a carbonatos e
bicarbonatos, se a amostra tem pH>8,3 ela mostra que, além da alcalinidade devido a
carbonatos e bicarbonatos, também apresenta alcalinidade referente a hidróxidos.
Materiais e reagentes:
Bureta comum de 50 mL, Bureta automática ou Titulador automático; Pipeta volumétrica de 25
mL; H2SO4 0,02 mol/L; fenolftaleína 1%; vermelho de metila 0,2%.
Procedimento 1 (usando titulador automático):
1. Ligar o aparelho (titulador automático) e criar ou localizar o método para alcalinidade
total.
2. Lavar o eletrodo com água destilada e enxugá-los com papel absorvente.
3. Com auxílio de pipeta volumétrica medir 25 mL da amostra e transferir para o recipiente
do aparelho.
4. Introduzir o eletrodo na amostra a ser examinada e realizar a titulação com ponto final
no pH 4,5.
5. Lavar novamente o eletrodo e deixá-lo imerso em solução de KCl 3 mol/L.
6. Desligar o aparelho.
7. Calcular a alcalinidade da amostra expressando a concentração em mg/L de CaCO3
utilizando relação da volumetria: CaVa = CpVpf, onde (a) amostra e (p) padrão usado
fatorado (f).
Procedimento 2 (usando bureta comum ou automática):
1. Com auxílio de pipeta volumétrica medir 25 mL da amostra e transferir para um
Erlenmeyer de 250 mL;
2. Acrescentar 2 gotas de fenoltaleína (se a amostra ficar rósea – pH > 8,3 a amostra
possui alcalinidade devido a hidróxido), titular até que fique incolor com solução
padronizada de H2SO4 0,02 mol/L e anotar o volume (V1) – alcalinidade parcial;
3. Acrescentar, na mesma amostra, 2 gotas de vermelho de metila (cor amarela) e
(continuar ou) titular até mudança de coloração específica do indicador para pH < 4,5
(rósea ou avermelhado) e anotar o volume (V2) – alcalinidade total.
4. Calcular a alcalinidade da amostra expressando a concentração em mgCaCO3/L
utilizando relação da volumetria: CaVa = CpVpf, onde (a) amostra e (p) padrão usado
fatorado (f).
Nota: No cálculo, se for o caso, pode-se determinar alcalinidade devido a hidróxidos
usando V1 ou, mais comum, alcalinidade total, V2, devido às espécies bicarbonatos e
carbonatos.

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3.7.2.3. ACIDEZ (ÁGUAS BRUTAS E TRATADAS)
A acidez de águas naturais refere-se ao conteúdo total de ácido que pode ser titulado até o pH
8,3 com NaOH. Esse pH é o do segundo ponto de equivalência para titulação do ácido
-
carbônico com OH . Todo ácido fraco que possa estar presente na água também será titulado
nesse procedimento.
O gás carbônico também contido na água pode contribuir significativamente para a acidez da
mesma e consequentemente para corrosão das estruturas metálicas e de materiais à base de
cimento (tubos de fibro-cimento) de um sistema de abastecimento de água. Por essa razão a
acidez deve ter seu teor conhecido e controlado e uma maneira é quantificar e expressar em
termos de mg CO2/L.
Material e reagentes:
Titulador automático, Bureta comum ou
automática; NaOH 0,02 mol/L.
Pipeta volumétrica de 25 ou 50 mL; Fenolftaleína 1%
Procedimento 1 (usando titulador automático)
1. Ligar o aparelho e criar ou localizar o método para acidez.
2. Lavar o eletrodo com água destilada e enxugá-los com papel absorvente.
3. Com auxílio de pipeta volumétrica medir 25 ou 50 mL da amostra e transferir para o
béquer do aparelho.
4. Introduzir o eletrodo na amostra a ser examinada e realizar a tiltulação com ponto final
no pH 8,3.
5. Lavar novamente o eletrodo e deixá-lo imerso em solução de KCl 3 mol/L.
6. Desligar o aparelho.
7. Calcular a acidez da amostra expressando a concentração em mgCO2/L utilizando
relação da volumetria: CaVa = CpVpf, onde (a) amostra e (p) padrão usado fatorado (f).
Procedimento 2 (usando bureta comum ou automática):
1. Com auxílio de pipeta volumétrica medir 25 ou 50 mL da amostra e transferir para um
Erlenmeyer de 250 mL;
2. Acrescentar 2 gotas de fenoltaleína e homogeneizar a amostra;
3. Titular com solução padronizada de NaOH 0,02 mol/L até mudança de coloração
(rósea persistente) e anotar o volume;
4. Calcular a acidez da amostra expressando a concentração em mgCO2/L utilizando
relação da volumetria: CaVa = CpVpf, onde (a) amostra e (p) padrão usado fatorado (f).

3.7.2.4. CLORETOS (ÁGUAS BRUTAS E TRATADAS)


Geralmente os cloretos estão presentes em águas brutas e tratadas em concentrações que
podem variar de pequenos traços até centenas de mg/L. Estão presentes na forma de cloretos
de sódio, cálcio e magnésio.
Concentrações altas de cloretos podem restringir o uso da água em razão do sabor que eles
conferem e pelo efeito laxativo que eles podem provocar.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 83


A portaria nº 2914/2011 do Ministério da Saúde estabelece o teor de 250 mg/L como o valor
máximo permitido para água potável. Os métodos convencionais de tratamento de água não
removem cloretos. A sua remoção pode ser feita por desmineralização (deionização) ou
evaporação.
Material e reagentes:
Bureta de 25 mL Proveta de 50 mL AgNO3 0,0141 mol/L
Erlenmeyer 125mL Pipeta de 1mL K2CrO4 5%

Procedimento:
1. Transferir 50 mL da amostra para um Erlenmeyer de 125mL.
2. Determinar o pH da amostra e ajustá-lo, se necessário para um pH entre 7 e 10, com
NaOH ou H2SO4.
3. Adicionar ao Erlenmeyer, 1mL de K2CrO4 5%.
4. Titular com AgNO3 0,0141 mol/L fatorado até o aparecimento de uma leve coloração
avermelhada (a mistura do amarelo do cromato em excesso com o vermelho do
precipitado pode resultar em coloração laranja);
5. Calcular a concentração de cloretos na amostra expressando o resultado em mgNaCL/L
utilizando relação da volumetria: CaVa = CpVpf, onde (a) amostra e (p) padrão usado
fatorado (f)..

3.7.2.5. DUREZA TOTAL (ÁGUAS BRUTAS E TRATADAS)


A dureza total é calculada como sendo a soma das concentrações de íons cálcio e magnésio
na água, expressos como carbonato de cálcio.
A dureza de uma água pode ser temporária ou permanente. A dureza temporária, também
chamada de dureza de carbonatos, é causada pela presença de bicarbonatos de cálcio e
magnésio. Esse tipo de dureza resiste à ação dos sabões e provoca incrustações. É
denominada de temporária porque os bicarbonatos, pela ação do calor, se decompõem em gás
carbônico, água e carbonatos insolúveis que se precipitam.
A dureza permanente, também chamada de dureza de não carbonatos, é devida à presença de
sulfatos, cloretos e nitratos de cálcio e magnésio, resiste também à ação dos sabões, mas não
produz incrustações por serem seus sais muito solúveis na água. Não se decompõe pela ação
do calor. A tabela seguinte mostra uma classificação de água tratada baseando nos valores de
dureza total.
Dureza Total
Classificação da Água Tratada
(em ppm de CaCO3 ou mg/L de CaCO3)

15 Muito boa

15 a 50 Branda

50 a 100 Moderadamente branda

100 a 200 Dura

200 Muito dura

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 84


A portaria nº 2914/2011 do Ministério da Saúde estabelece para dureza o teor de 500 mg/L em
termos de CaCO3 como o valor máximo permitido para água potável.
Material e reagentes:
Bureta de 25 mL
Erlenmeyer de 125 mL
Pipeta volumétrica de 25 mL
Pipeta de 1mL
EDTA 0,01 mol/L
Solução tampão NH4OH/NH4Cl pH 10
Indicador Negro de eriocromo T
Procedimento:
1. Transferir 25 mL da amostra para um Erlenmeyer de 125mL.
2. Adicionar ao Erlenmeyer, 1 mL da solução tampão de pH 10.
3. Adicionar uma “ponta de espátula” (0,05g) de negro de eriocromo T.
4. Titular com EDTA 0,01 mol/L até o aparecimento de uma coloração azulada e anotar o
volume gasto;
5. Calcular a dureza total da amostra expressando a concentração em mgCaCO3/L
utilizando relação da volumetria: CaVa = CpVpf, onde (a) amostra e (p) padrão usado
fatorado (f).

3.7.2.6. COR (ÁGUAS BRUTAS, TRATADAS E RESIDUÁRIAS)


A cor da água é proveniente da matéria orgânica como, por exemplo, substâncias húmicas,
taninos e também por metais como o ferro e o manganês e resíduos industriais fortemente
coloridos. A cor, em sistemas públicos de abastecimento de água, é esteticamente indesejável.
A sua medida é de fundamental importância, visto que, água de cor elevada provoca a sua
rejeição por parte do consumidor e o leva a procurar outras fontes de suprimento muitas vezes
inseguras. São dois tipos de quantificação de cor: Cor Aparente (quando a leitura é realizada
sem que a amostra seja filtrada em um filtro de 20 nm de porosidade) e Cor Real (quando a
leitura é feita após a filtragem da amostra).
A Portaria nº 2914/2011 do Ministério da Saúde estabelece para cor aparente o Valor Máximo
Permitido de 15 uH (unidade Hazen) ou PCU (Unidade Platina-Cobalto) como padrão de
aceitação para consumo humano.
Em águas residuárias o indicativo de cor é muito comum ser verificado e monitorado em
indústrias com possibilidade de descartes de corantes utilizados em seus processos como as
de tintas e pigmentos, têxteis e outras similares. Este parâmetro pode ajudar a prever possíveis
tratamentos destes efluentes.

Procedimento 1: Uso de colorímetro


Material e reagentes:
Colorímetro; Cubeta; Água destilada.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 85


Técnica operacional:
1. Ligar o aparelho.
2. Completar o volume da cubeta com água destilada, limpá-la externamente com álcool
ou acetona, zerar o medidor e acionar o botão ZERO.
3. Adicionar a amostra na cubeta, limpá-la como descrito no item anterior, realizar a
leitura (READ) e anotar o resultado.
4. Desligar o aparelho.

Procedimento 2: Comparação visual


Material necessário:
Tubos de Nessler forma alta de 50 mL;
Suporte de madeira;
Solução-Padrão de Cloroplatinato de Potássio (500 Unidades de Cor);
Técnica operacional:
1. Preparar Padrões de Cor na faixa de 5 a 50 unidades de cor, medindo 0,5; 1,0; 1,5; 2,0;
2,5; 3,0; 3,5; 4,0; 4,5; 5,0; 6,0 e 7,0 ml da solução padrão (500 Unidades de Cor) e
colocar em tubos de Nessler de 50 mL;
2. Diluir com água destilada até a marca de 50 mL;
3. Medir 50 mL da amostra em outro tubo de Nessler e comparar com os padrões.
4. Expressar o resultado em Unidades de Cor ou unidade Hazen (uH).
Notas:
a. A comparação deverá ser feita olhando os tubos verticalmente contra um fundo branco;
b. Proteger os Padrões contra evaporação e poeira;
c. Quando a cor da amostra for maior do que 70 unidades, fazer diluição até que se
obtenha resultado dentro da faixa coberta pelos padrões. Neste caso, o resultado
deve ser multiplicado pelo fator de diluição;
d. uH é a unidade de escala de Hazen (platina-cobalto).
e. Solução padrão de cor (1,246 gramas de Cloroplatinato de Potássio (K2PtCl6) e 1,0
grama de Cloreto Cobaltoso cristalizado (CoCl2.6H2O); dissolver em água destilada;
acrescentar 100 mL de ácido clorídrico concentrado e diluir para 1000 ml com água
destilada.

3.7.2.7. TURBIDEZ (ÁGUAS BRUTAS, TRATADAS E RESIDUÁRIAS)


A turbidez da água é devida à presença de materiais sólidos em suspensão, que reduzem a
sua transparência. Pode ser provocada também pela presença de algas, plâncton, matéria
orgânica e muitas outras substâncias como o zinco, ferro, manganês e areia, resultantes do
processo natural de erosão ou de despejos domésticos e industriais.
A turbidez tem sua importância no processo de tratamento da água. Água com turbidez
elevada e dependendo de sua natureza, forma flocos pesados que decantam mais
rapidamente do que água com baixa turbidez. Também tem suas desvantagens como no caso
da desinfecção que pode ser dificultada pela proteção que pode dar aos microorganismos no
contato direto com os desinfetantes. É um indicador sanitário e padrão de aceitação da água
de consumo humano.
A Portaria nº 2914/2011 do Ministério da Saúde estabelece que o Valor Máximo Permitido é de
1,0 uT para água subterrânea desinfetada e 0,5 uT para água filtrada após tratamento
completo ou filtração direta. 5,0 uT como padrão de aceitação para consumo humano e para
água resultante de filtração lenta o Valor Máximo Permitido é 1,0 uT.
Em águas residuárias a turbidez pode dar indícios de materiais coloidais e grosseiros de
pequenas dimensões em suspensão ajudando a prever possíveis tratamentos adequados.
Material e reagentes:
Turbidímetro
Cubeta
Procedimento:
1. Ligar o aparelho;
2. Adicionar a amostra na cubeta e limpá-la externamente com álcool ou acetona;
3. Realizar a leitura (LER) e anotar o resultado;
4. Desligar o aparelho.

3.7.2.8. CONDUTIVIDADE/SÓLIDOS TOTAIS DISSOLVIDOS (STD) (ÁGUAS BRUTAS, TRATADAS


E RESIDUÁRIAS)
A condutividade (ou condutância específica) de uma solução eletrolítica é uma medida de sua
capacidade de conduzir eletricidade. A unidade SI da condutividade é siemens por metro (S/m).
Medições de condutividade são usados rotineiramente em muitas aplicações industriais e
ambientais como uma forma rápida, barata e confiável de medir o conteúdo iônico em uma
solução. Por exemplo, a medição da condutividade é uma forma típica de monitoramento
continuo do desempenho dos sistemas de purificação de água.
A condutividade está ligada diretamente aos sólidos totais dissolvidos (STD). Água deionizada
de alta qualidade tem uma condutividade de cerca de 5,5 µS/m, água potável típica na faixa de
5-50 mS/m, enquanto a água do mar cerca de 5 S/m (ou seja, a condutividade da água do mar
é um milhão de vezes maior que da água deionizada).
Os Sólidos Totais Dissolvidos (STD) são a soma dos teores de todos os constituintes minerais
presentes na água. A medida de Condutividade elétrica, multiplicada por um fator que varia
entre 0,55 e 0,75, fornece uma boa estimativa do STD de uma água. Segundo o padrão de
potabilidade da OMS, o limite máximo permissível de STD na água é de 1000 mg/L. Para
quantificação dos STD (em mg/L de NaCl), basta observar a seguinte relação: 1µS/cm = 0,64
mg/L de NaCl
Material e reagentes:
Condutivímetro Papel absorvente
Béquer de 50 mL Solução padrão
Pisseta

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 87


Procedimento:
1. Ligar o condutivímetro.
2. Lavar os eletrodos com água destilada e enxugá-los com papel absorvente.
3. Calibrar o aparelho com a solução padrão.
4. Lavar novamente os eletrodos com água destilada e enxugá-los.
5. Introduzir os eletrodos na amostra, fazer a leitura e anotar o resultado.
6. Lavar novamente os eletrodos e enxugá-los.
7. Desligar o aparelho.
8. Calcular o teor de sólidos solúveis correspondentes a esta condutividade.

3.7.2.9. FERRO DISSOLVIDO/FERRO TOTAL (ÁGUAS BRUTAS OU TRATADAS)


O ferro é um elemento persistentemente presente em quase todas as águas subterrâneas em
teores abaixo de 0,3 mg/L. Suas fontes são minerais escuros (máficos) portadores de Fe:
magnetita, biotita, pirita, piroxênios, anfibólios. Em virtude de afinidades geoquímicas quase

sempre é acompanhado pelo Manganês. O ferro no estado ferroso (Fe²+) forma compostos

solúveis, principalmente hidróxidos. Em ambientes oxidantes o Fe²+ passa a Fe³+ dando


origem ao hidróxido férrico, que é insolúvel e precipita, tingindo fortemente a água. Desta
forma, águas com alto conteúdo de ferro solubilizado, ao saírem do poço são incolores, mas ao
entrarem em contato com o oxigênio do ar ficam amareladas, o que lhes confere uma
aparência nada agradável. Apesar do organismo humano necessitar de até 19 mg de ferro por
dia (ferroso), os padrões de potabilidade exigem que uma água de abastecimento público não
ultrapasse os 0,3 mg/L. Este limite é estabelecido em função de problemas estéticos
relacionados à presença do ferro na água e do sabor ruim que o ferro lhe confere. O ferro ou o
manganês, ao se oxidarem precipitam sobre as louças sanitárias, azulejos e roupas,
manchando-as.
Material e reagentes:
Espectrômetro de Pipeta volumétrica 5 mL KCl sólido
Absorção Atômica Pipeta graduada de 10 mL Solução padrão de
Digestor de amostra Papel de filtro faixa azul Fe(NO3)3
Béquer de 100 mL Pisseta
Funil raiado HNO3 concentrado
Procedimento 01: Ferro dissolvido
1. Filtrar a amostra.
2. Transferir a amostra filtrada para um balão de 50 mL e fazer com que esta solução
tenha uma concentração 0,2%(m/v) de potássio, proveniente do KCl.
3. Produzir uma curva de calibração (curva analítica) com os padrões de 0,1; 0,5; 1; 3 e 5
ppm de ferro no espectrômetro.
4. Ler a amostra e determinar a concentração de ferro dissolvido.
Procedimento 02: Ferro total
1. Transferir 25 mL da amostra após suspensão dos sólidos para um recipiente de
digestão.
2. Adicionar 5 mL de HNO3 concentrado ao recipiente.
3. Programar o digestor para as seguintes etapas, 3 minutos a 300W, 3 minutos a 700W e
4 minutos a 0W.
4. Transferir a solução resultante da digestão para um béquer e posteriormente para um
balão de 50 mL de modo que esta solução tenha uma concentração 0,2%(m/v) de
potássio, proveniente do KCl.
5. Produzir uma curva de calibração (curva analítica) com os padrões de 0,1; 0,5; 1; 3 e 5
ppm de ferro no espectrômetro.
6. Ler a amostra e determinar a concentração de ferro total.

3.7.2.10. NITRATOS (ÁGUAS BRUTAS, TRATADAS E RESIDUÁRIAS)


O nitrogênio perfaz cerca de 80% do ar que respiramos. Como um componente essencial das
proteínas ele é encontrado nas células de todos os organismos vivos. Nitrogênio inorgânico
pode existir no estado livre como gás, nitrito, nitrato e amônia. Com exceção de algumas
ocorrências como sais evaporíticos, o nitrogênio e seus compostos não são encontrados nas
rochas da crosta terrestre. O nitrogênio é continuamente reciclado pelas plantas e animais. Nas
águas subterrâneas os nitratos ocorrem em teores em geral abaixo de 5mg/L. Nitritos e amônia
são ausentes, pois são rapidamente convertidos a nitrato pelas bactérias. Pequeno teor de
nitrito e amônia é sinal de poluição orgânica recente. Segundo o padrão de potabilidade da

OMS, uma água não deve ter mais do que 10mg/L de NO3-.

No sistema digestivo o nitrato é transformado em nitrosaminas, que são substâncias


carcinógenas. Crianças com menos de três meses de idade possuem, em seu aparelho
digestivo, bactérias que reduzem o nitrato a nitrito. Este se liga muito fortemente a moléculas
de hemoglobina, impedindo-as de transportarem oxigênio para as células do organismo. A
deficiência em oxigênio leva a danos neurológicos permanentes, dificuldade de respiração
(falta de ar) e em casos mais sérios à morte por asfixia. Aos seis meses de idade a
concentração de ácido hidroclórico aumenta no estômago, matando as bactérias redutoras de
nitrato.
Material e reagentes:
Espectrofotômetro Funil raiado HCl 1mol/L
UV/Visível Pipeta de 10 mL Solução padrão de nitrato
Béquer de 100 mL Papel de filtro faixa azul de sódio.
Balão volumétrico de 50 mL Pisseta
Procedimento:
1. Filtrar a amostra.
2. Em um balão de 50 mL, adicionar 1mL de HCl 1 mol/L e completar o volume com a
amostra.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 89


3. Construir uma curva de calibração no espectrofotômetro com os padrões 2, 4, 6, 8 e 10
-
mg/L de NO3 e determinar a absorbância da amostra no comprimento de onda 220nm.
4. Ler a amostra no comprimento de onda 275nm e corrigir a absorbância segundo a
seguinte relação: Ac = A220 – 2xA275
5. Calcular a quantidade de nitratos na amostra.

3.7.2.11. OXIGÊNIO DISSOLVIDO (ÁGUAS BRUTAS, TRATADAS E RESIDUÁRIAS)


Do ponto de vista ecológico, o oxigênio dissolvido na água é uma variável extremamente
importante, haja vista que a maioria dos organismos necessita deste elemento para a
respiração. A quantidade de oxigênio dissolvido depende da temperatura da água e da pressão
atmosférica. Quanto maior a pressão, maior a dissolução, e quanto maior a temperatura, menor
a dissolução desse gás.
Naturalmente existem duas fontes de oxigênio para os sistemas aquáticos: o primeiro é a
atmosfera, como vimos, e o segundo é a fotossíntese, realizada pelos seres vivos. Por isso a
medida de oxigênio é muito importante para se determinar o estado de saúde do sistema.
Quando se têm pouco oxigênio, é provável que haja algum problema no sistema. Por exemplo,
despejo de esgotos ou retirada de areia do fundo. Essa retirada levanta o material depositado
no fundo (sedimento), promovendo o aumento da decomposição e conseqüente diminuição do
oxigênio pela demanda microbiana.
Técnica 1: Instrumental
Material e reagentes:
Medidor de oxigênio dissolvido
Béquer de 50 mL
Pisseta
Papel absorvente
Procedimento:
1. Ligar o aparelho.
2. Retirar a proteção do eletrodo e calibrar o mesmo em ambiente amplo.
3. Pressionar o botão HOLD e em seguida CAL.
4. Inserir o eletrodo na amostra até que o sensor de temperatura esteja submerso, fazer a
leitura do %O2 e anotar.
5. Lavar, enxugar e colocar a proteção do eletrodo.
6. Desligar o aparelho.

Técnica 2: Volumetria (Método de Winkler – fixação do oxigênio)


Material e reagentes:
Frasco de DBO
Pipeta graduada de 10 mL
Pipeta volumétrica de 100 mL

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 90


Pera ou pipetador automático
Bureta de 50 mL
Erlenmeyer de 250 mL
Pisseta com água destilada
Sulfato manganoso 48%
Iodeto de potássio 12%
Hidróxido de sódio 10%
Ácido sulfúrico concentrado
Tiossulfato de sódio 0,1 mol/L
Solução indicadora de amido 1%
Procedimento:
Nota: Se no momento da fixação aparecer um precipitado branco o oxigênio na amostra será zero.
1. No local da coleta, encher o frasco de DBO lentamente, sem perturbar a massa líquida
para evitar falso resultado.
2. Em seguida, adicional 2 mL de sulfato manganoso 48%, 2 mL de iodeto de potássio
12% e 2 mL de hidróxido de sódio 10%.
3. Fechar o frasco e agitá-lo por inversão.
4. Deixar o precipitado formado sedimentar por alguns minutos (cerca de 30 minutos).
5. No laboratório, adicionar 2 mL de ácido sulfúrico concentrado, fechar o frasco de DBO
e agitá-lo para dissolver completamente o precipitado e distribuir de forma homogênea
o iodo liberado (aguardar 2 minutos).
6. Medir lentamente, 100 mL desta solução (analito preparado – amostra tratada) com
pipeta volumétrica e transferir para um Erlenmeyer de 250 mL.
7. Titular o iodo liberado com solução de tiossulfato de sódio 0,1 mol/L até coloração
amarelo claro.
8. Adicionar 1 mL de solução de amido 1% (desenvolvimento de cor azul) e prosseguir
titulação até seu desaparecimento.
9. Anotar o volume gasto na titulação e realizar o cálculo.

Cálculo:

mgO2/L = (Vp x 0,1 x fc x 8000) / Va

Onde:
Vp = volume gasto da solução padrão de tiossulfato de sódio 0,1 mol/L, em mL.
Va = volume da amostra, em mL.
fc = fator de correção da solução de tiossulfato de sódio 0,1 mol/L.
8000 = fator de conversão referente ao oxigênio, em mg.

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3.7.2.12. SULFETOS (ÁGUAS BRUTAS E RESIDUÁRIAS)
-2
Íons sulfetos (S ) são encontrados em águas subterrâneas e ocorrem freqüentemente em
águas residuárias oriundas de despejos industriais, da decomposição da matéria orgânica ou
da redução do sulfato (bactérias do tipo sulfobactérias oxidam compostos contendo enxofre
para obterem energia). Mesmo em baixas concentrações já causa odores na água e no ar. É
muito tóxico, ataca metais diretamente e provoca corrosão em tubulações de concreto por ser
oxidado biologicamente a ácido sulfúrico nas paredes das tubulações. Pode ser dividido em:
- -2
Sulfeto total (porção de sulfeto constituída pelas porções de H2S e HS dissolvidos e de S
metálicos do material em suspensão em meio ácido) e Sulfeto dissolvido (porção que
permanece na amostra após remoção do material em suspensão da mesma).
O sulfeto também pode ser encontrado em baixas concentrações em águas naturais
superficiais estagnadas. Em condições anaeróbicas, sua concentração pode chegar à faixa de
100 mg/L. Seu comportamento em águas naturais é geralmente sazonal e ligado a variações
climáticas. De modo geral, está presente em solução como íon sulfeto ácido. Em águas de
despejos domésticos pode ser encontrado devido à decomposição da matéria orgânica ou da
redução do sulfato. Sulfeto é muito tóxico para animais e plantas aquáticas.
Técnica 1: Instrumental
Material e reagentes:
Espectrofotômetro UV/Visível Pipeta 10 mL
Béquer de 100 mL Papel de filtro faixa azul
Balão volumétrico de 50 mL Pisseta
Funil Suspensão padrão de PbS.
Procedimento:
1. Filtrar a amostra.
2. Em um béquer de 100 mL, adicionar 5 mL de Pb(NO3)2 1 mol/L e NaOH 4 mol/L
suficiente para dissolver o precipitado formado.
3. Adicionar ao béquer contendo Na2[Pb(OH)4] 25 ml da amostra.
4. Transferir para um balão de 50 mL e completar com água destilada.
5. Construir uma curva de calibração no espectrofotômetro com os padrões 0,5; 1; 2; 3 e
-2
5 mg/L de S e determinar a absorbância amostra no comprimento de onda 965nm.

Técnica 2: Volumetria (Iodometria)


Princípio do método: o sulfeto presente na amostra é precipitado com acetato de zinco na
forma de Sulfeto de Zinco (ZnS), tal precipitado é lavado para retirar-se eventuais impurezas e
transferido para um Erlenmeyer onde será reduzido com uma solução em excesso de Iodo (I2)
em meio ácido; o Iodo (I2) excedente será quantificado pela titulação com Tiossulfato de sódio
(Na2S2O3) em presença de amido, constituindo-se uma titulação de retorno.
Materiais e vidrarias:
Bureta;
Pipeta volumétrica;

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 92


Erlenmeyer de 500 mL;
Frasco de DBO;
Mangueira de silicone para sifonamento;
Barra magnética;
Agitador magnético.
Reagentes:
Solução de Hidróxido de sódio (NaOH) 6 mol/L
Solução de Acetato de zinco 1 mol/L
Solução de Ácido clorídrico (HCl) 6 mol/L
Solução padrão de Tiossulfato de sódio (Na2S2O3.H2O) 0,025 mol/L
Solução padrão de Iodo (I2) 0,025 mol/L
Solução de amido
Procedimento:
1. Homogeneizar a amostra;
2. Transferir a amostra para um frasco de DBO até completar seu volume;
3. Adicionar 9 gotas de acetato de zinco 1 mol/L e 6 gotas de NaOH 6 mol/L;
4. Tampar o frasco e agitar;
5. Deixar em repouso para sedimentar o precipitado formado (cerca de 30 minutos);
6. Retirar, com auxílio de um sifão, o sobrenadante;
7. Ressuspender o precipitado com água;
8. Deixar novamente em repouso para sedimentar o precipitado;
9. Repetir o sifonamento;
10. Ressuspender novamente o precipitado com água (caso o sobrenadante ainda esteja
“sujo”, repetir os itens de 8 a 10);
11. Transferir o conteúdo do frasco para um Erlenmeyer de 500 mL;
12. Adicionar 10 mL de solução padrão de Iodo 0,025 mol/L;
13. Adicionar 2 mL de HCl 6 mol/L para cada 200 mL de amostra (caso a amostra não
demonstre ter Iodo em excesso – caracterizado pela coloração amarelo típico de iodo –
adicionar mais 10 mL de solução padrão de Iodo 0,025 mol/L);
14. Adicionar amido e titular contra solução de Tiossulfato de sódio 0,025 mol/L, até a viragem
do indicador do azul para o incolor.

Cálculo do sulfeto total:


-2
mgS /L = [(A – B) x 16000] / Volume da amostra

Onde:
A = CI2 x VI2
B = CNa2S2O3 x VNa2S2O3
Volume da amostra = volume do frasco de DBO
16000 = fator de conversão referente ao enxofre, em mg.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 93


3.7.2.13. DEMANDA QUÍMICA DE OXIGÊNIO (DQO) (ÁGUAS RESIDUÁRIAS)
A demanda química de oxigênio é quantidade de oxigênio consumido na oxidação química da
matéria orgânica existente na água, medida em teste específico. Não apresenta
necessariamente correlação com a DBO. É expressa em miligramas de oxigênio por litro de
água. Usada geralmente como indicador do grau de poluição de um corpo de água ou de uma
água residuária.
Os materiais redutores, tanto orgânicos como inorgânicos presentes em águas são oriundos de
fontes naturais e de efluentes de indústrias e domésticos. O uso de água para irrigação com
altos valores de DQO prejudica o crescimento de plantas, especialmente em solos pobres. A
DQO pode reduzir os níveis de oxigênio, afetando assim a sobrevivência dos organismos
aquáticos. Na determinação da DQO as matérias orgânicas e inorgânicas da amostra são
oxidadas em meio ácido por uma quantidade conhecida de um reagente oxidante forte. A
quantidade da matéria oxidada expressa como equivalente em oxigênio, é proporcional à
quantidade do reagente oxidante consumido em mg de O2 por litro.
Técnica: Instrumental
Material e reagentes:
Espectrofotômetro UV/Visível Pipeta de 10 mL
Banho-maria Papel de filtro faixa azul
Béquer de 100 mL Pisseta
Balão volumétrico de 100 mL KMnO4 1,2 mmol/L
Funil H2SO4 20%
Pipeta de 25 mL
Procedimento:
1. Filtrar a amostra.
2. Transferir 25 mL da amostra filtrada para um béquer de 100 mL, adicionar 10mL de
H2SO4 20% e 10mL de KMnO4 1,2 mmol/L.
3. Deixar a solução em banho-maria por 30 minutos.
4. Após o arrefecimento, transferir a solução resultante do aquecimento para um balão de
100 mL e completar seu volume.
5. Construir uma curva de calibração no espectrofotômetro e determinar a concentração
de KMnO4 restante.
6. Fazer a relação da massa de KMnO4 consumida com a massa de O2, expressando o
resultado em mg/L O2.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 94


REFERÊNCIAS
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Vigilância e controle da qualidade da água para
consumo humano/ Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde. – Brasília: Ministério da Saúde, 2006. 212
p. – (Série B. Textos Básicos de Saúde). Disponível na web. Acesso em março de 2012.

Água – generalidades. Disponível em http://www.dec.ufcg.edu.br/saneamento/. Acesso 11/09/07.

Água um bem tão precioso. Disponível em <http://www.geocities.com/>. Acesso em 30/10/07.

Artigos técnicos. Disponível em <http://www.kurita.com.br/>. Acesso em 10/11/2009.

Brasil. Fundação Nacional de Saúde. Manual prático de análise de água. 2ª ed. rev.- Brasília: Fundação Nacional de
Saúde, 2006. Disponível na web. Acesso maio 2013.

CAMPOS, José Roberto (Coord.) Tratamento de Esgotos Sanitários por Processo Anaeróbio e Disposição
Controlada no Solo, Rio de Janeiro: ABES, 1999. 464 p.

Ciclo hidrológico. Disponível em http://www.uniagua.org.br. Acesso 11/09/07.

Dessalinização da água. Disponível em <http://www.uniagua.org> acesso 11/09/07.

Manual de procedimentos e técnicas laboratoriais voltado para análises de águas e esgotos sanitário e
industrial. Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Departamento de Engenharia Hidráulica e Sanitária.
Laboratório de Saneamento “Prof. Lucas Nogueira Garcez”. 2004. Disponível na web. Acesso em maio de 2015.

MENDONÇA, S. Química da água e Efluentes. Recife: Universidade Aberta do Brasil – CEFET-PE, 2007.

Qualidade das Águas. Disponível em <http://www.cetesb.sp.gov.br/Agua/rios/>. Acesso em 10/10/08.

Resolução n. 357/05. Disponível em <http://www.mma.gov.br/port/conama/res/> Acesso em 10/10/08.

ROCHA, Julio César, ROSA, André Henrique, CARDOSO, Arnaldo Alves. Introdução à Química Ambiental. Porto
Alegre: Bookman, 2004, 1ª ed. 154 p.

SANTOS FILHO, Davino Francisco. Tecnologia de Tratamento de Água. São Paulo: Nobel, 1981.

Serviços para obtenção de água. Disponível em <http://www.ceadobrasil.com.br> Acesso em 11/09/07.

Tecnologia de Tratamento de Água. Disponível em <http://www.ambientebrasil.com.br> Acesso em 19/09/07.

TELLES et al., Reuso da água. São Paulo: Editora Blucher, 2007, 1ªed. 328p.

Tratamento de água. Disponível em <http://www.dec.ufcg.edu.br/saneamento> Acesso 11/09/07.

3.8. EXERCÍCIOS PROPOSTOS

1. Cite e explique pelo menos três características do controle estatístico da qualidade,


aplicadas ao processo de tratamento de águas industriais

2. Simule dados experimentais de análises de qualidade na tecnologia de tratamento de água


urbana potável e aplique, pelo menos 3 ferramentas da qualidade, para ilustrar tais
informações. Explique a finalidade de cada ferramenta e relate suas considerações a respeito
associados aos dados utilizados.

3. Descreva o procedimento operacional para a realização de amostragem representativa


laboratorial para caracterizar cada caso, partindo-se dos seguintes elementos amostrais:
(a) poço artesiano raso com profundidade de 10m como fonte de água potável
(b) rio misto de natureza navegável envolvendo trajetos urbanos e rurais servindo como adutor
para águas brutas de uso potável e industrial ou corpo receptor de efluentes.

4. As águas brutas e residuárias são largamente monitoradas com finalidades diversas.


Construa uma tabela que inclua os principais parâmetros analisados em águas brutas com fins
de uso potável e industrial e, para as residuárias, os mais importantes do ponto de vista ao

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 95


atendimento da legislação pertinente (Resoluções CONAMA 357/2005 e 430/2011). Nesta
tabela inclua os parâmetros, suas finalidades, metodologia(s) usada(s) e comentários
adicionais relevantes.

5. O esquema seguinte mostra a influência de alguns constituintes possíveis presentes em


águas naturais contribuindo para sua qualidade total. Baseado neste esquema exemplifique
com constituintes reais, indicando os parâmetros analíticos (explique resumido à metodologia
analítica) associados a essas qualificações e quantificações. Escolha um dos constituintes e
proponha técnicas de tratamento para sua eliminação visando qualidade total desta água.

6. Um analista químico coletou adequadamente uma amostra de água bruta do mar e resolveu
executar as análises de acidez e alcalinidade (método volumétrico com titulador automático),
condutividade, pH, cor e turbidez (métodos instrumentais) e dureza (método volumétrico do
eriocromo T) e cloretos (método volumétrico de Mohr). Na execução dos procedimentos os
ensaios foram relativamente executados sem dificuldades, com exceção dos dois últimos.
Explique resumidamente cada metodologia empregada nestas análises, inclusive com
equações ajustadas e explique a possível dificuldade na determinação da dureza e de cloretos
e como pode ser contornada.

7. A tabela seguinte mostra os dados experimentais de uma análise de água bruta de um rio
perene, com nascente em pé-de-serra de zona rural, sendo a amostra representativa coletada
em trecho urbanizado:

Análises (em triplicata) Alíquota 1 Alíquota 2 Alíquota 3

pH (a 25oC) 5,6 5,8 5,7

Oxigênio dissolvido (mg O2/L) 9,4 8,3 9,3

Condutividade elétrica (µS/cm a 25oC) 225,3 227,8 229,4

Turbidez (uT) 5,6 5,8 5,7

Alcalinidade total (volume em mL de H2SO4 0,01 mol/L gasto 2,3 2,6 2,5
na titulação de alíquota de 50 mL)

Acidez total (volume em mL de NaOH 0,02 mol/L gasto na 2,7 2,8 2,6
titulação de alíquota de 50 mL)

Dureza total (volume gasto em mL de EDTA 0,01 mol/L gasto 1,5 1,7 1,8
na titulação de alíquota de 50 mL)

Cloretos (volume gasto em mL de AgNO3 0,0141 mol/L gasto 2,3 2,5 2,6
na titulação de alíquota de 50 mL)

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 96


Sobre os dados da tabela e suas conectividades, responda:
(a) Comente sobre a qualidade sensorial desta água bruta baseando-se nos resultados
analíticos e dispositivo legal disponível (Portaria 2914/2011 – MS).
(b) Indique possíveis formas de tratamentos necessários para uso potável.
(c) Calcule a alcalinidade total, acidez total, dureza total, cloretos e o teor de sólidos
dissolvidos nesta água através das análises em triplicata? Justifique sua resposta com
cálculos explicativos.
(d) Proponha um laudo analítico para expressar a qualidade desta água bruta.
(e) Proponha os tratamentos necessários nesta água para utilização como
matéria-prima (indústria farmacêutica e indústria de biscoitos) e como insumo para
geração de vapor em caldeiras de alta pressão.

DADOS PARA CONSULTAS:

PARÂMETROS ANALÍTICOS PARA ÁGUAS POTÁVEIS VALORES

PORTARIA 2914/2011 MINISTÉRIO DA SAÚDE E OUTROS DISPOSITIVOS CIENTÍFICOS

pH (a 25oC) 6,0 a 9,0

Condutividade elétrica (µS/cm a 25oC) 10 a 100

Turbidez (uT) Máximo 5

Alcalinidade total (em mg CaCO3/L) 30 a 500

Oxigênio dissolvido (mg O2/L) – (20oC/1atm em águas doces) 9

Sólidos totais dissolvidos (em mg NaCl/L) Máximo 1000

Acidez total (em mg CO2/L) - (20oC/1atm em águas doces) 0,5

Dureza total (em mg CaCO3/L) Máximo 500

Cloretos (em mg NaCl/L) Máximo 250

Para quantificação dos sólidos totais dissolvidos (em mg/L de NaCl), basta observar a seguinte relação:
1µS/cm = 0,64 mg/L de NaCl.

8. O oxigênio dissolvido em águas é um dos parâmetros mais versáteis em termos de


qualidade da biota dos mananciais de ocorrência, seja ambiente preservado ou poluído. Qual a
importância deste insumo presente na água em referência? Que condições são necessárias
para seu aumento? E para sua diminuição? Explique objetivamente com a fundamentação
científica associada.

9. A química do controle de qualidade de águas brutas, tratadas ou residuárias utiliza muitas


metodologias analíticas de volumetria. Dentre estas, destacam-se a determinação de cloretos,
dureza, alcalinidade, sulfetos e acidez. Explique a importância de cada parâmetro, metodologia
analítica empregada, espécies químicas envolvidas na análise, reações associadas à
quantificação e tratamentos tecnológicos destinados a sua diminuição ou eliminação.

10. Condutitivade elétrica, pH, turbidez e cor são análises de natureza geral para águas brutas,
tratadas ou residuárias. Faça um confronto entre elas elencando suas convergências e
divergências? Que recomendações você proporia para as amostras em termos destes
parâmetros?

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.........................................................................................................................................................

..... 4 .......................... CONTROLE NA PRODUÇÃO DE ÁÇÚCAR E ÁLCOOL .........................

.........................................................................................................................................................

4.1. INTRODUÇÃO
A tecnologia sucroalcooleira tem evoluído rapidamente nos últimos anos, exigindo
aperfeiçoamento nos métodos de análise e no controle industrial.
Estas modificações embora não pareçam relevantes, oferecem uma contribuição no sentido de
padronizar as técnicas e aumentar a confiabilidade dos resultados, permitindo uma melhor
determinação da eficiência dos processos.
Assim, torna-se necessário uma revisão e atualização dos métodos de análises e técnicas de
controles operacionais, procurando-se adaptar às implantações das últimas inovações
ocorridas.

4.2. CANA-DE-AÇÚCAR
A cana pertence à família das gramíneas e gênero Saccharum, sendo a espécie mais comum a
Saccharum officinarum. Além dessa espécie existem outras tais como a sinensis (chinesa,
japonesa), robustum (Nova Guiné), barben (indiana) etc. Atualmente é mais comum a chamada
cana híbrida ou cruzada resultante do cruzamento de diversas espécies e denominada
Saccharum spp.
A cana é formada por raízes, colmo e folhas. As raízes têm função de sustentação e de
absorção de água e nutrientes podendo atingir de 15 a 50 cm de comprimento. O colmo, caule
ou haste principal é cilíndrico, geralmente ereto e fibroso, constituído de nós e entrenós
(gomos). Sua cor pode ser amarela, verde, vermelha, roxa ou acinzentada (conforme a
variedade). Contém cerca de 90% de suco, do qual se pode extrair cerca de 10 a 20% de
açúcar. O colmo é a parte mais importante da cana, pois, a partir de uma unidade pode-se
formar uma touceira com um número variável de colmos (perfilhamento da cana). As folhas são
os órgãos responsáveis pela respiração, transpiração e elaboração de aminoácidos e açúcares
(fotossíntese).
No Brasil, o açúcar é produzido a partir da cana, enquanto na Europa é quase totalmente
fabricado a partir da beterraba. Hoje, a cana também é utilizada para produção de álcool.
Basicamente, a sacarose é o principal componente da cana-de-açúcar.

Composição média da cana-de-açúcar

Composição Teor

Água 65 - 75

Açúcares 11 - 18

Fibras 8 - 14

Sólidos solúveis 12 - 23

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 98


Principais constituintes da cana-de-açúcar

Constituintes Sólidos solúveis (%)

Açúcares 75 a 93

Sacarose 70 a 91

Glicose 2a4

Frutose 2a4

Sais 3,0 a 5,0

De ácidos inorgânicos 1,5 a 4,5

De ácidos orgânicos 1,0 a 3,0

Proteínas 0,5 a 0,6

Amido 0,001 a 0,05

Gomas 0,3 a 0,6

Ceras e graxas 0,05 a 0,15

Corantes 3a5

4.3. AÇÚCAR
O açúcar é um alimento doce, formado quase exclusivamente por sacarose (99,5% de
C12H22O11). Serve de base para a fabricação de uma infinidade de produtos; é um alimento de
grande valor energético, pois fornece ao homem cerca de 13% da energia necessária para a
sua existência.
Diversas fontes podem ser utilizadas para a extração do açúcar tais como: madeira, batata,
beterraba, cana-de-açúcar etc.
De acordo com processos produtivos podem-se distinguir basicamente dois tipos de açúcar: o
demerara ou mascavo e o cristal.
Açúcar cristal - Açúcar obtido por fabricação direta nas usinas, a partir da cana-de-açúcar, na
forma cristalizada, após a clarificação do caldo da cana por tratamentos físico-químicos,
evaporação, cristalização, centrifugação e secagem.
Deve ser armazenado sobre estrados, longe de locais quentes, úmidos ou excessivamente
iluminados (luz do sol), de produtos químicos e odores fortes, e nunca ficar em contato direto
com piso ou parede. Variações bruscas de umidade e temperatura podem causar
empedramento do açúcar (recomenda-se umidade relativa do ambiente inferior a 65%).
Apresenta um prazo de validade de 24 meses e embalagens de 50 kg, contentor de 1200 kg ou
a granel em caminhões aprovados pelos órgãos responsáveis.

4.4. ÁLCOOL
O álcool etílico pode ser obtido tanto por via química, como bioquímica. No primeiro caso são
utilizados os mais variados processos de síntese, alguns deles, já muito conhecidos, enquanto

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 99


no segundo, o álcool é obtido por fermentação e posterior destilação. O álcool etílico mais
comum é o hidratado e apresenta características peculiares como: líquido incolor, odor
o
característico, volátil (ponto de ebulição próximo de 78 C), solúvel em água, inflamável,
solvente orgânico muito difundido etc.
Como aplicações do álcool etílico podem-se citar:
• Combustível: em motores de combustão interna e como aditivo na gasolina.
• Solvente: em diversos segmentos industriais, principalmente em tintas e vernizes.
• Matéria-prima: produção de acetato de etila, ésteres glicóis, acetaldeído, éter dietílico,
álcool neutro, quaternário de amônio, entre outros.
• Desinfetante natural: formulação de produtos de limpeza.
• Processo fermentativo: como substrato na produção de vinagre ou ácido acético, pois
apresenta baixíssimos teores de inibidores de fermentação.
Em termos de benefícios cotidianos pode-se destacar:
• Alta solubilidade em água e solventes orgânicos;
• Fonte de energia renovável e limpa.
O álcool etílico pode ser armazenado em duas situações:
• Grandes Volumes: deve-se armazenar em tanques metálicos aterrados e protegidos
contra descargas atmosféricas e sistemas de proteção de respiro (corta-chamas). Os
tanques devem ser protegidos por bacias de contenção com capacidade suficiente
para conter todo o volume armazenado.
• Pequenos volumes: deve-se armazenar em embalagens de aço-carbono, ferro ou aço
inoxidável longe de fontes de calor, em lugar arejado, com instalações elétricas à prova
de explosões e sistemas de aterramento.
Em geral o prazo de validade do álcool etílico comercial é de 24 meses e o seu fornecimento
para os clientes em caminhões-tanques aprovados pelos órgãos responsáveis.

4.5. PROCESSO DE FABRICAÇÃO DO AÇÚCAR E DO ÁLCOOL


A produção do açúcar e do álcool no Brasil utiliza a cana-de-açúcar como matéria-prima. Esse
processo produtivo pode ser observado no fluxograma da página seguinte.
CONDICIONAMENTO DA MATÉRIA-PRIMA
Recepção/Pesagem/Amostragem/Lavagem/Picotagem/Desfibramento.
O sistema de recepção de cana como matéria-prima compõe-se de: pesagem, amostragem,
análise e descarregamento. Em seguida é realizada a lavagem, picotagem e desfibramento
(conhecido também como preparo), finalizando o condicionamento da cana, para posterior
extração do seu caldo em moendas ou difusores.
MOAGEM/DIFUSÃO
Em escala industrial existem dois processos de extração: a moagem e a difusão.
A moagem é basicamente a separação de materiais. No caso da cana constitui-se em uma
fração sólida, a fibra, e outra líquida, o caldo - que devem ser separadas para a então produção
do açúcar ou do álcool. A extração do caldo misto é obtida pelo processo de esmagamento da

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 100


cana, efetuada nos ternos da moenda. Como artifício complementar é utilizado a embebição
(adicionar água ao bagaço para remover caldo remanescente na fibra, aumentando a extração
de sacarose).

FLUXOGRAMA DO PROCESSO PRODUTIVO – AÇÚCAR E ÁLCOOL

CANA

CONDICIONAMENTO
ÁGUA DA MATÉRIA-PRIMA DEDRITOS

CANA PICOTADA E DESFIBRADA

ÁGUA MOAGEM/DIFUSÃO BAGAÇO

SO2 INSUMOS
CALOR CALDO MISTO
CALDO
CLARIF
. PURIFICAÇÃO/ CONDICIONAMENTO
SULFITAÇÃO CLARIFICAÇÃO DO FERMENTO

CALDO AÇÚCAR LODO MOSTO LEVEDURAS


SULFITADO

FILTRAÇÃO
EVAPORAÇÃO FERMENTAÇÃO

ÁGUA MOSTO
XAROPE TORTA FERMENTADO
CALOR
BAGACILHO

COZIMENTO/
CRISTALIZAÇÃO CENTRIFUGAÇÃO
INSUMOS

MASSA MEL POBRE VINHO LEITE DE


CALOR COZIDA LEVEDURAS

ÁGUA/VAPOR
CENTRIFUGAÇÃO DESTILAÇÃO/
MELAÇO DESIDRATAÇÃO
VAPOR
CALOR AÇÚCAR ÚMIDO

SECAGEM/ CO-PRODUTOS E
CONDICIONAMENTO RESÍDUOS
ÁLCOOL COMERCIAL
FINAL
HIDRATADO OU ANIDRO

AÇÚCAR COMERCIAL

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 101


A difusão é uma tecnologia que aproveita parte das etapas do processo de moagem. A
diferença básica entre os dois processos reside na maneira de separar o caldo da fibra. Nesta
separação, o difusor realiza duas operações: Difusão: separação por osmose, relativa apenas
às células não-rompidas da cana, aproximadamente 3% e Lixiviação: arraste sucessivo pela
água da sacarose e das impurezas contidas nas células abertas. A remoção de água ou
desaguamento do bagaço após a etapa de difusão é realizada através de rolos, como no
processo de moagem.

PURIFICAÇÃO/CLARIFICAÇÃO
A purificação e a clarificação são estágios do processo que objetivam separar do caldo a maior
quantidade possível das impurezas em solução e em suspensão no mesmo.
O caldo de cana é uma suspensão coloidal cuja cor varia de verde-escuro a marrom. Essa
coloração resulta da presença de substâncias como clorofila, xantofilas, carotenos etc. A
opacidade é causada por colóides, proteínas, pentosanas e compostos inorgânicos do tipo
fosfatos, óxidos de cálcio, ferro e magnésio. Encontramos ainda, no caldo, gomas, albuminas e
partículas insolúveis, como terra e bagacilho.
Os objetivos da clarificação são: elevação do pH do caldo a um nível onde as perdas de
sacarose sejam mínimas, precipitação e coagulação dos colóides, rápida velocidade de
assentamento, máximo volume de borras, produção de borras densas e obtenção de um caldo
o mais claro possível.
Esses objetivos podem não ser atingidos se não houver uma perfeita interação entre a
qualidade do caldo e a qualidade e quantidade dos agentes clarificadores, o pH, a temperatura
e o tempo de retenção desse material nos decantadores.
FILTRAÇÃO
Antes de ser enviado aos filtros rotativos, o lodo retirado do decantador recebe a adição de,
aproximadamente, 3 a 5 kg de bagacilho/ton cana, que irá agir como auxiliar de filtração.
Esta filtração objetiva recuperar o açúcar contido no lodo, fazendo com que este retorne ao
processo na forma de caldo filtrado. O material retido no filtro recebe o nome de torta e é
enviado à lavoura para ser utilizado como adubo. É importantíssimo controlar a perda de
açúcar na torta, pois seu valor não deveria ser superior a 1%.
SULFITAÇÃO
Esta operação tem como objetivo principal a obtenção do açúcar branco para consumo direto
produzido na própria usina. Se o objetivo é a produção do açúcar mascavo, o caldo clarificado
segue direto para os evaporadores. Esta operação é um diferencial de processo industrial do
açúcar.
EVAPORAÇÃO
O caldo clarificado obtido nos decantadores ou o sulfitado é submetido a um processo de
concentração através da eliminação da água presente. A seção de evaporação realiza a
primeira etapa no processo de recuperação do açúcar do caldo através da sua concentração. A
o
prática usual é concentrar o caldo clarificado ou sulfitado até consistência de 52 a 65 Brix, o
que requer a remoção de aproximadamente 75% de água.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 102


COZIMENTO/CRISTALIZAÇÃO
A evaporação da água dá origem a uma mistura de cristais envolvidos em mel (solução
açucarada) que recebe o nome de massa cozida. Os cristais vão crescendo e o volume total
aumentando. No final, tem-se uma massa muito densa, que contém os cristais de sacarose. A
concentração desta massa cozida é de aproximadamente 93º - 95º Brix, e sua temperatura, ao
ser descarregada, é de 65º - 75°C. Dependendo das conveniências pode-se trabalhar com os
sistemas de uma, duas ou três massas cozidas.
A massa cozida é descarregada nos cristalizadores onde irá ocorrer o resfriamento lento,
geralmente com auxílio de água ou ar. Fica em constante movimento, para que o açúcar
dissolvido no mel se ponha em contato com as bases de cristalização, ao mesmo tempo em
que se processa o resfriamento.
TURBINAGEM OU CENTRIFUGAÇÃO
Dos cristalizadores, a massa cozida resfriada segue para o setor de centrifugação e é
descarregada nas centrífugas. A turbinagem processa-se em centrífugas onde ocorre a
separação do açúcar cristalizado dos méis intermediários ou do mel final.
A força centrífuga separa o mel (licor-mãe) dos cristais de sacarose. O processo se completa
pela lavagem dos cristais com água e vapor, ainda no interior do cesto, para eliminar o mel
residual e tornar o açúcar mais claro (açúcar branco de alta polarização - VHP). O mel
removido (primeira e segunda massa cozida) é retornado aos cozedores para recuperação do
açúcar dissolvido ainda presente. O mel obtido da terceira massa cozida passa a ser
denominado mel final ou melaço (mel residual para outros fins). O açúcar descarregado das
centrífugas apresenta alto teor de umidade (0,5% a 2%) e temperatura elevada (65-95°C)
devido à lavagem com vapor.
SECAGEM, EMBALAGEM E ARMAZENAGEM
O açúcar turbinado (0,5 a 2 % de umidade) é seco artificialmente para ser estocado ou
ensacado e comercialização ou refinação.
O resfriamento e a secagem do açúcar são realizados em um secador metálico através do qual
passa, em contracorrente, um fluxo de ar succionado por um exaustor. O açúcar deixa o
secador (temperatura entre 35º e 40°C e umidade de 0,03% a 0,04%) e é ensacado ou
armazenado em silos.
FERMENTAÇÃO ALCOÓLICA
O álcool é obtido após a fermentação do mosto (caldo misto ou de uma mistura de melaço e
caldo), através de um processo bioquímico. Antes de ser enviado ao processo fermentativo, o
caldo misto recebe um tratamento de purificação já descrito anteriormente.
O mosto (solução de açúcar) cuja concentração de sólidos de aproximadamente 19-22° Brix é
a matéria-prima usada para a fermentação juntamente com o fermento (células de leveduras)
condicionado em termos de pH, nutrientes e temperatura.
O processo de fermentação mais comumente utilizado no Brasil é o de Melle-Boinot
(recuperação da levedura através da centrifugação do vinho e recirculação para a próxima
batelada).

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 103


Os açúcares são transformados em álcool segundo a reação simplificada de Gay Lussac:
C12H22O11 + H2O  C6H12O6 + C6H12O6
C6H12O6  2CH3CH2OH + 2CO2 + 23,5 kcal
A reação é intensa com liberação de gás carbônico, aquecimento (requer resfriamento) e
formação de alguns produtos secundários como: álcoois superiores, glicerol, aldeídos etc, com
tempo de 4 a 10 horas, teor médio de álcool de 7% a 10%.
O mosto fermentado é enviado às centrífugas para a recuperação do fermento e produção do
vinho (mistura rica em álcool).
DESTILAÇÃO
O vinho proveniente da fermentação possui, em sua composição, 7º a 10°GL (% em volume)
de álcool, além de outros componentes de natureza líquida, sólida e gasosa. Dentro dos
líquidos, além do álcool, encontram-se a água com teores de 89% a 93%, glicerol, álcoois
homólogos superiores, furfural, aldeído acético, ácidos succínico e acético etc., em
quantidades bem menores. Já os sólidos são representados por bagacilhos, leveduras e
bactérias, açúcares não-fermentescíveis, sais minerais, matérias albuminóides e outros, e os
gasosos, principalmente pelo CO2 e SO2.
O álcool presente neste vinho é recuperado por destilação, processo este que se utiliza dos
diferentes pontos de ebulição das diversas substâncias voláteis presentes, separando-as. A
operação é realizada com auxílio de sete colunas distribuídas em quatro troncos: Destilação
propriamente dita, Retificação, Desidratação e Recuperação do desidratante.
DESIDRATAÇÃO
O álcool hidratado, produto final dos processos de epuração (destilação de purificação) e
retificação (destilação de concentração) é uma mistura binária álcool-água que atinge um teor
da ordem de 96°GL. Isto ocorre devido à formação de uma mistura azeotrópica, fenômeno
físico no qual os componentes não são separados pelo processo de destilação.
Este álcool hidratado pode ser comercializado desta forma ou passar por um dos três
processos de desidratação: destilação azeotrópica com ciclohexano, destilação extrativa com
monoetilenoglicol e desidratação por adsorção com peneira molecular (zeólitas).

4.6. CONTROLE DE QUALIDADE DO AÇÚCAR E DO ÁLCOOL


Compreende o conjunto de determinações analíticas ou não, que possibilitem avaliar o
comportamento operacional da usina. Esta avaliação compreende a análise de amostras dos
produtos durante o processamento industrial e sua interpretação através de cálculos
adequados e com as seguintes finalidades:
- orientar as operações de obtenção dos melhores resultados práticos possíveis:
- fornecer dados que indiquem a extensão das perdas e auxiliar a detectá-las;
- acumular dados que possibilite a comparação com outros períodos (dia, semana, mês ou
ano), outras usinas ou outras regiões; buscando sempre melhores resultados.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 104


CONTROLE DE QUALIDADE DO AÇÚCAR

AMOSTRAGEM MÉTODOS ANALÍTICOS


Os resultados analíticos altamente precisos podem não Podem-se resumir estes métodos nos seguintes casos:
ter qualquer significância se a amostra coletada não umidade, fibra, pol, índice de preparo, cinzas, fosfatos,
representar fielmente o produto de onde proveio. pH, teor de açúcares redutores, pureza, brix, cor e fator
A coleta de amostras tem a mesma importância que o de segurança.
trabalho analítico para evitar que resultados falsos ou
desviados sejam obtidos.

COLETAS DE AMOSTRAS ANÁLISES REALIZADAS

CANA

São coletadas amostras para serem analisadas com Análises realizadas: umidade, fibra, pol e índice de
objetivo de estabelecer parâmetros à Indústria de Açúcar, preparo (teste para avaliação das células abertas ou
pagamento da cana pelo teor de sacarose e rendimento percentagem de pol extraída por agitador, em relação à
agrícola e industrial. extração absoluta, por desintegrador de análise de cana
- digestão a frio).

BAGAÇO

A coleta de amostras deve ser feita em toda a extensão e Análises realizadas: umidade e pol.
profundidade do colchão de bagaço, não
necessariamente em uma única operação. A amostragem
contínua apresenta uma série de dificuldades, optando-se
pela coleta manual.

CALDOS

A amostragem dos caldos (primário, último terno, misto e São realizadas as seguintes análises:
clarificado) para as análises não apresenta dificuldade. O brix areométrico, brix refratométrico, pol, cinzas
caldo misto é o mais importante sob o ponto de vista do condutimétricas, fosfatos, pH e açúcares redutores.
controle químico, uma vez que é utilizado para a
determinação do balanço de pol. O caldo clarificado, no
mesmo aspecto, não é tão importante para a usina quanto
o misto. Assim, amostras deste podem ser coletadas em
intervalos maiores que do misto.

TORTA DO FILTRO

Amostras difíceis de serem compostas, pois deterioram Análises realizadas: umidade e pol.
rapidamente. Retirar amostras instantâneas
individualmente (cada filtro) em toda extensão e analisar
imediatamente para qualidade e verificação das
condições de operação da unidade.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 105


XAROPE

Análises realizadas: brix areométrico, pol, pH e pureza.


O xarope não tem grande importância para o controle
químico, a não ser quanto ao brix que deverá ser
verificado a cada instante na seção de evaporação.

MASSAS COZIDAS

Amostras de massa cozida são retiradas normalmente ao Análises realizadas: brix areométrico, pol e pureza.
serem descarregadas para os cristalizadores, não no
início da descarga, mas logo que um fluxo uniforme seja
estabelecido. Análises de cada massa cozida produzida é
normalmente recomendada.

MÉIS

As análises de amostras dos méis intermediários tem por Análises realizadas: brix areométrico, pol e pureza.
objetivo verificar o esgotamento ocorrido nas massas e
fornecer informações para a operação dos cozimentos
subseqüentes.

MEL FINAL

Sendo um dos componentes do balanço de pol, o mel Análises realizadas: cinzas condutimétricas, açúcares
final deve ser amostrado o melhor possível. redutores (AR) e açúcares redutores totais (ART).

MAGMA

Amostras intermitentes coletadas são suficientes para o Análises realizadas: brix areométrico, pol e pureza.
controle de sua qualidade processual.

AÇÚCAR

Quando a usina fabrica açúcar cristal, controle frequente Análises realizadas: umidade, pol, fator de segurança,
deve ser exercido no próprio armazém de ensaque, para cinzas condutimétricas e cor.
verificação da cor visual; quando a usina fabrica açúcar
demerara, as amostras compostas devem ser coletadas
para a verificação da pol e do fator de segurança.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 106


CONTROLE DE QUALIDADE DO ÁLCOOL
Incluem todas as preocupações que devem ser observadas no processo para se atingir a qualidade total
do produto final. Do ponto de vista químico e/ou físico, vale salientar as seguintes análises dos
materiais:

CALDO MISTO LEITE DE LEVEDURAS


Realizada determinação de brix e açúcares totais Realizada determinação de % de fermento,
de forma contínua, geralmente de 6 em 6 horas. geralmente de hora em hora.

MEL FINAL PÉ-DE-CUBA


Realizada determinação de brix e açúcares totais Realizada determinação do teor alcoólico, % de
geralmente de 12 em 12 horas. fermento, pH e viabilidade celular, por cuba
tratada.

MOSTO VINHAÇA
Realizada determinação de brix e açúcares totais Realizada determinação do teor alcoólico,
de 4 em 4 horas ou por dorna. geralmente de 3 em 3 horas.

VINHO FLEGMAÇA
Realizada determinação de brix, teor alcoólico, % Realizada determinação do teor alcoólico,
de fermento e pH, por dorna. geralmente de 3 em 3 horas.

VINHO DELEVURADO ÁLCOOL


Realizada determinação de % de fermento, Realizada determinação de grau INPM, acidez
geralmente de hora em hora. acética e Barbet, geralmente de hora em hora.

CICLOHEXANO ACIDO SULFÚRICO


Realizada determinação da qualidade por carga Realizada determinação da qualidade por carga
adquirida. adquirida.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 107


4.8. MÉTODOLOGIAS ANALÍTICAS NO CONTROLE PRODUTIVO DO AÇÚCAR E ÁLCOOL
Os procedimentos experimentais apresentados correspondem apenas a algumas análises
utilizadas no controle de qualidade na indústria sucroalcooleira. As análises serão indicadas
para cada caso, se açúcar, se álcool ou ambos, inclusive com algumas particularidades de
classificação do tipo do insumo controlado.
Para uma maior confiabilidade dos dados experimentais todas as análises devem ser
realizadas em triplicata.

4.8.1. DETERMINAÇÃO DE FIBRA DA CANA - Metodologias da Fermentec Ltda (Válido para


açúcar e álcool)
A desfibragem da cana-de-açúcar é feita em equipamento (geralmente forrageira e betoneira
equipadas com pás, facas e martelos) que possa “imitar” o preparo industrial realizado no
condicionamento antes da entrada das moendas.
Na cana é feita a extração do caldo absoluto no laboratório do pagamento de cana através da
prensagem do material preparado e realizado análises de fibra (bolo úmido da cana), brix e pol
do caldo extraído. Através destas três análises é possível estabelecer o chamado ATR
(açúcares totais recuperáveis) que é o coeficiente usado pelo PCTS (pagamento aos
fornecedores de cana por teor de sacarose).
Procedimento experimental
Pesar 500 g de amostra da cana desfibrada e transferir para uma prensa hidráulica de 250
2
kg/cm , durante 1 minuto. Recolher o caldo absoluto que deverá ser usado para determinar o
brix e a pol por técnicas adequadas, geralmente por refratometria e sacarimetria. Pesar
novamente a amostra que será denominada de peso do bolo úmido e determinar a % de fibra
conforme a expressão:

% fibra úmida = (Pb/Pa ) . 100


Onde:
Pa – peso da amostra em g (500 g)
Pb - peso do bolo úmido em g

4.8.2. DETERMINAÇÃO DE ACIDEZ NO CALDO (Válido para açúcar e álcool)


Esta análise é realizada no caldo de cana-de-açúcar in natura (absoluto), para verificar as
condições de sanidade da matéria-prima. Valores elevados de acidez são indícios de
deterioração da cana-de-açúcar, que dificulta e até inviabiliza o seu processamento.
O método titulométrico é empregado utilizando-se uma solução de hidróxido de sódio 0,1 mol/L
e fenolftaleína alcoólica (1%) como indicador. O cálculo de acidez é realizado de acordo com a
equação a seguir e o resultado expresso em acidez acética (mg/100 g).

Acidez (mg/100g) = V . f . m . 0,6

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 108


Sendo:
V - volume gasto de NaOH 0,1 mol/L (mL)
f - fator de correção da solução de NaOH 0,1 mol/L
m – massa de caldo (g)
Procedimento experimental:
Pesar 20g da amostra do caldo em um erlenmeyer de 250 mL;
Adicionar mais 50 mL de água destilada e homogeneizar bem e colocar em placa magnética de
agitação;
Titular com solução de NaOH 0,1 mol/L com uso do peagâmetro até pH 8,5 para monitorar a
neutralização dos ácidos orgânicos presentes no caldo;
Fazer a leitura do volume de NaOH gasto e realizar os cálculos segundo a expressão anterior;
Repetir o procedimento uma ou duas vezes para aumentar precisão analítica.

4.8.3. DETERMINAÇÃO DE CINZAS CONDUTIMÉTRICAS NO CALDO (Válido para açúcar


e álcool)
As cinzas condutométricas são determinadas medindo-se a concentração de sais solúveis
ionizados presentes em uma solução. Entre estes sais destacam-se os de potássio, de sódio,
de ferro e algumas formas de silicatos.
Para a utilização do condutivímetro na determinação de cinzas condutimétricas, a ICUMSA
-4
fixou um fator de 10×10 , válido para caldos diluídos em água destilada (20 vezes). Desta
maneira, as leituras de condutividade são convertidas em percentuais de cinzas na amostra.
A medida de condutividade é realizada em condutivímetro, previamente calibrado com
soluções de cloreto de potássio a 0,001 e 0,01 mol/L. O cálculo da porcentagem de cinzas é
efetuado de acordo com a equação:

Cinzas (%) = k(C - 0,9 x Ca)


Sendo:
-4
K - 10 x 10
C - condutividade da solução em µS/cm a 20°C
Ca - condutividade da água em µS/cm a 20°C
Procedimento experimental:
Colocar 100 mL da amostra em um béquer de 250 mL;
Lavar a célula do condutivímetro com a amostra, pelo menos 3 vezes;
Introduzir a célula condutimétrica na amostra;
Esperar estabilizar e fazer a leitura da condutividade elétrica.
Fazer a leitura do branco, ou seja, da água destilada usada para preparar a solução.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 109


4.8.4. DETERMINAÇÃO DO pH NO CALDO (Válido para açúcar e álcool)
A determinação do pH no caldo de cana-de-açúcar in natura permite verificar o seu estado de
conservação. Valores de pH inferiores a 4,2 são indício de deterioração.
A medida do pH é realizada em pHmetro digital, com eletrodo de vidro combinado e sonda de
temperatura, que permite a correção automática do pH em relação a temperatura. O
equipamento é calibrado com tampões de pH 7,0 e 4,0.
Procedimento experimental:
Verificar se o peagâmetro está calibrado (caso negativo, calibrar usando soluções tampões de
pH 4 e 7);
Transferir para um béquer de 250 mL, 100 mL da amostra do caldo a ser investigado;
Lavar o eletrodo com pequena porção da amostra;
Introduzir o eletrodo na amostra, agitar um pouco a amostra;
Aguardar alguns segundos para estabilização e fazer a leitura do pH.

4.8.5. DETERMINAÇÃO DE CINZAS CONDUTIMÉTRICAS NO AÇÚCAR (Válido para


açúcar demerara, cristal e refinado)
As cinzas condutimétricas correspondem ao teor de sais solúveis ionizados presentes em uma
solução açucarada, medida em unidade de condutividade elétrica.
Procedimento experimental:
Pesar 5 g de açúcar em um béquer de 100 mL;
Transferir por meio de água destilada para um balão de 100 mL;
Fechar o balão e homogeneizar até dissolver o açúcar;
Completar o volume até o menisco, agitar e transferir a solução para um béquer de 100 mL;
Lavar o eletrodo do condutivímetro com três porções da solução e fazer a leitura do teor de
cinzas na solução;
Fazer a leitura do branco, ou seja, da água destilada usada para preparar a solução.
% Cinzas = C1 – C2
Onde:
C1 – Leitura da condutividade elétrica da amostra
C2 – Leitura da condutividade elétrica do branco.

4.8.6. DETERMINAÇÃO DE COR ICUMSA (International Commission for Uniform Methods of


Sugar Analysis) NO AÇÚCAR (Válido para açúcar demerara, cristal e refinado)
A cor ou os compostos coloridos, existentes no açúcar é proveniente do caldo e são de
natureza química diferenciada, provenientes de pigmentos da própria planta e formados
durante o processamento. Estes compostos podem ser derivados da reação de ferro com
polifenóis, produtos de condensação de açúcares redutores com amino-compostos, caramelos,
além de produtos decorrentes da degradação alcalina.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 110


A análise de cor é de grande importância econômica nas usinas açucareiras, visto que o
melhor preço é conseguido para açúcares com menor valor de cor ICUMSA (IU).
A medida de cor ICUMSA é a expressão do índice de absorbância, de uma solução açucarada
multiplicada por 1000. O pH da solução é corrigido para 7,00 ± 0,05, com solução de ácido
clorídrico ou hidróxido de sódio 0,05 mol/L. A leitura da absorbância é realizada em
espectrofotômetro, em cubeta de 1 cm e 420 nm. O cálculo da cor é realizado de acordo com a
equação:

Sendo:
A - Absorbância da amostra
B - °Brix da solução após ajuste pH
C - Comprimento interno da cubeta (cm)
Procedimento experimental:
Pesar 50g de uma amostra de açúcar e mais 50g de solução de TEA (trietanolamina) em um
béquer de 250 mL, sempre numa mesma proporção;
Dissolver através de agitador magnético;
Filtrar em pré-filtro mais membrana e também a vácuo e um pouco do filtrado é colocado em
cubeta de 1 cm no espectrofotômetro para medir a transmitância/absorbância (em 420 nm) e
fazer a leitura;
Colocar algumas gotas do filtrado em refratômetro para leitura de brix e fazer a leitura;
Aplicar a fórmula anterior e fazer o cálculo da cor da amostra.

DETERMINAÇÕES ANALÍTICAS COMUNS PARA ALGUNS TIPOS DE ÁLCOOIS (HIDRATADO, ANIDRO,


NEUTRO, RETIFICADO ETC)

4.8.7. pH (NBR 10981)


É o potencial hidrogeniônico de qualquer solução. Essa escala que varia de 0 a 14 informa
como está à solução: ácida, básica ou neutra. No caso de álcoois, podem representar
impurezas potencialmente causadoras de acidez, principalmente ácidos orgânicos.
Procedimento experimental:
Verificar se o peagâmetro está calibrado (caso negativo, fazer com uso das soluções tampões
de pH 4 e 7);
Transferir para um béquer de 250 mL, 100 mL da amostra do álcool a ser investigado;
Lavar o eletrodo com pequena porção da amostra;
Introduzir o eletrodo na amostra, agitar um pouco a amostra;
Aguardar alguns segundos para estabilização e fazer a leitura do pH.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 111


4.8.8. CONDUTIVIDADE ELÉTRICA (NBR 10547)
É a capacidade de uma solução de conduzir a corrente elétrica. É medida através de um
condutivímetro.
Procedimento experimental:
Colocar 100 mL da amostra em um béquer de 250 mL;
Lavar a célula do condutivímetro com a amostra, pelo menos 3 vezes;
Introduzir a célula condutimétrica na amostra;
Esperar estabilizar e fazer a leitura da condutividade elétrica.

4.8.9. ACIDEZ TOTAL (NBR 9866)


Expressa em ácido acético e indica a quantidade de impurezas que dão caráter ácido ao
álcool. É medida por neutralização com solução diluída de soda cáustica, em presença de
fenolftaleína.
Procedimento experimental:
Pipetar 50 mL da amostra para um erlenmeyer de 250 mL;
Acrescentar 50 mL de água destilada, 2 gotas de fenolftaleína a 1% e homogeneizar bem;
Titular com solução de NaOH 0,02 mol/L até viragem da cor para levemente rósea;
Anotar o volume gasto e fazer os cálculos. Repetir uma ou duas vezes o procedimento para
aumentar precisão analítica.
Cálculo:
Acidez = 1200 . C. V (Acidez em mg de ácido acético/L)
Onde:
C – concentração da solução de NaOH 0,02 mol/L;
V – volume da solução de NaOH 0,02 mol/L gasto na titulação

o
4.8.10. TEOR ALCOÓLICO em INPM (NBR 5992)
É a percentagem em peso de álcool presente numa mistura hidroalcoólica. Geralmente é
médio através de um alcoômetro específico, na escala INPM (Instituo Nacional de Pesos e
Medidas) que tem certa correlação com a escala de Gay-Lussac.
Procedimento experimental:
Transferir cuidadosamente, com auxílio de bastão de vidro, a amostra para uma proveta de 500
mL de modo que não ocorra formação de bolhas de ar e espuma;
Introduzir o densímetro de escala 0,800 a 0,850 e o termômetro e aguardar o equilíbrio térmico;
Medir a temperatura da amostra e fazer a leitura do grau no traço do aparelho correspondente
à concavidade inferior do menisco (menisco côncavo);
Com auxílio da tabela alcoolométrica da ASTM obtém-se o grau alcoólico INPM, através dos
dados da temperatura e massa específica.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 112


4.8.11. TESTE DE BARBET
É uma reação qualitativa que indica a presença de impurezas de origem orgânica na mistura
hidroalcoólica, ao produzir variação de cor mediante comparação de cor com solução padrão.
Procedimento experimental:
Transferir 50 mL da amostra para um tubo de ensaio;
o
Colocar o tubo em banho-maria a 15 C e esperar a estabilização da temperatura;
Adicionar 2 mL de KMnO4 0,02% ao tubo de ensaio e acionar o cronômetro;
Fazer a leitura do tempo até que a amostra adquira coloração padrão de Barbet (salmão).

REFERÊNCIAS
FARIAS, Helysânia S. S. Importância das análises físico-químicas de açúcar, álcoois e aguardente na indúsria
sucroenergética. Relatório de estágio curricular, IFPE, Coord. De Química, Recife, Julho de 2011.

HAMERSKi, Fabiane. Estudo de variáveis no processo de carbonatação do caldo de cana-de-açúcar. Curitiba,


2009. 148 f. (Dissertação de mestrado UFPR). Disponível na web. Acesso em março de 2012.

Métodos físico-químicos para análise de alimentos. IV Edição. 1ª Edição Digital. Instituto Adolfo Lutz, 2008.
Disponível na web. Acesso em março de 2012.

PEREIRA, Francisco S. G. Indústria Sucroalcooleira. IFPE, Apostila de Aulas, Processos Químicos Industriais,
Recife, 2010.

4.9. EXERCÍCIOS PROPOSTOS

1. Do ponto de vista analítico, construa uma tabela mostrando os diversos materiais normalmente
amostrados na evolução do controle de qualidade:
(a) do açúcar cristal
(b) álcool hidratado
Nesta tabela procure colocar a finalidade da amostragem de cada material.

2. Cite e explique, pelo menos 3 características do controle estatístico da qualidade, aplicadas ao


processo produtivo sucroalcooleiro.

3. Simule dados experimentais de análises de qualidade na indústria sucroalcooleira e aplique, pelo


menos 3 ferramentas da qualidade, para ilustrar tais informações. Explique a finalidade de cada
ferramenta e relate suas considerações a respeito associados aos dados utilizados.

4. Comente sobre os principais aspectos do controle de qualidade na produção. Exemplifique estes


aspectos no processo produtivo sucroalcooleiro.

5. Álcoois etílicos comerciais costumam ser classificados em diversos tipos. Um dos critérios para
esta classificação é o chamado Teste de Barbet. Explique o princípio químico envolvido neste
teste, sua finalidade analítica e possíveis reações que ocorrem nesta operação.

6. Escolha 5 análises primordiais, mostrando a sua importância no processo produtivo


sucroalcooleiro, seja em “ordem” ou “desordem” e procure propor soluções técnicas, no caso de
“desordem” para restaurar a condição operacional aceitável de produção, em cada caso:
(a) açúcar demerara
(b) açúcar cristal
(c) álcool anidro aditivante carburante
(d) álcool hidratado combustível
(e) álcool hidratado neutro.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 113


7. Que procedimentos operacionais e analíticos deveriam ser realizados para obter um mosto para
a unidade de fermentação para a produção do álcool hidratado? Explique detalhado.

8. Admita o processo produtivo de fabricação de etanol hidratado, partindo da cana de açúcar,


dividido nas seguintes etapas: condicionamento da matéria-prima, extração, fermentação e
destilação. Construa um fluxograma para este processo e escolha, em cada etapa, um
parâmetro analítico essencial para o controle de qualidade total nesta produção. Explique a
finalidade de cada parâmetro na evolução do processo produtivo, metodologia analítica usada
para quantificação, possíveis desvios nos valores especificados e formas de corrigir.

9. Confronte, pelo menos 3, ensaios analíticos usados no controle de qualidade do etanol anidro e
etanol hidratado para aplicação: (a) em combustíveis (b) em outras aplicações industriais ou
comerciais. Exemplifique as escolhas nos comentários da letra (b).

10. Faça um mapeamento sistemático através de números no fluxograma apresentado da indústria


sucroalcooleira mostrando as principais análises realizadas para o bom andamento processual
visando o controle da qualidade.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 114


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.....5.........CONTROLE NA PRODUÇÃO DE ÓLEOS E GORDURAS..................

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5.1. INTRODUÇÃO
Os óleos e gorduras vegetais, enquadrados como lipídeos, encontram-se predominantemente
nas sementes e nos frutos, podendo também existir nas raízes, caules e folhas das plantas. As
principais fontes de óleos e gorduras são vegetais (babaçu, coco, soja, girassol, amendoim,
algodão), animais (ovinos, suínos e bovinos) e aquáticas (baleia, peixe, bacalhau...).
Os óleos e gorduras vegetais e animais são ésteres glicéricos de ácidos graxos. As ceras
animais e vegetais não são glicerídeos, são misturas de ésteres, principalmente monovalentes,
com quantidades variáveis de álcoois livres e hidrocarbonetos. Para ser industrialmente
aproveitada, a matéria-prima deve apresentar um conteúdo em óleo superior a 12%, além de
certa abundância e facilidade de obtenção.
Só há uma característica física que diferencia os óleos das gorduras. Se líquidos à temperatura
ambiente, são óleos; se sólidos, gorduras. Esta característica é baseada no ponto de fusão e
este está associado ao grau de insaturação da molécula graxa. Quanto mais insaturada
(óleos), mais baixo o ponto de fusão.
Do ponto de vista estrutural, com base científica, não existe distinção entre óleos e gorduras
vegetais e animais, pois, os ácidos graxos integrantes, são praticamente os mesmos.
Os óleos e gorduras comestíveis são constituídos principalmente de triglicerídeos, isto é,
ésteres de glicerina com diferentes ácidos graxos. Os ácidos graxos de ocorrência natural nas
gorduras são influenciados no seu ponto de fusão pelo comprimento da cadeia hidrocarbonada,
pelas insaturações e pelas configurações CIS e TRANS. Com poucas exceções ocorrem
ácidos graxos com número ímpar de carbono ou ramificações (ácidos graxos “incomuns”,
geralmente encontrados em vegetais, microrganismos e algumas gorduras animais). Os
principais ácidos graxos encontrados nos óleos e gorduras são o mirístico, o palmítico, o
láurico e o esteárico (saturados); o oléico e o linoléico (insaturados).
As gorduras podem ser classificadas como saturadas, mono-insaturadas e poli-insaturadas,
dependendo do tipo de ligação química presente no ácido graxo.
Óleos e gorduras são ambos triacilgliceróis (TAG), também chamados de triglicerídeos. Uma
molécula de gordura (óleo) consiste de 3 moléculas de ácido graxo esterificada em uma
molécula de glicerol:

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 115


Na maioria dos óleos e gorduras, existem de 12 a 18 carbonos nas moléculas de ácidos
graxos. Mais de 80% do óleo de oliva, por exemplo, é constituído por moléculas de ácido
oléico. Este ácido graxo, assim como o ácido linoléico, são ácidos insaturados, isto é, possuem
duplas ligações na cadeia carbônica:

Existem ácidos graxos saturados, isto é, sem duplas ligações na cadeia carbônica, como é o
caso do ácido esteárico (octanodecanóico):

Os óleos e gorduras de origem animal e vegetal encontram grande aplicação na alimentação e


no campo industrial. A produção mundial destes compostos tem aumentado significativamente
para atender a demanda nestes campos. Sua aplicação no campo comestível exige na maioria
dos casos, a refinação dos óleos brutos, gerando normalmente borras de refinação (sabões) ou
ácidos graxos (refinação no vácuo com vapor).
Com exceção das indústrias alimentícias, os óleos e gorduras, são de grande aplicação nas
indústrias de sabão, perfumaria, farmacêutica, detergentes, explosivos, polímeros, metalurgia
do pó, óleos para freio, fabricação de tintas e em certas fases de laminação na metalurgia do
ferro, entre outras.

5.2. PROPRIEDADES FÍSICAS E QUÍMICAS DOS ÓLEOS E GORDURAS


Compreendem propriedades usadas para caracterizações desses materiais oleaginosos e
podem ser enquadradas como físicas (propriedades espectrais e de cor, solubilidade, índice de
refração, odor e sabor, ponto de fusão e ebulição, polimorfismo, densidade ou massa
específica, isomerismos, dentre outras) e químicas (representadas por algumas reações
específicas como halogenação, hidrólise (ácida ou enzimática), hidrólise alcalina
(saponificação), esterificação, transesterificação, interesterificação, hidrogenação, oxidação,
dentre outras).
As propriedades físicas são mais amplas de caracterização enquanto as químicas são mais
específicas. Podem ser usadas na indústria e em laboratórios. Exemplos: Saponificação
(Hidrólise alcalina) que serve na indústria para produção de sabões e em laboratório como
fundamento científico para o chamado índice de saponificação do material.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 116


5.3. PRODUÇÃO DOS ÓLEOS E GORDURAS
Os óleos e gorduras incidem em grandes quantidades na natureza em materiais vegetais,
animais e até mesmo em microrganismos. A pecuária e a agricultura são ainda, as principais
fontes de fornecimento de gorduras, mas, no entanto, a indústria já consegue sistematicamente
a obtenção desses materiais de forma sintética.
Os procedimentos importantes para a produção comercial desses materiais graxos são a
extração por fusão, prensagem e extração por solvente.
EXTRAÇÃO POR FUSÃO - É restrito basicamente para a produção de graxas animais. Por
sua simplicidade, é o processo mais antigo que se tem conhecimento. Consiste em aquecer o
material que contenha o óleo ou a gordura, seja com água quente, vapor ou qualquer outro
meio, sendo o material graxo arrancado dos tecidos que o contém. A extração por fusão pode
ser feita por fusão úmida ou fusão seca.
PRENSAGEM - Os diversos métodos de prensagem empregam altas pressões para separar o
óleo dos materiais que os contém. Geralmente se empregam a prensagem no processo de
óleos e gorduras vegetais, com exceção do óleo de palma, que é obtido principalmente por
métodos semelhantes à extração por fusão. As variações mais importantes que se praticam
são a produção por bateladas (prensas hidráulicas) ou produção contínua (“expellers”).
As operações de prensagem são precedidas de outras, dependendo da natureza do material a
ser processado. Entre algumas operações precedentes incluem-se: eliminação de matéria
estranha, descorticação, redução, cozimento etc.
EXTRAÇÃO POR SOLVENTES - É uma operação complementar da prensagem com a
finalidade de remover o residual oleaginoso da torta (produto obtido após prensagem
mecânica). Essa torta é triturada, acondicionada quanto à umidade e laminada antes de ser
submetida à solventização. A extração por solventes pode recuperar até 98% do óleo contido
na torta e são utilizados diversos aparelhos para esse processo.

5.4. REFINAÇÃO DOS ÓLEOS E GORDURAS


Os óleos extraídos contem alguns constituintes, como por exemplo, certa quantidade de ácidos
livres, que lhe confere acidez. Uma coloração bastante acentuada, provenientes da matéria
prima. Certa quantidade de material vegetal não saponificável, solúvel ou insolúvel, que lhe
confere um odor acentuado, ainda que em pequenas quantidades. Desta forma o refino do óleo
tem como objetivo: quebrar a acidez, reduzir a coloração e reduzir os odores.
A refinação é uma etapa delicada e consiste num conjunto de operações necessárias ao
material graxo extraído com a finalidade de remover impurezas indesejáveis tornando-o mais
valioso quimicamente e economicamente. Esse enriquecimento ocorre nas suas propriedades
organolépticas como aroma, paladar, cor ou brilho e o resultado é um produto mais fácil de
consumir ou estocar.
Esse processo de refinação ocorre através de quatro etapas básicas: depuração,
neutralização, clarificação e desodorização. Em algumas indústrias só se utilizam um ou dois

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 117


desses processos; em outras, podem ser empregados todos citados e, em alguns casos, a
climatização e a hidrogenação.

PROCESSO DE REFINAÇÃO DOS ÓLEOS E PRODUÇÃO DE GORDURA HIDROGENADA

Óleo bruto

DEGOMAGEM/ Gomas
Água quente CENTRIFUGAÇÃO SECAGEM

Óleo degomado
Lecitina comercial
Borra
NEUTRALIZAÇÃO/
ACIDIFICAÇÃO CENTRIFUGAÇÃO Solução alcalina

Óleo neutralizado

Borra LAVAGEM/ Água quente


acidulada CENTRIFUGAÇÃO

Óleo lavado H2/Catalisador

Terra
clarificante/ SECAGEM/
Carvão ativado CLARIFICAÇÃO/
FILTRAÇÃO
HIDROGENAÇÃO
Óleo clarificado

Óleo hidrogenado
Vapor/
ácido cítrico/ DESODORIZAÇÃO
vácuo
REFRIGERAÇÃO/
FILTRAÇÃO
Condensado

ARMAZENAMENTO/
EXPEDIÇÃO DESODORIZAÇÃO

Gordura hidrogenada
Óleo refinado

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 118


Depuração ou Degomagem – Processo de remoção da matéria finamente dispersa e solta
coloidalmente como a farinha, materiais proteínicos, carboidratos, certos fostatídeos e água.
Pode ser usado decantação ou tratamento com água quente ou soluções de ácidos minerais
como sulfúrico ou fosfórico e posterior lavagem e centrifugação.
Neutralização - Esse processo pode ser feito por tratamento alcalino, destilação dos ácidos
graxos, esterificação e por extração dos ácidos graxos. Destes, o processo mais viável
comercialmente é o tratamento alcalino. Esse processo consiste em acrescentar soluções de
o
soda cáustica (12-20 Bé) ou de carbonato de sódio ao óleo aquecido para remoção de ácidos
graxos livres. É seguido de lavagem e centrifugação.
Clarificação - Também denominada de “branqueamento”. É feita utilizando-se os efeitos
predominantes dos absorventes como as argilas naturais ou ativadas e dos carvões ou através
de agentes químicos que tem ação oxidante ou redutora. Geralmente não se aplicam os
métodos químicos aos materiais graxos comestíveis, deixando-os para os produtos de uso
industrial. São efetivos os branqueadores absorventes devido à grande afinidade destes com
substâncias coloridas nos óleos. As argilas e carvões são ativados com um tratamento de
aquecimento com ácido ou outros produtos químicos. Uma das argilas naturais mais usadas
nesse tratamento de branqueamento é a “terra fuller”, um tipo de diatomácea. As argilas
ativadas são mais caras e causam maiores perdas do óleo devido à grande retenção causada,
comparadas com as argilas naturais. Quando usado a técnica de absorção é seguida de
filtração e, neste conjunto, ocorre grande remoção de umidade presente.
Desodorização - O processo consiste em eliminar com vapor ou destilar com vapor os
constituintes odoríferos voláteis a elevadas temperaturas e pressões reduzidas. Aplicam-se nos
óleos refinados e branqueados e nos produtos hidrogenados usados para fins comestíveis.
Além de volatilizar os constituintes odoríferos, a desodorização com vapor ao vácuo elimina
peróxidos, aldeídos, cetonas, destroem carotenóides e outros pigmentos e reduz os ácidos
graxos livres. O vapor produz uma ação hidrolítica em alguns constituintes indesejáveis
facilitando sua eliminação. Após essa operação o material é filtrado por filtro de papel para ser
abrilhantado. Esse abrilhantamento é prolongado adicionando-se 0,1 a 0,3% de ácido cítrico
o
quando o material estiver abaixo de 70 C, deixando-se em contato por 30 minutos.
Climatização ou Winterização - Tem a finalidade de remover parcialmente glicerídeos
saturados presentes nos óleos. Estes glicerídeos têm pontos de fusão relativamente altos e
possuem uma solubilidade limitada nos glicerídeos insaturados. Muitos óleos que estão claros
e completamente líquidos no verão se convertem, no inverno, em produtos com aspecto leitoso
com uma aparência indesejável devido à precipitação dos glicerídeos saturados. Como
normalmente os glicerídeos saturados contêm quantidades apreciáveis do componente
esteárico, esses são denominados de “estearinas”. Particularmente climatizam-se os óleos de
salada e os óleos lubrificantes esfriando-se pouco a pouco em grandes tanques instalados em
quartos refrigerados.
Hidrogenação - Geralmente chama-se endurecimento do material graxo a adição de
hidrogênio às ligações insaturadas da molécula do óleo numa reação catalítica. É feita

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 119


utilizando-se um catalisador metálico, normalmente o níquel, finamente dividido, podendo ser
total ou parcial dos óleos graxos em grande escala, particularmente nos processos de gordura
vegetal, margarina e sabões graxos.

5.5. CONTROLE DE QUALIDADE NOS ÓLEOS E GORDURAS


As determinações feitas na análise de óleos e gorduras são geralmente as dos chamados
índices, que são expressões de suas propriedades físicas ou químicas dos mesmos e não as
porcentagens dos seus constituintes. Assim, são determinados os índices de iodo,
saponificação, peróxidos e as constantes físicas como o ponto de fusão e o índice de refração.
São estes índices que, juntamente com as reações características, servem para identificação e
avaliação da maioria dos óleos e gorduras, sendo o resultado da análise baseado neste
conjunto de dados.
Os métodos de cromatografia em fase gasosa são, desde há muito tempo, aplicados para o
conhecimento da composição dos ácidos graxos destes compostos.
Apesar de hoje a qualidade de um processamento industrial requerer envolvimento geral das
pessoas vinculadas à empresa, as determinações analíticas ainda representam grande parcela
desse controle. Dentre as diversas análises para óleos e gorduras podemos citar:
Amostragem - É de fundamental importância que a retirada das amostras obedeçam a
padrões oficiais para que os resultados das análises possam informar de forma mais próxima
da verdadeira composição e características do material.
Densidade ou massa específica - É uma prova secundária, pois a densidade dos óleos e
gorduras varia muito pouco. Feita por balança hidrostática, picnômetro ou areômetro. Em
algumas situações pode-se determinar a densidade desses materiais adicionando-se a
amostra numa mistura hidroalcoólica de densidade conhecida e, por comparação, determina-se
a densidade do material graxo.
Densidade relativa - Este método determina a razão da massa da amostra em relação à da
água por unidade de volume a 25°C e é aplicável a todos os óleos e gorduras líquidas.
Índice de refração - O índice de refração e característico para cada tipo de óleo, dentro de
certos limites. Está relacionado com o grau de saturação das ligações, mas é afetado por
outros fatores tais como: teor de ácidos graxos livres, oxidação e tratamento térmico. Este
método é aplicável a todos os óleos normais e gorduras líquidas.
Ponto de Fusão - Os óleos e gorduras naturais, de origem vegetal e animal, são misturas de
glicerídeos e de outras substancias e consistem de inúmeros componentes. Estas substâncias
não exibem um ponto de fusão definido e nem preciso. Portanto, o termo “ponto de fusão” não
implica nas mesmas características das substâncias puras de natureza definitivamente
cristalina. As gorduras passam por um estágio de amolecimento gradual antes de se tornarem
completamente liquefeitas. O ponto de fusão deve ser definido por condições específicas do
método pelo qual e determinado e, neste caso, e a temperatura na qual a amostra torna-se
perfeitamente clara e liquida. O método do tubo capilar e aplicável para todas as gorduras
animais e vegetais normais.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 120


Óleo neutro - Calculado por diferença em relação a outras análises como: ácidos graxos livres,
impurezas insolúveis, umidade e fostatídeos. Expressa em porcentagem.
Cor - É feita comparando-se a amostra bem iluminada com cores normalizadas e valores
conhecidos. É feito através de colorímetro.
Consistência - Estão em uso várias provas que medem a força necessária para que uma
agulha ou um cone possa penetrar em uma amostra em condições normalizadas.
Ácidos graxos livres - Mede a extensão da hidrólise dos triglicerídeos dos óleos e gorduras. A
determinação é feita através do método volumétrico com NaOH alcoólico etílico ou isopropílico.
Os indicadores usados são a fenolftaleína ou, para amostras escuras, a timolftaleína ou azul de
timol. O resultado é expresso em termos de ácido oléico, palmítico ou láurico, dependendo do
material graxo analisado.
Ácidos graxos totais - A amostra é tratada com solução alcoólica com excesso de NaOH ou
KOH para completa saponificação. Após secagem, dissolve-se e acidula-se a amostra com HCl
para liberação dos ácidos graxos. Esses ácidos graxos são extraídos com éter e eliminado por
o
destilação; o resíduo é secado a 100 C e pesado.
Índice de peróxido - Este método determina todas as substâncias, em termos de
miliequivalentes de peróxido por 1000 g de amostra, que oxidam o iodeto de potássio nas
condições do teste.
Estas substâncias são geralmente consideradas como peróxidos ou outros produtos similares
resultantes da oxidação da gordura. É aplicável a todos os óleos e gorduras normais, incluindo
margarina e creme vegetal, porém é susceptível e, portanto qualquer variação no procedimento
do teste pode alterar o resultado da análise.
O índice de peróxido é uma medida do oxigênio ligado aos óleos em forma de peróxido. O
método utilizado é conhecido como método de Wheeler. Inicialmente, o material de vidro deve
estar totalmente limpo, lavado com água quente, em seguida imerso em solução sulfocrômica,
e depois lavado bem com água destilada.
A determinação da quantidade dos hidroperóxidos, geralmente, é realizada pelo método
iodométrico. Este método é baseado na redução do grupo hidroperóxido (ROOH) com o íon
-
iodeto (I ). A quantidade de iodo (I2) liberada é proporcional à concentração de peróxido
presente. O I2 liberado é determinado por titulação pelo uso de solução padrão de tiossulfato de
sódio (Na2S2O3) e amido como indicador. As equações destas reações podem ser
representadas como:

+
2 ROOH + 2 H + 2 KI  I2 + 2 ROH + H2O + K2O

I2 + 2 Na2S2O3  Na2S4O6 + 2 NaI

As principais fontes de erro do método são a absorção de iodo, pelas insaturações dos ácidos
graxos, e a liberação de iodo do iodeto de potássio, pela presença de oxigênio na solução a ser
titulada. Além disso, os produtos medidos são muito instáveis e o método é muito sensível à
temperatura ambiente. Não é indicado o uso deste método onde é baixa a concentração dos
peróxidos, isso devido à dificuldade de determinação do ponto final da titulação.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 121


Entre as vantagens em utilizar tal técnica estão à rapidez, a simplicidade e o baixo custo dos
equipamentos utilizados.
O nível de oxidação do óleo de soja refinado é considerado baixo quando o índice de peróxidos
está entre 1,0 e 5,0 meq O2/kg de óleo, de nível moderado com um IP entre 5,0 e 10,0 meq
O2/kg de óleo e, com alta oxidação com um IP maior que 10,0 meq O2/kg de óleo.
A determinação da quantidade dos peróxidos é geralmente limitada para os estágios iniciais da
oxidação lipídica.
Cinzas ou resíduo por incineração - Deve-se geralmente a contaminações mínimas de sais
metálicos. A determinação é feita calcinando-se a amostra até consumo total da matéria
orgânica e pesagem posterior. Este método determina o resíduo remanescente depois de
incineração sob condições específicas de teste. Aplicável para gorduras animais e óleos
vegetais e marinhos. Fundamenta-se na perda de peso que ocorre quando o produto e
incinerado a 550°C, com destruição da matéria orgânica sem apreciável decomposição dos
constituintes do resíduo mineral ou perda por volatilização.
Rancidez - Mede o grau de decomposição do material graxo. Essa decomposição resulta em
peróxidos, aldeídos, cetonas e fragmentos de ácidos. Existem diversas provas para essa
determinação, geralmente com desenvolvimento de coloração. Uma dessas reações é
denominada Reação de Kreis. A rancidez é a alteração no odor e sabor dos óleos e gorduras,
provocados pela ação do ar (rancidez oxidativa) ou de microrganismos (rancidez cetônica). O
método é válido para óleos normais e gorduras líquidas. A floroglucina reage em meio ácido
com os triglicerídeos oxidados, dando uma coloração rósea ou vermelha, cuja intensidade
aumenta com a deterioração devido, provavelmente, a presença de aldeído malônico ou de
aldeído epidrínico.
Dilatometria - Tem grande utilidade no estudo da transição de uma forma polimorfa a outra e
para o controle da consistência da margarina e gorduras vegetais. Permite estimar a proporção
de material sólido na composição de uma graxa que contém porções líquidas e sólidas.
Equivalente de saponificação (E.S.) - Corresponde a massa molecular média do material
analisado e é calculado através da expressão: E.S. = 56110/I.S.
Umidade e matéria volátil - A determinação da umidade e matéria volátil é um dos parâmetros
legais para a avaliação da qualidade de óleos e gorduras. Mede o teor de água no material
graxo e pode ser feito por secagem térmica (sendo realizada por aquecimento direto a 105°C.),
destilação e titulação. Normalmente esta análise incorpora os voláteis na determinação por
secagem térmica. Outra possibilidade é através do uso do método de Karl Fischer, titulométrico
de oxirredução.
Geralmente a umidade representa a água contida na amostra. Pode ser classificada em:
umidade de superfície, que refere-se a água livre ou presente na superfície externa, facilmente
evaporada e umidade adsorvida, referente a água ligada,encontrada no interior da amostra,
sem combinar-se quimicamente com a mesma.
A umidade corresponde à perda em peso sofrida pela amostra quando aquecida em condições
nas quais a água é removida. Na realidade, não é somente a água a ser removida, mas outras

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substâncias que se volatilizam nessas condições. O resíduo obtido no aquecimento direto é
chamado de resíduo seco. O aquecimento direto da amostra a 105°C é o processo mais usual.
Amostras que se decompõem ou iniciam transformações a esta temperatura, devem ser
aquecidas em estufas a vácuo, onde se reduz a pressão e se mantém a temperatura de 70°C.
Nos casos em que outras substâncias voláteis estão presentes, a determinação de umidade
real deve ser feita por processo de destilação com líquidos imiscíveis. Outros processos
usados são baseados em reações que se dão em presença de água. Dentre estes, o método
de Karl Fischer é baseado na redução de iodo pelo dióxido de enxofre, na presença de água.
Assim, a reação entre a água e a solução de dióxido de enxofre, iodo e reagente orgânico faz-
se em aparelho especial que exclui a influência da umidade do ar e fornece condições para
uma titulação cujo ponto final seja bem determinado.
A determinação de umidade por Karl Fischer é baseada na reação quantitativa da água com
uma solução anidra de dióxido de enxofre e iodo, na presença de uma base orgânica (imidazol)
em metanol, que adiciona os íons hidrogênio formados.

- + -
3 C3H4N2 + I2 + SO2 + H2O  2 C3H4N2H + 2 I + C3H4N2 S03
+ -
C3H4N2 S03 + H3COH  C3H4N2HS04CH3

ou de forma mais simplificada:

+ −
I2 + SO2 + H2O → 2 H I + SO3
+ −
SO3 + ROH → H ROSO3

Com este reagente podem ser determinadas pequenas quantidades de água. Embora o
método não seja universalmente aplicável, as limitações de dosagens diretas podem ser
contornadas pelo tratamento preliminar adequado da amostra.
Na presença de água, o dióxido de enxofre é oxidado pelo iodo e o ponto final da reação é
determinado por bi-amperometria (dead stop). Quando não houver mais água na amostra, um
excesso de iodo livre agirá como despolarizador, causando aumento na corrente.
O método limita-se aos casos em que a amostra a ser analisada não reaja com os
componentes do reagente de Karl Fischer ou com o iodeto de hidrogênio formado durante a
reação com a água. Os seguintes compostos interferem na titulação: oxidantes como
cromatos/dicromatos, sais de cobre (II) e de ferro (III), óxidos superiores e peróxidos; redutores
como: tiossulfatos, sais de estanho (II) e sulfitos; compostos capazes de formar água com os
componentes do reagente de Karl Fischer, como por exemplo, óxidos básicos e sais de
oxiácidos fracos; aldeídos, porque formam bissulfito; cetonas, porque reagem com o metanol
para produzir cetal.
Além destes métodos clássicos, já existem outros utilizando balança determinadora de
umidade, com ampla variedade de amostras, tais como: farmacêutica, alimentos, amostras
ambientais e produtos químicos.

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Impurezas insolúveis - A amostra é digerida em éter aquecido e filtração em cadinho de
Gooch (filtro quantitativo). O material insolúvel é pesado após secagem.
Este método, aplicável para todos os tipos de gorduras e óleos, determina sujidades e/ou
outras substancias estranhas insolúveis em éter de petróleo.
Índice de acidez - Semelhante à análise de ácidos graxos livres. Mede a quantidade de ácido
graxo livre presente no material graxo (óleo ou gordura). A determinação da acidez pode
fornecer um dado importante na avaliação do estado de conservação do óleo. Um processo de
decomposição, seja por hidrólise, oxidação ou fermentação, altera quase sempre a
concentração dos íons hidrogênio. A decomposição dos glicerídeos é acelerada por
aquecimento e pela luz, sendo a rancidez quase sempre acompanhada pela formação de
ácidos graxos livres. Estes são frequentemente expressos em termos de índice de acidez,
podendo ser expresso também em g do componente ácido principal, geralmente o ácido oléico.
Os regulamentos técnicos costumam adotar esta ultima forma de expressão da acidez. O
índice de acidez é definido como o numero de mg de hidróxido de potássio (KOH) necessário
para neutralizar os ácidos graxos livres em um grama da amostra. O método é aplicável a
óleos brutos e refinados, vegetais e animais, e gorduras animais. Os métodos que avaliam a
acidez titulável resumem-se em titular, com soluções de álcali-padrão, a acidez do produto ou
soluções aquosas/alcoólicas do produto, assim como os ácidos graxos obtidos dos lipídios.
A medida de acidez é uma variável que está intimamente relacionada com a qualidade da
matéria-prima, com o processamento e, principalmente, com as condições de conservação do
material graxo. É uma medida da extensão da hidrólise dos triacilgliceróis e formação dos
ácidos graxos livres. Segundo a Portaria nº 482 da ANVISA (1999), o teor de acidez é uma das
características de qualidade dos diversos óleos e gorduras e, entre outros parâmetros, servindo
para a classificação dos azeites de oliva.
Índice de saponificação - Este método é aplicável a todos os óleos e gorduras e define-se
este índice como a quantidade de miligramas de KOH requerida para saponificar 1 grama de
graxa. A amostra é aquecida sob refluxo numa solução alcoólica na presença de potassa
cáustica. A retitulação com ácido normalizado e a prova em branco permite a conclusão do
resultado.
O índice de saponificação é uma medida dos ácidos graxos livres e combinados que existem
no óleo e é diretamente proporcional à massa molar média. Quanto menor esta massa molar
média, maior será o índice de saponificação.
Índice de iodo - Esta constante é a medida da insaturação das graxas (óleos e gorduras) e
define-se como o número de gramas de iodo absorvidos por 100 gramas da substância (% iodo
absorvido). Existem vários métodos sendo os principais o de Wijs e Hanus. O método de Wijs é
aplicável a todos os óleos e gorduras normais que não contenham ligações duplas conjugadas.
Cada óleo possui um intervalo característico do valor do índice de iodo. A fixação do iodo ou de
outros halogênios se dá nas ligações etilênicas dos ácidos graxos.
Índice de Bellier - Na análise dos óleos, a determinação do índice de Bellier é utilizada para a
identificação do azeite de oliva.

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Índice de winterização ou teste do frio - Este método mede a resistência da amostra à
cristalização e é comumente usado também como índice de “winterização” e verificação da
remoção da estearina no processo.
É aplicável a todos os óleos vegetais normais, refinados e em gordura animal isenta de
umidade.
Matéria insaponificável - Matéria insaponificável inclui aquelas substâncias que
frequentemente se encontram dissolvidas nas gorduras e óleos e que não podem ser
saponificadas por tratamento usual com soda, mas são solúveis em solventes normais para
gorduras e óleos. Incluem-se neste grupo de componentes, álcoois alifáticos de alto peso
molecular, esteróis, pigmentos e hidrocarbonetos. O método é aplicável para gorduras e óleos
animais e vegetais, não sendo adequado para gorduras e óleos contendo quantidade
excessiva de matéria insaponificável, como os óleos marinhos. Este método também não é
aplicável para alimentos com elevado teor de gordura.

5.6. METODOLOGIAS ANALÍTICAS PARA CONTROLE EM ÓLEOS E GORDURAS

5.6.1. DETERMINAÇÃO DA DENSIDADE DA AMOSTRA E RELATIVA Á ÁGUA


Material
Picnômetro com junta esmerilhada de 50 mL ou balão volumétrico de 10, 25 ou 50 mL, banho-
maria mantido a temperatura de (25±0,1)°C e termômetro com subdivisão de 0,1°C.
Procedimento
Funda a amostra, filtre com papel de filtro para remover as impurezas e traços de umidade;
Aqueça a temperatura de (20-23)°C. Encha o recipiente do picnômetro, adicionando a amostra
cuidadosamente pelas paredes para prevenir a formação de bolhas de ar;
Tampe e coloque em banho-maria na temperatura de (25±0,1)°C. Conserve o conjunto imerso
na água e espere atingir a temperatura acima especificada por 30 minutos;
Remova com cuidado o óleo que tenha escorrido pela lateral do recipiente;
Retire do banho e seque, evitando o manuseio excessivo;
Pese e calcule a densidade.
Cálculos:
o
Densidade da amostra (em g/mL) = (A – B) /V (a 25 C)

o
Densidade relativa = (A – B) / C (a 25 C)

A = massa do recipiente contendo óleo


B = massa do recipiente vazio
o
C = massa da água a temperatura de 25 C
V= volume do recipiente (picnômetro ou balão volumétrico)

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5.6.2. DETERMINAÇÃO DA ACIDEZ
Material
Balança analítica, frasco Erlenmeyer de 125 mL, proveta de 50 mL e bureta de 10 mL.
Reagentes
Solução de éter-álcool (2:1) neutra
Solução de fenolftaleína a 1%
Solução de hidróxido de sódio 0,1 mol/L ou 0,01 mol/L
Procedimento
As amostras devem estar bem homogêneas e completamente liquidas;
Pese 2 g da amostra em frasco Erlenmeyer de 125 mL;
Adicione 25 mL de solução de éter-álcool (2:1) neutra;
Adicione duas gotas do indicador fenolftaleína;
Titule com solução de hidróxido de sódio 0,1 mol/L ou 0,01 mol/L até o aparecimento da
coloração rósea, a qual deverá persistir por 30 segundos.
Cálculos:
Índice de acidez = V . f . 5,61/ P (em mg KOH/g amostra)

Índice de acidez = (V . f . 100 . 0,0282) / P (em % de ácido oléico, m/m)

V = volume, em mL de solução de hidróxido de sódio 0,1 mol/L gasto na titulação


f = fator da solução de hidróxido de sódio
P = massa da amostra em g.
Notas:
• Para expressar o índice de acidez como acidez em ácido oléico, divida o resultado por 1,99.
• No caso de produtos com baixo teor de ácidos graxos, por exemplo, óleos e gorduras refinados,
use solução de NaOH 0,01 mol/L para a titulação.

5.6.3. DETERMINAÇÃO DO ÍNDICE DE PERÓXIDO


Material
Balança analítica, frasco Erlenmeyer de 125 ou 250 mL com tampa esmerilhada, proveta de 50
mL, pipeta graduada de 1 mL, bureta de 10 mL com subdivisões de 0,05 mL.
Reagentes
Ácido acético
Clorofórmio
Solução de tiossulfato de sódio 0,1 N ou 0,01 N
Amido solúvel
Iodeto de potássio
Solução de ácido acético-clorofórmio (3:2) v/v
Solução saturada de iodeto de potássio – Pese 30 g de iodeto de potássio e adicione 21 mL de
água. Conserve a solução em frasco âmbar e utilize no mesmo dia da sua preparação.
Solução de amido 1% m/v

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Procedimentos
Óleos e gorduras normais
Pese (5±0,05) g da amostra em um frasco Erlenmeyer de 250 mL (ou 125 mL);
Adicione 30 mL da solução ácido acético-clorofórmio 3:2 e agite até a dissolução da amostra;
Adicione 0,5 mL da solução saturada de KI e deixe em repouso ao abrigo da luz por
exatamente um minuto;
Acrescente 30 mL de água e titule com solução de tiossulfato de sódio 0,1 N ou 0,01 N, com
constante agitação;
Continue a titulação até que a coloração amarela tenha quase desaparecida;
Adicione 0,5 mL de solução de amido indicadora e continue a titulação até o completo
desaparecimento da coloração azul;
Prepare uma prova em branco, nas mesmas condições e titule.
Margarina e creme vegetal
Funda a amostra, com constante agitação, em placa aquecedora ou em estufa a (60-70)°C;
o
Evite aquecimento excessivo, particularmente prolongado a temperatura acima de 40 C;
Uma vez completamente fundida, remova a amostra da placa até que a camada aquosa se
separe;
o
Decante o óleo e filtre em papel Whatman n 4 ou equivalente;
A amostra deve estar clara e brilhante. Proceda a determinação conforme o descrito para óleos
e gorduras normais.

Notas:
• Se o volume gasto na titulação da amostra for menor que 0,5 mL, usando solução de tiossulfato
de sódio 0,1 N, repita a determinação com solução 0,01 N.
• No caso do branco, o volume gasto não deve exceder a 0,1 mL da solução de tiossulfato de
sódio 0,1 N.

Cálculo: Índice de peróxido = [(A - B) . N . f . 1000 ]/ P (em meq/kg da amostra)

A = volume, em mL da solução de tiossulfato de sódio 0,1 (ou 0,01 N) gasto na titulação da


amostra
B = volume, em mL da solução de tiossulfato de sódio 0,1 (ou 0,01 N) gasto na titulação do
branco
N = normalidade da solução de tiossulfato de sódio
f = fator da solução de tiossulfato de sódio.
P = massa da amostra, em g

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5.6.4. DETERMINAÇÃO DO ÍNDICE DE SAPONIFICAÇÃO
Material
Frascos Erlenmeyer de 250 mL, condensador de água e banho-maria ou chapa aquecedora
com controle de temperatura, pérolas de vidro.
Reagentes
Solução de ácido clorídrico 0,5 mol/L
Hidróxido de potássio
Solução de fenolftaleína a 1%
Álcool
Solução alcoólica de hidróxido de potássio a 4% m/v
Procedimento
Funda a amostra, se não estiver completamente líquida;
Filtre em papel de filtro para remover impurezas e traços de umidade;
A amostra deve estar completamente seca;
Pese, com cuidado, em erlenmeyer com boca esmerilhada, 2 g de amostra;
Adicione 25 mL da solução alcoólica de KOH e pérolas de vidro;
Prepare um branco e proceda ao andamento analítico, simultaneamente com a amostra;
Conecte o condensador e deixe ferver suavemente até a completa saponificação da amostra
(aproximadamente uma hora, para amostras normais);
Após o resfriamento do frasco, lave a parte interna do condensador com um pouco de água;
Desconecte do condensador, adicione 5 gotas do indicador e titule com a solução de ácido
clorídrico 0,5 mol/L até o desaparecimento da cor rósea.

Cálculo: Índice de saponificação = [28,06 . f . (B - A)] / P (em mg KOH/g amostra)

A = volume gasto na titulação da amostra


B = volume gasto na titulação do branco
f = fator da solução de HCl 0,5 mol/L
P = massa da amostra em g

Nota:
Algumas amostras são mais difíceis de serem saponificadas, requerendo mais de 1 hora de
saponificação.

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5.6.5. DETERMINAÇÃO DO ÍNDICE DE IODO PELO MÉTODO DE WIJS
Material
Balança analítica, agitador magnético, estufa, cronometro, papel de filtro qualitativo, frasco
Erlenmeyer de 500 mL com tampa esmerilhada, proveta de 50 mL, pipetas volumétricas de 2,
5, 20 e 25 mL e bureta de 50 mL.
Reagentes
Ácido clorídrico Iodeto de potássio
Iodo Solução de Wijs
Tetracloreto de carbono Solução de iodeto de potássio a 15% m/v
Tiossulfato de sódio (Na2S2O3.5H2O) Solução de indicador de amido a 1% m/v.
Amido solúvel Solução de tiossulfato de sódio a 0,1 mol/L
Procedimento
Funda a amostra, caso não esteja no estado líquido (a temperatura da fusão não deverá
o
exceder o ponto de fusão da amostra em 10 C);
Filtre através de papel de filtro para remover algumas impurezas sólidas e traços de umidade;
Pese aproximadamente 0,25 g em frasco Erlenmeyer de 500 mL com tampa e adicione 10 mL
de tetracloreto de carbono;
Transfira com auxilio de bureta, 25 mL de solução de Wijs no frasco Erlenmeyer que contem a
amostra;
Tampe e agite cuidadosamente com movimento de rotação, assegurando perfeita
homogeneização;
Deixe em repouso ao abrigo da luz e a temperatura ambiente, por 30 minutos;
Adicione 10 mL da solução de iodeto de potássio a 15% e 100 mL de água recentemente
fervida e fria;
Titule com solução tiossulfato de sódio 0,1 mol/L até o aparecimento de uma fraca coloração
amarela;
Adicione 1 a 2 mL de solução indicadora de amido 1% e continue a titulação até o completo
desaparecimento da cor azul;
Prepare uma determinação em branco e proceda da mesma maneira que a amostra.

Cálculo: Índice de Iodo = [(VB – VA) . M . f. 12,69] / P (em g iodo/100g amostra, % iodo absorvido)

M = concentração da solução de Na2S2O3, em mol/L


f = fator da solução de Na2S2O3
VB = volume gasto na titulação do branco, em mL
VA = volume gasto na titulação da amostra, em mL
P = massa da amostra, em g

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 129


Notas:
• Quando o índice de iodo for determinado em material contendo sistemas de duplas ligações
conjugadas, o resultado não é uma medida do total de insaturação, mas um valor empírico
indicativo da sua quantidade na molécula.
• Por ser de difícil preparação, recomenda-se a aquisição no comércio do reagente de Wijs.
• Armazene as soluções de Wijs em frasco âmbar, a temperatura ambiente e ao abrigo da luz e da
umidade.
• Devido à toxicidade, o tetracloreto de carbono esta sendo substituído por ciclohexano.
• Se o óleo apresentar um índice de iodo superior a 100, como por exemplo, os óleos de origem
marinha, o tempo de reação com a solução de Wijs devera ser maior que 30 minutos.

5.6.6. REAÇÃO DE KREIS (TESTE DE RANCIDEZ)


Material
Pipeta de 5 mL, provetas de 10 mL e proveta de 50 mL com boca esmerilhada.
Reagentes
Ácido clorídrico
Solução de floroglucina em éter a 0,1% m/v
Procedimento
Transfira, com auxilio de uma pipeta, 5 mL de substância fundida para uma proveta de 50 mL
com boca esmerilhada;
Adicione 5 mL de ácido clorídrico e agite por 30 segundos. Adicione 5 mL de uma solução de
floroglucina a 0,1% em éter;
Agite novamente por 30 segundos e deixe em repouso por 10 minutos. Na presença de
substâncias rançosas, a camada inferior apresentara uma coloração rósea ou vermelha.

Nota:
• Se a intensidade da coloração for fraca, compare a camada inferior com uma quantidade análoga
de solução de permanganato de potássio a 0,0012% (transfira 3,8 mL de uma solução 0,01
mol/L para um balão volumétrico de 100 mL e complete o volume com água). Se a intensidade
for à mesma ou inferior, o resultado pode deixar de ser levado em consideração, caso os
caracteres sensoriais do produto forem satisfatórios.

5.6.7. DETERMINAÇÃO DA UMIDADE E MATÉRIA VOLÁTIL


Material
Estufa, balança analítica, dessecador com sílica gel, cápsula de porcelana ou de metal de 8,5
cm de diâmetro, pinça e espátula de metal.
Procedimento
Pese de 2 a 10 g da amostra em cápsula de porcelana ou de metal, previamente tarada;
o
Aqueça durante 1 hora a 105 C;
Resfrie em dessecador até a temperatura ambiente e pese;

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 130


Repita a operação de aquecimento e resfriamento até peso constante.

o
Cálculo: Umidade ou substâncias voláteis a 105 C = 100 . N / P (em %, m/m)

N = n° de gramas de umidade (perda de massa em g)


P = n° de gramas da amostra

5.6.8. DETERMINAÇÃO DE UMIDADE PELO MÉTODO DE KARL FISCHER


Material
Titulador de Karl Fischer, agitador magnético, eletrodo duplo de platina e microsseringa de 25
µL.
Reagentes
Reagente de Karl Fischer isento de piridina
Metanol com no máximo 0,005% de água
Tartarato de sódio dihidratado (padrão volumétrico para padronização do reagente de Karl
Fischer, contendo 15,66± 0,05% H2O)
Procedimento
O reagente de Karl Fischer deve ser padronizado no início de uma série de ensaios, de duas
formas, utilizando água ou tartarato de sódio dihidratado como padrões, conforme descrito
abaixo.
Padronização do reagente de Karl Fischer com água
Coloque uma quantidade de metanol na cela de titulação suficiente para cobrir os eletrodos;
Para eliminar a água contida no solvente, pré-titule o metanol com o reagente de Karl Fischer,
sob agitação, até o ponto final, seguindo as instruções do manual do aparelho;
Em seguida, com o auxilio de uma microsseringa, pese exatamente, por diferenca, cerca de 20
mg (20 µL) de água; introduza a água na cela e realize a titulação.
Padronização do Reagente de Karl Fischer com tartarato de sódio dihidratado
Coloque uma quantidade de metanol na cela de titulação suficiente para cobrir os eletrodos;
Para eliminar a água contida no solvente, pré-titule o metanol com o reagente de Karl Fischer,
sob agitação, até o ponto final, seguindo as instruções do manual do aparelho;
Em seguida, pese exatamente, por diferença, cerca de 200 mg de tartarato de sódio
dihidratado; introduza na cela e realize a titulação.
Determinação de umidade na amostra
Caso a cela de titulação esteja cheia, esvazie o recipiente;
Os procedimentos de descarte dos resíduos deverão ser efetuados de acordo com os
procedimentos de biossegurança;
Coloque uma quantidade de metanol na cela de titulação suficiente para cobrir os eletrodos;
Para eliminar a água contida no solvente, pré-titule o metanol com o reagente de Karl Fischer,
sob agitação, até o ponto final;

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 131


Em seguida, pese com precisão, por diferença uma quantidade de amostra que contenha
aproximadamente 10 a 80 mg de água; introduza a amostra na cela e realize a titulação.
No caso de amostras não solúveis em metanol, escolha um solvente (ou uma mistura de
solventes) adequado, que deverá ser previamente titulado com o reagente de Karl Fischer para
eliminar a água.
Cálculos:

Fator do reagente de Karl Fischer usando tartarato de sódio = m . 0,1555 / V

m = massa do tartarato de sódio dihidratado


V = volume do reagente de Karl Fischer gasto na titulação

Fator do reagente de Karl Fischer usando água = m / V

m = massa de água
V = volume do reagente de Karl Fischer gasto na titulação (em mL)

Cálculo: Teor de umidade na amostra = 100 . F . V / m (em %, m/m)

F = fator do reagente de Karl Fischer (em mg H2O/mL do reagente de Karl Fischer)


V = volume do reagente de Karl Fischer gasto na titulação (mL)
m = massa da amostra (mg)

5.6.9. DETERMINAÇÃO DE IMPUREZAS INSOLÚVEIS EM ÉTER


Material
Banho-maria, estufa, dessecador, proveta de 50 mL e cadinho de Gooch.
Reagente
Éter de petróleo
Procedimento
Use o resíduo resultante da determinação da umidade e matéria volátil;
Adicione 50 mL de éter de petróleo no resíduo e aqueça em banho-maria para dissolver a
gordura;
Filtre em cadinho de Gooch com ajuda de vácuo;
Lave com cinco porções de 10 mL de éter de petróleo a quente, permitindo que cada porção
escoe primeiro para depois adicionar a outra porção;
Lave completamente com éter de petróleo;
Seque o cadinho e aqueça até peso constante em estufa a (101±1)°C;
Esfrie em dessecador até a temperatura ambiente e pese.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 132


Cálculo: Impurezas insolúveis = p.100/P (em %,m/m)

p = massa das impurezas insolúveis no éter de petróleo


P = massa da amostra seca

5.6.10. TESTE DO FRIO (ÍNDICE DE WINTERIZAÇÃO)


Material
Banho-maria a 25°C, banho de gelo a 0°C, frasco especial para óleo de 115 mL, funil e papel
de filtro.
Procedimento
Filtre uma quantidade suficiente da amostra (200-300)mL diretamente com papel de filtro;
Aqueça a porção filtrada;
Agite a amostra continuamente durante o aquecimento e remova do calor quando a
temperatura atingir 130°C;
Abasteça um frasco especial para óleo completamente até o gargalo com a amostra e tampe
hermeticamente;
Coloque o frasco num banho de água a 25°C e vede o banho com parafina;
Mergulhe o frasco contendo a amostra em banho de gelo, de modo que o conjunto fique
coberto com água e gelo.
Reabasteça com gelo frequentemente, se necessário, para manter o banho solidamente
empacotado, caso contrário, a temperatura poderá subir acima de 0°C. É essencial que a
temperatura do banho se mantenha a 0°C.
Ao final de cinco horas e meia, remova o frasco do banho e examine rigorosamente os cristais
de gordura ou turvação formada. Não confundir cristais com pequenas bolhas de ar. Para o
teste ser positivo, a amostra precisa estar completamente clara, límpida e brilhante.

Notas:
• A finalidade do tratamento a quente é remover traços de impurezas, umidade e destruir algum
núcleo de cristais.
• Recomenda-se utilizar um fundo preto iluminado para melhor visualização do resultado do teste,
devendo a amostra ficar a uma distância de 2 metros.

5.6.11. DETERMINAÇÃO DO ÍNDICE DE REFRAÇÃO


Material
Refratômetro de Abbe equipado com escala-padrão e algodão.
Reagente
Éter de petróleo ou outro solvente.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 133


Procedimento
Ajuste da aparelhagem – Ajuste previamente o refratômetro de Abbe com água. Faça circular
uma corrente de água a 40°C pelo aparelho. Deixe estabilizar a temperatura. Ajuste a 40°C
para óleos e a 60°C para amostras com ponto de fusão mais alto. A temperatura do
refratômetro deve ser controlada a ±0,1°C e, para isto, e preferível usar banho de água
controlado termostaticamente e com circulação de água. O instrumento e calibrado seguindo
as instruções do fabricante, com liquido de pureza e índice de refração conhecidos ou, em
alguns casos, e satisfatório usar um prisma de vidro de índice de refração teórico de 1,333 a 20
°C. Se o refratômetro for equipado com um compensador, uma lâmpada elétrica como a de
vapor de sódio, torna-se necessária.
Tratamento da amostra – Funda a amostra, caso não esteja liquida. Filtre para remover
quaisquer impurezas e traços de umidade. A amostra deve estar completamente seca.
Certifique-se que os prismas estejam limpos e completamente secos e então coloque no
prisma inferior algumas gotas da amostra. Feche os prismas e trave firmemente. Deixe por 1 a
2 minutos até que a amostra atinja a temperatura do aparelho. Ajuste o instrumento e a luz
para obter a leitura mais distinta possível e, então, determine o índice de refração.
A leitura na escala dará diretamente o índice de refração absoluto a 40°C, com quatro casas
decimais. Realize pelo menos três leituras e calcule a média. A variação das leituras deve ser
igual a 0,0002. Limpe os prismas entre as leituras com algodão umedecido com solvente e
deixe secar.
Cálculo para correção da temperatura
R’+ K (T’- T) = R
R = leitura a temperatura T (°C)
R’= leitura a temperatura T’ (°C)
T = temperatura padrão (°C)
T’ = temperatura na qual a leitura de R’ foi feita (°C)
K = 0,000365 para gorduras e 0,0003885 para óleos

5.6.12. DETERMINAÇÃO DE MATÉRIA INSAPONIFICÁVEL


Material
Extrator de gordura de capacidade de 200 mL com tampa de vidro, frascos Erlenmeyer ou
Soxhlet de 100 a 200 mL, funil de separação de 500 mL, sifão de vidro e balança analítica.
Reagentes
Álcool a 95% v/v
Álcool a 10% v/v
Solução de hidróxido de potássio a 50% m/v
Éter de petróleo
Solução de hidróxido de sódio 0,02 mol/L
Solução de fenolftaleína.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 134


Procedimento
Pese cerca de 5 g de amostra bem misturada em um frasco Erlenmeyer ou Soxhlet. Adicione
30 mL de álcool a 95% e 5 mL de KOH a 50%;
Aqueça e deixe em refluxo por 1 hora ou até completa saponificação;
Transfira para o funil de separação, ainda quente, usando um total de 40 mL de álcool 95%;
Complete a transferência com água quente e depois fria ate um volume total de 80 mL;
Lave ainda o frasco com um volume de 5 mL de éter de petróleo e transfira para o funil;
Esfrie até a temperatura ambiente e adicione 50 mL de éter de petróleo. Insira a tampa e agite
vigorosamente por um minuto ate o total clareamento das duas camadas. Use sifão de vidro
para remover completamente a camada superior sem incluir qualquer porção da camada
inferior. Receba as frações de éter de petróleo em um funil de separação de 500 mL;
Repita a extração pelo menos seis vezes, usando porções de 50 mL de éter de petróleo,
agitando vigorosamente em cada extração;
Lave os extratos combinados no funil de separação três vezes, usando 25 mL de álcool a 10%,
agitando vigorosamente e retirando a camada alcoólica depois de cada extração.
Evite remover qualquer parte da camada de éter de petróleo. Transfira o extrato de éter de
petróleo para um béquer tarado e evapore até a secagem em banho de água. Depois de todo o
solvente ter sido evaporado, complete a secagem em estufa a vácuo a temperatura de (75-
o
80) C e pressão interna de 200 mm de Hg;
Esfrie em dessecador e pese;
o
Depois da pesagem, dissolva o resíduo em 50 mL de álcool a 95% a 50 C previamente
neutralizado contendo fenolftaleína como indicador;
Titule com NaOH 0,02 mol/L até o ponto de viragem;
Corrija a massa do resíduo para ácidos graxos livres contidos, usando a seguinte relação: 1 mL
de 0,02 mol/L de NaOH é equivalente a 0,0056 g de ácido oléico;
Faça um branco sem a presença de óleo ou gordura e proceda da mesma maneira que a
amostra.

Cálculo: Matéria insaponificável = [A – (B + C)] . 100 /P (em %, m/m)

A = massa do resíduo obtido apos secagem a vácuo, em g


B = massa de ácido graxo determinado por titulação, em g
C = massa do branco, em g
P = massa da amostra, em g

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5.6.13. DETERMINAÇÃO DO ÍNDICE DE BELLIER (TESTE PARA AZEITES DE OLIVA)
Material
Chapa aquecedora, termômetro com divisões de décimos de grau, pipetas de 2, 5 e 50 mL,
frasco Erlenmeyer de 125 mL e refrigerante de refluxo.
Reagentes
Solução alcoólica de hidróxido de potássio a 8% m/v
Ácido acético (1+3)
Álcool a 70% v/v
Procedimento
Transfira lentamente, com o auxílio de uma pipeta, 1 mL da amostra para um frasco
Erlenmeyer de 125 mL;
Adicione 5 mL da solução alcoólica de hidróxido de potássio a 8%; Adapte ao frasco
Erlenmeyer um refrigerante de refluxo;
Aqueça em chapa aquecedora por 10 minutos;
Esfrie até (25-30)°C;
Adicione 50 mL de álcool a 70%;
Agite e adicione 1,5 mL de ácido acético (1+3);
o
Agite e adapte ao frasco um termômetro de 50 C, dividido em décimos de grau, de maneira
que o bulbo do termômetro esteja imerso no líquido;
o
Se houver turvação, aqueça lentamente até cerca de 10 C acima do índice suposto;
Resfrie o frasco, gradualmente e agitando sempre em um banho de água da seguinte maneira:
introduza sucessivamente o frasco durante 10 segundos, retire e agite por 10 a 20 segundos. A
temperatura deve baixar lentamente. Tome como índice de Bellier, a temperatura na qual nota-
se o inicio da turvação.

5.6.14. DETERMINAÇÃO DO PONTO DE FUSÃO (ENSAIO PARA GORDURAS)


Material
Aparelho para determinação do ponto de fusão, tubos de ponto de fusão, tubos capilares de
vidro, termômetro com a especificação da A.O.C.S.: H 6-40 ou 7-45, béquer de 600 mL, papel
de filtro e funil de vidro.
Procedimento
Funda a amostra e filtre em papel de filtro para remover qualquer impureza e resíduo final de
mistura;
A amostra deve estar absolutamente seca;
Introduza completamente pelo menos 3 tubos capilares limpos na amostra liquefeita, de
maneira que a gordura fique a uma altura de 10 mm;
Funda o final do tubo (onde a amostra esta localizada) numa chama pequena, mas não queime
a gordura;
Coloque os tubos num béquer e deixe em refrigerador entre (4 - 10)°C durante 16 horas;

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 136


Remova os tubos do refrigerador e prenda-os com uma rolha de borracha ou de qualquer outra
maneira ao termômetro, de modo que as extremidades inferiores dos tubos de fusão estejam
no fundo junto com o bulbo de mercúrio do termômetro;
Introduza o termômetro num béquer de 600 mL, contendo água até a metade de seu volume. O
fundo do termômetro deve estar imerso a 30 mm na água;
Ajuste a temperatura inicial do banho de (8 - 10)°C abaixo do ponto de fusão da amostra no
inicio do teste;
Agite o banho de água com um pequeno fluxo de ar ou com outros métodos adequados e
forneça calor de maneira que aumente a temperatura na faixa de 0,5°C por minuto. As
gorduras passam normalmente por um estágio de opalescência antes da completa fusão;
O aquecimento é contínuo até que os tubos estejam completamente claros. Observe a
temperatura na qual cada tubo se torna claro e calcule a média de todos os tubos. Esta deve
estar dentro de 0,5°C. Considere esta média como o ponto de fusão.

Nota: As amostras devem estar completamente liquefeitas quando os tubos forem colocados
no refrigerador. É uma boa prática passar o fundo dos tubos que contém a amostra
momentaneamente por uma chama, antes de serem levados ao refrigerador.

5.6.15. DETERMINAÇÃO DE RESÍDUO POR INCINERAÇÃO (CINZAS)


Material
Cápsula de porcelana de 50 mL ou cápsula de platina de 100 mL, bico de Bunsen, tela de
amianto, tripé, balança analítica, mufla, papel de filtro e dessecador.
Procedimento
Coloque o papel de filtro contendo os insolúveis totais em éter obtido anteriormente em uma
cápsula de porcelana de 50 mL ou cápsula de platina de 100 mL, previamente aquecida em
mufla a 550°C por 1 hora, resfriada em dessecador até a temperatura ambiente e pesada;
Carbonize em bico de Bunsen com chama baixa;
Incinere em mufla a 550°C;
Resfrie em dessecador até a temperatura ambiente e pese;
Repita as operações de aquecimento e resfriamento até peso constante.
Nota: a combustão da amostra deve ser feita em capela, com exaustão forçada.

Cálculo: Cinzas = p . 100 / P (em %, m/m)

p = massa de resíduo em g
P = massa da amostra em g

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 137


REFERÊNCIAS

Métodos físico-químicos para análise de alimentos. IV Edição. 1ª Edição Digital. Instituto Adolfo Lutz, 2008.
Disponível na web. Acesso em março de 2012.

PEREIRA, Francisco S. G. Processos Químicos Industriais. IFPE, Apostila de Aulas, Recife, 2010.

RIBEIRO, Bernardo Dias. Aplicação de tecnologia enzimática na obtenção de beta-caroteno a partir de óleo de
buriti. Rio de Janeiro, 2008. UFRJ. Dissertação de mestrado. Disponível na web. Acesso em maio de 2012.

TANAMATI, Ailey Aparecida Coelho. Instabilidade oxidativa do óleo de soja submetido à fritura de alimentos
congelados. Maringá: UEM, 2008. Tese de doutorado. Disponível na web. Acesso em maio de 2012.

5.7. EXERCÍCIOS PROPOSTOS

1. Do ponto de vista analítico, construa uma tabela mostrando os diversos materiais


normalmente amostrados na evolução do controle de qualidade de um óleo vegetal
comestível refinado. Nesta tabela procure colocar a finalidade da amostragem de cada
material.

2. Cite e explique, pelo menos 3 características do controle estatístico da qualidade,


aplicadas ao processo produtivo de extração de óleo vegetal de sementes oleaginosas.

3. Simule dados experimentais de análises de qualidade na refinação de óleos


comestíveis e aplique, pelo menos 3 ferramentas da qualidade, para ilustrar tais
informações. Explique a finalidade de cada ferramenta e relate suas considerações a
respeito associados aos dados utilizados.

4. Comente sobre os principais aspectos do controle de qualidade na produção.


Exemplifique estes aspectos no processo produtivo de hidrogenação de óleo vegetal
refinado.

5. Admita o processo produtivo de fabricação de óleo vegetal, partindo do grão de soja,


dividido nas seguintes etapas: condicionamento da matéria-prima, extração e refinação
do óleo. Escolha, em cada etapa, um parâmetro analítico essencial para o controle de
qualidade total nesta produção. Explique sua finalidade na evolução do processo
produtivo, metodologia analítica usada para quantificação e possíveis desvios nos
valores especificados e formas de corrigir.

6. Óleos e gorduras são muito difundidos e versáteis industrialmente. Considere um óleo


bruto de soja para possíveis aplicações na indústria alimentícia, seja em sua forma
refinada ou transformada em derivados. Considere que você é o analista responsável
para aprovação ou reprovação deste lote (50.000L) para processamento de refino e
hidrogenação.
(a) Que parâmetros analíticos você escolheria para sua rotina laboratorial visando
entrada e saída destes insumos comerciais (óleo refinado e gordura hidrogenada)?
(b) Como você procederia para uma amostragem representativa?
(c) Construa um laudo com os parâmetros analíticos escolhidos. (Nota: no laudo
analítico, escolha um padrão comercial com uma empresa fictícia com logomarca e
razão social).

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 138


7. Algumas análises de qualidade em óleos e gorduras vegetais e animais são
conhecidas como índices. Explique o quimismo envolvido e a finalidade dos chamados
índices de: saponificação, de acidez, de iodo e de peróxidos, nestas análises.

8. Os diagramas 1 e 2 seguintes esquematizam um sistema de aplicação do Controle de


Qualidade. Diante destes diagramas, ilustre uma situação cotidiana na análise de
qualidade na indústria de refino de óleos vegetais comestíveis. Explique suas escolhas.

Diagrama 1 Diagrama 2

9. Uma amostra (resultados em triplicata, 2,05g/2,02g/2,03g) de óleo de soja bruto foi


titulada com solução de NaOH 0,01 mol/L em meio etéreo-alcoólico sendo gastos
(2,1mL/1,9mL e 2,0mL, respectivamente) até completa viragem do indicador
fenolftaleína. Calcule o índice de acidez da amostra nas possíveis formas clássicas e
explique a condição desta amostra para processamento alimentício.

10. A figura seguinte representa um esquema simplificado do processo de amostragem


com algumas vinculações. Exemplifique cada termo associado em cada retângulo no
processo produtivo de obtenção do óleo de mamona por prensagem e solventização.
Explique cada caso focando o controle de qualidade envolvido.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 139


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.....6...CONTROLE NA PRODUÇÃO DE SABÕES E DETERGENTES...............

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6.1. INTRODUÇÃO
O sabão está inserido na cultura há muito tempo, estudos comprovam sua existência em
sociedades orientais e ocidentais há mais de dois mil anos. Sua ligação com o progresso da
sociedade é bem estreita, existindo até estudos que mediram o grau de desenvolvimento de
sociedades pela quantidade de sabão que consumiam. Hoje em dia, o sabão já não possui a
importância comercial de tempos atrás, mas a indústria saboeira continua tendo um caráter
essencial dentro de uma sociedade.
A indústria saboeira responde por aproximadamente 25% da demanda de produtos de limpeza
doméstica, só perdendo para os detergentes que são os responsáveis pela outra fatia do
mercado. É bom salientar que a produção mundial anual de sabão é constante, o que significa
que o mercado para o produto não encolheu, mas se adaptou. Grande parte da produção de
sabão é proveniente de pequenas indústrias ou indústrias artesanais, dada à facilidade e
acessibilidade das técnicas de produção.
As características de rendimento e qualidade do sabão dependem das matérias-primas
utilizadas e do adequado balanceamento de seus componentes.
A primeira versão dos detergentes surgiu na Europa, durante a primeira Guerra Mundial (1914-
1918). Os primeiros detergentes eram obtidos da sulfatação (reação com ácido sulfúrico) dos
álcoois graxos (isto é, com cadeias de número de átomos de carbono superior a oito), obtidos
de gorduras animais (sebo) e vegetais (óleo de coco), seguida de neutralização por hidróxido
de sódio. Obtendo-se assim os alquilsulfatos de sódio, dos quais, o mais usado é o
dodecilsulfato de sódio, também chamado de lauril sulfato de sódio.
De início, os detergentes eram usados em lavagens da indústria têxtil. Como eles se
mostraram bastante eficientes passaram a ser usados com excelente desempenho na limpeza
doméstica, na fabricação de xampus e de cremes dentais, principalmente na América do Norte.
Com vinte anos de fabricação, os detergentes já eram mais comercializados do que os sabões.
A sua solubilidade em água dura tem sido o fator mais importante na aceitação dos
detergentes sintéticos.
Na década de 30, do século XX, no mercado alemão e mais tarde nos Estados Unidos, foram
desenvolvidos os alquilbenzenossulfonatos de sódio, dos quais o dodecil ou
laurilbenzenossulfonato é o mais comum. Ainda hoje é o componente ativo das principais
marcas de sabão em pó e detergentes líquidos do comércio. O dodecilbenzenossulfonato de
sódio é formado por matérias-primas provenientes da indústria petroquímica.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 140


6.2. MATÉRIAS-PRIMAS DE SABÕES E DETERGENTES

Para os sabões, as matérias-primas podem ser classificadas em três tipos:


Graxas - Constituídas de gordura animal (banha, sebo, óleos, etc.) ou de óleo vegetal. As
gorduras e óleos industriais não são compostos pelo glicerídeo de um único ácido graxo, mas
de uma mistura deles;
Alcalinas - Constituídas principalmente de hidróxido de sódio (soda cáustica) e hidróxido de
potássio. Os sabões feitos com hidróxido de sódio são mais duros que os provenientes de
potássio e, por isso mais indicados na lavagem de roupas e utensílios domésticos;
Auxiliares - Constituídas de cloreto de sódio (sal), silicato de sódio, carbonato de cálcio,
barrilha, amido, açúcar, glicerina, amido, corantes e essências.
O cloreto de sódio é utilizado como carga e para aumentar a dureza da barra. O carbonato de
sódio (barrilha) atua como agente alcalinizante, sequestrante e, também, para aumentar a
dureza da barra. O carbonato de cálcio é utilizado como carga em sabões opacos. Os silicatos
alcalinos são agentes alcalinizantes, sequestrantes, dispersantes e antioxidantes.
Os antioxidantes mais usados são o hipossulfito de sódio e BHT (butil hidroxi tolueno). Os
carboidratos têm a finalidade de aumentar a transparência do sabão.
Além destes materiais tem-se também: branqueadores óticos (trata-se de compostos que
transmite uma coloração azul quando submetida a uma radiação ultravioleta e possui efeito
cumulativo nas roupas), tensoativos (Alquil sulfonato de sódio, lauril éter sulfato de sódio,...),
sequestrantes (EDTA, EHDP,) e dispersantes (tripolifosfato de sódio).
Em virtude da solubilidade e a consistência dos sais de sódio dos diversos ácidos graxos
serem consideravelmente diferentes entre si, os fabricantes de sabão devem escolher a
matéria-prima de acordo com as propriedades que desejarem, não deixando de levar em
consideração o preço de mercado e a qualidade que se deseja para o produto.

Para os detergentes tem-se uma gama de matérias-primas, pois dependerá da sua finalidade
principal. Podem-se classificar suas matérias-primas em dois grandes grupos: tensoativos e
coadjuvantes.
Tensoativos – A classificação dos tensoativos é baseada na atividade de sua estrutura
química, priorizando a natureza iônica. Nessa classificação incluem-se: aniônicos, catiônicos,
não-iônicos e anfotéricos ou anfóteros.
Tensoativos aniônicos – possuem carga negativa na sua estrutura química. Alguns exemplos:
Dodecil benzenosulfonato de sódio, Lauril sulfato de sódio, Lauril éter sulfato de sódio, Dodecil
benzenosulfonato de monoetanolamina, Dodecil benzenosulfonato de trietanolamina,... Esses
tensoativos são os que apresentam maiores quantidades de espuma.
Tensoativos catiônicos – são os mais utilizados como antissépticos ou germicidas, sendo os
mais difundidos os sais quaternários de amônio. Alguns exemplos: cloreto de cetiltrimetil
amônio, cloreto de alquildimetil benzil amônio, cloreto de dialquil dimetil amônio, cloreto de
diestearil dimetil amônio (muito usado em amaciantes de roupas), cloreto de benzalcônio

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 141


(muito utilizado como germicida e antisséptico, quimicamente corresponde ao cloreto de alquil
dimetil benzil amônio – o radical alquil pode ser representado por cetil, palmitil, oleil, cerotil,
estearil e outros).
Tensoativos não-iônicos e anfóteros – são mais sofisticados e utilizados para aplicações mais
nobres, pois apresentam propriedades peculiares como: grande poder emulsificante,
desengordurante, baixa irritabilidade dérmica e cutânea. Principais não-iônicos: nonil fenol
etoxilado, alcanolamidas de ácidos graxos, oleato de sorbitan etoxilado... Principais anfóteros:
betaínas de coco, cocoamidopropil betaína,...
Os tensoativos catiônicos e aniônicos não devem ser incorporados numa mesma formulação,
pois são incompatíveis e formam precipitados.
Coadjuvantes – os mais importantes usados em detergentes são: sais inorgânicos (utilizados
principalmente como cargas: cloreto de sódio, sulfato de sódio, tripolifosfato de sódio, fosfato
de sódio, metassilicato de sódio, barrilha (carbonato de sódio)). Podem ter função de limpeza e
coadjuvantes de viscosidade; complexantes e sequestrantes (apresentam funções
semelhantes, em linhas gerais são utilizados para remover ou inibir substâncias interferentes:
EDTA, ácido cítrico e citrato de sódio são alguns exemplos); amônia (utilizada pelo seu alto
poder de limpeza devido à modificação de pH e ser volátil); corantes e essências (servem para
realçar as propriedades organolépticas); solventes (potencialmente usados para remoção de
gordura: etanol, propanol, butilglicol, etilenoglicol e outros são muito utilizados);
antiespumantes, branqueadores óticos, estabilizantes, antidepositantes,...

MOLÉCULAS MAIS COMUNS DE SABÕES E DETERGENTES EM FORMULAÇÕES COMERCIAIS

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 142


6.3. FABRICAÇÃO DE SABÕES E DETERGENTES

FABRICAÇÃO DOS SABÕES - Pode ser descrita de forma simplificada através das seguintes
etapas: Mistura e Saponificação, Filtração, Homogeneização, Secagem, Refinação, Extrusão,
Corte, Condicionamento, Estampagem, Embalagem, Armazenamento e Expedição.

PROCESSO DE FABRICAÇÃO DO SABÃO

Matérias-primas graxas

MISTURA/ Solução alcalina


Aquecimento SAPONIFICAÇÃO/
(alguns casos) ADITIVAÇÃO Aditivos específicos

Pasta de sabão

FILTRAÇÃO/
Borra HOMOGENEIZAÇÃO

Sabão filtrado e homogeneizado

Calor SECAGEM

Sabão seco

REFINAÇÃO/
EXTRUSÃO

Sabão extrudado

CORTE/
CONDICIONAMENTO/
ESTAMPAGEM

EMBALAGEM/
ARMAZENAMENTO/
EXPEDIÇÃO

Sabão comercial

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 143


Mistura, Saponificação e Aditivação – Esta etapa dependerá do tipo de sabão que se deseja
fabricar. O sabão é obtido fazendo-se reagir ácidos graxos de óleos ou gorduras com soluções
alcalinas ou lixívias, numa reação chamada saponificação. Alguns desses ácidos graxos
usados são o oléico, o esteárico e o palmítico, encontrados sob a forma de ésteres de glicerila
(oleatos, estearatos e palmitatos) nas substâncias gordurosas.
A saponificação é feita a frio ou a quente. Nesta operação a soda ou potassa atacam os
referidos ésteres, deslocando a glicerina e formando, com os radicais ácidos assim liberados,
sais sódicos ou potássicos. Esses sais são os sabões, que, passando por um processo de
purificação e adição de outros ingredientes, transformam-se nos produtos comerciais. Os
sabões produzidos com soda são chamados de duros, e os produzidos com potassa, moles. A
saponificação pode ocorrer em duas etapas: hidrólise e neutralização (no caso de matérias-
primas naturais: óleos e gorduras) ou simplesmente neutralização (no caso de ácidos graxos
isolados ou purificados). De acordo com a formulação pode-se acrescentar os aditivos antes
ou pós saponificação para que seja incorporado e mantenha a sua finalidade.
A seguir é ilustrada a saponificação de um glicerídeo (óleo ou gordura natural) mostrando os
produtos da reação; glicerina (glicerol) e o sabão correspondente (estearato de sódio).

Filtração – Para eliminar grânulos gerados na mistura e que se não forem retidos tornará o
sabão com qualidade indesejável. Utilizam-se filtros com refrigeração.
Homogeneização – A massa líquida filtrada (sabão) é forçada a passar através de rolos
amassadores refrigerados para uniformizar o produto final.
Secagem – Remove de 70 a 90% da água do sabão. Pode ser feita em túneis de secagem ou
atomizadores a vácuo.
Refinação e Extrusão – São operações complementares da homogeneização aplicada, no
caso, a massa do sabão praticamente finalizada. Realizada através de compressores ou rosca
sem-fim e cone de extrusão com forma definida da barra de sabão que se deseja obter.
Corte, Condicionamento, Estampagem e Embalagem – Operações de acabamento do sabão.
O corte produz a adequação do tamanho e forma de apresentação do produto comercial. O
condicionamento pode ser com a secagem complementar ou tempo de estocagem (espera)
para que o sabão adquira melhores características. A estampagem consiste em inserir detalhes
no sabão, tipo a logomarca do fabricante e a embalagem, atualmente são feitos através da
compactação de tabletes com filmes encolhíveis e colocação em caixas com a quantidade
estabelecida.
Armazenamento e Expedição – O produto comercial (sabão), aprovados no controle de
qualidade, é mantido em local adequado, estocado em paletes ou estantes para ser distribuído
para o mercado.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 144


FABRICAÇÃO DOS DETERGENTES - Processo muito mais simples do que para os sabões e
envolve operações básicas, diferenciando-se pouco da forma física líquida ou em pó. As
etapas podem ser listadas como: neutralização, mistura, aditivação, homogeneização,
secagem, embalagem e expedição.

PROCESSO DE FABRICAÇÃO DO DETERGENTE COMERCIAL

Ácido sulfônico ou similares

NEUTRALIZAÇÃO Água tratada


Resfriamento
Solução alcalina

Sal orgânico detergente

Resfriamento HOMOGENEIZAÇÃO/

Aditivos

ADITIVAÇÃO/
ADITIVAÇÃO FILTRAÇÃO/
SECAGEM

Aditivos Calor

HOMOGENEIZAÇÃO
ADITIVAÇÃO/
HOMOGENEIZAÇÃO

Detergente líquido Detergente em pó

EMBALAGEM/
ARMAZENAMENTO/
EXPEDIÇÃO

Detergente comercial

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 145


Homogeneização – Etapa necessária para completar a neutralização das matérias-primas
opostas (ácido e base entre si). Também fundamental para aumentar a estabilidade da mistura
e completar o resfriamento para facilitar as etapas seguintes. Pode ocorrer também após a
aditivação no caso de detergentes líquidos para uniformizar e garantir o mesmo padrão em
toda a extensão do produto através de misturadores. No caso de detergente em pó após a
secagem e aditivação e a homogeneização é feita através de misturadores de pós.
Aditivação – Serve para incrementar qualidades ao produto final. Acrescentando diversos
produtos enriquecedores e diferenciadores como sequestrantes, reguladores de espuma,
cargas inertes, estabilizadores e outros que se desejem, respeitando-se a compatibilidade
química da mistura.
Secagem – Operação exclusiva para o detergente em pó. É feita a partir da mistura líquida
específica (massa fluída ou slury) após receber filtração para eliminar possíveis grumos que
não foram homogeneizados.
Embalagem, Armazenamento e Expedição – Operações de finalização do produto que se
destina ao mercado. A embalagem é muito versátil, desde garrafas, filmes formadores de
sacolas e caixas de papelão, todas dependendo da necessidade e projeto industrial. O produto
comercial (detergente líquido ou pó), aprovados no controle de qualidade, são mantidos
estocados adequadamente para serem distribuídos para o mercado.

6.4. CONTROLE DE QUALIDADE EM SABÕES E DETERGENTES


CONTROLE DE QUALIDADE DOS SABÕES
Pode ser realizada nas matérias-primas ou no produto final.
Nas matérias-primas podem-se destacar: ponto de fusão e solidificação (óleos e gorduras),
densidade, teor de água, impurezas e cinzas, percentagem de ácidos graxos, ácidos graxos
livres, índice de refração, índice de iodo, índice de saponificação, índice de acidez, massa
molecular média, índice de esterificação. Estes ensaios são comuns nos óleos e gorduras,
matérias-primas comuns para a produção de sabões.
No sabão comercial pode ser realizado: amostragem, teor de água (umidade), álcali livre,
bórax, amido, cloreto de sódio ou potássio, silicato de sódio, talco...

CONTROLE DE QUALIDADE DOS DETERGENTES


Pode ser realizada nas matérias-primas ou no produto final.
Nas matérias-primas podem-se destacar: teor de substância ativa para tensoativos, pureza dos
insumos para sais e coadjuvantes.
Para os detergentes comerciais podem-se destacar: substância ativa, viscosidade (para
produtos líquidos), cor (padrão), odor (padrão), ensaios de remoção de sujidade, pH (no
produto puro ou em soluções do produto).

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 146


6.5. METODOLOGIAS ANALÍTICAS PARA O CONTROLE DE SABÕES E DETERGENTES

6.5.1. ENSAIOS ORGANOLÉPTICOS: ASPECTO, COR, ODOR E SABOR.

6.5.1.1. ASPECTO
Método do Ensaio - Observa-se visualmente se a amostra em estudo mantém as mesmas
características “macroscópicas” da amostra de referência (padrão) ou se ocorreram alterações
do tipo separação de fases, precipitação, turvação etc. O padrão a ser utilizado no ensaio deve
ser o estabelecido pelo fabricante.

6.5.1.2. COR
Método do Ensaio - A análise da cor (colorimetria) pode ser realizada por meio visual ou
instrumental. Na análise visual (colorimetria visual) compara-se visualmente a cor da amostra
com a cor de um padrão armazenado em frasco da mesma especificação. Pode-se efetuar
essa análise sob condições de luz “branca” natural ou artificial ou ainda em câmaras especiais,
com várias fontes de luz (ou seja, vários comprimentos de onda).
A análise instrumental substitui o olho humano como detector e pode ser feita por meio da
colorimetria fotoelétrica ou da colorimetria espectrofotométrica.
A colorimetria fotoelétrica é o método que utiliza uma célula fotoelétrica como detector. É
usualmente empregado com luz contida em um intervalo relativamente estreito de comprimento
de onda obtido pela passagem da luz branca através de filtros. Os aparelhos utilizados nesse
método são conhecidos como colorímetros ou fotômetros de filtro.
A colorimetria espectrofotométrica é o método que utiliza uma fonte de radiação em vários
comprimentos de onda na região espectral do visível. O aparelho utilizado nesse método é
conhecido como espectrofotômetro.

6.5.1.3. ODOR
Método do Ensaio - A amostra e o padrão de referência, acondicionados no mesmo material de
embalagem, devem ter seu odor comparado diretamente através do olfato.

6.5.1.4. SABOR
Método do Ensaio - Compara-se o sabor da amostra com o uso do padrão de referência,
diretamente através do paladar. Não é comum para sabões, detergentes e produtos afins.

Critério de Avaliação - Após avaliação comparativa, a amostra tem que estar em conformidade
com a amostra de referência (padrão) preestabelecida.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 147


6.5.2. ENSAIOS FÍSICO-QUÍMICOS: pH, VISCOSIDADE, DENSIDADE, MATERIAIS VOLÁTEIS/RESÍDUO
SECO e TEOR DE ÁGUA/UMIDADE

6.5.2.1. DETERMINAÇÃO DO pH
pH é o logaritmo negativo da concentração molar de íons de hidrogênio. Representa
convencionalmente a acidez ou a alcalinidade de uma solução. A escala de pH vai de 1 (ácido)
a 14 (alcalino), sendo que o valor 7 é considerado pH neutro.
Princípio - O pH é determinado por potenciometria, pela determinação da diferença de
potencial entre dois eletrodos – o de referência e o de medida – imersos na amostra a ser
analisada, e depende da atividade dos íons de hidrogênio na solução.
Descrição do Método - Antes do uso, deve-se verificar a limpeza e determinar a sensibilidade
do eletrodo, utilizando-se soluções tampão de referência e, quando aplicável, ajustando-se o
equipamento.
Se o produto é um sólido ou semi-sólido, recomenda-se preparar uma solução/
dispersão/suspensão aquosa da amostra em uma concentração preestabelecida e determinar
o pH da mistura com o eletrodo apropriado. Em alguns casos, a medição pode ser feita
diretamente na amostra.
Se o produto é uma solução, recomenda-se determinar o pH diretamente sobre o líquido,
imergindo-se o eletrodo diretamente nele.
Notas:
• O modelo do equipamento e os tipos de eletrodos a serem utilizados na medição do pH
devem ser estabelecidos pela empresa, levando-se em consideração as
características físico-químicas do produto.
• Normalmente as medidas de pH são realizadas em meio aquoso.
• Não tem significado medir pH em meio não-aquoso com eletrodos convencionais (Para
essa medida, devem ser utilizados eletrodos específicos).

6.5.2.2. DETERMINAÇÃO DA VISCOSIDADE (para produtos fluidos)


Viscosidade é a resistência que o produto oferece à deformação ou ao fluxo. A viscosidade
depende das características físico-químicas e das condições de temperatura do material. A
unidade fundamental da medida de viscosidade é o poise.
Princípio - Consiste em medir a resistência de um material ao fluxo por meio da fricção ou do
tempo de escoamento.
Há vários métodos para se determinar a viscosidade. Os mais freqüentes utilizam
viscosímetros rotativos, de orifício e capilares.
• Determinação por viscosímetro rotativo: consiste na medição do torque requerido para
rodar um fuso imerso em um dado fluido.
• Determinação por viscosímetro de orifício: consiste na medição do tempo de
escoamento do material comparado com a água. Utiliza-se um copo na forma de cone

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 148


(copo Ford), com um orifício na parte inferior por onde escoa o fluido. A escolha do
diâmetro do orifício é feita em função da faixa de viscosidade a ser determinada.
• Determinação por viscosímetro capilar (Ostwald): consiste na medição do tempo de
escoamento do material comparado com a água. A força hidrostática do líquido força-o
a fluir através de um tubo capilar.
Descrição do Método - Vários são os métodos utilizados para a determinação da viscosidade
de um fluido. Os métodos a seguir são os mais usuais em laboratórios:
Viscosímetro rotativo: dependendo da faixa de viscosidade da amostra, seleciona-se o fuso
(spindle) adequado. A seguir, introduz-se o fuso diagonalmente na amostra com temperatura
estabilizada, conforme especificado, isenta de bolhas, até a marca (sulco) da haste do fuso, e
nivela-se o aparelho. Verificada a ausência de bolhas junto ao fuso, procede-se à leitura da
viscosidade, de acordo com o procedimento operacional do aparelho.
Viscosímetro de orifício: nivela-se o aparelho em superfície plana. Depois de se obstruir o
orifício localizado na parte inferior do copo com o dedo e colocar lentamente a amostra até
transbordar, com temperatura estabilizada, conforme especificado, nivela-se a superfície da
amostra com uma espátula. Verifica-se então a presença de bolhas, que afetam a medida.
Retira-se o dedo do orifício e, ao mesmo tempo, com a outra mão, aciona-se o cronômetro.
Imediatamente após o escoamento, pára-se o cronômetro e registra-se o tempo para fins de
cálculo.
Cálculo:

VI S C O S I D A D E = A x T + B

Onde: T = tempo expresso em segundos


A e B = constantes definidas experimentalmente pelo fabricante, que variam para diferentes orifícios do copo

Viscosímetro capilar: para determinar a viscosidade, deve-se transferir a amostra para o


viscosímetro e estabilizar o conjunto até a temperatura especificada. A seguir, aspira-se a
amostra com o auxílio de um pipetador até a marca superior do menisco no viscosímetro e
cronometra-se o tempo de escoamento entre a marca do menisco superior e do inferior.
Repete-se esse procedimento três vezes e calcula-se a média.
Determinação da constante K: transfere-se a amostra para o viscosímetro e estabiliza-se o
conjunto até a temperatura especificada. Aspira-se a amostra com o auxílio de um pipetador
até a marca superior do menisco no viscosímetro e cronometra-se o tempo de escoamento
entre a marca do menisco superior e do inferior. Repete-se esse procedimento cinco vezes e
calcula-se a média.
Cálculo da constante K:

Onde: 1 = 1 centipoise
T = tempo de escoamento da água em segundos

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Cálculo da viscosidade:

V=TxK
Onde:
V = viscosidade da amostra em centipoises (cps)
T = tempo de escoamento da amostra em segundos
K = constante K

6.5.2.3. DETERMINAÇÃO DA DENSIDADE (para produtos fluidos)


Densidade é a relação entre a massa e o volume. Existem várias formas de densidade:
• Densidade absoluta é uma propriedade física de cada substância, cujo valor é
calculado pela relação entre certa massa da substância e o volume ocupado por essa
massa (d = m/V), tomando por unidade geralmente o grama por centímetro cúbico
3 3
(g/cm ). No sistema internacional, a unidade é o quilograma por metro cúbico (kg/m ).
• Densidade relativa é a relação entre a densidade absoluta de uma substância e a
densidade absoluta de outra substância estabelecida como padrão.
• Densidade aparente é a relação direta entre a massa de uma amostra e seu volume
específico, medido em proveta graduada.
• Densidade específica é uma densidade relativa, sendo utilizada como padrão a
3 3
densidade absoluta da água, que é igual a 1.000 kg/dm ou g/cm a 4°C (temperatura
em que a água é mais densa). No caso de gases, é tomada em relação ao ar ou ao
hidrogênio.
Princípio - Baseia-se na razão entre a massa e o volume de uma dada amostra.
Descrição do Método - A densidade pode ser medida utilizando-se picnômetro metálico,
picnômetro de vidro, densímetro e densímetro digital.
Determinação da densidade aparente: deve-se pesar uma quantidade da amostra e introduzi-la
na proveta, tampando-a em seguida. Para os produtos na forma de pó, é necessário acomodar
a amostra, eliminando o ar entre as partículas por meio de leves batidas em movimentos
verticais, padronizados, com altura fixa, sobre uma superfície lisa, até obter volume constante.
Deve-se anotar o volume.
Cálculo:

Onde:
dA = densidade aparente em g/mL
m = massa da amostra (g)
v = volume final (mL)

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Determinação da densidade em picnômetro de vidro ou metálico: utiliza-se o de vidro para
os produtos líquidos e o de metal para os produtos semi-sólidos e viscosos. Pesa-se o
picnômetro vazio e anota-se o seu peso (M0). A seguir, deve-se enchê-lo completamente com
água purificada, evitando-se a introdução de bolhas. Após secá-lo cuidadosamente, é
necessário pesá-lo novamente e anotar seu peso (M1). O próximo passo é encher
completamente o picnômetro (limpo e seco) com a amostra, evitando a formação de bolhas.
Depois de secá-lo cuidadosamente, ele deve ser pesado mais uma vez e ter seu peso (M2)
anotado.
Cálculo:

Onde: d = densidade
M0= massa do picnômetro vazio (g)
M1= massa do picnômetro com água purificada (g)
M2= massa do picnômetro com a amostra (g)

Determinação da densidade em soluções alcoólicas: transfere-se a amostra para uma proveta


adequada, ajustando-se a temperatura da amostra de acordo com a especificação do
alcoômetro. A seguir, deve-se introduzir o densímetro (também chamado de Alcoômetro Gay-
Lussac) na amostra e proceder à leitura na escala do densímetro.
Determinação da densidade por densímetro digital: depois de esperar o aparelho atingir a
temperatura determinada pela calibração, injeta-se a amostra com uma seringa, lentamente,
tendo o cuidado de não deixar formar bolhas no tubo de vidro. O aparelho, então, realizará a
leitura.

6.5.2.4. DETERMINAÇÃO DE MATERIAIS VOLÁTEIS E RESÍDUO SECO (para matérias-


primas e produtos finais)
Determinada quantidade da amostra, pesada analiticamente, é submetida à secagem em
estufa aquecida a uma temperatura preestabelecida (de acordo com as características da
amostra), até atingir peso constante. Em geral a água está incluída nos materiais voláteis.
A diferença entre a massa da amostra, antes e depois da secagem, revela a massa dos
componentes da formulação que volatilizam ou não naquelas condições. O material
remanescente é denominado resíduo seco. Este método fornece resultados numéricos
facilmente interpretados, normalmente expressos em porcentagem.
Cálculo de materiais voláteis:

Onde:
MV = materiais voláteis (%)
mi = massa inicial da amostra (g)
mf = massa final da amostra (g)

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Cálculo do resíduo seco:

Onde: RS = resíduo seco (%)


mi = massa inicial da amostra (g)
mf = massa final da amostra (g)

6.5.2.5. DETERMINAÇÃO DO TEOR DE ÁGUA/UMIDADE (para produtos fluídos e com


baixas quantidades de água)
Vários são os métodos utilizados para a determinação quantitativa de água em um produto
acabado. Os mais usuais são: Método Gravimétrico, Destilação em Aparelho Dean-Stark e
Método Titulométrico de Karl-Fischer. Esses métodos fornecem resultados numéricos,
facilmente interpretados. O método de ensaio dependerá da escolha do equipamento utilizado.

6.5.3. ENSAIOS QUÍMICOS


Determinação química – análise qualitativa e quantitativa - A análise química é caracterizada
como a aplicação de um processo ou de uma série de processos para qualificar e/ou
quantificar uma substância ou componentes de uma mistura, ou para determinar a estrutura de
compostos químicos. Alguns ensaios químicos sabões e detergentes comerciais:

6.5.3.1. DETERMINAÇÃO DO TEOR DE PERÓXIDO DE HIDROGÊNIO (para produtos


líquidos)
Método do Tiossulfato
Este método descreve o doseamento de peróxido de hidrogênio com Tiossulfato de Sódio e
aplica-se a amostras de alvejantes para roupas que contenham essa substância.
Princípio
O presente método baseia-se na reação de oxidação do iodeto de potássio pelo peróxido de
hidrogênio, em que o iodeto passa a iodo molecular, que será posteriormente titulado com
solução padronizada de tiossulfato de sódio.
Procedimento
• Pesar analiticamente uma quantidade de amostra que contenha aproximadamente 0,6
g de peróxido de hidrogênio em um béquer de 100 mL.
• Adicionar 10 mL de água destilada e transferir quantitativamente para um balão
volumétrico de 250 mL.
• Transferir 10 mL da solução amostra para um frasco para determinação de iodo de 250
mL (Erlenmeyer com rolha de vidro).
• Adicionar 100 mL de ácido sulfúrico 1 mol/L, 20 mL da solução saturada de iodeto
de potássio e três gotas de molibdato de amônio.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 152


• Titular o iodo formado com solução de tiossulfato de sódio 0,1mol/L, adicionando
algumas gotas da solução de amido pouco antes do ponto de viragem.
• Preparar um branco contendo todos os reagentes, exceto a amostra.

Cálculo:
P = (V x 4,252 x fc) / m

Onde:
P = percentual de peróxido de hidrogênio (p/p)
V = volume de tiossulfato de sódio 0,1mol/L gasto (mL)
fc = fator de correção da solução de tiossulfato de sódio 0,1 mol/L
m = massa da amostra (g)

Método do Permanganato
Este método descreve o doseamento de peróxido de hidrogênio com Permanganato de
Potássio em meio ácido e aplica-se a amostras de alvejantes para roupas que contenham essa
substância.
Princípio
O presente método baseia-se na reação de permanganometria, conforme a equação a seguir:

Procedimento
• Pesar analiticamente uma quantidade de amostra que contenha aproximadamente 0,6
g de peróxido de hidrogênio em um béquer de 100 mL.
• Adicionar 10 mL de água destilada e transferir quantitativamente para um balão
volumétrico de 250 mL.
• Transferir 5 ml da solução amostra para um frasco de iodo de 250 mL e
adicionar 20 ml de ácido sulfúrico 1 mol/L.
• Titular com a solução de permanganato de potássio 0,1mol/L, até que persista por 15
segundos, uma cor rosa-pálida.

Cálculo: P = (V x fc x 1,701 x 100) / m

Onde:
P = percentual de peróxido de hidrogênio (p/p)
V = volume de permanganato de potássio 0,1 mol/L gasto na titulação (mL)
fc = fator de correção da solução de permanganato de potássio 0,1 mol/L
m = massa da amostra em miligramas (mg)

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6.5.3.2. DETERMINAÇÃO DO TEOR DE HIDRÓXIDO DE SÓDIO (para produtos líquidos)
Consiste na determinação do teor de hidróxido de sódio por volumetria de neutralização. Este
método aplica-se a amostras de detergentes multiusos que contenham hidróxido de sódio ou
outros alcalinizantes afins em suas formulações.
Princípio
O presente método baseia-se na reação de neutralização que ocorre entre um ácido forte e
uma base forte, utilizando o alaranjado de metila e a fenolftaleína como indicadores.
Preparo da Amostra
• Pesar em balança analítica uma quantidade de amostra que contenha
aproximadamente 1,5 g de hidróxido de sódio em um béquer de 250 mL.
• Adicionar 100 mL de água destilada.
• Resfriar e transferir, quantitativamente, para um balão volumétrico de 250 mL.
• Completar o volume com água destilada e homogeneizar.
Procedimento
• Transferir quantitativamente 25 mL da solução amostra preparada para um Erlenmeyer
de 250 mL.
• Adicionar 50 mL de água destilada e duas gotas de solução aquosa de alaranjado de
metila.
• Titular com solução de ácido clorídrico 0,1mol/L até que a solução mude de coloração
amarela para laranja. Anotar o volume de ácido clorídrico 0,1mol/L consumido (V1).
• Transferir quantitativamente 25 mL da solução amostra preparada para um Erlenmeyer
de 250 mL.
• Adicionar 25 mL de água destilada e duas gotas de solução alcoólica de fenolftaleína.
• Titular com solução de ácido clorídrico 0,1mol/L até que a coloração da solução mude
de rosa para incolor. Anotar o volume de ácido clorídrico 0,1mol/L consumido (V2).

Cálculo:
P = (Vf x fc x mEq x 100) / m x (25/250) = (Vf x fc x 0,4) / (m x 0,1)

Onde:
P = percentual de hidróxido de sódio (m/m)
Vf = volume final de ácido clorídrico 0,1mol/L gasto na titulação (mL)
mEq = miliequivalente em gramas do hidróxido de sódio (0,004 g)
fc = fator de correção da solução de ácido clorídrico 0,1mol/L
m = massa da amostra (g)
25 = alíquota da amostra utilizada na titulação
250 = volume final da amostra no balão volumétrico

Nota: Vf = V1 - 2(V1 - V2), onde V1 corresponde ao volume de ácido clorídrico 0,1mol/L consumido na titulação
com indicador alaranjado de metila e V2 corresponde ao volume de ácido clorídrico 0,1mol/L consumido na
titulação com indicador fenolftaleína.

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6.5.3.3. DETERMINAÇÃO DO TEOR DE HIDRÓXIDO DE AMÔNIO (NH4OH) OU AMÔNIA (NH3)
Este método descreve a dosagem do teor de amônia livre. Aplica-se a detergentes multiusos
ou amoniacais que contenham amônia em suas formulações
Princípio
O presente método baseia-se na reação de neutralização que ocorre entre um ácido forte e
uma base fraca, utilizando vermelho de metila como indicador.
Procedimento
Pesar uma quantidade de amostra que contenha 0,25 g de amônia em um Erlenmeyer de 250
mL.
Adicionar 100 mL de água destilada e três gotas de vermelho de metila como indicador.
Titular com solução de ácido sulfúrico 0,5 mol/L até o aparecimento da coloração vermelha.

Cálculos:
Cálculo Expresso em Amônia (NH3) P = (V x fc x 1,703) / m
Onde:
P = percentual de amônia (NH3) (p/p)
V = volume de ácido sulfúrico 0,5 mol/L utilizado na titulação da amostra (mL)
fc = fator de correção do titulante
m = massa da amostra (g)

Cálculo Expresso em Hidróxido de Amônio (NH4OH) P = (V x fc x 3,505) / m


Onde:
P = percentual de hidróxido de amônio (NH4OH) (p/p)
V = volume de ácido sulfúrico 0,5 mol/L utilizado na titulação da amostra (mL)
fc = fator de correção do titulante
m = massa da amostra (g)

6.5.3.4. DETERMINAÇÃO DA ALCALINIDADE LIVRE E DA ACIDEZ LIVRE


Este método descreve a dosagem de alcalinidade em matérias-primas (barrilha, carbonatos,
tripolifosfatos, silicatos etc) ou em produtos finais (sabões pastosos, em barras, raspados,
detergentes em pó e afins) ou de acidez livre (se for o caso nos materiais ensaiados).
Princípio
A alcalinidade e a acidez são determinadas por reação de neutralização.
Determinação do pH
• Preparar uma solução a 10%, pesando 2 g do sabão e dissolvendo com 20 mL de
água destilada.
• No caso de sabões sólidos, cortar ao meio e, com um ralador, raspar aparas deste
material.
• Introduzir o eletrodo nesta solução e medir o pH (deve estar em torno de 10,4).
Alcalinidade Livre
• Pesar 5 g da amostra em um béquer de vidro de 200 mL.
• À parte, neutralizar cerca de 150 a 200 mL de etanol com hidróxido de sódio 0,1mol/L,
usando duas gotas de fenolftaleína como indicador.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 155


• Aquecer o etanol até o início da fervura.
• Iniciar a dissolução das 5 g de aparas da amostra, com o auxílio, inicialmente, de 50 a
100 mL de etanol aquecido, mantendo o aquecimento.
• Filtrar a vácuo em funil de placa porosa contendo um papel de filtro sobre a placa.
• Lavar o béquer e o funil com etanol aquecido.
• Se o filtrado possuir coloração rosa, transportá-lo para um Erlenmeyer de 500 mL e
titular com solução volumétrica de ácido clorídrico 0,1mol/L até o descoramento da
solução.
• Fazer três determinações e usar o valor médio.
Cálculos:
P = (V x fc x 0,004 x 100) / m
Onde:
P = percentual de alcalinidade livre (em hidróxido de sódio) (p/p)
V = volume do titulante gasto na amostra (mL)
fc = fator de correção do titulante
m = massa da amostra (g)

• Se o filtrado estiver incolor, isto indica ausência de alcalinidade livre, podendo ser
determinada a acidez livre em ácido oléico. Nesse caso, titular com solução
volumétrica de hidróxido de sódio 0,1mol/L até atingir a coloração rosa.
Cálculos:
P = (V x fc x 0,028245 x 100) / m
Onde:
P = percentual de acidez livre (em ácido oléico) (p/p)
V = volume do titulante gasto na amostra (mL)
fc = fator de correção do titulante
m = massa da amostra (g)

6.5.3.5. DETERMINAÇÃO DO TEOR DE ÁCIDOS GRAXOS


Este método descreve a dosagem de ácidos graxos em sabões pastosos, em barras ou
ralados, derivados de óleos e gorduras.
Princípio
O presente método baseia-se na extração dos ácidos graxos presentes na amostra através de
um solvente orgânico (éter de petróleo), tratamento em estufa, pesagem e cálculo por diferença
de peso.
Procedimento
• Pesar analiticamente 5 g da amostra em um béquer de 250 mL e adicionar 50 mL de
água destilada e 50 mL de álcool etílico.
• Aquecer em banho-maria ou chapa de aquecimento até a completa dissolução da
amostra.

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• Transferir quantitativamente a solução para um funil de separação de 500 mL, lavando
o béquer com porções de água destilada e álcool etílico, não permitindo que o volume
ultrapasse um total de 160 mL.
• Adicionar três gotas do indicador alaranjado de metila e neutralizar a solução com
algumas gotas de ácido sulfúrico 1:4, adicionando um pequeno excesso.
• Lavar o béquer com 50 mL de éter de petróleo e transferir para um funil de separação
de 500 mL contendo a solução.
• Agitar vigorosamente e deixar em repouso, a fim de obter a separação das duas fases.
• Recolher a fase aquosa no béquer inicial e a fase etérea em outro funil de separação
de 500 mL.
• Transferir a fase aquosa, novamente, para o funil de separação inicial e repetir a
extração por mais cinco vezes, utilizando 50 mL de éter de petróleo.
• Lavar a fase etérea, contida no funil de separação, com água destilada, até a
neutralização da água de lavagem, utilizando alaranjado de metila como indicador.
• Transferir a fase etérea neutralizada para um béquer previamente tarado.
• Evaporar a solução até a secura em banho-maria ou chapa de aquecimento e secar em
estufa a 105°C, até atingir peso constante.
Cálculo:
P = m2 x 100 / m1
Onde:
P = percentual de ácido graxo total (p/p)
m2 = massa do resíduo seco (g)
m1 = massa da amostra (g)

6.5.3.6. DETERMINAÇÃO DO TEOR DE TENSOATIVOS ANIÔNICOS E CATIÔNICOS (para


ácido sulfônico, lauril (matérias-primas tensoativas) e detergentes líquidos e soluções de
sabões ou detergente em pó previamente diluídos).
Este método descreve a dosagem de tensoativos aniônicos ou catiônicos e aplica-se a
amostras que apresentam um desses tensoativos em sua formulação.
Princípio
O método em questão baseia-se no fato de que uma espécie aniônica ou catiônica de alta
massa molecular é capaz de reagir com um corante que também possua elevada massa
molecular, originando um produto de associação iônica colorido, solúvel em solventes
orgânicos e imiscível em água.
Preparo de Soluções
• Solução Estoque do Indicador Misto - Pesar exatamente 0,25 g de azul de dissulfina
(disulphine blue VN 150) em um béquer de 50 mL e 0,5 g de dimidium bromide em
outro béquer de 50 mL; adicionar a cada béquer 25 mL de solução aquecida de
metanol a 10%. Transferir as soluções para um balão volumétrico de 250 mL e
completar o volume com solução de metanol a 10%.

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• Solução Indicadora Mista - Misturar, em um balão de 500 mL, 20 mL de solução
estoque, 20 mL de ácido sulfúrico 2,4 mol/L ou 3 mL de ácido sulfúrico concentrado, e
completar o volume com água destilada.
• Solução Padrão de Cloreto de Benzetônio 0,004mol/L - Pesar com precisão 1,7924 g
de cloreto de benzetônio e dissolver com água em um balão volumétricode1000 mL;
acrescentar 0,4 mL de hidróxido de sódio a 50% e completar o volume com água
destilada. Padronizar essa solução com lauril sulfato de sódio 0,004mol/L.
• Solução Padrão de Lauril Sulfato de Sódio 0,004mol/L - Pesar exatamente o
equivalente a 1,15 g de lauril sulfato de sódio PA em um béquer de 100 mL.
Dissolver em água destilada, transferir quantitativamente para um balão de 1000 mL,
completar com água destilada e homogeneizar. (Se o lauril sulfato de sódio não
apresentar 100% de pureza, corrigir a quantidade do pó a ser pesado para o preparo
da solução padrão 0,004mol/L, conforme o teor de pureza encontrado).
• Padronização do Lauril Sulfato de Sódio - Pesar analiticamente 5 ± 0,2 g de lauril
sulfato de sódio em um balão de fundo redondo de 250 mL com junta esmerilhada e
adicionar 25 mL de ácido sulfúrico 0,5 mol/L, usando uma bureta de 50 mL; adaptar um
condensador e manter em refluxo. Durante os primeiros cinco a dez minutos, a solução
irá espumar. Quando cessar a espuma, ferver cuidadosamente durante duas horas.
Parar o aquecimento e esfriar a solução. Lavar o condensador com 30 mL de água
destilada e remover o balão do condensador, adicionando algumas gotas de
fenolftaleína. Titular com hidróxido de sódio 1mol/L até o aparecimento do primeiro tom
de rosa. Preparar um branco da mesma maneira descrita para a solução padrão de
lauril sulfato de sódio.

Cálculo:
P = [28,84 x (Va – Vb) x fc] / m
Onde:
P = percentual de tensoativos catiônicos ou aniônicos na amostra (p/p)
Va = volume de hidróxido de sódio utilizado na titulação do lauril sulfato de sódio (mL)
Vb = volume de hidróxido de sódio utilizado na titulação do branco (mL)
fc = fator de correção do titulante
m = massa da amostra (g)

Preparo de Amostras
• Amostra de Produtos em Pó – Pesar aproximadamente 10 g do produto triturado e
transferir para um Erlenmeyer de 250 mL com rolha esmerilhada. Adicionar 20 mL de
solução saturada de carbonato de potássio (duas vezes em volume a massa do
produto) e 30 mL de isopropanol. Agitar com o auxílio de um agitador magnético por
trinta minutos e filtrar com um funil de Büchner, lavando o resíduo com 10 mL de
isopropanol. Transferir as duas fases para um funil de separação, recolher a fase

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alcoólica e extrair a fase aquosa com 10 mL de isopropanol, agitando por 1 minuto.
Juntar os extratos alcoólicos e concentrar em banho-maria, sem secar completamente.
Redissolver em água, transferir quantitativamente para um balão de 250 mL e
completar o volume com água destilada
• Amostra de Produtos Líquidos - Caso o produto não possa ser analisado diretamente
por motivo de interferência ou qualquer outro problema, proceder à extração, como
descrito a seguir. Pesar com precisão 20g do líquido em um Erlenmeyer de 250 mL
com rolha esmerilhada e adicionar de 8 a 10 g de carbonato de potássio. Adicionar 30
mL de isopropanol e agitar com o auxílio de um agitador magnético por trinta minutos.
Prosseguir como descrito para produtos em pó, a partir da filtração em Büchner.
(Notas: 1)Se o produto apresentar caráter ácido, o mesmo deve ser neutralizado com solução de hidróxido
de potássio antes da adição do carbonato de potássio. 2) Caso o produto contenha cloro, este deve ser
inativado com adição em excesso de peróxido de hidrogênio ou uréia, que são facilmente eliminados por
aquecimento).

• Amostra de Sabões Sólidos - Pesar analiticamente 10 g da amostra previamente


ralada. Transferir para um Erlenmeyer de 250 mL com rolha esmerilhada e adicionar 10
mL de solução saturada de carbonato de potássio, 5 g de carbonato de potássio sólido
e cerca de 30 mL de isopropanol. Agitar por trinta minutos e filtrar em funil de Büchner.
Transferir o filtrado para um funil de separação, lavando antes o resíduo com 10 mL de
isopropanol. Juntar os extratos alcoólicos e descartar a fase aquosa. Evaporar o
isopropanol até a secura em banho-maria e dissolver o resíduo em 60 mL de metanol.
Adicionar 20 mL de água destilada para cada 30 mL de metanol e transferir para outro
funil de separação de 250 mL. Lavar com duas porções de 30 mL de n-hexano e
desprezar as mesmas. Neutralizar a fase alcoólica com solução de hidróxido de sódio a
10%. Evaporar o metanol e redissolver o resíduo com água. Transferir a solução para
um balão volumétrico de 250 mL e completar o volume com água.

Dosagem
• Transferir uma quantidade de amostra que contenha aproximadamente 1
miliequivalenteg de tensoativo aniônico ou catiônico para um balão volumétrico de 250
mL.
• Adicionar três gotas de solução de fenolftaleína e, se necessário, adicionar hidróxido de
sódio 0,1mol/L ou ácido sulfúrico 0,05 mol/L, até atingir a coloração rosa-pálida
(ligeiramente alcalino).
• Completar o volume com água destilada.
• Pipetar 15 mL dessa solução para uma proveta de 100 mL com rolha esmerilhada.
• Adicionar 10 mL de solução indicadora mista e 10 mL de clorofórmio.
• Titular com a solução apropriada: no caso de tensoativo catiônico, titular com solução
de lauril sulfato de sódio, sendo o ponto de equivalência a cor cinza-azulada.
• Se o tensoativo for aniônico, titular com solução de cloreto de benzetônio, sendo o
ponto de equivalência a cor cinza-azulada.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 159


Cálculo:
P = (M x F x V x C x fc x 0,1) / m
Onde:
P = percentual de tensoativos na amostra (p/p)
M = massa molar do tensoativo
F = fator de diluição (250/15 = 16,67)
V = volume do titulante gasto (mL)
C = concentração do titulante (mol/L)
fc = fator de correção do titulante
m = massa da amostra (g)

6.5.3.7. DETERMINAÇÃO DO TEOR DE TENSOATIVOS ANIÔNICOS E CATIÔNICOS (para


ácido sulfônico, lauril (matérias-primas tensoativas) e detergentes líquidos e soluções de
sabões ou detergente em pó previamente diluídos).
Este método descreve a dosagem de tensoativos aniônicos ou catiônicos e aplica-se a
amostras que apresentam um desses tensoativos em sua formulação.
Princípio
O indicador misto da determinação anterior pode ser substituído por uma solução de azul de
metileno a 0,1% aditivada (mais econômico), porém a visualização deverá ocorrer através da
comparação de cores presentes nas duas fases formadas (aquosa e clorofórmica). Deve-se
usar um fundo branco para evitar dificuldades visuais.
Materiais e reagentes
Balão volumétrico de 500 mL
Bureta de 10 mL
Pisseta com água destilada
Proveta de 100 mL com boca esmerilhada
Funil comum
Pipetas volumétricas de 5, 10 e 25 mL
Béquer de 150 mL
Soluções fatoradas dos tensoativos: cloreto de benzetônio 0,004 mol/L (mais comum para os
produtos dosados regularmente: detergentes líquidos e em pós) ou lauril sulfato de sódio
0,004 mol/L
Solução indicadora aditivada (50 g de Na2SO4, 36 mL H2SO4 20%, 30 mL de azul de metileno a
0,1%, dissolvidos em água destilada, resfriado e completado o volume para 1000 mL).
Clorofórmio P.A.
Procedimento
• Pesar cuidadosamente cerca de 3,0g da amostra em béquer de 150 mL.
• Adicionar 80 mL de água destilada e com ajuda de bastão de vidro homogeneizar e, se
necessário, aquecer até completa dissolução.
• Transferir o conteúdo para um balão volumétrico de 500 mL e completar o seu volume
com água destilada.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 160


• Pipetar uma alíquota de 10 mL desta amostra e transferir para uma proveta de 100 mL
com boca esmerilhada.
• Adicionar 25 mL de solução indicadora aditivada e 15 mL de clorofórmio e
homogeneizar rapidamente.
• Titular com solução padrão do tensoativo específico fatorado, sob agitação, até que as
colorações das duas fases apresentem a mesma tonalidade azul (utilizar fundo
branco).
• Anotar o volume gasto da solução padrão.

Cálculo:
P = (M x F x V x C x fc x 0,1) / m
Onde:
P = percentual de tensoativos na amostra (p/p)
M = massa molar do tensoativo
F = fator de diluição (500/10 = 50)
V = volume do titulante gasto (mL)
C = concentração do titulante (mol/L)
fc = fator de correção do titulante
m = massa da amostra (g)

6.5.4. ENSAIOS ESPECIAIS DE QUALIDADE


Materiais e reagentes
• Balança
• Béqueres de 100 mL
• Provetas de 100 mL
• Bastão de vidro
• Solução de ácido acético a 4%
• Solução de bicarbonato de sódio 5%
• Amostras de sabão de diferentes marcas (aproximadamente 1 g de cada)
• Amostras de detergentes de diferentes marcas (aproximadamente 1 mL de cada)
• Cronômetro ou relógio com marcação de segundos

6.5.4.1. EFEITO DO AGENTE EMULSIFICANTE (para detergentes)


Procedimento
• Adicione à proveta 10 mL de água, 10 mL de solução de ácido acético a 4% e agite um
pouco este conjunto.
• Adicione, de uma vez, 10 mL de solução de bicarbonato de sódio a 5%.
• Observe à formação da espuma, sua altura na proveta, o tempo de duração e anote os
resultados.
• Repita todo o procedimento adicionando, porém, duas gotas de detergente à solução
de ácido acético a 4%.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 161


6.5.4.2. TESTE DE ESPUMA (para sabões e detergentes)
Procedimento - comparação entre diferentes sabões e detergentes
• Numa proveta de 100 mL, dissolver 0,1g do sabão ou detergente em 10 mL de água
lentamente, com a ajuda de um bastão de vidro. É provável que haja alguma formação
de espuma devido aos gases dissolvidos presentes na água e, além disso, com uma
agitação rápida dissolvem se mais gases (do ar) no sistema. Terminada a dissolução,
espere que toda a espuma inicial tenha sido desfeita.
• A seguir, na mesma proveta, adicione 10 mL de água, 10 mL de solução de ácido
acético a 4%, agite um pouco para homogeneizar e deixe em repouso até que não haja
mais bolhas.
• Adicione 10 mL da solução de bicarbonato de sódio a 5% rapidamente (de uma só
vez), agite e observe a formação da espuma.
• Anote a altura máxima que a espuma atingir e o seu tempo de duração.
• Repita este procedimento com diferentes marcas de sabões e detergentes.

Notas:
1. Se as amostras (detergentes ou sabões líquidos), basta usar de 0,5 a 1 mL, dispensando-se
a balança. O importante é que todas as alíquotas tenham a mesma massa ou volume inicial. É
interessante comparar marcas com preços muito diferentes.
2. Apesar de não haver necessariamente relação entre a capacidade de formação de espuma
e a detergência (capacidade de limpar) de um sabão ou detergente, existe uma tendência dos
consumidores em associar a formação de espuma com alta capacidade detergente.
3. É possível produzir detergentes com grande detergência e quase nenhuma capacidade de
formação de espuma. Esses detergentes funcionam bem em certas condições (grande volume
de fluido lavante, por exemplo).
4. Como em muitos detergentes são adicionadas substâncias promotoras da formação de
espuma, um dado detergente pode ter boa capacidade de formação de espuma e, mesmo
assim, ter baixa detergência. Por isso, estritamente, a simples determinação da capacidade de
formação de espuma de um detergente como neste experimento é somente um indicador
aproximado de sua qualidade.

AVALIAÇÃO DOS RESULTADOS ANALÍTICOS


Os resultados dos ensaios serão considerados satisfatórios quando o valor obtido estiver
dentro das especificações estabelecidas previamente pelo fabricante. Essas especificações
devem atender aos limites permitidos pela legislação vigente.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 162


REFERÊNCIAS

ALBERICI, R. M.; PONTES, F.F.F. de. Reciclagem de óleo comestível usado através da fabricação
de sabão. Engenharia ambiental, Espírito Santo do Pinhal, v.1, n.1, pág. 73 a 760, jan./dez., 2004.

BITTENCOURT FILHA, A. M. B. et AL. Avaliação da qualidade de detergentes a partir do volume de


espuma formado. QUÍMICA NOVA NA ESCOLA. N° 9, MAIO 1999.

LEITE, Lucimar Tunes. Produtos Químicos: Sabão em pó. SBRT. TECPAR: 2005.

OSORIO, V. K. L.; OLIVEIRA, W. DE. Polifosfatos em detergentes em pó comerciais. Química. Nova,


Vol. 24, No. 5, 700-708, 2001.

PEREIRA, Francisco S. G. Processos Químicos. Apostila de Aulas. IFPE, 2010.

PRATES, M. M.. Determinação de propriedades físico-químicas de sabões comerciais em barra


para controle de qualidade. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Engenharia Química).
UFSC. 2006.

Sabão. Disponível em <http://www.cdcc.sc.usp.br/quimica/experimentos/sabao.html>. Acesso em


15/05/08.

SIVIERO, M. Sabão: Preparo e Fabricação. Hemus, São Paulo: 1994.

SHREVE, R. N.; BRINK JR, J. A. Indústrias de processos químicos. Guanabara Dois S/A. Rio de
Janeiro: 1980. 4 ed.

6.6. EXERCÍCIOS PROPOSTOS

1. Do ponto de vista analítico, construa uma tabela mostrando os diversos materiais


normalmente amostrados na evolução do controle de qualidade de: (a) sabão
comercial (b) detergente lava louças. Nesta tabela procure colocar a finalidade da
amostragem de cada material.

2. Cite e explique, pelo menos 3 características do controle estatístico da qualidade,


aplicadas ao processo produtivo de um: (a) detergente alcalino para pisos. (b)
detergente em pó enzimático.

3. Que procedimentos operacionais e analíticos deveriam ser realizados para obter um


concentrado tensoativo a 20%, derivado do ácido dodecilbenzenosulfônico 90%
utilizado para preparações detergentes domissanitárias? Explique detalhado, inclusive
com equações químicas ajustadas.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 163


4. Confronte, pelo menos 3, ensaios analíticos usados no controle de qualidade de
detergentes lava roupas líquido e lava roupas em pó.

5. Os diagramas 1 e 2 seguintes esquematizam um sistema de aplicação do Controle de


Qualidade. Diante destes diagramas, ilustre uma situação cotidiana na análise de
qualidade na indústria de um amaciante de roupas. Explique suas escolhas.

Diagrama 1 Diagrama 2

6. Uma amostra de um sabão de coco comercial pesada em triplicata (2,05g/2,02g/2,03g)


foi dissolvida completamente em álcool etílico neutro, filtrada em funil de Bucher que foi
lavado com água destilada e o filtrado obtido titulado com solução de HCl 0,5 mol/L em
meio aquoso-alcoólico, sendo gastos (2,1mL/1,9mL e 2,0mL) até completa viragem do
indicador fenolftaleína. Calcule o teor de alcalinidade livre da amostra e explique sua
condição para uso cotidiano.

7. Admita o processo produtivo de fabricação do sabão em barras tipo “neutro”, partindo


do sebo bovino e óleo de soja, dividido nas seguintes etapas: condicionamento da
matéria-prima, saponificação, preparação das barras e controle do produto final.
Escolha, em cada etapa, um parâmetro analítico essencial para o controle de qualidade
total nesta produção. Explique sua finalidade na evolução do processo produtivo,
metodologia analítica usada para quantificação, possíveis desvios nos valores
especificados e formas de corrigir.

8. Sobre os ensaios de emulsificação e volume de espuma realizado no controle de


qualidade de alguns sabões e detergentes, responda:
a) Em qual sistema a espuma dura mais tempo: naquele sem detergente ou naquele
com detergente? Explique o porquê, se possível inclua equações ajustadas.
b) Qual detergente apresentou espuma de maior altura e/ou maior tempo médio?
Como podem ser relacionados esses dados com a quantidade de emulsificante na
amostra?

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 164


9. A indústria de domissanitários é constituída de operações unitárias simples nos
processos produtivos. Para o detergente lava louças líquido (fórmula padrão do Brasil)
praticamente envolve operações de neutralização e misturas das matérias-primas. O
seu controle analítico praticamente consiste em ensaios simples destacando-se o teor
de ativos (titulação volumétrica de precipitação com um tensoativo catiônico padrão
fatorado) e outros como: pH (produto puro ou em solução aquosa a 10%), densidade
o
(g/mL), viscosidade (tempo de escoamento em segundos), ponto de turvação ( C) e
volume de espuma (mL). Admita que a normatização produtiva no Brasil considera os
valores dos parâmetros apresentados na primeira coluna da tabela e que foram
determinados estas análises (média das triplicatas) para 4 marcas concorrentes do
mercado. Sobre as informações relatadas e os dados da tabela, responda:
(a) Admitindo que os produtos comerciais apresentem formulações similares em
composição (tensoativos aniônicos e não iônicos e coadjuvantes clássicos), coloque-os
em ordem crescente de qualidade justificando a sua escolha.
(b) Que informações relevantes de qualidade poderiam ser extraídas das análises
efetuadas perante a composição do produto e dos requisitos de segurança e utilização
para o consumidor? Explique detalhado.
(c) Explique a importância dos parâmetros analíticos ensaiados, inclusive o teor de
ativos, para a qualificação comercial destes produtos.

PARÂMETROS
AVALIADOS PADRÃO MARCA MARCA MARCA MARCA
(a 25 oC) A B C D

pH (produto puro)
7,0 ± 0,3 6,3 6,6 6,4 6,5

Densidade (g/mL)
1,25 ± 0,10 1,015 1,551 1,004 1,022

Viscosidade (tempo de
escoamento em segundos) 100 ± 10 69 45 67 80

Ponto de turvação (oC)


2±1 1,5 1,4 2,5 3,0

Volume de espuma (mL)


30 ± 5 26 13 9 20

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.........................................................................................................................................................

.....7................ CONTROLE NA PRODUÇÃO DE COSMÉTICOS ......................

.........................................................................................................................................................

7.1. INTRODUÇÃO
Segundo a legislação sanitária brasileira, os produtos de higiene pessoal, perfumaria e
cosméticos são definidos e regulados quanto à forma e finalidade de uso pela Lei 6360 de 23
de setembro de 1976 e suas atualizações, que dispõe sobre a vigilância sanitária a que estão
sujeitos estes produtos, regulamentada pelo Decreto Lei 79094 de 5 de janeiro de 1977 e
outras normas específicas vigentes.
A ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) publicou em 28 de agosto de 2000, a
Resolução nº. 79, de forma a compatibilizar os regulamentos nacionais com os instrumentos
harmonizados no âmbito do MERCOSUL (GMC-110/94), adotando-se como definição de
cosméticos, produtos de higiene e perfumes:
“Preparações constituídas por substâncias naturais ou sintéticas, de uso externo nas diversas
partes do corpo humano, pele, sistema capilar, unhas, lábios, órgãos genitais externos, dentes
e membranas mucosas da cavidade oral, com objetivo exclusivo ou principal de limpá-los,
perfumá-los, alterar sua aparência e/ou corrigir odores corporais e/ou protegê-los ou ainda
mantê-los em bom estado”. RDC 211/2005.

7.2. NORMAS SANITÁRIAS


Independentemente do tamanho da empresa e do tipo de produto fabricado, as empresas
devem seguir as normas sanitárias que abrangem desde o projeto para a instalação da fábrica
até o lançamento de um novo produto no mercado. Esses cuidados são necessários, não só
para assegurar a qualidade do produto, como também para preservar a saúde do consumidor e
garantir a proteção do meio ambiente.
Ainda na fase de desenvolvimento do projeto arquitetônico, o futuro empresário deve estar
atento às especificações exigidas pela Portaria nº. 348, de 18 de agosto de 1997/SVS/MS, que
determina a todos os estabelecimentos produtores de Produtos de Higiene Pessoal,
Cosméticos e Perfumes, o cumprimento das Diretrizes estabelecidas no Regulamento Técnico
- Manual de Boas Práticas de Fabricação para Produtos de Higiene Pessoal, Cosméticos e
Perfumes.
A Portaria 348/SVS/MS é um guia para fabricação de Produtos de Higiene Pessoal,
Cosméticos e Perfumes no sentido de organizar e seguir a produção dos mesmos de forma
segura para que os fatores humanos, técnicos e administrativos que influem sobre a qualidade
os produtos sejam efetivamente controlados.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 166


7.3. CLASSIFICAÇÃO E CARACTERÍSTICAS DOS PRODUTOS COSMÉTICOS
Os produtos cosméticos podem ser classificados em duas categorias: classe de produto e risco
sanitário.
• Por Classe de Produto: Produtos de Higiene Pessoal, Perfumes, Cosméticos, Produtos
Infantis.
• Pelo Risco Sanitário: Produtos de Grau 1e Produtos de Grau 2.
Os produtos cosméticos podem apresentar como características principais suas finalidades e
áreas de aplicação:
• Finalidade: Limpar, Perfumar, Alterar aparência, Corrigir odores corporais e
Proteger/manter bom estado.
• Área de aplicação/uso: Pele, Sistema capilar, Lábios, Mucosa da cavidade oral,
Dentes, Unhas, Órgãos genitais externos.

7.4. MATÉRIAS-PRIMAS DOS COSMÉTCOS


Em uma formulação ou composição cosmética podem-se encontrar substâncias ou grupo de
substâncias que vão compor as seguintes categorias: veículos ou excipientes, ativos ou
princípios ativos, conservantes, corretivos, emolientes, umectantes, espessantes, hidratantes,
corantes, pigmentos, perfumes ou óleos essenciais. Essas matérias-primas podem ser de
origem inorgânica ou orgânica, natural ou sintética. Dentre estas tem-se:.
Tensoativos - Substâncias que podem reduzir a tensão superficial dos líquidos; classificam-se
como: umectantes, detergentes, emulsionantes e solvente.
A primeira substância a ser estudada foi o sabão, produzido através de uma reação de
hidrolise de uma gordura/óleo numa solução básica resultando em glicerol e no sabão,
propriamente dito.
Através do estudo da molécula do sabão, estudou-se a síntese de outras moléculas que
tivessem a mesma (ou semelhante) constituição molecular, daí surgiram os tensoativos.
São constituídos por:
Grupo Lipofílico – grupo químico solúvel em óleo/gorduras; são cadeias de hidrocarbonetos
mais ou menos longas, ou estruturas derivadas.
Grupo Hidrofílico – grupo químico solúvel em água; grupos funcionais de caráter iônico.
A solubilidade em água de um agente tensoativo diminui com o aumento da cadeia lipofílica.
Balanço Hidrofílico-Lipofílico (valor HLB) - Os tensoativos também podem ser classificados
conforme seu valor HLB, numa escala de 0 (totalmente lipofílico) a 20 (totalmente hidrofílico):
É importante conhecer o valor HLB, pois deste deriva sua aplicação:

Valor de HLB Aplicação


3-6 Emulsionantes água/óleo (A/O)
7-9 Umectantes

8 - 18 Emulsionantes óleo/água (O/A)

11 - 15 Detergentes
15 - 18 Solventes

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 167


Dispersantes - Agem como os emulgadores das emulsões, colocando-se nas interfaces; sua
presença torna possível dispersões coloidais ou suspensões de sólidos em líquidos, nos quais
estes não são solúveis. O dispersante age impedindo a reaglomeração dos sólidos.
Umectantes - Substâncias que tem a propriedade de molhar rapidamente outras substâncias;
tem HLB 7 a 9 (são lipofílicos).
Os substratos têxteis crus não absorvem água, devido a presença de gorduras e óleos
(naturais/adicionados artificialmente na fiação) que impedem a penetração de água.
Quando da adição de umectantes a água, devido a afinidades destes por gorduras, a tensão
superficial da água é reduzida e o material têxtil se molha.
Detergentes - São tensoativos que tem a propriedade de umectação, remoção e dispersão da
sujeira e de emulgador de gorduras.
A ação do detergente é regulada pelo seu valor HLB (11 – 15):
- HLB baixo: maior capacidade de umectação;
- HLB alto: maior capacidade de emulsionar gorduras na água, e menor capacidade de
umectação.
Caráter iônico dos tensoativos – Os tensoativos podem ser classificados como:
Tensoativos catiônicos (substância cátion ativa): tem grupo químico carregado (+).
Os grupos mais comuns são os grupos amínicos (freqüentemente encontrados nos
amaciantes);
Tensoativos aniônicos (substância anionativa) tem grupo químico carregado (-).
Seus radicais mais comuns são os grupos carboxílicos, sulfônicos e sulfatos (freqüentemente
encontrados nos detergentes, umectantes, dispersantes e emulsionantes).
Tensoativos não iônicos: não se ionizam, logo não possuem carga. Os radicais mais comuns
são éter, hidroxi, éster.
Tensoativos anfóteros: podem assumir caráter catiônicos ou aniônico dependendo do pH do
meio.
Quelantes/sequestrantes - Agentes quelantes ou sequestrantes aparecem praticamente em
todas as fórmulas de produtos de cosméticos.
Estes compostos retiram íons que estão presentes na água e que podem reduzir a ação do
produto como os íons cálcio e magnésio, componentes que tornam a água dura e prejudicam a
ação dos tensoativos aniônicos (sabões e detergentes) ou interferem na formulação.
Corantes - Os corantes utilizados em formulações servem mais como um apelo de marketing e
normalmente estão vinculados ao odor. Deve-se sempre verificar se o corante tem seu uso
permitido por lei e se o mesmo não interfere nas aplicações finais do produto.
Essências - São utilizadas para caracterizar o produto e tornar o seu uso mais agradável,
encobrindo o odor forte de matérias-primas da formulação.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 168


7.5. FABRICAÇÃO DE COSMÉTICOS
Devido às diferenças verificadas nos processos industriais de cada tipo de produto, as etapas e
atividades associadas à produção propriamente dita devem ser individualmente descritas e
representadas em fluxogramas específicos, de forma individual ou agrupada, em função das
respectivas similaridades fabris. As etapas e respectivas atividades consideradas comuns à
maior parte dos processos produtivos envolvidos compõem o diagrama representado na figura.

FLUXOGRAMA GERAL DO SETOR DE HIGIENE PESSOAL, PERFUMARIA E COSMÉTICOS

Matérias-primas

RECEPÇÃO DE
MATÉRIAS-PRIMAS

Materiais de
embalagens ARMAZENAMENTO
Pallets
etc

ANÁLISES
PESAGEM E
SEPARAÇÃO DE FISICO-QUÍMICAS
MATÉRIAS-PRIMAS E
MICROBIOLOGIAS

PRODUÇÃO

ENVASE/
EMBALAGEM

ARMAZENAMENTO/
EXPEDIÇÃO

Cosmético comercial

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 169


As atividades relacionadas ao recebimento, armazenagem, separação e pesagem de matérias-
primas, análises físico-químicas e organolépticas (para fins de controle de qualidade, quando
aplicável), envase, embalagem, armazenamento e expedição de produto acabado são
consideradas comuns na obtenção de todos os produtos, e, portanto são apresentadas na
forma de um fluxograma geral (mostrado na página anterior).
Recebimento de matérias-primas - Verificação do material recebido, por amostragem e
análises. Eventuais desconformidades identificadas podem levar à devolução desses materiais
aos respectivos fornecedores.
Armazenagem - Estoque de matérias-primas, embalagens para os produtos acabados e
demais insumos normalmente recebidos em recipientes retornáveis. Pode haver segregação
de produtos, por razões de compatibilidade, bem como necessidade de condições especiais de
conservação, como, por exemplo, refrigeração.
Pesagem e separação de matérias-primas para produção do lote - Para cada produto a ser
obtido, as matérias-primas são previamente separadas e pesadas de acordo com as
quantidades necessárias, e encaminhadas à produção. Os insumos recebidos a granel e
estocados em tanques ou silos podem ser conduzidos ao setor produtivo por linhas de
distribuição, dependendo do nível tecnológico da empresa.
Produção - Em função da diversidade de produtos e das peculiaridades verificadas em seus
processos produtivos, para essa etapa devem ser desenvolvidos fluxogramas específicos por
tipo ou grupo de produtos que envolvam operações similares.
Análises - Uma vez finalizado, o lote produzido é amostrado e submetido a análises físico-
químicas e microbiológicas (quando aplicável), e, após atestada sua adequação, este é
encaminhado para envase/embalagem. Nos casos em que o produto acabado não está de
acordo com os padrões estabelecidos, o lote poderá ser reprocessado a fim de atender às
exigências/padrão de qualidade, reaproveitado na fabricação de outros produtos ou
descartado.
Envase/Embalagem - Confirmada a adequação do produto, o mesmo é acondicionado em
recipientes apropriados e identificados. Esta etapa engloba o acondicionamento de produtos
em frascos (plásticos ou de vidro), sacos, bisnagas ou o empacotamento, no caso de
sabonetes, por exemplo. Uma vez embalado, o produto é identificado por rótulo ou impressão.
Armazenamento de produtos acabados - O produto já acondicionado em embalagem para
comercialização é encaminhado para a área de armazenamento, onde permanece até que seja
enviado ao cliente.
Expedição - Ponto de saída dos produtos acabados para o comércio.

7.6. ESTABILIDADE DE PRODUTOS COSMÉTICOS


O estudo das características de produtos cosméticos fornece informações que indicam o grau
de estabilidade relativa deste nas variadas condições a que possa estar sujeito desde sua
fabricação até o término de sua validade.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 170


Essa estabilidade é relativa, pois varia com o tempo e em função de fatores que aceleram ou
retardam alterações nos parâmetros do produto. Modificações dentro de limites determinados
podem não configurar motivo para reprovar o produto.
O estudo da estabilidade de produtos cosméticos contribui para:
• Orientar o desenvolvimento da formulação e do material de acondicionamento
adequado;
• Fornecer subsídios para o aperfeiçoamento das formulações;
• Estimar o prazo de validade e fornecer informações para a sua confirmação;
• Auxiliar no monitoramento da estabilidade organoléptica, físico-química e
microbiológica, produzindo informações sobre a confiabilidade e segurança dos
produtos.
Fatores que influenciam a estabilidade - Cada componente, ativo ou não, pode afetar a
estabilidade de um produto. Variáveis relacionadas à formulação, ao processo de fabricação,
ao material de acondicionamento e às condições ambientais e de transporte podem influenciar
na estabilidade do produto. Conforme a origem, as alterações podem ser classificadas como
extrínsecas, quando determinadas por fatores externos ou extrínsecos (tempo, temperatura, luz
e oxigênio, umidade, material de acondicionamento, microrganismos e vibração); ou
intrínsecas, quando determinadas por fatores inerentes à formulação (pH, reações de hidrólise,
incompatibilidade física, interações entre ingredientes ou entre ingredientes e embalagem).
Parâmetros de avaliação na estabilidade - Os parâmetros a serem avaliados devem ser
definidos pelo formulador e dependem das características do produto em estudo e dos
ingredientes utilizados na formulação.
De modo geral, avaliam-se: Parâmetros Organolépticos: aspecto, cor, odor e sabor, quando
aplicável; Parâmetros Físico-Químicos: valor de pH, viscosidade, densidade, e em alguns
casos, o monitoramento de ingredientes da formulação; Parâmetros Microbiológicos: contagem
microbiana e teste de desafio do sistema conservante (Challenge Test).
Estudos de estabilidade - Antes de iniciar os Estudos de Estabilidade, recomenda-se submeter
o produto ao teste de centrifugação. Sugere-se centrifugar uma amostra a 3.000 rpm durante
30 minutos. O produto deve permanecer estável e qualquer sinal de instabilidade indica a
necessidade de reformulação. Se aprovado nesse teste, o produto pode ser submetido aos
testes de estabilidade: preliminar, acelerada (normal ou exploratória), teste de prateleira, teste
de compatibilidade entre materiais, teste de transporte e distribuição
Avaliação das características do produto - Os parâmetros a serem avaliados nos produtos
submetidos a testes de estabilidade devem ser definidos pelo formulador e dependem das
características do produto em estudo e dos componentes utilizados na formulação. São elas:
organoléptica, físico-química e microbiológica.
Prazo de validade de produtos cosméticos - No Brasil, a obrigatoriedade da indicação do prazo
de validade na embalagem dos produtos cosméticos, à vista do consumidor, está estabelecida
em legislação específica, Resolução 79/00 e suas atualizações e Lei 8.078/90 - Código de
Proteção e Defesa do Consumidor.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 171


O prazo de validade - caracterizado como o período de vida útil, durante o qual o produto
mantém suas características originais - antes de ser um requisito legal, é, sobretudo, um
requisito técnico de qualidade, pois um produto instável do ponto de vista físico-químico,
microbiológico ou toxicológico, além da perda de eficácia poderá também causar algum dano e
comprometer a confiabilidade frente ao consumidor.
Devido à natureza particular das formulações dos produtos cosméticos, se aceita como regra
geral, a impossibilidade da eleição de um ingrediente isolado do restante da formulação. Assim,
torna-se difícil a aplicação da relação entre constante cinética, temperatura e uma correlação
direta dessas variáveis com o prazo de validade estimado. Portanto, o prazo de validade pode
ser estimado por meio dos Estudos de Estabilidade, e sua confirmação deve ser realizada por
meio do Teste de Prateleira.
Relatório de conclusão dos estudos de estabilidade - Ao término dos Estudos de Estabilidade,
sugere-se a elaboração de um relatório com as seguintes informações:
• Identificação do produto
• Material de acondicionamento utilizado no teste
• Condições do estudo (condições de armazenamento das amostras, período de tempo
do teste e periodicidade das avaliações)
• Resultados (poderão ser registrados na forma de tabela relacionando as condições de
armazenamento, tempo e periodicidade das análises)
• Conclusão (avaliar os resultados obtidos, relatar se o produto foi aprovado ou não,
condições em que o teste foi conduzido, e estimar o prazo de validade)
• Assinatura do responsável pelo estudo

7.7. CONTROLE DE QUALIDADE DOS COSMÉTICOS


O Controle de Qualidade é o conjunto de atividades destinadas a verificar e assegurar que os
ensaios necessários e relevantes sejam executados e que o material não seja disponibilizado
para uso e venda até que o mesmo cumpra com a qualidade preestabelecida. Não deve se
limitar às operações laboratoriais, mas abranger todas as decisões relacionadas à qualidade do
produto. É fundamental que esse processo seja permanentemente auditado, de maneira a
corrigir possíveis distorções e garantir a sua melhoria contínua.
Os ensaios de Controle de Qualidade têm por objetivo avaliar as características físicas,
químicas e microbiológicas das matérias-primas, embalagens, produtos em processo e
produtos acabados. Assim, a verificação da conformidade das especificações deve ser vista
como um requisito necessário para a garantia da qualidade, segurança e eficácia do produto e
não somente como uma exigência regulatória. Este tópico aborda o controle físico-químico de
alguns produtos acabados.
Algumas considerações importantes para o controle de qualidade destes produtos:
1. As diretrizes, definições, especificações analíticas e instruções propostas neste tópico,
que visem à avaliação da qualidade dos cosméticos, devem considerar sua adequação
às características particulares de cada produto.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 172


2. O controle de qualidade de matérias-primas e de materiais de embalagem, assim como
o controle microbiológico de produtos cosméticos, não são objetos deste texto.
3. Com o objetivo de facilitar a leitura deste texto, os “produtos de higiene pessoal,
cosméticos e perfumes” serão denominados pela expressão “produtos cosméticos”.

Especificações de controle de qualidade - São documentos que descrevem atributos de


matérias-primas, materiais de embalagem, produtos a granel, semi-acabados e acabados.
As especificações de Controle de Qualidade são estabelecidas pela empresa atendendo à
regulamentação e às normas vigentes, tais como as Listas Restritiva de Corantes, de
Conservantes e de Filtros Solares, entre outras, de modo a assegurar a qualidade, a segurança
e a eficácia do produto. Os compêndios, as farmacopéias, os fornecedores de matérias-primas,
as pesquisas e as tendências mercadológicas podem ser considerados como referências.
As especificações devem estar devidamente autorizadas e datadas, e devem ser revisadas
periodicamente, por profissional competente, em relação aos ensaios preestabelecidos para
cada produto.
De modo geral, um documento de especificação pode conter:
a) Identificação do material ou produto.
b) Fórmula ou referência à mesma.
c) Forma cosmética e detalhes da embalagem.
d) Referências utilizadas na amostragem e nos ensaios de controle.
e) Requisitos qualitativos e quantitativos, com os respectivos limites de aceitação.
f) Referências do método de ensaio utilizado.
g) Condições e precauções a serem tomadas no armazenamento, quando for o caso.
h) Prazo de validade.
i) Data de possíveis reavaliações de controle.
j) Outras informações relevantes para a empresa.

Amostragem - É o processo definido de coleta que seja representativa de um todo, de acordo


com um plano definido pelo tipo e pela quantidade de um determinado material ou produto. A
rigor, é uma metodologia estatística sistemática para obter informações sobre alguma
característica de uma população, através do estudo de uma fração representativa (isto é,
amostra) da população. Existem várias técnicas de amostragem que podem ser empregadas
(tais como amostragem aleatória simples, amostragem estratificada, amostragem sistemática,
amostragem seqüencial, amostragem por lotes), sendo a escolha da técnica determinada pelo
propósito da amostragem e pelas condições sob as quais ela deve ser conduzida.
Amostra é a fração representativa de um todo, selecionada de tal modo que possua as
características essenciais do conjunto que ela representa.
As normas ABNT ISO/TR 10017:2005 e ABNT/NBR ISO/IEC 17025 apresentam detalhamento
sobre amostragem.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 173


Ensaios analíticos - Fazem parte do Controle de Qualidade e têm como objetivo verificar a
conformidade dos materiais ou produtos frente às especificações estabelecidas. A execução
desses ensaios deve ser realizada por profissionais qualificados.
A seguir serão descritos alguns ensaios organolépticos e físico-químicos, cujas condições de
análise podem ser adequadas pelo fabricante, considerando a tomada da amostra, o estado
físico, a concentração final, o solvente utilizado e as características específicas de cada
método e equipamento.
Ensaios Organolépticos - São procedimentos utilizados para avaliar as características de um
produto detectáveis pelos órgãos dos sentidos: aspecto, cor, odor, sabor e tato. Fornecem
parâmetros que permitem avaliar, de imediato, o estado da amostra em estudo por meio de
análises comparativas, com o objetivo de verificar alterações como separação de fases,
precipitação e turvação, possibilitando o reconhecimento primário do produto. Deve-se utilizar
uma amostra de referência (ou padrão) mantida em condições ambientais controladas, para
evitar modificações nas propriedades organolépticas. Para a execução dos ensaios
organolépticos devem ser consideradas a forma física e as características de cada produto, tais
como líquidos voláteis, não voláteis, semi-sólidos e sólidos.
Ensaios físico-químicos - São operações técnicas que consistem em determinar uma ou mais
características de um produto, processo ou serviço, de acordo com um procedimento
especificado.
Os equipamentos devem ser submetidos à manutenção e à calibração/aferição periódicas, de
acordo com um programa estabelecido pela empresa, de forma a garantir que forneçam
resultados válidos. A fim de garantir a rastreabilidade dessas ações, todos os documentos e
registros referentes a elas devem ser mantidos nos arquivos da empresa.
Os métodos mais usuais são: Determinação de pH, Viscosidade, Densidade, Materiais voláteis
e resíduo seco, teor de água/umidade, granulometria, teste de centrífuga.
Ensaios Químicos - Determinação Química – Análise Qualitativa e Quantitativa.
A análise química é caracterizada como a aplicação de um processo ou de uma série de
processos para qualificar e/ou quantificar uma substância ou componentes de uma mistura, ou
para determinar a estrutura de compostos químicos.

Avaliação dos Resultados - Os resultados serão considerados satisfatórios quando as


amostras apresentarem valor dentro da especificação estabelecida para o produto. Alguns
produtos, em função do risco que podem apresentar, têm limites estabelecidos por
regulamentação específica (RDC 215/05 ou atualização).

Registros/rastreabilidade - Os registros servem para documentar o sistema da qualidade da


empresa, fornecem as evidências de que os requisitos estão sendo atendidos e constituem a
base de controle essencial para a adequação e melhoria contínua dos processos e sistemas.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 174


Os procedimentos de identificação, preenchimento, organização, armazenamento, acesso,
recuperação e controle dos registros devem ser claramente definidos e corretamente
implementados.
Os registros gerados pelo Controle de Qualidade devem permanecer arquivados e disponíveis
para garantir a rastreabilidade das informações.

Descarte de materiais - Os resíduos químicos apresentam riscos potenciais de acidentes


inerentes às suas propriedades específicas. Devem ser consideradas todas as etapas de sua
armazenagem e descarte, com a finalidade de minimizar não só acidentes decorrentes dos
efeitos agressivos imediatos (inflamabilidade, corrosividade e toxicidade), como os efeitos a
longo prazo, tais como os de teratogênese, carcinogênese e mutagênese.
Para a realização dos procedimentos adequados de descarte é importante a observância do
grau de inflamabilidade, de toxicidade e de compatibilidade entre os resíduos. Com isso, evita-
se o risco de reações indesejadas e danos ao meio ambiente.
Os resíduos, após corretamente identificados, devem ser tratados e armazenados em
recipientes próprios, se necessário, antes do descarte.
Deve ser estabelecido um programa de gerenciamento, tendo como meta a redução da
geração de resíduos. A manutenção da segregação dos resíduos, a substituição de produtos
mais perigosos por outros de menor risco, a aquisição de quantidades corretas de produtos,
além da subcontratação de empresas terceirizadas para o recolhimento e a incineração dos
resíduos ou reciclagem são itens importantes, que devem ser considerados neste programa.
É importante observar que o descarte de materiais deve atender os regulamentos vigentes nos
âmbitos federal, estadual e municipal.

Liberação de produtos para o mercado - Antes de ser liberado para o mercado, todo lote de
produto fabricado deve ser aprovado pelo Controle de Qualidade, conforme as especificações
estabelecidas e mediante processo claramente definido e documentado. Somente o Controle
de Qualidade tem autoridade para liberar um produto acabado.

Amostras de retenção - Também chamadas de Amostras de Referência Futura, são as


amostras do produto acabado que são retidas em material de embalagem original ou
equivalente ao material de embalagem de comercialização e armazenadas nas condições
especificadas, em quantidade suficiente para permitir que sejam executadas, no mínimo, duas
análises completas. As retenções devem ser de produtos acabados e, quando for o caso, de
matérias-primas e produtos em processo.

As tabelas seguintes ilustram exemplos de ensaios necessários em alguns produtos


cosméticos e afins, exemplos de ativos para dosagem em controle de qualidade nestes
produtos e exemplos de documento de especificação.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 175


ENSAIOS SUGERIDOS PARA CONTROLE DE QUALIDADE DE COSMETICOS

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 176


EXEMPLOS DE ATIVOS PARA CONTROLE DE QUALIDADE

EXEMPLO DE DOCUMENTO DE ESPECIFICAÇÃO

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 177


7.8. METODOLOGIAS ANALÍTICAS PARA CONTROLE DOS PRODUTOS COSMÉTICOS

7.8.1. ENSAIOS ORGANOLÉPTICOS: ASPECTO, COR, ODOR E SABOR.

7.8.1.1. ASPECTO
Método do Ensaio - Observa-se visualmente se a amostra em estudo mantém as mesmas
características “macroscópicas” da amostra de referência (padrão) ou se ocorreram alterações
do tipo separação de fases, precipitação, turvação etc. O padrão a ser utilizado no ensaio deve
ser o estabelecido pelo fabricante.

7.8.1.2. COR
Método do Ensaio - A análise da cor (colorimetria) pode ser realizada por meio visual ou
instrumental. Na análise visual (colorimetria visual) compara-se visualmente a cor da amostra
com a cor de um padrão armazenado em frasco da mesma especificação. Pode-se efetuar
essa análise sob condições de luz “branca” natural ou artificial ou ainda em câmaras especiais,
com várias fontes de luz (ou seja, vários comprimentos de onda).
A análise instrumental substitui o olho humano como detector e pode ser feita por meio da
colorimetria fotoelétrica ou da colorimetria espectrofotométrica.
A colorimetria fotoelétrica é o método que utiliza uma célula fotoelétrica como detector. É
usualmente empregado com luz contida em um intervalo relativamente estreito de comprimento
de onda obtido pela passagem da luz branca através de filtros. Os aparelhos utilizados nesse
método são conhecidos como colorímetros ou fotômetros de filtro.
A colorimetria espectrofotométrica é o método que utiliza uma fonte de radiação em vários
comprimentos de onda na região espectral do visível. O aparelho utilizado nesse método é
conhecido como espectrofotômetro.

7.8.1.3. ODOR
Método do Ensaio - A amostra e o padrão de referência, acondicionados no mesmo material de
embalagem, devem ter seu odor comparado diretamente através do olfato.

7.8.1.4. SABOR
Método do Ensaio - Compara-se o sabor da amostra com o uso do padrão de referência,
diretamente através do paladar. Não é comum este ensaio para produtos cosméticos e afins.

Critério de Avaliação - Após avaliação comparativa, a amostra tem que estar em conformidade
com a amostra de referência (padrão) preestabelecida.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 178


7.8.2. ENSAIOS FÍSICO-QUÍMICOS: pH, VISCOSIDADE, DENSIDADE, MATERIAIS VOLÁTEIS/RESÍDUO
SECO, TEOR DE ÁGUA/UMIDADE, GRANULOMETRIA E TESTE DE CENTRÍFUGA.

7.8.2.1. DETERMINAÇÃO DO pH
pH é o logaritmo negativo da concentração molar de íons de hidrogênio. Representa
convencionalmente a acidez ou a alcalinidade de uma solução. A escala de pH vai de 1 (ácido)
a 14 (alcalino), sendo que o valor 7 é considerado pH neutro.
Princípio - O pH é determinado por potenciometria, pela determinação da diferença de
potencial entre dois eletrodos – o de referência e o de medida – imersos na amostra a ser
analisada, e depende da atividade dos íons de hidrogênio na solução.
Descrição do Método - Antes do uso, deve-se verificar a limpeza e determinar a sensibilidade
do eletrodo, utilizando-se soluções tampão de referência e, quando aplicável, ajustando-se o
equipamento.
Se o produto é um sólido ou semi-sólido, recomenda-se preparar uma solução/
dispersão/suspensão aquosa da amostra em uma concentração preestabelecida e determinar
o pH da mistura com o eletrodo apropriado. Em alguns casos, a medição pode ser feita
diretamente na amostra.
Se o produto é uma loção ou solução, recomenda-se determinar o pH diretamente sobre o
líquido, imergindo-se o eletrodo diretamente nele.
Notas:
• O modelo do equipamento e os tipos de eletrodos a serem utilizados na medição do pH
devem ser estabelecidos pela empresa, levando-se em consideração as
características físico-químicas do produto.
• Normalmente as medidas de pH são realizadas em meio aquoso.
• Não tem significado medir pH em meio não-aquoso com eletrodos convencionais
(Para essa medida, devem ser utilizados eletrodos específicos).

7.8.2.2. DETERMINAÇÃO DA VISCOSIDADE


Viscosidade é a resistência que o produto oferece à deformação ou ao fluxo. A viscosidade
depende das características físico-químicas e das condições de temperatura do material. A
unidade fundamental da medida de viscosidade é o poise.
Princípio - Consiste em medir a resistência de um material ao fluxo por meio da fricção ou do
tempo de escoamento.
Há vários métodos para se determinar a viscosidade. Os mais freqüentes utilizam
viscosímetros rotativos, de orifício e capilares.
• Determinação por viscosímetro rotativo: consiste na medição do torque requerido para
rodar um fuso imerso em um dado fluido.
• Determinação por viscosímetro de orifício: consiste na medição do tempo de
escoamento do material comparado com a água. Utiliza-se um copo na forma de cone

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 179


(copo Ford), com um orifício na parte inferior por onde escoa o fluido. A escolha do
diâmetro do orifício é feita em função da faixa de viscosidade a ser determinada.
• Determinação por viscosímetro capilar (Ostwald): consiste na medição do tempo de
escoamento do material comparado com a água. A força hidrostática do líquido força-o
a fluir através de um tubo capilar.
Descrição do Método - Vários são os métodos utilizados para a determinação da viscosidade
de um fluido. Os métodos a seguir são os mais usuais em laboratórios:
Viscosímetro rotativo: dependendo da faixa de viscosidade da amostra, seleciona-se o fuso
(spindle) adequado. A seguir, introduz-se o fuso diagonalmente na amostra com temperatura
estabilizada, conforme especificado, isenta de bolhas, até a marca (sulco) da haste do fuso, e
nivela-se o aparelho. Verificada a ausência de bolhas junto ao fuso, procede-se à leitura da
viscosidade, de acordo com o procedimento operacional do aparelho.
Viscosímetro de orifício: nivela-se o aparelho em superfície plana. Depois de se obstruir o
orifício localizado na parte inferior do copo com o dedo e colocar lentamente a amostra até
transbordar, com temperatura estabilizada, conforme especificado, nivela-se a superfície da
amostra com uma espátula. Verifica-se então a presença de bolhas, que afetam a medida.
Retira-se o dedo do orifício e, ao mesmo tempo, com a outra mão, aciona-se o cronômetro.
Imediatamente após o escoamento, pára-se o cronômetro e registra-se o tempo para fins de
cálculo.
Cálculo:
VI S C O S I D A D E = A x T + B

Onde: T = tempo expresso em segundos


A e B = constantes definidas experimentalmente pelo fabricante, que variam para diferentes orifícios do copo

Viscosímetro capilar: para determinar a viscosidade, deve-se transferir a amostra para o


viscosímetro e estabilizar o conjunto até a temperatura especificada. A seguir, aspira-se a
amostra com o auxílio de um pipetador até a marca superior do menisco no viscosímetro
e cronometra-se o tempo de escoamento entre a marca do menisco superior e do
inferior. Repete-se esse procedimento três vezes e calcula-se a média.
Determinação da constante K: transfere-se a amostra para o viscosímetro e estabiliza-se o
conjunto até a temperatura especificada. Aspira-se a amostra com o auxílio de um pipetador
até a marca superior do menisco no viscosímetro e cronometra-se o tempo de escoamento
entre a marca do menisco superior e do inferior. Repete-se esse procedimento cinco vezes e
calcula-se a média.
Cálculo da constante K:

Onde: 1 = 1 centipoise
T = tempo de escoamento da água em segundos

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 180


Cálculo da viscosidade:
V=TxK
Onde:
V = viscosidade da amostra em centipoises (cps)
T = tempo de escoamento da amostra em segundos
K = constante K

7.8.2.3. DETERMINAÇÃO DA DENSIDADE


Densidade é a relação entre a massa e o volume. Existem várias formas de densidade:
• Densidade absoluta é uma propriedade física de cada substância, cujo valor é
calculado pela relação entre certa massa da substância e o volume ocupado por essa
massa (d = m/V), tomando por unidade geralmente o grama por centímetro cúbico
3 3
(g/cm ). No sistema internacional, a unidade é o quilograma por metro cúbico (kg/m ).
• Densidade relativa é a relação entre a densidade absoluta de uma substância e a
densidade absoluta de outra substância estabelecida como padrão.
• Densidade aparente é a relação direta entre a massa de uma amostra e seu volume
específico, medido em proveta graduada.
• Densidade específica é uma densidade relativa, sendo utilizada como padrão a
3 3
densidade absoluta da água, que é igual a 1.000 kg/dm ou g/cm a 4°C (temperatura
em que a água é mais densa). No caso de gases, é tomada em relação ao ar ou ao
hidrogênio.
Princípio - Baseia-se na razão entre a massa e o volume de uma dada amostra.
Descrição do Método - A densidade pode ser medida utilizando-se picnômetro metálico,
picnômetro de vidro, densímetro e densímetro digital.
Determinação da densidade aparente: deve-se pesar uma quantidade da amostra e introduzi-la
na proveta, tampando-a em seguida. Para os produtos na forma de pó, é necessário acomodar
a amostra, eliminando o ar entre as partículas por meio de leves batidas em movimentos
verticais, padronizados, com altura fixa, sobre uma superfície lisa, até obter volume constante.
Deve-se anotar o volume.
Cálculo:

Onde:
dA = densidade aparente em g/mL
m = massa da amostra (g)
v = volume final (mL)

Determinação da densidade em picnômetro de vidro ou metálico: utiliza-se o de vidro para


os produtos líquidos e o de metal para os produtos semi-sólidos e viscosos. Pesa-se o
picnômetro vazio e anota-se o seu peso (M0). A seguir, deve-se enchê-lo completamente com
água purificada, evitando-se a introdução de bolhas. Após secá-lo cuidadosamente, é

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 181


necessário pesá-lo novamente e anotar seu peso (M1). O próximo passo é encher
completamente o picnômetro (limpo e seco) com a amostra, evitando a formação de bolhas.
Depois de secá-lo cuidadosamente, ele deve ser pesado mais uma vez e ter seu peso (M2)
anotado.
Cálculo:

Onde: d = densidade
M0= massa do picnômetro vazio (g)
M1= massa do picnômetro com água purificada (g)
M2= massa do picnômetro com a amostra (g)

Determinação da densidade em soluções alcoólicas: transfere-se a amostra para uma proveta


adequada, ajustando-se a temperatura da amostra de acordo com a especificação do
alcoômetro. A seguir, deve-se introduzir o densímetro (também chamado de Alcoômetro Gay-
Lussac) na amostra e proceder à leitura na escala do densímetro.
Determinação da densidade por densímetro digital: depois de esperar o aparelho atingir a
temperatura determinada pela calibração, injeta-se a amostra com uma seringa, lentamente,
tendo o cuidado de não deixar formar bolhas no tubo de vidro. O aparelho, então, realizará a
leitura.

7.8.2.4. DETERMINAÇÃO DE MATERIAIS VOLÁTEIS E RESÍDUO SECO


Determinada quantidade da amostra, pesada analiticamente, é submetida à secagem em
estufa aquecida a uma temperatura preestabelecida (de acordo com as características da
amostra), até atingir peso constante.
A diferença entre a massa da amostra, antes e depois da secagem, revela a massa dos
componentes da formulação que volatilizam ou não naquelas condições. O material
remanescente é denominado resíduo seco. Este método fornece resultados numéricos
facilmente interpretados, normalmente expressos em porcentagem.
Cálculo de materiais voláteis:

Onde: MV = materiais voláteis em porcentagem


mi = massa inicial da amostra (g)
mf = massa final da amostra (g)

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 182


Cálculo do resíduo seco:

Onde: RS = resíduo seco em porcentagem


mi = massa inicial da amostra (g)
mf = massa final da amostra (g)

Nota: O ensaio de materiais voláteis e umidade podem ser realizados através de balança de
infravermelho. A pesagem é feita num prato de alumínio móvel e programada no tempo e
temperatura de aquecimento de acordo com a amostra ensaiada. O resultado é expresso
diretamente no display do equipamento.

7.8.2.5. DETERMINAÇÃO DO TEOR DE ÁGUA/UMIDADE


Vários são os métodos utilizados para a determinação quantitativa de água em um produto
acabado. Os mais usuais são: Método Gravimétrico, Destilação em Aparelho Dean-Stark e
Método Titulométrico de Karl-Fischer. Esses métodos fornecem resultados numéricos,
facilmente interpretados. O método de ensaio dependerá da escolha do equipamento utilizado.

7.8.2.6. GRANULOMETRIA
Os produtos em forma de pós são constituídos de partículas de diâmetros variados. A
proporção de partículas fora dos limites especificados poderá influenciar na aparência, na
performance e na cor do produto. Para esse tipo de ensaio, podem ser utilizados os seguintes
métodos:
Tamisação: são utilizados tamises com malhas padronizadas para especificar o tamanho das
partículas.
Análise granulométrica por difração a laser: utilizada para avaliar partículas de tamanho
reduzido.

7.8.2.7. TESTE DE CENTRÍFUGA


A força da gravidade atua sobre os produtos, fazendo com que suas partículas se movam no
seu interior. A centrifugação produz estresse na amostra, simulando um aumento na força de
gravidade, aumentando a mobilidade das partículas e antecipando possíveis instabilidades.
Estas poderão ser observadas na forma de precipitação, separação de fases, formação de
sedimento compacto (caking) e coalescência, entre outras.
As amostras são centrifugadas em temperatura, tempo e velocidade padronizados. Em
seguida, procede-se à avaliação visual.
Geralmente, executa-se esse teste em estudos de estabilidade, podendo ser estendido ao
controle de processo.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 183


7.8.3. ENSAIOS QUÍMICOS
Determinação química – análise qualitativa e quantitativa - A análise química é caracterizada
como a aplicação de um processo ou de uma série de processos para qualificar e/ou
quantificar uma substância ou componentes de uma mistura, ou para determinar a estrutura de
compostos químicos. Alguns ensaios químicos em produtos cosméticos:

7.8.3.1. DETERMINAÇÃO DO TEOR DE ÁCIDO GLICÓLICO (GLYCOLIC ACID)


Este método descreve o doseamento do teor de ácido glicólico em formas cosméticas.
Princípio - O teor de ácido glicólico é determinado por meio de titulação potenciométrica.
Procedimento - Pesar uma quantidade de amostra que contenha cerca de 0,06 g de ácido
glicólico livre e adicionar 40 mL de água destilada, isenta de gás carbônico, no copo
do titulador potenciométrico. Titular com hidróxido de sódio 0,1mol/L até o ponto de
equivalência determinado automaticamente. Realizar a determinação em triplicata.
Cálculo:
P = (V x fc x 0,7605 x 100) / m
Onde:
P = percentual de ácido glicólico (p/p)
V = volume de hidróxido de sódio 0,1mol/L gasto (mL)
fc = fator de correção do titulante
m = massa da amostra (g)

7.8.3.2. DETERMINAÇÃO DO TEOR DE ÁCIDO TIOGLICÓLICO (THIOGLYCOLIC ACID) E SEUS


SAIS
Este método descreve a determinação do teor de ácido tioglicólico por iodometria em
formulações cosméticas, como loções e cremes alisantes, onduladores e depilatórios.
Princípio - O presente método baseia-se na reação de oxidação do ácido tioglicólico pelo iodo
em meio ácido.
Procedimento - Pesar uma quantidade de amostra que contenha de 100 a 200 mg de ácido
tioglicólico em um frasco de iodo de 250 mL e adicionar 50 mL de água destilada (caso a
amostra for um gel ou um creme, deixar por alguns minutos sob agitação, até completar a
dissolução). Acidificar com ácido clorídrico 0,1mol/L, usando duas a três gotas de vermelho de
metila como indicador, e titular com solução padronizada de iodo 0,1mol/L até obter uma
coloração castanho-clara. Pode-se usar goma de amido como indicador.
Cálculo:
P = (V x fc x 0,921) / m
Para efeito de cálculo, considerar que 1 mL de solução de iodo 0,1mol/L equivale a 0,00921 g de ácido tioglicólico.
Onde:
P = percentual de ácido tioglicólico (p/p)
V = volume da solução de iodo 0,1mol/L utilizado (mL)
fc = fator de correção da solução de iodo 0,1mol/L (titulante)
m = massa da amostra (g).

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 184


Notas:
1) Se a amostra apresentar alguma dificuldade na visualização do ponto de viragem, proceder como
descrito a seguir: tomar de 4 a 10 g da amostra, dissolver em cerca de 100 mL de água destilada,
transferir quantitativamente para um balão volumétrico de 200 mL e completar o volume. Filtrar a solução
através de papel de filtro, descartar os primeiros 20 mL, retirar uma alíquota do filtrado que contenha de
100 a 200 mg de ácido tioglicólico e proceder como descrito acima.
2) Se além do ácido tioglicólico estiverem presentes na amostra sulfonatos, 2-mercaptoetanol e
tioglicerol, proceder à análise calculando o resultado como substâncias redutoras totais (SRT), conforme
a fórmula abaixo:
Cálculo:
P = (V x fc x 0,921) / m
Onde:
P = Percentual de SRT (p/p)
V = volume da solução de iodo 0,1mol/L consumido na titulação (mL)
fc = fator de correção da solução de iodo 0,1mol/L (titulante)
m = massa da amostra (g)

3) O ácido tioglicólico pode ser separado por precipitação, tomando-se uma alíquota da amostra em
um balão volumétrico de 100 mL, adicionando 10 mL de glicerol e duas gotas de fenolftaleína e
acidificando com ácido acético a 10% (adicionar 1 mL em excesso). Acrescentar 2 mL de acetato de
cádmio a 10%, completar o volume com água destilada, agitar e deixar em repouso por trinta minutos.
Filtrar a solução através de papel de filtro e descartar os primeiros 10 mL do filtrado. Pipetar uma alíquota
do filtrado remanescente que contenha de 100 a 200 mg de ácido tioglicólico e adicionar um volume da
solução de iodo 0,1mol/L igual ao volume “V” da dosagem das substâncias redutoras totais (SRT),
conforme o item anterior.Titular com tiossulfato de sódio 0,1mol/L (V1).

Calcular o teor de ácido tioglicólico por meio da fórmula:


P = [(V –V1) x fc x 0,921] / m
Onde:
P = percentual de ácido tioglicólico (p/p)
V = volume da solução de iodo 0,1mol/L gasto na titulação das SRT (mL)
V1= volume da solução de tiossulfato de sódio 0,1mol/L gasto na titulação (mL)
fc = fator de correção da solução de tiossulfato de sódio 0,1mol/L
m = massa da amostra (g)

4) Se houver presença de sulfito na amostra, a determinação pelo método descrito para o ácido
tioglicólico não é adequada, pois, após a acidificação da solução, há perda parcial de sulfito,
como dióxido de enxofre, diminuindo o valor do resultado de substâncias redutoras totais (SRT).
Para obter um valor mais preciso é necessário fazer uma nova titulação, utilizando um excesso da
solução de iodo 0,1 mol/L, como descrito abaixo:
Em um frasco contendo 50 mL de ácido clorídrico 0,1mol/L, adicionar o volume de iodo obtido na dosagem
de substâncias redutoras totais em pequeno excesso, acrescentar a amostra e titular o excesso de iodo
com solução de tiossulfato de sódio 0,1 mol/L, usando goma de amido como indicador. Utilizar a seguinte
fórmula:
P = [(V2 –V1) x fc x 0,921] / m
Onde:

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 185


P = percentual de SRT (p/p)
V2 = volume da solução de iodo 0,1mol/L gasto (mL)
V1 = volume da solução de tiossulfato de sódio 0,1mol/L (mL)
fc = fator de correção da solução de tiossulfato de sódio 0,1mol/L
m = massa da amostra (g)

7.8.3.3. DETERMINAÇÃO DO TEOR DE PERÓXIDO DE HIDROGÊNIO (HYDROGEN PEROXIDE)


Método do Tiossulfato
Este método descreve o doseamento de peróxido de hidrogênio com Tiossulfato de Sódio e
aplica-se a amostras de cosméticos que contenham essa substância.
Princípio
O presente método baseia-se na reação de oxidação do iodeto de potássio pelo peróxido de
hidrogênio, em que o iodeto passa a iodo molecular, que será posteriormente titulado com
solução padronizada de tiossulfato de sódio.
Procedimento
• Pesar analiticamente uma quantidade de amostra que contenha aproximadamente 0,6
g de peróxido de hidrogênio em um béquer de 100 mL.
• Adicionar 10 mL de água destilada e transferir quantitativamente para um balão
volumétrico de 250 mL.
• Transferir 10 mL da solução amostra para um frasco para determinação de iodo de 250
mL (Erlenmeyer com rolha de vidro).
• Adicionar 100 mL de ácido sulfúrico 1 mol/L, 20 mL da solução saturada de iodeto
de potássio e três gotas de molibdato de amônio.
• Titular o iodo formado com solução de tiossulfato de sódio 0,1mol/L, adicionando
algumas gotas da solução de amido pouco antes do ponto de viragem.
• Preparar um branco contendo todos os reagentes, exceto a amostra.
Cálculo:
P = (V x 4,252 x fc) / m
Onde:
P = percentual de peróxido de hidrogênio (p/p)
V = volume de tiossulfato de sódio 0,1mol/L gasto (mL)
fc = fator de correção da solução de tiossulfato de sódio 0,1 mol/L
m = massa da amostra (g)

Método do Permanganato
Este método descreve o doseamento de peróxido de hidrogênio com Permanganato de
Potássio em meio ácido e aplica-se a amostras de cosméticos que contenham essa
substância.
Princípio
O presente método baseia-se na reação de permanganometria, conforme a equação a seguir:

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 186


Procedimento
• Pesar analiticamente uma quantidade de amostra que contenha aproximadamente 0,6
g de peróxido de hidrogênio em um béquer de 100 mL.
• Adicionar 10 mL de água destilada e transferir quantitativamente para um balão
volumétrico de 250 mL.
• Transferir 5 ml da solução amostra para um frasco de iodo de 250 mL e
adicionar 20 ml de ácido sulfúrico 1 mol/L.
• Titular com a solução de permanganato de potássio 0,1mol/L, até que uma cor rosa -
pálida persista por 15 segundos.

Cálculo: P = (V x fc x 1,701 x 100) / m


Onde:
P = percentual de peróxido de hidrogênio (p/p)
V = volume de permanganato de potássio 0,1 mol/L gasto na titulação (mL)
fc = fator de correção da solução de permanganato de potássio 0,1 mol/L
m = massa da amostra (mg)

7.8.3.4. DETERMINAÇÃO DO TEOR DE HIDRÓXIDO DE SÓDIO (SODIUM HYDROXIDE)


Consiste na determinação do teor de hidróxido de sódio por volumetria de neutralização. Este
método aplica-se a amostras de loções e cremes alisantes para cabelos que contenham
hidróxido de sódio.
Princípio
O presente método baseia-se na reação de neutralização que ocorre entre um ácido forte e
uma base forte, utilizando o alaranjado de metila e a fenolftaleína como indicadores.
Preparo da Amostra
• Pesar analiticamente uma quantidade de amostra que contenha aproximadamente 1,5
g de hidróxido de sódio em um béquer de 250 mL.
• Adicionar 100 mL de água destilada.
• Resfriar e transferir, quantitativamente, para um balão volumétrico de 250 mL.
• Completar o volume com água destilada e homogeneizar.
Procedimento
• Transferir quantitativamente 25 mL da solução amostra preparada para um Erlenmeyer
de 250 mL.
• Adicionar 50 mL de água destilada e duas gotas de solução aquosa de alaranjado de
metila.
• Titular com solução de ácido clorídrico 0,1mol/L até que a solução mude de coloração
amarela para laranja. Anotar o volume de ácido clorídrico 0,1mol/L consumido (V1).
• Transferir quantitativamente 25 mL da solução amostra preparada para um Erlenmeyer
de 250 mL.
• Adicionar 25 mL de água destilada e duas gotas de solução alcoólica de fenolftaleína.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 187


• Titular com solução de ácido clorídrico 0,1mol/L até que a coloração da solução mude
de rosa para incolor. Anotar o volume de ácido clorídrico 0,1mol/L consumido (V2).

Cálculo:
P = (Vf x fc x mEq x 100) / m x (25/250) = (Vf x fc x 0,4) / (m x 0,1)
Onde:
P = percentual de hidróxido de sódio (m/m)
Vf = volume final de ácido clorídrico 0,1mol/L gasto na titulação (mL)
mEq = miliequivalente em gramas do hidróxido de sódio (0,004 g)
fc = fator de correção da solução de ácido clorídrico 0,1mol/L
m = massa da amostra (g)
25 = alíquota da amostra utilizada na titulação
250 = volume final da amostra no balão volumétrico

Nota: Vf = V1 - 2(V1 - V2), onde V1 corresponde ao volume de ácido clorídrico 0,1mol/L consumido na titulação
com indicador alaranjado de metila e V2 corresponde ao volume de ácido clorídrico 0,1mol/L consumido na
titulação com indicador fenolftaleína.

7.8.3.5. DETERMINAÇÃO DO TEOR DE HIDRÓXIDO DE AMÔNIO (NH4OH) OU AMÔNIA (NH3)


Este método descreve o doseamento do teor de amônia livre. Aplica-se a produtos cosméticos
que contenham amônia em suas formulações.
Princípio
O presente método baseia-se na reação de neutralização que ocorre entre um ácido forte e
uma base fraca, utilizando vermelho de metila como indicador.
Procedimento
Pesar uma quantidade de amostra que contenha 0,25 g de amônia em um Erlenmeyer de 250
mL.
Adicionar 100 mL de água destilada e três gotas de vermelho de metila como indicador.
Titular com solução de ácido sulfúrico 0,5 mol/L até o aparecimento da coloração vermelha.

Cálculos:
Cálculo Expresso em Amônia (NH3) P = (V x fc x 1,703) / m
Onde:
P = percentual de amônia (NH3) (p/p)
V = volume de ácido sulfúrico 0,5 mol/L utilizado na titulação da amostra (mL)
fc = fator de correção do titulante
m = massa da amostra (g)

Cálculo Expresso em Hidróxido de Amônio (NH4OH) P = (V x fc x 3,505) / m


Onde:
P = percentual de hidróxido de amônio (NH4OH) (p/p)
V = volume de ácido sulfúrico 0,5 mol/L utilizado na titulação da amostra (mL)
fc = fator de correção do titulante
m = massa da amostra (g)

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 188


7.8.3.6. IDENTIFICAÇÃO E DOSEAMENTO DE FORMALDEÍDO LIVRE (FORMALDEHYDE)
Este método descreve a identificação e o doseamento de formaldeído isolado ou com outros
conservantes não liberadores de formaldeído em produtos cosméticos.
Princípio
O formaldeído livre e combinado, em meio sulfúrico, na presença do reagente de Schiff é
indicado pela formação de uma coloração rosa.
Preparo do Reagente de Schiff
• Pesar 100 mg de fucsina em um béquer e dissolver em 75 mL de água a 80ºC.
Após o resfriamento, acrescentar 2,5 g sulfito de sódio heptaidratado. Completar até
100 mL (Tempo de conservação: duas semanas).
Procedimento
• Pesar analiticamente 2 g de amostra em um béquer de 10 mL.
• Juntar duas gotas de ácido sulfúrico 1mol/L e 2 mL de reagente de Schiff (esse
reagente deve estar incolor no momento da utilização).
• Agitar e deixar reagir durante cinco minutos.
• O surgimento de uma coloração rosa, após cinco minutos, indica a presença de uma
quantidade de formaldeído superior a 0,01%.

7.8.3.7. DETERMINAÇÃO DO TEOR DE URÉIA (UREA)


Este método descreve o doseamento de uréia e aplica-se a amostras que contenham essa
substância em suas formulações.
Princípio
O teor de uréia é determinado por volumetria.
Preparo dos analitos
• Amostra de Produtos Líquidos - Diluir 5 mL da amostra com água destilada num
balão volumétrico de 250 mL. Se a essência separar, filtrar e transferir uma alíquota
para análise.
• Amostra de Produtos Cremosos (Emulsionados) - Pesar 2 a 3 g da amostra em um
béquer de 250 mL. Adicionar 5 mL de ácido clorídrico (utilizar ácido nítrico no caso
de determinação do teor de cloretos). Adicionar 50 mL de água e aquecer até
liquefazer e separar. Esfriar até que os óleos solidifiquem e filtrar a fase aquosa para
um balão volumétrico de 250 mL. Retornar o resíduo do filtro para o béquer inicial.
Repetir a extração por duas vezes e lavar o resíduo e o papel de filtro com água.
Esfriar os extratos à temperatura ambiente, diluir para 250 mL com água e
homogeneizar.
• Amostra de Produtos Sólidos - Pesar cerca de 2 a 3 g da amostra em um béquer de
250 mL e adicionar 5 mL de ácido clorídrico (utilizar ácido nítrico no caso de
determinação do teor de cloretos). Adicionar 50 mL de água e aquecer até a
ebulição. Esfriar e filtrar através de papel de filtro para um balão volumétrico de 250

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 189


mL. Se o filtrado estiver turvo, refiltrar por um papel de filtro quantitativo. Esfriar a
amostra à temperatura ambiente, diluir para 250 mL com água e homogeneizar.
Procedimento
• Pipetar uma alíquota da solução da amostra que contenha 50 a 100 mg de uréia e
transferir para um frasco de fundo redondo.
• Acidificar com ácido clorídrico, adicionando 0,5 mL de excesso.
• Imergir o frasco em um banho-maria e deixar o conteúdo evaporar até a secura.
• Adicionar 10 g de cloreto de magnésio hexaidratado e 1 mL de ácido clorídrico e
conectar o frasco em um condensador de refluxo.
• Aquecer a mistura cuidadosamente até a dissolução e manter em refluxo por duas
horas com aquecimento brando (retorno do condensado de nove a catorze gotas por
minuto).
• Aguardar o resfriamento da solução e adicionar água através do topo do condensador.
• Desconectar o frasco e, se necessário, aquecer para dissolver o sólido formado.
• Transferir a solução para um frasco de fundo chato de 1 litro, diluir para 400 mL com
água e alcalinizar com uma solução de hidróxido de sódio a 10%.
• Destilar cerca de 275 a 300 mL e adicionar uma quantidade em excesso de ácido
sulfúrico 0,05 mol/L, contendo algumas gotas de vermelho de metila.
• Titular o excesso de ácido com hidróxido de sódio 0,1mol/L e, se necessário, adicionar
mais indicador.
• Padronizar o hidróxido de sódio 0,1mol/L com ácido sulfúrico 0,05 mol/L, usando
vermelho de metila como indicador.
• Realizar uma prova em branco utilizando 10 g de cloreto de magnésio hexaidratado e
1mL de ácido clorídrico e proceder como descrito acima.

Nota: 1 mL de ácido sulfúrico corresponde a 3,333 mg de uréia.


Cálculo:
P = [(Va – Vb) x fc x 3,333] / m
Onde:
P = percentual de uréia (p/p)
Va= volume de hidróxido de sódio 0,1mol/L gasto na amostra (mL)
Vb= volume de hidróxido de sódio 0,1 mol/L gasto no branco (mL)
fc = fator de correção da solução de hidróxido de sódio 0,1mol/L
m = massa da amostra (mg)

7.8.3.8. DETERMINAÇÃO DA ALCALINIDADE LIVRE E DA ACIDEZ LIVRE


Este método descreve o doseamento de alcalinidade ou de acidez livre em sabonetes.
Princípio
A alcalinidade e a acidez são determinadas por reação de neutralização.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 190


Determinação do pH
• Preparar uma solução a 10%, pesando 2 g do sabonete e dissolvendo com 20 mL de
água destilada.
• No caso de sabonetes sólidos, cortar ao meio e, com um ralador, raspar aparas do
sabonete.
• O pH deve estar em torno de 10,4 (excetuando-se os casos de sabonetes
líquidos neutros).
Alcalinidade Livre
• Pesar 5 g da amostra em um béquer de vidro de 200 mL.
• À parte, neutralizar cerca de 150 a 200 mL de etanol com hidróxido de sódio 0,1mol/L,
usando duas gotas de fenolftaleína como indicador.
• Aquecer o etanol até o início da fervura.
• Iniciar a dissolução das 5 g de aparas de sabonete, com o auxílio, inicialmente, de 50 a
100 mL de etanol aquecido, mantendo o aquecimento.
• Filtrar a vácuo em funil de placa porosa contendo um papel de filtro sobre a placa.
• Lavar o béquer e o funil com etanol aquecido.
• Se o filtrado possuir coloração rosa, transportá-lo para um Erlenmeyer de 500 mL e
titular com solução volumétrica de ácido clorídrico 0,1mol/L até o descoramento da
solução.
• Fazer três determinações e usar o valor médio.
Cálculos:
P = (V x fc x 0,004 x 100) / m
Onde:
P = percentual de alcalinidade livre (em hidróxido de sódio) (p/p)
V = volume do titulante gasto na amostra (mL)
fc = fator de correção do titulante
m = massa da amostra (g)

• Se o filtrado estiver incolor, isto indica ausência de alcalinidade livre, podendo ser
determinada a acidez livre em ácido oléico. Nesse caso, titular com solução
volumétrica de hidróxido de sódio 0,1mol/L até atingir a coloração rosa.
Cálculos:
P = (V x fc x 0,028245 x 100) / m
Onde:
P = percentual de acidez livre (em ácido oléico) (p/p)
V = volume do titulante gasto na amostra (mL)
fc = fator de correção do titulante
m = massa da amostra (g).
Notas:
1) O ideal é que o sabonete contenha o mínimo possível de alcalinidade livre.
2) Os sabonetes infantis devem conter, no máximo, 0,5% de alcalinidade livre em hidróxido de sódio.

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7.8.3.9. DETERMINAÇÃO DO TEOR DE ÁCIDOS GRAXOS
Este método descreve o doseamento de ácidos graxos em sabonetes.
Princípio
O presente método baseia-se na extração dos ácidos graxos presentes na amostra através de
um solvente orgânico (éter de petróleo), tratamento em estufa, pesagem e cálculo por diferença
de peso.
Procedimento
• Pesar analiticamente 5 g da amostra em um béquer de 250 mL e adicionar 50 mL de
água destilada e 50 mL de álcool etílico.
• Aquecer em banho-maria ou chapa de aquecimento até a completa dissolução da
amostra.
• Transferir quantitativamente a solução para um funil de separação de 500 mL, lavando
o béquer com porções de água destilada e álcool etílico, não permitindo que o volume
ultrapasse um total de 160 mL.
• Adicionar três gotas do indicador alaranjado de metila e neutralizar a solução com
algumas gotas de ácido sulfúrico 1:4, adicionando um pequeno excesso.
• Lavar o béquer com 50 mL de éter de petróleo e transferir para um funil de separação
de 500 mL contendo a solução.
• Agitar vigorosamente e deixar em repouso, a fim de obter a separação das duas fases.
• Recolher a fase aquosa no béquer inicial e a fase etérea em outro funil de separação
de 500 mL.
• Transferir a fase aquosa, novamente, para o funil de separação inicial e repetir a
extração por mais cinco vezes, utilizando 50 mL de éter de petróleo.
• Lavar a fase etérea, contida no funil de separação, com água destilada, até a
neutralização da água de lavagem, utilizando alaranjado de metila como indicador.
• Transferir a fase etérea neutralizada para um béquer previamente tarado.
• Evaporar a solução até a secura em banho-maria ou chapa de aquecimento e secar em
estufa a 105°C, até atingir peso constante.

Cálculo:
P = m2 x 100 / m1
Onde:
P = percentual de ácido graxo total (p/p)
m2 = massa do resíduo seco (g)
m1 = massa da amostra (g)

7.8.3.10. DETERMINAÇÃO DO TEOR DE TENSOATIVOS ANIÔNICOS E CATIÔNICOS


Este método descreve o doseamento de tensoativos aniônicos ou catiônicos e aplica-se a
amostras que apresentam um desses tensoativos em sua formulação.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 192


Princípio
O método em questão baseia-se no fato de que uma espécie aniônica ou catiônica de alto peso
molecular é capaz de reagir com um corante que também possua elevado peso molecular,
originando um produto de associação iônica colorido, solúvel em solventes orgânicos e
imiscível em água.

Preparo de Soluções
• Solução Estoque do Indicador Misto - Pesar exatamente 0,25 g de azul de dissulfina
(disulphine blue VN 150) em um béquer de 50 mL e 0,5 g de dimidium bromide em
outro béquer de 50 mL; adicionar a cada béquer 25 mL de solução aquecida de
metanol a 10%. Transferir as soluções para um balão volumétrico de 250 mL e
completar o volume com solução de metanol a 10%.
• Solução Indicadora Mista - Misturar, em um balão de 500 mL, 20 mL de solução
estoque, 20 mL de ácido sulfúrico 2,4 mol/L ou 3 mL de ácido sulfúrico concentrado, e
completar o volume com água destilada.
• Solução Padrão de Cloreto de Benzetônio 0,004mol/L - Pesar com precisão 1,7924 g
de cloreto de benzetônio e dissolver com água em um balão volumétricode1000 mL;
acrescentar 0,4 mL de hidróxido de sódio a 50% e completar o volume com água
destilada. Padronizar essa solução com lauril sulfato de sódio 0,004mol/L.
• Solução Padrão de Lauril Sulfato de Sódio 0,004mol/L - Pesar exatamente o
equivalente a 1,15 g de lauril sulfato de sódio PA em um béquer de 100 mL.
Dissolver em água destilada, transferir quantitativamente para um balão de 1000 mL,
completar com água destilada e homogeneizar. (Se o lauril sulfato de sódio não
apresentar 100% de pureza, corrigir a quantidade do pó a ser pesado para o preparo
da solução padrão 0,004mol/L, conforme o teor de pureza encontrado).
• Padronização do Lauril Sulfato de Sódio - Pesar analiticamente 5 ± 0,2 g de lauril
sulfato de sódio em um balão de fundo redondo de 250 mL com junta esmerilhada e
adicionar 25 mL de ácido sulfúrico 0,5 mol/L, usando uma bureta de 50 mL; adaptar um
condensador e manter em refluxo. Durante os primeiros cinco a dez minutos, a solução
irá espumar. Quando cessar a espuma, ferver cuidadosamente durante duas horas.
Parar o aquecimento e esfriar a solução. Lavar o condensador com 30 mL de água
destilada e remover o balão do condensador, adicionando algumas gotas de
fenolftaleína. Titular com hidróxido de sódio 1mol/L até o aparecimento do primeiro tom
de rosa. Preparar um branco da mesma maneira descrita para a solução padrão de
lauril sulfato de sódio.

Cálculo:
P = [28,84 x (Va – Vb) x fc] / m
Onde:
P = percentual de tensoativos catiônicos ou aniônicos na amostra (p/p)
Va = volume de hidróxido de sódio utilizado na titulação do lauril sulfato de sódio (mL)

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 193


Vb = volume de hidróxido de sódio utilizado na titulação do branco (mL)
fc = fator de correção do titulante
m = massa da amostra (g)

Preparo de Amostras
• Amostra de Produtos em Pó – Pesar aproximadamente 10 g do produto triturado e
transferir para um Erlenmeyer de 250 mL com rolha esmerilhada. Adicionar 20 mL de
solução saturada de carbonato de potássio (duas vezes em volume a massa do
produto) e 30 mL de isopropanol. Agitar com o auxílio de um agitador magnético por
trinta minutos e filtrar com um funil de Büchner, lavando o resíduo com 10 mL de
isopropanol. Transferir as duas fases para um funil de separação, recolher a fase
alcoólica e extrair a fase aquosa com 10 mL de isopropanol, agitando por 1 minuto.
Juntar os extratos alcoólicos e concentrar em banho-maria, sem secar completamente.
Redissolver em água, transferir quantitativamente para um balão de 250 mL e
completar o volume com água destilada
• Amostra de Produtos Líquidos - Caso o produto não possa ser analisado diretamente
por motivo de interferência ou qualquer outro problema, proceder à extração, como
descrito a seguir. Pesar com precisão 20g do líquido em um Erlenmeyer de 250 mL
com rolha esmerilhada e adicionar de 8 a 10 g de carbonato de potássio. Adicionar 30
mL de isopropanol e agitar com o auxílio de um agitador magnético por trinta minutos.
Prosseguir como descrito para produtos em pó, a partir da filtração em Büchner.
(Notas: 1)Se o produto apresentar caráter ácido, o mesmo deve ser neutralizado com solução de hidróxido
de potássio antes da adição do carbonato de potássio. 2) Caso o produto contenha cloro, este deve ser
inativado com adição em excesso de peróxido de hidrogênio ou uréia, que são facilmente eliminados por
aquecimento).

• Amostra de Sabonetes Sólidos - Pesar analiticamente 10 g da amostra previamente


ralada. Transferir para um Erlenmeyer de 250 mL com rolha esmerilhada e adicionar 10
mL de solução saturada de carbonato de potássio, 5 g de carbonato de potássio sólido
e cerca de 30 mL de isopropanol. Agitar por trinta minutos e filtrar em funil de Büchner.
Transferir o filtrado para um funil de separação, lavando antes o resíduo com 10 mL de
isopropanol. Juntar os extratos alcoólicos e descartar a fase aquosa. Evaporar o
isopropanol até a secura em banho-maria e dissolver o resíduo em 60 mL de metanol.
Adicionar 20 mL de água destilada para cada 30 mL de metanol e transferir para outro
funil de separação de 250 mL. Lavar com duas porções de 30 mL de n-hexano e
desprezar as mesmas. Neutralizar a fase alcoólica com solução de hidróxido de sódio a
10%. Evaporar o metanol e redissolver o resíduo com água. Transferir a solução para
um balão volumétrico de 250 mL e completar o volume com água.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 194


Doseamento
• Transferir uma quantidade de amostra que contenha aproximadamente 1
miliequivalente g de tensoativo aniônico ou catiônico para um balão volumétrico de
250 mL.
• Adicionar três gotas de solução de fenolftaleína e, se necessário, adicionar hidróxido de
sódio 0,1mol/L ou ácido sulfúrico 0,05 mol/L, até atingir a coloração rosa-pálida
(ligeiramente alcalino).
• Completar o volume com água destilada.
• Pipetar 15 mL dessa solução para uma proveta de 100 mL com rolha esmerilhada.
• Adicionar 10 mL de solução indicadora mista e 10 mL de clorofórmio.
• Titular com a solução apropriada: no caso de tensoativo catiônico, titular com solução
de lauril sulfato de sódio, sendo o ponto de equivalência a cor cinza-azulada.
• Se o tensoativo for aniônico, titular com solução de cloreto de benzetônio, sendo o
ponto de equivalência a cor cinza-azulada.

Cálculo:
P = (M x F x V x C x fc x 0,1) / m
Onde:
P = percentual de tensoativos na amostra (p/p)
M = massa molar do tensoativo
F = fator de diluição (250/15 = 16,67)
V = volume do titulante gasto (mL)
C = concentração do titulante (mol/L)
fc = fator de correção do titulante
m = massa da amostra (g)

Nota: Avaliação dos resultados - Os resultados dos ensaios serão considerados satisfatórios
quando o valor obtido estiver dentro das especificações estabelecidas previamente pelo
fabricante. Essas especificações devem atender aos limites permitidos pela legislação vigente.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 195


REFERÊNCIAS

Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Guia de Estabilidade de Produtos Cosméticos / Agência Nacional de
Vigilância Sanitária. -- 1 ed. -- Brasília: ANVISA, 2004.52 p. (Série Qualidade em Cosméticos; v. 1).

AMARAL, Lúcia do; JAIGOBIND, Allan George A.; JAISINGH, Sammay. Detergente doméstico. Dossiê técnico.
Instituto de Tecnologia do Paraná. Dezembro, 2007.

BARBOSA, Celeyda Maria Borgatti. Fabricação de Cosméticos e a Legislação Sanitária. Dossiê técnico. Fundação
Centro Tecnológico de Minas Gerais /CETEC. Novembro, 2006.

Brasil. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Guia de controle de qualidade de produtos cosméticos / Agência
Nacional de Vigilância Sanitária. 2ª edição, revista – Brasília: ANVISA, 2008.

Guia Técnico Ambiental da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos. Por uma Produção mais
Limpa. CETESB COMPANHIA DE TECNOLOGIA DE SANEAMENTO AMBIENTAL. ABIHPEC - Associação Brasileira
da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos.

PEREIRA, Francisco S. G. Processos Químicos. Apostila de Aulas. IFPE, 2010.

REBELLO, Tereza. Guia de Produtos Cosméticos. 5 ed. São Paulo: Editora SENAC, 2004.

7.9. EXERCÍCIOS PROPOSTOS

1. Os produtos cosméticos e afins são mais delicados que os saneantes domésticos. Que
aspectos produtivos são observados com maior rigor nestes produtos quando
comparados aos saneantes? Explique com foco no controle de qualidade total desses
produtos.

2. Proponha um fluxograma simplificado em figuras geométricas de preparação de: (a)


creme hidratante anti-séptico (b) xampu capilar perolado. Indique pelo menos 5 ensaios
analíticos necessários nesta produção para um controle de qualidade eficiente.
Explique a intenção de cada ensaio escolhido.

3. Comente sobre os principais aspectos do controle de qualidade na produção.


Exemplifique estes aspectos no processo produtivo de colônias, desodorantes e
perfumes comerciais.

4. Comente resumidamente sobre os principais aspectos do controle de qualidade na


produção de um xampu capilar líquido do tipo perolado.

5. Confronte, pelo menos 3, ensaios analíticos usados no controle de qualidade de


detergentes lava roupas líquido e xampu capilar. Aplique os conhecimentos das
semelhanças e diferenças.

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.........................................................................................................................................................

.....8.................CONTROLE NA PRODUÇÃO DE ALIMENTOS..........................


................................ BISCOITOS E REFRIGERANTES .....................................

.........................................................................................................................................................

8.1. INTRODUÇÃO
A produção e conservação de alimentos são processos que vêm sendo desenvolvidos pelo
homem desde épocas remotas, porém essa atividade vem se propagando de forma muito
lenta, o que pode ser explicado pelo pouco conhecimento que se tinha sobre os princípios
básicos para o desenvolvimento dessa tecnologia. Mesmo tendo sofrido modificações, os
princípios básicos da tecnologia aplicada na conservação dos alimentos pelos nossos
antepassados ainda continuam sendo aplicados nas modernas fábricas de processamento e
conservação de alimentos como a secagem, a defumação, a salga, a fermentação, o
congelamento etc. A tecnologia de alimento é o elo entre a produção e o consumo.
De acordo com o Código Nacional de Saúde, Decreto-Lei 986/1969, alimento é toda substância
ou mistura de substâncias, no estado sólido, líquido, pastoso ou qualquer outro adequado, que
objetiva fornecer ao organismo humano os elementos normais ao seu processo nutricional. As
matérias-primas alimentícias, por sua vez, são materiais de origem vegetal, animal ou outra,
comestíveis em estado natural ou transformados, cuja composição química satisfaz às
necessidades nutricionais do homem.

8.2. MATÉRIAS-PRIMAS ALIMENTÍCIAS


Matéria-prima é toda substância de origem animal, vegetal ou mineral, em estado bruto, que
para ser utilizada como alimento, precisa sofrer um tratamento e/ou transformação de natureza
química, física ou biológica. Não haverá produto bom, se ele for fabricado com matéria-prima
inadequada. As matérias-primas podem ser classificadas de acordo com sua estabilidade ou
sua origem. Quanto a estabilidade são enquadradas em: perecíveis, semiperecíveis e não
perecíveis e quanto a sua origem, são divididas em três grupos principais: animal; vegetal;
mineral.

8.3. FASES DE PROCESSAMENTO DE ALIMENTOS


As principais fases de processamento da indústria de alimentos são: fase de beneficiamento;
fase de elaboração; fase de preservação e conservação; fase de armazenamento.
Fase de beneficiamento: Constitui a primeira etapa da utilização da matéria-prima selecionada
e consiste, de modo geral, na sua limpeza, separação de partes não comestíveis, higienização
etc.
Fase de elaboração: É a etapa de maior importância na fabricação, pois nela se desenvolvem
diversificadas atividades tecnológicas, segundo a linha de elaboração do produto. As
operações de natureza física, química e biológica determinam nessa fase as transformações
que caracterizam os produtos, aproveitando integralmente a matéria prima ou separando

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 197


destas seus resíduos, utilizados geralmente para o preparo de novos alimentos. Os processos
tecnológicos aplicados em alimentos básicos, como o leite, carne, pescado, ovos, frutas,
vegetais, mel, etc. conseguem obter a custas destes, extrema variedade de produtos.
Fase de preservação e conservação: Visa à eliminação da flora normal inconveniente e da
patogênica, assim como das enzimas produtoras de alterações. Com essa fase, tornou-se
possível a consolidação da indústria de alimentos, pela garantia de seus produtos desfrutarem
maior tempo de vida útil de prateleira.
Fase de armazenamento: A fase de armazenamento tem como característica principal a
preservação que exige vários alimentos para que não se deteriorem. As alterações podem
ocorrer por diferentes causas: temperatura ambiental, umidade, composição do ar atmosférico,
imperfeição da embalagem, absorção de odores, ação de predadores. Essas causas atingem
os produtos segundo as suas qualidades e características específicas.

8.4. PRINCÍPIOS DE SEGURANÇA ALIMENTAR


A produção, preparação, distribuição, armazenamento e comercialização de alimentos, com
segurança, são atividades que exigem cuidados especiais com o ambiente de trabalho, com
equipamentos e utensílios, com os alimentos propriamente ditos, com os manipuladores de
alimentos, com as instalações sanitárias e com o controle de pragas, entre outros.
Codex Alimentarius - É um fórum internacional de normalização de alimentos estabelecido pela
Organização das Nações Unidas através da FAO (Food and Agriculture Organization) e OMS
(Organização Mundial de Saúde), criado em 1963, com a finalidade de proteger a saúde dos
consumidores e assegurar práticas equitativas no comércio regional e internacional de
alimentos. As normas Codex abrangem os principais alimentos, sejam estes processados,
semiprocessados ou crus, também abrange substância/produtos que são usadas para a
elaboração dos alimentos, na medida em que seja necessário para alcançar os principais
objetivos do Codex.
Alimentos seguros - Um alimento apto para o consumo, isto é, com segurança, é aquele
alimento que não causa doença ou injúria ao consumidor (Codex Alimentarius). Outro
entendimento para alimento seguro destaca que a ausência de contaminações químicas,
físicas e microbiológicas garante segurança aos alimentos. Desta forma, é correto afirmar que
os perigos químicos, físicos e microbiológicos são as principais formas de contaminação dos
alimentos. Assim, uma manipulação inadequada dos alimentos certamente oferece perigos
físicos, químicos e microbiológicos aos alimentos. Logo, visando evitar ferimentos, doenças e
até a morte das pessoas é necessária uma manipulação adequada, consciente, capacitada e
responsável dos alimentos.
Manipuladores de alimentos - Segundo a Portaria SVS/MS nº 326, de 30 de julho de 1997, a
manipulação de alimentos pode ser entendida como as operações que são efetuadas sobre a
matéria-prima até a obtenção de um alimento acabado, em qualquer etapa de seu
processamento, armazenamento, e transporte. Assim, considerando a idéia de que sem o
elemento humano nada se produz e diante da definição acima é correto afirmar que o elemento
humano é a essência de toda e qualquer manipulação de alimentos.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 198


Diante disto, é correto afirmar que alguns aspectos, referentes aos manipuladores, devem ser
observados e controlados para que os mesmos não constituam um fator de contaminação
alimentar. São eles: controle de saúde, grau de instrução, hábitos pessoais de higiene corporal,
utilização de procedimentos operacionais padronizados, utilização de boas práticas de
fabricação e hábitos pessoais.
Boas práticas de fabricação (BPF) - São os procedimentos necessários para garantir a
qualidade sanitária dos alimentos. Tais procedimentos abordam a estrutura física da
organização, a disposição de máquinas e equipamentos, a utilização de máquinas,
equipamentos e utensílios, higiene e comportamento dos manipuladores dos alimentos,
higienização e sanitização de superfícies e fluxos dos processos desenvolvidos, entre outros.
Assim é correto afirmar que a meta principal das BPF é a máxima redução dos riscos. Vale
lembrar que as BPF são uma ferramenta da qualidade, logo, além de aumentar a qualidade e a
segurança dos alimentos, buscam criar um ambiente de trabalho mais eficiente e satisfatório,
otimizar o processo produtivo e aumentar a competitividade.
Convém ressaltar que o processo de implantação das BPF pode ser dividido em três partes. Na
primeira, é elaborado e adotado um Manual de Boas Práticas de Fabricação. Na segunda, é
realizado um treinamento, com a equipe de trabalho, para haver uma adaptação e reciclagem.
Na terceira parte, é realizada uma verificação e, medidas corretivas, previstas no Manual de
Boas Práticas de Fabricação que são adotadas para corrigir quaisquer desvios dos parâmetros
definidos.
Análise dos perigos e pontos críticos de controle – APPCC - É um sistema qualitativo que
viabiliza a segurança alimentar através da análise e do controle de perigos (físicos, químicos e
biológicos) em cada passo da produção do alimento. Ele é reconhecido por ser um sistema
simples e eficiente na prevenção de enfermidades transmitidas por alimentos.
As etapas do APPCC são sete e descritas da seguinte maneira: 1: Análise dos Perigos e
Medidas Preventivas; 2: Identificação dos Pontos Críticos de Controle (PCC); 3:
Estabelecimento dos Limites Críticos; 4: Estabelecimento dos Procedimentos de Monitoração;
5: Estabelecimento das Medidas Corretivas; 6: Estabelecimento dos Procedimentos de
Verificação; 7: Estabelecimento dos Procedimentos de Registros.
Em síntese: o programa de qualidade de Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle
(APPCC) é um plano sistemático para identificação e controle de perigos nas diferentes fases
do processo industrial que tem como pré-requisitos as Boas Práticas de Fabricação (BPF) e os
Procedimentos Padrões de Higiene Operacional (PPHO). Esses pré-requisitos identificam os
perigos potenciais à segurança do alimento desde a obtenção das matérias-primas até o
consumo, estabelecendo em determinadas etapas, os Pontos Críticos de Controle (PCC),
medidas de controle e monitoração que garantem, ao final do processo, a obtenção de um
alimento seguro e com qualidade.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 199


8.5. CONTROLE DE QUALIDADE NA PRODUÇÃO DE BISCOITOS
Biscoitos ou Bolachas - são os produtos obtidos pela mistura de farinha(s), amido(s) e ou
fécula(s) com outros ingredientes, submetidos a processos de amassamento e cocção,
fermentados ou não. Podem apresentar cobertura, recheio, formato e textura diversos (RDC
263/2005). O produto fabricado pode ser designado por "biscoito" ou "bolacha" seguida da
substancia que o caracteriza ou por nomes consagrados pelo uso. Ex.: "Biscoito de polvilho",
"Bolacha de coco".
Os biscoitos pertencem ao grupo de alimentos não-essenciais, sendo classificados como
alimentos do tipo “snack”, pequenas refeições leves e substanciais, que além da praticidade de
consumo, atendem à considerável parte das necessidades nutricionais diárias dos indivíduos.
Os biscoitos podem ser classificados de acordo com o ingrediente que o caracteriza ou forma
de apresentação. Ex: Salgados, Doces, Recheados etc. Outra classificação é baseada na
forma de moldagem e/ou corte dos biscoitos: Laminados e estampados, Rotativos ou
moldados, Extrusados e cortados por arame ou por guilhotina e Depositados ou pingados. Do
ponto de vista produtivo, podem-se dividir em três tipos: Biscoitos de massa dura ou
estampados, Biscoitos de massa mole e Biscoitos de massa fermentada.
As matérias-primas básicas dos biscoitos são: farinha de trigo, água, gordura vegetal
hidrogenada, açúcar, sal, leite, fermento e aromas. Cada biscoito possui matérias-primas e
características próprias. Os insumos utilizados na confecção de biscoitos podem ser divididos
como responsáveis por uma das duas funções principais:
• Amaciadores: Açúcar, Gema de ovo, Gordura, Fermentos.
• Estruturadores: Farinha, Ovos, Leite, Água, Sal.
Outros ingredientes, tais como amendoim, coco ralado, chocolate, frutas, condimentos e
essências, são utilizados em pequenas quantidades, com o propósito de conferir sabor.
As matérias-primas utilizadas dependem do tipo de biscoito, laminado ou extrusado, por
exemplo, e do sabor, aroma e textura pretendidos. Todas interferem diretamente no aspecto
final do produto e a alteração na quantidade pode favorecer ou prejudicar o ganho de peso do
biscoito, sendo este um dos grandes problemas da indústria em questão.
Processo de fabricação - Os biscoitos ou bolachas deverão ser fabricados a partir de
matérias-primas sãs e limpas, isentas de matéria terrosa, parasitos, devendo estar em perfeito
estado de conservação. São rejeitados os biscoitos ou bolachas mal cozidos, queimados, de
caracteres organolépticos anormais. Não é tolerado o emprego de substâncias corantes na
confecção dos biscoitos ou bolachas, excetuando-as tão somente nos revestimentos e recheios
açucarados (glacês). Os corantes amarelos não são tolerados mesmo nos recheios e
revestimentos açucarados.
A característica primária de todos os biscoitos é sua baixa quantidade de água, geralmente
com umidade em torno de 2 a 8%.
As etapas para a produção de biscoitos consistem em: Preparação da Matéria-prima, Mistura,
Moldagem, Corte, Cozimento, Resfriamento, Embalagem e Armazenagem.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 200


FLUXOGRAMA GENÉRICO DE FABRICAÇÃO DOS BISCOITOS

Matérias-primas

PREPARAÇÃO DA
MATÉRIA-PRIMA

Alguns aditivos MISTURA

MOLDAGEM/CORTE

COZIMENTO OU
ASSAMENTO

RESFRIAMENTO

OTIMIZAÇÃO

EMBALAGEM

ARMAZENAGEM

Biscoito comercial

Preparação da matéria-prima - As matérias-primas são selecionadas sob rígidos padrões de


qualidade. São realizadas análises de pureza, pH, acidez, umidade, ponto de fusão, textura,
sabor e outras. Todos os ingredientes são dosados nas quantidades adequadas de acordo com
o tipo de biscoito que será fabricado.
Mistura - De modo geral, o processo de mistura em biscoitos tem as seguintes funções:
homogeneização e dispersão dos ingredientes; formação de soluções; desenvolvimento do
glúten da farinha e aeração da massa, deixando-a menos densa. Os ingredientes são
misturados até obter uma massa bem homogênea.
Quanto aos métodos de mistura, de modo geral, podem ser divididos em três modos: Método
do creme; Método de um estágio e Método de dois estágios.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 201


Moldagem/Corte - A massa pronta é moldada ou laminada de acordo com as características de
cada um, passando por máquinas especiais que darão forma aos biscoitos. Uma vez pronta a
massa, é sempre interessante dar um tempo de descanso, em torno de uns 20 minutos.
Os biscoitos podem ser moldados por prensa estampadora, extrusora, corte por prensa,
sistema rotativo, corte por fios de aço e sistema de deposição. Nessa etapa, a massa é
submetida à divisão manual ou mecânica, em partes iguais. O sistema de deposição é o mais
indicado para biscoitos tipo cookie, pois apresenta uma massa crua de consistência amolecida.
Cozimento/Assamento - A massa pronta, laminada ou moldada e cortada é levada ao forno
contínuo e será assada no ponto ideal. A operação de cozimento ou assadura do biscoito é a
fase executada com o objetivo de remover a umidade, dar cor e propiciar uma série de reações
químicas e físicas.
Essa operação é a fase que tem como objetivo a remoção da umidade e produção de cor do
biscoito devido à caramelização dos açúcares presentes em sua composição. Ocorre então a
reação de Maillard nesta etapa do processo, bem como a gelatinização do amido e coagulação
do glúten da farinha. É nesta etapa que se desenvolve o sabor do biscoito.
Resfriamento - É uma das fases mais importantes do processamento. O produto sai do forno
ainda mole e com alguma umidade. Desta forma, não poderá ser embalado diretamente, mas
resfriado adequadamente. Se essa fase não for bem feita, pode ocorrer o fenômeno de
“checking” ou quebra. Para controlar a quebra, três pontos importantes devem ser levados em
consideração: formulação bem balanceada; assadura em condições ideais e resfriamento em
atmosfera quente e úmida. Este processo é de extrema importância, para manter o biscoito
sempre crocante. Após o resfriamento, os biscoitos recheados e waffers passam para a etapa
de adição do recheio (recheamento), quando duas partes de biscoito são unidas pelo recheio
preparado com gordura vegetal, açúcar, aromas, corantes e outros ingredientes.
Otimização – Etapa de recheio ou recobrimento do biscoito. Diferencial de processo e
agregadora de valor.
Embalagem - A embalagem do produto tem a função de protegê-lo de deterioração de natureza
física, química e microbiológica e deve ser feita imediatamente após o resfriamento. Os tipos
de embalagens existentes são: filme plástico, folha de alumínio, filme metalizado, laminados, e
pode ser feita ainda a vedação a vácuo.
Todos os biscoitos passam por uma seleção, cujo objetivo é evitar que aqueles que não
estejam dentro dos rigorosos padrões de qualidade cheguem ao consumidor. Será então
embalado em máquinas que pesam, embalam e selam em processo semi-automático, em
sacos de 500 gramas cada, e posteriormente em caixas de papelão com 10 quilos, contendo
20 sacos cada caixa.
Armazenagem - Estas caixas de papelão são então guardadas na área de armazenagem da
fábrica onde ficam aguardando à hora de embarque para o estabelecimento do cliente
comprador.
Análises de qualidade - A qualidade sensorial é o principal fator na determinação da
aceitação e preferência do consumidor por estes produtos, contribuindo ainda para o

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 202


desenvolvimento de novos produtos, controle de qualidade, reformulação e redução de custos
e ingredientes, aspectos analíticos e sensoriais.
Textura, sabor e aparência são os principais atributos de qualidade dos biscoitos. A
importância da textura dos biscoitos na avaliação pelos consumidores vem sendo
progressivamente reconhecida e, as mudanças nos ingredientes e no processamento podem
causar variações nessa textura.
Além da análise sensorial, o controle de qualidade dos biscoitos também emprega
determinações físico-químicas e microbiológicas.
As determinações físico-químicas e microbiológicas realizadas nos biscoitos são as mesmas
aplicadas na produção de massas alimentícias.
Como estes produtos podem receber mais ingredientes na sua produção, podem ser utilizados
outros métodos. Exemplos disso, determinação de lactose, determinação de aditivos
específicos, como lecitinas, corantes artificiais etc.

8.6. METODOLOGIAS ANALÍTICAS PARA O CONTROLE DE QUALIDADE EM BISCOITOS


Devido a sua composição ser baseada em farinhas de trigo ou similares, o controle de
qualidade dos biscoitos segue os mesmos procedimentos aplicados para massas alimentícias
e produtos similares.
Segundo os métodos analíticos do IAL, pães, biscoitos, produtos de confeitaria e massas
alimentícias podem ser avaliados pelas determinações metodológicas seguintes: umidade
(012/IV), acidez (016/IV), lipídios (032/IV), protídeos (036/IV ou 037/IV), carboidratos (038/IV e
039/IV), cinzas (018/IV) e fibras (045/IV e 046/IV), de forma mais geral. Nestes produtos deve
ser feita a pesquisa de corantes naturais e artificiais, de acordo com (051/IV).
Os aditivos e enriquecedores devem ser pesquisados ou determinados de acordo com as
técnicas especificas.

8.6.1. Determinação de umidade (perda por dessecação) – Secagem direta em estufa a


105ºC - 012/IV – Farinhas, biscoitos e produtos similares
(Referência bibliográfica - INSTITUTO ADOLFO LUTZ. Normas Analíticas do Instituto Adolfo Lutz. v. 1: Métodos Químicos e Físicos para análise de
alimentos. São Paulo: IMESP, 3. ed., 1985. p. 21-22).

Material
Estufa, balança analítica, dessecador com sílica gel, cápsula de porcelana ou de metal de 8,5
cm de diâmetro, pinça e espátula de metal.
Procedimento
Pese de 2 a 10 g da amostra em cápsula de porcelana ou de metal, previamente tarada.
Aqueça durante 3 horas. Resfrie em dessecador até a temperatura ambiente. Pese.
Repita a operação de aquecimento e resfriamento ate peso constante.
Cálculo:
Umidade a 105º C (% m/m) = 100 . N/P

N = n° de gramas de umidade (perda de massa em g); P = n° de gramas da amostra

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 203


8.6.2. Determinação de acidez - 016/IV – amostras sólidas ou líquidas
(Referência bibliográfica - INSTITUTO ADOLFO LUTZ. Normas Analíticas do Instituto Adolfo Lutz. v. 1: Métodos Químicos e Físicos para análise de
alimentos. São Paulo: IMESP, 3. ed., 1985. p. 25-26).

Material
Proveta de 50 mL, frasco Erlenmeyer de 125 mL, bureta de 25 mL, balança analítica, espátula
metálica e pipetas volumétricas de 1 e 10 mL.
Reagentes
Solução de fenolftaleína a 1%
Solução de hidróxido de sódio 0,1 mol/L ou 0,01 mol/L
Procedimento
Pese de 1 a 5 g ou pipete de 1 a 10 mL da amostra, transfira para um frasco Erlenmeyer de
125 mL com o auxílio de 50 mL de água.
Adicione de 2 a 4 gotas da solução de fenolftaleína e titule com solução de hidróxido de sódio
0,1 ou 0,01 mol/L, até coloração rósea.
Nota: no caso de amostras coloridas ou turvas, para a determinação do ponto de viragem,
utilize método potenciométrico.
Cálculo
Acidez em solução molar por cento (v/m) = V . f. 100 / P . c

V = n. de mL da solução de hidróxido de sódio 0,1 ou 0,01 mol/L gasto na titulação


f = fator da solução de hidróxido de sódio 0,1 ou 0,01 mol/L
P = n. de g da amostra usado na titulação
c = correção para solução de NaOH, 10 para solução NaOH 0,1 mol/L e 100 para solução NaOH 0,01 mol/L.

8.6.3. Determinação de lipídios ou extrato etéreo – Extração direta em Soxhlet - 032/IV


(Referências bibliográficas: INSTITUTO ADOLFO LUTZ. Normas Analíticas do Instituto Adolfo Lutz. v. 1: Métodos químicos e físicos para análise de
alimentos, 3. ed. Sao Paulo: IMESP, 1985. p. 42-43./ ASSOCIATION OF OFFICIAL ANALYTICAL CHEMISTS. Official methods of analysis of the
Association of Official Analytical Chemists (method 920.39,C). Arlington: A.O.A.C., 1995, chapter 33. p. 10-12).

Material
Aparelho extrator de Soxhlet, bateria de aquecimento com refrigerador de bolas, balança
analítica, estufa, cartucho de Soxhlet ou papel de filtro de 12 cm de diâmetro, balão de fundo
chato de 250 a 300 mL com boca esmerilhada, lã desengordurada, algodão, espátula e
dessecador com sílica gel.
Reagente
Éter
Procedimento
Pese 2 a 5 g da amostra em cartucho de Soxhlet ou em papel de filtro e amarre com fio de lã
previamente desengordurado.
No caso de amostras líquidas, pipete o volume desejado, esgote em uma porção de algodão
sobre um papel de filtro duplo e coloque para secar em uma estufa a 105°C por uma hora.
Transfira o cartucho ou o papel de filtro amarrado para o aparelho extrator tipo Soxhlet. Acople
o extrator ao balão de fundo chato previamente tarado a 105°C.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 204


Adicione éter em quantidade suficiente para um Soxhlet e meio. Adapte a um refrigerador de
bolas. Mantenha, sob aquecimento em chapa elétrica, a extração contínua por 8 (quatro a
cinco gotas por segundo) ou 16 horas (duas a três gotas por segundo).
Retire o cartucho ou o papel de filtro amarrado, destile o éter e transfira o balão com o resíduo
extraído para uma estufa a 105°C, mantendo por cerca de uma hora.
Resfrie em dessecador até a temperatura ambiente.
Pese e repita as operações de aquecimento por 30 minutos na estufa e resfriamento até peso
constante (no Maximo 2 h).
Cálculo:
Lipídeos ou extrato etéreo por cento (m/m) = 100 . N / P

N = n. de gramas de lipídios
P = n. de gramas da amostra
Nota: no caso de produtos contendo alta proporção de carboidratos, pese a amostra sob papel de filtro e lave com
cinco porções de 20 mL de água. Coloque em estufa a 105°C por uma hora para secagem e proceda a extração
conforme acima descrito.

8.6.4. Determinação de Protídeos – Método de Kjeldahl clássico – Farinhas, biscoitos,


massas alimentícias e produtos similares - 036/IV
(Referências bibliográficas: INSTITUTO ADOLFO LUTZ. Normas Analíticas do Instituto Adolfo Lutz. v. 1: Métodos químicos e físicos para análise de
alimentos, 3. ed. Sao Paulo: IMESP, 1985. p. 44-45./ FAO/WHO. FAO Nutrition Meetings Report Series, 52. Energy and protein requiriments. Geneva,
1973. (Technical Report Series, n. 522). / SOUTHGATE, D.A.T. The relationship between food composition and available energy. Rome: Joint
FAO/WHO/UNU Expert Consultation on Energy and Protein Requirements. 1981).

Material
Balança analítica, frascos de Kjeldahl de 500 a 800 mL, chapa elétrica ou manta aquecedora,
balão de destilação, frasco Erlenmeyer de 500 mL, bureta de 25 mL, espátula, papel de seda,
dedal e pipeta graduada de 25 mL ou pipetador automático.
Reagentes
Ácido sulfúrico Solução de fenolftaleína
Ácido sulfúrico 0,05 mol/L Vermelho de metila a 1% m/v
Sulfato de cobre Zinco em pó
Sulfato de potássio Hidróxido de sódio a 30% m/v
Dióxido de titânio Hidróxido de sódio 0,1 mol/L
Mistura catalítica – Dióxido de titânio anidro, sulfato de cobre anidro e sulfato de potássio
anidro, na proporção 0,3:0,3:6.
Procedimento
Pese 1 g da amostra em papel de seda.
Transfira para o balão de Kjeldahl (papel+amostra).
Adicione 25 mL de ácido sulfúrico e cerca de 6 g da mistura catalítica.
Leve ao aquecimento em chapa elétrica, na capela, até a solução se tornar azul-esverdeada e
livre de material não digerido (pontos pretos). Aqueça por mais uma hora. Deixe esfriar.
Caso o laboratório não disponha de sistema automático de destilação, transfira
quantitativamente o material do balão para o frasco de destilação.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 205


Adicione 10 gotas do indicador fenolftaleína e 1 g de zinco em pó (para ajudar a clivagem das
moléculas grandes de protídeos).
Ligue imediatamente o balão ao conjunto de destilação. Introduza a extremidade afilada do
refrigerante em 25 mL de ácido sulfúrico 0,05 mol/L, contido em frasco Erlenmeyer de 500 mL
com 3 gotas do indicador vermelho de metila.
Adicione ao frasco que contém a amostra digerida, por meio de um funil com torneira, solução
de hidróxido de sódio a 30% até garantir um ligeiro excesso de base.
Aqueça à ebulição e destile até obter cerca de (250-300) mL do destilado.
Titule o excesso de ácido sulfúrico 0,05 mol/L com solução de hidróxido de sódio 0,1 mol/L,
usando vermelho de metila.
Cálculo:
Protídeos (% m/m) = V . 0,14 . f / P
V = diferença entre o n. de mL de ácido sulfúrico 0,05 mol/L e o n. de mL de hidróxido de sódio 0,1 mol/L
gastos na titulação
P = n. de g da amostra
f = fator de conversão (conforme tabela mostrada anteriormente)

8.6.5. Determinação de Protídeos – Método de Kjeldahl modificado – Farinhas, biscoitos,


massas alimentícias e produtos similares - 037/IV
(Referência bibliográfica: ASSOCIATION OF OFFICIAL ANALYTICAL CHEMISTS. Official methods of analysis of the Association of Official Analytical
Chemists (method 991.20). Arlington: A.O.A.C., 1995, chapter 33. p. 10-12).

Material
Balança analítica, frasco de Kjeldahl de 500 a 800 mL, chapa elétrica ou manta aquecedora,
balão de destilação, frasco Erlenmeyer de 500 mL, buretas de 25 mL, espátula, papel de seda,
pipeta graduada de 25 mL ou pipetador automático.
Reagentes
Ácido sulfúrico Dióxido de titânio
Ácido sulfúrico 0,05 mol/L Solução de fenolftaleína a 1% m/v
Ácido bórico 0,033 mol/L Vermelho de metila a 1% m/v
Sulfato de cobre Hidróxido de sódio a 30% m/v
Sulfato de potássio
Procedimento (semelhante ao método anterior - 036/IV)
Para a digestão da amostra, proceda conforme descrito anteriormente. Na destilação, proceda
substituindo o ácido sulfúrico 0,05 mol/L no frasco Erlenmeyer onde será recolhida a amônia
formada, por ácido bórico 0,033 mol/L, que não reage diretamente, servindo apenas como
suporte para adsorção da amônia.
Titule diretamente a solução de hidróxido de amônio com a solução de ácido sulfúrico 0,05
mol/L, utilizando o mesmo indicador do método anterior.
Nota: alternativamente, poderá ser utilizada uma solução de ácido clorídrico 0,1 mol/L em
substituição ao ácido sulfúrico 0,05 mol/L.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 206


Cálculo:
Protídeos (% m/m) = V . 0,14 . f / P
V = volume de ácido sulfúrico 0,05 mol/L gasto na titulação
P = n. de g da amostra
f = fator de conversão (conforme tabela mostrada anteriormente)

8.6.6. Determinação de glicídios redutores em glicose - 038/IV


(Referências bibliográficas: INSTITUTO ADOLFO LUTZ. Normas Analíticas do Instituto Adolfo Lutz. v. 1: Métodos químicos e físicos para análise de
alimentos, 3. ed. Sao Paulo: IMESP, 1985. p. 49-50./ ASSOCIATION OF OFFICIAL ANALYTICAL CHEMISTS. Official Methods of Analysis of the
Association of Official Analytical Chemists (method 958.06). Arlington: A.O.A.C.. 1995, chapter 39. p. 21).

Material
Balança analítica, espátula de metal, béquer de 100 mL, proveta de 50 mL, balão volumétrico
de 100 mL, frasco Erlenmeyer de 250 mL, funil de vidro, balão de fundo chato de 250 mL,
pipetas volumétricas de 5 e 10 mL ou bureta automática de 10 mL, buretas de 10 e 25 mL e
chapa elétrica.
Reagentes
Hidróxido de sódio a 40% m/v
Carbonato de sódio anidro
Ferrocianeto de potássio a 6% m/v
Acetato de zinco a 12% m/v
Solução saturada de acetato neutro de chumbo
Sulfato de sódio anidro
Soluções de Fehling A e B tituladas
Procedimento
Pese 2 a 5 g da amostra em um béquer de 100 mL.
Transfira para um balão volumétrico de 100 mL com o auxílio de água. Qualquer que seja a
característica da amostra (a, b ou c), proceda como a seguir.
Complete o volume e agite. Filtre se necessário em papel de filtro seco e receba filtrado em
frasco Erlenmeyer de 250 mL.
Transfira o filtrado para a bureta.
Coloque num balão de fundo chato de 250 mL, com auxílio de pipetas de 10 mL, cada uma das
soluções de Fehling A e B, adicionando 40 mL de água.
Aqueça até ebulição.
Adicione, as gotas, a solução da bureta sobre a solução do balão em ebulição, agitando
sempre, até que esta solução passe de azul a incolor (no fundo do balão devera ficar um
resíduo vermelho de Cu2O).
Notas:
a) Em caso de amostras com alto teor de proteína: adicione 5 mL de ferrocianeto de potássio a
6% e 5 mL de acetato de zinco a 12%. Complete o volume com água, agite e deixe em repouso
por 15 minutos. Filtre em papel de filtro seco e receba o filtrado em frasco Erlenmeyer de 250
mL. Verifique o pH da solução. Caso esteja ácido, com pH abaixo de 6, coloque algumas gotas

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 207


de hidróxido de sódio a 40% ou carbonato de sódio anidro até que a solução se torne alcalina,
com pH próximo de 9,0 e filtre novamente. Transfira o filtrado para uma bureta.
b) Em caso de amostras com coloração intensa: clarifique a amostra adicionando solução
saturada de acetato neutro de chumbo, até não haver mais precipitação (cerca de 1,5 mL).
Complete o volume com água. Filtre em papel de filtro seco e receba o filtrado em frasco
Erlenmeyer de 250 mL. Adicione sulfato de sódio anidro, até precipitar o excesso de chumbo.
Filtre em papel de filtro seco e receba o filtrado em outro frasco Erlenmeyer de 250 mL.
Transfira o filtrado para uma bureta.
c) Em caso de amostras com alto teor de lipídios: adicione à amostra pesada, 50 mL de água e
aqueça em banho-maria por 5 minutos. Transfira a solução à quente para um balão volumétrico
de 100 mL. Esfrie, complete o volume e agite. Filtre em papel de filtro seco e receba o filtrado
em frasco Erlenmeyer de 250 mL. Transfira o filtrado para uma bureta.
Cálculo:
Glicídeos redutores em glicose, por cento, m/m = 100 . A . a / P . V
A = n. de mL da solução de P g da amostra
a = n. de g de glicose correspondente a 10 mL das soluções de Fehling
P = massa da amostra em g
V = n. de mL da solução da amostra gasto na titulação.

8.6.7. Determinação de glicídios não-redutores em sacarose - 039/IV


(Referências bibliográficas: INSTITUTO ADOLFO LUTZ. Normas Analíticas do Instituto Adolfo Lutz. v. 1: Métodos químicos e físicos para análise de
alimentos, 3. ed. Sao Paulo: IMESP, 1985. p. 50-51./ ASSOCIATION OF OFFICIAL ANALYTICAL CHEMISTS. Official Methods of Analysis of the
Association of Official Analytical Chemists (method 958.06). Arlington: A.O.A.C.. 1995, chapter 39. p. 21).

Material
Balança analítica, espátula de metal, banho-maria, béquer de 100 mL, proveta de 50 mL, balão
volumétrico de 100 mL, frasco Erlenmeyer de 250 mL, funil de vidro, balao de fundo chato de
250 mL, pipetas volumétricas de 10 e 20 mL, bureta automática de 10 mL, buretas de 10 e 25
mL e chapa elétrica.
Reagentes
Ácido clorídrico
Solução de hidróxido de sódio a 40% m/v
Carbonato de sódio anidro
Ferrocianeto de potássio a 6% m/v
Acetato de zinco a 12% m/v
Soluções de Fehling A e B tituladas
Procedimento
Transfira, com auxilio de uma pipeta, 20 mL de filtrado obtido em glicídios redutores em glicose
(038/IV), para um balão volumétrico de 100 mL ou pese de 2 a 5 g da amostra e transfira para
um balão volumétrico de 100 mL com auxílio de água.
Caso a amostra contenha alto teor de lipídios, proceda como em 038/IV, no item c. Acidule
fortemente com ácido clorídrico (cerca de 1 mL). Coloque em banho-maria a (100+/-2)°C por 30

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 208


a 45 minutos. Esfrie e neutralize com carbonato de sódio anidro ou solução de hidróxido de
sódio a 40%, com auxílio de papel indicador.
Caso a amostra contenha alto teor de proteína, proceda como em 038/IV, item a. Complete o
volume com água e agite. Filtre se necessário em papel de filtro seco e receba o filtrado em
frasco Erlenmeyer de 250 mL. Transfira o filtrado para a bureta. Coloque num balão de fundo
chato de 250 mL, com auxílio de pipetas de 10 mL, cada uma das soluções de Fehling A e B,
adicionando 40 mL de água. Aqueça até ebulição. Adicione, as gotas, a solução da bureta
sobre a solução do balão em ebulição, agitando sempre, até que esta solução passe de azul a
incolor (no fundo do balão deverá ficar um resíduo vermelho de Cu2O).
Cálculo:
Glicídios não-redutores em sacarose, por cento, m/m = { [100 . A . a / P . V] – B } . 0,95

A = n. de mL da solução de P g da amostra
a = n. de g de glicose correspondente a 10 mL das soluções de Fehling
P = massa da amostra em g ou no de g da amostra usado na inversão
V = n. de mL da solução da amostra gasto na titulação
B = n. de g de glicose por cento obtidos em glicídios redutores, em glicose
Nota: na titulação, quando se tornar difícil observar o desaparecimento da cor azul, adicione ao balão, próximo ao
ponto final, 1 mL da solução de azul de metileno a 0,02%, como indicador interno. Continue a titulacao ate completo
descoramento da solução. Continue a titulação até completo descoramento da solução.

8.6.8. Determinação de cinzas (resíduo por incineração) –– Farinhas, biscoitos, massas


alimentícias e produtos similares - 018/IV
(Referências bibliográficas INSTITUTO ADOLFO LUTZ. Normas Analíticas do Instituto Adolfo Lutz. v. 1: Métodos químicos e físicos para análise de
alimentos, 3. ed. Sao Paulo: IMESP, 1985. p. 27-28. ASSOCIATION OF OFFICIAL ANALYTICAL CHEMISTS. Official Methods of analysis of the
Association of Official Analytical Chemists (method 900.02). Arlington: A.O.A.C., 1996 chapter 44. p. 3).

Material
Cápsula de porcelana ou platina de 50 mL, mufla, banho-maria, dessecador com cloreto de
cálcio anidro ou sílica gel, chapa elétrica, balança analítica, espátula e pinça de metal.
Procedimento
Pese 5 a 10 g da amostra em uma cápsula, previamente aquecida em mufla a 550°C, resfriada
em dessecador até a temperatura ambiente e pesada.
Caso a amostra seja líquida, evapore em banho-maria. Seque em chapa elétrica, carbonize em
o
temperatura baixa e incinere em mufla a 550 C, até eliminação completa do carvão. Em caso
de borbulhamento, adicione inicialmente algumas gotas de óleo vegetal para auxiliar o
processo de carbonização.
As cinzas devem ficar brancas ou ligeiramente acinzentadas. Em caso contrário, esfrie,
adicione 0,5 mL de água, seque e incinere novamente.
Resfrie em dessecador até a temperatura ambiente e pese.
Repita as operações de aquecimento e resfriamento até peso constante.
Nota: podem ser utilizadas cápsulas de outros metais resistentes ao calor desde que as cinzas
obtidas não sejam empregadas para posterior análise de metais.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 209


Cálculo:
Cinzas (% m/m) = 100 . N/P

N = n. de g de cinzas; P = n. de g da amostra

8.6.9. Determinação de fibra alimentar total – Método enzimático-gravimétrico - farinhas,


biscoitos, massas alimentícias e produtos similares - 045/IV
Material
Estufa, mufla, banho-maria, banho-maria com bandeja agitadora, dessecador com sílica
indicadora de umidade, cadinho de vidro com placa de vidro sinterizado (ASTM 40-60 µm), lã
de vidro de fibra média, béquer de 250 mL, proveta de 250 mL, kitassato de 500 ou 1000 mL,
trompa d’agua e tamis de 32 mesh.
Álcool a 95%
Reagentes Álcool a 78%
Extran a 2% Acetona
Ácido clorídrico 0,561 mol/L α-amilase termorresistente
Ácido clorídrico 1 mol/L Protease
Hidróxido de sódio 1 mol/L Amiloglicosidase
MES – Ácido 2-(N-morfolino)etanossulfônico
TRIS – Tris(hidroximetil)aminometano
Solução-tampão MES-TRIS 0,05 M – Pese 19,52 g de MES e 12,2 g de TRIS. Dissolva em 1,7
L de água. Ajuste o pH para 8,2, a 24°C, com NaOH 6 mol/L e dilua para 2 L com água.
Procedimentos
Preparação da amostra – Dependendo das características da amostra com relação ao teor de
umidade, gordura e açúcar, adota-se um procedimento diferente, visando facilitar a eficiência
do tratamento enzimático. Alimentos com alto teor de umidade devem ser inicialmente secos
em estufa a vácuo a 70°C, durante a noite, quantificando-se o teor de umidade para efeito do
calculo final da fibra alimentar. Alimentos com alto teor de açúcar devem ser tratados
previamente com 100 mL de álcool a 85% por 30 min. em banho-maria a 70°C com posterior
filtração. O resíduo é lavado com álcool a 70% até atingir o volume de 500 mL.
Após a evaporação do solvente, o teor de açúcar é quantificado conforme os métodos 038/IV e
039/IV do IAL. Alimentos com teores de lipídios acima de 5%, quando secos, devem ser
desengordurados com éter, em aparelho de Soxhlet, quantificando-se o teor de gordura pelo
mesmo motivo da determinação de umidade. Após o tratamento adequado, a amostra deve se
moída ou triturada e passada por tamis de 32 mesh. Conserve-a em recipiente fechado até ser
analisada. No momento da tomada da amostra para a análise da fibra, determine novamente o
teor de umidade.
Preparação dos cadinhos – Lave os cadinhos de vidro com placa de vidro sinterizado com
porosidade n. 2 (Pyrex n. 32940, ASTM 40-60 µm) com extran a 2%, mantendo em banho por
24 horas, enxágue com 6 porções de água utilizando vácuo, passe mais 3 porções de água no

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Página 210


sentindo oposto ao da filtração, com a finalidade de remover qualquer resíduo retido na placa
de vidro. Seque em estufa a 105°C. Transfira os cadinhos para dessecador mantendo-os a
temperatura ambiente. Pese. Revista internamente os cadinhos com uma camada de cerca de
1 g de lã de vidro, tendo o cuidado de distribuir uniformemente no fundo e nas paredes (forma
de concha).
Lave a lã com uma porção de 50 mL de ácido clorídrico 0,5 mol/L com auxílio de vácuo, lave
com água até a neutralização. Seque em estufa a 105°C. Incinere em mufla a 525°C, no
mínimo por cinco horas. Resfrie em dessecador e pese (P1 para a amostra e B1 para branco).
Tratamento enzimático – Pese em béquer de 250 mL, em triplicata, cerca de 1 g da amostra
tratada e que tenha passado por tamis de 32 mesh. O peso entre as triplicatas não deve diferir
de 20 mg. Adicione 40 mL de solução-tampão MES-TRIS, pH 8,2, dispersando completamente
a amostra. Adicione 50 µg de α-amilase termorresistente, agitando levemente. Tampe com
papel alumínio e leve ao banho-maria a (95-100)°C, por 35 min. com agitação contínua.
Remova os béqueres do banho e resfrie ate (60+/-1)°C. Adicione 100 µL de solução de
protease preparada no momento do uso (50 mg/mL em tampão MES-TRIS), cubra com papel
alumínio e leve ao banho-maria a (60+/-1)°C com agitação por 30 minutos. Remova o papel
alumínio dos béqueres e adicione 5 mL de ácido clorídrico 0,561 mol/L, com agitação.
Mantenha a temperatura a (60+/-1)°C e ajuste o pH entre 4,0 - 4,7, com adição de solução de
hidróxido de sódio 1 mol/L e/ou ácido clorídrico 1 mol/L. Adicione 300 µL de solução de
amiloglicosidase. Cubra com papel alumínio e leve ao banho-maria a (60+/-1)°C, por 30
minutos, com agitação contínua.
Notas:
• Paralelo ao procedimento da amostra processe pelo menos dois cadinhos em branco
(sem amostra).
• É fundamental, para fins de cálculo, conhecer a massa de lã de vidro utilizada no
revestimento do cadinho.
• O vácuo utilizado nas filtrações deve ser moderado, sendo suficiente o produzido pela
trompa d’água.
• Utilize luvas e máscara de proteção durante a manipulação da lã de vidro.
Fibra alimentar total – Meça o volume do hidrolisado obtido no tratamento enzimático.
Adicione álcool 95% a 60°C, medido após aquecimento, na proporção de 4:1 do volume do
hidrolisado. Cubra os béqueres com papel alumínio e deixe a mistura em repouso, a
temperatura ambiente, por 1 hora, para a precipitação da fração fibra solúvel. Posicione o
cadinho, previamente preparado e pesado, num kitassato acoplado a uma trompa de vácuo.
Passe pelos cadinhos uma porção de 15 mL de álcool a 78%, para redistribuir a lã de vidro.
Filtre quantitativamente a solução alcoólica contendo o resíduo da hidrólise, cuidando para que
a solução não ultrapasse o nível da lã de vidro durante a filtração. Lave o resíduo com duas
porções de 15 mL de álcool a 95% e duas porções de 15 mL de acetona. Seque os cadinhos
contendo o resíduo em estufa a 105°C, durante uma noite. Resfrie em dessecador e pese (P2
para a amostra e B2 para o branco). Após a pesagem, determine o teor de proteína em um dos

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 211


cadinhos da amostra e em um do branco. Determine o teor de cinzas nos outros dois cadinhos
da amostra e em um do branco.
Cálculo:

RT = resíduo total da amostra = (P2- P1)


BT = resíduo total do branco = (B2- B1) – Pb - Cb
C = cinzas da amostra
m = massa da tomada da amostra
P = teor de proteína

8.6.10. Determinação de fibra alimentar solúvel e insolúvel – Método enzimático-


gravimétrico - farinhas, biscoitos, massas alimentícias e produtos similares - 046/IV
(Referência bibliográfica: LEE, S.C.; PROSKY, L.; DEVRIES, J.W. Determination of total, soluble and insoluble dietary fiber in foods. Enzymatic-gravimetric
method, MES-TRIS buffer: collaborative study. J. Assoc. Off. Chem. Int., v. 75, p. 395-416, 1992).

Procedimento
Execute como a análise da fibra alimentar total, com relação à preparação da amostra, dos
cadinhos e a hidrólise enzimática.
Concluída a etapa da hidrólise, filtre quantitativamente a solução contendo o resíduo, cuidando
para que não ultrapasse a lã de vidro.
Lave o béquer e o resíduo com duas porções de 10 mL de água a 70°C, recolhendo a água de
lavagem junto com o filtrado da hidrólise.
Reserve o filtrado em béquer de 250 mL. A fração fibra insolúvel fica retida no cadinho e a
solúvel no filtrado.
Lave o resíduo do cadinho contendo a fibra insolúvel com duas porções de 15 mL de álcool a
78%, duas porções de 15 mL de álcool a 95% e duas porções de 15 mL de acetona.
Seque os cadinhos em estufa a 105°C, durante uma noite.
Resfrie os cadinhos em dessecador e pese (P2 para a amostra e B2 para o branco).
Utilize um dos cadinhos da amostra e um do branco para determinar o teor de proteína do
resíduo insolúvel e dois cadinhos da amostra e um do branco para determinar o teor de cinzas
do resíduo insolúvel.
Calcule a fração fibra insolúvel procedendo da mesma forma que para fibra total.
Retome o béquer com o filtrado após a hidrólise. Meça o volume. Adicione álcool 95% a 60°C
(medido após aquecimento) na proporção de 4:1 do volume do filtrado. Cubra o béquer com
papel alumínio e mantenha a mistura em repouso por 1 hora a temperatura ambiente, para a
precipitação da fração fibra solúvel. Filtre a solução alcoólica em cadinhos previamente
tarados.
Proceda a lavagem, secagem e pesagem, como na fração fibra insolúvel.
Determine os teores de proteína e cinza da mesma forma que na fração fibra solúvel.
Calcule a fração fibra solúvel procedendo da mesma forma que para fibra total.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 212


8.6.11. Determinação de corantes artificiais orgânicos – Prova qualitativa - produtos de
farinha como pães, bolos, biscoitos, massas - 051/IV
(Referência bibliográfica: INSTITUTO ADOLFO LUTZ Normas Analíticas do Instituto Adolfo Lutz. v. 1: Métodos químicos e físicos para análise de
alimentos. São Paulo: IMESP, 3. ed., 1985. p. 106-108).

O método e aplicável a amostras de alimentos coloridos artificialmente e baseia-se na


separação dos corantes por cromatografia ascendente em papel.
Material
Banho-maria, capela para solventes, lã natural branca de 20 cm, régua de 20 cm, papel
Whatman n.1 (20 x 20 cm), béquer de 25 e 200 mL, bastão de vidro, capilar de vidro e cuba de
vidro (21 x 21 x 10) cm.
Reagentes
Ácido clorídrico
Hidróxido de amônio
Padrões de corantes orgânicos artificiais a 0,1% m/v
Procedimento
Para a extração dos corantes, coloque em um béquer de 200 mL aproximadamente 30 a 50 g
da amostra, 100 mL de água e cerca de 20 cm de um fio de lã natural branca e misture bem.
Acrescente algumas gotas de HCl (+/-0,5 mL) e coloque em banho-maria fervente até que o
corante fique impregnado na lã.
Lave a lã com água corrente. Coloque em um béquer de 25 mL e adicione algumas gotas de
hidróxido de amônio (+/-0,5 mL).
Em seguida, adicione 10 mL de água e coloque em banho-maria até que a solução adquira
uma coloração igual a da lã.
Retire a lã e reduza o volume do líquido à metade, por evaporação.
Para a identificação dos corantes extraídos, aplique a amostra e as soluções dos padrões de
corantes, com auxilio de capilar, no papel de cromatografia Whatman n. 1 e escolha o solvente
mais adequado seguindo o procedimento descrito no método 086/IV.
Compare o aparecimento das manchas da amostra quanto à cor e aos fatores de resolução
(Rf), com os respectivos padrões de corantes orgânicos artificiais.
Notas:
Para se obter um produto mais puro, caso seja necessário, faca dupla extração dos corantes
com o fio de lã.
Corantes naturais poderão tingir o fio no primeiro tratamento, mas a coloração não é removida
pela solução de hidróxido de amônio.

8.6.12. Determinação de corantes artificiais – Identificação por cromatografia em papel -


produtos de farinha como pães, bolos, biscoitos, massas - 086/IV
(Referência bibliográfica: GAUTIER, J.A.; MALANGEAU, P. Mises au Point de Chimie Analytique Organique – Pharmaceutique et Bromatologique. 13.
ed., Paris: Masson & Cie., 1964. p. 70, 71, 91).

Material
Balança analítica, papel Whatman n.1, cuba cromatográfica, balão volumétrico de 100 mL e
capilares de vidro.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 213


Reagentes
Citrato de sódio n-Butanol
Hidróxido de amônio Álcool
Soluções-padrão – Prepare as soluções aquosas de padrões dos corantes a 1% m/v.
Fase móvel (Solvente A) – Pese 2 g de citrato de sódio, transfira para um balão volumétrico de
100 mL, adicione 20 mL de hidróxido de amônio e complete o volume com água.
Fase móvel (Solvente B) – n-butanol-álcool-água-hidróxido de amônio (50:25:25:10).
Procedimento
Prepare soluções aquosas das amostras a 1%. Sobre uma folha de papel Whatman n. 1, a 2
cm da extremidade, em pontos distantes 2 cm uns dos outros, aplique com um tubo capilar as
soluções das amostras e dos respectivos padrões dos corantes.
Desenvolva o cromatograma com o solvente A ou B. O valor de Rf e a coloração da mancha
devem ser idênticos aos do padrão. A visualização da mancha também pode ser feita a luz
ultravioleta, onde se tem melhor nitidez dos contornos e, em certos casos, de algumas
manchas que não foram vistas no exame direto.
Notas:
• Os cromatogramas feitos com os solventes A e B não levam sempre ao mesmo
resultado.
• Alguns corantes mudam inteiramente os valores de Rf de um para outro solvente e
outros se mostram mais puros em solvente A que em solvente B. O cromatograma com
solvente A é o mais usado por ser mais rapido, apesar dos contornos das manchas nao
serem muito precisos.
• Outros solventes também podem ser usados como mostra a tabela seguinte.

Rf e absorbância máxima de alguns corantes artificiais permitidos em Alimentos

A = Hidróxido de amônio-água (1: 99)


B = Cloreto de sódio a 2% em álcool a 50%
C = Isobutanol-álcool-água (1:2:1)
D = n-Butanol-água-ácido acético glacial (20:12:5)
E = Isobutanol-álcool-água (3:2:2) e 1 mL de hidróxido de amônio para 99 mL da mistura
anterior
F = Solução de 80 g de fenol em 20 mL de água.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 214


8.7. CONTROLE DE QUALIDADE NA PRODUÇÃO DE REFRIGERANTES
O Decreto n. 6871 de 2009 do Ministério da Agricultura e Abastecimento, define refrigerante
como uma “bebida gaseificada, obtida pela dissolução, em água potável, de suco ou extrato
vegetal de sua origem, adicionada de açúcares”. O produto final deve atender a certos
requisitos de qualidade que estão determinados neste decreto, como: normalidade dos
caracteres organolépticos próprios da sua natureza; qualidade e quantidade dos componentes
próprios da sua natureza e ausência de substâncias nocivas, elementos estranhos, de indícios
de alterações e de patogênicos.
A Portaria 544/1988 do Ministério da Agricultura e Abastecimento define este produto como
uma “bebida não alcoólica obtida pela dissolução, em água potável, de suco, essências ou
extratos vegetais e açúcar, obrigatoriamente saturado com dióxido de carbono industrialmente
puro”.
Segundo a Associação Brasileira de Refrigerantes (ABIR), os refrigerantes são produtos
alimentícios que possuem basicamente a característica de fornecer calorias através de um
sabor refrescante.
Essas bebidas gaseificadas com a adição de CO2 são isentas de álcool e normalmente
consumidas após ser refrigerada. Apresentam características estimulantes, que revitalizam as
energias, produzindo uma gostosa sensação de relaxamento ao organismo, seguido de nova
disposição para o trabalho, estudo, esporte.
Diferenças entre refrigerantes diet e light - As bebidas diet e light apresentam características de
composição e qualidade semelhantes à bebida tradicional, com exceção do teor de açúcares
(monossacarídeos e dissacarídeos) e dos aditivos acrescentados. O refrigerante diet é
caracterizado pela substituição do adoçante açúcar (sacarose) por um adoçante dietético em
seu lugar. Este substituto pode ser natural ou artificial. O refrigerante light teoricamente
falando, deveriam ter uma diminuição de no mínimo 25 % do valor calórico dos seguintes
nutrientes: açúcares, gordura saturada, gorduras totais, colesterol ou sódio comparados com
os do produto tradicional ou similar de marcas diferentes. No caso dos refrigerantes, a redução
do teor de sacarose na formulação.
Os refrigerantes podem ser avaliados, caracterizados e classificados através dos dispositivos
.
legais brasileiros do Ministério da Agricultura. O precursor legal é o Decreto-lei n 8.918, de 14
de julho de 1994, que dispõe sobre a padronização, a classificação, o registro, a inspeção, a
produção e a fiscalização de bebidas, atualizado pelo Decreto n. 6871 de 2009, de 4 de junho
de 2009. Também a respeito à Portaria n.544, de 16 de novembro de 1998 do MAPA e pela
Resolução n.389, de 4 de agosto de 1999 do Ministério da Saúde.
A classificação mais comum para os refrigerantes é baseada na sua composição. Pode ser
simples (quando cita o componente principal, neste caso incluem-se: os de cola – presença de
noz de cola, geralmente como extrato, os guaranás – semente ou extrato e as sodas – suco de
limão como ingrediente obrigatório) ou outra fruta ou vegetal usado e os mistos, quando ocorre
composição de mais de um componente principal (alguns exemplos: os cítricos, os coloridos
típicos de fantasias que incorporam muitos aditivos alimentícios liberados para este fim,

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 215


principalmente os flavorizantes). Na rotulagem, deve-se indicar a sua classificação baseando-
se nos critérios explicados.
As matérias-primas básicas utilizadas no processo produtivo são: água, açúcar, concentrados
(extratos, óleos essenciais e destilados de frutas/vegetais) e gás carbônico (CO2). Além
destes, é muito comum o uso de diversos aditivos com funções específicas. A composição
básica do refrigerante pode ser ilustrada como: Água: 88% do volume final; Açúcar: 8-12% do
volume final e Outros aditivos: 1-2% do volume final.
A variação dos tipos e da quantidade de aditivos utilizados para saborizar, aromatizar e colorir
a bebida gaseificada será de acordo com as características desejáveis para o refrigerante que
será produzido, bem como a quantidade de açúcar que será adicionada e determinada de
acordo com o nível de doçura desejado a ser definido pela preferência do fabricante.
Para os refrigerantes de sabor cola os ingredientes desejáveis são: açúcar, extrato de cola,
aroma de cola, ácido cítrico, sorbato de potássio, ácido fosfórico, corante de caramelo tipo IV
(cola) e o gás carbônico (CO2). Já para os refrigerantes de sabor guaraná, pode-se usar como
um início para criação da fórmula os componentes: açúcar, extrato de guaraná, aroma de
guaraná, ácido cítrico, sorbato de potássio, corante de caramelo tipo IV (guaraná) e gás
carbônico (CO2).
Os aditivos incorporados aos refrigerantes conferem as características de cor, sabor, odor e
propriedades químicas adequadas à sua conservação. Podem ser sucos naturais de frutas,
acidulantes, flavorizantes, estabilizantes, conservantes, corantes, antioxidantes, entre outros
permitidos pela legislação. São identificados através de um código internacional, denominado
de INS (International Numbering System) ou Sistema Internacional de Numeração de Aditivos
Alimentares, elaborado pelo Comitê do Codex sobre Aditivos Alimentares e Contaminantes de
Alimentos (CCFAC) como um sistema numérico de identificação desses aditivos em alternativa
à declaração de seus nomes.
O refrigerante deve ser, obrigatoriamente, saturado de dióxido de carbono, industrialmente
puro. Este é o componente característico do refrigerante, confere a aparência da bebida e
realça o paladar. Ainda, promove a carbonatação na mistura base do refrigerante causando
uma impressão sensorial de um produto efervescente, como é o esperado pelo consumidor no
produto final. O CO2 define várias características no produto final, desde o realce no sabor até
uma sensação refrescante, portanto a quantidade a ser usada é determinante para a qualidade
final do refrigerante. Contudo, os diferentes volumes adicionados à bebida podem afetar o
aroma e até mesmo o sabor da bebida.
Processo produtivo – Para os refrigerantes podemos dividir o processo produtivo em três
etapas bem características, mas vinculadas: preparação do xarope simples, preparação do
xarope composto e preparação da solução diluída e gaseificada (refrigerante).
Preparação do xarope simples - É o produto da dissolução do açúcar em água. A concentração
varia entre 55 e 64% m/m. Esta etapa compreende o conjunto de operações unitárias de
mistura primária, aquecimento ou cozimento, filtração e resfriamento.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 216


FLUXOGRAMA GENÉRICO DE FABRICAÇÃO DOS REFRIGERANTES CLÁSSICOS

Açúcar MISTURA PRIMÁRIA Água tratada potável e


aquecida

AQUECIMENTO/ Calor
Carvão ativado e TRATAMENTO
terra diatomácea

FILTRAÇÃO/
Resíduo
RESFRIAMENTO
Água gelada
indireta

Xarope simples - Brix: 55 – 60º

Sucos ou extratos MISTURA SECUNDÁRIA/ Aditivos específicos


ESTOCAGEM (conservantes, acidulantes etc.)

Xarope composto

DILUIÇÃO/ Água tratada


CARBONATAÇÃO potável e declorada
Calor

ENVASE/
Material de embalagem
ROTULAGEM/
(garrafas, latas, filmes etc.)
ARMAZENAMENTO

Refrigerante

Preparação do xarope composto - É o xarope simples acrescido dos outros componentes


como: conservantes, acidulantes, antioxidantes etc. e o aroma que juntos irão compor o sabor
e o tipo de refrigerante a ser fabricado, caracterizando o mesmo. Concluídas as adições,
mantém-se o agitador ligado por 15 minutos. Ao final, retira-se uma amostra para as análises
microbiológicas e físico-químicas (como turbidez, acidez e dosagem de açúcar ou edulcorante).
Somente após essas análises, o xarope pode ser liberado para o envasamento, estocagem ou
diluição e preparação do refrigerante.
Preparação da solução diluída e gaseificada (refrigerante) - O processo básico para obtenção
do refrigerante é realizado a partir do preparo do xarope composto que receberá a água
gaseificada e transforma-se no produto comercial. Esta preparação é composta pelo conjunto

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 217


das operações unitárias: diluição, carbonatação, envase, rotulagem e armazenamento. Em
geral, o que se encontra nas fábricas de refrigerante é uma instalação composta basicamente
de dois equipamentos: um que mistura o xarope e a água (proporcionador), e outro que mistura
o gás carbônico (conhecido como carbocooler). Em seguida, o refrigerante é enviado às
máquinas enchedoras. O envase deve ser realizado logo após a carbonatação, de modo a
evitar perdas de CO2. As latas de alumínio, garrafas de vidro e de PET são as embalagens
mais utilizadas. A versatilidade de embalagens requer variações e cuidados nos tratamentos
destes insumos de acondicionamento dos refrigerantes. O refrigerante é envasado em baixa
temperatura (3 a 12 ºC) e sob pressão para assegurar uma elevada concentração de CO2 no
produto. As linhas de CO2 têm um filtro microbiológico e são esterilizadas a vapor. Após o
enchimento, a garrafa é imediatamente arrolhada e codificada com data de validade, hora e
linha de envasamento. São verificadas se as garrafas estão com o volume apropriado e
certificado novamente à ausência de impurezas. O lacre e o nível de enchimento das garrafas
são inspecionados. Após nova inspeção, as garrafas cheias são encaixotadas em garrafeiras
plásticas, empilhadas e seguem para expedição. O empacotamento é a formação de pacotes
pequenos de 6, 12 ou 24 garrafas ou latas, pelo envolvimento com um filme retrátil, facilitando
o transporte.
Análises de Qualidade - Todos os cuidados requeridos na produção de alimentos devem ser
seguidos também para fabricação de refrigerantes, por isso o controle e inspeção dos
equipamentos que serão utilizados são muito importantes. Inclusive, cuidados também, no
recebimento das matérias-primas que serão utilizadas no processo de produção, como por
exemplo, as embalagens. E ainda, inspecionar a transferência de locais dos materiais
essenciais na produção, bem como nas análises físico-químicas e microbiológicas que serão
utilizadas no controle de qualidade do processo.
O processo de fabricação é feito sem qualquer contato manual e sob rigoroso controle de
qualidade durante todas as etapas. A produção de refrigerantes emprega quantidades
significativas de água, açúcar cristal, CO2 para carbonatação, além de diversos aditivos como
conservantes (exemplos: sorbato de potássio e benzoato de sódio), estabilizantes, acidulantes,
corantes, essências (guaraná, cola, limão, laranja, tutti-frutti), sucos, extratos, entre outros.
Durante a produção do refrigerante, devem ser realizados o monitoramento das operações
unitárias (tempo e temperatura de processo) e análises físico-químicas visando garantir os
padrões de identidade e qualidade (PIQ) da bebida.
Os ensaios analíticos sugeridos são:
• Água: cloro, alcalinidade, dureza, ferro e microbiologia
• Xarope simples (ou açúcar líquido): observação visual, brix, cor, turbidez e
microbiologia.
• Xarope composto: brix, acidez, ratio (relação brix/acidez), cor e microbiologia.
• Bebida formulada: brix, acidez, ratio, cor e microbiologia.
• Refrigerante: brix, acidez, ratio, cor, carbonatação e microbiologia.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 218


8.8. METODOLOGIAS ANALÍTICAS PARA O CONTROLE EM REFRIGERANTES
As determinações realizadas para refrigerantes, refrescos e bebidas dietéticas e de baixa
caloria são: dióxido de carbono (em refrigerantes), acidez total, pH (017/IV), densidade
(011/IV), resíduo seco (015/IV), glicídios totais em sacarose, cinzas (018/IV), corantes
orgânicos artificiais, cafeína, tanino, quinina, sacarina, ciclamato e outros edulcorantes, ácido
benzóico e outros aditivos.
No caso de refrigerantes, dose primeiramente o teor de CO2 conforme 252//IV e descarbonate
a amostra com agitador magnético ou ultra-som, antes de qualquer determinação.
No caso dos xaropes, devem ser realizadas as seguintes determinações: graus Brix, acidez
total, pH, glicídios redutores em glicose, glicídios não redutores em sacarose, cinzas (018/IV) e
corantes orgânicos artificiais.

8.8.1. Determinação de dióxido de carbono em refrigerantes - 252/IV


(Referência bibliográfica: BRASIL, Leis, Decretos, etc. Portaria no 76 de 27-11-86, do Ministério da Agricultura. Diário
Oficial, Brasília, 3-12-86. Seção I, p. 18152-18173. Métodos analíticos).
Este método é aplicável a amostras de bebidas gaseificadas e baseia-se na medida da pressão
gasosa versus a temperatura.
Material
Termômetro, aparelho dosador de volume de CO2 com adaptador, manômetro com agulha de
aço inoxidável ou equipamento dosador de gás carbônico de leitura digital direta.
Procedimento
Calibre o manômetro conforme as instruções do fabricante.
Coloque o adaptador na garrafa ajustando-o devidamente sobre a tampa metálica, a fim de
evitar vazamento.
Regule o anel perfurado pelo qual passará a agulha de aço inoxidável, de modo a permitir sua
passagem sem muita resistência ou folga.
Golpeie o manômetro fazendo com que a agulha de aço inoxidável perfure e atravesse a tampa
metálica.
Abra a válvula de fuga ou escape, localizada na parte inferior do manômetro, até que a agulha
retorne ao zero, fechando-a imediatamente.
Agite vigorosamente com movimentos verticais até que não haja mais variação do valor
indicado no manômetro. Normalmente, cerca de 6 a 10 movimentos são suficientes para essa
operação. Faça a leitura da pressão.
Retire a tampa metálica e determine a temperatura da bebida.
Com os valores de pressão e temperatura determinados, use a tabela fornecida pelo fabricante
do manômetro e determine o volume do gás na bebida testada.
Com o equipamento dosador de gás carbônico, leia diretamente a porcentagem em volume de
gás carbônico.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 219


8.8.2. Determinação da acidez total - 253/IV
(Referências Bibliográficas: BRASIL, Leis, Decretos, etc. Portaria n. 76 de 27-11-86, do Ministério da Agricultura. Diário
Oficial, Brasília, 3-12-86. Seção I, p. 18152-18173. Métodos analíticos; INSTITUTO ADOLFO LUTZ. Normas
Analíticas do Instituto Adolfo Lutz. v.1: Métodos químicos e físicos para análise de alimentos. 3. ed. São Paulo:
IMESP, p. 332.1985).
Material
pHmetro, agitador magnético, barra magnética, balança analítica, béquer de 250 mL, pipeta
volumétrica de 10 mL, bureta de 10 ou 25 mL, proveta de 100 mL.
Reagentes
Soluções-tampão pH = 4,0 e 7,0
Solução de hidróxido de sódio 0,1 mol/L
Procedimento
Calibre o pHmetro usando as duas soluções-tampão, conforme as instruções do fabricante.
Para refrigerantes e refrescos, pipete 10 mL da amostra em um béquer e adicione 100 mL de
água.
Introduza o eletrodo nesta solução e titule com hidróxido de sódio 0,1 mol/L até pH 8,2-8,4.
Para amostras sólidas, pese aproximadamente 1 g e para xaropes, cerca de 5 g.
Cálculo:
Acidez em solução molar por 100 mL ou 100g = V . f . M . 100 / A

V = volume gasto de hidróxido de sódio 0,1 mol/L


f = fator de correção do hidróxido de sódio 0,1 mol/L
M = concentração da solução de hidróxido de sódio 0,1 mol/L
A = volume da amostra em mL ou massa em g
Nota: para expressar o resultado em % do ácido orgânico correspondente, proceda como
descrito no método de determinação de ácidos orgânicos (312/IV).

8.8.3. Determinação da acidez titulável em ácido orgânico - 312/IV


(Referências bibliográficas: INSTITUTO ADOLFO LUTZ. Normas Analíticas do Instituto Adolfo Lutz. v. 1:Métodos
químicos e físicos para análise de alimentos. 3. ed. São Paulo: IMESP, 1985. p.183/ BRASIL, Leis, Decretos, etc. -
Portaria no 76 de 27-11-86, do Ministério da Agricultura. Diário Oficial, Brasília, 03-12-86. Seção I, p. 18152-18173.).
Este método é aplicável aos diversos produtos de frutas pela determinação da acidez,
expressa em g de ácido orgânico por cento, considerando o respectivo ácido predominante na
amostra, ou conforme determina o padrão de identidade e qualidade do produto analisado.
Cálculo:
g de ácido orgânico (%, m/m ou m/v) = V . f . C . M / 10 . P . n
V = volume da solução de hidróxido de sódio gasto na titulação em mL
C = concentração da solução de hidróxido de sódio
P = massa da amostra em g ou volume pipetado em mL
M = massa molar do ácido correspondente em g/mol
n = número de hidrogênios ionizáveis ( ver tabela abaixo)
f = fator de correção da solução de hidróxido de sódio.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 220


+
Tabela – Número de H dos ácidos orgânicos

Ácido orgânico M (g/mol) n

Ácido cítrico 192 3

Ácido tartárico 150 2

Ácido málico 134 2

Ácido láctico 90 1

Ácido acético 60 1

8.8.4. Determinação do pH - 017/IV


(Referência bibliográfica INSTITUTO ADOLFO LUTZ. Normas Analíticas do Instituto Adolfo Lutz. V 1:Métodos Químicos e Físicos para análise de
alimentos. São Paulo: IMESP, 3. ed., 1985. p. 27).

Os processos que avaliam o pH são colorimétricos ou eletrométricos. Os primeiros usam certos


indicadores que produzem ou alteram sua coloração em determinadas concentrações de íons
de hidrogênio. São processos de aplicação limitada, pois as medidas são aproximadas e não
se aplicam as soluções intensamente coloridas ou turvas, bem como as soluções coloidais que
podem absorver o indicador, falseando os resultados. Nos processos eletrométricos
empregam-se aparelhos que são potenciômetros especialmente adaptados e permitem uma
determinação direta, simples e precisa do pH.
Material
Béqueres de 50 e 150 mL, pHmetro, pipeta volumétrica ou graduada de 10 mL.
Reagentes
Soluções-tampão de pH 4, 7 e 10
Procedimento
Determine o pH, com o aparelho previamente calibrado, operando-o de acordo com as
instruções do manual do fabricante
Pipete 10 mL da amostra e transfira para um béquer de 50 mL
Homogeneizar rapidamente e introduza o eletrodo na amostra.
Faça a leitura direta e anote o valor.

8.8.5. Densidade - 011/IV


(Referência bibliográfica: INSTITUTO ADOLFO LUTZ. Normas Analíticas do Instituto Adolfo Lutz. v. 1: Métodos
químicos e físicos para análise de alimentos, 3. ed. Sao Paulo: IMESP, 1985. p. 21).
A determinação da densidade é, geralmente, feita em análise de alimentos que se apresentam
no estado liquido. Pode ser medida por vários aparelhos, sendo os seguintes os mais usados:
picnômetros e densímetros convencionais e digitais.
Os picnômetros dão resultados precisos e são construídos e graduados de modo a permitir a
pesagem de volumes exatamente iguais de líquidos, a uma dada temperatura.
Da relação destes pesos e volumes resulta a densidade dos mesmos à temperatura da
determinação. Usando água como liquido de referência, tem-se a densidade relativa à água ou

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 221


peso específico. Os densímetros, quase sempre de forma cilíndrica com um bulbo central
terminando em haste fina e graduada, são construídos de modo que o ponto de afloramento
indique, sobre a escala, a densidade do liquido no qual está imerso o aparelho. Existem vários
tipos, com valores diversos, em função da sensibilidade exigida para sua aplicação. A leitura
deve ser feita sempre abaixo do menisco.
As diferentes escalas usadas pelos densímetros podem dar a leitura direta da densidade ou
graus de uma escala arbitrária como: Brix, Gay-Lussac, Baumé, Quevenne, correspondentes
aos sacarômetros, alcoómetros e lactodensímetros, há tanto tempo utilizados em bromatologia.
Os graus Brix referem-se a porcentagem em peso de sacarose em solução a 20°C. Os graus
Gay-Lussac referem-se a porcentagem em volume de álcool em água. Os graus Baumé foram
obtidos de modo empírico: para líquidos mais densos que a água, o zero da escala
corresponde à água a 4°C e o grau 15 a uma solução de 15 g de cloreto de sódio em 85 g de
água. Para os líquidos menos densos que a água, o zero da escala foi obtido com uma solução
de 10 g de cloreto de sódio em 90 g de água e o grau 10, com água. Os lactodensímetros são,
especialmente, calibrados de modo a abranger as variações de densidade de 1,025 a 1,035,
mas apenas os 2 últimos algarismos são marcados na escala e, portanto, as leituras são de (25
a 35)°Quevenne.
Material
Provetas de 100 mL, densímetro específico ou picnômetro, balão volumétrico de 50 mL,
balança analítica, pipetas de 10 mL.
Procedimento
Uso de picnômetro ou balão volumétrico.
Pesar a vidraria escolhida e anotar o seu peso (T);
Preencher o seu volume e pesar novamente (P);
Anotar o volume da vidraria (V).
Densidade (em g/mL) = (P – T) / V

Uso de proveta e densímetro específico.


Preencher a proveta com a amostra líquida;
Introduzir o densímetro na amostra;
Observar o valor indicado no bulbo do densímetro, evitando erro de paralaxe;
Anotar o valor que representa a densidade na unidade de calibração do densímetro.

8.8.6. Determinação do resíduo seco pelo método gravimétrico - 259/IV e 015/IV


(Referências bibliográficas: BRASIL, Leis, Decretos, etc. Portaria n° 76 de 27-11-1986, do Ministério da Agricultura.
Diário Oficial, Brasília, 03-12-1986. Seção I, p.18152-18173. Métodos Analíticos./ INSTITUTO ADOLFO LUTZ. Normas
Analíticas do Instituto Adolfo Lutz. v.1:Métodos químicos e físicos para análise de alimentos. 3. ed. Sao Paulo:
IMESP, 1985. p.333).
Nos produtos líquidos ou de alto teor de umidade, costuma-se considerar o resíduo seco
(sólidos totais) obtido para a avaliação dos sólidos existentes no produto.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 222


Material
Pipeta de 10 mL, cápsula de porcelana de 8,5 cm de diâmetro, estufa, dessecador com silica-
gel, banho-maria, espátula e pinça de metal.
Procedimento
Pipete 10 mL da amostra homogeneizada e descarbonatada, em cápsula tarada, previamente
o
aquecida a 105 C por 2 horas, resfriada em dessecador até a temperatura ambiente;
Leve a cápsula ao banho-maria fervente e evapore até a secura;
o
Coloque em estufa a 105 C, por meia hora aproximadamente;
Esfrie em dessecador até a temperatura ambiente e pese.
Repita as operações de aquecimento por 30 minutos e resfriamento até peso constante.
Cálculo:

Resíduo seco (% - m/v) = N . 100 / A

N = n. de g de resíduo seco
A = n. de mL da amostra

8.8.7. Determinação de glicídios redutores em glicose - 260/IV e 038/IV


(Referência bibliográfica: INSTITUTO ADOLFO LUTZ. Normas Analíticas do Instituto Adolfo Lutz. v.1:Métodos
químicos e físicos para análise de alimentos. 3. ed. Sao Paulo: IMESP, 1985. p.333).
Material
Balança analítica, espátula de metal, béquer de 100 mL, proveta de 50 mL, balão volumétrico
de 100 mL, frasco Erlenmeyer de 250 mL, funil de vidro, balão de fundo chato de 250 mL,
pipetas volumétricas de 5 e 10 mL ou bureta automática de 10 mL, buretas de 10 e 25 mL e
chapa elétrica.
Reagentes
Solução saturada de acetato neutro de chumbo
Sulfato de sódio anidro
Soluções de Fehling A e B tituladas
Procedimento
Pipete 10 mL da amostra homogeneizada e descarbonatada num balão volumétrico de 100 mL
e complete o volume com água.
Filtre se necessário em papel de filtro seco e receba filtrado em frasco Erlenmeyer de 250 mL.
Transfira o filtrado para a bureta.
Coloque num balão de fundo chato de 250 mL, com auxílio de pipetas de 10 mL, cada uma das
soluções de Fehling A e B, adicionando 40 mL de água.
Aqueça até ebulição.
Adicione, às gotas, a solução da bureta sobre a solução do balão em ebulição, agitando
sempre, até que esta solução passe de azul a incolor (no fundo do balão devera ficar um
resíduo vermelho de Cu2O).

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 223


Nota:
Em caso de amostras com coloração intensa: clarifique a amostra adicionando solução
saturada de acetato neutro de chumbo, até não haver mais precipitação (cerca de 1,5 mL).
Complete o volume com água. Filtre em papel de filtro seco e receba o filtrado em frasco
Erlenmeyer de 250 mL. Adicione sulfato de sódio anidro, até precipitar o excesso de chumbo.
Filtre em papel de filtro seco e receba o filtrado em outro frasco Erlenmeyer de 250 mL.
Transfira o filtrado para uma bureta.
Cálculo:
Glicídeos redutores em glicose, por cento, m/m = 100 . A . a / P . V

A = n. de mL da solução de P g da amostra
a = n. de g de glicose correspondente a 10 mL das soluções de Fehling
P = massa da amostra em g
V = n. de mL da solução da amostra gasto na titulação.

8.8.8. Determinação de glicídios não redutores em sacarose - 261/IV e 039/IV


(Referência bibliográfica: INSTITUTO ADOLFO LUTZ. Normas Analíticas do Instituto Adolfo Lutz. v.1:Métodos
químicos e físicos para análise de alimentos. 3. ed. Sao Paulo: IMESP, 1985. p.334).
Material
Balança analítica, espátula de metal, banho-maria, béquer de 100 mL, proveta de 50 mL, balão
volumétrico de 100 mL, frasco Erlenmeyer de 250 mL, funil de vidro, balão de fundo chato de
250 mL, pipetas volumétricas de 10 e 20 mL, bureta automática de 10 mL, buretas de 10 e 25
mL e chapa elétrica.
Reagentes
Ácido clorídrico
Solução de hidróxido de sódio a 40% m/v
Carbonato de sódio anidro
Soluções de Fehling A e B tituladas
Procedimento
Transfira, com auxilio de uma pipeta, 20 mL de filtrado obtido em glicídios redutores em glicose
(038/IV), para um balão volumétrico de 100 mL ou pese de 2 a 5 g da amostra e transfira para
um balão volumétrico de 100 mL com auxílio de água.
Transfira o filtrado para a bureta.
Coloque num balão de fundo chato de 250 mL, com auxílio de pipetas de 10 mL, cada uma das
soluções de Fehling A e B, adicionando 40 mL de água.
Aqueça até ebulição.
Adicione, às gotas, a solução da bureta sobre a solução do balão em ebulição, agitando
sempre, até que esta solução passe de azul a incolor (no fundo do balão deverá ficar um
resíduo vermelho de Cu2O).

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 224


Cálculo:

Glicídios não-redutores em sacarose, %, m/m = { [100 . A . a / P . V] – B } . 0,95

A = n. de mL da solução de P g da amostra
a = n. de g de glicose correspondente a 10 mL das soluções de Fehling
P = massa da amostra em g ou n. de g da amostra usado na inversão
V = n. de mL da solução da amostra gasto na titulação
B = n. de g de glicose por cento obtidos em glicídios redutores, em glicose
Nota: na titulação, quando se tornar difícil observar o desaparecimento da cor azul, adicione ao balão,
próximo ao ponto final, 1 mL da solução de azul de metileno a 0,02%, como indicador interno. Continue a
titulação até completo descoramento da solução. Continue a titulação até completo descoramento da
solução.

8.8.9. Determinação de corantes orgânicos artificiais – Análise qualitativa - 262/IV


(Referência Bibliográfica: INSTITUTO ADOLFO LUTZ. Normas Analíticas do Instituto Adolfo Lutz. v. 1: Métodos
químicos e físicos para análise de alimentos. 3. ed. São Paulo: IMESP, 1985. p.405)
Material
Banho-maria, capela de segurança para solventes, lã branca pura (20 cm), régua de 20 cm,
papel Whatman n. 1 (20 x 20) cm, béqueres de 25 e 100 mL, bastão de vidro, capilar de vidro e
cuba de vidro (21 x 21 x 10) cm.
Reagentes
Ácido clorídrico
Hidróxido de amônio
Padrões de corantes orgânicos artificiais a 0,1 % m/v
Procedimento
Pipete 10 mL ou pese 10 g da amostra homogeneizada em um béquer de 100 mL (no caso de
amostras em pó, dissolva 10 g em 20 mL de água, adicione o pedaço de lã pura e misture
bem).
Acrescente 0,5 mL de ácido clorídrico e coloque o béquer em banho-maria fervente. Quando o
corante artificial da amostra ficar impregnado na lã, retire e lave-a com água corrente.
Coloque-a em um béquer de 25 mL e adicione 0,5 mL de hidróxido de amônio. Em seguida,
adicione 10 mL de água e coloque em banho-maria até que a solução adquira uma coloração
igual a da lã. Retire a lã e reduza o líquido à metade por evaporação.
Aplique, com capilar, as soluções dos padrões de corantes e a solução da amostra assim
obtida, no papel de cromatografia, e coloque-o na cuba com o solvente mais adequado para a
separação dos corantes, seguindo o procedimento descrito no método 086/IV.
Compare o aparecimento das manchas da amostra quanto à cor e aos fatores de resolução
(Rf) com os respectivos padrões de corantes orgânicos artificiais.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 225


8.8.10. Determinação de corantes artificiais – Identificação por cromatografia em papel -
086/IV
(Referência bibliográfica: GAUTIER, J.A.; MALANGEAU, P. Mises au Point de Chimie Analytique Organique – Pharmaceutique et Bromatologique. 13.
ed., Paris: Masson & Cie., 1964. p. 70, 71, 91).

Material
Balança analítica, papel Whatman n.1, cuba cromatográfica, balão volumétrico de 100 mL e
capilares de vidro.
Reagentes
Citrato de sódio
Hidróxido de amônio
n-Butanol
Álcool
Soluções-padrão – Prepare as soluções aquosas de padrões dos corantes a 1% m/v.
Fase móvel (Solvente A) – Pese 2 g de citrato de sódio, transfira para um balão volumétrico de
100 mL, adicione 20 mL de hidróxido de amônio e complete o volume com água.
Fase móvel (Solvente B) – n-butanol-álcool-água-hidróxido de amônio (50:25:25:10).
Procedimento
Prepare soluções aquosas das amostras a 1%. Sobre uma folha de papel Whatman n. 1, a 2
cm da extremidade, em pontos distantes 2 cm uns dos outros, aplique com um tubo capilar as
soluções das amostras e dos respectivos padrões dos corantes.
Desenvolva o cromatograma com o solvente A ou B. O valor de Rf e a coloração da mancha
devem ser idênticos aos do padrão. A visualização da mancha também pode ser feita a luz
ultravioleta, onde se tem melhor nitidez dos contornos e, em certos casos, de algumas
manchas que não foram vistas no exame direto.
Notas:
• Os cromatogramas feitos com os solventes A e B não levam sempre ao mesmo
resultado.
• Alguns corantes mudam inteiramente os valores de Rf de um para outro solvente e
outros se mostram mais puros em solvente A que em solvente B. O cromatograma com
solvente A é o mais usado por ser mais rapido, apesar dos contornos das manchas nao
serem muito precisos.
• Outros solventes também podem ser usados como mostra a tabela seguinte.

Rf e absorbância máxima de alguns corantes artificiais permitidos em Alimentos

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 226


A = Hidróxido de amônio-água (1: 99)
B = Cloreto de sódio a 2% em álcool a 50%
C = Isobutanol-álcool-água (1:2:1)
D = n-Butanol-água-ácido acético glacial (20:12:5)
E = Isobutanol-álcool-água (3:2:2) e 1 mL de hidróxido de amônio para 99 mL da mistura
anterior
F = Solução de 80 g de fenol em 20 mL de água

8.8.11. Determinação de cafeína por método espectrofotométrico - 254/IV


(Referência Bibliográfica: ASSOCIATION OF OFFICIAL ANALYTICAL CHEMISTS. Official methods of analysis of
the Association of Official Analytical Chemists (method 962.13) Arlington: A.O.A.C., 1995. chapter 29. p. 3).
Este método é aplicável a refrigerantes e refrescos que contenham cafeína (trimetilxantina),
natural ou adicionada, e baseia-se na extração com clorofórmio em meio alcalino e
determinação por espectrofotometria na região do ultravioleta.
Material
Espectrofotômetro UV/VIS, cubeta de quartzo de 10 mm, balança analítica, algodão hidrófilo,
funil de separação de 250 mL, béquer de 100 mL, pipetas volumétricas de 1, 2, 3, 4, 5, 10 e 20
mL, proveta de 50 mL e balões volumétricos de 50 e 100 mL.
Reagentes
Cafeína com pureza mínima de 99%
Clorofórmio, grau espectrofotométrico
Solução redutora – Pese 5 g de sulfito de sódio e 5 g de tiocianato de potássio, dissolva em
água e dilua a 10 mL em balão volumétrico.
Solução de hidróxido de sódio a 25% m/v
Solução de permanganato de potássio a 1,5% m/v
Solução de ácido fosfórico -- Dilua 15 mL de ácido fosfórico (d=1,69g/cm3) em 85 mL de água
Sulfato de sódio anidro
Solução-padrão de cafeína – Pese 100 mg de cafeína, dissolva e dilua em clorofórmio num
balão volumétrico de 100 mL. Pipete 10 mL da solução-estoque de cafeína e dilua a 100 mL
com clorofórmio. Esta solução contem 0,1 mg de cafeína por mL de clorofórmio.
Procedimento
Pipete de 20 a 50 mL da amostra descarbonatada para um funil de separação.
Junte 10 mL da solução de permanganato de potássio a 1,5 % e agite.
Após 5 minutos, junte 20 mL da solução redutora com agitação contínua.
Adicione 2 mL da solução de ácido fosfórico e agite.
Adicione 2 mL da solução de hidróxido de sódio a 25 % e agite.
Extraia a cafeína com três porções de 30 mL de clorofórmio.
Após a separação, retire a camada inferior e filtre-a em sulfato de sódio anidro e algodão e
recolha os filtrados em um mesmo balão volumétrico de 100 mL. Lave a haste do funil de
separação e o filtro com porções de 2 mL de clorofórmio, após cada extração.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 227


Complete o volume com clorofórmio. Determine a absorbância a 276 nm, usando clorofórmio
como branco.
Para amostras com alto teor de cafeína, faça uma diluição pipetando uma alíquota de 10 mL
para balão volumétrico de 50 mL, complete o volume com clorofórmio e faça a leitura da
absorbância a 276 nm.
Curva-padrão – Pipete 1, 2, 3, 4, 5 e 6 mL da solução-padrão de cafeína para balões
volumétricos de 50 mL e complete o volume com clorofórmio. Estas soluções contem,
respectivamente, 0,2; 0,4; 0,6; 0,8; 1 e 1,2 mg de cafeína por 100 mL de clorofórmio. Determine
a absorbância dessas soluções a 276 nm, usando clorofórmio como branco. Trace a curva-
padrão, registrando os valores de absorbância nas ordenadas e as concentrações de cafeína
em mg/100 mL de clorofórmio nas abscissas.

Cálculo:

Cafeína, em mg/100 mL = C . 100 . f / A

Calcule a concentração de cafeína na amostra usando a curva-padrão.


C = concentração de cafeína na amostra correspondente a leitura da curva- padrão
A = volume da amostra, em mL
f = fator de diluição para o caso de amostra com alto teor de cafeína.

8.8.12. Determinação de tanino - 255/IV


(Referências Bibliográficas: ASSOCIATION OF OFFICIAL ANALYTICAL CHEMISTS. Official methods of analysis of
the Association of Official Analytical Chemists (method 952.03) Arlington: A.O.A.C., 1995. chapter 29. p. 16-17. /
BRASIL, Leis, Decretos, etc. Portaria n° 76 de 27-11-1986, do Ministério da Agricultura. Diário Oficial, Brasília, 03-12-
1986. Seção I, p.18152-18173. Métodos Analíticos).
Este método é aplicável a refrigerantes e refrescos e envolve a redução do reagente Folin-
Dennis, em meio básico, pelo tanino presente na amostra, produzindo uma coloração azul
intensa que é medida na região do visível. O resultado é expresso em ácido tânico.
Material
Espectrofotômetro UV/VIS, cubeta de 10 mm, balança analítica, lã de vidro, chapa de
aquecimento, balões volumétricos de 100, 500 e 1000 mL, balão de 1000 mL com junta
esmerilhada, condensador de refluxo, pipetas volumétricas de 1, 2, 3, 4, 5 e 10 mL e proveta
de 50 mL.
Reagentes
Reagente Folin-Dennis – Adicione 100 g de tungstato de sódio hidratado, 20 g de ácido
fosfomolibdico e 50 mL de ácido fosfórico em 750 mL de água. Refluxe por 2 horas, esfrie e
dilua para 1000 mL em um balão volumétrico.
Solução saturada de carbonato de sódio – Pese 35 g de carbonato de sódio anidro e dissolva
o
em 100 mL de água a (70-80) C, resfrie por uma noite e semeie a solução super-saturada com
cristal de carbonato de sódio decahidratado (Na2CO3.10H2O). Após a cristalização, filtre
através de lã de vidro.

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Solução-padrão recém-preparada de ácido tânico – Dissolva 100 mg de ácido tânico em um
balão volumétrico de 1000 mL com água. Esta solução tem uma concentração de 0,1 mg de
ácido tânico por mL.
Procedimento
Pipete 5 mL da amostra para um balão volumétrico de 100 mL contendo 75 mL de água.
Adicione 5 mL do reagente Folin-Dennis,10 mL da solução saturada de carbonato de sódio e
complete com água. A solução deve ser filtrada no caso de turvação.
Agite bem e faça a leitura a 760 nm após 30 minutos, usando um branco preparado da mesma
forma com água em lugar da amostra.
Preparação da curva-padrão – Pipete alíquotas de 1 a 10 mL de solução-padrão de ácido
tânico em balões volumétricos de 100 mL, contendo 75 mL de água. Adicione 5 mL do
reagente Folin-Dennis, 10 mL da solução saturada de carbonato de sódio e complete com
água. Agite bem e faça a leitura após 30 minutos a 760 nm, contra o branco. Trace a curva-
padrão, registrando os valores de absorbância nas ordenadas e as concentrações de ácido
tânico em mg/100 mL, nas abscissas.
Cálculo:
Ácido tânico, em mg/100 mL = C . 100 / A

C = concentração de ácido tânico na amostra correspondente a leitura da curva-padrão.


A = volume da amostra em mL.

8.8.13. Determinação de quinina pelo método espectrofotométrico - 256/IV


(Referência Bibliográfica: BRASIL, Leis, Decretos, etc. Portaria n° 76 de 27-11-1986, do Ministério da Agricultura. Diário
Oficial, Brasília, 03-12-1986.Seção I, p.18152-18173. Métodos Analíticos).
Baseia-se na determinação espectrofotométrica da quinina, em meio ácido, na região do
ultravioleta e é aplicável a análise de água tônica.
Material
Espectrofotômetro UV/VIS, cubeta de quartzo de 10 mm, banho-maria, balão volumétrico de
100 mL, pipetas volumétricas de 1, 2, 3, 4, 5 e 25 mL.
Reagentes
Solução de ácido clorídrico 0,1 mol/L
Solução de hidróxido de sódio 0,5 mol/L
Solução-padrão de cloridrato de quinina – Dissolva 100 mg de cloridrato de quinina anidro em
10 mL de HCl 0,1 mol/L ou 100 mg de cloridrato de quinina em 20 mL de NaOH a 0,5 mol/L e
complete o volume com água a 100 mL (1 mg de cloridrato de quinina equivale a 0,817 mg de
quinina anidra).
Procedimento
Pipete 25 mL da amostra descarbonatada em balão volumétrico de 100 mL e complete o
volume com solução de HCI 0,1 mol/L.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 229


Determine a absorbância da amostra a 347,5 nm, usando a solução de HCI 0,1 mol/L como
branco.
Preparação da curva-padrão – Pipete alíquotas de 1, 2, 3, 4 e 5 mL da solução-padrão em
balões volumétricos de 100 mL. Complete os volumes com solução de HCl 0,1 mol/L. Leia as
absorbâncias dos padrões a 347,5 nm, usando solução de HCl 0,1 mol/L como branco.
Construa um gráfico da absorbância versus concentração de cloridrato de quinina em mg/100
mL.
Cálculo:
Quinina anidra, em mg/100 mL = C . 100 . 0,817 / A

C = concentração de cloridrato de quinina na amostra correspondente a leitura na curva-padrão


A = volume da amostra em mL.

8.8.14. Determinação de acessulfame-K, sacarina e aspartame, ácidos benzóico e sórbico


e cafeína por cromatografia líquida de alta eficiência - 257/IV
(Referências bibliográficas: TYLER, T. A. Liquid chromatographic determination of sodium saccharin, caffeine,
aspartame and sodium benzoate in cola beverages. J. Assoc. Off. Anal. Chem., v. 67, n. 4, p. 745-747, 1984. /
LAWRENCE, J. F.; CHARBONNEAU, C. F. Determination of seven artificial sweeteners in diet food preparations by
reverse-phase liquid chromatography with absorbance detection. J. Assoc. Off. Anal. Chem., v. 71, n. 5, p. 934-937,
1988. / NAGATO, L. A. F.; CANO, C. B.; BARSOTTI, R. C. F. Efeito do pH na analise simultânea de edulcorantes,
conservadores e cafeína por cromatografia liquida em refrigerantes dietéticos e de baixa caloria. Anais do IV Brazilian
Meeting on Chemistry of Food and Beverages, Campinas, p. 56, 2002).
Aplicável as amostras de refrigerante dietético ou de baixa caloria.
Material
Cromatógrafo a líquido de alta eficiência (CLAE) equipado com detector UV/VIS, coluna ODS
em fase reversa (tamanho de 15 x 4,5 cm com 5 µ de partículas), injetor manual com
capacidade de 20 µL (ou automático), software para controlar o equipamento e efetuar a
análise dos dados, equipamento para obtenção de água ultra-pura (tipo Milli-Q), banho de ultra-
som, membrana de filtração Hv com diâmetro de 47 cm com porosidade de 0,45 µ, unidade
filtrante do tipo Millex com poro de 0,45 µ, potenciômetro com escala graduada em ≤ 0,1
unidades de pH, agitador magnético, barra magnética, balança analítica, balões volumétricos
de 10, 25, 50 e 100 mL, funil, bastão de vidro, conjunto de filtração de solventes, seringa de 50
µL, vials de 1 e 2 mL, pipetas volumétricas de 5 e 10 mL, frascos de 1000 mL para
armazenamento e descarte de fase móvel e béqueres de 100, 500 mL e 1000 mL.
Reagentes
Sacarina com pureza mínima de 95% Aspartame com pureza mínima de 95%
Acessulfame-K com pureza mínima de 95% Ácido fosfórico
Cafeína com pureza mínima de 95% Fosfato dibásico de potássio
Ácido benzóico com pureza mínima de Acetonitrila grau cromatográfico
95% Metanol grau cromatográfico
Ácido sórbico com pureza mínima de 95%

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 230


Soluções-padrão estoque a 0,1 g/100 mL – Para os padrões de sacarina, acessulfame-K,
cafeína e ácido sórbico, pese 0,1 g , dissolva com água ultra-pura e complete o volume de 100
mL com o mesmo solvente. Para o aspartame e o ácido benzóico, pese 0,1 g, dissolva em 40
mL de metanol e complete o volume de 100 mL com água ultra-pura.
Solução-padrão de trabalho – Pipete 5 mL de cada uma das soluções-padrão estoque para um
balão volumétrico de 100 mL e complete o volume com água ultra-pura. Filtre em unidade
filtrante (tipo Millex com poros 0,45 µ) em vials de 2 mL. Degaseifique no ultrasom.
Solução-tampão – Dissolva fosfato dibásico de potássio em 1 litro de água ultra-pura (Milli-Q)
na concentração de 0,03 mol/L e acerte o pH para 5 com uma solução a 10% de ácido
fosfórico. Quando o refrigerante contiver cafeína e ácido benzóico, acerte o pH desta solução
para 4,8, para uma melhor separação na coluna cromatográfica.
Fase móvel – Misture 900 mL de solução-tampão de fosfato 0,03 mol/L com 100 mL de
acetonitrila. Utilize o agitador magnético para uma melhor homogeneização. Filtre a fase móvel
em membrana Hv.
Procedimento
Ajuste o cromatógrafo às condições do método conforme as instruções do fabricante, passando
a fase móvel primeiramente. Vazão de fluxo de 1,0 mL/min; temperatura ambiente, volume de
injeção 20 µL, comprimento de onda: λ 230 nm (para o aspartame utilize λ 214 nm). Injete a
solução-padrão e as soluções diluídas da amostra, no mínimo, em triplicata. Quantifique as
áreas dos picos dos analitos.
Notas: Alternativamente a quantificação por padronização externa, pode-se usar também a
curva-padrão.
Os padrões podem ser injetados numa única solução, ou separadamente, conforme a melhor
conveniência.

Cálculo:
Concentração do analito na amostra em g/100 mL = (Aa . Cp / Ap) . Fd

Aa = área do pico do analito da amostra


Cp = concentração do analito na solução dos padrões
Ap = área do pico do analito na solução dos padrões
Fd = fator de diluição da amostra

8.8.15. Determinação de ciclohexilsulfamato (sais de ciclamato) em bebidas dietéticas e


de baixa caloria pelo método gravimétrico - 258/IV
(Referência Bibliográfica: ASSOCIATION OF OFFICIAL ANALYTICAL CHEMISTS. Official methods of analysis of
the Association of Official Analytical Chemists (method 957.10) Arlington: A.O.A.C., 1995. chapter 29. p. 44).
O método é aplicável as soluções aquosas e bebidas carbonatadas límpidas e baseia-se na
formação de precipitado de sulfato de bário, que é separado, incinerado e quantificado por
gravimetria.
Material
Estufa, mufla, bomba de vácuo, banho-maria, cadinho de Gooch, balança analítica,
dessecador, fibra de óxido de alumínio ou papel de fibra de vidro, alonga de vidro para conexão
do cadinho de Gooch, béquer de 250 mL, kitassato de 500 mL, pipeta volumétrica de 100 mL,
vidro de relógio e pipeta graduada de 10 mL e bastão de vidro.
Reagentes
Ácido clorídrico
Solução de cloreto de bário a 10% m/v
Solução de nitrito de sódio a 10% m/v
Procedimento
Pipete 100 mL ou um volume de amostra que contenha de 10 a 300 mg de ciclamato de sódio
ou de cálcio.
Adicione 10 mL de HCl e 10 mL de solução de BaCl2 a 10%.
Agite e deixe em repouso por 30 minutos. Se houver formação de precipitado, filtre e lave com
água.
Ao filtrado ou a solução límpida, adicione 10 mL de solução de NaNO2 a 10%.
Agite, cubra com um vidro de relógio e aqueça em banho-maria por pelo menos duas horas.
Agite em intervalos de meia hora.
Remova do banho-maria e deixe em repouso por uma noite.
Filtre o precipitado em cadinho de Gooch, contendo fibra de óxido de alumínio ou papel de fibra
o
de vidro, previamente tarado em mufla, lave e seque em estufa a 100 C.
o
Incinere em mufla a 550 C.
Resfrie em dessecador, pese o precipitado de sulfato de bário e determine a quantidade de
ciclamato presente na amostra.

Cálculo:
Sulfato de bário, g/100 mL = N . 100 / A

N = massa de sulfato de bário, em g


A = volume da amostra em mL
Calcule o teor de ciclamato conforme os valores a seguir:
Massa do sulfato de bário (%) x 0,8621 = ciclamato de sódio por cento m/v
Massa do sulfato de bário (%) x 0,9266 = ciclamato de cálcio.2H2O por cento m/v
Massa do sulfato de bário (%) x 0,7679 = ácido ciclâmico por cento m/v

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 232


REFERÊNCIAS

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<http://www.anib.com.br/dados_estatisticos.asp>. Acesso em 12/03/2013.

Cervejas e refrigerantes. Série P+L da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental. Disponível em


<http://www.crq4.org.br>. Acesso em 20/04/2013

CHEMELLO, E. Falando sobre ciência com uma latinha de refrigerante! Química Virtual, setembro (2006).
Disponível em <www.quimica.net/emiliano>. Acesso em 12/03/2013.

CRUZ, Graziela Fregonez Baptista. Fabricação de Refrigerantes. Dossiê Técnico. Rede de Tecnologia e Inovação
do Rio de Janeiro - REDETEC 18/10/2012. Disponível na web.

FALLEIROS, Ana Elisa de Souza; MIOTTO, Claudio L. Implantação do Programa Alimento Seguro: o Caso do
Serviço de Nutrição e Dietética do Hospital de Clinicas de Uberlândia. S/d. Disponível em

Guia de Alimentos e Vigilância Sanitária. Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA. Cartilha. Disponível na
web. Acesso em 13/02/2013.

História do biscoito. Disponível em <http://www.simabesp.org.br > Acesso em 20/04/2013.

LIMA, Ana Carla da Silva; AFONSO, Júlio Carlos. A Química do Refrigerante, QUÍMICA NOVA NA ESCOLA. Vol. 31,
N° 3, AGOSTO 2009.

LIMA, Luciana Leite de Andrade; MELO FILHO, Artur Bibiano. Tecnologia de bebidas. Recife: EDUFRPE, 2011. Rede
e-tec Brasil. Disponível na web

MACEDO, Fernanda Carrion. Desenvolvimento de uma formulação para biscoitos em extrusor de bancada.
UFRS. Porto Alegre, 2011. Trabalho de conclusão de graduação de Engenheiro de alimentos.

MARCELINO, Janaína Szwaidak; MARCELINO, Marlene Szwaidak. Fabricação de Bolachas e Biscoitos. D o s s i ê


t é c n i c o. Instituto de Tecnologia do Paraná. Julho, 2012.

MEIRA, Bárbara P. V. Análise do teor de açúcar em refrigerantes dietéticos e de Baixa caloria (diet/light).
Universidade Luterana do Brasil. Carazinho/RS. s/d. Disponível na web.

Métodos físico-químicos para análise de alimentos. IV Edição. 1ª Edição Digital. Instituto Adolfo Lutz, 2008.
Disponível na web. Acesso em março de 2012.

PERES, Andrea Pissatto. Desenvolvimento de um biscoito tipo cookie enriquecido com cálcio e vitamina D.
UFPR. Curitiba, 2010. Dissertação de mestrado.

Princípios das Operações Unitárias no Processamento de Alimentos. 2010. Apostila. Disponível em


<http://tecalim.vilabol.com.br>. Acesso em 13/02/2013.

Refrigerantes. Disponível em <http://www.setor1.com.br>. Acesso em 12/03/2013.

Resolução 263/2005 – ANVISA. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Disponível em


<http://www.anvisa.gov.br>. Acesso em 15/03/2013.

Resolução CNNPA n. 12/1978 da ANVISA. Disponível em:


<http://www.anvisa.gov.br/legis/resol/12_78_biscoitos.htm>. Acesso em: 23 set. 2007

ROCHA, Cristiane Domingues. Determinação dos pontos críticos de contaminação por leveduras em indústria de
refrigerantes. Universidade Federal do Paraná. Curitiba: 2006 (Dissertação de mestrado). Disponível na web.

SEBRAE. Vigilância Sanitária As exigências para estabelecimentos que manipulam alimentos. Série Saiba Mais.
Disponível em <http://www.biblioteca.sebrae.com.br/bds/BDS.nsf/BC2.pdf>. Acesso em 12/02/2013.

SOUZA, Luis Henrique Lenke de. A manipulação inadequada dos alimentos: fator de contaminação. Disponível
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Tecnologia de Alimentos - ramses.ffalm.br. Disponível em <http://dbt.ffalm.br/sachs/TPA/02-


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VENTURINI FILHO, Waldemar Gastoni. (coordenador). Tecnologia de bebidas: matéria prima, processamento,
BPF/APPCC, legislação e mercado. Capítulo 7. Refrigerantes. São Paulo: Edgard Blucher, 2005.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 233


8.9. EXERCÍCIOS PROPOSTOS

1. A definição de alimento no Brasil é baseada no Decreto-Lei 986/69, que considera como


“substância ou mistura de substâncias, no estado sólido, líquido, pastoso ou qualquer outro
adequado, que objetiva fornecer ao organismo humano os elementos normais ao seu processo
nutricional”. Do ponto de vista de crivo científico, que fatores podem contribuir positivamente
para esta convergência? E para divergência. Nota: Utilize argumentos que achar relevante sobre
fundamentos de alimentos e segurança alimentar.

2. A segurança alimentar é uma área estratégica de um país. Dela dependem muitos padrões e
elementos impulsionadores de tecnologia e bem estar. Comente sobre os termos APPCC,
BPF&C, POPs e NORMAS, aplicados a esta segurança. Tente ilustrar numa situação cotidiana
ou industrial.

3. Comente sobre as matérias-primas geralmente empregadas na fabricação dos biscoitos. Aborde


aspectos científicos e tecnológicos. Que critérios de qualidade deveriam ser observados nestes
materiais? Explique.

4. Construa uma tabela onde mostre os principais parâmetros verificados nos biscoitos salgados e
nos cookies visando à qualidade total. Nesta tabela mostre os aspectos positivos e negativos na
observância ou não destes parâmetros.

5. Liste as etapas genéricas do processo de fabricação dos biscoitos. Escreva uma idéia principal e
essencial para ilustrar cada operação unitária e comente sobre um parâmetro analítico de
qualidade para evolução positiva deste processo.

6. Do ponto de vista analítico, quais os materiais normalmente amostrados na evolução do controle


de qualidade dos biscoitos. Indique a finalidade da amostragem de cada material.

7. A farinha de trigo, o açúcar, o leite e a gordura são algumas matérias-primas usadas na


fabricação dos biscoitos. Cite três requisitos que devem ser verificados nesses insumos para
garantir a qualidade no produto final? Que parâmetros analíticos estão associados a estes
insumos? Explique essa correlação.

8. Admita o processo de fabricação dos biscoitos dividido nas seguintes etapas: mistura, moldagem
e cozimento. Escolha, em cada etapa, um parâmetro analítico essencial para o controle de
qualidade total nesta produção. Explique sua finalidade na evolução do processo produtivo e
metodologia analítica usada para quantificação.

9. Explique a reação de Maillard nos contextos científico e tecnológico dos biscoitos. Ilustre esta
reação através de equação simplificada. Que parâmetro analítico de qualidade está associado
mais diretamente a esta reação? Explique.

10. Os fermentos químicos são muito utilizados na produção de biscoitos. Faça um confronto de
aplicações entre os bicarbonatos de sódio e de amônio nesta tecnologia. Escreva equações
químicas ajustadas. Que parâmetros analíticos estão associados a estes insumos em materiais
intermediários e no produto final? Explique.

11. Comente sobre as principais matérias-primas empregadas na fabricação dos refrigerantes.


Aborde aspectos científicos e tecnológicos. Que critérios de qualidade deveriam ser observados
nestes materiais? Explique.

12. Construa uma tabela onde mostre os principais parâmetros verificados nos refrigerantes visando
à qualidade total. Nesta tabela mostre os aspectos positivos e negativos na observância ou não
destes parâmetros.

13. Liste as etapas genéricas do processo de fabricação dos refrigerantes. Escreva uma idéia
principal e essencial para ilustrar cada operação unitária e comente sobre um parâmetro
analítico de qualidade para evolução positiva deste processo.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 234


14. Do ponto de vista analítico, quais os materiais normalmente amostrados na evolução do controle
de qualidade dos refrigerantes. Indique a finalidade da amostragem de cada material.

15. Faça um confronto entre os tipos de refrigerantes do tipo cola com os diversos. Levante, pelo
menos 2 idéias distintas. Comente sobre um parâmetro analítico comum na metodologia
analítica e distinto em espécie de quantificação associado a este confronto.

16. Um refrigerante do tipo laranjada possui a seguinte composição fabril: 12% de sacarose, 0,2% de
gás carbônico, 10% de suco de laranja, 0,5% de aditivos permitidos e o complemento de água
potável. Admita que uma embalagem do refrigerante contendo 500 mL sofreu um ataque
microbiológico por leveduras do tipo Saccharomyces cerevisae seguida por bactérias do tipo
Acetobacter aceti. Calcule a quantidade prevista de agente contaminante (em %) formada,
admitindo um consumo de 5% de substrato sacarídico. Que análises de qualidade poderiam ser
aplicadas para constatar a evolução depreciativa neste refrigerante? Explicar a resolução e
considerações técnicas envolvidas neste caso de forma detalhada. Nota: Desconsiderar reações
secundárias presentes neste ataque e densidade do refrigerante 1,013 g/mL, sendo a
contribuição do substrato de interesse de 90% deste valor.

17. Construa uma tabela que contemple os principais requisitos utilizados para qualificação e
caracterização dos refrigerantes. Explique sobre cada requisito escolhido.

18. O ácido cítrico é um aditivo multifuncional usado nas indústrias alimentícias e não poderia estar
de fora dos refrigerantes, produtos comerciais com alto teor de água (águas carbonatadas e
aditivadas) e este ser facilmente incorporado. Indique e explique a natureza plural deste
ingrediente. Comente sobre os parâmetros analíticos utilizados no controle de qualidade dos
refrigerantes baseados neste insumo multifuncional.

19. Proponha um fluxograma em blocos de figuras geométricas para produção de um refrigerante do


tipo “tubaína” usando essencialmente um concentrado de caju obtido na própria unidade
produtiva além de possíveis rotas para normais e estéticos (diet e light). Descreva a intenção de
cada operação unitária envolvida, bem como as matérias-primas usadas, finalidades e restrições.
Construa uma tabela que contemple os principais ensaios analíticos utilizados para qualificação
e caracterização do refrigerante obtido, explicando a importância de cada um deles na evolução
ou liberação do produto final.

20. Refrigerantes, produtos fabricados pela mistura de água, açúcar, concentrados de extratos e,
principalmente gás carbônico, são causadores do “arroto” ou tecnicamente falando, “eructação”-
efeito positivo em termos de saúde e de efeito negativo em etiqueta social. Explique este
fenômeno, à luz dos conhecimentos científicos, sobre esta ação causada nos seres humanos por
estes produtos, mantendo o foco na tecnologia aplicada na sua fabricação. Que parâmetros
analíticos de qualidade estão envolvidos com este insumo causador deste efeito? Explique o
quimismo e metodologias analíticas usadas.

Controle de Qualidade – Sávio Pereira – 2015 - IFPE Pág. 235

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