Você está na página 1de 134

DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO

PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

Olá! Bom dia!

Na aula de hoje iremos detalhar, de acordo com o edital para o cargo


Analista Judiciário – Área Judiciária – TRF2, os seguintes
aspectos:

Ato administrativo: conceito, requisitos, atributos,


classificação, espécies, revogação, anulação e
AULA 02 invalidação e convalidação do ato administrativo.
Do processo administrativo (Lei n° 9.784/99).
(16/01/2012)

Ao final da aula, para revisar, faremos exercícios sobre o respectivo


assunto.

Assista meu vídeo com dicas importantes sobre “Anulação e


Revogação dos Atos Administrativos” no seguinte endereço:

http://www.jurisprudenciaeconcursos.com.br/espaco/anulacao-e-
revogacao-do-ato-administrativo--video-com-dicas-importantes

Bons estudos!

Profa. Patrícia Carla

(@profapatricia)

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

Conceito de Ato Administrativo

O conceito de ato administrativo não deve ser confundido com o de


fato administrativo. Embora sejam ambos provenientes da
Administração, constituem manifestações distintas do Poder Público.

O fato administrativo não tem por fim a produção de efeitos


jurídicos, mas sim a realização material no exercício da função
administrativa (por isso são também chamados de atos
materiais).

O fato administrativo é, portanto, uma mera realização material, de


ordem prática, de execução, como a construção de uma ponte, a
demolição de um prédio, a apreensão de mercadorias irregulares, a
instalação de um serviço. Ou seja, é em si uma atividade pública
material desprovida de conteúdo de direito.

Em regra, o ato administrativo e o fato administrativo são institutos


relacionados, pois o último é conseqüência do primeiro. Antes de
realizar o fato administrativo (realização material) a Administração
vai manifestar sua vontade por intermédio do ato administrativo
(conteúdo jurídico).

Partindo-se da idéia da divisão de funções entre os três Poderes do


Estado, pode-se dizer, em sentido amplo, que todo ato praticado no
exercício da função administrativa é ato da Administração. A
expressão atos da Administração tem sentido mais amplo do
que a expressão ato administrativo, abrangendo os atos de
direito privado, atos materiais, atos de conhecimento, atos políticos,
contratos, atos normativos e os atos administrativos propriamente
ditos.

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

ATOS DA ADMINISTRAÇÃO
ATOS ADMINISTRATIVOS
PÚBLICA

Atos regidos pelo direito público ou


Atos regidos pelo direito público
privado

Ato administrativo: declaração do


Estado ou de quem o represente, Ato da administração: todo ato
que produz efeitos jurídicospraticado no exercício da função
imediatos, com observância da lei,administrativa.
sob regime jurídico de direito
público e sujeito ao controle do
Poder Judiciário.

Ato da Administração: gênero;

Ato administrativo: espécie do gênero atos da Administração

Assim, os atos da Administração (gênero) englobam todos os atos


praticados pela Administração Pública, seja sob o regime de direito
público ou sob o regime de direito privado.

Já o ato administrativo (espécie do gênero atos da Administração) é a


declaração do Estado ou de quem o represente, que produz efeitos
jurídicos imediatos, com observância da lei, sob o regime de direito
público e sujeita a controle pelo Poder Judiciário.

Dentre os atos da Administração distinguem-se os que produzem e os


que não produzem efeitos jurídicos.

Aqueles que não produzem efeitos jurídicos não são considerados


atos administrativos por não se enquadrar no respectivo conceito.

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

OS ATOS DA ADMINISTRAÇÃO ENGLOBAM:

Atos de direito privado (ex. doação, permuta, compra e venda,


locação);

Atos materiais da Administração (ex. demolição de uma casa,


apreensão de mercadoria, realização de um serviço);

Atos de conhecimento (ex. atestados, certidões, pareceres,


votos);

Atos políticos;

Contratos;

Atos normativos (ex. decretos, portarias, resoluções, regimentos,


de efeitos gerais e abstratos);

Atos administrativos propriamente ditos

Elementos do Ato Administrativo

Os elementos do ato administrativo estão presentes na Lei nº


4.717/65 (Lei de Ação Popular), art. 2º. São eles: competência,
finalidade, forma, motivo e objeto.

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

ELEMENTOS // REQUISITOS DO ATO ADMINISTRATIVO


(Lei nº 4.717/65, art. 2º)

Conjunto de atribuições das


Competência (sujeito) pessoas jurídicas, órgãos e
agentes, fixadas pelo direito
positivo.
É o resultado que a
Finalidade Administração quer alcançar
com a prática do ato.
É o modo através do qual se
Forma exterioriza o ato administrativo,
é seu revestimento.
É o pressuposto de fato e de
Motivo direito que serve de fundamento
ao ato administrativo.
É o efeito jurídico imediato que
Objeto (conteúdo) o ato produz.

Atributos do Ato Administrativo

Atributos são qualidades ou características dos atos administrativos.


Enquanto os requisitos dos atos administrativos constituem condições
que devem ser observadas para a sua válida edição, os atributos
podem ser entendidos como as características inerentes aos atos
administrativos, são eles:

1. Presunção de legitimidade;

2. Autoexecutoriedade;

3. Tipicidade;

4. Imperatividade

5. Tipicidade

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

P A T I

Presunção de legitimidade: O ato administrativo se presume


legítimo, válido, praticado em conformidade com a lei. Já a
presunção de veracidade refere-se aos fatos citados pela
Administração Pública.
Obs1. Enquanto não decretada a invalidade do ato pela própria
Administração ou pelo Judiciário, ele produzirá efeitos da mesma
forma que o ato válido, devendo ser cumprido;
Obs2. O Judiciário não pode apreciar ex officio a validade do ato;
Obs3. A presunção de veracidade inverte o ônus da prova; é errado
afirmar que a presunção de legitimidade produz esse efeito, uma vez
que, quando se trata de confronto entre o ato e a lei, não há matéria
de fato a ser produzida.

Autoexecutoriedade: O atributo da autoexecutoriedade garante que


a Administração Pública possa fazer executar o ato, por si mesma e
imediatamente, independente de ordem judicial.
Obs1. A autoexecutoriedade só é possível quando expressamente
prevista em lei ou quando se tratar de medida urgente que, caso não
adotada de imediato, possa ocasionar prejuízo maior para o interesse
público;
Obs2. Esse atributo pode ser desdobrado em 02: executoriedade e
exigibilidade;
Obs3. Pela exigibilidade a Administração se utiliza de meios indiretos
de coerção, já na executoriedade, a Administração emprega meios
diretos de coerção, compelindo materialmente o administrado a fazer
alguma coisa, utilizando-se inclusive da força;
Obs4. Embora se diga que a decisão executória dispensa a
Administração de ir preliminarmente a juízo, essa circunstância não
afasta o controle jurisdicional a posteriori, que pode ser provocado
pela pessoa que se sentir lesada pelo ato administrativo.

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

ATENÇÃO!!! O PROFESSOR CELSO ANTÔNIO


BANDEIRA DE MELLO DEFENDE QUE A AUTOEXECUTORIEDADE
ABRANGE: EXIGIBILIDADE E EXECUTORIEDADE

Tipicidade: O ato administrativo deve corresponder a tipos


previamente definidos pela lei para produzir os efeitos desejados.
Assim, para cada caso, há a previsão de uso de certo tipo de ato em
espécie.
Obs. A tipicidade só existe com relação aos atos unilaterais; não
existe nos contratos porque, com relação a eles, não há imposição de
vontade da Administração, que depende sempre da aceitação do
particular; nada impede, porém, que as partes convencionem um
contrato inominado, desde que atenda melhor ao interesse público e
ao do particular.
Imperatividade: Os atos administrativos são imperativos, se
impõem aos destinatários independentemente de
concordarem ou não com ele, criando-lhes obrigações. É também
chamado de Poder Extroverso, que garante ao Poder Público a
capacidade de produzir atos que geram conseqüências perante
terceiros, impondo-lhes obrigações.
Obs. A imperatividade não existe em todos os atos administrativos,
mas apenas naqueles que impõem obrigações; quando se trata de
ato que confere direitos solicitados pelo administrado (ex. licença,
autorização, permissão, admissão) ou de ato apenas enunciativo (ex.
certidão, atestado, parecer), esse atributo inexiste.

ATENÇÃO!!! O PROFESSOR CELSO ANTÔNIO


BANDEIRA DE MELLO CHAMA ESSE ATRIBUTO DE PODER
EXTROVERSO DO ESTADO.

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

Vamos sintetizar tudo?

1. Presunção de legitimidade diz respeito à conformidade do ato


com a lei, já a presunção de veracidade diz respeito aos fatos;

2. Autoexecutoriedade é o atributo pelo qual o ato administrativo


pode ser posto em execução pela própria Administração
Pública, sem necessidade de intervenção do Poder Judiciário;

3. Autoexecutoriedade (exigibilidade e executoriedade):


exigibilidade – meios indiretos, executoriedade – meios diretos;

4. Tipicidade é o atributo pelo qual o ato administrativo deve


corresponder a figuras definidas previamente pela lei como
aptas a produzir determinados resultados. Para cada finalidade
que a Administração pretende alcançar existe um ato definido
em lei;

5. Imperatividade é o atributo pelo qual os atos administrativos se


impõem a terceiros, independentemente de sua concordância.

Espécies de ato administrativo:

1. Atos normativos: são aqueles que contem comandos, em regra,


gerais e abstratos para viabilizar o cumprimento da lei. Para alguns
autores, tais atos seriam leis em sentido material. Ex. decretos,
deliberações;

2. Atos ordinatórios: são manifestações internas da Administração


decorrentes do poder hierárquico disciplinando o funcionamento de
órgãos e a conduta de agentes públicos. Assim, não podem disciplinar
o comportamento de particulares por constituírem determinações
internas. Ex. instruções e portarias;

3. Atos negociais: manifestam a vontade da Administração em


concordância com o interesse de particulares. Ex. concessões,
licenças;

4. Atos enunciativos: também chamados atos de pronúncia,


certificam ou atestam uma situação existente, não contendo

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

manifestação de vontade da Administração Pública. Ex. certidões,


pareceres, atestados;

5. Atos punitivos: aplicam sanções a particulares ou servidores que


pratiquem condutas irregulares. Ex. multas e interdições de
estabelecimento.

Vamos resumir e exemplificar?

Atos Normativos: comandos Ex. decretos e regulamentos,


gerais e abstratos para aplicação instruções normativas,
da lei regimentos, resoluções,
deliberações

Atos Ordinatórios: disciplinam Ex. instruções, circulares, avisos,


órgãos e agentes públicos portarias, ordens de serviço,
ofícios, despachos

Atos negociais: vontade da Ex. licença, autorização,


Administração em concordância permissão, aprovação, admissão,
com particulares visto, homologação, dispensa,
renúncia, protocolo
administrativo.

Atos enunciativos: certificam Ex. certidões, atestados,


ou atestam uma situação pareceres técnicos, pareceres
existente normativos, apostilas

Atos punitivos: aplicam sanções Ex. multa, interdição de


a agentes e particulares atividade, destruição de coisas

Vamos conceituar cada um deles?

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

ATOS NORMATIVOS

São atos administrativos, em


Decretos e regulamentos: regra, gerais e abstratos,
privativos do Chefe do Poder
Executivo e expedidos para dar
fiel execução à lei.

São atos normativos de


Instruções normativas: competência dos Ministros
praticados para viabilizar a
execução de leis e outros atos
normativos.

São atos administrativos


inferiores aos decretos e
regulamentos, expedidos por
Resoluções: Ministros de Estado, presidentes
de tribunais, de casas legislativas
e de órgãos colegiados, versando
sobre matérias de interesse
interno dos respectivos órgãos.

Deliberações: São atos normativos ou


decisórios de órgãos colegiados.

10

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

ATOS ORDINATÓRIOS

Expedidas pelo superior


Instruções: hierárquico e destinadas aos seus
subordinados, são ordens escritas
e gerais para disciplina e
execução de determinado serviço
público.

Constituem atos escritos de


disciplina de determinado serviço
Circulares: público voltados a servidores que
desempenham tarefas em
situações especiais. Diferem das
instruções porque não são gerais.

Atos exclusivos de Ministros de


Avisos: Estado para regramento de
temas da competência interna do
Ministério.

Atos internos que iniciam


sindicâncias, processos
administrativos ou promovem
Portarias: designações de servidores para
cargos secundários. São
expedidas por chefes de órgãos e
repartições públicas. As portarias
nunca podem ser baixadas pelos
Chefes do Executivo.

São determinações específicas


Ordens de serviço: dirigidas a servidores
subordinados ou particulares
sobre assuntos administrativos
ou de ordem social.

11

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

Ofícios: São convites ou comunicações


escritas dirigidas a servidores
subordinados ou particulares
sobre assuntos administrativos
ou de ordem social.

São decisões de autoridades


Despachos: públicas manifestadas por escrito
em documentos ou processos sob
sua responsabilidade.

12

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

ATOS NEGOCIAIS

Ato administrativo unilateral,


declaratório e vinculado que
libera, a todos que preencham os
requisitos legais, o desempenho
Licença: de atividades em princípio
vedadas pela lei. Trata-se de
manifestação do poder de polícia
administrativo desbloqueando
atividades cujo exercício depende
de autorização da Administração,
como acontece na licença para
construir.

Ato unilateral, discricionário,


constitutivo e precário expedido
Autorização: para a realização de serviços ou a
utilização de bens públicos no
interesse predominante do
particular, como o porte de arma.

Ato unilateral, discricionário e


Permissão: precário que faculta o exercício
de serviços de interesse coletivo
ou a utilização de bem público.

Ato administrativo unilateral e


discricionário que realiza a
Aprovação: verificação prévia ou posterior da
legalidade e do mérito de outro
ato como condição para a sua
produção de efeitos.

Admissão: Ato administrativo unilateral e


vinculado que faculta, a todos
que preencherem os requisitos
legais, o ingresso em repartições
13

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

governamentais ou defere certas


condições subjetivas, como a
admissão de usuário em
biblioteca pública.

Visto: Constitui ato vinculado expedido


para controlar a legitimidade
formal de outro ato particular ou
agente público.

É ato administrativo unilateral e


Homologação: vinculado de exame de legalidade
e conveniência de outro ato de
agente público ou particular.

Dispensa: É ato administrativo discricionário


que exime o particular do
desempenho de certa tarefa.

É ato unilateral, discricionário,


Renúncia: abdicativo e irreversível pelo qual
a Administração Pública abre mão
de crédito ou direito próprio em
favor do particular.

É a manifestação administrativa
em conjunto com o particular
Protocolo administrativo: versando sobre a realização de
tarefa ou abstenção de certo
comportamento em favor dos
interesses da Administração e do
particular, simultaneamente.

14

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

ATOS ENUNCIATIVOS

São cópias autenticadas de atos


Certidões: ou fatos permanentes de
interesse do requerente
constantes de arquivos públicos.

Atestados: São atos que comprovam fatos


ou situações transitórias que não
constem de arquivos públicos.

Manifestações expedidas por


Pareceres técnicos: órgãos técnicos especializados
referentes a assuntos submetidos
a sua apreciação.

São pareceres que se


Pareceres normativos: transformam em norma
obrigatória quando aprovados
pela repartição competente.

Equiparam-se a uma averbação


Apostilas: realizada pela Administração
declarando um direito
reconhecido pela norma legal.

15

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

ATOS PUNITIVOS

Constitui punição pecuniária


Multa: imposta a quem descumpre
disposições legais ou
determinações administrativas.

Interdição de atividade: É a proibição administrativa do


exercício de determinada
atividade.

É o ato sumário de inutilização de


Destruição de coisas: bens particulares impróprios para
consumo ou de comercialização
proibida.

Classificação dos atos administrativos:

1 – Quanto ao conteúdo:

a) concretos: são atos produzidos visando a um único caso,


específico, e nele se encerram, ex. nomeação ou concessão de
férias a um servidor;
b) abstratos: chamados também de normativos, são os que,
disciplinando determinada matéria de modo geral e abstrato,
atingem um número indefinido de pessoas, e que podem
continuar sendo aplicados inúmeras vezes, ex. regulamentos.

2 – Quanto à formação de vontade:

a) ato simples: nasce da manifestação de vontade de apenas um


órgão, seja ele unipessoal (formado só por uma pessoa) ou
colegiado (composto de várias pessoas). É simples o ato que altera o
horário de atendimento da repartição pública, emitido por uma única

16

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

pessoa, bem assim a decisão administrativa do Conselho de


Contribuintes do Ministério da Fazenda, órgão colegiado, que
expressa uma vontade única. Outro exemplo de ato colegiado
encontramos no caso da direção das Agências Reguladoras, nos
termos do art. 4º, Lei nº 9.986/2000;
b) ato complexo: para que seja formado, necessita da
manifestação de vontade de dois ou mais órgãos diferentes,
sem hierarquia entre eles, de tal forma que cada um, de forma
independente, não pode produzir validamente tal ato: enquanto todos
os órgãos competentes não se manifestarem, o ato não estará
perfeito, não podendo criar direitos ou atribuir deveres. Assim, tem-
se a união de várias vontades que se juntam para formar apenas
uma. Como exemplo, cite-se a nomeação de Ministro do Supremo
Tribunal Federal, feita pelo Presidente da República, após aprovação
da maioria absoluta do Senado (art. 101, CF/88), a nomeação de
Diretor de Agência Reguladora, também feita pelo Presidente da
República, após aprovação pelo Senado Federal (art. 52, III, ‘f’,
CF/88 e art. 5º, Lei nº 9.986/2000), o ato assinado pelo Presidente
da República, referendado pelo Ministro de Estado (art. 87, parágrafo
único, I, CF/88) e a celebração dos tratados internacionais e sua
posterior incorporação à ordem jurídica interna, que resultam das
vontades do Presidente da República e do Congresso Nacional (CF/88,
art. 49, I, e art. 84, VIII). Outro exemplo é o decreto assinado pelo
Governador e referendado por algum Secretário. Por fim, veja que
não é possível impugnar o ato antes de completo seu ciclo de
formação, ou seja, antes de todas as partes terem manifestado suas
vontades, pois que antes disso ele inexiste. Acrescente-se, ainda, o
caso da concessão inicial de aposentadoria ou pensão: nas palavras
do ilustre relator no MS 24.742, Ministro Marco Aurélio, o ato de
concessão inicial de aposentadoria “mostra-se complexo, com o
implemento da aposentadoria pelo órgão de origem, a fim de não
haver quebra de continuidade da satisfação do que percebido pelo
servidor, seguindo à homologação pelo Tribunal de Contas da União”.
Bem por isso – ser o ato complexo –, “não se tem o envolvimento de
litigantes, razão pela qual é inadequado falar-se em contraditório
para, uma vez observado este, vir o Tribunal de Contas da União a
indeferir a homologação”;

17

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

Súmula Vinculante 3 - Nos processos perante o Tribunal de Contas


da União asseguram-se o contraditório e a ampla defesa quando da
decisão puder resultar anulação ou revogação de ato administrativo
que beneficie o interessado, excetuada a apreciação da legalidade do
ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma e pensão.

c) ato composto: é aquele que nasce da vontade de apenas um


órgão. Porém, para que produza efeitos, depende da
aprovação de outro ato, que o homologa. Repita-se: a vontade é
de apenas um órgão, o segundo apenas o confere, dando-lhe
exeqüibilidade. Diz-se, então, que um é instrumental em relação ao
outro, pois há, aqui, dois atos, um principal e outro acessório.
Exemplifique-se com a dispensa de licitação, que depende de
homologação pela autoridade competente. Tendo em vista que se
torna difícil distinguir esse tipo de ato do procedimento, alguns
autores negam sua existência. Aqui, há dois atos, um principal, outro
secundário. No procedimento, há um principal e vários secundários.
Em qualquer dos casos, estando viciado um dos acessórios, inválido
será o principal.

3 – Quanto aos destinatários

a) individuais: são aqueles que têm destinatários certos,


nominados, como no caso da nomeação de servidores, ou delegação
de atribuições a um subordinado. Pode ser para apenas uma pessoa
(singular), como na desapropriação, ou para várias (plural), como na
nomeação de vários servidores no mesmo ato. O importante é que se
sabe exatamente a quem se dirige o ato;
b) gerais: os destinatários são muitos, inominados, mas unidos
por uma característica em comum, que os faz destinatários do
mesmo ato abstrato. Para produzirem seus efeitos, já que externos,
devem ser publicados. É geral o ato que fixa novo horário de
atendimento ao público pela repartição, que afeta a todos os usuários
daquele órgão, bem assim os decretos regulamentares, instruções
normativas etc.

18

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

4 – Quanto aos efeitos

a) constitutivo: gera uma nova situação jurídica aos


destinatários. Pode ser outorgando um novo direito, como
permissão de uso de bem público, ou impondo uma obrigação, como
cumprir um período de suspensão;
b) declaratório: simplesmente afirma ou declara uma situação
já existente, seja de fato ou de direito. Não cria, transfere ou
extingue a situação existente, apenas a reconhece. Também é dito
enunciativo. É o caso da expedição de uma certidão de tempo de
serviço, ou de um parecer;
c) modificativo: altera a situação já existente, sem que seja
extinta, não retirando direitos ou obrigações. A alteração do horário
de atendimento da repartição é exemplo de ato modificativo;
d) extintivo: pode também ser chamado desconstitutivo, que é o
ato que põe termo a um direito ou dever existentes. Cite-se a
demissão do servidor público;
e) enunciativo: é aquele pelo qual a Administração apenas atesta
ou reconhece determinada situação de fato ou de direito. Ex.
certidões, atestados, informações, pareceres, vistos, apostilas.

5 – Quanto à abrangência dos efeitos

a) internos: destinados a produzir seus efeitos no âmbito interno


da Administração Pública, não atingindo terceiros, como os pareceres
(atos enunciativos) e circulares. Ademais, os atos administrativos
praticados pela Administração Pública com a finalidade de disciplinar
seu funcionamento interno e a conduta de seus agentes são
denominados atos ordinatórios, como avisos e portarias;
b) externos: tem como destinatárias pessoas além da
Administração Pública, e, portanto, necessitam de publicidade
para que produzam adequadamente seus efeitos. São exemplos a
fixação do horário de atendimento e a ocupação de bem privado pela
Administração Pública.

6 – Quanto ao grau de liberdade para produzir

19

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

a) vinculado: a lei estabelece todos os contornos do ato, como


deve ser feito, quando, por quem etc, não deixando ao agente
qualquer grau de liberdade. Cumpridos todos os requisitos legais,
a Administração Pública não pode deixar de conceder a aposentadoria
a quem de direito, ou a licença para construir;
b) discricionário: a lei também estabelece uma série de regras para
a prática de um ato, mas deixa certo grau de liberdade à
autoridade, que poderá optar por um entre vários caminhos
igualmente válidos. Há uma avaliação subjetiva prévia à edição do
ato, como os que permitem o uso de bem público, permitindo a
instalação de uma banca de revistas na calçada. Segundo o STF, “a
autoridade administrativa está autorizada a praticar atos
discricionários apenas quando norma jurídica válida
expressamente a ela atribuir essa livre atuação”.

ATO VINCULADO ATO DISCRICIONÁRIO


(# ato arbitrário)

Não há liberdade para o Há liberdade para o


administrador administrador

Não há oportunidade e Há oportunidade e conveniência


conveniência

Pode ser anulado, mas não Pode ser anulado e revogado


pode ser revogado

Há controle do Poder Judiciário Há controle do Poder Judiciário,


exceto quanto ao mérito

Ex. aposentadoria compulsória, Ex. autorização


licença, admissão

20

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

7 – Quanto à validade

a) válido: é o que atende a todos os requisitos legais:


competência, finalidade, forma, motivo e objeto. Pode estar perfeito,
pronto para produzir seus efeitos ou estar pendente de evento
futuro;
b) nulo: é o que nasce com vício insanável, ou seja, um defeito
que não pode ser corrigido. Não produz qualquer efeito entre as
partes. No entanto, em face dos atributos dos atos administrativos,
ele deve ser observado até que haja decisão, seja administrativa,
seja judicial, declarando sua nulidade, que terá efeito retroativo,
“ex tunc”, entre as partes. Por outro lado, deverão ser respeitados os
direitos de terceiros de boa-fé que tenham sido atingidos pelo ato
nulo. Cite-se a nomeação de um candidato que não tenha nível
superior para um cargo que o exija. A partir do reconhecimento do
erro, o ato é anulado desde sua origem. Porém, as ações legais
eventualmente praticadas por ele durante o período em que atuou
permanecerão válidas;
c) anulável: é o ato que contém defeitos, porém, que podem
ser sanados, convalidados. Ressalte-se que, se mantido o defeito, o
ato será nulo; se corrigido, poderá ser “salvo” e passar a válido.
Atente-se que nem todos os defeitos são sanáveis, mas sim
aqueles expressamente previstos em lei e analisados no item
seguinte.
d) inexistente: é aquele que apenas aparenta ser um ato
administrativo, manifestação de vontade da Administração Pública.
São produzidos por alguém que se faz passar por agente público, sem
sê-lo, ou que contém um objeto juridicamente impossível. Exemplo
do primeiro caso é a multa emitida por falso policial; do segundo, a
ordem para matar alguém.

8 – Quanto à exeqüibilidade

a) perfeito: é aquele que completou seu processo de formação,


estando apto a produzir seus efeitos. Perfeição não se confunde

21

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

com validade. Esta é a adequação do ato à lei; a perfeição refere-se


às etapas de sua formação.
b) imperfeito: não completou seu processo de formação,
portanto, não está apto a produzir seus efeitos, faltando, por
exemplo, a homologação, publicação, ou outro requisito apontado
pela lei.
c) pendente: para produzir seus efeitos, sujeita-se a condição ou
termo, mas já completou seu ciclo de formação, estando apenas
aguardando o implemento desse acessório, por isso não se confunde
com o imperfeito. Condição é evento futuro e incerto, como o
casamento. Termo é evento futuro e certo, como uma data
específica.
d) consumado: é o ato que já produziu todos os seus efeitos,
nada mais havendo para realizar. Exemplifique-se com a exoneração
ou a concessão de licença para doar sangue.

- Perfeição: refere-se ao processo de formação do ato, que foi


todo cumprido;
- Validade: refere-se à conformidade do ato com a lei;
- Eficácia: é a capacidade do ato para produzir seus efeitos;
- Exeqüibilidade: é a capacidade do ato para produzir seus
efeitos imediatamente.

Então, um ato adequadamente produzido, sem pender de condição ou


termo, é perfeito, válido, eficaz e exeqüível. Se produzido num mês,
para valer a partir do mês seguinte, não será ainda exeqüível.
9 – Quanto às prerrogativas:
a) ato de império: é aquele praticado pela Administração com todas
as prerrogativas e privilégios de autoridade e impostos unilateral e
coercitivamente ao particular independentemente de autorização
judicial;
b) ato de gestão: é aquele praticado pela Administração em
situação de igualdade com os particulares, para a conservação e
desenvolvimento do patrimônio público e para a gestão de seus
serviços.

Convalidação do Ato Administrativo


22

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

Convalidar é tornar válido, é efetuar correções no ato


administrativo, de forma que ele fique perfeito, atendendo a todas as
exigências legais. Convalidação/saneamento é o ato administrativo
pelo qual é suprido o vício existente em um ato ilegal, com efeitos
retroativos à data em que este foi praticado.

Como regra geral, os atos eivados de algum defeito devem ser


anulados. A exceção é que haja convalidação, como positivado na Lei
nº 9.784/99, sobre o processo administrativo federal:

Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem


lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos
que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser
convalidados pela própria Administração.

Essa é a possibilidade de convalidação expressa, desde que não


acarrete lesão ao interesse público ou prejuízo a terceiros. Assim, nos
termos do art. 54 da mesma Lei, eventual ato administrativo viciado,
de que decorram efeitos favoráveis para os destinatários, que não
seja anulado no prazo decadencial de cinco anos, contados da data
em que foram praticados, estará convalidado tacitamente, não
podendo mais ser alterado, salvo comprovada má-fé.

Quais são os requisitos pra convalidar?

1 – não acarretar lesão ao interesse público;

2 – não haver prejuízo a terceiros;

3 – ato com defeito sanável

Quem convalida?

A própria Administração

Quais são os efeitos?

Ex tunc, retroage.

Quais elementos do ato podem ser convalidados?

A finalidade, o motivo e o objeto nunca podem ser convalidados.


23

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

A forma pode ser convalidada, desde que não seja fundamental à


validade do ato. Se a lei estabelecia uma forma determinada, não há
como tal elemento ser convalidado.
Com relação à competência, é possível a convalidação dos atos que
não sejam exclusivos de uma autoridade, quando não pode haver
delegação ou avocação. Assim, desde que não se trate de matéria
exclusiva, pode o superior ratificar o ato praticado por subordinado
incompetente.

Se o ato não for convalidado, o que acontecerá com ele?


Será anulado!

Extinção do Ato Administrativo

O ato administrativo em vigor permanecerá no mundo jurídico até


que algo capaz de alterar esta situação lhe aconteça. Uma vez
publicado, esteja eivado de vícios ou não, terá vigência e deverá ser
cumprido, em respeito ao atributo da presunção de legitimidade, até
que ocorra formalmente o seu desfazimento.

A extinção do ato administrativo poderá ser resultante do


reconhecimento de sua ilegitimidade, de vícios na sua formação, ou
poderá simplesmente advir da desnecessidade de sua existência, isto
é, mesmo legítimo o ato pode tornar-se desnecessário e pode ser
declarada inoportuna ou inconveniente a sua manutenção.

Dessa distinção surgem as noções de revogação e anulação, espécies


do gênero extinção do ato administrativo.

Anulação: A anulação deve ocorrer quando há vício no ato, relativo à


legalidade ou legitimidade (ofensa à lei ou ao direito como um todo).
É sempre um controle de legalidade, nunca um controle de mérito.

A anulação retira do mundo jurídico atos com defeito de validade


(atos inválidos), assim, seus efeitos retroagem ao momento da
prática do ato (ex tunc). Dessa forma, todos os efeitos produzidos
pelo ato devem ser desconstituídos. O ato inválido não gera direitos
ou obrigações para as partes e não cria situações jurídicas definitivas;
ademais, caso se trate de um ato nulo (ato com vício insanável), não
é possível sua convalidação.
24

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

A anulação pode ser feita pela administração (autotutela), de ofício


ou mediante provocação, ou pelo Poder Judiciário, mediante
provocação.

Na esfera federal, o art. 54, da Lei nº 9784/99 estabelece em cinco


anos o prazo para a anulação de atos administrativos ilegais, seja
qual for o vício, quando os efeitos do ato forem favoráveis aos
administrados, salvo comprovada má-fé.

Anulação do Ato Administrativo

Quem? Quando? Efeitos? Prazo?

A própria Quando o ato Ex Tunc Decadencial de


Administração for ilegal (retroagem) 5 anos (a contar
Pública (controle de da data em que o
(Súmula 473, legalidade) EX TUNC ato foi praticado)
STF, Poder de
Autotutela) ou
o Poder
Judiciário
(desde que
seja
provocado)

Obs. Obs. Para o prof. Celso Antônio B. Mello podem


ocorrer casos, em nome do princípio da boa-fé e da vedação do
enriquecimento sem causa, que os efeitos da anulação serão ex
nunc.

Revogação: É a retirada, do mundo jurídico, de um ato válido, mas


que, segundo critério discricionário da administração, tornou-se
inoportuno ou inconveniente.

A revogação é a supressão de um ato administrativo legítimo e eficaz,


realizada pela Administração – e somente por ela – por não mais lhe
convir sua existência.

25

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

A revogação tem fundamento no poder discricionário. Ela somente se


aplica aos atos discricionários. A revogação é, em si, um ato
discricionário, uma vez que decorre exclusivamente de critério de
oportunidade e conveniência.

A revogação dos atos administrativos configura o denominado


“controle de mérito”, que incide sobre atos válidos, sem quaisquer
vícios, diferentemente do controle de legalidade ou de legitimidade,
que incide sobre atos ilegais ou ilegítimos, anulando-os.

A revogação somente produz efeitos prospectivos, para frente (ex


nunc), porque o ato revogado era válido, não tinha vício nenhum.
Além disso, devem ser respeitados os direitos adquiridos.

A revogação é ato privativo da administração que praticou o ato que


está sendo revogado.

Obs. O Poder Judiciário jamais revogará um ato administrativo


editado pelo Poder Executivo ou pelo Poder Legislativo. De forma
mais ampla, é acertado asseverar que o Poder Judiciário, no exercício
de sua função típica jurisdicional, nunca revogará um ato
administrativo.

Por outro lado, os atos administrativos editados pelo próprio Poder


Judiciário, no exercício de suas funções administrativas, somente
poderão ser revogados por ele mesmo (Judiciário); cumpre ressaltar,
todavia, que, ao revogar seus próprios atos administrativos, o
Judiciário não estará exercendo função jurisdicional, mas sim
administrativa, estará atuando na qualidade de administração
pública, valorando a conveniência e oportunidade administrativas de
um ato administrativo por ele mesmo editado.

Revogação do Ato Administrativo

Quem? Quando? Efeitos? Prazo?

Somente a Quando o ato Ex nunc (não ------------------------


própria for legal, regroage) -
Administração porém
Pública inconveniente
EX NUNC
(Judiciário e inoportuno
apenas os (controle de
seus próprios mérito)

26

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

atos na sua
função atípica
de
administrar)

ANULAÇÃO REVOGAÇÃO CONVALIDAÇÃO

Retirada de atos Retirada de atos Correção de atos com


inválidos, com vício, válidos, sem qualquer vícios sanáveis,
ilegais. vício. desde que tais atos
não tenham
acarretado lesão ao
interesse público e
nem prejuízo a
terceiros.

Opera Efeitos prospectivos: Opera


retroativamente, não é possível retroativamente.
resguardados os revogar os atos que Corrige o ato,
efeitos já produzidos já tenham gerado tornando regulares os
perante terceiros de direito adquirido. seus efeitos,
boa-fé. passados e futuros.

Pode ser efetuada Só pode ser efetuada Só pode ser efetuada


pela administração, pela própria pela própria
de ofício ou administração que administração que
provocada, ou pelo praticou o ato. praticou o ato.
Judiciário, se
provocado.

A anulação de ato A revogação é um ato A convalidação é um


com vício insanável é discricionário. ato discricionário. Em
um ato vinculado. A tese, a administração
anulação de ato com pode optar por anular
vício sanável que o ato, mesmo que ele
fosse passível de fosse passível de
convalidação é ato convalidação.
discricionário.

27

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

28

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

Súmula 346, STF: “A Administração Pública pode declarar a


nulidade de seus próprios atos”

Súmula 473, STF: “A Administração pode anular seus próprios atos,


quando eivados de vícios que os tornem ilegais, porque deles não se
originam direitos, ou revogá-los, por motivo de conveniência ou
oportunidade, respeitados os direitos adquiridos e ressalvada, em
todos os casos, a apreciação judicial”.

Outras Formas de Extinção do Ato Administrativo

a) Cassação: É uma sanção para aquele particular que deixou de


cumprir as condições para manutenção de um determinado ato;
b) Caducidade: É a retirada do ato em virtude da publicação de
uma lei, posterior à edição do ato administrativo, que torna
inadmissível a situação antes permitida por aquele ato;
c) Contraposição: É a extinção do ato administrativo em função
da edição de outro ato administrativo com efeito contrário ao
primeiro;
d) Renúncia: Ocorre quando o seu próprio beneficiário a ele
renuncia, abrindo mão do mesmo.

Lei nº 9784/99

CAPÍTULO I
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 1o Esta Lei estabelece normas básicas sobre o processo


administrativo no âmbito da Administração Federal direta e
indireta, visando, em especial, à proteção dos direitos dos
administrados e ao melhor cumprimento dos fins da Administração.

§ 1o Os preceitos desta Lei também se aplicam aos órgãos dos


Poderes Legislativo e Judiciário da União, quando no
desempenho de função administrativa.

29

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

Esta Lei estabelece normas básicas sobre o processo administrativo


no âmbito da Administração Federal direta e indireta, visando,
em especial, à proteção dos direitos dos administrados e ao melhor
cumprimento dos fins da Administração.
Atenção!! Os preceitos desta Lei também se aplicam aos órgãos
dos Poderes Legislativo e Judiciário da União, quando no
desempenho de função administrativa.
Ex. Quando o Judiciário vai abrir uma licitação (função
administrativa), deverá obedecer a Lei nº 8666/93, assim como os
preceitos estabelecidos nesta Lei.
Ex. Quando um servidor do Legislativo requer concessão de férias.
Também deverá obedecer as regras do Processo Administrativo
Federal aqui tratadas, além das regras da Lei nº 8112/90.
Por outro lado, não se aplicam estas regras aos Estados e Municípios.

§ 2o Para os fins desta Lei, consideram-se:

I - órgão - a unidade de atuação integrante da estrutura da


Administração direta e da estrutura da Administração indireta;

II - entidade - a unidade de atuação dotada de


personalidade jurídica;

III - autoridade - o servidor ou agente público dotado de


poder de decisão.

Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos


princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade,
proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório,
segurança jurídica, interesse público e eficiência.

Como nós já estudamos os princípios da Administração Pública na


aula 01, farei aqui uma rápida revisão:

Legalidade: a Administração só pode fazer aquilo que a Lei autoriza.

Finalidade: é uma vertente do princípio da impessoalidade, que


impõe que o administrador pratique o ato para seu fim legal, o
interesse público. O princípio da impessoalidade pode ser visto sob
dois aspectos: a) qualquer ato da Administração Pública deve zelar
pelo interesse público nunca pelo interesse pessoal do agente
público; b) os atos são imputados à entidade a que se vincula o
agente público, não a ele próprio.
30

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

Motivação: exige que a Administração Pública fundamente todos


seus atos adequadamente, sempre vinculando o ato aos motivos
apresentados. Ainda que o ato discricionário esteja entre as exceções
de obrigatoriedade de motivação, segundo a Teoria dos Motivos
Determinantes, o motivo alegado vincula-se ao ato: se aquele for
falso ou inexistente, o ato será nulo.
Razoabilidade e Proporcionalidade: a Administração na prática
dos seus atos deve buscar sempre a adequação entre os meios e os
fins, considerando-se todas as situações e circunstâncias que afetem
a solução.
Moralidade: diz respeito à moral interna da instituição, que deve
pautar os atos dos agentes públicos, como complemento à lei. Os
atos devem ser, além de legais, honestos e conformes aos bons
costumes e à boa administração.
Ampla defesa: o acusado pode usar todos os meios lícitos admitidos
para provar o que alega, inclusive manter-se calado (art. 5º, LXIII,
CF/88) e não produzir provas contra si.
Princípio do contraditório: com previsão no mesmo inciso LV do
art. 5º da CF/88, traduz a garantia que todos têm de poder
contradizer tudo que se alega em seu desfavor.
Segurança jurídica: garante-se estabilidade nas relações jurídicas,
não passíveis de alteração aleatória pela Administração Pública, mas
apenas dentro das possibilidades e prazos legais de alterações. Veda
novas interpretações por parte do Poder Público.
Supremacia do interesse público: princípio basilar da
Administração Pública, que deve ser observado tanto pelo legislador,
no momento de produzir a lei, quanto pelo administrador, quando de
sua execução. O interesse público é indisponível, tendo o agente
público o poder-dever de agir de acordo com esse princípio.
Eficiência: busca a otimização dos procedimentos em qualquer ação
da Administração Pública, que deve ser rápida, útil, econômica,
voltada para o alcance dos melhores resultados possíveis. Qualidade
x economicidade.
Oficialidade: o processo administrativo pode ser instaurado de
ofício, ou seja, por iniciativa da Administração, independentemente
de provocação do administrado. Ademais, cumpre a Administração o
impulso do processo (o chamado impulso oficial, previsto no art. 2º,
parágrafo único, inciso XII).
Informalismo: o processo administrativo não está sujeito a formas
rígidas. Isso não significa, porém, ausência absoluta de forma, pois
31

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

forma sempre há, até porque o processo é escrito. No processo


administrativo, o formalismo somente deve existir quando seja
necessário para atender ao interesse público e proteger os direitos
dos particulares.
Gratuidade: em regra, não existem os ônus característicos do
processo judicial, tais como custas, ônus de sucumbência, honorários
e outros.

Parágrafo único. Nos processos administrativos serão


observados, entre outros, os critérios de:

I - atuação conforme a lei e o Direito;

II - atendimento a fins de interesse geral, vedada a renúncia


total ou parcial de poderes ou competências, salvo autorização
em lei;

III - objetividade no atendimento do interesse público, vedada


a promoção pessoal de agentes ou autoridades;

IV - atuação segundo padrões éticos de probidade, decoro e


boa-fé;

V - divulgação oficial dos atos administrativos, ressalvadas


as hipóteses de sigilo previstas na Constituição;

VI - adequação entre meios e fins, vedada a imposição de


obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas
estritamente necessárias ao atendimento do interesse público;

VII - indicação dos pressupostos de fato e de direito que


determinarem a decisão;

VIII – observância das formalidades essenciais à garantia


dos direitos dos administrados;

IX - adoção de formas simples, suficientes para propiciar


adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos
administrados;

X - garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de


alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos,
nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de
litígio;

32

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

XI - proibição de cobrança de despesas processuais,


ressalvadas as previstas em lei;

XII - impulsão, de ofício, do processo administrativo, sem


prejuízo da atuação dos interessados;

XIII - interpretação da norma administrativa da forma que


melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada
aplicação retroativa de nova interpretação.

CAPÍTULO II
DOS DIREITOS DOS ADMINISTRADOS

Art. 3o O administrado tem os seguintes direitos perante a


Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados:

I - ser tratado com respeito pelas autoridades e servidores,


que deverão facilitar o exercício de seus direitos e o cumprimento de
suas obrigações;

II - ter ciência da tramitação dos processos


administrativos em que tenha a condição de interessado, ter vista
dos autos, obter cópias de documentos neles contidos e conhecer as
decisões proferidas;

III - formular alegações e apresentar documentos antes


da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão
competente;

IV - fazer-se assistir, facultativamente, por advogado,


salvo quando obrigatória a representação, por força de lei.

A possibilidade de atuar no processo sem advogado é decorrência do


princípio do informalismo.

Na Súmula Vinculante 5, o STF explicita a possibilidade de o


interessado atuar sem advogado nos processos administrativos,
mesmo nos processos que possam resultar em sanções. Segundo a
orientação firmada no STF, o simples fato de não ser feita a defesa
do administrado por um advogado (desde que não haja exigência
legal) não ofende, por si só, os princípios constitucionais da ampla
defesa e do contraditório.

SV5 – A falta de defesa técnica por advogado no processo


administrativo disciplinar não ofende a Constituição.

33

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

CAPÍTULO III
DOS DEVERES DO ADMINISTRADO

Art. 4o São deveres do administrado perante a Administração,


sem prejuízo de outros previstos em ato normativo:

I - expor os fatos conforme a verdade;

II - proceder com lealdade, urbanidade e boa-fé;

III - não agir de modo temerário;

IV - prestar as informações que lhe forem solicitadas e


colaborar para o esclarecimento dos fatos.

CAPÍTULO IV
DO INÍCIO DO PROCESSO

Art. 5o O processo administrativo pode iniciar-se de ofício ou a


pedido de interessado.

O processo pode ser iniciado pela própria administração (de ofício) –


decorrência do princípio da oficialidade, ou mediante provocação do
interessado (a pedido).

Art. 6o O requerimento inicial do interessado, salvo casos em


que for admitida solicitação oral, deve ser formulado por escrito
e conter os seguintes dados:

I - órgão ou autoridade administrativa a que se dirige;

II - identificação do interessado ou de quem o represente;

III - domicílio do requerente ou local para recebimento de


comunicações;

IV - formulação do pedido, com exposição dos fatos e de seus


fundamentos;

V - data e assinatura do requerente ou de seu representante.

Parágrafo único. É vedada à Administração a recusa


imotivada de recebimento de documentos, devendo o servidor
orientar o interessado quanto ao suprimento de eventuais falhas.
34

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

Art. 7o Os órgãos e entidades administrativas deverão elaborar


modelos ou formulários padronizados para assuntos que importem
pretensões equivalentes.

Art. 8o Quando os pedidos de uma pluralidade de interessados


tiverem conteúdo e fundamentos idênticos, poderão ser formulados
em um único requerimento, salvo preceito legal em contrário.

CAPÍTULO V
DOS INTERESSADOS

Art. 9o São legitimados como interessados no processo


administrativo:

I - pessoas físicas ou jurídicas que o iniciem como titulares


de direitos ou interesses individuais ou no exercício do direito de
representação;

II - aqueles que, sem terem iniciado o processo, têm direitos


ou interesses que possam ser afetados pela decisão a
ser adotada;

III - as organizações e associações representativas, no


tocante a direitos e interesses coletivos;

IV - as pessoas ou as associações legalmente constituídas


quanto a direitos ou interesses difusos.

Art. 10. São capazes, para fins de processo administrativo, os


maiores de dezoito anos, ressalvada previsão especial em ato
normativo próprio.

CAPÍTULO VI
DA COMPETÊNCIA

Art. 11. A competência é irrenunciável e se exerce pelos


órgãos administrativos a que foi atribuída como própria, salvo os
casos de delegação e avocação legalmente admitidos.

Art. 12. Um órgão administrativo e seu titular poderão, se não


houver impedimento legal, delegar parte da sua competência a
outros órgãos ou titulares, ainda que estes não lhe sejam
hierarquicamente subordinados, quando for conveniente, em razão
de circunstâncias de índole técnica, social, econômica, jurídica ou
territorial.

35

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

Parágrafo único. O disposto no caput deste artigo aplica-se à


delegação de competência dos órgãos colegiados aos respectivos
presidentes.

COMPETÊNCIA

No Direito Administrativo não basta capacidade; é necessário


também que o sujeito tenha competência;

Decorre da lei;

É inderrogável, seja pela vontade da Administração, seja por


acordo com terceiros;

Pode ser objeto de delegação ou avocação;

1 – edição de atos de caráter


normativo;
Não é possível delegar:
(Lei nº 9.784/99, art. 13) 2 – decisão de recurso
administrativo;

3 – matéria de competência
exclusiva de órgão ou autoridade.

Corresponde ao repasse de
atribuições administrativas de
O que é delegar? responsabilidade do superior para
o subalterno (mantendo-se
aquele competente),

É Improrrogável, ou seja, o agente incompetente hoje continuará


sendo sempre, exceto por previsão legal expressa em sentido
contrário.

É Imprescritível, ou seja, ela continua a existir, independente de


seu não uso

36

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

Esse Art. 13 não cai nas provas, despenca!! Decorar!!

Art. 13. Não podem ser objeto de delegação:

I - a edição de atos de caráter normativo;

II - a decisão de recursos administrativos;

III - as matérias de competência exclusiva do órgão ou


autoridade.

Art. 14. O ato de delegação e sua revogação deverão ser


publicados no meio oficial.

§ 1o O ato de delegação especificará as matérias e poderes


transferidos, os limites da atuação do delegado, a duração e os
objetivos da delegação e o recurso cabível, podendo conter ressalva
de exercício da atribuição delegada.

§ 2o O ato de delegação é revogável a qualquer tempo pela


autoridade delegante.

§ 3o As decisões adotadas por delegação devem mencionar


explicitamente esta qualidade e considerar-se-ão editadas pelo
delegado.

Art. 15. Será permitida, em caráter excepcional e por


motivos relevantes devidamente justificados, a avocação
temporária de competência atribuída a órgão hierarquicamente
inferior.

Art. 16. Os órgãos e entidades administrativas divulgarão


publicamente os locais das respectivas sedes e, quando conveniente,
a unidade fundacional competente em matéria de interesse especial.

Art. 17. Inexistindo competência legal específica, o


processo administrativo deverá ser iniciado perante a autoridade
de menor grau hierárquico para decidir.

CAPÍTULO VII
DOS IMPEDIMENTOS E DA SUSPEIÇÃO

A autoridade ou servidor que incorrer em impedimento deve


comunicar o fato à autoridade competente, abstendo-se desta

37

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

forma de atuar, sendo a omissão desta comunicação uma falta grave


para efeitos disciplinares.
A diferença fundamental entre impedimento e suspensão
reside no fato de que, no primeiro caso, a autoridade não poderá
atuar. Já no caso de suspeição, poderá a mesma não acatar os
argumentos do interessado de seguir atuando normalmente.

Art. 18. É impedido de atuar em processo administrativo o


servidor ou autoridade que:

I - tenha interesse direto ou indireto na matéria;

II - tenha participado ou venha a participar como perito,


testemunha ou representante, ou se tais situações ocorrem
quanto ao cônjuge, companheiro ou parente e afins até o
terceiro grau;

III - esteja litigando judicial ou administrativamente com


o interessado ou respectivo cônjuge ou companheiro.

Art. 19. A autoridade ou servidor que incorrer em impedimento


deve comunicar o fato à autoridade competente, abstendo-se
de atuar.

Parágrafo único. A omissão do dever de comunicar o


impedimento constitui falta grave, para efeitos disciplinares.

Art. 20. Pode ser argüida a suspeição de autoridade ou


servidor que tenha amizade íntima ou inimizade notória com
algum dos interessados ou com os respectivos cônjuges,
companheiros, parentes e afins até o terceiro grau.

Art. 21. O indeferimento de alegação de suspeição poderá


ser objeto de recurso, sem efeito suspensivo.

CAPÍTULO VIII
DA FORMA, TEMPO E LUGAR DOS ATOS DO PROCESSO

Art. 22. Os atos do processo administrativo não dependem de


forma determinada senão quando a lei expressamente a
exigir.

§ 1o Os atos do processo devem ser produzidos por escrito,


em vernáculo, com a data e o local de sua realização e a
assinatura da autoridade responsável.

38

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

§ 2o Salvo imposição legal, o reconhecimento de firma somente


será exigido quando houver dúvida de autenticidade.

§ 3o A autenticação de documentos exigidos em cópia poderá


ser feita pelo órgão administrativo.

§ 4o O processo deverá ter suas páginas numeradas


seqüencialmente e rubricadas.

Art. 23. Os atos do processo devem realizar-se em dias úteis,


no horário normal de funcionamento da repartição na qual tramitar o
processo.

Parágrafo único. Serão concluídos depois do horário normal os


atos já iniciados, cujo adiamento prejudique o curso regular do
procedimento ou cause dano ao interessado ou à Administração.

Art. 24. Inexistindo disposição específica, os atos do órgão


ou autoridade responsável pelo processo e dos administrados que
dele participem devem ser praticados no prazo de cinco dias, salvo
motivo de força maior.

Parágrafo único. O prazo previsto neste artigo pode ser


dilatado até o dobro, mediante comprovada justificação.

Art. 25. Os atos do processo devem realizar-se


preferencialmente na sede do órgão, cientificando-se o
interessado se outro for o local de realização.

CAPÍTULO IX
DA COMUNICAÇÃO DOS ATOS

Art. 26. O órgão competente perante o qual tramita o processo


administrativo determinará a intimação do interessado para
ciência de decisão ou a efetivação de diligências.

§ 1o A intimação deverá conter:

I - identificação do intimado e nome do órgão ou entidade


administrativa;

II - finalidade da intimação;

III - data, hora e local em que deve comparecer;

IV - se o intimado deve comparecer pessoalmente, ou fazer-se


representar;
39

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

V - informação da continuidade do processo independentemente


do seu comparecimento;

VI - indicação dos fatos e fundamentos legais pertinentes.

§ 2o A intimação observará a antecedência mínima de três dias


úteis quanto à data de comparecimento.

§ 3o A intimação pode ser efetuada por ciência no processo,


por via postal com aviso de recebimento, por telegrama ou
outro meio que assegure a certeza da ciência do interessado.

§ 4o No caso de interessados indeterminados,


desconhecidos ou com domicílio indefinido, a intimação deve ser
efetuada por meio de publicação oficial.

§ 5o As intimações serão nulas quando feitas sem observância


das prescrições legais, mas o comparecimento do administrado
supre sua falta ou irregularidade.

Art. 27. O desatendimento da intimação não importa o


reconhecimento da verdade dos fatos, nem a renúncia a
direito pelo administrado.

Parágrafo único. No prosseguimento do processo, será


garantido direito de ampla defesa ao interessado.

Art. 28. Devem ser objeto de intimação os atos do processo


que resultem para o interessado em imposição de deveres, ônus,
sanções ou restrição ao exercício de direitos e atividades e os
atos de outra natureza, de seu interesse.

CAPÍTULO X
DA INSTRUÇÃO

No âmbito administrativo, a instrução ocorre de ofício (princípio da


oficialidade). No entanto, tal princípio não impede que o administrado
proponha a prática de atos necessários ou úteis ao bom andamento
da instrução.

Assim, durante a instrução deverão ser enviados todos os esforços,


por iniciativa oficial ou por provocação do interessado, necessários à
elucidação dos fatos pertinentes ao processo, desde que,
evidentemente, não se utilizem provas obtidas por meios ilícitos,
inadmissíveis também nos processos administrativos.

40

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e


comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizam-se
de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo
processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor
atuações probatórias.

§ 1o O órgão competente para a instrução fará constar dos


autos os dados necessários à decisão do processo.

§ 2o Os atos de instrução que exijam a atuação dos


interessados devem realizar-se do modo menos oneroso para estes.

Art. 30. São inadmissíveis no processo administrativo as


provas obtidas por meios ilícitos.

Art. 31. Quando a matéria do processo envolver assunto de


interesse geral, o órgão competente poderá, mediante despacho
motivado, abrir período de consulta pública para manifestação de
terceiros, antes da decisão do pedido, se não houver prejuízo para a
parte interessada.

§ 1o A abertura da consulta pública será objeto de divulgação


pelos meios oficiais, a fim de que pessoas físicas ou jurídicas possam
examinar os autos, fixando-se prazo para oferecimento de alegações
escritas.

§ 2o O comparecimento à consulta pública não confere, por si, a


condição de interessado do processo, mas confere o direito de obter
da Administração resposta fundamentada, que poderá ser comum a
todas as alegações substancialmente iguais.

Art. 32. Antes da tomada de decisão, a juízo da autoridade,


diante da relevância da questão, poderá ser realizada audiência
pública para debates sobre a matéria do processo.

Art. 33. Os órgãos e entidades administrativas, em matéria


relevante, poderão estabelecer outros meios de participação de
administrados, diretamente ou por meio de organizações e
associações legalmente reconhecidas.

Art. 34. Os resultados da consulta e audiência pública e de


outros meios de participação de administrados deverão ser
apresentados com a indicação do procedimento adotado.

Art. 35. Quando necessária à instrução do processo, a audiência


de outros órgãos ou entidades administrativas poderá ser realizada

41

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

em reunião conjunta, com a participação de titulares ou


representantes dos órgãos competentes, lavrando-se a respectiva
ata, a ser juntada aos autos.

Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha


alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a
instrução e do disposto no art. 37 desta Lei.

Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão


registrados em documentos existentes na própria Administração
responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão
competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos
documentos ou das respectivas cópias.

Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da


tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer
diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à
matéria objeto do processo.

§ 1o Os elementos probatórios deverão ser considerados na


motivação do relatório e da decisão.

§ 2o Somente poderão ser recusadas, mediante decisão


fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam
ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias.

Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a


apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão
expedidas intimações para esse fim, mencionando-se data, prazo,
forma e condições de atendimento.

Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o


órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a
omissão, não se eximindo de proferir a decisão.

Art. 40. Quando dados, atuações ou documentos solicitados ao


interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o
não atendimento no prazo fixado pela Administração para a
respectiva apresentação implicará arquivamento do processo.

Art. 41. Os interessados serão intimados de prova ou diligência


ordenada, com antecedência mínima de três dias úteis, mencionando-
se data, hora e local de realização.

Art. 42. Quando deva ser obrigatoriamente ouvido um órgão


consultivo, o parecer deverá ser emitido no prazo máximo de

42

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

quinze dias, salvo norma especial ou comprovada necessidade de


maior prazo.

§ 1o Se um parecer obrigatório e vinculante deixar de ser


emitido no prazo fixado, o processo não terá seguimento até a
respectiva apresentação, responsabilizando-se quem der causa ao
atraso.

§ 2o Se um parecer obrigatório e não vinculante deixar de


ser emitido no prazo fixado, o processo poderá ter prosseguimento e
ser decidido com sua dispensa, sem prejuízo da responsabilidade de
quem se omitiu no atendimento.

Art. 43. Quando por disposição de ato normativo devam ser


previamente obtidos laudos técnicos de órgãos administrativos e
estes não cumprirem o encargo no prazo assinalado, o órgão
responsável pela instrução deverá solicitar laudo técnico de outro
órgão dotado de qualificação e capacidade técnica equivalentes.

Art. 44. Encerrada a instrução, o interessado terá o direito de


manifestar-se no prazo máximo de dez dias, salvo se outro prazo for
legalmente fixado.

Art. 45. Em caso de risco iminente, a Administração Pública


poderá motivadamente adotar providências acauteladoras sem a
prévia manifestação do interessado.

Art. 46. Os interessados têm direito à vista do processo e a


obter certidões ou cópias reprográficas dos dados e documentos que
o integram, ressalvados os dados e documentos de terceiros
protegidos por sigilo ou pelo direito à privacidade, à honra e à
imagem.

Art. 47. O órgão de instrução que não for competente para


emitir a decisão final elaborará relatório indicando o pedido inicial, o
conteúdo das fases do procedimento e formulará proposta de decisão,
objetivamente justificada, encaminhando o processo à autoridade
competente.

CAPÍTULO XI
DO DEVER DE DECIDIR

Concluída a instrução de processo administrativo, a Administração


tem o prazo de até trinta dias para decidir. É possível a
prorrogação por igual período, desde que expressamente
motivada.
43

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

Esse é um prazo dito impróprio, ou seja, aquele que não gera


conseqüências processuais. Assim o julgamento fora do prazo não
implica nulidade do processo.
Não seria razoável anular todo o processo se a decisão fosse
proferida após o decurso dos 30 (trinta) dias concedidos à
autoridade. Será ele perfeito, porém o responsável pela demora
poderá ser punido, se caracterizada alguma infração disciplinar, como
a desídia.

Art. 48. A Administração tem o dever de explicitamente


emitir decisão nos processos administrativos e sobre
solicitações ou reclamações, em matéria de sua competência.

Art. 49. Concluída a instrução de processo administrativo, a


Administração tem o prazo de até trinta dias para decidir, salvo
prorrogação por igual período expressamente motivada.

CAPÍTULO XII
DA MOTIVAÇÃO

Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com


indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando:

I - neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses;

II - imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções;

III - decidam processos administrativos de concurso ou seleção


pública;

IV - dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo


licitatório;

V - decidam recursos administrativos;

VI - decorram de reexame de ofício;

VII - deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão


ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais;

VIII - importem anulação, revogação, suspensão ou


convalidação de ato administrativo.

44

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

Princípio da motivação: A Administração Pública deve motivar os


seus atos, ou seja, demonstrar os motivos pelos quais está agindo
de determinada maneira, para conhecimento e garantia dos
administrados, que assim terão a possibilidade de contestar o motivo
alegado pela Administração, caso discordem do mesmo.

A Lei nº 9.784/99 trouxe de forma expressa o princípio da motivação


em seu art. 2º, segundo o qual nos processos administrativos serão
observados, entre outros, os critérios de indicação dos pressupostos
de fato e de direito que determinam a decisão.

A referida Lei em seu art. 50, § 1º, permitiu a denominada


motivação aliunde ou per relationem, segundo a qual a
concordância com fundamentos anteriores, informações,
decisões ou propostas já é considerada motivação do ato
administrativo. Opõe-se a chamada motivação contextual em que
os fundamentos de fato e de direito estão indicados no próprio
contexto do ato, não havendo remissão à motivação externa.

Dessa forma, não viola o princípio da motivação dos atos


administrativos o ato da autoridade que, ao deliberar acerca
de recurso administrativo, mantém decisão com base em
parecer de consultoria jurídica, sem maiores considerações.

§ 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente,


podendo consistir em declaração de concordância com
fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões
ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato.

§ 2o Na solução de vários assuntos da mesma natureza, pode


ser utilizado meio mecânico que reproduza os fundamentos das
decisões, desde que não prejudique direito ou garantia dos
interessados.

§ 3o A motivação das decisões de órgãos colegiados e


comissões ou de decisões orais constará da respectiva ata ou de
termo escrito.

CAPÍTULO XIII
DA DESISTÊNCIA E OUTROS CASOS DE EXTINÇÃO DO PROCESSO

Art. 51. O interessado poderá, mediante manifestação escrita,


desistir total ou parcialmente do pedido formulado ou, ainda,
renunciar a direitos disponíveis.

45

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

§ 1o Havendo vários interessados, a desistência ou renúncia


atinge somente quem a tenha formulado.

§ 2o A desistência ou renúncia do interessado, conforme o caso,


não prejudica o prosseguimento do processo, se a
Administração considerar que o interesse público assim o exige.

Art. 52. O órgão competente poderá declarar extinto o


processo quando exaurida sua finalidade ou o objeto da
decisão se tornar impossível, inútil ou prejudicado por fato
superveniente.

CAPÍTULO XIV
DA ANULAÇÃO, REVOGAÇÃO E CONVALIDAÇÃO

Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos,


quando eivados de vício de legalidade, e pode revogá-los por
motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os
direitos adquiridos.

Art. 54. O direito da Administração de anular os atos


administrativos de que decorram efeitos favoráveis para os
destinatários decai em cinco anos, contados da data em que
foram praticados, salvo comprovada má-fé.

§ 1o No caso de efeitos patrimoniais contínuos, o prazo de


decadência contar-se-á da percepção do primeiro pagamento.

§ 2o Considera-se exercício do direito de anular qualquer


medida de autoridade administrativa que importe impugnação à
validade do ato.

Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem


lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que
apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela
própria Administração.

Essa é a possibilidade de convalidação expressa, desde que não


acarrete lesão ao interesse público ou prejuízo a terceiros. Assim, nos
termos do art. 54 da mesma Lei, eventual ato administrativo viciado,
de que decorram efeitos favoráveis para os destinatários, que não
seja anulado no prazo decadencial de cinco anos, contados da data
em que foram praticados, estará convalidado tacitamente, não
podendo mais ser alterado, salvo comprovada má-fé.

46

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

Quais são os requisitos pra convalidar?

1 – não acarretar lesão ao interesse público;

2 – não haver prejuízo a terceiros;

3 – ato com defeito sanável

Quem convalida?

A própria Administração

Quais são os efeitos?

Ex tunc, retroage.

Quais elementos do ato podem ser convalidados?

A finalidade, o motivo e o objeto nunca podem ser convalidados.


A forma pode ser convalidada, desde que não seja fundamental à
validade do ato. Se a lei estabelecia uma forma determinada, não há
como tal elemento ser convalidado.
Com relação à competência, é possível a convalidação dos atos que
não sejam exclusivos de uma autoridade, quando não pode haver
delegação ou avocação. Assim, desde que não se trate de matéria
exclusiva, pode o superior ratificar o ato praticado por subordinado
incompetente.
Se o ato não for convalidado, o que acontecerá com ele?
Será anulado!

CAPÍTULO XV
DO RECURSO ADMINISTRATIVO E DA REVISÃO

Art. 56. Das decisões administrativas cabe recurso, em


face de razões de legalidade e de mérito.

§ 1o O recurso será dirigido à autoridade que proferiu a decisão,


a qual, se não a reconsiderar no prazo de cinco dias, o encaminhará à
autoridade superior.

§ 2o Salvo exigência legal, a interposição de recurso


administrativo independe de caução.

47

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

SV 21 - É inconstitucional a exigência de depósito ou


arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade
de recurso administrativo.

§ 3o Se o recorrente alegar que a decisão administrativa


contraria enunciado da súmula vinculante, caberá à autoridade
prolatora da decisão impugnada, se não a reconsiderar, explicitar,
antes de encaminhar o recurso à autoridade superior, as razões da
aplicabilidade ou inaplicabilidade da súmula, conforme o caso.

Art. 57. O recurso administrativo tramitará no máximo por


três instâncias administrativas, salvo disposição legal diversa.

No máximo haverá dois recursos hierárquicos (um contra a primeira


decisão, que leva o processo para a segunda instância, e outro contra
a decisão proferida nessa segunda instância, que remete o processo
para a terceira instância).

É chamado recurso hierárquico porque a autoridade competente para


apreciá-lo é a autoridade hierarquicamente superior à que proferiu a
decisão recorrida.

Art. 58. Têm legitimidade para interpor recurso


administrativo:

I - os titulares de direitos e interesses que forem parte no


processo;

II - aqueles cujos direitos ou interesses forem


indiretamente afetados pela decisão recorrida;

III - as organizações e associações representativas, no


tocante a direitos e interesses coletivos;

IV - os cidadãos ou associações, quanto a direitos ou


interesses difusos.

Art. 59. Salvo disposição legal específica, é de dez dias o prazo


para interposição de recurso administrativo, contado a partir da
ciência ou divulgação oficial da decisão recorrida.

§ 1o Quando a lei não fixar prazo diferente, o recurso


administrativo deverá ser decidido no prazo máximo de trinta
dias, a partir do recebimento dos autos pelo órgão competente.

48

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

§ 2o O prazo mencionado no parágrafo anterior poderá ser


prorrogado por igual período, ante justificativa explícita.

Art. 60. O recurso interpõe-se por meio de requerimento no


qual o recorrente deverá expor os fundamentos do pedido de
reexame, podendo juntar os documentos que julgar convenientes.

Art. 61. Salvo disposição legal em contrário, o recurso não


tem efeito suspensivo.

Somente possui, portanto, o denominado efeito devolutivo.


Significa que a administração não fica impedida de praticar o ato que
esteja sendo alvo de impugnação administrativa pelo particular, nem
os efeitos desse ato são sustados pela instauração ou pelo curso do
processo administrativo, vale dizer, as impugnações e recursos
administrativos, como regra, não suspendem a executoriedade do ato
contra o qual se dirigem.

Parágrafo único. Havendo justo receio de prejuízo de difícil ou


incerta reparação decorrente da execução, a autoridade recorrida ou
a imediatamente superior poderá, de ofício ou a pedido, dar efeito
suspensivo ao recurso.

Art. 62. Interposto o recurso, o órgão competente para dele


conhecer deverá intimar os demais interessados para que, no prazo
de cinco dias úteis, apresentem alegações.

Art. 63. O recurso não será conhecido quando interposto:

I - fora do prazo;

II - perante órgão incompetente;

III - por quem não seja legitimado;

IV - após exaurida a esfera administrativa.

§ 1o Na hipótese do inciso II, será indicada ao recorrente


a autoridade competente, sendo-lhe devolvido o prazo para
recurso.

§ 2o O não conhecimento do recurso não impede a


Administração de rever de ofício o ato ilegal, desde que não
ocorrida preclusão administrativa.

49

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

Art. 64. O órgão competente para decidir o recurso poderá


confirmar, modificar, anular ou revogar, total ou parcialmente, a
decisão recorrida, se a matéria for de sua competência.

Parágrafo único. Se da aplicação do disposto neste artigo


puder decorrer gravame à situação do recorrente, este deverá
ser cientificado para que formule suas alegações antes da
decisão.

Art. 64-A. Se o recorrente alegar violação de enunciado da


súmula vinculante, o órgão competente para decidir o recurso
explicitará as razões da aplicabilidade ou inaplicabilidade da súmula,
conforme o caso. (Incluído pela Lei nº 11.417, de 2006).

Art. 64-B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a


reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante,
dar-se-á ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o
julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões
administrativas em casos semelhantes, sob pena de
responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal.
(Incluído pela Lei nº 11.417, de 2006).

Se o administrado entender que houve violação a enunciado de


súmula vinculante, poderá ajuizar reclamação perante o STF, desde
que, antes, tenha esgotado as vias administrativas.

Art. 65. Os processos administrativos de que resultem sanções


poderão ser revistos, a qualquer tempo, a pedido ou de ofício,
quando surgirem fatos novos ou circunstâncias relevantes suscetíveis
de justificar a inadequação da sanção aplicada.

Parágrafo único. Da revisão do processo não poderá resultar


agravamento da sanção.

ATENÇÃO!!! A Lei 9784/99 adotou regra distinta para a possibilidade


de aplicação da chamada reformatio in pejus. Ela é permitida nos
recursos administrativos em geral, mas é vedada
especificamente na revisão dos processos de que resultem
sanções.

CAPÍTULO XVI
DOS PRAZOS

50

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

Art. 66. Os prazos começam a correr a partir da data da


cientificação oficial, excluindo-se da contagem o dia do começo e
incluindo-se o do vencimento.

§ 1o Considera-se prorrogado o prazo até o primeiro dia útil


seguinte se o vencimento cair em dia em que não houver expediente
ou este for encerrado antes da hora normal.

§ 2o Os prazos expressos em dias contam-se de modo


contínuo.

§ 3o Os prazos fixados em meses ou anos contam-se de


data a data. Se no mês do vencimento não houver o dia equivalente
àquele do início do prazo, tem-se como termo o último dia do mês.

Art. 67. Salvo motivo de força maior devidamente comprovado,


os prazos processuais não se suspendem.

CAPÍTULO XVII
DAS SANÇÕES

Art. 68. As sanções, a serem aplicadas por autoridade


competente, terão natureza pecuniária ou consistirão em
obrigação de fazer ou de não fazer, assegurado sempre o direito
de defesa.

CAPÍTULO XVIII
DAS DISPOSIÇÕES FINAIS

Art. 69. Os processos administrativos específicos


continuarão a reger-se por lei própria, aplicando-se-lhes apenas
subsidiariamente os preceitos desta Lei.

Art. 69-A. Terão prioridade na tramitação, em qualquer órgão


ou instância, os procedimentos administrativos em que figure como
parte ou interessado: (Incluído pela Lei nº 12.008, de 2009).

I - pessoa com idade igual ou superior a 60 (sessenta)


anos; (Incluído pela Lei nº 12.008, de 2009).

II - pessoa portadora de deficiência, física ou mental;


(Incluído pela Lei nº 12.008, de 2009).

III – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 12.008, de 2009).

51

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

IV - pessoa portadora de tuberculose ativa, esclerose múltipla,


neoplasia maligna, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante,
cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose
anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados
avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação
por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, ou outra
doença grave, com base em conclusão da medicina especializada,
mesmo que a doença tenha sido contraída após o início do processo.
(Incluído pela Lei nº 12.008, de 2009).

§ 1o A pessoa interessada na obtenção do benefício, juntando


prova de sua condição, deverá requerê-lo à autoridade
administrativa competente, que determinará as providências a
serem cumpridas. (Incluído pela Lei nº 12.008, de 2009).

§ 2o Deferida a prioridade, os autos receberão identificação


própria que evidencie o regime de tramitação prioritária. (Incluído
pela Lei nº 12.008, de 2009).

Como se denota do texto retro reproduzido, buscou o legislador


aplicar as prerrogativas a que fazem jus os idosos, nos termos da Lei
nº 10.741/2003 (Estatuto do Idoso), que os define como sendo
aqueles com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos (art. 1º), e
da CF/88, art. 230. Fez incluir também os deficientes (Lei nº
7.853/1989) e as pessoas portadoras de doenças graves.

§ 3o (VETADO) (Incluído pela Lei nº 12.008, de 2009).

§ 4o (VETADO) (Incluído pela Lei nº 12.008, de 2009).

Art. 70. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília 29 de janeiro de 1999; 178o da Independência e 111o da


República.
FERNANDO HENRIQUE CARDOSO

Agora que vimos a teoria, vamos treinar?

52

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

Lista de questões da aula 2

1. (FCC/TRE-AC/Técnico/2010) É atributo do ato administrativo,


dentre outros,

(A) a competência.

(B) a forma.

(C) a finalidade.

(D) a autoexecutoriedade.

(E) o objeto.

2. (FCC/TRE-AC/Técnico/2010) Sobre a anulação do ato


administrativo, considere:

I. A anulação é a declaração de invalidação de um ato administrativo


ilegítimo ou ilegal, feita pela própria Administração ou pelo Poder
Judiciário.

II. Em regra, a anulação dos atos administrativos vigora a partir da


data da anulação, isto é, não tem efeito retroativo.

III. A anulação feita pela Administração depende de provocação do


interessado.
Está correto o que se afirma APENAS em

(A) I.

(B) I e II.

(C) II.

(D) II e III.

(E) III.

3. (FCC/TRE-AL/Analista/2010) A publicidade de ato


administrativo que produz conseqüências jurídicas fora do órgão que
o emite

53

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

(A) confere-lhe validade perante as partes e terceiros.

(B) é requisito de eficiência e impessoalidade.

(C) convalida o ato, ainda que irregular.

(D) é elemento formativo do ato.

(E) é sempre necessária, não sendo admitido o sigilo.

4. (FCC/TRE-AL/Analista/2010) Certidões, pareceres e o


apostilamento de direitos são espécies de atos administrativos

(A) punitivos.

(B) negociais.

(C) ordinatórios.

(D) normativos.

(E) enunciativos.

5. (FCC/TRE-AL/Técnico/2010) A autoexecutoriedade, como um


dos atributos do ato administrativo,

(A) afasta a apreciação judicial do ato.

(B) existe em todos os atos administrativos.

(C) é a qualidade do ato que dá ensejo à Administração Pública de,


direta e imediatamente, executá-lo.

(D) significa que a Administração Pública tem a possibilidade de,


unilateralmente, criar obrigações para os administrados.

(E) implica o reconhecimento de que, até prova em contrário, o ato


foi expedido com observância da lei.

6. (FCC/TRE-AL/Técnico/2010) Sobre atos administrativos,


considere:

I. Ato que resulta da manifestação de um órgão, mas cuja edição ou


produção de efeitos depende de outro ato, acessório.

54

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

II. Ato que resulta da manifestação de dois ou mais órgãos,


singulares ou colegiados, cuja vontade se funde para formar um
único ato.

III. Atos que a Administração impõe coercitivamente aos


administrados, criando para eles, obrigações ou restrições, de forma
unilateral.

Esses conceitos referem-se, respectivamente, aos atos

(A) compostos, complexos e de império.

(B) de império, coletivos e externos.

(C) complexos, compostos e de gestão.

(D) complexos, coletivos e individuais.

(E) compostos, externos e individuais.

7. (FCC/TRE-AM/Analista/2010) Sobre os atributos do ato


administrativo, é correto afirmar que

(A) a imperatividade traduz a possibilidade de a administração


pública, unilateralmente, criar obrigações para os administrados, ou
impor-lhes restrições.

(B) a presunção de legitimidade impede que o ato administrativo seja


contestado perante o Judiciário.

(C) a autoexecutoriedade está presente em todo e qualquer ato


administrativo.

(D) a imperatividade implica o reconhecimento de que, até prova em


contrário, o ato foi expedido com observância da lei.

(E) a presença da autoexecutoriedade impede a suspensão


preventiva do ato pela via judicial.

8. (FCC/TRT8/Analista/2010) A qualidade do ato administrativo


que permite à Administração executá-lo direta e imediatamente, sem
necessidade de intervenção do Poder Judiciário, é o atributo
denominado

(A) imperatividade.
55

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

(B) presunção de legitimidade.

(C) tipicidade.

(D) autoexecutoriedade.

(E) veracidade.

9. (FCC/TRT8/Analista/2010) A liberdade de escolha quanto à


oportunidade e conveniência do ato administrativo praticado nos
limites da lei insere-se no âmbito da

(A) arbitrariedade.

(B) discricionariedade.

(C) vinculação.

(D) imperatividade.

(E) regulamentação.

10. (FCC/TRT8/Analista/2010) Utilizando documentos falsos, um


cidadão consegue autorização para desenvolver atividade comercial
para a qual é obrigatória a autorização para o exercício de sua
atividade. Constatada a irregularidade e, portanto, verificada a
nulidade do ato administrativo de autorização, esse ato

(A) pode ser anulado pela própria Administração independentemente


de provocação.

(B) não pode ser anulado pela Administração se não houver pedido
de terceiros prejudicados.

(C) pode ser revogado pelo Poder Judiciário se for provocado por
qualquer cidadão.

(D) pode ser revogado pela Administração se ficar provado dolo do


funcionário responsável pela concessão da autorização.

(E) não pode ser anulado por iniciativa da Administração, que deverá
pleitear a anulação no Poder Judiciário.

11. (FCC/TRT9/Analista/2010) Analise as seguintes assertivas


acerca dos atos administrativos:
56

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

I. A competência administrativa, sendo requisito de ordem pública, é


intransferível e improrrogável pela vontade dos interessados. Pode,
entretanto, ser delegada e avocada, desde que o permitam as
normas reguladoras da Administração.

II. A forma é o revestimento que exterioriza o ato administrativo e


consiste, portanto, em requisito vinculado. Logo, a inexistência da
forma, vicia substancialmente o ato, tornando-o passível de nulidade.

III. Convalidação consiste no suprimento da invalidade de um ato


administrativo e pode derivar de ato da Administração ou de ato do
particular afetado pelo provimento viciado, sendo que, nesta
hipótese, não terá efeitos retroativos.

IV. Caso a Administração revogue várias autorizações de porte de


arma, invocando como motivo o fato de um dos autorizados ter se
envolvido em brigas, referida revogação só será válida em relação
àquele que perpetrou a situação fática geradora do resultado do ato.

Está correto o que consta APENAS em

(A) I e IV.

(B) I, III e IV.

(C) II e III.

(D) I, II e III.

(E) II e IV.

12. (FCC/TRT22/Analista/2010) O atributo pelo qual os atos


administrativos se impõem a terceiros, independentemente de sua
concordância, denomina-se

(A) imperatividade.

(B) presunção de legitimidade.

(C) autoexecutoriedade.

(D) exigibilidade.

(E) tipicidade.

57

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

13. (FCC/TRT22/Analista/2010) No que diz respeito ao elemento


motivo dos atos administrativos, é INCORRETO afirmar:

(A) O motivo, sempre está expresso na lei, não podendo ser deixado
ao critério do administrador.

(B) No ato de punição do funcionário, o motivo é a infração que ele


praticou.

(C) A ausência de motivo ou a indicação de motivo falso invalidam o


ato administrativo.

(D) Motivação é a exposição ou indicação dos motivos, ou seja,


demonstração por escrito dos fatos e fundamentos jurídicos do ato.

(E) Quando a Administração motiva o ato, mesmo que a lei não exija
a motivação, ele só será válido se os motivos forem verdadeiros.

14. (FCC/TRT22/Analista/2010) Sobre a revogação e anulação


dos atos administrativos, é correto afirmar que:

(A) a revogação pode ser feita pelo Judiciário e pela própria


Administração, mas a anulação compete apenas ao Poder Judiciário.

(B) a revogação atinge um ato administrativo não editado em


conformidade com a lei.

(C) a revogação opera efeitos ex tunc, enquanto a anulação produz


efeitos ex nunc.

(D) a revogação poderá ocorrer mesmo se o ato administrativo já


produziu seus efeitos.

(E) não podem ser revogados os atos que geram direitos adquiridos.

15. (FCC/TJ-PI/Analista/2009) Quanto aos Atos Administrativos,


é INCORRETO afirmar:

(A) Dentre os seus atributos, destaca-se o da autoexecutoriedade


pelo qual pode ser posto em execução pela própria Administração
Pública, sem necessidade de intervenção do Poder Judiciário.

(B) Permissão é o ato administrativo bilateral, vinculado e oneroso,


pelo qual é facultado ao particular a contratação de bem ou serviço
público.

58

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

(C) Complexo é o ato administrativo que resulta da manifestação de


dois ou mais órgãos, sejam eles singulares ou colegiados, cuja
vontade se funde para formar um único ato.

(D) Alvará é o instrumento pelo qual a Administração Pública confere


licença ou autorização para a prática de ato ou exercício de atividade
sujeitos ao poder de
polícia do Estado.

(E) Sendo o motivo pressuposto de fato e de direito que serve de


fundamento ao ato administrativo, a sua ausência ou a indicação de
motivo falso invalidam o ato.

16. (FCC/TJ-PI/Analista/2009) Em tema de atributos dos atos


administrativos, considere:

I. Legitimidade é atributo segundo o qual o ato administrativo se


impõe ao particular, independentemente de sua concordância.

II. Depois de editado o ato, ele produz seus efeitos como se válido
fosse até a impugnação administrativa ou jurisdicional.

III. Autoexecutoriedade significa que a Administração Pública pode


executar suas decisões, com coercitividade, desde que submeta o ato
previamente ao Poder Judiciário.

É correto o que consta APENAS em

(A) I.

(B) II.

(C) I e II.

(D) II e III.

(E) I e III.

17. (FCC/TJ-PI/Analista/2009) Quanto aos requisitos de validade


do ato administrativo, considere:

I. O conteúdo do ato corresponde ao seu efeito jurídico.

II. O objeto do ato deve ser formal, motivado, lícito ou ilícito, possível
e determinado.
59

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

III. Motivo é o pressuposto de fato e de direito que autoriza a


Administração a praticar um ato administrativo.

IV. Sujeito é o agente público ou particular que possui competência


para praticar o ato de administração.

É correto o que consta APENAS em

(A) I e IV.

(B) III e IV.

(C) I e III.

(D) II e III.

(E) II e IV.

18. (FCC/TJ-PI/Analista/2009) Espécie de ato administrativo da


competência exclusiva dos Chefes do Executivo, destinado a prover
situações gerais ou individuais, abstratamente previstas de modo
expresso, explícito ou implícito, pela legislação. Trata-se de

(A) resolução.

(B) regulamento.

(C) provimento.

(D) instrução normativa.

(E) decreto.

19. (FCC/TCE-AL/Procurador/2008) Dizer que determinado ato


administrativo é discricionário equivale a afirmar que se

(A) trata de ato praticado conforme juízo de oportunidade e


conveniência do administrador, inadmitindo controle de legalidade
pelo Poder Judiciário.

(B) trata de ato praticado em decorrência de escolha de oportunidade


e conveniência do administrador diante de duas ou mais soluções
possíveis dentro do contexto de legalidade.
60

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

(C) trata de ato praticado em decorrência de determinação legal, não


havendo possibilidade de escolha por parte do administrador, o que
possibilita o controle judicial em relação a todos os aspectos.

(D) está diante de opção do administrador de praticar ou não o ato, o


que autoriza, como garantia ao administrado, controle de mérito da
opção pelo Poder Judiciário.

(E) está diante de ato praticado conforme juízo de oportunidade e


conveniência do administrador apenas diante das opções
expressamente previstas em lei, o que, portanto, possibilita controle
de legalidade pelo Poder Judiciário.

20. (FCC/MPE-SE/Analista/2009) A Administração Pública pode


editar atos administrativos e cumprir suas determinações sem
necessidade de oitiva ou autorização prévia do Poder Judiciário ou de
qualquer outra autoridade. Tem-se aí a definição de um dos atributos
do ato administrativo, consistente na

(A) autoexecutoriedade.

(B) insindicabilidade.

(C) inexorabilidade de seus efeitos.

(D) inafastabilidade do controle jurisdicional.

(E) presunção de legitimidade.

21. (FCC/PGE-RJ/Técnico/2009) Quando a lei estabelece a única


solução possível diante de determinada situação de fato, fixando
todos os requisitos, cuja existência a Administração deve limitar-se a
constatar, sem qualquer margem de apreciação subjetiva, estamos
diante de atos administrativos

(A) complexos.

(B) de gestão.

(C) vinculados.

(D) discricionários.

(E) de expediente.
61

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

22. (FCC/SEFAZ-SP/Fiscal/2009) Sobre validade dos atos


administrativos, considere:

I. Nos atos discricionários, será razão de invalidade a falta de


correlação lógica entre o motivo e o conteúdo do ato, tendo em vista
sua finalidade.

II. A indicação de motivos falsos para a prática do ato, mesmo para


os casos em que a lei não exija sua motivação, implica a invalidade
do ato.

III. A Administração poderá convalidar seus atos inválidos quando a


invalidade decorrer de vício de competência, desde que a
convalidação seja feita pela autoridade titulada para a prática do ato
e não se trate de competência indelegável.

Está correto o que se afirma em

(A) III, apenas.

(B) II e III, apenas.

(C) I e III, apenas.

(D) I, II e III.

(E) I e II, apenas.

23. (FCC/TJ-AP/Analista/2009) É elemento estranho a um rol de


atos administrativos de caráter normativo

(A) decreto.

(B) portaria.

(C) resolução.

(D) decreto-lei.

(E) instrução normativa.

24. (FCC/TJ-AP/Analista/2009) Nos termos da legislação federal


aplicável à matéria dos atos administrativos,
62

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

(A) a Administração deve revogar seus próprios atos, quando eivados


de vício de legalidade, e pode anulá-los por motivo de conveniência
ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos.

(B) apenas ao Judiciário compete anular atos da Administração,


quando eivados de vício de legalidade, cabendo à própria
Administração revogá-los por
motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos
adquiridos.

(C) a Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados


de vício de legalidade, e pode revogá-los por motivo de conveniência
ou oportunidade, posto que deles não decorrem direitos adquiridos.

(D) a Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados


de vício de legalidade, e pode revogá-los por motivo de conveniência
ou oportunidade,
respeitados os direitos adquiridos.

(E) a própria Administração ou o Judiciário devem revogar atos da


Administração, por motivo de conveniência ou oportunidade,
competindo apenas ao Judiciário anulá-los por vício de legalidade,
situação em que deles não decorrem direitos adquiridos.

25. (FCC/TJ-AP/Analista/2009) A situação na qual a matéria de


fato ou de direito, em que se fundamenta o ato administrativo, é
materialmente inexistente ou juridicamente inadequada ao resultado
obtido caracteriza o vício dito pela Lei

(A) ilegalidade do objeto.

(B) desvio de finalidade.

(C) desvio de poder.

(D) inexistência dos motivos.

(E) ausência de motivação.

26. (FCC/TJ-AP/Técnico/2009) Suponha que um servidor público


pratique um ato, de boa-fé, fundamentando tal ato na ocorrência de
um fato, fato esse que, posteriormente, se comprove não ter
existido. Essa situação caracteriza o que a lei chama de

(A) desvio de finalidade, que constitui um vício do ato administrativo.


63

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

(B) inexistência dos motivos, que constitui um vício do ato


administrativo.

(C) ilegalidade do objeto, que constitui um vício do ato


administrativo.

(D) incompetência, que não necessariamente constitui um vício do


ato administrativo.

(E) falta de motivação, que não necessariamente constitui um vício


do ato administrativo.

27. (FCC/TJ-PA/Técnico/2009) A anulação e a revogação do ato


administrativo sujeitam-se às seguintes regras:

(A) A anulação do ato administrativo não pode ser decretada se o ato


for vinculado.

(B) A revogação do ato administrativo produz efeito ex tunc; a


anulação efeito ex nunc.

(C) Revogação é a supressão de um ato administrativo por ser


ilegítimo e ilegal.

(D) Todo e qualquer ato administrativo pode ser revogado.

(E) Ato administrativo emanado do Poder Executivo pode ser anulado


pela própria Administração, de ofício ou a requerimento do
interessado, ou pelo Poder Judiciário, nesta última hipótese.

28. (FCC/TJ-SE/Analista/2009) A convalidação do ato


administrativo

(A) é sempre possível quando o vício diz respeito à forma.

(B) não é possível se o vício decorre de incompetência do agente que


o praticou.

(C) pode ocorrer se o vício recair sobre o motivo e à finalidade.

(D) é admitida nas hipóteses de incompetência em razão da matéria.

(E) é a supressão do vício existente em ato ilegal, com efeitos


retroativos à data em que este foi praticado.
64

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

29. (FCC/TJ-SE/Técnico/2009) A anulação do ato administrativo


emanado do Poder Executivo pode ser feita

(A) unicamente por provocação do interessado.

(B) pelo Ministério Público.

(C) pelo Poder Legislativo.

(D) quando não for mais conveniente ou oportuna a sua manutenção.

(E) pela própria Administração ou pelo Poder Judiciário.

30. (FCC/TRE-PI/Técnico/2009) A presunção de legitimidade,


como atributo do ato administrativo,

(A) diz respeito à conformidade do ato com a lei.

(B) é absoluta, não podendo ser contestada.

(C) está presente apenas em alguns atos administrativos.

(D) pode, por ser relativa, ser afastada ex officio pelo Poder
Judiciário.

(E) pode ser contestada somente no âmbito administrativo.

31. (FCC/TRE-PI/Técnico/2009) A competência, como um dos


requisitos do ato administrativo, é

(A) transferível.

(B) renunciável.

(C) de exercício obrigatório para órgãos e agentes públicos.

(D) modificável por vontade do agente.

(E) prescritível.

32. (FCC/TRE-PE/Analista/2011) A “aprovação” é exemplo de ato


administrativo

65

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

a) ordinatório.

b) normativo.

c) negocial.

d) enunciativo.

e) geral.

33. (FCC/TRE-PE/Técnico/2011) Analise o seguinte atributo do


ato administrativo:

O atributo pelo qual o ato administrativo deve corresponder


a figuras definidas previamente pela lei como aptas a
produzir determinados resultados. Para cada finalidade
que a Administração pretende alcançar existe um ato
definido em lei. (Maria Sylvia Zanello Di Pietro, Direito
Administrativo)

Trata-se da

a) Presunção de Legitimidade.

b) Tipicidade.

c) Imperatividade.

d) Autoexecutoriedade.

e) Presunção de Veracidade.

34. (FCC/TRT-20/Analista/2011) A Administração Pública, no


exercício de seu poder de polícia, aplicou multa a munícipe por
infração ao ordenamento jurídico. Não ocorrendo o pagamento
espontaneamente pelo administrado, a Administração decide praticar
imediatamente e, de forma direta, atos de execução, objetivando o
recebimento do valor. A conduta da Administração Pública

a) está correta, tendo em vista o atributo da coercibilidade presente


nos atos de polícia administrativa.

66

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

b) não está correta, tendo em vista que nem todas as medidas de


polícia administrativa têm a característica da autoexecutoriedade.

c) está correta, tendo em vista o atributo da imperatividade existente


nos atos de polícia administrativa.

d) não está correta, tendo em vista que os atos de polícia


administrativa são vinculados e, portanto, inexiste discricionariedade
na atuação da Administração Pública

e) está correta, tendo em vista a prerrogativa da Administração de


praticar os atos de polícia administrativa e colocá-los em imediata
execução, sem dependência à manifestação judicial.

35. (FCC/TRT-20/Analista/2011) Os atos administrativos

a) discricionários não podem ser objeto de anulação.

b) vinculados podem ser objeto de revogação.

c) ilegais não podem ser objeto de convalidação.

d) ilegais não podem ser objeto de revogação.

e) vinculados não podem ser objeto de anulação.

36. (FCC/TRT-20/Técnico/2011) Sobre os atos administrativos


analise as seguintes assertivas:

I. Convalidação é o ato jurídico que sana vício de ato administrativo


antecedente de tal modo que este passa a ser considerado como
válido desde o seu nascimento.

II. A Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados


de vícios que os tornem ilegais, porque deles não se originam
direitos; ou revogá-los por motivos de conveniência e oportunidade,
respeitados os direitos adquiridos e ressalvadas em todos os casos, a
apreciação judicial.

III. Revogação é o ato administrativo discricionário pelo qual a


Administração extingue um ato válido, por razões de oportunidade e
conveniência, e terá efeitos ex tunc.

Está correto o que se afirma APENAS em

a) I e II.

67

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

b) I e III.

c) II.

d) II e III.

e) III.

37. (FCC/TRT-1/Técnico/2011) Dentre outras hipóteses, constitui


barreira à convalidação do ato administrativo:

a) pequena irregularidade constante do ato administrativo, que não


comprometa sua compreensão, como por exemplo, singelo erro de
grafia.

b) vício no elemento “forma” do ato administrativo, que não seja


essencial à validade do ato.

c) a impugnação de qualquer administrado, inclusive do que não for


interessado no ato viciado.

d) o decurso do tempo, isto é, a ocorrência da prescrição.

e) vício sanável em determinado ato administrativo, como por


exemplo, vício de competência, quando não outorgada com
exclusividade.

38. (FCC/TRE-AP/Analista/2011) Analise as seguintes assertivas


sobre os requisitos dos atos administrativos:

I. O objeto do ato administrativo é o efeito jurídico imediato que o


ato produz.

II. Quando a Administração motiva o ato, mesmo que a lei não exija
a motivação, ele só será válido, se os motivos forem verdadeiros.

III. O requisito finalidade antecede à prática do ato.

Está correto o que se afirma em

a) III, somente.

b) I e II, somente.

c) I e III, somente.

68

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

d) II e III, somente.

e) I, II e III.

39. (FCC/TRE-AP/Técnico/2011) Considere a seguinte hipótese:


o município desapropria um imóvel de propriedade de desafeto do
Chefe do Executivo com o fim predeterminado de prejudicá-lo. O
exemplo narrado

a) caracteriza hipótese de vício no objeto do ato administrativo.

b) corresponde a vício de forma do ato administrativo.

c) corresponde a vício no motivo do ato administrativo.

d) corresponde a desvio de finalidade.

e) não caracteriza qualquer vício nos requisitos dos atos


administrativos, haja vista a competência discricionária do Poder
Público.

40. (FCC/TRE-AP/Técnico/2011) O regimento é ato


administrativo

a) ordinatório.

b) normativo.

c) enunciativo.

d) negocial.

e) punitivo.

41. (FCC/TRE-AP/Analista/2011) Considere as seguintes


assertivas sobre o requisito objeto dos atos administrativos:

I. é sempre vinculado.

II. significa o objetivo imediato da vontade exteriorizada pelo ato.

III. na licença para construção, o objeto consiste em permitir que o


interessado possa edificar de forma legítima.

IV. como no direito privado, o objeto do ato administrativo deve ser


sempre lícito, possível, certo e moral.

69

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

Está correto o que se afirma SOMENTE em

a) II, III e IV.

b) IV.

c) I e IV.

d) I, II e III.

e) I e II.

42. (FCC/TRT-1/Técnico/2011) João, servidor público federal,


sofreu punição sumária sem que se tenha instaurado o necessário
processo administrativo disciplinar com a garantia da ampla defesa e
do contraditório

a) representa irregularidade, passível de revogação do ato


administrativo de punição.

b) apresenta vício substancial, ligado ao mérito do processo


administrativo.

c) constitui exemplo de ato administrativo com vício de forma.

d) apesar de viciada, não acarreta o retorno do servidor ao status


quo ante.

e) constitui exemplo de ato administrativo com vício de objeto.

43. (FCC/TRT-23/Analista/2011) No que concerne ao requisito


competência dos atos administrativos, é correto afirmar que

a) admite, como regra, a avocação, pois o superior hierárquico


sempre poderá praticar ato de competência do seu inferior.

b) não admite, em qualquer hipótese, convalidação.

c) se contiver vício de excesso de poder, ensejará a revogação do ato


administrativo.

d) é sempre vinculado.

e) não admite, em qualquer hipótese, delegação.

70

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

44. (FCC/TRT-23/Analista/2011) No que se refere à anulação,


revogação e convalidação do ato administrativo pela Administração
Pública, é correto afirmar que

a) o ato administrativo produzido com vício relativo à finalidade é


passível de convalidação pela Administração.

b) a revogação do ato administrativo é o ato discricionário pelo qual a


Administração extingue um ato inválido, por razões de conveniência e
oportunidade.

c) a anulação do ato administrativo é o desfazimento do ato


administrativo por razões de ilegalidade.

d) a convalidação é o ato administrativo pelo qual é suprido vício


existente em um ato ilegal, produzindo efeitos ex nunc.

e) a revogação do ato administrativo poderá atingir os atos


discricionários, bem como aqueles que já exauriram seus efeitos.

45. (FCC/TJ-AP/Titular de Serviços de Notas e


Registros/2011) No que se refere à revogação e à invalidação dos
atos administrativos,

a) a Administração Pública poderá invalidar seus atos administrativos,


por razões de ilegalidade, produzindo, de regra, efeitos ex nunc.

b) o Poder Judiciário poderá revogar atos administrativos, por razões


de ilegalidade, produzindo efeitos ex nunc.

c) a Administração Pública, de regra, poderá revogar atos


administrativos discricionários, por razões de conveniência e
oportunidade, produzindo efeitos ex nunc.

d) a Administração Pública poderá invalidar seus atos administrativos


de ofício, por razões de mérito, produzindo efeitos ex tunc.

e) o Poder Judiciário não poderá invalidar atos administrativos


discricionários, eis que estes estão sujeitos exclusivamente à
autotutela.

46. (FCC/TRT-14/Analista/2011) Considere a seguinte hipótese:


a Administração Pública aplicou pena de suspensão a determinado
servidor, quando, pela lei, era aplicável a sanção de repreensão. O
fato narrado caracteriza

71

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

a) vício na finalidade do ato administrativo e acarretará sua


revogação.

b) ato lícito, tendo em vista o poder discricionário da Administração


Pública.

c) vício no objeto do ato administrativo e acarretará sua anulação.

d) vício no motivo do ato administrativo, porém não necessariamente


constitui fundamento para sua invalidação.

e) mera irregularidade formal, não constituindo motivo para sua


anulação.

47. (FCC/TRT-14/Analista/2011) A Constituição Federal define as


matérias de competência privativa do Presidente da República e
permite que ele delegue algumas dessas atribuições aos Ministros de
Estado, ao Procurador-Geral da República ou ao Advogado Geral da
União. Se estas autoridades praticarem um desses atos, sem que
haja a necessária delegação,

a) não haverá qualquer vício nos atos administrativos praticados.

b) haverá vício de formalidade, que não admite ser sanado.

c) haverá vício de incompetência que, na hipótese, admite


convalidação.

d) o Presidente da República poderá revogá-los, tendo em vista o


vício existente em tais atos.

e) haverá vício de conteúdo, portanto, os atos praticados devem


obrigatoriamente ser anulados.

48. (FCC/TRE-RN/Analista/2011) Quanto às espécies de atos


administrativos, é correto afirmar:

a) Certidões e Atestados são atos administrativos classificados como


constitutivos, pois seu conteúdo constitui determinado fato jurídico.

b) Autorização é ato declaratório de direito preexistente, enquanto


licença é ato constitutivo.

c) Admissão é ato unilateral e discricionário pelo qual a Administração


reconhece ao particular o direito à prestação de um serviço público.

72

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

d) Licença é ato administrativo unilateral e vinculado, enquanto


autorização é ato administrativo unilateral e discricionário.

e) Permissão, em sentido amplo, designa ato administrativo


discricionário e precário, pelo qual a Administração, sempre de forma
onerosa, faculta ao particular a execução de serviço público ou a
utilização privativa de bem público.

49. (FCC/TRF-1/Analista/2011) A anulação do ato administrativo

a) não pode ser decretada pela Administração Pública.

b) pressupõe um ato legal.

c) produz efeitos ex nunc.

d) ocorre por razões de conveniência e oportunidade.

e) pode, em casos excepcionais, não ser decretada, em prol do


princípio da segurança jurídica.

50. (FCC/TRE-RN/Técnico/2011) Nos atos administrativos:

a) a imperatividade é um atributo que existe em todos os atos


administrativos.

b) a invalidação é o desfazimento de um ato administrativo, e nem


sempre ocorre por razões de ilegalidade.

c) o motivo e a finalidade são requisitos sempre vinculados dos atos


administrativos.

d) a Administração pode autoexecutar suas decisões, empregando


meios diretos de coerção, utilizando-se inclusive da força.

e) a invalidação dos atos administrativos opera efeitos ex nunc.

Essa foi a nossa aula de hoje!

Até a próxima e bons estudos!

Profa. Patrícia Carla

(@profapatricia)

73

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

Gabarito

1 D 11 A 21 C 31 C 41 A

2 A 12 A 22 D 32 C 42 C

3 A 13 A 23 D 33 B 43 D

4 E 14 E 24 D 34 B 44 C

5 C 15 B 25 D 35 D 45 C

6 A 16 C 26 B 36 A 46 C

7 A 17 C 27 E 37 D 47 C

8 D 18 E 28 E 38 B 48 D

9 B 19 B 29 E 39 D 49 E

10 A 20 A 30 A 40 B 50 D

74

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

Questões Comentadas

1. (FCC/TRE-AC/Técnico/2010) É atributo do ato administrativo,


dentre outros,

(A) a competência.

(B) a forma.

(C) a finalidade.

(D) a autoexecutoriedade.

(E) o objeto.

Resposta: D

Comentários:

A questão diz o seguinte:

É atributo do ato administrativo, dentre outros,

(A) a competência.

Errado! É elemento.

(B) a forma.

Errado! É elemento.

(C) a finalidade.

Errado! É elemento.

(D) a autoexecutoriedade.

Correto!!
75

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

(E) o objeto.

Errado! É elemento.

Portanto, correta a letra D.

2. (FCC/TRE-AC/Técnico/2010) Sobre a anulação do ato


administrativo, considere:

I. A anulação é a declaração de invalidação de um ato administrativo


ilegítimo ou ilegal, feita pela própria Administração ou pelo Poder
Judiciário.

II. Em regra, a anulação dos atos administrativos vigora a partir da


data da anulação, isto é, não tem efeito retroativo.

III. A anulação feita pela Administração depende de provocação do


interessado.
Está correto o que se afirma APENAS em

(A) I.

(B) I e II.

(C) II.

(D) II e III.

(E) III.

Resposta: A

Comentários:

Sobre a anulação do ato administrativo, considere:

I. A anulação é a declaração de invalidação de um ato administrativo


ilegítimo ou ilegal, feita pela própria Administração ou pelo Poder
Judiciário.

Correto!

II. Em regra, a anulação dos atos administrativos vigora a partir da


data da anulação, isto é, não tem efeito retroativo.

76

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

Errado! Em regra a anulação do ato administrativo terá efeitos


retroativos (ex tunc). A questão disse “em regra” porque a anulação
dos atos praticados pelo funcionário de fato, desde que comprovada a
boa-fé, terá efeitos ex nunc.

III. A anulação feita pela Administração depende de provocação do


interessado.

Errado! Estudamos que a anulação tanto pode ser feita pela


Administração como pelo Poder Judiciário. Se ela for feita pela própria
Administração (dentro do seu poder de autotutela) independe de
provocação uma vez que ela tem o poder-dever de zelar pela
observância do princípio da legalidade. Se for feita pelo Poder
Judiciário ele deverá ser provocado.

Portanto, apenas a afirmação I está correta.

3. (FCC/TRE-AL/Analista/2010) A publicidade de ato


administrativo que produz conseqüências jurídicas fora do órgão que
o emite

(A) confere-lhe validade perante as partes e terceiros.

(B) é requisito de eficiência e impessoalidade.

(C) convalida o ato, ainda que irregular.

(D) é elemento formativo do ato.

(E) é sempre necessária, não sendo admitido o sigilo.

Resposta: A

Comentários:

A publicidade de ato administrativo que produz conseqüências


jurídicas fora do órgão que o emite

(A) confere-lhe validade perante as partes e terceiros.

Correto!

(B) é requisito de eficiência e impessoalidade.

Errado!

77

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

(C) convalida o ato, ainda que irregular.

Errado!

(D) é elemento formativo do ato.

Errado!

(E) é sempre necessária, não sendo admitido o sigilo.

Errado!

Portanto, correta a letra A.

4. (FCC/TRE-AL/Analista/2010) Certidões, pareceres e o


apostilamento de direitos são espécies de atos administrativos

(A) punitivos.

(B) negociais.

(C) ordinatórios.

(D) normativos.

(E) enunciativos.

Resposta: E

Comentários: Atos enunciativos: também chamados atos de


pronúncia, certificam ou atestam uma situação existente, não
contendo manifestação de vontade da Administração Pública. Ex.
certidões, pareceres, atestados.

Atos enunciativos: certificam Ex. certidões, atestados,


ou atestam uma situação pareceres técnicos, pareceres
existente normativos, apostilas

5. (FCC/TRE-AL/Técnico/2010) A autoexecutoriedade, como um


dos atributos do ato administrativo,

(A) afasta a apreciação judicial do ato.

(B) existe em todos os atos administrativos.


78

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

(C) é a qualidade do ato que dá ensejo à Administração Pública de,


direta e imediatamente, executá-lo.

(D) significa que a Administração Pública tem a possibilidade de,


unilateralmente, criar obrigações para os administrados.

(E) implica o reconhecimento de que, até prova em contrário, o ato


foi expedido com observância da lei.

Resposta: C

Comentários:

A autoexecutoriedade, como um dos atributos do ato administrativo,

(A) afasta a apreciação judicial do ato.

Errado!

(B) existe em todos os atos administrativos.

Errado! A multa, quando resistida pelo particular, não tem


autoexecutoriedade. Embora a imposição da multa pela
Administração independa de qualquer manifestação prévia do Poder
Judiciário, a execução forçada da quantia correspondente deve, sim,
ser realizada judicialmente.
OBS. Na hipótese da multa administrativa aplicada ao particular em
razão de adimplemento irregular de contrato administrativo em que
tenha havido prestação de garantia, a administração pode executar
diretamente a penalidade, sem necessidade de consentimento do
contratado, subtraindo da garantia o valor da multa (Lei nº 8666/93,
art. 80, III).

(C) é a qualidade do ato que dá ensejo à Administração Pública de,


direta e imediatamente, executá-lo.

Correto!

(D) significa que a Administração Pública tem a possibilidade de,


unilateralmente, criar obrigações para os administrados.

Errado!

(E) implica o reconhecimento de que, até prova em contrário, o ato


foi expedido com observância da lei.
79

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

Errado! Aqui é o atributo da presunção de legitimidade.

Portanto, correta a letra C.

6. (FCC/TRE-AL/Técnico/2010) Sobre atos administrativos,


considere:

I. Ato que resulta da manifestação de um órgão, mas cuja edição ou


produção de efeitos depende de outro ato, acessório.

II. Ato que resulta da manifestação de dois ou mais órgãos,


singulares ou colegiados, cuja vontade se funde para formar um
único ato.

III. Atos que a Administração impõe coercitivamente aos


administrados, criando para eles, obrigações ou restrições, de forma
unilateral.

Esses conceitos referem-se, respectivamente, aos atos

(A) compostos, complexos e de império.

(B) de império, coletivos e externos.

(C) complexos, compostos e de gestão.

(D) complexos, coletivos e individuais.

(E) compostos, externos e individuais.

Resposta: A

Comentários: Viu que fácil? Basta tentar memorizar os conceitos!


Pelo que já estudamos anteriormente, a resposta correta é a letra A.

7. (FCC/TRE-AM/Analista/2010) Sobre os atributos do ato


administrativo, é correto afirmar que

(A) a imperatividade traduz a possibilidade de a administração


pública, unilateralmente, criar obrigações para os administrados, ou
impor-lhes restrições.

(B) a presunção de legitimidade impede que o ato administrativo seja


contestado perante o Judiciário.
80

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

(C) a autoexecutoriedade está presente em todo e qualquer ato


administrativo.

(D) a imperatividade implica o reconhecimento de que, até prova em


contrário, o ato foi expedido com observância da lei.

(E) a presença da autoexecutoriedade impede a suspensão


preventiva do ato pela via judicial.

Resposta: A

Comentários:

Sobre os atributos do ato administrativo, é correto afirmar que

(A) a imperatividade traduz a possibilidade de a administração


pública, unilateralmente, criar obrigações para os administrados, ou
impor-lhes restrições.

Correto! decorre da prerrogativa que tem o Poder Público de, por


meio de atos unilaterais, impor obrigações a terceiros, é o chamado
“poder extroverso do Estado”.

A imperatividade não existe em todos os atos administrativos, mas


apenas naqueles que impõem obrigações; quando se trata de ato que
confere direitos solicitados pelo administrado (licença, autorização,
permissão, admissão) ou de ato apenas enunciativo (certidão,
atestado, parecer), esse atributo inexiste.

(B) a presunção de legitimidade impede que o ato administrativo seja


contestado perante o Judiciário.

Errado! A presunção é relativa (iuris tantum), ou seja, admite prova


em contrário. Portanto, o ato pode ser questionado perante a própria
Administração ou perante o Poder Judiciário.

(C) a autoexecutoriedade está presente em todo e qualquer ato


administrativo.

Errado! Já vimos que não é em todo ato administrativo! a multa, por


exemplo, não em autoexecutoriedade.

(D) a imperatividade implica o reconhecimento de que, até prova em


contrário, o ato foi expedido com observância da lei.

81

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

Errado! Não é a imperatividade que proporciona isso, mas o atributo


da presunção de legitimidade.

OBS. Presunção de legitimidade (diz respeito à conformidade do ato


com a lei) e presunção de veracidade (diz respeito à conformidade do
ato com os fatos).

(E) a presença da autoexecutoriedade impede a suspensão


preventiva do ato pela via judicial.

Errado! A autoexecutoriedade dos atos administrativos apenas


permite sua implementação material direta pela Administração, mas,
sempre que o administrado entenda haver desvio ou excesso de
poder, ou quaisquer outras ilegalidades, pode exercer seu direito
inafastável de buscar a tutela jurisdicional. O Poder Judiciário, se
considerar pertinentes as alegações do particular, poderá declarar a
nulidade dos atos praticados, ou, se provocado preventivamente,
sustar a sua edição, em caráter cautelar ou definitivo.

8. (FCC/TRT8/Analista/2010) A qualidade do ato administrativo


que permite à Administração executá-lo direta e imediatamente, sem
necessidade de intervenção do Poder Judiciário, é o atributo
denominado

(A) imperatividade.

(B) presunção de legitimidade.

(C) tipicidade.

(D) autoexecutoriedade.

(E) veracidade.

Resposta: D

Comentários: Fácil? Resposta letra D! Tais atos são os que podem


ser materialmente implementados pela Administração, diretamente,
inclusive mediante o uso da força, se necessária, sem que a
Administração precise obter autorização judicial prévia.

9. (FCC/TRT8/Analista/2010) A liberdade de escolha quanto à


oportunidade e conveniência do ato administrativo praticado nos
limites da lei insere-se no âmbito da

(A) arbitrariedade.
82

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

(B) discricionariedade.

(C) vinculação.

(D) imperatividade.

(E) regulamentação.

Resposta: B

Comentários:

No ato vinculado a lei estabelece todos os contornos do ato,


como deve ser feito, quando, por quem etc, não deixando ao
agente qualquer grau de liberdade. Cumpridos todos os requisitos
legais, a Administração Pública não pode deixar de conceder a
aposentadoria a quem de direito, ou a licença para construir;
Já no ato discricionário a lei também estabelece uma série de regras
para a prática de um ato, mas deixa certo grau de liberdade à
autoridade, que poderá optar por um entre vários caminhos
igualmente válidos. Há uma avaliação subjetiva prévia à edição do
ato, como os que permitem o uso de bem público, permitindo a
instalação de uma banca de revistas na calçada. Segundo o STF, “a
autoridade administrativa está autorizada a praticar atos
discricionários apenas quando norma jurídica válida
expressamente a ela atribuir essa livre atuação”.
Os atos discricionários podem ter o objeto e o motivo avaliados,
valorados, dentro dos limites legais, pela autoridade responsável por
sua prática.
De maneira diversa, nos atos vinculados, todos os elementos são
previstos expressamente na lei, não deixando margem de manobra
ao agente.
Qualquer que seja o ato, vinculado ou discricionário, a competência,
finalidade e forma sempre são de observância obrigatória,
distinguindo-se um do outro apenas pelo motivo e objeto.
A lei sempre vai estabelecer, de forma expressa ou não, alguns
limites, dentro dos quais o agente pode atuar livremente. Fora desses
limites, mesmo nos atos discricionários, seu ato estará eivado do

83

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

vício de excesso de poder. Assim, diz-se que não existe ato


puramente discricionário.
É aí que surge a distinção entre os dois tipos de atos é o que se
denomina de mérito administrativo: verificação do motivo e do
objeto, em atenção à oportunidade e conveniência da prática do
ato de uma ou outra maneira.
No ato vinculado não existe verificação do mérito, pois a lei já
esgotou as regras para sua prática, não cabendo ao agente escolha
ou verificação da oportunidade e da conveniência da prática daquele
ato.
Para Hely Lopes Meirelles, o mérito administrativo está “na valoração
dos motivos e na escolha do objeto do ato, feitas pela Administração
incumbida de sua prática, quando autorizada a decidir sobre a
conveniência, oportunidade e justiça do ato a realizar”.
Vamos memorizar:

MÉRITO ADMINISTRATIVO = CONVENIÊNCIA +


OPORTUNIDADE

Teoria dos motivos determinantes: Nos chamados atos


discricionários, os requisitos relativos aos motivos e ao objeto são
valorados pelo responsável pela prática do ato. Os demais requisitos
(competência, finalidade e forma) são sempre vinculados.
Motivos são os pressupostos de fato e de direito que justificam o
ato.
Motivação é a manifestação expressa, indicando os motivos que
levaram ao ato.
Para o efetivo exercício do controle, tanto popular quanto judicial, dos
atos praticados pela Administração Pública, fundamental que se
saibam os motivos que os embasam, sejam eles vinculados ou
discricionários.
Seguindo essa corrente mais atual, como regra geral, todos os atos
devem ser motivados. As poucas exceções dizem respeito a alguns
atos discricionários.
No entanto, mesmo naqueles em que a motivação não é obrigatória,
quando o motivo é expressamente declarado, atrela-se ao ato, de tal

84

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

forma que a validade desse ato dependerá da validade do


motivo externado. Seguindo a linha em comento, os motivos
alegados também vinculam o agente, que não mais poderá
alterá-los para adequar às necessidades do caso. É a Teoria dos
Motivos Determinantes: freqüente em provas!
Segundo a Teoria dos Motivos Determinantes, a Administração, ao
adotar determinados motivos para a prática de ato administrativo,
ainda que de natureza discricionária, fica a eles vinculada.
É o motivo que justifica a realização do ato. Ele sempre existe, mas
nem sempre é dito. Então, se não era obrigatória sua declaração, e
foi dito, então se agrega umbilicalmente ao ato.
Se o motivo for inexistente, o ato será também inexistente. Se for
nulo o motivo, o ato, igualmente, será nulo. Por outro lado, se o
motivo, nulo, não está formalmente declarado, o ato seguirá válido, a
não ser que contenha outro tipo de vício.
Nos atos vinculados, a motivação é sempre obrigatória. Em alguns
discricionários, não.
Porém, nestes em que a motivação não é obrigatória, uma vez feita,
não torna o ato vinculado: ele continua sendo um ato
discricionário.
A discricionariedade está em praticar o ato de uma forma ou outra,
em face dos motivos possíveis. Uma vez feita a opção por um dos
caminhos, e declarado o motivo dessa escolha, o ato passa a ter sua
existência e validade diretamente ligada a tal motivo, mas, repita-se,
a natureza do ato continua sendo discricionária, ex. os cargos em
comissão são de livre nomeação e exoneração, ou seja, a autoridade
competente pode nomear e exonerar a pessoa que melhor lhe
aprouver, posto que o cargo é de confiança, não se exigindo concurso
para sua investidura.
A nomeação para o cargo, bem assim a exoneração, são atos
administrativos discricionários, pois o agente pode nomear, ou não,
qualquer pessoa. E, pela essência do ato, não precisa motivar, ainda
que os motivos sempre existam, em qualquer ato.
Então, supondo que uma autoridade resolva dispensar um assessor
seu, investido num cargo em comissão.
Poderá fazê-lo livremente, seguindo seus próprios motivos, que,
repita-se, não precisam ser ditos. No entanto, se a autoridade

85

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

destitui tal assessor alegando necessidade de economia, o motivo


vinculará a validade do ato.
Assim, se em seguida nomear outro em seu lugar, demonstrando que
a economia não era o motivo verdadeiro, o ato estará viciado.
Mas, como a nomeação para tal cargo é livre, e a exoneração é nula,
estará a autoridade obrigada a aceitar o retorno do ex-assessor ao
seu posto? Não, em face da patente discricionariedade na escolha do
assessor. Porém, como o ato está viciado, se resolverá a questão em
perdas e danos.
Outro exemplo citado na doutrina é a concessão de férias. Se o
superior nega seu gozo num determinado mês alegando falta de
servidores, esse motivo se fixa ao ato. Provado que há excesso de
servidores, o ato negando as férias será nulo, posto que está
desencontrado o motivo da realidade.
Portanto, correta a letra B.
10. (FCC/TRT8/Analista/2010) Utilizando documentos falsos, um
cidadão consegue autorização para desenvolver atividade comercial
para a qual é obrigatória a autorização para o exercício de sua
atividade. Constatada a irregularidade e, portanto, verificada a
nulidade do ato administrativo de autorização, esse ato

(A) pode ser anulado pela própria Administração independentemente


de provocação.

(B) não pode ser anulado pela Administração se não houver pedido
de terceiros prejudicados.

(C) pode ser revogado pelo Poder Judiciário se for provocado por
qualquer cidadão.

(D) pode ser revogado pela Administração se ficar provado dolo do


funcionário responsável pela concessão da autorização.

(E) não pode ser anulado por iniciativa da Administração, que deverá
pleitear a anulação no Poder Judiciário.

Resposta: A

Comentários: Fácil!

Utilizando documentos falsos, um cidadão consegue autorização para


desenvolver atividade comercial para a qual é obrigatória a
86

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

autorização para o exercício de sua atividade. Constatada a


irregularidade e, portanto, verificada a nulidade do ato administrativo
de autorização, esse ato

(A) pode ser anulado pela própria Administração independentemente


de provocação.

Correto!

(B) não pode ser anulado pela Administração se não houver pedido
de terceiros prejudicados.

Errado! Independentemente de pedido/provocação de terceiros, a


Administração poderá anular os seus atos quando eivados de vícios
que os tornem ilegais.

(C) pode ser revogado pelo Poder Judiciário se for provocado por
qualquer cidadão.

Errado! Se o ato é ilegal, não deve ser revogado, mas anulado! Outro
erro é que o Judiciário JAMAIS revoga atos administrativos, salvo os
seus próprios atos na sua função atípica de administrar. Ex. O Poder
Judiciário faz concurso, licitação etc. aqui ele estará administrando e,
portanto, poderá revogar os seus próprios atos.

(D) pode ser revogado pela Administração se ficar provado dolo do


funcionário responsável pela concessão da autorização.

Errado! Se o ato é ilegal deve ser anulado, e não, revogado. A


anulação independe de dolo do agente que praticou o ato ilícito.

(E) não pode ser anulado por iniciativa da Administração, que deverá
pleitear a anulação no Poder Judiciário.

Errado! Jamais!! Lembre da Súmula 473, STF já estudada


anteriormente e do poder de autotutela da Administração que lhe
confere a prerrogativa de anular (quando ilegal) e de revogar
(quando legal, mas inconveniente e inoportuno) os seus próprios
atos.

Assim, correta a letra A.

11. (FCC/TRT9/Analista/2010) Analise as seguintes assertivas


acerca dos atos administrativos:

87

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

I. A competência administrativa, sendo requisito de ordem pública, é


intransferível e improrrogável pela vontade dos interessados. Pode,
entretanto, ser delegada e avocada, desde que o permitam as
normas reguladoras da Administração.

II. A forma é o revestimento que exterioriza o ato administrativo e


consiste, portanto, em requisito vinculado. Logo, a inexistência da
forma, vicia substancialmente o ato, tornando-o passível de nulidade.

III. Convalidação consiste no suprimento da invalidade de um ato


administrativo e pode derivar de ato da Administração ou de ato do
particular afetado pelo provimento viciado, sendo que, nesta
hipótese, não terá efeitos retroativos.

IV. Caso a Administração revogue várias autorizações de porte de


arma, invocando como motivo o fato de um dos autorizados ter se
envolvido em brigas, referida revogação só será válida em relação
àquele que perpetrou a situação fática geradora do resultado do ato.

Está correto o que consta APENAS em

(A) I e IV.

(B) I, III e IV.

(C) II e III.

(D) I, II e III.

(E) II e IV.

Resposta: A

Comentários:

Analise as seguintes assertivas acerca dos atos administrativos:

I. A competência administrativa, sendo requisito de ordem pública, é


intransferível e improrrogável pela vontade dos interessados. Pode,
entretanto, ser delegada e avocada, desde que o permitam as
normas reguladoras da Administração. Correta!!

88

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

COMPETÊNCIA

No Direito Administrativo não basta capacidade; é necessário


também que o sujeito tenha competência;

Decorre da lei;

É inderrogável, seja pela vontade da Administração, seja por


acordo com terceiros;

Pode ser objeto de delegação ou avocação;

1 – edição de atos de caráter


normativo;
Não é possível delegar:
(Lei nº 9.784/99, art. 13) 2 – decisão de recurso
administrativo;

3 – matéria de competência
exclusiva de órgão ou autoridade.

Corresponde ao repasse de
atribuições administrativas de
O que é delegar? responsabilidade do superior para
o subalterno (mantendo-se
aquele competente),

É Improrrogável, ou seja, o agente incompetente hoje continuará


sendo sempre, exceto por previsão legal expressa em sentido
contrário.

É Imprescritível, ou seja, ela continua a existir, independente de


seu não uso

89

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

II. A forma é o revestimento que exterioriza o ato administrativo e


consiste, portanto, em requisito vinculado. Logo, a inexistência da
forma, vicia substancialmente o ato, tornando-o passível de nulidade.

Errada! A forma é o modo através do qual se exterioriza o ato


administrativo, é seu revestimento. É elemento essencial à validade
do ato. Se não existe forma, não existe ato; se a forma não é
respeitada, o ato é nulo. A forma é discricionária quando a lei
deixar ao agente a escolha da mesma, ou seja, quando a lei não
exigir forma determinada para os atos administrativos, caberá à
Administração adotar aquela que considere mais adequada. Quando
a lei a estabelece, deve ser obedecida sempre, sob pena de,
repita-se, nulidade.
Como regra geral, os atos são escritos, mas podem ser orais, ou
então através de placas e semáforos de trânsito, sinais mímicos,
como usados pelos policiais, etc.
A motivação integra a forma do ato administrativo, a ausência de
motivação, quando esta for obrigatória, acarreta a nulidade do ato
por vício de forma.
O art. 22 da Lei nº 9.784/99, regulamentando o processo
administrativo federal, determina que “os atos do processo
administrativo não dependem de forma determinada senão quando a
lei expressamente a exigir”.
III. Convalidação consiste no suprimento da invalidade de um ato
administrativo e pode derivar de ato da Administração ou de ato do
particular afetado pelo provimento viciado, sendo que, nesta
hipótese, não terá efeitos retroativos.

Errada! A convalidação é de ato administrativo e os seus efeitos são


retroativos, ex tunc!

IV. Caso a Administração revogue várias autorizações de porte de


arma, invocando como motivo o fato de um dos autorizados ter se
envolvido em brigas, referida revogação só será válida em relação
àquele que perpetrou a situação fática geradora do resultado do ato.

Correta! A autorização é um ato discricionário, portanto, pode ser


revogado. Acaso o beneficiário da autorização não cumpra os
requisitos necessários para a sua manutenção, a mesma será
revogada uma vez que deixou de ser conveniente e oportuna para a
Administração. Claro é que, aquela revogação irá incidir apenas sobre
aquele que gerou a situação fática causadora da revogação.
90

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

Assim, correta a letra A.

12. (FCC/TRT22/Analista/2010) O atributo pelo qual os atos


administrativos se impõem a terceiros, independentemente de sua
concordância, denomina-se

(A) imperatividade.

(B) presunção de legitimidade.

(C) autoexecutoriedade.

(D) exigibilidade.

(E) tipicidade.

Resposta: A

Comentários: Como já vimos anteriormente, a imperatividade


implica que a imposição do ato independe da anuência do
administrado. Nem todos os atos administrativos possuem
imperatividade, ela não está presente por exemplo, nos atos
enunciativos, como certidões e atestados, nem nos atos negociais,
como permissões e autorizações.

Correta, portanto, a letra A.

13. (FCC/TRT22/Analista/2010) No que diz respeito ao elemento


motivo dos atos administrativos, é INCORRETO afirmar:

(A) O motivo, sempre está expresso na lei, não podendo ser deixado
ao critério do administrador.

(B) No ato de punição do funcionário, o motivo é a infração que ele


praticou.

(C) A ausência de motivo ou a indicação de motivo falso invalidam o


ato administrativo.

(D) Motivação é a exposição ou indicação dos motivos, ou seja,


demonstração por escrito dos fatos e fundamentos jurídicos do ato.

(E) Quando a Administração motiva o ato, mesmo que a lei não exija
a motivação, ele só será válido se os motivos forem verdadeiros.

91

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

Resposta: A

Comentários:

No que diz respeito ao elemento motivo dos atos administrativos, é


INCORRETO afirmar:

(A) O motivo, sempre está expresso na lei, não podendo ser deixado
ao critério do administrador.

Errado! O motivo é a circunstância de fato ou de direito que


determina ou autoriza a prática do ato. Então, é a situação fática
que justifica a realização do ato. Situação de fato é o conjunto de
circunstâncias que motivam a realização do ato; questão de direito é
a previsão legal que leva à prática do ato.
Tal componente do ato nem sempre está previsto na lei.
Quando está nela descrito, é vinculante, ou seja, o ato depende da
ocorrência da situação prevista. Em outras ocasiões, a lei defere ao
agente a avaliação da oportunidade e conveniência da prática do
ato que, nesse caso, será discricionário.
É vinculada a concessão de licença para que o servidor trate de sua
própria saúde, quando doente. Mas é discricionária a concessão de
licença para tratar de assuntos particulares, pois somente será
deferida a critério da Administração (arts. 91 e 102, VIII, b, Lei nº
8.112/90).

(B) No ato de punição do funcionário, o motivo é a infração que ele


praticou.

Correto! a infração que ele praticou é a circunstância de fato ou de


direito que determinou a sua punição, portanto, é o motivo.

(C) A ausência de motivo ou a indicação de motivo falso invalidam o


ato administrativo.

Correto! Os atos administrativos desprovidos de motivo são


nulos. A inexistência do motivo se verifica quando a matéria de fato
ou de direito em que se fundamenta o ato, é materialmente
inexistente ou juridicamente inadequada ao resultado obtido (art. 2º,
parágrafo único, d, Lei nº 4717/65). Se a Administração pune um
funcionário, mas este não praticou qualquer infração, o motivo é
inexistente; se ele praticou infração diversa, o motivo é falso.

92

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

(D) Motivação é a exposição ou indicação dos motivos, ou seja,


demonstração por escrito dos fatos e fundamentos jurídicos do ato.

Correto! O motivo não se confunde com a motivação. Esta é a série


de motivos externados que justificam a realização de determinado
ato. Assim, todo ato tem seu motivo, mas nem sempre há a
motivação que é a exteriorização dos motivos.
A motivação também é um princípio com previsão na Lei do Processo
Administrativo Federal, vejamos:

Princípio da motivação: A Administração Pública deve motivar os


seus atos, ou seja, demonstrar os motivos pelos quais está agindo
de determinada maneira, para conhecimento e garantia dos
administrados, que assim terão a possibilidade de contestar o motivo
alegado pela Administração, caso discordem do mesmo.

A Lei nº 9.784/99 trouxe de forma expressa o princípio da motivação


em seu art. 2º, segundo o qual nos processos administrativos serão
observados, entre outros, os critérios de indicação dos pressupostos
de fato e de direito que determinam a decisão.

A referida Lei em seu art. 50, § 1º, permitiu a denominada


motivação aliunde ou per relationem, segundo a qual a
concordância com fundamentos anteriores, informações,
decisões ou propostas já é considerada motivação do ato
administrativo. Opõe-se a chamada motivação contextual em que
os fundamentos de fato e de direito estão indicados no próprio
contexto do ato, não havendo remissão à motivação externa.

Dessa forma, não viola o princípio da motivação dos atos


administrativos o ato da autoridade que, ao deliberar acerca
de recurso administrativo, mantém decisão com base em
parecer de consultoria jurídica, sem maiores considerações.

É interessante lembrar que quando o administrador motiva o ato, ele


estará vinculado ao motivo, em virtude da aplicação da Teoria dos
Motivos Determinantes. De acordo com esta teoria, a
Administração tem total vinculação com os motivos que apresenta
para a prática do ato, de tal sorte que, se inexistentes os motivos, o
ato será anulado.

(E) Quando a Administração motiva o ato, mesmo que a lei não exija
a motivação, ele só será válido se os motivos forem verdadeiros.

Correto! se os motivos forem falsos o ato será anulado.


93

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

Portanto, correta a letra A.

14. (FCC/TRT22/Analista/2010) Sobre a revogação e anulação


dos atos administrativos, é correto afirmar que:

(A) a revogação pode ser feita pelo Judiciário e pela própria


Administração, mas a anulação compete apenas ao Poder Judiciário.

(B) a revogação atinge um ato administrativo não editado em


conformidade com a lei.

(C) a revogação opera efeitos ex tunc, enquanto a anulação produz


efeitos ex nunc.

(D) a revogação poderá ocorrer mesmo se o ato administrativo já


produziu seus efeitos.

(E) não podem ser revogados os atos que geram direitos adquiridos.

Resposta: E

Comentários:

Sobre a revogação e anulação dos atos administrativos, é correto


afirmar que:

(A) a revogação pode ser feita pelo Judiciário e pela própria


Administração, mas a anulação compete apenas ao Poder Judiciário.

Errado! A revogação pode ser feita apenas pela Administração, já a


anulação pela Administração ou pelo Poder Judiciário.

(B) a revogação atinge um ato administrativo não editado em


conformidade com a lei.

Errado! Se o ato não foi editado em conformidade com a lei ele é


considerado ilegal e, portanto, deverá ser anulado.

(C) a revogação opera efeitos ex tunc, enquanto a anulação produz


efeitos ex nunc.

Errado! É exatamente o contrário:

Anulação – efeitos ex tunc


94

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

Revogação – efeitos ex nunc (não retroage)

(D) a revogação poderá ocorrer mesmo se o ato administrativo já


produziu seus efeitos.

Errado! Ato que já produziu os seus efeitos não pode ser revogado.

Então fica a sua dúvida: “nossa, será que a Administração pode


revogar todo e qualquer ato administrativo?” não, meu querido aluno,
não pode.

Quais são os atos então que a Administração fica impossibilitada de


revogar?

Atos que não podem ser revogados:

1. Os atos vinculados porque neles não há oportunidade e


conveniência;

2. Os atos que já exauriram os seus efeitos; como a revogação


não retroage (ex nunc), as apenas impede que o ato continue a
produzir efeitos, se o ato já exauriu, não há mais que falar em
revogação;

3. A revogação não pode ser feita quando já se exauriu a


competência relativamente ao objeto do ato, ou seja, quando a
autoridade que praticou o ato deixou de ser competente para
revogá-lo;

4. A revogação não pode atingir meros atos administrativos (ex.


certidões, atestados, votos) porque os efeitos deles decorrentes
são estabelecidos pela lei;

5. Não podem ser revogados atos que integram um procedimento,


pois a cada novo ocorre a preclusão com relação ao ato
anterior;

6. Não podem ser revogados os atos que geram direitos


adquiridos, conforme está expresso na Súmula nº 473, STF.

(E) não podem ser revogados os atos que geram direitos adquiridos.
95

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

Correto!

Vamos memorizar?

ANULAÇÃO REVOGAÇÃO

Quando anula? Quando o ato Quando revoga? Quando o ato


for ilegal for legal, mas inoportuno e
inconveniente

Quem anula? A própria Quem revoga? A própria


Administração (Poder de Administração (Poder de
Autotutela; Súmula 473, STF; Autotutela; Súmula 473, STF;
independentemente de independentemente de
provocação) e o Poder Judiciário provocação). Judiciário revoga
(desde que provocado) apenas os seus próprios atos na
sua função atípica de
administrar, ele não pode
revogar atos dos outros Poderes.

Efeitos? Ex tunc (retroage) Efeitos? Ex nunc (não retroage)

Tem prazo? 05 anos Tem prazo? Não há prazo


decadencial, a contar da data em temporal, porém alguns atos não
que o ato foi praticado (art. 54, admitem revogação, são eles:
Lei nº 9784/99):
1. Os atos vinculados
porque neles não há
Art. 54. O direito da oportunidade e
Administração de anular os atos conveniência;
administrativos de que decorram
efeitos favoráveis para os 2. Os atos que já exauriram
destinatários decai em cinco os seus efeitos; como a
anos, contados da data em revogação não retroage (ex
que foram praticados, salvo nunc), as apenas impede
comprovada má-fé. que o ato continue a
produzir efeitos, se o ato já
o
§ 1 No caso de efeitos exauriu, não há mais que
patrimoniais contínuos, o falar em revogação;
prazo de decadência contar-se-á
96

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

da percepção do primeiro
pagamento.
3. A revogação não pode ser
feita quando já se
exauriu a competência
relativamente ao objeto
do ato, ou seja, quando a
autoridade que praticou o
ato deixou de ser
competente para revogá-
lo;

4. A revogação não pode


atingir meros atos
administrativos (ex.
certidões, atestados, votos)
porque os efeitos deles
decorrentes são
estabelecidos pela lei;

5. Não podem ser revogados


atos que integram um
procedimento, pois a
cada novo ocorre a
preclusão com relação ao
ato anterior;

6. Não podem ser revogados


os atos que geram
direitos adquiridos,
conforme está expresso na
Súmula nº 473, STF.

15. (FCC/TJ-PI/Analista/2009) Quanto aos Atos Administrativos,


é INCORRETO afirmar:

(A) Dentre os seus atributos, destaca-se o da autoexecutoriedade


pelo qual pode ser posto em execução pela própria Administração
Pública, sem necessidade de intervenção do Poder Judiciário.

97

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

(B) Permissão é o ato administrativo bilateral, vinculado e oneroso,


pelo qual é facultado ao particular a contratação de bem ou serviço
público.

(C) Complexo é o ato administrativo que resulta da manifestação de


dois ou mais órgãos, sejam eles singulares ou colegiados, cuja
vontade se funde para formar um único ato.

(D) Alvará é o instrumento pelo qual a Administração Pública confere


licença ou autorização para a prática de ato ou exercício de atividade
sujeitos ao poder de
polícia do Estado.

(E) Sendo o motivo pressuposto de fato e de direito que serve de


fundamento ao ato administrativo, a sua ausência ou a indicação de
motivo falso invalidam o ato.

Resposta: B

Comentários:

Quanto aos Atos Administrativos, é INCORRETO afirmar:

(A) Dentre os seus atributos, destaca-se o da autoexecutoriedade


pelo qual pode ser posto em execução pela própria Administração
Pública, sem necessidade de intervenção do Poder Judiciário.

Correto!

(B) Permissão é o ato administrativo bilateral, vinculado e oneroso,


pelo qual é facultado ao particular a contratação de bem ou serviço
público.

Errado! Permissão é ato administrativo unilateral, discricionário e


precário, gratuito ou oneroso, pelo qual a Administração faculta ao
particular a execução de serviço público ou a utilização privativa de
bem público.

(C) Complexo é o ato administrativo que resulta da manifestação de


dois ou mais órgãos, sejam eles singulares ou colegiados, cuja
vontade se funde para formar um único ato.

Correto! ex. aposentadoria de servidor público.

98

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

(D) Alvará é o instrumento pelo qual a Administração Pública confere


licença ou autorização para a prática de ato ou exercício de atividade
sujeitos ao poder de
polícia do Estado.

Correto! ex. a construção de um edifício em determinado terreno é


uma licença concedida por meio de um alvará.

(E) Sendo o motivo pressuposto de fato e de direito que serve de


fundamento ao ato administrativo, a sua ausência ou a indicação de
motivo falso invalidam o ato.

Correto! conforme já estudado anteriormente.

16. (FCC/TJ-PI/Analista/2009) Em tema de atributos dos atos


administrativos, considere:

I. Legitimidade é atributo segundo o qual o ato administrativo se


impõe ao particular, independentemente de sua concordância.

II. Depois de editado o ato, ele produz seus efeitos como se válido
fosse até a impugnação administrativa ou jurisdicional.

III. Autoexecutoriedade significa que a Administração Pública pode


executar suas decisões, com coercitividade, desde que submeta o ato
previamente ao Poder Judiciário.

É correto o que consta APENAS em

(A) I.

(B) II.

(C) I e II.

(D) II e III.

(E) I e III.

Resposta: B

Comentários:

I. Legitimidade é atributo segundo o qual o ato administrativo se


impõe ao particular, independentemente de sua concordância.
99

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

Errado! O correto seria dizer imperatividade.

II. Depois de editado o ato, ele produz seus efeitos como se válido
fosse até a impugnação administrativa ou jurisdicional.

Correto! é uma conseqüência do atributo da presunção de


legitimidade.

III. Autoexecutoriedade significa que a Administração Pública pode


executar suas decisões, com coercitividade, desde que submeta o ato
previamente ao Poder Judiciário.

Errado! Ao contrário, ela executa suas decisões independentemente


de autorização do Poder Judiciário.

17. (FCC/TJ-PI/Analista/2009) Quanto aos requisitos de validade


do ato administrativo, considere:

I. O conteúdo do ato corresponde ao seu efeito jurídico.

II. O objeto do ato deve ser formal, motivado, lícito ou ilícito, possível
e determinado.

III. Motivo é o pressuposto de fato e de direito que autoriza a


Administração a praticar um ato administrativo.

IV. Sujeito é o agente público ou particular que possui competência


para praticar o ato de administração.

É correto o que consta APENAS em

(A) I e IV.

(B) III e IV.

(C) I e III.

(D) II e III.

(E) II e IV.

Resposta: C

Comentários:

100

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

Quanto aos requisitos de validade do ato administrativo, considere:

I. O conteúdo do ato corresponde ao seu efeito jurídico.

Correto! Objeto é o conteúdo do ato, o efeito jurídico imediato que o


ato produz. É através dele que a Administração exerce seu poder,
concede um benefício, aplica uma sanção, declara sua vontade ou um
direito ao administrado etc.

II. O objeto do ato deve ser formal, motivado, lícito ou ilícito, possível
e determinado.
Errado! O objeto deve ser lícito.

III. Motivo é o pressuposto de fato e de direito que autoriza a


Administração a praticar um ato administrativo.

Correto! Motivos são os pressupostos de fato e de direito que


justificam o ato, já a motivação é a manifestação expressa,
indicando os motivos que levaram ao ato.

IV. Sujeito é o agente público ou particular que possui competência


para praticar o ato de administração.

Errado! Sujeito é a capacidade, atribuída pela lei, do agente público


para o exercício de seu mister. Como comentado, é sempre
vinculado. Então, qualquer ato, mesmo o discricionário, só pode ser
produzido pela pessoa competente. Essa competência, repita-se, é
prevista na lei, e atribuída ao cargo.

18. (FCC/TJ-PI/Analista/2009) Espécie de ato administrativo da


competência exclusiva dos Chefes do Executivo, destinado a prover
situações gerais ou individuais, abstratamente previstas de modo
expresso, explícito ou implícito, pela legislação. Trata-se de

(A) resolução.

(B) regulamento.

(C) provimento.

(D) instrução normativa.

101

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

(E) decreto.

Resposta: E

Comentários: Conforme já estudado na questão de nº 04, resposta


letra E.

19. (FCC/TCE-AL/Procurador/2008) Dizer que determinado ato


administrativo é discricionário equivale a afirmar que se

(A) trata de ato praticado conforme juízo de oportunidade e


conveniência do administrador, inadmitindo controle de legalidade
pelo Poder Judiciário.

(B) trata de ato praticado em decorrência de escolha de oportunidade


e conveniência do administrador diante de duas ou mais soluções
possíveis dentro do contexto de legalidade.

(C) trata de ato praticado em decorrência de determinação legal, não


havendo possibilidade de escolha por parte do administrador, o que
possibilita o controle judicial em relação a todos os aspectos.

(D) está diante de opção do administrador de praticar ou não o ato, o


que autoriza, como garantia ao administrado, controle de mérito da
opção pelo Poder Judiciário.

(E) está diante de ato praticado conforme juízo de oportunidade e


conveniência do administrador apenas diante das opções
expressamente previstas em lei, o que, portanto, possibilita controle
de legalidade pelo Poder Judiciário.

Resposta: B

Comentários:

Dizer que determinado ato administrativo é discricionário equivale a


afirmar que se

(A) trata de ato praticado conforme juízo de oportunidade e


conveniência do administrador, inadmitindo controle de legalidade
pelo Poder Judiciário.

Errado! Vejamos o que nos diz a Súmula 473, STF acerca do assunto:
102

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

“A Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de


vícios que os tornem ilegais, porque deles não se originam direitos,
ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade,
respeitados os direitos adquiridos e ressalvada, em todos os
casos, a apreciação judicial”.

Por tratar-se de um ato discricionário, o Poder Judiciário não faz um


controle de mérito (oportunidade e conveniência), mas um controle
de legalidade. Ou seja, o Judiciário controla os aspectos legais e
acaso o ato tenha saído do seu campo de discricionariedade passando
para a arbitrariedade, o Poder Judiciário irá anular, jamais revogar
porque como já vimos anteriormente, é vedado ao Judiciário revogar
ato praticado por outro Poder.

(B) trata de ato praticado em decorrência de escolha de oportunidade


e conveniência do administrador diante de duas ou mais soluções
possíveis dentro do contexto de legalidade.

Correto! a Administração pode praticar com certa liberdade de


escolha um ato discricionário, nos termos e limites da lei, quanto ao
seu conteúdo, seu modo de realização, sua oportunidade e sua
conveniência administrativas.

(C) trata de ato praticado em decorrência de determinação legal, não


havendo possibilidade de escolha por parte do administrador, o que
possibilita o controle judicial em relação a todos os aspectos.

Errado! Já vimos anteriormente que o ato discricionário é aquele


praticado pela Administração dispondo de uma margem de
liberdade para que o agente público decida, diante do caso
concreto, qual a melhor maneira de atingir o interesse público. Ou
seja, o administrador tem possibilidade de escolha.

Outro erro da questão foi afirmar que há controle por parte do Poder
Judiciário em todos os aspectos do ato discricionário, já vimos que
essa afirmação é falsa. O Judiciário não faz um controle de mérito,
mas um controle de legalidade. Assim, ele não faz uma valoração da
oportunidade e da conveniência do ato administrativo.

Vamos fazer uma rápida revisão das diferenças entre ato


discricionário e ato vinculado?

103

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

ATO VINCULADO ATO DISCRICIONÁRIO


(# ato arbitrário)

Não há liberdade para o Há liberdade para o


administrador administrador

Não há oportunidade e Há oportunidade e conveniência


conveniência

Pode ser anulado, mas não Pode ser anulado e revogado


pode ser revogado

Há controle do Poder Judiciário Há controle do Poder Judiciário,


exceto quanto ao mérito

Ex. aposentadoria compulsória, Ex. autorização


licença, admissão

(D) está diante de opção do administrador de praticar ou não o ato, o


que autoriza, como garantia ao administrado, controle de mérito da
opção pelo Poder Judiciário.

Errado! Não há controle de mérito feito pelo Poder Judiciário, apenas


controle de legalidade. Lembre-se: ao juiz é proibido revisar o mérito
do ato discricionário.

(E) está diante de ato praticado conforme juízo de oportunidade e


conveniência do administrador apenas diante das opções
expressamente previstas em lei, o que, portanto, possibilita controle
de legalidade pelo Poder Judiciário.

Errado! No ato discricionário há oportunidade e conveniência e


controle de legalidade feito pelo Poder Judiciário. No entanto, a
discricionariedade não acontece apenas diante das opções
expressamente previstas em lei, mas também quando a lei é omissa,
nesse caso, o administrador deverá decidir de acordo com os
princípios extraídos do ordenamento jurídico.
104

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

20. (FCC/MPE-SE/Analista/2009) A Administração Pública pode


editar atos administrativos e cumprir suas determinações sem
necessidade de oitiva ou autorização prévia do Poder Judiciário ou de
qualquer outra autoridade. Tem-se aí a definição de um dos atributos
do ato administrativo, consistente na

(A) autoexecutoriedade.

(B) insindicabilidade.

(C) inexorabilidade de seus efeitos.

(D) inafastabilidade do controle jurisdicional.

(E) presunção de legitimidade.

Resposta: A

Comentários: A autoexecutoriedade permite que a Administração


Pública realize a execução material dos atos administrativos ou de
dispositivos legais para desconstituir situação violadora da ordem
jurídica. A autoexecutoriedade dispensa ordem judicial e é uma
coerção direta. Ex. guinchamento de um carro parado em local
proibido.

Portanto, correta a letra A.

21. (FCC/PGE-RJ/Técnico/2009) Quando a lei estabelece a única


solução possível diante de determinada situação de fato, fixando
todos os requisitos, cuja existência a Administração deve limitar-se a
constatar, sem qualquer margem de apreciação subjetiva, estamos
diante de atos administrativos

(A) complexos.

(B) de gestão.

(C) vinculados.

(D) discricionários.

(E) de expediente.

Resposta: C

105

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

Comentários: Fácil? Única solução possível diante de determinada


situação de fato só pode ser o ato vinculado!!! Aqui a Administração
não tem liberdade, pois a lei define de antemão todos os aspectos da
conduta do agente, ex. licença para construir, aposentadoria
compulsória do servidor que completa 70 anos de idade, lançamento
tributário.

Assim, correta a letra C.

22. (FCC/SEFAZ-SP/Fiscal/2009) Sobre validade dos atos


administrativos, considere:

I. Nos atos discricionários, será razão de invalidade a falta de


correlação lógica entre o motivo e o conteúdo do ato, tendo em vista
sua finalidade.

II. A indicação de motivos falsos para a prática do ato, mesmo para


os casos em que a lei não exija sua motivação, implica a invalidade
do ato.

III. A Administração poderá convalidar seus atos inválidos quando a


invalidade decorrer de vício de competência, desde que a
convalidação seja feita pela autoridade titulada para a prática do ato
e não se trate de competência indelegável.

Está correto o que se afirma em

(A) III, apenas.

(B) II e III, apenas.

(C) I e III, apenas.

(D) I, II e III.

(E) I e II, apenas.

Resposta: D

Comentários:

I. Nos atos discricionários, será razão de invalidade a falta de


correlação lógica entre o motivo e o conteúdo do ato, tendo em vista
sua finalidade.

106

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

Correto! Deve haver um pressuposto lógico consistente entre o nexo


de adequação entre o motivo e o conteúdo do ato administrativo. Se
o agente pratica um ato incoerente ou desproporcional com a
situação concreta que ensejou sua expedição há um problema na
causa do ato tornando-o nulo, ex. ordem de demolição de uma casa
em virtude da sua pintura estar gasta.

II. A indicação de motivos falsos para a prática do ato, mesmo para


os casos em que a lei não exija sua motivação, implica a invalidade
do ato.

Correto! Falsidade no motivo ocorre quando o motivo alegado não


corresponde àquele efetivamente ocorrido. Ex. se a Administração
pune um funcionário, mas este não praticou qualquer infração, o
motivo é inexistente; se ele praticou infração diversa, o motivo é
falso. Mesmo para os casos em que a lei não exija a motivação do
ato (ex. cargo em comissão – livre nomeação, livre exoneração), a
motivação falsa gera a invalidade do ato.

III. A Administração poderá convalidar seus atos inválidos quando a


invalidade decorrer de vício de competência, desde que a
convalidação seja feita pela autoridade titulada para a prática do ato
e não se trate de competência indelegável.

Correto! São passíveis de convalidação os atos com defeito na


competência ou na forma. Defeitos no objeto, motivo ou finalidade
são insanáveis.

Lembrar que:

Competência exclusiva (indelegável) não pode ser convalidada;

Não se admite convalidação quando o ato está viciado por


incompetência em razão da matéria;

A convalidação de ato viciado quanto à forma é possível desde que


esta não seja essencial à validade do ato;

Os efeitos da convalidação retroagem à data da prática do ato


convalidado (ex tunc)

Convalidação # Conversão.

A conversão é o aproveitamento de ato defeituoso como ato válido de


outra categoria. Ex. contrato de concessão outorgado mediante
licitação em modalidade diversa da concorrência convertido em
107

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

permissão de serviço público. O ato de conversão é constitutivo,


discricionário e com eficácia ex tunc.

Portanto, resposta correta letra D.

23. (FCC/TJ-AP/Analista/2009) É elemento estranho a um rol de


atos administrativos de caráter normativo

(A) decreto.

(B) portaria.

(C) resolução.

(D) decreto-lei.

(E) instrução normativa.

Resposta: D

Comentários: Essa foi um presente da FCC! Sem medo de errar, a


resposta correta é a letra D pelo simples fato de o decreto-lei
(decreto com força de lei emanado do Poder Executivo) não pertencer
mais ao nosso ordenamento jurídico desde a Carta Magna de 1988.

24. (FCC/TJ-AP/Analista/2009) Nos termos da legislação federal


aplicável à matéria dos atos administrativos,

(A) a Administração deve revogar seus próprios atos, quando eivados


de vício de legalidade, e pode anulá-los por motivo de conveniência
ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos.

(B) apenas ao Judiciário compete anular atos da Administração,


quando eivados de vício de legalidade, cabendo à própria
Administração revogá-los por
motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos
adquiridos.

(C) a Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados


de vício de legalidade, e pode revogá-los por motivo de conveniência
ou oportunidade, posto que deles não decorrem direitos adquiridos.

(D) a Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados


de vício de legalidade, e pode revogá-los por motivo de conveniência
ou oportunidade,
respeitados os direitos adquiridos.
108

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

(E) a própria Administração ou o Judiciário devem revogar atos da


Administração, por motivo de conveniência ou oportunidade,
competindo apenas ao Judiciário anulá-los por vício de legalidade,
situação em que deles não decorrem direitos adquiridos.

Resposta: D

Comentários: A questão faz referência à Lei nº 9784/99 (que será


objeto de estudo em aula própria): Lei do Processo Administrativo em
âmbito federal.

Em seu art. 53 a referida Lei diz o seguinte:

“A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de


vício de legalidade, e pode revogá-los por motivo de
conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos
adquiridos.”

Vamos às alternativas:

(A) a Administração deve revogar seus próprios atos, quando eivados


de vício de legalidade, e pode anulá-los por motivo de conveniência
ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos.

Errado! Segundo a Lei, a Administração DEVE anular seus atos


quando eivados de vício de legalidade e PODE revogá-los por
motivo de conveniência e de oportunidade.

(B) apenas ao Judiciário compete anular atos da Administração,


quando eivados de vício de legalidade, cabendo à própria
Administração revogá-los por
motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos
adquiridos.

Errado! Já vimos anteriormente que tanto a Administração quanto o


Poder Judiciário tem competência para anular atos administrativos.

(C) a Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados


de vício de legalidade, e pode revogá-los por motivo de conveniência
ou oportunidade, posto que deles não decorrem direitos adquiridos.

Errado! Respeitados os direitos adquiridos.

109

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

(D) a Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados


de vício de legalidade, e pode revogá-los por motivo de conveniência
ou oportunidade,
respeitados os direitos adquiridos.

Correto! Art. 53, Lei nº 9784/99

(E) a própria Administração ou o Judiciário devem revogar atos da


Administração, por motivo de conveniência ou oportunidade,
competindo apenas ao Judiciário anulá-los por vício de legalidade,
situação em que deles não decorrem direitos adquiridos.

Errado! Conforme já estudado anteriormente o Poder Judiciário não


tem competência para revogar atos dos outros Poderes, salvo os seus
próprios atos. Já a anulação compete tanto ao Poder Judiciário como
à própria Administração Pública.

Portanto, correta a letra D.

25. (FCC/TJ-AP/Analista/2009) A situação na qual a matéria de


fato ou de direito, em que se fundamenta o ato administrativo, é
materialmente inexistente ou juridicamente inadequada ao resultado
obtido caracteriza o vício dito pela Lei

(A) ilegalidade do objeto.

(B) desvio de finalidade.

(C) desvio de poder.

(D) inexistência dos motivos.

(E) ausência de motivação.

Resposta: D

Comentários:

O motivo é a circunstância de fato ou de direito que determina


ou autoriza a prática do ato. Então, é a situação fática que justifica
a realização do ato. Situação de fato é o conjunto de circunstâncias
que motivam a realização do ato; questão de direito é a previsão
legal que leva à prática do ato. Se esse motivo é materialmente

110

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

inexistente ou juridicamente inadequado haverá um vício no ato


administrativo.
Vejamos o que diz a Lei nº 4717/65 (Lei de Ação Popular) acerca do
assunto:

Art. 2º São nulos os atos lesivos ao patrimônio das entidades


mencionadas no artigo anterior, nos casos de:

a) incompetência;

b) vício de forma;

c) ilegalidade do objeto;

d) inexistência dos motivos;

e) desvio de finalidade.

Parágrafo único. Para a conceituação dos casos de nulidade


observar-se-ão as seguintes normas:

a) a incompetência fica caracterizada quando o ato não se


incluir nas atribuições legais do agente que o praticou;

b) o vício de forma consiste na omissão ou na observância


incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência
ou seriedade do ato;

c) a ilegalidade do objeto ocorre quando o resultado do ato


importa em violação de lei, regulamento ou outro ato normativo;

d) a inexistência dos motivos se verifica quando a


matéria de fato ou de direito, em que se fundamenta o ato, é
materialmente inexistente ou juridicamente inadequada ao
resultado obtido;

e) o desvio de finalidade se verifica quando o agente pratica


o ato visando a fim diverso daquele previsto, explícita ou
implicitamente, na regra de competência.

Portanto, correta a letra D.

26. (FCC/TJ-AP/Técnico/2009) Suponha que um servidor público


pratique um ato, de boa-fé, fundamentando tal ato na ocorrência de

111

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

um fato, fato esse que, posteriormente, se comprove não ter


existido. Essa situação caracteriza o que a lei chama de

(A) desvio de finalidade, que constitui um vício do ato administrativo.

(B) inexistência dos motivos, que constitui um vício do ato


administrativo.

(C) ilegalidade do objeto, que constitui um vício do ato


administrativo.

(D) incompetência, que não necessariamente constitui um vício do


ato administrativo.

(E) falta de motivação, que não necessariamente constitui um vício


do ato administrativo.

Resposta: B

Comentários: Exatamente conforme estudado na questão anterior!!


Aprendemos na aula de hoje e iremos na acertar na prova, acredite!!

27. (FCC/TJ-PA/Técnico/2009) A anulação e a revogação do ato


administrativo sujeitam-se às seguintes regras:

(A) A anulação do ato administrativo não pode ser decretada se o ato


for vinculado.

(B) A revogação do ato administrativo produz efeito ex tunc; a


anulação efeito ex nunc.

(C) Revogação é a supressão de um ato administrativo por ser


ilegítimo e ilegal.

(D) Todo e qualquer ato administrativo pode ser revogado.

(E) Ato administrativo emanado do Poder Executivo pode ser anulado


pela própria Administração, de ofício ou a requerimento do
interessado, ou pelo Poder Judiciário, nesta última hipótese.

Resposta: E

Comentários:

112

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

(A) A anulação do ato administrativo não pode ser decretada se o ato


for vinculado.

Errado! Tanto o ato vinculado como o ato discricionário, se ilegais,


poderão ser anulados pela Administração ou pelo Poder Judiciário.

(B) A revogação do ato administrativo produz efeito ex tunc; a


anulação efeito ex nunc.

Errado! É o contrário!

Anulação – retroage – ex tunc;

Revogação – não retroage – ex nunc

(C) Revogação é a supressão de um ato administrativo por ser


ilegítimo e ilegal.

Anulação é a supressão de um ato administrativo por ser ilegítimo e


ilegal. A revogação é de ato legítimo e legal.

(D) Todo e qualquer ato administrativo pode ser revogado.

Errado!

Atos que não podem ser revogados:

7. Os atos vinculados porque neles não há oportunidade e


conveniência;

8. Os atos que já exauriram os seus efeitos; como a revogação


não retroage (ex nunc), as apenas impede que o ato continue a
produzir efeitos, se o ato já exauriu, não há mais que falar em
revogação;

9. A revogação não pode ser feita quando já se exauriu a


competência relativamente ao objeto do ato, ou seja, quando a
autoridade que praticou o ato deixou de ser competente para
revogá-lo;

10. A revogação não pode atingir meros atos administrativos


(ex. certidões, atestados, votos) porque os efeitos deles
decorrentes são estabelecidos pela lei;

113

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

11. Não podem ser revogados atos que integram um


procedimento, pois a cada novo ocorre a preclusão com relação
ao ato anterior;

12. Não podem ser revogados os atos que geram direitos


adquiridos, conforme está expresso na Súmula nº 473, STF.

(E) Ato administrativo emanado do Poder Executivo pode ser anulado


pela própria Administração, de ofício ou a requerimento do
interessado, ou pelo Poder Judiciário, nesta última hipótese.

Correto!

28. (FCC/TJ-SE/Analista/2009) A convalidação do ato


administrativo

(A) é sempre possível quando o vício diz respeito à forma.

(B) não é possível se o vício decorre de incompetência do agente que


o praticou.

(C) pode ocorrer se o vício recair sobre o motivo e à finalidade.

(D) é admitida nas hipóteses de incompetência em razão da matéria.

(E) é a supressão do vício existente em ato ilegal, com efeitos


retroativos à data em que este foi praticado.

Resposta: E

Comentários:

A convalidação do ato administrativo

(A) é sempre possível quando o vício diz respeito à forma.

Errado! A convalidação do ato viciado quanto à forma é possível,


desde que esta não seja essencial à validade do ato.

(B) não é possível se o vício decorre de incompetência do agente que


o praticou.

Errado! É possível! São passíveis de convalidação os atos com defeito


na competência ou na forma.
114

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

(C) pode ocorrer se o vício recair sobre o motivo e à finalidade.

Errado! Defeitos no objeto, motivo ou finalidade são insanáveis,


obrigando a anulação do ato.

(D) é admitida nas hipóteses de incompetência em razão da matéria.

Errado! Entendendo que incompetência em razão da matéria é vício


do objeto, não se admite a sua convalidação.

(E) é a supressão do vício existente em ato ilegal, com efeitos


retroativos à data em que este foi praticado.

Correto! Os efeitos da convalidação retroagem à data da prática do


ato convalidado.

29. (FCC/TJ-SE/Técnico/2009) A anulação do ato administrativo


emanado do Poder Executivo pode ser feita

(A) unicamente por provocação do interessado.

(B) pelo Ministério Público.

(C) pelo Poder Legislativo.

(D) quando não for mais conveniente ou oportuna a sua manutenção.

(E) pela própria Administração ou pelo Poder Judiciário.

Resposta: E

Comentários:

A anulação do ato administrativo emanado do Poder Executivo pode


ser feita

(A) unicamente por provocação do interessado.

Errado! Claro que não! A Administração age (ao contrário do Poder


Judiciário) independentemente de provocação do interessado. Assim,
ela poderá anular os seus atos de ofício.

(B) pelo Ministério Público.

115

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

Errado! O Ministério Público não tem o poder de anular ato


administrativo.

(C) pelo Poder Legislativo.

Errado! O Poder Legislativo não tem o poder de anular ato


administrativo, salvo os seus próprios atos na sua função atípica de
administrar. Mas repare que a questão fala em atos emanados do
Poder Executivo.

(D) quando não for mais conveniente ou oportuna a sua manutenção.

Errado! Aqui não é anulação, mas revogação.

(E) pela própria Administração ou pelo Poder Judiciário.

Correto!

30. (FCC/TRE-PI/Técnico/2009) A presunção de legitimidade,


como atributo do ato administrativo,

(A) diz respeito à conformidade do ato com a lei.

(B) é absoluta, não podendo ser contestada.

(C) está presente apenas em alguns atos administrativos.

(D) pode, por ser relativa, ser afastada ex officio pelo Poder
Judiciário.

(E) pode ser contestada somente no âmbito administrativo.

Resposta: A

Comentários:

A presunção de legitimidade, como atributo do ato administrativo,

(A) diz respeito à conformidade do ato com a lei.

Correto!

(B) é absoluta, não podendo ser contestada.

Errado! A presunção é relativa (juris tantum), podendo ser afastada


diante de prova inequívoca da ilegalidade do ato. O ônus de provar o
116

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

eventual defeito incumbe a quem alega, isso é, cabe ao particular


provar a existência do vício que macula o ato administrativo. Daí
afirmar-se que a presunção de legitimidade inverte o ônus da prova,
não cabendo ao agente público demonstrar que o ato por ele
praticado é válido, e sim ao particular incumbe a prova da legalidade.

(C) está presente apenas em alguns atos administrativos.

Errado! A presunção de legitimidade é um atributo universal aplicável


a TODOS os atos administrativos e atos da Administração.

(D) pode, por ser relativa, ser afastada ex officio pelo Poder
Judiciário.

Errado! Ela não pode ser afastada ex officio pelo Poder Judiciário, que
deverá ser provocado para declarar a ilegalidade de um ato
administrativo.

Lembre-se: O Judiciário não pode apreciar de ofício a nulidade


do ato administrativo.

(E) pode ser contestada somente no âmbito administrativo.

Errado! Os atos administrativos podem ser questionados tanto no


âmbito administrativo quando no âmbito do Poder Judiciário.

31. (FCC/TRE-PI/Técnico/2009) A competência, como um dos


requisitos do ato administrativo, é

(A) transferível.

(B) renunciável.

(C) de exercício obrigatório para órgãos e agentes públicos.

(D) modificável por vontade do agente.

(E) prescritível.

Resposta: C

Comentários:

A competência possui as seguintes características:

a) É de exercício obrigatório;
117

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

b) É irrenunciável;
c) É intransferível;
d) É imodificável pela vontade das partes uma vez que decorre
da lei;
e) É imprescritível, pois o não exercício da competência, não a
extingue. Ex. servidor que sai de férias não perde a sua
competência durante o período de descanso. Ao retornar,
terá as mesmas atribuições;
f) É improrrogável, ou seja, o fato de um órgão ou agente
incompetente praticar um ato não faz com que ele passe a
ser considerado competente, salvo disposição legal expressa
que assim estabeleça.

Sobre delegação e avocação é importante conhecer o que dispõe a


Lei nº 9784/99:

Art. 11. A competência é irrenunciável e se exerce pelos órgãos


administrativos a que foi atribuída como própria, salvo os casos de
delegação e avocação legalmente admitidos.

Art. 12. Um órgão administrativo e seu titular poderão, se não


houver impedimento legal, delegar parte da sua competência a
outros órgãos ou titulares, ainda que estes não lhe sejam
hierarquicamente subordinados, quando for conveniente, em
razão de circunstâncias de índole técnica, social, econômica,
jurídica ou territorial.

Parágrafo único. O disposto no caput deste artigo aplica-se à


delegação de competência dos órgãos colegiados aos respectivos
presidentes.

Art. 13. Não podem ser objeto de delegação:

I - a edição de atos de caráter normativo;

II - a decisão de recursos administrativos;

III - as matérias de competência exclusiva do órgão ou


autoridade.

Art. 14. O ato de delegação e sua revogação deverão ser


publicados no meio oficial.

§ 1o O ato de delegação especificará as matérias e poderes


transferidos, os limites da atuação do delegado, a duração e os

118

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

objetivos da delegação e o recurso cabível, podendo conter


ressalva de exercício da atribuição delegada.

§ 2o O ato de delegação é revogável a qualquer tempo pela


autoridade delegante.

§ 3o As decisões adotadas por delegação devem mencionar


explicitamente esta qualidade e considerar-se-ão editadas pelo
delegado.

Art. 15. Será permitida, em caráter excepcional e por


motivos relevantes devidamente justificados, a avocação
temporária de competência atribuída a órgão hierarquicamente
inferior.

Estudaremos delegação e avocação com mais detalhes na aula da Lei


nº 9784/99.

Vamos voltar à questão:

A competência, como um dos requisitos do ato administrativo, é

(A) transferível.

Errado! A competência é intransferível

(B) renunciável.

Errado! A competência é irrenunciável

(C) de exercício obrigatório para órgãos e agentes públicos.

Correta

(D) modificável por vontade do agente.

Errado! A competência decorre da lei, portanto, a vontade dos


agentes não pode modificá-la.

(E) prescritível.

Errado! Ela é imprescritível, ou seja, não se perde pelo não uso.

Portanto, correta a letra C.

119

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

120

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

32. (FCC/TRE-PE/Analista/2011) A “aprovação” é exemplo de ato


administrativo

a) ordinatório.

b) normativo.

c) negocial.

d) enunciativo.

e) geral.

Resposta: C

Comentários:

Atos negociais: vontade da Ex. licença, autorização,


Administração em concordância permissão, aprovação,
com particulares admissão, visto, homologação,
dispensa, renúncia, protocolo
administrativo.

33. (FCC/TRE-PE/Técnico/2011) Analise o seguinte atributo do


ato administrativo:

O atributo pelo qual o ato administrativo deve corresponder


a figuras definidas previamente pela lei como aptas a
produzir determinados resultados. Para cada finalidade
que a Administração pretende alcançar existe um ato
definido em lei. (Maria Sylvia Zanello Di Pietro, Direito
Administrativo)

Trata-se da

a) Presunção de Legitimidade.

b) Tipicidade.

c) Imperatividade.

121

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

d) Autoexecutoriedade.

e) Presunção de Veracidade.

Resposta: B

Comentários: Tranquilo? De acordo com o que estudamos


anteriormente, o atributo é o da tipicidade, típico – previsto na lei.

34. (FCC/TRT-20/Analista/2011) A Administração Pública, no


exercício de seu poder de polícia, aplicou multa a munícipe por
infração ao ordenamento jurídico. Não ocorrendo o pagamento
espontaneamente pelo administrado, a Administração decide praticar
imediatamente e, de forma direta, atos de execução, objetivando o
recebimento do valor. A conduta da Administração Pública

a) está correta, tendo em vista o atributo da coercibilidade presente


nos atos de polícia administrativa.

b) não está correta, tendo em vista que nem todas as medidas de


polícia administrativa têm a característica da autoexecutoriedade.

c) está correta, tendo em vista o atributo da imperatividade existente


nos atos de polícia administrativa.

d) não está correta, tendo em vista que os atos de polícia


administrativa são vinculados e, portanto, inexiste discricionariedade
na atuação da Administração Pública

e) está correta, tendo em vista a prerrogativa da Administração de


praticar os atos de polícia administrativa e colocá-los em imediata
execução, sem dependência à manifestação judicial.

Resposta: B

Comentários: Exemplo tradicional de ato não revestido de


autoexecutoriedade é a cobrança de multa, quando resistida pelo
particular. Embora a imposição da multa pela administração
independa de qualquer manifestação prévia do Poder Judiciário, a
execução (cobrança forçada) da quantia correspondente deve, sim,
ser realizada judicialmente. Significa dizer, nos casos em que o
particular se recusa a pagar, a administração somente pode haver a
quantia a ela devida mediante uma ação judicial de cobrança,
denominada execução fiscal, ou seja, não pode a administração obter
meios próprios, sem a interveniência do Poder Judiciário, o valor a ela
devido.
122

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

Obs. É interessante lembrar, como exceção, que há hipótese de


multas administrativas aplicadas ao particular em razão de
adimplemento irregular de contrato administrativo em que tenha
havido prestação de garantia, a administração pode executar
diretamente a penalidade, sem necessidade de consentimento do
contratado, subtraindo da garantia o valor da multa (Lei nº 8666/93,
art. 80, III).

35. (FCC/TRT-20/Analista/2011) Os atos administrativos

a) discricionários não podem ser objeto de anulação.

b) vinculados podem ser objeto de revogação.

c) ilegais não podem ser objeto de convalidação.

d) ilegais não podem ser objeto de revogação.

e) vinculados não podem ser objeto de anulação.

Resposta: D

Comentários:

a) discricionários não podem ser objeto de anulação.

Ato discricionário pode ser revogado ou anulado.

b) vinculados podem ser objeto de revogação.

Ato vinculado só pode ser anulado.

c) ilegais não podem ser objeto de convalidação.

Atos ilegais com defeitos sanáveis podem ser convalidados.

d) ilegais não podem ser objeto de revogação.

Ato ilegal será anulado. Ato inconveniente e inoportuno será


revogado.

e) vinculados não podem ser objeto de anulação.

Claro que podem!

123

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

36. (FCC/TRT-20/Técnico/2011) Sobre os atos administrativos


analise as seguintes assertivas:

I. Convalidação é o ato jurídico que sana vício de ato administrativo


antecedente de tal modo que este passa a ser considerado como
válido desde o seu nascimento.

II. A Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados


de vícios que os tornem ilegais, porque deles não se originam
direitos; ou revogá-los por motivos de conveniência e oportunidade,
respeitados os direitos adquiridos e ressalvadas em todos os casos, a
apreciação judicial.

III. Revogação é o ato administrativo discricionário pelo qual a


Administração extingue um ato válido, por razões de oportunidade e
conveniência, e terá efeitos ex tunc.

Está correto o que se afirma APENAS em

a) I e II.

b) I e III.

c) II.

d) II e III.

e) III.

Resposta: A

Comentários: A revogação produz efeitos ex nunc; o item III é cópia


da súmula 473, STF e, portanto, correto e o item I está correto
também, lembre-se que a convalidação gera efeitos ex tunc.

37. (FCC/TRT-1/Técnico/2011) Dentre outras hipóteses, constitui


barreira à convalidação do ato administrativo:

a) pequena irregularidade constante do ato administrativo, que não


comprometa sua compreensão, como por exemplo, singelo erro de
grafia.

b) vício no elemento “forma” do ato administrativo, que não seja


essencial à validade do ato.

124

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

c) a impugnação de qualquer administrado, inclusive do que não for


interessado no ato viciado.

d) o decurso do tempo, isto é, a ocorrência da prescrição.

e) vício sanável em determinado ato administrativo, como por


exemplo, vício de competência, quando não outorgada com
exclusividade.

Resposta: D

Comentários: Aqui a FCC seguiu o posicionamento do prof. José dos


Santos Carvalho Filho, podem ocorrer limitações ao poder de
convalidar, ainda quando sanáveis os vícios do ato. Constituem
barreiras à convalidação: 1) a impugnação do interessado,
expressamente ou por resistência quanto ao cumprimento dos
efeitos; 2) o decurso do tempo, com a ocorrência da prescrição,
razão idêntica, à que também impede a invalidação. Portanto, correta
a letra D.

38. (FCC/TRE-AP/Analista/2011) Analise as seguintes assertivas


sobre os requisitos dos atos administrativos:

I. O objeto do ato administrativo é o efeito jurídico imediato que o


ato produz.

II. Quando a Administração motiva o ato, mesmo que a lei não exija
a motivação, ele só será válido, se os motivos forem verdadeiros.

III. O requisito finalidade antecede à prática do ato.

Está correto o que se afirma em

a) III, somente.

b) I e II, somente.

c) I e III, somente.

d) II e III, somente.

e) I, II e III.

Resposta: B

125

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

Comentários: Objeto ou conteúdo é o efeito jurídico imediato que o


ato produz. Sim, claro! A motivação deverá ser verdadeira, caso
contrário o ato será anulado com base na Teoria dos Motivos
Determinantes. Finalidade é o resultado que a Administração quer
alcançar com a prática do ato. Enquanto o objeto é o efeito jurídico
imediato que o ato produz (aquisição, transformação ou extinção de
direitos), a finalidade é o efeito mediato. Tanto motivo como
finalidade contribuem para a formação da vontade da Administração:
diante de certa situação de fato ou de direito (motivo), a autoridade
pratica o ato (objeto) para alcançar determinado resultado
(finalidade) que é posterior ao ato. Portanto, correta a letra B.

39. (FCC/TRE-AP/Técnico/2011) Considere a seguinte hipótese:


o município desapropria um imóvel de propriedade de desafeto do
Chefe do Executivo com o fim predeterminado de prejudicá-lo. O
exemplo narrado

a) caracteriza hipótese de vício no objeto do ato administrativo.

b) corresponde a vício de forma do ato administrativo.

c) corresponde a vício no motivo do ato administrativo.

d) corresponde a desvio de finalidade.

e) não caracteriza qualquer vício nos requisitos dos atos


administrativos, haja vista a competência discricionária do Poder
Público.

Resposta: D

Comentários: Seja infringida a finalidade do ato, seja desatendido o


seu fim de interesse público, o ato será ilegal por desvio de poder.
Tanto ocorre esse vício quando a Administração remove funcionário a
título de punição, como no caso em que ela desapropria um imóvel
para perseguir o seu proprietário, inimigo político. No primeiro caso,
o ato foi praticado com finalidade diversa da prevista na lei; no
segundo, fugiu ao interesse público e foi praticado para atender ao
fim de interesse particular da autoridade.

40. (FCC/TRE-AP/Técnico/2011) O regimento é ato


administrativo

a) ordinatório.
126

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

b) normativo.

c) enunciativo.

d) negocial.

e) punitivo.

Resposta: B

Comentários:

Atos Normativos: comandos Ex. decretos e regulamentos,


gerais e abstratos para aplicação instruções normativas,
da lei regimentos, resoluções,
deliberações

41. (FCC/TRE-AP/Analista/2011) Considere as seguintes


assertivas sobre o requisito objeto dos atos administrativos:

I. é sempre vinculado.

II. significa o objetivo imediato da vontade exteriorizada pelo ato.

III. na licença para construção, o objeto consiste em permitir que o


interessado possa edificar de forma legítima.

IV. como no direito privado, o objeto do ato administrativo deve ser


sempre lícito, possível, certo e moral.

Está correto o que se afirma SOMENTE em

a) II, III e IV.

b) IV.

c) I e IV.

d) I, II e III.

e) I e II.

Resposta: A
127

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

Comentários: Atenção: se o ato é vinculado, TODOS os seus


elementos serão vinculados; se o ato é discricionário, motivo e objeto
serão discricionários e os demais elementos vinculados.

42. (FCC/TRT-1/Técnico/2011) João, servidor público federal,


sofreu punição sumária sem que se tenha instaurado o necessário
processo administrativo disciplinar com a garantia da ampla defesa e
do contraditório

a) representa irregularidade, passível de revogação do ato


administrativo de punição.

b) apresenta vício substancial, ligado ao mérito do processo


administrativo.

c) constitui exemplo de ato administrativo com vício de forma.

d) apesar de viciada, não acarreta o retorno do servidor ao status


quo ante.

e) constitui exemplo de ato administrativo com vício de objeto.

Resposta: C

Comentários: Forma viciada pois não foi observado o procedimento


correto de oferecer ao servidor as garantias constitucionais do
contraditório e da ampla defesa. Ou seja, o devido processo legal não
foi observado e, portanto, houve um vício de forma no ato. Atenção,
tal vício não está ligado ao mérito, pois não se trata no caso de
oportunidade e conveniência.

43. (FCC/TRT-23/Analista/2011) No que concerne ao requisito


competência dos atos administrativos, é correto afirmar que

a) admite, como regra, a avocação, pois o superior hierárquico


sempre poderá praticar ato de competência do seu inferior.

b) não admite, em qualquer hipótese, convalidação.

c) se contiver vício de excesso de poder, ensejará a revogação do ato


administrativo.

d) é sempre vinculado.

128

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

e) não admite, em qualquer hipótese, delegação.

Resposta: D

Comentários: A competência é elemento SEMPRE vinculado, seja


nos atos discricionários, seja nos atos vinculados. A avocação não é
uma regra, ela acontece em situações excepcionais e devidamente
justificadas, portanto, ela é uma exceção. Se houver vício, o ato não
será revogado, mas anulado. A delegação não acontece em qualquer
hipótese, nos casos narrados no art. 13, Lei nº 9784/99, não será
possível a delegação.

44. (FCC/TRT-23/Analista/2011) No que se refere à anulação,


revogação e convalidação do ato administrativo pela Administração
Pública, é correto afirmar que

a) o ato administrativo produzido com vício relativo à finalidade é


passível de convalidação pela Administração.

b) a revogação do ato administrativo é o ato discricionário pelo qual a


Administração extingue um ato inválido, por razões de conveniência e
oportunidade.

c) a anulação do ato administrativo é o desfazimento do ato


administrativo por razões de ilegalidade.

d) a convalidação é o ato administrativo pelo qual é suprido vício


existente em um ato ilegal, produzindo efeitos ex nunc.

e) a revogação do ato administrativo poderá atingir os atos


discricionários, bem como aqueles que já exauriram seus efeitos.

Resposta: C

Comentários: Não é possível a convalidação quando há vício no


elemento finalidade. Se o ato é inválido o ato não é revogado, é
anulado. A convalidação produz efeitos ex tunc. Se o ato já produziu
os seus efeitos ele NÃO poderá ser revogado.

45. (FCC/TJ-AP/Titular de Serviços de Notas e


Registros/2011) No que se refere à revogação e à invalidação dos
atos administrativos,

129

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

a) a Administração Pública poderá invalidar seus atos administrativos,


por razões de ilegalidade, produzindo, de regra, efeitos ex nunc.

b) o Poder Judiciário poderá revogar atos administrativos, por razões


de ilegalidade, produzindo efeitos ex nunc.

c) a Administração Pública, de regra, poderá revogar atos


administrativos discricionários, por razões de conveniência e
oportunidade, produzindo efeitos ex nunc.

d) a Administração Pública poderá invalidar seus atos administrativos


de ofício, por razões de mérito, produzindo efeitos ex tunc.

e) o Poder Judiciário não poderá invalidar atos administrativos


discricionários, eis que estes estão sujeitos exclusivamente à
autotutela.

Resposta: C

Comentários: Fácil essa? Não há muito o que comentar, de acordo


com o que já estudamos anteriormente, correta a letra C.

46. (FCC/TRT-14/Analista/2011) Considere a seguinte hipótese:


a Administração Pública aplicou pena de suspensão a determinado
servidor, quando, pela lei, era aplicável a sanção de repreensão. O
fato narrado caracteriza

a) vício na finalidade do ato administrativo e acarretará sua


revogação.

b) ato lícito, tendo em vista o poder discricionário da Administração


Pública.

c) vício no objeto do ato administrativo e acarretará sua anulação.

d) vício no motivo do ato administrativo, porém não necessariamente


constitui fundamento para sua invalidação.

e) mera irregularidade formal, não constituindo motivo para sua


anulação.

Resposta: C

Comentários: Objeto é o próprio conteúdo do ato, o objeto deve ser


lícito (conforme à lei), possível (realizável no mundo dos fatos e do

130

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

direito), certo (definido quanto aos destinatários, aos efeitos, ao


tempo e ao lugar), e moral (em consonância com os padrões comuns
de comportamento, aceitos como corretos, justos, éticos). Nesse
caso, o objeto foi ilícito.

47. (FCC/TRT-14/Analista/2011) A Constituição Federal define as


matérias de competência privativa do Presidente da República e
permite que ele delegue algumas dessas atribuições aos Ministros de
Estado, ao Procurador-Geral da República ou ao Advogado Geral da
União. Se estas autoridades praticarem um desses atos, sem que
haja a necessária delegação,

a) não haverá qualquer vício nos atos administrativos praticados.

b) haverá vício de formalidade, que não admite ser sanado.

c) haverá vício de incompetência que, na hipótese, admite


convalidação.

d) o Presidente da República poderá revogá-los, tendo em vista o


vício existente em tais atos.

e) haverá vício de conteúdo, portanto, os atos praticados devem


obrigatoriamente ser anulados.

Resposta: C

Comentários: Quanto ao sujeito, se o ato for praticado com vício de


incompetência, admite-se a convalidação, que nesse caso recebe o
nome de ratificação, desde que não se trate de competência
outorgada com exclusividade, hipótese em que se exclui a
possibilidade de delegação ou avocação; por exemplo, o art. 84,
CF/88 define as matérias de competência privativa do Presidente da
República e, no parágrafo único, permite que ele delegue as
atribuições mencionadas nos incisos VI, XII, XXV aos Ministros de
Estado, ao Procurador-Geral da República ou ao Advogado Geral da
União; se estas autoridades praticarem um desses atos, sem que
haja delegação, o Presidente da República poderá ratificá-los.
Atenção: convalidação apenas de competência privativa, ok?
Competência exclusiva não pode ser convalidada. Também não se
admite a ratificação quando haja incompetência em razão da matéria
porque que esta é exclusiva.

131

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

48. (FCC/TRE-RN/Analista/2011) Quanto às espécies de atos


administrativos, é correto afirmar:

a) Certidões e Atestados são atos administrativos classificados como


constitutivos, pois seu conteúdo constitui determinado fato jurídico.

b) Autorização é ato declaratório de direito preexistente, enquanto


licença é ato constitutivo.

c) Admissão é ato unilateral e discricionário pelo qual a Administração


reconhece ao particular o direito à prestação de um serviço público.

d) Licença é ato administrativo unilateral e vinculado, enquanto


autorização é ato administrativo unilateral e discricionário.

e) Permissão, em sentido amplo, designa ato administrativo


discricionário e precário, pelo qual a Administração, sempre de forma
onerosa, faculta ao particular a execução de serviço público ou a
utilização privativa de bem público.

Resposta: D

Comentários:

Ato administrativo unilateral,


declaratório e vinculado que
libera, a todos que preencham os
requisitos legais, o desempenho
Licença: de atividades em princípio
vedadas pela lei. Trata-se de
manifestação do poder de polícia
administrativo desbloqueando
atividades cujo exercício depende
de autorização da Administração,
como acontece na licença para
construir.

Ato unilateral, discricionário,


constitutivo e precário expedido
Autorização: para a realização de serviços ou a
utilização de bens públicos no
interesse predominante do
particular, como o porte de arma.

132

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

49. (FCC/TRF-1/Analista/2011) A anulação do ato administrativo

a) não pode ser decretada pela Administração Pública.

b) pressupõe um ato legal.

c) produz efeitos ex nunc.

d) ocorre por razões de conveniência e oportunidade.

e) pode, em casos excepcionais, não ser decretada, em prol do


princípio da segurança jurídica.

Resposta: E

Comentários: A Administração tem, em regra, o dever de anular os


atos ilegais, sob pena de cair por terra o princípio da legalidade. No
entanto, poderá deixar de fazê-lo, em circunstâncias determinadas,
quando o prejuízo resultante da anulação puder ser maior do que o
decorrente do ato ilegal; nesse caso, é o interesse público que
norteará a decisão. Portanto, correta a letra E.

50. (FCC/TRE-RN/Técnico/2011) Nos atos administrativos:

a) a imperatividade é um atributo que existe em todos os atos


administrativos.

b) a invalidação é o desfazimento de um ato administrativo, e nem


sempre ocorre por razões de ilegalidade.

c) o motivo e a finalidade são requisitos sempre vinculados dos atos


administrativos.

d) a Administração pode autoexecutar suas decisões, empregando


meios diretos de coerção, utilizando-se inclusive da força.

e) a invalidação dos atos administrativos opera efeitos ex nunc.

Resposta: D

133

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br


DIREITO ADMINISTRATIVO – TRF 2ª REGIÃO
PROFESSORA: PATRÍCIA CARLA

Comentários: Já não dá para errar, heim? De acordo com tudo o


que estudamos anteriormente, correta a letra D. Só lembrando que a
autoexecutoriedade não existe em todos os atos, lembre que a multa
não goza desse atributo (salvo a multa contratual).

134

Profa. Patrícia Carla www.pontodosconcursos.com.br