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Espiritismo

O Grande
    
       
         
José Herculano Pires

T odos falam de Espiritismo,


bem ou mal. Mas poucos o
conhecem. Geralmente o
consideram como uma seita reli-
giosa comum, carregada de su-
do século passado, é hoje o Gran-
de Desconhecido dos que o apro-
vam e o louvam e dos que o ata-
cam e criticam.1
Durante muito tempo ele
não é fácil. Porque ninguém o co-
nhece, ninguém acredita que se
precisa estudá-lo, pensam quase
todos que se aprende a Doutrina
ouvindo Espíritos. Os intelectuais
perstições. Muitos o vêem como foi encarado com pavor pelos reli- espíritas são confundidos com
uma tentativa de sistematização giosos, que viam nele uma criação médiuns. Quem escreve sobre Es-
de crendices populares, onde to- diabólica para perdição das almas. piritismo não escreve, faz psico-
dos os absurdos podem ser encon- Falar em fenômenos espíritas era grafia. Acham que para estudar a
trados. Há os que o aceitam como provocar votos de esconjuro.2 Ler Doutrina é preciso desenvolver a
nova Goécia, magia negra da um livro espírita era pecado mor- mediunidade e receber maravilho-
Antigüidade disfarçada de Cristia- tal, comprar passagem direta para sas lições de Espíritos Superiores.
nismo milagreiro. Grandes cien- o Caldeirão de Belzebu. Médicos Não obstante o Espiritis-
tistas se deixaram envolver nos ilustres chegaram a classificar o mo é uma doutrina moderna, per-
seus problemas e se desmoraliza- Espiritismo como fábrica de lou- feitamente estruturada por um
ram. Outros entendem que podem cos. Quando começaram a surgir grande pensador, escritor e peda-
encontrar nele a solução para to- os hospitais espíritas para doenças gogo francês, homem de letras e
dos os seus problemas, conseguir mentais, alegaram que os espíritas ciências, famoso por sua cultura e
filtros de amor e os 13 pontos da procuravam curar loucos que eles trabalhos científicos e que assinou
loteria esportiva. E, na verdade, os mesmos faziam para aliviar suas suas obras espíritas com o pseu-
seus próprios adeptos não o co- consciências pesadas. E quando dônimo de Allan Kardec.3 Saber
nhecem. Quem se diz espírita ar- viam que o Espiritismo realmente
risca-se a ser procurado para fazer curava loucos incuráveis, diziam
macumba, despachos contra ini- que os demônios se entendiam en-
migos ou curas milagrosas de do- tre si para lograr o povo.
enças incuráveis. Grandes Insti- Hoje, a situação mudou. 1 O Espiritismo surgiu em 18 de abril de
tuições Espíritas, geralmente fun- Existem sociedades de médicos es- 1857, com a edição de O Livro dos Espíritos.
dadas por pessoas sérias, tornam- píritas e as pesquisas de fenôme-
2 Praga, maldição.
se, às vezes, verdadeiras fontes de nos mediúnicos invadiram as
confusão a respeito do sentido e maiores Universidades do Mundo. 3 O nome verdadeiro de Allan Kardec era
da natureza da Doutrina. O Espiri- Não se pode negar que a coisa é Hippolyte Leon Denizard Rivail, nascido em
tismo, nascido ontem, nos meados séria, mas definir o Espiritismo 03/04/1804.

08 FidelidadESPÍRITA uma publicação do Centro de Estudos Espíritas “Nosso Lar” - Campinas/SP Abril 2003
Desconhecido
isso já é saber alguma coisa a res- cas, baseadas nas provas da so- manifestações não são sobrenatu-
peito, mas está muito longe de ser brevivência humana após a morte rais, mas fatos naturais explicá-
tudo. Doutrina complexa, que e nas religiões históricas e genési- veis, resultantes de Leis que a pes-
abrange todo o campo do Conhe- cas do Cristianismo com o Espiri- quisa científica esclarece. O So-
cimento, apresenta-se enquadrada tismo; considerado como a Reli- brenatural só se refere a Deus, cu-
4
na seqüência epistemológica de: gião em Espírito e Verdade, anun- ja natureza não é acessível ao ho-
ciada por Jesus, segundo os Evan- mem neste estágio de sua evolu-
a) Ciência: Como pesquisa gelhos;5 religião espiritual, sem ção, mas o será possivelmente,
dos fenômenos chamados para- aparatos formais, dogmas de fé ou quando o homem atingir os graus
normais, dotadas de métodos pró- instituição igrejeira, sem sacra- superiores de sua evolução. Todas
prios, específicos e adequados ao mentos. as possibilidades estão abertas e
objeto que investiga, tendo dado franqueadas ao homem em todo o
origem a todas as ciências do pa- d) Essa seqüência: Obedece Universo, desde que ele avance no
ranormal, até à Parapsicologia às leis da Gnosiologia, pelos quais desenvolvimento de suas potenci-
atual e seu ramo romeno, que se o conhecimento começa nas expe- alidades espirituais, segundo as
disfarça sob o pouco conhecido de riências do homem com o mundo leis da transcendência.
Psicotrônica, para não assustar os e se desenvolve nas ilações6 do
materialistas. pensamento, na cogitação filosó-
fica e determina o comportamento
b) Filosofia: Como interpre- humano dentro do quadro da rea-
tação da natureza dos fenômenos lidade conhecida; como no Espi-
e da reformulação da concepção ritismo essa realidade supera os li- 4 Conjunto de conhecimentos que têm por
do mundo e de toda a realidade mites da vida física, a moral se objeto o conhecimento científico, visando a
segundo as novas descobertas ci- projeta no campo das relações do explicar os seus condicionamentos (sejam
entíficas; aceita oficialmente no homem com a Divindade, adqui- eles técnicos, históricos, ou sociais, sejam
plano filosófico, consta do Dicio- rindo sentido religioso. lógicos, matemáticos, ou lingüísticos), siste-
matizar as suas relações, esclarecer os seus
nário Filosófico do Instituto de vínculos, e avaliar os seus resultados e apli-
França; no Brasil, reconhecida pe- Colocando assim o pro- cações.
lo Instituto Brasileiro de Filosofia, blema, a complexidade do Espiri- 5 Jo. 16:7.
constando do volume Panorama tismo se torna facilmente compre-
da Filosofia em São Paulo, edição ensível. Tudo no Universo se pro- 6 Conclusões, deduções.
conjunta do Instituto e da Univer- cessa mediante a ação e o controle
sidade de São Paulo, coordenação das Leis Naturais, que correspon-
do Prof. Luiz Washington Vitta. dem à imanência do Deus no Fonte:
Mundo através de suas Leis. Toda PIRES, José Herculano. Curso Dinâmico
c) Religião: Como conse- realidade verificável é natural, de de Espiritismo. 3ª edição. p. 1/5. Ed. J.
Herculano Pires.
qüência das conclusões filosófi- maneira que os Espíritos e suas

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