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João Paulo Ricardo silva

EXCELENTÍSSIMO (A) SENHOR (A) DOUTOR (A) JUIZ (A) DE DIREITO


DA_____ VARA CRIMINAL DA COMARCA DE FORTALEZA/CE.

PROCESSO Nº_________________

LEANDRO MENDES DE SOUZA, já qualificado nos autos em epígrafe, vem


respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, por intermédio de seu bastante
procurador (instrumento de procuração em anexo), in fine assinado, apresentar
RESPOSTA À ACUSAÇÃO, com fundamento nos artigos 396 e 396-A do Código de
Processo Penal, para esclarecer que, data máxima vênia, não concorda com os
termos da denúncia oferecida pelo Parquet e, desde já, requer seja declarada
improcedente a presente denuncia absolvendo sumariamente o acusado, pelos
motivos de fato e de direito a seguir expostos.

DOS FATOS

O réu no dia 29 de abril de 2018, em uma discussão com sua ex-esposa


(Simone vitoriano mendes de Souza), acabou lesionando com algumas facadas
que acabou com resultado morte, fazendo com que o réu incorra no (art:121, § 2,
4 e § 2, A-l) com aplicação da lei de violência doméstica e familiar contra mulher,
logo depois de te esfaqueado sua ex-esposa o réu tentou o suicídio, mas foi
socorrido e está em estado grave no hospital.

Do Direito

O réu estava em momento de conturbações em sua vida podendo ser


interpretado como crime privilegiado, já que preenche os requisitos do art. 121
§1° do CP, vejamos:

Pauloricardo0209@gmail.com
João Paulo Ricardo silva

CP - Decreto Lei nº 2.848 de 07 de Dezembro


de 1940

Art. 121. Matar alguém:


§ 1º Se o agente comete o crime
impelido por motivo de relevante valor
social ou moral, ou sob o domínio de
violenta emoção, logo em seguida a
injusta provocação da vítima, o juiz pode
reduzir a pena de um sexto a um terço.

Como vimos acima, o tipo penal cita exatamente a situação do réu, ele
cometeu o crime por motivo de violenta emoção, tanto que tentou o suicídio.

Ao comentar a perplexidade que nos


causa esse acontecimento, Rabinowicz
(2007, p.54), ressalva:

Curioso sentimento o que nos leva a


destruir o objeto de nossa paixão! Mas
não devemos extasiar-se perante o fato;
é, antes, preferível deplorá-lo. Porque o
instinto de destruição é apenas o
instinto de posse exasperado.
Principalmente quando a volúpia
intervém na sua formação. Porque a
propriedade completa compreende,
também o jus abutendi e o supremo ato
de posse de uma mulher é a posse na
morte.

Por conseguinte, constata-se que o


homicídio passional não pode simular
uma forma deturpada do “amor”, pois
este se obtempera à conduta criminosa,
vez que o que induz ao cometimento de
tal procedimento é uma série de
sentimentos contraproducentes, como o
ciúme, a raiva, o egoísmo, a vingança e a
maldade. O homicida passional não é
digno de indulgência muito menos de
perdão por seu ato ao declarar que não
poderia viver sem a vítima.

Quando a qualificadora for objetiva (meios e modos de execução do crime),


é cabível sua conciliação com o privilégio, que sempre tem natureza subjetiva

Pauloricardo0209@gmail.com
João Paulo Ricardo silva

Ementa: RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. RECORRENTE CONDENADA


PELO DELITO DE HOMICÍDIO QUALIFICADO PRIVILEGIADO (ART. 121, § 1º E § 2º,
III, DO CP). FIXAÇÃO DO PERCENTUAL DE REDUÇÃO. PATAMAR INTERMEDIÁRIO
DE 1/4. FUNDAMENTAÇÃO INSUFICIENTE. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. I
– O reconhecimento das circunstâncias judiciais favoráveis garantiu à recorrente a
fixação da pena-base no mínimo legal previsto para o tipo qualificado, ou seja, a pena
de 12 anos de reclusão. Na terceira fase, teve a pena-base diminuída no patamar de
1/4 por ter cometido o delito impelida de “relevante valor social ou moral”. II – O
Tribunal de Justiça local, ao aplicar a causa de diminuição de pena prevista no § 1º
do artigo 121 do Código Penal na fração de ¼, não apresentou fundamentação
suficiente para o critério adotado, o que contraria frontalmente o dever de
fundamentação das decisões judiciais previsto no art. 93, IX, da Constituição Federal.
IV – Recurso ordinário parcialmente provido, para, reformando o acórdão do
Superior Tribunal de Justiça, anular a decisão do Tribunal de Justiça do Estado do
Espírito Santo, na parte em que estabeleceu a causa de diminuição de pena prevista
no § 1º do artigo 121 do Código Penal na fração de 1/4, devendo a Corte estadual
proceder a nova fixação, de forma fundamentada, respeitando os limites já
estabelecidos anteriormente, sob pena de incorrer em reformatio in pejus. V – Resta
superado o pedido de alteração do regime prisional, que deverá ser estabelecido
com a nova reprimenda.
(RHC 116058, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Segunda Turma, julgado
em 24/04/2013, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-089 DIVULG 13-05-2013 PUBLIC 14-
05-2013)
Inteiro Teor:
http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=3786936

DO PEDIDO

Ante todo o exposto, requer:


a) que seja analisado o benefício de homicídio privilegiado que trata o (art:121, §
2, 4 e § 2, A-l)
b) que seja solicitado exames psicológicos no reu, para que seja levado em
consideração sua saúde mental.
c) que seja intimada e ouvida todas as testemunhas do processo.

Nestes termos em que,

Pauloricardo0209@gmail.com
João Paulo Ricardo silva

Pede-se e espera deferimento.

João Paulo Ricardo silva


OAB/CE Nº______________________
Fortaleza/CE
18/03/2019

Rol de testemunhas:
Testemunha: Wesley Medeiros Ferreira rg:20080113122 ssp/ce
Testemunha: Francisco hermeson moura de Sousa cpf:066.955.723-48
Testemunha: Francisco Flavio Cosme campos cpf: 324.693.813-04

Pauloricardo0209@gmail.com