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Holocausto Brasileiro, documentário produzido pela HBO, é baseado no livro-

reportagem de mesmo nome escrito pela jornalista Daniela Arbex, o que caracterizou
uma denúncia social da barbárie e desumanidade que ocorrera no Brasil desde os
anos 60. Diferente do livro, que dá voz ás vítimas, o documentário dá voz também aos
algozes, que venderam corpos, aplicavam eletrochoques, distribuíram injeções. Tem
como objetivo jornalístico a apuração dos fatos e ouvir com a mesma atenção que fora
dada as vítimas, os que praticaram tais atos desumanos.

Milhares de pessoas foram internadas à força num imenso hospício na cidade


de Barbacena, em Minas Gerais. Durante décadas pacientes foram levados para lá
sem diagnóstico de doença mental. Eram violentados, torturados e mortos
homossexuais, prostitutas, mulheres que haviam perdido a virgindade antes do
casamento, meninas que engravidavam dos seus patrões. Pessoas que eram
consideradas a margem da sociedade e eram levadas àquele lugar, um verdadeiro
genocídio, que matara mais de 60 mil pessoas, sem que ninguém se importasse com
suas vidas ou os considerassem dignos de humanidade.

Documentos como estes, livro ou documentário, tem a máxima função e não


menos importância de fazer lembrar a sociedade do evento de tamanho horror que
aconteceu em nosso país, debaixo dos nossos narizes, que por muito tempo não se
ouviu falar, inclusive hoje, entre os profissionais de saúde em formação, e que tal
infelicidade nunca se repita. É importante salientar a importância de tais produções,
tendo em vista a luta antimanicomial a partir de 1987, que tem a (Lei Paulo Delgado)
como diretriz de reformulação do modelo de Atenção à Saúde Mental, inspirada na
Luta de Basaglia, na Itália, cujo objetivo é transferir o foco do tratamento que se
concentrava na instituição hospitalar, para uma Rede de Atenção Psicossocial,
estruturada em unidades de serviços comunitários e abertos.

Como profissionais de saúde em formação, é preciso estar atento ao que é


conduta humana hospitalar e praticá-la, visto que cenários como este em Barbacena
vai de encontro a toda e qualquer prática de cuidado e zelo pelos seres humanos
através da prática dos profissionais em saúde. Pacientes são humanos, e em sua
humanidade devem ser respeitados e tratados de maneira a receberem bem-estar e
não a privação de sua condição humana, como exposto pelo documentário
Holocausto Brasileiro. Faz-se necessária a transformação de práticas, saberes,
valores culturais e sociais, e principalmente no cotidiano da vida das instituições, dos
serviços e das relações interpessoais que o processo de mudança de mentalidade
quanto ao tratamento humanizado que deve ser oferecido aos pacientes. É nosso
dever enquanto futuros profissionais de saúde, promover cuidado e bem-estar,
afastando-nos completamente da barbárie e do Holocausto praticado pelo Estado em
Barbacena.

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