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BIKE FIT

Ajuste preciso garante aumento de


até 20% na performance do ciclista
Texto: Marcos
Adami

Para tirar o máximo


proveito da bicicleta o ciclista tem que estar corretamente posicionado sobre
a bike. Além de evitar o desperdício de energia, o ciclista evitará
uma série de lesões. Entre ter uma bike levíssima e uma
bike regulada para o corpo do ciclista, a segunda opção sempre
é a melhor, já que uma bicicleta perfeitamente ajustada pode melhorar
em até 20% a performance do ciclista.

O
brasiliense Rodrigo de Melo

Brito, hoje na equipe Cesc-São

Caetano, durante a avaliação

bike fit em Campinas

A Biomecânica
é a ciência que estuda o movimento esportivo, o gesto técnico
de determinada modalidade. No caso do ciclismo, esta ciência se preocupa
em estudar os movimentos do ciclista sobre a bike de forma que eles sejam aproveitados
ao máximo para garantir a performance perfeita para o conjunto bike +
biker.

No Brasil, um dos pioneiros


a usar a tecnologia para posicionar ciclistas sobre suas bikes de competição
é o campineiro Rogério Camargo, de 30 anos, graduado em Educação
física pela PUC de Campinas com especialização em Treinamento
Desportivo pela FMU, de São Paulo.

Mas, foi no ano 2000, em


um curso de Especialização em Ciência da Biomecânica,
na UCSD (Universidade Católica de San Diego), nos Estados Unidos que
Camargo aprendeu os macetes do posicionamento do ciclista sobre a bike.

Camargo já fez mais


de 2 mil avaliações em quatro anos de atividade, uma incrível
média de sete avaliações semanais. Entre os nomes famosos
da Elite do ciclismo, do mountain bike e do triatlo nacional, ele já
avaliou o velocista Rodrigo de Melo Brito Morcegão, de
Brasília (DF); o ciclista Adriano Martins, da equipe de Americana (SP);
o moutain biker paulista Odair Pereira, de Itu; além dos renomados triatletas
Ivan Albano e Santiago Ascenzo.

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"Estudos indicam que
em seis meses, um ciclista pode ganhar até 20% mais de performance, quando
corretamente posicionado sobre a bike", garante Camargo. Muitos de meus
clientes voltam em meu consultório e me dizem: "Não sei o
que aconteceu comigo, estou andando muito mais agora depois que você regulou
minha bike".

Ele estudou as diferenças


de geometria de construção de quadros entre europeus e norte-americanos.
A geometria européia é mais clássica, com bikes de quadro
grandes. Já nos Estados Unidos a tendência é a de se utilizar
quadros menores e mais compactos, que compensam o pequeno tamanho dos quadros
no comprimento do canote de selim e da mesa.

MUITAS
VARIÁVEIS

Muitos fatores influenciam


na hora de encontrar a posição ideal do ciclista sobre a bike.
Antes de iniciar a consulta, Rogério Camargo conversa com o ciclista
para saber seus objetivos, seu estilo de pedalada, sua experiência no
esporte e também o tipo de bicicleta que o ciclista vai utilizar.

Diferentes bicicletas exigem


diferentes posicionamentos. Uma bike de contra-relógio será regulada
de uma forma diferente de uma de ciclismo, ainda que as duas pertençam
a um mesmo cliente. É muito comum Rogério fazer a avaliação
em duas, ou até mesmo três bicicletas, de um mesmo ciclista. Para
cada uma as regulagens são diferentes.

Outro fator que é


levado em consideração é o tipo físico de cada indivíduo.
Alguém com fêmur comprido terá uma posição
sobre a bike diferente de alguém [de mesma estatura] com o fêmur
relativamente mais curto. A flexibilidade de cada indivíduo é
também um fator determinante da postura que vai ser adotada sobre a bike.
"O atleta deve dominar a bike e não a bike dominar o atleta",
ensina Camargo.

A AVALIAÇÃO

O primeiro passo
para a avaliação é fixar corretamente o taquinho na sapatilha.
O eixo do pedal deve ficar alinhado com o osso do metatarso, no pé. Essa
regulagem é muito importante para que toda a força executada pelo
ciclista seja transmitida de maneira direta sobre o pedal. (VEJA
MATÉRIA). Errar a regulagem do taquinho significa
errar toda a postura sobre a bike, diz.

Posteriormente, Camargo
precisa conhecer as medidas fundamentais do ciclista. Com uma fita métrica,
Camargo anota as medidas da altura do cavalo (distância do vão
das pernas até o chão), largura dos ombros (que será importante
para determinar a largura ideal de guidão), comprimento dos braços
e também do tronco.

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OBS: Notem que
a estatura (altura) do ciclista não é importante. O que importa
mesmo é a altura do cavalo, pois o comprimento de pernas, especialmente
o osso do fêmur, varia de pessoa para pessoa.

Adriano
Martins, ciclista da

equipe de Americana (SP),

na medida do Teste 1

Depois o ciclista
passa por dois rápidos testes para determinar a sua flexibilidade, que
serão importantes no momento do ajuste final da bike.

FLEX TESTE
1

Deitado no chão,
Camargo pede ao ciclista para levantar uma das pernas. Simplesmente levantá-la
do chão.

Com o auxílio
de um goniômetro (espécie de transferidor) o ângulo formado
entre o fêmur e o tronco é anotado.

Martins
durante a medida

do ângulo no Teste 2

FLEX TESTE
2

Deitado no chão,
com o joelho dobrado, o ciclista encolhe a coxa o mais próximo possível
de seu peito.

O ângulo formado pelo


fêmur com o tronco é também inserido no programa.

Esses dois ângulo


são importantes, pois revelam o quanto de flexibilidade o ciclista tem
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no momento da pedalada.

Todas as medidas recolhidas


são então inseridas em um software desenvolvido pelo próprio
Rogério, que vai calcular o tamanho de quadro ideal para o ciclismo
ou para o mountain bike , e a largura do guidão.

O mesmo programa calcula


também a altura inicial do selim, que pode variar mais tarde em função
dos ajustes finais e do estilo de cada um.

VÍDEO
E REGULAGEM

Primeiro
passo - Com a bike sobre um rolo de treinamento, o ciclista monta na
bike, pedala e verifica se a altura inicial do selim está ideal para
seu estilo de pedalada. Exemplo: um ciclista que gira mais as pernas pode ter
o selim um pouco mais baixo e pode ter o selim até 0,5cm mais avançado.
Um ciclista que pedala mais travado pode ter o selim ligeiramente mais elevado.

O ciclista é filmado
durante a pedalada no rolo para posterior comparação com os ajustes
realizados.

A experiência de Camargo
saberá indicar o melhor para o ciclista.

Adriano
Martins é

um dos clientes mais

antigos de Camargo

Segundo
passo - Com o auxílio de um prumo (desses de pedreiro), Camargo
encontra a posição para o ciclista sobre o selim em que o tendão
patelar fique alinhado com o metatarso e, consequentemente, na mesma linha do
eixo do pedal. Essa posição é fundamental para a maior
eficiência da pedalada. Se necessário, o selim é deslocado
para frente ou para trás, conforme o caso.

Com o ciclista perfeitamente


acomodado sobre o selim e altura definida, é hora de posicionar o ciclista
sobre o guidão da bike. Aqui, os resultados dos testes Flex 1 e Flex
2 são fundamentais no posicionamento final do ciclista sobre a bike.
A flexibilidade individual vai variar bastante de ciclista para ciclista e quanto
mais alongamento tiver um ciclista, melhor.

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Terceiro
passo - Com o ciclista montado sobre a bike com ambos os pés
clipados nos pedais, uma das pernas deve ficar com o pedal bem paralelo ao solo.
O ângulo formado entre o fêmur, a fíbula e a tíbia
é analisado. Para um ciclista que gira bastante os pedais (spinner),
esse ângulo vai ficar ao redor dos 35 graus. Já para quem pedala
mais travado (smasher), um ângulo de 25º é o ideal. Esses
ângulos são alterados, mexendo-se cuidadosamente na altura do selim.
Essa regulagem é muito importante para evitar lesões no ciclista.
(VEJA
MATÉRIA).

Ângulos
maiores que

os resultados dos

Flex Tests comprometem

o rendimento do ciclista

Quarto
passo - Por último, com o ciclista segurando o pedal no ponto
mais alto da pedalada (ponto morto superior), o ângulo formado entre o
fêmur e o tronco é analisado.

Se este ângulo for


menor que 60º, vai prejudicar a performance do ciclista, pois comprime
o diafragma e dificulta respiração.

Esse ângulo é
alterado na mesa do guidão. Às vezes pode ser necessária
a inversão da mesa (cabeça para baixo), ou até mesmo a
substituição por outra.

DEFEITOS
DE POSTURA

Uma pedalada perfeita é


aquela que é cíclica, bem redonda, sem falhas e que produz energia
durante todo o ciclo. Falhas na postura produzem pedaladas defeituosas, que
comprometem a performance e podem levar a sérias lesões.

Segundo Rogério Camargo,


a mesa fora de posição e o taquinho mal ajustado são os
defeitos mais comuns entre os ciclistas. "Há aqueles que têm
uma posição muito agressiva sobre a bicicleta, na busca de mais
aerodinâmica, entretanto, a flexibilidade individual deve ser observada
além de, nem sempre a posição mais aerodinâmica é
a que aproveita melhor a energia produzida pelo ciclista na pedalada",
observa.

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O processo todo
de avaliação leva em torno de 1h30min e no final da avaliação
Rogério Camargo entre ao cliente um CD com os vídeos (antes e
depois do ajuste), exemplos de alongamentos específicos para ciclistas
e os todos os demais dados da avaliação.

Para uma avaliação,


basta agendar um horário diretamente com Rogério Camargo. Na avaliação
o ciclista deverá trazer a bike (ou as bikes), bermuda ciclista e as
sapatilhas.

Camargo atende
ciclistas de todo o País e faz avaliações sob encomenda
para clubes de ciclistas, academias, equipes de ciclismo e bike shops.

Veja
alguns dos principais defeitos de postura sobre a bike:

- Selim alto demais: faz com que a pedalada


fica quebrada e perde eficiência. O ciclista rebola quando visto
por trás.

- Selim baixo demais: Além de não


produzir a energia ideal, um selim muito baixo pode acarretar lesões,
pois recruta outros grupos musculares.

- Selim muito para frente: durante a pedalada


o joelho passa da linha do eixo do pedal e pode provocar dores no tendão
patelar.

- Selim muito para trás: Pode gerar


dores na panturrilha, logo atrás do joelho.

- Taquinho muito para frente: haverá


menos apoio na base do pé do ciclista. Fora do alinhamento do metatarso,
há perda de força na pedalada.

- Taquinho muito para trás: A pedalada


passa a ter como base o meio do pé e pode acarretar dores na sola.

- Taquinho aberto ou fechado: Pode acarretar


lesões nos ligamentos cruzados posterior e anterior do joelhos.
A maioria dos problemas de ligamento vem de um taquinho mal posicionado.

Faça você o teste


e compare os seus resultados de flexibilidade:

TESTE
1
TESTE
2
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Ótima: mais de 90º
Ótima: 140º ou mais

Média: 80-90
Média: 130-140º

Debilitada: Menos de 80º


Debilitada: menos que 130º

VEJA TAMBÉM:

TAQUINHO

Aprenda a fixá-lo em sua sapatilha

TAMANHO
DO QUADRO

Aprenda a escolher o certo

REGULAGEM
IDEAL

Saiba como colocar sua bike na posição ideal para uma boa pedalada

BIKE
FEITA A MÂO

Passo a passo, a fabricação uma bicicleta sob medida

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