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SOBRE A METAFÍSICA DO DESEJO

Por que mulheres causam tanta admiração aos homens? Assim como os
homens à outros homens, no caso dos homossexuais? Também das
mulheres às próprias mulheres, no caso das lésbicas? Também aos
respectivos gêneros LGBTQ+.

Pensando, na janela do ônibus, tive diversas respostas para essas perguntas.

Cheguei a conclusão de que tal admiração, não pode ser somente pela
necessidade da reprodução, ou pela proliferação da espécie (Acho que
Schopenhauer nomeava isso de gênio da espécie), pois um relacionamento
não é somente sexo em sua maior parte, como explicar também as relações
homossexuais, onde não há possibilidade de reprodução?

Então, se não é inteiramente uma admiração carnal, o que seria? Poderia ser
algo espiritual? Seria uma pequena manifestação da alma, gritando "eu tô
aqui"? Após alguns minutos pensando, vi que essa admiração, de algum
modo excita, acorda ou atiça nossos sentidos, de alguma forma, de modo que
somos incentivados pela admiração, ou seja, a permanência do olhar sobre a
fonte que transmite admiração. Então por que nem tudo que olhamos nos
incentiva a continuar olhando? Quando vemos algo que julgamos feio, por
exemplo, somos estimulados a afastar o olhar e a atenção, de qualquer
modo, nas duas situações influenciam os sentidos, nesse caso a visão.
Partindo dessa idéia, não vejo outra possibilidade se não a relativização do
belo/feio, porém, no cerne dessa relativização, nós humanos, seres dotados
de razão que é inerente a nossa espécie, logo usamos da mesma ferramenta
para atribuir e classificar valores, como o que é belo e o que é feio.
As pessoas percebem o mundo de forma diferente, logo, atribuem valor a
situações, objetos ou comportamentos, diferentes. É aí que se percebe o
juízo de fato e o juízo de valor, por exemplo: Eu tenho interesse em alguém,
se esse alguém pisca, é um fato, meu juízo de fato captou, mas usando o
meu juízo de valor, irei atribuir a piscada a algo positivo.

Voltando a questão da admiração causada pela observação do sexo oposto,


ou mesmo sexo, como já havia dito sobre os gêneros. Pode-se perceber que
usamos do mesmo meio para categorizar a beleza ou a feiura, que estão
ligadas ao estímulo dos nossos sentidos.
O que seria então o feio e o belo? Será só a relatividade o principal motivo de
diferenças entre as definições, ou existe algo que é universal para categorizar
tais valores?
Nós vivemos numa eterna busca por satisfação pessoal e felicidade, ou pelo
menos o que julgamos felicidade e satisfação pessoal. A vida das pessoas
geralmente giram em torno disso. Observando, vi que ninguém almeja a
infelicidade, pois qualquer ação de certo modo visa um fim, que é a felicidade.
Se concorda, poderíamos dizer que o belo está para o lado da felicidade e o
feio está para o lado da infelicidade.
Não achamos bonito aquilo que não nos satisfaz e não achamos feio aquilo
que nos satisfaz. Podemos dizer que o fato de ser estimulado(a) a continuar
olhando para a pessoa que é fonte de admiração, se dá, porque alegra e
satisfaz nossos sentidos, mas a satisfação ocorre quando há uma
necessidade, e o desejo de alegria, pela tristeza, então nós, seres humanos,
vivemos ansiando pelo que é belo?

Continua…