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UNIVERSIDADE IGUAÇU

CURSO DE MEDICINA VETERINÁRIA

LAMINITE EM EQUINOS
Anatomia do Casco
Anatomia do casco
CORTE SAGITAL

Corte sagital do casco equino. Parede do casco(W); Sola (S); Falange distal (D);
Tendão flexor profundo do dedo (T); Osso navicular (N); Coxim digital (C); Bolsa
do navicular (B); Ligamento ímpar do sesamóideo distal .
CORTE SAGITAL
INTRODUÇÃO
• Processo inflamatório que acomete o tecido laminar dos
cascos, é uma das mais sérias e mais frequentes perturbações
músculo esqueléticas que acometem o casco dos equinos.

• É uma das afecções mais estudadas no mundo da medicina


equina

• Representa grande desafio para o médico veterinário, pela sua


complexidade com relação à etiologia, fisiopatogenia,
diagnóstico precoce e tratamento correto.
Laminite

• A laminite ocorre pela perda da integridade do tecido


laminar.
• A rotação e / ou afundamento da falange distal pode
ocorrer, secundariamente, como resultado da força de
descida do peso do animal e da força exercida pelo
tendão flexor digital profundo (POLLITT, 1996).
DEFINIÇÃO
• Pollitt,(2007)
Define a doença como uma falha na ligação ente a
falange distal e a muralha do casco, por um processo
degenerativo das lâminas primárias e secundárias,
interferindo na biomecânica e irrigação digital.
DEFINIÇÃO
• Baxter (2011), descreve a laminite como uma inflamação
das lâminas sensível do casco devido à falha da estrutura
de tecidos moles que suspende a falange distal dentro da
parede do casco e separação da interdigitação entre a
derme e da epiderme das lâminas do dígito, resultando
numa claudicação incapacitante devido ao deslocamento
da falange distal dentro do casco cápsula.
Rotação
Causas da Laminite
ALIMENTARES • Conformação músculo-esquelética
• Excessiva ingestão de grãos, • Apoio em um dos membros (Laminite
• Distúrbios gastro-entéricos no membro contralateral)
• Sobrecarga de carboidratos • Exercício em piso duro
INFECCIOSAS • Ferrageamento inadequado
• Éguas com retenção de placenta • Exaustão e desidratação severa
• Pneumonias, peritonite, enterite, MISTAS
processos infecciosos sistêmicos Desequilíbrios hormonais (cushing)
• Cólicas Alterações tróficas da falange distal
MECÂNICAS Uso prolongado de corticosteróides
• Cavalos sobre treinamento inadequado Obesidade
• Cavalos submetidos a esforço físico Resistência à insulina
intenso
Laminite Aguda
• É uma patologia muito debilitante, extremamente dolorosa e potencialmente
mortal que, na maioria dos casos termina a carreira desportiva do cavalo.
• É uma doença frustrante para os médicos veterinários porque o
conhecimento atual da fisiopatologia e progressão da doença é incompleto,
limitando os esforços para prevenir e tratar com sucesso a patologia
• É uma patologia caracterizada por grande dor devida à separação das lâminas
sensíveis e insensíveis do casco e consequente rotação e/ou afundamento da
terceira falange.
• Fisiopatologia: Incerta???? Tratamentos baseados nas teorias da
fisiopatologia
Hipóteses
Hipótese Vascular
Hipótese Enzimática
Hipótese Toxêmica
Hipótese Metabólica
Hipótese Inflamatória
MECANISMO VASCULAR
MECANISMO VASCULAR

FALHAS NO SUPRIMENTO SANGUÍNEO

ISQUEMIA

ALTERAÇÕES NA DINÂMICA VASCULAR

ABERTURA DE ANASTOMOSES ARTERIO-VENOSAS

MICROTROMBOS
ISQUEMIA

• É a alteração da perfusão da extremidade distal


que desencadeia a disfunção metabólica e
estrutural das lâminas.
• Venoconstricção → Hipoperfusão → edema
laminar → abertura das anastomoses
arteriovenosas → isquemia → necrose laminar
Processo Enzimático
Degenerativo

MECANISMO ENZIMÁTICA

(POLLITT, 1998)
PROCESSO ENZIMÁTICO DEGENERATIVO
PROCESSO ENZIMÁTICO DEGENERATIVO

Degeneração da Membrana Basal


PROCESSO ENZIMÁTICO DEGENERATIVO

Degeneração da Membrana Basal


AÇÃO DAS TOXINAS SOBRE
AS LÂMINAS DO CASCO

MECANISMO TOXÊMICO
AÇÃO BACTERIANA CONSEQÜENTE A DISFUNÇÕES
GASTRINTESTINAIS

Dos cavalos afetados pela LAMINITE AGUDA


75% são decorrentes de:
Cólicas
Enterites
Injúria estrangulativa
Injúria obstrutiva

I-R

MORTE DE BACTÉRIAS G -

LIBERAÇÃO DE LPS (ENDOTOXINAS)


CONSUMO EXCESSIVO DE CARBOIDRATOS

Streptococcus
bovis

Fermentação Cecal

Aumento da População de Produção de


bactérias Gram+ (S.bovis) EXOTOXINAS ?
Produção de Ácido Lático
LAMINITE
Queda do pH cecal

Morte de bactérias Gram - Produção de


com liberação de LPS ENDOTOXINAS
?
AÇÃO BACTERIANA IN VITRO

Streptococcus bovis
Bactéria G +

SEPARAÇÃO
+ =
LAMINAR
http://news.bbc.co.uk/1/low/wales/6712197.stm Hoof wall explants

PROCESSO DOSE DEPENDENTE

POR QUAIS
MECANISMOS ???
AÇÃO BACTERIANA IN VITRO

Streptococcus bovis
Bactéria G +

SEPARAÇÃO
+ =
LAMINAR
http://news.bbc.co.uk/1/low/wales/6712197.stm Hoof wall explants

PROCESSO DOSE DEPENDENTE

ATIVAÇÃO DE MMP-2
MECANISMOS
INFLAMATÓRIOS
Mecânica

www.gcarlson.com/active_neutrophils
MECANISMOS INFLAMATÓRIA

MIGRAÇÃO E DESGRANULAÇÃO

CITOCINAS
PTN DE FASE AGUDA
RADICAIS LIVRES
COLAGENASE IV
ENZIMA CAPAZ DE DEGRADAR A MB

INFILTADO DE LEUCÓCITOS NO TECIDO


MECANISMOS INFLAMATÓRIA

origem infecciosa / exposição PAMPs


Ativação
Dano tissular extensivo / DAMPs

• PAMPs – pathogen-associated molecular


patterns
• DAMPs - damage associated molecular
patterns
MECANISMOS INFLAMATÓRIA

origem infecciosa / exposição PAMPs


Ativação
Dano tissular extensivo / DAMPs

• PAMPs – substancias microbianas capazes de


estimular imunidade inata (LPS)
• DAMPs – subst. Endógenas, produzidas ou
liberadas por células mortas ou danificadas
(séptico ou não)
MECANISMOS INFLAMATÓRIA

Ativação PAMPs
DAMPs

• Padrões de moléculas reconhecidos pelas


células do sistema inato como sinal de invasão
por um grupo de agentes patogênicos
MECANISMOS INFLAMATÓRIA

Resposta
inflamatória primaria

Leucócitos

Citocinas

Ativação plaquetária
MECANISMOS INFLAMATÓRIA
MECANISMO ENDÓCRINO
/ METABÓLICO
MECANISMO METABÓLICA

A ALTA TAXA METABÓLICA DAS


LÂMINAS DO CASCO EXIGEM
ALTA CONCENTRAÇÃO DE
MECANISMO METABÓLICA

www.vet.utk.edu

Obesidade, hipertensão e perfil anormal de lipídeos


plasmáticos.
MECANISMO METABÓLICA

Dexametasona*
Provocam alterações estruturais:
Triancinolona* Crescimento assimétrico da linha branca

Predinisona Queda da sola

Predinisolona
PROCESSOS NÃO DOLOROSOS
NÃO ASSOCIADOS À INFLAMAÇÃO

PREDISPOSIÇÃO
MECANISMO METABÓLICA

Altera o fluxo sanguíneo dos cascos


MECANISMO METABÓLICA

alto índice glicêmico e clearance


ineficaz da glicose pela insulina

Irritação
toxidade

endoteliopatia
glicotóxica
Estágios da Laminite
FASE DE DESENVOLVIMENTO OU PRODROMICA :
Se inicia pela ação dos mediadores e outros fatores que desencadeiam o ciclo
etiopatogênico.
Inicia com o contato com o agente causador e termina nos primeiros sinais de
DOR, com duração dependente do agente.
Pode durar entre 4 a 10 horas do início da ação do agente etiológico (HOOD et
al., 1993)
 sisnais clínicos de resposta inflamatória sistêmica
 mucosa avermelhada
Aumento de TPC
Taquicardia e taquipneia
 Depressão
Fases da Laminite
Fase aguda:
 Se inicia desde o momento em que o animal apresenta os primeiros sinais
de claudicação e dor até que ocorra o afundamento ou rotação da falange
distal.

Fase crônica:
 Se inicia com o afundamento ou rotação da falange distal, pode durar
indefinidamente, dor severo, decúbito, degeneração laminar, deformação
do casco e até desprendimento da parede do casco (POLLITT, 1999).
Sinais Clínicos
• DOR intensa
• Temperatura sobre a superfície dorsal da parede do casco
• Pulso digital aumentado
• Edema ou afundamento do rodete coronário
• Alteração de distribuição do peso nos membros
• A cavalo claudica inesperadamente
• Geralmente se afetam os MAs
• Postura característica em estação
• Pode ficar em decúbito
Escala de Obel
• Grau I: o cavalo levanta incessantemente os membros

• Grau II: o animal caminha voluntariamente ao passo, porém sua marcha é


característica de laminite

• Grau III: o cavalo não permite elevar nenhum membro e está relutante ao
movimento

• Grau IV: o cavalo é forçado para movimentar-se e só o faz com extrema


dificuldade, permanecendo a maior parte do tempo deitado
Diagnóstico - Sinais Clínicos
Exame Radiográfico
Rotação da Terceira Falange
Avaliação Radiográfica
Termografia
Laminite Crônica
Perfuração de Sola
Venografia Digital
Tratamento

1. Tratamento clínico da laminite aguda e crônica


2. De acordo com a fase
3. Tratamento da biomecânica do casco
4. Tratamento Cirúrgico

TODO CAVALO COM SINAIS DE LAMINITE DEVE


SER TRATADO COMO EMERGENCIA!!!
Tratamento
Tratamento Clínico:
 Identificar a causa primária
 Repouso do cavalo, cama de areia
 Terapia analgésica:
Fenilbutazona: 2,2 – 4,4 mg/kg iv cada 24h
Flunixim Meglumine : 0,5 - 1,1mg/kg iv cada 24h
Firocoxibe: 0,2 a 0,3 mg/kg po ou iv 24 h
DMSO : 1g/Kg iv / 3 dias a 5% ou
1g/Kg PO em 3l de soro sonda
Crioterapia: gelo – fase prodromica
Tratamento
Tratamento Clínico:
 Identificar a causa primária
 Repouso do cavalo, cama de areia
 Terapia analgésica:
Fenilbutazona: 2,2 – 4,4 mg/kg iv cada 24h
Flunixim Meglumine : 0,5 - 1,1mg/kg iv cada 24h
Firocoxibe: 2,0 a 0,3 mg/kg po ou iv 24 h
DMSO : 1g/Kg iv / 3 dias a 5% ou
1g/Kg PO em 3l de soro sonda
Crioterapia: gelo – fase prodromica
Tratamento
Terapia Vasodilatadora:
Acepromazina: 0,04 mg/kg iv cada 6-4 h
Isoxuprine: 0,8 - 1,2 mg/kg po cada 12 h
Pentoxifilina: 5,0 – 8,0 mg/kg po cada 12 h
Nitroglicerina: 40 -80 mg/cavalo/dia
10-20 mg/vaso digital/dia
Tratamento
Terapia anti-trombogênica
Acido salicílico: 20 mg/kg po cada 24h
Heparina: 40 – 80 U/kg sc-iv cada 12 h

Agente Inibidor da ativação das MPPs


Doxiciclina: 1 mg/kg po cada 12 h
Estabilização da Falange
Estabilização da Falange
Tratamento Cirúrgico
• Ressecção da parede do casco
• Tenotomia do Tendão Flexor Digital Profundo