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Aline Vanzella Santos – Turma de segunda-feira – 9h30

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA VARA DE


EXECUÇÕES PENAIS DA COMARCA DE TAUBATÉ/SP.

Processo de execução nº: (número do processo)

ROBERVAL ROLIM, já devidamente qualificado nos autos do processo em


epígrafe, por seu advogado regularmente constituído, que esta subscreve, inconformado
com a decisão de fls. __, que negou o livramento condicional, vem, respeitosamente,
perante Vossa Excelência, apresentar o presente

RECURSO DE AGRAVO EM EXECUÇÃO

com fulcro no artigo 197 da Lei 7.210/84 (Lei de Execuções Penais).

Desta forma, requer o recebimento do presente recurso, a intimação da Justiça


Pública para que apresente contrarrazões e o encaminhamento par ao Egrégio Tribunal
para fins de processamento e julgamento.

Requer ainda que Vossa Excelência se digne a retratar-se da r. decisão,


concedendo o livramento condicional, e a consequente expedição da carta de livramento.

Termos em que,
Pede deferimento.
Local, data.
__________________
Advogado – OAB/UF
RAZÕES DO AGRAVO EM EXECUÇÃO

Processo de execução nº: (número do processo)


Agravante: Roberval Rolim
Agravado: Justiça Pública

Egrégio Tribunal.
Colenda Câmara.
Doutos Desembargadores.

Embora considerado notável o saber jurídico do Juízo a quo, impõe-se a reforma


da decisão proferida contra o agravante, pelas razões de fato e de direito a seguir expostas.

DOS FATOS
O agravante foi condenado por roubo simples (art. 157, caput, CP) por crime
cometido em 12 de dezembro de 2015, a pena de 05 anos e 10 meses de reclusão, em
regime inicial fechado, e 12 dias-multa. Condenado em segunda instância em 11 de agosto
de 2016, passou a cumprir a pena em 06 de setembro de 2017.

O agravante, apesar de cumprir os requisitos legais, não apresentou pedido de


progressão de regime quando lhe cabia. Somente em 07 de setembro de 2019 apresentou
pedido para obtenção de livramento condicional ao juízo a quo. Pedido esse que foi
indeferido por, em tese, o agravante não ter os requisitos cumpridos, sob os seguintes
argumentos: o crime de roubo é crime hediondo, não tendo sido cumpridos, até o
momento do requerimento, 2/3 da pena privativa de liberdade; por ter o agravante maus
antecedentes, apesar do bom comportamento durante todo o período em que esteve preso;
não ter sido o agravante submetido a exame criminológico. O pedido foi indeferido em
04 de outubro de 2019.

DO DIREITO
a) Do preenchimento dos requisitos da liberdade condicional, do cumprimento do
lapso temporal e do bom comportamento carcerário
Prevê o artigo 83, do CP, que para o livramento condicional deve o preso:
Caput – ter sido condenado a pena privativa de liberdade igual ou superior a dois
anos, requisito cumprido pelo agravante, que foi condenado a 5 anos e 10 meses;

I – cumprir 1/3 da pena se não for reincidente em crime dolosos e tiver bons
antecedentes, o agravante cumpriu o lapso temporal requerido em 15 de agosto de 2019,
e quando cometeu o crime era primário, não vindo a praticar outro ato delitivo
posteriormente;

III – ter comprovado comportamento satisfatório durante a execução da pena, e é


sabido que durante todo o tempo em que esteve preso, o agravante nunca foi punido por
falta grave no estabelecimento prisional;

IV – ter reparado o dano causado pela infração, o que aconteceu no caso do agravante, já
que o aparelho celular roubado foi recuperado pelo dono logo após o delito.

Desta maneira, é o agravante passível do livramento condicional, devendo a r.


decisão ser reformada.

b) Da hediondez do crime de roubo

O roubo não é tipificado como crime hediondo. Por não estar previsto no art. 1º da
Lei 8.072/1990, nem no art. 5º, XLIII, da CF, não sendo exigido do agravante o
cumprimento do requisito previsto no inciso V, do art. 83 do CP, cabendo o livramento
condicional ao agravante.

c) Da realização do exame criminológico e da dupla valoração da pena

Diz a Súmula Vinculante nº 26, que o exame criminológico será exigido em para a
progressão de regime em casos de crime hediondo, devendo o pedido ser fundamentando
pelo juízo das execuções penais. A motivação para a requisição do exame foi reforçada
pela súmula 439 do STJ.

Acontece que, além de o agravante não incorrer no rol dos crimes hediondos,
conforme explanado anteriormente, a justificativa que os crimes de roubo, abstratamente,
são graves e geram severos prejuízos a sociedade, além de não poder ser considerada uma
fundamentação idônea, caracteriza dupla valoração da pena.

O Ibis in idem é facilmente identificado nesse caso, já que o agravante foi


condenado pelo crime que cometeu, e está cumprindo a pena pelo, tendo sido ele
condenado, aliás, acima do mínimo legal previsto.

Tendo isso em vista, reforça-se que o agravante deve ter concedido o direito do
livramento condicional, com a breve expedição da carta de livramento.
DO PEDIDO
Ante o exposto, requer que seja conhecido o presente agravo e que lhe seja dado
provimento, para que a liberdade condicional seja reconhecida e que seja expedida a carta
de livramento, como medida da mais inteira justiça.

Termos em que,
Pede deferimento.
Local, data.
__________________
Advogado – OAB/UF