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Língua Portuguesa

Colégio Santa Dorotéia Atividades para


Área de Códigos e Linguagens
Estudos Autônomos
o
Disciplina: Língua Portuguesa Data: 1 / 12 / 2017
Ano: 6º – Ensino Fundamental
Professoras: Dafne, Rina e Aline

Aluno(a):________________________________________________ Nº: _____ Turma: _____

INSTRUÇÕES ESPECIAIS
Querido(a) aluno(a),
Este material é uma oportunidade para você retomar o nosso ano de trabalho. Por meio dele, vamos
conversar, esclarecer dúvidas, rever conteúdos e nos preparar para as avaliações de recuperação. Participe
ativamente de todas as atividades que, certamente, você atingirá o objetivo principal de nossa comunidade
educativa: aprender com tranquilidade e revelar todo o potencial criativo que traz dentro de si!
Para ter momentos produtivos de estudo, siga as dicas abaixo:
 Leia, atentamente, os textos.
 Sublinhe as ideias principais e observe cada detalhe dos recursos não verbais.
 Traga o dicionário nos dias indicados pela sua professora.
 Fique atento aos enunciados.
 Capriche nas questões discursivas.
Conte sempre com a orientação da sua professora.
Bom trabalho!
Aline, Dafne e Rina

1ª PROVA
CONTEÚDO A SER REVISTO
1) Leitura e interpretação
 Textos verbais e não verbais de gêneros variados (contos, crônicas, relatos pessoais, fábulas,
anúncios publicitários, textos poéticos, tirinhas, histórias em quadrinhos).
 Elementos e partes da narrativa:
- Narrador e foco narrativo (1ª e 3ª pessoa), personagens, espaço e tempo.
- Situação inicial, conflito, clímax e desfecho.
2) Língua: Uso e reflexão
 Linguagem verbal e não verbal
 Sentido literal e sentido figurado (denotativo e conotativo)
 Variedades linguísticas:
- oralidade e escrita;
- formalidade e informalidade;
- variação regional/ gíria;
- linguagem e contexto;
- intencionalidade linguística.
 Substantivo (classificação e efeitos de sentido)
- Classificação
- efeitos na construção dos sentidos dos textos.
 Os Determinantes do substantivo (classificação e efeitos de sentido):
- adjetivo/locução adjetiva.
- artigo.
- numeral.
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 Como estudar?
 Livro de Português: capítulos 1, 2, 3, 4, 5;
 Atividades de apoio (folhas avulsas);
 Anotações no caderno de atividades diárias e no de produção de texto;
 Estudos autônomos da 1ª etapa e da 2ª etapa.

2ª PROVA
Todo o conteúdo da 1ª prova acrescido de:
1) Leitura e interpretação
 Tipos de discurso: direto e indireto
2) Língua: Uso e reflexão
 Acentuação gráfica
- Regras: oxítonas, paroxítonas, proparoxítonas, ditongos, hiatos, verbos ―TER‖ e ―VIR‖ e seus
derivados.
 Os Determinantes do substantivo:
- o pronome e seus usos (identificação, classificação e papel na construção da coerência e da
coesão do texto).
 Como estudar?
 Livro de Português: Capítulo 5 e Unidade Suplementar;
 Atividades de apoio (folhas avulsas);
 Anotações no caderno de atividades diárias e no de produção de texto;
 Estudos autônomos da 3ª etapa.

PARTE 1
TEXTO 1
Sopa de macarrão
Domingos Pellegrini
1 O filho olha emburrado o prato vazio, o pai pergunta se não está com fome.
2 — Com fome eu tô, não tô é com vontade de comer comida de velho.
3 Lá da cozinha a mãe diz que decretou — De-cre-tei! — que ou ele come legumes e verduras, ou
vai passar fome.
4 — Não quero filho meu engordando agora para ter problemas de saúde depois. Só quer batata
frita e carne, carne e batata frita!
5 Ela vem com a travessa de bifes, o pai tira um, ela senta e tira o outro, o filho continua com o
prato vazio.
6 — Nos Estados Unidos — continua ela — um jornalista passou um mês comendo só fast-food,
engordou mais de seis quilos!
7 — E como é que ele aguentou um mês só comendo isso?! — perguntou o pai, o filho responde:
8 — Porque é gostoso! — E pega com nojo uma folhinha de alface, põe no prato e fica olhando
como se fosse um bicho.
9 A mãe diz que é preciso ao menos experimentar para saber o que é ou não gostoso, e o pai diz
que, quando era da idade dele, comia cenoura crua, pepino, manga verde com sal, comia até milho
verde cru.
10 — E devorava o cozido de legumes da sua avó! E essa alface? Pra comer, é preciso botar na
boca...
11 O filho enfia a alface na boca, mastiga fazendo careta, pega um bife, a mãe pula na cadeira,
pega o bife de volta:
12 — Não-senhor! Só com salada pra valer, arroz, feijão, tudo!
13 — Ele continua olhando o prato vazio, até que resmunga:
14 — Se vocês sempre comeram tão bem, como é que acabaram barrigudos assim?
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15 O pai diz que isso é da idade, o importante é ter saúde.
16 — E você, se continuar comendo só fritura, carne, doce e refrigerante, na nossa idade vai pesar
mais de cem quilos! — diz a mãe.
17 — Não tripudie — diz o pai. — Ele ainda vai comer de tudo. Quando eu era menino, detestava
sopa. Aí um dia minha mãe fez sopa com macarrão de letrinhas, passei a gostar de sopa!
18 O filho pergunta o que é macarrão de letrinhas, o pai explica. Ele põe na boca uma rodela de
tomate, o pai e a mãe trocam um vitorioso olhar. O pai faz uma voz doce:
19 — Está descobrindo que salada é gostoso, não está?
20 — Não, peguei tomate para tirar da boca o gosto nojento de alface, mas acabo de descobrir que
tomate também é nojento.
21 — Mas catchup você come, não é? Pois é feito de tomate!
22 — E ele também não come ovo — emenda a mãe – mas come maionese, que é feita de ovo!
23 O filho continua olhando o prato vazio.
24 — Coma ao menos feijão com arroz — diz o pai.
25 Ele pega uma colher de feijão, outra de arroz dizendo que viu um filme onde num campo de
concentração só comiam assim pouquinho, só o suficiente pra sobreviver... Mastiga tristemente, até que
o pai lhe bota o bife no prato de novo, mas a mãe retira novamente:
26 — Ou salada ou nada! Sem chantagem sentimental!
27 O pai come dolorosamente, a mãe come furiosamente, o filho olha o prato tristemente.
Depois a mãe retira a comida, ele continua olhando a mesa vazia. Na cozinha, o pai sussurra para ela:
28 — Mas ele comeu duas folhas de alface, não pode comer dois pedaços de bife?!...
29 Ela diz que de jeito nenhum, desta vez é pra valer; então o pai vai ler o jornal, mas, de
passagem pelo filho, pergunta se ele não quer um sanduíche de bife — com salada, claro. Não, diz o
filho, só quer saber uma coisa da tal sopa de letras. O pai se anima:
30 — Pergunte, pergunte!
31 — Você podia escrever o que quisesse com as letras no prato?
32 — Claro! Por que, o que você quer escrever?
33 — Hambúrguer, maionese e catchup.
34 É teimoso que nem o pai, diz a mãe. Teimoso é quem teima comigo, diz o pai. O filho vai para o
quarto, só sai na hora da janta: sopa de macarrão. Então, vai escrevendo, e engolindo as palavras:
escravidão, carrascos, nojo, e enfim escreve amor, o pai e mãe lacrimejam, mas ele explica:
35 — Ainda não acabei, tá faltando letra pra escrever: amo rosbife com batata frita...
PELLEGRINI, Domingos. Sopa de macarrão. In: Antologia de crônicas: Crônica brasileira contemporânea.
São Paulo: Moderna, 2005. p. 210-213. Adaptado.

VOCABULÁRIO:
 Fast-food: expressão inglesa que significa ―comida rápida‖. Geralmente é usada para fazer
referência a tipos de alimentos pouco saudáveis, com pizzas, hambúrgueres e batatas fritas, por
exemplo.
 Tripudiar: zombar, debochar.

QUESTÃO 1
RELEIA:
―Lá da cozinha a mãe diz que decretou  De-cre-tei! — que ou ele come legumes e verduras, ou vai
passar fome.‖ - §3
Considerando o modo como foi escrita a palavra em destaque no fragmento acima, INDIQUE o efeito
de sentido produzido por ela.

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QUESTÃO 2
O texto ―Sopa de macarrão‖ apresenta uma discussão entre um menino e seus pais sobre a
alimentação adequada a uma criança. Diante disso, APRESENTE

2.1) o principal argumento usado pela mãe para justificar a necessidade de o filho comer verduras e
legumes.

2.2) a razão apresentada pelo filho para não desejar comer.

QUESTÃO 3
Segundo a mãe, personagem do texto 1, a ―chantagem sentimental‖ é das estratégias usadas pelo
menino para tentar convencer os pais daquilo que desejava. ASSINALE a passagem que justifica esse
pensamento dela.

a) ―Ele pega uma colher de feijão, outra de arroz dizendo que viu um filme onde num campo de
concentração só comiam assim pouquinho, só o suficiente pra sobreviver...‖ - §25
b) ―Então, vai escrevendo, e engolindo as palavras: escravidão, carrascos, nojo, e enfim escreve
amor, o pai e mãe lacrimejam‖- §34
c) ―— Não, peguei tomate para tirar da boca o gosto nojento de alface, mas acabo de descobrir que
tomate também é nojento.‖ - §20
d) ―O filho enfia a alface na boca, mastiga fazendo careta, pega um bife, a mãe pula na cadeira, pega
o bife de volta:‖ - §11
e) ―O pai come dolorosamente, a mãe come furiosamente, o filho olha o prato tristemente.
Depois a mãe retira a comida, ele continua olhando a mesa vazia.‖ - §27

QUESTÃO 4
LEIA as frases a seguir, atentando aos fragmentos destacados. Em seguida, ASSINALE a aquela em
que foi usada a linguagem conotativa no trecho emoldurado .

a) ―Então, vai escrevendo, e engolindo as palavras : escravidão, carrascos, nojo, e enfim


escreve amor, o pai e mãe lacrimejam,‖ - §34
b) O filho olha emburrado o prato vazio, o pai pergunta se não está com fome.- §1
c) ―... Mastiga tristemente, até que o pai lhe bota o bife no prato de novo , mas a mãe retira
novamente:
— Ou salada ou nada!‖ - §25 e 26.
d) ―— Nos Estados Unidos — continua ela — um jornalista passou um mês comendo só fast-food ,
engordou mais de seis quilos!‖ - §6
e) ―O pai faz uma voz doce :
— Está descobrindo que salada é gostoso, não está?‖ - §18 e19

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QUESTÃO 5
Sobre a construção do texto narrativo ―sopa de macarrão‖, ANALISE as afirmativas a seguir:

I) Embora não haja indicação clara do espaço em que os fatos ocorrem, é possível concluí-lo pelo
enredo.
II) A narrativa tem tempo preciso, delimitado claramente por marcadores.
III) O narrador participa dos fatos, por isso demonstra conhecê-los tão bem.
IV) O enredo possui um desfecho surpreendente, que dá humor ao texto.
V) A história tem um clímax longo, que se desenvolve lentamente.

Considerando o conteúdo do texto em questão, estão corretas as sentenças

a) I e II.
b) II e III.
c) I e IV.
d) II e V.
e) IV e V.

TEXTO 2

Disponível em: <http://comidanarede.com.br/calvin-vegetariano/> Acesso em 04/12/2016.

QUESTÃO 6
Apesar de ―sobremesiano‖ ser uma palavra inventada por Calvin, pelo contexto é possível deduzirmos o
seu significado. Diante disso, JUSTIFIQUE a afirmação da personagem no último quadrinho,
considerando as informações verbais e não verbais presentes na tirinha.

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TEXTO 3

LEIA o texto a seguir, para responder às questões 7 a 10.

Opinião: Alimentação saudável na mira das escolas e dos pais


Doces e frituras são proibidos nas cantinas e lancheiras. Psicóloga sugere o 'dia da guloseima' para
controlar hábitos.
Ana Cássia Maturano
Especial para o G1, em São Paulo

1 De vez em quando, somos alertados pelas diferentes áreas da


medicina sobre os problemas que envolvem a má alimentação. Todos já
sabem o que devem ou não comer para ter a saúde melhor. Apesar disso,
a obesidade vem aumentando, inclusive na população infantil. As crianças
têm apresentado doenças que antes se restringiam à população mais
idosa, como pressão alta, colesterol e diabete tipo 2.
2 Algumas atitudes da sociedade têm colaborado para que as
crianças desenvolvam hábitos alimentares saudáveis. É o caso de
escolas que procuram controlar o tipo de comida consumido pelos seus
alunos. Na cantina ou lancheira são proibidos doces e frituras. Caso a
criança os traga de casa, são mandados de volta e uma outra solução é
dada para a refeição daquele dia. Foto: Arte/G1
3 Muitos pais justificam o envio de lanches proibidos dizendo que, se
não for aquilo, a criança não come, sendo melhor que coma algo sem qualidade que ficar de estômago
vazio.
4 Apesar de todo o cuidado das escolas, temos visto atitudes que induzem ao consumo de
alimentos sem qualidade nutricional pelas crianças. Há alguns fast-foods que, para ganhar seu público,
oferecem brindes se determinadas combinações forem compradas. Geralmente, são comidas bem-
-aceitas pelas crianças, mas de qualidade duvidosa.
5 Se os pais deixarem, os filhos comem aquilo todos os dias, só para ganharem os brindes. Há
pais que comem junto a mesma combinação para que os filhos garantam as coleções dos brinquedos.

Dia da guloseima

6 Ninguém precisa se abster totalmente de ter uma alimentação prazerosa (por incrível que
pareça, são as menos saudáveis) e obrigar a si e aos filhos a um rigor exagerado nessa questão. O que
se pode fazer é os adultos começarem eles próprios a terem uma dieta saudável e deixarem de ter em
casa coisas que fazem mal à saúde. A falta de acesso a essa alimentação já é um caminho para a
redução de seu consumo.
7 Uma estratégia que pode ser adotada pelas famílias é o dia da guloseima: uma vez por semana,
os filhos estão liberados para escolherem o que querem comer e beber.
8 As escolas, por sua vez, mais que impor regras, devem trabalhar com seus alunos projetos que
objetivem conscientizá-los do valor dos alimentos e do que significam para a vida deles. (...) De vez em
quando, as instituições também podem adotar um dia de liberdade para os alunos na escolha da
alimentação.
9 Diante de toda a discussão, fica uma pergunta: por que as pessoas continuam comendo
comidas sem valor nutricional, mesmo sabendo que fazem mal à saúde? Imagino que muito se deve a
não constatarem isso de imediato na saúde. Como uma batata frita pode fazer mal?
10 Nesse caso, não vale o ditado: o que os olhos não veem o coração não sente. Ele sente sim.

Adaptado de: <http://g1.globo.com/educacao/noticia/2010/04/opiniao-alimentacao-saudavel-na-mira-das-escolas-e-dos-pais.html> Acesso em 04/12/16.

VOCABULÁRIO:

 Abster: no contexto, a palavra foi usada como sinônimo de ―deixar de ter‖, ―abrir mão‖.
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QUESTÃO 7
Das alternativas a seguir, ASSINALE aquela que traz uma opinião do enunciador do texto 3.
a) ―As crianças têm apresentado doenças que antes se restringiam à população mais idosa, como
pressão alta, colesterol e diabete tipo 2.‖ - §1
b) ―Há pais que comem junto a mesma combinação para que os filhos garantam as coleções dos
brinquedos.‖ - §5
c) ―Muitos pais justificam o envio de lanches proibidos dizendo que, se não for aquilo, a criança não
come, sendo melhor que coma algo sem qualidade que ficar de estômago vazio.‖ - §3
d) ―Na cantina ou lancheira são proibidos doces e frituras. Caso a criança os traga de casa, são
mandados de volta e uma outra solução é dada para a refeição daquele dia.‖ - §2
e) ―Ninguém precisa se abster totalmente de ter uma alimentação prazerosa (por incrível que pareça,
são as menos saudáveis) e obrigar a si e aos filhos a um rigor exagerado nessa questão.‖ - §6

QUESTÃO 8
RELEIA:

―Uma estratégia que pode ser adotada pelas famílias é o dia da guloseima : uma vez por

semana, os filhos estão liberados para escolherem o que querem comer e beber.‖ - §7

8.1) INDIQUE a classe gramatical a que pertence a expressão destacada na frase acima.

8.2) APONTE a palavra que é determinada por essa expressão.

8.3) LEIA a frase a seguir, observando a palavra destacada:

A guloseima é prejudicial à saúde dos jovens.

Utilizando as noções de determinante e determinado, EXPLIQUE a diferença de classe gramatical


existente entre ela e a expressão ―da guloseima‖, presente na frase transcrita no início desta questão.

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QUESTÃO 9
ESCLAREÇA o sentido da afirmação a seguir, transcrita do 10º parágrafo do texto 3:
―Nesse caso, não vale o ditado: o que os olhos não veem o coração não sente. Ele sente sim.‖ - §10

QUESTÃO 10
Das frases a seguir, aquela em que todas as relações determinante determinado representadas
estão corretas é

a) ―A falta de acesso a essa alimentação já é um caminho para a redução de seu consumo.‖ - §6

b) ―Caso a criança os traga de casa, são mandados de volta e uma outra solução é dada para a

refeição daquele dia.‖ - §2

c) ―De vez em quando, somos alertados pelas diferentes áreas da medicina sobre os problemas que

envolvem a má alimentação.‖ - §1

d) ―Há alguns fast-foods que (...) oferecem brindes se determinadas combinações forem

compradas.‖ - §4

e) ―Muitos pais justificam o envio de lanches (...) dizendo que, se não for aquilo, a criança não

come...‖ - §3

PARTE 2
TEXTO 1
ESCORRENDO
Antonio Prata

1 Aos 5 anos de idade o mundo é esmagadoramente mais forte do que a gente. (Aos 30 também,
mas aprendemos umas manhas que, se não anulam a desproporção, ao menos disfarçam nossa
pequenez.)

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2 A ignorância não é uma bênção, é uma condenação: compreender a origem dos nossos
incômodos faz uma grande diferença. Mas como, com tão poucas palavras ao nosso
dispor? Palavras são ferramentas que usamos para desmontar o mundo e remontá-lo dentro da nossa
cabeça. Sem as ferramentas precisas, ficamos a espanar parafusos com pontas de facas, a destruir
porcas com alicates.
3 Com 2 anos, meu nariz escorria sem parar na sala de aula. Eu não sabia assoar, nem sequer
sabia que existia isso: assoar. Apenas enxugava o que descia na manga do uniforme, conformado, até
ficar com o nariz ferido.
4 Lembro-me bem da sensação da meia sendo comida pela galocha enquanto eu andava. A cada
passo, ela ia se embolando mais e mais na frente do pé, faltando no calcanhar, e
eu aceitava o infortúnio como se fosse uma praga rogada pelos deuses, um destino contra o qual não
se podia lutar. Não passava pela minha cabeça trocar de meia, desistir da galocha, pedir ajuda aos
adultos: a vida era assim, não havia o que fazer.
5 Numas férias, meu pai apareceu antes do combinado para pegar minha irmã e eu na casa dos
meus avós. Durante 400 quilômetros, falou que existiam pessoas boas e pessoas más,
que aconteciam coisas que a gente não conseguia entender, que mesmo as pessoas más podiam fazer
coisas boas e as pessoas boas, coisas más. Já quase chegando a São Paulo,
contou que nosso vizinho, de 6 anos, tinha levado um tiro.
6 Naquela noite, enquanto as crianças da rua brincavam - mais quietas do que o habitual, sob um
véu triste -, um dos garotos disse: "Bem-feito! Ele é muito chato".
Hoje, penso que pode ter sido sua maneira de lidar com uma realidade esmagadoramente
mais forte do que ele.
7 Meu vizinho, felizmente, sobreviveu. Nossa ingenuidade é que não: ficou ali, estirada entre
amendoeiras e paralelepípedos, sendo iluminada pela lâmpada de rua que apagava e reacendia de
repente, depois que todas as crianças voltaram para suas casas.
Texto adaptado. Disponível em: http://acervo.novaescola.org.br/fundamental-1/escorrendo-634319.shtml.
Acesso em 06 de dezembro de 2016.
VOCABULÁRIO:
 Pequenez: no contexto, ser muito fraco diante do mundo, ter pouco poder para lutar contra os
desafios da vida.
 espanar parafusos com pontas de facas: ato de estragar parafusos tentando apertá-los com facas
de cozinha, e não com as ferramentas adequadas.
 porcas: no contexto, objeto de metal que é preso a alguns parafusos a fim de fixarem-se em
superfícies.
 galocha: bota de plástico resistente e impermeável.
 infortúnio: problema que traz desconforto.

QUESTÃO 11
RELEIA:
―Sem as ferramentas precisas, ficamos a espanar parafusos com pontas de facas, a destruir porcas
com alicates.‖ (§2)

Sobre a frase transcrita acima e o contexto em que foi empregada, é correto o que se afirma em:

a) O autor empregou linguagem denotativa no fragmento acima, pois está falando de parafusos, facas,
porcas e alicates.
b) As ―ferramentas‖ mencionadas pelo autor são, conotativamente, a falta de conhecimento das
pessoas sobre o universo.
c) O autor utiliza linguagem informal e conotativa na frase transcrita e em todo o texto, a fim de criar
uma aproximação maior com o seu leitor.
d) O autor mostra, conotativamente, que a maioria das crianças não conseguia usar palavras
adequadas em situações difíceis.
e) O narrador trabalha com as ferramentas mencionadas, por isso sabe os problemas decorrentes do
mau uso de alicates, chaves de fenda, entre outras.

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QUESTÃO 12
Sobre o narrador do texto 1, é correto afirmar que ele

a) utiliza uma variante linguística informal devido à situação comunicativa nele criada: o texto é uma
crônica narrativa descontraída.
b) demonstra ser um adulto que gosta de refletir sobre a vida e sobre os momentos da infância, vivida
na capital de São Paulo e no interior do estado.
c) utiliza a 3ª pessoa para contar a história, pois é um narrador observador e prefere narrar de forma
imparcial e objetiva.
d) tem como principal objetivo apresentar opiniões sobre os fatos narrados, a fim de emocionar os
leitores com o relato de sua infância.
e) utiliza a 1ª pessoa para narrar fatos da infância dele, em um espaço que varia entre a capital e o
interior do estado de São Paulo.

QUESTÃO 13
RELEIA:

―Aos 5 anos de idade o mundo é esmagadoramente mais forte do que a gente. (Aos 30 também, mas
aprendemos umas manhas que, se não anulam a desproporção, ao menos disfarçam nossa
pequenez.)‖ - §1

Considerando o contexto em que a expressão destacada se encontra, ESCLAREÇA o sentido de


―manhas‖ no fragmento acima.

QUESTÃO 14
Com base nas regras gramaticais estudadas ao longo deste ano, JUSTIFIQUE a acentuação gráfica
das palavras a seguir.

Férias

Raízes

Remontá-lo

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QUESTÃO 15
EXPLIQUE por que, segundo o autor afirma no parágrafo 7, a ingenuidade infantil não teria sobrevivido.

TEXTO 2
AMIGOS IMAGINÁRIOS

Uma em cada três crianças nutre temporariamente uma relação existente apenas na fantasia – o que
não é motivo para preocupação
Inge Seiffge-Krenke

1 Vivemos tempos em que conversar com gente que nunca vemos não é nada incomum:
perambulamos por chats, blogs e twitter e trocamos informações com pessoas com quem mantemos
relacionamentos virtuais. Mas e quando uma criança ―cria‖ um amigo imaginário – brinca, fala e até
mora com ele, como se fosse real? Esse fenômeno, que surge principalmente entre 3 e 7 anos, não é
tão raro. Quando pais e educadores percebem a existência desses companheiros invisíveis quase
sempre ficam preocupados. Uma mãe escreve em um fórum on-line: ―Nosso filho de 5 anos tem falado
há três dias de ―sua amiga Pia‖. Ela só existe em sua imaginação, mas parece ser absolutamente real
para ele. Ele se comporta como se pudesse vê-la! Nós não tivemos esse tipo de experiência com sua
irmã três anos mais velha. A amizade com ―Pia‖ parece fazer bem ao nosso filho, mas nós nos
preocupamos mesmo assim. Será que devemos deixá-lo com sua fantasia ou tentar convencê-lo a
abandoná-la?‖.
2 Os pais podem respirar aliviados, pois todos os estudos sobre esse fenômeno chegam ao
mesmo resultado: não há motivo para preocupações! Os amiguinhos imaginários têm sido estudados de
forma intensiva há muito tempo, nos últimos 100 anos. E há um ponto em comum: todos concordam
que os amigos imaginários estimulam o desenvolvimento das crianças e podem ajudar a resolver
questões afetivas.
3 Para os mais novos, o amigo ―de mentirinha‖ é quase sempre um companheiro de brincadeiras
que pode estar ―presente‖ também à mesa na hora das refeições, ser chamado pelo nome, mas não
raramente acompanha a criança durante todo o dia. Alguns pesquisadores afirmam que praticamente
todos nós temos um parceiro imaginário em um determinado estágio do desenvolvimento – porém, ele
quase nunca é descoberto pelos adultos e a própria pessoa normalmente não se lembra disso mais
tarde.
Disponível em: http://www2.uol.com.br/vivermente/reportagens/amigos_imaginarios.html.
Acesso em 10 de dezembro de 2016.

QUESTÃO 16
Das alternativas a seguir, aquela que melhor representa a principal intenção do texto 2 é:

a) mostrar reflexões do autor sobre a imaginação fértil de algumas crianças.


b) comprovar a ideia de que criar amigos imaginários é um sinal de desenvolvimento saudável.
c) criticar a atitude dos pais que se incomodam com os amigos imaginários dos filhos.
d) incentivar os pais a estimularem os filhos a manterem amigos imaginários.
e) apresentar informações sobre o comportamento de crianças que mantêm amigos imaginários.

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QUESTÃO 17
LEIA:
1. Amigo imaginário.
2. Imaginário infantil.
a) INDIQUE as classes gramaticais das palavras destacadas nas frases 1 e 2.

1. 2.

b) Com base nos conceitos de determinado e determinante, COMPROVE as classificações


apresentadas no item anterior.

QUESTÃO 18
RELEIA o relato de uma mãe, transcrito do primeiro parágrafo do texto 2.

―Nosso filho de 5 anos tem falado há três dias de ‗sua amiga Pia‘. Ela só existe em sua imaginação,
mas parece ser absolutamente real para ele. Ele se comporta como se pudesse vê-la! Nós não
tivemos esse tipo de experiência com sua irmã três anos mais velha. A amizade com ‗Pia‘ parece
fazer bem ao nosso filho, mas nós nos preocupamos mesmo assim. Será que devemos deixá-lo com
sua fantasia ou tentar convencê-lo a abandoná-la?‖

Sobre as palavras destacadas no fragmento acima, é correto afirmar que:


a) ―Nosso‖, ―esse‖ e ―se‖ são pronomes que exercem, no contexto, função adjetiva.
b) ―Ela‖, ―la‖, e ―sua‖ são pronomes que exercem, no contexto, função substantiva.
c) ―la‖ e ―lo‖ são pronomes que ganharam a letra L devido à tonicidade da palavra anterior.
d) Dentre as palavras destacadas, há pronomes pessoais, possessivos e demonstrativos.
e) Dentre as palavras destacadas, estão pronomes de diversas classes e artigos definidos.

QUESTÃO 19
Sem alterar o conteúdo do fragmento a seguir, REESCREVA-o em discurso direto, fazendo as
adaptações necessárias.
Os pais relataram que seus filhos estavam conversando muito com amigos imaginários. A psicóloga
ouviu e afirmou não concordar com a punição daquelas crianças.

12 Colégio Santa Dorotéia


Língua Portuguesa
TEXTO 3

Disponível em: https://br.pinterest.com/pin/486248090999585942/. Acesso em 10 de dezembro de 2016.

QUESTÃO 20
A partir da análise verbal e não verbal do texto 3, é correto afirmar que

a) Calvin utiliza variante linguística informal, pois é criança e está conversando em uma situação
informal com um amigo fruto de sua criatividade.
b) É possível entender que Calvin quer votar para contribuir para sua nação em um ato de cidadania
sem interesses individuais.
c) Embora não use palavras complexas ou raras e esteja conversando com um amigo, a variante
linguística de Calvin no texto 3 é formal.
d) A palavra ―um‖, escrita no primeiro quadrinho, refere-se à quantidade do substantivo que
determina, por isso é um numeral.
e) Pode-se afirmar, analisando o texto não verbal, que Haroldo, o tigre, fica irritado com a fala de
Calvin no fim do quadrinho.

GABARITO

QUESTÃO 3 a
QUESTÃO 4 e
QUESTÃO 5 c
QUESTÃO 7 e
QUESTÃO 10 c
QUESTÃO 11 d
QUESTÃO 12 e
QUESTÃO 16 e
QUESTÃO 18 d
QUESTÃO 20 c

Gentileza procurar o Professor para esclarecer suas dúvidas.

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