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MANUAL DE CAPACITAÇÃO
TEOLÓGICA PARA
DIÁCONOS

Autor: Carlos Matias


Bacharel em Teologia

Belém
2019

Manual de Capacitação Teológica para Diáconos – Carlos Matias – Bach. em Teologia. (91) 98044-3509.
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ÍNDICE

1. PREFÁCIO 3

2. O PRINCÍPIO REGULADOR DO CULTO 4

3. O SIGNIFICADO DO BATISMO 9

4. A INSTITUIÇÃO DA SANTA CEIA 16

5. AS BASES BÍBLICAS DA UNÇÃO 19

6. BÍBLIA CATÓLICA x EVANGÉLICA 21

7. A LEI MOSAICA E SEU SIGNIFICADO ATUAL 26

8. MALDIÇÃO HEREDITÁRIA 32

9. O ESTADO INTERMEDIÁRIO DOS MORTOS 34

10. PRINCÍPIOS DE INTERPRETAÇÃO BÍBLICA 37

11. DONS ESPIRITUAIS E MINISTERIAIS 44

12. NOÇÕES DE HOMILÉTICA 65

13. A DOUTRINA DO HOMEM 77

14. TEOLOGIA SISTEMÁTICA – A EXISTÊNCIA DE DEUS 84

15. SOTERIOLOGIA – A DOUTRINA DA SALVAÇÃO 100

16. ANGEOLOGIA 108

17. OS GRUPOS POLITICOS E RELIGIOSOS DA ÉPOCA DE JESUS 115

18. CARTAS ÀS SETE IGREJAS DA ÁSIA 124

19. A ARQUEOLOGIA E AS PROFECIAS 135

20. REFERÊNCIAS 144

Manual de Capacitação Teológica para Diáconos – Carlos Matias – Bach. em Teologia. (91) 98044-3509.
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PREFÁCIO
É com muita alegria e gratidão a Deus que vos apresento meu Manual de Capacitação
Teológica para Diáconos. Agora em sua 2ª edição revisada e ampliada, incluí os
capítulos de “Soteriologia” e “A Arqueologia e as Profecias”, além de acréscimos
significativos em “O Significado do Batismo” e “Dons Espirituais e Ministeriais”.

Fruto de um ano pesquisas, este manual autodidata tem como meta principal propiciar
um preparo teológico mínimo àqueles diáconos que – assim como em At 6:1-6 – foram
escolhidos para servir à igreja. Além de evitar a implosão e impedir o desvirtuamento
das doutrinas e dos valores cristãos no seio da igreja, nosso objetivo é proporcionar --
em uma linguagem acessível, clara e concisa -- o acesso ao conteúdo de algumas
matérias ministradas em cursos teológicos a quem ainda não teve a oportunidade de
frequentar um curso livre ou faculdade de Teologia.

A ênfase maior é na questão da apologética, ou seja, na defesa da fé cristã e da pureza


doutrinária da igreja devido ao crescente sincretismo religioso que tem invadido muitas
comunidades cristãs e descaracterizado o ensino geral das Escrituras. O perigo de
sermos “presa fácil” é real, caso desconheçamos o verdadeiro ensino sistemático das
doutrinas bíblicas, pois muitos já se tem deixado enganar por meio dessas filosofias e
vãs sutilezas, seguindo os rudimentos do mundo.
A teologia da prosperidade, o liberalismo teológico e o cessacionismo são uma
metástase crescente difundindo inovações e modismos que surgem todos dias,
apresentados muitas vezes como uma “nova revelação à igreja”, que, contudo, se
mostram claramente incongruentes e mutuamente excludentes quando comparados
com as doutrinas básicas do cristianismo, pois a própria Bíblia diz que a luz tudo
manifesta.

Como soldados de Jesus, que venhamos usar de forma ousada, habilidosa e harmônica
o conhecimento do evangelho, que é o poder de Deus para a salvação de todo aquele
que nele crê. Precisamos desconstruir todos os argumentos contrários ao
conhecimento do único Deus vivo e verdadeiro, resultando com isto levar todo
pensamento cativo à obediência de Cristo.

Por fim, que possamos corrigir com mansidão os que se opõe à verdade, na esperança
de que Jesus, finalmente, lhes conceda um verdadeiro e fervoroso arrependimento,
para glória de Deus Pai. Manter a noiva de Cristo incorruptível é o que Deus espera de
nós. Paulo adverte que devemos manejar bem a Palavra da verdade, logo, nosso maior
desafio hoje, sem dúvida, é regatar o pentecostalismo clássico dos pioneiros Daniel
Berg e Gunnar Vingren e potencializá-lo com o ensino teológico, portanto mãos à obra
e bons estudos.

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O PRINCÍPIO REGULADOR DO CULTO


O princípio regulador do culto significa que o culto é regulado, é orientado, é
normatizado por um princípio, que é o princípio “Sola Scriptura”, ou seja, nós só
podemos cultuar a Deus de acordo com o que Ele disse que deveria ser cultuado. As
normas e orientações para o culto estão nas Escrituras e Deus não deixou ao nosso
bel-prazer, à nossa livre imaginação, arbítrio e vontade elaborar formas de culto a ele,
mas ele disse de que maneira quer ser adorado.

O culto no Antigo Testamento

No A. T. temos exemplos de pessoas que tentaram cultuar a Deus do seu jeito e ele
não aceitou, a começar pelas religiões pagãs que ofereciam os filhos e se retalhavam,
dentre outras coisas que Deus nunca pediu, tampouco ordenou ao seu povo que o
fizessem em homenagem a ele (Dt 18:9-14). A Lei de Deus regula o culto no Antigo
Testamento mais do que qualquer outra área da vida. Por isso, devemos prestar mais
atenção no que diz respeito ao nosso culto a Deus, do que outras coisas importantes
da vida como: “que carreira devo seguir? ” Ou “com quem vou me casar? ” Isso mostra
que o princípio por trás do Princípio é consistente e correto.

Vejamos como Deus tratou o princípio regulador do culto, por exemplo, com Nadabe e
Abiú. Eles trouxeram um fogo estranho que o Senhor Jeová não tinha ordenado, um
foguinho maravilhoso para incrementar e abrilhantar o culto, mas o que foi que Deus
fez? Fogo neles, foram consumidos! (Lv 10:1-10).

O culto após a Reforma Protestante

Houve muita confusão durante a Reforma Protestante porque todos estavam de acordo
que o culto católico estava errado com o uso e adoração de imagens, venda de
indulgências, uso de velas, dentre outras coisas, mas quando chegou na questão da
vestimenta dos pregadores uma ala achava que o pastor deveria usar uma veste
especial diferente da do povo porque a bíblia não proibia, contudo outros diziam que
não porque a bíblia não manda.

Hoje muitos questionam: Afinal pode acender vela? Pode ter ministério de dança? Pode
ter “festa country” no mês de junho para rivalizar com a festa de São João? E Jogo de
luz? Raio laser? Gelo seco? Pode-se usar o fundo musical na hora de mensagem para
“ajudar” o Espírito Santo a convencer o pecador? Infelizmente há muitas igrejas que
defendem que “se não está proibido pode tudo”, o que é muito perigoso. A questão é
que essas inovações já descaracterizaram o cristianismo local em muitas igrejas e
comunidades devido ao sincretismo religioso exagerado pela mistura de costumes e
doutrinas mutuamente excludentes e incongruentes entre si.

Então o espírito do cristão deve perguntar se o que estamos fazendo no culto está na
bíblia e pode ser provado na Escritura? Se não pode então não deveria estar no culto,
não deve ser admitido. Temos na bíblia exemplo de pessoas que ofereciam a Deus
animais aleijados, doentes ou até mesmo roubados (Ml 1:13).

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Nos três primeiros mandamentos do decálogo temos alguns dos primeiros princípios
reguladores do culto revelados por Deus ao seu povo de como devemos adorá-lo e
servi-lo, portanto o culto verdadeiro é aquele que é feito de acordo com os princípios
de Palavra de Deus (Êx 20:1-7). Que princípios são estes? Deus é espírito e importa
que o adoremos em espírito e em verdade (Jo 4:22-24).

Outra dúvida que surge é: As mulheres são proibidas de falar no culto? (1 Co 14:34-
35). Com base na compreensão do contexto do N.T. é difícil conceber que todo e
qualquer ministério seja negado às mulheres. Se em 1 Co 11.5 é permitido que as
mulheres podem orar e profetizar, então aqui devemos entender a proibição como o
abuso de tal liberdade. Ter de perguntar ao marido na igreja significaria falar em voz
alta, pois ele se sentava do outro lado da congregação.

As perguntas poderiam interromper a fala de alguém, causando com isso desordem e


distúrbios na ordem da adoração, pois como as línguas e as profecias estão sujeitas a
limites, assim também está o falar das mulheres durante o culto na santa adoração.
Esse é o terceiro chamado ao silêncio, além das línguas sem interpretação e quando
um profeta passa a palavra a outro (1 Co 14:28, 30, 34).

A influência da Teologia Liberal no culto

A teologia liberal relativiza a autoridade da bíblia e representa a fé na humanidade, ao


passo que o cristianismo representa a fé em Deus. O liberalismo teológico busca
estabelecer uma mescla da doutrina bíblica com a filosofia e as ciências da religião. O
liberalismo é um inimigo da sã doutrina. O liberalismo está devastando igrejas e
qualquer uma que entrar por este caminho morrerá (Ap 3:1).

O resultado disso é que vivemos em uma época de implosão de valores, vemos isto em
muitos países, em instituições de ensino, partidos políticos, etc., e –- mais
recentemente — em igrejas. Há um esforço consciente de setores ligados a teologia
liberal para redefinir a igreja, não mais como comunidade da Palavra e corpo de Cristo,
do batismo e da ceia, mas como uma comunidade de pessoas com interesses comuns
e mesmos interesses religiosos.

Argumentam que não é correto estarmos presos a um sistema de ética definido por um
livro escrito a dois mil anos atrás e áreas como arrependimento, expiação, cruz,
ressureição e fé são descartadas sem nenhum pudor. O liberalismo teológico, o
cessacionismo e a teologia da prosperidade distorceram a doutrina bíblica.

Os chamados cristãos liberais tendem a adotar seja qual for a prática adotada pela
sociedade que os cerca, além disso, muitos conceitos bíblicos são considerados coisas
ultrapassadas e que não tem mais serventia para a sociedade moderna. Para eles, o
cristianismo não é um dogma a ser crido, mas um modo de viver e conviver, um
caminho de vida portador de uma mente aberta para o diálogo politicamente correto
com posições contrárias. São movimentos como esses que tentam influenciar nosso
culto, nossa adoração, nossas doutrinas e costumes (1 Co 14:37).

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Argumentam que a única chamada ética cristã é crer em Deus e contanto que creiamos
em Jesus basicamente podemos fazer o que quisermos com nossa vida. Se pecarmos,
não temos com que nos preocupar porque o sangue de Jesus nos purifica de todo o
pecado e está tudo bem. A justificação também é enfatizada em detrimento da
santificação, pois se todos os nossos pecados já foram perdoados, então não existe
razão para nos preocuparmos com o pecado.

Ademais, quando a pregação é fraca em uma igreja e a mensagem não alcança o efeito
desejado, outra coisa precisa preencher esse vazio, esse espaço, e é aí que surgem
as diversas práticas mundanas e sincretistas com o objetivo de “incrementar”, ou de
“abrilhantar” o culto, transformando-o muitas vezes em um verdadeiro programa de
animação de auditório ou em uma comédia stand-up.

O resultado disso é que a pregação expositiva do evangelho já não é o meio principal


de se alcançar o pecador, sendo substituída por “projetos sociais”, transformando
muitas igrejas em organizações não governamentais (ongs), cujos atrativos principais
são esportes e entretenimentos diversos, ao invés da Palavra. O resultado disso é que
muitas pessoas que não apresentam nenhuma evidência de conversão ou regeneração
estão convencidas de que são cristãs. São pessoas perdidas dentro da igreja!

O conceito de culto

Culto é o ajuntamento do povo de Deus convocado com o propósito de adorá-lo, num


determinado local e num determinado horário para juntos fazerem aqueles elementos
que caracterizam o culto, que são eles: leitura da palavra, testemunhos, cânticos,
orações, ofertas, a pregação da Palavra de Deus, celebrar ceia, batismo, recolher
ofertas e dízimos, além de revelação, língua, interpretação, profecia, ou seja, o
exercício dos dons espirituais e ministeriais.

Estes são os elementos que compõem o culto a Deus. Estes elementos, contudo,
devem ser realizados da maneira correta, ou seja, com ordem e decência (1 Co cap.
11-14:). O culto deve ser feito de uma forma que conduza as pessoas a terem um
encontro íntimo e pessoal com Cristo (Jo 14:23).

O culto deve ser espiritual, centrado na Palavra de Deus e tem que ter como objetivo
glorificar a Deus e edificar a igreja (Rm 12:1-2). Isto é o que encontramos no ensino
geral das Escrituras de como devemos cultuar a Deus segundo a sua vontade, portanto
tudo aquilo que estiver em contradição com estas recomendações é invenção humana,
pura tradição e doutrina dos homens e não deve ser aceito no seio da igreja (At 20:29-
31; 1 Tm 6:3-5). É fundamental considerar que tudo o que engloba a fé genuinamente
cristã está amparado em um relacionamento íntimo e pessoal com Deus.

Se o culto é oferecido a Deus então tudo que a gente faz deve ser voltado a Deus, a
Jesus Cristo. Os hinos, os cânticos, a leitura da Escritura tem que apontar para Deus,
as orações devem ser feitas a Deus e a pregação da Palavra tem que mostrar quem é
Deus: os seus planos, suas promessas, o seu infinito amor para conosco.

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Tudo no culto deve apontar para a obra vicária, para o sacrifício único e suficiente, para
o sangue do Cordeiro de Deus derramado por nós, pois a morte de Cristo satisfez as
exigências da Lei quanto à morte pelos nossos pecados.

Não devemos inventar nada indo além do que está escrito, mas devemos procurar na
bíblia o que Deus já revelou para que nós o adoremos do jeito que ele quer e não do
jeito que a gente imagina. Não somos livres para introduzir no culto formas de adoração
estranhas ao que está escrito na bíblia. A bíblia é o princípio que vai nortear o culto a
Deus. Tudo o que for contrário a bíblia não deve ser admitido no culto.

Classificação do movimento pentecostal


1. Pentecostalismo Clássico: Assembleia de Deus, Congregação Cristã do
Brasil.
2. Movimento de Cura divina: Deus é amor, Brasil para Cristo, Igreja Nova Vida.
3. Movimento Carismático: Luterana, Batista Renovada, Presbiteriana
Pentecostal, Metodista, Adventista da Promessa.
4. Neopentecostalismo: Igreja Universal do Reino de Deus, Igreja Mundial do
Poder de Deus, Igreja Renascer em Cristo, Igreja Internacional da Graça de
Deus. Esse último grupo dá maior ênfase à teologia da prosperidade e a
confissão positiva, que é a versão “cristianizada” do pensamento positivo.

O culto pentecostal hoje

No pentecostalismo brasileiro a emoção de uma forma geral muita das vezes virou o
nosso ídolo. Ninguém sente o mover do Espírito a menos que um irmão chore, outro
caia duro no chão ou o pregador dê uma “rajada de línguas estranhas”. De fato, nosso
desafio de nos mantermos fiéis à trindade no culto evangélico pentecostal não é tarefa
fácil. Os nossos pioneiros fizeram um bom trabalho nos seus dias; resta fazermos o
mesmo.

Hoje, infelizmente, muitos transformam o culto evangélico num divã de autoajuda,


outros transformam o culto numa sala de aula. Há também aqueles que transformam o
culto num show, não muito diferente dos que o reduziram a uma sessão de descarrego
emocional. Lembremos que nenhuma dessas formas de culto são necessariamente
incorretas em si mesma, mas quando se tornam o modelo central de se cultuar, a coisa
começa a desandar.

Em vista disso, também é comum em muitas igrejas dirigentes de louvor que forçam as
pessoas a levantarem as mãos, pularem e ficarem de pé. Há também os pregadores
de constrangem às pessoas a interagirem com a pessoa ao lado e ficarem fazendo
repetições de tudo que eles fazem e dizem, isso também não deixa de ser uma forma
de ataque à nossa liberdade de culto e consciência. A consciência do crente não pode
ser cativa senão às sagradas escrituras.

A Bíblia transcende culturas e épocas, por isso devemos continuar removendo os ídolos
dos nossos cultos e continuar protegendo a liberdade culto e consciência do rebanho,
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sempre observando o prescrito na escritura pelos apóstolos e por nosso Senhor Jesus
Cristo. Prescrito quer dizer que devemos ter embasamento bíblico para tudo que
venhamos a utilizar no nosso culto público porque é o que nos diferencia dos católicos
e das demais igrejas adeptas do cessacionismo e do mercantilismo da fé.

O princípio regulador é bem bíblico e pode ser usado de uma forma equilibrada,
ajudando as igrejas locais a serem contextualizadas e ainda assim manterem suas
raízes no ensino geral da Palavra de Deus. O culto deve ser racional, pois tem que
passar pela nossa mente e pelo nosso entendimento (1Co 14:14-20).

É aí que as nossas emoções são afetadas, quando choramos, quando nos alegramos,
quando sentimos tristeza pelos nossos pecados, enfim tudo isso somente após termos
tido o entendimento de Deus e da sua presença, porque vimos a sua glória e
percebemos a grandeza do evangelho e de Deus (Is 6:1-5; Rm 12:1-2).

Devemos rejeitar todo e qualquer sincretismo religioso. A igreja é quem tem que
influenciar o mundo, mas em não poucos ministérios o inverso está acontecendo, ou
seja, a filosofia e o modo de vida do mundo é que tem influenciado e servido de padrão
de vida e valores, inclusive na adoração do culto, com a introdução de práticas
católicas, espíritas, umbandistas, humanistas e até superstições.

A Palavra tem que ser o centro do culto e da adoração e tem que ocupar o lugar principal
e de destaque. Ao contrário do que muitos ministros dizem – sem medir suas palavras
– o momento mais importante do culto não é quando recolhemos os dízimos e ofertas,
mas sim a exposição do evangelho, que é o poder de Deus para salvação de todo
aquele que nele crê (Mt 23:19).
O resultado de tanta inovação e sincretismo religioso é que muitas igrejas precisam
voltar às suas origens, porque perderam a ortodoxia e o fervor, pois só cresceram em
números, mas não em qualidade. Cada vez mais as pessoas estão se “convencendo”
a se tornarem cristãs ao invés de se converterem a Cristo e para mudar isso precisamos
de uma teologia bíblica banhada com óleo, com unção, com fervor, comprometida com
a necessidade de um novo nascimento, de uma mudança de mentalidade, de frutos
verdadeiramente dignos de arrependimento.

Precisamos verdadeiramente de um avivamento pela palavra, mais entusiasmo e uma


vida plena do Espírito Santo de Deus, mas o que nós mais precisamos na verdade é
não separar o que Deus uniu: ortodoxia e piedade, teologia e vida, doutrina e conduta.
É preciso mais que nunca unir o ensino teológico com o fervor pentecostal, porque de
nada adianta ter a luz do conhecimento bíblico na cabeça aliado ao conhecimento
humano se não tem fogo no coração.

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O SIGNIFICADO DO BATISMO
Batismo: Ordenança ou Sacramento?
O sacramentum era o juramento que o soldado romano prestava de obedecer ao seu
comandante, ainda que a preço da sua morte. Semelhantemente, o batismo é um
sacramento, no sentido de representar um voto de aliança com Cristo, o nosso
salvador.
O batismo, portanto, como sacramento é um ato sagrado em que o ‘mandamento” e a
“promessa” divina estão unidos a sinais ou elementos visíveis prescritos pelo próprio
Deus para dar, confirmar ou aumentar a graça e, quando devidamente realizado, resulta
em edificação e fortalecimento espiritual para os crentes.
O batismo cristão é a imersão do crente na água como sinal de sua anterior entrada
para a comunhão da morte e ressurreição de Cristo, ou seja, em sinal de sua
regeneração por intermédio de sua união com Cristo (Mt 28:19; Rm 6:3-5; Cl 2:11-12).
O próprio Cristo reconheceu que a comissão de João Batista fora recebida diretamente
de Deus (Mt 21:25; Jo 1:25) e ao se submeter ao batismo de João, Cristo deu
testemunho da obrigação do batismo (Mt 3:13-17). Essa submissão só pode ser
explicada com base no fato de que “Deus o fez pecado por nós” (2 Co 5:21). O batismo,
portanto, é uma lei inviolável e irrevogável da igreja (Jo 4:1-2; Mt 28:19-20).
A única diferença entre o batismo de João e o dos nossos dias é que João batizava
baseado na profissão de fé de um Salvador que ainda estava por vir, enquanto o
batismo agora ministrado baseia-se na profissão de fé de um Salvador que já veio. O
ministério de João Batista foi preliminar e serviu como preparação dos homens para o
recebimento de um batismo mais espiritual e profundo.
Os elementos de verdade contidos no batismo são: 1- confissão dos pecados e
humilhação por causa dele, como merecimento pela morte; 2- declaração da morte de
Cristo pelo pecado e da aceitação da obra substitutiva da parte do crente; 3- o
reconhecimento de que a alma se tornou participante da vida de Cristo e agora vive
nele e para Ele.
O ato do batismo cristão indica que o crente deixou de andar pelo caminho da
autossuficiência pecaminosa e passou a andar pelo “novo caminho” (Rm 6:4), da
mesma maneira que, após sua ressurreição, Jesus estava andando em uma nova
maneira de viver. Assim, o crente é exortado a “andar no Espírito” (Gl 5:16), e não mais
a andar segundo a carne. O “andar dignamente” (Rm 13:13) é mais bem compreendido
quando contrastado com o andar indigno de quem vive em orgias, bebedices,
imoralidades, dissoluções, contendas e ciúmes.

Quando descemos à água e mergulhamos isto simboliza nossa descida à sepultura,


nossa morte para o mundo (Gl 6:14). Quando voltamos à superfície da água e saímos,
simboliza a ressurreição dentre os mortos. Espiritualmente falando, isso fala de nossa
união com Cristo, em sua morte e ressurreição. O Espírito faz isso tornar-se uma
realidade mediante a nossa transformação à imagem de Cristo.

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Não sabemos se Jesus batizou ou não os seus discípulos, mas o que se sabe é que a
tarefa de imergir, desde o começo ou desde algum tempo mais tarde, foi delegada por
Jesus aos seus discípulos (Jo 4:1-2). O ofício de Jesus era batizar com o Espírito Santo,
e aos seus discípulos foi deixado o encargo de administrar o ato simbólico.

Paulo chegou a esclarecer que Cristo não o enviou a batizar, mas sim a pregar o
evangelho. Como explicar essas suas palavras, se o batismo faz parte integrante do
evangelho? É simples, o batismo deve ser aplicado a pessoas salvas e não a fim de
salvar os perdidos. O batismo como sacramento em si não transmite graça (salvação)
ao participante do mesmo, sendo, contudo, uma expressão representativa da
obediência do mesmo à vontade de Deus.
Ordenança: A palavra vem do latim, de ordo (inis), relativa a ordinari, "ordenar". Daí, é
que se deriva a palavra ordinans (antis), "ordenança", significando "uma regra
autoritária, um decreto, uma lei, um rito religioso, uma disposição ou posição, um
desígnio”.

O catolicismo romano, por sua vez, considera as ordenanças como conferindo graça e
produzindo santidade, pois acreditam que são “meios físicos” de constituir e manter
uma união com Cristo. Também acreditam em sete sacramentos, que são: ordenação,
confirmação, matrimônio, extrema-unção, penitência, batismo e eucaristia.
As ordenanças prescritas por Jesus, contudo, são apenas o Batismo e a Ceia. Na
teologia da igreja católica romana existe o também “batismo de desejo”, que no caso
de ser impossível batizar, considera-se batismo o desejo de ser batizado, desde de que
haja contrição (arrependimento pleno, dor profunda por se haver ofendido a Deus) e
amor perfeitos.
Nas igrejas pentecostais, o batismo em águas é considerado uma ordenança deixada
por Cristo à igreja. Evita-se o uso do termo sacramento, aplicado ao batismo em águas
como forma de não se confundir com o que é ensinado pela igreja católica a respeito
dos sacramentos.

No antigo testamento, a Páscoa e a circuncisão eram ordenanças de elevado


significado espiritual. Havia ordenança no sentido da investidura dos reis em suas
funções. Os profetas também eram ungidos ou ordenados para o ministério.

No Novo Testamento, vemos que os apóstolos foram ordenados pelo Senhor (Jo
15:16). Em At 6:6 os diáconos foram ordenados para o serviço de socorro aos
necessitados. Nesse aspecto, a ordenação é um rito de consagração ou separação de
obreiros. A ordenança tem o sentido de "ordem", "mandamento", "determinação", logo,
o sacramento pode ser entendido como uma ordenança.

Como o batismo em águas foi determinado por Jesus (Mc 16.16), os evangélicos em
geral assumem que esse rito sagrado é uma ordenança especial, deixada por Cristo à
sua igreja. A ideia do batismo como sacramento, no sentido exagerado que lhe fora
dado, levou certos crentes do quarto e do quinto séculos a entenderem o rito batismal
como um sacramento que transmite a salvação da alma, como os católicos ainda
acreditam.
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Com isso, querem dizer que uma pessoa não pode ser salva se não for batizada, nem
mesmo uma criança inocente, por isso batizam recém-nascidos. Tal sentido, aplicado
ao batismo, não tem fundamento no ensino geral das escrituras (Ef 2:8-9).

O argumento da Igreja católica romana que o batismo é necessário para a salvação é


muito semelhante ao argumento dos adversários de Paulo na Galácia, que disseram
que a circuncisão era necessária para a salvação. A resposta de Paulo é que aqueles
que exigem a circuncisão estão pregando "outro evangelho" (Gl 1:6), e acrescenta que
"Todos os que vivem pelas obras da lei estão debaixo da maldição" (Gl 3:10).

As ordenanças, determinadas por Cristo e celebradas por causa do seu mandamento


e exemplo, não são vistas pelos cristãos como capazes de produzir por si mesmas uma
mudança espiritual, mas como símbolos ou formas de proclamação daquilo que Cristo
já realizou espiritualmente nas suas vidas. Não significa, contudo, que disto não possa
gerar edificação pessoal ao crente, desde que devidamente realizadas (At 8:30-38).
Significado do batismo
O batismo não é mero rito religioso, mas uma ordenação divina dada por Cristo com
ênfase igual à da pregação do evangelho e que deve permanecer em vigor até ao fim
dos tempos e ser observada por todos os cristãos (Mt 28:19-20; Mc 16:15-16; Jo 1:33).
O batismo por imersão foi o método praticado no N.T. pois a palavra grega baptizo
significa “mergulhar ou imergir” algo na água, tanto na literatura grega como na bíblia
ou fora dela. O simbolismo da união com Cristo em sua morte, sepultamento e
ressurreição requer o batismo por imersão (Rm 2:28-29; 6:3-4; Cl 2:11-13;).
O batismo, portanto, ilustra claramente a morte de uma velha vida e ressurreição para
uma nova espécie de vida em Cristo, mas o batismo por aspersão ou derramamento
simplesmente não tem esse simbolismo.

O batismo e a santa ceia não são absolutamente necessários para a salvação, mas são
obrigatórios em vista do preceito divino. A negligência voluntária do seu uso ocasiona
a falência espiritual como acontece em toda desobediência persistente a Deus (Lc 7:30;
Jo 6:53;1Co 11:30). Ambos não originam a fé, mas a pressupõem e são ministrados
onde se supõe a existência da fé (At 2:41; 16:14,15,30,33; 1Co 11:23-32).

Algumas igrejas enfatizam que a coisa essencial que é simbolizada no batismo não é
a morte e ressurreição com Cristo, mas a purificação e limpeza dos pecados. É verdade
que o batismo também que é um símbolo óbvio de lavagem e limpeza e que as águas
do batismo simbolizam a limpeza e purificação dos pecados, como efeito da morte e
ressurreição com Cristo, mas somente se realizado devidamente (imersão) resulta em
edificação e fortalecimento espiritual aos partícipes (Cl 2:12).

Paulo fala da "lavagem da regeneração “, embora a palavra batismo não seja usada
nesta passagem é certamente verdade que há uma purificação dos pecados, que
ocorre no momento da conversão (Tt 3:5-6). A nossa implantação no corpo de Cristo
se torna efetiva pelo batismo. No batismo encontramos graça para subjugar o velho
homem e fortalecer-nos do novo, mantendo nosso voto batismal (Rm 6:3-6).
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Dizer que a lavagem dos pecados é o único fato (ou até mesmo o mais essencial)
ilustrado no batismo não representa fielmente o ensinamento do Novo Testamento. O
importante nesta questão é não perder de vista o significado e a beleza do batismo,
que ocasionam bênçãos para a igreja, já que o batismo nas águas pressupõe a
regeneração efetuada pelo Espírito Santo.
A quem a igreja deve batizar?

A escritura exige um pré-requisito: Somente aqueles que evidenciaram a


regeneração pelo Espírito Santo, ou seja, só devem ser batizados os que creem em
Cristo e o confessam como Senhor e Salvador (At 2:41; 8:36-38; Rm 10:8-10). João
Batista também enfatiza que é imprescindível “produzir frutos dignos de
arrependimento” (Mt 3:5-8), por este motivo o batismo de João no rio Jordão tornou-se
símbolo de purificação e pureza (Mc 1:5).
Devemos batizar crianças?

Na Nova Aliança é apropriado que os bebês não sejam batizados porque o batismo é
dado apenas para aqueles que dão provas de fé salvadora genuína, porque os
membros da igreja baseiam-se na realidade espiritual e não nos filhos biológicos. As
crianças têm natureza humana pecaminosa e são nascidas já em corrupção, portanto
perdidas em pecado (Rm 7:17-18; 8:20; Sl 51:5; 1 Tm 2:4-5), logo, a bíblia não indica
em nenhum momento que elas são sem pecado ou dignas do batismo, mas que sua
receptividade para o ensino é de humildade, intensa avidez e demonstram confiança
sincera que ilustram os traços necessários para a admissão no reino de Deus e seu
Cristo (Mt 19:14).

Dizer que a regeneração vai acontecer no futuro, quando a criança tiver idade suficiente
para vir à fé salvadora, como justificativa para o batismo é absurdo, porque é incerto se
a criança será regenerada no futuro, pois algumas crianças que são batizadas nunca
confessam a Cristo como Senhor e Salvador. Logo, o batismo simboliza o fato de que
a regeneração interna já aconteceu e não o contrário.

Muitos defensores do pedobatismo (batismo de crianças) afirmam que no novo


testamento há o batismo de famílias inteiras e que este fato é uma das justificativas
para tal prática, no entanto numa exegese mais apurada constatamos que o batismo
foi posterior tanto à pregação quanto a aceitação da Palavra por todos (Ef 1:13; Jo 4:53;
At 16:14-15; 32-34; 18:8; 1 Co 1:16; 16:15). Ademais, esses textos não trazem
nenhuma indicação se havia crianças ou não nessas famílias, assim fazer tal afirmação
é no mínimo “fabricar” uma doutrina a partir de uma especulação.

Outro texto que supostamente serviria de base é o discurso de Pedro no dia de


Pentecostes: “Porquanto a promessa pertence a vós e vossos filhos”. Realmente, a
promessa é para todos quantos o Senhor chamar, porém apenas “aqueles que
aceitaram a mensagem da pregação de Pedro foram batizados” (At 2:39-41).

A bíblia declara expressamente que as criancinhas também podem crer (Mt 18:1-6),
por isso ensina que tanto adultos como crianças – desde que já possuam maturidade

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para tal -- podem ser batizados (Is 7:14-16; At 10:44-48). Sua fé também não é uma
mera “fé potencial”, mas fé real, salvífica, também capaz de alcançar as promessas de
Deus oferecidas no batismo (1 Jo 2:12-14), assim, o batismo no Novo Testamento é um
sinal do nascer de novo, do ser purificado do pecado e o início da vida cristã, portanto
é conveniente reservar este sinal para aqueles que dão provas de que a fé cristã e o
arrependimento são uma realidade em suas vidas.

As palavras de Cristo garantem a salvação àqueles que morrem antes da consciência


moral, contudo a transgressão pessoal envolve a necessidade de um arrependimento
pessoal e fé para a salvação antes da morte.

Por fim, uma implicação prática do pedobatismo é que aqueles que foram submetidos
a ele venham supor que já foram regenerados e, portanto, não sentem a necessidade
e urgência de um novo nascimento, de uma ação regeneradora e transformadora pelo
Espírito Santo, resultando com isso membros não convertidos, perdidos dentro da
igreja.

Batismo pelos mortos: Analisando 1 Co 15:29. Não se pode afirmar que o batismo
possa ser realizado em favor daqueles que já morreram sem essa ordenança ou
sacramento. Este tipo de batismo era praticado por alguns hereges que, embora Paulo
não aprovasse, apenas cita o que eles tinham feito como um argumento contra suas
crenças, pois se submetiam a ele por não crerem na ressureição.
Quem pode batizar?

Se acreditamos verdadeiramente no sacerdócio de todos os crentes então parece que


não há necessidade, em princípio, para restringir o direito de batismo apenas aos
pastores ordenados (1 Pe 2:4-10), mas como o batismo serve como sinal e selo do
pacto da graça (Cl 2.11,12), e a união do batizando com o corpo de Cristo, a Igreja (Tt
3.5; Gl 3.27; 1 Co 12.13), logo parece apropriado que seja feito dentro da comunhão de
uma igreja, sempre que possível, para que a igreja como um todo possa se alegrar com
aquele que é batizado. Não sejamos desigrejados (Hb 10:25; 1 Co 12:13-14).

Portanto, se o batismo é um sinal de entrar em comunhão na igreja visível, então parece


apropriado que um representante ou representantes legais da administração sejam
nomeados pela igreja a fim de administrá-lo. Filipe pregou o evangelho em Samaria e
logo batizou aqueles que vieram à fé em Cristo (At 8:12).
Como se deve batizar?
Baptizein, sem dúvida, significa imersão (eintauchen). Não se pode achar nenhuma
prova de que signifique outra coisa no N.T. e na maior parte da literatura cristã. Não há
nenhuma passagem no N.T. que sugira a suposição de que qualquer autor do Novo
Testamento atribua à palavra baptizein outro sentido além de eintauchen =
untertauchen (imergir, submergir).
Logo, é a imersão e somente a imersão. A determinação de batizar é determinação de
imergir, além disso o batismo deve ser um ato público (Lc 12:08). Nenhuma igreja tem
o direito de modificar ou dispensar essa ordem, porque a igreja não é um corpo

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legislativo, mas somente executivo, portanto, só a autoridade que impôs as leis pode
modificá-las ou revogá-las, caso contrário a igreja estaria acima tanto das Escrituras
como de Cristo, como se procede no catolicismo (Mt. 5:19).
Somente a imersão satisfaz o desígnio da ordenança:
1. Porque só ela pode simbolizar a natureza radical da mudança efetuada na
regeneração – da morte espiritual para a vida espiritual.
2. Porque apenas a imersão pode estabelecer o fato de que essa mudança se deve
à entrada da alma em comunhão com a morte e ressurreição de Cristo.
Métodos usados para o batismo
Imersão: Os batistas e evangélicos pentecostais em geral aceitam a ideia de que o
batismo deve ser feito por imersão (mergulhar em água), seguido de emersão (sair da
água), visto que esse ato simboliza o "sepultamento/ressurreição" do batizando. Tal
entendimento tem base em Rm 6:3-5.

Efusão ou Afusão: Significa derramar ou entornar. Aqueles que praticam o


derramamento de água sustentam que significa o derramamento do Espírito Santo
sobre o crente e o ser cheio do Espírito (At 1:5). Na prática, é similar à aspersão como
modo de batismo (At 2:1-4; 10:44-48). Aqueles que derramam água sobre aqueles que
estão sendo batizados, batizam crianças, enquanto os imersionistas batizam somente
aqueles que alcançaram uma maturidade suficiente para crerem pessoalmente em
Cristo.

Aspersão: Ato de espalhar em gotas ou pequenas partículas. Igrejas presbiterianas,


metodistas e anglicanas adotam a aspersão, pois sustentam que o batismo significa a
purificação dos pecados do crente através do sangue de cristo. Estes batizam também
crianças porque enfatizam a conexão entre a circuncisão e o batismo. Isto é ensinado
em Colossenses 2:11-12 quando ambos — a circuncisão e o batismo em Cristo -- são
usados, seja de forma intercambiável ou como duas partes da mesma coisa. Para eles
os batismos, assim como a circuncisão, são estendidos também aos filhos.
A fórmula do batismo

Os cristãos em geral utilizam a forma trinitariana de batizar alguém, fazendo-o como


Jesus ordenou em Mt 28:19b: "Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em
nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo". No original grego, tal expressão é: “to
onoma tou patros kai tou hyou kai tou hagiou pneumatos”, significando "para uma
relação com o nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo".

Para isto, necessária se faz uma autêntica confissão de fé, mediante a qual a pessoa
a ser batizada confirma sua convicção de ser um verdadeiro discípulo de Cristo, já tendo
entregado sua vida e ele e aceitando-o como único e suficiente salvador (Jo 3:4-8).
Desta forma, entendemos que a fórmula trinitária é a mais correta e adequada para
batismo.

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O batismo na história

A instituição do batismo é uma ordem imperativa de Deus (Jo 1:33), que deve ser
observada até Jesus vir buscar sua igreja, contudo no mundo antigo e na época do N.T.
o batismo não era uma coisa inteiramente nova. Algumas religiões pagãs dispunham
de batismos por elas mesmas estabelecidos, contudo estes são de feitura humana e,
portanto, ineficazes.

Os egípcios, os persas e os hindus todos tinham os seus rituais de purificações


religiosas. Às vezes elas eram em forma de banhos no mar e, em outras, efetuadas por
aspersão.
A igreja católica romana
A igreja católica romana ensina que o batismo deve ser administrado às crianças. Isto
porque acreditam que o batismo é necessário para a salvação e que o ato do batismo,
por si só, produz regeneração. Portanto, nessa visão, o batismo é um meio pelo qual a
igreja dá a graça que salva as pessoas, crença que não encontra respaldo no ensino
geral das Escrituras.
Islamismo

Tornar-se muçulmano é um processo simples: tudo que uma pessoa tem que fazer é
dizer uma frase chamada testemunho de fé (shahada), que é pronunciada como: eu
testemunho “la ilaha illa allah, muhammad rasoolu allah”

Essas palavras árabes significam “não há verdadeiro Deus (divindade), exceto allah, e
muhammad (maomé) é o mensageiro (profeta) de Deus”. Uma vez que uma pessoa diz
o testemunho de fé (shahada) ela se torna muçulmana. A palavra “muçulmano” significa
“aquele que se submete a vontade de Deus”.

Judaísmo

É necessário passar ao menos um ano – algumas vezes dois ou mais – estudando e


vivendo uma vida judia antes que a conversão esteja finalizada. No final dos estudos
haverá um teste para determinar o quanto foi aprendido.

Uma cerimônia de conversão será marcada. Ela irá envolver um banho como ritual (a
imersão total do corpo em um mikveh), e se for um homem não circuncisado, precisará
passar pela circuncisão. Escolhe-se um nome em hebraico, porém o nome civil não é
abandonado.

Crianças nascidas antes da conversão dos pais não são consideradas judias. Se elas
quiserem ser judias, elas terão que passar pela conversão depois que chegarem à
idade de treze anos. Crianças nascidas de uma mulher depois de ter se convertido judia
são judias automaticamente.

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A INSTITUIÇÃO DA SANTA CEIA


Fundamento histórico: No Antigo Testamento, o comer e beber juntos tinham o
significado de uma refeição de aliança, na qual as duas partes tinham comunhão e
prometiam lealdade uma à outra (Gn 14:18-20; 26:28-30; 31:44-46,54).

Ao instituir a ceia de comunhão, o Senhor Jesus enfatizou os aspectos messiânicos e


escatológicos da refeição da pascoal. A refeição pascoal também prevê o banquete
messiânico final quando a obra divina de salvação for consumada e houver o
cumprimento da completa comunhão com o Senhor (Mt 26:29). A nova aliança entre
Deus e o seu povo foi assim confirmada pelo nosso Senhor na refeição de comunhão
antes de sua morte.
A Ceia na Nova Aliança

O apóstolo Paulo afirma que Cristo, a nossa páscoa, foi sacrificado por nós (1 Co 5:7).
João Batista havia anteriormente identificado Jesus como o verdadeiro Cordeiro de
Deus (Jo 1:25), antecipando que o seu corpo partido e o seu sangue derramado seriam
oferecidos para a redenção de seu povo.

No cenáculo, Cristo apresentou os novos símbolos - o pão e o vinho - como uma


lembrança de sua morte sacrificial, que deve ser comemorada na comunhão dos
crentes. O corpo e o sangue de Cristo (pão e vinho) são a nossa páscoa (1 Co 5:7). O
Senhor Jesus instituiu duas ordenanças (ou sacramentos) que devem ser observadas
pela Igreja. A ceia do Senhor é uma ordenança para ser observada repetidamente ao
longo da nossa vida cristã, como um sinal de comunhão permanente com Cristo. Outros
nomes significativos são: santa comunhão e eucaristia (grego = ação de graças).

Jesus instituiu a ceia do Senhor, como segue: enquanto comiam, Jesus tomou o pão,
abençoou-o. Em seguida, partiu-o e deu-o aos seus discípulos, dizendo:
Bebei dele todos vocês. Este é o meu sangue da aliança que é derramado por muitos
para remissão dos pecados. Digo-lhes que não beberei deste fruto da videira, a partir
de agora, até o dia em que beberei o vinho novo convosco no reino de meu Pai (Mt
26:26-29). Paulo acrescenta as seguintes frases da tradição que ele recebeu: este é o
cálice da Nova Aliança no meu sangue; fazei isso, sempre que o beberdes, em memória
de mim (1 Co 11:23-25).
Advertências e instruções
A igreja primitiva observava a prática da refeição em comum, conhecida como ágape
ou “festa do amor”, a qual precedia a Ceia do Senhor, todavia na igreja de Corinto as
desordens a transformaram em uma caricatura da verdadeira Ceia. Paulo os advertiu
severamente que quando eles se reuniam “não é para comer a ceia do Senhor”, pois
se deleitavam na bebedeira em plena luz do dia, descaradamente transformando as
refeições de comunhão cristã em festas de bebedeira. Além da divisão preconceituosa
entre pobres e ricos, não havia compartilhamento de comida, contrariando o costume
da refeição em comum.

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Se o propósito da festa do amor é deixado de lado, ou seja, a expressão do amor de


uns pelos outros através da comida compartilhada, que é a lembrança do grande amor
de Cristo, então é melhor comer em casa. Paulo faz menção à simplicidade com que o
Senhor Jesus ordenou esse ato de lembrança, pois assim como a Páscoa havia sido
um memorial de libertação de Israel do Egito, a ceia deve ser um ato de lembrança. O
partir do pão, portanto, é uma proclamação contínua da morte do Senhor e não um ato
de luto e lamento, mas uma ocasião de esperança viva até que ele venha.

O apóstolo adverte que embora a ceia seja o clímax da comunhão espiritual da festa
ágape, não pode se transformar em uma farra. A censura de Paulo à falta de amor e
ao espírito de divisão não é principalmente por ofensa contra os irmãos na fé, mas
contra a pessoa de Cristo que é simbolizada nos elementos da ceia.

O autoexame recomendado pelo apóstolo requer um escrutínio rigoroso do coração


para verificar a sua condição moral e espiritual antes de tomar a ceia. Quem participa
sem o devido autoexame não sabe discernir ente o corpo do Senhor e uma refeição
comum.
Um castigo é definido de acordo com a culpa em conexão direta com a falta do
autoexame, resultando no juízo divino. Este castigo objetiva uma disciplina com o
propósito de melhoria e crescimento espiritual, pois o castigo de Deus para os seus
filhos é sempre terapêutico, mesmo que inclua enfermidade e morte (Pv 3:11-12; 1 Co
5:3-5).
Significado da Ceia do Senhor
Na Ceia do Senhor, há vários símbolos e coisas que são declaradas:

1. A morte de Cristo: Quando participamos da Ceia do Senhor simbolizamos


a morte de Cristo, porque nossas ações pintam um retrato de sua morte por
nós. Quando o pão é partido, simboliza o corpo de Cristo; quando a taça é
derramada ela simboliza o sangue de Cristo que foi derramado por nós. Por
esta razão, participar da ceia do senhor é uma espécie de proclamação:
“porque sempre que comerdes este pão e beberdes deste cálice, anunciais
a morte do Senhor até que ele venha” (1 Co 11:26). Logo, Jesus estava
dando instruções para o seu próprio culto memorial.
2. Nossa participação nos benefícios da morte de Cristo: quando pegamos
a taça, cada um de nós proclama esta ação: "eu me aproprio dos benefícios
da morte de Cristo”. “Quando fazemos isto, simboliza o fato de que
participamos ou que nos apropriamos dos lucros auferidos por nós na morte
de Jesus.
3. Alimento espiritual: assim como a comida comum nutre nosso corpo físico,
do mesmo modo o pão e o vinho da Ceia do Senhor nos alimentam
espiritualmente (Jo 6:53-57).
4. A unidade dos crentes: quando os crentes participam juntos na Ceia do
Senhor também dão um sinal claro de unidade com o outro (1 Co 10:17).
5. Cristo confirma seu amor por nós: quando começamos a tomar a Ceia do
Senhor é reposta de novo a confiança do amor pessoal de Cristo para
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conosco. Jesus convida-nos para participar demonstrando, desta forma, seu


amor pessoal e individual.
6. Cristo disse que todas as bênçãos da salvação estão reservadas para
nós: quando vamos ao convite de Cristo para a Ceia do senhor,
asseguramos abundantes bênçãos para nós. (Hb 11:6).
7. Afirmamos nossa fé em Cristo: quando participamos do pão e do cálice
nossos atos proclamam que precisamos confiar em Jesus para perdoar
nossos pecados e nos conceder vida e saúde, pois nossos pecados foram a
causa do sofrimento e morte de Jesus.

Como Cristo está presente na Ceia do Senhor?

A transubstanciação: de acordo com o ensinamento da igreja católica romana, o pão


e o vinho se transformam no corpo e no sangue de Cristo, literalmente.
Segundo o ensino romano, isso ocorre quando o sacerdote diz: "este é meu corpo",
durante a celebração da missa. Enquanto o padre diz isso, o pão sobe à adoração. E é
adorado. Isto só pode ser realizado por um padre.
Quando Jesus diz: "isto é meu corpo", ele fala de forma simbólica, não literal, real e
física. Como mostrado acima, essa expressão se tornou a principal base para as
perspectivas católica e luterana da transubstanciação e consubstanciação
respectivamente. Esses argumentos, contudo, são frágeis quando se leva em conta o
fato de que a ceia precedeu a Paixão de Cristo, além de o próprio Cristo estar presente.

Ele também estava presente em seu corpo ressurreto nas refeições posteriores à
ressurreição. Por outro lado, ele não tem estado presente fisicamente desde a sua
ascensão. Isto significa que Jesus está ausente quando da celebração no compartilhar
do pão e do vinho? Claro que não, pois ele mesmo afirmou que estaria presente, mas
em espírito e em verdade (Jo 14:23; Mt 18:18-20).
Ceia e Expiação

Durante a Santa Ceia, nenhuma nova expiação é feita, por exemplo, para a culpa
temporal do pecado pós-batismal (Hb 7:27). O sacrifício em si não é repetido. Antes,
ele é recordado e concede a garantia de que o próprio Deus tem se lembrado de seu
povo em cumprimento à promessa da Nova Aliança.
O sacrifício único de Cristo não necessita nem de repetição, nem de suplementação;
sua função específica é enfatizar a historicidade do que ocorreu e a sua atual relevância
(Hb 9:25-28). As palavras e atos de Cristo são plenos de significado, pois nos mostram
a própria visão de Jesus em relação à sua morte e era pelo seu sacrifício expiatório que
ele desejava ser lembrado.

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AS BASES BÍBLICAS DA UNÇÃO


Conceito: Unção significa "ato ou efeito de ungir". Ungir quer dizer: "untar com óleo ou
com unguento"; "aplicar óleos consagrados “.

Unção com óleo: É o ato de derramar óleo sobre alguém ou sobre algum objeto, com
o objetivo de torná-lo consagrado a Deus ou de buscar a cura divina sobre o enfermo.

1. A unção na bíblia: Pode ser vista de modo abrangente, tanto no sentido


espiritual como no sentido prático da unção com óleo. Esta é uma prática bíblica
de muita importância pelo seu sentido simbólico e espiritual. Tanto no N.T. como
no A.T. encontramos respaldo para sua utilização, ainda que de modo
diferenciado.
2. Unção espiritual: É a capacitação dada por Deus a alguma pessoa,
credenciando-a para cumprir uma missão específica, dentro dos propósitos
divinos.
3. Jesus foi ungido: Jesus foi ungido pelo Espírito Santo, "para evangelizar os
pobres", "curar os quebrantados do coração, apregoar liberdade aos cativos...a
pôr em liberdade os oprimidos" (Lc 4:18). Ele foi ungido "com óleo de alegria"
(Hb 1.9). (Is 61.1; At 10.38).

A unção no Antigo Testamento


O óleo da unção: Era composto de "principais especiarias": mirra, canela aromática,
cálamo balsâmico, cássia e azeite puro de oliveiras. Era o "azeite da santa unção “(Êx
30:22-30). Era santo e sua utilização restrita* (Êx 30:31-33).

A unção dos objetos sagrados: O ato de ungir os objetos com o "azeite da santa
unção" dava-lhe um caráter sagrado (Êx 30:26-29; 40:9-11). Não podiam ser utilizados*
para outras finalidades. Belsazar foi castigado por ter feito uso dos vasos sagrados do
templo do Senhor (Dn 5.2-5; 26-28).
A unção dos sacerdotes: Os sacerdotes, após ungidos, eram considerados santos,
devendo dedicar-se ao serviço do Senhor. Hoje somos todos sacerdotes reais pela
unção espiritual (1 Pe 2:9). A unção dos reis: O azeite era derramado sobre eles, na
consagração para o cargo, como servos de Deus. Saul (1 Sm 10:1); Davi (1 Sm 16:13;
2 Sm 2:4; 11:7). Jeú (2 Rs 9.1,3). Salomão (1 Rs 1:39). A unção dos profetas: Elias
ungiu Eliseu (1 Rs 19:16).
A unção no Novo Testamento
A unção com óleo: Literalmente, há duas passagens relativas à unção com óleo (Mc
6:13; Tg 5:14)
A unção no sentido espiritual: No N.T. a palavra unção (do gr. Chrisma) só ocorre
três vezes (1 Jo 2:20,27). O verbo ungir (chrío) aparece cinco vezes (Lc 4:18; Tt. 4:27;
20:38; 2 Co 1:21; Hb 1:9). Já o adjetivo christós (Cristo) ocorre mais de 500 vezes, em
diversas referências (Mt 1:1 e Ap 22:21)

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Os apóstolos foram ungidos: Pedro era ungido de tal modo que as pessoas
colocavam os doentes sob sua sombra para que fossem curados (At 5:15-16). De
Paulo, levavam-se "lenços e aventais" e "as enfermidades fugiam deles" (At 19:11-12).

Os crentes fiéis são ungidos: Mas o que nos confirma convosco em Cristo, e o que
nos ungiu é Deus, o qual também nos selou e deu o penhor do Espírito em nossos
corações (2 Co 1.21- 22; Ef 1:3).
A unção dos enfermos

Os discípulos ungiam: É a única referência nos evangelhos sobre esse trabalho dos
discípulos. A unção com óleo era algo muito comum, embora Jesus não o utilizasse
como elemento auxiliar em suas curas (Mc 6:13). A unção pelos presbíteros: Tiago
ensina como agir quando um crente está doente, orientando que os presbíteros sejam
chamados para orarem por ele e ungindo com óleo em nome de Jesus (Tg 5:14).

No preparo para a sepultura: Era um costume oriental para retardar a decomposição


do corpo (Mc 14:8; Lc 23:56). A unção de hóspedes: Uma mulher ungiu os pés de
Jesus e ele censurou o anfitrião fariseu por este não ter ungido com óleo a cabeça do
Mestre (Lc 7.38,46).
Quem pode ungir?
Os ministros do evangelho: São os membros do ministério os mais indicados para
realizar a unção com óleo, pois são citados explicitamente como credenciados para tal
finalidade (Tg 5:14-15). Os obreiros em geral: Na ausência dos ministros ou por eles
delegados ou comissionados é admissível que diáconos, auxiliares e obreiros em geral
utilizem deste expediente para ungir os enfermos. Os discípulos ungiam sob comissão
e delegação de Jesus (Mc 6:13; Jo 4:1-2). Normalmente, quando a doença não é grave
ao ponto de impedir o enfermo de ir à igreja, o padrão é “orar uns pelos outros”.

Que partes do corpo podem ser ungidas? Normalmente, deve-se ungir a cabeça do
doente. No A.T. sempre a unção era sobre a cabeça (Sl 23:5; 133:2) a mulher pecadora
ungiu os pés de Jesus, mas não em caso de enfermidade. Atualmente há certas
práticas utilizadas por alguns de ungir inclusive as partes íntimas das pessoas
enfermas. Isto é falta de sabedoria ou malandragem mesmo em português claro!
A unção e o pecado

Tiago examina a relação que às vezes existe entre doença e pecado. Nem toda doença
tem relação direta com o pecado (Jo 5:14; 9:3), mas o pecado pode causar a doença
(1 Co 11:29-30; Ap 2:22). Se o pecado está realmente implícito, então deve ser tratado
antes. Tiago assegura aos seus leitores de que tais pecados serão perdoados.

Conclusão: A unção espiritual deve fazer parte da vida dos crentes e em especial da
vida dos obreiros. A oração pelos enfermos deve ser prática comum em todas as igrejas
cristãs, se possível em todas os cultos. Sempre há pessoas necessitadas de receber a
oração da fé, com o recurso da unção com óleo. Esta deve ser feita não apenas como
mero ritual, mas como um gesto de fé no poder do nome de Jesus.

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BÍBLIA CATÓLICA x EVANGÉLICA


O Cânon do Antigo Testamento e os Apócrifos: A palavra “cânon” deriva do grego
kanõn, uma palavra cujo significado literal é vara, barra ou linha, como a linha do prumo
de um pedreiro. A palavra passou a ter significado metafórico de padrão pelo qual as
pessoas compravam coisas e pelo qual julgavam suas qualidades ou valor (Gl 6:16).
Daí surgiu a ideia de aplicar a palavra cânon a uma lista de escritos sagrados que
possuíam autoridade divina especial. É este significado que temos em mente quando
falamos do cânon do A.T.
A palavra “apócrifos” também deriva de uma palavra grega – apokryphos, que
originalmente significa “coisas escondidas, secretas”, “coisas obscuras, de difícil
compreensão”. Com o passar do tempo tornou-se o termo técnico aplicado aos livros
dignos de serem lidos na igreja, mas não de serem empregados para estabelecer
doutrinas.

Há também livros que foram definitivamente perdidos, como o Livro das Guerras do
Senhor (Nm 21:14), o Livro de Jasar (Js 10:13; 2 Sm 1:18), Livros dos Registros
Históricos de Salomão (1 Rs 11:41), História do Profeta Ido (2 Cr 13:22), Crônicas do
Profeta Natã e Crônicas de Gade, o vidente (1 Cr 29:29).

A igreja católica considera a bíblia protestante como uma bíblia católica incompleta,
pois os protestantes, segundo eles, não aceitam os livros de Tobias, Judite, Sabedoria,
Eclesiástico, Baruque, 1 e 2. Macabeus, bem como os capítulos 10 a 16 de Ester e os
capítulos 13 e 14 do livro de Daniel, pois julgam que estas partes não são canônicas
ou inspiradas por Deus.
O que a bíblia fala sobre tradições?

Tradição: são informações, costumes, crenças e práticas religiosas transmitidas


oralmente de geração a geração. São as crenças e práticas religiosas das pessoas em
geral.

Devemos ter cuidado com as filosofias e tradições do mundo (Mt 2:1-11), a fim de
retermos as tradições que foram ensinadas, mas segundo as escrituras, pois não pode
haver contradição, como os fariseus que davam mais valor às tradições do que à Lei
(Mc 7:5-13;2 ts 2:15).

Jesus não proibiu aos discípulos quebrar tradições, mas justificou dizendo que tais
tradições eram apenas humanas e, no caso dos fariseus, a aplicação delas muitas
vezes tinha como único objetivo a rejeição dos mandamentos de Deus. Se as tradições
contradizem as escrituras, devem cessar! (Mt 15:9)
A tradição na igreja católica
A igreja católica defende a tradição oral da liturgia como superior ou de mesma
autoridade que a escritura sagrada, pois diz que os ensinos de Jesus estão na bíblia e
na tradição. A igreja católica afirma que os protestantes não têm nenhuma ligação com
a igreja dos apóstolos, pois, para eles, Pedro foi o primeiro papa.
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Para a igreja católica a Palavra de Deus não é só a bíblia, mas a bíblia é a Palavra de
Deus, porque ela é infalivelmente inspirada. Para a igreja romana, por mais sagrado e
inspirado que seja um livro, ele não pode conter toda a Palavra, pois muitas coisas que
Jesus ensinou não foram escritas e essas coisas constituem a tradição da igreja (Jo
21:25).

Segundo ensinam, não se pode saber com certeza que livros contem na realidade a
doutrina de Cristo, nem qual o seu verdadeiro sentido, a não ser pelo ensino da tradição
católica. Ignoram, com estes ensinos, o mandamento de Jesus, afirmando que
nenhuma tradição pode invalidar a Escritura Sagrada (Mc 7:5-13).
Segundo a tradição católica Maria foi:

 Concebida sem pecado (Rm 3:23)


 A assunção de Maria ao céu foi semelhante à de Jesus (At 1:9-11).
A bíblia sagrada

Antigo Testamento: formado por 39 livros escritos originalmente em hebraico. É um


relato histórico da obra de Deus na terra antes do nascimento de Jesus. Moisés, Isaías,
Daniel e Davi estão entre os principais escritores que durante milhares de anos o
escreveram. O cânon do A.T. o mesmo para os judeus e os evangélicos.
O velho testamento se divide em 3 partes principais:

 História
 Poesia
 Profecia
Novo Testamento: seus 27 livros escritos foram escritos em grego e num espaço de
cerca de 50 anos. Sua mensagem principal se refere à obra redentora de Jesus Cristo
e à igreja cristã primitiva, mas também oferece preciosos mandamentos sobre a vida
com Deus.
Pode ser dividido em 3 partes:

 Evangelhos.
 Epístolas.
 Profecia.
Que são livros apócrifos?

Apócrifos: palavra comumente usada para designar uma coletânea de livros


edificantes, porém não incluídos no cânon das escrituras, por não serem considerados
divinamente inspirados.

Os apócrifos são escritos excluídos do cânon bíblico, quer os autores dos livros fossem
conhecidos ou não. Alguns dos livros tem erros históricos e representam ética e teologia
em desacordo com o ensino geral das Escrituras. A exclusão dos apócrifos pelos judeus
farisaicos já havia ocorrido na época do historiador Flávio Josefo (37-100 d.C.) e
nenhum livro dos apócrifos é citado diretamente no N.T.

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No Concilio de Trento (1546) a igreja católica ratificou a canonicidade desses livros


como encontrados na edição da vulgata e excomungava todos aqueles que negassem
sua posição. Esta declaração foi posteriormente confirmada pelo Concílio Vaticano
(1870).

Os apócrifos possuem erros e discrepâncias históricas e geográficas, ensinam


doutrinas falsas divergindo das outras escrituras tanto do Novo quanto do Antigo
Testamento. Possuem estilos artificiais e diferentes das Escrituras e faltam elementos
de autenticidade, não foram acatados por Jesus e eram combatidos pelos apóstolos
(Gl 1:6-9).

Os livros apócrifos aceitos pelos católicos são os seguintes: Tobias, Judite, Sabedoria
de Salomão, Eclesiástico ou Sirácida, Baruque, Epístola de Jeremias, primeiro e
segundo Macabeus e os acréscimos a Ester (6 capítulos) e a Daniel (2 capítulos: a
oração de Azarias, a canção dos três jovens e as histórias de Suzana e de Bel e do
dragão).
Conteúdo dos apócrifos do N.T.

Em geral, as categorias tratadas resumem-se nos períodos iniciais e paixões dos


evangelhos, atos, cartas e apocalipses. Os escritores tentaram fornecer informações
sobre períodos em que o material bíblico é desejado, tais como os anos ocultos da vida
de Jesus ou detalhes sobre o que o homem que foi arrebatado até ao terceiro céu
poderia ter visto (2 Co 12:2). Alguns escritos apócrifos do N.T. já eram conhecidos dos
patriarcas da igreja primitiva.

A igreja romana aprovou os apócrifos em 8 de abril de 1546 como meio de combater a


Reforma Protestante. Nessa época os protestantes combatiam violentamente as
doutrinas romanistas do purgatório, da oração pelos mortos, salvação pelas obras, etc.
e os romanistas viam nos apócrifos base para tais doutrinas e apelaram para eles
aprovando-os como canônicos (divinamente inspirados).
Conteúdo dos apócrifos do A.T.

Tobias - (200 a.c.) - é uma história novelística que retrata a vida do judeu no cativeiro
e sobre a bondade de Tobiel (pai de Tobias) e alguns milagres preparados pelo anjo
Rafael. Ensina a justificação pelas obras (4:7-11; 12:8), mediação dos santos (12:12),
superstições (6:5, 7-9, 19), e até um anjo que engana Tobias e o ensina a mentir (5:16-
19).

Tobias 6:5-9: e o anjo, respondendo, disse-lhe: se tu puseres um pedacinho do seu


coração sobre brasas acesas, o seu fumo afugenta toda a casta de demônios, tanto do
homem como da mulher, de sorte que não tornam mais a chegar a eles (Mt 12:26; Mc
16:17; At 16:16-18).

Ensinam que esmolas e boas obras limpam pecados e salvam a alma: Tobias 12:8, 9 -
“a esmola livra da morte (eterna), e é a que apaga os pecados, e faz encontrar a
misericórdia e a vida eterna”; nos livros apócrifos os anjos mentem (Tobias 5:15-19) -

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peço-te que me digas de que família e de tribo és tu? O anjo Rafael disse-lhe: ..., mas
para que te não ponhas em cuidados, eu sou Azarias, filho do grande Ananias.

Baruque - (100 a.C.) - é um lamento sobre a queda de Jerusalém que confessa a culpa
de Israel e promete uma restauração de uma maneira profética. Apresenta-se como
sendo escrito por Baruque, o cronista do profeta Jeremias, numa exortação aos judeus
quando da destruição de Jerusalém. A data é muito posterior, quando da 2ª. destruição
de Jerusalém, antes de Cristo. Seu principal erro é o ensino da intercessão pelos mortos
(3:4).

Eclesiástico é uma coletânea variada de sábios provérbios que trata de todas as áreas
da vida. Provérbios é o paralelo canónico mais próximo. O livro termina com o “louvor
dos pais” que examina os méritos dos valores do A.T.

Eclesiástico - (180 a.c.) - é muito semelhante ao livro de Provérbios, não fosse as tantas
heresias: justificação pelas obras (3:33,34), trato cruel aos escravos (33:26 e 30; 42:1
e 5), incentiva o ódio aos samaritanos (50:27 e 28). Justificação pelas obras:
(eclesiástico 3:33) - ... A esmola resiste aos pecados (Hb 9:11,12,22; 1 Pe 1:18, 19;
Rm.3:20, 24 e 29).

Sabedoria de Salomão - (40 a.D.) - livro escrito com finalidade exclusiva de lutar contra
a incredulidade e idolatria do epicurismo (filosofia grega na era cristã). Apresenta: o
corpo como prisão da alma (9:15), doutrina estranha sobre a origem e o destino da
alma* (8:19 e 20), salvação pela sabedoria* (9:18). Consiste de uma literatura do tipo
sabedoria, na qual se zomba da idolatria e se louva a sabedoria. O destino dos justos
e dos ímpios é contrastado.

Ensinam a existência de um lugar chamado purgatório: este é o ensino herético e


financeiramente conveniente para a igreja católica de que o homem, mesmo morrendo
perdido, pode ter uma segunda chance de salvação. (Sabedoria 3:1-7)

A igreja católica tenta defender a imaculada conceição baseando-a em uma deturpação


dos apócrifos (Sabedoria 8:9,20) - contradizendo: (Lc. 1:30-35; Sl 51:5; Rm 3:23).

Adições a Daniel: cap.13: a história de Suzana - nesta lenda Daniel salva Suzana num
julgamento fictício de falsos testemunhos. Cap.14: Bel e o dragão – fala sobre a
necessidade da idolatria; cap. 3:24-90 - o cântico dos 3 jovens na fornalha.

A oração de Azarias é um acréscimo a Daniel que pretende expressar os sentimentos


dos três judeus enquanto estavam na fornalha de fogo ardente. Susana é uma história
reveladora criada para exaltar a sabedoria de Daniel, que demonstra a inocência da
mulher falsamente acusada. Bel e o dragão também exalta a sabedoria de Daniel e
satiriza a idolatria.

As adições a Ester são seis passagens suplementares acrescentadas para completar


a história canônica.

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Os apócrifos contêm lendas, erros históricos, geográficos e heresias

Judite - (150 a.C.). É a história de uma heroína judia viúva e formosa que salva sua
cidade enganando um general inimigo e decapitando-o. Grande heresia é a própria
história onde os fins justificam os meios. Judite não pode ser histórico porque contém
erros evidentes, por exemplo, a suposição de que Senaqueribe era filho de Salmaneser
(1:15) em vez de Sargão II, e que Nínive foi tomada por Nabucodonosor e por Assuero
(14:15) em vez de Nabopolassar e por Ciaxares.
Os dois livros dos Macabeus são assim denominados por causa do apelido do mais
ilustre filho de Matatias, Judas, chamado o Macabeu – O Martelo. Não constam na
bíblia hebraica e são considerados apócrifos pelos judeus e pelas igrejas protestantes.

1 Macabeus - (100 a.c.) - descreve a história de 3 irmãos da família “macabeus”, que


no chamado período ínterbíblico (400 a.C. 3 a.D) lutam contra inimigos dos judeus
visando a preservação do seu povo e terra.

2 Macabeus - (100 a.c.) - não é a continuação do 1 Macabeus, mas um relato paralelo,


cheio de lendas e prodígios de Judas Macabeu. Apresenta: a oração pelos mortos
(12:44-46), culto e missa pelos mortos (12:43), o próprio autor não se julga inspirado
(15:38-40; 2:25-27), intercessão pelos santos (7:28 e 15:14).

O livro não-canônico de 2 Macabeus registra que bem antes da invasão babilônica,


Jeremias “pela fé da revelação, havia desejado fazer-se acompanhar pela arca e pelo
tabernáculo, quando subisse a montanha que subiu Moisés para contemplar a herança
de Deus (quer dizer, Monte Nebo Dt 31:1-3). No momento em que chegou, descobriu
uma grande caverna, na qual guardou a arca, o tabernáculo e o altar dos perfumes; em
seguida, tapou a entrada” (2 Macabeus 2:4-5).

No entanto, “Alguns daqueles que o haviam acompanhado voltaram para marcar o


caminho com sinais, mas não puderam achá-lo. Como é um livro apócrifo, não sabemos
se essa narrativa é verdadeira.

Nenhum dos sete livros apócrifos aceitos pelos círculos do catolicismo romano está
citado no N.T
Paulo faz três citações de autores gregos [Minos At 17:28; Thais de Menandro 1 Co
15:33; Epimênedes Tt 1:12]. A última referência fala do autor cretense como um profeta,
mas todas as três citações foram obviamente feitas com propósitos ilustrativos e suas
fontes não são consideradas como divinamente inspiradas.

Em Judas 14 existe uma citação do livro de Enoque, onde está escrito que Enoque
profetizou a condenação dos pecadores. Aqui também podemos afirmar que Enoque
foi citado apenas com o propósito de ilustrar e confirmar. O texto de Enoque é duvidoso
pois ele existe somente em uma única tradução, exceto em relação a algumas partes
encontradas nas cavernas próximas ao Mar morto. Ele não foi aceito pelos judeus como
um texto oficial, divinamente inspirado e nunca apareceu em qualquer relação cristã ou
enumeração de livros canônicos.

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A LEI MOSAICA E SEU SIGNIFICADO ATUAL


Quando se faz referência à Lei de Moisés nas igrejas, geralmente está se falando dos
Dez Mandamentos, mas isso é um engano, pois cumprir a Lei mosaica é muito mais:
ela é composta de todo o código de leis formado por 613 disposições, ordens e
proibições. Em hebraico a Lei é chamada de Torá, que pode significar lei como também
instrução ou doutrina. O conteúdo da Torá são os cinco livros de Moisés, mas o termo
Torá é aplicado igualmente ao Antigo Testamento como um todo.
No judaísmo ortodoxo, além dessas 613 ordenanças, ainda há as leis do Talmude, a
transmissão oral dos preceitos religiosos e jurídicos compilados por escrito entre os
séculos III-VI d.C. A Torá e o Talmude são o centro da devoção judaica.

É interessante observar que Jesus posicionou-se claramente a favor do código legal


mosaico, pois disse: “Não penseis que vim revogar a Lei ou os profetas; não vim para
revogar, vim para cumprir” (Mt 5:17). Entretanto, ele rejeitou com veemência as
ordenanças humanas e as obrigações impostas apenas pela tradição judaica
(compiladas, posteriormente, no Talmude), afirmando: “Negligenciando o mandamento
de Deus, guardais a tradição dos homens (Mc 7:8-13).

Teologicamente, divide-se a Lei em três partes: a lei civil, a lei cerimonial e a Lei Moral,
conforme a seguir:

1. A Lei Civil ou Judicial: Eram aplicações especificas da lei para Israel enquanto
nação, é a legislação dada à sociedade ou ao Estado de Israel, por ex.: os crimes
contra a propriedade e suas respectivas punições e também instalar parapeitos
nos topos das casas para evitar que alguém caísse. Estas leis perderam a sua
força com a passagem de Israel enquanto nação.
2. A Lei Religiosa ou Cerimonial: Regulava o sacerdócio, os sacrifícios, comidas
puras e impuras, as cerimonias no santuário do tabernáculo e, posteriormente,
no templo. Os sacrifícios e cerimonias são tipos e figuras de Cristo e passaram,
perderam a força de lei com o rasgar do véu porque a lei cerimonial foi cumprida
na manifestação pessoal de Cristo.
3. A Lei Moral: Não é anulada, pelo contrário, são explicadas e reforçadas porque
tem princípios vigentes antes mesmo da queda e foram reveladas
gradativamente por Deus. Representa a vontade de Deus para com o homem,
no que diz respeito ao seu comportamento e seus deveres principais.
Sobre a Lei civil, temos: Disse-lhes então: Dai, pois, a César o que é de César, e a
Deus o que é de Deus (Lc 20:25), mostrando a separação entre o governo humano e o
divino, nesta nova era, que é diferente da de Israel. Na prática, devemos nos comportar
como se tudo o que fizermos levasse a assinatura de Jesus.

Sendo assim, bem sabemos que Jesus disse: Não cuideis que vim destruir a lei ou os
profetas: não vim ab-rogar, mas cumprir. (Mt 5:17). Então, quando Jesus veio, Ele
cumpriu toda a Lei Divina, tanto à sombra da lei cerimonial (sacrifício único e perfeito,
sacerdócio eterno, etc.) e da lei civil (assumindo o reinado messiânico, etc.), como a
Lei Moral.
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A lei cerimonial são questões como: forma de governo, circuncisão, “carne de porco”,
sacrifícios, quem pode ser sacerdote, etc. Estas leis se referiam à maneira como Deus
lidava com o pecado, centralizando-se no santuário, em sacrifícios de sangue e no
ministério sacerdotal. A lei cerimonial é de grande valia porque prenuncia a importância
de Jesus e da natureza de sua obra vicária.
Para os judaizantes crer em Cristo não era suficiente, diziam que era necessário
também obedecer a lei cerimonial para ser salvo. Abraão, contudo, foi justificado pela
fé antes mesmo de ser circuncidado e é apenas pela fé que os antigos foram
justificados.
Estas vertentes da lei foram abolidas, como podemos constatar: “Porque mudando-se
o sacerdócio, necessariamente se faz também mudança da lei” (Hb 7:12). Lendo o
contexto, percebe-se que a lei ao qual o autor de Hebreus se refere é a lei que constitui
sacerdotes, ou seja, a lei cerimonial. Jesus, pela sua morte na cruz, cumpriu a lei
cerimonial ele expiou os nossos pecados e nos reconciliou com Deus.
A lei moral reflete o caráter de Deus e tem origem mesmo na criação, visto que a morte
reinou desde Adão até Moisés. Se há a morte, então há pecado; portanto a lei mosaica
de certa forma já estava ali presente, ou seja, o suficiente da lei moral de Deus já estava
escrito no coração dos homens para torná-los culpados e sem desculpa diante de Deus.

Foi a primeira e a que Deus escreveu em pedras para sempre no monte Sinai e
estabelece importantes princípios que abrangem todos os atos e relacionamentos
humanos. Logo, não foi abolida, porque nem o pode ser, pois é um reflexo do caráter
Santo de Deus e é o caráter divino que define algo como pecado.

Um incidente bíblico reafirma a validade da lei moral de Deus em todos os tempos,


tanto na antiga como na nova aliança e reforça o relacionamento da lei com o amor que
Jesus nos ensinou. Em Mt 22:34-40, os fariseus não estavam inquirindo em
sinceridade, mas queriam, como sempre, confundir a Jesus. Na verdade, queriam fazer
uma “pegadinha” quando perguntaram a ele qual era o maior dos mandamentos. Eles
se entregavam a esse tipo de discussão continuamente e geravam grande controvérsia,
com a defesa de um ou de outro mandamento.

Nesse sentido, pensavam que qualquer que fosse a resposta de Jesus iriam indispô-lo
com um grupo ou com outro. Jesus, entretanto, não cita nenhum mandamento
específico do decálogo, mas faz referência, conjuntamente, a dois trechos conhecidos
das escrituras (Dt 6:5 e Lv 19:18), fornecendo um resumo dos dez mandamentos,
conforme a seguir:

 Mandamentos 1 a 4: Nossas obrigações para com o nosso Criador – Deus.


 Mandamentos 5 a 10: Nossas obrigações para com o nosso semelhante.
Jesus apresenta exatamente esse mesmo entendimento da Lei em Mt 22:37-40.

 Mandamentos 1 a 4: verso 37: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu


coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento.
 Mandamento 5 a 10: verso 39: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.
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Jesus, portanto, não descarta a lei, pois ele foi o exemplo de cumprimento dela e aqui
ele a resume, utilizando declarações do próprio Antigo Testamento. O seu ensino
expande o entendimento anterior que se possuía da lei. O homem odeia Deus e odeia
também a lei; de modo que o homem precisa da lei moral revelada a ele de uma
maneira mais clara, mais permanente.
Deus está interessado não apenas no cumprimento externo da lei - naquele
evidenciado aos circunstantes, mas naquele cumprimento que procede de uma
profunda convicção interna: do amor tanto por Deus quanto pelo próximo. Esta é a regra
para a sociedade em geral e o critério pelo qual todo homem será julgado, pois traz
convicção de pecado e mostra a necessidade que temos de um salvador, mostrando
como devemos viver tendo sido salvos por Cristo, expressando assim nosso amor por
ele.

Esse é o cumprimento que surge de uma vida transformada, tocada e operada pelo
Espírito Santo de Deus. O verdadeiro amor a Deus se demonstra em ações concretas
que o agradam pelo cumprimento de suas diretrizes, como está escrito: "Se me amais,
guardareis os meus mandamentos"(Jo 14:15). A forma de demonstrarmos amor para
com o nosso próximo é demonstramos respeito através do preenchimento de nossas
obrigações para com os nossos semelhantes, ou seja, pelo cumprimento dos
mandamentos.

É da maior importância compreender o verdadeiro caráter e o objetivo da lei moral,


como nos é apresentada em Êx 20, porque existe uma tendência natural do homem
para confundir os princípios da lei com os da graça, de maneira que nem a lei e nem a
graça pode ser compreendida perfeitamente, caso haja um sincretismo exacerbado
tentando fundir os dois princípios, já demonstrado aqui que são mutuamente
excludentes. Paulo argumenta que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei e
uma vez justificado pela fé, o crente tem que cumprir as justas exigências da lei, pelo
amor, exigências essas resumidas nos dois grandes mandamentos nos quais Jesus
resumiu toda a lei.

Não estar debaixo da lei significa que não estamos debaixo da lei enquanto um caminho
para a salvação pelo mérito próprio. Não são nossas obras que irão nos salvar; mas
sim a graça presente de Deus que irá nos salvar. Assim, todo crente (judeu ou gentio)
deve cumpri-la e só conseguimos cumpri-la através do poder regenerador e santificador
do Espírito Santo. No NT não existe mais diferença entre judeu e gentio, todos estão
debaixo da mesma condenação, todos têm acesso a Deus em um Espírito e todos têm
que cumprir a mesma lei, a lei de Cristo, que é a divina lei moral.

É um pecado maior quebrar a lei e violar os mandamentos da lei moral, mas é um


pecado ainda maior ensinar que não se deve mais observar a lei moral. A lei moral deve
ser observada até ao final dos tempos. Jesus deixa claro que Moisés devia ser
obedecido e Jesus mostra um ensino mais aprofundado que o dado por Moisés.
Vivemos um pacto mais rico, mais profundo; Jesus deixa claro que amar a ele é guardar
os seus mandamentos porque ele não nos deu mandamento novo, mas os mesmos
dados por Moisés.

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Devemos guardar o sábado?


Uma dúvida recorrente de muitos crentes é se devemos guardar o sábado ou o domingo
como dia de descanso e adoração. A questão a ser debatida é se existe alguma
recomendação no N.T. que nos remeta à guarda do sábado como dia obrigatório de
descanso e adoração.
Sábado (grego sabbaton, hebraico shabbãth), tem em sua raiz o significado de
cessação de atividade. Segundo o Dicionário VINE, “a ideia não é de relaxamento ou
repouso, mas de cessação de atividade”.
O “descanso” de Deus não quer dizer que ele ficou cansado, mas que suspendeu sua
atividade criadora. O princípio da criação do shabbath é destinar um dia ao repouso e
ao exclusivo culto ao Senhor: “Seis dias trabalharás, mas o sétimo dia será o sábado
do descanso solene, santo ao Senhor” (Êx 31:15).
A finalidade do 4º mandamento era nos lembrar do descanso que Deus nos dá, pois
Deus destinou o sétimo dia não só para repouso e memorial do término de sua
criação, mas como dia de culto, adoração e comunhão com ele (Êx 16:27; 31:12-17).
É importante frisar que nenhum dos patriarcas guardava o sábado! Não existe
passagem alguma na bíblia mostrando que Abraão, Isaque e Jacó faziam isso porque
o sábado vigorou desde a peregrinação no deserto do Sinai até João Batista (Mt 11:13),
pelo fato de o sábado representar o selo da aliança mosaica (Is 56:4-7).
Também é importante frisar que guardar a lei não significa apenas observar os dez
mandamentos, pois eles são apenas um resumo da lei de Moisés que consiste nas leis
cerimonial, civil e moral. Essas leis foram sombras das coisas futuras e embora
estabelecidas como estatuto perpétuo, como também a páscoa, a queima de incenso,
o sacerdócio levítico e as ofertas de paz, vigoraram até o estabelecimento do novo
pacto com o sacrifício expiatório de Cristo.
O sábado estava relacionado com a lei cerimonial de Israel, “Porque mudando-se o
sacerdócio, necessariamente se faz também mudança da lei” (Hb 7:12). Logo, não
existe nenhuma obrigatoriedade para a igreja hoje em observar o dia de sábado, pois
não há nenhuma referência quanto a isto no N.T. e a guarda do sábado tampouco é
condição para salvação como defendem alguns.
Jesus e os apóstolos ratificaram todos os mandamentos dados no Sinai, exceto a
guarda do sábado porque em nenhuma parte do Novo Testamento encontraremos a
ordem para guardar o sétimo dia. Vejamos o Decálogo e a correspondente instrução
na Nova Aliança: 1º “Não terás outros deuses diante de mim” (At 14:15); 2º “não farás
para ti imagem de escultura” (1 Ts 1:9; 1 Jo 5:21); 3º “não tomarás o nome do Senhor
teu Deus em vão” (Tg 5:12); 4º “Lembra-te do dia do sábado para o santificar” (não
mencionado no NT); 5º “honra teu pai e a tua mãe” (Ef 6:2); 6º “não matarás” , 7º “não
adulterarás”, 8º “não furtarás”, 9º “não dirás falso testemunho” (Mt 19:18); 10º “não
cobiçarás” (Rm 13:9).
Outro fato fortemente significativo é que os apóstolos não incluíram nos decretos do
Concílio de Jerusalém a obediência ao sábado nos requisitos estabelecidos para os
cristãos gentios (At 15:28-29). O sábado era um sinal, como o foi a circuncisão, entre
Deus e o povo de Israel, assim como o arco-íris é um sinal do pacto com Noé. Então,
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a guarda do sábado foi uma “sombra das coisas futuras”, mas a realidade está em
Cristo.
Cada um desses princípios contidos nos dez mandamentos é restabelecido num outro
contexto no Novo Testamento, exceto, é claro, o mandamento para descansar e cultuar
no sábado”. Jesus não fazia distinção entre leis morais e leis cerimoniais, no entanto é
possível fazer esta divisão para melhor compreensão. Ele afirmou que não veio anular
a lei, mas cumpri-la (Mt 5:17) e em seguida, cita o sexto mandamento, “não matarás”
(v.21); o sétimo, “não adulterarás” (v.27); o nono, “não dirás falso testemunho” (v.33);
cita Levítico 24:20 “olho por olho, dente por dente”; cita Levítico 19:18 sobre o “amor ao
próximo”, logo, a “lei” a que Jesus se referiu não diz respeito somente aos dez
mandamentos, mas abrange todas as leis: moral, civil e cerimonial.
A principal proibição bíblica em relação ao sábado era contra o trabalho nesse dia
específico (Êx 20:10), contudo o A.T. não define detalhadamente o trabalho, mas proíbe
especificamente acender fogo (Ex 35:3), juntar lenha (Nm 15:32), carregar peso (Jr
17:21.), viajar (Êx 16:29) e fazer negócios (Am 8:5; Ne 10:31; 13:15-19) também eram
atividades proibidas.
Com o desenvolvimento da Sinagoga durante o período intertestamentário, o sábado
tornou-se um dia de adoração e estudo da lei, assim como um dia em que cessava o
trabalho. O início do legalismo e das mesquinhas restrições na obediência ao sábado,
ocorreram durante esse período, por esse motivo Jesus declarou que o sábado havia
sido feito para o homem e não o homem para o sábado (Mc 2:27-28).
Os fariseus regulamentaram o sábado, como por exemplo: definiram quantos kg
poderiam carregar, quanto tempo o fogo poderia ficar acesso, qual a distância que
poderiam percorrer, etc...
Um exemplo é o caminho de um sábado. Essa expressão é usada em Atos 1:12 para
expressar o local em que aconteceu a ascensão do Monte das Oliveiras. Este local
estava situado à distância de um sábado de Jerusalém, isto é, a distância que um judeu
poderia viajar em um sábado sem infringir a lei. Essa distância de 2000 côvados ou
1000 metros foi calculada com base em Josué 3:4, onde foi dito que a arca viajou 2000
côvados à frente do acampamento israelita. Como os judeus tinham permissão de ir ao
tabernáculo no sábado, essa distância foi fixada como a distância da viajem de um
sábado.
O homem não pôde, pela lei, livrar-se da morte do pecado. Ninguém, até hoje,
conseguiu cumprir fielmente toda a vontade de Deus expressa na lei, por isso Cristo
veio para nos livrar das exigências e penalidades da lei, visto que não estamos mais
debaixo da lei, mas debaixo da graça (Rm 6:14). Como o Filho do Homem é Senhor até
do sábado, ele tinha e tem o direito de mudar o dia (do último dia da semana para o
primeiro) que sua Igreja deveria e deve guardar e assim ele o fez, a fim de torná-lo o
dia da celebração de sua ressurreição.

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Se alguém deseja guardar o sábado, que o faça segundo prescreve o Antigo


Testamento, assim: não ferver ou assar comida (Êx 16:23); não sair de casa nesse dia
(Êx 16:29); não viajar (Ne 10:31); não carregar peso (Jr 17:21-22); não exercer o
comércio (Am 8:5); não acender fogo (Êx 35:3), e não acender fogo significa não
produzir fagulha, ou seja, não manusear celular, ligar qualquer tipo de lâmpada ou
eletroeletrônicos, além de não dar partida em carro, motos ou veículo elétrico, dentre
outras atividades correlatas.
A bíblia é imperativa quando diz: “Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo
beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados, que são
sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo” (Cl 2.16-17).
A vontade de Deus é que aceitemos e vivamos segundo os termos do novo concerto,
pois as provisões necessárias à nossa salvação não estão na antiga aliança, nem na
obediência às suas leis cerimonias e ao seu sistema de sacrifícios, porque nessa época
a salvação tinha por base a fé expressa pela obediência à lei de Deus e ao sistema
sacrificial.
A lei funcionou como tutor do povo até que viesse a salvação pela fé em Cristo.
Devemos por isso desprezar a lei? Claro que não, porque o Novo Testamento cuidou
de revitalizar os princípios éticos e morais da lei, modificando uns, confirmando
literalmente outros e excluindo muitos. Logo, a salvação na nova aliança está
consolidada na morte expiatória de Cristo, na sua ressurreição gloriosa e no privilégio
de, pela fé, pertencermos a ele.

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MALDIÇÃO HEREDITÁRIA
O Brasil é o maior reduto espiritista do mundo e grande parte da população já se
envolveu pelo menos uma vez com o mundo dos espíritos e com isto deram direito a
estas entidades de entrarem em suas vidas e famílias mesmo que de forma
inconsciente (1 Co 10:18-21).

Há hoje muitos livros, campanhas, seminários, estudos e até retiros espirituais sobre o
assunto, mas qual a verdade bíblica sobre isso? Para aqueles que creem na maldição
hereditária, mesmo os crentes em Jesus estão sujeitos as terríveis consequências dos
pecados e das maldades praticadas pelos seus ancestrais: Doenças, vícios, problemas
financeiros, no trabalho, pecados sexuais, etc. (Êx 20:5), mas a bíblia ensina isso? Para
quebrar a maldição hereditária afirmam ser necessário que o crente “amarre” o valente
e o “expulse” da vida de uma pessoa ou de uma família.

O texto de Mt 12:29 é a base usada pelos “pregadores” adeptos da quebra da maldição


hereditária, pois “casa” pode significar "geração “, afirmam. Acontece que todo dia
"amarram" o inimigo e ele continua agindo. Na verdade, o diabo só será amarrado no
início do milênio (Ap 20:1-3).
O que Êxodo 20:5 quer dizer?

O verso 5 reflete, à época, a extensão máxima provável de membros de uma família


que viviam juntos numa mesma casa. Moisés referia-se às consequências dos pecados
dos pais, dizendo que estas passam para os filhos, infelizmente.

Os pecados dos pais influenciam os filhos para o mal e certos pecados atraem castigos
que afetam os descendentes, como a pobreza e algumas enfermidades que são
resultado da imoralidade (2 Cr 7:13-15). Isso não significa, contudo, que os filhos sejam
culpados pelos pecados de seus pais. Deve-se observar que a passagem das
iniquidades de uma geração para outra se faz com aqueles que o "aborrecem"
A “batalha espiritual”

A ênfase na “batalha espiritual”, portanto, ao introduzir a necessidade da quebra de


maldições hereditárias como condição para que o crente usufrua plenamente as
bênçãos de Deus, diminui o poder e a eficácia da suficiência de Cristo na vida do crente.

Muitos dos convertidos pelos apóstolos vieram de um passado de ocultismo, artes


mágicas e feitiçaria, mas em nenhum momento os apóstolos acharam necessário
acrescentar ao arrependimento e à fé coisas como quebra de maldições ou anulação
de pactos com os espíritos (At 19:18-19).
Maldição hereditária

O mundo em que os apóstolos pregaram o evangelho era infestado pelo ocultismo e


pela idolatria, de forma tão intensa quanto no Brasil de hoje. Quando Pedro viu que
Simão ainda estava “em fel de iniquidade e laço de amargura”, não julgou que a solução
seria “anular” os compromissos do bruxo com o mundo dos espíritos ou fazer algum
tipo de “quebra de maldição”.
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A solução era um verdadeiro arrependimento e oração ao Senhor. A orientação de


Pedro foi: “arrepende-te e ora ao Senhor” (At 8:18-23). Os filhos de Deus, que
confessaram a Jesus, já estão livres da maldição da lei, pois em Gl 3:13, lemos: "Cristo
nos resgatou da maldição da Lei, fazendo-se maldição por nós: porque está escrito:
Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro".
A maldição da cruz

Esse texto de Gálatas deixa claro que com a morte de Cristo, os que o aceitam ficam
livres da maldição que era prevista para aqueles que viviam no pecado, mas o
aceitaram como salvador. A visitação da maldade por Deus, sobre a terceira e quarta
geração é para os que aborrecem a Deus e não para os nascidos de novo (Rm 8:1).

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O ESTADO INTERMEDIÁRIO DOS MORTOS


O que nos acontece entre o momento em que morremos e a segunda vinda de Cristo,
quando nossos corpos serão ressuscitados?

Onde estaremos? No purgatório, numa espécie de sala de espera ou apenas num


estado inconsciente semelhante a um sono?
A causa da morte

A morte é o resultado final de vivermos em um mundo caído: em sua grande sabedoria


de Deus decidiu não nos aplicar de uma vez por todos os benefícios da obra redentora
de Cristo. Deus optou por nos aplicar os benefícios da salvação gradualmente ao longo
do tempo. O último aspecto do mundo caído a ser removido vai ser a morte (1 Co 15:24-
26; 15:54-55;).
A morte não é punição para os crentes

Não devemos ver a morte dos crentes como castigo de Deus ou como resultado de
uma pena que se aplica a nós por nossos pecados.
É verdade que o salário do pecado é a morte, mas a pena de morte não se aplica a
nós, pecadores redimidos, não em termos de morte física, tampouco em termos de
morte espiritual ou separação de Deus.
A morte completa nossa união com Cristo

Através da morte nos assemelhamos a Cristo no que ele fez e, portanto,


experimentamos uma união mais íntima com ele. Como mencionado acima, essa união
com Cristo no sofrimento inclui a união com ele na sua morte (Rm 6:5; Fl 3:10; 1 Pe
4:13).

Nossa obediência a Deus é mais importante do que preservar as nossas vidas (At
20:24).
O que acontece quando morremos?
As almas dos crentes vão imediatamente para a presença de Deus: a morte é a
cessação temporária da vida corporal e a separação entre a alma e o corpo.

Uma vez que o crente morre e seu corpo físico é enterrado, no momento da morte a
alma (ou espírito) do crente vai imediatamente para a presença de Deus com alegria (2
Co 5:8; (Fl 1:23). Jesus disse ao ladrão que estava morrendo na cruz ao lado dele: “em
verdade te digo que hoje mesmo estarás comigo no paraíso (Lc 23:43).
Existe purgatório?

Purgatório: Todos que morrem na graça e comunhão com Deus, mas ainda
imperfeitamente purificados, têm a garantia da salvação eterna; mas após a morte
passam por uma purificação, de forma a obterem a santidade necessária para entrarem
no gozo dos céus. A igreja dá o nome de purgatório a essa purificação final. (Catecismo
Católico Romano, pág.268 – parágrafos # 1030 e 1031).
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A bíblia não ensina a doutrina do purgatório: O fato de que as almas dos crentes
vão imediatamente para a presença de deus significa que não há tal lugar como o
purgatório.

O ensino católico romano sobre o purgatório é uma espécie de “segunda chance” ou


“repescagem” para aqueles que morreram sem terem seus pecados perdoados.

Há uma explícita contradição neste ensino, pois como pode alguém estar na graça e
comunhão com Deus e, ao mesmo tempo, viver na prática do pecado? (1Jo 1:6-9).
A “base bíblica” do purgatório

Há um problema ainda mais sério com esta doutrina, pois ela ensina que devemos
acrescentar algo à obra redentora de Cristo, implicando que para nós a morte de Jesus
não foi suficiente para pagar a pena pelos nossos pecados. O sacrifício único de Cristo
não necessita nem de repetição nem de suplementação (Hb 7:27; 1 Pe 3:18).

A igreja católica romana tem encontrado apoio para esta doutrina no livro apócrifo de 2
Macabeus, vejamos:

Judas Macabeu, (o líder das forças judaicas) coletadas cerca de duas mil peças de
prata e as enviou a Jerusalém para serem oferecidas em sacrifício pelo pecado. Ele fez
uma ação nobre e justa, com vista a ressurreição. Se ele não tivesse acreditado na
ressurreição dos soldados mortos teria sido desnecessário e inútil orar por eles. Mas,
como ele tinha em mente que aqueles que morreram piedosamente esperando uma
grande recompensa, sua intenção era santa e piedosa. Para esta oferta fez o sacrifício
para os mortos, que Deus vai perdoar seus pecados (2 Macabeus 12:42-45)
A doutrina do sono da alma

Esta doutrina ensina que quando os crentes morrem, vão para um estado de existência
inconsciente e só vão “despertar” quando Cristo voltar e os ressuscitar para a vida
eterna (Ec 9:5). Quando as escrituras representam a morte como um "sono" é
simplesmente uma expressão metafórica usada para indicar que a morte é apenas
temporária para os crentes, como o sono é temporário.

Jesus falou da morte de Lázaro, mas seus discípulos pensaram que ele estava falando
do sono natural. Então lhes disse claramente: "Lázaro está morto '" (Jo 11:12-13). Uma
expressão metafórica para ensinar que a morte é temporária.

Os crentes vão imediatamente para a presença de Deus desfrutar da comunhão com


ele (2 Co 5:8, Fl 1:23, Lc 23:43, e Hb 12: 23).

Ap 6:9-11 e 7:9-10 também mostra claramente que as almas ou espíritos daqueles que
morreram vão imediatamente para o céu.

Quando Jesus responde aos saduceus lembra-lhes que Deus disse: "Eu sou o Deus de
Abraão, Isaac e Jacó", e então disse: "Ele não é Deus de mortos, mas de vivos" (Mt
22:32), implicando que Abraão, Isaac e Jacó estavam vivos, mesmo naquele momento
e que Jeová era o seu Deus.

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Devemos orar pelos mortos?

O fato de que as almas dos crentes vão imediatamente para a presença de Deus
significa que não devemos orar pelos mortos. O ensino de 2 Macabeus 12: 42-45
contraria o ensino geral das Escrituras. Além disso, não há indícios de que esta prática
era realizada pelos crentes do Novo Testamento.

A recompensa final de todos os seres humanos é e sempre será de acordo com suas
ações realizadas nesta vida (Ap 22:12; 2 Co 5:10). Rezar pelos mortos é difundir a falsa
esperança que o destino deles pode ser alterado após a morte (Hb 9:27).
A vela na liturgia católica
A vela é muito utilizada nos mais diversos ritos da igreja católica
Batismo: iluminação pela graça de Deus.
Missa: representa o sacrifício de Cristo.
Na devoção: fazer algum pedido, promessa, agradecer benção.
Acender velas pelos mortos é um modo de, simbolicamente, desejar-lhes a luz, a luz
eterna, que é Deus. Pelo mesmo motivo já citado de que não devemos orar pelos
mortos, a crença de acender vela para os mortos não encontra amparo no ensino geral
das Escrituras.
A vela na liturgia judaica

Para os Judeus, o rei Salomão (Sl 20:27) comparou a alma do homem a uma vela, por
este motivo a alma tem proveito do acendimento das velas, pois é atraída pela luz da
vela, já que são da mesma espécie, apesar de que a luz da vela é física e a luz da alma
é uma luz espiritual pura e simples. Por isto na hora que a pessoa se encontra num
estado terminal, deve-se acender uma vela para acompanhar a saída da alma.

A menorá (castiçal) era acesa no templo sagrado, em favor das almas do povo judeu
que faleceram. Para os judeus, acender uma vela para o falecido causa um grande
prazer para a alma, além de ajudar em seu julgamento e ascensão espiritual.

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PRINCÍPIOS DE INTERPRETAÇÃO BÍBLICA


Considerações importantes
A bíblia foi escrita em linguagem humana, portanto deve ser interpretada primeiro
gramaticalmente. A mensagem central da bíblia é a revelação de Deus em Jesus Cristo
– história da redenção: Cristo é o centro das escrituras (Jo 3:16).
O melhor intérprete da bíblia é a própria bíblia, logo, como interpretá-la sem conhecê-
la por completo? Deve-se sempre ler um texto dentro do contexto sem tirar palavras
isoladas, logo deve-se sempre fazer as perguntas certas: para quem foi escrito? Qual
a situação que motivo isso? Qual é a intenção do autor ao escrever?
O Antigo Testamento é interpretado pelo novo; tudo aquilo que está no antigo e não é
confirmado pelo novo, não é mais válido para nós hoje (Gl 5:2-4).
A bíblia contém auxílio para a interpretação lógica do seu conteúdo e o intérprete deve
lançar mão disto, sempre (Cl 6:20; Mt 5:3; Jo 2:21; 7:29; 12:33; Rm 7:18). Cada gênero
literário deve ser interpretado de uma maneira diferente (parábola, narrativa, etc.…).
A bíblia, não importa quantos significados as palavras separadas possam ter, tem
apenas um sentido correto, isto é, o texto quer dizer o que o seu autor quis dizer (Lc
10:33). O sentido real deve ser preferido ao figurado. Quando isto não for possível deve-
se empregar o figurado (Mt 6:6; Jo 10:9).
Devemos ter em mente a distinção entre o sentido correto de uma passagem e o sentido
atribuído a ela pelos vários interpretes. Cada texto tem apenas um sentido (Sl 23) (Deus
cuida de você), mas muitas aplicações.
Ao escreverem os autores bíblicos não receberam conhecimento pleno e onisciente
acerca do mundo (Lv 11:13,19; Js 10:12-13).
Há partes difíceis de entender, o que nem sempre permite uma interpretação clara.
 Hermenêutica bíblica: é o estudo metódico dos princípios e regras de
interpretação das sagradas escrituras.
 Exegese bíblica: significa tirar do texto o que está no texto; é o estudo cuidadoso
e sistemático da escritura para descobrir o significado original que foi pretendido.
O propósito de Deus é que todo cristão ao ler a escritura possa meditar sobre o texto e
se perguntar como essa verdade se aplica a si, à igreja e à sociedade da qual faz parte,
por este motivo é imprescindível saber contornar algumas barreiras para se chegar a
verdadeira interpretação do texto bíblico, são elas:
1. O tempo: é preciso unir o texto antigo ao ouvinte contemporâneo, separado no
tempo dos escritores e leitores primitivos da bíblia.
2. A cultural: a bíblia foi escrita em culturas que não existem mais.
3. A linguística: as línguas em que a bíblia foi escrita são línguas mortas e variam
da nossa tanto em estrutura como em expressões idiomáticas: hebraico bíblico,
grego helenístico (koiné) e aramaico.
4. A filosofia: é a lacuna das opiniões acerca da vida, das circunstâncias e da
natureza que variam de acordo com a cultura de quem escreveu e de quem lê
(At 17:18-28).

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Exemplos de figuras de linguagens na bíblia


Metáfora: uma semelhança entre dois objetos ou fatos, caracterizando-se um com o
que é próprio do outro ((Jo 15:1).
Tipo: designam fatos semelhantes, pessoas ou objetos no porvir. É prefigurativo. (Mt
12:40).
Parábola: sugere a ideia de colocar alguma coisa ao lado de outra para comparação,
na qual uma verdade moral ou espiritual é ilustrada pela analogia da experiência
comum (Lc 18:10-14).
Antítese: inclusão, na mesma frase, de duas palavras, ou dois pensamentos que fazem
contraste um com o outro (Mt 7:13-14)
Provérbio: é um dito comum, popular; é um dito conciso que comunica uma verdade
de uma forma estimulante (2 Pe 2:22).
Os Manuscritos
Existem duas famílias de manuscritos hebraicos do antigo testamento: o texto
massorético, editado por eruditos judeus no século III (Septuaginta), e os manuscritos
do mar morto, descobertos no século XX.
Os manuscritos do novo testamento, o textus tradicional majoritário (receptus), foi
compilado a partir de cerca de 5 manuscritos. Com as descobertas de manuscritos mais
antigos, no século XIX, como os famosos códices sinaítico, vaticano e os papiros, vários
eruditos viram a necessidade de se editar um texto baseado neles. Foi assim que surgiu
o texto usado em traduções como a NVI (texto crítico).
Esses manuscritos ainda não haviam sido encontrados na época das traduções mais
antigas, por isso elas não têm colchetes ou notas de rodapé. Não porque elas fossem
mais exatas – simplesmente porque usaram o único material disponível à época! Alguns
manuscritos foram totalmente perdidos (1 Co 5:9; Cl 4:16; Jd 4)
A NVI USA O TEXTO CRÍTICO

ALMEIDA CORRIGIDA O MAJORITÁRIO

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A maioria das palavras tem muitos significados, alguns literais e outros figurados. Para
interpretar corretamente a bíblia, deve-se ter conhecimento dos significados que as
palavras adquiriram no passar dos anos e do sentido que os autores bíblicos as usaram.
Traduzir as escrituras de maneira excessivamente literal pode obscurecer ao invés de
lançar luz ao texto sagrado, pois traduzir literalmente uma expressão que só faz sentido
na língua original em nada edifica ao leitor, caso este não conheça o seu real
significado.

Quando aparece um colchete em sua tradução, o que está sendo dito é apenas que a
passagem em questão aparece no texto das traduções antigas, que é o tradicional
majoritário (receptus), mas é omitida nos textos que levam em conta os manuscritos
mais antigos (texto crítico). Os manuscritos variam em alguns pequenos pontos e
naqueles em que a diferença é maior, absolutamente nenhuma doutrina básica do
cristianismo é comprometida. Sugestão: ter várias versões para comparação.
A NVI USA O TEXTO CRÍTICO ALMEIDA CORRIGIDA O MAJORITÁRIO

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A informação de fundo histórico e arqueológico


É perfeitamente apropriado lançar mão às inúmeras referências históricas no contexto
bíblico, já que a bíblia é historicamente condicionada. A inobservância destas
informações tem levado muitos a interpretar erroneamente a censura de Cristo à igreja
de Laodicéia: quem dera foras frio ou quente (Ap 3:15-16).
Muitos tem argumentado que isso significa que Deus prefere pessoas “que estão
espiritualmente frias” em vez de uma que é “espiritualmente morna”, apesar de sua
primeira preferência ser para o “espiritualmente quente”.
A cidade de Colossos tinha águas frias, contudo Laodicéia era abastecida com as águas
termais provenientes de Hierápolis que, após percorrer 8 km em aquedutos, quando a
água chegava à cidade não estava nem quente, nem fresca, apenas morna. A
interpretação é clara para qualquer pessoa que viveu nessa época.
O contexto amplo e imediato
O contexto imediato geralmente tem precedência sobre o contexto formal e mediar
paralelo. Por exemplo, das muitas interpretações de Jo 3:5 onde Jesus diz a Nicodemos
que –se não nascer da água e do Espírito não pode ver o reino de Deus– um dos mais
populares é aquele que fala que Deus, nosso salvador...que nos salvou...pela lavagem
da regeneração e da renovação do Espírito Santo (Tt 3:4-6).
O mais importante no contexto imediato é que Nicodemos é repreendido por não
entender o que Jesus estava dizendo, mesmo sendo mestre nas escrituras. Este texto
de João também é visto como uma referência a Ez 36:25-27 e é consistente com a
expectativa de que Jesus batizaria com o Espírito Santo, qualquer texto está rodeado
por círculos concêntricos de contexto expandido e não é fácil de determinar quão grande
é o contexto que pode ser estudado em relação a qualquer ponto.
O estudo da Palavra deve começar no texto, ou seja, como Marcos usa o termo, antes
de perguntar como Lucas ou Paulo o fazem.
A unidade e diversidade da bíblia
A bíblia deve ser interpretada como uma unidade, pois o caráter progressivo da
revelação de Deus também é uma prova efetiva da sua unidade. Todos os livros da bíblia
têm seu centro de ligação em Cristo. Logo, apesar de sua variedade a bíblia revela uma
unidade ímpar.
Os dois testamentos se afirmam e reafirmam de várias formas e todos os livros se
relacionam à obra da redenção e à chegada do reino de Deus na terra. É importante
localizar uma passagem dentro da história da redenção.
Em Mateus, no batismo de Jesus, a voz do céu declarou: "este é o meu filho amado (Mt
3:17). Imediatamente Jesus é conduzido pelo Espírito ao deserto, para ser tentado. O
ataque de Satanás: se és o filho de Deus (Mt 4: 3). Jesus respondeu aplicando a Israel
(Dt 8:3).

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Em Êx 4:22 Deus refere-se a Israel como seu filho. Israel passou 40 anos no deserto
sendo ensinado, mas falhando em aprender que "nem só de pão vive o homem, mas de
toda palavra que procede da boca de Deus. “
Jesus, o verdadeiro filho, agora passa 40 dias no deserto e mostra que ele aprendeu a
lição. Toda a passagem está entrelaçada com as questões relacionadas com o período
do Êxodo.
Jesus é apresentado como o filho obediente, perseverante e submisso à palavra de
Deus. Isto torna-se o principal tema do evangelho de Mateus.
Indicadores literários
As inclusões terminam e começam uma seção com palavras semelhantes ou idênticas
a fim de enfatizar certas a importância de certas questões. As bem-aventuranças
começam e terminam com a mesma recompensa (porque deles é o reino dos céus). Elas
definem as regras do reino (Mt 5:1-10).
O sermão da montanha começa com as palavras “não penseis que vim destruir a lei ou
os profetas”, e conclui: ...porque esta é a lei e os profetas (Mt 7:12).
Esta inclusão sugere que o sermão do monte é uma declaração das escrituras do A.T.
(a lei e os profetas) à luz da vinda de Jesus e o que significam na vida dos cristãos.

PRIMEIRA REGRA
 É preciso, o quanto seja possível, tomar as palavras em seu sentido usual e
comum:
Expressões peculiares do idioma hebreu, chamadas hebraísmos, precisam ser
consideradas para se determinar o verdadeiro sentido usual e comum das palavras.
Porque toda carne havia corrompido o seu caminho sobre a terra (Gn 6:12) carne em
sentido de pessoa e caminho no sentido de costumes, modo de proceder ou religião.
Não há quem faça o bem, escreveu Paulo (Rm. 3:12).
Se alguém vem a mim, e não aborrece a seu pai, e mãe . . . não pode ser meu discípulo
(Lc 14:26). Explicação: quem ama seu pai e sua mãe mais do que a mim, não é digno
de mim" (Mt 10:37).
Alguns textos indicam um sentido figurativo, por exemplo, quando Paulo mostra o sentido
alegórico de um texto (Gl 4.22-26)
SEGUNDA REGRA
 É de todo necessário tomar as palavras no sentido que indica o conjunto da frase:
Mas somente tinham ouvido dizer: aquele que antes nos perseguia agora prega a fé que
antes procurava destruir? (Gl. 1:23). O que significa fé neste contexto?
Como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação?" (Hb 2:3). O que
significa salvação na frase? (Boas novas do evangelho).

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A graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens (Tt 2:11). Graça aqui se
usa no sentido do ensino do evangelho.
Caia sobre nós o seu sangue, e sobre nossos filhos! (Mt 27:25). Que significa?
Jesus disse a Pedro: dar-te-ei as chaves do reino dos céus (Mt 16:19). Deve-se, pois,
tomar em sentido figurado, simbolizando as chaves, autoridade; a autoridade de ligar e
desligar ou perdoar e reter pecados (Mt 18:15-18), que em outra ocasião também deu
aos demais discípulos (Jo 20:23; Mt 18:18).
Quando a bíblia menciona os olhos, mãos e ouvidos ou as asas de Deus (Sl 34.15; Is 5;
Sl 91.4), isso não significa que ele possua características físicas – Deus é espírito (Jo
4.24). Da mesma maneira, é impossível que ele seja literalmente uma rocha material (Sl
42.9).
Todos os significados secundários (alegóricos) são dependentes do significado literal.
Não é possível identificar o que textualmente se refere a Deus enquanto não soubermos
o que é literalmente verdade.
Quando a lei diz: não matarás! Ela não só proíbe o homicídio, mas também a raiva, o
ódio e a intolerância (1 Jo 3:15; 4:20).

TERCEIRA REGRA
 É necessário tomar as palavras no sentido indicado no contexto, a saber, os
versículos que precedem e seguem ao texto que se estuda.
Grande é este mistério. Que mistério? O contexto o explica: mas eu me refiro a Cristo e
à Igreja (Ef 5:32).
Tiago 5:14-16, que o enfermo "chame os presbíteros da igreja, e estes farão oração
sobre ele, ungindo-o com óleo", entendemos pelo contexto que se trata da cura do corpo
e não da saúde da alma, como pretendem os católicos que, deixando de lado o contexto,
como de costume, imaginam encontrar aqui apoio para a extrema-unção.
Falando Jesus do cego de nascença, disse: "nem ele pecou, nem seus pais”, mas de
nenhum modo Jesus disse que eles não houvessem pecado; pois existe no contexto
uma circunstância que limita o sentido da frase a que não haviam pecado para que
sofresse de cegueira como consequência (Ez 18:20), segundo erradamente pensavam
os discípulos (Jo 5:14; 9:1-3).

QUARTA REGRA
 É preciso tomar em consideração o objetivo ou desígnio do livro ou passagem em
que ocorrem as palavras ou expressões obscuras:
Em (Rm 3:28 e Tg 2:24; Paulo combate e refuta o erro dos que confiavam nas obras da
Lei mosaica como meio da justificação, desprezando a fé em Cristo;
Tiago, por sua vez, combate o erro de alguns desordenados que se contentavam com
uma fé imaginária, descuidando e rechaçando as boas obras.

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Daí que Paulo trata da justificação pessoal diante de Deus, enquanto Tiago se ocupa da
justificação pelas obras diante dos homens. O ser justificado (declarado sem culpa) o
homem criminoso à vista de Deus, realiza-se tão-somente pela fé no sacrifício de Cristo
pelo pecado e sem as obras da lei; porém o ser justificado (declarado sem culpa) à vista
do mundo ou da igreja, realiza-se mediante obras palpáveis e não somente pela fé que
é invisível (Jo 3:8).
Que Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e sempre (Hb 13:8). Jesus andou sobre a água
nos dias de sua carne; Jesus é o mesmo ontem, hoje e para sempre; portanto, ele
caminha sobre a água hoje em dia? A questão é que o autor de hebreus não está
afirmando um princípio que pode ser aplicado a todos os contextos da vida de Jesus.

QUINTA REGRA
 É necessário consultar as passagens paralelas
Quando o conjunto da frase ou o contexto não bastam para explicar uma palavra
duvidosa, procura-se às vezes adquirir seu verdadeiro significado consultando outros
textos em que ela ocorre.
Ex: escritos de Paulo, Pedro, demais apóstolo, N.T. e finalmente A.T.
Em Gálatas 6:17, Paulo diz: "trago no meu corpo as marcas de Cristo." que eram essas
marcas? (2 Co 4:10; 11:23-25) na verdade eram marcas ou sinais dos suplícios sofridos
pelo evangelho de Cristo.
Na carta aos Gálatas 3:27, diz o apóstolo dos batizados: "de cristo vos revestistes". Em
que consiste estar revestido de Cristo? Em Rm 13:13-14 e Cl 3:12-14 o estar revestido
de Cristo consiste em ter deixado as práticas carnais, como a luxúria, dissoluções,
contendas e ciúmes; consiste em adornos espirituais ou morais próprios do cristianismo
simples, santo e puro (1 Pe 3:3-4).
Deus se arrepende? (Rm 23:19) a palavra arrepender-se no novo testamento é usada
constantemente no sentido de mudar de mente o pecador (Mt 3:7-8), isto é, no sentido
de mudar de opinião, de convicção íntima, de sentimento, enquanto no antigo testamento
tem significados tão diferentes que unicamente o contexto pode esclarecer (Jr 18:7-10;
Gn 6:5-6; Ez 18:7-10).
Paralelos de ideias: para conseguir ideia completa e exata do que ensina a escritura
consultam-se não só as palavras paralelas, mas os ensinos, as narrativas e fatos
contidos em textos ou passagens esclarecedoras que se relacionem ao o texto em
questão.
Jesus ao dizer: sobre esta pedra edificarei a minha igreja (Mt 16:19), constitui ele e a
Pedro como fundamento da igreja? (Mt 18:18; Mt 21:42-44; 1 Pe 2:4-8). É claro que não,
“porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus
Cristo" (1 Co 3:10, 11).
Porque o amor cobre multidão de pecados (1 Pe 4:8). Como explicar este texto? (1 Co
13 e Cl 1:4) compreendemos que a palavra amor é usada aqui no sentido de amor
fraternal (Pv 10:12).

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DONS ESPIRITUAIS E MINISTERIAIS


O dicionário Aurélio define dom da seguinte maneira: 1. Dádiva, presente 2. Qualidade
inata 3. Mérito, merecimento 4. Poder.

O dicionário bíblico Wycliffe define dom espiritual: Um dom espiritual ou carismático é


uma capacidade ou um poder sobrenatural conferido a um cristão fiel pelo Espírito Santo,
que lhe dá a capacidade de desempenhar sua função como um membro do corpo de
Cristo (1 Co 12:4-27).

Estes dons não devem ser considerados talentos naturais, mas sim manifestações
sobrenaturais do próprio Espírito Santo (1 Co 12:7). São uma dotação especial do
Espirito aos homens. Nenhum crente, por mais modesto que seja, está desprovido de
dons dados por Deus.

Os dons espirituais diferem dos frutos do Espírito (Gl 5:22-23), contudo também as
funções ministeriais estão relacionadas entre os dons que Deus deu aos homens
especificamente para o aperfeiçoamento dos santos, visando a edificação do corpo do
Cristo (Ef 4:8-13; 1 Tm 3:1-2,8;). Assim, o propósito único e principal da outorga desses
dons é glorificar a Deus e seu Cristo, bem como a edificação da igreja (1 Co 12:3).
Os dons no Antigo Testamento

No A.T. a evangelização das nações era incipiente, a expulsão de demônios era


desconhecida, embora presentes nos ministérios de Elias e Eliseu curas milagrosas
eram algo raro (2 Rs 5:14). A profecia foi limitada a alguns profetas ou pequenos grupos
de profetas e o poder de ressuscitar também pouco visto (2 Rs 4:32-35). Ainda assim a
vontade de Deus – expressa através de Moisés – era que todo o seu povo fosse
constituído de profetas (Nm 11:29).

Em Nm 11:24-30. O ato de profetizar foi concedido aos setenta anciãos escolhidos para
ajudar Moisés quando de sua designação para lhes credenciar autoridade na função,
sendo esta de governar e não de profetizar, por este motivo nunca mais tornaram a fazê-
lo. Aí vemos no arraial de Israel o sinal da vinda do Espírito Santo profetizado assim
como em outras passagens das Escrituras (Jl 2:8).
Os dons no Novo Testamento

No Novo Testamento, os dons de Deus estão disponíveis para que a igreja promova
manifestações do Espírito e do poder de Deus para o bem comum (1 Co 12:7). Todos os
crentes têm acesso direto a Deus através de Jesus Cristo e, consequentemente, podem
receber os dons do Espírito Santo.

Durante a vida terrena de Jesus, a atuação do Espírito Santo ainda acompanhava as


linhas gerais estabelecidas no A.T., com a exceção de que houve então a promessa da
vinda do Espírito Santo feita por Jesus, como quem haveria de dar continuidade à
presença e à obra de Cristo no mundo e como agente de sua personalidade. (Jo 14:15-
17,25,26; 15:27; 16:5-15).

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A atualidade dos dons espirituais

No N.T. o derramamento do Espírito Santo na sua plenitude e poder na igreja ocorreu


em Pentecostes (At 1:15), contudo para os cessacionistas esse poder dos dons do
Espírito Santo na Nova Aliança não foi distribuído a todos os que creram em Jesus e o
seguiam, mas apenas aos seus doze apóstolos e aos setenta (Lc 10:1-12).

Com base no próprio N.T., os dons espirituais, em alguma forma de manifestação, devem
existir em todos os séculos, pois são os meios do crescimento espiritual·, conforme se
sabe com base em Efésios 4, Romanos 12 e 1 Coríntios 12-14. Reduzir esses dons
espirituais a um fenômeno que ocorreu somente no primeiro século é dar-lhes um papel
muitíssimo inferior àquilo que diz o próprio ensino contido na Palavra de Deus.

Além disso, exegeticamente não tem como dizer que esses dons cessaram, desde que
sejam manifestações que estejam de acordo com o que está na bíblia (1 Co 14:29). Uma
análise mais cuidadosa não sustenta essa tese cessacionista, pois Pedro em seu
discurso (At 2:16-17, 21; 38-39) ratifica que a promessa (profecia de Joel) pertence a
vós, a vossos filhos e a todos os que estão distantes (Jl 2:28-29).

Também Paulo diz aos coríntios (1 Co 1:7) que a posse dos dons espirituais e sua
posição na história da redenção aguarda o retorno de Cristo, sugerindo que os presentes
(dons) são dados à igreja para o período entre a ascensão de Cristo e seu retorno, ou
seja, cessarão apenas no advento da parousia, na culminação desta era. Da mesma
forma, Paulo espera o tempo do retorno de Cristo e diz: “quando, no entanto, chegar o
que é perfeito, o que é imperfeito será extinto” (1 Co 13:10), indicando que estes dons
"imperfeito" (v 8-12) são válidos até a volta de Cristo, quando será substituído por algo
muito maior, que é o pleno conhecimento de Deus e seus inescrutáveis mistérios.

Sugerir que a perfeição se refere à conclusão do cânon das escrituras não tem nenhum
apoio no uso bíblico de “perfeito” e em nenhuma de suas formas cognatas. “O que é
perfeito” não pode ser uma referência à conclusão do cânon das escrituras, pois
somente a segunda vinda de Cristo marcará o fim do exercício da profecia, das línguas,
da ciência e os demais “imperfeitos”, logo, como se pode admitir que esses dons foram
temporários e restrito aos tempos dos apóstolos? É fato que não há novas revelações,
no que tange à revelações de mesma autoridade da bíblia, mas o dom de línguas, de
cura e os demais dons não são, tampouco representam, conteúdo novo ou uma nova
revelação.

Paulo fala regularmente sobre os dons no seguinte contexto: Um corpo com muitos
membros, logo, ainda temos um corpo com muitos membros com diferentes dons ainda
nos dias de hoje também. Ele nos dá uma amostra com diferentes listas, focando em
diferentes tipos de ministérios e se as juntarmos elas incluem exemplos como caridade,
ensino, profecia, curas, condução à adoração, evangelismo, tudo isso são dons.
Paulo não faz qualquer distinção entre um tipo de dom e outro porque não devemos
menosprezar quaisquer outros dons, mas devemos receber bem todos os dons. Ele não
faz qualquer distinção entre dons sobrenaturais e aquilo que chamamos de dons

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potencialmente naturais, pois Deus está operando através de todos eles e se quaisquer
dos dons está faltando, isto machuca o corpo, seja mão, olho e assim por diante.

Visto que ainda somos um corpo e precisamos de todos os membros, presume-se, então,
que ainda precisamos de todos os dons, ainda que alguns afirmam que precisamos
apenas dos dons naturais. Além de tal distinção não existir na lista de Paulo, essa ideia
de que não precisamos de todos os dons, de que não precisamos dos dons
sobrenaturais, é descartada, em primeiro lugar, pela teologia de Paulo, pois tudo é
sobrenatural uma vez que todos esses dons são conferidos por Deus.
Em segundo lugar, essa ideia é enfraquecida por Ef 4:11-13, que afirma que os dons são
necessários para trazer aperfeiçoamento e unidade à igreja, além do mais os dons que
ele lista incluem não apenas mestres, mas também profetas, apóstolos, pastores,
doutores, não se referindo a um dos doze ou aos escritores do N.T. Paulo utiliza o termo
“apostolo” de uma maneira mais abrangente que isso.

Em todo caso, porém, ele não fala somente daquilo que chamamos de dons naturais,
mas também fala daquilo que chamamos de dons sobrenaturais, contudo esta é uma
distinção moderna completamente arbitrária, baseada em uma cosmovisão moderna. O
dom de profecia aparece em quase todas as listas de Paulo: Rm 12:6; 1 Co 12:28; Ef
4:11. No A.T. este era o ministério mais proeminente da Palavra de Deus e no N.T.
também vemos profetas no livro de Atos. Paulo diz às igrejas de Corinto que o ideal era
que houvesse várias pessoas profetizando em cada igreja. Ele fala que a profecia é
particularmente valiosa para edificar o corpo de Cristo, em 1 Co 14:3-4 ele estimula os
cristãos a buscarem esse dom e em 14:1, 39, e em 12:31 também por implicação.
Assim, mesmo se não soubéssemos da existência de profecias verdadeiras hoje,
obedecendo o ensino de Paulo, seríamos conduzidos a orar por isto na igreja, mas isto
não significa que todos tenham o mesmo nível. Rm 12:6 nos diz que temos esses dons
de acordo com a medida que nos é concedida. Moisés falava com Deus face a face e
não por sonhos ou parábolas (Nm 12:6-8) e nenhuma de suas palavras caiu por terra,
entretanto, não vemos todos os profetas do AT nesse nível e certamente não vemos nas
igrejas locais, mas alguns dizem: “Afirmar que o dom de profecia é para os dias de hoje,
ou que esse tipo de dom é para os dias de hoje, diminui a autoridade singular das
Escrituras”.
Bem, este argumento não encontra amparo nas escrituras, isto porque os profetas
profetizaram nos tempos bíblicos e isso não diminuía a autoridade das escrituras que já
existiam naquele tempo. Temos profetas cujas profecias não foram registradas nas
escrituras, como em 1 Rs 18, Obadias conta a Elias sobre como escondeu 100 profetas
na caverna, dividindo-os em 50, mas suas profecias não estão registradas nas escrituras.
1 Co 14 fala de profecias na igreja local que não estão registradas nas escrituras. Na
verdade, se o que Paulo diz é o ideal para a igreja de Corinto, se isto era comum na
igreja primitiva na época dos escritos de Paulo talvez houvesse 10.000 profecias na
igreja primitiva, sendo que a vasta maioria delas não está registrada nas escrituras.
A bíblia não contém a intenção de conter todas as profecias (Jo 21:25), ela contém outros
gêneros além de profecia, como história e assim por diante, portanto, não é a mesma

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coisa dizer que, se é profecia, deve estar na bíblia e, se não está na bíblia, não é profecia.
Este também não é um argumento bíblico.
Alguns dizem que se permitirmos profecias, permitiremos novas doutrinas, mas Hb 1:1-
2 nos mostra que Cristo é a revelação plena, esta é a maior revelação que teremos até
que Jesus volte e o conheçamos também como somos conhecidos, mas também lemos
nas escrituras que o Espírito Santo continua a nos ensinar Jo14:26; 16:12-14. Ele lhes
ensinará as coisas que vocês não podem entender agora e em 1 Jo 2:27 diz: Todos
vocês têm uma unção que vem de Deus.
A profecia não tem a intenção de introduzir novas doutrinas hoje, mas a ideia de que os
dons cessaram é uma nova doutrina que não é mencionada nas escrituras, pois trata-se
de uma doutrina pós-bíblica. Temos profecias ao longo de todas as escrituras, tanto no
antigo como no novo testamento, em nenhum lugar, porém, as escrituras sugerem uma
mudança nesse modus operandi. É como se alguém dissesse após o fechamento do
cânon das escrituras: Eu estava no meio de uma profecia, mas é 95 d.C.! A revelação
acabou de ser concluída em algum lugar e agora o cânon se fechou! Não posso concluir
minha profecia, que pena! ou durante a oração em línguas parasse da falar
repentinamente. A igreja estava em pleno fervor e exercício dos dons espirituais e de
repente o último apóstolo morreu, João, então acabou tudo: ensino, línguas, profecias,
ministério pastoral, tudo, porque afinal Paulo não faz distinção alguma de categorias de
dons.
Não há indicação em qualquer lugar das escrituras de que deveríamos esperar tal coisa.
Na verdade, o texto bíblico que às vezes é citado em relação a isso é 1 Co 13:8-10, mas
não funciona, eles dizem que os dons de profecia, línguas e conhecimento irão passar,
que eles passam de maneira conjunta. Em outra passagem em Coríntios, o
conhecimento inclui coisas que sabemos sobre Deus e talvez outros tipos de
conhecimento. E o dom de ensino, acabou? O texto diz que essas coisas irão passar
quando não precisarmos mais dessas coisas parciais, porque o conheceremos face a
face, o conheceremos na verdade até ao ponto como somos conhecidos.
Ele não está falando a respeito do cânon, pois ainda precisamos do dom de ensino, mas
sim falando sobre a segunda vinda de Cristo. No livro de Atos fala-se sobre o Espírito
ser derramado nos últimos dias. Não deixa nenhuma implicação de que o Espírito se
recolhe; há expressões que esse texto menciona referente a esse derramamento dos
últimos dias e não deveríamos pensar que aqueles foram os últimos dias, pois os últimos
dias de fato ainda não ocorreram.

As características do mesmo derramamento incluem profecia, visões e sonhos da parte


de Deus. Temos diversos ministérios em Atos, nem todos possuem exatamente as
mesmas expressões de capacitação do Espírito, mas aquelas que ele escolhe enfatizar
no livro nos mostram algo a respeito do trabalho de Deus.
Entre a primeira e a segunda vinda de Cristo nós vemos as coisas em termos de métodos
de proclamação em Atos. Temos pessoas muito instruídas como Paulo, Estevão e Apolo,
temos debates em comunidades, sendo que dois deles tinham o dom de sinais e
maravilhas também. Apolo não é desprezado, pois não há menção disso e João Batista
também não foi desprezado por não ter o dom de cura ou algo assim, mas também Felipe

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e outros, as curas e outros sinais os seguem para confirmar a mensagem que eles estão
proclamando.
Diversas vezes no livro de Atos nós encontramos uma oração por ousadia que vem
acompanhada de curas em At 4:29-30. Sinais atestam a mensagem da graça em Atos
14:3, portanto se estamos pregando o evangelho ainda hoje, poderemos esperar pelos
mesmos sinais. Ao pregar sobre o reino, Jesus demonstrou o reinado de Deus com
sinais. Paulo diz que sinais dramáticos acompanham seu evangelismo. Em Rm 15:19
nós ainda vemos os sinais presentes em todo o livro dos Atos, inclusive no final (At 28).

Agora, curas não precisam ser sinais, não precisam ser dramáticos, podem ser uma
resposta de uma oração que ocorre por meio de médicos, pode ser uma resposta de
oração que ocorre gradualmente, ainda são respostas de oração. Os sinais dramáticos
que acompanham o evangelho nós ainda os vemos nos dias de hoje nos lugares em que
o evangelho está abrindo novos caminhos.

Por que Deus trabalha de uma maneira ao longo da maior parte das escrituras em
diversas épocas e lugares, as vezes mais em uma época e lugar do que em outros, mas
em diversas épocas e lugares e de repente pararia de operar assim no final do primeiro
século, sem um aviso prévio? Não é mais bíblico que devemos seguir o mesmo padrão
que vemos ao longo das escrituras? Ou seja, que em várias épocas e lugares conforme
Deus julga melhor e o povo recebe bem o seu trabalho, o trabalho continua.

Os dons continuam através da história, Irineu fala praticamente do mesmo conjunto de


dons que temos no livro dos Atos. A principal causa da conversão nos anos 300, de
acordo com o historiador de Yale, Ramsay MacMullen, foi a cura e o exorcismo.
Agostinho chegou a creditar que os dons cessaram, mas mudou de opinião pelo menos
em algumas coisas, mas certamente mudou sobre as curas. Os primeiros metodistas,
incluindo John Wesley, enfatizaram os dons. Hoje em dia alguns associam em até 80%
o crescimento global do cristianismo, com o fato de sinais e maravilhas acontecerem no
evangelismo de vanguarda.
Ainda assim, precisamos de discernimento porque nem todos os espíritos provêm de
Deus (1 Jo 4), por isso precisamos avaliar as profecias mesmo na igreja (1 Co 14:29).
Não devemos desprezá-las, devemos avaliá-las (1 Ts 5). Precisamos buscar os dons
espirituais (1 Co 12:31, 14:1 e 14:39), não todos para nós mesmos, mas para o corpo
como um todo, para edificar o corpo de Cristo.
Na verdade, o cessacionismo ao afirmar que os dons especiais e espetaculares eram
necessários apenas nos primórdios do crescimento da igreja, com o propósito de
autenticação e edificação, quando não havia o N.T. para dar luz, revela que possui
pressupostos iluministas ao transferir unicamente ao homem e não mais ao mover do
Espírito Santo através dos dons a função edificar a igreja como corpo de Cristo. Assim,
essa interpretação apócrifa tem o único objetivo de justificar a ausência dos dons
espirituais em muitas igrejas nas quais ainda imperam uma ortodoxia morta, o legalismo
e a mornidão (Ap 3:15-19). Igrejas onde há uma teologia que até tem uma certa luz na
cabeça, mas é seletivamente distorcida e não tem fogo no coração.

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A diversidade dos dons


Deus distribuiu diferentes funções a diferentes membros espirituais do corpo de Cristo
(igreja) e Paulo nos ensina a forma como devem ser exercidas (1 Co 12:7-11, 28; Rm
12:6-8; Ef 4:11). Assim, como cada membro do corpo humano depende dos outros para
exercer sua função, também na igreja existe uma interdependência através da qual
dependemos uns dos outros para nos fortalecer espiritualmente e estar em comunhão
com Cristo. Não existe ministério que possa ser exercido de maneira individual.
Todos os dons têm uma ação em prol do outro, portanto devem ser utilizados para
edificação da igreja (1 Co 14:19). O profeta, por exemplo, precisa ter sua mensagem
verificada mediante ao ensino geral das escrituras para que ambos estejam em harmonia
(1 Co 14:29).

Por motivo apenas didático classificaremos os dons da seguinte maneira:


1. Dons de serviço (Rm 12:5-8)
2. Dons ministeriais (Ef 4:9-12)
3. Dons espirituais (1 Co 12:1-11)
 Ministério: é o ofício diaconal.
 Ensino: compreende transmitir a doutrina cristã.
 Exortação: inclui um aspecto mais amplo dos ministérios através da Palavra (1
Tm 4:13-14).
Dons de serviço

O dom de serviço pode denotar um ministério específico de ensino, mas pode também
ser uma designação geral para os vários ministérios (1 Co 12:5-7). Os dons de serviço
listados por Paulo em Romanos 12 fazem menção à comunhão dos santos, pois quem
serve, necessariamente serve a alguém e este alguém é o corpo de Cristo (igreja). Paulo
declara que os dons recebidos de Deus devem ser usados com humildade, pois muitos
que têm dons são tentados a fazer alto conceito de si mesmos e a se acharem
importantes.

Paulo avisa que os tais devem se olhar com seriedade e evitar a vaidade. O fundamento
disso é o fato de os dons serem provenientes de Deus e fundamentais na
interdependência de todos como comunidade cristã. A contribuição ou a liberalidade
deve ser exercida com simplicidade, isto é, sem ostentação (2 Co 9:11-13; Tg 1:5) e
simplesmente por causa da necessidade.

Quem preside: é o que tem autoridade ou qualidades de liderança. A referência pode


ser ao lar (1Tm 3:4-5,12) ou à congregação (1Ts 5:12; 1Tm 5:17). O que exerce
misericórdia: é quem é ativo em servir alegremente aos outros; a frase expressa a ideia
geral de afabilidade cristã (visitar enfermos, por exemplo).

O corpo de Cristo é formado por vários membros, com funções diferentes, mas isso não
significa que um é mais importante que o outro. Deus não quer que sejamos ignorantes
quanto aos dons espirituais, contudo cabe a cada um de nós buscar ao Senhor e nos
enriquecermos do seu conhecimento (Jr 9:23-24).

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Os dons devem ser usados cada qual no seu lugar; do contrário, não produzirão efeito.
O trabalho de diácono é um serviço no que concerne às coisas materiais, antes que às
espirituais, mas isto não quer dizer que somente deva dedicar-se as coisas materiais
(Rm 12:7-8).

A declaração inspirada da verdade ou a pregação (1 Co 15.1); deve ser exercida


segundo a proporção da fé. Isto quer dizer que, quanto mais cheia de fé for a pessoa,
tanto melhor será sua pregação ou, então, que suas palavras devem sempre estar em
harmonia com o crê.
O cuidado no uso dos dons

Os dons espirituais são concedidos aos crentes pela graça de Deus e não por méritos
pessoais (2 Co 3:5; Rm 12:6; 1 Pe 4:10). Os dons são dados com a exclusiva intenção
divina de que todos recebam proveito deles (1 Co 12:7), todavia isso não significa que
todos têm um dom específico, mas há dons (meios pelos quais o espírito se torna
conhecido) que são dados (continuamente) para o que for útil (proveitoso, para
crescimento).

Não podemos proceder de modo arrogante e autoritário no exercício dos dons, mas com
humildade e temor a Deus, portanto, não devemos nos portar com orgulho, visando a
exaltação pessoal (Tg 4:6). Uma das principais problemáticas da igreja em Corinto era a
falta de amor, humildade e a imaturidade no uso dos dons espirituais, motivo detalhado
no cap. 13 da epístola.

Lembrando que os dons são concedidos pela graça (favor divino imerecido) mediante a
fé. As manifestações sobrenaturais pertencerem ao mundo espiritual e por conseguinte
parte da experiência religiosa do crente, por este motivo Paulo escreve aos coríntios a
fim de lhes dar a conhecer o cuidado e a importância no seu uso. Esta precaução era
devida ao fato de muitos crentes terem tido um envolvimento anterior com a idolatria e o
misticismo das religiões pagãs predominantes à época (At 8:9-24).

A bíblia traz os ensinos corretos sobre o uso dos dons e se há distorções neste campo,
estas acontecem porque algumas igrejas não ensinam o que a bíblia diz de forma
correta. Esta falha no quesito ensino é um dos motivos do surgimento do fanatismo
religioso, da corrupção doutrinária, dos movimentos (fogo) estranhos e muitas heresias
(At 20:29-30).
Paulo diz que se temos o dom de profecia, devemos utilizá-lo "em proporção à nossa fé"
(Rm 12:6), indicando que o dom pode ser mais ou menos desenvolvido em diferentes
indivíduos ao longo de um período de tempo. É por isso que Paulo adverte: não deixes
de desenvolver o dom (1 Tm 4:14), e pode dizer: reavives o dom de Deus que habita em
ti (2 Tm 1:6).

Timóteo deixou seu dom enfraquecer, por isso Paulo escreve a fim de incentivar seu
fortalecimento. Estes textos indicam que os dons espirituais podem variar em
intensidade. Na verdade, até mesmo muitas habilidades que achamos que são "naturais"
vêm de Deus (1 Co 4:7).

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Pode-se dizer que nem todos tem o dom de ensinar, mas por outro lado, dizemos que
há uma capacidade geral relacionada com o dom de ensinar que todos os cristãos têm
(Pv 22:6). Outra maneira de dizer isto é que pode não haver um dom espiritual com todos
os crentes, mas há alguma habilidade geral, semelhante a cada dom que todos os
cristãos têm.

No século XX viu-se um notável aumento do interesse pelos dons espirituais,


principalmente devido à influência dos movimentos pentecostais, neopentecostais e
carismáticos na igreja católica. Ainda que haja muitas pessoas em diversas igrejas que
não aceitem a atualidade do batismo com o Espírito Santo e dos dons espirituais — os
chamados “cessacionistas” — Deus continua abençoando os crentes com suas dádivas,
mas somente àqueles que buscam e creem (Jr 33:3).

Não podemos desprezar o dom de profecia, o de falar em línguas estranhas e o de


interpretá-las, contudo façamos tudo conforme a bíblia: com sabedoria, ordem e
decência (1 Co 14:26-33; 36-38). Agindo dessa forma, Deus usará os seus filhos para
que sejam portadores das manifestações gloriosas dos céus. Paulo deixa claro que não
devemos proibir o livre exercício dos dons espirituais, porém tudo isso deve ser feito para
edificar a igreja, desde que observadas a ordem e a decência no culto, pois Deus não é
Deus de confusão é sim de paz. (1 Co 14:32-33; 36-40; 1 Ts 5:19-21).

Embora muitos acreditem que os irmãos agraciados com dons da parte de Deus são
super espirituais, isto não é sinal de superioridade espiritual, contudo estes dons são
recebidos pela graça e misericórdia divina e não por merecimento. A igreja de Corinto
tinha muitos dons espirituais, porém além de não os usar com sabedoria havia divisões,
inveja, imoralidade sexual e disputas judiciais na igreja, por isso Paulo os chama de
carnais (1 Co 3:1-3).

Não podemos escandalizar aqueles que não comungam a nossa fé. Como eles
compreenderão a mensagem do evangelho se em uma reunião não entenderem o que
está sendo falado? (1 Co 14:23-25; Rm 8:26-27). A verdade é que havia muito estrelismo
em Corinto, no entanto Deus levanta homens para edificarem espiritual, moral e
doutrinariamente a sua igreja.
A igreja é o “edifício de Deus” (1Co 3:9) e os ministros são os arquitetos e o fundamento
já está posto pelos apóstolos: Jesus Cristo (Is 28:16). Paulo adverte os líderes de hoje:
“mas veja cada um como edifica sobre ele, porque ninguém pode pôr outro fundamento,
além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo” (1 Co 3:10-11).
Todos são importantes

O propósito da analogia de Paulo sobre o corpo com muitos membros é que Deus nos
colocou no corpo com essas diferenças, para que possamos depender um do outro (1
Co 12:12-26). Se a pessoa busca para descobrir os seus dons deve orar e pedir a Deus
sabedoria: “e se algum de vós tem falta de sabedoria, peça a Deus, que dá para todos
liberalmente, com grande alegria e será dado. Peça-a, porém, com fé não duvidando”
(Tg 1:5-6).

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As igrejas devem orar continuamente para que Deus permita que as pessoas descubram
seus dons e, em seguida, sejam capazes de usá-los. Aqueles que procuram receber
dons espirituais devem continuar a usar os dons que tem agora a fim de que Deus lhes
conceda mais (1 Co 14:13).
Todos podem receber

Temos de reconhecer que cada crente recebe dons espirituais (1 Co 12:7, 11; 1 Pe 4:10).
Até mesmo os cristãos imaturos podem receber dons espirituais do Senhor, isto é
evidente na igreja de Corinto, que teve uma abundância de dons espirituais (1 Co 1:7),
mas ainda era muito imatura em muitas áreas de conduta e doutrina (1 Co 3:1-3).

Os dons espirituais não são necessariamente um sinal de maturidade espiritual, pois é


possível ter dons espirituais, mas ser imaturo para a compreensão da doutrina cristã ou
comportamento. Só podemos alcançar maturidade caminhando com Jesus e em
obediência aos seus mandamentos na vida diária (1 Jo 2:6).
Todos têm dons do Espírito Santo?

Quão forte tem de ser uma habilidade antes de chamá-la de um dom espiritual? A
escritura não responde a essa pergunta diretamente. São todos apóstolos? São todos
profetas? São todos mestres? Todos operam milagres? Têm todos o dom de curar?
Falam todos em línguas? Interpretam todos? (1 Co 12:29-30)

Nem todos os cristãos têm o dom de evangelismo, mas todos os cristãos têm a
capacidade de compartilhar o evangelho (Dt 6:7). Algumas pessoas dizem que hoje
muito poucos tem dons genuínos de cura, mas, no entanto, cada cristão pode orar a
Deus para a cura de amigos ou parentes que estão doentes. Nem todo cristão tem o dom
da fé, mas cada cristão tem um grau de fé e esta cresce na vida do cristão comum.
Dons ministeriais Ef 4:11; 1 Co 12:28
Paulo cita em efésios os dons (ofícios) mais relacionados à expansão, sustento e
edificação da igreja. Em coríntios a classificação em ordem de honra é a mesma de
efésios.

Apóstolos: São a autoridade permanente, os ministros supremos que receberam seus


ministérios diretamente do Senhor Jesus. Listamos Paulo, Barnabé e outros além dos
doze (Rm 16:7). Embora profetas e mestres não fossem todos apóstolos, os apóstolos
eram tanto profetas quanto mestres
Profetas: Homens inspirados que revelam a vontade de Deus; tem posição próxima à
dos apóstolos e seu dom especial é o ministério inspirado, função similar à dos profetas
do A.T. que era anunciar a palavra de Deus e também ocasionalmente prediziam
acontecimentos futuros (At 11:28; 21:9-11).

Evangelistas: Missionários, ou seja, pregadores itinerantes, cuja meta é ganhar almas,


tornando os homens seguidores de jesus.

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Pastores e mestres: Denotam a mesma classe e única de homens, sendo que os


mestres (doutores) representam uma classe de responsabilidade um tanto menor que os
pastores, mas ainda assim possuem lugar especial na igreja com a responsabilidade de
edificar a igreja com a exposição da Palavra. A tarefa dos pastores é alimentar o rebanho,
protegendo-os dos perigos espirituais. Também chamados de anciãos e bispos, que
zelam pelo crescimento e amadurecimento dos convertidos.

Os que tem dom de prestar ajuda: Este dom sugere a ajuda particular aos fracos e
necessitados.

Os que têm dom de administração: A liderança era um dom indispensável no caso dos
anciãos.
A natureza geral dos dons

Os dons do Espírito devem distinguir-se do dom do Espírito Santo. Os primeiros


descrevem as capacidades sobrenaturais concedidas pelo Espírito para ministérios
especiais. O segundo refere-se à concessão do Espírito aos crentes conforme é
ministrado pelo Cristo glorificado no momento da conversão (At 2: 38; 11:17; Ef 1:13).

Qual é o propósito principal dos dons do Espírito Santo? São capacidades espirituais
concedidas com o propósito de edificar a igreja de Deus, por meio da instrução dos
crentes e para ganhar novos convertidos (Ef 4: 7-13; 1 Co 12:8-10).
O que é o batismo com o Espírito Santo?

O batismo com o Espírito Santo é uma experiência especial que o crente pode ter com
Deus e é, literalmente, um revestimento de poder, conforme prometido por Jesus (Lc
24:49; At 1:4-5). A ordem para esperar pela promessa do Pai em Jerusalém remete à
profecia de João Batista (Mt 3:11) e, mais atrás, às promessas de derramamento do
Espírito Santo feitas pelos profetas do A.T. (Jl 2:28-29; Is 32:15). As declarações de
Jesus sobre este batismo devem ser entendidas como causa e efeito, pois só pode haver
testemunho eficaz onde estiver o Espírito e, onde estiver o Espírito, seguir-se-á
testemunho eficaz em palavras, em obras (milagres), e na qualidade de vida e virtudes
daqueles que o receberam.
A distribuição das línguas de fogo, em que cada forma veio repousar sobre um dos
presentes, foi cumprimento da promessa do batismo de fogo, segundo lemos em Lc 3:16
e Mt 3:11. Este batismo de fogo contrasta com o batismo em águas, ministrado por João
Batista e que foi prometido pelo Senhor Jesus aos seus seguidores, como bênção
especial, para servir de símbolo especial, característico e distintivo de seu ministério. No
Pentecostes, o Espírito Santo veio mostrar o seu controle sobre a vida dos crentes com
manifestações visíveis através das línguas de fogo.
Alguns equivocadamente ensinam que o batismo de fogo difere do batismo com o
Espírito Santo, sendo o primeiro a punição eterna dos infiéis no fogo do inferno e o
segundo a habitação do Espírito Santo no crente no momento da conversão. Essa
interpretação do texto sagrado não se sustenta, pois João Batista foi incisivo em suas
palavras ao profetizar se referindo a Jesus: “Ele vos batizará com o Espírito Santo e com
fogo” (Mt 3:11).
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Assim, o Espírito Santo veio no Pentecostes como línguas de fogo porque a promessa é
que Jesus viria e batizaria com o Espírito Santo e com fogo. Notemos que o texto diz
claramente e com fogo e não que ele vos batizará com o Espírito Santo ou com fogo,
de forma que as mesmas pessoas recebem tanto um quanto o outro no mesmo instante.
A afirmação de que o batismo com fogo é o oposto de batismo com o Espírito Santo é
frágil e completamente errônea e herética.
Verdadeiramente, a interpretação mais aceita é de que o fogo do vs. 11 indica o caráter
do batismo com o Espírito, pois o ministério do Espírito seria com fogo, assim como o
ministério de João foi com água. O modo como o Espírito veio no Pentecostes como
vento, dotado de força e poder, como um fogo impulsionado pelo vento, tem como efeito
a purificação do povo de Deus (na qualidade de fogo produziria a purificação) e a
transmissão de poder (usando a força do fogo). Logo, o fogo descreve o batismo
sobrenatural de Deus, em contraste com o símbolo da limpeza com água, pois o fogo do
Espírito renova o povo de Deus.
Na história bíblica Deus se revelou através do fogo. Foi assim no monte Sinai com a
sarça ardente e também no monte Carmelo com o profeta Elias, bem como quando
Salomão estava consagrando o templo e a presença de Deus veio em forma de fogo. A
bíblia também diz que o trono de Deus é fogo, que Deus é fogo, que Ele faz de seus
ministros labaredas de fogo.
O efeito espiritual desse fogo no crente é que ele ilumina, aquece, purifica e se alastra,
portanto, precisamos deste revestimento de poder (fogo). Em Lv 6 aparece cinco vezes
a exortação para não se deixar o fogo apagar sobre o altar, ou seja, é preciso alimentar
este fogo através da Palavra, da oração e da adoração, senão ele apaga.
Quando uma pessoa fica cheia (revestida) do Espírito Santo, tem vários efeitos:
Coragem – O crente perde a timidez, porque está completamente focado em Deus e
não nas opiniões de outras pessoas – (At 2:14; 5:29; 4:8, 31).
Capacitação – O Espírito Santo dá um poder superior para o ministério, a fim de ajudar
o crente no seu crescimento espiritual, na evangelização e no crescimento da igreja; o
crente poderá, além disso, receber dons espirituais (At 19:6).
Revelação – Essa experiência poderá ajudar o crente a encontrar a resposta para uma
dúvida, ou uma indicação de o que deve fazer, ou um novo significado de uma palavra
da bíblia para sua vida (At 20:22-23).
Dedicação – Por causa dessa experiência, o crente sente mais vontade de conhecer a
Deus e se dedicar mais à sua obra. A oração e o estudo da bíblia se tornam muito mais
significativos e eficazes, o que também resulta em uma nova alegria na adoração (At
5:41).
Jesus, logo após o Espírito Santo descer sobre ele em forma de pomba, após o batismo
de João, foi ao deserto para ser tentado, ou seja, ele também recebeu uma capacitação
especial antes de começar o seu ministério público (Mt 3:16 - 4:1; Lc 4:18; Is 61:1-2). Da
mesma forma ele recomendou não somente aos apóstolos, mas a todos que o seguiam
o seguinte: “ficai em Jerusalém até que do alto sejais revestidos de poder” (Lc 24:49).

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Os apóstolos já haviam recebido o Espírito Santo antes do Pentecostes (Jo 20:19), mas
ainda não eram batizados por ele, por isso é importante entender que ter o Espírito Santo
não significa ser batizado com o Espírito Santo. No Pentecostes, portanto, eles
receberam a plenitude do Espírito Santo.

Como já vimos, muitas pessoas acreditam -- erroneamente -- que o batismo com o


Espírito Santo acontece no momento da conversão, mas na verdade quando nos
convertemos a Cristo somos selados (marcados como propriedade exclusiva de Deus)
com o Espírito Santo da promessa, que é o penhor (o que garante o cumprimento de um
dever ou obrigação) da nossa herança com Deus (Ef 1:13).

A prova disto é que o próprio Cristo advertiu aos discípulos para que “ficassem em
Jerusalém até que do alto fossem revestidos de poder”, porque “seriam batizados com o
Espírito Santo” não muito depois daqueles dias, na verdade a exatos dez dias após sua
ascensão (At 1:3), quando, finalmente, “receberiam poder” para testemunharem de
Cristo Jesus por toda a terra (At 1:8).

Considerando ainda que todos que estavam reunidos no cenáculo já tinham se


convertido e que os apóstolos já haviam inclusive recebido o Espírito Santo (At 20:22), é
completamente desconexa, sem sentido e absurda a interpretação de que o batismo com
o Espírito Santo se dá no momento da conversão (Lc 24:49; At 1:4-5).

Podemos ratificar o batismo com o Espírito Santo como uma segunda benção, uma força
a mais, uma unção de revestimento de poder que nos fortalece espiritualmente para
enfrentarmos nossas lutas e dificuldades do viver cristão. Este poder também incrementa
a capacidade de desempenharmos nossa função como membros do corpo de Cristo,
produzindo um ardente desejo de conhecer e servir mais e melhor a Deus. Como já
vimos, o próprio Jesus lhes havia prometido poder para testemunhar tão logo fossem
batizados com o Espírito Santo (At 1:8).
O batismo com o Espírito Santo é o recebimento dele na sua plenitude. Essa experiência
nunca aconteceu na dispensação do velho testamento, pois o Espírito de Deus já tinha
se manifestado de variadas formas, mas nunca em sua plenitude.

Ademais, no dia de Pentecostes os apóstolos e demais seguidores de Cristo não


receberam apenas o batismo com o Espírito Santo e o dom de falar em línguas, mas
também todos os demais dons espirituais descritos por Paulo em sua carta à igreja de
Corinto (1 Co 12:7-11). Sem sombra de dúvidas, todos no cenáculo também foram
agraciados ou com dom de línguas, ou interpretação de línguas, profecia, dons de curar,
palavra de sabedoria, discernimento de espíritos, etc. (Mc 16:17; At 2:4; 10:46).

A experiência dos gentios em Éfeso também é uma extensão do que aconteceu no


Pentecostes, que aqui – mais explicitamente -- mostra que foram agraciados não
somente com o dom de línguas, mas também com o dom de profecia (At 19:1-6).

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Apenas para efeito didático, os dons espirituais são classificados da seguinte


maneira:

1. Aqueles que concedem poder para saber sobrenaturalmente: A palavra de


sabedoria, a palavra de ciência e de discernimento.
2. Aqueles que concedem poder para agir sobrenaturalmente: Fé, milagres,
curas.
3. Aqueles que concedem poder para orar sobrenaturalmente: profecia, línguas,
interpretação.

Esses dons são descritos como "a manifestação do Espírito", "dada a cada um, para o
que for útil” (isto é, para o benefício da igreja). Aqui temos a definição bíblica duma
"manifestação" do Espírito, a saber, a operação de qualquer um dos nove dons do
Espírito.
A palavra de sabedoria

A sabedoria a que se refere 1 Co 12:8 não é a humana, adquirida mediante os livros ou


nas universidades, mas sim uma capacidade sobrenatural, divina, para tomar decisões
sábias em circunstâncias extremante difíceis.

 É aplicada à arte de interpretar sonhos e dar conselhos sábios (A.T. 7:10).


 Esclarecer o significado de algum número ou visão misteriosos (Ap 13:18; 17:9-
10).
 Poder de exposição concernente a interpretar e aplicar a Palavra de Deus (Mc
6:2; At 6:9-10).
A palavra de conhecimento

Indica uma compreensão inteligente dos princípios e fatos do cristianismo. Também se


relaciona à capacidade sobrenatural concedida pelo Espírito Santo ao crente para este
conhecer fatos e circunstâncias ocultas. O profeta Eliseu recebeu a palavra de
conhecimento dos planos de guerra do rei da síria.

Quando o rei sírio pensou em atacar o exército de Israel, o profeta já havia alertado a
todo o Israel (2 Rs 6:8-12). Este dom tem a finalidade de preservar a vida da igreja,
livrando-a de qualquer engano ou artimanha do maligno.

 No Novo Testamento, esse dom foi manifestado quando Pedro revelou a mentira
de Ananias e Safira (At 5:1-11). O dom da palavra da ciência não é adivinhação,
mas conhecimento concedido sobrenaturalmente da parte de Deus (Jo 4:16-
19;29).
O discernimento de espíritos
Distinção entre os espíritos é a habilidade especial para reconhecer a influência do
Espírito Santo, do espírito humano ou espíritos demoníacos em uma pessoa.

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A palavra discernir significa julgar através de; distinguir. Ela denota o sentido de se
penetrar a superfície, desmascarando e descobrindo a verdadeira fonte das motivações
(Mt 10:26).

Ao longo das escrituras podemos destacar três origens das manifestações espirituais no
mundo: Deus, o homem e o diabo. Uma profecia ou línguas, por exemplo, pode ter
inspiração divina ou da mente humana ou ainda de origem maligna. A palavra de Deus
nos ensina que os espíritos devem ser postos à prova (1 Co 14:29; 1 Jo 4.1-4; Mt 7.15-
20).

A influência de satanás tem propriedades destrutivas e a pessoa influenciada por um


demônio vai ter uma influência destrutiva sobre a igreja e as pessoas ao redor (1 Sm
16:14,23; 19:9-10). Esta influência autodestrutiva prejudica a própria vida do indivíduo
perturbado (Mt 16:21-23; Jo 13:2,27). É uma atitude exigida de todos os crentes (1 Ts
5:20-21; 1 Jo 1:4), mas um dom concedido somente a alguns.
Dons de curar
Como aparecem no plural, sugerem dons para uma diversidade de curas exigidas por
diferentes enfermidades. Devemos lembrar que a doença física é um resultado da queda
de Adão e os males e doenças são apenas algumas das consequências da maldição
pós-queda que, consequentemente, levam à morte física (Rm 5:12; 6:23; Jo 5:14).

Cristo nos resgatou da maldição do pecado quando morreu na cruz e isto se refere à
cura física e espiritual que Cristo adquiriu para nós (Mt 8:16-17; 1 Pe 2:24). Todos os
benefícios que Cristo conquistou só gozaremos na sua plenitude em sua segunda vinda
(Rm 8:23; 1 Co 15:19-23). Enquanto não recebermos o novo corpo imortal e incorruptível
estaremos sujeitos a toda sorte de doenças e males neste corpo físico (Rm 8:20-23).
O propósito dos dons de cura
Os dons de cura têm várias finalidades:
Primeiro eles funcionam como um "sinal" para confirmar a mensagem do evangelho e
mostrar que o reino de Deus é chegado (Mt 3:2; Jo 9:1-3).
Em seguida, trazem conforto para aqueles que estão doentes e mostra um atributo da
misericórdia de Deus para com os necessitados (Mt 9:20-22).
Em terceiro lugar, a saúde prepara as pessoas para o serviço, ao remover os
impedimentos para o ministério (Fl 2:25-27).
Em quarto lugar, a saúde oferece uma oportunidade para que Deus seja glorificado
quando as pessoas veem a evidência física de sua misericórdia, amor, sabedoria, poder
e presença (2 Rs 5:14-15).
Como a cura acontecia no N.T.?
Os métodos utilizados por Jesus e os discípulos para trazer a cura variam de caso para
caso, mas na maior parte do tempo incluía a imposição de mãos (Lc 4:40; Mt 9:18; Mc

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16:18). Outro símbolo físico do poder do Espírito Santo, usado no processo de curar era
a unção com óleo (Tg 5:14-15).

O Novo Testamento frequentemente enfatiza o papel da fé no processo de cura, que às


vezes é a fé de uma pessoa doente (Lc 8:47-48), mas outras vezes é a fé de outros que
leva à cura do doente (Mc 2:5; Mt 8:10-13).

Como, então, devemos orar pela cura? Vivemos numa época em que o reino de Deus
está aqui, mas ainda não totalmente. Isto é um fato. Em cada caso individual é a vontade
soberana de Deus que decide o resultado e nosso papel é simplesmente perguntar e
esperar que ele responda (Rm 9:20; Lc 22:42).

Qual é a relação entre a oração para a cura e o uso de medicamentos e técnicas


médicas?

A decisão de não usar medicamentos, nestes casos, deve ser uma decisão pessoal e
não imposta por outros. No entanto, às vezes não há um medicamento apropriado
disponível ou o remédio não funciona. Certamente devemos nos lembrar que Deus pode
curar quando os médicos e a medicina não podem.

É errado confiar em médicos ou medicamentos, em vez de confiar no Senhor (2 Cr 16:12-


13), mas se a Medicina é usada em conexão com a oração, então nós esperamos que
Deus abençoe e multiplique muitas vezes a eficácia da Medicina (2 Rs 20:1-7)

Certamente devemos usar a medicação, caso disponível, porque Deus também criou
substâncias na terra que podem fazer a medicina com propriedades curativas. Assim, os
princípios ativos dos medicamentos devem ser considerados parte de toda a criação,
que Deus achou que era "muito bom" (1 Tm 5:23).
Como operam os dons de cura?
Aqueles com os "dons de cura” são aqueles que tem suas orações para a cura
respondidas com mais frequência e mais completamente do que os outros. Quando isso
se torna claro, a igreja deve agir com sabedoria neste ministério para incentivá-los e dar-
lhes mais oportunidades para orar pelos outros que estão doentes.

Devemos também perceber que os dons de cura podem incluir um ministério, não só em
termos de saúde física, mas psíquica e emocional. Isto também inclui a capacidade de
libertar as pessoas dos ataques demoníacos, porque isso também é chamado de "saúde"
nas escrituras (Is 57:15; Lc 4:18; 6:18).
Nenhum cristão tem autorização divina para “profetizar”, “determinar” ou “decretar” a cura
de quem quer que seja (2 Sm 7:1-5;1 Co 12:29; Mt 5:36). Jesus mandou orar e impor as
mãos, e não fazer “confissão positiva”, porque isso não tem previsão no texto bíblico e
nada mais é que mais um “modismo” da teologia da prosperidade.

A palavra de Deus recomenda que oremos pelos enfermos, porque a oração do justo
pode muito em seus efeitos, independe de se ter o dom de cura ou não (Tg 5.14-16)
Jesus nos ensinou que em seu nome deveríamos impor as mãos sobre os enfermos para

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que eles sejam curados (Mc 16:18), portanto nossa responsabilidade é orar pedindo a
cura. Quem sara o enfermo, de acordo com a sua soberana vontade, é Deus (At 3:1-6;
12,16; 2 Tm 4:20).
E se Deus não cura?

Devemos perceber que nem todas as orações para a cura são respondidas, pois em
alguns casos, devido a seus próprios propósitos soberanos, Deus vai decidir não curar
(2 Tm 4:20).

Quando Epafrodito foi visitar ao apóstolo Paulo, foi acometido de uma doença que o
colocou à beira da morte (Fp 2:27). Quando Deus escolhe não curar, mesmo quando
pedimos, então não há problema em dar graças em todas as circunstâncias (1 Ts 5:18).
Paulo recomenda a Timóteo que beba um pouco de vinho por causa de seu estômago
ruim e “das tuas frequentes enfermidades” (1 Tm 5:23).

Finalmente, Deus pode trazer uma santificação crescente através de uma doença e
sofrimento, da mesma forma que pode trazer santificação e crescimento na fé através
das curas milagrosas. Com Jó aprendemos uma importante lição de vida e fé mediante
severas provações da nossa fé (Jó 2:10; 42:5).
Operação de milagres
Este dom realiza obras extraordinárias além do poder humano. O dom de operação de
maravilhas altera a ordem natural das coisas consideradas impossíveis e impensáveis.

Jesus repreendeu o vento e o mar e logo se aquietaram (Mt 8:23-27). Operou a


ressurreição do filho da viúva de Naim (Lc 7:11-17); a ressurreição da filha de Jairo (Mc
5.21-43) e a ressurreição de Lázaro, morto havia quatro dias (Jo 11.1-45). Vemos
também no ministério de Paulo a operação deste dom com manifestações do Espírito
Santo e do poder de Deus (At 19:11-12; 20:9-12).

O dom da fé é distinto da fé que recebemos por ocasião da nossa conversão: a fé


salvífica (Rm 10:17; Ef 2:8). Também é distinto da fé confiança em Deus, sem a qual é
impossível agradar-lhe (Hb 11:6). A melhor definição de fé pode ser encontrada em
hebreus 11:1.

O dom da fé é a capacidade que o Espírito Santo concede ao crente para este realizar
coisas que transcendem à esfera natural da vida, objetivando sempre a edificação da
igreja.

Em 1Co 12:9 a palavra usada significa uma dotação especial do poder do Espírito. Jesus
afirmou que apenas um grão desta fé poderia remover uma montanha (Mt 17:20). O dom
da fé é algo específico, “é uma medida incomum de confiança no poder de Deus”.

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Línguas

O dom de línguas é sobrenatural e, portanto, não é uma referência a línguas humanas


que podem ser aprendidas e interpretadas sem a ajuda divina, mas a uma experiência
de êxtase que foi concedida a alguns e não a todos. Esse dom é uma língua espiritual
miraculosa para a comunhão com Deus. Logo, falar em línguas é a oração ou culto em
sílabas não compreendidas pelo orador.

Esta definição indica que o falar em línguas é fundamentalmente uma conversa dirigida
a Deus (uma oração ou um louvor), por isso é diferente do dom de profecia, que muitas
vezes consiste em mensagens que Deus dirige à igreja.

Assim, Paulo diz: "porque o que fala língua estranha não fala aos homens, senão a Deus;
porque ninguém o entende e em espírito fala de mistérios" (1 Co 14:2), e se um intérprete
não está presente no culto da igreja, Paulo diz que alguém com um dom de falar em
línguas deve manter "silêncio na igreja e falar consigo e com Deus" (1 Co 14:28), o que
na maioria das vezes não é o que acontece.
Que tipo de conversa é dirigida a Deus? Paulo diz: "se eu orar em línguas, o meu espírito
ora bem, mas minha mente fica infrutífera”, caso eu não ore para que a possa interpretar
(1 Co 14:14), portanto línguas não interpretadas não trazem nenhum benefício à igreja.

Há, contudo, muitos que torcem a Palavra de Deus e argumentam que em Pentecostes
os discípulos falaram em idiomas humanos e apenas com o único propósito de que os
judeus devotos da Dispersão que tinham ido a Jerusalém para a festa fossem
evangelizados, justificando, com isso, que as “outras línguas” foram restritas apenas à
era dos apóstolos e àquele evento apenas.

Ignoram, no entanto, que em outras ocasiões as escrituras registram a ocorrência de


línguas estranhas sem que haja barreiras na comunicação entre os atores, o que deixa
claro o caráter tendencioso e fantasioso desta interpretação (At 10:46; 19:6)

A lista de pessoas de quinze nações começa com o Leste: "Partos, medos, elamitas,
habitantes da Mesopotâmia", onde os judeus foram levados cativos para a Assíria e
Babilônia.
A lista prossegue oeste para a Judéia, e depois para o norte para a Ásia Menor:
Capadócia, do Ponto, da Ásia, da Frígia e da Panfília, de lá para o Norte da África (Egito,
partes da Líbia perto de Cirene, depois para Roma. Finalmente, a lista inclui dois lugares
muito distantes: Creta e Arábia.

A verdade é que o que houve no Pentecostes foi um milagre de audição, em que o


Espírito Santo agia como intérprete, de modo que os vários grupos que favavam diversos
idiomas ouvissem os apóstolos na sua própria língua, vejamos o porquê:
Caso os cerca de 120 crentes presentes no cenáculo, entre eles os apóstolos, todos
falassem o mesmo idioma, cada um “orando” e não “rezando”, ninguém que estivesse
fora entenderia uma única palavra do que eles estivessem falando, apenas ouviriam um
“barulho” inaudível de pessoas falando simultaneamente.

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Confusão maior ainda seria se essas 120 pessoas estivessem orando nos 15 (quinze)
idiomas diferentes dos peregrinos, seria uma repetição do que aconteceu na torre de
Babel, ou seja, uma confusão onde ninguém se entenderia (Gn 11:6-9).

A suposição de que os discípulos falaram os idiomas nativos dos prosélitos uma única
vez e apenas com o propósito de que estes fossem alcançados pela mensagem do
evangelho não se sustenta pelos seguintes motivos:

1. Paulo afirma que quem fala em língua estranha não fala aos homens, mas a Deus
e ninguém o entende porque fala de mistérios (1 Co 14:2).
2. O apóstolo diz que “...o que fala língua estranha, ore para que possa interpretar”
(1 Co 14:13), portanto a interpretação, ou seja, o entendimento das línguas
depende unicamente de oração.
3. A bíblia não diz que eles falaram os idiomas nativos dos judeus que tinham ido à
festa presentes na multidão, mas sim que “cada um os ouvia na própria língua em
que era nascido”. Eles falaram em línguas não conhecidas literalmente, sim, mas
um milagre de audição fez com que cada estrangeiro os ouvisse em seu idioma
nativo (At 2:8).

Diante de todos esses fatos, concluímos que é apócrifo, espúrio e herético afirmar que
as línguas estranhas não são atuais com base em argumentos falhos, inconsistentes e
contrários ao ensino geral das escrituras. Os adeptos do cessacionismo forçam uma
interpretação totalmente distorcida e desprovida de qualquer elemento de verdade e
inspiração divina.
Outra coisa muito importante é esclarecer que o falar em línguas estranhas não é falar
na “língua dos anjos”, pois quando Paulo diz: “Ainda que eu falasse as línguas... dos
anjos”, ele está usando uma figura de linguagem, uma hipérbole. Na verdade, ele quer
dizer que “ainda que fosse possível, ainda que eu pudesse falar a língua dos anjos” ....
Ele prossegue sua figura de linguagem dramatizando: “conhecesse todos os
mistérios...entregasse meu corpo para ser queimado”. Tudo isto aponta para o fato que
o dom de falar em línguas não é falar o idioma dos anjos, mas literalmente em uma língua
não conhecida a qual somente pode ser compreendida por alguém que ore para que a
possa interpretar (1Co 14:13).
Interpretação de línguas
É uma habilidade sobrenatural, concedida pelo Espírito Santo, que torna o crente capaz
de interpretar, de tornar inteligível na sua própria língua, aquilo que foi falado em línguas
estranhas. Paulo advertiu aos irmãos de Corinto quanto ao uso deste dom que se não
há interprete a vontade de Deus não é revelada e a igreja não é exortada, consolada,
tampouco edificada. O dom de interpretação complementa o dom de profecia (1 Co
14.27-28).

Assim como o falar em língua não é concebido na mente, da mesma maneira a


interpretação emana do espírito antes que do intelecto do homem. Nota-se que as
línguas em conjunto com a interpretação têm o mesmo valor da profecia (1 Co 14:5).

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Nesta situação línguas sem interpretação são um sinal de juízo "para os descrentes”,
pois, ao ouvir no culto uma linguagem ininteligível, eles serão propensos a rejeitar o
evangelho. Assim, Deus usa um discurso ininteligível como um sinal de julgamento (Is
28:11; 1 Co 14:22-23).

Paulo diz que aquele que fala em línguas não fala aos homens, mas a Deus e ninguém
o entende, pois, em seu espírito fala mistérios (1 Co 14:2). Da mesma forma, diz que se
alguém fala em línguas sem interpretação não comunica nada a ninguém.
Por esta razão, o crente ao falar em línguas deve orar para ter o dom de interpretar o
que ele diz. Paulo diz: Porque se eu orar em línguas, meu espírito ora bem, mas minha
mente fica infrutífera. O que devo fazer então? Orar com o espírito, mas também com o
entendimento; cantar com o espírito, mas também com o entendimento. No entanto, na
igreja eu quero antes falar cinco palavras inteligíveis para instruir e servir aos outros, do
que dez mil palavras em línguas desconhecidas.

Alguns alegam que o falar em línguas deve ser sempre o falar idiomas humanos
conhecidos, como foi o que aconteceu em Pentecostes, mas ainda que o falar línguas
tenha ocorrido “supostamente” em idiomas humanos conhecidos uma vez nas Escrituras
com o fim de evangelização, não precisaria, necessariamente, acontecer sempre em
línguas conhecidas, senão não haveria o dom de interpretação, pois para isso Paulo
recomendaria escolas de idiomas e não oração.

Paulo vê esse tipo de oração como uma atividade que ocorre no mundo espiritual,
através da qual o nosso espírito fala diretamente com Deus, mas nossa mente de alguma
forma não entende o que pedimos. Isto mostra que Deus está acima de nosso
entendimento e que ele trabalha de maneira além da nossa compreensão (Is 55:8-9; Rm
8:26-27).
Há também os que acreditam que aqueles que falam em línguas perdem a consciência
do que acontece ao redor, perdem o autocontrole ou são forçados a falar contra a sua
vontade, contudo esta não é a verdade mostrada no Novo Testamento, pois mesmo
quando o Espírito Santo veio em sua plenitude no dia de Pentecostes, os discípulos
foram capazes de parar de falar em línguas para que Pedro pregasse à multidão (1
Co14:27-28).
Semelhantemente, Paulo disciplina uso do dom de profecia na igreja: “Mas, se a outro,
que estiver assentado, for revelada alguma coisa, cala-se o primeiro” (1 Co 14:30). Logo,
tanto os que falam em línguas e/ou profetizam controlam o seu enunciado, ainda que
não possam não entender o que falam, no caso das línguas sem interpretação.
E quanto ao perigo de falsificação demoníaca?

Às vezes os cristãos têm medo de falar em línguas, perguntando se eles não entendem
sobre algo, isto pode levá-los a falar blasfêmia contra Deus ou dizer algo inspirado por
um demônio e não o Espírito Santo, todavia este receio não tem motivo de existir (1 Co
12:3).

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Em Rm 8:26-27: Paulo não explicita aqui o falar em línguas, contudo esta declaração
refere-se em geral à vida de todos os cristãos. Paulo não fala de algo que o Espírito faz
com total independência de nossa participação, mas em algo que nós e o Espírito Santo
fazemos em conjunto.
O dom de profecia

A profecia é o dom de transmitir a outros crentes em Cristo a verdade que Deus disse ao
profeta. O Novo Testamento mostra que este dom não deve ser definido como "prever o
futuro", ou "pregar uma mensagem do Senhor", tampouco “desejar bênçãos” na vida de
quem quer que seja fazendo “declamações”, mas sim como “dizer algo que Deus trouxe
espontaneamente à mente”.

Assim, profetizar não é desejar uma bênção ou coisas boas a uma pessoa, pois essa
não é a finalidade da profecia. A expressão “eu profetizo”, oriunda da teologia da
prosperidade, leva as pessoas a falarem em nome de Deus o que ele não falou ou
tampouco prometeu e não se dão conta do quão grave é falar em nome de Jeová o que
ele não mandou (Dt 18:20; Ez 13:6-7), ainda que aparentemente sejam coisas que
agradem a Deus (2 Sm 7:2-13).

Infelizmente, por falta de ensino da Palavra de Deus em muitas igrejas, aparecem várias
aberrações concernentes ao conceito incorreto deste dom, beirando inclusive à
banalização da expressão “profetizar” (1 Co 12:29). O dom de profecia deu lugar às
“profetadas” e hoje praticamente não se vê mais irmãs ou irmãos sendo usados por Deus
com o dom de profecia, mas apenas declamando o “bordão” da teologia da prosperidade
“eu profetizo!”. Isso simplesmente não existe na bíblia!

O produto da profecia é a invasão da mente do homem efetuada pelo Espírito de Deus.


A profecia oral e simbólica que Ágabo entregou a Paulo é um claro exemplo desse
ministério no Novo Testamento (At 21:8-11). A repreensão interior feita pelo Espírito
Santo através da profecia resulta na resposta exterior do pecador levando-o à conversão,
o que não acontece com a “profetada” (1 Co 14:24-25). Se para ele as línguas estranhas
sugerem que a igreja está louca, a profecia prova que Deus está presente.

Nos tempos do Novo Testamento a palavra profeta no uso diário simplesmente


significava "aquele que tem um conhecimento sobrenatural" ou "aquele que prediz o
futuro" ou mesmo apenas "porta voz “, sem conotação de autoridade divina (Lc 22:46; Tt
1:12).

A profecia é útil para a convicção de pecados, pois a incumbência do Espírito de Deus


neste mundo é convencê-lo de pecado (Jo 16:8-11). O Espírito Santo, ao inspirar o dom
profético no seio da igreja, pode fazê-lo a fim de convencer crentes ou incrédulos,
resultando com isso conversão e edificação espiritual.

Despertada, a consciência humana é levada à decisão de abandonar o pecado, já que o


dom de profecia tem o efeito de perscrutar, examinar, de chamar à prestação de contas.
O descrente ou recém-convertido descobrirá que sua vida e seu coração estão

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acessíveis para serem espiritualmente julgados. Isto é uma prova de que realmente foi
levado à conversão e que Jesus e o Pai habitam nele (Jo 14:23).
Dom de profecia ou confissão positiva?
Confissão positiva: É a versão cristianizada do pensamento positivo (representada pela
teologia da prosperidade), que essencialmente substitui a fé em Deus pela habilidade de
ter fé em si mesmo. Diferente do conceito bíblico de fé (Hb 11:1), essa filosofia humanista
afirma que o simples fato de confessar positivamente o que se crê faz com que o desejo
confessado aconteça. Pregam que sua realidade atual ou sua vida é o resultado dos
pensamentos que você tem.

A confissão positiva prega trazer à existência o que declaramos com a nossa boca (Gn
1: 3; 3:5) e que a palavra do homem, assim como a bíblia, tem autoridade (Mt 5:36).
Aquilo em que você mais “pensa ou se concentra” se concretizará em sua vida,
independentemente de ser ou não a vontade de Deus, irá prevalecer a sua vontade (Pv
16:01). O problema é que a confissão positiva apresenta um conceito simplista da fé ao
defender que a benção financeira é o desejo de Deus para todos os cristãos e que a fé,
o discurso positivo e as doações irão sempre aumentar a riqueza do fiel.

Ademais, dá mais valor à palavra falada (declamações de fé) do que a oração e a Palavra
de Deus. Nas reuniões são incentivados apenas a “determinarem”, “profetizarem”, sobre
a sua vida e a de seu próximo, ignorando, desta forma, o meio mais eficaz de
comunicação com Deus: o instituto da ORAÇÃO. É a oração que move o braço de Deus!

Exaltam o homem ao enfatizar o uso do pronome na primeira pessoa (Eu determino, Eu


declaro, Eu profetizo, Eu tomo posse!), anulando, assim, a soberania de Deus, pois não
podemos simplesmente “transformar” a nossa palavra na Palavra de Deus e na prática
é isto que a confissão positiva se propõe a fazer. É uma teologia antropocêntrica, ou
seja, em que o homem é o principal referencial e é o centro de tudo.

Ao defenderem e legitimarem os valores da sociedade secular (riqueza, poder e sucesso)


e ao oferecerem às pessoas o que elas ambicionam e não o que realmente necessitam
aos olhos de Deus, tais igrejas crescem de maneira impressionante, mas perdem uma
grande oportunidade de produzir um impacto salutar e transformador na sociedade
brasileira, pois quem prometeu riquezas e glória foi Satanás. Jesus, ao contrário,
prometeu salvação eterna e uma morada na casa do Pai (Mt 4:8-10; Jo 14:2-3).

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NOÇÕES DE HOMILÉTICA
Homilética: É a ciência que trata da análise, classificação, preparação, composição e
entrega de sermões. Sua função é oferecer recursos para que possamos convencer o
homem quanto à necessidade de arrependimento e fé em Jesus Cristo (Mt 28:20). O
pregador é o que interpreta e ensina as verdades divinas.

Um dos maiores erros que cometemos em relação à pregação é que nós perguntamos
como a pregação deve ser feita, antes de perguntarmos o que é pregação. Então muitas
pessoas começam a pregar sem saber o que é a pregação e aqueles que apenas são
ouvintes também não perguntam o que é a pregação.

Qual foi a primeira pregação pública de João Batista? Arrependei-vos, porque é chegado
o reino dos céus! Qual foi a primeira pregação pública de Jesus? Arrependei-vos, porque
é chegado o reino dos céus! (Mt 3:2; 4:17).

Logo, Pregação é a pública e autoritativa proclamação do evangelho por meio de


embaixadores de Cristo ordenados por Deus que rogam às pessoas para que se
reconciliem com Deus com base na pessoa e obra expiatória de Cristo.

Evangelho é Jesus em todos os benefícios que fluem dele para nós, contudo nem toda
apresentação do evangelho é uma pregação, mas toda pregação é uma apresentação
do evangelho e o pregador é o embaixador em nome de Cristo (Lc 3:23-38).

Não há uma diferença essencial na forma como pregamos o evangelho a crentes e


descrentes, mas claro que a forma como apresentamos o evangelho a descrentes pode
ser bem diferente do que a um crente e isto significa pregar a Cristo de forma sábia. Por
esse motivo devemos pregar a Cristo como um todo para salvar totalmente o seu povo
agora e para sempre.

Evite dois extremos: aceitar sem uma análise crítica as conclusões dos comentários e
bíblias de estudo ou chegar a suas próprias conclusões sem examinar pelo menos duas
ou mais obras de referência sobre o tema em estudo.

Os primeiros pregadores cristãos não se preocuparam com a retórica clássica ou com


palavras de sabedoria (1 Co 2:4-5; Cl 2:8-9). Eles evitavam, num primeiro momento,
qualquer tipo de helenização pelos seguintes motivos:

1- Para evangelizar os judeus eles teriam que entrar no seu campo de estudo – o A.
T. – que de fato era a única porta de entrada, apresentando a explícita relação
entre as profecias messiânicas e Jesus de Nazaré, o Cristo.
2- Qualquer tentativa de discurso baseado em uma retórica grega, geraria
argumentos rabínicos de que o Cristianismo era um fenômeno desagregador da
cultura judaica, causando a sua rejeição imediata.
3- Os primeiros pregadores, em sua maioria, ignoravam a retórica grega. Paulo e
Apolo de Alexandria eram algumas exceções.

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4- O descrédito da retórica homilética, devido aos falsos mestres que a usavam para
disseminar enganos, comprometidos apenas em alcançar o fim para o qual foram
pagos.
A pregação da Igreja Primitiva consistia na demonstração de que as promessas do A. T.
tinham seu cumprimento em Cristo, daí os pregadores recitarem passagens do A.T. e as
explicarem à luz da vida e obra de Jesus, o Messias.

Com o passar do tempo, a pregação cristã foi se tornando mais elaborada pelos
seguintes motivos:

1- A disseminação do evangelho entre os gentios: No mundo greco-romano a


retórica era a coroa da educação liberal, logo se um pregador desejasse ser
ouvido seu estilo usado seria fundamental.
2- A conversão de homens que já tinham sido treinados na retórica: Destes
convertidos, muitos se tornaram pregadores, usando sua formação retórica na
proclamação do Evangelho. Ainda que no primeiro século a separação entre a
pregação cristã e a retórica fossem nitidamente distintas, a partir do segundo
século as diferenças se tornaram cada vez mais tênues.
3- O declínio dos pregadores Judeu-cristãos e Judeus: A pregação do estilo
judeu cedeu lugar a uma pregação mais elaborada, modelada ao senso estético
grego e romano.
A Reforma Protestante teve como objetivo uma volta às Sagradas Escrituras ao enfatizar
a necessidade do estudo da Palavra, que fora substituído pela preocupação filosófica. A
Razão havia tomado o lugar da Revelação. Romanos não foge a este princípio, pois é o
reconhecimento de que é o Espírito quem deve nos guiar na compreensão das Escrituras
(Rm 8:5).

Por outro lado, aquele que prega deve ter consciência de que o púlpito não é o lugar
para se externar as opiniões pessoas e subjetivas, mas sim para pregar a Palavra de
Deus.

Outra verdade que precisa ser ressaltada é que apesar de muitos de nós não sermos
“grandes” pregadores ou existirem pregadores infiéis, Deus fala: A Palavra de Deus é
mais poderosa do que nossa incompetência ou a infidelidade dos outros.
Requisitos essenciais à pregação eficiente

Dotes naturais: Clareza de raciocínio, fluência, dicção clara e sensibilidade são


características que podem e devem ser melhoradas e desenvolvidas. Se nós fomos
chamados por Deus não devemos tentar ser outra pessoa, pois Deus nos usará mesmo
com nossas limitações e características.
Cultura Geral: O ministério é uma profissão erudita e o pregador deve procurar estar
atualizado, procurando estar em dia com os acontecimentos do seu tempo. É
imprescindível ao pregador o gosto pela leitura, a fim de que tenha melhores condições
de ilustrar a sua mensagem, ter um raciocínio mais eficiente, enfim ter melhores recursos
no convívio social e na transmissão da mensagem.

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Piedade: Não se requer de um pastor apenas cultura, mas também inabalável fidelidade
pela sã doutrina ao ponto de nunca se afastar dela.

Requisitos fundamentais ao sermão: O sermão antes de ser elaborado deve ter uma
estrutura em nossa mente. A estrutura é como uma planta na construção de um edifício.
Ponto: todo sermão deve seguir em torno de uma ideia central a qual serve de tese para
ser demonstrada ou como pressuposto que é aceito, não precisando de demonstração.
Este ponto deve atrair todos os argumentos para si e estar claro na mente dos ouvintes.

Unidade: A unidade decorrente do texto consiste na relação estabelecida entre as partes


e o todo: Subordinar as ideias secundárias às primárias, apontando sempre para uma
direção. Devemos ordenar as ideias de forma coerente e organizar o material que
preparamos de forma seletiva.

Ordem: a pregação exige clareza e coordenação a fim de sermos bem compreendidos.


A falta de ordem gera obscuridade. A boa ordem exige a ligação entre as ideias a fim de
que uma puxe a outra e cada uma delas pressuponha a anterior. Esta disposição
ordenada caminha para o coroamento da mensagem.

Proporção: O sermão não deve ter uma ênfase exagerada num determinado argumento
em prejuízo aos demais. Cada argumento deve ter o tempo necessário conforme a
relevância dele para o sermão, a fim de que não haja desproporção (Jo 14:6).

Movimento: o sermão deve ter ideias coordenadas que estão a caminho de uma
conclusão. Um sermão sem objetivo é apenas um monte de palavras e conceitos
isolados.

Fidelidade Textual: Para que isto seja feito é necessária uma interpretação cuidadosa
do texto bíblico, considerando o seu contexto. Para ser positiva, a pregação deve ser
uma explicação da Escritura.
Elemento didático: O sermão visa sempre ensinar os seus ouvintes e ao mesmo tempo
levá-los a assumir uma posição diante do que ouviram. O ensino que transmitimos em
nossos sermões devem provir do ensino bíblico. A igreja deve ser estimulada a aprender
a Palavra e o sermão é um meio para isso. O sermão deve ser, antes de tudo, instrutivo.
Observações sobre o sermão

Na pregação compartilhamos a Palavra de Deus com pessoas que comungam conosco


a mesma fé ou que são desafiadas a fazê-lo em Cristo. Não podemos fazer de nosso
púlpito uma arma para disparar tiros certeiros contra pessoas específicas, mas sim
transmitirmos a Palavra que – através do Espírito – é poderosa para converter, corrigir,
transformar e edificar (2 Tm 3:16-17).

O problema de muitos e até mesmo alguns de nós cristãos é que muitas vezes, sem
percebermos, trocamos os preceitos bíblicos por conselhos de revistas, por modismos
dos da televisão e mídias sociais. Substituímos a Bíblia pela Psicologia, Filosofia e até

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mesmo a astrologia, colocando-as como nosso padrão de comportamento, em


detrimento da inerrante e infalível Palavra de Deus.

O sermão e a maturação: Todo sermão deve passar por um processo de maturação.


Devemos ter em mente que ainda que aconteça algumas vezes, nem sempre o sermão
nos chega com tanta clareza de modo imediato. A verdade é que na maioria das vezes
só nos chega depois de muito estudo, reflexão e oração, afinal o sermão precisa ser
preparado, pois ele não cai do céu pronto. O sermão deve ser estudado, trabalhado, feito
e refeito.

Devemos ter cuidado para não pregar apenas proposições teológicas ao invés de a
pessoa de Cristo. Pregar é anunciar um Cristo vivo para pecadores mortos em pecados
para que possam viver em Cristo. Não devemos pregar apenas proposições abstratas,
mas advertir, isto é pregar Cristo de forma sábia; advertindo e ensinando a todo homem
em toda a sabedoria, isto significa tornar o sermão acessível às necessidades das
pessoas que estão ouvindo; confortar quem precisa de conforto, admoestar os que estão
vivendo no pecado, levantar os desanimados, rebaixar os orgulhosos. Devemos
apresentar o mesmo Cristo a todos sabiamente e todos em todos os níveis.
O texto

A necessidade de um texto bíblico: Todo sermão deve ser baseado em um texto


bíblico e devemos nos aprofundar nele. A pregação tem que ser exclusivamente bíblica.
Um pregador que nunca leu toda a bíblia terá uma certa dificuldade em harmonizar o
texto bíblico a ser usado com o ensino geral das escrituras. Era do A.T. que os primeiros
pregadores cristãos, seguindo o exemplo de Jesus, extraíram seus textos.
Critérios para a escolha do texto bíblico:

Aproveite as datas comemorativas e o calendário cristão: procure um texto que traga


uma mensagem sugestiva para aquela ocasião, porém isto não nos impede de pregar
sobre outros assuntos que não fazem alusão a estas datas.

Seja sensível aos problemas atuais: Acidentes, acontecimentos que despertam a


atenção pública: questões econômicas, desemprego, acidentes, falecimento de pessoas
famosas, etc.

Use sempre texto da bíblia: Isto exclui o uso dos livros apócrifos, hinos ou mesmo bons
livros evangélicos. O sermão sempre deve partir das Escrituras.

Dê preferência a textos positivos: Ao invés de chamarmos a atenção para o negativo,


devemos dar relevância à fidelidade, obediência, confiança, etc. O aprendizado é mais
eficaz quando meditamos na forma correta de fazer.

Use preferencialmente um só texto em cada sermão: É preferível usar um único texto


do que mais. Poderá haver casos em que isto se faça necessário, contudo é mais didático
evitar sempre que possível.

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Use texto que tenha sentido claro: Textos que apresentam uma série de controvérsias
quanto a sua interpretação devem ser evitados (1 Pe 3:19). O objetivo do sermão é
edificar, transformar, esclarecer e consolar. Se a pregação trouxer confusão na mente
dos ouvintes, qual terá sido seu benefício?

Não evite um texto simplesmente por ele ser muito conhecido: É nos textos mais
conhecidos e pela forma de abordá-los sem ficar apenas repetindo coisas já ditas e
repetidas “n” vezes que um pregador pode se destacar.
Evite textos muito extensos ou muito curtos: O texto muito extenso pode trazer certa
dificuldade em expor com clareza o que desejamos dentro do tempo delimitado. Um texto
curto, por sua vez, isolado de seu contexto pode fazer com que venhamos apenas a
expor nossa eloquência e não expor a Palavra de Deus. Pequeno ou grande o texto
deve, antes de tudo, ser primeiramente entendido dentro de seu contexto.
Evite alegorias na interpretação do texto: Não podemos alegorizar demasiadamente
o texto dando asas à nossa imaginação. O limite das analogias é limitado pelo próprio
uso bíblico. Quando divagamos além dos limites autorizados pela escritura corremos o
risco de fazer um estudo de Botânica, Zoologia, Medicina e até futebol, tudo menos um
estudo proveitoso da Palavra de Deus.

Não faça um tratado teológico a partir do texto: Muitas vezes somos tentados a querer
dizer tudo o que a escritura nos ensina sobre um assunto a partir de um texto, o que
além de impossível é pouco proveitoso para os ouvintes. A assimilação do que é falado
no púlpito é inversamente proporcional à duração do sermão (At 20:09).
Classificação dos sermões

Com referência à estrutura do texto, o sermão pode ser classificado como Temático,
Textual ou Expositivo.

Sermão Temático ou Tópico: O tema é extraído de um texto e as divisões de outros.


Sua ideia central é decorrente do texto lido, porém, a argumentação é buscada em outros
textos bíblicos.
Exemplo:
Tema: Confiança
Texto: Jeremias 17:5-8.
Título: Em quem devemos confiar?
1 – Os que confiam em si mesmos Jr 9:23.
2 – Os que confiam em exércitos Sl 20:7.
3 – Os que confiam nas riquezas Lc 12:16-21.
4 – Aquele que confia no Senhor não será confundido Is 28:16; Sl 121:1-2.

Sermão Textual: É aquele cuja estrutura corresponde à ordem das partes do texto. O
tema e as divisões estão no texto ou são derivados dele. Neste caso o texto utilizado é
pequeno, não devendo ultrapassar 4 versículos. Neste caso o texto é que controla todos
os pontos a serem tratados no sermão.

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Exemplo:
Tema: As glórias do homem
Texto: Jeremias 9:23-24.
Título: A verdadeira glória
1 – Os que se gloriam na sua sabedoria Jr 9:23a
2 – Os que se gloriam na sua força Jr 9:23b
3 – Os que se gloriam na sua riqueza Jr 9:23c
4 – Aquele que se gloriar, glorie-se no Senhor! Jr 9:24
Sermão Expositivo: É aquele em que tema e as divisões são extraídos de um texto que
tenha mais de quatro versículos. Basicamente o que o distingue do sermão textual é a
extensão do texto bíblico utilizado. A pregação expositiva deve estar sintonizada com
todas as partes da Bíblia, formando um conjunto harmônico. Os apóstolos interpretavam
o A.T. e o aplicavam às necessidades de seus ouvintes.
Exemplo:
Tema: Milagre
Texto: 2 Reis 5:1-15.
Título: Como alcançar o milagre de Deus?
1 – O milagre de Deus não pode ser comprado v.5
2 – Não basta crer, é preciso crer da maneira correta v.11
3 – O orgulho impede o milagre v.12
4 – É necessário nos submetermos a vontade de Deus v.14
5 – É imprescindível agradecer e glorificar a Deus v.15

Partes constitutivas do sermão.

Narração ou explicação; tema/argumentação; divisão ou demonstração;


conclusão.

Introdução: É a porta de entrada ao assunto que vai ser tratado e tem como objetivo
despertar a atenção, o interesse e a simpatia dos ouvintes. O interesse alimenta a
atenção através de um tema que apresente relevância. Uma atitude pretenciosa ou
inadequada poderá criar um clima de antipatia por parte dos ouvintes, que criará
barreiras à sua apreciação.

A introdução deve ser breve, pertinente e ter uma ideia dominante. Deve conduzir
diretamente ao tema, pois se for muito longa pode criar uma insatisfação nos ouvintes
pelo fato de o pregador ficar fazendo delongas e não entrar logo no assunto.
Narração ou explicação: Tem o propósito de tornar mais claro o texto, realçando a
procedência da sua mensagem. Uma boa narração depende de um estudo criterioso do
texto e do contexto, além de uma boa exegese, dicionários e comentários bíblicos.

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Tipos de narração: podem ser usados em conjunto ou isoladamente:

1) Explicação de termos: Consiste na explicação de palavras que apresentem, num


primeiro momento, um sentido obscuro, ambíguo ou que tenham um sentido
bíblico peculiar diferente do usual nos dias de hoje.
2) Exposição do contexto histórico: Consiste em esclarecer a ocasião e as
circunstância em que o texto lido foi escrito ou a relação da mensagem proferida
com a situação dos destinatários.
3) Paráfrase: Consiste em recontar o texto lido através de uma paráfrase, ou seja,
a explicação ou nova apresentação de um texto (entrecho, obra etc.) que visa
torná-lo mais inteligível ou que sugere novo enfoque para o seu sentido.
O que deve ser evitado

Ser muito extenso: A narração é apenas uma parte do sermão, por isso se for muito
demorada cansará o auditório antes da mensagem propriamente dita.

Ser muito detalhado: Basta que usemos apenas o que for essencial à explicação do
assunto que vamos tratar. Devemos fazer uma seleção de apenas o que for relevante
para o sermão, ou seja, apenas aquilo que poderá ser aplicado para nossa edificação
espiritual.
Tema ou proposição:

Definição do tema: É o assunto sobre o qual você vai falar ou a tese que vai ser
defendida. A introdução conduziu-nos até o tema. Já no tema, encontramos o sermão
sintetizado, o qual será analisado através das divisões.
Diferença entre Título e Tema: Todo sermão deve ter um título e um tema. O título
indica o assunto; o tema é a proposição (tese) que vai ser tratada ou demonstrada. O
título, via de regra, é mais geral do que o tema, pois este tem o objetivo de esclarecer o
que vai ser demonstrado. O título funciona como um chamariz e o tema é de fato o
assunto a ser tratado. Ex: Título: Sacrifício; Tema: O sacrifício que Deus se agrada.

Importância do tema: Unidade: O tema é o que dá unidade ao sermão, por isso é


necessário que o tema envolva e englobe as divisões. Uma proposição malfeita
acarreta uma desorganização do sermão.
Ponto: O tema é o ponto de referência que determina a matéria a ser selecionada.
Estabelece uma meta: O tema mostra a direção na qual o pregador seguirá, mantendo
a atenção do auditório para seguir junto com o pregador. O tema é importante para que
os ouvintes saibam sobre o que o pregador vai falar.
Facilita a compreensão: O tema proporciona uma maior assimilação e retenção da
mensagem proclamada.
Forma
Fidelidade textual: O tema deve ser algo que decorra do texto com muita clareza.
Devemos lembrar que o tema é o assunto sobre o qual vamos dissertar.

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Clareza: Além da fidelidade ao texto lido, o tema deve ser claro, exato e breve.
Uma ideia principal: Se a proposição tiver mais de uma ideia principal, ela não dará
uma unidade ao sermão.
Ser preferencialmente afirmativo: O tema deve ressaltar – de preferência – o que é
positivo; uma verdade que desejamos ensinar. Em alguns casos podemos fazê-lo
partindo de uma interrogação ou negação. Outra alternativa é utilizar parte do texto lido
como tema: “Como pode um homem nascer, sendo velho? ” Ou “Que farei, então, de
Jesus, chamado Cristo? ”.
O que evitar

O tema não deve ter um número excessivo de palavras: O tema deve facilitar a
memorização do assunto abordado no sermão, pois se for muito extenso irá dificultar sua
assimilação.

Um menor número de palavras não deve servir de justificativa para um tema muito
abrangente: O tema não deve prometer mais do que pode entregar. Temas como
“Graça”, “Pecado” ou “Amor” são excessivamente gerais para serem abordados num
sermão. Por outro lado, se falarmos de “A graça redentora Divina”; “O amor perdoador”
ou “As consequências do pecado”, estaremos delimitando o tema e o nosso tempo.
Argumentação: Esta é a parte que constitui o corpo do sermão, na qual vamos tratar do
tema anunciado.
Biblicidade: Os argumentos devem ser extraídos da bíblia, por isso a necessidade de
selecionar os textos bíblicos, pois a qualidade é mais importante que a quantidade.
Brevidade: Os argumentos devem ser expostos de tal forma que demonstre aquilo que
o tema se propõe a fazer. A demora excessiva em determinado ponto tende a cansar os
ouvintes, prejudicando sua compreensão.
Conclusivo: Os argumentos devem ser elaborados de tal forma que apresentem o
assunto de forma conclusiva, não cabendo resposta ao que foi apresentado.
Instrutivo: os argumentos devem ser instrutivos. O argumento profilático (preventivo) é
de suma importância para que haja uma assimilação natural e uma rejeição ao erro. A
melhor forma de ensinar é mostrar enfaticamente o correto.
Preceitos quanto à forma da argumentação

As divisões devem estar claras em nossa mente, caso contrário é melhor deixá-lo para
outra ocasião.
Os argumentos devem ser reduzidos em número: Usualmente três, contudo não há
uma obrigação quanto a isto.
Devem ser distintos: Cada um deve ser - necessariamente - um novo argumento e não
apenas a repetição do mesmo argumento de uma maneira diferente.
Devem ser naturais: Os argumentos ou divisões devem estar claramente no contexto
bíblico escolhido e estar relacionados entre si.
Devem ser completas: Isto se consegue através de uma demonstração completa do
assunto.

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Conclusão do sermão

É a parte final do sermão que inclui o objetivo proposto; é aqui que o pregador conduz o
ouvinte a fazer a vontade de Deus, portanto o pregador deve saber aonde quer chegar.
Espécies:
Apelo direto: O orador dirige-se individualmente aos ouvintes.

Aplicação prática: O pregador aplica a verdade pregada, sem se dirigir a nenhum


ouvinte em particular. Em ambos os casos o ouvinte deverá ter respondida no seu íntimo
à seguinte indagação: o que o Senhor quer que eu faça? (At 16:30)
Recapitulação: O pregador recapitula o que disse, fazendo um sumário.

Verdade em contraste: Apresentar o aspecto positivo que a Palavra de Deus nos


ensina.

Implicações conclusivas: Esta é um misto no qual se recapitula parte do que foi falado,
desafiando o ouvinte a se posicionar mediante o que foi tratado. Deve responder ao
coração do ouvinte como a mensagem se aplica a si, à igreja e à sociedade da qual faz
parte.
Preceitos

A conclusão deve ser natural e apropriada: Deve estar de acordo com o que dissemos
no sermão, de forma natural e lógica. É o acabamento do sermão.

Ser breve: A brevidade é importante. Uma conclusão longa pode dar a impressão de
que o pregador não sabe como concluir o que começou ou vai iniciar uma outra pregação
sobre o mesmo tema.

Acentuar o positivo: A conclusão deve ser sempre positiva, abrindo a janela da


esperança em Cristo.

Nunca peça desculpas: Se pregamos como Arautos de Deus conscientes do que


vamos falar ao povo, um pedido de desculpas pode causar má impressão.

Evite anedotas: O pregador não é um animador de auditório. Sua função é apresentar


a mensagem redentora de Deus à humanidade. Ainda que no início ou no decorrer do
discurso possa ter havido algo do gênero, na conclusão esta prática torna-se
inadequada.

Evite improvisos: O improviso pode ser uma armadilha destruidora de tudo o que foi
construído durante o sermão e o período de preparação.
Não faça nada que distraia os ouvintes: Devemos centralizar a atenção, não distrair.

Não use a mesma conclusão em todos os sermões: Se temos preferência por um tipo
de conclusão, isto não quer dizer necessariamente que devemos usá-la sempre, dia após
dia.

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As divisões do sermão
As divisões podem consistir em verdades ou princípios sugeridos pelo texto.

Por meio do método de abordagem múltipla podemos examinar o texto de João 3:16 de
diversos ângulos, veremos dois deles:
Exemplo Nº 1
Tema: Os característicos distintivos da dádiva de Deus
Texto: João 3:16
Título: A dádiva de Deus:
1 - É uma dádiva de amor: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira...”
2 - É uma dádiva sacrificial: “... que deu o seu Filho Unigênito ...”
3 - É uma dádiva eterna: “... não pereça, mas tenha a vida eterna”
4 - É uma dádiva universal: “... todo o.”
5 - É uma dádiva condicional: “... que crê...”
Exemplo Nº 2
Tema: Os aspectos vitais da vida eterna
Texto: João 3:16
Título: Os aspectos vitais da vida eterna
1 - Aquele que deu: “Deus”
2 - O motivo de ele dar: “amou ao mundo de tal maneira”
3 - O preço que ele pagou para dá-lo: “que deu o seu Filho Unigênito”
4 - A parte que temos nessa dádiva: “para que todo o que nele crê”
5 - A certeza de que a possuiremos: “não pereça, mas tenha a vida eterna”
As próprias palavras do texto podem formar as divisões do esboço, uma vez que elas se
refinam a um tema principal.
Exemplo Nº 3
Título: Caminho
Tema: O único Caminho para Deus
Texto: João 14:6
Para chegarmos até Deus iremos:
1 - Através de Jesus, o caminho.
2 - Através de Jesus, a verdade.
3 - Através de Jesus, a vida.

Os bons hábitos na pregação


O pregador deve se esforçar para se tornar atraente ao proferir a mensagem que Deus
colocou em seu coração. A mensagem não deve estar destituída de sentido, de valor e
de clareza. Vamos enumerar alguns bons hábitos que o pregador deve ter na
comunicação da mensagem.
1º. usar linguagem simples e clara:
O grupo que nos ouve é por demais variado em seu grau de instrução, por isso devemos
ser simples para atingir a todos.
2º usar o próprio estilo.
Não alterar a voz, nem imitar outros pregadores.

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3º Falar de tal forma que todos possam ouvir.


Deve pronunciar distintivamente as palavras. Não falar depressa demais. Tomar cuidado
na articulação das sílabas.
4º falar diretamente aos ouvintes.
Para maior facilidade em atingir os ouvintes, devemos considerar que estamos falando
para um grupo de amigos. Nunca dar a ideia de superioridade ao falar. Olhar para todas
as partes do auditório, procurando um contato direto nos olhos dos ouvintes.
5º falar com o corpo solto.
O pregador deve utilizar as mãos, a cabeça, enfim todo o corpo para dar ênfase àquilo
que está falando. O corpo deve permanecer ereto apoiado em ambos os pés.
6º falar com convicção.
Um auditório responde ao pregador que fala com convicção. Sem esta qualidade é difícil
atingir e convencer alguém daquilo que estamos falando.
7º falar com entusiasmo.
Ainda que o assunto seja bom, se não houver entusiasmo, o sermão decresce muito. O
entusiasmo demonstrado na voz, na expressão facial e na maneira de falar.
8º falar com amor.
O pregador chama mais atenção naquilo que fala quando consegue irradiar gozo, paz e
o amor do Senhor. Para isso o pregador deve ter uma atitude simpática e não de
condenação e superioridade, tampouco deve se portar como pregador “estrela” contando
vantagens.
9º ser breve.
Aconselham os mestres em homilética que é preferível falar menos que o tempo
disponível do que ir além dele e enfadar aos ouvintes, pois com o decorrer do tempo a
capacidade de assimilação dos ouvintes em relação ao que foi falado é reduzida
sensivelmente.
10º pregar no poder do Espírito Santo.
Na observação deste item está o êxito de todo o pregador do evangelho (I Cor. 2:4-5).

A preparação espiritual do pregador


A pregação é mais do que uma palestra ou um mero discurso. O pregador está
transmitindo uma mensagem espiritual. E para pregar uma mensagem espiritual
depende de manter uma comunhão íntima e pessoal com Deus. O pregador deve
preparar bem a sua mensagem na presença de Deus e em espírito de oração. O
pregador deve sempre ter em mente a Palavra de Deus proferida pelo profeta Zacarias:
“Não por força nem por violência, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos”
(Zc. 4:6).
Preparo do coração

Para o pleno êxito na entrega da mensagem, o pregador deve ter a mensagem no


coração e falar com o coração. A oração faz o pregador um pregador de coração. A
oração põe o coração do pregador na mensagem. A oração coloca a mensagem do
pregador no seu coração.

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A oração e o preparo espiritual

O pregador deve estudar e preparar a mensagem como se tudo dependesse dele; buscar
força e poder na oração como se tudo dependesse de Deus. A oração tem sido o segredo
do êxito na preparação da boa mensagem.

É a oração que dá vida e poder à mensagem. Não a nada que possa substituir a oração
na vida do pregador, nem a cultura recebida, nem os muitos livros e as enciclopédias.
Quanto maior for a familiaridade com o Pai do céu, tanto melhor realizará a sua função
na terra.

Unção e pregação

A unção é uma das qualidades que distinguem a pregação cristã de todas as formas de
oratórias e discursos. A santidade é o segredo da unção e o resultado de uma vida de
oração, meditação na Palavra e serviço ao Reino de Deus.

Há um elemento essencial para a eficácia da pregação e é que a mensagem tem que


estar ligada a atuação direta da unção do Espírito Santo. Cristo, por meio da nossa
instrumentalidade, ilumina a mente dos homens, por isso a pregação deve depender do
mover do Espírito Santo na vida do pregador (1 Co 2:4-5).

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A DOUTRINA DO HOMEM

Esse termo é usado tanto na Teologia (homem em relação a Deus), como na Ciência
(História Natural da Raça, Psicologia, Sociologia, Ética, Anatomia, Fisiologia e História
Natural). O conhecimento dessa doutrina servirá de alicerce para entender melhor as
doutrinas sobre o ‘pecado’, o ‘juízo’ e a ‘salvação’, as quais se baseiam no homem.

Por que Deus criou o homem? Deus não precisava criar o homem, no entanto, Deus nos
criou para sua própria glória. Deus não precisa de nós por qualquer motivo (Ef 1:11-12),
Portanto, nosso objetivo de vida deve ser para cumprir a razão pela qual Deus nos criou,
que é glorificá-lo!

É errado para os seres humanos buscarem glória para si, o exemplo da morte do rei
Herodes Agripa I deixa isto claro (At 12:22-23). O homem não deve buscar a glória para
si mesmo (Gn 3:5; Jr 9:23-24; Gl 6:14).
Vejamos alguns conceitos sobre a origem do homem:

 Evolução ateísta: Evolução essa palavra é usada para se referir às origens do


homem, seu significado envolve a origem com base em um processo natural, tanto
no surgimento da primeira substância viva quanto no de novas espécies. Essa
teoria afirma que, bilhões de anos atrás, substâncias químicas existentes no mar,
influenciadas pelo sol e pela energia cósmica, acabaram unindo-se por obra do
acaso e dando origem a organismo unicelulares. Desde então, vêm se
desenvolvendo por intermédio de mutações benéficas e de seleção natural,
formando todas as plantas, animais e pessoas.
 Evolução teísta: Afirma que Deus direcionou, usou e controlou o processo da
evolução natural para ‘criar’ o mundo e tudo o que nele existe. Normalmente, essa
visão inclui as seguintes ideias: os dias da criação de Gênesis 1, na verdade,
foram eras; o processo evolutivo estava envolvido na criação de Adão; a Terra e
as formas pré-humanas são extremamente antigas.
 Criação: Ainda que existam variantes no conceito de criacionismo, a principal
característica desse ponto de vista é que ele tem a bíblia como sua única base. A
ciência pode contribuir para nosso entendimento, mas jamais deve controlar ou
mudar nossa interpretação das escrituras para acomodar interpretações forçadas
de ilações que não são conclusivas a respeito da criação dos seres humanos.

A bíblia claramente nos ensina que o homem foi uma criação especial de Deus. Nunca
existiu um símio ou qualquer outro ancestral ou um processo de evolução. Gênesis 1:26
– 27: “…Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem
e mulher os criou” Esse texto é categórico.
Os criacionistas possuem diferentes pontos de vista em relação aos dias da criação, mas
para alguém ser um criacionista é preciso acreditar que o registro bíblico é historicamente
verdadeiro, real e que Adão foi o primeiro homem.

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A criação do ser humano como homem e mulher revela a imagem de Deus em (1)
relações interpessoais harmoniosas, (2) diferença de papéis e autoridade e (3) igualdade
em termos de pessoalidade e de importância.

Pessoalidade é o duplo poder de conhecer a si mesmo relacionado com o mundo e com


Deus e determinar o eu com vistas aos fins morais. Essa pessoalidade permitiu ao
homem, na criação, escolher qual dos objetos de seu conhecimento – o eu, o mundo, ou
Deus – deve ser a norma e o centro de seu desenvolvimento. Essa semelhança natural
com Deus é inalienável e, constituindo uma capacidade para a redenção, valoriza a vida
até dos não regenerados.
A unidade da raça humana

O homem, quando apareceu em cena, não era bruto, mas um ser autoconsciente e
autodeterminante, feito à imagem de seu Criador e capaz de decisão moral livre entre o
bem e o mal. Somos compelidos, então, a crer que o soprar nas narinas do homem o
folego da vida (Gn 2:7) da parte de Deus, apesar de ser uma criação mediata,
pressupondo matéria existente na configuração das formas animais, no entanto, foi uma
criação imediata no sentido de que somente um reforço divino do processo de vida tornou
a matéria em homem. Em outras palavras, o homem não veio a partir do bruto, mas por
intermédio do bruto (pó da terra) e o mesmo Deus imanente, que criou o bruto, criou o
homem.

As diferenças radicais entre a alma do homem e o princípio de inteligência dos animais


inferiores, especialmente a posse da autoconsciência do homem, as ideias gerais, o
senso moral e o poder de autodeterminação mostram que aquilo que principalmente
constitui o homem não poderia derivar-se pelo processo natural de desenvolvimento a
partir das criaturas inferiores.
As escrituras ensinam que a raça humana descende de um só casal (Gn 1:27-28; At
17:26; Rm 5:12). A bíblia diz que Adão teve filhos e filhas, portanto Caim casou-se com
uma irmã ou uma sobrinha, pois isto era inevitável (Gn 5:4).

À época, não havia incompatibilidade *genética, pois como Adão foi criado perfeito, as
falhas nos genes resultantes do pecado só surgiram séculos depois. Sara era meio-irmã
de Abraão, mas as subsequentes regulamentações para que não se casassem com um
parente ordenadas na lei mosaica ainda não eram vigentes. Ademais, a Paleontologia
moderna aceita como provável que, no começo da raça humana, havia maior diferença
entre irmãos e irmãs da mesma família do que atualmente (Gn 20:11-12; Lv 18:6-16).

O casamento entre irmãos e irmãs era inevitável no caso dos filhos do primeiro homem,
visto que a raça humana descendia de um só casal e, por conseguinte, pode-se justificar,
em face da proibição mosaica de tais casamentos baseados no fato de que os filhos e
filhas de Adão não representavam simplesmente uma família, mas a espécie humana e
que isso ocorreu enquanto não surgiram diversas famílias com laços fraternos e o amor
conjugal tornou-se distinto de outro e assumiu formas fixas e mutuamente exclusivas,
cuja violação é pecado.

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A história das migrações do homem em ambos os hemisférios tende a mostrar que houve
uma distribuição partindo de um único centro na Ásia Central, ademais, a Filologia aponta
para uma origem comum de todas as mais importantes línguas e não fornece nenhuma
evidência de que as menos importantes também não sejam derivadas. (Gn 11:1-9)
.

É consenso na Fisiologia que as


diferenças que existem entre as várias
famílias (raças) da humanidade são
consideradas simplesmente como
variedades dessa espécie única.

É juízo comum dos fisiólogos que o homem é uma só espécie, provas são: a identidade
essencial de todas as raças nas características cranianas, osteológicas e dentais; a
fertilidade de uniões entre indivíduos dos mais diversos tipos e a continuada fertilidade
do produto dessas uniões. Outras características comuns a todas as raças humanas,
além das já mencionadas acima são a duração da gravidez, a temperatura normal do
corpo, a frequência média da pulsação e a tendência às mesmas doenças.
O homem criado à imagem de Deus

O fato de o homem ser imagem de Deus distingue-o dos animais e de todas as outras
criaturas. Alguns consideram que em Gn 1:26-27 Deus fala com os anjos, mas isto seria
impossível, porque implicaria que os anjos foram co-criadores com Deus e que o homem
foi criado também à imagem dos anjos, o que é uma ideia antibíblica.

O fato de que o homem é feito à imagem de Deus significa que o homem é como Deus
e é o seu representante na terra. Os reis do antigo oriente muitas vezes eram vistos
como portadores da imagem de seus Deuses. As consequências imediatas da imagem
divina no ser humano foram a imortalidade e o domínio. Isso foi demonstrado na sua
habilidade de ter comunhão com Deus e tornou possível a encarnação da Palavra de
Deus (Jo 1:14).

A capacidade física que Deus nos deu para gerar e criar filhos que são como nós é um
reflexo do poder de Deus para criar seres humanos que são semelhantes a ele (Gn 5:3;
Ef 5:1). Em todas as formas em que Sete era como Adão eram uma parte de sua
semelhança com Adão e, portanto, seria a "imagem" de Adão. Da mesma forma, o
homem é como Deus, à sua imagem e semelhança.

É dessa semelhança com Deus que deriva o domínio do homem sobre as criaturas
(Gn1:26-28). As palavras imagem e semelhança são empregadas como sinônimos, uma
pela outra, portanto, não se referem a duas coisas diferentes (Gn 1:26-27; 5:1-3).
Somente imagem em Cl 3:10, e só semelhança em Tg 3:9.

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Aspectos específicos da nossa semelhança com Deus

Moralidade: Somos criaturas moralmente responsáveis diante de Deus por nossas


ações.
Espiritualidade: Temos uma vida espiritual que nos permite interagir com Deus como
indivíduos através da oração, louvor e ouvi-lo falar de suas palavras.

Inteligência: Temos uma capacidade de raciocinar e pensar logicamente e aprender o


que nos separa do mundo animal. Temos consciência de um futuro distante, que vamos
viver além do tempo de nossa morte física.

Deus tem imortalidade como uma qualidade essencial, tem-na em si e de si próprio,


porém a imortalidade do homem é uma dádiva, é derivada de Deus. O homem não levava
dentro de si as sementes da morte física, portanto em sua condição original ele não
estava sujeito à lei da morte (Rm 5:12; 1 Co 15.20- 21).

Ao criar o corpo do homem Deus fez uso de material preexistente. Na criação da alma,
porém, não houve uso de material preexistente, mas a produção de uma nova substância
(Ec 12:7; 2 Co 5:1-8). Cada alma individual deve ser considerada como uma imediata
criação de Deus, cuja ocasião não se pode determinar com precisão. As teses da história
da Teologia sobre a origem de alma são as seguintes:
 Criacionismo: Concepção de que Deus cria uma nova alma para pessoa e a
envia ao corpo da pessoa em algum momento entre a concepção e o nascimento.
 Traducionismo: Concepção que sustenta que a alma e o corpo da criança são
herdados dos pais no momento da concepção.
Os elementos constitutivos da natureza humana
Tricotomia e Dicotomia
Reconhece-se que a alma é, quanto à natureza, distinta do corpo e possui uma dignidade
e um valor bem além dos de qualquer organismo material. Num emprego mais preciso,
alma denota a parte imaterial do homem em seus poderes e atividades inferiores. Como
alma o homem é um indivíduo consciente e em comum com o bruto tem uma vida animal,
com apetite, imaginação, memória, entendimento.
O espírito, de outro lado, denota a sua mais elevada capacidade e faculdade. Como
espírito o homem relaciona-se com Deus e tem poderes da razão, consciência e livre
vontade que o diferencia do bruto e o constitui responsável e imortal.

Algumas pessoas acreditam que, além de corpo e alma, temos um terceiro elemento, o
espírito. O conceito de que o homem é feito de três partes (corpo, alma e espírito) é
chamado tricotomia (Hb 4:12; 1 Ts 5:23).

Outros acreditam que o espírito não é outra parte do homem, mas um sinônimo da alma
e que ambos são usados nas escrituras para falar sobre a parte imaterial do homem, ou
seja, a parte que vive depois que nosso corpo morre. A visão de que o homem é
composto de duas partes (corpo e alma/espírito) é chamada de dicotomia (Lc 1:46-47).

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Tricotomia: Algumas pessoas acreditam que, além de corpo e alma, temos um terceiro
elemento, o espírito. O conceito de que o homem é feito de três partes (corpo, alma e
espírito) é chamado tricotomia.
A alma é o elemento espiritual do homem, quais a alma se relaciona com a matéria,
incluindo seu intelecto, emoções e vontade e com o espírito e com Deus.
os seus diferentes elementos podem servir a
Deus ou serem entregues ao pecado (Rm
8:10; Jo 4:24). O espírito é o que mais
diretamente se relaciona com Deus (Hb
4:12; 1 Ts 5:23). O elemento de verdade na
tricotomia é simplesmente que o homem tem
uma triplicidade de dons, em virtude dos

Dicotomia: outros acreditam que o espírito não é outra parte do homem, mas um
sinônimo da alma e que ambos os são usados nas escrituras para falar sobre a parte
imaterial do homem, ou seja, a parte que vive depois que nosso corpo morre. A visão
de que o homem é composto de duas partes (corpo e alma/espírito) é chamada de
dicotomia.

Argumentos: As Escrituras usam alma e espírito alternadamente (Lc 1:46-47). Sobre a


morte, as escrituras dizem: ou a alma para fora (Gn 35:18; lc 12:20) ou o espírito vem
à tona (Lc 23:46; Ec 12:7).
A criação do homem

O conceito de que o homem é criado à imagem de Deus é reforçada pela semelhança


entre Gn 1:26, onde Deus declara a sua intenção de criar o homem à sua imagem
(tselem) e semelhança (demut) e Gn 5:3, quando Adão atingiu a idade de cento e trinta
anos, teve um filho à sua imagem [tselem] e semelhança [demut], e lhe chamou Sete.
Semelhança significa que o homem tem traços do Criador e o representa.

Em Gn 1:26 as palavras hebraicas (tselem) e (demut) traduzidas como imagem e


semelhança são usadas para se referir a algo que é *semelhante, mas não *idêntico ao
que é uma imagem. As palavras imagem e semelhança são empregadas como
sinônimos e uma pela outra e, portanto, não se referem a duas coisas diferentes. Esse
termo refere-se a todas as formas em que o homem é como Deus. Isso foi demonstrado
na sua habilidade de ter comunhão com Deus e fez possível a encarnação da Palavra
de Deus (Jo 1:14).
A queda: a imagem de Deus é distorcida, mas não perdida

Criado à imagem de Deus, o homem tem uma natureza racional e moral que não perdeu
com o pecado. No entanto, desde que o homem pecou, não é mais tão plenamente
como Deus como era antes. Sua pureza moral foi perdida e a natureza pecaminosa
não reflete a santidade de Deus. Deus fez o homem reto, porém eles buscaram muitas
astúcias (Ec 7:29).

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O homem não foi criado meramente em um estado de inocência ou neutralidade moral;


mas sua mente, afeições e vontades eram positivamente direcionadas a Deus e ao seu
propósito supremo. A sujeição original do sensual ao espiritual inverteu-se devido à
queda. A imagem de Deus em nós é distorcida e não somos tão completos quanto
éramos antes de o pecado entrar no mundo.

A imagem, que naturalmente é perfeita em Cristo, é gradativamente restaurada ao


passo que o fiel é renovado no conhecimento, na justiça e na verdadeira santidade (Cl
3.10).
Redenção por Cristo: Uma recuperação gradual sobre a imagem de Deus.

Quando o homem pecou, renunciou sua filiação e esta só pode ser restaurada e
realizada no sentido moral e espiritual por intermédio da obra expiatória de Cristo e do
poder regenerador do Espírito Santo (Jo 14:6; Ef 2:10-13). Porque todos homens são
naturalmente filhos de Deus não se segue que todos os homens sejam salvos. Muitos
que, por natureza, são filhos de Deus não são seus filhos espirituais, são apenas
“servos” que não ficam para sempre na casa (Jo 8:35).

Deus é o Pai deles, mas eles ainda não ‘foram feitos’ filhos dele (Mt 5:45). Logo, a
filiação em que o N.T. tão constantemente reside baseia-se unicamente na experiência
do novo nascimento. O homem ainda é a imagem de Deus. O novo testamento confirma
isso quando diz que as pessoas em geral, não apenas os crentes, são criados à imagem
de Deus (Tg 3:9).

O homem, mesmo após a queda, independentemente da sua condição espiritual é


apresentado como imagem de Deus (Gn 9:6; 1 Co 11:7; Tg 3:9). Em Jesus vemos como
a nossa semelhança com Deus será (Rm 8:29; 1 Co 15:49; 1 Jo 3:2). O objetivo para o
qual Deus nos redimiu é que sejamos conformes à imagem de seu filho e exatamente
como Cristo em nosso caráter (Rm 8:29).
Consciência – a moral judiciária da alma

Em Rm 2:14-15 temos, por um lado, a de fato, pois para eles a sua consciência
consciência claramente distinta tanto da é uma lei.
lei quanto da percepção desta, e por
outro, dos sentimentos morais de
aprovação ou desaprovação.

Os gentios, pela lei da consciência,


agem como se estivessem sujeitos à lei

O que nos torna diferentes dos animais?


Adoração: Somente o homem pode experimentar a fé e adorar ao seu criador

Pensamento analítico: Analisa os problemas e chega a soluções criativas. É capaz de


raciocinar e filosofar sobre a vida.
Moralidade: Distingue entre o certo e o errado. É um ser ético e faz julgamento moral.

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Mordomia: Deus instruiu o homem a assumir o controle da terra e dominá-la (Gn 1:27-
28).

Diferente dos animais, o espírito do homem veio diretamente de Deus (Gn 1:20-24; 2:7;
1 Co 15:39).

A inteligência que dizemos que os animais têm, na verdade são seus instintos
adestrados pelo homem. O comportamento dos animais não é fruto de aprendizado
consciente e racional, pois se um animal adestrado voltar a conviver com outros não
adestrados, ele regride e se comporta conforme seus instintos naturais (Gn 1:26-28).

Nossa alma é provida de razão, o que nos dá a capacidade de pensarmos e


analisarmos criteriosamente antes de tomarmos qualquer atitude. A alma do animal
morre, mas a do homem não (Mt. 10:28), pois terá que prestar contas de suas obras
diante de Deus (Ec 11:9; 12:14; Ap 20:12).

Os animais, portanto, são desprovidos de raciocínio, suas almas não passarão por
julgamento como os seres humanos, pois suas almas morrem com seus corpos físicos.
A morte física é a mesma tanto para o homem como para o animal, ambos vão para o
pó da terra, porém o homem tem uma alma imortal (espírito) e o animal não tem (Ec
12:7; 3:18-21).
Glossário:
Filologia: Estudo científico do desenvolvimento de uma língua ou família de línguas,
baseado em documentos escritos nessas línguas)
Fisiologia: É uma área de estudo da biologia responsável em analisar o funcionamento
físico, orgânico, mecânico e bioquímico dos seres vivos.

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TEOLOGIA SISTEMÁTICA
1. A DEFINIÇÃO DE DEUS
2. A EXISTÊNCIA DE DEUS
3. ATRIBUTOS
4. TRINDADE
5. PROVIDÊNCIA
1 A DEFINIÇÃO DE DEUS

Os usos errados do termo: Tanto escritores filósofos quanto teólogos são culpados
nesta área. Para Platão, Deus é a mente eterna, a causa do bem na natureza.
Aristóteles O considerava como “a primeira causa de todo ser”. Spinoza definiu Deus
como “a substância absoluta, universal, a causa real de cada e toda existência; e não
apenas a Causa de todo ser, mas a existência completa, da qual cada existência
especial é apenas uma modificação”. Leibniz dia que a razão final das coisas é
chamada Deus. Kant definiu Deus como sendo um Ser que, por sua compreensão e
vontade, é a causa da natureza; um Ser que tem todos os direitos e nenhuma
obrigação. Strauss identificou Deus como o Universum; Comte, com a humanidade e
Matthew Arnold, com a Corrente de Tendência que Causa a Retidão.

Os nomes bíblicos de Deus: Um dos termos mais amplamente usados para a


Divindade nos tempos antigos é El, com seus derivados Elim, Elohim e Eloah. Mas
como Theos grego, o Deus latino e português, é um nome genérico, incluindo todos os
outros membros na classe das divindades. Ele expressa majestade e autoridade,
apesar do significado da raiz El estar perdida na obscuridade. Gesenius achou que era
parte do verbo ser forte, sendo assim Forte; Meldeke o ligou à raiz árabe para estar na
frente, sendo assim Governador ou Líder; Dillman o traçou a uma raiz que dá ideia de
poder ou força; Legarde procurou sua explicação numa raiz que significa meta. Mas
realmente não sabemos.

O plural Elohim é usado regularmente pelos escritores do Velho Testamento com


verbos e adjetivos no singular para dar a ideia de singular. O substantivo composto El-
Elyon O designa como o mais alto, o Altíssimo. O significado de El-Shaddai está
também perdido na obscuridade. Alguns acham que significa O que satisfaz – mas
outros acham que significa o Todo-Poderoso. Jeová (ou Yahweh, apesar de que até
esta colocação das vogais está agora sob suspeita) é o nome pessoal por excelência
do Deus de Israel. O significado original e a derivação da palavra também são
desconhecidos. Os hebreus ligavam a hayah, o verbo ser, que se tem crido significar o
“auto existente”; mas estudiosos hoje desafiam esta derivação e interpretação.

Este nome ocorre em uma porção de combinações significativas, assim: Jeová-Jireh:


O Senhor proverá (Gn 22:13-14); Jeová-Rapha: O Senhor que sara (Ex 15:26); Jeová-
Nissi: O Senhor nossa Bandeira (Êx 17:8-15); Jeová-Shalom: O Senhor é Paz (Jz 6:24);
Jeová-Raah: O Senhor é o meu Pastor (Sl 231); Jeová-Tsidkenu: O Senhor nossa
Justiça (Jr 23:6); e Jeová-Shammah: o Senhor está presente (Ez 48:35). Adonai, meu
Senhor, é um título que aparece frequentemente nos profetas, expressando
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dependência e submissão, como a de um servo para com seu senhor ou de uma esposa
para com seu marido. Yahweh-Tsebaoth aparece frequentemente na literatura profética
pós-exílio (Is 1:9; 6:3; Sl 84:1). Alguns acham que o termo se refere à presença de Deus
junto aos exércitos de Israel nos tempos da monarquia (1 Sm 4:4; 17:45; 2 Sm 6:2),
mas um significado mais provável é o da presença de Deus junto às hostes dos céus,
os anjos, sem nenhum sentido marcial (Is 37:16; Os 12:4-5; Sl 80:6-8).

No novo Testamento o termo “Theos” toma o lugar de El, Elohim e Elyon. Os nomes
Shaddai e El-Shaddai se transformam em Pantokrator e Theos Pantokrator. As vezes
o nome ‘Yahweh” é substituído por “o Alfa e Ômega”, “que é, que era e que será”, “o
princípio e o fim”, “o primeiro e o último” (Ap 1:4; 8, 17; 2:8; 21:6; 22:13). Nas referências
restantes ele seguiu a Septuaginta, que substituiu Yahweh por Adonai, e depois por
Kurios (gr. kuros, poder). O nome Pater já é encontrado na Septuaginta para designar
a relação de Deus com Israel (Dt 32:6; Sl 103:13; Is 63:16; Jr 3:4,19; ml 1:6) e não
aparece apenas no novo Testamento, apesar de ser ali encontrado mais
frequentemente.

2. A EXISTÊNCIA DE DEUS

A crença na existência de Deus é intuitiva, pois é uma primeira verdade vinda


logicamente antes da crença na bíblia. Uma crença é intuitiva se for universal e
necessária. Kant diz que a necessidade e a universalidade são testes infalíveis para se
diferenciar entre o conhecimento puro e o empírico e são inseparavelmente ligadas
uma à outra.

A História mostra que o elemento religioso de nossa natureza é tão universal quanto o
racional ou o social. Fr. Schmidt, diz: “Este ser supremo é encontrado entre todos os
povos das culturas primitivas, na verdade não da mesma forma ou com o mesmo vigor,
mas ainda assim suficiente proeminente em toda parte para tornar indubitável sua
posição de destaque. Admitimos que as revelações mais antigas de Deus têm sido
passadas de geração a geração, mas não cremos que esta é a explicação completa da
crença. A Bíblia declara que a lei de Deus está escrita no coração do homem (Rm 2:14-
16).

Semente religiosa ou conhecimento de Deus implantado (Semem religionis ou


cognitio dei insita): É implantada no homem por sua criação à imagem de Deus e que
não é adquirida pelo laborioso processo de raciocínio e argumentação, denota um
conhecimento que necessariamente resulta da constituição da mente humana. É a
capacidade que possibilita ao homem conhecer a Deus (At 17:22-27), todavia uma
crença em Deus sem uma crença em Cristo não pode salvar (Jo 14:6; 1 Tm 2:5). Todo
mundo, em todos os lugares, tem um sentido profundo e interior que Deus existe, que
é a sua criatura, e Ele é o seu criador.

As tribos inferiores têm consciência, têm medo da morte, creem em bruxas, fazem
propiciação ou exorcizam os maus espíritos. Mesmo o adorador que chama a pedra ou
a árvore de deus, mostra que já tem a ideia de Deus. As raças e nações que, a princípio,
parecem destituídas de tal conhecimento, uniformemente, têm sido encontradas como
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o possuindo, de modo que nenhuma tribo de que temos conhecimento pode ser
considerada desprovida de um objeto de culto.

O homem, em virtude da sua humanidade, tem a capacidade para a religião. Tal


reconhecida capacidade para a religião é prova de que a ideia de Deus é necessária.
Se a mente, na ocasião própria, não desenvolvesse essa ideia, não haveria nada no
homem para o que a religião pudesse apelar. O homem se torna cada vez mais
consciente da existência de Deus do que da existência dos seus companheiros e
instintivamente clama por auxílio da parte de Deus.

Nossa crença primitiva na obrigação moral ou, em outras palavras, nossa convicção de
que o direito tem autoridade universal, envolve a crença na existência de Deus.
Admitindo que o universo seja um todo moral, admitimos a existência uma vontade
absoluta, de cuja justiça o universo é uma expressão.

Não podemos provar que Deus existe, mas podemos mostrar que, para a existência de
qualquer conhecimento, pensamento, razão, consciência, o homem precisa admitir que
Deus existe. Não podemos provar Deus a partir da autoridade das Escrituras e daí
provarem as Escrituras, pois a própria ideia da Escritura como revelação pressupõe a
crença em um Deus que pode fazê-la. Não podemos derivar do relógio de sol nosso
conhecimento da existência de um astro deste tipo, pois o relógio de sol pressupõe o
sol e não pode ser entendido sem um prévio conhecimento deste. A voz do ego divino
não vem primeiro à consciência do ego do indivíduo a partir de fora, ao contrário, cada
revelação externa pressupõe a interna.

Deve ecoar vindo de dentro do homem algo ligado à revelação exterior para ser
reconhecido e aceito como divino. Sustentar que temos uma intuição racional de Deus
de modo nenhum implica que é impossível uma intuição presente de Deus. Tal intuição
presente talvez fosse característica do homem caído, entretanto convém lembrar que
a perda do amor a Deus obscureceu até mesmo a intuição racional, de modo que a
revelação da natureza nas Escrituras necessita ser despertada, confirmada e
aumentada através da obra do Espírito de Cristo no sentido de tornar conhecida. Assim,
a partir do conhecimento a respeito de Deus, conhecemos Deus (Jo 17:3; 2 Tm 1:12).

Por intermédio da intuição racional o homem sabe que o Ser absoluto existe. Seu
conhecimento daquilo que é progressivo, como progressivo é o conhecimento do
homem e da natureza. O conhecimento de uma pessoa torna-se conhecimento pessoal
por intermédio da verdadeira comunicação ou revelação. Em primeiro lugar, vem o
conhecimento intuitivo de Deus, o qual todo homem possui – a suposição de que existe
uma Razão, uma Força, uma Pessoalidade que torna correto o pensamento e possível
a ação. Em segundo lugar, vem o conhecimento do ser de Deus e os atributos que a
natureza e a Escritura fornecem. Em terceiro lugar, surge o conhecimento pessoal
vindo por meio da experiência, derivado da verdadeira reconciliação e
intercomunicação com Deus, através de através de Cristo e do Espírito Santo. Assim,
a experiência cristã verifica as reivindicações da doutrina pela experimentação,
transformando o conhecimento provável em conhecimento real.

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As Escrituras, portanto, não procuram provar a existência de Deus, mas, por outro lado,
tanto admitem quanto declaram que o conhecimento de Deus é universal (Rm 1:19-
21,28,32; 2:15). Deus embutiu a evidência dessa verdade fundamental na própria
natureza do homem de modo que em parte alguma há ausência de testemunho a seu
respeito. A primeira afirmação da bíblia não é que existe um Deus, mas que “no
princípio criou Deus os céus e a terra” (Gn 1:1). A crença em Deus nunca foi e nunca
pode ser o resultado de argumento lógico. Platão diz que Deus sustenta a alma pelas
raízes dela, pelo que não precisa demonstrar à alma o fato de sua existência.

Explicações Errôneas

Materialismo: o materialismo é o método de pensamento que dá maior prioridade à


matéria do que à mente nas explicações o universo. Com base nesse ponto de vista,
os átomos materiais constituem a realidade última e fundamental de que todas as
coisas, quer racionais, quer irracionais, são apenas combinações e fenômenos. A força
é considerada como uma propriedade universal e inseparável da matéria.

O elemento de verdade no materialismo é a realidade do mundo externo. Seu erro está


em considerar o mundo externo como tendo existência original e independente e
considerar a mente como seu produto.

Idealismo Materialista: O idealismo propriamente dito é o método de pensamento que


considera todo o conhecimento como versado só com os sentimentos da mente
perceptiva. Seu elemento de verdade consiste no fato de que tais sentimentos da mente
perceptiva são condições do nosso conhecimento. Seu erro está em negar que através
destes e nestes conhecemos aquilo que existe independentemente da nossa
consciência.

Panteísmo idealista: panteísmo é o método de pensamento que concebe o universo


como desenvolvimento de uma substância inteligente e voluntária, embora impessoal,
que atinge a consciência somente no homem. Portanto, identifica Deus, não com cada
objetivo individualmente no universo, mas com a totalidade das coisas. O panteísmo
corrente em nossos dias é idealista. Os elementos de verdade no panteísmo são a
inteligência e a voluntariedade de Deus e a sua imanência no universo. Seu erro está
em negar a pessoalidade e a transcendência de Deus.

Tudo que o ser humano sabe acerca de Deus ele o sabe pela própria revelação que
Deus faz de si mesmo tanto no reino da natureza, como da graça. Seja através da obra
da criação e providência de Deus, seja através do seu santo livro, a bíblia. Daí falamos
com acerto de um conhecimento natural de Deus e de um conhecimento sobrenatural,
revelado ou cristão. Se Deus não se revelasse, o ser humano jamais o teria conhecido,
visto Deus ser a personalidade absoluta, perfeita e que habita na luz inacessível (1 Tm
6:16).

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Tal conhecimento natural de Deus é transmitido ao ser humano:

a) Pelas obras divinas da criação que em si mesmas encerram um testemunho


ao seu criador onipotente. Em Rm 1:20 este conhecimento natural de deus é tão
certo que todos o apóstolo diz que todos os agnósticos e ateístas, que negam
sua existência e injunções divinas, “ficam indesculpáveis”. (Prova cosmológica
da existência de deus).
b) Pela operação continuada de Deus no reino da natureza e na história
humana. Em At 14:15-17 Paulo afirma que deus “não se deixou ficar sem
testemunho de si mesmo, fazendo o bem, dando-vos do céu chuvas e estações
frutíferas, enchendo o vosso coração de fartura e de alegria”. O conhecimento
que o ser humano adquire da manifestação permanente que deus faz de si na
história humana é descrito pelo apóstolo em At 17:26-29. (Prova histórica da
existência de Deus)
c) Pela lei divina escrita no coração do ser humano. Por meio dessa Lei, os
seres humanos “conhecem a sentença de Deus” (Rm 1:32), sem a Lei revelada
“procedem por natureza de conformidade com a Lei”, “testemunhando-lhes a
também a consciência e os seus pensamentos mutuamente acusando-se ou
defendendo-se”. (Rm 2:14-15). (Prova moral da existência de Deus).
As teorias antiteístas sustentadas pelos seres humanos não são fruto de raciocínio são,
mas, pelo contrário, efeito da perversa e arbitrária supressão, por parte do ser humano,
do conhecimento natural de Deus que este implantou no coração humano. (Rm 1:18).

Bíblia também reconhece que alguns negam esse sentimento interior de Deus e até
mesmo negam que Deus existe. O pecado leva as pessoas a pensar irracionalmente e
negarem a existência de Deus.

O ateísmo nega a existência de Deus, se bem que o ser humano, por natureza, tenha
conhecimento distinto de Deus (Rm 1:19; Sl 14:1). Ateus práticos: São simplesmente
pessoas não religiosas, pessoas que na vida prática não contam com Deus e vivem
como se Deus não existisse. Ateus teóricos: São em regra um tipo mais intelectual e
baseiam a sua negação num processo de raciocínio. Procuram provar que Deus não
existe usando para este fim aquilo que lhes parece argumentos racionais conclusivos.
O politeísmo divide Deus em muitas entidades divinas, embora o conhecimento de
Deus que o ser humano tem por natureza seja monoteísta. (Rm 1:20 “O seu eterno
poder”). O materialismo nega a realidade do espírito e ignora a distinção entre matéria
e o espírito, de forma que no materialismo não há Deus, nem alma humana e nem
imortalidade, mas só persistência da matéria e da força. O panteísmo é a doutrina
segundo a qual Deus é tudo e tudo é Deus, de modo nada existe fora de Deus. O
deísmo admite a existência de um Deus pessoal, que tenha criado o mundo e incutido,
ao mesmo, as Leis que o governam, porém ensina que, mais tarde, Deus se afastou do
mundo e o deixou entregue ao governo das Leis naturais. O pessimismo considera
mundo e a vida essencialmente maus e sustenta que o mundo, embora não sendo o
pior que podia ser, é suficiente mau, para ser pior do que se não existisse. A evolução
ateística nega a existência de Deus, afirma a eternidade da matéria e da força e atribui
o desenvolvimento do cosmo a forças puramente naturais.
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A evolução teística sustenta que Deus criou a matéria primordial e que, daí por diante,
a evolução tem sido o seu modus operandi no desenvolvimento dela até o estágio atual.
O agnosticismo ensina que não nos é possível saber se há ou não um Deus. O
positivismo ensina que só conhecer phenomena (fenômeno), porém não noumena (é
um objeto ou evento posto que é conhecido sem o uso dos sentidos), ou seja, a
essência das coisas; daí ser ele agnóstico (afirmam que ele pode ou não existir, mas
nós não somos capazes de saber com certeza) no que tange a Deus, à alma e à
substância das coisas.

Todas essas teorias antibíblicas são contrárias ao conhecimento natural de Deus que
as Sagradas Escrituras revelam ao ser humano de forma tão clara e enfaticamente.
(Rm 1:19-20,32; 2:14-15). O conhecimento natural de Deus é, também, de grande valor
porque o ser humano constrói as chamadas provas racionais da existência de Deus
para combater a incredulidade. Dessa forma, a prova ontológica argumenta da
existência da ideia de Deus no ser humano para a realidade da sua existência. A prova
cosmológica deduz que o mundo forçosamente teve uma causa primária anterior a
todas as causas secundárias que operam na natureza. A prova teológica argumenta
sobre os desígnios e a finalidade que se evidenciam na natureza e em toda parte. A
prova moral argumenta da existência da nossa constituição moral para a existência de
um Ser Supremo Moral. A prova histórica conclui, da história do ser humano, que
existe um divino Governante que conduz todas as questões pertinentes ao mundo para
um alvo que tem em mira.

Apesar de tudo, o conhecimento natural de Deus não basta para assegurar salvação
do ser humano, pois por ele só nenhum mortal jamais se salvou nem nunca ninguém
poderá salvar-se (At 4:12; Rm 10:17; Mc 16:15-16; Gl 3:11; 4:8; Ef 2:12; 4:18). O motivo
é porque o conhecimento natural de Deus não abrange o Evangelho (1 Co 2:7-10), mas
somente a Lei (Rm 2:14-15), seu resultado prático não vai além de uma consciência
culposa (Rm 1:20; 2:15), medo da morte (Hb 2:15), o estado de condenação (Gl 3:10).
O ser humano sabe por natureza que há um Deus justo e santo (Rm 1:21), mas não
sabe que as exigências eternas da sua justiça perfeita foram cumpridas pela obra
vicária de Cristo (1 Co 1:21). Sabendo por natureza que há um Deus, o ser humano
natural não sabe que esse Deus é gracioso para com sua criatura através de Cristo (1
Co 2:14-15; At 17:24-25).

Revelação: Os verbos hebraicos e gregos relativos à revelação (galai, apokalypto)


expressam a ideia de descobrir ou revelar algo que estava escondido ou desconhecido.
A história da revelação começou no jardim do éden, quando o homem tinha uma
comunicação direta com deus. A queda trouxe o fim da comunicação direta com deus.
Daí em diante tem havido dois meios de revelação.

A revelação geral é suficiente para revelar ao homem o eterno poder e a divindade de


deus. Torna o homem responsável como uma criatura racional criada à imagem de
deus para reconhecer sua existência, poder e divindade. Ela o torna indesculpável (Rm
1.19,20; Sl19: 1). Mas a revelação geral não é suficiente para levar o homem ao céu
(At 10:1-5).
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A revelação especial é para o homem como uma criatura caída e pecadora. É dirigida
aos pecadores a quem deus escolheu para se fazer conhecido (Jo 15:16). Deus é,
antes de tudo, o sujeito que transmite conhecimento ao homem e só pode tornar-se
objeto de estudo do homem na medida em que este assimila e reflete o conhecimento
a ele transmitido pela revelação.

3 ATRIBUTOS DE DEUS
I. Definição do termo atributo
Os atributos de Deus são as características distintivas da natureza inseparáveis da
ideia de Deus e que constituem a base e apoio das suas várias manifestações às suas
criaturas. Chamamo-las atributos, pois somos compelidos atribuí-los a Deus como
qualidades ou poderes fundamentais ao seu ser para dar um relato racional de alguns
fatos constantes na auto revelação de Deus.
II. Relação dos atributos divinos com a essência divina

1. Os atributos têm uma existência objetiva: Eles não são meros nomes das
concepções humanas de Deus, as quais têm sua única base na imperfeição da
mente finita. São qualidades objetivamente distintas da essência divina entre si.
A noção nominalista de que Deus é um ser de simplicidade absoluta e de que
em sua natureza não há nenhuma distinção de qualidades ou poderes tende
diretamente ao panteísmo, pois nega toda a realidade das perfeições divinas.
2. Os atributos são inerentes à essência divina: Eles não são existências
separadas. São atributos de Deus. Enquanto nos pomos à perspectiva
nominalista que sustenta que eles são meros nomes com os quais, por
necessidade do nosso pensamento, revestimos a essência divina simples,
precisamos igualmente evitar o extremo realista oposto que faz deles partes
separadas de um Deus composto. Se representarmos Deus como composto de
tributos, colocamos em perigo a unidade de um Deus composto.
3. Os atributos pertencem à essência divina como tal: Eles devem distinguir-se
de outros poderes ou relações que não pertencem à essência divina
universalmente. As distinções pessoais na natureza do Deus uno não podem ser
denominadas atributos, pois cada uma dessas distinções pessoais não pertence
à essência divina como tal e universalmente, mas apenas à pessoa particular da
Trindade que tem seu nome enquanto, ao contrário, todos os atributos
pertencem a cada uma das pessoas. A criação, a preservação e o governo não
devem ser denominados de tributos, pois estes não são necessários ou
inseparáveis de Deus, mas acidentais porque Deus continuaria sendo Deus
ainda que ele nunca tivesse criado.
4. Os atributos manifestam a essência divina: A essência se revela somente por
intermédio dos atributos. Sem seus atributos ele é desconhecida e
incognoscível. Apesar de que somente podemos conhecer Deus como Ele se
nos revela por intermédio dos atributos, não obstante, em conhecendo tais
atributos, conhecemos o ser a quem eles pertencem. Todas as revelações de
Deus são as de si mesmo nos seus atributos ou por meio deles.

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III. Métodos para determinar os atributos divinos

Método racional. É tríplice: -- a) via negationis, ou por meio da negação, que consiste
em negar a Deus todas as imperfeições observadas nos seres criados; b) via
eminentiae, ou por meio do apogeu, que consiste em atribuir a Deus em grau infinito
todas as perfeições encontradas nas criaturas; c) via causalitatis, ou por meio da
causalidade que consiste em predicar a Deus os atributos requeridos nele para explicar
o mundo da natureza e da mente. O método racional explica a natureza de Deus a partir
de sua criação.

Método bíblico: Trata-se simplesmente do método indutivo, aplicado aos fatos


relativos a Deus revelados nas Escrituras. Agora que provamos que as Escrituras são
revelação de Deus, inspiradas em cada uma das partes, podemos com propriedade
considerá-las como autoridade decisiva sobre os atributos de Deus.

IV. Classificação dos atributos

Os atributos podem ser divididos em duas grandes classes: Absolutos ou Imanentes e


Relativos ou Transitivos. Absolutos ou Imanentes: são os atributos que se referem ao
ser interior de Deus, envolvidos nas relações de Deus com consigo mesmo e
pertencentes à sua natureza independente de sua conexão com o universo. Relativos
ou Transitivos: são os atributos que se referem à revelação exterior do ser divino e
envolvem as relações de Deus com a criação e se realizam em consequência da
existência do universo e sua dependência dele.

V. Atributos Absolutos ou Imanentes

1. Espiritualidade, envolvendo:
a) Vida: Não podemos considerar a vida em Deus como um simples processo sem
sujeito, pois não podemos a vida divina sem um Deus que a viva (Jr 10:10; Jo 5:26).
b) Pessoalidade: As Escrituras apresentam Deus como um ser pessoal e isto significa
o poder de autoconsciência e autodeterminação (Êx 3:14; 1 Co 2:11; Ef 1:9).
c) Existência Própria: A existência de Deus está implícita no nome “Yahweh” (Êx 6:3) e
na declaração “Eu sou o que sou” (Êx 3:14), ambos significam que fazem parte da
natureza de Deus.
2. Infinitude, envolvendo:

a) Imutabilidade: Significa que a natureza de Deus, os atributos e a vontade de Deus


são isentos de toda mudança. A razão nos ensina que em Deus não é possível
nenhuma mudança, quer de aumento, quer de diminuição, progresso ou regresso,
contração ou ampliação. Deus é perfeição absoluta e não é possível nenhuma mudança
para melhor (Ml 3:6; Tg 1:7). A imutável santidade de Deus requer que ele trate o ímpio
de modo diferente do justo. Quando o justo se torna ímpio, seu tratamento para com
ele deve mudar (Gn 6:6; Nm 23:19; 1 Sm 15:11, 29; Jn 3:4, 10).

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b) Unidade: A natureza divina não é dividida e é indivisível e há um só Espírito infinito


e perfeito. A unidade de Deus inclui tanto elementos numéricos quanto integrais (Dt 6:4;
Is 44:6; Jo 5:44; 1 Co 8:4; 1 Tm 1:17; Ef 4:5-6).

c) Verdade: É o atributo da natureza divina em virtude do qual o ser de Deus e o


conhecimento de Deus conformam-se eternamente um com o outro. A verdade
imanente de Deus não deve ser confundida com a veracidade e a fidelidade que em
parte a manifestam às criaturas. Verdade é Deus perfeitamente revelado e conhecido
(Dt 32:4; Jo 14:6; 17:3; 1 Jo 5:7, 20).

3. Perfeição, envolvendo:

a) Amor: O amor é o atributo da natureza divina em virtude do qual Deus é eternamente


movido à auto comunicação. O amor imanente de Deus não pode ser confundido com
misericórdia e bondade para com as criaturas, pois são suas manifestações
denominadas de amor transitivo (1 Jo 4:8; Jo 3:16; Jo 17:24).

b) Santidade: Santidade é a pureza auto afirmada. Em virtude desse atributo da sua


natureza, Deus eternamente quer e mantém sua excelência moral. Essa definição
consta de três elementos: 1- pureza 2- vontade de pureza 3- vontade de pureza em si
mesma. Santidade se opõe à impureza e santidade é pureza (Êx 15:11; 19:10-16).

VI. Atributos Relativos ou Transitivos

1. Relativos ao Tempo e ao Espaço


a) Eternidade: Isso significa que a natureza de Deus não tem começo e nem fim; não
tem sucessão de tempo e contém em si a causa do tempo (Dt 32:40; Sl 90:2; Is 41:4)
b) Imensidade: Isso significa que a natureza de Deus não tem extensão; não está
sujeita a nenhuma limitação de espaço e contém em si a causa do espaço (1 Rs 8:27;
Rm 8:39)
c) Onipresença: Isso significa que Deus, na totalidade da sua essência, sem difusão ou
expansão, multiplicação ou divisão, penetra e ocupa o universo em todas as suas
partes (Sl 139:7; Jr 23:23-24; At 17:27-28).
2. Relativos à Criação
a) Onisciência: Isso significa que Deus conhece perfeita e eternamente todas as coisas
que são objeto do seu conhecimento quer reais ou possíveis, passadas, presentes ou
futuras (Sl 147:4; 33: 13-15; Mt 10:29-30; At 15:8; Is 46:9-10)
b) Onipotência: É o poder de Deus fazer todas as coisas que são objeto do seu poder
com ou sem o uso de meios. A onipotência não implica poder de fazer o que não é
objeto do poder, por exemplo, aquilo que é autocontraditório ou contradiz a natureza de
Deus (Gn 1:1-3; 17:1; Is 44:24; Hb 1:3; 2 Co 4:6).
c) Veracidade e Fidelidade ou Verdade Transitiva: Veracidade e fidelidade são a
verdade transitiva de Deus em sua dupla relação com as criaturas em geral e com o
seu povo redimido em particular (Sl 138:2; Jo 3:33; Rm 3:4; Nm 23:19; 1 Jo 5:7)

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3. Relativos aos Seres Morais


a) Misericórdia e Bondade ou Amor Transitivo: São o amor transitivo de Deus sem sua
dupla relação com o desobediente e com as porções de suas criaturas. É o princípio
eterno da natureza de Deus que o leva a buscar o bem temporal e a salvação eterna
dos que se opuseram à vontade Dele, mesmo a custo do próprio sacrifício (Tt 3:4 Rm
2:4).
b) Justiça e Retidão ou Santidade Relativa: São a santidade transitiva de Deus, em
virtude da qual seu tratamento para com as criaturas se conforma com a pureza de sua
natureza – a retidão demandando de todos os seres morais a conformidade com a
perfeição de Deus e a justiça visitando a inconformidade com aquela perfeição na perda
judicial ou sofrimento (Gn 18:25; Dt 32:4; Mt 5:48; Rm 2:6).
4. A DOUTRINA DA TRINDADE

Os primeiros pais da igreja primitiva e primeiros os teólogos ainda não tinham uma
concepção clara, objetiva e bem fundamentada sobra a Trindade tanto nos escritos do
Antigo Testamento quanto do Novo Testamento. Muitos consideravam ser o Verbo da
mesma essência do Pai, outros, porém negavam a consubstancialidade do Filho com
o Pai, além de o Logos dever certa subordinação a este. O Espírito Santo não era objeto
importante de estudo, pois este era considerado como subordinado não só ao Pai, mas
também ao Filho.

Os montanistas foram os primeiros que definiram a pessoalidade do Espírito Santo e


os primeiros que formularam a doutrina da Trindade. Quinto Sétimo Florêncio Tertuliano
foi adepto de um montanismo moderado e o primeiro a usar a nomenclatura “Trindade”
e a dar uma definição primária e conceitual do que este termo significa ao afirmar que
Deus é uma substância em três pessoas, mas pesar de seus esforços não chegou a
exprimi-la de forma clara e definitiva.

Foi árduo opositor do monarquismo modalista, também conhecido no Oriente como


sabelianismo, que é a crença de que Pai, Filho e Espírito Santo são três nomes
diferentes para representar três diferentes atribuições e não nomes para três pessoas
distintas. Para os modalistas a trindade nada mais é senão três modos como Deus se
manifesta à humanidade. Havia também o monarquismo dinâmico, que considerava
Jesus digno de honras divinas, todavia não poderia ser considerado Deus verdadeiro.

Nascido em Alexandria em meados do ano 185 Orígenes adotou uma posição


antagônica ao Monarquismo modalista, que afirmava o Pai ser igual ao Filho. Em sua
definição da trindade ele defendia que o caráter tríplice de Deus existia em graduações,
sendo o Pai maior que o Filho, que é maior que o Espírito Santo. Assim como Tertuliano,
Orígenes incorreu no mesmo erro ao conceituar a trindade como uma hierarquia ao
afirmar que o Filho é eternamente gerado pelo Pai, todavia em um grau inferior na
hierarquia. Subordinava o Espírito Santo ao Filho, e Jesus, como segundo na
hierarquia, devendo obediência ao Pai, sendo este o possuidor de um maior grau de
dignidade, autoridade e poder em relação aos demais.

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Atanásio sucedeu o bispo de Alexandria permanecendo neste ofício até seu falecimento
em 373, pois dedicou sua vida e sua principal obra -- Oração contra os Arianos -- na
luta contra o arianismo. Para ele a deidade de Cristo representava o principal
fundamento de fé cristã e nela a nossa única esperança de salvação, desagradando
desta forma tanto a comunidade judaica como aos pagãos. Exilado várias vezes por
defender suas convicções em relação a Jesus ele foi o primeiro a devotar atenção
especial ao Espírito Santo ao proclamar pela primeira vez a essência trinitária de Deus

Os pais capadocianos Basílio de Cesaréia e seu irmão Gregório de Nisra, juntamente


com Gregório de Nazianzeno foram os primeiros a conseguirem definir e conceituar o
ensino trinitariano da essência de Deus durante suas lutas incansáveis contra o
arianismo.

Mesmo sendo acusados por muitos de seus opositores de estrarem pregando o


triteísmo, os capadocianos deram um passo importantíssimo para o avanço da
compreensão da unidade e da tri pessoalidade divina. Discípulos da escola origenista,
os capadocianos seguiram o ensino de Atanásio e abraçaram firmemente o conceito
homoousios do Espírito Santo dando ênfase às três hipóstases do Ser Divino. Foi
mantendo a unidade das três pessoas que desvincularam a doutrina nicena do sofisma
do sabelianismo, doutrina segundo a qual Pai, filho e Espírito Santo são apenas três
modos de como o Deus divino se revela.

Schüler conceitua a pluralidade de pessoas existentes em Deus da seguinte forma:


“Trindade do lat. trinitas, significa reunião de três”. A concepção ocidental da Trindade
chegou à sua declaração final na grande obra de Agostinho, De Trinitate. Ele também
ressaltou a unidade de essência e a trindade de Pessoas. Cada uma dessas três
Pessoas possui a essência inteira, e nessa proporção é idêntica a cada uma das outras
duas Pessoas. Não se assemelham a três pessoas humanas, cada uma das quais
possui somente uma parte da natureza humana genérica.

O fato de que a mente humana não é capaz entender com facilidade uma doutrina não
significa que esta doutrina não seja verdadeira. A doutrina da trindade é um tanto
transcendental para a mente humana, pois matematicamente o homem natural não
pode compreender como pode haver três e ao mesmo tempo um só Deus sem
enveredar pelo caminho do tri teísmo.

A superioridade do homem torna-se evidente pelo fato de ele ter sido feito à imagem e
semelhança de Deus. Esta verdade também é demonstrada no seu domínio sobre toda
a criação dos seres viventes e muito mais na sua capacidade de se comunicar e ter
comunhão com Deus. Isso tornou possível a encarnação da Palavra de Deus.

A grande diferença entre ambos é que o homem é unipessoal, enquanto Deus é tri
pessoal. E esta existência tri pessoal é uma necessidade do Ser Divino, e em nenhum
sentido resulta de uma escolha feita por Deus, Ele não poderia existir em nenhuma
outra forma que não a forma tri pessoal.

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Se Deus for absoluta e simplesmente um, não pode haver nenhuma mediação ou
expiação, pois o abismo entre Deus e a mais exaltada criatura é infinito. Cristo não pode
aproximar-nos de Deus mais do que ele mesmo. Só alguém que é Deus pode
reconciliar-nos com Deus. Assim, também, apenas alguém que é Deus pode purificar
nossas almas. Um Deus que é só unidade, mas em quem não há pluralidade, pode ser
nosso juiz, mas, até onde podemos ver, não pode ser nosso salvador ou santificador.

No trinitarianismo, fala-se da essência de Deus como algo que está sujeito à distinção
em três pessoas, mas sem qualquer divisão que permita a distinção em três pessoas
diversas. Não há três deuses, nem meramente três modos de manifestação divina.
Antes, todas as pessoas são co-extensivas, co-iguais e co-eternas. O fato de haver três
pessoas na trindade não quer dizer necessariamente que há três deuses, nisto consiste
a diferença entre a Trindade e o tri teísmo. Na Trindade há distinção, porém sem
divisão, pois no trinitarianismo cada ente possui a mesma essência, ou seja, a mesma
homoousios.

Assim como em Cristo habita toda a plenitude da divindade, tal assertiva também é
verdade tanto para o Pai como para o Espírito Santo, nisto consiste a indivisibilidade
na essência de Deus. Toda a natureza e todos os elementos inerentes à deidade divina
estão presentes em cada uma das Pessoas da Trindade. Se houvesse divisão cada
uma das pessoas teria um terço da plenitude divina, o que não é verdade.

A doutrina da trindade necessita que alguns requisitos sejam cumpridos a fim de que
seja conceituada corretamente de forma inteligível. Estes são os três pré-requisitos que
devem ser considerados para que não haja nenhum dos diversos erros doutrinários ao
se conceituar a tri pessoalidade de Deus. A doutrina possui amparo desde que sejam
observados os seguintes pontos:

1- Deus é três pessoas.


2- Cada pessoa é plenamente Deus.
3- Há um só Deus.
1-Deus é três pessoas

A fórmula batismal, dada por Jesus na Grande Comissão, revela claramente a trindade
e a unidade de Deus: “... batizando em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo...” (Mt
28:19). As três identidades são dadas como Pai, Filho e Espírito Santo, agrupadas em
nível de igualdade; a palavra “nome” não é repetida, indicando a unidade. A verdade
que Deus é três pessoas fica comprovada pelas obras pessoais de cada pessoa em
separado que a Escritura atribui não só ao Pai, mas também ao Filho e ao Espírito
Santo.

2- Cada pessoa é plenamente Deus

Ê certo que Paulo não tem o hábito de chamar Cristo de "Deus" assim diretamente;
reserva para Ele o título de "Senhor". Deste modo, "para nós há um só Deus, o Pai, de
quem são todas as coisas e para quem existimos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo
qual são todas as cousas, e nós também por ele" (1 Co 8:6, RV, AA; ver 1 Co 12:3-6;
Ef 4:4-6). Todavia, para o apóstolo Paulo, Cristo é Aquele "em" quem, "por meio de"
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quem, e "para" quem foram criadas todas as coisas (Cl 1:16), em quem "habita
corporalmente toda a plenitude da Divindade" (Cl 2:9).

Sempre devemos estar lembrados de que o Espírito Santo é uma Pessoa, e não mera
influência. Ele é o "outro advogado" que o Pai enviou no nome do Filho, conforme a
promessa de Cristo em Jo 14.26. Ele habita no meio dos crentes e os constitui em Igreja
de Cristo.

3- Há um só Deus

Só existe um Deus vivo e verdadeiro. Na unidade de divindade há três pessoas, de uma


só substância, poder e eternidade – Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. O Pai
é um, nem gerado nem procedente; o Filho é eternamente gerado pelo Pai; o Espírito
Santo procede eternamente do Pai e do Filho.

A unidade é tão essencial à Divindade quanto à triplicidade. O mesmo Deus, em certo


sentido é três, em outro é um. Não dizemos que um Deus é três deuses, nem que uma
pessoa é três pessoas, nem que três deuses são um Deus, mas que há um só Deus
com três distinções no Seu ser. Não nos referimos às faculdades do homem que
fornecem qualquer analogia às pessoas da Divindade; em vez disso negamos que a
natureza humana forneça tal analogia. Intelecto, sentimento e vontade não são
pessoalidades distintas. Se fossem pessoalizados poderiam fornecer tal analogia.

A essência não dividida de Deus pertence igualmente a cada uma das pessoas; Pai,
Filho e Espírito Santo, cada um possui toda a substância e todos os atributos da
divindade. A pluralidade de Deus não é, portanto, pluralidade de essência, mas de
distinções hipostáticas ou pessoais. Deus não é três e um, mas três em um. A essência
una indivisível tem três modos de subsistência.

5. A DOUTRINA DA PROVIDÊNCIA

Definição de providência: É a atuação contínua de Deus pela qual Ele faz todos os
eventos do universo físico e moral cumprirem o desígnio para o qual Ele o criou.

Como a criação explica a existência do universo e como a Preservação explica a sua


continuação, assim a providência explica a sua evolução e progresso. Explicação:

a) A providência não deve ser tomada simplesmente no sentido de prever. É prever


também ou é uma atuação positiva em conexão com todos os eventos da
História.
b) Deve-se distinguir providência de preservação. Enquanto a preservação é a
manutenção da existência e dos poderes das coisas criadas, providência é um
verdadeiro cuidado e controle delas.
c) Porque o plano original de Deus é todo abrangente. A providência que executa
o plano também o é abarcando em seu escopo coisas pequenas e grandes e
exercendo cuidado sobre indivíduos assim como sobre classes.
d) Com relação aos bons atos dos homens, a providência abrange todas as
influências naturais da hereditariedade e do meio que preparam o homem para
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a operação da Palavra de Deus e do Espírito Santo e que constituem motivos


para a obediência.
e) Com relação aos atos maus dos homens, a providência nunca é causa eficiente
do pecado, obstante, permissiva, diretiva e determinativa.
f) Porque Cristo é o único revelador de Deus e o Mediador de toda a atividade
divina a providência deve ser considerada a obra de Cristo (1 Co 8:6; Jo 5:17).
Os problemas do tratamento providencial de Deus apenas são inteligíveis quando
consideramos que Cristo é o revelador de Deus e que Seu sofrimento pelo pecado nos
abre o coração de Deus. A história toda é a manifestação progressiva da santidade e
do amor de Cristo e na cruz temos a chave que destrava o segredo do universo.
Focalizando a cruz, cremos que o Amor dirige tudo e que... “todas as coisas colaboram
para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8:28).

Prova Escriturística: Um governo geral providencial e controle.

a) Sobre o universo todo (Sl 103:19; Dn 4:35; Ef 1:11; b) Sobre o mundo físico (Jó
37:5,10; Sl 104:14,16; 135:6-7; Mt 5:45; 6:30); c) Sobre a criação irracional (Sl
104:21,28; Mt 6:26; 10:29); d) sobre o negócio das nações (Jó 12:23; Sl 22:28;
66:7; At 17:26); e) sobre o nascimento e destino da vida do homem (1 Sm 16:1;
Is 45:5; Gl 1:15,16; Sl 139:16); f) sobre os sucessos exteriores e derrotas na vida
do homem (Sl 75:6-7; Lc 1:52); g) sobre as coisas aparentemente acidentais ou
insignificantes (Pv 16:33; Mt 10:30); h) na proteção dos justos (Sl 4:8; 5:12;
63:8;121:3; Rm 8:28); i) no suprimento das necessidades do povo de Deus (Gn
22:8,14; Dt 8:3; Fl 4:19); j) nas respostas às orações (Sl 68:10; Is 64:4; Mt
6:8,32,33); k) na exposição e punição dos ímpios (Sl 7:12-13; 11:6;).
As obras da providência de Deus representam sua mais santa, sábia e poderosa
preservação e governo de todas as suas criaturas e de todos os seus atos.

Momento a momento, o mundo continua porque Cristo sustenta “todas as coisas pela
palavra do seu poder” (Hb 1:3) e porque “todas as coisas subsistem por ele” (Cl 1:17;
Ne 9:6). Ao mesmo tempo, Deus não apenas sustenta, mas governa todo o mundo e a
humanidade: as nações (Sl 47:7; Dn 2:21; 4:25; Is 10:5-7), os indivíduos (1 Sm 2:6-9;
Is 45:5; Pv 16:9; Sl 75:6,7; At 27:24), e o livre arbítrio dos homens (Pv 16:1; 21:1).

A providência não é uma continuação da criação, mas a preservação e o proposital


direcionamento de tudo o que Deus fez inicialmente. Será muito importante entender
que somente depois do término da criação o pecado entrou no universo criado por
Deus, pois isso impede que sejamos levados a uma conclusão posterior errônea.

Qualquer teoria que ensine que Deus está constantemente recriando o mundo torna-o
o renovador do bem e do mal e, dessa forma, o autor não só da retidão, mas também
da iniquidade. Além de estabelecer a diferença entre a providência e a criação,
precisamos ter cuidado para que a doutrina da providência elimine os seguintes
aspectos:

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1. Panteísmo. Este aceita a absorção do mundo e do homem em Deus (Spinoza)


ou considera ambos como participando, de alguma maneira, diretamente do Ser
do próprio Deus (Paul Tillich).
2. Deísmo. Este considera Deus sob a analogia de um relógio e seu fabricante (Ele
deu a corda e deixou que o relógio funcionasse), e isso o afasta inteiramente do
mundo que criou. As Escrituras respondem com passagens como Sl 33:13,15;
Is 45:7; At 17:24-28.
3. Dualismo. Deus é apenas um de dois princípios ou poderes, um bom e outro
mau. Este pensamento leva a conclusão de que Deus e finito. As Escrituras
ensinam que somente Deus existia no começo, que só Ele é o Criador, e que
tudo que Ele criou era bom (Gn 1:4,10, 12, 18, 21, 25,31); que o pecado e a
iniquidade moral foram originados pelas criaturas (Ez 28:15; Gn 3:1-7).
4. Interdeterminismo. Esta corrente de pensamento afirma que não existe
qualquer controle planejado de coisa alguma.
5. Determinismo. Considera o controle absoluto de tudo o que acontece, e que o
homem foi roubado em seu livre arbítrio e responsabilidade.
6. Casualidade. Considera qualquer força controladora como irracional.
7. Destino. Vê os acontecimentos como incontroláveis e inteiramente desprovidos
de qualquer elemento de propósito benevolente.

A Demonstração da Soberania de Deus

A doutrina da providência reside na divina soberania de Deus, e na revelação de que


Ele reina sobre tudo e a tudo governa de acordo com sua vontade. Entretanto, sua
vontade está inteiramente sujeita ao seu caráter; portanto, ela deve ser descrita não
como arbitrária, mas como perfeita e sagrada.

1. A providência e a ordem natural. A providência inclui todas as coisas, quer grandes


(Sl 145:9-17; Is 41:2-4), quer pequenas, como por exemplo o curso de uma flecha (1
Rs 22:34), os pássaros no ar (Mt 6:26), um sonho (Mt 27:19), pequenos pássaros que
são vendidos (Mt 10:29; Lc 12:6,7), um boato (At 23:16), e o resultado de se lançar
sortes (PV 16:33). Os atos da providência, com a finalidade de uma análise posterior,
podem ser divididos em gerais, isto é, aqueles que se aplicam ao mundo e a
humanidade indistintamente; e os particulares, isto é, aqueles que acontecem tanto a
indivíduos ainda não salvos e a nação escolhida por Deus, como aqueles que Ele
escolheu para redimir. Então, sob essa especial providência encontra-se a nação de
Israel (Am 3:1; Ml 1:2; At 15:14-16; Rm 11:26-29), a Igreja (Ef 5:25-27) e os crentes
individualmente (Salmos 91:11; 147:9,20; Mt 6:26; At 14:16,17; Rm 8:28,39).

2. A providência e a história. Deus controla e comanda todo o curso da história desde


o início até o final. Ele escolheu uma nação, Israel (Am 3:2) e fez dela o meio de sua
revelação, deu-lhe sua Palavra que está registrada nas Escrituras do AT, prometeu-lhe
o Messias através delas (Dt 18:15-19; At 3:22,23; 2 Sm 7:8-16; Is 7:14; Mq 5:2) e
estabeleceu com ela uma aliança para preservá-la e conduzi-la em meio a todas as
tribulações até seu reino milenial (Dt 30:1-10; 2 Sm 7:16; Is 65:66; Os 1:10,11; 2.16-23;
Am 9:11-15; Zc 14:1-21).
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Ao mesmo tempo, Ele derrubou a barreira que existia entre judeus e gentios (Ef 2:14)
quando revelou o mistério da expansão da sua Igreja (Ef 3:1-11) que, através da morte
de Cristo, iria incluir a ambos. O tema de toda a Bíblia é o plano de Deus para salvar
seus eleitos e estabelecer seu reino, na primeira fase do reinado milenial de Cristo (Ap
5:10; 20.4-6), e em sua segunda fase, a fase final, na Nova Jerusalém (Ap 21-22). Nada
poderá impedir a consumação final do plano de Deus (Is 40:15; Sl 2:4; At 4:25-28).

3. A providência e a experiência pessoal. Deus promete prosperar o justo (Lv 26:3-


13; Dt 28:1-14). Por que, então, exclama o crente, os iníquos também prosperam? Por
que tantas vezes eles não são castigados? O salmista apresenta duas respostas
inspiradas: a riqueza dos ímpios é apenas temporária, e ao final Deus irá julgar a
iniquidade deles e defender sua própria santidade como Senhor (Salmos 37:16-22; 73;
91:8; Ml 3:13-4.3). Ao mesmo tempo, Deus adia seu castigo para que o iníquo possa
ter a oportunidade de se arrepender (Rm 2:4; 2 Pe 3:9; Ap 2:21).

Mas por que o crente precisa sofrer tantas adversidades e tribulações? (a) Pode ser
para seu próprio desenvolvimento (Sl 94:12; Pv 3:11; Hb 12:5-13); (b) elas podem servir
como um teste antes da abertura de grandes campos de serviço (1 Co 16:9; Tg 1:2-
12); (c) trazem glória a Deus se forem suportadas com dignidade (Jó 1; 2; 42); e, (d)
fazem parte da vocação da Igreja cristã (Mt 10:24ss.; Jo 15:18; 16:33; At 9:16; 14:22;
Rm 5:3-5; Fp 3:10; 1 Pe 4:12-19).

4. A providência e a liberdade pessoal. Deus governa sobre os corações e as ações


de todos (Pv 21:1), embora estes não tenham, necessariamente, conhecimento ou
consciência disto (Gn 45:5-8; 50:20; Is 10:5-12; 44:28—45.4; Jo 11:49-52; At 2:23;
13:27-29).

No entanto, ele o faz de tal maneira que suas ações são as de agentes livres; portanto,
eles permanecem responsáveis por tudo que fazem (Is 10:12; Rm 1:24-32). Dessa
forma, o Senhor permite que os iníquos ajam de acordo com sua própria natureza (Sl
81:12ss.; Rm 1:24ss.; At 14:16), mas no final Ele os punirá (Lc 22:22; At 3.). Ao mesmo
tempo, Ele leva os seus a colocar em prática os mandamentos que lhes deu (Fp
3:12,13), embora isso só seja possível através da presença e do poder do Espírito
Santo que habita em cada um de nós (Rm 8:3,4; Gl 5:22,23).

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SOTERIOLOGIA
O termo Soteriologia é derivado de duas palavras gregas, soteria e logos, das quais
a primeira significa salvação e a segunda palavra, discurso, doutrina. Logo,
Soteriologia é a doutrina da salvação e trata da provisão de salvação através de Cristo
e sua aplicação através do Espírito Santo. A finalidade da doutrina da Soteriologia é
demonstrar como o Espírito Santo aplica ao pecador individualmente a bendita
salvação que Cristo adquiriu para toda a humanidade por sua obra vicária.

Um exame geral da doutrina da Soteriologia abrange as seguintes verdades: a salvação


ou perdão dos pecados, que Cristo obteve para todos os homens mediante a sua obra
sacrifical (Lc 1:77; Rm 5:10; 2 Co 5:19) e é oferecida ao pecador nos meios da graça,
isto é, no evangelho e nos sacramentos (2 Co 5:19; Lc 24:47). Por meio desse
oferecimento muito gracioso e eficaz do perdão, opera-se a fé no coração do pecador
(Rm 10:17), que aceita ou se apropria dos méritos de Cristo ofertados nos meios da
graça.

Os meios da graça desempenham, assim, uma dupla função: oferecem e conferem o


perdão e produzem a fé. Ao criar a fé no coração do pecador por sua onipotência (1 Co
2:14; Ef 1:19-20), o Espírito Santo o converte e justifica (At 16:31; Rm 5:1). O pecador
já não foge de Deus, porém volta-se para ele como para seu Senhor reconciliado e
glorioso (At 11:21).

Tão logo o pecador tenha aceito, pela fé, o perdão total de Deus ou a justificação
objetiva, o perdão se torna efetivo no seu caso, logo ele está pessoalmente justificado.
Ao aceitar a justiça de Cristo, o pecador a fez sua e é, portanto, considerado justo
perante Deus (Rm 4:3; Sl 32:1-2).

A justificação sucede somente por graça, sem obras, e dá ao crente a posse de todos
os méritos e bênçãos adquiridos pela obediência perfeita de Cristo (Rm 3:28). O
pecador justificado entra num estado de graça e paz, no qual está certo de sua salvação
presente e da final, garantida pela graça e verdade divinas (Rm 5:1-11; 8:38-39; 1 Co
1:8-9).

Deus, através de sua presciência, tinha plena consciência de que o homem iria cair em
pecado e se corromper, antes mesmo de criá-lo. Ainda assim, ele nos criou para sua
glória e providenciou um meio de redenção que transparece na natureza e nas
escrituras (Ef 1:4).

Preparação histórica para a redenção

Visto que Deus, desde a eternidade determinara a redenção da humanidade, a história


da raça, desde o tempo da queda até vinda de Cristo, foi providencialmente arranjada
no sentido de preparar o caminho da referida redenção. Essa preparação foi dupla,
como veremos a seguir.

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I Preparação negativa – Na história do mundo pagão.

Essa preparação mostrou:

1. A verdadeira natureza do pecado, a profundidade da ignorância espiritual e a


natureza da depravação de que a raça, deixada ao léu do seu destino, deve cair.
2. A falta de poder da raça humana para preservar ou readquirir um adequado
conhecimento de Deus ou se livrar do pecado valendo-se da filosofia ou da arte.

Eva não podia ser a mãe da semente escolhida como a princípio se supôs porque a
escritura sugere que havia a necessidade de uma preparação (Gn 4:1; Gl 4:4). Dos dois
agentes que se valeu, chamamos de paganismo a preparação negativa, que na
verdade não foi inteiramente negativa, pois em parte também foi positiva e vemos isto
quando a bíblia reconhece Jó, Balaão e Melquisedeque como exemplos de sacerdócio
fora dos limites do povo escolhido.

Deus deu aos gentios pelo menos a luz estelar do conhecimento religioso, pois embora
o paganismo fosse um fracasso como um todo, havia uma certa luz mesmo para os
pagãos. O elemento positivo do paganismo, contudo, é fraco, pois seus altares,
sacrifícios, filosofia e arte, despertam anseios que ele não pode satisfazer. Não há
esperança em seu sistema religioso contaminado pela corrupção profunda. Embora
Deus estivesse na história dos pagãos, suas convicções relativas à revelação divina
eram obscuras e intangíveis, se comparadas com o conhecimento dos profetas e dos
apóstolos por intermédio dos quais Deus falava ao seu povo.

II Preparação positiva – Na história de Israel

Desde os tempos de Abraão o povo escolhido foi educado em três grandes verdades,
a saber:

1. A majestade de Deus sem sua unidade, onipotência e santidade


2. A pecaminosidade do homem e sua desesperança moral
3. A certeza de uma salvação vindoura

Esta educação a partir da época de Moisés consistia em três agentes principais:

A Lei: a legislação mosaica, por intermédio de suas teofanias e milagres, cultivava a fé


em um Deus pessoal, onipotente e juiz, que por meio de suas determinações e
ameaças despertava o senso de pecado. Ao mesmo tempo, também inspirava a
esperança de um processo de salvação e acesso a Deus traves do seu sistema
sacerdotal e sacrificial.

A educação dos judeus, antes de tudo, se deu por intermédio da lei. Na história
universal, como na individual, a lei deve preceder o evangelho. João Batista deve vir
antes de Cristo e o conhecimento do pecado deve preparar uma auspiciosa entrada
para o conhecimento de um salvador. Fazia-se os judeus conhecerem, em benefício da
humanidade, a culpa e a vergonha do pecado e com esse crescimento gradual no
sentido do pecado há também uma fé ampliada e profunda.
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Profecia: As profecias eram de duas espécies, a saber:

1. Verbal: Começou com o protoevangelho no éden e estendeu-se pelos


quatrocentos anos que precederam a vinda de Cristo.
2. Típica: Em pessoas como Adão, Melquisedeque, José, Moisés, Josué, Davi,
Salomão e Jonas.; e na prática de atos como o sacrifício de Isaque e o
levantamento da serpente no deserto feito por Moisés.

Cristo é a realidade para a qual apontam os tipos e cerimônias indicados pelo judaísmo
e estes desaparecem com o advento do cristianismo. Ageu e Malaquias predisseram
que o Senhor viria subitamente ao segundo templo. Verdadeiramente o Messias
deveria ser homem e Deus; profeta, sacerdote e rei, além de ser humilhado e exaltado.

Juízo: Os repetitivos castigos por causa da idolatria culminaram com a ruína do reino
e o cativeiro dos judeus, tendo o exílio os seguintes efeitos:

a) Religioso: Firmado no coração do povo, o monoteísmo se preservou e se


propagou através do estabelecimento do sistema de sinagogas.
b) Civil: Deixando de ser um povo essencialmente agrícola, tornaram-se prósperos
comerciantes entre as nações por onde se espalharam, influenciados pela lei e
organização romanas.

Deste modo, o povo se tornou pronto para receber o evangelho e propagá-lo pelo
mundo inteiro na época em que se tornara consciente de suas necessidades e
expressava seus anseios pela libertação. A dispersão dos judeus por todas as terras
tinha preparado um ponto de partida monoteísta para o evangelho em cada cidade
pagã.

Calvinismo x Arminianismo

O Calvinismo e o Arminianismo são duas escolas teológicas do pensamento


soteriológico que tentam explicar a relação entre a soberania de Deus e a
responsabilidade humana em relação à salvação. O Calvinismo recebeu este nome por
causa de João Calvino, teólogo francês que viveu de 1509 a 1564. O Arminianismo
recebeu este nome por causa de Jacó Arminius, teólogo holandês que viveu de 1560 a
1609.

O Arminianismo ensina que cada pessoa tem capacidade de escolha ou livre-arbítrio.


Essa liberdade para escolher não é total, mas nos dá capacidade para escolher nosso
destino e nos torna responsáveis por nossas ações, portanto imputáveis por nossos
pecados.

O ensinamento principal do Calvinismo é que Deus é soberano sobre tudo, pois está
no controle de todas as coisas e nada acontece se não for sua vontade. Argumenta
que, embora estivesse predestinado à salvação ou à perdição, o homem jamais poderia
conhecer antecipadamente sua sorte, porque a escolha de uns e a rejeição de outros
é um sinal do mistério de Deus.

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Ambos podem ser resumidos em cinco pontos principais, como veremos a seguir:

Calvinismo

1. Total depravação: Deve ser entendida no sentido que cada parte do homem é
afetada pela queda e que ele não pode fazer nenhum movimento para Deus sem
sua graça.
2. Eleição Incondicional: Significa que de todos os perdidos, Deus escolheu um
número definido e fixo de pessoas para neles exercer sua misericórdia, livrando-
os da perdição eterna. Deus já escolheu (elegeu) quem será salvo, ou seja, ele
“predestinou” alguns para receberem a salvação de Jesus, dando-lhes a fé que
precisam para que isso aconteça.
3. Expiação Limitada: Ao mesmo tempo que a morte de Cristo é mais do que
suficiente para expiar todos pecados de todas as pessoas, a intenção de Deus
em dá-lo não era meramente tornar possível a salvação de todos, mas real e
infalivelmente salvar apenas os “predestinados”. Isto não é afirmado por
nenhuma outra escola de pensamento teológico a não ser a Reformada.
4. Irresistível graça: A graça de Deus opera nos eleitos de tal maneira a garantir
que eles responderão a ela. O efeito desta graça não é destruir a vontade, mas
despertar uma resposta voluntária. É dita irresistível porque sempre alcança o
resultado planejado, ou seja, muda a vontade do homem que -- de indisposto a
todo bem -- alegre e voluntariamente vai a Cristo.
5. Perseverança dos Santos: Aqueles que são verdadeiramente convertidos,
seguramente serão salvos – não independentemente de como eles vivem, mas
porque Deus os preservará de se afastarem dele para sempre.

O calvinismo furta do indivíduo sua capacidade de agir, ao procurar seguir textos de


prova como Rm 3:10, mas a bíblia, do princípio ao fim, pressupõe a responsabilidade
humana, tornando o homem um ser capaz de escolha e ação apropriadas, contanto
que sua vontade queira agir nessa direção. Seja como for, é claro que todas as ações
dos homens se acham em estado precário, enquanto eles não são regenerados pelo
Espírito Santo.

Alguns calvinistas modernos negam a expiação limitada em princípio, embora a aceitem


quanto a propósitos práticos. De certo -- quanto à teoria -- Cristo morreu por todos, mas
na prática somente aqueles que aceitam a obra de Cristo, sendo impulsionados pelo
Espírito Santo a fazê-lo, são beneficiados pela morte de Cristo.

Os calvinistas preferem salientar a doutrina da predestinação, distorcendo óbvios


versículos que ensinam o livre-arbítrio. A expiação precisa ser alicerçada sobre o amor
universal de Deus (João 3:16), que é a clara chamada de Deus a todos os homens, de
todos os lugares e não apenas a um grupo privilegiado. Os lexicógrafos do grego do
N.T. Marvin R. Vincent, Joseph Henry Thayer e Edward Robinson, dentre outros, são
unânimes em afirmar que em termos exegéticos “o mundo”, neste texto, significa,
inequivocamente: os habitantes da terra; a raça humana; o mundo afastado de Deus;
a humanidade ímpia, ou seja, é uma metonímia para se referir aos habitantes da terra.

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Consideremos, além disso, o trecho de Efésios 1:10, pois esse versículo nos mostra
que a vontade de Deus tem um intuito universal, não podendo ser limitada a alguma
estreita chamada eficaz. A Palavra de Deus afirma que os benefícios da morte de Cristo
se destina a todos, segundo escreveram Paulo (Rm 3:2); Pedro (2 Pe 2:1); João (1 Jo
2:2); Timóteo (1 Tm 2:6) e Tito (Tt 2:11).

Arminianismo

1. A eleição realizada com base na presciência: Deus escolheu salvar através


de Jesus Cristo todos aqueles que pela graça do Espírito Santo creriam nele e
perseverariam até ao fim. Ele elege pessoas para a salvação baseado em sua
pré-ciência de quem crerá em Cristo para a salvação.
2. A expiação ilimitada: Jesus Cristo, por sua morte na cruz, obteve perdão dos
pecados para todos, mas apenas os cristãos participam dele. Jesus morreu por
todos, mas sua morte não tem efeito enquanto a pessoa não se converte.
3. A incapacidade natural: O homem caído não pensará, de seu livre-arbítrio,
nada que seja verdadeiramente bom. Ele precisa nascer de novo por Deus em
Cristo, através do Espírito Santo para fazer aquilo que verdadeiramente é bom.
4. A graça proveniente: Nós não podemos fazer o bem sem a graça de Deus
precedendo, despertando, seguindo e cooperando conosco, mas esta graça não
é irresistível. Logo, Deus chama a todos para a salvação, mas muitas pessoas
resistem e rejeitam este chamado.
5. A perseverança condicional: Os verdadeiros cristãos são capacitados pela
graça a perseverarem até ao fim e serem salvos. É a visão de que um crente em
Cristo pode, por seu livre arbítrio, se desviar de Cristo e, assim, perder a
salvação.

O calvinismo e o arminianismo ambos são meras tentativas para evitar diversos


grandes paradoxos que têm algo a ver com a natureza humana: ela é livre ou escrava?
É capaz ou não de buscar a Deus mediante seus poderes inatos? Ademais, esses dois
sistemas existem por causa dos problemas relativos às interpretações das intenções
de Deus.

Assim, Deus deseja salvar a todos, potencialmente, ou se satisfaz em salvar apenas


alguns, permitindo que os demais pereçam? Ou Ele restaurará os perdidos e remirá os
eleitos? A missão salvífica de Jesus Cristo é bem maior que qualquer desses grupos
costuma contemplar. O Arminianismo é o sistema teológico adotado pela maioria das
igrejas evangélicas protestantes.

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Quem nunca ouviu o evangelho pode ser salvo?

Independente do grau de conhecimento que uma pessoa tenha, se ela for salva será
pelo sangue de Cristo derramado na cruz (At 4:11-12). Os bebês e crianças que morrem
antes da idade da responsabilidade moral irão para o céu (2 Sm 12:21-23; Sl 139:16).
Isaías faz distinção entre aqueles que ainda não têm idade suficiente para desprezar o
mal e escolher o bem (Is 7:15-16), o que implica que eles não são moralmente
imputáveis. Os homens serão julgados de acordo com as suas obras, sem importar se
receberam ou não qualquer revelação especial sobre a vontade divina. Os gentios, pela
lei da consciência, agem como se estivessem sujeitos à lei de fato, pois para eles a sua
consciência é uma lei (Rm 2:14-16).

Embora as pessoas tenham informações suficientes de que Deus existe, elas se tornam
voluntariamente ignorantes sobre as coisas de Deus porque seus corações são maus
(Rm 1:18; 3:10-12). De certo, sabemos que Deus não quer que ninguém se perca (1
Tm 2:4; 2 Pe 3:9), contudo a bíblia ensina que Deus julgará o mundo justamente (At
17:31). Isto significa que, quando todos os fatos estiverem postos, o nome de Deus
será justificado e ninguém poderá de acusá-lo de injustiça.

Em Rm 2:11-16 há uma indicação sobre a situação daqueles pecaram e morreram sem


o conhecimento da lei. Os próprios gentios possuem a lei de Deus (cognitio dei insita).
Eles não têm a lei de Moisés, mas praticam, por natureza, alguns parâmetros da lei
(não matar, roubar, adulterar, etc.) que para si mesmos são lei.

Assim, o comportamento instintivo do homem evidencia que ele conhece os padrões


de Deus, mesmo que não perfeitamente. Se ele atende a essa consciência, ela o
acusará ou o inocentará, quando todos os segredos forem descobertos e julgados por
Cristo (Rm1:19-20).

Conceitos da Soteriologia

Graça: É o poder dinâmico de Deus que provêm imerecidamente para capacitar o


homem a desejar e fazer a Sua vontade

Predestinação: É o conselho ou decreto de Deus concernente aos homens decaídos,


incluindo a eleição soberana de uns e a justa reprovação dos restantes.

Eleição: Eleição é o ato eterno de Deus pelo qual, em seu soberano agrado e não por
mérito algum previsto nos homens, ele escolhe alguns do numerosos pecadores para
serem os receptores da graça especial do seu Espírito e assim serem participantes
voluntários da salvação de Cristo.

Vocação: É o ato de Deus pelo qual os homens são convocados a aceitar, pela fé, a
salvação providenciada por Cristo, sendo estas distintas entre:

a) A vocação geral ou exterior a todos os homens por intermédio da providência de


Deus, da Palavra e do Espírito (Is 45:10; 55:6; 65:12; Ez 33:11; Mc 16:15).
b) Vocação especial, eficaz, do Espírito Santo aos eleitos (Lc 14:23; Rm 1:7).
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União com Cristo: É a ligação íntima, vital e espiritual entre Cristo e o seu povo, em
razão da qual ele é a fonte da sua vida e poder, da sua bem‐aventurança e salvação.

Regeneração: É o ato de Deus pelo qual a disposição governante da alma se torna


santa e pela qual, através da verdade, assegura-se o primeiro exercício dessa
disposição santa. A regeneração, ou o novo nascimento, é o lado divino da mudança
do coração que, visto do lado humano, chamamos conversão.

Conversão: É a mudança voluntária na mente do pecador, na qual, por um lado, ele


dá as costas para o pecado e, por outro, se volta para Cristo. Na conversão, voltar as
costas para o pecado denomina-se arrependimento e ao encaminhamento para Cristo
chamamos fé. Deus e a pessoa cooperam na operação da conversão.

Arrependimento: É a mudança voluntária da mente do pecador na qual ele rejeita o


pecado. Por ser, em essência, uma mudança na mente, envolve uma mudança de um
ponto de vista, de sentimento e de propósito.

Fé: É a mudança voluntária na mente do pecador pela qual ele se volta para Cristo. Por
ser, em essência, uma mudança na mente, envolve uma mudança de um ponto de
vista, de sentimento e de propósito.

Certeza da Salvação: Uma vez que a fé salvadora é a confiança do crente na perfeita


justiça que Cristo adquiriu para todas as pessoas mediante a sua satisfação vicária e
que existe mesmo antes que a pessoa creia, é evidente que o crente está em perfeita
posse do perdão divino, da vida e da salvação a partir do momento em que deposita
sua confiança em Cristo. A partir desse momento, portanto, todos os méritos do
sofrimento e morte de Cristo lhe são atribuídos dando-lhe certeza de sua salvação.

Justificação: É o ato judicial pelo qual, por causa de Cristo, a quem o pecador está
unido pela fé, Deus declara que o pecador não mais exposto à pena da lei, mas
restaurado ao seu favor e declarado justo. Ocorre tão logo o pecador creia no
evangelho e deposite sua fé na obra de Cristo

Santificação: É a operação contínua do Espírito Santo, pela qual a santa disposição


concedida na regeneração se mantém e se fortalece. A santificação deve vir logo após
a regeneração, pois a santificação é uma obra de Deus que se prolonga pela vida toda.

Perseverança: As escrituras declaram que, em virtude do propósito original e operação


contínua de Deus, todos os que estão unidos a Cristo continuarão infalivelmente em
um estado de graça e, finalmente, alcançarão a vida eterna. Essa continuação
voluntária da parte do cristão na fé e nas boas obras chamamos de perseverança, logo,
não é uma mera consequência natural da conversão, mas envolve constante atividade
da vontade humana a partir do momento de conversão até ao fim da vida.

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Extensão da expiação: As escrituras representam a expiação como tendo sido feita


para todos os homens e como suficiente para a salvação de todos, portanto o que é
limitada não é a expiação, mas a sua aplicação por intermédio da obra do Espírito
Santo. A nossa participação inconsciente na expiação de Cristo, em virtude de nossa
humanidade em comum com ele, em muito nos faz herdeiros da benção temporal. Já
nossa participação consciente em sua expiação, em virtude de nossa fé e na sua obra
para conosco, nos concede justificação e vida eterna.

Glorificação ou Ressurreição: É a operação divina pela qual o crente regenerado há


de ressuscitar corporalmente, tendo seu corpo abatido, transformado à semelhança do
corpo glorioso do Senhor Jesus.

Propiciação: É a reconciliação em seu aspecto positivo, e por isso vai além da


expiação, pois enfatiza a morte de Cristo em relação a Deus. Na propiciação a ação se
dirige para Deus, a pessoa ofendida. O propósito da propiciação é alterar a atitude de
Deus, da ira para a boa vontade e favor. Na propiciação é a ira que é removida (Rm.5:9-
10) e a amizade de Deus é restaurada

Reconciliação: É a operação graciosa de Deus pela qual Ele reconcilia os pecadores


consigo mesmo, por meio da morte de Jesus Cristo, removendo a inimizade.

Redenção: É o ato gracioso de Deus pelo qual ele liberta o pecador da escravidão da
lei do pecado e da morte (Rm 8:1-2), mediante o pagamento de um resgate

Imputação: É o ato de Deus pelo qual ele debita meritoriamente na conta da


humanidade o pecado de Adão, e judicialmente na conta de Cristo o pecado da
humanidade, e gratuitamente na conta da humanidade a justiça de Cristo. Imputação
significa "debitar", "atribuir responsabilidade" ou "lançar na conta de alguém".

Adoção: É o ato judicial de Deus, resultado prático da regeneração, pelo qual ele
declara seus filhos emancipados e herdeiros da vida eterna.

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ANGEOLOGIA
O nome “anjo”, com o qual designamos de maneira geral os espíritos superiores na
narrativa bíblica não é um nome comum na escritura, mas sim um ofício. A palavra
hebraica mal’ak significa simplesmente mensageiro e serve para designar alguém que
é enviado por homens (Jó 1.14; 1 Sm 11.3) ou por Deus (Ag 1.13; Ml 2.7; 3.1). O termo
grego angelos também possui diversos usos na escritura: um profeta (Ml 3:1) um
sacerdote (Ml 2:7) um apóstolo (Gl 4.14).

Todas as religiões reconhecem a existência de um mundo espiritual. Suas mitologias


falam de deuses, semideuses, espíritos, demônios, gênios, heróis, e assim por diante.
A igreja cristã sempre acreditou na existência dos anjos, o novo testamento se inicia
com anjos ocupados em serviço ativo e jamais põe em dúvida a sua existência.
Assim como os saduceus da época de Jesus, alguns ainda hoje negam a existência
dos anjos pelo simples fato de não os poderem contemplar. Como são "espíritos"
criados os anjos não têm corpos físicos (Lc 24:39; Hb 1:14). Como são espíritos não
estão limitados às condições naturais e físicas, por isso não podemos vê-los, a menos
que Deus nos conceda esta capacidade de interação (Lc 1:11-13) através de uma
Teofania, que é uma forma de manifestação visível e temporária de Deus a fim de
manifestar sua glória ao homem (1 Tm 6:16; Êx 33:20; Nm 12:6-8; Is 6:1; At 7:56; 1 Co
13:9-12).

Paulo nos diz que Deus criou todas as coisas "visíveis e invisíveis" através de Cristo e
por ele; em seguida, inclui especificamente o mundo angélico com a frase "sejam tronos
ou soberanias, poderes ou autoridades"(Cl 1:16). A bíblia relata repetidamente nos dois
testamentos o ministério dos anjos e em que consiste seu serviço extraordinário e
serviço comum.

Sendo eles criaturas, recusam adoração humana (Ap 19:10) e ao homem, por sua
parte, é proibido adorá-los (Cl 2: 8). Demonstram elevada inteligência em toda a bíblia,
quando falam com as pessoas (Dn 8:16; Mt 28:5, At 12:6-11).

Diferentes de Deus os anjos são seres criados, com julgamento espiritual, moral, com
inteligência e detentores de grande poder no mundo espiritual (Ez 14:20; Dn 9:21-22).
A criação dos anjos

A ocasião em que foram criados não pode ser fixada com exatidão, contudo a ideia de
que a criação dos céus foi completada no primeiro dia e que a criação dos anjos foi
simplesmente uma parte da obra do dia é a mais aceita (Gn 1:1-5). A única afirmação
segura é que foram criados antes do sétimo dia (Gn 2:1-2).

De acordo com o ensino geral das escrituras nenhuma obra foi criada antes da criação
dos céus e da terra (Gn 1:1). O livro de Jó relata que os anjos estavam presentes na
fundação do mundo, como também as estrelas estavam, não, porém, que eles existiam
antes da criação dos céus e terra (Jó 38.4-7).

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Diversas culturas da antiguidade como mesopotâmicos, sumérios, babilônicos,


egípcios e até astecas criam em anjos como seres com asas, meio homem meio animal,
etc.
ARTEFATO ASTECA, NO MÉXICO. PINTURA EGÍPCIA DE UM ANJO

Classificação dos anjos

O judaísmo desenvolveu um sistema elaborado, imaginando que há quatro (ou sete) anjos
principais, ou «arcanjos», cada um dos quais tem miríades de assessores, com vários graus
de inteligência e poder. Os anjos teriam funções que variam desde o serviço imediato diante
do trono de Deus, até os mais variados serviços na esfera terrestre, envolvendo nações,
comunidades ou indivíduos. Os anjos são os mediadores da mensagem divina (Dt. 33:2).

A bíblia relata as classes de anjos que ocupam lugares de autoridade no mundo espiritual:
Principados e potestades (Ef 3:8-10; Cl 2:10); tronos (Cl 1:16); domínios (Ef 1:21); poderes
(Ef 1:21; 1 Pe 3:22).

Estes nomes não indicam diferentes espécies de anjos, mas diferenças de classe ou de
dignidade entre eles. Somente dois anjos são mencionados especificamente na bíblia, os
quais são Miguel e Gabriel.
O Arcanjo Miguel (quem é como Deus?) É mencionado em Judas 9 e Apocalipse 12:7-8,
bem como em Daniel 10:13, 21, onde é mencionado como um dos príncipes de “primeira
ordem “. Em Miguel vemos o valente guerreiro que lidera as batalhas de Jeová contra os
inimigos de Israel e da igreja.

O Anjo Gabriel (homem de Deus ou herói de Deus) mencionado no livro de Daniel como
o mensageiro de Deus que veio para falar com Daniel (Dn 8:16; 9:21; 6:19-23). Gabriel
também é identificado como o mensageiro de Deus a Zacarias e Maria em Lucas 1, o anjo
responde a Zacarias: "eu sou Gabriel, que assisto diante de Deus" (Lc 1:19). A ele são
confiadas as mensagens de mais elevada importância com relação ao reino de Deus (Lc
1:26-27).

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Querubins: Guardam a entrada do paraíso Gn 3:24 e observam o propiciatório Êx 25:18,


20; Sl 80:1; 99:1; Is 37:16; constituem a carruagem de Deus para descer à terra (2 Sm
22:11; Sl 18:10) são representados como seres vivos em várias formas Ez 1; Ap 4. Foram
destinados a revelar o poder, a majestade e a glória de Deus, e a defender a santidade de
Deus no jardim do éden, no tabernáculo, no templo e na descida de Deus à terra.

Serafins: são mencionados somente em Is 6:2,6. Diferente dos querubins, permanecem


como servidores em torno do trono de deus, cantam louvores a ele e estão sempre prontos
a fazer o que ele manda. Enquanto que os querubins são os anjos poderosos, os serafins
podem ser considerados os nobres entre os anjos.

Os quatro seres (querubins) viventes: eles são descritos como leão, touro, homem e
águia (força, capacidade para servir, inteligência, rapidez) essas são as características dos
anjos (Ez 1:5-10; Ap 4:6-8).
Os vinte e quatro anciãos Ap 4:4

São os assessores do juízo divino (Dn 7:9). Essa é a ordem dos príncipes-anjos chamados
de tronos (Cl 1:16). Desempenham funções sacerdotais diante de Deus (Ap 5:8). Lançam
suas coroas diante do trono de Deus em reconhecimento de que toda soberania pertence
a Deus.
Personalidade e capacidade dos anjos

Embora sendo espíritos os anjos são seres pessoais, dotados de inteligência e vontade.
Embora não oniscientes, são superiores aos homens em conhecimento e possuem grande
poder (Hb 2:7; Dn 9:22). Além disso, têm natureza moral e, nesta qualidade, estão sob
obrigação moral; são recompensados pela obediência, e punidos pela desobediência (2 Pe
2:4; Jd 6).
As ações dos anjos na bíblia são:
 Executando os castigos que Deus impõe sobre Israel (2 Sm 24:15-17).
 Derrotando o exército assírio (2 Cr 32:21).
 Patrulhando a terra como representantes de Deus (Zc 1:8-11).
 Combatem as forças demoníacas (Dn 10:13; Ap 12:7-9).
 Destruindo cidades (Gn 19:10-13).
 Interpretando visões (Zc 1:9,19; Dn 7:16).
Os anjos têm a faculdade de assumir a forma e a matéria humanas, a fim de interagir com
os sentidos do homem (Gn 19:1-3; 2 Co 11:13-14). As escrituras nos ensinam que seu
número é muito grande. "milhares de milhares o serviam, e milhões de milhões"(Dn 7:10).
Os anjos sempre são descritos como varões, mas na realidade são seres assexuados, não
propagam a sua espécie (Mt 22:29-30). Mesmo não tendo os atributos inerentes à trindade
divina, os anjos são imortais, pois não estão sujeitos à morte.

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O Anjo do Senhor

Em trechos bíblicos como Êxodo 23:21 e Juízes 2:1, encontramos uma manifestação
especial de Deus — uma manifestação do logos pé-encarnado: Jesus! A maneira pela qual
o "Anjo do Senhor" é descrito, distingue-o de qualquer outro anjo. Em algumas passagens
bíblicas pode-se concluir de maneira inequívoca que esta expressão se refere a Jesus no
Antigo Testamento (Gn 16:7-11; 22:11-12; 32:24-28; Os 12:4-5; Êx 3:2).
Os anjos no judaísmo

Consideram os anjos seres espirituais, compostos de apenas dois (fogo e ar) dos quatro
elementos básicos (fogo, água, ar e terra), em contraste dos seres físicos que são
compostos pelos quatro.
Subdivididos em dois tipos:

1. Os criados por Deus, que se subdividem em 10 grupos ou hierarquias: os anjos


protetores de cada povo; anjos encarregados sobre cada parte da natureza: terra,
mar e o deserto e os que se reconhecem apenas como mensageiros, etc.
2. Os anjos bons ou ruins criados pelo ser humano: cada pensamento, fala ou ato bom
ou ruim cria um anjo protetor ou contrário que nos defende ou nos acusa perante o
tribunal celestial.
Segundo o judaísmo existem também seres espirituais negativos chamados de demônios.
Para eles são diferentes dos anjos em vários pontos:

Foram originalmente criados por Deus, no último instante do sexto dia da criação, antes da
entrada do shabat e, portanto, são criaturas "incompletas" por assim dizer. Diferente dos
anjos, estes vivem e morrem, procriam e precisam de comida e bebida para existir. São
emissários do criador, mas sua missão é praticamente só de destruição.
O anjo da guarda
Uma antiga tradição judaica ensina que o anjo guardião tem a semelhança ou aparência
daquele a quem guarda, o que talvez seja refletido em At 12:13-15. A teologia judaica
posterior encarava os anjos como mediadores entre Deus e os homens (Zc 3), e a posição
tão elevada naturalmente fez com que alguns os adorassem (Cl 2:18).

Após o século IV d.C., o culto aos anjos tornou-se generalizado, sendo honrado
especialmente o Arcanjo Miguel. Talvez essa adoração indevida seja pela incapacidade de
distinguir entre a aparição de um anjo mensageiro (Zc 3) e uma teofania, ou seja, Deus
manifestando-se de alguma forma visível, como o “Anjo do Senhor” (Os 12:4-5).

Hb 1:14 certamente mostra a subordinação dos anjos em relação aos homens que são
herdeiros da salvação. A bíblia nos diz claramente que Deus envia seus anjos para a nossa
proteção, mas alguns vão além desse conceito de proteção. Não há exemplo na bíblia que
dê respaldo para se pedir a ajuda de anjos, dar ordens ou lhes dirigir orações.

A bíblia não nos autoriza a invocar ou procurar que os anjos apareçam para nós. A igreja
de Colossos enfrentou a falsa doutrina de adoração e culto aos anjos (Cl 2:18).

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O fato de os demônios poderem se disfarçar como anjos de luz (2 Co 11:14) nos serve de
alerta que o aparecimento de qualquer criatura que se pareça com um anjo não garante
que seja um mensageiro de Deus (Mt 24:24). Apesar de que o milagre, o sinal, e o poder
nunca são provas de doutrina correta, servem para demonstrar a realidade do mundo
espiritual e a importância do discernimento espiritual (Dt 13:1-3; 2 Ts 2:7-12).

A bíblia nos diz claramente que deus envia seus anjos para a nossa proteção, mas será
que Deus nomeia um “anjo da guarda” para cada crente no mundo? Não há no texto da
bíblia qualquer apoio convincente para a ideia de que existem "anjos da guarda" individuais.
Os anjos atuam em nossa proteção conforme o mandado divino, contudo não de forma
individual e pessoal (Mt 26:51-53).
Os anjos aparecem as pessoas hoje?

Um anjo disse a Pedro para se levantar e sair da prisão (At 12:6-11). Um anjo assegurou a
Paulo que nenhuma alma no navio pereceria e que ele iria comparecer perante César (At
27:23-24). Alguns contestam esta possibilidade baseados na suficiência da bíblia e o
fechamento do cânon excluir a possibilidade de manifestações angélicas hoje. Dizem que
não devemos esperar que Deus se comunique conosco por meio de anjos. No entanto, esta
conclusão não é convincente.

Embora os anjos não contribuam para o conteúdo doutrinal ou moral da bíblia, cabe a Deus
em sua soberania decidir envia-los ou não para interagir com o ser humano, pois a escritura
não em nenhum momento afirma isto ser antibíblico.

Devemos usar extrema cautela ao receber a orientação de um anjo, pois há poucos


exemplos desta ocorrência em nossos dias. Saber se um espírito provém de Deus é
bastante simples, pois a bíblia ensina: todo espírito que confessa Jesus como vindo em
carne é de Deus (Rm 8:1-3; 1 Jo 4:1-4; Gl 1:8-9). Paulo adverte aos irmãos sobre a conduta
habitual do diabo como enganador (2 Co 11:14)
Satanás e os demônios

Satanás é o chefe dos demônios e é mencionado em Jó 1:6-2:7 onde planeja tentações


graves contra os homens. "Satanás" é uma palavra hebraica que significa “adversário”.
Zacarias teve uma visão de "Josué, o sumo sacerdote em pé diante do Anjo do Senhor, e
satanás estava à sua mão direita, como um promotor” (acusador) (Zc 3.1-7).

Embora alguns tenham pensado que os "filhos de Deus" descritos em Gn 6:1-4 se refere
aos anjos que pecaram por se casarem com mulheres humanas, esta interpretação é
improvável segundo Jesus falou aos fariseus em Mateus 22:30. Os "filhos de Deus" em
Gênesis 6:2-4 são os homens que são justos por causa de sua imitação do caráter de seu
Pai celestial, e as "filhas dos homens" são esposas ímpias com quem se casaram (2 Co
6:14).

Houve apenas uma queda no mundo angélico, assim como no gênero humano. Os
demônios são anjos maus que pecaram contra Deus e agora constantemente fazem o mal
no mundo. Quando Deus criou o mundo "viu tudo o que tinha feito, e que era muito bom"

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113

(Gn 1:31). Isto significa que no mundo angelical que Deus criou os anjos maus ou demônios
ainda não existiam nesse momento da criação.

Logo, em algum momento entre os eventos de Gênesis 1:31 e 3:1 houve uma rebelião no
mundo angelical levando muitos anjos a pecarem contra Deus e serem destituídos da glória
de sua presença (2 Pe 2:4; Jd 6) Aparentemente seu pecado foi o orgulho, se recusando a
aceitar o lugar atribuído, porque "não manter a sua posição de autoridade, mas deixaram a
sua própria habitação" (Jd 6; Is 14:12-15).
A bíblia usa outros nomes para se referir a satanás: é conhecido como "o diabo” (Mt 4:1);
"a serpente" (Gn 3:1; 2 Co 11:3), "belzebu" (Mt 10:25) "o príncipe deste mundo" (Jo
12:31);"príncipe das potestades do ar" (Ef 2:2). Satanás pecou antes dos seres humanos,
como foi evidenciado pelo fato de que (na forma de uma serpente) enganou a Eva (Gn 3:1-
6, 2 Co 11:3).
A atividade de satanás e seus demônios

Os demônios são limitados pelo controle de Deus e têm poderes limitados. Como
demonstrado no livro de Jó, a bíblia deixa claro que satanás só poderia fazer o que Deus
permitiu e nada mais (Jó 1:12). Eles se opõem à obra de Deus e tentam destruí-la.

Com sua persuasão tentam levar as pessoas a se afastarem de Deus através da tentação,
dúvida, culpa, medo, inveja, orgulho, calúnia e quaisquer outros meios disponíveis no
momento (Jo 8:44; 2 Co 4:4).
Os demônios no A.T.

O povo de Israel pecou muitas vezes servindo a falsos deuses, contudo esses falsos
"deuses" eram na verdade forças demoníacas (Dt 32:16-17; 1 Co 10:19-20). As guerras
que Israel lutou contra as nações pagãs eram batalhas contra as nações que eram
controladas por forças demoníacas e, portanto, “sob o controle do maligno”. Suas batalhas
eram tanto físicas como espirituais (Ef 6:12).
A adoração demoníaca de ídolos pagãos tinha como características as seguintes práticas:

 Sacrifício de crianças (Sl 106:37-38)


 A automutilação (1 Rs 18:28; Dt 14:1)
 A prostituição ritual integrando a adoração pagã (Ap 2:20; 1 Rs 14:24)
Os demônios atuam no mundo hoje?

Não há razão para pensar que hoje há menos atividade demoníaca no mundo do que havia
nos tempos do novo testamento. A recusa da nossa sociedade em reconhecer hoje a
atuação demoníaca é, a partir de uma perspectiva bíblica, simplesmente por causa da
cegueira espiritual das pessoas para a verdadeira conjuntura do mundo (2 Co 4:3-4).

O novo testamento reconhece claramente a influência da atividade demoníaca no mundo,


e até mesmo, como veremos, sobre a vida dos crentes (Jo 13:21-27; 1 Sm 16:22-23) Paulo
também advertiu que “nos últimos tempos alguns apostatarão da fé dando ouvidos a
espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios" (1 Tm 4:1)

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Pode um cristão ser possuído pelo demônio?

Nem todo pecado é causado por satanás ou seus demônios, nem a atividade demoníaca é
a maior influência ou causa do pecado (Tg 1:14-15; Ef 4:27;1 Co 10:13). Pode haver
diferentes graus de ataque demoníaco ou influência na vida dos crentes se ele persistir em
alguns tipos de pecado que dão acesso à atividade demoníaca (Jo 5:14; Lc 4:39)

A bíblia mostra que Davi (o futuro rei), ganhou o Espírito do Senhor e Saul (o rei rejeitado)
o perdeu (1 Sm 16:13). O espírito maligno de Saul, a ansiedade mental, estava sob o
controle de Deus. Como o rei desviou-se da face do Senhor, perdeu a proteção da mão do
Senhor, a proteção permanente (Is 59:1-2).

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OS GRUPOS POLITICOS E RELIGIOSOS DA ÉPOCA DE JESUS

Introdução.

É fato que não constitui tarefa fácil definir os grupos político-religiosos que existiram na
Palestina à época do ministério de Jesus e do Novo Testamento. O historiador Flávio Josefo
nos apresenta efetivamente quatro grupos ou correntes de ideias que diversificavam o
pensamento do então judaísmo, a saber: fariseus, saduceus, essênios e zelotes, sendo que
suas origens remontam ao período dos Macabeus, e perduraram aproximadamente até ao
ano 70 da nossa era, quando se deu o advento da queda de Jerusalém sob as ordens do
Imperador romano Tito.

Também podemos verificar nos evangelhos a existência de outros grupos como os


herodianos, samaritanos e dos movimentos batistas e messiânicos. É sobre todos estes
grupos e também a importância de suas contribuições e legados deixados ao judaísmo e à
própria igreja, que perduram até aos dias de hoje, que iremos estudar.

Quando e de onde vieram, quais as suas origens, o que eles pretendiam e qual a sua
doutrina. Quais suas principais crenças, características e qual a sua relação com os demais
grupos do quadro social da então Palestina? É sobre isto que vamos nos ocupar neste
estudo.

Os samaritanos

Eram os nativos ou habitantes da Samaria, antiga cidade da Palestina, este grupo se


estabeleceu na região de Samaria e não foi reconhecido pelos israelitas como pertencentes
ao povo de Israel devido à divisão do reino após a morte de Salomão (1 Rs 12:1-11; 16-
20). Mesmo que não pertençam propriamente ao judaísmo e não constituam uma seita
judaica, os samaritanos devem ser considerados como uma comunidade característica do
ambiente da Palestina.

Assim como os judeus seguem as prescrições da lei com rigor no que se refere à
circuncisão, ao sábado e às festas. Em sua liturgia e literatura religiosa celebram o Deus
único, Moisés, a libertação do Egito e a revelação do Sinai, porém rejeitam a autoridade
dos profetas depois de Moisés e os outros livros do A.T e, sobretudo, recusam reconhecer
Jerusalém como metrópole religiosa e o Templo de Salomão como santuário central (Jo
4:6-29). Para eles o monte Gerizim é o único lugar de culto legítimo (Jo 4:19-20; Dt 11:29;
27:12).

Os Samaritanos também esperavam um novo Moisés, o profeta de (Dt 18:15; Jo 4:25) para
eles o chamado Taheb, aquele que vem de novo. Há dúvidas sobre sua origem, pois de
acordo com 2 Rs 17, depois da queda do reino do Norte e da tomada de Samaria em 721
a.C. os Assírios deportaram parte dos habitantes e estabeleceram no país colonos
mesopotâmicos (Babilônia, Cuta, Ava, Hamate e Sefarvaim), os quais teriam fundado, com
auxílio de um sacerdote do lugar, um culto sincretista.

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Segundo o historiador Flavio Josefo, os samaritanos teriam construído um templo sobre o


monte Gerizim. Sempre houve certa tensão entre Samaria e Jerusalém, alguns laços se
mantiveram e influências recíprocas entre judeus e samaritanos, estes, aliás, se
consideram como herdeiros das tribos do Norte e que ficaram fiéis à fé de Moisés.

Um ódio mútuo era sempre crescente entre judeus e samaritanos e também difícil de
imaginar quem odiava mais e com o passar do tempo o ódio foi adquirindo formas e
requintes inimagináveis. Certamente o judaísmo, que contava com uma instituição religiosa
sólida, exercia uma pressão maior e mais violenta sobre o pequeno povo samaritano.
Chegou ao ponto de não haver sequer diálogo entre judeus e samaritanos (Jo 4:9), pondo
fim a qualquer possibilidade de reconciliação.

Lucas narra a primeira relação de Jesus com o povo samaritano onde podemos ver o ódio
anti-judaico e a atitude de enfrentamento dos discípulos. Sendo Samaria corredor de
peregrinos judeus para o templo de Jerusalém, tal ódio era permanentemente alimentado.
Os discípulos parecem já caminhar para uma superação desse ódio, quando estão
dispostos a ir “numa aldeia de samaritanos prepararem alojamento para Jesus”. A iniciativa
dos discípulos, porém, fica bloqueada pelo radicalismo dos samaritanos: a não acolhida ao
perceberem que Jesus e os discípulos eram judeus (peregrinos). Entra em ação então o
ódio judaico aos samaritanos: “vamos mandar fogo do céu para consumi-los? ”, sugeriram
Tiago e João. Jesus, entretanto, toma a atitude de não alimentar nenhum dos dois lados e
vai para outro povoado (Lc 9:51-56).

No auge da discussão entre Jesus e os judeus os vemos partirem para o ataque:

“Os judeus lhe responderam: Não dizemos nós que és


‘samaritano’ e que tens demônio? ” (Jo 8:48).

O ódio dos judeus para com os samaritanos era tal que consideravam o termo ‘samaritano’
como algo ofensivo e que tem a ver com o diabo. Jesus, contudo, mostra que todas as
culturas devem ter lugar no reino e que para a construção do reino todas as culturas têm
algo a dar, mostrando o exemplo do bom samaritano e o judaísmo omisso (Lc 10:29-37).
Esta parábola é narrada durante um debate entre Jesus e um doutor da Lei, por isso a
pergunta final é embaraçosa para o legalista.

Em Lucas 17:11-19 mostra dez leprosos que suplicam a compaixão de Jesus e após
ganharem a cura, apenas um deles volta para agradecer. Jesus acha estranho e pergunta:
“Onde estão os outros nove? Apenas este estrangeiro (samaritano) voltou para dar glória a
Deus? ” E o samaritano ganha de Jesus mais uma força: “Levanta-te e vai; a tua fé te
salvou”.

Por trás da pergunta de Jesus, há o interesse de que todos saibam que apenas o
samaritano foi capaz de vir agradecer. Dos dez, apenas o samaritano recebe uma atenção
especial num esforço que os judeus devem olhar diferente para os samaritanos e que eles
não são tão ruins e inferiores como o querem os judeus.

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Os herodianos

Os evangelhos citam os herodianos em suas narrativas. Eles surgiram em 6 d.C., quando


Arquelau, filho de Herodes, o Grande, foi deposto e Augusto César enviou um procurador,
Copônico. Foi Herodes quem mandou matar todos os membros da família real dos
Macabeus, sua mulher Mariane e seus dois filhos, e todos os meninos com menos de 2
anos de idade, na cidade de Belém, quando Jesus nasceu.

Eram um partido político menor que favorecia a continuidade da dinastia de Herodes. Tanto
Herodes Magno, Antipas na Galileia e depois os dois Agripas tinham seus partidários que,
com certeza, estavam atentos a tudo que pudesse ameaçar ou contestar seu reinado e
autoridade. Na Palestina ou não, viviam provavelmente como seus príncipes à moda
romana. Os saduceus da extrema esquerda eram conhecidos como os herodianos.

Tirando o nome da família de Herodes, eles baseavam suas esperanças nacionais nessa
família e olhavam para ela com respeito ao cumprimento das profecias acerca do Messias,
ou seja, os herodianos olharam para Herodes como um messias, uma espécie de salvador
que iria colocar a terra dos judeus em favor do império romano e trazer bênçãos para eles,
mas Jesus vem e apresenta-se como o Messias, o que era uma ameaça para os herodianos
na tentativa de fazer Herodes o poder político reinante na terra.

No futuro, a Bíblia nos diz que muitos serão enganados pelo anticristo e vão ver o anticristo
como um messias. Ele será um líder político, bem como um falso líder religioso, e trará a
promessa de paz e prosperidade através de seus programas políticos (1 Ts 5:3). Em vez
de focar as metas eternas que Jesus proclamou os herodianos do tempo de Jesus focaram
em objetivos políticos.

Eles pensavam que Herodes poderia trazer paz temporária politicamente, mas Jesus veio
para nos trazer salvação eterna, ao morrer na cruz para pagar pelos nossos pecados. A
lição que aprendemos com o erro dos herodianos é que não devemos confiar no homem,
pois confiavam em Herodes (Jr 9: 23,24; 17:5,7). Temos que colocar nossa confiança no
Senhor Jesus e deixar que sua vontade seja feita em nossas vidas e sobre a terra.

Os fariseus

Segundo a etimologia mais provável, significa os ‘separados’, de pharush ou parush,


separado, de parash, separar, dividir. Apareceram entre os dois Testamentos, mais
especificamente durante o período dos macabeus, no reinado de João Hircano (134- 104
a.C.), sendo aparentemente sucessores dos hassidim (pios) que permaneceram fiéis à Lei
depois da proibição do judaísmo perpetrada pelo rei Sírio Antíoco Epífanes em 168 a.C.
fortemente dirigida para a helenização da Palestina com o consequente enfraquecimento e
até aniquilação da religião hebraica.

O partido religioso dos fariseus vivia separado do povo e procurava evitar contatos com os
gentios. Tanto a bíblia quanto o talmude castigam os fariseus hipócritas, raça de “víboras”
que, na opinião de muitos, eram a penas a minoria dentro do partido.

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O farisaísmo é visto comumente de modo negativo, pela própria conotação que o termo
adquiriu e muito dificilmente o termo gera uma reação ou pensamento positivo. Chamar
alguém de “fariseu” é ofensivo. O dicionário define o termo como: “fig. indivíduo que
aparenta santidade, não a tendo”; “indivíduo hipócrita, fingido”.

É importante ressaltar, contudo, que foi a mais importante das seitas religiosas entre os
judeus e que graças a ela o judaísmo sobreviveu após a queda de Jerusalém e suas
tradições vão estruturar a lei judaica até aos dias de hoje, influenciando inclusive à igreja.
Há também aspectos muito positivos que foram perdidos ou desapareceram devido às
características mais negativas que acabaram se impondo (Lc 18:9-14).

O grupo dos fariseus era dirigido por escribas não sacerdotes, contudo alguns sacerdotes
de posição inferior e levitas se fizeram fariseus atraídos pela rigorosa observância das
regras da pureza.

Objetivos principais: Seu objetivo era acentuar e defender as noções religiosas judaicas
em oposição ao helenismo (imitação da cultura grega por outros povos), desde que este
estava crescendo no Oriente, mercê da influência dos reis gregos da casa Selêucida da
Síria. Passaram a se destacar à época da perseguição, especialmente de Antíoco IV
Epífanes (175 a.C.), fortemente dirigida para a helenização da Palestina e consequente
enfraquecimento e quase aniquilação da religião judaica.

No século I da nossa era, apoiados pelos reis Agripa I e II, devido sua posição no Sinédrio
e por defenderem efetivamente o povo surgem como o primeiro partido ao mesmo tempo
político e religioso na região da Palestina. Controlavam a burguesia comercial, a burguesia
camponesa, a burguesia artesanal e a maioria da população. Eram um grupo fortemente
estruturado e faziam oposição aos interesses da aristocracia sacerdotal.

Principais crenças e características: Ao contrário dos saduceus, os fariseus criam na


ressurreição e na existência dos anjos e espíritos (At 23:6-8). Mantinham uma observância
escrupulosa da letra da lei mosaica, mas consideravam a tradição rabínica igual às
escrituras do Velho Testamento e insistiam em que a lei fosse interpretada de tal forma que
as pessoas comuns e mais pobres pudessem cumpri-la, por isso tinham o apoio da maioria
do povo na época de Jesus.
Diante do Templo colocaram a sinagoga com seu serviço religioso de leitura e interpretação
dos textos bíblicos e de oração (Lc 4:16-20). Associada à sinagoga havia uma escola em
que os meninos aprendiam a ler, cujo verdadeiro objetivo era garantir que todo homem
pudesse ler a Lei. Desdobraram a lei em 613 mandamentos e proibições, viviam separados
do povo e procuravam não ter contato com os gentios (Gl 2:11-12). A Lei determinava que
se jejuasse uma vez por ano. Eles, porém, jejuavam duas vezes por semana (Lv 23:27-29;
Lc 18:12). Para eles o dízimo era tão importante que faziam a entrega de dez por cento de
tudo, até dos menores pertences (Mt 23:23), também aguardavam com entusiasmo a vinda
do Messias, mas quando ele veio não o reconheceram.
O ex-fariseu Paulo ressalta os pontos positivos e os negativos do farisaísmo e após
converter-se considerou tal experiência válida (At 23:6; Fl 3:4-6); Os fariseus atribuem
certas coisas ao destino, porém nem todas, e creem que as outras dependem de nossa
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liberdade, de sorte que nós podemos realizá-las ou não. Julgam que as almas são imortais,
julgadas em outro mundo e recompensadas ou castigadas segundo foram neste — santas
ou pecadoras — e que umas são eternamente retidas prisioneiras nessa outra vida e outras
retornam.

Funções da sinagoga: Casa de instrução e educação religiosa; Casa de oração. Casa de


adoração; Casa para funções da comunidade judaica; Casa de atividades para a mocidade.

Os saduceus

Os saduceus têm uma história muito anterior à metade do século II a.C. seu nome já indica
que o partido provém da nobreza sumo-sacerdotal de Zadoque, que serviu sob Davi e
Salomão (1 Rs 2:35). Compunha-se de um número comparativamente reduzido de homens
educados, ricos e de boa posição social. Ao que parece os descendentes deste Zadoque
tinham o nome de zadoquitas ou saduceus. Eram em sua maioria sacerdotes aristocráticos
de Jerusalém e de tendência secular que obedeciam à letra da Lei, por isso tinham grande
influência não somente no âmbito religioso, mas também no político (At 4:1-7).

Ao contrário dos fariseus, aceitaram a cultura helenista e buscavam obter vantagens


materiais por meio de negociações ou boa diplomacia. Fiéis à dinastia dos Asmoneus, sua
organização deu-se no tempo de João Hircano, porém desde que o imperador romano
Pompeu no séc. I da nossa lhes tirou o poder político (Jo 18:31) e parte do poder religioso
com a escolha do sumo sacerdote pelo arbítrio do Imperador, eles não desfrutavam mais
de uma boa situação perante a população.

Características e objetivos principais: Para os saduceus, a presença de Deus é muito


localizada, no Santo dos Santos, no Templo. Eles tinham o poder sobre o Templo e,
portanto, sobre o culto e sobre o sinédrio (supremo conselho eclesiástico e de justiça
integrado por sacerdotes, anciãos e escribas) que com transformação da Judéia em
província imperial romana perdeu direitos e poderes (Jo 18:31) até 76 a.C., data da morte
da Alexandre Janeu. O conservadorismo saduceu coloca o Templo como único meio de
salvação do povo. Os saduceus perderam a chance de reagir porque seu chefe, o sumo
sacerdote, depende totalmente do poder civil (Asmoneus, Herodes e os procuradores
romanos), daí a causa de seu desprestígio no meio da população comum. Mesmo sendo
opositores dos fariseus, uniram-se a eles quando o objetivo foi enfrentar Jesus (Mt 16:1).
Como viviam em função do Templo, eles também desapareceram juntamente com o
Templo depois do ano 70 a.C.

Principais crenças e doutrinas: Quanto às suas doutrinas, se apegavam à lei mosaica


escrita e, para interpretá-la, desprezavam a tradição oral em que se apoiavam os fariseus,
por isso estavam sempre em luta com estes. Negavam a ressurreição e o castigo futuro,
além de que não crerem em anjos nem em espíritos (At 23:6-8). Consideravam como
heresia inovadora todas as tradições novas vindas de outras nações ou aceitas pelos
fariseus. Ensinavam que a virtude deve ser praticada por amor à própria virtude, sem visar
a recompensas.

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Em oposição aos fariseus, acérrimos defensores das tradições dos antigos, os saduceus
limitavam o seu credo às doutrinas que encontravam no texto sagrado. Sustentavam que
só a palavra da lei escrita os obrigava, defendiam o direito do juizo privado na interpretação
da lei; apegavam-se à letra das escrituras mesmo nos casos mais severos da administração
da justiça. Distinguiam-se dos fariseus nos seguintes pontos (1) Negavam a ressurreição e
juízo futuro, afirmavam que a alma morre com o corpo (Mt 22. 23-33; At 23. 8); (2) Negavam
a existência dos anjos e dos espíritos ( At 23. 8); (3).

Negavam o fatalismo em defesa do livre arbítrio, ensinando que todas as nossas ações
estão sujeitas ao poder da vontade, de modo que nós somos a causa dos atos bons; que
os males que sofremos resultam de nossa própria insensatez, e que Deus não intervém
nos atos de nossa vida, quer sejam bons ou não.

Negavam a imortalidade e a ressurreição, baseando-se na ausência destas doutrinas na lei


mosaica, não defendiam a fé patriarcal na existência do sheol, não só por não se achar
bem defendida, como por não conter as basas das doutrinas bíblicas acerca da ressurreição
do corpo e das recompensas futuras.

Não se pode negar que os patriarcas criam na existência futura da alma além da morte.
Negando a existência da alma e dos espíritos, os saduceus entravam em conflito com a
angelogia do Judaísmo elaborada no seu tempo, e ainda iam ao outro extremo: não se
submetiam ao ensino da lei (Ex 3.2; 14.19).

Em principio, provavelmente, davam relevo à doutrina a respeito da Interferência divina nas


ações humanas, punindo-as ou recompensando-as neste mundo, de acordo com seu
caráter moral. Se realmente ensinavam, como afirma Josefo, que Deus não intervém em
nossos atos, bons ou maus, repudiavam os ensinos claros da lei de Moisés em que
professavam crer ( Gn 3. 17; 4.7; 6.5-7).

É possível que começassem negando as doutrinas expressamente ensinadas na letra da


Escritura. E, rendendo-se à influência da filosofia grega, adotaram os princípios,
aristotélicos, recusando-se a aceitar qualquer doutrina que não pudesse ser provada pela
razão pura.

Os zelotas (zelotes)

Do grego zelotes, de zelos, selo. Nos tempos de Cristo, membro de um partido judeu que
se opunha à dominação romana da Palestina. O termo adquiriu o sentido de pessoa que
finge ter zelo. Também existe o termo ‘zelotismo’, que, além de designar excesso de zelo,
fanatismo, é o nome de movimentos do primeiro século da era vulgar que teriam produzido
choques violentos com Roma, levando à destruição de Jerusalém no ano 70, pelo general
Tito. Eles surgem a partir da época dos Macabeus, liderados por Judas, o Macabeu.

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Desde então os zelotes são descritos como: rigorosos e violentos e que, assim como
Finéias, Jeú e Matatias, executavam de forma impiedosa todos os que, aos seus olhos, não
observavam à Lei de Moisés.

Para os zelotes o inimigo constituía-se nos romanos e seus colaboradores, acreditavam


que os ocupantes não judeus deveriam ser eliminados se blasfemassem das instituições
religiosas. Ao contrário dos saduceus que eram favoráveis à helenização da Palestina, os
zelotes eram defensores da ortodoxia e do integrismo. Enquanto os saduceus tinham sua
influência na Judéia e Jerusalém rodeados de riqueza, os zelotes têm sua origem na
Galileia (Jo 1:45-46), rodeados de grutas onde podiam se esconder num ambiente muito
pobre.

Doutrinariamente, eles confiavam absolutamente em Deus e em suas instituições, a saber:


o Templo e a Lei. Acreditavam que com a sua guerra santa apressariam a vinda do Messias
enviado pelo Único Deus e Senhor, pois o homem é o colaborador zeloso do Altíssimo na
implantação de seu reino na terra. O próprio Jesus recrutou um adepto deste movimento
para ser um dos seus doze apóstolos, conforme narra Lucas (Lc 6:15). Simão sujeitou-se
a um chamado de abandonar essa boa causa por outra muito maior, essa causa maior
obviamente era pregar o Reino de Deus e expor-se a perda de tudo para que os homens
fossem livres da opressão de Satanás.

Os essênios

Os essênios são definidos como um grupo judaico fechado tipo monástico da Palestina,
(séc. II a.C. até o séc. II a.D.). Também chamados de comunidade da Aliança, eram
separados do sacerdócio do Templo. Uma das razões porque eles se isolavam no deserto
era o desejo de escapar da contaminação do mundo e purificar-se (1 Co 5:9-11). Ao
contrário dos zelotes acreditavam que a melhor maneira de se libertar da cultura opressora
era a reclusão, o afastamento da sociedade e não o confronto violento.

Entre as principais divergências consideravam o sábado de tal modo central e acima de


todos os outros preceitos e leis. Consideravam-se as primícias do verdadeiro Israel e o
exército santo de Deus, que deverá combater na terra e aniquilar todos os ímpios no
momento em que Deus der o sinal; momento em que os anjos combaterão contra os
demônios na vitória final de Deus. Também eram focos da resistência anti-imperialista, e
na luta contra Roma participaram ativamente, sendo consequência disto a destruição total
de Qumrã em 68 d.C.

Eram rigorosos ao aplicar a segregação em relação ao resto do povo, por isso a vida de
tipo monástico no deserto, tinham tudo em comum, abstinham-se de sacrifícios e não
comiam carne, entre outras coisas. Não são mencionados na bíblia, mas nota-se a
influência deles em personagens como João Batista, pois seu estilo de vida se harmonizava
com a filosofia deles (Mt 3:1-4).

Os essênios levaram sua radicalidade mais longe que os fariseus, um dos motivos da
separação da sociedade e especialmente do sacerdócio de Jerusalém era o fato de

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considerarem o calendário do culto no Templo de Jerusalém errado. Eles possuíam o


calendário exato de 364 dias, seguindo o calendário solar, enquanto os sacerdotes, em
Jerusalém, o lunar. Esperavam um novo Templo, pois o de Jerusalém não fora consagrado.
Criam que este novo Templo desceria do céu, juntamente com uma Jerusalém celeste.

Os movimentos batistas

Surgidos no séc. I da nossa era desenvolveram-se entre o povo simples e tinham por
características propor a salvação a todos, mesmo aos pagãos e pecadores (Lc 3:7-14). O
batismo de imersão, feito uma vez por todas, é realizado com o objetivo de perdão dos
pecados. Os evangelhos narram dois grupos, a saber: aqueles que se reuniam em torno do
profeta João, chamado Batista (At 19:1-5) e o outro surgido em torno de Jesus.

O grupo de Éfeso (At 19:1) tinha ouvido de Jesus, tinham sido batizados por João Batista
com o batismo de arrependimento, mas não haviam sido informados da conclusão em
Jerusalém. Eram uma corrente separada e antiga de testemunho vinda da Galileia, porém
não sabiam nada a respeito da vinda do Espírito Santo por meio do Messias como fora
prometido por João. Ainda há notícias de grupos semelhantes em nossos dias. Esses
grupos caracterizavam-se pela rejeição do templo e dos sacrifícios sangrentos,
posicionamento ao qual Jesus nunca foi favorável durante seu ministério.

Os movimentos messiânicos

Jesus não foi o primeiro nem o último a afirmar que era o Ungido de Deus. Muitos
aguardavam firmemente o cumprimento da promessa das Escrituras, esperando o Messias
com ansiedade, porém a cultura judaica estava cheia de especulações a respeito da vinda
dele, de como seria sua aparência e seu modo de agir. Alguns defendiam que seria
necessário preparar o caminho para ele fazendo uma convocação à santidade ou até
mesmo uma ação militar, ou uma guerra santa.

Quando André foi procurar seu irmão Pedro, a primeira coisa que ele disse foi: “Achamos
o Messias! ” (Jo 1:41), também a mulher samaritana com quem Jesus conversou junto ao
poço afirmou que sabia que o Messias estava por vir (Jo 4:25). Também no dia da Festa
da Dedicação, os judeus perguntaram a Jesus se ele era o Messias (Jo 10:24) e o anseio
era tanto que em outra ocasião o povo quis agarrá-lo à força e coroá-lo rei (Jo 6:15), mas
o resultado desta expectativa tornou os judeus suscetíveis de serem enganados, pois
surgiram muitos se auto declarando profetas e afirmando ser o Messias, quase sempre
conseguindo atrair e enganar a muitos.

Qualquer um que prometesse a libertação de Israel logo reunia muitos ao seu redor,
exemplos históricos disso são Teudas (At 5:36), um mago que convenceu uma grande
multidão de povo a tomar os próprios bens e a segui-lo até o Jordão, dizendo que era
profeta e que deteria, com uma única palavra, o curso do rio e os faria passar a pé enxuto.
Assim ele enganou muita gente, mas o governador Fado castigou esse impostor e, por sua
loucura, a todos os que se haviam deixado enganar.

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Enviou contra eles alguns soldados de cavalaria, que mataram uma parte deles de surpresa
e fizeram vários prisioneiros, inclusive Teudas, que teve a cabeça cortada e levada a
Jerusalém.
Outro foi Judas (At 5:37), o galileu, que incitou o povo a se revoltar contra os romanos no
ano 6 d.C. em oposição ao recenseamento dos judeus ordenado por Quirino, governador
da Síria. Ambos, “messias” autoproclamados, tiveram suas facções destruídas pelos
romanos.
Veio também um homem do Egito a Jerusalém, que se vangloriava de ser profeta e o
Messias. Persuadiu a um grande número de pessoas que o seguisse ao monte das
Oliveiras, que estava muito perto da cidade e garantiu-lhes que, depois de ter ele proferido
algumas palavras, veriam cair os muros de Jerusalém, sem que mais fossem necessárias
as portas para lá se entrar.
Logo que Félix soube disso, foi atacá-los com um grande número soldados; uns
quatrocentos foram mortos e duzentos feitos prisioneiros, mas o impostor egípcio salvou-
se (At 21:37-39).
Quando Jesus iniciou seu ministério, sua afirmação de que ele era o Messias não era
novidade, nem absurdo. O próprio Senhor Jesus estava tão ciente desta expectativa que
advertiu a seus discípulos a respeito dos falsos messias que surgiriam (Mt 24:23-24).

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CARTAS ÀS SETE IGREJAS DA ÁSIA

Introdução

As cartas às igrejas seguem um padrão facilmente reconhecível. O Cristo ressurreto,


designando-se a si mesmo por um de seus títulos, se dirige ao “anjo” da igreja com as
palavras “Conheço”; segue uma breve descrição da condição da igreja com a devida
recomendação ou censura, promessa ou advertência.

Cada carta termina com a exortação: “Aquele que tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às
igrejas” precedendo ou seguindo uma palavra de encorajamento para aquele que vencer,
isto é, o cristão que permanecer firme na sua confissão, sem apostatar ou fazer
concessões, nem que pra isso tenha que pagar com a vida, caso necessário.

As cartas mostram um panorama geral claro da vida cristã na província da Ásia algumas
décadas depois da evangelização dessa província feita por Paulo e demais missionários.
Há forte pressão sobre os cristãos para que sejam mais flexíveis na sua atitude negativa
às atividades aprovadas pela sociedade local como a adoração ao imperador e serem
menos insistentes em certas atitudes que distinguem o seu estilo de vida tão claramente do
restante da civilização em que viviam.

A pressão poderia ser mais ativa, como em Esmirna e Pérgamo, ou de forma mais sutil (e
mais difícil de ser resistida) nas vantagens de se conformar ao paganismo somente o
bastante para tornar a vida um pouco mais confortável neste mundo (Ef 5:11; Fl 3:20).

A Ilha de Patmos - Grécia

Patmos é uma pequena ilha da Grécia a 55 km da costa da Turquia, no mar Egeu. Vulcânica
e quase sem árvores e vida animal não oferecia qualquer condição de vida. Os romanos a
usavam como colônia penal, obrigando os prisioneiros a trabalhar nas pedreiras de granito.

João pode ter ido a Patmos para receber a revelação ou para pregar o evangelho, mas o
mais aceito é que ele foi banido para lá por causa do seu testemunho cristão. Essa é a
referência mais antiga na literatura cristã ao primeiro dia da semana como o dia do Senhor
(Ap 1.9-10). Segundo a tradição o exílio ocorreu no ano 95 D.C. do ano 14º do reinado de
Domiciano.

Desde 1522, a ilha foi diversas vezes controlada pelos turcos, sendo capturada pelos
italianos em 1912. Em 1948 passou definitivamente ao controle grego.

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A tradição aponta hoje a caverna onde João teve a revelação

Primeira carta, À igreja de Éfeso. Apocalipse 2: 1-7.

Fundada por colonos principalmente de Atenas, foi uma das doze cidades da Liga Jônia
durante o período clássico grego. Ciro a incorporou ao seu Império e Alexandre, o grande,
a libertou em 334 a.C. Durante o período romano, foi por muitos anos a segunda maior
cidade do Império Romano, apenas atrás de Roma, a capital do império. Tinha uma
população estimada em 500 000 habitantes no século I a.C., o que também fazia dela a
segunda maior cidade do mundo na época. Manteve sua constituição autônoma possuindo
seu próprio senado e assembleia civil.

Sua riqueza, contudo, não era apenas material. Éfeso e Mileto são consideradas berço da
filosofia, nela se destacavam iniciativas culturais como escolas de filosofia; escola de
magos e muitas manifestações religiosas. Outras descobertas incluem uma bela casa de
banho, de mármore, com muitos quartos, a magnífica Biblioteca de Celso, e um templo
dedicado à adoração ao imperador. Ali havia uma estátua de Domiciano, o imperador que
exilou João Evangelista na ilha de Patmos e perseguiu os cristãos. Era amplamente
conhecida como o lar do culto à deusa Ártemis (Diana) dos efésios, cujo templo na cidade
era uma das sete maravilhas do mundo antigo (At 19:24, 27,35).

Foi uma das primeiras cidades a ser alcançada pelo evangelho. Nesta cidade onde se
adorava deuses, estátuas e árvores, Paulo, Apolo, Áquila e Priscila fundaram uma Igreja
cristã (At 18:18-19; 20:31; 1 Co 16:19). A maioria da população de Éfeso era rica e
intelectualizada, mas apesar disso foi uma das cidades onde mais o evangelho se difundiu.
De acordo com a tradição, foi residência de João antes e depois de sua prisão em Patmos.

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A réplica do templo de Artêmis (Diana) em Éfeso e ao lado sua estátua.

v.1 o andar com as sete estrelas na sua mão direita (proteção, segurança); o seu andar
entre sete os candelabros pode significar inspeção, uma a uma, das suas condições. v.2,3
O trabalho, perseverança na obra do Senhor são elogiados. Esses que praticam o mal (At
20:29-31) são os que querem afrouxar os padrões bíblicos de conduta cristãos afirmando
que o pecado não afeta o espírito; tais homens são falsos apóstolos (falsas credenciais),
contudo a igreja se recusou a aceitar suas falsas doutrina (Gl 1:8; 2 Co 11.13-15) v.4
“primeiro” amor (diferente de eros) uma palavra penetrante para uma igreja que acabou de
ser elogiada por perseverar na fé; as boas obras e a sã doutrina não podem tomar o lugar
de ágape na comunidade cristã; havia fidelidade na doutrina, mas falta da amor na prática
do Cristianismo (Ef 1.15,16) v.5 a não ser que houvesse uma mudança (lembre-se) de
coração e um retorno ao ágape os dias dessa igreja estariam contados; retirarei: o seu
candelabro (luz) seria retirado.( hoje não há igreja evangélica em Éfeso) v.6 os nicolaítas
anunciavam um “padrão” superior que permitia a idolatria e a imoralidade, revogando, desta
forma, as condições estabelecidas pela carta apostólica do primeiro concílio da igreja (At
15:20,28-29) v.7 darei de comer a árvore da vida; no Éden em Gênesis era a contraparte
terrestre da árvore da vida no Éden celestial, ou seja, dar-lhe-ei a vida eterna afirma Jesus
(Ap2:8-9;3:22).

Segunda carta, à igreja de Esmirna. Apocalipse 2:8-11.

Esmirna fora uma colônia grega destruída pelos Lídios em 627 a.C. e reconstruída por
Lisímaco, um guarda-costas macedônio de Alexandre, o Grande, e um dos generais que
dividiram o império após sua morte. A partir 195 a.C., Esmirna manteve relações de sólida
amizade com Roma, período este que foi a sua segunda grande era. A divindade local era
a “mãe de Sipilene”, uma versão local de Cibele, contudo também havia templos de Afrodite
(protetora das prostitutas) e de Zeus.

Embora esta carta seja a mais breve das sete, também é mais calorosa e com elogios. Na
época de Paulo a população da cidade era de 200mil habitantes. A igreja em Esmirna era
uma igreja pobre e perseguida, onde havia uma grande população judaica que, em virtude
de seus ataques caluniosos aos cristãos, tinha se mostrado indigna do nome “judeu”.

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Cibele
Afrodite

v.8 aqui Jesus faz a afirmação de sua divindade; em Atos 17.18 Paulo discursou no
Areópago sobre a ressureição (1 Co 15:19);nunca antes se ouviu falar em ressureição v.9
tribulação e pobreza: apesar de os cristãos serem pobres, devido a um boicote econômico,
eles eram espiritualmente ricos; era comum invadir e saquear lojas e propriedades de
crentes (Hb 10:32-34); blasfêmia dos judeus: por sua oposição ao evangelho (rejeitaram
Jesus) eles espionaram os crentes na santa ceia e os acusavam de ser canibais; o
verdadeiro judeu tem uma vida digna de elogios aos olhos de Deus e não os judaizantes
(Rm 2:28-29); porém os de Esmirna eram a sinagoga de satanás (adversário); diabo
significa caluniador ou falso acusador (Ap 12:9-10) v.10 o diabo usou as autoridades
imperiais como suas ferramentas para o encarceramento dos cristãos (não temas), contudo
isto era apenas o prelúdio do juízo e da sentença, como no caso do Bispo de Esmirna,
Policarpo (156 d.C.); coroa da vida: a coroa era oferecida a quem ganhava nos jogos
olímpicos, casasse ou prestasse serviços à cidade; contudo a coroa que os cristão de
Esmirna conquistariam por sua perseverança e vitória na batalha espiritual seria a vida
eterna (1 Co 9:25) v.11 segunda morte: o juízo final, a alternativa para a vida eterna é a
separação eterna de Deus (Jo 8:51; Hb 9:27).

Terceira carta, à igreja de Pérgamo: Apocalipse 2:12-17.

Pérgamo, que significa cidadela, atual Bergama, é uma antiga cidade grega que se situava
na Mísia, a mais de 20 km do Mar Egeu. No monte cônico, quase 300 metros acima do vale
ao redor da cidade, vários templos foram construídos, entre os quais se destaca um altar
dedicado a Asclépio, deus grego da cura (medicina). Pérgamo tornou-se o centro de quatro
seitas pagãs durante o século I, competindo com Éfeso.

A prestigiosa Biblioteca de Pérgamo com 200 mil livros perdia em importância apenas para
a tão famosa biblioteca de Alexandria. O pergaminho de pele de animais foi inventado em
Pérgamo, em substituição ao papiro. Pérgamo instituiu o primeiro culto de adoração a um
imperador vivo, sob o reinado de Tibério (29 a.C.)..

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Deus tirar e matar aqueles que não


querem o arrependimento Ap 2:22 v.13
trono de satanás pode se referir: (a) a um
trono de 60m de altura semelhante a um
altar em honra a Zeus (b) Ao templo de
Asclépio cuja imagem está associada uma
serpente que poderia lembrar a serpente
no Éden (c) por ser a primeira cidade a ter
um templo para instituir o culto a um
Imperador vivo em 29 d.C. (morte de
Herodes At 12:21-23); em vista de outras
alusões no livro ao culto imperial, essa é a
referência mais provável. Augusto e
Acima, a estátua de Asclépio, deus da Deusa Roma: tinha o propósito de unir o
medicina, cujo símbolo é uma serpente. império em torno da religião; embora a
morte de Antipas tenha ocorrido há um
v.12 espada de dois gumes significa tempo considerável era perigoso declarar
palavra de juízo em virtude da severidade Jesus como Senhor (At 17:7);
da linguagem (Hb 4:12); a possibilidade de

v.14 a doutrina de Balaão é uma referência à apostasia de Baal-Peor (Nm 25:1-4; 31:16)
que foi instigada por Balaão que inclui fornicação ou prostituição ritual e idolatria (grêmios
comerciais) v.15 os nicolaítas ao contrário do que muitos pensam não eram seguidores do
diácono Nicolau, escolhido junto com Estevão e Felipe, dentre outros (At 6:2-6); aqui como
em Éfeso tentam se apoderar da igreja questionando o legado dos apóstolos ao introduzir
sua doutrina nefasta de participação nos cultos pagãos (1 Co 10:18-21; 11:29-30), contrária
ao concílio da igreja (At 15:28-29); esse afrouxamento teria reduzido as diferenças sociais
entre os cristãos e seus vizinhos pagãos, que inclui aqui uma participação simbólica nos
cultos pagãos; v.16 a espada da minha boca: ajustar a doutrina, mudar a maneira de pensar
(meta: mudança; nóia: mente Mt 15:19 Tg 1:14-15), o Senhor purificará (Sl 119:9) a igreja
com sua palavra autorrealizável do julgamento divino v.17 maná: Com a destruição do
templo, conta uma lenda judaica que Jeremias escondeu o vaso com o maná numa fenda
do Monte Sinai. Os rabinos diziam que ao vir o Messias o vaso com maná seria recuperado,
ou seja, o maná escondido no céu seria revelado no fim dos tempos e dado como alimento
aos fiéis. Receber o maná escondido significa desfrutar das bênçãos da era messiânica,
uma compensação suficiente para aqueles que se abstiveram da comida dedicada aos
ídolos (Dn 1:8); Jesus é o verdadeiro “pão do céu” (Jo 6:49, 58); pedra branca: os júris
votavam pela absolvição jogando uma pedra branca em uma urna; também era o ingresso
naquela época para os teatros; serve como bilhete de entrada para o banquete celestial
das bodas do cordeiro (Ap 19:9); novo nome: fornecedores de amuletos mágicos sabiam o
quanto era importante que um nome de poder fosse mantido em segredo; o poder do nome
de Jesus não pode ser controlado por mágicas, contudo é conhecido na experiência dos
seus servos (Fl 2:9-11). A igreja estava se misturando com o mundo e perdendo o senso
da verdade.
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Quarta carta, à igreja de Tiatira: Apocalipse 2:18-29.

Foi construída por Seleuco I, um dos generais de Alexandre, o grande, em 300 a.C. como
uma cidade para tropas do exército. Destruída por um grande terremoto no reinado de
Otávio Augusto no ano de 27 a.C., foi reconstruída pelo Império Romano em 14 d.C. Na
Antiguidade, a cidade era conhecida pelas suas muitas associações comerciais, cada uma
com sua divindade patrona; E, para poder trabalhar no comércio era necessário que o
cidadão pertencesse a alguma delas, sendo muito comum que os seus membros
participassem de festas dedicadas às divindades pagãs que geralmente terminavam em
orgias sexuais.

Sua indústria principal era de instrumentos de bronze e cobre. Fabricava também tecidos,
especialmente em vermelho e púrpura. Havia um grande templo em honra ao deus sol
“Apolo” e também templos de Ártemis (Diana) e Sibila (Herófila). Segundo os Atos dos
Apóstolos, uma das comerciantes de roupas da cidade era uma mulher chamada Lídia, que
conduzia negócios em lugares distantes foi a primeira convertida de Paulo em Filipos (Atos
16:14). A importância de figuras femininas na cultura religiosa pode ter facilitado o trabalho
de Jezabel, a mulher que seduzia os discípulos e incentivava a idolatria e a prostituição.

Abaixo, as estátuas de Apolo, (deus sol) junto com a deusa Nike (deusa da vitória).

v.18 Filho de Deus expressa o


relacionamento e comunhão, além da
igualdade e identidade de natureza entre
o Pai e o Filho (Jo 14:9); chama de fogo
pode ser uma referência por antigamente
se adorar o deus sol (Apolo). v.19 até esse
ponto o elogio a Tiatira excede o elogio
feito a Éfeso, cujo amor tinha desvanecido
tanto que o retorno às suas primeiras
obras era necessário; Conheço tuas obras
(melhores q no início): fé (doutrina) serviço
(diaconia) ;alguns irmãos permutavam
sua liberdade com escravos (Mt 20:27);
perseverança: Nero fazia os cristãos de
tochas para iluminar seu parque; a
perseguição durou até Constantino
legalizou o cristianismo em 313 d

v.20 Jezabel: a igreja estava tolerando a impureza e caindo em imoralidade, as concessões


que fazia ao paganismo a colocavam na linha de sucessão de Jezabel do A.T. cujo culto a
Baal era caracterizado pela idolatria e prostituição ritual; ela não somente se auto
denominava profetisa, como também era reconhecida como tal por seus seguidores; assim
como os nicolaítas, sua doutrina consistia em revogar os termos do decreto apostólico
dentre outras concessões que fazia ao paganismo dentro da igreja (1 Co 10:21); v.21 dei-
lhe tempo: sua atuação no seio da igreja evidentemente já tinha durado algum tempo e
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advertências anteriores haviam sido simplesmente ignoradas (Jl 2:13; Ez 18:23,27 Ez


33:11); v.22 leito de dores: agora a enfermidade e a praga vão cair como castigo sobre ela
e seus admiradores (Rm 2:9) v.23 ferirei de morte atos de autoresponsabilidade nesta área
de adoração são castigados com doença e morte (1 Co 11:30;;Rm 6:23); v.24 a referência
as profundezas de satanás provavelmente é alguma forma de ensino gnóstico sobre
envolvimento com poderes satânicos (Ef 5:11; 1Co 10:21); carga: não haverá outras
exigências além das impostas pelo concílio de Jerusalém (At 15:28-29); v.25 até que eu
venha: a igreja deverá guardar-se da corrupção do mundo; sua vinda é uma execução de
castigo para os infiéis, mas de recompensa para os fiéis (Mt 25:46); v.26,27 poder sobre as
nações: o domínio do Messias será compartilhado por seus seguidores vitoriosos (Mt 28:16;
2 Tm 2:12) v.28 a estrela da manhã é referência ao próprio Jesus , pois ele se autodenomina
a estela da manhã (Ap 22:16) v.29 ouça: não deixe esta mensagem entrar em um ouvido e
sair pelo outro.

Quinta carta, à igreja de Sardes: Apocalipse 3:1-6.

Construída sobre uma rocha (1150 a.C.), ficava numa elevação de cerca de 500 metros.
Era a capital do império da Lídia, um dos mais ricos do mundo antigo. Sua localização numa
valorosa rota comercial que ligava o Mar Egeu ao interior a tornava importante também por
seu poderio militar. A antiga Sardes hoje é apenas ruínas, perto da atual vila de Sarte, da
província de Manisa, na Turquia considerava-se impenetrável.

Alguns soldados persas observaram um soldado de Sardes descer os rochedos e depois


subiram pelo mesmo caminho para tomar a cidade de surpresa durante a noite. Assim, a
cidade considerada impenetrável caiu quando o inimigo chegou como ladrão na noite em
546 a.C. quando Ciro (Is 45:1) depôs o rei Croeso. Posteriormente em 334 a.C. a cidade
se rendeu a Alexandre, o grande, em 214 a.C. caiu outra vez a Antíoco, o grande, líder
Seleuco0 da Síria. No período romano tinha perdido sua antiga grandeza e a cidade nunca
se recuperou de um forte terremoto que a devastou em 17d.C.

Era uma cidade próspera pela produção de prata, ouro, pedras preciosas, lã e tecido. Os
lídios foram os primeiros a cunhar moedas de ouro regularmente em Sardes. Os jovens
ensinados por Paulo na escola de Tirano evangelizaram toda planície da Ásia (At 19:9-10)

Abaixo a estátua de Anahita, a deusa das v.1,2 Os sete Espíritos (características) de


águas, cultuada em Sardes. Deus (Is 11:2); Conheço => morto: é
evidente que as concessões que haviam
feito ao seu contexto pagão tinham
corroído de tal forma o testemunho da
igreja em Sardes que ela era uma igreja
cristã só de “nome” (morta); o
arrependimento e o avivamento são
urgentes; do contrário, não há futuro para
a igreja.

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v.3 lembra-te: a palavra estava sendo ignorada; a oração virou “reza”; havia necessidade
urgente de avivamento; a vinda súbita (como ladrão Lc 21:36) de Cristo para executar um
julgamento histórico é especialmente adequada em vista da história de Sardes, que tinha
sido vencida sendo invadida por lugares considerados improváveis, ou seja, não estavam
sendo vigiados (algumas áreas de nossa vida) (1 Pe 5:8) v.4 vestes descrevem condição
espiritual (Zc 3:3,4; 1 Jo 2:1), poucos tem roupa limpa; uma minoria na igreja tinha se
recusado a seguir os caminhos comprometedores da maioria (Jo 14:23); v.5 a recompensa
para estes serão vestes brancas na glória, apropriadas para os que andam na companhia
do Senhor Jesus (Hb 12:14); todos aqueles cujos nomes estão na lista da igreja na terra,
mas sua qualidade de membro é apenas nominal tiveram seus nomes apagados,(2 Tm
4:10) isto é, o Senhor nunca os conheceu (Mt 7:21-23), contudo aqueles que tem seu nome
no livro da vida são os que resistem com firmeza à tentação da apostasia e por isso
sobreviverão no grande dia de Deus; quando é preciso avivamento?: quando ler a Palavra
não faz diferença; quando o pecar não entristece; quando há divisão na igreja (1 Co 1:11);
quando os olhos que veem coisas más (Sl 101:3); e a alegria mundana é maior que a
espiritual (1 Co 9:25). Tinha a fama de ser uma igreja viva, reputação de uma igreja cheia
de testemunho e vida, mas na realidade era uma igreja “fake”.

Sexta carta, à igreja de Filadélfia: 3:7-13.

Filadélfia fica num vale aos pés de um platô montanhoso. O rei de Pérgamo, Átalo II, fundou
Filadélfia como um posto avançado do seu reino no segundo século a.C. Nos tempos do
Novo Testamento, Filadélfia fazia parte da província Romana da Ásia. A cidade foi
devastada por um terremoto em 17 d.C. e por um tempo as pessoas viveram com medo de
tremores. Filadélfia foi reconstruída com ajuda do imperador Tibério em 23 d.C. Produzia-
se vinho e o deus grego do vinho, Dionísio, era cultuado pelo povo.

As cartas a Filadélfia e Esmirna não contém palavra alguma de acusação ou repreensão O


nome Filadélfia significa amor fraternal. A igreja era fraca e limitada, mas totalmente
dependente de Deus e capaz de manter sua lealdade cristã, apesar da perseguição da
sinagoga.

Imagem de Dionísio, adorado em Filadélfia. v.7 santo e verdadeiro: esses dois títulos
são designações de Cristo; chave:
significa autoridade, ter direito de abrir a
porta da salvação, da vida eterna (Is
22:22; Hb 3:2-6); no caso de Pedro (Mt
16:18,19; 18:18) a autoridade para ligar ou
desligar não é no sentido de admissão ou
exclusão (o papa não tem a chave do
céu), mas no sentido de decidir o que é e
o que não é a vontade de Deus (1 Tm 2:4).
Essa última promessa em Mt 18:18 é
estendida não somente aos outros
discípulos, mas, por dedução, a todos os
cristãos espirituais.
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v.8 boas obras: bem-aventuranças (Ef 2:10; Mt 5:3-11); porta aberta: oportunidade de
serviço ou evangelismo (1 Co 16:9); pouca força: ao contrário da igreja de Corinto (1 Co
1:5-7), pode significar que a igreja era pouco carismática, ou seja, poucos dons do Espírito
Santo ( 1 Co 12:7-10), era contudo abundante nos frutos do Espírito (Gl 5:22-26) guardar
a Palavra é não negar a cruz, não negar a Cristo, principalmente em público; Paulo diz
pra obedecer as autoridades (Rm 13:1,2), mas apocalipse diz pra não obedecer porque
aqui há adoração maligna envolvida (Mt 10:32-33); v.9 os judeus promoveram
perseguições desde o início ;o verdadeiro judeu tem uma vida digna de elogios aos olhos
de Deus e não os judaizantes que não aceitaram a Jesus (Rm 2:28-29), os de Esmirna
eram a sinagoga de satanás (adversário), diabo que significa caluniador ou falso acusador
(Ap 12:9-10) , mas o Senhor os fará reconhecer que a igreja de Filadélfia é a verdadeira
congregação do povo de Deus nessa cidade v.10 hora da tentação: é importante aqui
distinguir entre a tribulação que vem como juízo divino sobre os ímpios (como aqui) ou
sobre cristãos infiéis (Ap 2:22) ou a que vem sobre os fiéis (Ap 2:10; 1 Co 10:13); v.11
venho: aqui a vinda de Cristo traz bênçãos completas, desde que a expectativa da sua
vinda os encoraje a manter a lealdade e que não abram mão da sua coroa, sendo que
esta significam os louros da glória que recebiam os vencedores dos jogos, porém nesse
caso uma coroa incorruptível (1 Co 9:25; Tg 1:12). v.12 a coluna que sustenta o telhado
se transforma em adorador ou ministro do santuário; o vencedor traz em si um nome triplo:
o nome de Deus, o nome da cidade de Deus e o nome de Cristo, seu Senhor; a nova
Jerusalém fala das duas Jerusalém (Gl 4:25-26; Fl 3:20), sendo a de cima a nossa mãe,
que também é a comunidade dos santos (Ap 21.2) novo nome: Rei dos reis e Senhor dos
senhores (Ap 19:16).

Sétima carta, à igreja de Laodicéia: Apocalipse 3:14-22.

Era uma das mais prósperas e importantes cidades da Frígia na Ásia Menor. Tornou-se
uma das primeiras sedes do Cristianismo. Possuía bancos, indústria têxtil, e uma escola
de medicina em que a “pedra da Frígia” era triturada para produzir colírio. Embora tivesse
problemas de água construiu um aqueduto que trazia água das fontes termais de Denizli,
que ainda estava morna depois de percorrer 8 km em canos de pedra, diferente da água
fria que refrescava seus vizinhos em Colossos ou da água quente cujas propriedades
terapêuticas eram muito apreciadas pelos habitantes de Hierápolis, ou seja, quando a
água chegava à cidade não estava nem quente, nem fresca, apenas morna.

Quando foi destruída por um terremoto em 60 d.C., os cidadãos recusaram ajuda de Roma
e reconstruíram a cidade com seus próprios recursos. Laodicéia era famosa pela
manufatura de mantos de lã pretos chamados laodicia; as ovelhas pretas das quais a lã
era obtida sobreviveram nessa região até os nossos dias.

Em Colossenses 4:12-16, Paulo indica que havia uma relação entre a igreja de Colossos
e a de Laodicéia, ou pelo menos ele estimula que haja uma comunicação entre as duas
igrejas. Embora Paulo faça menção da igreja cristã que ali existia, não há registro que ele
a tenha visitado (Cl 2:1). Ao que parece, Paulo havia enviado antes à igreja de Laodicéia
uma epístola que não chegou até nós (Cl 4:16). Laodiceia e Sardes ainda hoje estão
abandonadas e são as únicas cidades dentre as sete cidades-sede das igrejas que estão
em ruínas, ou seja, nenhuma outra cidade foi construída por cima.
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cumprimento perfeitos v.15,16 Conheço:


morno: a escolha da figura da mornidão
para caracterizar a falta de zelo dos
laodicenses foi sugerida pelo suprimento
de água da cidade, que provinha das
fontes termais de Denizli ao sul, que
ainda estava morna depois de percorrer
os 8km em canos de pedra – diferente da
água fria que refrescava os vizinhos de
colossos ou da água quente cujas
propriedades terapêuticas eram muito
apreciadas pelos habitantes de
Hierápolis; o Senhor declara que conhece
as obras e sabe que elas são feitas sem
v.14 Amém: aquele em quem a revelação entusiasmo, sem incentivo, sem um pingo
de Deus encontra sua resposta e de motivação (Jr 48:10; 1 Co 13:3) a carta
não tem nenhum elogio

v.17 não preciso de nada: prosperidade material não significa alta cotação no céu (1
Tm 6:10), pois a verdadeira autossuficiência de uma igreja tem que vir de Deus (2 Co
3:5; Lc 12:19-20), v.18 compres: só ele pode suprir nossas riquezas espirituais (ouro)
através da fé provada pelo fogo e com oração (1 Pe 1:7), a igreja ainda não havia
passado por perseguição; uma igreja sem fervor espiritual, morna, rica financeiramente,
mas pobre espiritualmente. Precisa de vestes espirituais brancas, que são obras de
santificação (Zc 3:3-4); e saúde espiritual através da comunhão com ele (1 Co 11:30) e
colírio a fim de termos visão para ver como Deus vê (2 Rs 6:17) e poder distinguir o que
é a vontade de Deus; v.19 arrepende-te: mudança de mentalidade, (Jr 29:13; Jl 2:13)
v.20 bato na porta: o próprio Senhor Jesus foi excluído (1 Co 11:30) e não tinha lugar
na santa ceia da igreja; Jesus estava do lado de fora chamando-os ao arrependimento;
muitos estavam tão conformados com o mundo que já não se percebia a diferença
“entre o que serve a Deus e o que não o serve” (Ml 3:18); é preciso ouvir a voz de Jesus
(Hb 3:15); mesmo que a igreja como um todo não atenda ao chamado, aqueles que o
fizerem vão desfrutar da mútua comunhão com Ele (Jo 14:23) v.21 Tiago e João
queriam sentar-se no trono; todos os que são vencedores se assentarão no trono com
Jesus (2 Tm 2:12); quem tem ouvidos: a igreja precisava de ouvidos espirituais (Hb
3:15).

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Abaixo o um quadro comparativo com resumo das sete cartas às igrejas da Ásia

As sete igrejas Elogio Crítica Instrução Promessa


do apocalipse

Éfeso Rejeita o mal, O amor a Cristo Praticar as A árvore da vida


(2:1-7) persevera, é não é mais primeiras
paciente fervoroso obras
Esmirna Suporta o Nenhuma Ser fiel até A coroa da vida
(2:8-11) sofrimento a morte
graciosamente
Pérgamo Manter a fé em Tolera Arrepender- O maná
(2:12-17) Cristo imoralidade, se escondido e uma
idolatria e pedra branca
heresias. com um novo
nome
Tiatira Caridade, Toleram o culto Chegada Domínio sobre
(2:18-29) serviço, fé, e idólatra e a do as nações; a
paciência são imoralidade julgamento; estrela da
maiores que manter a fé manhã
antes
Sardes Alguns tem Uma igreja Arrepender- Os fiéis serão
(3:1-6) mantido a fé morta se; manter honrados e
o que resta vestidos de
branco
Filadélfia Persevera na fé Nenhuma Manter a fé Um lugar na
(3:7-13) presença de
Deus; novo
nome e a nova
Jerusalém.
Laodicéia Nenhum Indiferente Ser zeloso Compartilhar do
(3:14-22) e trono de Deus.
arrepender-
se

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A ARQUEOLOGIA E AS PROFECIAS
Sodoma redescoberta

Arqueólogos encontram na Jordânia ruínas da "cidade do pecado", que teria sido


exterminada por Deus numa das mais conhecidas histórias bíblicas. De acordo com a
equipe, Sodoma foi destruída pelo impacto de um meteorito similar ao que atingiu
Tunguska, na Sibéria, em 1908. O cataclismo pode ter sido a origem dos relatos
bíblicos. A pesquisa aponta que o solo foi desnudado por 500 km quadrados. “Temos
cientistas em sete grandes universidades analisando as amostras que colhemos no
sítio e nos arredores”, diz Collins.

Os arqueólogos chegaram a Sodoma


comparando passagens das escrituras
com ruínas jordanianas. “Gênesis 13
claramente coloca Sodoma ao norte e
ao leste do Mar Morto”, afirma o
pesquisador. É descrita ainda como
uma poderosa localidade cercada por
cidades-satélites, o que bate
perfeitamente com os achados.
Fonte: Revista ISTOÉ 23/10/15.

Evidências dos Israelitas no Egito


Túmulos monumentais de Beni Hasan (antigo Khufu) no alto das falésias da margem
leste do Rio Nilo. De especial interesse para os estudiosos da Bíblia é a pintura mural
da parede norte, datado do sexto ano da décima segunda dinastia do Faraó Sesostris
II (1892 a.C => Jacó 2006-1859 a.C), uma caravana de pessoas de Sírio-Palestina
visitando o governador. Um grupo de homens, mulheres e crianças sugere uma unidade
de família trabalhando e viajando juntas, lembrando da família de Jacó que viajam para
o Egito. Assim, a aparência do Beni Hasan asiáticos, vestuário, equipamentos e modo
de transporte deve refletir muito sobre os Patriarcas.

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O império Babilônico

O período do ministério dos profetas está apoiado por numerosas evidências


arqueológicas no antigo oriente, onde todas as culturas circunjacentes a Israel
habitavam.

O tijolo de Nabucodonosor foi achado


nas ruínas de babilônia, no Iraque e
pode ser visitado no museu
arqueológico do Unasp - Campus
engenheiro Coelho - Sp, onde está
exposto por tempo indeterminado.

Traduzindo a inscrição: "(eu sou)


Nabucodonosor, Rei de Babilônia.
Provedor (do templo) de Ezagil e Ezida;
filho primogênito de Nabopolassar”.
Compare com Dn 4:30, 34-37.

O Obelisco de Salmanaser III

No obelisco de Salmanaser III, descoberto em 1845, acima e abaixo dos painéis em


todos os lados havia quase 200 linhas de texto cuneiforme. Logo que o texto foi
traduzido descobriu-se que ele catalogava 31 campanhas militares do monarca assírio
Salmanaser III. A grande surpresa foi que as linhas acima de um registro que
mostravam uma figura de joelhos diante do rei da assíria foram traduzidas:
Tradução: Tributo de Jeú, filho de Onri.
Prata, ouro, vasos de prata, taças de
ouro, cálices de ouro, caixas com ouro,
recipientes, cetros para a mão do rei e,
dados, Salmanaser recebeu dele.

Aqui, pela primeira vez em qualquer


artefato arqueológico, estava um retrato
de um dos reis de Israel (2 Rs 9-10; 2 Cr
22:7-9).
A Pedra Roseta

A pedra roseta foi a chave para o entendimento dos escritos das antigas civilizações.
Em 1798, soldados sob o comando de Napoleão Bonaparte invadiram o Egito junto com
cientistas e saquearam muitos artefatos, dentre eles um bloco de pedra de basalto
gravado de cima para baixo com antigos caracteres. O texto no topo estava escrito em
hieróglifos, o do meio uma forma cursiva dos hieróglifos e o da parte inferior era o grego
koiné (o mesmo do novo testamento).

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A pedra roseta foi a chave para o entendimento dos escritos das antigas civilizações,
pois possibilitou a tradução de textos em hieróglifos para o grego koiné e, assim, para
as línguas modernas.

O Cilindro de Ciro
...voltei às cidades sagradas do outro lado do rio Tigre, os santuários (dessas cidades)
que por muito tempo estiveram em ruínas, as imagens que costumavam estar nesses
lugares e estabeleci para elas santuários permanentes. Reuni todos os seus habitantes
e os fiz voltar às suas habitações. Além disso, repus, sob o comando de Merodaque, o
grande senhor, todos os deuses da Suméria e da Acádia que Nabonido trouxera para
a Babilônia sob a ira do senhor dos deuses, incólumes, em suas capelas, os lugares
que os fizeram felizes. Que todos os deuses que recoloquei nas suas cidades sagradas
roguem diariamente a Bel e a Nebo por vida longa para mim e que elas me recomendem
[...] a Merodaque, meu senhor, que eles digam assim: Ciro, o rei que o cultua, e
Cambises, seu filho, (...) todos eu coloquei num lugar de paz.

O decreto de Ciro: O Senhor, Deus dos afora as dádivas voluntárias para a


céus, me deu todos os reinos da terra; e Casa de Deus, que habita em Jerusalém
ele me encarregou de lhe edificar uma (Ed 1:2-4).
casa em Jerusalém, que é em Judá.
Quem há entre vós, de todo o seu povo,
seja seu Deus com ele, e suba a
Jerusalém, que é em Judá, edifique a
casa do Senhor, Deus de Israel; ele é o
Deus que habita em Jerusalém. E todo
aquele que ficar em alguns lugares em
que andar peregrinando, os homens do
seu lugar o ajudarão com prata, e com
ouro, e com fazenda, e com gados,

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Uma prova da profecia

Assim diz o Senhor ao seu ungido, a Ciro, a quem tomo pela sua mão direita, para
abater as nações diante de sua face; eu soltarei os lombos dos reis, para abrir diante
dele as portas, e as portas não se fecharão (Is 45:1). Esta profecia foi feita 150 anos
antes de sua realização.

Com a junção dos dois reinos, Medos e


Persas, tornam-se uma potência
mundial. Liderados por Ciro, o persa,
conquistam a cidade da Babilônia e
enquanto este se ocupa nas conquistas
dos territórios da Lídia, Dario, um de
seus generais assume o comando da
Babilônia (Dn 5.31).

Dario, o Grande, rei da Pérsia


A inscrição de Dario, o Grande, rei da Pérsia no Rochedo de Behistun, no Irã

As escritas na superfície da pedra em acadiano cuneiforme, língua da Mesopotâmia,


decifradas, bravamente proclamavam a frase: Eu sou Dario, o Grande Rei, Rei dos
Reis, Rei da Pérsia. Foi este Rei de babilônia que livrou a Daniel da cova dos leões (Dn
Cap 6).

Dario governou o império persa de 522 a.C a 486 a.C. Também encontraram o nome
de seu filho, Xerxes (Assuero), que sucedeu a Dario no trono persa e que se casou com
a judia Ester (Et cap 1 e 2).

A Estela de Tel Dã

Descoberta no sítio arqueológico de Tel Dã (um dos inimigos estrangeiros de Israel,


norte de Israel) esta inscrição surpreendente traz as palavras “casa de Davi”. As
palavras “casa de Davi” estão na terceira linha a partir do topo, começando com a
segunda letra (lendo-se da direita para esquerda).
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Neste fragmento, um rei de Damasco, Ben-Hadade, é manifestamente vitorioso. Ele


matou alguém e levou prisioneiros e cavaleiros, mas o que foi realmente tremendo foi
descobrir que ele derrotou um “rei de Israel da Casa de Davi! ” Então aqui temos a
menção da “Casa de Davi” numa inscrição arameia datada de aproximadamente 150
anos depois dos dias do rei Davi.

No ano seguinte, em outro cenário da


escavação, encontraram mais duas
peças e estas ligam-se à primeira e nos
dão os nomes destes reis. O rei de
Israel, a quem se faz referência, é
“Jorão”, que é filho de Acabe. O rei da
Casa de Davi (Judá) é “Acaziau”
(Acazias), que também é mencionado
na Bíblia. Aqui temos uma estela
histórica que se refere a eventos
históricos dos quais a bíblia fala
extensamente (2 Rs 8:7-15; 9:6-10).

A Pedra Moabita ou Estela de Mesa

A Pedra Moabita ou Estela de Mesa, é uma pedra de basalto, com uma inscrição sobre
Mesa, Rei de Moabe. Este registra a conquista de Moabe por Onri, Rei de Israel. Após
a morte de Acabe, filho de Onri, Mesa revolta-se depois de prestar vassalagem por 40
anos. Esta inscrição completa e confirma o relato bíblico em II Reis 3:4-27

A estela foi adquirida em Jerusalém pelo missionário alemão F. A. Klein, em 1868.


Encontrada em Díbon, a antiga capital do Reino de Moabe, a 4 milhas a Norte do Rio
Árnon. A estela teria sido feita, aproximadamente, por volta de 830 a.C. Encontra-se no
Museu do Louvre, em Paris.

A Pedra Moabita confirma o nome de locais e de cidades Moabitas mencionadas no


texto bíblico: Atarote e Nebo (Nm 32:34,38), Aroer, o Vale de Árnon, planalto de
Medeba, Díbon (Js 13:9), Bamote-Baal, Bet-Baal-Meon, Jaaz [em hebr. Yáhtsha] e
Quiriataim (Js 13:17-19), Bezer (Js 20:8), Horonaim (Is 15:5), e Bet-Diblataim e
Queriote (Jr 48:22,24).
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Eu Mesa, filho de (deus) Quemós, Rei


de Moabe, o dibonita – o meu pai reinou
sobre Moabe 30 anos e eu reinei depois
do meu pai – fiz este lugar alto para
Quemós, Qarhoh, porque ele me salvou
de todos os reis e me fez triunfar de
todos os meus adversários. No que toca
a Onri, Rei de Israel (Setentrional), este
humilhou Moabe durante muito tempo,
porque Quemós estava irritado com sua
terra.

E o seu filho o seguiu e disse também: Hei de humilhar Moabe. No meu tempo ele o
disse, mas eu triunfei sobre ele e a sua casa, enquanto Israel tinha perecido para
sempre! Onri tinha ocupado a terra de Mádaba e Israel tinha habitado lá no seu tempo
e durante metade do tempo do seu filho (Acabe, filho de Onri), por 40 anos; mas
Quemós habitou ali, no meu tempo.
A Estela de Merneptah
Merneptah era filho de Ramsés ll. A estela descreve a campanha militar empreendida
em 1207 a.C. Contra os líbios e, eventualmente, uma campanha para Canaã na qual
uma tribo de pessoas nomeadas Israel teria sido destruída.

Tradução oficial das linhas 26 a 28: Os


príncipes estão prostrados, eles dizem:
vamos em paz! Ninguém mais levanta a
cabeça entre os nove arcos. Tehenu é
destruído; Khati (hititas) estão em paz;
Canaã é cativo como seus demônios,
Ashkelon é conquistado; Gezer é
capturado; Yanoam tornou-se
inexistente; Israel está devastada, ele
não tem mais sementes (grãos); Kharu
tornou-se a viúva do Egito. Todos estes
países são pacificados. Todos aqueles
que estavam em revolta foram
subjugados pelo rei do Egito, norte e
sul...

A estela de Merneptah e o Êxodo: Sabemos que as cidades-celeiro de Pitom e


Remessés, mencionadas em Êx 1:11, foram construídas nos reinados do faraó Seti
(1303-1290 a.c.) e Ramsés II (1290-1224 a.c.). A estela de Merneptah (1220 a.c.) inclui
Israel entre os povos da palestina e, portanto, fornece um “terminus ante quem” para a
entrada em Canaã.

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Quando se dá uma tolerância para a peregrinação dos israelitas no deserto, podemos


concluir que o êxodo ocorreu, o mais tardar, no ano 1260 a.C. Essa datação do êxodo
no início do século XIII a.C. concorda com a afirmação de Êx 12:40-41, que os israelitas
estiveram no Egito por um período de 430 anos.
O relevo do ataque a Laquis

Nos relevos estão descrições acuradas e realistas da batalha entre os assírios e o povo
de Laquis, que ocorreu durante a conquista assíria de Judá em 701 a.C. (veja 2 Rs
17:5-6; 2 Cr 32:1).

A cena mostra (da esquerda para a


direita) o campo assírio, seu ataque e
conquista da cidade pelas tropas
assírias derrubando os muros, a tortura
de alguns habitantes da cidade e
finalmente o exílio dos prisioneiros e sua
apresentação diante de Senaqueribe,
que estava assentado em seu trono em
frente ao seu campo.

A Bíblia registra este mesmo evento no livro de 2 Crônicas: “Depois disso, Senaqueribe,
rei da Assíria, enviou seus servos a Jerusalém (ele, porém, estava diante de Laquis,
com todo o seu domínio) ” (2 Cr 32:9, veja também 2 Rs 18:13,14,17; 18.8; Is 36:1,2;
37:8).

A rampa de invasão representada no


relevo, sobre a qual os soldados assírios
levaram seus aríetes e arqueiros,
também foi descoberta em Laquis. Além
disso, pedras de catapulta e flechas,
desenterradas em abundância,
testificam da ferocidade da batalha,
exatamente como demonstrado nos
relevos.

O túnel de Ezequias: bíblia nos fala sobre esta façanha (2 reis 20:20)

Ezequias estava certo de que Jerusalém seria privada de sua principal provisão de
água, a Fonte de Giom, a qual jazia desprotegida bem na extremidade sul do Vale de
Hinom, fora da antiga Cidade de Davi. Ezequias conseguiu desviar suas águas retendo
a saída superior e redirecionando seu fluxo para o lado ocidental da cidade (2 Cr 32:2-
4,30).

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Esta verdadeira obra de engenharia precisa realizada até hoje maravilha os


engenheiros. Cavando secretamente pelo calcário sólido, Ezequias fez um túnel de 533
metros por baixo da cidade de Jerusalém.

O túnel conectou a Fonte de Giom com o atual Tanque de Siloé, localizado dentro dos
muros da esquina sudoeste da cidade.

Em 1880 foi feita uma exploração local no túnel (por meninos que nadavam ali),
descobriu-se uma inscrição a cerca de 6 metros da saída, onde o túnel tem quase 4,5
metros de altura. Hoje chamada de “Inscrição de Siloé”, esta narrativa do século VIII
a.C. fala sobre a construção do túnel e, assim, preenche os “espaços em branco” da
história bíblica.

Os trabalhadores não foram em linha


reta, mas trançaram um caminho na
forma de “S”, o que aumentou a
extensão de sua rota em mais de 65%.
Várias tentativas foram feitas para
explicar como os dois grupos de
trabalhadores, sem ajuda de bússola ou
ferramentas especializadas, puderam
se encontrar perfeitamente.

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O Monte do Templo

Houve três templos que estiveram no monte do templo entre 960 a.c. e 70 d.C. O
primeiro templo teve sua construção iniciada em 967 a.C. e terminada em 960 a.C. os
babilônios destruíram este templo em 586 a.C. O templo foi reconstruído sob a
liderança de um sacerdote chamado Zorobabel, sendo que as fundações foram
lançadas em 538 a.C. e a estrutura dedicada em 515 a.C.

Por quase 500 anos o segundo templo permaneceu em sua forma modesta de
reconstrução até ao período romano. Então o rei dos judeus nomeado pelos romanos,
Herodes, o grande, restaurou-o completamente. Foi neste segundo templo há pouco
restaurado que Jesus foi dedicado quando criança (aproximadamente em 6 a.C.).

O templo: qualquer tipo de escavação


no monte do templo é expressamente
proibido por muçulmanos e judeus
zelosos. A lei islâmica permite que só
muçulmanos podem adorar no monte e
considera toda invasão no local para
qualquer finalidade arqueológica como
tentativa velada do governo israelita de
eliminar a presença islâmica e
reconstruir o templo judeu.
O Domo da Rocha

Quase toda informação arqueológica que está disponível acerca do monte do templo
vem de explorações e escavações feitas no século passado. Naquela época, a área
estava sob o governo turco e os arqueólogos às vezes conseguiam permissão para
explorar. O monte do templo é segundo a tradição judaica o lugar a partir do qual Deus
criou o mundo, e a pedra alojada no interior do “Domo da Rocha” é supostamente o
local onde o quase-sacrifício de Isaque pelo seu pai Abraão – o pai do judaísmo – ia
sendo consumado.

Zelosos pela reconstrução da história, d.C., o exército romano destruiu toda a


os muçulmanos transformaram a igreja edificação.
bizantina erigida no monte pelos
cruzados católicos em uma mesquita,
alegando ter sido daquele mesmo lugar
que o seu profeta Maomé ascendeu aos
céus. Para muitos arqueólogos este é o
exato lugar onde ficara a arca da aliança
no templo de Salomão.

Apesar de Herodes já ter dedicado o


Templo, os trabalhos continuaram por
outros 46 anos (Jo 2:20). Depois, em 70

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